Sei sulla pagina 1di 49

Fl´avio Barroso Neves

M´etodo alg´ebrico para dimensionamento e simula¸c˜ao de tubos capilares adiab´aticos

S˜ao Paulo

21/11/2006

Fl´avio Barroso Neves

M´etodo alg´ebrico para dimensionamento e simula¸c˜ao de tubos capilares adiab´aticos

Trabalho de formatura apresentado `a Es- cola Polit´ecnica da Universidade de S˜ao Paulo para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Gra- dua¸c˜ao em Engenharia Mecˆanica

Orientador:

Prof. Dr. Antˆonio Lu´ıs de Campos Mariani

Escola Politecnica´

da Universidade de Sao˜

S˜ao Paulo

21/11/2006

Paulo

FICHA CATALOGRÁFICA

Neves, Flávio Barroso Método algébrico para dimensionamento e simulação de tu- bos capilares adiabáticos / F.B. Neves. -- São Paulo, 2007. 48 p.

Trabalho de Formatura - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia Mecânica.

1.Refrigeração 2.Tubos capilares adiabáticos I.Universidade de São Paulo. Escola Politécnica. Departamento de Engenharia Mecânica II.t.

Agradecimentos

Neste momento, pe¸co licen¸ca para abandonar o tom formal que este trabalho demanda para agradecer as pessoas que foram importantes na minha vida acadˆemica e pessoal.

Ao Prof. Dr. Antˆonio Lu´ıs de Campos Mariani, n˜ao apenas por orientar este trabalho, mas pelo est´ımulo, paciˆencia e dedica¸c˜ao que me fizeram amar minha profiss˜ao e, acima de tudo, pela profunda e sincera amizade.

Aos professores Paiva (IPT) e Fiorelli (POLI/USP), pela pesquisa que inspirou este trabalho.

Aos amigos Ricardo, Guilherme, Fl´avio Nakanishi, Fl´avio Utumi, Edson, Rui e Nicolau pelos momentos que vivemos juntos, discuss˜oes t´ecnicas e noites de estudos que valiam mais que aulas inteiras.

A Escola Polit´ecnica da USP, que me ofereceu a oportunidade e a estru- tura para que eu pudesse aprender minha profiss˜ao.

Finalmente, `a minha noiva Aline, pelo seu apoio, amor e compreens˜ao, minha profunda e eterna gratid˜ao. Aos meus pais, Dionisio e Inˆes, por todo o amor, confian¸ca e pelas oportunidades que me propiciaram. A eles, portanto, dedico este trabalho

Resumo

Tubos capilares s˜ao dispositivos de expans˜ao muito simples, confi´aveis e econˆo- micos. Geralmente s˜ao utilizados em ciclos frigor´ıficos de pequeno porte, como ge- ladeiras, “freezers”, ar condicionados de janela e sistemas de refrigera¸c˜ao industrial de baixa capacidade.

O correto dimensionamento do tubo capilar ´e fundamental para o funcionamento

do ciclo. Os m´etodos empiricos de dimensionamento n˜ao possuem generalidade e podem levar a erros consider´aveis. J´a os m´etodos num´ericos de parˆametros distribui- dos requerem solu¸c˜ao iterativa, computacionalmente intensiva e complexa do ponto de vista da implementa¸c˜ao.

Este trabalho demonstra um m´etodo alg´ebrico, de car´ater te´orico e gen´erico, que permite o dimensionamento e a simula¸c˜ao de tubos capilares adiab´aticos. Os erros envolvidos no c´alculo s˜ao da mesma ordem de grandeza dos obtidos por m´etodos de parˆametros distribu´ıdos e possuem aderˆencia satisfat´oria com dados experimentais. Al´em disso, ´e considerada a possibilidade de escoamento cr´ıtico no tubo capilar, fato que torna o modelo gen´erico e com vantagens em rela¸c˜ao `as correla¸c˜oes emp´ıricas dispon´ıveis na literatura.

O escoamento bif´asico e cr´ıtico que ocorre em um tubo capilar possui peculiari-

dades que nem sempre s˜ao intuitivas. Uma an´alise de varia¸c˜ao de parˆametros que influenciam o comportamento do tubo foi feita a partir das equa¸c˜oes resultantes.

Um modelo matem´atico foi desenvolvido. Os resultados, quando comparados a dados experimentais, demonstram que, na maioria dos casos, o modelo matem´atico ´e capaz de predizer o desempenho de tubos capilares adiab´aticos com desvios da ordem de 10%.

Abstract

Capillary tubes are very simple, reliable and inexpensive expansion devices. Usu- ally they are applied in small refrigeration cycles, like refrigerators, freezers, window air conditioners and low capacity industrial refrigeration systems.

The correct sizing of the capillary tube is basic to the functioning of the cycle. The empiric sizing methods do not have generality and can lead to considerable errors. The distributed parameters methods demand iterative, computer intensive and complex implementation solution.

This work demonstrates an algebraic method, of theoretical character and gene- ric, that allows the sizing and simulation of adiabatic capillary tubes. The involved errors in the calculation are of the same magnitude of the obtained by distributed parameters methods and with satisfactory adherence with experimental data. Cri- tical flow through capillary tube is also considered, fact that brings generality to the model with advantages in comparison with empirical correlations found in the literature.

The biphasic chocked flow that exists inside a capillary tube has peculiarities that are not always obvious. A parameter variation analysis was performed considering the important physical quantities to the tube behavior from the resulting equations.

The results, when compared to expe-

rimental data, show that, in most of cases, the mathematical model is capable of predict the adiabatic capillary tube performance with 10% magnitude deviation.

A mathematical model was developed.

Lista de Figuras

1 Componentes b´asicos de um ciclo de refrigera¸c˜ao .

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 10

2 V´alvula de expans˜ao termost´atica (1)

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 11

3 Tubo capilar .

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 12

4 Volume de controle elementar

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 17

5 Processo isoent´alpico em um tubo capilar

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 19

6 Ilustra¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.13) (2)

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 21

7 L´ıquido comprimido na entrada do tubo capilar

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 22

8 Mistura l´ıquido-vapor saturado na entrada do tubo capilar

.

.

.

.

p. 22

9 Distribui¸c˜ao do fator de atrito ao longo da regi˜ao de escoamento

 

bif´asico (2)

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 25

10 Fluxograma de dimensionamento de tubos capilares

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 29

11 Fluxograma de simula¸c˜ao de tubos capilares

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 30

12 Erro na vaz˜ao em massa calculada pelo m´etodo de dimensiona-

 

mento

(2)

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 39

Lista de Tabelas

1 Compara¸c˜ao entre os resultados experimentais de Paiva (1997) e os

do modelo matem´atico – R-134a

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 37

2 Compara¸c˜ao entre os resultados experimentais de Kuhel e Golds-

 

chmidt e os do modelo matem´atico – R-22

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 38

3 Compara¸c˜ao entre os resultados experimentais de Fiorelli (2000) e

 

os do modelo matem´atico – R-410A

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 39

Lista de s´ımbolos

ρ massa espec´ıfica

V velocidade

.

m vaz˜ao em massa

A ´area de passagem do tubo capilar

G velocidade de massa

L comprimento do tubo capilar

h entalpia

v volume espec´ıfico

τ tens˜ao de cisalhamento viscosa

p press˜ao

P e

D diˆametro do tubo capilar

f fator de atrito de Darcy

x t´ıtulo

c p

T temperatura

R constante de g´as perfeito do fluido

β inclina¸c˜ao da reta de correla¸c˜ao, equa¸c˜ao 3.13

C 1 , C 2

Re

µ viscosidade

per´ımetro do tubo capilar

calor espec´ıfico a press˜ao constante

constantes emp´ıricas da equa¸c˜ao de Bittle e Pate 3.24

n´umero de Reynolds

Subscritos:

v

vapor

l , liq

l´ıquido

lv

mudan¸ca de fase – l´ıquido-vapor

1

in´ıcio da regi˜ao bif´asica no tubo capilar

2

sa´ıda do tubo capilar

3

cruzamento das linhas isoent´alpica com a de satura¸c˜ao

r

estado de referˆencia, equivalente ao estado 1

bf

bif´asico

e

entrada do tubo capilar

s

sa´ıda do tubo capilar

crit

cr´ıtico

p

calculado atrav´es da solu¸c˜ao aproximada

Sobrescritos:

* propriedade adimensional

Sum´ario

1 Introdu¸c˜ao

p. 10

1.1 V´alvulas de expans˜ao autom´aticas .

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 11

1.2 Tubos capilares

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 12

1.3 Orif´ıcios de expans˜ao

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 13

2 Objetivos

p. 14

3 Modelo matem´atico

 

p. 16

3.1 Hip´oteses b´asicas

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 16

3.2 Equa¸c˜oes fundamentais

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 17

3.3 C´alculo das propriedades na regi˜ao de mudan¸ca de fases

 

p. 19

3.4 Solu¸c˜ao aproximada para o comprimento L .

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 22

.

3.5 Solu¸c˜ao aproximada para a vaz˜ao em massa m .

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 25

3.5.1 Solu¸c˜ao simplificada

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 26

3.5.2 Solu¸c˜ao corrigida

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 27

4 An´alise da varia¸c˜ao de parˆametros

 

p. 31

4.1 Comprimento e vaz˜ao em massa

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 32

4.2 Diˆametro interno e vaz˜ao em massa

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 32

4.3 Diˆametro interno e comprimento .

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 33

4.4 Press˜ao de condensa¸c˜ao e vaz˜ao em massa

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 33

4.5 Subresfriamento na entrada e vaz˜ao em massa

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

p. 35

5

Compara¸c˜ao do m´etodo com dados experimentais

p. 36

6

Conclus˜oes

p. 40

Referˆencias

p. 42

Apˆendice A -- C´odigo-fonte para dimensionamento de tubos capi- lares desenvolvido no aplicativo EES

p. 44

10

1

Introdu¸c˜ao

Este trabalho apresenta um m´etodo de dimensionamento de simula¸c˜ao de tubos capilares aplicados como dispositivos de expans˜ao adiab´aticos em ciclos frigor´ıficos.

Os dispositivos de expans˜ao s˜ao componentes fundamentais para os ciclos de

refrigera¸c˜ao. O equil´ıbrio entre o dispositivo de expans˜ao, o compressor frigor´ıfico

e os trocadores de calor determina a vaz˜ao de fluido refrigerante, o diferencial de

press˜oes de condensa¸c˜ao e evapora¸c˜ao e o desempenho do ciclo. Os componentes b´asicos de um ciclo frigor´ıfico est˜ao representados na figura 1.

Qh um ciclo frigor´ıfico est˜ao representados na figura 1. Condensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão

ciclo frigor´ıfico est˜ao representados na figura 1. Qh Condensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão
ciclo frigor´ıfico est˜ao representados na figura 1. Qh Condensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão
ciclo frigor´ıfico est˜ao representados na figura 1. Qh Condensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão
Condensador Evaporador
Condensador
Evaporador
representados na figura 1. Qh Condensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão Ql W Figura 1:

Compressor

na figura 1. Qh Condensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão Ql W Figura 1: Componentes

Dispositivo

de

expansão

QlCondensador Evaporador Compressor Dispositivo de expansão W Figura 1: Componentes b´asicos de um ciclo de

W

Figura 1: Componentes b´asicos de um ciclo de refrigera¸c˜ao

A compress˜ao do fluido refrigerante da press˜ao de evapora¸c˜ao para a de conden-

sa¸c˜ao ocorre no compressor frigor´ıfico. Esta compress˜ao geralmente ´e “seca”, isto ´e,

o compressor trabalha com vapor saturado ou superaquecido. O condensador ´e o

respons´avel pela rejei¸c˜ao de calor do ciclo para o meio ou outro reservat´orio t´ermico. O vapor proveniente da descarga do compressor muda de fase para l´ıquido saturado

11

ou comprimido. Este l´ıquido, ao passar pelo elemento de expans˜ao, tem sua press˜ao reduzida e ´e admitido no evaporador como fluido saturado com baixo t´ıtulo. No evaporador, calor ´e retirado do processo a ser refrigerado para o fluido, que muda de fase e torna-se vapor saturado ou superaquecido.

O tipo de dispositivo de expans˜ao utilizado depende da capacidade do sistema

de refrigera¸c˜ao. Os mais utilizados s˜ao as v´alvulas de expans˜ao, tubos capilares e orif´ıcios.

1.1 V´alvulas de expans˜ao autom´aticas

Em ciclos com capacidade maior que 10 kW ´e muito frequente¨ a utiliza¸c˜ao das v´alvulas de expans˜ao autom´aticas (3). Estas v´alvulas controlam o fluxo de fluido refrigerante de modo a manter algum parˆametro do ciclo constante. Geralmente s˜ao v´alvulas mecˆanicas, por´em tem crescido a utiliza¸c˜ao de v´alvulas atuadas eletrica- mente e sensores eletrˆonicos.

Existem v´alvulas para controle de press˜ao ou temperatura de evapora¸c˜ao, mas a mais utilizada ´e a v´alvula de expans˜ao termost´atica. A v´alvula termost´atica mant´em constante o superaquecimento do fluido refrigerante na linha de suc¸c˜ao do compres- sor. O nome n˜ao ´e o mais apropriado, pois a palavra “termost´atico” passa a id´eia que a v´alvula mant´em a temperatura de evapora¸c˜ao constante, o que ´e incorreto.

de evapora¸c˜ao constante, o que ´e incorreto. Figura 2: V´alvula de expans˜ao termost´atica (1) A

Figura 2: V´alvula de expans˜ao termost´atica (1)

A figura 2 mostra o diagrama esquem´atico de uma v´alvula de expans˜ao termos-

t´atica (1). O bulbo possui uma carga de um fluido idˆentico ou com caracter´ısticas

12

semelhantes ao utilizado no ciclo frigor´ıfico e ´e instalado na linha de suc¸c˜ao. A

temperatura do bulbo faz a press˜ao do fluido variar. Esta press˜ao ´e transmitida

por um capilar at´e a parte superior do diafragma no corpo da v´alvula. Na parte

inferior, a press˜ao de evapora¸c˜ao e a for¸ca aplicada por uma mola de ajuste fazem o

diafragma se mover e, solid´ario a ele, uma haste. A haste regula a ´area de passagem

pelo orif´ıcio da v´alvula. Desta forma, a v´alvula termost´atica controla a vaz˜ao de

fluido refrigerante na medida em que ele evapora. Ajustando o parafuso, modifica-se

a for¸ca da mola e assim ´e poss´ıvel regular o superaquecimento desejado.

1.2 Tubos capilares

Os tubos capilares s˜ao muito aplicados em ciclos de refrigera¸c˜ao de pequeno

porte, como geladeiras residenciais, “freezers”, ar condicionados de janela e sistemas

de refrigera¸c˜ao industrial de capacidade inferior a 10 kW.

E um dispositivo simples,

confi´avel e econˆomico, composto por um tubo longo e de pequeno diˆametro interno,

entre 0.2 e 2 mm, geralmente fabricado em cobre ou a¸co inoxid´avel (figura 3).

´

fabricado em cobre ou a¸co inoxid´avel (figura 3). ´ Figura 3: Tubo capilar Um tubo capilar

Figura 3: Tubo capilar

Um tubo capilar deve ser compat´ıvel com os outros componentes do sistema. Em

geral, assim que o compressor e os trocadores de calor s˜ao selecionados para uma

dada condi¸c˜ao de projeto, a carga de g´as e o tubo capilar podem ser determinados.

A maioria das aplica¸c˜oes que utilizam tubos capilares os aplicam apenas como

dispositivo de expans˜ao. Neste caso, diz-se que o tubo capilar opera em condi¸c˜oes

13

adiab´aticas, isto ´e, idealmente sem troca de calor. No entanto, h´a alguns casos em que o capilar ´e soldado `a linha de suc¸c˜ao, principalmente em geladeiras. Desta forma, o tubo capilar tamb´em opera como um trocador de calor de linha de suc¸c˜ao. Isto ´e feito para evitar condensa¸c˜ao na suc¸c˜ao do compressor. Al´em disso, ´e poss´ıvel demonstrar (3) (4) que o trocador de calor da linha de suc¸c˜ao pode melhorar o COP 1 . O tubo capilar, quando utilizado desta forma, ´e classificado como n˜ao adiab´atico.

1.3 Orif´ıcios de expans˜ao

Orif´ıcios de expans˜ao s˜ao dispositivos similares aos tubos capilares, por´em pos- suem comprimento muito menor, tipicamente de 10 a 13 mm, e raz˜ao comprimento-

D L < 30. As vantagens em rela¸c˜ao aos capilares incluem

a robustez mecˆanica e a facilidade de substitui¸c˜ao. Por estes motivos, s˜ao muito

utilizados pela ind´ustria automotiva em sistemas de ar condicionado.

diˆametro na faixa de 3 <

1 COP : “Coefficient Of Performance”. Em portuguˆes, seria o coeficiente de efic´acia. A sigla em inglˆes ´e muito popular, e por isso a utilizamos.

14

2

Objetivos

H´a muita literatura dispon´ıvel sobre tubos capilares. Certamente existem mais

publica¸c˜oes sobre o caso adiab´atico, mas ambos os casos foram extensivamente es-

tudados. Revis˜oes bibliogr´aficas bastante completas podem ser lidas nas teses de

Paiva (3) e Fiorelli (5).

Uma classe de trabalhos sobre o tema ´e puramente experimental. A partir de

diversos ensaios, o pesquisador fornece gr´aficos, tabelas ou correla¸c˜oes emp´ıricas

para o dimensionamento dos tubos. Um dos m´etodos mais utilizados para esta

tarefa ´e o recomendado pela ASHRAE (4), que fornece gr´aficos para diversos fluidos

refrigerantes e um procedimento de extrapola¸c˜ao dos dados experimentais. Estes

m´etodos podem levar a incertezas elevadas, al´em da falta de praticidade em se

trabalhar com as curvas e a ausˆencia de generalidade, j´a que os dados s´o podem ser

aplicados at´e os limites dos ensaios.

Outro tipo de trabalho ´e o que soluciona o problema numericamente. O tubo

capilar ´e discretizado no comprimento, o que resulta num elevado n´umero de equa-

´

E poss´ıvel,

por este m´etodo, obter solu¸c˜oes com elevada similaridade com dados experimentais,

mas ´e necess´ario um conhecimento profundo nos fenˆomenos f´ısicos que ocorrem no

escoamento e em programa¸c˜ao de computadores, al´em do tempo necess´ario para

programar e testar o software.

¸c˜oes de diferen¸cas finitas que devem ser resolvidas simultaneamente.

Para o engenheiro, um m´etodo alg´ebrico, gen´erico e que possua grau de incerteza

aceit´avel para projetar e simular a performance de tubos capilares pode ser mais

valioso que uma solu¸c˜ao elegante e precisa, por´em trabalhosa.

¨

Yilmaz e Unal (6) desenvolveram um procedimento de c´alculo a partir das equa-

¸c˜oes fundamentais para o escoamento bif´asico que ocorre no tubo capilar que atende

a estes requisitos. No entanto, por n˜ao considerarem a possibilidade de haver esco-

amento cr´ıtico no tubo, o m´etodo poderia levar a erros consider´aveis. Zang e Ding

15

(2) modificaram o m´etodo, acrescentando esta informa¸c˜ao.

O objetivo deste trabalho ´e deduzir e apresentar com detalhes este m´etodo al- g´ebrico de dimensionamento e simula¸c˜ao de tubos capilares adiab´aticos, cuja sim- plicidade, ausˆencia de itera¸c˜oes, generalidade e precis˜ao satisfat´oria nos resultados tornam, comparado `a solu¸c˜ao por diferen¸cas finitas, a implementa¸c˜ao f´acil e r´apida. Al´em disso, por ser gen´erico e alg´ebrico, possui vantagens em rela¸c˜ao aos m´etodos puramente experimentais.

16

3 Modelo matem´atico

Os fenˆomenos f´ısicos que descrevem o comportamento de um tubo capilar s˜ao muito complexos. Trata-se de um escoamento bif´asico, com elevado n´umero de Mach 1 , em regime subcr´ıtico ou, frequentemente,¨ cr´ıtico. Al´em disso, do ponto de vista termodinˆamico, o fenˆomeno possui elevado grau de irreversibilidade.

O objetivo deste cap´ıtulo ´e desenvolver um modelo matem´atico simplificado, mas sem perda de generalidade, que permita o dimensionamento e a simula¸c˜ao de tubos capilares para a sua utiliza¸c˜ao como dispositivos de expans˜ao em ciclos de refrigera¸c˜ao. Para tanto, ser´a necess´ario adotar algumas hip´oteses simplificadoras que viabilizem o tratamento matem´atico do problema.

3.1 Hip´oteses b´asicas

Escoamento unidimensional no sentido axial – isto ´e, desprezamos as varia¸c˜oes de propriedades termodinˆamicas e campos de velocidade no sentido radial e circunferencial do tubo capilar devido aos pequenos diˆametros envol- vidos (8),

Regime permanente – grandezas f´ısicas associadas ao escoamento invarian- tes com o tempo,

Tubo capilar adiab´atico – n˜ao h´a troca de calor com o meio,

Varia¸c˜oes de energia potencial desprez´ıveis,

Se¸c˜ao transversal circular constante,

1 o n´umero de Mach ´e um parˆametro adimensional que relaciona a velocidade do fluido com a velocidade do som no meio, isto ´e, Ma = V . Escoamentos com Ma < 1 s˜ao chamados de escoamentos subsˆonicos ou subcr´ıticos.Quando Ma > 1, o escoamento tem regime supersˆonico ou supercr´ıtico. Escoamentos sˆonicos ou cr´ıticos possuem Ma = 1. Estes regimes afetam significa- mente as caracter´ısticas do escoamento (7).

a

17

Quase-equil´ıbrio – admitimos que o escoamento pode ser descrito como uma sucess˜ao de estados de equil´ıbrio termodinˆamico. Como o fenˆomeno possui alta irreversibilidade, efeitos como a evapora¸c˜ao do fluido em press˜oes menores que as do equil´ıbrio termodinˆamico ocorrem nos tubos capilares. No entanto, a quantifica¸c˜ao destes efeitos n˜ao ´e ´obvia e n˜ao ser´a considerada neste trabalho,

Fator de atrito – os efeitos das tens˜oes viscosas podem ser aproximadas por um fator de atrito de Darcy.

3.2 Equa¸c˜oes fundamentais

Para deduzir as equa¸c˜oes b´asicas, considere o volume de controle elementar representado na figura 4 (9).

τ V V+dV p p+dp T T+dT h h+dh v v+dv dL A d Figura
τ
V
V+dV
p
p+dp
T
T+dT
h
h+dh
v
v+dv
dL
A
d
Figura 4: Volume de controle elementar

O tubo possui diˆametro d constante, ´area A e comprimento dL infinitesimal. Aplicando a equa¸c˜ao da conserva¸c˜ao da massa, temos:

Portanto:

ρV =

.

m

A

= G = constante

dG

dL

= 0

(3.1)

Isto ´e, a velocidade de massa G ´e constante ao longo do comprimento L do capilar.

18

A equa¸c˜ao da conserva¸c˜ao da energia (1 a lei da termodinˆamica), considerando

as hip´oteses da se¸c˜ao 3.1, pode ser escrita da seguinte forma:

d h + 1 2 G 2 v 2

escrita da seguinte forma: d h + 1 2 G 2 v 2 d L =

dL

= 0

(3.2)

A equa¸c˜ao da energia possui apenas os termos de entalpia e energia cin´etica,

j´a que n˜ao h´a outras formas de trabalho al´em do de press˜ao ou calor cruzando a

fronteira do volume de controle.

A terceira equa¸c˜ao ´e a de conserva¸c˜ao da quantidade de movimento.

Para o

volume de controle em quest˜ao, podemos escrever:

F x + G 2 Av G 2 A (v + dv) = 0

(3.3)

O termo F x ´e a resultante das for¸cas externas aplicadas no volume de con-

trole, G 2 Av ´e o fluxo de quantidade de movimento na entrada e G 2 A (v + dv) o

fluxo na sa´ıda. As for¸cas externas aplicadas ao volume de controle s˜ao as for¸cas de

press˜ao pA (p + dp) A e as for¸cas viscosas τP e dL, que decorrem da tens˜ao de ci-

salhamento viscosa τ aplicada no per´ımetro do volume de controle P e . Substituindo

na equa¸c˜ao (3.3), temos que:

dpA τP e dL = G 2 Adv

F x

(3.4)

Dividindo ambos os membros por A e reconhecendo o diˆametro hidr´aulico D =

4A

P e

, a equa¸c˜ao (3.4) resulta:

dp 4τ dL = G 2 dv

D

(3.5)

Para eliminar τ da equa¸c˜ao, utilizamos a defini¸c˜ao de fator de atrito de Darcy (9) :

τ =

1

8 f ρV 2 =

1

8

fG 2 v

(3.6)

Substituindo (3.6) em (3.5) e reorganizando, chegamos `a forma final da equa¸c˜ao

19

da conserva¸c˜ao da quantidade de movimento:

f

dp = G 2 dv + 2D G 2 vdL

(3.7)

A estrat´egia de solu¸c˜ao do problema envolve a integra¸c˜ao do equa¸c˜ao (3.7) no

comprimento do capilar.

c´alculo do volume espec´ıfico v em fun¸c˜ao de p na regi˜ao de mudan¸ca de fase do

fluido.

Para isso, precisamos de uma express˜ao simples para o

3.3

C´alculo das propriedades na regi˜ao de mu- dan¸ca de fases

Observando a equa¸c˜ao (3.2), nota-se que, com exce¸c˜ao do termo de energia

cin´etica, o processo termodinˆamico que ocorre em um capilar adiab´atico pode ser

considerado isoent´alpico (6). A figura 5 representa este processo em um diagrama

de Mollier (press˜ao-entalpia).

P

processo em um diagrama de Mollier (press˜ao-entalpia). P 3 2 Figura 5: Processo isoent´alpico em um
3 2 Figura 5: Processo isoent´alpico em um tubo capilar
3
2
Figura 5: Processo isoent´alpico em um tubo capilar

h

Partimos da defini¸c˜ao da propriedade termodinˆamica t´ıtulo:

x =

(v v l ) ) = (v v v l

(h h l ) (h v h l )

Os ´ındices l e v indicam, respectivamente, l´ıquido e vapor saturado.

20

Isolando-se v na segunda igualdade e admitindo-se h = h 3 e h v h l = h lv :

v = v l + h 3 h l (v v v l )

h

lv

(3.8)

Assumindo que o processo ocorra longe do ponto cr´ıtico, podemos considerar que

v v v l e v l v 3 . Com as considera¸c˜oes anteriores e a rela¸c˜ao h 3 h l = c p (T 3 T ),

segue da equa¸c˜ao (3.8) que:

v = v 3 + c p v v (T 3 T )

h

lv

(3.9)

Para uma mudan¸ca de estado finita podemos utilizar a equa¸c˜ao dos gases per-

e a equa¸c˜ao de Clausius Clapeyron (10)

T 1 . Desta forma, a equa¸c˜ao (3.9) pode ser escrita da seguinte

feitos para o vapor saturado v v = RT

ln

forma:

p

3 = h lv

p

p

R

1

T 3

3 = 1 (c p R 2 T 2 ) (h lv pv 3 )

v

v

2

T 3 ln

3

p

p

(3.10)

Definindo os seguintes parˆametros adimensionais:

β

= (c p R 2 T 2 ) (h lv pv 3 )

2

p =

p

p

r

v =

v

v

r

(3.11)

(3.12)

O ´ındice r representa o estado de referˆencia, definido como o ponto 3 da figura 5.

Desta forma, chegamos `a rela¸c˜ao simples v = 1 (β ln p ) . Para pequenas mu-

p

dan¸cas de press˜ao, pode-se linearizar esta equa¸c˜ao, o que resulta em:

v = 1 + β

1

1

p

(3.13)

Observando a defini¸c˜ao do parˆametro β na equa¸c˜ao (3.11), nota-se que este ´e

fun¸c˜ao das propriedades no ponto 3 e das propriedades R, T , h lv e c p do fluido. A

figura 6 ilustra a varia¸c˜ao de β para diversos fluidos refrigerantes e condi¸c˜oes (2).

Como pode ser visto na figura, a linearidade da equa¸c˜ao (3.13) ´e alta. Yilmaz e

21

21 Figura 6: Ilustra¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.13) (2) ¨ Unal (6) e Zhang e Ding (2)

Figura 6: Ilustra¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.13) (2)

¨

Unal (6) e Zhang e Ding (2) avaliaram este fato para diversos fluidos refrigerantes e

misturas. A inclina¸c˜ao β foi calculada em (2) com o aux´ılio do software REFPROP

(11) para diversos fluidos. A correla¸c˜ao obtida foi:

β = 1.63 × 10 5

p

0.72

3

(3.14)

Um tubo capilar pode trabalhar em duas situa¸c˜oes: entrada de l´ıquido com-

primido, figura (7), ou entrada de mistura l´ıquido-vapor saturado, figura (8). As

equa¸c˜oes (3.13) e (3.14) foram definidas para calcular o volume espec´ıfico da mis-

tura bif´asica dado o estado 3 das figuras (cruzamento das linhas isoent´alpica com a

de satura¸c˜ao). Como nos interessa fazer a integra¸c˜ao da equa¸c˜ao da conserva¸c˜ao de

quantidade de movimento (3.7) da entrada at´e a sa´ıda do tubo capilar (respectiva-

mente estados 1 e 2 das figuras 7 e 8), ´e necess´aria alguma ´algebra para modificar a

referˆencia na equa¸c˜ao (3.14) do estado 3 para o estado 1. Pode-se mostrar que:

β

=

1.63×10 5

p

0.72

3

p

3

1 + 1.63×10 5

p

0.72

3

(p 3 1)

(3.15)

22

P

1(3) 2 h Figura 7: L´ıquido comprimido na entrada do tubo capilar P 3 1
1(3)
2
h
Figura 7: L´ıquido comprimido na entrada do tubo capilar
P
3
1
2

h

Figura 8: Mistura l´ıquido-vapor saturado na entrada do tubo capilar

Desta forma, o estado de referˆencia r para o c´alculo dos adimensionais p e v passa a ser o ponto 1 dos diagramas, isto ´e, o in´ıcio da regi˜ao bif´asica no processo de expans˜ao isoent´alpico. Quando a entrada ´e de l´ıquido saturado ou comprimido, o estado 1 e 3 coincidem.

3.4 Solu¸c˜ao aproximada para o comprimento L

Com o desenvolvimento da rela¸c˜ao entre volume espec´ıfico e press˜ao para a regi˜ao de escoamento bif´asico, equa¸c˜ao (3.13), podemos fazer a substitui¸c˜ao na equa¸c˜ao diferencial da conserva¸c˜ao da quantidade de movimento (3.7) para o escoamento

23

bif´asico e efetuar a integra¸c˜ao. O resultado ´e:

L bf = 2D

f bf ln

p

s

β + (1 β)p

s

(1 β) × p

2D

f bf G 2

s

1

1 β β ln [β + (1 β)p ]

(3.16)

s

A velocidade de massa adimensional ´e definida como:

G = G

v

r

p

r

(3.17)

Da mesma forma, o comprimento do tubo na regi˜ao de l´ıquido pode ser escrita

por:

L liq = 2D(p e p r ) = 2D(p e 1)

f e G 2 v e

f e G 2

(3.18)

O comprimento total do tubo capilar ser´a a soma dos comprimentos das regi˜oes

de escoamento de l´ıquido e bif´asico, L = L liq + L bf :

L = 2D(p e 1)

f e G 2

+ 2D

f

bf

ln

p

s

β + (1 β)p

s

(1 β) × p

2D

f bf G 2

s

1

1 β β ln [β + (1 β)p ]

s

(3.19)

A equa¸c˜ao (3.19) ´e uma solu¸c˜ao aproximada expl´ıcita para o comprimento do

¨

tubo capilar em condi¸c˜oes de escoamento subsˆonico. Yilmaz e Unal (6) n˜ao levaram

em conta a possibilidade de haver escoamento cr´ıtico, o que pode levar a resultados

incorretos em algumas situa¸c˜oes.

Pode ser demonstrado que:

dL

dp s

0

(3.20)

A igualdade na equa¸c˜ao acima ocorre se e somente se o escoamento for cr´ıtico.

Em outras palavras, dada uma vaz˜ao em massa fixa, o comprimento do tubo capilar

tende a crescer conforme a press˜ao de evapora¸c˜ao p s diminui, at´e o escoamento se

tornar sˆonico. A partir da´ı, qualquer redu¸c˜ao de press˜ao a jusante n˜ao resulta em

24

crescimento do comprimento do tubo, que atingiu valor m´aximo.

Substituindo a equa¸c˜ao (3.19) em (3.20), obtemos:

p

s

βG

(3.21)

Decorre desta equa¸c˜ao que, quando o escoamento no tubo capilar estiver blocado,

a inequa¸c˜ao se torna exata e a press˜ao reduzida a jusante nestas condi¸c˜oes pode ser

definida como:

p crit = βG

(3.22)

Se a press˜ao cr´ıtica calculada utilizando a equa¸c˜ao (3.22) for maior que a press˜ao

de evapora¸c˜ao, significa que o tubo capilar est´a trabalhando em regime cr´ıtico. Subs-

tituindo a equa¸c˜ao (3.22) em (3.19), pode-se obter o comprimento do tubo capilar

operando com escoamento sˆonico, isto ´e:

L = 2D(p e 1)

f e G 2

+ 2D

f

bf

ln

β + (1 β) βG

βG

(1 β) × βG 1

2D

f bf G 2

1 β β ln [β + (1 β) βG ]

(3.23)

As equa¸c˜oes (3.19) e (3.23) utilizam o fator de atrito, especialmente o na regi˜ao

bif´asica, como parˆametro. Em geral, o fator de atrito varia pouco com a rugosidade

do tubo e pode ser calculado por uma rela¸c˜ao do tipo (12):

f = C 1 Re C 2 = C 1 GD

µ

C 2

(3.24)

As constantes C 1 e C 2 s˜ao emp´ıricas. Bittle e Pate (12) recomendam que C 1 =

0.23 e C 2 = 0.216.

Na regi˜ao bif´asica, a viscosidade na equa¸c˜ao (3.24) ´e calculada pelo modelo de

McAdams(13), conforme recomendado por Bittle e Pate (12):

1

µ

bf

=

x

+ 1 x

µ

g

µ

l

(3.25)

25

A figura 9 representa a varia¸c˜ao do fator de atrito bif´asico ao longo do tubo

capilar para condi¸c˜oes t´ıpicas de opera¸c˜ao ( d = 1 mm, L = 1 m, entrada de l´ıquido

saturado a 45 C) e alguns fluidos refrigerantes. Nota-se que a m´axima varia¸c˜ao do

fator de atrito entre a sa´ıda e a entrada ´e de cerca de 10%. Isto significa que o fator

de atrito bif´asico ´e, em m´edia, cerca de 5% menor que o da entrada do capilar. Esta

pequena varia¸c˜ao pode ser explicada pela equa¸c˜ao (3.24). O fator de atrito bif´asico

varia com a viscosidade. No entanto, esta varia¸c˜ao ´e atenuada pelo pequeno valor de

C 2 . Conclu´ımos que, para fins de c´alculo de engenharia, ´e aceit´avel utilizar o fator

de atrito calculado nas condi¸c˜oes de entrada bif´asicas ao inv´es do fator de atrito

m´edio nesta regi˜ao.

ao inv´es do fator de atrito m´edio nesta regi˜ao. Figura 9: Distribui¸c˜ao do fator de atrito

Figura 9: Distribui¸c˜ao do fator de atrito ao longo da regi˜ao de escoamento bif´asico (2)

Por fim, podemos resumir o procedimento de c´alculo do comprimento do tubo

capilar (dimensionamento) em um fluxograma, figura 10.

3.5 Solu¸c˜ao aproximada para a vaz˜ao em massa

.

m

A solu¸c˜ao para o comprimento L do tubo capilar ´e uma fun¸c˜ao complexa da vaz˜ao

´

em massa.

obter esta rela¸c˜ao, ser´a utilizado um procedimento em dois passos:

E dif´ıcil derivar diretamente dela uma express˜ao expl´ıcita da vaz˜ao. Para

Obten¸c˜ao de uma solu¸c˜ao aproximada a partir da simplifica¸c˜ao das equa¸c˜oes

do comprimento do tubo;

26

A partir desta solu¸c˜ao aproximada, corrigimos os erros de simplifica¸c˜ao utili-

zando novamente as equa¸c˜oes para o comprimento.

Este m´etodo ´e conhecido na literatura como predictor-corrector. A primeira

estimativa prediz a solu¸c˜ao final. Com esta estimativa, faz-se a corre¸c˜ao do c´alculo

para encontrar o resultado.

3.5.1 Solu¸c˜ao simplificada

Iniciando pela solu¸c˜ao de L para o escoamento cr´ıtico, considera-se a seguinte

aproxima¸c˜ao:

ln (1 + z) z,

|z| < 1

(3.26)

Se o m´odulo de z for bem menor do que 1, a eq. (3.26) ter´a elevada precis˜ao.

Adotando:

z

= 1 β

β

ter´a elevada precis˜ao. Adotando: z = 1 − β β βG ∗ (3.27) Considerando a eq.

βG

(3.27)

Considerando a eq. (3.22) e o fato de que β > 1, teremos:

|z| = β 1 βG = β 1

| z | = β − 1 βG ∗ = β − 1 β β p

β

β

p

crit < p

crit

(3.28)

Normalmente p crit varia entre 0.3 e 0.5. Portanto, a equa¸c˜ao (3.26) ´e uma

aproxima¸c˜ao aceit´avel quando a vari´avel z ´e definida de acordo com a eq. (3.27).

Substituindo as equa¸c˜oes (3.26) e (3.27) na eq. (3.23), obt´em-se:

L = 2D(p e 1)

+ 2D

bf

β 1

β

f e G 2

f

G + ln G ln β

2

+ 2D[1 + β(ln β 1)] f bf G 2 (1 β) 2

(3.29)

Comparando os trˆes termos do segundo membro da equa¸c˜ao (3.29), observamos

que o segundo ´e desprez´ıvel perante os demais, j´a que G 1 em condi¸c˜oes t´ıpicas

de utiliza¸c˜ao de tubos capilares. Omitindo este termo, a equa¸c˜ao (3.29) se reduz a:

L = 2D(p e 1)

f e G 2

+ 2D[1 + β(ln β 1)]

f bf G 2 (1 β) 2

(3.30)

27

Substituindo a equa¸c˜ao (3.24) em (3.30) e utilizando f e ao inv´es de f bf , obtemos

a solu¸c˜ao para a vaz˜ao em massa em condi¸c˜oes cr´ıticas:

m= πD 2

.

4

×

C 1 D 1+C 2

2

L

p r

C

e

2

p

e 1 + 1 + β(ln β 1) (1 β) 2

ν r µ

1

2C 2

(3.31)

O mesmo procedimento pode ser aplicado `a solu¸c˜ao para escoamento subsˆonico.

A eq. (3.19) se reduz a:

L = 2D(p e 1)

f e G 2

(1 β) × p

2D

f bf G 2

s

1

1 β β ln [β + (1 β)p ]

s

(3.32)

Substituindo a equa¸c˜ao (3.24) em (3.32) e utilizando f e ao inv´es de f bf teremos:

m= πD 2 ×

.

4

C 1 D 1+C 2

2

L

p

r

ν r µ

C

e

2

p

e 1 p

1 1 β

s

(1 β β) 2 ln (β + (1 β)p

s

)

1

2C 2

(3.33)

O procedimento de c´alculo simplificado para a vaz˜ao em massa (simula¸c˜ao) est´a

resumido no fluxograma da figura 11.

3.5.2 Solu¸c˜ao corrigida

As simplifica¸c˜oes realizadas acima podem levar a erros pronunciados. Uma so-

lu¸c˜ao mais refinada pode ser obtida se substituirmos a solu¸c˜ao aproximada para a

vaz˜ao em massa na solu¸c˜ao para o comprimento do tubo.

Iniciando pelo caso de escoamento cr´ıtico, substitu´ımos a aproxima¸c˜ao da eq.

(3.31) na eq. (3.23) para obter, ap´os as manipula¸c˜oes alg´ebricas,:

(p e 1)

f bf,p βG

f e,p

p 1

1β

β

(1β) 2 ln β + (1 β) βG

p

Lf e,p

2D

f bf,p ln

f e,p

βG

p

p

β+(1β) βG

p r

ν

r

m= πD 2

(3.34)

.

4

28

Para o caso de escoamento subsˆonico, da mesma forma podemos obter:

(p e 1)

f bf,p p

f e,p

s

1

1β

(1β) 2 ln [β + (1 β)p ]

β

s

Lf e,p

2D

f bf,p ln

f e,p

p s

β+(1β)p

s

p r

ν

r

m= πD 2

.

4

(3.35)

Neste m´etodo corrigido, o fator de atrito m´edio na regi˜ao bif´asica pode ser

estimado tanto pelo valor de entrada da regi˜ao bif´asica quanto pelo valor m´edio da

entrada e sa´ıda calculada pelo m´etodo aproximado.

O fluxograma da figura 11 se aplica tamb´em ao m´etodo corrigido, j´a que o

procedimento de solu¸c˜ao ´e similar ao do m´etodo aproximado.

Embora seja necess´aria a solu¸c˜ao pelo m´etodo aproximado antes de resolver o

problema pelo m´etodo corrigido, ainda sim n˜ao ´e preciso fazer nenhuma itera¸c˜ao no

c´alculo.

29

Início
Início

Definição das condições de entrada e vazão em massa

Definição das condições de entrada e vazão em massa Escolha do diâmetro interno Cálculo da pressão

Escolha do diâmetro interno

de entrada e vazão em massa Escolha do diâmetro interno Cálculo da pressão crítica equação 3.22

Cálculo da pressão crítica equação 3.22

Não A pressão crítica é maior que a de evaporação? Sim
Não
A pressão crítica é
maior que a de
evaporação?
Sim

Escoamento subsônico. Cálculo de L pela equação 3.19

Escoamento crítico. Cálculo de L pela equação 3.23

Fim
Fim
Escoamento crítico. Cálculo de L pela equação 3.23 Fim Figura 10: Fluxograma de dimensionamento de tubos

Figura 10: Fluxograma de dimensionamento de tubos capilares

30

Início
Início

Definição das condições de entrada e geometria do tubo

Definição das condições de entrada e geometria do tubo Cálculo da vazão em massa para escoamento

Cálculo da vazão em massa para escoamento crítico através das eq. 3.31 ou 3.34

massa para escoamento crítico através das eq. 3.31 ou 3.34 Cálculo da pressão crítica equação 3.22

Cálculo da pressão crítica equação 3.22

A pressão crítica é maior que a de evaporação? Sim Fim
A pressão crítica é
maior que a de
evaporação?
Sim
Fim

Não

Cálculo da vazão em massa equações 3.32 ou 3.35

Figura 11: Fluxograma de simula¸c˜ao de tubos capilares

31

4 An´alise da varia¸c˜ao de parˆametros

Devido `a complexidade do escoamento bif´asico e cr´ıtico que ocorre em um tubo capilar, n˜ao ´e trivial prever quais ser˜ao os efeitos que resultar˜ao da mudan¸ca de algum parˆametro. Por meio de investiga¸c˜ao experimental e num´erica, foi poss´ıvel gradualmente conhecer as caracter´ısticas do escoamento de fluidos refrigerantes, pu- ros ou misturas, pelos capilares. Foram observados alguns fenˆomenos interessantes, por exemplo, a vaz˜ao em massa em um tubo capilar adiab´atico varia quase linear- mente com o grau de subresfriamento na entrada quando os outros parˆametros s˜ao mantidos constantes.

No entanto, estes fenˆomenos foram observados apenas empiricamente e faltam interpreta¸c˜oes ou provas te´oricas. Os modelos de parˆametros distribu´ıdos n˜ao nos fornecem tais provas devido a sua complexidade e por serem resolvidos apenas nu- mericamente (14).

O m´etodo demonstrado neste trabalho, que possui car´ater te´orico e resulta em

equa¸c˜oes alg´ebricas simples, permite que a an´alise da varia¸c˜ao dos parˆametros rele- vantes e seus efeitos sejam verificados.

Vamos utilizar como base para a an´alise de varia¸c˜ao de parˆametros que se seguem a equa¸c˜ao (3.31), que ´e a solu¸c˜ao aproximada para a vaz˜ao em massa que escoa pelo tubo capilar quando este est´a blocado.

O objetivo da an´alise que se segue ´e verificar qual a influˆencia da varia¸c˜ao de

uma grandeza em outra, dado que os outros parˆametros s˜ao mantidos constantes. Os parˆametros relevantes para o c´alculo de tubos capilares s˜ao:

Fluido refrigerante;

Press˜ao de condensa¸c˜ao;

32

Press˜ao de evapora¸c˜ao;

Subresfriamento ou t´ıtulo a montante;

Vaz˜ao em massa de fluido refrigerante;

Diˆametro interno do tubo capilar;

Comprimento do tubo capilar.

4.1 Comprimento e vaz˜ao em massa

Podemos escrever a eq. (3.31) da seguinte forma:

1

m= a 1 L C 2 2

.

A vari´avel a 1 ´e definida como:

a 1 = πD 2

4

× 2D 1+C 2

C

1

p

r

ν r µ

C

e

2

p

e 1 + 1 + β(ln β 1) (1 β) 2

1

2C 2

(4.1)

(4.2)

a 1 depende do diˆametro interno e das propriedades do fluido de trabalho, mas

n˜ao do comprimento. Claramente a vaz˜ao em massa se reduz com o aumento do

comprimento do tubo capilar, j´a que C 2 2 < 0.

4.2 Diˆametro interno e vaz˜ao em massa

Da mesma forma, podemos reescrever a equa¸c˜ao (3.31) para obter uma rela¸c˜ao

entre o diˆametro interno e a vaz˜ao em massa.

5C 2

m= a 2 D 2C 2

.

(4.3)

a 2 ´e um coeficiente independente do diˆametro interno. Nota-se que a vaz˜ao

cresce com o aumento do diˆametro interno. Analisando os expoentes das equa¸c˜oes

(4.1) e (4.3), a influˆencia do diˆametro interno na vaz˜ao ´e mais pronunciada que a do

comprimento. Isto ´e, a performance do capilar ´e mais sens´ıvel ao diˆametro do que

33

ao comprimento. Portanto, medidas com exatid˜ao do diˆametro s˜ao necess´arias para a correta previs˜ao do comportamento do tubo capilar.

4.3 Diˆametro interno e comprimento

Quando vamos projetar um tubo capilar, conhecemos apenas a vaz˜ao em massa requerida e as condi¸c˜oes nominais do ciclo frigor´ıfico. Mantendo estes parˆametros constantes, podemos reescrever a eq. (3.31):

D 5C 2

L

= a 3

(4.4)

A constante a 3 depende apenas da vaz˜ao, fluido e condi¸c˜oes de opera¸c˜ao. A equa-

¸c˜ao (4.4) nos mostra que ´e poss´ıvel escolher capilares com diˆametros e comprimentos diferentes que, no entanto, realizam a mesma fun¸c˜ao.

4.4 Press˜ao de condensa¸c˜ao e vaz˜ao em massa

Se h´a subresfriamento na entrada do capilar e a temperatura de entrada e ge-

ometria s˜ao fixas, o ponto de referˆencia permanece fixo. Desta forma, uma rela¸c˜ao entre a vaz˜ao em massa e a press˜ao de entrada pode ser derivada da equa¸c˜ao (3.31).

m 2C 2 = a 4 p e + a 5

(4.5)

A equa¸c˜ao (4.5) mostra que a vaz˜ao n˜ao ´e uma fun¸c˜ao linear da press˜ao de

entrada. Entretanto, muitos pesquisadores conclu´ıram em estudos emp´ıricos que esta rela¸c˜ao ´e linear. Isto pode ser explicado da seguinte maneira: se o subresfriamento for pequeno, a vaz˜ao em massa ter´a um valor parecido com a vaz˜ao se o subresfriamento fosse zero. Da equa¸c˜ao (4.5), tem-se:

m 2C 2 m

2C 2

0

=

a 4 (p e p 0 )

(4.6)

O subscrito 0 indica condi¸c˜ao de subresfriamento nulo. J´a que:

34

m 2C 2 m

2C 2

0

m 2 m

2

0

C

m 0

2

=

(m