presente
ensino. secundário,
trabalho,
que agora se difunde
foi elaborado
para todos os professo-·
por um grupo de pro;f'essoree
do .
a- soli.d tação, ·da Direcção-Geral.
|
de.participar, |
de |
|
|
com a intenção centenário da publicação |
de :11os |
|
de vinte e cinco professores do cão-Geral "promover a·.elaboração de um o. objectivo de fazer nomeadamenteos do 3R
usaz-, formaram-se subgrupos vária ordem fizeram prolongar para ooncLuaão,dos, todo o grupo em Abril
nos traba;Lhos dos subgrupos dois .profer·· autores do texto que segue-
.
a dâ.d,áctic;iade "Os Lusíadas"
colfi!,>;aS•.Umaproposta que não sej;>,o,ri:ti:o&.d,é},pa~ que, ganha a eXPeri~ncia no novo
·· ser ~fol'lllu;Lad<Í;··.•~er~ comprazer que se reoebel"ão, · q~rA~ cÓlegaç :e:X:perientesquer de joven~ que
e
.•
'ª a.(i~11;er•.O'imP<:>rtante
~.que se acz-edí, te
estW!o do po~~ O,e Cam5es, um tratamento L~ .e é),ue.v recupere para os nossos alunos
'-e-z:~o·::'.'.-;
e ,~
'·
, ,
0Abílip Alves Bonito Perfeito
Viana de Alvarenga
Ribeiro dos Santos
Cust6dio Lope13 dos Santos
ria Re,belo Qu.intela
Fráncisco da Costa. Marques
Lu!s Simões Gomes
de Almeida Sousa Gutierres
Mq,ria Rosa· Br-agariçado Rosário . Duarte de Rodrigt.tesRamos
vivo reconhecimento
a· àtingil' no· estudo de uma obra
estétióos,
li ter,áriaº
ideol;i1gioos e morais oontid:os na
da mensagemde "Os Lueµadas 11•
·~CJ'O :PE UMA ORIE!iTAÇÃü (}ERAL RELATIVA l DIDJl.CTICA DE "OS
|
IAS11 |
18, |
|
18 |
ÓÓ;riiiid.eraçtlesgerais de. ca;[láoter didáotioo•
19
|
'D~oliioa.s.de ensinei |
23 |
|
de grupo; |
23 |
|
'debates; |
23 |
|
estudo comparativo de textos; |
23 |
|
dramaÚzaçtles; · |
23 |
|
temas de redacçlfo • |
|
, Máterial .didáotio~~
auxiliares
puramente vj_suais;
J:. à)lXiliares sonoros;
J'aiuc±liàres aUdiovis:uais;
,)'mate11Ía1 ~ elaborar peleis alunos ou em oo Labo.ração com
:
eies;
e) textos .auiciliares•
de 110s Lu~,!adas"i
,'li:)' indioaçtles: preliminares;
b'Xp+anifioaÇão.
26,
27
38
38
39
estudo da narração a) introdução•
o} a viagem;
|
o) |
à mitologia; |
|
d) |
conc tusõe s- |
de "Us Lusíadas"• (viagem e mitologia);
A :j.mportânciae função da matéria hist6rica;
|
a) |
indicações preliminares; |
|
c) |
o aprovei tam,entodas fontes hist6ricas; |
o): a apresentação e o tratamento da maté r-í,a
discurso do Gama} descrição das bandeira;i; profecia$.
a) su~stões para o estudo de alguns epis6dios; "fermos!ssima J\laria"; batalha de Aljubarrotai os Doze.de Inglaterra; -,Nuno Alvares na descrição das .'Qandeiras;- s. Tomé.
estudo·das reflexões e comentário~ é:ríticqs d.o
|
prêi;ê.ndendo-contraria:r |
os ·objectivos expressos |
no Pio :. |
|
|
ainda. em vigor, |
mas ·aeseja.nqo, na. medida do aLcance , a. seguir |
||
|
expl!ci |
te 'e seu |
se. apresentii. |
|
'
op.jectivos
·
-
que deverão
do elfilino'~
ser convenf.en'tement e ·
I;nteressar
inane,n~e
o s alúl'!Ós na mensagem humaná, universal
·do .pqeta., Levando-os a -descobrir,
na 'epopeià,
e per""
o
--~e os.póss<1:~auxiliar
na compreensão do mundo e dos b:omen~.•
nos alunos,
através-
da. visãe> épica de C!!.mdei;:,o·
não scSpor uma é-poca pa.rticular da hist.Sria.-de ma_s·t<;1.mb!11n'pelo conjunto da vida nacional irifcio•,e' pelos seus. valores permanentes.
compreensa.o"maí s exa.êta pelo Poeta nos ciei'it!ticá <ie coi-ihecer).
e
norma lin-
do tex't.o
_evolução da l!ngua e enriquecimento
,e ~n:tes ~e concretizar indicações d.e ordem did4ctica. relati- Vàâ i!.c estudo !ie "Os Lusíadas", seja-nos permitido introduzir él.lg11111aE1
.···cóns:i;der@.9Q°es,talvez peJ.'.tinentes e necessárias,
···.•/'â.;atingi!'. no •estudo de uma obra· literária ·· gerl!,1 de ~iceu).
sobre os. ob~ectivos
(mesmoestudada a. nível de
Comoé evide~te, as reflexões que.apresentamos e a inter-
t·~retação ·<tq"e_pres,suí:i,Õllm•baseiam-se em leituras,
mas sempre af'erida.s
';.·,•;Pelaprá"tica.''docente .e ponde;rade:s.de acordo com a serenidade
•.gf,Unen"toque deve. caracterizar todo o professor. Que nos seja
de jul ;; relevada
. a: simplicidade de tal ~ntenção, mas estamos c.onvictos de que, para
, "•.13olémda "leitura
de cada um", mais ou menos inteligente,
ri·ca 'de sub-
·"••''~ject:i.vidade ou demasiado f'orma.lista, convirá muito que todos os pro-
;·'~~s~o:r!s se pÓssa;inencontrar em perfeita unanimida.de ~obre a inter- ·
C:~rf:l,ta9ao,de pontOli!f'llndamentais ·.sugeridos
nas Instruçoes Programáti,-
,ca~,. <> <IU-8 sé oonside,ra imprescind!vel na tarefa que lhes competes
·~niiínar a ler
. cáda.,1lQr .~<tnsiga imprimir a:os seus pro0esêos de ensino.
""',independentemente da originalidade· e eficH!ncia que
Se; colDotodo.s aabemos., a' obra literária não pode .conside-
·~r,
l!u autor - atmosfera que e:tpl~ca a gtfoese da obra literária e
éi;id.à as gJ:"andes'Unhas· de pens,~mentoem que se
I9 ,P;i>odutoda sociedadé, ·oomose não limita a reflectir ou a tes-
sedesenraizada
do ambiente social e hist6rico
em que se si tuà o
des- '
ela não é
insere -,
iµrihar.à,s yáriaf! circunstftncias ou episcSdios que ca.raóterizam él
i'ograf'il!, dó
seu criador. E já parece b~l repetir que a ,literatura
â.rte, ar:t,e da 'palavras o !'riado:r::literário,
a.través do material
iiigu!stico que·seleóciona e forja, transfigura a realidade de que
inspir:a; recri~ er utilizando processos literttrios espec!ficos,
|
trahsmite. a sua, visão •do Mundo,o seu. idettrio, comum'à |
época, mas |
· |
|
,mais .ou nienos enriquecidt> pela :i;nterpret1!.9âopessoal e |
pelo .poder |
|
'J:,riadór d.e, que disponha •. Assim, a.s ideias contidas na obra~. os valo-
|
iê,s,einprais',. ~no.sCSficos,·ór!ticos e :rel~giosos, nela expressos, |
t3m |
|
·~.IJ,~is~ut!velinteresse e. imP()rtftncia, sao mesmoimprescind!veis |
para |
~'.f!~ -to.tal •apreciação; maá s.~.J>Odemser interpretados como partes ;;i.l!fé~~teiii ide um contexto,·· organizados com outros elementos cons- .útfvosº de 'lllll;todo - ,a obra: literária -, e inseparáveis, portanto,
mane~l'a{º?Tºforam expressos· pelo
·
ha o'brà li teráz:ia, as ideia.e não t3m exist3noia
''· ;,:ihd"e.Pe~de11te1como~na filosofià e num d,epoimento social e
;{:,o~ e.fe~t(),
o.J.lpoiíti~•: MAÍ!t·11.n:teà·;inset'.i~s. Ji~,lÍv,idâde, ·.ae;;en(~~~;ooiii~~~~J d.i.~ÊIe éxplica(l.as re'lll;tivamente .11.o todó em que àé in;tEiiJ;-~, ~oineu.;,;:
ta.das ein sua. ~ç;ão es~iftico-li;ter4ria., o que, port~to~;o~ftgª 'é>'</
pi'ofessor·•a. reoc>l)hecero
primàdo do texto
mora.is.:podem
-. Pc>r.isso~ •ººJ.1~1!1~Íi~tiqa~
ser id*nt:j.cp~ ·ªiii,ditj(fin,
f
' que oá va,lores· ideol6gicos e
·.teà autores da mesma.~poca. ou de lpooa.s diferentes 1 86 a ·tlfcniéa 'li.:.
ter4ria.
dopção de éonvençÕu Í,i~!sticas expressivas, revé lada'E!#o· cri t4rt~ c:omque o autor aproveita e a.plica uma s!Srie de artif!cio11e~eó!fi;
oós da literatura.- individu;i.liza as criações lit~r~rias•;
.:.:.caract~rizada. p•la escolha. de soluções adeCÍUada11~ pel_â~,ca;;
·•··•······.···•••.·•
1 'cialmentê esMtico, convict.o de
· Interoya,
pois, que o professor ad~ptéum orititrio esse~
que o que. interessa. i'wldanle.ntalment,e,
'
co.n~iderada . comq - a.rqui tectúra s ignific'ante. Dentr0"4!i.ta .l>ri'n.: .· ·'
taçaq, esforçar
ba.1.da obra, nos meios expressivos utilizados
cesses liter~rios que adaptou "" tudo o que precisamjmte oondici~Jia
Í'evell!l,OS. objectiVOS. do autor, e a'!;rav&s dQS/quais ele tradµ.!IJa·· ·
e
a análise da. obra em si pr6pria, na liua unidade e .u'1:egri,da.aei< '
se-4 por levar o alun9 e. atentar na coiis~çao
gl~,
pelo poeta e. no~ Pro~
·
·orientação ideol6gica inerente à obra.
··".· .
.•·
Obsefye-Se'~ .por&m,qÍlf'leste cti;t4rio de a.ril''i.IÍ,Çâô'Íia. ~b~. ,·
li;ter~ria não s6 l.mpÜqa'a, atenção 'aos aspectos. tJ'.a.~ic~onl!l.'lmentecM,;
Iliªªºª formais, oonsti tuídos por •riza a es,trutura e oà materiais
um
da obra liter,ria
·conjunto .de elem~ntos .que caracte'.'
:
c:i~em.e
,e.trut!i.;
;.0,
constru_ção~-ilná"." ·
g].níátioa, sistema. de metitforas, es.tl.lo comparativo,., mitologia, es: ') tru.túra mátrica, esquema.r!tmico, caracter!sticas do glne~C)_l~teri:.: ;/
7a Pf.• ll!ln'atilr:ª' esqUema.do enredo, pa:ra~elismos'de
,rio
a .que Pertence; etc• -,·mas' abrange aindl!l.o processo tota'l. d~ •.~:,,··
laboração e de transfigurl!.9ão liter4ria.,
ca.d0, na medidl!l.•em que. engl~ba o tema. e
o si~ifioat1tece
o,.sign~fi:.,;
as r~corríncia,à qt1e.iJDpl:ioat •
-,
·.a
intriga.
.ou .•acção L
a
s :i,tiia.ção.e -.ca.racteriza.Ção da_s•·9il~Ei- e ~rso~
~ns, arelaçiona.Çl!l,O ~ dependbcia ent~·esta.s,
-O Íde~rio que O autc:j:l'i
··
···<'.e!rllrime at-ravás ·.eté., · elementos
4eias, o. carácter .das. suas intervençÕe.s. pe11soais,. cónsiderados tradicionalménte
eeee iiiçlufdos -Dá" Ilia ,.·
·t4ria 'ou contel1do.
Ao subli~ar'-se
a naturezà'pechliar
da obra litez-~r:i,a
sua. finalidade. especff'ica - origi!Ul.-s'e v,a.imaginação cril!l,do:ráe .dest
Jll!l.-seessencialmente a d.espertar o prazer ed,tico
-, i~si~t~-se
. damentalmente na· sua. constituição
particular.1 que .se t:ra~11~P«>.r;.:Qlll
e.stilo_ i!ldividual· e epc)cal, ellccO~oZ'a,ndót~to
o ~ist6rico e humano, -Poz-isso, 86 po!l:erd:ser ay!'-liadl!l,se~<;lo ·-º: • cr:i,Mrio estático~ qne 4 global e :j.ntegral, na medtdl!l.'em que",este < consid~ra a obra.litedria .comol1lll todo, composto départes1~M••ê>~
luvelmente ligadas - Ulllª 'fo-rmas:j.ghificante - e se tomamem oonli~~íi :2
o factoj:. soc:i,a~-;c0m!)
- suas qUalidades e !'inaHdades pl"<Spria.s
.
.,
.
.:;_
Repele-se assim a velhà -dicotomia ou d:ualismo de ,':f~~ ·.•.
aspectos que de~m considerar-se
insepard:veis-e-éo~i~
dos os elementos ila· Qbra. iite7.itria
tC?doscontribuem pa,ra ',a realização
são fQ~'i_s;/xo -~9~ ::
inte?raJ
dc:iL•. ·- "
··a~to;~·· tqdo~!j>ií.rtipipaJll'na obt~nçã~ do efeitó
.
se Prete.nd~. ati:pgir. Note-se ainda que, 110 caso dé "Oi! Lu-., ~,ponto de v:ist.a escolar, e e.mdetriménto da up.idade in- .
'·P-0ema,·siS parece ter,
se
considerado como fornía. a es.trn-
ical' ·qué, como:: sabemos~ tem sido supervalorizada,
i~á.da pÓJ:"meios poupo adequados; ou então tecem-se
ou me.•
óonsi-
sóbioe o. idei!rio ·e .o significado
da epopeia, desligando
concepçÕes estéticas de CanÍÕeá,expres- ·
o 'seu ~oema, qu:e '' em si mesmoplen&- estético.
semm:do este critério;
coni"lidera
,sea
obra literár.ia. ··µin eon-
'çe ·a.um!\ serie'dé>l'ªdrÕes.t
'sinais e símbolos, uma construção cuja arquitectura
de convenç,Õe:se de artifícios
obede :,:
previamenté
E é,.
E!l!ltabE!l,e.eidospela tradiçao do gl11ero l.iterário
e.i;;ta.a,rqll.Heçtu:ra.simb61ica que convirá· sobretudo r.evelar ,aos al)lÍIQ ;ii
l'ºr me~o de I,e:i.tu:ras .colllE!J1adase,,atrav.S~ de UIDª,análise adequad)l,' ·. emb,oranµm,grj"u•d,~.ao~ssibili!iadE!.,<'Ple.•.ªeadapte ao •nível do clll'so do;.LicE!À~f()•que,p:re~$ufÕ.e,Ld.a•·Par'te.:do professor, ·U!Da.p~epar~""'i euidadi>E!I!.,aetivamente completada pelas suas intervençê;es na a.µ.-,;
a que pertence;
,
.
As!Sirn;.seremos Íevados a. eoncluir que, Q objeotivii do estu-o
a sen, ,
-~í!té'J;ióam~11t49,reRonhecengó que se ciist ingue por umª' autoi;omia:,
guâlquer •.()'l>.ra,literitria consiste em tol"nar o aluno •.apto
~. ~ay~illalid,a,~e•, i.1'.lte:i:-ne.:,aprendendo· a. â.Jia,lisar ea seus
in, ,
n~ 'cl11i·.ide1J,tif;ica,çaocom todos os oútros. valores ineren"" ·
~te~y6~!'.C?,&<e. 013 v~lores lite#rios
e. lin.gu!sticos,
élltrutura•
·
2
;'os
valp.res estéticos,' ideot&~icoà e morais contidos na ei>o'Peia
-,:
o ptoo:t'essoroonsciente, mesmoo. ~is escla.re~id,o .e infórma ;;··
dó; .·não s~ recusarit a meditar sobre estas questões de intel".eÊls~fün; ; dániêntal para ·todos n.Sss .:. Que_estudar n' "Os L11s!adas"?Que·é a •nos:.:
sa· epopeia? Emque ·asp.ectós convirl!t insistir -para que e>salunos a- prendam·a apreciá; la?
As bi.eves z reflexÕé.s qüe seguem.procuram consti:tuir; co.m.to ;
das as· defici@ncias que. lhes ·reoonhécemos, um contributo, uma.achega,-,
que ajude a libertar
deturpadora de paixões e .de .ideologias.
o estµdo da.epe>pefa da interfer@ncia -
il.busiva e
,-
;·:-'''
Limitar-nos' emos,
portanto, a apresentar rápidas S\lgestÕeá
obra liter1(ria é um to.do'Ór-
de leitura; insistindo sempre em que a
gânico e que o seu corihecimento deve constituir sempre a base de to- ·dâe as'apreciaçÕes. A aµálise dc:>svalores adiante apontados não po-,
.der~ se;r fe;i.ta separada.mente, como indicaremos para. comodidade de ex-
':;,;;··: - · ··posição, mas de forma global, integrados no contexto, conforme jl!t.se
'-';;~• -'re·feriu.
0
--
~
.( .·-··
-
A maneira como será mais.conveniente proceder no estu!iO.do
segunda,parte dês'-.
Poema, segunde o nosso critério, te tra.balho.
ser!!: e:itposta na
=
.•
. Retomandoo que já dissemo~, há em cada obra literária
um
. ;
estilo epocal e O. estilo individual_: O. Segúndo inspira-se directe,-
ment.e nó primeiro, mas distingue-se dele .tantc:>mais quanto melhor
. ' se a.firmar .ver sabido
comoe:x;pressão pessoal' isto é' quanto mais o autor ti":'
inovar, .recriar originalmente o que é legado ele gerações,
pa.trim6nio .comumou e.té, uní.camen+e, modatemporária
uma.tfJ)oca aí.nda,o reflexo, o·:fruto dai;!
é
··
cultura.is que a. domí.nam; do ideal que se pretende·
modelos estéticos a. reproduzir. Não podemos, pois,
abstrair des.tes factos .evidentes,,
verdades .reconhecidas ma.a freqúén,
obliteradas,
ao aboz-daz-o poemaépicoi Ca.mÕesfoi um huma-,
nista .e uni renascentista, e o seu poema.é, em primeiro luga.r, uma ·obl'a literd.ria. do Renascimento, que tambémnão esquece o, importanie contributo nacional implícito neste movimentocul tura.l. ·
Ao fazer. notar aos alunos CI?-e,a estrutura. geral de "Os Lu-, ·s!a.das" (a sua macro-estrutura) ée modela ·essencialmente sobre a Ene;i.da, quer J:la .urdidura d9 enredo, na.fànta.sia dos ep;i!}6d:i.os,1]-ª ess@ncia' !ntfma. de muitos conceitos, que,r no pr6prio estilo coinpa- ra.Uvo. e .no material iinagin!stico que o constitui (embor-anela se reconheça ainda.a ;i.nfÍu@nciade outraa fontes literária.a clássica.13 e rena.scentes., cuja refer@ncia poder<!:i:luminar ae intençõe_s do P9e:- ta}, p'oder.1.·concluir-se erradamente qile 'o Poemaé unicamente subsi- di.1.rio das sugestões da antiguidade cl~ssica, sobretudo la.tina,: e
, ].~t'[x'~tllJ,'~ :l:taiiana da sua ~poc!l Co11~irõtentão <r\leo professor tê,n.ha 9 cµ,id(!.dOde escla'z'ec;er. d,e,µm modo geral o sentido e o, intui_; to,desf!a tl.j,.mitaçãon; <r\le, de ,m,aneira nenhuma, o.Poeta procurou en_; ·
co~i-it~
.\
l
.Comefeito,
todas afj semelhanças em relação aos .modelos
são propositadas e tidas na conta de virtude rnétxima,segµndoo Pª""' drã,o art!&ti()o de ayaliação da. obra. l~terõtria., vigente )la época,
esfe>rÇa.ncJ.o-se•sobretudo o Poeta por nao, :ficar
Por; iss9, •interessa fàze.r. sobressair, Piara 1' desàa concoz-dânc ãa ()()me>critério epoeaã , e.vidente e. não contesta.da, tudÓ o que cons-.
ti,tuii11oyaç~o•- aquilo em que ultrapassou .os cãnone a da
os. despreza,r, .aabendo ser artisticamente original e imprimindo. à.
epopeia. port~esa uma vibração .de tom e uma amplitude de signifi-
cado •••.europeu. e crist~o. -, que difere de todos os ,1Ílo4e1os·•em que
se inspj_rou• Em tudo isso, a:fina.l, reside a razão por que.,.;ve?1,9euo tempo.
aquém dos .originais•
vitalidade
épooa aem
do seu poe-
esqueça <iue, no Renas-
cimento, a a,rte constitu!a um i4eal, um prino!pio superior de a.fe- riçã-0 das realizações estltica.s e literõtria.s. Assim, Camões foi,
ante à; <'tetudo, artista e, para um a,rti,sta do Renascimento, a arte
i(ientifica-se com perfei9ão
tru:tural, harmonia r!tmica. Da! que muitas.est!tncias
brem quadros de, )figµel &1J€elo, de Véroneso e de outros.
Co~vtfrir talvez qu,e o professor não
formal, beleza plltstica,
equil!br;i.o es- do Poema lem-
<··
':-,J)evemÇâJíind.a,.ter
.Presente. que
CamÕes,
so escrevei;. "Os
~'liE!!a<i~E!"•fl.O ill)ita com ori.S'inalidade os modelos da Antiguidade,
a() e.~~l!()~a~µma,'linguàgem baseada essencialmente. num sistema de
o emprego da, mi.:.
tolôgia), a.ti utilizar Íá1;inismos, dirigia-se implici ta.mente a. um grupo de virt1111-~s~eitores, todos pessoas cultas, inicia.das. jét nessa técnica. ai-t!stica.Le a quem, portanto, toda a Lf.nguagemin- directa., f'ei1;a ,dE!alµ,s,êiescul,tas .e. e l.aboz-ada aegundo um conceito
sUPerio:r. de :S!!leza, era famili~r e •exigida. como meio,.natural .de
e~res'l!ã'o ,literiri~~ ··.pnp()z;ta, .Porta.nto,. subl inha.r que .as e:qilicà- ·
r
·•l!let~t',Õra.iJ.edé illllagens faio quaLpode radicar-se
o'j)rigado a dar aos aeua alunos,
·; ,:çâo"' nllcesslz;ia para a a;preellsão dé aluséies' inerentes,
~ são poética, E!,impl!~i1;a,s no pensamento do autor, leva-nos, por
• çoe'a q,ue<qJ>J.'ot'eE!sor4'
a ••trad.u-
à ex,pres;.;:
.,~.,
· .}'S.quinte.s da l·j,,~E!lll p9ética,
a esqueoE!:r.~ert,os lugares-:-Óonnms•·da poesia da. época e os
apreciados
pelo leitor Jl,e>eni;ão
.:. - cillta-, a'l;'istocrat11-e }J,umanista.
Ó/,mes1110sen~i*o in()vdor7 .mas ali~do à shbmi.ssão às ' norma~ !lâ ,U;nguâ, •13e evidencia, .considerando a epopeia. ao, ponto de yil!ft!l:li~!stico. Efectiya.mente,. a "l!1JgUa",.de Camões.:é ain- ,~ ~.nossa, pois. o.Poet.a soube .fixar aquisições. e oonstruçÕ\J.~.·jõt ·~talizadas, Bl)l>e~te aspecto, PE!los'se.us predecessores e éontem-
·;'
:;.e.";'>···:.'-.~--''';_:-···
: •'·,_:,·
·-
····-·•··
><_·.'
,--
·-.
·-
-~-
latinismos gra.~i'1cais e
ou, pe7
••
> •;;
·
!
•.
r
/~
P().:t'~neos,.dando sentido novo a termos jét empregados por ou,1;.l'OS;'---~~- ·-~-·~~·· ij
a.\tt<l~ª. ou in1;rodulilind.oneologismos e
~~;itiç~~s com 1;al P,r!)Prisda.d.eque ainda hoje os_~t'imos 10.íl\enos.fsomos sens!veis 'à sua: bele~·~vel.
·
< • .: 'Xas o J.tortU:g'uêf.lcÍl.moílianodiéti~~
}cr~t}v:os e' picturais,
:se
al:t>Ciã.il~r:-cio~~-'d.e~::t arte' 00111 ~e: Cà.niÕes'
associam na. êpoP,da
.'!>aséadós essencialméiite. na
~~4a.ptou o eàtiJ.o cÓmparativo, caracterfs'l;ico. das li tera'tlll'a.13'.(::Laséi;.;;
; ()as.JAssith7 so'!>·? aspecto ·linguístico, ta.m'l>4inse
a a;rte do Poeta· e o aprendizado pulto,. numa adà.ptaÇão genial ••·.qu.~.eia, ·
;,; :l!~éteriza ainéj.a hoje superiormente um estilo individual. Note""".~eai1;1.0 '.•'.}-jcUi ~. imp~rt~n'çia do conteiic1o da obra. camonâana' pa;ra a fixáção"Z'e~ativá'
'"'::do·~ortí.tguê.s ·literé'.rf!>•· Compare"".seain(la: a moçlernid.ad.e·da l'íngua,:e~ .:
aeus contempor&neost nâo:13~ ·
·.füJ:'~giÍ,dapó!-
;' fl~I1Síyel·a.·proi!micJ.ade •Úngufst ic~ .co.m.O.fiÓSéo tempo, •.Ôo~O.~e:i-mtuie-. · 'o:e ce;rta C(l!Ícepção dã vida., certo<matiz da •sensibilidade,aspe<l;tos Í>.e.:.
Càniqes, çom :a do11 humanistas
çuliàres
de 'um povo que ó. Poeta soube captar e com que se 'ide;iltificou.
-c-Ó. ··
.••··.
corlviré: a.inda nobr que Camões, superando as tertdência·~,~~i~
da. linguagem po4tic:a do
,seu tempo, fotroduz ·na poesià t:e~n)os
:,;rea.:LiE!tas- né'.uticos, geográficos,
botânicos, .etnogrUicos
-; 'nao be elo quÓtidiâno,
•<·
si.'f;ando, por ve se s , em cingir a d_escri·ção da realidade,
• at;ravés
40 prosaísmo,. cujo valor expre!llsivo e lite;ré'.rio s~ :fo;i. rec.oribe
·~:íidoI!- pà.rtir do século XIX,. e que n' "Os Lúsfadas" ganha l'lo'V'o;valor - ·
'.em e>Poaição ~"linguagjlm indirecta.
·
,
.·· -.
E ainda'.' conveniente que o professai: leve o .âluno a a1iimt:ar
ntl:a•y-«rias lin&'\le.eéns ear:presse.s na. epopeias por exemplo, .na li~ge!ll
dá ironia. e dá esporitaneidade,
d~ um humorismo ponular; na. de tn@s de Cast:ró, imbilfda de remi!J.i~d@n~
.e.i~s. c1~s~Apas', pr6pria da figura que 1 .enobreci~
t~go.o.tfa
é:çti:[-;
<l~Veloso, e~res~âó
exeniplif'ic~tiva
atl
alca?lçar a: º!Ir-'.
Distin'
:!iemito;
;se4:assim
ná.rdo ;\dama.ator, com os 'seua vé:rios registos.
a nart~:tiva féita
pelo autor daquela.· em que .este fali
a~r~:vl~ do' 'Gamae atentar.:.se-4,
'>>v()cab11lé:rió',,'.éonsoánte o ·nfvel
,. ~?lt.e,:r;éssanteverificar, :.',i/ajµ.J!r Palp1tá .hunianidàde,
'
'
-
-
-
'
-
no· emprego .de determinada.· quà:J:~dà.dede
de.·li~m
óoiJi~ .~f" fala,s dé Jie;eo e 4e,,,v.r:
ení••.que f:le i.ri.sel'e. ·E seria
· ··•·. ·. ···
.· ••'.··./.,:,·;
;:::; .;,_- -:
~-'
~-·
co.lría cl~sàe,
.ténsão psfquióai·
Ma.stod.b o Poema s6 pod~,éônipreender,
.
·
,.ot:)()nic)
de. pia.nos· in!ie:Pendentes que n. j,.nteey~etrallJ'
se,
tinoarárld()
·
um f!Ísteinà (le estruturas,
<
;.s'ó~I.
.
,, :·sHi~ari~ménté, ·como éteme?lt~s
4a Vl.:Mem, o p'Lano da evocaçao
,d~ um ~on'juritos º. :Pl~o mito.16~ico ê. cr;.
his.t6r:!-ca, o. pla.no. do. comenU:rio. pe1F ,'> ·
· ····
|
,.·· |
''col!lo já·s~ .referiÜ, -. o emprego da.·rnj,.1;ologiapode.·~9~Etia11ra~-- -: ::··~;··.<<< ::"_-:<>:-·- >. :, .:· |
|
|
•lile |
o desdobram,$nfo e o de,aenvolvimenfo do sistema 111eta:t6J.'iÇoqúe én.,. |
|
|
yolve t.odo 9. poell)a•e. que cul,mina na I~ha dos ÃJ!lores,.pela mitificação |
||
H.ij:lt6rià,.;.mas correspon-
·.@···
l@del,?S da's antigas epopeias, nas quais ~nter.ferem
ta~
qt.\e.ºª . uses na eµopeia camondána de algtlrn mod.oconstituem a, pe;rso-
Ji,ificação
dt:).s''he;r6iil, :cru,zando-se .•entê.0-"Ço.llJ.o p;Lano da
~.i.m.,u.·.l·t··.ª.n···e~.;m.e.nte·.·.·.ª.º··
ír·
ªP·
·.·e
º. ~.ª. ~.• . ··.ee.··.·àà iim,m
i.·t
iittaaççiiãoºº
c.len·t
n.s.·
e.·,
na.a _lu.o \
:·.Ç··.··.:··.·.·.·.·.·
y
dº.·.i;i
·
oa homens e assumem a: apa,r~ncia de algu.Íls• .obs~~-;-'-
,na:tureza., não s6 como sfm'6olo dlilo rE)sistencia' que o nnµi: ,,
'•.·.·'done•tural''&:f.eteceu ao s l;'ortugueses,· mas .PQrquf1atl'aV,és,del:e,s;~;xp;ri;
'f,'.i mé>o Poeta .ª· Ji:enl:;â;.Qda. vida. anfmica,. ·?i!l~IJ.l.e primitiva;
;;.rT-::':nés~homElns,na l!ledlda ·e)n;.qtie
,supe;ra'da' ·
estes
éstio :.SIÍl>ordinados áo dever, ·.1ie:n~
-.; cendo o (pie de mais. h'.umariainênteinfé2'iot'
;.é?.e~iste .•na condi9ãíth~~
|
o. |
||
|
os processos |
por |
|
|
e sentido |
do é |
: |
lhe era"! posto13
~·A~tmlj,se. Ús va,lores estéticbs
não se limita,
pois,
év'pl.rikrUezà de expressão, à musicalidade da li~gem :elt>(j'\lt!nciavibrante. de algume.s ta.las, à propriedade do e~
?Í!\vi!rio.13nJveJs e registos
de linguagem, à .beleza d,as. de~
~wf6rioas,
mitol6gicas
e naturalistas,
nem a' distil1guir
a
,
?r!'l de ~. eJ5~s6dio, o to,rn austero e ama.rgµ.radodos comen- os, ilªfil;8Ó'áis;.·ó*' á, qonyisão de certos versos em que o pensamentb cpn,densa·.·em.máJGílnalãpidár.
~.:.; -~;
;~---
- - -.-
,. ';
Pel? ~on:t~~~ºt .se~·~b,st~air da· atenção' à ri~eza. do. sis-:'. : y-oÇábular e 13intáctico do Poema 4!'. das auas caraeter!sticas es.;;
.fc·p
li~is:ticas;~
a compreensão global da. obra~ que presidiu à organização
a;.oonexão entre as diversas partes e e1ement.os,
ab.range sobretudo
Pl'i~n:taçaô: dê c11:ré(ctera.rquitect6nico
. ~ •s~s.·est~ture;'a,
:,;qu.~;le;vãr:( à. a~ii-ãr a obra. como·~· "monuinento", independentemente
d);13-í(àlo;i-esinerentes·
a qlj.B.lquergrande ob~ li ter4ria
.
''
. ~tente
po:l,s,' particularmente,
§ P?eta B(.)V.be.sncon~r1u··iiara resolvsr
se,
nas soluções estéticas habilmente certos PJ:'.Obls ;
aeu ide'1-io;. os. elementos consti~
c't;ivo~~e::o11rd.aóanto .e o i;iúm8ro-.de·.estltncias de que se com],)Óem;a
IÍ19,:9='ife'~c.a4&<;qanto>{J:ue·transparece do respectivo inventíbio,. e
!l·eBJ!~C!fiõH .•e. (j'\le deri~cia"! o
'?·
r41:J;iiibólism;offne~ente'éayítrios epis6d.ios ;
a·
cons7rução .d,ps epis6diO!I .·
-
si~ ;
parafe'liti,mO~ÍlJ!taJlelecidOB eritre. eles e sua correspondente
ão siméti<ica:nó Poemà; a .se,:i.ecçâ:o des· epis6dios hist6;r.icos e •.as
ns~es que estes.oçup~
· da lµcdia,··a;),guµs:àeú,s.99ntêmporâ?).eos; ·.º processo de tran~ti;;.
llll-
eóo~oµiii; d,.!!
~ilopeia;
a exaltaçã9 dos
|
poética .da; Ílist6ri_!i de P,ortugal; '.a Manica em.pregada na.•nar- |
||||
|
'L·;hist6rii·~.Q |
:Pf.o'cesso çJ)mÓo 'Poeta estabelece |
a tr.ansição |
· |
. |
|
ià,m.entoentre Mii.;t6rià na.n:.a.da pe.lo Autor, hist6rià nartà.da |
· |
|||
cp·da:<GA~ae pelo "U.!llão ·~hist6r;i.a." profetizada';
a; p&},op,oeta ~<l>!!t~?~odo
il)~gE!'e~ÇS.é.~()·Pc<>.elll!!.Fe- S'.ig.ttit'ic13,do1mpl!c1to nas.·trans:fer@'llc:i.a~
s
a· imp,ortb-
(Iam.ª?reve~ada pela pe:rsist@n?ia.
narrativa;.·
o. e-,
resultante
do.·parale-·
~~dÕ.:(;','e"':â\;;in~e:ira.cómci·se p~e@ssa .a sequ@ncia
bJ;'iq'.,su;e.essi"T,iÍÍJi(ilite::·:a.lçanç11.do•pel~utor,
l'$@íii() estab~leoidó
f.e~~tução. Ms problêmás ·dá' n&çãcrde tempo, p~
elj:t.r~o'.planoºhi's:t6ri8:l''1l o plano mil.to16gico; ii
·
|
pelas exig3ncias |
. |
|
|
~. |
·· |
|
|
inovadorà>-- |
||
·
.oriMna.1 idáde. e sentido
inerentes
à estruturá
àír•.!Jlirràçâ9:. ·
.·:··:·•···.•·.·:
•.• •EVidencf~.--s.~·âf~d,i.t.â:
9J?9etâ. '$v.pera'a;S'i1tié\ildades
}(iára,f:t11riza I/' ep9péia pott1.ljgllesal O enco~tro entre OS,dois pla-
. aá-viagem.e,da
mitoiÕgià.-·e
a glorificação
dos :feito.e dos.·na-,.
·à,.sl,UÍ.·mitificaÇãÕ;''ª -~xaltação dos factos her6icol{/a.nte~ · ·.';t'Élri()res à, v;ia~ní; â expressão doa valores rena.scentis-
1
•
(humanistas, individualistas,
•
naturalistas);
•
ô aproveít,alll~nto d~s ,,
|
cor:l-entes culturais à.inda v.ivas na tradição Hterária,. |
como.tainbén\a; |
|
|
-,tràne':t':i,guraçãode personagens e de. factos, vulgarizados |
pela |
.tra,dic;:'âq'' |
|
oral. |
' |
|
Certos E!Pis6dios justificam-se,
portanto, pela n~cesatd~d~ ·
intrínseca. éla economia.do Poemae pela intenção do Autor~)'lecordein;,.s',ei'
por exemplo, os seguintes: a, expressão .do .que havia.de contingeA:te.,~.de;». :
huma
proveitando a sv.gestão clássica. -O.oscoros da tragédia grega; -a mani:f'e·S"'"':')
ta.ção directa do ideal cristão de expansão da. U - que era simul,:ta~ei;i:~::<· ment.eum ideal cavalheiresco e huma.nis·ta.,ao mesmotempo qúe' rE!f'lectiã'- ·
a consci8ncia
exaltação do esforço da "pequena Casa Lusitana'' e, a, Censura aos est~,,. >;;;
namente·.tri(gico,
segundo o plano dos faqtos, numatal empresa., a
;:
>
europeia perante o perigo da ameaça tul'.Cª--r por Dleio·~~(
•· .dos cristãos;
a inclusão num po.ema;baseado na. navegação·e ·11adescober;·.~
·- ta geográi'ica, de uma descrição da Ter~a, enquadrada numa descri9ão: é[o.-'
;
Cosmos1as reflexões e comentários i>cofrentes em.vários passos do Poe,:
ma, dando ao .domf?liÓfactual uma dimensão lata e al)rangendb-a por uma ' ./••1:;
interpretação superior, penetrada de meditação tic:oe
filos6ficà:e
sen'tidO' ,crh_:,:=if,t1 · · '·-.\~~1
~'!~-:-{:;_
-
De acordo com o critério
global, já defend,i.doe justi:f'ica!i0
a p~op6sito do!! valores estéticos-, intereljlsará,
popeia ,os -oaráote.res, p;r-oíUndbs.e. permanentes do seu ideário, par!l"aJ.fm das. formas de ,pensamentoo.aracterfsticas .e exclusivàs do seu té111po~.' ········.·· Por isso,· convirá realçar o que permanece, por ultrapassar :os và.lores /::··,;,;•'
transi t6rios da épooa, em que v:veu.
- -: ,~·e,y~~
pois; distinguir' na. ê-.
Convém,.Pois, distin~ir
a parte da cultura recebida(quel':
o
Poemareflecte a tradiçao clássica ressuscitada, quero que re.:
cµltura.
.nacional). e a parte de•' 0r.iaçãa, origina,l Ú'
vda .a herança de uma
•pel'a qua], áe entende a: expréssão de 'no,vos
conoeitps
.crlieexigiam solü-i'
çÕes·pr6prias, com'e contributo 'da experiência- cuitur.al é pessoal do::.-
Poeta
"'
· ·'
. Acent'1e-se aâ.ndà que 136poderemos estudar os válore~. i~e'()~;f~ 2
gici:>s;.expressos na epopeia, à 1-uz'da estrutura,
época em que se redióa o Autor .e· do Lugar' que ele o na \Sociedade:;·;/
o que>".orresponàe a um ideário ~T6prio, a be E1ncont;rarexp:refjsão estética~-·
socia.l e pol ·. '. ·. á- • ;-'.,: '""
e para o qiial soui -
••i·
Homemde se~~mbro.
de urna aocáedade empenhadadesde Camõesintegra-se também'i;ionmne
sempre na c;r-uza~ontra
ro dos hurnan-is'tasportugueses - precisamente dos que revelam a consci•' 't
.@ncia,.nf-tída.do càrácter épico da Hist6ria por-tuguesa e. pana. quema
os Infiéis,
:'\}<
/~~},ii
,.reaT1zação da epopeí.a nacfonal consti tufa. o grande "deaiderato, ·-a
má~i+·.
.:·'' --;
ma aspiração.
·
-
'
Come:feito, as navegaçoes portuguesa.a, a cujo epis6dío central - a viagem de Vasco da Gama
jioo~~n\re péi'dente _e ,Oriente'~. apaixona,.vam·:entãq todos p~·lo;aitpeoto·univel"_sal e 'Mmà.n!stico Cl'leimpliÓavam e por oporem às
~~'1des\epopéià.E1:fülAntigi1iiiade uJD assunto verídico. A expansão por- :,:~11sa \poss,iô~litEl.V'ª_~ind'I!.a realiza9ão do ideal humanista de def'e- ;,,;!1~\e.pa.cif'ic11'9aoda Cristandade, ao mesmotempo ll'le justif'icava •a ' :'foÓ~iali.9à na a't'irma9ão do Homeme do seu domínio sobre os elementos, ('ci~ntribut-ndo ainda para. que se u1trapassasse a ooncep9ão do llundo an :; -t'igo,, cujos _oonceitoá cient!f'icos .e interpreta9Ões Vlilgarizadas eraüi
o tema i-
-deál da epopeia moderna. Recorde-se .Cl'le-~á na "Utopia" de .Tom'8Mo-
co=,i!!;idaà ,Pelos moâernos descobridores~ Constituía,
poi8,
o Viajante,
o HomemUniversal, 1 personif'icado num portugds,-
Coinoo estudo de _nosLus!adas" tamblm-pode ser precedido
leitura' de t'exto11d.e humanistasportugueses
- sobretudo João de
'iBarros e J.nt.Snio ~rreira
-,o próf'essor deverá.nesse caso extráir
-portugueses,
, ?i'como_cõntribui9ão 'pa;rll. a epopeia nacional. Assim se evidenoiarão si
'1 :)/)cmultaneamente OS princip(i.iS Valores ideol6giOOS da nosàa epopeia e-
;, ·desses trechos _eistemas hl1!11anistasoaracteristicaniente
/;:t'; !le j'!lstificà:rit támb'm o --critlrio
seleotivo d_avisão hist6rica
que
'·· 'i'ttel;a se _traduz: a missão pr.ovidenóial dos Portugueses na.1·difusão da
-ff cristã
e. na luta contra Oá Infilis,
<ia.ese manifesta na conti~ui
:á,âde_-dá.nOS1l3apis-t6ria e.-que ·levaria A destrui9ão das posi9Ões ooU:
padas pelqs Maomet_anos-no Ol'iente (o que s6 era poss!vel de_vidoA -- vi!l.geuido Gama), atitude essa plename,nt'e justifioada., perante a a- D1ea.9a.que esteà, politicamente orga.nizadi!ll, constituíam para a.Eu- ropa.· ·
"O!! Lus!a.4as" são, pois, à. concretiza9ão estlftica dos ob ·:,•,jectivos húman!Bticõs, aliadoll a aspira9Ões de raiz naci<inal.
- -
/ Assi!D-z.a epop_eia.integra-se
di~ificà.9ao
ria lpoca rena.sct1ntista - c~
do Homem.eglorifica ·o seu esfor90 na oriagÃo do
\.Novo Mundo; valoriza o alargamento da e.ii;peri&nciahumana e a impor
_
\;t~cia: da observa9ão da na,.tureza; do exame directc dos fen6meno.s,-
,. •Ya.ci desf!.fio ao dogmatismo em matlria
Científica;
celebra a curiosi-
~fü'.{,·a,a.lie:'.j-:iája.nteimplícita no espÍJ'ito renascentista1 exalta, pelo Bl1
)S~:t)>JitC),éinebril'Í.nte crescimento do Homem,os valores vitais que ca--
~, _racterizàvain Gregos 'e Roma.tios,ultrapassando-os
- mas o se11 ideiric
\óp~irtitui essencialmente a expressão do ambiente hist6rico, ''e ·1iteri{rio_ portugil!!s.
social
,,
Efectivamente,
Ca.mÕes'f'oi um portugu@s do seu tempo, ra-
,dica.do ein condi9Ões de, determinado ambiente, fiel à. conceitos. tra-
oava.lheiresco, tradu-
-. dicionais,
que sé reflectem no áeuhumanismo
zido no seu_lellla de vida .:. nniia.mão sempre a espada e noutra a pe.•.
~"·A slla. epqpeia. devia, pois, re:flectir-um novo conceito de lie- J'OÍ-smo,que excedia o padrão estritamente humanistas o dos guerrei
:ros, dos obrei:rps da-expansão do Império_e da propa.ga.9ãcda_H, eiii
- 1resa.iique se identificavam,' segundo o id8'rio da
época,_ em_bora.a.-
~_im~ta do Qa.Dla.a.o Samor-im,revele -que Ó!!fac tores econ.Smicosda áilsíi:9 tamWm não foram ignorados por Camões.
Re-páre;"-1311,pois, que, na visão lpica. do portugu!!s de Qíli ;;;{~~·.s_intetiza para (:aniões o portugu!!s de todas as épocas',
de alargar ~ npeque!Ífl.dasa
. ,. ctmyergem e .,·se ideiitif'icam o i.dea). cristão. da' dj
e:xa.hac;:ã()do·Home111.~i ve.:r:-sal.em l wta. contr# a.e :fl>rÇ
lfatur8:
sua realez8:- .no tTniyerso. Assim,·.o Gamatem -de l~t!!oi'.cont
qu~,- lllitif;icada nos deuses., :u~e·iD1Pe.de.a ~
.
f'ísicas e ainda 'i'ociais1
0).iina.s,
a.s primeiras del'ivadae: de nov:os ··
noyoà·povos 1 e as segundas p:i:-overiie11te11.~· ib(f()Í!I;
cónte111por!necs, aque;Jfesprecisamente
id.eal ".:z:p11-nsi<>nisb,exaltado na epopei1n atí"tV,de/,
'se .~():<t':::;
que
pelas trag.!dias individuais acarre;taria.
que uma tal einpre11ane;;., .
. N9te-se a,inda que todo o Poemavibra de uma te,nsã~ interna;
result1Íl:lt2 de uma dualidade contrastiva que nele ~r_ocura concil:i.ação.•
ã e.xal.ti!.9aoda dignidade dó
pÕe1 s•a
;
Home111,pela divinizaçao da _Humanidade,.-o
·precariedade da natureza humanaf a consci8nciá, .f'requent•mêª /:
e da suà de.pend8ncia da Prov:i _,
·te. óonf'essada, fü~•.sua insigriif'ioância
d8nciat a•s~ta
Podemos ta).yézconoluil' que o que disti?lgue a epopeia.poriU. guesa 4 a .concépçãq U?!iversàlista e oria,tã que··ª pispira, manif'estàa;:
na exp~ssão do id~_al morai e da vontall.e her6i0a decum pôyo, pe~tti ·
Guarda".
-cuja empresa,·cs .homens, os
her6is individuais,
seapagam
.·
Na verdade, estes detinem-sé unicament~ J>ela obedi8tj.<:~aaó
-,d!'ve.r J)àtri6tico,
··cietermina o fdeal:,tico. e polttico. O novo sentido de 'heroísmo \óa,mo.:
Jliàno '' pois, .de co11cep,gãocristã e c!vica,, ccincei~!,)Sque; no Po~ma·/
:se idei!it:i.f'icam,.tál como o signif'icado mícional se ·tran11oénde e
gleba nó signif'icado universal~
:
identif'icadó
com o dever CI'istao, que cond.iciona e• >
·én- .•~' .:
:! sob este a.specto que se manifesta
a ~
·aliança do nacionalisll!o e do universalismo.
· mg guerrê!ro as•ref'lexoes
Por isso ainda o hero!s.,; '.;'
implic.~ virtude e grandeza morals as~;l.IÍIs_e.iust:i.ti9áln de Camoés, ()&·seus coment!trios sobre as ac"Çóefldps i~d!_ ·
·
v!duos e sobre o seu sentido .de vida.
'.Importa, pois, realçara
modernidade intr!nseca.da.
ep9peia <
,pamonia.na Trata,
se
de uma n9va me,.t,ria .her6ica., e Camões não se $s
;.7
quece de acéntui>r o .caritc'!;er verídico e real da sua.111aMria épioà, ai.
que poderia acrescentar-se
to sue ccinstitlli ~-n6dul,o central da obi-a, que é assim, p~e~!Í.'àÉi "B.ciii:o~
a qa.a.B!!)oontempora.neidade do, aC.O)lt.ecÍ:nierl ,;->i
. e ?laº de inlaginaçao; a sua estrotura
•,nao
interna revela UllÍanova coricep
actual;iza,dos pela introcfução do. dever cívico
9âo. dqs valores 'picos,
é móral a .af'erir as aççÕes guel';rei'ras e as críticas
ain~ açEtntu,ar a. atitµde ~é ~amÕesasBipneem :;:oélaçÍio;aos seus her6iE1--
sociais.
Convé111
.lhe interessa. a expressao do héro!smo individua)., ma.s<ª héroicl
dade oolectiva_, atra.ds
ideal rel:j.gioso. l!: todas estas inovaçÕe!!!se
por Ulll!l estrotura
nanes eàtabelecid9s
(picp.
da qual se realiza,
como .j' se ob~servou,,;o e•( traduzem, como.sa}>emos,:.',/
relativamente -a,o,.-~~él'!i··•'' ·
·'
·
-
·
e
feição e1Jté!ioa.orig1.:qai.s, numa ~peraç~o dos c&,.+:
pela. tradiçao -literária
-
- -
Assim, evidenoiar-E;e-it bem peI'ante os. alunos
.,
.-·. , •--
,
!
_I
·. epópeia nã.o ~~nEl'iét!!'Jna~r:r:'atiVa,: da.s, fa.çanllas de um homem, jl.m '11er6i
·
.·tar. como llo,S ,füimais .poemas·épicos, mas é·.antes a .histcSria
,in\iiv id11al,
' :~os:,fe:i:to~ rhe1'.6icos de Ullia:N~ção·.o h,er6i colectivo
)tre
;lusitano•• e á visão da histcSria de Portugal,
é o ••peitR ili,ta"- .· apresentaí:ia pelo Poe
!~',;,:.~a,Jnqide sôbre ;o~-aspEmtos mais significativos e_aé figi1r~-s·_l!la.is·'!! s'-<l'6rosa13,; de acoz-do COI!! o ideal r~ferido e a intençao patente na arqu,! ·
_tect:ura
e
11a
estilística
da obra.
·
A naWativa da viagem do Gamaé, pois, ponto de pa;ftida rJe,;
?'.à a gloriticaçã:o do· esfórço ·her6ico português, constitui éi~l tan_e~ inente acção. nodal ou. formal _do Poema e _éa síntese do momento·épic.o
.dá Pá·tr.ia, pelo que/traduz de .sublimação do esforço na.c.ionai li& conse
2cuçã-0 de/um facto social - de funda repercussão - na
"
civilização
--
-
'
d.ent_ée na _transformaçao da concepçao do Mundoe do Homem.
-
-
-
.
-,
'
'.
-
Insiata
;se
aind.a no novo conceito \').ehercSi, définido
do Oci-":'"
Pe~a port~gues~: o ,indiv!d\io que assume conscientemente' todas ponsàliilidadeà implícii;à.s na aceitação plena de um idea;L. ·
O her6i camcnd.anoé, poià, essencialmente o agente de uma
~!DPl:'.esaque .o ultrapàssa
.<~.d.a'·NS:Ção,que
com o ideal colectivõ
é també!TIo ideal d!J-\Cr.istandade: o nacdonaâ í.émo con~-
'inas que se identifiCa
'.:l:í.e-sé:assim· com a· valorizaÇão 1l!liversal, da pátria,
na medida em que a
adção pa::tr~6tica se. integra num ideal de universalismo ·C:ristão. •
. . Ífote-.se 11,indaque. Camões não· se limita a exalt;;,r
em si pró~ri·os~em o esfqlyode
homens não isentos de defei
_, glorificllL.z s9't!:r-~tud9ja.
ideia que os. in,spira, o ideal q\:te os· nori;eia
]}aJ: que nao. se cç>:(bade censurar os her6i-s, criticando
v~is, nias_s6
QS rei
C:omofndividuos,
P,orque 1.1ãoatingiram. o idea! dá co,1.ecn
|
v1dàde,·nao-.superar:a11t o plano da. realidade. |
E.~ asuperaçao_pelo |
|||
|
.ál ciiie se. exprime na epopeãa, |
. |
|||
|
, |
.Por' issp |
a 6Uª; mensagem é perene: |
interessa |
aos. portllgueses |
|
iie ·fodos. os teóipo11;. independentemente da contingência |
dos factos his- |
|||
|
/\ •.t.-6riços'.e .•dai;i·conjunturà.i;i políticas |
porque incita. à prática |
das |
vi:t-tu . |
||
|
-: ·.des;necessárj_i;i.à a |
um |
povo em qualquer época da sua hist6ria |
r: a |
enéf= |
|
gia; a_coragem1' a inteligência,
o saber-2onsCiente
e seguz:o, a a.~dá-
/eia
na concepçj\o .e a firmeza na realiZáçao de qualquer empresa, a su-
,.~,i~,l'dina~é:o dos, interesse13 particulares
ao bem c2mum; atinge o homem
do esforço humano ·
· · do .ru;tu:r0, ná l!le!iida em.que exprime a valorizaçao
'â:o ·se:rviço ·de
um ideal de inais perfeita ·humanidade.
-.',Pp:r;"Ço.lioé acel1tua:t- novamente que os valores ideológicos
se·
,j_dent'ificaira;p.aepopeill.
portuguesa,·com_os valores morais, dada a no
.· · ,co.?i,cepç~-6épi<?a que c~J;'act~riza o Poema - o que constitui ~~~paii;i)'fl-Z~esde, sua.modernidade.
uma das
No.·entl!Jlto,. coriv:éma;inda p6r .emrelevo
:raiE!, imbuídos de sentido crítico,
de ~avidade e
da, expre1:1J1ossobretudo nae cons:i,deraço.es com.·que cantoii;, ou nas re:riexÕes com que o Poeta comenta
epis6di!>s• ,E :faça-se notar a inte·nção com que o Poeta as :funçãó que desempenha.lnno Põemâ; da.da a·sua ca.tego:ria. de elementos uma construção'a.rci:uitectcSnica: diminuindo a vibração guerreire. do poe= Jlla.épico, estão per:feitamente dependentes da acção de caga. canto e:
bro'tam dela comoensinamento necessltrio que muitas vezes re:flecte .a experi8nc::ia dolorosa do prcSprio Poeta e que convirá tra.nsmitir aos ho-
mens. Camõesretoma, a.:fina.l, a f'ulição do vate, do conselheiro, querida a.os humanistas. -
tio
Note-se ainda que,
como acontece, por exemplo, .no :final do
Cánto IX, o mesmosentimento que·gerara a exaltação épica, determina
-à. critica.
-~o é a.penas a. glorif'icação dos :feitos guerreiros,
social:
prova-se assim, realmente, que a epopeia camoniana
independentemente
|
das.<ra.zÕesmora.is que a |
eles presidiam. Além do anal tecimento das |
|||
|
acções valorosas, temos |
de ter |
em |
conta. |
a. intenção geral em que se |
|
inteçavam. |
· |
|||
Insis'ta.-se a.inda em observar aos alunos qlle transpà.rece'
nestes coment<!rios o horror
à cobiça, aos abusos de toda a espécie, e que o va.:te critica ~berta- mente tod,os os que antepõem a.o bem p"t!blico o interesse par.tioulars
os qqe serv~m, servindo-sé. As suas ceneuras abrangeni oemaus.çonse• lheiros ,e atingem a inconscil!ncie., o \lesinteresse e fraqueza dos - reis, tal como verbera a desintegráçâo nacional, pr-ovcoada peh. mo- leza e corrupção- provenientes da opuH!ncia e de leis· desigua'is e injustas. E rebela-:se ainda contra a falta de cultura dó:BPortugue-
ses, -c-ontra o .àeu desinteresse espírito.
àvioll!ncia,
à imoralida.d.e, ! ambição,
pela Arte, e contra- a Í"Udezado seu ··
Faça-se ainda notar que o tom crítico
deste!! .comentários'
atinge qllil-Sesempre a g:rayidade moralista, o que conf'irma a prof'Un- da co.nscil!ncia mora.l e ético-socia.l inani:festada pelo Poeta •
da m~nsa.~mde ."Os Lusíadas"
impor.ta sublinhar a.os !!-luno$, no co111e?lt.ário p&tri6tico transforma-se em feito univêr-
identificar
com o ideal cris-
com o ide.à.l lluma.nístico. 'declara aberta.mente ·a.voea ;;
moral da Europa,, do ll)Ulldoci-
Si@ifiead.o nacional e universal confuhdem-se, ppis, na
que o. idealeq:timbieo
que guiou Portugal~ no slculo XVl,
se encontrava -com-a nossa -·voca'9ãomarítima de nação pluricontinen.,. tal' e. com.a. atitude ller6ica. demonstrada desde o início. 'da expansão,
deevendar novos mares.
Mas o uh:i:versal:i.smoda epopeia. revela-se ainda humà.ideia de .frat.ernid&d(,) que liga .os Portugueses aos habitantes ·das novas re giÕes,•)là. exp;.essão da sua. abertura. de alma a novas paisagens e a - di:ferente·s ·povos, na simpatià. coa que são descri tos os novos costu-
Assim,. se o poema camoniano se revela reprelilenta.tivo do Renasci111eritoe do humanismo·greco-latino, ultrapassa. porlm os valo- ~s culturais que herdou, e, assimilando-os de forma.original, a- ponta um novo momentode culturas aquele que se define. num período decisivo 4a eiviliza.Qão mo,derna, recria.do esteticamente na epopefa ·portuguesii.•
Portanto,
. num gl?le;ro estético
Camões, utilizando. a erudição e. inspirando-se
peculiar,
soube realizar a Síntese dos. valo.res
· õ,e·umanação a universal,
pelos valores superiormente hWiianosque
|
e~ltou; |
na9ional, |
pelo seu patriotismo. |
|
~eli,te.a |
Reto~ndo o que já afirmttm9s, "Os Lusíada~" são verdade± epÓ~ia da energia nacional, na medida ein que,néla. se ef |
|
tililUla. o verdadeiro va.lór, e se ena.ltece a. conquista. das qua.lidadf)St
.individuai-a e (,)Í>lec'Uvas,necessêtrias à perenidade de
·
i-;
Empora todo o es~udc
da.,epopeia. se deva. basear na leitura
.e 13>11êtlisea.tenta .do te;~o, que .não deve ser .utilizado como pretexto
-·.pai-à d':Í:v'agaçÕesdo pro:fêssor, segundo as suas preferências
ou os
aéns juízos Ae v~lor, consideramos básta.nte formativo fazer so'll_res-
sair pera.nteo aluno a .P;ro:f"U.ndidadee a. riqueza
na, .ali~d.à. ~ .e±I>erilh1cia pessoal nnUtipla, mas sem cair em exageros \fe.biografismo e aproveitando sempre o coment4rio do texto. Crem9s,
da
ctiltU:ra
camonia-
'ººlll efe.ito, não ser qcioso acerrtuar- que a epopeia
resulta da. sínté-
se-de llllla.:cultura.humanística. aprofunstacia., esclarecida e vivifica.da.
PBrlllll,&'!Jlllltipla.e:xperilncia. vital.
~
;<"
.- :e--,
.:,:
ainda. hoje são digDas de admiraç~o .il; quan'tida'
e a varieckde d.o sàber condensado ria epopeia - histcSrià Un.iversãl,
geogr_atia, astronomia, mito;logia clássica, tempoi'll.neas, cibo.ias ~da Natureza, cibcia
0idade com que este;tieatnente em1>regouesse sab.er.
literaturas. antigas
náutica,
eto •.•• é. a
clíriosidade do viajante~ ·ª vivacidade· de um espírito
m.ilar. toda a vasta e•.variada• e:x:peritncia
e os ií.mbientes di;f'erentes :emque viveu, aq11elês q11e.constitue!n ·da -sua e:x:ist@ncia.
.
Importa ainda recordi!.r, para al&mdo estudioso:
q11esoube assi:
q11e.a. vid,a lhe. proporcionou
·pRQJÉCTO DE UMA.·o~mNTAÇÃO GERAL
RELA'Í'IVA. A DIDJ'CCTICA .DE "OS LUSIADAS"
In'trodugão·
corresponder A .solic.i tação feit.a pela .:Direcção•.•·
-.Geral da hs:!.no Secundário, relatiVa. a um projecto de trab;Llho sobre 1:1. didáotíea 'de 110s ·tus:~aéfa.s",apresenta-se, para apreciação, o resul.-.
tado,do trabalho de grupo para tal efeito constituído.
>
frocura.rtdo
ram
1
· Antes, por~m, convirá- esclarecer os critérios '
'
as sug_estÕe·sproposte.sJ
que n.ortea.-
a) contribuir; por· meio de reflexões sobre a didi!'.ct.icade "Os Lusíadas", para a va.lorÚação do estÚdo do Poema.,nos seus a.spectos estét.icos, naciona.is e· huma.nos;
. "'b) nao ·env&redar por pelo seu -ounho de
tentatiVa.s de orientação didáctice., que, especia.liza.ção, não se jam econaeLhéve í.a
em fMé do principà.l objectivo deste trabalho que é de 0"" terecer sugestões i\.queles colegàs que, por inexperiência'.
ou p:or qualquer outro
motivo, tenham necessidade delas;
."
|
e) |
ter fugido igua.lnente à tenta.ção de sugerir actividades |
|
' |
coIhãdas numa.simples consu].ta bibhográfica,, par-a se fo- d.icarem apenas técnicas. e. temas que já f'oz-amexperimenta- aos, 'com resulta.dos válidos; pelos professores do grupo; |
|
d) |
nào procurarem as !;lugest;Jespropostas esgotar a matéria, |
assim como·nê'o ser de admitir que um professor a.s vá uti- lizar indiscriminada.mente; competirá a cada. um esi::ol,her o
ou melhor, aquilo que as con-
. que lhe interessa utiliza.r,
dições do meio local, do màterj.al etário e· intelectual à.a turma lhe ·:f'er!vel.
disp.on!vel,_ do nível -. aconeeLhar-emcomopre- ·
Tài.i:sugestÕes encontram-se lj,grupada.spela
ordem seguin~
Á) consiaerações gera.is de carácter aidáctiea;
ll) técnicas de. en!3ino;
é) ~a.teria.l diMctico;
l>) planif'ica,ção do estudo de "Os Lusfades" no Curao Geral
· dos Liceus.
2·- Considerações gera.is de da.~ácte;· didáctié:o
A motivação da didáctica de "Os Lus!adas"''.Pode·ser feita de
duas rria.neira.st ou utilizando
do Poeína.,para.,
dó
primeiro
de seguida, se· passar
extractos de obras precursoras a.o estudo do mesmo; ou utilizan
extra.atos de obras j<l:relaciona.da.s com a. sua feitura.· Dentre as -
.primeiras, poder-E!~-iarncontar o pref<!:cio do "Cancioneiro 'aeral" (s.S. nos a!!pectos a este prop.Ssito mais significativos); a fa.la de ·Fariimor
ao Impéra.dor. Cla.rimundo, .em o.ita.va
reis.portugueses.desde o comeÇo.da.naéiolll!.lidade a.ti l!.s·navé&"RçÕese
conqu:istas·de JCtrica. e deJCsia (tamMm scSnum breve
nica·do Imperador Cla.rimtl1ldo11}; trechos de Ant.Snio Ferreira, qlier aa
rima, profetizando os. feito.e doa
extracto da."CrcS-
|
carta |
a. E'@rode Andrade Caminha., ilidioa.ndo |
lhe |
comopersonagem prin- |
|
cipal |
de um seu poss!vel canto o Infante D. Duarte, quer· dá carta. a |
||
·AntcSni.ode Ca.stilho, .exorta.nd.o-oa. entoa.r n••• a. clara.' histcSria.//do · nome Portugu@s••• 11, quer ainda de ·toda a ode primeira., na qual o Poe
ta incita os seus confrades .a, cada um fazer n••• alta prova.//de seu- es-p!ri t.o em tantas/ /Portuguesas conquistas, e vi t6rias".
Dentre as segundas poder-se
ia.m
incluir e:rtractos de obras
·de Fernao Lopes, Jlu,i de Pi!Uj., João de Barros, Diogo do C(iuto, Fernão
Lope!l de Castanheda e dos cientistas
D•.-João de Castro, sem esquecer uma conveniente exemplificação do ro teiro de Vasco da Gama.,atribu!do à .Hvaro Velho, e do relato do na.Ü
frágio do galeão grande de. S.Joâo, este do naufrágio dos Sep1Uvedas.
Pedr-o Nunes, Garcia dil. órta e
para documentar a profecia· -
As obz-e.aLndLcadaa em.se~ndo
lugar seriam, a nosso ver, -
apresentadas à medida que a evoluça.o do Poema as impusesse Dar-se-ia.
assim in!cio a uma.incipiente análise comparativa de obras no intuito de ·levar o discente a compreender não tanto um problema de fontes, ce mo o que.Precisa ent~nder-se por criação 'pica. CoDIeste.i1ltimoprop6
sito, poder-se-ia. utilizar a
rá Levar- a reconhecer, quando oportuno, o. fundo contraste entre o he= r6i solene e hierático de ••os Lus!adas" e o anti-h.er6i de Fernão' Men- des Pinte•
11Perégrina.çãon,
de- uma maneira breve, pã
|
~ evidente que uma obra como "Os Lus!ad.,.s" implica |
uma ou |
|
_mais perspeotivas. Umaserá aquela que levou_o Poeta· a olhar |
a hl.stcS- |
|
-ria de Portugal comouma crli.zada, que sabemos já tardia, dÔ Ocidente Ib,rico contra o_Oriente. Por meio do esclarecimento desta perspectiva, os alunos veriam, por exemplo~ justiffoados a importância e õ desen- volvimento atribu!dos pelo l!:pico aos reis que se ocuparam das-guerras contra o Mouro, primeiro na Pen!nsula e, de segtíida, em JCfrica e no Nascente•. Mas,. em con0omitltnc1a a este ideal de cruza.da, há, no Poe- ma, outra perspectiva que merece atenta realces a que resulta dava- |
|
loriza.ção da criação. a.rt!stica e da cultura. como rneios .de entendime_!!
to entre os homens. Na verdade, será'
der as razões hist6rioas que levaram o Poeta a aceitar ' a eXàlta.r es -te ideal de cruzada., que, se, por um Lade,' conduziu a menos fA:oeis -
contactos entre europeus, africanos e a,siátioos, pelo outro, possib!
preciso, por um lado,
compz:een-
litou a,rilanifestagâo de um fraterno
enteiidilílento entre uns e· outros.
. o poeoia •011 Lus!adas11 , como toda a obra httmana, 41reflexo
d.econti11gencias da lpoca em que foi elaborado. Alfm disso, conv4im lembrar qu" estudá-lo não significa uma aceitação passiva de tudo o
.quê nele se cont.4m.
MÓdernos conio somos, possuímos novos sentidos de convívio e de exaltaçãohttmaJÍos. Talvez por isso importe muito aproveitar do Poema o qÚe de mais tundo,nele se_enoontras uma alegre exaltaçã~ da
.
.devassa do.mundo, para
Ulllacomunhao dos povos a
um nível. de con.tinen
tes; a sensação de que .esse mundo se torna novo e.maior s6 porque hÕ
niensde diversos oontinentel!Ipodem, ap6s as viagens transõceln:loas,- oomunicar .Uns com os outros; a ideia de que a observação do nosso p1.anetapelos referid.oshomens lhes acarreta uma mais .fécunda manei- ra de o o.o.nhecere dominar; a valoriil:açãoda colectividade • neste
caso, ·do povo
vid~:ls ilocialm4tntehierarquizados; o amor pela vida; a problemttticã de valo.r.eshumanos como os da gl6ria. de mandar ou do pr6prio acto.bé
portugu@s -• que acaba por transcender os valores indi
lico; a de11Wicia.da acção. corruptora· do dinheiro; o prot.esto veemen=
=. te daquele que teima
em
·11é a.firmar num meio que, por vezes, lhe f
hostil; a dignidíi.dehiima.nasempre s6 como resU.ltado do esf'orço pr6- prio; a f'orçae a fragilidade ·dohomem; entim, o humano e o.diVinó.
epo-
peia, ma.a progreHivamente
que meios. se s~rve para o conseguir. A este propósito, um feixe.de
Problemas se nos apresenta. Dever« o Poema ser lido. na íntegra ou se
gu.tldÓcritfrio a.ntol'dgioo?
-
mostrar,.,.lheaque.intenção ela traduz.e de
:Não bana de.tinir aos alunos o que se entende por uma
·.Optamos, sem.diivida, pelo seu conhecimento na íntegra, em- bora a atitude ántol6gioa seja essencial e tudo, nesta fase de estu- dos, deva partir dela .•Das estanoias selecoionadas far-se-"'leitura ÇOmentadaOUflxpliêada na aula pelo professor e pelos alunos; dases tàni:i:l,asnão selecoi.onadas.farão os mesmos trabalho pr6prio, em casa-; a.judádos por uma edição que conten)ia as explicações julgadas necesstt rias para.o efeito• Este.trabalho servir« para poss!veistaref'asde"" grupo, no sentido de estimular•nos discentes uma leitura do Poema• .~e!Dà ajuda 11ropriamente dita do professor. Tal orientação pressupõe ae:x:i.llt8nciaduma edição escolar o mais possível seja atraente, abun da!lhmen1;e ilustrada de gravura.a que permitam compreender melhor os- &lilPectoshil!t6ricos~ geográficos e mitológicos de.ataepopeia. E os trechOS ·dos autores que referimos COll),0inflluenciadores da criaç~o 'de
ser incluídos nesta edição~ Com .ano-
"Os Lu.Siadas" deverão outrossim
tã§Q'!ls'.es(;)ll!:recedoras,.gravuras atraentes e trechos justificativos
dâ,s•!!l~~e'iaamais_ relevantes, estll.leítura, em casa, tórnar""se-"'·m.aisacesdvel e ef:lciente•
pelos alunos,
a'oonsiderar - e este de primordia;L im- perseverantemente se.ievar o discente a re.La-ç1vaÍucidez,··diante de uma oriãção po~tica. manter sérd:o de mostrar como o vate ca.n
t:>.rá ou 1)0eticanérite 'tra.nsfi[;ttrárá
a. ·hist6ria
de Portueal.
·A
áê:o dos processos util,ize.dos para. este hino é éssencial.
:A estruture. de "0s Lusfade.a" d.evérá ser '.revelada ta.rito
.tó possível. ExemTllific:;i:ndo:exnlic<ir-se-á não tanto que há uma PROPO
SIGÃO comoo que naz-a um poema épico sir;nifica a sua existência .•
é: r-udi;,,enta:rmenteensina.r-se
:i:stõ
:á
a.os alunos cme um poemacomo "Os Lu-
síàdas" ·rião vive a,en.m en;réno de desenvolvimento imprevisto, por-que o seu prop6sità é ô de exa.ltar ou .hinérbolizar factos já ocorridos. Ou ainda: deixnr .os alunos - 'e a prob6sitó d!'J.INVOCAÇÃO- ria pa,rafrase de gueo Poeta, por meio dela, .nede às Husas que ·lhe dêem inspiraç'âo, não será· de.ixá-lo aem o siéillificado estilístico da. sua u"f;i).izaçâo? Tambéma DEJHCATl"JRIA,.ao ser expl f.cada , )>recisará de ser justificáda • .Ao entrar-se na' narrativa prorriamente dita, esta precisará iglia.lmen- . te de ser- esclarecida não s6 quanto aos seus diversos narradores, co- aos. planos tE;>mnoraisda aua elabora.ção.
M entra.r
:sena.
narrativa propriamente dita, esfa preci13e.rá
i.~a.ln\e.n't;ede ·s(lr esclarecida,
dores, cornoaos planos terin:>o·raisda sua. elaboração.
não 86 quanto aos· seus
diversos ri8:rra-
O recurso à mitolo~ia é, como.se sabe, esséncial'
ao proptSsi
de 'Luís de Cal'iÕes,,. que é '.'sendo humanoav; divinos os
.: e te.mbéma, thulo exemplificativo
que sig?Íifica, na Tlha dos Amores, homense deusas podez-emencontrar.;_
-se Fado a lado, convivendo e amandos :
o de heroi:f'ica.r ou imortali,zar os que, -
fizeram "esforço. e ar'te". Por isso mesmo
moàtrár- aoé aÍunos .e
,.dever-se-á
'
.
.i sabido aue o Poemaé ori:entado no sentido • mortalidade l imorta:lidade. Ora esta é con
"'
cio' da narrativa,
metrífica<lô e•ácent1'.la:do,comopor.uma gama
l:l'.iiticos, dent:t'e os' quais avulta o mitól6gico.
~ê ser descobertos,não para ~e ficar nas suas entender comor-ecur-sos de "um.fec].mdoprocesso rador de hómens de carp.e e osso er.iheróis 011 imortais. Mostrar aoS'
OS
toda em oitavas de verso
l'Uonoscomo se opera es'ta transfiguração, seja de.histórico humano, se
ja do fisico,
- repetimo-lo -, deve constituir
escopo primordiP.~~·
Dissem()s·p.trá.s que.o Poeta apresenta no Poemat~nsties ou'
forças corrtz-as'tarrtea, Ora uma que· ,julgamoeiainda 'importante- .é à artista vive. ao declara:r .®e só cantará os que do seu canto ache' cedor-es', A prová-lo,. recordem-se as. est!incias fina.is ,
que o
'nas· que.Lso Poeta confidencia que, por lisonja,
não
bido 11 "sob pena. de nâ'o sér agra.decido". Este sentido de irlde"pêndência.na exa.ltaçãó ·é valor moral a relevar.
. Outros finais .do ca.nto são., como já deixámos
tância.s a interpretar, por ser neles· que.o,·])pico nos deixa·, .com
reTat,iva evidência, tre.nspa.recer valores humanosa
. qué:fornão
Por tudo isto sé deixa supor que á interpretação·
seja do
pode revestir
aspectós dominantemente de paráfrase ou de
. si~opse. Para.frasear .ou resumir um trecho serit exercício de n1i.tureza ~as.e ma.rginal. Interpretar deverit ser antes uma tentativa de apro-
}~jldàmento de que se esM a ler .• Ess~ aprofundamento serit possível .s6;na· medida.·em que mais nos aperce·bamos dos recursos estilísticos --oú.expressivos 'do escritor. Daqui o não se julgar conveniente disso-, ciar-se conte'ddo .e forma de manei:ra 'extremada como, por vezes, suce.;
Umaideia admite-se dever ser :f'ixadas a de unia prof'unda re l1iÇâo·entre o pensamento e á Hngua.gem ou seja entre a perspeotiva -
/';gtié·"tenl;lamc:fsda rea;iidade e a sua expressão. Hit, ;20rtanto, ,ul)la sfrie
de
•pJ;'oblemasindis$ocill:veis7 pelo que a a.nitlise nao dever4 ser ideo-
, · 16gi~a, por um lado, e gramatical
ou formal pelo outro •
.·••• ·., . · ··.
;~~11i.ssi:f'Í.Cativo•';Com.e:f'e!Lto, de '~e
•.f!ix.em,!lló,esta ou aquela proposiçao de coordena.da ou subordinada, se
/::!~lhe não t.iver _ét1sinadoo que estes esquemas sintd:cticos :signi:f'i-
Não iinporta leva.r o d~scente ao chamado s_aber nocional ,ou
val_ed levá-lo a designar, por
.De que servirit que ele class1fique
~aqi:_Íiamente de quem os utiliza?
·Y .um~c"s1frieproposicional .de assind,tica
ou sindética,
se não for ie:
, ·vado·tambémà corripreensâo dos ·seus valores funcionais? ·Ser4 sufici.;.
· · :e\11;eensiná-1<;1a mudar uma oração.;,.da voz a.ctiva. p&J;'aa, passiva, sem- .se Lhe mostrar o que -esta conversao implica ao plano oon"Qeptual? Le ~L~v9.r-àeo mesmoa di-zer que determinada :f'ormaverbal se encontra no-
[\pret&rito
imper:f'eito ou no pret~rito
perfeito desté- ou da.Q:u.él~mo-
•/ ô:oi3, Éieín·eerealçar o sJg?!i:f'icado dos universos temporais que tradu
; sem ou ·~a obje0tividade· ou subjectividade que deixam transpa.reÇer, -
Tra.nsf'ormar
••.•:contribuirá ainda pàra algum progresso interpretativo?
iiieoanfca,me,llte,.como_mero.,u:eroíoi.o de. aplicação,, um discurso direc-
. ,;.to. nUlJl'.indirécto,possuirá
para o mesmoe_feito real utilida.de? Como
fsal:>el)lo13;descobrir,. a.nalisendo0, os processos grematioa,is de um es-
percel:>e;rum pouco do uso consciente ou intencional
que ele
}critcré
--f"azde -uma línguâ. que herdou dominantemente ao comum.
nível da: linguagem
>
.
Finalllíimte,
;(i.o,ti: figilrada precisal'á '',,,lici.e~~·?ªSi~veism?t~vos ;c~çá'o •
.;.~.
a µtiliza.ção da. chamada expressão metaf6ri0a insistimos - de ser entendida sempre mais do seu emprego que num prop6sito de classifi-
3 - Técnicas de ensino
a) Tra,ba.lhosde. grupo
Esta; a.ctividade exige que o pro1'essor conheça a.s norma.$
.:f'undamentais da org{l.nização.de grupos de
za.ção. Além disso, ~erá necessário que a biblioteca da biblioteca do liceu disponham dos livros necess'1rios· à do trabalho proposto.
trabalho e da.
Poderão ser tratados entre outros os seguintes tema.as·
"Os navega.do_resmíticos";
í•os grandes' guerreiros";
"Valor a atribuir à mitologia. no Poema•i;
"Emb<J.rcaçÕese aparelhagem náutica. do
berta.s11 (Sendo .possível. este trabalho
tempo das desco
se:ria; apoí.ado
|
por uma vi si ta ao |
Museu da Marinha.); |
|
''A p~eocupação do |
real em Ca.mÕescomo contraponto |
transfigura,çÕes míticas";
"0 ex6tico n' "Os Lusíadas"; .
.
\
"A estrtl.tura de "Os Lusíadas": a articuia.ção mítico e do _tiláriohist6;rico";
"Os Lu·sía.de:s"como expressão do penaamerrto da Reria.s- ·
cença
Estes ·e outros temas poderão finalizar
a}1um relat6rfo
b) uma palestra feita. na aula e '.segl.Ífda de .ci>16quio•
.com:
eLabor-ade por cada; _umdos. gJ"µpos;
Também•se sugerem; entre outras actividades1
- A elaboração dummapa (ou 'ma.pas) que permitam a mar--
cação com.fitas de cpres dos itinerários 'pais descoberta.e;
das p:rinci-'
·
- a organl.ze,çãó de ficheiros de vocà.bU'lê'.rfo
armas de guerra;
-· fauna
e
flora;
fen6menos atmosféricos, etc.
b) Deba.tes
O deba.te é uma das actividades que ma~s despertam resse do aluno do 32. ano. Além disso, se m;:mdarmoàredigir
clusÕes a que se te:iiha chegado na. àula. precedidas da .argumen"taçaq
que aa dí tau.,
este _trabalho pode:i'á'constí tuir uma'
uma actividade importante do 32 ciclo 1·a. ·.das" fornec·em-nos tema:s.sugestivos 1
|
1 |
- |
Que pensa |
da validade |
ou invalida.de |
das seguintes |
|
a.firmaçÕess |
|||||
a) "ô gl6ria de mandar, ~ vã cobiÇa. Desta. 'Vaidade, ·a. quem chamamosFama.! 11
b) "Oh! M!l.ldito o primeiro que, no l!IUndo, Na.a'ondas vela. p!l.s,'emseco lenho! 11
2 -.,,;Sera modez-naa figura do Velho dó Restelo?
|
3 |
- Seri!'.Veloso um her6i? |
|
|
4 |
- |
Que valor a.tribuir 11. uhliza.ção do dinheiro pelo ho mem?Ésta.râu as suas ide ias -de acordo com às que· - Lufs de Ca.;Õesa.presenta. no e. VIII, 96, 97, 98, 99? |
$studo comparativo de textos
Al~m do estudo comparativo com os textos
normalmente de
co1110fontes de" "Os Lus!a:d<1.s11outros,
trabalhos do mesmó-
ser feitos.
Apontaremos apena.s os que nos parecem mais
a) Confronto com a.uto·res.modernos, por meio do qual
.se
revelar€ a. per-errí.dade da temática eamorrí.ane, e se al-
cançará melhor entendimento da capacidade de e:tprét;i- são do 'Poet~·· Po_rexemplo:
- A Europa. descri te. por Ca.mÕese o instantâ:neo de
Fern.ando -Pessoa .no poema 110 dos Ca.stel0s11;
"O M.ostrengo" e "0. Adamastor";
''Horizonte•• de Per-nando Pessoa. e o significado ge- ' ràl de nos Lusíeita.s11,.
b) Confronto entre pas eoa do pr6prio
Poema. Por exemplos
Os discursos de Ji1piter e de Baco.
Os retratos de V~nus e
da. formosíssima Maria
d) Dramatizações
As dramatizações, com o seu aspecto 111dico, são muito'bem
pelos alunos de dez, onze
anoa , Emrelação a alunos de ca.-
nze ou dezasseis anos. ~ neç_!lssário agir com muito tacto1
·,:'0de~las de um apur-o e at~ de
um nível a.rt!stico
que impeçam o ri-
e .a. chacota. Numfim de período, ou como fecho de estudo do podemos pellsar numa,dramatização, mas não podemoseaquecer- o para ser feita com dignidade 1 disponibilida.de de tem n.••nfi•ssor e dos alunos) e éol!lhecimentos da arte de _dizer e -
Posto i.Sto, sugerimos a d.rama.tiZa.çãoou á leitura
dram!_
1 ;.O
2·- O início da f'ala de Vasco da Gama
consílio dos ·~euses no ólimpo;
|
3 |
- O epis6dio |
da :formosíssima}laria; |
|
|
4 |
~O epis6dio |
de In@s de Castro; |
|
|
5 |
- A .f'ala de Nuno 1lvares Pereira; |
||
|
6 |
- O sonho de D. J>lanuel; |
||
|
7 |
-.O episcSdiÔ dó Adamastor; |
||
|
8 |
primeira. entrevista ;.A |
de Vasco da Gama |
|
e) Témas de redacçaà
lt extremamente vasta a s1frie de teme.a
a "Os Lusíadas". A imaginação de cada um s6 terá uma.
sugerir como temas, a r~fa.ciona.r
tâmbémcom a eXPeri@ncia pessoal do a.Luno, alguns dos .que poderão
escolha. Limita~-nos-e.mos pois a
encontrar-se n<)s seguintes versos. do Poemas"
"E aqueles que por obr'as valerosa.a Se vão da l.ei da morte .libertando".
"Onde pode·acq].her-se um ;(raoo humano, Onde terá segura a.'eur+a vida,
. Que não se arme e se ·indigne
o é~u sereno
Contl'a um bicho da te'rra tão pequeno?" .
"Nóvos mundos ao mundo~rão mostrando".
"Naquele engano de alma, ledo e cego, Que a f'ortuna não deixa.durar muito".
"Dura Jnquietação da alma e da vida".
nuz-amerrte visue.is:
Fotogra.fias,
projecçÕes
(diascopia,
recor
tantÕ-
que tamMm a quaL ida"- ser considerada,
episcopia)s
Qü?.dro "A morte de c~mÕes". de Domingos Ant6nio $equeira; edição do Morgado de Mateus, com as suas famosas ilustra.
|
çÕes (1817); |
- |
||||
|
. |
. |
||||
|
monumerrto a Camões do. escultor em 1867.; |
Vítor |
Bastos, |
inaugurado |
||
gruta.· 11de C"mÕes"em Mac,,u, segundo a tradiçeo; t11mU:lo11. mem6ri1"de Ce.mÕes,nos Jer6nimos; · a. casa rle.C<:mstâncie, onde se diz que o Poeta. viveu dur-an te 1lm dos seus desterros;
(Algunms destas suges:tÕés podem servir tamMm par-a vis:l.ta.s
de estudo.ligada.s
à leitura
do Poema},
i\,uxil:iareà sonoros:
Discos e. fitas -ma.gn~ticas:
Í1ós.t.11à:i'.adp$•1,a.eCamões (gravaçáo do Imave de rec,ita.ção de .alguns.epis6dios); ·. '!Hino a Camões" de. Carlos Gomes; ''Réquiem a .cii.mÕes''de João Domingos Bontempo;
"EVocaçáo.de
110s
1usfnd11si1'.' de Viann da !fota;
ç;;:on-
''Propos1çâ'o e, Invoca c âmerrto; ·
••Epi~~di.o.de Inês de Castro" de João de Arroyo; ''Poema~Sinf'6µicó sobre o Epis6dio do Gigante Adama.stór" de Francisco de Lacerda; t1J:nêsde Ca,stro", 6per8. do mP.eatro Ruy Coelho; "Sinf'onia.s Camonãanas" de Ruy Coelho; ''AConquista dé Lisboá:11, cantata sobre quatro estâncias
d' 'IOs Lnsía.das" de Joly
musicacl.as por Herm!niÔ··doN~s -
Braga. sa.ntos.
exposição interpret'a:
de Desenho);
dás naus";
-
110 colorido da nau melindana na sua visita Gama"·
'·
'
-
-
"A representaçao
-
,_
.
de Mercúrio".
.
a Vaspó
b) Mapas histcSricos e geográficos (se possível,
em colabora.
ção com as disciplinas
de Geografia. e HistcSria).
c)
Mapa da acção de "Os Lus:!adas": a narrsção .,. os cantos e
os episcSdios; sua localização.
d) Gravaç~es de leituras
feitas
na aula.
e) Textos auxiliaress
João de Barros
Melinde -
presa de mou
ros, ao
los navios embandeirados, e a companha deles com grandes folias por
solenidade da festa., chegou a Melinde-, aonde logo por um degredado,
SeguindOVasêo da Gamaseu caminho com esta
outro dia que .era de Páscoa.da Ressurreição, indo com }ôd~
em companhãa de um dos mouros, mandou dizer caminho que fazia .~ a necessidade que tinha
fora a ca.usa de tomar aqueles homens) pedindo que lhe mandasse dar um.
a el-réi quem era, e o
de piloto
(e que esta.
|
El-rei, |
havido .este |
recado, posto que ao nome cristão |
ti- |
|
vesse aquele natural 6dio que lhe têm tôdoloá mouros, como era |
ho- |
||
membem inclinado e sesudo, sabendo por este· mouro o modo de como os nossos se houveram com eles e que lhe pareciam homens de grande
âµimo no feito-da guerra, e na conversação brando$ e caridososi s~ gundo o bom tratamento que lhe fizeram depois de os ·torila.rem,nao
querendo' perder amizade de
os outros príncipes por cujos portos passaram, .assentou de leva.r
outro mddo Çom eles, enquanto
este mouro contava. E logo por ele é'pelo degregado mandou dous ho mens ao capitão, mostrando em palavras o contentamento que tinha
de sua vinda; que descansasse, porque pilotos e amí aade tudo' acha.- ria naqueLe seu porto; e que' em sinal de seguridade Lhe mandava a-
quele anel de ouro; e lhe pedia houvesse p~ra se ver com ele.
tal gente com más obras'. como perderam
!).âovisse sinal contrário do que .lhe
por bem de ~~.ír en ter::·2.
Ao que Vasco da. Gama.respondeu
conforme à venta.de de el-
;rei; pez-õ,
quanto ao sair em terra. e se ver
seu senhor lho
·não o podí.a fazer,, por el-re.i
com ele, ao pre.sente defender, ~é levar.
seu recado a el-re.i de Calecut
para. eles ambos assentarem paz e amizo.de, por ser a cousa que lhe
el'."'.rei seu senhor mais encomendava, nenhum outro mod-0lhe parecia meLhor-, _por não •sa.ir do ·seu regimento,- que ír ele em seus ba.téis, até, junto da praia, ,e sua rea.l senhoria meter-se 'ns.queles zambu-, cos t com que ambos se poderiam ver no mHr; porque, para. ele ga.nhar
e a outros príncipes
.da Tndí.a, Que
· por amigo tam podez-osc príncipe como era. el
de Portugal i'
jo ca.pitão ele era, maiores e.ousas devia :fazer. , ·
:rei
Vasco da Gama em Melinde
|
E |
, , • aeaent ou .Vasco. da Gamà que· seu |
irmíi:o e |
Nicolau ·Coe |
||
|
. |
fica:ssem |
em os navios |
a. bom r-ecado e tanto |
a, pique, |
que pudes: |
|
sem 1.J,Cu~ira qua Lquez' necessidade; |
.e ele, |
com to.dos os |
batéis |
e a |
||
|
mai~. limpa gente da frota |
vestidos |
de festa |
por fora |
e |
a.rma.s secre |
|
tas, com grande apara.to de bandeiras e toldo no batel, fosse ao lu -
ga:r das vístas; a quçi,i·ordem se teve, quando veio ao dia delas,
~artindo ).Tasco da Gama dos navios com grande estrondo
de tr011\betas,
.o que tudo respondia
com a.s, vozes da gente,
animando-se
.t:ros em prazer
daquela festa;
porque,
como era na terceira
uns aos
ou
oitava.-
|
da, Páscoa, |
tempo em que eles cá no Reino eram costumados .a festa,s |
||
|
e pra.zer, do assim neste acto, pç,recia,-lhes que esta.va.m entre os seus. à meio caminho mandou suspender |
Vasco da. Gama, in - o remo, por |
||
/el-rei
.nii:o·ser.ainda
recolhido
ao seu. zambuco,
o qual
vinha
a.o lon
go. dá. :Praia metido 'em um esperavel
do mar. a],evantada.s,
qua'tz-o hqmens, cercado de muita gente nobre,
detrás,,
de seda com as c.ortinaá
em um andor sobre
da. parta
e· ele lançado
os ombros de
e
e a do povo diante
bem
afastada,
para. darem vista
aos nossos, todos com ga-a.n-
de aparato de festa, e tangeres
a seu modo.
Entrando el-rei no aambucocom aIgumaa peasoaa
principais
mimestréis que tangiam,. toda a maís gente que podí.a se embarcou por.5mt;;,os ~arcos, cez-cando el-rei por todas as partes; sbmente dei :z:aramuma-aberta, que tinha a vista para os nossos, em modo de cor:
tesia.
paz que lhe Vasco da Gamamandou.fa de festa, foi mandar·os da.guerra,-
e no fim deles uma gz-ande grita
navios com outra tal obra até tirarem
tomou no zambuco, O que el-rei. mui- Gamacomoel-rei, seu maiores naus que aquelas,
com as quais o poderia. Hju
el,.-Tei conta que, a pouco-
rei poderoso pa.ra.·as suas.
Bapedí.do ~Vascoda Ga.madele, depois que o deixou
_tornou-se aos navd os , e os dias que ali e1:1tevesempne., f'oi _visi.: :
de l e com muit~s ref'r;scos,
que deu cau.sa a ser tamMpi visitàdo i:.
de· uns mouros que àli estavam do reino -de Camba.iaem as naus que lb e
tinham dito- os niourcil'Ique .t o_mouno
zampuco. Entre os quais viera.nl-_
-.-certó_shomens a que,
que _até a. iniund{cie
que criam em si :nâ:oniat<irn•nem comemcoLaa v.iva. Estes, entrandÓ em o navf,o de Vascq da Gama.e vendo na sua câmana; uma imagem de Nossa - senhora em Umretábulo de pincei e aue os nossos lhe f'ázia.ni'reve-rên-
de caín-
chamamBa.neanes
do mesmogentio dci
reino
haia., gente tâ:o ,religioslJ, na seita de Pitágoras,
caa, f'izeram eÚis adora
cttie se delei ta.va na, vista daquela. Lmagem, logo ao outro d.La tornaram
çâ:ocom_muitÔ
maior acatBJíJe]lfo;.e, co'!1ogerij;e
: :
'a ela, oferec,endo,,.lhe cravo, --pimenta e outras mostra.a de espeqia.rias _dà.s que vieram al·i _vender, e se foram contentes dos nci.ssos :pelo·aga srüho que recebéra.m· e manéira de sua a.doraçâ:o; te.mbéme-l:es_f'icárain
satisfeitos do seu modo, parecendo
()I'.ista.ridade,que heveria na Ind.ia do tempo de s. Tomé; entre os quais·
,.lhes
"Ser aquéla mostra de a.lguma_
'vinha um _mouro guzM·a.te 1de
naçâ:q, chamad.z Maleno Ca,né,, ii _qual aesim .'
peLo cóntentamento que teve dE!:conyersaçao dos nossos, como po;r,com :
prazer. a el-rei que_ buscava piloto: para lhe -dar,
Do saber- do qual, Vasco da. Gama, depois
com eles.
e.ceii:ou querer ir que praticou com e7
le; fiCOU muito COj'ltente, principalmente q\landoJhe mosí:rouuma car:
·ta dé tod;;i;:a costa de. In'dia &rr,uma.daao .modo dos mour-os, que era em meridianos e paralelos mui mjildos ·••
E, mostra.ndo
;lhevas.co
da Gamao grande astroláb.io de pau
que_:I,éirava.,e ou'tr-oa de metal com que .tomiwa a. altura do s.ol, i;iio,se espa.nto11o mouro disse, 'dizendo que alguns pilotos do mar -:Roxõusa- vam .de instrumentos de la.tão de figura triangular e quadrantes com que toma.vama etltura do So;t.e principa.lmente da estrela, de que se ---
servj;~.mem a n,avegaçí:io• • •
Va.scoda Ga.ma,cóln estas e
outras
prátiée.s cfu.e, por vezes1
t_eve com este piloto, parecia-lhe ter nele um grão tes-ouro· e, por o. não perder q mais breve que 'pôde, depois que meteu por 00-nsentimen-
fodll el-rei um padríio por Ilome San.to Espí:t,:ito na povo\1-ção,dizendo ·ser um tes.teffiunho da 11az_e a.mize,deque com ele assentl!,ra, se fez·.à·
vela camânhó da !ndia' a vinte e
quatro
dias de Abril e ,
-"Ãsia'' - Década
Va.sqo ela,Ge.ma:é recebido
Vindo o rece.dô. do Sàm0rim qite · doze, pessoas em lerre., onde re.cebeu Úé'.tu!i.1, acompànhado
fa:tó doscnosiibs,.e
de .sua pe saoa, é.
dôs qua,is andores foi também
outros .de o traze:rein
.datual e ele em càmiifuo para Calecut ••• chêgarám
d7 uma povóaÇão, onde estava apoaerrtado out:r;'o,Cà - .1.i}ll~ssoa ma.is not~vel,, que vinha. por mandado do Samori rece bez- ·sco',dá ,Gama.,O qual, quando saiu a ele., era muita gente de guerra,
.
.
<
.••dos·adargad'os a. seu modo•. Chegadó·o. Catual a.Vasco da Gama, depois
fgúê' 'se/nlndo o s~u uso o .recebeu com.muita cortesia,
:b.utro. ando~ quê tra~:i.aadiante,
mandou;_lhe dar
melhor consertado que. aquele em qlie
_Vinh'."-;e", se~ fazer m,ais detença, seguiram seu carnin!!o aos ·paços de ~H-re]., onde Vasco _dll-~ii:maeaper-ou p_àlo~ seus, que nao podiàní liturar
dano que r-ecebí.am .era ver. H Enj;raram• em um
P"~t~Q de ;J;lpén~res, onde achar-am Vasco da Gama.,e o Catual com e,lgumà _gente mais limpa esperando por eles; e1 sem tomar algum repouso da.que
;~a: .afi;?ntá
/Ó~curl',lodaqÍiélf)s qile.levavalll .o andor; e· o maior ·~\> gl'à:ndê poro qÚe quase os)eva.vli à.foga.dos por
em-qiie '.vi_nha.m,ep.traram ·todÓs _emuma grã casa térrea.t. em -
}qu~ estava aquele grii:nde Samori da províp.cia. Malabar por eles tao de-
>:'~~jMo de vel' •.J)e
·' {giie'era 'o _seu Brâmáne :maior, vestido de umàs vestiduras. bràncas, re-
jiínto do qual se alevantou um homemde gtande ida.de
. ·esentando nel_as e em sua idade e continência ser homemreligioso; e,
e~ado ao meio da.·casa, tomou Vasco da Gama'pela' mão e o foi apresen
-·-.-·
lli.ogo. õ.o Couto
· 11A:sia11-·~oada I. 1
-
Ê.titr áo~Samor:i
Manuei 'de•.sousâ· Seplllvedà
oompanhâ.a.foi. séguin
Ji:>P!l.tíiin!Íodo rio Momb,a.ç~.com determ:i.~ação de se deixarem, ficar nele
M~rluel~de··sousa Sepi11veda com os da sua
·a,,~ele;rei Uio consentisse;
~~r··~-J~sc gúe. ficou sopre os col'pos foi roubad2 deixand0'.""osnus. E
Leg.~:r, quando os oafres a,.quiseram
e'
indo assim, tornaram os oafres
a dar
despir,_ o na.o q11is consentir,
;e_:'!à:;i, b?f.et_adas e,às dentadas como leoa magoada se defendia, porque efs qÚe~c:l!!;que a 111atassem,que a despiÊJsem. Manuel de Sousa Sepi1lve-
:'Vendo sua àmada e spcaa naquele estado e os filhos no. chão éhorando,
e,.qàe à' mágoa e dor-lhe ressuscitou
o entendimento (como accnteoe
.1Ç.e:i.aqµe se quer apagar, dar, antes disso, maior claridade),
e,
'#l,õ\,sob~.si lllªiE! algum tanto, se chegou à mulher e, tomando só ·l:íraços, 'lhe, disse:_
a
7- Senhora.,;-4e:i.:ícai-vor;í·despir e lembrai-vos que todos ~sce- nus.1 e pois <list-0 é ))eus _serv'ido, sede v6s contente que El~ haverá ·
· que se,ja isto 'em·penit3neia dos ncasos pecados.
. > CoroistO sé. deixou .despi~, nâq. lhe de:i.~Emdoaqueles 'bruto.a
lé!J go,faa àl&'llffia.9~!11.qui! se pud-ess~ cobrir.
·1;.à~.no chiq e;'.espalhou os. sêu$ ~OI'moeís.si.mõse compridos· cabê
Vendo
se
ela 'nua,
los
por dia.ntez.
com o rosto
.todo baí.xo , porque a pudeS'sem cobrir,
e
|
assim com as ma.os :fez uma cova na. areia |
onde se meteu |
até |
~. ci11ta., |
||
|
sem ma |
is |
se querer 1evanta.r dali. õs homens da. c ompanhãa, |
vendo |
||
D. Laonor,
dré
:foram-se afastando,
que virava.
Vaz, -o piloto,
e lhe disse1
de mágoa. e vergonha.
Vendo ela
a An:-
a.s costas
'par-a se ir, chamou por· ele
-.Bem vedes, piloto,. como estamos e qu.e já não podemos pa.ssa.r daqui, onde parece ter Deus ordana.do que eil e .meus :filhos
acabemos por .meus pecado aj ide ••vos ·muito embora., :fazei por vos sal
var-e encomer;dai-v()s a. 'Deus; e, se :fordes à !ndia. a1gum·'tempo-, dizei como nos deixa.stes a Hanuel de meus :filhos•
e a Portugal
Sousa
e
em-
a. mim com
. André Vaz, enternecido_ de mágoa daquele piedoso e spec tãou' ·
as costa.e sem responder na.da, mas todo bànhado em lágr:Í.--
lo, virou
mas se :foi continuándo o seu caminho, apõs os outros que iam já adí.an
te. Manuel de Souaa, com todos aqueles infortúnios .e mágoas, não se - esqu:eceu da necessidade da mulher e dos tenros meninos que estaya.m
chorando com :fome;foi-se aos _matos para buscar- algum~ coisa para lhes.
dar e, quando t()rno.u com algumas :fruta•s br-avas ,
nos morto e D. Leonor como pá.ama.da.com os olhos nele e com outro no ·
colo. Ele, pondo os olhos :fitos nela. e no menino morto, :ficou assim
um pequeno espaço va na. areia e por
Ção; Feito isto, tornou-se ao ma.to a busca.r ma.is frutas para a mu Lhez-.
achou· já um dos meni-
sem :falar de coisa. alguma.• Passado ele,· :fe;; uma CQ sua mão o enterrou, lançando-lhe a. derradeira ben=·
|
e para 9 outro menino; |
!;!, qua.hdo tornou, achou ambos falecidos |
e cin- |
|
co_escrava.a sua.s_sobre |
os corpos com grandes gritos e prantos; |
vendo |
Manuel.de Sousa. $epúiveda. aqueLa desventura., apartou da.li as escravas
e a.ssentou--se perto
da
mulher com o· rosto sobre uma das mãos e os- olho-s··
- nela,
e assim asteve
e spaço de meia
hora sem éhorar nem d.i:z.er paLavz-a•
.Passado aquele -fermo, Levarrtou-ae e começou a. fazer uma-co'V'.acom a ajil
coisa a.lgurne.)_e, torna.ndo'a mulher. -
nos braços, chegando um pouco o seu rosto ao dela.,
com o filhO;
da .das escnavas (sempre sem falar
a. dei tau na, cova"
sem dizer coisa. a.lguma_às moças,· ··
11e·tornou a meter pelo mato, onde deaapar-eceu sem ma.Lsse sa.ber dele; --
e, depc í s de a cobrir,
e siimpre se presumiu que os tigres
o comeram.
"/.si~'n - Dé.cadaVI •
Do "Roteiro da Viagem de Vasco da Gama", e~ 14971 atribuído
'i , Melinde
A. Ida.
Ao dia de Páscoa nos disseram estes inouros,que
tivos,. que em a, dita vila. de Melinde estavam quatro J:\avio~ de tão11, os quais eram índios; e que, se os,qu:iséssemos ali lêva.;r,,
daria~ por; si pilo;tos cristãós,
sim de c~rnes, ál!;Ua.,lenha e.,outra1;3coisas.
e tudo_ o que nosJize'sse -
:ini.stel".,
- ·
-
·
terra.,
E o capitão-mor,
que muito de'sej.,va. haver pilotos
daquela
depois
de termos .trata.do este
partido
com estes. mouros, fo~
· pous·a.r. defronte
da vã La., a. meia. l_égua de terra .•
E os da. vilà nunca ousaram de vir aos
naví.os , porque es-
- 32 -
já .aví.aadoa e, sabiam que tomáramos uma.barca com os mouros.
A segunda feira,
pela ma.nhãmandouo capitão-mor p8r aque
le mouro velhb em uma.baixa que esttl:_defronte da vila, e ali veio - uma.aImadáa por ele; ovqueI mouro foi dizer a. el-rei o que o cc.pitão queria, e como folga.ria. de fazer paz com ele •
mouro -em uma zavra, em a qual o
rei daquela
càrneiros; e mandoudizer ao capitão que ele folgaria. de entre eles havez- paz e estarem 'bem; e que, se lhe cumprisse alguma.coisa. de sua
terra,
lho daria .commui boa vontade, assim os pilotos como qual
quer outra. coisa. :E o cap í,tão-mor lhe mandoud í sez- que ao outro ilia -
:fria por dentro do porto.
.-,E, depois de, jantar veio o
que
vila mandouum seu cavaleiro e um xerife, e mandoutrês
E mandou_-lhelogo pelo mensageiró um baLandr-au, e dois r-a
e um chapéu, e caacãve í s, e doí.a lam .
mais de ·cora.is, e três bacias, -Mis;_
Logo ã. terça. feira nos chegámos mais para. ;junto da vila, e
el-rei mandouao capitão seis carneiros,
e muitos cravos, e cominhos,
que à quarta.
- e··-geng_ibre,e noz-moscada, e. pimenta, e mandou-d.he dizer
feira
fosse ele no seu batel.
·se
queria ver. com ele no ma.r; que ele iria
em sua, zavr-a, e que
A -quarta feira,
depois de jantar, veio el•rei em uma za.vra.,
e veio junto dos navios; .e·o' ca.pitão saiu em o seu batel, muito bem
corrigido. E, como chegou-onde 'e1.:.rei estava., logo
t_e_ucom ele.
se o d.í,to rei
me-
E. ali passaram
ao
dizendo el
:rei
muí tas. palavras e boas, entre a.s quais foram
cap í, t8:o que lhe roga.va
que f'oaae "com el.e a
casa folgar.!. 'e que ele iria
disse que nao trazia licença, de seu Senhor para aai.r- em
dentro aos seus na.vios; e o capitão
a quem o U'. manda-. fosse, que conta
terra,
·e
'ilt:l em 'terra sa,!sse, que dar-ía de si má conta
tespondeu que, se ele aos seus navios
E orei
â,à.rfa _dé si ao seu povo, ou que diriam? E perguntou comohavia; nome
o nosso re'i,. e mandou-,oescrever; e ·disse que, _se n6s por aqui tor
•
nássemós, que ele manda
ria,
um emba.ixador, ou lhe escreveria .•
E, depois de terem_:fala.do, cada um o que querí a, mandou·o todos OJ?. mouros que t-!nha.mosco.ti vos, e deu-lhos todos; :foi mui·contente, e disse que rnaís pr-ezave.·aquilo que ·
vila.
E o r-eí, andou folgando' de redor dos .IJiui1ias·bombardaa e e Le .:folgava muito de to andaram obra de três horas.
,E, quando se .:foi,. deixóu no navio um seu :filho;
·Xeri:fe, e :foram com ele a. sua CE!-Sadois homens dos ele tne~mo'pediu que queria que 'f'o,llsemver se 'ao capitão "que, pois ele não queria ir
. tl'o dia,· ~.·.que
andasee ao Longo da terra,
gar seus cavaíeiros.
2. !>lel.i'!lde.- A Volta
nóssôs,
A see,imcl,a,:feira, 'que :forà.msete dias do dito mês, fl'lrrios
pousar ·ae ava.nte.f!elinde, aonde logo el
O qual trazfa muita ge,nté, e mandou ca.rneiros; e ·mandoudi,zer ao oa ;iitão que ele :fosse benvãndo, que já havia dí.aa que esperáva,,por, '"'"
ele,· e as sãm mC1.ndoudizer outras muí,tas pale.vras de
:.rei
mandouum.bal:'colongo;
amizade é -pa~.
|
E |
o capitão, com est.es qué vieram, um homema |
terra., pa- |
|
|
ra ao outr-o |
dia trazer· laranjas, que |
muito desejavam os |
c1oerites que |
.tra.z:!;imns;'comorle :feito as, trouxe logo, com
posto que·não apr-oveí, tare.m aos. <ióentlis - pois que·a terra .os pou em t;;d · maneira que '."qu'i se nos :finaram muitos .•
outra.a muita:s
.E assim .v í.nham muitos móur-oa 'a bordo por
e trc>ziam muú11sg1"1inhas e ovos, a resgatar.
E. o capitão, vendo como nos :fazia te.nta
nos era tão necess~ria,,, mandon-d.he um serviço; ,e r;m,ndou: lh
por um dos nossos J1omer;is,o qua.L
lhe pedia qi+elhe ,desse um?,buzi·na.de mar:fim
seu Senhor> e o:ue lhe· mandaaae ce.ase em sinal de amfsade ,
erO\ ó· que sa.bia.
E el•reiclisse
que ele d.izil".,.por amor d~.el-rei
que
|
· sj'!rvir e ser' sempre a seu |
:;ierviço |
|
zina ao capitão, e mandou |
le.var o |
E e.ssim envió'u u."1-mo'uromancebo, o qual vir connosco ; que queri'avir v,er Portugal; o qual dou muito encomêndar ao c~pi"j;~oe, bem assim, lhe ínan~ou ele mandava aquele rna.ncebo,para. que êl-rei de Portugál '-~·•""'"'"'"' ouarrto ele dese.ja,.v!l.sua anrí.aade,
~Ie.ste lug:.>.r·e'l"tivenios cinco, dias, :t'olgl'!.dóS" de· qi.ianto tra.balho tfoh:.>.mos.passado M tra.yessi1i ·
de· morrer.
·
Pedifo }'11.nes
-------------
, Não hR dií:via:->.que ç s navet;8:çÕesdeste Reino i de cem anos
e-,~sta porte,~sê'oas ma,iores,;mais maravilhosas, de mais altas_ con
~-flqt~re.s,.do que a.s de nenhuma.o_utra gente do mundo. Os Portugueses
|
?B-Sar;:i.mcom_eter o |
grande Oceano. Entraram por ele sem nenhum receio. |
|
|
:Oespobri,ra~ novas |
:i}ha.s, novas terras, |
novos mares, ncvos povos, e, |
o _q\lemais é, novo (léu .e novas _estrelas, E ne_rderam-lhe tanto o me-
_dó, que nem.a. e,-rànde que!'-t-µradá. zonai forra.dlj;, nem o de scompe-seo -frio.da. e:x:tr~ma-parte dó~ul, co~- que os a.ntig-os escritores _nos a-
meaçavam, os p6deestorvar
.;-'ª a _cobra!', descobrindo e passando o temeroso cabo da. Boa Ei;peran
Perdendo a Estrela do l'!orte e torna.n_do
\-ga( o mar-dà. Etiópia,
- dia.
<< y <)
da. Arábia e da
Pérsia, puderam chega.;rã !n~-
• .
_Ora ma.nifesto/~ que estes dei;cobrimentos de costas, ilha.s
,,e >terras firmes_ 11~0 se :fizeram, indo a acertar, mas partiram os nos --•soi;"rnarea.ntes mui ens;inados e providos de· instrumentos e regras •de- e.strolo,"\ia e geometria, que são as coisas de que os cosinógraf'os hão
- c.:.d.eandar- ape:r>cebi.dos.Levp.ram~a:rta.s mui-particularmente rumadas e
- já· as
de que os antig,os usav~m.
D• .João de Castro
Caminho
"Tratado da Esfera"
_Domingo14 de .J\).11~.º todo o dia f'oi o vento sue e+e e les-
e assi.
COfll()
larga.va. OU
e soa.seava, assi f'a.ziamos O caminho,
9 •(T"Ual,discompenssa.ndo um por
nordeister e~te d_ia às 10 horas, de pela ma.n!lâvimos da banda do nÕr oet:;te Uma;S nuvens ')Ja.gta.s. e dobrada S, e, do meio delas descia .ao
mar
outro, ficaria. à mea partida
do nor
a~ostra:c'9r:io tro.-nba.dalif'ante,
e pórderredordésta
nos. impedi-fis·ea· vi-sta., assim como nevoeiro ou sarração.
a que o~ marinheiros chamamma_:;, '
t;i-ombaou manga nao havia coi-sa alguma
- -.
.A.J)êliI'tedes~a tromba que apegava nas nuvens, afastava_ por
í:'_tf:l'f e 011tra tB.-zia uma testa, eda.li para baixo até o mar_era
1-çit·~. ~edo:11d13:Ta. pôpta que pegava
no _ma.r erguia um grande.
de:r'red,ot,<e S~f:Undonotavamoe os que isto vi-amos, ]Jl}re-.
- -{Í :L~YFlapor á_entto Cla tromba.acima; dur-ar-La,,isto
r•t_o;.d!;\ji1or.a,,:e>estaria.mos a.redados dela pouco Ó)a;is
de meia legua;
e como se desfez,
deunos uma chuva grossa. com trovões:
princípio como se ordenou esta manga.,foi parecer no mar uma grande fumaça e. fervªncia. de água do tamanho de uma nau, e. em espaço de dóis cr-edos f.oi crescendo para; o céu, a.tê peguar nas nuvens, deixando figu -
rada. esta tromba. por
o
onde
sobia agop. a ela.s.(l)
De noite começarama dar muitos Relâmpagos por toda.a as par
tes do ceu com grande m1merode trovoes; os fuzis ez-amtp.ntos
nhummomentode tempo es.t(l.vasem eles; o
fresco; governamos ao nordeste quar-ta
haviam por cousa muito averiguada que todos !?Stes sinais
calnÍaria, mas o mestre receoso
sendo passados quatro Relogios da prima, do que clamavammuito os ma-
rinheiros; e acabado a.s vergas
vento, qual a.tê qui não temos visto nesta viagem: durou este vento
grande e espantoso até o fim do quarto da inadorra, e entra.ndo o quarto
da lua. abonançou, e tornamos
nornordeste; o.vento seria como lessuest.e; toda esta noite choveu to, e o ma.randou muito ma.nso.
que ne:
vento era sueste es.ca.so e
do nortes o Piloto e marinheiros
demonstravam
ou guiado por Deus, amainou as vela.s,
de
serem em baí.xo, deu em nós t:?.manho
dar as veLa.s sem monetas, governando ao
mui
"Roteiro de Lisboa. a Goa"
Nól<0íÍ:
--µ) Este. excelente descrição do noMvel fenómeno não
de causar
feita. Para. melhor se apreciar, basta. citar a descricão das trombas m1J.,- rÚima'8 que se encontra na Physica.l Geography de w.Íle:;iborough.CooTen "Os mais importantes fénómenos vorticosos da atmosfera, diz ele, são
os turbilhões produzidos pela conflagração, vortices de poeira ou a.reilÍ.,
tromba,s,
mato estao ar-dendo; vª-se sobre cada energica labareda.,. uma c9lumna de. fumo, ascendendo em espiral e abrindo-se superiormente em fórma. de fu-
nil ••• As trombas teem luga.r
turez.a. são columnas de água ou vapor opaco Levarrtando-sae do màr e jun tando-se superiormente au'.ma nuvem em flírma de cone invertido. A água.-
na base está em violente, àgitação, como se estivesse fervendos e a co- lumna, ao paasoique cá.minha, revolve-se com violªncie. perigosa,, mesmo
para grr.ndes nevios ••• A columna de. água pode explic2.r-.se supondo um
turbilhão na
ça centrifuga, cria o vácuo no eixo do movimento, no quaL -
pode deixar com que foi
admiração, pela perfeição e nunucLosa observação
tornados,
e ciclones. Quandoum ca.navial extenso e sec o ou um
entre os fenómenos mais singulares da na-
atmosfera, o qual, como o
ar é impelido·p11.rafora pela for
certa altura. A cima d'esta a.lturaí a continuação opaca,
ser f'.orma.dade vapor, subindo da. parte inferior,
ou baí.xando
Duárté Pacheco Pereira.
Do·que disseram e.lguns escritores· e.ntigos, como a linha. eqúinociá.l
e a. te;ra que faz debà.ixo dela era inabi tavel
Nunca ós nossos antigos· antecessores, ·nemoutros muito ma'is
doutre.s estr-anhos geraçÓes, puderam érer que podia. vir temno
o nosao oucdderrte fora do ouriente conhecido e· da India
agora é; por-oue 013 escritores, que daquelas partes f'aLar-am, escre
pelo modo
verq.mdelas tantas fã.bulas, por onde todos j)areceu impossible <i:ueos-
:in'iiianos mares e -terras do nosso oucidente
se
Tolomeuescreve, na. pintura .de suas
o mar Indico ser assi cdmo Üa a.lagoa,
pudessem navega:!'.•
antigas tábuas .de coémó apartado, POI' muito .es:
nosso má.'.roceano ouéiderítal que pela Eti.Spia meridionaf pas- A que an+ne estes dousmares ia Üa ourela de terra, por impedimen qual, oer-a dentro, pera aq)lele.·gólfão Indico, per nenhummodo-:
nau no.dia.1)a.sspr. outros disseram .que este; caminho era de ta.má carrti de.de que, por "sua longura, se não podia. navegar-, e. que nele'."" havia. mu'í t"-s ·serPiiJ.s_e ou'tz-ós grandes peixes e animais nocivos, pelo· -·
ouaL e,sta· navega.cão se não poi).ia fazer
PompónioMela, noQrincípio do seu grande livro e asai no
|
terceiro de Si tu |
Or-b.í.a, e Mest_reJoão de Sacrobosco, Ingr@s, |
||
|
e |
aut or-, na a.rte |
da astronomia, no fim do terceiro ca.p!tulo |
|
|
seu |
'.I're |
tado da Esfera., -oada um destes em seu lugar, ambos.disseram |
|
as partes da equinociaL eram .in1;1.bitáveispoLa muito granei.equerrtu
do Sol;· donde pa:rece que, segundo sua tenção, aquela tórrida zona- esta causa E!enã() podia navegar-, pois que a. fortaleza do sol impe n~q haver. i habita,ção de gente; o 'que tudo isto é falso. Certa.meu
tê'mós muita e muita ra.zão de nos espa.nta.r de tão excelentes homens, éornóestes foram, e ç,ssi Plínio. e outros autores @e isto mesmo'afir-
-mar-am, 'ca!reni.em tamarího.erro cornoneste
caso ddsaez-am, por-que eles
todos confessam.a India ser verdadeiramente ourienta.l é povorada.de·
E como assi seja que o verd1;1.deiroourient~ é o cí:r-
' que per Quin~ e pelll. India e coma. maior partE! de cr-ar-amerrtese mostra. ser .falso o que escreveram; - hã tanta habât açao de gente, quanta
que a experHlncia. é madre das cousas, .per ela a verdade, porque o nosso César Manuel, inventi- excelente ba.ra.o, mandouVasco da. Oama,comenda.dorda Ordemde · e cortesão "de sua Conte, por c!l.pitão de suas naus e gente, a e saber aqueles mares e terras com que nos os Antigos pu- · medo e espanto. E ind.o com muito trabalho achou o con disseram.
_ rio do Inf'.arite em diante, no quaJ Tuga.r o'
seu de'scobrimento e naveg~ção,. coL
·Sere·nissimô·Rei. D. João acabcu
mo.atrd:s é dito_, e
pera ª<Illela cqsta da incógnita. Etiópia sob'""F.gl.pto,achou a 'etiópi•
ca vila dé Melinde, onde soube as novas dali, at:ravessa.zid9 aquele grande g61fão
nàquele mei.o·jaz·/ deacobr-Iu e novamente soube ~1g\ía 1)a.rte·da·dese
jadà. !ndia Inferior.
correndó Vasco da Gema.,com .suas (ÍUa.tronaus ,
da. Jndia que ia .busoar-r e'_ de setece11t>wléguas ®e,
Q.ua:rtoLivro do 11Esmer<>ldo
Capítulo .:r~
de. •.•os Lusía&i,s"
nr~Úmil'Í~rês .
Çom<"> ~ 6bvio, o. êi'rtudo de uma obra. nã.o deve.·s.er empreên- d_idosem f\tndaméntação e motivação convenientes. Por is-
frO mesmo7e n:J.rticu°la:rímenteno caso ver:?:o. nrof'essor utilizar estudos e da: clássê no sentido eh~f'acil:í.tar a PoÉ'!ma.
de '"Os Lus1adas"; dé, lei tur1>.s.anteriores_ melhor apreensão do
- 2 - Assim; lembra-se4 mais uma v~z, que o estudo d~ hi_stori6- V'ªf'oif como Fernao Lope's, Joao de Barros, -Fernao 'Lopes de Gás_tarihedae Diog-o·a.oCouto;. de Roteiros e Itiner~rios7 cono .o da ViaR-eriJ'·do G~.ma~·a Carta dê Pêr-o de Andrade Ga
mí.nhar d~_nar~~.t:l
teratiira exótica como a. de }i'ernão Mendes_Pinto; de poetas
comi>Gil/Vi'cente e :Ant~nio Ferreirá
c::orvpa.1ü1ar,,o estudo de "Os Lús!a.das 11•
vasela
Rist6ria Trágico,
deve~
!Jarítima:
de li-
pr,eparar, ou
Outra!'. leitura.e como
as
de Pedro Nunes, :r>uarte_Pacheco Pe
reira., Garcia de Orta e D. João de Gastro,·de que noutro- luga.r se apresentam "à,lituns excertos, deverão ser - como _ a.litunia.ie·das a.ntério;r~s - opor-tuàamerrte f'ei tas~ _à medí.da:
q\Íe o, estudo dqs vários passos ,do Poéma.o aconselhem.
Inú,tÜ se tOrnll. lembra~ quê o estudo de "Os Lusíadas" nem dev<0onsti tttir a:êhvid~de inicial no 3g Ano dos Liceus, hem'il;ei.xar_de·_pcupár,. por out;:o lado, uma.grande· parte do· a.no lectivo ( qiiarenta a cinquenta lições).
5
:
Q~a.nto·ao
nao_nretende constituir-se
t6ria nem indfoa t odaa as actividades que o est"Q.dode
"'Os.Lusía_da.s":comporta.• -
esquema.a seg!lir apresentado1 é ·de notai-, que
emorientaçao wiica. e obriga-
6 - Compet.:i.r~,igiialmente, ao prof'essor,
distribuir
pelos
vários tenmos lectivos a matéria em estudo; 'dando a este_
a amplitude_ que' enténder ne,cessária. Por is1>0 mesmo, o -
n-dmEiro.dealíi;leas 'que dão eeqnêncí.a à :plan~_:ficaç~o.não
.corksponde,
de modoálgµm, ã.o número de tempos léctivos
necessários ê. rea.lizàção dos as-pectos nelas cont-âdca,
:~'º-.
7 -' I)e_stemodo, o prof'essor colltinuará livre para quaisquer iniciativa.$ •. ·
b) Planifica.ção
Canto' I--
l - Intrôdução
ao estudo dê "Os Lllsíada.s",
aspectos verificados,
sobre a épocade
ou a verificar, Qµinhentos;
o 11elimaii
~e exaltação e as tentativas
evocá~do:
nos cronistas
épicas.
2"" Início do·estudo do Poema- Proposiçãos
- $eu s'ignificado.
|
3 |
- |
Estudo da ~nvocal?,ão- ests. 4 e 51 |
|||||
|
- |
sµa ju!ltificaçao na.estrutura do Poema. |
||||||
|
4 |
- Estudo. da .dedicat6ria - e at s, 6 a. 181 |
||||||
|
- estudo das ests. 6 a, 15; |
|||||||
|
- .leitura ', e comentá:rio global das este. 16 a 18. |
|||||||
|
5 |
,.I'fà.rra.ção- .Concílio. dos Deuse s no Olimpo - ests. 19 a 411 |
||||||
|
estudo da est~ 19 - a ,armada no. mar razão 'da .não coincidêneia do início · largo; |
|||||||
|
início da. acção do",J?oema.; da. narração com o |
|||||||
|
possível referência. ao "pla·no" de "Os Lusíadas". |
|||||||
|
Estu,do das ests e . 20 a 40 • Concílio dos Deuses no Olimpos |
|||||||
|
· |
funç:ão deste .eJ;>is6diona nar:ração; |
||||||
|
a interv~nçâo |
e 0,11-ntagonismode Baco_e de Vénus: valor |
||||||
|
desta alegoria na economia do Poema; |
|||||||
|
primeira· e breve referência aos "elementos•r do género é |
|||||||
|
pí.co , · |
|||||||
|
. |
|||||||
|
6 |
- Continuação-da narraçãos |
||||||
|
- |
comentário global das ests~ 42 a 68: , na |
||||||
|
bique; |
costa de Moçam - |
||||||
|
estudo das ests |
70 a 76 ,; maquinaçô'es de Baco para a |
||||||
|
destruiç~o.dos Portugueses; sugere-sé a leitura. atenta. das ests. 42 a 44 - r-ecomeço |
|||||||
|
da narração |
• e 45 a 48 pelo à.pontamente realista |
||||||
|
que encerram. As mulheres da Il!Ía de Moçambiqueainda hoje se. vestem .aaaãm , Esta.e estl!ncia.s poderão motivar uma.aula. de projecçÕes de diapositivos .sobz-ecoabumes de Moçambique. ' |
|||||||
|
7 |
- Leitura e comentário ideológico global das este. |
77 <'· 102 |
|||||
com o estudo a.tento das estis. 84, 89 e
- Estudo dàs ests.' 103 a 106 ,.,.chegada à vista de Momba.ç~i a.tente-se no conteúdo das ests. 105 e 106 - consideraçoes a prop6sito da insegurança da vida. humana,.
94.
-
Carrto II -
8 - E!!\ Lom~aça
Leitura
estudo das .est s , 29, 30 e 33,
e comentário gLoba.I. das e et s , l a 28;
- 40 -
|
- |
valor estético da.s exclam~.çÕesdo Gama- est |
30; |
|||
|
- |
e. sUplic;{ |
do Gama à, 11Gun.rde. 80bere.nR" |
- |
Deus; |
|
|
- |
a intervenção de Vênus; |
||||
|
- |
a presença.·do ma.ravilhoso cristão e pa.gao no mesmopasso. |
||||
9 - ComenMrio global das ests.
34 a 43;
estudo _das est s , 44 e 45 - p;rofecias de Júpiterr
- justificação
das profecias.
10 - Partida. de l.:O.mba.ça- Chega.da.a. rirelinde,
Comentário global das
estudo das ests. 108 8.109; sugere-se o estudo daa e·stârtcia.s f'Lnaí s do canto - 112 e 113:
- possível leitura
est s , 64 a 107;
de textos de cronistas
que terão sido co-
nhecidos pelo Poeta;
referllhcia. a. fontes de informe.ção; .
- ó _Rei de Melinde pede ao Gama~
nar-r-a'tí.va da. Hist6ria. de
-
Portugal;
o esquerna da futura narra.ção do Gamano.e ests. 109 e 110;
os navegadores. portugueses gigantes do reino de Nereu; alusão ao sentido da verdadeira. gl6ria. - es t s , 112 e 113.
- Canto III ~
11 - Em!Ielinde
Leitura e comentário da':s est s , 1 e 2 - invoca.ção·a ca.Hope;
estudo das es t s , 3 a.·5_
f'a.l a do Gama.•
O porquê de nova invocação
il. musa de poesia êpica;
: sugere-se
narra.dor;
que se deixe bem nítida. a. ideia. da. mudança de
- -justificação de ser a fa.la. do Gamnuma m'rração de tipo retrospectivo.
12 - Comentá.rio ~lobal do cont'eúdo da.s ests.
6 "' 16 e 18 a 19 -
- LocaLi.z.aç ao do · 11Reino Lusita.no" na Eur-opa;
estudo da.sests.
- deverá. notar-se a ternura pelo "ninho" "paterno". afirma de. ta.mbêmem outros lugares do Poema (cf. c. V,e'st. 3 e-
17,. 20 e 21;
c , IX, est.13l;
será, por~
véntura,de sugerir, aqui, aos alunos, "· µ1emorizaçãodo ·
/
- como em rela.ça.o a. alé:Uns versos anteriores,
12 verso da est.
21:'
"Esta é a. di t osa oátria. minha,amadav,
|
13 |
•"" Jfatudõ díis· ésts. |
23 |
a |
26 -· D. Henrique |
|
e 42 |
a 44 - D. Afonso Henriques , É0talh.a de Ourique; |
|||
conienti!'.r'.i_ogloba.l fias ests.
sugêre-se ainda a. leitura e comentário das ests •·1
27 a 41;
22 - Viria.to
e
36 a. 41 -
Egas Moniz - o .s!mb.oloda :fide Lí.dade portugu.esa;.
'14 - Coriíentil:rio·global das ests. 45 a. 95 - de Afonso He!ll"iques a Afonso III; ·sugere-se o estudo de a.Lgumaedesta.s estitncia.s, comopor ·
exemplo:
·
|
45 |
e 46- milagre de Qurique; |
|
|
53 |
e |
54 - 57 a. origem da nossa bandeira; |
|
- a.Conquista de Lisboa; |
||
|
84 |
||
|
Estud.o das es+s; 96 |
- morte de Afonso.Henriques. ' a· 99 - D. Dinis: |
|
éxplicáção do esca.ssÕ ni1merode esta. concedidas a este· rei.
15 - Estudo das ests• 102 a. 106 - epis6dio da "Ferl!los!ssima ·
/.!arfa";
comen+ãr-ão global das esta. Ül7 a 117 -Batalha
.
.
do Saladci:
a si1p1ica:'de Maria;
o "re'tra to•• da rainha de al-egria.11 -.
·
"lindo •• ,gesto", mas ,"fora de
16 - Estudo pormenorizado das ests. 118 a. 135 - epis6dio de ·
In@à dê. Ca.stro:
- valei~ Hrfoo e dre.mático do epis6dio de fnês de Castro
razão da inclusão de epis6d·it>s comoeste e numaepopeia;
. possível confronto de. :fa.la de In@s com a. si1plica da 11c<iis -
tro" de·.AntcSnioFerreira.
e
o .anterior
· e 137 - vingança de D. ·Pe-
Comentário
. estudo··das esta •. 13$ e 139 - D. Fernando; sugere-se a. leitura e comentáriõ a.tento das esta •. 142 e 143 - :fina.is de oàntci - pelas considerações rela.tivas ao poder do a.mor.
dro;
globa.l das ests. 136
Ca.nto rv·
17 - Introdução ao estudo do canto: ·rela.eiona.ção com.o anterior:
Comentário global, pelo professor, do cont.!li1dÓdas .esta.· l· ·
a. 12 - interregno;
estudo de.s es'ts , 13 a. 19 - üitervenção de Ntm'AlvaJres
Coméntário global
rativos
estudo .das ésts.
leitUl'a
t,;
do contei1do das ests.
28
a. 33 e 42 .a 44 •
dirigida,
••
:20 a 27 - prepa- ,
à.e f\U.erra:;'
a. Batalha;
das
comerrtada , ou leitura
ests •. 34 â. 41.
'Atent·e-se: ·.
-~no
;;üõr
expressivo da hipérbole de. est. 28 como pr-oce s -
,iio 'estético exempl.í üí.cado, alias1 em todo o Poema;
- no valor gradativo da ;:i.-a.jectivaçao.do22 verso da mesma estância.; .
na harmonia imita.tiva.
criÇão· do fragor da Batalha - esfs.
no•valor intensivo da ap6strofe da est .• 33;
no heroísmo de Nun'Ãlvarés - ests. 30 a 35; no decrescer do movimênto, no ritmo mais vagaroso e n;:i.
de.salent.a.da dol' doe vencidos - e at , 43;
nas.ideias Contidas nos quatro primeiros versos da est.
44 (a àpncxfmar-,ma.is t(l,rde, da.s ideias semelhant-es en-.
corrtz-adas na fa.la. do Velho do Restelo).
larga.men_teexemplifica.da na. des-
31 e 42,
por e:;;Pmplo,
·
Cornentarie>,g Lobal, das ests. 45 a 65; sµgere-se ·o e s tndo das e s't s , 66 a 74 - Sonho de D. i.ranue1:
estudo de. est. 50 e niemotizàçâo - à semelha.nça do que po
deró'. fazer-se· com muitos -ouür-ca-
do seu i11tirrio·versos -
. 11Inclita. gera.çáo, altos Infantes";
o significado
a'p9.ise.gem Levan'tí.na s folhas ••• , montes••• , rios .••• ;
da mit:ificação do Ganges;
|
a |
pr-cf'ecLa do. Ga.nges; |
|
o· |
significado· premonitor (lo.''sçmho" de D. '1lanuel. |
Comé'ntário-g].oba.Í das ests. 7.6 ·a· 83 - pr-epar-a'tfvoa ·
pB.rtida de.s naua ;
estudo das e-s,ts. 8~fa 93 - a armada no Restelo, com espe-
cial a.tençáo par-a as ests.
estudo pe>rmenorizadod;:i,s.ests. 94 a 104 - epis6dio do Ve- ·
lho do Restel6. Atente-se:
para.
.a
89 D 93; .
na. descrição dá. "figura." do Velho;
no signif±cádq· do seu menear 11três vezes a. cabeça, des-
'
·éontente11•
.
.
.
.
.
.
nasinvectivas que traduzem esse descontentamento;
na. cen,sµrê. da a.:nbição e dos •
tos vâós11•
males 'qlie provoca. nos "pei-
· - no significado .pr-of'undoda .fàla do Velho ·~ na sugestao pr-9;fétic:z d.osiseus "a.ge>µros".qlie vão ter, à.diante, con-, cretiz.açao nas ''a.meaça.s"do Ada.mastor; na profúnd:Íde.d.edo epifQnema que encerra a. úl tiina estro Je do canto'~
'
-
.
'
-~----~
.
-- Ca.nto V -
21 Est.udo des/ e at s
-
v s
\.
l
a. 3
ps.r-trda da.·arma.da-;
13 continuação da viagem;
14
a vie,gem no Hemisfério .Sul - a
na.vega.çãoa.stro~mica ·e o "Cru
zeiro do Sul"; "Ps pe.r-í.goaaa cousas
desemba.rque na Baía de Sa,nta.
Helena. O uso do astrolábio
Ha.rea
da Ca.rta
!6 n .23
e ~5 a 27
do mar"
.e
não
r, Far-se-á un» refergn~i2 globe.l às demaí,s estâncias
referidns. "Os Lunf ado.s",r-eveLo.dor-es do "Novo Mundo"- relacio-
-de
ne-se, eventuvlmente, com e. le.i tura de textos auxil_:!:_ a;res;
o quadro de rea lismo
na.ture.lista. - o "lume vivo" e a.
"tromba i-;a.rítima" reveladores de uma.provável experi
-
da· expressão "Vi, cLaremezrte visto".
ênc í.a do c.utor;
o vo.Loz-estético
-
22 Leitura e comentário. literário loso .,. ests, 30 a. 361
-
do episódio de Fernão Ve-
.
- o tipo de her§i representado por Veloso,
23 - Epis6dio do Giga.nte Ada ma.stor.
Estudo dc.s e s t s , 37 e. 50 e 56 a 60. Divisão do episódio em partes:
|
l) |
prólo.s;o - aparecimento e retrato do Giga.nte; |
|
2) |
núcleo centra 1 do episódio -· a fa.la do. Adamastor: |
_ as a.rneaça.sproféticç,:3 de ví.ngançaa (mrnfrágio de
Sepi1lveda, por exemplo); a. interrupção do Gigante feita pelo Gama.;
á hum2nize.ção d.o monstro, seus a.mores e metamor- fose:
as sue.s cólera.a contra. a
ouead í a lusitana.;
3) o epÍlogo .,. de sepaz-ectmen'to do Gigante.
A .mitifica.ção ·do Promontório;
'o des,encontro da. cria.ção poética com e história, que r~
vele. ter-se paaaadc o Ca.bocom "rara felicidade",
gundo os croniilta.s;
síntese dos e.spect os trP'.gico-:marít imos das naveg<".çÕes portugueses (er, os votic:!nios do Velho do Restelo);,
obser
o valor estético .da apóstrofe:
se-
.
,
açãodos
efeitos
sonoros de o.Lguns:versos;
"Ô gente ouaada, •• ";
- maís uma'vez o valor d»s profecÚ•.s mi economí.a do Poe-
f.18,.
24· - comen.Mrío globàl da.11ests.
61 a, 8o e 84 a 100;
estud,o das. ests.
sugex:e-se ain,da a. leitura
81 a '83 - o escorbuto;
. e comenti!rio das seguintes
está.:
|
· |
85, |
86, · 88 |
e 89 |
- |
Vasco da. Gama a .conclu- |
||
|
ir a sua narrativa reide rirélinde; |
ao |
||||||
|
92 a 100 |
- |
fum;:ão. da Arte na· per- |
|||||
|
' petuidade dos feitos. |
|||||||
|
Canto VI ;: |
|||||||
|
25 - |
No. lpdico. |
. |
|||||
|
Com.antitrio ideol6glco |
global |
das est.s. 1 a ·69, com r.eferin- |
|||||
cia particular
ao conte11do.das seguintes:
·-
-
-
ests.
este.
esta.
1 a
·5
,pa.rtida dé Melinde e 'recomeço da v:j.a,gem;
6
a
34 - o. ÓQne!l.io submarino - noll'a traiçâif de Baco.;
43 ª· 69
o epis6dig dos 11Dcize de Inglaterra". ''Os Doze_de.Inglaterra": a função do e~i- s6dio· na estrutura do Poema.•
26 - A Tempestade
-·
Estud.o das ests. 70 a. 841
~.tratamento poético .da.viagem não çoincidente, neste. caso,
·com_a·realidade hist6rica
- suas razões;
e·studo.do .realismo deste passo narra.tive.
27 - CcimenMrioglobal das ests. 85 a 91 - intervenção de Vénus;
refleuo
Cq.ntoVII
mais &terita sobre as ests.·1
· 92 e
93 ·- enxerga-se Calecut;
. 95 a 99
:.111ed.itaçÕes sobre a fama alca~
çada pôr mérito pr6prio.
|
·28 - |
Estudo ,das ests. |
1 a 9; .14 e 15; |
|||
|
comentário glo'b,al das ests.1 |
|||||
|
· |
- 16 a; -22 - reoomezo da narra2ão, 13.gora,novarnente,por Luís |
||||
|
de Ca.moes1 ai tua.çao geográfica maÇÕe,sa 'seu-respeito. · |
da lndia e infor |
||||
|
Cha.mar-se-á'a ;:i.tençãopar;:i.1 · |
|||||
|
a chégadà .dos ·Portugueses à l'.ndie.- 'est. |
1; |
||||
|
a severa. crítica |
a algumas nações europeias; |
||||
|
- à reafirmação do espírito por'tugu@s·de cruzada. |
|||||
|
29 |
, |
Estudo |
das ests.1 |
23 a 25; ·30 e. 31; 74; 78 a 82; |
|
comentário global das ests.1 · --
26 a 29; 32 a 41; 43 a 13; 75 a 771 com os 'Asiáticos;
conta.etc dos Portugueses
o media.neiro muçul.mano - J.íonçaid~;
.taiii. de Mtjnçaid.e. ao Gama - inf'ormaçÕe
a caminho do paUcio
nhor: de Ca.lecut .( eê;ts.' 60 a. 63);
o' Ca,tual visita' a arrnada,
do Samorim e fa.b
.30 - Estud9 das ei;ts.
78 a 82;
s sobre
o
do Gama.
.
-
sugere-se o·estudó das ests.·83 a 87. ·
o l.nfcio da ·na:rrativa. de Paulo da
da: por:nova invocàçã:ó (ést. 78) e ·
Regiéta.r-se~:
Canto VIII - -
31 - Ei;tudo.das ests.
30 a. 32;
.
coment<triciglobal das ests.s
.1 a 38 - .as figuras ·das bandeiras;
,
39
·
97
a 42 - considerações de Pau.Loda Gama.referentes.
desinteresse
pelá. cul turà~.
a 99 - reflexÕes"do Poeta sobre o poder corruptor ào
.
ouro ,
>,
.·
-·
~.r'-~e-l nôtar,, <1;tra#~j;ld;i.'leitura
.dás :(iguras das bandairas:
-
t'6~ia p!ttria·; "-·'o diferente processo ·esMtico aqui utílizado
de algumas EistS:ncias
'
,·,·,
a razão por que ~. agÔra Paulo _da Gamaa conÜhuar a 'his ·
Canto IX -~
32 - :EstUdodas ests •. 1,
4,
13, 14 e .15;
comentitri_oglobal: das demais est!!hciass
- est,
13 - re~_sso
à. P!ttria;
ests .• 21 â 2.9 - util;i.zação da figura
de. Cupido .para a
censura de. alguns aspectós _soci?is (o desamor do bem comum)•
•• Canto X -
33 -Estudo das ests~:
9 a 13; 8o a 82;.127. ~ 12'8; 140; 145;. ·
·
c_ommais demorada
_
154 a. 156; coment!trio global; das restantes ests,,
atenção nas seguintes:
_ 2 a 6 .- banquete de T.!tis elli honra: dos descoôridores;
.8 e
··--
9
~ a. quarta invocação do Poema s sua justificação
e seu· éarlf.cter de confidê_ncià;
··
·-
13
22 a 25
8o e 81
.,.·final do canto' profético da Ninfa;
reflexões cr!ticas
a
et;trutura. do I4undoseliundo.a concépÇâo d.e ·
lomeu;
do Poeta.;
'.fa.la proUtiéa de Tétis a Va.scoda ·aa.ma
·
·
significa.do e prop6sito esMtioo do uso da Mitologia.; o na,drági,o do Poeta.; terras de. Santa Cruz;
- conclusão da profecia. de Tlftis; chegada. ~' Pátria. (:rina.l da Na;rra.ção};
- ·
seu .sentido de desa.ba.fo;
.
- N:flexÕes sobre o espírito
de .heroicidade
:aoeLPortugueses e sobre a obrigação de os gÓvetnantes o estilnula.'rem; exorta.ção a D. Sebastião e promessa :r:i:íial 'do Poeta •
.Jfotás fÍna.is
~'""""::----_,
_
, > , l ~ N11!st~'.tep.ta:"l;ivÍj.de planificação nao Se.procµrou., como jã,>:f()i·dito, :focar .ps a:spectos múltiplps ·a considerar no comentário
de il.m;te'.l!:~o·o qu~,. 1).l~mde .inc.ompo,1.'táve1,.se teve po:r desnec.essár:i:o~ ~á.•que ce. pro:fesso;-es poderão encontrar. material informativo .e.didác tfoo em a.~gurt.scánítulos·qu~ compÕem.~stetrabalho •• Pret~nd~u.,.se,so:
mente; deixar
repe.'\;idos em vkii:s. das.e,lfneas, e Plgumas.sugestões de ;váriocarác-
tt'.r,·nó intu,ito de. poder ser .,litiJ a
erit8;çôes qu~ o professor orga.nümrá e completará a. seu modo,
hréves a.ponte.mentes que, necessa.riámente, .P<)d~r:i.a.m.ser
ssinala.ndo
alguns .a:spectos e ori-
:Z>.,. Note
ae
a.í.nda que, ao indica.r-se o "cÓmen.tário glpbal
de' ál~a.s estâncias"; s~ admite que eie possa ser feito -pelo pro-
.;fessot;, peLo's a:lunos, como produto de uma.leitura di]:'igidA.1 ou como
m()t;iveçâ<)de tra.be.Ího,~ de oútra natureza., a. executar apenas pelos luno.s ou .em colaboração com () profess0r.
a."-
ORrENTÀÇÔES
DIDJ{CTICAS DE.CAHICTER
ESPECIFICO-
l ,
A
iniciação do estudo de "Os Lusfa.da.s"
. l!! evidente que o
problema. em ep:!gra.fe não node ser resol-
vido senão em concordância. com·a inotivar:G:o.éscolhida pelo nro:fessor.
Esta,
tigas '?.~. sua maté,riá len.dá.ria.ou. semilendária, ao seu. c0rácte:r po:
pular ou erudito, .se já tiver evocado os ac orrt-ecí.merrtos Lus:!adas" se ocupam, se houver chamado a. 8.tenéão nar-a o
tural ·português ~ suas asµiraçÕes de competiç~o literária. renescen:
.tista, .se tiver estuda.do ~á, como urepªra.cão r-emota de ca.rácter liti gu!s1;ico, e.st.il:!stiç:o e temático, ou+r-osautores e obras ou trechos
do, séct1;Íà XVI, .terá consÚ tu:!do, pon. si ·mesma.um cami.nho.aberto e ;u-
ma.e;ii:pliç:ação-antecipada: de alguns dos o.epect os mais sa.lientes i•os Lus!a:da,s".
sé houver feito apelo ao l'.los13Jvelconhecimento ele enooeí.as a.n
de rrue "0.s 2mbiente cul.
de _
Ó seu estudo deverá
ter.,. ao encer-r-e.r--ee·o cur-ao gera.1 ao
ensino nos Liceus, um c.arácter centra.l e termin2l,
ção polarizadora e evolutivamente comoIement ar- de · outros· estudos • Por. isso. ·também,não ser_á excessivo, numa ida.de escolnr já relativ2
mente avançada, com base
em e13tudoscertamente já feitos do género nar-r-o.tívo. ou drfimático, ,in ferir "a priori" e ·por comparação O$:elementos f'undamerrtaís do ~e:
ma camorrí.anoe· seus aapeot oa maís r-eLevante s e a. ex.is.tência de: 'uma.
narração e ds.jna
sonagens"várias, o aprovei ta.mente énico dás fontes históricas e li- terárias ·conhecidas por Ca.mÕe's,e a.té a consideração de e.Lgunaas - pectos formais (cantos, oitave. r i.ma, verso decass:!labo italiano, etc,), não serão difi.culda.des que o sentido se Lec'tívo e a brevi.de.de sintética., aliados ao bom senso do professor, não possam superar.
ou seja. uma fei-
em possíveis Lei t ur-as de êar<fote:r é.pico e
c:e um
her6i
da. a.cçã.o•e dé per-
téria
.ern:gueinéide,
J!: claro que não se pretenderá esgotar tal matéria nem p8:
de
uma"cartá topográfica" anterior à observação dos lugares que nos pr-opomos. visita.r; Mà.s'tal "leitura." de modoalgum perderá· o. seu ca- rácter "de informação prévia, de sina.1ização i.nic±a.l, a comprovar e ·a completar oportuna e posteriormente,
-La de lado, 'depois de referida~ 'l,'ratar-se.; apenas da "leitura"
á
_ Será este, pois.t um poss:!vel
de abordagem de "Os
Lus!adas 11·, de uma motivaçao e introduçao que têm em conta leituras feitas, ·estudos realizados, informações gera-is. l0ias não podemoses.-
que.cer que, os e. com as
+es , o "mer~lho" ime~ia.to na leitura. extensiva do !exto de ca.mÕes_,
a impregnaçao e a v í sao da! resul ta.ntes se afigurara.o,· para. a.lguns,
processo maís a.certa.do e mais útil.
çâo, a po$sibilidade de êxito, sobretudo se essa. Lei.tur-a, de e'ltten:
siva e
hJÜitica.mentê intensiva., nos pontos ncda.is da estrutura do Poema., e
nos lugares
caminho
de acordo com á orienta.ção moderna dos estudos li terári indicações de ordem peda,gógica e didáct.ica maí.s corren:
Não se nég<J
aqui,
e. tal orienta
peasoa.Lrnerrteemo'tí.va., passar a ser gradualmente dirigid,e.· e '.:-
de mais .saliente ou mais perfeita. rea,liza.ção artística.
do
estud.o do.geraJ pa.ra o oomentário ao. particular, atitude que na.tu- ralment(l .e:.X:igiráulterior articulação das ua.rtes e nova considera- ção do-todo.
Dest.e modo se virá da. visão globt>.l na.ra e. obseMTaçãoanalítica:,
l!l$te caminho, todavia., não permite aqui, além do
que .:fi-
cou dito, sugestões conere+as e bem determina.das, pois que s6 o dia
a dia escolar, a reacção• esporrbânea da turma e a ea.pa.cidadeorien-
.tadora e estimuladora do professor poderão ind.ica.r.a iniciativa
mais
profícua ou a solução mais aderruada, Por isso também,neste. lugar,
será mais .conveniente reflecti.r s.obre o. processo ma.is usual e de .seri tido inverso, que p!lrte da leitura e=.licada -na aula para o trabalh Õ
de estudo
laboração dos alunos durante os tempos lectivos, lhes remove·as difI culdades mais desencorajàntes, para gradualmente os habilitar a·uma-
leitura mais facilmente cursiva, sem perda de sentido analítico, nu.'ltacada vez mais perfeita combinação do prazer estético-literário
com o espírito crítico e.o
mente.se completam e apunam , Aliás, o carácter denso a.e uma obra - como ','OsLusfofü•.sri,a sua podez-osaestrutura. e variedade facetada., as suas implicações de or.demideol6gica, cultural e artística, pare- cem aconselha.r o caminho do oorrtaot o explicativo inicial, da leitura comentada grada.tiva, do progressiyo desembaraço de compreensão e sen sibilidade. )!: evidente, porém, que o professor não deixará de e$far-
e de -preparação ou revisão em caaa , que, sem p;reterir a co
enriq'l.lecimento_cultural,
coisas que mutua.
atento a9s valores da fruição estético-literária e que nâ.o deverá omiti-los ou diminuí-los, no conjunto da sua. actuação peda:g6gica. ~em pelo contrário, procurarll: que estes avultem cada vez mais, à me, dida que a compreensão e ·o conhecimento do Poemaforem·aumentando.
=
Sendo esta, pois, a orientação.de que falaremos, nao por- que a outra não seja possível ou não haja entre ambas naturais pon- tos de encontro, começaremospor considerar r-ecomendãvel, que a pri- meira lição de contacto com o texto de nos Lusíadt1s11, depois de fei tà.s a motivação e a introdução já referidas, não ultrapasse as trgã primeiras esta.ncias do canto Prime.iro.
Haverá então oportunidade, se ,iá arites ela nao tiver o-
seu significa.dq, na sua
utilização apenas eÍn tal lugar e no. seu caré.cter de neologismo
dit.o possivelmente aproveitado .de André de Resende pe l.o Poeta. As- sim se despertará o espírito d.os alunos para verem como em outros paasos , e de variados modos, Camões.se refere aoa Portuguesés.
corrido, de atentar no título do Poema, no
eru-
1'!1;l.sa leitura inicial da proposição verá ser feita pelo professor, e este próprio conceito çâo constituirá.uma das_primeiras ideias a elaborar dade cof!1Preensivados alunos. A simple$ relação
de-
mesma:faidlia (r'Pl'()PÓr_;sen:,"proplSsiton, "proposição")
. r!. à razão.·de ser desta nomenclatura~
pelo me13moproceQs.ode elà.bora·
ça:q,no_pro{lcSsitodo Poeta,. na sua afirmação fundamental, modesta= mente oondiciona<las "Cantando espalharei por toda parte,/S:e.atail- tome11judar o engenho e arte"• E logo tamblm o objeçto do verbo subordin!J.nte,z.compoi;itoà.e trb elementos, mostrar«i o tr!plice in ;
tuito de. ~amoes e o carãcter não simples mas complexoAa ProPOsi - ção do .Poema. Tal. intuito não '• poréu; ilimitado ou absolutos cada.· um dos objectos do .canto 1 acompanhadoda sua restrição, de afirma
çÕes.que.as oraÇÕes relativas
ticúlar!,
.jmportàr! depois atentar,
estiecialmente delimitam. Assim se ar à compreensão l&gica com a à.dlise -
semá.s identificar,
sint4ctica.: e· se ter! do tiensamento do Poeta Umconhecimento mais
|
esclareêido |
e |
. |
||
|
· |
·. . A tercel.ra estltncia mostr!!r!, por |
_suavez,. |
que _Lu!s de |
|
C!!_mõesdesenvolve a propósição, não acrescentando UDi. intento .novo, mas estabelecélldo comparação contrastiva e relevante entre as V:it& rias nacio~is e as de Alexandre e de Trajano, entre oseuprop&s!
to. e o das epopeias
Mas este.desenvolvimento, que
antigas, ao tempo tão
conhecidas e -celebràdas7
é tamb'in uma s!ntese, enricÍuece-se
|
com a afirmação global de que |
o |
seu intuito |
1 o de divulgar |
e glo- |
|
rificar por. efi!Crito, eiri poema fpico ("cantando espalharei"), |
todo |
|||
.
o 4ero!smo dutioo e militar do "peito ilustre lusitano", -todo ova
lor colectivo portugu@s•. Poemade ep;l tação nacional, portánt-o, mãs
de·tudo e."d.e todos, sem horizontes mais.largos e sem razões morais
que a justifiquem? As.simficarão os. alunos prevenidos
para ir dan-
do repetida resposta a esta interrogá.9ão, no .·decorrer do seu est:u-
.do~>Mashaver! neoessidade ainda, apcSsesta interpI"etaçã9 geral,
de cqnhe?e:r mais an"liticamente cela)l,'eEiacaso mal a,pr\:)endidos.
o te:icto, de iluminar elementos par .
.
-
Efectivamente, .a Ü:nguagemcamoniana (como a de. outros
escrito~es cl!ssicos,
tes) utiliza
rentemente ~mediato
um dos cuidàdos in_ic:Í.
ais do pro:t:essor, a· manter e: reavivar durante o estudo do Poéma• - Tal é o'cà'só de substantivos como "barões" e "memcSrias",d\:ladjec- tivos como ''.vicio_sás"' de verbos como "promete:r"' "devastar"., '"obe . ·
decer"· e •icessar".
leitorefil desprevenid.os• Este ser!, portanto,
e
m~EItalvez mais acentuadamente do que·a des- expressões cujo significado e alcance, apa - f!cil, não 1 01 qiie se afigura desde log9 a
termos e
·
·
.-
.• .Poz-outro. lado, have.r! tamblm nec.essidade de informações.
e coment!'tr.ios, .sem os .quais a compreensão do t.erlo ficar! diminu!-.
dªs passar "alémda.Taprob!!.na" não signifiéa apenas ultrápassar.
ilha 'de .CE!Úão
a
(ou
de. Sumat:i;-a,como alguns entendêm), mas .ir
para
~iit
de to9.o o mllll:íiO:.conhecí.dó da geoirafia antiga;· o "~ovo Nino" ·a
· qllE!na primeira· est!tnc ia -se alude na.o é mais ao que o ·reino, de Po=:
tur:af estendido <J.O Oriente; "a Fé, o Império" querem signi:ficar a !iJ - cristã e o senhorio português .supessiva ·e concomi~antementedil.ata- 'dos; "a Musa antiga" é tode. a poesia épica grega' e ~ati?U!o,agora re-_ movida para lugar subaiterno, em compe,raçãcicom o va:Lorpo:r::tugUês
que' se. deseja cantar. Haver;! neceeis~dadeainda de
"Por.mares nunca dantes_ navegados", rião somente.pela sUa :feição sin;
Mt.ica e lapidar, mas por ocin§tituir.um"leit
iõ.eie
motiv" do Poema, uma.
fa!lll;lrregistar
:.mestraele
11o·s Lusíadas",
frequentemente repetida. por :f'orma.sdi
.
ver-sas , a consÍderar:. '
Mas, se to!l.os estes áspectos ideol6gicos e cul tura:is nao
podemfiear na sombra, tampouco.o.s líterários que neles se conglobam
é numou. noirtr-o ponto se manifestam por processos de estilo ou
mas de el!'pressão mais':saliEmtes. Por isso·ta.mbéll!se comentarão al- guns mais importantes/esquecendo out:ros de menor relevo .ou deixa.ndo -()S para; futuro ehpontro mafa,favorável. Pessoalmente, esco:l_hér!amos
''ocident'a.l praia 1usita.rui.", naqueles que por obras va.lerosas/Se vão
da lei da. morte liberte.ndo••, "sábio Grego",
tre lusitano", e explicarl;lmos pqrq:uêt .é que não s6 estes pas~os inci - dem em pontos capitaii;i de ·compreensãodo~texto e ajudam a coriipletlC.;.-
-la., como as per!frases1 antonomásias esiriédoques Eierão prôcessos frequ2ntemente registados n' "Os'Lus:!adas" e seu natural meio de ex- presse.o.
for-
"Troiano", "peito 'ilus-
'tU.e.isto;.porém; rião seja visto como primâcial: ll!enosim- port<i.ca.talo~r, atribuir etiquetas, utilizar .nomenclatura c.lassifi:- cat6ria, do 'que e:icplicar o significado das denominà.çÕese, sobretudo, a ;r.?zãpde ser do-acpa.recimen1;ode de1;erminadoprocesso. Porque se :ra.:. lá'de-"ocidenta.lpraialusitana.11, em perífrase e sinédoque evidentes, epJvez.dê, se r~:ferir apenàs Portugal, .serião porque.se alude-a navega- doree, que, nece_ssá:r'iamimtê,não poderiam partir de qualquer ponto in terior. do Reino? Porque se regista o esquecimento como '!lei.da morte", senãópprque se .quer _chamara atenção para. o carácter excepcãonaI da
de Ulie_
sl:!s;e-de Eneias, por antonomásia, serião porque o'usddesae·processo-
if'.lorta!idade, à:Lcançadapelo valor dos :feitos? Porqu13se :fala
-f'a.~ia a.vultàr figuras· antigas, .Logo•removidas para. e_egÚndoplano pelo· .mais a.lto v'a.lor dos Port_ugueseà?Porque se estabelece a conexão entre
é neste que ~posta.mente resi com os sinais visíveis do va= -
de a vai'en1;ia e, é este que se ·lor ·dàs i;;Ua.s-acções? ·
·cora.gêmé 11pe:Í.tõ ilust:r:'e", senão p9rqué
condecore
-
-Nemse esqiieÇa.,· por outro lado, o 13mpregosign:i,f:i,cativo de •ipa.lavras.de va.l.or": os a.djectivos 11assinaiados 11, "esforça.dos"; "re-
> mo-ta"; "gloriosàs•1, ''valerosa_s", "grandes", de conotaÇão ~uper~ativa, as formas comparativas mas igue.lrnente supe,rlativantes ("mais do que prome_tia'~,"ouiró valor. ma.is.alto"), assim como os. quanti tativos.,.in- de.f'inidos ou'ºª. ádvérbios negà.tivos, de igual significação, ("a tán.- to11,' "tudo o que", "nunca dantel!J"),
Comisto estará o aluno preparado para. uma leitura final, que pode.ter para o professor intençÕes de verificação, mas que pa- ra a(fllele há-de representar sobretudo umarecapitulação sinMtica
do que ini.cialmente apreendera e do (file em todo o traball;l,o da auLa se foi esclarecendo e organizando. Tambémessa leitura, no entanto, há-de s.er imediatamente preparada e imediatamente corrigide.: que"se
discuta. previame?!,teo indiquem gs versos ou
mente a leitura. feita por este
rá-la, na pr6pria aúla ou:na lição seguinte.
tom geral maí,s recomendável par-a ela, que se
palavras
que mais convirárea.1çar, (file se có- ºR ~quele .à Luno e se convide e, melho
Terá esta comofim particular o estudo da invocação do
Poema; mas, porque este é relativamente restrito e carece. de
eµquadradõ em conhecimentos anteriÓrmente ad(flliridos,
precedido do questionário recapitulativo conveniente, na linha in-
trodut6ria desse mesmoestudo.
ser
deverá ser
Semelhantementeao (file já foi dito para a proposição, im
pol'ta (file os aluno~ aejam conduzidos à !;deia. de invoca.xãopoética-;-
& consciencializaçao de que a solicita.çao às Tágides-nao é um pedi
do literariamente 'convencional, mas o reflexo de uma prepcupação
condizente
se propõe. Surgirá tambémaqui, possivelmente pela primeil'a vez, a
com a magnitude da empresa l_iterária (fileLuís de Camões
completada pela informação de
ideiÍ!, de maravilhoso greco-latino,
qÚe será_ igualmente a André de Resende qiie o Poeta deve a. designa- ·
ção de ·"Tágides".
No entanto, invocação deverá ter,
;i:fo. Os.alunos µâo s6 advel'tirão
ta comoserão conduzidos ·(ou reccnduaãdoe ) ao conceito clássico de
géneros literários. e ao caráctér específiéo do género épico, que
de novo impol'tará aclarar.
alto e sublimado", "estilo grandUoco e corrente", "f11l'ia grande e so norosa 11,'11tuba canora e belicosa" serão-explicados e comentados
em face de "verso humilde", "agreste avena", "fra.uta
eles se obterá a boa caracterização do género épico, servindo-nos do pr6prio conceito que Luís de Camõesdele fazia.
a explore.ção das est!!ncias constitutiva1;1 da
desta. vez,
carifoter predominantemente litel'á nas expressões metaf6l'icas do 'Poe
Os dizeres "novo engenho ardente", "som
ruda". Por
1
A 9onsideraç;;:o da refer@ncia às águas de Hipocréne, pa-
ra solicitar das Tágides a equivall!ncia inspira.dora desejada pelo. Poet?., e_a e.notação do pedido de um canto igual aos feitos, envol vendoia d~yida de que tal sejll. poss!vel, introduzirão os alunos.-
'na viy@nciii de uma estética litedria
e de uma atmosfera cuU=al
:imprescindíveis para a boa inteligência de muitos passos pos'teri~
res e para o. entendimento de que esta invocação de entidades· sobre-
|
naturais |
greco-latinas não surge apenas por mera imitação de poemas . |
||
|
a~tigos, |
mas tamb41!1comomeio de |
signif~~ar, |
como jit a.e dias!, a 81'!!1. |
deza da tarefa e o empenhoque o Autor poe na sua boa execuçao.
|
. .Com·isto igualmente· se prenderit o esclarecimento |
das ra- |
||
|
_ |
|||
|
·.zÕespeias qÍia.iso '?oetafaz |
a :invocação às Titgides (ninfas |
imagina |
|
tiv,amente nacionai,a, do maior rio de Portugal, do estdrio donde pão tiram as grandes navegações) e se prepararit o aluno para a ideia de que esta invóc#lção maior ou.geral do Poemapoderit ser apoiada pÓr
invocações
niana, a registar ulteriórmente. Por outro lado, a e.lusa.o do profes
men.oresou
particulares,
noutros pontos da el?opei,acamo-
'ser~
Pl'Oposição e à invocação da "Eneida", e A adaptação do prooeii
só por parte de·CamÕes,pe:rmitirl ~hamara.atenção dos alunos para.- uma primeira ideia. de imhação original., patente em toda a arte cl~ · sica.
:Nãose.dispensar4.contudo
aquele de-fazer atentar em al-
guns pormenores do texto. l!! o caso. do. valor afectivo de "minhas"('M gides minhas), do uso do perfeito composto {"criado/tendes"), da - função sintitctica·inferida da' interpretação de "de mi" (4, verso4•), do significado da preposição "defl (em "de vossas i(guasn), do o.arité- ter incl.ull!ivo da dis.juntiva "ou" ("agreste avena ou frauta ruda"), do valor semhtioo-das palavras "corrente",· "gestõ" e·"Ereço 11.'.J(as_ ser( tambfm ooasiíi:o de relacionar o conoeito de invocaçao c_ómo pro nome 11v6s",.de assinalar o uso e:tpressivamente repetido da t.Srmula- "dai-'llle:, de mais uma vez .observar o àparecimento de palavras de .~ nifioaçao superlativante, devido ao seu pr6prio sentido e-utili-za- ção adequa.das engenho "ardente", som "alto e sublimado"·, estilo "gnm
d!loco", ·fflia "grande e sonorosa,", "famosa" gente vossa, preço.
"sublil!leii ·
E1darão os aLunca então preparados ]_)arauma boa leitura
final, segundo a orientação jit acima :Í.ndioada, ou outra equivalente. E, se a' lição. começouEeta reca~itulação de_estudos an:tel'iores, em part.icular _da proposiçao, porque não ler agora as primeir11-scinco .
estlllicias, de ~Os Lus!adas", tende>antes o dança do tom .geral, a ·partir do· in!cio da
dificaçÕesde entoação e ritmo a operar nessa e na seguinte? E, ha- vendo tempo e possibilidades, porque não ouvir finalmente a grava -
cuid11-dode 11-ssinalar a mu quarta estlh1cia, e as mo=
_ ção de um gl-upo coral, segundó a mdsica de Hermínio _doNascimento,,
' relativa às '11-timastr@s das cinco estltnciae j! estudadas?' Que essa
leitura ou essa audição.z. ~odavi11,,não sejam passivas1 que os _alunos meQ.itemnas suas ·variaçoea e no seu maior .ou menor ajustamento a to
da a e~réssiv:i,dade- que o texto
bim de 11-.lgümmodoÜma:Partitura que se enriquece e valoriza .como -
comportã; qiie sintam que este & tiiiii'
, ., 'No,vàlic;:ão serit prt!enób.ida com o estu~o da de.dicat\Sr~a, j,
deia ·que h~e
CUJc:i.aspeÇtC>,~nvocat\Srio,· não ·jit em.referOJióia A.aTitg'ides.ID!loBao rei
pol'tU&Ub-supo1ttamenté presênte e ouvinte, se h~e lingu!stic8: C!'ell tilisticament1Lrevelar pelo UI!() da, copulativa e do. prolio!lle"v6sn, ã .naforiéamerite empregado no decorrer do di11curso.
ser tam'IJlminferida da leitura
inicial
dei c.onjunto e
E '.será esta palavra e este ~oncieito de "discurso" qúe im-
do Poema4 tambfm um pedido, wríá invo
'por't;a aoehtuàr •. A dedicat6ria
cação do favor d.o Rei, em forma órat\Sria. Aind!lo qile· relativamentê
breve, esta 11fala11 do Poeta I composta. das pa.rtes naturalmente dia ;
·.tintas q1le a an:tigá RetlSric;la.disc.iPlinadamente classfficou
(~s:ts;
9 - 8), e~cisiçãô
e:x:6rdio
(estl;I. 9 - 11), 9onf'irmação (estis. 12_- i4)
e peroraÇão (esta•
cimento ·destas. }lar'l;~s constiti.iirl para os alunos a.determinação da
estrttura
r!sticas palacianas e com nova manifestac;:ao.de espírito, lpico, pre-
Par4, los.-
dade orat.6ria que n.'110sc r.us!adas" hão-de vir a encontrarc disc11rsos·
prê'dbmi~nteme3!te narrativos, dé acusaçao é de· defesa.
15 - 17) com o
seu ep!l,ogo (est. 1.8). O reconhe-
do te~o.
~para
Por sua vez' .o seú co3!tei1dogeral, de caracte -
serem. sens!veis a. outros tipos de' disclir130, A.varie
e:x:ortativos_, di1:'1omáticos1 implorati-
Umestudo mais pormenorizado das estft.ncias do' ex6rdio e
d11_e:x:posiçãopoderá combinar a ·análise. 16gica com a g:r:'amatical,·a a nál.ise lingu!st'ica com a anáHse semllJ!,tica e litemria; ~s13im,de
· ~terminar a o;ra.ção subordinante iniciál
e suas coordenadae. I di,scri-
111i.~ro pet;lidp do Poeta; examinar os apo,stos do pronome 11v6s11, ~x:
.pressivamente.-repetido no
na- do Autor; a preparar esse pédido; x<écionhecero valor metaf"l'Srico
da palavra 11c:n-ãoI11a.ip.da sentir·as exigências pragmitticas dafpoca
é a situàçào cQrtesanesca·"de Camões perante o Rei; mas considerar cs
futuros. e os imperatiV()S verbais. ("vereis", 11ouvi11}, e sua. repeti
çâ;o, ·f 'tamb.fm.p8r em evidência a segurança da sua promessa,, a cons-
ex\Srdio, f.compreender
a atitude palac.ia-
;.
|
cil!ncia do quê ·a.firma e. a verdade do sentimento honroso |
que o ani11111 |
|
|
A |
ren,oya,ção e. ácrescentamento de uma ideia j4 |
conhecâda Çla. |
esUnci;:i. pelos alunos permitirá que a undécãrna cons"j;~t)Ui, ponto de, partiQ.a para novo exame e consideração dos motivo~ gerado;,_· ·1'es·cio entusiasmo tfp~ço: a grandeza, superioridade e verqade funda.'-" '!Deiita.l·dos .feitos po~tugueses,. 'em comparaç,ão com as empresas cantia-« das, mas 'in,veritadas;- ciRAntigui,dade, e átl de uma.epopeia reoeniie C1J moia de Ariósto .: Isso tambfm mostrará a natural ocorrl!ncia da. -
1a:~~;, pfogréssiva. de. qualificativos (••vãs, :fantásticas, fingidas,
|
· Ínentirosas, |
sonhadas; |
fabulosas") e da insistênCia. |
do verbo |
"ex- |
|
|
céder" .em repet;i.da. ora.ção consecutiva., |
reforçada. |
ainda pela |
con-. |
||
|
:firuil admitida |
pe l o |
. |
|||
A consideràçã.o .das tr@s ésttt.nc:i-asda conf;i.r~açâ'.o(12-- ·
.14).levará por sul', yeg; à ideia de uma nova proposiçao de nos·L~
síadM", Pia.is pÓrmenoorizada.e
individualize.da, comonum,descerrar
•(!e 1,imé!;gale'rfa,·avis;i.tar maí s ta.rd,é•. E .será então oportuno aten-
.tar. em e.lC"ili1á ení·fe-tos.:~picos
corno 11:fero", ,":fortíssimo",.•·
11terrí-
>.•;billt., ou no "lei t motiv1,-já.1 conhecido da imortalidade alcança-a.a. riela. gl6rfa dos :feitost nE outros .ern queinpoder- não téve a morte"
(cf. I, 2; vv. 5 - 6). :
_ , . • exortativo, .incita~•mto !.\\terreiro
Fin11.lmente,o e~trtdo ela
neroraçã.o4 coni o seu ce.rácter
e a.ntrvisao de imortalidt\de,
:;e te:(-á de ev,Ócar o amhient·e que antes da publicação d.(.')"Os Lusía:
'.e~'-?ªªª"rodeava. ó Rp,i.ou forél
,;·,· â.ç>s.al).mos-:,o;retornq da mesmaideia .no final do Poema, quando.
cria.do
nor- éle, e anunoí.ar- desde já
.
|
;)•>,_•J,uís.a_e· C.amÕesde ·novo se dirigir directam'ente a |
D.··Sebastião. |
|
:\_,; i'; 'Nem1:>9risso, eorrtudo, se· h,á-<1e esquecer o valor. |
'[lr6prio da·.es- |
;q:>,' tâtlcfá.18ª,
onde .se refoI'lJlula. o pedí.do do Poeta relativo à acei-
tacíl:o-e<apadrinha.mentopelo mais -aI to representante da Na.çâó.de
llllÍ"po(.')rna,de gi()rif.icação nacional (explice.ção na.tural da dedica-
,. 'f;6J:'iaao,rei',;portu~ês)
e se conyida este, em hábil passagem para.
; a narrat:j.va da apcao épic<J,, "'·co11templa:r;-pelo espírito e pela i.:. · mà:gin~c_s:ãqa, via.ge,m:dosA~gonautçi,slµàitanos, que :já no largo o-
?ea.no,-,~ave&"1o1.va.M11
I~tom~smocon:;:titutrá
explic~xªº f'orm~l para no :final do
o ret_omar da .:fala d.irecta ele•Camoesa D, Sebastiao,
·can+o X; ao terminar a na.rrativa do Poema.•
E;fectivàl'l~nte, n~o par-oce;desa.conselhável ou' inopoJ:>tUno,
procédimento d;icláctico. Se é .cer-to que a. observação e eonsi.,
pelo Poeta deverão acol'l-
l;anhá.!-.,lfp~.rfp~ssu" a leitura e· estudo· de "Os.Lusíadas", -também·
i>.orvezes se afigura
'. , cã.otdos ,alunos, sinalizando' os 'pontos de re:fer@ncia mais importan '\ · kes, pronto, todavia. à :fazer;_lhés recordar, .ne, ocasião própria, a.-
','d~rae~(}dos; ·Processos forl'lais utilizados
útil que o pro:fessor se, ant í.cí.pe à observa-,
;isi'la1a.Çã.oe :t)mção .desses
'/.'
,,.-·
'
mesmospontos.
.:'.-'S,, ·.··
A pre.pa,raçâo e a ,explicação do texto. não poderão, con-
<tiid91 it;:on~ide'.!'ar-setermina.d.àe;.E n~tm:e,l que. os al.unoa precisem
C\dé~êscl<l.recimiintoshistóricos
.aobre apostos l~udat6r.ios como ,(bem
_P.iJ.SCig,àsegurança/Da lusi tàna, a,ntiga liberdàde" ou 11ténro -e novo rà.mo_:flbreéente(oe .Íia á'I'Vore.dé .Cristo ••• ", e que esses esclare- tó!l ou otitros>sejam necessá?-iôa pari!; o desenvolvimento dos .
meamon apostos, com suas alusões e referências epocais. Ma.s.nao se
deixará
pais apostos·,
de
ta,m'Oêm.de p-8r em r.elevo o êxito meta:f6rico e expressivo
o
valor a:f('lctivo da perífrase
"por um pre15âo do. ni-
nho meu paterno", a síntese épica e lapidar
dos dod s 111timos ver-
|
sos da estância |
décima: |
"E julga.r.eis qua.L é |
maí s excelente, |
/Se |
ser |
|
do mttndo re:j., |
se de tal |
gente". Tampouco se esquecerá a. arrtonomã-, |
|||
|
sia exprêssiva |
e bem a'[lroprie.de. que apresente, ao Rei os ne.veea,do- |
||||
res
por=tuguese s como· seue e novos Areonautas.
,
Igualmente
se. há-de considera.r
e permanência:do tipo de
lingiiagem nobre ou eriidita., obvfamerrte adequada ao r:énero
~. ne.tureza, do discurso. Por isso fa.mbémse atentárá em.latinismos
como "vitupér:Í.011, '"superno"' •!invicto"' "e:idcio", ituinosas", "se,lso argento", .e se regista.rir., neste
fusão :feliz da eY}'lressãolatina com a perífrase colorida.me.nte meta :f6rica que ela envolve.
épico e
1.•c'eriile611, 11Sém- úl tim<'lca.so,. a.
_ Ta.mbémo des:t'a.si>.rientose,,,11.ntjcoda. lineita.f'.'emcl~ssic~ en
relaçao ao r>ortnei-\@scontemporâneo, rüéri da nersistllncia. ev).dente· de algumas fornas elo portugu@s :wce.foo, maí s uma vez ser<!:re,, ista.-
ao. A Isso se presta.rãõ e:iqiressÕes como"maravilha fata.111., "torpe Ismaelitàn., "licor do s·a.ntorio", "tenro gesto", "inteira ida.de••,· "versos numerõS'õ'ã","novo exemplo" óu novo atrevimento", ·susce)'ltí.c. veis de fácil mas erra.da. interpretação-.--
Reunidos assim com a pr-ecí.sáo rioss!vet estes e
outros va
lores do texto, me.í.s uma.vez ocorrerif. ~ necessidade ou .a c-Onveni@n eia da sua leitura, final. '.Será ela., no entanto.%.precedide. ta.mbém das. advert@!lcie.s a.conselháveis,1.da representaçao menta.l da.s cir- cunstância.a em que Luís de Ce.moessuposta."!ente se i!irige, eri dis curso dí.r-ecbo; 2.0 Rei. Est::i evo:ação ime.g-inadado 'Poeta uera.!"te D. Sebastião determina.rá nos alunos o sentimento a.e uma si tu11.çí).n oue os levará a, imprimir ê, sua leitu:ré. o tom de gra.vida.de'e sole.ni dade inicia.is (ests." 6 .- 8), de comed.ime:ntoe modéstia. segtiintes - (ests. 9 - 10), ze segure.nça e_entusia.smo posteriores (ests• 11 -
-14), de exor:t;açao e solicit<J,ça~_finais (es"f;s
comopara a leitura dâ. pronosiçao e
almente grave e convfoto (ests , 1 - 2), depois entusiástico.'( est , '3); a se-gi.tirbra,ndo e evocador ( est. 4) e ·finalmente instante e exortativó (ests• 4 -. 5), se terá olhado previamente a. pontos Bar,. ticulareli e·.a "pala.vra.s de valor", ta,mbémagora esse cpIdado nao ser,á esc'rueci'do,no P~ento a imnrimir, por exemplo, ao nr-onome"v6s11, aos àpostos e aos epítetos mais salientes, às formas ve:rbs,is de - ·
,
15
- 18). '-!as, a.ssim
·
da invocaçao; num T'.itmoinici-
"ver", ºouvir" é ºdar".
Sem dúvida, as três
lições
de
que neste lugar se :falou
não implica.mforçosamente, ou a.penas, a ocupação de tr@s tempos .lectivos. l!: este, aliás, um problema.que·ao pro:f'essor exclusiva- mente cabe resolver dentro da sua turmà Mas ter-se-á .dado ao. me nos, pelas indicações acimá.deixadas, ideia dos :fins e nie í os de-
|
estudo |
de "Os_Lusíadas", segundo um deter.minado espírito· e cr-íen |
|
ta.ção, |
o que nâ:o sigrli;f'ica que não possa haver outros ·julgados - |
mais úteis ou mais adap'táveis ·a outras.e diversas intenções•
Não se .pense tambémque o ritmo de
leitura
e estudo, ao
longo.do Poema, tenha de implícito, ou que tudo o
ser continuamente o
que :foi dito haja de ser por igu!ll e o-
que a.cima se deixa
brigatoriamente assimilado. O tratamento da narrativa., como·par ,
- te mais importante e mais extensa de "Os J;,usíad.as", com.outras e
' diversas características, há-de ter outra :feição. Além disso, to- mado ó contacto inicial com os pr6:positos e a criação literária de C.àmÕes;habituados os al'unos à linguagem clássica e épica, às
re:f'er@nciashist6riM.s,
de estilo mais comunaou mais ca.raéterísticos (v, g. a. compara-
ção narra.tiva, a hipérbole intenciona,l,
geográ:f'icas e mí,tol6gicas, aos processos
a. ap6stro:f'e admirativa),
ha.verá _possibilidade de leit_ura mais erlensiva.e menos analítica, de ms.ià'ratenção a aspectos mais gerais ou a situações. narrat.ivas de interesse mais imediato. Caberá ao professor escoIher- os pon- t.os' a.s estttn:cias' os versos em que deve substituir ou completar a. interpreta.cão generica. pelo comentário de' pormenor, o debate e ·esclarecimento das ideias pela. observa.cão das estruturas e da.a 'formas plásticas pof que elas se exprimem.
Assim se procurará conduzir os alunos ao just~I apreço
pelo Poema,não o sobreca.rree-andocom a.nóta.ç-Oesdispensáve:Cs.de
ordem linguística
ou gra.matica.l, com.excessivos comentifrios mito-
fazendo derívar, por outro lado, in- a.penas o interesse pelos aspectos
exteriores da. narra.tiva. Que à.s ideias ·e pensamentos camorrí.anoa ,
sentl.mentos e af'ect os , matéria épica. e sua interpretação crítica e li.uma.nístiCase reúnam ao estudo da sua elal1oraçio e disposixão
_es't.rutural, das suas particularidades
de modoque um portugu@13de.mediana:cultura venha a adquirir oco nhec-inento interno e·estéticó da nossa· principal obra. literárià. - c16ss~ca., simultaneamente com a consideração dos valores nacdo-, n11,fse unive:Í:-saisque ela comporta.
16gicos e eruditos, nem dele q_onsidera.dae a.critica.mente,
e variedades de expressa.o,
2
- O estudo da. na.rração
(vfo,geme mitologia)
a) ~dEQ_ã,o
que •·e.s
do est.udo. de ltOs Lus!adasn se cliferenciam
se trata.
ramo de ensino
Parté.-se do. princíp:i.o. de
finalidades. e objê°<)ti·vos sensivelmente consoante
.do curao geral do. liceu ou do curso complementar '
.
Assim1ao nível do eurso geral, n~o serit •aconselhável sistir numavisao histórico-literária. nem tao pouco em
la.cionados éom as fontes e a. irnitatio. Não deve também pátria. nem para
o i'oema para Í>e<mpitulaçãoda hist6ria gramática· da. língua actual.
A orit;intação d.idáctica. referente mitologia pressupõe ainda quer
ao e'studo da viagem
·
8.) O enad.noda 11leitura.11 de nos Lusiada1111corisid;ere o .Poe- ma.como•.oJ:>rade arte em contacto directo. e integ.ral com ·.O a.lúno, ao qual oferece beleza numa mensagem que tra.ns
·mité um oonjurrbo d;e va.lores. apreendidos pele.
sénsibÜi=
da.de e dir;igido.s tanto à il1teligência como ~ faculdade ·
.volihva.
b)
Ao professor· ceba., tico, tica. O ensino deve tender a suscitar
vol'ltimento.emiipârã'.vel, na sua estét.ica, ao ·dos léi tores do ra pu,blic~ção. o, estímhlo da capacidade derá,aaumentar a.experi~ncilôl
tensificar a suá maleabilidade
cf !festa ordem de ohamadoá "meios auxiiiares" comotambém sobretudo à seia e:z.em d;aptacao de
tar ~a
leitura
pág. 62).
· .· L.- lia constl'ttcão de "Os Lu~!adas", a Via.gemdo dfscobri ·
. m~11tb,'di>c!Í.nii'nho.<maritimoparâ.a- !ndia ~onstitui ·a.·est:riuturc\"'f'undã.
'\i'mimt?;l. ·~···gor.ela qire se garante "· unadade do Poema. 1
/<
11l;ll)s
,').e d_j;vêrsa's p!J.rteE!de~te relaciona.m-se com :a Via.gim como ·
flilição.:,~eum todo.
:1;rutu,ra.!},
~~gàí:i~~a<lasem
nes~~·rií6~'o'e'l~ ae~~rl'~;;_Í'gir como.o ponto de· re.fer@nciii
'?.
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, ·--E .oa ftlunos'irão• tênd'2 conhecimEmtb dos vár~'ósmomentos
da. viagem à medi-da.e l1B. Ilropo:('ça.9em
que.º
Poeta os
•·.- -Ó, _i.~~ela'oionâ~ões ·e sínteses quê, no decurso do estl.lcio, Híe·éonl!id,erâ'.['emopqrtun:Js, fa:r.-.se-ão em refi:ra com os elenientós dos .P-assos precefü;mt~à-·dóPoema•
.<: .: ª:- Tod.o··,Ó.t~ab'~iho se. orienta para a, grádual construção,
n~ espíritf} do a1.i{no(imaginação, sensibilidide,
intdig@ncia),
c.'. córiJl.lnt9·integrado pelos elementos da real q;u.eé,a criação do a.utór:
ida.de transfigurada,
dq
e
> Opfo:f'ess0r: a.compànhâe a.juda·o aluno pari pa.ssu com a
leitur~. ~-up:rea.à defi0i@11cias l'elativa.s às dificuldades de ordem
lillgÍÍfsÚca,e culturPl; ·_noque respeita· à significi:ação e .às ~lusÕes.
Ma.a-nao·-devé,ul tra.passa.r· o necessário e
momerrto_dil.-marcha gradual a caminho da compreensão global do conteii
do da ob'ra, na sua configure-9~º _estético-li terárie .•
conveniente e-xigido em cada
3 - _O:método utiliza.dó ser~ o da leitura. e~'Plioada,.
O g;r?.u,de intensida.dece extensão, por unidade lectiv:J:,· V_'.'.:
riEJ_:t;~consoante as oareoter!stioa,s
do te:x:to.
fü•.saos a.lunós _deve _ser
'prc:i!lprÇionado o conhéc ímento integr1>1,do Poema, sem corte de estân-
·cii.i.sL;por~m, do modo·que, didáotica. e pedagogicamente, hic et nunc 'sej!'- lllaia é.dequado. "
, 4 ;J>adó, -C[uea mat&rfa. d~ viagem ~ sujeita. ao trti.ta.mento
··poético da. \;:I;ansfi~ra.ção,. torna-se
imperioso que o prpfess~r :faci
lite aos alunos. o aceaao ao mundo de "Os Lusíada.a••. Este aoom-panhã mento 'd.o a.liÚio pelo pr0:f'essor _atrav~.s da rea.lidade poé t í.ca é indis -
pensável,
ao nível do/é-µrso gera.i dó liceu.
A es,trútp,ra. do Poema.encamí.nha-para. isso, visto que o i-
nício da,.narraça,o
1.io dos deuses no Olimpo.
da via.gem se enlaça com o acorrteeãmento .do
_ . Os alunos começam,pois .t. a le.i tura da viagem, . apoiando- ,
-se em·pontos de ·:refer@ncia que nao coincidem com os da·.réalidade "factual. hi!jlt6r:i,ca.
A inserção neste -uni verso pclÚco deverl!'.processar.-se·gra-
(l.ual:méntee.'aoinesmo.:t;eml>º• ser acompanhadapelo aperfei2oall\entõ'""."" da sensibilidade :e d0-gostoj a fim dé apreciar a realizaçao· a.rt!sti
ca e aPrtieilder os va.lóres ([Uea obra irradia.
5 - Comoeleméntos a
d~ 'poema épico, nó ([Ue.ê. viagem l'espeita, "enlUlcia.m-.stios ·
salientar
·
·. ·
para esí,;i. peda.gc>gié.de
"leit~au
seguintes, .entre :outros:
, -,
a,)·çolocação de início da llal'raçã~ no·momentoem'qúe a viagem, decorr.ida já uma parte notável, vai entrar em pleno desconhecido;·
b) inse:i;-çãodo maravi~h,cso na trama do acontecimento;
c ) tratamento 'aos factos contidos no roteiro atribuído a Alva:i;-oVelho -e nos relatos de naufrágios bem como nas
ob:i;-asdê Fernj:ó I opes ro_s;_
de Castanheda e d'e joão d,e Ba.r-
d) utilização
da.lí~gua nos_diversos planos, desde o das
sonoridades ao da c·omposição, evidenciando os vários
recursos ou meios estil!sticos
enquarrto rela.cionados
grados nela;
e processos literário~,
com a na;rrativa da viagem e inte-
|
e) |
?riação |
de |
um universo de valores de que a realida.de . |
|
poética |
da viagiim é a manifestação: humanos, morais, |
||
religiosos,
curturais e estético'"'literá:rios.
6 - Entre os "meios auxiliares"
a que é oonve.niente recor
rer, sálien:t;a-se o planisfério, ciue sugere melhor,a vastidão dó mun do a que respeita a. viagiim•.A sua utilização pode revestir modalid.ã des diversa.a. Umadelas consiste em ir apresentando db planisfério_
~penas a parte referente
ao que vai sendo estudado no Prema, ··
7 - ·Maso 'ma.is importante é a_preparaçao do estudo do te~.
to p~):a·<e:iq:>1icaçãodos aspectós'lirigu!sticos essenci;;ds, não deven do esquece.r-se o· c'ontei1do de alusão cultural do vocabui:lrio:· mito= l.Sgico, hist.Srico, re1igi0so.
8 - A leitura,
isto ' a a.ctUB.lizaçãooral, deve:r;-1Lserob
jecto ·de p<1rticular atenção. Para~er adequadamente realizada, de=· ve Easear-se no conhecimento da organização sinMcticia e. da utili":" za.ça.odos. meios·est·il :f.sticos que caracterizam. o respectivo texto.
Os a.luno.eprecisam de ce.rta. preparaçãos s.S'depois desta
ca.pa:zesde l~:r deforma
Aparte réspeità.nte ã
a.dequada.
.
·
via.gem, como texto não excllieiva -
narrativo -que '• ilnplicra sucessivas transposi2Ões de "tom", correlipond!nte: modif'.ica~ãode ritmo, de entoaça.o e d! ênfase. âc.tualizaçao oral .requer, por isso, particular atençao.
e) A Mitologia
\ ~====
I, .- ·Aonr:Vel·dó cuz-aogeral 'do liceu, a mi1'pl,Qgia, .em "Ôs Lui;!a.da:s••,dever.1'.ser encarada. Comoum aspecto da tra.nsfigura- ção po,tice. da ree.lidaae segundo um pz-oceaeoafim do. da meMfora e da ·alegoria· e sua.a relações com o s!mbolo• Camões·ap,rove:i.touas. fi. gura.s do pê.nte~o greco-romimo e assimilou ó modode mitifica ão di° · A,ntiguidade. Pelê. t:ransfÍguI'a.ção po t.ica animizou, quândo nao per- sonificou, as força.a. ni>.t:urais-que-fa.voreciam e as que se opunham .empreendímentoda viagem ~. India.
Este p:çocesso ·comporta.um desenvolvimento e c~mplexidàde que culminam.na. contextiira dê urna intriga logo de início apl'esent::,. da,'no_seu ni1cleo essencia.l,.ao realizar-se o condJio·do.s deuses" ·
Olimpo.
.2 -·Desde entãó, -qs Portuguet;es_são ajudados ou prejudi-
cados peLas rea.lida.des. naturais_mitificadas,
C'ient(ls,· dc»ta.da.sde poder sgbre••humano'~ deriva.dél.sou rela.cionadas
por lig<i.çÕ~sde. p;i.re'ntesco e de hierarquização.
causas tornadas cons.2
Ao en<j:uà.drj!-ra realização do Poema.no modelo"cU:ssico _dá ep,opei'.'.,'CàMÕes.adopt ou uma terminologia mit.Ql.Sgióa.,porfm recriou a intriga., ~m.que os deusee .estão ,pre~entes ao longo da. viag.em,~ e s9a.lmente'-impl;ica.dose entrechocando os seus interesses, mas emfbr -
1• ma invis:f.vel.
'3 .: A mençrliod~ seres mitol6gic.os não aparece na f'à.la ci~
.nenhuma persoJ1à.is_em ·~i.st6riá~fül -Por-tugaL referida no Po~mà,' ne~m
da
. h<I', contacto
direeto, Emtre.·as·.personagens reais
e as figuras
dos
deuses, cuja existência
as :primeiras ignora.m, a.t~ se de.:r, na Ilha
·dos -,Alllore.sc.a a.pote.óse em que oa 'ne.vegá.ntes _,<Jâo·introduzidos na ": fà.m:tlia da·s'divinda.des.
-,.,.
A pa.itir deste último momento, Camões não apresenta mais
Vi>.scÓda (lamÍ!.e, os seus maririheiros a, .debaterem-se nas dificulda.d:es
•:i>rórh·ias.de ll!lla.viagem marítima •
.Transcenderam a condicâohumá.na e recebéràm os dotes de
uma.~:Xist@ncfag;l-oriosa.
que irao viver na. pátria.
_··.··'<'_'·~_:·_--,-,<--_,_·::.,:.:'·:·-:,_\·:
•.
_··->_:,_'
,_-",'_
.:
_-"_:ç(,'
:,--
-·-
<.> ·.·•·. 4 ':- A• refer@ncia. aos deuses, ení·."Os Lusía.dais'',
a.pena.rise
vérÚÍça. nas'àltuà.ç·~es'. coineideiÍtes com os t6poi clássicos·tra.cfici'°"
?náis. do géne~ó ·épico e ,66 na medida em que"""ãficção poé'ti9a. pode··
servil;' à realça.r a:.gra.nd:eza.dos feitos dos Portugueses e .é suscep-
tiveF.de .se apresentar como compatível com a Fé
dá Gall,lii;e· seus 00,mpa))lleiros .de navegaçao, bem assim do .próprio poe:
católica.
.de vasco
'erda.• na;çã'o.pórtuguesa
.
.
p~ ~dôs,da mi'i;Ólogia
estão ap:sentes, quando são a)?resêri-
|
o |
I)énsp.men:to·e.os- sentimentos' de persona.eens |
||
|
. |
.: nest~· Jn()dÓ s:··àntÍnomia. nÍaravilhÓso pa;gão/crisÚa.P.ismo nê;: |
||
|
traliza, |
;11é |
~~ "Os Lmiia~·s''• Estetfoa.mente nao é sentii!.e•.- nao exis· |
|
|
te .-.• porque |
os d&~s si.liltemas fu.nciop.amcada um em seu pla:nº.'. hie-c- |
|
|
,ra,rqJ1iz'ados. |
Vasco da qe·.!nªi. 'como todd>o mor-te.l., ienora |
as .forças o-; |
|
' culta.e, c:l~:ru::t'!lreza.,;pois nao conheç~.·toda.·a, hiera~qu,ia |
drú1' ?ausa.s |
|
s·e~n!ill>S 'que ()ónduz .e.té .e Causa Primei!•a:e . Esta.a :força.a ou ca.us~s,
•mefjIT(o''quándpciitifiéadas,
movem-se.pelo 11ensa.mentodo "Poderma.fs
a'ltp". (a·Ca,1.\13ª·Primeira.), que ouve ?· ore9âo de Gamae, como "Divi- na Guàl'da'' ou Providênciá, decid!l o· resul t1i.do dos conflitos ~ntre a:qúelas fÓI'<}?·ª 'níitifiea.d!l.s, istcf ~.•.as divinda.des f'ine-id"a.sifo ·PÕe- ta, 8·f'~m de.que os que .s6 pretendem 'o serviço do ''Al}jo Pod~r'! não seje.m yeriefdolil pelos perigos do mar; da·terre. ·E! .das eentes .; pelas· ·
divinda.des
5.-" o tla.p da mi-t~logfa em."Os.r,usfade.s" apresen1;á
1.
•
'simples alul;lÊÍO(por
|
b)cdesênyolvinento (concíliO dos deuses no Olimpc>,, · etç.);, |
||||
|
, |
||||
|
e) |
cria,çã:o ( Cl e modo especial, o Aa.a:mastor), |
|||
|
6 .~·o seu tra.t<>mento·didáctico' insere-se no |
dÍ'l. |
.própria |
||
viagem, com.releyo 'para·ª explicação do vocabulário (norneadamen- ' te o léxico ·d·o·.mundo;.mitól6gico) e dos d!idos cultiirais.
.'
_- '
-
-
- --
A accao pea.a.é('qgico-didáctica., hesta parte do Poema, des.-
-~- - -- :
'
'
-
-
-
'.li
·
:-
tilla.-se a. çonci11zir,os· ~.lunos à compreensão estét.ico;;.literária
da
mitolog~a, ~. sua iritep;ra.ção - com o maravilhoso rea.J, - no unive:rso 'poéti:co e .à a.preensão do seu significa.do- simb6lico; ·.enquanto tipi~
cficação, exemplificà.tiva. ,de valores.
,
,
'
''•·
~ loms,.an,tes, como prel)e.razão geral de. "leitu:ra" do Poema,
há-de ·te: sido fil.ita uma•a.mhie!'lta,ça,oestético-cultural. Entre di - ve.rá0s, outros rn~ios, pode,. como atdá já. ±;icou sugerido; (cfr, pág~
< 57), :recor:rer;:se à leitura dirigida da :Eneida (adaptação,; em por- ··.tugql)s; de. Joaoc,d:eBa:rr:os')e de, por exemplo, 15 Lendas 1lA .Mitolo- "'gl.a, (EditÓ~ial Verbo, Lisboà.)•
.· . 7 - Pa.re: cada :i;mrte que
·for sendo objecto de estudi>.í,o
~ont?.cto. direc.to com o foelÍla deve ser precedido pela e:xplicazao f'l,Obfetudoda.a a~usÕes,initÓ16giças;, num);exto ôral de trartsiÇao .•
. ,.Haverá. que estj,mular a receptivida.de à mensagempoética, para a siJ1tonizá.çâo com o ]'.l!'6prio foema, evitando o que pôSM en- :fr(l;_quece,r''a· 11.mbientaçâo~pfoa.
8 ~•.·•no mol'.Jehtoó~fortillio, convém conside:ra:r o ,,.a1C>i- PM-'
~1fo do. ll)ito do Adame:store salientar
a ()apacide.de evidenciaa.a
i' P?!' Ga;mões_de mitiricàr. a r(;'al idade, pele. assimilação· do processo exempli,:fiq'a.do'n~:s vária:s cr-Laçoes míticas da. antiguidade greco- ·
""4'roifla.na.
do mito do Adame.stqrnão pode omitir a dim.en.;· es1'a :fiéµra·e o contexto em que ela
- dps·'.navega.ntés e o ·acompanhf1,me11to· constituem· duas faces da me.smareálida-
de poét!i.02. e,. como
~?.is, dévem ser didpctica.mente
apr-e serrtadoa,
|
l - Nesta mi>.cro-estrutura se inserem es diversas |
nar-«, |
|
|
r-a.tí.vas dos féi tos po.SSl".dos ou futuros dos Portul'"lieses |
e -as |
in- |
terven~Ões
do Poet o.,
··-
Os alunos devem, gr2.dua.lmente, ser orienta.dos par-a ob:
servar- a coerência na rebção errtre as diversas _sub;::truturçs - assim como o relativo equilíbrio +ant'o na: distribuiçao destas
como no pr6prio m!mero de estrofes que
a.s consti tiiem.
2·- Ao chegar.,ose ao fim dn "leitura" de "Osp,sfad~s", avul tar'1,com ela.reza, p harmonia do, Poema, o qua.l,.f'unoí.one, como um todo integrado de .eii!ti'lttura-:-8--q;.ié-1ile-transmitempe.La coez-ên-.
. eia. da sua. Significf).ç·ão .umaunádade tr1mscendente
•.
3 - Esta. unadade é a. que cara.cteriza. a. obra .de .arte
de .um único r-esponaãveL da
se sobrepõe, no fim,
o-·her6iindividual.
como tal - e o Poema 1108 Lusíadas'~-, par-a 1>.lémdo. efeito de
unide.de.·que·res'll ta.· da· existêncfa
viagem (Vasco. da GamB.),.représentante ·do "peito .ilustre Lueí,te,
no" - o Povo Português - que, de facto,
como errtí.dade·colectiy!l. a
Vé'.scoda Ga.rrie·é os compenheiros a pouco e pouco vã.o- ,·-se mitifiçando.t esvaem-se corno nuvem no céu, e apar-e ce j em gra.;; de plrin,o,. a Nàçao Portuguese., que o "Alto Poder" yota',,a um.des-' tino. ,de grandeza, fata.l porque maz-cadom1.s profecias da. "bela. ninfa:" e de Tétis (Tethys).
4 - O cant o X deverá. ser ·objecto de. atenção espeoí.e.l, par!l nao pa.ssa.r ciesnercebida a função r-eLevarrte que de.sernpenha· ·p.a.economia do Poema, dando a. "Os ,LusÍê.des" o ca:r:á.bter de '·!ó- - br-a aberta.ir, ef!tTUturq.lmentcesusceptível de ser, co.nt·;inuadaccom a matéri2 futura. anuncí.ada nos vaticínios da I:Llrados Amores,' embora.né:o7deixe de constituir por si mesma.um Poema.integr1i:l- -
mente rea.l iza.do.
·
·:l.m'poI'tânci:ae fu.nção de. matéria. his.tórica
IndicaçÔes preliminares
Camões:Propas,;,secantar a. glória do povo portugilês. Assim,
a '7i<ig<E!n( d.e Vefi!codai Gama.constitui o, ei;J:o sobre o <JUal.se vão inse.:. ~'rindo aconfec ímenfos vários que propiciarão a apresentação da histó- r.ia de 'Portjig'a.1. E sobX'~.esses. passos que nos irell)os deb~çar •.
Apontemos, entiio, do Poema.os passos em qué CaníÕesintrodu
matéria histórica,
2.Feitos posteriores
anteriOr ou posterioX' l viagem do Gamas-
cfo.ÜI {est.21 e. s~s.)
e IV + .l• pàI'te da
narrativa d.o Galllaao
Rei
de Melinde;. -e.VI (es.ts.42-69) - veio.se c9nta aos comp! nheiros o episódio dos . Doze de Inglaterra;
da Gamadescreve
e.VIII {e.11ts.1-42)- Paulo
ao Catual.as tapeçaI'iàs
que enfei tQ.mas nauaj
(ests.44-55) - Júpiter, em síntese,
(ests.42-48)
X (ests.10-74)
profetizà
os mais
ilustres feitos dos Portu gueses no Oriente;
à filha
- o Adamastor anuncia ao Gamaalguns futuros nau-
fr<!gios dos Portugueses;
- cânt í.ce profético Sirena;
da
ests.92-143) - Tétis, descrevendo a
máquina do mundo, anuncia
feitos dos Portugueses no ·
Oriente.
No estudo da. epopeia, será conveniente não esqtlecer pllr em
|
l |
- |
o cari!'.cter essencial .e n,iiomera:menteacessório destes passo.s · |
|
|
de naturetahistórica, |
pois que fazem parte integrante da |
||
|
acçao do Poema(cf. herói de "Os Lusíadas"), permitindo ao Poeta, dumaforma.artística, e não simplesmente cronológica, contar o que aconteceu antes e depois da viagem do Gama; |
|||
|
2 |
- a consequente importitncia que tl!m dentro da estrutura do Poe- ma (os feitos hist6ricos portugueses canta.dos por C<1moespos sibilitamuma actua.liza.ção da aoção central - a.'viagem do Gã ma; só a inclusão da história anterior e posterior dá a essã· viagem o carácter. de epopeia nacional); · |
||
a. sua distribÚição.
aq ·longo. cie todo o Poel)'la, os, div~tsoi;i'-
·'mõmentos em que Q Poeta os in:trodúziti e o équilflírfo·e vi.; ried~de que daí. resul te:m; verifif[Ue-se quéi
é'a),na, narrativa 4Q-Gll.ma.;.ao. a.presentar. a his{&,rilj!.de Pqr:. · tugal, qar,iÕesconjuga tr@~ factores innforta;ntes11'.<.
'-'~Qbec;ieceà verdade hist6rica. (segundo 'J. de ~rr?s
;
·
·-. n~~OB:daI''• liv:r;o IV, -0ap.VI "."e F, L. ><leq;i.s~a.nh~ ••da - 1'l{ist6:i;~:a do Descobrimento e Conquista .da !nl;l·iél.'
pelos Portugueses",
linde
zaçâo fl hfst6):'ia de portugal);
integra ,-se
revela intuicão do momento'psicól6gico; mais opor-tuno
em que ela.c~ntribuiria
livro!,
cap.12 .- ,o'Rei'déÍ•le-
.·
teria interrogado Vaso.o da Gama.sobre a Íocal.i~
·
. na estrutura. clássica da epopeia.;,
para ó bom ªicito da
viagem,
·· . desluníbranqo.e' ·convencendoo Rei de Melinde;
b }' 1:1.spr.9fe?ias drámáticas do Adamastor sufr,em precis;.>.men
te na·.p1:1.ssagemdo Cabo, sublinhando, assim, dades deste acÓntec.imentb;
as di.f:i,oul
-
o·).~·deseriÇão das bandeiras quebra a monotonia das. nego-
ciaÇpes\entre Ve.sco.da Gamaé o Samorim;
à·s prpfec.ia.s da "Ninfa e de·Tétis sobre .oa acon'tec ímen-, toe: posterióres ê. viagem só surgem na narrativa dor~- gresso;
a)
.
.
.
4 - a forma que reveste a a.presentação desse!! aconteciment·os
e 'qile,.·contribui também, com a sua variefü1.de, pal'a .umava- lorizaçaó estética do Poema;.veja-se quer
'
a) 013 feitos anteriores
à'v:i,agemdo Gamasão põstos, de
· fÔrmá narrativa ou descri tiva, na· boca de
unia·per-sona-,
gem histórica. (porquê hist6rica r) viva e, impl:(ce'.danés sa mesmaviagem, que o Poeta. considera o t·émpoj:>l'esen='' te da/epopeia,;
b) os feitos poste,r.~ores à viagem são anunciados pelos deuses ou por- entidades míticas - Adamastor, Sirena -, os' únicos que logicamente poderiam conhecer o futuro; ··
·5
-.a au;s@ncia 1 16gicada inte~e~ção das diviµda.des pagãs
acontecimentos·históricos
destes mesmospài;isos.
. ·~:tif)~s~;rmC>sna.~
ari.fmaçÕeE!do.
.Poeta na proposiç~q (eJi'ts.
i:
v~IfEimi:>flqµe.'
• - ~pgó
~stF'-
·.·.•. '
parece
. indiqal'· qu,e.os.:Portugueseà aesumiràrri
.
.
.t
.•··
>
<
.•.· · ·•
dup+a:missão ~ dilatar
a Fé e dilatar
o Império;
- '!o peito 'ilustre
I:iusitâ.no/a qu'emNeptuno e nfu.rte obedece-
, ram" (I,est.3)Vv•5-6) -de dominar· o·mar e' ~e
PoI:.isso:
prenun~ia já que os Portugueses não-
hâo
a.4
·\.
distinguir
na guérra•
·l'.' ~O!'!Lusíad!'l.s'1:mo:StI:amoé Po~túgueses empenhadoss
;
·
·
·
· 'a:k.nà õ,c;mquista 'a.á-indeí>e~!iê~çia; .•~ PenínSula
.P.·
.
·.··
).··.·.n.º
·
·
ª.
··.
g.anie··
l··.·ar
·
·.·"
'··.
nto.
·.
do terr1t6r.·i,··º.<Z:m_ t.enas• do ·.Além-Màr;
·
,-
.
.
.
.
.··
·.'.
.
.
'
a hist.6ria .de Portugal é aí concebida como crv:zada; de .Fé nas lu~áE!,contra os Moµros, primeiro na Pen:tnsúla<(p.ÍII), deJlois, er:i Jl:f'rica (e.IV) e, finalmente, contra esteij tr;i. 013
·A .inte:rpretagâ'.6 provid~rl~i~1:i:sta da missão dei povo ·•portu-
|
• no ni;>.sçimento·.de·Portug11l com origéni na recionquista cr'istã se revela:. . . ' . . •· · . . . . . |
·. |
|||||||||||||||
|
dai;;cryzàqas. do Ocidente: (c.III,23-25), |
· |
· |
. |
. |
||||||||||||
~no,,1;iasc±rne!l'1iôde ·:D. Afonso· Henriques, prémio concedido por
'Deus·a: D~:·HenriqÚ.ene Las suas vi Mrias contra a. "escrava' Àga.:r~•.fci.Úí, 2b),
'
'
-,
.
.
.
b)
·
c) .~no·f!·f>á.rec~menfo·de Cristo arrte s da batalha d,é. ·
•.·
i45;:-49).z
.:
·' .·'.·· ·.·
·.·
>4) na.v.isao qq.e tive-re,m'·óf:! .PortugueSe$ a.ntes
A:'Lc.ácerdo
S1'~1(c~VHI; •f 3-24),· ·
·.···, •
.· }.( ····.•· ' ~). e. ~ irrl;erveIJ.Çãwdivin~-.,na .conqq.ista. (le_ t~~'11oder.ia.entéríder-'se -ae os Portugijéses fossem um
··~â;:t,
·
·
.,'.
. \
'
i
. <
'
contra os
a) .º :rélevo dado. no Poéma às lutas
·
•na.dos de D> Afonso Ííenriques e D-, .:roã0 J)
.
.
•': ·,·_b) • é a· 1),rotecção divina· :iiga,d<J.tamMm à consolidagão dá. :tndepen.-
···· ·
· Q.êncié. (cf'. é.vrrr; 30~.31)•
--,/
·
1;%Ç : <
fé(}:)-Í > <· . lJo é.stU.~o diJstes Pé.iJsos de ca.rácter hist6rico
'~:'.~j~~~i~~~êi>ci8,·.··i3mosfr~;ro:;bom:ª·. dev~.da.oportunida.9e,
.·
· .:
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•
•
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·
.
.
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•·
· ,:',,I ·- p conce'i:o.: ele'.hist6riá
da.· época Q.iferia. consiQ.e:ra.velmente
··
c1Q. 29tu{J~·'·não. r<"'(ltgnimcloª·?s nr6prios historia<Ipres apro-
vel:i,tç.,;r;:('m·ce,rfas.1-endas.· ç-.Onsa,G'l'ada.s
C9ní{i·~s\n'· nbs, Lus:fada.s"' M. iná.ice.r .Luso como origem dos Lu-. '
si tano'ii e. Ulisaes oorco f'undador- -,de I>isboa.~
0f a.hist?~ü.>. CÍ•e'PoÍ'tü,-c:.il, nos seus primeiros :tempos; tem -umcarãcter Lruorreif.o, cave.Lhe i.r-enco e m•ira.culoso ,@e ·. esttf.in':l;itJ~'.'lente coridicion1'io peLaa f'orites hist6rica.s
tradição.,• como.-.fsz
Pelll
·
·
en que. ó· Poeta. se
ex.s
- o âpa.rec;i.tnéntode Cri~to na. ba'ta Lha d.e Qu:fiq\l,eestá registado .em Duarte .Galvâ'o; "Cr6nic.a de D.' Af; H.en~ '
riquesÍ•' cà.p.xy; ''
'
'
'
' 'í.
- â vii>âQ do
exé':reito portuguêi> arrte s da. empre~a de
Alc~.cer do $.8-1 já fora. ~a.;rra.diJ,por Rui de PiM.;
"Cr6riic.a de;D, Af, TI11, ca'.p.VII;
.
b) mai>.z.ao eont;rário do. que a.contecia nu outrai>
.
.
epopeiai>;
Camo~i>aprei>ent~ delil?eradamente uma hist6r.ia de rea;I.i- · dades:, pelos her6is e pelos factos (cf.t,n,1/'V.l-4}, embora haja todavia. ;t"aétos apr-eaerrtadoe como verdade{:
ros que a ddtioá hist6r:Lea moderna considera menos
e:ícaétos;
:
e:.x.~:"
.
.- .
- -
:
os;incidente~ .9co:r::;r~d?s.ent:i;e'J?· .Afonso ~en:r::.iques.e sua mãe(cr.sarnento e prisão de~ta -. cf. TJ:l,29-33), sobre. ~ verecidade d_osquais o pr6prio Camóes emite já alguma.s dúvide.s (In;29,vv.l-2) estão relatados "
em Duart~ Galvão (ob.Ci t. ,cep. VI);
. .ª demaaí.ada importância e .o alto signVicà.do atril?u! dos no séc -. XVI à bafalh11 de Ourique encont;rl!.m-sedÕ'· cumen~ados no mesmoéfoniste (ibidem, 02p~,XV e .XV!,:J,
q:ue C~l)!Õesi;;eguiu.de muito perto;
:·,
"
.
.
,
.
-
.
.
-.·
•
.· ·
nóte-se, rio !lntan;to, a. este r!lspeito que rot veze.s Ca-
mões,. embor-aapoia.ndo;,.se numa :fonte
xa de fa.zer alusão a- outra. corrente diferente {cf. j sp br-e o:c:igemdo conde, D/Henrique, III, ·2.5 e 2.8 !l .VIII,
hist6ri.oa,. não deí,
~);
.
a apr~sentayão dos· factos hist6ricos do· Gàma.•ressente ,.se:
8,) de; terem ooor-r-Ldo em ;terr~.~ d;i.stantes;
poste;riores A.viagem
|
b) |
de., por serem cor1te!llpo;râneosdo .Poet a, CámÕessobre |
|
|
poder emitir uma.opinião pessoal; |
||
|
c ) |
de, sendo -recentes 1 lhes |
f'e.lta.r e.Lnd a a. perspect:i.va |
.· note-se, por exemplo, que a ~spera censura feita. por camÕes
a Albuqµerque (cf.X,45-'-4,9) .e.a. qmissão de a.lgu,ris.es:peotos
ele. a.cç;_;:odeste v.ice., rei
llJaneirs .comotr0te putrÍ's figuras;. umá grmJ.a.çÃ.ode va.lo:res
qll:e r hist6ria
C~mÕes,•homemdo Ee~asbimento, não .se limita a exa.lfar o
Povo PortÚ1'u!ls, mas, ao cóntrário do que seria. de esperiir
nu.mpoema épico,, tqma. e. liberdadfi de
D• Afonso Henriques (cf.IH,
t6rica;
i>ueerem, quando compar-amoacom.n
moder-ne.modificou;
criticar,
por sxemnl.e,
69-70) .e D. Manuel (cf.X,22- 25);
mas UI!) artista, neceeaar-í.amenüeno Poemar assim 1
e i~tê:rvai
de Portugal essencia1111entea-
qu'ele.s factos qu.e se prestavam
a um tratamen.to épico,
pmitinclo, porta!lto., outros, que hoje considera.ríamos
não·menoa importàntes. Não se .referiu,
acÇão povoadora. de D. Sancho, .à figura. do Dr. João das Regras, à empresa do Tnf'arrt e D•. Henrique, e ao esforço centrá.li:!;ador de D. João II•
naz-
e à
mort.e'de Inês de Cas~ro, ou que acentuam a importância
por exempÍo, à
b) deu. iriesuer":do r-el evo a pormenores que embeIe zam a
. ra~iva+ tais como à. figura da "fermosíssimçi.Maria"
de outros· acontecimentos> ção· antecipada de D. João
como fl. referllncia à aclama- I por i•hUa.mâ.rrí.na" que "ante
tempo fal~ndoo nomequ"; e) 1.ntroduziu conséientemente algumas modificações narea.;.
lidade•hist6rica,
como, por exemplo:
apresenta a "fermosíssima Maria" como ••caríssima con-. l:lOrte11do rei de Castela; limita, na, .fala do Gama,a luta da. independência ap6s
a morte :•de·D. Fernando quase exclusiva.menté à -batalha.
de Aljuba;rrota; simplifica. es_ta mesma bata.lha, não a.Lud í.ndo sequer à. t~cniqa inglesa 'a.:!usada i .d) a.próveitóÚ él.leUnSdados,· loce.liza.ndo-os, no entanto,
. ' ·noutro. nomerrt o hist6rico, de maneira a valorizár artis-· ticJl.mente o Poernaj ex.:
o sonho aue tra.dicionalmenté era. atribuído
; transferiu
ao Infa.11teD. Renric[ue (cf. J. de Barros,· 11J!:sia11, Me. I, Cap,II) para a figura de D, Manuel; deslocou para imediatamente a.ntes da chegada à 1ndia a. riarrã.tiva dà. tempestade:
e) soube e.preseritâr .de forma.o;.iginal a opinião dos que ddsoor-davam da. pol!tice. ul trc>.marina.,cria.ndo a figura
.do Velho.d.o Restelo.
9E!;,;,d~s-c'o~eçó1la, e.presentação
da hist6:l-ia
1Í. '.fo_rrila<dediscurso no quaL; pri'ncipia:ndo pela descricao
da.P~nínsura., Jfesco da Gama.nos ilá
feitos ·portuf{l1e13esdesde as q:rigens, d'à nacãons.l, idade
dá a MeliÍide.~.
.ume.
.y~sêo g l.oba.L.e
·
·
A inclUs;;:o, na estru't;hra. do Poeria, de quatro s~culos de
.
d_ificul_dades par-a ·o eqililíb:rio da obr-a,
de Port1lgal,
em visP'.çir-etz-oapeotí.va , traria.-
Gonvirá,.pois, fazer rioúi.r;'
_à) que ó Poet a,'teve imedia
ta.
consciência desse problema, que
su,rge claramente· posto nas razões que, no exórdio dó d~l?.~
curso; o.-Gama.apr-e serrta ao .Rei de Melinde,-{cf.III,4,yv.5.;6};
b) que,)porfaso;
logo Ó,Gameadv~rte os ouvintes de que·os. ···
feítgs que vaínarrar
selecção (cf.IIl,,5,vv,.3 .•.4) é de .uma síntese ·c:.011tínua(cf.
III,4,v.8)
serão objecto de uma ÍndispenE?ável
que deve'rão.ser postPS em relevo ao: longo· do ·
'
de ser breve se revela· 1dà ainda
d,iscilrso; c ). que essa mesma
ri.'ecessidade
no uso cde certe.8' e:X:pressô'esque Sugerem a rapidez
ràção pela ap:r,esentação quase brusca de uni riovo quadro -
na:t'_
|
( cf .III, 33, 42, 10 |
7,) -. |
||||||||
|
\ |
. |
• |
·. |
;· |
'• |
<·· |
···,' |
||
|
No estuqodestes |
cantos,,e 'po;r:que.:fazemparte dum discur; |
||||||||
se podem esquecer duas reàlide.des que neles coexistems
1 - um.aud,itório
2 - o pró~rfo orador.
A existência desse auditório cria. no Poeta a consciência daJ!ecessidade .de cap:tar a sua atengão, e daí o.Gam~usar· ·
processos frequentes· na oratória;:
a)' interpela directamente o Rei, consegüi_ndo.assim avi'liar 'o interesse deste (repáre-Be nqs vocativos - III,J,v.5 ·
·
· imprime, por vezes, forte visual ismo ~. a.presentáção dos f'ac'toa .é à evoôaçê'o das figuras, sugerido pelo uso do present.e do indiciJ.tivo ou de cer-tae bios e pro-nome~(cf.Ill,96,v.l; IV,32:,-v~l; lil,B,vv~l e_ 5; IÜ.:120,vv.l e 5);
e IV,B7,v.5);' ~ ·
··.
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,b )
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;;
e~i>t~;·Í~~~Jsetaa,$':mehtea. r113.frat;i.vacom.exortações
:i;c;n,~5J~·I?~;),o,µ,.:r6rmtilas tradiciom•is. de·•.aelamaçãd
·•··.: •.·•
f~~~.:r~:r.,46,v'Vi}~8;.·:rv,3,vv.7-8: rv,21,v.8);
Cõr:
ini;npt~/a, <3.~gull:.ª<~r~ch()sumcunho marce,dfl,ment~·drtJ;máti.éó,• e ••• fa.z;n<l.9-~p.rgir ·.çl~<!,n'l;edos ouvin.te s perspna.gen~.·cujos ···
· di~c~rs9s ~s<!,Prese~tam,em•pela ll.cçâo·(c:f.III ,J8:"39;.,
lJ;l,c 1Q3.-105LHl,lf6.-l29;.
. p;rocura, vincar certos facto~, recorrendo a a11áf',0I>as ( cf'.IJ!, 92-'-93; IV, 99) ·e a intefrogàçÕes de carácter reMflCO (cf.I1]',15 ••i7; IV,97):
IY,78:
·
IV,15 19;
IV,95••.104};
.·IV,.37-'38; .tV,73-74Í
.
.··
•
795:IV,79-80;,)V.o91;
•.
ma'terializa as .suas e.firmaçÕe~, àervin.do-se de compa-
raç,~~s <trl'a.ncll.daiimuitas vezes aõ mundo antJgo (C:f,III,
·106(IJT,l.f;.
IV,32) e reserva; os s:(miles,. de efeitos
ai~da mais ~Picos, .para. os momerrtos mais. importa.nter;
da njjl,.rrativa (ct'.II,I,47-50; :rv, 36-37).
·
·III,131-132;
IV 120.,.21~·
orador não se •e.presenta. como um narrador 'profun~a,mente empenha.donos factos
impoJ,'t~.nte aspecto, será de tod13,a
convehiên
frêquentes mudanças de pez-epec'tâva em que·
narra. os f!3.ctos; e quê se revelam:
. ·-., ria ,variaçf'o .da,s pessoas gr<!,matica,is, marcando urnà
_
311pessoa
até, aos prepa.rçMvos.
-:.
.
.
.·, •
, -: .'··
çl"l-, viagem para . a. h,ist6;ria de. Po;rtuga.l na.rra:çJ.e;;à. l •
J>e,SSO!\h d!!,Sde···ª' estância 77r. carrto IV' para,,ª hifit~ ria. de Portugal vivida; a 2~, quando lança vibrantes
apóstr,ofes),
e, na, oscilação .dos tempos verbais (o oa.ssado tormi:-se
.:' .···.·
pl'e~en.te no.s momentos de maior vigor Ífpico .e de mais
- nãp e souecer- os comentários pessoais que, sobretudo .so'b,
a. :fo;rmade
acent'Uàdo visu~.lismo); . ·
-:
'
a11iSstrofes.{c:r•.nr;.133,vv-.l-4),
exclam;:i.çÕes.(cf .IU,l2,v,8~
ur,113,v.~;
e interrog;:i.çoes r~t6ricas (cf.III,130,v.7-8;
w.5-7;. IV,51,vv.S-8)
III, 15,y.8; UI,, 33,v.8';. .
.
·
III,140,
ru,1.w,v.2)
·.·•
imprimem tambémvariedade a.o texto e cont±-ibuem para o
Eleutom .ore.t6rio;
•
. º.ªr em•rel.evo a cma.nifestação dum con:fessad.o e arden'j;e ,><1.iiiºr 11~tl'i~ :12a:ten1;,eado
.
.·
·
em a;f'irmaçoes d;i.:recfa.s (c:f'.III,21,vv.l-4;
na
ença,reOf'-<io:re~{ef' III,43,vv.4
e ,em compa.reçÕesçom :f'igu.ra.s·D•:fe.madasde, An'!:i~tida,çl!"-·
W,87,vv.~-8),
,exe;tação.
do p~vo ,Porj;1%'.iês, revelada em pormenores 1
e 8;. III,67, 17.8;, ;qr,ro3)
'{cf.IV,25ivt1•7
:8};
.
d ). repal'a,r
no. movimento dai li~e.gelll
que ·pa:pece.,
acompa.Ílha.r o ritmo dos acdritecimentoss • .·
;frases
de: ~ovimento
mos d,a.-narração (cf.
fra.s~s de. ritmo de ma â or- tensão
· ma:Ls. ampLonos momerrtoa II!, 94-95);
. mais sinoopa,do e nervoso nos momentos
.
(cf~IIÍ;.47-48);
.
.
.
da estrutura
.•.· da fre .
e} oonsd.der-az-qu!i o pr6prio eqÍlilíbrio
. sé'.parece, por. v.eze;;, ·quebrado 'por uma apar-errte ·desordem
dos. seus el emerrtoe (cf.Iv,93), por expref>siv.a.s fa.1tú de
concor-dâncaa (cf.IV,16,vv.2
ceste$ ••• '.:;.}V,21,vv.l é 3 -"Dest8.rte a gente,.,removem •• ,••) ou por naturais anacolutos.
e:4 - "Da.queles que ••• /ven-
neve também da:r:-se o devido realce aos seguintes a.specto.s estes, .oontr-íbusm para iinp:r'infr va.ried?.de ao. discurso:
a ) Vasco .da Ga.m<>.'começa.por n~.rrar a. hist6ria de
Portugal
por
na 3~ pe.aaoa, ma.s, a. pa.rtir da. estllncia, 77 do oa.n,to ÍV
- começo deis preparativos· da via.fjem -, pas sa logicamente à .1ª· pessoa; no entanto, já• desde o infoio do di:scurso,
usa' a. 21. pessoa nos· seus
exem:glo, rios ( cf", IlI, 55) r- cidades,
comentários, apostrofando,
(cf. TU, 57),figura:s
. hist6ricas (cf.IU, 89), errt í.dades mitol6gica.s ( cf•III, 32);
b) o descr;itivo, entrela.ça.-se, na fa.fa do Ga.m;i,com.o .nar-r-a.; t í.vo, e o rl.ramático e o lírico a.liB-m-se ao épfoo;
o ) o Poe.te.·.detém-se, excepc
í ona.l.merrte, em a.lgi.tma.s.fígura.s -
(Egas l!oniz, "fermosíssima: ~ia.ria.", Lnê s de Castro), cr-í an .·no épis6dios que, pela. feição que 2.nresenta.m, evita.m e. mÕ notqpia. do. rela.to e quebr-ama tensão épice. das: batalhas.""'
Desc:H9â:o das. bàndéi'.riJ.S
No canto VITI1 a hist6ria: ·de 'Portugal é-nos 8presenti>.dl'!.
os heróis :sureem numa sucéssâb rnais ou 'menos cro-
nológica, 'me.s como .fipuré\s Lsol ad»s , Par-a isso contribuiu
o Poeta., ~. maneira. dos: poemas li.ntigos, ·f! ta1véz ÍnspirP.do naa
;ra.s ta.peçà.rfas da. êpocâ :qi1etinha.r'i como motivo as gl6rie.~; ilos desco-
d i.f'ez-errtés
o fac.to de
inú,,,e_
. br-âment os ,' pertara.m á.
os ter ima.gina.do.]Tinta.dos ne.a bande ira.s que, nas naus , de s '
our-Losã.dade do Ca.tue.l.
PauLo da. Gama.,dia.nte da.s bande í.r-as, 1>.gecomo um bom cice'.'"'
'rone , J;?Ó'!'ldoem relevo aoe nas os pormenores ma.is s~nentes,.
oonc í so.o da sua Lí.nguagerné B. ·mP.isconveniente ne s+as circunstll.ncii<ls •.
e assim a
')lo estudo deste.' pe.rte do Poema, será conveniente pôr e.inda. relevo;,·
diál?gÓ entre o Catual e o dá.ma •
',
.Pêrmintas e réspostasf
,
.
.
• ·
que o Catual-pede esq-larecimêl'.J.tOs(cf. este outro cá" e 10,y.l •:-··''.Quemé,. me·
o f'ort.e visual~smo da descrição que resultai
a)'do largo émprego do verbo ver, substituído às vezes pqr
.
.
·.
.
-
olhar e 'umà ou outra vez poratentar, qua.s~.-sempreusà-
|
do1> em |
re1ev'ànt~ ·posição. no verso, a |
coiriddir |
éom o pri- |
|
meiro acento r~tmico_ ou no' inj:cio do |
verso; ~ |
||
|
b) |
do tempo, modo.e forma em que estes verbos. saC>·ueados |
|||
|
· |
ex.1 - "V@seste que••• 11 (16,v0l) |
- |
||
|
"Vê-lo |
cá |
va.i.,.11' (16,v-5) |
||
|
"N<J.O v@s••• ?0 (18,v.l); |
||||
|
e) |
de. sábia-esco;I:J:iad,é pronomes e a.dvérbios |
|||
exs e - ºOlh11.estoutra bandeirá" (9,v.l) 0Vi!ls este que; •• n (16,v.l) nv.11'-l<fcáva.i. •• 11 (cf. 16,v.5);
3 -· 1'>.inclusão de' um ou outro paaac de caracter narrativo 'na des criçã.o d;is bandeiras (originaaa pela nece13sidade de e?ltar-- .os feitos desses her6is) e que contribui para a.ligeirá-.la;
\
'
<,
-
'
.
4.,- a
ra.tiva dg .(}?.ma,embora estejamos, agora.,
do Po e111a.essencialmerÍ~!l def!critivo:
a)
7resenca .dê algumas cara.cterfstioas
já ericóntrada,s na t:la.1'-
pera.nté -um trecho .
.
.
.Ó
o orgulb.o que Paulo da Ga.ma.sente de ser poj:itugu,@se1 que
se refiecte
:factos ·qúe aponta ( cf.16,v.4;
nas $ue.ií.excla.ma.çÕesincontidas pe;-ante os
Zl,v. 7; 32,-v.6; ·)5,:vv.7-8~
b) à. CO!lJP~.ra.çã.odos her6is lusíadas com os da Ant:tguil'lade ·•·
. c} a veemi!lncià.convincente das.palavras.proferidas
(cf.12,
.15 e 31) ;.
,
.
por'Pau.-·
lo da. G!l.mà(8,tente.,.se _nâ.repetiçáo da negàt~vá nà!t e_s-
|
» tân,ciá.s 6;v~7 e 7,v.I); |
. ·- |
· |
. , _ |
· |
· |
||
|
d}"o valor expressivo da repetiçê:o (cf .lO;vv.~1 |
e |
||||||
|
e |
5). |
· |
|||||
poster~o:res .~
, geralmente, um tom ve:go, muito mais nebu.,.
"o s
feitos anteriores. ( cf. a13prof'eciás
as profecia!! trágicas do Ada,mastor);
,cru~ ~-f!se ,é:~ ál'~~s., -o
,:_t_:Ot!1,
.:çfuf?,
o'tq:,'Tlqúe::r,evest:j_bma,s1frofécfas
do.
_':'/--
'_-/::"":-<'
·
:,/
-'.
'
'_;,->':.·
.:
t(l.íE;l.c;óritrillui narp esse tot.i vo.go'a.
·_
-
··
.nome cios )'l.eróis·,·ina.s que os .fa.ctos pr.o:fetizados
·:ts,so·ae.:ix{,mde' sf,r hÚitqricos;
·
·
.a:~;íT!Ú~à.sp~o'iêcies. em que, por .vezes\ e s so ~missão se. 'vE;lrif:í,ca·,são ç,13do carrto X, :após e. descoberta; do cami.; '
r,iar:!timo pa~<i·2 lndia;
•··
•~~~'\Ja.~t:icÍlla.:r-iz17çô'.odoe
.
.
, h,er6is. de a.lm.ln1ifeito~
.
• .'
·
-.~.~·a
nq,:í,s um a.fgur,1ent,opa.ra:,:co,nsidera;r que' em· "Oa '<IilJ:!3fé:da:s 11 '
~e füte'I:e~:S.1.le1313éncia.l.mentEÍ'€ à exalt.ação dum herói· -
o
é.olediv:o ,;
,o
.Pevo l{ortilgú.~s.
·
·
da Ninfa
agora em.que_:
.
e s ta \Jrofeci~ toma a.d,~qu1;1d~nÍentea forma de cãrrt í.co a função. do .epin!ci9). a que nem séquer falt~. o refrão -
( cf.X;J4) ('
ao qÓ~trário dÓ•que. abqfiÚce
0riçâó.
(cf.
.
d'íscur-ao do Cíamà.e- na de s
das pande.irt>s/ ó Poeta, interro:npe a; a-pr1;:1senti3.ção
X;45-5G);
fa;z,er lembra~ que os feitos estão a' ser panta.dos
ida ma;tér~a históriqa. (cf•, _porexemplo;
01f1énte <'to prin,~!piq ao' Úm· desta profecia, o poeta -va,i .frê'quénté -
|
pela: ;Nin.f.3.,(çf'.X,6,v.l;io,v.l; |
11,v.l; |
12,v.l: |
18,,v.l; |
|
|
22,;'l-·5;.-2§,v.l; 39, v,2:45, v.1' )o,v.1, |
74, v.1); |
· |
· |
|
o, ~~.nhco -tem par:isos _qu~,f)/1,recem_sugerir que ~. N'ipf2.:,,va.i ~.p0rtta,~do"5)sfei.tos à meélida que este;; Lhe oC:OrremJçf'; iX,,32,v,;5;. 33;v.J.; .37,v.4; :39,v.l; 42, v.l) ,. pods que e.la,'
, .·.
.
qs :te!)l -gttahlados na
(los .:por ,P~qteu que, por sua
memófia
: :
·:
-
-
por lhe terems:i.dO transmit,i vez, ºf:· c onhecez-e . de Júp:ite~
--
-
-
-
:
-
-
.
-
.?o qS.nt'ico, d.Poeta:us;,·.
-
-
.
-
- -_
-
: -. -
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-
-
---
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'(cf.X77h
-- -
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' ; .':"_::~-,- -_ -
.·-
-
.
-
: : _- -
- :.
'
.
:
-
'
-'t;reih-z'1la.·r:.J ii!wriin:irvariede,de
'ílas:ua,co~-pOsiçíi:p,'à_ama:j.9rliberda,á.e1
e,) ut':ilizâ, no cântiqo
i
.n:
-~-<-
da Ninfa. qra o pretérito- ;(éf. U ·~·l),;
ór,a
,41t-nos o cânt;i.cO' ora'de ,formâ,indirecta
11eíni!Í.irebta,(.cf.X,l8),
o,·p:i_:é!Jenté{of.;r2,v.1);
· ··.·
.
·-.-
(o-r~~,1o-}; C>rS.·:
•.
;
-
•'.'
' -;
ora directa- (cf .•X,est.15),v.~5-a.
,est•2.í):i.,
imagina a :Ni~:fa--&<;?·?tt'a.r, feitos
-
< -. ·.-.-·.
ps
.·
. Ó: .,Ó,
.~
.'
:<<
ora -ná -3•,)>esso11-,-
ora a _põe a apO's"tfofaJ::.d-ife:c,t_e.menteos her~is. (21· ;
:-,,··.··-~··.··.· - ·.• · ··.·•·.· ··'e.ss··.q ·
• ":·
·. ·•.·
-.--
.
:.,
á
).,'
o·r··ª.·.·
11
r.e.:v·-
el.ll.r.
·Sl_\a,;·~.·~.·
·.s·
~
Ões, na.\•.pe···.··s.so?.;.
·
-
d.} a.pres.e.nte-nos â.s p·-r·-o.fe.ca.as da Ninfa~.emmpprreeggiana o
-JYturq,
ora o present·e (cf'.X,61,v.l
.e 2; ~),
o -
:<
".
·-.
,·
.·.
~-~-'---"---e--'--'-.-,-- •-·:
.-
'"j,_
~'-----.:_;
·•-
'.:
fro,I'i,rue,Ele··tl.'ª~!!.<;J,ê'•••17111·•·•·•
menos e~Plfcitamentê,
q;) àpcwta, dif"erengas de .al~ur<f.(cf.X,22,v.l:-3:
c.~ntico.,.··ô.P0eta··sugere;
- mà.:i,1;1-.ou.
ca.ra;cte.rfsticas de uma ·melodil),'t
39,v.2);
|
15) |
?J.'ia diferen'ças de <j.ndp-ment(qf.X.,360 e 43, à.e a:ndll.:- |
|||||||||||
|
ipent.oma:i,sr;inido t;st~pcia 37); |
do. · |
.g;ueo que nos é sugerido pela , . · · . · . . > . |
||||||||||
|
ac7:niua ce,rta.s frases gue c1il' |
se-iam melMicas (cf. |
|||||||||||
|
nas estãncfas 22, 23 e 24;. as e:x:preuÕes "Se em ti •• •" |
||||||||||||
|
'/"Aqui tens ••• !'./"Aqui tens ••• " "Em ti.,,11/11Istofa, |
||||||||||||
|
:zem.,~•''/~~Isto fa zem.••,.'' )j |
, |
_:-- |
.- |
: |
||||||||
|
d) |
acompanha e reforça o signi:ficll.do de certas estâncias onde o |
|||||||||||
|
Pelo timbre depalp-vras a:! 1lsadas (c:r.x,20, |
||||||||||||
predomínio de sone de timbre a - em s:!labll, t.6nica ou. a cÔi:ll()idir com .ª 4ltimà sílaba- métrica - sugerem o es;,
pa.ntó -causado pelos feitoe de
Duarte Pacheco Pereira)•
.Profecies de Tétis
No, estudo desta '·parte do Poema.,sêrl! conveniente nofaI' que'
sâod;i,Úrentes as at;i,tudes da Ninfa e de Téti.s ao PI'(lfeti- za.rem feitc:is dos pqrtul\Ueses no Oriente, na medida. em que
a
,intemião de Tétis · .mostrar o. mundo, especia1men1ie o glo
é
.bo. ter:l'estr,e, e. nele.a;pon!ar,alguns ·(cf .x,131,v'v.l-2;. lA27 y,.t·~-2}d?s l)lg'B.res f!UeIi.ao-.cleser evangelizados e domina- dos l'elolil Portugueses; ·
Té,ti.s··é, por isso, fuí1damentalmenteJuma descri- ção, semeada' de informaÇÕes sobre costumes,• riquezas, su- :perstiç3es. e tr<j.diçõ'es e cortada., por uma longa narrativa
- o ·epii,i6dio de s. Tomé;
- 'como.descriÇâo que é, M' aqui muitas semelhanças •formais
com a 'des.9,,riçâodas bl!indeiras (atente-se,
emprego dos m.esmosverb0s olhar e ver que lhe conferem um '
idªntico cunho:visualista)~ -- ·
por exemplo, no
por vezes, '.qúandoyiü referir ()S feitos de algwnherói, Tétisc~ama .:ma.is particularmente· a a.tenção (lo Game,para ali!regioes onde eles se vão. desenrolar (cf'.X,lOl;v.3 e ·
ío3,v.5);
'Tét}s não. se •preocupp-tanto em carrtar- feitos indiV:idua.is -
e l<l4) - co-
- embora ªP.(lnte. alguns heróis (cf.X,93,96,rnl
. moe.m exa],tar f'açanhas de um povo (cf.x,106,11V·7-&; 107,
vv.5 :.8;
137,vv.3-4; 138.,vv.;,,_2).
d) Sugestões pi'tfa. o es:tua:oide algun!'l episódios
"Fermõsíssiina.Ma.rie"
1 -
2 - Confront~-lo com o passo que lhe -cor-r-esponde na ··~cr6nica.
Loca.liza.r e, enquadrar o e_pisódío na. estrutúra do.
de El-Rei D. Afonso IV" (ci>.p•. LVI) de Rui de Pina. e pro-
curar as tra.nsf'orme.çÕesC!Ueo Poeta
)listórica,
·
a) o que omitiu· \
a
imprimiu à _matéria
IV
anotandos
·
. ~~a
·
·
presença. de D.Bea.triz
- d e . D • Af onso
<ª infidelidade de Afonso XI
-.-- ,
1
b
)
1 c )
o
le' modifi'cou ·
qt
·
·
o que acre scent.ou
· a perspectiva . . · . dos . ecorrtec íment . os
.
< beleza de D. Maria
a
o seu . d. ·iscurso
3 ·:
Justificar
do especialmente a. a.tençãó para o facto de o ·Poeta ee ter
mantido fiel às Lanhas gerais lia verdade histórica, embo
particu=
lâr r.eleyo à figura de D. Maria que, pelas suas palavras
e atitudes,
Da.! que nos apareçà a defjlÍiner a sua nafiguI-a de· mulher
de tod,as estas tránsformaçÕes, ohaman
a. ra.zão
ra perspectivando--a de
maneirà. diferente ao dar
terl de tornàr inevitável a resolução· do pai;
cauea. (_cf.103-io5 ),
amada
bela
- triste
.,
-"fermos!ssima Mar;;>·a!
·"lindo º.gesto•• "cabelos Pngélicos" "ebúrneo-s ombros"
"ce.r!ssimaconsorte"
.····
(6f.íII,lOl;v.6)
·.
cf.III,102)
e chorosa-"l)la!'lfora. de a.legrie 11
grimas banhados"
"e seus olhos em H'.-
. "cabelos ••• e spa Lhadoa" )<cf ~ITI, 102)' ·
(cf. significado de tal atitude nesse tempo) iiestas palavras tais chorando, .espalha 11
4 ., Atentár
na fa.la. de D. Ma.ria, procurando salienta.r a fina · -
o Poeta. revela.s
. a ): ao apz-eserrtar- ~abrupta e exagera.da.mente(vejam-se as hi pérboles da eat. 1Ó3) o exército muçulmanoe o medo
intuição PJicológica que
que.va.i cauaandoj
b) ao demmciar
a1;1coneequênc ías funesta1;1que dele poderiam
vir para "a nobre ESpanha", para 1;1eumarido e Para d;
e) ao encarecer 'o valor do povo portugub atravé1;1da f·igura do seu !lei (c:r.nr,105,vv,l-2);
d ) ao
e) ao sugerir e. gravidi\de da, situação .e a forte tensão emo- cional, pelo uso de expr-eesí.vos imperativos que, de espa'"'.' çados (cf.III,105;v.3), se tornam seguido1;1(c:r.nr,105,v!7).
apelar ta.mMmpar-a o seu amor de pai (cf.IlI,105,vv.6-8);
5 - Notar assim que o Poeta torna convincente a intervenção da:
"fe.rmos'tssima.Maria" pela eloqu@ncia da sua Languageme pelo patético da sua figura.
6 - Salientar certas particularidades
formais que va.Loz-Laam'o
epis6dios
a)
b)
.
a
o
excepc í.ona.Lrique~a da adjective.çâo;
ve.lor_estilístié:o de al/!;Un.11H~forma,s verbe.is, tais como
· ••entrava" (cf.102,v .1), "corres"··(cf .105, v. 7); "1;1.ocorres"
c)
(cf,105,v.8);
o valor sugestivo e musical.obtido por determinados .sons,
como, -por exemp l.or
.
---
/
·
. timbres abertos e claros (cf."paternais pa.çós sublimados",
102,v,2) que ,sugerem a majestade e grandeza: dos paçoii', a.lternância, na 11:1time, s:!laba. métrica., do di toiigo iu com
o som naaaI aberto. -an(ha) que parece traduzir um õhoro
entrecortado (cf.103-oVV'.1'"'.'6~ pred"Om!niode sons i ,e :u que acentuam o toni Lamerrtoao e tr6.gíco da situação-de D. Ma.ri.a(cf .104, vv , 7-8);
.
a) o poder plastica.mente· evocador de "fermos!ssima", pala,vra, ' que, ocupando a quase teta.lide.de do verso a.trai· a atenção,
e a expressivi<l.ade de "espalhados", cuja t6rtic.a aberta
parece concentrar tqdo o significado da palavra (cf .102, ·
vv.1-6).
·
·
7 - Fazer ressaltar
os proc'essos de que o Poeta se ·
dar- feição épica ·ao epis6dio1 ·
serviu para
-a) la_tinisinos, que enriquecendo o vocabuããr-í.o , emprestam ine-
g<tvel cunho cl6.ssico ao episM.io· (cf. o significado do substantivo "gesto" - est.102,v.3 - e. formas como "subli-
_ -b )· adjectivos de car<tcter ence.recedor fcf. as expr-easoeer "Pa- ços subl ímadoe" - est.102,v.2 - e "nobre Espanha-"-,,est.1031 ·
. ma.dos"; 11eMrneos11,_ ·11miseranda11,
''inff!-ndo");
|
v.4); |
||
|
e) |
hipérboles |
que enaltecem o và.lor dos Portueúeses (cf .UI, |
|
105,v,l-2) |
ou irão cfon:tribuir para sua, maior. gl6rfa ( cf. rrr, |
|
|
'103); |
||
|
d) |
comparação da. atitude de D. ~la.ria com a de 1V•fous1 _e.caba.n- |
|
do·por fundir os do.í,a epis6dios ao sugerir a. resolução do ·
Rei por confronto com a.de Ji1:piter.
1
2
3
4
5
, Localizar
e ·enqUadrar o epis6dio na estrutura
do .floelll!L.
Atel1tar.no•re1evo·dado pelo Poeta à batalhadeAIJµba.rrotà·
e a.os s~us antecedente$ e preparativos
pa. <l.B ests.12-45;
das à criE1e de l383/13il5 e ao reina.do de D. João I}.
(repare-se que oç11- de'50 ests. dedica•
inclusive,
num total
Alud,ir 't>revementéà fidelidade hist6rica, bastante acentua;;;. da;:em algüns passos. Ei:
- Foram os Castelha. :lioqque ,deram si:::
"Deu sinal a trombeta castelhana"
.
{cf.IV,28,v:.l)
na.I.para. o in:!rio
da ba.ta.lhll. (of.F.
L. iicr6niôa de D. ;roã9 ru;, 2• parte, cap~ XLI).
=
- •>,.· .: váilguarda. portu guesC1,.foi, de.fac to, forçada pelos Ca.stelhf!,nos (.ibi ·
dem).
"Rompem; seaqui
do•.nosi3oe.os primei -
ros" (of. µ-,34,v .l)
! reál
=
o au:dlio
XXX
"Sentill. Joa.nne a afronta
·lll'esta.dop9rl>,:.J~
ao e a .e;ico:rtàça.o que .lmtão .pronun- eãeu {ibid.).
··-··
·-·
·-·-
Pel11ja.;i verda.deirosPortugueses•
(cf~XV,36-,.138)
"' Salienta.,r,• no en!ta.nto, qU~ omitiu. refel'ericiâs l est:i-aMgia . guerl'e~ra a:f ueada , .e .de primordial imporl~cia no desenla.- ce da ba.,talha, para exaltar a gl6ri;i; dos Porlúgueses, poià atribui a vit6ria. ápeµas à sua bravura.
- Repe.ra.rem· alguns a.spectos mais d.irectamente .retaciorUi.dos· · com a e~~rutu:ra do epis6dio:
|
a) |
o p,erfei to ~·larga.ment.e |
|
|
· |
passos BU!!Oeptíveis de toma remuma |
|
|
lista.1 -'.··.·• |
'. · |
|
|
b) |
a aeçao da batalha. é apresentada em rmtltiplos e |
|
~dros,
ora gerais, .•orà•·inciividua;i.s;
c} ana.r:i-ac;âoé interrompida por digressões de
ferenter
- con!!ide:raçÕesque envolvem .preocupaçÕe~ col6gica (cf~.IV,29)
-·e,.coment!trios 9l'!ticos,
.·
.·
·
.
.
.
,
sob a forma de simples
ou ~~ ap6strofel! (cf~XV,32 é 33);
,d) a :fála de l). João I., ·apresentad!!- em di!!curso directlJ.
. intuição psicológica,
ao ape Iar- p0.rf!.o' ~rio dos
. cavaleiros portugueses, e. reveste-se
. .são e impres'sionismo •
de grande conci-
Salientar :certas particularide.des ·
epis6diot
form0.is que va.lor:i.zam ·
e-. exi>réJ!sÍvidade de. lidjectivaçâ.o (cf.IV,28;v.2);
·o emprego dum diminutivo {cf.IV,28.tv.8) que pela. sua raridade aasume pa;-ticular conot8.çRo afectiva ~
e) o
.valor sugestivo do ·
movimento do verso, como, por ·
e;x:emplo: .
- est.30.- movimento lento e reenlar dos quatro pri- meiros. versos. em contraste coma irregufa- . r-Ldade do ·ritmo dos. versos seguint~s, dada pelo encavalgamento, frases de membr-oseur-.
tó8:, polissíndeto. e aliteraçÕes;
.·
-
- est .32 - sugestão "rítmica que lhe inprirne o .di to?igo ·· -ão Usado 1la1;1s!lab~.smétricas de maior r-e
|
l:e;fo:doverilo(cf.v.l);. |
. |
·.- |
|||||
|
_, |
eá't •42 |
:: |
mqyimento rápido que, junt1.,,mente·com a ri.,. queza ,e variedade. de pormenor.es, sugere ·o recrudescer dâ. batalha; |
||||
|
est.43 |
ritmo calmo e. regular que mais 8.céntua .o · cHma:içde. e!'!tbcia anterior; ·· |
||||||
|
.· . d ) a. coloca.çâo eXP,r,esf!iVad~ algumas p1l.lavras, cham,ando . |
|||||||
par.a .elas especial 'á.tençao .·{cf. "desdi tosas"""'44,v. 8). ou
'reforglJ,rtdo.º seu val9r. onomat.opaico ( cf.
"espede.gam~se"
~31,v.5,
a mesma<t'eição.onoma'topaãea conferi
e "Rompem
se"-34,v•l);
·
de. a. alguns versos:
|
- pelas sibilantes |
e f'?'icativas, |
a sugerir |
o sibilar |
|
|
de setae |
e dos |
"vários tiros'" |
(cf.3i,vv |
•.l e 2; 35, |
vv.3 e4),'
.
·
- pelas dentais, a marcar o tiropear dos cavalos (cf.31, vv.3 'e 4)
|
- e pelo reêontro ·dos sons |
-o |
e' .; |
am,a |
lembrar uma ex- |
|
|
:i>losãó{cf. 31,vy.A e 6); |
- |
· |
- |
||
f) o emprego.de trocaB,ilhos e jog'os õ.e palavra.é (cf.40,
~o.7-:8; .31,w.7-8).
~Dé,r part icule.r e.tenção
a alguns e.spectos que conferem a,
este. 'episódio um:cunho clitssico e épicos
a) latinismos (cf;· a. acepção com que aparece á pala.vra.
"virtude" -.35,v.8
""'• e formas como "sÍtil:m.ndo'.'-' 44,
v~4·., ,
"misera.ndo" - 44;y.5 -, "furibundo-" - 41,v.7 "'
,v~,3};
·
.
_ 3-6 e 38,v.7-8) e perso!lificaçoes
e 6);
M'rl!.e't.,.,. mitol6gico (cf.33,v.5;
,
39,v.~;
(ct~t>edfra.ses indiCada.s e 41,vv.
factos e f'igurPs do mundocUssico, rri0.isvivas )'lelo recurso à e.p6s-
:f) s:(miles de natureza e vigor :fortemente expres!!ivos (o:f.34, v.3-8; 35, v.1-4.; 36, v.'):-8 e 37, v•1.:.2).
Os Doze de Inglaterra
1 - I,oca.liza.r e en~dra.r o epis6dio na acção do Po.emae pres ta.r particular atenção ã. arte com que o Poeta introduz e- conclui a narra.tiva de Ve;I.oso.
2 - Notar o carácter especial deste episódio - pequena novela tradicional· de, .cavalaria que ·Camõesapresenta· comoverda,.« deí.r-a. (o:f. Vl,42, v.3-4), talvez porque já á encontrara registàda no •í.MenÍorialdas Proezas da Segunda Tilvola Re- donda" de J. Ferreira de.Vasconcelos.
3 - Frisar.que o episódio, de declarada intenção pragmáticl!-
4
(Cf•. 42" v.5-6), encarece o ideal de cavalaria,
mas aponta já para uma.:faceta do Renascimento - a curio- ·
sidade.cultural document~da.pela figura.!'le Ma.grigo.
medie'\'al,
- Ateritár na f:tmção do episódio na estriltura
viandó a
res;
monptonia da viagem, descansa navegl!-ntes e
5 - Salientar que .a.narrativa de Veloso não reveste o tom ora
· ·· tório do discurso de Gamae que o epis6dio apresenta cer::
tas características.que em·CamÕes:
a) rapidez, concisão e :flu@ncia da narraÇãó.qtie SElgu.er~ pida, despida de pormenores supér:fluos aM áo tôrneio
documentam bem a arte de contar
- como convém a uma simples exposigâo de fáotê>s
se tor;na;r mais minuciosa até ao seu desfecho, a.presen •
ta.do de forma .sintética;
,pe,ra
·
-
b) naturalidade dó estil.o resultante
do vcroabulário menqs empolado e mais corrente (excep
tua-se, neste último caso, o de
que resp_e:í.taaos torneiost armadura.$, lugar e fasea da'acção) e pela .menororiginalidade' e erudição das
carácter· iafom.co no-
metátoras (cf~43, v.1~2; 47, v.4; 52,- v.4);
da tentativa
(cf~ encavalgamentos est.59); da desigual partição dos versos do uso mais frequente da.ordem tam frases que 1 em prosa, não
·· de anulação .do efeito pr6xi.modas
(óf'•44 e 45);
·
c) movimentaçii'.odos acontecimentos:
|
pelo |
visual ismo {bf .46, v.4-8); |
|
|
.; |
pela |
expectativa conferida ã. chegada de |
(d•57 e 62) ;
. pelo reàlismo na descrição d'o combate.
crítico de Camões.tamMniàqui se re- 1feloso (cf.44, 5;:_6;46, .1-4).·
.,•.•.,.•.•.=,,,,_,.,algunsaspeotos estiHstioos,
tais .comos,
podef sugestivo de alguns vocãbul.oe (cf ."m8,Stj_gam"
61.; v. Il;
.
.
'
-
.
.·.
·.
.
.
.
a répetiçao da conjunç,ão integrante (cf.·45, v.3), de forte vigor expressivó;
e) o relevo dado à eXpressão'"dos onze" (cf.57, y.3) pela
sua é'olo:caçâo ne. frase, que provocou.uma concordâncãa
· de sent:íiio e não
gramati0al (cf .57, v , 3-4);
. d}' o uso _deúm jogo de palavras tão pr6prio da. ~p.ocade
Magrigo (cf .•55, v.4); .
e) o movímentosugestivo do verso (cf.51, v.1-2;· 63,. v.4 •• '
f) a sonoridade sugestiva de alguns versos(cf'.
-8; 64,
.
.
ests.5i
e
56).
.
8 - Acentyã.ra feição clássíca e o carácter ~pico dó epiS6dio, pondo·emrel.evo 1
|
a) |
latinismds como "mo.derava"(c±'.43, v.2), •lexperto" (cf. · |
||
|
50, v.l); |
|||
|
_ |
|||
|
b) |
perífrases (cf~56, ·v.4; 58, v.6; 63, v.3) e personifica çÕes (c±'.43,vv.6-8)>irispiradas na mitoiogiaolássica; - |
||
|
c) |
comparàçÕescom figuras do mundoromano (cf .•68,vv. 7: 8); |
||
|
d) |
a af'irmtJ:çãodó Duque.de•·Lencastre (cf.48) e a. coragem atJ:'ibuída aos ingleses (cf.6Q7vv.5-8) que contribuem pa - rã exaltar ovalor, d,osPortugueses |
||
|
. |
|||
.Uva.rês na' descri.2_âridas bandeiras
-1 ·•. Atenta.r na insistênda. com que·PáU.lo·da Ge.machama a. aten- 9ão do Catual par1:1.esta. figiira(cf."Atenta ••• " - 28, v.l -;
nnão.no vês ••.•?11 _; 28,
- 29, v.5; "J.ia.s.não vê s ••• ? _; 30, v.l;
"Mas olha" .;,.31, v.l) e no excepcione.l m1merode est'âncias
que lhe dedica no cõmptrtogerál da descrição,. o :\P1ª indica
o particular
v.5;
"olha" - 29, v.l;
"Vês.•0.? -
"Vll-1.o.~••" - 30, v.5;
relevo que o Poeta. lhe concedé,
- Verificars
|
a) |
a. forma. métà:f6rica como Pau'lo da Gamaintroduz a interesse do Câ.tu.ã.l; perso- |
|
nágem do. Coniiestável, o que contrilmi para suscitar o · |
|
|
. b) |
a forma variada como se lhe dirige. e que' contribui tam-. |
Mm para manter vivo esse interesse (er, uso dos verbos
11a.tent1:1,r11,
de presentes do indicativo.que
carácter visua.'Lista. à' descriçâp; recurso à. forma a.firma
"olhal:''' e.·11ver11 ;- empr-egode imperativos ou
mais uma vez conferem um
|
tiva, ;i.ntt;rroga.tíva e interrog11-tiva.-?egativa).t |
. |
· _-: |
|
|
a |
expectativa. de que se- reveste a. identificà,çaó do herói |
||
|
e |
que prepara o ar-r-onbopatriótico e Hrico cóm que rema |
||
:··':~-:-.>-:<'~-/
----·,::,'
';_
~:'
·,1~·~~atiro.
$2 l:i,!")'l~!l·r•ª~v~rias cenas da: aoeao
·v1p;7s;i·~pI'esentl!,~~.s
dado à sua figura na ~atalha de Valveroe ,v.~ ,.-.e131;.31) em confronto QQl11 a.de Aljuba.rrota 29,vv •.1~4). ·
·ne.si b<i,néleir~;;i!!
tfoti;i.r.'qtteâ. cle,sóriç~o (cf. FeI'nâoL,opés:, ! 1Cr611icade]). João Í", 21 ·'!)arte., cap , LI\T á, LVII); revestindo,~se, todavia.; da ,conc'isão adequa-,. ·
da.
·
·
.·
5 - P~rem :f.e~évo;;, epicfdade que o Poeta confere 'a est.e so, ·chamand,pde. n?Yº a atenção
a) para o 'emprego e Va.1õrdee
látini~rnos (cf. "alúno" - 32,v.8):
Pe.rifrases (cf~29, v.7-8; 30, v.4; 32,;;v •.6-T}; inversão.da ordem ·nôrmal da estrutura <lã frase {cf.
a coloci:>.çãode "respondia" e "re,sponde" - 31,v.2 e
31, V'.8 - e a sintaxe
aos versos 1-3 da est~ 32};
b) p4ra a projecçãõ épi\'.ia dãda.;à figura do Condé'stável e
•oon11eibl.ida.1,
29,:v·.7);
·
.
>
.
.
'
,
'
'·,
.
'
pelo poder e ,(orÇa Ôortferidos ao inimigo ,{<if.~9;v.4
~
Pe~IJ.·ººJllpªríi.ção élara ou implícita de
t'igul'à& mitol6ticas
32, v~3-4; 28,. v.4 , veja-se representaçao da de Atlas}.
,
'
·
.
.
·.
'
> .
·
D~ Nuno
ou, de. Ant 1iguidade (éf .31,
}iepa,~aindânos
a:),,na natura,:!Jdade. dá. fala de PauLo da. Gama,.Çiptic1a:
seguintes aspectos:
|
1 pelas ip.terrogaç~es e exclamações; .: Jlel<? encav!i\lgamentci; > ,. |
-, .s < |
||||
|
- pelá,s pausas (cf-;29,v.l; |
32,v.ô); |
/ |
· , |
||
|
- pelosve!sos sáf:i,cos (cf •. 29,v.8; 32,5; |
6)'f, |
_ |
|||
)'la,~e11et:i,çaoexpressiva da palavra só em '{)pãiçoés-sàl~ ·
ente1(,do vérso _(cf.
29,.vv.2e.
3);
',
•
, e) n~ tónus poét'ico da palavra "suspirará"
(ct. 32,v.8}~
.··s:. Tom'
:·L- J,oca+izàr º· epi136dio na estrut~a do Poemae 'na fal;i, de Tétis {recomen~-se. aqui, .comoem.tod;i,.esta fala, -o uso dum lllf'P<l-para l'oca,lizaç~o d0 passo}.
2 - Atél:ltar ~a ditereilte na.~ureza 'deste episódio, que nâ'.o é_ , <· ··guerreiro, nem ca,vall~eii:e~oo, mas documentil.clarafuen;t_e,~ :~"
rnaravilhoso cristãoe
dum quase ,lirismó religios9 :(cf. est. 118)' à. forlná:ç~ot .p!l('::
"t6Üca do f?Oeta.,emboz-aCamÕés,dentpo 'clume;ip!r~tp:·~ti.ft;:> ~,~
revela
a.té, :i-través cie'.çérte,s iiot~f!.'.'f•
.
'
·~··
.
.
%~*!:!~~'#~~flir~~~f~~!'a
/~~:l!!f~~J.~.a!larecitnento.
· l\)i;9>f'Ô~tE>,j•,g:ueconeiidera t!;!r ~;ido .P;rinc.ip<i,1()~j.f;et:i,;; '
dufii
. é '>.,
.·
· vo da .~:x'.IJi:\!láâ:oportugil~sa •·na
·)·é·~/a'.Pre~eJÍta,a. fio/a. deste Santo ta.lvez ~n1t1~h>!,. ,,;do.11,o;)f?.cit.od!l ,Bfl,rros.lcf •• l/éçada III, livr? VII, ·.· >Cap~ ll):refe:i;i;r:-, que, este. j~,prof'etizara. a á.éção e
India. à "dila1;1;1.Çã;op:a.·
v.ang-elizádora doa.Portugueses
hoOrientep
.·.
.-;-:
.e~tepii,11\f!q,>dE!;ca:rãc:ie:r,nárr,ativ?, g:uebra~ ·pe~9 sé\i ' ·gr;~:rte~.; aeméç~9·áried6tié.o, ' ·· ···~'inoriotoniâ · íiuma.enumeração · · · ·· i.eiJ.;_ ·
,
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"
,
Aludir ~ :()l;'ehca.da época. ha. ye:i'acic.aile dos milagres
: narr~dos
'em. Caátll,nheda ( "Hist~ria. de
'nest~ '·epis6dio e que , apaz-ecendo registados
Descobrimento
e .Cong:uista
dt>:.Ind:ia>pelos Portv.eueses",
ros· .("Décàda III,. L~vro VU-,
f~içll.o híst.Sriea'às
r,ivro T, cap , LXI) e Bar-
cap , XI), conferem uma ·
e.stânclas .cai;ionianas.
.
···,·5· i•loi;Jtra.roue o ês.tilo do épis6dio difere bastante
,
·
top géml
da. '.fale. de Tétis e .
·.'."-t
do:
·······~- (lbs,erv:a~ ·,~. o;futli.rp, .'tem'!"onormll.l da prbfecb,
saado
>•
r~a
~.~e13te
paaao , se.r substitµ:!db
pelo p11
•.deve7,
(j!i que
:'1'~ti:1>·,:h<irra.a.çontecimen~os. mui.ti) anteriores
aoa f'ortU:., -
,o::i~ê~es),:·11u1,sque. o. P?eta, .ap6s ter iniciado a. ~arr,a.t·i_, ·
' iva:ho ,pa,~saÍioJ ac~b!il por usar o ,pre.11,entenaa estânc,:fa.11
· q11.é ,ma:is dil'e~temente tradµzem a a.éção, do episódio . · ··
;{çf'~uó:.;'r17),
·
·
·
'
' '•7 •• sal~~rt~;r~e''.o,êJ)is6dio
.a:Presenta. cara.cter!i;Jticas
que
•.!!18-±fl'uma yez documentam a a.rté de contar .de càmõé's.' Re :p~;e:.;se, p<)r;e:<:emplo, na. :rai!>idez,,.concisão e a.ué@nc,:~a.;.
•·a·e P'clrrn,epÕr€leffiU,Pé;r-flu0,s,'da narretiVll,, e na naturàlid~
:.' d,é· im')r.imida ~
linP,'lta.gem
pelo vocabvlário
menos empola,
elo.éJl;~ai~••col'I'ent~:.t ?ela inElxist@ncie. dEl metffora.á; ,Pi
outras ,f;i.P,"Urii.s'com v:iUor. de., ·
·
.·i: ;r!fr~.pes ,. c1J7Pa,re.coes0~µ
• )~J.'a'rl(·~a.i:í~ni;_elite~~rip
e ~Pico.
-~--R'~?<'~~·rrrue ·esta.fl e~tânéias
.'.--~·:r1:2,i~::2g~o.~.,que. ,nos··.hab í t~ou.· 11 linguagem
não à tingem formalmente
··.:a,).,wir·se'-:t,er cinr,1do ', demas í.ado ~.s fontes, ,em
·.;~> :j'.$;rto de· Barro13;
:fi.ó
-:
.
·
"tj)': cftOI\ lhe.s:•ter c(uerido; imprimir, uma cor mary.a.dà.menté
, '.}.'.ºP1lJ.a,r,.já que ·.a.lenda era. da tra.dição do povo
,.;<Ji
'
•>s(lt,Undo milagre. corre aí.rida- a.trilm!do .a Santo Ant.S••.
:n•i'Q(repa.!!:Elfiee,a este ,prop6s-ito, na. justific.ação· ,:;ii~·est.~,l·f:4;.v•~27 muito própria duma narração poP'U~
no enfanto,
que logo na est .rre à a.fi~stro:f'e',é o
tra.ta.ffie?lt\l.por)u ~·.qq;e destroem ·tJ impassibiliqade e pu ra~obje~tividAde dá deusa ; cr-í.am'um momento:de' arróÚbÔ
Ürico.
·
')'<•\
-,.\ ;·:~:~::;·;-
~:i4~1,c(~~t~~oâ~é '~ftexrieé '; ~menti!riós. crítfoos .·do
<
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,
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)lrn •ei"'t~d?.f!!a"tis:f'at6ri() de
··~. :•·;··:·····,. ·.,.···:; ···-·.·· . ,
"·;· .'·
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· -:-···.·=··
·"0.s Lusíadas" ~o po~erd;·d~sPé.n
-,<.:
·:.:, .•e,·~
,.
s~r ~· con~i~el'ª9ªº' dos l?ªScaos,e111qu,e o Poeta :fala directf!.ment.e,de Bi 'mesmó.é ~' da«!!?;eles011tros em qu,e :f'a.zre:f''.!.exÕesou expQe comentifi'ib.8
<fy-e.iÍl(lidem -sopre. a.~rratiYa
r~và<Ío,se , Sem \llllil. cóisa e sem outra, não seril poss!~J: compree'.nâer - caibalnfe~te a :f'iprà'húmana de Camões nem o alcance e iiltimo.::.sign:i.f'i_;,. ·
do, Poema·ou dela. aão natu:ralrilente:aEi'-
!
·
.cado da Eixaltaçao 'dos seus her6is.
-
. ;_- -
.
.
'
Por
isso i'mporta, por .um :i,ado,'conhecer ou tomar mais sen-
êo:g.tacto com a perl!Jorial·idade.do Poeta, na sua humanidaàe 110.:.0.
:f'redor11.,sobre a qu.a.l, alii111, não somente. se lalJ!enta c.om0tã.mMm criticamente :racfoqina~ As eatânçiàs 78-83 do cant<i VII e 8-9 do
cà.nto Xi em jeito>de cónf'id@ncia eom as Nin:f'as e comCaUope.,
·estão para· o comprovar e. Pªl"8 ot;ere0er aos.·nossos alunos uma idei.a
aí
'mais Perf'eita.
.e complet,a do homem, qu,e'hUll)anamenteae quei~, ma;s
'hU111anament~.ta.mMmaabe ,tmperar oa ,seus .sofrimentos! Nisto mesmo '
ta~ã um-exempt.o e um e'.stímulo
|
Por out'r~ l!i,do, não d~erá |
esquecer-se o sentido e |
o 1:1en- |
|
time?}to dij. Pl'6pria dignidade. que Luís de Camões manif'es1;a na |
dedi- |
|
|
r&t6ria .dSJPoema.e nas sUa,s estâncias, ;f'ina:i,s, •em comuniéação |
suj>oé- |
|
ta,mente di:ifE!ctaco.m·o rei port.ugu.@s~Particularmen1;e, as e$trof'es
9-10 do c:iemto•.I e ,154--15~•do oarrto X s1lscita.m a. este respeii;o uma.
coriSci!lera~;~oÍl.tE).l'l.tapor1
ª· opinião .~e
isso que p~rece de .rejeitar
de aristocratismo
,<:que o Poeta. asSUlÍla.atitudes
servil ou de lisonjà
.j:ortes·;mesca .censurável. ".°AsimposiÇÕes da pra
im.ãtica do \tempo, a.
.
Portugilesa
à.
data. dá publicação de "Os. L'riBíadas11,
às' éxig~nciii.s -d().pr6prio -género épico, ·.com seu necessário tom lau~. dat6rio El' éstimulan1;e,, explicarão aa tisf'àtoria.mente aquilo que. hoje se poderia. julga.l' exces·aivo ou de~locado.
'··.····.•
Aliás, o elogio genea.16gioo (r, ô-7), a expeo'tativa dé
'fut'11ras.vit6rias
(I, 8 e 15.;;17; X, 155-156), .a.prome1:1sade no'vo
c~nt_o·('JÇ, 156) não f'a.zem"esqtlecer que o Poeta re'.vela, sobretudo,
vivo sen:j;id9 do valor do seu propósito (I, 9-10) e a. plena., cori-.
• v.icta e não orgulhosa. eo:isci@ncia. dõs se~s méritos (X, 154-1,25),
dE!que seria natural corolário
a aceitaça.o real.
Sempretensoes
injus:i;if'icaveis, o que o Poéta solicita. ou promete asScen1;a, sem '
f'alsa modéstia .e sem estul ta vaidade, no reconhecimento. natural eprovàdo do pr6prio·val9r. E também isto será de fazer senti:r e- a~comenta,r, num iiltuito def'orm~ção moral dos nossos alunos e:do ;'i;íeu ;i:ust.o:apreço por Lufa de Camoes.
/"'
;1
;,
-
-.:.'--:;:-.
~·;;>{',;C'~~iii:i~.P~,'. ~•• diffroo ~·~i~fjjf
.documentado,. é o·_das·reflexaes
,-,.-
e coinE!ntárioEI c"J;'ftic.6$ d'l?'
.;, ~ecÚfr~·l'.\:e,~;lia, :i:a:f:ra.tiva .épiéa .ou :('>Ól':es'f;a m.ais o~~mjni~-.cli
'
;mente
;p1spt:l'ét'i:Os••
>.>··
•
,
~~re. o.·seít e.studo, 'nã~ se;á tiMtil
dist~~ir,
emc."f!',,
'6cE!.··bem·::<
.~.~ix\c>J:uga.r, p.<pié Luí!l'·deqiil)l·Ões,<J:iz em seu p~pri~:.hme,·daqúFf
:(;i
, lc), <:íUE!.,:?-tr~'buia Pe'i'.lipnage:ilshi,stprioét~ .ou mitql6gica.s,
· que<num e •I1ºutro caso, e na maior parte
'
das vezes, os óomehtltri0s
~.
\ il:lâo;gé~xem,de ser pes~()âlmenté camoniano:!,· pois em'ger~l nâõ sé, ·
y~El.!Uín"lii'a.,119Poema, .ín~il! a,-J;el1toA na~açao ·épica .quE! (\aracteri~
|
za.çao· hist?;t;i9a e psicbdr1Mnática, yer·e .d;~sé,I1tirjde.aprecifar e.·de ó. il1tui tq |
de aju1:rti).r modos. de., |
|||
|
comenfar-, |
A índole 'de .•cada,uma |
, |
||
|
"das. pei-so:i~él'\s• F;Els'l1.dis'Ühçâo ·será, portanto, |
n11.quàâe: totali |
:. |
-',· |
· |
détdé' dos ciasos,:·.mér~ní.el11;é,formal;
i
'
·
,, . '> .·~fé.~11~··ô1Í.f:r:11-·a{~.1;in~á'.oque. mais importa. fa.~e;t': ll'que/e0>%'
' x{Elte E!n1;1';J?reve1(spJfo!iema.s' ou rápidas' consideraçÕé's 4e:je,itJ>,pétj- '
.:i'én,téti,pp, \lJ)r:17e~es a:inda Umitadal'J. a, simples quali,fica~'tiyo~o~ ~;::;' , pí~_etqs, ª>?\{tl'ps pasiso!3 ma.is e::densos, onde o pensamento 'do Poe · ·. ·
'Ele/e~rime C?mmaior d,ese!l,V?lvimento_e }lermit,e po:i:'isE19maior pe .traç11-o.dó., se;11•.corrteüdo, Ta:):p,enetra.9ao torna.-se ·efect:j.~amenj:e. n,e-,.
i
c~ás'i!ria, l3,e.ciuiserrnos. cómpreendér melhor o Au:tor, a .própria
narr~
·.
,'·tiVli, ·épica. ª<o signi'ficad.o. P.e,r~icular do poema ce.inOn~e:ric;í,''indepe;n.,;.::,
d~titem.en<t;e4'<1,' d.iscua'llãó de s , oro~m
:tais reflexões ·nilma.·Qºil'étdes~·s. género literário péide_rá.·lJÚ~Ç~ta:t~. ·
estéti,ca
.que á .:a.pr~sen~aÇão .de r ~;·
\---
' <<·' .N.ão'~erã:o; nhrém,'eii<{Uec;idos, é' evidénte, os'fe:f~rfdoç
: epít,e:tJ>!31'epifonemas
e .con13:j,deraçÕes parentética.El'
cru~ em toqo; p
·(fóemét. ocas'ional ou l'epetida.mente. deixam ent.rever º. ·~enâamen.to a.,e
, ;ica.inÇ,e~, :in:ciden'f;e sobr-e vári,os àspe:ctos ou matize13 P!;l!lc~l6gieoà,.,<·
· 1;1oçiais e mpr11-isqa vida humana. (1,), Deste modo, por orev·es anota'-' ÇÕes ou Ílimpl.f!s registo a. af.eçtuar por cada aluno qü gi-µpo d;e e.l)i+:.· n.o:s, s.e po,del'i! organizar uiria'espééie áe leva.ntamentó' das orserv~ ' çÕes psiçol,6~icas de CamÕes;.'da.s S'll.all convicções rel:Lgios11,S', dos:c • seus coneei'f;ós morais, das .lô:uas opÍniÕes e censura.s·csocfaiso·, .
.•·
,,Acfesce:nte-s~ .e,inda· que alguns que.lifiCaiivos~·ou«si,mp:, .
e' ada;ptaç~o' às .ci:rcuns1;linçit';s:;- désde ·.<Ne
(te.l
.eÍ'íítgt9s., e sua, gra.da.çâ:o
éf9Í!)));i-eenqcid.osno seu verdf.!;d.eiro significado por vezes a.inda rm1ito.
o caso de 11torp~", 111:
mundo", ."viÇ'ioso", 11:fe:ro'',' 11h.orrendo11). são ta.mMmgere.l.~ent,e ~v~ l~~J)res ·do pensamento do Poeta, no qne toça. a Portufts~el'l~s ~ IÍli,Qmé t·â.nos, a Pretos, ·Turcos .ou- Ind.ios.
.adi;itrit.o ao sen,tidb .,Yati;;o' oriein~riÚ:
··•·•·(1 )Em ll,<lt'a.ra:pEinsa,, cite.remos -e. tí.tnlo . ,i,,lgtl,i.s desses tif!•ssos. ··
;tli~o,§~ii.~â.~~i~~~á~
~1~l>~ent4l'i.~~.o,~!~~çâ~\~~;q$~,,:>·
·~~~:~:~#~,:!t~;~~~~:rao,~!~:~~~.-~n!=~~i~=~·
,t~t() de e:qiF1caçao,~~ !},eC()IJlªP.ti!r7_0'.moralªf!-_Pct~l.,,
''
lã.~;tl"~*p.CipJ.~i!-'sob:i:i_e~Udóem'
nontos
•esp.eciái1Jdeter'; •
'·_t!s:i;esr _P:or-tantó,_ que deveri!<conv:ergir <º ~sforç()· in~é~ta~
.iie p~ófe13f!ortillà .allino~, situa,nd()""'.()ª;dévid~nte
lf& es:t~~-\
--' 6br~'.iePQl1d.Oem evidência o seu cari!OtE1r e:x:plicativo' co,mpltimei:Í.
"bemcomo, .pór vezes, a sua feição cr:ftic-a· Q1C
·
·
-
-
,
·--···
_
_·;_:;+);t{!.:f ou introaut6río,. :cjsiinl?~licà, <
, .:-
· • , Limital'7no,s~m<is aqiii,' no e?itanto; a -indi~íi.:r's~ar:l~me~-
'•'te, /e~sé°s:-.pas~OS e essas id.eia1;1'f_d~ixa)ld.o a.-cada profeSS()J:'.<11-Sob!Jer .,
· y~çdeJ3 e>consiaeraç9e!'l .que el.e!! l.he\
sugt!rírem
e jy.lg11.ell!cónvenien:
o#gJ.nenis
:•.,te-:tr~Ze.:F.a.oes:píri;to dOJ!'SeUl(Ial)inop; O:u e,stes p~prios
a) e .I~est;s.105-lO~s
i~segufança da, vida
huma.n?-;
-~i-o.rf:·est11~U2-113:
distinçãó
e~;tre () désl!jº ~a- sini~l~ll'
< celebriP-ade e o se~tido· da verdadeira
glól'ia:, entre
a
1\111
.J' -~ bição --do ~nome
e' o -valor de verdadeiros
feitos
nU:strei;
~--- ·;,,·-
:
, ,,<;
·::_: .:
~-'.('
~:- /: ':' ,->:;-·~
"'
-_
-
, é};"c.J,Il.,;eS-~.s:140-i43s .a t>ai;xâ~amorosa e os d'esastres a que:
· _· -
·- d) ~~IV,tlfi~s~94-ío4~ a fal~ ,do v;e190 de
ela ()oildu~;
< ·.·
-.
•••·---·•.•.•_-,
Reé.telo.'e .ª ~.~-t~ci>~e
ta9fü> 0,11ipterpretaçÕes
de quE!é susceptí-V!!l:; anvérso· e·f
.<, :• .re.ve,X:liodas•grandes e,níprésasrhumanas;
"'.;"
·
-
-_
- '.,\:'
,
é) ~1~v-,'ést:S·~86-.1001v~rdade f'unaâméntai, .embora litEiraria,meri:i
··; ~te' tra,ta.aa• na .J,la,rI,.atj.:vaâ.o Ga!liaao rei,dti Keli~d.e,·;·ºº)].""'.-:
-.· trá:i>osta aé)s, feit5:1_siT~in€rio13 de epopeias àntigas;
f'Un.:-'
· y. çao e valor das _letras,' 11erp~tttadoras. de. alt.oi;i feitos; ,in
- çit!).!Ô~ntóà realizaç.()' destes,' independentemente da sua -
-
f~ao
pelas letras;
·:f) ê~v+,e13ts•29.:33: a superação dos deuses pelo eníprêenailn~n:
· t~, .audácia é esforço fü:is Portugueses;
-
-
Tit) .c~V,~,ests.95-991 elogio da ~ida perigósa,, condenaçÍio ··aa_ -;
·· • vidi;i.'E!feníina.da;::va.l,or da
experiência
esclarecedora
e. dinhe_iro •·tor~aU,os- ., -
~ó- en;.;
--
· ;te~~mento -e·despreza!lora d,a,s'Ão~s
,-
P,:LB. :ventura, e ~opela
"v.irtude justa e dura";·.
.·•i1l:t);Ó.V;:\;I;,tit~:i714~,oespíri:f;o port~8s
de c.nsada_; razo,es
·
-
;\'fr:/{; ~l:t}stórj,~aé. JI or:istãs do louvor da Pátria;·
;·.;-if~i}-·~"~v'.!T;~~-~~~8~87';
••é,i>ildenaÇãodos
ambiciosos;'aos--ll~pÓ~ri~--
. · ··-::t;as}'dosroub11.dore's.do povo,-do.s maue avaliadore's.ao.tra ;
bfl.lho·~lhei;Ó, >dos_-.fal11os.se-rvidores 'do ~ta!lo •e-.do,s_f!?-l ::',·-
. :sósdie:i.1'Vid1lresde DeúÍi;·.d~f'in:i:ção dos ve:rdá,déiros her6i·sr;:
.,•
•
·
:
.•.-··
·.,
-
'
-·,
'
'
'1-
·-
-
---:.·,.
e.iv1ti,ests:69-731
a gtoandezs,dos
·:reeida dé crédito e f'é t:i.il.a'·éornoverdadeira;
|
c.vrtr,,ests.87-89s |
elogio do capitão prudente, |
|
do·.impruden.~e; |
|
e.VIII,estl!.;96:-99• -o poder· corruptor.
cado'.em todos os vida }!Oéial;
tempos, em todas as
do
o -Ix,
esta. 27-29s condenação do desinteress.e
b.lico, dos egoístas e dos aduladores, dos_aamu.rancz-ee
)uetiqà
e integridade,
dos tiranizadores
do
q)·c.IX,ests.84··e
88-89! -significado·
simbÍSl~co
'Amó:i-ese do casament.o dos Portugueses .éomas Nin;f'às;
·r) c.IX;ests.90-95scS.minhos
ã, 'Ve_rdadeira gl6riai
,-;,
-- ·
paraà'.'icançar a
sJ'c.X,eats. 73 e 143-1441 significado gl6r~a: dos' ria.vegadores:glória de Portugal;
c.X,~stê,80:
o verdadeiro Deus _e seus santos;
851
;;, efe.buÍaçio poética
c~x;ests.i46:
vo apesar.de muitas dificuldade!!, e Sebastião aos a_ctos goii:ernativos mo nació;nal. ·
153s
consideração 'do
De tudo isto,
porém, e do mais que o
e ref'iectido
de_"Os I;usfadas" póderá sugerir
rá, d-omojá foi dito, que'professor ealunos cheguem çã0 do Poemabaseada nos seus pr6prios valores e .caracter!st.iôas. Ora, se -é certo que o estudo da narra.tiva (te estrutura. e-và.1o:r·literário; linguíst~co e ser menosp:rer;ado,ta.mMmé verdade que ' !l;lglllna.1!!ideiaà fundamentais sobre -a 'bre .o alcance e pbjectivoà do seu
4é
pe;i~s por enal-Íiecer umaeonteci~nto memol!ánl da nova
o:r repréi!é11far.uma.esptfoie inífdita de poeeiri épica, no
ltaire;·e
Cerv11-ntés~'Espécie foé.d:ita de poesia épícá., por issó .
1.Uli'Poemàda,civilização
ocidental,
seguÍldo a
;ifesta
um AcV9 cp?;ceitp de he~!smo.,
não• militar· por miu.,
nào assente e111.paixoes indi_viduais P!r vezes ·censuráveis; mas ·:illncià. dê uriidever c!vic·o e cris!ao, 0onf'orme c!m a con•.
do seu tempo•. Poemada civpizaçao
ocidental;. JÍ.!l.O f'undamen
te .'!>orglorif'.icà.r navegações e ·descobrimentos,· más por expri' ·mir .um conceito de nacionalidade ao serviço de va.lores·11niversais-;".
.•;seguliéj.o•O.S critérios
valorat.ÍVoS e as ideias morais da civilização
·do Ocident.e. ~ste 1110do mostrar4 qu.e o elogio da
se
vida_peri~sa,
.o ·carácter. belic'oso de alguns .epis6dios, e .a sua exaltaçao, riao
:siµ'gemn • ·~osLudadasli pÓl;'eles pr~prios,. mas determinádos 'Pelo ··cilmprimento.convicto e liVI'emente aceit.e de uma missão, e'pelo sen
timento·
básico de. que as' virtudes .militares ·e náuticas s6 verdade!
• ramente o são, 'qú.andopostas ao, serviç.o de .causas c!viaas e morais, nac:i,onai11e universa·is, necéssariàinente vi!!'tas e julgadàs segundo
·O, esp!ri to' da sua épocá
:
.
|
Umaleitura "ideol6gica" de "Os Lusíadas", |
cromparticu- |
|
aténção aos pontos de renexão do Eloeta, directa |
ou indirecta |
,-_,te· e:x:po11tos,e não 1 sim:!!les narra9ão 'do .Poema, por muitos. v,;;;. · l~res estético-literário.2 que ela posáUa, mostrar4 cromoestamos
e.Ili f'rente' de uma epopeia <Jl?ln um conceito crítico de ~er!ioidade, cqni i.de;fas moraiS' pr6prias,.'éque .lhe determinam uma feiçao .diversa
• dos :Poemasda Antiguidade,· PU.da Idade Média ~terior,
e podem
. sensibilizar
.·01arecido, não :f'echadonem exc!usivist&, e 1 de. um universalismo-
os nossos alunos 1 consci8ncia de um nacionalismo es
.·:húmà.n:!sti:oo,~bos estes perf'eitamente. conciliáveis ·
· ~éroadeiramente f'ormativos.
.
·
entre
si. e
|
, |
·,· |
'•·,Para ~e .tal acôriteça e ~O! Lu.s!adas" constituam, :Por• |
||
|
. |
:tanto, J)roveitoso elemento .de f'ormaçao do espírito, |
,do carácter e |
||
·5' dà
··sensibilidade
moral,· nacional e humana dos alunos,. importar(
referi:
·' ~c.iiãod~inr :na soínbra al,gtÍn'sdos •pa11sosdo Poema já acima
. ,d:QiS, clos·.~ais justif'icadaniente se. desprenderão i~eias .e concei-
'.t#f!. básicos; algtins dos. quais talvez convenha enumerar aquil
·;,<
,:.···--.-\·
--· \ -- -----·
·-,. - -
-
- _,
'
·
.'.
'
;,-·
,• -.
-
.
-
---··
--·
-
'
.·á.)
louvor do ·h•roÍ11mQde tunção nacional, mas
. com.·valores universais;
.
c;;nvi~ção. dé que o b,~nef'ício da Pá.tria é tamb'm o da Cristandade {I'ol-ça motr~z dos navéip.dores .e guérreir0s, '
'" e f'orça•motriz do pJ:>6prio.Poema};
b) ~ialtaçi~. do esf'orç() civilizador. dos Portugueses, ex- I)fessâlÍlente reconhecido n•.tÍOs tus!adaa" por 'Júpiter {II,46) e pelo Poeta (VII,15);
·feitos
dp .valor·
~'.i:-minismô;
·:
;c."<l:-
/·•.••
·
.\
;1 ······~~·º~D.$~liei:~9âí).do heroísmo' JJ\ilitar
·.·
:;•·•
·•·······
()U ná1,tt~êo.º·ºIliº.ll.ge'#!il!X
>
·· .· ~~,d.<i~~aor:~os,homen.se .como ponto de conçentra,çã9:41V.:'
'
·· ~"V•~1rtU,<ié"·i~divi.dual ,011· colectiva; ·
·' ·.•
·.
···
: :'~;E~i-~:f~;::~i~!~~
,<~).vis~º ±<le~~.a.Os acontéoi~nt~~ hi'3tórió<>s ·J>t~~ri,a1.d~g~:
;·
:
:nero épico; com·superaçao pelo espfrito dos !i'3Pec'tos vul ·
-
gares ou iiifer:fores da ~ida humana;
,.
--
-
-·
.·
Di1>. obstante~· visP'o··cr!ticá e huil)anrstioa da;?JXe:ito.i.e~da<i~ ".; ººlll a;1()orr~s,p"éinil,~ntewmsura dás fracrqezà~ 1t~iut'~!3yll.~~~~,x' ·f d~~91i~ijc ·
.~ da v+~~ socil.à:fe· n,aciA?~~i.da13·própri~13 ·.'· eal!l<:Lo1lV:~·d!l.~(\ ea.n.ta.d~!3.cornp!~"V,9.l,,eroaas:•,~~!3 ·~~~m'·~"o, de·equando;·0:,1foram.i···e•éénsí.iradas .onde~':o··m~reei;i;mr ··.;
··.)·.•~i~é·~~*~!~eiite.~;éés~~~ª·e.e.·;R_ai'àio!.~oe_:~··ae.;~;;efc:it~rL~?·~é~'
·
· .it'
erl:'};7e1:i'!mô~uman!~t1.eo, .de ;rei'le.ehr sobre o.sentido,r;ia.;.
···\ /.·> ;via~\'8,.da:s;.;41'éçp~13.40!!1se)fsheróis, .ae mul!iplioa,l'.:~~·s:U,i·
··'· : ' ·cop~i~g<'·ÇO,~~f1lo~~f1,c;:!l,s,as .suas reflexoeS' .lJ!ora,7!\I'.•'~~ .;
',f
·.··\ª'~ceh~1,1ras•i~d'i~~0~e,iséQU\ º;l,ectivas1I
• ;" o'
•.•
,~ri!~~~~iji~~~
,
<Y .· P?ema.••~x~l~ador
1,:··.,b,oas'•e
· ·.; ))rov9óa,r
-
d,13/acç~o:':00,m,0;·1a.mb.J111.49.!'Iv:".~
b~.rrvc):e~eirm~nad~s··êond~ç?es,'ª •poc):eJ!lj(~li
á.
sti;à.ê;c;:éitaÇãoé . ·.10uí;róN
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ª!1-'lie';lteiida,·.na.;r;r:-á'tive,as, :l'?flexoes.,e1•
Z()]lde p.qntos.
'71~~ç~s.,~'ci·;Poét~'é<1.';lst·i~1,1ein•.·é!em.ento,11
fy.lldá;ll)e.htais;·.·.';1~·.·.
obl'a."e/lh.e d4ó pe':i's.PeótiVa.sC[U"esê ·llâo pqctem'ignor<i.~~·
,
·-
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mi~itar\dlÍ.
-espaàa - e' Q )1er~:t~Jii~llÍt]l
• Ó, •
E!'~:t~~~"ª'~-f~i·~11;e1~-;9- he~oísinà
'"l:'~l~~i~~:
eJ;liJ-~.gs _:vertlá.ae'!:ros :valor~s
do
homem, numa -Já, m_ode)'na,•inte;>Pre.t.a.---
<\';~:-~'~.::·:s.o;::~:;ia:::::::.~.-•.-~.~t.~ w~'smb icúá·--·~•<f:te~~~é~ac~é~:---
:exPl
-refl:exoes: e comentários- cr:tticps verific,a.da no Poemaj em que 11
~1:1,çâo---~Íi().~le1:i_or;elà :Í)X:6.p_ri9:,como ~m-epopeias ·anier'io:;es-; mas ""'"-,
:tJ.iir'
,tic:i'ap~ef!e11:ta.il1i~i_ríada,.esclarecida-f3
cómpletada•I>i:ir'ººº'.l"den.a<las_- mas que o P9eta visi'vel:
-
-- < id~Q16gici.Às.e.1rrórais, acaso discutíveis,
;-/:mefrEe' çonsiderou válidas e indispensáveis.
Náo se tratarê'.; ~Óis,
~----•-de uma,c1e~iéi~_ncil!,_estética, segundo o_·parecer e conceito _de-l;)Í'f-'' - •'.~;;,<tico's que ,tomaram e.s epopeí.aa clássica:s -como padrão e ~Qde'.íà,irJ,a.-o.
~-- ' ;:;'eonceito d,e ~erofsmo~~ de poesia épica, a uma n~Va ooncepc;i'~oc:r'! ,.- /·:tica ·•e humanístic!'l, de hero:lcidade
moVfveis,-
mas M unÍa característica
nova corre1monderite '·a um-nOV'O
~'.:~::,;.-> -_
-.
,-
'.
'·.
"< ··_:~.-'
:'
'
----
'
e
-_
--
-: 'Por out~o 1ado;_ ~ de observar ai_nda quê muitos ãe,sse.i:i
.:ssps _são' ta.ryibém,_altamente revelad.óres de, capacãdade de e:itPr!!ssão
~r,t.Íst;i:Ça de êaniões e que a !111ªbeleza literária
acompanha ou iguil;.
yla:'i.1;>de .muitos outros lugares do Poema mais
Agostinho de Ma9edo, na obr?
i~ ll'r6prio '.rosf
cónhecãdos ou citados";'.
que· signifioàtiyamente ·
i:n,t~tu}o~. de ,''Cénilure,_das Lll;SÍadast1,·re.91mheceu, •.apesar Sisso, a -
Jj1'1>f'1111deza conceitos. e. a beleza fórmal dessas reflex~es·. Por
'Ííiw~vl:Í~.io.c'araeal·Sa.raiva.,.na-sua -"Ap9logia de CamÍÍes", oita~do
dos·
·i'~f-lÚé,le!!lbrà-que' "as_ el_oguentes -mora.lida,des. com que<º Poeta ter
\, fu.in~ qntise ,todJ;i;s,0s seus ca1ltos são porventura ,~--tra!bàlh_í;\dosda.sua obrai•.
e
os pa!JsÓs 'maís beiii -
e
-
-
'
•
-•-·_·.se:
esta, porta.nto,
deverá ser uma das, mat~rias dé éstudó
~e.·~·qf!LH11J.a:él.2spor11,
g-onheÇim,entz,e b?a explicação do P()entacomo também !!.brange po11tds :d~ -réalfzaçaó li1;erá:l'.ia de a.lto nível, importará agora demora, ; nos
isso que não s6 é; fundamental para o e:x:aeto
:CPºl15ͺ•Jnai~ s_obre as possibiÍidades
õ~_io!l, 110 que -
·r.:<.
>:-_'-'•_-
toca.
-
Ó, -.': :' :,.,
,-.
·. - -
---:'."\"'','-
••
é processos de ,actuàção .di- ·
estuQ.o.
-
_a este cà:P,ít11lo de
--
;; ·:
·-_
cer
>~;-~~ff'onemas'e ·epítetos, facilrrtente compreendidos _nó seu -'aigni=
·
. :e , .sem,q~vida, •()er:tos,eomentários breves e· sintéticoe,
,
.
ca.g:õ e•l!-t·ca,p.ce' IJâ:o Ôa.recem de exPlicaçÕes ou dei,tenvol'!imen,to
.ewpreta'ftvos.'' :Bastará: que· ó
~Ci!s>eo ~evf!!;a·de,teroiinã.r a sua :função pr6pria dentro da nàrra. - · s:i,!Ilo eÍu:1am~~13,ril:do inte-resse linea.r que esta pod.e euper 1;te'provocar para1 o a.pi)ófundament.odos factos eu pé-rsl)na::
profess-or 'alerte
o aluno para' tais
gene ·apre~ent~.'dp·s,.·num.•esb0Ço;d~
do Poeta, ou .cwta. 1dive:rien'fie por boas e ponlferada:s<razoes·•> ·~·
:·à)
penetração jii-dicatN~,'
i:~ai
r' \ \. Oiltr~e lí.tgares, rio ~entant.o, pela 'impo':rtihi~:Laâg s~ii'~;
péla>co111plelçi~ .
e.
>
,
s±grii~icaqo, pelo a.Lcance gas auaa reflexões,
de:.á.o~ seu.s ml>tivos,-çi:l.reeem•de .ateiição mais.·deimor~.da !}.e "'.".' ·
feita,' em çáeia/ .~. c()mentário rápi!}.o çcorrente. na.:'a.tila. não se~? ó p;
P():i,a, acpriselMveis: .ou eseie.lei:tur11 domést~ca há-de sez- cii:i'.'da-.z-:
tr<í,t~ment()'ma.i.scú:i,dado.·Urna, lei ti.ira apress1J.da .e supe:rficial
dt;>sa;menteprepareda, com ;eréviae interrogaçoeà orientado,:ra.s e . ·~· ~.s~'iO?l8,d.?.ras da .reflexao do -aLuno (de que este da.rá'co.zrta, in \ · diyl.!lual ()Ueni gr~po, oralmente ou ·por escr'ito) o.u a. l~iture:-ru<' •
do al].Írio rea;cÇões concordantes, diac9rdantes ou retic,entes, .crtl.~ "o ·;profe;ssóTse esforça.ré' por nele tornar racionà.lmente cr~teri9. sà.s ê legi.t:l.mainente fundàrÍienta.das, sem que para ta,nto se .demitã · do se.u pr6prio parecer ou deixe de contribuir, quando neéessá,;. rio' para· ci eiiciarecimento final de um problema •
aula h'á
-desel'
p.tente, f! colecti,va
capaz de pr-ovooar-da parte'
. nao totalmente ignorada da escola e.ntiga, _senvolvida, pela didáótica moderna;e cujos
ll)Uito dependem do tempo disponível, da capacidade da;turma,-, da.'
prepa i;açâoe
.
.A isto ee p~êsta:
evidentemente a técnica do debate,
mas ultimam.ent.e de'- efeitos forma,tivos
autodomínio do profes's~r, para 1?-ão11eimi~cµir
prejudicialmente, mas tambéin par-ã nao ééptico relativismo ou -indeterminaçíi:o
visão· esclarecida e 'uma opção consciente.
deixar em suspenso; em total, .o .que exige uma'
Pa'ra ta.is debÇ1.tesestão naturalmente 'indica'dos •quase.
'todos .os finais de canto- de "Ós Lusíadas" e alguns out:ros pa,ssós introdut6rios ou oonoIuaãvoe de,.movimentos mais gerais, d.a nàr,;. rativa, que já acima foram sinalizadoi;. Por vezes também,. é'
verde.de, uma simples estância j)idicativa,
três
ou quatro ver-
. seis. ccnce í.tuosoe , um breve ép:Í.fonemasentencioso poderão· oriL gi~ar, sem imiteis derramamentos, pequenos debates esc Lar-ece-,
dores •. Más, ,tanto num caao como,noutro, será oc<J.sionalmente, po·ssível ao professor riâo ficar por a.qui e completar. a sua IJ,c-· ·tuáçâ:o formativa, provocando nos ai'unos a s!ntE)se escrita. do '
' que foi'dito
e ápur-ado ou, pelo contrário,
encamânhe.ndc-Jdspii-
I'ª uma,pequena disserta.ção ora1 ou escrita, que tire quanto' pç)é. s!vel ao trâbalho destes o carácter de um exercício de elocuçâiõ ou de redacÇão meramente·.imposto.
, ~ !: que, se a prop6sito
de epis6dios salientes
da na.rr<'-
tiva. de "0.s
na estrutura. da sua. oomposí.çao , nas qua.lí.dades da sue e:x:pressa.,o;'-·1
'"rt:l'.eitica) se pode e deve orientar o a.l.uno para. a 'mah'ifEHita,çãoc-•·'
óralou; por .e~critodas
rrient(l.rdé'futliros
Lusfadi:i.s" ( depoi~ de estudados no seu signif'icad?,C'.·
suas àprec;iaçÕes, numà.têntati"a
~di,
;''
eneaí os de críticá: literária,
•tarnbé'rnem·tef~'
··
·. ção óom os pÓntos de que f'alltmos será aconae Lhãve.l,a Ílii;ia.e.I'1
de fílosofia moral, por muito el emerrtar- que ela seja, mas,,.tâ:q
_;,:.;·
J:.µ~!~d,aíf".•
que
tudo :i:sto Ô,everá, todavia,. ociÍpa.J.'no esfudo necessariá.mente t.erá de abranger oµ.t;ros a.s-.
, .'.·.····•··e sit~~:fazer· il,•putros
importa,ntes
objf)ctivo!l • s6
o•·pro:feis.:.
~~rd<li,túrma Pºde:rá
.iipi;o/ reso'].ução .proveitQ!llh. Pretender substituí-lo seria
ter ·ideia. clara. e razões concretas a,t:í.nentes a
utopic111men-
' tei engana,c1()r.Ma.s.t.a título de sugestão exemplificativa, qµe não •· '/ de: m2delo ou. pa,draQ de actu11ção do9ente, :faremos a~nda .algu.mas ;re.:
··•••Jf'10xoe.f!relativas.?·º
;i:pr?yeitament'Q de um paeeo do Poernà, no senti
'•il.P gq.e acíma se procurou definir •• será ele constituído
pelos qú.a--
,t:r()'ú;t.timos :vers~s .dl'J.est(tncia_número 105 e pela estê,ncia m!me;rq -:: 1Q6.d.o canto primeiro de. "Os·Lusíadas", .
·> \ .N~Sta '.1-ltura d.e estudo do Poema, já os alunos térão i"7.
·~e::i.~d.e çme.a .~a.rrii.toi'<,ra.deste' canto .é cma.se toda Preenchida. pela
pPÍ>siç~o·e f<>.vordos
\ieuse:s. no. Ol~mpo,,pelas insÚg9.çÕes de ,Ba9Õ
.~ i11te;rvenç9e:sde Vémis,· n()' plan,omitol6gico,
enquarrto. no "Qlano
ti P;iiTal'lo.se à.esenvoJ.ve<a t~áiç?:o do XEtq;ttede Jfoçnmbiq:Úe.e. EU~·anun-. c; c:;la-,~§1.<do,Piloto que este• mesmo.deí::ç.aos na.vega.dores portugueses.
··,,Ji!'s·.oc<J,'s;i.ãodeo P()et11.inter:fe;r;i.r
•,,.é; Ptjl,'lsidera;r pelo p;ri.sma.··•a.as auaa
directamente na. nar;re.tiva e d,e re:f•lexÕes sobre a. it11iegur1mçaí
· .à;,i. yig.à. humana.
·
·
•.'.E$ta id.,eiá ceintJ:,ii.1,.··qu.e,·longe de, apr-eserrt ada , deVerá.
, sé~ if.e:duz:i.da,f>e1o,e!lf():t'ço··inte;!'pretat,ivo'd.os alunos enca.minJi.a.d()
|
e |
ª·\1.X;i.l~a;dopeló professqr, se necessário, não. dispenst> contudo, |
|
|
;~ |
ppr iss9 m~smo, a ()ónsi<l.eração c1ealguns pontos de |
pormenor: |
|
o~e.lá~ é)cp;licilotivo intt'õduzido pelo "que" |
ocorrente |
|
|
no '[)rincfpÍo do tercei;ro ver-se e o seu va l or- consecu-. tivo registado no penúltimo; |
||
inco:t'réeçâo de "aonde" justificada.
pela
hist6rico-Unguística
dada. pelo px-of'essor;
o Vl'\l9r semâ.ntico de "apercebida" e de "necessida.de'', qµeizode.rão atraiçoa,x- o entendimento dos alunos,ain~
da. nao i:nteiramente :familia:t'izádos com a qláss;i.ca;
linguagem
~>'rEii,gµif'~ea~o.p:t'6prio do ;!;ermo!'humano" e a. ele.a.se
'mor:f'ol6gica .da palavra
da,:{conae querrte ,
AJ.0aiiça.c10irlto,J>o;érn' inÍ:~ric1f1.··a:ideia. principa1_e
esta "m lifeµ13e;t~mé!lt9s'Pa~;i.cula;!'eS. de. Siellif'i()a\faO,
ci processo exclamativo e i!lter;!'oga-
à• evidenciai
,.'·.
.'·
- --·
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.
l
tívó' do-Poeta é:a-:.t·epeticia ut±lizaÇão do qÚa •"tanto". !-!as·nàc;se deverá f'icar por aqÚí. Impor--
- ~ntar a naturãl ocorrllncía destes pro.ce.ssos·-est~
· SituaÇãe:,-:pi>ícol6gica de qÚe eles obvía.mente·deri
_
•ríii:>:ó's· alunos prenarados .para· rélerein expresàivame:rité
· de_pois d'e o terem' apreendido e séritido devidamente. '
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No en'j;an,to, as.relacionações
-
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por ele provoóli;dás _
-l!l~i!longe~_Porveniiurá, terão" -Osalunos já l,;idÓ7·numaci1nÇào tre Caríio:es;ide-ias setnelliantes a estas e aí terao sentido à apr senta-ção. individuai de uma situação_ agora general:i.zadá:. tà-rnb~m contra .o Póeta,- "na sua situação particular, o Cé~ as. Estr!'llaEI 'e :Fadô se·volvem·, "mostrantlo-se· -Potentes e indigna_tios/conira:· ·
terreno ,_/bicli-oda terra vil e tão pequeno~".
·
"Mas -será esta uma verdade
geral e- absolúta?
s~mpre rimbiclio :éa:l' so,bré -ª' miséria. _-super.l.or~_da,dedeste;
_vir e. prop6sito; _até os versos _de José· Régio, da 11.sã.·rça: A
tâ:o p-e-queno,/que nem sequer apr-en
> _s.erterreno" - poderão· _trazer 'a.,sua contribuiçãq~·-.Há,- .na _q p'oder·.ilo homemsobre o'Universo, há'.os ·aescobri;ilentos .d H€dia, \'S _invenções ·científtce.s da Ida.de Contempor5nee, .P
da terra _vil e. pequeno? O pensam·~ e à gràndez'a do homempoderá ser ainda.-ém fa_cé do maior oataclism_o, pod
_-•;;. "b.iélio-da· terra. vil e
ou 'PI'ováve.is_viagens interpla'netffrias
do _riundo·<>e.tua _
a-mbéma morte no céu,- na. terra. :riumaciâente-de viação, na. simules
ma.J>reve .de\>c<':r'gP· de energi<> el~ctricP.·. O homem-v:rtimP·âo ·
vf'.tCima·das suas pr6jlrÍPs' :tnvençÕes.: Em que fica.mos? !J.'em-
rà-zão? Níio '!;em ra7.Íio? Fa.rá.e l e um,,,'õ.firmB.g;;-,oà.tienas parciP
e no. mar, numà tef!Jpe'stade· troca. de um f!Jedica;mefnto
••
, verdàdeira e conveÍiiente p!'<,rPo téor .ds sua. narre.tiva.? ·
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Àssim'por ei;te ce~inhoou·por
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·
~utro de-ínten
lhartte-s se haverá.
.oriente.do o. debate e esclnecído ó p
·não será. a.gÓra.oca.si;;'o de os z-Luricsr-eunãr-em ideia.i;, cé
agp-ectol3-e :fa.zerempor e.scrito uma peqúena disnerteçâ:-0 ·Sl m1sériá, sobre à. grõ.nd~za ou sobre ? insegurane:a era.vidà.
sobr-e tudo isto? E nâ;o po·derâo servir de título ou sub
de início ou -de fecho, de centro polarizador de comentári! ·
Ou
ou maí,s destes ver-soá de· (Ja_rliões?
Nemse diga que deste modo se
peilsa:mt:lntàe o sentimento· do' a.Lujto• ."."lo.s, :provocá-los, enriquecll-101;1_de ter 'que_dber,. e a_ésejí-.ré PÍCócurar
|
:fé monotê:tàta, |
cristã e |
. |
. |
|||
|
a implícams |
I, |
21 e 65; |
II,· |
12, |
42 e 104; .· |
|
|
28 e 69; IV, 83, 86, 87; V, 12 e 68; VI, 75, (36,~ - |
||||||
94; VII, 2, 47 e 49; VIII,
30, 45, 46 e 56;
15, 31, 79, 80r 81~ 8~.· 85 e 108•
.:.~oprovidenêíalísmo õu.o simples auxílio dívíno·, com.é>ín
terpretàção ·é e:X:í>lícaçãode fáctos hfst6rícós t, I,; 1); ·
J'I, 30;
Ü7;
VII, -31; :VIII, 18 é 29; IX, 5 e 15; X, 20, 29, 38,_ 40 ·
e 118.
IY; 3, .45, .66; V, 45, 60 e .85; VI, 55, 82.e
32,-:59
e 82;. III,- 20, 34; 73, 82, 109, 111, 112, -
:.·rntenÇões
e carácter cristãos .de ;i.lgumas
portiigúesas: V, 13;
VII, 14, 15 e 25~
_::O e.sf'o;ço cívilizadór
dos Port~esess
i A·hÍ:unl!>#ídadecqhtrapostà. à brutalidades
.81, 82, 86.;.v, 62: .
.
II;
46;
r, 49.;
/6 ~ A .Í!lóría,. unícá. e verdadeira rééompensa dos ·-·52 e 93; IV, 78, 19; VII, 56 e 85; ÍX, 39 e
--?.
.-·A beléhridáde '!)roduzida. pelos feitos:
H,
m~recida.r
portuguesa e, 32, 33; VIII;
83,
o
nor vezes,
B;
X, 140.
x,
·22.
imprtid~ncia
Os efeitoi;i sÕciafs da tirania:
VII, 8.
:21 "'-ÚS favQ,res. ou desfavores do Fado e da Fortunas
.e 44.; ÍI,
98; IIIj
120.; VI, 15 e 33.
.
.22 :;.A. fo~ça dá Necesj!JiUadesVIII, 7 e 63.
:23
24.
,.,4.
~danças
IV, 51; V, ,80.
_; O.a.provéitamento das b·oa.soportunidades:
~ Os de~coMertos
<li!. W~turez;!.1 III, 138.
I, 76.
-<Os erros•aqq.eestá.si+jei'l;o
o juízo humanos
27 -' A gI.6iia de mallMrs . IV,· 57.
'.28- Os erros provocados
29 _; Os tiiaus efe;ttos
pelo amors III,
119, 122,, i4o
VII, 8.
,l43;
v, 54; vr, 24·e 89; 1x, 20, 25, 26, 34, 35; x, 49 •.
da vida· de prazeres:
~o.,;Cbndenaçâo. dos desregramentos sensuaisr VII;
males da cobiça: VÍI, 62; VIII,
- Os efeit'os 1sedu.tores do
dinheiro:
- A :influência da educação paterna:
59, 92 e •94~
VIII, 6q.
III,
28.
34 _; A venera.ção 'd.os país.: UI, 33•.
- 35.- A condena.Çã,oda ~nversão do amor materno: III7
32•;.
36 ~A werdadei~a coraeem.: I,
68.
I A ;Lmpotência.da. ·córagem inimi{!.'ós: :rv, 35.
~:
•
'
•
1
'
••
.38 "'".o v~lor a.a: 01.lsa:a.ia.1 'rx, 69.
x, 54.
I, 39,
15.
|
; |
A |
facilidàde em.'encontrar. ·sepultura 1 V, 83•./ |
|
O |
poder da:virtµde: ~· 55, |
|
|
A |
verdadeira-e " falsa virtudes X, 113! |
Os -falsos missionár.ioss X, 119,
O amor e a. saudade da 16 e 17.
Pátria:
III, 21; V, 3; IX, 13;
dor do apar-tamerrto s IV, 93,
dos encontros em ·terra estrangeiras
VII, 27,
pelos coinpanhéiros de empresa: v, 83.
conf'Lança nos amigost VIII,
85,
provas sociais de amizade: VIII,
62.
O sent:i\io presságico da vidas I, 84,
Os receids provocados pelas pr6pria.s intenções maldo-
sas:
II, 9,
credulidade ne.tural nos. bem intenciona.dosi rr, .16,
.os pe:r:igos: ÍV, 29,
a eapez-anças VIII, 66,
por, vezes único estímulo: V, 66,
desEÍspero: V, 70 e 71,
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