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PARECER TÉCNICO BASEADO EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS SOBRE O USO DE MÁSCARAS NO

CONTROLE DA INSALUBRIDADE POR INALAÇÃO DE AR FRIO E SEUS EFEITOS EM


AMBIENTES ARTIFICIALMENTE FRIOS ACIMA DE 4˚C, NA INDÚSTRIA FRIGORÍFICA.

Autores

CARLOS ROBERTO CAMPOS

FRANCISCO CORTES FERNANDES

Colaboradores

ALEXANDRE PERLATTO SILVA


FELIPE MOREIRA CAMPOS
LEONARDO THOMMEN DIAS CAMPOS

GOIÂNIA
2017
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SUMÁRIO

1 PRELIMINARES................................................................................................................ 3
1.1 Instrução da Demanda ............................................................................................ 3
1.2 Objetivos .............................................................................................................. 11
1.3 Análise econômica da indústria frigorífica ............................................................. 11
1.4 Metodologia da pesquisa ..................................................................................... 13
1.5 Escopo das atividades ........................................................................................... 14
2 RESULTADOS ........................................................................................................ 16
2.1 Bom senso e senso comum .................................................................................. 16
2.2 Conceitos pertinentes ........................................................................................... 18
2.2.1 Temperatura ........................................................................................................... 19
2.2.2 Sistema imune ........................................................................................................ 19
2.2.3 Temperatura corporal ............................................................................................. 20
2.3 Biofísica das trocas de calor corporal ........................................................................ 23
2.4 Mecanismos de defesa das vias aéreas e parênquima pulmonar ............................ 27
2.5.1 Temperatura corporal ........................................................................................... 28
2.6 Função cardiopulmonar em ambiente frio ............................................................ 33
2.8 Condicionamento do ar inspirado.......................................................................... 37
2.9 Ergonomia – frio e conforto térmico ..................................................................... 39
2.10 Higiene Ocupacional - frio e conforto térmico ....................................................... 41
2.10.1 A termogênese e o metabolismo corporal.............................................................. 55
2.11 Doenças relacionadas ao frio................................................................................. 58
2.12 Doenças pulmonares CID “J” em frigoríficos estudados ......................................... 72
2.13 Buscas de evidências científicas ............................................................................ 73
3.1 Primeira Discussão (Artigo 253 da CLT/Súmula 438 do TST) ................................... 74
3.2 Segunda Discussão (Súmula 29 do TRT GO) ........................................................... 74
3.3 Terceira Discussão - (Insalubridade com uso de vestimentas adequadas) ............... 76
3.4 Quarta Discussão – (Doenças Pulmonares relacionadas ao frio e o NTEP) .............. 78
3.5 Quinta Discussão – (Estudo preliminar do perfil de morbidade em unidades
frigoríficas associadas à ABIEC).............................................................................. 78
4 CONCLUSÃO ................................................................................................................. 80
5 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 87

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1 PRELIMINARES

1.1 Instrução da Demanda

O Instituto de Ergonomia Ltda., foi contratado pela ABIEC – Associação Brasileira de


Exportadores de Carne para a prestação de serviços de assessoria em pesquisa científica,
utilizando técnicas da Medicina Baseada em Evidências, Ergonomia, Higiene Ocupacional e
outros saberes, após reunião de instrução de demanda, na sede da ABIEC, situada à Avenida
Brigadeiro Faria Lima, 1912 14º andar, Conjunto J, na cidade de São Paulo – SP, em 10 de
dezembro de 2016. Representando a IERGO, nesta reunião, compareceu o Dr. Carlos
Roberto Campos, Diretor Técnico; como representantes corporativos das empresas
associadas à entidade, participaram Médicos do Trabalho, Engenheiros de Segurança do
Trabalho, Advogados e Gestores de Recursos Humanos.
Inicialmente, os representantes da área Jurídica fizeram um relato sobre a história da
e missão da ABIEC que foi criada em 1979, a partir da necessidade que os exportadores de
carne sentiram de uma atuação focada na defesa de seus interesses específicos, tornando-se
a principal representante do setor nas áreas internacionais de regulamentação comercial,
exigências sanitárias e abertura de mercados. Ressaltou-se, também, que a criação da ABIEC
representou um marco para o setor e para a economia brasileira, pois a instituição deu voz
aos associados e facilitou, e ainda facilita, a sua interlocução com entidades governamentais
nacionais, outras entidades de classe e organismos internacionais, defendendo os interesses
dos associados, estimulando o desenvolvimento técnico, profissional e social das empresas,
incentivando e apoiando o trabalho junto com os governos estaduais e Federal na execução
dos programas sanitários (saúde pública e sanidade animal), através de comitês técnicos.
Em seguida, foi feita explanação sobre a evolução histórica e jurídica do trabalho de
uma forma global, em nosso país, e sobre questões referentes ao setor representado,
enfatizando as questões dos Direitos Humanos. Relacionou-se, passo a passo, as condições
de trabalho e sua evolução, no decorrer do tempo, com a compreensão de que houve uma
melhoria contínua das condições de trabalho oferecidas ao seu coletivo de trabalhadores.

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Discorreu-se, em seguida, sobre o marco legal vigente relacionado à saúde e à


segurança do trabalho, as normas regulamentadoras, em contextos pertinentes ao nosso
país e as internacionais, traçando a relação existente entre diversos ramos do Direito e sua

interligação com as questões ligadas aos pactos laborais, às medidas preventivas, de


proteção e promoção da saúde dos trabalhadores, as responsabilidades de todos os atores
sociais envolvidos na promoção de um trabalho digno e decente. Embora se saiba que o
contexto brasileiro sobre a proteção e a promoção da saúde dos trabalhadores brasileiros
ainda padeça de ações proativas para se chegar a uma situação de trabalho seguro, tal
conjuntura não pode ser tomada como generalizada, pois há muitos empresários,
governantes e detentores do poder econômico interessados na melhoria da qualidade de
vida e de trabalho, sendo que a mentalidade tem sido alterada ao longo dos tempos e com
as experiências vividas.
Um parêntese a ser colocado nesse ponto do texto é que, sobre esta questão,
enfatizada na reunião de instrução da demanda deste trabalho, é interessante referir que
em publicação recente, a Revista Proteção, de maio/17, afirma que, sem dúvida, a
publicação da NR 36 foi um passo importante rumo à efetivação de melhores condições de
segurança e saúde para os funcionários de frigoríficos brasileiros, mas ela também pontua
que o avanço, de fato, precisa ser visto no dia a dia de trabalho dos estabelecimentos. Para
garantir que isso aconteça, diversas iniciativas públicas foram elaboradas. Boas práticas das
empresas também têm sido evidenciadas durante as fiscalizações.
Entretanto, os representantes da ABIEC, durante a instrução da demanda,
mencionam uma questão, certamente polêmica, que existe uma indústria velada de ações
trabalhistas que não se justificariam por si sós, utilizando-se do livre acesso à Justiça (direito
de ação) e do chamado princípio da hipossufiência, todavia, em muitas delas, não há
qualquer garantia ofendida ou muitas vezes há excesso na relação de pedidos, como no caso
específico, a insalubridade por exposição ao frio, entre outras reivindicações em referência a
esta alegada exposição.
Cita-se inicialmente, como um dos motivos da demanda de contratação para a
realização deste trabalho, a busca de evidências científicas para o uso de EPI (máscaras) em
ambientes artificialmente frios, com o intuito de minimizar, eliminar ou não eliminar a

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exposição do trabalhador ao agente frio, gerando transtornos à saúde pulmonar dos


trabalhadores. Ainda, a ideia desta demanda, foi buscar um contraponto acerca de algumas
jurisprudências recentes que se disntanciam da fundamentação técnico cienbica, como por
exemplo a recente Súmula 29 aprovado pelo Pleno do TRT de Goiás, a seguir apresentada.

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. FRIO. AUSÊNCIA DE CONCESSÃO DO


INTERVALO PREVISTO NO ART. 253 DA CLT. É devido o adicional de
insalubridade quando não concedido o intervalo para recuperação térmica,
previsto no art. 253 da CLT, ainda que fornecidos os equipamentos de
proteção individual e fiscalizado o uso.

Interessante relatar que tal decisão do TRT 18.ª Região, suscitou interpretações que
ainda que reduzisse a consequência maléfica do frio sobre a pele do trabalhador, o uso de
EPI não impediria, por si só, a inalação do ar ambiente ao longo da jornada de trabalho, que
se deslocaria para os pulmões e provocaria o resfriamento interno do corpo, ficando as vias
respiratórias expostas e sujeitas à agressão do referido agente nocivo, perdurando até o
momento atual.
Neste momento, fazem alusão ao questionamento do setor produtivo industrial
brasileiro, por meio da publicação de estudo da Confederação Nacional da Indústria – CNI –-
Insalubridade e periculosidade no Brasil: a monetização do risco do trabalho em sentido
oposto à tendência internacional - sobre a qual a razão de ser dos adicionais (citando a
insalubridade e a periculosidade, inclusive de sua cumulatividade) no contexto do
ordenamento jurídico, para que se compreenda ainda melhor a inadequação da sua
cumulatividade diante dos parâmetros atuais em segurança e saúde no trabalho.
Aduziu-se à contextualização histórica das fases da evolução da matéria, feita
inicialmente, por meio da qual foi possível perceber que o Brasil não ultrapassou a terceira
fase, qual seja: aquela em que surgiu a preocupação em relação aos malefícios com a
monetização dos riscos do trabalho e em que o exame dos riscos passou a ser feito a partir
de uma perspectiva global do ambiente de trabalho. Isso porque, embora tenha buscado
ampliar a ideia da preocupação com o meio ambiente do trabalho como um todo, deixou-se
de lado a muito relevante tarefa de desconstruir o conceito da monetização dos riscos.
Continuam, os representantes das empresas associadas, citando a publicação feita
pela CNI, antes mesmo da publicação da NR – 36, para afirmar que alguns magistrados
reconhecem a condição de monetização de riscos a que se prendem os adicionais, a exemplo

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do acórdão - TRT da 4ª Região, 2a. Turma, 0000259-24.2011.5.04.0761 RO/REENEC, em


19/04/2012, Juiz Convocado Raul Zoratto Sanvicente – Relator, a seguir:
O pagamento de adicionais, em realidade, nem deveria existir, pois
adotadas as medidas de proteção e prevenção adequadas, os ambientes de
trabalho seriam sadios e seguros, “na medida do possível e razoável”,
conforme a Convenção 155 da OIT. Porém, o fenômeno da monetarização
situa todo o sistema numa zona de conforto que estimula, de um lado
baixos investimentos para prevenção, pois a opção pelo pagamento dos
adicionais é mais barata; e de outro a preferência dos próprios
trabalhadores de buscar atividades insalubres e perigosas para obter um
ganho salarial mais elevado. É evidente que ambas as situações são
nefastas. Daí que a maior oneração do gravame monetário é também uma
forma pedagógica de direcionar ao interesse pelo maior investimento em
prevenção.

Segundo a CNI, a decisão assenta o ponto: a monetização é uma política contrária à


ideia de prevenção em segurança e saúde no trabalho, o que se reforça com a cumulação,
quando, na verdade, o melhor seria buscar um afastamento dos aumentos salariais artificiais
e uma aproximação de políticas de educação e treinamento, bem como de prevenção,
comprometendo-se todos os interessados, empregador, empregado e Poder Público.
A referida publicação continua e afirma que, não obstante compreenderem tal
situação, a decisão citada acima, como também a já mencionada jurisprudência minoritária
do TST, optam pelo caminho mais fácil: continuar com a monetização na expectativa de que
a punibilidade tenha eventualmente algum efeito sobre as causas do problema, sem
considerar, por exemplo, os graves e danosos aspectos previdenciários da questão, como,
por exemplo, os custos previdenciários com aposentadorias especiais. O texto indica que a
intenção de proteger o trabalhador, da forma como ocorre hoje no Brasil, certamente não se
cumpre. Interessante é que o mundo já mudou de estratégia e abandonou a compensação
financeira, finalizam.
Ainda segundo a publicação da CNI, há referências sobre a experiência internacional,
indicando que, para estar alinhado com o restante do mundo, o Brasil precisa seguir
tendência da evolução das políticas em saúde e segurança do trabalho que é no sentido da
prevenção com a respectiva redução ou eliminação dos riscos. E que, sob este aspecto, o
direito comparado reforça o fato de que as regras de (1) consideração de incidência de riscos
simultâneos e cumulativos, bem como de (2) constante revisão das normas de saúde e
segurança não compreendem o mero pagamento de adicionais – que, como visto, sequer
configura efetivamente uma política em saúde e segurança.

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Ao final, a publicação apresenta quadros com resumos dos principais aspectos em


saúde e segurança ocupacional em alguns países selecionados por critérios de tamanho,
similaridade econômica e diversidade continental, tais como África do Sul, Austrália, Canadá,
China, Espanha, Itália, México (Dados retirados da base de dados em saúde e segurança
ocupacional da Organização Internacional do Trabalho – OIT. ILO Global Database on
Occupational Safety and Health Legislation (LEGOSH). ILO, Geneva. Disponível em
<http://www.ilo.org/dyn/legosh/en/f?p=14100:1:0::NO:::>. Acesso em 11 de junho de
2015) ...Finalizam, afirmando que em nenhum dos países citados (África do Sul, Austrália,
Canadá, China, Espanha, Itália, México) se identificaram na legislação determinações para
que sejam pagos adicionais de qualquer tipo mediante o trabalho em condições perigosas
e/ou insalubres.
De outro lado, claramente se vê que as obrigações do empregador são todas no
sentido da prevenção e que o empregado também tem responsabilidade na manutenção das
condições de saúde e segurança no trabalho. Esses assuntos sempre foram pautados no
desenvolvimento de estudos e discussões compartilhadas com outros segmentos dessa
atividade econômica, notadamente, além da ABIEC, a Associação Brasileira de Frigoríficos –
ABRAFRIGO – e a Associação Brasileira de Proteina Animal – ABPA –, esta última congrega
empresas e entidades das cadeias agroindustriais de aves, ovos e suínos de todo o Brasil.
Nesse sentido, apresentaram também um entendimento e preocupação de entidades
destes setores com relação à questão relacionada à insegurança jurídica resultante do
contexto sobre o trabalho em ambientes artificialmente frios, a interpretação do Artigo 253
da CLT, a insalubridade e os Acórdãos recentes sobre o tema e suas repercussões no dia a
dia das organizações, que vem afetando sobremaneira a sobrevivência desta cadeia
produtiva, apesar de ser uma das maiores empregadoras do país. Indicam que, ao longo dos
últimos anos, a indústria frigorífica brasileira conquistou posição de destaque no mercado
nacional e internacional, gerou empregos, produziu riqueza e divisas ao país, forneceu
alimento de qualidade para milhões de brasileiros e, principalmente, desenvolvimento e
bem-estar para os seus trabalhadores, investidores e, ainda, para a população dos pequenos
municípios do interior do Brasil onde está instalada a maioria das suas fábricas.
No entanto, o documento afirma que, simultaneamente, o setor vem se
modernizando e se readequando para as recentes exigências do mercado e da legislação,
com o intuito de prosperar e continuar a cumprir o seu papel social, pautado no respeito ao

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estado democrático de direito e suas instituições. Enfatiza que a primeira grande questão é
que o foco são os frigoríficos legais e com registro no SIF. Há um notório desprezo aos abates
clandestinos e demais estabelecimentos que funcionam à margem da lei e com
trabalhadores, estes sim, à míngua da sorte e da proteção do Estado. Chama a atenção o
fato de que essas empresas atuam no mesmo mercado que as empresas legais, com custos
infinitamente inferiores e colocando em risco a população em razão da falta de controle
sanitário, comprometendo a imagem dos produtos nos mercados importadores pelo mundo.
Os frigoríficos ditos legais se esforçam pelo ajuste fino necessário sobre todas as
demandas originadas do Estado em relação à proteção e à promoção da saúde e da
segurança no trabalho de seus segmentos. Por exemplo, a NR36 promoveu um caminho
mais claro aos profissionais de gestão em SST, após longo tempo discutindo sob o instituto
do tripartismo, eliminando ao máximo a subjetividade de entendimentos, principalmente na
fiscalização, como melhorias proativas que vem sendo observadas e cumpridas pela imensa
maioria das empresas frigoríficas em todo o Brasil.
Entretanto, para a entidade, o frio também é um motivo de discórdia, pois se faz um
pré-julgamento da condição de local insalubre ao se adotar critérios específicos para a
regulação da jornada. Nesse sentido, cita-se a zona climática do IBGE, contida no artigo 253
da CLT, apesar de que a Consolidação das Leis do Trabalho possui capítulo próprio para
tratar da insalubridade, além da NR 15. Entendem que, o que se constata, na prática, além
do abuso, é um desprezo aos equipamentos de proteção individual que seriam suficientes
para neutralizar o agente causador, no caso o frio. Todos possuem certificado de aprovação
pelo próprio MTE.
O que se questionou, durante a instrução desta demanda de trabalho, entre vários
outros aspectos, foi por que um ambiente artificialmente frio, por exemplo, em um setor de
desossa de um frigorífico ou outros setores com temperatura acima de 4˚C, é considerado
como um ambiente insalubre, mesmo sendo disponibilizado, utilizado e monitorado o uso
de EPI’s, roupas protetoras e específicas para tal condição ambiental. Por que a insistência
em inferir que a falta do uso da máscara, neste tipo de ambiente de trabalho, pode
prejudicar a saúde dos trabalhadores, diminuindo a temperatura corporal, provocando
resfriados, gripes e outras doenças pulmonares. Além disso, questionou-se em relação à
Norma Regulamentador, em seu Anexo 9, que trata da insalubridade devido ao trabalho
exposto ao agente frio por não apresentar limites quantitativos para temperaturas

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consideradas frias, o fato de que existe, em nosso país, por parte de alguns peritos dos
Tribunais Regionais do Trabalho, a utilização dos valores previstos e contidos na Tabela 1 da
Norma Regulamentadora 29, em seu item 29.3.15.2, para a caracterização de insalubridade
por exposição ao frio nos ambientes da indústria frigorífica.
Enfatizou-se, também, que a utilização do Art. 253, de forma interpretativamente
errônea, de acordo com pareceres jurídicos de profissionais renomados, redundou em
conclusões, também errôneas, sobre a necessidade de pausas térmicas, em recente
publicação da Norma Regulamentadora 36, em seu item específico 36.13.1 – “Para os
trabalhadores que exercem suas atividades em ambientes artificialmente frios e para os que
movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de
uma hora e quarenta minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período mínimo de
vinte minutos de repouso, nos termos do Art. 253 da CLT”. Em seu item 36.13.1.1 –
“Considera-se artificialmente frio, o que for inferior, na primeira, segunda e terceira zonas
climáticas a 15˚C , na quarta zona a 12˚C, e nas zonas quinta, sexta e sétima, a 10˚C,
conforme mapa oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE”.
O que se questionou foi por que há esta correlação entre as zonas climáticas e um
ambiente de trabalho, interno, fechado, mesmo artificialmente frio, mas que o trabalhador
de onde quer que venha pode, com certeza, aclimatizar-se em pouco tempo com o
ambiente, mas, mesmo assim, alguns peritos insistem em enquadrar o trabalho em
ambientes artificialmente frios acima de 4˚C, como sendo insalubres.
Ainda durante a instrução da demanda, em referência aos questionamentos feitos
pelos associados da ABIEC, em relação às demandas trabalhistas sobre a insalubridade por
exposição a ambientes artificialmente frios, com obrigatoriedade de intervalo/repouso
térmico, no caso específico desta demanda, com temperaturas acima de 4˚C, apontaram-se
as jurisprudências confirmadas pelos Tribunais Regionais do Trabalho, utilizadas em
Processos Trabalhistas, onde o perito se baseia para a sua conclusão pericial, ou seja,
caracterizando como insalubre o trabalho realizado no setor de desossa de um frigorífico
bovino, culminando no entendimento do Tribunal Superior do Trabalho ao consolidar a
Súmula 438.
Visando a preservar a saúde do trabalhador, o direito brasileiro assegura aos
empregados intervalos específicos para a recuperação térmica quando o trabalho
se dá em ambiente artificialmente frio. Assim, aqueles que trabalham no interior
das câmaras frigoríficas e os que movimentam mercadorias do ambiente quente

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ou normal para o frio e vice-versa, têm direito a um período de 20 minutos de


repouso a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo. Esse intervalo deve ser
computado como de trabalho efetivo (artigo 253 da CLT). Entendimento nesse
sentido encontra-se consolidado na Súmula 438 do TST. «O empregado
submetido a trabalho contínuo em ambiente artificialmente frio, nos termos do
parágrafo único do art. 253 da CLT, ainda que não labore em câmara frigorífica,
tem direito ao intervalo intrajornada previsto no «caput» do art. 253 da CLT».

Entretanto, existem várias outras ações e/ou jurisprudências, conclusões periciais


trabalhistas, que estão sendo utilizadas, em nosso país, pelos magistrados dos Tribunais
Regionais do Trabalho, Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério
Público Federal, os Peritos nomeados, etc., como este argumento, indicado a seguir.

A jurisprudência tem pacificado que o direito ao intervalo, não se restringe ao


trabalho em câmaras frias e independe do fornecimento de EPIs: Como se vê, o
autor trabalhava em temperaturas inferiores a 12˚C que é o que basta para fazer
jus ao intervalo. Destaque-se que o fato de a empresa fornecer equipamentos de
proteção individual não afasta a necessidade de se conceder o intervalo, pois a lei
não faz essa distinção. O entendimento regional de que é devido o intervalo para
recuperação térmica, no caso dos autos, está em sintonia com a atual, iterativa e
notória jurisprudência do Colendo TST, como se vê pelos precedentes seguintes:
E-RR-719679/2000.5, SDI-1, DJ 06/06/2008; RR-45000-93.2001.5.09.0654, 2a
Turma, DEJT 19/02/2010; AIRR-38540-77.2008.5.24.0056, 3a Turma, DEJT
19/06/2009; RR-70000-59-2008.5.24.0096, 4a Turma, DEJT 19/03/2010; AIRR-
34740-07.2009.5.24.0056, 5a Turma, DEJT 09/04/2010; A-AIRR-88040-49-
2007.5.24.0056, 6ª Turma, DEJT 08/05/2009; RR-155700-74.2008.5.18.0191, 7a
Turma, DEJT 19/03/2010; AIRR-63240-20-2008-5.24.0056, 8a Turma, DEJT
29/05/2009. (TRT. 18a REGIÃO. Despacho Denegatório em Recurso de Revista.
Processo No RO-1942-14.2010.5.18.0221. ... DJ no 904. 24/01/2012).

Finalizam os representantes das associadas à ABIEC, aduzindo que, conforme regra


da Consolidação das Leis do Trabalho (art. 189), serão consideradas atividades insalubres
aquelas que exponham os empregados a agentes nocivos à saúde acima dos limites de
tolerância fixados em razão da natureza e intensidade do agente e do tempo de exposição
aos seus efeitos.
É condição para o direito ao adicional de insalubridade que a prestação de serviços
seja realizada em ambiente nocivo à saúde do trabalhador em grande intensidade de tempo
e do agente, o que não ocorre em ambientes artificialmente frios, principalmente acima de 4
˚C, mesmo sob quaisquer Zonas Climáticas adotadas pelo IBGE, em função da aclimatização
do ser humano às mudanças climáticas, como também das medidas protetivas coletivas e
individuais que porventura sejam necessárias.

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1.2 Objetivos
Com este trabalho, a ABIEC vê a possibilidade de subsidiar respostas às suas
associadas, cientificamente e dentro do conhecimento médico, ergonômico e da higiene
ocupacional, entre outros saberes:
i) se a exposição dos trabalhadores a ambientes artificialmente frios,
acima de 4 ˚C , na indústria frigorífica, pode ser considerada como insalubre para
o aparelho respiratório e como fator de desconforto térmico;
ii) qual é o perfil de morbidade no setor, principalmente com as questões
relacionadas a doenças do aparelho respiratório e,
iii) qual a relevância ou não do uso de máscaras faciais pelos
trabalhadores em ambientes artificialmente frios, acima de 4 ˚C, para evitar
agressões aos pulmões e a diminuição da temperatura corporal a níveis
inapropriados.

1.3 Análise econômica da indústria frigorífica

O agronegócio continua sendo um dos principais pilares do desenvolvimento


econômico do país e a sustentação da balança comercial. O crescimento do PIB brasileiro
tem uma forte relação dos resultados do agronegócio, e este depende de mudanças
estruturais e políticas de incentivo para auxiliar seu crescimento.
O sistema agroindustrial da carne bovina constitui-se numa gama de agentes
econômicos, abrangendo desde a venda de insumos pecuários até a chegada dos produtos e
subprodutos para o mercado consumidor. A análise da cadeia produtiva consiste em
descrever as diversas operações de produção responsáveis pela transformação da matéria-
prima em produto acabado.
Um Sistema Agroindustrial – SAG – corresponde a um conjunto de agentes
econômicos, localizados antes, dentro e depois da atividade agrícola, desenvolvendo
diferentes etapas da produção, transformação e comercialização de um produto de origem
agropecuária. O conceito de SAG envolve a noção de organização sistêmica e coordenada de
cadeia produtiva (MACHADO, 2000).

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Em 2015, o saldo da balança comercial brasileira foi de US$19,69 bilhões. As


exportações do agronegócio, que atingiram US$88,22 bilhões, contribuíram para o saldo
positivo do setor que, por sua vez, foi fundamental para o saldo positivo da balança
comercial brasileira. A cadeia produtiva da pecuária do Brasil movimentou mais de R$483,5
bilhões em 2015, registrando um crescimento de mais de 27% sobre o ano anterior. Mesmo
assim, as exportações de carne bovina representaram, em receita, 3% de tudo o que o Brasil
exportou em 2015.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil chegou a R$5,9 trilhões em 2015, registrando
queda de 3,85% sobre o resultado anterior. O PIB do agronegócio alcançou R$1,26 trilhão,
representando 21% do PIB total brasileiro. Já o PIB da pecuária chegou a R$400,7 bilhões,
30% do agronegócio brasileiro. O Sistema Agroindustrial da carne bovina movimentou, em
2015, R$483,5 bilhões. Salários e encargos dos funcionários diretamente envolvidos no setor
(fazendas e indústrias) somaram mais de R$11,37 bilhões.
Em 2015, a produção brasileira de carne bovina foi de 9,56 milhões de toneladas
equivalente carcaça (tec), de um total de 39,16 milhões de cabeças abatidas. A exportação
foi de 1,88 milhão de toneladas equivalente carcaça, representando 19,63% da produção. Já
o mercado interno foi responsável por consumir 81% da carne produzida no Brasil em 2015.
Em 2015, o Brasil ultrapassou a China e se tornou o segundo maior produtor mundial
de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA). Os números do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a produção brasileira chegou a 13,14
milhões de toneladas no ano passado, volume 5,4% superior ao de 2014 e o maior já
registrado na história do país. Foram abatidos, em 2015, nada menos do que 5,8 bilhões de
cabeças de frango em território nacional.
Os resultados de 2015 refletem a crescente relevância econômica desse setor, que,
nos últimos 15 anos, dobrou de tamanho, quadruplicou suas exportações e ganhou maior
peso na balança comercial. No ano passado, de acordo com as estatísticas do governo
federal, o frango in natura foi o quarto produto mais exportado pelo Brasil, atrás apenas da
soja em grão, do minério de ferro e do petróleo. De acordo com Revista Proteção, de
maio/2017, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que, no
ano passado, o Brasil bateu seu recorde no abate de frangos, atingindo a marca de 5,9
bilhões, além de ter contabilizado 42,3 milhões de suínos e 29,7 milhões de cabeças de gado.
Enquanto os estados da Região Sul lideram na produção avícola e suína, o Mato Grosso

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continua liderando o ranking no abate de bovinos, seguido de perto pelo Mato Grosso do
Sul, Pará, São Paulo e Goiás.
O grande crescimento do setor frigorífico, ao longo dos anos, e seu importante papel
na economia do país impulsionou sua modernização no que se refere à tecnologia e à
automação, mas a realidade é que a maior parte dos processos que leva a proteína animal à
mesa dos consumidores ainda conta com a mão de obra do trabalhador. Até o último
levantamento da RAIS para o ano de 2015, essa demanda era realizada por 463.205
colaboradores, espalhados pelos 4.303 estabelecimentos ativos dentro do território
nacional. As atividades desenvolvidas por esses trabalhadores durante o abate e o
processamento de carnes que, em sua maioria, acontecem no mesmo local, vão desde o
sacrífico do animal, a sangria, a escaldagem e depenagem (no caso das aves), evisceração,
cortes, desossa até a embalagem e expedição do produto final.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (entidade que nasceu da junção da União
Brasileira de Avicultura e da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de
Carne Suína), em parceria com a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carnes) e outras entidades, tem desenvolvido diversos seminários e workshops para seus
associados, fomentando a conscientização das empresas e a implantação de novas soluções
em prol das melhorias dos ambientes laborais nos frigoríficos.

1.4 Metodologia da pesquisa

A escolha desta prática de busca e pesquisa por meio de evidência médica é


recomendada na redação de artigos e trabalhos científicos, tanto do ponto de vista
acadêmico como da prática médica diária. É também padrão de recomendação de
procedimentos médicos da Associação Médica Brasileira.
Esta metodologia baseia-se em passos claros de busca de bibliografia médica e avalia
as recomendações encontradas na literatura em força de evidência cientifica, de acordo com
o desenho do estudo realizado para escrever o artigo. Os seguintes passos foram seguidos
para responder aos questionamentos feitos e alcançar o objetivo desta pesquisa.

1. Coletar dados epidemiológicos da literatura;


2. Identificar desenho do estudo;

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3. Avaliar os métodos de cada estudo;


3.1 Método de avaliação da exposição.
3.2 Vieses potenciais.
3.3 Adequação do método estatístico.
4. Significância estatística e,
5. Classificar a evidência científica de A a D, sendo a evidência A a mais alta.

1.5 Escopo das atividades


Diante da formulação das questões a serem respondidas: i) se a exposição dos
trabalhadores em ambientes artificialmente frios, nos frigoríficos, pode ser considerada
como insalubre e ii) qual a relevância ou não do uso de máscaras faciais pelos trabalhadores
em ambientes artificialmente frios, teremos a sequência metodológica a seguir:

1ª Etapa: Busca em fontes primárias.


Esta etapa consiste em buscar nos livros clássicos, o estado da arte em relação ao
assunto e o que foi escrito a respeito. Após a leitura sistemática das fontes primárias,
descreve-se o que foi encontrado em relação ao assunto.

2ª Etapa: Busca em fontes secundárias.


Esta etapa, mais trabalhosa, busca o saber científico mais atualizado existente na
ciência médica, objetivando encontrar as mais recentes informações escritas a respeito e
publicadas nas diversas revistas científicas médicas, classificando-as por evidência científica,
como já anteriormente relatado (evidência científica de A a D).
A busca pelos resultados em fontes secundárias foi realizada na Cochrane Library, na
EBM online e no PubMed. No caso da Medicina do Trabalho, buscamos também
posicionamentos da OIT, NIOSH, OSHA, ACGIH, FUNDACENTRO e outras fontes de dados e
diretrizes. Essas diretrizes também passaram por uma avaliação técnica, objetivando
entender os critérios da metodologia para formular as recomendações. Também buscamos
o perfil de morbidade do setor, relacionado ao trabalho em ambientes artificialmente frios,
para confrontarmos com os resultados das buscas de evidências científicas sobre o assunto
demandado pela Abiec.

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3.ª Etapa: Tratamento dos Dados e Conclusões


Após a seleção de artigos encontrados, eles foram submetidos a um resumo e a uma
categorização de acordo com sua força de evidência. Assim, ao final, elaboramos uma
conclusão em relação ao tema, elencando os principais achados e a opinião dos redatores.

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2 RESULTADOS

2.1 Bom senso e senso comum

Ao longo dos anos, participando de diversas fases da gestão da saúde dos


trabalhadores em indústrias frigoríficas, construiu-se um consenso com todos os
profissionais ligados à área de saúde e segurança das organizações de trabalho deste
segmento, que doenças e suas alterações decorrem, muitas vezes, não somente de fatores
ligados ao trabalho, como é factível de acontecer e dados epidemiológicos reforçam tal
prevalência, mas também de fatores alheios a ele, principalmente aqueles relativos à
suscetibilidade do indivíduo, seus antecedentes pessoais (comorbidades) e familiares
(hereditariedade), seus hábitos de vida (saudáveis ou não), conforme lição que retiramos do
Informe Lalonde que, desde a década de 1970, constitui-se como marco inicial da moderna
Promoção da Saúde no Canadá.
De acordo com Becker (2001), o Informe Lalonde (LALONDE, 1974), marco inicial da
moderna Promoção da Saúde no Canadá, é considerado por Terris (1992, p. 4) “a primeira
declaração teórica abrangente na Saúde Pública como resultado dos desconhecimentos de
epidemiologia de doenças não infecciosas”. E utilizando o modelo do "Campo de Saúde",
proposto por Laframboise na década de 1970 (CARVALHO, 1996), afirma que a saúde é
determinada por um conjunto de fatores agrupáveis em quatro categorias:
 Biologia Humana, que envolve todos os fatos que se manifestam como
consequência da constituição orgânica do indivíduo, incluindo sua herança
genética e seus processos de maturação.
 Ambiente, que agrupa os fatores externos ao organismo, em suas dimensões
físicas e sociais, sobre os quais o indivíduo exerce pouco ou nenhum controle,
incluído nesses fatores o ambiente de trabalho.
 Estilos de vida, que é o conjunto das decisões que o indivíduo toma a
respeito de sua saúde, no que se refere, por exemplo, às suas atividades de
lazer e alimentação, estando, portanto, parcialmente sob seu controle.
 Organização da Atenção à Saúde, que é a disponibilidade, o acesso, a
quantidade e qualidade dos recursos destinados aos cuidados com a saúde
(FERRAZ, 1994; CARVALHO, 1996).

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17

Lalonde (1974), Ministro da Saúde do Canadá à época, afirmava que, até aquele
momento, a maioria dos esforços da sociedade para melhorar a saúde, e a maior parte dos
gastos em saúde de seu país, se concentrou na organização do cuidado médico. Apesar
disso, quando se identificavam as causas principais de adoecimento e morte no Canadá,
verificava-se que a sua origem estava nos três outros componentes do conceito de campo: a
biologia humana, o meio ambiente (nele incluído o do trabalho, é claro) e o estilo de vida.
Essa conclusão foi imediatamente aceita pela comunidade científica em todo o mundo e
persiste até hoje, tanto para o diagnóstico de situações de morbimortalidade de uma
população, como também para a tomada de decisões de vigilância à saúde, seja ela
trabalhadora ou não.
A partir destas premissas verdadeiras, a comunidade científica e, principalmente,
aquela ligada à saúde do trabalhador chegam à conclusão de que as alterações
musculoesqueléticas dos trabalhadores é um fenômeno epidêmico, fato que não temos
dúvidas sobre a sua verdade e que, em função de ser um agravo à saúde de tamanha
magnitude, temos a necessidade em conhecer e compreender a fisiopatologia das doenças
integrantes deste fenômeno e a influência do complexo contexto sociocultural que possa ser
fator determinante para o adoecimento daquelas pessoas pertencentes a comunidades
específicas. Essa necessidade de estudo desse campo é importante, inclusive, para que
sejam tomadas atitudes em vigilância à saúde das pessoas que são trabalhadores ou não.
Ao discutir conhecimento científico, motivo do presente trabalho, é importante
ressaltar que a pesquisa científica tem início no conhecimento vulgar, porém dele se
diferencia por meio de metodologias e princípios que visam legitimá-la enquanto
conhecimento científico. Do senso comum ao conhecimento científico há uma distância
considerável, apesar de que, ao longo dos tempos se verifique uma aproximação. O primeiro
baseia-se nos sentidos, crenças, tradições, acredita no que vê ou sente, é fruto das
experiências do quotidiano, ou naquilo que se tornou evidente através da evolução da
ciência. Esta, por sua vez, procura por meio do raciocínio objetivo, assente na faculdade
racional do ser humano e em métodos experimentais, a comprovação daquilo que os
sentidos nos mostram.
Por senso comum entendemos a opinião pública baseada na força de crenças e usos
sociais. Como exemplos de senso comum, podem ser citados: comer manga com leite
provoca “congestão”, a parturiente não deve lavar os cabelos por quarenta dias após o

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parto, pois o “sangue sobe para a cabeça”, vento nas costas provoca “doenças do pulmão”;
tomar frio ou ficar exposto ao frio, provoca resfriado – esta é uma ideia antiga e impossível
de ser erradicada. Em muitas línguas, a palavra que indica a doença faz referência a baixas
temperaturas: além do português e do espanhol “resfriado”, há o italiano “raffredore” e o
inglês “cold” (frio). A ciência, no entanto, ainda não encontrou provas definitivas que
sustentem essa convicção.
Já o bom senso é o resultado de estudos na área da ciência, sendo uma cadeia de
interpretação e lógica científica, resultando na produção de conhecimento científico. No
exercício da prática médica, deve-se evitar a contaminação do bom senso pelo senso
comum, fato que pode simplificar de modo impróprio fenômenos ou cadeias de causalidade
complexas, como também levar a conclusões incorretas. Assim, a prática médica exige bom
senso (conhecimento científico), circunstâncias apropriadas (ou seja, locais de trabalho
adequados), competências (capacidade de procurar conceitos médicos corretos) e
evidências (demonstração da fonte de pesquisa onde foi retirada a afirmação) para que, com
o maior respeito à autoridade judicial, não se possa chegar à conclusão que, diga-se de
passagem, foi baseada em uma série de conclusões periciais realizadas por alguns peritos do
Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 18.ª Região, conforme se lê a seguir*, totalmente
desprovidas do conhecimento científico.
*. . . Ainda que reduzisse a consequência maléfica do frio sobre a pele do
trabalhador, o uso de EPI não impediria, por si só, a inalação do ar ambiente
ao longo da jornada de trabalho, que se deslocaria para os pulmões e
provocaria o resfriamento interno do corpo, ficando as vias respiratórias
expostas e sujeitas à agressão do referido agente nocivo.

2.2 Conceitos pertinentes


Torna-se muito importante saber a diferença entre bom senso e senso comum, fato
que muitas vezes permeia a realização de perícias e a atuação profissional, confundindo
conceitos e resultando em conclusões sem embasamento científico por parte dos
profissionais que emitem tais pareceres. Isso resulta em utilização de conceitos
inadequados, na prática da segurança e medicina do trabalho, repercutindo em percepções
errôneas por parte de trabalhadores, de profissionais dos SESMT’s, sindicatos, auditores
fiscais, Ministério Público, Tribunais Regionais do Trabalho, Vigilância Sanitária, advogados,
entre outros. No intuito de esclarecer conceitos muitas vezes permeados pelo senso comum,
discorre-se, a seguir, sobre questões importantes para o tema do presente trabalho.

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2.2.1 Temperatura

Sabe-se que a temperatura é uma grandeza física que está relacionada com a energia
cinética média das moléculas do corpo, enquanto o calor é uma forma de energia em
trânsito (movimento). Portanto, não tem sentido falar em calor de um corpo. No dia a dia,
quando alguém diz que está com calor, na verdade ele se refere à sensação térmica.
Nosso organismo, em um ambiente à temperatura menor que 36ºC, está liberando
continuamente energia na forma de calor. Se as condições atmosféricas do ambiente
(umidade relativa do ar, temperatura, etc.) não favorecerem ao organismo ceder o excesso
de energia para o ambiente, dizemos que estamos com calor. Assim sendo, a temperatura é
a medida da energia cinética média de translação dos átomos e moléculas. Quando aumenta
essa energia cinética média, aumenta a temperatura. Dois corpos a temperaturas diferentes,
quando são colocados em contato, iniciam um processo de transferência de energia do
corpo mais quente para o corpo mais frio (MARQUES, 2009).
Termodinamicamente, o corpo humano apresenta uma série de conversões de
energia. Nesse processo, se destaca a conversão de energia química de um combustível em
energia interna, sendo este combustível os alimentos ingeridos que, após metabolização,
fornecem energia para as funções vitais do organismo (HENRIQUES, 2013).

2.2.2 Sistema imune

Outra questão recorrente em argumentos relacionados ao frio é a que se refere, em


vários fóruns de discussão e conclusões periciais, à afirmação categórica de que frio diminui
a imunidade do trabalhador exposto. Não foram encontradas referências científicas em
relação a esta questão de que o frio diminua a imunidade do trabalhador.
A função do sistema imune é proteção do hospedeiro contra invasão de organismos
estranhos, distinguindo quem é autóctone do não autóctone, ou seja, quem é originado do
próprio organismo ou quem o invade. Assim sendo, o sistema imunitário tem a função de
proteger o ser humano contra a invasão de microorganismos, toxinas, tumores e fatores
autoimunes. Essa função é cumprida através das células do sistema imune que circulam pelo
organismo, sendo elas os macrófagos, os linfócitos e os neutrófilos.

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Essas células originam-se principalmente na medula óssea, tendo outros órgãos


secundários, como os gânglios linfáticos, o baço e o tecido linfoide do tubo digestivo. Elas
funcionam por meio da liberação de mediadores químicos, substâncias que coordenam e
regulam suas atividades.
O homem apresenta-se com dois níveis de resposta a invasões externas: um sistema
inato de imunidade natural e um sistema adaptativo, que é adquirido. A imunidade está
presente desde o nascimento, sendo transmitida pela mãe. Já a imunidade adquirida
necessita de exposição ambiental de eventuais corpos estranhos que tenham escapado do
sistema inato. Este sistema adaptativo tem duas características importantes, quais sejam: a
especificidade e a memória imunológica, necessitando de um contato inicial e de contatos
posteriores para intensificar a resposta a esta invasão.
O papel do sistema imune, assim, é distinguir autóctone do não autóctone e eliminar
a substância estranha, trabalho realizado por diversos mecanismos como inflamação,
reações de hipersensibilidade e outros. O conceito de que o sistema imune é necessário para
defender o hospedeiro já foi citado acima, entretanto, muitas vezes, as reações imunes são
capazes de lesar tecidos próprios, sendo estas reações deniminadas de reações de
hipersensibilidade. Estas reações podem ser de quatro tipos.
 Hipersensibilidade imediata: alergia alimentares, asma brônquica, febre do feno e
anafilaxia.
 Doenças mediadas por anticorpos: geralmente reação a agentes microbianos.
 Doenças do complexo imune: lúpus, glomerulonefrite pós-estreptocócica, doença do
soro.
 Doenças causadas por linfócitos T: diabete tipo 1, artrite reumatoide, esclerose
múltipla, sensibilidade de contato.
Desse modo, como será aprofundado posteriormente, entre as causas de deficiência
imunológica, o frio não está relacionado como fator que atue no sistema imunológico, como
muitas vezes é mencionado pelo senso comum, não estando elencado nos tratados de
imunologia.

2.2.3 Temperatura corporal

O Consejo Interamericano de Seguridad – CIAS – relata que milhares de pessoas

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estão expostas a baixas temperaturas durante o trabalho em plantas industriais como


frigoríficos, instalações de armazenagem refrigeradas, trabalho em áreas de clima frio ao ar
livre e outras situações. Tratando-se de um ser homeotérmico, de temperatura constante, o
ser humano consegue manter sua temperatura corporal, desde que devidamente protegido
(CONSEJO INTERAMERICANO DE SEGURIDAD, 1981).
Do ponto de vista de fisiologia do trabalho, o ser humano pode tolerar variações de
temperatura ambiente entre -50 e 100º C. No entanto, em relação à temperatura interna, a
pessoa suporta variações de, no máximo, 4º C sem danos (ASTRAND, 2006) . É importante
frisar que esta temperatura refere-se ao núcleo do corpo, não às extremidades.
Para que o conteúdo de calor do corpo permaneça constante, a produção e o ganho
de calor devem ser iguais à perda do mesmo, ou seja, a quantidade de perda e a quantidade
de produção de calor devem resultar em zero. Esta argumentação fisiológica pode ser
descrita matematicamente a partir da seguinte equação:
M±R±C–E=0

Sendo:

M representa a produção metabólica de calor;

R representa a troca radiante de calor: positiva quando o ambiente é mais


quente que a temperatura da pele e negativo quando o ambiente é mais
frio;

C representa a troca convectiva de calor, sendo positiva quando a


temperatura do ar é mais alta que a pele e negativa em caso contrário;

E representa a perda de calor pela evaporação.

Uma função importante da circulação sanguínea é o transporte do calor para esfriar


ou aquecer os vários tecidos adequadamente ou levar o excesso de calor do interior do
corpo para a pele. Assim, quando aumenta o fluxo de sangue na pele, há aumento de
temperatura e, em caso contrário, na diminuição, ocorre a correspondente diminuição da
temperatura da pele.
O controle entre aquecimento e esfriamento é função da regulação da temperatura,
que mantém constante a temperatura de certos tecidos do núcleo do corpo, tais como
pulmões, coração, cérebro e intestinos. Já a temperatura da pele varia de acordo as
condições ambientais.

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No caso da ocorrência de hipotermia, quando a produção de calor é menor que a


perda dele, ocorrem mecanismos compensatórios tentando impedir essa ocorrência. Para
isso, o corpo lança mão de mudanças vasomotoras, procurando diminuir a perda calórica. A
temperatura das mãos e pés pode cair a 23-28 graus sem provocar dano permanente,
enquanto que uma queda de 1,5º C na temperatura corporal já inicia a provocar calafrios.
A sensação térmica é uma combinação resultante da temperatura e da velocidade do
vento, fatores discutidos mais a frente. Sabemos que, em ambiente com temperaturas
extremas, entre -17°C a 0°C de acordo com a norma ISO, Ergonomics of the Thermal
Environment: Medical Supervision of Individuals Exposed to Extreme Hot or Cold
Environments, 2001, existem regiões mais suscetíveis ao contato com o vento, como cabeça,
pescoço, mãos e pés, o que reforça a necessidade de manter essas regiões protegidas,
objetivando dar mais conforto ao trabalhador.
As medidas de controle, tais como a vestimenta protetora adequada, além de
redirecionamento de correntes de ar frio e a manutenção de uma umidade relativa do ar
adequada, auxiliam na obtenção do conforto ambiental necessário ao bom desempenho
laboral (CONSEJO INTERAMERICANO DE SEGURIDAD, 1981).
O conforto do corpo humano, em ambientes frios, resulta, assim, de uma interação
de diversos componentes envolvendo inúmeras abordagens e interferências que são
representadas na Figura 1, a seguir:
Figura 1 – Conforto humano

Fonte: Bitencourt (2012)

A abordagem relacionada ao tema em pauta será revisão de assuntos referentes à


ergonomia, no que tange aos conhecimentos relativos principalmente à área de fisiologia,

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além de referenciais teóricos relativos ao comportamento higrotérmico, no que se refere à


umidade do ar, temperatura, velocidade e qualidade do ar.

2.3 Biofísica das trocas de calor corporal

Do ponto de vista anatômico, a estrutura pulmonar é dividida em duas zonas: a de


condução e a zona do parênquima pulmonar. A primeira inicia nas narinas, passando pelas
cavidades nasais, faringe, laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos. O parênquima
pulmonar consta de paredes membranosas onde ocorre a difusão molecular entre o ar
inspirado e a circulação sanguínea, ou seja, onde o ar troca principalmente oxigênio e gás
carbônico com o sangue. Este parênquima é composto de bronquíolos respiratórios, ductos
alveolares, sacos alveolares e alvéolos. O Quadro 1, a seguir, demonstra esta divisão da
seguinte forma:
Quadro 1 – Divisão da estrutura pulmonar
ZONA DE CONDUÇÃO PARÊNQUIMA PULMONAR
Cavidade nasal Bronquíolos respiratórios
Faringe Ductos alveolares
Laringe Sacos alveolares
Traquéia Alvéolos
Brônquios
Bronquíolos
Fonte: elaborado pelos autores.

Esses componentes são descritos a seguir para melhor compreensão técnica do


texto.
ZONA DE CONDUÇÃO:

Figura 2 – Cavidades nasais

Consta de duas cavidades separadas pelo


septo nasal, revestidas de células da
denominada mucosa nasal, que têm a
particularidade de possuírem cílios que
ajudam na retenção de particulado. Dentro
dessas cavidades ocorrem três projeções
ósseas denominadas de conchas ou cornetos,
superior, média e inferior, onde se localizam as
células responsáveis pela olfação.

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Figura 3 – Seios paranasais

1.
São cavidades localizadas dentro dos
ossos frontal, maxilar, etmoide,
esfenoide e maxilar, tendo inúmeras
células mucinosas que produzem
muco protetor, sendo também
revestidas de cílios. São localizações
das doenças conhecidas como
sinusites.

Fonte: https://www.google.com.br/url

Figura 4 – Faringe

Fonte: www.mdsaude.com

Ao contrário do que nos diz o senso comum, o processo de deglutição é muito mais
complexo do que uma simples ação da gravidade, que permite a descida do bolo alimentar
por um tubo que liga a boca ao estômago. Na verdade, você pode até estar de cabeça para
baixo, que, ainda assim, qualquer coisa que você engula será transportada por meio do
esôfago até o estômago.

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Figura 5 – Laringe

Trata-se do segmento anatômico que une


faringe com a traquéia, que possui um
mecanismo que desvia a comida para o
esôfago e o ar para a traquéia, por meio
da retração de uma estrutura
denominada epiglote que fica retraída ao
respirar e falar e aberta ao deglutir. Nela
se localizam ainda as pregas vocais,
responsáveis pela fala.

Fonte: www.anatomiaonline.com

Figura 6 – Traquéia e brônquios

São os canais condutores de ar que levam o ar


da laringe em direção ao parênquima pulmonar,
tendo a particularidade de irem se sudividindo
em dutos cada vez menos calibrosos, tendo a
parede composta de cartilagem, até chegarem a
um calibre tão pequeno que não possui mais
cartilagem, sendo que, então, passam a
denominarem-se bronquíolos.
Fonte: http://bitchoverdi.blogspot.com.br

PARÊNQUIMA PULMONAR
Figura 7 – Hematose

Constituídos pelos ductos alveolares,


sacos alveolares e alvéolos, locais onde
ocorrem as trocas gasosas e onde são
englobadas as partículas que penetraram
até seu interior, por serem minúsculas,
elas são englobadas por células
denominadas macrófagos, responsáveis
pela defesa do pulmão.

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O sistema respiratório pode ser dividido ainda em três regiões para fins de
entendimento funcional. Assim, tem-se a região da cabeça (ou nasofaringe), onde se
encontram o nariz, a boca, a faringe e a laringe. Esta região tem a função de condicionar o ar
respirado, aquecendo-o, umidificando e filtrando partículas. Nesta função é importante a
participação do muco tanto na umidificação, aquecimento como na retenção de partículas
que não foram capturadas nos pelos nasais.

A segunda região é denominada de traqueobrônquica, compreendendo a parte final


da laringe até os bronquíolos terminais. Para melhor entendimento, pode-se fazer uma
analogia da região traqueobrônquica com uma árvore invertida, em que seu tronco seria a
traquéia, os galhos cada vez mais finos os brônquios e bronquíolos. Essa configuração
permite que a velocidade do ar inalado vá diminuindo com a diminuição do calibre de
brônquios e bronquíolos, indo de 20 L/min na traquéia, em trabalhos leves a 0,08 cm/s nos
dutos alveolares, fato que permite uma maior retenção de elementos particulados. Essa
região é recoberta internamente por cílios, que desempenham importante papel na
retenção particulada ao contato com o ar respirado, sendo também recoberta de muco.

A terceira região, a denominada alveolar, é onde ocorre a troca gasosa entre o ar e o


sangue, sendo constituído por bronquíolos respiratórios, dutos alveolares e alvéolos. O
número de alvéolos existentes é calculado na ordem de 300 milhões, o que proporciona uma
área de troca gasosa de aproximadamente 30 metros2 (quando comparada com a área
corporal de 1,8 m2 tem-se a dimensão dessa área). No interior dos alvéolos encontram-se
células denominadas macrófagos que fagocitam (“engolem”) as partículas de poeiras
minúsculas que não foram retidas nas vias aéreas superiores.

Da informação acima, pode-se depreender, que, devido à diminuição constante de


calibre desde as vias aéreas superiores em direção às inferiores, somente partículas muito
pequenas penetrarão até os alvéolos, sendo muitas delas retidas no trajeto pela ação do
muco e dos cílios.

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Figura 8 – Sistema respiratório

Fonte: https://images.google.com.br/imghp?gws_rd=ss

Desta divisão acima, separa-se teoricamente a penetração das partículas de acordo


com o tamanho delas, assim:
a) Fração inalável: retém partículas acima de 100 µm;
b) Fração torácica: retém partículas entre 10 a 100 µm;
c) Fração respiratória: retém partículas abaixo de 10 µm.

2.4 Mecanismos de defesa das vias aéreas e parênquima pulmonar


A atmosfera terrestre tem composição de aproximadamente 79,02 % de nitrogênio,
20,93 % de oxigênio e 0,03% de gás carbônico, além de quantidades mínimas de hélio,
argônio e ozônio. Obviamente que, agregado a esses gases, ocorrem poluentes ambientais.
O ar, além desses gases, contém ainda vapor de água, cuja quantidade depende da altitude,
ou seja, da pressão atmosférica local, da temperatura do ar e da umidade relativa do ar. A
umidade relativa do ar é a relação entre a quantidade de água existente no ar (umidade
absoluta) e a quantidade máxima que poderia haver na mesma temperatura (ponto de
saturação).

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O número de alvéolos que existem no organismo leva a uma área de exposição de


cerca de 100 m² de superfície de contato, constitui-se na principal interface entre o nosso
meio interno e o externo. Por outro lado, sabe-se que um adulto inala entre 7 a 12 mil litros
de ar por dia, contendo milhares de agentes aerodispersóides.
Assim sendo, esta grande área de contato necessita de mecanismos de defesa, pois a
maioria das pessoas mantém intacto o delicado parênquima a menos que os mecanismos de
defesa sofram alguma alteração (LECHNER; MATUSCHAK; BRINK, 2013). Os mecanismos de
defesa das vias aéreas, teoricamente são divididos em quatro tipos, a saber, reflexos
defensivos, transporte mucociliar, remoção local e reações celulares.
- Reflexos defensivos: são os mais rápidos, agindo nas ocasiões em que a respiração
pode ser fatal, como em casos de existência de gases tóxicos. Esses reflexos incluem a
broncoconstrição e tosse, ou seja, os brônquios contraem seu calibre, permitindo que
apenas minúsculas quantidades de substância tóxica penetrem até os alvéolos, ocorre ainda
aumento da secreção de muco que possibilita uma barreira maior à penetração.
- Transporte mucociliar: esse mecanismo coordenado consta das células ciliadas,
presentes desde o nariz até os bronquíolos respiratórios, tendo um movimento vibratório
em direção à glote, onde são deglutidas ou expectoradas na traquéia, sendo recoberto de
muco. Assim, as partículas são retidas pelo muco, sendo “varridas” pelas células ciliadas em
direção à glote. O uso do tabaco, infecções e álcool prejudica bastante esse mecanismo
como também é importante destacar que não foi evidenciado que a atividade mucociliar
possa ser dimunida pela exposição ao frio acima de 4˚C.
- Remoção local: é realizada pelos macrófagos, que “engolem” as partículas que não
foram retidas. Ocorrem ainda outras reações inflamatórias que ajudam na remoção das
mesmas.
- Reações teciduais: são alterações principalmente fibróticas, realizadas pelos tecidos
circundantes. Nesse particular as fibras de asbesto e a sílica são exemplos típicos de reações
fibróticas teciduais.

2.5.1 Temperatura corporal

Os tecidos pulmonares, assim como os processos respiratórios, sofrem alterações


quando expostos a ambientes extremos, tais como ambientes frios, quentes e úmidos,

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poluição, altitude elevada e submersão em água prendendo a respiração. As respostas a


essas alterações são de três tipos: aclimatação, a aclimatização e a adaptação.
A aclimatação é a resposta induzida por um único fator, tal como temperatura, ciclo
de água, outros. Geralmente só ocorre em laboratório, onde outros fatores são controlados.
Já a aclimatização é um fenômeno mais complexo, pois se trata de mudanças multifatoriais,
ocorrendo quando ocorrem mudanças de bioma.
Por fim, a adaptação é uma resposta durável, integrada no genoma, como no caso
das pessoas que vivem em condições extremas. De outro modo, podemos dizer que
aclimatação é a resposta a mudanças ambientais realizadas em condições de laboratório,
enquanto a aclimatização refere-se à resposta a exposição em ambientes naturais. Já a
adaptação refere-se a alterações de genoma, ou seja, alterações do organismo que ocorrem
em décadas de existência, adaptando as gerações futuras para as condições ambientais.
O homem é um animal homeotermo, ou seja, a despeito das condições ambientais,
mantém a temperatura interna aproximadamente entre 36 a 37º C. Assim a temperatura no
interior do corpo, no centro do corpo, ou seja, cérebro, coração, pulmões e abdômen, tem
uma variação de apenas 0,6ºC, sendo que o corpo pode permanecer despido em
temperaturas entre 13 a 54ºC em ambiente seco e manter a temperatura constante. Já a
temperatura cutânea varia de acordo com as trocas ambientais. Tal fato é resultante da
existência de mecanismos reguladores que controlam eficazmente a produção e a
eliminação de calor pelo organismo (RUAS, 1999).
A atividade muscular necessita de energia para ser realizada, sendo sua função
superar a viscosidade dos próprios músculos e de tecidos circundantes. Esse movimento
provoca atrito no interior dos tecidos, gerando, consequentemente, calor. O atrito gerado
pela circulação do sangue junto às paredes dos vasos, também é fonte de geração de calor,
fato que pode levar a afirmação de que toda a energia consumida pelo organismo é
transformada em calor (GUYTON; HALL, 1998).
A discussão do uso da energia pelo organismo é denominada metabolismo, sendo
sua unidade de medida denominada caloria. Por caloria, entende-se a quantidade de calor
necessária para elevar em 1º C a temperatura de 1 grama de água. Por ser uma unidade
muito pequena, usa-se, na prática diária, o termo quilocaloria, equivalente a 1.000 calorias.
A determinação do metabolismo corporal total pode ser medido de duas formas,
denominadas calorimetria:

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a) Calorimetria indireta: ocorre quando se mede a quantidade de oxigênio utilizada em


determinado período. Essa medida baseia-se no fato de que 1 litro de oxigênio utilizada em
em determinado período. Essa medida baseia-se no fato de que 1 litro de oxigênio utilizado
pelo organismo libera 4,8 Kcal. Essa medição tem uma precisão de 97%.
b) Metabolímetro: medido através desse aparelho, pode-se verificar a
quantidade de energia dispendida a cada momento na realização do trabalho.
Existem fatores que interferem no metabolismo corporal total, como o exercício,
considerado a maior fonte de mobilização de energia. Para ter-se uma idéia, a quantidade de
caloria utilizada por hora em um trabalho de pintura industrial é de aproximadamente 240
cal/h. Outros fatores são o hormônio tireóideo, a tiroxina, que pode aumentar de 50 a 100%
o metabolismo normal e ainda a estimulação simpática, estímulo nervoso que faz com que
possa ser aumentado em 100% ao metabolismo corporal pela liberação de
neurotransmissores provocando quebra de glicose e liberação de energia.
Assim, no caso da produção de calor pelo organismo (processo denominado
tecnicamente de termogênese) na exposição ao frio, importante para a discussão em pauta,
esta é realizada por dois mecanismos:
a) Termogênese mecânica: ocorre através do calafrio, que é uma
contração desorganizada dos músculos esqueléticos, que aumenta em até cinco
vezes o consumo de oxigênio, transformando energia mecânica em térmica.
b) Termogênese química: é o meio mais importante de produção de
calor, embora mais lenta na sua geração. Este calor é produzido pelas reações que
ocorrem no metabolismo das gorduras, açúcares e proteínas. As gorduras são uma
importante fonte de energia térmica, principalmente as localizadas no tecido adiposo
marrom. Este tecido adiposo marrom é mais abundante nos fetos humanos, mas
ocorre nos adultos principalmente nas áreas interescapulares, axilares e
subescapulares, tendo esse nome devido a abundante ocorrência de mitocôndrias no
seu citoplasma (FROTA; SCHIFFER, 2001).
A perda da temperatura corporal (termólise) pode ser decorrente de quatro
mecanismos, que são descritos a seguir:
a) Vaporização: trata-se da passagem de estado líquido para o gasoso
que ocorre ao nível da pele e dos pulmões, equivale a 25% do calor perdido pelo
corpo. Este mecanismo ocorre pela sudorese e pela evaporação na expiração. A

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31

quantidade diária de evaporação pela pele e pulmãos é calculada ao redor de 450 a


600 ml ao dia.
b) Radiação: o fluxo de calor vai do corpo mais quente para o mais frio.
Este fluxo será mais intenso quanto maior a área do emissor, daí a importância da
vestimenta. Este mecanismo se encarrega de 60% da perda de calor. A pele é a
principal fonte de irradiação do organismo, tendo nas extremidades conexões
vasculares que permitem grandes trocas de temperatura.
c) Convecção: trata-se da troca de calor entre dois corpos, sendo um
deles sólido e outro um fluido (líquido ou gás). São ativadas pela velocidade do ar.
Assim, correntes de ar são sentidas, muitas vezes, como incômodas em ambientes
frigorificados por aumentarem a perda de temperatura por convecção. Este
mecanismo é responsável por 12% da perda de calor corporal.
d) Condução: trata-se da troca de calor quando há contato direto entre
um corpo frio e outro quente, como no caso de manuseio de produtos congelados ou
resfriados (Garcia, 2002).
O controle da temperatura corporal é mantido constante por meio de mecanismos
controlados pelo hipotálamo, agindo nas ações de termólise ou termogênese, quando
necessário. Lembramos que por temperatura corporal entende-se a temperatura do núcleo
do corpo, ou seja, pulmões, coração, enfim, órgãos internos. A pele, pela sua exposição
direta, é o órgão que sofre maior impacto. O controle da termogênese é feito pela produção
de hormônios que aumentam o metabolismo e produzem calafrios, já a termólise é
controlada por processos de vasodilatação periférica e sudorese.
Devido a este controle térmico, a temperatura interna do corpo mantém-se dentro
de limites, não sendo constante, mas apresentando mínimas variações. De um modo geral, a
temperatura mínima interna do corpo ocorre ao redor de 4 horas da manhã, pois no sono, a
temperatura diminui. Já a temperatura máxima ocorre ao final da tarde. A perda de calor
(termólise) é realizada principalmente pela pele, sendo necessária essa perda, pois o corpo
produz calor nas suas reações químicas internas, importantes para o funcionamento do
organismo, e estas liberam calor.
Por outro lado, em ambientes com baixa temperatura, o organismo diminui sua
perda de calor pela desativação parcial destes mecanismos de eliminação (GUYTON; HALL,
1998). Esse controle é feito pelo hipotálamo, espécie de termostato interno do organismo,

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que mantém a temperatura estável, reagindo aos estímulos dos receptores nervosos
localizados principalmente na pele e em outras partes do organismo, inclusive vias aéreas
superiores.
Figura 9 – Controle da temperatura do corpo

Fonte: https://www.google.com.br/imgres?neuropediatria.org
O sistema de controle da temperatura corporal é realizado através do sistema
nervoso central. Assim, as sensações de temperatura, dor, lesões, postura e outras são
percebidas pelo sistema nervoso central por meio de receptores nervosos localizados em
todo nosso corpo, sendo encaminhados pelos feixes nervosos para a decodificação no
cérebro. No caso específico da sensação de temperatura, estes receptores são denominados
de termoreceptores, estando localizados na pele e vísceras.
Quando estimulados, estes receptores respondem no intuito de preservar a
segurança da pessoa no meio em que está. Este sistema de regulação do tato, dor,
temperatura e propriocepção (propriedade de distinguir a localização e posição das partes
do corpo pelo cérebro) é denominado sistema somestésico que consiste de terminações
nervosas na pele, vísceras, músculos e tendões que enviam informações ao cérebro
(RADANOVIC; KATO-NARITA, 2016).
Figura 10 – Sistema somestésico

Fonte: Radanovic e Kato-Narita (2016)

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Os mecanismos de interrupção da perda de calor, que são acionados em casos nos


quais é necessária a produção interna de calor, são os seguintes:
a) Vasoconstrição cutânea: trata-se do estreitamento dos vasos da pele, para a
diminuição da circulação da pele e, consequentemente, a diminuição da perda de calor pelo
sangue circulante da pele. Este mecanismo reduz em até 8 vezes a perda de calor.
b) Piloereção (pelos eriçados): este mecanismo retém o ar isolante entre eles
junto à pele, diminuindo a transferência de calor. No homem, devido a pouca quantidade de
pelos, este mecanismo não é tão importante como em animais.
c) Interrupção da sudorese: interrompe o resfriamento por evaporação.
d) Aumento da produção de calor: este mecanismo funciona de três maneiras:
i) Calafrio: por estimulação do hipotálamo, há ativação de um centro nervoso
que produz calafrios por meio da contração muscular em todo corpo. Este mecanismo pode
aumentar em cinco vezes a produção de calor; ii) Excitação química: pelo aumento do
metabolismo celular e iii) Aumento da produção de tiroxina: que produz aumento de
metabolismo celular em todo o corpo e, consequentemente, aumenta a temperatura
corporal (ASTRAND, 2006).

2.6 Função cardiopulmonar em ambiente frio


A gravidade do estresse causado pelo frio é determinada pela temperatura do
ambiente e pela velocidade do vento, a chamada “sensação térmica” em termos
meteorológicos. Em termos mais amplos, o conforto térmico num determinado ambiente
pode ser definido como a sensação de bem-estar experimentada por uma pessoa, como
resultado da combinação satisfatória nesse ambiente, da temperatura radiante média, da
umidade relativa, da temperatura do ambiente e da velocidade relativa do ar com a
atividade lá desenvolvida e com a vestimenta usada pelas pessoas.
No frio, a maior parte do calor é perdida por condução (contato direto com
substratos mais frios) ou pela convecção (calor transferido pelo ar interveniente). Assim, o
uso de roupas protetoras é importante nessa tarefa. A inalação de ar frio tem pouco efeito
sobre a troca de calor, pois a temperatura de vias aéreas inferiores permanece inalterada.
Uma alteração importante e muito discutida ainda, é no caso de pessoas asmáticas que
podem ter broncoespasmo na respiração em ambientes frios. Informações mais antigas

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referiam ser a resposta à perda de água do trato respiratório, mas isso está sendo
contestado pelos estudos mais recentes (CONSEJO INTERAMERICANO DE SEGURIDAD, 1981).
Uma pessoa saudável com vestimentas adequadas e que esteja bem equipada, em
boa organização do trabalho, não se encontra em uma situação que coloca sua saúde em
risco, mesmo em frio extremo entre -17°C a 0°C de acordo com a norma ISO, Ergonomics of
the Thermal Environment: Medical Supervision of Individuals Exposed to Extreme Hot or Cold
Environments, 2001. A situação é bastante diferente no caso de pessoas com problemas
saúde, caso em que a exposição ao frio pode ser um problema (KUMAR; ABBAS; ASTER,
2013).
Segundo a OIT, as doenças infecciosas não são relacionadas ao frio. O resfriado
comum, sem febre ou sintomas gerais, faz que o trabalho em ambientes frios seja
prejudicial. Em pessoas com morbidades pré-existentes, tais como asma1, bronquite2 ou
problema cardiovascular, a situação é diferente e recomenda-se não trabalhar ao ar livre
durante a estação fria.
No caso da Asma e suas relações meteorotrópicas, o que se sabe é que há uma
grande correlação entre o rápido resfriamento e os ataques sintomáticas da doença, pois os
asmáticos têm o mecanismo termorregulador hipotalâmico funcionando deficientemente,
caso também de portadores de Bronquite, não conseguindo se "aquecer", ou seja, não
aumentam a temperatura corporal adequadamente. Isto explica sua deficiência em climas
frios e muito quentes e úmidos. O asmático tem um funcionamento ineficiente da glândula
adrenal. O hormônio 17-ceto-esteróide é encontrado na excreção cerca de 1/3 a 1/5 de uma
pessoa normal após a passagem de uma frente fria, como também o seu limiar de contração
dos brônquios após o resfriamento atmosférico é muito menor do que nos indivíduos
saudáveis.

1
Asma: é uma doença complexa. Há pelo menos 4 teorias para explicá-la: a) teoria infecciosa, b) teoria alérgica
(particularmente nos Estados Unidos), c) teoria endocrinológica e d) teoria psicossomática. Estudos
aprofundados mostraram que os fatores psíquicos não causam asma, mas uma vez, asmático, os fatores
psicológicos surgem devido aos contínuos problemas respiratórios. É internacionalmente aceita a divisão entre
asma bronquial (não infecciosa) e asma brônquica, resultante de uma forma negligenciada de bronquite.
2
Bronquite: é uma doença causada pela inflamação dos brônquios como resultante dos agentes infecciosos (
ex. vírus da influenza, pneumococci, etc.) ou a poluição do ar. É mais comum em homens do que mulheres e
parece existir mais em algumas famílias. As manifestações clínicas são grandemente devidas à obstrução
bronquial causada pelo catarro (sputum) que não pode ser suficientemente removido pelos cílios da traquéia.
A bronquite aguda pode ter febre, suores, tosse, dor sub-esternal, dipnéia, etc. Uma forma especial de
bronquite é a bronquite asmática. É devida ao acúmulo de catarro associado à inchação da mucosa, causando
séria dipnéia e peito ofegante.

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35

2.7 Sistema imunológico e frio


Por imunologia entende-se o estudo do sistema imunológico e suas respostas aos
micróbios e tecidos danificados, bem como seu papel nas doenças em geral. O conjunto de
células e tecidos que realizam a mediação da resistência à infecção é denominado de
sistema imunológico. Sua função mais importante é prevenir novas infecções e erradicar as
infecções já estabelecidas. O Quadro 2, a seguir, esclarece as funções do referido sistema.
Quadro 2 – funções do sitema imunológico

Fonte: ABBAS; LICHTMAN; PILLAI (2014).

O mecanismo de defesa do homem é constituído por dois sistemas:

• Imunidade inata: a que o indivíduo carrega desde o nascimento, responsável pela


defesa inicial do organismo;
• Imunidade adquirida: aquela desenvolvida pelo contato da pessoa com diferentes
microorganismos, sendo um sistema mais poderoso.

O sistema de imunidade inata, também chamado de imunidade natural, está sempre


presente nos indivíduos saudáveis, preparando os mesmos para bloquear a entrada de
microorganismos na pessoa. Já a imunidade adquirida, também denominada de específica
ou adaptativa, requer a diferenciação de linfócitos (as células da imunidade), para que
defendam o organismo.

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36

Os tecidos do sistema imunológico são formados pelos órgãos linfóides geradores,


que são principalmente células de defesas denominados linfócitos e pelos órgãos linfoides
periféricos, que incluem os nódulos linfáticos, o baço e os sistemas imunológicos das
mucosas e pele. Esses órgãos são responsáveis por localizar a entrada do microorganismos
no corpo e eliminá-los.
O déficit funcional do sistema imunológico, muitas vezes, é relacionado à exposição
ao frio, sob a alegação de que tal exposição levaria a “baixa da imunidade”, inferência que
não se fundamenta na literatura médica. As doenças causadas por respostas
imunodeficientes podem ser de três causas: as imunodeficiências congênitas, as
imunodeficiências adquiridas e a síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS).
As imunodeficiências congênitas resultam de falhas no desenvolvimento do sistema
imunológico, sendo resultado de anomalias genéticas, portanto não pertinentes a este
trabalho. A AIDS tem sua causa na infecção pelo vírus HIV, retrovírus que infecta as células
do sistema imunológico, principalmente os linfócitos, causando sua destruição e efeitos na
defesa do organismo. Também não se relaciona ao assunto debatido.
As imunodeficiências adquiridas têm suas causas explicitadas na tabela abaixo, em
que se pode verificar suas causas, quais sejam, a AIDS, a radioterapia, a quimioterapia,
tratamento medicamentoso para imunossupressão, o câncer, a desnutrição e em casos de
cirurgia de remoção do baço (COTRAN; KUMAR; COLLINS, 2000 ).
Quadro 3 – Causas das imunodeficiências adquiridas

Fonte: Cotran; Kumar; Collins (2000)


Portanto, a alegada diminuição de imunidde por exposição ao frio, não se encontra
respaldada como causa de imunodeficiência secundária (KUMAR; ABBAS; ASTER, 2013).
Inclusive, ao realizar buscas pelo PubMed, não foi encontrado nenhum artigo publicado a

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37

respeito deste mito/senso comum, de acordo com a metodologia de busca apresentada na


Figura 11 a seguir.
Figura 11 – Busca realizada pelo PubMed

Fonte: Print da pesquisa realizada no PubMed

2.8 Condicionamento do ar inspirado

O ar, ao entrar pelas fossas nasais, passa pelas chamadas vias aéreas superiores
formadas pelo nariz e respectivas conchas nasais, faringe e laringe, encaminhando-se então
às vias aéreas inferiores formadas pela traquéia, brônquios, bronquíolos e alvéolos (IIDA,
2005). Essas estruturas possuem funções bem conhecidas e estruturadas, sendo descritas a
seguir.

A classificação funcional das vias aéreas é interessante na discussão do tema


relacionado ao condicionamento do ar inspirado. Assim, classifica-se em zona de condução,
que se inicia nas narinas indo até os bronquíolos e zona de difusão composta pelos dutos
alveolares e alvéolos, local das trocas gasosas (KARWOWSKI; MARRAS, 1999). O ar, ao passar
pelo nariz, é acondicionado por três formas, aquecimento, filtração e umidificação. O
aquecimento dá-se no contato com as extensas superfícies das conchas e do septo nasal,
que contam com uma área de 160 cm2, fazendo com que ele tenha uma temperatura, ao
alcançar a traquéia, acima da temperatura corporal média que gira ao redor de 36 a 37º C. A
filtração do ar é feita pela retenção das partículas por meio dos pelos. A umidificação do ar

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faz com que seja atingida 100% da umidade relativa do ar ao sair da via aérea superior indo
aos pulmões.

É importante lembrar que o ar, ao passar pelas vias aéreas, não tem uma trajetória
retilínea, ao contrário, sofre turbulência por meio das diferentes reentrâncias, fato que
contribui para as funções de aquecimento, filtração e umidificação, pois deixa o ar mais
tempo em contato com a parede da via aérea (GRANDJEAN, 1988).

Pela importância das informações em relação ao aquecimento, filtração e


umidificação, ou seja, o acondicionamento do ar inspirado foram realizadas buscas mais
aprofundadas em bases primárias, secundárias e terciárias, objetivando não deixar dúvidas
em relação a esta função. O resultado da busca é apresentado em forma de tabela a seguir:

Tabela 1 – Referências bibliográficas em relação ao acondicionamento do ar inspirado. Bases


primárias e secundárias de pesquisa
Data
Título Autor Conteúdo
publicação Pág.
Tratado de Guyton AC, 2006 O ar é aquecido por extensas superfícies das conchas e 480
2
fisiologia Hall JE septo, área de 160 cm ... a temperatura do ar
médica inspirado se eleva a aproximadamente 0,5º C a mais
que a temperatura corporal

Tratado de Astrand PO; 2006 O ar inspirado, em virtude do rico suprimento 167


fisiologia do Rodahl K sanguíneo das mucosas do nariz, boca e faringe,
trabalho ajusta-se à temperatura corporal e é umidificado antes
de atingir vias aéreas inferiores. Na expiração, parte
do calor é recuperado nas vias aéreas superiores.
Manual de Conselho Os cornetos nasais são projetados objetivando que o
fundamentos Interamerican ar permaneça mais tempo em contato com os
de higiene o de Saúde – mesmos, paras er filtrado, aquecido e umidificado.
industrial CIAS Não importa quão frio esteja o ar, podemos respirar
sem problemas pelo nariz.

Torloni M; 2003 A região da nasofaringe, graças à elevada 36


Manual de Vieira AV. vascularizaçãço, funciona como condicionador do ar,
Proteção Associação pois ao passar por ela o ar é aquecido até 37º C e
Respiratória Brasileira de umedecido até a saturação. Os pelos retem as
Higienistas partículas...
Ocupacionais
Current Ladou J 2014 Durante a fração de segundo que o ar inspirado 348
Occupational atravessa a via aérea superior, a temperatura do ar é
& ajustada a temperatura corporal, filtrada e
Environmenta umudificada.
l Medicine
Pneumologia Santos UP 2014 A cavidade nasal aquece o ar a 37º C e umidifica o 11
Ocupacional mesmo...

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39

Data
Título Autor Conteúdo
publicação Pág.
Sistema de Ferreira EF 2006 O condicionamento do ar inspirado (aquecimento,
aquecimento Dissertação de umidificação e filtração) ocorre no trato respiratório
e mestrado. superior. As vias aéreas superiores são responsáveis
umidificação UFPR pela liberação de gás aproximadamente 32°C e
de ar para umidade relativa de mais de 90% para o trato
ventilação respiratório inferior. O trato reparatório inferior eleva
mecânica de um pouco mais a temperatura do gás até a
pacientes de
Unidades de temperatura corporal e a umidade relativa a 100%.
terapia
intensiva
Modelo Bergonse Existem duas regiões maiores de condicionamento do
mecânico Neto, Nelson 2006 ar: as cavidades nasal e oral, que são a principal
para et al, 2007 . região, atingindo quase o máximo condicionamento, e
simulação do a árvore traqueobrônquica, com um papel secundário,
condicioname sendo que, em direção à periferia do pulmão, as
nto pulmonar trocas de calor e umidade se tornam menos eficientes
do ar Até os brônquios de 7ª ordem, a tarefa de
respirado condicionamento do ar já está completa, sendo que
este chega aos alvéolos em condições corporais
(16,21)
(temperatura de 37 ± 0,6 °C e UR de 100%).
O processo de umidificação do ar é tão eficiente que,
em pacientes intubados, o ar chega à traquéia com UR
(15,20)
de 51% e aos brônquios lobares com UR de 100%.
Fonte: Elaborado pelos autores a partir da pesquisa realizada.

2.9 Ergonomia – frio e conforto térmico


A análise ergonômica do meio ambiente construído do trabalho, no caso específico
deste trabalho – sobre o frio e o conforto térmico dos trabalhadores – se centra no estudo
do sistema homem-máquina (térmica), incidindo em seu estado funcional, na capacidade de
trabalho e na saúde individual e coletiva. Para este estudo é importante entender os campos
de integração ao sistema, sob os aspectos da higiene industrial, a segurança do trabalho e os
fatores psicofisiológicos e psicossociais.
Exposição ao frio pode causar desconforto térmico para os trabalhadores,
dependendo de uma série de fatores que iremos discutir em seguida. Porém, entendendo
que o trabalhador esteja exposto a um nível de temperatura ambiente dentro do qual ele
esteja utilizando vestimenta(s) específica(s) para aquele ambiente de trabalho, e que ele
mantém o equilíbrio da temperatura corporal por mecanismos de respostas fisiológicas, em
princípio, não há risco para a saúde de pessoas/trabalhadores saudáveis, exceto para os
trabalhadores com especial sensibilidade ao frio ou condições que podem ser agravados por
exposição ao frio.

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Podemos afirmar, então, nestas condições apresentadas anteriormente, que caso os


mecanismos de respostas fisiológicas de um trabalhador, com vestimenta(s) específica(s),
entre outros procedimentos operacionais e preventivos resultem insuficientes para manter
o balanço térmico corporal, pode-se considerar que existe um risco de estresse térmico por
frio, gerando um desconforto térmico e outras consequências à saúde do trabalhador.
A resposta humana ao ambiente térmico não depende apenas da temperatura do ar.
As condições ambientais que afetam o conforto térmico são a temperatura do ar
(temperatura de bulbo seco), a temperatura dos elementos que nos cercam (temperatura
radiante), a velocidade do ar e a umidade, sendo que estes fatores devem ser considerados
simultaneamente. A temperatura e a velocidade do ar afetam o ritmo de dissipação de calor
por convecção. As temperaturas radiantes afetam as trocas de calor pela radiação e
condução. A radiação solar afeta tanto a temperatura dos elementos quanto o espaço
ambiental. A exposição direta ao sol causa uma sensação de calor: a radiação absorvida
pelas roupas e pele é convertida em calor e percebida como um aumento de temperatura. A
umidade afeta o ritmo de evaporação.
Estes quatro fatores (temperatura do ar, radiação, velocidade do ar e umidade
relativa) são fundamentais para a sensação de uma temperatura confortável, que depende
também do tipo de trabalho em execução e da vestimenta utilizada (GUIMARÃES, 2004). O
ganho de calor no corpo ocorre por meio de sua produção de energia pelo metabolismo,
enquanto as perdas e ganhos se sucedem mediante a respiração e a pele. De forma que, ao
alcançar o equilíbrio térmico, o organismo terá perdido, ou absorvido, determinada
quantidade de calor. Para quantificar esta variação, a Norma ISO 7730/94 utiliza uma
equação de balanço térmico que leva em consideração, além do metabolismo, as perdas de
calor pela respiração e pela pele, em função da atividade exercida pela pessoa, da
resistência térmica e da permeabilidade das roupas, da temperatura, umidade e velocidade
do ar e da temperatura média radiante.
O balanço térmico corporal pode ser expresso por fatores de ganho e perda de calor:
Ganhos: Perdas:
Met = metabolismo (basal e muscular) Cnd = condução (contato9s com corpos frios)
Cnd = condução (contato com corpos quentes)Cnv = convecção (quando o ar está mais frio que a
Cnv = convecção (quando o ar está mais quente
pele)
que a pele) Rad = radiação (para o céu noturno e superfícies
Rad = radiação (proveniente do sol, céu e corpos
frias)
quentes) Evp = evaporação (de umidade e suor)
O equilíbrio térmico do organismo ocorrerá quando: Met-Evp+o+/-Cnd+/-Cnv+/-Rad = 0

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Quando o valor desta equação é maior que zero, ajustes vasomotores são iniciados
para transportar o calor do interior do corpo para fora. Há um aumento da circulação do
sangue para a pele, a temperatura da pele aumenta e há aceleração dos mecanismos de
dissipação de calor. Se esta regulação vasomotora não for suficiente e o trabalho continuar
gerando superaquecimento, a perda de calor passa a ser coadjuvada pela produção de suor.

2.10 Higiene Ocupacional - frio e conforto térmico


O conforto térmico, designado como uma sensação humana, situa-se no campo do
subjetivo e depende de fatores físicos, fisiológicos e psicológicos. Os fatores físicos
caracterizam as trocas de calor do corpo com o meio; já os fatores fisiológicos referem-se a
alterações na resposta fisiológica do organismo, resultantes da exposição contínua a
determinada condição térmica; e os fatores psicológicos são aqueles que se relacionam às
diferenças na percepção e na resposta a estímulos sensoriais, frutos de experiência passada
e da expectativa do indivíduo.
Segundo a Fundacentro (2004), o conforto térmico num determinado ambiente pode
ser definido como a sensação de bem-estar experimentada por uma pessoa, como resultado
da combinação satisfatória, nesse ambiente, da temperatura radiante média (trm), umidade
relativa (UR), temperatura do ambiente (ta) e velocidade relativa do ar (vr) com a atividade
lá desenvolvida e com a vestimenta usada pelas pessoas. No Brasil, predomina o clima
quente e úmido, inexistindo os problemas típicos das temperaturas extremamente baixas.
No inverno, o conforto térmico pode ser obtido, na maioria dos casos, com a simples
utilização de vestimenta apropriada.
Além disso, há o entendimento da Fundacentro de que estas sensações são
subjetivas, isto é, dependem das pessoas e, portanto, um ambiente confortável
termicamente para uma pessoa pode ser frio ou quente para outra. Assim, entende-se como
condições ambientais de conforto aquelas que propiciam bem-estar ao maior número
possível de pessoas.
De acordo com a norma ISO, Ergonomics of the Thermal Environment: Medical
Supervision of Individuals Exposed to Extreme Hot or Cold Environments, 2001, frio extremo
existe quando a temperatura ambiente é <0/32°F (ou seja, -17,77/0°C).
Na avaliação da exposição ao frio, dois importantes pontos devem ser levados em
conta, quais sejam: a temperatura do núcleo do corpo e o poder de resfriamento do vento

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42

sobre o corpo exposto, ábaco que expressa uma temperatura equivalente dependendo da
temperatura de bulbo seco, relacionada à velocidade do vento (ESTEVES, 2011). Este índice
é usado para determinar a possibilidade de lesão pela exposição ao ambiente frio e a
presença de vento, defendido pela ACGIH - AMERICAN CONFERENCE OF GOVERNMENTAL
INDUSTRIAL HYGIENISTS, que conclui pela não possibilidade de lesão em temperaturas
acima de 4°C conforme pode ser visto no Quadro 4.

Quadro 4 – Poder de resfriamento do vento sobre o corpo exposto expresso como


temperatura equivalente

Os limites de tolerância são valores que têm a saúde como base, sendo determinados
por comitês que analisam dados da literatura científica, principalmente relacionada a
disciplinas como epidemiologia, higiene ocupacional, toxicologia e medicina do trabalho.
Com essas informações, formula-se uma conclusão sobre o nível de exposição que um
trabalhador típico possa vivenciar sem ocorrência de efeitos adversos à saúde (AMERICAN
CONFERENCE OF GOVERNMENTAL INDUSTRIAL HYGIENISTS, 2016).
Os limites de tolerância ao frio objetivam proteger o trabalhador de seus efeitos
congelantes e não congelantes, definindo condições nas quais os trabalhadores podem ser
expostos repetidamente sem efeitos adversos à saúde. A proteção ao corpo inteiro deve ser
fornecida de forma adequada aos trabalhadores que estiverem expostos a temperaturas
abaixo de 4°C. Pele desprotegida não pode ser permitida na temperatura equivalente abaixo
de 32°C (Índice de Resfriamento, de acordo com o Quadro 9) (STAVE; WALD, 2016).

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43

Para ASHRAE apud Lamberts et al (1997) o conforto térmico é definido como “um
estado de espírito que reflete satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa”.
Com isso, observa-se que a sensação de conforto tem caráter intrínseco e estritamente
pessoal, podendo apresentar resultados contrários em indivíduos diferentes, mesmo
mantendo-se constante as características térmicas do ambiente. De modo que, de acordo
com a norma ISO 7730/94, um espaço apresenta condições de conforto térmico apenas
quando não mais do que 10% dos seus ocupantes se sintam desconfortáveis.
O conforto térmico abrange uma vasta área de estudos, os quais visam analisar e
estabelecer as condições necessárias para a avaliação e a concepção de um ambiente
térmico apropriado às atividades e à ocupação humanas, bem como indicar métodos e
princípios para uma detalhada análise térmica de um ambiente.
A importância do estudo de conforto térmico está fundamentada principalmente em
três fatores, quais sejam: a) a satisfação do homem ou seu bem-estar em se sentir
termicamente confortável; b) a performance humana, embora os resultados de inúmeras
investigações não sejam conclusivas a esse respeito, os estudos demonstram uma tendência
de que o desconforto causado por calor ou frio, reduz a performance humana – assim, as
atividades intelectuais, manuais e perceptivas, em geral, apresentam um melhor rendimento
quando realizadas em conforto térmico; e c) a conservação de energia, pois, devido à
crescente mecanização e industrialização da sociedade, as pessoas passam grande parte do
tempo em ambientes com climas artificiais, ambientes condicionados e, por isso, uma vez
conhecendo-se as condições e os parâmetros relativos ao conforto térmico dos ocupantes
do ambiente, evitam-se desperdícios com calefação e refrigeração, que são, em grande
parte, desnecessários.
É viável ressaltar que, devido à variação biológica entre as pessoas, é impossível que
todos os ocupantes do ambiente se sintam confortáveis termicamente e, assim, busca-se
criar condições de conforto para o grupo. Ou seja, criam-se condições nas quais a maior
percentagem do grupo esteja em conforto térmico.
Para um melhor entendimento do conforto térmico, é necessário apresentar alguns
conceitos e definições a respeito de conforto e da neutralidade térmica:
Segundo a ASHRAE Standard 55-92, o conforto térmico é assim definido: “Conforto térmico
é a condição da mente que expressa satisfação com o ambiente térmico”.

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44

Segundo o pesquisador dinamarquês Ole Fanger (1970, p.), “Neutralidade térmica é a


condição na qual uma pessoa não prefira nem mais calor nem mais frio no ambiente a seu
redor”. De acordo com Shin-Iche Tanabe (1984, p.): “Neutralidade Térmica é a condicão da
mente que expressa satisfação com a temperatura do corpo como um todo”.
Analisando-se dentro de uma ótica física dos mecanismos de trocas de calor, sugere-
se uma definição para neutralidade térmica como sendo: “Um estado físico, no qual todo o
calor gerado pelo organismo, através do metabolismo, seja trocado em igual proporção com
o ambiente ao redor, não havendo nem acúmulo de calor, nem perda excessiva do mesmo,
mantendo a temperatura corporal constante”. Este conceito para neutralidade térmica é
compatível com o relato subjetivo de pessoas que se encontram satisfeitas com a
temperatura do corpo como um todo.
Dessas definições citadas, pode-se dizer que a neutralidade térmica é uma condição
necessária, mas não suficiente para que uma pessoa permaneça em conforto térmico. Uma
pessoa que estiver exposta a um campo assimétrico de radiação, pode muito bem estar em
neutralidade térmica, entretanto não estará certamente em conforto térmico.
Os cálculos analíticos do conforto térmico, baseados em estudos realizados em
câmaras climatizadas, apresentam seis variáveis que influenciam o conforto térmico: a
atividade desempenhada, M, (W/m2); o isolamento térmico das roupas utilizadas, Icl, (clo); a
temperatura do ar (˚C); a temperatura radiante média, trm, (˚C); a velocidade do ar, va,
(m/s); e a pressão parcial do vapor de água no ar ambiente, pa, (kPa).
As duas primeiras variáveis são chamadas de pessoais ou subjetivas, pois não
dependem do ambiente, enquanto as outras são denominadas de variáveis ambientais. As
caracterizações das variáveis ambientais, métodos e instrumentos de medição estão
contidas na ISO/DIS 7726/96.
A atividade desempenhada por uma pessoa determina a quantidade de calor gerado
pelo organismo. As tabelas de taxas metabólicas em função da atividade e do isolamento das
roupas estão na ISO 7730/94, ASHRAE Fundamentals cap.8 - 1997 e ISO 8996/90.
O isolamento térmico das roupas é determinado por meio de medições em
manequins aquecidos ou determinados pelas tabelas constantes da ISO 7730/94, ASHRAE
Fundamentals cap.8 - 1997 e ISO 9920/95.
Os estudos de conforto térmico obtiveram, nos últimos anos, um aumento de
interesse por parte dos pesquisadores, sendo que as normas existentes englobam estudos

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sobre todas as variáveis que influenciam no conforto térmico, quer sejam em ambientes
condicionados ou não. As principais normas e guias de referência aos estudos são citadas e
comentadas a seguir:
ISO 7730/94 - Ambientes térmicos moderados - Determinação dos índices PMV e PPD
e especificações das condições para conforto térmico.

Esta norma propõe uma técnica de determinação da sensação térmica e o grau de


desconforto das pessoas expostas a ambientes térmicos moderados e especifica condições
térmicas aceitáveis para o conforto.

ISO/DIS 7726/96 - Ambientes Térmicos - Instrumentos e Métodos para medições das


quantidades físicas.

Esta norma internacional especifica as características mínimas dos instrumentos de


medição das variáveis físicas, assim como apresenta métodos de medição desses
parâmetros.

ASHRAE Standard 55-1992: Ambientes Térmicos - Condições para ocupação humana.

Esta norma americana determina condições ambientais aceitáveis para a saúde das
pessoas sujeitas a pressões atmosféricas equivalentes a altitudes superiores a 3,00 m, em
ambientes internos projetados para ocupação humana por períodos não inferiores a 15
minutos.
ASHRAE Fundamentals Handbook - cap. 8 Thermal Comfort – 1997.

Este guia normativo da sociedade americana de aquecimento, refrigeração e ar


condicionado, mostra os fundamentos de termoregulação humana e conforto em termos
úteis aos engenheiros para a operação de sistemas e preparação de projetos e aplicações
para o conforto dos ocupantes de edificações. Ela apresenta, de maneira sumarizada, todos
os dizeres das normas ISO referidas.

ISO 8996/90 - Ergonomia - Determinação da produção de calor metabólico.

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Esta norma internacional especifica técnicas para a determinação e medição da taxa


de calor metabólico, necessário para a avaliação da regulação de calor humana. Esta norma
também pode ser empregada para outras aplicações, como, por exemplo, a verificação da
prática de atividades, o custo energético de atividades específicas ou atividades físicas, bem
como o custo total energético das atividades.

ISO 9920/95 - Ergonomia de ambientes térmicos - Estimativa de isolamento térmico e


resistência evaporativa de um traje de roupas.

Esta norma internacional especifica técnicas para a estimativa das características


térmicas, resistência à perdas de calor seco e à perda por evaporação, em condições de
estado estacionário para um traje de roupa, baseado em valores de vestimentas conhecidas,
trajes e tecidos.
Considera-se que o corpo humano funcione como uma “máquina térmica”, que
dispõe de um mecanismo termoregulador, no qual controla as variações térmicas do
organismo e, por ser o organismo humano homotérmico, isto é, sua temperatura deve
permanecer praticamente constante, este mecanismo termoregulador cria circunstâncias
para que isso ocorra.
As pessoas apresentam zonas de respostas fisiológicas e comportamentais de acordo
com as condições submetidas e de acordo com a atividade que estiver desempenhando.
Na maioria dos estudos sobre conforto térmico as atividades desempenhadas são do
tipo sedentárias, com isto, o fator humano de influência sobre a determinação da zona de
conforto é a vestimenta utilizada pelas pessoas. Pode-se, então, apresentar duas zonas de
conforto, para pessoas vestidas e pessoas nuas, em função da temperatura do ar: para
pessoas nuas, tem-se uma zona de conforto para que se mantenha o equilíbrio térmico
situado entre 29ºC e 31ºC; para pessoas vestidas com vestimenta normal de trabalho
(Isolamento = 0,6 clo), tem-se uma zona de conforto para que se mantenha o equilíbrio
térmico situado entre 23º e 27ºC.
Cada pessoa possui uma temperatura corporal neutra, ou seja, aquela em que não
prefira sentir nem mais frio, nem mais calor no ambiente, isto é, que esteja em situação de
neutralidade térmica, e nem necessite utilizar seu mecanismo de termoregulação.

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Ao compararmos a temperatura interna corporal com essa temperatura neutra,


podemos apresentar as seguintes zonas de respostas fisiológicas e comportamentais:

* tcorpo < tneutra Ocorre neste caso o mecanismo de vaso constricção;


* tcorpo < 35ºC Ocorre a perda de eficiência (habilidade);
* tcorpo < 31ºC Esta situação de temperatura corporal é
letal.
Da mesma forma:
* tcorpo > tneutra Ocorre neste caso o mecanismo de vaso dilatação;
* tcorpo > 37ºC Inicia-se o fenômeno do suor;
* tcorpo > 39ºC Inicia-se a perda de eficiência;
* tcorpo > 43ºC Esta situação de temperatura corporal é letal.

Ao estudar os aspectos relativos ao conforto térmico, são encontradas duas


abordagens diferentes e com prescrições distintas de como as condições microclimáticas das
edificações podem ser administradas. A primeira, mais conhecida como estática, representa
uma linha analítica, ou racional, da avaliação das sensações térmicas humanas e considera o
homem como um simples receptor passivo do ambiente térmico. Já a segunda abordagem,
conhecida como adaptativa, considera o homem como um agente ativo, que interage com o
ambiente em resposta as suas sensações e preferências térmicas. Tais abordagens são
resultados de dois grandes grupos de pesquisas, normalmente utilizados nos estudos de
conforto térmico, sendo a primeira realizada em câmaras climatizadas e chamada de modelo
estático, e a segunda, proveniente de estudos de campo, é conhecida como modelo
adaptativo.
Em questão de pesquisas realizadas em câmaras climatizadas, estudos feitos deram
origem ao método mais conhecido para avaliação de conforto térmico. Tais estudos são
aqueles realizados no interior de ambientes totalmente controlados pelo pesquisador, onde
tanto as variáveis ambientais como as variáveis pessoais ou subjetivas são manipuladas a fim
de se encontrar a melhor combinação possível entre elas, resultando em uma situação
confortável.
Ole Fanger (1970), que realizou diversos experimentos na Dinamarca sobre conforto
térmico, é o principal representante da linha analítica de avaliação das sensações térmicas
humanas. Suas equações e métodos têm sido utilizados mundialmente e serviram de base

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para a elaboração de Normas Internacionais importantes, fornecendo subsídios para o


equacionamento e para os cálculos analíticos de conforto térmico e conhecidos hoje como
PMV (Predicted Mean Vote) e o PPD (Percentage of Dissatisfied).
O mecanismo que funciona como termoregulador do organismo tem como objetivo a
manutenção da temperatura corporal constante. Sendo assim, a teoria assume que um
organismo exposto por longo tempo a um ambiente térmico constante, moderado, tende a
atingir um equilíbrio térmico com esse ambiente, isto é, a produção de calor pelo organismo,
por meio de seu metabolismo, será igual à perda de calor do mesmo para o ambiente,
através das diversas formas de transferência de calor.
A maioria dos modelos de trocas térmicas entre o corpo e o ambiente, tais como as
medições de sensações térmicas, estão relacionadas com a clássica teoria de transferência
de calor, introduzindo equações empíricas que descrevem os efeitos de conhecidos
controles reguladores fisiológicos.
O modelo usado na Norma Internacional ISO 7730, utiliza o “estado estacionário”, ou
permanente, desenvolvido por Fanger, o qual assume que o corpo, num ambiente,
encontra-se em estado de equilíbrio, assim não ocorre, portanto, um acúmulo de calor em
seu interior. O corpo, assim modelado, encontra-se bem próximo à condição de neutralidade
térmica.
O ganho de calor no corpo ocorre por meio da produção de calor pelo metabolismo,
e as perdas de calor ocorrem através da respiração e pela pele. As perdas de calor, de modo
sensível e latente, pela pele e pela respiração, são expressas em termos de fatores
ambientais. As expressões também levam em conta a resistência térmica e a permeabilidade
das roupas. Conforme visto, as variáveis tanto ambientais, como temperatura do ar,
temperatura média radiante, velocidade do ar e umidade do ar, e as variáveis pessoais,
como atividade e vestimentas, são incorporadas ao modelo.
Conforme a condição de neutralidade térmica, ou seja, a verificação do balanço
térmico apresentado é condição necessária, mas não suficiente para que uma pessoa
encontre-se em conforto térmico, pois ela pode encontrar-se em neutralidade térmica e
estar sujeita a algum tipo de desconforto localizado, isto é, sujeita à uma assimetria de
radiação significativa, sujeita a alguma corrente de ar localizada, ou ainda estar sobre algum
tipo de piso frio ou aquecido, e assim sendo, não estar submetida à condição de conforto
térmico.

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Além disso, estudos empíricos desenvolvidos por Fanger mostram que a atividade
desempenhada pela pessoa regulará a temperatura de sua pele, bem como sua taxa de
secreção de suor. Isso equivale a dizer que se uma pessoa estiver desempenhando
determinada atividade, e estiver suando muito acima do que os estudos realizados
mostraram que deveria estar, ou a temperatura de sua pele estiver acima ou abaixo de
valores que esses mesmos estudos demonstraram, a pessoa não estará certamente em
conforto térmico, mesmo que ela esteja em neutralidade térmica e não esteja sujeita a
alguma conformidade de desconforto localizado.

Além do conforto térmico, tem-se também o “stress” térmico.

O “stress” é uma expressão derivada da língua inglesa, que tem por definição: “Ação
inespecífica dos agentes e influências nocivas (frio ou calor excessivos, infecção, intoxicação,
emoções violentas, tais como inveja, ódio, medo etc.), que causam reações típicas do
organismo, tais como síndrome de alerta e síndrome de adaptação”. ‒ Dicionário Brasileiro
da Língua Portuguesa, Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1975.
O “stress” térmico pode ser denominado como um estado psicofisiológico em que
uma pessoa está submetida, quando exposta a situações ambientais extremas de frio ou
calor. O ser humano, ao desempenhar suas atividades, quando exposto a condições de
“stress” térmico, tem entre outros sintomas, a debilitação do estado geral de saúde,
alterações das reações psicosensoriais e a queda da capacidade de produção. Com isto, é
fundamental o conhecimento a respeito das condições ambientais que possam levar a esse
estado, bem como se observar o tipo de trabalho e o tempo de exposição do homem a tal
situação.
Estudos recentes sobre o “stress” térmico, tal como os mecanismos de sua
determinação e as ações preventivas e corretivas, encontram-se subdivididos em dois
grandes grupos, de acordo com o tipo de ambiente que está sendo analisando, quais sejam:
ambientes quentes, “stress” por calor, e ambientes frios, “stress” por frio.
Para ambientes quentes, tem-se uma caracterização por condições ambientais que
levem a ocorrência de “stress” por calor. Vários estudos e pesquisas têm sido realizados para
estudar essas condições, como, por exemplo, para fixar um índice aceitável que caracterize
esses ambientes de trabalho ou essas situações particulares. Os principais índices existentes

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para essa caracterização, conforme Szokolay e Auliciems (1997), são: relação de aceitação
térmica (TAR) - Plummer, 1945; taxa de suor estimada para 4 horas (P4SR) - McArdle, 1947;
índice de stress por calor (HSI) - Belding e Hatch, 1955; índice de bulbo úmido e temperatura
de globo (WBGT) - Yaglou e Minard, 1957; índice de tensão térmica (TSI) - Lee, 1958; índice
relativo de tensão (RSI) - Lee e Henschel, 1963; e índice de “stress” térmico ou taxa
requerida de suor (ITS) - Givoni, 1963.
Os ambientes frios, assim como visto anteriormente para o caso de ambientes
quentes, são aqueles caracterizados por condições ambientais que levem à condição de
“stress” por frio. Embora em número bem mais reduzido que no caso de ambientes quentes,
esses ambientes e seus efeitos sobre o homem também se encontram estudados, sendo que
o principal índice para determinar a situação de “stress” térmico por frio é conhecido por
“índice de isolamento requerido de vestimentas (IREQ)”, desenvolvido por Holmer em 1984.
Tanto os ambientes quentes como os frios, os quais causam danos à saúde do
trabalhador, foram objetos de estudos e pesquisas com o intuito de se padronizar a
obtenção dos índices de “stress” térmico, bem como os procedimentos necessários a se
adotar quando da verificação de tal situação. A normatização existente engloba ambos os
ambientes, sendo que as cinco normas mais conhecidas e utilizadas são as seguintes:

ISO 7243/1989 - Ambientes quentes - Estimativa do stress por calor em


trabalhadores, baseado no índice IBUTG (Índice de bulbo úmido e temperatura de globo):

Fornece um método que pode ser facilmente utilizado em ambientes industriais, pois
o índice IBUTG permite um rápido diagnóstico. Ele se aplica para a avaliação do efeito médio
do calor sobre o homem durante um período representativo de sua atividade, mas não se
aplica para a avaliação do “stress” verificado durante períodos muito curtos, nem para a
avaliação de “stress” por calor próximo das zonas de conforto térmico.

NR - 15 - ANEXO 3 - MT/1978 - Limites de tolerância para exposição ao calor.

Esta norma regulamentadora, do Ministério do Trabalho do Brasil, fixa os limites


máximos de tempo a que um trabalhador pode ficar exposto a uma condição de “stress” por
calor, no desempenho de sua atividade. Para esse cálculo se utiliza também o índice IBUTG.

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Relaciona a atividade desempenhada no posto de trabalho com os ciclos de


trabalho/descanso, em função dos valores máximos de referência do IBUTG tabelados.

ISO 7933/1989 - Ambientes quentes - Determinação analítica e interpretação do


stress térmico, utilizando o cálculo da taxa requerida de suor.

Esta norma internacional especifica uma técnica de avaliação e interpretação do


“stress” térmico a que está sujeita uma pessoa em um ambiente quente, através do índice
da taxa requerida de suor (SWreq). Descreve um método para o cálculo do balanço térmico,
bem como para o cálculo da taxa de suor requerida pelo corpo, para manter esse balanço
em equilibrio.

ISO 9886/1992 – Avaliação de tensão térmica, através de medições fisiológicas.

Esta norma internacional descreve técnicas para medição e interpretação de dados


fisiológicos de pessoas sujeitas a ambientes termicamente desfavoráveis. Os parâmetros
fisiológicos a serem medidos e interpretados em conformidade com os preceitos dessa
norma são: temperatura interna do corpo, temperatura da pele, taxa cardíaca e perda de
massa corporal. A norma fornece também os limites aceitáveis das respectivas variáveis,
tanto em ambientes quentes, como em frios.

ISO/TR 11079/1993 - Avaliação de ambientes frios - Determinação do isolamento


requerido das vestimentas (IREQ).

Este relatório técnico internacional (não é uma norma) propõe técnicas e estratégias
para se verificar o “stress” térmico, associado à permanência em ambientes frios, através da
utilização do índice IREQ. Os métodos aplicam-se a casos de exposição contínua,
intermitente ou ocasional em ambientes de trabalho tanto externos como internos. Sugere-
se avaliar o “stress” por frio, em termos de resfriamento geral do corpo e resfriamento local
de específicas partes do corpo, mãos e face, por exemplo.
Para o resfriamento geral do corpo, apresenta-se um método analítico de avaliação e
interpretação, baseado nas trocas de calor entre o corpo e o ambiente e o respectivo

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isolamento de roupas (IREQ) para manter o equilíbrio térmico. Para o resfriamento


localizado, devem ser analisadas separadamente as exposições em ambientes internos e
ambientes externos. A avaliação do desconforto ou “stress” por frio em ambientes internos
pode ser feita adotando-se os mesmos critérios contidos na ISO 7730 para ambientes
moderados, e a avaliação do efeito do “stress” por frio em ambientes externos deve ser feita
através da determinação do resfriamento local devido ao vento, isto é, através do índice
WCI, índice de resfriamento do vento, a respectiva temperatura de resfriamento, tch, e a
temperatura mínima das mãos.
Como já mencionado anteriormente, o método sugere a determinação do isolamento
requerido para as roupas (IREQ) a fim de que se mantenha o balanço térmico do corpo
dentro de condições específicas. Como existe um limite superior para o valor que o
isolamento térmico das vestimentas pode fornecer, deve também ser determinado o tempo
limite de exposição (DLE), tendo por base os limites aceitáveis de esfriamento do corpo.
O método envolve os seguintes passos: medições dos parâmetros térmicos do
ambiente; determinação do nível de atividade (taxa metabólica); cálculo do isolante térmico
requerido das roupas (IREQ); comparação com o isolamento fornecido pelas roupas
existentes; avaliação das condições para o balanço térmico e determinação do tempo
máximo de exposição (DLE).
O índice IREQ, pode ser utilizado como uma medida de “stress” por frio, que leva em
conta a temperatura do ar, temperatura média radiante, umidade, velocidade do ar e taxa
metabólica; um método de análise dos efeitos de parâmetros específicos e avaliação das
medidas de retrofit; um método de especificação do isolamento das roupas necessário, bem
como a seleção das roupas a serem utilizadas em determinadas condições ambientais.
As trocas de calor entre o corpo e o ambiente, balanço térmico, podem ser analisadas
em duas etapas. “Trocas do corpo para a superfície externa das roupas” e “trocas da
superfície externa das roupas para o ambiente (por convecção e radiação)”.
O IREQ é uma medida de “stress” térmico, que leva em conta os efeitos combinados
da produção interna de calor e as perdas para o ambiente. Quanto maior o poder de
resfriamento do ambiente, maior é o valor do IREQ para uma determinada atividade. O
“stress” térmico, ou o IREQ, para um conjunto de condições ambientais é diminuído com o
aumento da atividade metabólica devido à demanda extra de dissipação do calor orgânico.

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Para o IREQ como um índice de disfunção fisiológica, é sugerido que o índice seja
definido para dois níveis de disfunções fisiológicas:
IREQmínimo, no qual tem-se o mínimo isolamento térmico para manter o corpo em
equilíbrio, para um nível sub-normal de temperatura corporal. Ele representa o mais alto
resfriamento admissível para o corpo durante atividade ocupacional.
IREQneutro, que irá representar o isolamento térmico requerido para manter o corpo
em neutralidade térmica, isto é, o equilíbrio é mantido em condições normais de
temperatura corporal. Representa uma faixa admissível de resfriamento corporal.
Em relação ao IREQ e o isolamento de roupas existentes, por ser um índice de
isolamento de roupas requerido para enfrentar as situações reais existentes, ele serve como
um guia de escolha de roupas, por comparação com seus valores medidos de isolamento
térmico. O intervalo entre o IREQminímo e IREQneutro, corresponde a uma zona reguladora de
vestimentas, onde podem ser escolhidas as vestimentas. Roupas com isolamento inferiores
ao IREQmin, podem acarretar o risco de progressivo resfriamento do corpo, com hipotermia,
enquanto que as com valores maiores que o IREQneutro, poderão levar a um
superaquecimento.
Quando o isolamento das roupas utilizadas é inferior ao IREQ determinado, é
necessário se fixar o tempo máximo de exposição para prevenir um resfriamento
progressivo do corpo. Em caso de resfriamento local de alguma parte do corpo, com ênfase
às mãos, pés e cabeça, podem produzir desconforto, deterioração da performance manual e
física e necrose por frio. Em caso de resfriamento local de alguma parte do corpo exposto a
temperaturas muito baixas/extremas, com ênfase às mãos, pés e cabeça, podem produzir
desconforto, deterioração da performance manual e física e necrose por frio. Os efeitos
desse resfriamento devem ser analisados separadamente para ambientes internos e
externos.
A exposição à temperaturas muito baixas/extremas, entre -17°C a 0°C de acordo com
a norma ISO, Ergonomics of the Thermal Environment: Medical Supervision of Individuals
Exposed to Extreme Hot or Cold Environments, 2001, merecem, portanto cuidados e
proteções especiais para as mãos, pés, cabeça e para o trato respiratório.
As avaliações e atuações sobre o “stress” térmico local por frio em ambientes
internos devem ser realizadas utilizando-se os mesmos critérios que para ambientes
moderados, constantes na ISO 7730, sobre o desconforto localizado por correntes de ar.

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Para a verificação prática de ambientes frios, tem-se a medição dos parâmetros


ambientais de acordo com a ISO 7726: temperatura do ar, temperatura média radiante,
umidade do ar e velocidade do ar; determinação da taxa de calor metabólico de acordo com
a ISO 8996; determinação de tempo de exposição máximo, DLE, e de tempo de recuperação
mínimo, RT; a qualquer nível de IREQ, deve ser dada devida atenção ao resfriamento das
mãos, pés e face; determinação do isolamento térmico requerido, IREQ; determinação do
isolamento básico das vestimentas, Icl, de acordo com a ISO 9920; avaliação das condições
de balanço térmico, tendo em vista a comparação do IREQ calculado e do isolamento das
roupas resultante Iclr, onde:
Se Iclr < IREQmin: A roupa selecionada não fornece o isolamento térmico mínimo
necessário. Há sério risco de hipotermia com a exposição continuada.
Se IREQmin < Iclr < IREQneutro: A vestimenta selecionada fornece suficiente
isolamento térmico. As condições térmicas das pessoas são percebidas como “levemente
fria” ou “neutra”.
Se Iclr > IREQneutro: A vestimenta selecionada fornece mais isolamento térmico que o
necessário. Há risco de superaquecimento.
Para o resfriamento geral do corpo, tem-se um nível minímo caracterizado por vaso
constricção periférica e ausência de regulação pelo suor; e um nível neutro caracterizado
pelo estado de neutralidade térmica do organismo.
O cálculo do IREQminímo sugere que o balanço térmico é mantido com o corpo
“levemente resfriado” em relação às condições normais. Se a exposição começa das
condições neutras, há um período de resfriamento inicial de 20 a 40 min, onde o calor
armazenado na periferia do corpo, pele e extremidades seja reduzido. O equilíbrio térmico é,
então, restabelecido para essas novas condições, com um débito de calor armazenado de
40W.h/m2. Neste novo nível, o balanço térmico é mantido com uma temperatura da pele de
30 ºC, sem presença de suor. As trocas por evaporação, nesse estado, são feitas apenas por
difusão (w=0,06). Este estado do corpo coincide com uma sensação subjetiva de “levemente
frio”, e é tolerado para exposições longas. O IREQminímo pode, então, ser considerado como
o mais alto resfriamento aceitável do corpo para exposições prolongadas.
Um resfriamento local, causado por convecção, radiação ou perdas de calor por
contato, não deveria resultar em temperaturas das mãos e da pele inferiores a 15ºC e 24ºC

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respectivamente. Para temperaturas inferiores a -40ºC, devem ser tomados cuidados com a
proteção dos olhos e do sistema respiratório, particularmente a altos níveis de atividade e
com ventos fortes.
Quando o valor resultante do isolamento das roupas disponível é inferior ao IREQ, o
corpo não pode manter o equilíbrio durante exposições prolongadas. O limite da duração da
exposição, DLE, isto é, o tempo para perder 40 W.h/m2.
Para a interpretação do IREQ, é sugerido que Icl básico, seja reduzido em 20% para a
maioria das atividades desenvolvidas em ambientes frios (M > 100 W/m2). Condiz, por
exemplo, que um valor de IREQ de 0,37 m2.ºC/W (2,4 clo), corresponde a um Icl de 0,47
m2.ºC/W (3,0 clo), ou seja, Icl = 1,25.IREQ.
Para atividades sedentárias, predominantemente com os braços (M < 100 W/m2) é
recomendado uma redução de 10%.
O conforto térmico e o “stress” térmico são duas definições interligadas, onde para
atingir o conforto térmico sem passar por um “stress” térmico, o individuo deve encontrar
em neutralidade térmica, a temperatura de sua pele e a sua taxa de secreção de suor devem
estar dentro de certos limites compatíveis com sua atividade, e a pessoa não pode estar
sujeita a desconforto localizado. Para a adequação em ambientes tanto frios quanto
quentes, o indivíduo deve estar portando roupas adequadas para um conforto e um bem
estar maior.

2.10.1 A termogênese e o metabolismo corporal

O ser humano é um ser homeotérmico, isto é, possui a capacidade de manter a


temperatura corporal dentro de um intervalo pré-determinado, apesar das variações
térmicas do meio ambiente (homeostasia térmica). Temperatura de equilíbrio: 37ºC Limites
normais: 36.1º - 37.2ºC
A variação térmica circadiana é um fenómeno natural e geralmente não ultrapassa os
0.6ºC. A temperatura corporal é menor pela manhã, aumenta ao longo do dia e é máxima
pelo início da noite (Gráfico 1).

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Gráfico 1 – Variação de temperatura ao longo do dia

O equilíbrio térmico é conseguido através do balanço entre a perda e a produção ou


aquisição de calor. Em seguida, abordaremos os mecanismos físicos e fisiológicos que
contribuem para este equilíbrio.

Conceito de termogênese

A termogênese corresponde à energia na forma de calor gerada ao nível dos tecidos


vivos. A quantidade de calor produzida é directamente proporcional à taxa de metabolismo
corporal (40-60% da energia proveniente da hidrólise do trifosfato de adenosina – ATP, é
perdido sob a forma de calor).
A taxa de metabolismo corporal depende dos seguintes fatores:
1. Taxa de metabolismo basal de todas as células corporais (para cada aumento da
temperatura no valor de 0.6ºC, esta taxa aumenta aproximadamente 10%).
2. Taxa de metabolismo adicional decorrente da atividade muscular.
3. Taxa de metabolismo adicional secundário ao efeito da Tiroxina (e em menor grau
por outros hormônios como o hormônio de crescimento ou a testosterona) a nível celular.
4. Taxa de metabolismo adicional causada pelo efeito da epinefrina, norepinefrina e
pela estimulação simpática a nível celular.
5. Taxa de metabolismo adicional por um aumento intrínseco da atividade química
nas próprias células.
A contribuição de cada um destes fatores para a taxa de metabolismo corporal varia
ao longo do tempo. Por exemplo, se compararmos uma situação de repouso com uma
situação de exercício físico, verificamos que na primeira situação a termogênese é
decorrente essencialmente do metabolismo basal enquanto que na segunda deriva
principalmente da atividade muscular.

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No processo metabólico, o homem produz energia interna a partir da transformação


dos alimentos. Essa energia é consumida na manutenção das funções fisiológicas vitais, na
realização de trabalhos mecânicos externos (atividade muscular) e o restante é liberado na
forma de calor. A produção de calor é contínua e aumenta com o esforço físico executado.
Ao alimentar-se, o homem utiliza uma fração do combustível para a manutenção do
organismo funcionando, processo denominado de perdas internas e o excedente pode ser
acumulado como gordura ou usado no trabalho externo. Dessa forma, é válida a
comparação do homem com uma máquina térmica, onde o consumo de alimento é
transformado em combustível denominado glicogênio.
O metabolismo basal é a quantidade de energia utilizada para manter o organismo
vivo, sem realizar nenhum trabalho externo, sendo este valor aproximado de 1.800 cal/dia
no homem e 1.600 cal/dia nas mulheres. A alimentação humana compreende uso de
proteínas, carboidratos e gorduras. As primeiras são decompostas pelo organismo em
aminoácidos e hidrocarbonetos, onde os aminoácidos são usados na construção de tecidos e
os hidrocarbonetos, juntamente com carboidratos e gorduras são utilizados como energia
(IIDA, 2005).
O hipotálamo é considerado o centro termorregulador, sendo ativado de duas
formas: através de avisos nervosos periféricos de receptores da pele e mucosas e localmente
no hipotálamo, ao avaliar a temperatura do sangue que nele circula. Este fato mantém a
temperatura do núcleo do corpo constante. Em temperaturas baixas, o hipotálamo diminui a
circulação de sangue na pele e pode lançar mão de calafrios, objetivando aumentar a
produção de calor (KARWOWSKI; MARRAS, 1999) .
Os fatores climáticos de conforto que influenciam a avaliação pessoal são a
temperatura do ar, a temperatura das superfícies adjacentes, a umidade do ar e a
velocidade do vento. Outras variáveis importantes nessa avaliação são a carga de trabalho e
a roupa utilizada. Essas variáveis são objeto de estudos e são discutidas em outra parte
deste trabalho (GRANDJEAN, 1998).
As táticas utilizadas para diminuir o desconforto pelo frio são as seguintes: reduzir a
velocidade das correntes de ar provenientes de dutos de ventilação, adequar a carga de
trabalho, aumentar e melhorar a qualidade de isolamento das roupas, avaliar a possibilidade
de fornecer fontes de calor radiante (EGGLETON, 1999).

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2.11 Doenças relacionadas ao frio


O presente texto busca evidências na literatura em bases primárias e secundárias em
relação a doenças e exposição ao frio. Importante iniciar esta discussão esclarecendo como é
concebido o conhecimento científico na área de medicina, especificamente na medicina do
trabalho. A medicina do trabalho, pelas particularidades de seu contexto de atuação,
trabalha em duas áreas, quais sejam: a clínica médica e a saúde pública. Assim sendo, o
médico do trabalho deve reunir em suas competências para o exercício da especialidade,
sólidos conhecimentos de clínica médica, onde lida com os trabalhadores em nível
individual, mas também necessita de conhecimentos de saúde pública, ao trabalhar com
programas de promoção de saúde de grupos de trabalhadores e avaliar os riscos laborais a
que eles estão submetidos (INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION, 2010).
O conhecimento em saúde pública necessário para a prática da medicina do trabalho
é realizado por meio de estudos epidemiológicos, tendo em vista que a epidemiologia é a
matéria primordial dessa área da medicina. A epidemiologia estuda os fatores que
determinam a frequência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas. Assim
sendo, relacionado ao tema proposto, para resgatarmos o conhecimento médico referente à
exposição ao frio e doenças a ele relacionados, necessitamos buscar estudos
epidemiológicos que tenham produzido conhecimento médico em relação à existência de
doenças ou não devido à exposição ao frio.
No contexto do tema conhecimento médico, ressalta-se a importância da definição
de doenças profissionais e doenças do trabalho. Na primeira, as doenças profissionais,
também chamadas de tecnopatias ou ergopatias, a doença decorre exclusivamente da
profissão, não do trabalho, sendo exemplo as pneumoconioses dos trabalhadores de minas
de carvão. Já as doenças do trabalho ou mesopatias são decorrentes das condições de
trabalho, não tendo o trabalho como causa única, pois o ambiente de trabalho é o fator que
põe a causa mórbida em condições de produzir as doenças. De outra maneira, podemos
dizer que as doenças profissionais decorrem somente de exposições em certas atividades de
trabalho, enquanto as doenças do trabalho são doenças de causas multifatoriais, sendo o
trabalho um destes fatores. Do ponto de vista epidemiológico, existe a proposta de
classificação, também utilizada pela previdência social, a classificação de Schilling (BRASIL,
1999). Tal proposta utiliza a lógica descrita no Quadro 4, a seguir:

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59

Quadro 5 – Classificação de Schilling


Trabalho como causa necessária.
Schilling I Exemplo: pneumoconiose do trabalhador de
carvão
Trabalho é fator contributivo em doença
Schilling II multicausal. DORT, Perda auditiva por ruído.
Trabalho como fator desencadeante ou
Schilling III agravante de doença pré-existente. Exemplo:
asma brônquica agravada por exposição a
poeiras. .
Fonte: Brasil (1999)

Assim, aduz-se que as doenças profissionais seriam Schilling I e as doenças do


trabalho, seriam classificadas como Schilling II ou III.
O trabalho pode agredir a saúde do trabalhador através da exposição a riscos
existentes no mesmo. A classificação em riscos químicos, físicos, biológicos e fatores
ergonômicos determinam a natureza da exposição, mas não determinam a origem. Sendo a
origem primordial no trabalho de prevenção, o profissional de segurança e medicina do
trabalho divide os riscos relacionados em relação à matéria-prima, aos meios de trabalho e à
organização de trabalho, conseguindo, assim, determinar a fonte do risco, podendo
trabalhar, então, nos meios de proteção. Exemplificando, como riscos relacionados à
matéria-prima, pode-se citar a extração de carvão, expondo o trabalhador à poeira de
carvão. No caso dos meios de trabalho, pode-se exemplificar com trabalhos em máquinas
sem proteção; e, em relação a organização de trabalho, a exposição a ciclos de trabalho
repetitivo. No caso da exposição ao frio, o profissional de segurança e medicina do trabalho
pode atuar em relação à proteção, organização e meios de trabalho, determinando a origem
do risco.
Outra definição pertinente ao tema é o conceito de riscos genéricos e riscos
específicos. Por riscos genéricos, entendem-se os riscos a que estão expostos toda uma
população. Assim, nos polos terrestres, a exposição ao frio é um risco genérico, pois toda a
população está exposta. Por riscos específicos, entende-se a exposição de uma determinada
parcela de pessoas. Como exemplo de risco específico, pode-se citar o trabalho em câmaras
frigoríficas de trabalhadores da indústria alimentícia.
Finalmente, salienta-se que nas últimas quatro décadas o interesse científico em
relação à detecção, ao conhecimento e ao controle de agentes ambientais responsáveis por
danos à saúde tem aumentado. As análises de risco são estudos que obtem dados que

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60

promovem a comparação entre diferentes formas de danos e seus efeitos na população.


Sabe-se que efeitos adversos na saúde humana são muitas vezes difíceis de determinar e
identificar. Para tanto, deve-se estudar se a exposição ao fator de risco precede o
aparecimento de efeitos adversos, a intensidade do fator de risco, quanto maior, pior o
efeito adverso, entre outros cuidados.
Na obtenção de informações em relação aos possíveis agravos resultantes da
exposição ao frio, deve-se procurar avaliar a real possibilidade de que este fator realmente
possa provocar danos à saúde. Após estes estudos, realiza-se a determinação do risco. Esta
determinação deve levar em conta a identificação do fator, quais os cenários de exposição, a
caracterização dos efeitos na saúde humana e a estimativa da probabilidade de risco (SILVA
et al, 2003).
Retomando o tema conhecimento médico, discute-se como ele é construído. O
cientista, ao ter pela frente um problema, exemplificado aqui como a exposição ao frio e
doenças dele decorrentes, tema do presente trabalho, realiza um projeto de pesquisa para
responder a questão da pesquisa. Inicia a investigação pela observação de um grupo de
trabalhadores expostos ao fator frio, selecionados por critérios científicos. Após a
observação, ele vai codificá-la obtendo dados, no caso em pauta, a ocorrência de doenças
que possam estar relacionadas à exposição ao frio. Dessas observações, obtem-se dados
que, ao serem analisados, transformam-se em informações. Essas informações devem sofrer
um processo de interpretação; no caso, por meio de análises estatísticas que darão origem
ao conhecimento. O desenho abaixo demonstra de forma gráfica os elementos acima
citados (ALMEIDA FILHO; ROUQUAYROL, 2006).
Figura 12 – Elementos da pesquisa

Fonte: Almeida Filho e Rouquayrol (2006).

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61

No caso da busca científica da relação entre exposição a frio e doenças dele


decorrentes, o que chamamos em medicina de etiologia, ou seja, a relação entre exposição a
determinado risco e doença, o estudo mais recomendado são os estudos de coorte. Nesse
tipo de estudo a presença ou ausência de exposição a fator de risco são seguidos por
determinado tempo, sendo assim denominado de estudo observacional longitudinal (BV,
ARQUIVOLOGIA).
O estudo de coorte compara dois grupos de pessoas expostas e não expostas ao
risco, no caso o frio, e avalia a presença, ou não de doenças, comparando do ponto de vista
estatístico o risco de estar exposto a determinado elemento e adquirir a doença. O indicador
estatístico desse tipo de estudo, é o Risco Relativo, em que é comparado o risco de estar
exposto a determinado fator, com não estar exposto. A interpretação desse dado estatístico
é feita da seguinte forma. Resultado de risco relativo maior que 1, existe significância
estatística, igual a 1, não há diferença estatística e menor que 1, a exposição é um fator
protetor. Dessa forma, para procurar evidência científica de exposição ao frio e doenças dele
decorrentes, devemos achar estudos de coorte, que tenham como resultado risco relativo
maior que 1.

Figura 13 e 14 – Estudo de coorte prospectivo e retrospectivo

Fonte: Sandra Lago Moraes (maio/2011). Fonte: Prof. Rilva Lopes de Sousa-Muñoz - UFPB

O Colégio Americano de Medicina Ocupacional e Meio Ambiente (ACOEM) e o


Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH), cujos equivalentes no Brasil
seriam a ANAMT e a FUNDACENTRO, recomendam para a busca científica de relação entre
risco ocupacional e doenças os seguintes passos:

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1. Coletar dados epidemiológicos na literatura;


2. Identificar desenho de cada estudo;
3. Avaliar os métodos de cada estudo;
4. Avaliar significância estatística;
5. Avaliar os estudos utilizando os critérios de Bradford Hill;
6. Concluir em relação ao grau de associação (HENEGHAN; BADENOCH, 2007)

Dessa forma, usaremos a metodologia recomendada acima na busca de substratos


científicos que indiquem ou não a existência comprovada de relação entre exposição ao frio
e doenças ocupacionais.
Dentre os itens listados acima, sem desmerecer os outros, é importante destacar que
na coleta de dados epidemiológicos, utiliza-se fontes primárias que são aquelas pertinentes
a informação elaborada por um autor, como livros, dissertações e teses, fontes secundárias
são as que têm a participação de um segundo autor, como as enciclopédias, artigos de
revisão e fontes terciárias que são os catálogos de bibliotecas como o PubMed. Importante
também é a avaliação dos estudos utilizando os critérios de Bradford Hill: estes critérios são
explicitados mais adiante.
Atualmente, a ciência médica adota uma metodologia denominada Medicina
Baseada em Evidências para discutir questões de atualização na área. Esse termo relaciona-
se à aplicação de conceitos de epidemiologia clínica, buscando informações para embasar
decisões clínicas. Essa metodologia busca desestimular uma prática ainda comum no meio
médico de dar opinião em relação a algum tema de forma empírica e sem embasamento em
informação científica. Por esse motivo, é necessário ter uma validação através de consultas
em fontes primárias, secundárias e terciárias, como acima definidas.

Os artigos estudados e que estão dentro do escopo da pesquisa são classificados pela
denominada força de evidência científica, que nada mais é do que a metodologia de
pesquisa utilizada para chegar às conclusões exaradas em livros e artigos médicos. De uma
forma didática, a seguir, explicita-se a classificação da força de evidência, em que a
classificação A é a que tem maior força de evidência científica e a classificação D a menor.

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A: Estudos experimentais ou observacionais de maior consistência (metanálises ou


ensaios clínicos randomizados).
B: Estudos experimentais ou observacionais de menos consistência (outros ensaios
clínicos não randomizados ou estudos observacionais ou estudos caso-controle).
C: Relatos ou séries de casos (estudos não controlados).
D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos
fisiológicos ou modelos animais.

A Associação Médica Brasileira, desde 1999, tem usado e recomendado a seus


associados a utilização desta metodologia na prática médica, tendo publicado várias
diretrizes nesse formato. Esse método é também preconizado nas publicações de peso tanto
estrangeiras quanto nacionais e nos trabalhos de cursos de pós-graduação latu sensu e
stricto sensu (ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA, Diretrizes). No caso em questão, a
exposição ao frio e sua repercussão na saúde do trabalhador, a busca foi concentrada em
ensaios clínicos randomizados (com força de evidência A) e em estudos de coorte (com força
de evidência B).
A metodologia de busca foi iniciada em bases primárias e secundárias, chegando-se
as seguintes conclusões:
A temperatura das vias aéreas inferiores não é afetada pela respiração do ar frio,
assim, elas mantêm a temperatura normal. Entretanto, cita-se que os asmáticos podem ter
broncoespasmo ao fazê-lo. Ainda não se sabe quais os mecanismos que desencadeiam essa
resposta hiper-reativa, embora tenham sido elaboradas hipóteses em relação à desidratação
provocada pelo ar frio nas vias aéreas (LECHNER; MATUSCHAK; BRINK, 2013). O que justifica
o cuidado com estes trabalhadores previamente portadores de asma, que não devem
realizar trabalhos nestes ambientes.
Na discussão das possíveis morbidades relacionadas ao aparelho respiratório e a
exposição ao frio, pode-se usar dois tipos de abordagem na busca de informações do nexo
causal, através das publicações científicas em relação às doenças pulmonares, procurando o
agente frio como etiologia ou ao contrário, buscando o agente frio e possíveis doenças
desencadeantes. Assim sendo, iniciamos classificando as doenças pulmonares ocupacionais
em agudas e crônicas. Essa classificação encontra-se nos Quadros 6 e 7, a seguir:

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Quadro 6 – Doenças agudas


Irritação de cavidades nasais e seios da
Trato respiratório alto face por inalação de gases ou
particulados irritantes ou tóxicos
Rinite alérgica
Trato respiratório baixo Asma relacionada ao trabalho
Pneumonias por hipersensibilidade
Pneumonias tóxicas
Doenças do parênquima pulmonar
Pneumonias intersticiais
Bronquiolites
Doenças pleurais Derrame pleural
Fonte: Adaptado de Mendes (2013).

Quadro 7 – Doenças crônicas

Trato respiratório alto Úlcera de septo nasal

Bronquite crônica ocupacional


Trato respiratório baixo Enfisema pulmonar
Limitação crônica de fluxo aéreo
Silicose
Asbestose
Doenças do parênquima
Pneumoconiose dos trabalhadores de
pulmonar
carvão
Outras pneumoconioses
Doenças pleurais Fibrose pleural (em placas ou difusa)
Adenocarcinoma de seios da face
Carcinomas do trato
Carcinôma broncogênico
respiratório
Mesotelioma
Fonte: Adaptado de Mendes (2013).

Portanto, para estudar o nexo com a exposição ao frio e as morbidades pulmonares a


ele relacionados, deve-se buscar, nos estudos avaliados, as patologias acima relacionadas e
verificar a existência do agente etiológico frio. O que, nas buscas primárias e secundárias,
nada foi encontrado. Ao realizar o caminho inverso, partindo-se da palavra frio, buscam-se
as possíveis morbidades a ele associados. Exemplificando, ao buscar as doenças relacionadas
à exposição ao frio, vemos citados a hipotermia, o pé de trincheira, a frosbite e o eritema
pérnio.
A legislação previdenciária brasileira descreve uma lista de doenças relacionadas ao
trabalho, instituída pela Portaria 1.339 de 18 novembro de 1999, atendendo uma
recomendação da Organização Internacional do Trabalho em sua Convenção n° 121. Esta

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convenção recomenda aos países signatários que elaborem listas com as possíveis doenças
relacionadas ao trabalho. Tal lista, vigente desde 1999, adota um modelo de dupla entrada,
ou seja, pode ser consultada através da pesquisa de fatores de risco (a denominada Lista A)
ou através da pesquisa por doenças (a denominada Lista B). Na busca na Lista A, na qual
figuram na primeira coluna os agentes etiológicos, a referência ao frio encontra-se como
Agente XXVII, sob a rubrica: Agentes físicos, químicos ou biológicos que afetam a pele. As
doenças relacionadas à exposição a esses agentes são a geladura superficial (frostbite e
eritema pérnio) e a geladura profunda com necrose de tecidos de pele. Já na busca na Lista
B, nas doenças do aparelho respiratório, não se encontra referência a doenças respiratórias
e exposição ao frio. Sumarizando o conteúdo das listas A, B e C do Decreto 3-048 da
Previdência Social, na busca em relação ao frio e a possíveis doenças ocupacionais dele
decorrentes, obteve-se o seguinte resultado:
a) Lista A – Agentes ou fatores de risco de natureza ocupacional relacionados com a
etiologia de doenças profissionais e de outras doenças relacionadas com o trabalho,
não há referência ao risco frio.
b) Lista B – Doenças e agentes etiológicos ou fatores de risco, no Grupo X da CID-10,
doenças do sistema respiratório, não se encontra listado o agente frio como
causador de doenças respiratórias.
c) Lista C – Intervalos de CID-10 onde se reconhece o Nexo Técnico Epidemiológico,
somente existe o intervalo J40-J47, entretanto este intervalo de CID refere-se a
doenças respiratórias em outras atividades econômicas e não nas atividades
industriais de frigorífivos. Os CNAE’s relacionados a estes CID’s são contidos na lista a
seguir e, portanto não há referência de doenças pulmonares de natureza
ocupacional com tais atividades.
0810- Extração de pedra, areia e argila
1031- Fabricação de conservas de frutas, legumes e outros vegetais
1220- Fabricação de produtos de fumo
1311- Preparação e fiação de fibras texteis
1321- Tecelagens de fios de algodão
1351- Fabricação de artefatos têxteis, exceto vestuário
1411- Confecção de artigos do vestuário e acessórios
1412- Confecção de artigos do vestuário, exceto roupas íntimas
1610- Desdobramento de madeira
1622- Fabricação de estruturas de madeira
1629- Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado, exceto
móveis
2330- Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e
materiais semelhantes

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2342- Fabricação de produtos cerâmicos


2539- Forjaria, metalurgia do pó e serviços de tratamento de metais
3101- Fabricação de móveis com predominância de madeira
3102- Fabricação de móveis com predominância de metais
3329- Instalação de máquinas e equipamentos
4120- Construção de edifícios
4211- Construção de rodovias e ferrovias
4213- Obras de urbanização: ruas, praças e calçadas
4292- Construção de outras obras de infra-estrutura
4299- Construção de outras obras de infra-estrutura
4313- Obras de terraplanagem
4319- Demolição e preparação de terreno
4399- Outros serviços especializados para construção
4921- Transporte rodoviário de passageiros
8121- Atividades de limpeza em prédios e domicílios
8122- Imunização e controle de pragas urbanas
8129- Atividades de limpeza não identificadas
8411- Administração pública em geral

Assim sendo, não se encontra referência nas listas A e B em relação a frio e doenças
respiratórias, nem na lista C, a utilizada no NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário), em que não houve, de acordo com estudo epidemiológico realizado pela
previdência social, relação entre CNAE de frigoríficos e doenças respiratórias.
Na legislação estrangeira, em Portugal, encontramos a Lista das Doenças
Profissionais, referente ao Decreto número 6/2001, de 5 de maio, muito semelhante a
nossa, e novamente não se encontra referência a doenças respiratórias e exposição ao frio
(PORTUGAL, 2001).
Já a lista de doenças ocupacionais da Organização Internacional do Trabalho, revisada
em 2010, em seu item 2.1, doenças do aparelho respiratório, não faz menção a doenças
relacionadas com o frio (INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION, 2010). Esta lista
incorpora ainda recomendações que devem ser tomadas em relação ao tema em pauta, ou
seja, para que doenças sejam incorporadas a listas de doenças ocupacionais, devem ser
seguidos critérios rígidos científicos, indicados por Bradford Hill:

• Força de associação: ou seja, artigos científicos que demonstrem cabalmente a relação


entre exposição e doença.
• Consistência: diversos trabalhos científicos com resultados similares em relação à
ocorrência de exposição e doença.
• Especificidade: exposição a risco específico resulta claramente em um padrão definido de
doença.

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• Sequência temporal: a exposição ao risco estudado antecede a ocorrência da doença, em


um período de tempo consistente com o mecanismo biológico.
• Gradiente biológico: quanto maior tempo exposto e maior o grau de risco, maior a
severidade da doença ou incidência.
• Plausibilidade biológica: as informações que possuímos em relação ao tema, como
propriedades dos riscos e outros atributos, fazem sentido a relação entre exposição e
risco.
• Coerência: Estudos epidemiológicos em humanos e animais concluem a relação de causa
e efeito, ou seja, sua relação.
• Estudos intervencionais: ações preventivas com remoção do risco previnem a
reincidência.

Estes tópicos são também acompanhados pela legislação pátria, nos Protocolos de
procedimentos médico-periciais em doenças profissionais e do trabalho: Subsídios para a
Implementação do Anexo II do Decreto 3.048/99 (BRASIL, 1999).

A legislação Suiça trabalha com a lista da OIT modificada pela legislação local. As
doenças respiratórias, reconhecidas como relacionadas aos riscos ocupacionais listadas são:
• Patologias pleurais;
• Infecções pulmonares;
• Carcinoma broncogênico;
• Enfisema pulmonar;
• Edema pulmonar;
• Pneumoconiose;
• Falência respiratória;
• Doença pulmonar obstrutiva crônica;
• Fibrose pulmonar;
• Asma.

Como se pode constatar, nessa lista também não consta o risco frio relacionado à
exposição ocupacional e doenças respiratórias (SUIÇA, 2011). A legislação polonesa, em sua
lista de doenças relacionadas à exposição ao frio, lista somente frostbite, não fazendo
referência a doenças pulmonares (POLÔNIA, 2009).
O NIOSH (National Institute of Occupational and Safety Health), e sua lista de
doenças relacionadas à exposição ao frio cita a hipotermia, o frostbite, o pé de trincheira e

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frieiras (ESTADOS UNIDOS, 2016), mas não cita doenças pulmonares. A ACGIH (American
Conference of Governmental Industrial Hygienists) em sua publicação anual de limites de
tolerância e indicadores biológicos de exposição, não faz nenhuma referência a proteção de
vias aéreas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HIGIENISTAS OCUPACIONAIS, 2016).
O capítulo relacionado a doenças ocupacionais respiratórias do Oxford Handbook of
Occupational Health (SMEDLEY; DICK; SADHRA, 2007) não faz referência à exposição ao frio e
doenças de vias aéreas.
As causas de doenças pulmonares ocupacionais listadas no Current Medical Diagnosis
& Treatment, não fazem nenhuma menção a exposição ao frio, inclusive no capítulo
relacionado a asma ocupacional (MCPHEE; PAPADAKIS, 2017).
Na literatura espanhola de medicina do trabalho, Gil Hernández em seu Tratado de
Medicina del Trabajo, refere que as doenças pulmonares ocupacionais relacionam-se a
doenças brônquicas, alveolares, intersticiais e ou pleural, secundária a exposição
ocupacional a material particulado, vapores, gases ou fumos. Classifica, igualmente, as
enfermidades pulmonares ocupacionais em relação a agente causal:
• Doenças por inalação de particulado inorgânico fibrogênico (talco, caolin,
mica, asbesto, etc.), particulado não fibrogênico (ferro, bário, zircônio), metais (cádmio,
berílio, tungstênio) e sílica.
• Doenças por particulado orgânico: antígenos produtores de asma, antígenos
aviários, fungos, bacilos, proteínas e enzimas.
• Doenças por inalação de gases e vapores químicos (asma ocupacional,
amoníaco, enxofre, ácido clorídrico, cloro gás, isocianatos).
Nos capítulos das doenças respiratórias relacionadas ao trabalho, não é mencionado
o risco frio como causador dessas doenças (HERNÁNDEZ, 2005).
A Enciclopédia da OIT, no Capítulo destinado a Doenças em Indústrias alimentícias,
ao referir-se ao risco frio, faz a seguinte constatação: “A exposição ao frio pode dar-se pela
manipulação e armazenamento de matérias primas no inverno ou em salas de elaboração
refrigeradas como na fabricação de sorvetes e na elaboração de alimentos congelados.”
Os trabalhadores que desenvolvem suas atividades nestas áreas podem ter sua
saúde deteriorada pela exposição sem proteção adequada. “Os expostos em câmaras
frigoríficas, devem utilizar roupas adequadas e dispor de salas de descanso onde possam
consumir bebidas quentes”.

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Em outra fonte primária consultada, Pneumologia Ocupacional encontra-se


observação pertinente ao tema. A asma relacionada ao trabalho pode ser classificada em
Asma Ocupacional e Asma Exacerbada pelo trabalho, sendo a sua fisiopatologia indicada na
figura abaixo.
Figura 15

Fonte: SANTOS, U. de P. Pneumologia Ocupacional. 2013, p.7.

Na revisão realizada na obra do prof. René Mendes (MENDES, 2013), nos capítulos
dedicados a doenças respiratórias, não há referência ao agente frio como causador de
patologias do referido aparelho. Na bibliografia de bases primárias e secundárias
estrangeiras, a importante publicação da Associação Médica Americana, relacionada a
causas de doenças pulmonares ocupacionais, não faz menção ao risco frio como causa de
doença ocupacional. Também, nesta publicação, no capítulo de doenças relacionadas ao
estresse pelo frio, novamente não há menção a doenças de vias aéreas, mantendo a citação
a hipotermia, as frieiras, a forstbite e o pé de trincheira (MELHORN et al, 2014).
Na busca de dados em relação a risco frio no banco de dados da National Library of
Medicine, portal Haz-Map, que relaciona riscos com doenças ocupacionais, novamente não
se observa doenças relacionadas a vias aéreas e exposição ao frio (LEVY et al, 2011). O CDC –
Center of Disease Control, em seu site ocupacional (NIOSH, National Institute of
Occupational and Safety Health), na busca por doenças relacionadas à exposição ao frio cita
a hipotermia, o pé de trincheira, as frieiras e a frostbite. A lista canadense de agentes
responsáveis por asma ocupacional, também não faz referência ao frio (CDC-NIOSH ), não há
citação de doenças pulmonares relacionados ao frio.
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Finalizando a metodologia utilizada de busca de evidências, em fontes terciárias, foi


realizada busca no PubMed, com os seguintes descritores (a e b):

a. Cold temperature and occupational diseases

Foram recuperadas 35 publicações com estes descritores, nos últimos 10 anos. Realizada
a leitura dos resumos dos artigos recuperados, que se relacionam com a pesquisa, quais
sejam, artigos escritos em que o frio seja agente de doenças ocupacionais, chegou-se ao
seguinte resultado, conforme quadro a seguir.

Quadro 8 – Resultado da pesquisa sobre frio como agente de doenças ocupacionais


ARTIGO AUTOR DATA RESUMO
An Official ATS Proceedings: Talo SM, Malo JL 2009 A relação de agentes irritantes na asma
Asthma in Workplace19 ocupacional, causando, exacerbando ou
agindo como adjuvante, necessita mais
pesquisa.
Agents causing occupational Malo JL, Yeung 2009
asthma20 MC
[Disorders caused by heat, Horie S 2014 Doenças causadas por frio incluem a
cold, and abnormal urticária do frio, frostbite, pé de
pressure] trincheira e hipotermia. Não refere-se a
doenças respiratórias.
Evaluation of Occupational Oliveira 2014 Apresenta a avaliação da percepção dos
Cold Environments: Field AV, Gaspar trabalhadores em relação à exposição
Measurements and AR, Raimundo ao frio (IREQ), inadequado ao
Subjective Analysis AM, Quintela DA diagnóstico médico.
[Workers' discomfort and Duque-Vera 2012 Amostra em trabalhadores de câmaras
output when exposed to IL, Morales- frigoríficas a menos de 40º C, não se
extreme cold in everyday Chacón CA aplica, portanto ao escopo do presente
working conditions] trabalho.
Hazards for Farmers With Qiuqing Geng 2013 Refere como problemas da exposição
Disabilities: Working in Cold PhD , Robert W. ao frio a hipotermia e regelamento de
Environments Stuthridge PhD & extremidades. Não refere alterações
William E. Field respiratórias.
Association between Márcia Rosângela 2012 Aplicação do método OCRA. Refere-se a
repetitive work and Buzanelloa,b* Distúrbios osteo-musculares
occupational cold exposure and Antônio relacionados ao frio. Fora dod escopo
Renato Pereira do presente trabalho.
Moroc
Ergonomic analysis in cold Silva,Hebert 2012 Avaliação ergonômica, sem referência a
storage rooms: a study of Robertoa and alterações respiratórias.
case Araújo, Cleudmar
Amaralb

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ARTIGO AUTOR DATA RESUMO


White fingers, cold Urström 2010 Avalia impacto do frio nos dedos. Sem
environment, and vibration- L1, Järvholm referência a Sistema respiratório.
-exposure among Swedish B, Nilsson
construction workers T, Wahlström J
Health problems related to Piedrahita 2008 Trabalho sobre ergonomia em câmaras
1
working in extreme cold H , Oksa J, Malm frigoríficas, sem relação com sistema
conditions indoors C, Rintamäki H respiratório.
Musculoskeletal symptoms Aasmoe L1, Bang 2008 Trabalho relacionado a distúrbios
among seafood production B, Egeness músculo-esqueléticos, sem relação a
workers in North Norway C, Løchen ML sistema respiratório.
Cold exposure and low back Dovrat E1, Katz- 2007 Relacionado a dor lombar, sem relação
pain in store workers in Leurer M a sistema respiratório.
Israel
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados coletados na pesquisa.

Dessa forma, não foram encontrados artigos publicados nos últimos 10 anos que
relacionem a exposição ao frio em ambiente ocupacional com problemas respiratórios que
tenham força de evidência científica suficiente para chegar a tal conclusão.
Em outra estratégia de busca de informações no Pub Med, utilizamos os seguintes
descritores:
b. Respiratory tract diseases and cold temperature

Limitamos as buscas para artigos publicados nos últimos 10 anos, com limitações aos
de maior força de evidência científica, quais sejam: revisões sistemáticas e ensaios clínicos.
Recuperamos 92 artigos com esta estratégia. Realizada a leitura dos resumos, chegamos as
seguintes conclusões:

Quadro 9– Pesquisa a partir de respiratory tract diseases and cold temperature


ARTIGO AUTOR DATA RESUMO
Exposure to cold and acute Eccles R, Wilkinson 2015 Busca científica de evidências
upper respiratory tract JE. em climas frios, recomenda
infection maiores estudos pela
controvérsia nas conclusões
dos mesmos.
1
The effect of cold Tseng CM , Chen 2013 A exposição ao frio exacerba
temperature on increased YT, Ou SM, Hsiao o quadro de doença
exacerbation of chronic YH, Li SY, Wang pulmonary obstrutiva crônica
obstructive pulmonary disease: SJ, Yang AC, Chen em portadores da doença.
a nationwide study TJ, Perng DW

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1
Sports in extreme conditions: Carlsen KH 2012 A exposição ao frio em
the impact of exercise in cold condiçoes extremas, piora o
temperatures on asthma and quadro de asma e
bronchial hyper-responsiveness hiperresponsividade
in athletes brônquica em atletas
portadores desta patologia.
1
The acute effect of cold air Carey DG , Aase 2010 Atletas em condições de frio
exercise in determination of KA, Pliego GJ. não apresentam alterações
exercise-induced significativas em provas de
bronchospasm in apparently função pulmonar.
healthy athletes.

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados coletados na pesquisa.

Novamente nesta busca, não observamos trabalhos com força de evidência científica
que justifiquem exposição ocupacional e alterações respiratórias.

2.12 Doenças pulmonares CID “J” em frigoríficos estudados


Em um estudo preliminar, objetivando determinar o risco de exposição ao frio e a
incidência de doenças CID J (doenças respiratórias) em expostos e não expostos ao frio,
realizamos a seguinte indagação, ao estudar dados apresentados por uma das empresas
associadas à ABIEC:
- Qual a incidência de atestados por CID J00 a J99* em expostos ao frio e não
expostos em trabalhadores de frigoríficos?

*Doenças do aparelho respiratório (J00 - J99)

Infecções agudas das vias aéreas superiores (J00 - J06)


Influenza [gripe] e pneumonia (J09 - J18)
Outras infecções agudas das vias aéreas inferiores (J20 - J22)
Outras doenças das vias aéreas superiores (J30 - J39)
Doenças crônicas das vias aéreas inferiores (J40 - J47)
Doenças pulmonares devidas a agentes externos (J60 - J70)
Outras doenças respiratórias que afetam principalmente o interstício
(J80 - J84)
Afecções necróticas e supurativas das vias aéreas inferiores (J85 - J86)
Outras doenças da pleura (J90 - J94)
Outras doenças do aparelho respiratório (J95 - J99)

Para a resposta inicial, foi observado um grupo de empregados por seis meses, para
um estudo inicial de caso-controle. Esses empregados pertenciam a dois grupos:

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Grupo 1: setor de produção ( e, consequentemente expostos ao frio), denominados


de caso.
Grupo 2: setor administrativo ( não expostos ao frio), denominado controle.

A forma de comparar esse risco de exposição é realizada por meio de estimativa de


risco, tendo como parâmetro de comparação a razão de chances, definido como as chances
de um caso ser exposto ao frio e ter doença respiratória, dividido pelas chances de um
controle (não exposto ao frio) ter afastamento pela CID J.
O resultado deste estudo, ressaltamos que é preliminar, foi 1,1, o que nos leva a
conclusão inicial de que a chance de pertencer ao grupo de expostos ao frio e ter
afastamento pela CID J é praticamente a mesma do grupo não exposto ao frio.

2.13 Buscas de evidências científicas


Após realização da busca em bases primárias, iniciou-se a descrição de buscas em
outras bases secundárias e terciárias, que estão descritas a seguir. Inicialmente, buscou-se
referências em sites de segurança e medicina do trabalho, indicados abaixo.

1. National Institute of Occupational and Safety Health. Cold Related Ilness. Available in:
https://www.cdc.gov/niosh/topics/coldstress/coldrelatedillnesses.html Acesso em
05.04.2017.

2. United States Department of Labour. Occupational Safety Health Administration.


Cold Stress Guide. Available in:
https://www.osha.gov/SLTC/emergencypreparedness/guides/cold.html Acesso em
05.04.2017.

Assim, no site do NIOSH (The National Institute for Occupational Safety and Health),
órgão do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), foram elencados os distúrbios
relacionados à exposição ao frio, sendo eles: hipotermia, eritema pérnio, frostbite e pé de
trincheira.

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3 DISCUSSÃO

Apresentamos, a seguir, algumas considerações/discussões finais sobre as


jurisprudências consolidadas em nosso país e pareceres contrários, do ponto de vista jurídico
e de evidências científicas sobre a exposição de trabalhadores a ambientes artificialmente
frios, acima de 4˚C nos frigoríficos, como também sobre doenças pulmonares relacionadas à
tal exposição ambiental, a sua incidência, a correlação entre o CNAE das indústrias
frigoríficas e o NTEP – Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário e presença de doenças
entre os intervalos da CID-10 J 00 a J 99.

3.1 Primeira Discussão (Artigo 253 da CLT/Súmula 438 do TST)

Visando a preservar a saúde do trabalhador, o direito brasileiro assegura aos


empregados intervalos específicos para a recuperação térmica quando o trabalho se dá em
ambiente artificialmente frio. Assim, aqueles que trabalham no interior das câmaras
frigoríficas e os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e
vice-versa têm direito a um período de 20 minutos de repouso a cada 1 hora e 40 minutos
de trabalho contínuo. Esse intervalo deve ser computado como de trabalho efetivo (artigo
253 da CLT). Entendimento nesse sentido encontra-se consolidado na Súmula 438 do TST.
Muito controversa tal consolidação, do ponto de vista científico, pois, conforme
verificamos nas buscas realizadas, há evidências de que tal medida pode até ser nefasta para
o trabalhador, de acordo com os mecanismos fisiológicos da termoregulação,
principalmente em relação ao hipotálamo e seu mecanismo regulador de temperatura
corporal, pois o fato do trabalhador sair a cada 1 hora e 20 minutos de uma temperatura em
que ele está totalmente aclimatizado e com temperatura corporal dentro dos limites
fisiológicos aceitáveis.

3.2 Segunda Discussão (Súmula 29 do TRT GO)


ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. FRIO. AUSÊNCIA DE CONCESSÃO DO
INTERVALO PREVISTO NO ART. 253 DA CLT. É devido o adicional de
insalubridade quando não concedido o intervalo para recuperação térmica,
previsto no art. 253 da CLT, ainda que fornecidos os equipamentos de
proteção individual e fiscalizado o uso.

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Conforme item II – Resultados – deste trabalho, principalmente no assunto referente


aos mitos comuns em nosso meio sobre a exposição ao frio, temos que no exercício da
prática médica deve-se evitar a contaminação do bom senso pelo senso comum, fato que
pode simplificar de modo impróprio fenômenos ou cadeias de causalidade complexas, como
também levar a conclusões incorretas.
Tal decisão do TRT 18.ª Região, suscitou interpretações entre alguns peritos, ao
inferir que ainda que reduzisse a consequência maléfica do frio sobre a pele do trabalhador,
o uso de EPI não impediria, por si só, a inalação do ar ambiente ao longo da jornada de
trabalho, que se deslocaria para os pulmões e provocaria o resfriamento interno do corpo,
ficando as vias respiratórias expostas e sujeitas à agressão do referido agente nocivo. Fato
que transformou em um senso comum.
Assim, a prática médica exige bom senso (conhecimento científico), circunstâncias
apropriadas (ou seja, locais de trabalho adequados), competências (capacidade de procurar
conceitos médicos corretos) e evidências (demonstração da fonte de pesquisa da qual foi
retirada a afirmação) para que, com o maior respeito à autoridade judicial, não se possa
chegar à conclusão que, diga-se de passagem, foi baseada em uma série de conclusões
periciais realizadas por alguns peritos do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho, totalmente
desprovidas do conhecimento científico.
Neste sentido, sob a metodologia utilizada na pesquisa de evidências, estudamos a
maioria e os mais prevalentes mitos/sensos comuns sobre a exposição de trabalhadores a
ambientes artificialmente frios, neste, caso acima de 4˚C, tendo sido conclusivamente
entendido que se tratam, realmente, de mitos. Isso porque o bom senso é o resultado de
estudos na área da ciência, sendo uma cadeia de interpretação e lógica científica, resultando
na produção de conhecimento científico.
Em relação à inferência de que o uso de EPI não impediria, por si só, a inalação do ar
ambiente ao longo da jornada de trabalho, que se deslocaria para os pulmões e provocaria o
resfriamento interno do corpo, ficando as vias respiratórias expostas e sujeitas à agressão do
referido agente nocivo, tivemos que, comprovadamente, do ponto de vista da fisiologia do
trabalho, o ser humano pode tolerar variações de temperatura. No entanto, em relação à
temperatura interna, a pessoa suporta variações de, no máximo, 4º C sem danos8.
Importante frisar que esta temperatura refere-se ao núcleo do corpo, não à extremidade
(ASTRAND, 2006).

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Em relação ao outro senso comum de que a exposição ao frio pode provocar uma
baixa na imunidade da pessoa, essa é outra questão recorrente em argumentos relacionados
ao frio, em vários fóruns de discussão e conclusões periciais, em que há a afirmação
categórica de que o frio diminui a imunidade do trabalhador exposto. Tal fato não é citado
na literatura médica pesquisada, sob a metodologia adequada conforme exposto
anteriormente.
A função do sistema imune é proteção do hospedeiro contra invasão de organismos
estranhos, distinguindo quem é autóctone do não autóctone, ou seja, quem é originado do
próprio organismo ou quem o invade. Assim sendo, o sistema imunitário tem a função de
proteger o ser humano contra a invasão de microorganismos, toxinas, tumores e fatores
autoimunes. Essa função é cumprida através das células do sistema imune que circulam pelo
organismo, sendo elas os macrófagos, os linfócitos e os neutrófilos.
A imunidade está presente desde o nascimento, sendo transmitida pela mãe. Já a
imunidade adquirida, necessita de exposição ambiental a eventuais corpos estranhos que
tenham escapado do sistema inato. Este sistema adaptativo tem duas características
importantes, quais sejam: a especificidade e a memória imunológica, necessitando de um
contato inicial e de contatos posteriores para intensificar a resposta a esta invasão.
Como foi aprofundado anteriormente, entre as causas de deficiência imunológica, o
frio não está relacionado como fator interferência no sistema imunológico, como muitas
vezes mencionado pelo senso comum, não estando elencado nos tratados de imunologia.

3.3 Terceira Discussão - (Insalubridade com uso de vestimentas adequadas)

Praticamente todos os seres humanos criaram ambientes artificiais para sua


sobrevivência ao frio. Por exemplo, os esquimós vivem em um micro clima próximo ao da
Sicília, dentro dos seus iglus. Portanto os fisiologistas procuram encontrar seres humanos
adaptados ao frio, fora de ambientes artificiais, como na pré-história.
Os aborígenes australianos são o melhor exemplo disto. Este povo vive, em um
ambiente pobre em recursos, sem praticamente nenhuma roupa, e dorme a céu aberto,
onde a temperatura pode atingir até 4°C. Eles acendem fogueiras para se aquecer, mas
ainda assim é muito pouco calor.

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Nos nativos, comparando-os com os europeus, a temperatura retal, da pele e


principalmente o pé cai bruscamente à noite, com temperatura corporal de 32°C a 34°C
(retal). A condutância do calor interno é pequena nos nativos, isto é, devido ao fluxo
sanguíneo na pele e membros é menor que nos europeus. Resumindo, os nativos
australianos não entram em "stress'’ porque: a) pelo aumento do isolamento do calor
através do fluxo sanguíneo periférico extremamente reduzido, b) pela tolerância da queda
da temperatura corporal, sem com isto aumentar a taxa metabólica e sem tiritar, o que
atrapalharia o sono.
Os bushmens do deserto do Kalahari e os lapões, no extremo norte da Europa,
apresentam características similares. E também os índios da Terra do Fogo.
Conforme apresentado, exaustivamente, o corpo humano é um sistema
termodinâmico que produz calor e interage continuamente com o ambiente (leis da física)
para conseguir o balanço térmico indispensável para a vida, impedindo grandes variações na
temperatura corporal. Os mecanismos de termorregulação são desencadeados pelo
hipotálamo que vai operar como um termostato.
O equlibrio térmico do corpo humano é mantido por um sistema orgânico chamado
termorregulador que, por meio de ações fisiológicas, interfere nas trocas térmicas com o
ambiente. Os fatores que modificam a resposta do organismo ao frio ambiente são a
temperatura do ar, a velocidade do vento e a umidade. Estes fatores precisam de uma
contrapartida protetiva, quais sejam: roupas adequadas, requeridas e de acordo com o nível
da temperatura ambiente, atividade física e controle de exposição.

A avaliação do frio deve levar em conta:


• Temperatura do ar medida por termômetro.
• Velocidade do vento medida por anemômetros.
• Umidade é importante fator, pois aumenta a perda de calor corporal.
• Atividade física produz calor, sendo útil a utilização de tabelas de taxas
metabólicas das atividades na avaliação.
• Escala de trabalho, com períodos de aquecimento quando necessário e, neste
caso existem limites legais de exposição explicitados na nossa legislação
trabalhista (câmaras frigoríficas), mesmo utilizando roupas protetoras
adequadas.
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3.4 Quarta Discussão – (Doenças Pulmonares relacionadas ao frio e o NTEP)

Importante destacar que na coleta de dados epidemiológicos, para a conclusão deste


trabalho, foram utilizadas fontes primárias que são aquelas pertinentes à informação
elaborada por um autor, como livros, dissertações e teses; fontes secundárias que são as
que tem a participação de um segundo autor, como as enciclopédias, artigos de revisão e
fontes terciárias que são os catálogos de bibliotecas como o PubMed, como também a
avaliação dos estudos utilizando os critérios de Bradford Hill, explicitados no bojo deste
trabalho.
Os resultados foram unânimes em concluir pela inexistência de quaisquer doenças
respiratórias relacionadas ao frio, durante os últimos 10 anos, alvo de nossas pesquisas
bibliográficas, conforme pode ser visto no segundo Capítulo – Resultados, em seu item 2.1
Doenças Relacionadas ao Frio.
Conforme foi relatado anteriormente, também no segundo Capítulo, não se encontra
referência a doenças ocupacionais respiratórias nas listas A e B do Decreto 3-048 da
Previdência Social, ao relacionar a busca em trabalhadores expostos ao frio. Em relação a
frio e doenças respiratórias, nem na lista C, a utilizada no NTEP (Nexo Técnico
Epidemiológico Previdenciário), não houve menção, de acordo com estudo epidemiológico
realizado pela Previdência Social, de relação entre CNAE de frigoríficos e doenças
respiratórias.

3.5 Quinta Discussão – (Estudo preliminar do perfil de morbidade em unidades


frigoríficas associadas à ABIEC)

Com o intuito de verificar preliminarmente um estudo sobre o perfil de morbidade


em frigoríficos, fizemos consultas ao Serviço de Medicina do Trabalho de uma das empresas
participantes e associadas à ABIEC, para que nos fornecessem dados sobre o perfil de
morbidades respiratórias (CID J) de seus trabalhadores do setor de produção e do setor
administrativo, sendo o primeiro posto de trabalho localizado em ambientes artificialmentes
frios acima de 4˚C, e o segundo setor em ambientes administratrivos com a temperatura
ambiente variando em média de 21˚C, objetivando determinar o risco de exposição ao frio e

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a comparação da razão de chances de um caso ser exposto a frio e ter doenças relacionadas
com o aparelho respiratório, dividido pelas chances de outro caso de não exposição ao frio
(controle), ter afastamento por morbidades respiratórias da CID 10 – J00 a J99.
Ao realizar o estudo, fizemos a seguinte indagação: Qual a incidência de atestados
por CID J em expostos ao frio e não expostos em trabalhadores de frigoríficos?
O resultado deste estudo, que ressaltamos ser preliminar, foi de 1,1 - o que nos leva
a conclusão inicial de que a chance de pertencer ao grupo de expostos ao frio e ter
afastamento por CID J é praticamente a mesma do grupo não exposto ao frio, conforme
pode ser visualizado no item 2.12 Doenças pulmonares CID “J” em frigoríficos estudados do
Capítulo 2 – Resultados.

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4 CONCLUSÃO

Após a pesquisa realizada, o tratamento dos dados apresentados, impõe-se, nesta


conclusão, o esclarecimento de questões importantes no manejo da exposição de
trabalhadores a ambientes artificialmentes frios, acima de 4˚C.

4.1 Conclusões Preliminares

4.1.1. Do ponto de vista do marco legal brasileiro, temos que carece de um maior
aprofundamento no estudo, na discussão, na conceituação e definição técnica de processos
e instalações de trabalhos relacionados a ambientes frios e artificialmente frios, para a
devida e esperada aplicação destes subsídios técnicos e científicos durante a avaliação e a
caracterização de insalubridade por exposição dos trabalhadores a diversas temperaturas.
4.1.2. A realidade é que muito pouco pode ser encontrado para parametrizar as
condutas de trabalho frente à exposição ao frio pelos trabalhadores. As únicas
considerações sobre o frio estão contidas no artigo 253 da CLT (Consolidação das Leis do
trabalho - Lei 6.514 de 22 de Dezembro de 1977), no anexo n° 9* da NR-15 (Atividades e
Operações Insalubres) aprovada pela Portaria 3.214 de 08 de junho de 1978 e na NR-29, que
possui aplicação restrita e definida para trabalho portuário em locais “frigorificados”.

* “As atividades ou operações executadas no interior de câmaras


frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que
exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão
consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no
local de trabalho”.

4.1.3 O Art. 253 da CLT define, fundamentalmente para trabalhadores em câmaras


frigoríficas, intervalos de descanso após intervalos de atividades sob o frio intenso. Bastante
genérico, sem qualquer consideração sobre o tipo de trabalho e tampouco do regime e
condições de frio ao qual o trabalhador estaria exposto, considera apenas a temperatura do
ambiente de trabalho correlacionada com a característica climática de cada região, definindo
limites teóricos de frio conforme Mapa de Climas, no caso Carta Climática do IBGE.
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4.1.4 Sabendo-se que do ponto de vista legal, a condição de insalubridade deve ser
analisada tão somente sob o previsto no Anexo 9 da NR-15 da Portaria 3214/78, entende-se,
portanto que há um equívoco técnico caracterizar eventual condição insalubre por frio
tendo como parâmetro a carta climatológica do MTE prevista no artigo 253 da CLT que tem
como finalidade única, definir “regime de trabalho”, ainda mais que os ambientes de
trabalho, quando considerados, são internos. Um ambiente interno não tem correlação com
o ambiente externo, causando um entendimento equivocado em relação à aplicação da
carta climatológica para quem esteja executando tarefas em ambientes fechados,
climatizados em temperaturas acima de 4˚C, como é uma sala de cortes.
4.1.5 O conforto térmico num determinado ambiente pode ser definido como a
sensação de bem-estar experimentada por uma pessoa, como resultado da combinação
satisfatória, nesse ambiente, da temperatura radiante média (trm), umidade relativa (UR),
temperatura do ambiente (ta) e velocidade relativa do ar (vr) com a atividade lá
desenvolvida e com a vestimenta usada pelas pessoas.
O conforto térmico está estritamente relacionado ao equilíbrio térmico do corpo
humano - temperatura corpórea constante – portanto, em um ambiente artificialmente frio
com temperatura acima de 4˚C, sob um trabalho contínuo, com vestimentas requeridas,
com as variáveis, apresentadas no parágrafo anterior, dentro de limites preconizados pela
higiene ocupacional, não há que caracterizar como trabalho insalubre e, tampouco haverá
necessidade de intervalos obrigatórios de 20 (vinte) minutos para repouso térmico (conforto
térmico).
4.1.6 Em referencia aos questionamentos feitos sobre i) Quais ambientes podem
ser considerados câmaras frigoríficas ou locais com condições similares e ii) Quando um
trabalhador está exposto ao frio nestes ambientes, qual é o tipo de proteção adequada para
prevenir a exposição ao frio nestes ambientes e o que é necessário para considerar um
ambiente de trabalho insalubre ou não em relação ao frio, concluímos que:
4.1.6.1 Quanto à natureza do ambiente: O estudo considerou câmaras
frigoríficas e locais em condições similares os ambientes com temperatura inferior a 4˚C,
conforme a Tabela de Limites de Exposição Ocupacionais (TLVs) da ACGIH (American
Conference of Governmental Industrial Hygienists). Tal limite foi considerado porque não há
índices de exposição ao frio definidos pelo Anexo 9 da NR 15, como ocorre para o agente

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calor ou ruído, por exemplo. A rigor não há limites de exposição ao frio estabelecidos na
legislação brasileira. Por isso, conforme a NR 9, item 9.3.5.1 “c” o estudo recorreu a tabela
da ACGIH para definir o Limite de Tolerância.
Não foram considerados como limites de tolerância, as temperaturas mencionadas
na NR 36, item 36.13.1.1, temperaturas estas relacionadas com as zonas climáticas do mapa
do Ministério do Trabalho e Emprego, pois tais temperaturas se destinam exclusivamente
para se determinar a melhor organização do trabalho de modo a se definir pausas térmicas,
conforme artigo 253 da CLT. Não são temperaturas que podem ou devem ser usadas para
caracterizar ambientes insalubres ou para se definir Limites de Tolerância de Exposição
Ocupacional.
Neste sentido, para se caracterizar se o ambiente é ou não uma câmara frigorífica ou
local em condições similares, o estudo entende que se deve promover uma medição de
temperatura com termo anemômetro digital calibrado, realizada à altura do tronco do
trabalhador. Se a temperatura for menor que 4˚C, o ambiente deve ser considerado uma
câmara frigorífica ou similar para efeito do Anexo 9 da NR 15. Caso contrário, o ambiente
não é enquadrado no Anexo 9 da NR 15, e, portanto, não é um ambiente em condições
insalubres.
4.1.6.2 Equipamentos de Proteção Individual necessários para
proteção contra frio, segundo especificações da portaria (SIT n°121) que estabelece as
normas técnicas de ensaios e os requisitos obrigatórios aplicáveis aos Equipamentos de
Proteção individual – EPI enquadrados no Anexo I da NR-6. Portanto, em nosso país, quando
da fabricação de vestimentas para proteção ao frio deve seguir as normas EN 342:2004 37 e
EN 14058:2004, que fornecem sete informações sobre materiais a serem utilizados,
isolamento mínimo, ergonomia, ensaios e requisitos obrigatórios para cada tipo de EPI
térmico de proteção ao agente estressante, neste caso – o frio, são disponibilizados no
Brasil, EPI’s com Certificados de Aprovação com estas especificações elencadas
anteriormente:

• Cabeça: balaclava de algodão, que compõe o uniforme, para a


proteção da cabeça, não havendo necessidade de outro tecido, p.ex,
de lã.

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• Tronco e Membros Superiores: camisa de moletom e luvas para


proteção das mãos, com neutralização do agente frio;
• Membros inferiores: calça de moletom com neutralização do agente
frio, bota de PVC impermeável e meia térmica com neutralização do
agente frio;

Acima se descrevem os EPIs que se entendem necessários para neutralizar os efeitos


do frio acima de 4˚C. Obviamente a necessidade desses EPIs também deve levar em
consideração todos os demais parâmetros anteriores, e pode variar conforme a intensidade
do frio em cada ambiente avaliado.
4.1.6.3 Da progressividade do agente frio - É comum ver tratamento
dispensado ao agente frio como se ele se comportasse de forma única, independente da sua
intensidade. Esse raciocínio não se sustenta no presente estudo. Um trabalhador não
necessita da mesma proteção quando estiver exposto a 14˚C, ou 0˚C ou a temperaturas
negativas como -25 a -30˚ C.
Em caso de temperaturas negativas extremas (< -40˚C) haverá necessidade de utilizar
máscaras ou respiradores térmicos para que o ar seja aquecido, sob pena de distúrbios do
aparelho respiratório. Mas isso nunca ocorrerá acima de – 40˚C. Veja-se a tabela da ACGIH ,
apresentada, para se entender melhor os efeitos progressivos do frio. Trata-se de equívoco
falar em respirador térmico para a faixa de temperaturas encontradas acima de – 40˚C.
Segundo essa tabela, para faixas de temperaturas acima de 4˚C, não há nenhum risco
fisiológico ao organismo humano, e a proteção da zona respiratória só passa a ser relevante
abaixo de – 40˚C, conforme validação científica neste trabalho.
4.1.7 Caracterização de insalubridade em ambiente de trabalho frio -
Reiteramos que o marco legal existente no Brasil e as normas regulamentadoras sobre o
agente frio são vagas e subjetivas, não definindo parâmetros concretos para caracterização
de ambientes insalubres devido ao agente frio.
De acordo com a NR 9 - PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, que é
considerado, em sua essência, um programa de higiene ocupacional que a empresa deve
desenvolver visando a preservação da saúde e segurança dos trabalhadores, a adoção de
medidas de controle, dentre outras situações, deverá ocorrer quando os resultados das
avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites

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previstos na NR-15 ou, na ausência destes, fato que ocorre com a exposição ocupacional ao
frio, os valores limites de exposição ocupacional podem ser os adotados pela ACGIH.
Diante dessa lacuna, conforme já exposto, o parâmetro técnico disponível é o da
American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH, entidade científica na
qual se baseiam a quase totalidade das normas pertinentes à segurança do trabalho em
nosso país. Conforme a ACGHI (pag.42), esse parâmetro é de ambientes insalubres apenas
com temperaturas inferiores a 4˚C. Esse é o único parâmetro concreto técnico que existe
para se caracterizar um ambiente como sendo insalubre ou não devido ao agente frio. As
temperaturas usadas para determinar regimes de trabalho e pausas térmicas, associadas a
zonas climáticas, tal como já explicado, não se destinam a esse fim.
Este estudo avaliou a morbidade e o estado de saúde de trabalhadores expostos a
diversas temperaturas, e chegou-se à conclusão que, após coleta de dados epidemiológicos,
para a conclusão deste trabalho, ao utilizar fontes primárias, fontes secundárias e fontes
terciárias, como também a avaliação dos estudos utilizando os critérios de Bradford Hill,
explicitados no bojo deste trabalho, que os resultados foram unânimes em concluir pela
inexistência de quaisquer doenças respiratórias relacionadas ao frio, durante os últimos 10
anos, alvo de nossas pesquisas bibliográficas, conforme pode ser visto no segundo Capítulo –
Resultados, em seu item 2.1 Doenças Relacionadas ao Frio.
Tal estudo, mostra de maneira incontestável que quando os trabalhadores são
expostos a temperaturas acima de 4˚C não existe insalubridade. E mostra ainda que, mesmo
abaixo de 4˚C, até – 40˚C, basta a proteção adequada e indicada para o seu corpo, para que
a insalubridade seja descaracterizada, pois a ausência de proteção respiratória não indica
qualquer incidência ou aumento de morbidade.
Entretanto, são consideradas como temperaturas muito baixas/extremas (as
temperaturas entre -17°C a 0°C), de acordo com a norma ISO, Ergonomics of the Thermal
Environment: Medical Supervision of Individuals Exposed to Extreme Hot or Cold
Environments, 2001, inclusive com indicações de que merecem, portanto cuidados e
proteções especiais para as mãos, pés, cabeça e para o trato respiratório (pag.52).

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4.2 Conclusões Finais

4.2.1. Nem todo local de trabalho abaixo da temperatura ambiente pode ser
considerado uma câmara frigorífica ou local em condição similar. Conforme exaustivamente
demonstrado neste estudo, somente são consideradas câmaras frigoríficas ou ambientes em
condições similares aqueles com temperaturas < 4˚C.
4.2.2. A verificação de qual proteção/vestimenta seria considerada adequada
para um ambiente de trabalho, pode ser feita utilizando-se o que determina a i) ISO/TR
11079/1993 - Avaliação de ambientes frios - Determinação do isolamento requerido das
vestimentas (IREQ). Este relatório técnico internacional (não é uma norma) propõe técnicas
e estratégias para se verificar o “stress” térmico, associado à permanência em ambientes
frios, através da utilização do índice IREQ e ii) ISO 9920/95 - Ergonomia de ambientes
térmicos - Estimativa de isolamento térmico e resistência evaporativa de um traje de roupas.
Esta norma internacional especifica técnicas para a estimativa das características térmicas,
resistência à perdas de calor seco e à perda por evaporação, em condições de estado
estacionário para um traje de roupa, baseado em valores de vestimentas conhecidas, trajes
e tecidos.
4.2.3. O índice IREQ, pode ser utilizado como uma medida de “stress” por
frio, que leva em conta a temperatura do ar, temperatura média radiante, umidade,
velocidade do ar e taxa metabólica; um método de análise dos efeitos de parâmetros
específicos e avaliação das medidas de retrofit; um método de especificação do isolamento
das roupas necessário, bem como a seleção das roupas a serem utilizadas em determinadas
condições ambientais. (pag.51)
4.2.4. A proteção considerada adequada para descaracterizar insalubridade
por frio no trabalho em câmaras frigoríficas ou locais em condições similares se dividem em
2 categorias: a) de 4˚C a – 40˚C onde deve-se usar vestimentas térmicas adequadas e
requeridas (conforme item 4.1.6.2, anteriormente informado), com CA apropriado para o
nível de temperatura do ambiente de trabalho; b) abaixo de – 40˚C deve-se usar
adicionalmente proteção respiratória através de respiradores térmicos ou máscaras que
permitam proteger as funções pulmonares.
4.2.5 Portanto, de acordo com o demonstrado neste estudo, não é
necessário proteger especificamente a região respiratória (nariz e boca) para se

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descaracterizar insalubridade por exposição ao frio no caso de quem trabalha em câmaras


frigoríficas ou locais com condições similares da temperatura maior ou igual 4˚C até -40˚C.
Mas, para temperaturas inferiores a -40˚C, devem ser tomados cuidados com a proteção dos
olhos e do sistema respiratório, particularmente a altos níveis de atividade e com ventos
fortes. (pag.54)
4.2.6. Finalizando, temos que é possível descaracterizar a exposição ao frio e a
consequente insalubridade por exposição ao frio, para pessoas que trabalham em câmaras
frigoríficas ou locais com condições maior ou igual a 4˚C, como também em câmaras
frigorífica ou ambientes com condições similares menor que 4˚C até -40˚C, desde que as
pessoas utilizem vestimentas térmicas (EPI’s) que protejam cabeça, tronco e membros com
CA apropriado, resultado da combinação satisfatória, nesse ambiente, da temperatura
radiante média (trm), umidade relativa (UR), temperatura do ambiente (ta) e velocidade
relativa do ar (vr) com a atividade lá desenvolvida.

Goiânia, 30 de setembro de 2017.

AUTORES:
Carlos Roberto Campos Francisco Cortes Fernandes
Especialista em Medicina do Trabalho Francisco Cortes Fernandes
Especialista em Ortopedia e Traumatologia Especialista em Medicina do Trabalho
Especialista em Ergonomia COPPE/UFRRJ Especialista em Perícia Médica
Máster em Prevenção de Riscos Laborais Mestre em Engenharia da Produção
Universidade Alcalá de Henares ESP

COLABORADORES:

Alexandre Perlatto Silva Felipe Moreira Campos


Advogado – Direito Empresarial do Trabalho Graduado em Fisioterapia (Universidade
pela Fundação Getúlio Vargas com expertise Estadual de Goiás - UEG)
na indústria de processamento de alimentos Professor (Pós Graduação) - Ceafi, CDCS,
de origem animal. Mundo Fisio, Fac Anhanguera (Goiânia);
Biocursos (Manaus); Interfisio (Brasília);
Feevale (Porto Alegre)

Leonardo Thommen Dias Campos


Eng. Civil e de Segurança do Trabalho
Higienista Ocupacional Certificado ABHO
HOC0097

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5 REFERÊNCIAS

ABBAS, A.K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia Básica. 4a ed. Elsevier. Rio de Janeiro,
2014.

ALMEIDA FILHO, N.; ROUQUAYROL, M. Z. Introdução à Epidemiologia. 4ª ed. Rio de Janeiro.


Guanabara Koogan Editora Ltda. 2006.

AMERICAN CONFERENCE OF GOVERNMENTAL INDUSTRIAL HYGIENISTS. TLV’s e BEI’s.


Tradução Brasileira da ABHO. 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HIGIENISTAS OCUPACIONAIS. Tradução TLV & BEI ACGIH. 2016.

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA/CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Projeto Diretrizes.


Disponível em:
http://www.portalmedico.org.br/diretrizes/100_diretrizes/Texto_Introdutorio.pdf Acesso
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