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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


CURSO DE GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA

Disciplina – Introdução à Filosofia: Filosofia das Ciências Sociais


Professor – Eduardo Soares Neves Silva
Estagiário Docente – Henrique Lisboa

ESTUDO DIRIGIDO II Data-limite para entrega: 05/07/2018

Discente(s) _____________________________________________________________________
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Entre outros objetivos, a sociologia compreensiva de Weber busca responder aos dilemas
epistemológicos e metodológicos enfrentados na ciência histórico-social de sua época,
particularmente no que se refere a dois conjuntos de problemas: i) aquele relativo à
controvérsia acerca do sentido da categoria de valor e sua relação com a categoria de
objetividade; e ii) aquele que parte da oposição entre os métodos nomológico e idiográfico,
ou seja, entre um método voltado às leis gerais e um voltado às singularidades não-
recorrentes. Demonstre o entrelaçamento desses conjuntos de problemas na resposta
dada por Weber, a partir do exame dos passos argumentativos indicados nas passagens
abaixo:

[...] o caráter de fenômeno “socioeconômico” de um processo não é algo que lhe seja
“objetivamente” inerente. Pelo contrário, ele está condicionado pela orientação do nosso interesse
de conhecimento e essa orientação define-se em conformidade com o significado cultural que
atribuímos ao evento em questão, em cada caso particular.
Weber, “A objetividade do conhecimento na ciência social e na ciência política”, p.118

O domínio do trabalho científico não tem por base as conexões objetivas entre as “coisas”, mas as
conexões conceituais entre os problemas.
Ibid., p.121
Não existe nenhuma análise científica totalmente “objetivada” da vida cultural, ou [...] dos
“fenômenos sociais”, que seja independente de determinadas perspectivas especiais e parciais,
graças às quais estas manifestações possam ser [...] selecionadas, analisadas e organizadas na
exposição, enquanto objeto de pesquisa.
Ibid., p.124

[...] seria muito útil, e quase indispensável, a existência de conceitos claros e o conhecimento destas
“leis” (hipotéticas), como meios heurísticos – mas somente como tais. [...] A realidade empírica é
“cultura” para nós porque e na medida em que a relacionamos com ideias de valor.
Ibid., p.127
O problema inicial que Weber precisa esclarecer ao propor como deve ser a ciência
histórico-social é a questão epistemológica que vinha se debatendo desde então: seria
possível aplicar a objetividade nas ciências sociais? Elas poderiam ser tratadas como as
ciências naturais? E sua resposta, diferente de Comte com seu “sim” e de Dilthey com seu
“não”, foi algo como “até certo ponto”. E o segundo problema, o qual também vinha sendo
debatido, era quanto ao método dessa ciência: seria possível basear-se em leis gerais ou se
faria necessário um estudo das singularidades não recorrentes? A esse problema sua
resposta seria, de certa forma, “é preciso ambos”. Desenvolveremos melhor as duas
questões.
Quanto à objetividade (ou, ao menos, à neutralidade), Weber acreditava que esse conceito
deveria ser o objetivo do pesquisador da área. Até certo ponto, ela seria possível devido à
utilização do método por ele proposto, que permitiria certo afastamento. Apesar disso, ele via
que isso não era uma realidade possível na íntegra, uma vez que entendia que a própria
questão do valor atribuído aos objetos de estudo transporia esse limite. Isso, pois a
determinação do que tem valor em um tempo-histórico específico para determinar-se o que
ser estudado é, por si só, uma escolha que depende do sistema de crenças específico; esse
estudo necessariamente diz respeito a esse sistema e ao contexto em que está inserido. Ou
seja, aquilo que é relevante para uma sociedade faz com que um estudo seja feito em
detrimento de outro, o que já contradiz a ideia de objetividade ou de neutralidade. Por isso,
para Weber, diferentemente do conceito positivista, as leis não seriam invariantes no tempo e
no espaço, e sim válidas exclusivamente para certo tempo-histórico. A própria ciência só faria
sentido no contexto em que está inserida.

Além disso, ele considerava relevante o fato de que os indivíduos estão ligados uns aos outros
e esse fato não poderia ser desconsiderado ao estudar-se as chamadas ciências do espírito: é
preciso empatia para compreender o outro; não se pode tratar um grupo de seres humanos da
mesma maneira que se trata um conjunto de átomos. O modo como o pesquisador da área
relaciona-se com o objeto muda a pesquisa, enquanto isso não se daria, por exemplo, numa
pesquisa na área da química.

Weber afirma também que “O domínio do trabalho científico não tem por base as conexões
‘objetivas’ entre as ‘coisas’, mas as conexões conceituais entre os problemas”. Com isso ele
expressa que o papel das ciências sociais não é encontrar um sentido para as coisas, mas sim
para as relações entre elas; o problema não seria descobrir um fato; seria, sim, interpretá-lo e
relacioná-lo com outros, entender o sentido, compreender o significado dos números.

Posto tudo isso, Weber chega à outra questão: o que fazer para estudar uma ciência tal qual
por ele descrita? Qual método utilizar?. Weber entende também que seria possível, sim,
determinar leis para o que é sempre igual num contexto, para a regularidade, mas que seria
preciso, ainda, compreender aquilo que difere, as irregularidades. Mas como fazer isso? Para
responder a esses questionamentos, ele propõe o método típico ideal.

Ao invés de tomar partido numa polaridade entre o método nomológico e o idiográfico, Weber
propõe o estabelecimento de uma lei como ponto de partida, que deveria ser completada por
uma análise que permitisse entender a causa e a natureza dela e por uma determinação de
como se deram até então os agrupamentos quanto à questão estudada. Assim, ele de certa
forma une os dois métodos (o nomológico e o idiográfico), de forma a partir do geral para
contrastá-lo com o singular. Ele entendia que os indivíduos eram maiores do que as leis, que
estas não determinavam o todo daqueles; a realidade é mais complexa do que a regra geral e
o objetivo seria compreender os casos específicos. Explicar o geral primeiro, de modo a
compreender o específico.

Assim, ele propõe os agrupamentos de tipos-ideais, os quais determinariam os principais


valores pelos quais as individualidades históricas se guiam em determinado tempo-histórico.
Esses agrupamentos seriam logicamente distintos, caracterizações gerais não ambíguas. Esses
agrupamentos seriam exagerados, hiperbólicos, quase caricaturais; eles seriam determinados
por meio de uma acentuação de determinados traços; dessa forma, eles não representariam a
realidade como ela é, mas serviriam como referencial para agrupar aspectos semelhantes,
permitindo mensurar o real. Todos os tipos ideais se encontrariam englobados pela lei.

Os tipos ideais, portanto, se oporiam ao real: os primeiros seriam simples, enquanto a


segunda, complexa. Diferentemente das propostas que existiam até então, ele não buscava a
soma dos indivíduos nem uma lei geral; de certa forma a proposição dos tipos ideais era uma
espécie de meio termo.

Concluímos, portanto, que a posição de Weber quebrava com as dualidades tanto


epistemológica quanto metodológica do fazer das ciências sociais.