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03 ARQUITECTOS

Fernando Távora
1923-2005
Nasceu no Porto a 25
de Agosto de 1923.
Licenciou-se em Arquitectura
em 1952, na Escola Superior
de Belas-Artes do Porto, onde
viria a ser professor.
Foi presidente da comissão

Jaime Beleza
para a criação da Faculdade de
Arquitectura da Universidade
do Porto e professor catedrá-
tico desta faculdade. Foi,

Olga Quintanilha
igualmente, professor do
departamento de arquitectura
da Faculdade de Ciências e
ARQUITECTURA
A lição das constantes
E URBANISMO
1942-2005 Tecnologia da Universidade de
É universal o fenómeno da Arquitectura e melhor levem à concretização de determina- colaboração, as obras de Arquitectura e de
Coimbra e doutor honoris
A Ordem dos Arquitectos
causa por esta universidade. Urbanismo. Onde se encontra o homem, em do fim. A modernidade manifesta-se na qua- Urbanismo serão sínteses, traduções plásti-
comunica com pesar o
Integrou o Inquérito à qualquer momento e em qualquer lugar, lidade, na exactidão das relações entre a cas no espaço organizado daqueles por
falecimento da Arquitecta Olga
Arquitectura Regional existem a Arquitectura e o Urbanismo. obra e a vida. Sendo diferentes as condições quem e para quem se realizam; traduções
Quintanilha, que ao longo de 20
Portuguesa (1955), cujo tra- Fenómeno necessário, inerente à própria serão diversas as soluções - mas deve ser próprias, características, diversas, variadas e
anos se entregou com grande
balho de campo permitiu natureza do homem, prolongamento indis- comum a natureza das relações. As grandes mutáveis. Anterior e comum a todas elas a
entusiasmo à actividade
demonstrar que a arquitectu- pensável da sua vida, manifestação da sua obras de Arquitectura e de Urbanismo foram verdade que sem um espírito de colabora-
associativa.
ra portuguesa tinha uma existência; desta universalidade - a varieda- sempre modernas na medida en que traduzi- ção, de esforço colectivo, essas obras não
Foi, entre muitos outros cargos,
variedade enorme, não haven- de, a infinidade dos aspectos, a pluralidade ram exactamente, isto é, segundo uma rela- poderiam realizar-se.
Presidente do Conselho
do uma «casa portuguesa». das realizações. A cada clima físico ou espi- ção perfeita, as suas condições envolventes. Nunca poderá ser exagerada a importância
Directivo da antiga Associação
Este tema já o acompanhava ritual corresponde uma solução própria e Há uma grande verdade comum em todas da Arquitectura e do Urbanismo como fenó-
dos Arquitectos Portugueses e
nas suas reflexões, primeiro daí esse panorama imenso que a considera- essas obras - a sua modernidade. Os aspec- meno condicionante da vida do homem. Se
primeira Presidente eleita da
no texto «O Problema da Casa ção do passado oferece aos nossos olhos e tos formais que elas revestem são conse- o homem, ao organizar o espaço, realiza
actual Ordem.
Portuguesa» (1947), problema que o próprio presente não esconde: infini- quência directa da variedade de ambientes, trabalho condicionado, na media em que
Olga Quintanilha deixa um
a que voltaria mais tarde, na tos métodos de construção, inumeráveis de condições de toda a ordem, mas eles pró- satisfaz as realidades que o envolvem, rea-
testemunho de dedicação e
publicação «Da Organização subtilezas plásticas, variados programas, os prios, na sua diversidade, permitem a dedu- liza também trabalho condicionante da sua
defesa da arquitectura nas
do Espaço» (1962 e 1982). mais estranhos materiais, sempre e por ção dessa constante que se chama moderni- própria actividade; uma cidade ou uma casa
mais diversas frentes, desde a
Participou em numerosos con- todo o lado o inédito, o diferente, o inespe- dade. A Praça de S. Marcos, em Veneza, é um realizam-se segundo condições pré-exis-
actividade profissional, pública
gressos, entre os quais os últi- rado. Ninguém pode negar a persistência do exemplo típico de diversidade formal e de tentes mas criam, uma vez realizadas, con-
e privada, à intervenção
mos Congressos fenómeno: na Arquitectura é a cabana ele- qualidade permanente. Entre o primeiro e o dições de existência para os homens que as
normativa e internacional. A
Internacionais de Arquitectura mentar do selvagem ou o refinado último edifício que compõem esse extraordi- vivem. Da boa ou má qualidade da organiza-
Ordem era, de certo modo, a
Moderna. Num deles, apresen- Parténon, no Urbanismo o incipiente aglo- nário organismo urbano existem alguns ção do espaço depende, em parte, o bem ou
sua casa. Por isso não podemos
tou a Casa de Ofir, um momen- merado de construções ou a complexa séculos de diferença, séculos que significam o mal-estar dos homens; a desarmonia da
deixar de lhe prestar, na nossa
to de especial relevância na metrópole. Diferentes em volume, em evolução, diversidade, variedade. Qualquer organização do espaço gera a infelicidade
sede, a última homenagem,
história da arquitectura portu- forma, em grau de delicadeza, mas comuns desses edifícios foi moderno e porque todos humana. Quem ignora a influência do espa-
recordando a sua luta de uma
guesa: nesse tempo, a arqui- porque manifestações de uma comum o foram a constante da modernidade preside ço que o homem habita ou onde manifesta
vida pela dignidade profissional.
tectura nacional acertava o necessidade de organização do espaço, rea- ao conjunto; não interessa o estilo em que as suas relações sociais sobre a sua própria
Em meu nome pessoal e em
passo com o que se passava lizadas aqui por um espírito primário inca- cada um deles foi realizado - interessa, sim, a saúde física e espiritual? É de sempre a ver-
nome do Conselho Directivo da
no mundo e então as vanguar- paz de qualquer possível especulação, além semelhante atitude que presidiu à sua con- dade, aqui denominada constante, de que o
Ordem, envio à família
das passaram a estar na mira por um especialista que integra a sua obra cepção. Comum a todas as manifestações da meio exerce sobre o homem uma influência
enlutada e aos seus mais
do traço dos arquitectos por- numa corrente teórica ou que estabelece Arquitectura e do Urbanismo a verdade que capital. Está, em grande parte, nas mãos da
directos colaboradores
tugueses. uma doutrina. Quantas cambiantes do espí- qualquer delas se realizou mercê dum esfor- Arquitectura e do Urbanismo a organização
as nossas condolências.
Diversas exposições tiveram rito entre o árabe que é arquitecto ao mon- ço colectivo e que qualquer deles representa, do meio em que o homem vive, dos edifícios
HELENA ROSETA
como tema o seu trabalho, no tar a sua tenda e o renascentista que escre- desse modo, uma síntese. O arquitecto ou o em que habita ou trabalha, das cidades, das
12.09.05
Smithsonian Institution de ve tratados de arquitectura! Universalidade urbanista não são suficientes para a realiza- regiões ou dos países em que se encontra
Washington, na Escola do fenómeno, variedade permanente e ção da Arquitectura e do Urbanismo; eles são integrado.
Superior de Belas Artes do infindável nas realizações. Como não? apenas os organizadores da síntese magnífi- O conhecimento do passado vale na medi-
Porto, na Fundação Calouste Como conceber a rudeza de uma casa popu- ca que as obras traduzem e na qual colabora da do presente. É seguro que as constantes
Gulbenkian, no Museu Soares lar na obra de Palladio? Como esperar uma toda uma infindável série de elementos. Sem apontadas, pela sua própria natureza, não
dos Reis do Porto, na exposi- Acrópole de Atenas das mãos e do espírito menosprezar o valor do contributo indivi- perderam a actualidade. Por vezes, porém,
ção «Europália 1991», na duma sociedade primitiva? dual, não há dúvida que são esses elemen- são esquecidas e a Arquitectura e o
Trienal de Milão ou na Bienal É função da História o conhecer a existên- tos, na sua totalidade, na unidade dos seus Urbanismo tomam aspectos de crise. A
de Veneza. cia das manifestações do homem e deter- esforços, quem realiza a obra definitiva. A análise de muias manifestações contem-
Ganhou o primeiro prémio de minar as possíveis constantes que essa colaboração toma aqui os mais variados porâneas nesta matéria dá o índice perfei-
arquitectura da Fundação existência apresente. É função necessária aspectos e atinge as mais diferentes cama- to dessa crise, desse esquecimento das
Calouste Gulbenkian, o Prémio e indispensável que justifica todo o interes- das sociais. Sem um esforço físico surpreen- constantes, de qualquer coisa de funda-
«Europa Nostra» (pela Casa da se do conhecimento do passado pelo con- dente não se teriam levantado as pedras que mental que é substituído pelo acessório e
Rua Nova, em Guimarães), o tributo que pode trazer para o presente. definem Stonehenge; as Pirâmides não seri- pelo decorativo, ainda que quase sempre
Prémio Turismo e Património Mas, pergunta-se, existe qualquer coisa de am realidade sem a colaboração dos geóme- essas manifestações invoquem aspectos
de 1985 e o Prémio Nacional comum na evolução do fenómeno da tras, astrónomos e matemáticos; cidades tradicionais ou de retorno ao passado.
de Arquitectura de 1987 (pela Arquitectura e do Urbanismo? Sem dúvida. como Atenas ou Veneza não existiriam sem Confunde-se a Grande Tradição, a tradição
Pousada de Santa Marinha, Três aspectos, três constantes, nos parecem um clima de estreita colaboração entre os das constantes, com pequenas e passagei-
também em Guimarães). de importância capital: a sua modernidade seus mais diversos habitantes. E esta colabo- ras tradições. Porque a lição das constan-
permanente, o esforço de colaboração que ração vai desde a colaboração efectiva que tes não pode ser esquecida, a Arquitectura
ele sempre traduziu, a sua importância como se manifesta na concepção ou construção e o Urbansmo contemporâneos deverão
elemento condicionante da vida do homem. das obras de Arquitectura e de Urbanismo manifestar a sua modernidade, traduzir
A modernidade de um acontecimento mede- até à própria fruição dessas obras; com efei- uma colaboração total e não esquecer a
-se pela relação que ele mantém com as con- to, não bastará construir casas ou cidades ou importância que desempenham como ele-
dições dentro da quais se realiza. Em matéria templos, é necessário possuir-se a garantia mentos condicionantes da vida do homem.
de Arquitectura e Urbanismo, modernidade do seu interesse para aqueles a quem tais FERNANDO TÁVORA
significa integração perfeita de todos os ele- obras se destinam; vivendo-as, eles colabo- IN TEORIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO. ARQUITECTURA
mentos que podem influir na realização de ram não já na criação mas na própria existên- E URBANISMO. A LIÇÃO DAS CONSTANTES.
PORTO: FAUP PUBLICAÇÕES, 1993.
qualquer obra, utilizando todos os meios que cia dessas manifestações. Sendo obras de

OUTUBRO 2005