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Experimento 1 - Biomateriais Metálicos

Professora: Dra. Mathilde Champeau


Flávia Gonçalves Lobo 11011713
José Gustavo C. Santiago 11030013
Lucas Szmgel Moda 11061713
Natalia C. B da Silva 11103913

Santo André
Março de 2018
A - Observação da estrutura de aço inox

1. Apresente as fotos das amostras e uma discussão das diferenças


encontradas entre cada uma das amostras, com base nas diferentes condições
de tratamento térmico empregadas (conforme mostrado na Tabela2) e sua
correlação com o fenômeno da corrosão intergranular nos aços inoxidáveis.
Explique as semelhanças e diferenças observadas. Os resultados obtidos foram
os esperados? Comente.

Figura 1: Amostra A - aço inoxidável F138

Figura 2: Amostra A - aço inoxidável ferrítico 439

Figura 3: Amostra B - aço inoxidável F138 com ampliação a) 500x b) 1000x

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Figura 4: Amostra B - aço inoxidável ferrítico 439 com ampliação de a) 500x b) 1000x

Figura 5: Amostra C - aço inoxidável F138 com ampliação de a) 500x b) 1000x

Figura 6: Amostra C - aço inoxidável ferrítico 439 com ampliação de a) 500x b) 1000x

Apesar da dificuldade para preparação de amostras, cada grupo ter avaliado


uma região diferente e ter utilizado um aumento diferente para cada variação em
estudo, foi possível realizar algumas observações que são apresentadas a seguir.
Comparando as amostras “A” e “B” das figuras 1 a 4 foi possível observar uma
maior susceptibilidade à corrosão dos aços inoxidáveis austeníticos quando
submetidos a um tratamento térmico com temperatura mais elevada. Já nas amostras
de aço inoxidável ferrítico não foi possível realizar a mesma observação.
A corrosão intergranular se dá através da precipitação de carbonetos de
cromo nos contornos de grão, ao ocorrer a sensitização. Sendo assim, ao avaliar a
composição química dos dois aços inoxidáveis, é possível observar um menor teor

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de Cr e um teor de carbono ligeiramente menor no aço ferrítico, por tanto, apresenta
uma resistência à corrosão intergranular maior que o aço austenítico. Outro fator que
contribui para essa maior resistência à corrosão intergranular é a presença de Ti na
composição, pois o Ti compete com o Cr na formação de carbonetos. [1]
As imagens das micrografias obtidas no laboratório confirmam a maior
resistência à corrosão dos aços ferríticos, sendo que é necessária uma maior
temperatura para ocorrer a sensitização deste aço (aproximadamente 900ºC) em
relação ao aço austenítico (de 500ºC a 850ºC). Nas imagens é possível observar
estrutura mista (de acordo com norma ASTM A262), nas amostras de aço austenítico,
que foram aquecidas a 800ºC por 1h, porém nenhum grão foi completamente
contornado pela corrosão. Já nas amostras de aço ferrítico não foi possível observar
os contornos de grão com indícios de corrosão.[1][2][3][4]
As temperaturas de sensitização apresentadas acima confirmam o que foi
observado nas imagens obtidas: uma estrutura em degrau no aço inoxidável
austenítico aquecido a 675ºC e uma estrutura mista na amostra aquecida a 800ºC. Já
na amostra de aço inoxidável austenítico que foi aquecida a 800ºC por 5h é possível
observar estrutura do tipo vala em poucos grãos próximos à superfície, indicando que
o maior tempo favoreceu a sensitização desta amostra.

2. Discuta a microestrutura observada em função das aplicações dos aços


inoxidáveis no meio biológico.
Os aços inoxidáveis são largamente utilizados em aplicações biomédicas
devido sua alta biocompatibilidade e boas propriedades químicas e físicas tais como
alta resistência a fadiga, a corrosão e a fratura. Porém um empecilho que deve ser
levado em conta é o módulo de Young do metal, que não deve variar muito em relação
com o módulo de Young do osso, para evitar que o processo de “stress shield” ocorra,
ou seja, que o osso seja sobrecarregado de forma não homogênea, prejudicando a
performance a longo termo da prótese, caso que ocorre no aço inoxidável. [5][6]
Uma maneira de verificar a viabilidade do uso dos aços inoxidáveis é através
de testes de corrosão, uma vez que um alto nível de corrosão o tornaria inviável para
o uso em próteses biomédicas. No experimento foi realizado o teste com o ácido
oxálico, um método para identificar amostras com pouco tendência à corrosão
intergranular através da classificação das estruturas: estrutura em degrau (degraus
entres os grãos, com nenhuma vala nos contornos de grão), estrutura mista (valas
nos contornos de grão mas nenhum grão completamente circundado por valas) e
estruturas do tipo vala (um ou mais grãos completamente circundados por valas).[7]
Analisando as figuras 1-6, é possível verificar que o aço inoxidável F138 da
amostra C (800ºC, 5h) possui alguns grãos circundados por valas, o que revela que
a temperatura e o tempo acarretaram no fenômeno de sensitização, e a estrutura foi
mais corroída. Na amostra B, figura 3 (800ºC, 1h) é possível observar corrosões
localizadas (“pitting corrosion”) e estrutura mista, fato que sugere que o material
estava iniciando o processo de sensitização, pela alta temperatura a que foi
submetido, que foi amenizada devido ao relativo baixo tempo de exposição a essa

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temperatura. A amostra A figura 1 (675ºC, 1h), portanto, foi a que apresentou menores
índices aparentes de corrosão e seria a mais ideal para aplicações biomédicas.
Além disso, deve ser levado em consideração que o meio biológico é altamente
corrosivo, portanto é recomendado, dentre os aços inoxidáveis, aqueles com menor
teor de carbono, para que dificulte a precipitação dos carbetos de cromo nos
contornos de grão. Portanto, dos dois graus de aços inoxidáveis apresentados no
roteiro o mais recomendado é de grau 2, que apresenta menor teor de carbono. [8]

B - Ligas com memória de forma e superelasticidade

1. Descrevem o que acontece (ou deveria acontecer...) durante cada etapa do


tratamento térmico do arco ortodôntico NiTi a memória de forma.
O efeito conhecido como memória de forma é causado quando ligas que
possuem essa propriedade, tal como o Nitinol, passam por tratamentos térmicos e
sofrem uma mudança em sua estrutura cristalina conforme são aquecidos ou
resfriados. No caso do NiTi, a mudança de estrutura ocorre de uma estrutura cristalina
cúbica (austenita) para uma estrutura monoclínica (martensita).[9]
As propriedades das ligas com memória de forma estão diretamente ligadas
com as temperaturas e tensões as quais são submetidas. São definidas quatro
temperaturas importantes para o processo, representadas na figura 7 abaixo. [10]

Figura 7: Temperaturas características das ligas com memória de forma [10]

As e Af são a temperatura de início e final da austenita, respectivamente,


Enquanto Ms e Mf são as temperaturas de início e de fim da transformação
martensítica. O que a figura que mostrar, é que quando a liga se encontra na
temperatura As, tem-se o início da transformação austenítica, e ao chegar em Af, tem-
se uma estrutura formada 100% por austenita. Quando o material é resfriado, e a
temperatura Ms é atingida, tem-se o início da transformação martensítica, e da
mesma forma, quando Mf é atingida, tem-se uma estrutura formada 100% por
martensita.[10]
O que acontece com as ligas de memória de forma, tais como o Nitinol aplicado
na área ortodôntica, é a associação da deformação desse material abaixo da Mf,
seguida de aquecimento acima da Af. Essa mudança de fase ocorre entre duas fases

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sólidas que são capazes de reorganizar seus átomos na rede cristalina. A martensita
é uma fase que possui estrutura flexível, pouca simetria e estado livre de tensões e
pode ser induzida tanto por tensão quanto por temperatura.[10]

Figura 8: representação das mudanças na estrutura cristalina das ligas com memória de forma[10]

Esse efeito ocorre em temperaturas menores que As e quando encontra-se em


seu estado livre de tensões. Quando há carga de tensão acima do valor de tensão
crítica, a martensita começa a ser formada induzida pela tensão aplicada. Quando
aumenta-se a temperatura acima de As, tem-se a transformação de martensita em
austenita. Quando o material é resfriado para temperaturas em torno de Ms, ele
retorna a sua forma martensítica.[10]
Dessa forma, na aplicação do NiTi no arco ortodôntico, na primeira etapa de
resfriamento, tem-se uma estrutura martensítica, flexível e aplicando uma tensão, é
possível moldá-la na boca do paciente. Conforme a estrutura é aquecida, pelo próprio
calor da boca, há a transformação da estrutura de martensita para austenita,
tornando-se uma estrutura dura, que fará a correção necessária na arcada dentária.

2. Escolher o NiTi de memória de forma ou o NiTi superelástico e responder as


perguntas seguintes: descrevem como as propriedades desse material são
utilizadas em ortodontia para os arcos ortodônticos. Como o ortodonlogista faz
para adaptar o arco a morfologia do paciente? O que acontece durante as
semanas seguintes? Relacionam esse efeito com as propriedades da liga de
NiTi.

Algumas características são importantes para a escolha da liga ideal a ser


utilizada, dentre elas podemos citar:
● Boa maleabilidade a temperatura ambiente a fim de realizar de maneira fácil a
amarração;
● Ao ser ativado totalmente pelo calor bucal o material não pode sofrer mudança
decorrente a ligeiras variações térmicas;

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● Possuir um pequeno intervalo de transição de fase, com o intuito de possuir o
tempo suficiente para a amarração do arco e ao mesmo tempo ser ativo a
temperaturas da boca e inativo a mudanças ligeiras de temperatura.
O alto limite elástico, o baixo módulo de elasticidade (baixa rigidez) e a alta
resiliência são as propriedades únicas que fazem esses materiais serem utilizados
para o nivelamento e alinhamento dos dentes, ou seja, mesmo com aplicações de
grandes flexões, esses materiais são capazes de retornar ao formato original com a
aplicação de forças moderadas e uniformes, não sendo necessário a confecção de
alças, otimizando o tempo do profissional que está instalando o aparelho
ortodôntico.[12][13]

Figura 9 : A) Dentes desalinhados B) Arco de aço multilloop

Em contrapartida, a sua baixa conformabilidade e resistência a dobras não


permitem sua reconformação portanto, é necessário que estes fios sejam
comercializados em um formato pré-contornado.[11][12]
Ao adaptar o arco na morfologia do paciente o cirurgião dentista segue as
seguintes etapas:
1. Resfriamento do fio de NiTi até ultrapassar a temperatura de transição de fase;
2. Instalação do fio nos braquetes acoplados aos dentes do paciente;
3. O fio é termicamente afetado pelo calor da boca e haverá a transformação
gradual da fase martensítica para a austenítica, alterando a modelagem do fio
e resultando na movimentação dentária;
4. Nas semanas seguintes o fio de NiTi aplicará uma força moderada e constante
nos dentes gerada pela transformação de fase e retorno ao formato de origem.

Figura 10: - Fio de NiTi utilizado no alinhamento do arco dentário

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3. Escolher o NiTi de memória de forma ou o NiTi superelástico: Citam outra
aplicação e relacionam as propriedades destas ligas com a ação do implante
sobre a patologia.
O NiTi superelástico possui vasta aplicação no campo biomédico, pois sua
propriedade superelástica permite que os engenheiros da área biomédica tenham
maior liberdade no design de seus dispositivos em comparação aos materiais de liga
convencionais. Uma de suas aplicações pode ser vista na utilização na fabricação de
stents. Além de serem biocompatíveis, os implantes de nitinol ainda podem sofrer um
tratamento superficial que lhes confere uma camada passivadora de óxido de titânio,
a qual protege o dispositivo contra a corrosão.[9][13]
Os stents são dispositivos que possuem o objetivo de manter os vasos
circulatórios abertos, evitando que os mesmos contraiam e gerem problemas ao
paciente, dessa forma, devem suportar alto estresse mecânico. Por conta disso, o
Nitinol, é recomendado para tal utilização, uma vez que ele é capaz de lidar melhor
com essas situações devido às suas características de superelasticidade. Além disso,
esses materiais apresentam boa resistência à torção, o que também é requerido nos
stents. [9]

Figura 11: Stent e exemplo de aplicação na veia coronariana

Referências
[1] CARBÓ, H. M.; Aços inoxidáveis: aplicações e especificações. Acellor Mittal.

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[2] ASTM - American Society for Testing Materials. ASTM F 138 - 00 - Standard
Specification for Wrought 18 Chromium-14 Nickel-2.5 Molybdenum Stainless Steel
Bar and Wire for Surgical Implants.
[3] M. O. H. Amuda and S. Mridha, “An Overview of Sensitization Dynamics in
Ferritic Stainless Steel Welds,” International Journal of Corrosion, vol. 2011, Article
ID 305793, 9 pages, 2011.
[4] Austral Wright Metals, Sensitisation of Austenitic Stainless Steels. Disponível em:
<www.australwright.com.au/sensitisation-of-austenitic-stainless-steels/> Acesso em:
14/03/2018.
[5] Ren, Yibin & Yang, Ke & Bingchun, Zhang & Yaqing, Wang & Yong, Liang. (2004).
Nickel-free stainless steel for medical applications. Journal of Materials Science and
Technology -Shenyang-. 20. 571-573.
[6] Mariotto, Sabrina de Fátima Ferreira, Guido, Vanessa, Yao Cho, Liu, Soares,
Cristina Pacheco, & Cardoso, Kátia Regina. (2011). Porous stainless steel for
biomedical applications. Materials Research, 14(2), 146-154. Epub April 15, 2011.
[7] MARCHI, J. Aula prática 1 - Biomateriais Metálicos. Biomateriais - NAESZM032,
2017.
[8] CHAMPEAU, M. Aula 4 - Biomateriais metálicos. Biomateriais - NAESZM032,
2018.
[9] JOHNSON M., USA Nitinol for Medical Applications: A Brief Introduction to the
Properties and Processing of Nickel Titanium Shape Memory Alloys and their use in
Stents, Inc, 1070 Commercial St, Suite 110, California 95112
[10] CORRÊA FILHO, Luimar Nogueira. Efeito do tratamento térmico nas
propriedades mecânicas e térmicas de uma liga NiTi pseudoelástica. 2013. xii, 51 f.
Dissertação (Mestrado em Ciências Mecânicas)—Universidade de Brasília, Brasília,
2013.
[11] QUINTAO, Cátia Cardoso Abdo; BRUNHARO, Ione Helena Vieira Portella. Fios
ortodônticos: conhecer para otimizar a aplicação clínica. Rev. Dent. Press Ortodon.
Ortop. Facial, Maringá , v. 14, n. 6, p. 144-157, Dec. 2009.
[12]Gravina, M., Motta, A., Almeida, M., Quintão, C. Fios ortodônticos: propriedades
mecânicas relevantes e aplicação clínica. Revista Dental Press de Ortodontia e
Ortopedia Facial. 9. 113-128, 2004.
[13] A.R. Pelton, D. Stöckel and T.W. Medical Uses of Nitinol Duerig Nitinol Devices
& Components - Cordis Corporation, 47533 Westinghouse Dr., Fremont, CA 94539,
USA.