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CENTRO UNIVERSITÁRIO CENTRAL PAULISTA

ENGENHARIA CIVIL

MECÂNICA DOS SÓLIDOS II

NOTAS DE AULA
FLEXÃO SIMPLES NORMAL

ROBERTO L. A. BARBATO

SÃO CARLOS
2013

ROBERTO L.A.BARBATO FLEXÃO SIMPLES NORMAL


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FLEXÃO SIMPLES NORMAL. ESTUDO DAS TENSÕES.

1. INTRODUÇÃO

1.1. DEFINIÇÕES E HIPÓTESES

O estudo da flexão de barras prismáticas engloba a flexão composta, a flexão


simples, a flexão pura e a flexo-compressão ou flexo-tração.
A flexão é considerada composta quando na seção transversal da barra estão
presentes, simultaneamente, os esforços solicitantes momento fletor, força cortante e
força normal. A flexão é dita simples quando na seção transversal da barra ocorrem,
conjuntamente, os esforços solicitantes momento fletor e força cortante. A flexão é dita
pura quando na seção transversal da barra está presente apenas o momento fletor.
Quando na seção transversal da barra estão presentes o momento fletor e a força
normal, a flexão é chamada ou de flexo-compressão ou de flexo-tração, conforme a
força normal seja ou de compressão ou de tração.
A flexão pode ser ou normal (reta) ou oblíqua. A flexão é normal (reta) quando o
plano de ação do momento fletor contém um dos eixos centrais principais de inércia da
seção transversal da barra. Em caso contrário a flexão é considerada oblíqua.
Com relação ao material da barra, supõe-se que ele seja homogêneo e isótropo.
Um material é dito homogêneo quando possui as mesmas propriedades em todos os
seus pontos. É considerado isótropo o material que possui, em torno de seus pontos, as
mesmas propriedades em todas as direções.
Supõe-se também regime elástico-linear de tensões para o material da barra. É
equivalente dizer que se supõe a validade da lei de Hooke, dada por σ = Eε . A constante
de proporcionalidade E é chamada, como se sabe, de módulo de elasticidade do
material.
Admite-se também a hipótese cinemática da conservação das seções planas,
formulada por Bernoulii e escrita ε = k1y. De acordo com esta hipótese, as seções
transversais planas e ortogonais ao eixo da barra, antes da deformação, permanecem
planas após a deformação e ortogonais ao eixo deformado.
Admite-se ainda a distribuição linear das tensões ao longo da seção transversal.
Esta hipótese, proposta por Navier e escrita σ = k2y, decorre da lei de Hooke e da
hipótese cinemática de Bernoulli.

1.2. TENSÕES NORMAIS E DE CISALHAMENTO

Considere-se a barra prismática de secão transversal simétrica mostrada na figura


abaixo.
p (x)

eixo x C.G.
z

y

Sob flexão simples normal, em suas seções transversais manifestam-se tensões


cisalhamento  e tensões normais  .

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As tensões de cisalhamento, contidas no plano da seção transversal, têm como


resultante o esforço solicitante denominado força cortante. As tensões  , normais ao
plano da seção transversal, são de tração em uma parte da seção e de compressão na
outra parte. Estas tensões têm como resultante duas forças, uma de compressão, Fc, e
outra de tração, Ft, que dão origem ao esforço solicitante denominado momento fletor
(binário).
Por equilibrarem as ações aplicadas à viga, os esforços solicitantes também são
chamados de “ esforços equilibrantes “

2. DETERMINAÇÀO DAS TENSÕES NORMAIS.

Para determinar as tensões normais  , considere-se a viga representada abaixo.

p (x)

c Fc MF
eixo x C.G.
d
z

y t Ft

 MF =Ft .d = Fc.d

Tendo em vista que na flexão simples o esforço normal é igual a zero (N=0), figura
acima, tem-se

N = Fc + Ft =  σdA = 0 (2.1)
A

Como na flexão normal o plano de ação do momento fletor deve conter um dos
eixos centrais de inércia, admite-se, aqui, que o eixo contido seja o de simetria.
Assim, como mostra a figura acima, o momento fletor é dado por:

MF = Fc x d = Ft x d =  σydA (2.2)
A

As equações (2.1) e (2.2) nada revelam sobre a forma de distribuição das tensões
normais na seção transversal. Admitindo-se então que as tensões normais variem
linearmente com a ordenada y (hipótese de Navier), isto é,

σ = ay + b (2.3)

da equação (2.1) obtém-se

 σdA =  (ay + b)dA = a ydA +b dA = 0


A A A
(2.4)

Como o momento estático da seção transversal em relação a um eixo que passa


pelo seu C.G. é igual a zero, conclui-se que a primeira integral da equação (2.4) é nula. A
segunda integral é necessariamente diferente de zero, pois representa a área da seção
transversal da barra.

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Deste modo, tem-se b = 0 e da equação (2.3) resulta

σ = ay (2.5)

p (x)

c
MF
eixo x C.G.
z y

y t = ay

Esta última equação mostra que as tensões normais são nulas na linha que
contem o centro de gravidade da seção transversal. De fato, pontos situados sobre essa
linha têm y = 0 e portanto  = 0. Essa linha recebe, por isso, o nome de linha neutra da
seção transversal da barra. Assim, na flexão simples a linha neutra passa pelo C.G. da
seção transversal. Esta mesma equação mostra também que em pontos situados sobre
retas paralelas à linha neutra as tensões tem o mesmo valor.
Para determinar o coeficiente a combinam-se as equações (2.2) e (2.5). Tem-se
então

MF =  σydA =  (ay)ydA = a y2dA = aIz (2.6)


A A A

donde

MF MF
a= = (2.7)
 y dA
2
Iz
A

e portanto:

M 
σ = ay =  F  y (2.8)
 Iz 

Como na seção considerada o equilíbrio exige que o momento fletor MF seja igual
ao momento M das forças externas aplicadas, isto é, MF = M, tem-se:

M
σ =  y (2.9)
 Iz 

Nesta última expressão, a grandeza Iz representa o momento de inércia da seção


transversal em relação à linha neutra.

2.1. APLICAÇÕES NUMÉRICAS

Os problemas relacionados com as tensões normais  são, basicamente, de três


tipos.

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No primeiro tipo são conhecidos o momento fletor e a seção transversal da barra, e


devem-se determinar as tensões normais . No segundo tipo são conhecidas a seção
transversal da barra e as tensões admissíveis do material  e deve-se determinar o
momento fletor que pode solicitar a seção. No terceiro tipo conhecem-se o momento
fletor e as tensões admissíveis do material e procuram-se as dimensões da seção
transversal.
É importante saber-se que o equilíbrio da seção transversal exige que o
momento interno – o momento fletor – seja igual ao momento externo – o momento
das forças aplicadas.

APLICAÇÃO 1

Determinar as tensões máximas de tração (+) e de compressão (-) que surgem nas
seções transversais A, B e C da viga de aço representada na figura a seguir. Traçar os
diagramas das tensões normais .

Sendo Iz = 432cm4 e MA = 12 kNm, MB = 13,5 kNm e MC = 7,5kNm, têm-se

 1200
σ t = 432 x(+6) = +16,67kN / cm
2

Seção A 
σ = 1200 x(-6) = -16,67kN / cm2
 c 432

 1350
σ t = 432 x(+6) = +18,75kN / cm
2

Seção B 
σ = 1350 x(-6) = -18,75kN / cm2
 c 432

 750
σ t = 432 x(+6) = +10,42kN / cm
2

Seção C 
σ = 750 x(-6) = -10,42kN / cm2
 c 432

Os diagramas de tensões são os indicados na figura abaixo (kN/cm 2)

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Observe-se que sendo conhecido o diagrama de M pode-se ignorar o sinal


para identificar as tensões de tração e de compressão.

APLICAÇÃO 2

Determinar as tensões máximas que surgem nas seções A e B da viga abaixo


esquematizada. Traçar os diagramas de tensões.

Sendo Iz = 432cm4, MA= 18 kNm e MB = -15 kNm, têm-se:

 1800
σ t = 432 x6 = 25kN / cm
2

Seção A 
σ = 1800 x6 = 25kN / cm2
 c 432

 1500
σ t = 432 x6 = 20,83kN / cm
2

Seção B 
σ = 1500 x6 = 20,83kN / cm2
 c 432

Os diagramas de tensões são os indicados na figura abaixo (kN/cm2).

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APLICAÇÃO 3

Para a viga representada na figura abaixo, determinar as tensões máximas de


tração e de compressão.

Sendo os momentos máximos iguais a M = 35,16 kNm (positivo) e M = 10 kNm


(negativo), e Iz = 55.615cm4, tem-se:

 3516
σc = 55.615 x11,833 = 0,75kN / cm
2

M = 35,16kNm 
σ = 3516 x28,167 = 1,78kN / cm2
 t 55.615

 1000
σc = 55.615 x28,167 = 0,51kN / cm
2

M = 10kNm 
σ = 1000 x11,833 = 0,21kN / cm2
 t 55.615

Os diagramas de tensões são os da figura abaixo (kN/cm2)

APLICAÇÃO 4.

Para a viga da figura abaixo, determinar o valor de P de modo que as tensões


admissíveis c = t = 20kN/cm2. não sejam ultrapassadas.

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Sendo Iz = 432cm4 , M = 120P kNcm e σc = σ t = 20kN / cm2 , tem-se:

120P
20 ≥ x6
432

donde

20x432
P≤ =12kN
120x6

Qualquer valor de P menor ou igual a 12kN é solucão para o problema.


Obviamente, o que se procura é o maior valor de P. Neste caso a resposta é P=12kN.

APLICAÇÃO 5.

Para a viga representada na figura a seguir, determinar o valor de P de modo que


as tensões admissíveis c = 5kN/cm2 e t = 10kN/cm2 não sejam ultrapassadas

Sendo Iz = 55.615cm4, MA = 100P kNcm e MB = 50P kNcm, têm-se

 100P
10 ≥ 55.615 x11,83 P ≤ 470kN

Seção A 
 5 ≥ 100P x28,17 P ≤ 99kN

 55.615

 50P
10 ≥ 55.615 x28,17 P ≤ 395kN

Seção B 
 5 ≥ 50P x11,83 P ≤ 470kN

 55.615

O valor de P que pode ser aplicado à viga, definido pela tensão de compressão da
seção A, é de 99 kN.

APLICAÇÃO 6.

Para a viga esquematizada na figura abaixo, determinar a altura h da seção


transversal. As tensões admissíveis são c = 15kN/cm2 e t = 20kN/cm2.

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O momento máximo é de 46,2 kNm e o momento de inércia Iz é igual a h3/2,4.


Assim, têm-se

4620 h
20 ≥ x h ≥16,65cm

 h3  2
 
 2,4 

4620 h
15 ≥ x h ≥19,22cm

 h3  2
 
 2,4 

A altura da seção transversal deve ser maior ou igual a 19,22cm. Adota-se,


portanto, seção com 5 x 19,22 cm2.

3. DETERMINAÇÃO DAS TENSÕES DE CISALHAMENTO

Considere-se a barra prismática de seção transversal simétrica mostrada abaixo.

p (x)

eixo x C.G.
z

y

Sob flexão simples normal, em suas seções transversais manifestam-se tensões


de cisalhamento  e tensões normais σ .
As tensões de cisalhamento  distribuem-se ao longo da seção transversal e têm
como resultande o esforço solicitante denominado força cortante. Essas tensões, como
se demonstra no estudo do estado duplo de tensões, dão origem a tensões de mesma
intensidade e que se distribuem em planos horizontais ortogonais à seção transversal da
barra.
Para determinar as tensões  observe a figura (a) abaixo.

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t C dA A
s 
L  D
A 
 x

B

(b) V N
x0

Admitindo que as tensões  (x) sejam constantes ao longo da largura b e funções


contínuas da variável x, o equilíbrio das forças segundo a direção x se escreve

x x
F+  (xbdx
) F +
F (3.1)
x

Tendo em vista, o teorema do valor médio para integrais, a última equação, com
x0 <  < x0 + x , pode ser escrita

F(x ) (b)   x (3.2)

donde

F(x )
 b( ) (3.3)
x

Quando x tende a zero  x  0  , o número  tende a x 0    x 0  , donde

 F(x ) dF(x )
im   x  x0
 b(x )0 (3.4)
x 0
 x  dx

ou simplesmente

dF(x )
 b(x ) (3.5)
dx

A força F é a resultante das tensões normais agentes na área A situada acima do


segmento AB. Assim, figura (b) acima, tem-se

 M(x )  M(x )
F(x) =  σdA =   tdA   tdA (3.6)
 Iz  Iz
A
A A

Observando que a integral acima é igual ao momento estático da área A, em


relação à linha neutra, vem

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 M(x ) 
F(x) =   Ms (3.7)
I
 z 

Derivando-se a (3.7) em relação à variável x e tendo em vista a (3.5), obtém-se

1 d  Ms 
(x) =  M(x )  (3.8)
b dx  Iz 

ou

1  d  Ms  Ms dM(x ) 
(x) =    M(x )   (3.9)
b  dx  Iz  Iz dx 

Quando se tem barras prismáticas, a fração M s


/ Iz  é constante e a (3.9) se
escreve

1 Ms dM(x ) V(xM)
(x) =  s
(3.10)
b Iz dx bIz

No caso particular de se ter barra prismática de seção retangular, figura abaixo,


têm-se
A
parábola
h/2
s
h
L C.G. N máx

h/2

h   1h   bh2  4s2 


Ms  b   s   s   s    1  
2  2
(3.11)
2    8  h2 

bh3
Iz  (3.12)
12

Ms 1,5  4s 2 
 1 2  (3.13)
Iz h  h 

e portanto da (3.10), resulta

V(x )  4s 2 
(x ) 1,5
 1   2  (3.14)
bh  h 

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Esta equação mostra que na seção transversal de abscissa x, a tensão de


cisalhamento, que varia parabolicamente com a ordenada s, atinge o valor máximo para
s = 0 e se anula nas extremidades da seção transversal, onde se têm s   h / 2 .

3.1. APLICAÇÕES NUMÉRICAS

Os problemas relacionados com as tensões de cisalhamento são análogos aos


problemas relativos às tensões normais.
Obviamente, aqui, as grandezas envolvidas são a força cortante V, a tensão de
cisalhamento  , o momento estático Ms , o momento de Inércia Iz e também a largura da
seção onde se deseja determinar a tensão  .

APLICAÇÃO 1

Determinar a máxma tensão de cisalhamento que o ocorre na viga esquematizada


abaixo.
3cm
10 kN/m

6 C.G. z
x 6
3,0m
y

A máxima tensão de cisalhamento ocorre na linha neutra da seção transversal de


maior força cortante.
Assim, sendo Vmáx  V(0 ) 15kN
 e s = 0 da equação (3.14), resulta

1,5V(0 ) 1,5x15 2
máx  (0 )   0,625kN
 / cm
bh 3x12

APLICAÇÃO 2

Para a viga esquematizada abaixo, determinar, para a seção de maior força


cortante, a tensão de cisalhamento na ligação aba-nervura e também no C.G. Da seção
transversal.
4 2 4

20 kN/m 2
13 s C.G.
30cm
z
x 13
4,0m 1,0m 2
y
10cm

O momento estático Ms e o momento de inércia Iz , ambos calculados em relação


à linha neutra, são dadas por

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 13  s 
Ms  10x2x1
(3 
1) 21
( 3 s )   s2 280 1
(3 s cm
) 2 2 3

 

10x153 8x33
Iz    5.391cm4
3 3

Sendo de 2cm a largura da nervura da seção transversal e Vmáx  V( ) 45kN


 , da
equação (3.10), resulta

45
( )   1
280 ( 3 s 3  2

2x5391  

Na ligação aba-nervura tem-se s = 13cm e portanto

45x280 2
( ) y 13
 1,17kN
 / cm
2x5391

Na linha neutra tem-se s = 0 e portanto

45 2
( ) y 0
 (280 169)
 1,87kN
 / cm
2x5391

APLICAÇÃO 3

Para a viga mostrada abaixo, determinar o maior valor P sabendo-se, que a tensão
admissivel de cisalhamento é igual a 3,6kN / cm2 .

5cm
P
5 C.G. z
10cm
x 5
3,0m 2,0m
y

A força cortante máxima é igual a 0,6P e ocorre no apoio da direita (fixo).


Deste modo, da equação (3.14), com s = 0,

1,5x0,6P 2
máx  ( )   3,6kN
 / cm
5x10

donde

3,6x5x10
P  200kN
1,5x0,6

Esse resultado mostra que o valor máximo de P é de 200kN.

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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBATO, R.L.A.,Resistência dos Materiais, Notas de Aula, SET/EESC/USP.


BELLUZZI, O.,Ciencia de la Construccion , Aguilar, vol. I.
SCHIEL, F., Resistência dos Materiais,SET/EESC/USP., vol. 1.
SILVA Jr.,J. F., Resistência dos Materiais, Livro Técnico, R.de Janeiro, 1962.
LIMA, V.M.S., Resistência dos Materiais, Estudo das Tensões. EPUSP, 1964.

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