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Prémio Leaders & Achievers-Flecha Diamante 2016 PMR Africa

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Doadores não recuam e exigem esclarecimento
ecimento da dívida para libertar dinheiro

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Pág. 2 e 3
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PR apregoa diálogo com arma em punho


Os recados de Nyusi a Dhlakama
Di

Pág. 4
2 Savana 17-06-2016
TEMA DA SEMANA

O que os donos do dinheiro querem:

“A responsabilização é indispensável”
— Presidente cessante do Grupo de Parceiros de Apoio Programático e embaixador de Portugal diz que dívidas escondidas é um assunto
assunto muito sério

o
que merece a devida correcção
Por Armando Nhantumbo

log
L
evar à justiça aqueles que declaradas remetem ainda para
endividaram o país, num outras áreas que suscitam tam-
sensível dossier sobre as bém preocupação, que incluem o
dívidas ocultas, tem sido combate à corrupção. Podemo-
apontado, em meios restritos, -nos ater um pouco a isso? Até
como a operação que os donos porque a directora-geral do FMI,
do dinheiro, nomeadamente, os instituição de que muitos paí-
parceiros de ajuda orçamental a ses membros do G14, incluindo
Moçambique, querem impor a Portugal, fazem parte, apareceu,

ció
contra-gosto do partido Freli- publicamente, a dizer que, por
mo. Dada a delicadeza do caso, detrás das dívidas escondidas, há
há muita cautela na sua aborda- sinais claros de corrupção.
gem. Em entrevista ao SAVANA, A quem compete fazer essas con-
o Presidente dos Parceiros do clusões é a Procuradoria-Geral da
Apoio Programático, que esta se- República e as autoridades judiciais
mana terminou o mandato como e legais moçambicanas, não será
embaixador de Portugal, em Mo- certamente o embaixador de Por-
çambique, não fugiu à regra, mas tugal que vai tirar as conclusões de

so
deixou claro que a responsabiliza- que houve ou não corrupção. Deve-
ção é indispensável, por isso que, rá haver uma auditoria e deverá ao
os parceiros se batem duro para mesmo tempo haver essas conclu-
que haja investigação forense da sões e a consequência.
dívida oculta. “Que aquilo que é
para investigar seja investigado e É para haver
esclarecido e haja consequências, responsabilização
senão fica a sensação de que tudo A comunidade internacional tem
´+iTXHFRQVWUXLUFRQÀDQoDSDUDTXHGHSRLVVHSDVVHSDUDXPDYHUGDGHLUDUHFRQFLOLDomRµ-RVp'XDUWHQDKRUDGRDGHXV insistido muito na questão da au-
o que se faz pode não ser conse-
um
quente”, diz José Augusto Du- çambique há quase 30 anos, desde didas. Como é que Portugal, em extremamente, delicado. Como é ditoria forense e, a ideia que fica,
arte, na mesma semana em que o a área militar, do ensino, e em todas. particular,
ticular, e o G14 que presidiu, que viu o processo da reestrutura- que até pode ser errada, é de que
embaixador da União Europeia Portanto, foram três anos muito in- no geral, receberam estas infor- é preciso que haja responsabiliza-
ção da dívida da EMATUM?
ção dos arquitectos desta dívida.
disse, à saída da Procuradoria- tensos em termos de trabalho, com mações? Mantenho que continua a ser um
Gostaríamos que comentasse so-
-Geral da República, que só uma muitas frentes e muitos desafios. O G14, Portugal e todos reagiram assunto extremamente delicado.
bre isso.
investigação forense pode resta- Deixe-me dizer muito concreta- da mesma forma que os cidadãos Delicado porque é financeiramente
Mas é o que faz parte de qualquer
belecer a confiança dos parceiros. mente: foi provavelmente o posto moçambicanos e qualquer pessoa pesado, não é uma dívida pequena,
acordo internacional, não é nada
Duarte falava no mesmo dia em da minha vida. de bem. Nós reagimos com pena. tem uma grande dimensão e tem
de novo. Se vocês repararem bem
que uma missão do Fundo Mone- Por falar de desafios, que disse Lamentamos profundamente que um impacto significativo nas con-
naquilo que era o memorando de
tário Internacional (FMI) chegou que foram muitos, sai satisfeito a situação das dívidas que não ti- tas do Estado e é delicado também
entendimento assinado entre os
a Moçambique para nove dias de ou não? nham sido totalmente declaradas e porque acho que compete aos mo-
parceiros da ajuda orçamental e o
intensos encontros com as autori- O meu país faz este ano 873 anos, não eram conhecidas pelo público çambicanos resolver os assuntos in-
de

Estado, lá estavam as regras, várias,


dades de Maputo para perceber os mas está cheio de desafios por con- moçambicano como também não ternos. Os doadores terão de dizer estabelecidas nos vários artigos,
reais contornos da dívida oculta. quistar.. Moçambique tem 40 anos, eram conhecidas pelos doadores, a sua opinião, mas terão de ser os relativamente à probidade na vida
Siga a entrevista. há de ter muitos desafios por con- tivessem criado uma situação mui- moçambicanos a fazer as opções pública, a transparência… Ora,
quistar. Daqui a 100 anos, Moçam- to complicada. Isto não é bom para que consideram adequadas para se há probidade e transparência, é
Anunciou, esta semana, o fim da bique terá muitos desafios por con- Moçambique, não favorece Mo- ultrapassar os constrangimentos. para haver consequências, é para
sua missão como embaixador de quistar. O que quero dizer com isso çambique, não beneficia Moçam- Portanto, a delicadeza do assunto haver responsabilização. E, por-
Portugal em Moçambique. Como é que construir uma Nação nunca é bique. Moçambique orgulha-se de neste momento não é menor do tanto, essas coisas são indispensá-
é que foram os três anos de man- uma tarefa acabada. Todas as gera- ter estado durante muitos anos a que há um ano quando dei essa en- veis numa sociedade que pretende
dato? ções têm desafios importantes
impor por lutar para criar muitos amigos no trevista, provavelmente é igual ou progredir, como a consolidação do
io

Foram muito intensos. Houve sem- conquistar em prol do bem comum. estrangeiro, ganhar prestígio e res- superior. Estado de Direito e da responsa-
pre muito trabalho a fazer, muitos No caso de Moçambique, a geração peito internacional, e estas dívidas Se só a EMATUM já era um as- bilização da sociedade. É funda-
desafios a conquistar, em todas as que conquistou a independência que agora foram declaradas e que sunto delicado, agora, com a mental para o reforço das próprias
áreas de trabalho da embaixada de fez um trabalho heróico, que foi não eram ainda do conhecimento PROINDICUS e MAM, de que instituições. Que aquilo que é para
Portugal. Empenhei-me bastante lutar para que o país fosse livre e público no geral, não são uma boa magnitude é este dossier? investigar seja investigado e escla-
no reforço das relações político-di- tivesse a sua soberania. Mas o tra- É de magnitude suficiente para
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notícia. Não são uma boa notícia recido e haja consequências, senão
plomáticas entre Portugal e Mo- balho não está concluído. Essa foi para o Orçamento do Estado mo- ter acontecido o que aconteceu. A fica a sensação de que tudo o que
çambique. Preparei muitas visitas a tarefa daquela geração. A geração çambicano com as consequências magnitude que tem é suficiente se faz pode não ser consequente.
de autoridades portuguesas a Mo- que nasceu no Moçambique
Moç inde- que têm, não são uma boa notícia para ter criado este problema com Não pode haver a sensação de que
çambique. Preparei também muitas pendente tem outros desafios pela para a economia moçambicana, os doadores internacionais e que algo foi investigado devidamente
visitas de autoridades moçambica- frente. E a seguir a essa, outras ge- não são uma boa notícia para o levou a que os doadores tivessem e ficou inconsequente. Não é bom
nas a Portugal. Preparamos mui- rações virão e terão outros desafios crescimento de Moçambique. Mas decidido suspender a ajuda orça- para a credibilidade e a força das
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tas propostas de acordos a assinar importantes na construção de um dito isto, não é uma fatalidade, cá mental. Não acho que seja uma instituições do Estado face aos seus
entre as autoridades portuguesas e Moçambique cada vez mais livre, estamos presentes, moçambicanos fatalidade, acho que as coisas se po- cidadãos e face aos estrangeiros.
moçambicanas.
anas. Apoiei e trabalhei mais próspero, com inclusão social e estrangeiros, para ultrapassar dem e devem ser ultrapassadas em É fundamental esse tipo de coisas
com muitas empresas portuguesas e com desenvolvimento social e hu- a questão, para ver o que há para benefício dos moçambicanos e das acontecerem. Quando falamos na
que pretendem fazer investimen- mano e a bem de todos. Portanto, fazer, não se pode ficar apenas a moçambicanas. Para isso é necessá- transparência, falamos na responsa-
to ou que estão já em investimen- esses desafios serão uma constante lamentar o sucedido. Podemos em- rio empreender algumas medidas bilização também, mas isso compe-
tos em Moçambique.. Mantive um que cada geração deverá dar o seu preender medidas adequadas para que acho que fazem parte das in- te às competentes autoridades mo-
contacto diário com as autorida- contributo. É importante que cada corrigir aquilo que está mal. tenções pelo menos já declaradas çambicanas fazerem a investigação
des moçambicanas e com empre- geração dê o seu contributo pelo Uma situação que era evitável? pelo Governo moçambicano e que em prol daquilo que é o reforço da
sários portugueses. Esforcei-me desenvolvimento e consolidação Acho que sim e desejável que não tem feito parte das conversas que credibilidade e da força das pró-
o máximo possível para valorizar da nação e não ache que o trabalho tivesse acontecido também. temos tido com o Governo. Falta prias instituições do Estado.
e promover a cultura e os agentes está concluído pelas gerações que a Um mês depois de assumir a pre- agora é aprovar essas novas regras Sendo o senhor embaixador uma
culturais moçambicanos em Por- antecederam. sidência do G14, ano passado, e implementá-las. pessoa que conhece Moçambique
tugal. Empenhamo-nos também Depois da EMATUM, este ano concedeu uma entrevista ao SA- Numa carta de 3 de Maio, ao Go- e o funcionamento das insti-
na cooperação de ajuda ao desen- fomos todos colhidos de surpresa VANA, na qual considerava o dos- verno de Moçambique, diz, em tuições do Estado, acredita
volvimento que temos com Mo- sobre as chamadas dívidas escon- sier EMATUM como um assunto, nome do G14, que as dívidas não numa auditoria que possa ir
Savana 17-06-2016 3
TEMA DA SEMANA

até à responsabilização dos po- a situação. Que os moçambicanos haverá tendência para redistribuir Dito isto, Moçambique não pode que pode fazer muito. Eu acho que
tenciais culpados, neste caso con- precisam de esclarecer a situa- para outros sítios, ou para não dar fazer mais nada, sujeitar-se ape- pode. Faz parte da ajuda externa
creto? ção para consigo próprios. Se vão o dinheiro da forma como se cos- nas aquilo que são os caprichos da de cada Estado, alimentar os ami-
Eu tenho de acreditar porque se eu questionar o personagem A ou B, tumava dar porque as prioridades concorrência internacional para ar- gos, gerar confiança, conquistá-los,
não acreditar é um descrédito com- isso compete às autoridades legais mudaram. Portanto, há uma série ranjar ajuda ou daquilo que são as convencê-los. Eu acho que há, sim,
pleto por essas instituições. Nós decidir. Mas o assunto, assumir cla- de factores que levaram com que circunstâncias internas de cada país muito trabalho a desenvolver nesse
precisamos também de transmitir ramente perante autoridade inter- passássemos de 19 a 14 Estados. doador? Eu acho que Moçambi- domínio.
confiança às próprias autoridades nacionais como foi assumido pelas

o
judiciais, e temos de pressioná-las altas autoridades deste país que
se for necessário, para que façam havia dívidas que não tinham sido
essas investigações. declaradas, é uma situação compli- Tensão político-militar
Não acha que 1.4 mil milhões de cada, uma situação muito séria e

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dólares em dívida não declarada que merece necessariamente a sua
seja um motivo para uma opera- devida correcção. Ela só será cor-
ção do tipo “Lava Jato” no Brasil? rigida quando for feita a investiga-

T
Isso compete aos moçambicanos ção e tiradas as devidas conclusões. ermina o mandato e deixa um país em guerra. os órgãos de comunicação social ou tente convencer os
decidir, não compete a mim. Só os Portanto, a investigação terá de ser Acha impossível que os moçambicanos vivam outros moçambicanos dos seus próprios argumentos,
moçambicanos é que vão verificar levada a cabo naturalmente pela a verdadeira reconciliação? mas não matando e destruindo. Dito isto, tem de haver
o que acontece noutros países e o autoridades legais moçambicanas. Não, não é impossível, ela depende da vontade inclusão de todos, tem de haver esforço genuíno para
Não terá, a redução de 19 para 14, dos moçambicanos. que todos façam parte deste país e com que haja uma
que acontece no seu país. Os mo-
dos países membros do Grupo de Julga que os moçambicanos não têm essa vontade? forma de ultrapassar as questões. Não acho de todo im-
çambicanos é que decidem. O país possível que sejam resolvidos os diferendos que exis-

ció
Parceiros de Apoio programático, Perguntamos isso porque há longos quatro anos que
é soberano. os moçambicanos não conseguem pôr fim a este con- tem, mas exigem certamente uma vontade redobrada
a ver com esquemas de corrupção
O embaixador tem sido bastante flito. para que cheguemos lá.
em Moçambique?
cauteloso e reitera que as decisões Eu também estava muito contente com os acordos que E como tem visto os esforços das partes em conflito,
Tem a ver com vários factores.
cabem aos moçambicanos. Ora, Que incluem a corrupção? tinham sido assinados no dia 5 de Setembro de 2014 se é que há esforços, no sentido de pôr fim a esta si-
entre os moçambicanos há uma A ajuda orçamental a Moçambi- (para a Cessação das Hostilidades Militares) e que o tuação?
percepção generalizada de que é que deriva, essencialmente, de um que faltava era a verdadeira reconciliação. Ora, para ha- Não sei, não tenho acompanhado com a precisão ne-
preciso que os membros do Go- esquema que dura há quase 15 ver a reconciliação, tem de haver a construção da con- cessária, não posso avaliar. O que é certo é que o que
verno anterior sejam responsa- anos. O que acontece é que a rea- fiança. E neste momento não há essa confiança entre as tenho ouvido nas conversas que temos tido sempre
bilizados, obrigados a esclarecer partes. Há que construir essa confiança para que depois com as partes em conflito é que, quer de um lado, quer

so
lidade internacional vai mudando.
o que terá acontecido. Como diz se passe para essa verdadeira reconciliação. Devo dizer do outro, há declaração de uma grande vontade de se
Vai mudando nos países que dão
que não cabe a si dizer sim ou não, que eu rezo muito e torço muito para que isso aconteça chegar à paz e de haver um entendimento. Dito isto,
apoio ao Orçamento. Coisas que
só gostaríamos de ouvir, pelo me- em Moçambique.. Moçambique teve 10 anos de guerra há vontade, mas falta um esforço redobrado para con-
eram muito populares, há 15 anos,
colonial, teve 16 anos de guerra interna e chega, os mo- quistar essa mesma confiança. Eu acho perfeitamente
nos, se acha justa ou não esta exi- hoje são menos populares, relativa- çambicanos tem de construir outra coisa, tem de saber possível e nesse sentido eu saio optimista no sentido
gência dos moçambicanos? mente, às respectivas populações, e se relacionar doutra forma. de que vai ser possível. Mas também é uma questão
O que eu acho justo é que o assun- portanto, deixam de ser prioridade Eu pessoalmente condeno veementemente o recurso à de tempo, mais tarde ou mais cedo, as pessoas vão se
to tem de ser esclarecido. E aquilo para as políticas desses mesmos violência para defender pontos de vista. Não pode ser a saturar, têm que acabar com esta situação, não é susten-
que eu disse e reitero é que é fun- países, mas outros países também forma, nunca pode ser a forma de defender um ponto tável indefinidamente. A situação do conflito em Mo-
damental que Moçambique faça surgem como potenciais recipien- de vista, o recurso à destruição, à morte, para defender çambique não é sustentável indefinidamente, ninguém
um
alguma coisa para recuperar essa tes de ajuda orçamental e Moçam- pontos de vista, por muito justa que seja a causa, nada aguenta isto e, portanto, os moçambicanos, mais tarde
confiança. Os parceiros foram cla- bique concorre com esses também. justifica a morte de um ser humano. Não é aceitável ou mais cedo, terão de chegar às negociações. Seja pela
ros na relação com as autoridades Na última década, Moçambique isso. Há de haver instâncias legais e constitucionais vontade redobrada das partes, seja pela inviabilidade
moçambicanas que é necessário in- cresceu a uma média de 7.5 e, pro- para dirimir diferenças. Ou mete um processo no Tri- das coisas, eu saio optimista quanto ao desfecho, apesar
vestigar e esclarecer a situação. Que vavelmente, não está numa situação bunal, ou fala à Assembleia da República ou fala para de não saber quando vai acontecer.
Moçambique precisa de esclarecer de carência, à partida, e por isso,
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I. Introdução e Propósitos da Consultoria SHFLDOLGDGHV L 3ODQLÀFDomR(VWUDWpJLFDGH3URJUDPDVGH'HVFHQWUD-


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4 Savana 17-06-2016
TEMA
TEMADA
DASEMANA
SEMANA

PR reforma FDS debaixo de tensão político-militar

Nyusi apregoa diálogo com arma em punho


Por Argunaldo Nhampossa

o
N
uma altura em que a M´tumuke também avançou no
Comissão Mista com- mesmo diapasão afirmando que
posta pelos mandatá- a reorientação e refrescamento

log
rios do governo e da das FDS visa responder às novas
Renamo ainda busca mecanis- dinâmicas e contexto em que os
mos para o encontro ao mais alto inimigos da paz desestabilizam e
nível das respectivas lideranças, geram pânico nas populações.
o Presidente da República (PR) Segundo M´tumuke, é neste ce-
e Comandante em Chefe das nário em que as FDS são cha-
Forças de Defesa e Segurança, madas a promoverem acções que
Filipe Nyusi, orientou as Forças concorram para o restabeleci-

ció
de Defesa Segurança (FDS) para mento da ordem, tranquilidade
se manterem em prontidão com- pública e, acima de tudo, que não
bativa de modo a garantirem o se coloque em causa a soberania
controlo eficiente e eficaz de cada nacional.
metro quadrado do território na-
cional e cada milha do mar e ar. Vamos nos focar no diálogo
O porta-voz da Renamo, Antó-
Segundo Nyusi, Moçambique é nio Muchanga, criticou a atitude
um Estado de direito democráti- de Filipe Nyusi de recorrer sem-

so
co e não há espaço para dualismo, pre à imprensa para convidar o lí-
)LOLSH1\XVLGL]TXHDV)'6GHYHPJDUDQWLUFRQWURORHÀFD]GRWHUULWyULRQDFLRQDOPDUHDU der da Renamo, Afonso Dhlaka-
onde por um lado há partidos po-
líticos civis e por outros armados. ma, para a retomada do diálogo.
As confrontações armadas en- Mataruca para vice-comandate os princípios democráticos, tendo Nyusi apelou à calma e sem fazer Segundo Muchanga, já foi criada
tre as tropas governamentais e do Instituto Superior de Estudos sublinhado que o povo não pode menção a qualquer nome, disse uma comissão de preparação do
os homens armados da Renamo de Defesa Tenente-General, Ar- ser feito refém para se alcançar que os países vizinhos não devem diálogo entre as duas lideranças,
continuam se fazendo sentir no mando Guebuza. o poder. Numa altura em que o ganhar ódio contra os moçambi- sendo que agora é chegada a hora
país, perante o clamor da paz das Na Polícia da República de Mo- Malawi equaciona abandonar o canos devido a um grupo que ata- das partes se focalizarem nos pre-
populações. Em virtude disso, o çambique (PRM) patenteou cin- uso das estradas nacionais para ca os seus bens quando transitam parativos sob pena de dar a enten-
um
governo introduziu semana pas- co oficiais generais como adjuntos o transporte das suas mercadorias por Moçambique. der que se está a caminhar para
sada a terceira escolta militar na comissários da polícia. Trata-se devido aos constantes ataques, O ministro de Defesa, Atanásio encontros infrutíferos.
de Aquilasse Manga, Bernardo
Estrada Nacional Número 7, no
Chicoco, Ernesto Guambe, Júlio
troço entre Vanduzi, província de
Bonicela e Zito Maconha.
Manica, ao rio Luenha, no dis-
Depois deste acto, clarificou
trito de Changara, em Tete, num De protesto contra a situação político-militar e económica do país
Nyusi: “estamos num Estado de-
percurso de aproximadamente
mocrático e de direito por isso
250 quilómetros, isto depois da
coluna no troço Save-Muxúnguè
e Nhamapaza-Caia na província
de Sofala.
não devemos abrir espaço para
uma convivência dualista, por um
lado, partidos civis e, por outro,
Promotores da marcha
de

partidos armados”.
Nyusi considera que a paz cons-
titui condição primária para a
estabilidade política, desenvol-
Prosseguiu afirmando que a ac-
tividade militar deve ser uma
práticaa constante e, por via disso,
queixam-se de ameaças
vimento económico, harmonia e defenderem de forma vigorosa os - Alice Mabota e João Pereira falam de mensagens com o tom intimidatório
equidade social. No entanto, re- eitos humanos, sobretudo o
direitos

A
fere que a mesma não tem como lice Mobota, presi- perança”, um numeroso grupo de Falando na qualidade de porta-
direito à vida e as liberdades fun- dente da Liga dos Organizações da Sociedade Civil -voz do movimento social, Ali-
se materializar ou se consolidar damentais do homem, defender a
sem que as FDS não sejam de- Direitos Humanos (OSC) convocou, para este sábado, ce Mabota desenhou um quadro
nossa soberania. (LDH), e João Perei- em Maputo, uma mega marcha pa- negro para o país e disse que o
vidamente esclarecidas as suas
io

Segundo Nyusi, para o cumpri- ra, director da Fundação Me- cífica para protestar contra a actual futuro dos moçambicanos está,
missões constitucionais, com des- mento deste desiderato é preciso canismo de Apoio à Sociedade situação política e económica do a cada dia que passa, a ficar
taque para a defesa da soberania que as FDS pautem igualmen- Civil (MASC), promotores da país. comprometido.
nacional. te pelos princípios de deonto- marcha contra a situação po- A actual situação política do país é, Para ela, a manifestação de rua é
Foi nesse sentido que, esta segun- logia profissional, “por isso, vos lítico-militar e económica do actualmente, caracterizada por de- um mecanismo que se pode en-
da-feira, Filipe Nyusi, na quali- orientamos a elevarem o grau de país, que este sábado terá lugar
ár

sentendimento e desinteligências contrar e usar, neste momento,


dade de Comandante em Chefe prontidão combativa de modo a na capital do país, Maputo, entre o governo moçambicano e a para dizer “basta” e exigir uma
das Forças de Defesa e Seguran- garantirem o controlo eficiente queixam-se de ameaças.
Renamo, realidade que tem estado postura diferente por aquele que
ça, patenteou e conferiu posse a e eficaz de cada metro quadrado a desembocar em sistemáticos e tem a função e obrigação cons-
diferentes quadros os militares e da territór e cada milha do
terr
deste território Os dois activistas sociais refe-
permanentes confrontos armados titucionais de assegurar condi-
PRM. ar precisou.
nosso mar e ar”, rem que receberam mensagens
escritas do telemóvel com o em várias regiões do país, particu- ções dignas às populações.
Justificou o PR esta acção ale- Mesmo com estas indicações,
Di

conteúdo de ameaça de morte. larmente na região centro. “Nós, representantes de Orga-


gando que se trata de uma acção o PR diz estar consciente que o Por outro lado, continua a revol- nizações da Sociedade Civil,
Disseram que os autores das
que visa colocar quadros à altura soar das armas não é o caminho mensagens aconselharam os ac- tar meio mundo o facto de o país organizações profissionais, reli-
de desafios específicos, sendo que certo para a busca da paz, pelo tivistas a não aderir à manifes- estar a atravessar aquele que pode giosas, académicas e económi-
neste momento o restabeleci- que defende o princípio de diá- tação pacífica convocada para ser tido como um dos piores mo- cas, estamos preocupados com
mento da paz afigura-se como o logo para resolução de diferen- este sábado. mentos económicos, uma realida- o rumo que o país tem estado
maior. dos, tendo de seguida reiterado o “Queres aderir à marcha? Adi- de directamente relacionada com a tomar nos últimos anos. Por
A nível das FDS, o PR promoveu seu convite ao líder da Renamo, ra. Estaremos a tua espera”, dis- a contracção, pelo executivo de isso, queremo-nos exprimir em
Lazaro Menete como comandan- Afonso Dhlakama, para aquilo se Alice Mabota. Armando Guebuza, de dívidas no defesa do futuro e de uma so-
te do Ramo do Exército; Messias que chamou de diálogo profícuo Alice Mabota diz que apresen- valor global de quase 2.2 biliões de ciedade pacífica, sem corrupção,
Niposso para comandante da For- ao convívio democrático. tou uma queixa, nesta quarta- dólares americanos. ataques a vozes dissidentes e
ça Aérea; Eugénio Mataruca para Na mesma ocasião, advertiu que -feira na Procuradoria-Geral Pior e mais revoltante para a Socie- sem intolerância. Neste contex-
o cargo de comandante da Mari- da República. dade Civil é o facto de as referidas to, convidamos todos cidadãos/
as incursões com recurso a armas
nha de Guerra, Eugénio Mussa não devem servir de mecanismo dívidas terem sido escondidas dos cidadãs a participarem numa
como comandante do Serviço para forçar o Governo a consen- Tudo a postos moçambicanos e dos principais marcha pacífica com o lema:
Cívico e por último Francisco sos inconstitucionais que ferem Sob o lema, “pelo direito à es- parceiros internacionais. “pelo direito à esperança”, disse.
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DA SEMANA
6 Savana 17-06-2016
SOCIEDADE

Liberdade de expressão sob ameaça?

PIC causa pânico no ZAMBEZE


Por Abílio Maolela

o
A
semana que termina co- a Deus pertence porque ninguém
meçou nebulosa no Jor- pensava que isto pudesse acontecer
nal Zambeze. Em pleno no mandato de F Filipe Nyusi”.

log
dia de fecho, terça-feira, “Elevou-se muito as expectativas
a Polícia de Investigação Criminal com a entrada de Filipe Nyusi, a
(PIC), a nível da cidade de Mapu- partir do seu discurso de tomada de
to, notificou e com efeitos imedia- posse, mas está a mostrar que está
tos o Director e Chefe da Redacção
a dar continuidade ao trabalho de
deste semanário, João Chamusse e
Egídio Plácido, respectivamente, a Guebuza”, constata.
prestar declarações, acerca de dois “Primeiro foi a Lusa, hoje é o Zam-
artigos publicados, na sua penúlti- beze. Já não sabemos quem será o

ció
ma edição (datada de 9 de Junho). próximo”, remata.
Recordar que, em 2013, os jorna-
Numa situação jamais vista, cinco listas e Editores do MediaFax e
agentes da PIC acamparam, em Canal de Moçambique, Fernando
frente à redacção daquele sema- Mbanze e Fernando Veloso, res-
nário, à espera dos jornalistas para
pectivamente, foram notificados
uma audição, de cerca de três horas
(das 12 às 15 horas) e, à saída, João pela Procuradoria-Geral da Repú-
blica a prestar depoimento em tor-

so
Chamusse disse que a notificação
visava apenas assegurar a realização no da opinião crítica do académico
de um inquérito acerca de dois ar- Mais uma vez a liberdade de expressão e de imprensa foram postas em causa Carlos Castel-Branco.
tigos recentemente publicados pelo Fernando Mbanze seria julgado e
tas a se explicarem sobre o trabalho listas reproduziram o que a rádio não se prestar ao ridículo”, diz.
Zambeze. absolvido, no ano passado, pelo juiz
que fazem. Os jornais, rádios e te- zimbabweana publicou (está na in- Com esta situação, questionamos
“Houve uma notícia que o Zambe-
levisões veiculam informações que ternet em português e inglês). Com a fonte que futuro se desenhava João Guilherme, naquilo que ficou
ze publicou vinda da Beira. Então,
recebem de várias fontes, incluindo um pouco de esforço, a PIC ia à in- no país, em relação à liberdade de conhecido como a vitória da liber-
a Polícia queria saber os contor-
o que é publicado por vários órgãos ternet ver o que está a acontecer e imprensa, ao que disse: “o futuro dade de expressão e de imprensa.
nos e provas. É uma outra notícia
de informação”, explicou.
relacionada com uma denúncia da
um
Gonçalves acrescenta que a infor-
população sobre autoridades que
mação publicada pelo Zambeze
roubam coisas da população”, disse
não foi desmentida e, mesmo que
Chamusse.
esta não seja verídica, a justiça deve
Dos referidos artigos, o primeiro,
accionar “mecanismos previstos na
intitulado “Militares Zimbabwea-
nos abatidos na Gorongosa”, fala de lei”.
supostos militares zimbabweanos, “Estas encenações são um mau
que foram alvos dos homens arma- ambiente, quanto ao exercício da li-
dos da Renamo, quando seguiam berdade de expressão e de impren-
para Gorongosa, com o intuito de sa em Moçambique. Apelamos às
apoiar as Forças de Defesa e Se- pessoas que têm estado por detrás
destas maquinações a desistirem de
de

gurança (FDS); e o segundo, cujo


título é “FDS acusadas de roubar actos que configuram em tentativas
galinhas em Vanduzi”, aborda os de intimidação e de impedir que
actos cometidos pelas FDS, ressal- a imprensa realize as actividades
vando que os mesmos são também num ambiente de independência
atribuídos aos homens armados da e de liberdade, tal como consagra
Renamo. a Constituição da República e de-
Para Egídio Plácido, tratou-se de mais legislação”, sublinha.
um acto de intimidação porque Este caso sucede o da Agência
“todo o mundo sabe como é que é Lusa, que há semanas foi notifi-
io

feita uma notificação policial”. cada para prestar declarações na


“Nós temos um endereço próprio, Comissão Parlamentar dos Direi-
trabalhamos para uma instituição, tos Humanos e de Legalidade da
pelo que não havia necessidade de Assembleia da República, acerca da
a Polícia recorrer àquela maneira. existência ou não da suposta vala
ár

Não havia necessidade para aquele comum, no distrito da Gorongosa,


aparato de cinco homens para vir a na província de Sofala.
PIC prestar uma simples declara- Sobre este caso, o também Editor
ção. De certa forma sentimo-nos do SAVANA esclarece que em
intimidados”, argumentou Plácido. nenhum momento aquele órgão
Esta situação deixou indignada a de comunicação
com disse haver vala
Di

comunicação social, que fez a ques- comum, mas que “havia relatos da
tão de acompanhar o caso de perto. existência desta” e que os jornalistas
tiveram dificuldades em aceder ao
“Não é papel da PIC visitar local.
loc
redacções” – Fernando
Gonçalves, Director do “A PIC prestou-se ao ridícu-
MISA ORµ5HÀQDOGR&KLOHQJXH
O Presidente do MISA-Moçambi- (GLWRUGR&RUUHLRGD0DQKm
que, Fernando Gonçalves, classifica Para o Editor do Correio da Ma-
o acto como sendo de intimidação, nhã, Refinaldo Chilengue, o que
a avaliar pelos procedimentos se- se assistiu na manhã de terça-feira
guidos pela PIC e avança que “não foi um acto de intimidação e a PIC
é o papel da PIC visitar redacções”, “prestou-se ao ridículo” ao não re-
a pedir explicações do trabalho que correr à fonte primária.
fazem. “Aquilo não passa de uma atitude
“Há um hábito de exigir os jornalis- de intimidação porque os jorna-
Savana 17-06-2016 7
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8 Savana 17-06-2016
SOCIEDADE

Académico desmonta tese de Maleiane de que a dívida pública não afecta bolso do cidadão

Não há truque que esconda a roubalheira


3RU$UPDQGR1KDQWXPER

o
T
ido como o maior dispa- para taxar. Os doadores não dão Cenário 4
rate de sempre vindo da o, as empresas públicas
dinheiro, Prossegue, esclarecendo que, se
boca de um economista, estão falidas e custam dinheiro

log
a taxa de juro aumenta, em prin-
Adriano Maleiane, o mi- ao Estado. Onde é que vai bus- cípio existe uma relação directa
nistro da Economia e Finanças, car dinheiro? Só aumentando os com o metical.
afirmou, voz alta, em Maio últi- impostos, não tem outra opção”. “O metical também pode des-
mo, que o bolso do cidadão não ere que, se há que pagar dívi-
Refere valorizar e a confiança que os
será afectado por causa da dívida das, o Estado tem de obter recei- financiadores externos têm so-
financiador
pública moçambicana. É uma tas adicionais e para obter receitas bre Moçambique reduz-se e ao
teoria que, em meandros habi- adicionais, a subida de impostos reduzir-se a confiança, automati-
litados, incluindo entre antigos pode ser uma das medidas a to- camente, as taxas de juros lá fora
colegas de carteira do ministro,

ció
mar. pagam, e se as taxas de juros lá
não encontra acolhimento algum “Ora, se os impostos aumentam, fora pagam, nós temos de pagar
e, de tanta polémica, o SAVA- você fica com menos dinheiro no mais lá fora em divisas. Portanto,
NA foi bater a porta de um dos seu bolso porque uma parte do a taxa de câmbio vai subir e com
mais activos economistas mo- seu salário é retido na fonte como um efeito negativo. A subida da
çambicanos, mesmo em termos IRPS assim como nas empresas taxa de câmbio vai fazer com que
de produção científica. “Isso não o IRPC. Significa que você tem as importações de bens essenciais
é verdade”, responde João Mos- menos rendimento para o seu no mercado interno e os preços
ca, para quem dá a impressão de orçamento familiar, as empresas internos aumentem, afectando

so
que o Governo pensa que nin- têm menos lucrlucros e se têm me- logo a população”, argumenta.
guém mais sabe do assunto, que “A dívida não vai afectar o bolso do cidadão comum”, Adriano Maleiane nos lucros podem investir menos,
as pessoas não sabem pensar, ou podem produzir menos, podem Afecta o bolso, sim!
pagar dívidas contraídas por em- “As empresas de recursos naturais
que quer aldrabar, mentir e con- criar menos empregos e podem Na entrevista ao SAVANA, o
presas, que depois se transforma- estão a desempregar pessoas, a
siderar os cidadãos como pessoas afectar o fornecimento de bens economista refere: “significa que a
ram em dívida pública, como os construção civil está a desempre-
de menor idade, o que é muito essenciais à população”, diz. contracção da dívida pública tem
USD 1.4 mil milhões contraídos gar pessoas. O Estado pode não
mau para a credibilidade de um muitíssimas implicações a curto e
às escondidas, há uma redução desempregar pessoas, mas prova-
Estado. Na contra-balança, João Cenário 3 longo prazo e essas implicações
Mosca coloca pelo menos quatro automática da disponibilidade velmente não vai empregar mais
De acordo com o economista vão directamente afectar a popu-
um
cenários para desconstruir a tese orçamental, o que tem implica- pessoas. Todo o tecido empresa-
rial está em crise. O governo mo- que um dia mandou “futseka” ao lação, sobretudo, a população de
que, para os mais críticos, parece ções sobre outras áreas onde o
çambicano continua a dizer que Fundo Monetário Internacional rendimento mais baixo, que são
ser de um estudante de noções Estado devia ter um papel im-
vai haver crescimento, mas todos (FMI), se há aumento da dívida os pobres”.
de economia da Universidade de portante, como educação, saúde,
os empresários dizem que estão a pública e se o Estado vai buscar E explica-se: “isso não significa
Nachingweia. água, incluindo o pagamento de
diminuir a produção, muitas em- alguma parte dessa dívida com que a população de rendimento
salários.
presas estão a fechar. Então, onde financiamento bancário interno, médio e alto não fica afectada,
Cenário 1 significa que se está a tirar dinhei- mas a capacidade de aguentar
João Mosca contra-argumenta
Cenário 2 está o crescimento económico? É
O segundo cenário que Mosca falso”” rebate. ro de crédito ao sector privado e essa subida de preços é comple-
que é falso que o bolso dos cida- ao sector familiar para financiar o
traça tem que ver com o aumento Mosc explica: “o nosso Orça-
Mosca tamente diferente. Se você ganha
dãos não vai ser afectado por cau- sector público.
de impostos que,, entretanto, até mento de Estado é deficitário e 200 mil meticais e gasta 50 mil
sa das dívidas, algumas das quais
aqui o Governo garante que não “Se assim é, automaticamente, em alimentos e passa a gastar 60
de

contraídas de forma criminosa. à longa data. Moçambique vai


irá mexê-los, uma promessa na crescer menos ou talvez vai cres- porque existe uma menor dispo- mil por causa da inflação, você
“Isso não é verdade porque se
qual o economista não acredita. negativ Os impostos vêm
cer negativo. nibilidade ou oferta de dinheiro, ainda pode suportar essa subida
existe dívida pública, automati-
Para ele, o Governo diga o que dos rendimentos das pessoas, do automaticamente, a taxa de juros de preços. Mas se você ganha 5
camente, essa dívida tem de ser
disser, mas muito provavelmente rendimento das empresas. Se as vai subir, o investimento pode mil meticais, e tudo gasta em ali-
paga com o Orçamento do Esta-
vai aumentar os impostos. Ar- empr
empresas produzem menos, se há cair, assim como a produção, os mentos, em água, energia e outros
do (OE)”, reage o Professor que
gumenta que, se não aumentar, menos empregos, as receitas do custos sobem e se os custos so- bens e serviços essenciais, e
há longos anos tem vindo a escre-
é porque o dinheiro vai sair de bem, os preços também podem os preços sobem, você, au-
ver sobre a economia moçambi- Estado vão diminuir, então, onde
outro lado qualquer, menos da subir, afectando o nível de vida tomaticamente, fica sem
cana. é que o Estado vai buscar dinhei-
economia moçambicana que está das pessoas”, explica. possibilidades de comprar
Logo, explica João Mosca, se uma ro? Há menos empresa para taxar
io

parte de dinheiro do OE vai para a decrescer. e há menos pessoas empregadas


ár
Di

O somatório das dívidas da EMATUM, PROINDICUS e MAM é de aproximadamente USD 2 mil milhões, exceptuando os
USD 221.4 milhões também contraídos secretamente pelo Ministério do Interior. “É mentira, a dívida afecta gravemente o bolso do cidadão“, João Mosca
Savana 17-06-2016 9
SOCIEDADE

Embaixador chinês mantém encontro


com a CTA

o
O
embaixador da Repú- cidade Produtiva é de reforçar a “Foi daí que nós, como sector
blica Popular da China produção nacional, promovendo privado, entrámos nesta área em-
em Moçambique, Su as exportações e diminuindo as presarial para abraçar este pro-

log
Jian, visitou esta terça- importações.  grama designado Cooperação da
-feira a sede da Confederação das “Podemos tirar vantagens recí- Capacidade Produtiva”, afirmou o
Associações Económicas de Mo- procas e fazer milagres para Mo- presidente da CTA, que assegu-
çambique – CTA, onde manteve çambique crescer, pois não será rou haver valores para financiar os
um encontro com o Conselho apenas com a exploração dos re- projectos chineses em Moçambi-
Directivo desta agremiação, di- cursos naturais que vai melhorar que. 
rigido pelo respectivo presidente, a economia, mas também garan- O presidente da CTA descreveu
Rogério Manuel.  tindo uma segurança financeira e o referido programa como “uma

ció
económica”, sustentou.  oportunidade que nos é dada pelo
O encontro inseriu-se na mate-
Já o presidente da CTA, Rogério governo chinês para promover a
rialização dos acordos alcançados
pelos governos de Moçambique e Manuel, disse que a visita do em- industrialização em Moçambi-
da China, na recente visita efec- baixador da China em Moçambi- que. Neste contexto, no próximo
tuada pelo Presidente da Repú- que tem por finalidade promover dia 24 do mês em curso, uma
blica, Filipe Jacinto Nyusi, àquele cada vez mais a relação entre o delegação empresarial composta
país asiático.  6X-LDQHPEDL[DGRUGD5HS~EOLFD3RSXODUGD&KLQDHP0RoDPELTXH
empresariado nacional e o chinês. por 80 empresários chineses esta-
Conforme revelou Su Jian, a ida Rogério Manuel deu a saber que, rá em Maputo para um encontro
à CTA serviu para discutir a im- uma economia muito forte”.  mais infra-estruturas, mais for- “aquando da nossa recente visita de negócios. 

so
plementação da Cooperação da Su Jian explicou que este progra- mação profissional, para além de à China, acompanhando o Pre- Importa referir que a Coopera-
Capacidade Produtiva, um pro- ma visa a criação de mais postos encontrar a forma financeira mais República, assinámos
sidente da Repúblic ção da Capacidade Produtiva tem
grama estratégico com o qual de emprego e preparar tecnica- viável e diversificada para desen- vários memorandos de coopera- como áreas de investimento a
“poderemos avançar com a indus- mente mais operários moçambi- volver a sua economia.  ção, sendo um deles sobre o apoio indústria transformadora, o agro-
trialização em Moçambique, pois canos. A China quer contribuir O diplomata assegurou que o ob- a Moçambique no ramo da in- -negócio, o turismo, a pesca, o co-
queremos que este País tenha para que Moçambique tenha jectivo da Cooperação da Capa- dustrialização”.  mércio e serviços bancários.

aquilo que anteriormente existe uma inflação muito supe- FMI não vai continuar a financiar vamos demorar para fazer essa mo não fique definitivamente
um
pagava porque o seu ren- rior que aquela que existia há um corrupção. Se reparar bem esta auditoria? E se a auditoria veri- conhecida como uma instituição
dimento não se altera, pelo tempo, logo, a população está a frase, com aquelas condições que ficar que há corrupção, que certa- corrupta. Se a Frelimo não quer
contrário, diminui por causa sofrer. Não só isso, existe falta de o G14 colocou na carta ao Go- mente existirá?” questiona-se. responsabilizar internamente o
da inflação”. divisas para fazer pagamentos às verno moçambicano, que exige Para o economista, todo este Governo, então, está a pactuar
importações. Os Mukheristas já esclarecimentos sobre quem são cenário só mostra que há, em com esse tipo de situações”, ad-
“Dá a ideia de que o Go- estão com dificuldades de impor- as empresas, quem são as pesso- Moçambique, uma rede muito
verno quer aldrabar” verte.
tar porque não têm dinheiroo para as, quais são os valores, etc, etc… estranha e de uma engenharia Comentou ainda sobre o incum-
A fonte, para quem as dívidas têm
comprar lá fora, na África do Sul. esclarecido,
enquanto isso não for esc financeira que pode envolver alta
um efeito directo e muito forte primento, pela MAM, do paga-
Significa que a quantidade dos não vai haver dinheiro”, comenta, corrupção que é preciso descobrir
sobre a população, sublinha que mento, a 23 de Maio último, de
produtos que os Mukheristas vão apontando que significa que tem porque caso não a situação eco-
é absolutamente errado e tecnica- USD 178 milhões referentes à
de haver responsabilização. nómica e social do país vai ser
de

mente mau que o governo venha oferecer aqui internamente é me-


“Moçambique, através da PGR, dramática. primeira tranche da dívida, afir-
dizer “essas coisas”, ou seja, que a nor, fazendo de novo aumentar os
parece que está a querer ou está “É preferível rolar cabeças inter- mando que, quando um País en-
dívida pública não afecta o bolso preços”.
A uma pergunta sobre até quando a fazer isso, mas independente- namente, assumir responsabilida- tra a não cumprir os seus com-
do cidadão. promissos, automaticamente, a
os discursos optimistas, disse que mente dessa auditoria da PGR, des internamente, a Frelimo assu-
Para Mosca, ao afirmar que a condição do Estado como pessoa
verno pode responder.
só o Governo internacionalmente, vão fazer au- mir aquilo que tem de assumir, o
dívida pública não vai afectar o
“O Governo é que sabe até quan- ditorias porque já não acreditam Governo assumir aquilo que tem jurídica de bem deixa de existir e
bolso dos cidadãos, “o Governo
do. Qual é a capacidade a mais que na PGR vai ser um trabalho de assumir, responsabilizar indi- o Estado passa a ser um homem
dá a ideia que pensa que ninguém
que tem de continuar a mentir. bem feito. E sem a conclusão des- vidualidades se for o caso para a vigarista como outro qualquer
mais sabe do assunto, que as pes-
Se eles rectificarem e começar a sa auditoria forense externa, não salvação do país, de Moçambique, que não cumpre com os seus
io

soas não sabem pensar, dá a ideia


dizer as verdades, então a situa- haverá dinheiro. Quanto tempo dos cidadãos e para que a Freli- compromissos.
de que quer aldrabar, mentir e
ção muda completamente. Mes-
considerar os cidadãos como pes-
mo a pressão internacional, dos
soas de menor idade. Isso é muito doadores, da sociedade civil, dos
mau para a credibilidade de um jornalistas, vai diminuir porque se
ár

Estado, como interna como ex- terá conseguido finalmente que


terna. Isso é que eu lamento bas- o Governo diga as verdades com
tante”. transparência para que depois
Questionado se o seu argumento haja responsabilização”, comenta.
era apenas no campo teórico ou
se a dívida já tem impacto no bol- “É preferível rolar
Di

so do cidadão, o entrevistado res- cabeças”


pondeu: “a taxa de câmbio subiu Numa altura em que está a cami-
e subiu, em parte, por causa dessa nho de Maputo uma equipa do
falta de confiançaa no governo, su- FMI para avaliar a real situação
biu porque essa falta de confiança da dívida pública moçambicana,
levou a uma redução de investi- João Mosca entende que nenhum
mento interno, levou à retirada do parceiro internacional vai decidir
dinheiro dos doadores. Significa retomar o apoio a Moçambique
que a taxa de câmbio aumentou antes da palavra da instituição di-
porque o dinheiro de divisas não rigida por Christine Lagarde.
está a entrar via investimento di- “A senhora Lagarde veio dizer
recto e via doadores, logo a taxa que tem fortes desconfianças de
de câmbio aumenta e se a taxa que tudo isto procura esconder
de câmbio aumenta, os preços já corrupção e se é o problema de
estão aumentando. Por exemplo, corrupção, aí a posição do FMI De Janeiro a Maio de 2016, o país registou um agravamento de preços dos produtos de primeira necessidade em 8,47% com
XPUHÁH[RPDLRUQDGLYLVmRGHDOLPHQWDomRHEHELGDVQmRDOFRyOLFDVTXHFRQWULEXLFRPQRWRWDOGDLQÁDomRDFXPXODGD
hoje, e é mais do que evidente, será completamente diferente. O
10 Savana 17-06-2016
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o
log
Programa de Doutoramento em Estudos
tudos Estratégicos
Es
Internacionais pela Universidade Federal ddo Rio Grande

ció
Institu Superior de
do Sul (UFRGS), em parceria com o Instituto
Relações Internacionais (ISRI)
onais (IS

CANDIDATURA E so
SELECÇÃO
um

2016
de

DOUTORAMENTO
Turma
ma es
especial ISRI-Maputo
io

Candidatura: 25 Abril a 22 de Julho de 2016


Selecção de candidatos: 04 a 13 de Agosto de 2016
ár

Editais e maiores informações:


www.ufrgs.br/PPGEEIhttp://www.isri.ac.mz/
Di

Rua dos Desportistas, Prédio JAT- V2 2° andar


Maputo - Moçambique
Telefone: 824298342
E-mail: ppgeei@ufrgs.br
Savana 17-06-2016 11
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12 Savana 17-06-2016
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Bruno Chaicomo e o naufrágio de Mapapai

Um salvador que acabou sendo vítima

o
Por Argunaldo Nhampossa

B
runo Chaicomo, traba- emprego como pescador e de tanto
lhador da empresa China andar nas águas passou a ser mari-
Road & Bridge Corpora- nheiro. Com esta actividade traba-

log
tion (CRBC), empreiteiro lhou em diferentes embarcações tu-
responsável pela construção da pon- rísticas naquele ponto do país.
te Maputo-katembe que na passa- Em 2012 transfere-se para Katem-
da sexta-feira foi um dos primeiros be onde se introduziu no mundo da
socorristas do acidente marítimo na construção civil, actividade que o le-
baia de Maputo, envolvendo o ferry- vou a entrar na CRBC, empresa chi-
boat Pfhumo e a embarcação Mapa- nesa responsável pela construção da
pai II, mas que depois quebrou o pé ponte Maputo-Katembe.
durante o resgate dos naufragados, é Como mestre de obras, foi nomeado
o único ferido que continua no leito chefe do grupo dos moçambicanos

ció
hospitalar. que trabalham naquela empreitada.
Depois foi indicado como chefe de
Mas mesmo ferido, Chaicomo diz armazém e este ano, quando a em-
não estar arrependido da missão que presa anunciou a chegada da embar-
empreendeu, entretanto, lamenta a cação, apresentou as suas credências
lenta capacidade de resposta de en- na pilotagem bem como marinheiro
tidades como Forças Navais e Polícia e foi assim foi transferido para o novo
Marítima. posto.
A travessia Maputo-Katembe vice- No que toca à assistência, diz que
-versa voltou à normalidade depois a sua empresa presta-lhe o devido

so
do susto verificado semana passada. apoio, sendo que de Mapapai já re-
A demanda pelos barcos é cada vez Bruno Chaicomo em recuperação no leito hospital cebeu moletas para se locomover
maior, dado o crescente número de enquanto aguarda por dias melhores.
jovens que correm para aquele distri- o sucedido. diato atirou-se ao mar para tirar as lamenta a fraca e lenta capacidade Lamentou o facto de a Transmaríti-
to municipal para instalar as respecti- O ilhéu cumpria a sua rotina normal vítimas da agonia das águas para uma de resposta das autoridades como ma recorrer a terceiros para saber da
vas residências. de trabalho que é de pilotar a embar- nova esperança de vida. marinha de guerra que está nas pro- evolução do seu estado clínico.
Na correria de chegar cedo ao local cação da CRBC na qual transporta Acção contínua, introduziu-se debai- ximidades, com o agravante de num
de trabalho ou escola a procura pelos trabalhadores idos de Maputo para o xo da embarcação capotado onde diz passado recente ter exibido equipa- Excesso de lotação
barcos menores é cada vez mais cres- local das obras entre outros. ter quebrado um dos vidros para lo- mentos de ponta para actuar no mar, O Instituto Nacional da Marinha
cente devido à rapidez em relação ao Minutos depois de deixar a ponte- grar sucessos na sua missão salvífica.
salvífic bem como a Polícia Marítima. (INAMAR) aponta o excesso de lo-
um
ferryboat. -cais do lado da cidade de Maputo, Mas num dos momentos em que car- tação como a principal causa do aci-
A embarcação Mapapai II envolvida diz ter ouvido gritos de socorro, facto regava mais uma pessoa para colocá- Uma vida feita no mar dente, isto a avaliar pelas 31 vítimas
no sinistro está fora de circulação e que o levou a acelerar o barco para ver -la no barco da CRBC, o seu colega Bruno Chaicomo provém duma his- resgatadas contra a capacidade para
aguarda pela respectiva reparação o que se estava a passar e prestar o piloto fez um mau cálculo da distân- tórica família da Ilha de Inhaca. O transportar 25 passageiros e três tri-
bem como a conclusão e divulgação devido auxílio, caso fosse possível. cia tendo embatido nele e quebrado a seu bisavó foi o primeiro régulo da pulantes.
dos resultados do inquérito. Chegados ao local, um acidente pou- perna esquerda. Ilha, mas agora o trono está com os O director dos Serviços e Segurança
Bruno Chaicomo, 35 anos de idade, co vulgar acabava de acontecer nas “O embate foi violento, perdi forças Nhacas. Segundo Chaicomo, nem Marítima, Lourenço Machado, dis-
nascido na Ilha de Inhaca, desempe- águas nacionais. Um barco da compa- e larguei a pessoa que estava comigo, tudo está perdido porque a sua famí- se que foi constituída uma comissão
nhou um importante papel no resgate nhia privada de transporte marítimo mas consegui segurar num dos pneus lia detém o poder da Ilha dos Por- de inquérito que já está a trabalhar
de muitas pessoas lançadas à sua sorte denominado Mapapai II embateu no laterais do barco e assim me resgata- tugueses, um pedaço de terra perten- no assunto e próxima semana deverá
nas águas da baia depois do embate. ferryboat Pfhumo da Transmarítima ram juntamente com outras vítimas cente à Ilha de Inhaca. apresentar os resultados.
O SAVANA interceptou-o na orto- tendo de seguida capotado. para o Hospital Central de Maputo”, Desde tenra idade começou a brincar Segundo Machado, a empresa pro-
de

pedia I do Hospital Central de Ma- Para além de piloto, Chaicomo de- conta. nas águas do oceano Índico e com os prietária do Mapapai assumiu as res-
puto onde se encontra em recupera- sempenha a função de marinheiro, Mesmo ferido e no leito hospitalar, seus 14 anos já era um pescador fir- ponsabilidades com as despesas fúne-
ção depois de ter fracturado a perna tendo na ocasião deixado o barco da Chaicomo diz não estar arrependi- mado a nível familiar. bres, bem como garantir assistência
esquerda e contou-nos ao pormenor CRBC com o seu colega e de ime- do da missão que desempenhou, mas Com os 16 anos teve o seu primeiro aos feridos.

SADC e União Europeia facilitam trocas comerciais


S
eis países membros da tswana de Investimento, Indústria e
io

Comunidade para o De- Comércio, Vicente Seretse, referiu-


senvolvimento da África -se à importância que a assinatura
Austral (Moçambique, representava para os países dos blo-
Botswana, Lesotho, Namíbia, África cos signatários, tendo caracterizado
do Sul e Swazilândia) e a União Eu- o momento de grande marco e uma
ár

ropeia assinaram última sexta-feira grande realização para as partes.


em Kasane, no Botswana, um acor- “O dia de hoje representa um gran-
do de parceria económica ao abrigo de marco, um grande salto nas rela-
ambique terá acesso ao
do qual Moçambique ções comercias e económicas entre a
mercado europeu livre de direitos e União Europeia e o grupo de países
quotas. da SADC e também de África, Ca-
Representantes da SADC na assinatura do acordo de facilitação comercial com a União Europeia
Di

raíbas e Pacífico”, disse o governante


O acordo ora assinado, que vem al- tswana.
çambique, disse que os resultados do mercado livre e aberto, livre de direi- Por outro lado, o acordo visa a pro-
terar o antigo regime de quotas e o
mesmo irão ter um impacto positivo tos e de quotas”, disse Max Tonela. moção da integração gradual dos Celia Malmstrong, em representação
tratamento preferencial nas relações
na presente e próxima gerações. Fundamentalmente os objectivos do Estados da SADC na economia da União Europeia, disse por seu tur-
comerciais entre os dois blocos eco-
O titular da pasta de Indústria e acordo são, entre outros, a contribui- mundial, em conformidade com as no que o acordo tem potencial de im-
nómicos, permitirá aos seis países
Comércio descreveu a assinatura do ção para a redução e erradicação da suas opções políticas e prioridades pulsionar o desenvolvimento e apoiar
acesso ao mercado da União Euro-
acordo como sendo de aprofunda- pobreza mediante o estabelecimento de desenvolvimento, a melhoria da a prosperidade dentro dos países da
peia livre de quotas e de tarifas, sendo
mento das relações entre a SADC e de uma parceria comercial coerente capacidade dos Estados da SADC SADC.
que a África do Sul, a potência eco-
a União Europeia porquanto, segun- com os objectivos de desenvolvi- em matéria de política comercial e de “Este acordo que acabamos de assinar
nómica regional, beneficiará de um
do referiu, o compromisso assumido mento sustentável, a promoção da questões relativas ao comércio. vai ajudar a integração da SADC na
tratamento preferencial para os seus
produtos. pelas partes visa não apenas corrigir integração regional, a cooperação O acordo prevê ainda o apoio das economia global através do comércio
Reconhecendo o longo percurso, de as insuficiências dos acordos comer- económica e a boa governação para condições para aumentar o investi- e de investimentos”, afirmou Mal-
cerca de dez anos, para se alcançar ciais anteriores entre as partes, mas estabelecer e implementar um quadro mento e as iniciativas do sector priva- mstrong, para quem o comércio tem
o acordo com a União Europeia, o também irá reforçar e consolidar as normativo regional eficaz, previsível e do e melhorar a capacidade de oferta, jogado um papel importante no de-
ministro da Indústria e Comércio, futuras relações económicas entre os transparente para o comércio e o in- a competitividade e o crescimento senvolvimento económico de vários
Max Tonela, que foi quem rubricou dois blocos económicos. vestimento entre as Partes e entre os económico nos Estados da SADC. países.
o acordo em representação de Mo- “Com este acordo, esperamos ter um Estados da SADC. Falando na ocasião, o ministro (Redacção)
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14 Savana 17-06-2014 Savana 17-06-2014 15
NO CENTRO DO FURACÃO

Biodiversidade em risco no Parque Nacional das Quirimbas

Chineses devastam espécies marinhas protegidas


Por Raul Senda
epois de ter tomado con- mais concretamente no Bairro Edu- com pressa e queria que fosse uma
ta das florestas nacionais e ardo Mondlane, na zona da Praia de coisa legal, e eles acabaram aceitan-
devastado todas as espécies Wimbe. do, mas nós precisamos de organizar
D valiosas de madeira exis- No acto da assinatura do contrato, a a associação”, avança a nossa fonte
tente em Moçambique, os chineses, empresa chinesa era representada pela sem entrar em pormenores. Fontes
com o beneplácito de algumas figuras senhora Weiya Liu, na qualidade de presentes no acto da assinatura do
ligadas ao poder em Moçambique, gerente. Do lado da associação do Ibo, contrato confirmam que a posição
viraram as suas atenções para a bio- esteve o senhor Abdala Anli. do governo sempre foi essa. Porém,
diversidade marinha e estão a pôr em A assinatura, feita à noite e à luz de objectivos pouco claros estiveram na
causa várias espécies em protecção. correria para a celebração deste acor-
Os factos mais flagrantes e preocu-
pantes, e que têm como epicentro os
lanterna, foi intermediada pelas auto-
ridades do Parque Nacional das Qui-
rimbas e contou com a presença da
o do com os chineses.

Acção de chineses estende-


operadores chineses, foram testemu-
nhados pelo SAVANA no Parque
Nacional das Quirimbas (PNQ),
Directora dos Serviços Distritais de
Actividade Económica (SDAE) do
Ibo, Patrícia Vitorino.
og -se à baía de Pemba
Já na cidade de Pemba, capital provin-
uma zona de protecção especial de cial de Cabo Delgado, um empresário
O acordo tem como objectivos pro-
do ramo turístico, que falou sob ano-
recursos florestais, bravios e mari-
nhos localizada na província de Cabo
Delgado.
porcionar a ambas partes estratégias
para a conservação de ecossistemas
marinhos e diversidade ecológica, de
ól nimato, contou-nos que está cada vez
mais crescente o número de chineses
%DOGHX&KDQGH$GPLQLVWUDGRUGR3DUTXH

que estão a deixar a exploração de ma- afirmar que existe uma grande di- santuários são uma iniciativa com
Contrariando os fins que nortearam modo a permitir o desenvolvimento
a sua criação, o PNQ vive situações
dramáticas que vão desde a prática
de actos de pesca ilegal, acordos não
das comunidades que residem na al-
deia do Ibo, que compreende o Par-
que Nacional das Quirimbas.
c i deira e virar suas atenções para a pesca
ilegal e clandestina.
Para lograr os seus intentos, os cida-
versidade de espécies nas áreas dos
santuários. Agora temos uma base de
dados que é constituída por cerca de
muito apoio ao nível das comunida-
des, até porque a sua criação foi uma
sugestão da própria comunidade, após
dãos chineses contratam pescadores e sete mil observações, resultantes desta verificar que o nível de captura de pei-
claros entre as autoridades de conser- A captura e comercialização do ca-
mergulhadores tanzanianos, alugam actividade”, explica a bióloga, enalte- xes estava aquém das expectativas.
vação e certas empresas estrangeiras ranguejo “de qualidade acordada entre
barcos, contratam também pescado- cendo o envolvimento de membros Estudos sócio-económicos feitos pelo
bem como a caça furtiva, principal- as partes” também faz parte da lista
res temporários das Ilhas Comores, das comunidades (pescadores-mergu- WWF em 2009, 2010 e 2011 reve-
mente do elefante. dos objectivos.
sem licença de pesca, e efectuam uma lhadores, amostradores, marinheiros laram que 100% dos inquiridos, 90%
Estas situações fazem com que o Em termos gerais, a assinatura deste
PNQ esteja sob ameaça e, no meio
disso, há quem vaticine dias piores.
contrato significa que a associação
Tikubali, do Ibo, passará a capturar
so faina de cinco a seis dias para pesca de
lagosta, chegando a desembarcar com
duas ou três toneladas de lagostas por
do parque, líderes comunitários, entre
outros) na iniciativa.
No Ibo, a nossa reportagem testemu-
dos habitantes da Ilha do Ibo, apoiam
a ideia dos santuários e olham-na
como solução para os problemas de
caranguejo e comercializará, em regi-
dia. A nossa fonte indica que o local nhou uma jornada de monitorização escassez de pescado.
Criado há 14 anos, mais concreta- me de monopólio, a essa multinacio-
de pesca habitual desses cidadãos são de santuários. O trabalho é liderado
mente no dia 06 de Junho de 2002, nal chinesa. À luz do mesmo contrato,
os recifes da Baía de Pemba e outras pela bióloga Lara Muaves, coadjuva- 2 HOHIDQWH TXH ÀFRX SDUD D
o PNQ possui uma área de 9.130
quilómetros quadrados (km2), dos
quais 7.984 km2 do lado continental
ainda se reserva à empresa chinesa o
acesso exclusivo da zona de ocorrên-
cia de caranguejos e camarão no Ibo,
um ,OKDGR,ERXPSDUDtVRWXUtVWLFRTXHSRGHUiÀFDUVHPLQWHUHVVHGHYLGRjGHYDVWDomRGRVVHXVUHFXUVRV
,OKDGR,ERXPSDUDtVRWXUtVWLFRTXHSRGHUiÀFDUVHPLQWHUHVVH
zonas de protecção especial. Também
há registos de captura e venda de tar-
tarugas (cágado) abertamente ao lon-
da pela equipa treinada para o efeito,
incluindo líderes comunitários.
história...
Omar Assane, técnico do WWF, con-
tou-nos que está no PNQ desde que
e 1.185 km2 quadrados de área mari- o que à partida levanta suspeitas, ten- A presença dos chineses na região actualidade. Segundo ele, os maiores o impacto negativo dessa acção para está por detrás do apadrinhamento mento das comunidades locais” que à São capturados peixes, feitas as pesa-
go das estradas em Pemba, incluindo ele foi criado, aliás, esteve envolvido
nha, (incluindo 11 ilhas). do em conta que a empresa não devia tem sido, vezes sem conta, reportada desafios de fiscalização do Parque es- os objectivos de conservação. dos chineses na sua incursão, justifica- luz do contrato assinado entre a em- gens, medições e marcações para per-
a praia de Wimbe. na organização das consultas comu-
Patrocinado pelo Fundo Mundial exercer actividade pesqueira. às autoridades de conservação. tão relacionados com m a falta de recur- “Os chineses pescam e compram tudo. -se afirmando: “o que nós fizemos foi presa chinesa, por exemplo, receberão mitir o controlo do desenvolvimento nitárias para o estabelecimento deste
para a Natureza (WWF), o Parque foi “A assinatura deste contrato não só Nathan Mhando, director de opera- sos para cobrir toda a extensão. Por isso, estão a incentivar a comuni- organizar as comunidades em grupos cinco mil meticais de taxa comunitá- Remar contra a maré dos peixes. Segundo Lara, a monitoria Parque.
declarado zona de protecção da bio-
diversidade de importância mundial.
O SAVANA escalou o local e teste-
coloca em causa os objectivos de con-
servação, como também representa
uma grave violação do Plano de Ma-
e
ções do Quilaléa Lodge, uma estân-
cia turística localizada na Ilha do Ibo,
disse à nossa reportagem que barcos
d Malenga confirma a existência de
barcos
cos estrangeiros, incluindo de tan-
zanianos, que delapidam recursos na
dade a pescar de uma forma insusten-
tável, já que vão invadir os santuários
do WWF para poder ter pescado para
de interesse, ou seja, associações, para
garantir que a qualidade do produto
que eles tiram seja monitorada e que
ria por cada três meses.

Contrato vago
O Fundo Mundial para a Natureza
(WWF) tem estado, todavia, a imple-
mentar acções tendentes a proteger
é feita duas vezes por ano, sendo uma
vez no período seco e a outra na época
chuvosa. Conta a bióloga que os re-
Diz que há quatro anos não era pos-
sível andar nesta estrada e não parar,
pelo menos umas quatro vezes, por
munhou uma situação completamen- neio do PNQ, que proíbe a captura de de chineses, tanzanianos e outros têm região e vai mais longe, afirmando que vender aos chineses”. a actividade seja feita de forma sus- O representante do WWF em Pem- a biodiversidade marinha na região. sultados são animadores. causa de elefantes. Mas hoje, conduz-
te paradoxal. pescado para fins comerciais/exporta- sido constantemente vistos a pescar os chineses não só se interessam pelo Malenga diz também que, apesar de tentável”. ba, António Serra, diz que o contrato São acções que, embora não sejam “Existe uma grande diferença em -se até Quissanga sem se cruzar com
Enquanto certas organizações não ção em área de conservação”, disse na Ilha. assinado entre a firma chinesa e a as- suficientes para colmatar a situação termos de diversidade específica e nenhum. Tudo foi abatido.
caranguejo, mas também pela lagosta, proibido por lei, há registos de casos Baldeu Chande avança que existem
governamentais comprometidas com uma fonte do SAVANA, que pediu “Já reportei essa situação ao admi- sociação é um pouco vago, sobretudo dos furtivos, reforçam a consciencia- abundância de peixes dentro dos san- O testemunho de Omar é também
polvo, camarão e lulas. de pesca da tartaruga no Ibo. propostas de se licenciar mais em-
a preservação da natureza, como é o anonimato. Ademais, o contrato po- nistrador do Parque. Ele tem conhe- no que se refere à exploração susten- lização das comunidades sobre a im- tuários, quando comparado com fora corroborado pelos membros da comu-
O responsável pela fiscalização do Por sua vez, o administrador do PNQ, presas que se dedicarão à compra de
caso da WWF, procuram envidar es- derá gerar uma situação de corrida à cimento, mas nunca vi nada de con- tável dos recursos marinhos. portância da manutenção das espécies deles. nidade: “as nossas culturas estão boas
PNQ afirma também que reconhece Baldeu Chande, visto como quem pescado, tudo “em prol do desenvolvi- e a nossa produção tende a melhorar.
forços no sentido de garantir a pro- delapidação de recursos marinhos na creto, em termos de acção”, afirma o “Com os conhecimentos e experiên- para a sustentabilidade sócio-econó- Das amostragens feitas, concluímos
tecção da biodiversidade, principal- Ilha do Ibo, estando também em peri-
ir o
operador turístico, lembrando que cias que o Parque tem, podia-se ser mica da região. claramente que dentro dos santuários Dantes passávamos mal por causa de
mente a marinha, através de projectos go, de igual forma, as zonas definidas “caso não se faça nada ainda a tempo, mais claro em relação a essa questão: pescamos uma média de 100 kg de elefantes, mas já não há nada. Ficaram
Um dos projectos que está a ser de-
específicos, tais como estabelecimento como santuários marinhos (zonas de teremos uma situação em que uma peixe, contra 10 a 20 kg fora deles”, apenas as crias que têm aparecido de
é preciso explicar se consideramos senvolvido pelo WWF tem a ver com
e monitoria de santuários de peixes,
tartarugas, golfinhos, capacitação das
reprodução e multiplicação de espé-
cies), onde é terminantemente proi- cará esquecida”.

das mais lindas regiões do mundo fi- pesca sustentável quando é uma, duas,
três ou cinco toneladas de carangue-
a implantação e monitoria de santuá-
rios, locais estabelecidos basicamente
continua ela.
Devido aos resultados positivos, os
vez em quando”, conta um membro
da Comunidade de Goludo, noutra
margem de Ibo.
comunidades para a fiscalização dos bido pescar. Lembrou que “ontem” foi a madeira e jo”. para proteger o habitat das espécies Dados em nosso poder indicam que
recursos, por outro lado, situações de desapareceu sem que ninguém do go- Serra frisou também que a exploração marinhas, evitando assim a interven- dos dois mil elefantes que existiam na
pesca ilegal, invasão de santuários e
caça furtiva estão a devastar a biodi-
versidade ora em protecção.
D
verno se desse conta, apesar dos avisos
da sociedade civil, e o mesmo poderá
acontecer com a biodiversidade mari-
de recursos marinhos dentro do Par-
que só é permitida às comunidades,
para garantir o seu auto-sustento e
ção humana.
Segundo Lara Muaves, bióloga mari-
nha do WWF, isso vai permitir que os
contagem feita em 2008, o número
havia reduzido para 750 em 2012. A
caça furtiva é aqui também apontada
Mais preocupante, no meio deste tris- nha. fonte de renda. peixes se multipliquem, fazendo com como sendo a razão para o sumiço do
te cenário, é o facto de algumas destas Nathan acrescenta: “nós estamos na que haja aumento do stock pesqueiro. elefante, dadas as dificuldades de fis-
acções acontecerem com o apadrinha- área turística, daí que os nossos clien- A associação devia organi- Isso, por sua vez, fará com que o nível calização.
mento das autoridades nacionais de tes, turistas, jornalistas, viajantes de zar-se antes de assinar o das capturas aumente, proporcionan- Na comunidade de Goludo fala-se de
conservação. todo o mundo escalam Ibo, porque contrato do maior atracção turística e sustenta- helicópteros que aterram para abater
Numa das onze Ilhas que compõem o sabem que é referência em termos de O Governo, representado pela Direc- bilidade das comunidades locais. o elefante e carregar o marfim. Sem
Arquipélago das Quirimbas, a do Ibo, espécies marinhas. Com a pesca ile- tora dos Serviços Distritais de Acti- Lara Muaves fala em oito santuá- meios para fazer face a esta situação, a
a nossa reportagem teve acesso a uma gal que está a ser feita pelos chineses, vidades Económicas de Ibo, Patrícia rios criados pelo WWF ao longo das população local só fica a assistir. Sobre
cópia de um contrato de licenciamen- as espécies e o nosso negócio ficarão Vitorino, é da opinião que a associa- Quirimbas, porém, neste momento, a este facto, Baldeu Chande disse que o
to para actividade comercial de ca- ameaçadas”, lamentou. ção Tikubali precisava de mais tempo monitoria do WWF é feita em três Parque não dispõe de números exac-
ranguejo assinado entre a Associação A presença de chineses é, sobretudo, para se organizar. Segundo ela, aquela destes santuários. tos da população de elefantes na parte
Tikubali, do Ibo (que se dedica à cap- confirmada pelo fiscal da área mari- agremiação apenas existe como um No Parque Nacional das Quirimbas, continental do PNQ.
tura de caranguejo para comércio em nha do Parque, Paulo Malenga. grupo, mas como associação, ainda esta acção é feita há sensivelmen- “Teremos de fazer um censo mais
pequena escala) e uma firma chinesa Ao SAVANA Malenga disse saber não está devidamente estruturada. te catorze anos, ou seja, desde 2002, pormenorizado para podermos ter
denominada Hui Yuan Internacio- que o negócio de caranguejo na Ilha “Eles assinaram o contrato por pres- aquando da criação do Parque. números exactos da população de ele-
nal, Limitada, com sede em Pemba, 1DWKDQ0KDQGR4XLODOpD/RGJH do Ibo é o assunto mais falado da 5LFDHPFRUDLVD,OKDGR,ERpDWUDFomRWXUtVWLFDSDUDPXLWRVHVWUDQJHLURV são da empresa que julgo que estava “Em termos de resultados, podemos /DUD0XDYHVELyORJD::) fantes no Parque”, disse ele.
16 Savana 17-06-2016
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INTERNACIONAL

MANIFESTO
Temos direito à esperança!
1yVUHSUHVHQWDQWHVGHRUJDQL]Do}HVGDVRFLHGDGHFLYLORUJDQL]Do}HVSURÀV- FRQVHTXrQFLDVVHQmRWHVRXEHUHV´FRPSRUWDUµSRGHPPDWDUWHSRGHVSHU-
RWHVRXEHUHV´FRPSRUWDUµSRGHPPDWDUWHSRGHVSHU
sionais, religiosas, culturais, académicas e económicas, em nome dos nossos GHURHPSUHJRHWF(VWDVLWXDomRFKHJRXDXPSRQWRHPTXHWRGRVYLYHP
RFKHJRXDXPSRQWRHPTXHWRGRVYLYHP
ÀOKRVHÀOKDVGRVQRVVRVSDLVHGHWRGDVHWRGRVFRPSDWULRWDVSUHRFXSDGRV UHFHRVRV H GHVFRQÀDP GR VHX FROHJD GH WUDEDOKR GR VHX DPLJR H GR VHX

o
com o rumo que o país tem estado a tomar nos últimos anos, e em especial YL]LQKReLVWRTXHHVWDPRVDYLYHU48(3$Ì6e(67("
LVWRTXHHVWDPRVDYLYHU48(3$Ì6 e(67("
com o agravamento da situação nos últimos meses, queremo-nos aqui ex- 5HFHQWHPHQWH KRXYH GHQ~QFLDV GH YDODV FRPXQV FRP FRUSRV HP YiULRV Y
SULPLU HP GHIHVD GR IXWXUR H GH XPD VRFLHGDGH SDFtÀFD VHP FRUUXSomR JUDXV GH GHFRPSRVLomR R &RQWUDULDPHQWH DR TXH VHULD GH HVSHUDU HVIRUoRV
sem ataques às vozes dissidentes e sem intolerância. Em suma, defendemos WrP
P VLGR IHLWRV SDUD LPSHGLU D LQYHVWLJDomR LQGHSHQGHQWH VHMD HOD GH MRU-
MRU

log
o direito à esperança, para que tanto esta como a geração vindoura possam QDOLVWDVRXGHRUJDQL]Do}HVKXPDQLWiULDV([LJLPRVXPDLQYHVWLJDomRVpULD
HVKXPDQLWiULDV([LJLPRVXPDLQYHVWLJDo
viver em paz, num clima de justiça e acreditando num futuro em que to- e independente da realidade no terreno, até ao momento interditado por
das e todos poderão conviver com dignidade e com respeito às diferenças, forças de segurança.
HTXHPRoDPELFDQDVHPRoDPELFDQRVGHWRGDVDVFRQÀVV}HVUHOLJLRVDVGH $MXQWDUVHDLVWRWXGRDRQGDGHUDSWRVTXHQmRGiLQGtFLRVGHDEUDQGD-
$MXQWDUVHDLVWRWXGRDRQGDGHUDSWRVTXHQmRGiLQG
WRGDVDVÀOLDo}HVSDUWLGiULDVGHWRGDVDVRULJHQVHHVWUDWRVVRFLDLVVHVLQWDP PHQWR H HPERUD VH WHQKDP LGHQWLÀFDGR DOJXQV FULPLQRVRV RSHUDFLRQDLV
LQWHJUDGRVWHQKDPWUDEDOKRRXPHLRVGHYLGDHSRVVDPUHDOL]DURVHXSR- WLFD DLQGD QmR H[LVWH XPD LQYHVWLJDomR
HQYROYLGRV QHVWD SUiWLFD LQYHVWLJDo DEUDQJHQWH H
tencial como cidadãs e cidadãos. Para que seja possível acreditar no futuro SURIXQGDTXHLGHQWLÀFDVVHRVPDQGDQWHV
HTXHQmRWHQKDPRVTXHYLYHUXPGLDDGLDVHPH[SHFWDWLYDVVHPDOHJULDV
HSDJDQGRRSUHoRSHODVSROtWLFDVLUUHVSRQViYHLVTXHQRVFRQGX]LUDPDHVWD

ció
Em terceiro lugar, vem o escândalo das dívidas contraídas por empresas pri-
situação de guerra, de insegurança e de extremo endividamento público. vadas e ilegalmente, porque sem consulta do Parlamento, assumidas como
+iYiULDVTXHVW}HVTXHQRVSUHRFXSDPTXHVmRGRGRPtQLRS~EOLFRHTXH dívidas públicas, a serem pagas por todas e todos nós. O montante total des-
passamos a discutir. tas dívidas ilegais e encobertas é de 2.2. biliões de dólares (aproximadamen-
WHGR3URGXWR,QWHUQR%UXWR HDVFRQVHTXrQFLDVGHVVHHQGLYLGDPHQWR
WHGR3URGXWR,QWHUQR%UXWR HDVFRQVHTX
Em primeiro lugar, a situação de guerra que estamos a viver. Desde 2013 serão gravíssimas para a economia nacional e para a qualidade de vida dos
que aumentou a instabilidade político-militar e, a partir dessa altura, muitas seus cidadãos e cidadãs.
YLGDV Mi VH SHUGHUDP EHQV IRUDP GHVWUXtGRV PLOKDUHV GH SHVVRDV HQFRQ- 1DSUiWLFDSRGHPRVGL]HUTXHVHWUDWRXGHXP*2/3('((67$'2TXHp
WLFDSRGHPRVGL]HUTXHVHWUDWRXGHXP*2/3('((
WUDPVHHPVLWXDomRH[WUHPDPHQWHSUHFiULDQXPHURVDVFULDQoDVHVWmRVHP

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o que acontece quando sucede uma ruptura institucional repentina, contra-
DFHVVRjHVFRODHHPJHUDOQDV]RQDVDIHFWDGDVHVWiFRPSURPHWLGRRDFHVVR riando a normalidade da lei e da ordem e submetendo o controlo do Estado
DRVVHUYLoRVPDLVEiVLFRVQRPHDGDPHQWHGHVD~GHHGHHGXFDomR(QJURVVD D SHVVRDV TXH QmR KDYLDP VLGR OHJDOPHQWH GHVLJQDGDV 1HVWH FDVR WHPRV
WDPEpPRQ~PHURGHUHIXJLDGRVQRVSDtVHVYL]LQKRV XPJUXSRGHSHVVRDVGR*RYHUQRDQWHULRUTXHXVXUSDUDPFRPSHWrQFLDVGD
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Depois de termos vivido, nos anos 80 e 90, uma guerra mortífera que deixou $VVHPEOHLDGD5HS~EOLFDHGHUDPJDUDQWLDVS~EOLFDVDHPSUpVWLPRVSULYD-
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dutivo comprometidos e muitas fracturas sociais, com crianças órfãs, com $VH[SOLFDo}HVDYDQoDGDVSHOR*RYHUQRWHQWDPID]HUQRVFUHUGHTXHDVL-
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nossos dirigentes não façam tudo o que estiver ao seu alcance para evitar OHYDGRVjMXVWLoD"6HUmRRVVHXVEHQVFRQÀVFDGRVSDUDDPRUWL]DUDGtYLGD"
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que nos afundemos novamente numa guerra fratricida e letal. Defendemos $V SHVVRDV TXH SURWDJRQL]DUDP HVWHV URXERV H TXH FRPSURPHWHUDP R IX- IX
que as negociações não sirvam somente para encobrir desígnios ocultos de WXURGRVVHXVFRPSDWULRWDVFRPRDXWrQWLFRVSUHGDGRUHVQmRGHYHUmRÀFDU
WXURGRVVHXVFRPSDWULRWDVFRPRDXW
TXHDVGXDVSDUWHVVHHPSH-
WHUPLQDURFRQÁLWRSHODIRUoD HGHVXUSUHVD TXHDVGXDVSDUWHVVHHPSH- impunes.
QKHPFRPKRQHVWLGDGHHWUDQVSDUrQFLDQDUHJXODomRGRVVHXVGLIHUHQGRVH
RGRVVHXVGLIHUHQGRVH
VREUHWXGR
HWXGR TXH RV LQWHUHVVHV GRV PRoDPELFDQRV H GDV PRoDPELFDQDV OKHV Em suma, a terminar este manifesto, EXIGIMOS que no mais curto prazo
sirvam de bitola pela qual as decisões devem ser tomadas. GHWHPSRDVYiULDVLQVWkQFLDVUHVSRQViYHLVHQYLGHPDFo}HVFRQFUHWDVSDUD
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TXHWHPSUHVLGLGRjPHVDGDVQHJRFLDo}HV&RPRSRYR
5HSXGLDPRVDPiIpTXHWHPSUHVLGLGRjPHVDGDVQHJRFLDo}HV&RPRSRYR sanar a difícil situação em que vivemos.
FXPSULGRUUHVSHLWDGRUGDVOHLVHTXHWUDEDOKDH[LJLPRVTXHR*RYHUQRHQ
FXPSULGRUUHVSHLWDGRUGDVOHLVHTXHWUDEDOKDH[LJLPRVTXHR*RYHUQRHQ- Ao PRESIDENTE DA REPÚBLICA, como o mais alto magistrado da Na-
vide todos os esforços para nos trazer a paz, acabando com as mortes e per- omR&RPDQGDQWH*HUDOGD)RUoDV$UPDGDVH3UHVLGHQWHGHWRGRVHWRGDV
GDVLQGLVFULPLQDGDVHSHUPLWLQGRTXHSRVVDPRVGHQRYRFRPFRQÀDQoDH PRoDPELFDQRVDV
de

DOHJULDWUDEDOKDUSRUXPIXWXURPHOKRUGH0RoDPELTXH ‡4XHVXVSHQGDGHLPHGLDWRWRGDVDVDFo}HVPLOLWDUHVHJDUDQWDDWUDQVPLV-
são pública e em directo das rondas de negociação entre as partes belige-
Em segundo lugar, o clima de insegurança, de intimidações e de atentados UDQWHVSDUDTXHDVHRVFLGDGmVFLGDGmRVSRVVDPDFRPSDQKDUDHYROXomR
TXH VH WHP YLYLGR 'HVGH Ki DOJXQV DQRV SDUD Fi DV YR]HV FUtWLFDV GD DF-
DF GDVPHVPDVJDUDQWLQGRTXHSRVVDPDMXL]DUGDWUDQVSDUrQFLDHKRQHVWLGD-
WXDomRR GR JRYHUQR FRPHoDUDP D VHU KRVWLOL]DGDV HVWLJPDWL]DGDV H YLVWDV GHGDVGXDVSDUWHV
como oposição política. Isto abrangeu jornalistas, comentadores políticos, ‡4XHJDUDQWDDHIHFWLYDLQIRUPDomRjVIDPtOLDVTXHSHUGHUDPRVVHXVHQWHV
académicos e activistas de organizações da sociedade civil. Os ataques fo- TXHULGRVHPDFo}HVPLOLWDUHVSRLVDPDLRULDVyVDEHTXHRVÀOKRVRXSDUHQ-
ram verbais, nos meios de informação (muitas vezes a coberto de um cobar- WHVIRUDPPRELOL]DGRVPDVGHVFRQKHFHRVHXGHVWLQRRTXHpPXLWRFUXHO
UXQVHHVWHVIRUDPDSHOLGDGRVGH´DS
GHDQRQLPDWR HHPRXWURVIyUXQVHHVWHVIRUDPDSHOLGDGRVGH´DSyVWRORV ‡4XHVHGLULMDj1DomRSDUDDSUHVHQWDUDVXDSRVLomRVREUHDVLWXDomRGD
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GDGHVJUDoDµ´WUDLGRUHVµHRXWURVHStWHWRVQmRPHQRVRIHQVLYRV7DPEpPVH dívida pública, incluindo as medidas a serem tomadas para responsabiliza-
ORVSHODYLDMXGLFLDOFRPRpH[HPSORRSURFHVVRLQVWDXUDGRFRQ
WHQWRXFDOiORVSHODYLDMXGLFLDOFRPRpH[HPSORRSURFHVVRLQVWDXUDGRFRQ- ção dos culpados e mitigação dos efeitos negativos.
WUD&DUORV1XQR&DVWHO%UDQFRH)HUQDQGR0EDQ]H$V
WUD&DUORV1XQR&DVWHO%UDQFRH)HUQDQGR0EDQ]H$ViELDVHQWHQoDGHXP À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, como a mais alta instância do poder
juiz de direito sobre este caso, mostrou que os moçambicanos e as moçambi- OHJLVODWLYR
canas não devem e não podem viver com medo de expressar a sua opinião. ‡ &RQVLGHUDQGR TXH RV SRGHUHV GD$VVHPEOHLD GD 5HS~EOLFD IRUDP XVXU-
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0DVRVLVWHPDWHLPDHPQmRDFDWDUHVWHDVSHFWRIXQGDPHQWDOGDGHPRFUDFLD SDGRVTXDQGRR*RYHUQRDQWHULRUGHFLGLXFRQWUDLUGtYLGDVS~EOLFDVSDUD
Num registo mais sinistro, estes ataques traduziram-se em atentados físicos, ÀQDQFLDU HPSUHVDV SULYDGDV H[LJLPRV TXH WRPHP PHGLGDV SDUD UHSRU D
FRPRRDVVDVVLQDWRGRSURIHVVRU*LOOHV&LVWDFRUHFHQWHEDOHDP
FRPRRDVVDVVLQDWRGRSURIHVVRU*LOOHV&LVWDFRUHFHQWHEDOHDPHQWRGRSUR- QRUPDOLGDGHFRQVWLWXFLRQDOHYHQKDPDS~EOLFRLQIRUPDUDVPHGLGDVWRPD-
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IHVVRU-DLPH0DFXDQHHRDWHQWDGRFRQWUD&DUORV-HTXHFLGDGmRVKRQHVWRV das e a sua relevância na defesa do nosso Estado de Direito.
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EHPGHH[SUHVVDUDVVXDVLGHLDVHRSLQL}HV2VYiULRVDVVDVVLQDWRVLQFOXHP À PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA:
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PDJLVWUDGRV QRPHDGDPHQWH R -XL] 'LQLV 6LOLFD H R SURFXUDGRU 0DUFHOLQR ‡ 4XH JDUDQWD D UHDOL]DomR GH LQYHVWLJDo}HV FODUDV H WUDQVSDUHQWHV FRP D
Vilankulo, cidadãos íntegros a quem cercearam a vida. participação de uma equipa de técnicos independentes e competentes, na-
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0DVDVH[HFXo}HVHVWHQGHPVHSRUWRGRVRSDtVHPERUDPXLWRPHQRVPH- FLRQDLVHLQWHUQDFLRQDLVVREUH RVDVVDVVLQDWRVHH[HFXo}HVSROtWLFDVGH
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tivações políticas, às vezes na calada da noite, mas também em frente de YLROrQFLD RVUDSWRVHP0RoDPELTXHSDUDTXHGHXPDYH]SRUWRGDVVH
IDPLOLDUHVYL]LQKRVHFRPXQLGDGHV GHVPRQWHPDVTXDGULOKDVGHFULPHRUJDQL]DGRQRSDtV DH[LVWrQFLDGH
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bem documentados e sobre os quais não existem dúvidas sobre a veracidade ‡ 4XH VH SURFHGD j DEHUWXUD GH SURFHVVRV MXGLFLDLV SDUD WRGDV DV LQYHVWL-
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Savana 17-06-2016 17
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SOCIEDADE
18 Savana 17-06-2016
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon
Liberdade, estabilidade Acabar com Acabar com Banir
espingard Banir
Xenofobia o ódio das
e progresso m uç u
lmano

o
s

D
epois de mais de vinte anos de prosperidade, durante
os quais o país chegou a ser visto como um raro exem-

log
plo de uma bem sucedida transição de guerra para a
paz, reconciliação e desenvolvimento, Moçambique
está a atravessar os piores momentos de toda a sua existência
pós-guerra.
Um conflito armado que se intensifica a cada dia que passa, e
uma economia que se está muito rapidamente a transformar
em sombra do seu passado muito recente, combinam para ma-
tar o sonho que muitos moçambicanos tinham de um futuro

ció
de segurança e prosperidade.
O anúncio feito na segunda-feira, pelo Banco de Moçambi-
que, aumentando as taxas de juro, a segunda vez em menos de
três meses, é tudo o que se precisa saber para avaliar o verda-
deiro estado em que se encontra a nossa economia.
Que as reservas internacionais líquidas tenham caído de seis
para três meses de cobertura de importações adensa o ambien-
te sombrio em que vivemos.
Precisamos de confrontar esta crise com todos os meios à nos-

so
Um presidente de verdade
sa disposição. Quando confrontado com a problemática das
dívidas ocultas, ascendendo os 2 biliões de dólares, e face à fir-
meza dos parceiros internacionais que suspenderam a sua aju-
da, a resposta do governo é de que a solução reside, em parte, Por Nuno Botelho
no aumento da produção, e elenca quatro pilares em que o país
deve apostar para se ver livre da dependência económica, no-

C
meadamente a agricultura, o desenvolvimento infra-estrutural,
umpriu-se esta quinta-feira os 100 dias de que deve apoiar e critica quando o assunto
a energia e o turismo. sobre a tomada de posse do presidente merece reservas - exemplos da lei das 35 horas,
da República. Olhando para a agenda e promulgada sob reserva de não acarretar o au-
um
Porém, o facto é que o sucesso desta estratégia requer que o
país esteja em paz. Para não falar de políticas públicas que para a visibilidade, pode até parecer que mento da despesa, e do diploma que regula as
dêem incentivos a potenciais investidores nacionais e estran- foi há muito tempo. A verdade é que passaram “barrigas de aluguer”, rejeitado por uma questão
geiros interessados em apostar no país. pouco mais de três meses desde que Marcelo de consciência, sem que daí resultasse tensão.
Encontrar os caminhos para o restabelecimento da paz será Rebelo de Sousa assumiu funções. Tempo sufi- Os promotores desta última proposta acataram
o maior teste para a sabedoria dos moçambicanos. Mas os si- ciente para muita coisa ter mudado. a decisão sem os dramas que surgiriam caso fos-
nais não são muito encorajadores. Depois do ar de esperança se outro o inquilino de Belém...
que se respirou na sequência da constituição das comissões do Temos um presidente presente e próximo. Um
governo e da Renamo para a reactivação do diálogo entre os presidente que as pessoas percebem bem, desde O presidente da República empenha-se diaria-
dois, ficamos a saber, na semana passada, que havia discordân- logo porque tem um discurso claro e objectivo, mente em continuar a mudar a percepção que
cia quanto ao objectivo a ser alcançado pelo trabalho destas
desconstruindo o “politiquês”. Um presidente
de

os portugueses têm dos políticos. E se por ve-


duas comissões.
que honra o país e eleva o seu estatuto interna- zes é mais lucrativo transpor as fronteiras para
Se por um lado o governo entende que a agenda acordada cria
as condições para que as questões a ela inerentes sejam analisa-
cional. Para além de Mário Soares, não encon- dizer o que se pensa sobre a realidade interna,
das num encontro ao mais alto nível entre Nyusi e Dhlakama, tramos na história moderna um outro chefe de este chefe de Estado estará a baralhar muitos
para a Renamo, a discussão exaustiva deve ser ao nível das co- Estado que estivesse tão genuinamente confor- pensamentos e pensadores políticos. O 10 de
missões, cabendo a estas remeter as suas conclusões aos respec- tável e tão perfeitamente ao nível de um pre-
táv Junho mereceu celebrações inéditas em Paris,
tivos líderes, para sufrágio. sidente estrangeiro (como foi visível, no 10 de mas Lisboa não ficou secundarizada, pelo con-
São posições extremas, que demonstram que se está ainda num Junho, em França). trário. Mais do que aproveitar esse tempo a que
diálogo sobre o diálogo, sem sinais de que no terreno as partes se convencionou chamar de “estado de graça”,
io

estejam preparadas para abandonar as armas como meio para O presidente da República tem vindo a fazer Marcelo passou por cima de putativas críticas
alcançar os seus objectivos. mais pela reabilitação da imagem dos políticos e esteve no Terreiro do Paço, ignorando o que
Enquanto da parte da Renamo se nota uma intensificação dos do que mil inaugurações. Ao instituir um novo pudesse dizer-se acerca de aquele ter sido nou-
ataques contra alvos civis, do lado do governo cresce a intole- padrão de referência - em matéria de abertura tros tempos o local eleito para outras celebra-
rância, que se consubstancia na perseguição a jornalistas, para e de substância -, coloca toda a classe política
ár

ções. Com a mesma dignidade e alegria com


quem se está a tornar uma rotina serem chamados a prestar
perante o ónus de não baixar a fasquia. Com o que esteve num arraial com emigrantes, numa
declarações e justificarem-se sobre as matérias que veiculam
patamar de exigência fixado por Marcelo Rebe- cerimónia com François Hollande ou num jan-
nos seus órgãos. A perseguição contra jornalistas é algo típico
de regimes totalitários ou democracias militarizadas, que vi-
lo de Sousa, não poderá qualquer outro repre- tar com a seleção nacional. É um presidente de
vem na ilusão de que a sua sobrevivência começa onde termina sentante político ser menos disponível, menos verdade. Sempre.
ensa livre.
a imprensa presente e menos transparente. E aproximar os
Di

Este é um ambiente em que dificilmente podemos acreditar eleitores dos eleitos passa muito por isto. *Empresário e presidente da Associação Comercial
que haja vontade de um diálogo profícuo, que nos conduza à de Porto
liberdade, estabilidade e progresso. O presidente apoia o Governo quando enten-

KOk NAM Editor Executivo: Ivone Soares, Luis Guevane, João Distribuição:
Franscisco Carmona Mosca, Paulo Mubalo (Desporto). Miguel Bila
Director Emérito Colaboradores: (824576190 / 840135281)
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Savana 17-06-2016 19
OPINIÃO

Cassius Clay: O campeão da “Porrada na Selva”


Por Paulo Curado*

O
maior pugilista de todos os coragem, independência e determi- so à sua cidade natal, foi recebido go recente de Cassius Clay: Al Hajj dois oponentes.
tempos e um dos maiores nação, celebridade global carismática em euforia por uma multidão, mas Malik Al-Shabazz, baptizado como O grande pugilista do Kentucky aca-

o
desportistas do século XX e controversa, eternizada em livros e nem todos ficaram convencidos com Malcolm Little e conhecido por baria por recuperar o título mundial
perdeu a longa luta contra o filmes. Muhammad Ali transcendeu o feito do jovem Clay. Na sua auto- Malcolm X. A história desta relação numa altura em que já ninguém o
Parkinson. A sua história nos ringues o mundo do desporto e redefiniu biografia, publicada em 1975, relata é relatada no recente livro “Blood esperaria e num mítico combate,
começou com um roubo de bicicleta o papel de atleta profissional como que entrou num restaurante cheio de Brothers: The Fatal Friendship Be- que entraria para a história do des-

log
há 62 anos. figura pública. Dentro dos ringues, brancos para comer um hambúrguer, tween Muhammad Ali and Malcolm porto com o nome de “Rumble in
Numa noite chuvosa de 1954, em deslumbrou multidões com os seus mas o empregado recusou-se a servi- X”, de Randy Roberts e Johnny Smi- the Jungle” (ou “Pancada na Selva”
Louisville, no estado norte-ameri- dons atléticos e o seu estilo de boxe -lo por ser negro e de nada adiantou th, publicado em 2016. Segundo os numa tradução mais livre), disputa-
cano do Kentucky, Joe Elsby Mar- pouco ortodoxo, mas apaixonado, dizer quem era e o que tinha feito. autores, Clay e Malcolm (que seria do em Kinshasa, na actual Repúbli-
tin, um agente policial que dirigia o onde fundia na perfeição velocidade, Decepcionado e revoltado, confessou assassinado em Fevereiro de 1965) ca Democrática do Congo, a 30 de
Ginásio Columbia, foi abordado por agilidade e força, associando a tudo a ter atirado, por impulso, a medalha conheceram-se em Junho de 1962, Outubro de 1974. Pela frente, tinha
um menino franzino de 12 anos no tudo isto uma autoconfiança descon- olímpica ao Rio Ohio, ainda que al- numa cafeteria, em Detroit, quando
o impressionante George Foreman,
seu centro desportivo, onde era tam- certante. “Não tenho de ser quem vo- guns amigos tenham afirmado, mais o pugilista se preparava para assistir a
mais jovem e em excelente forma.
bém instrutor de boxe. Com os olhos cês querem que eu seja; sou livre para tarde, que a insígnia foi simplesmente uma reunião da Nação do Islão, uma
Ninguém apostava no favoritismo de
lacrimejantes e visivelmente per- ser quem quero”, resumiu na manhã perdida pelo atleta. Seja como for, já organização afro-americana, de cariz

ció
Ali, então com 32 anos (menos sete
turbado, o pequeno recém-chegado seguinte a ter conquistado o primeiro em 1996, durante os Jogos Olímpicos político-religioso. Malcolm X passou
contou-lhe que tinham acabado de a ser o seu conselheiro espiritual e que Foreman), tal como em Miami,
título de pesos-pesados, em 1964. de Atlanta, Clay recebeu uma meda-
lhe roubar a sua nova bicicleta ver- Cassius Marcellus Clay Jr. nasceu a lha de substituição. O episódio do político. 10 anos antes.
melha, um presente de Natal do pai. 17 de Janeiro de 1942, em Louisvil- restaurante é que não seria esquecido Por altura do combate com Liston, já Em nítida inferioridade física, Mo-
“O meu nome é Cassius Clay”, apre- le. Seu pai, Cassius Marcellus Clay, e encorajaria a sua luta pelos direitos corriam rumores de que Clay se ha- hammad procurou desgastar o adver-
sentou-se, acrescentando, com raiva pintava outdoors, e fora baptizado dos negros e pela igualdade racial. via juntado ao grupo muçulmano e o sário, suportando os ataques de Fo-
incontida, que iria chicotear o ladrão com o nome do político americano Em Outubro de 1960 estreou-se pugilista haveria de desfazer todas as reman até ao oitavo assalto quando,
quando o encontrasse. Martin deu- com o mesmo nome, defensor da como profissional, encerrando a fase dúvidas, poucos dias depois, ao anun- nos últimos segundos, contra-ataca
-lhe um conselho: “É melhor apren- emancipação dos negros no século amadora com um impressionante re- ciar que se convertera ao islamismo, ferozmente, com uma fulminante
combinação de três golpes, enviando

so
deres a combater antes de começares XIX. O boxe surgiu na vida do jo- gisto de 100 triunfos e cinco derrotas. alterando o seu nome para Muham-
a lutar.” Assim foi e, dez anos depois, vem Clay por acidente e, seis meses Quatro anos depois chega a Miami, mad Ali. As suas posições políticas o campeão ao tapete. O título voltava
conquistaria o primeiro dos seus três depois de ter começado a treinar no no estado da Florida, para discutir foram gerando cada vez mais polé- para a posse da Ali, que o iria defen-
títulos mundiais de pesos pesados, ginásio de Joe Martin, venceu o seu o mundial, com um currículo de 19 mica, até que, em 1967, depois de se der por várias ocasiões, com destaque
numa caminhada imparável que o primeiro combate amador, conquis- vitórias em outros tantos combates. recusar a servir o exército americano para o “Thrilla in Manila”, em 1975,
eternizaria na história do boxe como tando, nos anos seguintes, seis “Luvas Pela frente tem o favorito Sonny Lis- na Guerra do Vietname, solicitando onde voltou a defrontar Joe Frazier,
o maior de todos os tempos. Eleito de Ouro” (nome dado para as com- ton, detentor do título desde 1962, o estatuto de objector de consciência, naquele que terá sido o seu derradeiro
“O Desportista do Século XX” pela petições amadoras de boxe dos EUA) com um impressionante registo de e ter criticado o envio de soldados grande combate. O terceiro campeo-
revista americana Sports Illustrated, no estado de Kentucky, e dois títulos 28 triunfos consecutivos. Mas, sete para este conflito, foi despojado do nato mundial já o conquistaria em
em 1999, Cassius Clay ou Muham- nacionais. assaltos depois, Clay era o novo cam- seu título mundial (recuperado pos- 1978 e, três anos depois, retirou-se
um
mad Ali, como quis ser conhecido peão de pesos-pesados. “Eu sou o teriormente, por decisão do Supremo
ter dos ringues definitivamente.
após a sua conversão ao islamismo, Fama e racismo maior”, gritou perante a assistência Tribunal dos EUA) e proibido de Em 1984, iniciaria aquela que foi
morreu na madrugada deste sábado, Em 1960, com 18 anos surgiu o pri- chocada que preenchia o Convention praticar boxe durante três anos. Es- a maior luta da sua vida, depois de
com 74 anos, derrubado pela doença meiro grande sucesso internacional, Hall naquele dia 25 de Fevereiro. tava no seu auge atlético. lhe ser diagnosticada a doença de
de Parkinson. ao arrebatar a medalha de ouro nos Parkinson. O “combate” durou 32
Titã do pugilismo, guerreiro dos di- Jogos Olímpicos de Roma, na cate- Nasce Muhammad Ali O regresso anos e Mohammad Ali acabou por
reitos civis, activista anti-guerra, farol goria de meio-pesado (até 79,4kg), Entre a multidão, encontravam-se os Terminaria o seu “exílio” dos ringues
sofrer este sábado o seu primeiro
de esperança para povos oprimidos, batendo na final o experiente polaco Beatles, que realizavam a sua primei- a 26 de Outubro de 1970, com um
KO. Durante estes anos, usou a sua
figura política e social, símbolo de Zbigniew Pietrzykowski. De regres- ra digressão
essão pelos EUA, e um ami- rápido KO ao adversário branco Jer-
ry Quarry, iniciando a corrida para popularidade para promover as pes-
a recuperar o campeonato mundial, quisas de cura para esta enfermidade,

A hora do bruto então na posse de Joe Frazier. Os ao mesmo tempo que rodou mundo,
dois encontraram-se a 8 de Março encontrando-se com líderes políticos,
de

de 1971, no Madison Square Gar- apoiando acções de beneficência e es-


den, em Nova Iorque, num confronto palhando mensagens de paz e igual-
João Carlos Barradas* apelidado como “combate do século”. dade. Amado ou odiado, permaneceu
O confronto correspondeu às expec- por meio século como uma das per-

A
s tiradas de Donald Trump Rizwan Farook - natural de Chicago, após arrebatar o segundo mandato e tativas, mas a pausa de três anos teve sonagens mais carismáticas do plane-
contra o “terrorismo radi- filho de emigrantes do Paquistão - e a braços com o massacre de 20 crian- efeitos na condição de Ali, que aca- ta e a sua lenda continua a inspirar
cal islamita” ameaçam calar à sua mulher e parceira no atentado ças e seis adultos na escola primária bou derrotado, após 15 assaltos, que gerações.
fundo no eleitorado norte- da Califórnia, Tahsfeen Malik - pa- de Sandy Hook, no Connecticut, em deixaram visíveis danos físicos nos *Público. Título do SAVANA
-americano desorientado ante a quistanesa criada na Arábia Saudita Dezembro de 2012, passou a propor
ameaça de chacinas perpetradas em antes de emigrar -, para, à semelhan- em vão a revisão do regime permissi-
io

nome do Islão. ça dos irmãos Tsarnaev - emigrantes vo assente na interpretação literal da


Um país que acabara de celebrar o de origem tchetchena e avar -, se Segunda Emenda da Constituição
exemplo ecuménico e pacifista de confundir numa mescla de atentados de 1791.
Muhammad Ali (um convertido às que,, desde o 11 de Setembro, apelam Terroristas sem vínculos organiza-
heresias da negritude da Nação do ao Islão como justificação. cionais e logísticos a grupos terroris-
Islão antes da serenidade de o su- Para Trump é, assim, fácil condenar tas, actuando por putativa inspiração Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
ár

fismo o seduzir nos anos 70) viu-se genericamente o Islão e avançar com ou justificação ideológico-religiosa Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
de imediato confrontado com um a proibição de entrada de emigran- islamista, aumentam a enxurrada de 481
morticínio em nome do Profeta, de- tes de nações com um “historial de demagogia autoritária e xenófoba no
pois dos ataques em San Bernardino terrorismo contra os Estados Unidos ano da eleição para a Casa Branca
(Dezembro 2015) e Boston (Abril
2013). 
ou seus aliados”.
A candidatura de Hillary Clinton,
e, por este lado, só Trump tem a ga-
nhar.
Função de transgressão
Di

No atentado homofóbico de Or- secretária de Estado entre 2009 e O assassínio com transmissão via

M
lando é notória a confusão religiosa 2013, pouco pode aproveitar dos Facebook Live de um casal de po- uito interessante a À inutilização ritualizada da
expressa na admiração do matador arrastados e ambíguos esforços de lícias nos arredores de Paris, na função de ênfase, a função primordial dos ócu-
pela Al-Qaeda sunita e pelo Hiz- Obama no Médio Oriente e Afe- segunda-feira, por um devoto do função de signo,  a los de lentes escuras (proteger
ballah xiita, seguida da alegada sub- ganistão, sem falar do fracasso da Califado Negro ameaça, entretanto, função de trans- os nossos olhos do sol) cola-
missão ao Estado Islâmico, o Califa- intervenção na Líbia, dados os miti- fazer escola ainda que as centenas gressão jogada pelos  óculos de -se a aspiração à vida milioná-
do Negro de Al-Baghdadi, aríete do gados resultados em que só sobressai de mortes provocadas nas últimas lentes escuras nos jovens que se ria quando os jovens cantam e
extremismo sunita na Síria e Iraque. o acordo de congelamento do pro- semanas por atentados dos homens apresentam à noite em cocktails, dançam junto a ou dentro de
Omar Mateen, nascido nos Estados grama militar nuclear do Irão. de Al-Baghdadi em Bagdade e Da- danças e actuações musicais na luxuosas viaturas.
Unidos, filho de um nacionalista Uma mão-cheia de demagogia co- masco passem em claro nos Estados cidade de Maputo. Finalmente, em espectáculos
pashtun afegão, frequentava meios lhe aqui a favor de Trump que, ade- Unidos e na Europa. Essa função junta-se ao ar re- nocturnos, a função de trans-
homossexuais, consumia álcool e mais, exclui com êxito da discussão Trump, brutal e demagógico, capi- belde do rapper - algumas vezes gressão ruidosa dos óculos de
surge como um indivíduo perturba- o controlo de vendas de armas, tema taliza. ameaçador - e, aqui e acolá, aos lentes escuras está, não poucas
do que acaba invocando uma dúbia susceptível de prejudicar qualquer Hillary, ponderada e limitada, racio-
bíceps cuidadosamente treina- vezes, pese o intenso calor, asso-
ideologia islamita de extermínio candidato presidencial. naliza morosos e incertos combates.
dos em academias de muscula- ciada ao uso ostensivo da jaque-
como escape para paranóias pessoais. O próprio Obama evitou o debate Um ganha, outra perde.
ção e ao arranjo “cool” do cabelo. ta de couro ou de napa.
O assassino de Orlando junta-se a nas campanhas presidenciais e só *Jornalista
20 Savana 17-06-2016
OPINIÃO

Crise da dívida mexicana de 1982: Em busca da auto-estima perdida


Por Fernando Lima*
lições para Moçambique
N
estes dias complicados que vivemos, que tudo, ou quase tudo possa ser esclareci-
Por Emmanuel de Oliveira Cortês* só dá mesmo aplicarmos o estafado do, mesmo que esteja viva a memória sobre a
estribilho da esperança que é a úl- auditoria forense às contas do Banco Austral.

O
crescente debate público sobre a crise da filho do popular ex-presidente Lázaro Cárdenas.
dívida em Moçambique tem atraído diver- E foi Cárdenas, que em conjunto com outros dis- tima a morrer, ou outro, não menos O público não sabe dos seus resultados, nem

o
sos sectores sociais, tanto moçambicanos sidentes criou uma fractura no seio do partido por coçado, melhores dias virão. dos trinta devedores especiais que a direcção
como estrangeiros. Mas dizer que se pode desacordar das novas políticas neoliberais e por ter Os agoirentos dizem que ainda não vimos do banco, por sensibilidades políticas laten-
fazer um paralelo com a situação vivida na Améri- sido preterido como candidato, em detrimento de
ca-latina, mais concretamente com o México, que Carlos Salinas. tudo. tes, decidiu ser de “bom senso” encaminhar
teve repercussões sócio-políticas. A economia me- Mas se por um lado as privatizações das empresas Para já, o FMI desembarcou de armas e ba- ao Tesouro que, por sua vez, encarregou um

log
xicana sofreu um colapso económico em 1982, que públicas contribuíram para que México entrasse na gagens em Maputo. Aparentemente, não há grupo de pacientes advogados de ir fazendo
teve consequências drásticas. Antes desse colapso, economia competitiva, por outro, trouxeram efei- as colectas, grão a grão. Com as comissões
a partir do início da década de 1940, o crescimento tos devastadores para o partido dominante, pois
receitas nas malas. Querem saber quais são
económico foi constante, que ficou historicamente sem essas empresas (até ao ano 2000 eram cerca de as receitas dos cozinheiros locais para atacar devidas claro, porque trabalho é trabalho.
conhecido como “Milagre mexicano”. Este cresci- 202) o partido não conseguia distribuir postos de a dívida, nomeadamente os seus meandros Depois da comissão parlamentar de inquéri-
mento organizou-se em torno de um modelo de trabalho para seus militantes nem desviar massiva- mais sinuosos. E como os cozinheiros são to, a auditoria forense, será pois, a próxima
industrialização baseado no princípio de substitui- mente os recursos destas empresas para financiar
cheios de truques e pequenos segredos, nós linha de resistência. A não ser que também
ção de importações, com a criação de muitas em- suas campanhas eleitorais e outras actividades par-
presas estatais. tidárias. Em suma, a retirada do estado mexicano outros vamos sabendo das notícias a conta- faça parte do pacote de medidas “sugeridas”
No entanto, numa atmosfera caracterizada com a na economia privou o acesso aos recursos públicos -gotas. Até precisamos de apanhar boleias para surpreender os sisudos homens (e mu-
ascensão da direita política, encabeçada pelas figu- por parte do partido dominante, que se viu obri- dos “conselhos internacionais” que manda- lheres) do FMI (Fundo Monetário Interna-
ras norte-americanas e britânicas de Ronald Rea- gado a realizar uma reforma no sistema de finan-
cional).

ció
gan e Margaret Thatcher, México viu-se envolvido ciamento aos partidos em 1996, multiplicando por ram recado ao governo explicitando que o
com uma crise da dívida. A descoberta de petróleo 12 vezes, mas que também incluía os partidos da assunto da dívida devia, em primeiro lugar, E se a Reuters já destapou o dossier das co-
em alguns estados mexicanos contribuiu para que oposição que cresceram sobremaneira a partir daí. ser discutido com as instituições nacionais. missões que acompanharam os empréstimos,
o país se tornasse no 4º maior produtor petrolífero Mas porquê o sector público é tão importante, tan- a antecipação de mais comissões faz salivar
mundial. No entanto, devido à falta de diversifica- to no México como em Moçambique? Tal como
Por isso, tivemos direito a sentar em frente à
ção económica, a economia estava dependente das Kenneth Greene escreveu no seu livro “Why do- tv e ver a sessão extraordinária do parlamento os que a todo o momento antecipam cabeças
receitas petrolíferas, mas a queda do preço deste minant parties lose: Mexico’s democratization in que custou ao erário io público, em tempo de a rolar pelo cadafalso. A linha de resistência
combustível no mercado internacional danificou comparative perspective”, que partidos dominantes vacas magras, a quantia de 14 milhões. Mas aqui é tórrida e os cenários contentam todas
severamente a economia mexicana, com fuga de utilizam certas formas para gerar recursos: 1) des- as opções. Dos que estão prontos para a rup-
capitais e com uma dívida pública estimada em 86 viar fundos dos orçamentos das empresas públicas, valeu a pena ver estabelecido um consenso
bilhões de dólares. que são geralmente administradas por políticos que poucos vaticinavam: a criação de uma tura até aos do “compromisso histórico” que,

so
Em Agosto de 1982, o governo mexicano declarou proeminentes indicados pelo partido; 2) o contro- comissão parlamentar de inquérito. Mesmo mau grado algumas desavenças de percurso
moratória da dívida e, objectivando conseguir um lo sobre um grande sector público permite que o com as nuances que a oposição quer, por- que são ensinadas às criancinhas na escola – e
empréstimo do Fundo Monetário Internacional partido dominante ofereça uma grande quantida- a história é invariavelmente feita pelos ven-
(FMI), foi coagido a fazer concessões, reduzindo de de postos de trabalho para os seus partidários que desconfiam do manobrismo habitual da
os gastos públicos, serviços governamentais e pri- e ao mesmo tempo remova dos adversários; 3) maioria. Mesmo com o visível desnorte da cedores – acreditam piamente que a “família”
vatizando várias empresas públicas e selando acor- grande envolvimento estatal na economia incen- bancada que faz governo, vacilando entre tem de sair mais unida dos actuais desafios.
dos de livre-comércio. A partir de então, México tiva as empresas domésticas a fazer contribuições É mesmo um daqueles duelos de “western
passou por um período difícil, com a estagnação económicas para campanhas políticas em troca de
“fazer a coisa certa” e a cartilha vaga da defesa
da soberania, mesmo que os seus próprios di- americano” ou, mais ideológico, como ex-
económica na década de 1980, que ficou conhecida protecção económica pelo estado; e, finalmente,
como a “década perdida”. os partidos dominantes em regimes autoritários reitos tenham sido espezinhados por impera- plicou recentemente o historiador Michel
O advogado Miguel de la Madrid, com um dis- eleitorais mobilizam apoio transformando órgãos tivos que, o futuro próximo – espera-se – ve- Cahen: um extremar de posições que expli-
curso similar ao de Filipe Nyusi aquando da sua públicos em sedes de campanha, usando materiais ca os excessos de esquadrões da morte, valas
um
tomada de posse, prometeu austeridade e cortes no de escritório,
io, telefones, veículos e os próprios fun- nha a esclarecer sobre a grandeza e objectivos
de uma tal “cruzada de soberania”. comuns e as matilhas ululantes sonhando
despesismo. A sua ascensão à presidência da Re- cionários públicos para mobilizar os eleitores. No
pública marcou também uma ruptura na natureza entanto, tal como escreve o autor, as privatizações Do outro lado da cidade, a PGR (Procura- sangue nas redes sociais e na comunicação do
keynesianista e populista na governação, dando en- retiram o acesso a esses recursos e a hegemonia dos doria Geral da República) prepara-se para regime.
fâse a outros modelos: tecnocracia, o monetarismo partidos dominantes fica ameaçada. Neste dias de cólera e deriva sobra pouco
e o FMI. O acordo selado pelo governo mexicano No entanto, o drástico emagrecimento do sector resgatar os seus créditos e mostrar que nem
sempre são os paus mandados que preen- para a auto-estima. A que Samora trouxe
com o FMI para o alívio da dívida teve em con- público mexicano e da força de trabalho na função
trapartida a adopção das directivas tradicionais do pública, aliado à pressão internacional por eleições chem formalmente uns tantos lugares no com a independência e a agora estilhaçada
organismo: privatizações, cortes nos salários e di- transparentes, contribuíram para que, no ano 2000, pelos golpes da dívida. Não deixa de ser iró-
Vicente Fox Quesada, do Partido da Acção Nacio-
frágil edifício do judiciário. Mesmo que para
minuição da taxa de inflação. nico que uma das bandeiras do consulado que
Mas apesar de seguir as directivas do FMI, que nal (um partido com uma génese e matriz ideoló- isso tenham de receber os recados de um ri-
nos governou nos últimos dez anos esteja por
incluiu a diminuição das cerca de 1155 empresas gica similar à RENAMO) vencesse a eleição pre- sonho representante da comunidade interna-
públicas para apenas 412 em 1998, os efeitos não sidencial do referido ano. Não obstante o facto do terra e atravessando os seus piores dias.
cional que, à saída do palácio de arquitectura
foram palpáveis: de 1983 a 1988 o PBI mexicano PRI ter regressado 12 anos depois sob a liderança É difícil, mas não é impossível, ver para além
chinesa, dá a agenda para os tempos próxi-
de

teve um crescimento de apenas 0,2%, os salários do actual presidente Enrique Peña Nieto, a verda- do cacimbo desta nossa momentânea inver-
foram reduzidos em cerca de 40% e a criação de de é que o partido já não é mais a formação ultra- mos: da dívida à corrupção passando de ca-
-hegemónica do passado, tanto por abandonar um
nia.
emprego estagnou. Estes efeitos económicos foram minho pelas valas comuns.
devastadores para o partido dominante, o Partido modelo que vinha funcionando, bem como pela Só temos que querer.
Com estes propósitos, fica difícil contornar
Revolucionário Institucional (PRI), que apesar má reputação que foi adquirindo durante suas sete
de manter-se na presidência da República no ano décadas de governação, tornando-se num símbolo as vozes dos representantes da Grã-Bretanha
*em solidariedade com o Machado da Graça,
2000 (o partido manteve-se no poder de 1929 até de corrupção, má gestão financeira e pelas fraudes e dos Estados Unidos que dão o palpite de
2000, constituindo-se como o partido não-comu- eleitorais. E no caso de Moçambique, será que a
companheiro de muitas marchas, travando um
uma auditoria forense internacional às contas
nista que mais tempo esteve no poder), o seu poder FRELIMO sobreviverá à crise? complicado combate contra a doença que o impe-
da dívida. Sem bola de cristal é mesmo possí-
passou a ser contestado, o que quase culminou com *Mestrando em Comunicação, Cultura e Tecnologias de do habitual convívio com o seus leitores
a derrota de seu candidato Carlos Salinas em 1988, de Informação no ISCTE-IUL. emmanuelcortezon@ vel prever que, para esse efeito, até se faz uma
ante o dissidente do PRI, Cuahtemoc Cárdenas, gmail.com moratória ao congelamento de fundos, para
io

Por Luís Guevane


SACO AZUL

Saídas pendentes
ár

É
comovente como a praça política “abordagem”. de expressão, etc., nas governações seguintes seguir extrair o furúnculo que se enraizou e
moçambicana acompanha o evoluir Ao que parece, por aquilo que nos é dado a desmariarizou-se o País, produzindo instabi- continua a gangrenar o País. O que se fala
Di

da “Comissão” criada para preparar consumir no dia-a-dia, a solução militar con- lidade político-militar. Sem muita margem de não é o que se faz. Temos de nos convencer
o encontro entre as lideranças dos tinua a ser a bandeira que se mantém no topo erro podemos afirmar que, no geral, regredimos. (a nós próprios) que alguém vai ter que nos
partidos políticos (que se acredita poder do mastro. É esta que está na agenda das partes. Criticava-se bastante o “Chissas” mas era mais ajudar a nessa extração.
colocar o País em situação de estabilidade O discurso de “chamada à mesa” funciona como pela necessidade de querer ter um País crescen- A involução da “Comissão” confirma que
político-militar, social, psicológica…) É uma tentativa de branqueamento da guerra, temente melhor. Quando cessou iniciou-se a tal só ouvimos, só nos endireitamos, quando
comovente na medida em que a distância da verdade. Quando a praça repete que a me- a receita vem de fora (tipo berro do FMI).
regressão que continua a acentuar-se. Hoje já
entre o que se diz e o que se faz é preocu- lhor saída é o diálogo político entre as partes Internamente, ainda não evoluímos o sufi-
não se pode “falar muito” pois, o olhar vigilante
pante (como interna e externamente já se em conflito, em simultâneo, volta a rebentar a ciente para nos respeitarmos mutuamente. A
da “lei da bala” já solta saliva ao invés de lacri-
comenta). bolha discursiva de defesa de integridade ter- arrogância e o orgulho continua a cegar-nos
Numa primeira abordagem até dá a enten- mejar. Quando se proíbe “falar muito” é porque
ritorial coincidindo com um maior nervosismo de tal sorte que só damos conta da existência
der que as partes procuram ir à “mesa do no campo político-militar. É como se fosse um algo descomandou-se ao ponto de não permitir
do nosso umbigo e nada mais. Só repetimos
entendimento” com as asas completamente código. Esperamos que seja pura coincidência e soluções que contrariem esse descomando. que a solução deve vir de nós, quando na
levantadas, mostrando-se orgulhosas, alti- que uma coisa não tenha nada a ver com a outra. Sozinhos não estamos a conseguir inteligência verdade prolongamos o conflito. Afónicos
vas e superiores. Mas, quando afinamos o Se no tempo do Chissano houve muita aber- suficiente para percebermos que Moçambique é repetimos que somos capazes, mas não nos
olhar na tentativa de entender o prolonga- tura no campo do diálogo, da convivência po- um País e que como tal as ambições individuais municiamos responsavelmente para tal em-
mento do conflito político-militar até ao lítica entre as partes, da evolução cultural, do (ou de grupo) não devem sobrepor-se ao inte- preendimento. Oxalá, estejamos redonda-
presente começamos, então, a duvidar dessa respeito pela diferença de opiniões, da liberdade resse da Nação. Sozinhos não estamos a con- mente errados.
Savana 17-06-2016 21
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22 Savana 17-06-2016
DESPORTO

Quatro meses depois da tragédia do Zimpeto

Vítimas continuam entregues à sua sorte


Por Paulo Mubalo

o
Q
uatro meses depois do conduzirá às devidas compensa-
desabamento de uma das ções e reposição das viaturas da-
paredes de vedação da nificadas;
piscina do Zimpeto, que

log
-Acompanhamento psicológico
vitimou nove pessoas, sendo oito das vítimas e dos atletas.
feridos e um óbito, no caso ver-
tente, Frederico dos Santos, trei-
nador do Golfinhos de Maputo e Em “stand by”
seleccionador nacional, os lesados A viúva de Frederico dos Santos,
continuam à espera, impaciente- Soraya dos Santos, partilhou com
mente, de serem ressarcidos pelos o SAVANA algumas das suas
prejuízos. Nesta segunda feira, o preocupações.
“Bem, ainda estamos em stand by,

ció
SAVANA ouviu a versão de parte
das vítimas dessa triste tragédia e, eles prometeram-me, mas ainda
de viva voz, afirmaram que ainda nada aconteceu porque não tive
não receberam nenhum apoio das qualquer tipo de ajuda. Eu não
entidades competentes. “Parece pedi nada. Ouvi dizer que estão a
que quem de direito está con- tratar do assunto e que dentro de
descendente com a situação, pois dias vão fechar o processo. Conti-
não se está a agir com celeridade”, nuo aguardando”.
afirmam. Mesmo desesperada, Soraya diz

so
A tragédia
ragédia do Zimpeto semeou luto e dor
que vai sobrevivendo à maneira e
Entretanto, Aníbal Leite, director ordem, sobretudo no que se refere um encontro entre esta, o Gover- para o atleta Valentim da Costa, agradece o Clube Golfinhos pelo
Geral da Mota Engil, diz que o ao sustento da família, pagamento no, a ANCM, as vítimas e as par- igualmente vítima da tragédia); amparo. “O clube vai pagar seis
processo está fechado. “Tudo cor- das despesas correntes, despesas tes lesadas e o seguinte: -Pagamento de pelo menos quinze meses correspondentes ao salário
reu bem, vamos dar o apoio”. com a escola da viúva e dos filhos -Pagamento por melhor via indi- salár mínimos a cada uma das
salários do meu falecido esposo”, disse.
e dificuldades sérias impostas pela cada pelo Ministério da Juventu- vítimas e a cada uma das pessoas Entretanto, circularam informa-
Contextualização falta de viatura para assegurar o de e Desportos, das despesas com lesadas para mitigar o impacto da ções dando conta de que um dos
Segundo o que a imprensa no- dia-a-dia de actividades da famí- medicamentos, assistência médica perda de bens pessoais e despesas
per filhos de Frederico dos Santos
ticiou na altura, depois do triste lia, de forma condigna, flexível e e hospitalar ao atleta Denilson da com os danos sofridos, enquanto
um
deixou de estudar por não dispor
acontecimento, ocorrido justa- viável. Costa; bolsa de Estudos (subsídio decorre o processo de indemniza- de dinheiro para pagar propinas.
mente a 20 de Fevereiro deste ano, Quanto às outras vítimas de lesões mensal e pagamento de taxas de ção das vítimas e lesados;
A fonte desdramatiza este assun-
as vítimas decidiram elaborar um físicas, nomeadamente, os traba- matrícula, propinas e despesas es- -Pronta alocação/aquisição de
to anotando que “o que se passa
caderno reivindicativo, que depois lhadores da natação, esses conti- colares para a Sra. Soraya Julai dos uma viatura para o uso da família
é que tenho passado por algumas
foi enviado ao Governo para me- nuam a reclamar ainda não terem Santos, viúva do treinador Frede- do malogrado Frederico dos San-
dificuldades”.
lhor apreciação. Em carta dirigi- sido contactadas pelas autoridades rico dos Santos); tos;
arem as suas
do Estado para colocarem -Bolsa de Estudos (subsídio - Atribuição de um subsídio men- Já Aníbal Leite, director-geral
da ao Ministério da Juventude e
Desportos, datada de 15 de Mar- preocupações e as partes lesadas mensal e pagamento de taxas de sal de Dezassete Mil Meticais da Mota Engil, explicou, suma-
ço, a Federação Moçambicana de nas viaturas atingidas reclamam Matrícula, propinas e despesas es- (17.000,00 MT) ou alocação/ riamente, ao SAVANA que o
Natação clarifica que o desaba- pela abertura de um processo que colares para os filhos do falecido aquisição a cada um dos proprie- processo está fechado, pois a sua
mento da parede frontal da Pisci- conduza a que estes possam ser Seleccionador Nacional Frederico tários de cada uma das quatro empresa vai dar apoio à viúva do
de

na Olímpica do Zimpeto causou, ressarcidos e compensados de for- dos SSantos); viaturas danificadas para permitir antigo treinador Frederico dos
para além da morte do selecciona- ma urgente,, célere e justa. -Bolsa de Estudos (subsídio men- minimizar ou mitigar o impacto Santos. “Tudo está bem encami-
dor nacional de natação, Frederico Enquanto isto, face aos assuntos sal e pagamento de taxas de matrí- negativo da falta de viatura, en- nhado e o processo está fechado”,
dos Santos, danos físicos graves retromencionados, a FMN propôs cula, propinas e despesas escolares quanto decorre o processo que explicou.
ao atleta da selecção, Denilson da
Costa, e outros, dentre os quais
os filhos e esposa do malogrado, Karts
o atleta Valentim da Costa e dois
trabalhadores.
Cristian Bouché em grande estilo!
io

Paralelamente, registaram-se es-


tragos materiais avultados em
quatro viaturas, sendo uma da fa-

O
mília do malogrado, uma dum di- piloto em ascensão espectáculo, com o único senão ATCM, organismo que organi- principais provas do des-
rigente da Associação de Natação meteórica, Cristian de na terceira manga ter registado zou o evento, diz estar satisfeito porto motorizado no país,
ár

da Cidade de Maputo, uma viatu- Bouché, voltou a não um acidente. com o decorrer das provas, daí com destaque para a espe-
ra dum treinador do Clube Gol- deixar os seus créditos Nota de destaque é a entrega, que tenha feito uma avaliação cialidade de karting, sendo
finhos de Maputo e uma viatura em mãos alheias e, como se lhe abnegação, sentido de responsa- positiva. que teve uma reaparição
dum trabalhador dos complexos impunha, acabou conquistan- bilidade e o querer demonstrados António Marques, presidente da- extraordinária, ano passa-
de restauração da Piscina Olímpi- do com todo o mérito a quar- por todos os pilotos, não obstante quele organismo, explicou à im- do, no troféu Maputo-2015
ca do Zimpeto. ta prova do campeonato de as diferenças em termos de ritmo prensa, no final do certame, que em karting. Com apenas 26
Di

Ante à gravidade da situação, o Karts da Cidade de Maputo, competitivo, perícia e outras par- para além da prova em si criou-se anos de idade, é uma verda-
atleta Denilson da Costa acabou especialidade que, nos últimos ticularidades que apenas se con- um bom ambiente para a pequena deira estrela cintilante na
sendo submetido a uma interven- anos, tem conquistando cora- seguem com muito mais treino. no contexto das comemorações modalidade.
ção cirúrgica no braço esquerdo, ções de muitos fás. Se na classe DDS, Cristian Bou- do dia internacional da criança. Relativamente ao ATCM,
ço, num hospital
no dia 05 de Março, ché ocupou o primeiro lugar, se- Aliás, exceptuando essa mazela, importa referir que este or-
ortopédico da vizinha África do Vem daí que mesmo as bai- guido por Jaryd Vray e Connor tudo decorreu dentro da norma- ganismo tem uma academia
Sul, onde ficou internado por três xas temperaturas que se fize- Hughes, na de Maxterino “A”, lidade, não tendo havido nem de karting para a formação
dias, sendo que as despesas de re- ram sentir no fim-de-semana Rodrigo Almeida impôs-se em protestos ou mesmo penalizações, de jovens pilotos, concreta-
cuperação do atleta foram cober- a participação dos atletas e a relação aos demais, ocupando a o que faz antever que a próxima mente crianças compreen-
tas pelo pai, quando se esperava presença do público tenha sido primeira posição. Este foi segui- prova de motocross marcada para didas entre os sete aos 12
que fossem entidades do Governo assinalável. do por Azique Razak e Guilher- 3 de Julho venha fazer convergir anos, e um centro de refe-
a fazê-lo. Em termos de presença de me Rocha, na segunda e terceira não só dezenas de pilotos como rência ao piloto. Por tudo
A família do malogrado Frederico pilotos tomaram parte no cer- posições, respectivamente. de assistentes. isso pode se dizer que o
dos Santos, depois que retomou às tame 30, os quais proporciona- Enquanto isto, o Automóvel e Quanto a Cristian Bouché, há futuro da modalidade está
actividades normais, apresentou ram momentos de verdadeiro Touring Clube de Moçambique, que notar que tem dominado as garantido no país.
queixas de dificuldades de vária
Savana 17-06-2016 23
DESPORTO

Segundo representante de Nampula averba falta de comparência na Taça de Moçambique, quando ainda estava em apuramento

FMF e APFN ridicularizam o futebol


Por Abílio Maolela

o
M
ais um caso insólito AFN acusa FMN de ignorar seu tece porque as pessoas que dirigem nos apresentado o seu representan- do futebol nacional, porém reafir-
deu-se no futebol mo- pedido o futebol (Alberto Simango e seu te, o que não aconteceu. Durante ma que fez tudo dentro das regras
çambicano. Depois do Segundo o vice-presidente da elenco) “não têm mínimo de bom o sorteio, dissemos às associações do jogo.
Desportivo do Niassa senso” e muito menos “mentalidade que nos apresentassem os seus re- Além da falta de comparência

log
APFN para Alta Competição,
averbar falta de comparência casei- Orlando Valata, ouvido pela Rá- desportiva”, pelo que “estão a fazer presentantes até à data dos jogos”, averbada ao segundo representan-
ra, na 11ª jornada do Moçambola, um péssimo serviço ao futebol na- esclareceu a fonte. te de Nampula na fase zzonal norte,
dio Moçambique, após a vitória
agora foi a vez do segundo repre- cional”. “Quando são competições da CAF, a Taça de Moçambique registou
do Ferroviário de Nampula sobre
sentante da Província de Nampula os países devem apresentar os seus duas desistências, na zona centro,
o Desportivo de Nacala, no jogo “Tivemos custos na equipa (trans-
representantes até, no máximo, Ja- devido aos confrontos militares,
(até a data não definido) sofrer falta de apuramento do adversário do porte, hospedagem e alimentação)
neiro. Se tu não apresentas, o pro- que se verificam naquela região do
de comparência diante das Águias representante do Niassa, aquela para nada. Só estivemos aqui para país.
Especiais de Lichinga, em jogo partida foi marcada para aquele dar receita ao Desportivo de Na- blema é teu e não da CAF”, exem-
Chingale de Tete e Sporting da
pontuável para os oitavos-de-final dia ( 12 de Junho) porque, nos dias cala. Estamos a brincar com o fu- plificou, antes de rematar:
Beira não viajam, no último fim-
“Não há estória e nem ciência. A

ció
da Taça de Moçambique. previstos, “o Ferroviário de Nam- tebol. A zona norte tem mais jogos -de-semana, a Chimoio e Songo,
pula tinha jogadores nas selecções” de apuramento que a zona centro”, responsabilidade é da Associação”. respectivamente, para a fase zonal
O caso aconteceu, no último do- e acusa a FMF de ter ignorado o constatou o técnico, em entrevista centro da competição.
APFN demarca-se da responsa-
mingo, em Lichinga, onde a Fe- pedido. à mesma estação radiofónica. ação
bilização Filipe Johane afirma que, neste
deração Moçambicana de Fu- “Enviamos uma carta à FMF, a caso, também “não há nada a fa-
À nossa reportagem, o Presidente
explicar as razões da não realiza- FMF responsabiliza APFN zer”, porque a sua instituição não
tebol (FMF) tinha agendado a FN, Samuel Tagir, reafirma
da APFN,
ção deste jogo. Há um regulamen- Contactado pelo SAVANA para se responsabiliza pelo transporte
partida dos oitavos-de-final entre que a sua agremiação cumpriu com
reagir a este facto, o Secretário-Ge- das equipas.
as Águias Especiais daquela cida- to que diz caso uma equipa tenha o regulamento e recorda que o sor-
ral da FMF,, Filipe Johane, atirou as “Queriam viajar via terrestre e a
de e o segundo representante de mais de dois jogadores na selecção teio dos oitav
oitavos-de-final marcava FMF não limita as modalidades

so
Nampula. não pode fazer jogos oficiais. O culpas à APFN, alegando que esta jogos entre os representantes da que cada um adopta. O Ferroviário
Ferroviário tinha quatro jogadores “teve muito tempo para apresentar zona norte, não especificando os de Quelimane foi à Beira de avião
O facto é que até à data do jogo a
na selecção (dois na selecção nacio- seus representantes até à data do adversários, pois, “ninguém tinha e jogou. Nós marcamos os jogos e
Associação Provincial de Futebol
nal e dois na selecção do Malawi) jogo dos oitavos-de-final”.
os-de-final”. apurado seu representante. Tan- as equipas não se fizeram presente
de Nampula (APFN) não tinha
e não jogou no dia 01 de Junho”, “Além de invocar o regulamento, a to, Nampula, Niassa, assim como aos mesmos”, sublinhou.
apurado o adversário da equipa de
revelou. Associação
ção devia verificar o calen- Cabo Delgado”, destaca. Recordar que os confrontos milita-
Niassa (Desportivo de Nacala ou res são, também, responsáveis pela
O treinador do Ferroviário de dário. Havia datas marcadas para Sem consensos à vista, a APFN
Ferroviário de Nampula) e progra- não realização da Divisão de Hon-
Nampula, Arnaldo Salvado, foi a realização de jogos e, até à data aguarda pela decisão do Conselho
mou fazê-lo no mesmo dia. mais longe e disse que isto acon- do sorteio para os oitavos, devia ter de Disciplina da entidade gestora ra, ao nível daquela região.
um

Anúncio de Vagas
de

SC/UNFPA/2016/003 – Coordenador Provincial Nampula


SC/UNFPA/2016/004 – Coordenador Provincial Zambézia
UNFPA, Fundo das Nações Unidas para População, é uma agência inter- promover e organizar encontros periódicos de coordenação e prestação de
nacional
ional de desenvolvimento que trabalha em prol de um mundo onde contas e resultados do programa ao nível da província; prestar apoio na co-
cada gravidez é desejada, cada parto é seguro e o potencial de cada jovem é lecta e monitoria de dados e na análise de estatísticas chaves e relatórios da
realizado. O UNFPA solicita candidaturas de cidadãos moçambicanos qua- VD~GHVH[XDOHUHSURGXWLYD
OLÀFDGRVHH[SHULHQWHVSDUDDVHJXLQWHYDJD
Requisitos gerais: 0tQLPRGHTXDOLÀFDomRGHQtYHO0HVWUDGRHPVD~GHS~-
3RVWRHWtWXORSC/UNFPA/2016/003
SC/UNFPA/2016/003 – Coordenador EOLFD FLrQFLDV VRFLDLV DGPLQLVWUDomR RX iUHDV DÀQV PtQLPR GH  DQRV GH
io

Provincial
rovincial Nampula H[SHULrQFLDFRPSURYDGDHPPRQLWRULDHDYDOLDomRGHSURMHWRVH[SHULrQFLD
SC/UNFPA/2016/004
C/UNFPA/2016/004 – Coordenador FRPSURYDGD HP SHVTXLVD RSHUDFLRQDO H[SHULrQFLD HP JHVWmR GH SURMHWRV
Provincial
rovincial Zambézia PXOWLVVHWRULDLVRXSURJUDPDVQDiUHDGD6D~GH6H[XDO5HSURGXWLYDpXPD
7LSRGHFRQWUDWRQtYHOServiceService Contract, nível SB-4 YDQWDJHPH[FHOHQWHFDSDFLGDGHGHSODQHDPHQWRDQiOLVHDYDOLDomRHJHVWmR
/RFDOGH7UDEDOKR Nampula,
Nampula, Nampula OLWHUDFLD LQIRUPiWLFD FRPSOHWD H H[FHOHQWH ÁXrQFLD HP 3RUWXJXrV H ,QJOrV
ár

(Posto # SC/UNFPA/2016/003) SURÀFLrQFLDHPJHVWmRGHEDVHVGHGDGRVHSDFRWHVHVWDWtVWLFRV


Quelimane, Zambézia (Posto #
SC/UNFPA/2016/004) Como se candidatar: A Descrição do Trabalho detalhado para a vaga estão dis-
'XUDomR
R Um
Um ano com possibilidade de renovação poníveis na recepção do escritório do UNFPA em Maputo no endereço espe-
dependendo da avaliação do desempenho FLÀFDGRDEDL[RGDVDWpKRUDVGHVHJXQGDDTXLQWDIHLUDWDPEpP
e da disponibilidade de fundos pode se encontrar no website mozambique.unfpa.org ou solicitado através
Di

3UD]RGDFDQGLGDWXUD 20 20 de Junho de 2016 GR FRUUHLR HOHFWUyQLFR UHFUXLWPHQW#XQISDRUJP] Os interessados devem
submeter as suas candidaturas acompanhados pela carta de motivação in-
Principais tarefas e responsabilidades: Em coordenação com o pessoal dicando a referência e o nome do posto, CV actualizado, formulário P11
FKDYHGR81)3$HGRSURMHFWRHOHHODLUiDUWLFXODUFRPRVSDUFHLURVGH
FKDYHGR81)3$HGRSURMHFWRHOHHODLU (disponível no website acima mencionado), endereço completo, detalhes
implementação e o ponto focal das diferentes agências das Nações Uni- de contacto e, pelo menos, três referências. Não há nenhuma cobrança de
das na província, para obter actualizações regulares sobre o processo do WD[D GH FDQGLGDWXUD SURFHVVDPHQWR RX GH RXWUD QDWXUH]D 2 81)3$ QmR
programa; apoiar a implementação das intervenções baseadas na co- solicita ou procura obter informações dos candidatos quanto ao seu estado
munidade, com enfoque na abordagem dos espaços seguros baseada na GH+,9RX6,'$HQmRGLVFULPLQDFRPEDVHQDVLWXDomRGH+,9H6,'$$V
comunidade; monitorar a implementação das actividades apoiadas pelo FDQGLGDWXUDVGHYHPVHUVXEPHWLGDVQRHQGHUHoRDEDL[RDWpRGLDGH-X-
UNFPA conforme o plano de trabalho aprovado, cronogramas e orçamen- QKRGH
tos aprovados e as respectivas responsabilidades de cada parceiro; iden-
WLÀFDUODFXQDVQDTXDOLGDGHGDH[HFXomRGRSURJUDPDHSURSRUVROXo}HV UNFPA, Fundo das Nações Unidas para População
proporcionar liderança na avaliação do estado de implementação do pro- Av. Julius Nyerere, 1419, PO Box 4595,
grama, ao analisar os constrangimentos e atrasos na implementação e na Maputo, Mozambique
LGHQWLÀFDomRGHQHFHVVLGDGHVGHPXGDQoDVQRVSODQRVHRXRUoDPHQWRV
24 Savana 17-06-2016
CULTURA

Nwadjahane acolhe Festival 99


Xingomana 2016 Por Luís Carlos Patraquim

Excertos de Júlio César, peça


C
om vista a contribuir para a pro- espectáculo musical, feira de livro, artesanato,
moção da vida e obra de Eduardo gastronomia, tecnologia, bem como activida-

o
Mondlane, realiza-se, de 18 a 20 des de cidadania ligadas ao meio ambiente e
de Junho corrente, a II edição do educação fiscal. de William Shakespeare
Festival Xingomana, em Nwadjahane, Man- Para além das actividades acima referencia-

A
humildade é a escada de uma ambição prematura, é para onde vira o rosto aquele

log
dlakaze, província de Gaza. das, a intenção do festival é de servir como
que sobe.. Mas, tão logo ele alcança o último degrau, vira-lhe as costas e passeia
Chude Mondlane, produtora do Festival lobby junto ao Ministério da Cultura e nas nuvens, desprezando os primeiros degraus por onde ele ascendeu.
Xingomana, disse que o evento pretende Turismo com vista à candidatura da dança William Shakespeare
consolidar a sua essência no circuito artísti- Xingomana na lista do Património Mundial
co em Moçambique Cultural da UNESCO. “Este projecto tem No 4º centenário da morte de William Shakespeare, que este ano de comemora, uma mo-
e o pólo será a terra destíssima homenagem ao grande dramaturgo inglês.
natal de Eduardo As produções Mal Coado, na impossibilidade de distribuir o DVD do filme de
Mondlane, a aldeia Joseph L. Mankiewicz (1953), com Louis Calhern no papel de Júlio César,
de Nwadjahane, uma Marlon Brando como Marco António, James Mason como Marcus Junius Brutus,
vez que a dança Xin- a personagem principal, não obstante o título e Sir John Gielgud como Gaius Cassius

ció
gomana é oriunda Longinus, oferece ao leitor alguns, brevíssimos, excertos.
deste ponto do país A peça terá sido escrita em 1599, governava ainda Isabel I, cuja indecisão em designar um
onde, também, se igar o futuro do reino.
herdeiro fazia perigar
encontram os seus Cássio conspira, Marco António, ambíguo, farfará o célebre discurso na escadaria do Capitó-
maiores praticantes. Marlon Brando, na versão fílmica de Mankiewicz,
lio, consumada a execução, que tem em Marlo
o dos momentos mais altos da arte de representar. A fala de Cássio devia fazer parte dos
O Festival Xingoma-
cursos de Ciência Política. Não vamos descrever a peça mas, desta coluna a sul, queremos
na integra conteúdos
também justificar e homenagear Italo Calvino que a todos ensinou a revisitar os clássicos.
sobre esta dança no Adverte-se, sem ironia, que Mal Coado não faz a apologia do assassinato. O mesmo se

so
curriculum local, e pode dizer de Shakespeare. Sabemos que este paralelismo é insuportável.
demonstrar a liga-
ção intrínseca entre Cássio - Então, por que há de César ser tirano? Pobre homem! Não se tornaria num lobo,
a cultura e turismo sei-o bem, se não visse que os romanos não passam de carneiros. Quem deseja fazer depres-
provando que a cul- Que refugo, que montoeira de lixo ou bagaceira
sa uma fogueira deve começar por gravetos. Q
tura é veículo de de- deve ser Roma, para transformar-se no baixo material que serve apenas para luz emprestar
senvolvimento social a uma criatura tão pífia quanto César! Mas, ó dor! para onde me levaste! Eu talvez fale
e económico. Mostrar que a cultura pode ser o veio no desenvolvimento nas comunidades - diante de quem é escravo voluntário. Devo, pois, preparar a minha resposta. Mas pouco
Chude Mondlane importa; estou armado; todos os perigos me são indiferentes.
Chude acrescentou
que Nwadjahane ficará como referência de uma mais-valia porque, para além de ter este
um
turismo cultural da comunidade, tendo como nobre objectivo a longo prazo, pela segun- Acto I, Cena 1
suporte a vida e obra de Eduardo Mondla- da vez, irá celebrar o aniversário de Eduardo
ne, perpetuando assim os ideais de Eduar- Mondlane e a sua exaltação vai abarcar não CÁSSIO - Sei, Bruto, que possuís essa virtude, como conheço vosso aspecto externo. A
honra vai ser o assunto da conversa. Ignoro o que pensais e os outros homens sobre esta
do Mondlane, contribuindo para a melhoria só a sua vida e obra, mas igualmente a sua
vida; mas com referência a mim próprio, direi que preferira não viver, a viver sempre com
das condições de vida das comunidades de cultura e a sua terra natal”, frisa.
medo de um ser tal como sou. Nasci tão livre quanto César, tal qual se deu convosco; nós
Nwadjahane que terão oportunidades de ne- Considera que este projecto é único em Mo- dois, tão bem quanto ele, nos criamos, como podemos suportar, como ele, os rigores do in-
gócios. çambique que celebra a vida, obra e cultura verno. Uma vez, numa tarde enublada e tempestuosa, em que o Tibre agitado se batia den-
A dança Xingomana é uma expressão artísti- de Eduardo Mondlane. “O projecto é igual- tro das próprias margens, perguntou-me César: “Cássio, ousarias atirar-te, junto comigo, na
ca cultural praticada na zona sul do país com mente único porque pela primeira vez vai de- corrente infensa e nadar até ali?” Mal acabara de falar-me, vestido como estava, joguei-me
destaque para província de Gaza, por esse monstrar a ligação intrínseca entre a cultura à água e chamei-o para que me seguisse, o que ele fez de facto. A correnteza roncava; nós
motivo o evento organiza um concurso anual e turismo, provando que cultura é veículo de lutávamos contra ela com membros indefesos, apartando-a e à sua fúria opondo o ousado
de

ao nível provincial com prémios atractivos desenvolvimento social, cultural e económi- peito. Mas antes de alcançarmos nossa meta, César gritou: “Socorro, Cássio! Afogo-me!”
como forma de celebrar, incentivar, valorizar co. Manjacaze ficará como referência do tu- Então, tal como Enéias, nosso grande progenitor, que carregara aos ombros o velho Anqui-
e preservar a prática da dança Xingomana rismo cultural da comunidade, tendo como ses e o salvara às chamas que Tróia devastavam: da corrente do Tibre, assim, tirei o exausto
nas comunidades para que possa contribuir suporte a vida e obra de Eduardo Mondla- César. Num deus, agora, está mudado esse homem, sendo Cássio uma mísera criatura que
para o desenvolvimento económico, social e ne, perpetuando assim os ideais de Eduardo precisa curvar-se, quando César com enfado lhe faz um gesto vago. Em Espanha apanhou
cultural e empoderamento da mulher mo- Mondlane, contribuindo para a melhoria das febre; e, quando o acesso lhe vinha, notei bem como tremia. Sim, esse deus tremia; seus
çambicana. condições de vida das comunidades de Man- covardes lábios ficaram pálidos, e os mesmos olhos que ao mundo todo inspiram medo o
brilho a perder vieram. Muitas vezes o ouvi gemer. Sim, essa mesma língua que os romanos
Este projecto propõe-se a levar a cabo activi- jacaze”, finaliza.
deixava estupefactos, levando-os a guardar os seus discursos, ah! gritava tal qual donzela
dades como concurso de dança Xingomana, A.S
doente: “Água, Titínio! Dá-me um pouco de água!” Muito me espanta, ó deuses! ver que
io

um homem de uma constituição assim tão fraca tenha passado à frente neste mundo ma-
jestoso e, sozinho, obtido a palma.

“A importância da leitura Acto I, cena I

Bruto - Por me haver amado César, pranteio-o; por ter sido ele feliz, alegro-me; por ter sido
na Educação”
ár

valente, honro-o; mas por ter sido ambicioso, matei-o.


Acto III, Cena II,

O
escritor Marcelo Panguana proferiu “A Caminho da Feira” é mais uma actividade ANTÔNIO - Concidadãos, romanos, bons amigos, concedei-me atenção. Vim para fazer
uma palestraa na Escola Secundá- que se promove na antecâmera da Feira do o enterro de César, não para elogiá-lo. Aos homens sobrevive o mal que fazem, mas o bem
ria Noroeste 1, intitulada, “A im- Livro e pretende ser um local de conversas quase sempre com seus ossos fica enterrado. Seja assim com César. O nobre Bruto vos
portância da leitura na Educação”. e encontros sobre literatura, cinema, artes,
Di

contou que César era ambicioso. Se ele o foi, realmente, grave falta era a sua, tendo-a César
Autor da obra, “O Vagabundo da Pátria”, música e teatro sempre tendo como pano de gravemente expiado. Aqui me encontro por permissão de Bruto e dos restantes - Bruto é
lançado recentemente, Marcelo Panguana fundo a promoção da leitura. Uma vez que a homem honrado, como os outros; todos, homens honrados - aqui me acho para falar nos
é escritor, autor de obras como, “As Vozes Feira do Livro de Maputo preocupa-se em funerais de César. César foi meu amigo, fiel e justo; mas Bruto disse que ele era ambicioso,
que Falam Verdade” (1987), “A Balada dos trazer as melhores editoras, livrarias, escrito- e Bruto é um homem honrado. César trouxe numerosos cativos para Roma, cujos resgates
Deuses” (1991), “O chão das coisas” (2003) e res e, além disso, atrair mais visitantes e in- encheram o tesouro. Nisso se mostrou César ambicioso? Para os gritos dos pobres tinha
“Como um Louco ao Fim da Tarde” (2010), teressados a adquirir grandes variedades de lágrimas. A ambição deve ser de algo mais duro. Mas Bruto disse que ele era ambicioso, e
entre outras. títulos a preços promocionais. Bruto é um homem honrado. Vós o vistes nas Lupercais: três vezes recusou-se a aceitar a
Depois da apresentação no dia 7 do mês em Por essa razão, o evento pretende ainda dar coroa que eu lhe dava. Será isso ambição? No entanto, Bruto disse que ele era ambicioso,
curso, protagonizada pela escritora Fátima a conhecer, promover a Feira junto dos po- sendo certo que Bruto é um homem honrado. Não pretendo contestar o nobre Bruto; só
vim dizer-vos o que sei, realmente. Todos vós o amáveis, não sem motivo. Que é então que
Langa, na Biblioteca Municipal do Zimpeto, tências participantes e expositores, no sen-
vos impede de chorá-lo? O julgamento! Foste para o meio dos brutos animais, tendo os
o projecto de divulgação da Feira do Livro tindo de torná-la mais próxima das escolas,
humanos o uso perdido da razão. Perdoai-me; mas tenho o coração, neste momento, no
de Maputo, (FLM), inserido na actividade universidades e público em geral. A mesma ataúde de César; é preciso calar até que ao peito ele me volte.
denominada “A Caminho da Feira”, realiza- iniciativa visa ser o elo de ligação entre o pú-
do pelo Conselho Municipal da Cidade de blico e a Feira, no sentido de persuadir mais Acto III, cena II
Maputo, segue o seu périplo rumo à Feira do munícipes a participarem neste certame.
Livro de Maputo 2016. A.S
Savana 17-06-2016 25
SOCIEDADE

Crónica de uma crise anunciada:

Dívida pública no contexto da


economia extractiva

o
log
Por Carlos Castel-Branco e Fernanda Massarongo*

O
ponto de partida para a
discussão da problemá-
tica da dívida foi o es-
tudo das estruturas de
produção e comércio da econo-
mia nacional, as quais incorpo-
ram, em si próprias, as dinâmicas

ció
de crise sistémica.
A economia colonial gerou es-
truturas produtivas dualistas,
em resposta a diferentes pressões
sócio-económicas e políticas.
Emergiu, primeiro, um sector
exportador, focado no semi-pro-
cessamento de produtos primá-

so
rios para exportação (chá, sisal,
açúcar, copra, algodão, caju, en-
tre outros), pois o primeiro ob-
jectivo da economia colonial era
a extracção.

Em relação com este sector, e com


a prestação de serviços de trans-
porte aos países da hinterland,
um
desenvolveram-se os caminhos-
-de-ferro e os serviços adjacentes
de manutenção (como as oficinas
gerais, que marcaram o início da
metalo-mecânica pesada em Mo-
çambique, e os da construção e
manutenção naval e das linhas,
que lançaram a metalurgia e a
produção de cimento).
A queda de preços de matérias no mercado internacional poderá limitar o país na questão de gestão da dívida
As indústrias de substituição de
importações, para consumo do- nomia e substituía as importações tos primários baixavam, a econo- fosse sustentável, pois os retornos adamente o algodão, o tabaco, a
de

méstico, receberam um impulso apenas na fase final do processo mia entrava em crise relacionada dos grandes projectos, mesmo madeira, a banana e o açúcar, ao
com a II Guerra Mundial, por produtivo. com a sua incapacidade de im- que estes viessem a ter sucesso, mesmo tempo que a produção
causa da ruptura dos circuitos Portanto, as indústrias assentes portar, a redução das receitas do chegariam depois de a economia alimentar per capita diminuiu.
comerciais internacionais, mas, em recursos locais exportavam; Estado e, portanto, a contracção estar esgotada. Como resultado, 90% das ex-
foi com a migração de colonos as que produziam para o mercado da capacidade de endividamento. Se todos os recursos forem apli- portações são derivadas de nove
portugueses em massa, nos anos doméstico importavam até 85% Após a independência nacional, cados em projectos de muito lon- produtos primários, nomeada-
1950-1960, que estas indústrias dos equipamentos, peças, maté- resolver este problema foi uma go prazo, sufocando o que existe mente, alumínio, carvão, areias
se expandiram e se diversificam rias-primas e materiais auxiliares, das prioridades do novo governo, sem o substituir, a economia entra pesadas, energia, gás natural (que
rapidamente. e os combustíveis. e o Plano Prospectivo Indicativo em crise antes de chegar ao des- totalizam 72% das exportações),
io

Entre outros, foram seis os princi- As indústrias exportadoras ex- (PPI) foi o instrumento. tino distante e incerto –foi isso o tabaco, banana, açúcar e madei-
pais motivos do desenvolvimento pandiam mais lentamente por No entanto, este plano era foca- que aconteceu com o PPI. ras (18%). As importações são
da indústria para o mercado in- causa da rigidez na procura mun- do em mega projectos de trans- A crise dos anos 1980, o proces- dominadas pelas necessidades
terno: a expansão da procura de dial de produtos primários, da formação estrutural da economia, so, posterior, de privatização sem dos mega projectos do comple-
bens pelos colonos, a necessidade tendência para a volatilidade nos em particular os de agro-indus- estratégia produtiva, na primeira xo mineral-energético (66% das
ár

de criar mais empregos urbanos, mercados internacionais e do de- trialização, sufocando a capaci- metade da década de 1990, e o importações de bens e 60% das
a pressão política para gerar capi- clínio secular dos termos de troca. dade económica existente, e era enfoque da estratégia económica importações de serviços) e pelas
talistas portugueses nas colónias, As de substituição de importa- dependente de grandes influxos em atrair grande capital interna- necessidades alimentares.
a redução dos custos da moder- ções expandiam mais depressa, de recursos externos, que não se cional, pondo, à sua disposição, a Portanto, a economia tem menos
nização da indústria portuguesa, pois respondiam a pressões e in- concretizaram. baixo custo, os recursos naturais variedade, menos ligações, menos
conseguida, em parte, por via da centivos políticos, estavam liga- Assim, o investimento produti- estratégicos – fontes de energia, capacidade de substituir importa-
Di

venda do equipamento obsoleto das a mercados domésticos em vo aumentou seis vezes nos três recursos minerais e terra – contri- ções, tanto para consumo como
paraa as colónias, a abertura de rápido crescimento e beneficia- anos entre 1980 e 1982, tendo buíram para um drástico afunila- para investimento, pelo que a
mercados
cados para aplicações finan- vam de protecção. contraído, em 1983, para dois mento da economia. expansão económica, em especial
ceiras e industriais pelos capita- Porém, esta estrutura dualista terços do investimento de 1982 Assim, mais de 40% do parque em períodos de aceleração, como
listas monopolistas portugueses, continha factores de crise que (subsequentemente, continuou a industrial faliu, dez subsectores foi a década passada, conduz a
e as pressões políticas internacio- reflectiam a sua estrutura: a pro- baixar até, em 1986, atingir níveis industriais, incluindo cinco de um rápido crescimento das im-
nais sobre Portugal, que se inten- dução era dependente de impor- inferiores aos do fim do período substituição de importações, de- portações.
sificaram com o surgimento dos tações, porque era débil a substi- colonial, onze anos antes). sapareceram, a concentração da Por outro lado, as exportações são
movimentos de libertação nacio- tuição efectiva de importações; as Evidentemente, a guerra exacer- produção industrial em produtos mais limitadas e concentradas em
nal e o desencadeamento das lu- exportações eram concentradas bou o problema, paralisando a primários semi-processados au- produtos primários para merca-
tas de libertação nacional. em produtos primários com mer- produção e circulação de merca- mentou consideravelmente, para dos voláteis, pelo que estão sujei-
Esta indústria de substituição de cados e preços voláteis; portanto, dorias no campo, pois desinte- uma média de 70% por sector tas a choques constantes – dada
importações era, ironicamente, sempre que a economia expandia grou os sectores de exportação. (99% na metalurgia, domina- a concentração das exporta-
dependente de importações, pois mais rapidamente que as receitas Mas, mesmo sem guerra, seria da pelo alumínio), as dinâmicas ções, esses choques têm um
não resultava de ligações a mon- de exportação, ou sempre que os improvável que o ritmo de endi- agrárias orientaram-se para a ex- impacto na economia maior
tante e a jusante dentro da eco- preços internacionais dos produ- vidamento a que o PPI obrigava portação de mercadorias, nome- do que teriam se a base de
26 Savana 17-06-2016
SOCIEDADE
SOCIEDADE

exportações fosse mais diver- à dívida comercial, em especial à A base de acumulação de capital cado de títulos de dívida, pouco corrente foi garantido e justifica-
sificada. sua utilização e aos termos de re- das classes capitalistas emergen- interessado no desenvolvimento do com expectativas de retornos,
Se as importações crescerem embolso, e incorporar esta análise tes nacionais é a ligação com o da base produtiva. Portanto, pri- no futuro, da aplicação dos em-
mais depressa do que as receitas na discussão mais geral do padrão capital multinacional. O endivi- vilegiando o grande capital – o préstimos no núcleo extractivo da
de exportação retidas pela econo- de crescimento em Moçambique. damento do Estado é uma con- que criou a sua dívida – o Estado economia e nas infra-estruturas
mia e do que as reservas e a ca- A dívida comercial de Moçam- sequência da estratégia de atrac- sufoca o resto da economia; (iii) o e serviços a ele associados, e nas
pacidade fiscal do Estado, a crise bique aumentou de US$ 300 ção desse capital, mas também endividamento tão grande, rápido possibilidades de financeirizar os
emerge. milhões para cerca de US$ 5.5 foi uma oportunidade criada ao e concentrado, numa economia activos produtivos nas bolsas in-

o
A combinação da dependência de mil milhões entre 2006 e 2015 longo de um quarto de século de tão dependente de importações ternacionais.
importações para consumo e para (47% da dívida pública total e austeridade que gerou um enor- (para consumo e investimento), e A redução das expectativas pode
investimento, da concentração e 56% da dívida pública externa). me espaço de endividamento, que de fluxos externos de capital, de- aumentar as tendências especula-

log
volatilidade das exportações e da A componente externa da dívida foi explorado, até à exaustão, ao sestabiliza a economia em múlti- tivas, e a exaustão da capacidade
aceleração do crescimento econó- comercial aumentou de pratica- longo da última década. plas formas: tem efeito directo na de endividamento impede que o
mico, nestes moldes, gera crises mente zero para 70%, entre 2006 Assim, o endividamento público disponibilidade de moeda externa Estado financie a recuperação das
inevitáveis na balança de paga- e 2015. Cerca de 40% da dívida não apenas resulta da estrutu- e, por consequência, na instabi- expectativas, o que pode conduzir
mentos. pública comercial (US$ 2 mil mi- ra material e social da produção, lidade da taxa de câmbio e, por à perda de soberania económica e
Estas crises podem ser escondi- lhões) resultou da avalização, pelo mas é, também, uma estratégia de essa via, na instabilidade dos pre- política sobre as direcções e prio-
das por trás da ajuda externa, dos Estado, de empréstimos comer- promoção da acumulação primi- ços; afecta os custos de produção ridades de desenvolvimento na-
fluxos de capitais externos, da ciais privados relacionados com tiva de capital por via da expro- e os custos de vida, reduzindo o cional e sobre os recursos e infra-
ruptura das reservas internacio- o núcleo extractivo da economia priação do Estado para além das salário real e causando instabili- -estruturas estratégicos.

ció
nais, da desvalorização da moeda, (complexo mineral - energético possibilidades económicas. dade política e social; e provoca A recuperação económica vai re-
ou do endividamento público, ou e outras mercadorias primárias retracção do investimento e do querer a habilidade para escapar
podem manifestar-se imediata- para exportação), nomeadamente Dívida pública como factor emprego, sobretudo nas pequenas à armadilha da dívida e às polí-
mente. o financiamento directo de servi- estruturante e desestabili- e médias empresas; (iv) a nature- ticas neoliberais de ajustamento
A questão central é que são crises ços, empresas de oligarcas nacio- zador da economia za crescentemente comercial da (austeridade social, privatização
sistémicas, construídas dentro do nais e segurança. A magnitude, peso na economia, dívida (que a torna mais cara, de de activos estratégicos, repres-
modelo de crescimento, que só Cerca de 70% do restante resul- estrutura e velocidade de cresci- mais curto prazo e mais difícil de são monetária, entre outras), fo-
podem ser resolvidas com a di- tou de empréstimos para obras e mento da dívida pública têm cla- renegociar), em termos tão des- cando, antes, na reestruturação e
versificação e articulação da base serviços de construção e outros ras consequências, que foram dis-

so
favoráveis (as mais altas taxas de cancelamento parcial da dívida
produtiva e a substituição efectiva serviços empresariais prestados cutidas, em detalhe, nos IDeIAs juro do mercado e períodos cur- (sobretudo da dívida ilegal), na
de importações. ao núcleo extractivo. Portanto, anteriores. tos de reembolso) e com aplica- diversificação, alargamento e ar-
Portanto, a análise da estrutura e cerca de 81% da dívida comercial Seis dessas consequências são ções não produtivas, gera a arma- ticulação da base produtiva, co-
dinâmicas extractivas da produ- (US$ 4,5 mil milhões) é resultado particularmente
mente importantes: (i) dilha da dívida: esta não pode ser mercial, fiscal e de emprego, na
ção permitiu localizar as crises e directo do financiamento público o impacto que a dívida pública paga, a reestruturação da dívida produção e oferta, a baixo custo,
rupturas, incluindo as razões e o de interesses privados no contex- tem na estruturação da despesa comercial aumenta os seus custos, de bens de consumo e serviços
papel do endividamento público, to da economia extractiva. públicaa e dos serviços públicos, o que a faz reproduzir-se por si, públicos básicos, na renegociação
dentro das próprias dinâmicas de O outro lado da questão da dívida limitando a capacidade do Estado e a economia tem de incorrer em dos contratos com mega projec-
um
crescimento. é a contínua porosidade da eco- de prosseguir políticas económi- dívida para servir a dívida. tos e com projectos que envol-
Esta análise chama a atenção nomia, que significa a perda de cas e sociais mais amplas, forçan- Logo, o objectivo principal da vam o Estado como parceiro, na
para dois pontos crucias. Primei- excedente e riqueza sociais a favor do a crescente mercantilização política económica deixa de ser revisão profunda dos incentivos
ro, as crises não são atípicas nem de interesses privados, nacionais e dos serviços públicos – o que o desenvolvimento e passa a ser fiscais, na reestruturação do por-
momentâneas, mas sistémicas. estrangeiros. limita o acesso, embora crie no- a gestão da dívida; (v) a crise da tfólio de investimento público,
Segundo, a solução não reside A manutenção de incentivos fis- vas oportunidades de lucr lucro para dívida faz explodir a bolha econó- incluindo a reavaliação econó-
em produzir mais dentro do mes- cais redundantes para os grandes capitalistas nacionais – forçando mica (crescimento com base espe- mica e financeira dos projectos,
mo modelo, mas em transfor- projectos, o repatriamento livre de o Estado a priorizar credores e es- culativa gerada pelo empolamen- o cancelamento dos menos rele-
mar a economia, diversificando- capitais, a baixa taxa de reinvesti- peculadores em vez do bem-estar to das expectativas sobre o futuro, vantes para a economia (mesmo
-a, articulando-a e substituindo mento dos lucros do investimen- social, e projectos de elevado in- alimentadas por endividamento que sejam grandes), e, finalmente,
importações de forma efectiva, to estrangeiro em Moçambique, teresse para as multinacionais, em público e financeirização dos no aperfeiçoamento dos sistemas
de

substituindo o enfoque da polí- a debilidade das ligações dentro vez de programas de elevado be- activos estratégicos nacionais), de planificação, avaliação, orça-
tica económica em usar recursos da economia, o carácter especu- nefício social; (ii) o endividamen- o que, por sua vez, afecta nega- mentação e gestão de projectos e
estratégicos para atrair capital lativoo do sistema financeiro, o to público e as modalidades do tivamente as expectativas sobre decisões públicas e dos sistemas
multinacional – o que sufoca o afunilamento da base produtiva, a seu financiamento encarecem o retornos especulativos no futuro, de monitoria e controlo demo-
resto da economia –por um en- intermediação e terciarização, em capital e tornam o acesso a meios gerando as dinâmicas de implo- cráticos.
foque na solução dos problemas vez da produção, como actividade de financiamento muito mais são da economia (retracção do in-
básicos para o bem-estar social base de boa parte das empresas
empr difíceis para a pequena e média vestimento, do crescimento e do *(com a colaboração de Rosimina
e para o desenvolvimento mais nacionais, a entrega de recursos empresa, e transformam o sector emprego, com implicações fiscais Ali, Oksana Mandlate, Nelsa Mas-
equilibrado da economia. naturais e infra-estruturas, a bai- financeiro doméstico num mer- imediatas); (vi) o endividamento singue e Carlos Muianga)
io

O mais importante não é se a xo custo, para as oligarquias


economia é maior ou menor, cres- nacionais e multinacionais,
ce mais ou menos depressa, ou combinam-se para mini-
quantos milionários ela cria, mas, mizar a capacidade da eco-
quais são os problemas básicos da nomia mobilizar excedente
sociedade, como um todo, que a doméstico para investir na
ár

economia ajuda a resolver. sua transformação.


transformaç
Portanto, tanto os grandes
Dívida pública como opção empréstimos comerciais
de desenvolvimento como a porosidade da eco-
A análise da estrutura e dinâmicas nomia estão ligados a gran-
produtivas explica porque é que o
Di

des projectos, em especial


endividamento público é parte para atrair grande capital
orgânica da expansão económica. multinacional (reduzindo
No entanto, esta análise, por si só, os seus custos, incerteza e
não explica as razões da acelera- riscos e facilitando a finan-
ção do endividamento público na ceirização dos activos em
última década, muito acima da recursos naturais através da
taxa de crescimento económico – especulação em bolsas de
a dívida pública total e a dívida valores internacionais), e
pública comercial cresceram 60% para ligar o capital interna-
e 13 vezes mais rapidamente que cional às oligarquias nacio-
a economia, tendo sido o factor nais, através de parcerias,
determinante do crescimento da acesso à estrutura accionis-
dívida pública. ta, partilha do espólio da fi-
Para explicar estas tendências, é nanceirização dos recursos
preciso prestar atenção particular nacionais, etc. A logística tem um papel fundamental no desenvolvimento da industria extractiva
Savana 17-06-2016 27
OPINIÃO

Abdul Sulemane (Texto)


Naita Ussene (Fotos)

o
log
Prontidão combativa

N
o recente discurso por ocasião da reorientação, promoção e
nomeação de oficiais gerais das FADM, o Presidente de Mo-
çambique e Comandante em Chefe das Forças de Defesa e
Segurança, Filipe Nyusi, referiu que o acto é justificado pelo

ció
reconhecimento do trabalho prestado à nosssa pátria no seio
das Forças de Defesa e Segurança.
O que deu para registar foi: “estamos no momento de atribuições de respon-
sabilidades acrescidas a mais oficiais pelo mérito demonstrado na carreira.
O governo está consciente de que o soar das armas não é o caminho certo
para a busca da paz e sempre defendemos o diálogo. Estamos igualmente
claros que as incursões com recurso a armas não devem servir de mecanismo

so
para forçar o Governo a consensos inconstitucionais que ferem os princípios
democráticos.
O povo não pode ser feito refém para se alcançar o poder.
Antes de terminar, quero vos lembrar que nesta actual situação de dificul-
dade económica e financeira, tanto a nível nacional quanto global, a institu-
ição militar precisa de ser recordada a orientar-se para uma gestão rigorosa e
disciplinada dos escassos recursos humanos, financeiros e patrimoniais colo-
um
cadas à sua disposição, pautando pela eficácia na despesa”.
A outra coisa que chamou atenção foi quando o Presidente da República
disse que as Forças de Defesa e Segurança devem estar em prontidão com-
bativa. Ficámos assustados. A questão de caminharmos rumo à paz efectiva
não é uma hipótese a ter em conta?
Os moçambicanos não querem a guerra. Assistimos a situações nas estradas
do país que nos assustam cada vez mais. Queremos a paz e uma justiça social
paraa todos. Fazemos um apelo para que as partes em conflito entrem em
de

consenso quanto à tensão político-militar que o país vive cada dia que passa.
Que as Forças de Defesa e Segurança tenham melhor discernimento em
relação à situação de guerra que vivemos. O país não tem condições para
mergulhar numa nova guerra. Nem sequer estão ainda saradas as feridas
causadas pela guerra civil que durou 16 anos.
Temos muitos problemas por resolver neste país: criminalidade, sequestro,
justiça, educação, saúde, só para citar alguns. Por isso juntamos as nossas
vozes aos que estão preocupados com
m uma paz efectiva para que Moçam-
io

bique continue a lutar por esta causa. É melhor ser pobre em paz. O resto
podemos melhorar quando tivermos vida e saúde. Queremos apenas a paz
acompanhada de uma justiça social plena para o nosso país.
ár
Di
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz gm55
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se
Diz-
IMAGEM DA SEMANA Foto: Naíta Ussene
Diz-
s e. . .

R5 ˜5 )5 ')5 )-5 ,!#'-5 /.),#.á,#)-65 -.á5 5 0#,,5 ,).#(5 )-5


jornalistas irem à polícia explicar porque é que publicaram
certa matéria, com tentativas de obrigá-los a revelar as suas

o
)(.-85&!/ï'5.'552*&#,5)-5")'(-5)5!.#&")5+/5
ainda não foram dadas ordens para suspender a Constituição
5*Ě&#8

log
R5 5--5*,)*ĉ-#.)65)'5.(.)5,#'5(ã)5-&,#)5à5-)&.65(ã
5--5*,)*ĉ-#.)65)'5.(.)5,#'5(ã)5-&,#)5à5-)&.65(ã)5
seria aconselhável direcionar os poucos recursos disponíveis
para combater os raptos, a ladroagem avulsa e outros males
que afligem a sociedade, em vez de andar atrás dos homens
aneta e do bloco?
da caneta

R5 5(.-55-,#'#(éã)554)(5(),.5)5*ù-5,50#-.5'5
termos de distribuição de oportunidades para o desenvolvi-
mento, o técnico com mais títulos no futebol nacional fez

ció
uma radiografia do seu sector e concluio que há falta de igual-
55)*),./(#-5(.,5-5+/#*-5)5-/&55)5(),.855
!),5 ,85#'(!)5
,8<5

R5 /'5&./,5'5+/55)'#--ã)5 #-.5*,*,55'#-5!/,
/'5&./,5'5+/55)'#--ã)5 #-.5*,*,55'#-5!/,-
5#'#,53/-#5;5"&65(5+/&5)5)--#,5'#&#.,5 ,á5*,.5
do rol das matérias em debate, o PR amoleceu o coração da
sua contraparte devolvendo a direcção da força aérea à Per-
#48

so
Impostas pela crise originada pela dívida
R5 -.5-'(65-5),!(#4éċ-55+/5)-5',-5(ã)5!)-
-.5-'(65-5),!(#4éċ-55+/5)-5',-5(ã)5!)--
tam levantaram a voz e anunciaram a manifestação de espe-

Frelimo vai tentar resistir às reformas ,(é85,á5+/5-.5045(ã)5"0,á5ã-55&,,555#(.#'#


,(é85,á5+/5-.5045(ã)5"0,á5ã-55&,,555#(.#'#-
,5*&-5,/-55 */.)55 .)&>550,50')-V

$ÀUPDR(FRQRPLVW R5 -.5 -'(65 )5 )--5 )-5 )()-5 5 ')&5 &(é)/5 )-5 -/-5 Ě&
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./!5-)*,)/5'#-5)5+/5'),/85ã)5)/5(ã)5,)&,5é->5
um
A
Frelimo vai reagir com (+/(.)5#--)65./)5#(#5+/5-5.),(#,-5-.,ã)5 "-8
relutância à necessida-
de de imprimir reformas
económicas exigidas pela R5 5 .(-ã)5 *)&ù.#)7'#&#.,5 *)5 .,#),,5 -5 ,&éċ-5 )'5
austeridade imposta pela urgência vizinho Peter Mutharika que lançou um aviso à navegação
da actual conjuntura económica, segundo o qual caso não seja revista a situação não descarta a
considera a Economist Intelligence possibilidade de recorrer a Harare para buscar o seu combus-
Unit (EIU). .ù0&85
“Esperamos que o Governo acabe
(P9R]EDL[D
por tomar medidas para recuperar
R5 '50,#,)5*--)65 )#5*,&#-)5)5*ù-5*,5/'5)(&05
de

o apoio dos doadores e reforme as


que tinha um único ponto de agenda: supressão de irregula-
empresas públicas deficitárias, mas
,#-85 -5+/#-5#,,!/&,#->5*)#-5)-5)(0(#(.-5
para um partido dominante que
gastos aos cofres do Estado, num país onde a relação partido-
está relutante em permitir transpa-
rência orçamental e é ideologica-
-Estado é cultura, até hoje os tipos que se dizia estarem em
mente oposto à privatização, uma )(ł#.)-5 5 #(.,--65 )(.#(/'5 (5 -)&#("5 5 ,,/&")85
mudança política rápida é imprová- '5)/5(ã)5-'>
#&_8 de acontecer se o Governo for obri-
vel”, vaticinam os analistas da Eco- )5 (.(.)65 ,-(.'65 ^/'5 gado a cobrir os empréstimos das
nomist, numa análise com o título vez que a actividade empresarial e empresas públicas, que atiraram à --.5 (!'(.65()5ŀ(&5)5'ð-5 mento do Estado também suspen-
^5/-.,#5'),]_8 o consumo privado diminuíram, as dívida pública e garantida pelo Es- *--)8 deu os seus pagamentos, uma me-
io

)5 -/5 (.(#'(.)65 )-5 *,#.)-5 receitas vão ficar aquém das metas .)5*,50&),-5#(-/-.(.á0#-8 5)0,()5')é'#()5,)("- #5)'*("5*&)-565+/5
da unidade de análise económica orçamentais”, situação que forçará a 5 5, ,5+/5 )é'#+/50#/5 /5()5ŀ(&55,#&552#-.ð(#55 anunciaram que vão rever o apoio
da revista britânica The Economist um ajustamento a curto prazo que a sua economia a entrar em degra- dívidas escondidas das contas pú- )5*ù-8
consideram que “a transparência e a .,á55-,5 #.)5*&)5),é'(.)8 dação, na sequência da divulgação blicas de 1,4 mil milhões de dólares, 5 '#(#-.,)5 -5 #((é-5 ')é'-
privatização são direcções políticas Esse panorama, diz a avaliação da de dívidas ocultas de mais 1,4 mil justificando com razões de seguran- bicano disse que o volume total da
ár

que não estão normalmente den- Economist, resultará em conse- milhões de dólares, o que levou à ça e infra-estruturas estratégicas do dívida do país atinge 11,6 mil mi-
tro da cabeça do partido no poder, quências negativas para o cresci- suspensão da ajuda dos doadores *ù-8 &"ċ-5 5 ĉ&,-5 Bgf6g5 '#&5 '#&"ċ-5
e o Governo vai estar relutante em 5/,)-C65)-5+/#-5o6n5'#&5'#&"ċ-5
mento económico e para numerosas internacionais e do programa de 5 ,0&éã)5 5 '*,ï-.#')-5 )'5
5 ĉ&,-5 5 ù0#5 2.,(5 Bn6l5
aceitar que Moçambique precisa de empresas que dependem dos con- ajuda técnica e financeira do Fun- aval do Governo, contraídos entre '#&5'#&"ċ-55/,)-C55)-5,'(--
$/52.,(_8 .,.)-5)'5)5-.)_8 )5 )(.á,#)5 (.,(#)(&65 *,5 2013 e 2014, levou o Fundo Mo- (.-55ù0#5#(.,(8
Para os analistas da Economist, “a 5 -#5 5 ).éã)5 )5 '.#&5 além de um agravamento das con- (.á,#)5 (.,(#)(&5B C55-/-- Este valor representa mais de 70%
Di

suspensãoo do apoio orçamental do e a escassez de dólares pode, “no dições dos mercados financeiros, já pender a segunda parcela de um )5 ,)/.)5 (.,()5 ,/.)5 B C5 5
G14 sobe o défice orçamental para pior cenário, obrigar o Governo a com efeitos no incumprimento do empréstimo a Moçambique e a des- traduz uma escalada de endivida-
'#-55lz5)5 65-5)5)0,()5 cobrir o custo dos bens básicos”, o *!'(.)55/'5\.,("]55gmn5 &)éã)55/'5'#--ã)55 */.)85 mento desde 2012, quando se fixava
mantiver o plano de despesa ini- +/65 *,5 5  65 -,á5 '/#.)5 # ù#&5 milhões de dólares da Mozambique 5!,/*)55gj5)),-5)5,é- '5jhz8
Savana 17-06-2016 1

0DSXWRGH-XQKRGH‡$12;;,,,‡1o 1171

o
Banco Único abre balcão em Chimoio

log
O
Banco Único inaugu-
rou esta semana mais um
Balcão, na cidade de Chi-
moio, acrescendo deste
modo as suas unidades de negócio
no país. Por conseguinte, este é o
primeiro balcão na cidade de Chi-

ció
moio e na província de Manica, o
que oferece mais oportunidades de
serviços oferecidos sector bancário
naquela área do país.

A margem desta inauguração, o


Presidente da Comissão Executiva
(CEO), António Correia, afirmou:
“este é um balcão muito especial

so
não só porque marca a chegada do
Banco Único a mais uma provín-
cia, mas também porque reafirma
o nosso forte compromisso de
contribuir de forma decisiva para o
desenvolvimento e aceleração dos
níveis de inclusão financeira no
país em geral e em Chimoio em
particular. Continuamos a acredi-
um
tar no potencial da nossa economia
nacional e queremos, através da
nossa actividade, ser parte activa
do desenvolvimento de Moçam-
bique. E por isso, nesta fase difícil
que o país atravessa, continuamos a
investir na expansão da nossa rede
de balcões e no desenvolvimento
do negócio e do país.”
O Banco reafirma assim o seu
compromisso inicial de a médio
prazo contar com a sua presença
de

em todas as províncias e se posi-


cionar como um Banco de referên-
cia no país.
O Banco Único, sedeado em Mo-
çambique, é um banco univer-
sal, com forte vocação de retalho,
inaugurado há quase cinco anos, a
22 de Agosto de 2011, e que con-
ta já com uma rede de 20 balcões,
io

cobrindo as oito cidades economi-


camente mais importantes do país.
Liderado por António Correia e
com accionistas portugueses, sul-
-africanos e moçambicanos de
ár

referência, como Grupo Américo


Amorim, Grupo Visabeira, Ne-
dbank Group, João Figueiredo,
Instituto Nacional de Segurança
Social, DHD e SF Holdings, o
Banco Único conseguiu posicio-
Di

nar-se entre os maiores e mais


antigos bancos a actuar em Mo-
çambique, estando em sexto lugar
em termos de quota de mercado.
(Edson Bernardo)
2 Savana 17-06-2016

Moza e CMCQ firmam


BCI e FFH firmam parceria
parceria de cooperação
O
Banco Comercial e de

O
Investimentos (BCI) Moza e o Conselho Munici- Comissão Executiva do Moza.
firmou, na última ter- pal da cidade de Quelimane Intervindo momentos após a assina-
(CMCQ) rubricaram, nesta tura do acordo, Manuel de Araújo

o
ça-feira, um Protocolo
Financeiro e de Cooperação terça-feira, um protocolo considerou que o protocolo irá fle-
com o Fundo para o Fomen- de cooperação institucional com o xibilizar o processo de cobrança de
objectivoo de optimizar o processo receitas pelo Município. “Este pro-
to de Habitação (FFH). Os
de recepção, segurança e tratamento tocolo materializa a vontade expressa

log
signatários foram o Presidente
das receitas municipais, melhorando de facilitar o processo de cobrança de
da Comissão Executiva (PCE) o serviço ao Munícipe. O protocolo receitas pelo município, traduzindo-
do BCI, Paulo Sousa, e o Pre- prevê ainda a concessão em condi- -se num ganho para os munícipes de
sidente do Conselho de Ad- ções preferenciais do vasto leque de Quelimane, que passarão a dispor de
ministração (PCA) do Fundo, produtos e serviços financeiros do um serviço de maior qualidade e se-
Rui Francisco Costa. Mozaa ao Município de Quelimane e gurança, assim como para nós como
guranç
Para o PCA do FFH, Rui respectivos colaboradores. Município que teremos um sistema
Francisco Costa, a formaliza- O acordo foi assinado em Maputo, de cobrança mais eficiente. É para
por Manuel de Araújo, Presidente do nós uma honra poder contar com o
ção do Protocolo “é a mate- a dar um passo em frente nesse sen- daki, via Internet (e Banking

ció
Conselho Municipal de Quelimane, equipamento, com os serviços e a ex-
rialização de um sonho antigo. tido. Esperamos que, o mais cedo | App) para acesso à informa- e Ibraimo Ibraimo, Presidente da periência do Moza neste processo”.
Julgamos que este é o casamen- possível, consigamos concretizar e ção e à realização de uma vasta
to perfeito. O FFH trabalha na atingir as razões que nos levaram a gama de operações bancárias
perspectiva de encontrar ha- estar hoje aqui.” de forma segura e eficiente. Já
bitação acessível ao seu grupo Por sua vez, Paulo Sousa lembrou para os segundos são: Crédito
alvo. Foi nessa perspectiva que os benefícios que este protocolo irá Ordenado; Crédito ao Con-
aceitámos, de braços abertos, trazer tanto para os beneficiários sumo, Leasing Auto e Crédi-
assinar este memorando com o do Fundo como para os seus co- to à habitação para aquisição,
BCI. Estamos empenhados em laboradores. “As vantagens para os construção e obras, e aten-

so
proporcionar aos nossos bene- primeiros são Serviços de Apoio ao dimento especializado para
ficiários serviços de excelente dia-a-dia, à Tesouraria e ao Investi- cada caso particular; Acesso a
qualidade e, com o BCI, temos mento, nas melhores condições de cartões de débito e de crédito,
a certeza absoluta que estamos mercado; e Serviços Electrónicos entre outros”.

USD 31 milhões investidos no MEGCIP


um
F
inanciado pelo Banco Mun- da prestação de serviços públicos micos e sociais”, disse Nhambiu.
dial, no valor de 31 milhões com recurso aos sistemas de Go- Para atingirem-se estes objecti-
de dólares, o Projecto de verno Electrónico. vos foram programadas diversas
Governo Electrónico e Infra- Ao longo dos seis anos de realização actividades, entre elas o apoio no
-estruturas de Comunicação con- do projecto foram implementadas Incremento da competitividade
tribuiu para a redução de custos actividades em três componentes, no sector das telecomunicações
de acesso às redes de comunicação nomeadamente Assistência Técni- que resultou na entrada da tercei-
e melhoria na eficácia do processo ca, Conectividade e Governo Elec- ra operadora de telefonia móvel
de governação e da administração trónico. A intenção era de melhorar (a Movitel); Desenvolvimento do
pública. a capacidade das instituições nacio- Regulamento para transição da ra-
de

nais para desenvolver, implementar diodifusão analógica para digital;


Revisão da Lei, desempenho da
O Ministério da Ciência e Tecno- e monitorar políticas, estratégias,
Estratégia para o sector das teleco-
logia, Ensino Superior e Técnico legislação e regulamentação na área
municações; Aumento do acesso e
Profissional (MCTESTP), apre- das TICs; garantir a segurança e a
da capacidade de largura de banda
sentou na última sexta-feira, em privacidade nas transações electró-
para as instituições públicas e nas
Maputo, os resultados do “Projec- nicas; e introduzir novos operado- zonas rurais; entre outras.
to de Governo Electrónico e de res no sector das telecomunicações. Nhambiu referiu ainda que, com
Infra-estruturas de Comunicação para ter uma duração de cinco anos internacionais surgiu da necessida- “Com a implementação do Projec- a implementação do MEGCIP, o
(MEGCIP). O projecto é coorde- (de Agosto de 2009 a Fevereiro de de de expandir a cobertura geográ- to MEGCIP, o acesso às tecnolo- acesso às tecnologias de informação
nado pelo MCTESTP e pelo Mi- 2015) o prazo foi prorrogado para fica das redes de telecomunicações gias de informação e comunicação
io

e comunicação tem tido impactos


nistério dos Transportes e Comuni- Junho de 2016. e de reduzir os custos de acesso aos tem tido impactos importantes no importantes no desenvolvimento
cações. Foi elaborado para apoiar os De acordo com Jorge Nhambiu, serviços de comunicação de dados desenvolvimento do País, pela cria- do país, pela criação de novas opor-
esforços do Governo na implemen- Ministro da Ciência e Tecnologia, bem como de melhorar a eficácia, ção de novas oportunidades, facili- tunidades, facilitando a comunica-
tação das políticas na área de Tec- Ensino Superior e Técnico Profis- eficiência e transparência do pro- tando a comunicação e a melhoria ção e a melhoria do acesso à infor-
nologias de Informação ão e Comu- sional, esta iniciativa do Governo cesso de governação e da adminis- do acesso à informação e conheci- mação e conhecimento em diversos
ár

nicação. Inicialmente programado Moçambicano e dos seus parceiros tração pública, através da promoção mento em diversos sectores econó- sectores económicos e sociais”.
Di
Savana 17-06-2016 153
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16
4 Savana 17-06-2016

StarTimes já em 11ª Edição do Mini Basquete


Inhambane e Maxixe Millennium bim
A A
plataforma StarTimes das as casas moçambicanas”. cidade da Matola

o
inaugurou recentemente, A StarTimes passa a ter lojas em acolheu a 4 de Junho
nas cidades da Maxixe e de todas as capitais provinciais, alar- o primeiro jogo da
Inhambane, mais duas lo- gando assim os seus canais de ven- 11ª edição do torneio
jas. Esta iniciativa vem dar respos- das. Até então contava com mais

log
“Mini Basquete Millennium
tas ao seu plano de expansão pelo de 170 trabalhadores, 12 lojas a bim”, uma competição que se
país, com intuito de chegar a mais funcionar em pleno. A entrada da realiza ao longo de quatro se-
clientes. Com uma rede de novos StarTimes nestas novas eleva 15 o manas. Rapazes e raparigas
sites, esta passará a transmitir mais número de lojas, para além de ofe- com idades compreendidas en-
de 52 canais de TV em HD através recer uma rede de distribuição com tre os oito e os 12 anos estão
de emissores com potências de 1 mais de 300 agentes e um conjunto a viver uma experiência única
de várias dezenas de pontos de ven- ao participarem no torneio que
KW, utilizando a norma DBVT2,
da. Esta fase de crescimento eleva ocupa já um lugar de referên-
aumentando assim grandemente o
para um investimento total de cerca cia no calendário desportivo nos para acolher os mais de 1.750 Pra Mim”, e esta edição conta

ció
acesso à TV Digital para a popula-
de cento e trinta milhões de dóla- nacional. jovens atletas que participam no com o apoio da Seguradora
ção.
res de 2010 a esta parte, tendo os torneio. Esta competição tem sido Ímpar. O que o Mini Bas-
fundos do projecto sido utilizados No dia 11 de Junho, as provas uma verdadeira escola de talentos,
De acordo com Liang Mu, CEO quete Millennium bim tem
maioritariamente na elaboração iniciaram-se nas cidades de tendo formado atletas que actual-
da StarTimes em Moçambique, de estudos técnicos, instalação das promovido, no seio dos mais
Maputo, Inhambane, Xai-Xai, mente representam as selecções na-
“este é mais um passo no cumpri- infra-estruturas, investimento em novos, é a partilha de conhe-
Chimoio, Beira, Quelimane, cionais de sub-16 e sub-18.
mento da visão da StarTimes, a de equipamentos, formação de pessoal cimentos e de ensinamentos
Tete, Nampula e Nacala. Os A iniciativa insere-se no programa
levar o entretenimento digital a to- e aquisição de conteúdos. através da prática desportiva
pavilhões e campos destas ci- de responsabilidade social do Mil-

so
dades serão certamente peque- lennium Bim “Mais Moçambique e de hábitos de vida saudáveis.

Gilberto Mendes convidado


pelo Governo Norte-Americano Portugal celebrado ao som do fado

P
or ocasião do Dia de uma carreira internacional repleta estes dois povos, “orgulho-me

O
governo norte-americano capital Washington onde tomará Portugal, Camões de sucessos, tendo passado pelos profundamente da comuni-
um
convidou recentemente o conhecimento sobre a política do e das Comunidades palcos mais importantes do mundo, dade portuguesa de Moçam-
actor, encenador, produ- governo federal no apoio às artes, Portuguesas, cele- desde Paris a Nova Iorque, sendo bique. Nos dias de hoje as
tor, realizador e apresenta- onde observará como se utiliza o brado no dia 10 de Junho,
Junho a hoje uma das mais aplaudidas es- relações entre os portugueses
dor Gilberto Mendes a participar cinema e a televisão como meio de Embaixada de Portugal em trelas do circuito mundial da World e moçambicanos são marca-
do projecto do Departamento de promoção e inclusão na diversidade Maputo promoveu no dia 14 Music, o que lhe permitiu alcançar das pelo trabalho e pelo con-
Estado dos Estados Unidos “Pro- e engajamento da juventude bem de Junho uma noite mági- vários prémios e distinções de enor- tributo ímpar que os meus
moting Social Change trough the como utilizar a arte na resolução de ca que lembrou boa parte da me prestígio. compatriotas têm dado para
Arts” (Promover Mudança Social a conflitos. cultura daquele país. Um dos A lembrar a fusão, a irmandade a criação de emprego para
partir das Artes). Na sua viagem, o mesmo tirará picos da celebração foi a pre- existente entre estes dois países, os moçambicanos, sendo os
Com as malas aviadas, Gilberto proveito para visitar outros estados sença da voz incontornável da a noite mágica contou ainda com portugueses o maior criador
Mendes parte hoje para apresen- daquela grande potência mundial, fadista Mariza,
Mar que por sinal a presença em palco dos Timbila de emprego neste país, para
de

tar algo sobre Moçambique e o seu para trocar experiências com diver- representa a longa intimida- Muzimba, orquestra formada por formação profissional de um
povo. sos intervenientes da cultura norte- de existente entre Moçam- oito músicos e bailarinos moçam- sem número moçambicanos e
Gilberto Mendes deverá visitar a -americana
icana e mundial. bique e Portugal. O seu fado bicanos, que com o seu som único, por via da criação de empre-
encantou todos os presentes, de melodias complexas e mágicas, go e formação profissional os
marcando alguns emocional- conseguiu levar até ao público o or- portugueses dão um contribu-
mente, pela saudade que sen- gulho da cultura Moçambicana. to inestimável a favor da in-
tem do seu país. O Embaixador de Portugal em Ma- clusão social, no crescimento
Jorge Ferrão visita Nascida em Maputo e filha de
puto, José Augusto Duarte, tornou
aquele momento mais emblemá-
económico e para a criação e
desenvolvimento de uma clas-
pai português e mãe moçam- tico ao tecer algumas palavras de se média indispensável para
io

bicana, Mariza conquistou orgulho da relação existente entre Moçambique”


Save The Children
O
Ministro da Educação e mantenham na escola e mobilizem
Desenvolvimento Huma- também os vossos amigos”. Livaningo treina alunos em
ár

no, Jorge Ferrão, visitou, O ministro referiu ainda que em


nesta quarta-feira, as ins- 2014 ingressaram na 1ª classe cer-
talações da Save The Children na
cidade de Maputo. A visita con-
tou com a participação de mais 30
ca 1300.000 meninos, dos quais
em 2015 apenas 800.000 fizeram
os exames da 2ª classe, o significa
matérias de reciclagem de lixo
crianças de vários cantos do país, que 500.000 desistiram. Para res-

A
Livaningo, Organiza- deravam lixo e pintura. O processo de refrescos, a forrar livros, cader-
evento que se enquadra nas cele- ponder a este desafio, em 2015 o
Di

ção Não-Governamental visa transformar materiais usados no, blocos de notas com retalhos
brações da quinzena da criança. MINEDH iniciou o programa de (ONG) pioneira em Mo- em novos produtos com vista a sua de capulanas e tecidos e porta-joias
ensino Pré-escolar, que vem sendo çambique no tratamento reutilização. através do papelão e retalhos de ca-
As crianças tiveram durante toda a implementado pela Save The Chil- dos assuntos de gestão do meio A capacitação acontece no cum- pulana.
manhã do dia 15 a oportunidade de dren desde 2008, e que visa essen- ambiente, recursos naturais e bem- primento do plano operacional de A Livaningo entende que alunos
conhecer e interagir com o Minis- cialmente fomentar a inserção da 2016 do “projecto escolas verdes” têm uma visão positiva sobre a pre-
-estar social das comunidades, rea-
tro e também com os trabalhadores criança em grupos sociais diversos que buscou reforçar a capacidade servação do meio ambiente, pois,
lizou nos dias 3, 4 e 5 de Maio uma
daquela organização não-governa- e contribuir para a igualdade de dos alunos sobre a importância de sentiram-se entusiasmados com
capacitação de reaproveitamento de
mental. oportunidades no acesso à escola e reciclar resíduos sólidos para que a iniciativa e aderiram da melhor
resíduos sólidos na Escola Primária
Falando naquela ocasião, Jorge para o sucesso da aprendizagem. estes possam contribuir para uma forma. Durante os três dias, os for-
Actualmente o programa de ensi- do 4º Congresso, onde participaram
Ferrão destacou a importância da sociedade livre do lixo, melhorando mandos fizeram-se presentes com
no pré-escolar acontece, em Cabo cerca de 60 alunos representantes
educação para o estabelecimento assim as questões ambientais. carteiras feitas com pacotes de vi-
Delgado, Tete, Nampula, Gaza das escolas primárias “4 de Outu-
da paz e desenvolvimento do país. Os alunos aprenderam a fazer ces- nho. Espera-se que esses dêem seg-
“A retenção da criança na escola em Maputo abrangendo cerca de bro” e da próprio “4º Congresso”. tos e vasos através do jornal, fazer mento do ensinamento, passando
constitui ainda um dos maiores de- 15000 crianças, com objectivo O principal objectivo da capacita- brincos através do cafulo de coco, para os outros alunos o que apren-
safios para o sistema, por isso ape- de alcançar uma meta de 84.000 ção era de ensinar os alunos a reci- pulseiras através das garrafas plás- deram para tornar Moçambique li-
lo a todos os meninos para que se crianças nos próximos anos. clar e dar vida a tudo que eles consi- ticas de água e vasos com garrafas vre da poluição.