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ESTUDO DO PROCESSAMENTO TÉRMICO DE RESÍDUOS

LIGNOCELULÓSICOS PROVENIENTES DA INDÚSTRIA DO


DENDÊ (Elaeis guineenses Jacq.)

R. H. H. PINTO1, R.M.C. CORDEIRO2, L.F. FRANÇA3, J. F. A. COSTA4, A. P. S. E. SILVA3


1
UFPA - Faculdade de Engenharia de Alimentos
2
Universidade Federal do Pará, Instituto Tecnológico, Departamento de Engenharia Química
3
UFPA
4
UFPA - Instituto de Tecnologia
E-mail para contato: rafael_holanda90@hotmail.com

RESUMO – A pirólise convencional da biomassa é caracterizada pela decomposição


térmica de matérias-primas vegetais, na ausência ou presença de gás oxigênio, em
quantidade controlada. O carvão vegetal, obtido na pirólise, pode ser aplicado no
processamento de ferro-gusa, no refino do açúcar, na adubação e na gaseificação. Neste
trabalho avaliou-se o rendimento da produção de carvão vegetal oriundo de matérias-
primas lignocelulósicas residuais do processamento industrial do dendê, através da
pirólise em diferentes temperaturas no decorrer do tempo.Para o estudo da pirólise as
matérias-primas foram previamente secadas à 60ºC por 20 horas. Após este período o
cacho foi moído e subsequente a esta etapa as matérias-primas foram submetidas à
pirólise nas temperaturas de 400 e 450ºC, onde a cada 30 minutos do processo as
amostras foram resfriadas até temperatura ambiente para a determinação da massa
residual. Os resultados mostram que a perda de massa foi mais acentuada no cacho em
relação a torta. O tempo total estimado para a pirólise do cacho foi de 2,5 horas
enquanto que para a torta foi de 3 horas. O cacho é a matéria-prima que melhor pode
ser utilizada neste processo em virtude da menor massa residual formada em menor
tempo e temperatura.

1. INTRODUÇÃO
A pirólise convencional ou carbonização da biomassa é caracterizada pela decomposição
térmica de matrizes vegetais, na ausência ou presença em quantidade controlada de oxigênio que
impossibilite o processo de gaseificação. Três são os produtos provenientes da pirólise da biomassa:
carvão vegetal, gases não condensáveis e fração líquida, dividida em parte aquosa e outra oleosa, a
qual é designada de licor pirolenhoso. O processo de pirólise ocorre em geral na faixa de temperatura
de 300 a 500ºC, promovendo alterações na constituição das matérias-primas visando elevar o teor de
carbono na massa resultante do processo (Kimura, 2009; Carneiro et al., 2013).
O carvão vegetal, produto sólido da pirólise da biomassa, apresenta vantagens em relação ao
coque mineral, visto o baixo teor de cinzas, minimizando a redução do seu poder calorífico e
posterior desgaste de fornos de modo a proporcionar a otimização no processamento de ferro-gusa. O
carvão também pode ser aplicado no refino do açúcar, ser utilizado como meio absorvente, na
adubação e como matéria-prima no processo de gaseificação, levando a produção de gás de síntese
com baixo teor de alcatrão (Pelaez- Samaniego, 2007; Carneiro et al., 2013).

A biomassa é pirolisada em quatro etapas: na primeira etapa, em temperatura abaixo de 200ºC


ocorre a desidratação da matéria-prima. A segunda etapa ocorre entre 200 e 280ºC predominando a
fase endotérmica com liberação de ácido acético, metanol, água e dióxido de carbono. A terceira
etapa com faixa de temperatura entre 280º e 350ºC corresponde a emissão dos grupos voláteis. Na
quarta e última etapa, entre 350 e 500ºC, reações exotérmicas ocorrem de maneira predominante com
formação de alcatrões e gases combustíveis (Conde, 2006).

A torta de dendê (Elaeis guineensis Jacq.) é caracterizada como o produto resultante da polpa
seca do dendê oriunda da extração do seu óleo. Esta biomassa, assim como o cacho de dendê,
apresenta-se como meio de refugo para geração de energia em caldeiras, no processamento de
biocombustíveis e alimentação de ruminantes. Em alguns casos esta biomassa é simplesmente
descartada sem qualquer tratamento gerando um passivo ambiental. Em virtude da elevada produção
de óleo de dendê no estado do Pará, maior produtor brasileiro, tem–se a necessidade do
reaproveitamento dos resíduos gerados a fim de agregar valor aos produtos residuais da cadeia
produtiva do dendê (Brasil,2009; Radomski, 2009; Ramalho Filho, 2009).

O objetivo do trabalho é avaliar o rendimento da produção de carvão vegetal a partir de


matérias-primas lignocelulósicas residuais oriundas do processamento agroindustrial de óleo de
dendê, através da pirólise sob condições rudimentares em diferentes temperaturas no decorrer do
tempo.

2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1. Matéria-prima
Os cachos e torta de dendê utilizados no estudo foram gentilmente cedidos pela empresa
Biopalma da Amazônia, vinculada ao grupo Vale, localizada no município de Moju, estado do Pará.
As análises físico-químicas e o processo de pirólise foram realizados no Laboratório de Operações de
Separação da Universidade Federal do Pará.

Quinze quilogramas de cacho e torta respectivamente foram recepcionados e posteriormente


secados em estufa de circulação de ar forçado à temperatura de 60ºC pelo período de 20 horas. Após
a secagem, o cacho foi submetido à moagem em moinho de martelo e posterior armazenamento em
sacas à temperatura ambiente. A torta não sofreu moagem, logo depois de seca, foi armazenada de
maneira semelhante ao cacho triturado.
Foram realizadas análises físico-químicas para determinação da umidade (AOAC – 926.12) e
cinzas (ASTM D-3174) do material in natura e umidade e lipídios (AOAC Ba 3-38) para o material
seco.

2.2 Pirólise
Os cadinhos e tampas de cerâmica foram previamente preparados em mufla à temperatura de
500ºC durante 1 hora. Após este tempo, os cadinhos foram colocados em dessecador para
resfriamento até temperatura ambiente. Passada esta etapa, 5 g de cacho e 5g de torta foram pesadas
nos cadinhos e depois de tampados, ambos os materiais foram levados a mufla. A pirólise foi
realizada nas temperaturas de 400 e 450ºC onde cada temperatura foi mantida até peso constante das
amostras. A taxa de aquecimento foi de 15ºC/ min. A cada 30 minutos, as amostras foram retiradas
para resfriamento e posterior pesagem para a formação da curva de pirólise (% de massa residual
versus tempo). Ressalta-se que a cinética de pirólise foi executada em triplicata.

O percentual de massa residual (%mr) foi calculado multiplicando-se a massa residual final
(mrf) por 100 e este resultado dividiu-se pela massa inicial da amostra (mi) como mostrado na
Equação 1. O tempo total do processo de pirólise foi de 3 horas para cada temperatura.

%mr = x 100 (1)

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Caracterização Físico-química das Matérias-primas


Os resultados da caracterização físico-química referentes ao cacho e torta (ambos in natura e
secos) são mostrados na Tabela 1.

Ao analisar o teor lipídico do cacho, é possível identificar que o mesmo apresenta


maior percentual de gordura em relação à torta. Do ponto de vista tecnológico, este fato se deve ao
processamento dos frutos de dendê durante tratamento térmico. Ao ser inserido na autoclave, os
cachos com frutos são submetidos à esterilização. Com a submissão à elevada temperatura, os frutos
são amolecidos favorecendo o debulhamento, contudo uma parte do óleo presente nos frutos acaba
migrando para o cacho.
Tabela 1 – Análises físico-químicas do cacho e torta

Análises Cacho In natura Cacho seco Torta In natura Torta seca


Umidade (%) 43,08 ± 1,21 9,66 ± 0,51 59,27 ± 0,30 4,10 ± 0,57
Cinzas (%) 2,85 ± 0,22 - 2,39 ± 0,71 -
Lipídios (%) - 6,68 ± 1,02 - 4,05 ± 1,23

3.2 Pirólise da Biomassa


Os valores referentes ao percentual de massa residual em função do tempo para a temperatura
de 400ºC das amostras de cacho e torta são mostrados na figura 1 e tabela 2. Os resultados indicam
que a perda de massa foi mais acentuada no cacho quando comparado a torta. Nos 30 minutos
iniciais, a massa residual do cacho foi de aproximadamente 30%, enquanto que a massa residual da
torta para o mesmo tempo foi de 42,51% A diferença percentual entre as matérias-primas foi menor
que 10% a partir de 120 minutos, quando o percentual de massa residual do cacho foi 8,7%, inferior
ao da torta. O cacho apresentou massa residual constante a partir de 150 minutos, enquanto que para
a massa da torta carbonizada, o mesmo somente ocorreu com 180 minutos de processo.

Figura 1 – Curva de perda de massa à temperatura de 400ºC


Tabela 2. Percentual de massa residual das matérias-primas à temperatura de 400ºC.

% MR
Tempo (min) Cacho Torta
0 100,00 100,00
30 29,87 ± 0,10 42,51 ± 0,10
60 22,36 ± 0,07 33,66 ± 0,13
90 15,90 ± 0,07 26,27 ± 0,20
120 11,38 ± 0,07 20,07 ± 0,26
150 7,52 ± 0,05 13,73 ± 0,23
180 7,05 ± 0,03 11,35 ± 0,21

Na Figura 2 e tabela 3 é possível visualizar o percentual de massa residual em função do tempo


sob condição de temperatura de 450ºC. O ensaio experimental mostrou novamente que o cacho
apresentou maior perda de massa em comparação a torta. Nos primeiros 30 minutos, foram obtidos
32,21% de carvão do cacho, enquanto que da torta o valor foi de 40,49%. Semelhante ao ocorrido no
ensaio à temperatura de 400ºC, no experimento à 450ºC a massa residual manteve-se constante em
150 minutos para o cacho e 180 minutos para a torta.

A diferença na porcentagem de carvão entre as matérias-primas no ensaio a 450ºC foi menor do


que no ocorrido a 400ºC. A diferença percentual de massa residual à 450ºC entre os materiais foi
menor que 5% somente a partir de 150 minutos quando o percentual de massa residual do cacho foi
3,68% inferior ao da torta.

Figura 2 – Curva de perda de massa à temperatura de 450ºC


Tabela 3. Percentual de massa residual das matérias-primas à temperatura de 450ºC.

% MR
Tempo (min) Cacho Torta
0 100,00 100,00
30 32,21 ± 0,02 40,49 ± 0,27
60 24,75 ± 0,04 31,35 ± 0,38
90 17,23 ± 0,08 23,06 ± 0,43
120 11,22 ± 0,07 17,03 ± 0,47
150 9,11 ± 0,04 12,79 ± 0,45
180 8,98 ± 0,04 10,54 ± 0,46

A perda de massa no cacho nas temperaturas de 400 e 450ºC foi semelhante ao apresentado por
(Oliveira et al., 2012) cujo trabalho mostrou massa residual de 30% para a torta de dendê sob
temperatura de 400ºC à taxa de aquecimento de 10ºC/ min. Os percentuais de massa residual
encontrado no cacho à 400 e 450ºC são inferiores ao apresentado por (Kimura, 2009) que analisou
palha de cana de açúcar e serragem, os quais apresentaram 35 e 35,43% respectivamente quando
submetidos a aquecimento até temperatura de 400ºC.

Os valores encontrados na torta foram semelhantes aos apresentados por (Oliveira et al., 2013)
que analisou resíduos da bananicultura cujos valores foram de 40% de massa residual no pseudocaule
à 400ºC.

Os resultados mostram que a perda de massa no cacho foi maior à temperatura de 400ºC. Esta
ocorrência pode ser explicada em virtude da não homogeneidade do tamanho das partículas
submetidas a pirólise. Aos 120 minutos de processo as massas residuais foram aproximadamente
iguais a 11% para ambas temperaturas.

A perda de massa na torta foi maior à temperatura de 450ºC. Entretanto esta perda não foi
discrepante mostrando que as curvas foram quase semelhantes. No tempo de 150 minutos, a
diferença percentual nas massas residuais foi inferior a 1%.

4. CONCLUSÃO
A avaliação do rendimento da produção de carvão no presente estudo mostra que a perda de
massa foi mais acentuada no cacho em comparação à torta. A perda de massa foi maior em
temperatura de 400ºC mostrando que o acréscimo da temperatura no tratamento do cacho durante o
processo de pirólise não permitiu aumento expressivo na degradação desta biomassa. Este fenômeno
é explicado em virtude da não homogeneidade da granulometria das fibras do cacho, visto que a
pirólise foi realizada sem distinção no tamanho de partícula. O carvão gerado pelo cacho foi
produzido em no máximo de 2,5 horas de pirólise, enquanto que o carvão proveniente da torta
somente em 3 horas do processo. Do ponto de vista econômico, o cacho pode ser melhor
reaproveitado em relação a torta em virtude de possibilitar maior perda de massa em menor tempo
exigindo menor temperatura para degradação dos componentes.

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