Sei sulla pagina 1di 10

UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE – UFCG

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS – CCJS


UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO – UAD

TRABALHO SOBRE O LIVRO: MANUAL DE ANTROPOLOGIA


JURÍDICA – CAPÍTULO VIII

Aline Ingrid Mendes de Araújo


Rose Jenniffer Lopes Leandro
Sabrina de Oliveira Silva
Mateus Ferreira de Almeida Lima
Lara Kerollayne Silva de Sousa
Cícero Israel Pitombeira Oliveira

SOUSA-PB
JULHO, 2018
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................3
2 MORGAN E O MARXISMO.......................................................................................4
2.1 As bases.................................................................................................................4
2.2 O exame..................................................................................................................5
3 COMUNIDADE GENTÍLICA......................................................................................6
3.1 A família..................................................................................................................6
3.2 Determinação Histórica........................................................................................6
3.3 Ferramentas...........................................................................................................7
3.4 Da família ao Genos..............................................................................................7
3.5 Principio da solidariedade....................................................................................7
4 FIM DA SOLIDARIEDADE........................................................................................8
5 CONCLUSÃO............................................................................................................9
BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................11
1 INTRODUÇÃO

Segundo Tomas Trautmann, alguns aspectos básicos do saber antropológico foram


profundamente moldados por Morgan, quer tenhamos noção disso ou não. Em outras
palavras, Morgan foi incorporado ao inconsciente coletivo do pensamento antropológico
(Trautmann, 2008, p. v). O americano Lewis Henry Morgan nasceu perto de Aurora, Nova
York, em 21 de novembro de 1818. Em 1840 formou-se e tornou-se advogado. Mudando-
se, quatro anos depois para Rochester, onde residiu até a data de seu falecimento. A
partir de 1842 estudou os iroqueses e, em 1851, publicou o livro intitulado Liga dos
Iroqueses, até hoje reputado como uma importante monografia sobre a organização
política indígena. Na década de 50, voltou à pesquisa etnográfica, da qual deu origem à
publicação sobre as “leis de descendência dos Iroqueses” (1857), em que manifestava o
interesse pelas relações entre as estranhas regras iroquesas, que contavam a
descendência pela linha feminina e não distinguiam os descendentes diretos dos
colaterais, e as dos demais índios norte-americanos. Morgan foi o primeiro a realizar
pesquisa de campo – etnografia – e se tornou reconhecido como um dos fundadores da
moderna antropologia científica, pois foi o primeiro a estudar os sistemas de parentescos
e produziu uma teoria sobre a evolução cultural do homem, elaborando um nexo de
polaridade entre esses que serão mais explorados no decorrer do trabalho, porém para o
prelúdio do desenvolvimento, nessa introdução abordaremos as principais características
desses dois aspectos trabalhados por Morgan.
De acordo com Morgan, os fatos sociais manifestados através dos sistemas de
parentescos possuem características duráveis, são sistemáticos e contínuos, dando
ocasião à análise científica, ou seja, as relações inter-humanas em um determinado grupo
é extremamente importante para ser analisado, principalmente os laços familiares, pois é
um dos critérios que o distingue dos demais. Sobre a antropologia social, a ciência do
desenvolvimento das sociedades, Lewis Morgan se baseou em sua própria teoria para
estudar e analisar os processos de evolução dos grupos, que compreendem as ligações
entre as relações jurídicas, sociais e políticas, estabelecendo as características de
determinado período da história humana. Por ter realizado pesquisa de campo, foi
possível, para o mesmo, a possibilidade de estabelecer um método seguido pela
organização familiar, através de três estágios da evolução humana, que se diferem,
basicamente, pelo grau de desenvolvimento do trabalho, quanto menos complexo é o
mesmo, menos riquezas a sociedade possui e pela influência da família, quanto menor a
complexidade citado no primeiro grau, maior é a influência dos laços de parentescos.
Devido a esse nexo de polaridade entre os dois fatores citados, o primeiro período é
denominado de selvageria, e se caracteriza pelo matrimônio por grupos, além da
apropriação de produtos da natureza, prontos para serem utilizados, e as produções
artificiais do homem são, sobretudo, destinadas a facilitar essa apropriação. O segundo
período é a barbárie, em que há o matrimônio sindiásmico (monogamia apenas destinada
ao sexo feminino) e pela criação de gado, a agricultura por meio do trabalho humano, a
cerâmica e a fundição do ferro. Por fim, o último estágio é a civilização em que se
encontra o casamento monogâmico, nesse período o homem continua a elaborar os
produtos naturais, mas também é o período da indústria propriamente dita e da arte.
Devido ao pensamento e divisão de sociedades em superiores e inferiores, a partir
do grau de complexidade de suas relações, foi desenvolvido, ao longo da corrente
Evolucionista, mesmo que de maneira indireta, o sentimento de etnocentrismo, porém
Morgan se diferenciou dos demais pensadores desse período pelo fato de não defender o
método comparativo entre as comunidades.

2 MORGAN E O MARXISMO

2.1 As bases

De Kant originaram-se as bases das grandes correntes do século XIX: positivismo


e idealismo. Contra G. F. Hegel ergueram-se L. Feuerbach e K. Marx, assim como E.
Husserl pugnou o positivismo. Do positivismo, nasceu o evolucionismo de H. Spencer, e
deste, L. Morgan seria um dos mais famosos e lidos durante aquele período histórico.
Como afirmou Laplantine (2003, p.49), “O evolucionismo encontrara sua formulação mais
sistemática e mais elaborada na obra de Morgan.”
Mas, quais seriam os pontos em que ambas as correntes, seja positivismo e
evolucionismo, ou idealismo e materialismo?
O primeiro deles é a base kantiana, ou a visão de mundo baseada nas formas a
priori e a posteriori do conhecimento. Ora, Immanuel Kant delimitou bem o terreno de sua
filosofia, a qual segundo ele, “não poderia ir além das categorias do entendimento
humano”, segundo Maréchal (1923, p. 57), “pensava Kant que um dos erros iniciais dos
metafísicos era o uso da razão, a passo que os cientistas naturais, físicos e matemáticos,
faziam o uso das faculdades naturais do conhecimento (ou seja, a res cogitans e a res
extensa, separadas anteriormente por René Descartes). Eis a revolução copernicana da
filosofia. G. F. Hegel, por sua vez, afirmou que a verdade está na ideia. E K. Marx,
achando ter invertido o seu mestre, disse que a verdade está na matéria. Os positivistas,
ao contrário de Hegel, afirmam o meio exterior, a partir da experiência, proporciona a
verdade, e assim são seguidos pelos evolucionistas, que acrescentaram elementos mais
naturalistas.

Muito embora opostos pelo mesmo vértice, nenhum deles eliminou a base kantiana
lançada no Ocidente, quer externamente ou internamente. O segundo deles é a completa
aversão ao sagrado, ou religioso. Com a abolição da transcendência da metafísica por
Kant (MARÉCHAL, 1923, p. 29-37), restaram apenas os costumes. Dos costumes, Hegel
reduziu-os ao Estado Germânico, enquanto seus discípulos e opositores, Feuerbach e
Marx, considerava a religião o “ópio do povo.” Last but not least, os positivistas,
influenciados por Comte, pregavam a profanação do conteúdo religioso e a sacralização
da ciência, e sob este aspecto, Laplatine (2003, p. 50) afirma:

Em primeiro lugar a maioria dos antropólogos desse período, absolutamente


confiantes na racionalidade científica triunfante, são não apenas agnósticos mas
também deliberadamente anti-religiosos. Morgan, por exemplo, não hesita em
escrever que “todas as religiões primitivas são grotescas e de alguma forma
ininteligíveis”, e Tylor deve parte de sua vocação a uma reação visceral contra o
espiritualismo de seu meio. Mas e certamente o Ramo de Ouro, de Frazer (trad. fr.
1981-1984),que realiza a melhor síntese de todas as pesquisas do século XIX
sobre as “crenças” e “superstições”.

A partir destes dois pontos é possível chegar a uma síntese do pensamento de


Morgan e do Marxismo.

2.2 O exame

Segundo Lévi-Strauss (1993), “Morgan fundou simultaneamente a antropologia


social e os estudos de parentesco, explicando por que a primeira deve atribuir tanta
importância aos segundos. De acordo com Morgan, de todos os fatos sociais, os que
dizem respeito ao parentesco e ao casamento manifestam, no mais alto grau, esses
caracteres duráveis, sistemáticos e contínuos, que dão ocasião à análise científica.”
(ASSIS & KÜMPEL, 2011, p. 81)
Enquanto Marx, junto a Engels, é chamado de pai do socialismo científico, também
conhecido como Materialismo-Histórico-Dialético.
No livro A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Engels
aproveita-se das notas de Marx acerca do livro de Morgan, A Sociedade Antiga, a qual
apresentava ao interlocutor, uma visão materialista, diferente das influências cosmogonias
do mundo antigo, tal como a Teogonia, de Hesíodo.
Segundo Assis & Kümpel (2011, p. 83), Morgan organiza a investigação das
sociedades arcaicas em conformidade com a concepção materialista, segundo a qual o
fator decisivo na história é, em última instância, a produção e a reprodução da vida
imediata. Isso significa que a ordem social de uma época está determinada por duas
espécies de produção: a) pelo grau de desenvolvimento do trabalho: quanto menos
desenvolvido é o trabalho, mais restrita é a quantidade dos seus produtos e, por
consequência, a riqueza da sociedade; b) pelo grau de influência da família: quanto
menos desenvolvido é o trabalho, com maior força se manifesta a influência dominante
dos laços de parentesco sobre o regime social.
Eis a principal convergência entre Morgan e Marx: o materialismo e o ódio a tudo
que seja transcendente.

3 COMUNIDADE GENTÍLICA

3.1 A família

À medida que as criaturas são incapazes de garantir a produção da própria vida


material, isso leva a formação de uma horda, ou grupo familiar. Assim constituído o grupo
familiar desenvolve formas de ajuda mútua e mantêm-se unida para garantir a
subsistência. Portanto é a luta pela sobrevivência e as relações de trabalho que levam a
formação da primeira instituição social, a família.

3.2 Determinação Histórica

Segundo a tese da determinação histórica de Karl Marx, as condições em que


nasceram os homens são historicamente determinadas. Essa tese afirma que os homens
fazem sua própria história, mas não segundo condições escolhidas por eles, mas
determinadas por condições que produziram suas vidas.

3.3 Ferramentas

Com a invenção do arco e flecha, a caça tornou-se atividade regular, o que


possibilitou mais força e tempo para desenvolver atividades coletivas de maior
complexidade como a agricultura e a pecuária.

3.4 Da família ao Genos

Na família consanguínea, todos os avôs e avós nos limites da família, são maridos
e mulheres entre si, assim também ocorre com seus filhos e assim sucessivamente. Com
a exclusão das relações consanguíneas, nasce o genos. O genos caracteriza-se por um
círculo fechado de parentes consanguíneos por linha feminina, que não podem casar-se
uns com os outros. Cada vez mais esse grupo consolida-se através de instituições
comuns, de ordem social e religiosa que traz distinção de outros genos da mesma tribo. A
comunidade gentílica é um grupo ligado por laços de solidariedade que mantêm
organizada a totalidade da vida social.

3.5 Principio da solidariedade

Com o rompimento da comunidade gentílica, esses laços de solidariedade que


fizeram a própria união em família ser possível, como também ser possível à formação de
grupos mais fortes e unidos como as tribos, se diluem. O rompimento do princípio da
solidariedade significa uma enorme perda para a organização humana, pois o mesmo é a
condição coletiva resultante do cumprimento de atitudes e/ou deveres reciprocamente, de
maneira a garantir a paz e a defesa do grupo. O conceito de costume é dado por um
conjunto de regras de conduta organizadas ao longo da história e repassadas de geração
em geração, essas regras são comportamentos e maneiras que pela repetição constante,
tornam-se gerais.
Com a fragmentação da comunidade gentílica em famílias menores (monogâmica)
e o aparecimento de formas mais complexas de relacionamento social, a exemplo a
propriedade privada, que antes não existia nos genos, também se reduziu o círculo de
abrangência do princípio da solidariedade, princípio que em outrora era fortalecido, em
virtude da antiga estrutura onde a propriedade da terra era coletiva.
Apesar da constante redução do círculo familiar no decorrer do processo histórico,
é possível perceber alguns aspectos da comunidade gentílica na sociedade moderna,
como quando a economia familiar é baseada na agricultura ou noutra atividade própria do
meio rural, podendo-se confiar tarefas uteis a todas as pessoas. Porem, assim como
aconteceu com a comunidade gentílica, à medida que a agricultura se torna mecanizada e
mais comercializada, a família se desintegra, as pessoas abandonam os centros rurais e
se dirigem aos centros urbanos.
Outro exemplo perceptível de aspectos da comunidade gentílica presente na
sociedade atual são os casos das comunidades primitivas ainda existentes (grupos
indígenas) onde os indivíduos compartilham o mesmo destino, motivo pelo qual se
sentem responsáveis uns pelos outros, evidenciando a noção de solidariedade presente
nas comunidades gentílicas e que apesar de ser presente em todas as comunidades
parece que ficou em um passado distante.

4 FIM DA SOLIDARIEDADE

A vida humana é marcada por uma série de atividades de interesses coletivos.


Hannah Arendt, explana em sua obra, “A condição humana”, que a ausência de relações
interpessoais transfigura o homo laborans a um animal laborans, pois um ser que
laborasse em completa solidão, não seria humano, e sim um animal. Diante disso, a polis
surge a partir da crise que se instaura na organização gentílica, pois agora se baseia,
sobretudo, os direitos públicos e sociais e não mais privados. A esfera da polis e a esfera
da família passaria a se complementar em prol da esfera social. Com o avanço, político e
econômico, a sociedade passou a gerenciar seus interesses comuns para o bem-estar de
todos e a organizar-se segundo as suas necessidades. Porém, o “bem comum”
reconhece apenas que os indivíduos privados têm interesses materiais e espirituais em
comum, mas as duas esferas constantemente recaem uma sobre a outra, recriando um
novo cenário de submissão, de governo e poder. Diante disso, Rousseau, aponta duas
espécies de desigualdades: uma que ele denomina desigualdade natural ou física e outra
que ele denomina desigualdade moral ou política.
Na comunidade gentílica, a desigualdade natural ou física é neutralizada pelas
relações de parentesco e pelo princípio de solidariedade que visam à preservação do
grupo. Com o passar do tempo, a sociedade, alcançou novos estágios de crescimento
econômico e social, introduzindo uma mazela inevitável no cenário sociopolítico: a
desigualdade na riqueza.
Segundo a tese de Marx, os homens fazem sua própria história, mas não a fazem
em condições escolhidas por eles. São historicamente determinadas pelas condições que
produzem suas vidas. Se com o evolucionismo histórico, o ser humano passou a ser
detentor de direitos e deveres na sociedade, a esfera social deve ao cidadão uma
retribuição, uma vez que este colabora com o avanço socioeconômico. Morgan constata
que:

Desde o advento da civilização, chegou a ser tão grande o aumento da riqueza,


assumindo formas tão variadas, de aplicação tão extensa, e tão habilmente
administradas no interesse de seus possuidores, que ela, a riqueza, se
transformou numa força incontrolável, oposta ao povo. A inteligência humana vê-
se impotente e desnorteada diante da sua própria criação. (in ENGELS, 1976:
236)

Diante disso, pôde-se notar que a economia clássica pressupunha que o homem,
na medida em que é um ser ativo, age exclusivamente à base de interesse próprio e é
motivado por um único desejo, o desejo de aquisição. Logo, os operários e assalariados
passaram a atuar com dependência mútua em prol da subsistência e o poder político
passou a ser o centro dos interesses privados em busca de crescer em cima da classe
trabalhadora. Como Arendt bem cita,” conviver no mundo significa essencialmente ter um
mundo de coisas interposto entre os que nele habitam em comum.” Logo, conclui-se que
diante da condição humana, a polis, os indivíduos e os interesses coletivos se baseiam e
buscam construir direitos públicos, privados e sociais para o avanço da solidariedade,
sobretudo, econômica.

5 CONCLUSÃO

Os estudos de Lewis Morgan a partir de fatos sociais possibilitam uma maior


compreensão no que diz respeito às relações humanas de cunho familiar, em outras
palavras, a antropologia social e o estudo do parentesco. O autor faz uso de uma análise
do curso histórico no qual as relações sociais estão inseridas para compreender os
vínculos familiares. Nesse viés, nota-se que as pesquisas deste autor configuram-se em
um “marco” que foi de grande importância para os avanços da Antropologia Moderna.
BIBLIOGRAFIA

ARENDT, Hannah. A condição Humana. 10 ed. Rio de Janeiro: Forense universitário,


2004.

ASSIS, Olney Queiroz & KÜMPEL, Vitor Frederico. Manual de antropologia jurídica.
São Paulo: Saraiva, 2011.

BARBOSA, Mauro. Lewis Morgan: 140 anos dos Sistemas de Consanguinidade e


Afinidade da Família Humana (18712011). Disponível em:
<https://mwba.files.wordpress.com/2010/06/barbosadealmeida2012lewismorganrevisado.
pdf> Acesso em 26 de julho de 2018

LAPLANTINE, François. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003.

MARÉCHAL, Joseph. Le point départ de la métaphysique: La Crique de Kant.


Bruxelas: Charles Beyart, 1923.