Sei sulla pagina 1di 1

Acordo, pela manh�, procurando o ma�o de cigarros em meio � bagun�a produzida pela

criatividade moment�nea que permeia as horas sem sono. Uma merda. Mando tudo �
merda, maltrato o est�mago com caf� gelado, um banho pra desconstruir as marcas do
sof� e trabalho. Dei agora pra ter ins�nia, por isso sempre acordo no sof� da sala,
DVD ligado e a tev� reproduzindo a repeti��o de sons do menu de algum filme
escolhido ao acaso, apenas pra servir de fundo para os pensamentos.

Voltei a roer as unhas. Ansiedade, fome ou talvez eu goste mesmo das pequenas
dores: localizadas, ardidas, cont�nuas. Preencher o sil�ncio da casa n�o � f�cil:
mesmo que pequena, suas paredes produzem ecos assustadoramente s�s. Como eu,
assustadoramente s�.

A rotina � essa. Quando n�o se dorme muito bem, nada parece funcionar direito. Um
completo e Kafkaniano fastio, tudo s�o nega��es. Nada de fome, nada de conversas
longas, nada de olhares profundos. At� o tes�o a gente perde. J� n�o lembro a
�ltima vez em que dividi a minha cama com algu�m.

Comecei um livro de Camus e nunca me senti t�o compreendido. Uma pena. A capa do
livro tem o seu cheiro e fico me perguntando que tipo de perfume � esse que voc�
usava, que n�o desgruda de mim, das roupas, dos len��is, das minhas gavetas. Dei
pra cheirar tudo o que pego nas m�os. At� minhas canetas, meu bloco de notas, meu
computador. Tudo reproduz o teu cheiro e, por mais que minhas lembran�as gostem, eu
n�o gosto de lembrar.

Voltei a fumar um ma�o por dia. Ansiedade, algo pra matar a fome ou talvez eu goste
dos pequenos-grandes v�cios: localizados, ardidos, cont�nuos. Preencher o sil�ncio
de dentro n�o � f�cil: mesmo que as minhas verdades pare�am desconexas, suas falsas
certezas produzem ecos assustadoramente s�s. Como eu, assustadoramente.

A rotina � essa. Duas horas de sono, em m�dia. Acordo supostamente descansado,


naquela posi��o inc�moda de sempre, com as marcas dos fios das almofadas no rosto
[fronhas escolhidas por voc�, creio]. Um complexo e Drummondiano caso de amor, tudo
s�o nega��es. Nada de jantares, nada de conversas longas, tampouco de olhares
apaixonados. At� o tes�o a gente perde. Mas bem lembro a �ltima vez em que dividi a
cama com voc�.

12/11/09