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01/10/2018 Adolf Hitler – Wikipédia, a enciclopédia livre

Adolf Hitler
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Adolf Hitler (alemão: [ˈadɔlf ˈhɪtlɐ] ( ouvir); Braunau am
Inn, 20 de abril de 1889 – Berlim, 30 de abril de 1945), por Adolf Hitler
vezes em português Adolfo Hitler[1][2][3], foi um político
alemão que serviu como líder do Partido Nazista
(Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei; NSDAP),
Chanceler do Reich (de 1933 a 1945) e Führer ("líder") da
Alemanha Nazista de 1934 até 1945. Como ditador do Reich
Alemão, ele foi o principal instigador da Segunda Guerra
Mundial na Europa e figura central do Holocausto.

Hitler nasceu na Áustria, então parte do Império Austro-


Húngaro, e foi criado na cidade de Linz. Mudou-se para a
Alemanha em 1913 e serviu com distinção no exército
alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Juntou-se ao
Partido dos Trabalhadores Alemães, precursor do Partido
Nazista, em 1919, e tornou-se seu líder em 1921. Em 1923,
organizou um golpe de estado em Munique para tentar
tomar o poder. O fracassado golpe resultou na prisão de
Hitler. Enquanto preso, ele ditou seu primeiro trabalho
literário, a sua autobiografia e manifesto político, Mein
Adolf Hitler em 1938
Kampf ("Minha Luta"). Quando foi solto da cadeia, em
1924, Hitler ganhou apoio popular pela Alemanha com sua Führer da Alemanha
forte oposição ao Tratado de Versalhes e promoveu suas Período 2 de agosto de 1934
até 30 de abril de 1945
ideias de pangermanismo, antissemitismo e
Antecessor(a) Paul von Hindenburg
anticomunismo, com seu carisma e forte propaganda. Ele
(Presidente)
frequentemente criticava o sistema capitalista e comunista
Sucessor(a) Karl Dönitz (Presidente)
como sendo parte de uma conspiração judia. Em 1933, o
Chanceler da Alemanha
Partido Nazista tornou-se o maior partido eleito no
Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Período 30 de janeiro de 1933
até 30 de abril de 1945
Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo
Presidente Ele mesmo (como Führer)
ano. Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o
Antecessor(a) Kurt von Schleicher
Parlamento aprovou a Lei habilitante de 1933, que começou
o processo de transformar a República de Weimar na Sucessor(a) Joseph Goebbels
Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único Reichsstatthalter da Prússia
totalitária e autocrática de ideologia nacional socialista. Período 30 de janeiro de 1933
até 30 de janeiro de 1935
Hitler pregava a eliminação dos judeus da Alemanha e o
estabelecimento de uma Nova Ordem para combater o que Ministro- Franz von Papen
presidente Hermann Göring
ele via como "injustiças pós-Primeira Grande Guerra",
Antecessor(a) Kurt von Schleicher
numa Europa dominada pelos britânicos e franceses. (Reichskommisar)
Sucessor(a) Hermann Göring (Ministro-
presidente)
Dados pessoais
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Em seus primeiros seis anos no poder, a economia alemã Nascimento 20 de abril de 1889
Braunau am Inn, Áustria-
recuperou-se da Grande Depressão, as restrições impostas Hungria
ao país após a Primeira Guerra Mundial foram ignoradas e
Morte 30 de abril de 1945 (56 anos)
territórios na fronteira, lar de milhões de Volksdeutsche Berlim, Alemanha
(alemães étnicos), foram anexados — ações que deram a ele Nacionalidade austríaco até 1925
grande apoio popular. Hitler queria estabelecer o alemão depois de 1932
Lebensraum ("espaço vital") para o povo alemão. Sua Progenitores Mãe: Klara Hitler
política externa agressiva é considerada um dos motivos Pai: Alois Hitler

que levaram a Europa e o mundo a segunda grande guerra. Casamento dos 7 de janeiro de 1885
progenitores
Ele iniciou um grande programa de reindustrialização e
rearmamento da Alemanha em meados da década de 1930 Esposa Eva Braun
e então, a 1 de setembro de 1939, ordenou a invasão da Partido Partido dos Trabalhadores
Alemães (1920–1921)
Polônia, resultando numa declaração de guerra por parte Partido Nazista (1921–1945)
do Reino Unido e da França alguns dias depois. Em junho
Religião Ver: Visão religiosa de Adolf
de 1941, Hitler ordenou a invasão da União Soviética. Em Hitler
meados de 1942, a Wehrmacht (as forças armadas nazistas) Profissão Militar, artista, escritor,
e as tropas do Eixo já ocupavam boa parte da Europa político
continental, do Norte da África e quase um-quarto do Assinatura
território soviético. Contudo, após falharem em conquistar
Moscou e serem derrotados em Stalingrado, as forças
nazistas começaram a retroceder. A entrada dos Estados Serviço militar
Unidos na guerra ao lado dos Aliados forçou a Alemanha a
Serviço/ramo Exército do Império Alemão
ficar na defensiva, acumulando uma série de derrotas a
Anos de serviço 1914–1920
partir de 1943. Nos últimos dias do conflito, durante a
Graduação Gefreiter (cabo)
Batalha de Berlim em 1945, Hitler se casou com sua amante
de longa data, Eva Braun. No dia 30 de abril de 1945, os
Unidade 16º Regimento Reserva
Bávaro
dois cometeram suicídio para evitar serem capturados pelo
Batalhas/guerras Primeira Guerra Mundial
exército vermelho. Seus corpos foram queimados e
Condecorações Cruz de Ferro 1ª e 2ª Classes
enterrados. Uma semana mais tarde a Alemanha se rendeu Distintivo dos feridos
formalmente.

Sob a liderança de Adolf Hitler, com uma ideologia racialmente motivada, o regime nazista perpetrou um dos maiores
genocídios da história da humanidade, matando pelo menos 6 milhões de judeus e milhões de outras pessoas que
Hitler e seus seguidores consideravam como Untermenschen ("sub-humanos") e socialmente "indesejáveis". Os
nazistas também foram responsáveis pela morte de mais de 19,3 milhões de civis e prisioneiros de guerra. Além disso,
no total, 29 milhões de soldados e civis morreram como resultado do conflito na Europa durante a Segunda Guerra
Mundial. O número de fatalidades neste conflito foi sem precedentes e ainda é uma das guerras mais mortais da
história.

Índice
Primeiros anos
Ancestralidade
Infância e educação
Juventude em Viena e Munique
Primeira Guerra Mundial
Início da carreira política
Golpe da Cervejaria
Reconstruindo o Partido Nazista

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Ascensão ao poder
Governo Brüning
Indicação para Chanceler
Incêndio do Reichstag e eleições de março
Dia de Potsdam e Lei habilitante de 1933
Expansão final dos poderes
Ditador da Alemanha
Economia e cultura
Rearmamento e novas alianças
Segunda Guerra Mundial
Sucessos diplomáticos iniciais
Aliança com o Japão
Áustria e Tchecoslováquia
Começo da Segunda Guerra Mundial
Caminho para a derrota
Derrota e morte
O Holocausto
Estilo de liderança
Legado
Visões religiosas
Saúde
Família
Em filmes de propaganda
Lista com alguns filmes
Ver também
Notas
Referências
Bibliografia
Online
Ligações externas

Primeiros anos

Ancestralidade
Seu pai, Alois Hitler, Sr. (1837–1903) era filho ilegítimo de
Maria Anna Schicklgruber.[4] Sua certidão de nascimento
não trazia o nome do seu pai, então Alois inicialmente
assumiu o sobrenome da mãe, Schicklgruber. Em 1842,
Johann Georg Hiedler se casou com Maria Anna. Alois foi
criado na família do irmão de Georg, Johann Nepomuk
Hiedler.[5] Em 1876, Alois foi legitimado e seu registro
batismal foi mudado por um padre para registrar Johann
Georg Hiedler como pai de Alois (registrado como "Georg
Hitler").[6][7] Alois assumiu então o sobrenome "Hitler",[7]
também escrito e soletrado como Hiedler, Hüttler ou Alois, o pai de Hitler. Klara, a mãe de Hitler.
Huettler. O sobrenome Hitler é provavelmente baseado em
"aquele que vive em uma cabana" (alemão: Hütte para "cabana").[8]

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O oficial nazista Hans Frank sugeriu que a mãe de Alois era empregada doméstica em uma casa de uma família judia
em Graz, e que o filho de 19 anos desta família, Leopold Frankenberger, seria o pai de Alois.[9] Mas nenhum
Frankenberger foi registrado em Graz neste período e nenhum documento comprova a existência de Leopold
Frankenberger,[10] então a maioria dos historiadores consideram que a ideia de que o avô de Hitler era judeu é
falsa.[11][12]

Infância e educação
Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 em Braunau am Inn, uma cidade da
Áustria-Hungria (hoje em dia localizada na Áustria), próximo a fronteira do
Império Alemão.[13] Ele era um dos seis filhos nascidos de Alois Hitler e Klara
Pölzl (1860–1907). Três dos seus irmãos — Gustav, Ida e Otto — morreram ainda
na infância.[14] Quando Hitler tinha apenas três anos, sua família se mudou para
Passau, na Alemanha.[15] Lá ele adquiriu um dialeto bávaro, que trouxe uma
marca reconhecível a sua voz.[16][17][18] A família retornou para a Áustria e se
assentou em Leonding em 1894 e em junho de 1895 Alois se aposentou em
Hafeld, próximo de Lambach, onde ele passou a criar abelhas. Hitler estudou
numa Volksschule (escola pública) próximo a Fischlham.[19][20]

A mudança para Hafeld coincidiu com um aumento nos conflitos pai-filho


causados pela recusa de Hitler de se conformar à estrita disciplina de sua
escola.[21] A ideia da fazenda de abelhas de Alois Hitler em Hafeld terminou em
Adolf Hitler com fracasso e em 1897 a família se mudou para Lambach. Aos oito anos de idade
aproximadamente um ano de Hitler começou a ter aulas de canto e chegou a se apresentar no coral de sua
idade (c. 1889–90).
igreja. Neste período até considerou virar padre.[22] Em 1898 retornou
novamente para Leonding. A morte do seu irmão mais novo, Edmund, devido ao
sarampo, em 1900, afetou muito Hitler. Ele mudou de uma pessoa confiável, extrovertida e um aluno consciencioso
para um rapaz taciturno e desapegado que batia de frente com seus pais e professores.[23]

Alois havia feito sucesso na carreira como funcionário público da alfândega


e queria que seu filho seguisse seus passos.[24] Hitler descreveu mais tarde
um dia que seu pai o levou até o escritório em que trabalhava, dizendo que
este evento que deu origem a um antagonismo irreconciliável entre pai e
filho, já que ambos tinham temperamento forte.[25][26][27] Ignorando a
vontade do filho de frequentar uma escola clássica e se tornar um artista,
Alois enviou Hitler para um Realschule (uma escola secundária) em Linz
em setembro de 1900.[nota 1][28] Hitler rebelou-se contra esta decisão e no
livro Mein Kampf afirmou que propositalmente foi mal na escola,
esperando que uma vez que seu pai visse o pouco progresso que fazia na
escola técnica ele então o deixaria perseguir seu sonho numa escola
artística.[29]

Como muitos austríacos alemães, Hitler começou a desenvolver ideias


nacionalistas pan-germânicas desde muito jovem.[30] Ele expressava apoio
a Alemanha, desprezando a decadente Monarquia de Habsburgo e seu
império multiétnico.[31][32] Hitler e seus amigos cumprimentavam-se com
"Heil" e cantavam o "Deutschlandlied" ao invés do hino imperial
austríaco.[33] Hitler em 1899, com nove ou dez
anos.

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Após a repentina morte de Alois em 3 de janeiro de 1903, o desempenho de Hitler na escola deteriorou-se e a mãe dele
permitiu que abandonasse os estudos naquele momento.[34] Ele então se matriculou em uma Realschule em Steyr em
setembro de 1904, onde seu comportamento e desempenho escolar melhoraram.[35] Em 1905, após passar no exame
final, Hitler deixou a escola sem ambições de aprofundar os estudos ou fazer planos de carreira.[36]

Juventude em Viena e Munique


Desde 1905, Hitler passou a viver uma vida boêmia em Viena, financiada
pela pensão de órfão que recebia e do apoio proveniente de sua mãe. Ele
teve vários trabalhos, incluindo o de pintor, vendendo aquarelas de locais
turísticos de Viena. A Academia de Belas-Artes o rejeitou em 1907 e em
1908, afirmando que ele era "inapto para pintura".[37][38] O diretor da
academia sugeriu que Hitler estudasse arquitetura, que também era do seu
interesse, mas ele não tinha as qualificações acadêmicas já que ele não
A casa que Hitler passou parte da tinha terminado a escola secundária.[39] Em 21 de dezembro de 1907, sua
sua adolescência, em Leonding, na mãe morreu de câncer de mama aos 47 anos. Hitler acabou ficando sem
Áustria (foto tirada em 1984). dinheiro e foi forçado a viver em abrigos para sem-tetos.[40]

No tempo que vivia lá, Viena era um viveiro de preconceito religioso e


racismo.[41] O medo de serem sobrepujados por imigrantes vindos do leste Europeu era grande e o prefeito populista
Karl Lueger explorava a retórica anti-semita para fins políticos. O nacionalismo alemão estava em alta no distrito de
Mariahilf, onde Hitler vivia.[42] O nacionalista Georg Ritter von Schönerer, que advogava o pangermanismo, anti-
semitismo, anti-eslavismo e anti-catolicismo, era uma grande influência para Hitler.[43] Ele lia jornais como o
Deutsches Volksblatt que espalhava preconceito e cultivava o medo dos cristãos de serem inundados pelo influxo de
judeus do leste.[44] Hitler também lia jornais que pregavam o darwinismo social e exploravam algumas das ideias dos
filósofos Nietzsche, Le Bon e Schopenhauer.[45] Era hostil ao que ele via como "Germanofobia Católica" e demonstrou
admiração por Martinho Lutero.[46]

A origem do antissemitismo de Hitler e a primeira vez que ele a expressou


é motivo de debates.[47] Ele afirmou no Mein Kampf que ele se tornou um
anti-semita em Viena.[48] Seu amigo próximo, August Kubizek, afirmou
que Hitler era um "convicto anti-semita" antes dele deixar Linz.[49] Várias
fontes dão evidência que Hitler tinha amigos judeus quando jovem no
começo da sua estadia em Viena.[50][51] O historiador Richard J. Evans diz
que "historiadores agora geralmente concordam que seu notório e
assassino anti-semitismo surgiu com força após a derrota alemã [na
Primeira Grande Guerra], como uma paranoia da Dolchstoßlegende (lenda
Uma aguarela pintada por Adolf
da punhalada pelas costas)".[52]
Hitler, em 1914.

Hitler recebeu a parte final da pensão do seu pai em maio de 1913 e se


mudou para Munique, no sul da Alemanha.[53] Historiadores acreditam que ele deixou Viena para fugir do
alistamento do exército austro-húngaro.[54] Hitler mais tarde afirmou que não queria servir no exército austríaco
devido a alta miscigenação das forças armadas.[53] Após ser julgado inapto para o serviço — ele falhou em um exame
físico em Salzburgo em 5 de fevereiro de 1914 — retornou para Munique.[55]

Primeira Guerra Mundial


Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Hitler vivia em Munique e, embora fosse um cidadão austríaco, ele se
voluntariou no Exército da Baviera.[56] Um relatório feito pelas autoridades bávaras em 1924 diz que Hitler serviu no
exército local por erro.[56] Ele se juntou ao 16º Regimento Reserva de Infantaria Bávara (1ª Companhia do
Regimento),[57][56] servindo como mensageiro na Frente Ocidental na França e na Bélgica, uma função perigosa, que
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envolvia exposição a fogo inimigo, em vez da proteção proporcionada por


uma trincheira.[58] Serviu também parte do tempo no quartel-general do
regimento em Fournes-en-Weppes.[59][60] Ele esteve presente nas batalhas
de Ypres, do Somme (onde foi ferido), de Arras e de Passchendaele.[61] Ele
foi condecorado por bravura, recebendo a Cruz de Ferro, de segunda
classe, ao fim de 1914.[61] Sob recomendação do oficial judeu Hugo
Gutmann, Hitler recebeu outra medalha, a Cruz de Ferro de primeira
classe, em 4 de agosto de 1918, uma condecoração raramente dada a um
soldado de sua patente (Gefreiter).[62][63] Ele também recebeu o Distintivo
de Ferido em 18 de maio de 1918.[64] A folha de serviço de Hitler, no geral, Hitler (na extrema direita, sentado)
com seus camaradas do Regimento
foi exemplar, mas nunca foi promovido além de Cabo, que era a patente
de Infantaria Bávaro (c. 1914–18).
mais alta oferecida a um estrangeiro no exército alemão à época.[65]

Durante seu serviço no Quartel-general, Hitler continuou seu trabalho


como artista, fazendo desenhos e ilustrações para o jornal do exército.
Durante a batalha do Somme, em outubro de 1916, ele foi ferido na coxa
quando um disparo de artilharia caiu perto de sua posição.[66] Hitler
passou dois meses em um hospital em Beelitz, retornando ao seu
regimento em 5 de março de 1917.[67] Em 15 de outubro de 1918, ele foi
cegado temporariamente por gás mostarda durante um ataque e foi
hospitalizado em Pasewalk.[68] Enquanto estava lá, Hitler foi informado da
derrota da Alemanha. Segundo ele próprio, ao receber esta notícia, sofreu
novamente por cegueira devido a tristeza.[69]

Hitler descreveu seu tempo na guerra como "a maior das experiências". Ele
foi muito elogiado por seus oficiais superiores devido a bravura que
demonstrava.[70] Sua experiência em combate reforçou seu patriotismo,
tornando ele um nacionalista apaixonado. Hitler ficou chocado com a
capitulação da Alemanha em novembro de 1918.[71] Sua amargura a
respeito do colapso do esforço de guerra moldou sua ideologia.[72] Como
muitos outros nacionalistas alemães e veteranos de guerra, ele acreditava
Adolf Hitler como um soldado da
Primeira Grande Guerra (1914– no Dolchstoßlegende (a "teoria da punhalada nas costas"), que consistia na
1918). ideia de que o exército alemão, "invicto no campo de batalha", fora traído e
apunhalado pelas costas pela liderança política civil e pelos marxistas, que
mais tarde foram chamados pelos nazistas de "criminosos de
novembro".[73]

O Tratado de Versalhes de 1919 julgou que a Alemanha era a única responsável pela guerra e portanto deveria ser
severamente punida. O país perdeu várias partes do seu território e a região estratégica da Renânia foi desmilitarizada.
O tratado também impôs pesadas sanções econômicas e exigiu que o país pagasse grandes reparações para as nações
vencedoras. Muitos alemães viram o tratado como uma humilhação injusta.[74] O rancor com o Tratado de Versalhes,
junto com a grave crise econômica, social e política do pós-guerra na Alemanha seria explorado por Hitler para fins
políticos.[75]

Início da carreira política


Após a primeira guerra mundial, Hitler retornou para Munique.[76] Sem uma educação formal ou prospectos de
carreira, ele decidiu permanecer no exército.[77] Em julho de 1919, ele foi apontado como Verbindungsmann (agente
de inteligência) da Aufklärungskommando (Comando de Reconhecimento) do Reichswehr (o novo exército alemão),
com o propósito de influenciar outros soldados e se infiltrar no Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP). Enquanto
monitorava as atividades do DAP, Hitler foi atraído pelo fundador do partido, Anton Drexler, e sua retórica anti-
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semita, nacionalista, anti-capitalista e anti-marxista.[78] Drexler favorecia


um governo forte e ativo, uma versão não judaica do socialismo (como ele
descrevia), e solidariedade entre os membros da sociedade. Impressionado
com as capacidades oratórias de Hitler, Drexler o convidou para se juntar
ao DAP. Hitler aceitou a 12 de setembro de 1919,[79] se tornando o membro
nº 555 (o partido havia começado a contagem de membros no número 500
para dar a impressão de serem maiores do que realmente eram).[80]

No DAP, Hitler conheceu Dietrich Eckart, um dos fundadores do partido e A carteira de membro de Hitler do
membro da ocultista Sociedade Thule.[81] Eckart se tornou um dos Partido dos Trabalhadores Alemães.
mentores de Hitler, trocando ideias com ele e o apresentando a alta
sociedade de Munique.[82] Para aumentar seu apelo popular, o DAP mudou seu nome para Nationalsozialistische
Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães; NSDAP, ou Partido Nazista).[83]
Hitler desenhou a bandeira do partido colocando uma suástica preta dentro de um círculo branco com um fundo
vermelho.[84]

Hitler foi formalmente dispensado pelo exército em 31 de março de 1920 e começou a trabalhar em tempo integral no
Partido Nazista (NSDAP).[85] O quartel-general do partido era em Munique, um viveiro do sentimento nacionalista
alemão anti-governo determinado a esmagar o marxismo e minar a autoridade da República de Weimar.[86] Em
fevereiro de 1921 — já acostumado a falar para grandes públicos — ele se dirigiu a uma platéia de mais de 6 000 numa
noite.[87] Para divulgar a reunião, dois caminhões cheios de partidários do seu movimento dirigiram por Munique
balançando suásticas e distribuindo panfletos nazistas. Hitler ganhou notoriedade por seus grandes e polêmicos
discursos contra o Tratado de Versalhes, rivais políticos e especialmente contra os marxistas-comunistas e os
judeus.[88]

Em junho de 1921, enquanto Hitler e Eckart estavam em uma viagem para


angariar fundos em Berlim, um motim irrompeu na sede do NSDAP em
Munique. Membros do comitê executivo queriam fundir a legenda com os
rivais do Partido Socialista Alemão (DSP), que também era de extrema-
direita.[89] Hitler retornou para Munique em 11 de julho e, com raiva,
renunciou sua filiação do partido. Os membros do comitê sabiam que a
resignação da sua principal figura pública e orador significaria o fim do
partido.[90] Hitler anunciou que ele retornaria a legenda na condição de
que ele substituiria Drexler na liderança do partido e o quartel-general
Hitler posando para uma câmera deles permaneceria em Munique.[91] O comitê aceitou e ele formalmente
durante um discurso, em 1930. retornou ao NSDAP em 26 de julho como o membro nº 3 680. Hitler
continuou a enfrentar oposição dentro do próprio NSDAP: entre seus
principais oponentes estava Hermann Esser, que fora expulso do partido. Foram impressos mais de 3 000 panfletos
criticando Hitler, o acusando de ser um traidor.[91][nota 2] Nos dias seguintes, Hitler discursou em vários locais
(sempre lotados) e se defendeu, atacando Esser, sempre recebendo estrondosos aplausos. Sua estratégia foi bem
sucedida e em uma reunião com a cúpula do partido, em 29 de julho, foi concedido a ele poderes absolutos dentro do
Partido Nazista, substituindo Drexler, numa votação de 533 a 1.[92]

Os discursos vitriólicos de Hitler na cervejaria de Munique começaram a atrair grandes multidões com muita
frequência. Ele utilizava táticas populistas, incluindo o uso de bode expiatórios, no qual ele jogava toda a culpa pelos
males que o país atravessava.[93][94][95] Hitler usava magnetismos pessoais e seu entendimento da psicologia das
multidões para se engajar com o público durante os discursos. Ele sabia como falar e o que falar e em qual
momento.[96][97] Historiadores notam o efeito hipnótico da oratória de Hitler, manipulando as massas.[98] Alfons
Heck, um ex membro da Juventude Hitlerista, mais tarde afirmou:

Nós nos irrompemos em um frenesi de orgulho nacionalista que beirava a histeria.


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Por vários minutos, nós gritávamos a plenos pulmões, com lágrimas caindo dos
“ nossos rotos: Sieg Heil, Sieg Heil, Sieg Heil! Daquele momento em diante, eu
pertencia, de corpo e alma, a Adolf Hitler.[99]

Contudo, alguns visitantes que encontraram Hitler em privado notavam que sua aparência e comportamento não
eram nada impressionantes.[100][101]

Entre seguidores que o apoiaram desde o início inclui Rudolf Hess, o ex piloto Hermann Göring e o capitão do exército
Ernst Röhm. Hitler recrutou Röhm para organizar e comandar o grupo paramilitar conhecido como Sturmabteilung
(SA), que servia como braço armado do partido, protegendo as reuniões e os líderes nazistas e também atacavam
oponentes políticos. Uma influência importante sobre o pensar de Hitler aconteceu durante o período da Aufbau
Vereinigung,[102] um grupo conspiratório formado por "russos brancos" (como eram chamados os monarquistas
contrarrevolucionários do antigo Império Russo) exilados e nacionais socialistas no início. Este grupo, financiado por
industrialistas ricos, introduziu a Hitler a ideia de uma conspiração judaica internacional, ligada ao movimento
bolchevique.[103]

Golpe da Cervejaria
Em 1923, Hitler se aproximou do general Erich Ludendorff, que também
era veterano da primeira guerra mundial, para tentar tomar o poder na
Baviera através de um golpe (conhecido como "Putsch da Cervejaria"). O
Partido Nazista se inspirou no fascismo italiano como modelo para sua
aparência, estilo e até políticas. Hitler queria emular a "Marcha sobre
Roma" de Benito Mussolini, feita em 1922, dando seu próprio golpe em
Munique, desafiando o governo central em Berlim. Hitler e Ludendorff
buscaram apoio do Staatskommissar (comissário do estado) Gustav Ritter
Os réus do julgamento do Putsch da
von Kahr, o de facto governador da Baviera. Contudo, Kahr, junto com o
Cervejaria. Da esquerda para a
chefe de polícia Hans Ritter von Seisser e o general do exército Otto von direita: Pernet, Weber, Frick, Kiebel,
Lossow, queriam tentar seu próprio golpe e instituir no país uma ditadura Ludendorff, Hitler, Bruckner, Röhm e
militar sob sua liderança, sem a participação de Hitler.[104] Wagner.

Em 8 de novembro de 1923, Hitler e vários membros da SA invadiram uma


reunião pública, organizada por Kahr, onde 3 000 pessoas estavam reunidas na Bürgerbräukeller, uma grande
cervejaria de Munique. Interrompendo o discurso de Kahr, ele anuciou que a revolução nacional havia começado e
declarou a formação de um novo governo com Ludendorff.[105] Numa sala nos fundos, Hitler, com uma pistola em
mãos, exigiu apoio de Kahr, Seisser e Lossow. Eles, temporariamente, concordaram.[105] As tropas de Hitler
inicialmente conseguiram ocupar o quartel-general do Reichswehr e da polícia, mas Kahr e seus colegas retiraram seu
apoio e fugiram. As forças de segurança da Baviera decidiram não apoiar Hitler.[106] No dia seguinte, os nazistas
marcharam da cervejaria até o prédio do ministério da guerra bávaro para derrubar o governo local, mas a polícia
estava preparada e abriu fogo contra as multidões, dispersando eles.[107] Cerca de dezesseis membros do NSDAP e
quatro policiais morreram no fracassado golpe.[108]

Hitler fugiu para casa de Ernst Hanfstaengl, um membro do partido, e lá chegou a contemplar suicídio.[109] Ele estava
depressivo mas foi acalmado e acabou sendo preso pelas autoridades locais em 11 de novembro de 1923 sob acusação
de alta traição.[110] Foi levado a corte popular de Munique e seu julgamento começou em fevereiro de 1924.[111] Alfred
Rosenberg assumiu interinamente a liderança do partido. Hitler usou o julgamento em seu benefício, usando a
publicidade que a tentativa de golpe fracassada lhe trouxe. Ele discursou em defesa própria e chamou a atenção de
muita gente para sua causa. Ainda assim, em 1 de abril, Hitler foi sentenciado a cinco anos de prisão em
Landsberg.[112] Lá, ele foi muito bem tratado pelos guardas e foi permitido que recebesse constantes visitas de
camaradas do NSDAP, além de cartas e encomendas de apoiadores. Após ser perdoado pela Suprema Corte da
Baviera, foi liberado da cadeia em 20 de dezembro de 1924, sob objeções do procurador-geral do estado.[113] Incluindo

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o tempo da prisão preventiva, Hitler ficou apenas um pouco mais de um


ano na prisão.[114]

Enquanto estava preso em Landsberg, Hitler ditou boa parte do seu livro
Mein Kampf ("Minha Luta"; originalmente chamado de Quatro anos e
meio de Lutas contra Mentiras, Estupidez e Covardice) para o seu
ajudante, Rudolf Hess.[114] O livro, dedicado ao membro da Sociedade
Thule e amigo Dietrich Eckart, era uma autobiografia e exposição de suas
ideologias. O livro detalhou os planos de Hitler para transformar a
sociedade alemã sob apenas uma raça. Algumas passagens do livro
deixavam explicita a ideia de um genocídio.[115] Publicado em dois
volumes, em 1925 e 1926, vendeu pelo menos 228 000 cópias entre 1925 e
1932. Um milhão de cópias foram vendidas então apenas em 1933, o
Sobrecapa do livro Mein Kampf
primeiro ano de Hitler no poder.[116]
(1926–27).
Pouco antes de Hitler poder entrar com um pedido de condicional, o
governo da Baviera tentou extraditá-lo para a Áustria.[117] Contudo, o Chanceler da Áustria, Rudolf Ramek, recusou o
pedido.[118] Hitler renunciou sua cidadania austríaca em 7 de abril de 1925.[118]

Reconstruindo o Partido Nazista


No período que Hitler foi solto da cadeia, a situação política na Alemanha havia se tornado menos combativa e a
situação da economia havia melhorado, limitando as oportunidades políticas de Hitler para agitação política. Como
resultado do golpe fracassado, o partido nazista e suas organizações filiadas foram banidas da Baviera . Após um
encontro com Heinrich Held, então primeiro-ministro bávaro, em 4 de janeiro de 1925, Hitler concordou em respeitar
a autoridade do estado e prometeu que buscaria poder político agora apenas por meios democráticos. Um mês depois
da reunião, o partido nazista deixou de ser banido e voltou a ativa.[119] Hitler, contudo, foi barrado de fazer discursos
públicos mas este banimento foi suspenso também em 1927.[120][121] Para avançar suas ambições políticas, apesar
destes contratempos, Hitler nomeou Gregor Strasser, Otto Strasser e Joseph Goebbels para organizar e fazer crescer o
Partido Nazista no norte da Alemanha. Um grande organizador, Gregor Strasser dirigiu um curso político mais
independente, enfatizando os elementos socialistas do programa do partido.[122]

Em 29 de outubro de 1929, na Terça-Feira Negra, a bolsa de valores dos Estados Unidos quebrou. O impacto atingiu o
mundo todo, inclusive a Alemanha. Várias empresas fecharam as portas, resultando em milhares de desempregados.
Bancos faliram, causando um colapso parcial do sistema financeiro da nação. Hitler e os nazistas tomaram vantagem
da situação emergencial para angariar apoio ao partido. Eles prometeram ao povo repudiar o Tratado de Versalhes,
fortalecer a economia e garantir empregos e oportunidades.[123]

Ascensão ao poder

Governo Brüning
A Grande Depressão providenciou a Hitler uma ótima oportunidade política. Os alemães estavam ambivalentes sobre
a república parlamentarista, que enfrentava forte oposição de extremistas de esquerda e direita. Já os partidos
moderados não conseguiam competir com os radicais. No referendo de 1929, o povo alemão votou, por grande
maioria, repudiar o pagamento de reparações de guerra estipulados no Tratado de Versalhes. A ideologia nazista,
neste período, ganhou muito apoio popular.[124] As eleições de setembro de 1930 resultou na quebra da "grande
coalizão", substituindo a administração do país por um governo de minoria. O chanceler Heinrich Brüning, do Partido
do Centro, governava a nação por meio de decretos emergenciais do presidente Paul von Hindenburg. Governar por

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decreto acabou pavimentando o caminho para uma forma de governo mais autoritarista.[125] O Partido Nazista saiu da
obscuridade e conquistou 18,3% dos votos (ou 6,409,600 de pessoas) e 107 assentos no parlamento nas eleições de
1930, tornando-se a segunda maior bancada no Reichstag.[126]

Hitler teve uma participação proeminente no julgamento de dois oficiais do


Reichswehr, os tenentes Richard Scheringer e Hans Ludin, ao fim de 1930.
Eles foram acusados de serem membros do partido nazista (filiação
partidária era proibida aos militares).[127] A acusação disse que os nazistas
eram extremistas, e o advogado de defesa, Hans Frank, chamou Hitler para
testemunhar.[128] Em 25 de setembro de 1930, Hitler afirmou novamente
que buscaria poder político apenas pela via democrática.[129] Seu discurso
neste julgamento chamou atenção do corpo de oficiais do exército e muitos
lá passaram a apoia-lo.[130]
Hitler com membros do partido
nazista no prédio Brown, em
As medidas de austeridade do chanceler Brüning trouxe poucos resultados
Munique, em dezembro de 1930.
e eram tremendamente impopulares.[131] Hitler explorou isso em suas
mensagens políticas para o povo, falando especialmente as classes mais
baixas que eram mais extensamente afetadas pela hiperinflação e a retração econômica. Assim, os nazistas
conquistaram bastante apoio de fazendeiros, veteranos de guerra e trabalhadores da classe média.[132]

Apesar de Hitler ter renunciado a sua cidadania austríaca em 1925, demorou cerca de sete anos para ele se tornar
cidadão alemão. Isso significava que, na prática, ele era um apátrida e não podia se candidatar a um cargo público e
até podia ser deportado.[133] Em 25 de fevereiro de 1932, o ministro do interior de Brunswick, Dietrich Klagges, que
era membro do partido nazista, nomeou Hitler como administrador da delegação do estado para o Reichsrat em
Berlim, fazendo de Hitler um cidadão de Brunswick,[134] e assim um alemão.[135]

Em 1932, agora como pleno cidadão alemão, Hitler concorreu contra Paul von Hindenburg nas eleições presidenciais.
A 27 de janeiro de 1932, ele fez um discurso no Clube Industrial de Düsseldorf e lá conquistou apoio dos principais
empresários industrialistas alemães.[136] Hindenburg tinha apoio de vários partidos nacionalistas, monarquistas,
católicos e republicanos, e até mesmo dos Sociais Democratas. Hitler usou como slogan de campanha a frase "Hitler
über Deutschland" ("Hitler sobre a Alemanha"), uma referência as suas ambições políticas e sua campanha, sendo que
ele viajava muito de aeronave pelo país.[137] Ele foi um dos primeiros políticos a usar viagens do avião para fins
políticos e utilizava este método rápido de viagem de forma eficiente.[138][139] Hitler terminou em segundo lugar nesta
eleição, ganhando cerca de 36% dos votos (ou 13,418,517 de pessoas). Apesar dele ter perdido o pleito para
Hindenburg, esta eleição estabeleceu Hitler como uma figura forte na política alemã.[140]

Indicação para Chanceler


A ausência de um governo eficiente fez com que dois políticos influentes, Franz von Papen e Alfred Hugenberg, juntos
com vários industrialistas e empresários, escrevessem uma carta para Hindenburg. Os signatários pediram para o
presidente apontar Adolf Hitler como líder do governo "independente dos partidos parlamentares", dizendo que isso
iria "encantar milhões de pessoas".[141][142]

Hindenburg desprezava Hitler, mas foi ficando sem opções, com o governo no Parlamento a beira do colapso, sem
base política para se sustentar. Relutantemente, o presidente decidiu concordar em indicar Hitler para o cargo de
chanceler (chefe de governo) após duas turbulentas eleições parlamentares — em julho e novembro de 1932 — que não
tinham conseguido formar um governo de maioria. Hitler liderou uma coalizão, que durou pouco tempo, formada pelo
Partido Nazista e os apoiadores de Alfred Hugenberg do Partido Popular Nacional Alemão (DNVP). Em 30 de janeiro
de 1933, um novo gabinete foi formado e oficializado no escritório do presidente Hindenburg. O Partido Nazista
ganhou três postos no governo: Hitler passou a ser o chanceler, Wilhelm Frick o Ministro do Interior do país e
Hermann Göring o Ministro do Interior da Prússia.[143] Hitler queria estes postos ministeriais pois ele almejava

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controlar por completo a polícia alemã.[144]

Incêndio do Reichstag e eleições de março


Como chanceler, Hitler trabalhou para impedir que os oponentes do
Partido Nazista se unificassem e tentassem formar um governo de coalizão
de maioria contra ele. A oposição, contudo, não conseguia se unificar, com
os comunistas e socialistas não se entendendo com os partidos sociais
democratas de esquerda. Com o impasse político se acentuando no Hitler, na janela da Chancelaria do
Reichstag, Hitler pediu para o presidente Hindenburg dissolver o Reich, sendo ovacionado por seus
parlamento e convocar novas eleições para março. Em 27 de fevereiro de apoiadores na sua investidura como
Chanceler, em 30 de janeiro de
1933, o prédio do Reichstag pegou fogo e ficou parcialmente destruído.
1933.
Hermann Göring culpou os comunistas pelo atentado. De fato, um
comunista holandês Marinus van der Lubbe foi capturado dentro do
edifício.[145] De acordo com o historiador britânico Sir Ian Kershaw, o consenso entre os acadêmicos era que van der
Lubbe possivelmente foi mesmo o responsável pelo incêndio.[146] Outros, contudo, incluindo William L. Shirer e Alan
Bullock, e acreditam que os próprios nazistas foram os responsáveis, em uma operação de bandeira falsa.[147][148] Por
insistência de Hitler, Hindenburg aprovou o Decreto do Incêndio do Reichstag de 28 de fevereiro de 1933, que
suspendeu vários direitos civis e permitiu que o governo fizesse prisões sem mandato judicial. O decreto era permitido
devido ao Artigo 48 da Constituição de Weimar, que dava ao presidente poderes emergenciais para proteger a
população e manter a ordem pública.[149] As atividades do Partido Comunista Alemão (KPD) foram reprimidas e mais
de 4 000 comunistas foram presos.[150]

Além da campanha política, o Partido Nazista engajou em violência paramilitar nas ruas e espalhou propaganda
anticomunista antes das próximas eleições. No dia do pleito, a 6 de março de 1933, os nazistas conquistaram 43,9%
dos votos (ou 17,277,180 de pessoas) e se tornaram o maior partido no Parlamento. Ainda assim, o partido de Hitler
não tinha maioria absoluta para formar um governo de maioria, necessitando fazer outra coalizão com o DNVP.[151]

Dia de Potsdam e Lei habilitante de 1933


Em 21 de março de 1933, o novo Reichstag foi constituído com uma
cerimônia feita na Igreja Garrison em Potsdam. Este "Dia de Potsdam"
deveria demonstrar a unidade entre o movimento nazista e a velha elite
prussiana e militar. Hitler utilizava um fraque e humildemente e com toda
a reverência cumprimentou o presidente Hindenburg.[152][153]

Para conquistar controle político total, apesar de não ter maioria absoluta
no parlamento, o governo de Hitler levou para votação no recém eleito
Adolf Hitler cumprimentando o Reichstag o projeto de lei Ermächtigungsgesetz (Lei habilitante de 1933).
presidente Paul von Hindenburg no A lei, oficialmente chamada Gesetz zur Behebung der Not von Volk und
Dia de Potsdam, em 21 de março Reich ("Lei para Redimir a angústia do Povo e do Reich"), deu a Hitler e
de 1933.
seu gabinete de governo o poder de passar leis sem o consentimento do
Parlamento por um período de quatro anos. Estas leis (com certas
exceções) não eram contempladas pela constituição.[154]

Já que iria afetar a constituição, a Lei Habilitante precisava da aprovação de dois-terços do parlamento para passar.
Deixando nada ao acaso, os nazistas utilizaram provisões aprovadas no Decreto do Incêndio do Reichstag para
prender 81 deputados comunistas[155] e impediram que muitos parlamentares de esquerda, como os Sociais
Democratas, participassem da votação.[156]

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Em 23 de março de 1933, o Reichstag se reuniu na Casa de Ópera Kroll sob circunstâncias turbulentas. Linhas de
homens da SA serviam como guardas dentro do prédio, enquanto grandes grupos de opositores da proposta gritavam
slogans de discórdia e ameaças durante a chegada dos parlamentares no prédio.[157] A posição do Partido do Centro, a
terceira maior legenda do Reichstag, era decisiva. Após Hitler verbalmente prometer a Ludwig Kaas, o líder deste
partido, que Hindenburg reteria o poder de veto, Kaas anunciou que seus correligionários apoiariam a Lei Habilitante.
No final, a lei passou por 441 votos a 84, com todos os partidos, exceto os Sociais Democratas, votando a favor (os
comunistas foram impedidos de participar). A Lei Habilitante, junto com o Decreto do Incêndio do Reichstag,
transformou, legalmente, o governo de Adolf Hitler em uma de facto ditadura.[158]

Expansão final dos poderes


Sob o risco de parecer estar falando besteira eu te digo que o Nacional Socialismo
“ durará mais de 1 000 anos! [...] Não se esqueça como o povo riu de mim quinze
anos atrás quando eu declarei que um dia governaria a Alemanha. Eles riem agora, ”
de forma igualmente tola, quando eu digo que vou manter o poder![159]
— Adolf Hitler em uma entrevista para um correspondente britânico em Berlim, em junho de 1934..
Tendo alcançado poder legislativo e executivo total, Hitler e seus aliados iniciaram o processo de reprimir a oposição.
O Partido Social Democrata foi banido e seus bens apreendidos.[160] Enquanto várias lideranças de sindicatos estavam
em Berlim para as atividades do Dia de Maio, soldados das SA atacaram escritórios dos líderes de sindicatos por todo
o país. Em 2 de maio de 1933 todos os sindicatos foram dissolvidos e seus presidentes foram presos. Muitos foram
enviados para os recém abertos campos de concentração, onde os nazistas passaram a aprisionar os seus oponentes
políticos.[161] A Frente Alemã para o Trabalho, uma organização que visava representar todos os trabalhadores,
administradores e donos de companhias, foi criada refletindo o conceito nazista de Volksgemeinschaft ("comunidade
do povo").[162]

Ao fim de junho, vários partidos, não só de esquerda, passaram a ser


dissolvidos. Isto incluiu o antigo parceiro de coalizão dos Nazistas, o
DNVP; com a ajuda dos paramilitares da SA, Hitler forçou o seu líder,
Alfred Hugenberg, a renunciar em 29 de junho. Duas semanas depois, o
Partido Nazista foi declarado o único partido legal na Alemanha.[162][160] A
ascensão da SA como uma força política e militar causava ansiedade entre
as elites militares, industriais e políticas na Alemanha. Em resposta, Hitler
decidiu expurgar a liderança da SA na chamada "Nacht der langen Messer"
(a "Noite das facas longas"), que aconteceu de 30 de junho a 2 de julho de
1934.[163] Hitler mirou no seu velho amigo Ernst Röhm e em outros líderes
da SA que, junto com outros adversários políticos (como Gregor Strasser e
Kurt von Schleicher), foram presos e executados.[164] Enquanto várias
nações e muitos alemães ficaram chocados com os assassinatos, a maioria
da população da Alemanha acreditava que estas ações eram simplesmente
Hitler restaurando a ordem no país.[165] O presidente Hindenburg, então
prestes a completar 87 anos de idade, ficou desorientado ao ser informado
Em 1934, Hitler se tornou o Chefe sobre o massacre.[166]
de Estado da Alemanha sob o título
de Führer und Reichskanzler ("Líder Em 2 de agosto de 1934, o presidente Paul von Hindenburg faleceu. No dia
e Chanceler do Reich"). anterior, o gabinete de governo aprovou a "Lei sobre o Mais Alto Cargo do
Reich",[167] que afirmava que, caso Hindenburg morresse, o cargo de
presidente seria abolido e seus poderes seriam fundidos aos do chanceler da Alemanha. Hitler, então, tornou-se tanto
chefe de estado quanto de governo, sendo formalmente chamado agora de Führer und Reichskanzler ("Líder e
Chanceler").[168] Assim, ele derrubou o único remédio legal que poderia remove-lo do cargo. Sua ditadura estava
agora firmemente estabelecida.[169]

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Como chefe de estado, Hitler se tornou o comandante em chefe das forças armadas. O tradicional juramento de
lealdade feito pelos militares passou a ser um voto de lealdade pessoal a Hitler.[170] Em 19 de agosto, a fusão da
presidência e da chancelaria foi aprovada por quase 90% da população mediante plebiscito.[171]

No começo de 1938, Hitler usou de chantagem para consolidar seu poder


sobre os militares instigando o Caso Blomberg-Fritsch. Hitler forçou seu
ministro da guerra, o marechal Werner von Blomberg, a renunciar usando
um dossiê que dizia que a nova esposa de Blomberg já tinha sido uma
prostituta.[172][173] O comandante do exército, o coronel-general Werner
von Fritsch foi removido do seu cargo também após a Schutzstaffel (SS)
produzir alegações de que ele tinha tido uma relação homossexual no
passado.[174] Na verdade, ambos estes homens haviam caído em desgraça
com Hitler quando eles se opuseram a ordem do Führer para a Wehrmacht
se preparar para uma guerra até 1938.[175] Hitler substituiu o ministério da
guerra pelo Oberkommando der Wehrmacht (OKW, ou "Alto Comando
das Forças Armadas"), sob a chefia do general Wilhelm Keitel. No mesmo Estandarte pessoal de Adolf Hitler.
dia, dezesseis generais foram demitidos dos seus cargos e outros quarenta
e quatro foram transferidos; todos estes homens eram suspeitos de não
serem tão pró-nazismo.[176] Em fevereiro de 1938, mais doze generais foram afastados dos seus cargos.[177]

Hitler queria dar a sua ditadura toda a aparência de legalidade. Várias das leis que ele passou eram protegidas pelo
Decreto do Incêndio do Reichstag e assim respeitando o Artigo 48 da Constituição de Weimar. O Parlamento renovou
a Lei de Habilitante mais duas vezes, cada uma por um período de quatro anos.[178] Enquanto eleições para o
Reichstag continuaram (em 1933, 1936 e 1938), era apresentado aos eleitores uma lista com candidatos nazistas e pró-
nazistas, que levaram em cada eleição pelo menos 90% dos votos válidos.[179] A votação não era secreta; os nazistas
ameaçavam com duras represálias quem votasse contra ou aqueles que pretendessem não votar.[180]

Ditador da Alemanha

Economia e cultura
Em agosto de 1934, Hitler nomeou o presidente do Reichsbank, Hjalmar Schacht, como o novo Ministro da Economia
e no ano seguinte, iniciou os processos de reforma econômica para preparar o país para a guerra.[181] A reconstrução e
rearmamento do país foram financiados pelas leis Mefo-Wechsel, imprimindo dinheiro e tomando bens de pessoas
presas como inimigos do Estado, incluindo milhares de judeus.[182] O número de desempregados caiu de seis milhões
em 1932 para menos de um milhão em 1936.[183] Hitler supervisionou um extenso programa de reorganização e
melhorias da infraestrutura da Alemanha, levando a construção de represas, autobahns, ferrovias e outras obras
públicas. De início os salários caíram no final da década de 1930, enquanto o custo de vida aumentou.[184] Porém a
média salarial voltou a subir em 1939, com o alemão comum trabalhando com uma jornada de 47 a 50 horas
semanais.[185]

O governo de Hitler patrocinou várias obras de arquitetura em imensa escala. Albert Speer, instrumental em
implementar a reinterpretação do Führer da cultura alemã, foi colocado na liderança da proposta de renovação
arquitetônica de Berlim.[186] Em 1936, Hitler participou da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão na
capital alemã.[187]

Rearmamento e novas alianças

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Em 3 de fevereiro de 1933, durante uma reunião com a liderança militar


alemã, Hitler falou que a "conquista do Lebensraum no Leste e a
implacável Germanização" eram seus objetivos principais de política
externa.[188] Em março, o príncipe Bernhard Wilhelm von Bülow,
secretário do Auswärtiges Amt (Ministério de Relações Exteriores), emitiu
uma declaração dos principais objetivos de política externa do país: o
Anschluss com a Áustria, a restauração das fronteiras nacionais de 1914 da
Alemanha, rejeição de todas as restrições militares impostas pelo Tratado
de Versalhes, devolução das colônias alemãs na África e a criação de uma
zona de influência alemã na Europa Oriental. Hitler achava, na verdade, os
objetivos de Bülow modestos demais.[189] Em discursos feitos na época, ele
afirmou que suas políticas eram pacíficas e estava disposto a trabalhar
dentro dos acordos internacionais.[190] Na sua primeira reunião de
gabinete em 1933, Hitler priorizou aumento de gastos com os
militares.[191]

Uma cerimônia em honra aos Hitler retirou a Alemanha da


mortos (Totenehrung) feita no Salão Liga das Nações e da
da Honra (Ehrenhalle) na área de Conferência para o
desfile do partido nazista, em
Desarmamento em Genebra em
Nurembergue, setembro de 1934.
outubro de 1933.[192] Em
janeiro de 1935, mais de 90%
da população de Saarland, até então sob administração da Liga das Nações,
votou num plebiscito por se unir a Alemanha.[193] Em março, Hitler
anunciou que a Wehrmacht seria expandida para mais de 600 000
membros — seis vezes mais que o número permitido pelo Tratado de
Versalhes — incluindo o desenvolvimento de uma nova força aérea
(Luftwaffe) e o aumento da marinha de guerra (Kriegsmarine). O Reino
Unido, a França, a Itália e outros países da Liga das Nações protestaram
contra o rearmamento alemão em violação do tratado, mas nada fizeram
para impedi-lo.[194][195] O Acordo Naval Anglo-Germânico de 18 de junho
de 1935 permitiu que a tonelagem da marinha alemã aumentasse para 35% Adolf Hitler e Benito Mussolini
daquele da marinha britânica. Hitler chamara tal acordo com os ingleses (direita) se encontrando em 1943. A
Itália e a Alemanha assinaram um
de "o melhor dia da minha vida", acreditando que este acordo seria o
acordo de cooperação e aliança em
primeiro passo para a aliança anglo-germânica que ele havia previsto no outubro de 1936.
Mein Kampf.[196] A França e a Itália não foram consultadas a respeito
deste entendimento, minando diretamente a Liga das Nações e jogando o
Tratado de Versalhes no caminho da irrelevância.[197]

Sob ordens do Führer, a Alemanha reocupou a zona desmilitarizada da Renânia em março de 1936, em uma nova
violação direta do Tratado de Versalhes. Hitler também enviou tropas para a Espanha em apoio ao General Franco
durante a sangrenta guerra civil espanhola após receber um pedido de ajuda dos nacionalistas espanhóis em julho de
1936. Ao mesmo tempo, Hitler continuou com seu esforço de criar uma aliança Anglo-Germânica.[198] Em agosto de
1936, em resposta a um princípio de crise econômica devido aos gastos com o rearmamento, Hitler ordenou que
Göring implementasse o Vierjahresplan ("Plano de Quatro Anos") para preparar a Alemanha para a guerra nos
próximos quatro anos.[199] O plano previa uma luta total entre os "Judeus-Bolchevistas" e o nazismo alemão, onde
Hitler pretendia prosseguir com o rearmamento do país independente do custo econômico.[200]

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O conde Galeazzo Ciano, ministro de relações exteriores do governo de Benito Mussolini, declarou um eixo Alemanha
e Itália, e em 25 de novembro de 1936, os alemães assinaram o Pacto Anticomintern com o Japão. Reino Unido, China,
Itália e Polônia também foram convidados para se unir a este pacto, que tinha como propósito defender as nações do
comunismo, mas apenas os italianos aceitaram, assinando o acordo em 1937. Hitler abandonou seu plano de uma
aliança Anglo-Germânica, culpando a "inadequada" liderança política britânica.[201]

Em uma reunião na Chancelaria do Reich com seus ministros de estado e chefes militares, em novembro de 1936,
Hitler voltou a falar de suas intenções de estabelecer o Lebensraum para o povo alemão. Ele ordenou que preparações
fossem feitas para uma guerra no leste, para começar, no mais cedo, em 1938 ou no mais tardar em 1943.[202] Ele
acreditava que a queda no padrão de vida na Alemanha como resultado de uma crise econômica poderia apenas ser
parada por uma agressão militar para anexar a Áustria e ocupar a Tchecoslováquia.[203][204] Hitler exigiu ações
rápidas antes que a França e o Reino Unido passassem a frente na corrida armamentista.[203] No começo de 1938, na
sequência do Caso Blomberg-Fritsch, Hitler tomou controle total do aparato das políticas externas e militares,
apontando a si mesmo como Oberster Befehlshaber der Wehrmacht ("comandante supremo das forças
armadas").[199] De 1938 em diante, Hitler fazia uma política externa que, em última análise, destinava-se à
guerra.[205]

Segunda Guerra Mundial

Sucessos diplomáticos iniciais

Aliança com o Japão


Em fevereiro de 1938, seguindo o conselho do seu novo ministro de
relações exteriores, o conde Joachim von Ribbentrop, Hitler começou a
encerrar a Aliança Sino-Alemã com República da China para então firmar
uma maior cooperação com o mais poderoso e moderno Império do Japão.
Hitler anunciou que reconhecia a região de Manchukuo, o estado fantoche
ocupado pelos japoneses da Manchúria, e que renunciava as reivindicações
sobre as antigas colônias alemãs na Ásia, que foram ocupados pelo Japão
após a primeira guerra mundial.[206] O führer alemão ordenou o fim do
envio de carregamentos de armas para a China e chamou de volta todos os
oficiais alemães trabalhando com o exército chinês.[206] Em retaliação, o
general Chiang Kai-shek (de facto líder da China) cancelou todos os Hitler e o ministro de relações
acordos econômicos entre os países, privando a Alemanha de muitas exteriores japonês, Yōsuke
Matsuoka, em uma reunião em
matérias primas vindas necessárias.[207]
Berlim em março de 1941. Entre os
dois pode ser visto Joachim von
Áustria e Tchecoslováquia Ribbentrop.

Em 12 de março de 1938, Hitler anunciou a unificação da Áustria com a


Alemanha Nazista (o Anschluss).[208] A anexação austríaca foi rápida e sem percalços.[209] Ele então virou sua
atenção para a população etnicamente alemã na região dos Sudetos na Tchecoslováquia.[210]

Entre 28 e 29 de março de 1938, Hitler teve várias reuniões secretas em Berlim com Konrad Henlein do
Sudetendeutsche Partei, o maior partido pan-germânico dos Sudetos. Os dois concordaram que Henlein passaria a
exigir do governo tchecoslovaco mais autonomia para os alemães dos Sudetos, assim dando um motivo para
intervenção militar alemã no país. Em abril de 1938, Henlein disse para o ministro de relações exteriores da Hungria
que "não importa o que o governo tcheco ofereça, ele aumentaria as exigências [...] ele queria sabotar um

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entendimento de toda a forma porque essa era a única maneira de explodir a Tchecoslováquia rapidamente".[211] Em
privado, Hitler considerava a região dos sudetos como não muito importante; seu principal objetivo era conquistar a
Tchecoslováquia e tomar o controle de sua forte indústria.[212]

Ainda em abril de 1938, Hitler ordenou que o quartel-general das forças


armadas (o OKW) preparasse um plano, o Fall Grün ("Caso Verde"), para a
invasão da Tchecoslováquia.[213] Como resultado de intensa pressão
diplomática por parte dos franceses e britânicos, a 5 de setembro, o
presidente tchecoslovaco Edvard Beneš anunciou o "quarto plano" para
reorganização constitucional do seu país, cedendo as exigências de Henlein
a respeito da autonomia dos Sudetos.[214] Alemães tchecos simpatizantes
dos nazistas passaram então organizar protestos e ações contra o governo,
enfrentando a polícia tcheca, forçando a declaração de lei marcial nos
Sudetos.[215][216]

A Alemanha dependia muito da importação de petróleo; então confronto


com a Grã-Bretanha a respeito da Tchecoslováquia poderia resultar em um
embargo de combustível aos alemães. Isso forçou Hitler a cancelar o plano
Fall Grün, que estava sendo planejado para outubro de 1938.[217] Em 29 de
setembro, Hitler, Neville Chamberlain, Édouard Daladier e Mussolini se
reuniram em Munique e firmaram um acordo, que deu o controle dos
Outubro de 1938: Hitler (em pé na
distritos dos Sudetos para a Alemanha.[218][219]
sua Mercedes) sendo saudado pela
população de Cheb (em alemão: Chamberlain ficou satisfeito com os resultados da conferência de Munique,
Eger), na parte de maioria alemã do
afirmando que significava "peace for our time" ("Paz para o nosso tempo"),
Sudetos na região da
enquanto Hitler estava irritado a respeito da oportunidade perdida para a
Tchecoslováquia, que foi anexada a
Alemanha após a assinatura do guerra em 1938;[220][221] ele expressou este desapontamento em um
Acordo de Munique. discurso feito em 9 de outubro em Saarbrücken.[222] Segundo ele, a paz
feita pelos britânicos, apesar de favorável para os termos alemães, foi uma
derrota diplomática que estragou seus planos de limitar o poder britânico
na Europa Continental para abrir caminho para o poder da Alemanha no leste.[223][224] Como resultado da
Conferência de Munique, Hitler foi nomeado pela revista Time como o "Homem do Ano" de 1938.[225]

Ao fim de 1938 e começo de 1939, para evitar uma crise econômica, devido aos altos gastos do governo, Hitler
anunciou cortes no orçamento de defesa.[226] No seu discurso de "Exportar ou Morrer" de 30 de janeiro de 1939, ele
anunciou seus planos de aumentar as exportações da Alemanha e o comércio internacional para pagar pelas tão
necessárias matérias primas (como minério de ferro) para completar a reconstrução das forças armadas. Ao fim da
década de 1930, a economia alemã voltou a crescer com força total e sua indústria se tornou uma das mais poderosas
do mundo, com a Alemanha retomando seu posto de grande centro tecnológico e de inovação.[226]

Em 15 de março de 1939, em violação do Acordo de Munique, Hitler ordenou que a Wehrmacht invadisse Praga e
ocupassem a Boêmia e a Moravia, proclamando a criação de um protetorado na região.[227] Um dos motivos desta
invasão era a necessidade crônica de matérias primas para suprir a economia alemã e impedir uma nova crise.[228]

Começo da Segunda Guerra Mundial


Em discussões privadas em 1939, Hitler declarou que o Reino Unido era o principal inimigo do país e que a Polônia
deveria ser obliterada como preludio para a guerra com os ingleses.[229] O flanco leste da Alemanha tinha que estar
seguro e terras da Lebensraum adicionadas ao país.[230] Em 31 de março de 1939, o governo britânico "garantiu"
apoio para um Estado polonês independente e isso irritou os nazistas. Hitler afirmou: "Vou preparar-lhes uma bebida
do diabo".[231] Em um discurso em Wilhelmshaven para o lançamento do navio de guerra Tirpitz, em 1 de abril, ele

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ameaçou romper o Acordo Naval Anglo-Germânico se os britânicos continuassem a dispensar apoio para os poloneses,
numa política que ele descreveu como um "cerco".[231] Para os nazistas, a Polônia deveria virar um estado satélite
alemão ou deveria ser neutralizada para garantir a segurança do flanco esquerdo do Reich para impedir um bloqueio
inglês.[232] Hitler inicialmente favorecia a ideia de criar estados satélites nas fronteiras, mas após a rejeição do
governo polonês para algum tipo de acordo, ele decidiu que iria invadir o país e fez disso seu objetivo de política
externa para 1939.[233] Em 3 de abril, Hitler ordenou que as forças armadas preparassem um plano, o Fall Weiss
("Caso Branco"), para atacar a Polônia.[233] Em um discurso para o Reichstag, em 28 de abril, ele renunciou tanto o
Acordo Naval Anglo-Germânico como o Pacto de não agressão germano-polonês.[234]

Hitler estava preocupado que um ataque militar contra a Polônia poderia


causar uma guerra prematura contra o Reino Unido.[232][235] O ministro
de relações exteriores da Alemanha e ex embaixador em Londres, Joachim
von Ribbentrop, garantiu que nem a Grã-Bretanha ou a França iriam
honrar seus acordos para proteger a Polônia.[236][237] Assim, em 22 de
agosto de 1939, Hitler ordenou uma mobilização militar contra os
poloneses.[238]

O plano de invasão da Polônia necessitava do apoio tácito da União


Soviética, a principal potência do leste europeu.[239] É firmado então um
pacto de não-agressão entre os alemães e os soviéticos (o Pacto Molotov-
Ribbentrop), que também firmava, com o ditador russo Joseph Stalin, um
acordo secreto para partição do território polonês entre as duas Hitler e o marechal de campo
nações.[240] Ao contrário do que Ribbentrop havia prevido, contudo, os Walther von Brauchitsch em 1939.
britânicos assinaram um tratado de aliança com a Polônia, em 25 de agosto
de 1939. Isso, junto com notícias de que a Itália de Mussolini não iria
honrar o Pacto de Aço para ajudar a Alemanha, fez com que Hitler adiasse seus planos para fazer guerra, de 25 de
agosto para 1 de setembro.[241] Hitler não conseguiu garantir a neutralidade britânica ao oferecer a Londres um pacto
de não-agressão em 25 de agosto; ele então instruiu Ribbentrop para apresentar um plano de paz de última hora numa
tentativa de botar a culpa da guerra na inação polonesa e britânica.[242][243]

Em 1 de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia pelo oeste sob o pretexto de que lhes havia sido negado
acesso a Cidade Livre de Danzig e ao território do Corredor polonês, regiões que pertenciam aos alemães antes do
Tratado de Versalhes.[244] Em resposta, o Reino Unido e a França declararam guerra a Alemanha em 3 de setembro,
surpreendendo Hitler. O ditador alemão teria então se irritado com Ribbentrop e se virou para ele e gritou "E
agora?"[245] Para sua sorte, os britânicos e franceses não agiram imediatamente, e em 17 de setembro, tropas
soviéticas invadiram a Polônia pelo leste.[246]

A Polônia foi conquistada em apenas um mês. O que se seguiu foi um


período chamado de "Guerra de Mentira" ou Sitzkrieg ("guerra sentada").
Hitler instruiu então que os dois Gauleiters da Polônia, Albert Forster (do
Reichsgau Danzig Westpreußen) e Arthur Greiser (do Reichsgau
Wartheland), a iniciar o processo de "germanização" dos territórios
ocupados, "sem querer saber" como isso seria alcançado.[247] Os alemães
então começaram um brutal processo de limpeza étnica contra a população
polonesa, mirando especialmente na população judaica local.[247] Greiser
Hitler em revista as tropas alemãs
reclamou com Hitler que Forster estava aceitando milhares de poloneses
durante a invasão da Polônia, em
como "racialmente" alemães, ameaçando a "pureza racial" pregada pelo
setembro de 1939.
nazismo. Hitler não se interessou em se envolver. Esse tipo de inação fazia
parte de um dos estilos de trabalhar do Führer: Hitler dava instruções
vagas e esperava que seus subordinados agissem em suas próprias políticas.[247]

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Outra disputa começou com Heinrich Himmler e Greiser, que advogavam políticas de limpeza racial, contra Hermann
Göring e Hans Frank (Governador do Governo Geral da Polônia ocupada), que queriam transformar o território
polonês no "celeiro" do Reich, utilizando mão de obra local escrava.[248] Em 12 de fevereiro de 1940, Hitler decidiu
por favorecer a visão de Göring e Frank, que terminou com as deportações em massa que não eram boas para a
economia.[248] A partir de maio de 1940, milhares de poloneses passaram a ser usados como escravos para suprir a
máquina de guerra da Alemanha.[248] Hitler elogiou os planos de Himmler e iniciou uma política para lidar com os
judeus na Polônia, dando início ao Holocausto em território polonês.[248]

No começo de 1940, Hitler começou a engrossar as defesas no oeste da


Alemanha e a convocar tropas para campanhas militares. Em abril, forças
alemãs invadiram e tomaram de assalto a Noruega e a Dinamarca. No dia 9
desse mês, Hitler proclamou o Grande Reich Germânico, sua visão de um
império unificado de todas as nações germânicas da Europa, com os
holandeses, flamengos e escandinavos se juntando a política de "pureza
racial" sob a liderança alemã.[249] Em maio de 1940, a Alemanha atacou a
França, e conquistou Luxemburgo, a Holanda e a Bélgica. Essas vitórias
convenceram Mussolini a trazer a Itália para a guerra ao lado dos alemães
a 10 de junho. Sem alternativa, os franceses decidiram pedir a cessação das
hostilidades. A França e a Alemanha assinaram um armistício em 22 de
junho.[250] Arthur Greiser afirmou que a popularidade de Hitler – e o
apoio a guerra – dentre o povo alemão chegou ao seu auge em 6 de julho de
1940, quando Hitler voltou para Berlim após visitar Paris. Milhares de
Hitler durante sua visita a cidade de
Paris, logo após a queda da cidade. pessoas foram nas ruas para saudar o Führer.[251] Após as vitórias rápidas
Ele esta acompanhado por Albert nas frentes de batalha, Adolf Hitler promoveu doze generais para a patente
Speer (esquerda) e o escultor Arno de marechal de campo.[252][253]
Breker (direita), em 23 de junho de
1940. Os britânicos, cujas tropas foram derrotadas na batalha de Dunquerque e
tiveram que evacuar de forma desesperada da França através da operação
Dínamo,[254] continuaram a lutar na Batalha do Atlântico junto com seus
Domínios ultramarinos. Hitler chegou a fazer propostas de paz para o líder britânico, Winston Churchill, mas este
rejeitou, jurando lutar até a morte. Irritado, Hitler ordenou uma série de ataques aéreos para destruir as bases da força
área britânica e seus postos de radar no sul da Inglaterra. A Luftwaffe (força áerea nazista) falhou em derrotar a
aviação inglesa no que ficou conhecido como "a Batalha da Grã-Bretanha".[255] Ao fim de outubro de 1940, Hitler
percebeu que já não dava mais para garantir a superioridade aeronaval sobre a Inglaterra e decidiu por adiar
indefinidamente a invasão das ilhas britânicas (a Operação Leão Marinho), e então ordenou uma enorme campanha
de bombardeios aéreos punitivos contra várias cidades britânicas, como Londres, Plymouth e Coventry.[256]

Em 27 de setembro de 1940, o Pacto Tripartite foi assinado em Berlim com Saburō Kurusu do Império do Japão,
Hitler e o ministro de relações exteriores italiano, Galeazzo Ciano.[257] O acordo de cooperação se expandiu,
abrangendo a Hungria, a Romênia e a Bulgária, formando o Eixo. A tentativa de Hitler de integrar a União Soviética ao
bloco anti-britânico falhou em novembro. Então, em busca de novas regiões para conquistar novas matérias primas
(principalmente minério de ferro e petróleo), foi iniciado o planejamento de invasão do território soviético.[258]

Na primavera de 1941, a guerra ia bem para a Alemanha e a popularidade de Hitler estava mais alta do que nunca. A
Wehrmacht enviou o Afrika Korps para o norte da África para tomar a região e abrir caminho para um ataque ao
Oriente Médio. Em fevereiro, os alemães chegaram na Líbia para apoiar os italianos. Em abril, Hitler mandou tropas
para os Bálcãs e invadiu a Iugoslávia, movendo-se logo em seguida para conquistar a Grécia.[259] Por ordens do
Führer, os alemães ajudaram os iraquianos a lutar contra os britânicos e depois invadiram e conquistaram a ilha de
Creta.[260]

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Caminho para a derrota


Em 22 de junho de 1941, quebrando o Pacto de não agressão firmado em 1939, cerca de 4 milhões de soldados do Eixo
invadiram a União Soviética.[261] Esta ofensiva (codinome Operação Barbarossa) tinha como objetivo destruir o
Estado soviético e assumir o controle dos seus abundantes recursos naturais para alimentar a máquina de guerra
nazista contra o Ocidente.[262][263] O ataque inicial foi um sucesso, com as forças alemãs conquistando várias regiões,
incluindo a região Báltica, a Bielorrússia e o oeste da Ucrânia. Em agosto de 1941, as forças do Eixo avançaram mais de
500 km dentro do território soviético. Logo após as tropas nazistas terem derrotado o exército vermelho na Batalha de
Smolensk, Hitler ordenou que o Grupo de Exércitos Centro temporariamente se detivesse nas cercanias de Moscou e
enviou tropas para cercar Leninegrado e Kiev.[264] Seus generais discordaram disso, preferindo ter focado suas forças
em avançar contra a capital russa. Hitler manteve-se irredutível e as lideranças militares da Wehrmacht começaram a
questionar a estratégia da guerra.[265][266] Esta parada deu tempo para o exército soviético se reorganizar e mobilizar
suas reservas; a decisão de Hitler de atrasar o ataque contra Moscou é creditada como um dos maiores erros táticos do
conflito. Em novembro de 1941 Hitler finalmente ordenou que a ofensiva contra Moscou recomeçasse mas o avanço
terminou em desastre em dezembro.[264]

Em 7 de de dezembro de 1941, o Japão lançou um ataque contra a base


americana de Pearl Harbor, no Havaí. Quatro dias mais tarde, Hitler
declarou guarra contra os Estados Unidos. Seus conselheiros, como o seu
ministro de relações exteriores, o conde Ribbentrop, tentaram dissuadi-lo
disso, mas Hitler achava que confrontar os americanos poderia trazer
apoio dos japoneses na sua luta contra a União Soviética, mas Tóquio
estava ocupado demais lutando na Guerra do Pacífico. Para muitos
historiadores, esta decisão foi mais um erro de cálculo de Hitler.[267]

Hitler na declaração de guerra


Em 18 de dezembro de 1941, Himmler perguntou a Hitler, "O que fazer
contra os Estados Unidos no
com os judeus da Rússia?" e recebeu como resposta: "als Partisanen
Reichstag, em 11 de dezembro de
auszurotten" ("extermine-os como partisans").[268] O historiador 1941.
israelense Yehuda Bauer afirma que esta ordem é provavelmente a coisa
mais perto que os acadêmicos chegaram de encontrar uma ordem
específica de genocídio por parte do Führer durante o Holocausto.[268]

Em setembro de 1942, no norte da África, as forças alemãs foram derrotadas na segunda batalha de El Alamein,[269]
estragando os planos de Hitler de tomar o Canal de Suez e o Oriente Médio. Ainda superconfiante de suas capacidades
devido as suas vitórias militares em 1940, Hitler começou a nutrir desconfiança do alto-comando do exército e
começou a interferir com mais frequência nas decisões táticas, o que não foi bom para o esforço de guerra.[270] Entre
dezembro de 1942 e janeiro de 1943, Hitler se recusou a acatar qualquer conselho dado a ele e deu ordens para que o
6º Exército Alemão, preso em Stalingrado, no sul da Rússia, não se retirasse e lutasse até as últimas consequências. A
decisão foi desastrosa, com as tropas alemãs sendo derrotadas e sofrendo pesadas baixas. Mais de 200 000 soldados
do Eixo foram mortos e outros 235 000 foram feitos prisioneiros (incluindo 91 mil alemães).[271] Após outro revés na
Batalha de Kursk, meses mais tarde,[272] o julgamento de Hitler se tornou mais errático, com a posição econômica e
militar alemã se deteriorando, assim como a própria saúde de Adolf Hitler.[273]

Após a invasão aliada da Sicília em meados de 1943, Mussolini é removido do cargo de primeiro-ministro da Itália,
após receber um voto de desconfiança do Grande Conselho do Fascismo, com apoio do rei Vítor Emanuel III. O
marechal Pietro Badoglio assumiu o controle do governo e logo começou a negociar a rendição do seu país para os
Aliados. Enfurecido, Hitler ordenou que a Wehrmacht invadisse a Itália, prologando os combates naquela nação.[274]
Enquanto isso, na frente leste, entre 1943 e 1944, os exércitos da União Soviética empurravam as forças de Hitler para
trás. Em 6 de junho de 1944, os Aliados ocidentais abriram a tão esperada segunda frente, desembarcando no norte da
França com uma grande invasão anfíbia, a Operação Overlord.[275] Muitos oficiais do exército alemão concluíram
então que a derrota era inevitável e que continuar sob a liderança de Hitler levaria a destruição completa da

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Alemanha.[276]

Entre 1939 e 1945, vários alemães tentaram assassinar Hitler, fracassando


todas as vezes.[277] A maioria aconteceu dentro da Alemanha e a
resistência alemã ganhou mais força com o passar do tempo, quando a
derrota parecia mais eminente.[278] Em 1944 foi organizado o atentado de
20 de julho, através da Operação Valquíria, planejado pelo coronel Claus
von Stauffenberg que plantou uma bomba no quartel-general do Führer, a
Toca do Lobo (Wolfsschanze), em Rastenburg. Hitler sobreviveu com
Hitler, na Toca do Lobo, mostrando alguns poucos ferimentos. Mais de 4 900 alemães foram mortos nas
ao ditador italiano Benito Mussolini
represálias nazistas.[279]
a sala destruída no Atentado de 20
de julho.
Derrota e morte
Ao fim de 1944, o exército vermelho e os Aliados Ocidentais (principalmente os Estados Unidos, o Reino Unido e a
França Livre) continuavam avançando a todo o vapor contra a Alemanha. Paris havia sido libertada e o exército
alemão havia quase que completamente sido expulso da França, da Bélgica e Holanda. Na Itália, as forças nazifascistas
também recuavam para o norte, mas o principal perigo estava no leste, com Stalin tomando os países da Europa
oriental um a um. Assim, reconhecendo a força e determinação dos soviéticos, Hitler decidiu que seria quebrando as
linhas do inimigo no Ocidente que a maré da guerra poderia mudar em favor dos alemães. Ele então começou a
planejar um ataque contra os americanos e ingleses.[280] Em 16 de dezembro, os nazistas lançaram a Ofensiva das
Ardenas para tentar desunir os Aliados e talvez convence-los assim a parar de lutar.[281] Apesar de sucessos iniciais, a
batalha das Ardenas terminou em fracasso e as últimas reservas de homens e máquinas da Alemanha foi perdida.[282]
No começo de 1945, a situação dos alemães era precária. Aviões aliados bombardeavam o país dia e noite, deixando
várias cidades alemãs e seus principais centros industriais em ruínas. O exército estava em frangalhos e pouco podiam
fazer a não ser recuar em todas as frentes de batalha. Hitler falou então no rádio ao povo alemão: "Mesmo sendo grave
a crise neste momento, ela irá, apesar de tudo, ser domada por nossa vontade inalterável."[283] Hitler nutria
esperanças de que a morte do presidente americano Franklin D. Roosevelt pudesse resultar em paz no Ocidente em 12
de abril de 1945, mas nada aconteceu e a determinação dos Aliados permaneceu forte.[281][284] Agindo conforme sua
visão de que os fracassos militares alemães significavam abrir mão do seu direito de sobreviver como nação, Hitler
ordenou a destruição da infraestrutura industrial e tecnológica alemã, para que estes não caíssem em mãos dos
Aliados.[285] O ministério dos armamentos, sob a liderança de Albert Speer, recebeu ordens de adotar uma política de
terra arrasada, mas tais instruções secretamente não foram obedecidas.[285][286]

Em 20 de abril, no seu aniversário de 56 anos, Hitler saiu pelo última vez do Führerbunker, em Berlim, para a
superfície. No meio do jardim arruinado da Chancelaria do Reich, enquanto as bombas caiam, ele participou de uma
cerimônia para entregar medalhas Cruz de Ferro para crianças soldados da Juventude Hitlerista, que agora eram
(junto com a Volkssturm) a última linha de defesa alemã.[287] Em 21 de abril, as tropas do marechal Georgy Zhukov
derrotaram as forças do general Gotthard Heinrici na batalha de Seelow e começaram a atacar as cercanias de
Berlim.[288] Em negação da situação precária, Hitler acreditava que o destacamento Armeeabteilung Steiner, sob
comando do general Felix Steiner, da Waffen SS, poderia vir do norte e se juntar ao 9º Exército, do general Theodor
Busse, para atacar os russos em um movimento de pinça.[289]

Durante uma conferência com seus líderes militares em seu bunker, em 22 de abril de 1945, Hitler perguntou se
Steiner já tinha começado o seu ataque. Porém falaram a ele que a ofensiva sequer tinha começado e que as tropas
soviéticas já estavam marchando por Berlim. Hitler pediu então para que todos exceto Wilhelm Keitel, Alfred Jodl,
Hans Krebs e Wilhelm Burgdorf deixassem a sala e então começou a gritar irritado.[290] Ele afirmou que a liderança
das forças armadas eram incompetentes e traidoras e, pela primeira vez, declarou que "tudo estava perdido".[261]
Hitler anunciou que permaneceria em Berlim até o amargo final e não seria capturado vivo, preferindo se suicidar.[291]

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Em 23 de abril, o exército vermelho cercava


completamente Berlim e já havia tomado alguns
pontos estratégicos na cidade.[292] Joseph Goebbels,
agora praticamente o segundo no comando do III
Reich, fez uma declaração para que o povo berlinense
pegasse em armas para defender a cidade.[290] No
mesmo dia, Hermann Göring enviou um telegrama
para Berchtesgaden, falando que Hitler estava isolado
em Berlim e que ele, Göring, assumiria o comando da
Alemanha afirmando que o Führer logo estaria
incapacitado.[293] Hitler respondeu ordenando a
prisão de Göring e tirando dele todas as suas posições Hitler encontrando com o O jornal das forças
no governo.[294][295] Em 28 de abril, Hitler descobriu almirante Karl Dönitz, que o armadas americanas, o
que Heinrich Himmler, chefe das SS, havia deixado a sucederia interinamente como Stars and Stripes, em 2
capital oito dias antes e estava tentando negociar a presidente do Reich após sua de maio de 1945,
morte. anunciando a morte de
paz com os Aliados Ocidentais.[296][297] Ele ordenou
Hitler.
que Himmler também fosse preso e autorizou a
execução de Hermann Fegelein (o representante de
Himmler no QG do Führer). Enquanto isso, Hitler (que naquela altura já tinha perdido a noção da realidade, movendo
exércitos imaginários no seu mapa), ordenou que o general Walther Wenck atacasse e quebrasse o cerco a Berlim, mas
ele foi detido em Potsdam e, contrariando ordens do Führer, retirou-se com seus soldados para o Oeste e, logo depois,
rendeu-se aos americanos, enterrando qualquer possibilidade de salvar a capital alemã.[298]

Perto da meia-noite de 29 de abril, Hitler se casou com a sua amante de longa data Eva Braun em uma pequena
cerimonia dentro do Führerbunker. Após um café da manhã com sua nova esposa, Hitler ditou seu testamento político
para sua secretária particular Traudl Junge.[299][nota 3] O evento foi testemunhado e os documentos assinados por
Krebs, Burgdorf, Goebbels e Martin Bormann.[300] Logo depois, na parte da tarde, Hitler foi informado da execução
de Mussolini, que havia sido preso e torturado antes de morrer, e depois teve seu corpo pendurado em praça pública
para ser cuspido pela população. Isso aumentou a determinação de Hitler de se suicidar para evitar a captura e deu
ordens específicas para que seu cadáver fosse queimado e seus restos escondidos.[301]

A 30 de abril de 1945, as tropas soviéticas estavam a apenas algumas horas de marcha da Chancelaria do Reich. Hitler
então cometeu suicídio com um tiro na cabeça e sua mulher, Eva Braun, ingeriu uma cápsula de cianeto.[302][303] Seus
corpos foram levados para fora do bunker no jardim atrás da Chancelaria, onde foram colocados dentro de uma
cratera de bomba e encharcados em gasolina, enquanto nos arredores as bombas russas caiam.[304] Os corpos foram
então incendiados.[305][306] O almirante Karl Dönitz e o ministro Joseph Goebbels assumiram os postos de Hitler de
Chefe de Estado e Chanceler, respectivamente.[307]

Berlim se rendeu em 2 de maio. A Alemanha Nazista capitulou formalmente seis dias depois. O Dia da Vitória
finalizou a guerra na Europa. Documentos nos arquivos soviéticos liberados após a dissolução da União Soviética
afirmam que os restos mortais de Hitler, Braun, Joseph e Magda Goebbels (e os seus filhos), do general Hans Krebs e
de Blondi (a cadela de Hitler) foram repetidamente enterrados e exumados.[308] Em 4 de abril de 1970, um time de
agentes da KGB usou mapas detalhados para exumar cinco caixas com ossos de uma fábrica da SMERSH em
Magdeburgo. Os restos encontrados nestas caixas foram queimados, esmagados e dispersos, e depois jogados no rio
Biederitz, um afluente do Elba.[309] De acordo com o historiador Kershaw, os corpos de Hitler e Braun foram
completamente queimados quando o exército vermelho chegou e apenas uma parte da mandíbula com a arcada
dentária que poderia ter identificado o cadáver de Hitler sobrou.[310]

O Holocausto
Se os financiadores judeus internacionais de dentro e fora da Europa forem bem
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sucedidos em mergulhar as nações mais uma vez numa guerra mundial, então o
“ resultado não seria a bolchevização da Europa, e, assim, a vitória dos judeus, mas
a aniquilação da raça judia da Europa![311]

— Discurso de Adolf Hitler no Reichstag, em 30 de janeiro de 1939.
O Holocausto e a guerra da Alemanha no leste eram baseados na visão de
longa data de Hitler de que os judeus eram os verdadeiros inimigos do
Reich e do povo alemão e que o Lebensraum ("espaço vital") era necessário
para a expansão da Alemanha. Ele focou no leste da Europa para a sua
expansão, mirando em derrotar a Polônia e a União Soviética e então
removendo os judeus e os eslavos.[312] O Generalplan Ost ("Plano Geral
Leste") previa a deportação da população da Europa oriental e da União
Soviética para o oeste da Sibéria, para serem usados como mão de obra
Um vagão cheio de corpos fora de
escrava ou para serem mortos;[313] os territórios tomados seriam então
um crematório no campo de
concentração de Buchenwald, em ocupados por colonizadores alemães ou passariam por um processo de
abril de 1945. germanização.[314] A ideia era implementar este plano após a conquista da
União Soviética, mas quando isso falhou Hitler antecipou os
planos.[313][315] Em janeiro de 1942, Hitler decidiu que os judeus, eslavos e outros deportados considerados
"indesejáveis" seriam mortos. No mesmo ano, a cúpula nazista orquestrou a chamada "Solução Final" para o problema
judeu, para exterminar todos os que o regime considerassem indesejáveis e inferiores.[316][nota 4]

O genocídio foi ordenado por Hitler e organizado por Heinrich Himmler e


Reinhard Heydrich. Os arquivos da Conferência de Wannsee, que
aconteceu em 20 de janeiro de 1942 e foi presidido por Heydrich, na
presença de quinze oficiais de alta patente nazistas, mostram a prova
definitiva de que o genocídio em massa (o Holocausto) foi sistemático e
premeditado. Em 22 de fevereiro, Hitler afirmou: "nós iremos reganhar
nossa saúde apenas eliminando os judeus".[317] Apesar de nunca ter havido
uma ordem direta e expressa de Hitler autorizando os assassinatos em
massa,[318] em seus discursos públicos, ordens dos seus generais e diários
oficiais nazistas, demonstram que ele concebeu e autorizou o extermínio
dos judeus da Europa.[319][320] Ele autorizou as ações dos Einsatzgruppen
— esquadrões da morte da SS que atuavam principalmente na Polônia, nos
Bálcãs e na União Soviética[321] — e estava ciente de todas as suas
atividades.[319][322] No verão de 1942, Auschwitz foi expandido para
atender a um maior número de deportados para serem mortos ou
escravizados.[323] Campos de concentração, pequenos e grandes, A ordem, assinada por Hitler,
começaram a aparecer pela Europa, com vários destes devotados autorizando a Aktion T4, datada de
primordialmente para o extermínio. Apenas em Auschwitz-Birkenau 1 de setembro de 1939.
morreram mais de um milhão de pessoas.[324]

Entre 1939 e 1945, a Schutzstaffel (SS), auxiliados por colaboradores dos países ocupados, foram os principais
responsáveis pelos mais de onze milhões de mortos no Holocausto,[325][313] incluindo 5,5 a 6 milhões de judeus (ou
quase dois terços da população judia da Europa),[326][327] e 200 000 a 1 500 000 ciganos porajmos.[328][327] As
mortes aconteceram primordialmente em campos de concentração e de extermínio, nos guetos e em outras áreas de
execução em massa. Muitas vítimas do Holocausto morreram em câmaras de gás, enquanto outros morreram de
fomes, doenças ou maus tratos enquanto faziam trabalhos forçados.[329] Além da eliminação dos judeus, os nazistas
planejavam também acabar com a população (algo em torno de 30 milhões de pessoas) nos territórios ocupados
através da fome em um plano chamado Hungerplan ("Plano Fome"). Os suprimentos de comida dos países eram
desviados para alimentar o exército alemão ou para os civis na Alemanha. Cidades seriam arrasadas e terras eram

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descartadas ou ocupadas com colonos alemães.[330] Juntos, o Hungerplan e o Generalplan Ost levaram, por
consequência, a fome de mais de 80 milhões de pessoas na União Soviética.[331] Isso ajudou a cumprir os planos
democídas e terminaram na morte de quase 19,3 milhões de civis e prisioneiros de guerra.[332]

As políticas de Hitler resultaram na morte de pelo menos dois milhões de poloneses[333] e mais de três milhões de
prisioneiros de guerra soviéticos,[334] comunistas, prisioneiros políticos, homossexuais, pessoas física e mentalmente
deficientes,[335][336] testemunhas de Jeová, adventistas e líderes de sindicatos. Hitler não falava publicamente a
respeito dessas mortes e, até onde se sabe, nunca visitou um campo de concentração.[337]

Os nazistas acreditavam no conceito de higiene racial. Em 15 de setembro


de 1935, Hitler apresentou duas leis — conhecidas como Leis de
Nuremberg — para o Reichstag. Tais leis baniam relações sexuais e
casamentos entre arianos e judeus e depois foi expandido para incluir
"ciganos, negros e suas crianças bastardas".[338] A lei tirou a cidadania de
todos os não-arianos e proibiu o emprego de mulheres não-judias com
menos de 45 anos em casas de famílias judiais.[339] As políticas de eugenia
de Hitler miravam crianças com deficiências ou que tiveram problemas de
desenvolvimento em geral em um programa chamado de Kinder-
Euthanasie e depois ele autorizou um programa de eutanásia para adultos
com sérios problemas mentais e deficiências físicas no que ficou conhecido
como Aktion T4.[340]

Estilo de liderança
Hitler governava o partido nazista de forma autocrática ao afirmar sua
Führerprinzip ("Princípio do Líder"). O princípio se baseava em lealdade
absoluta dos subordinados aos seus superiores; ele via a estrutura do
Adolf Hitler, o führer da Alemanha
Nazista. governo como uma pirâmide, com o próprio Hitler — o "Líder infalível" —
no ápice. As posições dentro do partido não eram preenchidas mediante
eleições mas sim as pessoas eram indicadas pelos superiores, que exigiam
obediência completa a vontade do líder.[341] O estilo de liderança de Hitler era dar ordens contraditórias aos seus
subordinados e coloca-los em uma posição que seus deveres e responsabilidades se entrelaçavam uns com os outros,
para ter "o mais forte completar o trabalho".[342] Deste jeito, gerava desconfiança, competição e luta interna entre seus
subordinados para consolidar e maximizar o seu poder. O gabinete do líder nunca se encontrou até 1938 e ele
desencorajava seus ministros de se encontrarem de forma independente.[343][344] Hitler tipicamente quase nunca
dava ordens por escrito, preferindo se expressar verbalmente ou passava os comandos através dos seus associados
mais próximos, como Martin Bormann.[345] Ele instruía Bormann com seus papéis, nomeações e finanças pessoais;
Bormann usava sua posição para controlar o fluxo de informações e o acesso a Hitler.[346]

Hitler dominou o esforço de guerra do seu país durante a Segunda Guerra Mundial em uma extensão muito superior
ao dos outros líderes durante o conflito. Ele assumiu o posto de líder supremo das forças armadas em 1938 e
subsequentemente foi responsável por muito da estratégia militar da Alemanha na guerra. Sua decisão de lançar uma
série de campanhas militares rápidas contra a Noruega, a França, os Países Baixos e a Bélgica em 1940, contra a
recomendação dos seus líderes militares, provou-se muito bem sucedida, apesar de seus esforços militares e
diplomáticos para derrotar o Reino Unido tenham eventualmente falhado.[347] Hitler se envolvia cada vez mais no
esforço de guerra, apontando a si mesmo como o comandante em chefe do exército em dezembro de 1941; deste ponto
em diante ele tomou controle da estratégia para sobrepujar a União Soviética, enquanto seus comandantes militares
na frente ocidental tinham um grau maior de autonomia.[348] A liderança de Hitler se tornou cada vez mais desconexa
com a realidade uma vez que a maré da guerra começou a se voltar contra a Alemanha, com a estratégia defensiva
sendo prejudicada por seu processo lento de tomar decisões e frequentes diretivas para manter posições indefensáveis.
Mesmo assim, ele continuava a acreditar que sua liderança levaria a vitória.[347] Nos meses finais da guerra, Hitler se
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recusou a considerar negociações de paz, afirmando que a destruição completa da Alemanha seria um resultado mais
preferível que a rendição.[349] Os militares praticamente nunca desafiavam a dominância de Hitler sobre o esforço de
guerra e os oficiais de patente mais graduada frequentemente expressavam apoio e confiança em sua liderança.[350]

Legado
O suicídio de Hitler é ligado por muitos contemporâneos como "um feitiço
sendo quebrado".[351][352] O apoio popular a Hitler havia colapsado no
período próximo a sua morte e pouquíssimos alemães lamentaram seu
falecimento; Kershaw afirma que a maioria dos civis e militares estavam
ocupados demais se ajustando ao colapso do país ou fugindo da luta para
demonstrar qualquer interesse no destino do führer ("líder").[353] De
acordo com o historiador John Toland, o Nazismo "estourou feito uma
bolha" sem seu líder.[354]

As ações de Hitler e a ideologia nazista são quase que universalmente O lado de fora do edifício que Hitler
retratadas como gravemente imorais;[355] de acordo com Kershaw, "nunca nasceu em Braunau am Inn, na
Áustria, com um memorial em pedra
na história tanta ruína, imoralidade e maldade foi tão associada ao nome
para lembrar os horrores da
de um homem".[356] O programa político de Hitler trouxe uma guerra
Segunda Guerra Mundial.
mundial, deixou para trás devastação e pobreza pela Europa. A própria
Alemanha sofreu muito e foi assolada pela destruição, caracterizada pelo A tradução diz:
termo Stunde Null ("Hora Zero").[357] As políticas do líder nazista "Pela paz, liberdade
infligiram a humanidade sofrimento em uma escala jamais vista;[358] de e democracia
acordo com R.J. Rummel, o regime nazista democida matou mais de 19,3 fascismo nunca mais
milhões de civis e prisioneiros de guerra.[325] Além disso, 29 milhões de milhões de mortos lembram"
soldados e civis também morreram como resultado das ações militares
durante o teatro de operações europeu da Segunda Guerra Mundial.[325]

O número de civis mortos durante a segunda grande guerra foi sem precedentes na história do conflito humano e
causou grande devastação no mundo.[359] Historiadores, filósofos e políticos usam, normalmente, o termo "mal" para
descrever o regime nazista.[360] Muitos países europeus, incluindo a Alemanha, criminalizaram as ideologias nazistas
e o negacionismo do holocausto.[361]

O historiador Friedrich Meinecke descreveu Hitler como "um dos grandes exemplos do poder singular e incalculável
da personalidade na vida histórica".[362] O historiador inglês Hugh Trevor-Roper o via como "um dos 'simplificadores
terríveis' da história, o mais sistemático, o mais histórico, o mais filosófico e ainda assim o mais grosseiro, cruel e
menos magnânimo dos conquistadores que o mundo já conheceu".[363] Já o acadêmico John M. Roberts, acha que a
derrota de Hitler marcou o fim da história europeia dominada pela Alemanha.[364] No seu lugar surgiu a Guerra Fria,
uma grande deflagração entre o Bloco Ocidental, dominado pelos Estados Unidos e por nações da OTAN, e o Bloco do
Leste, dominado pela União Soviética.[365] O historiador Sebastian Haffner afirma que sem Hitler e o deslocamento
dos judeus, o moderno Estado de Israel não teria existido. Sem o líder nazista, a descolonização das esferas de
influência europeia pelo mundo teria acontecido bem mais tarde do que foi.[366] Além disso, Haffner alega que Hitler
teve um maior impacto do que qualquer outra figura histórica comparável, que causou grande impacto pelo mundo e
drásticas mudanças no cenário geopolítico em um curto espaço de tempo.[367]

Visões religiosas
Hitler nasceu de uma mãe que era católica praticante e um pai anti-clérigo; após deixar sua casa, Hitler praticamente
nunca mais frequentou missas ou recebeu sacramentos.[368][369][370] Albert Speer afirmou que Hitler fez
pronunciamentos duros contra a Igreja para seus associados políticos e apesar de não ter abandonado a fé, nunca ligou

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muito para ela.[371] Hitler dizia que se os fiéis abandonassem a igreja eles iriam se virar ao misticismo, o que ele
considerava um retrocesso.[371] De acordo com Speer, o Führer acreditava que a religião japonesa ou o islamismo
seriam religiões melhores para os alemães do que o cristianismo, com sua "mansidão e flacidez".[372]

O historiador John S. Conway afirmou que Hitler se opunha fundamentalmente as igrejas cristãs.[373] De acordo com
Alan Bullock, Hitler não acreditava em Deus, era anti-clérigo e não acreditava muito na 'ética cristã' por que ela ia de
encontro a sua crença de "sobrevivência do mais apto".[374] Ele, contudo, favorecia alguns pontos de vista do
protestantismo e adotou elementos da hierarquia organizacional da Igreja Católica, a liturgia e fraseologia nas suas
políticas.[375]

Hitler via a igreja como uma importante influência política conservadora


na sociedade,[376] e adotou uma estratégia para lidar com eles que "se
encaixava com seus propósitos políticos imediatos".[373] Em público, Hitler
exaltava a herança cristã alemã e sua cultura, professando sua crença no
"Jesus Ariano", que havia lutado contra os judeus.[377] Muitas de suas
retóricas pró-cristãs não eram as mesmas que ele fazia em privado,
descrevendo o cristianismo como o "absurdo"[378] e fundado em
mentiras.[379]
Hitler com suas tropas. Atrás dele
De acordo com um relatório da Agência de Serviços Secretos dos Estados estão alguns oficiais de alta patente
Unidos, intitulado "The Nazi Master Plan" ("O Plano mestre Nazista"), da Wehrmacht.
Hitler planejava destruir a influência da igreja cristã dentro do
Reich.[380][381] Seu plano final seria a eliminação total do cristianismo.[382] De acordo com Bullock, Hitler iria
executar tal plano após a conclusão da guerra na Europa.[383]

Speer escreveu que Hitler também tinha visões negativas a respeito das tendências ao misticismo de Heinrich
Himmler e Alfred Rosenberg. O führer não gostava da tentativa de Himmler de tentar mitificar a SS. Hitler era mais
pragmático e suas ambições centravam em preocupações mais práticas.[384][385]

Pessoas próximas a Hitler afirmavam que ele era teísta. Frequentemente, ele mencionava que a "Providência" o
protegia e dizia estar em uma missão divina na terra para eliminar os judeus e reerguer o povo alemão.[386]

Saúde
Pesquisadores sugerem que Hitler sofria de vários males, incluindo síndrome do cólon irritável, lesões na pele,
arritmia cardíaca, aterosclerose,[387] doença de Parkinson,[273][388] sífilis,[388] arterite de células gigantes com
arterite temporal,[389] e acufeno.[390] Em um relatório feito para a Agência de Serviços Estratégicos em 1943, Walter
C. Langer da Universidade Harvard descreveu Hitler como um "neurótico psicopata".[391] Em seu livro de 1977, The
Psychopathic God: Adolf Hitler, o historiador Robert G. L. Waite afirma que o Führer sofria de transtorno de
personalidade limítrofe.[392] Já os historiadores Henrik Eberle e Hans-Joachim Neumann consideravam que Hitler
sofria mesmo de várias doenças, incluindo a de Parkinson, mas que ele não tinha nenhuma desilusão patológica e
sempre estava ciente, e portanto responsável, das decisões que tomava.[393][261] Teorias a respeito da saúde pessoal do
ditador alemão são difíceis de provar e dar muito peso a estas suposições podem tirar um pouco das responsabilidades
das consequências dos atos perpetrados pela Alemanha Nazista.[394] Kershaw acredita que é necessário ter uma visão
mais ampla da história da Alemanha ao examinar as forças sociais que levaram a ditadura nazista e suas forças, ao
invés de perseguir explicações limitadas para o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial baseado apenas em uma
única pessoa.[395]

Hitler seguia uma dieta vegetariana.[396] Em eventos sociais ele as vezes dava relatos gráficos sobre o assassinato de
animais para fazer com que seus convidados evitassem comer carne nos jantares.[397] Bormann mandou construir
uma estufa em Berghof (próxima de Berchtesgaden) para garantir um suprimento contínuo de frutas e vegetais frescos
para Hitler durante a guerra.[398] Hitler publicamente evitava álcool. Ele as vezes bebia cerveja e vinho em privado,
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mas abriu mão destas bebidas quando começou a ganhar peso em 1943.[399] Ele não fumava durante boa parte da sua
vida adulta, mas na sua juventude chegava a fumar de 25 a 40 cigarros por dia. Ele largou o fumo argumentando que o
hábito era um "desperdício de dinheiro".[400] Ele encorajava seus associados mais próximos a parar de fumar também
oferecendo a eles relógios de ouro como estímulo.[401] Hitler utilizava anfetamina ocasionalmente em 1937 e se tornou
viciado nisso em 1942.[402] Speer ligou o aumento do comportamento errático e sua inflexibilidade (como sua recusa
em ordenar retiradas militares) ao uso da anfetamina.[403]

Durante a guerra, mais de 90 medicamentos foram prescritos para Hitler. Ele tomava pílulas todos os dias para dores
crônicas no estomago e outros problemas de saúde.[404] Ele constantemente consumia metanfetamina, barbitúrico,
opiáceo e cocaína.[405] Ele tinha uma perfuração no tímpano como resultado da explosão do atentado de 20 de julho
de 1944. Neste atentado, cerca de 200 estilhaços de madeira foram removidos de sua perna.[406] Imagens de Hitler
feitas perto do fim da guerra mostravam tremores agudos em sua mão esquerda e seu caminhar era embaralhado. Isso
começou logo antes da guerra, mas se acentuou durante ela.[404] Ernst-Günther Schenck e vários outros médicos que
encontraram Hitler em suas últimas semanas de vida o diagnosticaram com doença de Parkinson.[407]

Família
Hitler queria passar a imagem de um homem celibatário que não tinha
vida doméstica, dedicando-se inteiramente a sua missão política e a sua
nação.[133][408] Ele conheceu sua principal amante, Eva Braun, em
1929,[409] e se casou com ela em abril de 1945.[410] Em setembro de 1931,
sua meia-sobrinha, Geli Raubal, cometeu suicídio com a arma do próprio
Hitler no apartamento dele em Munique. Entre as razões que levaram Geli
ao suicídio seria um suposto interesse romântico de Hitler nela e sua morte Hitler fotografado em 1942 com sua
seria resultado de uma obsessão dele por ela.[411] Paula Hitler, a irmã do amante de longa data, Eva Braun,
Führer e seu último parente vivo de sua família imediata, faleceu em com quem ele se casou em 29 de
1960.[412] abril de 1945.

Em filmes de propaganda
Hitler explorava filmes documentários e vários outras peças de propaganda
de forma extensa na parte do seu culto de personalidade. Ele participou de
vários filmes de propaganda durante sua carreira política, como Der Sieg
des Glaubens e Triumph des Willens— feitos pela lendária diretora Leni
Riefenstahl.[413]

Lista com alguns filmes


Der Sieg des Glaubens (Vitória da Fé, 1933)
Triumph des Willens (Triunfo da Vontade, 1935)
Tag der Freiheit: Unsere Wehrmacht (Dia da Liberdade: Nossas
Forças Armadas, 1935)
Olympia (1938)

Uma peça de propaganda nazista


Ver também mostrando Hitler em um uniforme
militar.
Bigode de Hitler
Führer
Nazismo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Hitler 26/35
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Notas
1. O instituto de sucessão de Realschule em Linz é o Linz Fadingerstraße (https://de.wikipedia.org/wiki/Bundesrealg
ymnasium_Linz_Fadingerstra%C3%9FeBundesrealgymnasium).
2. Hitler também ganhou um acordo por difamação contra o jornal socialista Münchener Post, que havia
questionado seu estilo de vida e renda. Kershaw 2008, p. 99.
3. MI5, Hitler's Last Days: "O testamento de Hitler e seu casamento" no website da MI5, usando fontes disponíveis
para Trevor-Roper (um agente da MI5 durante a Segunda Grande Guerra e historiador/autor de The Last Days of
Hitler), dados do casamento após Hitler ditar seu testamento.
4. Para mais informações do assunto, ver McMillan 2012.

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Ligações externas
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arch) no catálogo da Biblioteca Nacional da Alemanha
Adolf Hitler (http://www.imdb.com/name/nm0386944/) (em inglês) no Internet Movie Database
Álbum reúne obras que Hitler queria para "Führermuseum" (http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4148
098-EI8141,00-Album+reune+obras+que+Hitler+queria+para+Fuhrermuseum.html)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Hitler 34/35
01/10/2018 Adolf Hitler – Wikipédia, a enciclopédia livre

Testamento político do Fuhrer (http://aryanism.net/downloads/books/martin-bormann/hitler-bormann-documents.p


df)
Mein Kampf (http://aryanism.net/downloads/books/adolf-hitler/mein-kampf.pdf)
Adolf Hitler no Munzinger-Archiv (Início do artigo (http://www.munzinger.de/document/00000000564) com acesso
livre)

Precedido por Líder do NSDAP Sucedido por


Anton Drexler 1921 — 1945 Martin Bormann
Precedido por Chanceler da Alemanha Sucedido por
Kurt von Schleicher 1933 — 1945 Joseph Goebbels
Presidente da Alemanha (como
Precedido por Sucedido por
Führer)
Paul von Hindenburg Karl Dönitz
1934 — 1945
Precedido por
Pessoa do Ano Sucedido por
Chiang Kai-shek e Soong May-
1938 Josef Stalin
ling
Precedido por Oberbefehlshaber des Heeres Sucedido por
Walther von Brauchitsch 1941 — 1945 Ferdinand Schörner

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