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Universidade de São Paulo

Escola de Engenharia de São Carlos


Humanidades e Ciências Sociais

As Quatro Estações
Le quattro stagioni - Antonio Vivaldi

Israel Melo Sother


10747005

São Carlos
2018


AS QUATRO ESTAÇÕES !1
As Quatro Estações
Le quattro stagioni

Introdução
Este estudo visa a análise da obra em questão, seu autor e os debates e pressões nos
contextos político, social, econômico social e cultural dados na época, de forma que que a
obra possa ser compreendida em sua totalidade. Também é objetivo do trabalho o
entendimento de que não se pode viver separado do mundo, que cada criação é resultado de
uma soma de fatores externos e internos.

O Autor
Antonio Vivaldi (Veneza, 4 de março de 1678 — Viena, 28 de julho de 1741), foi um
compositor e músico italiano do estilo barroco que compôs 770 obras, entre as quais 477
concertos e 46 óperas. Filho de Giovanni Battista Vivaldi e Camilla Calicchio, Antonio
Vivaldi era o mais velho de sete irmãos.1 Seu pai era um barbeiro e violinista, e foi quem o
introduziu ao mundo da música, posteriormente matriculando-o na Capela Ducal de São
Marcos, onde aperfeiçoou suas habilidades musicais e posteriormente foi considerado o maior
violinista de seu tempo, após ser admitido na orquestra da Basílica de São Marcos. O músico
começou a se preparar para ser padre aos 15 anos, e foi ordenado aos 25 anos em 1703, e no
ano seguinte devido a problemas de saúde - possivelmente asma - foi dispensado de celebrar a
eucaristia, e foi chamado para trabalhar no orfanato Ospedale della Pietà, em Veneza, onde,
com exceção dos períodos em que viajou a Europa a de autoridades políticas e religiosas,
ficou durante a maior parte de sua vida.

Contexto
Na época em que Vivaldi compôs As Quatro Estações, o compositor, que também era
padre, trabalhava em um orfanato para moças mantido pela igreja, onde era professor de
violino, regente do coral, e capelão. Conhecido como o padre vermelho, Vivaldi ganhou
grande fama pela Europa por utilizar o estilo musical contemporâneo na música sacra.
Primeiro músico a compor sobre o tema das estações, Vivaldi era extremamente respeitado e
apreciado no palácio de Versalhes e pelo rei da Austria, Carlos VI, que na época dominava a
Itália, devido ao Tratado de Utrecht.
A arte barroca, predominante no periodo de vida do italiano, é fruto do renascimento,
e foi marcada por resgatar elementos da antiguidade, e por visar mexer com as emoções dos

1«Compositor Italiano Antonio Vivaldi». UOL. Consultado em 26 de junho de 2018. educacao.uol.com.br/


biografias/ult1789u493.jhtm

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espectadores. Na música, o período barroco foi marcado pelo uso do baixo contínuo, do
desejo e da harmonia tonal, em oposição aos modos gregorianos até então vigente. 2 Período
de grande revolução, na música não poderia ser diferente, onde verificamos o inicio do uso de
afinações temperadas, a substituição das sonoridades acórdicas pelas interválicas, a
introdução de dissonâncias dentro das obras, e a ênfase nas vozes dos extremos.

A obra
“As Quatro Estações” (Le quattro stagioni), é um conjunto de 4 concertos grossos3
(violino, cordas e contínuo), compostos pelo italiano Antonio Vivaldi, como parte do Opus
número 8 (ll cimento dell'armonia e dell’inventione : A disputa entre a Harmonia e a
Invenção), escrito em Amsterdã por volta do ano 17254.
Cada uma das quatro estações é composta de 3 movimentos, são eles:
Concerto No. 1 in E major, Op. 8, RV 269, "Primavera" (La primavera)
1. Allegro (in E major)
2. Largo e pianissimo sempre (in C♯ minor)
3. Allegro pastorale (in E major)
Concerto No. 2 in G minor, Op. 8, RV 315, "Verão" (L'estate)
1. Allegro non molto (in G minor)
2. Adagio e piano - Presto e forte (in G minor)
3. Presto (in G minor)
Concerto No. 3 in F major, Op. 8, RV 293, "Outono" (L'autunno)
1. Allegro (in F major)
2. Adagio molto (in D minor)
3. Allegro (in F major)
Concerto No. 4 in F minor, Op. 8, RV 297, "Inverno" (L'inverno)
1. Allegro non molto (in F minor)
2. Largo (in E♭ major)
3. Allegro (in F minor)
Ao analisar cuidadosamente a estrutura de cada concerto, observa-se uma temática
mais alegre e com motivos repetitivos e utilização recorrente de returnellos no primeiro e

2Western music. Encyclopædia Britannica Online. 26 Junho de 2018. www.britannica.com/EBchecked/topic/


398976/Western-music
3SADIE, Stanley. Dicionário Grove de Música. Edição Concisa. p. 213. Tipo de concerto do período barroco em
que um pequeno grupo de instrumentos (“concertino”) entra em contraste com o conjunto principal “ripieno”,
ou “concerto grosso”.
4 SADIE, Stanley. Op. Cit. p. 198.

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terceiro movimento, o que provê contraste necessário em relação ao segundo movimento, que
mostra-se mais lento e melancólico.
As Quatro Estações são classificadas como concertos programáticos, ou seja, são obras
que possuem o objetivo de evocar conteúdos extramusicais5, pois junto com a parte do
primeiro violino, existia um soneto para cada estação. A autoria dos sonetos é incerta, porém
a maioria dos historiadores acredita que foram escritos pelo próprio Vivaldi, visto que cada
soneto é dividido em 3 partes, uma para cada movimento.

As traduções dos sonetos6:

Primavera
I movimento:
“É chegada a Primavera e festejando
A Saúdam as Aves com alegre canto,
E as fontes ao Espirar de Zéfiro
Fluem com doce murmúrio
Chegam cobrindo o ar com negro manto
E Relâmpagos, e trovões eleitos a anunciá-la
Logo que se calam, as Avezinhas
Voltam de novo ao canoro encanto:”
II movimento:
”E então, sobre o florido e ameno prado,
Ao agradável murmúrio de folhas e plantas,
Dorme o Pastor com ao lado o cão fiel.”
III movimento:
“Da pastoral Zamponha ao Som festejante
Dançam Ninfas e Pastores sob o abrigo amado
Da primavera de aparência brilhante.”
Verão
I movimento:
“Sob a dura Estação, pelo Sol acesa,
Lângue o homem, lângue o rebanho, e arde o Pinheiro;

5GROVE, Sir George. Grove Dictionary of Music and Musicians. 2. ed. New York: The Macmillan
Company, 1907. 817 p. v. 3.
6 Tradução feita por professores da Accademia Italiana Pellegrini em Campinas em 23/01/2009.

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Solta o Cuco a Voz, e logo compreendendo
Canta a Corruíra e o pintassilgo.
Zéfiro doce Espira, mas uma disputa
Move Borea de improviso ao Seu vizinho;
E chora o Pastor, porque suspensa,
Teme a feroz borrasca, e o seu destino.”
II movimento:
“Tira dos membros lassos o Seu repouso
O temor dos Relâmpagos, e os ferozes trovões;
E de moscas, e moscões a multidão furiosa!”
III movimento:
“Ah que infelizmente os Seus temores são verdadeiros:
Troa e fulmina o Céu, e com granizo
As pontas das Espigas e dos grãos altivos quebra.”
Outono
I movimento:
“Celebra o Aldeão com danças e Cantos.
O grande prazer de uma feliz colheita
E pelo licor de Baco muitos acesos
Encerram com o Sono o seu prazer “.
II movimento:
“Faz que cada um deixe de lado danças e cantos
O ar que temperado dá prazer
E a Estação convida a uns e outros
A gozar de um dulcíssimo Sono”.
III movimento:
“Os caçadores ao novo amanhecer à caça,
Com cornos, Espingardas, e cães, irrompem
Foge a fera e Seguem-lhe o rastro.
Já Apavorada e exausta pelo grande fragor
De tiros e mordidas, ferida ameaça,
Lânguida, de fugir, mas oprimida morre!”
Inverno

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I movimento:
“Tremer congelado entre as neves argênteas
Ao Severo Espirar de horrível Vento,
Correr batendo os pés a todo o momento;
E pelo Excessivo frio bater os dentes“
II movimento:
“Ficar ao fogo nos dias quietos e contentes
Enquanto fora, a chuva a tudo banha“
III movimento:
“Caminhar Sobre o gelo e com passo lento
Pelo temor de cair andar atentos;
Girar forte, Escorregar, cair por terra;
De novo ir Sobre o gelo e, com vigor, correr
Até ele se quebrar e romper;
Sentir sair pelas pesadas portas
Siroco, Borea, e todos os Ventos em guerra
Este é o Inverno, mas tal, que alegria traga”.

Ao analisar os sonetos em conjunto com os concertos, percebe-se uma sincronia


perfeita, toma-se por exemplo a aparição da tempestade no primeiro movimento da
primavera onde temos a transição entre melodias alegres e agudas para o suspense e tensão
das notas graves executadas pela orquestra.
No segundo movimento, observa-se um dia calmo, onde a calmaria só é perturbada por um
cachorro a latir. Em seguida, observa-se no terceiro movimento, um clima de festa do campo,
com danças e celebrando o fim do inverno, onde a vida retorna ao campo. De forma
semelhante, no primeiro movimento do verão, é nítida a diferença entre o lânguido pastor e
rebanho, em contraste ao vívido canto do cuco. Em seguida vem a calmaria precedente
tempestade, onde de longe ja se ouvem os trovões, que chegam no terceiro movimento, onde
a impetuosa chuva de verão atinge o solo, criando um incrível contraste com a tranquilidade
do início do primeiro movimento.
Já no Outono, temos uma semelhança muito grande no início com a primavera, onde
os camponeses também estão celebrando, porém dessa vez celebram a boa colheita feita. Era
um costume na época que as festividades de colheita fosse regadas ao vinho, o que explica a
diminuição do andamento conforme o concerto avança, demonstrando o sono que toma
conta dos aldeões. Já no terceiro movimento, retornam as melodias rápidas com dinâmicas
acentuadas, exemplificando os caçadores em perseguição da fera que é abatida ao final do

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concerto e assim retornam os caçadores com seu banquete. No inverno começamos com o
tremor e ranger de dentes causados pelo frio, onde o solista interpreta as rajadas gélidas de
vento, ao passo que a orquestra responde com o as batidas sistemáticas de pés em uma
tentativa de se manter aquecido. Em seguida, no segundo movimento observamos o deleite de
se manter aquecido dentro de casa durante o inverno ao lado de uma lareira, com destaque
para o pizzicato da orquestra representando pingos de chuva a cair fora da casa. Por fim, no
último movimento, há a representação de uma caminhada no gelo, ao tempo que os que
estão dentro de suas casas sentem o frio entrando pelas frestas, porém Vivaldi termina nos
lembrando que no final de tudo, o inverno tem as suas partes boas.

Conclusão
Após o estudo, podemos concluir que a obra em questão, criada num período
revolucionário, se tornou atemporal, sendo utilizada até o presente dia como trilhas de filmes,
e sendo executada por diferentes orquestras por todo o globo. Observa-se também a
variedade de obras inspiradas no trabalho de Antonio Vivaldi que até hoje influencia vários
compositores, além de ter sido um dos primeiros a criar concertos programáticos, que apesar
de adaptado para a era tecnológica, continua sendo o modelo mais popular de concertos, pois
num contexto de instantaneidade, imediatismo e de multifunções, é a estrutura que mais
prende a atenção do público, principalmente o mais jovem e leigo. Logo, entende-se que o
referido concerto, é apenas um reflexo das grandes mudanças que tomavam cenário no século
XVIII, sendo assim, uma extensão do contexto político e social, o que condiz com o objetivo
do estudo, mostrando que a alienação ao meio não é possível independentemente da área de
trabalho.

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Bibliografia

ANSANTE, WALTER FINATTO. AS QUATRO ESTAÇÕES PARA VIOLINO


SOLO DE ALMEIDA PRADO. 2009. 163 p. Dissertação de Mestrado em Música
(MESTRADO EM MÚSICA)- UNICAMP, Campinas, 2009. Disponível em:
<http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/284675/1/
Ansante_WalterFinatto_M.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2018.

«Compositor Italiano Antonio Vivaldi». UOL. Consultado em 26 de junho de 2018.


educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u493.jhtm

GENGARO, Christine Lee. Program Notes : Four Seasons - Vivaldi: Los


Angeles Chamber Orchestra. 2009. Disponível em: <https://web.archive.org/web/
20120715101739/http://www.laco.org/performances/116/?program=1>. Acesso
em: 24 jun. 2018.

GROVE, Sir George. Grove Dictionary of Music and Musicians. 2. ed. New
York: The Macmillan Company, 1907. v. 3.

R. Romano - História da Itália. Lisboa, Circulo de Leitores, 1978.

SADIE, Stanley. Op. Cit. p. 198.

Western music. Encyclopædia Britannica Online. 26 Junho de 2018.


www.britannica.com/EBchecked/topic/398976/Western-music

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