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UFPB

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO

Língua Portuguesa Raciocínio Lógico Noções de Administração Pública Conhecimentos Específicos Informática Básica
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Noções de Administração Pública Língua Portuguesa Raciocínio Lógico Conhecimentos Específicos Informática Básica
Conhecimentos Específicos Língua Portuguesa Raciocínio Lógico Noções de Administração Pública Informática Básica
Informática BásicaLíngua Portuguesa Raciocínio Lógico Noções de Administração Pública Conhecimentos Específicos

Pública Conhecimentos Específicos Informática Básica O conteúdo deste e-book é licenciado para Angelo Roncalli

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

SUMÁRIO

CONSTITUIÇÃO FEDERAL: DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

220

ADMINISTRAÇÃO DIRETA, INDIRETA E FUNDACIONAL

241

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

257

CONTRATO ADMINISTRATIVO

314

SERVIÇOS PÚBLICOS

275

BENS PÚBLICOS

289

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA NA LEI N. 8.429/1992

265

SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR PÚBLICO. REGIME JURÍDICO ÚNICO (LEI N. 8.112/1990)

289

LEI FEDERAL N. 8.027, DE 12 DE ABRIL DE 1990, E DECRETO FEDERAL N. 1.171, DE 22 DE JUNHO

DE 1994 - CÓDIGO DE ÉTICA DOS SERVIDORES PÚBLICOS

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA O conceito de Administração Pública pode ser visto em dois sentidos:

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

O conceito de Administração Pública pode ser visto em

dois sentidos: amplo e estrito. Em sentido amplo, compre­ ende a função política – que estabelece as diretrizes gover­ namentais e a função administrativa – que executa o plane­ jado. Em sentido estrito, o conceito de Administração Pública diz respeito apenas à atividade propriamente administrativa, excluindo a função política do Governo.

Como bem ensina o ilustre professor Alexandre de Moraes, a Administração Pública pode ser definida objetiva­ mente como a atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos interesses coletivos e subjetivamente como o conjunto de órgãos e pessoas jurídi­ cas aos quais a lei atribui o exercício da função administra­ tiva do Estado.

A Constituição Federal trouxe em seu bojo inúmeras

disposições acerca dos agentes públicos e às normas apli­

cáveis a Administração Pública em geral.

Colacionamos os principais dispositivos constitucionais acerca do tema.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A Constituição, em seu art. 37, caput, dispõe que “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impes­ soalidade, moralidade, publicidade e eficiência [

Legalidade

O princípio da legalidade significa que o administrador público somente atuará de acordo com o que estiver previsto em lei (em sentido amplo).

Em outras palavras, significa que a Administração, além de não poder atuar contra a lei ou além da lei, somente pode agir segundo a lei. Os atos eventualmente praticados em desobediência a tais parâmetros são atos inválidos e podem ter sua invalidade decretada pela própria Administração que os haja editado ou pelo Poder Judiciário.

Impessoalidade

O princípio da impessoalidade pode ter dois sentidos:

1. Significa que toda a atuação da Administração deve visar o interesse público, ou seja, deve ter como fina­ lidade a satisfação do interesse público. Qualquer ato praticado com objetivo diverso da satisfação do inte­ resse público será nulo por desvio de finalidade. Nessa acepção, o princípio da impessoalidade é decorrência do princípio da isonomia.

2. A segunda acepção do princípio da impessoalidade está ligada à ideia de vedação à pessoalização das realizações da Administração Pública, à promoção pessoal do agente público. Está consagrada no §1º do art. 37 da CF, nestes termos: “§1º A publicidade dos atos, programas, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pes­ soal de autoridades ou servidores públicos”.

Moralidade

O princípio da moralidade diz respeito à atuação ética na Administração Pública. A moralidade está relacionada à legalidade, justiça, conveniência e oportunidade, e, princi­ palmente, a honestidade.

Publicidade

O princípio da publicidade significa que os atos admi­

nistrativos devem ser acessíveis ao público, salvo os atos sigilosos. E, ainda, refere­se à atuação da Administração Pública de forma transparente.

Eficiência

O princípio da eficiência significa que o agente dever

alcançar o melhor resultado possível em relação aos fins

almejados.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro entende que esse princí­ pio apresenta dois aspectos: quanto à forma de atuação do agente público – melhor desempenho possível nas suas atri­ buições, a fim de obter os melhores resultados; e quanto ao modo de organizar, estruturar e disciplinar a Administração Pública – esse modo deve ser o mais racional possível, a fim de alcançar melhores resultados na prestação dos serviços públicos.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos prin­ cípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

Jurisprudência: “Direito à informação de atos estatais, neles embu­

tida a folha de pagamento de órgãos e entidades públicas. [

em que a situação específica dos servidores públicos é regida pela 1ª parte do inciso XXXIII do art. 5º da Constituição. Sua remunera­ ção bruta, cargos e funções por eles titularizados, órgãos de sua formal lotação, tudo é constitutivo de informação de interesse cole­ tivo ou geral. Expondo-se, portanto, a divulgação oficial. Sem que

] Caso

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a intimidade deles, vida privada e segurança pessoal e familiar se encaixem

a intimidade deles, vida privada e segurança pessoal e familiar se

encaixem nas exceções de que trata a parte derradeira do mesmo dispositivo constitucional (inciso XXXIII do art. 5º), pois o fato é que não estão em jogo nem a segurança do Estado nem do con­

junto da sociedade. Não cabe, no caso, falar de intimidade ou de vida privada, pois os dados objeto da divulgação em causa dizem

respeito a agentes públicos enquanto agentes públicos mesmos; ou, na linguagem da própria Constituição, agentes estatais agindo ‘nessa qualidade’ (§6º do art. 37). E quanto à segurança física ou corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente, claro que ela resultará um tanto ou quanto fragilizada com a divulga­ ção nominalizada dos dados em debate, mas é um tipo de risco pessoal e familiar que se atenua com a proibição de se revelar o endereço residencial, o CPF e a CI de cada servidor. No mais, é o preço que se paga pela opção por uma carreira pública no seio de um Estado republicano. A prevalência do princípio da publicidade administrativa outra coisa não é senão um dos mais altaneiros modos de concretizar a República enquanto forma de governo. Se, por um lado, há um necessário modo republicano de administrar

o

Estado brasileiro, de outra parte é a cidadania mesma que tem

o

direito de ver o seu Estado republicanamente administrado. O

‘como’ se administra a coisa pública a preponderar sobre o ‘quem’ administra – falaria Norberto Bobbio –, e o fato é que esse modo público de gerir a máquina estatal é elemento conceitual da nossa República. O olho e a pálpebra da nossa fisionomia constitucional republicana. A negativa de prevalência do princípio da publicidade administrativa implicaria, no caso, inadmissível situação de grave lesão à ordem pública.” (SS 3.902-AgR-segundo, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 09.06.2011, Plenário, DJE de 03.10.2011)

“Princípio da moralidade. Ética da legalidade e moralidade. Confi­ namento do princípio da moralidade ao âmbito da ética da legali­ dade, que não pode ser ultrapassada, sob pena de dissolução do próprio sistema. Desvio de poder ou de finalidade.” (ADI 3.026, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 08.06.2006, Plenário, DJ de

29.09.2006).

“Diretor­geral de Tribunal Regional Eleitoral. Exercício da advo­ cacia. Incompatibilidade. Nulidade dos atos praticados. Violação aos princípios da moralidade e do devido processo legal (fair trial). Acórdão recorrido cassado. Retorno dos autos para novo julga­ mento.” (RE 464.963, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em

14.02.2006, Segunda Turma, DJ de 30.06.2006).

QUESTÃO DE CONCURSO

(CESPE/TRE­ES/Técnico Judiciário/2011) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência são princípios constitucionais que regem a administra­ ção pública, traduzindo­se o princípio da impessoali­ dade no princípio da finalidade, que impõe ao adminis­ trador público o dever de praticar o ato administrativo apenas para o seu fim legal.

Acesso ao cargo público

Resposta: CERTO

Os cinco primeiros incisos do art. 37 da CF/88 precei­ tuam a forma de acessibilidade aos cargos e empregos das administrações diretas e indiretas, a saber:

I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisi­ tos estabelecidos em lei, assim como aos estrangei­ ros, na forma da lei; II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natu­ reza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; III – o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual perí­ odo;

IV – durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convo­ cado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira; V – as funções de confiança, exercidas exclusiva­ mente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servi­ dores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam­se apenas às atri­ buições de direção, chefia e assessoramento;

Jurisprudência: “A nomeação de cônjuge, companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recí­ procas, viola a CF.” (Súmula vinculante 13)

I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requi­ sitos estabelecidos em lei, assim como aos estran­ geiros, na forma da lei;

Obs.: O acesso aos cargos, empregos e funções públi­ cas aos brasileiros, natos ou naturalizados, deve obedecer os requisitos estabelecidos em lei. Assim, somente a lei pode prever os requisitos de acesso a tais cargos. No caso do estrangeiro, o acesso deles ao cargo somente é possível na forma da lei. Portan­ to, somente será possível após a edição desta lei.

Ressalte-se que o art. 12, §3º, da CF/1988, prevê a

existência de cargos privativos de brasileiro nato os cargos, quais sejam:

• de Presidente e Vice­Presidente da República;

• de Presidente da Câmara dos Deputados;

• de Presidente do Senado Federal;

• de Ministro do Supremo Tribunal Federal;

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS • da carreira diplomática; • de oficial das Forças Armadas. • de Ministro

• da carreira diplomática;

de oficial das Forças Armadas.

• de Ministro de Estado da Defesa

Jurisprudência: “Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público.” (Súmula 686.)

“O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legi­ tima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.” (Súmula 683.)

“Não é admissível, por ato administrativo, restringir, em razão da idade, inscrição em concurso para cargo público.” (Súmula 14.)

“Edital que prevê apresentação de documentos que comprove o preenchimento dos requisitos em momento posterior à nomeação

e antes da posse. Candidato que não preenche determinado requi­

sito. Não configurado o direito à posse.” (RE 613.376-ED, Rel. Min.

Gilmar Mendes, julgamento em 13.12.2011, Segunda Turma, DJE de 17.02.2012).

“Concurso público. Reprovação em exame médico. Necessidade

] A jurisprudência desta

Corte firmou-se no sentido de que devem estar previstos no edital os critérios objetivos do exame médico.” (AI 850.638-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 11.10.2011, Segunda Turma, DJE de 25.10.2011).

“[

advento das Emendas 11/1996 e 19/1998, o núcleo essencial dos direitos atribuídos aos estrangeiros, embora certamente compre­ endesse as prerrogativas necessárias ao resguardo da dignidade humana, não abrangia um direito à ocupação de cargos públicos efetivos na estrutura administrativa brasileira, consoante a redação primitiva do art. 37, I, da Lei Maior. Portanto, o art. 243, §6º, da Lei 8.112/1990 estava em consonância com a Lei Maior e permanece

em vigor até que surja o diploma exigido pelo novo art. 37, I, da Constituição.” (RE 346.180 AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julga­ mento em 14.06.2011, Segunda Turma, DJE de 1º.08.2011). Vide:

RE 544.655­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 09.09.2008, Segunda Turma, DJE de 10.10.2008.

“Estrangeiro. Acesso ao cargo de professor da rede de ensino do Estado de Roraima. Ausência de norma regulamentadora. Art. 37,

I, da CF/1988. Por não ser a norma regulamentadora de que trata o

art. 37, I, da Constituição do Brasil matéria reservada à competência privativa da União, deve ser de iniciativa dos Estados-membros.” (AI 590.663­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 15.12.2009,

Segunda Turma, DJE de 12.02.2010). Vide: RE 544.655­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 09.09.2008, Segunda Turma, DJE de 10.10.2008.

“A exigência de experiência profissional prevista apenas em edital importa em ofensa constitucional.” (RE 558.833-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 08.09.2009, Segunda Turma, DJE de

25.09.2009).

“Constitucional. Concurso público para cargo de técnico de provi­ mento de apoio. Exigência de três anos de habilitação. Inexistên­ cia de previsão constitucional. Segurança concedida. O que importa para o cumprimento da finalidade da lei é a existência da habilitação plena no ato da posse. A exigência de habilitação para o exercício do cargo objeto do certame dar­se­á no ato da posse e não da ins­ crição do concurso.” (MS 26.668, MS 26.673 e MS 26.810, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 15.04.2009, Plenário, DJE de 29­5­2009.) No mesmo sentido: MS 26.862, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 15.04.2009, Plenário, DJE de 22.05.2009.

Até o

de avaliação mediante critérios objetivos. [

]

Cargo público efetivo. Provimento por estrangeiro. [

]

“Comprovação de atividade jurídica para o concurso do MPF. Pecu­ liaridades do caso. A interpretação do art. 129, §3º, da Constituição foi claramente estabelecida pela Suprema Corte no julgamento da ADI 3.460, Rel. Min. Carlos Britto (DJ de 15.06.2007), de acordo com o qual (i) os três anos de atividade jurídica pressupõem a con­ clusão do curso de bacharelado em Direito e (ii) a comprovação desse requisito deve ocorrer na data da inscrição no concurso e não em momento posterior. O ato coator tomou como termo inicial da atividade jurídica do impetrante a sua inscrição na OAB, o que é correto, porque, na hipótese, o impetrante pretendeu comprovar a sua experiência com peças processuais por ele firmadas como advogado. Faltaram­lhe, consequentemente, 45 dias para que per­ fizesse os necessários três anos de advocacia, muito embora fosse bacharel em Direito há mais tempo. O caso é peculiar, considerando que o período de 45 dias faltante corresponde ao prazo razoável para a expedição da carteira de advogado após o seu requerimento, de tal sorte que, aprovado no exame de ordem em dezembro de 2003, deve ser tido como preenchido o requisito exigido pelo §3º do art. 129 da CF.” (MS 26.681, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 26.11.2008, Plenário, DJE de 17.04.2009) No mesmo sentido:

RE 630.515, Rel. Min. Dias Toffoli, decisão monocrática, julgamento em 12.03.2012, DJE de 15.03.2012; MS 27.608, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 15.10.2009, Plenário, DJE de 21.05.2010. “Estrangeiro. Acesso ao serviço público. Art. 37, I, da CF/1988. O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que o art. 37, I, da Constituição do Brasil [redação após a EC 19/1998], con­ substancia, relativamente ao acesso aos cargos públicos por estran­ geiros, preceito constitucional dotado de eficácia limitada, depen­ dendo de regulamentação para produzir efeitos, sendo assim, não autoaplicável.” (RE 544.655-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 09.09.2008, Segunda Turma, DJE de 10.10.2008.) No mesmo sentido: RE 602.912­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 09.11.2010, Primeira Turma, DJE de 02.12.2010. Vide: RE 346.180­ AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 14.06.2011, Segunda Turma, DJE de 1º.08.2011; AI 590.663­AgR, Rel. Min. Eros Grau, jul­ gamento em 15.12.2009, Segunda Turma, DJE de 12.02.2010.

QUESTÃO DE CONCURSO

(CESPE/TRE­BA/Analista Judiciário/2010) A norma constitucional que veda a possibilidade ampla e geral de acesso dos estrangeiros a cargos, empregos e fun­ ções públicas é de eficácia limitada, havendo neces­ sidade de edição de lei ordinária para regulamentar a matéria.

Resposta: CERTO

II – a investidura em cargo ou emprego público de­ pende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a nature­ za e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

Conforme se observa da leitura do inciso, o provimento de quaisquer cargos e empregos públicos de provimento efetivo da administração pública direta e indireta, far­se­á por meio de aprovação em concurso público. Ao se falar em concurso público, a CF/88 quer dizer que se trata de um procedimento aberto a todos interessa­ dos, em consonância com os princípios da isonomia e da moralidade administrativa.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, o concurso público é o meio

Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, o concurso público é o meio técnico posto à disposição da administra­ ção para obter-se moralidade, eficiência e aperfeiçoamento do serviço público e, ao mesmo tempo, atender ao prin­ cípio da isonomia, uma vez que propicia a todos aqueles que atendam aos requisitos estabelecidos de forma geral e abstrata em lei. Ressalte­se que, conforme se depreende da leitura do inciso, os cargos em comissão não depende de concurso público, mas apenas os cargos efetivos, pois aqueles são de livre nomeação e exoneração. Resumindo:

Cargo público

• Cargo Público é o conjunto de atribuições e res­ ponsabilidades previstas na estrutura organizacio­ nal que devem ser cometidas a um servidor.

• São criados e extintos por lei.

• Podem ser de caráter efetivo, exigindo­se aprova­ ção prévia em concurso público; ou em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exonera­ ção.

• É exclusivo ao servidor estatutário, regido pela Lei n. 8.112 de 11 de dezembro de 1990.

Emprego Público

• Os empregos públicos são preenchidos por agen­ tes contratados para desempenhar atividades, sob regime trabalhista.

• Seu provimento exige concurso público.

• Os empregados públicos são regidos pela Conso­ lidação de Leis Trabalhistas – CLT.

Função Pública

• Qualquer pessoa que realiza qualquer atividade do Estado realiza uma função pública.

• Quem exerce um cargo público exerce uma função pública.

• Poderá existir função sem cargo ou emprego (con­ trato temporário).

As funções de confiança, criadas por lei, são plexos unitários de atribuições correspondentes a encargos de direção, chefia ou assessoramento, exercidas por titular de cargo efetivo da confiança da autoridade que as preenche. Os ocupantes desta função submetem­se ao regime de integral dedicação ao serviço (CF/1988, art. 37, inciso V).

Jurisprudência “É inconstitucional toda modalidade de provi­ mento que propicie ao servidor investir­se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.” (Súmula

685)

“É inconstitucional o veto não motivado à participação de candi­ dato a concurso público.” (Súmula 684)

“A nomeação de funcionário sem concurso pode ser desfeita antes da posse.” (Súmula 17)

“Funcionário nomeado por concurso tem direito à posse.” (Súmula 16)

“Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato aprovado tem direito à nomeação, quando o cargo for preenchido sem obser­ vância da classificação.” (Súmula 15)

“O Plenário denegou mandado de segurança impetrado em favor de candidatos aprovados em concurso público para o provimento de cargos efetivos da estrutura do Poder Judiciário do Estado da Paraíba e para formação de cadastro de reserva. No caso, o cer­ tame fora organizado de forma regionalizada com vagas disponibi­ lizadas em oito regiões, cada qual formada por determinado grupo de comarcas, de modo que os candidatos somente concorreriam às vagas disponíveis na região selecionada quando da inscrição no concurso público. Em razão disso, associação de analistas e téc­ nicos judiciários formulara pedido de providências perante o CNJ, com o fito de determinar ao Tribunal de Justiça o oferecimento dos cargos vagos e a vagar primeiramente à remoção de servidores já integrantes dos seus quadros para, posteriormente, permitir aos remanescentes o preenchimento mediante a investidura de candi­ datos aprovados no concurso. O CNJ determinara, então, a prece­ dência da remoção no preenchimento dos cargos públicos vagos. Contra essa decisão, fora impetrado o presente writ. Registrou­se, inicialmente, que na situação dos autos, ter­se­ia legislação anterior, na qual prevista que, na ascensão de servidores para determinadas comarcas, dever­se­ia observar primeiro a remoção. Ocorre que, posteriormente, nova lei teria sido editada, em que estabelecido critério distinto, sem a necessidade dessa exigência. Dessumiu-se que a sistemática de movimentação de servidor, de acordo com a lei estadual de regência, seria a da precedência de remoção para, depois, promover­se a investidura. Asseverou­se que candidato de cadastro de reserva não teria direito líquido e certo, mas apenas expectativa de direito. Por outro lado, esclareceu­se que o CNJ teria sido extremamente comedido ao manter candidatos concursados já empossados. Não se vislumbrou nenhum error in procedendo nem error in judicando do CNJ, o qual teria adotado solução justa com roupagem jurídica. Destacou­se que, no início da carreira, os recém­empossados deveriam ser lotados em comarcas mais lon­ gínquas. Por fim, rejeitou-se alegação de nulidade por ausência de citação de litisconsortes.” (MS 29.350, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 20.06.2012, Plenário,Informativo 671).

“A Segunda Turma denegou mandado de segurança impetrado pelo

Estado de Rondônia e pelo respectivo Ministério Público contra decisões do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), proferidas em procedimentos de controle administrativo, que afas­ taram reprovação de candidatos em exame psicotécnico aplicado em concurso de ingresso para o cargo de promotor público subs­ tituto daquela unidade federativa, a fim de garantir-lhes nomea­ ção e posse. Nas situações, primeiramente, em sede cautelar, o CNMP assegurara a eles participação na fase subsequente do certame (prova oral), na qual, posteriormente, aprovados. Depois disso, o Conselho emanara os ora atos impugnados. Inicialmente,

salientou-se a competência desta Turma para o julgamento do feito,

No mérito,

consoante Emenda Regimental 45/2011 do RISTF. [

enfatizou­se que, como salientado na apreciação do AI 758.533, a jurisprudência desta Corte consolidara-se no sentido de que a exi­ gência do teste psicotécnico em concurso dependeria de previsão legal e no edital, além de obedecer a critérios objetivos. Observou­ ­se que a previsão do exame em comento estaria no art. 65 da Lei Complementar rondoniense 93/1993. Passou­se, então, à análise do segundo aspecto: a necessidade de grau mínimo de objetivi­ dade e de publicidade dos critérios de avaliação psicológica. Assim, ressurtiu­se que nada constaria de mais substantivo na Resolução 8/2010 do Conselho Superior do Ministério Público de Rondônia, no edital de abertura do concurso e naquele de convocação para

o processo seletivo, que pudesse conferir mínimo de objetividade

ao teste ou pudesse servir de informação prévia aos concorrentes. Além disso, rejeitou­se que o pedido alternativo dos impetrantes de realização de outra avaliação psicológica. Ponderou-se que a defi­ nição ulterior de requisitos a serem utilizados violaria ainda mais o

]

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS princípio da impessoalidade a que se submeteria a administração pública, uma vez que

princípio da impessoalidade a que se submeteria a administração pública, uma vez que seriam estipuladas novas regras para candi­ datos conhecidos. Dessumiu­se inexistir direito líquido e certo dos impetrantes a ser tutelado.” (MS 30.822, Rel. Min. Ricardo Lewan­ dowski, julgamento em 05.06.2012, Segunda Turma, Informativo

669).

“Os conselhos de fiscalização profissional, posto autarquias cria­ das por lei e ostentando personalidade jurídica de direito público, exercendo atividade tipicamente pública, qual seja, a fiscalização do exercício profissional, submetem-se às regras encartadas no art. 37, II, da CB/1988, quando da contratação de servidores.” (RE 539.224, Rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 22.05.2012, Primeira Turma, DJE de 18.06.2012).

“Concurso público. Isenção de taxa de inscrição. É constitucio­ nal a Lei local 2.778/1989, no que implicou a concessão de isen­ ção de taxa para a inscrição em concurso público.” (RE 396.468- AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 22.05.2012, Primeira Turma, DJE de 24.06.2012.) No mesmo sentido: ADI 2.672, Rel. p/

o ac. Min. Ayres Britto, julgamento em 22.06.2006, Plenário, DJ de

10.11.2006.

“Por reputar que os temas abordados nas questões impugnadas de prova escrita objetiva estariam contemplados no conteúdo pro­ gramático de direito internacional do edital de concurso público destinado ao provimento de cargo de procurador da República, a Segunda Turma conheceu, parcialmente, de mandado de segu­ rança e, na parte conhecida, denegou a ordem. Os impetrantes sus­ tentavam que sua eliminação na 1ª fase do certame decorrera do não alcance do percentual mínimo exigido em um dos grupos em que dividida a prova, já que determinadas assertivas teriam abor­ dado assuntos não previstos no conteúdo programático. Reconhe­ ceu­se, de início, a prejudicialidade da ação, ante a perda superve­ niente de objeto, quanto a dois candidatos que, após o deferimento parcial de medida liminar, foram reprovados na etapa seguinte de provas escritas subjetivas. Assim, o feito seria apreciado apenas em relação ao impetrante remanescente, o qual lograra êxito em

todos os estágios do concurso. De igual modo, declarou­se o pre­ juízo do exame do agravo regimental interposto pela União. No mérito, afirmou-se a existência de orientação da Corte no sentido da admissibilidade de controle jurisdicional da legalidade de concurso público quando verificada, em ofensa ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório, a desconformidade entre as questões da prova e o programa descrito no edital do certame. Entretanto, con­ cluiu­se que, no caso em apreço, o candidato pretendia conferir a essa jurisprudência alcance que ela não possuiria. Alfim, cassou-se

a medida liminar anteriormente concedida.” (MS 30.894, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 08.05.2012, Segunda Turma, Informativo 665).

“Concurso público. Princípio da legalidade. Edital. Etapas. As etapas do concurso prescindem de disposição expressa em lei no

sentido formal e material, sendo suficientes a previsão no edital e

o nexo de causalidade consideradas as atribuições do cargo.”

(MS 30.177, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 24.04.2012, Primeira Turma, DJE de 17.05.2012).

“Em julgamento conjunto, a Segunda Turma denegou mandados de segurança impetrados contra ato do PGR, que eliminara can­ didatos de concurso público destinado ao provimento de cargo de Técnico de Apoio Especializado/Segurança, do quadro do MPU. Os impetrantes alegavam que foram impedidos de participar da 2ª fase do certame, denominada ‘Teste de Aptidão Física’, porquanto teriam apresentado atestados médicos genéricos, em desconformi­ dade com o edital. Consignou­se que o Edital 1/2010 determinaria que os laudos médicos apresentados por ocasião do referido teste físico deveriam ser específicos para esse fim, bem como mencionar expressamente que o candidato estivesse ‘apto’ a realizar o exame daquele concurso. Ademais, ressaltou­se a previsão de eliminação do certame dos que deixassem de apresentar o aludido atestado ou

o fizessem em descompasso com o critério em comento. Destacou­ ­se que o edital seria a lei do concurso e vincularia tanto a adminis­ tração pública quanto os candidatos. Desse modo, não se vislum­ brou ilegalidade ou abuso de poder. Por derradeiro, cassou­se a liminar anteriormente concedida no MS 29.957/DF.” (MS 29.957 e MS 30.265, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 06.03.2012, Segunda Turma, Informativo 657).

“Concurso público versus concurso interno. Ascensão funcional. Longe fica de vulnerar a CF pronunciamento no sentido da inviabili­ dade de placitar­se concurso interno para ingresso em cargo de car­ reira diversa daquela para a qual o servidor prestou concurso.” (RE 394.618­AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 13.12.2011, Primeira Turma, DJE de 16.02.2012).

“O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que

a eliminação do candidato de concurso público que esteja respon­

dendo a inquérito ou ação penal, sem pena condenatória transi­ tada em julgado, fere o princípio da presunção de inocência.” (AI 741.101­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 28.04.2009,

Segunda Turma, DJE de 29.05.2009).

“Constitucional. Administrativo. Concurso público. Policial militar. Altura mínima. Previsão legal. Inexistência. Somente lei formal pode impor condições para o preenchimento de cargos, empregos ou fun­ ções públicas. Precedentes.” (AI 723.748-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 30.09.2008, Segunda Turma, DJE de 07.11.2008.) No mesmo sentido: AI 623.035­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julga­ mento em 02.12.2010, Primeira Turma, DJE de 1º.02.2011.

“Ainconstitucionalidade da norma ora atacada é flagrante. O Supremo Tribunal Federal firmou sólida jurisprudência no sentido de que o art. 37, II, da CF rejeita qualquer burla à exigência de concurso público. Há diversos precedentes em que a tônica é a absoluta impossibili­ dade de se afastar esse critério de seleção dos quadros do serviço público (cf. ADI 2.689, Rel. Min. Ellen Gracie, Pleno, 09.10.2003; ADI 1.350­MC, Rel. Min. Celso de Mello, Pleno, 27.9.1995; ADI 980­ MC, Rel. Min. Celso de Mello, Pleno, 03.02.1994); ADI 951, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Pleno, 18.11.2004), até mesmo restringindo possíveis ampliações indevidas de exceções contidas na própria Constituição, a exemplo do disposto no art. 19 do ADCT (cf. ADI 1.808­MC, Rel. Min. Sydney Sanches, Pleno, 1º.02.1999). O rigor na interpretação desse dispositivo constitucional impede inclusive formas de provimento derivado de cargo público, por ascensão interna. Ora, na espécie, trata­se de mero enquadramento de pres­ tadores de serviço que tenham comprovado cinco anos de traba­ lho, dez anos na nova versão. Não há provas, apenas o reconhe­ cimento de um pretenso fato consumado. Dessa premissa parte a Assembleia Legislativa ao afirmar nas informações que a adminis­ tração não poderia dar outra solução ao problema, pois teria deca­ ído para a administração estadual o direito de rever os atos de contratação desses prestadores de serviço, nos termos do art. 54 da Lei 9.784/1999. Obviamente não há que se falar em decadên­ cia para que a administração reveja seus atos, pois o que está em causa não é a legalidade da contratação de prestadores de serviço, mas o enquadramento determinado nos termos da norma atacada. Impossível, em casos como o presente, falar em fato consumado inconstitucional. Ante o exposto, sem maiores dificuldades, concedo

a cautelar nesta ação direta em razão da inconstitucionalidade do

art. 48, caput e parágrafo único, da Lei Complementar 38/2004 do Estado do Piauí, tanto na versão original quanto na versão da nova lei.” (ADI 3.434-MC, voto do Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 23.08.2006, Plenário, DJ de 28.09.2007). No mesmo sentido: AI 794.852­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 15.02.2011, Primeira Turma, DJE de 17.03.2011. Vide: ADI 336, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10.02.2010, Plenário, DJE de 17.09.2010

III – o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA O prazo de validade é contado da homologação do concurso. Homologação é

O prazo de validade é contado da homologação do concurso. Homologação é o ato administrativo pelo qual a autoridade competente verifica os aspectos de legalidade e validade do concurso concluído. Assim, a nomeação do aprovado no certame deve ocorrer após a homologação e no prazo de validade deste.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Direito à nomeação: O STF firmou entendimento de que o candidato aprovado dentro do número de vagas previstas no edital possui direito subjetivo à nomeação, consoante entendi- mento já consolidado de outras cortes. Assim, o direito à nome- ação surge quando se realizam as condições fáticas e jurídicas. São elas: previsão em edital de número específico de vagas a serem preenchidas pelos candidatos aprovados no concurso; re- alização do certame conforme as regras do edital; homologação do concurso; e proclamação dos aprovados dentro do número de vagas previstos no edital em ordem de classificação por ato inequívoco e público da autoridade administrativa competente. Conforme orientação do Ministro Gilmar Mendes, a acessibi- lidade aos cargos públicos “constitui um direito fundamental e expressivo da cidadania”. Ele destaca também que a existência de um direito à nomeação limita a discricionariedade do poder público quanto à realização e gestão dos concursos públicos. “Respeitada a ordem de classificação, a discricionariedade da administração se resume ao momento da nomeação nos limites do prazo de validade do concurso.

Jurisprudência: “Expirado o prazo de validade do concurso para ingresso na atividade notarial e de registro, não é mais possí­ vel a outorga de delegação a candidato aprovado no certame.” (MS 28.044­ED, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 27.10.2011, Plenário, DJE de 12.12.2011.)

“Concurso público. Criação, por lei federal, de novos cargos durante o prazo de validade do certame. Posterior regulamentação editada pelo TSE a determinar o aproveitamento, para o preenchimento daqueles cargos, de aprovados em concurso que estivesse em vigor à data da publicação da lei. A Administração, é certo, não está obrigada a prorrogar o prazo de validade dos concursos públicos; porém, se novos cargos vêm a ser criados, durante tal prazo de validade, mostra­se de todo recomendável que se proceda a essa prorrogação. Na hipótese de haver novas vagas, prestes a serem preenchidas, e razoável número de aprovados em concurso ainda em vigor quando da edição da lei que criou essas novas vagas, não são justificativas bastantes para o indeferimento da prorroga­ ção da validade de certame público razões de política administra­ tiva interna do TRE que realizou o concurso.” (RE 581.113, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 05.04.2011, Primeira Turma, DJE de 31.05.2011.)

“Serviço público. Cargo público. Concurso. Prazo de validade. Expiração. Pretensão de convocação para sua segunda etapa. Improcedência. Existência de cadastro de reserva. Irrelevância. Aplicação do acórdão do RMS 23.696. Precedente do Plenário que superou jurisprudência anterior, em especial o julgamento dos RMS 23.040 e RMS 23.567. Agravo improvido. Expirado o prazo de vali­ dade de concurso público, não procede pretensão de convocação para sua segunda etapa, sendo irrelevante a existência de cadastro

de reserva, que não atribui prazo indefinido de validez aos certa­ mes.” (RMS 25.310-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 03.12.2008, Plenário, DJE de 06.02.2009.)

“Ato do poder público que, após ultrapassado o primeiro biênio de validade de concurso público, institui novo período de dois anos de eficácia do certame ofende o art. 37, III, da CF/1988. Nulidade das nomeações realizadas com fundamento em tal ato, que pode ser declarada pela administração sem a necessidade de prévio processo administrativo, em homenagem à Súmula STF 473.” (RE 352.258, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 27.04.2004, Segunda Turma, DJ de 14.05.2004.)

“Impossibilidade de prorrogar a validade do concurso quando já expirado o seu prazo inicial.” (AI 452.641-AgR, Nelson Jobim, julga­ mento em 30.09.2003, Segunda Turma, DJ de 05.12.2003.)

“Pretensão de candidato a ser nomeado, após o prazo de validade do concurso público. Constituição, art. 37, III. A partir de quatro anos da homologação do resultado, cessa a eficácia do concurso público, não mais podendo ser nomeados os candidatos remanescentes, à vista da ordem de classificação.” (MS 21.422, Rel. Min. Néri da Sil­ veira, julgamento em 09.12.1992, Plenário, DJ de 02.04.1993.)

“Exaurido o prazo de validade do concurso, e não tendo ele sido prorrogado, os incisos III e IV do art. 37 da Constituição e o prin­ cípio consagrado na Súmula 15 desta Corte não impedem que a Administração abra posteriormente outros concursos para o preen­ chimento de vagas dessa natureza, sem ter que convocar os can­ didatos daquele concurso que não obtiveram classificação nele. Improcedência da aplicação ao caso da denominada ‘teoria do fato consumado’.” (RMS 23.793, Rel. Min. Moreira Alves, julgamento em 06.11.2001, Primeira Turma, DJ de 14.12.2001.)

“O princípio da razoabilidade é conducente a presumir­se, como objeto do concurso, o preenchimento das vagas existentes. Exsurge configurador de desvio de poder, ato da administração pública que implique nomeação parcial de candidatos, indeferimento da prorro­ gação do prazo do concurso sem justificativa socialmente aceitável e publicação de novo edital com idêntica finalidade.” (RE 192.568, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 23.04.1996, Segunda Turma, DJ de 13.09.1996.) No mesmo sentido: RE 419.013­AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 01.06.2004, Segunda Turma, DJ de 25.06.2004.

“[

inconstitucionalidade de norma estadual de aproveitamento em

cargo inicial de uma carreira de servidores públicos providos em cargos que não a integram (cf. ADI 231, 08.04.1992, M. Alves, RTJ 144/24), não elidida nem pela estabilidade excepcional do art. 19 ADCT, nem pela circunstância de os destinatários terem sido apro­ vados em concurso para o cargo vencido, cujo prazo de validade, entretanto, já se vencera.” (ADI 430, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 25.05.1994, Plenário, DJ de 01.07.1994.)

“Concurso público. Prazo de validade. Arts. 97, §3º da EC 1/1969 e 37, III, da Constituição de 1988. Uma vez expi­ rado o prazo de validade do concurso, desfez­se a expec­ tativa de direito dos impetrantes.” (MS 20.864, Rel. Min. Carlos Madeira, julgamento em 01.06.1989, Plenário, DJ de

04.08.1989.)

]

IV

– durante o prazo improrrogável previsto no edi­

tal

de convocação, aquele aprovado em concurso

público de provas ou de provas e títulos será convo­ cado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;

A Carta Maior estabelece prioridade de nomeação de aprovados em concurso anterior ainda dentro do prazo de validade sobre os aprovados em novo certame para o mesmo cargo ou emprego.

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS Jurisprudência: “Dentro do prazo de validade do concurso, a administração poderá escolher

Jurisprudência: “Dentro do prazo de validade do concurso, a administração poderá escolher o momento no qual se realizará a nomeação, mas não poderá dispor sobre a própria nomeação, a qual, de acordo com o edital, passa a constituir um direito do con­ cursando aprovado e, dessa forma, um dever imposto ao Poder Público. Uma vez publicado o edital do concurso com número espe­ cífico de vagas, o ato da administração que declara os candidatos aprovados no certame cria um dever de nomeação para a própria administração e, portanto, um direito à nomeação titularizado pelo

] O dever de

boa­fé da administração pública exige o respeito incondicional às regras do edital, inclusive quanto à previsão das vagas do concurso público. Isso igualmente decorre de um necessário e incondicional respeito à segurança jurídica como princípio do Estado de Direito. Tem­se, aqui, o princípio da segurança jurídica como princípio de proteção à confiança. Quando a administração torna público um edital de concurso, convocando todos os cidadãos a participarem de seleção para o preenchimento de determinadas vagas no ser­ viço público, ela impreterivelmente gera uma expectativa quanto ao seu comportamento segundo as regras previstas nesse edital. Aqueles cidadãos que decidem se inscrever e participar do certame público depositam sua confiança no Estado administrador, que deve atuar de forma responsável quanto às normas do edital e obser­ var o princípio da segurança jurídica como guia de comportamento. Isso quer dizer, em outros termos, que o comportamento da admi­ nistração pública no decorrer do concurso público deve se pautar pela boa­fé, tanto no sentido objetivo quanto no aspecto subjetivo de respeito à confiança nela depositada por todos os cidadãos. [ ] Quando se afirma que a administração pública tem a obrigação de nomear os aprovados dentro do número de vagas previsto no edital, deve­se levar em consideração a possibilidade de situações excep­ cionalíssimas que justifiquem soluções diferenciadas, devidamente motivadas de acordo com o interesse público. Não se pode ignorar que determinadas situações excepcionais podem exigir a recusa da administração pública de nomear novos servidores. Para justificar

candidato aprovado dentro desse número de vagas. [

o excepcionalíssimo não cumprimento do dever de nomeação por

parte da administração pública, é necessário que a situação justifica­ dora seja dotada das seguintes características: a) Superveniência:

os eventuais fatos ensejadores de uma situação excepcional devem ser necessariamente posteriores à publicação do edital do certame público; b) Imprevisibilidade: a situação deve ser determinada por circunstâncias extraordinárias, imprevisíveis à época da publicação do edital; c) Gravidade: os acontecimentos extraordinários e impre­ visíveis devem ser extremamente graves, implicando onerosidade

excessiva, dificuldade ou mesmo impossibilidade de cumprimento efetivo das regras do edital; d) Necessidade: a solução drástica e excepcional de não cumprimento do dever de nomeação deve ser extremamente necessária, de forma que a administração somente pode adotar tal medida quando absolutamente não existirem outros meios menos gravosos para lidar com a situação excepcional e imprevisível. De toda forma, a recusa de nomear candidato apro­ vado dentro do número de vagas deve ser devidamente motivada

] Esse

e, dessa forma, passível de controle pelo Poder Judiciário. [

entendimento, na medida em que atesta a existência de um direito subjetivo à nomeação, reconhece e preserva da melhor forma a força normativa do princípio do concurso público, que vincula direta­ mente a administração. É preciso reconhecer que a efetividade da

exigência constitucional do concurso público, como uma incomen­ surável conquista da cidadania no Brasil, permanece condicionada

à observância, pelo Poder Público, de normas de organização e pro­

cedimento e, principalmente, de garantias fundamentais que possi­ bilitem o seu pleno exercício pelos cidadãos. O reconhecimento de um direito subjetivo à nomeação deve passar a impor limites à atu­ ação da administração pública e dela exigir o estrito cumprimento das normas que regem os certames, com especial observância dos deveres de boa-fé e incondicional respeito à confiança dos cid

dãos. O princípio constitucional do concurso público é fortalecido quando o Poder Público assegura e observa as garantias funda­ mentais que viabilizam a efetividade desse princípio. Ao lado das garantias de publicidade, isonomia, transparência, impessoalidade, entre outras, o direito à nomeação representa também uma garantia fundamental da plena efetividade do princípio do concurso público.” (RE 598.099, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 10.08.2011, Plenário, DJE de 03.10.2011, com repercussão geral.) No mesmo sentido: AI 848.031­AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 07.02.2012, Primeira Turma, DJE de 29.02.2012; RE 227.480, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 16.09.2008, Primeira Turma, DJE de 21.08.2009. Em sentido contrário: RE 290.346, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 29.05.2001, Primeira Turma, DJ de 29.06.2001. Vide: MS 24.660, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 03.02.2011, Plenário, DJE de 23.09.2011.

“A agravante deixou de nomear candidata aprovada em concurso

No entanto, abriu

público para professor de ensino superior [

processos seletivos simplificados para contratação de professo­ res temporários, para preenchimento de vagas de caráter perma­ nente, no mesmo cargo para o qual concorreu a agravada. Como assentado na decisão agravada, não se admite que a Administra­ ção Pública proveja cargo público, para o qual haja aprovado em concurso público, com candidato de classificação inferior ou mesmo sem a prévia aprovação em certame regularmente realizado.” (RE 474.657­ED, voto da Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 01.02.2011, Primeira Turma, DJE de 14.03.2011.) Vide: AI 777.644­ AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 20.04.2010, Segunda Turma, DJE de 14.05.2010.

“A jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que não há preterição quando a administração realiza nomeações em obser­ vação a decisão judicial.” (RE 594.917-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 09.11.2010, Primeira Turma, DJE de 25.11.2010.) No mesmo sentido: AI 620.992­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22.05.2007, Primeira Turma, DJ de 29.06.2007; RE 437.403­AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 28.03.2006, Segunda Turma, DJ de 05.05.2006; RE 392.888­ AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 20.09.2005, Primeira Turma, DJ de 24.03.2006.

“Concurso público. Terceirização de vaga. Preterição de candidatos

Uma vez comprovada a existên­

aprovados. Direito à nomeação. [

cia da vaga, sendo esta preenchida, ainda que precariamente, fica

caracterizada a preterição do candidato aprovado em concurso.” (AI 777.644­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 20.04.2010, Segunda Turma, DJE de 14.05.2010.) No mesmo sentido: AI 777.569­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 07.02.2012, Primeira Turma, DJE de 16.03.2012; ARE 646.080­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 06.12.2011, Primeira Turma, DJE de 06.02.2012; AI 776.070­AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 22.02.2011, Segunda Turma, DJE de 22.03.2011. Vide: RE 474.657­ED, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 01.02.2011, Primeira Turma, DJE de 14.03.2011.

“Concurso público. Candidatos aprovados, mas não classificados. Preferência de nomeação em relação a classificados em concurso posterior. Impossibilidade. Súmula 15 do STF. Reexame de fatos e de provas. O aprovado não classificado em concurso público não tem preferência de nomeação em relação a aprovado em concurso posterior, mesmo que este tenha sido realizado no prazo de vali­ dade do certame anterior. Reexame de fatos e provas.” (AI 711.504- AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10.06.2008, Segunda Turma, DJE de 27.06.2008.)

].

]

V – as funções de confiança, exercidas exclusiva­ mente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA percentuais mínimos previstos em lei, destinam­se apenas às atribuições de

percentuais mínimos previstos em lei, destinam­se apenas às atribuições de direção, chefia e asses­ soramento;

As funções de confiança, criadas por lei, são plexos unitários de atribuições correspondentes a encargos de direção, chefia ou assessoramento, exercidas por titular de cargo efetivo da confiança da autoridade que as preenche. Os ocupantes desta função submetem­se ao regime de inte­ gral dedicação ao serviço.

Jurisprudência: “Os condicionamentos impostos pela Resolução 07/2005, do Conselho Nacional de Justiça, não atentam contra a

liberdade de prover e desprover cargos em comissão e funções de confiança. As restrições constantes do ato resolutivo são, no rigor dos termos, as mesmas já impostas pela Constituição de 1988, dedutíveis dos republicanos princípios da impessoalidade, da efi­ ciência, da igualdade e da moralidade. Improcedência das alega­ ções de desrespeito ao princípio da separação dos poderes e ao princípio federativo. O CNJ não é órgão estranho ao Poder Judici­ ário (art. 92, CF) e não está a submeter esse Poder à autoridade de nenhum dos outros dois. O Poder Judiciário tem uma singular compostura de âmbito nacional, perfeitamente compatibilizada com

o caráter estadualizado de uma parte dele. Ademais, o art. 125 da

Lei Magna defere aos Estados a competência de organizar a sua própria Justiça, mas não é menos certo que esse mesmo art. 125, caput, junge essa organização aos princípios ‘estabelecidos’ por ela, Carta Maior, neles incluídos os constantes do art. 37, cabeça. Ação julgada procedente para: a) emprestar interpretação conforme à Constituição para deduzir a função de chefia do substantivo ‘dire­ ção’ nos incisos II, III, IV, V do art. 2° do ato normativo em foco; b) declarar a constitucionalidade da Resolução 07/2005, do CNJ.” (ADC 12, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 20.08.2008, Plená­ rio, DJE de 18.12.2009.)

“Lei estadual que cria cargos em comissão. Violação ao art. 37,

II e V, da Constituição. Os cargos em comissão criados pela Lei

1.939/1998, do Estado de Mato Grosso do Sul, possuem atribui­ ções meramente técnicas e que, portanto, não possuem o caráter de assessoramento, chefia ou direção exigido para tais cargos, nos termos do art. 37, V, da CF. Ação julgada procedente.” (ADI 3.706, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 15.08.2007, Ple­ nário, DJ de 05.10.2007.) No mesmo sentido: AI 309.399­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 20.03.2012, Primeira Turma, DJE de 23.04.2012; ADI 3.602, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julga­

mento em 14.04.2011, Plenário, DJE de 07.06.2011; ADI 4.125, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 10.06.2010, Plenário, DJE de

15.02.2011.

“Cabe ao Poder Judiciário verificar a regularidade dos atos normati­ vos e de administração do poder público em relação às causas, aos motivos e à finalidade que os ensejam. Pelo princípio da proporcio­ nalidade, há que ser guardada correlação entre o número de cargos efetivos e em comissão, de maneira que exista estrutura para atua­ ção do Poder Legislativo local.” (RE 365.368-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 22.05.2007, Primeira Turma, DJ de 29.06.2007.) No mesmo sentido: ADI 4.125, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 10.06.2010, Plenário, DJE de 15.02.2011.

“Cargos em comissão a serem preenchidos por servidores efetivos. A norma inscrita no art. 37, V, da Carta da República é de eficá­ cia contida, pendente de regulamentação por lei ordinária.” (RMS 24.287, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 26.11.2002, Segunda Turma, DJ de 01.08.2003.)

QUESTÃO DE CONCURSO

(CESPE/ 2011/ PC­ES/ Perito Papiloscópico/ Especí­ ficos)Para que um edital de concurso público possa exigir idade máxima, é necessário que tal exigência esteja devidamente prevista em lei que regulamente o cargo.

Resposta: CERTO

Servidor público e direito a greve e a associação sindical

A Carta maior, em consonância com a moderna ten­ dência em relação aos direitos sociais, permitiu-lhes tanto o direito a livre associação sindical, quanto ao direto de greve, este exercido nos termos e limites de lei específica. No caso do direito à livre associação a norma é autoaplicável, dife­ rentemente do caso da greve. Importante ressaltar, no que tange aos militares é vedada a sindicalização e a greve (art. 142, inciso IV da CF), não comportando qualquer exceção.

VI – é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical; VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;

Jurisprudência: “Arguição de descumprimento de preceito fun­ damental. Lei 3.624/1989, do Município de Vitória, que impõe ao poder público municipal a obrigação de cumprir acordo coletivo celebrado com diversas entidades representativas dos servidores públicos municipais. Não conhecimento. O acordo coletivo de tra­ balho se constituiu em ato jurídico uno para todas as categorias de servidores estatutários do Município de Vitória. Exauridas todas as instâncias, inclusive com manejo de ação rescisória extinta sem resolução do mérito, não cabe à ADPF cumprir uma função substi­ tutiva de embargos à execução.” (ADPF 83, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 24.04.2008, Plenário, DJE de 01.08.2008.)

“Organização sindical: interferência na atividade. Ação direta de inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 34 da Constituição do Estado de Minas Gerais, introduzido pela EC 8, de 13 de julho de 1993, que limita o número de servidores públicos afastáveis do serviço para exercício de mandato eletivo em diretoria de entidade

Mérito:

sindical proporcionalmente ao número de filiados a ela [

alegação de ofensa ao inciso I do art. 8°, ao VI do art. 37, ao XXXVI do art. 5° e ao XIX do art. 5°, todos da CF, por interferência em enti­ dade sindical. Inocorrência dos vícios apontados.” (ADI 990, Rel.

Min. Sydney Sanches, julgamento em 06.02.2003, Plenário, DJ de

11.04.2003.)

“Vedação de desconto de contribuição sindical. Violação ao art. 8º, IV, c/c o art. 37, VI, da Constituição.” (ADI 1.416, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 06.02.2003, Plenário, DJ de 14.11.2002.)

“Facultada a formação de sindicatos de servidores públicos (CF, art. 37, VI), não cabe excluí­los do regime da contribuição legal com­ pulsória exigível dos membros da categoria (ADIn 962, 11.11.1993, Galvão).” (RMS 21.758, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 20.09.1994, Primeira Turma, DJ de 04.11.1994.)

].

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS “A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto de convenção

“A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto de convenção coletiva.” (Súmula 679)

“Greve de servidor público. Desconto pelos dias não trabalha­

A comutatividade inerente à relação laboral

entre servidor e Administração Pública justifica o emprego, com os devidos temperamentos, da ratio subjacente ao art. 7º da Lei 7.783/1989, segundo o qual, em regra, ‘a participação em greve suspende o contrato de trabalho’. Não se proíbe, todavia, a adoção de soluções autocompositivas em benefício dos servidores grevis­

tas, como explicitam a parte final do artigo parcialmente transcrito e

a decisão proferida pelo STF no MI 708 [

Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 23.11.2010, Segunda Turma, DJE de 01.02.2011.) No mesmo sentido: AI 824.949­AgR, Rel. Min.

Ricardo Lewandowski, julgamento em 23.08.2011, Segunda Turma, DJE de 06.09.2011; RE 399.338­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, jul­ gamento em 01.02.2011, Primeira Turma, DJE de 24.02.2011.

“A questão relativa a greve de servidor público, com fundamento no art. 37, VII, da CF, é da competência deste STF, pois o acórdão recorrido decidiu a questão com fundamento em dispositivos consti­ tucionais.” (RE 480.989-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 28.09.2010, Segunda Turma, DJE de 25.10.2010.)

“O exercício de um direito constitucional é garantia fundamental a ser protegida por esta Corte, desde que não exercido de forma abu­

siva. [

falta grave ou fato desabonador da conduta, em termos de avalia­ ção de estágio probatório, que enseja imediata exoneração do ser­ vidor público não estável, o dispositivo impugnado viola o direito de greve conferido aos servidores públicos no art. 37, VII, CF/1988, na medida em que inclui, entre os fatores de avaliação do está­ gio probatório, de forma inconstitucional, o exercício não abusivo do direito de greve.” (ADI 3.235, voto do Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 04.02.2010, Plenário, DJE de 12.03.2010.) Vide: RE 226.966, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 11.11.2008, Primeira Turma, DJE de 21.08.2009.

“A simples circunstância de o servidor público estar em estágio pro­ batório não é justificativa para demissão com fundamento na sua participação em movimento grevista por período superior a trinta dias. A ausência de regulamentação do direito de greve não trans­ forma os dias de paralisação em movimento grevista em faltas injus­ tificadas.” (RE 226.966, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 11.11.2008, Primeira Turma, DJE de 21.08.2009.) Vide: ADI 3.235, Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 04.02.2010, Plenário, DJE de 12.03.2010.

“Mandado de injunção. Garantia fundamental (CF, art. 5º, LXXI). Direito de greve dos servidores públicos civis (CF, art. 37, VII). Evo­ lução do tema na jurisprudência do STF. Definição dos parâmetros de competência constitucional para apreciação no âmbito da Justiça Federal e da Justiça estadual até a edição da legislação específica pertinente, nos termos do art. 37, VII, da CF. Em observância aos ditames da segurança jurídica e à evolução jurisprudencial na inter­ pretação da omissão legislativa sobre o direito de greve dos servido­ res públicos civis, fixação do prazo de sessenta dias para que o Congresso Nacional legisle sobre a matéria. Mandado de injunção deferido para determinar a aplicação das Leis 7.701/1988 e 7.783/1989. Sinais de evolução da garantia fundamental do man­

dado de injunção na jurisprudência do STF. [

] O mandado de injun­

ção e o direito de greve dos servidores públicos civis na jurisprudên­

cia

Direito de greve dos servidores públicos civis.

Hipótese de omissão legislativa inconstitucional. Mora judicial, por diversas vezes, declarada pelo Plenário do STF. Riscos de consoli­ dação de típica omissão judicial quanto à matéria. A experiência do direito comparado. Legitimidade de adoção de alternativas normati­ vas e institucionais de superação da situação de omissão. [ ] Apesar das modificações implementadas pela EC 19/1998 quanto à modificação da reserva legal de lei complementar para a de lei ordi­ nária específica (CF, art. 37, VII), observa-se que o direito de greve

ao considerar o exercício do direito de greve como

]” (RE 456.530-ED, Rel.

dos. Legitimidade. [

]

].

[

]

do

STF. [

]

dos servidores públicos civis continua sem receber tratamento legis­ lativo minimamente satisfatório para garantir o exercício dessa prer­ rogativa em consonância com imperativos constitucionais. Tendo em vista as imperiosas balizas jurídico­políticas que demandam a concretização do direito de greve a todos os trabalhadores, o STF não pode se abster de reconhecer que, assim como o controle judi­ cial deve incidir sobre a atividade do legislador, é possível que a Corte Constitucional atue também nos casos de inatividade ou omissão do Legislativo. A mora legislativa em questão já foi, por diversas vezes, declarada na ordem constitucional brasileira. Por esse motivo, a permanência dessa situação de ausência de regula­ mentação do direito de greve dos servidores públicos civis passa a invocar, para si, os riscos de consolidação de uma típica omissão judicial. Na experiência do direito comparado (em especial, na Ale­ manha e na Itália), admite­se que o Poder Judiciário adote medidas

normativas como alternativa legítima de superação de omissões inconstitucionais, sem que a proteção judicial efetiva a direitos fun­ damentais se configure como ofensa ao modelo de separação de poderes (CF, art. 2º). Direito de greve dos servidores públicos civis. Regulamentação da lei de greve dos trabalhadores em geral (Lei 7.783/1989). Fixação de parâmetros de controle judicial do exercício

] Conside­

rada a omissão legislativa alegada na espécie, seria o caso de se acolher a pretensão, tão somente no sentido de que se aplique a Lei 7.783/1989 enquanto a omissão não for devidamente regulamen­ tada por lei específica para os servidores públicos civis (CF, art. 37, VII). Em razão dos imperativos da continuidade dos serviços públi­ cos, contudo, não se pode afastar que, de acordo com as peculiari­ dades de cada caso concreto e mediante solicitação de entidade ou órgão legítimo, seja facultado ao tribunal competente impor a obser­ vância a regime de greve mais severo em razão de tratar­se de ‘serviços ou atividades essenciais’, nos termos do regime fixado pelos arts. 9º a 11 da Lei 7.783/1989. Isso ocorre porque não se pode deixar de cogitar dos riscos decorrentes das possibilidades de que a regulação dos serviços públicos que tenham características afins a esses ‘serviços ou atividades essenciais’ seja menos severa que a disciplina dispensada aos serviços privados ditos ‘essenciais’. O sistema de judicialização do direito de greve dos servidores públi­ cos civis está aberto para que outras atividades sejam submetidas a idêntico regime. Pela complexidade e variedade dos serviços públi­ cos e atividades estratégicas típicas do Estado, há outros serviços públicos, cuja essencialidade não está contemplada pelo rol dos arts. 9º a 11 da Lei 7.783/1989. Para os fins desta decisão, a enun­ ciação do regime fixado pelos arts. 9º a 11 da Lei 7.783/1989 é apenas exemplificativa (numerus apertus). O processamento e o jul­ gamento de eventuais dissídios de greve que envolvam servidores públicos civis devem obedecer ao modelo de competências e atri­ buições aplicável aos trabalhadores em geral (celetistas), nos termos da regulamentação da Lei 7.783/1989. A aplicação comple­ mentar da Lei 7.701/1988 visa à judicialização dos conflitos que envolvam os servidores públicos civis no contexto do atendimento de atividades relacionadas a necessidades inadiáveis da comuni­ dade que, se não atendidas, coloquem ‘em perigo iminente a sobre­ vivência, a saúde ou a segurança da população’ (Lei 7.783/1989, parágrafo único, art. 11). Pendência do julgamento de mérito da ADI 3.395/DF, Rel. Min. Cezar Peluso, na qual se discute a competência constitucional para a apreciação das ‘ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da admi­ nistração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios’ (CF, art. 114, I, na redação conferida pela EC 45/2004). Diante da singularidade do debate constitucional do direito de greve dos servidores públicos civis, sob pena de injustifi­ cada e inadmissível negativa de prestação jurisdicional nos âmbitos federal, estadual e municipal, devem-se fixar também os parâme­ tros institucionais e constitucionais de definição de competência, provisória e ampliativa, para a apreciação de dissídios de greve ins­ taurados entre o Poder Público e os servidores públicos civis. No

do direito de greve pelo legislador infraconstitucional. [

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA plano procedimental, afigura-se recomendável aplicar ao caso con ­ creto a

plano procedimental, afigura-se recomendável aplicar ao caso con­ creto a disciplina da Lei 7.701/1988 (que versa sobre especialização das turmas dos Tribunais do Trabalho em processos coletivos), no que tange à competência para apreciar e julgar eventuais conflitos judiciais referentes à greve de servidores públicos que sejam susci­ tados até o momento de colmatação legislativa específica da lacuna ora declarada, nos termos do inciso VII do art. 37 da CF. A adequa­ ção e a necessidade da definição dessas questões de organização e procedimento dizem respeito a elementos de fixação de compe­ tência constitucional de modo a assegurar, a um só tempo, a possi­

bilidade e, sobretudo, os limites ao exercício do direito constitucional de greve dos servidores públicos, e a continuidade na prestação dos serviços públicos. Ao adotar essa medida, este Tribunal passa a assegurar o direito de greve constitucionalmente garantido no art. 37, VII, da CF, sem desconsiderar a garantia da continuidade de prestação de serviços públicos – um elemento fundamental para a preservação do interesse público em áreas que são extremamente demandadas pela sociedade. Definição dos parâmetros de compe­ tência constitucional para apreciação do tema no âmbito da Justiça Federal e da Justiça estadual até a edição da legislação específica

] Em razão da evolu­

ção jurisprudencial sobre o tema da interpretação da omissão legis­ lativa do direito de greve dos servidores públicos civis e em respeito aos ditames de segurança jurídica, fixa-se o prazo de sessenta dias

para que o Congresso Nacional legisle sobre a matéria. Mandado de injunção conhecido e, no mérito, deferido para, nos termos acima especificados, determinar a aplicação das Leis 7.701/1988 e 7.783/1989 aos conflitos e às ações judiciais que envolvam a inter­ pretação do direito de greve dos servidores públicos civis.” (MI 708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 25.10.2007, Plenário, DJE de 31.10.2008.) No mesmo sentido: ARE 657.385, Rel. Min. Luiz Fux, decisão monocrática, julgamento em 29.02.2012, DJE de 13.03.2012; MI 712, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 25.10.2007, Plenário, DJE de 31.10.2008. Vide: RE 456.530­ED, Rel. Min. Joa­ quim Barbosa, julgamento em 23.11.2010, Segunda Turma, DJE de 01.02.2011; ADI 3.235, Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 04.02.2010, Plenário, DJE de 12.03.2010; Rcl 6.568, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 21.05.2009, Plenário, DJE de 25.09.2009.

pertinente, nos termos do art. 37, VII, da CF. [

Reserva de percentual de cargos e empregos aos portadores de deficiência.

A Constituição Federal, em seu art. 37, inciso VIII assim dispõe sobre o tema:

VIII – a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

A matéria do percentual de cargos públicos foi regu­ lamentada pela Lei n. 8.112/1990 (esfera federal), segundo a qual às pessoas portadoras de deficiência física é asse­ gurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento cujas atribuições sejam compatíveis com a defi­ ciência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% das vagas oferecidas no concurso.

Jurisprudência: “Recurso ordinário em mandado de segurança interposto de acórdão do Superior Tribunal de Justiça que entendeu ser plausível o cálculo da quantidade de vagas destinadas à espe­ cífica concorrência de acordo com o número de turmas do curso de formação. Os limites máximo e mínimo de reserva de vagas

para específica concorrência tomam por base de cálculo a quan­ tidade total de vagas oferecidas aos candidatos, para cada cargo público, definido em função da especialidade. Especificidades da estrutura do concurso, que não versem sobre o total de vagas oferecidas para cada área de atuação, especialidade ou cargo público, não influem no cálculo da reserva. Concurso público. Pro­ vimento de 54 vagas para o cargo de Fiscal Federal Agropecuá­ rio. Etapa do concurso dividida em duas turmas para frequência ao curso de formação. Convocação, respectivamente, de 11 e 43 candidatos em épocas distintas. Reserva de quatro vagas para candidatos portadores de deficiência. Erro de critério. Disponíveis 54 vagas e, destas, reservadas 5% para específica concorrência, três eram as vagas que deveriam ter sido destinadas à especí­ fica concorrência. A convocação de quarto candidato, ao invés do impetrante, violou direito líquido e certo à concorrência no cer­ tame.” (RMS 25.666, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 29.09.2009, Segunda Turma, DJE de 04.12.2009.)

“Concurso público. Candidato portador de deficiência visual. Ambliopia. Reserva de vaga. Inciso VIII do art. 37 da CF. Pará­ grafo 2º do art. 5º da Lei 8.112/1990. Lei 7.853/1989. Decretos 3.298/1999 e 5.296/2004. O candidato com visão monocular padece de deficiência que impede a comparação entre os dois olhos para saber-se qual deles é o ‘melhor’. A visão univalente – comprometedora das noções de profundidade e distância – implica limitação superior à deficiência parcial que afete os dois olhos. A reparação ou compensação dos fatores de desigualdade factual com medidas de superioridade jurídica constitui política de ação afirmativa que se inscreve nos quadros da sociedade fraterna que se lê desde o preâmbulo da Constituição de 1988.” (RMS 26.071, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 13.11.2007, Primeira Turma, DJ de 01.02.2008.)

“Concurso público – Candidatos – Tratamento igualitário. A regra é a participação dos candidatos, no concurso público, em igual­ dade de condições. Concurso público – Reserva de vagas – Por­ tador de deficiência – Disciplina e viabilidade. Por encerrar exce­ ção, a reserva de vagas para portadores de deficiência faz-se nos limites da lei e na medida da viabilidade consideradas as exis­ tentes, afastada a possibilidade de, mediante arredondamento, majorarem-se as percentagens mínima e máxima previstas.” (MS 26.310, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 20.09.2007, Ple­ nário, DJ de 31.10.2007.) No mesmo sentido: RE 440.988­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 28.02.2012, Primeira Turma, DJE de 30.03.2012; RE 408.727­AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 14.09.2010, Segunda Turma, DJE de 08.10.2010.

“A exigência constitucional de reserva de vagas para portadores de deficiência em concurso público se impõe ainda que o per­ centual legalmente previsto seja inferior a um, hipótese em que a fração deve ser arredondada. Entendimento que garante a eficá­ cia do art. 37, VIII, da CF, que, caso contrário, restaria violado.” (RE 227.299, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 14.06.2000, Plenário, DJ de 06.10.2000.) No mesmo sentido: RE 606.728­ AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 02.12.2010, Pri­ meira Turma, DJE de 01.02.2011.

“A exigência de caráter geral, de aprovação em concurso, não pode ser afastada nem mesmo pela reserva de ‘percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de defi­ ciência’ (CF, art. 37, II e VIII).” (MI 153-AgR, Rel. Min. Paulo Bros­ sard, julgamento em 14.03.1990, Plenário, DJ de 30.03.1990).

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS Contratação por tempo determinado O art. 39, inciso IX da CF/88 estabelece que:

Contratação por tempo determinado

O art. 39, inciso IX da CF/88 estabelece que:

IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;

As pessoas contratadas com base no art. 37, inciso IX da CF não ocupam cargo público, não estão sujeitos ao regime estatutário, nem tampouco se submetem as leis tra­ balhistas. A doutrina entende que tais agentes públicos exer­ cem função pública temporária, tendo vínculo com a Admi­ nistração Pública de caráter jurídico­administrativo e não trabalhista. Na esfera federal, a contratação por prazo determina encontra­se disciplinada pela lei n. 8.745/1993.

Jurisprudência: “[

STF assentou que é devida a extensão de direito previsto no art. 7º da CR a servidor contratado temporariamente com base em lei local regulamentadora do art. 37, IX, da Constituição, principalmente nos casos de contratos sucessivamente prorrogados.” (ARE 649.393- AgR, voto da Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22.11.2011, Primeira Turma, DJE de 14.12.2011.) No mesmo sentido: ARE 663.104­AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 28.02.2012, Segunda Turma, DJE de 19.03.2012. Vide: RE 287.905, Rel. p/ o ac. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 28.06.2005, Segunda Turma, DJ de 30.06.2006.

“[

em caso análogo ao que ora se debate, este

]

ressalto que, em casos análogos, esta Suprema Corte tem reco­

nhecido que a existência de leis municipais autorizando a contrata­

ção temporária de agentes públicos, para atender a necessidade de excepcional interesse público, afasta a tipicidade da conduta refe­

rente ao art. 1º, XIII, do DL 201/1967, que exige a nomeação, admis­ são ou designação de servidor contra expressa disposição de lei.

] [

a superveniência da Lei 8.745/1993, de cunho mais restritivo (por não prever a hipótese de contratação de guarda municipal), tem o condão de afastar a atipicidade da conduta imputada ao paciente. É que tenho para mim que esta lei, data venia, regulamenta a contra­ tação por tempo determinado para atender a necessidade temporá­

ria de excepcional interesse público na órbita federal, não havendo que se cogitar, portanto, da sua incidência em âmbito estadual ou

municipal. [

ambos da CF, só corrobora o que venho expor. Se, por um lado, o art. 37, IX, dispõe que ‘a lei estabelecerá os casos de contrata­ ção por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público’, o art. 30, I, por sua vez, assenta que compete aos Municípios ‘legislar sobre assuntos de interesse local’.” (HC 104.078, voto do Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 07.06.2011, Segunda Turma, DJE de 05.08.2011).

“É de natureza permanente a atividade de estatística e pesquisa desenvolvida pelo IBGE; sua intensidade e o volume dessas pesqui­ sas não são os mesmos todo o tempo. Possibilidade de contratação temporária, nos termos do art. 37, IX, da Constituição da República, para atender à necessidade temporária de pessoal necessário à realização de trabalhos em determinados períodos. Observân­ cia dos princípios da eficiência e da moralidade.” (ADI 3.386, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 14.04.2011, Plenário, DJE de

24.08.2011).

A conjugação do disposto nos arts. 30, I, e 37, IX,

Nem se diga, como se colhe do acórdão proferido pelo STJ, que

]

]

“O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que, comprovada a necessidade de contratação de pessoal, deve­se nomear os candidatos aprovados no certame em vigor em detri­ mento da renovação de contrato temporário.” (AI 684.518-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 28.04.2009, Segunda Turma, DJE de 29.05.2009.) No mesmo sentido: RE 555.141­AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 08.02.2011, Segunda Turma, DJE de

24.02.2011.

“Lei 8.742, de 30.11.2005 do Estado do Rio Grande do Norte, que ‘dispõe sobre a contratação temporária de advogados para o exercício da função de defensor público, no âmbito da Defensoria Pública do Estado’. A Defensoria Pública se revela como instru­ mento de democratização do acesso às instâncias judiciárias, de modo a efetivar o valor constitucional da universalização da jus­ tiça (inciso XXXV do art. 5º da CF/1988). Por desempenhar, com exclusividade, um mister estatal genuíno e essencial à jurisdição, a Defensoria Pública não convive com a possibilidade de que seus agentes sejam recrutados em caráter precário. Urge estruturá­la em cargos de provimento efetivo e, mais que isso, cargos de carreira. A estruturação da Defensoria Pública em cargos de carreira, pro­ vidos mediante concurso público de provas e títulos, opera como garantia da independência técnica da instituição, a se refletir na boa qualidade da assistência a que fazem jus os estratos mais economi­ camente débeis da coletividade.” (ADI 3.700, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 15.10.2008, Plenário, DJE de 06.03.2009).

“Servidores públicos. Regime temporário. Justiça do Trabalho. Incompetência. No julgamento da ADI 3.395-MC/DF, este Supremo Tribunal suspendeu toda e qualquer interpretação do inciso I do art. 114 da CF (na redação da EC 45/2004) que inserisse, na compe­ tência da Justiça do Trabalho, a apreciação de causas instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico­administrativo. As contratações temporárias para suprir os serviços públicos estão no âmbito de relação jurídico­administrativa, sendo competente para dirimir os conflitos a Justiça comum e não a Justiça especiali­ zada.” (Rcl 4.872, Rel. p/ o ac. Min. Menezes Direito, julgamento em 21.08.2008, Plenário, DJE de 07.11.2008.) No mesmo sentido: Rcl 7.157­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 17.02.2010, Plená­ rio, DJE de 19.03.2010; Rcl 4.045­MC­AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 14.10.09, Plenário, DJE de 19.03.10; Rcl 5.924­AgR, Rcl 7.066­AgR e Rcl 7.115­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 23.09.2009, Plenário, DJE de 23.10.2009; Rcl 7.028­AgR e 7.234­ AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 16.09.2009, Plenário, DJE de 16.10.2009; Rcl 4.489­AgR, Rcl 4.012­AgR e Rcl 4.054­ AgR, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 21.08.2008, Plenário, DJE de 21.11.2008; Rcl 5.381, Rel. Min. Ayres Britto, julga­ mento em 17.03.2008, Plenário, DJE de 08.08.2008.

“Servidor público. Regime especial. Contratação temporária regida por legislação local anterior à Constituição de 1988, editada com base no art. 106 da Constituição de 1967. Acórdão que reconheceu

Ao reconhecer a com­

a competência da Justiça do Trabalho. [

petência da Justiça do Trabalho para processar e julgar a reclama­ ção trabalhista, o acórdão recorrido divergiu de pacífica orientação jurisprudencial deste STF. Compete à Justiça comum processar e julgar causas instauradas entre o Poder Público e seus servidores submetidos a regime especial disciplinado por lei local editada antes da Constituição Republicana de 1988, com fundamento no art. 106 da Constituição de 1967, na redação que lhe deu a EC 1/1969, ou no art. 37, IX, da Constituição de 1988.” (RE 573.202, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 21.08.2008, Plenário, DJE de 05.12.2008, com repercussão geral.) No mesmo sentido: Rcl 7.633­ AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 23.06.2010, Plenário, DJE de 17.09.2010.

“Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL. Contrato tem­ porário. Regime jurídico administrativo. Descumprimento da ADI 3.395. Competência da Justiça Federal. Contrato firmado entre a

]

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Anatel e a interessada tem natureza jurídica temporária e submete­ ­se ao

Anatel e a interessada tem natureza jurídica temporária e submete­ ­se ao regime jurídico administrativo, nos moldes do inciso XXIII do art. 19 da Lei 9.472/1997 e do inciso IX do art. 37 da Constituição da República. Incompetência da Justiça Trabalhista para o proces­ samento e o julgamento das causas que envolvam o poder público e servidores que sejam vinculados a ele por relação jurídico­admi­ nistrativa. Precedentes.” (Rcl 5.171, Rel. Min. Cármen Lúcia, julga­ mento em 21.08.2008, Plenário, DJE de 03.10.2008).

“O disposto no art. 114, I, da CF, não abrange as causas instaura­ das entre o Poder Público e servidor que lhe seja vinculado por rela­ ção jurídico­estatutária, entendida esta como a relação de cunho jurídico­administrativo originada de investidura em cargo efetivo ou em cargo em comissão. Tais premissas são suficientes para que este STF, em sede de reclamação, verifique se determinado ato judicial confirmador da competência da Justiça do Trabalho afronta sua decisão cautelar proferida na ADI 3.395/DF. A investidura do servidor em cargo em comissão define esse caráter jurídico­ ­administrativo da relação de trabalho. Não compete ao STF, no âmbito estreito de cognição próprio da reclamação constitucional, analisar a regularidade constitucional e legal das investiduras em cargos efetivos ou comissionados ou das contratações temporárias realizadas pelo Poder Público.” (Rcl 4.785-MC-AgR e Rcl 4.990- MC­AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 17.12.2007, Plenário, DJE de 14.03.2008.) No mesmo sentido: Rcl 8.197­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 17.02.2010, Plenário, DJE de 16.04.2010; Rcl 5.381­ED, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 20.05.2009, Plenário, DJE de 21.08.2009.

“O art. 37, IX, da Constituição do Brasil autoriza contratações, sem concurso público, desde que indispensáveis ao atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público, quer para o desempenho das atividades de caráter eventual, temporário ou excepcional, quer para o desempenho das atividades de cará­ ter regular e permanente. A alegada inércia da administração não pode ser punida em detrimento do interesse público, que ocorre quando colocado em risco o princípio da continuidade da atividade estatal.” (ADI 3.068, Rel. p/ o ac. Min. Eros Grau, julgamento em 24.02.2006, Plenário, DJ de 23.09.2005).

“A regra é a admissão de servidor público mediante concurso público: CF, art. 37, II. As duas exceções à regra são para os cargos em comissão referidos no inciso II do art. 37, e a contra­ tação de pessoal por tempo determinado para atender a necessi­ dade temporária de excepcional interesse público. CF, art. 37, IX. Nessa hipótese, deverão ser atendidas as seguintes condições: a) previsão em lei dos cargos; b) tempo determinado; c) necessidade temporária de interesse público; d) interesse público excepcional.” (ADI 2.229, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 09.06.2004, Plenário, DJ de 25.06.2004). No mesmo sentido: ADI 3.430, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 12.08.2009, Plenário, DJE de 23.10.2009.

“Administração pública direta e indireta. Admissão de pessoal. Obediência cogente à regra geral de concurso público para admis­ são de pessoal, excetuadas as hipóteses de investidura em cargos em comissão e contratação destinada a atender necessidade tem­ porária e excepcional. Interpretação restritiva do art. 37, IX, da CF. Precedentes. Atividades permanentes. Concurso público. As ativi­ dades relacionadas no art. 2º da norma impugnada, com exceção daquelas previstas nos incisos II e VII, são permanentes ou previ­ síveis. Atribuições passíveis de serem exercidas somente por ser­ vidores públicos admitidos pela via do concurso público.” (ADI 890, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 11.09.2003, Plenário, DJ de 06.02.2004). No mesmo sentido: ADI 3.116, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 14.04.2011, Plenário, DJE de 24.05.2011. Vide: ADI 3.430, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 12.08.2009, Plenário, DJE de 23.10.2009.

QUESTÃO DE CONCURSO

(CESPE/ ANAC/ Técnico Administrativo/ 2009) É facul­ tado ao presidente da República, por meio de decreto, o estabelecimento dos casos de contratação por tem­ po determinado para atender a necessidade temporá­ ria de excepcional interesse público.

Resposta: ERRADO

Sistema remuneratório dos servidores

Vejamos o disposto na Constituição Federal acerca da remuneração dos agentes públicos:

X – a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o §4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revi­ são geral anual, sempre na mesma data e sem distin­ ção de índices;

Observações importantes acerca do sistema remu- neratório:

• É necessária a edição de uma lei específica para alteração ou fixação de remuneração dos servido­ res públicos.

• Na visão do doutrinador Direy da Cunha Junior, subsídio consiste em nova modalidade de retribui­ ção pecuniária paga a certos agentes públicos, em parcela única, sendo vedado o acréscimo de qual­ quer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória. Sem embargo disso, a própria Constituição Fede­ ral, em face do §3º do art. 39, permitiu o acréscimo ao subsídio de certas gratificações e indenizações, e determinados adicionais, como a gratificação de natal, os adicionais de férias, de serviços extraor­ dinários, as diárias, as ajudas de custo e o salário­ ­família.

• Existem dois sistemas remuneratórios para os ser­ vidores: o tradicional, em que a remuneração (ou vencimento) corresponde uma parte fixa e outra variável, e o novo, em que a retribuição é paga em forma de subsídio, constituído por parcela única, que exclui a possibilidade de percepção de vanta­ gens pecuniárias variáveis.

• Em relação ao subsídio o art. 39, §4º da CF/1988, estabelece que o membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remu­ nerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remunerató­ ria, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS Assim, são remunerados obrigatoriamente por subsídio: • Agentes políticos: chefes do Poder

Assim, são remunerados obrigatoriamente por subsídio:

• Agentes políticos: chefes do Poder Executivo, Deputados, Senadores, Vereadores, Ministros de Estado, Secretários de Estado, etc;

• os membros do Ministério Público;

• os membros da Magistratura;

• os integrantes da Advocacia Geral da União, os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal e os Defensores Públicos;

• os Ministros do Tribunal de Contas da União;

• os servidores públicos policiais.

Ressalte­se que, além desses, poderão, facultativa­ mente ser remunerados por subsídio os servidores orga­ nizados em carreira, conforme preceitua o art. 39, §8 o da

CF/1988.

Obs.: A revisão geral anual apontada no inciso reflete o princípio da periodicidade, garantindo aos servi­ dores, no mínimo, uma revisão geral anualmente. Tal revisão objetiva tão somente recompor o poder aquisitivo da remuneração do servidor. Importante frisar que não se trata de um aumento real na remu­ neração, mas apenas um aumento nominal.

Jurisprudência: “Não ofende a Constituição a correção monetária no pagamento com atraso dos vencimentos de servidores públicos.” (Súmula 682)

“A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto de convenção coletiva.” (Súmula 679)

“Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.” (Súmula 339)

Teto remuneratório constitucional

XI – a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da adminis­ tração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as van­ tagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando­se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o sub­ sídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembarga­ dores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa intei­ ros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribu­

nal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;

O teto remuneratório é um limite imposto aos agentes públicos, ele tem por objetivo evitar abusos e distorções em relação aos valores pagos pelos cofres públicos àqueles que possuem algum vínculo com o Estado. Conforme se observa da leitura do dispositivo em apreço, atualmente existe o teto geral, que é o do subsí­ dio do Ministro do STF, e outros limites nos estados, Distrito Federal e municípios, que não podem ultrapassar, por óbvio o teto geral, qual seja, o do ministro do STF.

Vejamos os outros limites impostos pela Carta Maior:

• Nos municípios, o limite é o subsídio do Prefeito;

• Nos estados e no DF, cada Poder do Estado cor­ responde a um valor: no Poder Executivo, o limite é o subsídio do governador; no Poder Legislativo, o limite é o subsídio dos deputados estaduais e distri­ tais; já no Poder Judiciário, o limite é o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça.

Ressalte-se que, fica facultado aos Estados e ao Dis­ trito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às res­ pectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribu­ nal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vere­ adores. Os limites incluem todas as espécies remuneratórias e todas as parcelas integrantes do valor percebido, incluídas vantagens pessoais ou quaisquer outras. Entretanto, não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. Imperioso dizer, também, que os limites aplica­se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para paga­ mento de despesas de pessoal ou de custeio em geral.

Jurisprudência: “A referência ao termo ‘procuradores’, na parte final do inciso IX do art. 37 da Constituição, deve ser interpretada de forma a alcançar os procuradores autárquicos, uma vez que estes se inserem no conceito de advocacia pública trazido pela Carta de 1988. A jurisprudência do STF, de resto, é firme no sen­ tido de que somente por meio de lei em sentido formal é possível a estipulação de teto remuneratório.” (RE 558.258, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 09.11.2010, Primeira Turma, DJE de 18.03.2011.) No mesmo sentido: RE 372.369­AgR, voto do Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 14.02.2012, Segunda Turma, DJE de 05.03.2012.

“Servidor público. Limite remuneratório. Vantagens pessoais.

Consoante a firme jurisprudên­

Exclusão do teto constitucional. [

cia do STF, se a controvérsia diz respeito a período anterior à EC 41/2003 (ainda que posterior à EC 19/1998), as vantagens pesso­

]

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ais são de ser excluídas do teto remuneratório previsto no inciso XI

ais são de ser excluídas do teto remuneratório previsto no inciso

XI do art. 37 da Magna Carta de 1988.” (AI 458.679-AgR, Rel. Min.

Ayres Britto, julgamento em 24.08.2010, Segunda Turma, DJE de 08.10.2010) No mesmo sentido: RE 227.661­ED­AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 14.09.2010, Segunda Turma, DJE de 08.10.2010; RE 259.306­ED­EDv­AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 2­8­2010, Plenário, DJE de 03.09.2010; AI 716.442­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 04.05.2010, Segunda Turma, DJE de 28.05.2010; RE 215.612, Rel. p/ o ac. Min. Nelson Jobim, julgamento em 14.03.2006, Segunda Turma, DJ de 23.06.2006; AI 502.311­AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julga­ mento em 23.11.2004, Segunda Turma, DJ de 17.12.2004.

“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido

de que, após a EC 41/2003, as vantagens pessoais, de qualquer espécie, devem ser incluídas no redutor do teto remuneratório, pre­ visto no inciso XI do art. 37 da CF.” (RE 464.876-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 16.12.2008, Primeira Turma, DJE de 20.02.2009.) No mesmo sentido: RE 471.070­AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 31.03.2009, Segunda Turma, DJE de 24.04.2009. Vide: AI 339.636­AgR, Rel. Min. Ilmar Galvão, julga­ mento em 16.10.2001, Primeira Turma, DJ de 14.12.2001.

“É competente o STF para julgar ação de interesse de toda a magis­ tratura nos termos do art. 102, I, n, da CF. No caso, a realidade dos autos afasta a pretensão do autor considerando que o parâmetro

foi fixado pela Lei 10.474, de 2002, e não pela Lei 11.143, de 2005.

Como já decidiu esta Suprema Corte, no ‘período de 1º de janeiro de

1998 até o advento da Lei 10.474/2002 não havia qualquer débito da União em relação ao abono variável criado pela Lei 9.655/1998 – dependente à época, da fixação do subsídio dos Ministros do STF. Com a edição da Lei 10.474, de junho de 2002, fixando definitiva­ mente os valores devidos e a forma de pagamento do abono, assim como com a posterior regulamentação da matéria pela Resolução 245 do STF, de dezembro de 2002, também não há que se falar em correção monetária ou qualquer valor não estipulado por essa regu­ lamentação legal. Eventuais correções monetárias já foram com­ preendidas pelos valores devidos a título de abono variável, cujo pagamento se deu na forma definida pela Lei 10.474/2002, em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Encerradas as parcelas e quitados os débi­ tos reconhecidos pela lei, não subsistem quaisquer valores penden­ tes de pagamento’ (AO n. 1.157/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ de 16.03.2007)” (AO 1.412, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 23.10.2008, Plenário, DJE de 13.02.2009) No mesmo sentido: AO 1.510, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 16.03.2011, Plenário, DJE de 30.05.2011.

“Teto salarial. Empregado de sociedade de economia mista. Sub­ missão aos limites estabelecidos pelo art. 37, XI, da CF. Prece­ dentes do Plenário. Os empregados das sociedades de econo­ mia mista estão submetidos ao teto salarial determinado pelo art. 37, XI, da Constituição, ainda antes da entrada em vigor da EC 19/1998.” (AI 581.311-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 14.10.2008, Segunda Turma, DJE de 21.112008) No mesmo sen­ tido: RE 572.143­AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 1º.02.2011, Primeira Turma, DJE de 25.02.2011; AI 534.744­ AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 15.12.2009, Primeira Turma, DJE de 05.02.2010; RE 590.252­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 17.03.2009, Segunda Turma, DJE de 17.04.2009.

“Incorporação. Gratificação de representação. Lei n. 11.171/1986 do Estado do Ceará. É necessário que o servidor público possua

– além da estabilidade – efetividade no cargo para ter direito às

vantagens a ele inerentes. O Supremo fixou o entendimento de que

o servidor estável, mas não efetivo, possui somente o direito de per­

manência no serviço público no cargo em que fora admitido. Não faz jus aos direitos inerentes ao cargo ou aos benefícios que sejam pri­ vativos de seus integrantes. Precedentes.” (RE 400.343-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 17.06.2008, Segunda Turma, DJE

de 1º.08.2008)

“Observância do limite remuneratório dos servidores públicos esta­

belecido pelo art. 37, XI, da Constituição de República, com reda­ ção dada pela EC 41/2003. O STF pacificou o entendimento de que

a percepção de proventos ou remuneração por servidores públi­

cos acima do limite estabelecido no art. 37, XI, da Constituição da República, enseja lesão à ordem pública. Impõe­se a suspensão das decisões como forma de evitar o efeito multiplicador, que se consubstancia no aforamento, nos diversos tribunais, de proces­ sos visando ao mesmo escopo dos mandados de segurança objeto da presente discussão. Precedentes. A decisão do Plenário no MS 24.875 (Rel. Sepúlveda Pertence, DJ de 06.10.2006) refere­se apenas à concessão da segurança para que os impetrantes rece­ bam o acréscimo previsto no art. 184, III, da Lei 1.711/1952, de 20% sobre os proventos da aposentadoria, até sua ulterior absorção pelo subsídio dos Ministros do STF, determinado em lei. Tal questão não se confunde com a controvérsia versada no caso.” (SS 2.542-AgR, Rel. Min. Presidente Gilmar Mendes, julgamento em 12.06.2008, Plenário, DJE de 17.10.2008) No mesmo sentido: SS 4.264­AgR, Rel. Min. Presidente Cezar Peluso, julgamento em 09.12.2010, Ple­ nário, DJE de 11.02.2011; SS 2.504­AgR, Rel. Min. Presidente Ellen Gracie, julgamento em 17.03.2008, Plenário, DJE de 02.05.2008.

“Pensão especial por morte. Viúva de deputado estadual. Teto. Sendo a agravada pensionista, na condição de viúva de deputado estadual, não lhe é aplicável o teto do Poder Executivo estadual. Precedentes. Pensão especial que foi extinta pela Lei complemen­ tar estadual 129/1994, criando em seu lugar pensão previdenciária integral, que, nos termos do disposto no art. 37, IV, da CF/1988, somente poderia sofrer limitação do teto remuneratório equivalente ao subsídio de deputado estadual. Precedentes.” (RE 341.977-AgR, Rel. Min. Eros Grau, Julgamento em 03.06.2008, Segunda Turma, DJE de 27.06.2008.) No mesmo sentido: RE 167.841­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 10.04.2012, Primeira Turma, DJE de 10.05.2012. Vide: ADI 1.510­MC, Rel. Min. Carlos Velloso, julga­ mento em 13.02.1997, Plenário, DJ de 20.06.2003.

“Procurador Federal. Remuneração. Supressão de Vantagem Pes­ soal Nominalmente Identificada (VPNI). Impetração contra o Advo­ gado­Geral da União e o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão. Ilegitimidade. Desprovimento do recurso. A responsabili­ dade pela folha de pagamento dos servidores públicos federais não se insere nas competências legalmente conferidas às autoridades impetradas, que, no caso, não praticaram nenhum ato lesivo ao ale­

gado direito do recorrente. ‘Inaplicabilidade do art. 515, §3º, do CPC

– inserido no capítulo da apelação – aos casos de recurso ordinário

em mandado de segurança, visto tratar-se de competência definida no texto constitucional’ (RMS 24.789, Rel. Min. Eros Grau).” (RMS 26.615, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 20.05.2008, Primeira

Turma, DJE de 31.10.2008)

Limites aos vencimentos dos servidores dos Pode- res Legislativo e Judiciário

XII – os vencimentos dos cargos do Poder Legis­ lativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;

Este inciso visa uma isonomia salarial entre os Poderes do Estado. Entretanto, tal isonomia remuneratória reclama atribuições iguais ou assemelhadas para haver tal paridade. Ressalte­se que a norma em questão tem aplicabili­ dade prática reduzida.

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS Vedação à vinculação e à equiparação de remune- rações Veja o que dispõe

Vedação à vinculação e à equiparação de remune- rações

Veja o que dispõe a Constituição sobre o tema:

XIII – é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público;

Tal norma se dirige ao legislador ordinário, uma vez que a lei é vedada de criar vinculações e equiparações remune­ ratórias no serviço público.

Jurisprudência: “É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices fede­ rais de correção monetária.” (Súmula 681)

“[

juste de seus vencimentos de acordo com os percentuais estabe­ lecidos para a remuneração do Delegado­Geral da Polícia Civil, por si só, caracteriza vinculação ou equiparação de remuneração, vedada pela Carta Maior.” (RE 585.303-AgR, voto do Rel. Min.

Ricardo Lewandowski, julgamento em 1º.06.2010, Primeira Turma,

DJE de 06.08.2010.) No mesmo sentido: RE 603.324­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22.02.2011, Primeira Turma, DJE de

17.03.2011.

“Equiparação de padrões remuneratórios entre carreiras original­

mente distintas (Tesoureiro inativo e Auditor Fiscal do Tesouro Esta­

dual). [

e à economia públicas. Impõe­se a suspensão da tutela antecipada como forma de evitar o chamado ‘efeito multiplicador’, que se con­ substancia no aforamento, nos diversos tribunais, de processos visando o mesmo escopo da ação ordinária objeto da presente dis­ cussão. Precedentes.” (STA 208-AgR, Rel. Min. Presidente Gilmar Mendes, julgamento em 22.04.2010, Plenário, DJE de 21.05.2010)

“Ação direta julgada procedente em relação aos seguintes preceitos

Art. 100: vinculação do reajuste da

remuneração dos servidores do Poder Judiciário estadual ao dos

magistrados. A Constituição do Brasil – art. 37, XIII – veda a vincu­ lação de quaisquer espécies remuneratórias para efeito de remune­

Ação direta julgada proce­

dente em relação aos seguintes preceitos do ADCT à Constituição estadual: Art. 42: vinculação dos proventos dos escrivães aos dos magistrados. Ofensa ao disposto no art. 37, XIII, da Constituição do Brasil.” (ADI 336, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em10.02.2010, Plenário, DJE de 17.09.2010)

“A sentença que revigora a isonomia remuneratória dos procurado­ res autárquicos e fundacionais com os procuradores do Estado da Bahia desrespeita a eficácia vinculante da decisão do STF na ADI 112-MC, ainda que não haja referência expressa ao art. 3º do ADT da Constituição do mesmo Estado. Nada impede que procuradores autárquicos e fundacionais venham a ter os seus vencimentos fixa­ dos no mesmo patamar dos procuradores da administração direta. Mas é preciso que lei estadual, uma para cada classe de advoga­ dos públicos, expressamente fixe os respectivos valores. Assim é que se concilia o inciso X do art. 37 da CF com o inciso XIII do mesmo artigo.” (Rcl 2.817, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 12.08.2009, Plenário, DJE de 23.10.2009)

ração de pessoal do serviço público. [

da Constituição sergipana: [

Medida acautelatória que configura grave lesão à ordem

a concessão a delegado de polícia estadual do direito ao rea­

]

]

]

]

Vedação à incidência cumulativa de acréscimos pecuniários

Veja o que a CF/1988 dispõe sobre o tema:

XIV – os acréscimos pecuniários percebidos por

servidor público não serão computados nem acumula­ dos para fins de concessão de acréscimos ulteriores;

Irredutibilidade de vencimentos e subsídio

Nos termos do art. 37, inciso XV da CF/1988:

XV – o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, res­ salvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I;

Segundo a jurisprudência do STF a irredutibilidade refere­se ao valor nominal, ou seja, não confere direito a reajustamento em decorrência da perda do valor aquisitivo da moeda.

Jurisprudência: “O princípio da irredutibilidade de vencimentos deve ser observado mesmo em face do entendimento de que não há direito adquirido a regime jurídico. Precedentes.” (RE 387.849- AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 04.09.2007, Segunda Turma, DJ de 28.09.2007) “A garantia constitucional da irredutibilidade da remuneração devida aos servidores públicos em atividade não se reveste de caráter absoluto. Expõe­se, por isso mesmo, às derrogações instituídas pela própria Constituição da República, que prevê, relativamente ao subsídio e aos vencimentos ‘dos ocupantes de cargos e empregos públicos’ (CF, art. 37, XV), a incidência de tributos, legitimando-se, desse modo, quanto aos servidores públicos ativos, a exigibilidade da contribuição de seguridade social, mesmo porque, em tema de tributação, há que se ter presente o que dispõe o art. 150, II, da Carta Política.” (ADC 8-MC, Min. Celso de Mello, julgamento em 13.10.1999, Plenário, DJ de 04.04.2003)

QUESTÃO DE CONCURSO

(CESPE /TJ-ES /Analista Judiciário /Taquigrafia /Especí­ ficos /2011) A remuneração ou o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos do poder judici­ ário do estado­membro não poderá exceder o subsídio mensal dos desembargadores do respectivo tribunal de justiça, limitado a 90,25% do subsídio mensal, em espé­ cie, dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Resposta: CERTO

Vedação à acumulação de cargos, empregos e fun- ções públicas

Sobre o tema, o art. 37 da CF/1988, dispõe que:

XVI – é vedada a acumulação remunerada de

cargos públicos, exceto, quando houver compatibili­ dade de horários, observado em qualquer caso o dis­

posto no inciso XI.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo

a) a de dois cargos de professor;

b) a de um cargo de professor com outro técnico

ou científico;

c) a de dois cargos ou empregos privativos de

profissionais de saúde, com profissões regulamenta­

das;

XVII – a proibição de acumular estende­se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;

Conforme observado da leitura do dispositivo, a regra geral é a vedação a acumulação de cargos, empregos e fun­ ções públicas, as exceções admitidas são:

• dois cargos de professor;

• um cargo de professor com outro técnico ou cien­ tífico;

dois cargos ou empregos privativos aos profissio­ nais de saúde com profissão regulamentada.

Ressalte­se que além das exceções citadas, o texto

constitucional, em outros dispositivos afirma ser possível

outras acumulações, a saber:

• nos termos do art. 38, inciso III da CF/1988, inves­

tido no mandato de Vereador, havendo compatibili­

dade de horários, perceberá as vantagens de seu

cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remu­

neração do cargo eletivo, e, não havendo compati­

bilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;

• nos termos do art. 95, inciso I da CF/1988, o Juiz

pode acumular sua função com a de magistério;

• nos termos do art. 128 da CF/1988, o membro do

Ministério Público pode exercer o magistério.

Por fim, importa mencionar que, segundo o art. 37, §10

da CF/1988, é vedada a percepção simultânea de proven­

tos de aposentadoria do regime próprios de previdência dos

servidores estatutários e militares com a remuneração de

cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos

acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos

e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomea­

ção e exoneração.

Jurisprudência: “Servidor público em situação de acumulação ilícita

de cargos ou empregos pode se valer da oportunidade prevista no

art. 133, §5º, da Lei 8.112/1990 para apresentar proposta de solução,

comprovando o desfazimento dos vínculos, de forma a se enquadrar

nas hipóteses de cumulação lícita. Contudo, o art. 133, §5º, da Lei

8.112/1990 não autoriza que o servidor prolongue indefinidamente a

situação ilegal, esperando se valer do dispositivo legal para caracte­

rizar, como sendo de boa­fé, a proposta de solução apresentada com

atraso. No caso em exame, os empregadores do impetrante, quando

consultados a respeito do desfazimento dos vínculos – fato que tinha

sido informado pelo próprio impetrante ao INSS –, informaram que

estes não haviam sido desfeitos, tendo um deles sido inclusive reno­ vado. Recurso ordinário a que se nega provimento.” (RMS 26.929, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 19.10.2010, Segunda Turma, DJE de 11.11.2010)

“Ação direta de inconstitucionalidade. Readmissão de empregados de empresas públicas e sociedades de economia mista. Acumula­ ção de proventos e vencimentos. Extinção do vínculo empregatício por aposentadoria espontânea. Não conhecimento. Inconstituciona­ lidade. Lei n. 9.528/1997, que dá nova redação ao §1º do art. 453 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT –, prevendo a possi­ bilidade de readmissão de empregado de empresa pública e socie­ dade de economia mista aposentado espontaneamente. Art. 11 da mesma Lei, que estabelece regra de transição. Não se conhece de ação direta de inconstitucionalidade na parte que impugna dispositi­ vos cujos efeitos já se exauriram no tempo, no caso, o art. 11 e pará­ grafos. É inconstitucional o §1º do art. 453 da CLT, com a redação dada pela Lei n. 9.528/1997, quer porque permite, como regra, a acumulação de proventos e vencimentos – vedada pela jurisprudên­ cia do Supremo Tribunal Federal –, quer porque se funda na ideia de que a aposentadoria espontânea rompe o vínculo empregatício. Pedido não conhecido quanto ao art. 11, e parágrafos, da Lei n. 9.528/1997. Ação conhecida quanto ao §1º do art. 453 da CLT, na redação dada pelo art. 3º da mesma Lei 9.528/1997, para declarar sua inconstitucionalidade.” (ADI 1.770, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 11.10.2006, Plenário, DJ de 1º.12.2006) No mesmo sentido: RE 605.501­AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julga­ mento em 02.12.2010, Primeira Turma, DJE de 1º.02.2011.

“O art. 11 da EC 20/1998 convalidou o reingresso – até a data da sua publicação – do inativo no serviço público, mediante concurso. Tal convalidação alcança os vencimentos em duplicidade, quando se tratar de cargos acumuláveis, na forma do art. 37, XVI, da Magna Carta, vedada, apenas, a percepção de mais de uma aposentado­ ria.” (RMS 24.737, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1º.06.2004, Primeira Turma, DJ de 03.09.2004)

“O dispositivo impugnado, ao estabelecer indistintamente que os proventos da inatividade não serão considerados para efeito de acu­ mulação de cargos, afronta o art. 37, XVI, da CF, na medida em que amplia o rol das exceções à regra da não cumulatividade de proven­ tos e vencimentos, já expressamente previstas no texto constitu­ cional. Impossiblidade de acumulação de proventos com vencimen­ tos quando envolvidos cargos inacumuláveis na atividade.” (ADI 1.328, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 12.05.2004, Plenário, DJ de 18.06.2004.) No mesmo sentido: RE 415.974­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1º.02.2011, Primeira Turma, DJE de

23.02.2011.

“Impossibilidade da acumulação de cargo de juiz classista com o de empregado de sociedade de economia mista (CF, art. 37, XVI e XVII).” (RE 282.258-AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 09.03.2004, Segunda Turma, DJ de 26.03.2004)

“Os dispositivos impugnados, pelo simples fato de possibilitarem ao policial militar – agente público – o acúmulo remunerado deste cargo (ainda que transferido para a reserva) com outro que não seja o de professor, afrontam visivelmente o art. 37, XVI, da Constituição.

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS Impossibilidade de acumulação de proventos com vencimentos quando envolvidos cargos

Impossibilidade de acumulação de proventos com vencimentos quando envolvidos cargos inacumuláveis na atividade. Preceden­ tes: RE 163.204, Rel. Min. Carlos Velloso, RE 197.699, Rel. Min. Marco Aurélio e AGRRE n. 245.200, Rel. Min. Maurício Corrêa. Este entendimento foi revigorado com a inserção do parágrafo 10 no art. 37 pela EC 20/1998, que trouxe para o texto constitucional a vedação à acumulação retro mencionada. Vale destacar que esta mesma Emenda, em seu art. 11, excetuou da referida proibição os membros de poder e os inativos, servidores e militares, que, até a publicação da Emenda, tenham ingressado novamente no serviço público por concurso público de provas ou de provas e títulos, ou pelas demais formas previstas pela CF.” (ADI 1.541, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 05.09.2002, Plenário, DJ de 04.10.2002.) No mesmo sentido: RE 382.389, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 14.02.2006, Segunda Turma, DJ de 17.03.2006.

Administração Tributária

Sobre o tema, a CF/1988 assim dispõe:

XVIII – a administração fazendária e seus servi­ dores fiscais terão, dentro de suas áreas de competên­ cia e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; XXII – as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ativida­ des essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atu­ arão de forma integrada, inclusive com o compartilha­ mento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.

Licitação

O procedimento licitatório tem a finalidade de possibi­ litar que Administração Pública firme contrato com aqueles que oferecerem condições necessárias correspondentes ao interesse público. Consoante com os princípios da legalidade, impessoa­ lidade, moralidade, publicidade e eficiência, a Constituição Federal trouxe em seu bojo a regra da obrigatoriedade de licitação. A Carta maior menciona expressamente licitação ao estabelecer no artigo 22, inciso XXVII, ser da competência privativa da União Federal legislar sobre “normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e funda­ cionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art.173, §1º, III.” A CF/1988 também dispõe sobre o princípio da obriga­ toriedade de licitação no artigo 37, inciso XXI, onde: “res­ salvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante

processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as con­ dições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações”. Ainda em relação à disciplina constitucional sobre licitações, a Emenda Constitucional n. 19/1998 (Reforma Administrativa do Estado) alterou o art.173, §1º da CF/88 trazendo previsão de lei que estabeleça o estatuto jurídico de empresas públicas e sociedades de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo, entre outros aspectos, sobre licita­ ção para tais entidades. Essa lei deve contemplar os prin­ cípios da moralidade e da publicidade e outros dispositi­ vos constitucionais que preservem a moralidade pública, princípio fundamental da Administração. Deve também, trazer normas condizentes com as operações peculiares executadas por essas entidades que têm objetivos nitida­ mente econômicos. Entretanto, tal lei ainda não foi edi­ tada.

Obs.: Apesar da regra ser a obrigatoriedade de licitação, excepcionalmente, existem hipóteses previstas em lei de dispensa e inexigibilidade de tal procedimento.

XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obri­ gações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permi­ tirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obriga­ ções

Publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos

§1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Corolário ao princípio da moralidade, a finalidade desse dispositivo é coibir práticas de favorecimentos e mal uso do dinheiro público em proveito pessoal dos administradores. Assim, não poderão as autoridades públicas usar o dinheiro público com propagandas publicitárias para obterem vanta­ gem pessoal.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Improbidade administrativa §4º Os atos de improbidade administrativa impor­ tarão

Improbidade administrativa

§4º Os atos de improbidade administrativa impor­ tarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o res­ sarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Muito embora nenhuma lei tenha definido explicita­ mente o que vem a ser improbidade administrativa pode­se defini-la como atos de natureza civil que o agente público pratica adquirindo vantagens ilícitas para si ou para outrem, podendo ser, inclusive, em concurso com pessoa física ou jurídica de direito privado. Com efeito, os atos de improbidade administrativa abrangem os atos que importam enriquecimento ilícito, os atos que causam prejuízo ao erário, bem como os atos que atentam contra os princípios da administração pública. Nesse sentido, a Constituição da República de 1988 inovou ao instituir a base constitucional para a responsabili­ zação dos atos de improbidade administrativa, a saber: “os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indispo­ nibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei” (art. 37, §4º da CF/1988).

Responsabilidade civil objetiva do Poder Público

Entende­se por responsabilidade civil do Estado a obrigação de reparação de danos causados a terceiros em razão de ação comissiva ou omissiva de agentes públicos no exercício de suas atividades. Em relação a responsabilidade do Poder Público, determina a CF/1988 que: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públi­ cos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.” (CF/1988, art. 37, §6º). Tal dispositivo regula a responsabilidade objetiva da Administração, na modalidade risco administrativo, pelos danos causados por atuação de seus agentes. A respon­ sabilidade objetiva da Administração abrange todas as pessoas jurídicas de direito público (Administração Direta, autarquias e as fundações de direito público), independen­ temente de suas funções, e as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos (empresas públi­ cas, sociedades de economia mista e fundações públicas de direito privado, que prestem serviços públicos) e as pessoas privadas delegatárias de serviços públicos, não integrantes da Administração Pública (concessionárias, permissionárias e autorizatárias de serviços públicos).

A responsabilidade objetiva da administração reco­ nhece a injustiça que seria o fato de aqueles que sofrem danos patrimoniais ou morais decorrentes da atividade da Administração precisassem comprovar a existência de culpa da Administração ou de seus agentes para que tivessem

assegurado seu direito à reparação, tendo em vista a desi­ gualdade jurídica existente entre o particular e o Estado, decorrentes das prerrogativas de direito público inerentes a ele.

§6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos res­ ponderão pelos danos que seus agentes, nessa qua­ lidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Servidor em exercício de mandato eletivo

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de man­ dato eletivo, aplicam­se as seguintes disposições:

I – tratando­se de mandato eletivo federal, esta­

dual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função; II – investido no mandato de Prefeito, será afas­ tado do cargo, emprego ou função, sendo­lhe facul­ tado optar pela sua remuneração;

III – investido no mandato de Vereador, havendo

compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo com­

patibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;

IV – em qualquer caso que exija o afastamento

para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de ser­ viço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;

V – para efeito de benefício previdenciário, no

caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício estivesse. §6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos res­ ponderão pelos danos que seus agentes, nessa qua­ lidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Regras Constitucionais acerca dos servidores públicos

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competên­ cia, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autar­ quias e das fundações públicas.

A Constituição de 1988 estabeleceu no caput do artigo 39 que os servidores públicos deveriam ser regidos por um regime jurídico único. A Emenda Constitucional n. 19

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS de 1998 extinguiu essa obrigatoriedade, permitindo que a Administração Pública escolha entre o

de 1998 extinguiu essa obrigatoriedade, permitindo que a Administração Pública escolha entre o vínculo estatutário ou contratual. Em 2 de agosto de 2007, o Plenário do Supremo Tribunal Federal deferiu cautelar na ADIN n. 2.135, para declarar inconstitucional a nova redação dada pela EC n. 19/98 ao caput do art. 39 da CF. Com isso, voltou a vigo­ rar o conhecido regime jurídico único, passando a vigorar o antigo texto do caput do artigo 39, qual seja: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas”.

Obs.: Em observância a norma em questão, a União editou a Lei n. 8.112/1990, instituindo o Regime Jurídico Único da administração direta, das autar­ quias e fundações públicas federais.

Jurisprudência: Nota: O Plenário do STF, no julgamento em sede cautelar, proferido na ADI 2.135-MC, suspendeu a eficácia do caput do art. 39 da CF, na redação dada pela EC 19/1998, com efeitos ex nunc, subsistindo a legislação editada nos termos da emenda declarada suspensa.

“A matéria votada em destaque na Câmara dos Deputados no DVS 9 não foi aprovada em primeiro turno, pois obteve apenas 298 votos e não os 308 necessários. Manteve­se, assim, o então vigente caput

do art. 39, que tratava do regime jurídico único, incompatível com

a figura do emprego público. O deslocamento do texto do §2º do

art. 39, nos termos do substitutivo aprovado, para o caput desse

mesmo dispositivo representou, assim, uma tentativa de superar a não aprovação do DVS 9 e evitar a permanência do regime jurídico

único previsto na redação original suprimida, circunstância que per­ mitiu a implementação do contrato de emprego público ainda que

à revelia da regra constitucional que exige o quorum de três quin­ tos para aprovação de qualquer mudança constitucional. Pedido de

medida cautelar deferido, dessa forma, quanto ao caput do art. 39 da CF, ressalvando-se, em decorrência dos efeitos ex nunc da deci­ são, a subsistência, até o julgamento definitivo da ação, da validade dos atos anteriormente praticados com base em legislações even­ tualmente editadas durante a vigência do dispositivo ora suspenso.

] [

nais impugnados, todos oriundos da EC 19/1998, aparentemente inexistentes ante a constatação de que as mudanças de redação promovidas no curso do processo legislativo não alteraram subs­ tancialmente o sentido das proposições ao final aprovadas e de que não há direito adquirido à manutenção de regime jurídico ante­ rior.” (ADI 2.135-MC, Rel. p/ o ac. Min. Ellen Gracie, julgamento em 02.08.2007, Plenário, DJE de 07.03.2008)

Vícios formais e materiais dos demais dispositivos constitucio­

§1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório obser­ vará:

I – a natureza, o grau de responsabilidade e a

complexidade dos cargos componentes de cada car­ reira;

II – os requisitos para a investidura; III – as peculiaridades dos cargos.

Jurisprudência: “Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cál­ culo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.” (Súmula Vinculante 4)

“Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.” (Súmula 339)

“Supressão da isonomia como critério de remuneração no serviço público pela EC 19/1998, que alterou o art. 39, §1º, da CR. Pre­ cedentes. A vinculação da remuneração de secretário de Estado à de deputado estadual não configura direito adquirido, pois não há direito adquirido a regime jurídico. Precedentes. Recurso par­ cialmente provido apenas para estabelecer que a remuneração de Secretário de Estado de Santa Catarina, para fins de fixação do teto das pensões especiais, é aquela aprovada periodicamente pela Assembleia Legislativa, e não resultado de vinculação automática aos vencimentos dos deputados estaduais.” (RE 171.241, Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 19.08.2009, Plenário, DJE de 20.11.2009)

“A isonomia somente pode ser pleiteada quando os servidores públicos apontados como paradigmas encontrarem­se em situação igual à daqueles que pretendem a equiparação. ‘Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimen­ tos de servidores públicos sob fundamento de isonomia’ (Súmula 339/STF).” (RE 409.613-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 21.02.2006, Primeira Turma, DJ de 24.03.2006.) No mesmo sentido:

RE 247.843­AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 13.12.2011, Primeira Turma, DJE de 15.02.2012; RE 478.696­AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 19.10.2010, Primeira Turma, DJE de 15.03.2011; AI 794.573­AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, jul­ gamento em 19.10.2010, Primeira Turma, DJE de 18.11.2010; RE 575.936­AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 24.08.2010, Segunda Turma, DJE de 08.10.2010; AI 695.289­AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 15.09.2009, Primeira Turma, DJE de 09.10.2009; RE 286.512­ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 26.05.2009, Segunda Turma, DJE de 19.06.2009.

“O princípio da isonomia dirige­se aos Poderes Executivo e Legis­ lativo, a quem cabe, mediante avaliação de conveniência e oportu­ nidade, estabelecer a remuneração dos servidores públicos, permi­ tindo a sua efetivação. Vedado ao Judiciário elevar os vencimentos de um servidor para o mesmo patamar de outro com base nesse postulado, nos termos da Súmula 339/STF.” (RE 395.273-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 08.06.2004, Segunda Turma, DJ de 06.08.2004.) No mesmo sentido: RE 596.561­AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 15.09.2009, Segunda Turma, DJE de 09.10.2009; AI 713.975­AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, jul­ gamento em 15.09.2009, Primeira Turma, DJE de 09.10.2009. Vide:

ADI 1.782, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 09.09.1999, Plenário, DJ de 15.10.1999.

“A CF não concedeu isonomia direta às carreiras jurídicas. Essa isonomia deve ser viabilizada mediante lei.” (RE 226.874-AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 23.03.2004, Segunda Turma, DJ de 23.04.2004)

§2º A União, os Estados e o Distrito Federal man­ terão escolas de governo para a formação e o aperfei­ çoamento dos servidores públicos, constituindo­se a participação nos cursos um dos requisitos para a pro­ moção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados. §3º Aplica­se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Obs.:  Vejamos quais normas aplicáveis aos trabalhadores em geral têm aplicação

Obs.:

Vejamos quais normas aplicáveis aos trabalhadores em geral têm aplicação para os servidores públicos:

1. Direitos assegurados aos servidores públicos:

salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unifi­ cado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimen­ tação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes peri­ ódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

• garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;

• décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;

• remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

• salário­família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;

• duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facul­ tada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;

• repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

• remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal;

• gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;

• licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;

licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

• proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;

• redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;

• proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

§4º O membro de Poder, o detentor de man­ dato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusiva­ mente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o dis­ posto no art. 37, X e XI. §5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal

e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre

a maior e a menor remuneração dos servidores públi­ cos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI. §6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciá­ rio publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos.

§7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal

e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos

orçamentários provenientes da economia com despe­ sas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvi­ mento, modernização, reaparelhamento e racionaliza­ ção do serviço público, inclusive sob a forma de adicio­ nal ou prêmio de produtividade. §8º A remuneração dos servidores públicos orga­ nizados em carreira poderá ser fixada nos termos do

§4º.

Regras relativas à aposentadoria e ao Regime de Pre­ vidência dos Servidores Públicos

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efeti­ vos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contri­ butivo e solidário, mediante contribuição do respectivo

ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. §1º Os servidores abrangidos pelo regime de pre­ vidência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixa­ dos na forma dos §§3º e 17:

I – por invalidez permanente, sendo os proven­ tos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia pro­ fissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei;

II – compulsoriamente, aos setenta anos de

idade, com proventos proporcionais ao tempo de con­

tribuição;

III – voluntariamente, desde que cumprido tempo

mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço

público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará

a aposentadoria, observadas as seguintes condições:

a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de

contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher;

b) sessenta e cinco anos de idade, se homem,

e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos

proporcionais ao tempo de contribuição. §2º Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de refe­ rência para a concessão da pensão. §3º Para o cálculo dos proventos de aposenta­ doria, por ocasião da sua concessão, serão conside­ radas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei.

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BRUNO PILASTREIVAN LICAS

BRUNO PILASTREIVAN LICAS §4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão

§4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos

abrangidos pelo regime de que trata este artigo, res­ salvados, nos termos definidos em leis complementa­ res, os casos de servidores:

I – portadores de deficiência;

II – que exerçam atividades de risco;

III – cujas atividades sejam exercidas sob condi­ ções especiais que prejudiquem a saúde ou a integri­ dade física. §5º Os requisitos de idade e de tempo de con­ tribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no §1º, III, a, para o professor que com­ prove exclusivamente tempo de efetivo exercício das

funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. §6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição,

é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria

à conta do regime de previdência previsto neste artigo. §7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será igual:

I – ao valor da totalidade dos proventos do ser­

vidor falecido, até o limite máximo estabelecido para

os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou

II – ao valor da totalidade da remuneração do ser­

vidor no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.

201, acrescido de setenta por cento da parcela exce­ dente a este limite, caso em atividade na data do óbito. §8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar­lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. §9º O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria

e o tempo de serviço correspondente para efeito de

disponibilidade. §10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição fictício. §11. Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a

contribuição para o regime geral de previdência social,

e ao montante resultante da adição de proventos de

inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão decla­ rado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo. §12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e crité­ rios fixados para o regime geral de previdência social.

§13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomea­ ção e exoneração bem como de outro cargo tempo­ rário ou de emprego público, aplica­se o regime geral de previdência social. §14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de previ­ dência complementar para os seus respectivos ser­ vidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem con­ cedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. §15. O regime de previdência complementar de que trata o §14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que couber, por inter­ médio de entidades fechadas de previdência comple­ mentar, de natureza pública, que oferecerão aos res­ pectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de contribuição definida. §16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do cor­ respondente regime de previdência complementar. §17. Todos os valores de remuneração consi­ derados para o cálculo do benefício previsto no §3° serão devidamente atualizados, na forma da lei. §18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com per­ centual igual ao estabelecido para os servidores titu­ lares de cargos efetivos. §19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas no §1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um abono de per­ manência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as exigências para apo­ sentadoria compulsória contidas no §1º, II. §20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os servi­ dores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, §3º, X. §21. A contribuição prevista no §18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Estabilidade A estabilidade é uma garantia constitucional deferida aos ocupantes de

Estabilidade

A estabilidade é uma garantia constitucional deferida aos ocupantes de cargo efetivo. Para adquirir estabilidade será necessário:

• aprovação em concurso público para cargo efetivo;

• aprovação no estágio probatório;

• aprovação em avaliação especial de desempenho realizada por comissão instituída para essa finali­ dade;

três anos de efetivo exercício.

Ressalte­se que a estabilidade diz respeito ao serviço público e não ao cargo. Já o estágio probatório refere­se ao cargo, assim, a cada novo cargo efetivo, o servidor está sujeito a um novo estágio.

Obs.: Outra hipótese de perda da estabilidade é por excesso de despesa com pessoal, nos termos do art. 169, §4 o da CF/1988.

Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de pro­ vimento efetivo em virtude de concurso público. §1º O servidor público estável só perderá o cargo:

I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado; II – mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; III – mediante procedimento de avaliação perió­ dica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. §2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remune­ ração proporcional ao tempo de serviço. §3º Extinto o cargo ou declarada a sua desneces­ sidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. §4º Como condição para a aquisição da estabili­ dade, é obrigatória a avaliação especial de desempe­ nho por comissão instituída para essa finalidade.

a EC 19/1998, que alterou o art. 41 da CF,

elevou para três anos o prazo para a aquisição da estabilidade no serviço público e, por interpretação lógica, o prazo do estágio pro­ batório.” (STA 263-AgR, Rel. Min. Presidente Gilmar Mendes, julga­

mento em 04.02.2010, Plenário, DJE de 26.02.2010)

Jurisprudência: “[

]

“(

cionalidade, na medida em que considera o exercício não abusivo de um direito constitucional – direito de greve – como falta grave

constata­se que o dispositivo impugnado padece de inconstitu­

)

ou fato desabonador da conduta no serviço público, a ensejar a imediata exoneração do servidor público em estágio probatório,

mediante processo administrativo próprio. (

sitivo impugnado explicita uma diferenciação de efeitos do exercício do direito de greve entre servidores estáveis e não estáveis, impu­ tando consequência gravosa apenas aos primeiros, consubstan­ ciada no ato de imediata exoneração. A CF de 1988 não alberga nenhuma diferenciação nesse sentido.” (ADI 3.235, voto do Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 4­2­2010, Plenário, DJE de 12­3­2010.) Vide: RE 226.966, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 11.11.2008, Primeira Turma, DJE de 21.08.2009.

“O Tribunal julgou parcialmente procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo governador do Estado do Rio de Janeiro para declarar a inconstitucionalidade da alínea g, I, e da alínea a, IV, ambas do art. 178 da Constituição estadual, que, preveem, res­ pectivamente, que o defensor público, após dois anos de exercício na função, não perderá o cargo senão por sentença judicial transi­ tada em julgado, e ser prerrogativa daquele requisitar, administrati­ vamente, de autoridade pública e dos seus agentes ou de entidade particular, certidões, exames, perícias, e outros documentos e pro­ vidências necessários ao exercício de suas atribuições. Quanto à citada alínea g, considerou­se o advento da EC 19/1998, que ao alterar o art. 41 e respectivos parágrafos, passou a prever a estabili­ dade de servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público somente após três anos de efetivo exer­ cício, bem como a perda do cargo de servidor público estável tanto por sentença judicial transitada em julgado quanto mediante pro­ cesso administrativo, assegurada a ampla defesa, e procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complemen­ tar, também garantida a ampla defesa.” (ADI 230, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1º.02.2010, Plenário, Informativo 573)

) Além disso, o dispo­

“A simples circunstância de o servidor público estar em estágio pro­ batório não é justificativa para demissão com fundamento na sua participação em movimento grevista por período superior a trinta dias. A ausência de regulamentação do direito de greve não trans­ forma os dias de paralisação em movimento grevista em faltas injus­ tificadas.” (RE 226.966, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 11.11.2008, Primeira Turma, DJE de 21.08.2009.) Vide: ADI 3.235, Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 04.02.2010, Plenário, DJE de 12.03.2010.

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA: ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA, CENTRALIZADA E DESCENTRALI­ ZADA; AUTARQUIAS, FUNDAÇÕES, EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA

IMPORTANTE

IMPORTANTE

O tema que iremos abordar, com certeza será cobrado em sua prova. Ao final da leitura do material você deve entender: o que significa Administração direta e indireta; as diferenças entre órgão e entidade; o significado de desconcentração e descentralização; as características das entidades. Lembre-se de que o aprendizado do conteúdo depende de você! Dedique-se e garanta sua aprovação. Vamos lá!

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

ENTIDADES POLÍTICAS E ADMINISTRATIVAS

Inicialmente, iremos entender a diferença entre enti­ dade política (ou estatal) e entidade administrativa.

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W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO

W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO As entidades políticas integram a Federação. São pes­ soas

As entidades políticas integram a Federação. São pes­ soas jurídicas de direito público interno com competência para legislar. Essa autonomia política significa um poder de auto­organização, ou seja, elaborar suas próprias normas. São pessoas políticas: a União, os Estados, o Distrito Fede­ ral e os Municípios. Vale lembrar que, apenas a República Federativa do Brasil tem soberania, já os demais entes polí­ ticos têm autonomia administrativa e financeira. As entidades administrativas são pessoas jurídicas com autonomia administrativa e financeira. Essas pessoas não têm autonomia política, limitando-se apenas à execução das leis editadas pelas pessoas políticas que as criaram. Em síntese, as entidades políticas criam ou autorizam

a criação das entidades administrativas dando­lhes compe­ tência para atuar em áreas específicas. As pessoas políticas podem criar as seguintes entidades: autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Por fim, vale dizer que, embora as entidades adminis­ trativas sejam criadas ou autorizadas pelas entidades polí­ ticas, não estão subordinadas a estas, não há presença do poder hierárquico nessa relação.

Para fixar:

(CESPE/ MPU/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2010) O Banco Central do Brasil (BACEN) tem au­ tonomia política para criar suas próprias normas.

(CESPE/ TCU/ AFCE/ 2010) As autarquias e as fundações públicas são consideradas entidades políticas.

Justificativa: a primeira questão está errada visto que

o Banco Central do Brasil é uma autarquia e, consequente­

mente, não tem autonomia política (capacidade de legislar).

A segunda também está errada, pois as autarquias e funda­

ções públicas são entidades administrativas.

Obs.: você deve estar achando que as questões são fáceis, não é? Veja só: as questões acima foram retiradas da prova do concurso do MPU e do con­ curso de auditor do TCU de 2010. Enfim, não são as questões que são fáceis, é você que, agora, está se preparando.

CENTRALIZAÇÃO,

DESCENTRALIZAÇÃO

E

DESCONCEN­

TRAÇÃO

A organização administrativa é pautada em três diferen­ tes formas de atuações: a centralização, a descentralização

e a desconcentração.

Centralização

Se dá quando o Estado desempenha suas tarefas dire­

tamente por meio dos órgãos e agentes. Na centralização,

o Estado atua diretamente, prestando os serviços pesso­

almente por meio dos seus órgãos despersonalizados. Ex. : quando o Estado presta o serviço de educação por meio das escolas públicas subordinadas à Secretaria de Educa­ ção ocorre a “centralização”, pois, este está agindo pessoal­ mente por meio de seus órgãos.

Descentralização

O Estado atua indiretamente por meio de entidades. Quando o Estado descentraliza, cria outras pessoas jurídicas para desempenhar funções estatais. Ex.: quando o Estado cria uma entidade para prestar algum serviço público, este estará agindo indiretamente por meio de uma entidade. É o que ocorre com a atividade de ensino superior realizada pela UnB (Universidade de Brasília). Desse modo, o Estado preferiu criar uma nova pessoa jurídica para praticar essa atividade pessoalmente.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Vamos fazer uma comparação dos dois exemplos acima. Considere que um aluno de uma escola pública do DF subordinada à Secretaria de Estado queira propor uma ação de danos morais com objetivo de receber uma indenização. Esta ação deverá ser dirigida contra a pessoa jurídica Distrito Federal, pois este, nesse contexto, está agindo pessoalmente (centralização). Já se um aluno da UnB, que é uma entidade, quiser propor uma ação semelhante, deverá propor contra própria UnB, pois a atividade é desenvolvida diretamente pela própria universidade, ou seja, o Estado age apenas indiretamente (descentralização).

Desconcentração

Corresponde à criação de órgãos dentro da estrutura administrativa de um ente político ou entidade administra­ tiva, com objetivo de desempenhar atividades de competên­ cia da pessoa jurídica que o criou. Órgãos são núcleos de atuação interna de uma pessoa jurídica. Desconcentração representa uma mera técnica administrativa de distribui­ ção de competência dentro da mesma pessoa jurídica. Ex.:

Secretarias da Receita Federal distribuídas por todo territó­ rio nacional.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Na centralização, o Estado atua diretamente. Na descentralização, o Estado transfere a titularidade do serviço público para entidades (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista) mediante outorga. O Estado, também, pode delegar serviços públicos para particulares por meio de contrato (concessão e permissão) ou por ato administrativo (autorização). Essa modalidade é entendida como descentralização por colaboração.

Ex.: quando o Estado cria uma entidade para prestar algum tipo de serviço público, como por exemplo, o INSS, ocorre a descentralização por meio de outorga. Quando o Estado transfere apenas a execução do serviço a um par­ ticular ocorre a descentralização por delegação (é o que ocorre com o serviço de transporte no Distrito Federal pres­ tado pelas empresas Viplan, Planeta etc.).

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Simplificando: na descentralização o Estado não presta a atividade diretamente. O

Simplificando: na descentralização o Estado não presta a atividade diretamente. O Estado transfere a titula­ ridade da atividade para uma entidade pertencente a sua Administração indireta ou delega a execução do serviço para particulares (concessionários, permissionários, ou delegatá­ rios de serviço público).

Para fixar:

(CESPE/ PREVIC/ ANALISTA ADMINISTRATIVO/ 2011) Há desconcentração administrativa quando se destaca determinado serviço público do Estado para conferi­lo a outra pessoa jurídica, criada para essa finalidade.

(CESPE/ MINISTÉRIO DA SAÚDE/ ANALISTA AD­ MINISTRATIVO/ 2010) A delegação ocorre quando a entidade da administração, encarregada de exe­ cutar um ou mais serviços, distribui competências no âmbito da própria estrutura, a fim de tornar mais ágil e eficiente a prestação dos serviços.

(CESPE/ MPU/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2010) Considere que um estado crie, por meio de lei, uma nova entidade que receba a titularidade e o poder de execução de ações de saneamento públi­ co. Nessa situação, configura-se a descentralização administrativa efetivada por meio de outorga.

Justificativa: a primeira questão é errada, pois ocorre a descentralização. A segunda questão está errada, pois na delegação há distribuição de competência para outra pessoa e não dentro da mesma estrutura como afirma a questão. Por fim, a terceira questão está correta.

A REGRA PARA O TEMA É A SEGUINTE:

DESCONCENTRAÇÃO: criam­se órgãos.

R

G

Ã

O

S

DESCENTRALIZAÇÃO: criam­se entidades.

N

T

I

D

A

D

E

S

ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA

Conforme veremos adiante, há duas formas básicas de organização e atuação do Estado: administração direta e administração indireta. Administração direta: é representada por um conjunto de órgãos que integram as pessoas federativas.

Administração indireta: é representada por um con­ junto de pessoas administrativas criadas ou autorizadas por lei, para o desempenho de atividades administrativas de forma descentralizada.

O Decreto­Lei n. 200/1967 estabelece a organização administrativa brasileira nos seguintes termos:

Art. 4º A Administração Federal compreende:

I – A Administração direta, que se constitui dos ser­ viços integrados na estrutura administrativa da Pre­ sidência da República e dos Ministérios. II – A Administração indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de per­ sonalidade jurídica própria:

a) Autarquias;

b) Empresas Públicas;

c) Sociedades de Economia Mista;

d) Fundações Públicas.

As regras estabelecidas no Decreto­Lei n. 200/1967 são, obrigatoriamente, aplicáveis apenas à União, embora Estados e Municípios adotem suas regras. Com efeito, devemos dar o mesmo tratamento dispensado à Adminis­ tração Federal, aos Estados e Municípios. Logo, na União temos os Ministérios, nos Estados temos as Secretarias de Estados, nos Municípios os Secretários Municipais.

ADMINISTRAÇÃO DIRETA

Na abordagem desse tema, usamos o clássico posicio­ namento do prof. Hely Lopes Meirelles. A Administração direta é representada pelo conjunto de órgãos, sendo estes “centros de competências instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem”. A criação e extinção de órgãos dependem de lei. A principal caracterís­ tica dos órgãos é a falta de personalidade jurídica. Estes não respondem por seus atos, suas ações são imputadas ao ente criador. Os órgãos são meros instrumentos de ação das pessoas jurídicas que integram. Os órgãos do Estado são o próprio Estado. Ex.: sabemos que a União ou mesmo o Distrito Federal tem várias competências, como por exemplo, atuar no ramo da saúde, educação, segurança etc. Assim, o Distrito Fede­ ral distribuiu essas competências para suas Secretarias, já a União distribui suas competências para os Ministérios. Assim, tanto uma Secretaria de Estado como um Ministério vão compor a Administração direta da entidade política. Considere uma empresa como o Gran Cursos. Esta empresa possui o departamento de matrícula, o departa­ mento de pessoal, o departamento pedagógico etc. Todos esses departamentos são órgãos internos da empresa. Assim, a pessoa jurídica Gran Cursos repartiu suas compe­ tências em diversos departamentos. Já, a União divide suas competências para seus Ministérios; os estados e o DF, para as Secretarias Estaduais, e os municípios para as Secreta­ rias Municipais. Entendeu? Tenho certeza que sim. Por fim, quando o Estado agir por meio de seus órgãos internos, estaremos visualizando a Administração direta no desempenho de atividade centralizada.

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W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO

W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO Características: • Os órgãos são frutos da desconcentração

Características:

• Os órgãos são frutos da desconcentração adminis­ trativa. Quando o Estado cria órgãos para o melhor desempenho de suas funções temos a desconcen­ tração.

• Em razão de não terem personalidade jurídica, ou seja, não serem titulares de direitos e obrigações, as ações promovidas contra os órgãos devem ser dirigidas à pessoa a que o órgão integre. Ex.: se um veículo pertencente ao Ministério da Saúde causar algum dano a particular em razão de uma colisão, a ação de indenização deverá ser proposta contra a União por ser a pessoa criadora desse órgão.

Não têm personalidade jurídica.

• Atuação do Estado por órgãos é atividade centra­ lizada.

• São criados e extintos por lei.

• São resultados da desconcentração administrativa.

TEORIA DO ÓRGÃO

A teoria admitida em nosso ordenamento pátrio foi ide­ alizada na Alemanha pelo jurista Otto Gierke. Segundo a teoria do órgão, “as pessoas jurídicas expressam suas von­ tades através de seus órgãos que, por sua vez, são titulari­ zados pelos agentes públicos”. Nas palavras de Di Pietro, “pela teoria do órgão, a pessoa jurídica manifesta a sua vontade por meio dos órgãos, de tal modo que quando os agentes que os com­ põem manifestam a sua vontade, é como se o próprio Estado o fizesse; substitui-se a ideia de representação pela de imputação”. Assim, as ações da União, Estados, Municípios e DF concretizam­se por intermédio de pessoas físicas (agentes públicos) e, segundo a teoria do órgão, os atos praticados por meio desses agentes públicos devem ser imputados à pessoa jurídica de direito público a que pertencem.

Simplificando: por serem abstratas, as ações dos órgãos concretizam­se por intermédio de seus agentes titu­ lares de competências. Assim, os atos dos agentes devem ser imputados à pessoa jurídica que pertencem, já que as ações dos órgãos são atribuídas à pessoa jurídica a que pertencem. Desse modo, ocorre o fenômeno da imputação:

a vontade do agente público é imputada ao órgão, e em último plano, à pessoa jurídica em cuja estrutura encontra­ ­se subordinado.

Para fixar:

(CESPE/ IFB/ PROFESSOR/ 2011) Atualmen­ te, a doutrina majoritária, para explicar a rela­ ção entre o órgão público e o agente, utiliza­se da teoria da representação, segundo a qual os agentes são representantes do Estado.

Justificativa: a teoria que adotamos na relação entre órgão e agente à “teoria do órgão”. Questão errada.

Ausência de personalidade jurídica

Foi visto anteriormente que os órgãos públicos são des­ providos de personalidade jurídica. Decorre então, que não

podem ser demandadas pessoalmente em ações judiciais, estas devem ser direcionadas à pessoa jurídica que as criou – entidade política ou administrativa. No entanto, alguns órgãos podem ter representação própria para a defesa de suas prerrogativas institucionais, ou seja, podem demandar em juízo pessoalmente em defesa da garantia do exercício de suas atribuições. Esse entendi­ mento já é pacificado na jurisprudência dos Tribunais, como exemplo, citamos o seguinte julgado do STJ:

PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO – DEFE­ SA JUDICIAL DE ÓRGÃO SEM PERSONALIDA­ DE JURÍDICA – PERSONALIDADE JUDICIÁRIA DA CÂMARA DE VEREADORES. 1. A regra geral

é a de que só os entes personalizados, com capa­

cidade jurídica, têm capacidade de estar em juízo, na defesa dos seus direitos. 2. Criação doutrinária acolhida pela jurisprudência no sentido de admitir que órgãos sem personalidade jurídica possam em

juízo defender interesses e direitos próprios, excep­ cionalmente, para manutenção, preservação, auto­ nomia e independência das atividades do órgão em

(REsp 649.824/RN, Rel.

face de outro Poder. [

Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, jul­ gado em 28/03/2006, DJ 30/05/2006 p. 136).

]

Essa capacidade processual é destinada apenas aos órgãos independentes e aos autônomos, essa deve ser a lógica, pois os superiores e subalternos não podem deman­ dar judicialmente outros órgãos em razão de sua subordi­ nação hierárquica. Os conflitos envolvendo estes órgãos devem ser resolvidos administrativamente por suas chefias.

Resumindo: o órgão não possui personalidade jurídica própria. Então não tem como uma pessoa entrar na justiça contra um órgão. A regra é essa. Entenda: se um particu­ lar quiser uma indenização por algum dano provocado pelo atendimento em um hospital público do Distrito Federal, a ação de indenização não será proposta contra o hospital, e sim contra o DF, que é dotado de personalidade jurídica. O órgão não possui personalidade jurídica! No entanto, a juris­ prudência entende que os órgãos independentes e os autô­ nomos podem propor ação judicial para defender seus direi­ tos. É o órgão que irá propor a ação (sujeito ativo). Como responder esse tema em prova: o órgão não possui per­ sonalidade jurídica, assim, não pode ser sujeito ativo nem passivo de uma ação judicial (autor ou réu). No entanto, a jurisprudência entende que o órgão pode ser autor de ação judicial para proteção de seus direitos.

Para fixar:

(CESPE/ ABIN /OFICIAL DE INTELIGÊNCIA/ 2010) Embora, em regra, os órgãos públicos não tenham

personalidade jurídica, a alguns órgãos é conferida

a denominada capacidade processual, estando eles

autorizados por lei a defender em juízo, em nome próprio, determinados interesses ou prerrogativas.

Justificativa: vimos que alguns órgãos, apesar de despersonalizados, possuem capacidade processual (para estar em juízo). Questão certa.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS Para esse estudo, adotamos as classificações

CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS

Para esse estudo, adotamos as classificações propos­ tas pelo prof. Hely Lopes Meirelles, que são as mais utiliza­ das pela doutrina dominante.

Quanto à Posição Estatal

Classificação relacionada à posição ocupada pelos

órgãos na escala governamental ou administrativa, se clas­ sificam em: independentes, autônomos, superiores e subal­ ternos.

Independentes: são os originários da Constituição

e representativos dos Poderes de Estado – Legis­

lativo, Executivo e Judiciário – colocados no ápice da pirâmide governamental, sem qualquer subor­ dinação hierárquica ou funcional, e só sujeitos aos controles constitucionais de um Poder pelo outro. Ex.: Câmara dos Deputados, Senado Federal, Pre­ sidência da República, os Tribunais judiciários, o Ministério Público Federal e estadual, Tribunais de Contas etc.

Autônomos: são os localizados imediatamente abaixo dos órgãos independentes e diretamente subordinados a seus chefes. Têm ampla autonomia

administrativa, financeira e técnica, caracterizando­ ­se como órgãos diretivos, com funções precípuas de planejamento, supervisão, coordenação e con­ trole das atividades que constituem sua área de competência. Ex.: os Ministérios, as Secretarias de Estado e de Município.

Superiores: são os que detêm poder de direção, controle, decisão e comando dos assuntos de sua competência específica, mas sempre sujeitos

à subordinação e ao controle hierárquico de uma

chefia mais alta. Não gozam de autonomia adminis­ trativa nem financeira, que são atributos dos órgãos independentes e dos autônomos a que pertencem. Ex.: Gabinetes, Secretarias­Gerais, Inspetorias­ ­Gerais, Procuradorias Administrativas e Judiciais, Coordenadorias, Departamentos e Divisões.

Subalternos: são todos aqueles que se acham hie­ rarquizados a órgãos mais elevados, com reduzido poder decisório e predominância de atribuições de execução. Destinam­se à realização de serviços de rotina, tarefas de formalização de atos administra­ tivos, cumprimento de decisões superiores e pri­ meiras soluções em casos individuais, tais como os que, nas repartições públicas, executam as ativi­ dades – meio e atendem ao público, prestando­lhe informações e encaminhando seus requerimentos, como são as portarias e seções de expediente.

Quanto à Estrutura

Podem ser simples ou compostos

1. Órgãos simples ou unitários: são os constituí­ dos por um só centro de competência. O que tipifica o órgão como simples ou unitário é a inexistência de

outro órgão incrustado na sua estrutura, para realizar desconcentradamente sua função principal ou para auxiliar seu desempenho.

2. Órgãos compostos: são os que reúnem na sua estrutura outros órgãos menores. Assim, uma Secreta­ ria de Educação – órgão composto – tem na sua estru­ tura muitas unidades escolares – órgãos menores com atividades-fim idênticas.

Quanto à Atuação Funcional

Podem ser singulares ou colegiados

1. Órgãos singulares ou unipessoais: são os que

atuam e decidem por meio de um único agente, que é seu chefe e representante. Esses órgãos podem ter muitos outros agentes auxiliares, como normalmente os têm, mas o que caracteriza sua singularidade ou unipessoalidade é o desempenho de sua função pre­

cípua por um só agente investido como seu titular. São exemplos desses órgãos a Presidência da República, as Governadorias dos Estados e as Prefeituras Mu­ nicipais, que concentram as funções executivas das respectivas entidades estatais, enfeixam­nas em um só cargo de chefia suprema e atribuem seu exercício a um único titular.

2. Órgãos colegiados ou pluripessoais: são todos

aqueles que atuam e decidem pela manifestação con­ junta e majoritária da vontade de seus membros. Nos órgãos colegiados, não prevalece a vontade individual de seu Chefe ou Presidente, nem a de seus integran­ tes isoladamente. O que se impõe, e vale juridicamen­ te, é a decisão da maioria, expressa na forma legal, regimental ou estatutária.

ÓRGÃOS PÚBLICOS

 
 

Unidade

de

atuação

integrante

da

Conceito

estrutura da Administração direta e indireta.

Criação e extinção

Sempre por lei.

 

Personalidade jurídica

São despersonalizados, logo, não exercem direitos nem obrigações na ordem jurídica.

 

a)

quanto à posição estatal: indepen­

dentes, autônomos e superiores;

 

Classificação

b)

quanto à estrutura: simples e com­

postos;

 
 

c)

quanto à atuação funcional: singula­

res ou colegiados.

 

ADMINISTRAÇÃO INDIRETA

É um conjunto de pessoas (autarquias, fundações públi­ cas, empresas públicas e sociedades de economia mista) que desempenham atividades administrativas de forma des­ centralizada. Nesse momento, abordamos os conceitos e as características de cada pessoa jurídica que compõe a Admi­ nistração indireta, essas pessoas também são denominadas de entidades.

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W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO

W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO AUTARQUIAS Em linhas gerais, autarquias são entidades criadas por

AUTARQUIAS

Em linhas gerais, autarquias são entidades criadas por lei específica, com personalidade jurídica de direito público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típi­ cas da Administração Pública de natureza administrativa, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. As autarquias possuem autonomia administrativa, eco­ nômica e financeira, além de personalidade jurídica própria (pratica atos em nome próprio). Assim, por ter personalidade jurídica própria, constitui em sujeito de direitos e obrigações, logo, possuem capacidade processual própria para ser parte em processos judiciais. A autarquia é fruto da descentralização administrativa. Por desempenharem atividades típicas de Estado, para os particulares aparecem como se fossem o próprio Estado. Quando o Estado cria uma autarquia, esta passa a ser titular da atividade pública. Para melhor desempenhar suas fun­ ções, as autarquias têm uma série de características e prer­ rogativas típicas do regime jurídico administrativo.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS AUTARQUIAS

Criação

Antes da criação da autarquia, certamente as ativida­ des desempenhadas por ela eram de competência da Admi­

nistração direta do ente político que a criou. Vale dizer, que

a criação de autarquia envolve o processo de descentraliza­

ção no âmbito da função administrativa, assim não há como uma autarquia praticar atividades legislativas ou judiciárias. Vale dizer que as autarquias são criadas por lei espe­ cífica, conforme o disposto no art. 37, XIX, da Constituição Federal, a saber:

XIX – somente por lei específica poderá ser cria­ da autarquia e autorizada a instituição de empre­ sa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste últi­ mo caso, definir as áreas de sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998)

Como são criadas por lei, a sua extinção deve ser rea­ lizada por lei (princípio da simetria jurídica). A lei de criação de autarquia dever ser de iniciativa do Presidente da Repú­ blica, se for autarquia federal, e, se for estadual ou munici­ pal, deverá a lei ser de iniciativa do Governador ou Prefeito, respectivamente. É o que consta do art. 61, § 1º, inciso II, alínea e, da Constituição Federal. As autarquias são criadas por lei específica. O Poder Legislativo do respectivo ente político criador deve editar lei ordinária que dê surgimento, ou seja, após a edição da lei

a autarquia já possui personalidade própria. A lei é denomi­

nada específica em razão de não poder tratar de nenhuma outra matéria, mas sim só disciplinar a formação dessa nova entidade.

Nomeação e Exoneração dos Dirigentes

É competência privativa do Presidente da República

nomear os dirigentes das autarquias, conforme dispõe o art. 84, XXV, da Constituição Federal. Na esfera estadual a competência é do Governador; e nos municípios, do Prefeito

(princípio da simetria jurídica). Conforme disposição constitucional, para a nomeação de dirigentes das autarquias poderá ser exigida a prévia aprovação do Senado, do nome escolhido pelo Chefe do Executivo, é o que consta no art. 84, XIV, da CF:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

[ ]

XIV

– nomear, após aprovação pelo Senado Fede­

ral,

os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos

Tribunais Superiores, os Governadores de Territó­ rios, o Procurador­Geral da República, o presidente e os diretores do Banco Central e outros servidores, quando determinado em lei.

A exigência da aprovação do Senado do nome esco­

lhido pelo Presidente da República pode decorrer de lei ou diretamente da Constituição. O art. 52, III, d, da Carta Magna, exige que o presidente e os diretores do Banco Cen­

tral sejam previamente aprovados pelo Senado. Em outros casos, a exigência decorre de lei como ocorre para as nome­ ações dos dirigentes da ANATEL, da ANEEL e da ANP.

Patrimônio

Os bens das autarquias são considerados bens públi­ cos. Assim dispõe o art. 98 do Código Civil:

Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Por serem públicos os bens das autarquias estão sujei­ tos à proteção atribuída aos bens públicos em geral, como a impenhorabilidade (não podem ser penhorados para propor­ cionar a satisfação do credor no caso do não cumprimento da obrigação) e a imprescritibilidade (são insuscetíveis de aquisição por meio de usucapião).

Regime de Pessoal

Atualmente, é adotado o Regime Jurídico Único para os servidores das autarquias federais. Decorre então que os servidores pertencentes ao quadro de órgão e entidades de direito público são estatutários. Cabe lembrar que na esfera federal é aplicado atualmente o Regime Jurídico Único, regulamentado pela Lei n. 8.112/1990. É o seguinte o teor atual do art. 39 da Carta Magna:

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competên­

cia, regime jurídico único e planos de carreira para

os servidores da Administração Pública direta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide ADI n.

2.135­4)

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Juízo competente Nos litígios comuns, sendo autoras, rés, assistente ou oponente,

Juízo competente

Nos litígios comuns, sendo autoras, rés, assistente ou oponente, serão suas causas processadas e julgadas na Justiça Federal. Vale transcrever o art. 109, I, da CF, em que consta este mandamento:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I – as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Tra­ balho.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Se a autarquia for de um estado, do Distrito Federal ou de qualquer município, o foro competente para processar e julgar os litígios comuns será a Justiça Estadual, ou seja, os TJs de cada estado.

Imunidade Tributária

O art. 150, § 2º, da CF, refere­se à imunidade tributá­ ria recíproca, que veda a instituição de imposto sobre patri­ mônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados às suas finalidades essenciais ou às que delas decorrem. A imunidade proposta pela Constituição alcança

o patrimônio, a renda e os serviços vinculados a suas fina­

lidades essenciais ou às que delas decorram, isso significa que se algum bem for destinado a finalidades diversas das finalidades institucionais do ente, incidirá normalmente os respectivos impostos. A imunidade tributária abrange, entre outros impostos, IPTU e IPVA, logo não alcança as taxas. Ex.: o BACEN tem sede em Brasília, não é? Você paga

o IPTU do seu imóvel? Com certeza paga. Mas o BACEN,

por ser autarquia (pessoa jurídica de direito público), possui imunidade sobre impostos.

Controle Administrativo

As autarquias são vinculadas à entidade estatal cria­ dora, mas não subordinadas a ela. Não há subordinação (controle hierárquico) entre a autarquia e o ente estatal a que pertence. O Decreto­Lei n. 200/1967 estabelece que “as entidades compreendidas na Administração indireta vincu­ lam-se ao Ministério em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade”. Logo, toda entidade será vinculada a um Ministério cuja competência se enqua­ dre. Temos como exemplo a ANVISA, que é uma autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, mas não subordinada a este. As autarquias devem observância a um controle de supervisão (supervisão ministerial) ou finalístico, que se limita a averiguar se a entidade está no cumprimento de suas finalidades previstas na lei instituidora e no seu regula­ mento ou estatuto. Marçal Justen Filho diz que em decorrência da natureza das competências serem investidas, a autarquia sujeita-se à determinação da especialidade de seu objeto de atuação.

Assim, a lei cria a autarquia e delimita as competências a ela atribuídas. Consequentemente, somente é válido à autar­ quia atuar nos limites dos poderes recebidos. Não cabe à autarquia desempenhar senão as atribuições que a lei a ela conferiu.

Para fixar:

(CESPE/ MPU/ ANALISTA PROCESSUAL/ 2010) As entidades compreendidas na Administração in­ direta subordinam­se ao ministério em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal ativi­ dade, mantendo com este uma relação hierárquica de índole político­administrativa, mas não funcional.

Justificativa: a questão está errada, pois vimos que não há subordinação entre entidade e o ministério ao qual se acha vinculada.

Prerrogativas autárquicas

Prescrição quinquenal: significa que se alguém tiver créditos contra autarquia, deverá realizar a cobrança em até cinco anos, sob pena de prescrever o seu direito de ação. Por determinação legal, as dívidas em favor de terceiros contra autarquias prescrevem em cinco anos. Prazos processuais: as autarquias têm os privilégios processuais relativos aos da fazenda pública, por essa razão, nos processos em que é parte, tem o prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer (CPC, art. 188). Duplo grau de jurisdição: as autarquias estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição, logo as sentenças proferidas contra as autarquias só produzirão efeitos após a confirma­ ção do Tribunal (CPC, art. 475, I). Significa que, em regra, o juiz, ao proferir sentença, deve determinar a remessa dos autos ao Tribunal (2ª instância) mesmo que não tenha havido recurso voluntário. Caso o juiz não tome essa providência, deverá o presidente do Tribunal avocar os autos (art. 475, § 1º, do CPC). Contudo, não se aplica o duplo grau obrigatório quando o valor discutido na ação não exceder 60 salários mínimos (CPC, art. 475, § 2º), ou quando a sentença esti­ ver fundada em jurisprudência do plenário do STF ou em súmula de qualquer tribunal superior competente (CPC, art. 475, § 3º). A não obrigatoriedade de remessa ao segundo grau não retira da autarquia o direito de novo julgamento na Segunda Instância, todavia, a inexistência da remessa obrigatória impõe à autarquia, a interposição do recurso no prazo legal, logo a remessa não é obrigatória, mas se achar conveniente poderá interpor recurso. Sistema de precatórios: quando a autarquia for con­ denada em ações judiciais, o pagamento da obrigação será realizado pelo sistema de precatório nos termos do art. 100 da CF/1988. Salvo as ações que representam pequeno valor, quando definidas em lei.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Os bens das autarquias não estão à livre disposição, logo não podem ser penhorados para satisfação de créditos devidos ao particular. Valores correspondentes à condenação judicial

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W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO

W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO transitada em julgado serão quitados através de precatórios judiciais

transitada em julgado serão quitados através de precatórios judiciais incluídos em dotação orçamentária do ente federado a que a autarquia estiver vinculada, conforme consta no § 5º, do art. 100 da Constituição Federal. Diante do exposto, nota-se que as autarquias gozam das mesmas prerrogativas do Estado em juízo.

PARA FIXAR – AUTARQUIAS

Conceito

São entidades criadas por lei específica, com personalidade jurídica de direito público, patri­ mônio e receitas próprios, para executar ativida­ des típicas da Administração Pública de natureza administrativa, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e finan­ ceira descentralizada.

Criação

São criadas por lei específica (37, XIX, da Cons­ tituição Federal).

Patrimônio

São considerados bens públicos, logo, impenho­ ráveis, imprescritíveis e inalienáveis.

Regime de

 

pessoal

Estatutário.

Juízo

a) Autarquia federal: Justiça Federal, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Traba­ lho. b) Autarquia estadual, distrital ou municipal: Jus­ tiça Estadual.

competente

Imunidade

Possuem imunidade tributária, que veda a insti­ tuição de imposto sobre patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados às suas finalidades essenciais ou às que delas decorrem.

tributária

Controle admi­

Apenas supervisão (supervisão ministerial) ou finalístico, que se limita a averiguar se a entidade está no cumprimento de suas finalidades previs­ tas na lei instituidora e no seu regulamento ou estatuto.

nistrativo

Prerrogativas

Prescrição quinquenal; prazos processuais dila­ tados para contestar e recorrer; duplo grau de jurisdição; pagamento de obrigações pelo sis­ tema de precatório.

AUTARQUIAS PROFISSIONAIS (OU CORPORATIVAS)

É certo que as entidades reguladoras de profissão pra­ ticam atribuições inerentes ao poder de polícia da profis­ são como, por exemplo, a cassação de registro profissional impedindo o exercício da profissão. É o que decorre da com­ petência do Conselho Regional de Medicina (CRM), Conse­ lho Regional de Odontologia (CRO) etc. Do regime jurídico de direito público deriva a submissão ao controle do Tribunal de Contas da União, o dever de lici­ tar e realizar concursos públicos para provimento de cargos efetivos.

Para fixar:

(CESPE/ PC­PB/ DELEGADO DE POLÍCIA/ 2009) Os conselhos de profissões regulamentadas, como o CREA e o CRM, são pessoas jurídicas de direito privado.

Justificativa: os conselhos profissionais são autar­ quias corporativas. Atuam na fiscalização – poder de polí­ cia – de determinadas categorias profissionais. São pessoas jurídicas de direito público. Questão errada.

Caso Específico para OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é uma enti­ dade sui generis não integrante da Administração indireta da União. Carvalho Filho (2008, p. 446­447) denomina a OAB como entidade independente por não estar vinculada a qualquer órgão administrativo ou controle ministerial. A OAB além de ter o objetivo de representação da categoria dos advogados, tem ainda função institucional de natureza constitucional. O STF afirmou ser a OAB uma entidade pro­ fissional de regime especial ou sui generis, não comparável às instituições fiscalizadoras de profissão. Assevera o autor que a Suprema Corte reconheceu que a Ordem dos Advo­ gados presta serviço público indelegável, exercendo pode­ res típicos de Estado, como o poder de polícia, logo se faz necessário pertencer à Administração indireta, no entanto, segundo entendimento do STF não pertence à Administra­ ção indireta, sendo uma entidade independente, sem posi­ ção legal no sistema de governo. Consequentemente, a OAB não fica sujeita à licitação, contratação de pessoal mediante concurso público, ao con­ trole do TCU etc.

Para fixar:

(CESPE/ PC­PB/ DELEGADO DE POLÍCIA/ 2009) A OAB, conforme entendimento do STF, é uma autarquia pública em regime especial e se submete ao controle do TCU.

Justificativa: o posicionamento do STF é que a OAB não integra a Administração Pública indireta, não se subme­ tendo à fiscalização do TCU. Questão errada.

AUTARQUIAS ESPECIAIS OU SOB REGIME ESPECIAL

São autarquias regidas por disciplina específica, rece­ bem da lei instituidora certos privilégios, com a intenção de aumentar sua autonomia em relação às demais autarquias (autarquias comuns). Hely Lopes Meirelles diz que autarquia em regime especial “é toda aquela a que a lei instituidora conferir privilégios específicos e aumentar sua autonomia comparativamente com as autarquias comuns, sem infringir os preceitos constitucionais pertinentes a essas entidades de personalidade pública”.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA IMPORTANTE Então há duas modalidades de autarquia, uma “comum” e outra

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Então há duas modalidades de autarquia, uma “comum” e outra “especial”.

Por força da Lei n. 5.540/1968, as universidades e esta­ belecimentos de ensino superior, quando oficiais, constitu­ íram­se em autarquia de regime especial ou em fundação de direito público, essa rotulação era dada para terem uma maior independência administrativa em nome da liberdade de pensamento e orientação pedagógica. Com objetivo de preservar a autonomia das Universida­

des, o art. 207 da Constituição Federal de 1988 estabelece que: “as universidades gozam de autonomia didáticocientífica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial [ ]” Seguindo essa orientação legal, foram criadas as seguintes autarquias culturais: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade de São Paulo (USP). Hoje, as agências reguladoras recebem a denomina­ ção de autarquia em regime especial. São instituídas em regime especial para ter uma maior autonomia perante o Poder Executivo. Por fim, a qualificação dada às autarquias especiais

é fruto da lei criadora desses entes. A Lei n. 9.427/1996 declara que a ANEEL é autarquia sob regime especial; a Lei n. 9.472/1997 dispõe que a ANATEL é autarquia submetida

a regime autárquico especial; a Lei n. 9.478/1997 declara

que a ANP está sujeita ao regime autárquico especial; a Lei n. 9.782/1999 qualifica a ANVISA como autarquia em regime especial. Logo, é a própria Lei que institui as diversas agên­ cias que tem a qualificação de “autarquias em regime espe­ cial”. Diante do exposto, em questões objetivas de concurso público, devemos considerar as agências reguladoras como autarquias em regime especial, pois a própria lei instaura­ dora as qualifica como tal. Passaremos a estudar duas espécies de autarquia em regime especial: agências reguladoras e agências executi­ vas.

AGÊNCIAS REGULADORAS

A partir da modernização do Estado, em especial na prestação de serviço público adequado e de qualidade, aliado ao princípio do “Estado Bem-Estar”, surgiu a descen­ tralização como hoje a conhecemos. A descentralização não ocorre apenas com a criação de entidades pelo Poder Público, mas também com a trans­ ferência, pelo Estado, da execução de uma atividade a ter­ ceiros estranhos à estrutura da Administração Pública (dele­ gação de serviços públicos). A partir deste modelo de descentralização, aliado à fle­ xibilização dos monopólios estatais trazidos pelo neolibera­ lismo, surgiram grandes grupos econômicos com interesse em explorar atividades que antes eram de exclusiva função do Estado, como os serviços de telecomunicações e ener­ gia.

Desta forma, amparados pela redução da máquina estatal, certos serviços essenciais ao bem comum foram transferidos para o setor privado, necessitando, portanto, de regulamentação estatal. Nesse contexto, o Estado criou as Agências Regula­ doras cuja função é ditar as normas de condução entre os agentes envolvidos, ou seja, o Poder Público, o prestador dos serviços e os usuários. Entende­se por regulamentação a intervenção esta­ tal junto a setores privados, para impor normas de conduta que visem obrigá­los a atingir o bem estar da comunidade. Cumpre frisar que a função regulatória é essencial para a eficiência do processo de desestatização.

É importante salientar que a Constituição não exige que

as agências reguladoras sejam autarquias, muito menos em regime especial. Deve­se apenas observar que o exercício de atividade regulatória deve ser atribuído a pessoas de direito público. Vale registrar que a Constituição não utiliza o termo agência reguladora, referindo­se apenas sobre a expressão órgão regulador. Dessa forma, o art. 21, XI, da CF, prevê que a lei disponha “sobre a organização dos serviços, a cria­ ção de um órgão regulador e outros aspectos institucionais”. Também, o art. 177, § 2º, III, estabelece que a lei disponha sobre “a estrutura e atribuições do órgão regulador do mono­ pólio da União”.

Resumindo: conforme se consta, apenas a ANATEL e a ANP têm previsão constitucional (arts. 21, XI e 177, § 2º, III, da CF).

Poder Normativo Técnico

É o poder de estabelecer regulamentação sobre maté­

ria de ordem técnica. Esse poder normativo técnico não pode deixar de submeter­se a controle administrativo ou judicial. Essa regulamentação tem característica de atos administra­ tivos regulamentares, portanto não há produção de leis.

Resumindo: a produção de atos administrativos nor­ mativos, completando as disposições da lei, depende de expressa autorização dada pela própria lei. É o que alguns chamam de regulamentos delegados ou autorizados; a matéria do ato deve ser de índole técnica; o ato praticado com fundamento no poder normativo técnico das agências reguladoras está sujeito ao controle legislativo constante no art. 49, V, da CF, e ao controle judicial.

Atividades Desempenhadas pelas Agências

A professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro orienta a existência de dois tipos de agências reguladoras no direito brasileiro:

1. as que exercem, com base em lei, típico poder de polícia, com a imposição de limitações administrativas, previstas em lei, fiscalização, repressão, como é o caso, por exemplo, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), da Agência Nacional de Saúde Pública Suplementar (ANS), da Agência Nacional de Águas (ANA);

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W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO

W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO 2. as que regulam e controlam as atividades que

2. as que regulam e controlam as atividades que cons­

tituem objeto de concessão, permissão ou autorização de serviços públicos (telecomunicações, energia elétri­ ca, transporte etc.) ou de concessão para exploração de bem público (petróleo e outras riquezas minerais, rodovias etc.).

Principais Características

Dentre as principais características das agências regu­ ladoras estão: a nomeação do seu dirigente máximo pelo Presidente da República, após prévia aprovação do Senado Federal; prerrogativa de editar normas técnicas; vedação ao ex­dirigente de representar qualquer interesse perante a agência, ou de prestar serviços a empresas sob sua regu­ lamentação pelo período de quatro meses após deixar o cargo. Todas essas características são regulamentadas pela Lei n. 9.986/2000, que dispõe sobre a gestão de recursos humanos das Agências Reguladoras.

Forma Jurídica

Comumente as leis que criam as agências regulado­ ras as instituem como autarquia. Convém mencionar que não há obrigatoriedade de serem criadas com essa forma. Poderiam ser órgãos integrantes da Administração direta. O que importa é justamente a personalidade de direito público, visto que praticam atividade de fiscalização caracterizada como atos de poder de polícia.

Obs.: segundo o STF (ADI 1.717­6), pessoa de direito público não pode praticar ato de poder de polícia, como por exemplo, fiscalizar e interditar um estabe­ lecimento comercial. Sem dúvida, os atos que envolvem atos de poder de polícia, aos quais se incluem a aplicação de san­ ções, devem ser outorgados apenas a pessoas de direito público, excluindo, portanto, as empresas públicas e sociedades de economia mista pelo que são pessoas de direito privado.

AGÊNCIAS EXECUTIVAS

É a qualificação dada à autarquia ou fundação que celebre contrato de gestão com o órgão a que se ache vin­ culada, para a melhoria da eficiência e redução de custos. “São, na realidade, autarquias ou fundações que, em decor­ rência dessa qualificação, passam a submeter-se a regime jurídico especial” (DI PIETRO, 2004, p. 401).

Em síntese: corresponde simplesmente a uma quali­ ficação concedida pelo Poder Público a uma fundação ou autarquia que já exista após a celebração de um contrato de gestão.

O art. 37, § 8º, da CF, disciplina o tema nos seguintes

termos:

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financei­ ra dos órgãos e entidades da Administração direta

e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a

ser firmado entre seus administradores e o Poder Público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:

I – o prazo de duração do contrato;

II – os controles e critérios de avaliação de desem­

penho, direitos, obrigações e responsabilidade dos

dirigentes;

III – a remuneração do pessoal.

Com objetivo de especificar a autorização constitucio­ nal, a Lei n. 9.649/1998, estabelece que:

Art. 51. O Poder Executivo poderá qualificar como

Agência Executiva a autarquia ou fundação que te­ nha cumprido os seguintes requisitos:

I – ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento;

II – ter celebrado Contrato de Gestão com o respec­ tivo Ministério supervisor.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Inicialmente a autarquia ou a fundação já existem. No entanto em um dado momento poderão receber o título de agência executiva

e serão classificadas de autarquia especial. Para receber o título

é necessário ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento e ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.

Para a entidade receber a qualificação de agência exe­ cutiva, primeiro terá de celebrar contrato de gestão com o Ministério encarregado de exercer o controle administrativo. Ainda com o objetivo de esclarecer alguns pontos, o

Decreto n. 6.017/2007, em seu art. 2º, inciso XVIII, conceitua contrato de gestão como sendo: “instrumento firmado entre a Administração Pública e autarquia ou fundação qualificada como Agência Executiva, na forma do art. 51 da Lei n. 9.649, de 27 de maio de 1998, por meio do qual se estabelecem objetivos, metas e respectivos indicadores de desempenho da entidade, bem como os recursos necessários e os crité­ rios e instrumentos para a avaliação do seu cumprimento”.

O contrato de gestão é um compromisso institucional,

firmado entre o Estado, por intermédio de seus ministé­

rios, e uma entidade pública estatal, a ser qualificada como Agência Executiva. Seu propósito é contribuir ou reforçar o atingimento de objetivos de políticas públicas, mediante o desenvolvimento de um programa de melhoria da gestão, com vistas a atingir uma superior qualidade do produto ou serviço prestado ao cidadão. Um contrato de gestão especi­ fica metas (e respectivos indicadores), obrigações, respon­ sabilidades, recursos, condicionantes, mecanismos de ava­ liação e penalidades.

A entidade que celebrar o contrato de gestão será

avaliada periodicamente pelo Ministério supervisor e pela Secretaria Federal de Controle do Ministério da Fazenda. Se

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a entidade não cumprir o plano estratégico de reestrutura­ ção e desenvolvimento

a entidade não cumprir o plano estratégico de reestrutura­

ção e desenvolvimento institucional, perderá a qualificação de agência executiva (art. 1º, § 4º do Decreto n. 2.487/1998).

Disposições Finais

a) A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos

órgãos e entidades da Administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato de gestão (art. 37, § 8º da

CF/1988);

b) Devemos ressaltar que as agências executivas são qualificadas como autarquias de regime especial;

c) A qualificação de agência executiva é efetuada por

ato específico do Presidente da República. A desqualifica­

ção de autarquia ou fundação como Agência Executiva dar­

­se­á mediante decreto, por iniciativa do Ministério supervi­ sor, com anuência do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (art. 1º, § 4º, do Decreto n. 2.487/1998).

d) Os Decretos Federais n. 2.487/1998 e 2.488/1988

são aplicados à esfera federal. Os Estados e Municípios que quiserem dar a qualificação de agência executiva às suas entidades deverão normatizar tal disciplina observando o disposto no art. 37, § 8º, da Constituição Federal;

e) As agências executivas têm benefícios em relação à

licitação dispensável, a lei de licitações ampliou para 20% os

limites de isenção ao dever de licitar (art. 24, parágrafo único da Lei n. 8.666/1993);

f) Temos como exemplos de agências executivas o

Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (INMETRO) e a Agência de Inteligência, instituída pela Lei n. 9.883/1999; a Agência Nacional do Desenvolvi­ mento do Amazonas (ADA) e a Agência Nacional do Desen­ volvimento do Nordeste (ADENE);

g) O contrato de gestão terá a duração mínima de

um ano, admitida a revisão de suas disposições em cará­ ter excepcional e devidamente justificado, bem como a sua renovação, desde que submetidas à análise do Ministério Supervisor (art. 3, § 4º, do Decreto n. 2.488/1998).

Para fixar:

(CESPE/ ANAC/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2012) A ANAC, uma agência reguladora, recebe essa qualificação por força de contrato de gestão celebrado com órgão da Administração a que se su­ bordina, para melhoria da eficiência e redução de custos.

Justificativa: a ANAC, por ser uma agência regula­ dora, não recebe essa qualificação por força de contrato de gestão. O contrato de gestão é o instrumento utilizado para a concessão da qualificação de agência executiva a autarquia ou a fundação. Outro erro é percebido quando a questão faz referência à “subordinação”, pois, foi visto que não há pre­ sença de hierarquia entre a Administração indireta para com

a direta. Questão errada.

CONSÓRCIOS PÚBLICOS

A Constituição Federal autoriza cada ente federado a disciplinar, por norma própria, os consórcios públicos, os convênios de cooperação e a gestão associada de serviços públicos, nos seguintes termos:

Art. 241. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consór­ cios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência to­ tal ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.

O dispositivo constitucional visa consolidar a gestão

associativa entre os entes federados para consecução de fins de interesse comum. Pode ser que uma pessoa jurídica sozinha tenha dificuldades de executar algum tipo de ser­ viço, nesse caso, se houver uma conjunção de esforços, poderá ser o serviço realizado de forma mais eficiente.

Exemplificando: considere que o Município “X”, que pratica a coleta de lixo domiciliar pessoalmente, esteja sem capacidade de prover o serviço de forma adequada, pois faltam caminhões para realizar a coleta e servidores. Nesse contexto, poderá esse Município promover uma associação com outro município vizinho, para juntos ofertarem o serviço com uma melhor qualidade.

Di Pietro (2009, p. 473) diz que “o objetivo da norma

constitucional é o de consolidar a gestão associada entre

os entes federados para consecução de fins de interesse

Muitas vezes, o serviço que uma pessoa jurídica

pública não pode ou tem dificuldades para executar sozinha, torna-se possível ou mais eficiente mediante a conjunção de esforços”.

O art. 6º da Lei n. 11.107/2005 estabelece que “o con­

sórcio público adquirirá personalidade jurídica”:

comum. [

]

I – de direito público, no caso de constituir associa­ ção pública, mediante a vigência das leis de ratifica­ ção dos protocolos de intenções; II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil.

Se o consórcio público tiver personalidade de direito público, será constituído como associação pública e con­ forme o § 1º do art. 6º “Integra a Administração indireta de todos os entes da Federação consorciados”. Por esse motivo, terá todas as prerrogativas e privilégios das pessoas estatais de direito público, como: imunidade tributária, impe­ nhorabilidade, prescrição quinquenal etc. Se o consórcio for constituído com personalidade de direito privado, o consórcio se constituirá “mediante o atendi­ mento dos requisitos da legislação civil” (art. 6º, II). Portanto, se o consórcio público adquirir personalidade de direito pri­ vado, assumirá a forma de associação civil, sendo que sua constituição deve ser efetivada de acordo com a norma civil, por conseguinte adquirindo personalidade conforme inscri­ ção dos atos constitutivos no registro público competente, mas ainda estará sujeito às normas de direito público, no que concerne à realização de licitação, celebração de con­ tratos, prestação de contas e admissão de pessoal. Com efeito, o § 2º do art. 6º prevê que: No caso de se revestir de personalidade jurídica de direito privado, o consórcio público observará as normas de direito público no que concerne à realização de licitação, celebração de contratos, prestação de contas e admissão de pessoal, que será regido pela Con­ solidação das Leis do Trabalho – CLT.

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W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO

W. GRANJEIRO BRUNO / PILASTREJ. RODRIGO CARDOSO O consórcio público integrará a Administração indi­ reta de

O consórcio público integrará a Administração indi­

reta de todos os entes participantes. A Lei n. 11.107/2005 fez essa previsão no art. 6º, § 1º, no entanto, essa previsão não foi estendida aos consórcios constituídos com persona­ lidade de direito privado. Com o objetivo de esclarecer alguns pontos da Lei n. 11.107/2005, foi editado o Decreto n. 6.017/2007. O referido Decreto conceituou consórcio público, nos seguintes termos:

I – consórcio público: pessoa jurídica formada ex­ clusivamente por entes da Federação, na forma da Lei n. 11.107, de 2005, para estabelecer relações de cooperação federativa, inclusive a realização de objetivos de interesse comum, constituída como associação pública, com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, ou como pes­ soa jurídica de direito privado sem fins econômicos.

Formalização

“O consórcio público será constituído por contrato cuja

celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de

intenções” (art. 3º da Lei n. 11.107/2005). O art. 2º, inciso III, do Decreto n. 6.017/2007 conceitua protocolo de inten­ ções como “contrato preliminar que, ratificado pelos entes da Federação interessados, convertese em contrato de con­ sórcio público”. Logo, para ser celebrado contrato de consór­ cio público, é necessária a ratificação (aprovação pelo ente da Federação), mediante lei, do protocolo de intenção (art. 5º da Lei n. 11.107/2005).

A extinção ou alteração do contrato de consórcio

dependerá de instrumento aprovado pela assembleia geral, que é a instância máxima dos consórcios públicos, necessi­ tando também ser ratificado mediante lei por todos os entes consorciados (art. 12 da Lei n. 11.107/2005).

FUNDAÇÕES PÚBLICAS

IMPORTANTE

IMPORTANTE

Passaremos a estudar o tema fundações públicas. Anteriormente, estudamos todas as características das autarquias, que reconheço, são muitas. Você deve estar pensando: será que vou ter de aprender tudo isso para ser aprovado em concurso? Com certeza sim. Em apenas uma leitura é impossível aprender tudo! Leia, faça o seu resumo, quadro esquemático, ou seja, crie sua maneira de aprendizado. Lembre-se, se o tema for difícil, será difícil para todos. Então, quem se dedicar mais será aprovado. Vamos lá!

Ao iniciar este estudo, é imprescindível a distinção entre fundações instituídas por particulares e as fundações integrantes da Administração indireta do Estado. As funda­ ções privadas são criadas por pessoas físicas ou jurídicas como meio de destinação de parte de seus recursos para questões sociais. Entende­se como fundação um conjunto de recursos empregados a uma finalidade social, que por força de lei tem personalidade jurídica. Nesse sentido, foram instituídas fundações privadas, criadas por testamentos, se a intenção do instituidor era a

criação após sua morte, ou por escritura pública, se a inten­ ção era a instituição da fundação ainda em vida, ou se cria­ das por pessoas jurídicas. Temos como exemplos de fundações privadas a Fun­ dação Ayrton Senna, Fundação Roberto Marinho etc. Essas fundações são instituídas e criadas por pessoas físicas ou jurídicas, constituem em um patrimônio privado destinado a uma questão social.

O objeto do nosso estudo não são as fundações priva­

das nos moldes acima, mas sim as instituídas pelo Poder Público por meio de descentralização, integrando a Adminis­ tração indireta do Estado. As fundações públicas são institu­ ídas pelo Poder Público para desenvolver funções de ordem social, como saúde, educação, cultura, meio ambiente, assistência, ou seja, atividades estatais no âmbito social. O Decreto-Lei n. 200 define fundação pública como sendo “entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento, cus­

teado por recursos da União e de outras fontes” (art. 5º, IV). É autorizado ao Poder Público instituir fundação pública de direito público e fundação pública de direito pri­ vado. Desse modo, se forem constituídas sob normas pri­ vadas, adquirem personalidade jurídica com as disposições do Código Civil concernentes às fundações (art. 5º, § 3º do Decreto­Lei n. 200/1967). As fundações públicas são entidades integrantes da Administração indireta, fruto da descentralização administra­ tiva. Temos como exemplos de fundações públicas de direito

público: Universidade de Brasília (UnB); Fundação Nacional do Índio (FUNAI); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís­ tica (IBGE) etc.

É importante enfatizar que a EC n. 19/1998 estabeleceu

a necessidade da edição de lei complementar para definir as áreas de atuação das fundações públicas de direito público

e das de direito privado, contudo essa lei complementar até

a presente data não foi editada.

Natureza Jurídica das Fundações

Pode-se afirmar que o Poder Público tem a prerrogativa de instituir fundações de direito público e de direito privado. Conforme entendimento do STF, as fundações de direito público são espécies do gênero autarquia. Pode-se então afirmar que a diferença entre a autarquia e a fundação de direito público reside na forma de atuação: as autarquias desenvolvem atividades típicas de estado e as fundações de direito público desempenham atividades de caráter social, como assistência social educação, pesquisa, atividades cul­ turais etc.

IMPORTANTE

IMPORTANTE

As fundações públicas de direito público têm as mesmas características das autarquias, salvo quanto ao objetivo. Enquanto a autarquia pratica atividade típica de estado, a fundação pratica atividade no âmbito social. Já as fundações

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA de direito privado são regidas pelo direito privado, derrogado por normas públicas

de direito privado são regidas pelo direito privado, derrogado por normas públicas em alguns momentos, como por exemplo, devem licitar, realizar concurso público, prestar contas etc. Assim, podemos afirmar em prova de concurso que são regidas por normas de direito privado, mas atendem, também, a normas de direito público (regime híbrido).

Criação

A forma de criação de fundação pública é distinta con­ forme o regime adotado, todavia é necessária a edição de lei. Se a fundação pública tiver personalidade jurídica de direito privado, a lei apenas autoriza a criação da entidade (autorizada por lei específica – Lei Autorizativa). Se for de direito público, ou seja, de natureza autárquica, a regra de criação é idêntica às da autarquia, a própria lei dá nasci­ mento à entidade (edição de lei específica). O inciso XIX do art. 37 da CF/1988 prescreve que “somente por lei especí­ fica poderá ser criada autarquia e autorizada à instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação”. Ao interpretar esse manda­ mento, deve­se entender que a autorização por lei especí­ fica (lei autorizativa) é característica de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação de direito pri­ vado. Defendemos que as fundações instituídas com perso­ nalidade jurídica de direito público são espécies do gênero autarquia, logo instituídas diretamente por lei. Hely Lopes Meirelles (2008, p. 67) diz que as funda­ ções públicas de direito público são criadas por lei, à seme­ lhança das autarquias, já as de direito privado, a lei apenas autoriza sua criação, devendo o Poder Executivo tomar as providências necessárias à sua instituição. Em relação à extinção, se for fundação de direito pri­ vado a lei autoriza a extinção, e se for de direito público a própria lei fará a extinção. Pela importância do tema passaremos a resolver a seguinte questão:

(CESPE/ TCU/ AUDITOR/ 2009) A criação de fun­ dações públicas, pessoas jurídicas de direito públi­ co ou privado, deve ser autorizada por lei específi­ ca, sendo a criação efetiva dessas entidades feita na forma da lei civil, com o registro dos seus atos constitutivos, diferentemente do que ocorre com as autarquias.

Justificativa: a questão está errada, pois afirmou que a criação de fundações públicas de direito público ou privado devem ser autorizadas por lei específica (lei autorizativa). Vimos que se for fundação pública de direito público a cria­ ção será pela própria lei (lei específica) tal qual às autar­ quias.

Características das Fundações de Direito Público

As fundações com personalidade jurídica de direito público são, na verdade, espécie do gênero autarquia. Por essa razão, é legítimo destinar todas as prerrogativas, restri­ ções e privilégios dispensados às autarquias.

O que as difere é o modo de atuação, enquanto as autarquias desenvolvem atividades típicas de Estado, as fundações públicas de direito público desempenham ativi­ dades estatais de natureza sociais como educação, cultura, pesquisa, assistência social, saúde etc. Quanto aos bens,