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Aula 21

05/09/2012.

 Evicção (continuação)

CC, art. 447 – a evicção se aplica aos contratos onerosos e comutativos.

Na realidade, em princípio, a evicção se aplica apenas a contratos comutativos, porque o artigo


457 parece afastar a aplicabilidade da evicção em contratos aleatórios. Ao professor, não parece
inaplicável a evicção em todos os contratos aleatórios.

Exemplo: Eu adquiro um imóvel hipotecado com valor inferior ao de marcado. Nesse caso, é
evidente que o alienante responde pela evicção. Em geral a doutrina não faz essa ressalva. De
qualquer maneira, existem algumas regras especiais que permitem a evicção para além dos
contratos onerosos: art. 447 – art. 359 – 552, parte final - 845 – 1005 – 1939, III – 2024 – 2026.
Esses três últimos dispositivos destacam a evicção no direito sucessório.

Cabe a aplicação da evicção no caso de doação com encargo ou doação remuneratória?

É, no mínimo, sustentável que sim. É possível invocar por analogia o artigo 441, p. único,
combinado com o artigo 562. A doação remuneratória está prevista no artigo 540.

Art. 447, parte final: a evicção se aplica em hasta pública. Essa é uma novidade em relação ao
CC de 1916.

O CC diz que a evicção se aplica em hasta pública. Para que haja evicção é preciso que haja a
perda do bem ou a privação de alguma utilidade. O caso típico de evicção é a alienação a non
domino.

O art. 447 parte final merece ser interpretado sistematicamente com o artigo 1268, caput, que se
restringe a bens móveis. Esse artigo 1268 traz uma regra anômala no que se refere a alienação a
non domino de bem móvel: Se há uma aquisição a non domino em leilão, o arrematante fica
com a coisa, ele não perde a coisa. É uma exceção ao princípio geral, segundo o qual ninguém
pode transferir mais direitos do que tem. Essa exceção a regra geral vem em sintonia com a
teoria da aparência, princípio da boa-fé objetiva.

Se houver hasta pública de bem móvel, há uma regra especial do artigo 1268.

No caso de alienação a non domino, o alienante perde a coisa.

Outra questão importante que o legislador não enfrentou é a seguinte: quem responde pela
evicção em hasta pública? Se a responsabilidade se concentrasse na figura do executado, a
garantia pela evicção se esvaziaria. A primeira corrente, que é predominante na doutrina (Carlos
Roberto Gonçalves e Sílvio Venosa): reponde o devedor executado, se receber o saldo
remanescente, ou o credor beneficiado. O credor é o exequente. 2ª corrente: Araken de Assis –
Defende o regime de solidariedade passiva entre o devedor executado, o credor exequente e o
Poder Público. A justificativa é que é o Poder Judiciário que impõe a hasta pública. A hasta
pública não depende de manifestação de vontade do executado, é ato coativo. Posição
minoritaríssima. Tem uma terceira corrente interessante: Liebman, HT JR. A princípio, a
responsabilidade recai sobre o devedor executado e, subsidiariamente sobre o credor exequente.
A responsabilidade subsidiária do exequente não viria da alienação, ma,s da vedação ao
enriquecimento sem causa: art. 886.

Tem uma quarta corrente, isolada, do Alexandre Câmara: a aplicação da parte final do art. 447
não deve se separar da primeira parte do dispositivo. A primeira parte fala em contratos
onerosos. Ele defende que essa hasta pública não é a da fase de execução, do cumprimento de
sentença. Na verdade, para ele, a expressão hasta pública há de ser entendida como contratos
onerosos que pressupõem intervenção judicial. Exemplo: CC, art. 1112, III a V. Alienação de
imóvel de incapaz.

 Objeto da evicção

Quase sempre quando se fala em evicção, associamos o instituto à ideia de perda da


propriedade sobre uma coisa. O próprio CC parece sugerir essa interpretação,
associando a evicção à ideia de coisa. Ex.: Art. 449, p. único; 450, p. único; 451 e 457.
Só que o objeto da evicção é mais abrangente: envolve a perda de qualquer direito, ação
ou exceção.

Cessão a non domino do crédito – dentro dessa perspectiva mais ampla da evicção, é
possível aplicar a evicção nesse caso.

E se o sujeito adquire um imóvel sobre o qual recaiam limitações legais ou


administrativas? Exemplo: Sujeito desconhece a existência de uma servidão
administrativa; gabarito. O entendimento predominante é pela inaplicabilidade da
evicção nesse caso. RESP 407179. Posição do STJ, Pontes de Miranda e Araken de
Assis.

O que é evicção invertida? Na evicção invertida não há a perda do bem, mas a sua
aquisição através de título diverso. Exemplo: A vende um imóvel para B, por cem mil
reais. Só que o imóvel era de C. C falece e B era seu único herdeiro. Há evicção nesse
caso.

Cuidado para não confundir a evicção invertida com outra coisa: o A transfere para o B
um bem que pertence ao C, pai do A. O C falece e o único herdeiro é o A. Nesse caso,
aplicável o parágrafo 1º do art. 1268, pós eficacização da tradição. A aquisição
superveniente pelo alienante gera uma regularização superveniente da compra e venda a
non domino.

O CC de 1916 quando tratava da evicção, textualmente afirmava que a evicção decorria


de sentença judicial. Vários julgado do STJ, contra legem, passaram a admitir evicção
em decorrência de ato administrativo, por exemplo: apreensão policial. O CC atual não
mais traz tal restrição, não diz que a evicção resulta de sentença. Diante disso, é firme o
entendimento de que a evicção pode decorrer de sentença ou de ato administrativo:
RESP 1047822 e Ag Reg no Agravo 1165931.

É possível a exoneração pela evicção? As partes podem afastar a responsabilidade por


evicção? Colocado assim de maneira objetiva, tem regra explícita: art. 448. Tatnto o
vício redibitório como a evicção são decorrentes do negócio jurídico, podem as partes
afirmarem em sentido contrário.

Para o professor, é de duvidosa aplicação em contratos de adesão por força do artigo


424. Nos contratos de adesão são nulas as cláusulas que renunciam ao aderente direito
resultante do negócio.

Para a prova dissertativa, boa parte da doutrina sustenta que é preciso diferenciar a
exoneração genérica da exoneração específica. A exoneração genérica é a cláusula que
exclui a evicção sem se referir a qualquer situação fática. Já a exoneração específica é
aquela que exclui a evicção diante de determinada situação fática pré-acordada entre as
partes.

No caso de exoneração genérica, aplicável o artigo 449, que diz: não obstante a cláusula
que exclui a garantia contra a evicção, tem direito o evicto ao preço que pagou. Os
efeitos típicos da evicção são muito mais abrangentes; art. 550. Aplicável a parte final
do art. 449 e ainda o artigo 457, na cláusula específica ( o adquirente assume o risco da
perda jurídica).

Qual a diferença entre esbulho possessório e evicção? No esbulho possessório ocorre a


perda física, material do bem. Na evicção o que ocorre não é a perda física, mas, a perda
jurídica do bem. Há hipóteses em que a evicção importa não a perda do bem, mas a de
algum direito, é o caso de servidão administrativa.

CC, art. 448 – prevê a possibilidade de reforço da garantia contratual pela evicção. Em
tese, o contrato pode dizer que o alienante responde pelo valor do bem duas vezes.

Tem uma interpretação interessante desse artigo defendida pelo Sílvio Rodrigues e
Carlos Roberto Gonçalves. Esses autores defendem que esse reforço não pode gerar
lucro para o adquirente. Esse reforço não pode propiciar um efetivo ganho ao
adquirente, sob pena de enriquecimento sem causa. O objetivo contratual é reparação de
danos, jamais proporcionar lucros ao adquirente. Esses autores advogam, ainda, a
aplicação por analogia do art. 778.

Outro ponto importante são as consequências gerais da evicção: art. 450. O artigo 450
traz a liquidação do dano da evicção. Lembrar que a evicção se aplica a contratos
onerosos. Quando a evicção se aplica no direito sucessório, não há restituição do preço.
Outro ponto importante, é em relação ao parágrafo único: o preço será o do valor da
coisa na época em que evenceu, mas, o caput fala em restituição integral, não há
contradição? Duas correntes. A 1ª corrente defende que o p. único tem que ser
interpretado em harmonia com o caput. A desvalorização do preço não afasta a
desvalorização integral. (Carlos Roberto Gonçalves e Araken de Assis). 2ª corrente:
Tepedino e STJ, no RESP 748477 – valor da época em que evenceu com correção
monetária, seria o p. único uma exceção, uma regra especial em relação ao caput.

Para o professor, dá para sustentar que aquele que pratica uma alienação a non domino,
pratica um ato ilícito. Ao professor não parece razoável que aquele que pratica
alienação a non domino deva se beneficiar com eventual desvalorização do bem. É caso
de tu quoque.

O evicto responde pelo evictor pela indenização do preço. Cabe ao evicto promover a
restituição in natura do bem? Pode o alienante promover a restituição in natura do bem,
em favor do evicto? O Araken de Assis defende a literalidade do Código. Por uma
interpretação literal art. 450, o alienante não poderia impor ao evicto a restituição in
natura, porque o legislador prevê pretensão ressarcitória. O Pontes de Miranda já
defendia o contrário: é possível sustentar abuso do direito. O que propicia a recusa do
evicto, se injustificada, seria abuso do direito.

CC, art. 450:


I- Os frutos que o evicto foi obrigado a restituir. Arts. 1214 a 1216. O possuidor
de boa-fé tem direito aos frutos percebidos. Se o evicto for um possuidor de
boa-fé e devolve por liberalidade, porque quer, não pode exigir do alienante, só
dos frutos que foi obrigado a restituir. Outro exemplo de interpretação
sistemática desse artigo: 1214, p. único – os frutos pendentes devem ser
restituídos, depois de deduzidas as despesas de produção e custeio, tem que ser
levada em conta no direito de regresso em face do alienante.

Questão potencial: O evicto se possuidor de boa-fé, não tem que restituir os


frutos devidos ao evictor. O evictor é o verdadeiro proprietário, a princípio
deveriam pertencer ao evictor. O evicto tem direito a eles. Mas, o evictor pode
exigir dos alienantes anteriores os valores devidos pelos frutos dos alienantes?
Para o professor, é sustentável. A doutrina não discute isso, mas, para o
professor é justificável.

II- Despesas do contrato e prejuízos que diretamente resultarem da evicção.


Exemplos: despesas com escritura, registro, imposto de transmissão, dentre
outros.
III- Custas e honorários de advogado por ele constituído. Trata das pretensões que o
evicto exerce em face do alienante? Não, esses são regulados pelo CPC. Trata
da demanda entre evictor e evicto. Esses valores que podem ser objeto de
direito de regresso em face dos alienantes anteriores. Para o professor,
abrangem honorários comerciais e contratuais.

CPC, arts. 20, p. 2º e 35 – multa por litigância de má-fé, o CPC manda


computar como custas. Não está no art. 450, III. Essa multa tem natureza
personalíssima e não poderá ser exigida pela via de regresso contra os
alienantes.

Diferença entre evicção negativa e evicção positiva.

Na evicção negativa, o sujeito se torna evicto se defendendo em demanda


movida por terceiro. Na evicção positiva, o sujeito se torna evicto sucumbindo
em ação por ele movida contra terceiro. Quase sempre a evicção é negativa.
Evicção positiva; o sujeito D se sente proprietário e acha que está sendo turbado
pelo dono verdadeiro. Ele move uma ação petitória e é sucumbente. Nesse caso,
o evicto é o autor, não o réu.

A evicção pode ser total ou parcial. Evicção parcial: art. 455. Quando há apenas
a privação de alguma utilidade sobre a coisa.

Diferenciar evicção parcial considerável da não-considerável. A expressão


considerável abrange o aspecto quantitativo e qualitativo.

É preciso avaliar no caso concreto o que é ou não considerável.

Parcial e considerável: rescisão do contrato ou abatimento do preço. Se não for


considerável, caberá somente direito à indenização. Não cabe rescisão se a
evicção parcial não for considerável. Ao professor parece que o art. 455 parte
final é uma hipótese positivada de adimplemento substancial.

Art. 456 – Essa expressão “ou qualquer dos anteriores” é uma exceção ao
princípio da relatividade, que se inspira na função social do contrato. Enunciado
29 do CJF.

O CC diz que para poder exercitar a evicção, o adquirente tem que fazer a
denunciação da lide. CPC, art. 70, I. A leitura do artigo 70 do CPC parece
sugerir que todas as hipóteses do artigo 70 seriam obrigatórias. Os próprios
processualistas reconhecem que não: como o CPC é uma norma instrumental,
ele não seria a sede adequada para trazer normas que gerariam a perda do
direito.

Na hipótese específica da evicção tem uma regra: art. 456 do CC. Para muitos,
a denunciação da lide só seria obrigatória no caso da evicção por conta do CC,
não do CPC.

Esse entendimento vem perdendo força. Hoje o que se sustenta é a necessidade


de uma interpretação sistemática entre os artigos 456 e 449. Não seria
justificável que numa hipótese em que as partes acordam pela não evicção, há o
direito ao preço que pagou. Muitos sustentam que a não denunciação da lide
atrai os efeitos do artigo 459. Perde alguma coisa, mas, não perde tudo. RESP
880698.

Tem um enunciado do CJF que é mais abrangente do que isso: Enunciado 434.
Para esse enunciado, há a possibilidade de reparação por via autônoma.

Sintonia com a vedação ao enriquecimento sem causa.

O artigo 456 não se aplica quando a evicção se dá por via extrajudicial.


Exemplo: ato administrativo. Também não se aplica no caso de ação positiva,
em que o evicto é o autor da ação.
Questão processual: O art. 70, I do CPC só prevê evicção em virtude de perda
da propriedade. Mas, a definição de evicção do direito material é mais
abrangente. Não se restringe à perda da propriedade. A dúvida é se o art. 70, I
se aplica em outras hipóteses que não a perda da propriedade? O tema é
controvertido. 1ª corrente: Aplica-se o art. 70, I por interpretação extensiva:
Venosa. 2ª : Araken de Assis, com mais razão, nessa hipótese, a denunciação da
lide seria facultativa.