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Técnicas de Aterramentos Elétricos

engs. Carlos Moreira Leite e Mário Leite Pereira Filho

---

~ Resistividade do solo

Estratificac;ao da resistividade Resistencia de aterramento

Projeto de mal has

Materiais para aterramentos

~ Manual dos softwares TecAt-1Ie RSOLO-II

~ Exemplos de malhas de diversos tamanhos

+ Software:TecAt-1I v. 1.5

+ponlosmedidos

Ese

para

Curva da

Resistividade

x

Distancia

continuar

P1

P 2

h]

h 2

 

Estratifjca~o

da Resistividade

 

_d

doSolo

100 1

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32

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241'"

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Gráfico de Resisléncia da Malha x n° de Hastes

10

n° de hastes

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10

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Editora Ltda.

dados:

(011) 253-2741 28.8 kbps - 8N1 RIP / ANSI

ISBN BS-B623S-91-6

J~l~n~l~

Técnicas de

Aterramen tos

Elétricos

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Técnicas de Aterramentos Elétricos

Cálculos, projetos e Softwares para Aterramentos Elétricos

Segunda Ediyao Ampliada e Atualizada (C) 1996 Carlos Moreira Leite e Mário Leite Pereira Filho

Todos os direitos reservados - proibida a reproduyao total ou parcial por qualquer meio sem a autorizayao por escrito dos autores - respeite os direitos autorais!

0ffici~a

de Mydia

Editora Ltda.

r

ilustral(oes

capa e diagramal(ao:

Carlos M. Leite

e fotos:

Carlos M. Leite e Mário Leite Pereira Filho

Dados Internacionais de Cataloga~áo na Publica~áo (CIP) Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil

Leite, Carlos Moreira Técnica de aterramentos elétricos :

cálculos, projetos e softwares para aterramentos elétricos / Carlos Moreira Leite e Mário Leite

Pereira Filho. Editora, 1996.

-- Sao Paulo

: Officina

de Mydia

Bibliografia.

1. Linhas elétricas subterraneas 1. Pereira Filho, Mário Leite. 11. Título.

96-4538

CDD-621.31923

índices para catálogo sistemático:

1. Aterramento elétrico

621.31923

Engenharia elétrica

prefácio da 2a edi9ao - 1996

Aproveitamos a oportunidade da impressao desta segunda edi9ao para efetuar urna atualiza9ao do texto e dos softwares, bem como para ampliar o texto em algumas áreas que, embora nao fizessem parte do nosso escopo original, por estarem "acima da terra", também careciam de literatura apropriada.

Os softwares TecAt-II e RSOLO-TI, já na versao 1.5, encontram-se bastante "maduros" e, provavelmente, trata-se da última versao em ambiente DOS, visto que o TecAt-IV já está em fase final de transcri9ao para o ambiente Windows.

Estamos também inaugurando, provavelmente, o primeiro livro brasileiro de engenharia com suporte "On-Line" via computador e modem - mais um pioneirismo da editora Officina de Mydia! Assim, qualquer comentário, atualiza9ao, errata ou observa9ao será colocada na conferencia de suporte da OMOL, a qual também conta com conferencias na área de engenharia elétrica,

entreoutrasáreasprofissionais- consulteo ApendiceA.

Agradecemos as sugestoes que nos foram enviadas e as colabora90es dos alunos que frequentaram nossos cursos nesse período e esperamos ter respondido as principais aspira90es dos nossos leitores.

atenciosamente,

<i>

os autores julho de 1996

-

prefácio da 1a edi9ao - 1995

{Obs: este textofoi atualizado onde aplicável para a 2a edi~iio.J

É notável a falta de literatura brasileira nesta área e em outras relacionadas diretamente com a seguran~a de vidas humanas e de patrimonio, é como se gostássemos de viver perigosamente, mas a realidade nao é assim tao romantica, é apenas o velho truque brasileiro de jogar contra a sorte para economizar um pouco de trabalho e, talvez, de dinheiro.

Assim, ao invés de, simplesmente, revisar e lan~ar no mercado nosso software para cálculo de malhas de terra de subesta~oes, optamos por apresentar um software completo de cálculo e projeto de aterramentos com enfases na estratifica~ao da resistividade, resistencia de terra, custos de materiais e instala~oes e eficiencia de projeto, além de um texto abrangente da teoria de aterramentos e seus projetos.

Ao contrário dos trabalhos anteriores no genero, tanto no Brasil como no exterior, procuramos, sempre que possível, apresentar os cálculos para solos estratificados, de forma a conseguir urna precisao de cálculo, projeto, custos e revisao da malha pronta bem maior do que as técnicas convencionais baseadas em resistividade homogenea. Como esses cálculos em duas camadas sao bem mais complexos, fica imprescindível a utiliza~ao do computador para efetuá-Ios; daí a uniao do livro com os softwares disponíveis no disquete anexo.

Desta forma, surge o livro "Técnicas de Aterramentos Elétricos", acompanhado do software "TecAt-II" (pronuncia-se "tecáti dois"), com o objetivo de lan~ar bases mais sólidas para o desenvolvimento dos projetos de aterramento, hoje tao desprestigiados.

Procuramos concentrar o texto nos conceitos e nos resultados, deixando o trabalho pesado para o computador realizar; quem se interessar por textos mais aprofundados, como demonstra~oes matemáticas e casos particulares, pode encontrá-Ios na bibliografia indicada ao longo do livro. Apesar de ser um software específico e de baixo custo, o TecAt 11é urna ferramenta de projeto bastante poderosa, apresentando pouquíssimas limita~oes. Para os leitores que, ainda assim, necessitarem de maior "poder de fogo", fornecemos, em separado, o TecAt-IV, com estratifica~ao em até quatro camadas e maior detalhamento e profundidade nos cálculos de malhas.

<ii>

<iii>

o livro foi dividido em 6 partes lógicas: a parte I trata desde os cálculos

até a medi9ao dos resultados, sempre com o cuidado de apresentar um embasamento teórico para as fórmulas e procedimentos; a parte II trata do projeto dos sistemas de aterramento: materiais utilizados, objetivos, considera90es necessárias e, inclusive, desenhos básicos e especifica9ao de materiais (também disponíveis no disquete anexo);a parte III procura responder as perguntas mais frequentes; a parte IV traz o manual do usuário do software TecAt II; a parte V, exemplos de projetos completos, desde um aterramento simples até urna malha de grandes dimensoes e a parte VI apresenta um glossário com explana90es mais precisas de cada termo.

Embora todos os esfor90s tenham sido efetuados para entregar um produto completo e sem erros, nao existem softwares sem "bugs", assim como nao existem livros sem en-atas. Consulte, no diquete, o arquivo LEIAME.TXT para eventuais atualiza90es que nao estavam disponíveis na data de fechamento desta

edi9ao.

Agradecemos antecipadamente as sugestoes que nos forem enviadas para o aprimoramento do presente trabalho.

Atenciosamente,

<iv>

os autores mar90 de 1995

.I!. parte 1: Teoria e Cálculos

. introdm;ao

conteúdo

introdu9ao, 1 o computador nos cálculos e projetos de aterramentos, 2

. 1 -Necessidade de aterramento

o que é aterramento?, 3 surto s em linhas de for9a (alimenta9ao), 3 surto s em linhas de transmissao de dados, 3 descargas atmosféricas (raios), 4 blindagens, 4 seguran9a contra choques elétricos, 4 curto-circuito fase-terra, 4

. 2 _ Sistemas de Aterramento

B.T. e Prote~ao Pessoal

sistema TN, 5 sistema TT, 6 tensoes de toque e de passo, 9

.

3 -Resistividade do solo

composi9ao do solo e resistividade, 13 estratifica9ao da resistividade do solo, 15 resistividade aparente, 24 resistividade equivalente, 25 estratifica9ao em tres ou quatro camadas, 26 estimativa simplificada da resistividade, 26

.

4 _ Resistencia de Aterramento:

Hastes e Cabos

solo uniforme, 27 solo estratificado em duas camadas, 39 comportamento sob impulso (raios, etc.), 47

<v>

·

· 5 -Malhas

para tipos de correntes para aterra, 53 correntes de curto-circuito fase-terra, 54 cálculo de tensoes de toque e passo e da resistencia pelo IEEE-80, 56 dimensionamento dos cabos, 61 possíveis melhorias no projeto, 63 contomando ou rompendo os limites do IEEE-80, 64

de terra

subesta~oes

6 -Medi~ao

da resistencia

de terra

método usual, malhas grandes, solo nao uniforme, 65 instrumentos, 70 necessidade de medi~ao, 71 periodicidade das medi~oes, 71

fi parte II - Projetos

· 7 -Componentes e Materiais

hastes, 73 cabos, 74 conectores, 74 solda Exotérmica, 74 po~o de inspe~ao, 76 po~o de aterramento, 76

· 8 -Tratamento

do solo

durabilidade, 77 corrosao, 77 eficiencia, 77 tratamento cilíndrico ao longo do comprimento da haste, 78 tratamento com um hemisfério ao redor da cabe~a da haste, 80 valetas para cabos horizontais e coroa circular ao redor da haste, 82 folclore e realidade do tratamento do solo, 83

· 9 -Concreto: eletrodos embutidos e uso da armadura

como eletrodo

de aterramento eletrodos embutidos em concreto, 84 uso da armadura do concreto como eletrodo de terra, 84 capacidade segura de condu~ao de corrente elétrica, 85

<vi>

· 10 - Considera~oes

construtivas

dimensoes do terreno, 86 resistividade do solo, 87 custo e prazo da obra, 87 manuten~ao e expansao, 88 corrosao do a~o e cobre dentro do concreto, 88 corrosao de haste de a~o revestida de cobre, 88 corrosao: conectores x solda, 89

facilidade de escava~ao e crava~ao, 89

·

11 -O valor

da resistencia

de aterramento

requerido

instala~oes elétricas de baixa tensao, 90 computadores, 90 telecomunica~oes, 91 média e alta tensao, 92 raios e outras cargas impulsivas, 92

para

cada caso

· 12 -Desenhos e fichas de especifica~ao

Desenhos

e fichas, 93

· 13 -Documenta~ao do projeto Documenta~aodo projeto, 125

fi parte III - Perguntas

e Respostas

· 14 -Respostas as perguntas mais frequentes

Cálculos, 127 Normas, 128 TecAt-II e RSOLO-II, 130 Materiais, 131 Medi~oes, 132 Malhas, 133 Ferragem do concreto, 134 Outros eletrodos, 134

<vii>

1111. parte IV: Manual dos Softwares TecAt-II e RSOLO-II

.

15 - Manual do usuário:

software TecAt-II

Introdu~ao, 137 Upgrades e Licen~a de Uso, 137 Opera~ao geral do software, 137 Arquivos, 143 Edi~ao, 145 Estratifica~ao, 148 Cálculos em 1 ou 2 camadas (solo homogeneo e estratificado), 150 Gráficos e desenhos, 162 Acesso a Teoria, 163 Help, 163 Opera~ao em conjunto cl Windows (tm), 164

.

16 - Manual do usuário: RSOLO-II

interpretac;aoda curva p x D, 166 condic;6esde aplicac;ao, 167

inicializac;ao,169

menu principal, 170 caso típico de análise, 179 mensagens de erro, 181

1111. parte V - Exemplos Práticos de Projetos

· 17 - Exemplos de projetos de aterramentos com uso do computador

Ponto único de terra, até 3 hastes, 183

Malha pequena, até 16 hastes, 187 Anel de terra retangular, com ou sem hastes, 189 Torre de transmissao, 192

Malha de

terra pl subestac;ao, 195

1111. parte VI - Glossário de Aterramentos

Glossário,

199

<viii>

1111.Bibliografía

Bibliografia, 205

1111.Apendice

On-Line

A

- disco

Apendice A, 209

2 - Acesso

a OMOLe SUDorte

<ix>

Técnicas

de Alerramentn.v

Elélricos

parte 1: Teoria e Cálculos

Atencrao: alertamos para o fato de que as deducroes de fórmulas desta primeira parte podem apresentar um pouco de dificuldade para os leitores nao acostumados com cálculos matemáticos mais aprofundados; no entanto, urna vez compreendidos os conceitos envolvidos, a formulacraodeixa de ter importancia significativa, visto que o software TecAt-TIautomatiza a maioria dos cálculos aqui encontrados, "encapsulando" e afastando do usuário as tais fórmulas.

<x>

Conteúdo

da Parte 1:

· Introdu~ao

· 1 - Necessidade de

aterramento

· 2 - Sistemas de Aterramento B.T. e Prote~ao Pessoal

· 3 - Resistividade

do solo

· 4 - Resistencia de Aterramento: Hastes e Cabos

· 5 - Malhas de terra para subesta~oes

· 6 -Medi~ao da resistencia de terra

Parte

1: Teoria

e Cálculo.f

Em

qualquer

Técnica.f

edifica9ao

de Aterramento.f

moderna,

Elétrico.f

encontramos

introdu<;ao

instala90es

elétricas,

eletrónicas e mecanicas que necessitam de alguma forma de aterramento, seja para urna prote9ao em caso de eventual falha de algum sistema, para dissipa9ao de eletricidade estática ou ainda prote90es contra descargas atmosféricas e surtos de manobras. Com o adensamento das constm90es e a utiliza9ao cada vez mais intensa de equipamentos e mídias sensíveis, torna-se imperativo realizar um bom aterramento das partes envolvidas. Se, por um lado, os materiais utilizados nos sistemas de aterramento pouco evoluiram nas últimas décadas, dispomos agora de ferramentas de cálculo muito mais eficientes - o paradoxo é de que utilizamos os

próprios computadores para calcular a melhor forma de protege-los

Embora os requisitos de aterramento de cada equipamento ou edifica9ao sejam diferentes, alguns princípios sao universais, assim como urna boa parte dos problemas. Se conseguirmos equacionar ambos - princípios e problemas - já teremos encaminhado boa parte da solu9ao.

Sem dúvida, o maior problema refere-se ao solo, com suas inconsistencias, heterogeneidades e anisotropias, bem como a varia9ao sazonal de suas propriedades. Nao há segredo, e as fórmulas existentes nao sao mágicas:

trata-se de realizar um modelo matemático que consiga aproximar-se satisfatoriamente do resultado físico. Quanto é esse satisfatório? Depende do rigor dos objetivos almejados, bem como dos dados disponíveis; pode ser que 5% de erro seja mim ou que 20% seja bom. Aliás, como todo o livro fará referencias a erros relativos e, como o termo erro, em portugues, tem urna conota9ao pejorativa _ o que nao é nossa inten9ao aqui - vamos, de agora em diante, substituir erro por desvio.

Outro problema bastante grave é o cultural: como os procedimentos mais precisos para o dimensionamento de aterramentos requerem capacita9ao profissional, houve urna dissemina9ao de dois tipos negativos de projetistas: o pregui90so e o "mágico". Também no aspecto cultural pode-se incluir outros problemas, como a falta de fluencia dos profissionais brasileiros em outras línguas, onde se encontra a maior parte das publica90es sérias no genero.

Alguns erros (aqui sao erros mesmo, nao desvios) que ternos encontrado nas instala90es de aterramento verificadas sao realmente primários, como utilizar hastes profundas para solos com segunda camada de resistividade maior que a primeira, ou outras varia90es do mesmo tema, como cravar dezenas de hastes

</>

Parte

1: Teoria

e Cálculos

curtas num solo onde a camada malOr.

menos resistiva encontra-se a urna profundidade

1

Assim, podemos dizer que ternos problemas naturais e culturais; os naturais vao sendo contornados com a pesquisa, seja no campo, no laboratório ou no computador. Já os problemas culturais, bem, isso fica a cargo dos profissionais do setor, seja isoladamente através de um maior interesse no aprimoramento individual, seja em grupo, elaborando normas, pesquisas e troca de informa90es.

· i.l -O computador nos cálculos e projetos de aterramentos

Os heróis que já tentaram realizar um cálculo preciso de aterramentos sem a utiliza9ao de máquinas e softwares apropriados sabem porque nos referimos a eles por heróis. Já na estratifica9ao da resistividade, mesmo que o profissional fa9a o seu melhor para saber como utilizar as curvas auxiliares, é bem provável que, dando-se o mesmo conjunto de dados para quatro projetistas, consigamos uns oito ou doze resultados diferentes! Vm software, por outro lado, apresentará um único resultado e, no caso de um bom software, será um resultado considerado correto, ou seja, dentro das margens de desvio consideradas permissíveis para o projeto em questao.

Acumulando mais problemas, ternos que, depois de realizada a estratifica9ao do solo, nosso herói resolve - afinal, está sendo pago para isso - tentar descobrir, ainda que por mera curiosidade, qual será a resistencia de aterramento de um dado sistema ou, o que é mais prático mas ainda mais trabalhoso, qual o sistema mais barato e eficiente para se atingir determinada resistencia. As fórmulas para solos estratificado sao bastante complexas (como veremos mais adiante) e as de solo homogeneo ficam bastante longe da realidade, afinal, os solos quase nunca sao homogeneos.

Com bastante paciencia e acesso as fontes, pode-se conseguir trabalhos

com referencias teóricas a solu90es para os problemas acima. No entanto, a

maioria dos papers maravilhosos

nao traz a receita para se chegar naqueles resultados

Ao tongo deste livro, traremos algumas demonstra90es das solu90es, porém, e mais importante, procuramos apresentar o maior número possível de solu90es, nao apenas na teoria mas, principalmente, no software TecAt n, inclusive os lados mais práticos da análise de custos e da especifica9ao dos materiais, bem como da documenta9ao do projeto.

<2>

Técllicas

de Aterramelltos

Elétricos

1 - Necessidade de aterramento

. o que é aterramento?

Os projetos de instala90es elétricas executados atualmente sempre indicam um ponto de aterramento para a instala9ao. Dependendo do projeto, é feita apenas a especifica9ao de um valor em Ohm (0.), por exemplo: 100.,5 o. ou algum outro valor que, por falta de urna melhor explica9ao, parece ser um capricho do projetista.

Aterramento é, essencialmente, urna conexao elétrica aterra, onde o valor da resistencia de aterramento representa a eficácia desta Iiga9ao: quanto menor a resistencia, melhor o aterramento.

A fun9ao principal de um aterramento está sempre associada a prote9ao, quer de pessoal ou de equipamentos. Veremos a seguir alguns casos típicos.

. surtos em linhas de for~a (alimenta~ao)

Entende-se por surto (em ingles: surge) urna perturba9ao anormal da corrente ou tensao normalmente esperada em um sistema. Ternos surtos causados por manobras na rede, descargas atmosféricas (raios), interferencias eletromagnéticas, etc

O

controle dos surtos dentro de um sistema elétrico é feito através de

protetores

contra

sobretensoes,

tais

como

pára-raios

de

linha,

supressores,

capacitores, etc.

O aterramento é essencial para a correta opera9ao dos protetores contra

sobretensoes

drenam as correntes dos surtos para a terra, funcionando com urna válvula de

escape para as correntes geradas pelas sobretensoes.

instalados em redes de alta e baixa tensao, pois estes dispositivos

. surtos em linhas de transmissao

de dados

Além dos surtos em linhas de for9a, descritos acima, os modernos equipamentos eletrónicos possuem linhas de comunica9ao de dados com outros equipamentos, as quais também estao sujeitas a surtos.

<3>

Parte

1: Teoria

e Cálculos

. descargas atmosféricas (raios)

A incidencia de raios sobre materiais pouco condutores, tais como telhas ceramicas e alvenaria, provoca rachaduras e estilha~amento nestes materiais. Urna vez instalado um SPDA (Sistema de Prote~ao contra Descargas Atmosféricas), o aterramento é utilizado para dissipar a corrente do raio de forma segura no solo, evitando os efeitos térmicos do raio e risco de choque elétrico para as pessoas - para um estudo completo dos raios, seus efeitos e prote~ao, vide Leite [23].

· blindagens

Um sistema composto de equipamentos eletronicos sensíveis (EES) está sujeito a interferencias provocadas por campos eletromagnéticos. A blindagem é um recurso utilizado para minimizar estas interferencias, necessitando de aterramento para estabelecer um potencial zero na blindagem ou para proporcionar um caminho externo para as correntes induzidas.

· seguran~a contra choques elétricos

Instala~6es elétricas em geral apresentam materiais metálicos nao energizados como meio de evitar contato das pessoas com partes energizadas, tais como barramentos de quadros elétricos, interior de equipamentos, etc. Contudo, se houver urna falha no isolamento destes sistemas os operadores / usuários estarao sujeitos a choques elétricos, com o consequente risco para as pessoas. O aterramento é utilizado para assegurar que o potencial das partes metálicas

aterradas fique sempre abaixo do nível dos potenciais perigosos, garantindo assim

a prote~ao das pessoas.

· curto-circuito fase-terra

O curto-circuito fase-terra em redes elétricas provoca desbalancemento do sistema trifásico, sobrecarga nos equipamentos e cabos da rede, comprometendo a seguran~a da rede elétrica e dos operadores e usuários. Para que haja um desligamento do trecho da rede afetado, é necessário que a corrente que circula pelo curto-circuito seja superior ao valor de opera~ao dos disjuntores ou fusíveis de prote~ao. O aterramento do neutro de transformadores e massas metálicas fornece um caminho de baixa impedancia para a corrente de curto, possibilitando

a opera~ao da prote~ao.

<4>

2 - Sistemas

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

de Aterramento B. T. e Prote9ao Pessoal

As topologias dos sistemas de aterramento em Baixa Tensao, conforme especificadas pela NBR-54JO [31], tem urna codifica~ao através das letras:

· Primeira letra: situa~ao da alimenta~ao em rela~ao aterra:

./

T - sistemaaterrado

./

1- sistemaisolado

· Segunda letra: situa~ao das massas em rela~ao aterra:

./

./

T - massasdiretamenteaterradas

N - massas ligadas ao Neutro

· Outras letras: condutor Neutro x condutor de Prote~ao

./

S - Neutro e Prote~ao em condutores distintos

./

C - Neutro e Prote~ao num mesmo condutor (condutor PEN)

./

C - S - Neutro e Prote~ao combinados

em

urna parte da instala~ao

Os sistemas mais comuns sao o TN - em vários sabores - e o TI, utilizado por algumas concessionárias.

ainda

· 2.1 -Sistema TN (inclui TN-C, TN-S, TN-C-S)

Toda corrente de falta fase-massa é urna corrente de curto-circuito. Existe um ponto de alimenta~ao diretamente aterrado ligado as massas através de um condutor de prote~ao.

·

usando TN - S como exemplo

Quando há um curto-circuito fase / carca~a metálica de um equipamento aterrado, o percurso da corrente será:

Fase ~ carca~a ~ fio PE ~ neutro do transformador, ver Fig 2.1.

Pode-se observar que nao há resistencias de aterramento no percurso da corrente de curto-circuito, havendo somente as resistencias dos condutores fase e

» terra e a impedancia do transformador (desprezando a resistencia do curto-circuito). O valor da corrente de curto-circuito será:

.

--

I

1 cc-

-

Vrn

R¡¡+Rft+Ztr

[F21

.

]

<5>

Parte

1: Teoria

e Cálculos

A rigor, necessitarÍamos dos valores das resistencias dos fios fase e terra e da impedancia do transformador para um cálculo preciso. Para urna estimativa, podemos considerar que os circuitos de alimenta<;aosao dimensionados para urna queda de tensaDda ordem de 5% do valor nominal, portanto a impedancia total do curto-circuito é da ordem de 5% da impedancia da carga nominal do circuito, ou colocado sob outra forma, a corrente de curto será da ordem de 20 vezes (1/0,05) a corrente nominal do circuito.

Supondo que o disjuntor ou fusÍvel esteja corretamente dimensionado, o tempo de abertura será da ordem de 01 ciclo ou 16 ms para disjuntores com disparo eletromagnético, garantindo urna interrup<;aorápida do curto-circuito e protegendo qualquer pessoa que estivesse tocando na carca<;a do equipamento naquele momento.

Ressaltamos que o valor da corrente de curto-circuito nao depende do valor da resistencia de aterramento para as configura<;oesTN-S, TN-C ou TN-C-S.

figura 2.1 - sistema TN-S

Técnicas

de Alerramenlo.f

Elélrico.f

As correntes de falta fase-massa sao inferiores a urna corrente de curto,

porém suficientes para gerar tensoes perigosas. Existe um ponto de alimenta<;ao diretamente aterrado, mas as massas entao ligadas a eletrodos de aterramento distintos dos da alimenta<;ao.

Quando há um curto-circuito fase / carca<;ametálica de um equipamento aterrado o percurso da corrente será:

~ resistencia de aterramento do neutro ~ neutro do transformador, ver Fig 2.2.

Fase ~

carca<;a ~

fio PE

resistencia de aterramento das massas ~

Pode-se observar que, agora, há duas resistencias de aterramento no percurso da corrente de curto-circuito, mais as resistencias dos condutores fase e terra e a impedancia do transformador (desprezando a resistencia do curto-circuito). O valor da corrente de curto-circuito será:

1

-

Vrn

 

cc

-

Rf¡+Rjt+Ratm+Ratn+Ztr

[F2.2]

O valor da corrente de curto-circuito dependerá das resistencias de

aterramento. Deveremos escolher um conjunto valores de resistencia de aterramento / tipo de dispositivo de prote<;ao que garanta a prote<;ao contra choques elétricos para as pessoas e a prote<;aodos equipamentos da instala<;ao.

Teremos basicamente duas escolhas: Disjuntor convencional / fusÍveis ou disjuntores diferencial/residual:

· 2.2.1 Disjuntor convencional no sistema TT

As curvas de corrente / tempo de abertura de disjuntores apresentam

valores típicos de opera<;aodo elemento eletromagnético por volta de 5 a 10 vezes

a corrente nominal, portanto deveremos garantir urna corrente de curto da ordem de 10 vezes a corrente nominal do disjuntor.

Para um circuito típico de 15 A em 110 V, para obtermos urna corrente de 150 A a resistencia de aterramento total do sistema (desprezando as outras impedancias) terá que ser inferior a :

R

¡lO

alMax = 150 = 0, 730.

< 7>

Parte

1: Teoria e Cálculos

. .

19uals,precisaremos construir dois eletrodos de aterramento com resistencia da

ordemde 0,370, valor extremamentedifícil de ser obtido em campo.

SUpondoque as resistencias de aterramento do neutro e das massas sao

Supondo também que se fa<;:aum aterramento convencional com urna ou algumas hastes de aterramento, teremos resistencias da ordem de 10 O, o que reduziráo valor da corrente de curto a:

Icc = I~~O

= 5, 5A

Mesmo somada com a corrente nominal de carga, o disjuntor pode demorar minutos para operar ou até mesmo nao operar, submetendo qualquer pessoa que esteja em contato com a carca<;:ado equipamento a urna tensao perigosa.

Técnicas

de Aterramento.~

Elétricos

corrente de 110 roA para a terra, suficiente para provocar a abertura de um disjuntor DR com corrente de 30 mA.

Devido a esta característica de ser sensível ao valor da corrente para a

terra, o disjuntor diferencial-residualdeve ser obrigatoriamenteutilizado em

sistemas TI, com aterramento do neutro diferente do aterramento das massas metálicas e carca<;:asde equipamento.

Caso o projetista queira oferecer prote<;:aocontra choques elétricos em contatos acidentais, o disjuntor diferencial-residual deve ser utilizado mesmo em sistemas TN.

figura 2.2 - sistema TI

Considerando

as condi<;:oestípicas de instala<;:oeselétricas

urbanas,

nunca

devemos utilizar

choque elétrico.

disjuntores

convencionais

em sistemas

TT devido

ao risco

de

L1

 

L2

2.2.2 Disjuntor diferencial-

residual (DR) no sistema TT

Estes disjuntores foram desenvolvidos especificamente para garantir a prote<;:aocontra choques elétricos. A corrente que causa a opera<;:aodo disjuntor nao é a corrente de carga, mas sim a diferen<;:aentre as correntes de fase e neutro.

Exemplificando para um circuito fase / neutro; quando nao há curto-circuito para a terra, toda a corrente de carga que sai pela fase retorna pelo neutro e a diferen<;:aé zero; no exemplo anterior, calculamos urna corrente para a terra de 5,5 A; assumindo que nao houve queda de tensao significativa no

transformador, a corrente

continuará 15 A, a diferen<;:aentre elas é justamente a corrente que flui para aterra

provocando a opera<;:aodo disjuntor DR.

de fase passará

a

20,5A e

a corrente no

neutro

equipame

Icc

L3

N

resistencia

do

resistencia do

aterramento

N

aterramento PE

= Esquema TT ~

Os modelos comerciais apresentam correntes de opera~ao desde 30 roA para uso em circuitos de ilumina~ao e tomadas até correntes de 300 mA, utilizadas em alimentadores ou equipamentos de aquecimento central.

O uso do disjuntor diferencial-residual é urna prote~ao eficaz contra choques elétricos em contatos acidentais, pois, admitindo que a resistencia de urna pessoa seja da ordem de 10000, caso ela toque urna fase de 110V teremos urna

· 2.3 Tensoes de Toque e de Passo

Vamos definir brevemente as tensoes de toque e de passo - vide fig. 2.3 - que serao mencionadas mais a frente, quando tratarmos do cálculo de malhas de aterramento para subesta~oes.

<8>

<9>

Parte

1: Teoria

e Cálculos

Quando urna corrente de falta Icc(ou um raio) é descarregada para a malha de aterramento, ternos urna eleva<;ao do potencial em tomo do eletrodo, formando-se entao um gradiente de queda de tensao cujo ponto máximo está no eletrodo e o ponto mínimo é o potencial zero, num local a urna distancia infinita.

Se urna pessoa toca um equipamento aterrado ou o próprio condutor, pode ser que se estabele<;a- dependendo das condi<;oesde isolamento - urna diferen<;a de potencial entre a mao e os pés. Consequentemente, teremos a passagem de urna corrente pelo bra<;o,tronco e pernas; dependendo da dura<;ao e intensidade da corrente, pode ocorrer fibrila<;aono cora<;ao,com graves riscos.

Esta é a chamada Tensao de Toque, e é particularmente perigosa nas regioes externas de urna malha de subesta<;ao,principalmente nos cantos.

figura 2.3 - tensoes de passo e de toque

~

()

()

'\

" 11>

"

.c

"5

E

~:g~ " () tY

<> e e

11>_ O

~8.~

'6

"- 11>

8

~

"

~

8

~

~ 8-

8.~

Se, mesmo nao estando encostando em nada, a pessoa estiver colocada lateralmente ao gradiente de potencial, estará sujeita a um diferencial de tensao entre seus pés, a chamada Tensao de Passo; em consequencia, haverá a passagem

< la>

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

de urna corrente através das duas pernas, que geralmente é de menor valor e nao é tao perigosa quanto a tensao de toque, porém ainda pode causar problemas, dependendo do local e da intensidade.

<ll>

,

,

Parte

1: Teorill e Cálculos

3 - Resistividade do solo

o solo é o meio no qual ficarao imersos os eletrodos de aterramentos, de

elétricas serao determinantes para o

forma

dimensionamentodestes eletrodos.

suas

que

propriedades

Como estaremos preocupados com a conduc;ao de corrente pelo solo, a

que indicará urna maior ou menor

propriedade relevante será a resisti;i~ade, resistencia a passagem da corrente eletnca.

O conceito físico da resistividade pode ser entendido imaginando um cubo de solo homogeneo, com arestas iguais a 1 metro; se medirmos a resistencia entre duas faces opostas do cubo, obteremos um valor de resistencia elétrica R em Ohms numericamente igual ao da resistividade:

R =P , onde p é a resistividade

em Ohm.m

figura

entre elas, obtem-se a resistividade do solo

3.1 - cubo de 1 m de aresta com duas faces de metal; medindo-se a resistencia

Assim,

para

um

mesmo

Q

eletrodo

de

aterramento,

quanto

maior

a

resistividade do solo, maior será a resistencia de aterramento desse eletrodo.

< 12>

Técllicas

de Aterranrell/os

Elétricos

É possível

dificuldades

representativa do solo, com composic;ao representativa do todo, compactac;ao

identica, umidade,

resistividade de um solo com medic;6esin loco.

etc.;

imaginar

as

de

se

conseguir

é

urna

amostra

obter

a

assim,

veremos

que

somente

possível

·

3.1 - Composi~ao do solo e resistividade

o solo, normalmente, é um condutor de baixa qualidade, com valores

típicos de resistividade na faixa de 100 a 1.000 Ohm.m, enquanto que a do cobre é de 1,67x10-8Ohm.m, ou seja, da ordem de um bilhao de vezes menor. O valor da resistividade depende da composic;aodo solo, como veremos a seguir.

· a composi~ao química

A composic;ao química do solo é complexa, porém as principais

substancias constituintes sao óxido de silício (areia), silicatos de alumínio (argilas), carbonatos de cá1cio e de sódio e água, de forma que a conduc;ao de corrente através do solo se faz pelo processo eletrolítico, que necessita de água para sua realizac;ao.

A tabela 3.1 mostra a resistividade

típica de alguns tipos de solos

(NBR-7117[30J):

Solos

aráveis

Argila

Areia

Ca1cário

Granito e arenito

Basalto

50 a 500

300 a 5.000

1.000 a 8.000

500 a 5.000

100 a 10.000

10.000 a 20.000

tabela 3.1 - resistividade de alguns solos em func;aoda composic;ao

Como pode ser visto na tabela acima, saber a composic;aodo solo também nao ajuda muito, visto que o valor da resistividade pode variar de até urna ordem de grandeza)

· a umidade do solo

< 13>

Parte

1: Teoria

e Cálculos

A resistividade é bastante sensível ao teor de umidade do solo até um valor de 20%; aumentar a umidade acima deste valor provocará varia<;6esmenores na resistividade, conforme pode ser observado na figura 3.2 (NBR-7117):

ti~ura

3.2 - varia~iíoda resistividade com o teor de umidade

resistividade

do solo

[

Q.m

I

15 a 20 %, dependendo do solo

· presen~a de sais

teor de umidade

[%J

Outro fator que influencia muito a resistividade é a quantidade de sais presentes no solo. Convém ressaltar que a resistividade da água pura é quase infinita, ou seja, a água seria um isolante perfeito caso nao contivesse sais que, através da ioniza<;ao,permitem a condu<;aode correntes elétricas. No gráfico da figura 3.3, pode-se ver a influencia de alguns sais adicionados, isoladamente, a água; num solo real, há urna mistura de sais, conforme o local do terreno e sua "história".

< 14 >

i

tifura

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

3.3 - varia~iíoda resistividade da á!!ua com a concentraciío de al!!unssais

resistividadc

do solo

Q.m

[

· heterogeneidade

do solo

teor de

sais

(%]

Finalmente, a composi<;aodo solo nao é homogenea ao longo do terreno;

podemos ter um vale formado por deposi<;aode material trazido por um rio, em cima de urna rocha vulcanica, próximo a urna falha vertical produzida pela

movimenta<;aode placas subterráneas, etc

transversal do terreno, costuma-se aproximá-Io para um modelo matemático que traduza o problema de forma computável e com precisao aceitável.

Como é impraticável "mapear" o corte

· 3.2 -Estratifica~ao

da resistividade do Solo

Necessitamos do valor da resistividade do solo para o projeto de malhas de aterramento, devido aos requisitos de valores máximos para a resistencia da malha, tensao de passo e de toque.

Conhecendo o valor da resistividade e as dimens6es do eletrodo de aterramento, podemos calcular o valor da resistencia da malha e os potenciais de toque e de passo, desde que o solo seja uniforme, ou seja, o valor da resistividade nao varia com a profundidade ou com a distancia horizontal do ponto de medi<;ao.

Esta condi<;aode uniformidade raramente é verdadeira na prática, daí a

necessidade de introduzir o modelo de estratifica~ao

< 15>

da resistividade

do solo,

Parte/:

Teoria

e CálculoJ

representando o solo por camadas, onde cada camada é uniforme e tem um certo valor de resistividade e urna determinada espessura.

Embora este modelo nao seja urna representa~ao perfeita do solo real, é suficiente para os cálculos de urna malha de aterramento.

A quantidade de camadas utilizados no modelo é fun~ao da precisao desejada para os cálculos, características do solo real e disponibilidade de ferramentas matemáticas que permitam calcular as grandezas de interesse. No

nosso caso, em geral urna representa~ao em duas camadas é suficiente - ver figura

3.4.

fi~ura

3.4- exemplo de estratifica¡;:aodo solo em duas camadas

p

p

1

2

= 830 Q.m

= 132 g.m

h,= 2.5 m

h =

2

infinito

Na figura 3.4, representamos o solo por urna primeira camada com resistividade de 830 Ohm.m e profundidade de 2.5 metros e urna segunda camada de resistividade 132 Ohm.m e profundidade infinita.

Para executar urna estratifica~ao de solo é necessário fazer urna medi~ao de campo dos valores da resistividade aparente. Medimos na prática valores de resistencia em Ohms e calculamos o valor da resistividade aparente em Ohm.m.

Há dois métodos principais para medi~ao de resisitividade aparente para fins de aterramento, o método de Wenner, muito utilizado no Brasil, e o método de Schlumberger, mais utilizado nos Estados Unidos.

< /6

>

TécllicaJ

de AterramelltoJ

ElétricoJ

1 Esta medi~ao é realizada conforme a Figura 3.5, alinhando-se 04 hastes simétricas em rela~ao ao centro, onde as duas hastes internas sao eletrodos de

! medi~ao de potencial e as duas externas sao eletrodos de inje~ao de corrente. O valor da resistencia será dado por:

ti

ura

R= ~v 1

3.5

[F 3.1]

<

11\

P

\1/

<

2v

2u

>

>

Precisaremos

estabelecer

urna rela~ao entre o valor da resistencia

medida

e o da resistividade correspondente.

potencial entre as duas hastes de medida em fun~ao das distancias entre as hastes.

Calcularemos

o

valor

da

diferen~a

de

Consideremos P = 1>(x) o potencial gerado por urna haste a urna distancia x. O potencial de cada haste de medi~ao será:

V+ = 1>(u

-

V_

= -1>(u -

v) -1>(u + v)

v)

+

1>(u+ v)

O valor

de ~ V = V+ -

V_ será:

~V=2[1>(u-v)-1>(u+v)J

[F3.2]

< 17>

'1

111

Parte

1: Teoria

e Cálculos

A diferen~a entre o método de Wenner e o de Schlumberger é que o de Wenner tem as hastes separadas por urna mesma distancia d, enquanto que no de Schlumberger a distancia entre as hastes de potencial costuma ser menor do que a distancia entre a haste de potencial e a de corrente. Podemos dizer que o método

de Wenner é um caso particular

ou:

daquele

de Schlumberger,

com v =4e u = 34,

!1VW = 2[ rjJ(á)-

rjJ(2á)

] [F 3.3]

Consideremos inicialmente que a regiao condutora da haste é apenas a

ponta, situada a urna profundidadep. Na se~ao 4.1 (ver mais adiante), ternos que o potencial gerado por um ponto com corrente 1 em outro ponto a urna distancia x será:

fll

( ~

rjJ(x)= 4/t jXf

+

1

Jx2+4p2

)

Substituindo em F 3.2 e F 3.1 teremos:

R(u,

v) =

1

2p

2v

14/t u2-v2

(

+

1

_

J<u-v)2+4p2

Resolvendo

em rela~ao a p teremos:

p(u,

v)

=

u2~v2 +

2/tR

J<u-vi2+4p2

-

1

J<u+v)2+4p2

1

)

J<u+v)2+4p2

[F3.4 ]

Substituindo

teremos:

v =4e u =34 para o caso

de Wenner, ver Fig 3.6,

<

18 >

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

figura

igualmente espac;:ados(Wenner)

3.6 - esquema de medi¡;:1ioda resistividade do solo através de quatro eletrodos

terrometro

(

d

)

eletrodo$

pw(á) =

4/tdR

1+

1!!

IL-

Jd2+4p2

.fd4P2

[F3.5]

o

procedimento de medi~ao para o Mét<;>dode Wenner. Se o valor de d é muito maior que o de p, ou p =O,entao a fórmula F 3.5 pode ser simplificada para:

Esta é a fórmula citada na NBR-7117 da ABNT,

que

normaliza

Pw(á) =2ndR [F 3.6]

Os medidores de resistencia de terra comerciais costumam ter urna escala calibrada para resistividade usando esta fórmula. Devido a sua simplicidade, é utilizada frequentemente em campo.

Embora normalizada, a fórmula F 3.5 nao é formalmente correta, pois os

eletrodosde medi~aosao de fato hastes e nao pontos. S. Baishiki [38J e outros

investigaram esta questao, chegando a seguinte fórmula para Wenner:

pw

(á)

- -

onde:

2Ln

(

2/tpR

2+E1

d

1+FJ+2F-E-p

[F3.7]

<

19 >

Parte

1: Teoria

e Cálculos

E=J4+(tYeF=Jl+(ty

No TecAt-II foi utilizada a fórmula F 3.6, visto que os desvios em relayao a F 3.7 para as distáncias entre hastes comumente utilizadas sao bastante pequenos (vide a seguir); caso seja necessário, pode-se acessar diretamente o programa RSOLO-II (veja capítulo 16), onde está implementada a fórmula F 3.7, porém deve-se lembrar de anotar no campo a profundidade de cravayao dos eletrodos. A fórmula F 3.7 está sendo implementada para o método de Wenner e para o de Schlumberger no programa TecAt-IV versao Windows. Nao faremos aqui a deduyao para Schlumberger, mas ela pode ser feita a partir da fórmula apresentada na seyao 4.1 para o cálculo do potencial gerado por urna haste em outra haste.

Urna seqüencia típica para d no Método de Wenner é 1, 2, 4, 8, 16 metros, conforme recomendayao da NBR-7117 [30J. A Tabela 3.2 mostra urna comparayao entre os multiplicadores das tres fórmulas, com urna haste de mediyao de 40 cm de comprimento e diámetro de 1/2", material padrao dos medidores comerciais, mostrando os erros percentuais em relayao a fórmula F 3.7.

Erro(%) = 100(1 Jó~~la)

d

0,50

1,00

2,00

4,00

8,00

16,00

32,00

F 3.7

F 3.5

erro (%)

4,02

4,91

(22,29)

6,81

7,69

(12,92)

12,85

13,39

(4,23)

25,28

25,57

(1,14)

50,34

50,48

(0,29)

100,57

100,64

(0,07)

201,08

201,12

(0,01)

F 3.6

erro (%)

3,14

(21,79)

6,28

(7,78)

12,57

(2,22)

25,13

(0,57)

50,27

(0,14)

100,53

(0,03)

201,06

0,00

Tabela 3.2 - Comparacao das Fórmulas

o gráfico da figura 3.7 mostra os erros. Observe

já sao da ordem de 1%.

que para d = IOp os erro s

<20>

figura

3.7

Erro (%)

¡'

25.00

20.00

15.00

10.00

5.00

0.00

-5.00

-10.00

-15.00

-20.00

-25.00

Técnicas

de Aterramentos

4

Elétricos

-F3.5

I

8

n.61

16

32

d.(m)

O próximo passo é interpretar a curva de resistividade aparente e estimar

os valores de resistividade da primeira e da segunda camada e a espessura da

~ primeira camada. Esta tarefa era executada tradicionalmente com o auxílio de curvas padrao impressas.

I

O procedimento tradicional consistia em:

- Trayar um gráfico da resistividade obtida em campo em um papel vegetal na mesma escala das curvas padrao disponíveis.

- Superpor os dois gráficos até que haja um encaixe razoável das duas curvas.

- Anotar os valores de Pl (ressitividade da primeira camada), k (fator de reflexao) e h (espessura da primeira camada), onde:

~

P2-P¡

k = P2+P¡

Este método é demorado, requer disponibilidade das curvas padrao, com resultados que dependem muito da pessoa que está interpretando os dados.

I

Para tornar a interpretayao mais rápida e menos dependente do operador, desenvolvemos um programa que executa esta tarefa calculando internamente as curvas padrao e executando urna interpolayao baseada no método dos mínimos quadrados.

< 21>

Parte

1: Teoria

e Cálculos

A meta é minimizar a somatória dos erros quadráticos relativos, dada por:

SEQ = L~( 1 - (::¡ J 2 J

[F3.8]

onde:

N: Quantidade de pontos medidos.

Poi : Resistividadecalculadaparao i-ésimoponto. pmi : Resistividademedidano i-ésimoponto.

As curvas padrao sao geradas conhecendo-se a resistividade e a espessura das camadas, através da fórmula dada por Sunde [2] para a configura~ao de Wenner:

PawCd) =p¡2d J~ K(x)(Jo(xd) -Jo(2xd»dx

Para o caso geral de Schlumberger,

Pas(u, v) = P ¡( u2;:2

onde:

) J~ K(x)(Jo(xu

-

teremos:

xv)

- Jo(xu + xv»dx

[F3.9]

pa : resistividade aparente medida.

u, v, d : Distancia entre as hastes de medi~ao.

Pl : Resistividade da primeira camada. K(x) : Fun~ao kemel das camadas.

Jo(Y): Fun~ao de Bessel de primeira classe de ordem zero.

x: variável de integra~ao.

A fun~ao K(x) depende dos valores das resistividades e profundidades do

solo, e pode ser calculada por recorrencia; para o modelo de duas camadas, a

formula dada por Sunde é:

K(x)

=

l-kI2e-2.tH l+kI2e-2xH

onde:

k

P2-/JI,

12 = -¡;;¡:¡;¡ e o

f

ator

P2, Pl : resistividades

d

-

e re fl exao

da segunda e primeira

< 22 >

[F3.10]

camada.

l

H : Espessura

Técnicas

da primeira

de Aterramentos

camada.

Elétricos

Quando o solo tem duas camadas, é possível determinar urna solu~ao analítica dada por Dawalibi [3] para o caso de Wenner:

p"(d)~P1r1+4~:::.L.(~),

- J"¡~)'

II

[F 3.11]

Para evitar a demora devido ao cálculo numérico da integral da fórmula F

3.9 ou da somatória infinita de F 3.11, o program RSolo II, utilizado pelo TecAt

um método desenvolvido

para o cálculo de estratifica~ao em duas camadas, usa

por Ghosh [4J e Koefed [5J, para aplica~6esem Geofísica, utilizando filtros

digitais para o cálculo da integral.

A Tabela 3.3 mostra urna compara~ao feita segundo os dados de del Alamo [6J com vários casos de estratifica~ao em duas camadas, utilizando o programa MMT, otimizado para cálculos em duas camadas. Os valores obtidos pelo Rsolo II sao mostrados para compara~ao (resistividades em Ohm.m)

Caso

Método

O

MMT

RSolo 11

1

MMT

RSolo 11

2

MMT

RSolo 11

3

MMT

RSolo 11

4

MMT

RSolo 11

5

MMT

RSolo II

6

MMT

RSolo 11

tabela 3.3 - comparaao

p1

p2

H(m)

SEO

29,800

5,635

10,238

0,01387

29,80

5,63

10,24

0,01387

372,729

145,259

2,690

0,00762

372,71

145,25

2,69

0,00753

246,836

1058,63

2,139

0,01074

246,85

1058,61

2,14

0,01074

57,344

96,714

1,651

0,02402

57,34

96,71

1,65

0,02402

494,883

93,663

4,370

0,01103

494,86

93,66

4,37

0,01103

160,776

34,074

1,848

0,01038

160,73

34,00

1,85

0,01036

125,526

1093,08

2,712

0,01699

125,54

1092,88

2,71

0,01700

de resultados

MMT x RSOLO-II

(TecAt-II)

<23>

Parte

1: Teoria e Cálculos

Podemos

observar

o excelente

desempenho

do RSolo-II

(TecAt-II)

em

todos os casos apresentados.

2 segundos em um 486DX4-100.

O tempo de processamento

foi tipicamente

de apenas

. 3.3 - Resistividade

aparente

Muitas fórmulas existentes na literatura consideram apenas solo uniforme para o cálculo de resistencia de aterramento e de potenciais de toque e de passo, tais como as disponíveis em [11](IEEE-80). Assim, é interessante introduzirmos o conceito de resistividade aparente para urna malha em solo estratificado.

Esta resistividade aparente dependerá do tamanho e da profundidade de instala9ao da malha de terra, correspondendo a um solo uniforme no qual a malha de terra apresentará a mesma resistencia que no solo estratificado.

O modelo de resistividade aparente tradicionalmente utilizado por projetistas foi elaborado por Endrenyi [1]. Este método consiste em calcular a resistencia de um anel de área igual a da malha em questao em solo de duas camadas, com a malha a urna profundidade igual a metade da espessura da primeira camada; em seguida é calculada a resistencia do mesmo anel em solo uniforme com resisitividade igual a da primeira camada. O valor N obtido nas tabelas é a rela9ao entre a resistencia calculada em duas camadas e a de solo uniforme. O valor da resistividade aparente será N vezes a resistividade da primeira camada. Tabelas mais recentes permitem definir a profundidade da malha, mas o método é o mesmo. A OP9aode resistividade aparente "Clássica" do RSolo-II (vide capítulo 16) usa este método.

Para melhorar o cálculo desta resistividade aparente, calculamos o valor da resistencia da própria malha em solo estratificado através das fórmula citadas no capítulo 4. A rela9ao entre as duas resistencias é um novo N' que, multiplicado pela resistividade da primeira camada, dará o valor exato da resistividade aparente vista por aquela malha específica. A OP9aode resistividade aparente "Dados da Malha" do RSolo-II usa este método.

Ressaltamos que esta resistividade aparente só é aplicável para o cálculo da resistencia da malha, nao sendo aplicável para o cálculo dos potenciais de passo e toque.

Quando o solo for estratificado em mais de duas camadas, por exemplo utilizando o programa RSolo IV ou cálculo gráfico manual, será necessário reduzir o número de camadas a duas, perrnitindo assim o cálculo da resistividade aparente.

<24>

J

~

A

redu9ao

procedimento:

para

Técnicas

duas

de Aterramentos

camadas

é

Elétricos

feita

tradicionalmente

com

o

1. Mantém-se o valor da resistividade da última camada

2. Reduzimos todas as camadas restantes a urna única camada com espessura igual a soma das espessuras das camadas e resistividade dada por:

H

El

E2

p; = PI + p:¡ + P3+oo.+

E3

En-l

Pn-I

[F 3.12]

Este método tem o inconveniente de ignorar as dimensoes da malha, resultando em valores irreais de resistividade, induzindo a um cálculo errado do valor da resistencia da malha.

· 3.4 - Resistividade equivalente

Thapar e Gerez [39] desenvolveram um método que permite o cálculo de urna resistividade equivalente para o cálculo de resistencias e potenciais para malhas construídas somente com cabos na primeira camada. Esse procedimento, embora com limita90es, atinge bons resultados, e foi implementado no software TecAt-IV.

Este método consiste em calcular o raio de um disco com área equivalente a da malha, no caso da resistencia, ou metade da dimensao do mesh (espira da malha), para o caso de potenciais, calculando em seguida o valor médio da curva da resistividade aparente pontual sobre este raio:

1.Construir a curva da resistividade pontual pap

Pap(d)

=

(d)2

Pup(2d)+pu

2. Calcular

re =

JArea

-n

re = L!{'

o raio equivalente:

para o caso

d

.

A

e resIstenCiaou .

para o caso do potencial

de mesh.

, dada por:

3. Calcular o valor médio da resistividade pontual:

ppm = ;e S~e Pap(x)dx [F 3.13]

< 25>

Parte/:

Teoria e Cálculos

4. Utilizar o valor de ppm

nas fórmulas para solo uniforme do IEEE-80.

Introduzimos duas alterac¡:óesneste método, urna para considerar meshs retangulares, usando o raio equivalente a área do mesh, outra somando o valor da profundidade da malha nos limites de integrac¡:ao,pois a malha nao está na superfície do solo.

Caso a estratificac¡:aotenha sido feito com o TecAt-IV/RSolo-IV, ao calcular a resistividade equivalente para urna malha, a reduc¡:aodas camadas também será feita.

· 3.5 Estratifica~ao em tres ou quatro camadas

Caso os requisitos de projeto exijam urna estratificac¡:aoem tres ou quatro camadas, os softwares TecAt IV I RSOLO-IV permitem esta estratificac¡:ao,

calculando todas as resistividades e espessuras das camadas, permitindo ainda

visualizac¡:aográfica dos

TecAt-11.

resultados tal como o módulo de estratificac¡:aodo

· 3.6 Estimativa simplificada da resistividade.

Se o solo for uniforme, é possível conseguir urna estimativa do valor da resistividade a partir da medic¡:aoda resistencia de urna haste usando um terrómetro que mede apenas resistencia, a partir da fórmula da resistencia de urna

has te, ver

F 4.11

:

 

21CLR

 

P

=

Ln(1f

)-1

[F 3.14]

onde:

 

p

: Resistividade estimada em Ohm.m

R

: Resistencia da haste em Ohms.

L

: Comprimento da haste efetivamente enterrado (m).

d

: Diíimetro da haste (m).

 

Observamos que, embora este método seja eficiente para solos uniformes, no caso de solos estratificados poderá introduzir erros importantes no valor estimado da resistividade, e, mesmo para solos uniformes, só deve ser utilizado para pequenas malhas, tais como triíingulos com 3 hastes ou similares.

<26>

Técnicas

de Aterramento.~

Elétricos

4 - Resistencia de Aterramentos

· Hastes e Cabos

Os eletrodos de aterramento mais comuns sao as hastes e os cabos. Neste capítulo, veremos como calcular o valor da resistencia de aterramento destes eletrodos. As malhas de subesta~6es serao tratadas no capítulo 5.

Na literatura especializada encontram-se várias fórmulas para o cálculo destas resistencias. Como faremos os cálculos para solos de 2 camadas, mostraremos o método básico para este cálculo, conhecido como o método do potencial médio.

Iniciaremos,

porém,

o cálculo

com solo uniforme, para

facilitar

a

compreensao. Posteriormente, estenderemos as solu~6es para solo em 2 camadas.

Nao detalharemos fórmulas para situa~6es específicas, pois todas as implementa~6es de fórmulas estarao disponíveis no programa Tec-At, mas procuraremos evitar aproxima~6es nos resultados, que eram necessárias anteriormente devido as dificuldades de cálculo existentes.

· 4.1 Solo Uniforme

A Fig. 4.1 mostra urna fonte pontual de corrente colocada na posi~ao x, y e a urna profundidade z em um solo de resistividade p.

O potencial

gerado por esta fonte em um ponto Po em Xo,yo, Zoé dado por:

pl

4"

v=-

(

I

-+-:-

r

r

]

)

[F 4.1]

Onde r é a distancia da fonte de corrente ao ponto calculado e r' a distancia entre a imagem da fonte de corrente e o ponto calculado. Esta imagem é criada pela reflexao da fonte 1 no "espelho" formado pela superfície do solo.

As distancias r e r' sao dadas por:

r= .¡(X-XO)2+(y-yo r +(Z-ZO)2

r ,=J(X-XO)2 + (Y-Yo r

+(Z+ZO)2

<27>

[F 4.2]

[F4.3]

figura

Parte

1: Teoria

e Cálculos

4.1 - fonte po~tual de corrente em sistema tri-dimensional

-z

~

~

z -~~

Zo

Z

.J--'-'-"""''''-

~

~

y

Po

---~~~~--~~~

x

4.1.1 Haste vertical em solo uniforme

Consideremos o caso de urna haste de comprimento L. Se injetarmos urna corrente 1 na haste, podemos considerar que há urna densidade de corrente

uniforme ao longo do comprimento da haste, por exemplo, se tivermos 12 A em

urna haste de 6 metros, teremos 2 Nm

de densidade de corrente.

A Fig. 4.2 representa urna haste de comprimento L, raio a, colocada em x=O,y=O,z=O,para simplificar a demonstra~ao. Utilizaremos a fórmula F 4.1 para calcular o potencial gerado por um ponto da haste em um ponto Po,como sugerido por Dwight[7].

Para calcularmos o potencial da haste no ponto Po,basta considerarmos várias fontes de correntes alinhadas ao longo do comprimento da haste e somarmos os potenciais gerados por cada urna no ponto Po. Este processo é feito através da integral:

Vp = J~ ::L (+- + +- )dz

[F 4.4]

<28>

figura

4.2

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

x

2:0

Z

.,,

J.J--

-'

-~-_J---'-

,~

Po

Substituindo os valores de r e r' teremos:

Vp

L

= Jo

!!!

41rL

r

J (o-xo)2+(

I

2

O-Yo)

+(z-zo)

2

fazendo

b2 =X02+ yo2:

Vp

=

pl

J L

41rL o

(

---1

+-

Jb2+(z-zO)2

]

J b2+(z+zO)2

Após a integra~ao,

teremos:

+

J<o-xo)2+(

)dZ

]

O-Yo)

2

+(Z+ZO)2

[F4.6]

l dZ

[F 4.5]

Vh(PO) = ::L (arcsenh(L~zo ) + arcsenh(

L~zo

) )

[F4.7]

primeiro termo representa a contribui~ao da haste e o segundo a contribui~ao da imagem.

o

Para obtermos o valor da resistencia da haste, basta calcularmos o potencial médio na superfície da haste e dividir pelo valor da corrente. Como a distancia entre a superfície da haste e sua linha central é o raio da haste, faremos b=a em F 4.7 e integraremos Zode Oaté L, daí:

< 29>

I¡+h =1

Onde:

Parte

RlI = R12= Rp : Resistencia

1: Teoria

própria

e Cálculos

da haste, dada por F 4.9.

, I

R2I = R22 = Rm : Resistencia mútua entre as hastes.

V: Potencial nas duas hastes (iguais). 1: corrente total injetada nas duas hastes.

11, h corrente em cada haste.

Resolvendo-se este sistema de 3 equa90ese 3 incógnitas, obtemos o valor da resistencia da associa9ao,dada por:

R 2h = 1::_ RI'+R

/--

2

[F 4.14]

o

valor da resistencia mútua entre as hastes é calculado a partir de F 4.9,

fazendo a

igual adistancia entre as hastes.

Generalizando, podemos dizer que a associa9aoentre N hastesdo mesmo tipo é igual a somatória da resistencia própria de 1 hastee das resistencias mútuas entre as hastes da associa9aodividida pelo número total de hastesN; se tivermos hastesiguais, o número de combina90es de resistencias mútuas possíveis será:

M = N(N-I)

2

RNh =f

= RI'+LfN

R

[F 4.15]

Esta fórmula é utilizada no programa Tec-At para calcular a resistencia de aterramento de hastesem linha.

o gráfico da figura 4.4 mostra a varia9ao da resistencia de 3 hastes em

linha em fun9ao da rela9ao distancia entre hastes 1 comprimento da haste. As hastessao de 3m x 5/8", solo de resistividade 100 .o.m, cravadasna superfície.

R1=33,54;

R3inf=Rd3=

11,18.

< 32 >

J

D/L

Ra

 

Ra/Ra

figura

4.4

RaIR3

1.7

1.5

1.3

1.1

0.9

0.7

0.5

0.25

0.5

Técnicas

de Aterramell10s

Elétricos

0,25

0,5

0,75

1

17,19

15,25

14,28

13,68

1,54

1,36

1,28

1,22

1,5

12,97

1,16

2

12,57

1,12

tabela4.2- Variaao da Resistenciade hastesem linha com a distanciaentrehastes

0.75

1.5

2

3

DIL

3

12,13

1,09

Este gráfico mostra porque, tradicionalmente, se utiliza urna distancia entre hastes igual ao comprimento da haste: podemos ver que, em tomo de D/L = 1,0, a redu9ao do valor da resistencia é pequena, enquanto se utilizarmos valores baixos de D/L, estaremos usando o material da haste de forma pouco eficiente.

Por outro lado, se afastarmos mais as hastes, o ganho de redu9ao da resistencia

será mínimo, nao compensando o trabalho e o custo de instalar o cabo de interliga9ao; aliás, como veremos mais a frente, se o cabo estiver enterrado, ele fará também parte da malha, que nao será mais urna simples associa9ao de hastes.

Para associa90es densas de hastes, tais como quadrado ou retangulo,

utilizaremos

a fórmula desenvolvida

por Schwarz

R

a

h = --1l

-

(

L

27CLhN n

( 8Lh

d

)

-1

+ 2KILh

.fA";

(

r¡:¡ -1

lY

< 33>

[9]:

) 2 ')

)

[F 4.16]

onde:

Parte/:

Teoria

e Cálculos

Rah

p : resistividade do solo

: Resistencia da associa~ao de N hastes

1

Lh ,d : comprimento e diametro da haste

N : Número de hastes em paralelo

x : Razao aspecto =maior lado / menor lado do retangulo KI = 1,41-0.04.x fator de corre~ao A: área delimitada pelas hastes.

Podemos observar que o primeiro e segundo termos de F 4.16 correspondem a resistencia de urna haste, enquanto que o terceiro é urna corre~ao relacionada com a resistencia mútua entre as hastes.

A exatidao de F 4.16 está ligada ao termo das resistencias mútuas. Como dispomos de ferramentas de cálculo que nao estavam disponíveis na época que esta fórmula foi desenvolvida, acrescentamos algumas altera~6es numéricas na fórmula original para aproximar melhor o efeito das resistencias mútuas:

Rah

=

2n~hN(Ln(

8~h) -

1 + ~ (K; (iN

-

1

) 2 +

K~

J

J

Onde:

K'¡ =2,569 + 0,00155x - 0,0145x2 K'z = -0,0163 - 0,385x - 0,0146x2

4.1.3 Cabos horizontais

[F 4.17]

As pequenas malhas usadas para aterramento de computadores, PABX e pára-raios sao dimensionadas habitualmente com hastes. Contudo, os cabos que interligam as hastes estao enterrados no solo. Como esta interliga~ao é feita com cabo nu, o cabo se toma um eletrodo de aterramento, contribuindo para reduzir a resistencia global do sistema. Num edifício aterrado por um anel de cabo nu, para os mesmos usos citados acima, o cabo é o principal eletrodo de aterramento, mesmo que haja a adi~ao de hastes verticais.

As malhas de subesta~6es de energia elétrica sao dimensionadas com grande uso de cabos para o controle de potenciais na superfície, de forma que os aterramento. cabos sao elementos importantes na determina~ao do valor da resistencia de

< 34 >

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

Neste item, detalharemos as fórmula usadas para calcular a resistencia de cabos enterrados no solo.

Utilizaremos o mesmo método aplicado para o cálculo da resistencia de hastes. O cabo é representado por urna linha de corrente horizontal, com comprimento L e profundidade P, paralela ao eixo X e com início em x=Oe y=O, como mostrado na Fig. 4.5.

figura

-p

P

Zo

Z

l

. 4.5

"'

-'

-' .

.

l

y

J

I

I L

l

.'

.

.

,

I

Xo

'

J Po

x

Integrando ao longo da linha de corrente de O até o comprimento L, teremos o valor do potencial gerado por um cabo de comprimento L em um ponto Po (xo,yo,Zo),inc1uindoa contribui~ao da imagem:

pl

Vcepo) = 2nL

onde:

[

arcsenh(

arcsenh(

b= Jy'6+ep-zo)2

c= Jy'á+(P+zo)z

L;o ) + arcsenh(

L~XO) + arcsenh(

< 35>

x; )

x~)

+

1

[F 4.18]

Para calcularmos

Parte

1: Teoría

e CálculoJ

o valor da resisténcia

do cabo faremos Zo= P, yo=a = raio

TécnícaJ

de AterramentoJ

ElétrícoJ

x : razao aspecto definida em F 4.16.

do cabo e integraremos Xode O até L para obtermos o valor médio do potencial

L",

sobre a superfície do cabo, daí, dividindo por 1teremos:

a=

.fA

" aresenh(.ft) + aresenh(

Re = 2ñf

[

_

) 1 +

(f

r

-

J 1 + (a2~P2)

Ja2~P2 ) +

+ f + t W+

4p2

Assumindo queL»

a teremos:

Re

= :L

(Ln(~c ) -

1)

[F 4.20]

onde:

Se P=O, entao ternos a '=a

caso contrário,

al = J2aP

.

1

[F 4.19J

Esta é a fórmula mais encontrada na literatura para cálculo de resisténcia de um cabo.

o programa Tec-At-II usa a fórmula F 4.19, sem aproxima<;oes.

4.1.4 Associa~ao de Cabos

As configura<;oes mais comuns de cabos sao em estrela com vários bra<;os (também chamados contrapesos), em círculo, triángulo e malhas reticuladas. Nestes casos o valor da resisténcia mútua deve ser calculado de maneira similar ao

mostrado para hastes.

Para malhas reticuladas em quadrado ou retángulo utilizaremos como referéncia a fórmula desenvolvida por Sehwarz [9]:

Re = 1Ir,JLne~:" )+ K¡a - K2)

onde:

[F 4.21]

Ltc : comprimento

a' : ver fórmula F 4.20.

total dos cabos enterrados.

Kt : fator definido K:~ = 5.5 +0.15.x

em F 4.16 para hastes.

<36>

Para

modifica<;oes:

melhorar

"

R

e=

(L (

n

U/e

7)+

1IL/e

onde:

a

'\

exatidao

desta

K I

¡a-

K I 2+a)

K3

'\

K'. = 1.41 - 0.038x - 0.0011x2 K'2 = 8.48 + 0.063x + 0.016x2 K'3 = 11.3 + 0.293x + 0.127x2

válidos para x entre 1 e 5.

4.1.5 Associa~ao

de cabos e hastes

fórmula,

[F 4.22]

introduzimos

algumas

A associa<;ao de cabos e hastes em solo uniforme envolve 3 cálculos diferentes:

a)Resisténcia

b)Resisténcia

dos cabos

das hastes

c)Resisténcia mútua entre cabos e hastes

Os itens a) e b) serao calculados com as fórmulas desenvolvidas nas se<;oesrespectivas.

A resisténcia mútua (c) será calculada de acordo com a geometria dos eletrodos. Para arranjos tipo hastes e cabos em linha precisaremos calcular a resisténcia mútua entre um cabo e urna haste, enquanto que para malhas cobrindo

urnacertaáreautilizaremosa fórmulapropostapor Sehwarz[9].

A resisténcia

onde:

Reh

=

da associa<;ao será dada por:

Re+Rh-R~nch

Re+Rh-2Rmeh

[F 4.23]

Re : Resisténcia

dos cabos

< 37>

Rh : Resistencia Rmch: Resistencia

Parte

1: Teoria

e Cálculo.f

das hastes mútua entre cabos e hastes.

Quando tivermos hastes em linha interligadas por um cabo, utilizaremos o método do potencial médio, calculando o valor do potencial médio induzido pelo cabo sobre a superfície da haste, supondo que o cabo está na posi~ao descrita na figura 4.5 e que a haste está em Xh, Yh, P:

1

Vch = -

L

h

J P+Lh

P

Vc(z)dz

=

pl

JP+Lh arcsen

L<'-Xh

h(

-¡;-

)

+ arcsen

h( Xh

h

)

+

4nLeLh

P

[ + arcsenh( L<,~Xh) + arcsenh( ~h)

onde:

Le = comprimento do cabo

Lh = comprimento

da haste

b= Jy~+(p-Z)2

c= Jy~+(p+Z)2

]dz

[F4.24]

A situa~ao será semelhante aquela descrita na obten~ao da fórmula F 4.19, exceto que integraremos na dire~ao de z, desde O até o comprimento da haste.Devido a sua complexidade, com oito termos de funcoes Ln e arctangente, nao explicitaremos aqui esta fórmula, embora o programa Tec-At a utilize.

o valor da resistencia mútua será entao:

Rehm = 1- Vch

Quando tivermos o caso de malha delimitando urna área a fórmula será:

Rehm= /rr<'1(Ln(

2~:.,J + KI a -

K2 + 1 J

<38>

[F 4.25]

· 4.2 Solo estratificado

Técnica.f

de Aterramento.f

Elétric().f

em duas camadas

Estudaremos neste item o cálculo das resistencia de aterramento em solo estratificado em duas camadas.

A principal diferen~a em rela~ao ao solo uniforme sao as reflexoes do eletrodo. Em solo uniforme, há apenas urna reflexao do eletrodo, associada a interface solo / ar. Em solo de 2 camadas, teremos duas interfaces funcionando como "espelhos", urna da superfície do solo com o ar e outra entre os solos de resistividades diferentes.

Conforme abordagem proposta por Dawalibi [I2J, a figura 4.6 mostra as reflexoes de urna fonte de corrente pontual, análoga aquela discutida no início do item 4.1, situada na primeira camada em x, y, z :

primeira

o

potencial

camada

gerado

será agora:

V -.!!!

-4/r

onde:

(

L

-L.

r(H. + r'o-

1'2-1'1

K=1'2+1'1

+

~

:

pela

fonte

pontual

K n

[

L

rn. +

-L

rn- +

-L.

r'n.

+

rn+=./(x-xo)

2

(

+ Y-Yo

)

2

+(2nH+z-zo)

1 no ponto

-L

r'n-

2

J '

)

Po

rn_=./(X-~O)2+ (y-yO r +(2nH-z-zo)2

r' n+=.I(X-xo)

r' n_=.I(X-xo)2

2

+

( y-yo

+ (y-yO

) 2

+(2nH-z+zo)

r +(2nH+z+zo)2

<39>

2

em Xo, Yo, Zona

[F 4.26]

figura

-2nH->z

-2nH

-2nH+z

-2H-z

-2H

-2H+z

->z

Parte

1: Teoria

e Cálculos

4.6 - reflex6es de urna fante pantual na prirneira camada

u.

I'~

IJ2+

u-u.l't_

-

1'1.

-

--

--

~

H z

~

-

lo-

r'o-

2H->zr

u.I,_

2H

-

-

2H+z

1,.

2nH->z

 

u

12>Ii_

2nH

 

-

2nH+z

I2r.H+

pl

P2

--

-

,

,

,

i H

,

x

Os termos dentro da somatória correspondem as imagens da fonte, onde,

para cada reflexao, há multiplica~ao pelo fator de reflexao K. Como o módulo de

K é sempre menor ou igual al,

tomarem desprezíveis frente ao valor atual da somatória, quando entao o cálculo pode ser interrompido.

os termos da somatória decrescem com n até se

Quando houver hastes profundas penetrando na segunda camada, teremos lue calcular o potencial gerado por fontes na segunda camada, levando a quatro )osi~6es relativas da fonte de corrente e do ponto de cálculo do potencial:

-Fonte na camada

1 e ponto

na

1

<40>

Técnicas

de Aterramentos

Elétricos

-Fonte na camada 1 e ponto na 2 -Fonte na camada 2 e ponto na 1 -Fonte na camada 2 e ponto na 2

Este estudo foi feito por Heppe [13l, ao calcular resistencias mútuas entre cabos. Apresentaremos as fórmula básicas destes potenciais utilizando a fórmula F 4.26 como referencia, como x e y sao constantes durante as reflex5es, z indicará a profundidade da fonte e Zoa profundidade do ponto calculado:

VII

=

A fun~ao F será definida

como:

F(u)

1

J <x-xo)2+(y_yO

)

2

+(U)2

[F 4.27]

Daí, teremos,

para cada situa~ao:

I~~

r

F(z-zo)+F(z+zo)+I.Kn

[F 4.28]

F(2nH+z-zo)+F(2nH+z+zo)+

[

+F(2nH-z-zo)+F(2nH-z+zo)

])

V 12 = Pl(~:K)I

(F(z

- Zo) + F(z + Zo) + I.Kn[F(2nH

[F 4.29]

+ Z -

zo) + F(2nH

+ Z + zo)])

(J-K).

V

22

V2I

-

-

p2(I-K)I

4n

r

F(z -

zo) + (1 -

K2)F(z + zo) -

KF(2H -

z + zo) +

+(1 - K2) I.KnF(2nH + Z+ Zo)

[F 4.30]

)

tem

a mesma

forma

que V12, bastando

substituir

PI (J +K) por

p,

Para calcular as resistencias de cabos e hastes usaremos os mesmos processo de integra~ao descritos em 3.1, porém, como pode ser observado nas fórmulas F 4.28 a F 4.30, a quantidade de termos é muito grande, de forma que explicitaremos apenas urna fórmula para hastes na superfície para compararmos sua forma com outra disponível na literatura.

< 41 >

Parte

1: Teoria

e Cálculos

. 4.2.1 Hastes em solos estratificados

Tagg [lOJ apresenta urna fórmula para hastes na primeira camada:

1'1

([

Ln

Rhl = 2nL

( 4L

a

)

-1

]

00

Kn

+Ln=1TLn

(

.!!{!-+I

.!!{!--1))

[F 4.31]

o termo entre colchetes representa a resistencia de urna haste de comprimento L e raio a, tal como a fórmula F 4.11 de solo uniforme, enquanto que a somatória representa a resistencia adicional das imagens.

Esta fórmula é urna simplifica~ao muito útil para cálculo da resistencia com haste na primeira camada, desde que o comprimento da haste seja menor que 0,95 vezes a profundidade H da primeira camada. Mostraremos a seguir a fórmula completa para este caso utilizada pelo programa Tec-At:

Definimos a fun~ao F(x):

F(x)

= xLn( .Jx2 + a2

Teremos

entao:

-

x ) + .Jx2 + a2

[F 4.32]

Rhl

=

i~L ([ Ln( ~L) -

1] + L:¡

K; (F(2nH + [F 4.33]

2L) + F(2nH - 2L) - 2F(2nH))

)

o

programa Tec-At calcula a resistencia de urna haste cravada em

qualquer

profundidade,

penetrando

ou nao na segunda camada, sem usar

aproxima~6es.

Tagg prop6e a

camada:

seguinte fórmula para hastes penetrando na segunda

Rh

-

12-

.J!!

(

I+K

)([L( 2L

n

a

2nL I-K+2Kf

)]

~oo

+ "'n=1

K n

Ln(

2nH+L

(2n-2)H+L

))

[F 4.34]

A fórmula utilizada pelo programa Tec-At é similar a F 4.33, com a

diferen~a que sao considerados dois valores de resistividade e de comprimento em cada camada.

A tabela 4.3 mostra urna compara~ao do valor das fórmulas de Tagg e do

Tec-At, com L =3m, diametro= 5/8", pl=100 n.m, K = 0.9, cabe~ada haste na

superfície e vários valores de H:

<42>

H (m)

Tagg

TecAt

Técnicas de Alerramentos Elélricos

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,1

3,5

4,0

4,5

5,0

5,5

6,0

118,0

85,6

67,5

56,0

47,9

50,8

46,2

43,9

42,4

41,4

40,6

39,9

109,5

79,4

62,7

52,1

44,7

44,3

43,2

42,0

41,1

40,4

39,8

39,3

tabela 4.3

o gráfico da figura 4.7 mostra o comportamento dos valores na transi~ao

L=H.

figura

4.7 - comparativodas fórmulas

R(Q)

120

100

80

60

40

20

o

O

1

2

3

4

5

H(m)

6

Podemos observar que, quando a profundidade da primeira camada se aproxima do comprimento da haste, a fórmula de Tagg se afasta do valor correto da resistencia, evidenciando o limite de sua aplicabilidade.

Observar que, durante a transi~ao da profundidade da haste igual ao comprimento do cabo, os valores calculados pelo Tec-At sao contínuos.

· 4.2.2 -Cabos em solos estratificados

A resistencia de cabos apresentará um comportamento similar ao das hastes, somando ao valor da resistencia em solo uniforme um fator correspondente as reflex6es do cabo na segunda camada. Nao explicitaremos fórmula para este

<43>

Parte

1: Teoría

e Cálculos

cálculo devido a sua extensao, mas ela terá forma semelhante a da fórmula F 4.19, com P sendo refletida 2nH vezes na somatória, tal como mostrado em F 4.27.

Segundo Tagg, a resistencia adiconal de um cabo colocado na primeira camada devido as reflexoes na segunda camada é dada por:

RacI =

2nL ~n=1 Kn

!!1

~ex>

4Ln

r

I+J( ÜlH )

L

2

+1

r

[F 4.35]

1+ 8~ -4J(~H)'

+1

1

Para obter o valor da resistencia total do cabo deve ser somada o valor da resistencia em solo uniforme de resistividade p. dada por F 4.19 ou F 4.20.

O cálculo de resistencia de cabos em duas camadas está disponível no programa TecAt, supondo que o cabo se encontra na primeira camada, caso típico de aplicayoes reais de projeto.

· 4.2.3 -Associa~oes de cabos e bastes

Os cálculos de resistencia de hastes e cabo em linha serao calculados pelas fórmulas individuais de cabo e haste existentes no Tec-At, tal como feito para solo uniforme.

Para associayoes de cabos e hastes formando malhas, utilizaremos como base as fórmulas desenvolvidas por Nahman [14J e [15J, estendendo a aplicayao das fórmulas de Schwarz para solo uniforme.

· 4.2.3.1 -Malba de cabos na primeira

A fórmula proposta é:

Rac = KrRu +

onde:

(

'\ PIKI

(

Kp- Kr ) nLcra -

2Cx+O

IX

camada:

'\

) [F 4.36]

4

Kp = 1