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39.

Porção Semanal Hucat

https://www.youtube.com/watch?v=D9mFQYQXaHE

Histórias e reflexões judaicas 39 - Sem lugar pro mal - Achdut Online


EP147
https://www.youtube.com/watch?v=4oCyJNTw-Bs

Histórias e reflexões judaicas 38 - Gravado na alma - Achdut Online


EP146

Achdut Online Unidos pela Torá

https://www.youtube.com/watch?v=RwPf0Y3qtak
Pérolas da Torá - Chukat - Bernardo Grinplastch

https://www.youtube.com/watch?v=zgmwkg3ENH
U
Parashá Chukat – O poço e o nome de Miriam

Rav Yacov

Parashat Chucat
Números 19:1-22:1

https://www.youtube.com/watch?v=RT-UQwtRBco&feature=youtu.be

Porção Semanal de Chucat - 03/07 a 09/07


https://www.youtube.com/watch?v=55s6bej_U5U&feature=youtu.be
Zôhar Diário - Chucat - 03/07/2016
https://www.youtube.com/watch?v=UQlEWwffmeo&feature=youtu.be

Zôhar Diário - Chucat - 04/07/2016


https://www.youtube.com/watch?v=YrzmlaRGaEg&feature=you
tu.be
Zôhar Diário - Chucat - 05/07/2016
https://www.youtube.com/watch?v=bltBYmKh53c&feature=yout
u.be
Zôhar Diário - Chucat - 06/07/2016
https://www.youtube.com/watch?v=Dz0YDjNIKSc&feature=yout
u.be
Zôhar Diário - Chucat - 07/07/2016
https://www.youtube.com/watch?v=271IrIwB-
ew&feature=youtu.be
Zôhar Diário - Chucat - 08/07/2016
https://www.youtube.com/watch?v=GnIKolUgBY4&
feature=youtu.be
Liderança - Porção Semanal de Chucat - 25/06 a 01/07

https://www.youtube.com/watch?v=3H5qMXdHMJ
4
Tav - Zôhar Diário - Chucát - 26/06/2017
https://www.youtube.com/watch?v=XgvjQP-cLBI&feature=youtu.be
A Vaca Vermelha - Zôhar Diário - Chucát - 27/06/2017
https://www.youtube.com/watch?v=_fSKoub0LTA&feature=youtu.be
O Sete e a Vaca - Zôhar Diário - Chucát - 28/06/2017
https://www.youtube.com/watch?v=tsdPXNd3B2c
Substituto - Zôhar Diário - Chucát - 29/06/2017
https://www.youtube.com/watch?v=0aUgYsCn5_0
Era Messiânica - Zôhar Diário - Chucát - 30/06/2017

Yair Alon
https://www.youtube.com/watch?v=z2xe76C5LOo

Energia da Semana: Chukat - Afastar a morte


https://www.youtube.com/watch?v=Cag9-ahXty8

Energia da Semana: Chukat - Pureza


https://www.youtube.com/watch?v=MHnkpPhhDUw

Energia da Semana: Chukat - Estar disposto a cair para ajudar


o outro

https://beitarizal.org.br/2013/03/10/chukat/

https://www.youtube.com/watch?v=fvTwYvGiqB8
Como o pó da vaca vermelha purificava? Parashat Chukat
https://www.youtube.com/watch?v=P_wnjLTweNk
O puro fica impuro – O secredo da Vaca Vermelha – Parashat
Chukat

MeirTvPortuguese

39. Porção Semanal Hucat

Parashat Chucat
Números 19:1-22:1

19
1 E o Eterno falou a Moisés e a Aarão, dizendo:
2 "Este é o estatuto da lei que o Eterno ordenou,
dizendo: Fala aos filhos de Israel para que tomem
em teu nome uma vaca vermelha, perfeita, na qual
não haja defeito e que ainda não tenha levado
jugo,
3 e a dareis a Elazar, o sacerdote, e este a tirará
para fora do acampamento, e a degolarão diante
dele.
4 E Elazar, o sacerdote, tomará de seu sangue com
seu dedo indicador e aspergirá do seu sangue sete
vezes para frente, na direção da entrada da tenda
da reunião,
5 e a vaca será queimada perante os seus olhos – o
seu couro, a sua carne e o seu sangue, com o seu
excremento, serão queimados.
6 E o sacerdote tomará um galho de cedro, hissopo
e lã carmesim e os jogará no meio do fogo em que
arde a vaca.
7 E o sacerdote lavará as suas roupas e banhará a
sua carne na água, e depois entrará no
acampamento, e o sacerdote estará impuro até a
tarde.
8 E aquele que a queimar lavará suas roupas na
água e estará impuro até a tarde.
9 E um homem puro ajuntará a cinza da vaca e a
porá fora do acampamento, em lugar puro. E a
congregação dos filhos de Israel a guardará por
água purificadora – ela é para purificação.
10 E aquele que ajuntar as cinzas da vaca lavará
suas roupas, e será impuro até a tarde; e isto será
para os filhos de Israel e para o prosélito que
peregrinar entre eles por estatuto perpétuo.
11 Aquele que tocar em algum morto – todo
cadáver de homem – será impuro sete dias.
12 Ele se purificará com ela no terceiro dia, e no
sétimo dia será puro, e, se não se purificar no
terceiro dia, no sétimo dia não será puro.
13 Todo aquele que tocar num morto – cadáver de
homem que tiver morrido –, e não se purificar,
contamina o Tabernáculo do Eterno, e aquela alma
será banida de Israel, porque não foi aspergida
água de purificação sobre ele – será impuro, pois a
sua impureza ainda está nele.
14 Esta é a lei do homem que morrer na tenda:
Todo aquele que entrar na tenda, e tudo que estiver
na tenda, será impuro sete dias.
15 E todo vaso de barro aberto que não tenha
tampa ou coberta bem ajustada sobre ele será
impuro.
16 E todo aquele que tocar em alguém que for
morto pela espada sobre a face do campo, ou em
outro morto, ou em osso de homem ou em
sepultura, será impuro sete dias.
17 E tomarão para o impuro do pó da vaca
queimada, e porão água de uma nascente num
vaso sobre ele.
18 E um homem puro tomará hissopo, o molhará na
água, e aspergirá sobre a tenda, sobre todos os
objetos, sobre as pessoas que estiverem ali e sobre
aquele que tocar no osso, ou no morto pela espada
ou em outro morto, ou na sepultura.
19 E o puro aspergirá sobre o impuro no terceiro dia
e no sétimo dia, e o purificará no sétimo dia, e este
lavará suas roupas, banhar-se-á na água e ficará
puro à tarde.
20 E o homem que for impuro e não se purificar,
aquela alma será banida do meio da congregação,
porque contaminou o Santuário do Eterno; como
não foram jogadas águas de purificação sobre ele,
ele é impuro.
21 E isto será para eles por estatuto perpétuo; e
aquele que aspergir as águas de purificação lavará
suas roupas, e aquele que tocar as águas de
purificação será impuro até a tarde.
22 E tudo o que tocar o impuro será impuro, e a
alma que o tocar será impura até a tarde."
20
1 E os filhos de Israel, toda a congregação, vieram
ao deserto de Tsin, no primeiro mês, e o povo
esteve em Cadesh; e Miriam morreu ali e foi
sepultada ali.
2 E não havia água para a congregação, e
juntaram-se contra Moisés e contra Aarão.
3 E o povo brigou com Moisés e falaram, dizendo:
Tomara tivéssemos tido a mesma morte de nossos
irmãos diante do Eterno!
4 Por que trouxestes a congregação do Eterno a
este deserto, para nós e nossos animais morrermos
ali?
5 E por que nos fizestes subir do Egito, para trazer-
nos a este mau lugar? Não é lugar de semente, nem
de figueira, nem de videira, nem de romã; sequer há
água para beber!
6 E Moisés e Aarão retiraram-se de diante da
congregação à porta da tenda da reunião, e
atiraram-se sobre seus rostos; e a glória do Eterno
apareceu a eles.
7 E o Eterno falou a Moisés, dizendo:
8 "Toma a vara e reúne a congregação, tu e Aarão,
teu irmão, e falareis à rocha diante de seus olhos; e
dará as suas águas, e tirareis para eles águas da
rocha e dareis de beber à congregação e aos seus
animais."
9 E Moisés tomou a vara de diante do Eterno, como
lhe ordenara.
10 E Moisés e Aarão juntaram a congregação diante
da rocha, e Moisés lhes disse: Ouvi, rogo, rebeldes!
Porventura podemos fazer sair água desta rocha
para vós?
11 E Moisés levantou sua mão e feriu a rocha com
sua vara duas vezes, e saiu muita água, e a
congregação e seus animais beberam.
12 E o Eterno disse a Moisés e a Aarão: "Porquanto
não crestes em Mim, para santificar-Me aos olhos
dos filhos de Israel, por isso não trareis esta
congregação à terra que lhes dei."
13 Estas são as águas de Merivá ('Disputa'), porque
os filhos de Israel brigaram com o Eterno e Ele Se
santificou em virtude delas.
14 E Moisés enviou mensageiros, de Cadesh, ao rei
de Edom: Assim disse teu irmão Israel: Tu soubeste
toda a fadiga que nos sobreveio.
15 E nossos pais desceram ao Egito, e estivemos no
Egito muitos dias, e os egípcios fizeram mal a nós e
a nossos pais.
16 E clamamos ao Eterno e Ele escutou nossa voz, e
enviou um anjo e nos tirou do Egito. E eis-nos em
Cadesh, cidade da extremidade de teu limite.
17 Passaremos, rogo, pela tua terra; não
passaremos por campo nem vinha, e não
beberemos água dos poços; pelo caminho do rei
iremos, não nos desviaremos para a direita nem
para a esquerda, até que passemos o teu limite.
18 E Edom disse-lhes: Não passarás pelo que me
pertence, para que não suceda que eu saia com a
espada ao teu encontro.
19 E Israel disse-lhe: Pela estrada subirei; e se eu e
meus animais bebermos tuas águas, darei o seu
preço; de certo em nada te prejudicarei, somente
passarei com os meus pés.
20 E disse: Não passarás! – e saiu Edom ao seu
encontro com muito povo e com mão forte.
21 E Edom se recusou em deixar Israel passar por
seu território, e Israel desviou-se dele.
22 E partiram de Cadesh, e os filhos de Israel, toda a
congregação, vieram ao monte Hor [Hor Hahar].
23 E o Eterno falou a Moisés e a Aarão no monte
Hor, nos limites da terra de Edom, dizendo:
24 "Que Aarão seja recolhido ao seu povo, pois
não virá à terra que dei aos filhos de Israel, porque
vos rebelastes contra a Minha ordem por causa
das águas de Merivá.
25 Toma a Aarão e a Elazar, seu filho, e faze-os
subir ao monte Hor,
26 e despe a Aarão de suas roupas e veste-as em
Elazar, seu filho; e Aarão será recolhido e morrerá
ali."
27 E Moisés fez como o Eterno ordenara, e subiram
ao monte Hor, aos olhos de toda a congregação.
28 E Moisés despiu a Aarão de suas roupas, e as
vestiu em Elazar, seu filho; e Aarão morreu ali, no
cume do monte; e Moisés e Elazar desceram do
monte.
29 E toda a congregação viu que Aarão expirara, e
toda a Casa de Israel chorou 30 dias por Aarão.
21
1 E o Cananeu, rei de Arad, morador do sul, ouviu
que Israel vinha pelo caminho de Atarim, e lutou
com Israel e tomou deles alguns cativos.
2 E Israel fez um voto ao Eterno e disse: Se, de certo,
me entregares este povo na minha mão,
consagrarei para Ti os despojos das suas cidades.
3 E o Eterno ouviu a voz de Israel, e entregou o
Cananeu, exterminou-o e consagrou os despojos das
suas cidades, chamando o nome do lugar de Hormá
('Consagração').
4 E partiram do monte Hor, pelo caminho do mar
Vermelho, para rodear a terra de Edom, e a alma do
povo se impacientou no caminho.
5 E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por
que nos fizeste subir do Egito para morrer no
deserto, onde não há pão nem água, e nossa alma
tem fastio deste pão tão leve?
6 E o Eterno enviou para o povo as serpentes
abrasadoras, que picaram o povo; e morreu muita
gente de Israel.
7 E o povo veio a Moisés, e disse: Pecamos, pois
falamos contra o Eterno e contra ti! Ora ao Eterno
para que tire de sobre nós a serpente! – e Moisés
orou pelo povo,
8 e o Eterno disse a Moisés: "Faze para ti uma
cobra abrasadora e põe-na sobre um poste; e
acontecerá que todo aquele que for picado,
olhando para ela, viverá."
9 E Moisés fez uma cobra de cobre e a pôs sobre o
poste; e eis que, se por acaso a cobra picava a
alguém, este olhava para a cobra de cobre e vivia.
10 E os filhos de Israel partiram e acamparam em
Ovot.
11 E partiram de Ovot e acamparam nas ruínas de
Avarim, no deserto que está em frente de Moav,
para o nascente.
12 Dali partiram e acamparam no rio Zéred.
13 Dali partiram e acamparam na outra parte de
Arnon, que fica no deserto e que se estende do
território do Emoreu, porque Arnon é o limite de
Moav, entre Moav e o Emoreu.
14 Por isso se diz no Livro das Guerras do Eterno:
'Os milagres que Ele fez no mar Vermelho, e
aqueles nos rios de Arnon;
15 e na corrente dos rios que se estendiam no meio
do território de Ar (Moav) e agora está junto ao
limite de Moav.
16 E dali veio o poço – aquele poço que disse o
Eterno a Moisés: Junta o povo e lhe darei água.'
17 Então Israel cantou este cântico: Sobe, poço!
Cantemos-lhe!
18 Poço que cavaram os príncipes, abriram-no os
cabeças do povo – Moisés e Aarão – com a sua vara.
E do deserto foram a Mataná,
19 e de Mataná a Nahaliel, e de Nahaliel a Bamot;
20 e de Bamot ao vale que está no campo de Moav,
no cume da colina, que espreita para o Ieshimon
(deserto).
21 E Israel enviou mensageiros a Sihón, rei do
Emoreu, dizendo:
22 Passaremos por tua terra, não nos desviaremos
para os campos nem para as vinhas; não beberemos
água de poço, iremos pelo caminho do rei até que
passemos tua fronteira.
23 E Sihón não deixou a Israel passar por seu
território; e Sihón juntou a todo seu povo e saiu ao
encontro de Israel no deserto, e veio a Iáats e lutou
com Israel.
24 E Israel o feriu a fio de espada e herdou sua
terra, desde Arnon até o Iaboc, até Bene-Amon,
porque a fronteira de Bene-Amon era fortificada.
25 E Israel tomou todas estas cidades, e Israel
habitou em todas as cidades do Emoreu, em
Heshbon, e em todas as suas aldeias.
26 Porque Heshbon era a cidade de Sihón, rei do
Emoreu, e ele tinha lutado com o rei de Moav
primeiro, e tomara toda a sua terra de sua mão, até
Arnon.
27 Portanto dizem os proverbistas: 'Vinde a
Heshbon; seja edificada e restabelecida a cidade de
Sihón.
28 Porque saiu fogo de Heshbon e chama da cidade
de Sihón; que consumiu a Ar de Moav e aos donos
dos altos de Arnon.
29 Ai de ti, Moav! Estás perdido! Ó povo que serve a
Kemosh! Entregou seus filhos em fuga, e suas filhas
ao cativeiro, para Sihón, o rei do Emoreu.
30 E Heshbon perdeu seu reino, dissolveu-se a
soberania de Divon; e o desolamos até Nôfah que
está junto a Medevá.'
31 E Israel habitou na terra do Emoreu.
32 E Moisés enviou mensageiros para espiar a Iazêr;
e tomaram suas aldeias e desterraram o Emoreu
que estava ali.
33 E voltaram e subiram pelo caminho de Bashan; e
Og, o rei de Bashan – ele com todo o seu povo – saiu
à batalha ao seu encontro, em Edrêi.
34 E o Eterno disse a Moisés: "Não o temas, porque
o entreguei em tua mão – a ele, a todo o seu povo e
a sua terra; e lhe farás como fizeste a Sihón, rei do
Emoreu, que habitava em Heshbon."
35 E o feriram, a seus filhos e a todo o seu povo até
que nenhum ficou restando, e herdaram sua terra.
22
1 E os filhos de Israel partiram e acamparam nas
planícies de Moav, do outro lado do Jordão, em
frente a Jericó [Ierihó].

Resumo da Parashá
A Parashat Chucat Resumida
Chucat começa com o puro decreto da Torá,
Chucat Hatorá, uma mitsvá que somos
conclamados a cumprir mesmo que não
possamos entender seu propósito e sua razão -
a vaca vermelha (Pará Adumá), cujas cinzas
eram usadas para purificar as pessoas que se
contaminaram através de contato com o corpo
de uma pessoa morta.
A narrativa então salta 38 anos, para iniciar a
descrição do que aparece imediatamente antes
do povo judeu entrar na Terra de Israel. A
profetisa Miriam morre, e o povo fica sem água,
pois o miraculoso poço que os acompanhara
durante sua jornada no deserto existia apenas
pelo seu mérito.
D'us ordena a Moshê e a Aharon que falem
com uma rocha em especial, que produzirá
água instantaneamente; em vez disso, Moshê
golpeia a pedra com seu cajado, e D'us diz aos
dois líderes que eles não entrarão na Terra
Prometida.
Depois, o rei de Edom recusa-se a deixar o
povo judeu passar, fazendo-lhes tomar uma
rota mais distante. Aharon morre e é sepultado
no Monte Hor, e seu filho Elazar o sucede
como Sumo Sacerdote.
Os Filhos de Israel cantam uma canção de
louvor sobre o milagroso poço que D'us tinha
feito surgir pelo mérito de Miriam, e a porção
termina com as batalhas e vitórias sobre
Sichon, o rei de Emori, e Og, o rei de Bashan.
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Mensagem da Parashá
Lições da Parashat Chucat

Ao caminhar pelo moderno shopping center


próximo à rodoviária do centro em Be'ersheva,
Israel, você se sente quase em casa. Dezenas
de lojas modernas parecem totalmente
americanas; nota-se a visão familiar de
pessoas subindo escadas rolantes, subindo e
descendo o saguão repleto de lojas da parte
central do shopping; e pode dar um profundo
suspiro de alívio ao encher os pulmões com o
ar condicionado fresco e suave deste
maravilhoso centro de compras.
A experiência em si de comprar pode não ser
tão excitante - afinal, a mentalidade de
compras no Oriente Médio não é exatamente
aquela à qual estamos acostumados, e o
cliente nem sempre tem razão - mas o simples
fato de que você está abrigado em um
ambiente calmo, hospitaleiro e fresco deixa-o
mais relaxado. A temperatura externa está em
torno de 35º C, e você termina por apreciar o
condicionador de ar que lhe fornece
temperatura tão agradável.
Graças às inovações modernas como ar
condicionado, aquedutos para transportar água
por longas distâncias, e o aperfeiçoamento na
armazenagem de alimentos, cidades grandes
como Be'ersheva começaram a desenvolver-se
à margem de desertos. Mas sua existência é
tênue e apenas possível nas áreas mais
amenas. Em sua essência, o deserto continua
desafiadoramente implacável com a habitação
humana, de tal forma que faz-nos refletir como
os judeus - uma nação com uma população de
sete dígitos - sobreviveu vagando no deserto
por quarenta anos antes de entrar na Terra de
Israel.
Não, os judeus não foram amparados por
condicionadores de ar, água encanada, e
comida importada. Em vez disso, beneficiaram-
se de alguns artefatos bastante miraculosos
fornecidos por D'us. Nuvens especiais
cercaram e cobriram a nação viajante;
mantiveram um tipo de supremo controle do
clima, refrescando o ar e removendo
obstáculos do caminho à frente. Além disso, os
judeus não precisavam se preocupar com
queimaduras de sol. As nuvens ofereciam
também proteção contra predadores. Além
disso, o maná descia do céu seis dias por
semana. Perfeito alimento substituto, o maná
fornecia 100% da nutrição necessária. Na
verdade, o maná era tão perfeito que era
absorvido integralmente pelo trato digestivo,
eliminando a necessidade de aliviar-se. E um
poço, jorrando de uma grande rocha, rolava
junto com eles para fornecer-lhes água.
Com a maioria de suas necessidades físicas
satisfeitas, os judeus tinham bastante tempo
para envolver-se no estudo da Torá que
haviam recebido no início de sua jornada.
Entretanto, os presentes que tornaram o
ambiente ideal e protetor não eram gratuitos.
Ao contrário, os judeus os receberam pelo
mérito dos muitos indivíduos devotos,
motivados e justos que habitavam entre eles.
O Talmud (Tratado Ta'anit 9a) relata que Israel
teve três grandes líderes - Moshê, Aharon e
Miriam - e três maravilhosos presentes foram
recebidos por intermédio deles. Pelo mérito de
Miriam, um poço jorrava água
incessantemente; Aharon foi responsável pelas
Nuvens de Glória; e o maná caiu pelo mérito de
Moshê.
Embora estas associações - Miriam com o
poço, Aharon com as Nuvens, e Moshê com o
maná - não sejam explicitamente mencionadas
na Torá, cada uma delas pode ser detectada
com alguma observação básica e cuidadosa no
decorrer do texto.
D'us registra em nossa Porção da Torá que
Miriam faleceu e foi enterrada em Cadesh, um
local no Deserto de Tsin. A descrição continua:
"E não havia água alguma para a congregação,
e eles se reuniram [para reclamar] a Moshê e
Aharon" (Bamidbar 20:2).
Por que estes eventos aparentemente não
relacionados são colocados juntos? A água do
poço fluía pelo mérito de Miriam. Era uma
mulher justa, que dedicou-se a servir a D'us.
Sua presença e envolvimento com os judeus
trouxe-lhes uma consideração especial por
parte de D'us; sua morte deixou uma grande
lacuna para o povo. Como suas qualidades
ímpares que haviam merecido o poço estavam
ausentes, o poço deixou de funcionar.
As mortes de Aharon e Moshê deixaram
vácuos semelhantes, privando os judeus das
Nuvens de Glória e do maná. Na verdade,
sempre que uma pessoa justa nos deixa - seja
para ir para o mundo vindouro ou a outro lugar
qualquer nesta terra - sentimos um grande
senso de perda. Quando a Torá descreve a
viagem de Yaacov de Canaã a Charan (onde
vivia seu tio Laban), faz uma adição reveladora:
"Yaacov deixou Be'ersheva e foi para Charan"
(Bereshit 28:10). Obviamente, o ato de partir é
significativo. A este respeito, Rashi cita um
Midrash que declara: "A partida de um justo de
um lugar deixa uma impressão indelével."
O Yaafe Toar explica que, para onde quer que
um tsadic vá, ilumina os arredores (tanto
espiritual como fisicamente) com sua sabedoria
de Torá. Ele concede um senso de dignidade a
todos que estão em sua presença, honrando-os
e sendo honrado por eles, e oferece
inestimável conselho da perspectiva da Torá.
Como um modelo vivo da Torá, o tsadic
estabelece um exemplo positivo e influente
para aqueles ao seu redor.
Talvez isso possa ajudar a esclarecer a mitsvá
de "E a Ele te apegarás" (Devarim 10:20). Não
podemos apegar-nos fisicamente a D'us porque
Ele não é físico. Nossos rabinos portanto
explicam que devemos agarrar toda
oportunidade de associar-nos com indivíduos
justos e piedosos, judeus que estão imersos na
Torá de D'us e cujas próprias ações refletem
aquela imersão. Certamente os tsadikim são
mortais, mas sua influência penetrante e
poderosa pode ajudar-nos a ficar mais
próximos de D'us.
Uma lição prática emerge de tudo isso. Toda
vez que encontrar uma pessoa assim, a
oportunidade está batendo - até mesmo a
interação mais básica tem um efeito garantido.
Você pode aperfeiçoar seu Judaísmo fazendo
negócios, almoçando, ou simplesmente
apresentando-se a esta pessoa. Além dos dons
que a comunidade recebe pelo mérito de um
justo, o próprio tsadic beneficia a comunidade;
sua simples presença é um presente em si.
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Seleções do Midrash
Midrashim Sobre a Parashat Chucat
As Três Categorias de Mitsvot
As mitsvot da Torá, geralmente, pertencem a
uma de três categorias:
Mishpatim - Leis Civis: "Mishpatim" são leis
Divinas que promulgam a segurança e
sobrevivência da sociedade humana. Incluem,
por exemplo, a proibição de roubar e matar.
Edut - Testemunhos: Se uma mitsvá
testemunha um evento histórico ou algum
aspecto de nossa fé, é chamada de "Edut",
testemunho. São exemplos a mitsvá de
observar o Shabat, que atesta nossa crença de
que o Todo Poderoso criou o mundo em seis
dias; observar as Festas (Yom Tov), pois
comemoram o Êxodo do Egito; as mitsvot de
tsitsit e tefilin que demonstram nossa crença na
soberania de D'us.
Chukim - Decretos Divinos: Na categoria de
chok (plural: chukim) classifica-se todas as
mitsvot cujo propósito ou significado não são
compreendidos pela inteligência humana.
Esta categoria de mandamentos é a mais difícil
de respeitar. O Talmud nos diz que essas são
as leis que "a má inclinação (yêtser hará) e as
nações do mundo tentam contestar." Se não
compreendemos o motivo de alguma coisa é
tentador achar pretextos para não faze-la.
Quando tentamos explicar nossa religião aos
não-judeus, as leis que não tem um motivo
óbvio são as mais difíceis de compreensão. O
fato de um mandamento não ter um motivo
óbvio torna seu cumprimento um ato de fé,
muito mais ainda. Ele indica que estamos
prontos e desejosos de obedecer às ordens de
D'us, até mesmo quando não podemos
justificá-las racionalmente.
Todas as leis de pureza e impureza ritual
pertencem à essa categoria de mandamentos
conhecidos como chukim, decretos. Portanto,
disseram nossos sábios, "O corpo morto não
impurifica, e a água não purifica. Mas sim,
disse D'us, Eu dei uma ordem, e emiti um
decreto - e você não tem permissão para
questioná-lo."
Demonstramos assim, que estamos colocando
D'us acima de nosso próprio intelecto. Apesar
de talvez não sermos capazes de justificar
esses mandamentos perante o mundo,
expressamos nossa segurança interior como
judeus ao continuar cumprindo-os.
Há numerosos exemplos de chukim, mas o
Midrash enumera quatro sobre os quais a Torá
afirma explicitamente: "Este é um chok." Uma
vez que contém elementos aparentemente
contraditórios, são passíveis de serem
ridicularizados pelos que se pautam pelo
pensamento racional. Por isso, a Torá
aconselha o judeu a dizer a si mesmo: "É um
chok, não tenho direito de questioná-lo."
Os quatro chukim são:
1. Yibum: Um judeu que se casa com a esposa
de seu irmão enquanto este ainda está vivo, ou
mesmo após sua morte, incorre em pena de
caret (morte espiritual), contanto que seu irmão
tenha tido filhos. Porém, se a esposa do irmão
não tem filhos, é mitsvá casar-se com ela
(levirato, yibum).
Sendo que a lógica acha muito difícil aceitar
este paradoxo, o versículo enfatiza: "E vocês
guardarão Meus chukim." (Vayicrá 18:26).
2. Shaatnez: A Torá proíbe vestir-se com
roupas que contenham mistura de lã com linho.
Não obstante, é permitido vestir um traje de
linho em cujos cantos haja tsitsit de lã atados.
Por mais que questionemos esta exceção, a
Torá declara, no que concerne à mitsvá de
shaatnez: "E vocês guardarão Meus chukim."
(Vayicrá 19:19).
3. O bode para Azazel: Um bode era enviado
à morte como parte do Serviço de Yom Kipur,
purificando o povo judeu de seus pecados. Ao
mesmo tempo, impurificava o agente que o
enviava. Por conseguinte, esta lei é chamada
de "um chok eterno" (Vayicrá 16:29).
4. A vaca vermelha: As cinzas da vaca
vermelha purificavam um judeu que encontra-
se impuro, enquanto tornavam impuro qualquer
um que estivesse envolvido em sua
preparação. Uma vez que isto também desafia
a lógica, a Torá introduz o assunto com as
palavras: "Este é o chok da Torá" (19:2);
devemos aceitar a mitsvá como uma ordem
Divina.
Os chukim, contudo, não são "leis sem razão";
sua lógica, porém, é Divina. Os maiores dentre
nosso povo foram capazes de compreender
algumas delas.
Assim, o fundamento racional por trás das leis
da vaca vermelha foram reveladas de maneira
Divina a Moshê.
O rei Salomão, por outro lado, que pesquisava
as razões por trás das mitsvot e encontrou
explicações para todas as outras, professou
que esta mitsvá era incompreensível.
Salomão descobriu porque o shochet
(magarefe) deve seccionar tanto o esôfago
quanto a traquéia dos mamíferos, enquanto
que para aves é suficiente cortar apenas um
desses órgãos, e que peixes sequer
necessitam de abate ritual.
Todavia, confessou: "Pensei que teria
sabedoria, porém isto (a compreensão da
mitsvá da vaca vermelha) está muito distante
de mim." (Cohêlet 7:23).
A fim de apreciar plenamente suas palavras,
exploraremos a profundidade e âmbito da
sabedoria de Salomão:
"E D'us deu a Salomão bastante sabedoria e
compreensão, e extensão de
conhecimentos como a areia da beira do
mar." (Melachim I, 5:9).
Esse versículo implica que a sabedoria de
Salomão equivalia à sabedoria do povo judeu,
que era "tão numeroso quanto a areia da beira
do mar." A capacidade de seu intelecto era
superior a de qualquer outra pessoa, e por isso
conseguia captar o que se passava na mente
do outro. Conseqüentemente, seu julgamento
era verdadeiro mesmo em casos nos quais os
fatos eram obscuros, como demonstra a
seguinte história:
Três mercadores judeus estavam juntos numa
jornada quando se aproximava o Shabat.
Decidiram enterrar seu dinheiro em
determinado local, descansar até depois do
Shabat, desenterrá-lo e continuar seu caminho.
Na escuridão da noite, enquanto os
companheiros dormiam, um deles aproximou-
se sorrateiramente do local secreto,
desenterrou o dinheiro e escondeu-o em outro
lugar.
Procurando o dinheiro depois do Shabat, os
mercadores perceberam que esse
desaparecera. Uma vez que ninguém mais
sabia do local secreto, concluíram que um
deles deveria ter roubado o tesouro. Mas qual?
Cada um acusava o outro, dizendo: "Você é o
ladrão!"
Incapazes de determinar quem era o culpado,
decidiram viajar até Jerusalém e submeter o
caso ao Rei Salomão.
O Rei Salomão ouviu atentamente o relato e
ordenou-os a retornar no dia seguinte. Ao
voltarem à corte, o rei declarou: "Sei que
todos vocês são mercadores perspicazes.
Antes de julgar seu caso, gostaria de ouvir
sua opinião acerca de outro caso que me foi
apresentado."
Os três ouviram com atenção o Rei Salomão
relatar o seguinte incidente: "Um menino e
uma menina cresceram no mesmo bairro, e
prometeram não se casar sem o
consentimento um do outro. Mais tarde,
mudaram-se e perderam contato. Quando a
menina chegou à idade casadoura, ficou
noiva de um jovem de sua nova cidade.
Mesmo assim, não se esquecera da
promessa feita na infância. Ao se aproximar
a época do casamento, vendeu seus
pertences pessoais a fim de levantar fundos
para empreender uma longa jornada a sua
cidade natal, para procurar seu antigo
vizinho. Viajou a sua cidade, encontrou-o e
explicou-lhe que estava noiva de outra
pessoa. Pediu-lhe para libertá-la da
promessa feita anos atrás e, em seu lugar,
aceitar o dinheiro que conseguira.
O jovem valorizou os sofrimentos pelos
quais ela passara para ser fiel a sua
promessa. Apesar de lhe ser difícil, disse-
lhe que estava livre para casar-se com seu
noivo. Recusou o dinheiro que ela
oferecera, e ela partiu em paz.
A solitária viagem de volta era tão perigosa
para a jovem quanto fora sua jornada para
longe do lar. Ao circular por um bairro
deserto, um velho surgiu de um arbusto,
atirando-se sobre ela, roubando-lhe todo o
dinheiro e ameaçando utilizar-se dela para
seus próprios propósitos.
"Por favor, ouça-me," suplicou a moça,
"você é um homem velho, por quê traria
esta terrível culpa sobre si pouco antes de
ser convocado perante o Juiz Eterno?
Pegue meu dinheiro, mas deixe-me retornar
ilesa a meu noivo." Contou-lhe sua história,
e encerrou: "Meu amigo de infância
certamente teve mais dificuldade em me
deixar partir que você; ele é jovem, e
reivindicou um direito a mim. Você, um
homem velho, deve aprender dele a como
se controlar."
O ladrão ficou tocado pelo relato. Não a
molestou, e restituiu-lhe o dinheiro.
"Agora," concluiu o Rei Salomão, "coloco-
lhes a seguinte questão: Quem é o
verdadeiro herói da história - a moça, o
jovem ou o ladrão? Gostaria de ouvir suas
opiniões sobre o assunto."
"A moça é extraordinária," replicou o
primeiro mercador. "Imagine, empreender
uma longa e perigosa jornada apenas para
cumprir sua promessa!"
"Admiro o jovem," apartou o segundo.
"Agiu de maneira nobre e altruísta."
"A ação do ladrão é a mais admirável,"
comentou o terceiro mercador. "Depois de
conseguir ter em sua posse tanto a moça
quanto o dinheiro, não apenas libertou a
moça, como também restituiu o dinheiro!"
"Prendam-no!" gritou o Rei. "Ele só pensa
em dinheiro! Mesmo ouvindo esta história,
em seu íntimo, desejava o dinheiro da moça.
Quando teve oportunidade de pegar o
dinheiro para si, com certeza o fez!
Prendam-no imediatamente!"
O mercador foi preso, e confessou
imediatamente sua culpa.
O Rei Salomão era perito em todas as ciências,
ultrapassando seus antepassados. Por
exemplo, seu conhecimento sobre animais era
maior que a de Adam (Adão), que deu nome a
cada espécie de acordo com suas
características essenciais.
Sua compreensão sobre astronomia
ultrapassava a de Avraham, um mestre dessa
ciência.
Sua perícia em negócios de estado excedia
a de Yossef, ele próprio um legislador
habilidoso. Também era melhor lingüísta
que Yossef, que falava setenta idiomas.
Além de falar todas as línguas, comunicava-
se com todos os animais.
O Rei Salomão brilhava mais que os reis e
nações de sua época em todos os ramos da
ciência. Apesar dos reis egípcios orgulharem-
se de seu conhecimento em astrologia, a
competência de Salomão era superior, como
demonstra o seguinte incidente:
Quando o Rei Salomão estava prestes a
construir o Templo Sagrado, pediu ao rei
egípcio, o Faraó Necho, que lhe enviasse
artistas e artesãos.
O Faraó pediu a seus astrólogos para
adivinharem quais de seus súditos estavam
destinados a morrer naquele ano.
Subseqüentemente, enviou a Salomão uma
equipe de trabalhadores desenganados.
Contudo, assim que os artesãos egípcios
chegaram, Salomão percebeu o segredo.
Ordenou que vestissem mortalhas brancas
e enviou-os de volta à terra natal com uma
mensagem ao Faraó Necho:
"Aparentemente, faltam-lhe mortalhas para
enterrar seus mortos. Por isso, estou
enviando algumas para seus
trabalhadores."
A sabedoria de Torá do Rei Salomão era
imensa. Ultrapassava a da geração do deserto,
conhecida como "a Geração do
Conhecimento."
Sua grandeza em Torá torna-se patente
através dos três maravilhosos e sagrados
Livros que escreveu com espírito de profecia:
Cohêlet (Eclesíastes), Mishlê (Provérbios) e
Shir Hashirim (Cântico dos Cânticos) - que
estão incluídos nos 24 livros do Tanach
(Bíblia). Também compôs alguns dos salmos
no Tehilim.
Fez com que a Torá fosse cara e amada pelo
povo, pois podia ilustrar o significado de cada
halachá (Lei da Torá) com três mil parábolas, e
citar mil e cinco diferentes razões para cada
ordem rabínica.
Quão profunda é, portanto, a mitsvá da vaca
vermelha, se o Rei Salomão, o mais sábio
dos homens, declarou: "Estudei-a e
empenhei-me em entendê-la, porém está
bem além de minha compreensão."
Na verdade, mesmo as mitsvot da Torá que
parecem compreensíveis são "chukim". Seu
verdadeiro significado está muito além do
intelecto humano.
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As Leis da Vaca Vermelha


A primeiro de Nissan de 2449, último dia da
Inauguração do Tabernáculo, D'us revelou a
Moshê as leis referentes a pessoas impuras
que são enviadas para fora do Acampamento,
e também as leis de pureza dos cohanim.
D'us ensinou-o como atingir a purificação dos
diversos tipos de impurezas (quer através de
imersão no micvê ou numa fonte de água
corrente, e assim por diante), bem como os
sacrifícios que finalizam o processo de
purificação.
Quando D'us ensinou a Moshê que um judeu
se torna impuro (tamê) se tocar num corpo sem
vida, Moshê questionou: "Como se purifica a si
mesmo da impureza?"
O Todo Poderoso não respondeu
imediatamente. Na verdade, D'us adiou a
resposta como um ato de bondade para
Aharon. Da primeira vez que D'us dirigiu-se a
Moshê, Aharon não estava presente. Por isso,
Ele esperou até que Aharon também estivesse
presente, então proferiu as leis da vaca
vermelha a ambos (Bamidbar\Números 19:1).
Isto tornava público o fato de que Ele perdoara
Aharon por ter participado do pecado do
bezerro de ouro.
D'us retomou o assunto mais tarde naquele dia,
explicando a Moshê e Aharon: "Se alguém se
tornar impuro através do contato com um
corpo, deve-se aspergir sobre esse uma
mistura especial de água com as cinzas da
vaca vermelha."
De acordo com uma visão dos sábios (Guitin
60a), as leis da vaca vermelha foram
transmitidas a Moshê no dia primeiro de
Nissan. Então porque a Torá coloca este
assunto somente nesta parashá?
Uma vez que Côrach ridicularizou o processo
de purificação dos leviyim (ver parashá
passada), depois de terminar o relato da
rebelião de Côrach e suas conseqüências, a
Torá explica o fundamento da mitsvá, de que a
purificação é alcançada através das cinzas da
vaca vermelha.
O Todo Poderoso instruiu-os nos detalhes da
lei da vaca vermelha:
 A vaca vermelha é adquirida com recursos
do tesouro do Templo Sagrado, de um
fundo que contém as doações anuais de
meio-shekel dos indivíduos judeus.
 Para uma vaca vermelha ser qualificada
como tal, deve ter pelo menos três anos de
idade (idade suficiente para dar cria).
 Sua cor deve ser completamente vermelha;
até mesmo dois pelos de cor diferente
desclassificam-na.
 O animal também é desqualificado se
alguma vez foi atado a um jugo, mesmo se
não realizou trabalho algum.
Tendo procurado por todos os lugares por uma vaca
completamente vermelha, o San'hedrin (Corte
Suprema) finalmente foi informado de que um não-
judeu possuía tal vaca.

Emissários foram enviados com o fito de


adquiri-la.
O proprietário disse: "Estou disposto a vender o
animal por um bom preço. Dêem-me
quatrocentas peças de ouro."
"Você as terá," prometeram-lhe os sábios.
"Retornaremos com o dinheiro."
Saíram, a fim de obter os fundos necessários
do San'hedrin. Enquanto isso, o não-judeu
contou a seus amigos sobre a venda em
perspectiva, e descobriu quão raro e precioso
era esse animal.
Quando os delegados voltaram com a soma
combinada, o gentio lhes disse: "Mudei de
idéia; não venderei minha vaca."
"Estamos dispostos a pagar um alto preço,"
replicaram os sábios. "Quer mais cinco peças
de ouro?"
"Não a venderei," insistiu o não-judeu.
"Pegue mais dez peças de ouro," ofereceram.
"Vocês não a terão," repetiu.
"Pagaremos vinte peças extras de ouro,"
disseram.
"Fora de questão," replicou.
Os membros do San'hedrin aumentaram a
oferta até que o homem finalmente concordou
com a venda por uma quantia de cem peças de
ouro adicionais. (Algumas opiniões dos sábios
dizem que por mais mil.)
Os sábios disseram-lhe que voltariam com a
quantia total e apanhariam o animal no dia
seguinte.
Após partirem, o gentio disse a seu vizinho,
rindo: "Sabe porquê esses judeus insistiram em
adquirir esta vaca em especial? Necessitam
dela para seus ritos religiosos, pois jamais foi
atrelada a um jugo. Todavia, eu lhes aplicarei
um pequeno truque."
Naquela noite, o perverso pegou sua vaca
vermelha, atrelou-a ao jugo e arou com ela.
Os sábios voltaram na manhã seguinte. Antes
de pagarem, examinaram o animal. Sabiam
que uma vaca que jamais fora atrelada a um
jugo pode ser reconhecida através de dois
critérios: 1. Dois determinados pelos do
pescoço ficam eretos enquanto intocados pelo
jugo, porém dobram-se assim que se coloca o
jugo sobre o animal. 2. Os olhos de um animal
que jamais carregou um jugo são firmes.
Depois de subjugada, seus olhos piscam, pois
o animal olha de soslaio para ver o jugo.
Perceberam imediatamente que essa vaca
apresentava os sinais de uma vaca que já
portou o jugo.
"Fique com a vaca," disseram ao gentio. "Não
precisamos dela."
Até a boca deste perverso blasfemo
reconheceu: "Abençoado seja Aquele que
escolheu esta nação."
 O cohen abate a vaca "fora do
Acampamento". Durante os anos no
deserto, era abatida fora dos três
Acampamentos; e na época do Templo
Sagrado, no Monte das Oliveiras, uma vez
que esta montanha era considerada "fora
de Jerusalém."
 O cohen colhe um pouco de sangue da
vaca em sua mão esquerda, mergulha
nesse seu indicador direito, e asperge o
sangue em direção à entrada do interior do
Templo (Hechal), o qual consegue
enxergar da montanha.
 Acende-se um fogo, e o cohen supervisa a
queima da vaca.
 Com um cordão de lã vermelha, o cohen
amarra um galhinho de cedro unindo-o a
um pouco de hissopo (ezov) e pergunta a
todos os presentes:
"Isto é um galho de cedro?"

"Sim," respondem.
"Isto é um galho de cedro?" - pergunta pela
segunda e terceira vez.
Recebe respostas afirmativas às três
perguntas. Também pergunta três vezes: "Isto
é uma lã vermelha?" - ao que lhe respondem
afirmativamente três vezes.
Por que esta cerimônia?
Nem todos os tipos de hissopo, cedro e tinta
vermelha são casher para este ritual. A não ser
que todas as espécies utilizadas preencham os
requisitos haláchicos (das leis), a mitsvá inteira
é inválida. Desta forma, o cohen enfatiza que
estão todas de acordo com os mandamentos
da Torá.
 Enquanto a vaca está queimando, o feixe
de cedro e hissopo é atirado à carcaça.
Por que se coloca madeira de cedro e a
grama ezov sobre o fogo? O cedro é a mais
alta das árvores, e a grama ezov, o mais
baixo dos arbustos. Isso lembra a quem se
purifica que a pessoa precisa de humildade
para fazer teshuvá. É preferível sentir-se
humilde como a grama ezov que orgulhoso
como o cedro.
 As cinzas da vaca são divididas em três
partes: uma é colocada numa determinada
seção do pátio do Templo Sagrado, onde é
preservada a fim de cumprir a mitsvá de
que as cinzas da vaca vermelha devem ser
guardadas para todas as gerações. A
segunda parte é dividida entre os grupos
de cohanim que servem no Santuário, para
ficar à disposição para purificar um cohen
que tornou-se impuro. A terceira parte é
colocada num local no Monte das Oliveiras,
para a purificação do povo judeu antes de
sua entrada no Templo.
 Quem quer que esteja envolvido na
preparação das cinzas - por exemplo, a
pessoa que queima a vaca, quem atira o
feixe ao fogo, quem recolhe lenha, quem
toca ou transporta as cinzas - torna-se
impuro.
 As cinzas da vaca são misturadas à água
fresca de uma fonte num recipiente.
 As águas com cinzas da vaca vermelha
são aspergidas sobre o judeu (que está se
purificando) por alguém que está puro de
impureza advinda da morte. Ele asperge
quem está se purificando no terceiro e
sétimo dias da purificação individual. Além
disso, durante o sétimo dia, a pessoa que
está sendo purificada deve imergir numa
micvê, a fim de consumar a purificação.
Até hoje nove Vacas Vermelhas foram
queimadas.
A primeira foi preparada por Elazar filho de
Aharon sob a supervisão de Moshê, no
segundo dia de Nissan, de 2449. (Moshê dirigiu
os pensamentos apropriados à mitsvá, pois
Elazar não compreendia suas razões.)
Uma bênção pairava sobre a porção das cinzas
que Moshê separou para purificação: elas
duraram até a época de Ezra. Sob a supervisão
de Ezra, uma Segunda Vaca Vermelha foi
queimada; uma terceira e quarta sob
orientação de Shimon Hatsadic; e mais duas na
época de Yochanan, o Sumo-sacerdote. Desde
então até a destruição do Segundo Templo
Sagrado mais três vacas foram queimadas. A
décima será preparada por Mashiach, possa
ele vir em breve.
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Alusões Acerca da Mitsvá da Vaca Vermelha


Apesar da mitsvá da vaca vermelha ser
inescrutável até a vinda de Mashiach (quando
D'us revelará ao povo judeu as razões de todas
as mitsvot, inclusive esta), a Torá nos fornece
algumas indicações:
Certa vez, o pequeno filho da empregada do
palácio, brincando, sujou o brilhante chão do
palácio. "Onde está a mãe deste traquina?" -
gritou o rei. "Que venha e limpe a bagunça de
seu filho!"
Similarmente, o Todo Poderoso proclamou:
"Que a (mãe) vaca expie a impureza criada
pelo bezerro (de ouro)." Por isso, apenas uma
fêmea é aceitável como vaca vermelha
(enquanto que para outros sacrifícios tanto
machos quanto fêmeas podem ser escolhidos).
Os seguintes pontos também demonstram a
correlação entre a Vaca Vermelha e o pecado
do bezerro de ouro:
 Uma vez que todos os homens doaram
dinheiro para a feitura do bezerro de
ouro, requer-se de todos eles que
contribuam para a aquisição da Vaca
Vermelha. Esse dinheiro provém do
tesouro do Templo, constituído da
contribuição anual de meio-shekel de
cada judeu.
 D'us ordenou que a primeira Vaca
Vermelha fosse queimada por Elazar, filho
de Aharon, em vez do próprio Aharon,
pois Aharon participara do pecado do
bezerro de ouro.
 A vaca deve ser vermelha pois a cor
vermelha sempre indica o pecado, e a
cor branca sempre simboliza a pureza.
Ao olhar a vaca vermelha, os judeus
recordam-se de seus pecados. Mais
ainda, o ouro tem um reflexo
avermelhado. A vaca vermelha expia o
ouro que o povo doou para fazer o ídolo
em forma de bezerro de ouro.
 A vaca precisa ser perfeita, indicando que
antes dos judeus cometerem o pecado do
bezerro de ouro, eram perfeitos, pois
tinham acabado de receber a Torá. Quando
pecaram, perderam sua perfeição.
 A vaca é queimada para recordar o bezerro
de ouro, que foi queimado por Moshê.
O enigma da Vaca Vermelha - por quê
purifica e impurifica ao mesmo tempo -
contém uma importante lição:
Um dos mistérios filosóficos é a coexistência do
Bem e do Mal, felicidade e tragédia neste
mundo. Por quê homens virtuosos são
expostos a sofrimentos excruciantes frustrou e
desconcertou profundamente até o maior dos
profetas.
Incapaz de explicar as contradições da vida, as
nações idólatras atribuem sua origem em
divindades duplas, uma que traz bênção sobre
a humanidade, e a outra má.
Por essa razão, os modernos reivindicam que o
universo não tem poder que o governa.
A Torá, contudo, ensina-nos a acreditar em
Uma Fonte, da Qual todos os eventos - tanto
bons quanto maus - emanam.
Os elementos aparentemente contraditórios da
mitsvá da Vaca Vermelha ensina-nos a atribuir
o mistério da vida às limitações de nosso
intelecto. Num nível que transcende nossa
atual compreensão, todas as contradições
desaparecem. Sua essência é uma, um plano
Divino para nosso benefício definitivo.
A mitsvá ensina que devemos enxergar todos
os aspectos da vida com a mesma atitude que
adotamos para a própria mitsvá, fé.
Os Judeus Receberam a Mitsvá da Vaca
Vermelha pelo Mérito de Avraham
Quando os três anjos visitaram Avraham, ele
correu para abater e preparar uma vaca. Como
recompensa, seus filhos receberam a mitsvá de
utilizar uma vaca.
Enquanto Avraham implorava que D'us não
destruísse os perversos habitantes de Sodoma,
ele rezou: "Na verdade, não tenho autoridade
para discutir com D'us, pois sou apenas pó e
cinzas." Avraham era tão humilde que sempre
tinha consciência de que o corpo de uma
pessoa não passa de meros pó e cinzas. D'us
disse: "Devido à tua grande humildade, Darei a
teus filhos uma mitsvá com cinzas; as cinzas
da Vaca Vermelha. Ao cumprirem-na, serão
perdoados."
Como recompensa por dizer aos seus
visitantes celestiais, "Que água seja trazida
para lavar vossos pés", D'us deu aos
descendentes de Avraham uma mitsvá com
água: as cinzas da Vaca Vermelha são
misturadas à água.
Três Recipientes Serão Devolvidos
Atualmente, não temos as cinzas da Vaca
Vermelha, e não podemos nos purificar da
impureza proveniente da proximidade a um
morto.
No entanto, futuramente, Eliyáhu o Profeta nos
devolverá três recipientes:
1. O recipiente no qual Moshê colocou a
maná, para lembrar os judeus como D'us
os alimentou no deserto por quarenta anos.
2. O recipiente contendo as cinzas da Vaca
Vermelha.
3. O recipiente que contém o azeite com o
qual se ungiam os cohanim e os reis.

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Algumas Leis de Pureza Ritual


Cada um dos seguintes grupos podem tornar-
se impuros sob determinadas condições
através de contato com pessoa ou animal que
está impuro:
 Alimentos
 Líquidos
 Roupas e utensílios
 Uma pessoa judia
Salientaremos as leis básicas de impureza dos
grupos acima:
Alimentos
Um alimento pode-se tornar impuro apenas se
as duas seguintes condições forem
preenchidas:
1. Já não se nutre mais através de seus galhos
ou raízes.
2. Foi anteriormente tocado por um dos
seguintes sete líquidos: vinho, mel de abelhas,
azeite de oliva, leite, orvalho, sangue ou água.
Preenchidas essas duas condições, e se o
alimento, mais tarde, tocar uma pessoa ou
animal impuro (como uma carcaça de animal,
ou carcaça de certos répteis), esse se torna
igualmente impuro.
Na época do Templo Sagrado, se a terumá
(presentes de alimentos devidos ao cohen) ou
chalá (pedaço da massa) ficasse impura, o
cohen já não poderia comê-la. Havia pessoas
que evitavam comer qualquer alimento impuro,
quando possível, mesmo se não fosse
consagrado, a fim de evitar erros, ou como um
ato de santidade especial.
Líquidos
Se um líquido tocar numa pessoa ou carcaça
de animal impuros, esse se torna impuro.
Roupas e utensílios
Roupas e utensílios ficam impuros se tocarem
numa pessoa ou animal impuro. Utensílios de
barro ou cerâmica, se o interior for tocado.
Utensílios de metal ou madeira são purificados
através de imersão na micvê. Utensílios de
cerâmica não podem ser purificados.
Uma pessoa
Uma pessoa judia torna-se impura através das
seguintes condições:
1. Através de contato; de carregar ou estar sob
o mesmo teto que um morto; ou um órgão,
membro ou corpo morto; ou em contato com
utensílio que tocou um corpo humano morto.
Uma pessoa que fica impura dessa forma é
chamada de av hatumá, uma fonte de
impureza. Fica impura por sete dias e, a fim de
purificar-se, é aspergida com as águas da Vaca
Vermelha no terceiro e sétimo dias; depois,
imerge no micvê.
2. Alguém que tenha tido contato com av
hatumá torna-se impuro, porém sua impureza é
menos severa. Perdura até o anoitecer, e a
pessoa purifica-se através de imersão no
micvê. Esta pessoa é denominada de rishon
letumá, um portador primário de impureza.
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O Passamento de Miriam e o
Desaparecimento de seu Poço
No décimo dia de Nissan do quadragésimo ano
no deserto, ocorreu uma tragédia nacional.
Quando os judeus chegaram ao deserto de
Tsin, Miriam, irmã de Moshê faleceu. Tinha
cento e vinte e cinco anos de idade.
Miriam ensinara e orientara as mulheres, assim
como Moshê e Aharon o faziam com os
homens. Foi uma das sete profetizas
conhecidas.
Miriam faleceu sem sofrimento,
pacificamente e feliz. Já que ela era uma
tsadeket, mulher justa, o anjo da morte não
podia tocá-la. A Shechiná (Presença Divina)
revelou-se a ela, levando assim sua alma de
volta a sua fonte. Após sua alma ter deixado o
corpo, os anjos a receberam com muita alegria.
Exclamaram: "Venha em paz". Essas são as
boas-vindas dispensadas a todos os tsadikim
após seu falecimento.
A narrativa do falecimento de Miriam segue-se
as leis da Vaca Vermelha (apesar de seu
passamento ter ocorrido no último ano no
deserto, enquanto que a Vaca Vermelha foi
queimada no segundo ano). A Torá justapõe
esses dois eventos para ensinar que a morte
de um tsadic traz expiação para o povo judeu,
como o fazem as águas da Vaca Vermelha.
Assim que Miriam faleceu, D'us fez com que
o Poço de Miriam desaparecesse
temporariamente, para que o povo
percebesse que seu poço de água fora
fornecido pelo mérito de Miriam. Apreciando
assim sua grandeza, poderiam enlutar-se
por esta tsadeket de maneira apropriada.
A geração do deserto recebeu três presentes
pelo mérito de seus três grandes líderes:
 O Poço, pelo mérito de Miriam
 As Nuvens de Glória, pelo mérito de
Aharon
 A maná, pelo mérito de Moshê.
Por quê os três líderes são associados a esses
presentes específicos?
Eles personificavam os três pilares que
sustentam o mundo - Torá, serviço Divino e
realização de atos de bondade.
 Moshê deu a Torá e era o mestre e líder do
povo judeu por excelência. Por isso, em
seu mérito os judeus recebiam a maná,
cujo presente diário aliviava a necessidade
de se obter um ganha-pão, e cuja ingestão
ajudava-os no entendimento do estudo da
Torá.
 Aharon personificava o serviço Divino. Sua
devoção ao Serviço dos sacrifícios trouxe a
Shechiná ao povo judeu. As Nuvens de
Glória eram, assim, dadas em seu mérito,
pois representavam a Shechiná que residia
com o povo judeu.
 Miriam era excelsa no terceiro dos três
fundamentos: a bondade. Desde sua
juventude devotou-se ao bem-estar de seu
povo. Mesmo quando criança, ajudava sua
mãe como parteira, e levava comida aos
pobres.
Mais ainda, foi Miriam que esperou por Moshê
às margens do Nilo, e por isso foi
recompensada justamente através da água.
Por causa de seu atributo de chessed,
bondade, D'us proveu os judeus com água,
uma necessidade vital.
Como os judeus recebiam água do Poço de
Miriam?
Esta miraculosa rocha da qual brotava água
estava sempre presente no deserto com o
povo. Quando o povo acampava, essa ficava
num local alto, em frente à entrada do
Tabernáculo.
Cada um dos doze líderes aproximaram-se do
poço com seus cajados e traçaram uma linha
ligando o poço à sua tribo. A água fluía através
dessas doze linhas para todas as Tribos,
formando rios entre uma tribo e outra. Cada rio
era tão largo que uma mulher que desejasse
visitar uma amiga de tribo diferente precisaria
de um barco, senão desejasse molhar os pés.
A água também rodeava a maior parte do
Acampamento. Onde quer que os judeus
acampassem, grama, árvores, vinhedos, figos
e romãs brotavam à sua volta. Os vinhedos
produziam uvas de sete sabores diferentes.
O povo judeu experimentava o bem e a
excelência do Mundo Vindouro na água e nas
plantas produzidas pelo Poço de Miriam. Por
isso, mais tarde (nesta parashá), cantaram um
cântico louvando esse maravilhoso poço.
Após o falecimento de Miriam, o Poço
desapareceu subitamente.
Sem água potável para suas esposas e filhos,
os judeus encontravam-se em uma situação
crítica.
Moshê e Aharon, que estavam sentados,
enlutados por sua irmã, viram multidões
aproximarem-se de sua tenda.
"O que é essa assembléia?" - indagou Moshê a
Aharon.
Replicou Aharon: "Os judeus não são
descendentes de Avraham, Yitschac e Yaacov,
que realizam atos de bondade como seus
patriarcas? Certamente estão vindo para nos
consolar."
"Aharon," censurou-o Moshê, "você não
consegue distinguir entre uma multidão
com propósitos nobres de uma com
propósitos ignóbeis? Se estivessem se
aproximando de maneira ordeira - com os
Anciãos à frente, seguidos pelos
responsáveis pelos milhares, pelos
centuriões, e assim em diante - você teria
razão. Porém olhe para esta multidão
tumultuada!"
As palavras de Moshê provaram ser
verdadeiras imediatamente. A desorganizada e
excitada aglomeração que rumava à tenda
começou a reclamar amargamente sobre a
falta de água.
"Por quê precisamos sofrer tanto?" - inquiriram.
"Você, Moshê, costumava afirmar que somos
punidos porque há pecadores entre nós, que
fazem com que a Shechiná parta. Agora,
contudo, os homens da geração do deserto já
se foram, e os de nós que permanecem vivos
merecem entrar em Israel. Por que deveríamos
nós, ou nossos filhos, e nosso gado perecer de
sede?
"Os infindáveis testes são demais para
suportarmos. Por que você não reza para D'us
levar-nos diretamente a Israel em vez de guiar-
nos pelo deserto por quarenta anos?
Preferíamos ter sido consumidos junto com a
congregação de Côrach ou na praga
subseqüente a morrer de sede agora.
"Vocês estão enlutados por uma pessoa. Em
vez disso, deveriam enlutar-se por todos nós,
pois não temos água."
Apesar dos judeus, em sua agitação, estarem
prontos a apedrejarem Moshê e Aharon, D'us
não refreou suas reclamações contra eles. Eles
expressaram-nas em meio à dor da sede, e
D'us não detém alguém de suas afirmações
enquanto está em dor.
Moshê e Aharon escaparam da fúria da
multidão para a entrada do Tabernáculo e
prostraram-se em prece.
A Nuvem de Glória apareceu, e D'us censurou
Moshê: "Meus filhos estão sofrendo de sede,
enquanto você está envolto em luto. Encontre a
rocha que era o Poço de Miriam, ordene-lhe
que dela emane água, e convide a
congregação e os animais a beberem."
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Moshê e Aharon Pecam em Águas de


Discórdia
D'us disse a Moshê: "O povo testemunhará
agora um milagre que santificará Meu Nome.
Congregue os tsadikim e pessoas grandes ao
lado da rocha da qual jorrava água enquanto
Miriam estava viva. Ordene-lhe que forneça
novamente água aos judeus.
"Estando de pé com a santa congregação na
frente da rocha, ensine-os uma lei ou
passagem da Torá. Então ordene à rocha
que continue dando água. O mérito do
estudo comunitário da Torá fará com que
essa produza água, como o fazia em mérito
de Miriam.
"Além disso, todos os que testemunharem o
milagre aprenderão a grande lição: 'Se mesmo
uma sólida rocha, ao comando de D'us,
obedientemente torna-se um poço, nós, judeus,
certamente somos obrigados a obedecer D'us
com alegria e boa vontade (e não porque
sentimo-nos compelidos a servi-Lo)!'"
D'us advertiu Moshê para que trouxesse
somente os tsadikim, mas Moshê (que
desejava que todos vissem o milagre) reuniu a
congregação inteira, dos pequenos aos
grandes, incluindo até mesmo o êrev rav
(convertidos egípcios).
Um milagre possibilitou ao povo inteiro ficar na
frente da rocha, apesar da área ser pequena
demais para conter a todos.
Ouviu-se algumas pessoas do êrev rav
zombarem: "Quem disse que o filho de Amram
(Moshê) realizará um milagre verdadeiro? Deve
haver uma razão para ele estar determinado a
dirigir-se a uma rocha em especial. Talvez
saiba que a rocha contém umidade e pode,
portanto, produzir água. Moshê costumava ser
um pastor e conhece bem diferentes tipos de
rochas. Vejamos se pode realizar esta proeza
com uma rocha de nossa escolha!"
O escárnio dos zombeteiros repercutiu sobre o
povo, dispersando-os em todas as direções. O
líder de cada Tribo ergueu uma pedra e exigiu:
"Moshê, queremos água desta rocha!"
O êrev rav proclamou: "A não ser que nos dê
água da rocha que escolhermos, não queremos
nenhuma!"
Moshê ficou extremamente angustiado.
Esperava estudar Torá junto com uma solene
assembléia de judeus em frente a rocha.
Experimentariam então, através do formidável
milagre que seu estudo da Torá tinha o poder
de mudar as próprias leis da natureza. Em vez
disso, enfrentou uma multidão de motejadores
que questionavam se um milagre verdadeiro
estava para acontecer.
Mais que isso, Moshê percebeu que a
Shechiná estava ausente. A atitude do povo
causou a partida da Shechiná.
Moshê não tinha certeza de como deveria
proceder. A atmosfera não era propícia ao
estudo da Torá. Como poderia ensinar a um
povo que se rebelava contra seu mestre? E
qual rocha deveria escolher? Deveria ignorar a
exigência do povo e fazer brotar água do
verdadeiro Poço de Miriam? Se sim, o êrev rav
reivindicaria que ele não realizou um milagre
genuíno. Ou deveria aquiescer e realizar um
milagre através de uma rocha diferente? Se
sim, poderia ser culpado de transgredir o
comando de D'us. Além disso, D'us poderia
julgar o povo como não merecedor de receber
água de uma rocha diferente.
Moshê decidiu que precisava censurar
severamente o povo, por terem arrogantemente
desafiado seu mestre. Dirigiu-se-lhes de
maneira rígida: "Agora ouçam, seus rebeldes e
tolos! Por que acham que sua compreensão é
maior que a de seu mestre?"
Moshê continuou a repreender o povo:
"Devemos fazer brotar água de uma rocha
acerca da qual o todo Poderoso não ordenou?"
"Juro, ouvirei D'us e trarei água da própria
rocha que Ele ordenou."
Moshê ordenou à rocha que produza água.
Contudo, esta não obedeceu, o milagre não
ocorreu. Por conseguinte, Moshê golpeou a
rocha.
Os zombeteiros exclamaram: "Filho de Amram,
aparentemente você tem água suficiente
apenas para nossos bebês."
Moshê então golpeou a rocha pela segunda
vez. A isso, a água irrompeu e jorrou,
formando uma profunda corrente que
inundou o povo e afogou os zombeteiros.
O golpe de Moshê fez com que,
simultaneamente, cada rocha da região
produzisse água.
D'us Decreta Morte no Deserto a Moshê e
Aharon
O Todo Poderoso censurou extremamente
tanto Moshê e Aharon, proclamando:
"Falharam em acreditar em Mim e Me
santificar aos olhos do povo judeu, ao
golpearem a pedra.
"Rebelaram-se contra Mim ignorando Meu
comando de ensinar Torá aos judeus em frente
à rocha. Por isso, não levarão esta geração a
Terra de Israel; Porém, falecerão no deserto."
Por que o Todo Poderoso puniu Moshê e
Aharon de maneira tão severa?
Moshê poderia justificar cada um de seus atos:
recusou-se a fazer brotar água da rocha que os
judeus designaram, a fim de não ser culpado
de desobedecer a Palavra de D'us; golpeou a
rocha porque suas palavras, oralmente,
provaram ineficácia. O seu erro está além de
nossa compreensão.
Mais que isso, Aharon, também incluso no
veredicto, era aparentemente inocente de
qualquer dos pecados enumerados por D'us.
Errou somente por ficar lá em silêncio,
enquanto Moshê golpeava a rocha.
De fato, Moshê argumentou com D'us: "Sou
culpado, mas como Aharon poderia sê-lo?"
Aharon, contudo, não defendeu-se. Apesar de
poder ter questionado o veredicto, permaneceu
em silêncio (como quando seus filhos Nadav e
Avihu foram punidos com a morte).
Na verdade, D'us estava procurando um
pretexto, por assim dizer, para fazer com
que Moshê e Aharon falecessem e fossem
enterrados no deserto.
"Moshê," consolou-o o Todo Poderoso, "como
seria se você, o líder da geração do deserto,
tivesse enterrado os 600.000 homens que você
tirou do Egito, e então levasse outra geração a
Israel?
"Em vez disso, você permanecerá íntegro
com a geração que lidera, assegurando-
lhes, por conseguinte, uma porção no
Mundo Vindouro. Você os liderará para
Israel na época de Mashiach."
O líder de cada geração estará à sua testa no
Mundo Vindouro.
Isto pode ser comparado ao pastor de um rei
cujo rebanho inteiro foi roubado. Quando tenta
entrar no palácio, o pastor encontra o caminho
bloqueado. O rei explica: "Sei que o que
aconteceu não foi por culpa sua, mas meu
povo não tem consciência disto. Se eu não
mostrar que estou zangado e deixá-lo entrar
em meu palácio, eles suspeitarão que você
teve participação no roubo."
Foi isto que D'us disse a Moshê: "Se você
entrar na terra, deixando para trás toda a sua
geração para morrer no deserto, as pessoas
não acreditarão que você não é culpado pela
morte delas. Portanto, tenho de deixá-lo aqui
também. Você entrará na terra, juntamente
com a sua geração, na época da Ressureição
dos Mortos."
Vendo que estava impotente, Moshê disse: "Se
meu irmão e eu tivermos de morrer no deserto
junto com o restante de nossa geração, as
pessoas pensarão que nós pecamos como
elas, com os espiões, e fomos castigados com
elas." D'us tranqüilizou-o, dizendo: "Não tenha
medo, Moshê. Minha santa Torá relatará
claramente como você e seu irmão vieram a
merecer este castigo, de modo que toda a
humanidade saberá que vocês só tiveram um
único pecado em sua ficha, o da Água de
Discórdia. Somente por ele vocês foram
punidos."
A Punição de Moshê e Aharon Fornece uma
Chave para as Narrativas da Torá
Se lêssemos apenas as palavras da Torá
condenando Moshê e Aharon ("Vocês não
acreditam em Mim para Me santificar na
presença dos Filhos de Israel," "vocês
rebelaram-se," e assim por diante) porém não
os eventos precedentes, presumiríamos que
D'us estava acusando Moshê e Aharon de um
crime capital, como idolatria ou ateísmo. Na
verdade, as palavras de D'us eram dirigidas a
dois supremos tsadikim, cujo cada ato era
devotada ao Serviço de D'us e ao povo judeu.
Não se "rebelaram" contra D'us, mas sim
cometeram um erro sutil de algum tipo.
D'us condenou-os ao extremo, pois quanto
maior e mais perto de D'us a pessoa estiver,
menos será poupada de culpa.
Se não tivermos esse princípio em mente,
julgaremos erroneamente os indivíduos
mencionados na Torá, assim como o povo
judeu.
(Se observarem alguém de fora que entra
numa sinagoga em Yom Kipur e ouve todos os
judeus acusarem-se: "Ashámnu, bagádnu... /
Somos culpados, traímos D'us, roubamos,
pecamos com comida e bebida," e assim por
diante, teria a impressão de que acabara de se
deparar com uma congregação de ladrões,
traidores, glutões, bêbados e caráteres
similares. Contudo, alguém que conhece este
povo e sua Torá está ciente de que um judeu
confessa sinceramente, "Roubamos", mesmo
se jamais tocou em algo que não lhe pertença,
pois ele confessa os pecados do povo judeu
coletivamente porque se culpa de ter feito
alguém perder seu tempo, ou perturbado seu
sono.)
A dura crítica expressa contra Moshê e Aharon
é um típico exemplo do severo julgamento de
D'us com as pessoas grandes e elevadas.
A Torá conclui o assunto do pecado de Moshê
e Aharon com as palavras: "Estas são as
Águas de Discórdia, (assim chamadas) porque
os Filhos de Israel querelaram com D'us, e Ele
foi santificado por elas." (20:13)
Como D'us foi santificado através das Águas de
Discórdia?
A pena de morte de Moshê e Aharon
demonstra que D'us pune até mesmo os
maiores tsadikim. Esta conscientização
reforçaria o temor de cada um ao Todo
Poderoso.
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Moshê Envia Mensageiros ao Rei de Edom


Os judeus estavam agora em Cadesh, perto de
Edom. Após cruzar Edom chegariam em Israel.
Apesar de Moshê saber que morreria assim
que chegassem em Israel, não tentou fazer
com que os judeus demorassem o máximo
possível. Era um líder fiel, levando em conta o
melhor para o povo. Por isso, tentou convencer
Edom a permitir a passagem dos judeus.
À medida que se aproximavam, Moshê pensou:
"Quando Yaacov quis retornar à casa de seu
pai, ele mandou mensageiros especiais com
presentes para seu irmão, embora não tivesse
nenhuma intenção de atravessar sua terra.
Certamente nós, uma nação numerosa que
deseja passar por Edom, devemos enviar
emissários para apaziguar o rei e pedir sua
permissão."
Moshê selecionou pessoas especiais e enviou-
as ao Rei de Edom com a seguinte mensagem:
"Seu antepassado Essav (Esaú) estava
plenamente ciente do decreto que estabeleceu
que os descendentes do avô dele, Avraham,
seriam estrangeiros numa terra estranha, onde
trabalhariam como escravos. Vocês não
escolheram trabalhar arduamente e sofrer e se
separaram de Yaacov. Nós, os filhos de
Yaacov, sofremos por muitos anos no Egito,
até que D'us ouviu nossas súplicas, teve
piedade de nós e nos libertou da servidão.
Estamos agora a caminho de nossa terra.
Sabemos que vocês estão bem armados, mas
não tememos, porque nosso D'us é Todo-
Poderoso e temível. Se nós rogarmos a Ele e
pedirmos Sua ajuda, Ele destruirá a você e a
todo seu exército, porque nós temos Sua
garantia de que nossas orações nunca são
totalmente rejeitadas, elas jamais são
recusadas. Pedimos, rei de Edom, que nos
conceda permissão para passa por sua terra.
Nós o faremos com a máxima rapidez possível,
com nossos animais amordaçados, para que
eles não pastem nela. Compraremos toda a
nossa comida e água com dinheiro."
Por ter medo dos judeus, o rei não queria que
esta nação atravessasse Edom. Ele pensou: "O
D'us dos judeus destruiu os egípcios que os
escravizaram e os torturaram, castigando-os
com pragas terríveis. Ele certamente se lembra
do ódio que nosso pai Essav tinha do
antepassado deles, Yaacov. Se eu permitir que
atravessem a minha terra, com certeza Ele
também nos liquidará."
Portanto, o rei de Edom disse aos mensageiros
que proibia o povo de entrar na terra dele,
observando que não tinha medo de orações,
porque também possuía uma garantia divina de
que "viveria pela sua espada". Ele os
receberia com suas forças armadas e os
destruiria totalmente.
Quando recebeu esta mensagem dos homens
que haviam retornado, Moshê teve vontade de
atacar os edomitas e de entrar em sua terra à
força, mas D'us o impediu. "Não lutem contra
Edom. Não devem conquistá-los, ainda não é o
momento oportuno."
Moshê perguntou que mérito especial possuía
Edom para merecer esta proteção. D'us
respondeu: "Essav honrou seu pai Yitschac.
O mérito desta grande mitsvá é suficiente
para proteger seus descendentes para
sempre."
Os judeus saíram de Edom, deram a volta e
fizeram um caminho mais longo para Israel.
Depois, enviaram mensageiros ao rei de Moav,
pedindo permissão para passar pelas Terras. O
rei de Moav, porém, negou-lhes passagem.
D'us também não deixou que guerreassem
contra Moav.
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Aharon Falece em Hor Hahar


A Nuvem de Glória permaneceu durante
diversos meses em Cadesh, na fronteira da
terra de Edom. Então, essa levantou-se e
dirigiu os judeus por um desvio contornando a
terra de Edom. Ela descansou na frente da
montanha Hor Hahar.
O nome Hor Hahar significa "montanha da
montanha." Era na verdade um monte sobre
o topo de outro, parecendo uma pequena
maçã no topo de uma grande.
Geralmente, a Nuvem de Glória aplainava
todas as colinas e montanhas no deserto, de
modo que o povo judeu pudesse viajar num
caminho suave e sem obstáculos. No entanto,
D'us deixou três montanhas de pé:
 O Monte Sinai, para a outorga da Torá.
 O monte Nevô, para ser o local do túmulo
de Moshê.
 Hor Hahar, para se tornar o local do enterro
de Aharon.
D'us preservou essas montanhas também
como um lembrete de que haviam muitas
montanhas parecidas no deserto. Os judeus
então apreciariam a bondade que o Todo
Poderoso fez em prol deles ao nivelar as
montanhas.
Ao chegarem a Hor Hahar, D'us anunciou a
Moshê: "Aharon se unirá a seu povo. Sua
alma se juntará a de outros tsadikim no
Mundo Vindouro.
"Informe gentilmente a Aharon que está prestes
a partir deste mundo, pois pecou nas Águas de
Discórdia. Seu filho Elazar o sucederá como
Sumo-sacerdote. Alguém que deixa um filho
que toma seu lugar é considerado como se
não tivesse falecido."
Ao receber as ordens de D'us, Moshê suplicou:
"Mestre do Universo! Aharon não pode ficar
vivo no lado leste do Jordão?"
"Impossível," replicou o Todo Poderoso. "O fato
dele ficar vivo impede os judeus de entrarem
na Terra. Você deseja que ele viva a este
custo?"
Moshê ainda continuou a rezar: "Mestre do
Universo," implorou ao Todo Poderoso, "Como
posso dizer a meu irmão: 'Sua hora chegou?'"
D'us replicou: "É uma honra para ele ser
informado por ninguém mais a não ser
você. Diga-lhe: 'Quão afortunado você é,
pois eu e seus filhos lhe assistimos em
seus últimos momentos. (Quem cuidará de
mim [Moshê] quando estiver prestes a
morrer?) Além disso, seu filho tomará seu
lugar (e o meu não)."
"Mais que isso, Aharon não morrerá através do
Anjo da morte. Quando Aharon arriscou sua
vida queimando incenso no meio do povo a fim
de deter a praga, Eu decretei que o Anjo da
Morte não terá poder sobre ele. Eu Mesmo
recolherei sua alma."
Ao perceber que o decreto de D'us era
irrevogável, Moshê obedeceu sem demora.
Na manhã seguinte, ele rendeu honras públicas
a Aharon. Em vez de andar até o Tabernáculo
na formação usual - Aharon à direita, Elazar à
esquerda, os líderes flanqueando-os pelos dois
lados, e o povo entre eles - Moshê disse a
Aharon que andasse no centro, onde em geral
Moshê anda.
O povo estranhou o porquê de Aharon receber
honra especial. Supuseram que Aharon
recebera profecia em vez de Moshê.
Quando o cortejo chegou ao Tabernáculo.
Aharon quis entrar para realizar o Serviço
matinal diário.
"Espere," disse Moshê. "D'us ordenou que você
não realize o Serviço hoje."
"O que Ele ordenou?" - perguntou Aharon.
"Subamos ao Hor Hahar, e eu lhe direi,"
retrucou Moshê.
Ao sopé da montanha, Moshê ordenou aos
nessiim (líderes das tribos) que esperassem.
Apenas ele, Aharon e Elazar subiram.
Aharon indagou novamente: "O que D'us
ordenou?"
"Meu irmão," introduziu Moshê o assunto
cuidadosamente, "você está consciente de
guardar um depósito que o Todo Poderoso
pode querer de volta?"
"Meu irmão Moshê," replicou Aharon, "O
Tabernáculo inteiro e seus utensílios sagrados
estão sob minha responsabilidade. Será que
falhei no Serviço?"
Moshê tentou uma aproximação mais direta: "O
Todo Poderoso confiou-lhe uma luz?" -
perguntou a Aharon.
"Não apenas uma," replicou Aharon, "Todas as
sete luzes da Menorá são de minha
responsabilidade."
"Isto não é o que quero dizer," disse Moshê.
"Talvez Ele confiou-lhe algo que se parece com
luz?"
"A alma do homem é a vela de D'us." (Mishlê
20:7), replicou Aharon. "Você está insinuando
que a hora de meu passamento chegou?"
"Sim," disse Moshê, colocando a mão no
coração e gritando: "Meu coração dói e sofre
dentro de mim, e o temor da morte caiu sobre
mim." (Tehilim 55:5).
No topo da montanha uma caverna estava
preparada, e nela uma cama e uma vela acesa.
D'us instruiu Moshê: "Transfira os trajes
sacerdotais de Aharon a seu filho Elazar, que o
sucederá como Sumo-sacerdote." Quando
Moshê ouviu a ordem, não sabia como agir. É
proibido vestir o Sumo-sacerdote em qualquer
outra seqüência a não ser a prescrita: primeiro,
as roupas de baixo; e depois as outras. A fim
de vestir Elazar na ordem correta, deveria
despir Aharon de todas as suas roupas,
inclusive as de baixo.
"Não tema," disse D'us a Moshê, "Faça, e Eu
farei minha parte."
Os milagres que D'us realizou para Aharon
quando este estava prestes a falecer foram
maiores que os da vida inteira de Aharon.
Toda vez que Moshê removia uma das
túnicas sacerdotais de Aharon, encontrava-
o vestido por baixo com um traje Celestial
correspondente, de maneira que o corpo de
Aharon nunca ficou nu. Depois que Moshê
despiu todos os oito trajes sacerdotais,
Aharon vestia oito trajes Celestiais
correspondentes.
Então Moshê disse a Aharon: "Deite-se no
divã!" Aharon assim o fez.
"Feche os olhos," ordenou Moshê. Aharon
fechou-os.
"Estique as pernas!" - mandou Moshê. Aharon
obedeceu.
A Shechiná desceu, e a alma de Aharon foi
atraída em sua direção com alegria e júbilo,
retornando lentamente a sua origem.
Sendo que a partida da alma através de "um
beijo Divino" é um espetáculo sagrado e
solene, a alma de Aharon partiu isolada numa
caverna. Ninguém, exceto Moshê e Elazar
podiam observar a grande cena.
Moshê exclamou: "Quão afortunada é a pessoa
que falece desta maneira!"
Mais tarde, D'us concedeu o desejo de Moshê,
de experimentar esta morte.
O Anjo da Morte não teve poder sobre seis
tsadikim, cujo passamento deu-se através
de "um beijo Divino":
 Avraham
 Yitschac
 Yaacov
 Moshê
 Aharon
 Miriam
O Todo Poderoso ordenou então a Moshê e
Elazar: "Agora deixem a caverna." Assim que
saíram, a entrada se fechou.
Quando Moshê e Elazar retornaram, o povo
não conseguia compreender o que acontecera.
Viram três pessoas ascenderem à montanha, e
agora só duas estão descendo.
Todos os tipos de rumores e desconfianças
acerca do destino de Aharon foram levantadas.
"Onde está Aharon?" - inquiriram Moshê.
"Ele faleceu," respondeu Moshê.
Esta afirmação encontrou descrença total. O
povo disse ameaçadoramente a Moshê: "Não
nos diga que o Anjo da morte tinha poder sobre
Aharon, que o controlou e impediu-o de matar
os judeus! Traga Aharon de volta
imediatamente, ou o apedrejaremos!"
"Conhecemos seu caráter irascível. Aharon
deve ter dito ou feito algo que você considera
pecaminoso, e você decretou-lhe pena de
morte!"
A falsa suspeita lançada sobre Moshê invocou
o castigo do Céu. Imediatamente depois, os
judeus foram atacados por Amalec.
Moshê orou a D'us para ficar livre de suspeitas.
O Todo Poderoso ordenou aos anjos que
trouxessem o caixão de Aharon e mostrassem-
no ao povo. Tiveram uma visão do caixão de
Aharon flutuando no ar. Por conseguinte,
aceitaram sua morte.
O luto por Aharon foi pesado. Durou trinta
dias e incluiu todos os membros da nação;
homens, mulheres e crianças.
Os céus também se enlutaram. D'us e Suas
Hostes Celestiais fizeram sua elegia,
proclamando: "A Torá da Verdade estava
em sua boca, e a iniqüidade não se
encontrava em seus lábios; ele andou
Comigo em paz e retidão. Pois os lábios do
cohen [Aharon] guardavam conhecimento e
eles buscavam Torá de sua boca, pois era
como um anjo do Eterno das Hostes."
(Malachi 2:6-7).
Por que Aharon foi tão vastamente pranteado?
Aharon gozava de enorme popularidade, pois
amava a paz e perseguia a paz.
Enquanto andava através do Acampamento,
cumprimentava qualquer judeu que via com um
amplo sorriso e palavras calorosas, mesmo se
a pessoa fosse um perverso. Imediatamente,
qualquer pessoa que cometera, ou estava
prestes a cometer um pecado, pensava: "Por
que Aharon (o Sumo-sacerdote, o maior
dignitário dos judeus) cumprimentou-me?
Obviamente, pensa que sou um tsadic."
Envergonhado por seu verdadeiro caráter não
encaixar-se na imagem percebida por Aharon,
a pessoa resolvia melhorar seus caminhos.
Sempre que Aharon ouvia que dois judeus
discutiram, visitava um deles e dizia: "Sabe o
quanto seu antigo amigo está arrependido de
não se dar mais bem com você? Está sentado
em casa, batendo no peito com o punho e
rasgando as roupas de arrependimento, por
causa da discórdia entre vocês dois, mas está
envergonhado demais para lhe dizer!"
Aharon então visitava o outro amigo, dizendo-
lhe as mesma coisas. Da próxima vez que se
encontravam, abraçavam-se, beijavam-se e
uniam-se novamente, reatando a amizade.
Se Aharon ouvisse acerca de uma rixa entre
marido e mulher, não descansava enquanto
não os tivesse reconciliado. Como Aharon
resolvia desavenças entre marido e mulher?
Caso ficasse sabendo que alguém brigara com
a esposa e a expulsava de sua tenda, ia até ele
e dizia: "Soube que você quer divorciar-se.
Pense bem, talvez você não encontre uma
melhor! Talvez sua futura esposa o fará
lembrar constantemente que você foi o
culpado, que você está sempre provocando
brigas, como fazia com a primeira esposa. É
melhor fazer as pazes e contentar-se com a
situação." As palavras sinceras de Aharon
tocavam profundamente o homem zangado e
acalmavam seus sentimento de irritação.
Cada vez que Aharon fazia as pazes entre
marido e mulher, o casal dava o nome de
Aharon ao filho nascido após sua reconciliação.
Foram esses meninos que renderam as
maiores honras ao irmão de Moshê, que só
nasceram porque Aharon conseguiu reunir
seus pais. Oitenta mil crianças chamadas
Aharon acompanharam o esquife de Aharon,
que eles viram se movendo no céu.
Aharon faleceu com a idade de 123 anos, a
primeiro de Av de 2488 (1312 AEC). Até o
dia de hoje, ninguém conhece o local exato
dos túmulos de Moshê e Aharon. O Próprio
D'us juntou-os a Si.
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Amalec Ataca o Povo Judeu e é Derrotado


Durante a vida de Aharon, as Nuvens de Glória
protegiam o povo judeu, pelo seu mérito.
Quando ele faleceu, as Nuvens
desapareceram. Por não terem mais a
proteção das Nuvens, a arca preenchia a
função das Nuvens, matando as cobras e
escorpiões por onde os judeus passavam.
Enquanto as Nuvens cercavam o
Acampamento de Israel, as outras nações
temiam atacá-los. Os amalequitas eram antigos
inimigos de Israel, que esperavam uma
oportunidade para atacar. Diziam: "Ataquemos
os judeus. Moshê e Elazar estão de luto, os
judeus choram, e já não há Nuvens de Glória
para protegê-los."
Os amalequitas mobilizaram seu exército e
atacaram o povo judeu.
Amalec é Derrotado
Amalec temia que os judeus rezassem a D'us
para que o derrotasse; por isso, resolveram
enganar os judeus.
Eles falaram entre si no idioma canaaneu,
esperando que o povo judeu pensasse que
eram canaanitas. Assim, rezariam para que
D'us os salvasse dos canaanitas, enquanto que
eles, os amalequitas, é que atacariam.
Mas o estratagema não logrou. Apesar de
falarem o idioma canaaneu, os judeus
reconheceram sua indumentária amalequita.
Os amalequitas tiveram êxito em seu ataque, e
capturaram uma escrava. Os judeus
assustaram-se e recuaram oito posições. Eles
rezaram: "Por favor, D'us, entregue esta nação
em nossas mãos." Não citaram o nome da
nação, pois não estavam certos de contra
quem lutavam. Também prometeram: "Se
vencermos esta guerra, não usufruiremos dos
despojos, doaremos tudo a D'us."
D'us aceitou a oração do povo judeu. Eles
venceram os amalequitas, e santificaram a D'us
com todos os pertences de Amalec.
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Os Judeus Altercam-se Sobre o Maná


Quando os judeus chegaram às terras de
Edom, encontravam-se tão perto de Israel que
bastaria atravessá-las que chegariam à Israel
imediatamente. Mas o rei de Edom não
permitiu que os judeus atravessassem o país.
Por isso, Moshê e o povo judeu ainda andariam
muito para chegar até lá.
O êrev rav e os que não eram tsadikim
reclamaram: "Quando terminará esta
peregrinação pelo deserto? Já dura quase
trinta e oito anos Moshê, por que você nos tirou
do Egito para morrer no deserto? Aqui só tem
maná! Está certo que o sabor é ótimo, mas a
aparência é sempre a mesma. Que monotonia!
A maná é muito leve, não fica em nossos
estômagos, e não há desperdício. Como isto
pode ser saudável?"
D'us disse: "Tudo o que faço por este povo é o
melhor para eles, mas são mal-agradecidos.
Falaram mal até da maná." Ouviu-se uma voz
do céu: "Escutem! Tirei o povo judeu do Egito e
dei-lhes a maná. Podem ter na maná o sabor
que quiserem. Vejam o exemplo da serpente!
Tudo o que ela come tem sabor de pó, mas
ela nunca protesta. Que a serpente puna os
que reclamam da maná, que possui tantos
sabores diferentes."
O deserto estava repleto de serpentes
venenosas. Até agora, as Nuvens e a arca
haviam protegido o povo das serpentes
milagrosamente, ninguém havia sido picado por
elas. A partir desse momento, D'us permitiu
que as serpentes os picassem. Elas mordiam
os pecadores. Alguns ficaram doentes por
causa do veneno, outros morreram.
O povo judeu percebeu seu erro, e dirigiu-se a
Moshê: "Erramos ao falar contra você e contra
D'us. Por favor, peça a D'us que elimine as
serpentes."
Moshê orou pelo povo e perdoou-o
imediatamente por tê-lo criticado.
A Cobra de Cobre
D'us disse a Moshê: "Faça uma serpente de
cobre e coloque-a no alto de um mastro. Quem
for mordido por uma cobra olhará para a cobra
de cobre e será curado." Moshê assim fez.
Todo judeu que olhava para a cobra de cobre
fazia teshuvá e curava-se das picadas
venenosas.
Olhar para a cobra lembra ao povo: "Façam
teshuvá pelo seu lashon hará (maledicência).
Não façam como a serpente do Paraíso, que
falou contra D'us!"
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Artigos
Artigos Sobre a Parashat Chucat

Bater na Pedra Era Tão Importante?


Por Mendel Kalmenson
Talvez pudéssemos ver a escolha de palavras
de Moshê como um indicador de que, devido à
sua falta de conhecimento do processo de
pensamento do seu povo, não era ele quem
deveria liderar o povo para a próxima fase de
seu destino.
Por Mendel Kalmenson

Uma questão de percepção


O Professor Herman Branover é um físico
russo-israelense e educador judaico, conhecido
na comunidade científica como pioneiro no
campo de magneto-hidrodinâmica. No decorrer
dos anos, Branover traduziu para o russo
algumas das obras fundamentais do Judaísmo.
À certa altura de sua extensa carreira ele
decidiu traduzir uma clássica introdução ao
Judaísmo do afamado romancista Herman
Wouk, intitulada “Este é o Meu D'us”.
Antes de fazê-lo, ele teve oportunidade de
visitar o Rebe para uma audiência privada. Um
dos assuntos que ele abordou foi seu plano de
traduzir o livro para o russo. Ele mostrou ao
Rebe uma cópia em inglês do livro, cuja capa é
assim:
ESTE É MEU
D'US
HERMAN
WOUK
O Rebe engasgou e disse: “Este é meu D'us,
Herman Wouk?” Então continuou seriamente:
“Com permissão do Sr. Wouk, eu encorajaria
você a mudar o título. Há uma possibilidade,
embora remota, de que um judeu russo
ignorante sobre religião possa confundir o autor
pelo tema do livro.”1
Acesso Negado
Não é confortável ver uma querida figura de
autoridade implorando algo. É ainda mais difícil
testemunhar sua rejeição. Porém, é o que
presenciamos no final dos Cinco Livros de
Moshê, quando ele implora a D'us para que
lhe permita entrar na Terra Santa e seu
pedido é negado.
A desolação de Moshê ao ouvir seu destino
está bem documentada no Midrash.2
A pergunta tem sido feita mil vezes. Por que é
negado a Moshê entrar na Terra Santa? Por
que D'us rejeita o único pedido pessoal de
Moshê a ser registrado na Bíblia?3
Com devoção, ele levou os israelitas durante
seu acidentado passeio de montanha-russa até
a nacionalidade. Ele passou o inferno com eles,
do Egito ao Sinai, e mesmo assim ele estaria
ali para testemunhar o triunfo deles ao chegar
no fim da estrada.
Entre Uma Pedra e um Precipício
Um apanhado da história relatada na Parashá
Chucat:
Após viajar durante quarenta anos pelo
deserto, o povo de Israel chegou a Kadesh no
Deserto de Zin, na fronteira da Terra Santa. Lá
chegando, o povo descobriu que não havia
água em Kadesh, e reclamaram a Moshê: “Se
pelo menos tivéssemos morrido,” disseram
eles, “quando nossos irmãos morreram diante
de D'us! Por que você trouxe a congregação de
D'us a este deserto, para morrer aqui, nós e
nosso rebanho? Por que nos tirou do Egito –
para trazer-nos a este lugar cruel?”
Moshê clamou a D'us, que o instruiu a “pegue o
cajado, reúna o povo, você e seu irmão
Aharon. Vocês devem falar com a pedra diante
dos olhos deles, e ela lhes dará água.” Quando
todos estavam reunidos na frente da pedra,
Moshê dirigiu-se a eles: “Escutem, seus
revoltosos! Traremos água para vocês a partir
dessa pedra.” Moshê ergueu a mão e bateu
duas vezes na pedra com seu cajado. A água
jorrou, e o povo e o rebanho beberam.
Então D'us disse a Moshê e Aharon: “Como
vocês não acreditaram em Mim, para
santificar-Me perante os olhos dos Filhos de
Israel, vocês não levarão esta congregação
até a terra que Eu dei a eles.”
Esses são os fatos apresentados. Sua
interpretação é menos objetiva. Qual foi
exatamente o crime de Moshê? Por que D’us
foi tão severo com Seu leal servo por cometer o
que parece ser uma pequena ofensa?
Os comentários oferecem várias respostas.
Vamos ver uma delas. Nachmânides4 explica
que Moshê errou ao dizer para o povo:
“Traremos água para vocês a partir dessa
pedra.” palavras que parecem sugerir que
extrair água de uma rocha é algo que Moshê
faz, e não D'us.
Ora, obviamente, isso não é o que Moshê
acreditava – afinal, ele era o mais leal servo de
D'us, e o maior profeta que já viveu. Mas isso
não significa que seus ouvintes não
entenderiam mal suas palavras.
Eis o que aconteceu com Moshê. Ele possuía
duas qualidades que quando reunidas
produziam um efeito colateral que atrapalhava.
Ele era um homem de verdade inequívoca e,
paradoxalmente, via os habitantes do mundo
sob um lugar ideal – como deveriam ser, mas
não necessariamente como eram. Assim, às
vezes ele tinha dificuldade para entender e
antecipar as fraquezas e limitações humanas.
Por exemplo, nesse caso ele simplesmente não
imaginou a possibilidade de que suas palavras
pudessem ser entendidas como uma
declaração de que ele agia independentemente
de D'us.
Além disso, por causa da sua suprema
integridade, ele se preocupava mais sobre o
que precisava ser dito do que como suas
palavras pudessem ser recebidas. Sob a
perspectiva de Moshê, no momento em que um
líder começa a pensar sobre como suas
palavras são recebidas pelas pessoas que ele
lidera, ele estreita a lacuna entre seu processo
de pensamento e o delas, e ao fazê-lo ele
comprometeu aquilo que o torna merecedor da
liderança – ou seja, a capacidade de ver as
coisas sob um local mais elevado e mais
objetivo que o homem comum. [Num certo
sentido, então, Aharon foi o maior
complemento e ponto de equilíbrio de Moshê.
Antes de mais nada, ele entendia a fraqueza
humana, e trabalhava para ajudar as pessoas
no seu atual estado de imperfeição. Em
segundo lugar, e talvez por causa disso, ele
incorporava o atributo da paz, que com
frequência somente é atingido com o
comprometimento.]
Entender a natureza da perpectiva purista de
Moshê, e sua inocência comprovada sobre os
riscos da percepção, esclarece a decisão de
D'us de impedir Moshê de levar o povo até a
Terra Prometida.
Uma Mudança de Perspectiva
O misticismo judaico vê a jornada do Sinai a
Canaã não apenas como uma mudança de
cenário, mas como uma mudança de missão e
mentalidade.
O estilo de vida dos israelitas no deserto era de
natureza espiritual. Seu objetivo era fortalecer a
vitalidade espiritual e a constituição dessa
nação nascente, encarregada de ser uma luz
entre as nações. Todas as suas necessidades
físicas eram providas por D'us, para liberá-los
de distrações do estudo e prece. Poderia haver
um estado de existência mais idílico (adj. Que se pode
referir a idílio; que possui caráter de idílio. Figurado. Que faz lembrar o idílio;
que é muito suave, terno, maravilhoso, utópico, fantasioso etc.
(Etm. idílio + ico))

que esse?
Canaã, porém, seria diferente. Haveria
necessidade de lutar guerras, trabalhar a terra
e engajar-se no comércio. A festa estaria
terminada.
Os israelitas entrariam no “mundo real” em toda
a sua feiúra. Portanto, precisavam de um líder
que tivesse intimidade com um mundo cheio de
defeitos, que conseguisse avaliar as
fragilidades da natureza humana. Essa
perspectiva lhe permitiria lidar com um povo
imperfeito a ponto de enfrentar desafios
maiores que nunca, e isso o ajudaria a auxiliar
a transição de seu povo para uma nova
realidade e um novo papel.
Talvez, então, pudéssemos ver a escolha de
palavras de Moshê em Kadesh – seu uso de
“nós” em vez de “Ele” – menos como um
pecado contra D'us e mais como um indicador
de que, devido à sua falta de conhecimento do
processo de pensamento do seu povo, não era
ele quem deveria liderar o povo para a próxima
fase de seu destino.
Em vez de considerar a exclusão de Moshê da
Terra como um castigo severo, deveríamos vê-
lo como a conclusão lógica que resultou da sua
abordagem à liderança.
No deserto, Moshê se deu ao luxo de tentar
transformar a maneira de pensar do povo na
sua própria; mas em Canaã, onde eles seriam
dominados pelos desafios do materialismo,
quem quer que os liderasse precisaria aprender
intimamente seu processo de pensamento, se
quisesse guiá-los efetivamente.
O que há nisso para mim?
Em uma ou outra capacidade, somos todos
líderes e comunicadores, influenciando outros
pelas nossas palavras e ações, Diz o ditado
“Percepção é realidade”. Em outras palavras,
na maioria das vezes não é aquilo que dizemos
ou fazemos que causa impacto nos outros, mas
a maneira de nossas palavras e ações serem
entendidas pela nossa plateia. Não basta dizer
coisas boas; devemos dizer as coisas certas,
ou assegurar que dizemos as coisas boas da
maneira certa. No mundo real, aquilo que
queremos dizer ou fazer é irrelevante.
Podemos ignorar o fato, ou adotá-lo. Podemos
subir ao desafio da comunicação, ou desprezar
nossa responsabilidade porque ela exige
raciocínio e esforço extras.
NOTAS
1.
Com a permissão do Sr. Wouk, e baseado em
sua sugestão, o título do livro foi mudado para
“Lembra do Teu Avô”.
2.
Veja Midrash Rabá, Tanchuma, e Yalkut
Shimoni ad loc.
3.
Devarim 3:23.
4.
Ad loc.
POR MENDEL KALMENSON
Rabino Mendel Kalmenson já viajou pela
Europa, Asia e América do Sul, visitando
judeus nos lugares mais remotos. Ele mora
agora em Crown Heights com sua esposa
Chanale, sua filha Geula e seu filho Dov.
Mendel é um editor no site judaico Chabad.org.
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Acima da Lógica
Com Permissão do Yachad
.
Com Permissão do Yachad

Entre os Chukim, mandamentos que não


possuem explicação racional, o mais intrigante
é o da Vaca Vermelha. Nem mesmo o Rei
Salomão, o mais sábio dos homens, podia
captar o raciocínio por trás do mandamento da
Vaca Vermelha, que purificava os impuros
ao mesmo tempo que tornava os puros
impuros.
Até os assuntos que estão ao alcance do
intelecto humano são, de fato, supra-racionais.
Afinal, a Torá é a sabedoria Divina. Do mesmo
modo que nenhuma criatura pode compreender
o Criador, é impossível para qualquer ser
criado entender Sua sabedoria.
O conhecimento deste assunto é básico para o
serviço espiritual de Torá e Mitsvot. O
cumprimento de todas as Mitsvot, tanto
racionais quanto supra-racionais, precisa ser
motivado por Cabalat Ol, aceitar sobre si o jugo
dos Céus e cumprir as Mitsvot porque D’us
assim decretou. Isto esta refletido no texto da
bênção redigida para todas as Mitsvot – “...e
Ele nos ordenou”. O mesmo é verdadeiro
quanto ao estudo de Torá.
Por isso a explicação lógica para o
Mandameno da Vaca Vermelha permaneceu
oculta até mesmo do Rei Salomão; era preciso
que ao menos um Mandamento da Torá
permanecesse no estado de Chuká, indicando
assim que o restante da Torá e Mitsvot eram
semelhantes na essência – também eram
Chukim. Mais ainda, se todos os assuntos de
Torá tivessem descido para um nível racional,
seria impossível cumprir Mitsvot com a
sensação de assim estar agindo simplesmente
porque expressam a Vontade do Criador. E
visto que realizar as mitsvot se limitaria a
compreensão racional, seria inviável para um
iehudi alcançar o nível de Messirut Nefesh,
auto-sacrifício total por D’us, um grau que
desafia e transcende as limitações do intelecto.
O trecho denominado Chukat começa
apresentando as leis para a purificação de uma
pessoa que ficou ritualmente impura por causa
do contato com um cadáver. Essa impureza é
chamada de Tum'at Met.
O Midrash conta o seguinte fato relacionado a
isso: Quando Moshê soube do grau de
impureza de tumá tamet, perguntou a D’us: “Se
a pessoa fica tão impura, como vai alcançar a
purificação?” Mesmo após D’us haver-lhe
respondido, “tomarão para o impuro oferenda
das cinzas queimada de expiação..., Moshê
ainda não estava inteiramente satisfeito e
perguntou a D’us: ”Isto realmente é
purificação?”
Por que Moshê ficou tão aflito com a
dificuldade de lograr a purificação de Tum'at
Met? Sabe-se que há diversos tipos de
impurezas, tais como Tum'at Zav e Tum'at
Metsorá que, em muitos aspectos, são até mais
severas que tumá tamet. Por que Moshê achou
que obter essa purificação específica seria tão
difícil?
Todas a outras impurezas rituais do iehudi
relacionam-se com um corpo vivo. Mesmo
impuro, ainda abriga uma alma que é
“realmente uma partícula de Hashem”. Como a
capacidade de D’us é ilimitada, logo dá para
entender que a alma pode retificar a impureza,
de modo que a pessoa acabará se purificando
(por ex., por meio de imersão em um micvê).
Contudo, este não é o caso de Tum'at Met,
em que a própria impureza é oriunda do fato
do corpo – havendo se apartado da alma -
ter cessado de viver; um corpo separado da
alma não passa de um objeto inanimado.
Portanto, Moshê ficou perplexo: “Como é
possível”, pensou, “a purificação de impureza
tão grave?” D’us o tranquilizou, dizendo: “Estas
são as leis da Torá”: a influência da Torá e das
Mitsvot é tão poderosa que pode realizar a
purificação, mesmo após a alma haver se
desligado do corpo.
Num nível mais profundo e esotérico: o aspecto
espiritual da impureza diz respeito a uma
imperfeição no relacionamento de um judeu
com D’us. Os judeus são considerados
“vivos” como resultado de sua adesão a
Ele. Quando um iehudi peca, este elo com
D’us é enfraquecido; fica, portanto, menos
“vivo” e torna-se impuro. O grau de
impureza aumenta na razão inversa de seu
relacionamento com D’us.
Mesmo havendo brecha séria no
relacionamento com D’us, o que torna a
impureza muito grave, desde que a conexão
não seja rompida, o iehudi conserva sua
capacidade inata de purificar-se novamente, ao
fortalecer seu compromisso com D’us, Sua
Torá e Mitsvot. Porém, quando um judeu
transgride tão gravemente a ponto de causar a
ruptura de sua ligação com D’us, provoca a
impureza de Tum'at Met.
Moshê ficou confuso quanto ao modo de
purificação de impureza tão grave. Não
conseguia entender como seria possível
alcançar a purificação. D’us resolveu essa
dificuldade, garantindo-lhe que o
relacionamento de um iehudi com D’us nunca é
rompido completamente. O vínculo inato de um
judeu com D’us e a influência de seu
cumprimento anterior de Torá e Mitsvot são tão
grandes que até mesmo Tum'at Met é possível
de retificação.
Baseado nas Sichot do Rebe

Leia também:
As Leis da Vaca Vermelha
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Águas da Discórdia
Por Yanki Tauber
Basicamente, D'us está acusando Moshê de
uma falha técnica. Em seus argumentos com
D'us, Moshê sente isso, na verdade dizendo a
D'us: "Tu me colocaste numa situação sem
saída!"
Por Yanki Tauber

O Preço da Liderança
Uma das passagens mais intrigantes da Torá é
aquela da história das "Águas da Discórdia",
após a qual D'us decretou que Moshê morreria
no deserto e não entraria na Terra de Israel.
Uma centena de gerações de eruditos de Torá,
começando com o próprio Moshê e
continuando com os sábios do Midrash, os
comentaristas bíblicos e os mestres
chassídicos, se debatem com este capítulo
enigmático. Neste momento, alguém está
escrevendo uma "Porção da Parashá" que
busca uma explicação do evento, ou pelo
menos uma lição derivada dele.
Mas primeiro vamos aos fatos (conforme
relatado em Bamidbar 20:1-13).
Após viajar durante quarenta anos no deserto,
o povo de Israel chega em Cadesh no Deserto
de Tsin, na fronteira da Terra Santa. Não existe
água, e o povo tem sede, e como eles
costumavam fazer em tais circunstâncias,
reclamaram a Moshê. Não é uma visão
agradável. "Se pelo menos tivéssemos
morrido" - vociferaram eles - "quando nossos
irmãos morreram perante D'us! Mas tu
trouxeste a congregação de D'us a este
deserto, para morrer aqui, nós e nossos
rebanhos? Por que nos tiraste do Egito - para
trazer-nos a este lugar cruel...?"
Moshê clamou a D'us, que o instruiu a "pegar o
cajado e reunir o povo, tu e teu irmão Aharon.
Fala com a pedra perante o povo, e ela dará
água." Quando todos estão reunidos perante "a
pedra," Moshê dirige-se ao povo: "Ouçam, seus
rebeldes! Tiraremos água dessa pedra para
vocês?" Moshê ergue a mão e golpeia duas
vezes a pedra com o bastão. A água brota, e o
povo e seu rebanho saciam a sede.
Em conseqüência disso, D'us diz a Moshê e
Aharon: "Como não acreditaram em Mim,
para santificar-Me perante os olhos dos
Filhos de Israel; portanto, não levareis esta
congregação até a terra que Eu dei a eles."
O que Moshê fez de errado? Qual foi o pecado
que acarretou um castigo tão devastador?
Os comentaristas esquadrinham o texto em
busca de pistas. Rashi (Rabi Shlomo Yitschaki,
1040-1105) diz que D'us instruiu Moshê a falar
com a pedra, ao passo que Moshê a golpeou.
Assim, ele deixou de "santificar-Me perante os
olhos dos Filhos de Israel" (extraindo água com
palavras teria sido um milagre mais notável).
Maimônides (Rabi Moshê ben Maimon, 1135-
1204) tem uma explicação diferente: A falha de
Moshê foi porque ele ficou irado e falou
duramente ao povo com essas palavras:
("Escutem, seus criadores de caso!").
(O mestre chassídico Rabi Levi Yitschac de
Berditchev (1740-1810) tem uma opinião
interessante sobre isso: As explicações de
Rashi e Maimônides, diz o Berditchever, são
dois lados da mesma moeda. Um tsadic não
somente é o mestre de seu povo como também
o mestre de seu ambiente. Estes dois papéis
estão entrelaçados, sendo que o último deriva
do primeiro. Se o relacionamento de um líder
com seu povo é harmonioso e repleto de
carinho, então o mundo físico, também, de boa
vontade libera seus recursos para o
favorecimento de seus objetivos. Porém se sua
influência é conseguida por intermédio de
palavras duras e de admoestação, então ele
achará necessário lutar contra a natureza a
cada vez e impor sua vontade pela força no
mundo físico.)
Nachmânides (Rabi Moshê ben Nachman,
1194-1270) encontra dificuldade nas duas
explicações. Se Moshê não deveria golpear a
rocha - argumenta ele - por que D'us diz a ele
para levar o cajado junto? A Torá repete este
fato, enfatizando ainda que "Moshê pegou o
cajado na presença de D'us, como Ele lhe tinha
ordenado." À luz das instruções de D'us a
Moshê numa ocasião anterior de extrair água
de uma pedra golpeando-a (veja Shemot 17:6),
não era razoável para Moshê presumir que o
cajado servisse para uma função similar neste
caso? (A menos que D'us o estivesse
colocando numa situação sem saída - mas
examinaremos este ponto mais tarde.) Quanto
à explicação de Maimônides, houve outros
exemplos nos quais a Torá nos diz (mais
explicitamente que neste caso) que Moshê
ficou irado, e por menos justificativa aparente.
Se nenhum castigo foi decretado naqueles
casos, por que agora?
Nachmânides oferece sua explicação: Moshê
errou quando disse ao povo: "Tiraremos água
dessa pedra para vocês?" - palavras que
podem ser vistas como implicando que extrair
água da rocha é algo que Moshê faz, ao invés
de D'us. No momento em que um líder
assume uma identidade sua e suas
realizações são pessoalmente atribuídas a
ele - no momento em que chega a
incorporar qualquer outra coisa que não a
identidade coletiva de seu povo e seu
relacionamento com D'us - falhou em seu
papel. (Nachmânides encontra apoio para esta
explicação nas palavras iniciais de D'us a
Moshê: "Porque não acreditaste em Mim..." -
sugerindo que esta foi uma falha de fé, ao
invés de um lapso de obediência ou uma
rendição à ira.)
Porém há um denominador comum nestas e
nas outras numerosas explicações oferecidas
pelos comentaristas: a implicação de que, seja
qual for o problema, esse não era realmente o
problema. Basicamente, D'us está acusando
Moshê de uma falha técnica. Em seus
argumentos com D'us, Moshê sente isso, na
verdade dizendo a D'us: "Tu me colocaste
numa situação sem saída!"
O texto apóia sua reclamação. Quarenta anos
antes, ocorrera o incidente dos "espiões", no
qual a geração que saiu do Egito e recebeu a
Torá no Sinai revelou-se como não estando
disposta e incapaz de progredir até o próximo
estágio do plano de D'us - entrar e tomar posse
da Terra Santa. Naquele tempo, relata a Torá,
D'us decretou que toda a geração (todos os
homens acima de 20 anos) morreriam no
deserto. Com a única exceção de dois homens.
"Exceto Calêv, o filho de Yefune e Yehoshua, o
filho de Nun" (os dois espiões que resistiram à
trama de seus dez colegas - Bamidbar 14:30).
Moshê, que ansiava entrar na Terra Santa com
cada fibra de seu ser, não foi culpado do
pecado dos espiões, portanto algum outro
pretexto precisava ser encontrado. Como "com
os justos, D'us é meticuloso até um fio de
cabelo," não era impossível achar um pretexto.
Porém D'us já determinara quarenta anos antes
que toda a geração - Moshê e Aharon incluídos
- não entrariam na terra. "Esta é uma trama que
planejaste contra mim," o Midrash cita Moshê
dizendo ao Todo Poderoso.
De fato, por quê? Se Moshê era inocente do
pecado de sua geração, por que foi decretado
que deveria partilhar de seu destino? Há um
pungente Midrash que oferece a seguinte
parábola:
Um pastor recebeu o rebanho do rei para
alimentar e cuidar, e o rebanho se perdeu.
Quando o pastor procurou entrar no palácio
real, o rei não permitiu. "Quando o rebanho
que lhe foi confiado for recuperado, você
será admitido."
O plano original era que os 600.000 que
Moshê tirou do Egito entrassem na terra.
Mas aquela geração permaneceu no
deserto. És o líder, disse D'us a Moshê. O
destino deles é teu destino.
Esta mensagem está implícita nas palavras de
D'us a Moshê logo após este golpear a pedra:
"... portanto, não levarás esta congregação até
a terra que Eu dei a eles." Disso o Midrash
deriva: "esta congregação" não levarás; aquela
congregação levarás. "Esta congregação" - a
geração que Moshê enfrentou perante a rocha -
não era a geração de Moshê. Sua geração fora
sepultada no deserto.
Quando eles entrarem na Terra, D'us está
dizendo a Moshê - e eles entrarão, quando a
Redenção Final redimir todas as gerações
da história - tu os levará até lá.
POR YANKI TAUBER
Yanki Tauber é editor de conteúdo de
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Vaca Vermelha
Qual é a sua importância?
A "vaca vermelha" (Pará Adumá) era um dos
elementos essenciais de purificação no Templo
Sagrado. Este animal é extremamente raro.
Todos seus pelos devem ser vermelhos, sem
exceção, e não pode ter carregado um fardo
nenhuma vez em sua vida.
Qual é a sua importância?

Pergunta:
O que é a Vaca Vermelha e qual é seu
significado?
Resposta:
A "vaca vermelha" (Pará Adumá) era um dos
elementos essenciais de purificação no Templo
Sagrado. Este animal é extremamente raro.
Todos seus pelos devem ser vermelhos, sem
exceção, e não pode ter carregado um fardo
nenhuma vez em sua vida. Quando uma vaca
como esta era encontrada, era sacrificada
próximo ao Templo, e suas cinzas, misturadas
em água e outros ingredientes, eram usadas
para purificar pessoas que ficaram ritualmente
impuras.
Aquele sobre o qual a água era jogada ficava
puro, porém aquele que jogava a água ficava
impuro, e teria que passar por um processo de
purificação. A mitsvá da "vaca vermelha"
encontra-se na categoria de "chukim -
dogmas", ou seja, as leis que não somos
capazes de entender. Existem preceitos que
cumpriríamos de qualquer maneira por serem
básicas da civilização humana, ou outras que
não cumpriríamos sozinhos, mas somos
capazes de entender um pouquinho de seu
imenso significado. Porém, a "vaca vermelha"
esta além de nossa capacidade de
compreensão, e a cumprimos por ser a Palavra
Divina, que com certeza tem um significado
muito especial.
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A Trilha de Fogo
Versículo 19:14
"Esta é a Torá (lei) do homem que morre em
uma tenda; Todo aquele que entrar na tenda, e
tudo que estiver na tenda, impuro será sete
dias."
A Torá somente é adquirida por aqueles que se
matam por ela nas tendas de estudo. (O Zôhar)

Isso aconteceu no inverno de 5558 ou 5559,


quando Rabi Menachem Mendel de Lubavitch
era um menino de oito ou nove anos. Toda
sexta-feira à noite, Rabi Shneur Zalman de
Liadi pronunciava um discurso de ensinamento
chassídico para um grupo seleto de discípulos.
O pequeno Mendel implorou para assistir, mas
o avô recusou.
A moradia de Rabi Shneur Zalman consistia de
duas casas de dois quartos, interligadas por
uma passagem. Em uma das alas, um grande
forno a lenha, usado para aquecimento e às
vezes para assar pão, estava colocado na
parede entre dois quartos. O forno abria-se
para um aposento externo, e também entrava
pelo quarto que servia como estúdio de Rabi
Shneur Zalman.
Certa sexta-feira, o Rebe estava pronunciando
seu discurso semanal no estúdio. Era uma
noite particularmente gelada, portanto um não-
judeu fora incumbido de acender o fogo. Por
alguma razão, ele não conseguia empurrar as
achas de lenha até o fundo do forno, portanto
arrumou o fogo perto da abertura do fogão. Em
virtude disso, o aposento externo começou a
encher-se de fumaça. Ele tentou então
empurrar a lenha mais para dentro, mas elas
não cediam. O pobre homem precisou começar
tudo de novo. Apagou o fogo, tirou para fora as
achas, perscrutando dentro do forno para ver o
que estava impedindo a lenha de entrar.
Seus gritos estridentes chamaram todas as
pessoas da casa. A sessão na sala de Rabi
Shneur Zalman foi perturbada: aqueles que
estavam na segunda casa também atenderam
correndo. Dentro do forno estava um menino.
Uma pequena lâmpada era a única fonte de luz
no aposento repleto de fumaça, portanto
demorou algum tempo até que a criança fosse
identificada como o neto do Rebe, o pequeno
Menachem Mendel.
Há algumas semanas, ele descobrira que podia
escutar as palavras do avô através das finas
paredes do forno. Toda sexta-feira à noite ele
se esgueirava para o fundo do forno e escutava
as palavras profundas e elevadas dos
ensinamentos do Rebe. E agora, devido ao
intenso frio, seu posto de escuta fora
descoberto.
A nora de Rabi Shneur Zalman. Rebetsin
Sheina, que na ocasião estava presente,
relatou:
"Quando tiraram o menino para fora do forno,
ele estava paralisado de medo. Minha sogra,
Rebetsin Sterna, gritou para meu sogro, o
Rebe: 'Veja só o que aconteceu! Para
estranhos você dá permissão de entrar, mas
quando seu próprio neto implorou, não
permitiu!' Meu sogro replicou: 'Ora, ora. Moshê
atingiu o Monte Sinai somente quando
contemplou o fogo - apenas então mereceu
que a Torá fosse outorgada através dele.
Somente se consegue a Torá com auto-
sacrifício...'"
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