Sei sulla pagina 1di 62

1

FACULDADE DAMÁSIO
LEONARDO VIEIRA ALBANO

O serial killer sob a ótica da imputabilidade brasileira

TERESINA

2016
2

LEONARDO VIEIRA ALBANO

O serial killer sob a ótica da imputabilidade brasileira

Monografia apresentada à Faculdade de


direito Professor Damásio de Jesus como
requisito parcial para a obtenção de nota.

ORIENTADORA: Prof.ª
TatianaAp.C.DeBritoOhta

TERESINA

2016
3

À minha filha Liz Bella que me fez


entender o real sentido a da palavra
amor.
4

Agradecimento

Agradeço a Deus por me ajudar a conquistar mais essa vitória em minha vida. Por
me proporcionar as forças necessárias para que eu continuasse quando algo me faltava ou me
desencorajava.

Agradeço a Ele por nesta jornada me permitir ter a presença de minha mãe que me
ajudou quando ninguém mais o fez. Agradeço mais ainda pelo presente que é minha filha Liz
Bella. Definitivamente ela é a alegria de minha vida e o real significado da palavra amor para
mim.

Continuo agradecendo a Deus pelos amigos que este me deu, para me lembrar o que
é sorrir ainda que as vezes chorar parecesse ser o caminho mais fácil.
5

“Nós, serial killers, somos seus


filhos, somos seus maridos, estamos em
toda parte.” (Ted Bundy)
6

Resumo

O trabalho aqui exposto estuda, sob a ótica da imputabilidade, os serial killers;


criminosos que cometem homicídios cruéis em cadeia e de forma interligada, por um
determinado período de tempo. Seu embasamento se deu através de estudos de livros, revistas
especializadas, artigos na seara jurídica e psiquiátrica, enciclopédias e monografias, mediante
o método dedutivo.

Indispensavelmente, esta obra analisou o aspecto histórico da psicopatia para melhor


compreensão desse tipo de criminoso. Ademais, se fez essencial que fosse explanado também
a definição, classificação e fatores que fossem determinantes a respeito dos serial killers e a
classificação das doenças mentais, sobretudo a psicopatia.

Este trabalho objetivou o esclarecimento do conceito de imputabilidade, uma vez que


este é o sustentáculo de fundamentação do Direito Penal em sua totalidade e da aceitabilidade
do Estado no poder de punir.

Sob o ponto de vista prático, quatro casos de serial killersbrasileiros foram


explanados, entre eles Francisco de Assis Pereira (Maníaco do Parque) e Tiago Henrique
Gomes da Rocha.

A obra auferiu, ainda, uma analise a respeito da ressocialização dos serial killers,
uma vez que a psiquiatria a nível mundial pacificou a irrecuperabilidade dos mesmos.

Finalmente, a conclusão encontrada foi a de que os serial killers são seres portadores
de uma patologia que ocasiona distúrbios na sua personalidade afetando assim sua faculdade
de sentir.

PALAVRAS CHAVE: Serial killer. Psicopatia. Imputabilidade.Ressocialização.


7

ABSTRACT

The work here exposed study, from the perspective of accountability, serial killers;
criminals who commit cruel murders chain and interconnected way, for a certain period of
time. Its foundation was through studies of books, journals, articles in legal harvest and
psychiatric, encyclopedias and monographs by the deductive method.

Indispensably, this work examines the historical aspect of psychopathy to better


understanding of this type of criminal. Furthermore, it became essential that was also
explained the definition, classification, and factors that were decisive about serial killers and
the classification of mental disorders, especially psychopathy.

This study aimed to clarify the concept of accountability, since this is the foundation
of bulwark of criminal law in its entirety and state acceptability in power to punish.

From a practical point of view, four cases of Brazilian serial killers have been
described, including Francisco de Assis Pereira (Francisco de Assis Pereira) and Tiago
Henrique Gomes da Rocha.

The work earned addition, an analysis regarding the rehabilitation of the serial
killers, since psychiatry worldwide pacified the impairment thereof.

Finally, the conclusion found was that serial killers are being carriers of a disease
that causes disturbances in their personality thus affecting its ability to feel.KEYWORDS:
Serial killer. Psychopathy.Liability.Re-sociability.
8

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 9
CAPÍTULO I

1 PSICOPATIA ................................................................................................................... 11
1.1 História ............................................................................................................................. 11
1.2 Definição ........................................................................................................................... 13
1.3 Classificação ..................................................................................................................... 14
1.4 Fatores determinantes ..................................................................................................... 18
CAPÍTULO II

2 SOBRE OS SERIAL KILLERS...................................................................................... 23


2.1 Do conceito........................................................................................................................ 23
2.2 Critérios e classificações .................................................................................................. 23
2.3 Características .................................................................................................................. 26
2.4 Vítimas e modus operandi ................................................................................................ 29
CAPÍTULO III

3 PSICOLOGIA FORENSE ............................................................................................... 32

CAPÍTULO IV

4 NOÇÕES GERAIS DE IMPUTABILIDADE PENAL ................................................. 37


CAPÍTULO V

5 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA........................................................................................ 41
5.1 Das sanções penais e suas funções aplicadas ao serial killer ........................................ 41
5.2 Da ineficácia das normas................................................................................................. 47
5.3 Ausência de leis especificas ............................................................................................. 47
CAPÍTULO VI

6 DOS JULGADOS ENVOLVENDO SERIAL KILLERS ............................................. 50


6.1 Caso Francisco de Assis Pereira – “maníaco do parque” ............................................ 50
6.2 Caso Tiago Henrique Gomes da Rocha– “vigilantes” .................................................. 51
6.3 Caso Adriano da Silva – “maníaco de Passo Fundo” ................................................... 53
6.4 Caso Pedro Rodrigues Filho – “Pedrinho Matador” ................................................... 55
7 CONCLUSÃO................................................................................................................... 56
9

REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ...................................................................................... 58


Introdução

O tema “o serial killer sob a ótica da imputabilidade brasileira” gera debates


contemporâneos sobre as condições de julgamento, penas e possível ressocialização a que
esses psicopatas, dentro da sua ótica de imputabilidade, estão sendo submetidos pelo
ordenamento jurídico.
A atualidade do tema é percebida nas discussões levantadas não só no âmbito
jurídico e acadêmico bem como em toda a sociedade, uma vez que a participação da mesma
no cotidiano do serial killer encarcerado/internado traz reforço positivo ao seu retorno no
corpo social.
As discussões orbitam entre o Sistema Penitenciário comum, que não propicia de
forma eficaz a ressocialização, a internação por medida de segurança e outros meios
alternativos.
É possível perceber a relevância da presente pesquisa, dado que os conceitos
apresentados serão pertinentes à ciência do Direito e a sociedade em geral, já que fornece
conhecimento sobre a realidade do tratamento dispensado aos psicopatas aqui suscitados.
A pesquisa quanto à sua natureza formar-se-á em um resumo da temática “serial
killer no direito penal brasileiro”, respaldado em trabalhos já realizados de conhecedores do
assunto. Analisará e interpretará fatos e idéias que darão bagagem para a ampliação cultural,
através da compreensão dos seus fundamentos e conceitos.
Quanto aos objetivos a pesquisa será exploratória, uma vez que fornecerá
informações e orientações para a construção de hipóteses a cerca da personalidade,
responsabilidade e ressocialização do serial killer.
Será descritiva, pois se valerá das analises a cerca dos documentos e estudos sobre o
serial killer. Sendo assim não haverá interferência por parte do pesquisador no mundo físico;
os fenômenos serão estudados e não manipulados.
Visará à observação, analise e interpretação a cerca desses psicopatas e seus atos
infratores. Por tanto será entendida como um estudo de caso, com coleta de dados, analise de
variáveis e posterior determinação de resultados. Dará assim subsídios para a construção de
conceitos e permitirá a possibilidade de domínio quanto à realidade desses psicopatas.
Em seu procedimento, quanto ao objeto, a presente pesquisa estará na modalidade
bibliográfica, pois se valerá de fontes que já analisaram ou estudaram sobre o serial killer e
seu universo.
10

O método de abordagem será o dedutivo, que partirá da ideia de que o sistema


judiciário brasileiro tradicional falha em seus fundamentos gerais quanto a esses psicopatas. O
método de procedimento por sua vez, ficará caracterizado como sendo o comparativo dado
que a pesquisa visará analisar e comparar os métodos de ressocialização tradicionais
(destinados a presos comuns) com os métodos ressocializadores destinados ao serial killer no
Brasil e no mundo.
A pesquisa será realizada por documentação indireta dado que se dará por pesquisas
bibliográficas e documentais sobre o serial killer.
11

CAPÍTULO I

1.Psicopatia

1.1 Contexto histórico a respeito do conceito de psicopatia

A doutrina, de forma pacífica, afirma que o conceito de psicopatia foi utilizada a


primeira vez por Pinel no ano de 1809, em uma obra que este desenvolveu. Mais
espescificamente, Pinel apresentou a definição de “manía de delírio”, no intuito de qualificar
o sujeito que apresentava comportamentos violentos e atípicos.

No ano de 1812 Rush, ainda que não tenha nomeado, imputou a possibilidade de
sentir dos psicopatas a uma deformidade congenita. (Cantero, 1993).

Vinte e três anos depois o psiquiatra inglês Pritchard referiu-se aos individuos que
demonstravam premissas de condutas altamente pervertidas, como moralmente insanos.
Diante disso, o psiquiatra, que era adepto da escola ambientalista, foi pioneiro ao imputar a
influencia do meio como responsável por tal pertubarção. Foi ele que preconizou que as ações
ambientalistas deveriam ser adotadas como instrumento de intervenção, para possível
integralização e recuperação dos agentes. (Cantero, 1993)

Essa concepção de insanidade moral exposta por Pritchard,deu margem para a


criação de colégios educativos para individuos que apresentavam condutas digressivas. A
posteriore, o termo utilizado pelo psiquiatra foi posto em pauta, uma vez que aquele aparecia
relacionado a outras patologias psiquicas que não integralizavam a psicopatia, ademais a
terminologia foi refutada desde a seara jurídica até a religiosa.

Em 1888, Koch, psiquiatra alermão, em razão do que Pritchard expôs, denotou uma
nova definição para a pertubarção da personalidade: “inferioridade psicopática”. Nessa, a
anomalia de caráter, oriunda em parte por fatores congénitos, em parte por fatores
relacionados a disturbios psíquicos, foi levantada.

Somente entre os anos de 1896 e 1915 que a expressão “personalidade psicopática”


(vocábulo empregado ainda hoje) passou a ser utilizada de forma integralizada. Kraepelin,
autor dessa terminologia, desenvolveu uma serie de 13 categorias base que objetivava traçar
um padrão de pessoas propensas a condutas criminais, atípicas ou destituidas de moral
(Lykken, 1995).
12

O estudo da psicopatia foi afamado no ínicio do século XX. Foi possível observar
que houve um notório direcionamento para análisedessa pertubarção (Cantero, 1995).
Schneider se mostrou de suma importancia para o estudo da psicopatia. Utilizou a
terminologia “personalidade psicopática” como parte, que integralizava algumas patologias,
fazendo assim a diferenciação entre doença mental e psicopatia.

Segundo Schneider, a definição de pertubarção mental como uma patologia mental


era equívoca, uma vez que aquela era embasada em traços psíquicos (Cantero, 1993). Para o
autor a classificação solidificavasse nos traços disposicionais diretamente relacionado a
análise das vivencias e personalidades que permitiam o desenvolvimento daquelas. Dessa
forma a psicopatia está ligada aos desvios de personalidade e predisposição presente no
indivíduo. (Gonçalves, 1999).

A classificação de Schneider está dividida em dez categorias:

a) Astenicos;
b) Abúlicos;
c) Apáticos;
d) Explosivos;
e) Lábeis de humor;
f) Carentes de valor;
g) Fanáticos;
h) Inseguros;
i) Depressivos;
j) Hípertímicos.
Na tentativa de ter um diagnóstico preciso da psicopatia, Schneiderainda realizou
diversas combinações com graduações distintas, e que contou com a contribuição de autores
tais como Koch e Kraepelin.

Na contemporaneidade, dentro da perspectiva clinica do conceito de psicopatia,


Cleckley, Buss e McCord deixaram suas marcas. Cleckley em sua obra “The mask of sanity”
expos as caracteristicas mais relevantes dos psicopatas:

a) Charme superficial e boa inteligência;


13

b) Ausência de delírios e outros sinais de pensamento irracional (por isso a


psicopatia não deve ser considerada doença mental, mas sim um transtorno
mental);
c) Ausência de nervosismo;
d) Não confiável;
e) Falsidade e falta de sinceridade
f) Ausência de remorso ou vergonha;
g) Comportamento antissocial inadequadamente motivado;
h) Julgamento deficitário e falha em aprender com a experiência;
i) Egocentrismo patológico e incapacidade de amar;
j) Deficiência geral nas reações afetivas principais;
k) Perda específica de insight;
l) Falta de resposta nas relações interpessoais gerais;
m) Comportamento fantástico e desagradável com, e às vezes sem, bebida;
n) Suicídio raramente concretizado;
o) Vida sexual e interpessoal trivial e deficitariamente integrada e;
p) Fracasso em seguir um plano de vida.
Essas características foram, durante um longo período, o pilar da Psicologia,
achando-se como ferramenta para prognóstico de psicopatia de uma pessoa. Para o autor a
principal característica do psicopata era a capacidade de indiferença frente as outras pessoas,
justificando assim suas condutas antissociais.

1.2 Definição

A definição de psicopatia está revestida de notória complexidade; em fato, o conceito


foi multi influenciado tanto na ciência quanto na linguagem de senso comum. Dentro da
vertente cientifica o conceito foi alvo de inconsonância, originando várias denominações, tais
como:sociopatia (Partridge, 1930),perturbação da personalidade dissocial (World Health
Organization – WHO, 1965,citado por Gonçalves, 1999), perturbação da personalidade anti-
social (American Psychiatric Association – APA, 1980) e perturbação de carácter (Millon,
1981), citado por Gonçalves, 1999). No senso comum a concepção de psicopatia estava
associado a pessoas“loucas” e/ou “criminosas”.

O termo psicopatia ou sociopatia refere-se ao individuo que possui uma conturbação


mental grave, em que este apresenta um quadro antissocial crônico.
14

José Alves Garcia opina que

[...] o que caracteriza a psicopatia é a imaturidade ou


anomalia dos instintos, de que derivam as reações emocionais e
estéticas da personalidade, as quais se mostram inadequadas aos
estímulos e as exigências sociais. O seu sintoma nuclear é esta
incapacidade de aprender pela experiência as normas da sociabilidade
e bom senso, ou ainda de ajustar-se pela assimilação e pela correção
às modificações ou inovações ocorrentes no grupo comunal ou
histórico em que deve atuar.
CorroboraCleckley (1951) nesse aspecto que

[...] a psicopatia é definida a partir da mescla de


caracteristicas/ traços de personalidade, que pode ou nãose fazer
presente em pessoas que tenham ou não historico de anti-socialidade e
que podem aparecer desde a infancia, agravando-se na adolescencia e
aferrando-se na fase adulta (Gonçalves, 2000).

1.3 Classificação
O transtorno de personalidade (TP), de forma especifica, foi descrita na décima
revisão da classificação de transtornos mentais e de comportamentos (CID-10), como
umprofundodistúrbio na composição do caráter e nas predisposições de condutas do sujeito.
Tecnicamente, os transtornos de personalidade (TP) não são considerados doenças,
mas uma anomalia na evolução psíquica. A psiquiatria forense concebe os TPs como
perturbações da saúde mental, sendo estes a soma da discrepância da afetividade com
irritabilidade na interação interpessoal.
A CID classifica em oito tipos os transtornos de personalidade; paranóide,
esquizoide, emocionalmente instável, histriônico, anancástico, ansioso, dependente e
antissocial.
Na paranóide há a supremacia do sentimento de desconfiança e perseguição, além
disso, a sensibilidade é exacerbada quando há contrariedade. No esquizoide há a
predominância do desapego e do desinteresse social, ou seja, há retração quanto à afeição
tendendo assim a introspecção.
O individuo emocionalmente instável, por sua vez, se caracteriza por ter atos
imprevisíveis e impulsivos. Neste caso, se subdivide em dois tipos; impulsivo e borderline. O
primeiro não tem controle dos impulsos, que são ocasionados pela instabilidade emocional. O
segundo além de apresentar o mesmo quadro de instabilidade emocional do primeiro,
apresenta também dificuldades de aceitação em relação a sua própria imagem, dificultando
15

assim a sua definição quanto as suas preferencias pessoais. Geralmente são acometidos pelo
sentimento constante de vazio.
O histriônico, dentre todos os indivíduos que possuem algum tipo de transtorno de
personalidade, pode ser considerado como o “narcisista”. São pessoas egocêntricas, revestidas
com um toque generoso de teatralidade e com necessidade de atenção constante. Basicamente
são caracterizados pela superficialidade exacerbada e tolerância ínfimapara fracassos.
O anancâstico de forma rígida, mas não ao ponto de ser caracterizado como um
obsessivo-compulsivo é consumido teimosamente pelos detalhes. Basicamente os
pensamentos se repetem de forma intrusiva.
O ansioso, também chamado de esquivo, é o mais suscetível a criticas.Como o
esquizoidetem tendência a introspecção, mas não pelo desapego, e sim pela insegurança de
sua competência profissional e/ou social. Tem o sentimento contumaz de apreensão/tensão.
O dependente é carente de determinação ou iniciativa. É extenuado de forma
comportamental e destituído de propósito.
Por último, o antissocial tem a indiferença para com o sentimento alheio, como a
característica mais marcante. Este tem uma retração do sentimento deremorso ou empatia. É
intolerante quanto à frustração e despreza as normas sociais.
Quando a indiferença do antissocial se apresenta em alto grau de insensibilidade
levando-o a uma pujante impassibilidade afetiva, este estará passível a adotar um
comportamento criminal regular. O quadro clinico de TP se consolida como psicopatia.
Atualmente 10% da população mundial sofre de algum transtorno de personalidade e
1% desta fração são psicopatas. Ou seja, existe cerca de 69 milhões de psicopatas ao redor do
mundo.
Segundo José Alves Garcia (1958), estes podem ser divididos em psicopatas amorais,
astênicos, explosivos, lunáticos, ostensivos e/ou sexuais.
Os psicopatas amorais se caracterizam por serem seres cruéis, destituídos de
sentimentos como compaixão, honra ou vergonha.Suas condutas tem natureza lesiva à
beatitude assim como a ordem pré-estabelecida. São adversos da opinião pública e a
moralidade.
(...) Seus crimes são desumanos, frios, impulsivos, bestiais. Realizam
atos movidos pelas suas paixões, pelo domínio dos componentes
instintivos de sua personalidade. Praticam o mal por necessidade
mórbida. Sentem sua falta como o faminto o alimento, e, só assim,
acham equilibrados e serenos, recebendo tranqüilos e eufóricos a
conseqüência dos seus efeitos (...) (FRANÇA, 1998, p. 359).
16

Os psicopatas astênicos são temorosos e sensoriais, tendem a partir ao menos dos


acidentes. São seres insatisfeitos consigo mesmos por se acharem incapazes e inferiores. São
instáveis e que tem aversão a sangue.
Os psicopatas explosivos são irritadiços e neurastênicos, sendo seus atos
caracterizados por serem primitivos e impulsivos. Estes acontecem de forma brutal e injusta,
turvando a consciência do psicopata no momento da ação. Geralmente não armazenam a
lembrança do ocorrido.
Os psicopatas sexuais são caracterizados por terem um desvio do conceito e
finalidade do ato sexual. Seus atos são primitivos e brutais devido à intensidade e descontrole
que apresentam durante a satisfação de seus desejos. Figura 1 - Andrei Chikatilo

O russo Andrei RomanovichChikatilo ficou


conhecido como o açougueiro de Rostov e ilustra ao
mesmo tempo duas das classificações de José Garcia: o
psicopata sexual e explosivo. Entre 1978 a 1990, Chikatilo
matou pelo menos 53 pessoas, a maioria crianças. O
agressor escolhia sua vitimas em estações de ônibus e
trens e as atraia para algum lugar distante, onde tentava
estuprá-las.
Devido a problemas emocionais
(Chikatiloacreditava que tinha sido cegado e castrado ao

nascer), o agressor não conseguia atingir ou mesmo Fonte: http://pasdemasque.blogspot.com.br/


manter uma0020ereção, fato este que desencadeava nele
ataques de fúria descomunais. Diante disso, suas vítimas eram mortas por facadas,
espancamento ou estrangulamento, sendo ao final mutiladas (seus olhos e dentes eram
arrancados).Somente assim Chikatilo atingia o orgasmos. Foi executado pelo pilotão de
fuzilamento no dia 14 de fevereiro de 1994.
Os psicopatas fanáticos são caracterizados pelo radicalismo, seja por religião,
politica ou filosofia de vida. Não apresentam imparcialidade ante um tema, podendo se exaltar
facilmente em torno de algo excêntrico ou insignificante.
O indiano ThugBehramé exemplo mais emblemático desse tipo de psicopata.
Behramera seguidor do sikhismo ou sijismo, religião hindu seguida por 23 milhões de
pessoaspor todo o mundo e que acreditava no sacrifício humano. Matou cerca de 930 pessoas,
17

de 1790 a 1840, asfixiando-as com o “rumal” (típico lenço cerimonial), laços de seda
compesosde chumbo pendurados nas pontas ou por estrangulamento.
Os psicopatas hipertínicos são os mais bem-humorados e alegres. Havendo estímulo,
tendem a se enfurecer de forma desproporcional e envolvendo-se em brigas e agressões. Estão
propensos ao ciúme do parceiro.
Os psicopatas ostensivos estão identificados como aqueles que mentem e enganam
morbidamente. São de uma vaidade maçante e aparentam mais do que realmente são. Casam a
fábula e a farsa para conceberem a fraude. Assim como os psicopatas hipertínicos, são alegres
e bem-humorados, se portam de maneira afável e positiva. Segundo Dalila Wagner, eles
[...] mostram certo brilho intelectual, fazem relações e
amizades facilmente, adquirem conhecimentos superficiais sobre arte,
literatura e tecnologia, e de tudo usam para convencer suas vitimas.
Do ponto de vista psicológico, tem ambição de adulto e imaginação de
criança, e em certa medida incapazes de exercício da responsabilidade
civil e penal.
Descrição que condiz com o perfil de Ted Bundy, assassino americano que vitimou
36 mulheres entre 1974 e 1978. Segundo Camila Tersariol Vellasques,
o Picasso da comunidade dos serial killers. [...] Era bonito
charmoso,inteligente, seguro de si, com um futuro brilhante, e mais
mortal que um cascavel. Usando sua boa aparência, ele era capaz de
seqüestrar e matar suas vítimas sem que ninguém notasse e continuar
com sua vida. Este estudante de direito e jovem republicano gostava
de usar um torniquete no braço para parecer vulnerável e conseguir
com que as mulheres o ajudassem com as compras. Uma vez que ele
atraía suas vítimas para a porta do carro, ele batia e as levava embora
para reservadamente desfrutar de suas mortes.
Ted Bundyfoi julgado e condenado a pena de morte. Teve execução por cadeira
elétrica no dia 24 de janeiro de 1989.
Figura 2 - Ted Bundy

Fonte: http://www.mundofreak.com.br/2014/09/26/serial-killers-ted-bundy/
18

1.4 Teoria dos fatores determinantes


Sobre os serial killers 3 fatores podem ser determinantes: o psicológico, sociológico
e/ou biológico.

a) Do fator psicológico:A psicologia destina-se a analise dos avanços


psicológicos do seres humanos. Esses, segundo Freud (apud SCHULTZ, 2011), influem na
personalidade sob “o inconsciente, pré-consciente e consciente.” O primeiro consiste no
prazer do individuo e é denominado de ID; o segundo equivale ao real e é denominado de
EGO; e o último é traduzido como a moral e é batizado de superego.
Diante da teoria Behaviorista, o serial killer incorre em atos criminosos por meio de
estimulo de resposta, isto é, a maioria desses agentes por terem sido violentados sexualmente
ou por terem sido abandonados quando crianças sofrem, dentre outro fatores, um estimulo e
asua replica se traduz na execução de crimes. A esfera psicológica lastima-se mediante o
impacto emocional.
Segundo KetrynUmbelina Dias Ramos e Fernando Rafael ZilioRenofio
Às vezes, a influência social muda o campo das emoções e
ações, porque existe uma interferência que gera transformações. Por
exemplo, um menino que convive em um lar, no qual o padrasto
agride constantemente a mãe, provavelmente crescerá influenciado
pela conduta do padrasto e, possivelmente, criará um trauma. Ao
crescer, poderá matar mulheres com o mesmo padrão físico de sua
mãe. (2012, p.45 e 46)
Ao passo que alguns dos serial killers já nascem com esta área do intelecto,
incumbido das emoções, lastimado. Assim, da perspectiva psicológica , a conduta não só do
serial killer, mas de todos será influenciada.
b) Do fator sociológico: Partindo da premissa de Rousseau, o “homem nasce bom
e a sociedade o corrompe”, reputa-se que o comportamento do serial killer é influído pelo
ambiente que habita.
A psicopatia pode ser modulada por meio de processos educacionais.
Contudo, é necessário que isso ocorra ainda na infância. Caso
contrário, a bagagem genética aliada aos processos educacionais e
sociais terá como resultado um indivíduo francamente perverso.
(SILVA, 2011, p.27).
O comportamento do serial killer é capaz de ser estabelecida pela hereditariedade,
todavia o ambiente societário pode modificá-lo. Presumivelmente a estrutura familiar e a
demonstração de afeto, reprimirá total ou parcialmente o desenvolvimento de algumas
heranças genéticas.
19

O desenvolvimento da personalidade se concretiza em relação ao


tempo e o espaço, através da interação dos indivíduos aos deveres
ambientais: físicos, psíquicos, morais, culturais, etc. Os laços
familiares são de extrema importância para a formação de uma
personalidade. Cabe aos pais cuidar do emocional da criança, de sua
autoestima, de sua esperança, sua inteligência e de sua educação.
Devem ensinar a criança a ter empatia e respeito pelo próximo, e
acima de tudo ensinar a controlar seus impulsos, suas raivas e
frustrações, para que ela venha, a saber, ter relacionamentos
importantes de carinho, amor e afeto com seus semelhantes. Caso
contrário esta criança, que um dia se tornará adulta dificilmente
conseguirá ter relações normais com outras pessoas. Desta forma,
pode-se perceber que a personalidade é uma organização dinâmica
entre os genes herdados, entre as existências singulares que se suporta
e entre as percepções individuais que se tem do mundo, tornando
assim, o indivíduo único em sua maneira de ser e de se comportar
perante a sociedade.Contudo, como preconiza Rousseau, o meio que
seja corrompido pode perverter o individuo ainda que este seja
detentor de uma herança genética apropriada as normas sociais.
Corrobora KetrynUmbelina Dias Ramos e Fernando Rafael ZilioRenofio

O meio social muda e as mudanças constantes afetam a


conduta de cada ser. O desejo de poder e vingança está presente em
qualquer sociedade. Quanto mais se tem, mais se quer. Alguns valores
existentes em certos grupos são diferentes de outros. Por mais que
uma pessoa tenha tendência ao crime, o meio social é que intensifica
ou não a conduta delituosa.
Assim o meio instiga prontamente o caráter das pessoas,talcomo a história das
meninas lobos que mesmo sendo humanas comportavam-se como lobos devido ao tempo que
conviveram com eles.
Por dedução é possível aferir que uma criança concebida e criada em um ambiente
em que os comportamentos criminosos são consolidados, sua propensão a atos criminosos far-
se-á latente, uma vez que crianças, por muitas vezes, não tem discernimento entre certo e
errado.
c) Do fator biológico: Devido à herança genética vários traços são passados de
pais para filhos e isso pode vir a se manifestar ainda que os filhos sejam criados em ambientes
apartados de seus genitores. Para KetrynUmbelina Dias Ramos e Fernando Rafael
ZilioRenofio
No campo da biologia, sabe-se que o genótipo feminino é XX e o
masculino é XY, sendo os homens heterogaméticos e as mulheres
homogaméticas. Existem homens que possuem o cromossomo XXY,
que traz uma anomalia genética conhecida como síndrome de
Klinefelter, a qual consiste no desenvolvimento do tecido mamário e
20

testículo pequeno, e ainda, quem possui essa síndrome contém lesões


no córtex - pré frontal e é bem agressivo. Há casos de Serial Killer
que, por possuírem membro masculino bem minúsculo, criaram a
tendência para matar mulheres, cortar a pele delas e fazer roupa de
mulher.

Os hormônios também influenciam, uma vez que a agressividade e o desejo para


relações sexuais são características de indivíduos que apresentam testosterona em elevadas
taxas. Essa seria uma das razões para que existam mais serial killers homens em detrimento
ao número de serial killers mulheres.
Vale ressaltar que apesar do individuo herdar características oriundas da genética,
tais como temperamento e aparência física, estas podem ser alteradas em razão do ambiente a
que é exposto.
Alguns cientistas atribuíram o dano cerebraldos serial killers como responsável por
seus atos criminosos, uma vez que pessoas que apresentam lastima no lobo frontal,
hipotálamo e/ou sistema límbico que concorrem para manifestação de comportamentos
extremamente agressivos e violentos, além de facilidade para perda de controle e ausência de
discernimento.
O Dr. Dominique La Pierre sugere que o córtex pré-frontal, área do
planejamento em longo prazo, julgamento e controle de impulsos, não
funcional normalmente nos psicopatas. Novas pesquisas científicas,
feitas pelo Doutor Adrian Raine, em 21 homens com histórico de atos
violentos, de assalto à tentativa de assassinato, mostram um resultado
no mínimo intrigante: todos apresentavam o mesmo defeito cerebral,
uma reduzida porção de matéria cinzenta no lobo pré-frontal, justo
atrás dos olhos. Indivíduos que são anti-sociais, impulsivos, sem
remorso e que cometem crimes violentos têm, em média, 11% menos
matéria cinzenta no córtex pré-frontal do que o normal. Os estudos de
Raine são os primeiros a ligar comportamento violento e anti-social
com uma anormalidade anatômica específica no cérebro humano.
Mas, segundo seus esclarecimentos, sua teoria diz que o “defeito” no
cérebro não esta inter-relacionado com o comportamento violento. A
reduzida massa cinzenta apresentada por alguns apenas aumenta a sua
probabilidade de vir a ser um indivíduo violento. Seria a combinação
entre os fatores biológicos e sociais que “criaria” um criminoso.
(CASOY, 2004, p.29).

É sabido, que o sistema límbico que está na parte inferior do córtex, é composto e
núcleo de células cinzentas, que são basicamente os neurônios que constroem um tipo de
camada envolta do tronco encefálico (Silva, 2004, p. 46).
O que vale, nesse contexto, é ter o conhecimento de que o sistema límbico opera no
comando de todas as faculdades emocionais e comportamentais (Silva).
21

As analises e pesquisas, a respeito dos comportamentos agressivos, no cérebro,


indicaram que estes são compreendidos no lobo frontal e temporal. Este norteia a vida
sentimental, as emoções e instintos. Modificação nos lobos temporais gera a incapacidade do
agente no desenvolvimento do sentimento de medo ou emoções de maneira geral.
Um estudo feito por PavlosHatzitaskos e outros reporta que uma
grande porção de prisioneiros no corredor da morte sofreu sérios
ferimentos no cérebro, e aproximadamente 70% dos pacientes que têm
graves ferimentos cerebrais desenvolvem tendências extremamente
agressivas. Alguns desses ferimentos são acidentais, mas muitos deles
aconteceram durante surras na infância. Entre o serial killers que
sofreram ferimentos na cabeça estão: Leonard Lske, David Berkowitz,
Kenneth Bianchi e John Gacy.(CASOY, 2004, p.30).

Já o lobo frontal é o responsável pela regulamentação das condutas do individuo. É


nele que ficam os propósitos e projetos de vida da pessoa. Logo qualquer modificação nesta
área cerebral faz com que a pessoa tenha dificuldades de concentração, gerando aumento da
impulsividade e descontrole, além do não reconhecimento de culpa ou conseqüências. O nível
de agressividade aumenta e a pessoa fica mais desinibida no teor sexual. Segundo Silva
Nicola Pende, registrou que os sistemas endócrinos, que é a
atividade glandular que produz secreções internas, influenciam
diretamente na evolução psíquica do indivíduo, agindo ainda na
formação de seu caráter, inteligência, paixões e sentimentos em geral.
Um outro biologista Vidoni pesquisou em diversos criminosos e
prostitutas, uma completa disfunção da tireóide e em outros
criminosos como ladrões e assassinos em série identificou um mau
funcionamento da supra-renal. 47 Entretanto, a Endocrinologia
Criminal tem ainda muito que investigar e estudar sobre as influências
das secreções internas no comportamento criminoso de um indivíduo.
(2004, p. 46 e 47)

No infopôster publicado pelo site Tudo em Dia é possível ver as áreas afetadas dos
serial killers, assim como comparar os cérebros de uma pessoa normal, um assassino e um
assassino em serie.
22

Figura 3 - Como Funciona o Cérebro do Psicopata

Fonte: http://www.tudoemdia.com/2014/12/veja-como-funciona-o-cerebro-de-um-psicopata-assassino
23

CAPÍTULO II
2. Sobre os serial killers
2.1 Do conceito
Serial killer é uma expressão da língua inglesa que se traduz, literalmente, como
“assassino em serie”. É um termo contempôraneo, sendo utilizada pela primeira vez em 1970
por Robert Ressler, agente aposentado do Federal Bureau of Investigation (FBI). Até os anos
50, os assassinatos em series foram reputados como sendo uma forma de assassinato em
massa e somente no inicio dos anos 60 os criminologistas passaram a estabelecer tipos de
assassinatos multiplos.
O conceito de serial killers não é pacifico no meio doutrinário: uma corrente afirma
que o serial killer é aquele que mata da mesma maneira (modus operandi) três ou mais
individuos durante um período intercalado (FBI); a segunda corrente defende a cota mínima
de 4 pessoas e a terceira defende que para se caracterizar como serial killer, o criminoso tenha
que ter comentido apenas dois assassinatos.
A primeira corrente foi questionada por Newton (2005, p. 49-50) por se mostrar falha
em três aspectos
Primeiro, temos o requisito de “três ou mais” assassinatos
para compor uma série bona fide. Infelizmente, as outras categorias
“oficiais” do FBI de assassinato - único, duplo, triplo, massa, e
atividade de assassinato – não fazem nenhuma referência ao fato de o
assassinato de apenas duas vítimas no requisitado período de
“resfriamento” entre os crimes e que é então preso antes de atingir o
número três. O assassinato duplo, no linguajar do FBI, descreve duas
vítimas assassinadas no mesmo tempo e lugar; atividade de
assassinato, enquanto isso, pode ter apenas duas vítimas, mas é
definido 19 como “um evento único com... nenhum período de
resfriamento emocional entre os assassinatos”. Assim, o assassino que
aguarda meses ou mesmo anos entre seu primeiro e segundo
assassinato e encontra-se na prisão não se encaixa no esquema do FBI.

2.2 Critérios e Classificações


A doutrina clássica em quatro tipos os serial killers; o visionário, o missionário, o
emotivo e o libertino, sendo que estes podem ser do tipo organizado ou desorganizado.
O visionário é completamente insano. Sofre de alucinações, tem visões e escuta
vozes. Psicótico em todos os níveis.
O missionário, ao contrario do visionário, não demonstra ser um psicótico. Vive com
o propósito de “abolir” do mundo aquilo que julga imoral ou indigno, determinando para
tanto um grupo especifico de pessoas, por exemplo: negros, prostitutas, crianças, mulheres .
O emotivo mata pelo prazer de matar. Para satisfação e divertimento próprio.
24

O libertino basicamente comete crimes sexuais por se deleitarem com o sofrimento


da vítima que são mutiladas e torturadas até virem a óbito. O prazer do agressor está
diretamente proporcional a dor da vítima sob tortura.
Essencialmente os serial killers de qualquer das quatro categorias podem ser
organizados ou desorganizados quando da execução de seus crimes. Aqueles preconcebem
suas transgressões milimetricamente com o objetivo de suprimir possíveis falhas. São
calculistas e não tendem a deixar vestígios. As armas e técnicas a serem utilizadas são
preparadas antecipadamente.Basicamente tecem o crime perfeito.
Nos organizados, a cena do crime será sempre planejada e controlada.
O controle pode ser exercido através de cordas, mordaças e algemas,
sendo que as torturas serão sempre produtos de suas fantasias. Como é
uma pessoa “controlada”, não deixa seu temperamento tomar conta da
situação, por isso sempre traz seus próprios instrumentos e armas,
nunca esquecendo de levá-los embora depois da prática delituosa. Faz
com que as vítimas sintam muita dor, através de grandes torturas,
proporcionando uma morte lenta. Freqüentemente estupra suas
vítimas. 89 Com freqüência seus crimes são realizados longe de onde
moram e também distantes de seu trabalho. Costumam seguir as
investigações policiais sobre suas atuações. (SILVA, 2004, p. 89 e 90)
Os desorganizados por sua vez, procedem de forma impulsiva e despreparada. Não
se interessam pela possibilidade de deixarem vestígio no local do crime.Segundo Silva, o
desorganizado
pratica o crime com uma violência excessiva, percebe-se que os
ferimentos causados foram além dos necessários para matar,
geralmente desfiguram o rosto da vítima, mutilam partes do corpo e as
levam não para evitar possíveis provas, mas sim como lembrança. As
vítimas são dominadas e mortas rapidamente. Quando atacadas
sexualmente, o ataque efetua-se depois da morte.(2004, p.90)
Illana Casoy traçou as principais diferenças entre os serial killers organizados e
desorganizados no seguinte quadro:

TRANSGRESSOR ORGANIZADO TRANSGRESSOR


Inteligência média para alta. DESORGANIZADO
Inteligência abaixo da média.
Metódico e astuto. É capturado mais rapidamente.
Nãorealizadoprofissionalmente. Distúrbio psiquiátrico grave.
Educação esporádica. Contato com instituição de saúde mental.
Socialmente competente, mas anti-social e Socialmente inadequado – relaciona-se só
depersonalidadepsicopata. com a família mais próxima ou nem isso.
Preferência por trabalho especializado e Trabalhos não-especializados, que tenham
esporádico. Queda para profissões que o pouco ou nenhum contato com o público
enalteçam como macho, tipo barman, motorista (lavador de pratos, manutenção).
Sexualmente
de caminhão, competente.
trabalhador em construção, policial, Sexualmenteincompeten ou nunca Tev
bombeiro ouparamédico. e
teexperiênciasexual.
25

Nascido em classe média-alta. Nascido em classe baixa.


Trabalho paterno estável. Trabalho paterno instável.
Disciplina inconsistente na infância. Disciplina severa da infância.
Cena planejada e controlada. A cena do crime vai Cena do crime desorganizada.
refletir ira controlada, na forma de cordas,
correntes, mordaça ou algemas navítima.
As torturas impostas à vítima foram Nenhuma ou pouca premeditação.
exaustivamente fantasiadas.
Temperamento controlado durante o crime. Temperamento ansioso durante o crime.
Movimenta-se com o carro em boas Em geral, não tem carro, mas tem acesso a
um.
condições. Viaja muito.
Traz sua arma e instrumentos. Utiliza arma de oportunidade, a que tem na
Leva embora sua arma e instrumento após o mão.
Freqüentemente deixa a arma do crime no
crime.
A vítima é uma completa estranha, em geral local.
Vítima selecionada quase ao acaso.
mulher, com algum traço particular ou apenas
uma vítima conveniente.
A vítima é torturada e tem morte dolorosa e lenta. Vítima rapidamente dominada e morta –
emboscada.
Crimes brutais, com extrema violência e
overkill (ferimentos maiores que os
necessários para simplesmente matar).
Rosto da vítima severamente espancado,
numa tentativa de desfigurar e
desumanizá-la, ou uso pela vítima de
A vítima é freqüentemente estuprada e dominada máscara/venda
Se a vítima foi atacada sexualmente, o
através de ameaças ou instrumentos. ataque freqüentemente foi post-mortem.
Mutilações no rosto, genitais e seios são
O corpo é levado e muitas vezes esquartejado, comuns.
O corpo é freqüentemente deixado na cena
para dificultar a identificação pela polícia. do crime. Quando levado, é por
lembrança, e não para evitar provas.
Uso de álcool pelo agressor. Mínimo uso de álcool pelo agressor.
Stress precipitador de situações. Quando em stress, age impulsivamente.
Vive com parceiro ou é casado. Tem uma Vive sozinho ou com os pais. Em geral,
solteiro.
importante mulher em suas relações.
Realiza seus crimes fora de sua área de residência Mora ou trabalha perto da cena do crime.
ou trabalho.
Segue os acontecimentos relacionados ao crime Mínimo interesse nas novidades da mídia.
pela mídia.
Em geral da mesma raça que a vítima, mas Em geral da mesma raça que a vítima, mas
composição étnica local deve ser considerada. composição étnica local deve ser
considerada.
Provavelmente foi um aluno problema. Saiu cedo da escola. Estudante marginal.
Provavelmente já foi preso por violência Já deve ter sido preso por voyeurismo,
interpessoal, ataque sexual. Brigas de socos são ladrão de fetiches, assalto, exibicionismo
comuns. ou outros delitos menores.
Em geral, muitas multas por estacionamento
proibido.
26

Bem apessoado. Magro, provavelmente com acne ou outra


marca física que contribua para a
impressão de que diferente da população
em geral.
Tem aproximadamente a idade da vítima. A Entre 16 e 39. Em geral, age entre 17 e 25.
média de idade fica entre 18 e 45 anos, em
geral35.
Pode trocar de emprego ou deixar a cidade. Mudança de comportamento significante,
como álcool ou drogas.
Fonte: Casoy 2002, p. 39-41
2.3 Características
Usualmente serial killers apresentam na infância quadro de micção involuntária
associada a fatoresneurológicos; violência contra animais e/ou crianças; destruição de
propriedades e prazer em ocasionar incêndios.
Esse conjunto de características é denominado detríade Macdonald ou tríade do
sociopatia. Foi proposta em 1963 em um artigo do psiquiatra JM Macdonald para o American
Journal of Psychiatry e basicamente associa esses comportamentos em questão com um
possível comportamento sociopata. São exemplos de serial killers que torturavam animais:
Patrick Sherrill, que matou quatorze pessoas em uma agência de
correios e depois atirou em si mesmo, roubava animais de estimação
para que seu próprio cão pudesse atacá-los e mutilá-los.
Earl Kenneth Shriner, que estuprou, esfaqueou e mutilou um garoto
de sete anos de idade, era conhecido na vizinhança como o homem
que costumava pôr explosivos em ânus de cães e estrangular gatos.
Brenda Spencer, que abriu fogo em uma escola de San Diego,
matando duas crianças e ferindo outras nove, freqüentemente
maltratava gatos e cachorros, geralmente ateando fogo em suas
caudas.
Albert De Salvo, o "Estrangulador de Boston", que matou treze
mulheres, em sua juventude aprisionava gatos e cães em engradados
de laranja para depois lançar flechas contra as caixas.
Carroll Edward Cole, executado por cinco dos trinta e cinco
assassinatos dos quais foi acusado, disse que seu primeiro ato de
violência quando criança foi estrangular um filhote de cão.
Em 1987, três adolescentes do Missouri foram acusados de surrar até a
morte um colega de aula, tinha várias histórias de mutilação animal
27

iniciadas vários anos antes. Um confessou ter perdido as contas de


quantos gatos já matara. Dois irmãos que assassinaram seus pais
contaram a colegas de aula que tinham decapitado um gato. O
assassino em série Jeffrey Dahmerimpalava cabeças de cães, sapos e
gatos em varas. (BALLONE, 2004).
Ainda que não integre a “triade” MacDonald, o isolamento familiar e/ou social se fez
presente na vida de um grande número de serial killersna infância. Uma vez que a criança é
abandonada ou esquecida por períodos de tempo significativos e regulares,a fantasia passa
preencher o vazio deixado nas crianças pela solidão. Sobre isso, Illana Casoy disse que
As pessoas normais usam de suas fantasias temporárias para
entretenimentopróprio, sendo completamente compreensível pôr parte
do indivíduo airrealidade da mesma. No entanto, para serial killers,
tais fantasias sãoassustadoramente mais complexas, integrando o
comportamento dos assassinos em série, em vez de ser uma distração
mental. O crime é a própria fantasia docriminoso, planejada e
executada pôr ele na vida real, sendo a vítima o alimentomaior que
reforça a fantasia.
Ainda para a mesma doutrinadora (2002, p. 18):
Outras características comuns na infância desses indivíduos são:
devaneios diurnos, masturbação compulsiva, isolamento social,
mentiras crônicas, rebeldia, pesadelos constantes, roubos, baixa auto-
estima, acessos de raiva exagerados, problemas relativos ao sono,
fobias, fugas, propensão a acidentes, dores de cabeça constantes,
possessividade destrutiva, problemas alimentares, convulsões e
automutilações, todas elas relatadas pelos próprios serial killers em
entrevista com especialistas.
Ainda segundo Casoy (2004, p. 23), cerca de 82% dos serial killers sofreram abusos
de ordem sexual, emocional ou física quando crianças.
Com o decorrer do tempo e à medida que se tornam adultos,os serial killers se
mostram seres controladores, dissociados, fantasiosos, egoístas e detentores de algum tipo de
vicio (álcool e/ou drogas). Segundo Melina Pelissari da Silva, “geralmente, [...] são homens
jovens, brancos, que atacammulheres e que praticam seu primeiro crime [...] antes dos 30 anos
de idade. Buscasomente o seu prazer, são solitários, encantadores e age como se tudo lhe
fossepermitido.” (2004, p.84)
O controle se faz necessário para os serial killers. Tudo deve estar submetido a suas
vontades e desejos, da maneira que este idealizou. A degradação e o menosprezo da vítima
por periodos de tempo consideraveis, por exemplo, se mostra como um dos meios de
estabelecimento de controle por parte do agente. Geralmente este alcança esse objetivo por
meio de tortura e/ou estupro.
28

Ocasionalmente alguns serial killers matam suas vitimas mais rapidamente por
não se sentirem no controle até que estas estejam mortas. Com o ato concretizado os agentes
iniciam as mutilações – principalmente noórgão genitor de suas vitimas – e disposição do
corpo de maneira humilhante e/ou especifica.
É possível constatar o nível de controle exercido pelo serial killer em seus crimes ao
examinar os artefatos utilizados, o lugar escolhido, o ritual e a violência a que a vitíma foi
subjulgada.
Exemplo notório de desse tipo de comportamento foi o caso Joachim Kroll, alemão,
que foi capturado no dia 3 de julho de 1976, após ter confessado que assassinou 14 pessoas.
Kroll era extremanente peculiar quanto à escolha do lugar onde matava; surpreendia e
estrangulava apressadamente sua vitimas, para em seguida manter relações sexuais com estas.
Figura 4 - Joachim Kroll
Dada a satisfação de sua lascivia, Joachim Kroll
cortava e multilava os corpos de suas vitimas para
poder come-las depois.
A família de Krollera pobre, ele era o sexto
de nove filhos, era uma criança fraca e apresentava
quadro de micção involuntária. O pai de Kroll se
tornou prisioneiro de guerra logo após o fim da
segunda guerra mundial e sua mãe morreu em 1955.
Sofria de abandono familiar e afetivo. Começou a
trabalhar como empregado de casa de banho para o
Mannesmann logo após a morte de sua mãe, ao

Fonte:http://murderpedia.org/male.K/k/kroll- mesmo tempo em que começou a matar.


joachim-photos.htm
Assim como Joachim Kroll, muitos dos
serial killers tem a capacidade de parecerem pessoas normais, distorcendo suas reais
personalidades e se apresentando como socialmente capazes. Segundo Casoy “para parecer
uma pessoa normal e misturar-se aos outros seres humanos, o serial killer desenvolve uma
personalidade para contato, ou seja,um fino verniz de personalidade completamente
dissociado do seucomportamento violento e criminoso.”
Em fato, “seu verniz é tão perfeito que as pessoas na prisão confiam nele e em
seucomportamento, sem entender como aquela pessoa tão educada e solícita, calma
ecomportada, possa ter cometido crimes tão violentos.” (Alvarez, 2004, p. 20)
29

Por fim o “Serial Killer”, tem como prazer primordial o sofrimento de


pessoas inocentes, mais que para eles não passam de símbolos de algo
que o atormentaram em seu passado. Podendo representar mães que os
maltrataram, mulheres que o abandonaram, pais que os humilharam
perante o público, enfim diversos fatores raramente reconhecidos pela
sociedade, mas profundamente conhecidos e valorizados por esses
indivíduos. (SILVA,2004, p.86)

2.4 Vítimas e modus operandi


Os serial killers tem duas formas de selecionar suas vitimas: mediante umestereótipo
pré estabelecido ou por causalidade observância dessa seleção, assim como a seleção da local
e da arma utilizada descrevem e padronizam o modus operandi(modo de agir) do serial killer,
ainda que com o passar do tempo e com consolidar de confiança venham a ficar mais
dinâmicos e maleáveis.
Dentro da amplitude de razões, os serial killers, independente do gênero ou raça,
perseguem e assassinam suas vitimas mediante três situações:
A)Dos assassinos nômades: são caracterizados
Figura 5 - Henry Lee Lucas
pela compulsividade de deslocamento; se mudam
constantemente e assassinam enquanto trilham seus
caminhos. Objetivam assim, mudar de uma jurisdição para
outra, antes que as autoridades locais identifiquem seus
padrões. Basicamente matam em vários estados e às vezes
até em vários países.
Um dos exemplos mais notórios desse tipo de
assassino foi o caso Henry Lee Lucas, serial killer norte
americano, que confessou ter assassinado ou auxiliado
OttiToole a assassinar cerca de 600 pessoas entre 1975 e Fonte: http://criminalminds.wikia.
com/wiki /Henry_Lee_Lucas

Figura 6 - Gary Ridgway 1983, em sete estados diferentes.


B)Dos assassinos territoriais: São os mais usuais.
Demarcam uma zona, desde um bairro a uma cidade inteira, para
cometerem seus crimes. Os primeiros são direcionados a
pequenas zonas, pelo desejo de freqüentar o mesmo lugar em
particular. Isso na teoria deveria facilitar a captura desses
assassinos, mas alguns ainda conseguem se manter soltos ou
fugir por anos.

Fonte: http://crime.about.com/
od/serial/ig/serialkillerphotos/G
ary-Ridgway.htm
30

O maior exemplo desse tipo de assassino foi Gary Leon Ridgway, que ficou
conhecido como Green River Killer ou Assassino do Rio Verde, na tradução para português.
As autoridades americanas lhe imputaram cerca de 80 mortes e ficou conhecido nos Estados
Unidos da America, não pela quantidade de vitimas, mas pelo número de julgamentos a que
foi submetido.
C)Dos assassinos estacionários:São os mais incomuns. Matam suas vitimas em um
só lugar, podendo ser em casa ou em seu lugar de trabalho. Os primeiros tendem a procurar
suas presas em suas próprias famílias ou atraem pessoas de fora para suas casas. Em ambas as
situações, eles ocultam os corpos em suas dependências (enterram, congelam, queimam etc).
Os segundos matam em seus trabalhos. É o caso de assassinatos cometidos em
hospitais por médicos e enfermeiras, por exemplo.O caso do médico inglêsHarold Shipman
exemplifica muito bem essa categoria de assassinos. Shipman foi o responsável pela morte de
mais de 250 pessoas mediante a aplicação de doses letais de heroína ou morfina.
O medico falsificava os laudos e
Figura 7 - Harold Shipman
administrava as drogas em pessoas saudáveis.
Com exceção a uma única vez em que recebeu
dinheiro pela morte de um de seus pacientes,
Shipman não auferia nenhum beneficio com a
morte de suas vitimas. Só foi descoberto porque
um legista desconfiou de sua pratica medica e a
denuncia deu início a uma investigação.
Inicialmente a investigação foi
abandona pela ausência de provas, mas mais
algumas mortes suspeitas foram suficientes para
encarcerar o medico. Respondeu a 15 processos
de homicídio e foi condenado nos 15 a prisão
Fonte: http://www.biography.com/people/harold-
perpetua. Em janeiro de 2004, na prisão em que shipman-17169712

cumpria pena, Shipman deu cabo de sua vida.


Em geral os serial killer não mudam seu modus operandi e nas raríssimas vezes em
que mudam, o fazem pelo risco de captura e ainda assim tais mudanças não prolongam-se por
muito tempo.
Quanto às armas adotadas por serial killers é interessante se dizer que de acordo com
o Relatório de Crimes Uniformes do FBI, apenas 22% desses agentes as adotam. A maioria,
31

quantificada na porcentagem de 51% escolhem matar com as próprias mãos (apunhalam,


batem,estrangulam).
É importante frisar que o modus operandi e a assinatura do serial killer são duas
coisas distintas. Esta ao contrario daquela, nunca se modifica e tem a finalidade de identificar
quem cometeu o crime. Basicamente é a através da assinatura que o agente atesta seu
sentimento de ódio. Segundo Melina Pelissari da Silva
Como assinatura entende-se sempre algo que deixa no local ou ainda a
maneira que amarra suas vítimas, ou os mesmos ferimentos sempre
marcantes ecruéis, ou a posição que o corpo da vítima é colocado
propositadamente, enfim,são comportamentos que dizem que os
diversos crimes foram cometidos por umamesma pessoa. (2004, p.89)
32

CAPÍTULO III
3.Psicologia forense
Teve inicio na década de 80 com a convocação de David Canter, pela Scotland Yard
para compor com preceitos psicológicos a investigação técnica.
Segundo Casoy, há dois métodos de investigação por meio da psicologia: o método
de David Canter e o método de Brent Turvey. Ambos cientistas forenses. O primeiro estuda
contraventores conhecidos e define-os em categorias para que quando novos crimes ocorram,
estes sejam analisados de forma comparativa com aqueles.
As características do novo infrator serão descritas tendo como base a distinção
realizada em categoria de criminosos apontados.
O método de Canter se baseia sob cinco perspectivas de interação entre vitima e
ofensor:coerênciainterpessoal, relevância da hora e local do crime, traços criminais, trajetória
criminal e consciência forense.

a) Da coerência interpessoal:Se caracteriza por ser um elemento padrão relativo


a quão grande a pratica criminosa do agente se comunica com sua vida privada. Um psicólogo
deverá estabelecer algo a respeito do agente a começar da vitima ou da maneira como
comportou-se com ela.
Comumente a vitima simboliza uma pessoa da vida do agressor, seja do passado ou
do presente (ex-mulher ou padrasto, por exemplo).
b) Da relevância da hora e local do crime: É de suma importância, uma vez que
é dotada de valor e racionalidade para o agente. Serial killers não estão propensos a cometer
seus crimes em locais que não estão familiarizados, dado que são seres controladores e a não
familiaridade do local afetaria sua confiança.
Ademais, as praticas criminosas, dentro de uma perspectiva geográfica, indica a
probabilidade de o serial killer morar ou laborar nessa região e possibilita vislumbrar o
horário de trabalho deste, visto que seus crimes são cometido em seus horários de lazer.
c) Dos traços criminais:Permiteo estudo e analise para criação de
esquemasclassificatórios de grupos infratores, em contrapartida aos dois únicos grupos
descriminados pelo FBI – organizados e desorganizados.
d) Trajetória criminal: Se caracteriza por ser uma analise a respeito da
possibilidade de o agente estar envolvido em praticas delituosas já ocorridas e em que
categorias estas estariam. A maneira de infringir não é alterada, ainda que os delitos venham a
se tornar mais violentas, sofisticados ou detalhados. Pelo descuido e pouca técnica, é mais
33

provável que serial killers deixem vestígios em seus primeiros crimes e não nos últimos
quando já dominam suas técnicas.
e) Consciência forense: Baseia-se no conhecimento que o serial killer possui a
respeito das praticas policiais e mecanismos de colhimento de evidencias. Segundo Fernando
Valentim Alvarez
Inclui-se aqui o uso ou não de luvas, camisinha ou a remoção de
qualquer objeto que possa conter fluidos corporais do agressor. Um
exemplo que indica que o agressor sexual não é primário é modo
como ele limpa ou banha a vítima depois do ataque. Ele pode também
exigir que ela se banhe após o estupro, ou penteie os cabelos pubianos
para remover os seus próprios. Se a polícia concluir que este
transgressor não é primário, começa a pesquisar entre outros
conhecidos e elimina aqueles que utilizam métodos diferentes. (2004,
p. 25)
Canter também criou um padrão a respeito do modo de comportar-se dos agentes,
que foi batizado de teoria circular. Nesta há duas espécies de infratores: os “vagabundos” e os
“viajantes diários”. Na primeira espécie, há a presunção de que o agente, em um rompante,
deixe sua moradia para cometer seus delitos, enquanto a segunda espécie viaja uma distancia
considerável para fazer o mesmo.
Ilustração do Campo de Ação do “Vagabundo” de Casoy
34

Ilustração do Campo de Ação do “Viajante”

Fonte: CASOY, Ilana. Serial Killer, louco ou cruel? 2 ed.; São Paulo: WVC, 2004.

Vale ressaltar que os agentes da espécie “viajantes diários” são os que se enquadram
como os desorganizados na classificação do FBI. Nesse tocante, é importante salientar “que
quanto maioro número de vítimas, mais perto de casa o criminoso se livra do corpo, pois está
cada vezmais confiante na sua não captura.” (Alvarez, 2004)
O segundo método é o método de Brent Turvey, criado pelo psiquiatra forense de
mesmo nome. Nascido nos Estados Unidos da America, foi considerado pela seara
psiquiátrica um dos maiores conhecedores de perfis criminais. Criou seu método,
denominando-o de “BehaviouralEvidenceAnalysis”(BEA). Segundo Casoy
Tal método baseia-se na premissa de que os transgressores sempre
mantém sobresuas ações, muitas vezes a única coisa com a qual se
pode contar na investigaçãoé a reconstrução do comportamento do
transgressor. A maior diferença entre estemétodo e os anteriores é que
não se baseia em estatísticas. O BEA – Análise das Evidências
Comportamentais é dividida em quatro passos principais:
análiseforense questionável, vitimologia, características da cena do
crime e dotransgressor.A análise forense é questionável no sentido de
que uma evidênciapode ter várias interpretações ou significados, e o
objetivo deste passo éjustamente estabelecer os vários significados de
uma evidência. Esta análise éfeita com base em fotos, vídeos, esboços
da cena do crime, relatórios deinvestigadores, registro de evidências,
relatório de autópsia, vídeos e fotos,entrevistas com testemunhas e
35

vizinhos, qualquer outra documentação eentrevistas ou informação


relevante, mapa do trajeto da vítima antes da morte e seu histórico.
a) Da vitimologia:O segundo passo consiste na elaboração de uma investigação
rebuscada a respeito da vitima para que assim seja criado, o mais precisamente possível, o
retrato falado desta. Uma vez concretizado, será possível determinar a razão, o local, a
maneira e quando foi selecionada. Quando feito será possível apreender diversas informações
a respeito do agente.
A composição física da vitima é um aspecto fundamental para a definição do perfil
do serial killer, pois uma vez que o crime venha a ser reconstruído e seja observado, por
exemplo, que aquele carregou a vitimaantes de preparar o corpo, chegar-se-á a conclusão de
que o agente não trabalha sozinho ou que possui porte atlético.
Dentro dessa perspectiva, se for perceptível que o agente não esboçou nenhum
esforço físico, far-se-á a conclusão de que aquele era familiar a vitima ou que se utilizou de
algum disfarce.

b) Do detalhamento a cerca da cena do crime:Também é importante dado que é


a partir dela que se pode determinar fatores inerentes a cerca da localização e sua relação
mediante os outros crimes e a maneira como o serial killer se acerca de suas vitimas.
É pacifico para os estudiosos de serial killers que o local onde ocorrem os crimes tem
um significado emocional para estes e que por isso podem oferecer evidencias cruciais a cerca
destes.

c) Do detalhamento a cerca do transgressor: É o ultimo degrau dentro do BEA.


É aqui que se realiza o esquadrinhamento acerca da conduta e personalidade do agente, tais
como: “constituição física, sexo, tipo de trabalho e hábitos, remorso ou culpa, tipo de veículo
utilizado, histórico criminal, nível de habilidade, agressividade, localização da moradia em
relação ao crime, histórico médico, estado civil e raça”. (Alvarez, 2004)
Essas informações, conjuntamente, propiciam o perfil dos serial killers que auxiliam
conseqüentemente na sua apreensão; e quando não, auxiliam por comparação em casos com
outros suspeitos em outros crimes.
Segundo Alvarez (2004)
A personalidade do criminoso que é montada através do método BEA
se divide em duas fases: investigativa e de julgamento. Na primeira
temos um agressor desconhecido de um crime conhecido: reduzir o
número de suspeitos ajuda na ligação deste crime comoutros que
tenham o mesmo padrão, na avaliação do comportamento criminal
para uma escalada de violência, provê investigadores com estratégias
36

adequadas e dá uma trilha de movimentos a serem seguidos na


investigação.
A segunda fase, ou seja, a fase de julgamento, reconhecido o agente de um crime
conhecido, o perfil traçado pelo BEA, auxilia na valoração de uma evidencia em particular
para um determinado caso. Ajuda, por exemplo, com “o desenvolvimento de uma estratégia
de entrevista ou interrogatório, de um insight dentro da mente do assassino, compreendendo
suas fantasias e motivos, relaciona a cena do crime com o modus operandi e a “assinatura”
comportamental” (Alvarez, 2004)
Ilanna Casoy deu o seguinte exemplo a respeito da analise feito pela BEA
O corpo de uma mulher é encontrado nu em uma remota localização
nafloresta, com quatro superficiais e cuidadosas incisões no peito,
transversais,sobre os mamilos. A área genital da vítima foi
completamente removida comum instrumento afiado. Petéquias são
evidentes nos olhos, pescoço e faceacima do local padrão de
estrangulamento no pescoço. Não foramencontrados sangue ou roupa
na cena do crime. A vítima tinha sulcos deligaduras em volta dos
pulsos com contusões esfoladas, arranhadas, mas nenhuma ligadura
foi encontrada na cena do crime. Frescas impressões depneus foram
encontradas na lama aproximadamente a 15 metros de ondeestava o
corpo.
CONCLUSÃO 1: o criminoso, neste delito em particular, amarrou a
vítimapara restringir seus movimentos enquanto ela estava viva, uma
vez quese notam sinais de luta e abrasões em volta dos pulsos.
CONCLUSÃO 2: nosso criminoso removeu as ligaduras com as
quaisamarrou a vítima antes de dispor do corpo morto, conclusão
advindado fato de nenhuma ligadura ter sido encontrada ali.
CONCLUSÃO 3: a vítima parecia asfixiada pelo pescoço através
deligadura de material leve como um tecido, fato indicado pela
marcapadrão no pescoço e pelas petéquias.
CONCLUSÃO 4: o local onde foi encontrado o corpo era apenas o
cenárioque o criminoso armou para isso; o delito não foi cometido ali,
uma vezque não foi encontrado sangue nenhum.
CONCLUSÃO 5: o criminoso tem um carro consistente com as
marcas depneu encontradas nas proximidades do corpo. Por tais
sinais, pode-seter uma idéia da marca ou do tipo do carro utilizado.
Ou seja, segundo a doutrinadora
Todos esses detalhes juntos indicam a competência e a inteligência do
criminoso, que parece capacitado a manter um emprego, e pressupõe-
se queele é um sádico sexual. Isso é dedutível pelo fato de ele ter um
veículo, o usode uma segunda cena para deixar o corpo, evitando
deixar evidências, aremoção da genitália da vítima e os deliberados
cortes nos mamilos, feitospara causar dor e não ferimentos sérios.
37

CAPITULO IV
4. Noções gerais de imputabilidade penal
Para a compreensão de imputabilidade, é necessário que primeiramente se entenda a
culpabilidade, dado que a imputabilidade é elemento da culpabilidade. Segundo Nucci (2008,
p. 281), a culpabilidade “é um juízo de reprovação social, incidente sobre o fato e seu autor,
devendo o agente ser imputável, atuar com consciência potencial de ilicitude, bem como ter a
probabilidade e a exigibilidade de atuar de outro modo, seguindo as regras impostas pelo
direito”.
Levando em consideração o que afirma Nucci, é possível entender que culpabilidade
é o entendimento que será feito por quem julga, a respeito da capacidade que o sujeito ativo
do delito tinha de compreender seus atos no momento da conduta delituosa, de perceber e
compreender as circunstancias e consequências dessa conduta.
A culpabilidade se apresenta como um juízo de reprovação do agente, que será
responsabilizado por não ter-se mantido dentro da norma, quando poderia tê-lo feito. A
culpabilidade é o que embasa o fundamento e o limite da pena, fazendo jus à reprovação da
conduta adversa a norma (Bitencourt, 2012).
Nas palavras de Luiz Regis Prado
A culpabilidade é a reprovabilidade pessoal pela realização de uma
ação ou omissão típica e ilícita. Assim, não há culpabilidade sem
tipicidade e ilicitude, embora possa existir ação típica e ilícita
inculpável. Devem ser levados em consideração, além de todos os
elementos objetivos e subjetivos da conduta típica e ilícita realizada,
também, suas circunstâncias e aspectos relativos à autoria.(Luiz Regis
Prado)
Em síntese, a culpabilidade, ou seja, a conduta reprovável, dar-se-á mediante
situação em que é preciso determinar se o agente é capaz, psiquicamente falando, de ter
consciência e escolha dentro de sua autodeterminação, isto é, se a ele é facultado a
capacidade de compreender, mediante sua condições psíquicas, a sua conduta delituosa e de
ajusta-la ao seu entendimento. Essa capacidade psíquica é intitulada de imputabilidade
A imputabilidade é caracterizada por ser a possibilidade de atribuição de um fato
ilícito e típico ao agente, para que este seja responsabilizado por seus atos. Aquela é
concebida sob a capacidade de discernimento e compreensão, ou seja, para que o agente seja
imputável é necessário que este compreenda o caráter ilícito de seus atos e de reagir mediante
este entendimento - culpabilidade. (GRECO, 2010.). Sobre isso Capez diz que
38

O agente deve ter condições físicas, psicológicas, morais e


mentais de saber que está realizando um ilícito penal. Mas não é só.
Além dessa capacidade plena de entendimento, deve ter totais
condições de controle sobre sua vontade. Em outras palavras,
imputável é não apenas aquele que tem capacidade de intelecção sobre
o significado de sua conduta, mas também de comando da própria
vontade, de acordo com esse entendimento. Exemplo: um dependente
de drogas tem plena capacidade para entender o caráter ilícito do furto
que pratica, mas não consegue controlar o invencível impulso de
continuar a consumir a substancia psicotrópica, razão pela qual é
impelido a obter recursos financeiros para adquirir o entorpecente,
tornando-se um escravo de sua vontade, não podendo, por essa razão,
submeter-se ao juízo de censurabilidade.(2010, p.331 e 332)
Corrobora Mirabete
Inexistência de inimputabilidade-TJRJ: “Se o laudo de exame
de sanidade mental atesta que o agente possuía plena capacidade de
entender o caráter criminoso do fato que lhe é imputado, e que, ao
tempo da ação ou omissão, não era portador de doença mental, a ponto
de apresentar desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não
há que se acolher à alegação de inimputabilidade penal” (RT 750/698)
( 2003, p. 240).
É relevante frisar que imputabilidade e capacidade apesar da semelhança, não se
confundem. O primeiro é espécie, enquanto o segundo é gênero. Enquanto aquele engloba a
vontade e compreensão (capacidade penal), este absorve os dois somados a competência para
atuar na seara processual (capacidade processual). Assim a imputabilidade se configura como
a capacidade na seara penal. Segundo a negativa do art. 228 da constituição federal brasileira -
“são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação
especial”- conclui-se que a capacidade processual é adquirida aos 18 anos de idade.
Também é necessário que seja esclarecido a distinção entre dolo e imputabilidade. O
dolo é caracterizado como o desejo e a imputabilidade como a faculdade de entender esse
desejo. Assim exemplifica Capez
Um louco que pega uma faca e dilacera a vítima age com
dolo, pois defere os golpes com consciência e vontade. O que lhe falta
é discernimento sobre essa vontade. Ele sabe que está esfaqueando a
ofendida, mas não tem condições de avaliar a gravidade do que está
fazendo, nem seu caráter criminoso. Um drogado sabe que está
portando cocaína para uso próprio, mas não tem comando sobre essa
vontade. Tem dolo, mas não tem imputabilidade. (2010. P. 333)
Dentro desse exemplo de Capez é possível analisar a temática da responsabilidade e
imputabilidade. O louco que desferiu facadas a vitima não poderá ser responsabilizado por
seus atos, uma vez que para responder por tais seria necessário que fosse imputável,
consciente da ilicitude e imposto de conduta diversa. Ou seja, a responsabilidade tem seu
sentido mais amplo e engloba a imputabilidade.
39

A imputabilidade pode ser averiguada mediante três critérios: a)biológico;


b)psicológico; e c)biopsicológico. O critério biológico leva em consideração o psicológico por
sua vez, leva em consideração fundamentalmente as condições psicológicas da pessoa na hora
de sua conduta. Por último, o critério biopsicológico se caracteriza por ser uma junção dos
critérios biológico e psicológico. Ou seja, é possível afirmar que o agente com
desenvolvimento mental completo, que tem entendimento e autodeterminação será imputável.
Este foi o critério adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro. (BIERRENBACH, 2009).
Em regra todos os indivíduos são imputáveis, porém os art. 26 e 27 do Código Penal
elencam quatro possibilidades de inimputabilidade. A primeira hipótese (caput)é destinada a
pessoas que tenham alguma doença mentalou seja, que possuam alguma desordem mental ou
psíquica de qualquer natureza que venha a afetar a faculdade de compreensão do caráter
ilícito do ato ou de governar seus desejos e vontades mediante essa compreensão. Indivíduos
esquizofrênicos são exemplos dessa categoria de inimputáveis.
Bettiol (apud José Frederico Marques, v.2, p.233) inclui nessa categoria pessoas que
por alguma doença física tenha incidência sobre a mente, ou seja, sobre a faculdade de
compreender e desejar. Assim indivíduos que tivessem alucinações decorrentes de uma febre
reumática seriam consideradas como inimputáveis também.
A segunda hipótese, elencada já no art. 27, está relacionada aos indivíduos que
tenham seu desenvolvimento mental incompleto ou seja, que por serem muitos novos e por
não terem maturidade mental ou emocional não podem ser imputáveis. Condição dos menores
de 18 anose dos índios.
A terceira situação engloba os indivíduos retardados. Nessa situação o agente não
tem a faculdade de compreender ou de se autodeterminar pelo fato de não estar inteiramente
desenvolvimento para idade em que se encontra. Aqui a potencialidade em sua plenitude
jamais será alcançada, distinguindo-se assim da segunda hipótese.Os autistas estão nessa
categoria.
A quarta hipótese de exclusão de imputabilidade é a de embriaguez completa oriunda
de caso fortuito ou força maior. Aqui também entram as substancias de efeitos psicotrópicos
de qualquer espécie (morfina, cocaína, acido lisérgico). Como nas outras hipóteses aqui há a
diminuição total ou parcial da faculdade de compreensão e desejo por parte do autor.
No caso fortuito levar-se-á em consideração episódios de natureza ocasional, rara.
Para Fernando Capez, seria ocaso
De alguém que tropeça e cai de cabeça em um tonel de vinho,
embriagando-se. É também o caso de alguém que ingere bebida na
40

ignorância de que tem conteúdo alcoólico ou dos efeitos psicotrópicos


que provoca. É ainda o caso do agente que, após tomar antibiótico
para tratamento de uma gripe, consome álcool sem saber que isso o
fará perder completamente o poder de compreensão. Nessas hipóteses,
o sujeito não se embriagou porque quis, nem porque agiu com culpa.

Quando a embriaguez acidental é completa a imputabilidade do agente é excluída e


este fica livre da sanção penal. Quando essa embriaguez é parcial, não há de se falar em
inimputabilidade e conseqüentemente a isenção da pena, porém existe a possibilidade da
diminuição desta na escala de 1/3 a 2/3 diante do nível de desordem exteriorizada pelo autor.
Vale ressaltar que os casos de embriaguez voluntária são distintos da embriaguez
preordenada. Nesta o individuo embriaga-se já no intuito de vir a cometer atos delituosos.
Naquela embriaga-se mas não tem o intuito de praticar nenhum crimes.A embriaguez
preordenada o individuo bebe no intuito de alcançar determinado alvo e por isso assume o
risco. São exemplos desse caso, pessoas que bebem para praticar roubos, furtos ou estupros e
assim soltar instintos até então reprimidos. Em conseqüência a imputabilidade não é excluída
e a embriaguez passe a ser configurada como uma agravante.
A força maior é caracterizada por algo externo ao individuo. É o caso da pessoa que
foi obrigada a fazer utilização da droga por coação e que em conseqüência disso perde
O art. 26 em seu parágrafo único trouxe ainda a possibilidade de uma imputabilidade
com responsabilidade diminuída ou semi-imputabilidade, ou seja, o agente nesta situação não
é inimputável. Nas palavras de Capez
É a perda de parte da capacidade de entendimento e
autodeterminação, em razão de doença mental ou de desenvolvimento
incompleto ou retardado. Alcança os indivíduos em que as
perturbações psíquicas tornam menor o poder de autodeterminação e
mais fraca a resistência interior em relação à pratica do crime. Na
verdade, o agente é imputável e responsável por ter alguma noção do
que faz, mas sua responsabilidade é reduzida em virtude de ter agido
com culpabilidade diminuída em conseqüência das suas condições
pessoais.

A doutrina majoritária afirma que este último seria o caso dos seriais killers, uma vez
que eles, em sua grande maioria se encontravam lúcidos e contavam com seu autocontrole em
perfeito estado no momento de suas ações, ações estas premeditadas e planejadas. O mister no
tocante a situação dos serial killers seria sua personalidade antissocial que faz sua mente
acreditar que seus atos são naturais. Assim esses psicopatas ficam sujeitos à medida de
segurança por tempo determinado e a tratamento médico-psíquico.
41

CAPÍTULO V
5. Legislação brasileira
5.1 Das sanções penais e suas funções aplicadas ao serial killer
As sanções penais são contestações por parte do Estado a condutas adversas às
normas sociais e jurídicas vigentes. Segundo professor o Leonardo de Morais “é a resposta
estatal consistente na privação ou restrição de um bem jurídico sobre quem praticou um crime
ou uma contravenção penal, cujo fim é retribuir, ressocializar e evitar a prática de novas
infrações penais.”
Pactuando assim com que afirma Luiz Regis Prado sobre a finalidade da pena de
prevenir, punindo aquele que não se adaptar aos parâmetros de condutas impostas pela
sociedade.
Em síntese: a justificativa da pena envolve a prevenção geral
e especial, bem como a reafirmação da ordem jurídica, sem
exclusivismos. Não importa exatamente a ordem de sucessão ou de
importância. O que se deve ficar patente é que a pena é uma
necessidade social - ultima ratio legis, mas também indispensável para
a real proteção de bens jurídicos, missão primordial do Direito Penal.
De igual modo, deve ser a pena, sobre tudo em um Estado
constitucional e democrático, sempre justa, inarredavelmente adstrita
à culpabilidade (princípio e categoria dogmática) do autor do fato
punível. (...) O que resta claramente evidenciado numa analise sobre a
teoria da pena é que sua essência não pode ser reduzida a um único
ponto de vista, com exclusão pura e simples dos outros, ou seja, seu
fundamento contém realidade altamente complexa.

O código penal brasileiro adotou dois tipos de sanções: a pena (privativa de


liberdade, a restritiva de direitos e a multa) e medida de segurança (detentiva ou restritiva). A
pena privativa de liberdade está embasada na limitação da liberdade de ir e vir do individuo
condenado e está dividida em três espécies: reclusão, detenção e prisão simples, em casos de
contravenções penais. O agente poderá cumprir sua pena em regime fechado, semi aberto ou
aberto. Assim está positivado no código penal:

Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime


fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-
aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime
fechado.
Sendo que:
42

§ 1º - Considera-se

a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de


segurança máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola,
industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou
estabelecimento adequado.
O juiz em concordância com o art. 110 da Lei de execução penal, definirá dentro da
sentença o regime inicial adotado para o cumprimento da penal, levando em consideração o
art. 33 do código penal.
Em casos de reclusão, se a pena culminada for superior a oito anos o agente deverá
cumpri-la em regime fechado. Se a pena for superior a quatro anos e não ultrapassar oito anos,
inicia-se em regime semi-aberto. Em casos de pena igual ou inferior a 4 anos o cumprimento
da pena inicia-se em regime aberto.
Em exceção a regra geral, o condenado reincidente sempre iniciará em regime
fechado, independentemente da pena culminada, desde que a condenação anterior do
reincidente não tenha sido pena de multa, pois nesse caso este poderá iniciar o cumprimento
da pena em regime aberto, segundo entendimento do STF.
No caso da detenção, a pena será cumprida em regime semi-aberto se aquela for
superior a quatro anos, se o apenado for reincidente ou se as circunstancias do art. 59 do
código penal não estiverem a favor deste. Assim dispõe o artigo
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes,
à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e
suficiente para reprovação e prevenção do crime: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por
outra espécie de pena, se cabível.
Vale ressaltar que de acordo com o art. 33, caput, CP, não há regime inicial fechado
na detenção, uma que vez que esta deve obrigatoriamente iniciar em regime semi-aberto ou
aberto, segundo entendimento do STJ, a exceção de casos de regressão que poderá iniciar em
regime fechado.
43

A pena restritiva de direito, segundo o Art. 44 do código penal, são autônomas e tem
o objetivo de substituir a pena privativa de liberdade em quatro situações: a) quando a pena
privativa de liberdade não for superior a quatro anos e o crime não for cometido com
violencia ou grave ameaça; b) se o crime for culposo (quando não há intenção de cometero
crime); c) quando a pessoa não for reincidente em crime doloso (quando há intenção de
cometer o ato criminoso); d)e quando “a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa
substituição seja suficiente”.
Essa pena restritiva de direito são opções alternativas que tem o objetivo de
promover o impedimento do emprego de penas privativas de liberdade. Ou seja, “não se trata
de penas, mas de institutos que impedem ou paralisam a persecução penal, não se
confundindo, portanto, com as penas alternativas” (CAPEZ,2010).
As medidas alternativas se classificam em consensuais e não consensuais e não se
confundem com as penas alternativas. A primeira não tem o objetivo de sancionar enquanto a
segunda sim. Segundo Capez
As medidas alternativas são soluções processuais ou penais
para evitar o encarceramento cautelar provisório ou a prisão imposta
por condenação criminal definitiva (p. ex.: suspensão condicional do
processo, ampliação das hipóteses de cabimento de fiança, facilitação
da progressão de regime, maior acesso ao livramento condicional e ao
susis etc.) Diferem das penas alternativas porque não constituem
penas, mas opções para evitar a persecução penal e, por conseguinte, a
imposição da pena privativa de liberdade, por sentença judicial. (2010,
p. 427)
As penas alternativas, assim como as medidas alternativas, podem ser consensuais ou
não consensuais. A primeira só terá aplicabilidade mediante a concordância do individuo. A
segunda advém independente da concordância do agente e se divide em diretas ou indiretas.
Esta ocorre como substituição, mediante os requisitos legais, a pena privativa de liberdade.
Aquela acontece como primeira opção.
São penas alternativas, segundo o código penal brasileiro, a prestação de serviços à
comunidade, a limitação de fim de semana, a prestação pecuniária em favor da vitima,
prestação pecuniária inominada, perda de bens e valores, bem como a proibição do exercício
de profissão/ atividade, suspensão da habilitação para dirigir veículos e proibição de
freqüentar certos lugares, não podendo o magistrado criar novas pena substitutivas por se
tratar de rol taxativo.
Essas penas alternativas tem a finalidade de reduzir a superlotação das penitenciarias
e conseqüentemente os custos desses estabelecimentos; contribuir para a ressocialização do
44

apenado que não terá que ser estigmatizado pelo ambiente carcerário; diminuir a reincidência
e resguardar os interesses da vitima.
A pena de multa é um tipo de pena alternativa e se configura como aquela que
somente pode ser paga em dinheiro com destinaçãoao Fundo Penitenciário Nacional. É
calculada em dias –multa e tem a finalidade de atingir o patrimônio do apenado. No caso, essa
sanção pode ser estabelecida como punição única ou cominada e aplicada de maneira
cumulativa a pena privativa de liberdade. A exemplo dessa sanção, pode-se citar o Art. 155 do
código penal brasileiro, que trata do crime de furto e prevê a pena de reclusão de um a quatro
anos e multa.
De acordo com Capez as penas de multa não podem ser confundidas com as penas
restritivas pecuniárias uma vez que
A multa não pode ser convertida em pena privativa de
liberdade, sendo considerada, para fins de execução, dívida de valor
(CP, art.51). As penas alternativas pecuniárias, ao contrário, admitem
conversão (CP, art.44,§4°). Por essa razão, não há como confundir as
novas espécies de penas restritivas de direitos constantes do art.43 do
Código Penal com a pena de multa, pese embora todas terem caráter
pecuniário. (2010, p. 430)
Segundo o que preconiza o Art. 49, caput, do código penal, quando houver a
aplicação da pena de multa, seja ela cumulada, isolada ou alternativamente aplicada, esta
deverá estar dentro dos limites legais, ou seja, de 10 a 360 dias-multas. Em caso de
descumprimento da pena de multa, assim dispõe o Art. 51, do CP: “Transitada em julgado a
sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas
da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas
interruptivas e suspensivas da prescrição.”
Penas alternativas:quaisquer penas que o juizpuder aplicar emsubstituição à
penaprivativa de liberdade.Atualmente são 10 (dez) [9(nove) restritivas de direito,dentre as
quais 6 (seis) emsentido estrito e 3 (três)pecuniárias] + a pena demulta.
Espécies:
a) Restritivas de direito:
a1) em sentido estrito:prestação de serviços àcomunidade, limitação defim de
semana e quatrointerdições temporárias dedireito (proibição doexercício de cargo oufunção
pública, proibiçãodo exercício de atividade ouprofissão que dependa dehabilitação especial
oulicença do Poder Público,suspensão da habilitaçãopara dirigir veículo eproibição de
freqüentar lugares).
a2) pecuniárias:prestação pecuniária,prestação inominada eperda de bens e valores.
45

b) Multa (diferencia-sedas restritivas pecuniáriasporque, ao contrário destas,a multa


não pode serconvertida em privativa deliberdade, sendoconsiderada dívida de valorpara fins
de execução).
Características:substituem a pena privativade liberdade aplicada nasentença
condenatória,desde que preenchidos osrequisitos legais (CP, art.44 e incisos). Em regra,
sãogenéricas, ou seja, podemser aplicadas emsubstituição a qualquerespécie de
crimes,obedecidos os requisitosimpostos pela lei. Trêspenas restritivas, no entanto,são
específicas, só podendoser aplicadas adeterminados crimes. Sãoelas: proibição do
exercíciodo cargo ou função pública(só para crimes cometidosem seu exercício),proibição do
exercício deprofissão ou atividade (sópara crimes cometidos emseu exercício) e suspensãoda
habilitação ouautorização para dirigirveículos (só para delitosculposos de trânsito).
Requisitos para asubstituição: (a) que a penatotal imposta na
sentençacondenatória não exceda a 4(quatro) anos, salvo se odelito for culposo + (b) queo
crime tenha sido cometidosem violência ou graveameaça contra a pessoa,salvo se for culposo
+ (c)reincidente em crime doloso(se a condenação anteriortiver sido a pena de multa,cabe
sursis, mas não penaalternativa), nem reincidenteespecífico em crimeculposo (CP, art. 44, §
3º,parte final) + (d) que aculpabilidade, osantecedentes, apersonalidade e a condutasocial
autorizem asubstituição.
Conversão da penaalternativa em privativade liberdade: se
houverdescumprimentoinjustificado da restriçãoimposta ou se houvercondenação que
torneimpossível a continuidadedo cumprimento da penaalternativa (CP, art. 44, §§4º e 5º).
Operada aconversão, aproveita-se otempo de pena até entãodecorrido, salvo se
restaremmenos de 30 (trinta) dias,caso em que serãocumpridos, pelo menos,esses 30 (trinta)
dias.
Primeira classe e classe econômica: como cabepena alternativa para penasde até 4
(quatro) anos, a leiacabou estabelecendo umrol bastante diverso evariável de
beneficiários,pois o limite compreendequem recebeu desde 1 (um)dia até 4 (quatro) anos
depena. Visando a evitarinjustiças, o CP separou taiscondenados em duasclasses: (a) se a
penaimposta for igual ou inferiora 1 (um) ano, a penaprivativa de liberdade serásubstituída
por uma multa oupor uma restritiva. É a turmada primeira classe. (b) Se,no entanto, a pena
impostafor maior do que 1 (um) anoe não exceder a 4 (quatro),o juiz poderá aplicar
duasrestritivas ou uma restritiva+ uma de multa (CP, art. 44,§ 2º). É a turma que viaja
deeconômica. De fato, olegislador tinha mesmo defazer uma distinção, poisentre o
46

condenado querecebe um dia e o querecebe quatro anos, hágrande diferença, emboraambos


possam serbeneficiados com asubstituição.
Fonte: Capez, 2010, p. 456 e 457
A medida de segurança,por sua vez, veio para aqueles que cometeram crimes mas
que não podem ser responsabilizados por seus atos, por serem portadores de doenças mentais.
Nesse caso, cabe ao Estado tratar essas pessoas, no intuito de cura-las e não puni-las, caso dos
serial killers. O Art. 96 do CP discrimina que o tratamento deve ser feito em hospitais de
custódia e tratamento em casos de internação e quando não, tratamento ambulatorial.
Inicialmente a medida de segurança era conferida aos indivíduos considerados
perigosos, independente se estes eram imputáveis ou contravessores. O objetivo era responder
de forma protetiva a coletividade, perante a ameaça que aquele oferecia a sociedade. Sobre
isso Cardoso asseverou:
Portanto, a crise da pena e a necessidade da defesa social foram as
razões ensejadoras da criação do instituto da medida de segurança.
Com efeito, assomando-se a partir da fonte ideológica do positivismo
italiano, sobretudo de doutrinadores como Enrico Ferri,
RafaeleGarófalo e CesareLombroso, a medida de segurança,
embebida dos princípios da defesa social, do determinismo, da
periculosidade e do utilitarismo foi finalmente positivada no
anteprojeto do Código Penal Suíço de 1893, de autoria de Karl Stoos.

O Brasil que adotou o sistema vincariante, ou seja, aquele que necessita de uma
decisão judicial para a aplicabilidade de tratamento de saúde em face da pena tradicional,
autua o agente de maneira não convencional ao mesmo tempo em livra a sociedade do perigo
deste. Diz Cardoso

Antes legitimada para coibir atos antissociais tanto de imputáveis


como de inimputáveis, como menores infratores, ébrios habituais ou
vagabundos, hoje, inclusive no Brasil, a medida de segurança somente
cuida de tratar a capacidade recidiva dos inimputáveis e,
facultativamente, dos semi-imputaveis, consoante a reforma penal
introduzida pela Lei. 7.209/84.
É notório o progresso da medida de segurança mediante a instituição da reforma
penal, uma vez que aquela caminha para reprimir os indivíduos que de fato a necessitam, isto
é inimputáveis e semi- imputáveis.

Vale ressaltar que grande parte da doutrina considera que as medidas de segurança
são uma espécie do gênero de sanção penal, logo aquela tem a natureza jurídica de sanção
penalde caráter terapêutico, aflitivo e jurisdicional
47

5.2 Da ineficácia das normas

Os serial killers tem seus crimes envoltos no segundo questionamento: seriam estes
responsáveis por suas condutas delituosas? Isto é, seriam pessoas, fundamentalmente,
acometidos de uma patologia ou cometeriam seus crimes embasados em desejos perversos e
transgressores? Para Ballone (2005, apud Marta Massoni, 2009)

é evidente que o assassino em série não é uma pessoa normal, mas não
significa que ele não tenha consciência do que faz. Os assassinos em
série, em sua maioria, são diagnosticados como portadores de
transtorno de personalidade antissocial e muito embora possam não ter
domínio para controlar seus impulsos, sabem muito bem distinguir o
que é certo e errado, tanto que se preocupam em não ser apanhado.
Considerando que ordenamento jurídico, em sua grande maioria, tomaos serial killers
como semi-imputáveis, estes são tratados como pessoas doentes e não como criminosos,
recebendo assim a medida de segurança como resposta aos seus crimes.

A problemática reside no fato de que as medidas de segurança não mostram


resultados eficazes, uma vez que a psiquiatria a nível mundial pacificou a
irrecuperabilidadedos serial killers, pela falta de tratamento eficaz.

Para Hilda Morana, doutora em psiquiatria forense pela USP e presidenta do


Departamento de Psiquiatria Forense da Associação Brasileira de Psiquiatria e Hugo
Marietan, professor de psiquiatria na Universidade de Buenos Aires,

A semi-imputabilidade é uma baita encrenca no Brasil, onde


não existe prisão especial para psicopatas (como é o caso do Canadá).
Colocá-los em presídios comuns prejudica a reabilitação dos outros
presos - 80% da população carcerária. E misturá-los com loucos em
hospitais não faz sentido - a não ser que tenha também uma doença
mental tratável. Portanto, o ideal seria julgar os psicopatas como semi-
imputáveis e prendê-los em cadeias especiais. Lá, seriam
acompanhados por profissionais especializados que determinariam sua
possibilidade de sair e voltar à sociedade.

5.3 Ausência de leis especificas

O Brasil apresenta hoje um número significativo de crimes cometidos por serial


killers e ainda assim não há existência de legislação ou norma penal especifica que
48

disponibilize tratamento adequado a estes. Ou seja, o código penal brasileiro não


regulamentou a matéria especificadamente. Assim os julgamentos, no tocante aos serial killers
no Brasil, tem se dado por interpretação das margens e dos artigos do código penal.

Em 2010, o então Senador Romeu Tuma, propôs um projeto de lei, que acrescentaria
ao art. 121, CP, o reconhecimento jurídico do serial killer. Com essa modificação o art.121
teria novos parágrafos que assim ficariam dispostos:

§ 6° Considera-se assassino em série o agente que comete 03


(três) homicídios dolosos, no mínimo, em determinado intervalo de
tempo, sendo que a conduta social e a personalidade do agente, o
perfil idêntico das vítimas e as circunstâncias dos homicídios indicam
que o modo de operação do homicida implica em uma maneira de
agir, operar ou executar os assassinatos sempre obedecendo a um
padrão pré-estabelecido, a um procedimento criminoso idêntico.
§ 7° Considera-se assassino em série o agente que comete 03
(três) homicídios dolosos, no mínimo, em determinado intervalo de
tempo, sendo que a conduta social e a personalidade do agente, o
perfil idêntico das vítimas e as circunstâncias dos homicídios indicam
que o modo de operação do homicida implica em uma maneira de
agir, operar ou executar os assassinatos sempre obedecendo a um
padrão pré-estabelecido, a um procedimento criminoso idêntico.
§ 8º O agente considerado assassino em série sujeitar-se-á a
uma expiação mínima de 30 (trinta) anos de reclusão, em regime
integralmente fechado, ou submetido à medida de segurança, por igual
período, em hospital psiquiátrico ou estabelecimento do gênero.
(TUMA, 2010)
Esse projeto de lei expõe incontáveis benefícios em relação ao que já temos hoje,
uma vez que traz um tipo penal contemporâneo e especifico além de uma comissão de
profissionais na concepção do laudo pericial que assistirá como parâmetro para os
julgamentos dos serial killers.

A proposta de auxilio por parte de profissionais das áreas de psicologia e psiquiatria


forense ao poder judiciário, apresentado nesse projeto de lei se faz de suma importância para a
adoção de julgamentos e sentenças justas.

Evidentemente que o tocante a pena dos serial killers nesse projeto de lei deve ser
melhor avaliado e aprimorado, uma vez que se fez muito rígido e que não atenderia ao
objetivo da pena de recolocar esse cidadão na sociedade outra vez. Segundo Renan Arnaldo
Freire
49

Com o PLS nº 140/2010 em tramitação, espera-se que


finalmente o Estado dedique uma atenção especial a esse assunto tão
complexo. Tal projeto de Lei não será capaz por si só de modificar o
panorama atual, ainda mais se considerarmos que, conforme se
discorreu, ele merece reformulação. Mas os avanços que nele já se
concretizaram não devem ser desperdiçados. Foi apresentado um
ponto de partida, e se espera que o desenvolvimento da neurociência
nos aproxime cada vez mais da realização de “Justiça”.
50

CAPITULO VI

6. Dos julgados envolvendo serial killers

6.1 CasoFrancisco de Assis Pereira - “maníaco do parque”

Francisco de Assis Pereira nasceu em novembro de 1967 em São Paulo, um ano após
o nascimento de seu irmão mais velho. Era o filho do meio de uma família de três filhos.
Tinha o apelido de “Tim”, presente do irmão Luís Carlos. Diferentemente da maioria dos
psicopatas, Francisco teve uma infância normal. Era uma criança inteligente ainda que
Figura 8 - Francisco de Assis Pereira
apresentasse dificuldades de ordem escolar e
disciplinar. Era timido, mas bastante sorridente.
Gostava de brincar na rua e tinha verdadeiro
fascinio por patinação de gelo. Ganhou seus
primeiros patins aos 8 anos.

Ainda quando aprendia, em uma serraria


ao lado de sua casa, ao tentar se equilibrar,
Francisco desequilibrou-se e caiu. Foi necessário
uma cirurgia para a retirada de um pedaço de
madeira que alojou-se no ouvido esquerdo. Mesmo
depois disso, ainda quis patinar. Guardou dinheiro
e aos 14 anos de idade conseguiu comprar um

modelo mais Fonte:


http://oaprendizverde.com.br/2015/07/19/reporta
moderno e que
gem-retro-maniaco-do-parque-a-face-inocente-
do-terror/
Figura 9 - Vítimas do Maniaco do
Parque lhe rendeu participação e medalhas em diversos
campeonatos.

Quando adulto, Francisco ingressou no exercito,


chegando a patente de cabo. Era bem falado por seus
amigos e detentor da confiança de seus empregadores.

Fonte:
http://oaprendizverde.com.br/2015/07/19
/reportagem-retro-maniaco-do-parque-a-
face-inocente-do-terror/
51

Dissimulação era algo inerente a Francisco. Ficou conhecido como maniaco do parque ao
conseguir, se passando por caça talentos, que mulheres o encontrasse no parque para fazer
fotos e conversar melhor. Elas eram estupradas e mortas.

O maníaco atacou 15 mulheres jovens, somente 6 sobreviveram e fizeram o retrato


falado do então suspeito. Com a ampla divulgação, por parte da mídia, do retrato falado,
Francisco fugiu para o sul do país, onde foi capturado e preso. Em entrevista coletiva o
maníaco do parque negou tudo e só veio a confessar seus crimes quando a policia encontrou
provas suficientes para incrimina-lo. Em sua defesa, Francisco alegou insanidade mental.

Foi a júri 3 vezes e a discussão basicamente girou em torno da real condição mental
do réu. Francisco foi enquadrado nos crimes de homicídio, estupro, atentado violento ao
pudor e ocultação de cadáveres, totalizando 271 anos de reclusão.

6.2 CasoTiago Henrique Gomes da Rocha - “o vigilante”

O serial killer brasileiro, Tiago Henrique Gomes da Rocha, 27 anos, vigilante de uma

Figura 10 - Tiago Henrique Gomes da Rocha


maternidade na cidade de Goiânia, ficou
conhecido por ter confessado inicialmente
o assassinato de 39 pessoas. Posteriormente
retificariae alegaria “apenas” 29.

Até a data de sua captura tinha


uma conduta livre de qualquer suspeita.
Era timido e ainda morava com a mãe.

Fonte: http://www.diariodeaparecida.com.br/home/14131-2/
No dia 2 de agosto de 2014, logo
após a estudante Ana Lidia Gomes, de 14 anos, ser baleada em um ponto de ônibus em
Goiânia, a moto de Tiago foi fotografada por estar em alta velocidade. Com essa foto foi
constatado que a placa da moto era roubada, mas isso por si só não implicava que Tiago era o
autor do crime.

Dois dias depois foi instaurado, pela policia civil, uma força operacional para
investigação do assassinato da adolescente e esta contava com 16 delegados, 10 escrivães e 30
investigadores. A partir da fotografia da moto de Tiago no dia do assassinato, a policia civil
52

encontrou mais de 45 mil multas do mesmo automóvel e uma denuncia de 2013 contra Tiago
por furto de uma placa de moto em um supermercado.

Essas pistas, juntamente com gravações de assaltos que Tiago praticou, conseguidos
pela policia, propiciaram a emissão de mandado de prisão. Dois meses depois, Tiago foi
encontrado e encaminhado a delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH) de
Goiânia. Lá, durante o interrogatório, confessou as ações criminosas.

Na casa do agente foram descobertos um revolver furtado da empresa em que


trabalhava e outros instrumentos que foram utilizados nas praticas dos crimes. A pericia, com
uma semana, já tinha constatado que os projeteis encontrados em 8 vitimas era da arma de
Tiago.

Quando capturado disse ter sido abusado quando criança por um vizinho, que teria
sofrido bullying no colégio e uma traição por parte da namorada. Disse que sentia um ódio
irracional por causas desses acontecimentos e que sua vontade de matar o acompanhava desde
os 17 anos de idades.

Tiago tinha preferências por mulheres, indigentes e homossexuais. Em geral,suas


vitimas eram escolhidas de forma aleatória e eram executadas a tiros. Algumas foram mortas
a facadas ou por estrangulamento.

Até o período de confecção desta monografia, Tiago já possuía 5 condenações e


respondia a 37 processos, sendo 35 deles por homicídio. Em abril de 2015, teve sua primeira
condenação por dois assaltos a uma mesma agência lotérica, culminada em doze anos e quatro
meses de prisão em regime fechado (cabendo recurso da decisão).

Em 16 de fevereiro de 2016, foi a júri popular no 1º Tribunal do Júri de Goiânia, e


foi condenado a vinte anos de
prisão pelo Figura 11 - Tiago Henrique Gomes da Rocha

assassinato,ocorrido em
dezembro de 2013, da
estudante Ana Karla Lemes da
Silva.

Em 2 de março de
março foi novamente a júri

Fonte: http://g1.globo.com/goias/noticia/2016/05/veja-condenacoes-do-
vigilante-apontado-como-serial-killer-em-goias.html
53

popular no 1º Tribunal do Júri de Goiânia, e recebeu a pena de vinte anos de prisão pelo
assassinato da auxiliar administrativa Juliana NeubiaDias, ocorrido em julho de 2014.

A quarta condenação ocorreu no dia 17 de março de 2016: 20 anos de reclusão pelo


homicídio de Arlete dos Anjos Carvalho. A última condenação de Tiago foi pelo assassinato
da estudante Ana Rita de Lima, de 17 anos, ocorrida em dezembro de 2013: 20 anos de
reclusão.

6.3 CasoAdriano da Silva– “O maníaco de Passo Fundo”

Adriano da Silva, condenado a 27 anos de prisão pelo roubo seguido de morte –


latrocínio- e ocultação de cadáver de um taxista, fugiu no ano de 2001, seis meses após sua
condenação, da penitenciaria do Paraná.Viveu, sob nomes falsos e pequenos bicos no Rio
Grande Sul. Foi acusado e condenado porassassinar 12 meninos com idades entre 8 e 14 anos,
entre os anos de 2002 a 2003.

Foi capturado em janeiro de 2004 na cidade de Maximiliano de Almeida, na divisa


do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Em juízo, Adriano da Silva não demonstrou
nenhum tipo de emoção e confessou oito dos doze homicídios que lhe foram imputados.
Detalhou seu modus operandi: enganava os meninos com a promessa de pequenas quantias de
dinheiro, conduzia-os a lugares remotos e lá os matava por asfixia para só então estuprá-los.

Disse ainda sobre a morte dos garotos que para ele se tratava de "uma vontade
íntima, de um vício" e que sentia prazer ao fazê-lo. Afirmou também que "uma outra pessoa
tomava conta" de seu corpoao tempo dos assassinatos. Conforme sua confissão, "uma
bobeira" o impedira de evitar as mortes, ainda que tivesse conhecimento do ilícito.

Éderson Leite, de 12 anos, saiu no dia 16 de agosto de 2002 para vender rifas da
escolinha de futebol e nunca mais voltou. Três semanas depois seu corpo foi encontrado no
interior de Lagoa Vermelha. Para policia, Adriano confessou ter enganado a criança com a
promessa de compra de uma das rifas e conduziu-o a um lugar remoto onde o matou por
asfixia. Em março de 2003 matou e estuprou Alessandro Silveira de 13 anos na cidade de
Passo Fundo. Sua ossada só foi descoberta seis meses depois.

Em abril de 2003 atraiu Douglas de Oliveira Hass de 10 anos para um moinho


abandonado e o matou por asfixia mecânica. Ocultou seu corpo com cimento em uma
54

churrasqueira que fazia como pedreiro. A ossada da criança só foi descoberta com a confissão
de Adriano.

Em 09 de julho de 2003, também em Passo Fundo, outro garoto foi violentado e


morto: Volnei Siqueira dos Santos, 12 anos. Primeiro Adriano confessou o crime, depois
alegou ter cometido somente o estupro. Sêmen de Adriano foi encontrado nas roupas da
criança e seu corpo foi encontrado no matagal 5 dias depois.

Ainda assassinou em 14 de setembro de 2003 o índio Júnior Reis Loureiro de 10


anos; em 29 de setembro de 2003, Jéferson Borges Silveira de 11 anos; em 02 de outubro de
2003, Luciano Rodrigues de 9 anos; no dia 31 do mesmo mês, Leonardo Dornelles dos
Santos, de 8 anos; e Daniel Bernardi Lourenço, de 14 anos no dia03 de janeiro de 2004

Pelo assassinato de Éderson Leite foi condenado a 22 anos de reclusão por homicídio
triplamente qualificado, ocultação de cadáver e furto em novembro de 2008.

Pelo assassinato do engraxate Alessandro Silveira, foi condenado em 2006 a 29 anos,


3 meses e 20 dias por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Pela morte de Douglas de Oliveira Hass foi condenado no dia 18 de junho de 2008 a
21 anos e cinco meses por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Em 15 de agosto de 2007, Adriano foi condenado a 32 anos, 2 meses e 15 dias pelo


homicídio do menino Volnei Siqueira dos Santos, de 12 anos, por atentado violento ao pudor
e ocultação de cadáver; A defesa, em 2010, pediu a anulação do julgamento e foi deferido.
Em 11 de outubro de 2011, deu-se um novo julgamento e foi mantida a sentença anterior.

Em setembro de 2006, Adriano foi condenado, pelo homicídio duplamente


qualificado do índio Júnior Reis Loureiro,à 21 anos e 8 meses; Em 2006, à pena de 37 anos,
por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver de Luciano Rodrigues; Em 17
de dezembro do mesmo ano a 21 anos, 10 meses e 20 dias de prisão pelo assassinato de
Leonardo Dornelles dos Santos; E em 25 de outubro de 2007, à pena de 24 anos de prisão por
homicídio triplamente qualificado do adolescente Daniel Bernardi Lourenço

Nenhum júri a que foi submetido considerou assassino como semi-imputável.


Adriano cumpre pena na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas em regime fechado.
55

Figura 12 - Adriano da Silva e suas vitimas

Fonte: http://pasdemasque.blogspot.com.br/2011/10/adriano-da-silva-o-monstro-de-passo.html

6.4 CasoPedro Rodrigues Filho – “Pedrinho matador”

Logo aos 13 anos tentou matar seu primo empurrando-o para uma moedora de cana,
após uma briga. Com 14 anos matou o vice-prefeito de Santa Rita do Sapucaí, interior de
Figura 13 - Pedro Rodrigues Filho
Minas Gerais, com dois tiros de espingarda, por
culpar seu pai de furtar merenda escolar do colégio
em que trabalhava. Em seguida matou o vigilante
que pressupunha-se que era o real ladrão da merenda.
Acabou fugindo para Mogi das Cruzes em São
Paulo.

Lá casou-se com a viúva de um dos chefes


do trafico. Essa mulher engravidou e pouco tempo
depois foi assassinada por traficantes rivais. Em
represália, Pedrinho juntamente com mais 4 pessoas,
invadiu o casamento do rival Deu cabo de 7 pessoas
e deixou 16 feridas.
Fonte: http://alchetron.com/Pedro-
Rodrigues-Filho-539826-W
Com 18 anos foi capturado e preso. Dentro
da prisão matou 47 pessoas, incluindo o próprio pai, que estava detido no mesmo presídio de
Pedrinho por ter assassinado sua mãe a golpes de facão. Pedrinho matou o pai a facadas,
tirou-lhe o coração mastigou e cuspiu.
56

A maioria de sua vitimas eram agressores de mulheres e estupradores, pois segundo


Pedrinho “crianças e mulheres são coisas sagradas”.Além disso, ele só tirava a vida daqueles
que julgava serem pessoas ruins.

Foi condenado pelo assassinato de 71 pessoas, ainda que afirmasse ter matado mais
de 100, entre 1970 e 1980. Em abril de 2007 foi solto após ter cumprido a pena de 30 anos de
prisão (limite de pena que a legislação brasileira permite) e preso novamente em 2011 por
atuação em 6rebeliões e cárcere privado de um agente penitenciário no decurso de uma das
rebeliões. Poderá ser solto em 2019, caso não venha a cometer outro delito.

Conclusão

O serial killer é reconhecido por ser um tipo de psicopata. De acordo com a


Organização Mundial de Saúde (OMS), aquele é detentor de um transtorno de personalidade
antissocial, ou seja, o serial killer tem a capacidade de reconhecer o imoral dentro das normas
sociais e o ilícito dentro das normas legais; porém, devido ao seu transtorno, é incapaz de
refrear suas condutas embasadas em desejos próprios.
São caracterizados como indivíduos manipuladores, frios, calculistas e desprovidos
de sentimentos de remorso, culpa ou empatia para com o outro.
Dentro dessa perspectiva, teoricamente, o sistema jurídico brasileiro reconhece o
serial killer como individuo semi-imputável, ou seja, devido ao transtorno de personalidade
que esse tipo de psicopata detém, ele não responde de forma integral pelo ilícito de seus atos.
No Brasil, pelo menos 4% da população é psicopata, assim como 20% da população
carcerária deste também é. Dentro dessa estatística quase 87% são serial killers.
Mediante esses dados é possível vislumbrar a problemática que envolve esses
psicopatas. Devido as características destes é possível observar que há uma desconexão do
sistema penal com o julgamento e punição dos serial killers, uma vez que é desprovido de
pessoal capacitado, tecnologia, leis etratamentos destinados especificamente a eles.

A falta de pessoas capacitadas e tecnologias impossibilitam a elaboração eficaz de


um perfil criminal que poderia, por exemplo, depreender a relação entre homicídios em serie,
57

assim como reconhecer as particularidades da personalidade do agente mediante as peças


integrantes da cena do crime, e que poderia assim, ajudar no reconhecimento e captura mais
rápidas dos agentes em questão.

A titulo de comparação, até o ano 2001, o Centro Nacionalde Análise de Crimes


Violentos (NCAVC), órgão do FBI, era o único nomundo a dispor de um programa de
computador, batizado dePrograma de Análise InvestigativaCriminal (VICAP),a operar como
um banco de dadoscriminal, reunindo e correlacionando entre si todos os assassinatos
nãosolucionados do país.

O VICAP custou milhões de dólares aos cofres públicos americanos e quase 30 anos
para consubstancializar-se. Em seu livro, Casoy explica que

Quando surge um novo caso, o computador central do


VICAP produzuma listagem de mais de cem assassinatos em que o
criminoso teve o mesmomodus operandi. Em um segundo passo, o
programa seleciona os dezhomicídios mais parecidos com o novo.
Com esta listagem em mãos, umperito faz uma profunda análise e
avisa a polícia local no caso de o maníacopoder ser o mesmo.
Exemplo: em junho de 1989, a dona-de-casa Joan Heaton, 39 anos,
esuas filhas Jennifer, 10, e Melissa, 8, foram encontradas mortas a
facadas emsua casa, em Warwick, Rhode Island. A polícia local
relacionou o crime aoutro assassinato, ocorrido dois anos antes, o da
dona-de-casa RebeccaSpencer, 27, que morava perto da família
Heaton. O agente do FBI GreggMcCrary foi chamado para traçar o
perfil do suspeito: o assassino seriajovem, negro, viveria no mesmo
bairro das vítimas, com um históricofamiliar de pai fraco ou ausente,
influência feminina dominante e uma fichapolicial de voyeurismo.No
mesmo dia, a polícia prendeu Craig Price, 15 anos, que se
encaixavaem todos os aspectos levantados pelo agente. O adolescente
acabouconfessando os quatro crimes.
Em 2001, o governo do Canadá custeou US$30.000.000,00 para a criação de um
software nomeado de “PowerCase” que seria uma versão aprimorada do VICAP. O custo
anual do PowerCase gira em torno de US$ 6.000.000,00 e auxiliaria até mesmo o FBI com a
atualização de suas listas.

Enquanto os Estados Unidos detém tecnologia desde 1985 para estudo e apreensão
dos serial killers, o Brasil ainda não possui nem denominação ou legislação própria para eles.
58

É notório que o país necessita da criação delegislação voltada para os assassinos em


serie, uma vez quesomente assim estará apta para conceber e aplicar penas eficazes nesse
universo tão pouco explorado.

E uma vez criadas legislação e penas especificas para os serial killers, seria
recomendável que prisões/estabelecimentos fossem construídas para abrigá-los. Não prisões
comuns, mas algo voltado para estudá-los e entende-los, procurando assim a solução mais
viável para o regresso e inserção segura dos serial killers na sociedade.
59

Referencia Bibliográfica

ALVAREZ, Fernando Valentim. A imputabilidade dos serial killers. Presidente Prudente,


2004. Monografia (Graduação) - Faculdades Integradas Antônio Eufrásio de Toledo, 2004.

BALLONE, Geraldo José. Alterações da Personalidade. São Paulo, Disponível


em:<http://www.psiqweb.med.br/>. Acesso em 5 de ago. de 2016.]

BRASIL. Constituição (1998). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília:


DF, Senado, 1988.
CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. 14 ed. São Paulo: Saraiva. V 1.

CARDOSO, Danilo Almeida. Medidas de segurança: ressocialização e dignidade da


pessoa humana. Curitiba: Editora Juruá, 2012. p. 34 e 35.

CASOY, Ilana. Serial Killer, louco ou cruel? 2 ed.; São Paulo: WVC, 2004.

________. E agora? Disponível em < http://www.serialkiller.com.br/cur_eagora.html>.


Acesso em 10 de jun. de 2016.

________. Serial Killer. Disponível em < http://serialkiller.com.br/>. Acesso em 27 de jul. de


2016.

CID-10. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10:


descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.

CLECKLEY, Hervey. The mask of sanity: an attempt to clarify some issues about the so-
called psychopathic personality. 3. ed. St Louis: The C.V. Mosby Company, 1955.

FERREIRA, Rosana Helena. Serial killers: uma análise da investigação criminal brasileira.
Porto Alegre: Correia, 2015.

FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina legal. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
GARCIA, José Alves. Psicopatologia forense. 2. ed., refundida e atual. Rio de
Janeiro:IrmãosPongetti, 1958.
60

GRECO, Rogério. Vademecum penal e processual penal. 2 ed. Niterói: Impetus, 2011.

HARE, Robert D. Without conscience: the disturbing world of psychopaths. Nova Iorque:
Pocket books, 1995.

HARE, Robert. Psicopatia, Teoria e Pesquisa. 1ed.; Rio de Janeiro: Livros Científicos
Editora S.A.,1973.

JORNAL DA GLOBO. Caso maníaco do parque. [Filme-vídeo]. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=32DPkCGmxkI>. Acesso em: 07 jun. 2016.

Lykken, D. T. (1957). A study of anxiety in the psychopathic personality, 55, 6-10.

Lykken, D. T. (1995). The antisocial personalities. Hillsdale: Lawrence Elrbaum.

MORANA, Hilda Clotilde Penteado. Identificação do ponto de corte para a escala PCL-R
(Psychopathy Checklist Revised) em população forense brasileira: caracterização de dois
subtipos de personalidade; transtono global e parcial. 2003. Tese (Doutorado em Psiquiatria)
— Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo: São Paulo, 2004. Disponível em:<
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-14022004-211709/>. Acesso em: 17 jun.
2016.

MORANA, Hilda Clotilde Penteado; STONE, Michael H; ABDALLA-FILHO,


Elias.Transtornos de personalidade, psicopatia e serial killers. vol. 28, Rev. Bras.
Psiquiatria:São Paulo, 2006. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1516-
44462006000600005>. Acesso em: 01 ago. 2016.

NEWTON, Michael. A enciclopédia de serial killers: um estudo de um deprimente


fenômeno criminoso, de “anjos da morte” ao matador do “zodíaco”. São Paulo: Madras, 2005.

NUNES, Marco Aurélio. Matador de meninos é condenado. Ministério público, Rio Grande
do Sul, 16 ago. 2006. Disponível
em:<http://www.mprs.mp.br/criminal/noticias/id8794.htm?impressao=1>. Acesso em: 29 de
jul. 2016.

Organização Mundial de Saúde. Classificação de transtornos mentais e de comportamento


da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.
61

PRADO, Luiz Regis Prado. Curso de Direito Penal Brasileiro. 5 ed., São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2005, p. 567. v.1.

RABELO, Antônio Bastos. Tiago Henrique é condenado à 20 anos por assassinato. Gazeta
do Estado, Goiás, 30 mar. 2016. Disponível em: <http://gazetadoestado.com.br/tiago-
henrique-e-condenado-a-20-anos-por-assassinato-de-adolescente/>. Acesso em: 02 de ago de
2016.

RAMOS, KetrynUmbelina Dias; RENOFIO, Fernando Rafael Zilio. Teoria dos fatores
determinantes na conduta delituoso do serial.Revista Facisa online, Mato Grosso, 01 jan.
2012. Disponível em:
<http://periodicos.faculdadecathedral.edu.br/revistafacisa/article/view/5/5>. Acesso em 01
ago. 2016.

REVISTA VEJA. 5 de ago. 1998. Disponível em:


<http://oaprendizverde.com.br/2015/07/19/reportagem-retro-maniaco-do-parque-a-face-
inocente-do-terror/>. Acesso em: 9 de ago. de 2016

SCHNEIDER, Kurt. Las Personalidades Psicopáticas. 7. ed., Madrid: Morata, 1974.


SCHULTZ, Duane P; SCHULTZ, Sydney Ellen. Teoria da personalidade. Tradução de
AllTasks. 2. ed. SP: Cengage Learning, 2011

SILVA, Fabiana Luiza. Serial Killer: Uma Análise Criminológica do Sujeito Ativo Do
Crime. Trabalhos feitos, Santo AndréDisponível em: <
http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Serial-Killer-An%C3%A1lise-
Criminol%C3%B3gica-Do-Sujeito/377756.html>. Acesso em: 30 de jul. 2016

SILVA, Melissa Pelissari da. Serial Killer: um psicopata condenado à custodia perpetua.
Monografia (graduação). Faculdades Integradas “Antônio Eufrásio de Toledo”, Faculdade de
Direito de Presidente Prudente, 2004. Disponível em:
<http://intertemas.toledoprudente.edu.br/revista/index.php/Juridica/article/view/323/313>
Acesso em: 22 de Jul. 2016.

SOARES, Ana Lis. Serial killers: conheça 15 assassinos mundiais terríveis, Terra, São
Paulo,08 out. 2014. Disponível em: <https://noticias.terra.com.br/mundo/serial-killers-
conheca-15-assassinos-mundiais
terriveis,6beb39fa1d7e8410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html>. Acesso em: 22 de Jul.
2016.
62

SOUZA, Luma Gomides de. Serial Killer: discussão sobre a imputabilidade. São Paulo:
Editora Baraúna, 2010. p. 139,140,141 e 142

VELLASQUES, Camila Tersariol. O perfil criminal dos seriais killers. Presidente Prudente,
2008. Monografia (graduação). Faculdades Integradas “Antônio Eufrásio de Toledo”,
Faculdade de Direito de Presidente Prudente, 2008.

WAGNER, Dalila. Psicopatas Homicidas e sua Punibilidade no Atual Sistema Penal


Brasileiro. Universo Jurídico, Juiz de Fora, ano XI, 30 de out. de 2008. Disponível em: <
http://uj.novaprolink.com.br/doutrina/5918/Psicopatas_Homicidas_e_sua_Punibilidade_no_A
tual_Sistema_Penal_Brasileiro >. Acesso em: 19 de ago. de 2016.