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Teoria das estruturas II

Arthur Rosinski do Nascimento


© 2017 by Universidade de Uberaba

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Pró-Reitor de Educação a Distância


Fernando César Marra e Silva

Coordenação de Graduação a Distância


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Editoração e Arte
Produção de Materiais Didáticos-Uniube

Projeto da capa
Agência Experimental Portfólio

Edição
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário

Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE

Nascimento, Arthur Rosinski do.


N17t Teoria das estruturas II / Arthur Rosinski do Nascimento. –
Uberaba: Universidade de Uberaba, 2016.
213 p. : il.

Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba.


ISBN: 978-85-7777-568-2

1. Teoria das estruturas. 2. Estruturas estaticamente


indeterminadas. I. Universidade de Uberaba. Programa de
Educação a Distância. II. Título.
CDD 624.171
Sobre o autor
Arthur Rosinski do Nascimento

Possuo graduação em Engenharia Civil pela Universidade Estadual


de Maringá (2011). Sou especialista em Gerenciamento de Projetos
pela Universidade Estadual de Maringá (2013). Atualmente, estou
cursando mestrado em Engenharia Civil, na área de Estruturas, pela
Universidade estadual de Maringá (início em 2015).
Sumário
Capítulo 1 Apresentação do método dos deslocamentos................9
1.1 Método dos deslocamentos.............................................................................. 11
1.1.1 Exemplo de aplicação 1 (MARTHA, 2010)............................................. 19

Capítulo 2 Método dos deslocamentos com simplificações de


deslocabilidades................................................................................29
2.1 Simplificações de deslocabilidades.................................................................. 30
2.1.1 Exemplo de aplicação 2 (SUSSEKIND, 1987)....................................... 40
2.1.2 Exemplo de aplicação 3 (SORIANO, 2006)........................................... 48

Capítulo 3 Método dos deslocamentos aplicado em pórticos planos......59


3.1 Exemplos de aplicação em pórticos planos..................................................... 60
3.1.1 Exemplo de aplicação 4 (MARTHA, 2010)............................................. 60

Capítulo 4 Método dos deslocamentos aplicado em grelhas..........81


4.1 Método dos deslocamentos aplicado em grelhas............................................ 82
4.1.1 Incógnitas do problema........................................................................... 82
4.1.2 Número de incógnitas – Deslocabilidade interna................................... 83
4.1.3 Número de incógnitas – Deslocabilidade externa.................................. 84
4.1.4 Grandezas Fundamentais....................................................................... 84
4.1.5 Exemplo de aplicação 5 (MARTHA, 2010)............................................. 85
4.1.6 Exemplo de aplicação 6 (SUSSEKIND, 1987)....................................... 98

Capítulo 5 Método dos deslocamentos aplicados em barras


inclinadas e barras com rigidez infinita..............................................115
5.1 Método dos deslocamentos aplicado a barras inclinadas............................... 116
5.1.1 Exemplo de aplicação 7 (MARTHA, 2010)............................................. 117
5.2 Método dos deslocamentos aplicado a barras infinitamente rígidas............... 127

Capítulo 6 Método dos deslocamentos aplicado em estruturas com


deslocamentos prescritos..................................................................139
6.1 Método dos deslocamentos aplicado em estruturas com deslocamentos
prescritos................................................................................................................. 140
6.1.1 Exemplo de aplicação 9 (OLIVEIRA JÚNIOR)....................................... 141
6.1.2 Exemplo de aplicação 10 (OLIVEIRA JÚNIOR)..................................... 152

Capítulo 7 Processo de cross...........................................................165


7.1 Processo de cross............................................................................................ 166
7.1.1 Exemplo de aplicação 11 (SORIANO, 2006).......................................... 178
7.1.2 Exemplo de aplicação 12 (SORIANO, 2006)......................................... 183

Capítulo 8 Introdução à análise matricial de estrutura – método da


rigidez direta.......................................................................................189
8.1.1 Sistema de Coordenadas Generalizadas............................................... 191
8.1 Método da rigidez direta................................................................................... 191
8.1.2 Matriz de rigidez de uma barra no sistema local.................................... 192
8.1.3 Matriz de rigidez local no sistema global................................................ 195
8.1.4 Montagem da matriz de rigidez global.................................................... 198
8.1.5 Montagem das cargas nodais combinadas no vetor das forças
generalizadas globais...................................................................................... 203
8.1.6 Imposição de equilíbrio aos nós isolados............................................... 208
8.1.7 Consideração das condições de apoio................................................... 209

CONCLUSÃO......................................................................................................... 212
REFERÊNCIAS...................................................................................................... 213
Apresentação
As estruturas hiperestáticas são estruturas indeterminadas utilizan-
do-se somente as equações da estática. Portanto, a análise destas
estruturas é feita utilizando técnicas mais elaboradas para que se
possam calcular todas as variáveis do problema.

O estudo das estruturas estaticamente indeterminadas é o


conteúdo que vem na sequência das estruturas isostáticas e
resistência dos materiais, pois os grandes métodos de aná-
lises de estruturas usam estruturas auxiliares isostáticas na
qual é possível o cálculo das deformações para nas superpo-
sições de forças ou deslocamentos obter resultados da es-
trutura real. Desta forma, torna-se imprescindível que o leitor
tenha conhecimentos básicos destas disciplinas.

Os dois principais métodos de análise são o Método das Forças


e o Método dos Deslocamentos. Este conjunto de capítulos tem a
intenção de apresentar o segundo método apresentado anterior-
mente. Tal método, por sua simplicidade e única forma de solução,
tem sido muito utilizado em análises de estruturas feitas tanto ma-
nualmente, quanto por computadores.

Assim, a sequência dos assuntos abordados neste material está


apresentada a seguir.

O primeiro capítulo apresentará os principais conceitos na qual se


baseia o Método dos Deslocamentos, sendo este, um método de
análise de estruturas hiperestáticas.
O Capítulo II apresentará as simplificações permitidas nas estru-
turas para facilitar a análise manual, podendo assim, o engenhei-
ro avaliar o comportamento das estruturas rapidamente mediante
cálculos simples apresentando exemplos de vigas hiperestáticas
resolvidas. O terceiro capítulo demonstrará um exemplo de análise
pelo Método dos Deslocamentos de pórtico plano.

O quarto capítulo exporá as considerações que devem ser feitas


para a análise de estruturas do tipo grelha pelo Método dos Deslo-
camentos, utilizando-se de vários exemplos resolvidos para fixação
do assunto. O quinto capítulo fará a análise de estruturas planas
que possuem barras inclinadas ou com rigidez muito elevadas, po-
dendo considerá-las rígidas.

No Capítulo VI serão expostos exemplos de análise de estruturas hi-


perestáticas que estão submetidas a recalques de apoios. O Capítulo
VII abordará o Processo de Cross, técnica de análise que utiliza os
conceitos do Método dos Deslocamentos para o cálculo manual de
estruturas sem o uso de equações de equilíbrio, consistindo em um
método iterativo de análise estrutural. E no último capítulo, será exi-
bido o Método da Rigidez Direta, ou Análise Matricial de Estruturas,
desenvolvido para a implementação computacional que trata ampla-
mente as estruturas hiperestáticas, com todos os seus graus de liber-
dade, sem a consideração das possíveis simplificações e com suas
restrições de deslocamentos impostos pelos apoios.
Apresentação do método
Capítulo
1
dos deslocamentos

Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Este capítulo foi desenvolvido conforme teorias e exemplos
de aplicação apresentados nos livros de Martha (2010) e
Soriano (2006), feitas as devidas considerações do autor
deste material.
A análise estrutural é a etapa do projeto estrutural em que é feita
a idealização do comportamento da estrutura. De uma maneira
geral, ela tem como objetivo a determinação de esforços
internos e externos, e das correspondentes tensões, bem
como a determinação dos deslocamentos e correspondentes
deformações da estrutura que está sendo projetada.
As metodologias de cálculo são procedimentos matemáticos
que resultam das hipóteses adotadas na concepção do
modelo estrutural. As condições matemáticas que o modelo
estrutural tem que satisfazer para representar adequadamente
o comportamento da estrutura real podem ser dividas nos
seguintes grupos:
• Condições de equilíbrio;
• Condições de compatibilidade entre deslocamentos e
deformações;
• Condições sobre o comportamento dos materiais que
compõem a estrutura.
A imposição destas condições é a base dos métodos da
análise estrutural, isto é, as formas como essas condições
10 UNIUBE

são impostas definem as metodologias dos chamados


Métodos Básicos da Análise de Estruturas: Método das
Forças e Método dos Deslocamentos.
Este capítulo está direcionado para a análise de estruturas
reticuladas hiperestáticas, por meio do Método dos
Deslocamentos, e parte do princípio que você, aluno(a),
tenha conhecimentos de análise de estruturas isostáticas e
resistência dos materiais.

Objetivos
• Revisar o conteúdo de análise de estruturas isostáticas
pelo Princípio dos Deslocamentos Virtuais, a fim de, ao
concluir a disciplina, o (a) aluno(a) poder ter condições
de avaliar qualquer estrutura, seja ela isostática ou
hiperestática;
• Apresentar alguns conceitos fundamentais do Método
dos Deslocamentos;
• Organizar a metodologia para avaliação de uma estrutura
hiperestática qualquer;
• Compreender, mediante exemplos de cálculo o uso do
Método dos Deslocamentos.

Esquema
• Método dos Deslocamentos
• Exemplo de aplicação 1
UNIUBE 11

1.1 Método dos deslocamentos

A metodologia de análise do método consiste em “somar uma série


de soluções básicas (chamadas de casos básicos) que satisfazem
as condições de compatibilidade, mas não satisfazem as condi-
ções de equilíbrio da estrutura original, para na superposição, res-
tabelecer as condições de equilíbrio” (MARTHA, 2010, p.299).

Figura 1 – Configuração deformada de um pórtico plano forma-

da pela superposição de configurações deformadas elementares

Fonte: Martha (2010, p.300)

Na Figura 1, a configuração deformada elementar do caso (0) iso-


la o efeito da solicitação externa (carregamento), sendo que essa
configuração deformada é tal que os nós (extremidades das bar-
ras) da estrutura apresentam deslocamentos e rotações nulos. A
configuração deformada nesse caso corresponde à situação de
engastamento perfeito da viga (barra horizontal) devida à carga
12 UNIUBE

uniformemente distribuída aplicada. As demais configurações de-


formadas mostradas nessa figura, dos casos (1) a (7), correspon-
dem a imposições de deslocamentos e rotações nodais isolados.

A superposição de configurações deformadas mostrada na Figura


1 indica que a configuração deformada final de uma estrutura re-
ticulada pode ser parametrizada pelas componentes de desloca-
mentos e rotações dos nós da estrutura.

Com base nisso, a seguinte definição é feita: “Deslocabilidades são


as componentes de deslocamentos e rotações nodais que estão
livres, isto é, que devem ser conhecidas para determinar a configu-
ração deformada de uma estrutura” (MARTHA, 2010, p.300).

O modelo estrutural utilizado nos casos básicos é o de uma es-


trutura cinematicamente determinada obtida a partir da estrutura
original pela adição de vínculos na forma de apoios fictícios. Esse
modelo é chamado de Sistema Hipergeométrico (SH).

Os apoios fictícios adicionados à estrutura para impedir as deslocabili-


dades são numerados de acordo com a numeração das deslocabilida-
des, isto é, o apoio 1 impede a deslocabilidade D1, e assim por diante.

Figura 2 - Sistema Hipergeométrico do pórtico plano da Figura 1

Fonte: Martha (2010, p.301)


UNIUBE 13

O sistema hipergeométrico é utilizado para isolar as diversas com-


ponentes cinemáticas da estrutura, isto é, isolar os efeitos de cada
uma de suas deslocabilidades.

A base da discretização do problema analítico-estrutural pelo método


dos deslocamentos está na existência de soluções fundamentais para
barras isoladas. Estas soluções baseiam-se no fato de que, conhe-
cendo a configuração deformada de uma barra e a solicitação externa
que atua em seu interior, é sempre possível determinar os esforços
internos na barra e as forças e momentos que devem atuar em suas
extremidades para mantê-la em equilíbrio isoladamente.

A configuração deformada elementar de cada caso básico é impos-


ta por meio de forças e momentos fictícios que atuam nas direções
das deslocabilidades. O equilíbrio final da estrutura é garantido im-
pondo-se, na superposição dos casos básicos, valores nulos para
essas forças e momentos fictícios.

SINTETIZANDO

No caso (0), as forças e momentos fictícios são os termos de car-


gas , que equilibram a estrutura na configuração deformada de
engastamento perfeito.

Nos casos (j), as forças e momentos fictícios são coeficientes de


rigidez globais , que equilibram a estrutura em uma configuração
deformada tal que a deslocabilidade e as demais são nulas.
14 UNIUBE

O ponto de partida para a determinação dos termos de carga no caso


(0) é a situação de engastamento perfeito em que todas as desloca-
bilidades são mantidas fixas. O cálculo dos termos de carga é obtido
mediante o Método das Forças ou por meio de tabelas de engasta-
mento perfeito como a Tabela 1 a seguir, retirada de Pinheiro (2010).
Mediante as reações de momento fletor, pode-se, a partir das equa-
ções de equilíbrio, realizar o cálculo das reações verticais.
UNIUBE 15

Tabela 1 – Momentos de engastamento perfeito


16 UNIUBE

Tabela 01 – Momentos de engastamento perfeito

Fonte: Pinheiro (2010, pp.6-7)


UNIUBE 17

Para a determinação dos coeficientes de rigidez globais dos casos


(j), o ponto de partida é uma configuração deformada elementar
conhecida de cada caso básico. O conceito adotado para se de-
terminarem os coeficientes de rigidez globais de um caso básico é:

dada uma configuração deformada de um modelo


estrutural do qual se conhecem todas as desloca-
bilidades, é sempre possível determinar as forças
e momentos que, atuando nas direções das des-
locabilidades, equilibram o modelo na configura-
ção deformada imposta (MARTHA, 2010, p.332).

Os coeficientes de rigidez globais de cada caso básico (j) são de-


terminados a partir de coeficientes de rigidez locais associados à
configuração deformada a que cada barra é submetida na imposi-
ção da configuração deformada do caso básico. Os coeficientes de
rigidez locais são determinados a partir de soluções fundamentais
para barras isoladas, determinadas pelo princípio dos deslocamen-
tos virtuais, conforme ilustra a Figura a seguir.

Figura 3 - Coeficientes de rigidez local axial de uma barra isolada

Fonte: Martha (2010, p.276)


18 UNIUBE

Figura 4 - Coeficientes de rigidez local à fle-

xão de uma barra isolada sem articulação

Fonte: Martha (2010, p.278)

Figura 5 - Coeficientes de rigidez local à torção de uma barra isolada

Fonte: Martha (2010, p.285)

Figura 6 – Coeficientes de rigidez local à flexão de

uma barra com articulação na esquerda

Fonte: Martha (2010, p.281)


UNIUBE 19

As equações finais do Método dos Deslocamentos expressam o equi-


líbrio dos nós da estrutura nas direções das deslocabilidades. Por
isso, é conveniente introduzir uma convenção de sinais para forças
e momentos que facilite a definição de condições de equilíbrio. Isto
vai acarretar uma nova convenção de sinais para esforços normais,
esforços cortantes e momentos fletores em quadros planos.

Tabela 2 - Convenção de sinais adotada para quadros


planos no Método dos Deslocamentos

Fonte: Martha (2010, p.308)

1.1.1 Exemplo de aplicação 1 (MARTHA, 2010)

Determine o diagrama de momentos fletores do pórtico hiperestáti-


co sabendo que a relação entre a área e o momento de inércia das
barras da estrutura é (A/I=2 m-2).
20 UNIUBE

Figura 7 – Exemplo 1.0

Fonte: Martha (2010, p.315)

O primeiro passo é identificar as deslocabilidades dos nós da estru-


tura e definir o Sistema Hipergeométrico.

A princípio, temos três nós a serem analisados, dois apoios e um en-


contro entre as duas barras. Os apoios são engastes e, portanto, não
possuem nenhuma deslocabilidade. Já o nó que une a barra horizontal
com a vertical, não tem nenhuma restrição quanto aos deslocamen-
tos. Por se tratar de uma estrutura plana, este nó possui três desloca-
mentos, o horizontal, o vertical e a rotação, sendo identificados como
deslocabilidades D1, D2 e D3, respectivamente, conforme Figura 8.
Na mesma figura é apresentado o sistema hipergeométrico, no qual
se busca impedir todos os deslocamentos possíveis com a inserção
de apoios fictícios. O apoio de primeiro gênero horizontal impede a
deslocabilidade D1, o vertical a D2 e a chapa rígida a D3.

Figura 8 – Exemplo 1.1

Fonte: Martha (2010, p.315)


UNIUBE 21

Os casos básicos utilizam o sistema hipergeométrico como estrutu-


ra auxiliar, por meio da qual os efeitos isolados são impostos.

Caso (0) – Solicitação externa (carregamento) isolada no SH

O caso (0) isola o efeito da solicitação externa, isto é, do carrega-


mento aplicado. Dessa forma, as cargas externas são aplicadas no
SH com D1=0, D2=0 e D3=0. Nesse caso, as forças e os momen-
tos que aparecem nos apoios fictícios são os termos de cargas.

Figura 9 – Exemplo 1.2

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O primeiro índice do termo de carga β refere-se ao número de or-


dem da deslocabilidade. O segundo índice, ao número do caso
(zero neste caso). Os sentidos de orientação dos termos de carga
são sempre no sentido positivo, conforme Tabela 2 de convenção
de sinal. O sentido correto é determinado pelo sinal do termo, con-
forme reação calculada.

O cálculo do termo de carga é feito mediante a tabela de momento


fletor para vigas engastadas (Tabela 1), seguida da aplicação das
22 UNIUBE

equações de equilíbrio. No caso (0) o carregamento da tabela de


momentos, para as duas barras, corresponde à linha 9 da Tabela
1, fazendo a distância “a” igual a zero. A parte direita da Figura 9
apresenta os valores das reações em cada apoio.

O valor do termo de carga é o somatório das reações na direção


das deslocabilidades. Neste caso, o termo de carga é igual
ao somatório das reações das duas barras que estão na direção
da deslocabilidade D1 (horizontal). O mesmo raciocínio é se-
guido para obtenção do valor do , só que para a direção de
D2 (vertical). O é o somatório dos momentos fletores no nó
em que é aplicada a chapa (vínculo fictício), por tratar-se de um
deslocamento do tipo rotação.

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

Figura 10 – Exemplo 1.3

Fonte: Martha (2010, p.316)


UNIUBE 23

O caso (1) isola o efeito da deslocabilidade D1, mantendo nulos os


valores das outras. Conforme indicado na Figura 10, a deslocabilidade
D1 é colocada em evidência. Considera-se um valor unitário para D1,
sendo o efeito de D1=1 multiplicado pelo valor final que D1 deverá ter.

O primeiro índice do coeficiente de rigidez global K refere-se ao nú-


mero de ordem da deslocabilidade. O segundo índice, ao número
do caso (um neste caso). O sentido de orientação dos termos de
carga é sempre no sentido positivo, conforme tabela de convenção
de sinal. O sentido correto é determinado pelo sinal do termo, con-
forme reação calculada.

Os coeficientes de rigidez global são obtidos em funções de coefi-


cientes de rigidez de barras isoladas. Estes termos são chamados
de coeficientes de rigidez locais, calculados de acordo com as so-
luções fundamentais, conforme apresentado nas Figuras 11 a 14.

Observa-se na Figura 10 como os coeficientes de rigidez locais


das barras contribuem para os coeficientes de rigidez globais da
estrutura. Por exemplo, a força K11, que deve atuar na direção glo-
bal de D1 para dar configuração deformada onde D1=1, é obtida
pela soma do coeficiente de rigidez axial EA/6 da barra horizontal
com o coeficiente de rigidez transversal 12EI/(4³) da barra vertical.
Vê-se também que em nenhuma das duas barras aparecem for-
ças verticais no nó deslocado para dar a configuração deformada
imposta. Assim, não há contribuição para o coeficiente de rigidez
global K21, o que resulta em um valor nulo. De forma análoga, o
coeficiente de rigidez global K31 recebe uma contribuição nula da
barra horizontal, pois esta sofre apenas uma deformação axial, e
uma contribuição do momento 6EI/42 vindo da barra vertical.

Nos casos seguintes, os coeficientes de rigidez global são calcula-


dos de forma análoga.
24 UNIUBE

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

Figura 11 – Exemplo 1.4

Fonte: Martha (2010, p.317)

Caso (3) – Deslocabilidade D3 isolada no SH

Figura 12 – Exemplo 1.5

Fonte: Martha (2010, p.317)


UNIUBE 25

O equilíbrio da estrutura é restabelecido quando se anulam os efei-


tos dos apoios fictícios do SH. A partir dos resultados obtidos nos
casos mostrados anteriormente, pode-se utilizar a superposição
dos casos para restabelecer as condições de equilíbrio do nó in-
terior. As resultantes de forças e momentos externos nesse nó de-
vem ser nulas como feito a seguir.

Podem-se generalizar esses resultados, escrevendo uma equação


de equilíbrio na direção da deslocabilidade Di, para uma estrutura
com n deslocabilidades.

Esse sistema de equações resulta em soluções das deslocabilida-


des em função do EI.
26 UNIUBE

Reflita
A configuração deformada final da estrutura é mostrada na Figura
13. Observa-se que os sinais dos deslocamentos e da rotação são
consistentes: D1 é positivo (da esquerda para a direita), D2 é nega-
tivo (de cima para baixo) e D3 é negativo (sentido horário).

Figura 13 – Exemplo 1.6

Fonte: Martha (2010, p.318)

Uma vez determinados os valores das deslocabilidades, os diagra-


mas finais de esforços da estrutura do exemplo em estudo também
podem ser obtidos pela superposição dos diagramas de cada um
dos casos básicos. Por exemplo, os momentos fletores finais (M)
podem ser obtidos pela superposição dos diagramas de momentos
fletores (Mi) dos casos básicos:

Sendo que M corresponde ao momento real da estrutura no nó que


se deseja calcular, o ao momento neste mesmo nó do caso (0) e
os momentos e ao momento neste mesmo nó dos casos
(1), (2) e (3), respectivamente.
UNIUBE 27

IMPORTANTE!

Esse resultado pode ser generalizado para todos os esforços


internos – esforços normais finais (N), esforços cortantes fi-
nais (Q) e momentos fletores finais (M) – de uma estrutura
com n deslocabilidades:

Para que se possam aplicar as fórmulas anteriores, é preciso, em


todos os casos básicos, calcular as forças e momentos atuantes
em todos os nós da estrutura.

Considerações finais

O Método dos Deslocamentos apresentado neste capítulo é um dos


métodos de análises de estruturas hiperestáticas mais utilizados na
engenharia. Como se pôde verificar, é fácil a identificação das in-
cógnitas do problema. Estas são as deslocabilidades, ou graus de
liberdade, dos nós da estrutura. Isto faz com que haja apenas um
único conjunto solução para os problemas hiperestáticos, uma vez
que, dependendo do tipo de estrutura, os graus de liberdade nos
nós serão sempre os mesmos.
28 UNIUBE

Estruturas do tipo pórticos planos possuem três graus de liberdade


por extremidade de barras. Já as treliças possuem dois graus de
liberdade. Estruturas espaciais, seis graus de liberdade. Isto faz
com que se torne fácil a montagem dos sistemas de equilíbrios que
devem ser satisfeitos.

Em contrapartida, estruturas complexas, com muitas ligações entre


barras, haverá muitas incógnitas na solução do problema. Isto é
uma das principais desvantagens do método. Porém, como será
visto nos próximos capítulos, existem técnicas para que se possam
reduzir as deslocabilidades da estrutura.

Importante frisar que o Método dos Deslocamentos parte de casos


básicos que satisfazem as condições de compatibilidade, ou seja, há
continuidade de deslocamentos, para, na superposição dos efeitos,
retornar a condição de equilíbrio dos nós. Desta forma, esse método
segue processos contrários ao aplicado no Método das Forças, sendo
assim, métodos considerados duais na análise de engenharia.
Método dos
Capítulo
2
deslocamentos com
simplificações de
deslocabilidades
Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Como pode ser percebida, a análise de estruturas pelo Método
dos Deslocamentos é feita a partir de um sistema hipergeométrico
único em que são restringidas todas as deslocabilidades dos
nós da estrutura. Não há outro sistema hipergeométrico que
possa ser atribuído ao problema. Já no Método das Forças, há
diversos sistemas principais que solucionam a análise. Devido
a isto é que os programas computacionais utilizam o Método
dos Deslocamentos nas análises automáticas.
Entretanto, conforme os números de ligações entre barras
aumentam, os números de incógnitas do problema a
ser resolvido pelo Método dos Deslocamentos também
aumentam, tornando os cálculos manuais muito trabalhosos.
Assim, de forma a facilitar os cálculos manuais, sem provocar
resultados muito divergentes e confiáveis, são adotadas
algumas simplificações para conseguir reduzir o número de
deslocabilidades de uma estrutura. No decorrer deste capítulo
serão explicadas cada uma delas e apresentados vários
exemplos de aplicação para melhor compreensão do assunto.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e
exemplos de aplicação apresentados nos livros de Martha
(2010), Sussekind (1987) e Soriano (2006), feitas as devidas
considerações do autor deste material.
Objetivos
• Apresentar todas as simplificações existentes
que podem ser adotadas para auxiliar no cálculo
manual de estruturas hiperestáticas pelo Método dos
Deslocamentos;
• Compreender a notável diferença de esforço de
cálculo quando se considera, ou não, as simplificações
possíveis;
• Apresentar o conceito de contraventamento e como ele
ajuda a identificar as deslocabilidades de uma estrutura;
• Apresentar exemplos de aplicações da metodologia de
cálculo para vigas contínuas.

Esquema
• Simplificações de Deslocabilidades
• Exemplo de aplicação 2
• Exemplo de aplicação 3

2.1 Simplificações de deslocabilidades

A aplicação do método dos deslocamentos para a resolu-


ção manual de uma estrutura é muito trabalhosa devido ao
número excessivo de incógnitas (deslocabilidades) que re-
sulta da solução, mesmo para estruturas simples, e à com-
plexidade na consideração de barras inclinadas.

Para solução manual dos problemas de estruturas, são introduzi-


das simplificações no comportamento das barras com respeito às
suas deformações.

As simplificações adotadas são as seguintes:


UNIUBE 31

a. Eliminação dos trechos em balanços;

b. Consideração de barras inextensíveis;

c. Eliminação das deslocabilidades do tipo rotação de nós quan-


do todas as barras adjacentes são articuladas no nó.

A primeira simplificação é um macete de cálculo, visto que os tre-


chos em balanços podem ser calculados como uma estrutura isos-
tática engastada no ponto de contato com a estrutura.

Figura 14 – Separação do trecho em balanço de um pórtico plano

Fonte: Martha (2010, p.333)

A segunda simplificação é muito adotada nas análises de estrutu-


ras, assim como o Método das Forças faz. Esta simplificação con-
sidera que as barras não se deformam axialmente. Isto quer dizer
que os dois nós extremos de uma barra só podem se deslocar
relativamente na direção transversal ao eixo da barra, ou en-
tão que a distância, na direção do eixo indeformado, entre os
dois nós extremos de uma barra não se altera quando esta se
deforma transversalmente.
32 UNIUBE

Figura 14 – Redução do número de deslocabilidades para o pórtico da Figura 1


Fonte: Martha (2010, p.334)

Seja, então, a barra AB indicada na Figura 15, representando uma


barra genérica de uma estrutura: devido aos esforços que solicitam
a barra, ela se deformará assumindo a posição A’B’. A passagem
da posição AB para a posição A’B’ pode ser encarada como resul-
tante das seguintes deformações, independentes umas das outras:

Figura 15 – Deslocamentos em uma barra genérica da estrutura

Fonte: Sussekind (1987, p.2)


UNIUBE 33

Concluindo, basta conhecer os valores de , e para obter-


mos o diagrama de momentos fletores e, a partir dele, os demais
diagramas solicitantes para uma barra de uma estrutura, já que a
translação da barra não introduz qualquer esforço na mesma.

A terceira simplificação pode ser adotada, pois uma rótula, na qual con-
vergem duas barras, articula as seções adjacentes de ambas as barras,
ou seja, o momento fletor em todas as extremidades em uma ligação
rotulada é igual a zero. Assim, não é necessária a inserção do vínculo
fictício do tipo chapa para impedir a rotação na ligação rotulada.

Aqui faremos a seguinte classificação entre os tipos de


deslocabilidades:

a. Deslocabilidades internas: são do tipo rotação;

b. Deslocabilidades externas: são do tipo translação;

c. di: número de deslocabilidades internas;

d. de: número de deslocabilidades externas.

Seja a estrutura da Figura 16. Sabemos que as incógnitas do pro-


blema são as rotações e deslocamentos lineares dos nós B e C, já
que os engastes A e D não sofrem deformações.

Figura 16 – Exemplo teórico

Fonte: Sussekind (1987, p.5)


34 UNIUBE

No caso, entretanto, o nó C não apresenta deslocamentos lineares, pois


o apoio de primeiro gênero impede a componente vertical e o engaste D,
a componente horizontal (consideração de barras inextensíveis) de des-
locamento. Assim, a única incógnita do nó C será sua rotação.

Também o nó B não apresentará deslocamentos lineares, pois suas


componentes vertical e horizontal serão impedidas, respectivamen-
te, pelos engastes A e D (consideração de barras inextensíveis), de
modo que a única incógnita, também no nó B, será a rotação.

Concluindo, o número de incógnitas do problema é igual a dois,


número de nós internos rígidos (não rotulados) da estrutura.

Dizemos que o número de deslocabilidades internas de uma estrutura


plana é igual ao número de rotações de nós que precisamos conhecer
para poder resolvê-la. Em outras palavras, o número de deslocabilida-
des internas (di) de uma estrutura é igual ao número de nós internos
rígidos que ela possui (não incluindo os nós extremos apoiados ou
engastados e, evidentemente, os nós internos rotulados).

Seja agora, a estrutura da Figura 17. Como todos os seus


nós internos são rotulados, não precisamos conhecer as
rotações das barras nestes nós (em outras palavras, não há
deslocabilidades internas a considerar). Resta-nos analisar
o problema dos deslocamentos lineares dos mesmos para
conhecemos o número de incógnitas do problema. Iniciando
esta análise pelo nó D, vemos que ele não terá componente
vertical de deslocamento, devido a presença do engaste
A (consideração de barras inextensíveis que despreza as
deformações axiais); nada impede, no entanto, seu deslo-
camento na direção horizontal, que se constituirá na primei-
ra incógnita do problema. Para caracterizar esta incógnita,
indicaremos um apoio do primeiro gênero em D (ver parte
UNIUBE 35

direita da figura a seguir), mostrando que seria necessária


a existência de mais um vínculo na estrutura para que o nó
D não possuísse deslocabilidades lineares.

Figura 17 – Exemplo teórico

Fonte: Sussekind (1987, p.6)

Tudo que foi feito para o nó D vale, também, para o nó G, que pode
se deslocar na direção horizontal (o deslocamento vertical estando
impedido pelo engaste C); para caracterizar esta nova incógnita, in-
dicaremos um apoio de primeiro gênero em G, mostrando que seria
necessária a existência de mais este vínculo na estrutura para que
o nó C não possuísse deslocabilidades lineares.

Assim, caso existissem os apoios adicionais de primeiro gênero (1)


e (2) indicados na Figura 17, os nós D e G seriam indeslocáveis
linearmente, o que acarretaria, também, a indeslocabilidade linear
dos nós E e F, de acordo com os conceitos de contraventamento e
as regras da triangulação, que são, segundo Martha (2010):

1. Um nó que estiver ligado a dois nós fixos à translação por duas


barras inextensíveis não alinhadas também fica fixo à translação;

2. Um conjunto de barras inextensíveis agrupadas em uma trian-


gulação se comporta como um corpo rígido.
36 UNIUBE

Explicando o exemplo citado, como o nó E está ligado a dois nós


fixos por duas barras inextensíveis (sendo o nó B fixo pelo engaste
e o nó D fixo pelo engaste em A e pelo apoio fictício de primeiro
gênero [1]), também fica fixo à translação.

A mesma análise vale para o nó F que está ligado a dois nós fixos
(E e G) por barras inextensíveis.

Definiremos, então, que número de deslocabilidades externas (de)


de uma estrutura é igual ao número de apoios do primeiro gênero
que a ela precisamos acrescentar para que todos os seus nós fi-
quem sem deslocamentos lineares.

Observações:

a. No caso da estrutura da figura anterior, os nós D, E, F, G terão des-


locamentos horizontais (que seriam, à primeira vista, as incógnitas
do problema), mas apenas os deslocamentos dos nós D e G são
incógnitas independentes (pois o deslocamento horizontal de E, por
estar ligado a D por uma barra horizontal, será igual ao de D; e o
deslocamento horizontal de F, por estar ligado a E e G, será função
dos deslocamentos destes dois pontos e, portanto, em última aná-
lise, dos deslocamentos de D e G). Assim, o número de incógnitas
independentes do problema (que é o número de deslocabilidades
externas da estrutura) é apenas 2.

b. É usual chamar-se às estruturas que possuem deslocabilida-


des externas de estruturas deslocáveis, e aquelas que não as
possuem (mesmo tendo deslocabilidades internas) de estru-
turas indeslocáveis.

Como as incógnitas do problema são as rotações dos nós internos


rígidos da estrutura (traduzidas pelo valor di) e os deslocamentos
UNIUBE 37

lineares independentes de seus nós (traduzidos por de), dizemos


que o número total de deslocabilidades d de uma estrutura (igual
ao número total de incógnitas de sua resolução pelo método das
deformações) é dado pela soma de seu número de deslocabilida-
des interna (di) e externa (de). Podemos, então, escrever:

Para melhor entender os conceitos do contraventamento, analisa-


remos os exemplos a seguir.

Figura 18 - SH de um pórtico com dois pavimentos sem barras diagonais

Fonte: Martha (2010, p.343)

Da Figura 18 (pórtico com dois pavimentos sem contraventamen-


to), sabe-se que o número de deslocabilidade interna é igual ao
número de nós internos rígidos que ela possui (não incluindo os
nós extremos apoiados ou engastados e, evidentemente, os nós
internos rotulados). Assim di é igual a 4, sendo representados pelos
apoios fictícios no SH mostrado na parte direita da figura.

Os engastes dos pilares da estrutura restringem somente o deslo-


camento vertical dos pilares, sendo assim necessário adicionar o
apoio 5 para impedir o movimento horizontal do nó da esquerda do
primeiro pavimento (o nó que tem a chapa 3). Isso faz com que,
pela regra 1 do contraventamento (apresentada anteriormente), o
nó da direita desse pavimento não tenha deslocamento. Isto é, o
38 UNIUBE

nó com a chapa 4 tem seus movimentos impedidos pois está ligado


por duas barras inextensíveis e não alinhadas a dois nós fixos à
translação (o nó com o apoio 5 e o nó da base na direita), formando
uma triangulação. Portanto, não é necessário inserir mais apoios
fictícios nesse pavimento. Observe que o apoio 5 pode ser coloca-
do tanto no nó da esquerda quanto no da direita para impedir o des-
locamento horizontal desse pavimento (os nós do pavimento não
têm deslocamentos verticais pois as colunas são inextensíveis).

Por raciocínio análogo, no segundo pavimento do pórtico da Figura


18, é necessário adicionar apenas o apoio 6 para fixar os nós des-
se pavimento. Parte-se da condição de que os nós do primeiro
pavimento já estão fixos.

Outros exemplos são apresentados a seguir (com seus respectivos


SH) e cabe ao leitor interpretá-los de acordo com as regras para
determinação do número de deslocabilidades e as simplificações
possíveis apresentadas até aqui.

Figura 19 - SH de um pórtico com dois pavimen-

tos e uma diagonal no primeiro pavimento

Fonte: Martha (2010, p.343)


UNIUBE 39

Figura 20 - SH de um pórtico com dois pavimen-


tos e uma diagonal em cada pavimento

Fonte: Martha (2010, p.343)

Figura 21 - SH de um pórtico com dois pavimentos e con-

traventado em uma baia por pavimento

Fonte: Martha (2010, p.344)

Figura 22 - SH de um pórtico com três painéis sem diagonais

Fonte: Martha (2010, p.344)

Figura 23 - SH de um pórtico com três painéis e uma diagonal no painel central

Fonte: Martha (2010, p.344)


40 UNIUBE

Figura 24 - SH de um pórtico com três painéis e duas diagonais

Fonte: Martha (2010, p.344)

Figura 25 - SH de um pórtico com três painéis e três diagonais

Fonte: Martha (2010, p.344)

2.1.1 Exemplo de aplicação 2 (SUSSEKIND, 1987)

Calcular as deslocabilidades da estrutura a seguir.


O primeiro passo para a resolução de estruturas hiperestáticas pelo
Método dos Deslocamentos, é a identificação das deslocabilidades e a
definição do sistema hipergeométrico (SH) com a inserção dos vínculos
fictícios para impedir os deslocamentos possíveis em todos os nós.

Figura 26 – Exemplo 2.0

Fonte: Sussekind (1987, p.20)


UNIUBE 41

Assim, o SH é apresentado conforme a Figura 27. Para impedir as


rotações que aparecem no nó B e C foram inseridas chapas rígidas
nos mesmos. Já para o deslocamento horizontal que pode ocorrer na
barra entre os nós B e C, foi inserido um apoio de primeiro gênero no
mesmo sentido no nó C (poderia ter sido também inserido no nó B).

Figura 27 – Exemplo 2.1

Fonte: Sussekind (1987, p.20)

A diferença entre o sistema principal e a estrutura real é que exis-


tirá rotação dos nós B e C (às quais chamemos D1 e D2) e haverá
um deslocamento horizontal de barra BC (ao qual chamemos D3).
Assim, empregando o princípio da superposição de efeitos, poderí-
amos dizer que a resolução da estrutura real seria igual à soma dos
quatro casos indicados nas figuras a seguir, representando a reso-
lução da estrutura do sistema principal para os efeitos isolados do
carregamento externo e de cada uma das deslocabilidades. Como
desconhecemos os valores D1, D2 e D3, arbitramos um valor, por
exemplo, unitário para estas deformações, devendo os efeitos as-
sim obtidos serem multiplicados pelos valores corretos que serão
encontrados para D1, D2 e D3 ao fim do problema.
42 UNIUBE

Figura 28 – Exemplo 2.2

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

No caso (0) – parte “a” da Figura 28 – temos a resolução de duas


vigas biengastadas AB e BC para o carregamento externo, cujos
momentos de engastamento perfeito em B e em C, indicados na
UNIUBE 43

figura a seguir, representam a ação das chapas 1 e 2 sobre a estru-


tura do sistema principal para que os nós B e C não girem, dando
momentos resultantes em B e C, respectivamente, iguais a:

Figura 29 – Exemplo 2.4

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Devido ao carregamento externo e aos momentos de engastamen-


to perfeito que existem nas barras, aparecerão as reações de apoio
FA e FB1 na barra 1 e FB2 e FC2 na barra 2; as reações FA, FB2 e FC2
irão para os apoios que a estrutura possui, indo a reação FB1 para o
apoio do primeiro gênero fictício (3) indicado no sistema principal.
No caso, então, teríamos:

Nas partes “b” e “c” da Figura 28 (caso (1) e caso (2), respectiva-
mente), temos a resolução do sistema principal para rotação unitá-
ria de um de seus nós. Aparecerão nestes nós, conforme sabemos,
momentos iguais à sua rigidez local, indo para os outros nós da
barra momentos iguais ao produto desta rigidez pelo coeficiente
44 UNIUBE

de transmissão. Assim, para o caso (1) – parte “b” da Figura 28 –


temos o esquema detalhado indicado na figura a seguir, quando
D1=1, a partir do qual obtemos:

Figura 30 – Exemplo 2.5

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Para o caso (2) – parte “c” da Figura 28 – temos o esquema detalhado


indicado na figura a seguir, quando D2=1, a partir do qual obtemos:

Figura 31 – Exemplo 2.6

Fonte: o autor
UNIUBE 45

Para o caso (3) – parte “d” da Figura 28 – temos o esquema detalhado


indicado na figura a seguir, quando D3=1, a partir do qual obtemos:

Figura 32 – Exemplo 2.7

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Voltando, agora, ao esquema da Figura 28 que resolve a estrutura


a partir do conhecimento dos valores de D1, D2 e D3, vemos que,
como não existem na estrutura dada as chapas 1 e 2 e o apoio
46 UNIUBE

do primeiro gênero 3 colocados no sistema principal, estes valores


de D1, D2 e D3 têm que ser tais que não existam ações estáticas
finais das chapas e do apoio adicional do primeiro gênero sobre a
estrutura do sistema principal, pois, assim, o mesmo reproduzirá,
fielmente o comportamento estático e elástico da estrutura dada.
Assim, devemos ter que o momento final exercido pelas chapas
sobre os respectivos nós deve ser nulo, bem como deve ser nula a
força exercida pelo apoio fictício do primeiro gênero sobre a barra
BC (isto é, não existem cargas momento aplicadas em B e C e não
existe carga horizontal aplicada à estrutura dada em C).

Pelo emprego do princípio de superposição de efeitos, o seguinte


sistema de equações de compatibilidade estática do sistema prin-
cipal adotado com a estrutura dada, é obtido:

Deste sistema calcula-se o D1, D2 e D3.

Observações:

a. O trabalho de resolução de uma estrutura pelo método das


deformações, conforme ilustra o exemplo anterior, é o traba-
lho de resolução de um sistema n x n de equação lineares,
sendo n o número total de deslocabilidades da estrutura dada.

b. O sistema de equações anterior pode ser escrito na forma


matricial:
UNIUBE 47

Ou mais simplificadamente:

Ao vetor { }, onde a ação do agente solicitante externo se faz sen-


tir, chamamos vetor dos termos de carga.

A matriz [K], quadrada e simétrica, por força do teorema de Betti,


chamamos matriz de rigidez (pois transforma deslocamentos em
forças ou rotações em momentos, conforme o caso), sendo fun-
ção, apenas, do sistema principal adotado (independendo comple-
tamente do agente solicitante externo).

A resolução de uma estrutura pelo método das deformações é dada


pela inversão de sua matriz de rigidez multiplicado pelo vetor dos
termos de carga.

Roteiro para o Método dos Deslocamentos:

1. Escolha do sistema principal (obtido bloqueando-se as des-


locabilidades internas com chapas rígidas e as deslocabilida-
des externas com apoios adicionais do primeiro gênero).

2. Resolução do sistema principal para o agente solicitante ex-


terno, obtendo-se o vetor { }, e para cada uma das deforma-
ções incógnitas Di, com o valor arbitrado inicialmente igual a
1, obtém-se a matriz [K].

3. Cálculo das deformações (incógnitas) Di, pela expressão:


48 UNIUBE

4. Obtenção dos efeitos finais pela expressão genérica:

Onde E é o efeito que se deseja calcular (momento, esforço normal


ou cortante).

2.1.2 Exemplo de aplicação 3 (SORIANO, 2006)

Faz-se a determinação dos diagramas de esforços seccionais da


viga representada na Figura 33, em que E=2,1.107kN/m².

Figura 33 – Exemplo 3.0

Fonte: Soriano (2006, p.144)

Determinação das deslocabilidades

Inicialmente, podemos simplificar o balanço de três metros à esquerda


da viga. Para fazer isto, precisa-se obter um sistema de forças e mo-
mentos equivalentes a ele. Percebe-se, facilmente, que a força vertical
de 50kN pode ser transferida ao nó que apoia o balanço juntamente
UNIUBE 49

com um momento fletor gerado por ela neste mesmo ponto, tendo
valor de 150kN.m (50kN vezes o braço de alavanca de 3m). Assim, a
viga simplificada é apresentada na Figura 34.

Figura 34 – Exemplo 3.1

Fonte: Soriano (2006, p.144)

As deslocabilidades são obtidas conforme apresentado anteriormen-


te, sendo as deslocabilidades internas (di) igual ao número de nós
internos rígido (com exceção dos extremos apoiados) e as desloca-
bilidades externas (de) igual ao número de apoios de primeiro gênero
necessário para que os nós fiquem sem deslocamentos lineares.

Então, como só temos um nó interno rígido (os outros dois são


extremos e com apoios) di=1 – existe uma rotação D1 no apoio
interno a viga – precisando inserir uma chapa rígida neste ponto
para impedir o deslocamento existente. Em contrapartida, não é
necessário inserir apoios de primeiro gênero nos nós da estrutu-
ra, pois o apoio de segundo gênero à esquerda restringe todos
os deslocamentos horizontais da viga (uma vez que as barras são
inextensíveis) e os apoios verticais restringem os deslocamentos
verticais em seus nós. Assim, define-se o sistema hipergeométrico
(SH) conforme a Figura 35.
50 UNIUBE

Figura 35 – Exemplo 3.2


Fonte: Soriano (2006, p.144)

Definido o SH é preciso resolvê-lo para todos os casos básicos,


conforme segue:

Caso (0) – Solicitação externa (carregamento) isolada no SH

Neste caso, considera-se que todas as deslocabilidades Di são nu-


las, fazendo atuar no SH somente o carregamento real. A inserção
de chapas rígidas nos nós restringe as rotações fazendo-os traba-
lhar como se houvesse um engaste neste ponto.

A configuração da viga no caso (0) é ilustrada conforme figura a


seguir. Os momentos e reações verticais estão indicados conforme
sentido positivo de cada um.
UNIUBE 51

Figura 36 – Exemplo 3.3

Fonte: o autor

O cálculo do momento Mb1 é feito de acordo com as tabelas de


momentos apresentadas anteriormente (ver carregamento 9 e 16
com a viga que apresenta apoio fixo à esquerda e engaste à direita
da Tabela 1). Cada carregamento gera um momento diferente no
ponto do engaste na viga 1. Assim, Mb1 é calculado como segue:

O sinal negativo indica que o momento atua no sentido contrário ao


adotado inicialmente. A reação horizontal no apoio A é igual a zero.
Assim, para o cálculo das reações verticais A e B1, basta aplicar as
equações de equilíbrio na barra 1.
52 UNIUBE

O cálculo do momento Mb2 é feito de acordo com as tabelas de mo-


mentos apresentadas anteriormente (ver carregamento 1 com a viga
que apresenta apoio fixo à direita e engaste à esquerda da Tabela 1).

Para o cálculo das reações verticais B2 e C, basta aplicar as equa-


ções de equilíbrio na barra 2.

A viga apresentada a seguir mostra o resumo dos momentos fleto-


res calculados anteriormente. Ressalta-se aqui que o sinal positivo
refere-se a momentos que atuam no sentido anti-horário.

Figura 37 – Exemplo 3.4

Fonte: Soriano (2006, p.145)

O termo de carga é igual ao somatório de momentos fletores de en-


gastamento perfeito que atuam no nó em que foi inserido a chapa fictícia
1. Lembrando que o primeiro índice refere-se ao número de ordem da
deslocabilidade e o segundo índice ao caso analisado. Assim,
UNIUBE 53

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-


se todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com
índice 1. Assim, D1=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horá-
rio). Com este deslocamento, as barras 1 e 2 da viga sofrem uma
deformação conforme apresentado na Figura 38.

Figura 38 – Exemplo 3.5

Fonte: Soriano (2006, p.145)

O cálculo do momento Mb1 é feito de acordo com as equações de-


finidas nas soluções básicas apresentadas anteriormente e apre-
sentado a seguir.

Figura 39 – Exemplo 3.6

Fonte: o autor
54 UNIUBE

O caso básico destacado anteriormente refere-se às situações em


que a viga é apoiada do lado esquerdo (representado pela rótula)
e engastado do lado direito. A rotação sofrida nesta solução básica
está no sentido anti-horário (positivo). Desta solução, comparando
com o trecho 1 da viga, percebe-se que o momento da figura ante-
rior é igual ao momento Mb1, a reação da esquerda corresponde ao
Va e a da direita igual ao Vb1.

Assim, temos:

O cálculo do momento Mb2 é feito de acordo com as mesmas equa-


ções definidas nas soluções básicas utilizadas no cálculo do Mb1.
Deve-se ter atenção agora, pois o engaste está do lado esquerdo
e o apoio (rótula) do lado direito. Assim, basta rotacionar o caso
básico 180° que a rotação ficará à direita ainda no sentido positivo.
A reação vertical à esquerda ficará para cima e à direita para baixo
conforme Figura 49 (os valores continuam os mesmos).

Figura 40 – Exemplo 3.7

Fonte: o autor
UNIUBE 55

Assim,

O coeficiente de rigidez global K11 é numericamente igual à força/


momento para impor D1=1 ao sistema principal e é obtido pela
soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde foi inserido o
apoio fictício. Como o deslocamento é uma rotação, somam-se os
momentos de engaste perfeito que foi calculado no apoio B.

Assim,

Pelo emprego do princípio de superposição de efeitos, a seguinte


equação de compatibilidade estática do sistema principal é adotado.

Assim,

Cálculo das reações de apoio

Para o cálculo das reações, basta aplicar a seguinte fórmula:

Assim,
56 UNIUBE

O primeiro valor entre parênteses nos cálculos anteriores, são os


valores das reações obtidas no caso (0). O segundo valor entre pa-
rênteses são os valores das reações obtidos no caso (1) somados
e multiplicados pelo valor D1.

A partir destas reações, consegue-se obter os diagramas, uma vez


que não há reações que não foram calculadas.

Figura 41 – Exemplo 3.8


Fonte: Soriano (2006, p.147)

Podem-se obter os diagramas de momento fletor e esforço cortante


e normal pela mesma equação que foi utilizada no cálculo das re-
ações, porém com os valores destes esforços nos nós calculados
nos casos básicos do método.
UNIUBE 57

Considerações finais

A possibilidade da adoção de técnicas para redução das desloca-


bilidades torna o Método dos Deslocamentos uma forma fácil e rá-
pida para análises manuais de estruturas. Ou seja, o principal pro-
blema do método, que é o grande número de incógnitas, pode ser
minimizado reduzindo o esforço de cálculo de quem fará o estudo.

A consideração de barras inextensíveis, ou seja, a não con-


sideração dos efeitos da deformação das barras para os es-
forços axiais, não é um conceito exclusivo do Método dos
Deslocamentos. Isso também é feito no Método das forças, no
qual, em cálculos manuais para pórticos planos, por exemplo,
despreza-se a componente da integral dos esforços normais
virtuais que multiplicam os deslocamentos relativos internos
reais, por ser insignificante quando comparado com os efeitos
da integral do momento fletor.

Importante observar também que todas as simplificações devem ser


analisadas antes de serem utilizadas. Por exemplo, estruturas atiran-
tadas, cujos cabos se deformam muito ao esforço axial, o conceito de
barra inextensível não deve ser adotado para este elemento.

Outra observação importante é que o conceito de barras inextensí-


veis é apenas uma simplificação e não uma verdade absoluta. Por
exemplo, um pórtico contraventado, como o da Figura 19, não quer
dizer que não sofrerá deslocamentos horizontais, mas sim que,
como as barras sofrem pouca deformação longitudinal, a estrutura
terá um deslocamento horizontal muito pequeno a ponto de poder
ser desprezada esta translação.

Outro exemplo que pode ser apresentado aqui, que explica o


que foi dito no parágrafo anterior, é que grandes coberturas
58 UNIUBE

metálicas são contraventadas em vários vãos e não somente


em um. Isto porque as barras se deformam axialmente e, se
somado à contribuição de cada deslocamento das barras ao
longo dos seus eixos, este deslocamento acumulado poderá
ter grandes proporções.

Assim, para concluir, uma análise bem feita dependerá muito dos
conhecimentos técnicos e teóricos de cada engenheiro para que
tenha resultados fiéis à situação real que está se modelando.
Método dos
Capítulo
3
deslocamentos aplicado
em pórticos planos
Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Em uma análise de estruturas é preciso adotar modelos
estruturais que idealizam o comportamento de estruturas reais.
Por exemplo, podemos analisar um prédio por meio de vigas
contínuas, nas quais as reações de apoios são transferidas aos
pilares até os carregamentos serem transmitidos às fundações.
Outra forma de analisar um prédio é através de pórticos
planos, compostos por vigas e pilares representados por
elementos de barras contidas em um mesmo plano. Este
pórtico recebe carregamento direto de solicitações externas
ou então de reações de vigas que se apoiam neste pórtico.
Há ainda a possibilidade de se analisar o prédio por meio de pórticos
espaciais, composto por barras distribuídas nos três eixos do espaço.
A concepção do modelo estrutural é uma tarefa muito difícil
nas análises de estruturas e são baseadas em diversos
fatores como geometria, comportamento dos materiais, tipos
de ligações entre barras, tipos de solicitações etc.
A adoção de pórticos planos como modelo estrutural é frequentemente
utilizada em construções de pequeno porte. Assim, este capítulo torna-
se importante, pois explica como aplicar o Método dos Deslocamentos
nas análises de pórticos planos hiperestáticos.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e exemplos
de aplicação apresentados no livro de Martha (2010), feitas
as devidas considerações do autor deste material.
Objetivos
• Aplicar a rotina de cálculo em modelos estruturais do
tipo pórtico espacial;
• Utilizar as simplificações para os cálculos dos esforços
internos pelo Método dos Deslocamentos;
• Identificar as deslocabilidades externas mediante
exemplos de aplicação em pórticos planos;
• Compreender os efeitos das deslocabilidades externas
quando assumem valores iguais a 1 nos casos básicos.

Esquema
• Exemplos de Aplicação em Pórticos Planos
• Exemplo de aplicação 4

3.1 Exemplos de aplicação em pórticos planos

3.1.1 Exemplo de aplicação 4 (MARTHA, 2010)

Calcule os diagramas de esforços internos o pórtico plano a seguir. Considere


o módulo de elasticidade igual a E e momento de inércia igual a I.

Figura 42 – Exemplo 4.0

Fonte: Martha (2010, p.354)


UNIUBE 61

Determinação das deslocabilidades

Parada obrigatória
As deslocabilidades internas (di) são iguais ao número de
nós internos rígidos (com exceção dos extremos apoiados)
e as deslocabilidades externas (de) igual ao número de
apoios de primeiro gênero necessário para que os nós fiquem sem
deslocamentos lineares.

O único nó rígido da estrutura é o que une as três barras (di=1),


existindo neste, uma rotação D1. Desta forma, torna-se necessário
inserir uma chapa rígida neste ponto para impedir tal deslocamento.

Os nós do engaste são nós fixos. O nó da rótula, por estar ligado


ao engaste por uma barra inextensível não se desloca verticalmen-
te, porém, nada impede deste deslocar-se no sentido horizontal.
Apesar de o nó que une as três barras estar ligado a um engaste
por uma barra inextensível, este apoio, tampouco o de segundo
gênero, é capaz de impedir o deslocamento horizontal do mesmo.
O deslocamento vertical deste nó é impedido pelo engaste e pelo
apoio de segundo gênero. Assim, a única deslocabilidade externa
é o deslocamento horizontal (D2) da barra entre a rótula e o nó que
une as três barras (de=1), sendo necessária a inserção de um apoio
de primeiro gênero nesta direção em algum destes dois nós.

Optou-se por inserir o apoio de segundo gênero no nó da rótula,


definindo assim o sistema hipergeométrico (SH).
62 UNIUBE

Figura 43 – Exemplo 4.1

Fonte: Martha (2010, p.354)

Definido o SH é preciso resolvê-lo para todos os casos básicos,


conforme segue:

Caso (0) – Solicitação externa (carregamento) isolada no SH

Neste caso, considera-se que todas as deslocabilidades Di são nu-


las, fazendo atuar no SH somente o carregamento real. A inserção
de chapas rígidas nos nós restringe as rotações fazendo-os traba-
lhar como se houvesse um engaste neste ponto.

A configuração do pórtico no caso (0) é ilustrada conforme Figura


44. Os momentos e as reações estão indicadas conforme sentido
positivo de cada um.
UNIUBE 63

Figura 44 – Exemplo 4.2

Fonte: o autor

O cálculo do momento MA1 é feito de acordo com as tabelas de


momentos apresentadas anteriormente (ver carregamento 1 com
a viga que apresenta apoio fixo à direita e engaste à esquerda da
Tabela 1). Assim, MA1 é calculado como segue:

O sinal positivo indica que o momento atua no sentido adotado


inicialmente. A reação horizontal no apoio A é igual a zero. Assim,
para o cálculo das reações em A e B1, basta aplicar as equações
de equilíbrio na barra 1.
64 UNIUBE

Como não há carregamento na barra 2 e na 4, não há momentos e


reações nos nós deste trecho. Resta, então, o cálculo da barra 3.

O cálculo dos momentos da barra 3 é feito de acordo com as tabe-


las de momentos apresentadas anteriormente (ver carregamento 1
com a viga biengastada da Tabela 1 – como a carga distribuída de
12kN/m está para a esquerda o apoio C da tabela corresponde ao
apoio C da estrutura e o nó D da tabela o D da estrutura). Assim,

Para o cálculo das reações C3 e D, basta aplicar as equações de


equilíbrio na barra 3.
UNIUBE 65

O pórtico apresentado a seguir mostra o resumo das reações cal-


culadas anteriormente.

Figura 45 – Exemplo 4.3

Fonte: Martha (2010, p.354)

O termo de carga é igual ao somatório de momentos fletores de


engastamento perfeito que atuam no nó em que foi inserido a chapa
1. Lembrando que o primeiro índice refere-se ao número de ordem da
deslocabilidade e o segundo índice ao caso analisado. Assim,

Já o termo de carga é igual ao somatório das reações que estão


na direção da deslocabilidade D2. Assim,

O sinal negativo indica que ambas as reações estão direcionadas


para a esquerda.
66 UNIUBE

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-se


todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índi-
ce 1. Assim, D1=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).
Com este deslocamento, as barras 2, 3 e 4 do pórtico sofrem uma
deformação conforme apresentado na figura a seguir.

Figura 46 – Exemplo 4.4

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Pela Figura 46 é necessário calcular os coeficientes de rigidez glo-


bal nas barras 2, 3 e 4 que sofreram deslocamentos com a rotação
do nó C, como indicado. Assim, serão apresentados a seguir os
cálculos de cada barra separadamente.

O cálculo da barra 2 é feito de acordo com as equações definidas nas


soluções básicas apresentadas anteriormente e reapresentado a seguir.

Figura 47 – Exemplo 4.5

Fonte: adaptada de Martha (2010)


UNIUBE 67

O caso básico destacado anteriormente se refere às situações em


que a viga é apoiada do lado esquerdo (representado pela rótula)
e engastado do lado direito. A rotação sofrida nesta solução básica
está no sentido anti-horário (positivo) no engaste. Percebe-se que
o momento da figura anterior é igual ao momento MC2, a reação da
esquerda corresponde ao VB2 e a da direita igual ao VC2.

Assim, temos:

O cálculo da barra 3 é feito de acordo com as equações definidas


nas soluções básicas apresentadas anteriormente e reapresentado
na Figura 48.

Figura 48 – Exemplo 4.6

Fonte: adaptada de Martha (2010)


68 UNIUBE

O caso básico destacado anteriormente se refere às situações em


que a viga é bi engastada. A rotação sofrida nesta solução básica
está no sentido anti-horário (positivo) no engaste de baixo.

Assim,

O cálculo da barra 4 é feito de acordo com as equações definidas


nas soluções básicas apresentadas anteriormente e reapresentado
na Figura 49.

Figura 49 – Exemplo 4.7

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O caso básico destacado anteriormente se refere às situações em


que a viga é apoiada em uma extremidade e engastada em outra.
UNIUBE 69

A rotação sofrida nesta solução básica está no sentido anti-horário


(positivo) no engaste.

Assim,

O pórtico mostrado a seguir ilustra o resumo dos momentos e rea-


ções calculados no Caso (1).

Figura 50 – Exemplo 4.8

Fonte: adaptada de Martha (2010)


70 UNIUBE

IMPORTANTE!

Uma informação importante a ser explicada neste exemplo, é que


todas as reações calculadas (coeficientes de rigidez locais, ou re-
ações de engaste perfeito) que estiverem nas direções dos apoios
reais da estrutura, devem ser transferidas com valor e sentido cal-
culados para estes apoios.

Por exemplo, a reação vertical VB2 calculada na barra 2, por estar


na direção do apoio vertical do engaste da barra 1, foi transferida
para este apoio, sendo mantido o sentido e módulo. Como outro
exemplo, a reação VC2 calculada também na barra 2, por estar nas
direções dos apoios verticais do engaste da barra 3 e do apoio de
segundo gênero da barra 4, foi transferida com o mesmo sentido,
porém, com o módulo dividido em 2 (por tratar-se de dois apoios).

O coeficiente de rigidez global K11 e K21 é numericamente igual à


força/momento para impor D1=1 ao sistema principal e é obtido
pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde foi inse-
rido o apoio fictício. No nó em que foi inserida a chapa rígida soma-
se os momentos de engaste perfeito. No nó em que foi inserido o
apoio de primeiro gênero fictício, somam-se as reações que foram
calculadas no sentido orientado pelo apoio.

Assim,
UNIUBE 71

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-se


todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índice
2. Assim, D2=1 atuando em seu sentido positivo (da esquerda para a
direita). Com este deslocamento, as barras 1, 3 e 4 do pórtico sofrem
uma deformação conforme apresentado na figura a seguir.

Figura 51 – Exemplo 4.9

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Pela Figura 51 é necessário calcular os coeficientes de rigidez glo-


bal nas barras 1, 3 e 4 que sofreram deformações com o desloca-
mento horizontal da barra 2 para a direita, como indicado. Assim,
serão apresentados a seguir os cálculos de cada barra separada-
mente. A barra 2 sofreu somente deslocamento horizontal de corpo
rígido, não gerando esforços internos.

O cálculo da barra 1 é feito de acordo com as equações definidas nas


soluções básicas apresentadas anteriormente e apresentado a seguir.
72 UNIUBE

Figura 52 – Exemplo 4.10

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O caso básico destacado anteriormente se refere às situações em


que o pilar é rotulado em cima e engastado em baixo. O desloca-
mento horizontal sofrido nesta solução básica está no sentido posi-
tivo, da esquerda para a direita na rótula. Assim, temos:

O cálculo da barra 3 é feito de acordo com as equações definidas nas


soluções básicas apresentadas anteriormente e apresentado a seguir.
UNIUBE 73

Figura 53 – Exemplo 4.11

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O caso básico destacado anteriormente se refere às situações em


que a barra é bi engastada. O deslocamento sofrido nesta solução
básica está no sentido positivo (da esquerda para a direita) no en-
gaste de baixo.

Assim,

O cálculo da barra 4 é feito de acordo com as equações definidas nas


soluções básicas apresentadas anteriormente e apresentado a seguir.
74 UNIUBE

Figura 54 – Exemplo 4.12

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O caso básico destacado anteriormente se refere às situações em


que a barra é apoiada em uma extremidade (inferior) e engastada
em outra (superior). O deslocamento sofrido ocorre no engaste e
para a esquerda. Devido o deslocamento da barra 4 ser para a
direita, conforme apresentado na estrutura do Caso (2), todos os
sentidos apresentados na figura anterior deverão ser invertidos.

Assim,

O pórtico mostrado a seguir ilustra o resumo dos momentos e rea-


ções calculados no Caso (2).
UNIUBE 75

Figura 55 – Exemplo 4.13

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O coeficiente de rigidez global K11 e K21 é numericamente igual à


força/momento para impor D2=1 ao sistema principal e é obtido
pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde foi inse-
rido o apoio fictício. No nó em que foi inserida a chapa rígida soma-
se os momentos de engaste perfeito. No nó em que foi inserido o
apoio de primeiro gênero fictício, somam-se as reações que foram
calculadas na direção do apoio.

Assim,

Pelo emprego do princípio de superposição de efeitos, a seguinte


equação de compatibilidade estática do sistema principal é adotada.
76 UNIUBE

Assim,

Cálculo das reações de apoio

RELEMBRANDO

Para o cálculo das reações, basta aplicar a seguinte fórmula:

Reações no engaste da barra 1:

O primeiro valor entre parênteses nos cálculos anteriores são os


valores das reações obtidas no caso (0). O segundo valor entre
UNIUBE 77

parênteses são os valores das reações obtidas no caso (1) multi-


plicados pelo valor D1. O terceiro valor entre parênteses são os va-
lores das reações obtidas no caso (2) multiplicados pelo valor D2.

Reações no engaste da barra 3:

Reações no apoio da barra 4:

A partir destas reações, consegue-se obter os diagramas, uma vez


que não há reações que não foram calculadas.

a. Diagrama de momento fletor


78 UNIUBE

b. Diagrama de esforço cortante

c. Diagrama de esforço normal

Figura 56 – Exemplo 4.14

Fonte: o autor

Uma forma alternativa de construir os diagramas de esforços é uti-


lizando a fórmula do cálculo das reações, mas para o esforço que
se deseja conhecer em cada nó.
UNIUBE 79

Por exemplo, para saber o momento fletor, esforço cortante e esfor-


ço normal no nó C da barra 4, faz-se como apresentado a seguir:

O momento é positivo no sentido anti-horário. O diagrama de mo-


mento fletor indica qual lado da seção está tracionando, conforme
indicado no diagrama anterior.

O esforço cortante é positivo, conforme convenção de sinais, quan-


do tende a girar a barra no sentido horário.

O esforço normal é positivo, conforme convenção de sinais, quan-


do tende a sair da barra, tracionando a mesma.

O mesmo deve ser feito para cada nó até completar todos os diagramas.

Considerações finais

A diferença entre os exemplos apresentados no Capítulo II e neste


Capítulo é a presença das deslocabilidades externas. A identifica-
ção dos graus de liberdade em vigas contínuas é feita facilmente,
uma vez que os únicos deslocamentos são as rotações nos nós
internos. Quando se tem barras contidas em um plano, deve-se
atentar para as possíveis deslocabilidades externas.
80 UNIUBE

A presença de barras rotuladas e engastadas em um plano irá con-


figurar as linhas deformadas nos elementos estruturais. É preciso
que se resolvam diversos exercícios para compreender e fixar a
metodologia de cálculo para estes tipos de estruturas.

Um fato que é preciso ter muita atenção é a transferência das for-


ças reativas nas coordenadas locais aos apoios, pois são por meio
delas que são calculadas as reações de apoio da estrutura real.

Um ponto importante a se destacar aqui, é como calcular os coe-


ficientes de rigidez dos casos básicos nas direções das desloca-
bilidades externas. Quando se tem somente uma deslocabilidade
externa, o cálculo do coeficiente de rigidez na direção desta des-
locabilidade pode ser feito somando-se as forças reativas nas bar-
ras que estão na mesma direção e alinhadas com o apoio fictício,
ou então fazendo-se o equilíbrio de forças que estão atuando nos
apoios reais na direção desta deslocabilidade.

Agora, quando se tem mais de uma deslocabilidade externa, os


coeficientes de rigidez nas direções destas, só podem ser calcula-
dos somando-se as forças reativa nas barras que estão na mesma
direção e alinhadas com os apoios fictícios.
Método dos
Capítulo
4
deslocamentos aplicado
em grelhas

Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Conforme descrito no início do capítulo anterior a definição
do modelo estrutural é uma das etapas mais importantes
do projeto e análise estrutural. Lá, foram descritas algumas
possibilidades de modelagem para a análise de um prédio.
Um modelo muito utilizado para a representação do
comportamento real da estrutura é o modelo de grelhas.
As grelhas são estruturas planas, ou seja, todos os elementos
estruturais estão contidos no mesmo plano, porém o
carregamento que solicita a estrutura possui a direção normal
(perpendicular) a este plano.
Uma grelha pode representar um conjunto de vigas de todo
o pavimento e que estão apoiadas simplesmente nos pilares.
Sendo assim, este capítulo torna-se importante, pois fornece
ao aluno mais uma alternativa diferente para a análise de
estruturas hiperestáticas.
Para que se possam compreender os cálculos desenvolvidos neste
capítulo, o(a) aluno(a) deve conhecer o comportamento de grelhas
isostáticas, cálculo de momentos fletores e torçores, transmissão
de momentos nos nós rígidos de ligação entre barras etc.
A única diferença encontrada neste capítulo em relação ao
que já foi apresentado até o momento, é o aparecimento
dos coeficientes de rigidez à torção que só aparece em
estruturas tridimensionais e em grelhas.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e
exemplos de aplicação apresentados nos livros de Martha
(2010) e Sussekind (1987) feitas as devidas considerações
do autor deste material.

Objetivos
• Identificar as deslocabilidades em modelos estruturais
do tipo grelha;
• Compreender a solução fundamental que relaciona
a torção em torno do eixo de uma barra e calcular os
coeficientes de rigidez à torção;
• Aplicar a rotina de cálculo em modelos estruturais do
tipo grelha.

Esquema
• Método dos Deslocamentos Aplicados a Grelhas
• Incógnitas do problema
• Número de incógnitas – deslocabilidade interna
• Número de incógnitas – deslocabilidade externa
• Grandezas fundamentais
• Exemplo de aplicação 5
• Exemplo de aplicação 6

4.1 Método dos deslocamentos aplicado em grelhas

4.1.1 Incógnitas do problema

No caso de estruturas espaciais, precisaremos conhecer a rota-


ção e o deslocamento linear resultantes de cada extremidade das
barras que compõem a estrutura. Esta rotação será dada por suas
componentes nos eixos x, y e z e o deslocamento linear por suas
UNIUBE 83

componentes nos eixos x, y e z em um total de 6 incógnitas por nó


da estrutura espacial, nos casos mais gerais.

Por hipótese, uma barra de grelha não tem solicitações axiais, apre-
sentando efeitos de flexão e cisalhamento transversais ao plano e
efeito de torção. A figura a seguir mostra a convenção adotada
para os eixos locais e para as deslocabilidades locais de uma barra
de grelha. As deslocabilidades estão indicadas com seus sentidos
positivos e as setas duplas indicam rotações.

Figura 57 – Deslocabilidades em nós de uma grelha

Fonte: Martha (2010, p.286)

Para as grelhas (supostas situadas no plano xy e carregadas na dire-


ção z), precisaremos conhecer as rotações em x e y e o deslocamento
linear em z, em um total de 3 incógnitas por nó, nos casos gerais.

4.1.2 Número de incógnitas – Deslocabilidade interna

Para o caso de estruturas espaciais, o número de deslocabilida-


des internas é igual ao triplo do número de nós internos, rígidos,
que a estrutura possui, pois que, para cada um deles, precisa-
mos conhecer suas componentes de rotação em torno de cada
um dos eixos coordenados.
84 UNIUBE

Para o caso de grelhas, o número de deslocabilidades internas é


igual ao dobro do número de nós internos, rígidos, que ela possui,
pois, supondo a grelha situada no plano xy, não haverá componen-
te de rotação em torno do eixo z.

4.1.3 Número de incógnitas – Deslocabilidade externa

Este número de incógnitas independentes é traduzido pelo número


de apoios do primeiro gênero que precisamos acrescentar à estru-
tura para torná-la sem deslocabilidades lineares na direção do eixo
z (direção dos eixos das forças).

4.1.4 Grandezas Fundamentais

Considere a imposição de uma rotação por torção ϕA na extremida-


de esquerda de uma barra isolada, enquanto a rotação na outra ex-
tremidade é mantida nula (ϕB=0), tal como mostra a figura a seguir.
Também considere a imposição de uma rotação ϕB na extremidade
da direita, mantendo ϕA nula. São utilizadas setas duplas para re-
presentar rotações e momentos torçores.

Os momentos torçores TA e TB que atuam nas extremidades da


barra para impor essas configurações deformadas também estão
indicados na figura a seguir com seus sentidos positivos. Como
não existe carregamento no interior da barra, o momento torçor é
constante ao longo da barra.
UNIUBE 85

Figura 58 – Coeficientes de rigidez local à torção de uma barra isolada

Fonte: Martha (2010, p.285)

Define-se genericamente o parâmetro Kϕ como o coeficiente de ri-


gidez à torção:

4.1.5 Exemplo de aplicação 5 (MARTHA, 2010)

DICAS

A aplicação do método dos deslocamentos em grelhas segue a


mesma metodologia do que está apresentado até o momento,
inclusive as simplificações possíveis de serem adotadas. Uma
observação a ser feita é que as considerações de barras inex-
tensíveis para as barras das grelhas não têm efeito algum, pois
não há translações possíveis no plano de atuação da estrutura,
uma vez que todos os carregamentos estão aplicados perpendi-
cularmente a este plano.
86 UNIUBE

Como visto anteriormente, cada nó da grelha que não tem restrição


aos deslocamentos, tem três deslocabilidades, sendo duas internas,
referentes aos deslocamentos do tipo rotação nos eixos x e y (supon-
do xy o plano da estrutura) e uma externa (deslocabilidade no eixo z).
Desta forma, para impedir tais deslocabilidades é necessário a inser-
ção de duas chapas rígidas fictícias (na direção das rotações) e um
apoio de primeiro gênero (na direção da translação sobre o eixo z).

Assim, para exemplificar a aplicação do método dos deslocamen-


tos em grelhas, é apresentada a situação a seguir.

Figura 59 – Exemplo 5.0

Fonte: adaptada de Martha (2010, p.383)

As deslocabilidades existentes na estrutura anterior são duas


rotações nos nós internos na direção do eixo X e duas rotações,
também nos nós internos na direção do eixo Y. Considerando
que os apoios de primeiro gênero externos são rotulados, são
desprezadas as rotações existentes nos mesmos (por simplifi-
cação). Como não há (por definição de grelhas) cargas nas dire-
ções dos eixos X e Y, não há deslocamentos translacionais nas
direções dos mesmos e rotações na direção do eixo Z. Desta
forma, o Sistema Hipergeométrico e as deslocabilidades exis-
tentes estão indicados na Figura 60.
UNIUBE 87

Figura 60– Exemplo 5.1

Fonte: Martha (2010, p.383)

Caso (0) – Solicitação externa isolada no SH

Como todas as cargas atuantes na estrutura estão sobre os eixos


das barras, não aparecerão momentos torçores nas mesmas. As
reações de momento estão apresentadas na Figura 61.

Figura 61 – Exemplo 5.2

Fonte: adaptada de Martha (2010)


88 UNIUBE

RELEMBRANDO

Para o cálculo do β10 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 1 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 1.

Para o cálculo do β20 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 2 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 2.

Para o cálculo do β30 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 3 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 3.

Para o cálculo do β40 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 4 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 4.

Lembrando que o vetor momento fletor atua perpendicular à barra


fletida e o momento torçor atua na direção da barra torcida.

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

A deslocabilidade D1 (rotação em torno do eixo X) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra por barra, como segue.

A primeira barra a ser considerada é a AB e tem como solução bá-


sica a barra a seguir.
UNIUBE 89

Figura 62 – Exemplo 5.3

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

A segunda barra a ser considerada é a barra BC.

Figura 63 – Exemplo 5.4

Fonte: o autor
90 UNIUBE

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

A terceira barra a ser considerada é a barra BE. A rotação D1 em


torno do eixo X flete as barras AB e BC como mostrado anterior-
mente, mas torce a barra CB. Desta forma, a solução fundamental
para esta barra é a seguinte:

Figura 64 – Exemplo 5.5

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Assim,
UNIUBE 91

O sinal positivo do momento torçor indica que o mesmo está atuan-


do na direção da rotação φ.

As demais barras não são afetadas pela deslocabilidade D1. Desta


forma, apresenta-se na Figura 65 os valores até aqui calculados.

Figura 65 – Exemplo 5.6

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O coeficiente de rigidez global K11, K21, K31 e K41 são numericamente


iguais à força/momento para impor D1=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,
92 UNIUBE

RELEMBRANDO

Para o cálculo do K11 é somado todos os momentos (fletores e tor-


çores) que estão na direção da deslocabilidade 1 e atuando no nó
em que foi inserida a chapa rígida 1.

Para o cálculo do K21 é somado todos os momentos (fletores e tor-


çores) que estão na direção da deslocabilidade 2 e atuando no nó
em que foi inserida a chapa rígida 2.

Para o cálculo do K31 é somado todos os momentos (fletores e tor-


çores) que estão na direção da deslocabilidade 3 e atuando no nó
em que foi inserida a chapa rígida 3.

Para o cálculo do K41 é somado todos os momentos (fletores e tor-


çores) que estão na direção da deslocabilidade 4 e atuando no nó
em que foi inserida a chapa rígida 4.

Lembrando que o vetor momento fletor atua perpendicular à barra


fletida e o momento torçor atua na direção da barra torcida.

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

A deslocabilidade D2 (rotação em torno do eixo X) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra semelhantemente ao que foi
calculado no caso (1), tendo os coeficientes de rigidez locais apre-
sentados na Figura 66.
UNIUBE 93

Figura 66 – Exemplo 5.7

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O coeficiente de rigidez global K12, K22, K32 e K42 são numericamente


iguais à força/momento para impor D2=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,

Caso (3) – Deslocabilidade D3 isolada no SH

A deslocabilidade D3 (rotação em torno do eixo Y) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra por barra, como segue.

A primeira barra a ser considerada é a BE e tem como solução bá-


sica a barra a seguir.
94 UNIUBE

Figura 67 – Exemplo 5.8

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

A barra AB não sofre influência da deslocabilidade D3=1, pois o


apoio no nó A não oferece resistência à rotação por tratar-se de
apoio simples, não possuindo assim, coeficientes de rigidez locais.

A segunda barra a ser considerada é a BC e tem como solução


básica a barra a seguir.
UNIUBE 95

Figura 68 – Exemplo 5.9

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

As demais barras não são afetadas pela deslocabilidade D3. Desta forma,
apresentam-se na Figura 69 os valores até aqui calculados no caso (3).

Figura 69 – Exemplo 5.10

Fonte: adaptada de Martha (2010)


96 UNIUBE

O coeficiente de rigidez global K13, K23, K33 e K43 são numericamente


iguais à força/momento para impor D3=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,

Caso (4) – Deslocabilidade D4 isolada no SH

A deslocabilidade D4 (rotação em torno do eixo Y) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra semelhantemente ao que foi
calculado no caso (3), tendo os coeficientes de rigidez locais apre-
sentados na Figura 70.

Figura 70 – Exemplo 5.11

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O coeficiente de rigidez global K14, K24, K34 e K44 são numericamente


iguais à força/momento para impor D2=1 ao sistema principal e é
UNIUBE 97

obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde


foi inserido o apoio fictício. Assim,

Equações de equilíbrio

Após os cálculos dos coeficientes de rigidez globais de cada caso,


é necessário resolver as equações de equilíbrio para obter os va-
lores das deslocabilidades D1 a D4. O sistema de equações de
equilíbrio é o apresentado a seguir.

Substituindo pelos valores calculados:

Como solução, temos os seguintes valores:


98 UNIUBE

Os diagramas de momentos fletores e torçores da grelha são mos-


trados na Figura 71.

Figura 71 – Exemplo 5.12

Fonte: Martha (2010, p.386)

4.1.6 Exemplo de aplicação 6 (SUSSEKIND, 1987)

Obter os diagramas de momentos fletores e torçores


para a grelha da figura a seguir, cujas barras têm, todas,
EI = 5 X 104 t.m² e GJ = = 4 X 104 t.m².
UNIUBE 99

Figura 72 – Exemplo 6.0

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Sistema Hipergeométrico (SH)

Na Figura 73, é indicado o sistema hipergeométrico, obtido colo-


cando-se chapas rígidas fictícias para impedir todas as componen-
tes possíveis de rotação dos nós internos da grelha. Na mesma fi-
gura, é indicado também os sentidos que consideraremos positivos
para rotações em torno dos eixos x e y.

Figura 73 – Exemplo 6.1

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)


100 UNIUBE

Caso (0) – Solicitação externa isolada no SH

O caso (0) isola o efeito da solicitação externa, isto é, do carrega-


mento aplicado. Dessa forma, as cargas externas são aplicadas no
SH com D1=0, D2=0, D3=0 e D4=0.

O cálculo dos termos de carga é feito por meio da tabela de mo-


mento fletor para vigas engastadas apresentadas anteriormente.

Como todas as cargas atuantes na estrutura estão sobre os eixos


das barras, não aparecerão momentos torçores nas mesmas. As
reações de momento estão apresentadas na figura a seguir.

Figura 74 – Exemplo 6.2

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Portanto,

Para o cálculo do β10 foi somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 1 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 1.
UNIUBE 101

Para o cálculo do β20 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 2 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 2.

Para o cálculo do β30 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 3 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 3.

Para o cálculo do β40 é somado todos os momentos fletores que


estão na direção da deslocabilidade 4 e atuando no nó em que foi
inserida a chapa rígida 4.

Lembrando que o vetor momento fletor atua perpendicular à barra


fletida e o momento torçor atua na direção da barra torcida.

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

A deslocabilidade D1 (rotação em torno do eixo Y) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra por barra, como segue.

A primeira barra a ser considerada é a CD (ou barra 3) e tem como


solução básica a barra a seguir.

Figura 75 – Exemplo 6.3

Fonte: o autor
102 UNIUBE

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

A segunda barra a ser considerada é a barra BC (ou barra 2 torcida


pela deslocabilidade 1).

Figura 76 – Exemplo 6.4

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:


UNIUBE 103

O sinal positivo do momento torçor indica que o mesmo está atuan-


do na direção da rotação φ.

As demais barras não são afetadas pela deslocabilidade 1.

Figura 77 – Exemplo 6.5

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

O coeficiente de rigidez global K11, K21, K31 e K41 são numericamente


iguais à força/momento para impor D1=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,
104 UNIUBE

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

A deslocabilidade D2 (rotação em torno do eixo Y) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra por barra, como segue.

A primeira barra a ser considerada é a AB (ou barra 1) e tem como


solução básica a barra a seguir.

Figura 78 – Exemplo 6.6

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:


UNIUBE 105

A segunda barra a ser considerada é a barra BC (barra 2 torcida


pela deslocabilidade 2).

Figura 79 – Exemplo 6.7

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

O sinal positivo do momento torçor indica que o mesmo está atuan-


do na direção da rotação φ.

As demais barras não são afetadas pela deslocabilidade 2.


106 UNIUBE

Figura 80 – Exemplo 6.8

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

O coeficiente de rigidez global K12, K22, K32 e K42 são numericamente


iguais à força/momento para impor D2=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,

Caso (3) – Deslocabilidade D3 isolada no SH

A deslocabilidade D3 (rotação em torno do eixo X) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra por barra, como segue.

A primeira barra a ser considerada é a BC (ou barra 2) e tem como


solução básica a barra a seguir.
UNIUBE 107

Figura 81 – Exemplo 6.9

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

A segunda barra a ser considerada é a barra CD (barra 3 torcida


pela deslocabilidade 3).

Figura 82 – Exemplo 6.10

Fonte: o autor
108 UNIUBE

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

O sinal positivo do momento torçor indica que o mesmo está atuan-


do na direção da rotação φ.

As demais barras não são afetadas pela deslocabilidade 3.

Figura 83 – Exemplo 6.11

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

O coeficiente de rigidez global K13, K23, K33 e K43 são numericamente


iguais à força/momento para impor D3=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,
UNIUBE 109

Caso (4) – Deslocabilidade D3 isolada no SH

A deslocabilidade D4 (rotação em torno do eixo X) é aplicada iso-


ladamente no sistema hipergeométrico. Assim, são calculadas as
reações de momento e verticais barra por barra, como segue.

A primeira barra a ser considerada é a BC (ou barra 2) e tem como


solução básica a barra a seguir.

Figura 84 – Exemplo 6.12

Fonte: o autor
110 UNIUBE

Assim, as reações das soluções fundamentais são:

A segunda barra a ser considerada é a barra AB (barra 1 torcida


pela deslocabilidade 4).

Figura 85 – Exemplo 6.13

Fonte: o autor

Assim, as reações das soluções fundamentais são:


UNIUBE 111

O sinal positivo do momento torçor indica que o mesmo está atuan-


do na direção da rotação φ.

As demais barras não são afetadas pela deslocabilidade 4.

Figura 86 – Exemplo 6.14

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

O coeficiente de rigidez global K14, K24, K34 e K44 são numericamente


iguais à força/momento para impor D4=1 ao sistema principal e é
obtido pela soma dos coeficientes de rigidez locais no ponto onde
foi inserido o apoio fictício. Assim,
112 UNIUBE

Equações de equilíbrio

Após os cálculos dos coeficientes de rigidez globais de cada caso,


é necessário resolver as equações de equilíbrio para obter os va-
lores das deslocabilidades D1 a D4. O sistema de equações de
equilíbrio é o apresentado a seguir.

Substituindo pelos valores calculados:

Como solução, temos os seguintes valores:

Os diagramas de momentos fletores e torçores da grelha são mos-


trados na Figura 87.
UNIUBE 113

Figura 87 – Exemplo 6.18

Fonte: Sussekind (1987, p.44)

Tais diagramas podem ser calculados pela equação:

Ou então, podem ser calculadas as reações de apoio, também pela


mesma equação, e a partir delas, obter os diagramas de momentos.

Considerações finais

Deste capítulo pode-se concluir várias coisas. A primeira delas


é o fato de, por definição, grelhas só receberem carregamentos
perpendiculares ao plano das barras, não aparecerão deslocabi-
lidades nas direções dos eixos que formam o plano da estrutura.
Porém, todos os nós que não têm restrições às translações terão
uma deslocabilidade no sentido de atuação das forças.

Outra situação a se concluir, também se refere à definição de gre-


lhas. O fato das cargas só poder atuar perpendicularmente ao plano
114 UNIUBE

das barras, aparecerá momentos nas duas direções que formam o


plano. Assim, todos os nós internos da estrutura deverão ter suas
rotações bloqueadas com a inserção de chapas rígidas em todas
as direções das barras que concorrem nestes nós.

Deve-se ficar atento(a) no cálculo dos termos de cargas e coefi-


cientes de rigidez, para não somar coeficientes de rigidez locais
que estão atuando em outras direções. A regra da mão direita aju-
da a identificar as direções das rotações e momentos, sejam eles
torçor ou fletor. Uma dica importante é o fato dos momentos torço-
res atuarem na direção axial das barras e os momentos torçores,
perpendiculares a elas.

Compreendendo estas situações, a solução de grelhas não difere prati-


camente em nada do que já vem sendo trabalhado em vigas e pórticos.
Método dos
Capítulo deslocamentos aplicados
5 em barras inclinadas e
barras com rigidez infinita

Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Até o momento foram apresentados diversos exemplos de
estruturas reticuladas representadas por vigas, pórticos e grelhas
estando as barras sempre nos eixos horizontais e verticais.
Uma análise pode-se tornar mais trabalhosa quando houver
na composição da estrutura barras inclinadas. Foi visto que as
deslocabilidades estão sempre nos eixos globais da estrutura,
sendo estes na horizontal ou vertical. Nos casos básicos do
Método dos Deslocamentos, as deslocabilidades são liberadas
uma a uma com valor unitário. Quando uma translação é
liberada em um nó de uma barra inclinada, este deslocamento
possui componente tanto no eixo longitudinal da barra quanto
perpendicular a ela. Portanto, irão aparecer vários coeficientes
de rigidez locais em coordenadas locais que precisam ser
somados ao comportamento global da estrutura.
Desta forma, este capítulo vem apresentar uma metodologia
de análise para estruturas que apresentem barras inclinadas,
muito comuns em projetos com arquitetura moderna.
Na segunda parte do capítulo serão apresentados os cálculos
necessários quando há alguma barra rígida na estrutura.
Entende-se por barra rígida um material que tenha uma
rigidez muito elevada em relação às outras, ou seja, ela não
se deforma com a ação dos esforços internos.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e exemplos
de aplicação apresentados nos livros de Martha (2010) e
Sussekind (1987) feitas as devidas considerações do autor
deste material.

Objetivos
• Aprender como calcular as componentes de
deslocamentos nas direções dos eixos longitudinais e
transversais às barras inclinadas;
• Aprender como projetar os coeficientes de rigidez locais
nas direções globais da estrutura;
• Entender como se comporta uma barra rígida quando
esta sofre deslocamentos nos casos básicos e como
esta barra deslocada influencia nas barras deformáveis
que estão ligadas a ela;
• Aplicar as rotinas de cálculo do Método dos
Deslocamentos em estruturas que possuem barras
inclinadas e barras com rigidez infinitas.
Esquema
• Método dos Deslocamentos Aplicado a Barras Inclinadas
• Exemplo de aplicação 7
• Método dos Deslocamentos Aplicado a Barras Infinitamente
Rígidas
• Exemplo de aplicação 8

5.1 Método dos deslocamentos aplicado a barras inclinadas

O cálculo dos momentos e reações de apoio para as barras da


estrutura no caso (0) devem ser feitas decompondo as forças em
componentes perpendiculares às barras e no eixo longitudinal das
mesmas, podendo assim, aplicar as fórmulas apresentadas na
Tabela 1 (momentos de engastamento).
UNIUBE 117

IMPORTANTE!

O cálculo dos coeficientes de rigidez globais dos casos básicos


continua sendo feito somando-se os valores dos coeficientes de
rigidez locais das barras que são mobilizadas na configuração de-
formada imposta em cada caso. Entretanto, para uma barra incli-
nada, a imposição de uma deslocabilidade na direção horizontal
ou vertical acarreta deformações axiais e transversais combinadas.
Por outro lado, esforços axiais e transversais na barra inclinada
devem ser projetados para as direções horizontal e vertical para
compor um coeficiente de rigidez global.

5.1.1 Exemplo de aplicação 7 (MARTHA, 2010)

Todas as barras da estrutura do exemplo têm as mesmas proprie-


dades elásticas e de seção transversal. O material adotado tem
módulo de elasticidade E=1,2 ⋅ 107kN/m2. A seção transversal das
barras tem área A=1,2 ⋅ 10-2m2 e momento de inércia I=1,2 ⋅ 10-3 m4.
A solicitação externa é uma carga uniformemente distribuída q =
5kN/m aplicada na barra horizontal.

Figura 88 – Exemplo 7.0

Fonte: Martha (2010, p.302)


118 UNIUBE

O objetivo desta seção é apresentar a metodologia de análise es-


trutural do Método dos Deslocamentos aplicado para barras incli-
nadas mediante um exemplo simples. Para isto, não será levado
em conta a simplificação que considera as barras inextensíveis. Se
tal simplificação fosse adotada, a única deslocabilidade existente
no exemplo seria a D3 e que geraria resultados finais satisfatórios.

Assim, os nós dos apoios, por serem engastados, não possuem ne-
nhuma deslocabilidade. O nó interno, que liga a barra inclinada com
a horizontal, possui três deslocabilidades, conforme apresentado na
Figura 89, estabelecendo o Sistema Hipergeométrico conforme segue:

Figura 89 – Exemplo 7.1

Fonte: Martha (2010, p.303)

Caso (0) – Solicitação externa isolada no SH

O caso (0) isola o efeito da solicitação externa, isto é, do carrega-


mento aplicado. Dessa forma, as cargas externas são aplicadas no
SH com D1=0, D2=0 e D3=0.

O cálculo dos termos de carga é feito por meio da tabela de mo-


mento fletor para vigas engastadas apresentada anteriormente.

A barra AB (ou barra 1) não apresenta carregamento e, portanto,


as reações de apoios são iguais a zero. A barra BC (ou barra 2)
UNIUBE 119

corresponde a uma viga bi engastada, de comprimento 6m, cujas


reações são apresentadas a seguir na Figura 90.

Figura 90 – Exemplo 7.2

Fonte: o autor

Pelas equações de equilíbrio calcula-se as reações verticais.

, portanto

O termo de carga é igual ao somatório das forças (reações) na


direção da deslocabilidade 1. Lembrando que o primeiro índice re-
fere-se ao número de ordem da deslocabilidade e o segundo índice
ao caso analisado. Assim,
120 UNIUBE

Já o termo de carga é igual ao somatório das reações que estão


na direção da deslocabilidade D2. Assim,

Já o termo de carga é igual ao somatório dos momentos fleto-


res no nó em que foi inserida a chapa 3. Assim,

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-


se todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com
índice 1. Assim, D1=1 atuando em seu sentido positivo (esquerda
para direita).

Figura 91 – Exemplo 7.3

Fonte: adaptada de Martha (2010)

O caso básico (1) da solução da estrutura da Figura 91 está deta-


lhado na Figura 92. Observa-se, nessa figura, que o deslocamen-
to horizontal D1 = 1 imposto, quando projetado nas direções dos
UNIUBE 121

eixos locais da barra inclinada, tem uma componente axial igual a


cosθ e uma componente transversal igual a senθ, sendo θ o ân-
gulo que a barra inclinada faz com o eixo horizontal da estrutura.
Dessa forma, a barra inclinada é mobilizada tanto axialmente quan-
to transversalmente.

Figura 92 – Exemplo 7.4

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Com esses deslocamentos da barra 1, axial e transversal, é pos-


sível determinar os valores dos momentos e forças que atuam em
suas extremidades mediante os coeficientes de rigidez locais das
soluções fundamentais para barras isoladas (soluções fundamen-
tais para a barra AB, ilustrados na Figura 93). Estes valores estão
apresentados na Figura 94.

Figura 93 – Exemplo 7.5

Fonte: o autor
122 UNIUBE

Figura 94 – Exemplo 7.6

Fonte: adaptada de Martha (2010)

RELEMBRANDO

Os coeficientes de rigidez global K11, K21 e K31 são obtidos somando


os coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sen-
tido da deslocabilidade. Portanto, os coeficientes de rigidez local
do ponto B devem ser decompostos nos eixos horizontal e vertical
para os cálculos do K11 e K12, respectivamente.

Assim,
UNIUBE 123

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-


se todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com
índice 2. Assim, D2=1 atuando em seu sentido positivo (de baixo
para cima).

Figura 95 – Exemplo 7.7

Fonte: adaptada de Martha (2010)

As projeções nas direções dos eixos locais da barra inclinada do


deslocamento vertical D2 = 1 resultam em uma componente axial
igual a senθ e em uma componente transversal igual a cosθ.

Figura 96 – Exemplo 7.8

Fonte: adaptada de Martha (2010)


124 UNIUBE

Com esses deslocamentos da barra 1, axial e transversal, é pos-


sível determinar os valores dos momentos e forças que atuam em
suas extremidades por meio dos coeficientes de rigidez locais das
soluções fundamentais para barras isoladas (soluções fundamen-
tais para a barra AB, ilustrados na Figura 97). Estes valores estão
apresentados na Figura 98.

Figura 97 – Exemplo 7.9

Fonte: o autor

Figura 98 – Exemplo 7.10

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Os coeficientes de rigidez global K12, K22 e K32 são obtidos somando


os coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sen-
tido da deslocabilidade. Portanto, os coeficientes de rigidez local
do ponto B devem ser decompostos nos eixos horizontal e vertical
para os cálculos do K12 e K22, respectivamente.
UNIUBE 125

Assim,

Caso (3) – Deslocabilidade D3 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-se


todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índi-
ce 3. Assim, D3=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).

Figura 99 – Exemplo 7.11

Fonte: adaptada de Martha (2010)

A imposição da deslocabilidade 3 igual a um não proporciona


translação do ponto B em nenhuma das direções. Assim, o cál-
culo dos coeficientes de rigidez local torna-se simples como
apresentado a seguir.
126 UNIUBE

Figura 100 – Exemplo 9.2

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Os coeficientes de rigidez global K13, K23 e K33 são obtidos somando


os coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sen-
tido da deslocabilidade. Portanto, os coeficientes de rigidez local
do ponto B devem ser decompostos nos eixos horizontal e vertical
para os cálculos do K13 e K23, respectivamente.

Assim,
UNIUBE 127

Equações de equilíbrio

Com a resolução deste sistema, podem-se obter os valores das des-


locabilidades D1, D2 e D3, e a partir delas, os diagramas e reações.

5.2 Método dos deslocamentos aplicado


a barras infinitamente rígidas

Reflita
Na análise de um prédio para cargas laterais (de vento,
por exemplo), pode-se considerar que o conjunto de lajes
e vigas de um pavimento do prédio forma um diafragma
rígido quando o pórtico se desloca lateralmente. Em outras
palavras, em situações especiais o pavimento pode ser conside-
rado como um elemento infinitamente rígido em comparação com
as colunas do prédio (elementos estruturais que têm deformações
transversais por flexão).

Considerando que as colunas do pórtico da Figura 101 são inex-


tensíveis, os nós do pavimento do pórtico só podem se deslocar na
direção horizontal. Isso impede a rotação da viga como um corpo
rígido. Portanto, o único movimento que a viga infinitamente rígida
pode ter é o deslocamento horizontal como mostrado
128 UNIUBE

Figura 101 – Pórtico com uma viga infinitamente rígida


Fonte: adaptada de Martha (2010)

Pode haver situações em que a barra infinitamente rígida esteja


na posição dos pilares. Nestas situações, a análise deve ser feita
como apresentado na Figura 102. Se o pilar estiver engastado, en-
tão o mesmo não sofrerá qualquer rotação.

Figura 102 – Pórtico com um pilar infinitamente rígido

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Várias opções poderiam ser encontradas para impedir a deslocabi-


lidade D1, por exemplo, inserir apoio de primeiro gênero na direção
da viga horizontal, ou então inserir uma chapa rígida no apoio de
segundo gênero na qual se apoia o pilar com rigidez infinita.
UNIUBE 129

5.2.1 Exemplo de aplicação 8 (SUSSEKIND, 1987)

Obter o diagrama de momentos fletores para o quadro da Figura


103. Considerar EI=6t.m². A barra com espessura mais grossa e
hachurada, é a barra com rigidez infinita.

Figura 103 – Exemplo 8.0

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Identificação das deslocabilidades e Sistema Hipergeométrico

Tendo a barra AB inércia infinita fica impedida as rotações dos nós


A e B; desta forma, a única deslocabilidade interna será a rotação
do nó C. Externamente, a estrutura tem uma deslocabilidade, que
é o deslocamento horizontal da barra AB. Assim sendo, o sistema
hipergeométrico é o da Figura 104. Levando em conta a simplifica-
ção que as barras são inextensíveis, o ponto C torna-se indeslocá-
vel pelos engastes em D e E.
130 UNIUBE

Figura 104 – Exemplo 8.1

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Caso (0) – Solicitação externa isolada no SH

O caso (0) isola o efeito da solicitação externa, isto é, do carrega-


mento aplicado. Dessa forma, as cargas externas são aplicadas no
SH com D1=0, D2=0 e D3=0.

O cálculo dos termos de carga é feito por meio da tabela de mo-


mento fletor para vigas engastadas apresentadas anteriormente.

A única carga da estrutura estará atuando na barra AB, conforme


apresentado na Figura 105.

Figura 105 – Exemplo 8.2

Fonte: o autor
UNIUBE 131

Portanto, a única reação que ocorrerá na estrutura é a horizontal no


ponto B e será igual a 3t no sentido da direita para a esquerda. A
figura que ilustra todas as reações e momentos calculados no caso
(0) é a Figura 106.

Figura 106 – Exemplo 8.3

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

O termo de carga é igual ao somatório de momentos no ponto


onde foi inserida a chapa rígida fictícia. Lembrando que o primeiro
índice refere-se ao número de ordem da deslocabilidade e o segun-
do índice ao caso analisado. Assim,

Já o termo de carga é igual ao somatório das reações que estão


na direção da deslocabilidade D2. Assim,

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH


Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-se
todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índi-
ce 1. Assim, D1=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).
132 UNIUBE

Neste caso será analisada barra por barra identificando em cada


uma delas os coeficientes de rigidez locais. A primeira barra a ser
analisada será a barra AC, conforme ilustra a Figura 107.

Figura 107 – Exemplo 10.4

Fonte: o autor

Análise da barra CE (barra 4):

Figura 108 – Exemplo 8.5

Fonte: o autor
UNIUBE 133

Análise da barra CD (barra 3):

Figura 109 – Exemplo 8.6

Fonte: o autor

A Figura 110 ilustra os momentos que foram calculados até o mo-


mento para o caso (1).
134 UNIUBE

Figura 110 – Exemplo 8.7

Fonte: o autor

Os coeficientes de rigidez global K11 e K21 são obtidos somando os


coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sentido da
deslocabilidade.

Assim,

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo o carregamento externo e faz-se


todas as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índi-
ce 2. Assim, D2=1 atuando em seu sentido positivo (da esquerda
para a direita).
UNIUBE 135

Neste caso será analisada barra por barra identificando em cada


uma delas os coeficientes de rigidez locais. A primeira barra a ser
analisada será a barra BE, conforme ilustra a Figura 111.

Figura 111 – Exemplo 8.8

Fonte: o autor

Análise da barra AC.


136 UNIUBE

Figura 112 – Exemplo 8.9

Fonte: o autor

A Figura 113 ilustra os momentos e reações que foram calculados


até o momento para o caso (2).

Figura 113 – Exemplo 8.10

Fonte: o autor
UNIUBE 137

Os coeficientes de rigidez global K12 e K22 são obtidos somando os


coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sentido da
deslocabilidade.

Assim,

Equações de equilíbrio

Com a resolução deste sistema, obtêm-se os valores das desloca-


bilidades D1 e D2, e a partir delas, o diagrama de momento fletor.

Os momentos finais estão ilustrados pela Figura 114.

Figura 114 – Exemplo 8.11

Fonte: Sussekind (1987, p.65)


138 UNIUBE

Tais diagramas podem ser obtidos mediante a equação a seguir.

Ou então, calcular as reações de apoio e, a partir delas, obter os


diagramas e esforços.

Considerações finais

Talvez, as maiores dificuldades nos cálculos do Método dos


Deslocamentos apareceram em estruturas com barras inclinadas
e/ou infinitamente rígidas. O maior problema em situações com
barras inclinadas foi projetar os deslocamentos, impostos em cada
caso básico, nas direções locais das barras, e, depois, projetar os
coeficientes de rigidez locais nos eixos globais da estrutura.

Nos problemas em que há presença de barras rígidas, a grande difi-


culdade estava em definir as deslocabilidades e na interpretação das
deformadas em cada caso básico. Uma barra rígida pode impedir tan-
to uma deslocabilidade interna, quanto uma externa, assim, deve ser
feita uma análise minuciosa na definição do Sistema Hipergeométrico.

Outro ponto destacado quando se tem barras rígidas nas estrutu-


ras, estava na identificação das deformações das barras nos casos
básicos. A ligação das barras deformáveis com as rígidas é que
estabelecem como será a linha elástica das vigas e pilares. Isto é
muito importante para saber quais situações fundamentais deverão
ser utilizadas nos cálculos dos coeficientes de rigidez locais.

Diante do exposto, somente a resolução de vários exercícios po-


derá fazer com que o(a) aluno(a) consiga fixar e compreender o
comportamento das estruturas com estas configurações.
Método dos
Capítulo
6
deslocamentos aplicado
em estruturas com
deslocamentos prescritos
Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Muitas vezes, somos solicitados para verificar situações
em que houve algum recalque de apoios em estruturas,
chamados de deslocamentos prescritos, que podem gerar
esforços internos adicionais nos elementos da construção.
Quando uma estrutura é isostática, por exemplo, uma viga
engastada, que sofreu um deslocamento prescrito vertical
no seu apoio, não haverá acréscimo de esforços interno,
pois como a extremidade livre não é restringida por nenhum
apoio, toda a estrutura irá se deslocar no sentido do recalque,
ou seja, houve somente um deslocamento de corpo rígido.
A mesma análise pode ser feita para uma viga bi apoiada,
porém a viga sofrerá uma rotação, uma vez que os apoios
são considerados ligações rotuladas.
Entretanto, quando se consideram estruturas hiperestáticas
com recalques, devido às restrições de deslocamentos
impostas pelos apoios, a estrutura fica impedida de se
deslocar nas direções dos vínculos, provocando deformações
na estrutura e em contrapartida tensões internas.
Os esforços internos inerentes dos recalques de apoios podem
atingir valores tão altos, combinados com os carregamentos
externos, que podem levar a estrutura ao colapso. Devido a
isto, que o assunto deste capítulo torna-se importante.
Neste capítulo será apresentado alguns exemplos de
aplicação que demostram como deve ser feita a análise de
estruturas submetidas a recalques de apoio utilizando-se do
Método dos Deslocamentos.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e exemplos
de aplicação apresentados no livro de Sussekind (1987)
e apostila do professor Oliveira Júnior da PUC de Goiás,
disciplina de Teoria das Estruturas II, feitas as devidas
considerações do autor deste material.

Objetivos
• Aplicar a rotina de cálculo do Método dos Deslocamentos
às estruturas que sofreram deslocamentos prescritos;
• Compreender como os deslocamentos prescritos
deformam as barras das estruturas no caso (0);
• Compreender que esforços internos são acrescidos à
estrutura que sofre deslocamento prescrito.

Esquema
• Método dos Deslocamentos Aplicados a Estruturas com
Deslocamentos Prescritos
• Exemplo de aplicação 9
• Exemplo de aplicação 10

6.1 Método dos deslocamentos aplicado em


estruturas com deslocamentos prescritos

O deslocamento prescrito pode ser linear ou de rotação e,


como qualquer outra ação externa, pode ter seu efeito consi-
derado no caso (0) por meio dos cálculos dos coeficientes de
rigidez locais para cada barra utilizando as soluções funda-
mentais apresentadas anteriormente.
UNIUBE 141

No caso de rotação, esses coeficientes são facilmente determina-


dos a partir dos coeficientes de rigidez de flexão de barra que foi
definido como igual ao momento para provocar rotação unitária em
uma de suas extremidades da barra, mantidos os demais desloca-
mentos de extremidades nulo.

No caso de deslocamento linear, desprezando as deformações


do esforço normal (barras inextensíveis), não é possível utilizar
diretamente o referido procedimento. Tem-se que determinar os
deslocamentos ortogonais relativos de cada barra associado ao
deslocamento prescrito linear e introduzir no caso (0) os esforços
provocados por esses deslocamentos ortogonais.

Reflita
Quando não for possível a identificação imediata desses
deslocamentos ortogonais, utiliza-se o gráfico de Williot.
Sussekind (1987), nos volumes II e III, apresenta uma me-
todologia para o uso deste gráfico.

6.1.1 Exemplo de aplicação 9 (OLIVEIRA JÚNIOR)

O apoio C da viga contínua a seguir sofre um recalque para bai-


xo igual a 10 cm. Trace os diagramas de esforços internos para o
pórtico, considerando que as barras AB, BC e CD possuem, res-
pectivamente, rigidez à flexão EI=10.000kN.m², EI=20.000kN.m² e
EI=25.000kN.m². Todas as barras são inextensíveis.
142 UNIUBE

Figura 115 – Exemplo 9.0

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Identificação das deslocabilidades e Sistema Hipergeométrico

A identificação das deslocabilidades para um caso de recalque de


apoio se dá da mesma forma que vem sendo feito até o momento,
ou seja, definindo as deslocabilidades internas e externas. Como o
apoio A e D é do terceiro gênero, não há nenhuma deslocabilidade
nestes. Já os nós B e C, são apoios de segundo e primeiro gênero,
portanto, permite a deslocabilidade do tipo rotação, e, por conside-
rar as barras inextensíveis, estas deslocabilidades são as únicas
da estrutura. Desta forma, define-se o Sistema Hipergeométrico
conforme Figura 116.

Figura 116 – Exemplo 9.1

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Caso (0) – Solicitação externa isolada no SH

O caso (0) isola o efeito da solicitação externa, isto é, do carrega-


mento aplicado. Dessa forma, as cargas externas são aplicadas no
SH com D1=0 e D2=0.
UNIUBE 143

Como na viga não há carregamento, o único efeito externo a ser


calculado na estrutura é o deslocamento prescrito do nó C de 10cm
para baixo. Os efeitos são calculados de acordo com os desloca-
mentos ortogonais relativos de cada barra associado ao desloca-
mento prescrito linear. Assim, devido os nós B e D serem fixos (com
a inserção dos apoios fictícios) as únicas barras que serão afeta-
das pelo recalque em C, e são calculadas conforme segue.

Cálculo da barra BC.

Figura 117 – Exemplo 9.2

Fonte: o autor

Cálculo da barra CD.


144 UNIUBE

Figura 118 – Exemplo 9.3

Fonte: o autor

Resumo das reações e momentos do caso (0).

Figura 119 – Exemplo 9.4

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

O termo de carga é igual ao somatório de momentos no ponto


onde foi inserida a chapa rígida fictícia 1. Assim,
UNIUBE 145

Já o termo de carga é igual ao somatório de momentos no pon-


to onde foi inserida a chapa rígida fictícia 2. Assim,

PARADA OBRIGATÓRIA

Se houvesse carregamento atuando na estrutura, deveriam ser


calculados os momento e reações para o caso de engastamento
perfeito e somado seus valores aos calculados para o recalque nos
termos de cargas.

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo a solicitação externa e faz-se to-


das as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índice
1. Assim, D1=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).

A primeira barra a ser analisada será a barra AB, conforme ilustra


a Figura 120.

Figura 120 – Exemplo 9.5

Fonte: o autor
146 UNIUBE

Análise da barra BC (barra 2):

Figura 121 – Exemplo 9.6

Fonte: o autor

A Figura 122 ilustra os momentos e reações que foram calculados


até o momento para o caso (1).

Figura 122 – Exemplo 9.7

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)


UNIUBE 147

Os coeficientes de rigidez global K11 e K21 são obtidos somando os


coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sentido da
deslocabilidade.

Assim,

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se toda a solicitação externa e faz-se to-


das as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índice
2. Assim, D2=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).

A primeira barra a ser analisada será a barra BC, conforme ilustra


a Figura 123.

Figura 123 – Exemplo 9.8


Fonte: o autor
148 UNIUBE

Análise da barra CD (barra 3):

Figura 124 – Exemplo 9.9

Fonte: o autor

A Figura 125 ilustra os momentos e reações que foram calculados


até o momento para o caso (2).

Figura 125 – Exemplo 9.10

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)


UNIUBE 149

Os coeficientes de rigidez global K12 e K22 são obtidos somando os


coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sentido da
deslocabilidade.

Assim,

Equações de equilíbrio

Com a resolução deste sistema, obtêm-se os valores das desloca-


bilidades D1 e D2, e a partir delas, os diagramas e reações.

Os diagramas e reações finais são obtidos pela equação a seguir.

Cálculo dos momentos fletores:


150 UNIUBE

Em resumo, os valores são apresentados na Figura 135.

Figura 126 – Exemplo 9.11

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

RELEMBRANDO

Lembrando que os momentos são positivos no sentido anti-ho-


rário. Verificar tabela de convenção de sinais apresentada no
primeiro capítulo.

Assim, o diagrama final fica configurado conforme Figura 127.

Figura 127 – Exemplo 9.12

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)


UNIUBE 151

Cálculo dos esforços cortantes:

Em resumo, os valores são apresentados na Figura 128. Lembrando


que os momentos são positivos no sentido anti-horário.

Figura 128 – Exemplo 9.13

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Assim, o diagrama final fica configurado conforme Figura 129.

Figura 129 – Exemplo 9.14

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)


152 UNIUBE

6.1.2 Exemplo de aplicação 10 (OLIVEIRA JÚNIOR)

O apoio E do pórtico plano a seguir sofre um recalque igual a 2 cm


da esquerda para a direita. Determine as reações de apoio e trace os
diagramas de esforços internos para o pórtico considerando que as
barras possuem rigidez à flexão EI=12000kN.m² e são inextensíveis.

Figura 130 – Exemplo 10.0

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Identificação das deslocabilidades e Sistema Hipergeométrico

Como o apoio A e C é do terceiro gênero, não há nenhuma deslo-


cabilidade nestes nós. O apoio E é de segundo gênero, porém está
em uma extremidade sendo considerado rotulado, não precisando
assim considerar a deslocabilidade do tipo rotação. As barras 2
e 4, entre os nós B e E, tem o deslocamento horizontal travado
pelo apoio em E. Já os nós B e D, tem o deslocamento vertical
travado pelos engastes A e C, respectivamente, porém, nada impe-
de destes nós rotacionarem. Portanto, as únicas deslocabilidades
são as rotações no nós B e D. Desta forma, define-se o Sistema
Hipergeométrico conforme Figura 131.
UNIUBE 153

Figura 131 – Exemplo 10.1

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Caso (0) – Solicitação externa isolada no SH

O caso (0) isola o efeito da solicitação externa, isto é, do carrega-


mento aplicado. Dessa forma, as cargas externas são aplicadas no
SH com D1=0 e D2=0.

Como na viga não há carregamento, o único efeito externo a ser


considerado na estrutura é o deslocamento prescrito do nó E de
2cm da esquerda para a direita. Os efeitos são calculados de acor-
do com os deslocamentos ortogonais relativos de cada barra asso-
ciado ao deslocamento prescrito linear. Como todas as barras são
inextensíveis, em específico as barras 2 e 4, as mesmas somente
sofrerão deslocamento de corpo rígido, não gerando esforços inter-
nos nas mesmas. Mas devido os nós A e C serem fixos as barras
que serão afetadas pelo recalque em E são as barras 1 e 3, e são
calculadas conforme segue.

Cálculo da barra AB (barra 1):


154 UNIUBE

Figura 132 – Exemplo 10.2

Fonte: o autor

Cálculo da barra CD.

Figura 133 – Exemplo 10.3


Fonte: o autor
UNIUBE 155

Resumo das reações e momentos do caso (0).

Figura 134 – Exemplo 10.4

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

O termo de carga é igual ao somatório de momentos no ponto


onde foi inserida a chapa rígida fictícia 1. Assim,

Já o termo de carga é igual ao somatório de momentos no pon-


to onde foi inserida a chapa rígida fictícia 2. Assim,
156 UNIUBE

Caso (1) – Deslocabilidade D1 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se todo a solicitação externa e faz-se to-


das as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índice
1. Assim, D1=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).

A primeira barra a ser analisada será a barra AB, conforme ilustra


a Figura 135.

Figura 135 – Exemplo 10.5

Fonte: o autor

Análise da barra BD (barra 2):


UNIUBE 157

Figura 136 – Exemplo 10.6

Fonte: o autor

A Figura 137 ilustra os momentos e reações que foram calculados


até o momento para o caso (1).

Figura 137 – Exemplo 10.7

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Os coeficientes de rigidez global K11 e K21 são obtidos somando os coeficien-


tes de rigidez locais que estiverem atuando no sentido da deslocabilidade.
158 UNIUBE

Assim,

Caso (2) – Deslocabilidade D2 isolada no SH

Neste caso, desconsidera-se toda a solicitação externa e faz-se to-


das as deslocabilidades iguais a zero, com exceção da com índice
2. Assim, D2=1 atuando em seu sentido positivo (anti-horário).

A primeira barra a ser analisada será a barra BD, conforme ilustra


a Figura 138.

Figura 138 – Exemplo 10.8

Fonte: o autor
UNIUBE 159

Análise da barra CD (barra 3):

Figura 139 – Exemplo 10.9

Fonte: o autor

Análise da barra DE (barra 4):

Figura 140 – Exemplo 10.10

Fonte: o autor
160 UNIUBE

A Figura 141 ilustra os momentos e reações que foram calculados


até o momento para o caso (2).

Figura 141 – Exemplo 10.11

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Os coeficientes de rigidez global K12 e K22 são obtidos somando os


coeficientes de rigidez locais que estiverem atuando no sentido da
deslocabilidade.

Assim,
UNIUBE 161

Equações de equilíbrio

Com a resolução deste sistema, obtêm-se os valores das desloca-


bilidades D1 e D2, e a partir delas, os diagramas e reações.

Os diagramas e reações finais são obtidos pela equação a seguir.

Cálculo das reações:

A partir destas reações podem-se desenhar todos os diagramas de


esforços interno, como mostrados nas Figuras 142, 143 e 144, res-
pectivamente, momento fletor, esforço cortante e esforço normal.
162 UNIUBE

Figura 142 – Exemplo 10.12

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Figura 143 – Exemplo 10.13

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)

Figura 144 – Exemplo 10.14

Fonte: adaptada de Oliveira Júnior (2016)


UNIUBE 163

Tais diagramas podem ser obtidos mediante a equação a seguir.

Ou então, calcular as reações de apoio e, a partir delas, obter os


diagramas e esforços.

Considerações finais

Recalque de apoio é uma das principais causas de patologias em


concreto armado, junto com falhas de projetos e corrosões de ar-
maduras, por isso a importância do estudo destas situações.

Quando se trata de estruturas hiperestáticas – a maioria dos casos –


os deslocamentos prescritos nos apoios, pelo fato dos deslocamentos
de corpo rígido estar restringidos pelos vínculos, provocarão o acrés-
cimo dos esforços internos na estrutura e, consequentemente, o au-
mento nas tensões normais e tangenciais, podendo levar ao colapso.

Após verificar os exemplos de aplicação apresentados neste capí-


tulo, percebe-se, que os deslocamentos prescritos atuam no caso
(0), considerando-o uma solicitação externa. Como não são forças,
deixa-se de utilizar as tabelas de engastamento perfeito e usam-se
as soluções fundamentais para os cálculos das forças e momentos
reativos para o cálculo dos termos de cargas.

Somente a situação descrita no parágrafo anterior difere as situ-


ações com recalques das estruturas normais. Os casos básicos
são calculados da mesma forma que vêm sendo calculado até este
capítulo. Portanto, todas as conclusões feitas nos outros capítulos,
também valem para este.
Processo de cross
Capítulo
7

Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Este processo é baseado no Método dos Deslocamentos e
só se aplica para estruturas sem deslocabilidades externas
(do tipo translação), isto é, ele só se aplica a estruturas com
barras inextensíveis e que só tenham deslocabilidades do
tipo rotação. Apesar desta limitação, o método criado por
Hardy Cross na década de 1930 ainda é utilizado hoje para o
cálculo de estruturas.
O processo possibilitou a solução manual de estruturas
hiperestáticas em um momento em que estruturas de
concreto armado estavam se tornando muito comuns. O
concreto armado propicia a criação de pórticos com ligações
contínuas, com alto grau de hiperestaticidade.
Neste processo não se tem a resolução explícita de um
sistema de equações de equilíbrio, como apresentado
pelo Método dos Deslocamentos dos capítulos anteriores,
obtendo-se em procedimentos de aproximações sucessivas
os momentos fletores nas extremidades das barras.
O Processo de Cross é facilmente implementado em planilhas
do tipo Excel, portanto, os alunos que possuírem o domínio
deste software possuirão consigo uma ferramenta poderosa
para auxiliar as análises de estruturas, na qual rapidamente
poderão solucionar diversos tipos de problemas.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e exemplos
de aplicação apresentados nos livros de Sussekind
(1987), Martha (2010) e Soriano (2006), feitas as devidas
considerações do autor deste material.

Objetivos
• Definir o que é o Processo de Cross;
• Apresentar os principais conceitos do Processo de
Cross;
• Identificar as principais diferenças com o Método dos
Deslocamentos;
• Compreender o Processo de Cross com a resolução de
exemplos de aplicações.

Esquema
• Processo de Cross
• Exemplo de aplicação 11
• Exemplo de aplicação 12

7.1 Processo de cross


Para entender o processo é preciso a compreensão da distribuição
de momentos fletores em um nó. Para isto, partiremos do exemplo
a seguir para as discussões sobre o assunto.

Figura 145 – Aplicação de um momento externo em um nó com rotação liberada

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)


UNIUBE 167

Seja o nó A da estrutura, representada na Figura 145, submetido à


ação de uma carga momento M. Devido à atuação deste momento
M, o nó irá girar de um ângulo D1, aparecendo então, na extremida-
de das barras 1, 2, 3 e 4 os momentos de módulos iguais (conforme
a definição de rigidez de uma barra em um nó) a:

Sendo Ki os coeficientes de rigidez a rotação para a barra i.

RELEMBRANDO
De acordo com as soluções fundamentais para barras isoladas, quando
uma extremidade engastada sofre uma rotação, têm-se as seguintes situ-
ações apresentadas na Figura 146 (rotação no engaste à direita).

a. barra bi engastada

b. barra rotulada em uma extremidade

Figura 146 – Soluções fundamentais de uma bar-

ra com rotação em uma extremidade

Fonte: o autor
168 UNIUBE

Assim, tem-se que os coeficientes de rigidez à rotação apresenta-


dos anteriormente são iguais a:

Em resumo, para barras sem articulação e para barras


com articulação oposta à extremidade que sofre o giro é .

Evidentemente, devemos ter, por compatibilidade estática do es-


quema da Figura 145:

Daí, obtemos:

Identificando o termo entre parêntesis como a soma dos valores


dos coeficientes de rigidez à rotação em A de todas as barras con-
correntes neste nó, e à qual chamaremos simplificadamente, ,
podemos escrever:

Substituindo este valor nas primeiras equações apresentadas nes-


te capítulo, temos:

Ou seja:
UNIUBE 169

IMPORTANTE!

Da expressão anterior, podemos tirar a seguinte conclusão:

“Uma carga-momento aplicada num nó de uma estrutura totalmen-


te indeslocável irá se distribuir, entre as diversas barras concorren-
tes neste nó, segundo parcelas proporcionais à rigidez, neste nó,
de cada uma destas barras” (SUSSEKIND, 1987, p. 182).

A relação (simbolizando a fração do momento atuante no nó


que irá para a barra i) denominaremos coeficiente de distribuição
de momentos para a barra i, escrevendo-se, então:

O que também nos permite escrever:

Evidentemente, a soma dos coeficientes de distribuição de mo-


mentos em tomo de um nó é igual a 1.
Assim, temos os valores de momentos redistribuídos conforme
ilustra a Figura 147.

Figura 147 – Momentos fletores finais nas extremidades das barras da estrutura

Fonte: adaptada de Martha (2010)


170 UNIUBE

Da Figura 146, percebe-se, na parte “a”, que o momento fletor na


extremidade que não sofreu a rotação é igual à metade do momen-
to na outra extremidade. E que na parte “b” o momento na rótula é
igual a zero.

Define-se, então, o coeficiente de transmissão de momento da


barra i:

 Coeficiente de transmissão de momento para barra com


EI constante e sem articulação.

 Coeficiente de transmissão de momento para barra com


extremidade oposta articulada.

Da multiplicação destes coeficientes com os momentos no nó A


é que são obtidos os momentos apresentados nas extremidades
opostas a este nó na Figura 147.

Discutiremos agora mais um caso (SUSSEKIND, 1987), o qual nos


será, por meio dele, enunciar um roteiro para resolução de qual-
quer estrutura externamente indeslocável pelo processo de Cross.

Seja resolver a viga de inércia constante da Figura 148, devido ao


carregamento indicado.

Figura 148 – Viga contínua

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)


UNIUBE 171

Em se tratando de uma estrutura com duas deslocabilidades internas


- rotação dos nós B e C - o sistema hipergeométrico é o da Figura
149, no qual bloqueamos as rotações existentes nestes nós com as
chapas 1 e 2 surgindo nele, então, os momentos de engastamento
perfeito indicados na mesma figura (calculados pelas fórmulas apre-
sentadas na tabela de momentos de engastamento do Capítulo I).

Figura 149 – Sistema principal e momentos de engastamento perfeito

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Pensando, em se adotar um procedimento análogo ao do exemplo


estudado anteriormente, calculemos os coeficientes de distribuição
de momentos em torno dos nós B e C. Os coeficientes de distribui-
ção de momento estão indicados em cada nó na Figura 150. Os
cálculos destes coeficientes para os nós são:

Figura 150 – Coeficientes de distribuição

Fonte: adaptada de Sussekind (1987)

Agora será apresentado o raciocínio a ser adotado nos exercícios


do Processo de Cross.
172 UNIUBE

Figura 151 – Momentos finais obtidos pelo Processo de Cross

Fonte: o autor

O processo mostrado na Figura 151 inicia no Estágio 0, que corres-


ponde a uma situação de engastamento perfeito. Os valores dos
momentos fletores iniciais nas barras são determinados com base
nas equações de engastamento perfeito. Observa-se que existe
desequilíbrio de:

no nó B. e no nó C,

Estagio 1) O primeiro nó é equilibrado, com a liberação da rotação


na chapa 1.
UNIUBE 173

DICAS

No caso geral de uma estrutura com várias deslocabilidades, não


existe uma ordem preferencial para equilíbrio dos nós: qualquer nó
desequilibrado pode ser o próximo a ser equilibrado. Entretanto, o
processo converge mais rapidamente se em cada estágio o nó que
tiver o maior desequilíbrio em módulo naquele instante for o nó a
ser equilibrado.

O equilíbrio do primeiro nó resulta nas seguintes parcelas


equilibrantes:

Inverte-se sempre o sinal do momento desequilibrado para equi-


librar o nó. Por isso o sinal positivo dos valores equilibrados dos
momentos apresentados anteriormente.

Devido ao aparecimento destes momentos equilibrantes, será


transmitido ao nó C (que está engastado, pois não foi liberada a
rotação da chapa 2) um momento igual a 0,5 X (+9,6) = +4,8t.m.
(Para o nó A, não é transmitido qualquer momento, por se tratar de
um nó rotulado).

O nó B, com os momentos de 5,4t.m e 9,6t.m está equilibrado e


colocaremos então, um traço abaixo dos mesmos para caracteri-
zar o equilíbrio. O esquema atual será, então, o da Figura 152 que
transcreveremos para a Figura 151.
174 UNIUBE

Figura 152 – Estágio 1 (equilíbrio do nó B)

Fonte: o autor

Estágio 2) Estando equilibrado o nó B (Figura 152), voltamos a co-


locar a chapa 1 impedindo novas rotações do mesmo; a estrutura
do sistema hipergeométrico não está ainda equilibrada, pois o nó C
não está em equilíbrio.

Para conseguirmos, agora, o equilíbrio do nó C, liberamos a rotação


da chapa 2, ficando o mesmo submetido a uma carga-momento de
(16 + 4,8 - 9) = +11,8t.m . Esta será equilibrada por momentos iguais a:

Inverte-se sempre o sinal do momento desequilibrado para equi-


librar o nó. Por isso o sinal negativo dos valores equilibrados dos
momentos apresentados anteriormente.

Como nas extremidades B e D estão impedidas as rotações (pois,


nesta fase, estamos liberando, apenas, a rotação da chapa 2), nelas
aparecerão momentos iguais ao produto dos momentos equilibrantes
pelos coeficientes de transmissão, ti (iguais no caso, a + 0,5).

Assim sendo, o nó C está em equilíbrio e ficamos com o esquema


da Figura 153, transcrito na Figura 151.
UNIUBE 175

Figura 153 – Estágio 2 (equilíbrio do nó C)

Fonte: o autor

Estágio 3) Tendo ficado equilibrado, agora, o nó C (Figura 153),


voltamos a colocar a chapa 2, impedindo novas rotações do mes-
mo. O esquema da Figura 153 nos mostra, entretanto, que o nó B
ficou desequilibrado. Para equilibrá-lo, liberamos, mais uma vez a
rotação da chapa 1, ficando o nó submetido a uma carga-momento
de (-3,363 t.m), que é equilibrada por momentos iguais a:

Para o nó C da barra 2, será transmitido um momento igual a


(+2.152 X 0,5) = +1,076t.m e ficamos, então, com o esquema da
Figura 154, no qual o nó B foi, mais uma vez, equilibrado.

Figura 154 – Estágio 3 (equilíbrio do nó B)

Fonte: o autor
176 UNIUBE

Estágio 4) Estando equilibrado o nó B (Figura 154), voltamos a co-


locar a chapa 1 impedindo novas rotações do mesmo; a estrutura
do sistema hipergeométrico não está ainda equilibrada, pois o nó C
não está em equilíbrio.

Para conseguirmos, agora, o equilíbrio do nó C, liberamos a rota-


ção da chapa 2, ficando o mesmo submetido a uma carga-momen-
to de +1,076t.m. Esta será equilibrada por momentos iguais a:

Como nas extremidades B e D estão impedidas as rotações (pois,


nesta fase, estamos liberando, apenas, a rotação da chapa 2), nelas
aparecerão momentos iguais ao produto dos momentos equilibrantes
pelos coeficientes de transmissão, ti (iguais no caso, a + 0,5).

Assim sendo, o nó C está em equilíbrio e ficamos com o esquema


da Figura 155, transcrito na Figura 151.

Figura 155 – Estágio 4 (equilíbrio do nó C)

Fonte: o autor

Assim, faz-se sucessivamente o equilíbrio de cada nó separada-


mente, sempre bloqueando as rotações dos outros, como foi feito
nos Estágios 3 e 4, até obter a precisão que se deseja.
UNIUBE 177

Para a obtenção dos momentos finais, devemos fazer a superpo-


sição (soma) de todos os momentos que apareceram nas diversas
fases do equilíbrio da viga, o que pode ser feito, diretamente, na
Figura 151, somando-se os valores indicados em coluna, obtendo-
se os valores finais apresentados na última linha.

Pela convenção de sinais apresentada no Capítulo I destacada na


Figura 156, podemos obter o diagrama de momento fletor como
ilustrado na Figura 166.

Figura 156 – Convenção de sinais para momento fletor

Fonte: adaptada de Martha (2010)

Figura 157 – Diagrama de momento fletor

Fonte: Sussekind (1987, p.195)


178 UNIUBE

7.1.1 Exemplo de aplicação 11 (SORIANO, 2006)

Determine o diagrama de momento fletor para o pórtico da Figura


158, já definido seu sistema Hipergeométrico.

Figura 158 – Estrutura do exemplo 11

Fonte: Soriano (2006, p.245)

Pensando, em se adotar um procedimento análogo ao do exemplo


estudado anteriormente, calculemos os coeficientes de distribuição
de momentos em torno dos nós D e E. Os coeficientes de distribui-
ção de momento estão indicados em cada nó na Figura 159, com
seus respectivos momentos de engastamento perfeito calculado a
partir da Tabela 1 (apresentada no Capítulo I). Os cálculos destes
coeficientes para os nós são:
UNIUBE 179

Figura 159 – Coeficientes de distribuição

Fonte: Soriano (2006, p.245)

Observa-se que existe desequilíbrio de:

no nó D, e no nó E,

No caso geral de uma estrutura com várias deslocabilidades, não


existe uma ordem preferencial para equilíbrio dos nós: qualquer nó
desequilibrado pode ser o próximo a ser equilibrado. Entretanto, o
processo converge mais rapidamente se em cada estágio o nó que
tiver o maior desequilíbrio em módulo naquele instante for o nó a
ser equilibrado, neste caso o nó D.

O primeiro nó é equilibrado, com a liberação da rotação na chapa


1. O equilíbrio do nó D resulta nas seguintes parcelas equilibrantes:
180 UNIUBE

Inverte-se sempre o sinal do momento desequilibrado para equi-


librar o nó. Por isso o sinal positivo dos valores equilibrados dos
momentos apresentados anteriormente.

Devido ao aparecimento destes momentos equilibrantes, será transmitido aos


nós A, B e E (que estão engastados, pois não foi liberada a rotação da chapa
2) momentos iguais a 0,5X(+21,33)=+10,66kN.m, 0,5X(+42,67)=+21,33kN.m
e 0,5X(+42,67)=+21,33kN.m, respectivamente.

O nó D, com os momentos de 21,33kN.m, 42,67kN.m e 42,67kN.m


está equilibrado e colocaremos então, um traço abaixo dos mes-
mos para caracterizar o equilíbrio. O esquema atual será, então, o
da Figura 160.

Figura 160 – Estágio 1 (equilíbrio do nó D)

Fonte: Soriano (2006, p.246)

Estando equilibrado o nó D (Figura 160), voltamos a colocar a cha-


pa 1 impedindo novas rotações do mesmo; a estrutura do sistema
hipergeométrico não está ainda equilibrada, pois o nó E não está
em equilíbrio.

Para conseguirmos, agora, o equilíbrio do nó E, liberamos a rotação


da chapa 2, ficando o mesmo submetido a uma carga-momento de
(-53,33+21,33)=-32,0kN.m. Esta será equilibrada por momentos iguais a:
UNIUBE 181

Inverte-se sempre o sinal do momento desequilibrado para equi-


librar o nó. Por isso o sinal negativo dos valores equilibrados dos
momentos apresentados anteriormente.

Como nas extremidades D e C estão impedidas as rotações (pois,


nesta fase, estamos liberando, apenas, a rotação da chapa 2), nelas
aparecerão momentos iguais ao produto dos momentos equilibrantes
pelos coeficientes de transmissão, ti (iguais no caso, a +0,5).

Assim sendo, o nó C está em equilíbrio e ficamos com o esquema


da Figura 161.

Figura 161 – Estágio 2 (equilíbrio do nó E)

Fonte: Soriano (2006, p.246)

Uma vez realizados o equilíbrio e a transmissão anteriores, o ponto D


fica desequilibrado em momento igual a +8kN.m que deve ser equili-
brado em -8,0X0,4=-3,2kN.m pela barra 2 e 3 e em -8,0X0,2=-1,6kN.m
pela barra 1, valores estes que são transmitidos às extremidades
opostas das barras em função de seus coeficientes de transmissão. O
equilíbrio de momentos e as respectivas transmissões continuam até
182 UNIUBE

que se atinja convergência de momentos nos nós D e E, com a preci-


são julgada adequada, como representado na Figura 162.

Figura 162 – Equilíbrio completo de momentos

Fonte: Soriano (2006, p.247)

Uma vez que se atinja convergência desejada, somam-se as par-


celas de momentos nas extremidades das diversas barras para ob-
ter os momentos fletores finais nessas extremidades como mostra
a Figura 162. Esses momentos e o correspondente diagrama estão
representados na Figura 163.

Figura 163 – Momentos Fletores finais

Fonte: Soriano (2006, p.247)


UNIUBE 183

7.1.2 Exemplo de aplicação 12 (SORIANO, 2006)

Determine o diagrama de momento fletor para o pórtico da Figura


164 pelo Processo de Cross, sabendo que E=2,1x107kN/m², o mo-
mento de inércia para barras horizontais é I=10-2m4, e as demais
barras têm I=1,4x10-2m4.

Figura 164 – Pórtico do exemplo 14

Fonte: Soriano (2006, p.249)

Substituindo o balanço pelo seu efeito estático tem-se o modelo


representado na parte esquerda da Figura 165. Na parte direita
dessa mesma figura, está representado o correspondente sistema
hipergeométrico do método dos deslocamentos, com a indicação
dos momentos de engastamentos perfeito calculados por meio das
fórmulas apresentadas na Tabela 1 do Capítulo I.
184 UNIUBE

Figura 165 – Modelo de análise do sistema hipergeométrico

Fonte: adaptada de Soriano (2006, p.249)

Os coeficientes de distribuição de momento estão indicados em


cada nó na Figura 166, com seus respectivos momentos de en-
gastamento perfeito calculado a partir da Tabela 1 (apresentada no
Capítulo I). Os cálculos destes coeficientes para os nós são:

Figura 166 – Coeficientes de distribuição e momentos de engastamento perfeito

Fonte: adaptada de Soriano (2006)


UNIUBE 185

Observa-se que existe desequilíbrio de:

no nó B, e no nó C,

No caso geral de uma estrutura com várias deslocabilidades, não


existe uma ordem preferencial para equilíbrio dos nós: qualquer nó
desequilibrado pode ser o próximo a ser equilibrado. Entretanto, o
processo converge mais rapidamente se em cada estágio o nó que
tiver o maior desequilíbrio em módulo naquele instante for o nó a
ser equilibrado, neste caso o nó B.

O primeiro nó é equilibrado, com a liberação da rotação na chapa


1. O equilíbrio do nó B resulta nas seguintes parcelas equilibrantes:

Inverte-se sempre o sinal do momento desequilibrado para equi-


librar o nó. Por isso o sinal positivo dos valores equilibrados dos
momentos apresentados anteriormente.

Devido ao aparecimento destes momentos equilibrantes, será


transmitido ao nó C (que está engastado, pois não foi liberada a
rotação da chapa 2) momento igual a 0,5X(-27,413)=-13,706kN.m.
186 UNIUBE

O nó B, com o momento de -27,413kN.m, -27,4137kN.m,


-23,041kN.m e -28,800kN.m está equilibrado e colocaremos então,
um traço abaixo dos mesmos para caracterizar o equilíbrio.

Estando equilibrado o nó B, voltamos a colocar a chapa 1 impedin-


do novas rotações do mesmo; a estrutura do sistema hipergeomé-
trico não está ainda equilibrada, pois o nó C não está em equilíbrio.

Para conseguirmos, agora, o equilíbrio do nó C, liberamos a rotação


da chapa 2, ficando o mesmo submetido a uma carga-momento de
(-13,706-106,667+44,8+100)=+24,427kN.m. Esta será equilibrada
por momentos iguais a:

Inverte-se sempre o sinal do momento desequilibrado para equi-


librar o nó. Por isso o sinal negativo dos valores equilibrados dos
momentos apresentados anteriormente.

Como na extremidade B C estão impedidas as rotações (pois, nes-


ta fase, estamos liberando, apenas, a rotação da chapa 2), nela
aparecerão momentos iguais ao produto do momento equilibrante
pelo coeficiente de transmissão, ti (iguais no caso, a +0,5).

Uma vez realizados o equilíbrio e a transmissão anteriores, o pon-


to B fica desequilibrado em momento igual a -5,96kN.m que deve
ser equilibrado em 5,96X0,257=1,532kN.m pela barra 2 e 1, em
5,96X0,216=1,287kN.m pela barra 3 e em 5,96X0,279= 1,609kN.m,
valores estes que são transmitidos às extremidades opostas das
barras em função de seus coeficientes de transmissão. O equilíbrio
de momentos e as respectivas transmissões continuam até que se
UNIUBE 187

atinja convergência de momentos nos nós D e E, com a precisão


julgada adequada, como representado na Figura 167.

Figura 167 – Equilíbrio completo de momentos

Fonte: Soriano (2006, p.250)

Uma vez que se atinja convergência desejada, somam-se as par-


celas de momentos nas extremidades das diversas barras para ob-
ter os momentos fletores finais nessas extremidades como mostra
a Figura 167. Esses momentos e o correspondente diagrama estão
representados na Figura 168.

Figura 168 – Momentos Fletores finais

Fonte: Soriano (2006, p.250)


188 UNIUBE

Importante atentar para a convenção de sinais apresentadas no


Capítulo I para o desenho do diagrama de momentos fletores. A
partir destes resultados, pode-se facilmente calcular as reações de
apoio para a estrutura.

Considerações finais

Diante dos exercícios expostos nota-se a grande facilidade dos


cálculos realizados mediante o Processo de Cross. O processo re-
sume-se em definir os coeficientes de distribuição de momentos e
o cálculo dos momentos de engastamento perfeito. O desenvolvi-
mento do problema se faz com simples multiplicações para equilí-
brio dos momentos nos nós.

Devido a isto, o Processo de Cross torna-se útil nas análises de


estruturas, que muitas vezes exige uma solução manual para veri-
ficação de algum resultado, uma vez que, facilmente, consegue-se
solucionar um problema sem a necessidade de montagem de um
sistema de equações de equilíbrio cheio de variáveis.

Se for estudada uma estrutura indeslocável com muitos nós inter-


nos, as incógnitas do problema serão todas as deslocabilidades
internas. A solução dele seria feita calculando-se os inúmeros ca-
sos básicos e os respectivos coeficientes de rigidez. Ao final, seria
necessária a montagem de um sistema composto por n equações
quando houver n deslocabilidades. Já Processo de Cross, em um
mesmo gráfico seria possível solucionar o mesmo problema, com
menos esforço de cálculo.
Introdução à análise
Capítulo
8
matricial de estrutura –
método da rigidez direta

Arthur Rosinski do Nascimento

Introdução
Neste capítulo, será apresentado o Método da Rigidez Direta,
um procedimento que fornece a base para a maioria dos
programas de computador utilizados para analisar estruturas.
O método pode ser aplicado em quase todos os tipos de
estrutura, por exemplo, treliças, vigas contínuas, pórticos
indeterminados, placas e cascas. Quando é aplicado em
placas e cascas (ou outros tipos de problemas que podem ser
subdivididos em elementos bidimensionais e tridimensionais),
o método é chamado de método dos elementos finitos.
Este capítulo subsidiará uma transição dos métodos clássicos
de análise manual, como o Método dos Deslocamentos ou
o Método das Forças, para a análise por computador, que
segue um conjunto de instruções programadas. Antes dos
computadores, as equipes de engenheiros podiam demorar
vários meses para produzir uma análise aproximada de um
pórtico espacial tridimensional altamente indeterminado.
Atualmente, entretanto, uma vez que o engenheiro especifique
as coordenadas dos nós, o tipo de nó (articulado ou fixo),
as propriedades das barras e a distribuição das cargas
aplicadas, o programa de computador pode produzir uma
análise exata em poucos minutos. A saída do computador
especifica as forças em todas as barras, as reações e os
componentes de deslocamento de nós e apoios.
Assim, este capítulo vem apresentar uma metodologia
altamente confiável, baseada no Método dos Deslocamentos,
para análises de estruturas que podem ser implementadas
em computadores para a análise estrutural.
Este capítulo será desenvolvido conforme teorias e exemplos
de aplicação apresentados no livro de Martha (2010) feitas
as devidas considerações do autor deste material.
Objetivos
• Apresentar o Método da Rigidez Direta;
• Compreender os principais conceitos da análise
matricial de estruturas;
• Comparar o Método da Rigidez Direta com o Método
dos Deslocamentos;
• Organizar o raciocínio para a montagem das matrizes
de rigidez global da estrutura, assim como a montagem
dos vetores de deslocamentos e forças nodais;
• Entender como é feito o cálculo das reações de apoio
pelo Método da Rigidez Direta.

Esquema
• Método da Rigidez Direta
• Sistema de coordenadas generalizadas
• Matriz de rigidez de uma barra no sistema local
• Matriz de rigidez local no sistema global
• Montagem da matriz de rigidez global
• Montagem das cargas nodais combinadas no vetor
das forças generalizadas globais
• Imposição de equilíbrio aos nós isolados
• Considerações das condições de apoio
UNIUBE 191

8.1 Método da rigidez direta

8.1.1 Sistema de Coordenadas Generalizadas

Uma das características mais marcantes do método dos deslocamen-


tos é a soma de contribuições de coeficientes de rigidez locais das
barras para compor os coeficientes de rigidez globais da estrutura.

Entretanto, para poder efetuar a soma de coeficientes de rigidez


locais de várias barras, é preciso que esses coeficientes estejam
definidos no mesmo sistema de eixos. Ocorre que os coeficientes
de rigidez locais se referem a direções dos eixos locais da barra.
Para somar os coeficientes de rigidez locais deve-se projetá-los
previamente para um sistema de eixos único.

Coordenadas generalizadas são direções associadas aos graus de


liberdade (ou deslocabilidades) de uma barra ou de uma estrutura.
As coordenadas generalizadas globais são as direções utilizadas
para definir os graus de liberdade globais (da estrutura). As coorde-
nadas generalizadas locais (do elemento de barra) são as direções
utilizadas para definir as deslocabilidades locais. Para uma barra,
as coordenadas generalizadas locais podem estar associadas tan-
to às direções dos eixos locais (ou do sistema local) quanto às dire-
ções dos eixos globais (ou do sistema global). A Figura 169 ilustra
a diferença entre os sistemas de coordenadas locais e globais.
192 UNIUBE

Figura 169 – Sistema de coordenadas

Fonte: Martha (2010, p.422)

8.1.2 Matriz de rigidez de uma barra no sistema local

RELEMBRANDO

: coeficiente de rigidez de barra no sistema local: força ou


momento que deve atuar em uma extremidade de uma barra iso-
lada, na direção da deslocabilidade , para equilibrá-la quando a
deslocabilidade é imposta (com valor unitário), isoladamen-
te, em uma das suas extremidades.

A Figura 170, no seu topo, a configuração deformada de uma barra


isolada e o conjunto de forças e momentos que atuam nas extremi-
dades da barra, paralelamente a seus eixos locais, para equilibrá-la
nessa configuração. Essas forças e momentos são definidos como:
UNIUBE 193

: força generalizada de barra no sistema local: força ou momento que


atua na direção da deslocabilidade de uma barra quando ela é isolada.

Figura 170 – Coeficientes de rigidez para viga bi engastada

Fonte: adaptada de Martha (2010)

A superposição de configurações deformadas elementares mos-


trada na Figura 170 resulta em uma relação entre cada força no-
dal generalizada e as deslocabilidades da barra. Por exemplo,
a força total é obtida pela soma das forças axiais na extremi-
dade esquerda da barra, resultando em:
. Analogamente, a força total é obtida pela soma das forças
transversais na extremidade esquerda da barra, resultando em:
194 UNIUBE

. Generalizando para todas


as forças e momentos que atuam nas extremidades da barra, po-
de-se escrever a seguinte relação matricial:

A Equação anterior também pode ser escrita de uma forma


condensada:

Sendo,

 vetor das forças generalizadas de barra no sistema lo-


cal: conjunto de forças e momentos que atuam nas extremidades
de uma barra (nas direções dos eixos locais) para equilibrá-la
quando isolada.

 matriz de rigidez de uma barra no sistema local: matriz


dos coeficientes de rigidez locais nas direções dos eixos locais.

 vetor das deslocabilidades de barra no sistema local: con-


junto de deslocabilidades de uma barra nas direções dos eixos locais.
UNIUBE 195

8.1.3 Matriz de rigidez local no sistema global

O objetivo desta seção é definir outra versão da matriz de rigidez


da barra. Esta versão relaciona forças e momentos que atuam nas
extremidades da barra, nas direções das coordenadas generaliza-
das globais, com deslocamentos e rotações das extremidades nas
mesmas direções, como apresentado na Figura 171, para uma bar-
ra com inclinação arbitrária dada pelo ângulo θ.

Figura 171 – Forças generalizadas e deslocabilidades no sistema global

Fonte: Martha (2010, p.422)

 deslocabilidade local (de barra) no sistema global: deslo-


camentos, na direção de um dos eixo globais X ou Y, ou rotação em
extremidade de uma barra.

Os índices 1 e 4 estão relacionados com deslocabilidades horizon-


tais, isto é, na direção do eixo global X. Os índices 2 e 5 são usados
para as deslocabilidades na direção do eixo vertical Y, e os índices
3 e 6 referem-se às rotações nas extremidades.

força generalizada local (de barra) no sistema global: força


ou momento que atua na direção da deslocabilidade de uma
barra para equilibrá-la quando ela é isolada.
196 UNIUBE

coeficiente de rigidez local (de barra) no sistema global:


força ou momento que deve atuar em uma extremidade de uma
barra isolada, na direção da deslocabilidade , para equilibrá-la
quando a deslocabilidade é imposta (com valor unitário),
isoladamente, em uma das suas extremidades.

De maneira análoga ao que foi feito na seção anterior, temos a se-


guinte relação matricial:

A Equação anterior também pode ser escrita de uma forma


condensada:

Sendo,

 vetor das forças generalizadas de barra no sistema glo-


bal: conjunto de forças e momentos que atuam nas extremidades
de uma barra (nas direções dos eixos globais) para equilibrá-la
quando isolada.

 matriz de rigidez de uma barra no sistema global:


matriz dos coeficientes de rigidez locais nas direções dos
eixos globais.
UNIUBE 197

 vetor das deslocabilidades de barra no sistema glo-


bal: conjunto de deslocabilidades de uma barra nas direções
dos eixos globais.

É possível formular uma transformação da matriz de rigidez no sis-


tema local de uma barra genérica, com qualquer inclinação, para a
matriz no sistema global. Para tanto, é preciso relacionar as deslo-
cabilidades da barra no sistema local com as deslocabilidades no
sistema global, como segue.

Figura 172 – Deslocabilidades no sistema local e global

Fonte: Martha (2010, p.424)

Com base na figura anterior, pode-se obter as deslocabilidades lo-


cais em função das globais:
198 UNIUBE

Essas relações podem ser representadas de forma condensada:

, sendo o vetor das deslocabilidades da barra no


sistema local e uma matriz de transformação por rotação:

A matriz é ortogonal, ou seja, . Por causa disso, po-


demos obter as deslocabilidades do sistema global da seguinte forma:

Uma análise semelhante pode ser feita para obtermos as forças


generalizadas do sistema global da seguinte forma:

Com base nestas equações, podemos chegar na seguinte relação,


muito importante para a montagem da matriz de rigidez global.

8.1.4 Montagem da matriz de rigidez global

O método dos deslocamentos determina a matriz de rigidez global


de um modelo por superposição de casos básicos. Em cada caso
UNIUBE 199

básico, é imposta uma configuração deformada que isola o efeito


de um grau de liberdade global.

Pode-se dizer que esse procedimento faz a montagem da matriz de


rigidez global por coluna, pois a j-ésima coluna da matriz de rigidez
global corresponde ao conjunto de forças e momentos que atua
nas direções das coordenadas generalizadas globais para equili-
brar a estrutura quando se impõe uma configuração deformada
com grau de liberdade .

A matriz de rigidez global é montada, considerando todos os graus


de liberdade, inclusive os que podem estar com restrições de apoio.

O procedimento característico do método da rigidez direta é o da


montagem da matriz por barra. Tais procedimentos montam a ma-
triz de forma direta, somando as contribuições das matrizes de
rigidez das barras, uma de cada vez, o que será explicado a seguir.

Este raciocínio pode ser generalizado da seguinte forma: os coefi-


cientes da matriz de rigidez de uma barra contribuem apenas
para os termos da matriz de rigidez global associados às co-
ordenadas generalizadas globais dos nós inicial e final da barra.

A Figura 174 mostra um exemplo para explicar como é feito o rela-


cionamento entre coordenadas generalizadas locais e globais. As
matrizes de rigidez locais das barras no sistema global são ilus-
tradas para esquerda, com o índice da barra identificando cada
matriz. Nos desenhos representativos das matrizes, somente os
coeficientes da rigidez locais não nulos são mostrados.

Na parte superior direita da mesma figura são identificadas as bar-


ras e as deslocabilidades sequenciais em coordenadas generaliza-
das globais em cada barra.
200 UNIUBE

A barra 1 possui as deslocabilidades 1, 2, 3, 7, 8 e 9. Como a matriz


de rigidez global é montada por coluna e cada coluna corresponde
ao conjunto de forças e momentos que atua nas direções das co-
ordenadas generalizadas globais para equilibrar a estrutura quan-
do se impõe uma configuração deformada com grau de liberdade
, então serão avaliadas somente as colunas 1, 2, 3, 7, 8 e 9.
As linhas correspondem ao coeficiente de rigidez da barra 1 nas
coordenadas globais, quando a deslocabilidade .

Assim, quando , devemos preencher a coluna 1 da matriz de


rigidez da barra 1. Impondo-se esta deslocabilidade no valor uni-
tário, é necessário avaliar, quais rigidezes locais em coordenadas
globais aparecerão. Esta análise é feita de acordo com as soluções
fundamentais. No caso de , a solução fundamental apresen-
tada no Capítulo I é:

Figura 173 – Solução fundamental

Fonte: Martha (2010, p.278)

Percebe-se que quando é imposto este deslocamento, teremos co-


eficientes de rigidez local em coordenada global nas direções das
deslocabilidades . Desta forma, as linhas 1, 3, 7 e 9
da coluna 1 devem ser preenchidas com os valores dos coeficien-
tes de rigidez apresentados na figura anterior, em coordenadas ge-
neralizadas globais.
UNIUBE 201

Esta análise é feita para cada deslocabilidade da barra 1, preen-


chendo assim a matriz de rigidez da barra 1. Concluída a barra
1, faz-se os mesmos procedimentos para as demais barras.

Figura 174 – Matrizes de rigidez local e global

Fonte: Martha (2010, p.428)


202 UNIUBE

Em uma etapa de inicialização, a matriz de rigidez global é


criada com todos os coeficientes nulos. Em seguida, a contribuição
de cada uma das barras, uma de cada vez, é somada na matriz
. Ao final, depois de todas as barras terem sido consideradas, a
matriz de rigidez global está completa.

Outro exemplo é apresentado a seguir para um pórtico plano.

Figura 175 – Montagem da matriz de rigidez global

Fonte: Martha (2010, p.430)


UNIUBE 203

PARADA OBRIGATÓRIA

1. Considerando ngl o número de graus de liberdade por nó, no


caso de pórtico plano ou grelha, ngl=3; para treliças (como as
rotações nodais não são levadas em conta), ngl=2; e em pórtico
espacial (em que cada nó tem potencialmente três componentes
de deslocamento e três componentes de rotação), ngl=6;

2. As coordenadas generalizadas globais são numeradas se-


guindo a ordenação da numeração dos nós;

3. A matriz está sendo montada para a estrutura solta no espaço,


isto é, nenhum nó tem restrição de apoio e todos os graus de
liberdade do modelo estão sendo considerados. Dessa forma,
a dimensão da matriz (quadrada), que é igual ao número total
de graus de liberdade, é n=nn.ngl, sendo nn o número de nós.

8.1.5 Montagem das cargas nodais combinadas


no vetor das forças generalizadas globais

O comportamento do modelo estrutural é representado por parâme-


tros associados aos nós, que são os pontos de discretização. Todas
as solicitações desse modelo discretizado são convertidas em cargas
nodais combinadas, que consideram os efeitos dos carregamentos
atuantes no interior das barras e as cargas nodais propriamente ditas.

Para generalizar:

• Cargas nodais propriamente ditas são as cargas nodais que,


no carregamento original da estrutura, atuam diretamente so-
bre os nós da discretização;
204 UNIUBE

• Cargas equivalentes nodais são as cargas nodais que são


provenientes do engastamento perfeito dos elementos de
barra com sentidos invertidos;

• Cargas nodais combinadas é resultado da combinação das car-


gas nodais propriamente ditas com as cargas equivalentes nodais;

• Força nodal generalizada global ( ) é a componente de for-


ça ou momento que atua na direção do grau de liberdade
, resultante da superposição de cargas nodais combinadas e
componentes de reação de apoio;

• Vetor das forças nodais generalizadas globais ( ) é o


conjunto de todas as forças nodais generalizadas globais.

As cargas nodais combinadas e as reações de apoio formam o


vetor das forças nodais generalizadas do modelo. A dimensão
desse vetor é a dimensão da matriz de rigidez global completa, isto
é, o número de termos é igual a n=nn.ngl.

O procedimento se dá em duas etapas. A Figura 176 ajuda-nos a


entendê-las.
UNIUBE 205

Figura 176 – Transformação das reações de engastamen-

to perfeito das barras para o sistema global

Fonte: Martha (2010, p.432)

Na primeira etapa, as reações de engastamento perfeito das barras


carregadas, nos seus sistemas locais são transformadas para o
sistema global (como apresentado na figura anterior).

Genericamente, as reações de engastamento de uma barra solici-


tada externamente são agrupadas em um vetor:

• Vetor das reações de engastamento de uma barra isolada


no seu sistema local ( ) é o conjunto de forças e momen-
tos que atua nas extremidades de uma barra (nas direções
dos eixos locais) para equilibrá-la quando há uma solicitação
externa e suas deslocabilidades são mantidas nulas.
206 UNIUBE

As reações de engastamento no sistema local podem ser converti-


das para o sistema global da seguinte maneira:

• Vetor das reações de engastamento de uma barra isolada


no seu sistema global ( ) é o conjunto de forças e momen-
tos que atua nas extremidades de uma barra (nas direções
dos eixos globais) para equilibrá-la quando há uma solicita-
ção externa e suas deslocabilidades são mantidas nulas.

Na segunda etapa do procedimento de montagem das cargas no-


dais combinadas no vetor as reações de engastamento das
barras carregadas, no sistema global, são convertidas para as car-
gas equivalentes nodais, com sentidos invertidos.

• Vetor das cargas equivalentes nodais de uma barra no sis-


tema global ( é o conjunto de forças e momentos
que atua nos nós adjacentes a uma barra (nas direções dos
eixos globais), resultante do transporte do carregamento que
atua no interior da barra. As cargas equivalentes nodais cor-
respondem a reações de engastamento perfeito da barra car-
regada transportadas para os nós, com sentidos invertidos.
UNIUBE 207

Figura 177 – Formação das cargas nodais combinadas

Fonte: Martha (2010, p.434)

• Vetor das cargas nodais propriamente ditas no siste-


ma global ( ) é o conjunto de forças e momentos ex-
ternos que atua diretamente sobre os nós (nas direções
dos eixos globais).

De maneira informal, pode-se escrever a seguinte expressão para


a montagem das cargas nodais combinadas no vetor das forças
nodais generalizadas globais:
208 UNIUBE

8.1.6 Imposição de equilíbrio aos nós isolados

O método da rigidez direta é apenas uma roupagem diferente para


o método dos deslocamentos.

A relação , fornece o conjunto de forças generaliza-


das locais que atua nas extremidades da barra (nas direções dos
eixos globais) para equilibrá-la em uma dada configuração defor-
mada com valores arbitrários para as deslocabilidades do vetor
. Essas forças generalizadas representam o efeito dos nós sobre a
barra. O efeito da barra sobre seus dois nós é igual, mas com sen-
tido invertido (ação e reação). Pode-se, então, definir
como o vetor das deformações de uma barra sobre seus nós no
sistema global. O somatório das contribuições de de todas as
barras, resulta em:

Sendo o vetor dos efeitos das deformações de todas as barras


de um modelo sobre os nós no sistema global. Portanto,

, na qual é o vetor dos


graus de liberdade globais do problema discreto.

Para garantir o equilíbrio de forças e momentos, temos:


Esse sistema representa o equilíbrio de todos os nós da estrutura,
inclusive os restritos por apoio, nas direções de todos os graus de
liberdade. Alguns termos do vetor são conhecidos (restrições
de apoio). Os termos correspondentes a estes do vetor são
desconhecidos (reações de apoio).
UNIUBE 209

8.1.7 Consideração das condições de apoio

A multiplicação entre matrizes apresentadas na seção


anterior resulta em um sistema de equações semelhantes ao apre-
sentado no método do deslocamento, porém com solução indeter-
minada. Para que se possam calcular as reações de apoios e, obter
então, os diagramas de esforços internos, pode seguir a seguinte
metodologia de cálculo, subdividindo a equação em
dois sistemas:

Nessas equações, o subscrito “l” se refere a livre, e o “f” se refere


a fixo. O particionamento do sistema permite a identificação dos
seguintes valores:

 vetor dos graus de liberdade globais livres: são as in-


cógnitas do problema (desconhecidas);

 vetor das cargas nodais combinadas nas direções dos


graus de liberdade livres (conhecidas);

 vetor dos graus de liberdade globais fixo: são os valores


impostos pelas restrições de apoio (conhecidos); em geral, são nu-
los, a não ser para recalques de apoio (conhecidos);

 vetor das forças nodais generalizadas nas direções


dos graus de liberdade fixos: são as componentes de reações
de apoio (desconhecidas).
210 UNIUBE

Assim, a primeira das duas equações anteriores, pode ser


escrita como:

O lado direito desta equação tem valores conhecidos e correspon-


de exatamente ao sistema obtido pelo método dos deslocamentos,
que só considera deslocabilidades globais livres . A solução
desse sistema resulta na determinação dessas deslocabilidades.

Reflita
As restrições de deslocamentos (translacionais e rotacionais)
são dadas pelas condições de apoio do modelo. Por exem-
plo, um apoio de primeiro gênero restringe a translação na
direção que está orientado. Um apoio de segundo gênero restringe as
translações na direção que está orientada e perpendicular a ela. E um
engaste, restringe a rotação e as duas translações possíveis. Desta
forma, as deslocabilidades dos nós coincidentes com os apoios, de-
vem ser nulos, conforme a restrição gerada pelos mesmos, a não ser
que hajam deslocamentos prescritos (recalques) nestas direções.

Nas situações em que não há recalques, o termo ge-


ralmente corresponde a um valo nulo. Assim, as deslocabilidades
livres são obtidas pelo sistema:

Calculados os valores de , a segunda, das duas equações citadas


anteriormente, fornece diretamente os valores das reações de apoio:
UNIUBE 211

A partir das reações de apoio podem-se obter todos os diagra-


mas de esforços.

Considerações finais

O Método da Rigidez Direta se faz importante para entender como


são calculadas, de forma generalizada, as estruturas nos compu-
tadores e, também, por ser fundamental o seu entendimento para
o Método dos Elementos Finitos, sendo este uma técnica mais re-
finada para as análises estruturais.

Seus conceitos são praticamente idênticos aos apresentados no


Método dos Deslocamentos, porém tratados de forma matricial e
mais generalizada, sem tratar as restrições nos apoios como uma
forma de reduzir as deslocabilidades ou graus de liberdade.

A grande dificuldade deste método está na montagem da matriz de


rigidez global, em que é preciso realizar as conversões de coorde-
nadas locais para globais para somar cada uma das contribuições
nas direções das deslocabilidades.

Percebe-se que as condições de contorno dos vínculos só são le-


vadas em consideração depois de realizada a montagem do equi-
líbrio dos nós. Sendo esta uma das diferenças com o Método dos
Deslocamentos. As situações de recalques de apoios, também são
inseridas depois da montagem do equilíbrio dos nós.

O Método da Rigidez Direta possui uma única forma de solu-


ção para a análise de estruturas, sendo este o principal moti-
vo deste método ser utilizado nas programações dos softwa-
res de análises computacionais.
212 UNIUBE

CONCLUSÃO

A grande maioria das estruturas de engenharia são estaticamen-


te indeterminadas. Assim, a sua compreensão e entendimento
é fundamental para todos os engenheiros. Os principais méto-
dos de análise destas estruturas são o Método das Forças e o
Método dos Deslocamentos.

O objeto de estudo deste livro foi o Método dos Deslocamentos.


Neste, foram abordadas várias situações básicas de análises,
que foram escolhidas para que o(a) aluno(a) conseguisse vi-
sualizar o problema e a metodologia dos cálculos para chegar
à solução do problema.

Ao final da disciplina foram abordados os conceitos básicos


para uma análise matricial de estruturas, que são utilizadas
para implementação em programações computacionais. Hoje
em dia, praticamente todos os escritórios de projetos fazem o
uso dos softwares para análises das estruturas com a finali-
dade de otimização do tempo.

Porém, os softwares são apenas uma ferramenta de auxílio para


análise e dimensionamentos estruturais e não devem ter suas saí-
das como verdades absolutas, pois como todas as máquinas, elas
são passíveis de erros. Grandes falhas de engenharia ocorrem pela
falta de verificação e alta confiança dos engenheiros nos resulta-
dos dos programas computacionais. Um bom engenheiro estrutural
deve sempre duvidar das soluções apontadas pelos softwares e
realizar algumas verificações manuais.

Assim, a aplicação do Método dos Deslocamentos tem grande utili-


dade nestas verificações, para que se possa verificar os esforços e
deslocamentos nas estruturas que forem necessárias.
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Referências

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