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O ABANDONO

À PROVIDÊNCIA DIVINA
P. J.P de Caussade, S. J
versão portuguesa de ACÁCIO CASIMIRO, S. J.

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LIVRARIA CRUZ BRAGA
O livrinho que hoje sai pela primeira vez em língua portuguesa, deve-se à pena de um dos mais
experimentados mestres de espírito da Companhia de Jesus na primeira metade do século XVIII, o P. João
Pedro de Caussade (+1750)
Nascido a 07-03-1675, entrou no noviciado da Província de Tolosa de França a 16-04-1693. Terminados os
estudos e feita a profissão solene a 15-08-1708, exerceu durante sete anos o magistério em Aurilac e Tolosa, e
em 1715 começou a sua vida de pregador discurrente no sul de França. De 1729 a 1731 esteve na Lorena,
entrando em contato com às religiosas da Visitação de Nancy, as quais nos conservaram a sua
correspondencia e o melhor do seu pensamento. Depois de breve ausência voltou novamente à Lorena em
1733, nomeado diretor da casa de Exercícios Espirituais de Nancy.
As perturbações políticas dessa época, se impediram o desenvolvimento da ação dessa casa, foram contudo
benéficas para as visitandinas, às quais o P. Caussade podia assim fazer mais freqüentes exortações, ao mesmo
tempo que ia solicitamente guiando os progressos na vida espiritual de várias dessas religiosas. Esta direção
dava não somente de palavra, mas também por escrito, respondendo ponto por ponto às dificuldades que lhe
eram propostas ou redigindo pequenos tratados, conforme a necessidade das almas que à sua direção se
confiavam.
O uso vigente na ordem da Visitação permitia aos membros das comunidades comunicarem entre si esses
escritos, que assim foram copiados várias vezes e reunidos em pequenos cadernos, os quais essas boas
religiosas se iam transmitindo como piedosa herança.
O tratado do Abandono à Providência Divina foi composto, ao que parece, de cartas dirigidas à Madre de
Rotten-bourg, eleita superiora do mosteiro de Nancy em 1738, e com fragmentos das exortações feitas a essa
comunidade.
Foi editado pela primeira vez em 1861, pelo conhecido teólogo P. Henrique Tamière, S. J, e acolhido com
extraordinária aceitação. Reeditou-se logo em 1862 e foi preciso fazer novas tiragens em 1863 e 1864. A 5ª
edição saiu em 1867, acrescentada com 128 cartas do P. Caussade e um «Discurso do editor sobre os
fundamentos e a verdadeira natureza da virtude do abandono, para explicar e defender a doutrina do P.
Caussade». Em edições posteriores foram-se ajuntando algumas cartas e avisos espirituais. Sob esta forma a
obra do P. Caussade continuou a conhecer o mesmo fervoroso acolhimento, tornando-se «clássica» nesta
matéria. Em 1928 aparecia a 21ª edição, e em 1930 os exemplares espalhados elevavam-se a perto de 80,000.
Para a versão portuguesa, servimo-nos da 25“edição abreviada (Paris 1952), na qual não aparecem as cartas
nem outros avisos espirituais do P. Caussade, mas se conserva o «Discurso» do editor e se dão em Apêndice
alguns pequenos tratados de Surin e de Bossuet e alguns atos de abandono em forma de oraçoes.

Na nossa edição pareceu-nos desnecessário conservar o «Discurso», e do Apêndice guardamos apenas o ato
dê abandono atribuído ao restaurador da Companhia de Jesus na Itália, S. José Pignatelli (1737-1811). Este
ato era recitado por Madame Elisabeth durante o seu cativeiro no Templo e parece ser da autoria do P.
Caussade.
Oxalá este livrinho, «obra genial», contendo «muitas páginas duma sublimidade, duma magnificência de vistas
e duma profundeza de sentimentos que arrebatam os que sabem compreende- las» (P. Hilaire, diretor das
Damas de Nazaré), encontre na nossa língua um êxito semelhante ao que tem sido na sua língua original.
Lisboa, 25 de Agosto de 1955
A. C.
LIVRO PRIMEIRO

Natureza e excelência da virtude do Abandono

Capitulo 1
 Toda a santidade dos justos da antiga lei, bem como a de S. José e a da própria Virgem
Santíssima, consistiu na fidelidade a vontade de Deus.

Deus fala, ainda hoje, como falava a nossos pais, quando não havia diretores nem métodos. A fidelidade à
vontade de Deus era toda a espiritualidade; mas esta não se encontrava posta em arte que a explicasse de
maneira tão sublime e tão pormenorizada, com tantos preceitos, tantas instruções e tantas máximas. As
necessidades presentes exigem-no, sem dúvida; mas não era assim noutros tempos, em que havia mais retidão
e simplicidade. Sabia-se que em cada momento temos um dever a cumprir com fidelidade, e isto bastava aos
homens de então. Nele se ia concentrando sucessivamente a sua atenção, como o ponteiro do relógio que vai
marcando as horas, e em cada minuto aponta o espaço que deve percorrer. O seu espírito movido sem cessar
pelo impulso divino, encontrava-se insensivelmente voltado para o novo objecto que se lhes oferecia, segundo
a disposição divina, em cada hora do dia.
Tais eram os segredos do proceder de Maria, a mais simples das criaturas e a mais entregue a Deus. A
resposta que deu ao Anjo, quando se limitou a dizer-lhe: Faça-se em mim segundo a tua palavra, continha
toda a teologia mística dos seus antepassados. Tudo aí se reduzia, como no presente, ao mais puro e ao mais
singelo abandono da alma à vontade de Deus, qualquer que fosse a forma por que esta se apresentasse.
Tão digna e tão nobre disposição, que constituía todo o fundo da alma de Maria, brilha admiràvelmente nessa
palavra tão simples: Fiat mihi. Notemos que ela está perfeitamente de acordo com a que Nosso Senhor deseja
que nós tenhamos, sem cessar, nos lábios e no coração: Fiat voluntas tua. É certo que aquilo que se exigia a
Maria nesse momento de tamanha transcendência, era gloriosíssimo para ela. Mas não se dexaria deslumbrar
por todo o brilho dessa glória, se a vontade de Deus, o único objecto capaz de a impressionar, não tivesse
detido o seu olhar.
Essa divina vontade é que a regia em tudo. Quer as suas ocupações fossem comuns ou elevadas, a seus olhos
eram somente sombras, escuras umas vezes outras vezes resplandecentes, nas quais encontrava matéria para
glorificar a Deus e reconhecer as obras do Todo Poderoso. O seu espírito, transportado de alegria,
considerava tudo o que tinha de fazer ou de sofrer em cada momento, como um dom dAquele que sacia de
bens os corações que só dEle se alimentam e não das espécies ou aparências criadas.