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IV

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊS

CONTEMPORÂNEO

no estudo de certos pormenores não indispensáveis para uma iniciação na análise da estrutura da lingua poderiam eventualmente assustar e afastar. Ora um dos nossos objectivos essenciais desde o inicio do projecto foi, sem prejuízo do rigor cientifico na descrição da Iingua, fornecer, do português-padrão actual, um modelo que pudesse servir na aprendizagem da Iingua e principalmente da Iingua- escrita, na forma que presentemente se pode considerar «correcta». Aliás sempre acentuámos o nosso propósito de que, neste sentido (que não exclui a aceitação de inovações), a própria versão

inicial da Nova Gramática do Português Contemporâneo já tivesse um aspecto

normativo e uma aplicação p,!:dagógica. Vincámos até que essa caracterlstica deliberadamente a afastava de outras gramáticas de carácter essencialmente especulativo.

Que esta obra, na sua versão breve, seja um factor no ensino que contri-

bua para que a juventude portuguesa, brasileira e africana de lingua oficial portuguesa - dispondo de um guia de fácil aceSSO e leitura que até ousamos

classificar como muitas vezes atractiva -

aprenda a melhorar a sua, escrita

e o seu falar da língua portuguesa é, sem dúvidá, a maior aspiração dos autores e editor e a melhor recompensa possível para o trabalho feito e aqni apresentado.

Setembro de '985.

Os Autores

Apresentação, lI!

Índice geral

Capítulo

I

CONCEITOS GERAIS, 1

 

Linguagem, lingua, discurso, estilo I Língua e sociedade: variação e conservação lingu1stica, 2

Diversidade geográfica da Jingua: dialecto e falar, }

A

noção de correcto, J

Capítulo

2

DOMÍNIO ACTUAL DA LÍNGUA PORTUGUESA, J

 

Unidade e diversidade da Hngua portuguesa, J

Os dialectos do português europeu, J Os dialectos das ilhas atlânticas, 12 Os dialectos brasileiros, 13

O

português de África, da Ásia e da Oceâpja, 16

Capítulo

FONÉTICA E FONOLOGIA, l8

Os sons da fala,

I8

Som e fonema, Classificação dos sons linguísticos, 24

2I

Classificação

das

vogais, 2 J

Classificação das consoantes, 32

Encontros vocálicos, 37 SHaba, 4I Acento tónico, 42

Capítulo

4

ORTOGRAFIA, 45

Letra e alfabeto, 4J Notações léxicas, 46 Regras de acentuação, JI Divergências entre as ortografias oficialmente adoptadas em Por- tugal e no Brasil, JJ

VI

CapItulo

j

Capitulo

6

CapItulo

7

CapItulo

8

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊS

CONlEMPORÂNEO

CLASSE, ESTRUTURA E FORMAÇÃO ~E PALAVRAS, J7

Palavra e morEcma, J7

Formação de palavras; 62 Estrutura das palavras, " F:imilias de palavras, 62

DERIVAÇÃO E COMPOSIÇÃO, DJ

Derivação prefixai, 6J Derivação sufiXal; 66 Derivação regressiva, 7J Derivação impróprja, 76 'Composição, 77 Compostos eruditOS, 79 Hibridismo, 84 Onomatopeia, 84 Abreviação vocabular, 8,

FRASE, ORAÇÃO, PERfoDO, 87

A frase e a 'sua constituição, 87

A oração e os seus termos essenciais:t I,

O sujeito, !J I

O predicado, 97

A oração e .os seus termos integrantes, 102 Complemento nominal, 10) Coinplementos verbais, roi

A oração e os seus termos acessórios, I 10

Adjunto adnominal, I II

Adjunto adverbial, II2

Aposto, 114-

Vocativo, 117

Colocação dos termos na oração, 117

Entoação oracional, 122

SUBSTANTIVO, I JO

Classificação dos substantivos, I JO Flexões dos substantivos, I JJ

Número, r}}

Formação do pl ural, I J4

Género, I4I Formação do feminino, I4J

Substantivos unifonnes, r-/8 Grau, rJr

.

Emprego do substantivo, II2

ÍNDICE

VII

Capitulo

9

ARTIGO,

I}}

Artigo definido e indefinido, I!J Formas do artigo, II6 Valores do artigo, II9 Emprego do artigo definido, I60 Repetição do artigo definido, '72 Omissão do artigo definido, '7J Emprego do artigo indefinido, I7J Omissão do artigo' indefinido, '77

CapItulo 10

ADJECTIVO, I80

Flexões d<;>s adjectivos, 13J Número, r8)

Género, I84 Grau, I86 Emprego do adjectivo, I9J

Concordância do adjectivo com o substantivo, 196

Adjectivo adjunto adnominal, I96

Adjectivo predicativo de sujeito composto, 198

Capitulo II

PRONOMES, 200

Pronomes substantivos e pronomes adjectivos, 200

Pronomes pessoais, 200

Emprego dos pronomes rectos, 20! Pronomes de tratamento, 209

Emprego dos pronomes obUquos, 2I4

Pronomes possessivos, 227 Pronomes demonstrativos, 2JJ Pronomes relativos, 24I Pronomes interrogativos, 246

Pronomes indefinidos, 249

CapItulo I.

NUMERAIS, 2JJ

Espécies de numerais, 2!! Flexão dos numerais, 2J6

Capitulo '3

VERBO, 26J

Noções preliminares, 26J Tempos simples, 27 I

Verbos auxiliares e o seu emprego, 278

Conjugação dos verbos regulares, 287 Conjugação da voz passiva, 287

27 I Verbos auxiliares e o seu emprego, 278 Conjugação dos verbos regulares, 287 Conjugação da

VIII

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GRAMÁTICA

DO

PORTUGuÊS

CONTEMPORÂNEO

fNDICE

Conjugação dos verbos irregulares, 290 Verhos com alternância vocálica, 291

Outros tipos de irregularidade, 2JJ Verbos de partidpio irregular, JI8 Verbos abundantes, JIJ

Verbos impessoais, unipessoais e defectivos, J21

Sintaxe dos modos e dos tempos, J2f

Modo indicativo, J2 J Emprego dos' tempos do indicativo, J2J

Modo conjuntivo, JH Emprego do conjuntivo, JJ4

Modo imperativo, li'

Emprego do modo imperativo, JH Emprego das formas nominais, J4I Emprego do infinitivo, J42 Emprego do gerúndio, 34f Emprego do partidpio, 346 Concordância verbal, 348 Regras gerais, i4J Casos particulares, )10 Regência, J60 Sintaxe do verbo haver, J62

Capitulo 14

Capitulo I j

ADVÉRBIO, J6,

Classificação dos advérbios, J66 Gradação dos advérbios, 310

Palavras denotativas, J72

PREPOSIÇÃO, JN

Função das preposições, JN , Significação das preposições, J7f Conteúdo significativo e função relaciona!, 377 Valores das preposições, J30

Capitulo 18

O PERÍODO E SOA CONSTROÇÃO, H3

Período simpI(:s e período composto, J93

Coordenação, 400

Subordinação, 402

Orações reduzidas, 408

Capitulo 19

FIGORAS DE SINTAXE, 414

Elipse, 414

Zeugma, 4[6

Pleonasmo, 417

Hipérbato, 418

Anástrofe, 418

Prolepse, 419

Sinquise, 41J

Asslndeto, 41J

Polissindeto, 420

Anacoluto, 420

Silepse, 421

Capitulo zo

DISCORSO DIRECTO, DISCURSO lNDIRECTO E DISCORSO INDIRECTO LIVRE, 42J

Discurso directo, 42J

Discurso indirecto, 42J Discurso jndire~to livre, 428

Capitulo ZI

PONTUAÇÃO, 42f1

Sinais pausais e sinais melódicos, 429 Sinais que marcam sobretudo a pausa, 42'

Sinais que marcam sobretudo a melodia, 434

Capltulo.zz

NOÇÕES DE VERSI'I'ICAÇÃO, 442

Capitulo 16

CONJONÇÃO, Jflo

,

 

/

 

Conjunção coordenativa e subordinativa, JJo

Conjunções coordenativas, J!)I

Conjunções subordinativas, JJ2 Locução conjuntiva, 3n

índice

Capitulo 17

lNrnR]ErçÃO, Jfl6

Estrutura do verso, 442 Tipos de verso, 4fo A rima, 4fJ Estrofação, 464 Poemas de' forma fixa, 468

ELENCO E DESENVOLVIMENTO DAS PRINCIPAIS ABREVIATURAS, 41I

IX

1.

Conceitos gerais

Linguagem, Iingua, discurso, estilo.

l. LINGUAGEM é (<um conjunto complexo de processos - resultado de uma certa actividade pslquica profundamente determinada pela vida social - que torna posslvel a aquisição e o emprego concreto de uma LÍNGUA qualquer» 1. Usa-se também o termo para designar todo o sistema de sinais que serve de meio de comuuicação entre os indivlduos. Desde que se atri- bua valor convencional a determinado sinal, existe uma LINGUAGEM. A lin- gulstica interessa particularmente uma espécie de LINGUAGEM, ou seja a

LINGUAGEM FALADA ,ou ARTICULADA.

2. LÍNGUA é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivlduos. Expressão da consciência de uma colectividade, a LÍNGUA é o meio por que ela concebe o mundo que a cerca e sobre ele age. Utilização social da faculdade da linguagem, criação da sociedade, não pode ser imutá- vel; ao contrário, tem de viver em perpétua evolução, paralela à do orga- nismo social que a criou.

3. DISCURSO é a lingua no acto, na execução individual. E, como cada individuo tem em si um ideal lingulstico, procura ele extrair do sis- tema idiomático de que se serve as formas de enunciado que melhor lhe

exprimam o gosto e o pensamento. Essa escolha entre os diversos meios

de expressão que lhe oferece o rico repertório de possibilidades, que é a língua, denomina-se ESTILO 2.

1

Tatiana Slama-Casacu. Langagc cl ctm/ex/c. Haia, Mouton. 196x. p. :w.

2

Aceitando a distinção de Jules Marouzeau, podemos dizer que a LÍNGUA é <m soma dos

meios de expressão de que dispomos para formar o enunciado» e o ES'flLO «o :1specto c :J. qualidade que resultam da escolha entre esses meios de expressão») (Préds de sly/iJliqf(c jrn"foüc, 2 110 cd. Paris,

Massan, 1946, p. 10).
Massan, 1946, p. 10).

2

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GRAMÁTICA

PORTUGUÊS

CONTEMPoRÂNBO

DO

4.

A

distinção entre LINGUAGEM, LÍNGUA e DISCURSO, indispensável

do ponto de vista metodológico, não deixa de ser em parte artificial. Em verdade, as três denominações aplicam-se a aspectos diferentes, mas não

opostos, do fenómeno extremamente complexo que é a comunicação humana.

Língua e sociedade: variação e conservação linguística.

Em prindpio, uma língua apresenta, pelo menos, três tipos de diferenças internas, que podem ser mais ou menos profundas:

1.0) diferenças no espaço geográfico, ou VARIAÇÕES DIATÓPICAS (falares

locais, variantes regionais e, até, intercontinentais);

diferenças entre as camadas socioculturais, ou VARIAÇÕES DIAS-

TRÁTICAS (nivel culto, língua padrão, nível popular, etc.); 3·°) diferenças entre OBtipOS de modalidade expressiva, ou VARIAÇÕES DIAFÁSICAS (língua falada, língua escrita, língua literária, linguagens espe- dais, linguagem dos homens, linguagem das mulheres, etc.). Condicionada de forma consistente dentro de cada grupo social e parte integrante da competência linguistica dos seus membros, a variação é, pois, inerente ao sistema da língua e ocorre em todos os níveis: fonético, fonoló-

gico, morfológico, sintáctico, etc. E essa multiplicidade de realizações do sistema em nada prejudica as suas condições funcionais. Todas as variedades linguisticas são estruturadas, e correspondem a

sistemas e sub-sistemas adequados às necessidades dos seus usuários. Mas o

facto de estar a língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta das caracterlsticas das suas diversas modalidades diatópicas, diastráticas e diafásicas. A lin- gua padrão, por exemplo, embora seja uma entte as muitas variedades de

um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque actua como modelo, como

norma, como ideal linguistico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação.

Numa língua existe, pois, ao lado da força centrífuga da inovação, a força centtípeta da conservação, que, contra-regrando a primeira, garante a

superior unidade de um idioma como disttibuem pelos cinco continentes.

2.°)

O português, falado por povos que se

CONCEITOS

GERAIS

3

Diversidade geográfica da língua: dialecto e falar.

As formas características que uma língua assume regionalmente deno-

roina:m-se nIALECTOS.

Alguns linguistas, porém, distinguem, entre as variedades diatópicas,

o FALAR do DIALECTO. DIALECTO seria <<um sistema de sinais desgarrado de uma língua comum, viva ou desaparecida; normalmente, com uma concreta delimitação geo-

gráfica, mas sem uma forte diferenciação diante dos outros da mesma ori-

gelID).

«as

De

modo

secundário,

poder-se-iam também chamar

dialectos

estruturas linguísticas, simultâneas de outra, que não alcançam a categoria

de língua»3.

FALAR seria a peculiaridade expressiva própria de uma região e que não apresenta o grau de coerência alcançado pelo dialecto. Caracterizar-se-ia, do ponto de vista diacrónico, segundo Manuel Alvar, por ser um dialecto empobrecido, que, tendo abandonado a lingua escrita, convive apenas com as manifestações orais. Poder-se-iam ainda distinguir, dentto dos FALARES REGIONAIS, OS FALARES LOCAIS, que, para o mesmo linguista, correspon- deriam a subsistemas idiomáticos «de ttaços pouco cllferenciados, mas com matizes próprios dentro da esttutura regional a que pertencem e cujos usos

estão

circunscrições geográficas, normalmente com

carácter administrativo»4. No· entanto, à vista da dificuldade de caracterizar na prática tais modalidades diatópicas, empregaremos neste livro - e particularmente no capitnio scgninte - o termo DIALECTO no sentido de variedade regional da

língua, não importando o seu maior ou menor distanciamento com referên- cia à língua padrão.

limitados

a

pequenas

A noção de correcto.

Todo o nosso comportamento social está regulado por normas a que devemos obedecer, se quisermos ser correctas. O mesmo sucede com a lingua, apenas com a cllferença de que as suas normas, de um modo geral, são mais complexas e mais coercitivas. Por isso, e para simplificar as coisas, ]espersen define o <dinguisticamente correcto» como aquilo que

J Manuel Alvar. Hncia los conccptos de Icngun, dialecto y habJas. NlltPd Repis/a dI FilologIa

Hispállita, Il: H. 1961.

4 Id' 1 Ibid., p. 60.

4

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GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊS

CONTEMPORÂNEO

é exigido pela comunidade Iinguística a que se pertence. O que difere é o

«linguísticamente incorrectm). Ou, com suas palavras: <<falar corredo significa o falar que a comunidade espera, e erro em linguagem equivale a desvios desta norma, sem relação alguma com o valor interno das palavras ou for- mas». Reconhece, porém, que, independentemente disso, «existe uma valo-

rização da linguagem na qual o seu valor se mede com referência a um ideal

linguístico», para cuja formação colabora eficazmente a «fórmula energética de que o mais facilmente enunciado é o qu.c se recebe mais facilmentc»5, Se uma língua pode abarcar vários sistemas, ou seja, as formas ideais

de sua realização, a sua dinamicidade, o seu modo de fazer-se, pode também

.

admitir várias normas, que representam modelos, escolhas que se consagra-

i

ram dentro das possibilidades de realizações de um sistema Iinguístico. ! Mas - pondera Eugénio Coseriu, o lúcido mestre de Tübingen - se «é

I,

um sistema de realizações obrigatórias, consagradas social e culturalmente», a i! norma não corresponde, COPlO pensam certos gramáticos, ao que se pode i1 ou se deve dizer, mas «ao que se disse e tradicionalmente se diz na comu- II

nidade considerada» ii A norma pode vatlar no SelO de uma mesma comumdade hnguisnca, seja de um ponto de vista diatópico (português de Portugal I português do Brasil I português ae Angola), seja de um ponto de vista diastrático (lingua- gem culta I linguagem média I linguagem popular), seja, finalmente, de i' um ponto de vista diafásico (linguagem poética I linguagem da prosa) 7. Este conceito linguístico de norma, que implica um maior liberalismo

il

li,

I'

li

I:

:'

.

.

.

gramatical, é o que, em nosso entender, convém adoptarmos para a comuni-

hoje por sete nações soberanas, todas

movidas pela legítima aspiração de enriquecer o património comum com

formas e construções novas, a patentearem o dinamismo do nosso idioma, o meio de comunicação e expressão, nos dias que correm, de mais de cento

dade de fala portugnesa, formada

H

fi

I';

I,

e cinquenta milhões de indivíduos.

ii

2.

Domínio actual da língua portuguesa

Unidade e diversidade da llngua portuguesa.

Na área vastíssima e descontinua em que é falado, o português apresenta-

-se como qualquer língua viva, internamente diferenciado em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto à pronúncia, à gra-

mática e ao vocabulário.

Embora seja inegável a existência de tal diferenciação, não é ela sufi- ciente para impedir a superior unidade do nosso idioma, facto, aliás, salien- tado pelos dialectólogos. Exceptuando-se o caso especial dos CRIOULOS, que estudaremos adiante, temos, pois, de reconhecer esta verdade: apesar da acidentada história que

foi a da sua expansão na Europa e, principalmente, fora dela, nos distantes

e extensíssimos territórios de outros continentes, a língua portuguesa con- seguiu manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades por mais afastadas que se encontrem no espaço.

A diversidade interna, contudo, existe e dela importa dar urna visão

tanto quanto possível ordenada 1 •

li Os dialectos do português europeu.

::

i'

ii

,

A faixa ocidental da Península Ibérica ocupada pelo galego-português

apresenta-nos um conjunto de DIALECTOS que, de acordo com certas carac-

IJ

um conjunto de DIALECTOS que, de acordo com certas carac- IJ s p . 5 5

s

p. 55· 1

Otto ]espersen. HU1I/anidad, nación, hldividllO, desde el pun/o de vis/a lingt7/s/ko, trad. por Fer- nando VeJa. Buenos Aires, Revista do Occidente, 1947, p. 178.

6 Sincronia, diacronia e historio,. e/ prob!t:ma dei cambio hiJglIlJlko, 2.'" ed. Madrid, Gredos, 1973.

Veja-se,

sobre o conjunto das variedades do

português,

ri Bibliografia dia/alal golelP-

-partllgllua, publicada pelo Centro de Estudos Filológicos, Lisboa 1974. Sobre o português do Brasil, em particular, possuímos hoje uma bibliografia muito completa: Wolf Dictrich. Bib/iograjifl

Veja-se Celso Cunha. Llnglla, nação, a/ienafão. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, p. 73-74 e ss.

da l/ngu{1 por/ugllufI do Brasil. Tübingcn, Guntcr Narr, 1980.

Rio de Janeiro, Nova Fronteira, p. 73-74 e ss. da l/ngu{1 por/ugllufI do Brasil. Tübingcn, Guntcr

6

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊS

CONTEMPORÂNEO

i

DOMÍNIO

ACTUAL

DA

LÍNGUA

PORTUGUESA

7

terlsticas diferenciais de tipo fonético, podem ser classificados em três gran- des grupos:

!'

3.

Nos dialectos portugueses centro-meridionais só aparecem

as sibi-

Jantes predorso-dentais que caracterizam a lJngua padrão:

a) a surda [s], tanto em seis e passo como em cinco e caça 3 ;

b) a sonora [z], tanto em rosa como emfazer.

a)

DIALECTOS

GALEGOS;

b)

DIALECTOS

PORTUGUESES SE'I'ENTRIONAIS;

c) DIALECTQS PORTUGUESES CENTRO-MERIDIONAIS2.

Esta classificação parece ser apoiada pelo sentimento dos falantes comuns

i,

,;

1 ,.

As fronteiras entre as três zonas mencionadas atravessam a faixa galego- :! _portuguesa de oeste a leste, ou, mais precisamente, no caso da fronteira

do português padrão europeu, isto é, dos que seguem a NORMA ou conjunto 11 entre dialectos portugueses setentrionais e centro-meridionais, de noroeste dos usos lingulsticos das classes cultas da região Usboa-Coimbra, e que !: a sueste. distinguirão pela fala um natural da Galiza, um homem do Norte e um ': Mas há outros traços importantes em que a referida distinção se funda- homem do Sul. H menta, sem que, no entanto, as suas fronteiras coincidam perfeitamente com 'I! as das características já indicadas.

A distinção entre

três grupos funda-se principalmente no -sistema das

k

São eles:

SIBILANTES. Assim:

Nos dialectos galegos não existem as sibilantes sonoras /z/ nem [~]: rosa articula-se com a mesma sibilante [~] ou [s] (surda) de passo; fazer, com a mesma sibilante [a] ou [s] (surda) de caça. Não existe também a fri- cativa palatal sonora /3/, grafada em português j ou g (antes de c ou i). Em galego só a fricativa Ul (surda) do português C/Ixoda.

l.

2. Nos dialectos portugueses setentrionais existe a sibilante ápico- -alveolar [~], idêntica à do castelhano setentrional e padrão, em palavras como seis, passo. A ela corresponde a sonora [~] de rosa.

Em alguns dialectos mais conservadores coexistem com estas sibilantes

as predorsodentais [s] (em cinco, caça) e [z] (em fazer), que, noutros dialectos, com elas se fundiram, provocando a igualdade da sibilante de cillco e caça com a que aparece em seis e passo, ou seja [~], bem como a da de fazer com

a que se ouve em rosa, isto é [~l.

I ,

i "

"

'i

,

"

H

2 Quanto à classificação dialectal aqui adaptada, veja-se Luís Filipe Lindley Cintra. Nova proposta de classificação dos dialcctos galego-portugueses. Bo/etim de Fil%gia, 22, 81-Il6 . Lisboa, 1971 (ou EtlflJoI de dia/eel%gia por/llglltSd, Lisboa, Sá da Costa, 1983. p. Il7-165). ;:

Entre as classificações anteriores, duas merecem realce particular: a de José Leite de Vascon- celos c a de Manuel de Paiva BoIéo e Maria Helena Sanros Silva. A de Leite de Vascon- celos, baseada na divisão de Portugal em provIncias, é mais geográfica do que linguística. Foi publicada, inicialmente,no seu Mappa dia/eçt%gito do continente porlllf/tês (Lisboa, GuillareI, Aillaud, 1897), depois reproduzida na Erquisse d'une dia/eçt%gie porlllgnise (Paris-Lisboa, Aillaud, 19°1; 2.11. ed., com aditamentos c correcções do autor, preparada por Maria Adelaide Valle Cintra, Lisboa, Centro de Estudos Filológicos, 1970) e, com alterações, nos Oprímdol, IV, Filologia, parte II (Coim- bra, 1929, p. 791~796). A de Manuel de Paiva Boléo e Maria Helena Santos Silva, expost.'! em:

O «Mapa dos dialectos e falares de Portugal Continentab) (Bo/e/i!}) de Filo/agir" 20: 8:;-112, Lis- boa, 1961), assenta em factos Iingulsticos, principalmente, fonéticos, que, apresentados numa certa e possível hierarquizaçlio, permitiriam talvez um mais claro agrupamento das variedades.

~ a) a pronúncia como [b] ou [~]do v gráfico (emitido como labiodental na

r pronúncia padrão e na centro-meridional) na maior parte dos dialectos por-
j

u:gueses setentrionais e na totalidade dos dialectos galegos: billho, abó por Vinho, avó;

b) a pronúncia como africada palatal [tIl do ch da grafia (emitido como

fricativa Ul na pronúncia padrão e em quase todos os dialectos centro-

~ -meridionais) na maior parte dos dialectos portugueses setentrionais e na totalidade dos dialectos galegos: tchave, atchar por chave, achar;

c) a monotongação ou não monotongação dos ditongos [ow] e rej]o l '": a pronúncia [o] e [e] desses ditongos (por exemplo: ôrn por ouro, ferrêro por ferreiro) caracteriza os dialectos portugueses centro-meridionais e, no

caso de [o], a pronúncia padrão, perante os dialectos portugueses seten- trionais e os dialectos galegos 4 Merecem menção especial - mesmo numa apresentação panorâmica

a par dos traços gerais

que acabamos de apontar, aparecem características fonéticas peculiares que

afastam multo vincadamente os dialectos nelas falados de todos os outros do mesmo grupo. Trata-se, em primeiro lugar, de uma região (dentro da zona dos dia-

dos

dialectos portugueses - três regiões em que,

lectos setentrionais) em que se observa regularmente a ditongação de

[e]

Pronúncia semelhante à do francês ou do italiano padrão, do castelhano meridional e do hispano-americano.

4 Com referência ao ditongo [ej], a pronúncia padrão e a de Lisboa (neste caso uma ilhota de conservação ao sul) coincidem com os dialectos setentrionais na sua manutenção. Note-se con- tudo que, devido a um fenómeno de diferenciação entre os dois elementos do ditongo, este se trans- formou na referida pronúncia em [«j].

fenómeno de diferenciação entre os dois elementos do ditongo, este se trans- formou na referida pronúncia
fenómeno de diferenciação entre os dois elementos do ditongo, este se trans- formou na referida pronúncia
j llll j'l'/ '/ / " 1I Dialectos galegos galego ocidental galego oriental dialectos transmontanos
j llll j'l'/ '/ / " 1I Dialectos galegos galego ocidental galego oriental dialectos transmontanos

j llll

j'l'/

'/ /

"

1I

Dialectos

galegos

galego ocidental

galego oriental

dialectos transmontanos

e alto-minhotos

dialectos baixo-minhotos-

-durienses-beirões

Olalectos

portugueses

setentrionais

j=== ~:~~~~Itosdo centro-

. -- dlale~tos do centro-

Dialectos

portugueses

centro-

-meridionais

-_

-In tenor e do sul

/

limite de região subdia[eclal

com caracterJsticas peculiares

bem diferenciadas

com caracterJsticas peculiares bem diferenciadas BAOAJOZ HUELVA o '-' ----'----', 100 km
com caracterJsticas peculiares bem diferenciadas BAOAJOZ HUELVA o '-' ----'----', 100 km

BAOAJOZ

com caracterJsticas peculiares bem diferenciadas BAOAJOZ HUELVA o '-' ----'----', 100 km

HUELVA

o '-'----'----',

100 km

Classificação dos dialectos galego-portugueses

co

to

1:1.

iii

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i··:.··· ·::::: • . t: ~ . · , I I ,., 1. Entre moger
i··:.···
·:::::
• . t:
~ .
·
,
I
I
,.,
1.
Entre moger (e outras formas em -er) e
:::::::::::::::' ~::-\
.
/
mugir. mOjar e afins: 2. Entre úbere e
amojo: 3. Entre anho e cordeiro;
·
.
-
- · ·
-
·
·
.
4.
Entre espiga e maçaroca;
. .
A primeira das formas citadas fica sempre
ao Norte e a Oeste da segunda:
5.
Área de recobrimento das formas mais
arcaicas;
6
Área de
all)lece; no resto do país diz-se
soro, excepto no Mlnho onde não se usa
nenhuma designação.
'
.::.
1
2
3
4
50
6~
, ,
,
,

Alguns limites lcxicais (v. Orlando Ribeiro, A propósito de áreas lcxicais

, BdF, 2I, 19 6 5)

DOMÍNIO

ACTUAL

DA

LÍNGUA

PORTUGUESA

II

e [o] acentuados: pjeso porpeso,pworto por porto. Abrange uma grande parte

do Minho e do Douro Litoral (incluindo o falar popular da cidade do Porto

e dos seus arredores). Em segundo lugar, temos uma extensa área da Beira-Baixa e do Alto- _Alentejo (compreendendo uma faixa pertencente aos dialectos setentrionais,

mas, principalmente, uma vasta zona dos dialectos centro-meridionais) em

que se regista uma profunda alteração do timbre das vogais. Os traços

mais salientes são: a) a articulação do 11 tónico como [ü] (próxiruo do l/ francês), por exemplo tii, miila, por til, mllla; b) a representação do antigo ditongo grafado 011 por [o] (também semelhante ao som correspon- dente do francês), por exemplo: põca por pOllca; c) a queda da vogal átona final grafada -o ou sua redução ao som [~], por exemplo cop(a), cop(a)s, por

copo, copos; tiid(a) por tlldo.

se

Por fim,

no

ocidente do

Algarve

situa-se outra

regIão

em que

observam coincidências com a anteriormente mencionada, no que se refere

às vogais. Em lugar de 11, encontramos [ü]: tii, miila (mas o 011 está represen-

tado por [o D. Pór outro lado, o a tónico evoluiu para um som semelhante

a o aberto: bata é pronunciado quase bota, alteração de timbre que não é estranha a alguns lugares da mencionada zona da Beira-Baixa e Alto- -Alentejo, embora seja ai mais frequente a passagem, em determinados contextos fonéticos, de a a um som [ã] semelhante a [E] aberto, por exemplo:

afilhédo, por afilhado, fim/ér por f1l",ar. A vogal átona final grafada o ~ambém cai ou se reduz a [o]: cop(a), cop(a)s, por copo, copos; tlld(a) por tllth.

Não são, porém, apenas traços fonéticos que permitem opor os diversos grupos de dialeetos galego-portugueses. Se, no que diz respeito a particu- laridades ,morfológicas e sintáeticas, a grande variedade e irregularidade na distribuição parece impedir um delineamento de áreas que as tome como base 5 , já no que se refere à distribuição do léxico podemos observar, ainda que num restrito número de seetores e casos, certas regularidades. Não é raro, por exemplo, que os dialeetos centro-meridionais se oponham aos seten- trionais e aos galegos por neles se designar um objeeto ou noção com um termo de origem árabe enquanto nos últimos permanece o descendente da palavra latina ou visigótica. É o caso da oposição all/Jece I soro (do queijo),

ceifar I segar.

Talvez ainda mais frequente seja a oposição lexical entre os dialectos do sul e leste de Portugal, caracterizados por inovações voc.bulares de

vários tipos, c os dialcctos do noroeste e ccntro~norte, que, como os galegos,

Quando muito, poder-se-á dizer, por exemplo, que certos trnças, como os perfeitos em -i, da I.n conjugação (/rl/lj por /mlei, ((m/i por (flfl/ci), s:10 c}iclusivmncntç centro-meridionais.

em -i, da I.n conjugação (/rl/lj por /mlei, ((m/i por (flfl/ci), s:10 c}iclusivmncntç centro-meridionais.

IZ

se

BREVE

GRAMÁTICA

pela

DO

PORTUGUÊS

CONTEMPORÂNEO P DOMÍNIO

de

termos

mais

li

ACTUAL

DA

LÍNGUA

PORTUGUESA

13

distinguem

pelo

conservadorismo,

Esta ilha, assim como a Madeira, constituem casos excepcionais dentro

manutenção

antigos na língua. É o caso da oposição de ordenhar a moger, mugir e alIJo/ar,'

de t/fI/ojO a úbere,. de borrego a cordeiro e a anho; de chibo a cabrito,. de HIOft/roca a espiga (de milho), etc. Advirta-se, por fim, que em relação a muitas outras noções é grande a variedade terminológica na faixa galego-portuguesa, sem que se observe este ou qualquer outro esquema regular de distribuição. É que a distribui- ção dos tipos lexicais depende de numeroslssimos factores, não só linguls-

ricos, mas sobretudo hist.órico-culturais e sociais, que 7/ariam de caso para

do português insular. Independentemente uma da outra, ambas se afastam do

que se pode chamar a norma centro-meridional por acrescentar-lhe um certo número de traços muito peculiares.

No que se refere à ilha de São Miguel, os mais característicos de entre OS traços que afastam os seus dialectos dos das outras ilhas coincidem, curio-

samente, com os traços que, na Península, distinguem a região da Bcira-

_Baixa e do Alto-Alentejo (e também, parcialmente, com os que se obser- vam no ocidente do Algarve): a) o 11 tónico é articulado como [ü]: tii, !lliila; b) o antigo ditongo 011 pronuncia-se como [o]: poca, lõra; c) o a tónico tende para o aberto [o]: quase bota por bata; d) a vogal final grafada -o cai

ou reduz-se a [o]: cop(a), cop(a)s, tiid(a), põk(a) , por copo, copos, tlldo,pollco.

Quanto à ilha da Madeira, os seus dialectos apresentam características fonéticas singulares, que só esporadicamente (e não todas) aparecem em dia- lectos continentais. Assim, o 11 tónico apresenta-se ditongado em [aw], por exemplo: ['Iawa] por 1110; o i tónico em [aj], por exemplo: ['[aj"a] por fi'lia. Por outro lado, a consoante 1, ·precedida de i, palataliza-se: ['vaj"a] por vila, ['fajÀot] por fila (confundindo-se portanto, desse modo, fila com

filha).

caso. A regularidade atrás

observada parece depender, em alguos casos, da

acção de um mesmo facto! histórico: a reconquista aos mouros do Centro

e do Sul do território português, movimento que teria criado o contraste

entre uma Galiza e um Portugal do Noroeste (e parte do Oeste) mais conserva-

dores, porque de povoamento antigo, e um Portugal do Nordeste, Este e

Sul mais inovador, justamente o que foi repovoado em consequência daquele acontecimento histórico 6 .

Os dialectos das ilhas atlânticas.

Os dialectos falados nos arquipélagos atlânticos dos Açores e da Madeira representam - como era de esperar da história do povoamento destas ilhas, desertas no momento em que os portugueses as descobriram - um prolon- gamento dos dialectos portugueses continentais. Considerando a maior parte das características fonéticas que neles se observam, pode-se afirmar, com maior precisão, que prolongam o grupo dos dialectos centro-meridionais. Com efeito, não se encontram nos dialectos açorianos e madeirenses nem o [!] ápico-alveolar, nem a neutralização da oposição entre Ivl e Ibl, nem a africada [tn dos dialectos setentrionais do continente. Quanto à monotongação dos ditongos decrescentes [ow] e [ej], observam-se as mesmas tendências da !fngua padrão: o ditongo [ow] reduz-se normalmente a [o], mas a redução de [ej] a [e] é fenómeno esporádico; só ocorre como norma na ilha de São Miguel.

6 Veja-se, a este respeito, principalmente, Luís F. Lindlcy Cintra, Areas lexicais no ter- ritório português. Bole/im de Filologia, 20: '1.73-307. 196'1.; c Orlando Ribeiro, A propósito de áreas lexicais no território português, Bole1i1l1 de Filologia, 21: 177-2.05. 1962-1963 (artigos reproduzidos. ambos, em L. F. Lindlcy Cjntra, Estudos de dia/eelo/agia porlllj.lluo, Lisboa, 19 8 3.

p. 55-94 e 16'-202). Cite-se, ainda, Luís F. Lindley Cinna. Une frontiere lex.ica1e et phonétiquc duns Ic domainc Iinguistiquc portugais. Boiei;,,, de Pilologia, 20: 31-38, 1961 (artigo também reeditado nos

referidos EsllldoJ J p. 95-105).

Os dialectos brasileíros.

Com relação ao extensíssimo território brasileiro da Ilngua portuguesa, a insuficiência de informações rigorosamente científicas sobre as diferenças de natureza fonética, morfo-sintáctica e lexical que separam as variedades regionais nele existentes não permite classificá-las em bases semelhantes às que foram adoptadas na classificação dos dialectos do português europeu. Deve-se reconhecer, contudo, que a publicação de dois atlas prévios regio- nais - o do Estado da Bahia 7 e o do Estado de Minas Gerais 8 - e a anun- ciada impressão do já concluldo Atlas dos falares de Sergipe 9 , bem como a elaboração de algumas monografias dialectais são passos importantes no sentido de suprir a lacuna apontada.

Entre as classificações de conjunto, propostas com carácter provisório,

sobreleva, pela indiscutível autoridade de quem a fez, a de Antenor Nas-

7 Nelson Rossi. Atlas prévio dos falares baianos. Rio de Janeiro, MECJINL, 196~.

8 José Riheiro et alii. Esbo(o de 111/1 alIai liflgllflli(o de Minas Gemi!. 1.0 vol. Rio de Janeiro, MECJCasa de Rui BarbosafUFJF, 1977.

9 Elaborado por Ne1son Rossi, com a colaboração de um grupo de professores da Uni- versidade Fedeml da Bahia.

1977. 9 Elaborado por Ne1son Rossi, com a colaboração de um grupo de professores da Uni-

r

14

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊs

CONTEMPORÂNEO r-! i-i DOMÍNIO

I)

ACTUAL

DA

LÍNGUA

PORTUGUESA

'5

li centes, fundada e~ observações pessoais colhidas nas suas viagens por todos ',', oS Estados do palS. i : p: base desta proposi~ reside - como no caso do português europeu-

I em diferenças de pronúnCIa. I' De acordo com Antenor Nascentes, é posslvel distinguir dois grupos L de dialectos 1O brasileiros - o do Norte e o do Sul-, tendo em conta dois !: traços fundamentais:

i ~ a) a abertura das vogais pretónicas, nos dialectos do Norte, em pala- i: vras que não sejam diminutivos nem advérbios em -mente: pegar por pegar, correr por correr;

b) o que ele chama um tanto impressionisticamente a «cadência» da

fala: fala «cantada» no Norte, fala «descansada» no Sul. A fronteira entre os dois grupos de dialectos passa por (ruma zona que ocupa uma posição mais ou menos equidistante dos extremos setentrional e meridional do paIs. Esta zona se estende, mais ou menos, da foz do rio

Mucuri, entre Espírito Santo e Bahia, até a cidade de Mato Grosso, no

Estado do mesmo nome» 11.

até a cidade de Mato Grosso, no Estado do mesmo nome» 11. , , , ,~
, , , ,~ , '. , AMAZÓNICO , , , , ,
,
,
,
,~
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,
AMAZÓNICO
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,
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.,,,-,,
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"
,
I
TERRITÓRIO INCARACTERíSTICO ~
,
1
,
I
,
I
,
,
,
BAIANO
,
,
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-
,,
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•,
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,
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"
~',
>-
--
,
"
ii
SULISTA
I
o'""
I'
I, , ,
•.• "'- LIMITES COM O ESTRANGEIRO
!
- - - - LIMITES ESTADUAIS,
- LIMITES
DOS SUB FALARES
I'

Em cada grupo, distingue Antenor Nascentes diversas variedades a que

AMAZÓNICO,

BAIANO, b) o FLUMINENSE,

chama SUBFALARES. E enumera dois no grupo Norte:

b)

a)

o

o NORDESTINO. E quatro no grupo Sul:

o)

I) c) o MINEIRO, d) o SULISTA.

Assinale-se, por fim, que as condições peculiares da formação Iinguistica

,i do Brasil revelam uma dialectalização que não parece tão variada e tão intensa ;: como a portuguesa. Revelam, também, estas condições que a referida dia- i' i' lectalização é muito mais instável que a europeia.

10 Empregamos o termo DIALECTO pejas razões aduzidas no Capítulo I e para mantermos

o paralelismo com a designação adaptada para as variedades regionais portuguesas. Ao que cha- mamos aqui DIALECTO Nascentes denomina SUBFALAR.

11 Antena! Nascentes. O liflfJlajar carioca, 2." edição completamente refundida. Rio de

Janeiro, Simões, 1953, p. 25. Por ser quase despovoada, considcrava ele incaracterística a área com- preendida entre a parte da fronteira boliviana e a fronteira de Mato Grosso com o Amazonas e o

Áreas Iingulsticas do Brasil (divisão proposta por Antenor Nascentes)

Pará.

de Mato Grosso com o Amazonas e o Áreas Iingulsticas do Brasil (divisão proposta por Antenor

,

 

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUts

 

16

 

o português de África, da Ásia e da Oceânia.

 

No estudo das formas que veio a assumir a Hngua portuguesa em África, r na Asia e na Oceânia, é necessário disringuir, preliminarmente, dois tipos {

de variedades: as CRIOULAS e as NÃO-CRIOULAS.

 

As variedades CRIOULAS resultam do contacto que o sistema linguístico [1 português estabeleceu, a partir do século XV, com sistemas linguísticos indi. cc,

 

s

erua

g .

Talvez todas elas derivem do mesmo PROTo--CRIOULO ou -------1' -

i'

FRAN

CA

q

Ue

,

durante os primeiros séculos da expansão portuguesa, serv1U ~

DOMÍNIO

AC'fUAL

DA

LÍNGUA

PORTUGUESA

17

b) o de Macau, macaísta ou macauenho, ainda falado por algumas famí.

lias de Hong·Kong;

c) o de Sri·Lanka, falado por famllias de Vaipim e Batticaloa;

d) - os de Chaul, Korlai, TeIlicherry, Cananor e Cochim, no território da União Indiana.

Na Oceânia, sobrevive ainda o crioulo de Tugu, localidade perto de Jacarta, na ilha de Java I2 •

"

da

Quanto as varIe

des

NÃO· CRIOULAS

""

'

ha que considerar _ não só a pre·

~ sença do portugues que e a lmgua ofiClal das repúblicas de Angola, de Cabo de meio de comurucação entre as populaçoes locals ~ os n~vegadores, c?mer. li Verde, da Guiné.Bissau, de Moçambique e de São Tomé e Principe, mas

ciantes e llÚssionários ao lo~go das cos:"s da A~rIca OClden~al e Oriental, ~ as variedades faladas por uma parte da população destes Estados e, tam.

da Arábia, da Pérsia, da índia, da Malásia, da Chiria e do Japao. Aparecem. ~ be'm de Goa Damão Diu e Macau

na Asia e Timor na Oceânia Trata.se

{li",

"

'"

·nos, actualmente, como resultados muito diversificados, mas com ~gumas~' de um português com base na variedade europeia, porém mais ou menos modi. característic.1S comuns - ou, pelo menos, paralelas -, que se manifestam ficado, sobretudo pelo emprego de u!u vocabulário proveuiente das llnguas numa profunda transformação da fonologia e da morfo·sintaxe ,do por. I nativas, e a que não faltam algumas características próprias no aspecto fono· tuguês que lhes deu origem. O grau de afastamento em relação a lingua·lllógico e gramatical.

-mãe é hoje de tal ordem que, mais do que como DIALECTOS, os crioulos devemf) Estas características, no entanto, que divergem de região para região,

ser considerados como LÍNGUAS derivadas do português. Hainda não foram suficientemente observadas e descritas, embora muitas Os crioulos de origem portuguesa em Africa, que são os de maior vita· ri delas transpareçam na obra de alguns dos modernos escritores desses países 13.

lidade, podem ser distribuídos espacialmente em três grupos:

I.

dades:

a)

Crioulos

do

Arquipélago

de

Cabo Verde,

com

as

duas

varie·

de Barlavento, ao norte, usada nas ilhas de Santo Antão, São Vicente, ,-

São Nicolau, Sal e Boavista;

b) de Sotavento, ao sul, utilizada nas ilhas de Santiago, Maio, Fogor:

e Brava.

z.

Crioulos das ilhas do Golfo da Guiné:

a)

de São Tomé;

b)

do Prlncipe;

c)

de Ano Bom (ilha que pertence à Guiné Equatorial).

3.

Crioulos continentais:

12

Sobre o estado actual dos crioulos portugueses, veja-se Celso Cunha. LIngua, nação, alie-

a) da Guiné·Bissau;

b) de Casamance (no Senegal).

Dos crioulos da Asia subsistem apenas:

a) o de Malaca, conhecido pelas denominações de paPiá cristão,

q/leiro} IIJa/aqflês, IIJa/aq/lcnho} lIIalaq/l8J1SB, serani, bahasa gerçrgau e português

nafão. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1981, p. 37-106. onde se remete nbibliografia especializlldaj

veja-se, ainda, José G. Herculano de Carvalho, Deux langues créoles: Ie criô/ du Cap Ve,rt et le/orro

de S. Tomé, em Biblos: J7, 1-15,

13 Sobre n linguagem de um dcles, do maior significado, o angolano Luandino Vieiro, v. a ,tese recente de Michel Laban, L'ot:fll'fe lilflrairc de Luandillo Vieira, Paris 1979 (tese do 3.° ciclo apresentada em 1979 à Universidade de Paris-Sorbonne); e a de SaIvllto Trigo, Lflalldillll VMra, o logo/e/a, Porto, Brosflia Editora, 198r.

1981.

I

FONÉTICA

E

FONOLOGIA

'9

3.

Fonética e fonologia

A GLOTE, que fica na altura da chamada mafã-de-adão, pomo-de-adão ou,

nO Brasil, gogá, é a abertura entre duas pregas musculares das paredes superio-

res da LARINGE, conhecidas pelo nome de CORDAS VOCAIS. O fluxo de ar pode encontrá-Ia fechada ou aberta, em virtude de estarem aproximados ou afastados os bordos das CORDAS VOCAIS. No primeiro caso, o ar força a passagem através das CORDAS VOCAIS retesadas, fazendo-as vibrar e produ-

zir o som musical caracterlstico das articulações SONORAS. No segundo caso, relaxadas as CORDAS VOCAIS, o ar escapa-se sem vibrações !arlngeas. As articulações produzidas denominam-se, então, SURDAS.

A distinção entre SONORA e SURDA pode ser claramente percebida na

pronúncia de duas consoantes que quanto ao mais se identificam. Assim:

OS SONS DA FALA

I b I [= SONORO]

I p I [= SURDO]

OS SONS da nossa fala resultam quase todos da acção de certos órgãos sobre a corrente de ar vinda dos pulmões. Para a sua produção, três condições se fazem necessárias:

a) a corrente de ar;

b) um obstáculo encontrado por essa corrente de ar;

c) uma caixa de ressonância.

Estas condições são criadas pelos ORGÃOS DA FALA, denooúnados, em

seu conjunto, APARELHO FONADOR.

Ao sair da LARINGE, a corrente expiratória entra na CAVIDADE FARÍN- GEA, uma encruzilhada, que lhe oferece duas vias de acesso ao exterior:

o

CANAL BUCAL e o NASAL. Suspenso no entrecruzar desses dois canais fica

o

VÉu PALATINO, órgão dotado de mobilidade capaz de obstrnir ou não

o

ingresso do ar na CAVIDADE NASAL e, consequentemente, de determinar

a natureza ORAL ou NASAL de um som. Quando levantado, o VÉu PALATINO cola-se à parede posterior da FARINGE, deixando livre apenas. o CONDUTO BUCAL. As articulações assim obtidas denominam-se ORAIS (adjectivo derivado do larim os, oris «a boc",». Quando abaixado, o VÉu PALATINO deixa ambas aS passagens livres. A cor- rente expiratória então divide-se, e uma parte deIa escoa-se peIas FOSSAS NASAIS, onde adquire a ressonância caracterlstica das articulações, por este motivo, também chamadas NASAIS.

Compare-se, por exemplo, a pronúncia das vogais:

I a I [= ORAL]

I ã I [= NASAL]

,

O aparelho fonador.

É constituldo das seguintes partes:

a) os PULMÕES, OS BRÔNQUIOS e a TRAQUEIA - órgãos respiratórios

que fornecem a corrente de ar, matéria-prima da fonação i

b) a LARINGE, onde se localizam as CORDAS VOCAIS, que produzem a

energia sonora utilizada na fala;

c) as CAVIDADES SUPRALAIÚNGEAS (FARINGE, BOCA e FOSSAS NASAIS),

que funcionam como caixas de ressonância, sendo que a cavidade bucal pode variar profundamente de forma e de volume, graças aos movimentos dos órgãos activos, sobretudo da LÍNGUA, que, de tão importante na fonação,

se tornou sinónimo de <<idioma».

em palavras como:

Ilã

mato I manto

Funcionamento do aparelho fonador.

O ar expelido dos PULMÕES, por via dos BRÔNQUIOS, penetra na TRA-

QUEIA e chega à LARINGE, onde, ao atravessar a GLOTE, costuma encontrar

o primeiro obstáculo à sua passagem.

É, porém, na CAVIDADE BUCAL que se produzem os movimentos fona- dores mais variados, graças à maior ou menor separação dos MAXILARES, das BOCHECHAS e, sobretudo, à mobilidade da LÍNGUA e dos LÁBIOS.

graças à maior ou menor separação dos MAXILARES, das BOCHECHAS e, sobretudo, à mobilidade da LÍNGUA

,.-

da

,.- da 1 . Cavidade nasal 2 . palato duro 3 . véu palatino 4. lábios

1

. Cavidade nasal

2

. palato duro

3

. véu palatino

4. lábios 5 . cavidade bucal

6. lingua

7 , faringe

8. epiglote

9 . abóbada palatina

10. rinofaringe

11 . traqueia

12. esôfago

13 . vértebras 14. laringe

15 . maçã-de-adão

16 . maxilar superior

17 . maxilar inferior

Aparelho fonador Ca laringe e as cavidades supralarlngcas)

FONÉTICA

B

FONOLOGIA

SOM E FONEMA

21

Nem todos os sons que pronunciamos em português têm o mesmo

valor no funcionamento da nossa Hngua. Alguns servem para diferenciar palavras que no mais se identificam.

Por exemplo, em:

erro

a diversidade de timbre (fechado ou aberto) da vogal t6nica é suficiente para estabelecer uma oposição entre substantivo e verbo.

Na série:

dia

via

mia

tia

fia

pia

temos seis palavras que se distinguem apenas pelo elemento consonãntico inicial. Toda a distinção significativa entre duas palavras de uma llngua esta- belecida pela oposição ou contraste entre dois sons revela que cada um desses sons representa uma unidade mental sonora diferente. Essa unidade de que o som é a representação (ou realização) física recebe o nome de

FONEMA.

Correspondem, pois, a FONEMAS diversos os sons vocálicos e conso-

nânticos diferenciadores das palavras atrás mencionadas.

A disciplina que estuda minuciosamente os sons da fala, as múltiplas

realizações dos FONEMAS, chama-se FONÉTICA.

A parte da gramática que estuda o comportamento dos FONEMAS numa

llugua denomina-se FONOLOGIA, FONEMÁTICA ou FONÉMICA.

Descrição fonética e fonológica.

A descrição dos SONS DA FALA (DESCRIÇÃO FONÉTICA), para ser completa,

deveria considerar sempre:

a) como eles são produzidos;

b) como são transmitidos;

c) como são percebidos.

Sobre a impressão

auditiva

deveria

concentrar-se

o

interesse

maior

r

22

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGu&:

CONTEMPORÂNB~'I ~ÉTICA E FONOLOGIA

[<]

23

da descrição, pois é ela que nos deixa perceber a variedade dos sons e o seu funcionamento em representação dos FONEMAS. A DESCRIÇÃO FONOLÓGICA mal se compreende que não seja de base acústica. A FONÉTICA FISIOLÓGICA, de base articulatória, é uma especialidade antiga e muito desenvolvida, porque bem conhecidos são os órgãos fona- dores e o seu funcionamento. Dal serem os fonemas frequentemente des- critos e classificados em função das suaS características articulatórias, embora se note, modemamente, uma tendência de associar a descrição acústica à fisiológica, ou de realizá-las parálelamente.

Transcrição fonética e fonológica.

Para simbolizar na escrita a pronúncia real de um som usa-se um alfa-

beto especial, o ALFAllETO FONÉTICO.

Os sinais fonéticos são colocados entre colchetes: []. Por exemplo: ['kaw], pronúncia popular carioca, ['kal], pronúncia portuguesa normal e brasileira do Rio Grande do Sul, para a palavra pre escrita cal. Os fonemas transcrevem-se entre barras obllquas: ff.

Alfabeto fonético utilizado.

Empregamos nas nossas transcrições fonéticas,

_ português normal de Portugal e do Brasil: pé, ferro

[e]

-

português normal de Portugal e do Brasil: ",edo, saber português normal do Brasil: regar, sedellto

[o]

-

português normal de Portugal: sede, corre, regar, sedellto

[o]

-

português normal de Portugal e do Brasil: pó, cola

[o] _português normal de Portugal e do Brasil: nJorro,força

português normal do Brasil: correr) morar

[i]

-

português normal de Portugal e do Brasil: vir, bico português normal do Brasil: sede, corre

[u]

-

português normal de Portugal e do Brasil: banJbu, sul, caro português normal de Portugal: correr, nJorar

2. Semivogais:

[jJ - português normal de Portugal e do Brasil: pai, feito, vário [w] - português normal de Portugal e do Brasil: pau, água

3.

[b]

[~]

[d]

Consoantes:

- português normal de Portugal e do Brasil: bravo (I), anJbos português normal do Brasil: o boi, aba, barba, abrir português normal de Portugal: o boi, aba, barba, abrir
- português normal de Portugal e do Brasil: dar (1), alldar português normal do Brasil: ida, espada

-

sempre que posslvel,I[d']

[3]

[d3]

- português normal de Portugal: o dar, ida, espada

- português do Rio de Janeiro, de São Paulo e de extensas zonas do Brasil: dia, sede

- português popular do Rio de Janeiro e de algumas Zonas próximas:

o Alfabeto Fonético Internacional. Tivemos, no entanto, de fazer certas adaptações e acrescentar alguns sinais necessários para a transcrição de sons de variedades da lingua portuguesa para os quais não existe sinal próprio naquele Alfabeto 1.

dia, sede

português dialectal europeu de zonas fronteiriças muito restritas:

Eis o elenco dos sinais aqui adoptados:

Jesus, jaqlleta

I.

[a]

[<x]

[g]

Vogais:

-

-

[y]

'I [p]

I

ri

[t]

português normal de Portugal e do Brasil: pá, gato português normal do Brasil: pedra, fazer

português normal de Portugal: canJa, cana, pedra, jazer; português I: [t'] de Lisboa: lei, lellha:

português normal do Brasil: canJa, cana . [tf]

português normal de Portugal e do Brasil: gllarda (I), fra/lgo português normal do Brasil: a gllarda, agora, agrado - português normal de Portugal: a guarda, agora, agrado

-

- português normal de Portugal e do Brasil: pai, caprino

- português normal de Portugal e do Brasil: til, canto

- português do Rio de Janeiro, de São Paulo e de extensas zonas do

Brasil: tio} sete

- português de extensas zonas do Norte de Portugal e de áreas não

Brasil:

delimitadas

de Mato

Grosso e regiões

convizinhas, no

chaveJ ellcher

1 Nessas adaptações e acrcscentlunentos seguimos, em geral_ o Illfabeto fonético utilhado '"

pelo grupo do Centro de l.inguistica da Universidade de Lisboa, encarregado da elaboração do :'

AI/OJ liflgllltlko-~Jnogrdjilo d6 Por/ligaI, da Ga/iza.

português popular do Rio de Janeiro e de algumas zonas próximas:

tio, sete

d6 Por/ligaI, da Ga/iza. português popular do Rio de Janeiro e de algumas zonas próximas: tio,

r-

2

-

4

[k]

[m]

[n]

[J1]

(I]

[I]

[Ã]

[r]

[f]

[R]

[f]

[v]

[s]

[z]

[~]

[~]

[e]

UJ

[3]

CONTEMPORÂNEOI

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGuÊS

português normal de Portugal al e d do Brasil: oI cosa porco, que

,

portugues normal de Portug

 

e

português norm

al

d

e

P

ortug

al

e

J

o

BraSI : mar, alIl1go

J

B

d oras

il

.

: Da.a cano

.).

_

-

_

- português normal de Portugal e do Brasil: vmha, ca!llmho

- português normal de Portugal e do Brasil: la!lla, calo

_ português normal de Portugal e de certas zonas do Sul do Brasil:

F~NÉTICA E

FONOLOGIA

.2 5

sempre na caV1

Q

2. uan o

t

°dad

e buca

s

I

o

b'

il'b a

stacuIo a passagem da corrente exptratórla.

O

lca

-

,

outro

cn °t' eno o

d

e

di

stlllçao o - -

ca

b

e

o

o

'fun -

a

çao

Ii

salientar que, na nossa

o

ngua, as vogats sao sempre centro de sHaba, ao

-

pasSO que as consoantes são fonemas marginais: só aparecem na sllaba junto uma vogal.

ai/o, Brasil

_ português normal de Portugal e do Brasil: filho, lhe

- português normal de Portugal e do Brasil: caro, cores, dar

- português normal de várias regiões de Portugal, do Rio do Sul e outras regiões do Brasil: roda, carro

Semivogais.

Entre as vogais e as consoantes situam-se as settúvogais, que são os

fonemas lil e lul quando, juntos a uma vogal, com ela formam sllaba. Fone- ticamente estas lil e lul quando, juntos a uma vogal, com ela formam sllaba. Fone- ticamente estas vogais assilábicas traoscrevem-se [j] e [w].

Exemplificaodo :

Em dito ['ditu] e viu ['viw] o lil é vogal, mas em pai ['paj] e vário ['varju] é semivogal. Também é vogal o lul em !IIuro ['muro] e lua ['lua], mas semi- vogal em !IIeu ['mew] e q/latro ['kwatru].

CLASSIFICAÇÃO DAS VOGAIS

- português normal de Portugal (principalmente de Lisboa), do de Janeiro e de várias zonas costeiras do Brasil: roda, carro

- português normal de Portugal e do Brasil: filho, afiar

- português norma} de Portugal e do Brasil: vinho, uva

- português normal de Portugal e do Brasil: saber, posso, céu, caça

- português normal de Portugal e do Brasil: azar, casa

- português de certas zonas do Norte de Portugal: saber, posso; noutras zonas, também: céu, caça

- português de certas zonas do Norte de Portugal: casa; e, noutra!\)

zonas, também: azar

I.

Segundo

a

classificação

tradicional,

de

base

fundamentalmente

- galego normal: céu, facer (porto fazer), caZa (port. caça), azar oarticulatória, as vogais da !Jngua portuguesa podem ser:

- português normal de Portugal e do Brasil: chave, xarope

português normal de Portugal, do Rio de Janeiro e de algumas costeiras do Brasil: este

- português normal de Portugal e do Brasil: já, gel/ro português normal de Portugal, do Rio de Janeiro e de algumas

a) normal de Portugal, do Rio de Janeiro e de algumas anteriores ou palatais centrais ou médias

anteriores ou palatais centrais ou médias

{ posteriores ou velares

abertas

quanto à região de articulação

costeiras do Brasil: /lJOSIIIO

CLASSIFICAÇÃO DOS SONS LINGuíSTICOS

Os

sons

lingulsticos

classificam-se em

VOGAIS,

CONSOANTES

e

b) quanto ao grau de abertura

c) quanto ao papel das caVIdades bucal e nasal

o

semi-abertas

semi-fechadas

{ fechadas

{

orais

nasais

VOGAIS.

É de b.ase acústica a classificação em:

Vogais e consoantes.

ti)

quanto à mtensl a e

o

°d d

{tónicas

átonas

I.

Do ponto de vista articulatório, as vo?ais pode~ ser considerad'li 2. Tem-se difundido recentemente uma classificação das vogais c?m

perspectiva

sons formados o pela vibração das cordas VOcalS e mod1ficados segundo 'i base em certo número ode ~aços, que são «disrintivos" numa

forma das caVIdades

entreabertas à passagem do aro Na pronunCIa ,hs consoantes, ao contrárlO, por si só de opor um segmento fófiÍco a outro segmento fórucoo

supra-Iarlngeas, q~e ~evem estar sempre abertas ?U

1

fonológica

ou fonemátIca,

IStO

e,

que

apresentam

o

caracte~lst1cas capazes

estar sempre abertas ?U 1 fonológica ou fonemátIca, IStO e, que apresentam o caracte~lst1cas capazes --

--

_~

---

---

r 2.6

r 2.6 BREVE GRAMÁTICA DO PORTUGUÊs ligado CONTEMPORÂNE0I (como Por exemplo: o traço distintivo ABERTURA, adiante

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊs

ligado

CONTEMPORÂNE0I

(como

Por

exemplo:

o

traço

distintivo

ABERTURA,

adiante com mais pormenor), do ponto de vista fisiológico, à maior ou menorl elevação ou altura da llngua no momento da articulação, opõe só por peso (substantivo) a peso (forma verbal) e a piso (substantivo ou verbo). A sença ou a ausência de cada traço é, neste tipo de classificação, assinalaclaR pelos sinais matemáticos (+) e (-). Assim: M de peso (verbo) [+ baixo], lei de peso (substantivo) será [- alto], mas também [- barxoJ,~ ao passo que lil de piso será [+ alto]. Os traços distintivos que devem ser considerados na classificação fonemas vocálicos portugueses dependem: a) da maior ou menor ção da llngua; b) do recuo ou avanço da região de articulação; c) do dondamento ou não arredondamento dos lábios. De acordo com esta classificação, as vogais da llngua portuguesa podern~

classificação, as vogais da llngua portuguesa podern~ FONÉTICA E FONOLOGIA 2.7 do-a do véu palatino, produzimos

FONÉTICA

E

FONOLOGIA

2.7

do-a do véu palatino, produzimos a série das vogais POSTERIORES ou VELA-

RES, isto é,

[+

[o], [o],

RECUADAS]:

lu].

Dentro da classificação tradicional, que considera a boca dividida em

com a

duas regiões

(anterior e posterior), as vogais

[a] e [",], articuladas

língua baixa, em posição de repouso, são denominadas MÉDIAS ou CENTRAIS.

De acordo com a classificação mais recente, devem ser incluJdas entre as

[+

RECUADAS].

Também importante como elemento distintivo na articulação das vogais é a posição assumida pelos lábios durante a passagem da corrente de ar expi- rada. Podem eles dispôr-se de modo tal que formem uma saída arredondada para essa corrente, e teremos a série das vogais [+ ARREDONDADAS]:

ser:

a) quanto à maior ou menor elevação da língua

b) quanto ao recuo ou avanço da articulação

{

[o], [o],

lu],

+ ou permanecer numa posição quase de repouso, e teremos a série das vogais

altas

baixas

+ baixas

altas

[-

ARREDONDADAS]:

[a], [e],

[E], [i].

{ + recuadas recuadas

Timbre.

c) quanto ao arredondamento ou não arredondamento

dos lábios

{ +

Articulação.

ou não arredondamento dos lábios { + Articulação. Dissemos que as vogais são sons que se

Dissemos que as vogais são sons que se pronunciam com a via livre. Mas, como acabamos de ver ao apresentar os vários critérios de classifi~ cação, isto não significa que seja irrelevante para distingui-Ias o movimentorl dos órgãos articulatórios. Pelo contrário. Esses critérios bas.eiam-se na sidade de tal movimento.

Assim:

Ao elevarmos a lingua na parte anterior da cavidade bucal,

Ao elevarmos a lingua na parte anterior da cavidade bucal, mando-a do palato duro, produzimos a

mando-a do palato duro, produzimos a série das vogais

PALATAIS, ou seja [-RECUADAS]:

ANTERIORES

Para a distinção do TIMBRE das vogais - qualidade acústica que resulta de uma composição do tom fundamental com os harmónicos - é ainda determinante, do ponto de vista articulatório, a forma tomada pela cavi- dade faringea e, sobretudo, pela cavidade bucal, que funcionam como tubo

de ressonância.

A maior largura do tubo de ressonância, provocada principalmente pela

menor elevação do dorso da lingua em direcção ao palato (quer duro, quer mole), produz as vogais chamadas ABERTAS e SEMI-ABERTAS [+ BAIXAS]:

ABERTA:

[a]

SEMI-ABER\1l'AS:

[E], lo]

O

estreitamento do tubo de ressonância, causado principalmente pela

maior

elevação

do

dorso

da

llngua,

produz

as

vogais

chamadas

SEMI-.

-FECHADAS

[e],

[

-

-

ALTAS]

BAIXAS

[",], [o]

:

[E], [e], [i]. e FECHADAS [+ ALTAS]: Ao elevarmos a Hngua na parte posterior da
[E], [e],
[i].
e FECHADAS
[+
ALTAS]:
Ao elevarmos a Hngua na parte posterior da cavidade bucal, aproximan.!
[i],
[u]

--

z8

BREVE

GRAMÁTICA

DO

PORTUGUÊs

Intensidade e acento.

 

A INTENSIDADE é a qualidade física da vogal que depende da força

ratórià e, portanto, da amplitude da vibração das cordas vocais. As vogais

que se encontram nas sflabas pronunciadas

com maior intensidade chamam-I

-se TÓNICAS, porque sobre elas recai o ACENTO TÔNICO, que se caracteriza em

português principalmente por um reforço da energia expiratória. As vogais que se encontram em sflabas não acentuadas denominam-se ÁTONAS.

Vogais orais e vogais nasais.

Finalmente, é de grande importância na produção e caracterização, das vogais, do ponto de vista articulatório, a posição do véu palatino durante a passagem da corrente expiratória. Se, durante essa passagem, o véu pala- tino estiver levantado contra a parede posterior da faringe, as vogais pro- duzidas serão ORAIS:

 

[i], [e],

[e], [a],

[o],

[o], lu].

Se, pelo contrário, essa passagem se der com o véu palatino abaixado, uma parte da corrente expiratória ressoará na ,cavidade nasal e as vogais pro- duzidas serão NASAIS:

 

[I],

[C],

[~, [õ],

[u].

Vogais tônicas orais.

Para o português normal de Portugal e do Brasil é o seguinte o qua- dro das vogais orais em posição tónica:

 

Anteriores

Médias

Posteriores

 

ou palatais

ou centrais

'ou velares

Fechadas

[i]

 

[u]

I + altas

       

- altas

Semi-fecbadas

[e]

[IX]

[o]

- baiXas

ScmiMabertas

[e]

I

[o]

I+ baixas

Aberta

---

[a]

 

- recuadas

I+ recuadas

I+ recuadas

 

- arredondadas

- arredondadas

+arredondadas

z9

FONÉTICA

-

E FONOLOGIA

Exemplos:

li Ilê, peso (s.) Ipeso (v.), Ipá, sa<o Isoco, po{ol posso, fot!o I tutlo.

Observação:

No português normal do Brasil, a vogal [IX] aparece em posição tónica antes de consoante nasal. Por exemplo: (onla ['kIXma], (ano ['klXfia], sanha ['sIXJla]. Não ocorre nunca em oposição a [a] para distinguir segmentos fónicos de

significado diverso. Do ponto de vista fonológico, funciona, pois, como

variante do mesmo fonema, e não como fonema autónomo. No português europeu normal, [oc], quando tõIÚcO, também aparece, na maioria

dos casos, _antes de consoante nasal, a exemplo de cama, cana e sanha. Mas nessa mesma situação tónica existe uma oposição de pequeno rendimento entre [a] e [!X], É a que se observa, nos verbos da La. conjugação, entre as primei-

ras pessoas do plural do presente (ex.: amamos [IX'motmuJ]) e do pretérito per- .feito do indicativo (ex.: amámos [IX'mamuJ]).

Vogais tónicas nasais.

Além das VOGAIS ORAIS que acabamos de examinar -

corresponden-

tes a oito fonemas no português normal de Portugal, e a sete no do Bra-, sil-, possui o nosso idioma, tanto na sua variante portuguesa como na

brasileira, cinco VOGAIS NASAIS, que podem ser assim classificadas:

 

Anteriores

Média

 

Posteriores

 

ou palatais

 

ou central

ou velares

Fechadas

[I]

   

[íí]

+ altas

     

-altas

Semi-fechadas

 

[ã]

[õ]

- baixas

 

-recuadas

+ recuada

+rccuadas

 

_ arredondadas

_ arredondada

+arredondadas

Exemplos:

rim, senda, canta, lã, bomba, atum.

Como se vê no quadro da página anterior, as vogais nasais da I1ngua portuguesa são sempre fechadas ou semi-fechadas. Só em variedades regionais aparecem vogais abertas ou semi-abertas como as francesas.

sempre fechadas ou semi-fechadas. Só em variedades regionais aparecem vogais abertas ou semi-abertas como as francesas.

BREVE

GRAMÁTICA

PORTUGUÊS

Vogais átonas orais.

DO

Em posição átona, o quadro das vogatS orais do português apresenta

diferenças cons~de~á:eis em relação à posiÇã~ :ó~ca, diferenças 'l.ue, por

nem sempre cotnCldirem nas duas normas prtnClpalS da I1ngua, serao estu.

dadas separadamente"

N

o

P

o

rtu

ê

I d

li

u

oras, em pOSlçaO atona nao

d

"d

[.]

[O]

ra1 I

e amente, ao

ul

ou-se a

[] o

e

[] u

a seIle ."

d

di

B

·

"-.

-

final

I

.

ul

ou

d

gu s norma

tr

[J

[]

p

t

,an

ér"

se

[

a

distin "

e [o]

-

-

vogal "s anten" o r e s

çaoenee:ee,eno-seman1!10apenaseel,nasleas

entre as vogrus " postenores "

al as; tal" pa

co

u red

zl"d

Stlnçao " -

ou com o que fi

-]

.J,

a a

ou velares"

:É, pois, o seguinte o quadro das vogais átonas em posição não final absoluta, particularmente em posição PRETÓNICA:

 

Anteriores

Média

Posteriores

ou palatais

ou central

ou velares

Fechadas

[i]

 

[u]

Semi·fechadas

[e]

 

[o]

Aberta

 

[a]

 

Exemplos:

ligar [li'gar], legar (le'gar], lagar (la'gar], lograr [Io'grar], lugar [Iu'gar];

álamo ['alamu], véspera ['vefpera],"diá/ogo [di'alugu], c1c!olron ['siklotron]"

2. Em posição final absoluta, a série anterior ou palatal apresenta.se

reduzida a uma única vogal [i], grafada e," e a série posterior ou velar tam. bém a uma só vogal lu], escrita o.

Temos, assim, três vogais em situação POSTÓNICA FINAL ABSOLUTA:

Anterior

ou palatal

Fechadas

Média

ou central

Posterior

ou velar

[i]

[u]

Aberta

[a]

Exemplos:

larde ['tardi], povo ['povu], çflSa ['kaza].

J10NÉ'I'ICA E FONOLOGIA

3'

3. No português normal de Portugal, em posiçã3' átona não final,

também se anulou a distinção entre [e] e [e], mas, em lugar de qualquer destas vogais da série das anteriores ou palatais, aparece geralmente a

vogal [o],

realização que não ocorre em poslçao tóruca e é completamente estranha

aO português do

por outro lado, tendo desaparecido a distinção entre r:>], [o] e

;., série das vOgals posterlOres ou . velares esta hOJe reduzlda a lu], grafado o ou 11 Ftnalmente, a vogal média ou central [a], aberta, corresponde a vogal

também média ou central, mas senu·fechada r,,], grafada naturalmente a•

média ou central, fechacJ:' J+ aI:a, + recuada, - arredondada],

Brasil. A série fica, assim, representada apenas pela vogal [i]"

.

,

.'

lu], toda a

.

o,

. O que f01 dito pode ser expresso no segumte quadro:

   

Anterior

Médias

Posterior

ou palatal

ou centrais

ou velar

Fechadas

 

[i]

[o]

[u]

Semi-fechada

 

[,,]

 
 

---

---

-

----

-

Exemplos:

ligar [li'gar], legar [l.'gar], lagar (l,,'gar], lograr [lu'grar], lugar (lu'gar];

á/anJO ['alO<lllu], véspera [',efpora], diálogo [di'alugu].

4. Em posição final absoluta, a série anterior ou palatal aesaparece e

em seu lugar surge a vogal já descrita [,,], grafada e," e a série posterior ou velar reduz·se à vogal lu], escrita o. Donde o quadro:

 

Médias

Posterior

ou palatais

ou velar

Fechadas

[o]

[u]

Semi-fechada

[,,]

 

Exemplos:

tarde ['tardo], povo ['povu], çasa ['kaz<x].

[o] [u] Semi-fechada [,,]   Exemplos: tarde ['tardo], povo ['povu], çasa ['kaz<x].

3 2

Observação:

BREVE GRAMÁTICA DO PORTIJGUÊS CONTEMPORÂNE~'I

FONÉTICA B FONOLOGIA

2.

Recentemente,

;;

outro

porém,

difundiu-se,

como

para .s

vogais,

sistema de classificação, com base em certos TRAÇOS DISTINTIyOS. Os traÇOS que se têm em conta neste sistema relacionam-se também com caracterJsticas da articulação, mas nem sempre coincidem com os que estão na base da classificação anterior. Segundo o novo sistema classificatório, as consoantes podem ser:

a) quanto ao modo de articulação

b) quanto à zona de articulação

{

[+ continuas]

[- continuas]

[+ laterais]

[-

[+ anteriores]

[-

laterais]

anteriores]

[+ coronais]

{ [- coronais]

c)

quanto ao papel

das cordas VOcaIS {[+ [ _ sonoras] sonoras]

.

d)

quanto ao papel

das

caVIdades bucal e nasal { [+ [ _ nasais] nasais]

.

É de base mais acústica do que articulatõria a classificação:

.,)

quanto ao efeito acústico mais ou menos próximo ao de { [+ soante]

[- soante]

uma vogal

Modo de articulação.

A articulaç