Sei sulla pagina 1di 27

ELETRÔNICA BÁSICA CAPÍTULO 1

ESTUDO SOBRE BIPOLO


TRIPOLO E QUADRIPOLO

OBJETIVO: Apresentar as relações entre variáveis terminais tensão e corrente de um bipolo,


tripolo e quadripolo. Incluir conceitos sobre linearidade. Ilustrar a teoria com características
volt-ampère, símbolos, modelos matemáticos e de circuito.

1 INTRODUÇÃO

Na Fig. 1.1 representamos um bipolo


concentrado com as direções associadas de corrente e
tensão. Para este bipolo podemos expressar os
seguintes valores instantâneos:

Fig. 1.1 – Representação de um bipolo.

VAB (t) = VA (t) – VB (t), (1.1)

e
pAB(t) = VAB(t)iA(t),
(1.2)

em que:

VAB(t) representa a tensão total instantânea entre os terminais A e B do bipolo;


VA(t) representa a tensão total instantânea no terminal A;
VB(t) representa a tensão total instantânea no terminal B;
iA(t) representa a corrente total instantânea que entra no terminal A e sai no terminal
B;
pAB (t) representa a potência instantânea desenvolvida entre os terminais A e B;
Zab representa a impedância complexa entre os terminais A e B.
Se
pAB (t)  0 W, o bipolo opera como receptor.
Se
pAB(t)  0 W, o bipolo opera como fornecedor (ou gerador).
1-2
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

1.1 COMPONENTES CC E CA DA TENSÃO E DA CORRENTE

Nesta seção discriminamos as componentes CC (componente contínua, ou componente


média) e CA (componente alternada) de tensão e corrente, em termos de notação.

De modo geral VAB(t) e iA(t) podem ser expressas em função de suas componentes CC
e CA, como segue:

VAB (t) = VAB + Vab(t) (1.3)


e
iA(t) = IA + ia(t) . (1.4)

em que:

VAB é a componente contínua, CC, ou média de VAB(t); geralmente representada por


VCC ou Vmédia;
Vab(t) representa a tensão instantânea da componente alternada, CA, de VAB(t);
geralmente representada por VCA(t);
IA é a componente contínua, CC, ou média de iA(t); geralmente representada por
ICC ou Imédia;
ia(t) representa a corrente instantânea da componente alternada, CA, de iA(t);
geralmente representada por iCA(t).

Omitindo a indicação dos polos A e B, as notações de tensão e a corrente podem ser


reescritas como segue:

V(t) = VCC + VCA(t) ou V(t) = Vmédia + VCA(t), com Vmédia  VCC (1.5)
e
i(t) = ICC + iCA(t) ou i(t) = Imédia + iCA(t), com Imédia  ICC . (1.6)

EXEMPLO 1.1:

Seja V(t) = 10 + 15sen(t) V, com  = 2f = 2/T, então,

VCC = 10 V e VCA(t) = 15sen(t) V.

Na Fig. 1.2 mostramos V(t) e suas componentes CC e CA. Observamos que a soma
gráfica de VCC e VCA(t) corresponde à forma de V(t). As formas de V(t) e VCA(t) podem ser
visualizadas na tela de um osciloscópio usando um de seus canais de entrada. Com a escala do
canal em CC aparece a forma de V(t). Na escala CA, aparece a forma de VCA(t).

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-3
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

Colocando o sinal V(t) nos dois canais do osciloscópio; selecionando: a escala CC do


primeiro canal e a CA do segundo; ativando o botão de inversão do segundo canal e o botão de
soma dos dois canais, obtemos o traço da magnitude VCC na tela do osciloscópio.
Na seção 1.3 apresentamos os modelos matemáticos de tensão média, de corrente média
e de potência média. Na seção 1.4 discriminamos as componentes CC e CA de potência. Para
isso, revisamos o conceito de média em geral, na seção 1.2.

Fig. 1.2 – Discriminação das componentes CC e CA da tensão total V(t).

1.2 MÉDIA DE VALORES DISCRETOS E DE VARIÁVEIS CONTÍNUAS

Consideremos xi  {X1, X2, X3, ... , XN / i = 1, 2, 3, ..., N}. Então,

N x 1 N
i
Xmédia =  =  xi (1.7)
N N
i 1 i 1

Neste caso, x é uma variável discreta. Consideremos agora x como sendo uma variável
contínua no tempo, ou seja, x como função de t, ou x(t), com t[0, T]. Então,

T x(t) 1 T
Xmédia = 
0 T
  x(t)dt .
T 0
(1.8)

ELETRÔNICA BÁSICA
1-4
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

Observamos a semelhança entre as fórmulas do cálculo da média dos valores tanto


discretos quanto contínuos. Há, portanto, uma correspondência biunívoca de equivalência:
  , N  T, xi  x(t), i  t e [i = 1, 2, 3, ..., N]  t[0, T].

1.3 EXPRESSÕES MÉDIAS DE TENSÃO CORRENTE E POTÊNCIA

A partir da definição genérica de Xmédia, podemos escrever para a tensão v(t), a corrente
i(t) e a potência p(t), suas respectivas tensão média (Vmédia), corrente média (Imédia) e potência
média (Pmédia), como segue:

1 T
T 0
Vmédia = v( t )dt , (1.9)

1 T
T 0
Imédia = i ( t )dt e (1.10)

1 T
T 0
Pmédia = p(t)dt . (1.11)

1.4 COMPONENTES CC E CA DA POTÊNCIA

Voltamos ao caso da potência para o bipolo da Fig. 1.1 em que pAB (t) = VAB(t)iA(t), Eq.
(1.2). Omitindo também a indicação dos pólos A e B, como fizemos na seção 1.1 para tensão e
corrente, a potência total instantânea pode ser reescrita como:

p(t) = V(t)i(t). (1.12)

Agora, usando as componentes CC e CA de v(t) e i(t), Eq. (1.5) e (1.6), resulta:

p(t) =[VCC + V CA(t)][ICC + i CA(t)] e (1.13)

1 T 1 T 1 T
Pmédia = 
T 0
p( t )dt =  v( t )i (t)dt =  {[ VCC  vCA ( t )][I CC  iCA ( t )]}dt .
T 0 T 0
(1.14)

1 T 1 T 1 T 1 T
= 
T 0
VCC I CCdt + VCC{  iCA (t)dt }+ ICC{  vCA (t)dt }+  vCA ( t )iCA ( t )dt
T 0 T 0 T 0

1 T
T 0
= VCCICC + VCC{ 0 }+ ICC{ 0 }+ vCA (t)iCA ( t )dt

Finalmente,

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-5
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

1 T
T 0
Pmédia = VCCICC + vCA (t)iCA ( t )dt = PCC + PCA, com (1.15)

1 T
T 0
PCC = VCCICC e PCA = vCA (t)iCA ( t )dt . (1.16)

Observamos que PCA é uma constante, pois resulta de uma integral definida. Portanto,
não podemos confundir Pmédia com PCC. PCC é apenas uma fração da Pmédia. Então, fica evidente
que tanto as componentes contínuas quanto as alternadas, de corrente e de tensão, produzem
potência média, Eq. (1.15).

1.5 RELAÇÃO ENTRE ENERGIA E POTÊNCIA

Seja E(t) a representação da energia no tempo, relacionada com um bipolo; e E |t0 , a


sua variação de energia em um intervalo de tempo [0, t]. Então,

dE(t)
 p(t) ou dE(t) = p(t)dt  (1.17)
dt

t
 p(t)dt , variação de energia calculado num intervalo de 0 a t, ou
t
∫0 dE(t) = (1.18)
0

t
E |0t = E(t)  E(0)=  p(t)dt
0
ou, (1.19)

T
E |T0 =  0
p(t)dt ou (1.20)

1 T
T 0
E |T0 = ( p(t)dt)T = (Pmédia)T ou (1.21)

E |0n T = (Pmédia)nT, com n = 1, 2, 3, ... e (1.22)

E |0n T =nE |T0 . (1.23)

EXEMPLO 1.1:

Se a potência constante em um bipolo é de 600 W, qual é a sua variação de energia em


100 min?

SOLUÇÃO:

100
E |100 0
min
0 = 600dt = (600 W)100 min = 6 kWh. (1.24)

ELETRÔNICA BÁSICA
1-6
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

EXEMPLO 1.2:

Se a potência média em um bipolo é de 400 W, qual é a sua variação de energia em 100


períodos? O período é 1/60 s.

SOLUÇÃO:

E |0n T = (Pmédia)nT = (600 W)(100)(1/60 s) = 6 kWh. (1.25)

EXEMPLO 1.3:

Se a variação de energia em um bipolo é de 360 Ws em um período, qual é sua variação


em 100 períodos?

SOLUÇÃO:

E |0n T = nE |T0 = 100(360 Ws) = 10 kWh, com n = 100. (1.26)

1.6 VALORES EFICAZES DE TENSÃO E DE CORRENTE

Vamos calcular a potência média dissipada em um resistor de resistência R, submetido


a uma tensão v(t). Assim, a partir das Eq. (1.11) e (1.12):

1 T 1 T 1 T v( t ) 1 1 T 2
 T 0 T 0 R T 0
Pmédia = p ( t )dt = v ( t )i ( t )dt = v ( t ) dt = [ v ( t )dt ] ou (1.27)
T 0 R

1 T 1 T 1 T 1 T
Pmédia =
T 0
p( t )dt =  v( t )i ( t )dt =  Ri ( t )i ( t )dt = R[  i 2 ( t )dt ].
T 0 T 0 T 0
(1.28)

Se em (1.27) definirmos:

1 T 2 1 T 2
 v ( t )dt = Vef2  VRMS
T 0
2
, então, Vef = VRMS = v (t)dt . (1.29)
T 0

Se em (1.28) definirmos:

1 T 2 1 T 2
T 0
i ( t)dt = I ef2  I 2RMS , então, Ief = IRMS =
T 0
i (t)dt (1.30)

Logo, a potência média fornecida a um resistor R por uma tensão v(t), ou por uma
corrente i(t) é dada por:

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-7
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

1 1 T 2 V2
Pmédia = [  v ( t)dt ] = ef , ou (1.31)
R T 0 R
1 T
Pmédia = R[  i 2 (t)dt ] = R I ef2 , (1.32)
T 0
em que:

Vef - é chamado de tensão ou valor eficaz de v(t)

VRMS - é chamado de tensão ou valor RMS (Root Means Square – raiz quadrática
média) de v(t). Ambas as notações são equivalentes, portanto, têm o mesmo
significado. Isto quer dizer que se v(t) fosse substituída por uma tensão
contínua de valor Vef, esta produziria a mesma potência em um resistor R no
mesmo período, como ilustramos na Fig. 1.3. Nestes dois circuitos, R é o
mesmo. Seja Pmédia-1 a potência fornecida ao resistor R pela fonte v(t) no
circuito-1; e Pmédia-2, a fornecida ao mesmo resistor R pela fonte Vef , no
circuito-2. Então, se Pmédia-1 = Pmédia-2, Vef é o valor eficaz de v(t). O
mesmo pode ser dito de Ief ou IRMS de i(t). É importante observamos que se
trata de uma equivalência entre energias.

Fig. 1.3 - Equivalência entre v(t) e seu valor eficaz, Vef; e entre i(t) e seu valor eficaz, Ief.

1.7 POTÊNCIA EFICAZ EM CARGA RESISTIVA

Multiplicando, membro a membro, as Eq. (31) e (32), temos:

 Vef2  2
  RIef  =  Vef   Ief  = Vef Ief   Vef Ief 
Vef Ief  .
2 2 2
(Pmédia)( Pmédia) =  (1.33)
 R 

Da Eq. (1.33):

Pmédia = Vef Ief = PRMS = Pef. (1.34)

A relação mostrada na Eq. (34) é também chamada de potência RMS, eficaz, ou ativa.
PRMS como 100% do produto Vef por Ief, tal como aparece na Eq. (1.34), somente acontece neste
caso em que a carga é resistiva, implicando corrente em fase com a tensão, do modo como são

ELETRÔNICA BÁSICA
1-8
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

expressas na Eq. (1.35). Em outros casos aparece um parâmetro chamado fator de potência,
como visto na Eq. (1.41).

1.7.1 POTÊNCIA EFICAZ E DE PICO EM CARGA RESISTIVA

Vamos considerar o caso da Fig. 1.3 em que:

v(t) = Vpsen(t) e i(t) = Ipsen(t). (1.35)

Entrando com v(t) na Eq. (1.29) temos:

1 T 2 1 T 2 1 T VP
T 0
   
2
Vef = VRMS = v ( t)dt = v (t)dt [Vp sen(wt)] dt (1.36)
T 0 T 0 2

Entrando com i(t) na (1.30) temos:

1 T 2 1 T IP
   
2
Ief = IRMS = i (t)dt [I p sen(wt)] dt (1.37)
T 0 T 0 2

As relações (1.36) e (1.37) mostram que no caso de tensão ou corrente senoidal, o valor
de pico sob a raiz quadrada de 2 determina o valor eficaz correspondente. Na Fig. 1.5
juntamente com a Tabela 1.1 mostramos outras relações, deduzidas para cada forma de onda
específica.

Combinando as Eq. (1.34), (1.36) e (1.37) resulta que em um resistor R:

VP I P V I P
PRMS = Vef Ief =   P P  P  50%PP (1.38)
2 2 2 2

Da Eq. (38):

PP = VP I P (1.39)

A relação mostrada na Eq. (1.39) é chamada de potência de pico. A percentagem tal


como aparece na Eq. (38), de PRMS igual a 50% de PP, só é válida neste caso em que a carga é
resistiva implicando a corrente em fase com a tensão, Eq. (1.35), sendo a tensão considerada
senoidal.

Seja o caso em que a carga não é resistiva e consequentemente a corrente está defasada
em relação à tensão, como mostrado nas Eq. (1.40):

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-9
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

v(t) = Vpsen(t) e i(t) = Ipsen(t+). (1.40)


Entrando com (1.40) em (1.11), temos:

1 T
T 0
1 𝑇 𝑉𝑃 𝐼𝑃
Pmédia = p(t)dt = ∫ V sen(t)I𝑃 sen(t + ) =
𝑇 0 𝑃 √2 √2
cos() = 𝑉𝑒𝑓 𝐼𝑒𝑓 𝑓𝑐. (1.41)

Na relação (1.41), fc = cos() é referido como fator de potência.

1.8 COMPONENTES EFICAZES CC E CA DA TENSÃO E DA CORRENTE

Na seção 1.1 discutimos as componentes CC e CA da corrente e da tensão. Agora,


mostramos como essas componentes entram na formação dos valores eficazes. Para isto
introduzimos a Eq. (1.5) na Eq. (1.29) e desenvolvemos como segue:

1 T 2 1 T
Vef2 =
T 0
v (t)dt =
T 0
[VCC  vCA (t)]2 dt

1 T 2 1 T 1 T 2
=
T 0
VCCdt + 2VCC[  vCAdt ] +  vCA
T 0 T 0
(t)dt
(1.42)
1 T 2
T 0
2
= VCC + 0 + vCAdt =

2
= VCC + Vef2 CA ,

Da relação (1.42) notamos que:

1 T 2 1 T 2 1 T 2 1 T 2
Vef2 CA =  vCAdt  Vef-CA =√  vCA  VCCdt  VCC = √  VCC
2
dt e VCC = dt (1.43)
T 0 T 0 T 0 T 0

Concluímos que, na Eq. (1.42): a) Vef-CA representa o valor eficaz somente da


componente CA de v(t), ou seja, de vCA(t); b) o valor eficaz de uma constante, no caso, VCC, é
a própria. Além disso, observando a relação, Eq. (1.42), em seu formato quadrático, podemos
inferir que:

Vef = 2
VCC  Vef2 CA . (1.44)

Com o mesmo procedimento, porém usando as Eq. (1.6) e (1.30) também podemos
deduzir que, no caso da corrente:

Ief = 2
I CC  I ef2 CA , (1.45)

com Ief-CA representando o valor eficaz somente da componente CA de i(t), i. e., de iCA(t).

ELETRÔNICA BÁSICA
1-10
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

Uma maneira de lembrar os resultados expostos nas Eq. (1.44) e (45) é associá-los à
relação entre hipotenusa e catetos de um triângulo retângulo pelo teorema de Pitágoras,
conforme ilustrado na Fig. 4.

Fig. 4 – Relação entre componentes CC, CA e valor eficaz de tensão e corrente.

Das relações 1.44 e 1.45 concluímos que: a) o valor eficaz total é sempre maior do que
quaisquer de suas componentes, uma vez que é representado pela hipotenusa do triângulo, Fig.
1.4: b) não existe valor eficaz negativo, uma vez que resulta de raiz quadrada de integral de
função quadrática.

1.9 FORMAS DE ONDAS TÍPICAS DA ENGENHARIA ELÉTRICA

Na Fig. 1.5 mostramos algumas formas de onda comumente usadas na engenharia


elétrica. Ao lado da figura colocamos a Tabela 1.1 com as fórmulas para o cálculo dos valores
das tensões: eficaz total - Vef, média - Vmédia, e eficaz somente da componente alternada - Vef-
CA de cada forma de onda.
As formas de onda senoidal, triangular e quadrada são típicas, ou primárias na
engenharia elétrica. Qualquer equipamento gerador de funções inclui no mínimo essas três
formas de onda. A partir delas, outras formas de onda podem ser geradas facilmente por
circuitos processadores analógicos.

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-11
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

Tabela 1.1 – Tensões associadas às formas de ondas


mostradas na Fig. 1.5, ao lado.
Vef Vmédia Vef-CA

Vp Vp
0V
2 2

Vp 0V Vp

Vp Vp
0V
3 3

Vp Vp Vp
2 2 2

Vp Vp Vp

2 2 2

V + VP0 2 VP1 − VP0 2 Vp1  VP 0 (


𝑉𝑃1 − 𝑉𝑃0
)
√( P1 ) +( ) 2√2
2 2√2 2

Fig. 1.5 – Formas de onda comuns na engenharia elétrica.

1.10 MEDIÇÃO DE VALOR EFICAZ E EFICAZ VERDADEIRO

Em um multímetro temos duas escalas para medir tensão. Uma somente para tratar de
valores CC e outra somente para CA. Na escala CC medimos o valor médio da tensão. Na escala
CA, medimos somente o valor eficaz da componente CA. Em seguida, para calcularmos o valor

ELETRÔNICA BÁSICA
1-12
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

eficaz total usamos a relação triangular, Fig. 1.4, seção 1.8, cujas fórmulas para isto repetimos
a seguir:

Vef = 2
VCC  Vef2 CA e Ief = 2
I CC  I ef2 CA . (1.46)

Alguns multímetros dispõem do recurso TRUE RMS (valor eficaz verdadeiro). Mesmo
esses multímetros, igual a todos, medem separadamente as componentes CC e CA. A diferença
é que um multímetro TRUE RMS mede o valor eficaz com mais precisão, mesmo de formas de
onda não tão conformadas como aquelas mostradas na Fig. 1.5.

1.11 SISTEMAS OU CIRCUITOS LINEARES

Os sistemas podem ser classificados de muitas maneiras, dependendo dos modelos que lhes
sejam atribuídos. Assim, podem ser enquadrados como: analógicos, digitais, estacionários, discretos,
lineares e não-lineares, para citar alguns. Neste texto estamos interessados em discutir apenas as
categorias de sistemas, ou circuitos, lineares e não-lineares

1.11.1 PROPRIEDADES DE SISTEMAS LINEARES

Consideremos um sistema ou circuito elétrico f, Fig. 1.6, que a uma excitação E(t)
responde com S(t), tal que S(t) = f(E(t)).

Fig. 1.6 – Representação em bloco de um circuito elétrico f.

Se:
para E(t) = E1(t), f(E1(t)) = S1(t),
para E(t) = E2(t), f(E2(t)) = S2(t),
para E(t) = E1(t) + E2(t), f(E1(t)+ E2(t)) = f(E1(t)) + f(E2(t)) = S1(t) + S2(t),
então, diremos que o sistema satisfaz à propriedade da aditividade.
Se:
para E(t) = En(t) f(En(t)) = Sn(t) e
para E(t) = kEn(t) f(kEn(t)) = kf(En(t)) = kSn(t),
em que k é igual a qualquer valor real e n=(1, 2, 3, ...);
então, diremos que o sistema satisfaz à propriedade da
homogeneidade.

Qualquer sistema que satisfaça ‘simultaneamente’ a essas duas propriedades é dito ser
linear. Se um circuito não é linear, então, ele é não-linear, e vice-versa. Nesta classificação de
linear ou não-linear não levamos em conta as condições iniciais do sistema. No bloco da Fig.
1.6, E(t) e S(t) são variáveis genéricas, isto é, podem representar quaisquer grandezas elétricas,

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-13
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

sendo as mais comuns tensão e corrente. Este bloco pode representar um sistema, um circuito
ou simplesmente um bipolo, como, por exemplo, um resistor.

Fig. 1.6a – Ilustrando a propriedade da aditividade.

Fig. 1.6b – Ilustrando a propriedade da homogeneidade.

1.11.2 PRINCÍPIO DA SUPERPOSIÇÃO

Consideremos um sistema ou circuito elétrico representado pelo bloco f, Fig. 1.7, que a
uma excitação simultânea de X(t) e Y(t) responde com S(t), tal que S(t) = f(X(t),Y(t)).

Fig. 1.7 – Representação em bloco de um sistema linear.

Sejam as entradas X(t) e Y(t) dadas por:

Se X(t)= k1X1(t) + k2X2(t) e Y(t)= m1X1(t) + m2X2(t)

Seja a resposta S(t) do sistema dada por:

S(t) = f(X(t),Y(t)) = f((k1X1(t) + k2X2(t)), (m1Y1(t) + m2Y2(t))) =

k1f(X1(t)) + k2f(X2(t)) + m1f(Y1(t)) + m2f(Y2(t))  Aditividade e Homogeneidade;

Esta resposta resume as duas propriedades da linearidade, logo, este sistema de duas
entradas é linear. Nas Fig. 1.8a e 1.8b ilustramos as propriedades da linearidade para cada
entrada X(t) e Y(t), individualmente. As duas expressões resumem o que é conhecido como
princípio da superposição, ilustrado na Fig. 1.9.

ELETRÔNICA BÁSICA
1-14
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

Fig. 1.8a – Ilustrando as propriedades da linearidade para X(t).

Fig. 1.8b – Ilustrando as propriedades da linearidade para Y(t).

Fig. 1.9 – Ilustrando o princípio da superposição.

1.11.3 CARACTERÍSTICA DE CIRCUITO LINEAR

O gráfico da relação entre os sinais S e E é chamado de característica de transferência,


que é distinguido no par de eixos pelas unidades das grandezas que essas variáveis representam.
Por exemplo característica V-A (Volt-Ampère), característica C-V (Coulomb-Volt),
característica V-V (Volt-Volt) etc. Na Fig. 10 mostramos a relação linear S versus E.

Fig. 1.10 – Característica de um circuito linear com entra E e saída S.

Na Fig. 1.11 mostramos um exemplo elementar de circuito linear (um resistor


alimentado por uma fonte de corrente) com sua característica V-A. Em seguida provamos que
ele satisfaz às propriedades da aditividade e homogeneidade.

(a) (b)
Fig. 1.11 – Um exemplo de circuito linear; (b) Característica V-A.

v(t) = f(i(t)) = Ri(t), então:


f(i1) = Ri1(t)

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-15
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

f(i2) = Ri2(t)
f(i1 + i2) = R(i1 + i2) = Ri1(t) + Ri2(t) = f(i1) + f(i2), satisfaz à propriedade da aditividade;
f(i) = R(i) = ( Ri) = f(i). satisfaz à propriedade da homogeneidade.

Na Fig. 1.12 mostramos um exemplo de circuito RC em que i(t) = f(v(t)). Para este
circuito, omitindo a variável independente, t, podemos escrever as relações seguintes:

Fig. 1.12 – Circuito RC linear.

d𝑖 d𝑣
i = f(v) e 𝑖 + CR dt = C dt .

Seja v = k1 𝑣1 + k 2 𝑣2 , então podemos deduzir como segue:

d(k1 𝑣1 +k2 𝑣2 ) d(k1 𝑣1 ) d(k2 v2 ) d(𝑣1 ) d(𝑣2 )


𝐶 =C +C = k1 C + k2C 
dt dt dt dt dt

f(k1v1+k2v2) = f(k1v1)+f(k2v2) = k1f(v1) +k2f(v2)

Logo, o circuito satisfaz às duas propriedades da linearidade.

1.11.4 CARACTERÍSTICAS DE CIRCUITOS NÃO-LINEARES

Imaginemos um dispositivo cuja característica V-A seja representada pelo modelo


𝑣
𝑣
matemático 𝑖 = f(𝑣) = Is (eVT -1); e outro por 𝑖 = f(𝑣) = IDSS (1 − V )2 . Notamos claramente
P
que a primeira função é exponencial e que a segunda é quadrática. Em seguida provamos que
nenhuma delas satisfaz à propriedade da homogeneidade. Basta que uma das propriedades da
linearidade não seja satisfeita para que afirmemos que o dispositivo em análise seja não-linear.

No caso do primeiro dispositivo:


𝑣 𝑣
f(𝑣) = Is (eVT − 1) ≠ f(𝑣) = Is (eVT − 1);

No caso do segundo dispositivo:


𝑣 𝑣
f(𝑣) = IDSS (1 − V )2 ≠ f(𝑣) = IDSS (1 − V )2 ;
P P

Ambos dispositivos não satisfazem à propriedade da homogeneidade, logo, são não-


lineares.

ELETRÔNICA BÁSICA
1-16
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

A seguir mostramos alguns exemplos de dispositivos não-lineares com suas


característica V-A, incluindo um circuito não-linear composto por uma lâmpada incandescente
alimenta por uma fonte de tensão CA.

Fig. 1.13 - Exemplos de dispositivos e circuito não-lineares e suas características V-A: (a)
representa um buffer digital; (b) representa um amplificador com ganho constante entre E1 e
E2; com saída saturada (limitada) à esquerda de E1 e à direita de E2; (c) representa uma porta
lógica inversora; (d) uma lâmpada incandescente alimentada por uma tensão alternada.

1.11.5 LINEARIZAÇÃO POR PARTES


Um circuito pode não ser linear no domínio e sê-lo em alguns subdomínios. Se isso não
ocorre em todo o domínio, verificaremos o princípio da derivada da saída em relação à entrada.
Seja S a saída e E a entrada tal que S=f(E). Se dS/dE=CTE (constante de valor positivo, negativo
ou zero) em algum subdomínio de E, então o circuito é linear neste subdomínio. Se for não-
linear, pode ser linear por partes. Porém, se o circuito for linear em apenas um subdomínio,
dizemos que ele é linear em parte; se for linear em alguns subdomínios, dizemos que ele é linear
por partes.
Podemos decompor S e E em suas componentes CC e CA: S = SCC + sCA e,
consequentemente, E = ECC + eCA. Em qualquer subdomínio em que o circuito seja linear
podemos criar novo par de eixos com origem em um ponto (SCC, ECC) para as variáveis sCA e
eCA. Então, neste subdomínio sCA = f(eCA) satisfaz às propriedades da aditividade e da
homogeneidade.
Linearizar por partes uma característica gráfica significa dividi-la em regiões e
aproximar cada uma delas por segmentos de linha reta. A melhor linearização por partes seria
feita por segmentos de reta incrementais. Nem sempre isto é prático, é desejável. Na Fig. 1.13

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-17
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

mostramos como linearizar uma curvilínea entre os pontos de operação A, B; e, B e C.


Visualmente notamos que o segmento reto entre A e B da Fig. 1.13(a) se aproxima melhor dos
pontos da curvilínea do que no caso da Fig. 12.13(b). Já no caso da Fig. (b) o segmento retilíneo
traçado por dois pontos entre B e C se aproxima melhor da curvilínea do que no caso da Fig.
(a) com a corda entre B e C. Este tipo de linearização é chamado de ponto a ponto porque é
desenhada tomando como referência pelo menos dois pontos de cada região, Fig. 13. Outro tipo
de linearização é a tangencial, que consiste em aproximar a curvilínea por segmentos de
tangente como ilustrado na Fig. 14. Neste tipo de linearização, chamada de linearização
tangencial, usamos apenas um ponto da curvilínea como referência para cada aproximação.

(a) (b) (c)

(d) (e) (f)


Fig. 13 – Linearização ponto a ponto.

(a) (b)

Fig. 1.14 - Linearização tangencial.

ELETRÔNICA BÁSICA
1-18
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

1.11.6 RESISTÊNCIA ESTÁTICA

Supomos um bipolo cuja característica V-A seja mostrada na Fig. 1.15, e que esteja
operando sob condições estáticas, isto é, corrente e tensão constantes, ICC e VCC. O ponto
definido por estas coordenadas é definido como ponto de operação Quiescente, Q. Então Q =
(Icc, VCC). Neste ponto definimos uma resistência estática, ou RCC, como segue:
VCC
R CC = (1.47)
ICC

Fig. 1.15 – (a) Característica V-A não-linear e ponto de operação Q; (b) resistência
estática associada ao ponto Q

O significado prático de RCC é que, no ponto de operação Q o dispositivo pode ser


substituído por um resistor de resistência RCC sem alterar os valores das variáveis terminais, ICC
e VCC.

1.11.7 RESISTÊNCIA CA MÉDIA

Supomos um bipolo cuja característica V-A seja mostrada na Fig. 1.16, e que esteja
operando sob condições dinâmicas, isto é, com corrente e tensão variando de IC1 a IC2, e VC1 a
VC2 em torno do ponto de operação Q. Portanto o bipolo está operando em um segmento
curvilíneo que vai de q1 a q2.

Fig. 1.16 – (a) Ponto de operação estática; (b) região de operação dinâmica de q1 a q2.

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-19
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

Esta região curvilínea possui infinitos pontos, cada um com declividade diferente.
Portanto, com resistência associada diferente. Para associarmos uma resistência a um segmento
curvilíneo vamos aproximá-lo por um segmento retilíneo, conforme mostrado na Fig. 1.17(a).

Fig. 1.17 – (a) Linearização do segmento curvilíneo de q1 a q2; (b) extrapolação da


linearização até a corrente i = 0 A e v = VC0.

A partir da Fig. 1.17(a) definimos rmédia (resistência média) por:


VC2 −VC1
rmédia = |
IC2 −IC1 ponto a ponto (q a q )
(1.47)
1 2

O segmento retilíneo mostrado na Fig. 1.17(b) é representado matematicamente por:

𝑣 = VC0 + rmédia 𝑖 com v variando de VC1 a VC2. (1.48)

O significado prático de rmédia é que o bipolo não-linear, Fig. 1.17(a) pode ser substituído
por um bipolo composto descrito pela Eq. (1.48) como ilustrado na Fig. 1.18.

Fig. 1.18 – Bipolo composto linear equivalente aproximado ao bipolo simples não-
linear da Fig. 1.16a operando na região de q1 a q2.

1.11.8 RESISTÊNCIA CA DINÂMICA


Supomos o mesmo bipolo cuja característica V-A seja mostrada na Fig. 1.16, e que
esteja operando sob condições dinâmicas, isto é, com corrente e tensão variando de IC1 a IC2, e
VC1 a VC2 em torno do ponto de operação Q. Portanto o bipolo está operando em um segmento
curvilíneo que vai de q1 a q2. Agora vamos associar uma resistência ao segmento curvilíneo
aproximando-o por um segmento retilíneo, conforme mostrado na Fig. 1.19(a).

ELETRÔNICA BÁSICA
1-20
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

Fig. 19 – (a) Linearização do segmento curvilíneo de q1 a q2 por um segmento linear


tangente ao ponto de operação Q; (b) extrapolação da linearização até a corrente i = 0 A e v =
VC0.

A partir da Fig. 1.19a definimos rd (resistência dinâmica) por:


𝑑𝑣
𝑟𝑚é𝑑𝑖𝑎 = | (1.49)
𝑑𝑖 𝑛𝑜 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜 𝑄

O segmento retilíneo mostrado na Fig. 1.1b é representado matematicamente por:

𝑣 = VC0 + rd 𝑖 com v variando de VC1 a VC2. (1.50)

O significado prático de rd é que o bipolo não-linear, Fig. 1.19a pode ser substituído por
um bipolo composto descrito pela Eq. (1.50) como ilustrado na Fig. 1.20. Se conhecemos a
função i = f(v) basta calcularmos sua derivada no ponto Q. Não precisamos traçar gráfico.

Fig. 1.20 – Bipolo composto linear equivalente aproximado ao bipolo simples não-
linear da Fig. 1.19a operando na região de q1 a q2.

COMENTÁRIOS sobre resistência CA média e dinâmica:

(a) Vamos guardar o conceito de resistência dinâmica, rd, para segmentos de linearização
incremental, isto é, em torno do ponto quiescente.

(b) Para segmentos de linearização amplos vamos associar o conceito de resistência dinâmica
média, rmed, ou às vezes denotada por rf. Neste caso não estaremos rigorosamente
preocupados com os pontos extremos de interseção e, sim, com a aproximação mais prática
à região curva em consideração. Nem se quer o segmento associado necessariamente tem
que passar por dois pontos, como no exemplo à direita, entre A e B, como no caso da Fig.

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-21
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

1.13b, tomando-se a região curvilínea pelo trecho reto coincidente com o eixo da variável
v. Isto é tão mais justificado conforme a cota vertical de i, no ponto B, seja considerada de
valor desprezível.

COMENTÁRIOS sobre linearização por partes:

Uma linearização feita ponto a ponto pode ter uma resistência média igual à dinâmica (que seria
obtida pela tangente ao ponto de operação) conforme ilustrado na Fig. 1.21. Observamos na
figura à direita que na linearização de um segmento pequeno, feita ponto a ponto ou por
tangente, a resistência CA média se aproxima da dinâmica, ou seja, rmed  rd. Normalmente
quando a operação dinâmica é introduzida por pequenos sinais, trabalhamos com a resistência
dinâmica, rd, sobretudo quando esta pode ser obtida por cálculo da derivada da função
característica do dispositivo no ponto Q da região de operação. Neste caso a análise que fazemos
do circuito é chamada de “análise de pequenos sinais”.

Fig. 1.21 – Linearização ponto a ponto e por tangentes.

1.12 MODELOS DE CIRCUITOS PARA UM BIPOLO

Temos os bipolos simples e compostos. Um bipolo composto é um circuito aberto


formado de elementos simples em série ou paralelo. Exemplo de bipolo simples: um resistor;
um capacitor etc. Consideremos um circuito bipolo representado pela Fig. 1.22 com polos p1 e
p2, respectivamente. Representamos a diferença de potencial entre os pólos simplesmente por
v1. Portanto v1 = (vP1-vP2). i1 representa a corrente que entra no polo p1 e sai no p2. v1 e i1 são
chamadas, respectivamente, de tensão e de corrente de entrada. Essas são as variáveis terminais
do bipolo.

Fig. 1.22 – Representação de um bipolo em bloco com os polos p1 e p2.

Para este bipolo podemos escrever duas funções, estabelecendo relações entra as
variáveis terminais i1 e v1:

ELETRÔNICA BÁSICA
1-22
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

i1 = f(v1,ix) = Gv1 + βix (1.51)

e
v1 = g(i1,vx) = Ri1 + vx (1.52)

G e R, são os parâmetros condutância (unidade S – Siemens) e resistência (unidade Ω –


ohm), respectivamente. β e  são parâmetros adimensionais. Qualquer uma dessas funções
descreve relações entre a corrente e a tensão nos terminais do bipolo. Na Fig. 1.23 mostramos
a implementação da função (1.51). Na Fig. 1.24 mostramos a implementação da função (1.52).

Fig. 1.23 – Modelo de circuito para i1 = f(v1,ix), podendo ser chamado de circuito
equivalentes Norton.

Fig. 1.24 – Modelo de circuito para v1 = g(i1,vx), podendo ser chamado de circuito
equivalente Thèvenin.

No circuito aberto da Fig. 23 se β = 0, o bipolo se transforma na representação de um


elemento de circuito simples – um resistor. O mesmo ocorre com a Fig. 1.24 se  = 0.
Por outro lado, se chamarmos βix de iNo (corrente Norton), a configuração do bipolo da
Fig. 23 assume a representação do circuito equivalente Norton. Caso ix represente a corrente
em qualquer par de nós, de outro elemento ou bloco de circuito, o ramo à direita de G representa
uma fonte de corrente controlada por corrente. Neste caso dizemos que o bipolo da Fig. 1.23 é
um modelo de circuito para uma fonte de corrente real controlada por corrente, com resistência
de saída 1/G.
De modo similar, se chamarmos vx de vTh, a configuração do bipolo da Fig. 1.24 assume
a representação do circuito equivalente Thèvenin (vTh – tensão Thèvenin). Caso vx represente a
tensão em qualquer par de nós de outro elemento ou bloco de circuito, o ramo em série com R

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-23
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

representa uma fonte de tensão controlada por tensão. Neste caso, dizemos que o bipolo da Fig.
1.24 é um modelo de circuito para uma fonte de tensão real controlada por tensão, com
resistência de saída R.
Além disso, fazendo βix = iNo e vx = vTh tal que iNo = vTh/R, com G = (1/R), temos entre
esses dois circuitos a equivalência entre Thèvenin-Norton.
Outras modelagens possíveis para o bipolo da Fig. 1.22:

i1 = f(v1, ix) = G1v1 + βix (53)


i1 = f(v1, ix) = G1v1 + Gxvx (54)
v1 = g(i1,vx) = R1i1 + Rxix (55)
v1 = g(i1,vx) = R1i1 + vx (56)

As relações (1.53 a (1.6) podem assumir outros formatos se substituirmos G e R por


indutâncias ou capacitâncias. Essas funções correspondem a modelos matemáticos de bipolos,
representando fontes de corrente e de tensão reais controladas por tensão e por corrente,
respectivamente. Assim, a tensão vx e a corrente ix podem, portanto, representar as variáveis
associadas a outro par de terminais de um circuito ou de outro bipolo. Esta ideia leva ao estudo
de um quadripolo a partir de suas variáveis terminais, i1, v1, i2 e v2.

1.13 MODELOS DE CIRCUITOS PARA QUADRIPOLO E TRIPOLO

Consideremos um circuito quadripolo representado pela Fig. 1.25. v1 e i1 são as variáveis


terminais dos pólos p1 e p2. v2 e i2 são as variáveis terminais dos polos p3 e p4. v1 = (vP1-vP2); v2 = (vP3-
vP4). Note-se que foram escolhidas as direções associadas de corrente e tensão em cada par de
polos. O par de polos p1 e p2 é chamado de porta de entrada. O par de polos p3 e p4 é chamado de
porta de saída.

Fig. 1.25 – Representação de um quadripolo (polos p1, p2, p3 e p4).

Tomando a variável de entrada v1 e a de saída i2 como independentes, podemos


escrever as seguintes funções para este quadripolo:

v1 = g(i1,v2) = R1i1 + v2 (1.57)


i2 = g(i1,v2) = βi1 + G2v2 (1.58)

Definições dos parâmetros, R1, G2,  e β:

ELETRÔNICA BÁSICA
1-24
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

𝑣1
𝑅1 = | : impedância de entrada de curto-circuito na saída; [𝑅1 ] = Ω;
𝑖1 𝑣 =0 𝑉
2

𝑣
 = 𝑣1 | : relação de transferência inversa de tensão em circuito aberto na entrada;
2 𝑖1 =0 𝐴
[] = adimensional;

𝑖
β = 𝑖2 | : relação de transferência direta de corrente em curto-circuito na saída;
1 𝑣2 =0 𝑉
[β] = adimensional;

𝑖
G2 = 𝑣1 | : condutância de saída em circuito aberto na entrada; [G2 ] = S.
2 𝑖1 =0 𝐴

Na Fig. 1.26 mostramos a implementação das funções (1.57) e (1.58):

Fig. 1.26 – Circuito quadripolo a parâmetros híbridos.

A seguir reescrevemos as funções (1.57) e (1.58) em sua forma convencional:

v1 = g(i1,v2) = h11i11+ h12v2 (1.59)


i2 = g(i1,v2) = h21i11+ h22v2 (1.60)
em que:
𝑣1 𝑣
h11 = R1 = | em Ω h12 =  = 𝑣1 | adimensional
𝑖1 𝑣 =0 𝑉 2 𝑖1 =0 𝐴
2

𝑖 𝑖
h21 = β = 𝑖2 | adimensional h22 = G2 = 𝑣1 | em S
1 𝑣2 =0 𝑉 2 𝑖1 =0 𝐴

Os coeficientes das variáveis independentes, h11 a h22 são chamados de parâmetros


híbridos porque são expressos em unidades diferentes. Desse fato, tomamos a letra inicial da
palavra híbrido para representar os parâmetros h. Podemos expressar os parâmetros híbridos
usando derivação parcial como segue:

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-25
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

𝜕𝑣 𝜕𝑣
h11 = 𝜕𝑖 1 em Ω h12 = 𝜕𝑣1 adimensional
1 2

𝜕𝑖 𝜕𝑖
h21 = 𝜕𝑖2 adimensional h22 = = 𝜕𝑣1 em S
1 2

Podemos deduzir um circuito tripolo a partir de um quadripolo, tomando um polo para


referência comum à entrada e saída, como mostramos na Fig. 1.27.

Fig. 1.27 – Circuito tripolo a parâmetros híbridos.

Podemos escolher outros pares de variáveis independentes e gerar novos modelos de


quadripolos. O circuito quadripolo da Fig. 1.26 tem a forma T-N (Thèvenin-Norton). A partir
deste podemos gerar mais três configurações equivalentes: T-T, N-N e N-T, tarefa que
deixamos para o leitor.

1.14 CARACTERÍSTICAS VOLT-AMPÈRE DE BIPOLO

Nas figuras seguintes mostramos as características volt-ampère (V-A) de fontes de


tensão e corrente.

v = Vo para ∀ i

(a) (b)

Fig. 1.28 - Fonte de tensão ideal: (a) característica V-A; (b) símbolo de circuito.

Modelo matemático: v = Vo + Ri para Im  i  In

(a) (b)
Fig. 1.29 - Fonte de tensão real: (a) característica V-A; (b) modelo de circuito.

ELETRÔNICA BÁSICA
1-26
CAPÍTULO 1: ESTUDO SOBRE BIPOLO TRIPOLO E QUADRIPOLO

i = Io para ∀ v

(a) (b)
Fig. 1.30 - Fonte de corrente ideal: (a) característica V-A; (b) símbolo de circuito.

Modelo matemático: i = Io + v/R para Vm  v  Vn

(a) (b)

Fig. 1.31 - Fonte de corrente real: (a) característica V-A; (b) modelo de circuito.

Modelo matemático: i = βIx + v/R para Vm  v  Vn

(a) (b)

Fig. 1.32 - Fonte de corrente real controlada por corrente: (a) característica V-A;
(b) modelo de circuito.

Modelo matemático: v = βVx + iR para Im  i  In

(a) (b)
Fig. 1.33- Fonte de tensão real controlada por tensão: (a) característica V-A;
(b) modelo de circuito.

NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA


1-27
NELSON JOSÉ CAMELO – DEE-UFMA

Um tripolo ou quadripolo tem características de entrada e de saída semelhantes às que


são mostradas nas Fig. de 1.28 a 1.33, porque são compostos de um bipolo de entrada e outro
de saída, como ilustrado nas Fig. 1.26 e 1.27. ■

1.15 RESUMO1

Nesta unidade apresentamos uma visão completa de todo o embasamento necessário


para o desenvolvimento das unidades subsequentes. Os dispositivos básicos da eletrônica,
diodos e transistores, são não-lineares por natureza. Um substancial esforço do engenheiro
consiste em fazer com que os dispositivos eletrônicos trabalhem em regiões de suas
características que possam ser consideradas como se fossem lineares. Circuitos feitos com
dispositivos lineares são também lineares. A análise de circuitos lineares é mais simples porque
resulta em sistemas de equações lineares. Para isto é preciso saber usar técnicas de linearização,
modelagem e de análise de circuitos com diodos e transistores, elementos fundamentais da
eletrônica. A modelagem é feita com bipolo, tripolo e quadripolo, vistos neste capítulo de modo
geral. A partir das características elétricas, normalmente V-A, podemos escrever modelos
matemáticos e de circuito. Conceitos de linearidades são de fundamental importância na
eletrônica e na engenharia elétrica em geral.

1.15 REFERÊNCIA CONSULTADA

DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS e teoria de circuitos; Robert L. Boylestad e Louis


Nashelsky; Pearson Prentice Hall, 8ª edição.
BASIC CIRCUIT THEORY; Charles A. Desoer e Ernest S. Kuh; McGraw-Hill, 1969.
FFUNDAMENTOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS; Charles K. Alexander e Matthew N. O.
Sadiku.

1
Com o objetivo de aperfeiçoar este trabalho pedimos aos leitores que apontem possíveis falhas e propostas de
melhorias e demais discussões.

ELETRÔNICA BÁSICA