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presente

ensino. secundário,

trabalho,

que agora se difunde

foi elaborado

para todos os professo-·

por um grupo de pro;f'essoree

do .

a- soli.d tação, ·da Direcção-Geral.

 

de.participar,

de

com a intenção centenário

da publicação

de :11os

de vinte e cinco professores do cão-Geral "promover a·.elaboração de um o. objectivo de fazer nomeadamenteos do 3R

usaz-, formaram-se subgrupos vária ordem fizeram prolongar para ooncLuaão,dos, todo o grupo em Abril

nos traba;Lhos dos subgrupos dois .profer·· autores do texto que segue-

.

a dâ.d,áctic;iade "Os Lusíadas"

colfi!,>;aS•.Umaproposta que não sej;>,o,ri:ti:o&.d,é},pa~ que, ganha a eXPeri~ncia no novo

·· ser ~fol'lllu;Lad<Í;··.•~er~ comprazer que se reoebel"ão, · q~rA~ cÓlegaç :e:X:perientesquer de joven~ que

e

.•

a.(i~11;er•.O'imP<:>rtante

~.que se acz-edí, te

estW!o do po~~ O,e Cam5es, um tratamento L~ .e é),ue.v recupere para os nossos alunos

'-e-z:~o·::'.'.-;

e ,~

, ,

0Abílip Alves Bonito Perfeito

Viana de Alvarenga

Ribeiro dos Santos

Cust6dio Lope13 dos Santos

ria Re,belo Qu.intela

Fráncisco da Costa. Marques

Lu!s Simões Gomes

de Almeida Sousa Gutierres

Mq,ria Rosa· Br-agariçado Rosário . Duarte de Rodrigt.tesRamos

vivo reconhecimento

a· àtingil' no· estudo de uma obra

estétióos,

li ter,áriaº

ideol;i1gioos e morais oontid:os na

da mensagemde "Os Lueµadas 11•

·~CJ'O :PE UMA ORIE!iTAÇÃü (}ERAL RELATIVA l DIDJl.CTICA DE "OS

IAS11

18,

18

ÓÓ;riiiid.eraçtlesgerais de. ca;[láoter didáotioo•

19

'D~oliioa.s.de ensinei

23

de grupo;

23

'debates;

23

estudo comparativo de textos;

23

dramaÚzaçtles; ·

23

temas de redacçlfo •

, Máterial .didáotio~~

auxiliares

puramente vj_suais;

J:. à)lXiliares sonoros;

J'aiuc±liàres aUdiovis:uais;

,)'mate11Ía1 ~ elaborar peleis alunos ou em oo Labo.ração com

:

eies;

e) textos .auiciliares•

de 110s Lu~,!adas"i

,'li:)' indioaçtles: preliminares;

b'Xp+anifioaÇão.

26,

27

38

38

39

estudo da narração a) introdução•

o} a viagem;

o)

à mitologia;

d)

conc tusõe s-

de "Us Lusíadas"• (viagem e mitologia);

A :j.mportânciae função da matéria hist6rica;

a)

indicações preliminares;

c)

o aprovei tam,entodas fontes hist6ricas;

o): a apresentação e o tratamento da mar-í,a

discurso do Gama} descrição das bandeira;i; profecia$.

a) su~stões para o estudo de alguns epis6dios; "fermos!ssima J\laria"; batalha de Aljubarrotai os Doze.de Inglaterra; -,Nuno Alvares na descrição das .'Qandeiras;- s. Tomé.

estudo·das reflexões e comentário~ é:ríticqs d.o

prêi;ê.ndendo-contraria:r

os ·objectivos

expressos

no Pio :.

ainda. em vigor,

mas ·aeseja.nqo,

na. medida do

aLcance , a. seguir

expl!ci

te 'e seu

se. apresentii.

'

op.jectivos

·

-

que deverão

do elfilino'~

ser convenf.en'tement e ·

I;nteressar

inane,n~e

o s alúl'!Ós na mensagem humaná, universal

·do .pqeta., Levando-os a -descobrir,

na 'epopeià,

e per""

o

--~e os.póss<1:~auxiliar

na compreensão do mundo e dos b:omen~.•

nos alunos,

através-

da. visãe> épica de C!!.mdei;:,o·

não scSpor uma é-poca pa.rticular da hist.Sria.-de ma_s·t<;1.mb!11n'pelo conjunto da vida nacional irifcio•,e' pelos seus. valores permanentes.

compreensa.o"maí s exa.êta pelo Poeta nos ciei'it!ticá <ie coi-ihecer).

e

norma lin-

do tex't.o

_evolução da l!ngua e enriquecimento

,e ~n:tes ~e concretizar indicações d.e ordem did4ctica. relati- Vàâ i!.c estudo !ie "Os Lusíadas", seja-nos permitido introduzir él.lg11111aE1

.···cóns:i;der@.9Q°es,talvez peJ.'.tinentes e necessárias,

···.•/'â.;atingi!'. no •estudo de uma obra· literária ·· gerl!,1 de ~iceu).

sobre os. ob~ectivos

(mesmoestudada a. nível de

Comoé evide~te, as reflexões que.apresentamos e a inter-

t·~retação ·<tq"e_pres,suí:i,Õllm•baseiam-se em leituras,

mas sempre af'erida.s

';.·,•;Pelaprá"tica.''docente .e ponde;rade:s.de acordo com a serenidade

•.gf,Unen"toque deve. caracterizar todo o professor. Que nos seja

de jul ;; relevada

. a: simplicidade de tal ~ntenção, mas estamos c.onvictos de que, para

, "•.13olémda "leitura

de cada um", mais ou menos inteligente,

ri·ca 'de sub-

·"••''~ject:i.vidade ou demasiado f'orma.lista, convirá muito que todos os pro-

;·'~~s~o:r!s se pÓssa;inencontrar em perfeita unanimida.de ~obre a inter- ·

C:~rf:l,ta9ao,de pontOli!f'llndamentais ·.sugeridos

nas Instruçoes Programáti,-

,ca~,. <> <IU-8 sé oonside,ra imprescind!vel na tarefa que lhes competes

·~niiínar a ler

. cáda.,1lQr .~<tnsiga imprimir a:os seus pro0esêos de ensino.

""',independentemente da originalidade· e eficH!ncia que

Se; colDotodo.s aabemos., a' obra literária não pode .conside-

·~r,

l!u autor - atmosfera que e:tpl~ca a gtfoese da obra literária e

éi;id.à as gJ:"andes'Unhas· de pens,~mentoem que se

I9 ,P;i>odutoda sociedadé, ·oomose não limita a reflectir ou a tes-

sedesenraizada

do ambiente social e hist6rico

em que se si tuà o

des- '

ela não é

insere -,

iµrihar.à,s yáriaf! circunstftncias ou episcSdios que ca.raóterizam él

i'ograf'il!, dó

seu criador. E parece b~l repetir que a ,literatura

â.rte, ar:t,e da 'palavras o !'riado:r::literário,

a.través do material

iiigu!stico que·seleóciona e forja, transfigura a realidade de que

inspir:a; recri~ er utilizando processos literttrios espec!ficos,

trahsmite. a sua, visão •do Mundo,o seu. idettrio, comum'à

época, mas

·

,mais .ou nienos enriquecidt> pela :i;nterpret1!.9âopessoal e

pelo .poder

'J:,riadór d.e, que disponha •. Assim, a.s ideias contidas na obra~. os valo-

iê,s,einprais',. ~no.sCSficos,·ór!ticos e :rel~giosos, nela expressos,

t3m

·~.IJ,~is~ut!velinteresse e. imP()rtftncia, sao mesmoimprescind!veis

para

~'.f!~ -to.tal •apreciação; maá s.~.J>Odemser interpretados como partes ;;i.l!fé~~teiii ide um contexto,·· organizados com outros elementos cons- .útfvosº de 'lllll;todo - ,a obra: literária -, e inseparáveis, portanto,

mane~l'a{º?Tºforam expressos· pelo

·

ha o'brà li teráz:ia, as ideia.e não t3m exist3noia

''· ;,:ihd"e.Pe~de11te1como~na filosofià e num d,epoimento social e

;{:,o~ e.fe~t(),

o.J.lpoiíti~•: MAÍ!t·11.n:teà·;inset'.i~s. Ji~,lÍv,idâde, ·.ae;;en(~~~;ooiii~~~~J d.i.~ÊIe éxplica(l.as re'lll;tivamente .11.o todó em que àé in;tEiiJ;-~, ~oineu.;,;:

ta.das ein sua. ~ç;ão es~iftico-li;ter4ria., o que, port~to~;o~ftgª 'é>'</

pi'ofessor·•a. reoc>l)hecero

primàdo do texto

mora.is.:podem

-. Pc>r.isso~ •ººJ.1~1!1~Íi~tiqa~

ser id*nt:j.cp~ ·ªiii,ditj(fin,

f

' que oá va,lores· ideol6gicos e

·.teà autores da mesma.~poca. ou de lpooa.s diferentes 1 86 a ·tlfcniéa 'li.:.

ter4ria.

dopção de éonvençÕu Í,i~!sticas expressivas, revé lada'E!#o· cri t4rt~ c:omque o autor aproveita e a.plica uma s!Srie de artif!cio11e~eó!fi;

oós da literatura.- individu;i.liza as criações lit~r~rias•;

.:.:.caract~rizada. p•la escolha. de soluções adeCÍUada11~ pel_â~,ca;;

·•··•······.···•••.·•

1 'cialmentê esMtico, convict.o de

· Interoya,

pois, que o professor ad~ptéum orititrio esse~

que o que. interessa. i'wldanle.ntalment,e,

'

co.n~iderada . comq - a.rqui tectúra s ignific'ante. Dentr0"4!i.ta .l>ri'n.: .· ·'

taçaq, esforçar

ba.1.da obra, nos meios expressivos utilizados

cesses liter~rios que adaptou "" tudo o que precisamjmte oondici~Jia

Í'evell!l,OS. objectiVOS. do autor, e a'!;rav&s dQS/quais ele tradµ.!IJa·· ·

e

a análise da. obra em si pr6pria, na liua unidade e .u'1:egri,da.aei< '

se-4 por levar o alun9 e. atentar na coiis~çao

gl~,

pelo poeta e. no~ Pro~

·

·orientação ideol6gica inerente à obra.

··".· .

.•·

Obsefye-Se'~ .por&m,qÍlf'leste cti;t4rio de a.ril''i.IÍ,Çâô'Íia. ~b~. ,·

li;ter~ria não s6 l.mpÜqa'a, atenção 'aos aspectos. tJ'.a.~ic~onl!l.'lmentecM,;

Iliªªºª formais, oonsti tuídos por •riza a es,trutura e oà materiais

um

da obra liter,ria

·conjunto .de elem~ntos .que caracte'.'

:

c:i~em.e

,e.trut!i.;

;.0,

constru_ção~-ilná"." ·

g].níátioa, sistema. de metitforas, es.tl.lo comparativo,., mitologia, es: ') tru.túra mátrica, esquema.r!tmico, caracter!sticas do glne~C)_l~teri:.: ;/

7a Pf.• ll!ln'atilr:ª' esqUema.do enredo, pa:ra~elismos'de

,rio

a .que Pertence; etc• -,·mas' abrange aindl!l.o processo tota'l. d~ •.~:,,··

laboração e de transfigurl!.9ão liter4ria.,

ca.d0, na medidl!l.•em que. engl~ba o tema. e

o si~ifioat1tece

o,.sign~fi:.,;

as r~corríncia,à qt1e.iJDpl:ioat •

-,

·.a

intriga.

.ou .•acção L

a

s :i,tiia.ção.e -.ca.racteriza.Ção da_s•·9il~Ei- e ~rso~

~ns, arelaçiona.Çl!l,O ~ dependbcia ent~·esta.s,

-O Íde~rio que O autc:j:l'i

··

···<'.e!rllrime at-ravás ·.eté., · elementos

4eias, o. carácter .das. suas intervençÕe.s. pe11soais,. cónsiderados tradicionalménte

eeee iiiçlufdos -Dá" Ilia ,.·

·t4ria 'ou contel1do.

Ao subli~ar'-se

a naturezà'pechliar

da obra litez-~r:i,a

sua. finalidade. especff'ica - origi!Ul.-s'e v,a.imaginação cril!l,do:ráe .dest

Jll!l.-seessencialmente a d.espertar o prazer ed,tico

-, i~si~t~-se

. damentalmente na· sua. constituição

particular.1 que .se t:ra~11~P«>.r;.:Qlll

e.stilo_ i!ldividual· e epc)cal, ellccO~oZ'a,ndót~to

o ~ist6rico e humano, -Poz-isso, 86 po!l:erd:ser ay!'-liadl!l,se~<;lo ·-º: • cr:i,Mrio estático~ qne 4 global e :j.ntegral, na medtdl!l.'em que",este < consid~ra a obra.litedria .comol1lll todo, composto départes1~M••ê>~

luvelmente ligadas - Ulllª 'fo-rmas:j.ghificante - e se tomamem oonli~~íi :2

o factoj:. soc:i,a~-;c0m!)

- suas qUalidades e !'inaHdades pl"<Spria.s

.

.,

.

.:;_

Repele-se assim a velhà -dicotomia ou d:ualismo de ,':f~~ ·.•.

aspectos que de~m considerar-se

insepard:veis-e-éo~i~

dos os elementos ila· Qbra. iite7.itria

tC?doscontribuem pa,ra ',a realização

são fQ~'i_s;/xo -~9~ ::

inte?raJ

dc:iL•. ·- "

··a~to;~·· tqdo~!j>ií.rtipipaJll'na obt~nçã~ do efeitó

.

se Prete.nd~. ati:pgir. Note-se ainda que, 110 caso dé "Oi! Lu-., ~,ponto de v:ist.a escolar, e e.mdetriménto da up.idade in- .

'·P-0ema,·siS parece ter,

se

considerado como fornía. a es.trn-

ical' ·qué, como:: sabemos~ tem sido supervalorizada,

i~á.da pÓJ:"meios poupo adequados; ou então tecem-se

ou me.•

óonsi-

sóbioe o. idei!rio ·e .o significado

da epopeia, desligando

concepçÕes estéticas de CanÍÕeá,expres- ·

o 'seu ~oema, qu:e '' em si mesmoplen&- estético.

semm:do este critério;

coni"lidera

,sea

obra literár.ia. ··µin eon-

'çe ·a.um!\ serie'dé>l'ªdrÕes.t

'sinais e símbolos, uma construção cuja arquitectura

de convenç,Õe:se de artifícios

obede :,:

previamenté

E é,.

E!l!ltabE!l,e.eidospela tradiçao do gl11ero l.iterário

e.i;;ta.a,rqll.Heçtu:ra.simb61ica que convirá· sobretudo r.evelar ,aos al)lÍIQ ;ii

l'ºr me~o de I,e:i.tu:ras .colllE!J1adase,,atrav.S~ de UIDª,análise adequad)l,' ·. emb,oranµm,grj"u•d,~.ao~ssibili!iadE!.,<'Ple.•.ªeadapte ao •nível do clll'so do;.LicE!À~f()•que,p:re~$ufÕ.e,Ld.a•·Par'te.:do professor, ·U!Da.p~epar~""'i euidadi>E!I!.,aetivamente completada pelas suas intervençê;es na a.µ.-,;

a que pertence;

,

.

As!Sirn;.seremos Íevados a. eoncluir que, Q objeotivii do estu-o

a sen, ,

-~í!té'J;ióam~11t49,reRonhecengó que se ciist ingue por umª' autoi;omia:,

guâlquer •.()'l>.ra,literitria consiste em tol"nar o aluno •.apto

~. ~ay~illalid,a,~e•, i.1'.lte:i:-ne.:,aprendendo· a. â.Jia,lisar ea seus

in, ,

n~ 'cl11i·.ide1J,tif;ica,çaocom todos os oútros. valores ineren"" ·

~te~y6~!'.C?,&<e. 013 v~lores lite#rios

e. lin.gu!sticos,

élltrutura•

·

2

;'os

valp.res estéticos,' ideot&~icoà e morais contidos na ei>o'Peia

-,:

o ptoo:t'essoroonsciente, mesmoo. ~is escla.re~id,o .e infórma ;;··

dó; .·não s~ recusarit a meditar sobre estas questões de intel".eÊls~fün; ; dániêntal para ·todos n.Sss .:. Que_estudar n' "Os L11s!adas"?Que·é a •nos:.:

sa· epopeia? Emque ·asp.ectós convirl!t insistir -para que e>salunos a- prendam·a apreciá; la?

As bi.eves z reflexÕé.s qüe seguem.procuram consti:tuir; co.m.to ;

das as· defici@ncias que. lhes ·reoonhécemos, um contributo, uma.achega,-,

que ajude a libertar

deturpadora de paixões e .de .ideologias.

o estµdo da.epe>pefa da interfer@ncia -

il.busiva e

,-

;·:-'''

Limitar-nos' emos,

portanto, a apresentar rápidas S\lgestÕeá

obra liter1(ria é um to.do'Ór-

de leitura; insistindo sempre em que a

gânico e que o seu corihecimento deve constituir sempre a base de to- ·dâe as'apreciaçÕes. A aµálise dc:>svalores adiante apontados não po-,

.der~ se;r fe;i.ta separada.mente, como indicaremos para. comodidade de ex-

':;,;;··: - · ··posição, mas de forma global, integrados no contexto, conforme jl!t.se

'-';;~• -'re·feriu.

0

--

~

.( .·-··

-

A maneira como será mais.conveniente proceder no estu!iO.do

segunda,parte dês'-.

Poema, segunde o nosso critério, te tra.balho.

ser!!: e:itposta na

=

.•

. Retomandoo que já dissemo~, há em cada obra literária

um

. ;

estilo epocal e O. estilo individual_: O. Segúndo inspira-se directe,-

ment.e nó primeiro, mas distingue-se dele .tantc:>mais quanto melhor

. ' se a.firmar .ver sabido

comoe:x;pressão pessoal' isto é' quanto mais o autor ti":'

inovar, .recriar originalmente o que é legado ele gerações,

pa.trim6nio .comumou e.té, uní.camen+e, modatemporária

uma.tfJ)oca aí.nda,o reflexo, o·:fruto dai;!

é

··

cultura.is que a. domí.nam; do ideal que se pretende·

modelos estéticos a. reproduzir. Não podemos, pois,

abstrair des.tes factos .evidentes,,

verdades .reconhecidas ma.a freqúén,

obliteradas,

ao aboz-daz-o poemaépicoi Ca.mÕesfoi um huma-,

nista .e uni renascentista, e o seu poema.é, em primeiro luga.r, uma ·obl'a literd.ria. do Renascimento, que tambémnão esquece o, importanie contributo nacional implícito neste movimentocul tura.l. ·

Ao fazer. notar aos alunos CI?-e,a estrutura. geral de "Os Lu-, ·s!a.das" (a sua macro-estrutura) ée modela ·essencialmente sobre a Ene;i.da, quer J:la .urdidura d9 enredo, na.fànta.sia dos ep;i!}6d:i.os,1]-ª ess@ncia' !ntfma. de muitos conceitos, que,r no pr6prio estilo coinpa- ra.Uvo. e .no material iinagin!stico que o constitui (embor-anela se reconheça ainda.a ;i.nfÍu@nciade outraa fontes literária.a clássica.13 e rena.scentes., cuja refer@ncia poder<!:i:luminar ae intençõe_s do P9e:- ta}, p'oder.1.·concluir-se erradamente qile 'o Poemaé unicamente subsi- di.1.rio das sugestões da antiguidade cl~ssica, sobretudo la.tina,: e

, ].~t'[x'~tllJ,'~ :l:taiiana da sua ~poc!l Co11~irõtentão <r\leo professor tê,n.ha 9 cµ,id(!.dOde escla'z'ec;er. d,e,µm modo geral o sentido e o, intui_; to,desf!a tl.j,.mitaçãon; <r\le, de ,m,aneira nenhuma, o.Poeta procurou en_; ·

co~i-it~

.\

l

.Comefeito,

todas afj semelhanças em relação aos .modelos

são propositadas e tidas na conta de virtude rnétxima,segµndoo Pª""' drã,o art!&ti()o de ayaliação da. obra. l~terõtria., vigente )la época,

esfe>rÇa.ncJ.o-se•sobretudo o Poeta por nao, :ficar

Por; iss9, •interessa fàze.r. sobressair, Piara 1' desàa concoz-dânc ãa ()()me>critério epoeaã , e.vidente e. não contesta.da, tudÓ o que cons-.

ti,tuii11oyaç~o•- aquilo em que ultrapassou .os cãnone a da

os. despreza,r, .aabendo ser artisticamente original e imprimindo. à.

epopeia. port~esa uma vibração .de tom e uma amplitude de signifi-

cado •••.europeu. e crist~o. -, que difere de todos os ,1Ílo4e1os·•em que

se inspj_rou• Em tudo isso, a:fina.l, reside a razão por que.,.;ve?1,9euo tempo.

aquém dos .originais•

vitalidade

épooa aem

do seu poe-

esqueça <iue, no Renas-

cimento, a a,rte constitu!a um i4eal, um prino!pio superior de a.fe- riçã-0 das realizações estltica.s e literõtria.s. Assim, Camões foi,

ante à; <'tetudo, artista e, para um a,rti,sta do Renascimento, a arte

i(ientifica-se com perfei9ão

tru:tural, harmonia r!tmica. Da! que muitas.est!tncias

brem quadros de, )figµel &1J€elo, de Véroneso e de outros.

Co~vtfrir talvez qu,e o professor não

formal, beleza plltstica,

equil!br;i.o es- do Poema lem-

<··

':-,J)evemÇâJíind.a,.ter

.Presente. que

CamÕes,

so escrevei;. "Os

~'liE!!a<i~E!"•fl.O ill)ita com ori.S'inalidade os modelos da Antiguidade,

a() e.~~l!()~a~µma,'linguàgem baseada essencialmente. num sistema de

o emprego da, mi.:.

tolôgia), a.ti utilizar Íá1;inismos, dirigia-se implici ta.mente a. um grupo de virt1111-~s~eitores, todos pessoas cultas, inicia.das. jét nessa técnica. ai-t!stica.Le a quem, portanto, toda a Lf.nguagemin- directa., f'ei1;a ,dE!alµ,s,êiescul,tas .e. e l.aboz-ada aegundo um conceito

sUPerio:r. de :S!!leza, era famili~r e •exigida. como meio,.natural .de

e~res'l!ã'o ,literiri~~ ··.pnp()z;ta, .Porta.nto,. subl inha.r que .as e:qilicà- ·

r

·•l!let~t',Õra.iJ.edé illllagens faio quaLpode radicar-se

o'j)rigado a dar aos aeua alunos,

·; ,:çâo"' nllcesslz;ia para a a;preellsão dé aluséies' inerentes,

~ são poética, E!,impl!~i1;a,s no pensamento do autor, leva-nos, por

• çoe'a q,ue<qJ>J.'ot'eE!sor4'

a ••trad.u-

à ex,pres;.;:

.,~.,

· .}'S.quinte.s da l·j,,~E!lll p9ética,

a esqueoE!:r.~ert,os lugares-:-Óonnms•·da poesia da. época e os

apreciados

pelo leitor Jl,e>eni;ão

.:. - cillta-, a'l;'istocrat11-e }J,umanista.

Ó/,mes1110sen~i*o in()vdor7 .mas ali~do à shbmi.ssão às ' norma~ !lâ ,U;nguâ, •13e evidencia, .considerando a epopeia. ao, ponto de yil!ft!l:li~!stico. Efectiya.mente,. a "l!1JgUa",.de Camões.:é ain- ,~ ~.nossa, pois. o.Poet.a soube .fixar aquisições. e oonstruçÕ\J.~.·jõt ·~talizadas, Bl)l>e~te aspecto, PE!los'se.us predecessores e éontem-

·;'

:;.e.";'>···:.'-.~--''';_:-···

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latinismos gra.~i'1cais e

ou, pe7

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/~

P().:t'~neos,.dando sentido novo a termos jét empregados por ou,1;.l'OS;'---~~- ·-~-·~~·· ij

a.\tt<l~ª. ou in1;rodulilind.oneologismos e

~~;itiç~~s com 1;al P,r!)Prisda.d.eque ainda hoje os_~t'imos 10.íl\enos.fsomos sens!veis sua: bele~·~vel.

·

< • .: 'Xas o J.tortU:g'uêf.lcÍl.moílianodiéti~~

}cr~t}v:os e' picturais,

:se

al:t>Ciã.il~r:-cio~~-'d.e~::t arte' 00111 ~e: Cà.niÕes'

associam na. êpoP,da

.'!>aséadós essencialméiite. na

~~4a.ptou o eàtiJ.o cÓmparativo, caracterfs'l;ico. das li tera'tlll'a.13'.(::Laséi;.;;

; ()as.JAssith7 so'!>·? aspecto ·linguístico, ta.m'l>4inse

a a;rte do Poeta· e o aprendizado pulto,. numa adà.ptaÇão genial ••·.qu.~.eia, ·

;,; :l!~éteriza ainéj.a hoje superiormente um estilo individual. Note""".~eai1;1.0 '.•'.}-jcUi ~. imp~rt~n'çia do conteiic1o da obra. camonâana' pa;ra a fixáção"Z'e~ativá'

'"'::do·~ortí.tguê.s ·literé'.rf!>•· Compare"".seain(la: a moçlernid.ad.e·da l'íngua,:e~ .:

aeus contempor&neost nâo:13~ ·

·.füJ:'~giÍ,dapó!-

;' fl~I1Síyel·a.·proi!micJ.ade •Úngufst ic~ .co.m.O.fiÓSéo tempo, •.Ôo~O.~e:i-mtuie-. · 'o:e ce;rta C(l!Ícepção dã vida., certo<matiz da •sensibilidade,aspe<l;tos Í>.e.:.

Càniqes, çom :a do11 humanistas

çuliàres

de 'um povo que ó. Poeta soube captar e com que se 'ide;iltificou.

-c-Ó. ··

.••··.

corlviré: a.inda nobr que Camões, superando as tertdência·~,~~i~

da. linguagem po4tic:a do

,seu tempo, fotroduz ·na poesià t:e~n)os

:,;rea.:LiE!tas- né'.uticos, geográficos,

botânicos, .etnogrUicos

-; 'nao be elo quÓtidiâno,

si.'f;ando, por ve se s , em cingir a d_escri·ção da realidade,

• at;ravés

40 prosaísmo,. cujo valor expre!llsivo e lite;ré'.rio s~ :fo;i. rec.oribe

·~:íidoI!- pà.rtir do século XIX,. e que n' "Os Lúsfadas" ganha l'lo'V'o;valor - ·

'.em e>Poaição ~"linguagjlm indirecta.

·

,

.·· -.

E ainda'.' conveniente que o professai: leve o .âluno a a1iimt:ar

ntl:a•y-«rias lin&'\le.eéns ear:presse.s na. epopeias por exemplo, .na li~ge!ll

dá ironia. e dá esporitaneidade,

d~ um humorismo ponular; na. de tn@s de Cast:ró, imbilfda de remi!J.i~d@n~

.e.i~s. c1~s~Apas', pr6pria da figura que 1 .enobreci~

t~go.o.tfa

é:çti:[-;

<l~Veloso, e~res~âó

exeniplif'ic~tiva

atl

alca?lçar a: º!Ir-'.

Distin'

:!iemito;

;se4:assim

ná.rdo ;\dama.ator, com os 'seua vé:rios registos.

a nart~:tiva féita

pelo autor daquela.· em que .este fali

a~r~:vl~ do' 'Gamae atentar.:.se-4,

'>>v()cab11lé:rió',,'.éonsoánte o ·nfvel

,. ~?lt.e,:r;éssanteverificar, :.',i/ajµ.J!r Palp1tá .hunianidàde,

'

'

-

-

-

'

-

no· emprego .de determinada.· quà:J:~dà.dede

de.·li~m

óoiJi~ .~f" fala,s dé Jie;eo e 4e,,,v.r:

ení••.que f:le i.ri.sel'e. ·E seria

· ··•·. ·. ···

.· ••'.··./.,:,·;

;:::; .;,_- -:

~-'

~-·

co.lría cl~sàe,

.ténsão psfquióai·

Ma.stod.b o Poema s6 pod~,éônipreender,

.

·

,.ot:)()nic)

de. pia.nos· in!ie:Pendentes que n. j,.nteey~etrallJ'

se,

tinoarárld()

·

um f!Ísteinà (le estruturas,

<

;.s'ó~I.

.

,, :·sHi~ari~ménté, ·como éteme?lt~s

4a Vl.:Mem, o p'Lano da evocaçao

,d~ um ~on'juritos º. :Pl~o mito.16~ico ê. cr;.

his.t6r:!-ca, o. pla.no. do. comenU:rio. pe1F ,'> ·

· ····

,.··

''col!lo já·s~ .referiÜ,

-. o emprego da.·rnj,.1;ologiapode.·~9~Etia11ra~--

-:

::··~;··.<<<

::"_-:<>:-·- >.

:,

.:·

•lile

o desdobram,$nfo e o de,aenvolvimenfo do sistema 111eta:t6J.'iÇoqúe én.,.

yolve t.odo 9. poell)a•e. que cul,mina na I~ha dos ÃJ!lores,.pela mitificação

 

H.ij:lt6rià,.;.mas correspon-

·.@···

l@del,?S da's antigas epopeias, nas quais ~nter.ferem

ta~

qt.\e.ºª . uses na eµopeia camondána de algtlrn mod.oconstituem a, pe;rso-

Ji,ificação

dt:).s''he;r6iil, :cru,zando-se .•entê.0-"Ço.llJ.o p;Lano da

~.i.m.,u.·.l·t··.ª.n···e~.;m.e.nte·.·.·.ª.º··

ír·

ªP·

·.·e

º. ~.ª. ~.• . ··.ee.··.·àà iim,m

i.·t

iittaaççiiãoºº

c.len·t

n.s.·

e.·,

na.a _lu.o \

:·.Ç··.··.:··.·.·.·.·.·

y

dº.·.i;i

·

oa homens e assumem a: apa,r~ncia de algu.Íls• .obs~~-;-'-

,na:tureza., não s6 como sfm'6olo dlilo rE)sistencia' que o nnµi: ,,

'•.·.·'done•tural''&:f.eteceu ao s l;'ortugueses,· mas .PQrquf1atl'aV,és,del:e,s;~;xp;ri;

'f,'.i mé>o Poeta .ª· Ji:enl:;â;.Qda. vida. anfmica,. ·?i!l~IJ.l.e primitiva;

;;.rT-::':nés~homElns,na l!ledlda ·e)n;.qtie

,supe;ra'da' ·

estes

éstio :.SIÍl>ordinados áo dever, ·.1ie:n~

-.; cendo o (pie de mais. h'.umariainênteinfé2'iot'

;.é?.e~iste .•na condi9ãíth~~

o.

os processos

por

e sentido

do é

:

lhe era"! posto13

~·A~tmlj,se. Ús va,lores estéticbs

não se limita,

pois,

év'pl.rikrUezà de expressão, à musicalidade da li~gem :elt>(j'\lt!nciavibrante. de algume.s ta.las, à propriedade do e~

?Í!\vi!rio.13nJveJs e registos

de linguagem, à .beleza d,as. de~

~wf6rioas,

mitol6gicas

e naturalistas,

nem a' distil1guir

a

,

?r!'l de ~. eJ5~s6dio, o to,rn austero e ama.rgµ.radodos comen- os, ilªfil;8Ó'áis;.·ó*' á, qonyisão de certos versos em que o pensamentb cpn,densa·.·em.máJGílnalãpidár.

~.:.; -~;

;~---

- - -.-

,. ';

Pel? ~on:t~~~ºt .se~·~b,st~air da· atenção' à ri~eza. do. sis-:'. : y-oÇábular e 13intáctico do Poema 4!'. das auas caraeter!sticas es.;;

.fc·p

li~is:ticas;~

a compreensão global da. obra~ que presidiu à organização

a;.oonexão entre as diversas partes e e1ement.os,

ab.range sobretudo

Pl'i~n:taçaô: dê c11:ré(ctera.rquitect6nico

. ~ •s~s.·est~ture;'a,

:,;qu.~;le;vãr:( à. a~ii-ãr a obra. como·~· "monuinento", independentemente

d);13-í(àlo;i-esinerentes·

a qlj.B.lquergrande ob~ li ter4ria

.

''

. ~tente

po:l,s,' particularmente,

§ P?eta B(.)V.be.sncon~r1u··iiara resolvsr

se,

nas soluções estéticas habilmente certos PJ:'.Obls ;

aeu ide'1-io;. os. elementos consti~

c't;ivo~~e::o11rd.aóanto .e o i;iúm8ro-.de·.estltncias de que se com],)Óem;a

IÍ19,:9='ife'~c.a4&<;qanto>{J:ue·transparece do respectivo inventíbio,. e

!l·eBJ!~C!fiõH .•e. (j'\le deri~cia"! o

'?·

r41:J;iiibólism;offne~ente'éayítrios epis6d.ios ;

cons7rução .d,ps epis6diO!I .·

-

si~ ;

parafe'liti,mO~ÍlJ!taJlelecidOB eritre. eles e sua correspondente

ão siméti<ica:nó Poemà; a .se,:i.ecçâ:o des· epis6dios hist6;r.icos e •.as

ns~es que estes.oçup~

· da lµcdia,··a;),guµs:àeú,s.99ntêmporâ?).eos; ·.º processo de tran~ti;;.

llll-

eóo~oµiii; d,.!!

~ilopeia;

a exaltaçã9 dos

poética .da; Ílist6ri_!i de P,ortugal; '.a Manica em.pregada na.•nar-

 

'L·;hist6rii·~.Q

:Pf.o'cesso çJ)mÓo 'Poeta estabelece

a tr.ansição

·

.

ià,m.entoentre Mii.;t6rià na.n:.a.da pe.lo Autor, hist6rià nartà.da

·

cp·da:<GA~ae pelo "U.!llão ·~hist6r;i.a." profetizada';

a; p&},op,oeta ~<l>!!t~?~odo

il)~gE!'e~ÇS.é.~()·Pc<>.elll!!.Fe- S'.ig.ttit'ic13,do1mpl!c1to nas.·trans:fer@'llc:i.a~

s

a· imp,ortb-

(Iam.ª?reve~ada pela pe:rsist@n?ia.

narrativa;.·

o. e-,

resultante

do.·parale-·

~~dÕ.:(;','e"':â\;;in~e:ira.cómci·se p~e@ssa .a sequ@ncia

bJ;'iq'.,su;e.essi"T,iÍÍJi(ilite::·:a.lçanç11.do•pel~utor,

l'$@íii() estab~leoidó

f.e~~tução. Ms problêmás ·dá' n&çãcrde tempo, p~

elj:t.r~o'.planoºhi's:t6ri8:l''1l o plano mil.to16gico; ii

·

pelas exig3ncias

.

~.

··

inovadorà>--

 

·

.oriMna.1 idáde. e sentido

inerentes

à estruturá

àír•.!Jlirràçâ9:. ·

.·:··:·•···.•·.·:

•.• •EVidencf~.--s.~·âf~d,i.t.â:

9J?9etâ. '$v.pera'a;S'i1tié\ildades

}(iára,f:t11riza I/' ep9péia pott1.ljgllesal O enco~tro entre OS,dois pla-

. aá-viagem.e,da

mitoiÕgià.-·e

a glorificação

dos :feito.e dos.·na-,.

·à,.sl,UÍ.·mitificaÇãÕ;''ª -~xaltação dos factos her6icol{/a.nte~ · ·.';t'Élri()res à, v;ia~ní; â expressão doa valores rena.scentis-

1

(humanistas, individualistas,

naturalistas);

ô aproveít,alll~nto d~s ,,

cor:l-entes culturais à.inda v.ivas na tradição Hterária,.

como.tainbén\a;

-,tràne':t':i,guraçãode personagens e de. factos, vulgarizados

pela

.tra,dic;:'âq''

oral.

'

Certos E!Pis6dios justificam-se,

portanto, pela n~cesatd~d~ ·

intrínseca. éla economia.do Poemae pela intenção do Autor~)'lecordein;,.s',ei'

por exemplo, os seguintes: a, expressão .do .que havia.de contingeA:te.,~.de;». :

huma

proveitando a sv.gestão clássica. -O.oscoros da tragédia grega; -a mani:f'e·S"'"':')

ta.ção directa do ideal cristão de expansão da. U - que era simul,:ta~ei;i:~::<· ment.eum ideal cavalheiresco e huma.nis·ta.,ao mesmotempo qúe' rE!f'lectiã'- ·

a consci8ncia

exaltação do esforço da "pequena Casa Lusitana'' e, a, Censura aos est~,,. >;;;

namente·.tri(gico,

segundo o plano dos faqtos, numatal empresa., a

;:

>

europeia perante o perigo da ameaça tul'.Cª--r por Dleio·~~(

•· .dos cristãos;

a inclusão num po.ema;baseado na. navegação·e ·11adescober;·.~

·- ta geográi'ica, de uma descrição da Ter~a, enquadrada numa descri9ão: é[o.-'

;

Cosmos1as reflexões e comentários i>cofrentes em.vários passos do Poe,:

ma, dando ao .domf?liÓfactual uma dimensão lata e al)rangendb-a por uma ' ./••1:;

interpretação superior, penetrada de meditação tic:oe

filos6ficà:e

sen'tidO' ,crh_:,:=if,t1 · · '·-.\~~1

~'!~-:-{:;_

-

De acordo com o critério

global, já defend,i.doe justi:f'ica!i0

a p~op6sito do!! valores estéticos-, intereljlsará,

popeia ,os -oaráote.res, p;r-oíUndbs.e. permanentes do seu ideário, par!l"aJ.fm das. formas de ,pensamentoo.aracterfsticas .e exclusivàs do seu té111po~.' ········.·· Por isso,· convirá realçar o que permanece, por ultrapassar :os và.lores /::··,;,;•'

transi t6rios da épooa, em que v:veu.

- -: ,~·e,y~~

pois; distinguir' na. ê-.

Convém,.Pois, distin~ir

a parte da cultura recebida(quel':

o

Poemareflecte a tradiçao clássica ressuscitada, quero que re.:

cµltura.

.nacional). e a parte de•' 0r.iaçãa, origina,l Ú'

vda .a herança de uma

•pel'a qua], áe entende a: expréssão de 'no,vos

conoeitps

.crlieexigiam solü-i'

çÕes·pr6prias, com'e contributo 'da experiência- cuitur.al é pessoal do::.-

Poeta

"'

· ·'

. Acent'1e-se aâ.ndà que 136poderemos estudar os válore~. i~e'()~;f~ 2

gici:>s;.expressos na epopeia, à 1-uz'da estrutura,

época em que se redióa o Autor .e· do Lugar' que ele o na \Sociedade:;·;/

o que>".orresponàe a um ideário ~T6prio, a be E1ncont;rarexp:refjsão estética~-·

socia.l e pol ·. '. ·. á- • ;-'.,: '""

e para o qiial soui -

••

Homemde se~~mbro.

de urna aocáedade empenhadadesde Camõesintegra-se também'i;ionmne

sempre na c;r-uza~ontra

ro dos hurnan-is'tasportugueses - precisamente dos que revelam a consci•' 't

.@ncia,.nf-tída.do càrácter épico da Hist6ria por-tuguesa e. pana. quema

os Infiéis,

:'\}<

/~~},ii

,.reaT1zação da epopeí.a nacfonal consti tufa. o grande "deaiderato, ·-a

má~i+·.

.:·'' --;

ma aspiração.

·

-

'

Come:feito, as navegaçoes portuguesa.a, a cujo epis6dío central - a viagem de Vasco da Gama

jioo~~n\re i'dente _e ,Oriente'~. apaixona,.vam·:entãq todos p~·lo;aitpeoto·univel"_sal e 'Mmà.n!stico Cl'leimpliÓavam e por oporem às

~~'1des\epopéià.E1:fülAntigi1iiiade uJD assunto verídico. A expansão por- :,:~11sa \poss,iô~litEl.V'ª_~ind'I!.a realiza9ão do ideal humanista de def'e- ;,,;!1~\e.pa.cif'ic11'9aoda Cristandade, ao mesmotempo ll'le justif'icava •a ' :'foÓ~iali.9à na a't'irma9ão do Homeme do seu domínio sobre os elementos, ('ci~ntribut-ndo ainda para. que se u1trapassasse a ooncep9ão do llundo an :; -t'igo,, cujos _oonceitoá cient!f'icos .e interpreta9Ões Vlilgarizadas eraüi

o tema i-

-deál da epopeia moderna. Recorde-se .Cl'le-~á na "Utopia" de .Tom'8Mo-

co=,i!!;idaà ,Pelos moâernos descobridores~ Constituía,

poi8,

o Viajante,

o HomemUniversal, 1 personif'icado num portugds,-

Coinoo estudo de _nosLus!adas" tamblm-pode ser precedido

leitura' de t'exto11d.e humanistasportugueses

- sobretudo João de

'iBarros e J.nt.Snio ~rreira

-,o próf'essor deverá.nesse caso extráir

-portugueses,

, ?i'como_cõntribui9ão 'pa;rll. a epopeia nacional. Assim se evidenoiarão si

'1 :)/)cmultaneamente OS princip(i.iS Valores ideol6giOOS da nosàa epopeia e-

;, ·desses trechos _eistemas hl1!11anistasoaracteristicaniente

/;:t'; !le j'!lstificà:rit támb'm o --critlrio

seleotivo d_avisão hist6rica

que

'·· 'i'ttel;a se _traduz: a missão pr.ovidenóial dos Portugueses na.1·difusão da

-ff cristã

e. na luta contra Oá Infilis,

<ia.ese manifesta na conti~ui

:á,âde_-dá.nOS1l3apis-t6ria e.-que ·levaria A destrui9ão das posi9Ões ooU:

padas pelqs Maomet_anos-no Ol'iente (o que s6 era poss!vel de_vidoA -- vi!l.geuido Gama), atitude essa plename,nt'e justifioada., perante a a- D1ea.9a.que esteà, politicamente orga.nizadi!ll, constituíam para a.Eu- ropa.· ·

"O!! Lus!a.4as" são, pois, à. concretiza9ão estlftica dos ob ·:,•,jectivos húman!Bticõs, aliadoll a aspira9Ões de raiz naci<inal.

- -

/ Assi!D-z.a epop_eia.integra-se

di~ificà.9ao

ria lpoca rena.sct1ntista - c~

do Homem.eglorifica ·o seu esfor90 na oriagÃo do

\.Novo Mundo; valoriza o alargamento da e.ii;peri&nciahumana e a impor

_

\;t~cia: da observa9ão da na,.tureza; do exame directc dos fen6meno.s,-

,. •Ya.ci desf!.fio ao dogmatismo em matlria

Científica;

celebra a curiosi-

~fü'.{,·a,a.lie:'.j-:iája.nteimplícita no espÍJ'ito renascentista1 exalta, pelo Bl1

)S~:t)>JitC),éinebril'Í.nte crescimento do Homem,os valores vitais que ca--

~, _racterizàvain Gregos 'e Roma.tios,ultrapassando-os

- mas o se11 ideiric

\óp~irtitui essencialmente a expressão do ambiente hist6rico, ''e ·1iteri{rio_ portugil!!s.

social

,,

Efectivamente,

Ca.mÕes'f'oi um portugu@s do seu tempo, ra-

,dica.do ein condi9Ões de, determinado ambiente, fiel à. conceitos. tra-

oava.lheiresco, tradu-

-. dicionais,

que sé reflectem no áeuhumanismo

zido no seu_lellla de vida .:. nniia.mão sempre a espada e noutra a pe.•.

~"·A slla. epqpeia. devia, pois, re:flectir-um novo conceito de lie- J'OÍ-smo,que excedia o padrão estritamente humanistas o dos guerrei

:ros, dos obrei:rps da-expansão do Império_e da propa.ga.9ãcda_H, eiii

- 1resa.iique se identificavam,' segundo o id8'rio da

época,_ em_bora.a.-

~_im~ta do Qa.Dla.a.o Samor-im,revele -que Ó!!fac tores econ.Smicosda áilsíi:9 tamWm não foram ignorados por Camões.

Re-páre;"-1311,pois, que, na visão lpica. do portugu!!s de Qíli ;;;{~~·.s_intetiza para (:aniões o portugu!!s de todas as épocas',

de alargar ~ npeque!Ífl.dasa

. ,. ctmyergem e .,·se ideiitif'icam o i.dea). cristão. da' dj

e:xa.hac;:ã()do·Home111.~i ve.:r:-sal.em l wta. contr# a.e :fl>rÇ

lfatur8:

sua realez8:- .no tTniyerso. Assim,·.o Gamatem -de l~t!!oi'.cont

qu~,- lllitif;icada nos deuses., :u~e·iD1Pe.de.a ~

.

f'ísicas e ainda 'i'ociais1

0).iina.s,

a.s primeiras del'ivadae: de nov:os ··

noyoà·povos 1 e as segundas p:i:-overiie11te11.~· ib(f()Í!I;

cónte111por!necs, aque;Jfesprecisamente

id.eal ".:z:p11-nsi<>nisb,exaltado na epopei1n atí"tV,de/,

'se .~():<t':::;

que

pelas trag.!dias individuais acarre;taria.

que uma tal einpre11ane;;., .

. N9te-se a,inda que todo o Poemavibra de uma te,nsã~ interna;

result1Íl:lt2 de uma dualidade contrastiva que nele ~r_ocura concil:i.ação.•

ã e.xal.ti!.9aoda dignidade dó

pÕe1 s•a

;

Home111,pela divinizaçao da _Humanidade,.-o

·precariedade da natureza humanaf a consci8nciá, .f'requent•mêª /:

e da suà de.pend8ncia da Prov:i _,

·te. óonf'essada, fü~•.sua insigriif'ioância

d8nciat a•s~ta

Podemos ta).yézconoluil' que o que disti?lgue a epopeia.poriU. guesa 4 a .concépçãq U?!iversàlista e oria,tã que··ª pispira, manif'estàa;:

na exp~ssão do id~_al morai e da vontall.e her6i0a decum pôyo, pe~tti ·

Guarda".

-cuja empresa,·cs .homens, os

her6is individuais,

seapagam

Na verdade, estes detinem-sé unicament~ J>ela obedi8tj.<:~aaó

-,d!'ve.r J)àtri6tico,

··cietermina o fdeal:,tico. e polttico. O novo sentido de 'heroísmo \óa,mo.:

Jliàno '' pois, .de co11cep,gãocristã e c!vica,, ccincei~!,)Sque; no Po~ma·/

:se idei!it:i.f'icam,.tál como o signif'icado mícional se ·tran11oénde e

gleba nó signif'icado universal~

:

identif'icadó

com o dever CI'istao, que cond.iciona e• >

·én- .•~' .:

:! sob este a.specto que se manifesta

a ~

·aliança do nacionalisll!o e do universalismo.

· mg guerrê!ro as•ref'lexoes

Por isso ainda o hero!s.,; '.;'

implic.~ virtude e grandeza morals as~;l.IÍIs_e.iust:i.ti9áln de Camoés, ()&·seus coment!trios sobre as ac"Çóefldps i~d!_ ·

·

v!duos e sobre o seu sentido .de vida.

'.Importa, pois, realçara

modernidade intr!nseca.da.

ep9peia <

,pamonia.na Trata,

se

de uma n9va me,.t,ria .her6ica., e Camões não se $s

;.7

quece de acéntui>r o .caritc'!;er verídico e real da sua.111aMria épioà, ai.

que poderia acrescentar-se

to sue ccinstitlli ~-n6dul,o central da obi-a, que é assim, p~e~!Í.'àÉi "B.ciii:o~

a qa.a.B!!)oontempora.neidade do, aC.O)lt.ecÍ:nierl ,;->i

. e ?laº de inlaginaçao; a sua estrotura

•,nao

interna revela UllÍanova coricep

actual;iza,dos pela introcfução do. dever cívico

9âo. dqs valores 'picos,

é móral a .af'erir as aççÕes guel';rei'ras e as críticas

ain~ açEtntu,ar a. atitµde ~amÕesasBipneem :;:oélaçÍio;aos seus her6iE1--

sociais.

Convé111

.lhe interessa. a expressao do héro!smo individua)., ma.shéroicl

dade oolectiva_, atra.ds

ideal rel:j.gioso. l!: todas estas inovaçÕe!!!se

por Ulll!l estrotura

nanes eàtabelecid9s

(picp.

da qual se realiza,

como .j' se ob~servou,,;o e•( traduzem, como.sa}>emos,:.',/

relativamente -a,o,.-~~él'!i··•'' ·

·'

·

-

·

e

feição e1Jté!ioa.orig1.:qai.s, numa ~peraç~o dos c&,.+:

pela. tradiçao -literária

-

- -

Assim, evidenoiar-E;e-it bem peI'ante os. alunos

.,

.-·. , •--

,

!

_I

·. epópeia nã.o ~~nEl'iét!!'Jna~r:r:'atiVa,: da.s, fa.çanllas de um homem, jl.m '11er6i

·

.·tar. como llo,S ,füimais .poemas·épicos, mas é·.antes a .histcSria

,in\iiv id11al,

' :~os:,fe:i:to~ rhe1'.6icos de Ullia:N~ção·.o h,er6i colectivo

)tre

;lusitano•• e á visão da histcSria de Portugal,

é o ••peitR ili,ta"- .· apresentaí:ia pelo Poe

!~',;,:.~a,Jnqide sôbre ;o~-aspEmtos mais significativos e_aé figi1r~-s·_l!la.is·'!! s'-<l'6rosa13,; de acoz-do COI!! o ideal r~ferido e a intençao patente na arqu,! ·

_tect:ura

e

11a

estilística

da obra.

·

A naWativa da viagem do Gamaé, pois, ponto de pa;ftida rJe,;

?'.à a gloriticaçã:o do· esfórço ·her6ico português, constitui éi~l tan_e~ inente acção. nodal ou. formal _do Poema e _éa síntese do momento·épic.o

.dá Pá·tr.ia, pelo que/traduz de .sublimação do esforço na.c.ionai li& conse

2cuçã-0 de/um facto social - de funda repercussão - na

"

civilização

--

-

'

d.ent_ée na _transformaçao da concepçao do Mundoe do Homem.

-

-

-

.

-,

'

'.

-

Insiata

;se

aind.a no novo conceito \').ehercSi, définido

do Oci-":'"

Pe~a port~gues~: o ,indiv!d\io que assume conscientemente' todas ponsàliilidadeà implícii;à.s na aceitação plena de um idea;L. ·

O her6i camcnd.anoé, poià, essencialmente o agente de uma

~!DPl:'.esaque .o ultrapàssa

.<~.d.a'·NS:Ção,que

com o ideal colectivõ

é també!TIo ideal d!J-\Cr.istandade: o nacdonaâ í.émo con~-

'inas que se identifiCa

'.:l:í.e-sé:assim· com a· valorizaÇão 1l!liversal, da pátria,

na medida em que a

adção pa::tr~6tica se. integra num ideal de universalismo ·C:ristão. •

. . Ífote-.se 11,indaque. Camões não· se limita a exalt;;,r

em si pró~ri·os~em o esfqlyode

homens não isentos de defei

_, glorificllL.z s9't!:r-~tud9ja.

ideia que os. in,spira, o ideal q\:te os· nori;eia

]}aJ: que nao. se cç>:(bade censurar os her6i-s, criticando

v~is, nias_s6

QS rei

C:omofndividuos,

P,orque 1.1ãoatingiram. o idea! dá co,1.ecn

v1dàde,·nao-.superar:a11t o plano da. realidade.

E.~ asuperaçao_pelo

.ál ciiie se. exprime na epopeãa,

 

.

,

.Por' issp

a 6Uª; mensagem é perene:

interessa

aos. portllgueses

iie ·fodos. os teóipo11;. independentemente da contingência

dos factos his-

/\ •.t.-6riços'.e .•dai;i·conjunturà.i;i políticas

porque incita. à prática

das

vi:t-tu .

-: ·.des;necessárj_i;i.à a

um

povo

em qualquer época da sua hist6ria

r: a

enéf=

gia; a_coragem1' a inteligência,

o saber-2onsCiente

e seguz:o, a a.~dá-

/eia

na concepçj\o .e a firmeza na realiZáçao de qualquer empresa, a su-

,.~,i~,l'dina~é:o dos, interesse13 particulares

ao bem c2mum; atinge o homem

do esforço humano ·

· · do .ru;tu:r0, l!le!iida em.que exprime a valorizaçao

'â:o ·se:rviço ·de

um ideal de inais perfeita ·humanidade.

-.',Pp:r;"Ço.lioé acel1tua:t- novamente que os valores ideológicos

se·

,j_dent'ificaira;p.aepopeill.

portuguesa,·com_os valores morais, dada a no

.· · ,co.?i,cepç~-6épi<?a que c~J;'act~riza o Poema - o que constitui ~~~paii;i)'fl-Z~esde, sua.modernidade.

uma das

No.·entl!Jlto,. coriv:éma;inda p6r .emrelevo

:raiE!, imbuídos de sentido crítico,

de ~avidade e

da, expre1:1J1ossobretudo nae cons:i,deraço.es com.·que cantoii;, ou nas re:riexÕes com que o Poeta comenta

epis6di!>s• ,E :faça-se notar a inte·nção com que o Poeta as :funçãó que desempenha.lnno Põemâ; da.da a·sua ca.tego:ria. de elementos uma construção'a.rci:uitectcSnica: diminuindo a vibração guerreire. do poe= Jlla.épico, estão per:feitamente dependentes da acção de caga. canto e:

bro'tam dela comoensinamento necessltrio que muitas vezes re:flecte .a experi8nc::ia dolorosa do prcSprio Poeta e que convirá tra.nsmitir aos ho-

mens. Camõesretoma, a.:fina.l, a f'ulição do vate, do conselheiro, querida a.os humanistas. -

tio

Note-se ainda que,

como acontece, por exemplo, .no :final do

Cánto IX, o mesmosentimento que·gerara a exaltação épica, determina

-à. critica.

-~o é a.penas a. glorif'icação dos :feitos guerreiros,

social:

prova-se assim, realmente, que a epopeia camoniana

independentemente

das.<ra.zÕesmora.is que a

eles presidiam. Além do anal tecimento das

acções valorosas, temos

de ter

em

conta.

a. intenção geral em que se

inteçavam.

·

Insis'ta.-se a.inda em observar aos alunos qlle transpà.rece'

nestes coment<!rios o horror

à cobiça, aos abusos de toda a espécie, e que o va.:te critica ~berta- mente tod,os os que antepõem a.o bem p"t!blico o interesse par.tioulars

os qqe serv~m, servindo-sé. As suas ceneuras abrangeni oemaus.çonse• lheiros ,e atingem a inconscil!ncie., o \lesinteresse e fraqueza dos - reis, tal como verbera a desintegráçâo nacional, pr-ovcoada peh. mo- leza e corrupção- provenientes da opuH!ncia e de leis· desigua'is e injustas. E rebela-:se ainda contra a falta de cultura dó:BPortugue-

ses, -c-ontra o .àeu desinteresse espírito.

àvioll!ncia,

à imoralida.d.e, ! ambição,

pela Arte, e contra- a Í"Udezado seu ··

Faça-se ainda notar que o tom crítico

deste!! .comentários'

atinge qllil-Sesempre a g:rayidade moralista, o que conf'irma a prof'Un- da co.nscil!ncia mora.l e ético-socia.l inani:festada pelo Poeta •

da m~nsa.~mde ."Os Lusíadas"

impor.ta sublinhar a.os !!-luno$, no co111e?lt.ário p&tri6tico transforma-se em feito univêr-

identificar

com o ideal cris-

com o ide.à.l lluma.nístico. 'declara aberta.mente ·a.voea ;;

moral da Europa,, do ll)Ulldoci-

Si@ifiead.o nacional e universal confuhdem-se, ppis, na

que o. idealeq:timbieo

que guiou Portugal~ no slculo XVl,

se encontrava -com-a nossa -·voca'9ãomarítima de nação pluricontinen.,. tal' e. com.a. atitude ller6ica. demonstrada desde o início. 'da expansão,

deevendar novos mares.

Mas o uh:i:versal:i.smoda epopeia. revela-se ainda humà.ideia de .frat.ernid&d(,) que liga .os Portugueses aos habitantes ·das novas re giÕes,•)là. exp;.essão da sua. abertura. de alma a novas paisagens e a - di:ferente·s ·povos, na simpatià. coa que são descri tos os novos costu-

Assim,. se o poema camoniano se revela reprelilenta.tivo do Renasci111eritoe do humanismo·greco-latino, ultrapassa. porlm os valo- ~s culturais que herdou, e, assimilando-os de forma.original, a- ponta um novo momentode culturas aquele que se define. num período decisivo 4a eiviliza.Qão mo,derna, recria.do esteticamente na epopefa ·portuguesii.•

Portanto,

. num gl?le;ro estético

Camões, utilizando. a erudição e. inspirando-se

peculiar,

soube realizar a Síntese dos. valo.res

· õ,e·umanação a universal,

pelos valores superiormente hWiianosque

e~ltou;

na9ional,

pelo seu patriotismo.

~eli,te.a

Reto~ndo o que afirmttm9s, "Os Lusíada~" são verdade± epÓ~ia da energia nacional, na medida ein que,néla. se ef

tililUla. o verdadeiro va.lór, e se ena.ltece a. conquista. das qua.lidadf)St

.individuai-a e (,)Í>lec'Uvas,necessêtrias à perenidade de

·

i-;

Empora todo o es~udc

da.,epopeia. se deva. basear na leitura

.e 13>11êtlisea.tenta .do te;~o, que .não deve ser .utilizado como pretexto

-·.pai-à d':Í:v'agaçÕesdo pro:fêssor, segundo as suas preferências

ou os

aéns juízos Ae v~lor, consideramos básta.nte formativo fazer so'll_res-

sair pera.nteo aluno a .P;ro:f"U.ndidadee a. riqueza

na, .ali~d.à. ~ .e±I>erilh1cia pessoal nnUtipla, mas sem cair em exageros \fe.biografismo e aproveitando sempre o coment4rio do texto. Crem9s,

da

ctiltU:ra

camonia-

'ººlll efe.ito, não ser qcioso acerrtuar- que a epopeia

resulta da. sínté-

se-de llllla.:cultura.humanística. aprofunstacia., esclarecida e vivifica.da.

PBrlllll,&'!Jlllltipla.e:xperilncia. vital.

~

;<"

.- :e--,

.:,:

ainda. hoje são digDas de admiraç~o .il; quan'tida'

e a varieckde d.o sàber condensado ria epopeia - histcSrià Un.iversãl,

geogr_atia, astronomia, mito;logia clássica, tempoi'll.neas, cibo.ias ~da Natureza, cibcia

0idade com que este;tieatnente em1>regouesse sab.er.

literaturas. antigas

náutica,

eto •.•• é. a

clíriosidade do viajante~ ·ª vivacidade· de um espírito

m.ilar. toda a vasta e•.variada• e:x:peritncia

e os ií.mbientes di;f'erentes :emque viveu, aq11elês q11e.constitue!n ·da -sua e:x:ist@ncia.

.

Importa ainda recordi!.r, para al&mdo estudioso:

q11esoube assi:

q11e.a. vid,a lhe. proporcionou

·pRQJÉCTO DE UMA.·o~mNTAÇÃO GERAL

RELA'Í'IVA. A DIDJ'CCTICA .DE "OS LUSIADAS"

In'trodugão·

corresponder A .solic.i tação feit.a pela .:Direcção•.•·

-.Geral da hs:!.no Secundário, relatiVa. a um projecto de trab;Llho sobre 1:1. didáotíea 'de 110s ·tus:~aéfa.s",apresenta-se, para apreciação, o resul.-.

tado,do trabalho de grupo para tal efeito constituído.

>

frocura.rtdo

ram

1

· Antes, por~m, convirá- esclarecer os critérios '

'

as sug_estÕe·sproposte.sJ

que n.ortea.-

a) contribuir; por· meio de reflexões sobre a didi!'.ct.icade "Os Lusíadas", para a va.lorÚação do estÚdo do Poema.,nos seus a.spectos estét.icos, naciona.is e· huma.nos;

. "'b) nao ·env&redar por pelo seu -ounho de

tentatiVa.s de orientação didáctice., que, especia.liza.ção, não se jam econaeLhéve í.a

em fMé do principà.l objectivo deste trabalho que é de 0"" terecer sugestões i\.queles colegàs que, por inexperiência'.

ou p:or qualquer outro

motivo, tenham necessidade delas;

."

e)

ter fugido igua.lnente à tenta.ção de sugerir actividades

'

coIhãdas numa.simples consu].ta bibhográfica,, par-a se fo- d.icarem apenas técnicas. e. temas que f'oz-amexperimenta- aos, 'com resulta.dos válidos; pelos professores do grupo;

d)

nào procurarem as !;lugest;Jespropostas esgotar a matéria,

assim como·nê'o ser de admitir que um professor a.s vá uti- lizar indiscriminada.mente; competirá a cada. um esi::ol,her o

ou melhor, aquilo que as con-

. que lhe interessa utiliza.r,

dições do meio local, do màterj.al etário e· intelectual à.a turma lhe ·:f'er!vel.

disp.on!vel,_ do nível -. aconeeLhar-emcomopre- ·

Tài.i:sugestÕes encontram-se lj,grupada.spela

ordem seguin~

Á) consiaerações gera.is de carácter aidáctiea;

ll) técnicas de. en!3ino;

é) ~a.teria.l diMctico;

l>) planif'ica,ção do estudo de "Os Lusfades" no Curao Geral

· dos Liceus.

2·- Considerações gera.is de da.~ácte;· didáctié:o

A motivação da didáctica de "Os Lus!adas"''.Pode·ser feita de

duas rria.neira.st ou utilizando

do Poeína.,para.,

primeiro

de seguida, se· passar

extractos de obras precursoras a.o estudo do mesmo; ou utilizan

extra.atos de obras j<l:relaciona.da.s com a. sua feitura.· Dentre as -

.primeiras, poder-E!~-iarncontar o pref<!:cio do "Cancioneiro 'aeral" (s.S. nos a!!pectos a este prop.Ssito mais significativos); a fa.la de ·Fariimor

ao Impéra.dor. Cla.rimundo, .em o.ita.va

reis.portugueses.desde o comeÇo.da.naéiolll!.lidade a.ti l!.s·navé&"RçÕese

conqu:istas·de JCtrica. e deJCsia (tamMm scSnum breve

nica·do Imperador Cla.rimtl1ldo11}; trechos de Ant.Snio Ferreira, qlier aa

rima, profetizando os. feito.e doa

extracto da."CrcS-

carta

a. E'@rode Andrade Caminha., ilidioa.ndo

lhe

comopersonagem prin-

cipal

de um seu poss!vel canto o Infante D. Duarte, quer· dá carta. a

·AntcSni.ode Ca.stilho, .exorta.nd.o-oa. entoa.r n••• a. clara.' histcSria.//do · nome Portugu@s••• 11, quer ainda de ·toda a ode primeira., na qual o Poe

ta incita os seus confrades .a, cada um fazer n••• alta prova.//de seu- es-p!ri t.o em tantas/ /Portuguesas conquistas, e vi t6rias".

Dentre as segundas poder-se

ia.m

incluir e:rtractos de obras

·de Fernao Lopes, Jlu,i de Pi!Uj., João de Barros, Diogo do C(iuto, Fernão

Lope!l de Castanheda e dos cientistas

D•.-João de Castro, sem esquecer uma conveniente exemplificação do ro teiro de Vasco da Gama.,atribu!do à .Hvaro Velho, e do relato do na.Ü

frágio do galeão grande de. S.Joâo, este do naufrágio dos Sep1Uvedas.

Pedr-o Nunes, Garcia dil. órta e

para documentar a profecia· -

As obz-e.aLndLcadaa em.se~ndo

lugar seriam, a nosso ver, -

apresentadas à medida que a evoluça.o do Poema as impusesse Dar-se-ia.

assim in!cio a uma.incipiente análise comparativa de obras no intuito de ·levar o discente a compreender não tanto um problema de fontes, ce mo o que.Precisa ent~nder-se por criação 'pica. CoDIeste.i1ltimoprop6

sito, poder-se-ia. utilizar a

rá Levar- a reconhecer, quando oportuno, o. fundo contraste entre o he= r6i solene e hierático de ••os Lus!adas" e o anti-h.er6i de Fernão' Men- des Pinte•

11Perégrina.çãon,

de- uma maneira breve, pã

~

evidente que uma obra como "Os Lus!ad.,.s" implica

uma ou

_mais perspeotivas.

Umaserá aquela que levou_o Poeta· a olhar

a hl.stcS-

-ria de Portugal comouma crli.zada, que sabemos já tardia, dÔ Ocidente Ib,rico contra o_Oriente. Por meio do esclarecimento desta perspectiva, os alunos veriam, por exemplo~ justiffoados a importância e õ desen- volvimento atribu!dos pelo l!:pico aos reis que se ocuparam das-guerras contra o Mouro, primeiro na Pen!nsula e, de segtíida, em JCfrica e no Nascente•. Mas,. em con0omitltnc1a a este ideal de cruza.da, há, no Poe- ma, outra perspectiva que merece atenta realces a que resulta dava-

loriza.ção da criação. a.rt!stica e da cultura. como rneios .de entendime_!!

to entre os homens. Na verdade, será'

der as razões hist6rioas que levaram o Poeta a aceitar ' a eXàlta.r es -te ideal de cruzada., que, se, por um Lade,' conduziu a menos fA:oeis -

contactos entre europeus, africanos e a,siátioos, pelo outro, possib!

preciso, por um lado,

compz:een-

litou a,rilanifestagâo de um fraterno

enteiidilílento entre uns e· outros.

. o poeoia •011 Lus!adas11 , como toda a obra httmana, 41reflexo

d.econti11gencias da lpoca em que foi elaborado. Alfm disso, conv4im lembrar qu" estudá-lo não significa uma aceitação passiva de tudo o

.quê nele se cont.4m.

MÓdernos conio somos, possuímos novos sentidos de convívio e de exaltaçãohttmaJÍos. Talvez por isso importe muito aproveitar do Poema o qÚe de mais tundo,nele se_enoontras uma alegre exaltaçã~ da

.

.devassa do.mundo, para

Ulllacomunhao dos povos a

um nível. de con.tinen

tes; a sensação de que .esse mundo se torna novo e.maior s6 porque hÕ

niensde diversos oontinentel!Ipodem, ap6s as viagens transõceln:loas,- oomunicar .Uns com os outros; a ideia de que a observação do nosso p1.anetapelos referid.oshomens lhes acarreta uma mais .fécunda manei- ra de o o.o.nhecere dominar; a valoriil:açãoda colectividade • neste

caso, ·do povo

vid~:ls ilocialm4tntehierarquizados; o amor pela vida; a problemttticã de valo.r.eshumanos como os da gl6ria. de mandar ou do pr6prio acto.bé

portugu@s -• que acaba por transcender os valores indi

lico; a de11Wicia.da acção. corruptora· do dinheiro; o prot.esto veemen=

=. te daquele que teima

em

·11é a.firmar num meio que, por vezes, lhe f

hostil; a dignidíi.dehiima.nasempre s6 como resU.ltado do esf'orço pr6- prio; a f'orçae a fragilidade ·dohomem; entim, o humano e o.diVinó.

epo-

peia, ma.a progreHivamente

que meios. se s~rve para o conseguir. A este propósito, um feixe.de

Problemas se nos apresenta. Dever« o Poema ser lido. na íntegra ou se

gu.tldÓcritfrio a.ntol'dgioo?

-

mostrar,.,.lheaque.intenção ela traduz.e de

:Não bana de.tinir aos alunos o que se entende por uma

·.Optamos, sem.diivida, pelo seu conhecimento na íntegra, em- bora a atitude ántol6gioa seja essencial e tudo, nesta fase de estu- dos, deva partir dela .•Das estanoias selecoionadas far-se-"'leitura ÇOmentadaOUflxpliêada na aula pelo professor e pelos alunos; dases tàni:i:l,asnão selecoi.onadas.farão os mesmos trabalho pr6prio, em casa-; a.judádos por uma edição que conten)ia as explicações julgadas necesstt rias para.o efeito• Este.trabalho servir« para poss!veistaref'asde"" grupo, no sentido de estimular•nos discentes uma leitura do Poema• .~e!Dà ajuda 11ropriamente dita do professor. Tal orientação pressupõe ae:x:i.llt8nciaduma edição escolar o mais possível seja atraente, abun da!lhmen1;e ilustrada de gravura.a que permitam compreender melhor os- &lilPectoshil!t6ricos~ geográficos e mitológicos de.ataepopeia. E os trechOS ·dos autores que referimos COll),0inflluenciadores da criaç~o 'de

ser incluídos nesta edição~ Com .ano-

"Os Lu.Siadas" deverão outrossim

tã§Q'!ls'.es(;)ll!:recedoras,.gravuras atraentes e trechos justificativos

dâ,s•!!l~~e'iaamais_ relevantes, estll.leítura, em casa, tórnar""se-"'·m.aisacesdvel e ef:lciente•

pelos alunos,

a'oonsiderar - e este de primordia;L im- perseverantemente se.ievar o discente a re.La-ç1vaÍucidez,··diante de uma oriãção po~tica. manter sérd:o de mostrar como o vate ca.n

t:>.rá ou 1)0eticanérite 'tra.nsfi[;ttrárá

a. ·hist6ria

de Portueal.

·A

áê:o dos processos util,ize.dos para. este hino é éssencial.

:A estruture. de "0s Lusfade.a" d.evérá ser '.revelada ta.rito

.tó possível. ExemTllific:;i:ndo:exnlic<ir-se-á não tanto que há uma PROPO

SIGÃO comoo que naz-a um poema épico sir;nifica a sua existência .•

é: r-udi;,,enta:rmenteensina.r-se

:i:stõ

a.os alunos cme um poemacomo "Os Lu-

síàdas" ·rião vive a,en.m en;réno de desenvolvimento imprevisto, por-que o seu prop6sità é ô de exa.ltar ou .hinérbolizar factos já ocorridos. Ou ainda: deixnr .os alunos - 'e a prob6sitó d!'J.INVOCAÇÃO- ria pa,rafrase de gueo Poeta, por meio dela, .nede às Husas que ·lhe dêem inspiraç'âo, não será· de.ixá-lo aem o siéillificado estilístico da. sua u"f;i).izaçâo? Tambéma DEJHCATl"JRIA,.ao ser expl f.cada , )>recisará de ser justificáda • .Ao entrar-se na' narrativa prorriamente dita, esta precisará iglia.lmen- . te de ser- esclarecida não s6 quanto aos seus diversos narradores, co- aos. planos tE;>mnoraisda aua elabora.ção.

M entra.r

:sena.

narrativa propriamente dita, esfa preci13e.rá

i.~a.ln\e.n't;ede ·s(lr esclarecida,

dores, cornoaos planos terin:>o·raisda sua. elaboração.

não 86 quanto aos· seus

diversos ri8:rra-

O recurso à mitolo~ia é, como.se sabe, esséncial'

ao proptSsi

de 'Luís de Cal'iÕes,,. que é '.'sendo humanoav; divinos os

.: e te.mbéma, thulo exemplificativo

que sig?Íifica, na Tlha dos Amores, homense deusas podez-emencontrar.;_

-se Fado a lado, convivendo e amandos :

o de heroi:f'ica.r ou imortali,zar os que, -

fizeram "esforço. e ar'te". Por isso mesmo

moàtrár- aoé aÍunos .e

,.dever-se-á

'

.

.i sabido aue o Poemaé ori:entado no sentido • mortalidade l imorta:lidade. Ora esta é con

"'

cio' da narrativa,

metrífica<lô e•ácent1'.la:do,comopor.uma gama

l:l'.iiticos, dent:t'e os' quais avulta o mitól6gico.

ser descobertos,não para ~e ficar nas suas entender comor-ecur-sos de "um.fec].mdoprocesso rador de hómens de carp.e e osso er.iheróis 011 imortais. Mostrar aoS'

OS

toda em oitavas de verso

l'Uonoscomo se opera es'ta transfiguração, seja de.histórico humano, se

ja do fisico,

- repetimo-lo -, deve constituir

escopo primordiP.~~·

Dissem()s·p.trá.s que.o Poeta apresenta no Poemat~nsties ou'

forças corrtz-as'tarrtea, Ora uma que· ,julgamoeiainda 'importante- à artista vive. ao declara:r .®e só cantará os que do seu canto ache' cedor-es', A prová-lo,. recordem-se as. est!incias fina.is ,

que o

'nas· que.Lso Poeta confidencia que, por lisonja,

não

bido 11 "sob pena. de nâ'o sér agra.decido". Este sentido de irlde"pêndência.na exa.ltaçãó ·é valor moral a relevar.

. Outros finais .do ca.nto são., como deixámos

tância.s a interpretar, por ser neles· que.o,·])pico nos deixa·, .com

reTat,iva evidência, tre.nspa.recer valores humanosa

. qué:fornão

Por tudo isto sé deixa supor que á interpretação·

seja do

pode revestir

aspectós dominantemente de paráfrase ou de

. si~opse. Para.frasear .ou resumir um trecho serit exercício de n1i.tureza ~as.e ma.rginal. Interpretar deverit ser antes uma tentativa de apro-

}~jldàmento de que se esM a ler .• Ess~ aprofundamento serit possível .s6;na· medida.·em que mais nos aperce·bamos dos recursos estilísticos --oú.expressivos 'do escritor. Daqui o não se julgar conveniente disso-, ciar-se conte'ddo .e forma de manei:ra 'extremada como, por vezes, suce.;

Umaideia admite-se dever ser :f'ixadas a de unia prof'unda re l1iÇâo·entre o pensamento e á Hngua.gem ou seja entre a perspeotiva -

/';gtié·"tenl;lamc:fsda rea;iidade e a sua expressão. Hit, ;20rtanto, ,ul)la sfrie

de

•pJ;'oblemasindis$ocill:veis7 pelo que a a.nitlise nao dever4 ser ideo-

, · 16gi~a, por um lado, e gramatical

ou formal pelo outro •

.·••• ·., . · ··.

;~~11i.ssi:f'Í.Cativo•';Com.e:f'e!Lto, de '~e

•.f!ix.em,!lló,esta ou aquela proposiçao de coordena.da ou subordinada, se

/::!~lhe não t.iver _ét1sinadoo que estes esquemas sintd:cticos :signi:f'i-

Não iinporta leva.r o d~scente ao chamado s_aber nocional ,ou

val_ed levá-lo a designar, por

.De que servirit que ele class1fique

~aqi:_Íiamente de quem os utiliza?

·Y .um~c"s1frieproposicional .de assind,tica

ou sindética,

se não for ie:

, ·vado·tambémà corripreensâo dos ·seus valores funcionais? ·Ser4 sufici.;.

· · :e\11;eensiná-1<;1a mudar uma oração.;,.da voz a.ctiva. p&J;'aa, passiva, sem- .se Lhe mostrar o que -esta conversao implica ao plano oon"Qeptual? Le ~L~v9.r-àeo mesmoa di-zer que determinada :f'ormaverbal se encontra no-

[\pret&rito

imper:f'eito ou no pret~rito

perfeito desté- ou da.Q:u.él~mo-

•/ ô:oi3, Éieín·eerealçar o sJg?!i:f'icado dos universos temporais que tradu

; sem ou ·~a obje0tividade· ou subjectividade que deixam transpa.reÇer, -

Tra.nsf'ormar

••.•:contribuirá ainda pàra algum progresso interpretativo?

iiieoanfca,me,llte,.como_mero.,u:eroíoi.o de. aplicação,, um discurso direc-

. ,;.to. nUlJl'.indirécto,possuirá

para o mesmoe_feito real utilida.de? Como

fsal:>el)lo13;descobrir,. a.nalisendo0, os processos grematioa,is de um es-

percel:>e;rum pouco do uso consciente ou intencional

que ele

}critcré

--f"azde -uma línguâ. que herdou dominantemente ao comum.

nível da: linguagem

>

.

Finalllíimte,

;(i.o,ti: figilrada precisal'á '',,,lici.e~~·?ªSi~veism?t~vos ;c~çá'o •

.;.~.

a µtiliza.ção da. chamada expressão metaf6ri0a insistimos - de ser entendida sempre mais do seu emprego que num prop6sito de classifi-

3 - Técnicas de ensino

a) Tra,ba.lhosde. grupo

Esta; a.ctividade exige que o pro1'essor conheça a.s norma.$

.:f'undamentais da org{l.nização.de grupos de

za.ção. Além disso, ~erá necessário que a biblioteca da biblioteca do liceu disponham dos livros necess'1rios· à do trabalho proposto.

trabalho e da.

Poderão ser tratados entre outros os seguintes tema.as·

"Os navega.do_resmíticos";

í•os grandes' guerreiros";

"Valor a atribuir à mitologia. no Poema•i;

"Emb<J.rcaçÕese aparelhagem náutica. do

berta.s11 (Sendo .possível. este trabalho

tempo das desco

se:ria; apoí.ado

por uma vi si ta ao

Museu da Marinha.);

''A p~eocupação do

real em Ca.mÕescomo contraponto

transfigura,çÕes míticas";

"0 ex6tico n' "Os Lusíadas"; .

.

\

"A estrtl.tura de "Os Lusíadas": a articuia.ção mítico e do _tiláriohist6;rico";

"Os Lu·sía.de:s"como expressão do penaamerrto da Reria.s- ·

cença

Estes ·e outros temas poderão finalizar

a}1um relat6rfo

b) uma palestra feita. na aula e '.segl.Ífda de .ci>16quio•

.com:

eLabor-ade por cada; _umdos. gJ"µpos;

Também•se sugerem; entre outras actividades1

- A elaboração dummapa (ou 'ma.pas) que permitam a mar--

cação com.fitas de cpres dos itinerários 'pais descoberta.e;

das p:rinci-'

·

- a organl.ze,çãó de ficheiros de vocà.bU'lê'.rfo

armas de guerra;

-· fauna

e

flora;

fen6menos atmosféricos, etc.

b) Deba.tes

O deba.te é uma das actividades que ma~s despertam resse do aluno do 32. ano. Além disso, se m;:mdarmoàredigir

clusÕes a que se te:iiha chegado na. àula. precedidas da .argumen"taçaq

que aa dí tau.,

este _trabalho pode:i'á'constí tuir uma'

uma actividade importante do 32 ciclo 1·a. ·.das" fornec·em-nos tema:s.sugestivos 1

1

-

Que pensa

da validade

ou invalida.de

das seguintes

 

a.firmaçÕess

a) gl6ria de mandar, ~ vã cobiÇa. Desta. 'Vaidade, ·a. quem chamamosFama.! 11

b) "Oh! M!l.ldito o primeiro que, no l!IUndo, Na.a'ondas vela. p!l.s,'emseco lenho! 11

2 -.,,;Sera modez-naa figura do Velho dó Restelo?

3

- Seri!'.Veloso um her6i?

4

-

Que valor a.tribuir 11. uhliza.ção do dinheiro pelo ho mem?Ésta.râu as suas ide ias -de acordo com às que· - Lufs de Ca.;Õesa.presenta. no e. VIII, 96, 97, 98, 99?

$studo comparativo de textos

Al~m do estudo comparativo com os textos

normalmente de

co1110fontes de" "Os Lus!a:d<1.s11outros,

trabalhos do mesmó-

ser feitos.

Apontaremos apena.s os que nos parecem mais

a) Confronto com a.uto·res.modernos, por meio do qual

.se

revelar€ a. per-errí.dade da temática eamorrí.ane, e se al-

cançará melhor entendimento da capacidade de e:tprét;i- são do 'Poet~·· Po_rexemplo:

- A Europa. descri te. por Ca.mÕese o instantâ:neo de

Fern.ando -Pessoa .no poema 110 dos Ca.stel0s11;

"O M.ostrengo" e "0. Adamastor";

''Horizonte•• de Per-nando Pessoa. e o significado ge- ' ràl de nos Lusíeita.s11,.

b) Confronto entre pas eoa do pr6prio

Poema. Por exemplos

Os discursos de Ji1piter e de Baco.

Os retratos de V~nus e

da. formosíssima Maria

d) Dramatizações

As dramatizações, com o seu aspecto 111dico, são muito'bem

pelos alunos de dez, onze

anoa , Emrelação a alunos de ca.-

nze ou dezasseis anos. ~ neç_!lssário agir com muito tacto1

·,:'0de~las de um apur-o e at~ de

um nível a.rt!stico

que impeçam o ri-

e .a. chacota. Numfim de período, ou como fecho de estudo do podemos pellsar numa,dramatização, mas não podemoseaquecer- o para ser feita com dignidade 1 disponibilida.de de tem n.••nfi•ssor e dos alunos) e éol!lhecimentos da arte de _dizer e -

Posto i.Sto, sugerimos a d.rama.tiZa.çãoou á leitura

dram!_

1 ;.O

2·- O início da f'ala de Vasco da Gama

consílio dos ·~euses no ólimpo;

3

- O epis6dio

da :formosíssima}laria;

4

~O epis6dio

de

In@s de Castro;

5

-

A .f'ala de Nuno 1lvares Pereira;

6

- O sonho de D. J>lanuel;

 

7

-.O

episcSdiÔ dó

Adamastor;

8

primeira. entrevista

;.A

de Vasco da Gama

e) Témas de redacçaà

lt extremamente vasta a s1frie de teme.a

a "Os Lusíadas". A imaginação de cada um s6 terá uma.

sugerir como temas, a r~fa.ciona.r

tâmbémcom a eXPeri@ncia pessoal do a.Luno, alguns dos .que poderão

escolha. Limita~-nos-e.mos pois a

encontrar-se n<)s seguintes versos. do Poemas"

"E aqueles que por obr'as valerosa.a Se vão da l.ei da morte .libertando".

"Onde pode·acq].her-se um ;(raoo humano, Onde terá segura a.'eur+a vida,

. Que não se arme e se ·indigne

o é~u sereno

Contl'a um bicho da te'rra tão pequeno?" .

"Nóvos mundos ao mundo~rão mostrando".

"Naquele engano de alma, ledo e cego, Que a f'ortuna não deixa.durar muito".

"Dura Jnquietação da alma e da vida".

nuz-amerrte visue.is:

Fotogra.fias,

projecçÕes

(diascopia,

recor

tantÕ-

que tamMm a quaL ida"- ser considerada,

episcopia)s

Qü?.dro "A morte de c~mÕes". de Domingos Ant6nio $equeira; edição do Morgado de Mateus, com as suas famosas ilustra.

çÕes (1817);

 

-

 

.

.

monumerrto a Camões do. escultor em 1867.;

Vítor

Bastos,

inaugurado

gruta.· 11de C"mÕes"em Mac,,u, segundo a tradiçeo; t11mU:lo11. mem6ri1"de Ce.mÕes,nos Jer6nimos; · a. casa rle.C<:mstâncie, onde se diz que o Poeta. viveu dur-an te 1lm dos seus desterros;

(Algunms destas suges:tÕés podem servir tamMm par-a vis:l.ta.s

de estudo.ligada.s

à leitura

do Poema},

i\,uxil:iareà sonoros:

Discos e. fitas -ma.gn~ticas:

Í1ós.t.11à:i'.adp$•1,a.eCamões (gravaçáo do Imave de rec,ita.ção de .alguns.epis6dios); ·. '!Hino a Camões" de. Carlos Gomes; ''Réquiem a .cii.mÕes''de João Domingos Bontempo;

"EVocaçáo.de

110s

1usfnd11si1'.' de Viann da !fota;

ç;;:on-

''Propos1çâ'o e, Invoca c âmerrto; ·

••Epi~~di.o.de Inês de Castro" de João de Arroyo; ''Poema~Sinf'6µicó sobre o Epis6dio do Gigante Adama.stór" de Francisco de Lacerda; t1J:nêsde Ca,stro", 6per8. do mP.eatro Ruy Coelho; "Sinf'onia.s Camonãanas" de Ruy Coelho; ''AConquista dé Lisboá:11, cantata sobre quatro estâncias

d' 'IOs Lnsía.das" de Joly

musicacl.as por Herm!niÔ··doN~s -

Braga. sa.ntos.

exposição interpret'a:

de Desenho);

dás naus";

-

110 colorido da nau melindana na sua visita Gama"·

'

-

-

"A representaçao

-

,_

.

de Mercúrio".

.

a Vaspó

b) Mapas histcSricos e geográficos (se possível,

em colabora.

ção com as disciplinas

de Geografia. e HistcSria).

c)

Mapa da acção de "Os Lus:!adas": a narrsção .,. os cantos e

os episcSdios; sua localização.

d) Gravaç~es de leituras

feitas

na aula.

e) Textos auxiliaress

João de Barros

Melinde -

presa de mou

ros, ao

los navios embandeirados, e a companha deles com grandes folias por

solenidade da festa., chegou a Melinde-, aonde logo por um degredado,

SeguindOVasêo da Gamaseu caminho com esta

outro dia que .era de Páscoa.da Ressurreição, indo com }ôd~

em companhãa de um dos mouros, mandou dizer caminho que fazia .~ a necessidade que tinha

fora a ca.usa de tomar aqueles homens) pedindo que lhe mandasse dar um.

a el-réi quem era, e o

de piloto

(e que esta.

El-rei,

havido .este

recado, posto que ao nome cristão

ti-

vesse aquele natural 6dio que lhe têm tôdoloá mouros, como era

ho-

membem inclinado e sesudo, sabendo por este· mouro o modo de como os nossos se houveram com eles e que lhe pareciam homens de grande

âµimo no feito-da guerra, e na conversação brando$ e caridososi s~ gundo o bom tratamento que lhe fizeram depois de os ·torila.rem,nao

querendo' perder amizade de

os outros príncipes por cujos portos passaram, .assentou de leva.r

outro mddo Çom eles, enquanto

este mouro contava. E logo por ele é'pelo degregado mandou dous ho mens ao capitão, mostrando em palavras o contentamento que tinha

de sua vinda; que descansasse, porque pilotos e amí aade tudo' acha.- ria naqueLe seu porto; e que' em sinal de seguridade Lhe mandava a-

quele anel de ouro; e lhe pedia houvesse p~ra se ver com ele.

tal gente com más obras'. como perderam

!).âovisse sinal contrário do que .lhe

por bem de ~~.ír en ter::·2.

Ao que Vasco da. Gama.respondeu

conforme à venta.de de el-

;rei; pez-õ,

quanto ao sair em terra. e se ver

seu senhor lho

·não o podí.a fazer,, por el-re.i

com ele, ao pre.sente defender, ~é levar.

seu recado a el-re.i de Calecut

para. eles ambos assentarem paz e amizo.de, por ser a cousa que lhe

el'."'.rei seu senhor mais encomendava, nenhum outro mod-0lhe parecia meLhor-, _por não •sa.ir do ·seu regimento,- que ír ele em seus ba.téis, até, junto da praia, ,e sua rea.l senhoria meter-se 'ns.queles zambu-, cos t com que ambos se poderiam ver no mHr; porque, para. ele ga.nhar

e a outros príncipes

.da Tndí.a, Que

· por amigo tam podez-osc príncipe como era. el

de Portugal i'

jo ca.pitão ele era, maiores e.ousas devia :fazer. , ·

:rei

Vasco da Gama em Melinde

 

E

, , • aeaent ou .Vasco. da Gamà que· seu

irmíi:o e

Nicolau ·Coe

.

fica:ssem

em os navios

a. bom r-ecado e tanto

a, pique,

que pudes:

sem 1.J,Cu~ira qua Lquez' necessidade;

.e ele,

com to.dos os

batéis

e a

mai~. limpa gente da frota

vestidos

de festa

por fora

e

a.rma.s secre

tas, com grande apara.to de bandeiras e toldo no batel, fosse ao lu -

ga:r das vístas; a quçi,i·ordem se teve, quando veio ao dia delas,

~artindo ).Tasco da Gama dos navios com grande estrondo

de tr011\betas,

.o que tudo respondia

com a.s, vozes da gente,

animando-se

.t:ros em prazer

daquela festa;

porque,

como era na terceira

uns aos

ou

oitava.-

da, Páscoa,

tempo em que eles

cá no Reino eram costumados .a festa,s

e pra.zer,

do assim neste acto,

pç,recia,-lhes

que esta.va.m entre os seus.

à meio caminho mandou suspender

Vasco da. Gama, in -

o remo,

por

/el-rei

.nii:o·ser.ainda

recolhido

ao seu. zambuco,

o qual

vinha

a.o lon

go. dá. :Praia metido 'em um esperavel

do mar. a],evantada.s,

qua'tz-o hqmens, cercado de muita gente nobre,

detrás,,

de seda com as c.ortinaá

em um andor sobre

da. parta

e· ele lançado

os ombros de

e

e a do povo diante

bem

afastada,

para. darem vista

aos nossos, todos com ga-a.n-

de aparato de festa, e tangeres

a seu modo.

Entrando el-rei no aambucocom aIgumaa peasoaa

principais

mimestréis que tangiam,. toda a maís gente que podí.a se embarcou por.5mt;;,os ~arcos, cez-cando el-rei por todas as partes; sbmente dei :z:aramuma-aberta, que tinha a vista para os nossos, em modo de cor:

tesia.

paz que lhe Vasco da Gamamandou.fa de festa, foi mandar·os da.guerra,-

e no fim deles uma gz-ande grita

navios com outra tal obra até tirarem

tomou no zambuco, O que el-rei. mui- Gamacomoel-rei, seu maiores naus que aquelas,

com as quais o poderia. Hju

el,.-Tei conta que, a pouco-

rei poderoso pa.ra.·as suas.

Bapedí.do ~Vascoda Ga.madele, depois que o deixou

_tornou-se aos navd os , e os dias que ali e1:1tevesempne., f'oi _visi.: :

de l e com muit~s ref'r;scos,

que deu cau.sa a ser tamMpi visitàdo i:.

de· uns mouros que àli estavam do reino -de Camba.iaem as naus que lb e

tinham dito- os niourcil'Ique .t o_mouno

zampuco. Entre os quais viera.nl-_

-.-certó_shomens a que,

que _até a. iniund{cie

que criam em si :nâ:oniat<irn•nem comemcoLaa v.iva. Estes, entrandÓ em o navf,o de Vascq da Gama.e vendo na sua câmana; uma imagem de Nossa - senhora em Umretábulo de pincei e aue os nossos lhe f'ázia.ni'reve-rên-

de caín-

chamamBa.neanes

do mesmogentio dci

reino

haia., gente tâ:o ,religioslJ, na seita de Pitágoras,

caa, f'izeram eÚis adora

cttie se delei ta.va na, vista daquela. Lmagem, logo ao outro d.La tornaram

çâ:ocom_muitÔ

maior acatBJíJe]lfo;.e, co'!1ogerij;e

: :

'a ela, oferec,endo,,.lhe cravo, --pimenta e outras mostra.a de espeqia.rias _dà.s que vieram al·i _vender, e se foram contentes dos nci.ssos :pelo·aga srüho que recebéra.m· e manéira de sua a.doraçâ:o; te.mbéme-l:es_f'icárain

satisfeitos do seu modo, parecendo

()I'.ista.ridade,que heveria na Ind.ia do tempo de s. Tomé; entre os quais·

,.lhes

"Ser aquéla mostra de a.lguma_

'vinha um _mouro guzM·a.te 1de

naçâ:q, chamad.z Maleno Ca,né,, ii _qual aesim .'

peLo cóntentamento que teve dE!:conyersaçao dos nossos, como po;r,com :

prazer. a el-rei que_ buscava piloto: para lhe -dar,

Do saber- do qual, Vasco da. Gama, depois

com eles.

e.ceii:ou querer ir que praticou com e7

le; fiCOU muito COj'ltente, principalmente q\landoJhe mosí:rouuma car:

·ta dé tod;;i;:a costa de. In'dia &rr,uma.daao .modo dos mour-os, que era em meridianos e paralelos mui mjildos ·••

E, mostra.ndo

;lhevas.co

da Gamao grande astroláb.io de pau

que_:I,éirava.,e ou'tr-oa de metal com que .tomiwa a. altura do s.ol, i;iio,se espa.nto11o mouro disse, 'dizendo que alguns pilotos do mar -:Roxõusa- vam .de instrumentos de la.tão de figura triangular e quadrantes com que toma.vama etltura do So;t.e principa.lmente da estrela, de que se ---

servj;~.mem a n,avegaçí:io• • •

Va.scoda Ga.ma,cóln estas e

outras

prátiée.s cfu.e, por vezes1

t_eve com este piloto, parecia-lhe ter nele um grão tes-ouro· e, por o. não perder q mais breve que 'pôde, depois que meteu por 00-nsentimen-

fodll el-rei um padríio por Ilome San.to Espí:t,:ito na povo\1-ção,dizendo ·ser um tes.teffiunho da 11az_e a.mize,deque com ele assentl!,ra, se fez·.à·

vela camânhó da !ndia' a vinte e

quatro

dias de Abril e ,

-"Ãsia'' - Década

Va.sqo ela,Ge.ma:é recebido

Vindo o rece.dô. do Sàm0rim qite · doze, pessoas em lerre., onde re.cebeu Úé'.tu!i.1, acompànhado

fa:tó doscnosiibs,.e

de .sua pe saoa, é.

dôs qua,is andores foi também

outros .de o traze:rein

.datual e ele em càmiifuo para Calecut ••• chêgarám

d7 uma povóaÇão, onde estava apoaerrtado out:r;'o,Cà - .1.i}ll~ssoa ma.is not~vel,, que vinha. por mandado do Samori rece bez- ·sco',dá ,Gama.,O qual, quando saiu a ele., era muita gente de guerra,

.

.

<

.••dos·adargad'os a. seu modo•. Chegadó·o. Catual a.Vasco da Gama, depois

fgúê' 'se/nlndo o s~u uso o .recebeu com.muita cortesia,

:b.utro. ando~ quê tra~:i.aadiante,

mandou;_lhe dar

melhor consertado que. aquele em qlie

_Vinh'."-;e", se~ fazer m,ais detença, seguiram seu carnin!!o aos ·paços de ~H-re]., onde Vasco _dll-~ii:maeaper-ou p_àlo~ seus, que nao podiàní liturar

dano que r-ecebí.am .era ver. H Enj;raram• em um

P"~t~Q de ;J;lpén~res, onde achar-am Vasco da Gama.,e o Catual com e,lgumà _gente mais limpa esperando por eles; e1 sem tomar algum repouso da.que

;~a: .afi;?ntá

/Ó~curl',lodaqÍiélf)s qile.levavalll .o andor; e· o maior ·~\> gl'à:ndê poro qÚe quase os)eva.vli à.foga.dos por

em-qiie '.vi_nha.m,ep.traram ·todÓs _emuma grã casa térrea.t. em -

}qu~ estava aquele grii:nde Samori da províp.cia. Malabar por eles tao de-

>:'~~jMo de vel' •.J)e

·' {giie'era 'o _seu Brâmáne :maior, vestido de umàs vestiduras. bràncas, re-

jiínto do qual se alevantou um homemde gtande ida.de

. ·esentando nel_as e em sua idade e continência ser homemreligioso; e,

e~ado ao meio da.·casa, tomou Vasco da Gama'pela' mão e o foi apresen

-·-.-·

lli.ogo. õ.o Couto

· 11A:sia11-·~oada I. 1

-

Ê.titr áo~Samor:i

Manuei 'de•.sousâ· Seplllvedà

oompanhâ.a.foi. séguin

Ji:>P!l.tíiin!Íodo rio Momb,a.ç~.com determ:i.~ação de se deixarem, ficar nele

M~rluel~de··sousa Sepi11veda com os da sua

·a,,~ele;rei Uio consentisse;

~~r··~-J~sc gúe. ficou sopre os col'pos foi roubad2 deixand0'.""osnus. E

Leg.~:r, quando os oafres a,.quiseram

e'

indo assim, tornaram os oafres

a dar

despir,_ o na.o q11is consentir,

;e_:'!à:;i, b?f.et_adas e,às dentadas como leoa magoada se defendia, porque efs qÚe~c:l!!;que a 111atassem,que a despiÊJsem. Manuel de Sousa Sepi1lve-

:'Vendo sua àmada e spcaa naquele estado e os filhos no. chão éhorando,

e,.qàe à' mágoa e dor-lhe ressuscitou

o entendimento (como accnteoe

.1Ç.e:i.aqµe se quer apagar, dar, antes disso, maior claridade),

e,

'#l,õ\,sob~.si lllªiE! algum tanto, se chegou à mulher e, tomando só ·l:íraços, 'lhe, disse:_

a

7- Senhora.,;-4e:i.:ícai-vor;í·despir e lembrai-vos que todos ~sce- nus.1 e pois <list-0 é ))eus _serv'ido, sede v6s contente que El~ haverá ·

· que se,ja isto 'em·penit3neia dos ncasos pecados.

. > CoroistO sé. deixou .despi~, nâq. lhe de:i.~Emdoaqueles 'bruto.a

lé!J go,faa àl&'llffia.9~!11.qui! se pud-ess~ cobrir.

·1;.à~.no chiq e;'.espalhou os. sêu$ ~OI'moeís.si.mõse compridos· cabê

Vendo

se

ela 'nua,

los

por dia.ntez.

com o rosto

.todo baí.xo , porque a pudeS'sem cobrir,

e

assim

com as ma.os :fez uma cova

na. areia

onde se meteu

até

~. ci11ta.,

sem ma

is

se querer 1evanta.r

dali.

õs homens da. c ompanhãa,

vendo

D. Laonor,

dré

:foram-se afastando,

que virava.

Vaz, -o piloto,

e lhe disse1

de mágoa. e vergonha.

Vendo ela

a An:-

a.s costas

'par-a se ir, chamou por· ele

-.Bem vedes, piloto,. como estamos e qu.e já não podemos pa.ssa.r daqui, onde parece ter Deus ordana.do que eil e .meus :filhos

acabemos por .meus pecado aj ide ••vos ·muito embora., :fazei por vos sal

var-e encomer;dai-v()s a. 'Deus; e, se :fordes à !ndia. a1gum·'tempo-, dizei como nos deixa.stes a Hanuel de meus :filhos•

e a Portugal

Sousa

e

em-

a. mim com

. André Vaz, enternecido_ de mágoa daquele piedoso e spec tãou' ·

as costa.e sem responder na.da, mas todo bànhado em lágr:Í.--

lo, virou

mas se :foi continuándo o seu caminho, apõs os outros que iam já adí.an

te. Manuel de Souaa, com todos aqueles infortúnios .e mágoas, não se - esqu:eceu da necessidade da mulher e dos tenros meninos que estaya.m

chorando com :fome;foi-se aos _matos para buscar- algum~ coisa para lhes.

dar e, quando t()rno.u com algumas :fruta•s br-avas ,

nos morto e D. Leonor como pá.ama.da.com os olhos nele e com outro no ·

colo. Ele, pondo os olhos :fitos nela. e no menino morto, :ficou assim

um pequeno espaço va na. areia e por

Ção; Feito isto, tornou-se ao ma.to a busca.r ma.is frutas para a mu Lhez-.

achou· já um dos meni-

sem :falar de coisa. alguma.• Passado ele,· :fe;; uma CQ sua mão o enterrou, lançando-lhe a. derradeira ben=·

e para 9 outro menino;

!;!, qua.hdo tornou, achou ambos falecidos

e cin-

co_escrava.a sua.s_sobre

os corpos com grandes gritos e prantos;

vendo

Manuel.de Sousa. $epúiveda. aqueLa desventura., apartou da.li as escravas

e a.ssentou--se perto

da

mulher com o· rosto sobre uma das mãos e os- olho-s··

- nela,

e assim asteve

e spaço de meia

hora sem éhorar nem d.i:z.er paLavz-a•

.Passado aquele -fermo, Levarrtou-ae e começou a. fazer uma-co'V'.acom a ajil

coisa a.lgurne.)_e, torna.ndo'a mulher. -

nos braços, chegando um pouco o seu rosto ao dela.,

com o filhO;

da .das escnavas (sempre sem falar

a. dei tau na, cova"

sem dizer coisa. a.lguma_às moças,· ··

11e·tornou a meter pelo mato, onde deaapar-eceu sem ma.Lsse sa.ber dele; --

e, depc í s de a cobrir,

e siimpre se presumiu que os tigres

o comeram.

"/.si~'n - Dé.cadaVI •

Do "Roteiro da Viagem de Vasco da Gama", e~ 14971 atribuído

'i , Melinde

A. Ida.

Ao dia de Páscoa nos disseram estes inouros,que

tivos,. que em a, dita vila. de Melinde estavam quatro J:\avio~ de tão11, os quais eram índios; e que, se os,qu:iséssemos ali lêva.;r,,

daria~ por; si pilo;tos cristãós,

sim de c~rnes, ál!;Ua.,lenha e.,outra1;3coisas.

e tudo_ o que nosJize'sse -

:ini.stel".,

- ·

-

·

terra.,

E o capitão-mor,

que muito de'sej.,va. haver pilotos

daquela

depois

de termos .trata.do este

partido

com estes. mouros, fo~

· pous·a.r. defronte

da vã La., a. meia. l_égua de terra .•

E os da. vilà nunca ousaram de vir aos

naví.os , porque es-

- 32 -

já .aví.aadoa e, sabiam que tomáramos uma.barca com os mouros.

A segunda feira,

pela ma.nhãmandouo capitão-mor p8r aque

le mouro velhb em uma.baixa que esttl:_defronte da vila, e ali veio - uma.aImadáa por ele; ovqueI mouro foi dizer a. el-rei o que o cc.pitão queria, e como folga.ria. de fazer paz com ele •

mouro -em uma zavra, em a qual o

rei daquela

càrneiros; e mandoudizer ao capitão que ele folgaria. de entre eles havez- paz e estarem 'bem; e que, se lhe cumprisse alguma.coisa. de sua

terra,

lho daria .commui boa vontade, assim os pilotos como qual

quer outra. coisa. :E o cap í,tão-mor lhe mandoud í sez- que ao outro ilia -

:fria por dentro do porto.

.-,E, depois de, jantar veio o

que

vila mandouum seu cavaleiro e um xerife, e mandoutrês

E mandou_-lhelogo pelo mensageiró um baLandr-au, e dois r-a

e um chapéu, e caacãve í s, e doí.a lam .

mais de ·cora.is, e três bacias, -Mis;_

Logo ã. terça. feira nos chegámos mais para. ;junto da vila, e

el-rei mandouao capitão seis carneiros,

e muitos cravos, e cominhos,

que à quarta.

- e··-geng_ibre,e noz-moscada, e. pimenta, e mandou-d.he dizer

feira

fosse ele no seu batel.

·se

queria ver. com ele no ma.r; que ele iria

em sua, zavr-a, e que

A -quarta feira,

depois de jantar, veio el•rei em uma za.vra.,

e veio junto dos navios; .e·o' ca.pitão saiu em o seu batel, muito bem

corrigido. E, como chegou-onde 'e1.:.rei estava., logo

t_e_ucom ele.

se o d.í,to rei

me-

E. ali passaram

ao

dizendo el

:rei

muí tas. palavras e boas, entre a.s quais foram

cap í, t8:o que lhe roga.va

que f'oaae "com el.e a

casa folgar.!. 'e que ele iria

disse que nao trazia licença, de seu Senhor para aai.r- em

dentro aos seus na.vios; e o capitão

a quem o U'. manda-. fosse, que conta

terra,

·e

'ilt:l em 'terra sa,!sse, que dar-ía de si má conta

tespondeu que, se ele aos seus navios

E orei

â,à.rfa _dé si ao seu povo, ou que diriam? E perguntou comohavia; nome

o nosso re'i,. e mandou-,oescrever; e ·disse que, _se n6s por aqui tor

nássemós, que ele manda

ria,

um emba.ixador, ou lhe escreveria .•

E, depois de terem_:fala.do, cada um o que querí a, mandou·o todos OJ?. mouros que t-!nha.mosco.ti vos, e deu-lhos todos; :foi mui·contente, e disse que rnaís pr-ezave.·aquilo que ·

vila.

E o r-eí, andou folgando' de redor dos .IJiui1ias·bombardaa e e Le .:folgava muito de to andaram obra de três horas.

,E, quando se .:foi,. deixóu no navio um seu :filho;

·Xeri:fe, e :foram com ele a. sua CE!-Sadois homens dos ele tne~mo'pediu que queria que 'f'o,llsemver se 'ao capitão "que, pois ele não queria ir

. tl'o dia,· ~.·.que

andasee ao Longo da terra,

gar seus cavaíeiros.

2. !>lel.i'!lde.- A Volta

nóssôs,

A see,imcl,a,:feira, 'que :forà.msete dias do dito mês, fl'lrrios

pousar ·ae ava.nte.f!elinde, aonde logo el

O qual trazfa muita ge,nté, e mandou ca.rneiros; e ·mandoudi,zer ao oa ;iitão que ele :fosse benvãndo, que havia dí.aa que esperáva,,por, '"'"

ele,· e as sãm mC1.ndoudizer outras muí,tas pale.vras de

:.rei

mandouum.bal:'colongo;

amizade é -pa~.

E

o capitão, com est.es qué vieram, um homema

terra., pa-

ra ao outr-o

dia trazer· laranjas, que

muito desejavam os

c1oerites que

.tra.z:!;imns;'comorle :feito as, trouxe logo, com

posto que·não apr-oveí, tare.m aos. <ióentlis - pois que·a terra .os pou em t;;d · maneira que '."qu'i se nos :finaram muitos .•

outra.a muita:s

.E assim .v í.nham muitos móur-oa 'a bordo por

e trc>ziam muú11sg1"1inhas e ovos, a resgatar.

E. o capitão, vendo como nos :fazia te.nta

nos era tão necess~ria,,, mandon-d.he um serviço; ,e r;m,ndou: lh

por um dos nossos J1omer;is,o qua.L

lhe pedia qi+elhe ,desse um?,buzi·na.de mar:fim

seu Senhor> e o:ue lhe· mandaaae ce.ase em sinal de amfsade ,

erO\ ó· que sa.bia.

E el•reiclisse

que ele d.izil".,.por amor d~.el-rei

que

· sj'!rvir e ser' sempre a seu

:;ierviço

zina ao capitão, e mandou

le.var o

E e.ssim envió'u u."1-mo'uromancebo, o qual vir connosco ; que queri'avir v,er Portugal; o qual dou muito encomêndar ao c~pi"j;~oe, bem assim, lhe ínan~ou ele mandava aquele rna.ncebo,para. que êl-rei de Portugál '-~·•""'"'"'"' ouarrto ele dese.ja,.v!l.sua anrí.aade,

~Ie.ste lug:.>.r·e'l"tivenios cinco, dias, :t'olgl'!.dóS" de· qi.ianto tra.balho tfoh:.>.mos.passado M tra.yessi1i ·

de· morrer.

·

Pedifo }'11.nes

-------------

, Não hR dií:via:->.que ç s navet;8:çÕesdeste Reino i de cem anos

e-,~sta porte,~sê'oas ma,iores,;mais maravilhosas, de mais altas_ con

~-flqt~re.s,.do que a.s de nenhuma.o_utra gente do mundo. Os Portugueses

?B-Sar;:i.mcom_eter o

grande Oceano. Entraram por ele sem nenhum receio.

:Oespobri,ra~ novas

:i}ha.s, novas terras,

novos mares, ncvos povos, e,

o _q\lemais é, novo (léu .e novas _estrelas, E ne_rderam-lhe tanto o me-

_dó, que nem.a. e,-rànde que!'-t-µradá. zonai forra.dlj;, nem o de scompe-seo -frio.da. e:x:tr~ma-parte dó~ul, co~- que os a.ntig-os escritores _nos a-

meaçavam, os p6deestorvar

.;-'ª a _cobra!', descobrindo e passando o temeroso cabo da. Boa Ei;peran

Perdendo a Estrela do l'!orte e torna.n_do

\-ga( o mar-dà. Etiópia,

- dia.

<< y <)

da. Arábia e da

Pérsia, puderam chega.;rã !n~-

• .

_Ora ma.nifesto/~ que estes dei;cobrimentos de costas, ilha.s

,,e >terras firmes_ 11~0 se :fizeram, indo a acertar, mas partiram os nos --•soi;"rnarea.ntes mui ens;inados e providos de· instrumentos e regras •de- e.strolo,"\ia e geometria, que são as coisas de que os cosinógraf'os hão

- c.:.d.eandar- ape:r>cebi.dos.Levp.ram~a:rta.s mui-particularmente rumadas e

- já· as

de que os antig,os usav~m.

D• .João de Castro

Caminho

"Tratado da Esfera"

_Domingo14 de .J\).11~.º todo o dia f'oi o vento sue e+e e les-

e assi.

COfll()

larga.va. OU

e soa.seava, assi f'a.ziamos O caminho,

9 •(T"Ual,discompenssa.ndo um por

nordeister e~te d_ia às 10 horas, de pela ma.n!lâvimos da banda do nÕr oet:;te Uma;S nuvens ')Ja.gta.s. e dobrada S, e, do meio delas descia .ao

mar

outro, ficaria. à mea partida

do nor

a~ostra:c'9r:io tro.-nba.dalif'ante,

e pórderredordésta

nos. impedi-fis·ea· vi-sta., assim como nevoeiro ou sarração.

a que o~ marinheiros chamamma_:;, '

t;i-ombaou manga nao havia coi-sa alguma

- -.

.A.J)êliI'tedes~a tromba que apegava nas nuvens, afastava_ por

í:'_tf:l'f e 011tra tB.-zia uma testa, eda.li para baixo até o mar_era

1-çit·~. ~edo:11d13:Ta. pôpta que pegava

no _ma.r erguia um grande.

de:r'red,ot,<e S~f:Undonotavamoe os que isto vi-amos, ]Jl}re-.

- -{Í :L~YFlapor á_entto Cla tromba.acima; dur-ar-La,,isto

r•t_o;.d!;\ji1or.a,,:e>estaria.mos a.redados dela pouco Ó)a;is

de meia legua;

e como se desfez,

deunos uma chuva grossa. com trovões:

princípio como se ordenou esta manga.,foi parecer no mar uma grande fumaça e. fervªncia. de água do tamanho de uma nau, e. em espaço de dóis cr-edos f.oi crescendo para; o céu, a.tê peguar nas nuvens, deixando figu -

rada. esta tromba. por

o

onde

sobia agop. a ela.s.(l)

De noite começarama dar muitos Relâmpagos por toda.a as par

tes do ceu com grande m1merode trovoes; os fuzis ez-amtp.ntos

nhummomentode tempo es.t(l.vasem eles; o

fresco; governamos ao nordeste quar-ta

haviam por cousa muito averiguada que todos !?Stes sinais

calnÍaria, mas o mestre receoso

sendo passados quatro Relogios da prima, do que clamavammuito os ma-

rinheiros; e acabado a.s vergas

vento, qual a.tê qui não temos visto nesta viagem: durou este vento

grande e espantoso até o fim do quarto da inadorra, e entra.ndo o quarto

da lua. abonançou, e tornamos

nornordeste; o.vento seria como lessuest.e; toda esta noite choveu to, e o ma.randou muito ma.nso.

que ne:

vento era sueste es.ca.so e

do nortes o Piloto e marinheiros

demonstravam

ou guiado por Deus, amainou as vela.s,

de

serem em baí.xo, deu em nós t:?.manho

dar as veLa.s sem monetas, governando ao

mui

"Roteiro de Lisboa. a Goa"

Nól<0íÍ:

--µ) Este. excelente descrição do noMvel fenómeno não

de causar

feita. Para. melhor se apreciar, basta. citar a descricão das trombas m1J.,- rÚima'8 que se encontra na Physica.l Geography de w.Íle:;iborough.CooTen "Os mais importantes fénómenos vorticosos da atmosfera, diz ele, são

os turbilhões produzidos pela conflagração, vortices de poeira ou a.reilÍ.,

tromba,s,

mato estao ar-dendo; vª-se sobre cada energica labareda.,. uma c9lumna de. fumo, ascendendo em espiral e abrindo-se superiormente em fórma. de fu-

nil ••• As trombas teem luga.r

turez.a. são columnas de água ou vapor opaco Levarrtando-sae do màr e jun tando-se superiormente au'.ma nuvem em flírma de cone invertido. A água.-

na base está em violente, àgitação, como se estivesse fervendos e a co- lumna, ao paasoique cá.minha, revolve-se com violªncie. perigosa,, mesmo

para grr.ndes nevios ••• A columna de. água pode explic2.r-.se supondo um

turbilhão na

ça centrifuga, cria o vácuo no eixo do movimento, no quaL -

pode deixar com que foi

admiração, pela perfeição e nunucLosa observação

tornados,

e ciclones. Quandoum ca.navial extenso e sec o ou um

entre os fenómenos mais singulares da na-

atmosfera, o qual, como o

ar é impelido·p11.rafora pela for

certa altura. A cima d'esta a.lturaí a continuação opaca,

ser f'.orma.dade vapor, subindo da. parte inferior,

ou baí.xando

Duárté Pacheco Pereira.

Do·que disseram e.lguns escritores· e.ntigos, como a linha. eqúinociá.l

e a. te;ra que faz debà.ixo dela era inabi tavel

Nunca ós nossos antigos· antecessores, ·nemoutros muito ma'is

doutre.s estr-anhos geraçÓes, puderam érer que podia. vir temno

o nosao oucdderrte fora do ouriente conhecido e· da India

agora é; por-oue 013 escritores, que daquelas partes f'aLar-am, escre

pelo modo

verq.mdelas tantas fã.bulas, por onde todos j)areceu impossible <i:ueos-

:in'iiianos mares e -terras do nosso oucidente

se

Tolomeuescreve, na. pintura .de suas

o mar Indico ser assi cdmo Üa a.lagoa,

pudessem navega:!'.•

antigas tábuas .de coémó apartado, POI' muito .es:

nosso má.'.roceano ouéiderítal que pela Eti.Spia meridionaf pas- A que an+ne estes dousmares ia Üa ourela de terra, por impedimen qual, oer-a dentro, pera aq)lele.·gólfão Indico, per nenhummodo-:

nau no.dia.1)a.sspr. outros disseram .que este; caminho era de ta.má carrti de.de que, por "sua longura, se não podia. navegar-, e. que nele'."" havia. mu'í t"-s ·serPiiJ.s_e ou'tz-ós grandes peixes e animais nocivos, pelo· -·

ouaL e,sta· navega.cão se não poi).ia fazer

PompónioMela, noQrincípio do seu grande livro e asai no

 

terceiro de

Si tu

Or-b.í.a, e Mest_reJoão de Sacrobosco, Ingr@s,

e

aut or-, na a.rte

da astronomia, no fim do terceiro ca.p!tulo

seu

'.I're

tado da Esfera., -oada um destes em seu lugar, ambos.disseram

as partes da equinociaL eram .in1;1.bitáveispoLa muito granei.equerrtu

do Sol;· donde pa:rece que, segundo sua tenção, aquela tórrida zona- esta causa E!enã() podia navegar-, pois que a. fortaleza do sol impe n~q haver. i habita,ção de gente; o 'que tudo isto é falso. Certa.meu

tê'mós muita e muita ra.zão de nos espa.nta.r de tão excelentes homens, éornóestes foram, e ç,ssi Plínio. e outros autores @e isto mesmo'afir-

-mar-am, 'ca!reni.em tamarího.erro cornoneste

caso ddsaez-am, por-que eles

todos confessam.a India ser verdadeiramente ourienta.l é povorada.de·

E como assi seja que o verd1;1.deiroourient~ é o cí:r-

' que per Quin~ e pelll. India e coma. maior partE! de cr-ar-amerrtese mostra. ser .falso o que escreveram; - hã tanta habât açao de gente, quanta

que a experHlncia. é madre das cousas, .per ela a verdade, porque o nosso César Manuel, inventi- excelente ba.ra.o, mandouVasco da. Oama,comenda.dorda Ordemde · e cortesão "de sua Conte, por c!l.pitão de suas naus e gente, a e saber aqueles mares e terras com que nos os Antigos pu- · medo e espanto. E ind.o com muito trabalho achou o con disseram.

_ rio do Inf'.arite em diante, no quaJ Tuga.r o'

seu de'scobrimento e naveg~ção,. coL

·Sere·nissimô·Rei. D. João acabcu

mo.atrd:s é dito_, e

pera ª<Illela cqsta da incógnita. Etiópia sob'""F.gl.pto,achou a 'etiópi•

ca vila Melinde, onde soube as novas dali, at:ravessa.zid9 aquele grande g61fão

nàquele mei.o·jaz·/ deacobr-Iu e novamente soube ~1g\ía 1)a.rte·da·dese

jadà. !ndia Inferior.

correndó Vasco da Gema.,com .suas (ÍUa.tronaus ,

da. Jndia que ia .busoar-r e'_ de setece11t>wléguas ®e,

Q.ua:rtoLivro do 11Esmer<>ldo

Capítulo .:r~

de. •.•os Lusía&i,s"

nr~Úmil'Í~rês .

Çom<"> ~ 6bvio, o. êi'rtudo de uma obra. nã.o deve.·s.er empreên- d_idosem f\tndaméntação e motivação convenientes. Por is-

frO mesmo7e n:J.rticu°la:rímenteno caso ver:?:o. nrof'essor utilizar estudos e da: clássê no sentido eh~f'acil:í.tar a PoÉ'!ma.

de '"Os Lus1adas"; dé, lei tur1>.s.anteriores_ melhor apreensão do

- 2 - Assim; lembra-se4 mais uma v~z, que o estudo d~ hi_stori6- V'ªf'oif como Fernao Lope's, Joao de Barros, -Fernao 'Lopes de Gás_tarihedae Diog-o·a.oCouto;. de Roteiros e Itiner~rios7 cono .o da ViaR-eriJ'·do G~.ma~·a Carta dê Pêr-o de Andrade Ga

mí.nhar d~_nar~~.t:l

teratiira exótica como a. de }i'ernão Mendes_Pinto; de poetas

comi>Gil/Vi'cente e :Ant~nio Ferreirá

c::orvpa.1ü1ar,,o estudo de "Os Lús!a.das 11•

vasela

Rist6ria Trágico,

deve~

!Jarítima:

de li-

pr,eparar, ou

Outra!'. leitura.e como

as

de Pedro Nunes, :r>uarte_Pacheco Pe

reira., Garcia de Orta e D. João de Gastro,·de que noutro- luga.r se apresentam "à,lituns excertos, deverão ser - como _ a.litunia.ie·das a.ntério;r~s - opor-tuàamerrte f'ei tas~ _à medí.da:

q\Íe o, estudo dqs vários passos ,do Poéma.o aconselhem.

Inú,tÜ se tOrnll. lembra~ quê o estudo de "Os Lusíadas" nem dev<0onsti tttir a:êhvid~de inicial no 3g Ano dos Liceus, hem'il;ei.xar_de·_pcupár,. por out;:o lado, uma.grande· parte do· a.no lectivo ( qiiarenta a cinquenta lições).

5

:

Q~a.nto·ao

nao_nretende constituir-se

t6ria nem indfoa t odaa as actividades que o est"Q.dode

"'Os.Lusía_da.s":comporta.• -

esquema.a seg!lir apresentado1 é ·de notai-, que

emorientaçao wiica. e obriga-

6 - Compet.:i.r~,igiialmente, ao prof'essor,

distribuir

pelos

vários tenmos lectivos a matéria em estudo; 'dando a este_

a amplitude_ que' enténder ne,cessária. Por is1>0 mesmo, o -

n-dmEiro.dealíi;leas 'que dão eeqnêncí.a à :plan~_:ficaç~o.não

.corksponde,

de modoálgµm, ã.o número de tempos léctivos

necessários ê. rea.lizàção dos as-pectos nelas cont-âdca,

:~'º-.

7 -' I)e_stemodo, o prof'essor colltinuará livre para quaisquer iniciativa.$ •. ·

b) Planifica.ção

Canto' I--

l - Intrôdução

ao estudo dê "Os Lllsíada.s",

aspectos verificados,

sobre a épocade

ou a verificar, Qµinhentos;

o 11elimaii

~e exaltação e as tentativas

evocá~do:

nos cronistas

épicas.

2"" Início do·estudo do Poema- Proposiçãos

- $eu s'ignificado.

3

-

Estudo da ~nvocal?,ão- ests. 4 e 51

 
 

-

sµa ju!ltificaçao na.estrutura

do Poema.

4

- Estudo. da .dedicat6ria - e at s,

6

a. 181

 

- estudo das ests. 6 a, 15;

- .leitura ', e comentá:rio global

das

este.

16 a 18.

5

,.I'fà.rra.ção-

.Concílio.

dos Deuse s no

Olimpo - ests. 19 a 411

 

estudo da est~ 19 - a ,armada no. mar

razão 'da .não coincidêneia do início

·

largo;

início da. acção do",J?oema.;

da. narração com o

possível referência. ao "pla·no" de "Os Lusíadas".

 
 

Estu,do das ests e . 20 a 40

Concílio dos Deuses no Olimpos

·

funç:ão deste .eJ;>is6diona nar:ração;

 
 

a

interv~nçâo

e 0,11-ntagonismode Baco_e de Vénus: valor

desta alegoria na economia do Poema;

 

primeira· e breve referência aos "elementos•r do género é

pí.co ,

·

 

.

6

- Continuação-da narraçãos

 

-

comentário

global das

ests~ 42 a 68: ,

na

 

bique;

costa de Moçam -

estudo das

ests

70 a

76 ,;

maquinaçô'es

de Baco para a

destruiç~o.dos Portugueses; sugere-sé a leitura. atenta. das ests.

42 a

44 - r-ecomeço

da narração

e 45 a 48 pelo à.pontamente realista

que

encerram. As mulheres da Il!Ía de Moçambiqueainda hoje se. vestem .aaaãm , Esta.e estl!ncia.s poderão motivar uma.aula. de projecçÕes de diapositivos .sobz-ecoabumes de Moçambique.

'

7

- Leitura e comentário ideológico global das este.

77 <'· 102

com o estudo a.tento das estis. 84, 89 e

- Estudo dàs ests.' 103 a 106 ,.,.chegada à vista de Momba.ç~i a.tente-se no conteúdo das ests. 105 e 106 - consideraçoes a prop6sito da insegurança da vida. humana,.

94.

-

Carrto II -

8 - E!!\ Lom~aça

Leitura

estudo das .est s , 29, 30 e 33,

e comentário gLoba.I. das e et s , l a 28;

- 40 -

-

valor estético da.s exclam~.çÕesdo Gama- est

30;

-

e. sUplic;{

do Gama à, 11Gun.rde. 80bere.nR"

-

Deus;

-

a intervenção de Vênus;

 

-

a presença.·do ma.ravilhoso cristão e pa.gao no mesmopasso.

9 - ComenMrio global das ests.

34 a 43;

estudo _das est s , 44 e 45 - p;rofecias de Júpiterr

- justificação

das profecias.

10 - Partida. de l.:O.mba.ça- Chega.da.a. rirelinde,

Comentário global das

estudo das ests. 108 8.109; sugere-se o estudo daa e·stârtcia.s f'Lnaí s do canto - 112 e 113:

- possível leitura

est s , 64 a 107;

de textos de cronistas

que terão sido co-

nhecidos pelo Poeta;

referllhcia. a. fontes de informe.ção; .

- ó _Rei de Melinde pede ao Gama~

nar-r-a'tí.va da. Hist6ria. de

-

Portugal;

o esquerna da futura narra.ção do Gamano.e ests. 109 e 110;

os navegadores. portugueses gigantes do reino de Nereu; alusão ao sentido da verdadeira. gl6ria. - es t s , 112 e 113.

- Canto III ~

11 - Em!Ielinde

Leitura e comentário da':s est s , 1 e 2 - invoca.ção·a ca.Hope;

estudo das es t s , 3 a.·5_

f'a.l a do Gama.•

O porquê de nova invocação

il. musa de poesia êpica;

: sugere-se

narra.dor;

que se deixe bem nítida. a. ideia. da. mudança de

- -justificação de ser a fa.la. do Gamnuma m'rração de tipo retrospectivo.

12 - Comentá.rio ~lobal do cont'eúdo da.s ests.

6 "' 16 e 18 a 19 -

- LocaLi.z.aç ao do · 11Reino Lusita.no" na Eur-opa;

estudo da.sests.

- deverá. notar-se a ternura pelo "ninho" "paterno". afirma de. ta.mbêmem outros lugares do Poema (cf. c. V,e'st. 3 e-

17,. 20 e 21;

c , IX, est.13l;

será, por~

véntura,de sugerir, aqui, aos alunos, "· µ1emorizaçãodo ·

/

- como em rela.ça.o a. alé:Uns versos anteriores,

12 verso da est.

21:'

"Esta é a. di t osa oátria. minha,amadav,

13

•"" Jfatudõ díis· ésts.

23

a

26 -· D. Henrique

 

e 42

a 44 - D. Afonso Henriques , É0talh.a de Ourique;

conienti!'.r'.i_ogloba.l fias ests.

sugêre-se ainda a. leitura e comentário das ests •·1

27 a 41;

22 - Viria.to

e

36 a. 41 -

Egas Moniz - o .s!mb.oloda :fide Lí.dade portugu.esa;.

'14 - Coriíentil:rio·global das ests. 45 a. 95 - de Afonso He!ll"iques a Afonso III; ·sugere-se o estudo de a.Lgumaedesta.s estitncia.s, comopor ·

exemplo:

·

45

e 46- milagre de Qurique;

53

e

54 -

57

a. origem da nossa bandeira;

 

- a.Conquista de Lisboa;

84

Estud.o das es+s; 96

- morte de Afonso.Henriques. '

a· 99 - D. Dinis:

éxplicáção do esca.ssÕ ni1merode esta. concedidas a este· rei.

15 - Estudo das ests• 102 a. 106 - epis6dio da "Ferl!los!ssima ·

/.!arfa";

comen+ãr-ão global das esta. Ül7 a 117 -Batalha

.

.

do Saladci:

a si1p1ica:'de Maria;

o "re'tra to•• da rainha de al-egria.11 -.

·

"lindo •• ,gesto", mas ,"fora de

16 - Estudo pormenorizado das ests. 118 a. 135 - epis6dio de ·

In@à dê. Ca.stro:

- valei~ Hrfoo e dre.mático do epis6dio de fnês de Castro

razão da inclusão de epis6d·it>s comoeste e numaepopeia;

. possível confronto de. :fa.la de In@s com a. si1plica da 11c<iis -

tro" de·.AntcSnioFerreira.

e

o .anterior

· e 137 - vingança de D. ·Pe-

Comentário

. estudo··das esta •. 13$ e 139 - D. Fernando; sugere-se a. leitura e comentáriõ a.tento das esta •. 142 e 143 - :fina.is de oàntci - pelas considerações rela.tivas ao poder do a.mor.

dro;

globa.l das ests. 136

Ca.nto rv·

17 - Introdução ao estudo do canto: ·rela.eiona.ção com.o anterior:

Comentário global, pelo professor, do cont.!li1dÓdas .esta.· l· ·

a. 12 - interregno;

estudo de.s es'ts , 13 a. 19 - üitervenção de Ntm'AlvaJres

Coméntário global

rativos

estudo .das ésts.

leitUl'a

t,;

do contei1do das ests.

28

a. 33 e 42 .a 44 •

dirigida,

••

:20 a 27 - prepa- ,

à.e f\U.erra:;'

a. Batalha;

das

comerrtada , ou leitura

ests •. 34 â. 41.

'Atent·e-se: ·.

-~no

;;üõr

expressivo da hipérbole de. est. 28 como pr-oce s -

,iio 'estético exempl.í üí.cado, alias1 em todo o Poema;

- no valor gradativo da ;:i.-a.jectivaçao.do22 verso da mesma estância.; .

na harmonia imita.tiva.

criÇão· do fragor da Batalha - esfs.

no•valor intensivo da ap6strofe da est .• 33;

no heroísmo de Nun'Ãlvarés - ests. 30 a 35; no decrescer do movimênto, no ritmo mais vagaroso e n;:i.

de.salent.a.da dol' doe vencidos - e at , 43;

nas.ideias Contidas nos quatro primeiros versos da est.

44 (a àpncxfmar-,ma.is t(l,rde, da.s ideias semelhant-es en-.

corrtz-adas na fa.la. do Velho do Restelo).

larga.men_teexemplifica.da na. des-

31 e 42,

por e:;;Pmplo,

·

Cornentarie>,g Lobal, das ests. 45 a 65; sµgere-se ·o e s tndo das e s't s , 66 a 74 - Sonho de D. i.ranue1:

estudo de. est. 50 e niemotizàçâo - à semelha.nça do que po

deró'. fazer-se· com muitos -ouür-ca-

do seu i11tirrio·versos -

. 11Inclita. gera.çáo, altos Infantes";

o significado

a'p9.ise.gem Levan'tí.na s folhas ••• , montes••• , rios .••• ;

da mit:ificação do Ganges;

a

pr-cf'ecLa do. Ga.nges;

significado· premonitor (lo.''sçmho" de D. '1lanuel.

Comé'ntário-g].oba.Í das ests. 7.6 ·a· 83 - pr-epar-a'tfvoa ·

pB.rtida de.s naua ;

estudo das e-s,ts. 8~fa 93 - a armada no Restelo, com espe-

cial a.tençáo par-a as ests.

estudo pe>rmenorizadod;:i,s.ests. 94 a 104 - epis6dio do Ve- ·

lho do Restel6. Atente-se:

para.

.a

89 D 93; .

na. descrição dá. "figura." do Velho;

no signif±cádq· do seu menear 11três vezes a. cabeça, des-

'

·éontente11•

.

.

.

.

.

.

nasinvectivas que traduzem esse descontentamento;

na. cen,sµrê. da a.:nbição e dos •

tos vâós11•

males 'qlie provoca. nos "pei-

· - no significado .pr-of'undoda .fàla do Velho ·~ na sugestao pr-9;fétic:z d.osiseus "a.ge>µros".qlie vão ter, à.diante, con-, cretiz.açao nas ''a.meaça.s"do Ada.mastor; na profúnd:Íde.d.edo epifQnema que encerra a. úl tiina estro Je do canto'~

'

-

.

'

-~----~

-- Ca.nto V -

21 Est.udo des/ e at s

-

v s

\.

l

a. 3

ps.r-trda da.·arma.da-;

13 continuação da viagem;

14

a vie,gem no Hemisfério .Sul - a

na.vega.çãoa.stro~mica ·e o "Cru

zeiro do Sul"; "Ps pe.r-í.goaaa cousas

desemba.rque na Baía de Sa,nta.

Helena. O uso do astrolábio

Ha.rea

da Ca.rta

!6 n .23

e ~5 a 27

do mar"

.e

não

r, Far-se-á un» refergn~i2 globe.l às demaí,s estâncias

referidns. "Os Lunf ado.s",r-eveLo.dor-es do "Novo Mundo"- relacio-

-de

ne-se, eventuvlmente, com e. le.i tura de textos auxil_:!:_ a;res;

o quadro de rea lismo

na.ture.lista. - o "lume vivo" e a.

"tromba i-;a.rítima" reveladores de uma.provável experi

-

da· expressão "Vi, cLaremezrte visto".

ênc í.a do c.utor;

o vo.Loz-estético

-

22 Leitura e comentário. literário loso .,. ests, 30 a. 361

-

do episódio de Fernão Ve-

.

- o tipo de her§i representado por Veloso,

23 - Epis6dio do Giga.nte Ada ma.stor.

Estudo dc.s e s t s , 37 e. 50 e 56 a 60. Divisão do episódio em partes:

l)

prólo.s;o - aparecimento e retrato do Giga.nte;

2)

núcleo centra 1 do episódio -· a fa.la do. Adamastor:

_ as a.rneaça.sproféticç,:3 de ví.ngançaa (mrnfrágio de

Sepi1lveda, por exemplo); a. interrupção do Gigante feita pelo Gama.;

á hum2nize.ção d.o monstro, seus a.mores e metamor- fose:

as sue.s cólera.a contra. a

ouead í a lusitana.;

3) o epÍlogo .,. de sepaz-ectmen'to do Gigante.

A .mitifica.ção ·do Promontório;

'o des,encontro da. cria.ção poética com e história, que r~

vele. ter-se paaaadc o Ca.bocom "rara felicidade",

gundo os croniilta.s;

síntese dos e.spect os trP'.gico-:marít imos das naveg<".çÕes portugueses (er, os votic:!nios do Velho do Restelo);,

obser

o valor estético .da apóstrofe:

se-

.

,

açãodos

efeitos

sonoros de o.Lguns:versos;

gente ouaada, •• ";

- maís uma'vez o valor d»s profecÚ•.s mi economí.a do Poe-

f.18,.

24· - comen.Mrío globàl da.11ests.

61 a, 8o e 84 a 100;

estud,o das. ests.

sugex:e-se ain,da a. leitura

81 a '83 - o escorbuto;

. e comenti!rio das seguintes

está.:

 

·

85,

86, · 88

e 89

-

Vasco da. Gama a .conclu-

 

ir a sua narrativa reide rirélinde;

ao

 

92 a 100

-

fum;:ão. da Arte na· per-

 

' petuidade

dos feitos.

Canto VI ;:

 

25 -

No. lpdico.

.

Com.antitrio ideol6glco

global

das est.s.

1 a ·69, com r.eferin-

cia particular

ao conte11do.das seguintes:

·-

-

-

ests.

este.

esta.

1 a

·5

,pa.rtida Melinde e 'recomeço da v:j.a,gem;

6

a

34 - o. ÓQne!l.io submarino - noll'a traiçâif de Baco.;

43 ª· 69

o epis6dig dos 11Dcize de Inglaterra". ''Os Doze_de.Inglaterra": a função do e~i- s6dio· na estrutura do Poema.•

26 - A Tempestade

Estud.o das ests. 70 a. 841

~.tratamento poético .da.viagem não çoincidente, neste. caso,

·com_a·realidade hist6rica

- suas razões;

e·studo.do .realismo deste passo narra.tive.

27 - CcimenMrioglobal das ests. 85 a 91 - intervenção de Vénus;

refleuo

Cq.ntoVII

mais &terita sobre as ests.·1

· 92 e

93 ·- enxerga-se Calecut;

. 95 a 99

:.111ed.itaçÕes sobre a fama alca~

çada pôr mérito pr6prio.

·28 -

Estudo ,das ests.

1 a 9; .14 e 15;

comentário glo'b,al das ests.1

 
 

·

- 16 a; -22 - reoomezo da narra2ão, 13.gora,novarnente,por Luís

 

de Ca.moes1 ai tua.çao geográfica maÇÕe,sa 'seu-respeito. ·

da lndia e infor

 

Cha.mar-se-á'a ;:i.tençãopar;:i.1 ·

a chégadà .dos ·Portugueses à l'.ndie.- 'est.

1;

a severa. crítica

a algumas nações europeias;

- à reafirmação do espírito por'tugu@s·de cruzada.

29

,

Estudo

das ests.1

23 a 25; ·30 e. 31; 74; 78 a 82;

comentário global das ests.1 · --

26 a 29; 32 a 41; 43 a 13; 75 a 771 com os 'Asiáticos;

conta.etc dos Portugueses

o media.neiro muçul.mano - J.íonçaid~;

.taiii. de Mtjnçaid.e. ao Gama - inf'ormaçÕe

a caminho do paUcio

nhor: de Ca.lecut .( eê;ts.' 60 a. 63);

o' Ca,tual visita' a arrnada,

do Samorim e fa.b

.30 - Estud9 das ei;ts.

78 a 82;

s sobre

o

do Gama.

.

-

sugere-se o·estudó das ests.·83 a 87. ·

o l.nfcio da ·na:rrativa. de Paulo da

da: por:nova invocàçã:ó (ést. 78) e ·

Regiéta.r-se~:

Canto VIII - -

31 - Ei;tudo.das ests.

30 a. 32;

.

coment<triciglobal das ests.s

.1 a 38 - .as figuras ·das bandeiras;

,

39

·

97

a 42 - considerações de Pau.Loda Gama.referentes.

desinteresse

pelá. cul turà~.

a 99 - reflexÕes"do Poeta sobre o poder corruptor ào

.

ouro ,

>,

~.r'-~e-l nôtar,, <1;tra#~j;ld;i.'leitura

.dás :(iguras das bandairas:

-

t'6~ia p!ttria·; "-·'o diferente processo ·esMtico aqui utílizado

de algumas EistS:ncias

'

,·,·,

a razão por que ~. agÔra Paulo _da Gamaa conÜhuar a 'his ·

Canto IX -~

32 - :EstUdodas ests •. 1,

4,

13, 14 e .15;

comentitri_oglobal: das demais est!!hciass

- est,

13 - re~_sso

à. P!ttria;

ests .• 21 â 2.9 - util;i.zação da figura

de. Cupido .para a

censura de. alguns aspectós _soci?is (o desamor do bem comum)•

•• Canto X -

33 -Estudo das ests~:

9 a 13; 8o a 82;.127. ~ 12'8; 140; 145;. ·

·

c_ommais demorada

_

154 a. 156; coment!trio global; das restantes ests,,

atenção nas seguintes:

_ 2 a 6 .- banquete de T.!tis elli honra: dos descoôridores;

.8 e

··--

9

~ a. quarta invocação do Poema s sua justificação

e seu· éarlf.cter de confidê_ncià;

··

·-

13

22 a 25

8o e 81

.,.·final do canto' profético da Ninfa;

reflexões cr!ticas

a

et;trutura. do I4undoseliundo.a concépÇâo d.e ·

lomeu;

do Poeta.;

'.fa.la proUtiéa de Tétis a Va.scoda ·aa.ma

·

·

significa.do e prop6sito esMtioo do uso da Mitologia.; o na,drági,o do Poeta.; terras de. Santa Cruz;

- conclusão da profecia. de Tlftis; chegada. ~' Pátria. (:rina.l da Na;rra.ção};
- ·

seu .sentido de desa.ba.fo;

.

- N:flexÕes sobre o espírito

de .heroicidade

:aoeLPortugueses e sobre a obrigação de os gÓvetnantes o estilnula.'rem; exorta.ção a D. Sebastião e promessa :r:i:íial 'do Poeta •

.Jfotás fÍna.is

~'""""::----_,

_

, > , l ~ N11!st~'.tep.ta:"l;ivÍj.de planificação nao Se.procµrou., como jã,>:f()i·dito, :focar .ps a:spectos múltiplps ·a considerar no comentário

de il.m;te'.l!:~o·o qu~,. 1).l~mde .inc.ompo,1.'táve1,.se teve po:r desnec.essár:i:o~ ~á.•que ce. pro:fesso;-es poderão encontrar. material informativo .e.didác tfoo em a.~gurt.scánítulos·qu~ compÕem.~stetrabalho •• Pret~nd~u.,.se,so:

mente; deixar

repe.'\;idos em vkii:s. das.e,lfneas, e Plgumas.sugestões de ;váriocarác-

tt'.r,·nó intu,ito de. poder ser .,litiJ a

erit8;çôes qu~ o professor orga.nümrá e completará a. seu modo,

hréves a.ponte.mentes que, necessa.riámente, .P<)d~r:i.a.m.ser

ssinala.ndo

alguns .a:spectos e ori-

:Z>.,. Note

ae

a.í.nda que, ao indica.r-se o "cÓmen.tário glpbal

de' ál~a.s estâncias"; s~ admite que eie possa ser feito -pelo pro-

.;fessot;, peLo's a:lunos, como produto de uma.leitura di]:'igidA.1 ou como

m()t;iveçâ<)de tra.be.Ího,~ de oútra natureza., a. executar apenas pelos luno.s ou .em colaboração com () profess0r.

a."-

ORrENTÀÇÔES

DIDJ{CTICAS DE.CAHICTER

ESPECIFICO-

l ,

A

iniciação do estudo de "Os Lusfa.da.s"

. l!! evidente que o

problema. em ep:!gra.fe não node ser resol-

vido senão em concordância. com·a inotivar:G:o.éscolhida pelo nro:fessor.

Esta,

tigas '?.~. sua maté,riá len.dá.ria.ou. semilendária, ao seu. c0rácte:r po:

pular ou erudito, .se tiver evocado os ac orrt-ecí.merrtos Lus:!adas" se ocupam, se houver chamado a. 8.tenéão nar-a o

tural ·português ~ suas asµiraçÕes de competiç~o literária. renescen:

.tista, .se tiver estuda.do ~á, como urepªra.cão r-emota de ca.rácter liti gu!s1;ico, e.st.il:!stiç:o e temático, ou+r-osautores e obras ou trechos

do, séct1;Íà XVI, .terá consÚ tu:!do, pon. si ·mesma.um cami.nho.aberto e ;u-

ma.e;ii:pliç:ação-antecipada: de alguns dos o.epect os mais sa.lientes i•os Lus!a:da,s".

sé houver feito apelo ao l'.los13Jvelconhecimento ele enooeí.as a.n

de rrue "0.s 2mbiente cul.

de _

Ó seu estudo deverá

ter.,. ao encer-r-e.r--ee·o cur-ao gera.1 ao

ensino nos Liceus, um c.arácter centra.l e termin2l,

ção polarizadora e evolutivamente comoIement ar- de · outros· estudos • Por. isso. ·também,não ser_á excessivo, numa ida.de escolnr já relativ2

mente avançada, com base

em e13tudoscertamente já feitos do género nar-r-o.tívo. ou drfimático, ,in ferir "a priori" e ·por comparação O$:elementos f'undamerrtaís do ~e:

ma camorrí.anoe· seus aapeot oa maís r-eLevante s e a. ex.is.tência de: 'uma.

narração e ds.jna

sonagens"várias, o aprovei ta.mente énico dás fontes históricas e li- terárias ·conhecidas por Ca.mÕe's,e a.té a consideração de e.Lgunaas - pectos formais (cantos, oitave. r i.ma, verso decass:!labo italiano, etc,), não serão difi.culda.des que o sentido se Lec'tívo e a brevi.de.de sintética., aliados ao bom senso do professor, não possam superar.

ou seja. uma fei-

em possíveis Lei t ur-as de êar<fote:r é.pico e

c:e um

her6i

da. a.cçã.o•e dé per-

téria

.ern:gueinéide,

J!: claro que não se pretenderá esgotar tal matéria nem p8:

de

uma"cartá topográfica" anterior à observação dos lugares que nos pr-opomos. visita.r; Mà.s'tal "leitura." de modoalgum perderá· o. seu ca- rácter "de informação prévia, de sina.1ização i.nic±a.l, a comprovar e ·a completar oportuna e posteriormente,

-La de lado, 'depois de referida~ 'l,'ratar-se.; apenas da "leitura"

á

_ Será este, pois.t um poss:!vel

de abordagem de "Os

Lus!adas 11·, de uma motivaçao e introduçao que têm em conta leituras feitas, ·estudos realizados, informações gera-is. l0ias não podemoses.-

que.cer que, os e. com as

+es , o "mer~lho" ime~ia.to na leitura. extensiva do !exto de ca.mÕes_,

a impregnaçao e a v í sao da! resul ta.ntes se afigurara.o,· para. a.lguns,

processo maís a.certa.do e mais útil.

çâo, a po$sibilidade de êxito, sobretudo se essa. Lei.tur-a, de e'ltten:

siva e

hJÜitica.mentê intensiva., nos pontos ncda.is da estrutura do Poema., e

nos lugares

caminho

de acordo com á orienta.ção moderna dos estudos li terári indicações de ordem peda,gógica e didáct.ica maí.s corren:

Não se nég<J

aqui,

e. tal orienta

peasoa.Lrnerrteemo'tí.va., passar a ser gradualmente dirigid,e.· e '.:-

de mais .saliente ou mais perfeita. rea,liza.ção artística.

do

estud.o do.geraJ pa.ra o oomentário ao. particular, atitude que na.tu- ralment(l .e:.X:igiráulterior articulação das ua.rtes e nova considera- ção do-todo.

Dest.e modo se virá da. visão globt>.l na.ra e. obseMTaçãoanalítica:,

l!l$te caminho, todavia., não permite aqui, além do

que .:fi-

cou dito, sugestões conere+as e bem determina.das, pois que s6 o dia

a dia escolar, a reacção• esporrbânea da turma e a ea.pa.cidadeorien-

.tadora e estimuladora do professor poderão ind.ica.r.a iniciativa

mais

profícua ou a solução mais aderruada, Por isso também,neste. lugar,

será mais .conveniente reflecti.r s.obre o. processo ma.is usual e de .seri tido inverso, que p!lrte da leitura e=.licada -na aula para o trabalh Õ

de estudo

laboração dos alunos durante os tempos lectivos, lhes remove·as difI culdades mais desencorajàntes, para gradualmente os habilitar a·uma-

leitura mais facilmente cursiva, sem perda de sentido analítico, nu.'ltacada vez mais perfeita combinação do prazer estético-literário

com o espírito crítico e.o

mente.se completam e apunam , Aliás, o carácter denso a.e uma obra - como ','OsLusfofü•.sri,a sua podez-osaestrutura. e variedade facetada., as suas implicações de or.demideol6gica, cultural e artística, pare- cem aconselha.r o caminho do oorrtaot o explicativo inicial, da leitura comentada grada.tiva, do progressiyo desembaraço de compreensão e sen sibilidade. )!: evidente, porém, que o professor não deixará de e$far-

e de -preparação ou revisão em caaa , que, sem p;reterir a co

enriq'l.lecimento_cultural,

coisas que mutua.

atento a9s valores da fruição estético-literária e que nâ.o deverá omiti-los ou diminuí-los, no conjunto da sua. actuação peda:g6gica. ~em pelo contrário, procurarll: que estes avultem cada vez mais, à me, dida que a compreensão e ·o conhecimento do Poemaforem·aumentando.

=

Sendo esta, pois, a orientação.de que falaremos, nao por- que a outra não seja possível ou não haja entre ambas naturais pon- tos de encontro, começaremospor considerar r-ecomendãvel, que a pri- meira lição de contacto com o texto de nos Lusíadt1s11, depois de fei tà.s a motivação e a introdução já referidas, não ultrapasse as trgã primeiras esta.ncias do canto Prime.iro.

Haverá então oportunidade, se ,iá arites ela nao tiver o-

seu significa.dq, na sua

utilização apenas eÍn tal lugar e no. seu caré.cter de neologismo

dit.o possivelmente aproveitado .de André de Resende pe l.o Poeta. As- sim se despertará o espírito d.os alunos para verem como em outros paasos , e de variados modos, Camões.se refere aoa Portuguesés.

corrido, de atentar no título do Poema, no

eru-

1'!1;l.sa leitura inicial da proposição verá ser feita pelo professor, e este próprio conceito çâo constituirá.uma das_primeiras ideias a elaborar dade cof!1Preensivados alunos. A simple$ relação

de-

mesma:faidlia (r'Pl'()PÓr_;sen:,"proplSsiton, "proposição")

. r!. à razão.·de ser desta nomenclatura~

pelo me13moproceQs.ode elà.bora·

ça:q,no_pro{lcSsitodo Poeta,. na sua afirmação fundamental, modesta= mente oondiciona<las "Cantando espalharei por toda parte,/S:e.atail- tome11judar o engenho e arte"• E logo tamblm o objeçto do verbo subordin!J.nte,z.compoi;itoà.e trb elementos, mostrar«i o tr!plice in ;

tuito de. ~amoes e o carãcter não simples mas complexoAa ProPOsi - ção do .Poema. Tal. intuito não '• poréu; ilimitado ou absolutos cada.· um dos objectos do .canto 1 acompanhadoda sua restrição, de afirma

çÕes.que.as oraÇÕes relativas

ticúlar!,

.jmportàr! depois atentar,

estiecialmente delimitam. Assim se ar à compreensão l&gica com a à.dlise -

semá.s identificar,

sint4ctica.: e· se ter! do tiensamento do Poeta Umconhecimento mais

esclareêido

e

.

·

·.

. A tercel.ra estltncia mostr!!r!, por

_suavez,.

que _Lu!s de

C!!_mõesdesenvolve a propósição, não acrescentando UDi. intento .novo, mas estabelecélldo comparação contrastiva e relevante entre as V:it& rias nacio~is e as de Alexandre e de Trajano, entre oseuprop&s!

to. e o das epopeias

Mas este.desenvolvimento, que

antigas, ao tempo tão

conhecidas e -celebràdas7

é tamb'in uma s!ntese, enricÍuece-se

com a afirmação global de que

o

seu intuito

1 o de divulgar

e glo-

rificar por. efi!Crito,

eiri poema fpico ("cantando espalharei"),

todo

.

o 4ero!smo dutioo e militar do "peito ilustre lusitano", -todo ova

lor colectivo portugu@s•. Poemade ep;l tação nacional, portánt-o, mãs

de·tudo e."d.e todos, sem horizontes mais.largos e sem razões morais

que a justifiquem? As.simficarão os. alunos prevenidos

para ir dan-

do repetida resposta a esta interrogá.9ão, no .·decorrer do seu est:u-

.do~>Mashaver! neoessidade ainda, apcSsesta interpI"etaçã9 geral,

de cqnhe?e:r mais an"liticamente cela)l,'eEiacaso mal a,pr\:)endidos.

o te:icto, de iluminar elementos par .

.

-

Efectivamente, .a Ü:nguagemcamoniana (como a de. outros

escrito~es cl!ssicos,

tes) utiliza

rentemente ~mediato

um dos cuidàdos in_ic:Í.

ais do pro:t:essor, a· manter e: reavivar durante o estudo do Poéma• - Tal é o'cà'só de substantivos como "barões" e "memcSrias",d\:ladjec- tivos como ''.vicio_sás"' de verbos como "promete:r"' "devastar"., '"obe . ·

decer"· e •icessar".

leitorefil desprevenid.os• Este ser!, portanto,

e

m~EItalvez mais acentuadamente do que·a des- expressões cujo significado e alcance, apa - f!cil, não 1 01 qiie se afigura desde log9 a

termos e

·

·

.-

.• .Poz-outro. lado, have.r! tamblm nec.essidade de informações.

e coment!'tr.ios, .sem os .quais a compreensão do t.erlo ficar! diminu!-.

dªs passar "alémda.Taprob!!.na" não signifiéa apenas ultrápassar.

ilha 'de .CE!Úão

a

(ou

de. Sumat:i;-a,como alguns entendêm), mas .ir

para

~iit

de to9.o o mllll:íiO:.conhecí.dó da geoirafia antiga;· o "~ovo Nino" ·a

· qllE!na primeira· est!tnc ia -se alude na.o é mais ao que o ·reino, de Po=:

tur:af estendido <J.O Oriente; "a Fé, o Império" querem signi:ficar a !iJ - cristã e o senhorio português .supessiva ·e concomi~antementedil.ata- 'dos; "a Musa antiga" é tode. a poesia épica grega' e ~ati?U!o,agora re-_ movida para lugar subaiterno, em compe,raçãcicom o va:Lorpo:r::tugUês

que' se. deseja cantar. Haver;! neceeis~dadeainda de

"Por.mares nunca dantes_ navegados", rião somente.pela sUa :feição sin;

Mt.ica e lapidar, mas por ocin§tituir.um"leit

iõ.eie

motiv" do Poema, uma.

fa!lll;lrregistar

:.mestraele

11o·s Lusíadas",

frequentemente repetida. por :f'orma.sdi

.

ver-sas , a consÍderar:. '

Mas, se to!l.os estes áspectos ideol6gicos e cul tura:is nao

podemfiear na sombra, tampouco.o.s líterários que neles se conglobam

é numou. noirtr-o ponto se manifestam por processos de estilo ou

mas de el!'pressão mais':saliEmtes. Por isso·ta.mbéll!se comentarão al- guns mais importantes/esquecendo out:ros de menor relevo .ou deixa.ndo -()S para; futuro ehpontro mafa,favorável. Pessoalmente, esco:l_hér!amos

''ocident'a.l praia 1usita.rui.", naqueles que por obras va.lerosas/Se vão

da lei da. morte liberte.ndo••, "sábio Grego",

tre lusitano", e explicarl;lmos pqrq:uêt .é que não s6 estes pas~os inci - dem em pontos capitaii;i de ·compreensãodo~texto e ajudam a coriipletlC.;.-

-la., como as per!frases1 antonomásias esiriédoques Eierão prôcessos frequ2ntemente registados n' "Os'Lus:!adas" e seu natural meio de ex- presse.o.

for-

"Troiano", "peito 'ilus-

'tU.e.isto;.porém; rião seja visto como primâcial: ll!enosim- port<i.ca.talo~r, atribuir etiquetas, utilizar .nomenclatura c.lassifi:- cat6ria, do 'que e:icplicar o significado das denominà.çÕese, sobretudo, a ;r.?zãpde ser do-acpa.recimen1;ode de1;erminadoprocesso. Porque se :ra.:. lá'de-"ocidenta.lpraialusitana.11, em perífrase e sinédoque evidentes, epJvez.dê, se r~:ferir apenàs Portugal, .serião porque.se alude-a navega- doree, que, nece_ssá:r'iamimtê,não poderiam partir de qualquer ponto in terior. do Reino? Porque se regista o esquecimento como '!lei.da morte", senãópprque se .quer _chamara atenção para. o carácter excepcãonaI da

de Ulie_

sl:!s;e-de Eneias, por antonomásia, serião porque o'usddesae·processo-

if'.lorta!idade, à:Lcançadapelo valor dos :feitos? Porqu13se :fala

-f'a.~ia a.vultàr figuras· antigas, .Logo•removidas para. e_egÚndoplano pelo· .mais a.lto v'a.lor dos Port_ugueseà?Porque se estabelece a conexão entre

é neste que ~posta.mente resi com os sinais visíveis do va= -

de a vai'en1;ia e, é este que se ·lor ·dàs i;;Ua.s-acções? ·

·cora.gêmé 11pe:Í.tõ ilust:r:'e", senão p9rqué

condecore

-

-Nemse esqiieÇa.,· por outro lado, o 13mpregosign:i,f:i,cativo de •ipa.lavras.de va.l.or": os a.djectivos 11assinaiados 11, "esforça.dos"; "re-

> mo-ta"; "gloriosàs•1, ''valerosa_s", "grandes", de conotaÇão ~uper~ativa, as formas comparativas mas igue.lrnente supe,rlativantes ("mais do que prome_tia'~,"ouiró valor. ma.is.alto"), assim como os. quanti tativos.,.in- de.f'inidos ou'ºª. ádvérbios negà.tivos, de igual significação, ("a tán.- to11,' "tudo o que", "nunca dantel!J"),

Comisto estará o aluno preparado para. uma leitura final, que pode.ter para o professor intençÕes de verificação, mas que pa- ra a(fllele há-de representar sobretudo umarecapitulação sinMtica

do que ini.cialmente apreendera e do (file em todo o traball;l,o da auLa se foi esclarecendo e organizando. Tambémessa leitura, no entanto, há-de s.er imediatamente preparada e imediatamente corrigide.: que"se

discuta. previame?!,teo indiquem gs versos ou

mente a leitura. feita por este

rá-la, na pr6pria aúla ou:na lição seguinte.

tom geral maí,s recomendável par-a ela, que se

palavras

que mais convirárea.1çar, (file se có- ºR ~quele Luno e se convide e, melho

Terá esta comofim particular o estudo da invocação do

Poema; mas, porque este é relativamente restrito e carece. de

eµquadradõ em conhecimentos anteriÓrmente ad(flliridos,

precedido do questionário recapitulativo conveniente, na linha in-

trodut6ria desse mesmoestudo.

ser

deverá ser

Semelhantementeao (file já foi dito para a proposição, im

pol'ta (file os aluno~ aejam conduzidos à !;deia. de invoca.xãopoética-;-

& consciencializaçao de que a solicita.çao às Tágides-nao é um pedi

do literariamente 'convencional, mas o reflexo de uma prepcupação

condizente

se propõe. Surgirá tambémaqui, possivelmente pela primeil'a vez, a

com a magnitude da empresa l_iterária (fileLuís de Camões

completada pela informação de

ideiÍ!, de maravilhoso greco-latino,

qÚe será_ igualmente a André de Resende qiie o Poeta deve a. designa- ·

ção de ·"Tágides".

No entanto, invocação deverá ter,

;i:fo. Os.alunos µâo s6 advel'tirão

ta comoserão conduzidos ·(ou reccnduaãdoe ) ao conceito clássico de

géneros literários. e ao caráctér específiéo do género épico, que

de novo impol'tará aclarar.

alto e sublimado", "estilo grandUoco e corrente", "f11l'ia grande e so norosa 11,'11tuba canora e belicosa" serão-explicados e comentados

em face de "verso humilde", "agreste avena", "fra.uta

eles se obterá a boa caracterização do género épico, servindo-nos do pr6prio conceito que Luís de Camõesdele fazia.

a explore.ção das est!!ncias constitutiva1;1 da

desta. vez,

carifoter predominantemente litel'á nas expressões metaf6l'icas do 'Poe

Os dizeres "novo engenho ardente", "som

ruda". Por

1

A 9onsideraç;;:o da refer@ncia às águas de Hipocréne, pa-

ra solicitar das Tágides a equivall!ncia inspira.dora desejada pelo. Poet?., e_a e.notação do pedido de um canto igual aos feitos, envol vendoia d~yida de que tal sejll. poss!vel, introduzirão os alunos.-

'na viy@nciii de uma estética litedria

e de uma atmosfera cuU=al

:imprescindíveis para a boa inteligência de muitos passos pos'teri~

res e para o. entendimento de que esta invocação de entidades· sobre-

naturais

greco-latinas

não surge apenas por mera imitação de poemas .

a~tigos,

mas tamb41!1comomeio de

signif~~ar,

como jit a.e dias!, a 81'!!1.

deza da tarefa e o empenhoque o Autor poe na sua boa execuçao.

 

.

.Com·isto igualmente· se prenderit o esclarecimento

das ra-

_

·.zÕespeias qÍia.iso '?oetafaz

a :invocação às Titgides (ninfas

imagina

tiv,amente nacionai,a, do maior rio de Portugal, do estdrio donde pão tiram as grandes navegações) e se prepararit o aluno para a ideia de que esta invóc#lção maior ou.geral do Poemapoderit ser apoiada pÓr

invocações

niana, a registar ulteriórmente. Por outro lado, a e.lusa.o do profes

men.oresou

particulares,

noutros pontos da el?opei,acamo-

'ser~

Pl'Oposição e à invocação da "Eneida", e A adaptação do prooeii

só por parte de·CamÕes,pe:rmitirl ~hamara.atenção dos alunos para.- uma primeira ideia. de imhação original., patente em toda a arte cl~ · sica.

:Nãose.dispensar4.contudo

aquele de-fazer atentar em al-

guns pormenores do texto. l!! o caso. do. valor afectivo de "minhas"('M gides minhas), do uso do perfeito composto {"criado/tendes"), da - função sintitctica·inferida da' interpretação de "de mi" (4, verso4•), do significado da preposição "defl (em "de vossas i(guasn), do o.arité- ter incl.ull!ivo da dis.juntiva "ou" ("agreste avena ou frauta ruda"), do valor semhtioo-das palavras "corrente",· "gestõ" e·"Ereço 11.'.J(as_ ser( tambfm ooasiíi:o de relacionar o conoeito de invocaçao c_ómo pro nome 11v6s",.de assinalar o uso e:tpressivamente repetido da t.Srmula- "dai-'llle:, de mais uma vez .observar o àparecimento de palavras de .~ nifioaçao superlativante, devido ao seu pr6prio sentido e-utili-za- ção adequa.das engenho "ardente", som "alto e sublimado"·, estilo "gnm

d!loco", ·fflia "grande e sonorosa,", "famosa" gente vossa, preço.

"sublil!leii ·

E1darão os aLunca então preparados ]_)arauma boa leitura

final, segundo a orientação jit acima :Í.ndioada, ou outra equivalente. E, se a' lição. começouEeta reca~itulação de_estudos an:tel'iores, em part.icular _da proposiçao, porque não ler agora as primeir11-scinco .

estlllicias, de ~Os Lus!adas", tende>antes o dança do tom .geral, a ·partir do· in!cio da

dificaçÕesde entoação e ritmo a operar nessa e na seguinte? E, ha- vendo tempo e possibilidades, porque não ouvir finalmente a grava -

cuid11-dode 11-ssinalar a mu quarta estlh1cia, e as mo=

_ ção de um gl-upo coral, segundó a mdsica de Hermínio _doNascimento,,

' relativa às '11-timastr@s das cinco estltnciae j! estudadas?' Que essa

leitura ou essa audição.z. ~odavi11,,não sejam passivas1 que os _alunos meQ.itemnas suas ·variaçoea e no seu maior .ou menor ajustamento a to

da a e~réssiv:i,dade- que o texto

bim de 11-.lgümmodoÜma:Partitura que se enriquece e valoriza .como -

comportã; qiie sintam que este & tiiiii'

, ., 'No,vàlic;:ão serit prt!enób.ida com o estu~o da de.dicat\Sr~a, j,

deia ·que h~e

CUJc:i.aspeÇtC>,~nvocat\Srio,· não ·jit em.referOJióia A.aTitg'ides.ID!loBao rei

pol'tU&Ub-supo1ttamenté presênte e ouvinte, se h~e lingu!stic8: C!'ell tilisticament1Lrevelar pelo UI!() da, copulativa e do. prolio!lle"v6sn, ã .naforiéamerite empregado no decorrer do di11curso.

ser tam'IJlminferida da leitura

inicial

dei c.onjunto e

E '.será esta palavra e este ~oncieito de "discurso" qúe im-

do Poema4 tambfm um pedido, wríá invo

'por't;a aoehtuàr •. A dedicat6ria

cação do favor d.o Rei, em forma órat\Sria. Aind!lo qile· relativamentê

breve, esta 11fala11 do Poeta I composta. das pa.rtes naturalmente dia ;

·.tintas q1le a an:tigá RetlSric;la.disc.iPlinadamente classfficou

(~s:ts;

9 - 8), e~cisiçãô

e:x:6rdio

(estl;I. 9 - 11), 9onf'irmação (estis. 12_- i4)

e peroraÇão (esta•

cimento ·destas. }lar'l;~s constiti.iirl para os alunos a.determinação da

estrttura

r!sticas palacianas e com nova manifestac;:ao.de espírito, lpico, pre-

Par4, los.-

dade orat.6ria que n.'110sc r.us!adas" hão-de vir a encontrarc disc11rsos·

prê'dbmi~nteme3!te narrativos, dé acusaçao é de· defesa.

15 - 17) com o

seu ep!l,ogo (est. 1.8). O reconhe-

do te~o.

~para

Por sua vez' .o seú co3!tei1dogeral, de caracte -

serem. sens!veis a. outros tipos de' disclir130, A.varie

e:x:ortativos_, di1:'1omáticos1 implorati-

Umestudo mais pormenorizado das estft.ncias do' ex6rdio e

d11_e:x:posiçãopoderá combinar a ·análise. 16gica com a g:r:'amatical,·a a nál.ise lingu!st'ica com a anáHse semllJ!,tica e litemria; ~s13im,de

· ~terminar a o;ra.ção subordinante iniciál

e suas coordenadae. I di,scri-

111i.~ro pet;lidp do Poeta; examinar os apo,stos do pronome 11v6s11, ~x:

.pressivamente.-repetido no

na- do Autor; a preparar esse pédido; x<écionhecero valor metaf"l'Srico

da palavra 11c:n-ãoI11a.ip.da sentir·as exigências pragmitticas dafpoca

é a situàçào cQrtesanesca·"de Camões perante o Rei; mas considerar cs

futuros. e os imperatiV()S verbais. ("vereis", 11ouvi11}, e sua. repeti

çâ;o, ·f 'tamb.fm.p8r em evidência a segurança da sua promessa,, a cons-

ex\Srdio, f.compreender

a atitude palac.ia-

;.

cil!ncia do quê ·a.firma e. a verdade do sentimento honroso

que o ani11111

A

ren,oya,ção e. ácrescentamento de uma ideia j4

conhecâda Çla.

esUnci;:i. pelos alunos permitirá que a undécãrna cons"j;~t)Ui, ponto de, partiQ.a para novo exame e consideração dos motivo~ gerado;,_· ·1'es·cio entusiasmo tfp~ço: a grandeza, superioridade e verqade funda.'-" '!Deiita.l·dos .feitos po~tugueses,. 'em comparaç,ão com as empresas cantia-« das, mas 'in,veritadas;- ciRAntigui,dade, e átl de uma.epopeia reoeniie C1J moia de Ariósto .: Isso tambfm mostrará a natural ocorrl!ncia da. -

1a:~~;, pfogréssiva. de. qualificativos (••vãs, :fantásticas, fingidas,

· Ínentirosas,

sonhadas;

fabulosas")

e da insistênCia.

do verbo

"ex-

céder" .em repet;i.da. ora.ção consecutiva.,

reforçada.

ainda pela

con-.

:firuil admitida

pe l o

.

A consideràçã.o .das tr@s ésttt.nc:i-asda conf;i.r~açâ'.o(12-- ·

.14).levará por sul', yeg; à ideia de uma nova proposiçao de nos·L~

síadM", Pia.is pÓrmenoorizada.e

individualize.da, comonum,descerrar

•(!e 1,imé!;gale'rfa,·avis;i.tar maí s ta.rd,é•. E .será então oportuno aten-

.tar. em e.lC"ili1á ení·fe-tos.:~picos

corno 11:fero", ,":fortíssimo",.•·

11terrí-

>.•;billt., ou no "lei t motiv1,-já.1 conhecido da imortalidade alcança-a.a. riela. gl6rfa dos :feitost nE outros .ern queinpoder- não téve a morte"

(cf. I, 2; vv. 5 - 6). :

_ , . • exortativo, .incita~•mto !.\\terreiro

Fin11.lmente,o e~trtdo ela

neroraçã.o4 coni o seu ce.rácter

e a.ntrvisao de imortalidt\de,

:;e te:(-á de ev,Ócar o amhient·e que antes da publicação d.(.')"Os Lusía:

'.e~'-?ªªª"rodeava. ó Rp,i.ou forél

,;·,· â.ç>s.al).mos-:,o;retornq da mesmaideia .no final do Poema, quando.

cria.do

nor- éle, e anunoí.ar- desde já

.

;)•>,_•J,uís.a_e· C.amÕesde ·novo se dirigir directam'ente a

D.··Sebastião.

:\_,; i'; 'Nem1:>9risso, eorrtudo, se· h,á-<1e esquecer o valor.

'[lr6prio da·.es-

;q:>,' tâtlcfá.18ª,

onde .se refoI'lJlula. o pedí.do do Poeta relativo à acei-

tacíl:o-e<apadrinha.mentopelo mais -aI to representante da Na.çâó.de

llllÍ"po(.')rna,de gi()rif.icação nacional (explice.ção na.tural da dedica-

,. 'f;6J:'iaao,rei',;portu~ês)

e se conyida este, em hábil passagem para.

; a narrat:j.va da apcao épic<J,, "'·co11templa:r;-pelo espírito e pela i.:. · mà:gin~c_s:ãqa, via.ge,m:dosA~gonautçi,slµàitanos, que :já no largo o-

?ea.no,-,~ave&"1o1.va.M11

I~tom~smocon:;:titutrá

explic~xªº f'orm~l para no :final do

o ret_omar da .:fala d.irecta ele•Camoesa D, Sebastiao,

·can+o X; ao terminar a na.rrativa do Poema.•

E;fectivàl'l~nte, n~o par-oce;desa.conselhável ou' inopoJ:>tUno,

procédimento d;icláctico. Se é .cer-to que a. observação e eonsi.,

pelo Poeta deverão acol'l-

l;anhá.!-.,lfp~.rfp~ssu" a leitura e· estudo· de "Os.Lusíadas", -também·

i>.orvezes se afigura

'. , cã.otdos ,alunos, sinalizando' os 'pontos de re:fer@ncia mais importan '\ · kes, pronto, todavia. à :fazer;_lhés recordar, .ne, ocasião própria, a.-

','d~rae~(}dos; ·Processos forl'lais utilizados

útil que o pro:fessor se, ant í.cí.pe à observa-,

;isi'la1a.Çã.oe :t)mção .desses

'/.'

,,.-·

'

mesmospontos.

.:'.-'S,, ·.··

A pre.pa,raçâo e a ,explicação do texto. não poderão, con-

<tiid91 it;:on~ide'.!'ar-setermina.d.àe;.E n~tm:e,l que. os al.unoa precisem

C\dé~êscl<l.recimiintoshistóricos

.aobre apostos l~udat6r.ios como ,(bem

_P.iJ.SCig,àsegurança/Da lusi tàna, a,ntiga liberdàde" ou 11ténro -e novo rà.mo_:flbreéente(oe .Íia á'I'Vore.dé .Cristo ••• ", e que esses esclare- tó!l ou otitros>sejam necessá?-iôa pari!; o desenvolvimento dos .

meamon apostos, com suas alusões e referências epocais. Ma.s.nao se

deixará

pais apostos·,

de

ta,m'Oêm.de p-8r em r.elevo o êxito meta:f6rico e expressivo

o

valor a:f('lctivo da perífrase

"por um pre15âo do. ni-

nho meu paterno", a síntese épica e lapidar

dos dod s 111timos ver-

sos da estância

décima:

"E julga.r.eis qua.L é

maí s excelente,

/Se

ser

do mttndo re:j.,

se de tal

gente". Tampouco se esquecerá a. arrtonomã-,

sia exprêssiva

e bem a'[lroprie.de. que apresente, ao Rei os ne.veea,do-

res

por=tuguese s como· seue e novos Areonautas.

,

Igualmente

se. há-de considera.r

e permanência:do tipo de

lingiiagem nobre ou eriidita., obvfamerrte adequada ao r:énero

~. ne.tureza, do discurso. Por isso fa.mbémse atentárá em.latinismos

como "vitupér:Í.011, '"superno"' •!invicto"' "e:idcio", ituinosas", "se,lso argento", .e se regista.rir., neste

fusão :feliz da eY}'lressãolatina com a perífrase colorida.me.nte meta :f6rica que ela envolve.

épico e

1.•c'eriile611, 11Sém- úl tim<'lca.so,. a.

_ Ta.mbémo des:t'a.si>.rientose,,,11.ntjcoda. lineita.f'.'emcl~ssic~ en

relaçao ao r>ortnei-\@scontemporâneo, rüéri da nersistllncia. ev).dente· de algumas fornas elo portugu@s :wce.foo, maí s uma vez ser<!:re,, ista.-

ao. A Isso se presta.rãõ e:iqiressÕes como"maravilha fata.111., "torpe Ismaelitàn., "licor do s·a.ntorio", "tenro gesto", "inteira ida.de••,· "versos numerõS'õ'ã","novo exemplo" óu novo atrevimento", ·susce)'ltí.c. veis de fácil mas erra.da. interpretação-.--

Reunidos assim com a pr-ecí.sáo rioss!vet estes e

outros va

lores do texto, me.í.s uma.vez ocorrerif. ~ necessidade ou .a c-Onveni@n eia da sua leitura, final. '.Será ela., no entanto.%.precedide. ta.mbém das. advert@!lcie.s a.conselháveis,1.da representaçao menta.l da.s cir- cunstância.a em que Luís de Ce.moessuposta."!ente se i!irige, eri dis curso dí.r-ecbo; 2.0 Rei. Est::i evo:ação ime.g-inadado 'Poeta uera.!"te D. Sebastião determina.rá nos alunos o sentimento a.e uma si tu11.çí).n oue os levará a, imprimir ê, sua leitu:ré. o tom de gra.vida.de'e sole.ni dade inicia.is (ests." 6 .- 8), de comed.ime:ntoe modéstia. segtiintes - (ests. 9 - 10), ze segure.nça e_entusia.smo posteriores (ests• 11 -

-14), de exor:t;açao e solicit<J,ça~_finais (es"f;s

comopara a leitura dâ. pronosiçao e

almente grave e convfoto (ests , 1 - 2), depois entusiástico.'( est , '3); a se-gi.tirbra,ndo e evocador ( est. 4) e ·finalmente instante e exortativó (ests• 4 -. 5), se terá olhado previamente a. pontos Bar,. ticulareli e·.a "pala.vra.s de valor", ta,mbémagora esse cpIdado nao ser,á esc'rueci'do,no P~ento a imnrimir, por exemplo, ao nr-onome"v6s11, aos àpostos e aos epítetos mais salientes, às formas ve:rbs,is de - ·

,

15

- 18). '-!as, a.ssim

·

da invocaçao; num T'.itmoinici-

"ver", ºouvir" é ºdar".

Sem dúvida, as três

lições

de

que neste lugar se :falou

não implica.mforçosamente, ou a.penas, a ocupação de tr@s tempos .lectivos. l!: este, aliás, um problema.que·ao pro:f'essor exclusiva- mente cabe resolver dentro da sua turmà Mas ter-se-á .dado ao. me nos, pelas indicações acimá.deixadas, ideia dos :fins e nie í os de-

estudo

de "Os_Lusíadas", segundo um deter.minado espírito· e cr-íen

ta.ção,

o que nâ:o sigrli;f'ica que não possa haver outros ·julgados -

mais úteis ou mais adap'táveis ·a outras.e diversas intenções•

Não se .pense tambémque o ritmo de

leitura

e estudo, ao

longo.do Poema, tenha de implícito, ou que tudo o

ser continuamente o

que :foi dito haja de ser por igu!ll e o-

que a.cima se deixa

brigatoriamente assimilado. O tratamento da narrativa., como·par ,

- te mais importante e mais extensa de "Os J;,usíad.as", com.outras e

' diversas características, há-de ter outra :feição. Além disso, to- mado ó contacto inicial com os pr6:positos e a criação literária de C.àmÕes;habituados os al'unos à linguagem clássica e épica, às

re:f'er@nciashist6riM.s,

de estilo mais comunaou mais ca.raéterísticos (v, g. a. compara-

ção narra.tiva, a hipérbole intenciona,l,

geográ:f'icas e mí,tol6gicas, aos processos

a. ap6stro:f'e admirativa),

ha.verá _possibilidade de leit_ura mais erlensiva.e menos analítica, de ms.ià'ratenção a aspectos mais gerais ou a situações. narrat.ivas de interesse mais imediato. Caberá ao professor escoIher- os pon- t.os' a.s estttn:cias' os versos em que deve substituir ou completar a. interpreta.cão generica. pelo comentário de' pormenor, o debate e ·esclarecimento das ideias pela. observa.cão das estruturas e da.a 'formas plásticas pof que elas se exprimem.

Assim se procurará conduzir os alunos ao just~I apreço

pelo Poema,não o sobreca.rree-andocom a.nóta.ç-Oesdispensáve:Cs.de

ordem linguística

ou gra.matica.l, com.excessivos comentifrios mito-

fazendo derívar, por outro lado, in- a.penas o interesse pelos aspectos

exteriores da. narra.tiva. Que à.s ideias ·e pensamentos camorrí.anoa ,

sentl.mentos e af'ect os , matéria épica. e sua interpretação crítica e li.uma.nístiCase reúnam ao estudo da sua elal1oraçio e disposixão

_es't.rutural, das suas particularidades

de modoque um portugu@13de.mediana:cultura venha a adquirir oco nhec-inento interno e·estéticó da nossa· principal obra. literárià. - c16ss~ca., simultaneamente com a consideração dos valores nacdo-, n11,fse unive:Í:-saisque ela comporta.

16gicos e eruditos, nem dele q_onsidera.dae a.critica.mente,

e variedades de expressa.o,

2

- O estudo da. na.rração

(vfo,geme mitologia)

a) ~dEQ_ã,o

que •·e.s

do est.udo. de ltOs Lus!adasn se cliferenciam

se trata.

ramo de ensino

Parté.-se do. princíp:i.o. de

finalidades. e objê°<)ti·vos sensivelmente consoante

.do curao geral do. liceu ou do curso complementar '

.

Assim1ao nível do eurso geral, n~o serit •aconselhável sistir numavisao histórico-literária. nem tao pouco em

la.cionados éom as fontes e a. irnitatio. Não deve também pátria. nem para

o i'oema para Í>e<mpitulaçãoda hist6ria gramática· da. língua actual.

A orit;intação d.idáctica. referente mitologia pressupõe ainda quer

ao e'studo da viagem

·

8.) O enad.noda 11leitura.11 de nos Lusiada1111corisid;ere o .Poe- ma.como•.oJ:>rade arte em contacto directo. e integ.ral com ·.O a.lúno, ao qual oferece beleza numa mensagem que tra.ns

·mité um oonjurrbo d;e va.lores. apreendidos pele.

sénsibÜi=

da.de e dir;igido.s tanto à il1teligência como ~ faculdade ·

.volihva.

b)

Ao professor· ceba., tico, tica. O ensino deve tender a suscitar

vol'ltimento.emiipârã'.vel, na sua estét.ica, ao ·dos léi tores do ra pu,blic~ção. o, estímhlo da capacidade derá,aaumentar a.experi~ncilôl

tensificar a suá maleabilidade

cf !festa ordem de ohamadoá "meios auxiiiares" comotambém sobretudo à seia e:z.em d;aptacao de

tar ~a

leitura

pág. 62).

· .· L.- lia constl'ttcão de "Os Lu~!adas", a Via.gemdo dfscobri ·

. m~11tb,'di>c!Í.nii'nho.<maritimoparâ.a- !ndia ~onstitui ·a.·est:riuturc\"'f'undã.

'\i'mimt?;l. ·~···gor.ela qire se garante "· unadade do Poema. 1

/<

11l;ll)s

,').e d_j;vêrsa's p!J.rteE!de~te relaciona.m-se com :a Via.gim como ·

flilição.:,~eum todo.

:1;rutu,ra.!},

~~gàí:i~~a<lasem

nes~~·rií6~'o'e'l~ ae~~rl'~;;_Í'gir como.o ponto de· re.fer@nciii

'?.

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·-·-- ··>··. :·

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, ·--E .oa ftlunos'irão• tênd'2 conhecimEmtb dos vár~'ósmomentos

da. viagem à medi-da.e l1B. Ilropo:('ça.9em

que.º

Poeta os

•·.- -Ó, _i.~~ela'oionâ~ões ·e sínteses quê, no decurso do estl.lcio, Híe·éonl!id,erâ'.['emopqrtun:Js, fa:r.-.se-ão em refi:ra com os elenientós dos .P-assos precefü;mt~à-·dóPoema•

.<: .: ª:- Tod.o··,Ó.t~ab'~iho se. orienta para a, grádual construção,

n~ espíritf} do a1.i{no(imaginação, sensibilidide,

intdig@ncia),

c.'. córiJl.lnt9·integrado pelos elementos da real q;u.eé,a criação do a.utór:

ida.de transfigurada,

dq

e

> Opfo:f'ess0r: a.compànhâe a.juda·o aluno pari pa.ssu com a

leitur~. ~-up:rea.à defi0i@11cias l'elativa.s às dificuldades de ordem

lillgÍÍfsÚca,e culturPl; ·_noque respeita· à significi:ação e .às ~lusÕes.

Ma.a-nao·-devé,ul tra.passa.r· o necessário e

momerrto_dil.-marcha gradual a caminho da compreensão global do conteii

do da ob'ra, na sua configure-9~º _estético-li terárie .•

conveniente e-xigido em cada

3 - _O:método utiliza.dó ser~ o da leitura. e~'Plioada,.

O g;r?.u,de intensida.dece extensão, por unidade lectiv:J:,· V_'.'.:

riEJ_:t;~consoante as oareoter!stioa,s

do te:x:to.

fü•.saos a.lunós _deve _ser

'prc:i!lprÇionado o conhéc ímento integr1>1,do Poema, sem corte de estân-

·cii.i.sL;por~m, do modo·que, didáotica. e pedagogicamente, hic et nunc 'sej!'- lllaia é.dequado. "

, 4 ;J>adó, -C[uea mat&rfa. d~ viagem ~ sujeita. ao trti.ta.mento

··poético da. \;:I;ansfi~ra.ção,. torna-se

imperioso que o prpfess~r :faci

lite aos alunos. o aceaao ao mundo de "Os Lusíada.a••. Este aoom-panhã mento 'd.o a.liÚio pelo pr0:f'essor _atrav~.s da rea.lidade poé t í.ca é indis -

pensável,

ao nível do/é-µrso gera.i dó liceu.

A es,trútp,ra. do Poema.encamí.nha-para. isso, visto que o i-

nício da,.narraça,o

1.io dos deuses no Olimpo.

da via.gem se enlaça com o acorrteeãmento .do

_ . Os alunos começam,pois .t. a le.i tura da viagem, . apoiando- ,

-se em·pontos de ·:refer@ncia que nao coincidem com os da·.réalidade "factual. hi!jlt6r:i,ca.

A inserção neste -uni verso pclÚco deverl!'.processar.-se·gra-

(l.ual:méntee.'aoinesmo.:t;eml>º• ser acompanhadapelo aperfei2oall\entõ'""."" da sensibilidade :e d0-gostoj a fim dé apreciar a realizaçao· a.rt!sti

ca e aPrtieilder os va.lóres ([Uea obra irradia.

5 - Comoeleméntos a

d~ 'poema épico, nó ([Ue.ê. viagem l'espeita, "enlUlcia.m-.stios ·

salientar

·

·. ·

para esí,;i. peda.gc>gié.de

"leit~au

seguintes, .entre :outros:

, -,

a,)·çolocação de início da llal'raçã~ no·momentoem'qúe a viagem, decorr.ida uma parte notável, vai entrar em pleno desconhecido;·

b) inse:i;-çãodo maravi~h,cso na trama do acontecimento;

c ) tratamento 'aos factos contidos no roteiro atribuído a Alva:i;-oVelho -e nos relatos de naufrágios bem como nas

ob:i;-asdê Fernj:ó I opes ro_s;_

de Castanheda e d'e joão d,e Ba.r-

d) utilização

da.lí~gua nos_diversos planos, desde o das

sonoridades ao da c·omposição, evidenciando os vários

recursos ou meios estil!sticos

enquarrto rela.cionados

grados nela;

e processos literário~,

com a na;rrativa da viagem e inte-

e)

?riação

de

um universo de valores de que a realida.de .

poética

da viagiim é a manifestação: humanos, morais,

religiosos,

curturais e estético'"'literá:rios.

6 - Entre os "meios auxiliares"

a que é oonve.niente recor

rer, sálien:t;a-se o planisfério, ciue sugere melhor,a vastidão dó mun do a que respeita a. viagiim•.A sua utilização pode revestir modalid.ã des diversa.a. Umadelas consiste em ir apresentando db planisfério_

~penas a parte referente

ao que vai sendo estudado no Prema, ··

7 - ·Maso 'ma.is importante é a_preparaçao do estudo do te~.

to p~):a·<e:iq:>1icaçãodos aspectós'lirigu!sticos essenci;;ds, não deven do esquece.r-se o· c'ontei1do de alusão cultural do vocabui:lrio:· mito= l.Sgico, hist.Srico, re1igi0so.

8 - A leitura,

isto ' a a.ctUB.lizaçãooral, deve:r;-1Lserob

jecto ·de p<1rticular atenção. Para~er adequadamente realizada, de=· ve Easear-se no conhecimento da organização sinMcticia e. da utili":" za.ça.odos. meios·est·il :f.sticos que caracterizam. o respectivo texto.

Os a.luno.eprecisam de ce.rta. preparaçãos s.S'depois desta

ca.pa:zesde l~:r deforma

Aparte réspeità.nte ã

a.dequada.

.

·

via.gem, como texto não excllieiva -

narrativo -que '• ilnplicra sucessivas transposi2Ões de "tom", correlipond!nte: modif'.ica~ãode ritmo, de entoaça.o e d! ênfase. âc.tualizaçao oral .requer, por isso, particular atençao.

e) A Mitologia

\ ~====

I, .- ·Aonr:Vel·dó cuz-aogeral 'do liceu, a mi1'pl,Qgia, .em "Ôs Lui;!a.da:s••,dever.1'.ser encarada. Comoum aspecto da tra.nsfigura- ção po,tice. da ree.lidaae segundo um pz-oceaeoafim do. da meMfora e da ·alegoria· e sua.a relações com o s!mbolo• Camões·ap,rove:i.touas. fi. gura.s do pê.nte~o greco-romimo e assimilou ó modode mitifica ão di° · A,ntiguidade. Pelê. t:ransfÍguI'a.ção po t.ica animizou, quândo nao per- sonificou, as força.a. ni>.t:urais-que-fa.voreciam e as que se opunham .empreendímentoda viagem ~. India.

Este p:çocesso ·comporta.um desenvolvimento e c~mplexidàde que culminam.na. contextiira dê urna intriga logo de início apl'esent::,. da,'no_seu ni1cleo essencia.l,.ao realizar-se o condJio·do.s deuses" ·

Olimpo.

.2 -·Desde entãó, -qs Portuguet;es_são ajudados ou prejudi-

cados peLas rea.lida.des. naturais_mitificadas,

C'ient(ls,· dc»ta.da.sde poder sgbre••humano'~ deriva.dél.sou rela.cionadas

por lig<i.çÕ~sde. p;i.re'ntesco e de hierarquização.

causas tornadas cons.2

Ao en<j:uà.drj!-ra realização do Poema.no modelo"cU:ssico _dá ep,opei'.'.,'CàMÕes.adopt ou uma terminologia mit.Ql.Sgióa.,porfm recriou a intriga., ~m.que os deusee .estão ,pre~entes ao longo da. viag.em,~ e s9a.lmente'-impl;ica.dose entrechocando os seus interesses, mas emfbr -

1• ma invis:f.vel.

'3 .: A mençrliod~ seres mitol6gic.os não aparece na f'à.la ci~

.nenhuma persoJ1à.is_em ·~i.st6riá~fül -Por-tugaL referida no Po~mà,' ne~m

da

. h<I', contacto

direeto, Emtre.·as·.personagens reais

e as figuras

dos

deuses, cuja existência

as :primeiras ignora.m, a.t~ se de.:r, na Ilha

·dos -,Alllore.sc.a a.pote.óse em que oa 'ne.vegá.ntes _,<Jâo·introduzidos na ": fà.m:tlia da·s'divinda.des.

-,.,.

A pa.itir deste último momento, Camões não apresenta mais

Vi>.scÓda (lamÍ!.e, os seus maririheiros a, .debaterem-se nas dificulda.d:es

•:i>rórh·ias.de ll!lla.viagem marítima •

.Transcenderam a condicâohumá.na e recebéràm os dotes de

uma.~:Xist@ncfag;l-oriosa.

que irao viver na. pátria.

_··.··'<'_'·~_:·_--,-,<--_,_·::.,:.:'·:·-:,_\·:

•.

_··->_:,_'

,_-",'_

.:

_-"_:ç(,'

:,--

-·-

<.> ·.·•·. 4 ':- A• refer@ncia. aos deuses, ení·."Os Lusía.dais'',

a.pena.rise

vérÚÍça. nas'àltuà.ç·~es'. coineideiÍtes com os t6poi clássicos·tra.cfici'°"

?náis. do géne~ó ·épico e ,66 na medida em que"""ãficção poé'ti9a. pode··

servil;' à realça.r a:.gra.nd:eza.dos feitos dos Portugueses e .é suscep-

tiveF.de .se apresentar como compatível com a Fé

Gall,lii;e· seus 00,mpa))lleiros .de navegaçao, bem assim do .próprio poe:

católica.

.de vasco

'erda.• na;çã'o.pórtuguesa

.

.

p~ ~dôs,da mi'i;Ólogia

estão ap:sentes, quando são a)?resêri-

 

o

I)énsp.men:to·e.os- sentimentos' de persona.eens

.

.: nest~· Jn()dÓ s:··àntÍnomia. nÍaravilhÓso pa;gão/crisÚa.P.ismo nê;:

traliza,

;11é

~~ "Os Lmiia~·s''• Estetfoa.mente nao é sentii!.e•.- nao exis·

te .-.• porque

os d&~s si.liltemas fu.nciop.amcada um em seu pla:nº.'. hie-c-

,ra,rqJ1iz'ados.

Vasco da qe·.!nªi. 'como todd>o mor-te.l., ienora

as .forças o-;

' culta.e, c:l~:ru::t'!lreza.,;pois nao conheç~.·toda.·a, hiera~qu,ia

drú1' ?ausa.s

s·e~n!ill>S 'que ()ónduz .e.té .e Causa Primei!•a:e . Esta.a :força.a ou ca.us~s,

•mefjIT(o''quándpciitifiéadas,

movem-se.pelo 11ensa.mentodo "Poderma.fs

a'ltp". (a·Ca,1.\13ª·Primeira.), que ouve ore9âo de Gamae, como "Divi- na Guàl'da'' ou Providênciá, decid!l o· resul t1i.do dos conflitos ~ntre a:qúelas fÓI'<}?·ª 'níitifiea.d!l.s, istcf ~.•.as divinda.des f'ine-id"a.sifo ·PÕe- ta, 8·f'~m de.que os que .s6 pretendem 'o serviço do ''Al}jo Pod~r'! não seje.m yeriefdolil pelos perigos do mar; da·terre. ·E! .das eentes .; pelas· ·

divinda.des

5.-" o tla.p da mi-t~logfa em."Os.r,usfade.s" apresen1;á

1.

'simples alul;lÊÍO(por

 

b)cdesênyolvinento (concíliO dos deuses no Olimpc>,, ·

etç.);,

 

,

 

e)

cria,çã:o ( Cl e modo especial,

o Aa.a:mastor),

6

.~·o seu tra.t<>mento·didáctico' insere-se no

dÍ'l.

.própria

viagem, com.releyo 'para·ª explicação do vocabulário (norneadamen- ' te o léxico ·d·o·.mundo;.mitól6gico) e dos d!idos cultiirais.

.'

_- '

-

-

- --

A accao pea.a.é('qgico-didáctica., hesta parte do Poema, des.-

-~- - -- :

'

'

-

-

-

'.li

·

:-

tilla.-se a. çonci11zir,os· ~.lunos à compreensão estét.ico;;.literária

da

mitolog~a, ~. sua iritep;ra.ção - com o maravilhoso rea.J, - no unive:rso 'poéti:co e a.preensão do seu significa.do- simb6lico; ·.enquanto tipi~

cficação, exemplificà.tiva. ,de valores.

,

,

'

''•·

~ loms,.an,tes, como prel)e.razão geral de. "leitu:ra" do Poema,

há-de ·te: sido fil.ita uma•a.mhie!'lta,ça,oestético-cultural. Entre di - ve.rá0s, outros rn~ios, pode,. como atdá já. ±;icou sugerido; (cfr, pág~

< 57), :recor:rer;:se à leitura dirigida da :Eneida (adaptação,; em por- ··.tugql)s; de. Joaoc,d:eBa:rr:os')e de, por exemplo, 15 Lendas 1lA .Mitolo- "'gl.a, (EditÓ~ial Verbo, Lisboà.)•

.· . 7 - Pa.re: cada :i;mrte que

·for sendo objecto de estudi>.í,o

~ont?.cto. direc.to com o foelÍla deve ser precedido pela e:xplicazao f'l,Obfetudoda.a a~usÕes,initÓ16giças;, num);exto ôral de trartsiÇao .•

. ,.Haverá. que estj,mular a receptivida.de à mensagempoética, para a siJ1tonizá.çâo com o ]'.l!'6prio foema, evitando o que pôSM en- :fr(l;_quece,r''a· 11.mbientaçâo~pfoa.

8 ~•.·•no mol'.Jehtoó~fortillio, convém conside:ra:r o ,,.a1C>i- PM-'

~1fo do. ll)ito do Adame:store salientar

a ()apacide.de evidenciaa.a

i' P?!' Ga;mões_de mitiricàr. a r(;'al idade, pele. assimilação· do processo exempli,:fiq'a.do'n~:s vária:s cr-Laçoes míticas da. antiguidade greco- ·

""4'roifla.na.

do mito do Adame.stqrnão pode omitir a dim.en.;· es1'a :fiéµra·e o contexto em que ela

- dps·'.navega.ntés e o ·acompanhf1,me11to· constituem· duas faces da me.smareálida-

de poét!i.02. e,. como

~?.is, dévem ser didpctica.mente

apr-e serrtadoa,

l - Nesta mi>.cro-estrutura

se inserem

es diversas

nar-«,

r-a.tí.vas dos féi tos po.SSl".dos ou futuros

dos Portul'"lieses

e -as

in-

terven~Ões

do Poet o.,

··-

Os alunos devem, gr2.dua.lmente, ser orienta.dos par-a ob:

servar- a coerência na rebção errtre as diversas _sub;::truturçs - assim como o relativo equilíbrio +ant'o na: distribuiçao destas

como no pr6prio m!mero de estrofes que

a.s consti tiiem.

2·- Ao chegar.,ose ao fim dn "leitura" de "Osp,sfad~s", avul tar'1,com ela.reza, p harmonia do, Poema, o qua.l,.f'unoí.one, como um todo integrado de .eii!ti'lttura-:-8--q;.ié-1ile-transmitempe.La coez-ên-.

. eia. da sua. Significf).ç·ão .umaunádade tr1mscendente

•.

3 - Esta. unadade é a. que cara.cteriza. a. obra .de .arte

de .um único r-esponaãveL da

se sobrepõe, no fim,

o-·her6iindividual.

como tal - e o Poema 1108 Lusíadas'~-, par-a 1>.lémdo. efeito de

unide.de.·que·res'll ta.· da· existêncfa

viagem (Vasco. da GamB.),.représentante ·do "peito .ilustre Lueí,te,

no" - o Povo Português - que, de facto,

como errtí.dade·colectiy!l. a

Vé'.scoda Ga.rrie·é os compenheiros a pouco e pouco vã.o- ,·-se mitifiçando.t esvaem-se corno nuvem no céu, e apar-e ce j em gra.;; de plrin,o,. a Nàçao Portuguese., que o "Alto Poder" yota',,a um.des-' tino. ,de grandeza, fata.l porque maz-cadom1.s profecias da. "bela. ninfa:" e de Tétis (Tethys).

4 - O cant o X deverá. ser ·objecto de. atenção espeoí.e.l, par!l nao pa.ssa.r ciesnercebida a função r-eLevarrte que de.sernpenha· ·p.a.economia do Poema, dando a. "Os ,LusÍê.des" o ca:r:á.bter de '·!ó- - br-a aberta.ir, ef!tTUturq.lmentcesusceptível de ser, co.nt·;inuadaccom a matéri2 futura. anuncí.ada nos vaticínios da I:Llrados Amores,' embora.né:o7deixe de constituir por si mesma.um Poema.integr1i:l- -

mente rea.l iza.do.

·

·:l.m'poI'tânci:ae fu.nção de. matéria. his.tórica

IndicaçÔes preliminares

Camões:Propas,;,secantar a. glória do povo portugilês. Assim,

a '7i<ig<E!n( d.e Vefi!codai Gama.constitui o, ei;J:o sobre o <JUal.se vão inse.:. ~'rindo aconfec ímenfos vários que propiciarão a apresentação da histó- r.ia de 'Portjig'a.1. E sobX'~.esses. passos que nos irell)os deb~çar •.

Apontemos, entiio, do Poema.os passos em qué CaníÕesintrodu

matéria histórica,

2.Feitos posteriores

anteriOr ou posterioX' l viagem do Gamas-

cfo.ÜI {est.21 e. s~s.)

e IV + .l• pàI'te da

narrativa d.o Galllaao

Rei

de Melinde;. -e.VI (es.ts.42-69) - veio.se c9nta aos comp! nheiros o episódio dos . Doze de Inglaterra;

da Gamadescreve

e.VIII {e.11ts.1-42)- Paulo

ao Catual.as tapeçaI'iàs

que enfei tQ.mas nauaj

(ests.44-55) - Júpiter, em síntese,

(ests.42-48)

X (ests.10-74)

profetizà

os mais

ilustres feitos dos Portu gueses no Oriente;

à filha

- o Adamastor anuncia ao Gamaalguns futuros nau-

fr<!gios dos Portugueses;

- cânt í.ce profético Sirena;

da

ests.92-143) - Tétis, descrevendo a

máquina do mundo, anuncia

feitos dos Portugueses no ·

Oriente.

No estudo da. epopeia, será conveniente não esqtlecer pllr em

l

-

o cari!'.cter essencial .e n,iiomera:menteacessório destes passo.s ·

 

de naturetahistórica,

pois que fazem parte integrante da

acçao do Poema(cf. herói de "Os Lusíadas"), permitindo ao Poeta, dumaforma.artística, e não simplesmente cronológica, contar o que aconteceu antes e depois da viagem do Gama;

2

- a consequente importitncia que tl!m dentro da estrutura do Poe- ma (os feitos hist6ricos portugueses canta.dos por C<1moespos sibilitamuma actua.liza.ção da aoção central - a.'viagem do Gã ma; só a inclusão da história anterior e posterior dá a essã· viagem o carácter. de epopeia nacional); ·

a. sua distribÚição.

aq ·longo. cie todo o Poel)'la, os, div~tsoi;i'-

·'mõmentos em que Q Poeta os in:trodúziti e o équilflírfo·e vi.; ried~de que daí. resul te:m; verifif[Ue-se quéi

é'a),na, narrativa 4Q-Gll.ma.;.ao. a.presentar. a his{&,rilj!.de Pqr:. · tugal, qar,iÕesconjuga tr@~ factores innforta;ntes11'.<.

'-'~Qbec;ieceà verdade hist6rica. (segundo 'J. de ~rr?s

;

·

·-. n~~OB:daI''• liv:r;o IV, -0ap.VI "."e F, L. ><leq;i.s~a.nh~ ••da - 1'l{ist6:i;~:a do Descobrimento e Conquista .da !nl;l·iél.'

pelos Portugueses",

linde

zaçâo fl hfst6):'ia de portugal);

integra ,-se

revela intuicão do momento'psicól6gico; mais opor-tuno

em que ela.c~ntribuiria

livro!,

cap.12 .- ,o'Rei'déÍ•le-

teria interrogado Vaso.o da Gama.sobre a Íocal.i~

·

. na estrutura. clássica da epopeia.;,

para ó bom ªicito da

viagem,

·· . desluníbranqo.e' ·convencendoo Rei de Melinde;

b }' 1:1.spr.9fe?ias drámáticas do Adamastor sufr,em precis;.>.men

te na·.p1:1.ssagemdo Cabo, sublinhando, assim, dades deste acÓntec.imentb;

as di.f:i,oul

-

o·).~·deseriÇão das bandeiras quebra a monotonia das. nego-

ciaÇpes\entre Ve.sco.da Gamaé o Samorim;

à·s prpfec.ia.s da "Ninfa e de·Tétis sobre .oa acon'tec ímen-, toe: posterióres ê. viagem só surgem na narrativa dor~- gresso;

a)

.

.

.

4 - a forma que reveste a a.presentação desse!! aconteciment·os

e 'qile,.·contribui também, com a sua variefü1.de, pal'a .umava- lorizaçaó estética do Poema;.veja-se quer

'

a) 013 feitos anteriores

à'v:i,agemdo Gamasão põstos, de

· fÔrmá narrativa ou descri tiva, na· boca de

unia·per-sona-,

gem histórica. (porquê hist6rica r) viva e, impl:(ce'.danés sa mesmaviagem, que o Poeta. considera o t·émpoj:>l'esen='' te da/epopeia,;

b) os feitos poste,r.~ores à viagem são anunciados pelos deuses ou por- entidades míticas - Adamastor, Sirena -, os' únicos que logicamente poderiam conhecer o futuro; ··

·5

-.a au;s@ncia 1 16gicada inte~e~ção das diviµda.des pagãs

acontecimentos·históricos

destes mesmospài;isos.

. ·~:tif)~s~;rmC>sna.~

ari.fmaçÕeE!do.

.Poeta na proposiç~q (eJi'ts.

i:

v~IfEimi:>flqµe.'

• - ~pgó

~stF'-

·.·.•. '

parece

. indiqal'· qu,e.os.:Portugueseà aesumiràrri

.

.

.t

.•··

>

<

.•.· · ·•

dup+a:missão ~ dilatar

a Fé e dilatar

o Império;

- '!o peito 'ilustre

I:iusitâ.no/a qu'emNeptuno e nfu.rte obedece-

, ram" (I,est.3)Vv•5-6) -de dominar· o·mar e' ~e

PoI:.isso:

prenun~ia que os Portugueses não-

hâo

a.4

·\.

distinguir

na guérra•

·l'.' ~O!'!Lusíad!'l.s'1:mo:StI:amoé Po~túgueses empenhadoss

;

·

·

·

· 'a:k.nà õ,c;mquista 'a.á-indeí>e~!iê~çia; .•~ PenínSula

.P.·

.

·.··

).··.·.n.º

·

·

ª.

··.

g.anie··

l··.·ar

·

·.·"

'··.

nto.

·.

do terr1t6r.·i,··º.<Z:m_ t.enas• do ·.Além-Màr;

·

,-

.

.

.

.

.··

·.'.

.

.

'

a hist.6ria .de Portugal é aí concebida como crv:zada; de .Fé nas lu~áE!,contra os Moµros, primeiro na Pen:tnsúla<(p.ÍII), deJlois, er:i Jl:f'rica (e.IV) e, finalmente, contra esteij tr;i. 013

·A .inte:rpretagâ'.6 provid~rl~i~1:i:sta da missão dei povo ·•portu-

• no ni;>.sçimento·.de·Portug11l com origéni na recionquista cr'istã

se revela:.

.

.

'

.

.

•·

·

.

.

.

.

.

·.

dai;;cryzàqas. do Ocidente: (c.III,23-25),

 

·

·

.

.

~no,,1;iasc±rne!l'1iôde ·:D. Afonso· Henriques, prémio concedido por

'Deus·a: D~:·HenriqÚ.ene Las suas vi Mrias contra a. "escrava' Àga.:r~•.fci.Úí, 2b),

'

'

-,

.

.

.

b)

·

c) .~no·f!·f>á.rec~menfo·de Cristo arrte s da batalha d,é. ·

•.·

i45;:-49).z

.:

·' .·'.·· ·.·

·.·

>4) na.v.isao qq.e tive-re,m'·óf:! .PortugueSe$ a.ntes

A:'Lc.ácerdo

S1'~1(c~VHI; •f 3-24),· ·

·.···, •

.· }.( ····.•· ' ~). e. ~ irrl;erveIJ.Çãwdivin~-.,na .conqq.ista. (le_ t~~'11oder.ia.entéríder-'se -ae os Portugijéses fossem um

··~â;:t,

·

·

.,'.

. \

'

i

. <

'

contra os

a) :rélevo dado. no Poéma às lutas

·

•na.dos de D> Afonso Ííenriques e D-, .:roã0 J)

.

.

•': ·,·_b) • é a· 1),rotecção divina· :iiga,d<J.tamMm à consolidagão dá. :tndepen.-

···· ·

· Q.êncié. (cf'. é.vrrr; 30~.31)•

--,/

·

1;%Ç : <

fé(}:)-Í > <· . lJo é.stU.~o diJstes Pé.iJsos de ca.rácter hist6rico

'~:'.~j~~~i~~~êi>ci8,·.··i3mosfr~;ro:;bom:ª·. dev~.da.oportunida.9e,

· .:

··.·

,;

.

'

·

.

.

.•.'

•·

· ,:',,I ·- p conce'i:o.: ele'.hist6riá

da.· época Q.iferia. consiQ.e:ra.velmente

··

c1Q. 29tu{J~·'·não. r<"'(ltgnimcloª·?s nr6prios historia<Ipres apro-

vel:i,tç.,;r;:('m·ce,rfas.1-endas.· ç-.Onsa,G'l'ada.s

C9ní{i·~s\n'· nbs, Lus:fada.s"' M. iná.ice.r .Luso como origem dos Lu-. '

si tano'ii e. Ulisaes oorco f'undador- -,de I>isboa.~

0f a.hist?~ü.>. CÍ•e'PoÍ'tü,-c:.il, nos seus primeiros :tempos; tem -umcarãcter Lruorreif.o, cave.Lhe i.r-enco e m•ira.culoso ,@e ·. esttf.in':l;itJ~'.'lente coridicion1'io peLaa f'orites hist6rica.s

tradição.,• como.-.fsz

Pelll

·

·

en que. ó· Poeta. se

ex.s

- o âpa.rec;i.tnéntode Cri~to na. ba'ta Lha d.e Qu:fiq\l,eestá registado .em Duarte .Galvâ'o; "Cr6nic.a de D.' Af; H.en~ '

riquesÍ•' cà.p.xy; ''

'

'

'

' 'í.

- â vii>âQ do

exé':reito portuguêi> arrte s da. empre~a de

Alc~.cer do $.8-1 já fora. ~a.;rra.diJ,por Rui de PiM.;

"Cr6riic.a de;D, Af, TI11, ca'.p.VII;

.

b) mai>.z.ao eont;rário do. que a.contecia nu outrai>

.

.

epopeiai>;

Camo~i>aprei>ent~ delil?eradamente uma hist6r.ia de rea;I.i- · dades:, pelos her6is e pelos factos (cf.t,n,1/'V.l-4}, embora haja todavia. ;t"aétos apr-eaerrtadoe como verdade{:

ros que a ddtioá hist6r:Lea moderna considera menos

e:ícaétos;

:

e:.x.~:"

.

.- .

- -

:

os;incidente~ .9co:r::;r~d?s.ent:i;e'J?· .Afonso ~en:r::.iques.e sua mãe(cr.sarnento e prisão de~ta -. cf. TJ:l,29-33), sobre. ~ verecidade d_osquais o pr6prio Camóes emite já alguma.s dúvide.s (In;29,vv.l-2) estão relatados "

em Duart~ Galvão (ob.Ci t. ,cep. VI);

. demaaí.ada importância e .o alto signVicà.do atril?u! dos no séc -. XVI à bafalh11 de Ourique encont;rl!.m-sedÕ'· cumen~ados no mesmoéfoniste (ibidem, 02p~,XV e .XV!,:J,

q:ue C~l)!Õesi;;eguiu.de muito perto;

:·,

"

.

.

,

.

-

.

.

-.·

.· ·

nóte-se, rio !lntan;to, a. este r!lspeito que rot veze.s Ca-

mões,. embor-aapoia.ndo;,.se numa :fonte

xa de fa.zer alusão a- outra. corrente diferente {cf. j sp br-e o:c:igemdo conde, D/Henrique, III, ·2.5 e 2.8 !l .VIII,

hist6ri.oa,. não deí,

~);

.

a apr~sentayão dos· factos hist6ricos do· Gàma.•ressente ,.se:

8,) de; terem ooor-r-Ldo em ;terr~.~ d;i.stantes;

poste;riores A.viagem

b)

de., por serem cor1te!llpo;râneosdo .Poet a, CámÕessobre

poder emitir uma.opinião pessoal;

c )

de, sendo -recentes 1 lhes

f'e.lta.r e.Lnd a a. perspect:i.va

.· note-se, por exemplo, que a ~spera censura feita. por camÕes

a Albuqµerque (cf.X,45-'-4,9) .e.a. qmissão de a.lgu,ris.es:peotos

ele. a.cç;_;:odeste v.ice., rei

llJaneirs .comotr0te putrÍ's figuras;. umá grmJ.a.çÃ.ode va.lo:res

qll:e r hist6ria

C~mÕes,•homemdo Ee~asbimento, não .se limita a exa.lfar o

Povo PortÚ1'u!ls, mas, ao cóntrário do que seria. de esperiir

nu.mpoema épico,, tqma. e. liberdadfi de

D• Afonso Henriques (cf.IH,

t6rica;

i>ueerem, quando compar-amoacom.n

moder-ne.modificou;

criticar,

por sxemnl.e,

69-70) .e D. Manuel (cf.X,22- 25);

mas UI!) artista, neceeaar-í.amenüeno Poemar assim 1

e i~tê:rvai

de Portugal essencia1111entea-

qu'ele.s factos qu.e se prestavam

a um tratamen.to épico,

pmitinclo, porta!lto., outros, que hoje considera.ríamos

não·menoa importàntes. Não se .referiu,

acÇão povoadora. de D. Sancho, figura. do Dr. João das Regras, à empresa do Tnf'arrt e D•. Henrique, e ao esforço centrá.li:!;ador de D. João II•

naz-

e à

mort.e'de Inês de Cas~ro, ou que acentuam a importância

por exempÍo, à

b) deu. iriesuer":do r-el evo a pormenores que embeIe zam a

. ra~iva+ tais como à. figura da "fermosíssimçi.Maria"

de outros· acontecimentos> ção· antecipada de D. João

como fl. referllncia à aclama- I por i•hUa.mâ.rrí.na" que "ante

tempo fal~ndoo nomequ"; e) 1.ntroduziu conséientemente algumas modificações narea.;.

lidade•hist6rica,

como, por exemplo:

apresenta a "fermosíssima Maria" como ••caríssima con-. l:lOrte11do rei de Castela; limita, na, .fala do Gama,a luta da. independência ap6s

a morte :•de·D. Fernando quase exclusiva.menté à -batalha.

de Aljuba;rrota; simplifica. es_ta mesma bata.lha, não a.Lud í.ndo sequer à. t~cniqa inglesa 'a.:!usada i .d) a.próveitóÚ él.leUnSdados,· loce.liza.ndo-os, no entanto,

. ' ·noutro. nomerrt o hist6rico, de maneira a valorizár artis-· ticJl.mente o Poernaj ex.:

o sonho aue tra.dicionalmenté era. atribuído

; transferiu

ao Infa.11teD. Renric[ue (cf. J. de Barros,· 11J!:sia11, Me. I, Cap,II) para a figura de D, Manuel; deslocou para imediatamente a.ntes da chegada à 1ndia a. riarrã.tiva dà. tempestade:

e) soube e.preseritâr .de forma.o;.iginal a opinião dos que ddsoor-davam da. pol!tice. ul trc>.marina.,cria.ndo a figura

.do Velho.d.o Restelo.

9E!;,;,d~s-c'o~eçó1la, e.presentação

da hist6:l-ia

1Í. '.fo_rrila<dediscurso no quaL; pri'ncipia:ndo pela descricao

da.P~nínsura., Jfesco da Gama.nos ilá

feitos ·portuf{l1e13esdesde as q:rigens, d'à nacãons.l, idade

a MeliÍide.~.

.ume.

.y~sêo g l.oba.L.e

·

·

A inclUs;;:o, na estru't;hra. do Poeria, de quatro s~culos de

.

d_ificul_dades par-a ·o eqililíb:rio da obr-a,

de Port1lgal,

em visP'.çir-etz-oapeotí.va , traria.-

Gonvirá,.pois, fazer rioúi.r;'

_à) que ó Poet a,'teve imedia

ta.

consciência desse problema, que

su,rge claramente· posto nas razões que, no exórdio dó d~l?.~

curso; o.-Gama.apr-e serrta ao .Rei de Melinde,-{cf.III,4,yv.5.;6};

b) que,)porfaso;

logo Ó,Gameadv~rte os ouvintes de que·os. ···

feítgs que vaínarrar

selecção (cf.IIl,,5,vv,.3 .•.4) é de .uma síntese ·c:.011tínua(cf.

III,4,v.8)

serão objecto de uma ÍndispenE?ável

que deve'rão.ser postPS em relevo ao: longo· do ·

'

de ser breve se revela· 1dà ainda

d,iscilrso; c ). que essa mesma

ri.'ecessidade

no uso cde certe.8' e:X:pressô'esque Sugerem a rapidez

ràção pela ap:r,esentação quase brusca de uni riovo quadro -

na:t'_

( cf .III, 33, 42, 10

7,) -.

 

\

.

·.

'•

<··

···,'

No estuqodestes

cantos,,e 'po;r:que.:fazemparte dum discur;

se podem esquecer duas reàlide.des que neles coexistems

1 - um.aud,itório

2 - o pró~rfo orador.

A existência desse auditório cria. no Poeta a consciência daJ!ecessidade .de cap:tar a sua atengão, e daí o.Gam~usar· ·

processos frequentes· na oratória;:

a)' interpela directamente o Rei, consegüi_ndo.assim avi'liar 'o interesse deste (repáre-Be nqs vocativos - III,J,v.5 ·

·

· imprime, por vezes, forte visual ismo ~. a.presentáção dos f'ac'toa à evoôaçê'o das figuras, sugerido pelo uso do present.e do indiciJ.tivo ou de cer-tae bios e pro-nome~(cf.Ill,96,v.l; IV,32:,-v~l; lil,B,vv~l e_ 5; IÜ.:120,vv.l e 5);

e IV,B7,v.5);' ~ ·

··.

·•

··

,b )

> j

.

;;

e~i>t~;·Í~~~Jsetaa,$':mehtea. r113.frat;i.vacom.exortações

:i;c;n,~5J~·I?~;),o,µ,.:r6rmtilas tradiciom•is. de·•.aelamaçãd

·•··.: •.·•

f~~~.:r~:r.,46,v'Vi}~8;.·:rv,3,vv.7-8: rv,21,v.8);

Cõr:

ini;npt~/a, <3.~gull:.ª<~r~ch()sumcunho marce,dfl,ment~·drtJ;máti.éó,• e ••• fa.z;n<l.9-~p.rgir ·.çl~<!,n'l;edos ouvin.te s perspna.gen~.·cujos ···

· di~c~rs9s ~s<!,Prese~tam,em•pela ll.cçâo·(c:f.III ,J8:"39;.,

lJ;l,c 1Q3.-105LHl,lf6.-l29;.

. p;rocura, vincar certos facto~, recorrendo a a11áf',0I>as ( cf'.IJ!, 92-'-93; IV, 99) ·e a intefrogàçÕes de carácter reMflCO (cf.I1]',15 ••i7; IV,97):

IY,78:

·

IV,15 19;

IV,95••.104};

.·IV,.37-'38; .tV,73-74Í

.

.··

795:IV,79-80;,)V.o91;

•.

ma'terializa as .suas e.firmaçÕe~, àervin.do-se de compa-

raç,~~s <trl'a.ncll.daiimuitas vezes aõ mundo antJgo (C:f,III,

·106(IJT,l.f;.

IV,32) e reserva; os s:(miles,. de efeitos

ai~da mais ~Picos, .para. os momerrtos mais. importa.nter;

da njjl,.rrativa (ct'.II,I,47-50; :rv, 36-37).

·

·III,131-132;

IV 120.,.21~·

orador não se •e.presenta. como um narrador 'profun~a,mente empenha.donos factos

impoJ,'t~.nte aspecto, será de tod13,a

convehiên

frêquentes mudanças de pez-epec'tâva em que·

narra. os f!3.ctos; e quê se revelam:

. ·-., ria ,variaçf'o .da,s pessoas gr<!,matica,is, marcando urnà

_

311pessoa

até, aos prepa.rçMvos.

-:.

.

.

.·, •

, -: .'··

çl"l-, viagem para . a. h,ist6;ria de. Po;rtuga.l na.rra:çJ.e;;à. l •

J>e,SSO!\h d!!,Sde···ª' estância 77r. carrto IV' para,,ª hifit~ ria. de Portugal vivida; a 2~, quando lança vibrantes

apóstr,ofes),

e, na, oscilação .dos tempos verbais (o oa.ssado tormi:-se

.:' .···.·

pl'e~en.te no.s momentos de maior vigor Ífpico .e de mais

- nãp e souecer- os comentários pessoais que, sobretudo .so'b,

a. :fo;rmade

acent'Uàdo visu~.lismo); . ·

-:

'

a11iSstrofes.{c:r•.nr;.133,vv-.l-4),

exclam;:i.çÕes.(cf .IU,l2,v,8~

ur,113,v.~;

e interrog;:i.çoes r~t6ricas (cf.III,130,v.7-8;

w.5-7;. IV,51,vv.S-8)

III, 15,y.8; UI,, 33,v.8';. .

.

·

III,140,

ru,1.w,v.2)

·.·•

imprimem tambémvariedade a.o texto e cont±-ibuem para o

Eleutom .ore.t6rio;

. º.ªr em•rel.evo a cma.nifestação dum con:fessad.o e arden'j;e ,><1.iiiºr 11~tl'i~ :12a:ten1;,eado

.

·

em a;f'irmaçoes d;i.:recfa.s (c:f'.III,21,vv.l-4;

na

ença,reOf'-<io:re~{ef' III,43,vv.4

e ,em compa.reçÕesçom :f'igu.ra.s·D•:fe.madasde, An'!:i~tida,çl!"-·

W,87,vv.~-8),

,exe;tação.

do p~vo ,Porj;1%'.iês, revelada em pormenores 1

e 8;. III,67, 17.8;, ;qr,ro3)

d ). repal'a,r

no. movimento dai li~e.gelll

que ·pa:pece.,

acompa.Ílha.r o ritmo dos acdritecimentoss • .·

;frases

de: ~ovimento

mos d,a.-narração (cf.

fra.s~s de. ritmo de ma â or- tensão

· ma:Ls. ampLonos momerrtoa II!, 94-95);

. mais sinoopa,do e nervoso nos momentos

.

(cf~IIÍ;.47-48);

.

.

.

da estrutura

.•.· da fre .

e} oonsd.der-az-qu!i o pr6prio eqÍlilíbrio

. sé'.parece, por. v.eze;;, ·quebrado 'por uma apar-errte ·desordem

dos. seus el emerrtoe (cf.Iv,93), por expref>siv.a.s fa.1tú de

concor-dâncaa (cf.IV,16,vv.2

ceste$ ••• '.:;.}V,21,vv.l é 3 -"Dest8.rte a gente,.,removem •• ,••) ou por naturais anacolutos.

e:4 - "Da.queles que ••• /ven-

neve também da:r:-se o devido realce aos seguintes a.specto.s estes, .oontr-íbusm para iinp:r'infr va.ried?.de ao. discurso:

a ) Vasco .da Ga.m<>.'começa.por n~.rrar a. hist6ria de

Portugal

por

na 3~ pe.aaoa, ma.s, a. pa.rtir da. estllncia, 77 do oa.n,to ÍV

- começo deis preparativos· da via.fjem -, pas sa logicamente à .1ª· pessoa; no entanto, já• desde o infoio do di:scurso,

usa' a. 21. pessoa nos· seus

exem:glo, rios ( cf", IlI, 55) r- cidades,

comentários, apostrofando,

(cf. TU, 57),figura:s

. hist6ricas (cf.IU, 89), errt í.dades mitol6gica.s ( cf•III, 32);

b) o descr;itivo, entrela.ça.-se, na fa.fa do Ga.m;i,com.o .nar-r-a.; t í.vo, e o rl.ramático e o lírico a.liB-m-se ao épfoo;

o ) o Poe.te.·.detém-se, excepc

í ona.l.merrte, em a.lgi.tma.s.fígura.s -

(Egas l!oniz, "fermosíssima: ~ia.ria.", Lnê s de Castro), cr-í an .·no épis6dios que, pela. feição que 2.nresenta.m, evita.m e. mÕ notqpia. do. rela.to e quebr-ama tensão épice. das: batalhas.""'

Desc:H9â:o das. bàndéi'.riJ.S

No canto VITI1 a hist6ria: ·de 'Portugal é-nos 8presenti>.dl'!.

os heróis :sureem numa sucéssâb rnais ou 'menos cro-

nológica, 'me.s como .fipuré\s Lsol ad»s , Par-a isso contribuiu

o Poeta., ~. maneira. dos: poemas li.ntigos, ·f! ta1véz ÍnspirP.do naa

;ra.s ta.peçà.rfas da. êpocâ :qi1etinha.r'i como motivo as gl6rie.~; ilos desco-

d i.f'ez-errtés

o fac.to de

inú,,,e_

. br-âment os ,' pertara.m á.

os ter ima.gina.do.]Tinta.dos ne.a bande ira.s que, nas naus , de s '

our-Losã.dade do Ca.tue.l.

PauLo da. Gama.,dia.nte da.s bande í.r-as, 1>.gecomo um bom cice'.'"'

'rone , J;?Ó'!'ldoem relevo aoe nas os pormenores ma.is s~nentes,.

oonc í so.o da sua Lí.nguagerné B. ·mP.isconveniente ne s+as circunstll.ncii<ls •.

e assim a

')lo estudo deste.' pe.rte do Poema, será conveniente pôr e.inda. relevo;,·

diál?gÓ entre o Catual e o dá.ma •

',

.Pêrmintas e réspostasf

,

.

.

• ·

que o Catual-pede esq-larecimêl'.J.tOs(cf. este outro cá" e 10,y.l •:-··''.Quemé,. me·

o f'ort.e visual~smo da descrição que resultai

a)'do largo émprego do verbo ver, substituído às vezes pqr

.

.

·.

.

-

olhar e 'umà ou outra vez poratentar, qua.s~.-sempreusà-

do1>

em

re1ev'ànt~ ·posição. no verso, a

coiriddir

éom o pri-

meiro acento r~tmico_ ou no' inj:cio do

verso; ~

b)

do tempo, modo.e forma em que estes verbos. saC>·ueados

·

ex.1 - "V@seste que••• 11 (16,v0l)

-

"Vê-lo

va.i.,.11' (16,v-5)

"N<J.O v@s••• ?0 (18,v.l);

 

e)

de. sábia-esco;I:J:iad,é pronomes e a.dvérbios

exs e - ºOlh11.estoutra bandeirá" (9,v.l) 0Vi!ls este que; •• n (16,v.l) nv.11'-l<fcáva.i. •• 11 (cf. 16,v.5);

3 -· 1'>.inclusão de' um ou outro paaac de caracter narrativo 'na des criçã.o d;is bandeiras (originaaa pela nece13sidade de e?ltar-- .os feitos desses her6is) e que contribui para a.ligeirá-.la;

\

'

<,

-

'

.

4.,- a

ra.tiva dg .(}?.ma,embora estejamos, agora.,

do Po e111a.essencialmerÍ~!l def!critivo:

a)

7resenca .dê algumas cara.cterfstioas

ericóntrada,s na t:la.1'-

pera.nté -um trecho .

.

.

o orgulb.o que Paulo da Ga.ma.sente de ser poj:itugu,@se1 que

se refiecte

:factos ·qúe aponta ( cf.16,v.4;

nas $ue.ií.excla.ma.çÕesincontidas pe;-ante os

Zl,v. 7; 32,-v.6; ·)5,:vv.7-8~

b) à. CO!lJP~.ra.çã.odos her6is lusíadas com os da Ant:tguil'lade ·•·

. c} a veemi!lncià.convincente das.palavras.proferidas

(cf.12,

.15 e 31) ;.

,

.

por'Pau.-·

lo da. G!l.mà(8,tente.,.se _nâ.repetiçáo da negàt~vá nà!t e_s-

» tân,ciá.s 6;v~7 e 7,v.I);

. ·-

·

. , _

·

·

d}"o valor expressivo da repetiçê:o (cf .lO;vv.~1

 

e

e

5).

·

poster~o:res .~

, geralmente, um tom ve:go, muito mais nebu.,.

"o s

feitos anteriores. ( cf. a13prof'eciás

as profecia!! trágicas do Ada,mastor);

,cru~ ~-f!se ,é:~ ál'~~s., -o

,:_t_:Ot!1,

.:çfuf?,

o'tq:,'Tlqúe::r,evest:j_bma,s1frofécfas

do.

_':'/--

'_-/::"":-<'

·

:,/

-'.

'

'_;,->':.·

.:

t(l.íE;l.c;óritrillui narp esse tot.i vo.go'a.

·_

-

··

.nome cios )'l.eróis·,·ina.s que os .fa.ctos pr.o:fetizados

·:ts,so·ae.:ix{,mde' sf,r hÚitqricos;

·

·

.a:~;íT!Ú~à.sp~o'iêcies. em que, por .vezes\ e s so ~missão se. 'vE;lrif:í,ca·,são ç,13do carrto X, :após e. descoberta; do cami.; '

r,iar:!timo pa~<i·2 lndia;

•··

•~~~'\Ja.~t:icÍlla.:r-iz17çô'.odoe

.

.

, h,er6is. de a.lm.ln1ifeito~

.

• .'

·

-.~.~·a

nq,:í,s um a.fgur,1ent,opa.ra:,:co,nsidera;r que' em· "Oa '<IilJ:!3fé:da:s 11 '

~e füte'I:e~:S.1.le1313éncia.l.mentEÍ'€ à exalt.ação dum herói· -

o

é.olediv:o ,;

,o

.Pevo l{ortilgú.~s.

·

·

da Ninfa

agora em.que_:

.

e s ta \Jrofeci~ toma a.d,~qu1;1d~nÍentea forma de cãrrt í.co a função. do .epin!ci9). a que nem séquer falt~. o refrão -

( cf.X;J4) ('

ao qÓ~trário dÓ•que. abqfiÚce

0riçâó.

(cf.

.

d'íscur-ao do Cíamà.e- na de s

das pande.irt>s/ ó Poeta, interro:npe a; a-pr1;:1senti3.ção

X;45-5G);

fa;z,er lembra~ que os feitos estão a' ser panta.dos

ida ma;tér~a históriqa. (cf•, _porexemplo;

01f1énte <'to prin,~!piq ao' Úm· desta profecia, o poeta -va,i .frê'quénté -

pela: ;Nin.f.3.,(çf'.X,6,v.l;io,v.l;

11,v.l;

12,v.l:

18,,v.l;

22,;'l-·5;.-2§,v.l;

39, v,2:45, v.1' )o,v.1,

74, v.1);

·

·

o, ~~.nhco -tem par:isos _qu~,f)/1,recem_sugerir que ~. N'ipf2.:,,va.i ~.p0rtta,~do"5)sfei.tos à meélida que este;; Lhe oC:OrremJçf'; iX,,32,v,;5;. 33;v.J.; .37,v.4; :39,v.l; 42, v.l) ,. pods que e.la,'

, .·.

.

qs :te!)l -gttahlados na

(los .:por ,P~qteu que, por sua

memófia

: :

·:

-

-

por lhe terems:i.dO transmit,i vez, ºf:· c onhecez-e . de Júp:ite~

--

-

-

-

:

-

-

.

-

.?o qS.nt'ico, d.Poeta:us;,·.

-

-

.

-

- -_

-

: -. -

:

-

-

---

_::

'(cf.X77h

-- -

:

:

' ; .':"_::~-,- -_ -

.·-

-

.

-

: : _- -

- :.

'

.

:

-

'

-'t;reih-z'1la.·r:.J ii!wriin:irvariede,de

'ílas:ua,co~-pOsiçíi:p,'à_ama:j.9rliberda,á.e1

e,) ut':ilizâ, no cântiqo

i

.n:

-~-<-

da Ninfa. qra o pretérito- ;(éf. U ·~·l),;

ór,a

,41t-nos o cânt;i.cO' ora'de ,formâ,indirecta

11eíni!Í.irebta,(.cf.X,l8),

o,·p:i_:é!Jenté{of.;r2,v.1);

· ··.·

.

·-.-

(o-r~~,1o-}; C>rS.·:

•.

;

-

•'.'

' -;

ora directa- (cf .•X,est.15),v.~5-a.

,est•2.í):i.,

imagina a :Ni~:fa--&<;?·?tt'a.r, feitos

-

< -. ·.-.-·.

ps

. Ó: .,Ó,

.~

.'

:<<

ora -ná -3•,)>esso11-,-

ora a _põe a apO's"tfofaJ::.d-ife:c,t_e.menteos her~is. (21· ;

:-,,··.··-~··.··.· - ·.• · ··.·•·.· ··'e.ss··.q ·

• ":·

·. ·•.·

-.--

.

:.,

á

).,'

o·r··ª.·.·

11

r.e.:v·-

el.ll.r.

·Sl_\a,;·~.·~.·

·.s·

~

Ões, na.\•.pe···.··s.so?.;.

·

-

d.} a.pres.e.nte-nos â.s p·-r·-o.fe.ca.as da Ninfa~.emmpprreeggiana o

-JYturq,

ora o present·e (cf'.X,61,v.l

.e 2; ~),

o -

:<

".

·-.

.·.

~-~-'---"---e--'--'-.-,-- •-·:

.-

'"j,_

~'-----.:_;

·•-

'.:

fro,I'i,rue,Ele··tl.'ª~!!.<;J,ê'•••17111·•·•·•

menos e~Plfcitamentê,

q;) àpcwta, dif"erengas de .al~ur<f.(cf.X,22,v.l:-3:

c.~ntico.,.··ô.P0eta··sugere;

- mà.:i,1;1-.ou.

ca.ra;cte.rfsticas de uma ·melodil),'t

39,v.2);

15)

?J.'ia diferen'ças de <j.ndp-ment(qf.X.,360 e 43, à.e a:ndll.:-

ipent.oma:i,sr;inido

t;st~pcia 37);

do.

·

.g;ueo que nos é sugerido pela , .

·

·

.

·

.

.

>

.

 

ac7:niua ce,rta.s frases gue c1il'

se-iam

melMicas (cf.

nas estãncfas

22, 23 e 24;. as e:x:preuÕes "Se em ti •• •"

'/"Aqui tens ••• !'./"Aqui tens ••• " "Em ti.,,11/11Istofa,

 
 

:zem.,~•''/~~Isto fa

zem.••,.''

)j

 

,

_:--

 

.-

:

d)

acompanha e reforça o signi:ficll.do de certas

estâncias

onde o

Pelo timbre depalp-vras a:! 1lsadas (c:r.x,20,

predomínio de sone de timbre a - em s:!labll, t.6nica ou. a cÔi:ll()idir com 4ltimà sílaba- métrica - sugerem o es;,

pa.ntó -causado pelos feitoe de

Duarte Pacheco Pereira)•

.Profecies de Tétis

No, estudo desta '·parte do Poema.,sêrl! conveniente nofaI' que'

sâod;i,Úrentes as at;i,tudes da Ninfa e de Téti.s ao PI'(lfeti- za.rem feitc:is dos pqrtul\Ueses no Oriente, na medida. em que

a

,intemião de Tétis · .mostrar o. mundo, especia1men1ie o glo

é

.bo. ter:l'estr,e, e. nele.a;pon!ar,alguns ·(cf .x,131,v'v.l-2;. lA27 y,.t·~-2}d?s l)lg'B.res f!UeIi.ao-.cleser evangelizados e domina- dos l'elolil Portugueses; ·

Té,ti.s··é, por isso, fuí1damentalmenteJuma descri- ção, semeada' de informaÇÕes sobre costumes,• riquezas, su- :perstiç3es. e tr<j.diçõ'es e cortada., por uma longa narrativa

- o ·epii,i6dio de s. Tomé;

- 'como.descriÇâo que é, M' aqui muitas semelhanças •formais

com a 'des.9,,riçâodas bl!indeiras (atente-se,

emprego dos m.esmosverb0s olhar e ver que lhe conferem um '

idªntico cunho:visualista)~ -- ·

por exemplo, no

por vezes, '.qúandoyiü referir ()S feitos de algwnherói, Tétisc~ama .:ma.is particularmente· a a.tenção (lo Game,para ali!regioes onde eles se vão. desenrolar (cf'.X,lOl;v.3 e ·

ío3,v.5);

'Tét}s não. se •preocupp-tanto em carrtar- feitos indiV:idua.is -

e l<l4) - co-

- embora ªP.(lnte. alguns heróis (cf.X,93,96,rnl

. moe.m exa],tar f'açanhas de um povo (cf.x,106,11V·7-&; 107,

vv.5 :.8;

137,vv.3-4; 138.,vv.;,,_2).

d) Sugestões pi'tfa. o es:tua:oide algun!'l episódios

"Fermõsíssiina.Ma.rie"

1 -

2 - Confront~-lo com o passo que lhe -cor-r-esponde na ··~cr6nica.

Loca.liza.r e, enquadrar o e_pisódío na. estrutúra do.

de El-Rei D. Afonso IV" (ci>.p•. LVI) de Rui de Pina. e pro-

curar as tra.nsf'orme.çÕesC!Ueo Poeta

)listórica,

·

a) o que omitiu· \

a

imprimiu à _matéria

IV

anotandos

·

. ~~a

·

·

presença. de D.Bea.triz

- d e . D Af onso

infidelidade de Afonso XI

-.-- ,

1

b

)

1 c )

o

le' modifi'cou ·

qt

·

·

o que acre scent.ou

· a perspectiva . . · . dos . ecorrtec íment . os

.

< beleza de D. Maria

a

o seu . d. ·iscurso

3 ·:

Justificar

do especialmente a. a.tençãó para o facto de o ·Poeta ee ter

mantido fiel às Lanhas gerais lia verdade histórica, embo

particu=

lâr r.eleyo à figura de D. Maria que, pelas suas palavras

e atitudes,

Da.! que nos apareçà a defjlÍiner a sua nafiguI-a de· mulher

de tod,as estas tránsformaçÕes, ohaman

a. ra.zão

ra perspectivando--a de

maneirà. diferente ao dar

terl de tornàr inevitável a resolução· do pai;

cauea. (_cf.103-io5 ),

amada

bela

- triste

.,

-"fermos!ssima Mar;;>·a!

·"lindo º.gesto•• "cabelos Pngélicos" "ebúrneo-s ombros"

"ce.r!ssimaconsorte"

.····

(6f.íII,lOl;v.6)

·.

cf.III,102)

e chorosa-"l)la!'lfora. de a.legrie 11

grimas banhados"

"e seus olhos em H'.-

. "cabelos ••• e spa Lhadoa" )<cf ~ITI, 102)' ·

(cf. significado de tal atitude nesse tempo) iiestas palavras tais chorando, .espalha 11

4 ., Atentár

na fa.la. de D. Ma.ria, procurando salienta.r a fina · -

o Poeta. revela.s

. a ): ao apz-eserrtar- ~abrupta e exagera.da.mente(vejam-se as hi pérboles da eat. 1Ó3) o exército muçulmanoe o medo

intuição PJicológica que

que.va.i cauaandoj

b) ao demmciar

a1;1coneequênc ías funesta1;1que dele poderiam

vir para "a nobre ESpanha", para 1;1eumarido e Para d;

e) ao encarecer 'o valor do povo portugub atravé1;1da f·igura do seu !lei (c:r.nr,105,vv,l-2);

d ) ao

e) ao sugerir e. gravidi\de da, situação .e a forte tensão emo- cional, pelo uso de expr-eesí.vos imperativos que, de espa'"'.' çados (cf.III,105;v.3), se tornam seguido1;1(c:r.nr,105,v!7).

apelar ta.mMmpar-a o seu amor de pai (cf.IlI,105,vv.6-8);

5 - Notar assim que o Poeta torna convincente a intervenção da:

"fe.rmos'tssima.Maria" pela eloqu@ncia da sua Languageme pelo patético da sua figura.

6 - Salientar certas particularidades

formais que va.Loz-Laam'o

epis6dios

a)

b)

.

a

o

excepc í.ona.Lrique~a da adjective.çâo;

ve.lor_estilístié:o de al/!;Un.11H~forma,s verbe.is, tais como

· ••entrava" (cf.102,v .1), "corres"··(cf .105, v. 7); "1;1.ocorres"

c)

(cf,105,v.8);

o valor sugestivo e musical.obtido por determinados .sons,

como, -por exemp l.or

.

---

/

·

. timbres abertos e claros (cf."paternais pa.çós sublimados",

102,v,2) que ,sugerem a majestade e grandeza: dos paçoii', a.lternância, na 11:1time, s:!laba. métrica., do di toiigo iu com

o som naaaI aberto. -an(ha) que parece traduzir um õhoro

entrecortado (cf.103-oVV'.1'"'.'6~ pred"Om!niode sons i ,e :u que acentuam o toni Lamerrtoao e tr6.gíco da situação-de D. Ma.ri.a(cf .104, vv , 7-8);

.

a) o poder plastica.mente· evocador de "fermos!ssima", pala,vra, ' que, ocupando a quase teta.lide.de do verso a.trai· a atenção,

e a expressivi<l.ade de "espalhados", cuja t6rtic.a aberta

parece concentrar tqdo o significado da palavra (cf .102, ·

vv.1-6).

·

·

7 - Fazer ressaltar

os proc'essos de que o Poeta se ·

dar- feição épica ·ao epis6dio1 ·

serviu para

-a) la_tinisinos, que enriquecendo o vocabuããr-í.o , emprestam ine-

g<tvel cunho cl6.ssico ao episM.io· (cf. o significado do substantivo "gesto" - est.102,v.3 - e. formas como "subli-

_ -b )· adjectivos de car<tcter ence.recedor fcf. as expr-easoeer "Pa- ços subl ímadoe" - est.102,v.2 - e "nobre Espanha-"-,,est.1031 ·

. ma.dos"; 11eMrneos11,_ ·11miseranda11,

''inff!-ndo");

 

v.4);

e)

hipérboles

que enaltecem o và.lor dos Portueúeses (cf .UI,

105,v,l-2)

ou irão cfon:tribuir para sua, maior. gl6rfa ( cf. rrr,

'103);

d)

comparação da. atitude

de D. ~la.ria com a de 1Vfous1 _e.caba.n-

do·por fundir os do.í,a epis6dios ao sugerir a. resolução do ·

Rei por confronto com a.de Ji1:piter.

1

2

3

4

5

, Localizar

e ·enqUadrar o epis6dio na estrutura

do .floelll!L.

Atel1tar.no•re1evo·dado pelo Poeta à batalhadeAIJµba.rrotà·

e a.os s~us antecedente$ e preparativos

pa. <l.B ests.12-45;

das à criE1e de l383/13il5 e ao reina.do de D. João I}.

(repare-se que oç11- de'50 ests. dedica•

inclusive,

num total

Alud,ir 't>revementéà fidelidade hist6rica, bastante acentua;;;. da;:em algüns passos. Ei:

- Foram os Castelha. :lioqque ,deram si:::

"Deu sinal a trombeta castelhana"

.

{cf.IV,28,v:.l)

na.I.para. o in:!rio

da ba.ta.lhll. (of.F.

L. iicr6niôa de D. ;roã9 ru;, 2• parte, cap~ XLI).

=

- •>,.· .: váilguarda. portu guesC1,.foi, de.fac to, forçada pelos Ca.stelhf!,nos (.ibi ·

dem).

"Rompem; seaqui

do•.nosi3oe.os primei -

ros" (of. µ-,34,v .l)

! reál

=

o au:dlio

XXX

"Sentill. Joa.nne a afronta

·lll'esta.dop9rl>,:.J~

ao e a .e;ico:rtàça.o que .lmtão .pronun- eãeu {ibid.).

··-··

·-·

·-·-

Pel11ja.;i verda.deirosPortugueses•

(cf~XV,36-,.138)

"' Salienta.,r,• no en!ta.nto, qU~ omitiu. refel'ericiâs l est:i-aMgia . guerl'e~ra a:f ueada , .e .de primordial imporl~cia no desenla.- ce da ba.,talha, para exaltar a gl6ri;i; dos Porlúgueses, poià atribui a vit6ria. ápeµas à sua bravura.

- Repe.ra.rem· alguns a.spectos mais d.irectamente .retaciorUi.dos· · com a e~~rutu:ra do epis6dio:

a)

o p,erfei to ~·larga.ment.e

·

passos BU!!Oeptíveis de toma remuma

lista.1 -'.··.·•

'. ·

b)

a aeçao da batalha. é apresentada em rmtltiplos e

~dros,

ora gerais, .•orà•·inciividua;i.s;

c} ana.r:i-ac;âoé interrompida por digressões de

ferenter

- con!!ide:raçÕesque envolvem .preocupaçÕe~ col6gica (cf~.IV,29)

-·e,.coment!trios 9l'!ticos,

·

.

.

.

,

sob a forma de simples

ou ~~ ap6strofel! (cf~XV,32 é 33);

,d) a :fála de l). João I., ·apresentad!!- em di!!curso directlJ.

. intuição psicológica,

ao ape Iar- p0.rf!.o' ~rio dos

. cavaleiros portugueses, e. reveste-se

. .são e impres'sionismo •

de grande conci-

Salientar :certas particularide.des ·

epis6diot

form0.is que va.lor:i.zam ·

e-. exi>réJ!sÍvidade de. lidjectivaçâ.o (cf.IV,28;v.2);

·o emprego dum diminutivo {cf.IV,28.tv.8) que pela. sua raridade aasume pa;-ticular conot8.çRo afectiva ~

e) o

.valor sugestivo do ·

movimento do verso, como, por ·

e;x:emplo: .

- est.30.- movimento lento e reenlar dos quatro pri- meiros. versos. em contraste coma irregufa- . r-Ldade do ·ritmo dos. versos seguint~s, dada pelo encavalgamento, frases de membr-oseur-.

tó8:, polissíndeto. e aliteraçÕes;

-

- est .32 - sugestão "rítmica que lhe inprirne o .di to?igo ·· -ão Usado 1la1;1s!lab~.smétricas de maior r-e

 

l:e;fo:doverilo(cf.v.l);.

.

·.-

_,

eá't •42

::

mqyimento rápido que, junt1.,,mente·com a ri.,. queza ,e variedade. de pormenor.es, sugere ·o recrudescer dâ. batalha;

est.43

ritmo calmo e. regular que mais 8.céntua .o ·

cHma:içde. e!'!tbcia anterior;

··

. d ) a. coloca.çâo eXP,r,esf!iVad~ algumas p1l.lavras, cham,ando

.

par.a .elas especial 'á.tençao .·{cf. "desdi tosas"""'44,v. 8). ou

'reforglJ,rtdoseu val9r. onomat.opaico ( cf.

"espede.gam~se"

~31,v.5,

a mesma<t'eição.onoma'topaãea conferi

e "Rompem

se"-34,v•l);

·

de. a. alguns versos:

- pelas sibilantes

e f'?'icativas,

a sugerir

o sibilar

de setae

e dos

"vários tiros'"

(cf.3i,vv

•.l e 2; 35,

vv.3 e4),'

.

·

- pelas dentais, a marcar o tiropear dos cavalos (cf.31, vv.3 'e 4)

- e pelo reêontro ·dos sons

-o

e' .;

am,a

lembrar uma ex-

:i>losãó{cf. 31,vy.A e 6);

-

·

-

f) o emprego.de trocaB,ilhos e jog'os õ.e palavra.é (cf.40,

~o.7-:8; .31,w.7-8).

~Dé,r part icule.r e.tenção

a alguns e.spectos que conferem a,

este. 'episódio um:cunho clitssico e épicos

a) latinismos (cf;· a. acepção com que aparece á pala.vra.

"virtude" -.35,v.8

""'• e formas como "sÍtil:m.ndo'.'-' 44,

v~4·., ,

"misera.ndo" - 44;y.5 -, "furibundo-" - 41,v.7 "'

,v~,3};

·

.

_ 3-6 e 38,v.7-8) e perso!lificaçoes

e 6);

M'rl!.e't.,.,. mitol6gico (cf.33,v.5;

,

39,v.~;

(ct~t>edfra.ses indiCada.s e 41,vv.

factos e f'igurPs do mundocUssico, rri0.isvivas )'lelo recurso à e.p6s-

:f) s:(miles de natureza e vigor :fortemente expres!!ivos (o:f.34, v.3-8; 35, v.1-4.; 36, v.'):-8 e 37, v•1.:.2).

Os Doze de Inglaterra

1 - I,oca.liza.r e en~dra.r o epis6dio na acção do Po.emae pres ta.r particular atenção ã. arte com que o Poeta introduz e- conclui a narra.tiva de Ve;I.oso.

2 - Notar o carácter especial deste episódio - pequena novela tradicional· de, .cavalaria que ·Camõesapresenta· comoverda,.« deí.r-a. (o:f. Vl,42, v.3-4), talvez porque já á encontrara registàda no •í.MenÍorialdas Proezas da Segunda Tilvola Re- donda" de J. Ferreira de.Vasconcelos.

3 - Frisar.que o episódio, de declarada intenção pragmáticl!-

4

(Cf•. 42" v.5-6), encarece o ideal de cavalaria,

mas aponta já para uma.:faceta do Renascimento - a curio- ·

sidade.cultural document~da.pela figura.!'le Ma.grigo.

medie'\'al,

- Ateritár na f:tmção do episódio na estriltura

viandó a

res;

monptonia da viagem, descansa navegl!-ntes e

5 - Salientar que .a.narrativa de Veloso não reveste o tom ora

· ·· tório do discurso de Gamae que o epis6dio apresenta cer::

tas características.que em·CamÕes:

a) rapidez, concisão e :flu@ncia da narraÇãó.qtie SElgu.er~ pida, despida de pormenores supér:fluos aM áo tôrneio

documentam bem a arte de contar

- como convém a uma simples exposigâo de fáotê>s

se tor;na;r mais minuciosa até ao seu desfecho, a.presen •

ta.do de forma .sintética;

,pe,ra

·

-

b) naturalidade dó estil.o resultante

do vcroabulário menqs empolado e mais corrente (excep

tua-se, neste último caso, o de

que resp_e:í.taaos torneiost armadura.$, lugar e fasea da'acção) e pela .menororiginalidade' e erudição das

carácter· iafom.co no-

metátoras (cf~43, v.1~2; 47, v.4; 52,- v.4);

da tentativa

(cf~ encavalgamentos est.59); da desigual partição dos versos do uso mais frequente da.ordem tam frases que 1 em prosa, não

·· de anulação .do efeito pr6xi.modas

(óf'•44 e 45);

·

c) movimentaçii'.odos acontecimentos:

 

pelo

visual ismo {bf .46, v.4-8);

.;

pela

expectativa conferida ã. chegada de

(d•57 e 62) ;

. pelo reàlismo na descrição d'o combate.

crítico de Camões.tamMniàqui se re- 1feloso (cf.44, 5;:_6;46, .1-4).·

.,•.•.,.•.•.=,,,,_,.,algunsaspeotos estiHstioos,

tais .comos,

podef sugestivo de alguns vocãbul.oe (cf ."m8,Stj_gam"

61.; v. Il;

.

.

'

-

.

.·.

·.

.

.

.

a répetiçao da conjunç,ão integrante (cf.·45, v.3), de forte vigor expressivó;

e) o relevo dado à eXpressão'"dos onze" (cf.57, y.3) pela

sua é'olo:caçâo ne. frase, que provocou.uma concordâncãa

· de sent:íiio e não

gramati0al (cf .57, v , 3-4);

. d}' o uso _deúm jogo de palavras tão pr6prio da. ~p.ocade

Magrigo (cf .•55, v.4); .

e) o movímentosugestivo do verso (cf.51, v.1-2;· 63,. v.4 •• '

f) a sonoridade sugestiva de alguns versos(cf'.

-8; 64,

.

.

ests.5i

e

56).

.

8 - Acentyã.ra feição clássíca e o carácter ~pico dó epiS6dio, pondo·emrel.evo 1

a)

latinismds como "mo.derava"(c±'.43, v.2), •lexperto" (cf.

·

50, v.l);

_

b)

perífrases (cf~56, ·v.4; 58, v.6; 63, v.3) e personifica çÕes (c±'.43,vv.6-8)>irispiradas na mitoiogiaolássica; -

c)

comparàçÕescom figuras do mundoromano (cf .•68,vv. 7: 8);

d)

a af'irmtJ:çãodó Duque.de•·Lencastre (cf.48) e a. coragem atJ:'ibuída aos ingleses (cf.6Q7vv.5-8) que contribuem pa -

rã exaltar ovalor, d,osPortugueses

 

.

.Uva.rês na' descri.2_âridas bandeiras

-1 ·•. Atenta.r na insistênda. com que·PáU.lo·da Ge.machama a. aten- 9ão do Catual par1:1.esta. figiira(cf."Atenta ••• " - 28, v.l -;

nnão.no vês ••.•?11 _; 28,

- 29, v.5; "J.ia.s.não vê s ••• ? _; 30, v.l;

"Mas olha" .;,.31, v.l) e no excepcione.l m1merode est'âncias

que lhe dedica no cõmptrtogerál da descrição,. o :\P1ª indica

o particular

v.5;

"olha" - 29, v.l;

"Vês.•0.? -

"Vll-1.o.~••" - 30, v.5;

relevo que o Poeta. lhe concedé,

- Verificars

a)

a. forma. métà:f6rica como Pau'lo da Gamaintroduz a

interesse do Câ.tu.ã.l;

perso-

nágem do. Coniiestável, o que contrilmi para suscitar o ·

. b)

a forma variada como se lhe dirige. e que' contribui tam-.

Mm para manter vivo esse interesse (er, uso dos verbos

11a.tent1:1,r11,

de presentes do indicativo.que

carácter visua.'Lista. à' descriçâp; recurso à. forma a.firma

"olhal:''' e.·11ver11 ;- empr-egode imperativos ou

mais uma vez conferem um

tiva, ;i.ntt;rroga.tíva e

interrog11-tiva.-?egativa).t

.

· _-:

a

expectativa.

de que se- reveste a. identificà,çaó do herói

e

que prepara o ar-r-onbopatriótico

e Hrico cóm que rema

:··':~-:-.>-:<'~-/

----·,::,'

';_

~:'

·,1~·~~atiro.

$2 l:i,!")'l~!l·r•ª~v~rias cenas da: aoeao

·v1p;7s;i·~pI'esentl!,~~.s

dado à sua figura na ~atalha de Valveroe ,v.~ ,.-.e131;.31) em confronto QQl11 a.de Aljuba.rrota 29,vv •.1~4). ·

·ne.si b<i,néleir~;;i!!

tfoti;i.r.'qtteâ. cle,sóriç~o (cf. FeI'nâoL,opés:, ! 1Cr611icade]). João Í", 21 ·'!)arte., cap , LI\T á, LVII); revestindo,~se, todavia.; da ,conc'isão adequa-,. ·

da.

·

·

5 - P~rem :f.e~évo;;, epicfdade que o Poeta confere 'a est.e so, ·chamand,pde. n?Yº a atenção

a) para o 'emprego e Va.1õrdee

látini~rnos (cf. "alúno" - 32,v.8):

Pe.rifrases (cf~29, v.7-8; 30, v.4; 32,;;v •.6-T}; inversão.da ordem ·nôrmal da estrutura <lã frase {cf.

a coloci:>.çãode "respondia" e "re,sponde" - 31,v.2 e

31, V'.8 - e a sintaxe

aos versos 1-3 da est~ 32};

b) p4ra a projecçãõ épi\'.ia dãda.;à figura do Condé'stável e

•oon11eibl.ida.1,

29,:v·.7);

·

.

>

.

.

'

,

'

'·,

.

'

pelo poder e ,(orÇa Ôortferidos ao inimigo ,{<if.~9;v.4

~

Pe~IJ.·ººJllpªríi.ção élara ou implícita de

t'igul'à& mitol6ticas

32, v~3-4; 28,. v.4 , veja-se representaçao da de Atlas}.

,

'

·

.

.

·.

'

> .

·

D~ Nuno

ou, de. Ant 1iguidade (éf .31,

}iepa,~aindânos

a:),,na natura,:!Jdade. dá. fala de PauLo da. Gama,.Çiptic1a:

seguintes aspectos:

1 pelas ip.terrogaç~es e exclamações; .: Jlel<? encav!i\lgamentci;

>

,.

-, .s

<

 

- pelá,s pausas (cf-;29,v.l;

32,v.ô);

/

·

,

- pelosve!sos

sáf:i,cos (cf •. 29,v.8; 32,5;

6)'f,

_

)'la,~e11et:i,çaoexpressiva da palavra só em '{)pãiçoés-sàl~ ·

ente1(,do vérso _(cf.

29,.vv.2e.

3);

',

, e) n~ tónus poét'ico da palavra "suspirará"

(ct. 32,v.8}~

.··s:. Tom'

:·L- J,oca+izàr º· epi136dio na estrut~a do Poemae 'na fal;i, de Tétis {recomen~-se. aqui, .comoem.tod;i,.esta fala, -o uso dum lllf'P<l-para l'oca,lizaç~o d0 passo}.

2 - Atél:ltar ~a ditereilte na.~ureza 'deste episódio, que nâ'.o é_ , ··guerreiro, nem ca,vall~eii:e~oo, mas documentil.clarafuen;t_e,~ :~"

rnaravilhoso cristãoe

dum quase ,lirismó religios9 :(cf. est. 118)' à. forlná:ç~ot .p!l('::

"t6Üca do f?Oeta.,emboz-aCamÕés,dentpo 'clume;ip!r~tp:·~ti.ft;:> ~,~

revela

a.té, :i-través cie'.çérte,s iiot~f!.'.'f•

.

'

·~··

.

.

%~*!:!~~'#~~flir~~~f~~!'a

/~~:l!!f~~J.~.a!larecitnento.

· l\)i;9>f'Ô~tE>,j•,g:ueconeiidera t!;!r ~;ido .P;rinc.ip<i,1()~j.f;et:i,;; '

dufii

. é '>.,

· vo da .~:x'.IJi:\!láâ:oportugil~sa •·na

·)·é·~/a'.Pre~eJÍta,a. fio/a. deste Santo ta.lvez ~n1t1~h>!,. ,,;do.11,o;)f?.cit.od!l ,Bfl,rros.lcf •• l/éçada III, livr? VII, ·.· >Cap~ ll):refe:i;i;r:-, que, este. j~,prof'etizara. a á.éção e

India. à "dila1;1;1.Çã;op:a.·

v.ang-elizádora doa.Portugueses

hoOrientep

.·.

.-;-:

.e~tepii,11\f!q,>dE!;ca:rãc:ie:r,nárr,ativ?, g:uebra~ ·pe~9 sé\i ' ·gr;~:rte~.; aeméç~9·áried6tié.o, ' ·· ···~'inoriotoniâ · íiuma.enumeração · · · ·· i.eiJ.;_ ·

,

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"

,

Aludir ~ :()l;'ehca.da época. ha. ye:i'acic.aile dos milagres

: narr~dos

'em. Caátll,nheda ( "Hist~ria. de

'nest~ '·epis6dio e que , apaz-ecendo registados

Descobrimento

e .Cong:uista

dt>:.Ind:ia>pelos Portv.eueses",

ros· .("Décàda III,. L~vro VU-,

f~içll.o híst.Sriea'às

r,ivro T, cap , LXI) e Bar-

cap , XI), conferem uma ·

e.stânclas .cai;ionianas.

.

···,·5· i•loi;Jtra.roue o ês.tilo do épis6dio difere bastante

,

·

top géml

da. '.fale. de Tétis e .

·.'."-t

do:

·······~- (lbs,erv:a~ ·,~. o;futli.rp, .'tem'!"onormll.l da prbfecb,

saado

>•

r~a

~.~e13te

paaao , se.r substitµ:!db

pelo p11

•.deve7,

(j!i que

:'1'~ti:1>·,:h<irra.a.çontecimen~os. mui.ti) anteriores

aoa f'ortU:., -

,o::i~ê~es),:·11u1,sque. o. P?eta, .ap6s ter iniciado a. ~arr,a.t·i_, ·

' iva:ho ,pa,~saÍioJ ac~b!il por usar o ,pre.11,entenaa estânc,:fa.11

· q11.é ,ma:is dil'e~temente tradµzem a a.éção, do episódio . · ··

;{çf'~uó:.;'r17),

·

·

·

'

' '•7 •• sal~~rt~;r~e''.o,êJ)is6dio

.a:Presenta. cara.cter!i;Jticas

que

•.!!18-±fl'uma yez documentam a a.rté de contar .de càmõé's.' Re :p~;e:.;se, p<)r;e:<:emplo, na. :rai!>idez,,.concisão e a.ué@nc,:~a.;.

•·a·e P'clrrn,epÕr€leffiU,Pé;r-flu0,s,'da narretiVll,, e na naturàlid~

:.' d,é· im')r.imida ~

linP,'lta.gem

pelo vocabvlário

menos empola,

elo.éJl;~ai~••col'I'ent~:.t ?ela inElxist@ncie. dEl metffora.á; ,Pi

outras ,f;i.P,"Urii.s'com v:iUor. de., ·

·

.·i: ;r!fr~.pes ,. c1J7Pa,re.coes0

• )~J.'a'rl(·~a.i:í~ni;_elite~~rip

e ~Pico.

-~--R'~?<'~~·rrrue ·esta.fl e~tânéias

.'.--~·:r1:2,i~::2g~o.~.,que. ,nos··.hab í t~ou.· 11 linguagem

não à tingem formalmente

··.:a,).,wir·se'-:t,er cinr,1do ', demas í.ado ~.s fontes, ,em

·.;~> :j'.$;rto de· Barro13;

:fi.ó

-:

.

·

"tj)': cftOI\ lhe.s:•ter c(uerido; imprimir, uma cor mary.a.dà.menté

, '.}.'.ºP1lJ.a,r,.já que ·.a.lenda era. da tra.dição do povo

,.;<Ji

'

•>s(lt,Undo milagre. corre aí.rida- a.trilm!do .a Santo Ant.S••.

:n•i'Q(repa.!!:Elfiee,a este ,prop6s-ito, na. justific.ação· ,:;ii~·est.~,l·f:4;.v•~27 muito própria duma narração poP'U~

no enfanto,

que logo na est .rre à a.fi~stro:f'e',é o

tra.ta.ffie?lt\l.por)u ~·.qq;e destroem ·tJ impassibiliqade e pu ra~obje~tividAde dá deusa ; cr-í.am'um momento:de' arróÚbÔ

Ürico.

·

')'<•\

-,.\ ;·:~:~::;·;-

~:i4~1,c(~~t~~oâ~é '~ftexrieé '; ~menti!riós. crítfoos .·do

<

,

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)lrn •ei"'t~d?.f!!a"tis:f'at6ri() de

··~. :•·;··:·····,. ·.,.···:; ···-·.·· . ,

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·"0.s Lusíadas" ~o po~erd;·d~sPé.n

-,<.:

·:.:, .•e,·~

,.

s~r ~· con~i~el'ª9ªº' dos l?ªScaos,e111qu,e o Poeta :fala directf!.ment.e,de Bi 'mesmó.é ~' da«!!?;eles011tros em qu,e :f'a.zre:f''.!.exÕesou expQe comentifi'ib.8

<fy-e.iÍl(lidem -sopre. a.~rratiYa

r~và<Ío,se , Sem \llllil. cóisa e sem outra, não seril poss!~J: compree'.nâer - caibalnfe~te a :f'iprà'húmana de Camões nem o alcance e iiltimo.::.sign:i.f'i_;,. ·

do, Poema·ou dela. aão natu:ralrilente:aEi'-

!

·

.cado da Eixaltaçao 'dos seus her6is.

-

. ;_- -

.

.

'

Por

isso i'mporta, por .um :i,ado,'conhecer ou tomar mais sen-

êo:g.tacto com a perl!Jorial·idade.do Poeta, na sua humanidaàe 110.:.0.

:f'redor11.,sobre a qu.a.l, alii111, não somente. se lalJ!enta c.om0tã.mMm criticamente :racfoqina~ As eatânçiàs 78-83 do cant<i VII e 8-9 do

cà.nto Xi em jeito>de cónf'id@ncia eom as Nin:f'as e comCaUope.,

·estão para· o comprovar e. Pªl"8 ot;ere0er aos.·nossos alunos uma idei.a

'mais Perf'eita.

.e complet,a do homem, qu,e'hUll)anamenteae quei~, ma;s

'hU111anament~.ta.mMmaabe ,tmperar oa ,seus .sofrimentos! Nisto mesmo '

ta~ã um-exempt.o e um e'.stímulo

Por out'r~ l!i,do, não d~erá

esquecer-se o sentido e

o 1:1en-

time?}to dij. Pl'6pria dignidade. que Luís de Camões manif'es1;a na

dedi-

r&t6ria .dSJPoema.e nas sUa,s estâncias, ;f'ina:i,s, •em comuniéação

suj>oé-

ta,mente di:ifE!ctaco.m·o rei port.ugu.@s~Particularmen1;e, as e$trof'es

9-10 do c:iemto•.I e ,154--15~•do oarrto X s1lscita.m a. este respeii;o uma.

coriSci!lera~;~oÍl.tE).l'l.tapor1

ª· opinião .~e

isso que p~rece de .rejeitar

de aristocratismo

,<:que o Poeta. asSUlÍla.atitudes

servil ou de lisonjà

.j:ortes·;mesca .censurável. ".°AsimposiÇÕes da pra

im.ãtica do \tempo, a.

.

Portugilesa

à.

data. dá publicação de "Os. L'riBíadas11,

às' éxig~nciii.s -d().pr6prio -género épico, ·.com seu necessário tom lau~. dat6rio El' éstimulan1;e,, explicarão aa tisf'àtoria.mente aquilo que. hoje se poderia. julga.l' exces·aivo ou de~locado.

'··.····.•

Aliás, o elogio genea.16gioo (r, ô-7), a expeo'tativa dé

'fut'11ras.vit6rias

(I, 8 e 15.;;17; X, 155-156), .a.prome1:1sade no'vo

c~nt_o·('JÇ, 156) não f'a.zem"esqtlecer que o Poeta re'.vela, sobretudo,

vivo sen:j;id9 do valor do seu propósito (I, 9-10) e a. plena., cori-.

• v.icta e não orgulhosa. eo:isci@ncia. dõs se~s méritos (X, 154-1,25),

dE!que seria natural corolário

a aceitaça.o real.

Sempretensoes

injus:i;if'icaveis, o que o Poéta solicita. ou promete asScen1;a, sem '

f'alsa modéstia .e sem estul ta vaidade, no reconhecimento. natural eprovàdo do pr6prio·val9r. E também isto será de fazer senti:r e- a~comenta,r, num iiltuito def'orm~ção moral dos nossos alunos e:do ;'i;íeu ;i:ust.o:apreço por Lufa de Camoes.

/"'

;1

;,

-

-.:.'--:;:-.

~·;;>{',;C'~~iii:i~.P~,'. ~•• diffroo ~·~i~fjjf

.documentado,. é o·_das·reflexaes

,-,.-

e coinE!ntárioEI c"J;'ftic.6$ d'l?'

.;, ~ecÚfr~·l'.\:e,~;lia, :i:a:f:ra.tiva .épiéa .ou :('>Ól':es'f;a m.ais o~~mjni~-.cli

'

;mente

;p1spt:l'ét'i:Os••

>.>··

,

~~re. o.·seít e.studo, 'nã~ se;á tiMtil

dist~~ir,

emc."f!',,

'6cE!.··bem·::<

.~.~ix\c>J:uga.r, p.<pié Luí!l'·deqiil)l·Ões,<J:iz em seu p~pri~:.hme,·daqúFf

:(;i

, lc), <:íUE!.,:?-tr~'buia Pe'i'.lipnage:ilshi,stprioét~ .ou mitql6gica.s,

· que<num e •I1ºutro caso, e na maior parte

'

das vezes, os óomehtltri0s

~.

\ il:lâo;gé~xem,de ser pes~()âlmenté camoniano:!,· pois em'ger~l nâõ sé, ·

y~El.!Uín"lii'a.,119Poema, .ín~il! a,-J;el1toA na~açao ·épica .quE! (\aracteri~

za.çao· hist?;t;i9a

e psicbdr1Mnática,

yer·e .d;~sé,I1tirjde.aprecifar

e.·de

ó. il1tui tq

de aju1:rti).r modos. de.,

 

comenfar-,

A índole 'de .•cada,uma

,

"das. pei-so:i~él'\s• F;Els'l1.dis'Ühçâo ·será,

portanto,

n11.quàâe: totali

:.

-',·

·

détdé' dos ciasos,:·.mér~ní.el11;é,formal;

i

'

·

,, . '> .·~fé.~11~··ô1Í.f:r:11-·a{~.1;in~á'.oque. mais importa. fa.~e;t': ll'que/e0>%'

' x{Elte E!n1;1';J?reve1(spJfo!iema.s' ou rápidas' consideraçÕé's 4e:je,itJ>,pétj- '

.:i'én,téti,pp, \lJ)r:17e~es a:inda Umitadal'J. a, simples quali,fica~'tiyo~o~ ~;::;' , pí~_etqs, ª>?\{tl'ps pasiso!3 ma.is e::densos, onde o pensamento 'do Poe · ·. ·

'Ele/e~rime C?mmaior d,ese!l,V?lvimento_e }lermit,e po:i:'isE19maior pe .traç11-o.dó., se;11•.corrteüdo, Ta:):p,enetra.9ao torna.-se ·efect:j.~amenj:e. n,e-,.
i

c~ás'i!ria, l3,e.ciuiserrnos. cómpreendér melhor o Au:tor, a .própria

narr~

·.

,'·tiVli, ·épica. ª<o signi'ficad.o. P.e,r~icular do poema ce.inOn~e:ric;í,''indepe;n.,;.::,

d~titem.en<t;e4'<1,' d.iscua'llãó de s , oro~m

:tais reflexões ·nilma.·Qºil'étdes~·s. género literário péide_rá.·lJÚ~Ç~ta:t~. ·

estéti,ca

.que á .:a.pr~sen~aÇão .de r ~;·

\---

' <<·' .N.ão'~erã:o; nhrém,'eii<{Uec;idos, é' evidénte, os'fe:f~rfdoç

: epít,e:tJ>!31'epifonemas

e .con13:j,deraçÕes parentética.El'

cru~ em toqo; p

·(fóemét. ocas'ional ou l'epetida.mente. deixam ent.rever º. ·~enâamen.to a.,e

, ;ica.inÇ,e~, :in:ciden'f;e sobr-e vári,os àspe:ctos ou matize13 P!;l!lc~l6gieoà,.,<·

· 1;1oçiais e mpr11-isqa vida humana. (1,), Deste modo, por orev·es anota'-' ÇÕes ou Ílimpl.f!s registo a. af.eçtuar por cada aluno qü gi-µpo d;e e.l)i+:.· n.o:s, s.e po,del'i! organizar uiria'espééie áe leva.ntamentó' das orserv~ ' çÕes psiçol,6~icas de CamÕes;.'da.s S'll.all convicções rel:Lgios11,S', dos:c • seus coneei'f;ós morais, das .lô:uas opÍniÕes e censura.s·csocfaiso·, .

.•·

,,Acfesce:nte-s~ .e,inda· que alguns que.lifiCaiivos~·ou«si,mp:, .

e' ada;ptaç~o' às .ci:rcuns1;linçit';s:;- désde ·.<Ne

(te.l

.eÍ'íítgt9s., e sua, gra.da.çâ:o

éf9Í!)));i-eenqcid.osno seu verdf.!;d.eiro significado por vezes a.inda rm1ito.

o caso de 11torp~", 111:

mundo", ."viÇ'ioso", 11:fe:ro'',' 11h.orrendo11). são ta.mMmgere.l.~ent,e ~v~ l~~J)res ·do pensamento do Poeta, no qne toça. a Portufts~el'l~s ~ IÍli,Qmé t·â.nos, a Pretos, ·Turcos .ou- Ind.ios.

.adi;itrit.o ao sen,tidb .,Yati;;o' oriein~riÚ:

··•·•·(1 )Em ll,<lt'a.ra:pEinsa,, cite.remos -e. tí.tnlo . ,i,,lgtl,i.s desses tif!•ssos. ··

;tli~o,§~ii.~â.~~i~~~á~

~1~l>~ent4l'i.~~.o,~!~~çâ~\~~;q$~,,:>·

·~~~:~:~#~,:!t~;~~~~:rao,~!~:~~~.-~n!=~~i~=~·

,t~t() de e:qiF1caçao,~~ !},eC()IJlªP.ti!r7_0'.moralªf!-_Pct~l.,,

''

lã.~;tl"~*p.CipJ.~i!-'sob:i:i_e~Udóem'

nontos

•esp.eciái1Jdeter'; •

'·_t!s:i;esr _P:or-tantó,_ que deveri!<conv:ergir ~sforç()· in~é~ta~

.iie p~ófe13f!ortillà .allino~, situa,nd()""'.()ª;dévid~nte

lf& es:t~~-\

--' 6br~'.iePQl1d.Oem evidência o seu cari!OtE1r e:x:plicativo' co,mpltimei:Í.

"bemcomo, .pór vezes, a sua feição cr:ftic-a· Q1C

·

·

-

-

,

·--···

_

_·;_:;+);t{!.:f ou introaut6río,. :cjsiinl?~licà, <

, .:-

· • , Limital'7no,s~m<is aqiii,' no e?itanto; a -indi~íi.:r's~ar:l~me~-

'•'te, /e~sé°s:-.pas~OS e essas id.eia1;1'f_d~ixa)ld.o a.-cada profeSS()J:'.<11-Sob!Jer .,

· y~çdeJ3 e>consiaeraç9e!'l .que el.e!! l.he\

sugt!rírem

e jy.lg11.ell!cónvenien:

o#gJ.nenis

:•.,te-:tr~Ze.:F.a.oes:píri;to dOJ!'SeUl(Ial)inop; O:u e,stes p~prios

a) e .I~est;s.105-lO~s

i~segufança da, vida

huma.n?-;

-~i-o.rf:·est11~U2-113:

distinçãó

e~;tre () désl!jº ~a- sini~l~ll'

< celebriP-ade e o se~tido· da verdadeira

glól'ia:, entre

a

1\111

.J' -~ bição --do ~nome

e' o -valor de verdadeiros

feitos

nU:strei;

~--- ·;,,·-

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, ,,<;

·::_: .:

~-'.('

~:- /: ':' ,->:;-·~

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, é};"c.J,Il.,;eS-~.s:140-i43s .a t>ai;xâ~amorosa e os d'esastres a que:

· _· -

·- d) ~~IV,tlfi~s~94-ío4~ a fal~ ,do v;e190 de

ela ()oildu~;

< ·.·

-.

•••·---·•.•.•_-,

Reé.telo.'e ~.~-t~ci>~e

ta9fü> 0,11ipterpretaçÕes

de quE!é susceptí-V!!l:; anvérso· e·f

.<, :• .re.ve,X:liodas•grandes e,níprésasrhumanas;

"'.;"

·

-

-_

- '.,\:'

,

é) ~1~v-,'ést:S·~86-.1001v~rdade f'unaâméntai, .embora litEiraria,meri:i

··; ~te' tra,ta.aa• na .J,la,rI,.atj.:vaâ.o Ga!liaao rei,dti Keli~d.e,·;·ºº)].""'.-:

-.· trá:i>osta aé)s, feit5:1_siT~in€rio13 de epopeias àntigas;

f'Un.:-'

· y. çao e valor das _letras,' 11erp~tttadoras. de. alt.oi;i feitos; ,in

- çit!).!Ô~ntóà realizaç.()' destes,' independentemente da sua -

-

f~ao

pelas letras;

·:f) ê~v+,e13ts•29.:33: a superação dos deuses pelo eníprêenailn~n:

· t~, .audácia é esforço fü:is Portugueses;

-

-

Tit) .c~V,~,ests.95-991 elogio da ~ida perigósa,, condenaçÍio ··aa_ -;

·· • vidi;i.'E!feníina.da;::va.l,or da

experiência

esclarecedora

e. dinhe_iro •·tor~aU,os- ., -

~ó- en;.;

--

· ;te~~mento -e·despreza!lora d,a,s'Ão~s

,-

P,:LB. :ventura, e ~opela

"v.irtude justa e dura";·.

.·•i1l:t);Ó.V;:\;I;,tit~:i714~,oespíri:f;o port~8s

de c.nsada_; razo,es

·

-

;\'fr:/{; ~l:t}stórj,~aé. JI or:istãs do louvor da Pátria;·

;·.;-if~i}-·~"~v'.!T;~~-~~~8~87';

••é,i>ildenaÇãodos

ambiciosos;'aos--ll~pÓ~ri~--

. · ··-::t;as}'dosroub11.dore's.do povo,-do.s maue avaliadore's.ao.tra ;

bfl.lho·~lhei;Ó, >dos_-.fal11os.se-rvidores 'do ~ta!lo •e-.do,s_f!?-l ::',·-

. :sósdie:i.1'Vid1lresde DeúÍi;·.d~f'in:i:ção dos ve:rdá,déiros her6i·sr;:

.,•

·

:

.•.-··

·.,

-

'

-·,

'

'

'1-

·-

-

---:.·,.

e.iv1ti,ests:69-731

a gtoandezs,dos

·:reeida dé crédito e f'é t:i.il.a'·éornoverdadeira;

c.vrtr,,ests.87-89s

elogio do capitão prudente,

do·.impruden.~e;

e.VIII,estl!.;96:-99• -o poder· corruptor.

cado'.em todos os vida }!Oéial;

tempos, em todas as

do

o -Ix,

esta. 27-29s condenação do desinteress.e

b.lico, dos egoístas e dos aduladores, dos_aamu.rancz-ee

)uetiqà

e integridade,

dos tiranizadores

do

q)·c.IX,ests.84··e

88-89! -significado·

simbÍSl~co

'Amó:i-ese do casament.o dos Portugueses .éomas Nin;f'às;

·r) c.IX;ests.90-95scS.minhos

ã, 'Ve_rdadeira gl6riai

,-;,

-- ·

paraà'.'icançar a

sJ'c.X,eats. 73 e 143-1441 significado gl6r~a: dos' ria.vegadores:glória de Portugal;

c.X,~stê,80:

o verdadeiro Deus _e seus santos;

851

;;, efe.buÍaçio poética

c~x;ests.i46:

vo apesar.de muitas dificuldade!!, e Sebastião aos a_ctos goii:ernativos mo nació;nal. ·

153s

consideração 'do

De tudo isto,

porém, e do mais que o

e ref'iectido

de_"Os I;usfadas" póderá sugerir

rá, d-omojá foi dito, que'professor ealunos cheguem çã0 do Poemabaseada nos seus pr6prios valores e .caracter!st.iôas. Ora, se -é certo que o estudo da narra.tiva (te estrutura. e-và.1o:r·literário; linguíst~co e ser menosp:rer;ado,ta.mMmé verdade que ' !l;lglllna.1!!ideiaà fundamentais sobre -a 'bre .o alcance e pbjectivoà do seu

pe;i~s por enal-Íiecer umaeonteci~nto memol!ánl da nova

o:r repréi!é11far.uma.esptfoie inífdita de poeeiri épica, no

ltaire;·e

Cerv11-ntés~'Espécie foé.d:ita de poesia épícá., por issó .

1.Uli'Poemàda,civilização

ocidental,

seguÍldo a

;ifesta

um AcV9 cp?;ceitp de he~!smo.,

não• militar· por miu.,

nào assente e111.paixoes indi_viduais P!r vezes ·censuráveis; mas ·:illncià. dê uriidever c!vic·o e cris!ao, 0onf'orme c!m a con•.

do seu tempo•. Poemada civpizaçao

ocidental;. JÍ.!l.O f'undamen

te .'!>orglorif'.icà.r navegações e ·descobrimentos,· más por expri' ·mir .um conceito de nacionalidade ao serviço de va.lores·11niversais-;".

.•;seguliéj.o•O.S critérios

valorat.ÍVoS e as ideias morais da civilização

·do Ocident.e. ~ste 1110do mostrar4 qu.e o elogio da

se

vida_peri~sa,

.o ·carácter. belic'oso de alguns .epis6dios, e .a sua exaltaçao, riao

:siµ'gemn • ·~osLudadasli pÓl;'eles pr~prios,. mas determinádos 'Pelo ··cilmprimento.convicto e liVI'emente aceit.e de uma missão, e'pelo sen

timento·

básico de. que as' virtudes .militares ·e náuticas s6 verdade!

• ramente o são, 'qú.andopostas ao, serviç.o de .causas c!viaas e morais, nac:i,onai11e universa·is, necéssariàinente vi!!'tas e julgadàs segundo

·O, esp!ri to' da sua épocá

:

.

Umaleitura "ideol6gica" de "Os Lusíadas",

cromparticu-

aténção aos pontos de renexão do Eloeta, directa

ou indirecta

,-_,te· e:x:po11tos,e não 1 sim:!!les narra9ão 'do .Poema, por muitos. v,;;;. · l~res estético-literário.2 que ela posáUa, mostrar4 cromoestamos

e.Ili f'rente' de uma epopeia <Jl?ln um conceito crítico de ~er!ioidade, cqni i.de;fas moraiS' pr6prias,.'éque .lhe determinam uma feiçao .diversa

• dos :Poemasda Antiguidade,· PU.da Idade Média ~terior,

e podem

. sensibilizar

.·01arecido, não :f'echadonem exc!usivist&, e 1 de. um universalismo-

os nossos alunos 1 consci8ncia de um nacionalismo es

.·:húmà.n:!sti:oo,~bos estes perf'eitamente. conciliáveis ·

· ~éroadeiramente f'ormativos.

.

·

entre

si. e

 

,

·,·

'•·,Para

~e .tal acôriteça e ~O! Lu.s!adas" constituam, :Por•

.

:tanto, J)roveitoso elemento .de f'ormaçao do espírito,

,do carácter e

·5'

··sensibilidade

moral,· nacional e humana dos alunos,. importar(

referi:

·' ~c.iiãod~inr :na soínbra al,gtÍn'sdos •pa11sosdo Poema já acima

. ,d:QiS, clos·.~ais justif'icadaniente se. desprenderão i~eias .e concei-

'.t#f!. básicos; algtins dos. quais talvez convenha enumerar aquil

·;,<

,:.···--.-\·

--· \ -- -----·

·-,. - -

-

- _,

'

·

.'.

'

;,-·

,• -.

-

.

-

---··

--·

-

'

.·á.)

louvor do ·h•roÍ11mQde tunção nacional, mas

. com.·valores universais;

.

c;;nvi~ção. dé que o b,~nef'ício da Pá.tria é tamb'm o da Cristandade {I'ol-ça motr~z dos navéip.dores .e guérreir0s, '

'" e f'orça•motriz do pJ:>6prio.Poema};

b) ~ialtaçi~. do esf'orç() civilizador. dos Portugueses, ex- I)fessâlÍlente reconhecido n•.tÍOs tus!adaa" por 'Júpiter {II,46) e pelo Poeta (VII,15);

·feitos

dp .valor·

~'.i:-minismô;

·:

;c."<l:-

/·•.••

·

.\

;1 ······~~·º~D.$~liei:~9âí).do heroísmo' JJ\ilitar

·.·

:;•·•

·•·······

()U ná1,tt~êo.º·ºIliº.ll.ge'#!il!X

>

·· .· ~~,d.<i~~aor:~os,homen.se .como ponto de conçentra,çã9:41V.:'

'

·· ~"V•~1rtU,<ié"·i~divi.dual ,011· colectiva; ·

·' ·.•

·.

···

: :'~;E~i-~:f~;::~i~!~~

,<~).vis~º ±<le~~.a.Os acontéoi~nt~~ hi'3tórió<>s ·J>t~~ri,a1.d~g~:

:

:nero épico; com·superaçao pelo espfrito dos !i'3Pec'tos vul ·

-

gares ou iiifer:fores da ~ida humana;

,.

--

-

Di1>. obstante~· visP'o··cr!ticá e huil)anrstioa da;?JXe:ito.i.e~da<i~ ".; ººlll a;1()orr~s,p"éinil,~ntewmsura dás fracrqezà~ 1t~iut'~!3yll.~~~~,x' ·f d~~91i~ijc ·

.~ da v+~~ socil.à:fe· n,aciA?~~i.da13·própri~13 ·.'· eal!l<:Lo1lV:~·d!l.~(\ ea.n.ta.d~!3.cornp!~"V,9.l,,eroaas:•,~~!3 ·~~~m'·~"o, de·equando;·0:,1foram.i···e•éénsí.iradas .onde~':o··m~reei;i;mr ··.;

··.)·.•~i~é·~~*~!~eiite.~;éés~~~ª·e.e.·;R_ai'àio!.~oe_:~··ae.;~;;efc:it~rL~?·~é~'

·

· .it'

erl:'};7e1:i'!mô~uman!~t1.eo, .de ;rei'le.ehr sobre o.sentido,r;ia.;.

···\ /.·> ;via~\'8,.da:s;.;41'éçp~13.40!!1se)fsheróis, .ae mul!iplioa,l'.:~~·s:U,i·

··'· : ' ·cop~i~g<'·ÇO,~~f1lo~~f1,c;:!l,s,as .suas reflexoeS' .lJ!ora,7!\I'.•'~~ .;

',f

·.··\ª'~ceh~1,1ras•i~d'i~~0~e,iséQU\ º;l,ectivas1I

• ;" o'

•.•

,~ri!~~~~iji~~~

,

<Y .· P?ema.••~x~l~ador

1,:··.,b,oas'•e

· ·.; ))rov9óa,r

-

d,13/acç~o:':00,m,0;·1a.mb.J111.49.!'Iv:".~

b~.rrvc):e~eirm~nad~s··êond~ç?es,•poc):eJ!lj(~li

á.

sti;à.ê;c;:éitaÇãoé . ·.10uí;róN

.

.

-

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-

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-

--~ -

· n.

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·

;;\.';.,)·E···;.·•.~~?3i=if~J 1º?p,r;t~~~ol-.~~a~;~ =e%p1iea~··1oé~µe,*ii~.~~,#t· i>'(},a!,lloes-.~. W3,l'~;co,nt.a.de.s,,iptenço1is do Bf111~poema.,sl:mul' •m'o~~'til'a~d?.•c:rue;e; a1is*eitô ~~.;e111?'8.J:'ªf· se nã;o !rat<i.r

ª!1-'lie';lteiida,·.na.;r;r:-á'tive,as, :l'?flexoes.,e1•

Z()]lde p.qntos.

'71~~ç~s.,~'ci·;Poét~'é<1.';lst·i~1,1ein.·é!em.ento,11

fy.lldá;ll)e.htais;·.·.';1~·.·.

obl'a."e/lh.e d4ó pe':i's.PeótiVa.sC[U"esê ·llâo pqctem'ignor<i.~~·

,

·-

.

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'

.,.''.

··-

·-

-

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-

,

•'.[:::1;~)~=~~~Y!1:r!::!::~:!f1~~.r -·

mi~itar\dlÍ.

-espaàa - e' Q )1er~:t~Jii~llÍt]l

• Ó, •

E!'~:t~~~"ª'~-f~i·~11;e1~-;9- he~oísinà

'"l:'~l~~i~~:

eJ;liJ-~.gs _:vertlá.ae'!:ros :valor~s

do

homem, numa -Já, m_ode)'na,•inte;>Pre.t.a.---

<\';~:-~'~.::·:s.o;::~:;ia:::::::.~.-•.-~.~t.~ w~'smb icúá·--·~•<f:te~~~é~ac~é~:---

:exPl

-refl:exoes: e comentários- cr:tticps verific,a.da no Poemaj em que 11

~1:1,çâo---~Íi().~le1:i_or;elà :Í)X:6.p_ri9:,como ~m-epopeias ·anier'io:;es-; mas ""'"-,

:tJ.iir'

,tic:i'ap~ef!e11:ta.il1i~i_ríada,.esclarecida-f3

cómpletada•I>i:ir'ººº'.l"den.a<las_- mas que o P9eta visi'vel:

-

-- < id~Q16gici.Às.e.1rrórais, acaso discutíveis,

;-/:mefrEe' çonsiderou válidas e indispensáveis.

Náo se tratarê'.; ~Óis,

~----•-de uma,c1e~iéi~_ncil!,_estética, segundo o_·parecer e conceito _de-l;)Í'f-'' - •'.~;;,<tico's que ,tomaram e.s epopeí.aa clássica:s -como padrão e ~Qde'.íà,irJ,a.-o.

~-- ' ;:;'eonceito d,e ~erofsmo~~ de poesia épica, a uma n~Va ooncepc;i'~oc:r'! ,.- /·:tica ·•e humanístic!'l, de hero:lcidade

moVfveis,-

mas M unÍa característica

nova corre1monderite '·a um-nOV'O

~'.:~::,;.-> -_

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,-

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'·.

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'

----

'

e

-_

--

-: 'Por out~o 1ado;_ ~ de observar ai_nda quê muitos ãe,sse.i:i

.:ssps _são' ta.ryibém,_altamente revelad.óres de, capacãdade de e:itPr!!ssão

~r,t.Íst;i:Ça de êaniões e que a !111ªbeleza literária

acompanha ou iguil;.

yla:'i.1;>de .muitos outros lugares do Poema mais

Agostinho de Ma9edo, na obr?

i~ ll'r6prio '.rosf

cónhecãdos ou citados";'.

que· signifioàtiyamente ·

i:n,t~tu}o~. de ,''Cénilure,_das Lll;SÍadast1,·re.91mheceu, •.apesar Sisso, a -

Jj1'1>f'1111deza conceitos. e. a beleza fórmal dessas reflex~es·. Por

'Ííiw~vl:Í~.io.c'araeal·Sa.raiva.,.na-sua -"Ap9logia de CamÍÍes", oita~do

dos·

·i'~f-lÚé,le!!lbrà-que' "as_ el_oguentes -mora.lida,des. com que<º Poeta ter

\, fu.in~ qntise ,todJ;i;s,0s seus ca1ltos são porventura ,~--tra!bàlh_í;\dosda.sua obrai•.

e

os pa!JsÓs 'maís beiii -

e

-

-

'

-•-·_·.se:

esta, porta.nto,

deverá ser uma das, mat~rias dé éstudó

~e.·~·qf!LH11J.a:él.2spor11,

g-onheÇim,entz,e b?a explicação do P()entacomo também !!.brange po11tds :d~ -réalfzaçaó li1;erá:l'.ia de a.lto nível, importará agora demora, ; nos

isso que não s6 é; fundamental para o e:x:aeto

:CPºl15ͺ•Jnai~ s_obre as possibiÍidades

õ~_io!l, 110 que -

·r.:<.

>:-_'-'•_-

toca.

-

Ó, -.': :' :,.,

,-.

·. - -

---:'."\"'','-

••

é processos de ,actuàção .di- ·

estuQ.o.

-

_a este cà:P,ít11lo de

--

;; ·:

·-_

cer

>~;-~~ff'onemas'e ·epítetos, facilrrtente compreendidos _nó seu -'aigni=

·

. :e , .sem,q~vida, •()er:tos,eomentários breves e· sintéticoe,

,

.

ca.g:õ e•l!-t·ca,p.ce' IJâ:o Ôa.recem de exPlicaçÕes ou dei,tenvol'!imen,to

.ewpreta'ftvos.'' :Bastará: que· ó

~Ci!s>eo ~evf!!;a·de,teroiinã.r a sua :função pr6pria dentro da nàrra. - · s:i,!Ilo eÍu:1am~~13,ril:do inte-resse linea.r que esta pod.e euper 1;te'provocar para1 o a.pi)ófundament.odos factos eu pé-rsl)na::

profess-or 'alerte

o aluno para' tais

gene ·apre~ent~.'dp·s,.·num.•esb0Ço;d~

do Poeta, ou .cwta. 1dive:rien'fie por boas e ponlferada:s<razoes·•> ·~·

:·à)

penetração jii-dicatN~,'

i:~ai

r' \ \. Oiltr~e lí.tgares, rio ~entant.o, pela 'impo':rtihi~:Laâg s~ii'~;

péla>co111plelçi~ .

e.

>

,

s±grii~icaqo, pelo a.Lcance gas auaa reflexões,

de:.á.o~ seu.s ml>tivos,-çi:l.reeem•de .ateiição mais.·deimor~.da !}.e "'.".' ·

feita,' em çáeia/ .~. c()mentário rápi!}.o çcorrente. na.:'a.tila. não se~? ó p;

P():i,a, acpriselMveis: .ou eseie.lei:tur11 domést~ca há-de sez- cii:i'.'da-.z-:

tr<í,t~ment()'ma.i.scú:i,dado.·Urna, lei ti.ira apress1J.da .e supe:rficial

dt;>sa;menteprepareda, com ;eréviae interrogaçoeà orientado,:ra.s e . ·~· ~.s~'iO?l8,d.?.ras da .reflexao do -aLuno (de que este da.rá'co.zrta, in \ · diyl.!lual ()Ueni gr~po, oralmente ou ·por escr'ito) o.u a. l~iture:-ru<' •

do al].Írio rea;cÇões concordantes, diac9rdantes ou retic,entes, .crtl.~ "o ·;profe;ssóTse esforça.ré' por nele tornar racionà.lmente cr~teri9. sà.s ê legi.t:l.mainente fundàrÍienta.das, sem que para ta,nto se .demitã · do se.u pr6prio parecer ou deixe de contribuir, quando neéessá,;. rio' para· ci eiiciarecimento final de um problema •

aula h'á

-desel'

p.tente, f! colecti,va

capaz de pr-ovooar-da parte'

. nao totalmente ignorada da escola e.ntiga, _senvolvida, pela didáótica moderna;e cujos

ll)Uito dependem do tempo disponível, da capacidade da;turma,-, da.'

prepa i;açâoe

.

.A isto ee p~êsta:

evidentemente a técnica do debate,

mas ultimam.ent.e de'- efeitos forma,tivos

autodomínio do profes's~r, para 1?-ão11eimi~cµir

prejudicialmente, mas tambéin par-ã nao ééptico relativismo ou -indeterminaçíi:o

visão· esclarecida e 'uma opção consciente.

deixar em suspenso; em total, .o .que exige uma'

Pa'ra ta.is debÇ1.tesestão naturalmente 'indica'dos •quase.

'todos .os finais de canto- de "Ós Lusíadas" e alguns out:ros pa,ssós introdut6rios ou oonoIuaãvoe de,.movimentos mais gerais, d.a nàr,;. rativa, que já acima foram sinalizadoi;. Por vezes também,. é'

verde.de, uma simples estância j)idicativa,

três

ou quatro ver-

. seis. ccnce í.tuosoe , um breve ép:Í.fonemasentencioso poderão· oriL gi~ar, sem imiteis derramamentos, pequenos debates esc Lar-ece-,

dores •. Más, ,tanto num caao como,noutro, será oc<J.sionalmente, po·ssível ao professor riâo ficar por a.qui e completar. a sua IJ,c-· ·tuáçâ:o formativa, provocando nos ai'unos a s!ntE)se escrita. do '

' que foi'dito

e ápur-ado ou, pelo contrário,

encamânhe.ndc-Jdspii-

I'ª uma,pequena disserta.ção ora1 ou escrita, que tire quanto' pç)é. s!vel ao trâbalho destes o carácter de um exercício de elocuçâiõ ou de redacÇão meramente·.imposto.

, ~ !: que, se a prop6sito

de epis6dios salientes

da na.rr<'-

tiva. de "0.s

na estrutura. da sua. oomposí.çao , nas qua.lí.dades da sue e:x:pressa.,o;'-·1

'"rt:l'.eitica) se pode e deve orientar o a.l.uno para. a 'mah'ifEHita,çãoc-•·'

óralou; por .e~critodas

rrient(l.rdé'futliros

Lusfadi:i.s" ( depoi~ de estudados no seu signif'icad?,C'.·

suas àprec;iaçÕes, numà.têntati"a

~di,

;''

eneaí os de críticá: literária,

•tarnbé'rnem·tef~'

··

·. ção óom os pÓntos de que f'alltmos será aconae Lhãve.l,a Ílii;ia.e.I'1

de fílosofia moral, por muito el emerrtar- que ela seja, mas,,.tâ:q

_;,:.;·

J:.µ~!~d,aíf".•

que

tudo :i:sto Ô,everá, todavia,. ociÍpa.J.'no esfudo necessariá.mente t.erá de abranger oµ.t;ros a.s-.

, .'.·.····•··e sit~~:fazer· il,•putros

importa,ntes

objf)ctivo!l • s6

o•·pro:feis.:.

~~rd<li,túrma Pºde:rá

.iipi;o/ reso'].ução .proveitQ!llh. Pretender substituí-lo seria

ter ·ideia. clara. e razões concretas a,t:í.nentes a

utopic111men-

' tei engana,c1()r.Ma.s.t.a título de sugestão exemplificativa, qµe não •· '/ de: m2delo ou. pa,draQ de actu11ção do9ente, :faremos a~nda .algu.mas ;re.:

··•••Jf'10xoe.f!relativas.?·º

;i:pr?yeitament'Q de um paeeo do Poernà, no senti

'•il.P gq.e acíma se procurou definir •• será ele constituído

pelos qú.a--

,t:r()'ú;t.timos :vers~s .dl'J.est(tncia_número 105 e pela estê,ncia m!me;rq -:: 1Q6.d.o canto primeiro de. "Os·Lusíadas", .

·> \ .N~Sta '.1-ltura d.e estudo do Poema, os alunos térão i"7.

·~e::i.~d.e çme.a .~a.rrii.toi'<,ra.deste' canto .é cma.se toda Preenchida. pela

pPÍ>siç~o·e f<>.vordos

\ieuse:s. no. Ol~mpo,,pelas insÚg9.çÕes de ,Ba9Õ

.~ i11te;rvenç9e:sde Vémis,· n()' plan,omitol6gico,

enquarrto. no "Qlano

ti P;iiTal'lo.se à.esenvoJ.ve<a t~áiç?:o do XEtq;ttede Jfoçnmbiq:Úe.e. EU~·anun-. c; c:;la-,~§1.<do,Piloto que este• mesmo.deí::ç.aos na.vega.dores portugueses.

··,,Ji!'s·.oc<J,'s;i.ãodeo P()et11.inter:fe;r;i.r

•,,.é; Ptjl,'lsidera;r pelo p;ri.sma.··•a.as auaa

directamente na. nar;re.tiva e d,e re:f•lexÕes sobre a. it11iegur1mçaí

· .à;,i. yig.à. humana.

·

·

•.'.E$ta id.,eiá ceintJ:,ii.1,.··qu.e,·longe de, apr-eserrt ada , deVerá.

, sé~ if.e:duz:i.da,f>e1o,e!lf():t'ço··inte;!'pretat,ivo'd.os alunos enca.minJi.a.d()

e

ª·\1.X;i.l~a;dopeló professqr, se necessário, não. dispenst> contudo,

;~

ppr iss9 m~smo, a ()ónsi<l.eração c1ealguns pontos de

pormenor:

o~e.lá~ é)cp;licilotivo intt'õduzido pelo "que"

ocorrente

no '[)rincfpÍo do tercei;ro ver-se e o seu va l or- consecu-. tivo registado no penúltimo;

inco:t'réeçâo de "aonde" justificada.

pela

hist6rico-Unguística

dada. pelo px-of'essor;

o Vl'\l9r semâ.ntico de "apercebida" e de "necessida.de'', qµeizode.rão atraiçoa,x- o entendimento dos alunos,ain~

da. nao i:nteiramente :familia:t'izádos com a qláss;i.ca;

linguagem

~>'rEii,gµif'~ea~o.p:t'6prio do ;!;ermo!'humano" e a. ele.a.se

'mor:f'ol6gica .da palavra

da,:{conae querrte ,

AJ.0aiiça.c10irlto,J>o;érn' inÍ:~ric1f1.··a:ideia. principa1_e

esta "m lifeµ13e;t~mé!lt9s'Pa~;i.cula;!'eS. de. Siellif'i()a\faO,

ci processo exclamativo e i!lter;!'oga-

à• evidenciai

,.'·.

.'·

- --·

'.

.

.

l

tívó' do-Poeta é:a-:.t·epeticia ut±lizaÇão do qÚa •"tanto". !-!as·nàc;se deverá f'icar por aqÚí. Impor--

- ~ntar a naturãl ocorrllncía destes pro.ce.ssos·-est~

· SituaÇãe:,-:pi>ícol6gica de qÚe eles obvía.mente·deri

_

•ríii:>:ó's· alunos prenarados .para· rélerein expresàivame:rité

· de_pois d'e o terem' apreendido e séritido devidamente. '

'

··.,<--

,,:,·-<·:

-_:''_ <<_

_- >--_, -,.,;'

No en'j;an,to, as.relacionações

-

-

'

:

'd:--··-~

por ele provoóli;dás _

-l!l~i!longe~_Porveniiurá, terão" -Osalunos l,;idÓ7·numaci1nÇào tre Caríio:es;ide-ias setnelliantes a estas e aí terao sentido à apr senta-ção. individuai de uma situação_ agora general:i.zadá:. tà-rnb~m contra .o Póeta,- "na sua situação particular, o Cé~ as. Estr!'llaEI 'e :Fadô se·volvem·, "mostrantlo-se· -Potentes e indigna_tios/conira:· ·

terreno ,_/bicli-oda terra vil e tão pequeno~".

·

"Mas -será esta uma verdade

geral e- absolúta?

s~mpre rimbiclio :éa:l' so,bré -ª' miséria. _-super.l.or~_da,dedeste;

_vir e. prop6sito; _até os versos _de José· Régio, da 11.sã.·rça: A

tâ:o p-e-queno,/que nem sequer apr-en

> _s.erterreno" - poderão· _trazer 'a.,sua contribuiçãq~·-.Há,- .na _q p'oder·.ilo homemsobre o'Universo, há'.os ·aescobri;ilentos .d H€dia, \'S _invenções ·científtce.s da Ida.de Contempor5nee, .P

da terra _vil e. pequeno? O pensam·~ e à gràndez'a do homempoderá ser ainda.-ém fa_cé do maior oataclism_o, pod

_-•;;. "b.iélio-da· terra. vil e

ou 'PI'ováve.is_viagens interpla'netffrias

do _riundo·<>e.tua _

a-mbéma morte no céu,- na. terra. :riumaciâente-de viação, na. simules

ma.J>reve .de\>c<':r'gP· de energi<> el~ctricP.·. O homem-v:rtimP·âo ·

vf'.tCima·das suas pr6jlrÍPs' :tnvençÕes.: Em que fica.mos? !J.'em-

rà-zão? Níio '!;em ra7.Íio? Fa.rá.e l e um,,,'õ.firmB.g;;-,oà.tienas parciP

e no. mar, numà tef!Jpe'stade· troca. de um f!Jedica;mefnto

••

, verdàdeira e conveÍiiente p!'<,rPo téor .ds sua. narre.tiva.? ·

.-

.::

·-

-·-,

-.·:

.

·•.

·-·.

·.

Àssim'por ei;te ce~inhoou·por

<

-·-

.-'

.,·.··

.·.·,:

·

~utro de-ínten

lhartte-s se haverá.

.oriente.do o. debate e esclnecído ó p

·não será. a.gÓra.oca.si;;'o de os z-Luricsr-eunãr-em ideia.i;, cé

agp-ectol3-e :fa.zerempor e.scrito uma peqúena disnerteçâ:-0 ·Sl m1sériá, sobre à. grõ.nd~za ou sobre ? insegurane:a era.vidà.

sobr-e tudo isto? E nâ;o po·derâo servir de título ou sub

de início ou -de fecho, de centro polarizador de comentári! ·

Ou

ou maí,s destes ver-soá de· (Ja_rliões?

Nemse diga que deste modo se

peilsa:mt:lntàe o sentimento· do' a.Lujto• ."."lo.s, :provocá-los, enriquecll-101;1_de ter 'que_dber,. e a_ésejí-.ré PÍCócurar

:fé monotê:tàta,

cristã

e

.

.

a implícams

I,

21 e 65;

II,·

12,

42 e 104; .·

28 e 69; IV, 83, 86, 87; V, 12 e 68; VI, 75, (36,~ -

94; VII, 2, 47 e 49; VIII,

30, 45, 46 e 56;

15, 31, 79, 80r 81~ 8~.· 85 e 108•

.:.~oprovidenêíalísmo õu.o simples auxílio dívíno·, com.é>ín

terpretàção ·é e:X:í>lícaçãode fáctos hfst6rícós t, I,; 1); ·

J'I, 30;

Ü7;

VII, -31; :VIII, 18 é 29; IX, 5 e 15; X, 20, 29, 38,_ 40 ·

e 118.

IY; 3, .45, .66; V, 45, 60 e .85; VI, 55, 82.e

32,-:59

e 82;. III,- 20, 34; 73, 82, 109, 111, 112, -

:.·rntenÇões

e carácter cristãos .de ;i.lgumas

portiigúesas: V, 13;

VII, 14, 15 e 25~

_::O e.sf'o;ço cívilizadór

dos Port~esess

i A·hÍ:unl!>#ídadecqhtrapostà. à brutalidades

.81, 82, 86.;.v, 62: .

.

II;

46;

r, 49.;

/6 ~ A .Í!lóría,. unícá. e verdadeira rééompensa dos ·-·52 e 93; IV, 78, 19; VII, 56 e 85; ÍX, 39 e

--?.

.-·A beléhridáde '!)roduzida. pelos feitos:

H,

m~recida.r

portuguesa e, 32, 33; VIII;

83,

o

nor vezes,

B;

X, 140.

x,

·22.

imprtid~ncia

Os efeitoi;i sÕciafs da tirania:

VII, 8.

:21 "'-ÚS favQ,res. ou desfavores do Fado e da Fortunas

.e 44.; ÍI,

98; IIIj

120.; VI, 15 e 33.

.

.22 :;.A. fo~ça dá Necesj!JiUadesVIII, 7 e 63.

:23

24.

,.,4.

~danças

IV, 51; V, ,80.

_; O.a.provéitamento das b·oa.soportunidades:

~ Os de~coMertos

<li!. W~turez;!.1 III, 138.

I, 76.

-<Os erros•aqq.eestá.si+jei'l;o

o juízo humanos

27 -' A gI.6iia de mallMrs . IV,· 57.

'.28- Os erros provocados

29 _; Os tiiaus efe;ttos

pelo amors III,

119, 122,, i4o

VII, 8.

,l43;

v, 54; vr, 24·e 89; 1x, 20, 25, 26, 34, 35; x, 49 •.

da vida· de prazeres:

~o.,;Cbndenaçâo. dos desregramentos sensuaisr VII;

males da cobiça: VÍI, 62; VIII,

- Os efeit'os 1sedu.tores do

dinheiro:

- A :influência da educação paterna:

59, 92 e •94~

VIII, 6q.

III,

28.

34 _; A venera.ção 'd.os país.: UI, 33•.

- 35.- A condena.Çã,oda ~nversão do amor materno: III7

32•;.

36 ~A werdadei~a coraeem.: I,

68.

I A ;Lmpotência.da. ·córagem inimi{!.'ós: :rv, 35.

~:

'

1

'

••

.38 "'".o v~lor a.a: 01.lsa:a.ia.1 'rx, 69.

x, 54.

I, 39,

15.

;

A

facilidàde em.'encontrar. ·sepultura 1 V, 83•./

O

poder da:virtµde: ~· 55,

A

verdadeira-e " falsa virtudes X, 113!

Os -falsos missionár.ioss X, 119,

O amor e a. saudade da 16 e 17.

Pátria:

III, 21; V, 3; IX, 13;

dor do apar-tamerrto s IV, 93,

dos encontros em ·terra estrangeiras

VII, 27,

pelos coinpanhéiros de empresa: v, 83.

conf'Lança nos amigost VIII,

85,

provas sociais de amizade: VIII,

62.

O sent:i\io presságico da vidas I, 84,

Os receids provocados pelas pr6pria.s intenções maldo-

sas:

II, 9,

credulidade ne.tural nos. bem intenciona.dosi rr, .16,

.os pe:r:igos: ÍV, 29,

a eapez-anças VIII, 66,

por, vezes único estímulo: V, 66,

desEÍspero: V, 70 e 71,