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Do
Pnecaì{Do s ENsINANDoA PARTIR
PnscaNoo E ENSTNANDoA PARTIRDo

rsB N 85-E tl -r,0l ,t-x

ililltll
"Baseado em sua obra táo atual, Toward an Exegetical Theology,
'ï?'alter Kaiser
agora expressaa urgente necessidadede se pregar toda
a Bíblia, de forma clara, no contexto da nossa situaçáo conrem-
porânea. Em minha opiniáo, este é o melhor livro que possuímos
sobre como pregar o Antigo Testamento. Kaiser nío é apenâs um
excelenteexegetaque apresentauma sofisticaçáoteológica, mas râm-
bém um mestre na arte de pregar, e um profissional nesta matéria."
- David L. Larsen, autor da obra Cornpanyof Preachers

'Aqueles que conhecem a obra de Kaiser, Toward an Exegetical The-


ology, ficaráo sadsfeitos com este passo de avanço em amplitude,
clareza e especificidade. O seu zelo pela pregaçáo expositória fiel,
enriqueceo todo."
- Greg Scharf, Tlinity Evangelical Divinity School

"Todos nós que nos preocupamos com a pregaçáobíblica, nos de-


paramos com uma alta montanha. Aqueles que se preocupam com
que o Antigo Testamento sejapregado de uma forma eficazpercebem
que a montanha é mais íngreme do que poderíamos imaginar. Com
seu novo livro, \falter Kaiser incentiva muitos pregadores.Este livro
se destaca entre as obras recentes de Graeme Goldsworthy, Steven
Mathewson, e Sidney Greidanus, que trazem uma saudávelteologia
bíblica paÍa a pregaçáo do Antigo Testamento."
- Kenton C. Anderson, ACTS Seminaries ofTiinity
'W'estern
University

"Este livro contém um argumento contundente a favor da necessi-


dade de se pregar a partir do Antigo Têstamento, bem como uma
descriçáosucinta dos vários gênerosliterários do Antigo Testamento.
As suasdiretrizes, bem como seusmuitos exemplos de interpretaçóes
e sermóes, seráo muito úteis para aqueles que pregam e ensinam as
passâgensdo Antigo Testamento."
- Sidney Greidanus, Calvin Theological Seminary
'\\',rlt,'r lr,r'ist'r'rros
dá uma sólida defesada pregaçáoa partir do
,'\nti11r'li's(rrrrrcrrto, além de inspiraçóesúteis a partir dos funda-
nrr nl(|s t'tllr intcrpretaçáodo Antigo Têstamento.As suassugestões
,,,I rrt' ,r prcguçixrdos estilosdo Antigo Têstamentoseráovaliosaspara
, 1rr.rlr1rrt'r'prcgador."

.ScottM. Gibson, Gordon-Conwell Theological Seminary

A pARTTR
PnncaNDo E ENSTNANDo Do

9ntígu@s1Ínmünt
Um guia püra a igreja

Walrru C K,ttst'u J n
Sumário

Introduçáo .................13

Parte 1 A Necessidadede Pregar e Ensinar Textos a partir


.- doAntigoTestamento
l. A Importânciado AntigoTestamento hoje..................21
2. O Problema do AntigoTêstamento hoje.....................37
3. ATarefade Pregare Ensinara partir do Antigo
Testamentohoie....... . . . ...........49
4. AArte e a Ciênciada Pregaçáo Explicativa..................59

Patte2 Como Pregar e Ensinar a partir do Antigo


Testamento
5. A Pregaçaoe o EnsinodeTextosNarrativosdo Antigo
Têstamento .....,...,75
6. A Pregaçáoe o Ensino dos Livros de Sabedoria do
AntigoTestamento ..................99
7. APregaçáoe o Ensino de Textosdos Profetasdo
Antigo Testamento
8. A Pregaçáoe o Ensino dosTextosdasLamentaçóes
do AntigoTestamento ...........l4l
IJ I'r.t.gurrtloc L,nsinando a parrir do Anrigo Testamento

rl A Itrr'1i:rr,
uo c o Ensino da Torá do Antigo
'li'strrrrrento
.........163
l0 A l)r'r'gaçíro
c o Ensino do Louvor do Antigo
'lfstrrrrrcnto
.......,.I79
il. A l)rcgaçáoe o Ensino do Antigo Testamento
Apocalíptico............... ..........189

( lrrrc'lrrsa-rr:'l'ransformando
o Mundo com a Palavrade Deus..203

Alri'rrrliccA: Folha de TirabalhoSugerida panFazer a Exegese Introduçáo


,Sirrtiitico-Teológica....... ..............2I1

Apêndicc B: A Integridade Bíblica em uma Era de Pluralismo


,t, .
f cofog r co De acordo com algumas pesquisasrecentes,a Pergunta que os lei-
|,
........,........223
gos mais desejam ver respondida sobre um novo candidato a pastor
Notas .....239 é esta:Ele sabepregar?Isto é encorajador,pois embora aigreia tenha
( ìl ossá r io ... ...............25I dado grandes passosà frente, com base em asPectosdo movimento
de crescimento da igr€1a,e tenha aprendido, com alguns dos grupos
de mega-igrejas, como atrair as geraçóesmais jovens de volta à casa
de Deus, o maior desafio que ainda permanece é como estasmesmas
igrejas podem desenvolver um novo apetite para ouvir a Palavra de
Deus e se conduzir de acordo com ela.
Recentemente, eu preguei em uma das mais novas mega-igrejas.
Uma multidáo entusiástica de adolescentescompunha o maior blo-
co da congregaçío na parte dianteira central do auditório. Eles res-
pondiam com atençáo extasiada. Era uma alegria que está além da
minha capacidade de descrever.Pregar neste tipo de situaçáo revita-
liza enormemente o pregador.
Depois do culto, o pastor me pediu para sair e tomar café com
ele. Enquanto conversávamos'ele relatou as óbvias bênçáos de Deus
no imenso crescimento que dnha visto, quando tinha aplicado, náo
o que tinha aprendido no seminário, mas o que dnha aprendido
frequentando seminários oferecidos Por Pessoâsno movimento clas
mega-igrejas.Ele concluiu: "Eles me ensinaramcomo fazer com ,1rtc
l,l Pregandoe Ensinando a partir do Antigo Tesramento 15
Innodução

vicsscm.A músicaé a novalinguagemque cadaum deles o


'r frvc's Bright apontou para a teologia da Bíblia como e chave Para
r'rrrlrrccrrclequaseinstintivamente.Mas .r ,...io que muitos Ele declarou que 'henhurn trecho
de .rr,.rrii-.rrto d" s,ra
rrrist;trcvivenciamos tal crescimento semprecedentes ,u-.-o, p"r" da Bíbtla é sem autoridade,
-.rrr"g.-'
páis todas as partes refletem, de uma ou
tttrrircidcnt€", é' e deve
gueixou-se ele. outra maneira, alguma f^crttdaquela estrutura de fe que
* IÌrr quevocêdiz isso?- perguntei. normativa para a'fé e a prática cris-
continuar sendo, Irrpr.-"rn.nte
- Porquenós náo recebemos nenhumaajudasobrecomo pode_ tás". t
rìos promovero interesse e um apetiterealpelo que é necessário Bright foi ainda mais contundente ao aPresentaruma proposlçeo
para
. crc.scimenro e desenvolvimento que
espiritual euem nosajudaráa colo- que de-spertouuma explosáo de protestos' mas uma proposiçáo
.ur,.reologiae o ensinamentobíbliio no idioÀa do dia, para atual.
caprurar eu defendo como ,.rrào a única saída da nossa complicaçáo
.lhos, ouvidose asvontadesdestasnovasgeraçóes? alegou. Bright declarou: "Vâmos dizer isto claramente: O texto tem aPenas
's -^
o seupedido apaixonadode ajudanáo é incomum. Ele-náo aut:r;.: há um
deve um"significado, o significado pretendido pelo seu
l)rssardespercebido. únicoïétodo para ãescobrir êste significado, o método histórico-
lìclizmente,no mesmomomentoem que aumentaa pressáo gramatical".' Isso é verdade, naturalhe"tt' E ^ única
maneira de
por
rrjrrdade uma novageruçíode teólogos, do texto náo
r.-i.rários, há lejeitar todas as interpretaçóes zubjetivas e pessoais 1ye
cvidênciasde que-algumas ""ãdê-i.or. recebido esta
brisasfre.casde mudança já.começaram a têm autoridade nem respaldo daquele que declara ter
$oprar.Testemunhea assombrosa quantidad. d. úur.as em páginas mensagem como uma revelaçáode Deus'
da internetque ofereceminstruçáosobreauxílios,ro. ."-po', Al{r", iráo objetar imediatamente que esta limitaçáo é enganosa
bíbli-
crt, teológicoe da homilética. Observe,também, ,rorr"r^ o que é que um autor-está afir-
publica_ 1poir"q,r.- podeiabe, exatemente
çíresperiódicassobre pregaçâo'e o número crescente ", deixa de apreciar as enormes complexidades que
de rivros que à"rraol) .,"-bé-
sáopublicadossobrepregaçáo. A suposiçáo
estáo envolvidas no ato de ler um texto das Escrituras.
contudo, apesardessavanguardade sinais favoráveis,persiste de
é de que, uma vez o texto produzido, ele se torna a propriedade
rma inquietante ausênciado Antigo Testamenrona igreja. seus vários leitores, q.r" ,. aproximam deste texto vindos de uma
É pos-
sível comparecera algumasigrejasdurante meses,sem jamais variedade de ambientes, antecedentes e preconceitos'
Cada
ou_
vir um sermáodo Antigo Tbstamento,que represenramais "*pf" deve ter o seu próprio dia, na sua própria coÍte' pata diz'ero
de três leitor
quartaspartesdo que o nossoSenhorrem a nãs dizer.Este que interpreto,, o iignificado daquele texto' E essavisáo mais
vácuoé
inc.n.scienrepara aquelesque afirmam que toda a Bíblia "o-ã a comunicaçáo
é a palavra io qn. q.r"lq.t.t ouffa que trouxe praticamente toda
confiávelde Deusà humanidade. a uma total
em nível humano, e ainãa mais a comunicaçáo de Deus'
f'lrrr 1967, John Bright no seu livro, 7heAuthority paralisaçáo.Tafveza melhor maneira de demonstrar a loucura desta
'lës*ment, of the Otd
renroualiviar algunsdossupostosobstáculos'qú o, .r.rr- signifi-
abordagem seja que todos nós entendamos nossos próprios
tes sentiamter para usar o. Antigo Gstamento. Naquàa ã"qrrilo que está sendo aÊrmado (usando a teoria de signifi-
ocasiáo,
lf right achoumelhortratarda questaod,opor qo, drurrí^mos ""do, resulta
pregar cados) .- ,tr^ àbjeçOes.Em última análise, esta abordagem
rt prrrtirdrr Antigo Testamento,em lugar de nos dize'o*o
àrurrí- em um absurdo.
rtttrs firzerisso.É chegadoo paraque nos ajudemosuns Com respeito à pergunta de onde deve estar alojadg o.significa-
aflr (fufro$a tratarda questáo-o-.nrã
do como. do (isto é, no te*tJ, nã comunidade, ou no leitor
individual), nós
|6 pregandoe Ensinando
a partir do Antigo Testamento
[ntroduç'ão I7
lrs|oltrlcrnr)s quc é no texto, pois
é encontrado no contexto das de_
. l,rraqocsrkr ltrttor. Muito mais útil para obter o significado destesrexros do Antigo
'lirt' iss' Testamento é a recàte evoluçáo Je obseruar, em primeiro lugar, o
seráffatado de maneira mais abrangente
(lr. sc scgucm, nos capítulos gênero particular em que o rexto foi divulgado como a indicaçáo
do pós_modernis;o náo d.evem
igrr,*rl.s'em admitido,
-"..:r.araques ser mais básica sobre como interpretáJo e pregar sobre ele. Donald
veáadeiros. g""rr" dïàu"
(lllc o c'sinamento e "ãmo po, Gowan disse bem: "Aquele antigo auror usou o gênero que era mais
o desafiadorministério de
o ,.xto do adequado para transmitir a mensagem particular que o estavasobre-
Alrtigo'lbstamento náo devem "pli.",
diminuir nos nossos dias, mas cond_
rrrtlrr.Íìrrtes,vigorosose metodologicamente carregando, e a pergunra é: isso pode ajudar o pregador que deseja
honestos. pregar aos seuscontemporâneos da maneira mais efetiva e persuasiva
M asvamos voltar à úave a q.r. i'porrrou
Bright: t.ologi". Elizabeth
Ac'rcmeier rejeitou a alegaçaá possível?"5Portanto, é o que desejamos fazer neste livro depois de
de'Bright sobre o significado que
ilr'rtorc'sdas Escritut", .oroa"rrr- os termos cuidado das questóespreliminares que já foram mencionadas
,ro"ra"ro. Ela afirmou: ,,Deve-se
crrÍàtizar que nenhum sermáo como obstáculos.Que o nosso Senhor concedaa todos nós sabedo-
pode se tornaf a palavra de Deus
ria e um desejo apaixonado de transmitir com todo o nosso coraçáo
r)uril a igreja cristá, se ridar apenas com o Antigo T..r"-.rrto,
radumenre sepa- e alma, a fabulosa mensagem do evangelho neste momenro crítico
O" t irrr.rprfr"çao,
ãd" textodo Antigo
"l:-^Ii:i"
'lbstamentojamais da história.
deveser apresenradosozinho,mas
csrilr acompanhadode um texto do devesempre Este livro se iniciou com um conjunto de palestrasrealizadaspela
Novo Gstamenro. F.ir_.rr,.,
primeira vez em2 a 14 de junho de 2000. Agradeço imensamenteao
a suatese'comoForrerR. Mccurley
;Í:ï:ffii:ï"Íï"t*am Dr. Joseph Shoa, presidente do Biblical Seminary of the philippines,
Mas o triste fato é que muitos, nos pelo seu gentil convite para ensinar quarenta seminaristasentusiásti-
círculos evangélicos,usam cos. As suascríticas e incentivos foram muito úteis para formular os
runr.métodode pregaçáosobreo
Antigo T.rr"_.rrroïil muito
sinrilara estaposiçáo.o. resulrado capítulos que estáo diante de nós agora.
é quË.les - s€,na verdade,não
praticam- chegammuito próximos, Tâmbém devo expressara minha gratidáo ao meu assistenrede
do que nósconhecemoscomo
cxcgese'isro é, "atribuir pesquisa,Jason McKnight, pela sua ajuda em localizar algumas fon-
fsignificado]ao" iexto. o .ouitrao é uma
lìíblia insípida,em que asidZias.r.orrtr"d", tes bibliográficas diffceis de encontrar, e ao meu editor na Baher
._-o,rr* f,"iï!.r* a* Academic, Brian Bolger. Agradecimenros especiais ao Rev. Dr.
liscrituras.sáoequivalentesa idéias
similares,encontradasem todas
a$partesda Bíblia,em parree no todo. Dorington Little pela permissáo para incluir este salmo na lamenta-
N1o_éd;;r;Çdor.,
aja'r como senáo porr.r?rr.- o cânone çáo do salmo 77. A sua ajuda foi profundamente apreciada. A res-
totar dasEscrituras,ou como
se l)cus náo fosseo autor dasEscrituras ponsabilidade pelo produto resukante é minha, e eventuais erros de-
na suatotaridade,mas na veráo ser atribuídos a mim, e náo a eles. Que Deus possa se agradar
vcrdaclc,o problemaé que a r,r"
é falha. Nós devemos de usar este livro para a honra e glória dEle.
crrr,prirneiro lugar estabelecer -.todJogia
o que o ,.*ã do Antigo fèrià.rrro
çstddcclarando,e somenteentãodevemos
buscar,rrï" inform"çao
adit'irurirls<lbreesser Deusjulga adequadonos dar em
rrsr)esprstcri.resd"ï;ï:;Jue
ParteÍ

A Necessidade
de Pregare Ensinar
Textosa partir do Antigo
Testamento
1

A Importância do Antigo
Testamentohoje

Frequentemente quando tenho a oportunidade de falar ou pregar


em uma igreja ou instituiçáo cristá, ouço a pergunta: "Você náo vai
fhlar sobre o Antigo Testamento, vai?" Obviamente, a resposta es-
perada é de que ninguém que esteja pensando corretamente, ou até
mesmo um cristáo, se arriscaria a fazer algo táo bizarra como tratar
de questóescontemporâneas e das necessidadesda nossa época, vol-
tando a algo táo antigo e distante como o Antigo Testamento. Mas
é isso o que eu tenho feito repetidasvezes,pois me impressiona o
quáo relevante e poderosa é a mensagem que o Antigo Testamento
plrtilha com o Novo. É chegadoo momento de uma nova avaliaçáo
cfasnossasrazóespara evitar esta seçáoda Bíblia. Juntamente com o
argumento favorável a procurar no Antigo Testamento as r€spostas
para questóescontemporâneas,devem também ser apresentadasal-
Hunra.ssugestóespráticas de ajuda, sobre como esta tarefa pode ser
realiz:rda,sem fazer uma injustiça com o texto mais antigo ou com
as ttecessidades da igreja que esperao Senhor.
( ) Antigo Testamento precisa praticamente da mesma defesa de
utrr leiio! No entanto, ele é claramente ignorado e frequentemente
tregligcnciadono ministério de pregaçáoe ensino da igreja. Essane-
gllgêrrcriaó ainda mais frustrante quando as reivindicaçóese os direi-
22 Pregandoe Ensinando a partir do Antigo Testamento A Importância do Anügo Tèstamentohoje 23

tos do Antigo Testamento de ser recebido como a poderosa Palavra sensaçáode necessidade,aparentementetarde na vida (Is 1-5). Se
de Deus sáo táo fortes quanto os do Novo Testamento. Portanto, é Jeremias exemplifica como é um chamado interno de Deus, Isaías
essencialque nós ouçamos a defesaque o Antigo Testamento faz de nos mostra como é um chamado externo de Deus.
si mesmo, uma vez mais. Essadefesapode ser apresentadaem quâtro Como, entáo, cada autor pode ser ele mesmo de uma forma táo
principais teses. singular, e, ainda assim, táo fiel à revelaçáoque Deus desejavatrans-
mitir à humanidade? Devemos sacrificar a originalidade humana ou
He É a Poderosa Palavra de Deus a autoridade divina? Náo podemos ter as duas coisas podemos?
O mais Antigo Testamento estáa anos luz de distância de ser uma É evidente para qualquer aluno que comece a estudar a lei nos
mera palavra de mortais escrita â humanidade sobreelesmesmos! Em ldiomas originais do Antigo Testamento (hebraico e aramaico) que
vez disto, ele se apresenta como possuindo autoridade divina, com há diferençasmuito clarasnos níveis de dificuldade, gramática,voca-
uma suficiência que transcende o que os meros mortais podem criar bulário e estilos, nos trinta e nove livros do Antigo Testamento. Isso
ou expor para seuscontemporâneos,ou para as geraçõesfuturas. certamente explica a individualidade de cada um dos autores. Mas
É verdade, Deus empregou personalidadesdistintas, talentos lite- essanáo é uma mera palavra de mortais. A repetida afirmaçáo dos
rários, vocabulário e maneiras exclusivasque cada autor tinha de se próprios autores é que aquilo que eles escreveramera uma revelaçáo
expressar,como qualquer pessoaque tenha lidoa Bíblia nos idiomas dc Deus, que deveria ser distinguida das suas próprias palavras. Por
originais deve ter notado. Mas a revelaçáo de Deus náo sofreu por ll(emplo, Jeremias23.28,29 declara:
isto, obstáculo ou distorçáo, como um raio de sol que sofre refnçâo
quando passapor uma janela de vidro colorido. Se usarmos essa O profetaque teveum soúo, que conteo sonho;e aqueleem quem
analogia, entáo devemos observar que o arquiteto que criou o sol, estáa minha palavra,que fale a minha palavra,com verdade.Que tem
de onde se origina o raio de sol, é o mesmo arquiteto que criou a a palha com o trigo? - diz o Senhor.Náo é a minha palavracomo
janela de vidro colorido, o que neste caso seria anáIogo aos autores fogo,üz o Senhor,e como um marteloque esmiúçaa penha?
do Antigo Testamento. Deus preparou tanto os autores - s66 1ed2
a singularidade e particularidade que cada um deles trazà, tarefa de Confundir as palavras e os sonhos do profeta com a palavra e
escreveras Escrituras - quanto a revelaçáopropriamente dita. vlcáo de Deus era táo tolo como confundir a palha com o trigo no
A questáo é: a preparaçáodos autores foi uma obra de Deus, táo Orule!
significativa quanto à revelaçáoque veio de Deus. Assim, a cada au- O apóstolo Paulo náo participaria da diminuiçáo do Antigo
tor foram dadas experiências, contextos culturais, uma quantidade Tegtamento, poisinstruiuo seujovemamigoTimóteo em 2 Ïmóteo
de vocabulário, e idiossincrasiasespeciaisde modo que se expressas- t,16, de que,
sem com estilos absolutamente próprios, mas sendo o resultado final
exatamente o que Deus desejavapara cadaseçáoda sua revelaçáo. TodaEscrituradivinamenteinspiradaé proveitosa
Essapreparaçáo do autor começavajá, no dia do seu nascimento. paraensinar,
O profeta Jeremias soube que dnha sido chamado quando estava para redarguir,
ainda no ventre de sua máe (Jr 1.4,5), ao passoque o chamado de paracorrigir,
Isaías ao ministério para defender a palavra de Deus surgiu da sua parainstruir em justiça.
24 pregandoe Ensinando
a partfu do Andgo Gstamento A Importância do Antigo 7èstamentohoje 25
É precisorecordarque as .,Escrituras,,(gr.go,
grapbe,.,escrito,,) hso, a Palavrade Deus continuava escassae raramenre erir anunciada
que esravamdisponíveisa ïmóteo quando p"JI"
lï. .r.r.rr.,, .r"_ ou ensinadaao povo.
os livros do_AntigoTesramenro. Tod; o Antigo Testamentofoi ,,ins- A possede uma palavra de Deus nâo era uma pequen:r lrcncvo-
pirado por Deus".Ele é_um produto de Deus]por
isso,sedesejarmos lênciaou um pequeno tesouro,pois ela só é menor,^emimporfância,
rer.uma apresentaçáo plenae equilibradade toda a verdadede Deus,
do que adádivade Deus ao mundo: Jesuscristo, o seu Firho arnaclo.
é absolutamenteessencial que a nossapregaçáoe o nossoensinamen- Mas a meÍa
to incluam o Antigo TestaÀento. ^ ?ossedesta palavra náo será suficiente para fortalcccr a
comunidade' em ocasióesde necessidade.Na verdade, a contínua
Além disso, o Antigo Testamenroé útil,
pois tem pelo menos negligência a esta palavra pode fazer com que o próprio Deus
quarro funçóes:(l) ensinar,(2) redarguir (3) torne
corrigia .'12; irrr,r.ri, a,suaPalavrâescâssa,de modo que poucos possam encontrá-la,
em justiça.A issopauroacresc.nt".rri2 Timóteo desta
3:1i q,,..; Antigo maneira beneficiando-se de aplicar a sua mensagem. Neste caso, os

ri
Testamenro"podeJnos] fazersábios paÍa-asarvaçáo
p.i" ru que há mortais náo podem fabúcâ-la, duplicá-la ou substituí-la por uma
em Cristo Jesus".poucospensamqu. u-
bo_ ,.r,rir"do,-"o_o iuposta alternativa.
salvaçáopessoalde alguém,pela ft .ï;.r.r, "
Cristo, viria do ensina_
ii menro e da pregaçáodo Antigo Tesramento,

::r:Tï 1": l.*


podia aconrecer_ e ensinouissosoËa inspiraçáo
A escassezda Palavra de Deus seria um sinal dos juízos de Deus
mas o apóstoropaulo robre o seu povo e os seus líderes, que tinham ajudado
a criar esta
ecterilidade. A situaçáo seria similar à daquelas horríveis palavras,
do Senhorsoberano.r
çncontradasem Amós 8.11,12:
Os nossosdias náo sáoa única épocaem que palavra
a de Deus
se tornou escassa' difi:cil de enconrrar,fora dã moda, ou aparenre_

liri
Eis que vêm dias,diz o SenhorJeová,em que enüarei fome sobrea
mente sem força ou eficáciaquando é exposta
ao povo. poderíamos terra, náo fome de páo, nem sedede água,mas de ouvir as palavras
citar uma situaçáosimilar quando o jovem
samuel estavacrescendo do senhor. E iráo errantesde um mar até outro mar e do Norte até
no santuáriosob a tutera do sacerdoteEri.
Ássim sendo,a história

rtri
ao Oriente; correráopor toda parte,buscandoa palavrado Senhor,e
começavana observaçáode que "a palavra
do Senhor.r" à. muita náo a acharáo.
valia-naqueles dias;náo havia visáomanifestd'(1 úl.rl.
s.-
luz da revelação,todo o tecido da sociedade
esrava._ïoi*. t.ro" is u.r.r, Deus nos dá o que queremos (quando nos recusamos ir
tambémfoi dito no livro de provérbios,gue ;Nã.
iL.rao ouvir a sua Palavra), mas Ele também envia uma escassezàs nossas
profeciafhebraico,hazon,,,visáo,'ou,.rwelaçáo,, "a"*rã,
de O.,rr], o porro dmas, como resultado (sl 106.15). Nestescasos,Deus fica cadavcz
secorrompe" (Pv 29.19). O termo hebraico
usadop"r" ,,.árro_p.,, mais silencioso,e as trevasdo nossodia ficam mais espessas,
que apareceno episódiodo bezerrod. ãrro, à nrcdi-
Í::.r-o. ._ Ê*odo da que uma intolerável tristeza se abare sobre nós.
onde o povo 'ãbandonoutoda a restriçáo,, ,.se
?2.?5, e desconrro_ A única cura conhecida para isso é o clamor que era ouvicro
lou" em atosde prostituiçáo..sagrada,,, dianteaà U.r.rro q* iirrh"_ qa Reforma: post tenebraslux, "Depois das trevas, i luzj" P.r
acabadode criar. Iss, isso,
diasdo
j.".-a";ï.i,'ï:ï:ïïï;:Jffi;ï:ïï::ï:,*i Calvino e seussucessores pensaramque a única maneira pcla qual a
lwviriapara o povo de Deus e paru-acidade de Genebra,
seguindoo mesmocaminho imprudente que Suíça,
os levariaà destruiçáo, leria pela pregaçío das Escrituras. Assim, seis sermóes por'asemana
embora presidissemcomo ."..idot., ru ìr",
d. o*r. errl,r"rrro crem prescritos, de acordo com as ordenanças da Igreja de Genebra,
2f:l Pregandoe Ensinando a partir do Antigo Gstatnento A Importância do Anügo Testamento
hoje 27

cnl 154 | d.C. Era necessárioum sermáono amanhecerdo domingo, A história de Samuel termina com a palavra de Deus reconhecen-
c ollt ro ì hora usuâI,ou seja,t horas da manhá. O catequismo,para do o seu servo Samuel (1 Sm 3.19-4.1a). Na verdade, "nenhuma de
ruscliurrças,era feito ao meio-dia, seguido por um sermáoàs 3 horas todas as suaspalavras [Deus] deixou cair em terra" (v. 19). Aqui está
dit tarcle, e três outros sermóes às segundas-feiras,quartas-feiras e a validaçáo, a confirmaçâo e a garantia da proclamaçáo de Samuel
scxtas-feiras.Somente desta maneira aluz retornaria e as trevas se- acerca da revelaçáo divina. E é isso o que validará a pregaçáo do
riurn rompidas, era o que eles raciocinevam. Náo deveríamos seguir Antigo Testamento nos nossos dias também: A validaçáo soberana
cstessenhoresestabelecendo,como eles fizeram, algo mais do que a do próprio Senhor.2
lromilia de vinte e cinco minutos ou o sermáode deza quinze minu-
tos proferido aos domingos como a fonte total da nossa maturidade Ele nos Leva aJesus,o Messias
cristá para toda a semana?E uma porçáo deste repertório expandido
Um dos trágicos resultados de separar o Antigo Testamento do
de textos bíblicos náo deveria incluir uma missáo distinta de prega-
Novo é o fato de que a comunidade de crentes deixa de ver que
çáo e ensino dos textos do Antigo Testamento? a vida de Jesus,o seu ministério, sua morte e ressurreiçío, foram
Aquela mensagem de Deus pode nos assombrar da mesma ma-
claramente previstos muito tempo antes que os evenros aconteces-
neira como chocou o sacerdoteEli (1 Sm 3.2-14). Foi assombrosa,
scm. considerando o Antigo Testamento como uma mensagem
no seu chamado, pois Deus chamou repeddas vezeso jovem Samuel
náo-cristá, há a perspectiva antecipada por alguns, de que nâo hát
(w. 2-10). fu palavras "chamâr" ou "chamou" aparecemnada menos
nada cristológico ou messiânicoa ser conquistado pelo estudo, mui-
do que onze vezesnos versículos4-10 de 1 Samuel 3. Apesar disso,
to menos pela leitura, pelo ensinamenro e pela pregaçáo do Antigo
Deus náo repreendeu Samuel por ser lento para responder; Ele ape-
Testamento. Mas essavisáo desafiaa evidência do próprio texto.
nas "veio e ali esteve, e chamou como das outras vezes" (v. 10). A
O Messias está no âmago da mensagem desta parte negligencia-
paciênciae a ternura do Senhor sáo, por si só, assombrosas.
da da Bíblia. Por exemplo, de acordo com cálculos de rabinos, há
Mas igualmente assombrosoe espantoso é o conteúdo da men-
aproximadamente 456 textos do Antigo Testamento que se referem
sagem. Neste caso, foi a mensagem que o Senhor pediu que Samuel
diretamente ao Messiasou aos tempos messiânicos.3Embora esse
transmitisse a Eli. O Deus soberano iria "fur.r vma coisa em Israel a
número sejaaumentado pelos padróesparticularesde sabedoriausa-
qual todo o que ouvir lhe tiniráo ambas as orelhas" (v. 11). Como Eli
dos em algumascomunidades,o que restaquando a lista é reduzida
náo conseguiu restringir os seus filhos, Deus julgaria a sua família e
é ainda extremamenteimpressionante.4
a culpa da sua casajamais seria expiada por sacriffcios ou ofenas (w.
Infelizmente) uma porçáo significativa da sabedoria moderna
12-14). Assim, a palavra de Deus envolveria um abençoadochamado
compartilha uma atirude céticacom relaçáoà consciênciamessiânica
l um homem para o serviço de Deus, mas também uma visitaçáo de
dos autoresdo Antigo Testamento.Típica de taisjuízos é a conclusáo
iuír,o a outro por deixar de agir de acordo com a Palavra divulgada. de Joachim Becker: "Náo há evidência do verdadeiro messianismo
Aa fazer isso, Deus demonstrou que é Soberano sobre todos (1
até o séculoII a.C.".t Becker desejaque acreditemosque foi somente
Srn 3.15-18). Ele é Soberanosobre quem estáfalando (vv. 15-17)
àsportas do Novo Testamento que nós começamos a ver alguma evi-
e sobcrano sobre os ouvintes (v. 18). fusim somos ensinados nas
dênciade um Messias!O que é surpreendenteé que o próprio Becker
liscritur:u adizet "Améni', náo apenasàs bênçáosde Deus, mas tam-
percebeu que essaconclusáo seria contrária a alguma forte evidência
Itém aos seusjuízos.
daquelesprimeiros crentesdo primeiro séculocrisráo,que ainda náo
!fr Pregandoe Ensinando a paÍriÍ do Antigo Testamento A Importância do Anügo Testamento
hoje 29

titrlritntrìcrìlìumadasseçõesou partesdo NovoTestamento.Ele con- antecipado nas prediçóes do Antigo Testamento seria equivalente a
t oltkrrr: " lissaconclusáo [à que ele tinha chegadoacima] contradiria loucura. Se nós argumentarmos incorretamente que essesignificado
rrrrrrrdrs rnais importantes preocupaçóesdo Novo Testamento que havia sido escondido na revelaçáoanterior de Deus, como entáo ele
insi,stccom frequência,intensidadee unanimidade sem precedentes, poderia ser persuasivo com os que consideram que Jesusfoi aquEle
tltre Oristo foi proclamado antecipadamenteno Antigo Testamento. enviado por Deus de acordo com os seus planos desde toda a eter-
A srbcdoria histórico-crítica jamais poderá ignorar essadeclaraçáo nidade?
do Novo Testamento".6 Becker se esforçará ainda mais para destruir James H. Charlesworth comentou que "o termo 'Messias', no
irssuáìspróprias conclusóes.Ele escreveu:"Encontrar Cristo em cada Antigo Testamento, náo indica o agente final de Deus na história
plsso do nosso caminho, ao longo da história de Israel e do Antigo da salvaçáo...o conceito de 'O Messias' no Novo Testamento está
'li:stamento, náo somente náo é engano, como também é um dever conectado com o Antigo Testamento, por intermédio da teologia do
(luc nos é imposto pelo testemunho inspirado do Novo Testamento, judaísmo antigo".8
cujo significado devemosnos esforçaÍ para compreender".T Mas isso equivale a deixar de perceber a repedda declaraçáo do
Na verdade,há um sistema de profecia messiânicaque pode ser próprio texto do Antigo Testamento. O termo Messiasé realmente
cncontrado no Antigo Testamento, que está de pleno acordo com os usado apenas nove vezes com relaçáo ao Ungido que viria na pes-
cumprimentos do Novo Testamento. Poucos perceberam a unida- soa de JesusCristo.e Mas tanto a comunidade judia (especialmente
cle do argumento total, frequentemente contentando-se com muito nos dias anteriores a Cristo) como a lgreja Primitiva encontraram
rÌlcnos ao destacarum versículo aqui ou ali, de uma maneira abstrata dezenas, senáo centenas, de textos respaldando uma interpretaçáo
c aleatória. messiânicacomo já vimos no argumento anterior.
O intérprete náo precisasecontentar com um conjunto duplo.de Já no dia de Pentecostes(At 2.16-36), o apóstolo Pedro usou o
significados para espremer do Antigo Testamento algumas possibili- Antigo Testamento para demonstrar que a morte, o sepultamento e a
dades messiânicas.Ao contrário, é preciso ser capaz rJemostrar que ressurreiçáode Jesustinham sido claramente antecipados pelos auto-
os autores do Antigo Têstamento estavam cientes de um nexo muito res do Antigo Testamento. Pedro apelou ao profeta Joel (Jl 2.28-31),
clecidido entre os eventos temporais e históricos em muitas das suas ao salmista (Sl 16) e ao entendimento do rei Davi (2 Sm 7; SI I 10)
profeciase o seu cumprimento culminante no Messias- e issopode para explicar estesmesmos pontos, anteriores à apariçáo de qualquer
scr feito legitimamente sem usar de violência com as regras normais literatura de Novo Testamento. Alguns dias depois, quando Pedro e
dc interpretaçáo. Joáo estavam a caminho do Têmplo, Pedro curou um coxo às por-
Aqueles que argumentam que o significado messiânico, aquilo tas do Templo (At 3). Isso deu oportunidade para outro sermáo de
(luc aponta para Jesuscomo o Messias,permanece escondido no Pedro, em que ele novamentefezreferências diretas aAbraáo, lsaque
texto em oposiçáo aos apóstolos,que corajosamenteanunciam que eJacó,observandocomo elesindicavam "o que [Deus] já dantespela
os eventos que ocorreram durante os dias de Jesus aconteceraÍn boca de todos os seusprofetas havia anunciado" (fu 3.18), ou seja,
er(iltiìrÌìcntecomo o Antigo Testamento tinha predito! O Antigo que Cristo havia de padecer. Pedro afirmou que Cristo era "aquele
'lbstlrrrcnto náo pode ter um significado óbvio juntamente com profeta" sobre quem Moisés havia escrito. Moisés esperou que Deus
urrr signiÍìcadocristáo oculto. Se estefosseo caso,citar os versículos levantassealguém assim, e que se manifestassenaqueles dias. Este
padráo de apelo ao Antigo Testamento para demonstrâr que Cristo
lrâril í)s rriro-crentese tentar convencê-losde que Jesusfoi totalmente
Pregarndoe Ensinando a partir do Anrigo Têstamento A Importância do Anügo Tbswmentohoje 31

é . M.ssias fìri repetido nas palavras de Estêváo, em Atos 7, e nas Se o livro de Lamentaçóes é necessâriopara desenvolver uma te-
Prrlrrvrrrs dc Paulo na sinagogaem Antioquia (At l3). Náo é o caso ologia de sofrimento, entáo os salmossáo necessários da mesma ma-
t |,s. 1rri r. eiros_discípulos emprestadosdo neira, para nos ensinar como louvar e adorar a Deus.
lldaísmo, a religiáo judaica
rcr'úrn-Íìrrmadaque teve início no exílio na Babilôni" orrã. o t.mplo Tânto os primeiros profetas (Josué,Juízes,Samuel e Reis) quanto
:rg,oraseria substituído pela sinagoga,o sacerdoreseria substituido rusprofetas posteriores (Isaías,Jeremias, Ezequiel e os doze profetas
Pcl. cscriba ou pelo sábio e os sacriffciosseriam substituídos pelas menores, segundo a organizaçâo da Bíblia dos hebreus) revelam o
o apelo dos apóstolos foi direta e unicamente ao rexro an- plano e a promessa de Deus. Eles também nos üo liçóes práticas
'raçíres.
terior do próprio Antigo Testamento. que podemos usar, quando observamos os fracassose os sucessosde
o próprio resremunho de Jesussobre si mesmo náo foi menos indivíduos e naçóes que nos precederam. O assunto é claro: aqueles
claro: "sáo elas fos rexrosdo Antigo TestamentoJque de mim testi- que se recusam a aprender com a história estáo condenados,como
íicrrm" (Jo 5.39b). Além disso,na hora da tentaçáoie diz o ditado, a repetir os seuserros.
Jesus,quando
diante do próprio Satanás,a sua respostaa cada .r-" d"r ,rèr r..r_
taçóesfoi citar o Antigo Testamento como seu protesto definido Era Usado como aAutoridade Exclusivana Igt"r"
e
*rnfiável. Jesusnáo tinha necessidadede contentar os seusouvintes Primitiva
jrdeus nem o Diabo, como alegamalguns.Ao contrário,
esteera um Embora já tenhamos feito referênciaa estefato, ele trazvmaênfase
fìto determinado pelo Senhot . qr. náo poderia ser contraditado
pclo-maligno: as Escrituras sáo a palavra dè D.us digna de absoluta própria e distinta. O fato é que, sempre que a palavra "Escritura(s)"
(graphe,graphai) apareceno Novo Têstamento, quasesempre aponta
confiança. Neste ponro, o Diabo náo poderia fner iada!
para o Antigo Testamento, seja na sua traduçáo em grego, conhe-
Ele Thata das Questóes daVida cida como a Septuaginta, ou no seu texto em hebraico e aramaico.
Era a essestextos que os cristáos recorriam como os de Beréia, por
o escopodo ensinamento do Antigo Gstamento sobre asgrandes exemplo,para descobrir como Jesustinha sido predito no plano e no
c;uestóes da vida é exrremamenteamplo e assombrosoro ,..rãrp...o propósito de Deus naquele testamento anterior.
prático. Ele abrange tudo, desde as questóesde dignidade humana Nem todos os judeus e todos os primeiros seguidoresde Jesus
c tratamenro do meio ambiente, nos capítulos iniciais do livro entenderamisso.Somenteprecisamosnos lembrar daquelesdois dis-
de
( ìênesis,até a natureza e o propósito
do amor conjugal, em cantares cípulos que estavam andando naquele primeiro domingo de Páscoa
clc Salomáo,e uma teologia de cultura, no livro j. Ëcl.riastes. a caminho da aldeia de Emaús, quando Jesusse uniu a eles(Lc 24).
As suasleis morais tratam de valores e santidadescomo o caráter Cleopas e o outro discípulo estavam táo dominados pela sua tristeza
titticrr e absoluto de Deus_,o valor e a dignidade dos mortais e o respei- que deixaram de perceber que quem os acompanhava era o próprio
l, llcla vida humana, pelos pais, pelo casarnenro,pela propriedaáe
. Jesus.
lrelir vcrdade.As leis civis, por outro lado, üatam d. qu.rto.r como a Mas a sua falha foi mais profunda do que isso, entretanto. Eles
scll,rrrarìça pública, o ffatamenro dos órft.os, os direitos de propriedade nâo faziam ideia de que os eventos que agora vivenciavam tinham
c o rcspcit<lpelasautoridades.Náo menos úteis sáoasleis cerimoniais, sido preditos há muito tempo, nas mesmasEscriturasque elesconsi-
(lue nos cnsiuam a úaçaf uma linha na ateia,demarcando deravamcomo sendo a Palavrade Deus. Este passoem falso intclcc-
o sagradoe
,t.rcculur,c scparandoaquilo que é santo do que é comum. tual motiva a firme censurade lesus:"Ó nésciose tardos de coraçít<r
1J pregandoe Ensinando
a paÍtir do Anrigo Testamento
A lnportância do Antigo Tbstamentohoje JJ

lríil'.re'c' ru(lo o que os profetas disseram!porventura, náo convinha


(rtc'(lri.st. estiìva entaizada nas promessas feitas aos patriarcas), essaexclusáo
padecesse essascoisase entrassena sua glória?',(Lc
solnenteduraria até que a plenitude dos gentios rivesseentrado (Rm
.',4.)5,26). No versículo seguinre, ,,E,
Jesusprosseguiu: começando | | .25). Mas entáo haveria um enxerto de Israel de volta à árvore, da
1r.r M.isés e por todos os.profetas,explicava-hï. o q.r. d.l. seacha-
tlual eles foram cortados quando retornaram naqueles últimos dias
vir clìì todas as Escrituras".
etn grandes quantidades à plena crença no seu Messias. Paulo estava
nenhumâ parte do Novo Testamento é possíver
.lun enconrrar cxuberante. Este conhecimento o assombrava:
c'viclênciasque declarem que os aurores deixaram
ã, hmit., ão rexro
tl' Antigo Gstamento para obter a sua visáo
do Messias,ãu q,r. .o- Ó profundidadedasriquezas,tanto da sabedoria,como da ciênciade
raz.áotivessemrejeitado imediatamente o que
estestextos ensinavam Deus!...Quáo insondáveissáoos seusjuízos [de Deus], e quáo ines-
. rcspeito daquEle que viria. A "história" qì.
Igry" primitiva con- os seuscaminhoslde Deus]!(Rm 11.33).
crutáveis,
tava erâ a história do plano e da,promessa "
d. õ..r. . da rinhagem
da "semenre"que terminaria no filho finar
de Davi, Jesus.Err..r" o Deus náo poderia voltar atrás em tudo o que tinha prometido no
c'vangelhoque elesproclamavam.
Antigo Testamento - e nem o faria. Náo é de admirar que a Igreja
A palavragospel(evange.r)'ro, em ingrês)remonta ao IngrêsMediano
l)rimitiva encontrasseuma apologia preparada para as reivindicaçóes
yd-spel, q,e significava a "boa históãa" e, com ,r-" de in- do Messias,e táo grande consolaçáo no Antigo Testamento.
Íìcxão,a "história de Deus".l' Assim, o evangelho -rid"rrça
é a história daque-
llr série de eventos interconectados escritos
para nos informar sobre Conclusáo
il pessoae a obra do Messias.
Enfferanro, há mais a ser dito aceÍcado apero O Antigo Testamento era a Bíblia da Igreja Primitiva. Mas uma
dos primeiros cris-
táos para o Antigo Tesramenro, pois para elès, nova objeçáo pode ser ouvida de alguns caluniadores. 'Agora que te-
ele era mais do que
uma mera série de rextos sobre a identidade mos o Novo Testamento, náo deveríamos ir ao Novo Testamento em
e a missáo do Messias.
Em Romanos 9-11, paulo trata da questâo primeiro lugar, para formar uma compreensáo dos ensinamentos da
de que Deus foi fiel às
suas promessas feitas a Israel. Ele está int.ressaão, Bíblia, e depois uohar ao Antigo Testamento, inrerpretando-o à luz
náo apenas na
promessaque diz respeito à ,,semente,,,mas do Novo Testamento?" Essa abordagem é defendida com tanta fre-
também à,\eìri,, eretz
Israel e bênçáos que deveriam vir a todas quência na Igreja hoje em dia, que deve ser encaradadiretamente.ll
.as. ,r"çó., a" ì.rr" po,
intermédio do homem da promessade Israel.", Toda a abordagem é errônea, histórica, lógica e biblicamente.
Plulo mal pôde se conrer quando examinou Como vimos, os primeiros crentes do Novo Testamento testaram o
os conceitos da ado_
çiur de Israel como filhos, a glória divina que era deles, os concerros, que tinham ouvido deJesus,e dos seusdiscípulos, comparando com
, rcccbimento da lei, a adõraçáo no o que estava escrito no Antigo Testamento. Eles náo tinham outro
Gmplo . * p.o_.* f*
9.4). Contudo, ele se perturbou o suficienìe cânone nem outra fonte de ajuda. Como, entáo, seriam capazesde
para fìr.,
cl*rve: f)eus tinha deixado de fazero que H.
tïnha *.-.,ãït^pergunran*"
entender?
ideirr..ra anátema-parapaulo, ,,porq.r. o, Assim, a partir de um ponto de vista metodológico, ler a Bíblia
dons e ;.'O.u,
.rãrrscrn arrependimenro" (Rm lL29). Embora";.."çá. na ordem inversa é algo incorreto, tanto historicamente como em
n^iáo de Israel
tivcs"'e sido extirpada da sua própria^ termos do processo. E, além disso, a Igreja Primitiva sabia que o
árvore (que
'rrvisoriamente Antigo Testamento era verdadeiro; portanto, logicamente, eles náo
t4 pregandoe Ensinando
a partir do Antigo Testamento
A lmportância do Anügo Tèstamento
hoje 35

rxr(lrrií* rer tesradoo que fora estaberecido(e era verdadeiro)


por çáo ao Tènach(acrônimo judaico para o Antigo Testamento),
cles (Possuindo somente o Antigo Testamento),
de acordo com o teria que ser rejeitado, pois Deuteronômio 12.32 advertia:
(rlrc (:fa recebido como algo novo (o
Novo Gstamento). Isso seria "Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás
rrrrrrrinversáoda ordem narural, histórica
e lógica d". .oir"r. nem diminuirás".
ljinalmente, Israeltinha sido ensinadobibhïamen..
.-l"rr"g.r, 4. Paulo também baseava seus ensinamentos no Antigo
e',rrr. Deuteronômio 13 e 1g a testar novos
ensinamentosou decla_ Testamento. Ele pregava o que tinha recebido das Escrituras
ruçírcsde autoridade divina, segundo o
que Deus já reverou na sua do Antigo Testamento. Disse ele: "Porque primeiramenre vos
palavra (isto é, no Antigo TestÃento). portanto,
pregar e ensinar a entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos
Iìíblia em uma metodologia inversa pode
produ ul^^mensagem pecados, segundoas Escrituras, e que foi sepultado, e que res-
r;uc também é invertida metodologi.ã-.rr,.. "i,
suscitou ao terceiro dia, segandoas Escrituras" (1 Co 15.3,4,
Ao validar as reivindicaçóes de autenticidade,
nós passamosdo ênfasedo autor). Mas de maneira ainda mais definitiva, quando
que já é reconhecido como sendo verdadeiro
ao que é edìficado sobre Paulo estavaem julgamento, podendo ser condenado à morre,
isso' Qual é, entáo, o caso para interpretar
a Bíblia em uma aborda- afirmou: "E, agora, pela esperançada promessa que por Deus
gem direta, e náo inversa?li
foi feita a nossospais" (At 26.6). E concluiu, dizendo: "Mas,
1. Rejeìtar o Antigo Testamento como alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permane-
a revelaçáo anturior e au_
têntica e autorizada de Deus significa rejeitar ço... náo dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés
a própria base disseram que devia acontecer" (At 26.22). O seu resremunho
da Bíblia para dererminar queÀ é e quem
não e o Messias. era de que "conforme aquele Caminho... crendo tudo quanto
Jesussituou dos ourrìnt.sjudeus," ,r" i"*p".ìa"a.
" ï1".
de crerno que estáescrito na Lei e nos Profetas"(Ar 24.14). Mesmo aprisiona-
Moisésescreveu. Ém Joao5.46,47,J'esus de_ do em Roma, Paulo convocou a comunidade dos judeus a fim
clarou: "Porque, se vós crêsseisem Moisés,
creríeis ãm mim, de explicar qual era a sua mensagem. Ele se considerava "de-
porque de mim escreveuere. Mas, se náo
cred.esnos seusescri- clarando com bom testemunho o reino de Deus e procurando
tos' como crereis nas minhas palavras?"
Exatamente! Descartar persuadi-losà fe de Jesus,tanto pela lei de Moisés como pelos
o Antigo Gstamento e reduzir o escopo
do seu estudo ape_ profetas,desdepela manhá até à rarde" W28.23, traduçáo do
nas ao Novo Testamento irá suscirar, lãgicament.,
,.errirr,. autor).
questáo:"Como posso crer no que Deurãisse "
en tuturoïo'o
Testamento, se eu náo estou inclinado a
crer nem a confiar no O Antigo Testamento pode argumenrar por si só, pois assim o
que Ele disse no Antigo Tesramenro?,'
2. As Escrituras do Novo Tesramenro fbz, durante os séculos antes de Cristo e nos primeiros séculos cris-
baseiam no Antigo ftlos.Tornar a pregaçáoou o ensinamento do Antigo Testamento de-
'lestamento a sua
reivindicaçáo de serem autênticas e
autori- pendente de um compromisso anrerior de torná-lo normativo, para
zadas. E por isso o capítulo 1 de Mateus
começa .o_-,r_" trtdas as questóesda ft, o ensinamenro no final da revelaçáode Deus
gcnealogia, gue se estende do Gênesis ao
. Novo T..t"-.nto.
-Arr,igo (isto é, o Novo Testamento), obscurece a caracrerística singular de
.ì. () fundamenro dos ensinamenros de
'lbsramento' Jesus .r" o tttuitos dos ensinamentosdo Antigo Testamento. Isso também tri-
se algum novo ensinamento fosseuma contradi-
vlaliza três quartas-partesdo que Deus rem a nos dizer. A tendência
1Ír Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento

rlc irrtcr'prctara Bíblia na ordem inversaé um sério problema de pro-


,ctlirncrrto, pois deixa um grande vácuo nos nossosensinamentose
lrroporciona terreno fertil para asheresiasde amanhá. É reducionista
rrivclar a Bíblia e remover as suasdiferençaspara que diga apenaso
r;rrco Novo Testamentodisse!
A importância do Antigo Testamento é inestimável para todos os
(ìrcìÍìtes.Evitálo é deixar de aproveitar aproximadamente três quar- 2
tas-pertesdo que o nosso Senhor tem a nos dizer hoje, quer nós o
oucamos ou náo!
O Problemado Antigo
Testamentohoje

colno um
Em vez de receber o Antigo Testamento com gratidáo'
à igreja de Cristo o
presente de Deus, muitos dãt qttt peÍtencem
pescoços dos cristáos
consideram como um albatro" ao redor dos
como estas:Qual é
a""i"t"p"taneos. Eles se debatem com questóes
nós?Por que os cren-
o significadodo Antigo Testamento' hoj: para
agora que temos
tcs ãerreriamse importar com o Antigo Testamento
tT usar um
o Novo? Náo há ttma grande quantidade de problem"t
livro como o Antigo È,a"-t"to, especialmentequando há muitos
sáo normativos para a
trechos dele que não mais estáo em vigor nem
suscitam a questáo
igreja?Perguntas como essas,em última análise'
se náo o princi-
r'io Arrtigoi.stamento como um grande problema'
pal problema da teologia.

O Antigo TestamentoÉ o Principal Problema da


Teologia?
"O problema do. Antigo
Em 1955, Emil Kraeling advertiu:
'lbstamento... náo é apenasum entre muitos. É o principal problc-
e precisada sitttaçiro'
lrra da teologid'.l Br." e uma avaliaçáocorreta
uma avaliaçáoitrcorrc'
ern minha olirriáo, pois táo logo alguém faça
Pregandoe Ensinandoa pamir do Antigo Testamenro t, l\rthlrttt do Antigo Tëstarnento
hoje ì()

r.r,r oilr rc'llrçãoao Andgo Gstamento, os rrstilrììcnto, muitas vezes,significa um passoem falso na teologia c
resultadosvão lentamente
rlt'v;rsl;rrrdo toclo o resto da sua teologia.por exemplo,
uma vez que rr,rplriticada fé.
'rllirrí'rrrc.'clua, como alguns já coãcluír"-, q,rá ri ãrAbraáo
,'rrr l)c.uscm Gênesis15.6, significa ^ ( ) Antigo Testamento Tem um Centro ou um Miae?
que ele siÀples_.nr. se ror_
rr,rr tt.ísr:r,no sentido de que decidiu
que d.v. ."irti, um Deus, e
r;rrt' r'le depositaria a sua confiança nElã, Assim como os autores do Antigo Testamento náo escreveram
os resultadosdessainter-
p.r'rrrçi.r começam a aparecefna cristologia nn uln vácuo, também os leitores originais ou a Igreja Primitiva
e na missiologia deste
:rlgtrér,' Essaconclusáo falsa fez com que rr,rr,lcram as antigas Escrituras em um vácuo. Eles liam os livros e
muitos concruísi.m que
rrrrr ú necessárioque afé de uma pessoaseja ur ;rutoresdo Antigo Testamento com uma sensaçáode integridade
fundamentada emJesus,
r 1re'rfeiçáoe capacidade de conexáo dos textos. O texto era tratado
r)ois csta pessoapode vivenciat a fé sarvaáora,simpresmentecrend.o
r;uc cxisre um Deus, como' supostamente, ( orìro uma história progressivado plano e do propósito de Deus, exi-
Abraáã fez. os cristáos
srrlrcrnque o rexro em Atos 4.72 diz lrirll na tela histórica daquelestempos em que os seusparticipantes
que não hâoutro nome pelo
tJual possamosser salvossenáo o ,ro-Ë c('situavam.
de Jesus,pore_,-Ã"is uma
vcz'.alguémsupóe incorreramente que as regras ( ) casorelacionado à unidade do testamento pode ser investigado
saã diferenresenrre
dois resramenros.Mas.haveria um grave ilir tÌìaneira como autores posteriorescitam e se referem a eYentos'
's f,roblema na exegesedo e palavrasanteriores,um método que poderia serusadocomo
Arrrigo Testamento, se nós ,urt.rrtár.ãmos lr('ssoâs
que Abraáo .rr.r"_.rra.
cria em Deus. Dizer que Abraáo cria em
Deus, sem fazer referência 1r'cccdenteem nossospróprios dias. Mas isso é contrário ao espírito
ì promessada sementeque haveria de vir, significaria principal da sabedoriabíblica contemporânea.A acusaçáocontra a
q,r. .r_"
tcrlogia fraca estaria dóminando os nossos rrnicladee a capacidadede conexáo entre os textos é o fato de que
conceitos de"gor"
sarvaçáo,
rni.ssóes e a necessidadede crer em Tesus. os rnateriaisdo Antigo Testamento sáo demasiadamentevariados,
A. H. J. Gunneweg também manifestou distintos e diversificadospara possibilitar qualquer motivaçáo cen-
o mesmo sentimento
tlc que o Antigo Testamento era um grande tnrf ou plano organizacional.Mas chegar a essaconclusãoseráabrir
problema de teorogia
t;rnndo concluiu: tníro do fato de que havia uma mente organizadoracìivinl por trás
rlc todo o testamento. Na verdade, com cxccssivafì'cqtrêrtciaDeus
Náo serianenhum exagerocompreendero problema é rrpagadoda cena e uma multiplicidade clc pctìsâlììcÍìtos,vontades
hermenêutico
t'r Antigo Gstamentocomo a problemada teologia
cristá.Náo setra- e propósitos é colocadano lugar do pensanrctlto,do propósito e do
tlr rìpenas
de um problemaenüe outros.É , proúI._a, porque plirnodo próprio Deus.
todas
irsorrrrasquestóesde teologiasáoafetadas,de Sehá uma chaveque destravaestabuscap()r um centro organiza-
uma ou outra maneira,
pcl:r.solução
desteproblema.2 .frrr, qual é ela?Eu afirmo que ela seráencontrada no plano-promessd
r{r Deus. Nenhum texto demonstra esteargumento melhor do que
Ntis prccisamos apenasrever os grandes debates
sobre cristo e a I l)cdro I.3-12. Quando Pedro discutiu "a grande salvaçáo"que os
'li'irrtl.rlc
rra igreja, sem negÌigenciaios relativosà expiaçáo r'r'crìtescristáos têm, concluiu que era esta mesma salvaçáoque os
e i aorr-
Irir;r tlc salvaçáo,para validai o fato de prrrfetastinham também estudado.Estesprofetas "inquiriram e tra-
que o Antigà drt"m.rrto é
r(';rlrr(.rìr(.a grandeproblema de teologial U- p"r.ï tar:rmdiligentemente" (v. 10) a respeitodestasalvaçáo.
._ áro ,r..r.
l'rcgando e Ensinando a partir do Antigo Gstamento .l l
at I'nthlema do Antigo Tëstarnenn hoje

" I\l,rsrr;r,í'c'xarrrr'enreesreo propósitoda objeçáoa qualquertipo


grlicidade de temas,eu escolheriaGênesis72.3. Ni, estáescrito:"lrrtr
tlr' ;rl,r.' .r ccrìn'ounificado ou holístico do Antigo T..t"-.rrtol,',
tiscráo benditas todas as famílias da terra". Ali está o plano orgltri-
Ir,r(',\r;rrlr() rrlliuns.Afinal, seos profetasestavamquebrandosuasca-
r,rdorde toda a Bíblia.a
lr,'q,rslrrrr';rc'rcnder esta salvaçáo,como poderiam ter sido versados
Albrektson escreveu,em sua obra History and the Gods; "Se ct
,'r .,rrlrc'ccd<lres destemesmo assunto?Elessemostraramperplexos
lrrrclesseaceitar GênesisI2.3 como sendo passivoem forma (na for-
,'tr t0níìrsos,ou foram precisosno que escrevefame ensinaram?
lrn hebraicado verbo), eu considerariaisso como sendo o plano dc
re'srrsra é que foram apenas os remas da ocasi,ioapropriada
.A l)cus".5 Mas o verbo é realmente passivo6na forma em hebraico, c
c dts rircunstâncias conectadas com o Messias e as suas ãbo, q.r.
cstir é a maneira como é citado no período intertestamentário as-
,s Íi'rrsrravamem 1 Pedro r.r0-12. No que diz respeito faio.
"o, rirrr como no Novo Testamento.Assim, o plano de Deus pode ser
P'irrcipais,no enranro, elesnáo tinham dúvidas: (l) elessabiam que
('s(rìvrÌrÌì rleíìnido como uma mensagemou declaraçáode Deus, de que Ele
falando sobre o Messias,(2) sabiam que o Messiasdevia so-
íìcr' (3) sabiam que o Messiastambém seriaglorificado e triunfaria, íirlrnaria uma naçáo e que dela traria aquEle por cujo intermédio
(4) sabiam a ordem dos aconrecimentos,isto é, que o sofrimento I srtlvaçáoviria a todas as naçóes.Essetema pode ser mencionado
( orììo o "plano-promessade Deus".
viria em primeiro lugar e depois a glóúa, e, finalmenre, (5) sabiam
(lrfc estavamescrevendo,náo apenas pafa a sua própria época, Somente nos tempos do Novo Testamento os atltores decidiram
mas
trrrrrbémpara "nós", da igreja cristá. Era isso o qú. pedro Ënsinavaà tfesignar este plano com a palavra única, prornessa.Assim é usada,
j<rvcmigreja a qual escreveuestaepístolana era cristá. ern todos os livros do Novo Testamento, com a exceçáode seis(isto
Sendo assim, eu creio que os autores do Antigo Têstamento es- é, Mateus, Marcos, Joáo,Tiago, Judas e Apocalipse). O substantivo
"promessd' é usado cinquenta e uma vezes' e o verbo "prometer",
tavam cientes aceÍca do que diziam. Eles viam alguma unidade e
rrm elo de conexáoentre os sucessivoslivros. Emboia uma estrurura r)rìze,no Novo Testamento. Em praticamente cada um dessesca-
rrnificadorasejaextremamenteimportante, náo deve serconsiderada ltos, era usado para referir-se ao plano de Deus em andamento' e
como uma grade colocadasobre a Bíblia ou que fosseimposteapar- à sua declaraçáo repetidamente anunciada no Antigo Testamento.
úr defora. Devia ser uma esrrutura . um pl"no q.r. r"r.i" d.edmno No entanto, no Antigo Testamento náo há uma palavra dominantc
rl<lssucessivostextos do Antigo Testamento. rrrtno designaçáopara este plano de Deus. Em vez disso, o Antigo
'lbstamento usava uma constelaçáode termos, como "juramento"
O Antigo Testamento Exibe esta Unidade? tlc Deus, a sua "palavrd', o seu "reino", a sua "casd' e outros. Estc
plirno-promessade Deus cresceupor todo o Antigo Testamento,:rs-
Acadêmicos sugeriram todos os tipos de temas centrais para o
. srrtrrindo cadavez mais itens dentro do único plano de Deus. Ì'.lc
Artigo Testamento, como a santidade de Deus, a comunháo .o-
irrcluía missóes,a herança da terra, o temor a Deus, como viver dt'
l)cus, a Lei de Deus, o Reino de Deus e o concerto. cada ideia
rrxrdoprudente e sábio e como usar o templo livre como uma drídivrr
t('rìr seus méritos, mas nenhuma delas conseguemostrar de dentro
tlc Deus. Incluía até mesmo o amor conjugal e o relacionâtl'r('tìt()
tl, Prriprio Antigo Testamentoque era o ..rrtio organizador divina-
rrrntrimonial.
nr('rìtcclesignadopara todo o Antigo Testamento.
l'aulofezo mesmoresumono seusermáoemAntioquia clrrl)isítli:r:
sc cu Fosseescolher um rexto do Antigo Têstamento que mais
"!'l ttós vos anunciamosque apromessaque foi feita a<ls1xtis,l)t'rrs
sur inrurncnte declarao pensamentodivino e congregatoda a multi-
rl t'umpriu a nós, seusfilhos, ressuscitandoa Jestts"(At l.ì. ì'Ì' t i,
.l ,l
Pregando e Ensinando a pertir do Antigo Testamento 'rohlemado Antigo Testamentohoje 43

r'nÍ,lscrkr urrtor). Ë,,o que é ainda mais significativo, paulo resumiu t;rln Martinho Lutero para estabelecerestarecentc rcclatrrrçáo.Disse
rr tr;rlr:rlh' tìc toda a sua vida diante do rei Agripa, em Atos 26.6,7, l,r;tero:"Cristo aboliu todasas leis de Moisésque jrl cxistirattt".
rfizt'rrrf.: "li, agora,pela esperançadapromessàq,r. po, Deus foi feita Se Lutero estivessecorreto, náo haveria leis contra o honricídio,
;r il()ss()sp:ris,estou aqui e sou julgado, à qual as nossasdoze tribos ,r roubo, a idolatria, o adultério, o falso testemunho, dcsonrar os
('sl)('r:trììchegar". prris,e outras. A declaraçáode Lutero, tal como aparece,precisade
st' cxaminarmos todas as sessentae duas referênciasdo Novo grandescorreçóes.
'li..'starncnto,
nos vinte e um livros que mencionam "promessa",elas Irineu, discípulo de Policarpo, que por sua vez foi discípulo do
sr'.rlividemda seguintemaneira: 20o/odasreferênciasãpromessa rrpóstoloJoáo, escreveuem 180 d.C. exatamente o oposto do que
sáo
à naçáo de Israel; 160/otratam da promessada^ressurreiçáo l,utero posteriormente defenderia:
'clativas
tl<rsmortos; llo/o dizemrespeitoà promessadeJesuscomo o Messias;
6.(\t tr3tam da segunda vinda de cristo; 20o/ose referem à promessa E osapóstolosqueestavamcomTiagopermitiramque osgentiosagis-
rfc'redençáo do pecado; L6o/oestãorelacionadasà promess" do .rr"rr- semlivremente,entregando-nos ao Espíritode Deus(At 15).Mas eles
gclho para as naçóese ourros 5o/odizemrespeito aos gentios. mesmos,emboraconhecendoo mesmoDeus, continuaÍarncom as
Os quatro mais singulares momenros no pl"nã_promessa de antigas...Isto fizeramos apóstolos,aosquais o Senhor
observâncias
[)eus que agem como nossos quaffo grandes pi.o, ,rã campo do feztestemunhasde cadaato e de cadadoutrina...agindoescrupulosa-
Antigo Têstamento,sáo: Gênesis3.15, Gênesis12.2,3,2 Samuel mentede acordocom a dispensaçáo da lei Mosaica.8
7
c Jeremias 31.3L-34. Eles sáo, respectivamenre,o plano-promessa
fèito a Eva, a Abraáo, e a Davi, e o novo concerto f.ito co,' Israel. A lei jamais foi entregue como meio de salvaçáoou redençáo.
A compreensáo da perfeiçáo do plano de Deus facilitarâ, e mui- Mas foi apresentada,começando em Ê"odo 20 (o Decálogo), no
to, o ensino e a pregaçío das partes individuais desta totalidade no contexto da redençáo:"Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da
Antigo Testamenro. ou, explicando de outra maneira, é difícil rea- tcrra do Egito, da casada servidáo".
lizar pregaçáoe ensinamenro explicativos sem uma teologia bíblica Qual, entáo, teria sido o propósito da lei?Ela foi o meio pelo qual
que se origina naturaÌmente do próprio texto das Escritur".. É pr.- nós viemos a conhecer o que é o pecado (Rm 7.7) e que o pecado é
ciso ter alguma ideia de como é a floresta,antesde tentar interpretar proibido (Rm 4.15). O pecadoestavano mundo antesque a lei vies-
irclividualmenre as árvores,os ramos ou as folhas.A teologia bibli." se (Rm 5.13), mas quando a lei veio, náo somenteproibiu o pecado,
se torna um componente muito importante no entendimento do rnastambém nos mostrou o que é certo e como devemosviver.
plc,gadore do professor,quando ele ou ela abordam o rexro. Naturalmente, a lei prometia a morte para todos os que a infrin-
gissem,mas a lei foi dada pelo amor, pela misericórdia e pela graça

Q An{go TestamentoExemplifica Legalismo ou tle Deus. Aqui estavao padráo de santidade de Deus, e a medida
Graça? para decidir quem e o que era "justo".
(Ìrrrr. muita frequência, os crentes Jesusadvertiu, em Mateus 5.17: "Náo cuideis [aparentemente,
. pensam que a expressáo
"Arrtigr'li:stamento" é um sinônimo lÌle sabia que alguns estariam tentados a fazer isso] que vim des-
da lei de Moisés, um"i.i que
truir a lei ou os profetas; náo vim ab-rogar, mas cumprir", isto é,
í'i .xtirrra agora que veio o Novo Testamenro.se isso for verdaàe,
cumpri-las. Na verdade, táo sério é este assunto,que Jesusadverte,
lx'l (llrc crrrão se preocupaf com o Antigo Testamento?Alguns ci-
44 Pregandoe Ensinandoa parrir do Antigo Testamento
dn Antigo Ti:stamentohoje 45

('ln Mirtcus 5.19: "Qualquer, pois, que violar um destesmenores


A Igreja náo deve ser considerada totalmente culpada por
nrJÍr(lurììcrìtose assim ensinar aos homens será chamado o menor ar táo confusa a respeito desta questáo, pois lhe foram ensi-
rro l{cino dos céus". as pelo menos seis respostasdiferentes a respeito da questáo
Mls alguns ainda protestam: "Paulo náo ensinou que a lei foi re a conrinuidade ou descontinuidade enconrrada entre os
;rlrolida?" mentos.
Níro, ele nâo fez isso! Ouça, euando ele faz esta pergunta:
"Anulamos, pois, a lei pela ft? De maneira nenhuma!Antes, estabe-
OAntigo TestarnentoDeae Ser Expurgado
lccemosa lei" (Rm 3.31).
Não querendo ser derrotado, nosso opositor ainda reclama: "O A primeira resposraé extrema. Ela declara que o testamento an-
rìovo concerto náo substituiu o antigo concerto da lei em Jeremias terioiera um desperdício e, em si mesmo, uma religiáo pagá. Isso
'.Jl.3l-34?"
Ao contrário, o novo concerto conservou a mesmalei, é o que ensinavam Marcion, Schleiermacher, Harnack e o jovem
l lei de Deus, dada a Moisés, com a promessa adicional de que I)elitzsch. Marcion, um rico comerciante, nascido em Ponto, no
[)eus a gravaúa em nossoscoraçóes,em lugar de gravâ-lasem pe- mar Negro, separou-seda Igreja Primitiva em 144 d'C', formando a
dra. Embora hala diferenças na lei em razío da sua obsolescência suaprópria seita,por causadestetema. No entanto' as suasopinióes
embutida ou âo fato de que ela só se aplicava a algumas pessoas, sobre eisas questóes foram condenadas pelo Edito de Constantino,
cm distintas circunstâncias,ea lei de Deus ainda está no centro do no século IV. Marcion ensinava que o Deus do Antigo Testamento
rìovo concerto. Ëraum semideus, era rude, duro e cruel. Todo o Antigo Testamento,
Antigo Testamento ou citaçóes dele
Mas alguns ainda continuam afirmando que a graça náo está pre- funtamente com as alusóes ao
sente no Antigo Testamento. No entanto, quem quer que tenha ob- ieita, no Novo, tinham que ser expurgados do santo livro da Igreja.
servado a longanimidade de Deus e a sua firme recusaem rescindir a Friedrich Schleiermacher, Adolph Harnack e Friedrick Delitzsch,
suâ promessafeita para Israel náo pode ser sério emfazer tal protesto todos chegaram a conclusóesmuito similares'
contra o Antigo Testamento. Tomando um único exemplo, perceba
como em meio à enumeraçáo de uma litania de transgressóesde O Antigo Testalnento É uma Li.çã'o Negatiaa
lsrael durante os dias dos Juízes,Deus afirma: "Nunca invalidarei o
Uma segunda soluçáo é usar o Antigo Testamento como uma li-
lneu concerto convosco" (Jz2.l). O que é isso,senáouma demons- As suasmensagenssáo mais
çÁo negativa e uma história de fracasso.
traçáo da própria graça!
bem resumidas como uma liçáo do que náo devemos fazer, da mes-
ma maneira como muitos interpretam incorretamente os doze capí-
O Antigo TestamentoDeve Ser ConsideradoAcabado tUlos do livro de Eclesiastescomo um ponto de vista natural com a
e Englobado no NorroTestamento?
única ajuda aparecendonos dois últimos versículosdo livro. Mas,
Sc náo devemos defender a aboliçáo ou a rejeiçáo do Antigo novamente, náo deveríamos ser mais inspirados do que o texto que
' I t'stamento, devemos cristianizá-lo, perguntam alguns, para
preser- estâmosexaminando' Para determinar o que pode ou náo ser aceito
vrrr r sr.ulutilidade pal:a aigreja? Mas também devemos rejeitar essa cr)nlo mensagemde Deus? com baseem que critério nós separare-
ideiu. () que entáo o Antigo Testamento tem que ver com o Novo? tnos o q.r. d..r. ser interpretado como positivo, se é que haverá algo
Niro há clifcrcnçasentre os dois testamentos? üsitn, do que é negativo?
'lfr Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Tesramento hoie
tll'roblema do Anügo Tëstamento 47

O Antigo TestamentoFornece sornenteMaterial de is, que JesusCristo foi ministro da circuncisátl, 1'rot'cltttsrtcla ver-
I'reparaçrão para o Nouo Testarnento ,lfrde de Deus, parâ que confirmasseas promessâsfcitas rrospais; e
lsso
Novrrrrrcnte,o Antigo Testamento náo tem uma mensagernpar_ 1,fr" q.t. os gentios glorifiquem a Deus pela sua miseric<ilclir".
tit rrllr' Paraa Igreja ou para as geraçóesposteriores.De acordo com rr[s recorda Gênesis 12.3, pois Cristo se tornou um servo clo
('ssift(Ìoria,ele era mera preparaçáoparaa verdadeirapalavra lrr[cu, com um grandepropósito:para que Ele pudessecorrfìr'nrar 'ovoo
de Deus (lc
(!) rlrc viria posteriormente, no Novo Testamento.Assim, feito a Abraáo, Isaque e de que na senlcrìtc
o primei- lrftrrro-promessa Jacó
r'o (csrzìmentoé como um prefácio de um livro que nos diz que boas Abraáo "[seriam] benditas todas as famílias da terrd'. A prova cìcstrt
coisasviráo nos capítulos que se seguem. rgsc.como indica Paulo em Romanos 15.9-12, deve ser encolìtracllÌ
rrosseguintestextos do Antigo Testamento:2 Samuel 22'50; Salmos
O Antigo Testamento É merarnente avna Preparação I tl.49 Deuteronômio 32.43; Salmosll7 .l e IsaíasI I . I 0.
Proaidencial para Cristo "Será que nada mudou entre os dois testâmentos?",você per-
a verdadepor
outro esforçopara solucionar o problema da continuidade e da l{unta. Sim, a administraçáo mosaica,que apresentou
. rrrcio de numerosos símbolos e cerimônias que tipificam Cristo e a
dcscontinuidade entre os resramentosé o que atribui ao primeiro
srraobra, mudou. Cristo veio, desta maneira tornando o símbolo e
rcstamenro apenas um papel providencial para preparaçío paru o
a cerimônia, o próprio tipo, náo mais necessários, porque o antítipo
scgundo. Embora as palavras e os evenro. q.t. .riao r.girtraàos no
e n própria realidade tinham aparecido. Além disso, a administraçáo
Antigo Testamento náo sejam dirigidos à igreja ou a quaÍq.rer pessoa
tftr antigo concerto nío ê a atual administraçáo do novo, embora o
nas épocas posteriores, esrasmesmas palavras e os eventos prepara_
rrrnteúdo e a substânciadas bênçáosespirituaisde ambos os concer-
ram o terreno para a vinda de cristo, e a sua verdadeira revelãcáo.
tos permaneçamProgressivamenteos mesmos.
rlue veio na mensagem do Novo Testamento.

Conclusáo
O Antigo Testamento Preserua Tipos ou
Comparações que llustram a Verãade Crista O nossoensinamento e a nossapregaçáosemPrecontinuaráo im-
Aqui, também, a norma é o Novo Testamento, pedidose atrasadossedeixarmosde ver que Deus tem uma perfeiçáo
eu€, quando in_ tìil sua Palavra que abrange os dois testamentos em um único plano
tcrpretado à luz do Testamento, parece ,.,r.1", À.rr"g.r*
fltigo rrlriÍìcado.A chave que une os dois testamentosse origina natural-
ocultas que eram codificadasem tipos ou compafaçóes.Estasmen-
srrgcrìspodem ser usadasde modo ilustrativo, mas náo de uma ma- tììclìte do próprio texto, ou seja,o plano-promessade Deus.
rrcirl didática ou direra. Sem uma forte teologia bíblica, como a doutrina da promessa
oÍcrece,a possibilidade de se demonstrar uma grande pregaçáoex-
realmente,mttit<r
O Antigo Testamento É Parte do plano Unificado de ltositiva (ou explicativa),e um ensino expositivo é,
Deus para todos os Temposepítra todos or"poro, cscirssâ.Eu recomendo a apropriaçío e o estudo do esquema clia-
t'rôttico da promessaao longo dos séculosda história bíblicrr corììo
A rrrirha soluçáoconsisteem compreenderos dois testamentos il lnelhor maneira de obter tal teologia bíblica na preparâçitoprtt';t
(.nr()
l)iìrrccleum plano contínuo e unificado de Deus. paulo resu- rcrrlizarapregaçío e o ensino explicativos'lo
quando afgumentou,em Romanos15.g,9:,,Digo,
trrirrcslr,r'<lrrc:cito,
3

A Târefade Pregare Ensinaf a


partir do Antigo Testamentohoje

Uma das mais antigas pergunras na história dalgtelaé esta: Qual


é a importância do Antigo Testamento pafa os cristáos contempo-
râneosi Há alguma relevância, algum ensinamento útil ou continui-
dade entre osãois tesramenros?Ou o cristianismo é sobrecarregado
pela sua associaçáocom o Antigo Testamento? A Igreja estaria me-
lhot, r. deixassede considerar o Antigo Testamento?
em alguns semi-
Quando se avalia quanto tempo é dedicado,
nários, para ensinar o que corresponde a mais de três quartas-Par-
tes de toda a Bíblia, isto já é suficiente parâ repensaf se o Antigo
Testamento é táo útil assim. Acrescente a isso o temPo dedicado ao
aprendizado da língua hebraica em alguns seminários, e a conclusáo
pareceevidente.
Mas "o problema do Antigo Testamento...náo é apenasum en-
tre muiros. É o principal problema da teologia", advertiu Emil G.
Kraeling.l Kraeling prãsseguiu,observando que a importância do-
minantã do Antigõ T.rt"-.rrto passapela história como um fio ver-
melho. A razío é a seguinte: se alguém cometer um engano, no que
diz respeito ao Antigo Testamento' este engano tende a se Propagar
no, .rúdo, do Novo Tesrâmenro, teologia, ética e vida cristá práttica.
É preciso recordar Marcion, o herege do século II, para avaliar o im-
í
I
Pregandoe Ensinandoa partir do Anrigo Testamento
alti,rrp de Pregare Ensinar a partir do Antigo Tèstarnento
hoje .sl

r;rr t(f rorrl cla <Jeclaraçáode que fazer um movimento errado, com () Novo Têstamento náo trata de muitos destestemas, pois pressrr-
rt'sPt"irolro Antigo Testamento,afetatodo o resto.As suasconclusóes
pÕcque nós lemos e demos ouvidos ao Antigo Testamento.
srlr'r' . Antigo Têstamentocausaramum impacto sobreo que
ele era Intimamente conectadacom estetema estáa necessidadeda vidl
(iÌl)rlz (lc cxtrair do seu Novo Testamarrto.*p.rrgado,
e, 1rráticacoerente da vida cristá. Poucas seçóesda Bíblia sío tâo prá.-
t('rììclìtc, um profundo impacto sobre a sua teologia. "orr"q.r.rr_
t icrs e realistascomo os livros de sabedoria.A procura por todo o
().de, entáo, enconrraremos alguma
utilidaãe prática para o rrtundo de seminários sobre a família, sobre o casamento e sobre
Artig. Tesramenro?sem dúvida, o apóstolo paulo instruiu o jo-
r administraçáo das nossasfinanças prova que esta pode ser uma
vcr' Ïmóteo de que o Antigo Testamento era benéfico e tlls áreasmais negligenciadas da nossa missáo de pregaçáo. E isso
útil em
2'l'imóteo 3.16,17. Mas como ele deve ser ensinado,apreciado provavelmente está diretamente relacionado com o nosso fracasso
e
prcgado no mundo de hoje? enì pregar o Antigo Testamento táo frequentemente como deverí-
Há pelo menos quarro áreasprincipais em que a importância anros. Onde poderíamos encontrar uma teologia de cultura, lazer
do
A'tigo Testamento fica claramente evidenre, e onde eie é desespe- c cle administraçáo dos bens materiais, melhor do que a do livro de
rrdamente necessárionos nossosdias. fu quatro áreassáo: l'lclesiastes? - 666i-
Ele ensina que toda a vida e as suaspossessóes
doutri-
rra, ética, vida prática e pregaçáo. sem as informaçóes do Antigo da, bebida, salários,conhecimento e até mesmo os cônjuges- sáo
'lbstamento em
cada uma destasquaffo áreas,a rgrejase enconffará dádivasdas máos de Deus.
Falidano século )C(I. Mas outra questáo crucial e náo satisfeita no mundo de hoje é a
Há inúmeras doutrinas que alcançam a sua mais plena expressão necessidadeda forte anunciaçáo profetica da Palavra de Deus con-
no texto do Antigo Testamento. Algumas das que nos vêm i tida no Antigo Têstamento no nosso meio. A modernidade reduziu
te sáo as doutrinas da criaçáo (Gn 1-2), o p.c"do (Gn 3), -.rr- a lei a clara exposiçáo da Palavra de Deus de toda a sua força a pouco
de Deus (Êx 20; Dt 5), a incomparável grand-ezade Deus (Is 40), mais que ensaiossobretópicos segurosque náo ofendem a ninguém.
a natLtrezada expiaçáo substitutiva de cristo (rs 52.13-53.12), os Por essarazío, eu passo agoraa tratar desta questáoda pregaçáodo
rìovoscéus e a nova terra (Is 65-G6), e a segundavinda do nosso Antigo Têstamento.
senhor ao monre das oliveirx (zc r4). A questáo é: se evitarmos
Antigo Testamento, e dependermos exclurirr"-.rt. do Novo es- Razóespor que a Igreja Deveria Ouvir o Antigo
'
trrrcmospropiciando um rerreno fërtil para as heresiasdo amanhá, Testamento
o'' na misericordiosaprovidência de Deus, uma oportunidade
para É preciso afirmar imediatamente que o tema central clr Arrrig,o
(lr.lcum ministério paralelo recupere o que ourros negligenciaram 'lestamento e também do Novo, é Cristo.2 O nosso Senhor triro lc-
ou
rleixaram de lado deliberadamente.
preendeuos dois discípulosno caminho de Emaús na tarrle'tlrrtlrrr'lc
Náo precisamos falar muito sobre o nosso fracasso em pregar a primeiro domingo de Páscoapela sua incapacidadedc corrrprcender
lci dc f)eus como interpretada correramente no Antigo T.rti-.rrto.
que Ele era aquEle para o qual toda aLei, os ProFctasc'os'll'xtos
Nr crrtirnto' se todo o ensinamento ético de que pr.ãr"-o, está
no apontavam (Lc 24.25-27)? Na verdade, embora o.sproír'tus Íirssert'n
N,v.'lb.stamento, como objetam alguns,entáã o qu. dir.mos à nos- ('()rÌì l vinda
ignorantes da época e das circunstânciasrelaci<lnrrclrrs
ri;r14r'rlçírosobre o casamentoentre pafentes próximos, as
vilezas e do Messias(1 Pe 1.10-12),eleseram esclareciclossohlc t'irrcocoisrrs:
trrrrit;rscla.snovasquestóesmorais e éticaspropostasnos nossos (1) eles estavamescrevendosobre o Messia.s;(2) r:lcssirbirttttque o
d.ias?
Testamentohojc 53
tl Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento A n tfo de Pregare Ensinar a'partin da Antigo

,.conosco"ou "rÌosso",quando uma citaçáo é reitcradir nritis adiante


Mcssiirssofìeria; (3) elessabiam que o Messiastambém seriaglorifi-
crrtfo c (lue rriunfaúa; (4) eles sabiam que o sofrimento anteãederia ruoAntigo Testamento à'', Novo Têstamento' Por excttrplo' Deus
"o aproximadamenre er' I tì00 a.c.
* gk'rria' e (5) eles sabiam que estavam falando náo somente para a i.rl"; Jacó no livro de Gênesis
".; pelo profeta Oséirts'em
sttir 1rrópriageração,mas a todos nós, que viríamos posreriormenre, Este mesmo texto é posteriormente usado
episódiost.d":::tnllìs Pa-
('orÌro os da igreja dos dias de Pedro. Por isso, o desconcerto dos 700 a.C.Ele citou muitos dos mesmos
do século vIIl a.(1. Na
Pr.fètas pela sua falta de conhecimenro com relaçáo ao dia exato do lavrasde 1g00 a.c. para aquelesouvintès
"[Deus] em Betel o.ac.hott[a
aParecimento do Messias náo deve ser interpretado como prova de u.rd"d., o profeta Oii", dttl"'ot' que
(Os l2'4, com baseno texto em hebraico'
clue elesfalassem"mais do que sabiam" ou de que falassemcom uma J".O], e ali falou conosco"
estava falando com as
certa ignorância acercadaquilo que escreviam. inf"r. do autor)' De modo que Deus ainda
livro de Gênesis' escrito
Há mais razóespor que argreja deva ouvir o Antigo Testamento. g.r"ç0., futuras com o mesmo texto do
f)oderíamos citar a sua dimensáo, pois aproximadar.r.rrt. 77o/o da ãproximadamente 1100 anos antes!
Novo
Ilíblia se enconrra nos primeiros ffinra e nove livros do cânone. --il;;;smo fenômeno ocorre doze ou mais vezes no
a
Além disso, o conteúdo do Antigo Testamento não é basicamen- 'festamento.Por exemplo, Hebreus 6'18 declaraque Deus afirmou
te a lei, como muitos pensam, incorretamente. Na verdade, ele se ,u"pro-.rsaaAbraaopormeiodeduascoisasimutáveis:asuapala-
Gênesis22' Enttetanto' fez
concenffa também nas Boas Novas, no evangelho, do nosso senhor vra, em Gênesis 12,e oseujuramento' em
Abrúo' mas também
Jesus cristo. Essa declaraçáo pode ser respaldada por Romanos isso náo somente para dar uma forte ceftezaa
do Novo Testamento'
1.1,2. Neste rexto' Paulo afirma que ele tinha sido "separadopara o para encorajar aquelesque vivem nos tempos
evangelho de Deus, o qual fDeus] antes havia pro-.tido pelos seus
ihór,
orqr.iolo""- o, à ,ooorefiugio em teter a esperançapropostd'
profetas nas santas Escrituras". As "santas Escrituras" nás dias de (ênfasedo autor).
Paulo náo eram nada além do Antigo Testamento. E nesre Antigo Portanto,estetextodoNovoTestamentoédirigidoanós'tanto
Testamento, o evangelho foi apresentado muito antes que paulo cã- quanto foi dirigido a Israel'
I
meçassea anunciálo!
O mesmo argumenro é expostoem Hebreus 3.17-4.2. Nesta pas- RazóesPelasquais ltg*il Perdeuo Antigo
sagem' o auror fala como a geraçío que tinha perecido no deserto náo Testame-ntonã sua Pregaçáo
cntrou naTerra Prometida de canaá por causada sua incredulidade. de alguma
Poucas coisas desencorajam mais o uso apropriado
Í'l por isso que todos nós devemos também ser caurelosospara que a isso o que aconteceu ânte-
coisa, do que o seu uso indevido' Foi
rÌìcsmapromessaque nos foi feita de entrar no repouso de Deus, náo do herege Marcion ao
riormente, na história da Igreja' Os ataques
sejaperdida da mesma maneira. Quando o evangelho nos é pregado,
À;g;T.;,amenro fir.r"-".o- que muÌtos se afastassemdo Antigo
rtssimcomo foi pregado àquelesque morreram no deserto, dc
f.r-ri-.nro. Antes disso, Filo tinha dado início a um programa
o rÌlesmo perigo se também náo crermos neste evangelho. o "orr.-o, algung dos intérprctcs
que está int.rpr"t"çáo alegórica, exatamente como
cllr. é que o mesmo evangelho pregado ,ro, t.-pã, de Moisés está respeitabilidadedos tlettses
atirril", tirrh",,,,ãeit*, p"ra conservara
settcftrpregado agoÍa,nos nossostempos! alegoriclnrctìlc os
n ã.rrr". das religióe, gt.g" e romana'.tratando
[Jrrra última razío deve ser incluída aqui. observe quanras vezes Pensava-sc'(ltlc ttr(l(t'
,.ur..t.o, religiãsosdï p;ttao do Olimpo'
o l)tonotÌrc passada terceira pessoa"ele", "ela" ou "eles"para ,.nós,', com alguma coisa sittrilltr tttl t'étt'
na terra, formava tr-"
"""logia
r.t Pregandoe Ensinandoa perrir do Anrigo Testamento
A'krtfo dePregare Ensinara partir doAntigo Ti:stamennhuit 55

lÌ rr i.';s',:rllìurìsacadêmicose pastoresdeixaramde tentar explicar as


,lríi, r'istlrrt'srírcs Mais recentemente,os resultadosdo pós-modertrismtlforam vis-
morais,éticase doutrináriassuscitadas peloAntigo
tos em sistemasde hermenêutica do dpo "respostad<l lcitor". Para
li' t,rrì('rìro. H,stasquesróeslogo foram deixadasde lado e substituí-
,1.r.Pr'kr(lr.rcse supunha ser a sua contrapartida celestiale espiritual. nruitos, o significado de um texto agora deixou de ser a declaraçáo
tlos autoreshumanos das Escriturasque pertenciam ao conselho de
Nilrlirri'nr, no entanto, conseguiu conferir autoridade divina a esta
I )euse receberama sua revelaçáo,e passoua ser o significado que os
rl.rrÍr'irrrrde analogiaou reoria de correspondências que sedizia exis-
lcitores desejassematribuir àquele texto. Isso é pouco mais do que
ril t'rrrrca cópia rerrenae o protótipo celestial.
()utro costume na era medieval e também anterior à reforma, rrma forma moderna de exegese,"inserir e ler" no texto o que o lei-
foi
tor desejaver ali. Isso faz da Bíblia algo que pode ser voltado para a
stIlx)r que muitas coisas,senáo a maioria delas,no Antigo Testamento,
direçáodesejadapor cadaleitor. Isso constitui um escárniomoderno
.rrrrr tipos de algo no Novo Gstamento. Há tipos verdadeiros na
rraautoridade divina!
lìíblia, mas todos os tipos bíblicos verdadeirostêm clarasdesignações
Nenhum destes sistemasnos ajudou a comPreender o Antigo
rlivinas exibidasnos mesmosconrexrosque o supostotipo do Antigo 'lbstamento, mas foram responsáveispor fomentar um declínio e a
'lbstamento.
Consequentemente,uma pessoa,uma instituiçáo, um
perda da mensagem do Antigo Testamento em nossasigrejas e aca-
rìto ou evenro que possa declarar por designaçãodivina no Ántigo
'lbstamento demiasteológicas.
que é uma imagem parcial de uma realidade maior fu-
tura pode ser reconhecido por todos os verdadeirosintérpretes como
Razóes por Ílue o Antigo Testamento Auxilia na
tum tipo. Mas o problema surge quando os detalhes,como tudo o
Pregaçáo
cluehá no Tâbernáculo, é considerado um tipo de alguma outra coisa.
(lertamente, como um dos meus professores
sabiamenteobservoucer- Senós desejarmoster um ministério equilibrado e pleno, devemos
t. dia na aula, cerrosganchose cordasdo Tâbernáculosedestinavama pregartodo o conselho de Deus (At20.27) a todos. Negligenciar qual-
crigi-lo e ajudar a sustentá-lo!o problema com a tipologia é que mui- quer área das Escrituras propiciará o terreno Íèrtil para que a heresia
t.s vão muito aÌém do que somos autorizadosbiblicamente a fazer. cresçana Igreja ou ainda que, na misericordiosa providência de Deus,
Naturalmente, há mais tipos na Bíblia do que o Novo Gstamenro afir- um ministério paralelo recupere o que foi negligenciado ou delibera-
rììiÌ seremdpos, mas isto estámuito longe de tornar a maioria das coi- damente deixado de lado pelo ministério de pregaçáoda Igreja.
srìsno Antigo Gstamento um tipo, especialmentese lermos o Antigo O nosso ensinamento e a nossa pregaçâodo Antigo Têstamento
'lL.stamentoatravés
das lentes do Novo 'Iesrarnenro. devem ser equilibrados no seu uso de gênero, abrangendo todos os
lim um movimento posterior, para demonstrarcomo o Antigo tipos de literaturas e ênfasesencontrados no Antigo Testamento'
'l.i.'stamento Assimsendo,devem incluir louvoç mas também lamentaçáo;devem
pode ser útil para os crentes contemporâneos, o
llrrrrinismo declarou que um texto bíblico eramais importante pela tratar de passagensem prosa, mas também poéticas.Assim como há
nrrrrrciracornoetacomposto do que pelo que dizia.Palavras textos didáticos, há narrativas. O ensinamento e a ptegaçâo hones-
e eventos
sol)r'(ìrìatrlrais também foram rejeitados,quando um novo raciona- tos e equilibrados devem incluir textos legais,proverbiais,históricos,
li.strr.as.srrrniu o lugar onde a fe antes reinava,Além disso,a palavra cscatológicos,doutrinários, éticos, proféticos, de sabedoriae apoca-
íiri ;rtrl'iz.:rtla, reduzida, fragmentadae, de modo geral perdida pelo lípticos do Antigo Testamento.
rrrirrist(.rio dc pregaçáo da lgreja. Pode-sedizer, com confiança, que sem o claro ensinamento do
Antigo Têstamento a'Igreja e o pensamento moderno seriam preju-
Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento

dicados. Ássim muiras questóesmodernas, como a santidade da ver-


dade, casamento, propriedade, o coraçáo e suasmotivaçóes, encon-
tram o seu reforço e a sua orientaçáo nos ensinamentos do Antigo
Testamento.

Como Podemos Pregar a paÍtir do Antigo ïbstamento?


um dos maiores problemas no ensino de estudantes e pastores
sobre como usar o Antigo Testamento para a pregaçío contempo-
rànea é, aprender como cÍvzaÍ o amplo abismo que existe entre o
texto pré-cristáo e a situaçáo de pregaçáodo século )co. com muita
frequência, o pastor rcaliza esta jornada, sozinho. Felizmente, mais
e mais auxílios foram tornados disponíveis a pastores e professores
recentemente. Eu gostaria de indicar rapidamente alguns destesau-
xílios, na conclusáo deste capítulo de introduçáo.
Uma lista de alguns destesrecursos,em inglês, pode começar a es-
tabelecer o ponto a partir do qual algum auxílio começa a aparecer.

Para a pregaçáo da narrativa do Antigo Testamento:

Kaiser,\lalter C, Jt "Narrarive", em Cracking Old Ibstarnent


codzs:A Guid.eto InterpretingtheLiterary Genresofthe old Ti:stament,
ed. D. Brent Sandye Ronald L. GieseJr. (Nashville:Broadmanand
Holman, 1995),pp.69-8S.
Matthews, Kenneth A. "Preaching Historical Narrative", em
Reclaiming the Prophetic Mantle; Preaching the Old Ti:stament
Faithfully,ed. GeorgeL. Klein (Nashville:Broadmanand Holman,
1992),pp.19-50.
Pratt, Richard L., Jr. He.Gaue(JsStories:TheBible Studrnt'sGuidc
to Interpreting old Testamentlv[anatiue(Brenrwood, Tennessee:
\Tolgemuth and Hyatt, 1990).Uma introduçáode 500 páginaspara
evangélicos.
Paraa pregaçâoda sabedoriado Antigo Testamento:
hoje
| ïào1alr l'rrgtr e Ensinara partir daAntigo Testamento 51

( irt'rett, Duane A. "Preaching \íisdom", em Reclaiming the


fuiphl i c Mantle, pp.107-126.
McKcnzie, Alyce M. PreachingProuerbs:Wisdomfor the Pulpit
\lestminster{ohn Knox, 1996).
(L,nuisvi|lc:

llarrrr pregaçáodos Profetasdo Antigo Testamento:

K:riser -üTalterC, Jt Malachi: God's UnchangingLoue (Grand


s: Baker,l9S4).
Rnlrirf
Kcrrt, Dan G. "Preachingthe Prophets",em Reclairningthe
htphetic Mantle, pp.93-105.
An Introductionto the
Snrith, Gary V. TbeProphetsas Preachers:
HehrewProphex(Nashville:Broadmanand Holman,1994).
!íard, James,e Christine \flard. Preachingfrom the Prophets
(Neshville:Abingdon, 1995).

Paraa pregaçíoda lei do Antigo Testamento:

Averbeck,Richard E. "Law", em CrachingOld Testament Codes,


P P,ll 3 - 1 3 8.
Bergen,RobertD. "Preaching OldTestament Law", em Reclaiming
thePropheticMantle, pp.5r-69.

Paraa pregaçâodo Antigo Testamentoapocalíptico:

Hanson,Paul D. Old Ti:stament Apocalyptic:InterpretingBiblical


??rrs(Nashville:Abingd on, 1987).
Hewitt, C. M. Kempton. "Guidelinesto the Interpretationof
Dsrnieland Revelation",em A Guide to Biblical Prophecy, ed. Carl
E, Armerding and \íard \í. Gasque (Peabody,Mass.: Hendrickson,
1 9 8 9 )p, p .1 0 1 -1 6 .
Morris, Leon.Apocalyptic(Grand Rapids:Eerdmans,1972).
Sandy,D. Brent e Martin G. AbeggJr.'Apocalyptic",em Cracking
1ld Tèstament Codes,pp.l77-196.
5tl Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testrrrrrrrrl

Há mais tipos literários, mas essessáo uma amostra suficicrìrÍ


para demonstrar que algum progresso foi feito para auxiliar a Igrc.i.r
a alcançar a relevânciaconremporâneade cada um destesgêncr,rs
literários do Antigo Testamento.

Conclusáo

Que esperançahá de que o Antigo Testamento seja restauraclr


ao seu lugar de direito na missáo de pregaçáo da Igreja? Há granclc
esperança'à medida que toda uma nova série de recursosagora se f;rz
disponível, e à medida que os seminários começam a assumir a surr
parcela de direito natarefa de auxiliar argreja a descobrir como elrr
pode ser mais bem-sucedida nesta tarefa.
Muitos dos meus esforços se concenrraram na produçáo de co-
mentários que renram ir além daqailo que o rexro dizia. Emvez dis-
so' eu tentei mostrar comoo mesmo texto do Antigo Testamento tem
aplicaçóescontemporâneas no século )Cfl. Dignas de nora, panicu-
larmente, sáo as minhas obras sobre os salmos 120-I34,i Miquéias
a Malaquias,4 Lamenraçóes,5Êxodo6 e Levítico7. Mas a tarefa está
longe de poder ser consideradaconcluída. Juntos, nós devemosde-
dicar todos os nossosesforçospara ouvir a Palavra de Deus que vem
do Céu a partir do Antigo Testamento, à medida que ela se mosrra
atual e aplicável ao nosso próprio rempo.
4

AArte e a Ciência
da PregaçâoExPlicativa

' A curaparamuitosdosmalesque afligemalgreiaeos seminários


exposiçáoda Palavrade
b atualidadedeve ser encontr"d" "" fiel
pré-requisitoparao alívio
Éer,r,A fidelidadenestaáreaé o principal
atualmentealgteia e a
ãnr m"i, profundasinquietaçóesque sentem
laelcdade.

Frtqacáo
r --Ct 5
Explicativa
t
como a Soluçáo
o que fa-
Muitos professorese pegadoresda Bíblia afirmam que
de pregaçáo ex-
:cnt, qu"ndì Pregam ou ãnsinam, pode ser chamado
este é o caso'
pllcativa o., .nrin"-ento explicatryo' Mas nem sempre
muito mais do
O cnsinamento e a pregaçáo explicativa envolvem
ou ponto
glle o uso de uma p"rr"g.ttt bíblica como um trampolim
mensagem tópica
de referência no que poJeria ser chamado de uma
estáo táo
ou temática. Na verdade' o nosso ensinamento e pregaçáo
na casa da fe em ra-
àararp.r"d"mente fracos no Presentemomento
zÉode uma escassezde explicaçóesbíblicas verdadeiras.
ou
Entáo o que é .r- r.rÁáo explicativo? lJm sermáo explicativo
no mínimo (uma
uma liçáo explicativa toma um paúryrafo inteiro
e permite que o
cena em uma narrativa, ou uma estrofe em poesia)
61
Explicatiua
A Arte e a Ciência da Pregaç'ão
(ro Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento

lJsar Para Ler o Antigo


rcxto bíblico forneça a forma e também o conteúdo da mensagemou Que Lente Devemos
'festamento?
.l,r liçíro do próprio texto.l
estimulantc ' l'rtaching
A razâo para essalimitaçáo é importante. É muito fácil cair na Sidney Greidanus, em seu livro muito
podemos
alrrradilha de derramar o que já conhecemossobre a graçade Deus ( )hristfrom th, õld' Ti:stament'indica sete maneiras como
Sáo elas' a progrcs-
nos diferentes vasilhames constituídos de diferentes versículos das 1., . pi.g", Cristo a Partir do Antigo Têstarnento'
da Promessr' o
Escrituras, sem dar seriamente a cadatexto a oportunidade de antes *nu tiir,ãri"o-r.d.nàr", o método do cumprimento
o método do tema longi-
de mais nada nos ensinar o que este texto deseja nos dizer. Náo so- turétodotipológi"o, o método analógico'
da referênciado Novo
mente esta pregaçáo se torna repetitiva, mas prejudica gravemente a tudinal, o método do contraste e o método
oportunidade de que o pregador cresçae aborde novas áreas.E esta 'lbstamento.3
que o nosso propósito'
abordagem ampliada é ainda mais importante quando é o momento Mas Greidanus deixa absolutamente claro
náo é pregarmos cristo
de se aventurar em um novo livro da Bíblia, especialmente quando 0o Pregarmo, p"rri' do Antigo Testâmento'
ta-
"
cxcluindo ",odo o dã Deus"' Em vez disso' insiste ele' a
se investiga o Antigo Testamento em busca de um sermáo ou uma l'considerar todo o conselho de Deus' com todos
"o"selho
liçáo. ;;ft d" p..g"do, é
de JesusCristo"'a
Uma boa justificativa pode ser o fato de que a pregaçáoexplica- (t$ seus.rrrin"m.,,tos, leis, profecias e visóes à luz
modificador:
tiva é um dos mais antigos esdlos de pregaçáo.Quer observemos l'lle ainda acrescentaum importante
a comunidade de Qumran, no mar Morto, os rabinos do início
devemosler o Cristo en-
da era cristá ou os mais contemporâneos Donald Grey Barnhouse Ao mesmotempo' dwe serevidenteque náo
o que sertaetsegests'
ou John Stott, o elo comum é a explicaçáo das Escrituras. O que carnadodz aolta no texto do Antigo Testamento,
pregarCristo a partir do
separaa pregaçáo tópica ou temática da pregaçáo explicativa, ob- masdevemosf'oto'"' maneirasttgíti*"t de
servou Ronald Allen, é o fato de que a pregaçáoe o ensinamento Antigo Testamento'no contextodn Nouo's
explicativos começam e continuam com o texto bíblico, sem he- de modo mais preciso'
sitaçóes,ao longo de todo o sermáo.2Em lugar de começar com l)esta maneira, ele apresentou o problema
e náoparatrás'Lêla
uma necessidadeou inquietaçáo humana como o impulso para o A lìíbliafoi pf"nã;"ã"fr"'" "t tidaparafrente
com uma Bíbliamonótona'em quequal-
sermáo, o sermáo explicativo deliberadamente inverte t açío e faz irrr" ,rà .igrrifi."a""b"r todo o ensinamento' de todas
com que o sermáo se origine na explicaçáo do texto bíblico. A ex- tgttcr mençáo a um tópico requer que
das contribuiçóes
plicaçáo começa com o texto bíblico e se apega a ele ao longo de tr liscrituras se;a us"do p"'" ì"'"'pretar.qualquer
sobre isso mais adiante neste
todo o sermáo ou liçáo. Í.cirls àquele tápico. Falàremos mais
da primeira pergunta'
Mas quáo efrcaz é esta estratégia quando se trata de anunciar r,upÍtulo.Mas pãr enquanto, tratemos
'{1,.r. o conselho de Deus a
l..rt. â.l,tmos usar para ensinar todo
e explicar o Antigo Testamento? Ela náo provoca problemas es- sete métodos (ou cada um
purtir do A"ri;; T.;'ame1toi.1{gum dos
peciais que sáo praticamente insuperáveispara o orador e para o a visáo apropriada do
rkrs scte) air.,i iao' por Greidaãus propicia
ouvinte contemporâneo? Essa é uma grande parte da razío por
Arrtigo 'lbstamento?
que cada vez menos professorese pastoresusam a explicaçáocomo natural'
( ) ponto em que devemoscomeçar é o significado claro'
seu estilo preferido, especialmentequando se aventuram no Antigo abandonarmos este Polìto
-lcstamento. uripirr,tl c histórico da passagem'Se nós
Pregandoe Ensinandoa parrir do Andgo tstamento Explicatiua
A Artr e a Ciência da Pregaç,ão

rlt' 1r:rrrid:r,rcr€rnos perdido toda esperançade chegar a qualquer (purausar um sinônimo derivado do latim). O sentido grrtrrtrtticalde
scrrtitkrcorìsensual de significadopara um texto. Kcil erao que nós chamaríamosdo sentido simples,clircto,clrtr<t,tt<>r-
trrirl, natural ou literal das frases,cláusulase sentençâs.
Onde Encontrarei o Significado Claro de uma O uso que Keil faz de "histórico" significa que o intórprete tirrhl
Passagem? qrre considerar estaspalavras com relaçáo à época, circtttrstâncies,
() único lugar apropriado para corneçar,enráo,
é oorn o autor hu- rvcntos e pessoasdaquele período histórico em que o autor cscrLì-
rtìaÍìo' que declarou obter estesignificado por perrencerao conselho verr.Assim, o grande objetivo de Keil, como também o nosso, crrt
cc:lcstialde Deus. No entanto, nós não t.rrt"Ào. chegar ao estado tfescobrirou averiguar o ust'tsloquendi, ou seja,o uso esPecíficodas
clc cspírito psicológico do autor, nem nada dessetipo. Ém rr., disso, pulavrasempregadaspelo autor considerado,e/ou a sua frequêncirt
. c;uenós tentamos fazeré compreendef o uso que o autof humano rrlrépocaem que ele escreveu.8
Íirz,das palavras,no conrexro da sua vida e da,uì época,de gêneros
I itcrários e conceirosteológicos. A Forma Literairia de uma PassagemAfeta o seu
Gordon Fee e Douglas Stuart declararam apropriadamente: Significado?
Para limitar ainda mais o escoPo dos possíveissignificados do
o único controle adequadoda hermenêuticadeve ser encontrad.o gutor, devemos perguntar: Como estetexto assumeo seu significado?
rraintençáooriginal do texto bíblico...Em conrrasrecom... a fim outras palavras,que gêneroou formato literário o autor usou?O
[pura]
subjetividade,insistimosque o significadooriginal do texto - tanto putor usou uma prosa expositiva,uma narrativa, uma forma de elo-
quanro estejaem nossopoder discerni-lo- é o ponto objetivo de gio ou louvor, uma lamenttçâo, ou uma forma profetica ou prover-
controle.6 bial para encapsularsuasideias?Cada um dessesformatos requererá
uma estratégiainterpretativa diferente. Cada uma das estratégiasserá
Quanto ao contexto histórico do texto, devemos,primeiramente, cliscutidanos capítulos que se seguem.
.\í'ardlow
l)crguntaf o que o autor quis dizer?Qual, em termos do seu uso ori- O ensaio de Ronald Allen, no livro de de 1993, irrti-
ginal das palavras, foi a compreensáo do ouvinte das palavras usadas trrlado PreachingBiblicallye pode ter sido um dos primeiros livros
rluando o auror falou ou escreveu?Em que a compreensáoda his- a chamar nossaatençío para a maneira como a forma ou o gôllct'<l
t<i'ia, o conrexto social e geográficoe o propósito dos seusescritos literário de uma passagembíblica deve estar refletido no scrttttito.
r:ontribuíram para a nossacompreensáoda,ua mensagem? l)e repente, ficou claro que muitos de nós modificamos :ltttotttrtti-
N. passado,esta úordagem era conhecida .o-o irrt.rpretaçáo Camenteas nossasregrasde interpretaçáoquando lemos tttn iortr:rl e
"
lristr'rric.-gramaticaldo texto. A expressáo"interpreraçáo c
hìstórico- l)assamosdo editorial para os anúncios para as tiras côtnit'rìs 1)rìril j

foi
1]t'rrrrr:rtical"
"gt'rttrrrrtical",
usadapelaprimeira.vezpor KarlA. G. Keil.zo termo
no entanto, é, atécerto ponto, enganadorpara os nossos
âscartasao editor. Cada gênerono jornal tem seupróprio coltittttt<t II
especialde diretrizesque exigem alguns ajustesna nosslltttrtttt'il'rttlc:
I
rrrrvirf<rs,
pois hoje em_dianormalmente significa aorganizaçáodaspa- lidar com o rexto. A Bíblia, de igual maneira, deve sc,rlidrt c'ottt tttna
l,rv',s c. crrrsrruçáodassenrenças. Mas rãil nao tinhã estesignificado sensibilidade para estasmudançasnos gênerosI i tcrriri os.
clil rrre'lrlccluandousou o refmo. Ele tinha em mente palú" gr.ga Cada gênero incorpora padróes literários calactt'rísiic'ostlttc são
pftuilntrt,(Frcsc aproximaao que queremosdizer com " ,.literal" tÍllzem
lite'r'ririrrs
o termo cxclusivosàquela forma em particular. As F<rrlrrrts
ír'l l)rcgandoe Ensinandoa partir do Anrigo Testamento Explicatiua
Á Artc e a Ciência da Pregaç,ão (r\

r ililslll() c'Ír'iloscspcciaispara o leitor ou ouvinte que indicam um Encontrar a Extensão da Perícope


( rnirrnlo l)articlllar de condiçóes para interpretar estasformas.
As As palavras pertencem a sentenças,que normalmente pertclì-
[.rr;ilr.lrrs rrÍo devem ser lidas como lamentaçóesou salmos de lou- ccrÌì â parágrafos,cenas, estrofesou unidades maiores, dentro cl,r
v,r. li rrn gênero apocalíptico náo deve ser lido como um gênero
gramática de um gênero. É por isso que eu insisto que um bonr
rr;r'l'.rivo ou de milagres.o ajuste destasdiferençasé o que,rã, pro-
rermáo explicativo jamais tome Trlenosde um parágrtfo inteiro ott
lx)rìì()s't fazer nos capítulos seguintes. o seu equivalenteliterário (por exemplo, uma cena, uma estrofe,ott
algo similar) como base.A ruío é clara: Somente o parágrafotodo,
O que Confere Unidade a um SermáoF-xplicativo? ()u seuequivalente,contém uma ideia ou conceito completo daquele
LJm sermáo explicativo náo pode ser definido como tal me- tcxto. Separaralgumasde suaspartes é brincar com o texto como se
r.r'Ììcnte pelo fato de que as palavras em hebraico, grego ou elc pudesseser curvado de alguma maneira para realizar o que julga-
rrlamaico sáo analisadas,as expressóessáo examinadas e várias nrosque é melhor.
caracte-rísticasgeográficas,históricas ou arqueológicas, no tex- Por isso, devemos encontrar ou descobrir a extensáode toda a
t, sáo apresentadasnas nossas .*pli.açães públicas. pcrícope.A perícope é a história completa de cada episódio da nar-
^bíblico,
l'felizmente, é muito frequente que os .rt.rd"rrt., ,.I.àbrem o rativa, ou o poema inteiro, com o qual cada um dos parágrafos, ce-
rlue foì feito em algumas das suasaulas de exegeseno seminário R:lsou estrofescontribuem. Novamente, o nosso desejo é obter a
c confundam isso com explicaçáo ou exposiçáo bíblica. A este lntegralidade, a perfeiçáo, a totalidade e a finalidade com a qual cada
rnétodo normalmente falta um conceito de unidade e um tema parágrafo, cena ou estrofe contribui com a ideia total ou unificada
de integraçáo que foi encontrado na própria passagem. dc cada bloco de texto (perícope). Muitas vezesesta totalidade pode
Assim, mesmo depois de termos determinado-o que a pas_ ebrangertodo um capítulo da Bíblia. Em outras ocasióes,a perícope
sagem queria dizer, e cornoeste signifìcado foi transmitido, na *brangerá apenasum parágrafo, ou apenasuma parte de um capítu-
.suaépoca, bem como na nossa,a questáo ainda permanece: Há Io da Bíblia.to
outras lentes que devamos usar para aprimorai ainda mais o O sermáo, entáo, está ancorado no significado dado ao texto pelo
nosso foco? êutor. Este significado é também indicado pelo gênero literário que
Sim, há ourras lentes por meio das quais podemos consi_ cnvolve a mensagem original do texto. E é ainda mais limitado pela
derar este texto- Antes de mais nada, as pal"rria, ou sentenças €xtensáodo bloco ou perícope que comporá as seçóesdo livro.
náo podem ser separadase extraídas do texto como se fossem
coisas isoladas com signifìcados próprios. Exatamente porque Enconírar o Ponto Cen*al da Passagem
clas represenram a verdade de Deus, náo podemos tratá-las-de Agora, devemosencontrar o "ponto central" destaperícoPe,otl ()
rumamaneira fraturada, isolada ou misteriosa que confira signi- ponto mais importante da passagem.Este ponto é onde o tenìrl ott
íìcados teológicos profundos que importamos de ourres panes ponto de vista da passagemé apresentadona sua mais plena cxpres
as Escrituras. Portanto, eu sugiro alguns passoscomuns que au- :áo. Pode ser uma única afirmaçáo, um único versículo, ou r\s vczt's
xiliaráo a orientar o nosso movimento da compreensáo à., qr. uma sentençainteira em algum ponto da perícope em estttdo.
u rìì texto significava, na sua época, até a aplicaçáo do que ele Este ponto central fornece um dos elementoschave cll l)l'cl',rt\;t()
.sigrrifica hoje. erplicativa: o "tema ou tópico unificador" que têm o scl'lìl,l()(' l;tlrt
Pregandoe Ensinandoa parrir do Anrigo Têstamento A /lrre e a Ciência da Pregaç,áo
Explicatiua (t-l

lrtirrro tc'xto.Aqui é onde todo o tema, ou o que Haddon Robinson c l todos os lugares.E como normalmente vamos ter mais de ultr
,lr;rnrrrdc "(ìrande ldeia" do texto bíblico e do sermáo,pode ser
lrrincípio, é melhor usarmosum substantivo abstratoplural que sejl
rt'rlrrzidoa uma única afirmaçáoou anúncio de um tema. É isso que l'l[)az de agrupar todos os principais pontos do sermáoem uma cla-
rl;i t'ocrônciaà passageme impede um exame aleatório da passagem r:l cxplicaçáodo título ou assunto que descobrimoscomo o ponto
lrílrlica que se perde em temas e ideias que náo estáo relacionados. rcrrtral do texto destapassagemdas Escrituras.
llrrr rcsumo, o título ou tópico da nossa mensagem é encontrado Em primeiro lugar, verifique se a passagemem estudo exibe uma
rìcstcponto central que agora servede fator unificador do sermáo.E sériede palavrasde conexáo ou transiçáo, como uma série de "se",
dcvc simultaneamenteestar presenteno texto bíblico em estudo, e rprc resultariaem uma palavrachavede "condicionais", ou uma série
scr o tema ou assuntodominante da mensagem. rfc,"uma vez que", resultando em uma palavn chave de "concessóes",
A razâo para esta limitaçáo é importante. É muito fácil cair na rrtt "porquês", com a correspondentepalavra chavede "raz6es".
rrrrnadilhade impor sobre os diferentesversículosde uma passagem Outra abordagemé a de repetir o título ou assuntoda passagem,e
clasEscriturasaquilo que já conhecemosda graça de Deus, sem dar nestetex-
l)crguntar,entáo: O que estásendo dito sobreesteassunto
a cada texto uma oportunidade de antesde mais nada nos ensinar o to? Tome cada prágrafo (ou cena, ou estrofe) e organize a sentença
que ele quer dizer. ptincipal de cada um deles,de modo que você Possaver o desenvol-
O que separaa prcgaçío tópica da pregaçáo explicativa, como já vimento ou a conexáo, à medida que avançapela perícope. Depois
observamoscom Ronald Allen,lr é o fato de que ela começa e con- qu€ tiver escrito o tema ou sentençaprincipal de cada parágrafo (ou
tinua firmemente no rexro bíblico. A identificaçáo do ponro central cclìa ou estrofe),pergunte que tipo de açáo têm em comum. Todos
da passagemconservaráo sermáo e o pregador focados no verdadeiro os parágrafosnos fornecem maneiras de compreender o que havia
tópico que é apresentadona Palavrade Deus. Agora temos um rítulo Ro assunto?Ou os parágrafosexpressamverdadesou princípios Para
ou um assunto para a nossaexposiçáoe para o sermáo. g nossaedificaçáo?Se você ainda estiver confuso ou ainda náo tiver
g resposta,passepara o passoseguinte.
Encontrar a Palaara Chaoe da Pregação
Observando cuidadosamente todas as palavras de conexáo ou Encontrar a Interro gação
transiçáo(conjunçóes,preposiçóese aré mesmo advérbios)que apa- Há seis interrogaçóes que frequentemente nos qudarâo a desco-
rccem com alguma frequência na perícope, é possível determinar a brir como os parágrafosse relacionam dentro da perícope. As pri-
lrrlavra chave da pregaçâopara toda a passagem.Mas como pode- meirascinco sáo: Quem? O que? Por quê? Onde? Quando? A sexta
rnos fazer isso? é: Como? Assim, eu posso repetir o assunto ou o tído da minha
Antes de mais nada, esrapalavra chave de pregaçâodeve mencio- nìcnsagemque obtive do ponto central, e entáo Perguntar qual des-
rìur ou referir-sea algo que é encontrado em cada um dos parágrafos tas interrogaçóesmostra o que unifica todos os pontos ao redor da
()u scusequivalentesliterários. Isto é, devemosusar um substantivo
rÍirmaçáo central feita no ponto central.
l)lu'rlcxpressarasconexóesque observamosem toda a passagem.Mas "Quem" aponta para pessoas,"o que" aponta para verdades e
rrirodcve ser qualquer substantivo;deveser um substantivoabstraro, coisas semelhantes, "por que" para razóes, "onde" para lugares,
pois rr<'rs desejamosexpressaro que há nesta passagemsob a forma t'quando"
para épocasou situaçóes,e "como" frequentemente leva
rlt' rrrrrlrrincípio, de modo que possaser aplicadoa todas as épocas g maneiras.
l)rcgandoe Ensinandoa parrir do Antigo Testamento (r()
Explicatiua
A Áte e a Ciência d'aPregaç,ão

( ) l.rro i'r;rrc cssasseisinterrogaçóespodem ajudar o pregadora


â(ì que devemos pregar sobre uma passagem'jamais cometeremos
rlcrcrrrrirrrrr () ccÍ'ìrroorganizadorda passagem.Sem dúvida, há ou- se nos concentfarmos em Deus' nas suasaçõese nas suasexi-
Et.!.os.
tr(,s(ilx)srlc prerguntas que podem serfeirassobreo que é que unifi- gêrrcias.Mas quando os nomes de Israel, Moisés, Isaíasou Davi
sáo
(.r o lcxto. Mas a maneira mais fácil e simplesde começaré usar uma que estamos
ã,,.urrtr"dos em um esquema de sermáo, eles revelam
tlt'stlrsseisinterrogaçóes.E um "quem", um "que", Lrm "onde", um pÍcgandoum sermáode uma épocaa'C', e náo uma mensagempara
"r;rr;rrrcl<i',um "por que" ou um "como" de que fala estetexto? o século )C(I.
Em vez de usar tempos passadosde verbos em nossosesquemas,
Tornar os Pontos Principais Releaantes e dcvemosusar imPerativos ou verbos no tempo presente' Na
verdade'
Conternporâneos podemos usar prâticamente qualquer outra forma de verbo'
exceto
l,* ,.-po, passadosse desejarmosnos comunicar com uma audiên-
Agora que o título ou assunro da mensagem foi fixado e toda a
l)rrssagemestárelacionada com um substantivo abstrato plural que se eia contemPorânea.
rrlirrrentade uma interrogaçáo,é o momento de otganizaro esquema Finalmàte, embora eu esteiaseriamenteconscientesobre o uso
os prono-
rla sua mensagem. A tentaçáo agora será deixar o texto com a sua ells pronomes de terceira pessoa,recomendo que usemos
t", d. primeira pessoado plural (nós,conosco,nossos)nos principais
roupagem pré-cristá ou do século I. Mas foi exatamenre isso o que
tlcu à pregaçáo explicativa a sua má reputaçáo, de ser táo secacomo pontos ão torto sermáo.Naturalmente, poderíamosusar pronomes
humilde e
rumasombria liçáo de história ou ráo entediante como uma história à. ,.g.rrrd" pessoa também, mas descobri que é mais
sobre os parentesde outra pessoa! cn-p}írr.l.ã- o nosso trabalho se nos identificarmos com as pes-
imposiçóes'
Há algumas poucas sugesróesque, se seguidasao pé da letra, po- rn"rã, quais pregamos,em lugar de amontoar sobreeles
que eles'
dem auxiliar o pregador ou professor nesra situaçáo. Em primeiro ao-o ,á nó, e Ú.us estivéssemosno alto' agora,exigindo
em funçáo do
lugar, evite todo o uso de nomes próprios no esquema, excetuando em contraste com Deus e conosco, devessemmudar,
do
os nomes de Deus. Isso quer dizer que náo deve haver referência a que estásendo dito. Assim' use os pronomes de primeira pessoa
e assim por
nenhum dos heróis da Bíblia, nem às cidades,naçóes,terrirórios ou plural -"Nós devemos,irmáos", "é nossodever,irmáos"'
nada similar, no esquema do sermáo. Tirdo isso associauma data ao diante.
esquemae o impede de ser uma mensagemcontemporâneapara as
pessoasda atualidade. Concluir o Sertnã.oFazendo urnApelo Final
da
Em segundo lugar, nunca use o tempo passadode nenhum verbo no Frequentemente nos apressamosdemais para chegar ao final
c.squemado seu sermáo. Esta é outra indicaÉo de que esrarnospensan- que um breve resu-
cxplicaiáo, o que náo nos permite fazer mais do
oferecer
clo mais em'haquele tempo'do que nas pessoasde hoje em dia. rà aot pon,o, que abordamos.Pior ainda é o costume de
Em terceiro lugar, náo devemos usar pronomes de terceira pessoa os pontos' um a
uma oraçáo no final da nossa ptegaçío, que reveja
(ehs, ela, ele,, nem mesmo aqueleou aqueles),pois cada pronome de os
um, aparentementedando ao Senhor tempo para examinar Pon-
tcrceira pessoacoloca o ouvinte fora da açío e meramente ouvindo agora oferecendo a
tos como uma revisáo, pois é a Ele que estamos
sobreela. oraçáo!
No lado positivo, devemosusar o nome de Deus no esquemado Muito melhor é o costume de trabalhar arduamente para avcrr-
decisiv:rs'
scrrníro.De fato, sempreque estivermosperdidos e confusosquanto guar onde o Espírito Santo desejaque nós Peçamosaçóes
711 Pregandoe Ensinandoa peÍrir do Antigo Testamento Explicatiua
AArtc t a Ciência da Pregaç,ão
1l

( otìr l)ascna verdade do que acabamosde pregar. Isso náo é fâcil para lmpactocristáosobrea cultura.Podeserque a sua"fe" sejacercbral
nerrhum de nós. Pode tardar de quarenta e cinco minuros e umâ demais,e náo nos façaagire refetir sobreuma mudançade vida ou
Itorrr c meia de fervorosa preparaçáo para concluir como devemos de atitude.
('(,rìvocar a congregaçáoa modificar seus caminhos e suas obras e a
rcagir ao que esrapassagempamicular das Escrituras desejaque nós Conclusáo
íìrçamos e sejamos. Frequentemente, tenho que orar durante est.
A pregaçáo explicativa náo é um dos luxos opcionais do púlpito'
itspecto da preparaçáo, ou rer meu coraçáo e alma estimulados ou-
vindo o Messiasde Handel para que eu possaromar os princípios que Na uetd"ã., ela conrinua sendo uma das habilidades mais fervorosa-
tinha anunciado em meus ponros principais e apresentá-los como lnente desejadasentre os pastores,de acordo com pesquisasrecentes.
desafios para açío - coisasque eu teria quefazel se tivessea inten- A seriedadedos tempos e a autoridade da Palavra de Deus exigem
nos esforcemos com todo o fervor de nossa existência para ver
çáo de ser fiel em minha resposta ao rexro.
talento desenvolvido em nosso ministério se desejarmos sentir
Portanto, a conclusáo é uma das partes mais críticas de uma men-
uma vez o que Deus desejaque a Igreja seja e experimente'
sagem. Eu devo fazer uma convocaçáo real (isto é, divina) de suges-
tóes específicaspara açáo imediata. Deve haver um chamado para
que Deus nos modifique à luz dapurezada sua Palavra.Mas também
é necessárioter cautela aqui: devo convocar para açóes específicas
que estáo baseadasunicamente no que é ensinado precisamente nes-
ta passagem.Com muita frequência, pedimos açóesgenericamente
verdadeirasque poderiam ser encontradas em uma centena de outras
passagens- mas, infelizmente, náo na que estásendo pregada nesta
ocasiáo. Seja, portanto, cuidadoso para que o desafio esteja contido
neste texto.
tJma outra precauçáo é necessária.Os evangélicos,em particular,
sáo conhecidos por deixar mensagensno nível cognitivo. Nós costu-
mamos pensar que concluímos nosso trabalho quando pedimos que
o povo de Deus "pense nisso", "creia nisso" ou "lembre- se disso".
Mas certo dia me ocorreu que Belzebu poderia responderigualmen-
te bem aos meus sermóesse isso era tudo o que eu pedia que as
pessoasfizessem. O Diabo acredita em todas esras coisas, e ainda
mais, sabe que elas sáo verdadeiras; ele náo se limita a agir sobre
cada uma destasdeclaraçóes,e por isso, devemos convocar aspessoas
i\ açáo. Talvez por isso até 30o/odos americanos diráo que riveram
urrr:rexperiência de nascer de novo com Deus ou pelo menos algum
tipo de experiênciapessoalcom Deus, mas nós vemos pouquíssimo
Parle2

Como Pregare Ensinar


a partir do Antigo
Testamento
5

A Pregaçáo e o Ensinode Texros


Narrativosdo Antigo Testamenro

Um dos primeiros livros a chamar nossaatençâo pana importân-


da forma do texto nas Escrituras foi um livro publicado em 1983,
Preaching Biblically.l Este livro observava como a forma
sermáo podia ser afetada e, na realidade, auxiliada, começando
aforma do texto bíblico. Este mesmo espírito motiva o trabalho
agorâ empreendemos neste capítulo e nos seguintes.
A narrativaé o gêneropreferido no rexto bíblico. Segundouma
ira de computar, a narrativa pode compor metade do conjun-
dos dois testamentos. Isto é porque o coraçáo da mensagem das
iturasé, por si só,a históriado plano redentorde Deus.
, Mas há mais explicaçóes para esta preferência pela narrativa do
o olho percebe imediatamente. Observe como muitas pessoas,
bancos da igreja nos cultos de domingo, parecem ter seus inte-
reanimados quando uma história é intercalada na mensagem.
que estavam inclinadas repentinamente se levantam, e um
de rostos novamente saúda o pregador, à medida que a história
desenrola. Desde que éramos crianças, todos nós adoramos ouvir
ou contar uma história. Náo deve nos surpreender, portanto, quan-
do a mais importante revelaçáo jâ feita aos mortais emprega esra
tncsma estratégia,por algumas das mesmas raz6es,
7h Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento '77
A hrgaçao e o Ensino de TbxtosNanaüuos do Antigo Ti:stamtnto

l'u*r .sepreparar adequadamentea fim de ensinar ou pregar sobrc


de narrativd'.3 Cada situaçáorepresentaalgo que AcolltecÌctlcttr clc-
lrxlos rrarrativos,é necessáriocompreender como as narrativas sáo tefminado lugar ou em determinada ocasiáo.Nestc aspectotcrttitp,
(()lnpostase como funcionam. Este exame da técnica narfatiya nos
I eituaçáofunciona praticamente como o parágrafo, tla cscritit cltt
rrjuclaráa diminuir a velocidadeno nosso exame do texto e no nos- pfosa normal, geralmente com uma ideia principal para cadit cctta.
s, dcsejo de chegar ao fim ou à moral da história. Desta maneira, ifOo será uma grande ajuda para o professor ou pregador tlttc cstii
ircnros observar os menores, mas importantes, detalhes da narrativa. tCntando mosrfaf como a narrariva progride na sua própria lt'rgicl
l)c iguaÌ maneira, isso nos protegerá de interpretar erroneamenre lnterior e como o texto pode fornecer princípios legítimos.
o texto, preenchendo as lacunas da narrativa com a nossa própria Portanto, quando uma narrativa indica uma mudança em tclì'l-
imaginaçáo e tratando este acréscimo como se fosse o próprio texto que se pode iniciar uma nova situaçãtr
Po ou lugar, é neste Ponto
das Escrituras. ou cena, e, portento, algo que é equivalente a um novo parágrafìr
G e uma nova ideia que está sendo construída dentro da lógica c
Os Elementos nos Textos Narrativos :ttrutufa da história. Diversas versóes da Bíblia indicam mais in-
(Jma narrativa, pela sua própria natuÍeza, "requer pçóes ou mudanças no texto, pois têm como regra iniciar um
uma história,
parâgrafo cadavez que uma nova pessoafala. Mas esta regra'
e alguém que conre esta histórii'.2 o narrador pode contar a his-
nte, náo é útil para a análise da situaçáo e para a pregaçáo.
tória no estilo de primeira pessoaou de terceira pessoa.
euando a vez disso, devemos nos limitar à regra geral de que a situaçáo ou
primeira pessoaé usada, o "eu" da história pode se relacionar com o
cena muda somente quando mudam temPo ou lugar.
que aconteceu, do ponto de vista daquilo que o narrador vivenciou
Cada cena normalmente é composta de dois ou mais personagens'
ou observou.Mas quando a terceirapessoaé usada- "slç", "eld' ou
"çlss" - a história pode assumir inúmeras perspectivasdiferentes e casosonde apareceum gruPo em uma cena' este grupo funcio-
como um dos personagens.No entanto' na narrativa bíblica, uma
como resultado a história pode mais facilmente passarde um lugar
característicasque mais de destacam é o que Sidney Greidanus
a outro ou de uma época a outra. os narradores bíblicos preferãm
de "presença dominante de Deus" nestas cenas.4Greidanus
a naruaçâoem rerceira pessoa, o que lhes dá maior liberdade para
Lque Deus é um dos Personagensnestas cenas' com grande
apresentarde modo mais amplo o que acontece na história.
ia. No entanto, mesmo quando Deus náo é mencionado
os elementos principais no conjunto de mecanismosliterários,
te, a sua presençaé sempre sugerida pelo ponto de vista
usadosna narrativa, incluem: (1) situaçáo, (2) enredo, (3) ponto de
narrador.
vista, (4) caracteÍizaçío, (5) ambienre, (6) diálogo, (7) leitwort ou
A tarefa do intérprete, professor ou pregador, entáo, é começar o
organizaçãodas palavras, (8) estrutura e (9) elementos literários de
cstilo e retórica empregados. É est. amplo repertório que o narrador estudo de cada narrativa assinalando as cenasem cada história. Estcr
é semelhante ao modo como estudaríamos uma passâgcllì
utiliza quando a narrariva vai ser escrita.
prosa, separando os parágrafos. lJma vez feitas essasdivisóes, l'
escrevercom nossaspróprias palavras uma breve sinopse do tlttc
Situação
sendo dito ou do que está acontecendoem cada cena, pois isstr
"Na prosa do Antigo Testamento", declarou p Fokkelmann, ,ã tonará,demaneira muito similar ao modo como cada tópico ott
J.
situaçáo é praticamente a unidade mais importante na arquitetura funciona nos parágrafosem Prosa.Desta maneirrt' o ittti't'
Pregando e Ensinando a parrir do Antigo Têstamento
A Pregaç,ío e o Ensino de Ti:xtos Narratiuos do Antigo nsnilt(ttto 19

l)r'('r('scÇorìcenrrarána narfativa propriamente dita, permitindo que Enredo


,r lir'rrrr da história, como apareceagora no rexro, dËfin" a paura
de
itlc'iusque se conectam a ela. Essainterpretaçáoconstrutivaão O enredo é o que dá movimento à história, pgis cuclrrrrrrl'rrrive
a.*to
.vira as incoerênciasde uma coberrura ideológica destrutiva tlcve ter um começo, um meio, e um final. A essascqttôtrcirt, tlta-
ou im-
posta sobre o texto. lììamosenredo. Ele acompanhao movimento dos acontccittlt'lttrls
um bom exemplo do uso das cenas pode ser visro em histórias e episódiosà medida que elessurgem na história. o enreclorlt.v( sr'
tiro diversascomo o chamado de Samuel, em 1 samuel 3, ou o iní- rnoverem direçáo a um clímax e algum tipo de resoluçáo.Errvolvido
cio do ministério de Elias, em 1 Reis 17. No caso da história rro conceito do enredo, está o relacionamentoque existeentrc ttlttrt
sobre
samuel, o texto exibe uma mudança de cena com a mudança
do sequênciade eventos e as causase consequênciasque têm relaçirtt
tempo, o que pode ser analisadoda seguintemaneira: com estasequência.
Alguns enredos têm um formato complexo, mas a maioria d<ls
I. Dias anreriores-1 samuel 3.1: "Naquelesdias, a palavra
do enredosbíblicos emprega um único enredo que forma um "padráo
Senhor era mui rara" (ARA). clássico de pirâmide".5 Partindo de uma situaçáo inicial pacífr,ca,a
II. Uma nsi16- 1 Samuel3.2-14 açáo se dirige a um clímax, até repousar novamente em uma situ-
III. A manhá seguinte- 1 Samuel3.15_Ig açáo tranquila. Bar-Efrat exemplificou este padrâo de pirâmide de
IV Dias seguintes- 1 Samuel3.lg-4.1a Gênesis22, emqueonde a história começâcom o tranquilo pedido
de Deus para que Abraáo sacrificasse Isaque.
cada uma destascenas ou situaçóes se torna a base de um tema A açáo culmina com o quase sacrifício de Isaque, e entáo se acal-
principal, ou um algarismoromano, na mensagemque evolui
destas ma novamente,quando o menino e seupai descemdo monte Moriá'
quatro cenas.será necessáriolimitar cada cena a ,t-ã id.i" principal
Um exemplo mais completo, de Bar-Efrat, é a história da bênçáo de
que desenvolva a ideia central da passagem,em sucessivospensa-
Isaque aJacó,em Gênesis27. O clímax é quando Isaquequasedes-
mentos, no progressode toda a história.
cobre o engano em que seu filho o está colocando. A açáo se acalma
Um_exgmplosimilar da mudança de cenaspode ser visro na mu_
. quando Isaque abençoaJacó, que estavafingindo ser Esaú. Mas ou-
dança de lugar, visra em I Reis 17:
tro clímax é imediatamente encontrado, quando Esaú entra e pede
a bênçáo de seu pai, que a tinha acabado de dar. IJm novo ponto de
I.Opalácio-tReis17.1
II. O ribeiro de Querite - 1 Reis 17.2-7 calmaria na açâoda história é alcançado quando Jacó deixa seu lar e
III. A porta da cidadede Sarepta- 1 Reis 17.g_16 alguma distância é inserida entre os irmáos hostis.
IV Na casada viúva de Sarepta- 1 Reis 17.17_24
Ponto de Vista
uma mudança de rempo e lugar determina onde fazer as quebras O ponto de vista se refere à perspectivasob a qual a históril í'
.m um texto narrativo como preparaçáo do texto para proclamação. contada. Normalmente, é uma prerrogativado narrador exprcs.sllr ()
l1)simples e claro. Erta, c.n", firncionarao, agoÍa,para ponto de vista sob o qual a histógia é contada. À, ,ret.t, o lìiìrfrt(l()f
o sermáo,
Praticamenteda mesma maneira como os parágrafosfuncionam em cedeestaposiçáo privilegiada e permite que um dos persott,tg,'ttstlrr
urììrì passagemem prosa da Bíblia. narrativaexplique o objetivo da história. Por exemplo, () iltll(,r (l('
lt( I pregandoe Ensinandoa
parrir do Anrigo tstamento A Pregaç,ãoe o Ensino de TextosNanatiuos do Antigo Testamentl 81

I l{cis l7 permitiu_que as palavrasfinais da viúva


de sarepta rrans- vista oferecido na passagem,mas isso é tudo o que elessáo - pon-
rrririsscr'o ponto de vista das quatro cenasanteriores
e assimtodo tos de vista coadjuvantesou suplementares,que reforçam o rema
o <rbjctivoda história. Ela disse:,,Nisro conheço,
agora,que tu és dominante da história. Somente quando o ponto de vista deixa de
Ir.r'cln de Deus e que a palavra do Senhor ,r" ,,.r"
b"ocaé'*rd"d.,, ser expressoe estámeramente implicado (como aconteceem alguns
(t R s1 7 . 2 4 .
casos)o ponto de vista será diffcil de identificar. Nesres casos,deve-
o ponto de vista dá coerência a toda série de episódios
ou ce- remosdepender de outros elementosna narrativa, que nos ajudem a
rìe.sconecrados. uma vez identificado este versículã
ou segmenro reconstruir o ponto de vista do autor e também o assuntoou título
de um versículo na narrariva que indica o ponro de vista
p"ì" todo da nossamensagem.
o grupo de cenas, nós s_eremos capazesde àeclarar qual é o
desta p-assageme o título que d"remo, a nossa mensagem. "rr,rrrro
No caso Caracterização
da declaraçáo da viúva, podemos afirmar que esra passagem
de I
Reis 17 é sobre "Descobrir que a palavra do senho, LJma vez feita a análise da maneira como uma narrativa está es-
é cãnfiáver e
verdadeira".6 truturada, é importante começara descobriro que ela expressa.A es-
Assim, o ponro de vista fornece a lente arravésda qual sência daquilo que uma narrativa traz pode ser encontrada de modo
o reitor,
intérprete e expositor pode se reracionarcom os atos particularmente claro no uso que faz dos personagens.
ou eventosd.e
cada cena. Dessa maneira, a basepara a pregaçáo e O real movimento de uma narrativa vem dos personagens,seus
ensinamento de
umâ passagemda narrativa começa a se edificar, diante atos e palavras. Portanto, é táo impossível retratar um personagem
de nossos
olhos' LJma vez que tenhamos separado as cenas, observado isolado dos eventos,como o é retratar os eventosisoladosdo perso-
como
o enredo se desenrolae identificado o ponto de vista nagem.
encontrado na
passagem,começaremos a usar o método explicativo Richard Bowman observa que o carâter nas narrativas bíblicas é
de pregaçáo de
narrativas. apresentadode quatro diferentesmaneiras:
Deve-se observar, no entanto, que é possível entender
mal o que
significa o ponro de vista. Afinal, ."d" pèrro" pode 1. atravésdos atos do personageme suasinteraçóescom os de-
expressarinúme_
ros pontos de vista, sempre sobre o Á.r-o assunto. mais personagens;
Mas isso não
pode ser feito com integridade aqui, reivindicando 2. atravésdas palavras do personagem;
a autoridade do
rcxto ou a voz divina do céu. podemos falar de 3. através das palavras dos outros personagensa respeito de um
um ponro de vista
psicoìógico, de um ponto de vista ideológico, .r- personagemespecífico,e
porro de vista
tcrrrporalou até mesmo da perspectivados vários 4. atravésdos comentários específicosdo narrador a respeito de
mecanismosretó-
usadosem uma narrativa, mas nenhum deles pode um Personagem.'
'ic's competir
c'()lno ponto de vista que o autor original, gue .r,.rr.
no conselho
rlc l)cus e recebeu a revelaçáooriginal,-expressouno O Antigo Testamento raramente descreve os seus personagens,
texto desta pas-
s;rgcrÌì.o texro náo é mais subdividido do que preferindo fornecer breves designaçóesffsicas, familiares ou profis-
a mente divina que
, irrsPirrru,em primeìro lugar. pode haver ìnúmeros sionais. Por exemplo, Saul é descrito como alguém que "desde os
aspectosque
s'rr tlc i'rcrcsse quando coadjuvantessáo identiÊcados ombros para cima, sobressaíaa todo o povo" (1 Sm 9.2), ao passo
.rà porrto d.

.!-
ll ,t Pregando e Ensinando a partir do Anrigo Testamento Á Pregaç,ío e o Ensino dz TextosNarratiuos do Antigo Testamento 83

(lu(' outros sáo descritos simplesmente como um amalequita,


um Itaabecontrasta com Acá no livro de Josué,ao passotltrc Samuel é
iilr'rofrcu' um heteu, um profeta, uma prostituta ou um pastor. Há rumforte contrasteparâ os filhos de Eli. Certamente Saul ó o oposto
irrÍirrr'açóes suficienres para situá-los com referência aã objetivo de Davi, como Rute é o oposto de Orfa. Desta maneira, algtttrsc'les-
d, história, mas jamais detalhes suficientespara sarisfazera nossa sespersonagensdestacamoutros.
curiosidade. o texto bíblico raramenre trata da psicologia dos per- O personagemcentral da Bíblia é Deus. Isso náo é surpresa,pois
sonagens'mas pode descrevercaracterísdcasmorais ou intelectuais. cm praticamente todas as narrativas Deus está presente, explícita ou
Assim, Jacó é "o enganador", ao passoque Nabal é ,,o tolo". Tudo implicitamente. Portanto, a atençáo do intérprete e do expositor
isso conrrasta com a llíada e a odisséia de Homero, onde sáo feitas deve estar centrada no papel de Deus na narrativa. Isto nos lembra
descriçóesbastantecompletasdos heróis. de que todos os esforçospara se concentrar no personagemhumano
como' entáo, determinaremos a caracterizaçáonas narradvas bí- cm uma história, enquanto náo se conseguesituar as açóesde Deus
blicas, se ela é usada táo raramente? A resposta é: a caracterizaçáo na narrativa, sáo errados. Isso leva a separar o personagem do plano
pode ser detectada principalmente pelos aros e diálogos dos partici- redentor de Deus, ignorando o que o autor queria explicar. Desta
pantes da narrativa. E preciso ser parricularmente observadoi quan- Forma, uma das nossâsquestóes fundamentais na determinaçáo da
do se consideram os diálogos nesre aspecto.Esta é a principal ma- caracterizaçáode uma narrativa é: O que Deus está fazendo nesta
neira como uma narrativa apresentao seu personagem.Além disso, cena? O que o autor desta passagemdas Escrituras está tentando
frequentemente seráo encontrados muitos aspectosem um mesmo dizer nesta narrativa, com o seu ponto de vista particular, de acordo
personagem.Desta maneira, veremos tanto os pontos fortes quanto com o seu propósito para escrever?O expositor náo deve se deixar
as fraquezasdos patriarcas, os reis de Israel e até mesmo o, piofet", distrair por tentaçóespâra ser reducionista, ou para desenvolvero
e sacerdotesde Israel. seu próprio conjunto de moralismos, por melhores que sejam, ou
As caracrerizaçóespodem ser estáticas ou dinâmicas. por mais frequentementeque possamser ensinadosem outras pas-
euando
um personagembíblico náo muda, ao longo de toda a história, ele sagensna Bíblia.
pode ser descrito como estático.Mas quando um personagemmos-
tra considerável mudança e evoluçáo durante o decorrer da história, Ambiente
pode ser considerado dinâmico. o primeiro juiz do livro dos
Juízes É importante situar o enredo e os personagensno mundo de tem-
é otniel, que no decorrer da suajudicatura inicia guerra com a síria
po e espaçoem que habitam. Náo é nenhum segredoque a narrativa
c é bem-sucedido. Não podemos dizer n"d" sobre ere, deste bíblica estáintimamente relacionadacom a história, pois estaé uma
modo ele deve ser consideradoum personagem -aiestático. por outro
das suascategorias:a narrativa histórica.
laclo, Sansáoé um personagemmuito complexo e multifacetado.
Mas o ambiente tem também outras funçóes. Quando a hist<írirr
Apcsar de ter sido designado,antes mesmo do seu nascimento para
t do sacrifício de Isaque é estabelecidano monte Moriá, em (ìêncsis
scl nazireu desdeo nascimenro e libertador de Israel, ele desperdiça
22, estenáo é um detalhe descartávelque náo tem funçáo ott ittt-
srrarnocidadecortejando as filhas dos filisteus,sendo traído por suas
portância para a história. Ao contrário, estahistória, e estc ía(o crttr
it tÌì 1llì tcs.
prarticular,nos preparam para o fato de que neste mcstÌto lttgar o
lìrccluentementeos personagensagem uns contra os outros, dan- templo seriaedificado e sacrifíciosfuturos ocorreriam. lsso Íica claro
rl,r rrrs rr'a melhor ideia de ambos, pelo contraste.por exemplo, prormeio de revelaçóesposteriores,quando 2 Crônicas 3.1, quasede
tl4 pregando e Ensinando
a partir do Antigo Testamento
A I'rcgaçãoe o Ensino de TbxtosNanatìuos do Antigo Tëstamento 85
rrìa maneiratriviar, anuncia:"E começou
salomáoa edificara casa
-üorií,. de declarancoisasé eviado,.o autor náo tem algo a dizer claramente
d. Senhor em Jerusalém,no monte
Este f."i, p.a. *, na narrativa.
salientadoquando sintetizamoso
ensinamentodestapassagem com Alter fornece duas regras muito úteis sobre o uso do diálogo,
a teologiade toda a Bíblia.
o fatg de que a narrarivade Eliastenha quando interpretamos uma narrativa:
. rugarno reino do rei Acaz
e da rainha Jezabelé.de.igual m"rr.ir" i-porranre paraacompreen_
sáo do ambientehistóricã.no qual Observe o ponro em que o diálogo é introduzido, pois este
pro,J*"rr" contra o politeísmo. é, frequentemente, o momento importante de revelação do
AIém disso,o pai deJezabereraïei
ai sa.-, uma fonte de influên- carâter do orador - talvez até mesmo mais importante do
cia cananitaconrra qld o profeta
levantouassuassantasobjeçóes. que a substância do que é dito!
O ambiente,enráo,"pãdeadìcio.r"r.r-
Àror significativoparao en_
tendimentoque o inìérpretetem de Observe, também, onde o narrador escolheu introduzir diá-
uma história.
logo, em lugar de narraçáo. Este ritmo de passarda narrativa
Diálogo ao diálogo, e vice-versa,faz parte do efeito que é criado. E na
Se a caracrerizeçáoé ruranas histórias troca de palavras entre eles,o relacionamento entre os perso-
do Antigo Testamento, o nagens e Deus, assim como o relacionamento de um com o
oposro pode ser dito a respeito
do uso de diárogos nessasnarrativas.
Como observou Roberr Al,.r, outro, seráesclarecido.e

Tirdo no mundo da narrativa bíblica É particularmente importante presrar atençáo àquelesmomentos


gravira, em ütima análise,em
diresio ao diálogo.De forma qu"ntit"ti*, Ín que um personagem repete uma parte ou o todo do que o outro
umapartead.miravelmente acabou de dizer. Nestas repetiçóes, frequentemente, há
grandedo pesoda narrativa é sustentada
p.lo, ái,ílogor, **r"çu., Umapequenae ligeira alteraçáo,uma inversáode ordem, melhoria,
enüe os personagens,que tipicamente ",
sedesenrolapor meio de pala_
vrasque elesüocam, com a mínima fupressáoou alguma outra diferença.Isto pode dar ao intérprete
intervenÉ.odo narrador.s
uma indicaçáode algumacoisaque pode sera chaveparacompreen-
o diálogo é uma parte tão importante &r o personagemou o eventodescrito.
que frequentemenre é , Alguns exemplosdessasmudançasno diálogo podem ajudar.O
possível enconüar, nas palavras
de um d* p;i;.ì;;ï!.';or,"g.n,
o pln1o di vista d. ,oJ" passagem.por mris antigo exemploé aqueleem que asinstruçóesde Deus a Adâo,
.1ïl*,
vrmos como em 1 Reis 17.24 o auror " exemplo,já I respeitodas árvoresdo jardim (Gn 2.15-17) sío repetidas,com
wita diã.r, dir.r"*.rri. llgciras diferenças,pela serpentee pela mulher, que dista maneira
suasprópriaspalavras,o que deseja "orn
dizer.Em vezdisso,o ,,
recursode fazercom que a viúva tsrlizamsuasprópriasdistorçóesàsordensde Deus (Gn 3.1,2).Da
com suaspróprias ",rrà..rr"
"Nisro conheço,agora,que palavras; lãeomamaneira,as ordensdos três capitáesde cinquenta homens,
ru és"on.lu"
homemde DeusËqr'.ìlí**
Senhorna tua boãaé ,r.-rd"d.',.nq;i a,, quc foram enviadosa Elias,o profeta, mosffam uma evoluçáo,uma
;rìa a diferença.rrtr. pro* vet que os dois últimos sabiamque o primeiro grupo de cinquenta
expositiva,gueé direta em suasdecìaraçóes, "
e o contar de uma nar- hom.nr tinha sido repentinamentedesffuídopor uma palavrada
rativa,que por suanarurezautiriza
um meio indiretode fazersuas <Jc- bocado profeta(2 Rs 1.9-I5). Elespassamde "Homem de Deus,
claraçóes.
Mas náo devemosconcluir
9ue, porgue o método dircto O rel cliz.:l)cscc" (v. 9) a "Homem de f)eus, assimdiz o rei: l)c.scc
flfi Pregandoe Ensinandoa parrir do Anrigo Testamento e o Ensinode Ti*os Nanatiuosdn Antigo nstumento
A Pregação
n7

clcprcssii'(v. l1), e a forma final é: "Homem de Deus, seja,peço-re, Êstavamorto, talvezpor ataquede um animal feroz, também Judá
lìrc(:iosiÌaos teus olhos a minha vida e a vida destescinquenta teus (aqueleque sugeriuqrr. ot irmáos vendessemJoséaos midianitas)
setvos.Eis que fogo desceudo céu e [Deus] consumiu aquelesdois Èoip.r.oi-.nt. .ng"nado por sua nora ressentida.Ele finalmente
prirneiroscapiráesde cinquenta, com os seuscinquenta; porém, ago- "reànheceu",em um momento extremamenteembaraçoso'Por que
lrr, scjapreciosaaos teus olhos a minha vida" (w. 13,14). o "cabriro"jamais foi entregueà mulher à qual ele tinha assediado!
O que é admirável, a respeito do di:ílogo na Bíblia, é o fato de que Essaé apenasoutra forma de repetiçáousadana narrativabíblica.
clc sempre acontece entre dois personagensou grupos e raramente
cntre três ou mais. Mas é o diálogo que adiciona cor, vivacidade e Estrutura
realismo à narrativa bíblica, desta maneira tornando ainda mais me- "malha de
morável a verdade ensinada. As narrativas hebraicas exibem estfuturas que sáo uma
LJma
felacionamentosentre as partes de um objeto ou unidade".l2
arranjo deliberado para
Leitwort, ou Organiz.ação das Palaaras vez que cada narrativa coniem algum tipo de
se en-
todas as suaspartes, é importante examinar como estaspartes
Frequentemente a história usará a mesma palavra ou o mesmo somente a unidade da
caixam e ,e rela.ion"rrr. b.ra" maneira, náo
padrão de palavras semelhantesem som ou forma em partes impor- e o seu
história se torna aparente, mas também os seustemas, ênfases
tantes da narrativa. Neste caso, estaspalavras podem ser usadaspara enredo sáo revelados.
enfatizar a unidade temática de toda a perícope, ou para estabelecer A parte mais natural da estrutura a observar é o clímax da história.
uma ideia na história. Assim, uma palavra ou um conjunto de pala- como
É o r.n desenlaceou clímax, que normalmente serve também
vras recebe a proeminência, por causada sua frequência de uso ou a alto
foco da história. Assim, a históti" de José atinge o seu Ponto
maneira como é empregada estrategicamente. quando ele revelaaos seusirmáos quem ele é, em Gênesis 43-45.
Kenneth Matthews mosrra como Gênesis 22 tem uma tripla re- Em outras narrativas' como a história de Jó, a estrutura pode ser
petiçáo de "o reu filho, o teu único filho" (Gn 22.2,12,16) ,.rr" percebidapor expressóes repetidas.Por exemplo, Jó 1'13-19 é pon-
narrativa.lO Essa é outra maneira de enfatizar que o menino é um que
iu"d" .o* a expressáorepètida dos quatro mensageiros.se.ndo
aspecto muito importante desta história. Outro exemplo é o uso anterior] falando", e disse,
cada um d.les rreio "esnnão ainda este [o
frequente de "casa" (com o significado de "dinastia") emZ Samuel T, depois de relatar suastrágicasnotícias, "só eu escapei"'
de
onde Deus promere edificar uma dinastia, com origem em Davi, em Mas também há uma estrutura maior que une um complexo
o
lugar de permitir que Davi lhe edifique uma casa. narrativas.Assim, vemos o ciclo de Abraáo (Gn 1l'27; 25'lI)'
Robert Alter reviveu um andgo exemplo de uma palavra chav, (1 sm 1-16) e o ciclo
ciclo de José (Gn 37-50), o ciclo de Samuel
observar
lrara explicar como Gênesis37 estáconecradocom Gênesis38, pois de Elias . Elir.'., (1 Rs 17; 2 Rs 13). Aqui, é importante
scgundo muiras opinióes, o capítulo 38 pareceser uma interrupçáo da estrutura maior' contribui
como cadaperícopeindividual, dentro
da narrativa anteriormente uniforme de José.ll No entanto, quando e a*p"rrd. o t.-"'d. toda a estrutura, assim como da estrutura indi-
2.14
se considera a justaposiçáo de Leituorten "cabrito", e do verbo ',co- vidual. No casodo ciclo de Elias e Eliseu, aParentemente2 Reis
redemoi-
nltcccr" nas duas histórias (37.31,33; 38.17,25,26), uma descoberta é o desenlace.Com a transladaçáo de Elias ao céu em um
assornbrosapode ser feita. Assim como o cabrito foi usado pelos "Onde está o Senhor' Deus
nho, a pergunta é feita retoricamente:
visto em
irntãrrscle José,para enganar seu paiJacó, fazendo-o crer que
José de Eliasi" ó.ra" formamaneira, o poder de Deus pode ser
l
J
tl()
Ett Pregandoe Ensinandoa parrir do Anrigo Testamento A l'wgaçá'oe o Ensino de TbxtosNanaüuos da Antigo Tbstamento

r'*rlacPist'rdiodestesdois profetas.Em 1 Reis17, é demonstradoo origenslhistória,geraçóes] de..."(Gn 2'4;5'1;6'9; 10'l; ll'10'27;


porlertla palavrade Deus.Em I Reis18, o poderde Deus,em açáo, Z5ltZ,t9; 36.I,9; 37.2), formandoassimonzeblocos'de material.
grrrro Íìrgovindo do céu.No episódioseguinte,I Reis 19, o poder Finalmente,a rePetiçáopode apontar pàra asPectosdo carátcr
rle I )eusé visto na suacapacidadede restauraro seuservodo colapso de uma pessoa.Só precisamosobservarasligeirasvariaçóesem umâ
crnocionale espiritual.Mas tudo issoé partedo poderde Deus. Õrdemdìvina q.r. é ,.p.tida paradetectarfalhasno caráterde uma
pessoa. Dessamaneira,nóssomosavisadossobreo carâtetda serpen-
as
Mecanis-ntos de Estilo e Retórica na Natratiaa ic . o d" mulher, quando elasrepetema proibiçáo de Deus sobre
distorçóes (Gn
árvoresno jardim do Éd.rr, mas com suaspróprias
Nas palavrasque cada auror escolhe,há evidênciado estilo de
2,15-17;3.t,21.Estecuidadoem ler e interpretaro texto frequente-
cadaautor. Uma dasmaneiraspelasquais o esdlo pode ser eviden-
ciado é observaro que é repetido e o que é omitido, assimcomo o tnenteresultaem grandesdiscernimentosquanto ao carâterdaqueles
ËOmquem lidamõs, emborao texto hebraiconormalmenteofereça
usoque o autor faz de quiasma,ironia e outrasfigurasde linguagem.
muito pouca caructetizaçío.
Cada um dessesmecanismosretóricosé merecedorde uma breve
discussáo.
,ì OurssóBs
I
RrperrçÁo I
Táo importantes como as fepetiçóes sáo as omissóesde um texto.
ls u.r., há irrfot-"ções que náo estáodeclaradase que sáo essenciais
Nós já destacamos o uso de uma palavrachave,ou leitwort. Ném Estas "lacunas" ou
destaforma de repetiçáo,também podemosver o que pareceuma rperase alcançar o significado de uma passagem.
lãrirt.-", d. i".,rn"r;, como Meir Sternberg as chamou,14têm um
redundânciaaosocidentais.No enranto,pode ser que esrasrepeti-
lpapel importante na nârrativa.
çóesindiquem a própria genialidadeda históúa, enfatizandoo que
deveserenfatizado.
Além de propiciar a ênfaseda narrativa,a repetiçáopode propi-
ciar o começoe o fim destaperícope.Issoé o que chamamosinclu-
sáo,vma forma de colchetes,em que o início e o final de um hloco
de material sáoindicadospelo uso das mesmaspalavrasou expres-
sóes.Destamaneira,o apêndiceao livro deJuízesé marcado.Ali está
escrito,"Naquelesdias,náo haviarei em Israel;cadaqual faziao que
pareciadireito aosseusolhos"(Jz 17.6;2L.25).
Surpreendentemente,a mesma formula aparece,modificada,
dentro da própria unidade,emJuízes18.1 e 19.1, unindo a estru-
tura maior com a macroestrutura.l3 Outro exemplodestetipo é a
estrutura usadapelo autor de Gênesis,no seu livro: "Estassáo as
90 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testa_menro 91
t hcgaçãn e o Ensino dz TextosNarratiuos do Antigo Ti:stamento

Itnhade combate?Ele estavapreocupadocom asprovisóesda guerra


lanta?ou ele já suspeitavade Davi e sua esposaBate-Seba? Essas
DIRETRIZES PARA INTERPRETAR perguntasnáo têm uma respostareal, mas o próprio fato de que
NARRATIVAS ã ,J*,o deixe uma lacuna aqui nos faz pensarainda mais sobreos
hotivos de Urias.
1. Em primeiro lugar, identifique cada cena ou situaçáoda
narrativa. Cadavez que há uma mudança de tempo ou lu_
Qureslvre
gaÍ,háLuma mudança de cena. Estas cenas constituiráo os
O quiasmaé um mecanismoliterário cujo nome defva da letra
principais ponros da sua mensagem.
grrg ìh, que parecee funciona como o nosso'ï'' Ele envolveo
2. AnaÌise o enredo da passagem.Observe o movimenro da
Irur"-"rrro ou a inversáode elementosem construçóesparalelas,
açáo, do início ao clímax e desenlace e enráo de volta à
eejampalavras,cláusulas,linhasparalelasde poesiaou toda uma nar-
sua conclusáo. Isso lhe dará o início, o meio e o final da
üâtiva.15
narrativa.
Esta figura de linguagem está intimamente relacionada com o
3. Determine o ponro de vista da narrativa. Onde o texto che_
uranjo das palavras,o clímax, o desenlacee a inclusáo' Em um con-
ga a um ponro focal de modo que o assunto da passageme
junto de linhas quiásticas, a primeira e a última ideia sáo correspon-
o título da sua mensagem se tornam claros?
i.ta., entre si, p"rro que o par intermediário de ideias, também
4.Yeja como o autor usa o seu diálogo e figuras especiaisde "o
é equilibrado e correspondente uma à outra.
linguagem para aplicar o ponro de vista .*pr.*o em cada
uma das cenas. InoNre
5. Observe como as cenas estáo relacionadas umas com as
A ironia é uma forma especial de linguagem em que o autor diz
outras através do ponto de vista ou do assunto de toda a
O oposro exato ao que tenciona. Elias usou magistralmenteestetipo
narrativa.
de lìnguage- qrr"rrão fez suassugesróesaos adoradores de Baal pelo
6. Observe quais mecanismos de estilo sáo usadospara detec-
fato d-egãal ainda náo ter feito uma apariçáo (1 Rs 18'27)' Jó, de
tar a ênfase, caracterizaçáoe outros.
igual manei ra, dizironicamente aos seustrês supostosconsoladores:
.iNa
rrerdade,que só vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedorid'
0ór2.r).
Essaspalavras,que funcionamquasecomo uma hipérbole,tendem
É necessárioter cuidado, neste ponto, para não interpretar na a exakarum obieto além da realidadecom o propósito expressode
narrativa algo que pode náo ter sido tencionado. Muitos descons- fnostrarcomo o verdadeiroestadodascoisasé exatamenteo oPosto.
trucionistas exageraramo papel das omissóespara introduzir o que é
basicamenteestranhoà história e às suasintençóes.Mas há quesróes Um Exemplo de Pregaçáo de um Texto Narrativo:
naturais que surgem e podem revelar um modvo náo declarado. por I Samuel 3.L-4.1a
cxcmplo, no casode urias, o soldado de Davi: por que náo foi para O texto é 1 Samue|3.I-4.1a. Ele se intitula: "O poder da
('irsa,para dormir com sua esposa,quando foi charrmdo palavrade Deus". Este título se deveao ponto focal encontrado
de voltà da
Pregando e Ensinando a parrir do Antigo Testamento A Pregaç,ío e o Ensino d.e TextosNarratiuos do Antigo Testamento 93

('lfr | .Sarììuel3.I9: "E nenhuma de todas as suaspalavraslDeus] selvashumanas em que nós nos devoramos, uns aos outros' por
tlcixou cair em terra". Os nossosprincipais argumentos se segui- pequenaou nenhumarazâo. Somente apalavrade Deus pode nos
llo lìs quatro cenas que foram mencionadas anteriormente: (1) salvar do caminho da autodestruiçáo em que Parecemosestar.
( )s dias anteriores,v. l; (2) Uma noite , vv. 2-14; (3) A manhá Mas como este estado modificado de coisas pode acontecer?A
scguinte,r'v. 15-18; e (4) Os dias seguintes,w. I9-4.Ia. Acredito respostaé: Da mesma maneira como aconteceunos dias de Samuel.
(lLre esse texto nos fornece informaçóes com relaçáo a quais (a Acontece quando Deus nos mostra a primeira característicada sua
irrterrogaçáo da nossa mensagem) sáo as características(nossa pa- poderosa Palavra, ou seja, Deus pode tornar a sua Palavra táo rara
lavra chave na pregaçáo) que demonstram o poder da Palavra de paranós como o fezparaaquelesdos dias de Samuel (v. l). Deus pode
Deus até hoje. retirar de cena seusprofessores,de modo que ouvir a sua Palavra se
Vamos examinar a exposiçáo deste texto da maneira como uma torna raro. E quando Ele o faz, a sociedadeparece se tornar descon-
típica audiência de domingo o ouviria. trolada e toda a furia do mal é liberada. O elo de coesáodos nossos
relacionamentos cede com tal força que nós nos surPreendemoscom
x
quáo brutais os sereshumanos podem ser. As escolassubitamente
O lema de Genebra, na Suíça, no início dos anos 1500 era: se tornam táo perigosas como os campos de matança do Vietná.
"Depois das trevas, a luz!" Uma afirmaçáo ousada de Calvino e J
Grande parte disso aconteceporque decidimos que podemos con-
de sua gertçâo de que a "lnz" viria ao povo de Deus por meio da
1r
seguir os resultadossozinhos,sem a revelaçáode Deus, e sem a sua
pregaçáo da Palavra de Deus. Porranro, para que as trevas daquela r ajuda. A dádiva da Palavrade Deus só é inferior à dádiva do Filho de
ït
cidade se dissipassem,seis sermóesda Bíblia eram obrigatórios Deus. Mas com enorme facilidade ela é perdida na vida e no púlpito
para cada cidadáo, cada semana. Um sermáo teria lugar no ama- e trocada por algum outro substituto.
nhecer do domingo e ourro no horário usual de t horas da manhá Os indivíduos náo podem substituir nem atender com qualquer
do mesmo dia. Ao meio-dia se realizava o discipulado das crian- *r outra coisa uma necessidadebásica da nossa vida: precisamosvi-
ças, com outro sermáo às 3 horas da tarde. (Aparentemente, na- ver a partir de cada palavra que procede da boca de Deus. Nós náo
quele tempo náo havia jogos de futebol nas tardes de domingo!) podemos manipular esta Palavra, produzir outra forma dela, nem
Nos dias da semana, havia sermóesadicionais, às segundas-feiras, duplicáJa. Ela é única e singular; é vivificadora. Somente o Senhor
q uartas-feirase sextas-feiras. pode dá-la. Portanto, dizemos que estaPalavrapode se tornar escassa
O argumento de Calvino e das autoridades de Genebra era c rara na sua exposiçáo às pessoas'o que traz o resultado trágico que
o mesmo de Provérbios 29.18. Ele advertia que "Náo havendo nós, juntamente com culturas anteriores, testemunhamos e vimos
profecia [a palavra hebraicasignifica'revelaçáodivina'], o povo se cm dias recentes.
('()rrompe [ou, como Ê"odo 32.25 traduz, 'o povo esravadespido' O nosso Senhor também pode fazer com que esta Palavra tenha
orr 'clesenfreado"' (na versáo ARA). Na nossa época, e na nossa seusefeitos escassosem nós e nos nossostempos. Amós 8.Il,l2 ad-
gcrlçáo, podemos reconhecerque os mesmos resultadosvêm da verte sobre uma ocasiáoem que o Senhor enviará uma fome, náo de
quando o
igrrorância sobre a Bíblia e a teologia? Certamente, pois existe 1tãoe âgua,mas "de ouvir aspalavrasdo Senhor". Portanto,
1r'oÍìrrrdapreocupaçáocom uma sociedadeque pareceter perdido Senhor fica em silêncio, as trevasficam mais densas,e frequentemente
\uils :uÌìlrrras.As nossascidadesse tornarâm mais parecidascom asprofundezx danossatristezâ se tornam quaseinsuportáveis.
.t4 pregandoe Ensinandoa ()5
Tbstamento
partir do Ánrigo Testamenr,, ffugação e o Ensino d'eTextosNarratiuos do Antigo

A scgu'da caracrerísdcada sua poderosa palavra pode dois Íìllros


ser vistir nada tinha feito para restringir a iniquidade de seus
rirs rrraneirascomo Deus pode tornaf esta palavra assornbrosa
par.r rrdotes.Thivializar a santidade de Deus é verdadeiramente séritt.
rrris(vv. 2-14). Nós podemos nos assornbrarpela maneira o senhor (v.
como esrll )r r.o, filhos tinham literalmente"blasfemado"contra
l)alavranos chama, como fez com samuel. onze vezes, graveerao-pecad<r
nos versí- 3, na versáoem gregodestetexto hebraico)'Táo
c.ulos4-10, alguma forma da palawa,,chamar', apaÍece', por sacriffcio ou
quando o a culpa que jamais poderiam ser expiados fosse
Seúor renra conseguir a atençáo do jovem Samu.l. I
Enquanto isso, Eli estavaperdendo sua visão ftsica, senão, das Escrituras
o quc É.rt" naüJtezadupla da mensagem que ouvimos
era mais sério, a sua visáo espirit'al. samuel era necessário e também
para asse- : algumas vezeséperturbadora' A mensagem atrai 11;
umâ
. Õ hrrto de Dale R"lph Davis, sobreestapassagem'tem
gurar que aluz de Deus náo se aÍragasseno Tâbernáculo. Deus
tinha
providencialmenre fornecido sarnuel por rraeio das súplicas
agoni- raçáode Andrew Bonar.i6A história é sobre um pintor,grego'
zantes de Ana ao nosso Pai eelesrial. de uv1
pinto,, a imagem de um menino que levava Ïtt."t:t:
Foram necessáriosquatro charnados de Deus para que
arcançar a cabeça.Táã glorioso era o quadro, que todos insistiram
samuel. será que samuel foi um tanto lento, . po.r.o eram as uvas no cesto'
inteligente artista o exibisse no foro grego' Táo reais
aqui? Eu duvido, pois ao explicar a sua resposra,o versículo
náo re os pássarosvoavam tál^ e tentavâm bicá-las' Os cidadáos
parece atribuir culpa a samuel. A questáo é que ^te ^ os pássarosse
o estado dos gi"rà muito o artista, pois diziam que até mesmo
sentimenros religiosos na época era tal que um menino o artista declinou
criado íi"- p.1", imagens ,.pi.r.,,t"das na tela' Mas
na casa de Deus era ignorante a respeito ãa pessoae muito mais.
da obra de todo ãrt.loorrú dir.ndo, "Náo, eu deveria ter feito
Deus. Antes de criticarmos esteshomens e se,ustempos, os pássarosnáo
d.evemos deveria ter pintado o menino táo fiel à vida' que
considerar a condiçáo_atual da ignorância bíblica d", deveria ter
p.rro", q,r. am ousado se aproximar". Ele achava que o retrato
cresceramno cenrfo de nossasigrejas evangélicas!Estã está' exatamente'
nao é, ab- lo atraente . ,.ptrlriuo, ao mesmo temPo' Aqui
solutamente, o caso, perceba, mãs é suficientemente comum pessoascom a
para tensáo .rr.ontr"d" na Palavra de Deus' Sufocar as
fazer com que os mesmos avisos encontrados neste
texto soem do evangelho, sem jamais dizer aelas sobre o seu pecado'
também para nós.
Mas perceba a bondade e amabilidade do Senhor. Ele
náo acu-
mula pilhas de escárnio sobre samuer; em yez disso, Ele "aL
este-
ve", como em outras ocasiões,chamando Samuel. Náo há
uma frase
como "Rapaz, vocè nunca vai aprender nada',. Em vez
disso. nós
vemos um Salvadorque é pacienre,rerno e bondoso.
o nosso Senhor pode tornar a sua palavra assombrosa,náo
so-
mente no seu chamado, mas também no seu conteúdo.
Na verdade,
fá<lassombrososeram os conteúdos do chamado de Samuel
que fa-
riam latejar os ouvidos de todos os que o ouvissem. o juízoviiitaria
ir crrsiìde_Eli porque ele também tinha deixado de ag;r
de acordo
eoffì a palavra que Deus lhe tinha enviado em 1 Sariuel2.27-29.
9(r Pregandoe Ensinandoa parrir do Anrigo Têstamento
e o Ensino dc TextosNarratiuos do Antigo Tèstamcnkt 97

prrlìvras"(v. l8). Por que deveríamos escondera palavraque Deus ltoje?


, será um adversárioà altura da crise que crìfì'c:rìtrtntos
di'ssc,uma vez que ela é verdadeirae virá a acontecerquer
selamo. adequadoalcançaros nossospróprios jovens, as pcssolr,s (luc rìiìo
íiéisao anunciá-laquer náo.Na verdade,o rexrosugereque
senós, alcançadasou até mesmo o cínico moderno quc setìtc (prc
corno mensageirosde Deus, retivermose ocultarrnosa verdade
a tem o direito de dizet a outra pessoao que é ccrto ou ctrit-
culpaquerecaisobreosouvintestambémrecaisobrenós,
por falhar- verdadeiroou falso?
nìosem dar o aviso,de modo que elespudessem,.r.r-"ìh"nce
dc Apesarde todos os prognósticosna nossaépoca,e daquela úpoc'u
mudar e evirara calamidadeameaçada.
Israel, todos sabiam que a obra e a mensagemde Samucl crrtttt
Mas Deus tambémé soberanosobreos ouvinres.Eli náo rejeitou,
ecidase autorizadâspor Deus. Isto suscitaa questáo:O tpc,
náo discutiu nem argumentousobrea validadeda mensagem
que te, autentica os nossos ministros como professoresc [)rc-
samuel lhe transmitiu. Em um gesrorouvável,simplesmerïte
disse: I tt
do evangelho? E o crescimento das instalaçóes físicas?l'. o
"É o senhor" (v. 18). o povo dã D.,r, é ensinado
a dizer"Amém,, imento do número de ouvintes? É o crescimento de receita?
aosjuízos de Deus, e também às bênçáosdo arto. Ele é realmenre
o nós somos mais autenticados, como ensina este texto, pelas pa-
Senhor.
ensinadase pela habilidade que estaspalavras evidenciam para
A razáoé muito clara: Se Deus náo julgasseos maus, então
os transformaçóes na vida das pessoas,para a glória de Deus?
bonse osjustossesentiriamdesencorajador.b.u.náo é uma
a,,,eaça uma coisa é certa: Quando tais declaraçóesde autoridade vêm
frctícia,nemalguémque ameaçamasnuncacumpreassuas
ameaças. palavrade Deus,o seupoder é visto por todos.Um subproduto
Seo púlpito dessesocos,por assimdizer,estesgolp., aconreceriam
pregaçáoefetiva é o fato de que a sua relevância e eficácia seráo
no momenro em que Deus desprezasse o púlpito e náo lhe desse a todos (4.1a).
uma repuraçáosadiadiante de um mundo vigilante, ou até
mesmo O que podemosdizer de tudo isso?A luz da revelaçáopoderá
diante da suaIgreja.
através das trevas atuais? E se puder, como somos levados a
A última caracterísdca da poderosapalavrade Deus enconrrada de que outra maneira ela poderá irromper senáo pela pregaçáo
nestapassagem é o fato de que a palavrade Deusprotegeereconhece
da Palavrade Deus?
os servosque Ele envia até nós. Não é nenhum r.gr.Jo
que muitos A verdade é: Náo havendo profecia [isto é, informaçáo da revela-
ministros de púlpiro recebempouca consideraçããde amigos
e de de Deus],o povo secorrompe(Pv 29.18).E o preçopor permi-
adversários,igualmente.Isso é porque a paravrapregar é
rïsadad. que se infame uma fome da palavra de Deus é que uma explosáo
uma maneirapejorativa.p_orexemplo,as pesso".dir._, ,,Náo
pre_ mal apareceem quase todas as outras áreasda vida.
gue para mim", ou "Náo dê uma de pregadorcomigo,'.Entretanto,
retornem ao básico,
Já é tempo de que pregadorese professores
náo há necessidade de se preoc.rp"r estasopinióes quando se
"oÀ te. Embora muitos tenham pensadoque o ensinamento da
estácentradona mensagemda palavra de Deus. , por exposiçáo direta, agora fosse muito antiquado para ser
Nada que for dito sobrea revelaçáode Deus, pelos seusservos,
é o momento de se arrepender e mudar o menu na mesa
cairá por terra (v. l9). Ela nâo falhaú,na sua ,^rri^, como
a chuva ensinamentos que espalhamos para.a populaçáo em geral, assitrr
c a neve não falham na tarefa que o céu as envia para realizar(Is
para o povo de Deus. Devemos fazer o concerto diantc clc
10,I l). A-questáoé esta:A nossaconfiança,r" p"l".,rr"
?5. de Deus de que seremosfiéis à sua Palavradesejandoapenasver cotìì(r
ir assimtáo forte? Nós pensamosque Deus, na sua revelaçáo,
há ia o poder que a Palavrapromete. Devemos nos deciclirrt ttrur
Pregandoe Ensinando a partir do Ántigo Testamento

irtendermeramenteos apetitesdos bancosdaigreja,ou acompanhar


os modismosda épocano que diz respeitoaosmérodosde procla-
maçáo.Em vez disso,devemosformar um novo quadro de homens
e mulheres:"Proclamadorese Guardadores"para a glória de Deus.
Somenteentáoum poder novo, exclusivoe singularpoderáservisr<r
na Igreja quando Deus nos mostrar novamenteo seupoder na surì
Palavra! 6

A Pregaçío e o Ensino dos


Livros de Sabedoriado Antigo
Testamento

Craddockafirmou, há algum tempo:

Por que a multidáo de formase esadosde espíritona literatura bíblica


e a multidáo de necessidades da congregaçáodevem ser reunidasem
um molde invariável [de pregaçáo],e que é copiado da retórica grega
de séculosatrás?O resultadoé uma monotonia desnecessária, mas,
mais profundamente,há um conflito interior entre o conteúdo do
sermáoeasuaforma.l

Na verdade, por que deveria ser assim?


E assim, tornou-se necessário permitir que a forma e o gênero
passagensdas Escrituras moldem a forma da mensagem. Esta é a
uçáo que ocorreu no campo da pregaçío nos últimos 25 anos.
Mas até que ponto podemos levar esta linha de raciocínio? John
por exemplo,sequeixoude que a Bíblia era"mal utilizada"
o texto das Escrituras era lido em busca de temas ou pontos
eram destilados de todos os textos bíblicos.2 Em vez de procurar
um tipo de sermáo discursivo, didático ou conceitual, que "diz o
l( x) Pregando e Ensinando a paÍtir do Antigo Testamento t0l
Pregaçáoe o Ensino dosLiuros dz Sabedoriada Antigo Ti:stam'ento

que deseja,que alcança o seu intenro", Holbert, como fez Craddock


novas.Os provérbiosfuncionam destamaneira porque colì-
na citâçáo acima, advertiu que os pregadores deviam se afastar 180
dCnsammuita sabedoriaem uma generalizaçâorelativamente amplir,
graus deste tipo de rerórica helenista. Holbert, no entaÍÌto, náo esta-
quc capta a essênciade padróes que tendem a se repetir. Estas genc-
va dizendo que a pregaçáo didática náo era mais eficaz nem mesmo
tdizaçóes vêm em várias formas, cenários, situaçóese tamanhos.
desejável.o que queria dizer eraque há alternarivas importanres ao
Mas se é assim,por que é que táo poucos sermóesbuscam os mate-
método discursivo de pregaçáo.
tlris de sabedoriacomo uma basede uma palavra de Deus? Inúmeras
Náo tenho nenhum problema em afirmar que há uma amplitudc
normalmente emergem para resPondera essaPergunta'
de pregaçóes táo grande quanto há tipos literários nas Esciituras.
A mais óbvia é a de que muitos expositores consideram a Prega-
Eu náo tenho tanta ceÍteza, entretanto, de que o uso de todos estes
r do livro de Provérúos simplesmente difícil. À primeira vista,
variados tipos nos afastarâde "alcançar o nosso objetivo" ou de as-
parece haver nenhuma ordem, unidade ou estrutura no livro.
pectos didáticos do ministério. Afinal, toda Escritura, disse paulo,
se pode dar a ele a aparência de um sermáo explicativo, que
foi dada com inúmeros e diferentespropósitos (2 Tin 3.14-17), mas
considerado como a forma modelo neste livro, quando o material
tudo contribui para nos apresentarà fe em cristo ou para nos edifi-
resistir a tal abordagem em todos os pontos?
car e desafiar a todos nós para que cresçamoscomo crentes.
Alguns expositores evangélicos se sentiráo particularmente relu-
A questáo é que a pregaçâosensívela gênero deve ser governadr
em pregarsobreo livro de Provérbios,porquenáo conseguem
pelas estratégiasretóricas deste gênero. Se isto quer dizer que "alcan,
o anúncio do evangelho neste livro' Mas isso suscita outra
çar o objetivo" nos sermóesserádeixado de lado, em favor de outros A única razâo parapregar ê trazer as Boas Novas da salvaçáo
substitutos para os resultadosdos sermóes,é outra questáo.Isso po-
cada mensagem?Náo é possível Pregar Para se dirigir ao crente
derá ser investigado mais adiante, neste capítulo.
pedir uma resposta, à luz do ensinamento da Palavra de Deus so-
rc a ética, e um modo de vida exemplar? É preciso aPenas
O Gênero do Provérbio " -ãtd
como sáo predominantes, na nossacultura, hoje em dia, as
De algumas maneiras, os provérbios náo sáo táo diferentes das de desonestidade,infidelidade conjugal, divórcio, violência
narrativas, pois, sob alguns aspecros,os provérbios se originam dc 3stica,com os maus tratos físicos resultantes,o abuso de drogas,
enredos repetidos. Náo é de admirar, entáo, que os provérbios te- incontroláveis,submissáoà pressáode colegas,má adminis-
nham sido definidos como "sentenças curtas baseadasem longa(s) financeirae formasde logro na sociedadee na própria igreia,
experiência(s), e contendo uma verdade".3Padróesrepetidos de his- perceber quáo relevantessáo os provérbios que abrangem estas
tórias dáo origem a uma sentença cufta, que tende a resumir a ver- ! Tâis questóespedem uma proclamaçáo corajosa e a instru-
dade da narrativa em uma frase ou sentença memorável. bíblica.
Os provérbios abundam em todas as áreasda vida, assim comu A questáoda pregaçáoda sabedoriado livro de Provérbiospode
na Bíblia. (Jma pessoasábia pode se lembrar desta sentença perspi- ainda mais expandida.Ele vai além da moral e da ética, como
caz e conectáJa no momento apropriado com a nova situaçáo quc BrevardChilds:
apresentâsimilaridades assombrosascom a situaçáo passada.Assinr
sendo, os provérbios têm o potencial de dar orientaçáo, anáIisesenr A fu"Éo didáticada literaturade sabedoriabíblicaé muito maisant-
grupo ou individuais, e formaçáo ética diante de situaçóes comple- pla do que a que normalmenteé sugeridapelo termo "éticd'.Quandrr
| 0.1 Antigo Testamento I 0. 1
Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamenr,, hrgação e o Ensino d.osLiuros de Sabed'oriado

o $Íl)io desafiouseusalunos,paraque buscassem a sabedoria,issonáo 'sAlmanac! Naturalmente, ele se apresentacomo a Palavrrt


Mas
.s()rnenteenvolveudecisóesmorais,a respeitodo comportamentocer- Deus; esta é uma das suas característicasmais marcantes.
to c crrado'masfoi uma atividadeintelectuale pragmáticaque buscou compartilha muitas outras similaridadt: :tÏ os.provérbios' dc
abrangera totalidadeda experiência. mostra como
No entanto,é assombroso que o do gãrd. O mais importante, Alyce M' McKenzie
padráodo comportamentohumano,que o sábioprocuravainculcar, sintáticas
proiérbios bíblicos cãmpartilham muitas propriedades
se sobreponha,em grandepane, àquilo que foi definido como um propriedades
os provérbio. ...,11"r.r.6 Ela relaciona cinco destas
comportamentoobedientedentro do pentateuco,e prescriropara o fut:"t:
proïérbior, (1) independência de^coisasexternas' Í?ì
povo do concerto.a (4) ausência
l, (3) o uso do tempopresente ou futuro do verbo'
pronomes de primeira pessoa'e (5) presençade caractefsticasSl
Há aÌgum tempo, cheguei â uma conclusáo similar, observando contêm
s. Em 1og", d. ser uma frase incompleta, os provérbios
que grande parte do livro de Provérbios é uma mera represenraçáo, o,aspecto
l p.rr.".n.ã,o completo' Além da sua forma fixa usual'
em forma proverbial, do que foi anunciado nas ,eçóes de Lei nu envolve uma
is car"cterístico de um provérbio é o fato de que ele
Torâ.5 Por isso, a sabedoria náo é oferecida como um substituto paril específica' que poÍ
rcralizaçíoparcial que i.sult" de uma situaçáo
a fe ou pa"" aincredulidad e; elaé oferecida para ensinar àquelesquc
vez êaplicada Para corresPonder a uma nova situaçáo'
encontrararn a fé na semente vindoura da promess", p.hlirrh"g.n., universais que
É i-port"rrte perc.ber que estasnáo sáo verdades
de Abrúo, Isaque e Jacó, além de Davi, sãbre .o-o nós devemos também
aplicam igualmente ,oã", as situaçóes' Os provérbios-
viver uma vida de obediência como uma evidência da nossafe. " uso de prono-
:f.r.- or", o temPo Presente do verbo e evitar o
Diferentemente da lei de Deus na Torá, em que tantos fragmen- Essaqualidade tende a dar ao
de primeira Pessoae possessivos'
tos do livro de Provérbios enconrram a sua fonte espiritual, ì r"b.- universa-
érbio a sua aparência atemporal e tenta o intérprete a
doria expande os mesmos temas e instrui .obr. sem
"o-o
se pode colo- o seu significado, de modo que se encaixe a cadasituaçáo'
câr estg5mesmos princípios em uma aplicaçáo prática e útil na vida o pregador
;áo. Mas esta tentaçáo deve ser evitada, Para que
cotidiana. supondo que
torne excessivamentesimplista e reducionista,
o seu ensinamento pode parecer táo "secular" e vazio de prin- caso' ou
cípios espirituais que simplesmenre exija boas graças sociais e bom significadoprima facie deve ser universalizadoem cada
.r.rrhtrrn" exceçáo'Em vezdisso' o provérbio tende
senso. Mas temos ã ceÍteza de que Deus é
,."náo
Justo e que está táo in- "on,Ë- dos casos,sem declarar que se encaixa em cada
teressadono que podemos transferir ao campo do mundano e do aúr"tg., a maioria
imaginável de coisas que Pereçam semelhantes' Declarar
trivial, como está interessado nas mega-deciúes e movimentos da "-pfã todas as partes'-é dilatar
nossa época. Ele deve ser senhor sobre todos os aspecrosda vida e i1u..i. se.nãai"a em todas as coisas,em
à"g.r"d"-ente o gênero e tratá-lo como se fosse uma forma dc
dos vivos.
prosaexplicativa!
' tem um únictr
A Interpretaçâo da Sabedoriados provérbios A for-" mais básicade um provérbio é aquelaque
ou "o tempo voiì".
clemento descritivo, como "o dinheiro fala",
se desejarmospregara partir do livro de provérbios,como devere- estrutura trtrtis
contudo, é mais comum que o provérbio exiba uma
mosabordarestelivro e interpretáìo paraosnossosdias?certamente consistindo clc t t'tls
complexa. McKenzie d..",.t" esta form" como
cle esráem um plano diferentedo livro de BenjaminFran$in, poor que é o rrívcl
componentes essenciais:(1) a irnagemdo provérbio'
|04 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamenrrr e o Ensino dasLiuros de Sabedoriado Antigo Tëstamento
I05

lltr'af rlrr provérbio, (2) a mensagemdo provérbio, que é o seu si14 Além do significadocomum que aspalavrastêm em suascomulri-
rriíit'rrrfocsscncial,ou a referênciado provérbio, e (3) umafírmu,l,t lcs, os prúrbios também exitem um uso frequente de metáfora,
tt,rluit.,tl)nica,que é a relaçãoentre o assuntoe os comentáriosfeitos ímia e alegoria. Por exemplo' uma alegoria é uma comparaçátr
solrrc cste assunto.TEstas formulas arquitetônicas, consistindo cL, (usando ã pd"rrt" "como") feita entre dois objetos diferentes'
ì'Co*o mulher
relitçílcsentre os assuntose os comentários, assumem basicamenrc , ióià de ouro em focinho de porca,assimé a
tf trrrs Formas,de acordo com McKenzie: prouérbios de equação, eru sa gu€ ,á da razío" (Pv 11.22, ênfasedo autor)' Da
rlrrc a Íórmula A é igual a B, e prouérbiosde oposiçiãr,.--q.r. A nã' "p"rr"
" a porta se revolve nos seus gonzos, assim o
maneira: Como
ú igual a B. Estes podem ser exemplificados pelos seguintes provér icoso, na sua cama" (Pv 26.14, ênfasedo autor)' Novamente'
que
bios: iõmo nuurn e ventos que náo tÍazemchuva, assim é o homem
gabafalsamente de dáãivas" (Pv 25.I4, ênfasedo autor)' A palavra
Provérbios de Equaçáo: " indica ao intérprete a presençade uma comparaçáo expressa
"Náo ames o sono) para que náo empobreças" (pv 20.13). é como B).
lJma rnetrifora, PoÍ outro lado, é uma comparaçáo implícita' que
Aforma:AéigualaB "A
I estáexprãsr".Po, exemplo, o texto em Provérbios10' 15 uaz:
"Judâ
"onde estiver o vosso tesouro, aí estarátambém o vosso coraçáo" do rico é a cidadeá" ,,.r" fortalezi'. Gênesis49'9 diz
üm leáozinho".E em Lucas13.32,Jesus dissesobreo rei Herodes:
(Mt 6.21).
A forma: Onde há A, há B e dizei àquela raposa..."Herodes tinha uma única coisaem co-
Ì com rãpot"t ambos eram ardilosos e furtivos'
" mu-
"Náo havendo bois, o celeiro fica limpo" (pv 14.4). Outra fig,tt" de linguagem é a rnetonímia, qu'esignifica uma
A forma: Onde não há A, náo há B rça de ,rJ-. ou substituiçáo de nome' para dar força e impressáo
"lábio"
náo seriam obtidas de outra maneira. Em Provérbios, o
,,língud'
Provérbios de Oposiçáo: i sáo frequentemente usados para rePresentaroutra colsa.
br "O l,íbio de verdade frcarâpara'sempre' mas a língua
""Ãplo'
"Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor dura só um momento fliteralmente, 'até que eu pisque''
sonda os coraçóes"(Pv 21.2). ra traduçáo]" (Pv 12.19, ênfasedo autor). considere esteexem-
A forma: A náo é igual a B "A língaabranda quebranta os ossos"(Pv .25'15, ênfasedo au-
"lábio" ou a "língua" representamo.que
). Nestà exemplos, o
elas c
"Melhor é o pouco com o temor do Senhor do que um grandc a, p"rr., anatômicas produzem ou o que é produzido por
tesouro onde há inquietaçáo" (Pv 15.16).
A forma: Melhor A do que B

"Melhor é a comida de hortaliça onde há amor do que o boi gor-


do e, com ele, o ódio" (Pv 15.17).
A forma: Melhor A do que B presentes.
Pregando e Ensinando a paftir do Antigo Testamenro A l'regaç'íoe o Ensino dosLiuros de Sabedoriada Antigo Tbstamentl 107

Passandodo Provérbio ao Sermáo minaçáo que Deus sente pelos ímpios, e o scr'rclclcitc pclos
justos, é encontrado nos versículos7 e 8. Estesdois vcrsículos
O pregador normalmente é bem aconselhado a náo usar provér-
sáo unidos por outro inclusiocom "ímpio" no início clo vcrsí-
bios individuais (isto é, uma ou duas camadas)como texros separa-
culo7, e o final do versículo 8. Novamente, a desespcralìçrl,a
dos em si mesmos, mas a empregar grupos de provérbios que se refi-
infelicidade e a falta de propósito da vida ímpia é cotnprtrrttlrt
ram a temas similares. Há mais conexáo e relacionamento contextual
com a libertaçáo e a vida cheia de esPerançados justos.
entre um provérbio individual e os que o antecedem e seguem do (Jm terceiro sub-tema é encontrado nos versículos 9-13. ()s
que já foi reconhecido. Isso é básico paÍa a nossaafirmaçáo de que
versículos9 e 12 sáosemelhantes,pois tratam da destruiçáoclc
se pode ensinar ou pregar a parrir de grupos de provérbios,em lugar
um próximo pela calúnia, ao passoque os versículos10,11 têrl
de se limitaÍ a tïatar cada provérbio apenasisoladamenteou de uma
uma semelhançaóbvia.
maneira tópica. Estudos recentes sobre o livro de ïago, do Novo
O versículo 13, embora fora do quiasrno,produz um comen-
Testamento, chegaram à mesma conclusáo. Em cada contexto há
tário acerca do assunto da língua: Náo apenas os ímpios sáo
mais coisas que se ligam em unidades de pensamenro e que, náo
perversosno uso de suaslínguas como náo sáo discretos e náo
fossepor isso, pareceriamser partes separadas;isso estásendo mais
sáo dignos de confiança!
percebido hoje do que anteriormenre.
Há muitos outros grupos de provérbios que frequentemente
Quais sáo as perguntas que o professor ou pregadorprecisafazer, os intérpretes deixam de perceber.Alguns dos mais óbvios sáo
sedesejapassarde um conjunto de provérbiospara uma liçáo ou um
Provérbios22.17-24.22, e os diferentesgruPos em Provérbios
sermáo?Em que ordem esrasperguntas devem ser feitaspara que ele
25-31, como indicam, em parte, os seustítulos.
progrida facilmente rumo a umâ apresentaçáocontemporâneada
verdade encontrada nestassábiaspalavras?8
2. Investigue se há alguma conexáo literária entre o provérbio
em estudo e o texto que o antecede ou segue. Isso é similar à
1. Verifique, em primeiro lugar, se esre provérbio faz pane de
pergunta anterior, mas dramatiza a necessidadede estudar o
um grupo de provérbios sobre um assunro em parricular.
contexto mais rigorosamente. Por exemplo, alguém pode es-
Um exemplo deste tipo de grupo pode ser enconrradoem
colher Provérbios6.27 ,28 como o texto desejadopara ensinnr
ProvérbioslI.I-2I, como ressalrouDuane Garrett.Provérbios
ou pregar: "Tomará alguém fogo no seu seio, sem que as stlas
ll.l-21 forma um inclusio com os conceiros do que é uma
vestessequeimem? Ou andaráalguém sobreasbrasas,senì (ìLlc
abominaçáoao Senhor e o que é o seu deleite,nosversículosI
sequeimem os seuspés?"Mas o contexto destesdois versícttlos
e 20. Os grupos menoresque sáo encontradosentreestesdois
é Provérbios6.20-35. É no cottt."to de uma advertênciatrrtt-
limites formam sub-unidadesdeste tema principal. Os versí-
tra o adultério que estasperguntas metafóricassáo fci(rts,ltos
culos l-4 descrevema abominaçáo a Deus pela fraude(v. 1) e
versículos27 e 28. O jovem é aconselhadoa evitar rt tttttlltcr
a sua promessade que a riqueza obtidailicitamente pelo ímpio
má (v. 24), pois "o que entrar à mulher do seu pr<ixittt<i'ttrltr
náo lhe úaria nenhum bem no dia do jtízo (v. 4),aopassoque
" frcarâinocente" (v. 29).
a humildade e a integridade sáo os melhores guias(w. 2, 3).
Da mesma maneira, alguém poderá, Por a(aso' t'scolltcr
Um segundo sub-tema dentro destetema mais amploda abo- ou
ProvérbiosL9-20,21 como texto, mas issoscrrit'cdttcittttistrr
l0lì Pregandoe Ensinandoa paÍriÍ do Antigo Testamento 109
A Pregaçáoe o Ensino dosLiuros de Sabedoriado Anügo Testamento

interpretado equivocadamente, se esta pessoanáo reconhecer mas também é mortal' em termos morais. A seguir, vêm as
que o contexto desresversículosé, na verdade,Provérbios I 9. I 6- pergunms metaforicas sobre tomar fogo em seu seio e andar
23. Garrett opina que estesoito versículos tratam do tema da ,obi. bt"t"s, nos versículos27 e 28, com o ponto desejado
vida disciplinada e prudente. No início e no final dessesversícu- finalmente declarado no versículo 29: semelhante a isto será
los sobre a vida de bem, estáoos remasequivalentesde guardar dormir com a mulher de outro homem! Finalmente' os ver-
os mandamentos de Deus (v. 16) e de viver no remor a Ele (v. sículos 30'35 mostram que, embora possahaver alguma ma-
23).Aestrutura se parececom esta,segundo Garretüe neira de salvar a honra do ladráo que é flagrado (por causado
que o impeliu a roubar), há apenasum duro juízo por parte
A: A adesáoao caminho de Deus é vida (v. 16) á. .r- mãrido ultrajado, que derramaútfutia' sobre a cabeça
B: Dá ao pobre (v.17) do adúltero e se recusaJáa ser acalmado por qualquer tipo de
C: Castiga o teu filho (hebraico: ní, v. lB) compensaçáo.Assim, há quatro subgrupos desta única exor-
C': Permite que a ira pague o preço (hebraico: ni, v. 19) taçáo nos versículos 20-35, que podem constituir os quatro
D: Submete-teà instruçáo (hebraico: 'shv.20) pontos principais de um sermáo ou liçáo.
D': Reconhecea Providência (hebraico: ilt, v.2l)
B': É melhor ser pobre, mas honesto (v. 22)
4. Quais sáo as normas teológicas e doutrinas informativas
A: O temor do Senhor é vida (v.23) anunciadas em pâssagensanteriores das Escrituras que ago-
ra esráocontidai nesre novo agrupamento de provérbios que
3 . Investigue quais estrofes,subunidades ou construçóes parale- formam a base para a' nossaliçáo ou para o nosso sermáo?O
las constituem o agrupamenro maior ou o rópico unido dos livro de Provérbios ensina que toda a vida humana é vivida
provérbios agrupados. Assim como devemos determinar o no contexto de um Deus soberano que nos mostrou como
tema principal ou a senrença tópica de cada parágrafo em devemos viver. Há um padráo ou uma ordem que vem como
um gênero de prosa ou a ideia principal de cada cena em um uma dádiva de Deus para toda a vida e para todos os seus
gênero de narrativa, também aqui devemos ver como cada relacionamentos.
agrupamento melhor de provérbios individuais contribui ao
tema do grupo maior neste capítulo ou fragmento de capí- A Sabedorianáo Proverbial
tulo. Quando estesgrupos menores forem identificados, en-
Os materiais de sabedoriaaparecempor todo o AntigoTèstamento.
táo devemos perguntar como cada um deles contribui com
Com exceçáo daqueles casos em que livros inteiros sáo dedicados
o assunto total ao qual estáo relacionados. O exemplo de
a um gênero de sabedoria,há exemplos de sabedoria náo Prover-
Provérbios 6 pode servir como exemplo novamente. Assim, a
bial incorporados em outros gêneros. Somente precisamosPcnsar
sextaexortaçáo(de sete exortações,em Provérbios 1.8-9.18)
no enigmâ de Sansáo,em Juízes 14.14 ("Do comedor saiu comida,
trata do tema do adultério (Pv 6.20-35). Tipicamente, a exor-
c doçu-rasaiu do forre") ou nas f;íbulas contadas por Jeoás,-reide
taçáo começa com um apelo para que o filho dê ouvidos às
Isra"i, em 2 Reis 14.9 eJoâoemJuízes9.7-15 (asduas únicrs fábulas
palavrasde seu pai (w. 20-23). Os versículos24-26 declaram
na Bíblia). Mas há três livros do Antigo Tesramento em que há uma
claramente que a mulher imoÍal é atraente, bela e cativante, mistura de gênerose que requerem atençáoespecial'
It0 Pregandoe Ensinando a partir do Antigo Testamento 111
e o Ensino dosLiuros de Sabedoriadn Antigo Tbstamento
A Pregaç.ão

Eclesiastes

Muitos julgaram a sabedoria exibida no livro de Eclesiastes
Há outro livro queé uma misturade diversosgêneros.Juntamente
como sendo particularmente difícil, porque parece muito espe_
com hinos (por exemplo,Jó 28), provérbios(por exemplo,5'I7) e
culativa, pessimista e contrária
"o
q,t. se esperaria no cânone do enigmas(por exemplo,4l.I-5), o livro tem uma forte ênfaseno
Antigo Testamento. Na verdade, Eclesiastesé uma mistura de diálogo e na discussáo.No meio desseslongos di:ílogosentre Jó e
formas de sabedoria, pois podemos identificar alegoria (sobre
a seussuposrosconsoladores há gênerosde processojudicial (23.I-
velhice, em l2.l-7), uma história sobre um .".-flo
0.13_16), 7), solilóquio (capítulo31) e o uso de grandenúmero de figurasde
provérbios (7.1-29) e mais.
linguagemcomo ironia (12.2),alegorias(14.2),metáfora(16'13) e
Mas, como demonstra o epílogo de Eclesiastes12.9-14, se_
metonímia (16.19).
ria um equívoco considerar este livro como uma coletânea livre
O livro de Jó, entáo,náo é facilmenteclassificadoem uma classi-
de declaraçóescontraditórias e polarizadas. A única maneira de
frcaçíode gêneroúnico. Ele também náo tem um paraleloliterário
defender esra resenegativa é argumentar que os dois últimos ver-
na literatura de sabedoriado Oriente Médio antigo. Ele é sui generis
sículos do livro foram acrescentadosposteriormente ou com
o E tem o seupróprio tipo exclusivode literatura.
objetivo de purificar o livro para que foss. possível incluíJo no
É precisopregarou ensinaro livro de Jó na forma de diálogos,
cânone. O problema com esra perspectiva é o fato de que náo
o que propóe as perguntasdas falasdos três supostosamigose en-
existe um manuscrito completo do livro de Eclesiastes.è*
.r,. çonffaÍ asresposras de um ponto de vista de revelaçáonasrefutaçóes
final, e náo existe evidência que demonsrre que um grupo confiá-
apresentadas porJó. Deusdeclaraa suaopiniáosobreo quedizemos
vel e autorizado decidiu que este livro (ou qualqu., ãutro) era re-
almente "canônico" ou, por qualquer meio, "legitimado"íAssim, tiês amigosde Jó quando conclui: "A minha ira seacendeucontra ti
náo
táo logo o epílogo é adaptado como parte origïnal do rivro, este [Elifaz], e contra os teus dois amigoslBildade eZofar); porque
argumento evaPora. dissestes de mim o que era reto, como o meu servoJó" (Jó 42'7b)'
Este livro tem um plano claro e consistenre. As suas divisóes Assim, embora o sofrimento tenha uma grandeparticipaçáono li-
sáo facilmente derectadas pelo mecanismo repetido de retórica vro, náo é Jó quem estásendotentado,masDeus!O professore o
que aconselha: "Que coma e beba e que façí gorar a sua alma pregadordevemter cuidado, portanto, paranão tornar normativos
do bem do seu trabalho?"(8c 2.24;5. i S; e g.l t), desramaneira ã, ãir.,,rrro.dos supostosamigosde Jó, pois em Jó 42'7, Deus de-
dividindo o livro em quatro seçóesclaramente demarcadas.Estas Claraque o que elesdiziam estavaincorreto e, como consequência,
divisóes e o argumento sáo como segue: náo era revelaçáo!

l. A vida é uma dádivade Deus (1.2-2.26) Cantares de Salom,ã.o


2. Deus tem um plano abrangente(3.I-5.20) cânticos de Salomáo, ou cântico dos cânticos, como este livro
3. Este plano deve ser explicado e aplicado (6.1_S.15) também é conhecido, de igual maneira provou ser um enigma para
4. c) desânimo deve ser removido dos crentes que aplicam este muitos professoresda Palavra de Deus. É melhor interpretar o livro
plano de Deus (8.16-12.7)10 como um cântico dedicado à dádiva do amor conjugal, como dese-
java Deus, uma vez que náo há, no livro, indicaçóes que sugiram que
tt2 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento A Pregaç,ioe o Ensino dosLiuros de Sabedoriadn Antigo Titstamento 113

ele deve ser interpretado de modo alegórico. Portanto, aquilo que o É desta perspectivaque o livro deve ser ensinado e pregado. O
Verbo encarnado (o próprio Jesus)fez pelo câsâÍnento, comparecen- amor que Deus designou para o casamento náo é algo que possa
do ao banquete de boda de Caná também a Palavraescrita (a Bíblia) ser comprado ou procurado por todos os tipos de truques ou Pro-
fez, dando-nos este livro. messasde posiçáo pessoalou riqueza; é uma dádiva de Deus que
Naturalmente, a expressáo"Cântico dos Cânticos" é a maneira deve ser apreciada, guardada e usada exclusivamente nos limites do
dos hebreus de expressara forma superlativa; desta maneira, este é casamento!
o melhor cântico que Deus poderia nos dar sobre este tópico dos
prazeresdo genuíno amor conjugal. Um Exemplo de Pregaçáode Sabedoria:
A indicaçáohermenêuticaparaestelivro pode ser enconffada nos Provérbios5.15-23
termos similaresusadosna alegoriaencontrada em Provérbios5.15-
Muitos intérpretesdescrevemapropriadamente Provérbios5.15-23
23, como demonstraremos mais adiante neste capítulo. fu metáforas
como uma alegoria.l2A razâo é o vasto uso de palavras ou conceitos
vívidas usadaspara o casal e o ato conjugal do amor náo devem nos
ortraídos de um campo de pensamento,como anatrrreza,para retratar
afastar da seriedadedo tema em que a revelaçáodivina deve ter uma
conceitos que pertencem a outra esferade pensamento. Uma alegoria
participaçáo.
é uma ampliaçáo de uma série de metáforas, que sáo unidas em um
O livro, na verdade, tem trêspersonagensprincipais e náo apenas
único conceito, e apresentadase um ponto de vista unificado.
dois. Há Salomáo, a jovem e o jovem pastor da cidade nàtal da jo-
Mas o que realmente mostra a máo do autor é o fato de que o ver-
vem. Embora a jovem sulamita seja levada um pouco abruptamente
rÍculo 18 repentinamente exclama: "Alegra-te com a mulher da tua
para Jerusalém a fim de preparar-se para entrar para o harém de
tnocidade". Depois de usar cinco metáforas usando água, esta repen-
Salomáo, ela continua a sentir saudadesdo pastor ao qual ela tinha
tina passagempara uma forma direta de declarar as coisas, mostra
sido prometida, na sua cidade. No final, ela é reunida ao pastor e o autor desejavaque as suasreferênciasa uma pessoabeber água
todo o significado do livro se torna evidente, em Cantares 8.6,7. próprio poço fossem interpretadas como ter relaçóessexuaisape-
nes com apúpriaesposa. O esquemade pregaçáoou ensinamento a
Póe-me como selo sobre o teu coraçáo,
tcguir desenvolveeste tema:
como selo sobre o teu braço, porque o amor
é forte como a morte, , L O nosso cônjuge deve ser a nossa fonte de prazeÍ (v. 15)
e duro como a sepultura o ciúme; as suas ' II. O relacionamento com o nosso cônjuge deve ser protegido
brasassáo Èrasasde fogo, (vv.16,17)
labaredasdo Senhor.ll m. O nossodeleite deve estarno nosso cônjuge (w. 18-20)
fu muitas águasnáo poderiam apa;gãresseamor IV O nosso relacionamento com nosso cônjuge está Perante os
'
nem os rios afogáJo; ainda que alguém desse olhos de Deus (w. 2l-23)
toda a fazendade sua casapor este amor,
certamente a desprezariam. Desta seçáo, náo somente vamos ganhar um texto essencialpara
0 ensinamento sobre relaçóesconjugais, mas também uma poderosa
lugestáo paÍaainterpretaçáo do livro de Cantares. Nós somente Pre-
114 Pregandoe Ensinandoa paÍtiÍ do Antigo Testamento A Pregaç,ão
e o Ensino dosLiuros dz Sabedariado Antigo Testamento 115

cisamos comparar Cantares 4.12; 6.2,3 e passagenssimilares, para É verdade,Alvin Tofler tinha predito, em seu livro de 1970,
ver as assombrosascomparaçóes.Ainda mais importante, Provérbios FutureShockque os casamentos futuros tornariam os cônjugesdes-
5.15-23 é mais do que relevante para o mundo de hoje, pois nos cartáveis,depoisde que um ou o outro tivesse"selivrado" do cônju-
ajuda a tomar uma posiçáo sobre a questáo da fidelidade conjugal. ge com o qual ele ou ela tinha secomprometido.CharlesA. Reich,
Vejamos como o texto ainda nos fala tão dramaticamente, sobre as em seulivro muito aclamado,7heGreeningofAmerica afirmou, de
mesmas questóesque confrontaram o povo nos dias de Salomáo maneirasimilar, que os jovens náo desejavamos confusosrelacio-
namentosque o casarnentotraz. Elesapenasqueriam serlivres para
Poucasvezesna história rri-or*,r- ataque mais aberto ao código amar como, quando, e a quem quisessem.Se isso era a verdadeira
bíblico de conduta sexual do que nos nossos dias. A comunidade liberdadeou mera exploraçáo,frcariaevidentenasduasdécadasque
secular frequentemente acusaos cristáos de serem contrários ao sexo. seseguiram:Revelouserexploraçáo,a um nível extremo.
Ela zomba abertamente da insistência dos cristáos de que os relacio- No entanto, em contrastecom estasfilosofiasemergentesde ex-
namentos sexuaisdevem se limitar ao casamento, como uma antiga ploraçáoe experimentaçío,o propósito de Deus para o casamento
visáo que parece puritana. permanecia e permanece o mesmode Gênesis2.18: "Náo é bom que
Mesmo na igreja, muitos têm começado abertamente a abando- o homem estejasó". Os dois, o homem e a mulher "seráoambos
nar o caminho de Deus, passando para os novos padróes desta ge- uma carne".
raçío. Náo é apenas um problema de adolescentes,isto é, cadavez O primeiro de quatro lembretesé enconrradoem Provérbios
mais, um problema pâra os adultos em sua meia idade e em sua 5,15,e é este:O nossocônjugedevesera nossafonte de prazer.Os
velhice, quando muitos escolhem a infidelidade e a falta de castidade rubstantivos"cisterna"e "poço" sãousadosaqui como símbolosda
como um modo de vida. Ëoposa.Ambos sáofontesde águapotável,além de profunda satisfa-
O texto em Provérbios 5.15-23 descreveos resultados destasrela- e alívio. O prazer aqui mencionado náo é apenasespiritual, mas
Énsual, sem nenhum intento de fazer comparaçóes com a forma
çóesfora do casamento.Mas em lugar de defender uma visáo pudica
do sexo, como alguns acusam alguns cristáos e a Bíblia de fazer, esta ou anatomia feminina. A imagem é de prazer e conexáo. É o nosso
passagemcelebra a alegria da sexualidade humana, mas dentro de rio poço e a nossaprópria cisterna que propiciam o alívio. Desta
um compromisso de casamento. Ninguém pode acusar Provérbios forma, a metáfora nos ordena que sejamos fiéis aos nossoscônjuges.
5 .L5-23 de ser contra o sexo.Na verdade, estapassagemreflete o fato Cada relacionamento clandestino ou atraçáo anormal viola a lei mais
de que a nossasexualidade é uma dádiva de Deus e que é isso o que de Deus.O desígniopermanentee original de Deus é que cada
a torna táo sublime e seuscarinhos táo prazerosos. de nós tenha uma fonte (a forma singular dos substantivos é
Declarar que todos os padróes bíblicos destetipo sáomedievais, por- dnda maisassombrosa,
diante de algunsexemplosda poligamianáo
que agora temos antibióticos e vários tipos de "píluld' é colocar a ciêncir que era encontrada nos tempos do Antigo Testamento).
no lugar de Deus, como nosso novo Salvador. Nem todas as infraçóes diz Cantares 4.12:'Jardim fechado és tu, irmá minha, es-
às leis de Deus sáo facilmente tratadas pela ciênci4 pois a presença da minha, manancial fechado, fonte selada'. Da mesma maneira,
AIDS forneceu novas raóes (refiro-me aqui somente e especificamentt' 4.15 diz:"És a fonte dosjardins,poço daságuasvivas".
aoscÍÌsosdeAIDS e HlVque têm relaçáocom a promiscuidade sexual) O segundo lembrete é igualmente direto: O relacionamenro com
para deixar de considerar a confiabilidade das Escrituras. nosso cônjuge deve ser protegido (Pv 5.16,17). Percebemosime-
ll7
n6 Pregandoe Ensinandoa paÍtir do Andgo ïbsramenro A fuegaç,ãoe o Ensino dosLiuros de Sabedoriado Antigo Titstamento

diatamente a mudança, dos substantivos no singular do versículo 15 fÍsico para aquelesque usam suasdádivas sexuaiscomo foram desig-
para as referênciasno plural â "fontes" e "ribeiros". Aqui a imagem é nadasdiünamente no casamento.
de desperdício, uma dispersáo de água preciosa (consequentemente, Finalmente, um último lembrete: O nosso relacionamento com
a sexualidadede alguém) pelas ruas e praças públicas. nossocônjuge estáperante os olhos de Deus (w' 2l-23). Aos argu-
A tranquilidade doméstica do lar foi de alguma maneira destruí- mentos anteriores a favor da fidelidade conjugal, sáo acrescentadas
da, pois a esposafoi à procura de casosextraconjugais, derramando duas novas ra:z6espara ser fiel ao próprio cônjuge. Em primeiro lu-
o que aconreceno planeta terra. Jamaishouve
desta maneira os seus preciosos bens por toda a cidade. A imagem $af Deus observatudo
nâo é o varâo, como sugeriram alguns, com a água representando um encontro amoroso secferoque escapasse à observaçáode Deus (v.
o esperma masculino que gerou filhos por toda a cidade. Nem é a 21). Todos os nossoscaminhos sáo examinados,ponderados e veri-
de um poço que secou pela falta de uso, e assim é desperdiçado por ficados,para que Possamosserjulgados com justiça (v' 21b)' Assim'
"Por que,
causa da negligência e falta de sensibilidade do seu esposo. O que vemos o motivo paÍà apergunra rerórica do versículo 20:
define a questáo é o fato de que no versículo 17, as fontes dos versí- filho meu, andarias atraído pela estranha?" O Deus que nos deu a
culos 15, 16 e 18 sáo mencionadascomo sendo "parati só", isto é, Cexualidadehumana rem o direito de esperaro uso adequado e justo
para o esposo, com o substantivo plural ainda se referindo à esposa desta dádiva. Em poucas palavras: Náo há um motel ou beco onde
do versículo 15. Deus náo possaver e saber o que está acontecendo!
O terceiro lembrete é: O nossodeleite deve estar no nosso cônlrge o segundo motivo para ser fiel ao próprio cônjuge é encontrado
(w. 18-20). A fonte é abençoadaquando é aproveitada como Deus nos versículos22,23. o cônjuge que decide viver de modo promís-
pretendia - is16 é, dentro dos laços do casamento.Na Septuaginta cuo acabará percebendo que está preso nas cordas de seus próprios
em grego, o versículo 18 diz: "Que a tua fonte sejasomente para ti". pecados.Náo somente esta falta de disciplina resultará na escravidáo
A Palavra de Deus recomenda que cada um entenda a púxâo do seupróprio ser corrupto, como também destruirá o seu casamen-
e o pÍazeÍ entusiasta do próprio cônjuge como dádiva e desígnio to . prorroiará a sua própria morte. Essaé a dimensáo da loucura (v.
dEle para os casais.Há uma atraçío divinamente ordenada pelo sexo 23). O pÍazer que ele buscava irá evaporar, e zombar dele, e assim a
oposto, mas se mal utilizada,levarâ à destruiçáo (Pv 7). Mas no esti- lronia será o final de tudo.
que um texto
lo monogâmico, é melhor do que o vinho (Ct 1.2). É.tm" labareda Qualquer conclusáo que náo veja o terrível impacto
do Senhor (Ct 8.6). Portanto, devemos "nos alegrar com a mulher Como este poderia ter na nossa cultura contemporânea, será cega.
da nossamocidade" (Pv 5.18), pois o nosso texto a associaa "uma Está claro qr. ot casamentosmortos sáo casamentosnáo bíblicos;
cerva amorosa e gazelagraciosa" (v. 19). Estes animais sáo usados elesnáo honram a Deus. Os casaisdevem lutar ferozmente por uma
aqui como comparaçáo, pois dáo a ideia de graça, forma e agilidade fenovaçáo e um crescimento diários no seu casamento. Deus decre-
de movimento, exatarnentecomo em Cantares4.5 e7.3. tou que deve haver alegria, satisfaçáo, exclusividade, atençáo, mis-
Existe uma satisfaçáoque deve ser derivada dos aspectossensual tério, beleza,poder e consciênciana presençade Deus. o seu olhar
e ftsico do ato sexual conjugal. Mais do que isso, ele é considerado Seestendeaté mesmo ao leito onde o ato conjugal acontece.O sexo
como uma intoxicaçáo em Provérbios 5.19,20. O verbo traduzido no casamentonáo é sórdido, mundano e nem pecaminosoPor câusa
como "atraído" também significava, de maneira mais literal, "em- dEle. Esta é uma das mais belas dádivas dadas aos mortais que se-
briagado". Quáo satisfatórios e prazerosos sáo os prazeres do sexo guem ao Senhor.Na verdade,é um "cântico dos cânticos", o melhor
I l8 Pregandoe Ensinando a partir do Antigo Testamento

de todos os cânticos! Que pela sua graça, possamosresistir ao fluxo


da cultura dos nossosdias e renovar os nossosvotos de sagrado ma-
trimônio paÍà^glória de Deus.

Conclusão
Há muito tempo, os materiais de sabedoria estáo esquecidosna
missáo de pregaçáo da igreja. As pessoasprocuram ajuda com as
7
questóesbásicase mundanas da vida, e a pregaçáosobre cada um dos
livros de sabedoria pode satisfazer a sua fome, além da mais louca
imaginaçáo. Particularmente relevantes sáo os textos de Provérbios A Pregaçâoe o Ensino de
e os dos Cantares de Salomáo. Se a lgreja náo reagir mais uma vez
a este pedido de ajuda nestas áreas, podemos apenas esperar que
Textosdos Profetasdo Antigo
na graciosa providência de Deus os ministérios paralelos preencham
o vazio oferecendo coisas como seminários de enriquecimento do
Testamento
casamento e sessóespara tratar de conflitos básicos da juventude.
Devemos tomar a Palavra de Deus e pregar todo o conselho dEle a
uma geraçáoque está esperando e está faminta! Normalmente os cristáos julgam mais fácil ler e aplicar as mensa-
gensdos profetas do que qualquer outra seçáodo Antigo Testamento,
com as possíveisexceçóesdos Salmos e do livro de Gênesis.Mas isto
náo equivale a dizer que tudo o que os profetas tinham a dizer era
transparente e igualmente fâcil de pregar. Em Números 12.6-8, foi
dito a Moisés: "Se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visáo
a ele me farei conhecer ou em sonhos falarei com ele. Náo é assim
com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa' Boca a
boca falo com ele, e de vista, e náo por figuras". Há algo enigmático
(ou como "figuras") na pregaçáo e no ensinamento dos textos dos
profetas (ou, pelo menos, partes das mensagensproftticas) em com-
pançío com a mesma coisa feita com textos daTorá.
Particularmente diftceis sáo as suas mensagenssobre juízo e pa-
lavras de ameaça. Constantemente, eles advertiam o povo de Deus
lobre o juízo que pairava sobre eles, se deixassemde se arrepender e
de se desviar do mau caminho que decidiram seguir. Por isso os Pro-
fetas usaram todos os mecanismos literários que puderam imaginar
peru,c ptaÍ a atençáo e a boa vontade de seu público.t
120 pregúdo e Ensinandoa parrir
do Antigo Testamenro htgação e o Ensino de ZëxtosdosProfetasdn Antigo Tëstamento tzl

Mas mesmo se falassem no nosso próprio tempo com


táo as_ Analisando as Palavras deJaian dos Profetas
sombrosa vivacidade, enfrentaríamos outra questát:
como ouvir
a Palavra de Deus a partir dos seus textos hoje em Se desejarmosouvir as palâvras dos profetas de uma maneira que
dia? Se os
profetas falavam táo diretamente sobre as questóes
do seu rempo, rja fiel ao seu contexto original e, ao mesmo tempo, de utilidade
como muitos afirmaram, de que maneira ã, ,u", mensagens Eontemporâneapara nós, devemos antes de mais nada determinar o
sáo
confiáveis e autorizad"r ., porì"rrto, relevanrespara nós tËma ou propósito básico de cada livro profttico que desejamospre-
ïoje em
(Ila! gar,Tâmbém será útil mostrar como o propósito do livro se encaixa
É tentador, para alguns, desdenhar,ao apontar Hebreus no tema global e unificador do Antigo Tesmmento e no tema ou
l.l-2a,
que diz: "Havendo Deus, antigament., f"l"do, muitas vezes plano central de toda a Bíblia.
e de
muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou_nos, Depois de definirmos o propósito do livro, devemos, entáo, as-
nestes
últimos dias, pelo Filho". A noçao incorrera, que alguns ünalar as principais seçóesrliteráriasque consriruem a esrrutura do
derivam
destesversículos do Novo Testamento, é que p.r.oú. llvro. Normalmente, existem mecanismos de retórica que assinalam
Jesusago-
"
ra substituiu as palavras relativamente incompi.,", Snde tem início uma nova seçáo,no livro, No enranto, quando tais
dadas como uma revelaçáo de Deus p.lo, prof.tas. Mas "rr,."rior-.rrr. ismos náo estáo presentesé preciso observar outros marcado-
esta náo é
somenteuma leitura injusta de Hebreus r.l,2a;ela também Uma mudança de assunto,,umamudança de pronomes, ou ume
deixa de
considerar o fato de que ranro a igreja do século I como em aspectos.dèaçáo verbal, tudo isso pode ser um sinal
as geraçóes
posteriores de cristáos condnuaram a preservar e usar o, r de que teve início uma nova seçáo.
proêt", do
Antigo Testamenro como mais do quã curiosidades histãricas. ' Por exemplo, a segunda parte do livro de Isaíasexibe três seçóes
ou,
propondo a pergunra' como twilliam L. Holladay táo explicitamente ipais, cada uma com o mesmo coloão (ou'ãpêndice") - "1ç1",
colocou: os ímpiosnáo têm paz,diz o Senhor"(Is 48.22; cf. 57.2l).lJma ex-
no mesmo tema forma o coloão em Isaías66.24. Assim. a
parte de Isaíasé dividida em três principais seçóes(ou con-
Deus secomunicaconoscopor meio destasantigaspalavras,e,
caso
úrmativo, como devemosouvir estacomunicaçáo?podemos funtosde 9 capítulos)determinadospor esremecanismorepetidode
. sortar letórica:
o barco chamado"Isaías"de seuancoradourono séculovIII
a.c. e
leválo pelo lago até um ancoradourono século)C( (ou )Cg)
d.C. I. A incomparabilidadede Deus Pai emlsaíx 40-48
e ainda reconhecerque setrata de "Isaías"?como isto pode
serfei- ' "Mas os ímpios náo têm paz" (Is 48.22).
to?2
' il. A expiaçáode Deus Filho emlsaías49-57
"Os ímpios...náo têmpu/' (ls57.21).
Isto é precisamente o que esrecapítulo tentará fazer.rJmavez
que III. A obra de Deus, o EspíritoSanto,em Isaías58-66
é,o mesmo Senhor que se dirige a nossa geraçáo com o mesmo
pa_ "O seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagarí'
dráo de santidade e justiça, náõ deve ser exrremamenre diffcil
ouvir, (rs66.24).
nos avisos e insistentes chamados dos profetas por transformação,
arrependimento e retorno a Deus uma mensa,g,em para nós - apesar De maneira similar, os profetasMiquéias e Amós exemplificam
da distância no rempo.
o uso de mecanismosrepetidosde retóricaparadefinir asseçõesdas
122 Pregandcie Ensinandoa partir do Antigo Testamento *l htgaçao e o Ensino de TèxtosdosProfetasdo Antigo Testamento t23

suasprofecias. Em vez de usar um colofto, estesdois proferas usam c social (isto é, às coisas [res| indicadas pelo texto) que a mensagem
"cabeçalhos" paÍa definir as seçóesde seuslivros. (uerba) do texto propriamente dita, juntamente com a sua impor-
'Ouvi", adverte Miquéias em 1.2, 3.1; 6.1. Consequentemente,
tância para geraçóes futuras, jamais será ouvida apropriadamente.
o seu livro contém três principais seçóes:Miquéias l-2; 3-5 e Em outras palavras, às vezes a nossa busca pelo Sitz im Leben, ou
6-7. ocontexto nã vida", supera o Sitz irn Literatur, "contexto literário". É
Amós usa um cabeçalho muito mais complexo. Nos capítulos I e frequente que o intérprete sinta que atarcfa da exegesedo texto foi
2, oito vezesele inicia com "Por três transgressóesde... e por quatro". cumprida quando as questóeshistóricas, isoglóticas (isto é, questóes
l Estes cabeçalhos unificam a primeira seçáo do seu livro como um
conjunto de profecias dirigidas as naçóes.Na sua seçáoseguinre, ele
dc introduçáo bíblica, como data, autor, audiência e similares), e
lpologéticas (a respeito de questóeséticas, filosóficas, arqueológicas,
repete uma expressáoque lembra Israel do grande Shema:"Ouvi esta ou teológicas) foram solucionadas.
palawi' (Am 3.1; 4.1;5.1). A seçáoseguintemodifica o cabeçalho Tipicamente, um conservadortratará Josuécapítulo 6 mostran-
para "Ai daqueles"(Am 5.1S; 6.1). Finalmenre, o livro termina com do que as muralhas de Jericó realmente caíram no exterior da ci-
cinco visóes,cada uma delas começando com "O SenhorJeová assim dade, em lugar de desmoronar para-dentro da cidade, durante o
me fez ver" (Am 7.1,4,7;8.1;9.1 [g.t usa uma vaiaçâo do tema período que pertence a Josué.Este é um bom tema Para ser tratado
para concluir a série]). Assim, o livro rem estasquatro seçóes:Amós pela arqueologia e apologética, e é um assunto importante. Mas
r--2; 3.1-5.17; 5.18-6.14;7-9. náq e mesma coisa que tratar a mensagemdeste tema ou suasde-
Estes mecanismos de retórica sáo de grande ajuda para o profes- " e usurpouos interesses
A apologética,nestecaso,engoliu
claraçóes.
sor e pregador na determinaçáo dos ponros onde o texro apresenta exegesebíblica, preparando uma passagempara a pregaçío.
uma "costura" que indica outra seçáono argumento do livro. ' Retornemos, agora, ao terceiro Passo mencionado acima, a
um terceiro passonos pede que identifiquemos o gênero em par- ifr,caçâodo gênero,pois estepassopermitirá que comecemos
ticular que foi usado para uma mensagem específicado profeta. Este nte uma audiçáo autêntica do texto. Cada gênero tam-
estudo é importante, pois na vida diária, as mesmas palavras usadas terá a sua forma correspondentepara o sermáo.Vejamos, ago-
em diferentes conrexros podem querer dizer coisasdiferentes depen- te, como estasformas literárias vieram a existir.
dendo da ocorrência destas palavras em um anúncio, um sermáo, Os dezesseis profetas que escreveram (ot quatro Profetas
um romance. Portanto, devemos investigar o gênero ou a forma lite- Maiores e os doze ProfetasMenores) edificaram sobre os preceden-
rária usada pelo profeta, e observar como ela funciona paÍacaprar a tcs que os primeiros profetas, como Samuel, Natá, Elias e Eliseu
sua mensagem e para ter uma ideia de como podemos aplicáJa nos Gstabeleceram para eles. Por exemplo, náo era incomum que estes
nossosdias, na nossageraçáo,na nossacultura. profetas anteriores (encontrados nos quatro livros dos Primeiros
Um quarto passoque normalmente é seguido neste ponto é uma Profetas:Josué,Juízes,Samuel e Reis) de forma ousada, entrâssem
investigação do contexto histórico e social do livro. Isso nos ajuda tta sala do üono da corte real, para anunciar uma mensagem de
a nos concentrar na obra do intérprete, de modo que as palavras Deus. Consequentemente,os profetas posteriores(Isaías,Jeremias'
sejam ouvidas e entendidas da mesma maneira como a audiência Ezequiel, Daniel e os doze Profetas Menores) assumiram um Pa-
original as ouviu e as entendeu. No entanto, corre-se um risco ao pcl similar de entrar no palácio real, agindo como mensageiros
mesmo tempo. É possívelpresrar tanta atençáo ao contexto histórico ou embaixadoresde Deus.3Desta experiência surgiu uma matrcira
e o Ensino de TèxtosdosProfaas do Ántigo Tëstamento
A Pregaçá.0 t25
t24 Pregandoe Ensinandoapartirdo Antigo Testamento

II. Corpo da mensagem


formal de apresentaçáoque o contexto socialexigia:os discursos
A. Uma indicaçáo da situaçáo: "Vós vistes todo o mal que fiz
dos embaixadores.
cair sobre Jerusalém e sobre todas as cidades de Judá; e eis
Típicos de tais discursosde embaixadoreseramos seguintescom-
que elassáo, hoje, um deserto, e ninguém habita nelas; por
ponentes, quer os discursos fossem transmitidosoralmente ou (pos-
causa da sua maldade que frzerum, para me irarem, indo
ieriormente) entregues à escrita. As duas panesprincipais que eles
queimar incenso e servir a deusesestranhos"(vv.2b-5)
incluíam eram: (1) a tfansmissáo das palavrasexatasdo rei, fosse
B. O desenvolvimento da situaçáo: "E eu vos enviei todos os
uma acusaçáo ou um anúncio; e (2) a explicaçãodo mensageiro/
o fato de que, meus servos,os profetas, madrugando e enviando a dizer: Ora,
embaixador destaspalavras. É necessárioacrescentar
náo façaisesta coisa abominável que aborreço. Mas... elesnáo
nas formas escfitas, o mensageiro introduziao seurelato declarando
oU, no caso deram ouvidos... para se converterem da sua maldade, para
a sua comissáocomo mensageiro do grande rei/suserano,
Deus.Por exemplo, I náo queimarem incenso a deusesestranhos"(vv.4,5).
dos profetas, como alguém comissionado por
a Elias, o tisbitd'' C. A citaçáo do juízo (frequentemente começando com um
Reis 21.17 diz: "Entío, veio a palavra do Senhor
"portanto" ou "pois"): "Derrâmaram-se, pois, a minha in-
do profeta.
Isso é uma referência à.corniss,ão
"lssim diz dignaçáo... e elas se tornaram em deserto e em assolaçáo,
Ela era normalmente seguidapelafírmula I'omensageiro:
como hoje se vê" (v 6).
o Senhor". Esta formula funcionava como o eloeo meio pelo qual a
comissáoe a acusaçáoou o anúncio eram conectados. Frequentemente,
uma segunda acusaçáoou anúncio de eraacrescentadoao pri- Jnemias 44,7-30
iuízo
meiro, com uma segundafórmula do mensageiro.
I. Introduçáo (de uma nova declaraçáo fou continuaçáo da an-
A rtzâo destas formas de linguagem era o fato de que o rei e o
sob a possibilidade terior, w. 1-6])
povo dnham infringido a lei de Deus e estavam
O anúncio de A. A comissáo: lAusente, ou supostamente continuaçáo do ver-
de juízo, se náo fossem vistas mudanças evidentes'
terrível, sículo 1l
juízo frequentemente náo era mais do qu€ umasenten_çâ
náomergulhemos em B. O discursodo mensageiro:"Agora, pois, assimdiz o Senhor,
mas memorável. Todas estaspartes, para que
Deus dos Exércitos, Deus de Israel" (v. 7)
generalidades,precisam ser exemplificadas, comoa seguir'
II. Corpo da mensagem
A. Uma indicaçáo da situaçáo, introduzida por duas perguntas:
F.xemplode uma Profecia deJuíznz "Por que fazeis vós táo grande mal contra a vossa alma,
Jercmias44 para desarraigardesao homem, e à mulher, à criança, e ao
que mamâ do meio deJudá, a fim de náo deixardesali resto
leremias 44.1-6 algum; irando-me com as obras de vossasmáos, queiman-
I. Introduçáo do incenso a deusesesuanhos na terra do Egito, onde vós
A. A comissáo: "Palavra que veio aJeremias aceÍcadetodos os entrastes, para lá,peregrinardes?"(w. 7b-Ba).
judeus habitantes da terra do Egito" (v.1). B. O desenvolvimento da situaçáo: "Para que a vós mesmos vos
B. O discurso do mensageiro: "Assimdiz o Senhor dos desarraigueis.Esquecestesjá as maldades de vossos pais, e
Exércitos, Deus de Israel" (v. 2).
126 Pregandoe Ensinandoe parrir do Antigo Testamento hegação e o Ensino de Ti*os dosProfetasdo Anügo Têstamento r27

as maldades dos reis de Judá... Náo se humilharam até ao Analisando as Profecias de Salvaçáo
dia de hoje, nem temerarn, nem andaram na minha lei,
O fio comum que une o Antigo Testamentoe o Novo é o tema
nem nos meus estatutos, que pus diante de vós e diante de
da promessade Deus.aEstefio da promessaé conhecidopor inú-
vossospais" (w. 8b-10, parafraseados). de inúmeros
meros outros rermos, tais como bênçáo,o conteúd,o
C. A predição do desastre (introduzida, utrrÌa vez mais, por Concerrosna Bíblia, ou a hisairia redentorada saluaçáo de Deul
"portanto"): "Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos, Independentemente dostermos,a ênfaseestána bondadee na graça
Deus de Israel" (v. l la). de Dìus, que recolheos pecadoresque sãoincapazesde sesalvar.
O Novo Testamento,refetindo a mensagemprincipal do Antigo
D. A citaçáo do juno: "Eis que eu ponho o rosto contra vós,
Testamento, usaa palavra"promessd'(emgrego,epangelia)pararetra-
para mal e para desarraigar a todo o Judí' (v. 11b). "E o A força
tar tudo o que o SãvadorÍr, pot uma humanidade perdida.
resto de Judá será rodo consumido na terra do Egito... E
total destalinha do plano-promessa de Deuscomeçaem Gênesis3.15
seráo uma execraçáo,e urn espanto,.e uma rnaldiçáo, e um nas promessasfrequente-
ag.27, mas chegouao seupleno florescer
opróbrio. Porque visitarei os que habitam na rerra do Egito, Abrúo, IsaqueeJa96',
inenterepeddasfeitasaospatriarcas,
como visitei Jerusalém, com a espada,com a fome e com a ' Estasp"lavr"s de salvaçáopromedda têm continuidadenos orá-
peste... De maneira que náo haverá quem escapee fique da
profeticos de salvaçáo.A única diferença entre as promessas
parte remanescentedo Judá que entrou nâ terra do Egito"
iores, e as mensagensprofeticas de salvaçáoe promessaé o con-
(vv. l2-l 4, parafraseados).
da palavra de Deus que o profeta transmite. Normalmente,
III. Reaçóesde conclusáo:Todos os homens que sabiam o que elas aparecem no meio de uma ameaça de iuízo a Israel, pelo rom-
suasmulheres tinham feito, disseram: "Quanto à palavra que pimento do concerto, pela sua idolatria e pelo seu pecado. fjma vez
nos anunciaste em nome do Senhor, náo te obedeceremosa l a promessadnha sÍdo"feita somente por Deus, e uma vez que
ti" (w. 15,16).Antes, cerramente [no tempo do reiJosias]ti- ia pãrte de um concerto trnilateral em que os mortais náo tinham
para receberem os beneftcios da
vemos, então, fartura de páo, e andávamos alegres,e náo vi- {ue se obrigar como um requisito
mos mal algum. Mas, desdeque cessamosde queimar incenso lalvaçáo, o pecado de Israel náo poderia impedir o plano de Deus
à Rainha dos Céus e de lhe oferecer libaçoes, tivemos falta de paraabençoar Israele asnaçóesAz2.l;Jr 5.18).
'
tudo e fomos consumidos pela espadae pela fome (w. 17b- A ocoriênciadestaspalavrasde promessae bênçáoparecetáo fora
18, parafraseados).Jeremiasrespondeu: "Perfeitamentecon- de lugar nos contexro. d"r mensagensde iuno, que os acadêmicos
firmastes os vossosvotos [a Aserá] e perfeitamente cumpristes fr.q.rãrrt.-ente decidiam que a mensagemera, originalmente,de
asdrrascoisas.Mas na realidade
os vossosvotos" (v. 25b). Mas o Senhor diz: Vamos esperare Juízoou de bênçáo:elanáo podia ser
ver'te subsistiráa miúa palavraou a sud' (v. 28b). tram ambasaspartesverdadeirasda tradiçáo.

Assim eram as profecias de juízo. Com o uso deste gênero nós Exemplo de uma Profecia de Salvaçáo:
estamospreparados para formar os pontos do nosso sermáo ou ensi- Jeremlas32.36-44
namento. Esta forma de juízo frequentemente é comparada com os As palavrasprofeticas de salvaçáoexibem muitas das mesmaspar-
oráculos ou profecias de salvaçáo,que agora consideraremos. tes das profecias de juí2o.5Estas profecias podiam aparecer em uma
r28 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento I'rcgaç,10e o Ensino de TbxtosdosProfetasdo Antigo Testamento 129

narrativa histórica ou nos próprios textos profëdcos, mas as caracte- C. 'E elesseráoo meu povo, e eu sereio seu Deus" (v. 3tì).
rísticas eram praticamente as mesmas.Para começar, havia a formulrr D. "E lhes darei um mesmo coraçáo,e um mesmo caminho, para
do mensageiro. Ela começaria com: "Assim diz o Senhor", ou "Assinr que me temam todos os dias, para seu bem e bem cle seus
diz o Senhor,o Deus de Israel". filhos, depois deles" (v. 39).
Entáo viriam as palavras dirigidas aos indivíduos (como era nor-
E. "E farei com elesum concerto eterno, que náo se desviaráde-
malmente o caso,nos dias dos Primeiros Profetas,nos livros deJosué,
les, para lhes fazer bem' (v. 40a).
Juízes,Samuel e Reis) ou grupos de pessoas.Estes eram os oráculos
F. "E alegrar-me-eipor causadeles,fazendo-lhesbem; e os plarr-
de salvaçáo, ou palavras de encorajamento de que, apesar da falha
tarei nesta terra certamente, com todo o meu coraçáo e com
humana, Deus interviria normalmenre ao menor sinal de arrependi-
toda a minha il,mi' (v.4I).
mento e de retorno a Ele.
Estes oráculos de salvaçáo se enquadravam em duas categorias IV. A certeza: " [Eu] os farei voltar do seu cariveiro" (v. 44b).
principais: promessasde salvaçáoe proclamaçóes de salvaçáo.Cada
uma delas tinha tradicionalmente três componentes: (l) uma ceÍtez:,l Na interpretaçáo das promessasde salvaçáo,é preciso ter cuidado
de que a promessa de Deus ainda era verdadeira, (2) a basepara esra relacionar estasnovas certezas,que vieram no contexto de algu-
cettezae (3) a transformaçáo futura do juun em salvaçáoe bênçáo. das piores tragédias da naçáo, à revelaçãodas promessasanterio-
Poucos correspondentes formais a estesoráculos de salvaçáopo- de Deus encontradas em rextos anteriores das Escrituras. Elas sáo
dem ser encontrados em outra literatura do antigo Oriente Médio. da "promessa"continuada de Deus. Mas baseiam-sena palavra
Certas formulas esrereotipâdaspodem ser verificadas, como: "Não ior de Deus e a complementam.
temais" ou "[os templos] ou [as chuvas] vos seráo restaurados", mas
isso náo é a mesma coisa que o gênero discutido aqui. Gêneros Proféticos
Um exemplo de uma profecia de salvaçáopode ser visto no riccr Além dasmensagens de ju:r;oe salvaçáo,
há outros gênerosliterá-
capítulo 32 de Jeremias, especialmente nos versículos 36-44. O es- que eramusadospelosprofetas.Elespodem sermencionadosra-
quema do gênero seria algo assim:
, uma vez que sáo subconjuntos dos dois tipos principais.
I. A formula do mensageiro: "Assim diz o Senhor, o Deus dc
Israel" (w. 36c).
Os Orá.culosde Larnentação
II. A certeza:"Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne. Estas mensagens começam com uma exclamaçáo de desânimo,
Acaso, seria qualquer coisa maravilhosa demais para mim?" "Ai!" (hebraico: hoy). Esta exclamaçío é normalmente segui-
(v.27; veja também v.17) Por um particípio que descreveaaçío que é citada como ofensiva
III. A transformaçáo futura Deus, ou é seguida por um substantivo que caracrerizao povo de
A. "Eis que eu os congregarei de todas as terras, para ondc maneira negativa. Alguns crêem que o contexro social destas
os houver lançado na minha ira, e no meu furor, e na minha foram os clamores de desesperoque eram proferidos em um
grande indignaçáo" (v. 37a). . Independentemenre do modo de vida em que as formas/
B. "E os rornarei atÍar.,ela estelugar e farei que habitem nelc se originaram, os profetas clamaram expressandouma men-
seguramente"(v.37b). m de desespero
pela beligerânciado povo.
r30 Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento htgaçáo e o Ensino de TixtosdasProfetasdn Antigo Tëstamento 131

Estesgruposde mensagemcarregadas de lamentaçáopodem ser do segundoadventodo Messias,em Isaías24-27. Certamente,isso


enconffadosem Isaías5; l;28.I-4;29.1-4,
10.1-1 15;30.1-3;31.1- ttm importânciaparao intérpreteassimcomo asformasdo texto.
4; Amós 5.18-6.7;Miquéias2.1-4e Habacuque 2.6-19. As mensagensa estasnaçóesabrangemtodasasformasanteriores
ucadaspelos profetas. Mas o seu contexto, em cada livro, traz uma
O ProcessoProfetico (rib) exclusiva como vimos no exemplo de Isaías.

Neste gênero, o Senhor convoca Israel ou Judá a comparecer ì paÍa a Interpreteçâo dos Profetas
corte para uma audiência do caso que foi apresentado contra eles.
fu partes desteprocessosão as seguintes:(l) Um pedido para que (t Com muita frequência,os profetassáo consideradosprincipal-
júri ouça com atençáo (um júri normalmente constituído dos céus como pessoasque predizemo futuro. Mas a verdadeé que
e da terra), (2) o interrogatório das testemunhas e uma declaraçá<r eram, principalmente, anunciad'ores,pois anunciavam a palavra
da acusaçáo,(3) at palavras da acusaçáoà corte, normalmente con- Deus contra a crescentemaré de idolatria, apostasiae pecado da
trastando com os atos redentores de Deus para com o pecado do As mensagens de anunciaçáo ocuPam mais de duas terças
povo e (4) um chamado para que retornem e obedeçam a Deus. dos seuslivros; somente uma terça parte é dedicada a qualquer
Essa forma refete, em grande parte, muitas das característicasdas de prediçáodo futuro - asprofecias.
formas de tratados internacionais daqueles dias. O melhor exempl<r Mas nesteaspecto,algum cuidado deve ser tomado para distinguir
deste gênero é Miquéias 6.1-8. O caso é igualmente dramático enì' as palavras profeticas que eram incondicionais e unilaterais,
Isaías41 em que um conselho de todos os povos da terra é reunido aquelas profecias que estavam condicionadas às reaçóes das
e testemunhas sáo convocadas quando Deus expóe a sua demand,t às quais as mensagensse destinavam. As promessasincondi-
is de Deus eram as do concerto de Abraáo, e Davi, e o novo'
nos versículos2l-29. Durante este julgamento temos o rePentino
anúncio da convocaçáo que Deus faz a um homem do oriente, e que Deus se comprometeu a cumprir o que dissera. Paralelasa
promessasincondicionais encontradas nos principais concertos
que mais adiante será revelado a todos: o rei Ciro. Essaé a surpresrì
central do julgamento. vam aquelascomo o concerto com as estaçóes,em Gênesis 8 e a
de novos céus e nova terra em Isaías 65 e 66. Nada, nes-
promessas,dependia da obediência dos mortais; somente Deus
Os Orá.culosconlra as NaçóesEsnangeiras a com que elas se cumprissem. Nem todos participariam destas
Somente os Profetas Maiores, com mais de 25 capítulos e 680 entretanto. Mesmo alguns da família de Davi, simplesmen-
versículos (um volume de material que excedea todos os capítulos e transmitiram estesbenefïcios à próxima gençâo na linhagem do
versículos de todas asepístolasescritasna prisáo pelo apóstolo Paulo) e náo participaram deles, porque náo os recebiam pela fe.
sáo entregues a esta forma literária (Is 13-23; Jr 46-51; Ez 25-32). Mas todas asoutras palavrasde juízo declarado tiúam uma cláusula,
Tâmbém se poderia acrescentarAmós 1--2 e os livros de Naum c ou náo, de contingência nas suas palavras de condenaçáo. O
Obadias, integralmente. exemplo dissoesú na história de Jonas.Embora ele tivesseuma
O contexto, no livro, de cada um destesblocos, é muito interes- confiante de que em quarenta dias o juízo desceria sobre
sante. Por exemplo, a seçáoem Isaías 13.23 tem como limite as pro- , tiúa o terrível sentimento de que se os assíriosse arrependes-
feciasdo primeiro advento do Messias,em Isaías7-12, e profecias entáo Deus semostraria mais brando e haveria uma pausa na ques-
l. \ ' 2 Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamenr,'

tão do juízo durante algum rempo. Paragrande desgostodo profeta, foi


exatarnenteisso o que aconteceu.Mais de um século depois, a mesm:r
nafr.o, em outra geraSo, sentiu que o profeta Jonas deu um "alarmc
falso", e que os seuspârentestinham se arrependido quando náo havia
necessidade de fazêlo. Por isso,náo searrependeram, e o juízn que Jonas
teria secomprazido em ver, finalmente, veio sobreeles.
O princípio para esta declaraçáosobre a interpretaçáo dos pro-
fetas pode ser encontrado em Jeremias 18.7-10. Neste texro, Deus
anunciou claramenteestemesmo princípio. Estaseram as suaspro-
visóes: Sempre que o Senhor anunciava que uma naçâo seria des-
truída, e esta naçáo se arrependia, Deus não trazia o desastrecom
que os tinha ameaçado,apesardo fato de que náo havia cláusulasdc
dependência,do tipo "se" e "a menos que" relacionadasdiretamentc
com a ameaça.No entanto, igualmente verdadeira eÍa a situaçáo
oposta: Deus poderia declarar a sua bênçáo sobre uma naçáo, mas
fr.cariapatenteque estanaçáose inreressavamuito pouco por Ele, ou
até mesmo náo se interessavapelo Senhor precioso e bendito. Deus,
entáo, rescindiria a sua palavra de promessade abençoareste porro,
trazendo um desastrea estanaçáo que Ele teria abençoadose o povo
tivesserespondido de maneira diferente.
As mensagenssobre o Messias nos rexros dos profetas sáo táo
confiáveis como as outras mensagensde promessae salvaçáo.Elas
também pertencem a uma longa e continuada tradiçáo da semenre
prometida nos vários concertos.Sáo oráculos de salvaçáocom uma
história redentora como sua herança.Isso náo equivalea dizer que o
Messiaspode ser enconrrado por trás de cada arbusto proverbial do
Antigo Ti:stamento,e muito menos nas profeciasde juízo contra as
naçóesestrangeiras.Mas náo sepode negar que o plano-promessade
Deus é Cristocêntrico, sem ser "Cristoexclusivístico".

Um Exemplo de PregaçáoProfttica:
Isaías4O.L2-31
A pergunta ainda pode estar na mente de muitos: Como, en-
táo, devemos ensinar ou pregar os textos dos profetas do Antigo
A Pregaçáoe o Ensino de TèxtosdosProfetasdn Antì.go Ti:stamento 133

Testamento? Poucas Passagensforam de maior ajuda e consolaçáo


para mim, pessoalmente, do que Isaías 40. E, sem dúvida' o meu
capítulo favorito.
Essecapítulo se encaixa no gênero de uma mensagem de salvaçáo
no grande plano-promessa de Deus. Ele começa nos versículos 1,2
com uma forma modificada da formula do mensageiro: "Consolai,
consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente a
Jerusalént''.
Entáo, vêm as palavras de salvaçáono versículo 2: "Bradai'Lhe que
já a sua servidáo ê acabada,que a sua iniquidade estáexpiada e que já
recebeuem dobro da máo do Senhor,por todos os seuspecados".
Mas qual é a base para uma série táo ousada de declaraçóes?Este
raciocínio se origina de uma voz nío identificada que clama para
que todos os mortais endireitem o caminho e aplainem os vales em
preparaçáo paÍa achegada do Rei dos reis. Essasmetáforas de cons-
truçáo de estradasapontam Para apreparaçáo moral e espiritual que
é necessária,se desejarmos nos preParar Para a chegada do Messias,
da mesma maneira como os antigos limpavam o caminho que seria
usado pelo governante da sua época. De modo que isso aconrecerá
e qual é a base para as palavras de salvaçáo?O versículo 5 responde,
úrmando que "A glória do Senhor se manifestará, e toda carne jun-
tamente verá que foi a boca do Senhor que disse isso".
É verdade, as pessoassáo belas, e florescem como as fores no
campo, mas somente Por um breve momento (w. 6-8). A nossaes-
perança e confiança náo está nas Pessoas,que frequentemente vaci-
lam.
A nossa certezadestapalavra de graça e promessaé: 'A palavra de
nosso Deus subsisteeternamente" (w' 8b).
Com este prólogo, o profeta inicia uma das mais fantásticas sé-
ries de declaraçóese confirmaçóes que podemos encontraf em todas
as Escrituras sobre o "Filho incomparavelmente grande". O título
ou assunto da nossa mensagem se origina da pergunta rePedda que
forma um cabeçalho com cada uma das duas estrofesfinais nos ver-
sículos 18 e 25. Eles perguntam: 'A quem' pois, fareis semelhante
r34 Pregandoe Ensinando a partir do Ántigo Testamento

a Deus ou com que o comparareis?ou para que lhe seja semelhan-


te? - diz o Santo". Essesversículos também servem como ponto
centrd da passagem,e, portanto, nos dáo os temas para os nossos
sermóesou ensinamentos.

Ponto Focal: lstías 40.18,25


Palavra chave paraa pregaçáo: Comparaçóes
Pergunta: O que? ou Qual? (Q"ais sáo as comparaçóesadequadas
que fazemos com o nosso Senhot que é incomparavelmente grande
em tudo o que é efaz?)

O professor e exegetaencontrará três estrofesclaramente assinala-


das nos versículos 12-31. Elas podem ser esquematizadasda seguinte
maneira:

I. Introduçáo: O nosso Deus incomparavelmente grande


A. No seu poder sobre nós (vv.12-17).
1. Em comparaçáo com todo o poder da natureza (v.
12).
2. Em comparaçáocom a sabedoriados indivíduos (w.
13,14).
3. Em comparaçáocom o poder dasnaçóes(vv. L5-17).
B. No seusercom relaçáoa nós (w. 18-24).
l. Em comparaçáo com ídolosinertes(w. 18-20).
2. Em comparaçáo com príncipese nobres(vv.2l-24).
C. Nos seuscuidados/provisóespastoraispor nós (vv.25-30).
l. Em comparaçáo com todasascoisasfinitas(vv.25,26).
2.Em comparaçáocom pessoas abatidasou cansadas (w.
27,28).
3. Em comparaçáo com o vigor dosjovens(w.29,30).
II. Conclusáo(v.31).

Este oráculo de salvaçáo,depois de introduzido nos versículos


l-8, começacom um clamor àquelesque levam as BoasNovas do
comparaçao, taÍnbem reduzrdos ao esPaçoentre o seu polegar e
dedo mínimo. Todo o pó da terra náo é mais do que uma medic
(um terço de alqueire), se realmente estivermos pensando em te
mos do Deus Tiino de todo o universo. Náo menos superados sã
os montes e outeiros da terra, pois o nosso Senhor é tão maior d
que estaspilhas de rocha, neve, gelo e pó, que pode colocá-los er
balanças e facilmente ultrapassar o seu peso. Por que entáo som(
táo intimidados por todos os pretendentes a poder nos nossos dia
Se o nosso Deus táo facilmente supera toda a natuÍezao que tende
provocar o nosso assombro, por que náo cremos que Ele pode vencr
qualquer e todo desafio na vida?
Mas pode náo ser a.nattJÍezaque nos ameaçae intimida: pode sr
a inteligência e a sabedoria das pessoas.O nosso Deus pode acon
panhar todos os computadores e as investigaçóes dos tempos m(
dernos?Cinco novas perguntas sáo propostasnos versículos 13,1,
Elas perguntam se Deus, alguma vez, nos consultou, em um supost
momento de deficiência sua. Ele jâ estudou em alguma das noss
escolas?Toda a série de perguntas é táo retórica e tola que propôJas
obter uma respostaimediata: Deus, e somente Ele, é a fonte de tod
a sabedoria, por que, entáo Ele se amedrontaria ou intimidaria cor
estesservos inferiores?
Tlês comparaçóessáo feitas no versículo 15, paranos mostrar qu
nem mesmo as naçóes, com toda a sua pompa e circunstância, r
comparam ao Deus vivo, pois as forças das naçóessáo como "a gol
de um balde" e, em comparaçâo ao nosso Deus, sáo tratadas como "
pó das balanças";na verdade,o'pó miúdo". O mesmo é válido par
o poder militar, os cartéis de drogas e a riqueza econômica. Tirdo iss
realmente náo merece a nossapreocupaçáo em comparaçío ao podr
que encontramos no nosso Deus vivo.
Podemos construir um modelo que se equipare ao poder do nor
so Deus? O versículo 16 sugere que tomemos os famosos cedros d
Líbano (o que deveria ser como tomar as gigantescassequóias d
California) e todos os animais daquela famosa área de criaçáo d
(como
e o Ensino de TixtosdosProfetasdo Anügo Tëstamento
139
r3 8 -Pregandoe Ensinandoe Partir do Antigo Testamento A Pregaçã.o

pes-
Mas se a condiçáo de pessoa dos ídolos nío é uma conclusáo compreensáo,nâ sua compaixáo ou-no seu terno cuidado pelas
além de
lógica, o que pode ser dito sobre os reis e príncipes (w.21-24)? EIes ,o", q,r" sofrem. O nosso Deus é fantasticamentegrande'
Ele é a fontc de toda
também se esquecem de que o Deus do universo está assentadono qr'rdql., comparaçáo de qualquer magnitude'
trono, acima do círculo da terra. Nada escapaà sua observaçáo ou fori" que tàos - d.sde os bebês até aqueles que têm cxcelente
"'
atençáo. Príncipes, reis, governantes, juizes e todas as outras pessoas saúde- necessitam.
em ou-
de autoridade vêm, mas deixam os seus cargos e a sua vida com a Por que entáo depositamosa nossaesperançae confiança
no Deus quc
mesma rapidez. Mal se começa no cargo, e já sevai. Por quê? Porque tra coisa?Aqueles que depositam toda a sua confiança
os poderes
Deus os sopra, e este é o seu fim. Eles sáo removidos de seuscargos está acima de todoi o, dã.rr.r, todos os senhores,todos
voar e correr' e andar'
e da terra. e todos os compeddores, sáo aquelesque iráo
Por que, entáo, nos sentimos amedrontados e intimidados por es- em lugar de fraquejar e se desesperar'
com-
tas másãras vaziasdos nossosdias?É Por que pensamos que elessáo O nosso Deus é infinitamente grande e além de qualquet
ter
mais reais do que Deus? Que grande engano o que Israel cometeu e paraçâo com qualquer coisa ou qualquer pessoa que Possamos
e' em re-
que grande engano pâra que nós repitamos! p.ttt"do ou imaginado. É a Ele que devemos nos curvar
os outros
A comparaçáo final diz respeito ao cuidado ou prouis,ãopastoral verência, d", gr"ç"t e louvor. Nós confessamosque todos
compeddorer-ráo i-ia"çóes baratasàs_ quais jamais deveríamoselevar
que o nossoDeus é capazde nos ProPorcionar (w. 25-31).Umavez nossoDeus
mais, o autor, sob a inspiraçío de Deus, pergunta: 'A quem pois me a.r- l.rg", sequerpróximo do lugar do nossoSenhor' O
fareis semelhante para que lhe seja semelhante?- díz o Santo"- é um Deus imPressionante.
Por exemplo, veja as estrelas.Algt- de nós faz alguma ideia sobre
quem criou todas elas (v. 26)? "Deus", todos respondemos' em coro. Conclusáo
Correto! Ele astraz todas asnoites, com tal regularidade' que os nossos O poder da pregaçáo e do ensino dos textos dos profetas dificil-
textos' ou se
relógios sáo ajustadospelo padráo do sistemasolar. Mais do que isso, mente poderá ser apreciado, se náo examinarmos estes
Ele chama cada estrela pelo nome. Mas isso suscita outra Pergunta: o fir.r-o, ,,rp.rfi"ìd-ente. O volume das palavras dos p.rofetasé
esPaço
há mais esüelas nos céus do que Pessoasno mundo? lJma imensa quase igual iodo o Novo Testamento' Mas além do grande
" de Deus, tÍazemuma extraordinária influ-
maioria, há milhóes e bilhóes de estrelasmais do que os seisbilhões {r. o"íp"r" na revelaçáo
à sua
de pessoasno mundo. Assim, se Deus conhece todos os seusbilhóes ência com respeito, tanto ao iuízo ameaçadode Deus quanto
como
de estrelaspelo nome, por que eu Pensoque Ele náo me conhecepelo redençáo e às suas libertaçóes promeddas, tanto no presente
nome, a mim, que fui feito à sua imagem e redimido pela sua graça? no futuro.
LJmavez que somente os pais podem dar nome a seusfilhos, Deus é o Afastar algreladestas palavras seria permitir que a ela flutuasse
no esPaço
Pai e o Criador das estrelas,pois Ele lhes deu os seusnomes. no a! sem ttízese sem uma história ou sem uma âncora'
feitas a
Mas nós ainda objetarnos' como as pessoasdesanimadas, men- e no tempo. A Igreja deve estar conectada com as Promessas
a orienta-
cionadas no versículo 27. EIas pensam que Deus náo as considerou, Israel no pasr"dõ. Pt.g"r estaspalavras fielmente é liberar
nem aos seus direitos. Mas elas também se esqueceram de que o do po"o de Deus a um nível que ul-
çío, aconsolaçáo . " Ãp.r"rrç"
imaginar
Deus eterno náo se cansa de todo o trabalho de conduzit e fazer ,r"p"rr" qualquer outra expectativa que os mortais possam
funcionar o universo. Ninguém pode colocar um regulador na sua ou aspirar no Planeta terra!
evangelho: sobe a um monte alto e levanta a voz fortemente: '-Lls
aqui está o vosso Deus" (v. 9). É uma epifania, uma apariçáo do Ser
mais Poderoso de todo o universo: Aqui está o Senhor e governânte
de tudo.
O que se segue,nos versículos 10 e ll, é muito semelhanteao
que é uma abertura com relaçáo a uma sinfonia. Aqui estáo decla-
rados os temas que seráo desenvolvidos nas três estrofes que vêm a
seguir (que acabamos de esquematizar acima). Em primeiro lugar,
existe a declaraçáode que o Senhor soberano vem com poder e au-
toridade que náo encontrâ rivais (v.10a). Este tema será abordado
na primeira estrofe dos versículos 12-17. Mas entáo a abertura con-
tinua no versículo lOb, observando que Deus náo é uma filosofia,
uma força, nem mesmo uma doutrina. Ele é uma pessoaviva! O seu
galardío vem com Ele, e a sua recompensa o acompanha, pois Ele
está ciente de tudo o que aconteceu enguanto Ele esteveafastado.
Este tema de Deus como o Deus vivo, que supera todos os ídolos,
príncipes, governantes e nobres é apresentado na segunda estrofe
dos versículos 18-24. Entretanto, neste momento o tema é mera-
mente introduzido, e sugerido, até que o profeta possa chegar à sua
anunciaçáo plena. Finalmente, a introduçáo em forma de abertura
é concluída no versículo 11, com uma observaçáo sobre quáo pas-
toral e terno é este que vem, pois é aquEle que pode prover - e o
fará,- ao seu rebanho tudo o que eles necessitam. Este é o último
tema que será desenvolvido na estrofe dos versículos 25-3I. Agora
e$amos preparados para a grande sinfonia dos próprios t€mas nos
versículos12-31.6
A abertura da nossa mensagem foi agora concluída, começamos
com a primeira das nossastentativasde comparaçáono versículo 12.
O nosso Deus é incomparável no seupoder.
A primeira candidata a tentar se comparar ao nosso Deus é a na-
tureza. Sáo feitas cinco perguntas, tentando abranger todo o campo
de possíveis desafios ao poder de Deus. Desta maneira, o volume
dos sete oceanosé, em comparuçío com o nosso Senhor, apenasum
I

A Pregaçío e o Ensino
dosTextosdasLamentaçóesdo
Antigo Testamento

fu duas grandes categoriasde gêneros do Antigo Testamento sáo


r prosa e a ioeria. A poãsia se dividia em sabedoria e salmos, sendo
qr. o, salmo, exibem lamentaçóese louvor como suas duas princi-
p"i. dirriro"s. uma vez que neste capítulo estatnosinteressadosprin-
.ip"l-.rra. em lamentaçOes,é melhor explorar o que significa uma
Lmentaçao e depois observaronde as lamentaçóessáoencontradasno
.{ntigo Ì.ra"-.rrto, esrudar a forma da lamentaçáo e finalmente Per-
go"; como se pode ensinar ou pregar o rexto de uma lamentaçáo.

O que É o-. Lamentaçáo?


fu lamentaçóes bíblicas foram caracterizadas,desde os primeiros
dias de críticas de formas (por Gunkell e Begrich2) como lamentaçóes
individuais e lamentaçóes comunitárias. As raz1es para a distinçáo
(urmduercEtegstirE í[i*, porum
Édeçmigglutb\lffi"efrtbïhb
.,ndir.íduoou se representaas questóespresentesna comunidade.
Issopode parecerbastanteclaro, no entanto' o orador de primei-
El ressoa, "eu", nos salmos, frequentemente age como representante
143
t42 Lamentaçõesdo Antigo Testamento
Pregando e Ensinando a paniÍ do Antigo Testamento I hcgaçáo e o Ensino d'osTextosdas

1882' da métricaqinah
de todo o grupo. Ou, se a lamentaçáo é feita pelo rei, também elc que a ident\frcaçâoqtrefezKarl Budde,em
oco' ou manco' tende
pode ser um representantede todo o grupo. tende a p..*"n...r.2 Este tipo de-versículo a
(lma vez que a lamentaçáo é um gênero poético, ela apresenta
â estarassociado po.-", de lamentaçóes'No padráoqinah'
"o- palavraou uma.unidade
muitas caracrerísdcasda poesia. ïadicionalmente, a poesia hebrai- orimeiralinha poétic" é, p"lo menos'uma
ca eÍa caracteúzadapela sua ênfase característica no equilíbrio das q.,t liúa' dando-noso padráomais
lr"ï"rt.J Ã"tr'lorrg" " "gttda mesmo4 + 2'
ideias entre as linhas (chamado de paralelismo hebraicã) e náo em ilpico de 3 + 2,-*,',"-bé- iadroesde 4 + 3 ouaté
típico-padrâo3 + 2 (pala'
um padráo rítmico distinto. Na verdade, até hoje, nenhuma escola Pã, .".-plo, e, Lamentaçóes7'+,5 heum
em hebraico)'
de pensamento em rítmica ou métrica foi capaz de convencer as vra" hif.rrìradasrepresentamuma palavra
outras escolasde ter descoberto a formula adequada para definir a
métrica poética hebraica. Ninguém que professeter descoberto qual
é a métrica nos dirá a ftrmula, de modo que possamostodos obi.r-
a minha carne.'.
váìa. Em vez disso, eles desejam nos mosrrar como a desenvolvem,
pessoalmente,em textos selecionados. os meus ossos
Alguns crêem que a métrica pode ser determinada observando as Edificou contra e me cgrcou...
sílabas acentuadas e não acentuadas (Holscher, Mowinckel, Horsr, com trabalho
mim... com fel
e Segert). outros afirmam que a chave para enconttat a métrica
árduo
deve ser encontrada nos acentos e náo nas sílabas acentuadas (Ley,
sievers).outros, ainda, se concentram no número de sílabasper li-
na segundalinha
nha do texro em hebraico (Freedman). Pode seq afinal, que a poesia O resultado que a ausênciado terceiro elemento
E como esperarque^o ouüo
hebraica, como a ugarítica ou cananéia, náo tenha nenhuma métri- cria é de vazio ou um ritmo manco'
Este formato intensifica o es-
ca, como argumentou G. D. Young, há alguns anos. sapato caia, mas isso nunca âcontece'
que corresPonde ao conteúdo
A poesia hebraica tem paralelismo (um equilíbrio de ideias). No tado de espírito sombrio e a tristeza
entanto' ficamos desapontadospor saber que Hillers3 descobriu que do poema.
104 das 266linhas de Lamentaçóes(39o/o)náo exibiam nenhuma
Antigo
forma de paralelismo, a menos que se considerasseo paralelismo sin- onde sáo Enconúadas as Lamentaçóesno
tético ou formal. o paralelismo hebraico sintético ou formal ocorre Testamento?
o principal
quando as linhas poéticas sáo colocadas lado a lado a fim de formar O livro de Lamentaçóes é, quase indiscutivelmente'
livro de Lamentaçóes é uma
uma sentença completa com uma pausa artificial na sentença para exemplo da forma de lamentaçao' O
do capítulo 3)' e por isso
formar as duas linhas. o problema que isso cria é o fato de que lament"çáo comunitária (com a exceçáo
Antigo
frequentemente é diÍïcil, senáo impossível, decidir sintaticamente g J-if"t a outras lamentaçóes comunitárias encontradas no
lamentaçóes comunitárias
onde entra a linha de divisáo (caesura).Issoafetará o significado e o Testamento. Alguns bott' t"t-plos destas
Isaías63; h 14; Habacuque 1'
comentário nestescasos. sáo:Salmos 44; 60;7 4; 7 9 ;80; 83 ; 89;
parcial sáo Salmos
Embora este capítulo seja, de modo geral, dúbio com respeito à Outros salmos com uma lamentaçáo comunitária
questáo da presençada métrica na poesia hebraica, podemos afirmar 1 06;e 115'
68;82;85;90;
144 Pregandoe Ensinando a partir do Ántigo Testamento

Muito mais abundanressáoos exemplosde lament açóes


indiai-
(u.ais.Álguns representantes
desregêneroseriam:sarmos3-7; r0-
14;r6-t7;22,23;25-28; t.3r; 3í_56;38_43;
5t_59; 6t-64;69;
7I; 73;77;86;88;102;t09; 120;130;Jeremias
11; t5; t7_18;20;
inúmeros rextos no livro de
Jó; e, naruralmente, Lamentaçóes 3.

A Forma da Lamentaçáo
Muitosconcordam
queháalgumafexibilidadenaord.ememque
os vários elementos da lamentaLçío apareceme o
número de vezes
em que um elemento pode aparecer.No .art"rrto, aqui
estáo os sete
elementos clássicosem uma lamentaçáo, q,r. t.rrd.r'a
aparecercom
alguma regularidade.

1. Uma invocaçáo
2. Um pedido de aiuda a Deus
3. Uma ou mais queixas
4. Confissáo_dopecado, ou declaraçáode inocência
de alguém
Uma maldiçao sobre os inimigos de alguém
l. i
6. A confiança de que Deus respónderá
T.Umhino ou bênçáo

o ponto central da lamentaçáo estáem um ou mais


elementos de
queixa, pois estesfrequentemenre nos diráo por que
o auror chegou
ao ponro de compor a lamentaçáo. Ássim como aãraçáo
de Salomáo
apresentavasetesituaçóesque poderiam convidar as
oraçóesno rem-
plo (1 Rs 8), também.aparenrementequarro das suas
sete situaçóes
também serviriam de basepara oferecer,r,'" ramentação
a Deus no
casode desastresnacionais.5Estasquatro situaçóeseram: (r)
derrota
na batalha (vv.33,34), (2) seca(w.35,36), (i) ourros
d.ì".tr"r r"_
turais ou doenças (w.37-40) e (4) cativeiro (w. 46_50).
Um exem_
pìo destetipo de queixa pode ser visto em Salmos
ZZ.!Z.

Na verdade que em váo tenho purificado o meu coraçáo


e lavado
as minhas máos na inocência.
4 Pregação e o Ensino dos Tçxtos das Larnentações da Antìgo Tì:starnento t45

Outro exemplo pode ser visto em Salmos 120.2.

Senhor,livta a minha almadoslábiosmentirosos


e da língua enganadora.

Frequentemente, a invocaçáo a uma lamentaçáo é combinada


com o pedido de ajuda a Deus, como em Salmos7.1.

Senhor,meu Deus,em ti confio;salva-mede todosos que me perse-


guem e livra-me.

O Salmo 13.1 fornece outro exemplo.

de mim, Senhor?Parasempre?Até quando


Até quando te esquecerás
de mim o teu rosto?
esconderás

A confissáo do pecado ou a declaraçáode inocência pode ser


exemplificadaem Salmos 7 .3-5.

Senhor,meu Deus,seeu fiz isto, sehá perversidade


nasminhasmáos,sepagueicom o mal àqueleque tinha
pazcomigo(antes,livrei ao que m€ oprimia semcausa);
persigao inimigo a minha almae alcance-a; calqueaospésa minha
vida sobrea terra e reduzaa pó a minha glória. (Selá)

Uma maldiçáo sobreos inimigos pode servista em Salmos109.8-10.

Sejampoucosos seusdias,e outro tome o seuofício.


SejamórÍãosos seusfilhos,
e viúva, suamulher. Sejamerrantese mendigos
os seusfilhos e busquemo seupáo longe da sua
habitaçáoassolada.

Finalmente, em Salmos 109.30-3I podemos ver um hino ou uma


bênçao.
146 Testamenn'
eEnsinandopfti, doAntigo
Pregando hegaç'ãoe o Ensino dos &xtos dasLamentaçõesdo Anügo Testamento t47
^

Louvareigrandementeao Senhorcon/a minha boca; Mas uma expressáqde emoçáo profunda e genuína náo exige es-
louválo-ei entre a multidáo. Poissepor{ à direita do pobre, pontaneidade.6As oraçóesimpensadas, que náo foram escritas nem
a suaalma.
para o livrar dos que condenany' premeditadas,nem sempre sáo asmais verdadeiras,apaixonadas,sin-
ecras,genuínas ou vivazes.Ao contrário, as nossasemoçóessáo como
O livro de Lamentaçóes tem emoçóes Yariadas,de queixas a de- Hm rio que flui do coraçáo, e as formas usadassáo como as margens
claraçóes de inocência, a louvor a Deus pela sua libertaçáo. Deus, do rio que permitem que ele ganhe alguma profundidade. Sem estas
que ouve a queixa, é o mesmo Deus que responde com garantias "margens", estasformas que dáo estrutura às nossasemoçóes,os nos-
de perdáo e ajuda, dessamaneira motivando um hino de louvor atr sentimentos se tornariam rasose superficiais, e inundariam todas
Deus da bênçáo. partes. Mas a estrutura do acróstico alfabético, em lugar de inibir
sinceridadee a profundidadeverdadeira,propicia ascategoriasem
Por que Estudar ou PregaÍ os Textos de Lamentaçóes? o rio pode correrprofundamente.
Com excessivafrequência, culpamos a forma e a ordem na adora-
Deus inseriu lamentaçóespessoaise nacionais nas Escrituras, aPa-
quando o verdadeiro culpado é a fonte secados nossospróprios
rentemente, como uma correçáo contra as noçóes euforicas e festivas
Portanto, em momentos de angústia e dificuldades, pode
da fe, que retratam romanticamente a vida como consistindo somentc
bom deixar que o rio se aprofundena nossaoraçáo,pregaçáoe
de doçura e luz. Essavisáo unilateral e exclusivamentede felicidadc
nosso modo de vida.
deixa de lidar com as realidades da vida. Ela leva o lado da vida que í
Desta maneira, Lamentaçóes, como as outras lamentaçóes, nos
doloroso aos rincóes da fe e da prática, deixando poucas orientaçóes
\ a lidar com o sofrimento,dirigindo o nossodesespero, náo
ou consolaçóespor parte dos mortais ou da Palavrade Deus.
longede Deus, maserndireç,ãoa Ele. O livro também rcalizaa
Entretanto, Deus nos deu, nas lamentaçóes das Escrituras' unì
pastoralde nos consolar,semsubestimarasrealidadeshumanas
alívio, onde todo o espectro da nossa jornada terrena pode ser re-
sofrimento e dor. Às vezes,é também necessáriolidar com a culpa
presentado. Isso é particularmente verdadeiro a respeito do livro de
acompanha a dor. Mas o livro de Lamentaçóes sempre reconhe-
Lamentaçóes.
a presença real da dor e nos estimula a "expressá-la"na presença
O livro de Lamentaçóes é um livro profundamente emocional'
Deus. A presençade Deus é prometida onde a dor, a angústia e o
Ele reconheceabertamentea presençado pranto (1.2), da desolaçátr
nto estáo. No final, aprendemos que é apenas o Senhor que
(1.4), do escárnio(1.7), dos gemidos(1.8), da fome (1.11), e da an-
a nossaporçáo(Lm3.24).
gústia (2.11), para citar apenasalgumasdas dores e tristezasencon-
Alguns seperturbamco,rrÌo usoda forma acróstica.Ela sedestina
tradas neste livro. Alguns pensam que falta espontaneidade ao livro,
auxiliar a lembrançade Israeldo pesadeloda destruiçáoem 586
uma vez que é um dos livros mais formais do Antigo Testamento.
.?Dificilmente!Qualquerjudeu que estivesse ali, e todosos que
Os seusquatro primeiros capítulos estáo arranjados em vinte e duas
depois,jamais poderiam ter se esquecidoda perda e da dor
estrofes,cada uma delas na forma de um acróstico alfabético, sendrr
ida (da mesma maneira como os Estados Unidos jamais seesque-
que somente o capítulo 5 nâo particiPa do acróstico' aPesardo fato
do dia 11 de setembro de 2001) quando anaçâo, o templo,
de que o capítulo 5 tem, também, vinte e dois versículos. Podemos
trono e a casa de Davi, como pareceu naquele momento, todos
imaginar quanto esforço foi necessáriopara construir quatro acrósti
no esquecimento.
cos alfabéticos para o livro de Lamentaçóes.
148 Pregandoe Ensinandoa py'rtir do Antigo Testamento

O acróstico está aqui para ajudaÍ o povo de Deus a superar cada


faceta da angústia e sofrimento, de A a.Z, como diríamos, usando o
alfabeto da língua portuguesa. A angústia deve ser subdividida em
itens e completamente exposta. Mas também devemos nos lembrar
de que a angústia e a dor náo sáo soberanasnem intermináveis; hri
um final. Sem estey'zzi, o povo de Deus estaria incapacitado e per-
manentemente frustrado. De modo que a lamentaçáo foi dada para
nos ajudar a lidar com a angústia. Ao fazer isso, o Antigo Testamento
nos dá o mais abrangente tratamento para o problema do sofrimen-
to, do ponto de vista da revelaçáo divina, que se encontra em toda
parte. Assim, o livro de Lamentaçóes rejeita o estoicismo e a vidrr
sem emoçóes.Como Romanos 12.15, este livro nos incentiva, di-
zendo: "Alegrai-vos com os que se alegram [mas] chorai com os quc
choram". As emoçóes apropriadamente controladas náo sáo repug-
nantes para Deus, às vezesnós precisamos chorar!

Como Ensinar ou Pregar o Texto de uma Lamentaçáo

Lamentações 2
Este capítulo proporciona um bom exemplo de lamentaçáo, não
porque exemplifica cada característicade uma lamentaçáo, pois não
o faz, mas porque mostra o quanto esta forma, como a maioria dos
gêneros,é.
Título do sermáo/ensinamento: "Aceitando o sofrimento Desso-
almente"
Texto: Lamentaçóes 2.1-22
Ponto Focal: Versículo 17:"Fez o Senhor o que intentou; cunr-
priu a ameaça que pronunciou desde os dias da antiguidade; derrtr
bou e náo se apiedou; fez que o inimigo se alegrassepor tua causac
exaltou o poder dos teus adversários".
Palavra chave para a pregaçáo: Razóes
Pergunta: Por quê?
A l)regaçrãoe o Ensino dos Textosdas LaTnentaçõesda Antigo
làstantanto t49

I. (Sem invocaçáo)
II. Queixas
Porque o sofrimento vem do Senhor (w. l_10)
Porque o sofrirnento afeta o servo de Deus (w. I l- l:ì)
III. Confissáodo pecado
Porque o sofrimento provoca reaçóespessoais(vv. 14-lg)
Porque o sofrimento faz as suasqueixas ao senhor (vv.'20-
22)
IV (sem maldiçáo ao inimigo)
V (sem hino ou bênçáo)

Há muitos que fazem o bem, que, com bondade


. mal orienra_
da, aconselham: "Náo aceite p.rro"lì.rrte o sofrimerrto. Nao p.rrr.
[ada sobre ele". A verdade é que o sofrimento é intensamerrË
p.r-
pal. os dez primeiros versículos
de Lamenta çóes2 tÍazemquarenra
içferênciasao juízo ou à ira de Deus com o pecado q.r. forio.,
.rt"
lensura.No entanto, a ira de Deus é medida . .o.rrÀl"d" p.lo
,.u
llÌror e pela sua justiça. É .*pres.áo de Deus da sua indìgnaçao
rclo pecado,ao mesmo rempo "
em que é também ru".*pr.ião do
tcucontinuado carinho e cuidado por nós. "

Sahnos120
segundo exemplo de uma lamentaçáo pode ser visro
em
ielmos 120, o primeiro dos quinze salmos á.
Aqui estáo
tf elementosde lamentaçáodestesalmo. "r..rrrao.

L Uma invocaçáo: "Na minha angústia clamei ao


Senhor, e elc
me ouviu" (v. l).
2' um pedido de ajuda a Deus: "senhor, rivra a minha
arma cr's
lábios mendrosos e da língua enganadora,(v. 2).
3. Uma maldiçáo aosinimigos (impiecaçáo):,,eue te dará, o, (lr(,
te acrescentaráa língua enganadora?',(v. 3)
4' confiança na resport" de-D.us: "Flechas aguda.s
d. vrrrr.rrrt.,
com brasasvivas de zimbro" (v. 4).
150 Pregando e Ensinando a partir do Antigo Têstamento A hcgaçáo e o Ensino dos IbatosdasLamentaç,ões
do Antigo Tèxamento r51

5. Declaraçáo de inocência: "Ai de mim, que peregrino enì Duranre a guerrad,e 1912, o Capitáo CharlesBarnarcl
. Íravegou
Meseque, e habito nas tendas de Quedar. A minha alma bas de Nova York aosmaresdo sul para participar de caçacras
<rcfrrcas.
tante tempo habitou com os que detestama paz. Pacíficosou, Ao chegar,ele e suatripulaçáo.r.orrir"r.- e resgararamurÌr
mas, em eu falando, já elesestáoem guerra" (vv.5-7). Éïrupo
de marinheirosbritânicosque haviamnaufragado"emuma irhl
pró-
*ima àsilhas Falklands...
Título do sermáo/ensinamento: "Encontrando uma maneira dt' Embora as suasduas naçóesestivessemem guerra, foram
tomadas
lidar com a calúnia" vidênciaspara que os marinheiros britânicos retornassem
à sua rer-
Texto: Salmos 120.1-7 natal. Mas para poder fazer isso eram necessárias
medidas adicio-
Ponto Focal: Versículo 2: "Senhor, livra a minha alma dos lábios is' Assim, o capitáo Barnard e um pequeno grupo
dos marinheiros
mentirosos e da língua enganadora". atracaramem ouüa ilha próxima a fim de passaralguns
dias
Palavra chave para a pregaçáo:Maneiras o recursospara alimentar o seu navio, agora cheio.
Pergunta: Como? Para seu desalento, enquanro ele investigava a ilha,
os seus hós_
les recém resgatadosdeliberadamrn , ,íp^ram, deixando_o
to_
I. O nossopedido de ajuda deve dirigir-se ao Senhor (vv. I,2) mente sozinho. Parece que eles gostaram do seu barco
e da sua
II. A nossaconfiança deve ser de que Deus respondeú" (vv. 3,4) :ãomais do que gosraramdele.Eleslevaraminclusive
III. A nossabusca pela paz deve ser constante (vv. 5-7)
assuas
de reserva,seu sobretudo,seu cobertor, suaspelesde foca,
ferramentas, suas armas, seu polvorinho, para fàer
fogo e at:e
Acalúniaé umaarmatáo mortal como uln revólver!Portanto, quan- no seu cáo de caça.Tirdo isso foi feito em um esforço
cã.ul"do
do os peregrinos israelitasviajavam para asfestasreligiosaseÀJerusalénr, a se certificar de que ele morressena desolaçáo.
náo podiam deixar de seperguntar seseriam vítimas de uma campanhrr Tendo subido ao ropo de uma colina .i. observava,enquan_
perversade difamaçao em casa,enquanto estivessemfora. "1t",
o seu.barco agora capturado saía do alcance da sua vista e griro,,
Mas por que este assunto foi colocado em primeiro lugar, nes' n toda a força de seuspulmóes seu grito de despedid ,,Vïo,
ta coletânea de salmos de peregrinos? Samuel Cox respondeu: a: en_
lo' pois uocêssão todos rnaus sajeitos!"po.steriormente,
"Dificilmente será um exagero dizer que metade das desgraçasdrr ele se referiu
Êlescomo "britânicos de coraf,ãoduro" e 'buuidossrtrdos',
vida humana se origina do uso maligno e incauto da língua. E estas e Toracões
que comeremum 'ato dz inftmia iniguahíuel,'.
?e?ürítaers',
línguas perversasgeralmente se estimulam às costasda pessoa...Nós
AIi ele permaneceu,rotalmente sozinht em uma ilha desabira-
julgamos estespecados da língua muito suavemente, a menos quc
- po_r um período que totalizaria dois sobrevivendo,
nós mes-rnossejamosofendidos por eles".7
no Robinson Crusoé. Completamente cienre da
grave e sombria
idade diante de si, na primeira noite depois de ser
Salmos 77 abandonado,
nard diz que se deitou e 'brou a Drui, para que
o orientassee
Este sermáo do salmo 77, feito pelo Rev. Dr. Dorington Littlc coy c_ordgem para que ele sesubrnetessecom paciência a e.strt
foi proferido em 21 de janeiro de 2001, na First Congregationll dup l.amente afl itia a".e
Church, Hamilton, Massachusetts.8 Ele nos fornece um excelentr "A tentaçáo.ou a provaçáo duplamente aflitivd'- é uma exprc.sò-íìo
exemplo sobre como pregar um texto de lamentaçáo. estranharedundância, você náo acha?Mesmo assim, nós
sabcnrrs
t52 Pregandoe Ensinandoe pertir do Antigo Testamcrrr,' Itttgaçáo e o Ensino dos Textosdas Lamentaçóes da Antigo 7i:stamertut 153

exatamenteo que ela significa, uma vez que nós todos a temos. Tocl,r* gústia e dúvida. Literalmente, o salmo começa com: "(llamei a
nós, em nossaopiniáo, temos provaçóesduplamente afitivas que, p(lr com a minha yozl a Deus levantei a minha voz". Ilssil ó a ora-
sua vez, motivam uma determinada respostaespiritual e emocional. de Asafe. O acúmulo de palavrase expressóesé calculaclopiìra
Hoje, vamos examinar uma resposta a determinadas tentaça)cl apresentaruma angústia sem alívio. Este é um clamor pcsiìroso,
registradaspelo salmista de nome Asafe. Asafe, você sabe, escrev('u ico. Ele náo desaparece.Náo é uma trisrezapassagcira.Há
doze dos salmos.l0Sendo ele membro da tribo de Levi, o rei Davi . período longo de dor para esraprovaçáo.Ela implora persisrcn-
incumbiu da música de adoraçáona tenda da congregaçáo...antt's te por atençáo e cuidado.
da edificaçáo do Têmplo. Por issoo salmistaora. Ele buscao Senhor,com as máos erguida.s
Compositor de sinceridade corajosa e impressionante, ele dct cstendidas para os céus, Com voz infatigâvel e mãos incansáveis,
creve a sua fe, que balbucia e luta, quando encara as perplexidadcs invoca e estendeas máos a Deus, repetidas vezes,pois a sua alma,
da vida; as provaçóes duplamente aflitivas! Como tal, o salmo 7/ ele, "recusavaser consolada".
- lido na íntegra anteriormente no culto de adoraçáo - é unrrr Mas o problema, como nos mostra o versículo 3, é que quando ele
respostahonesta a sendmentos de ter sido abandonado por Deus. em Deus, náo sesenteparticularmente consolado: "Lembrava-
Naverdade, é um salmo com que todos nós provavelmentenos iderr de Deus e me perturbava; queixava-me, e o meu espírito des-
tificaríamos, em algum ponto. A razâopara isso é o fato de que elc (SeLí).("Seld' indica umâ pausamusical - lembre-se,isto
deixa fluir um realismo prático. Ele lamenta. Ele chora. Ele sofre. Elc adoraçáo!) A falta de atençáo de Deus para com as necessidades
se angustia.Nele, a fe nem sempreconsistesomente de afirmaçóesc iatas de Asafe o deixa desanimado e fraco. Ele náo encontra
sentimentos positivos. açao.
Em vez disso, aqui nós vemos a fé maltratada na dura arena clu Mas nos parece estranho, e talvez até mesmo embaraçoso, o fato
vida real. Experiências de angústia e até mesmo desconcerto náo sáo que Deus náo responda.Afinal, nós náo dizemos que Deus atende
estranhasao salmista. Aqui, ele clama, e ainda, no mesmo processoú oraçóes?E náo é estranho, para nós, que o fato de nos lembrarmos
levado a ver como Deus trabalhou e ainda estará trabalhando. Pois, Deus náo úaga paz ao coraçáo - mas agitaçío?
como você pode ver, o salmo é mais do que emoçáo. É emoçáo repri No entanto, é este o caso aqui. E assim será às vezes,
mida pelos movimentos ou atos de Deus, para o bem do seu povo. formos brutalmente honestos.À',tr.".., também nos encontramos
As circunstâncias históricas deste salmo particular de fuafe nos estado de clamor. Nós buscamos o nosso Deus repetidas vezes
sáo desconhecidas.É este o resultado de um trauma horrível em es náo há resposta. Portanto, o fato de pensarmos em Deus nos per-
cala nacional ou é um grito de dor em um contexto estritamente pes em lugar de nos consolar.E nos fere,em lugar de curar.
soal?Realmente,náo sabemos.Mas, qualquer que sejao contexto, o Talvez neste caso inclusive percamos o sono! E, como o salmista
salmistafala pungentemente. O que nós o ouvimos dizendo a nós? versículo4, pensamosque Deus nos impediu de dormir, que Ele
e mantém abertas nossaspálpebras para prolongar o nosso
O Povo DE DEU5 Poor Cuven - B Creye - coM to. Deus nem mesmo nos concede a fuga do sofriment<r
ANcúsrn B Dúvroe (w. r-g) or, que o sono profundo frequentemente nos propicia. Em vcz.
Em primeiro lugar, nos versículos 1-9, vemos que há ocasióc,r nós ficamos deitados na cama, e mentalmente meditamos .so-
quando o povo de Deus pode clamar - e realmente clama - corìr cânticos melhores, para épocas melhores (vv. 5,6) - mx5 i5.s1y
154 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamcrr

tambémé inútil. A nossavoz pode sersilenciada,maso coraçáomc


dita de forma incessantee ritmicamente ressoaa sua queixa.Turr
rum. Tirm-tum. Tum-tum.
Em última análise,a grandeperguntasurgeem nossosespírito
É impossívelevitála. Ela é expelida,rodeadapor seiscriadasretór
casnosversículos7-9:

1. Rejeitaráo Senhorparasempre?
2. [Ele] náo tornará a serfavorável?
3. Cessouparasemprea suabenignidade?
4. Acabou-sejá a promessaque veio de geraçáoem geraçáo?
5. Esqueceu-se Deus de ter misericórdia?
6. Encerrouele assuasmisericórdiasna suaira?

Aqui está!Estátudo declarado,agora.Todasasinquietaçóesvêr


à superftcie.Elas borbulham e náo podem ser contidas. Emborl
certamente,a respostaa estasperguntasseja"náo", ainda assimhr
uma sugestáode algomaisque espreitasoba superfïcie,uma questá
maior, fervendonaságuasescurasda alma.
Você conseguever aqui o verdadeiroproblema?Éra dúvida. (
salmistaestádizendo:"Aqui estáa minha dor. Ali estáo meu Deus
Estaé a minha voz.E ondeestáa suaresposta? Ele responderá?"

Ele me rejeitou?
Ele seesqueceude mim?
E onde estáo seuamor?
E assuaspromessas?
E a suamisericórdia?
É tudo ira, agora?
É tudo o que eu realmentepossoesperardEle?
Dúvida terrível- Deus realmenteseimporta?

Estejacerto, náo há dúvida de que Deus existe.Asafenáo ten


dúvidas disso.Isso é mais moderno do que antigo. Isso é pós-ilu
I Frtgaçãoe o Ensino dos TèxnsdasLamentaçõesdo Antigo Tàstdmento 155

Finismo e sub-bíblico. Mas fuafe realmenteduvida dc que [)eus se


Inrporte com ele ou com a sua naçáo.
Novamente, estanão é uma batalha incomum para o cristiro. Há
OCasióes em que nós nos perguntamos onde Deus está c o cluc Flle
utá fazendo. Como Ele pode fazer isso conosco?Como Blc podc
los deixar, aparentemente,abandonados?Por que Ele é táo âpurcrì-
lementeincoerente e inconstante?
Sim, nós admitimos que há momenros de dúvida, e com o sal-
Btistanós aprendemosque é melhor falar sobre elesdo que silenciri-
[os.Naturalmente, aqui devemos ter cuidado. Embora Asafe nos dê
Permissáo para expressarnossasemoçóesdiante de Deus, ele náo nos
úCpermissáopara pecar em meio ao processo.E há momentos em
queele mesmo se arrependedas suasemoçóes(cf. Sl 73.2I,22).
Neste caso, se aplica o sábio e prudente conselho de Alexander
Maclaren: "É melhor que as dúvidas sejam expostas em palavras
;laras,e náo fiquem difusas e obscuras, como névoas venenosasno
;oraçáo...expressá-las é como abrir um canal em um pântano para
1ueflua a âgui' .11
E é isso o que sáo os versículos l-9 - como a água saindo do
tântano da mente e do espírito perplexos e sofredoresde Asafe. Estas
táopalavras que dáo vazáo às suasemoçóes e à sua dor, palavras que
xpressam as suasdúvidas.
Se frssemos deixados aqui - no final do versículo 9 - seríamos
leixadosem um lugar muito diftcil. Seríamosdeixadosem futilida-
le, e náo fe. Mas náo é o caso!Vejaos versículos10-15.

O Povo DE DEUS Pnossrcun pARAEscr-AREcERA suA


PlnsprcrrvA (vv. ro-r i)
Nos versículos10-15 vemos que embora o povo de Deus dèvazâo
rsua angústiade tempos em rempos, elestambém prosseguempara
rsclarecer
assuasperspectivas.O versículo 10 é o ponro decisivodes-
e salmo._Eleé um pouco enigmático, mas podemos interpretar algo
romo: "E a minha dor que a mío direita do Altíssimo modiÊcou".
iendo assim, entáo isto está de acordo com as queixas anteriores
156 Pregandoe Ensinando a partir do Andgo Gstamento A hegaçã.oe o Ensino das TexnsdasLamentaçóesdo Antigo Testamento I57

- ele pensaque Deus mudou. Náo há baseseguraonde ficar, pois E meditarsobretudo issoé perceberque Deusé incomparável(v.
Deusé inconstante. l3). Ele é incomparávelporqueEle é um Deus redentorque derra-
ou, issopode ser interpretadocomo a versáoNVI em Inglês o mao seupoderparao bem do seupovo.O seubraçofortc re:rlmente
interpreta- como um apeloà estabilidade de Deus.Sendoassim,en- Gstáem a$o parao bem deles(v. 15).Tudo issodeveserlembrado,
táo funciona como uma aÍticulaçáoenue asduasseçóesprincipais do rc desejarmoster alguma esPerançae capacidadede lidar com a.s
salmo,passandoda introspecçáodesesperadora (. plsro.l futiiidade) nossaspróprias circunstâncias.Sem isso,nós estaremosconfinados
paraa meditaçáoenaltecedora(e a reafirmaçáoda fe no final). aodesespero e à futilidade e ao fardo da nossamortalidade.Mas este
O salmistadiz o que estápensando(v. l0), recordando(v. l l), é o processobíblico pelo qual nós escapamos do desesperoda alma.
meditando (v. l2), e considerando(v. l2): Deus _ náo ele mesmo, Nós nos lembramosde Deus. Nós revemose examinamosas obras
náo a suacondiçáo,náo a suador, náo a suaagitaçáo.Náo, agora de Deus.Nós adoramosa Deus.
ele
estáfaz_endoo supremoesforçode contemplai a Deus. , Os seuscaminhossáosantos'o que significaque sáoperfeitose
Enfatizandoesteesforçoestáo fato de que nos versículos11,12 Justoso tempo todo, ainda que nós náo os compreendamosperfei-
os verbossáorepetidos:lembrar/lembrare meditareilfalarei.Issoin- tamente.Ele estásempreacimade qualquer críticaou reprovaçáo'E
tensificaa intençáo do salmista.Na sua batalhacontra a dúvida
e nós nos consolamosao recordaro fato de que somoso seupovo (v.
o desespero,ele sabeque o alívio somenteé encontradopor l5). Como tal, pertencemosâ Ele, irrevogavelmente. E essaa pers-
uma
luta deliberadaparase lembrar de Deus em primeiro l,rgai. acima a esclarecedora de que precisamos.
de tudo. Esta é a estratégiade Asafe,para si mesmo . p"." o ,.u
povo.l2 O Povo DE DEUs sE LEMBRADA suA RnorNçÁo
outro dia fiquei sabendoque na Bíblia hebraicanáo existeuma (w. r6-19)
palavraparadúuida. Por ourro lado, há muitas palayrasque expres- Examine, agora,os versículos16-19. Neles, vemos os detalhesdo
sam assombro,reverênciae surpresa- com qì.-té D.u, . .o. Deusfez precisamentepara redimir o seupovo. Sim, o povo de
o que Ele fez. '1Assim,a grandezainigualávelda realidadede Deus Deus pode dar vazío à sua angústiade temPosem temPos,mas o
impedia que o poder da dúvida estabLrecesse povo de Deus deveprosseguitparaesclarecer e
assuaspersPectivas,
a suaprópria dinasria
independente".r3 lsto é feito, principalmente,lembrando-seda suaredençáo.
Eu pensoque é por issoque,nestesalmo,rependnamentehá uma Você sabeo que Ele é! A reden@o aqui retratada ê a gnnde açáo de
mudançadramática,da mórbida introspecçáoà meditaçáodivina. Deus, para o bem do seu povo, ao cruzaLro mar Vermelho. Este foi o
Sc
vocêdedicarum momento para contar,perceberáque os pronomes ceu momento de definiçao (Êx l4). Foi quando Deus os chamou e os
de primeira pessoado singular,"et/', .,mèu",,,minhl', .,-i;" domi_ tirou do Egito e os libertou espetacularmente.No mesmo momento
nam os seisprimeiros versículos,aparecendocercade oito vezesnil cm que sentiam que estavam sendo aniquilados, quando estavam en-
versáoNVI em Inglês.Mas a partir do versículo13, Deus domina, çolhidos à beira do mar, aprisionadosentre o maÍ e um cruel exército
Ele é mencionadonada menosde vinte e uma vezes!Agorao remrì que continuava avançando- naquele mesmo momento do seu mais
é Ele, e náoa afliçío pessoal.Ágora a visáoé dos feitos ã. De.r, do., profundo terror - Deus apareceu,como poderíamos dizer.
milagresde Deus dasobrasde Deus- e acimade tudo Moisés levantou a sua vara sobre o mar, e as águas se abriram.
- os sanro..,
caminhosde Deus(v.lD. Cercados dos dois lados pelo formidável mar, os hebreus Passaram
r58 Pregandoe Ensinando a panir do Antigo Ti:stamentc

para o outro lado. E os egípcios que os seguiam foram engolidos


pelas ondas, e Deus libertou o seu povo dos seusinimigos.
Sim, como diz o salmista, as águas tremeram e se abalaram,
As nuvens derramaram chuva, os céus trovejaram, o relâmpago de
Deus disparou como flechas, e a terra rremeu. Tudo isto foi feito
para abrir um caminho através do mar, para redimir um povo in-
significante
Foi isso o que Deus fez - Ele, que é um Deus santo, grande, ca-
rinhoso, poderoso e que sepreocupa com aspessoas.É isro o que Elc
é, e por isso, foi isso o que Ele fez. E esta é a redençáo que o salmista
relembra como resultado da sua perspectiva esclarecida!É isso o quc
lhe dá esperançade que o seu presenree o seu futuro esráonas máo.s
de Deus - as máos de Deus que abriram o mâr, que sáo redentoras,
salvadoras,carinhosas e que cuidarn de cada um de nós.

Nesta hora de dúvidas sombrias,aqui estáo seu Deus. Esta é a sua


voz. Esta é a sua resposra.Esta é a sua respostaàs dúvidas expressa
nos versículosT-9.

Ele seesqueceuì N,ão. \


E o seuamor? E uerdadeiro.
E assuaspromessas? S'ãouerdadciras.
E a suamisericórdia? Vocêpod.econfar nela.
Ele é somenteira? N,ãosejatolo.
Deusrealmenteseimporta? Certamente!

Náo esperenada além dos seusatos de redençáo!


E assim será para nós. Em dias de sombria dúvida, quando
precisarmos de uma perspectiva esclarecida, devemos confiar 'rin
t.rrr
Deus e nos lembrar. Devemos nos lembrar do ato supremo dc r,c=
dençáo para o qual o mar Vermelho aponta. A "minha voz" do vcr=
sículo 1 é eclipsadapelo "rrováo" davoz redentora de Deus (v. lH),
Nós nos lembramos da dor do seu Filho sem pecado,com os bruqrrl
ensanguentadosestendidosem uma cruz pelos nossospecados.Nrir
fecordamosa belezada graçaimerecida.Nós nos permitimos se
urebatadosna maravilha disso tudo, apesarde tudo. Deus falou
Mesmo.E "falou-nos,nestesúltimos dias,pelo Filho" (Hb 1.1).
Issoanula asnossascircunstâncias?
Apagaa nossador?
É daro que náo, mas nos lembra de que Deus realmentese pre
ocupa,Ele náo é impotente e voltará a sustentare libertar o seu
povo.O nossoproblema náo estáesquecido;apenasestáeclipsad
maior.r4A dor nâoé a somatotal da jornada. Em
Poruma realidade
à dor tudo pode parecerconfuso,maso nossoDeusfalou e nos
í. De modo que, enquanto meditarmos e recordarmos, nót
podemosdizer:"O teu caminho,ó Deus,estáno santuário
deusé táo grandecomo o nossoDeus?"(5177.13),e "SeDeus
r nós,quemserácontranós?"(Rm 8.31).

A suASupnnueCoNrIeNçe
O Povo DEDEUsExpn-esse
(v. zo)
Agora, na conclusáo, examine o último versículo do salmo. Comc
de se lembrar dasobrasdo nossoDeus, vemosque o seu
a sua suprema confiança.
"Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela máo de Moisés t
fuão"(v.20).
Foi issoo que Deus fez.
E é issoo que Deus faz.
De modo que estaé a nossasupremaconfiança.Nós passamos dz
paÍa Deus, para o seupoder redentor,e par
e do desespero
ança- em Deus. Deus conduz o seu povo. Ele é o noss
pastor,Jesus.E nós somoso seurebanho,as suasovelhas,qut
do seu constante cuidado e sabedoria. E assim, somos lem.
do fato de que a sua orientaçío e o seu cuidado redentores sác
confiança, para o presente e para o futuro.
Com isso em mente, o versículo 20 nío é realmente, na minhz
um pós-escrito anticlímax. Na verdade, esteé o ponto a qut
160 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento A Pregaçáoe o Ensino dos TextosdasLamentaçõesdo Antigo Tàstamento 161

despedaçadosnas rochas da dúvida, somos conduzidos pelo Senhoç Estaé a nossafundaçáosegura:o cuidadopastoralde Deus.
carregadoscomo ovelhas nos braços do nosso bondoso pastor. Portanto,nissomeditamos.
Você percebe, enquanto os versículos 1,2 sáo um retrato da in-
quietude da alma em desespero- que náo conseguever além de si Conclusáo
mesma - o versículo 20 é o retrato da alma que se lembra de Deus
A"Íazáo" pan geralmenteé encontradana cláusula
e assim volta a confiar em nEle. É a confiança reforçada e motivada ^lamentaçáo
Éi do hebraico,pois esraparrículanormalmenteé traduzidacomo
pela meditaçáo bíblica, concentrada em Deus. "porque". Embora isso assinalea seçáode queixas,tam-
Esta alma é conduzida por Deus. l'Poi.", ou
bém nos daráo ponro focal da lamentaçáo,e assimo remaparatodo
Aqui se encerra a questáo.
o sermãoou a sessáo de ensinamento.
Esta é a nossafundaçáo segura: o cuidado pastoral de Deus.
os outros elementosda passagemsugeriráoo desenvolvimento
Portanto, nisso meditamos.
do_temasugeridona queixaou no ponto focal da pâssagem. À
Irmáos e irmás, como um pós-escrito prático; é por isso que a
dida que cadaponto principal, no seuesquema,.-.rg.ã. cada-.- um
meditaçáo bíblica é táo importante. Ela nos familiaúza com os ca-
desteselemenros,cerrifique-sede que o ensinamentoleológiconáo
minhos de Deus, de modo que possamosconfiar nEle quando a vida
estejaperdido na lamentaçãoa respeitode Deus,e do nossorelacio-
estiverdiftcil. E, como iá observamosem outra ocasiáo,a memoriza-
namento com Ele. Grande parte deste ensinamenro pode ser con-
çáo das Escrituras e a meditaçáo sobre a Bíblia sáo diferentes - ain- na imagem usada pela lamentaçáo, mas isso náo deve nos
da que entrelaçadase inseparáveis.Uma simples analogia nos ajuda
ir de mostrar o que é que Deus deseia nos dizer através deste
a esclarecero que eu quero dizer.
nero e deste texto em particular.
Na sua cozinha, você tem armários. Por quê? Porque nestes ar-
Com muita frequência temos somente coros de louvor como par-
mários você armazenatodos os alimentos saüdáveisque a sua família
central de nossos cultos de adoraçáo. Mas o que faremos com a
gosta de comer - cereaismatinais, salgadinhos, e barras de choco- soa que vem aos nossos cultos com um coraçío pesado?Elas ja-
late. Mas, para poder ser nutrido por estesexcelentes(!) alimentos,
is ouviráo uma palavra de alívio e consolaçáo do evangelho?
você precisa fazer mais do que meramente colocá-los no armário:
Devemos incluir as lamentaçóes como outro aspecto da nossa
precisa tirálos de lá e comêlos! Eles lhe proporcionam um bem
e do nossoensinodo conselhode Deus.
mínimo, simplesmentecolocadosnas prateleiras.O seu valor é per-
cebido quando elessáo consumidos.
fusim é com a meditaçáo bíblica!A sua memória é o armário ou
gabinete em que você armazenaasverdadesda Palavrade Deus. Mas
a meditaçáo utiliza o armário. A meditaçáo é o buscar deliberado
para alimentar e nutrir a nossa alma nos dias sombrios e espiritual-
mente magros - com a verdade que foi armazenada.E é isso o quc
Asafe fazaqui. É o que devemos fazer.
Novamente, esta alma é conduzida por Deus.
Aqui se encerra a questáo.
9

A Pregaçáoe o Ensinoda Torá do


Antigo Testamento
l
Uma porçáo significativa da igreja tende a considerar que "a Torá
é obsoleta para os cristáos de hoje".l A ideia é de que o cristianis-
ttro é uma religiáo inovadora, que rompeu com seus ânreced,entes
jttdaicos,e especialmentecom o Pentateuco,que, normalmente, é
consideradosinônimo do conceito de "lei" - no sentido de regras
e restriçóes,somente. Mas tudo issoserápresunçosodemais, pois os
npóstolosafirmaram que a igreja cristá esravaem cliretacontinuida-
clccom o plano e propósito de Deus no Antigo Têsramcnro.Além
tlisso,a torá bíblica náo pode selimitar ao conccirode lci no sentido
europeu, do francês loi do alemáo Gesetzou até rììcsmo clo grego
ìtomos,pois a torá inclui as promessasde Dcus, L.ir,r.s,r,,sparriarcas
c a todos os que os seguiram,juntamente com a uricntaçiro que ela
propiciavapara toda a vida.

O Significado da Torá
O problema com o conceito de lei que rêm muitos cristáosé o fato
rlc que ela implica meramente regrasformais, frequentementecom
rtssociaçóes rituais, as quais a comunidade do Antigo Têsramento
csrariasuieita se deseiasseobter a benevolênciade Deus. É est" .,rn-
r64 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento
A hegaç'ãoe o Ensino da Tbrádn Antigo Ti:stamento 165

clusáo incorrera que levaram muiros a colocar as instruçóes legais


ïês momentos chave definem o tom para o restante da revela-
para a vida que está contida na Torá contra a vida de graça descritu
no Novo Testamento. Esta dicotomia está claramente contra os €n- çáo desteplano no Pentateuco:Gênesis3.I5;9.27; e l2.l-3. Nestes
textos,Deus anunciou quatro dádivas:(1) a promessade uma poste-
sinamentos das Escrituras.
ridade, ou "semente", (2) a promessade que o próprio Deus viria e
A Torá é muito mais do que lei. A palavra torah provavelmente
"habitarid' entre as tendas de Sem,2(3) a promessada terra de Canaá
vem de um verbo hebraico, que significa "apontar [uma direçáo à
àqueles que eram chamados para ser agentes que transmitiriam a
qual se deve ir]". É por isso que, no livro de Provérbios, que conrénr
promessâ,e (4) apromessadas BoasNovas, ou o próprio evangelho,
tantos ensinamenros baseadosna Torá, a instruçáo é táo frequen-
de que naquela semente todas as naçóesda terra seriam benditas.
temente conectada com um "caminho". A lei de Deus se destinavu
Este tema da promessa náo terminou quando a narrativa da re-
a ser uma luz sobre o caminho do indivíduo; ela devia indicar ao
velaçáoprê.-patriarcalde Gênesis 1-11 ou até mesmo as histórias pa-
indivíduo a direçáo em que ele devia ir.
triarcais de Gênesis 12-50 chegaram ao fim. Ao contrário, nos dois
Mas há algo mais. Reconhecer na Torá a presença de instruçóes
pontos focais do restante do Pentateuco, especificamente,o êxodo e
paÍa a vida náo é a mesma coisa que descrevera principal incum-
a revelaçáoda lei sobre o monte Sinai, fica claro o que a bênçáo da
bência ou o propósito do Pentateuco. Ela tem u- ptopórito mais
promessa envolveria. A naçáo recém formada de Israel seria men-
importante, ou seja, investigar o propósito de palavra de promessl
cionada repetidas vezescomo "Meu povo". A razâopâra este íntimo
de Deus ao seu povo. As leis, ou melhor, as instruçóes dúm esta,
relacionamento com Deus estaria no concerto que Deus fez com os
plenamente integradas no rexto e na história do plano-promessa dc
patriarcas(Êx 2.24; 3.6).
Deus.
Como, entáo, a promessa se relaciona com a Torá? Sempre foi
Enquanto isso, os livros de sabedoria e proftticos da Bíblia con-
um relacionamento que enfatizou a prioridade da promessa, acima
fiam na Torá, como sendo o fundamento do que eles ensinam e de-
da lei. Portanto, assim como as promessaspatriarcais precederam a
claram. Para estas seçõesda Bíblia, I cenrro da vida divinamenrc
cnúega da lei, sobre o monte Sinai, também a crença,afé e a reden-
orientada foi definido na revelaçãomosaica. Isso é evidenciado pelas
muitas citaçóesdiretas e alusóesindiretas ao Pentareuco, que podem çáo tinham que ser o contexto para qualquer obediência às instru-
ser encontradas nos livros dos Profetas e nos livros de sabedoria. çóes que Deus deu no Sinai. Foi assim que Deus escolheu Isaque:
unicamente com base no propósito de Deus e náo com base nas
lnúmeras obras de piedade de seu pai, Abraáo, ou do próprio Isaque.
A Relaçáoda Promessacom a Torá
De maneira aníloga, Deus também escolheu um dentre os gêmeos
A doutrina do plano-promessade Deus é vista, cadavez mais, de Isaque,antesmesmo que elesnascessem(Gn 25.23) e tivessema
como o tema abrangentee a pedra principal dos cinco primeiros oportunidade de agir certo ou errado (Rm 9.11,12).
livros da Bíblia, senáode toda a Bíblia. o plano-pro-..r" pode ser.
definido como uma declaraçáoou uma palavrade Deus.É a pal"rrra A Estrutura Narrativa daTorá
de Deus, sobreo que Ele seriae o que faria pela linhagemdã povu
A melhor maneira de permitir que a Torá fale aos nossosdias
que Ele tinha chamadopara que fossemseusagentesna bênçãodo
é reconhecerque o Pentateucoestábasicamente,ou predominan-
mundo, e, portanro, o que Deus seriae o que Ele faria por intermé-
temente, em uma forma narrativa. Esta narrativa é parte de uma
dio destalinhagemde pessoas para todasasnaçóesda terra.
história em andamento,que abrangetoda a humanidade,de acordo
r66 Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento A hegaç,ãne o Ensinoda Torád'oAntigo nstumento r67

com a perspectiva divina. Como tal, a narrativa rem um princípio, A visáo de Von Rad foi profundamente desafiada,scomo tinha
um meio e um fim temporário (com o fim definitivo suspensoinde- que ser, pois a parte que von Rad dizia estar faltando podia ser en-
finidamente, até que cheguemos ao clímax do Reino de Deus). conrrada, se fosse incluída a totalidade de Deuteronômio 26, e nío
Esta narrativa se inicia com a assim chamada história primitiva âpenasos versículos 5-9, e todo o capítulo 24 deJosué, e náo apenas
de Gênesis 1.11. Sob o tema da bênçáo (hebraico: brh) de Deus, a Osversículos16-18. O fato é que o êxodo seconectaclaramentecom
história começa com a bênçáo que Deus deu à ordem criada (Gn o Sinai, em Êxodo 19.3-8 e20.2-17.
I.22) e ao primeiro casalhumano (v. 28). Esta bênçáo conrinuou Mesmo depois de admitidas todas estasconexóes,o problema
em Gênesis 5.2, e foi retomada novamente depois da história do parecep.r-"t.".r: Como as exigênciase condiçóes de Êxodo 20 a
dilúvio, em Gênesis9.1. Mesmo sem o uso da palavra "abençoar" i{ú-.-r 20 devem se integrar, se é que se integram' com as bênçáos
ou "bênçáo", a bênçáo de Deus estavapresente em promessascomo e promessas dos materiais pré-patriarcais e patriarcais do livro de
em Gênesis3.15 e9.21.3 Quando a promessafoi feita aAbraáo, em Gênesis?A nossamelhor resPostaé observar como a mesmâ com-
Gênesis l2.l-3, a palavra "abençoar" ou "bênçáo" apareceucinco binaçáo de promessase mandamenros já existia como o tecido que
vezes!A conexáo entre a "bênçáo" pré-patriarcal e a "palavrd' de pro- Unia as narrativas patriarcais. Por exemplo, os seguintesmandamen-
messapatriarcal náo poderia ter sido mais óbvia. tos foram facilmente englobados na história patriarcal da promessa
Da mesma maneira como Jeováfoi o Deus "que te tirei de Ur dos sem nenhum sentimento de falta de adaptaçáo:
caldeus"(por exemplo, Gn 15.7), também, ao entregaras condiçóes
do Decálogo, o Senhor anunciou: "Eu sou o Senhor [Jeová], teu
12j "Sai{e
Gênesis datuaterra"
Deus, que te tirei da terra do Egito" (F,x 20.2). Assim, a lei é dada
I 5 9 "Toma-me umabezerra"
no contexto da atividade de graça e piedade de Deus. Ele manifesta "Anda em minhapresençaesêperÍeito"
17.1
a sua graça antes de fazer suasexigências! evai{e"."
22.2 "Toma agora 0teuÚnic0
oteufilho, Íilho...
Mas o que perturbou muitos leitores e teólogoq da Torá nío é a "Não desçasa0Egito. na
Habita que
terra eu tedisse/'
26.2
continuidade da narrativa, mas a natutezadiversa dos dois concertos. àtenadosteuspais"
3 1 . 3 "Torna
A promessafeita aAbraáo estavacheia das dádivas de graçae bênçáos, "Frutifica (encontrado
emultiplica{e" em
anteri0rmente,
35.11
mas o Sinai pareceuimpor exigências,obrigaçóese mandamentos. '1.28
Gn e9.1- uma bênção0uummandamento!)
Esta diferença foi táo fortemente sentida que Gerhard von Rada
apontou para Deuteronômio 26.5-9 como o credo essencialde Israel,
Assim, da mesma maneira como cada mandamento era Prece-
juntamente com outros credos (declaraçóesdo tipo "eu creio"), tais
dido e colocado no contexto da promessa pâra os patriarcas, tam-
como Josué24.16-18, e argumentou que esrescredosapoiavam esta
bém o chamado para obediência à lei mosaica jamais foi a condi-
divisáo entre os concertos. O que Von Rad queria dizer era que os manutençáo. Os Dez
çâo peu:ainaugurar o concerto ou Pâra a sua
acontecimentos do Sinai, que ele considerava como o centro do
Mandamentos foram dados no contexto da gtaça, pois o Deus que
Pentateuco, eram explicitamente excluídos destescredos, provando,
cmitiu os mandamentosfoi o Deus que tinha libertado Israelda ter-
assim, que a legislaçáodo Sinai pertencia a uma gençío mais antiga ra do Egito. Assim, a lei náo deixava de ser uma dádiva de Deus, e foi
e separada,aparecendosomente no período posterior do exílio como .orr.t"-.rrte celebradacomo td em Salmos 1.2;19.7-11; e todo o
o suposto documento "P". Nisto, ele estavaenganado. Salmo 119. Paraos salmistas,a lei era mais doce do que o mel e mais
168 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento A htgaçáo e o Ensino da Tbrá.da Antigo Tèstamento
t69

desejáveldo que o ouro mais fino!A promessanão se opunha à lci Como Pregar e Ensinar aTorá do Antigo Testamento
de Deus, pois a lei e a promessavinham do mesmo Deus que fazia<t
concerto. A lei náo propiciava um meio separado, nem mesmo unì Dada a grande quantidade de passagensnarrativas na Torá, a cs-
meio hipotético para que alguém obtivessea salvaçáo.Em vez disso, tratégia para interpretar estestextos será a mesma que já discutimos
a lei propiciava um meio para conservar a comunháo com Deus. nO capítulo sobre como pregar os textos narrativos. Mas e quanto
tos textos legais?Estes textos revelam uma distinçáo entre a lei que
ATorá e a Fé é universal e eterna, uersusaqtJelaque é temporal e relacionada à
cultura?
Schmitt6 mosúou como todo o Pentateuco foi unificado com il Muitos perderam a esperançade encontrar alguma divisáo clara
fêlctençacomo seu mecanismo de conexáo. Em cada uma das "cos- éntre as leii que sáo normativas para todos os lugares e aquelas que
turas de composiçáo" percebidas do Pentateuco, como Schmitt as têm uma obsolescênciaembutida. Mas os nossosproblemas inter-
considerava, o "tema dafé" (Glaubens-Thematih) aparecia.Esrascos- ivos náo nos absolveráo no dia final, quando virmos o nosso
turas de composiçáo sáo as seguintes: . Devemos perseverarPara encontrar aquilo que é o mais im-
.e: os princípios normativos naqueles textos que podem ser
Gênesis
15.6 "E creuelelAbraão]
n0 Senhor, isÌopor
e Íoi-lheimputado icados a todas as épocase a todas as culturas.
justiça." Para começar, as leis de Êxodo 25 até Levítico 16 sáo muito ceri-
Êxodo
4.5 "Disse para
o Senhor... quecreiamqueteapareceu
o Senhor." iais. Estas leis parecem ter pouca relevância permanente, além
Êxodo
14.31 "Etemeu0 povo a0Senhor
ecreun0Senhor eemMoisés,seu fato de que exemplificam verdades Permanentes. No entanto'
servo." itas têm aplicaçóesparalelashoje em dia (por exemplo, fazer um
Números
14..1
1 "Atéquandomenãocrerãoportodos queÍizn0meio
0ssinais ito de i.gtrt"ttç" ao redordo telhadolDt22.8l podeserapli-
deles?" hoie em dia, na colocaçáode uma cercaao redor da nossapis-
20.12 "Eo Senhor
Números dissea Moisés
eàArão:Porquanto
nãomecrestes a no quintal).
para
a mim, mesantiÍicar
diante
dosÍilhos porisso."
delsrael, Havia uma sugestâoda sua natureza temporária no fato de que
nã0metereis
esta congregação que
naterra lhes tenhodado." tas leis ficariam obsoletas, vmavez que as verdades às quais aPon-
1.32"Masnemporissocrestes
Deuteronômio noSenhoi vossoDeus." tavam as substituíssem.Assim, Êxodo 25.9 e 25.40 claramente ca-
Deuteronômio
9.23Rebeldes
Íostesaomandado doSenhorvossoDeus,
enãoo tactetizaramo Tabernáculo, com seusserviços e pessoal,como tem-
crestes,
e nãoobedecestes
àsuavoz." porário, pois eles eram apenas "modelos" que imitavam o qrte foi
mortt"do a Moisés quando ele estavano alto do monte. A realidade
Em lugar de considerar o Pentareuco como enfatizando a ob- que foi ensinada a Moisés existia no céu; ele tinha feito apenasuma
servância dos códigos da lei sacerdotal, o estudo de Schmitt fez. cópia, ou uma representaçáoda realidade celestial.No entanto, quan-
um grande progresso no sentido de demonsrrar que o Pentareuco do o Messias apareceu estascópias tiveram que ser retiradas Para o
realmente pretendia ensinar a fê e a crença em Deus e na sua beneftcio da norra ordem de realidade introduzida pela pessoae pela
promessa. A obediência à lei, enráo, era a evidência natural dc Obra de Jesus Cristo. O livro de Hebreus explica exatamente isto,
que alguém realmente tinha confiado no senhor e crido na surl quando se refere ao Tâbernáculo e aos seus rituais como "sombrâs"
Promessa. da realidade que haveria de vir. Mas, perceba, o Antigo Testamento
170 Pregandoe Ensinandoa partfudo Antigo Testamento e o Entino da Tbrá.do Anügo Ti:stamento
A Pregaç,ão t7l

antecipou isso, e claramente hasteou a bandeira de alerta, em Êxod<r Palavrachave pat:aa pregaçáo:Maneiras
25.9 e 25.40, quando estalegislaçáofoi enrregue.Ali, esravaescriro Pergunta:Como? (Deus pode perdoar todos os nossospecados?)
que o Tâbernáculo, com seusserviçose sacrifícios, eram meras cópias
ou modelos da realidade que existia no céu. A lei, como jâ foi dito, era uma sombra das coisas futuras.
Mas no âmago da legislaçáolegal estavaa lei moral de Deus, que sc Raramente recebemosuma demonstraçáo mais concreta de questóes
baseavano caráter de Deus. lJmavez que Deus é imutável, tambénr doutrinárias que sáo abstratasem si mesmas,do que vemos apresen-
o sáo as leis que aponram paÍa asua narrJrezae carâter.Ele é a pró- tado de uma maneiratâo concreta e clara em Levítico 16!Além dis-
pria verdade, e, assim sendo, mentir é sempre errado. Deus é santo; so, se admitirmos, como realmente admitimos, que há uma relaçáo
portanto' devemosser táo santoscomo Ele é santo. Este era o padráo, entre os sacriftcios aqui ordenados por Moisés e o sacrifïcio de Cristo
naquela época, e servecomo padráo para a época presentetambém. por nós na crtJz, é importante que determinemos em que sentido os
A lei moral pode ser encontrada no Decálogo de Êxodo 20 c sacrifícios da lei removiam o pecado, se é que o faziam.
Deuteronômio 5, como também no código de santidade de Levític<r Táo essencial é esta doutrina da expiaçáo que muitos cris-
18-20. tãos Unitarianos se esforçavam, e muito, tentando invalidála. Os
Por outro lado, o livro do concerto (F,x 2I-2ì consisteprin- Unitarianos dos anos 1800 acreditavamque, se pudessemdemons-
cipalmente de exemplos da lei moral de Deus, visra nas leis civis da trar que os sacriftcios de Moisés náo estavam envolvidos, de nenhu-
época.A mesma naüJrezamoral do caráter e do ser de Deus se refletc Ína maneira, na remoçáo da culpa e na obtençáo do perdáo divino,
nas leis civis que Ele impôs ao povo. çntáo eles estariam a caminho de estabelecerque a morte de Cristo
A lei cerimonial pode ser enconrrada principalmente em Êxod,, cra apenasum exemplo e náo uma oferta de expiaçáo, pela condiçáo
25-40, em Levítico e em Números 1-10. Assim como a lei civil pecadora da humanidade.
do livro do concerto reflete os princípios encontrados na lei moral dc O Dia do Perdáoera o décimo dia deTisri, o primeiro mês do ano
Deus, também a lei cerimonial reflete os mesmos princípios morais civil (para nós, setembro-outubro). Era o único dia ao qual a Torá
Permanentes. ordenavajejum; no entanto, alguns outros jejuns foram posterior-
Ínente acrescentadospela tradiçáo judaica, fora do corpus bíblico.
O Exemplo da Pregaçáoe do Ensino da Lei: Assim, examinemos o nosso texto, em Levítico 16 e observare-
Levítico 16.I-34 Ìnos as três maneiras pelas quais Deus perdoou os pecados daqueles
Poucos capítulos do Pentateuco sáo mais imporranres para quc lsraelitas,pois elas também nos fornecem esperançae confiança de
os crentes compreendam a natureza da expiaçáodo que Levítico 16. gue a mesma oferta permanece válida nos nossosdias.
Ele descreveo dia que, até os nossostempos, é o mais sânto no calen-
dário judaico: Yom Kpp.rr, ou o Dia do Perdáo.Este capítulo servi.i PBr-ePnovrsÁoDEDBus Do NossoMnomoon: uu
como o nosso texto de demonstraçâo daTorá. Secnnoorn(w. v6, rr-r4)
No santíssimo lugar no Tabernáculo só se podia entrar umavez
Título do sermáo/ensinamenro:"Deus pode perdoar todos os por ano - no décimo dia de Tisri, o Dia do Perdáo. Aráo, o sumo
nossospecados". iacerdote, náo podia entrar neste Santo dos Santos quando desejasse
Texto: Levítico 16.1-34 (v, 2). Fazerisso significariaa sua própria morte.
172 pregandoe Ensinando
a panir do Ántigo Tesramenro
A Pregaç,íoe o Ensino da Titrá
do Antigo \èstamento
Paranos ajudara definir os rimires 173
enüe o sagradoe o comum,
Deus estabelecia fronteiras.Embora eraspossam ouro, suasjóias e suascores.
parecer,ocasionar- 1or:,r.r Na verdade,esraimagemé táo
mente' arbitrárias,o fato é que similar ao que aconreceriaquando
Deus tinhì que rà .ãilo i-.- o ,orro S."h"J;;rorrï*.."
nente neste mundo presente, ,,
e ambém completamente""i"
d*rentc
mesmoem Filipenses 2.7 e ;.sehumilhassea si mesmo,,, "
de nós. Ele é o Criaãor; sempre laridadesnao pìdem ser ignoradas.ponanto, que assimi-
,;;;;;, criaruras.Ele permanecr. assimcomo cristo se
sanro; nós, desdeAjão, ,._pr. do que erapropriarien:eseu,
fomos pecadores.para evirar i;tntu p.ìo.dir.iro e pelareputaçáoda
tipo de comunháo,irreverênia unr sua pessoae do seucargo,também
e um transpasse doentio das linha.s Arao d.u. fazê_lo,rr",.u", vesres
de respeitoe reverência,asfronteir", e na atitude que ele apresenta
for"- estabelecidasparaAdáo. nestedia.
consequentemente,outros ensinamentos Novamente,o verií.ulo r r é
sobre santidadena Torri .rf;íá: Aráo deve,,fazerchegar
desracam asmesmaslinhasp"r";;;;;ìrorr" novilho da oferta pelaexpiaçáo, o
aproximaçáo a Deus. gue seráparaele, e faráexpiaçâo
t"--"t: sobreo qu. r.fl.ti, casa;t d'goì"'ã t tà"i[,.ì'" por
á rop.i,o da nossaprópria ad._ oferta p.l" .rpi"çáo, q.,.
raçáoa Deus. "q,ri, ïr:Ï'!.:ia
Arazío destadistânciae separaçáo É de'ta maneiraque o nosso
entreDeus eAráo era o fat<r senhor forneceum mediador.
Deus apareciana nuvem,sobre ceftamentenos mostra a.maior Aráo
1. O:. o trono de expiaçáo,no Sant<r parte do que estavaenvolvido,
mas
dosSantos(v.2). falha: ele ,ã-i._ e um pecador.
Mas e estemediador?Âráo será :["::lr.* "-".gr1* Embora ete
adequadopara todos nós e ram- oferta de expiaçáoe de holocausto,
bém para todos os pecadores :::ï::::_r^':$'l
tnsiamos por aquEle nós ainda
,.rUr.qu1l,es?A respostapara que é p.rf.ito;;r; ;;;;ï.ï#:.:i:;
vistano isso d. poderia condnuar pa
de que a aproximaçáoa. arao ao

iï *ãï.Ï:#ïïd'ïi^ïi:ffi
:ï:ï:ïïÏ'#ffi
!t3 sanro dosSantosdevc
serprecedidapor uma.purificalao
pecador,e estefato tfi:" um
porâriada suacapacidade.
de si mesmo.Ele tambémé unr
probl.m" que traduz a narureza
renì:
totatarefa,
precisará
sehumilha,;il;.;#
. ï,ïffiii:ï:
;
de reahizar,p"r"todo, os tempos u.l: p,..ià,a máo,
momentaneam
os povos' a obra que eJedeve e todos :::ïde todos
!e, :l :::':os direitos,
;,._*nu".priviléìgios. "L,ir en_
exemprificarqgora.Ere deveofereccr p"d;. q;;::Ëïïiïïï;
um novilho caro por si mesmo
(v.3).Esta
deve
rãr,.g,rid"
.omo of
p.l"or.rta;ïïiïifff:*J:Ëi:l ili:.::".ïf':;5:
ito moseele,como *: :ig"ih."
charres,urz.rr.i ;* ère será á.,,o,àì"ino,
de holocausto'na dedlcaçáod. csvaziou "n * Jï,"ïffi ;;ffiï,ïï,:;
,i-.* e do seucargoao serviç' de tudo. menosd. Irro ! dt" p*rr"."
que agoraele deve rcalizarpara "morí.
maisna cruz do que apenas frï..ìr", pr*
aglória de Deus. amor.Ereaindapermaneciacomo
do que isso, ele d.rr. b"ih"r_.a b Divino Filho de Deusl
. y"jt de mais nada _ o 'evia
símbolo.dapurificaçáoe.prontidáo
p"r" o "rr,.,
serviço.Depoisdisso,sc
ria vestidocom uma túniia r"rrt"
d.'lirrio (v. a) _ roupasde baix',
camisa,calças,um cinto e uma
6i112 _ que eramseparados espc
cialmentep-"; Iri.o dia de uso.
Aqui estáo ponro dramático.:Erejânáo
maisapareceno esprerr
dor do seuoftci'ode sumosacerdote.
É1. d.rr. sedespirdestaveste,c
sumo sacerdote,magnificamente
cara,com seusbordadosinüinc;r

,,1
4 PtegAáo e o Ensino dn Tbrádn Antigo Ti:stdmenn 175

de todos os que tinham se angusdado,em seuscoraçóes,Pelo seu


próprio pecado,e tinham se arrependido.Quando isso tivessesido
Feito,o bodevivo serialevadoemborapor um homem especialmen-
tc escolhidoparaestetrabalho.Como estebodeagoralevavao Peca-
do do povo, deviaserremovido da vista e da lembrançade todos os
quednham sido perdoados.Mas, de maneirasimilar,Deusseretira,
lwando asiniquidadesde todosos que o invocarampedindoque Ele
lhesconcedesse a sualibertaçáo.
Muitas perguntassurgem.Os animaiseram simbólicosdo povo?
A imposiçáodasmáosna cabeçado bode é conclusivadesteponto
(v 2l). Toda a culpa daspessoasperdoadasé levadapelo bode, em
uma transferênciasimbólicados pecados,dos culpadosParao que
lcva o pecado.Além disso,o bode era consideradocontaminado,
pois o homem que levou o bode tinha que se banhar e trocar de
roupasantesde retornarao acâmpamento.
Por que algumaspessoaschamamo bode vivo de "Azazel?"Isso
flgnifica que elesadoravamdemônios,ou que o bodeeraempurrado
por um penhasco,como outro sacrifício,como ensinam algumas
lutoridades judaicas?Náo, pois a palavrahebraicaazazelsimples-
grentesignifica "o bode que remove",ou, de acordo com a Versáo
qa
Sutorizada,"o bode expiatório".O problemaé que, nossaépoca,
firmbode expiatórioé alguém que precisafazer
o que ouffos náo de-
iej* fazer- em outraspalavras,o opostodo que estetexto preten-
F., . que a versáoem inglêsantigo tinha em mente, quando usou
significavaque o
lcla primeiravezestaspalavras.Issosimplesmente
$ode era levado,e nadamais.
I O pecado sob a. Torâ, como também nos tempos do Novo
lTcst"-ettto, é literalmentetransferidodo pecadorparao que levao
e
,pecado,isto é, paraaqueleque assumiaacaÍgade levara ofensa,
qssimoferecera remoçáodo pecado,do pecador.A expiaçáo,entáo'
ilc refereà remoçáorealda culpa e da lembrançado pecado.
i. Nada, nestacerimônia, deveriaser automático ou rotineiro. A
!:ru" .*pt .sáo, "afigireis a vossaalma", ou como diz a versáoNM
iÇminglês, "renunciareisa vós mesmos"(v. 29), exigia que os isra-

,.
i
L
t74 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamerrro A hcgaç,ãoe o Ensino da Tordda Anti'go Tèstamento 175

Na verdade,significa "resgatarou liberrar por um substituto". de todos os que tinham se angustiado, em seus coraçóes, pelo seu
Â
imagem é clara.Quando os pecadoresdo iempo de Israer(assirrr próprio pecado, e tinham se arrependido. Quando isso tivessesido
comoosdosnossos.dias) erammortospor causaào, p.""do, queco feito, o bode vivo seria levado embora Por um homem especialmen-
metiam, Deus,de forma ousada,enviou um substitutoque te escolhido para este trabalho. Como estebode agora levava o peca-
assumirr
o lugar delesindiretamente.Da mesmamaneira,o Messias do do povo, devia ser removido da vista e da lembrança de todos os
que viri'
seriaesresubstitutopelo pecadodelese pelo nosso.Ert. que tinham sido perdoados. Mas, de maneira similar, Deus se retira,
do Di,,
da Expraçáoaponraria,de uma maneiraconcrera,para aquela "to
obr,r levando as iniquidades de todos os que o invocaram pedindo que Ele
futura de Deus em Cristo. lhes concedessea sua libertaçáo.
A naturezapropiciatória destesacrifïciopode ser exemplificadrr Muitas perguntas surgem. Os animais eram simbólicos do povo?
.
de maneiraaindamaisvívida.Dois bodesforam escolhidos, A imposiçáo das máos na cabeça do bode é conclusiva deste ponto
i.r".or.
te, pâracompor estaofertade expiaçáo(w. Z,g).Assim,haveria (v.21). Toda a culpa das pessoasperdoadas é levada pelo bode, em
dua,
partesda oferta de expiaçáo:(1) os pecadosseriamperdoados uma transferência simbólica dos pecados, dos culpados para o que
conr
baseem.uma vida que seriaa substitutada vida daqueles leva o pecado. Além disso, o bode era considerado contaminado'
lr. p.."
tr. (2) os pecadosseriamesquecidose qualquer pois o homem que levou o bode tinha que se banhar e trocar de
r.ii" remo-
vida pelo segundobode, que seriaenviadì ",rrp"
d...r,à, para jamais roupas antes de retornar ao acampamento.
rerornaÍ ao acampamento.o meio da obtençáo "o
da nossalibertaçá<r Por que algumas pessoaschamam o bode vivo de "Azazel?" Isso
seriao derramamentode sangue,semo qual, ensinamasEscrituras, significa que elesadoravam demônios, ou que o bode era empurrado
nío há,remissáo.o sanguerepresenrava uma vida que tinha sido por um penhasco, como outro sacrifício, como ensinam algumas
entregu€,no lugar dasnossasvidas- táo grave.r" o p.cado. autoridades judaicas? Náo, pois a palavra hebraica azazel simples-
Mas u
resultadoeraa remoçáode toda culpa do p-.."do, e da lembrança mente significa "o bode que remove", orl, de acordo com a Versáo
dc
Deus. se alguémcontestardizendoque Deus náo poderiafazer Autorizada, "o bode expiatório". O problema é que, qa nossaépoca,
isso,
uma vez que continua onisciente,nós somenteresponderemos um bode expiatório é alguém que precisa fazer o que outros náo de-
que
Deus decide,deliberadamente, como nos diz r.p.rà", vezes,jamais sejam fazer -em outtas palavras,o oposto do que este texto preten-
selembrar dos nossospecadosou usá-loscontra nós! dia, e que a versáo em inglês antigo tinha em mente' quando usou
A cerimôniaprosseguia com cuidado.Depoisque os dois bodes pela primeitavezestas palavras. Isso simplesmente significava que o
eram escolhidgspela sorte,o primeiro bode, entáo devia bode era levado, e nada mais.
ser morro
no altar.o seusanguedeviaserlevadoao santo dos santos O pecado sob a Torá, como também nos temPos do Novo
paraser
espargidono propiciatório, acima ü arcado concerto,.rrq'.."rr,o Testamento, é literalmente transferido do pecador Para o que leva o
,
fumaça do incensooculravao propiciatório de Deus no pecado, isto é, para aquele que assumia a carga'de levar a ofensa, e
santo do,
santos. Desta maneira,Aráo não seriaexpostoà ira de Deus, assim oferecer a remoçáo do pecado, do pecador. A expiaçáo, entáo,
por
olhar inapropriadamenreparaa sanrapr.r..rç" de Deus. se refere à remoçáo real da culpa e da lembrança do pecado.
Agora que o sumosacerdote,.torrr"r" em segurança pelasegunda Nada, nesta cerimônia, deveria ser automático ou rotineiro. A
vezda_santa presençade Deus,eledeviaimpor asmáosna cabeçado rara expressáo,"afigireis a vossa alma", ou como diz a versáo NM
animal vivo e confessartodoo pecadode todoIsraer,isto em inglês, "renunciareis a vós mesmos" (v. 29), exigia que os isra-
é, o pecado
t76 Pregandoe Ensinando a paftir do Antigo Testamento A Pregaç'ão
e o Ensino dz Torádo Antigo 1ëstamento 177

elitas se examinasseme veriÊcassema condiçáo dos seuscoraçóes necessário, para rcalizar a segunda parre do exemplo. O exemplo
para que isso náo parecesse ser um ritual formal que automatica- tem algumas fraquezas, mas é vívido e memorável e o ensinamenro
menteconferisseosseusbenefïciossimplesmenteporqueos israelitas é seguro e excelente.
o cumprissem.A expressáo, "afligireisa vossaalmd', é repetidaem De igual maneira, nós somos salvos pela morte de Cristo e pela
Levítico 23.27 e 23.32. O profeta Isaíasexigiaa mesmaobra inte- sua vida. Esta obra de mediaçáo de Cristo continua ao longo dos sé-
rior de humilhaçáo espiritud e contriçáo diante de Deus, se Israel culos, aplicando as energiasda morte de Cristo e a remoçáo de toda
desejasse ser perdoado(Is 58.3, 5). O salmista,em outre ocasiáo, a culpa, assim como pela palavra do Senhor no exemplo enconrrado
disse'ã minha vesteerapano de saco;humilhavaa minha alma com nos dias de Moisés.
o jejum"(S135.13). Há perdáoe esquecimentodos nossospecadoscomo exemplifi
Mas que fantásticaprovisáo!A mesmalei, ou Torá, de Deus, que a provisáode Deus por aquelesque pecavamsujeitosà Torá. O
exigiao elevadopadráo,definido pelo caráterde Deus,também cui- é que os mortais podem ser perdoados e tratados como
davade todososque deixavamde satisfazer estepadráo.A explicaçáo jamais tivessemofendido a Deus, tendo seuspecadosperdoado
dos dois bodese o que elesfaziam pelo povo com basena palavra esquecidose náo mais contados contra eles. Portanto, ao mesmo
de Deus também auxilia o nossoentendimentodo que Deus, em em que esta mensagem é uma paÌavra contra o pecado, tam-
Cristo, fez na cruz por nós levandoos nossospecados. é uma proclamaçáo de esperança,pois no Salvador nós também
o mesmo resgatee a mesma libertaçáo que foi, antes,
Pnr,n ConnespoNDÊNcrADE Drus ENTREo Dre oo ibilitada a Israel.
PeRDÁoE A GRANDnExueçÁo euE A Icnnya Covrnvrone
Ne PÁscoe(vv.zg-l+) usao
Há pouca dúvida de que o sumo sacerdoteé um tipo de Cristo.
ATorá náo se destinava a nos ferir ou nos limitar, de modo que as
Náo apenaso nossoSenhoré a vítima, no antítipo da ofertade expia-
opçóesde liberdadefossemdrasticamentereduzidas.Estalei
çáono sduambientedo Novo Testamento,mastambémé o sacerdo- davaa orientaçáo de que todos nós precisávamostáo desespera
te que oferecea vítima. "Oferecendo-se a si mesmo"(F{.b7.27).Eda te. Mas mesmo se Israel falhasse,como nós, em dar ouvidos
mesmamaneiracomo o sacerdotetinha vestesespeciais paraestedia, orientaçáo que estavadisponível, a mesma lei e graça de Deus pro-
também Cristo sedespiudo exercícioindependente dos seusdireitos iam o perdáo e uma plena restauraçâoao nosso relacionamento
e poderes,como Deus, e assumiua forma de homem; na verdade,a r com aquEleem quem viemosa confiar e crer,como nosso
forma de servo.O sumo sacerdotepisavasozinhono lagar,pois nin- r e Salvador.
guém do seupovo ou dos seusassistentes sacerdotais
estavaali para
auxiliar ou assumirparte da caÍga.Ele estavasozinho,assimcomo <r
Salvadorda humanidadeestavasozinho.Assim, homense mulheres
náo participarn,com Deus,da suaprópria libertaçáodo pecado!
Dois bodeseram necessários para esteexemplo,ainda que fossc
uma ofefta de expiaçáo.Uma vez que o primeiro bode era morro
como substitutopelospecadosdos mortais,um segundobode errr
10

A Pregaçâoe o Ensino
do Louvor do Antigo Testamento

Era o costumede professorese pregadoresdividir os salmosde


lcordo com o seuassunto,tema ou tópico. Mas Hermann Gunkell
(1862-1932) alterou isso, argumentandoque os salmosdeveriam
ter agrupadosde acordo com a sua funçáo, forma e Sitz im Leben,
ou 'tontexto na vida". A partir de entáo, foram iniciados estudos
rcbre os salmos,paradecidir se um salmoem particular pertenciaà
categoriade lamentaçáoou louvor, em lugar das antigasdesignaçóes
em toPrco ou assunto.
I Aqui, estamos principalmente interessadosno gênero do louvor.
.{s duas grandes divisóes no gênero de louvor sáo o louvor descritivo
e o louvor declarativo.

A Distinçáo entre o Louvor Descritivo e o Louvor


Declarativo
A distinçáo essencialentre os dois tipos de salmospode ser de-
claradasucintamente:recitar os atributos ou qualidadesde Deus é
rc envolverem louvor descritivo,mas tratar dos atos de Deus é se
envolverem louvor declarativo.Assim, quer o salmista louvassea
Deuspor quem Ele é (descritivo)ou pelo que Ele faz (declarativo),
estarialouvandoa Deus.
A Pregaçáoe o Ensino do Louuor do Antigo Tbstamento 181

Porqueo Senhoré bom, e eterna'a suamisericórdiiu


de geraçáoa geraçâ<t
e a suaverdadeestende-se (vv' 1t'5)'

O louvor declarativo,Por ouffo lado, celebraDeus por algo que


Ele fezpelo salmistaou pelo povo de Deus. o mais frequcnte vcrbo
hebraicã nestessalmosê hodah,ou todah, que é o modo como sc diz
,.obrigado"
em Israel hoje. Assim, esramoslidando com salmos de
agradecimento.
Há apenas duas subcategoriasdestessalmos declarativos: o agra-
decimentoindividual (Sl 30; 34;92l'116; 118; 138; Jn2) e o aïÍa'
decimento comunitário (S146; 65; 67; 107).
Assim como os salmos de louvor descritivo têm três elementos,
também os salmos declarativos têm três divisóes principais. Vamos
usar o Salmo 34 paraexemplificar estasdivisóes.

1. Uma proclamaçáo do que Deus fez (ou a intençáo do adorador


de agradecera Deus)

Louvareiao Senhorem todo o temPo;


o seulouvor estarácontinuamentena minha boca'
A minha almasegloriaráno Senhor;
os mansoso ouviráo e sealegrarão'
Engrandeceiao Senhorcomigo,
e iuntosexaltemos o seunome (w. 1-3)'

2. A afliçâo do salmista e o seu pedido de ajuda a Deus

Busqueiao Senhor,e ele me respondeu;


livrou-me de todos os meustemores.
Olharam para ele,e foram iluminados;
e os seusrostosnáo ficaráoconfundidos.
Clamou estepobre, e o Senhoro ouviu;
e o salvoude todasassuasangústias.
O anio do Senhoracampa-se ao redor dos que o temem'
e os livra kv. 4-7).
180 Pregandoe Ensinandoa peftiÍ do Antigo Testamento

LJmavez que as descriçóesde Deus seconcentramem como Elc


é, e quem Ele é, na suanaturezae existência,estessalmosseclassi6-
cam principalmentena categoriade hinos de louvor.
Os salmos descritivosincluem hinos, como Salmos 29 100;
135-136;145-150. A forma hebraicado louvor é hillel, como no
imperativo que trouxemosao idioma inglês: "Hallelu-Yali', o quc
significa"louvai a Yú [weh]", ou "louvai ao Senhor".
Há outrassubcategoriasdo tipo de louvor, que incluem: a entro-
nizaçâo,ou salmosmilenares(47;93;95-99); cânticosde Siáo,(48;
84;87); salmosde peregrinos,entoadospor aquelesque viajavaml
Jerusalém,por ocasiáodas festasanuais(120-134); e salmosreais
(2;45;72;89; llD;132). Todosestessalmosexibemtrêsprincipais
elementos.Esteselementospodem serfacilmenteexemplificadosno
iSalmo100:

1. Uma convocaçáoao louvor

Celebrai com iúbilo ao Senhor, todos os moradores da terra.


Servi ao Senhor com alegria
e apresentai-vosa ele com canto.
Sabeique o Senhor é Deus (w. 1-3a).

2. O motivo para o louvor (frequentemente introduzido com a


palavrahebraica hi,"pois" ou "porque").

Foi ele,e náo nós, que nos fez


'povo seue ovelhasdo seupasto(v. 3b-c).

3. Conclusáo ou recapitulaçáo do louvor (frequentemente


uma repetiçáo da convocaçío para louvar a Deus).

Entrai pelasportasdelecom louvor


e em seusátrios,com hinos;
louvai-o e bendizeio seunome.
A hcgação e o Ensino do Louaor do Antigo TestaTnento Itt

Porqueo Senhoré bom,e eterna,a suamisericórdia;


e â suaverdadeesrende-se
degeraçáo a geraçâo(w. 4,5).

O louvor declarativo,por ourro lado, celebraDeuspor algoqr(


Elefez pelo salmisraou pelo povo de Deus. o maisfrequentJu.rb,
ftebraiconestessalmosé hodah,ou todah,que é o modo como secli
"obrigado"em Israelhoje. Assim, .rta-o, lidando com salmoscl
agradecimento.
Há apenasduassubcategorias destessalmosdeclarativos:o agra
-
decimentoindividual(Sl 30; 34;92; tt6; fi 8; 138;Jn 2) e o agra
decimentocomunitário(S146;65; G7;107).
Assim como os salmosde louvor descritivotêm três elemenros
também os salmosdeclarativostêm três divisóesprincipais.vamos
usaro Salmo34 palaexemplificarestasdivisóes.

l. uma proclamaçáodo que Deusfez (ou a intençáodo adorado


de agradecera Deus)

Louvarei ao Senhor em todo o tempo;


o seu louvor estará continuamente na minha boca.
A minha alma se gloriará no Senhor;
os mansos o ouviráo e se alegraráo.
Engrandecei ao Senhor comigo,
e juntos exalremoso seu nome (w. l-3).

2. Aafliçío do salmista e o seu pedido de ajuda a Deus

Busqueiao Senhor,e ele me respondeu;


livrou-me de todos os meustemores.
Olharam para ele,e foram iluminados;
e os seusrosrosnáo ficaráoconfundidos.
Clamou estepobre, e o Senhoro ouviu;
e o salvoude todasassuasangústias.
O anjo do Senhoracampa-seao redor dos que o remem,
e os livra (vv. 4-7).
182 Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento Á lrregaçáoe o Ensino do Louaor do Antigo Testamento
183

3. Têstemunho da ajuda de Deus e oraçáo para o futuro (ou açáo il nossagratidáo a Deus (". 4). Este salmo traz forçrtsrts tt'ssns vidas
(r), rcvitrtlizr as
de graças) (v. 5), revigora-nosem momentos de dificuldade (v.
forf*, até comparecermosdiante de Deus (v.7).listrt t'ctli-
'ossas tlrltçíi. lr
Provai e vede que o Senhor é bom; taçáo descreveo nosso louvor a Deus qUe precede a [ìos.s1ì
bem-aventurado o homem que nele confia. hllenos versículos8-12. Eram os versículos11 e 12 do Salnro lÌ4 tltrc
Temei ao Senhor, vós os seussantos, nreupai escreviano toPo de cadacarta que me escreveuenqtliìlìto ctl
pois náo têm falta alguma aqueles que o remem (w. g,9). estivefora de casana faculdadeno Meio Oeste. Desta maneirrt,cstc
salmo de louvor é especialmentepungente para mim'
Um Exemplo de Ensino e Pregaçáo de um dos Salmos (v'
Aparentemente, o orador deste salmo, o "ungido" de Deus
de Louvor: Salmos 84.1-12 9) esiá em meio a algum tipo de calamidade, separado do santuário
Um dos cânticos de Siáo é o Salmo 84. De acordo com o seu do Senhor em Siáo (,ru.1, 2,l0). Apesar disso,ele é resoluto na sua
título, ele foi escriro por um dos filhos de Corá. Isso, por si só, é conÊançano Senhor.
assombroso, uma vez que seu ancestral, Corá,, pereceu na rebeliáo Esta descriçáo pareceria adequar-seao contexto de Davi, em fuga
contra Moisés e Aráo à porra do Tâbernáculo (Nm 16). Apesar dis- de seu filho Absaláo, um contexto que também se encaixa com os
so, os descendentesde corá receberam privilégios q,t. rão davam Salmos42 e 43 . Se for assim, os Salmos 42 e 43 expressama tristeza
nenhuma indicaçáo do estigma que Corá tinha passado como he- do salmista por ter sido banido, náo apenasde Jerusalém,pelo seu
rança à sua família. Quáo grande é a misericórdia e a graça de Deus, 6lho rebeld., In", da casado Senhor. O Salmo 84, por outro lado'
mesmo no Antigo Têstamento! Deve-se ter isso em mente, quando expressasua alegria, por ser capazde se aproximar da casade Deus
filho.
repetimos que os juízos de Deus se estendem até a terceira e a quarra u-" rr., mais dãpois da conclusáo daquele problema com seu
Cada um destes salmos está no toPo da coletânea de salmos dos
geraçóes,pois muitos se esquecemde que isso será feito somente
de
àqueles"que me aborrecem"(Êx 20.5). No entanto, a misericórdia e filhos de corá. Se este é o conrexro apropriado, entáo os filhos
por Saul - s[s5
o amor de Deus se esrendem por milhares de geraçóes'ãqueles que Corâ frzerampor Davi o que Davi fez certa ocasiáo
me amam'l (v. 6, na versáoARA). cnviaram cânticos de paze quietude, de suasalmas, à alma de Davi'
dis-
Alguns dos descendentesde Corá tinham a incumbência de vi- dando a ele o que tinham recebido dele, seu "pÍofessor".2Além
giar as portas do Templo, e outros eram encarregadosda música no ro, os filhos de Corá oram por Davi, pois da mesma maneira como
é
Templo (1 Cr 9.17-19, 23; 6.33-37; 25.1,5). Ainda mais assom- tmam ao Senhor, amam também a Davi, o "ungido" de Deus' que
broso é o fato de que Deus escolhesseum ou mais dos descendentes o,,sinal" ou,'princípio de pagamento" de Deus em relaçáoà promes-
de corá para que fosse(m) o(s) agente(s)por cujo intermédio Ele nado Messiasque haveria de vir atravésda linhagem de Davi'
enviaria vários dos salmos no saltério.
O Salmo 84 é similar aos Salmos42 e 43. Mas poucos dos 150 Título do sermáo/ensino:"Nosso anseio por uma oportunidadt
salmos trazem um espírito mais intenso de devoçáó ao Senhor, do elelouvar a Deus no seu santuário".
que este salmo de louvor descritivo. Este salmo nos aproxima de Têxto: Salmos 84.1'12
f)eus (v. 1); expressaum anseiopelo "Deus vivo" (v. 2),fazcom que Ponto Focal: "Bem-aventuradosos que habitam em tuâ cltsa;l<ltt
n<lssintamos em casacom Deus (v. 3) e aumenta o nosso louyor e var-te-áocontinuamente" (v. 4).

h
lrergunra:Por quê? proporcionala satisfirçãoda bon-
ecráofartos".Consequentemente'
chave püa apregaçáo:Razóes o :rnsciodessa
falavra ;;;;ã" piedadede DeusPor uma p"Tol' maiorserá
Estrutura dasestrofes:UL" b.m_"rr.rrr,rr*ç" como o
tripla nos versículos p.tt." d.ì., maisíntima ão Senhor'E da mesmamancira
5.,12. Assim,a primeira seção(w. l_4) crcscc a itlc-
!, termina com uma doxo_ anseiocrescePaÍaestarcom o próprio Senhor'também
logia, a segundaestrofe*-.ç"'.oì
À" a*"rogia (v. 5) e a terceira cria da p.rro" em Deus e em quem Ele é'
estrofe,novamente'termina com t'^ï;;?;;;á;;;'."táo,
uma doxologia.Essemecanismode qu' todos os que habitam na casrtdc
retóricaé muito útil e nos auxiria .,bemla.*r.nturados", pois "louvar-tc-ír, [l
a definir ,.rrrid"d., de estrofesque Deus se;amchamados
sáocorrespondentes ",
às.unidadesde panígrafosem formas que E'lefcz'por
prosa'os trêsprincipaiseremenros comuns de Deusl continuamente"(v' 4) por quem Ele é e pelo
à.loïuo, náo sáotáo pronuncia- cles.E se parecer.r*i,o qrrt t'- lugar "junto dos teus lde Dcusl
dosnestesalmo.o-à .ro salmo t00. recordar.que o altar'
aparecena primeira esffofe,versículos
No entanto,o chamado aorouuor eltares"fossedestacado(v' 3) é precisoaPenal-
é escolhidoaqui' porque n.
l_4; o *:oü*;o;-íí,o*, e ãif.r"rrr.-.nte de toda a casade Deus
na segundaesrrofe,versícuros Drus'
lqresentadS
da
5-7; e aconcrusãoé
na on$o da terceiraesffofe,versículosg_12. assinara_ ;;;; t. torna possívelo relacionam€ntocom {n11l :::-::
salmista' O seu Deus náo era
i.bar., para tproteçáo e a segurançado
li];ü; Reimeue Deusmeu"(v.3).
ã-,t.r,ho, dos"E*ércitos,
x
Ponqur Err É o ..DEUS Vrvo,,(vv.r_+) (w' l-z)
, Poneur Em É A NossAFonçe
Nenhumaexpressáo doxologia
^
Deus
é maisdescritiva
damajestade e do poderde Depoisque a última estrofefoi concluídacom uma
do a expressáo'b
Deus vivo". gi".J"tt com uma segunda do-
rue ì.;;"d5:".".. lsta estrofe seguinte é iniciada imediatamente
vezesno eo nosso
{ntigo Testamento3 e catotzenoNovo Testamento.Mas
ela
alegria
ür"ãi" t". i)."tu b"r", P"t " nossa l:ï:l::ï'.::
indica o fato mais importanre sobre Em primeirõ l"g"t' a pessoaque tem Deus
o rorro Senhor:Ele estávivo. ;t-;- dois fatàs.
Ele náo é uma ideia, ou filosofia, consolaçáo
pessoaviva. E a alma do suaforça sabe,em seuãoraçáo,quã 1áo há outra
salmistadesejadesesperadam.rr,..n* -"rì-" em comunháo no próprio Deus' Em
ninguémmais do que o Deusvivo. pessoarcom i."l on duradoura,excetoa que é enconffada
o próprio Deus é o único e ver- r.g""a. lugar,embora deDeusdevafr1l1l:1T::t:..1iï:
o Povo.
dadeiroobjetivo dá coraçáodo adorador.-Ìila de "vale de
verdad., ,od"" p.rro" ;ïr-;;'
E-- - a ;;;;;tê".t* i aqui fi guradamentechamadas
do adorador,a sua o ,.,r 1..-*"çào,,, ,,carne,,
clamam
,. ^'"",i ,r""ia. seconverteráo
B a c z ' , a s u a a n g ú s t ia e o s e u Pr a n t o t " : o ^ - .
em "uma fonte"
Tyj-,
com uma intensidade.de r-
- de
^sua a graça
desejoque náoconhecerival. É.,.ra"a.,
na (u 6). Isto é porque .,,t' t"'"'-os indivíduos invocam
uma belezano santuárioou á-or"dd,
de D.ur, assimcomo há nos peus pela fé. Assim, elescont-inuamde forea e.mt:n" !:]::l:l:
"átrios do senhor" (r.v. 1, mais' assimcomo Davi
z). p-úár"lto.rt exterior de enconro 40.31).Elesveráoa Deus em Siáo,uma vez
com Deus sejaadorávele indescritivelmenre de ser expulsoda capital por
deceem comparaçáocom a fome
bero,tudo i.ro.mp"ri- tnsiava Por estapossibilidadedepois
espiritualque o salmistasentedo peufilho Absaláo.
próprio Deus.
Esteapetitepela pessoae pelo ser (w' 8-rz)
de Deus é aprovadoem ouffas I Po"e,r" ELs CoNcEDE As MELHoREsDÁorves
passagens
das Escrituras.poi exemplo,.m a Deus' o salmist
"Bem-avenruradosos que têm
Mat.us l.e, J.r*rairr., r Com baseno que tinha sido dito em louvor
fome e seded; paraDeusno versícu
il;,i;';ã"r[ï. .1., ora nosversículosã-tZ. ttet nomessáousados
r 86 Pregandoe Ensinando a paÍrir do Antigo Testamento A Pwgaç,ãoe o Ensino dn Louuor d'oAntigo Testamento ilt7

lo 8: "Yúweh", 'El Shaddai"e "Deus deJacó".O primeiro significa comunháoé uma concessáo de "graçae glórid' (v. 11). Na vcrdadc,
a suaconstantepresençaentre nós, o segundoo seupoder,que está ulDeus] náo negarábem algum aos que andam na retidáo". (ltrc
disponívelpara nós, e o rerceiÌo,o seuíntimo relaciònamenìocom promessa!Nós perguntamos,assombrados:"Nenhum bem"?Niro,
os mortais. nenhum bem!
Quatro verbosapresentamaspaixóesdo salmistaem oraçáo:'bu- LJmavez mais, pela terceirae última vez' vemosuma doxologia.
.vir", "inclinar o ouvido", "olhaÍ" e "olhar com benevolência,'(v. g). O salmotermina: "Bem-aventuradoo homem que em ti póe a sua
9 q,r. é que o adoradordesejaque Deus veja e ouça?Tirdo o que confiançd'.
foi escritoantes,nosversículosl-7. Ele estádizendo,"vejaque fome Assim,qual seráa nossaconvicçáo?Seráque podemosdizer,com
tenho de ï, ó Deus. Nada sadsfaráa minha fome, exceto t,r" pr.- o salmistaque também desejamosa presençae a Pessoade Deus
sençaeatuaPessoa". " maisdo que desejamosqualqueroutro bem na vida?Seráque julga-
Além disso,ninguém, senáoDeus, pode sera ajuda e a fonte de mos que o tempo que Passamos nos átrios do Deus vivo em oraçáo
segurança parao crente.sem a ajudade Deus,tanto Davi como nós, e adoraçáoa Ele é uma dasmais felizese mais desejadasde todasas
estamosperdidose semesperança. Mas é por issoque Davi é enco- cxperiências?
rajadoa volrar-sea Deus em oraçáo.Ele sabeque o mais humilde e Quem ou o que é o nossosol e escudo?E se desejarmos9raçae
desprezível lugar na graçade Deusé muito supãriora qualquerlugar glória estaÍemosdispostosa viver um modo de vida que é irrepre-
eleganteconquistadopelasriquezasou pela benevolênciaìos seres çnsívele puro peranteDeus?Náo é issoo que significaconfiar em
humanos (v. 10). Um dia nos átrios de Deus náo pode ser compa- Que a concessáoa nós por parte do nosso Senhor de tudo o
rado a qualqueroutro lugar de eminênciaou privilégio que dgu?- é encontrado neste salmo Possaser verdadeira para cada um de
pudessedesejar.Por que entáoalguémdesejariarro.", alegriaãe es- para sua honra e glória.
tar com o Deusvivo pararesidirnastendasda iniquidade?"
Ele náo o
faria!É melhor ter a alegriade fazerpoucascoisasno serviçoa Deus
do que vivenciaro dolorosoe amargofim do que pareciaprazernas O livro de Salmosdevesero nossohinário de louvor, assimcomo
tendasda iniquidade. o de Israel.
Mas no versículol1 há uma segundarazío.A benevorênciade Seja o nosso louvor descritivo ou declarativo, este louvor deve
Deusé o melhor presentejá concedidoa qualquermortal. o próprio formar uma parte da nossaexpressáodiâriade afeiçáo a Deus e tam-
Deus é nosso"sol e escudo".o sol é a fonte de luz e vida. Aqui é bém da nossa missáo de pregaçáo e ensinamento para com o povo
onde é satisfeitaa sedenaturalpor Deus.No Deusvivo há luz e vida. de Deus.
Por outro lado, Deustambémé nossoescudo,nossaproreçáo.Desde Aqueles que encontram poucos motivos para louvar a Deus sáo
os temposde Abraáo, Deus se reveloucomo 'tscudo" de Abraáo e OSmesmos que enconrraráo poucos motivos para louvá'lo pelo resto
seu"grandíssimogalardáo"(Gn 15.1).De igual maneira,Israeltinha vida. fu suasvidas,semdúvida, continuaráoa ficar cadavez mais
aceÍtezadoSalmo5.I2:"Tu, Senhor,abençoarás aojusto;circundá_ tuperficiaise sombriasà medida que as pressóesda vida se âcumu-
lo-rísda tua benevolênciacomo de um escudo".4 larem. O salmista pode nos da
resgarar nossaprópria simplicidaclc
As duas metáforas,sol e escudo,refetem abelezade uma vida c escuridáodando-nos uma uisãointeiramente nova da grandcz.a,
vivida na presençade Deus. o resultadodestetipo de meditaçãoc majestadee magnificênciade Deus!
tl

A Pregaçâo e o Ensinodo
Antigo TestamentoAPocalíPtico

o mais estranhode todos os gênerosdo Antigo Testamentoé


apocalíptico.Acima de todos os demais,o gêneroapocalípticoé
eventos
uma forma especializadade profecia, que se concentra nos
relacionado. a segunda vinda de Cristo e as últimas coisas que
"o-
Deus fará na história antes de passarpara o estado eterno. Portanto,
sub-
de muitas maneiras, este gênero poderia ser traado como uma
egoriada profecia.
üáo d.rr.-os pensar,no entanto' que o gênerode profeciaapo-
calípticaé táo remoto que náo tem contato com aspessoas os quals
foi iransmitido: Ao contrário, poucosdesteseventosfuturos seriam
táo distantesParanáo terem contato com aspessoas da épocaquan-
do foram pronunciadospelo profeta, ou com as pessoasnos nossos
dias.Na vàrdade,muitoi destesmesmoseventosparticipam do que
veio a ser conhecidocomo escatologiainaugurada'Isto é' o even-
"agora",assim
to futuro descritonas Escriturastem um asPectode
como uma característicade "ainda náo". Assim como 1 Joío 3.2
anunciou, "dgorasomosfilhos de Deus, e ainda não é manifestoo
que havemos"deser" (ênfasedo autor), também a profecia nos dá
úma antecipaçáopresenreou imediatado que ainda náo-acontecett
"Como ou-
com toda a suaplãnitude.Por issoI João2.18 adverte:

/
190 Prelando e Ensinando a partir do Ántigo Testamento Apocalíptico
A hegagãoe o Ensino do Anügo Testamento t9l

vistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anti- Este mesmo processotambém foi usado como umiì alavatrcapela
cristos". Uma pessoanáo deve se desesperarse aquele que ele ou ela escolacrítica para datar tardiamente os materiais designrrdr)silpocâ-
pensarem que ocupará,o cargo de Anticristo deixar a cena sem que lÍpticos de Daniel 7-!2,Isaíx 58-66 e Zacarias 12-14, arribuinclo-
ele ou ela vejam a segunda vinda de Cristo; este personagem pode lhes uma data consideravelmenteposterior àquela em quc os pr<i-
ter sido apenas um, em uma longa fila de muitos que precederáo o pfios texros úrmam ter sido escritos. Mas esta dataçâotardia é tiro
último Anticristo. Beguraquanto o critério que foi criado expostfacto-
Além disso, os apocalipsesdo mundo anrigo foram escrirclssob
O Significado de Apocalíptico pseudônimos. Isso tem levado muitos a sugerir que talvez as partcs
O nome deste gênero se origina do título do livro do Apocalipse das obras dos profetas que tratam de tópicos apocalípticos, espc-
que em grego é apokalypsis,uma "revelaçáo".Assim sendo, a forma Cialmente a última parte do livro de Daniel e as seçóesde Isaías c
náo é táo incisiva còrno alguns afirmaram,l pois náo exibe o seu for- Zacariaslistadasacima, foram igualmente escritassob pseudônimos.
mato especial e literário no texto das Escrituras. De maneira geral, Mas aqui, novamente, o desejo é pai do Pensamento, pois a única
recebemos descriçóesde tópico, assunto e tema sobre este gênero e Widência para respaldar o fato de que estas seçóesvêm de autores
náo quaisquer formas distintivas no próprio texto. hecidos é a propensáo encontrada na própria definiçáo. Deve
Se o método pressupóeque a nossaprirneira tarefa é tentar conec- prioritário fazer a pergunta ao próprio texto' a respeito da sua
tar as imagens, símbolos e sonhos do Antigo Testamento com o livro laraçáo referente à sua autoria. Somente entáo é possível tomar
do Apocalipse e depois extrapolar de volta pâra o período inter-tes- decisáoquanto à confiabilidadedasdeclaraçóes.
tamentário para livros apocalípticos, devemos ser táo críticos quanto IJma vez que a categoria apocalíptica é uma subcategoria da pro-
a tal procedimento quanto somos de uma eisegesis,ou seja, da atri- ia, deve ser tratada de muitas maneiras como alguém trataria o
buiçáo de um significado a um texto. Para muitos, o estudo de livros ro da profecia.Em muitos casos'a mensagemsobreum futuro
tais como 1 Enoque ou os Rolos do mar Morto envolve um processo ioso ou catastrófico é transmitida como uma conclusáo para uma
de atribuir temas similares aos encoìrtrados no Novo Testamento arneaçadorade iulgamento ou umâ mensagem de suprema
de volta aos livros do período inter-,,testarnentáÍioe incorporar estes vaçío.A ques'táoé: Deus náo desejapermitir que o juízo que deve-
"resultados" como uma base para interpretar os materiais apocalíp- vir na ordem presente da vida de Israel (ou qualquer outra naçáo,
ticos do Antigo Testamento. Um processosimilar é, às vezes,usado sinal) seja a sua última palavra. Isso náo deve ser interpretado
para os livros do Antigo Testamento, onde os significados dos livros indicando que o seuplano-promessâagorafoi impedido ou,
apócrifos do período inter-testamentário sáo atribuídos novamente que é ainda pior, arruinado. O ouvinte entáo é levado muito além
ao Antigo Testamento, mas ali o impulso tende a injetar este signi- i di". do profeta para ouvir como Deus lidará com todo o mal, ou
ficado de volta no antigo texto. Isso também é eisegesis.Isso tende Ele triunfará magnificamentena suaprópria glória.
a confundir e a igualar sumariamente'os símbolos e as imagens da Náo é como seo futuro imediato e o futuro distantenáo tivessem
religiáo judaica do exílio e o período pós-exílio, com as revelaçóesdi- que ver, um com o outro. Ao contrário, há uma conexáo direta na
vinas feitas nas primeiras partes do i\ntigo Testamento. Mas é incor- do futuro imediato,como sendoum sinaldo futuro distante.
reto igualar estasduas épocasde escritos e Pensam€ntosou torná-la's Um bom lugar para mostrar estaconexáo entre o "agora" e o "ain-
idêndcas - pelo menos, fazer isso sem permissáo do próprio texto. náo" está na profecia de Joel. Uma praga quádrupla tinha virrdtr
192 pregandoe Ensinando
a partir do Antigo Testamento A Pregaçáoe o Ensino do Antigo \ëstamentoApocallptico

lllu por causada lentidão do povo em seconvertera Deus. Finalmente,


depoisde dois chamadosao arrependimenro,feitospelo profeta
Ul l.l 3,14; 2.I2-l 4), Israelmuãou radicalmerrt.dËopirriao.
A prova do arrependimentogenuíno dos ouvinresde
Jo.r
em que removereio cativeirode
congregareitodasasnaçóes
Judá e Jerusalém,

e asfarei descerao Vale deJosafií;

l,l
Joel podc e ali com elasentrareiem iuízo,
serencontradanos quarroverbosno passadode z.ts,tg (.orr- por causado meu povo e da minha herança,
Joel Israel(w. l,2a).
tradizendoa traduçáo.fu_,1o,imposs?vel,feita dãs mesmos
quaüo
verbosnasversóesARA, NASB . NVIr), que declara:
2. Uma explicaçáo e uma razãn paraeste
ato anunciado

li'ilriEntáo, o.$enhorsemostrou zelosoda suarerra,


compadeceu-se do seupovo
A quem elesespalharamentre asnaçóes,

iliiii
repartindo a minha terra.
e, respondendo,
lhe disse...- (minha tradução) E lançarama sortesobreo meu povo...
Visto como levastesa minha prata e o meu
A únicamaneiracomoDeuspoderiater respondido ouro
táo piedosa- e asminhas coisasdesejáveise formosasmerestesnos vossostempros
mente seriaseo povo finalmente,em desespero

il/'
e privaçáoiausad", (w.2b_3a,5).
pelasinvasóesde gafanhotose.outraspragas,e a secaresurtanre,
ge-
nuinamenredvessesearrependidocomo ã profetarhes
tinha implo- 3. Uma declaruçãode guerra ao mal e uma
rado anresdestasinfestaçóes. convocaçáo para qu(
como resultaão,duasdádivasmaravi- os inimigos de Deus se apresenremno confronro
lhosasde Deus foram prometidas.Em primeiro lugar, nrr"t i" d*

illlili
novaschuvas
viriam imediatamentesobre t.rr" . f" . Proclamaiissoenffe asnaçóes,santificaiuma
reverdecessem "
e a rerrase.rornasse guerra;
proa,rrrïÏ"Ïlir.ïïtïÏt fã: suscitaios valentes;cheguem_se,
Em.segundolugar, um derram"-.rrao (náo apenasuma subamtodo, o, homensde guerra.
chuva) do Forjai espadasdasvossasenxadas
Espírito Santoviria, em um futuro distante,seguida,(aparentemen-
e lançasdasvossasfoices.
te) muito mais tardepor uma comoçáocósmicãrro gr*d.
e terrível diga o fraco: Eu sou forte.
dia do Senhor(Jl2.2S-3.21).

il
Ajuntai-vos, e vinde, todos os povosem redor,
e congregai_vos
AAnríIise das Partesque Constituem o Gênero (ó Senhor,fazedescerali os teusfortes!);
Apocalíptico movarn_se asnaçóese subamao valede
Josafã;

fi
i
.
urn
rodelo sugerido para a anárisede um trecho apocalíptico do
AntigoTestamenro pode ser visto em
cinco elementos típicos:
Joer3.r-2L q,rË .orr,ãà .r,.,
porque ali me assentarei,parajulgartodas
em redor (vv.9_12).

4. Os horrores do dia do Senhor são descritos


asnaçóes

1. Um anúncio dos últimos dias


l Lançaia foice,
Naquelesdiase naqueletempo, porquejá estámaduraa seara;
I ,on Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamen

vinde, descei,
porque o lagarestácheio
os vasosdos lagarestransbordam;
porquanto a suamdícia é grande.
Multidóes, multidóes
no vale da Decisáo!
Porqueo dia do Senhoresráperro,
no vale da decisáo.

I
iiilr
O sol e a lua seenegreceráo,
e asestrelasretiraráoo seuresplendor.
E o Senhorbramaráde Siáo
e daráa suavoz de Jerusalém;

ill/ e os céuse a terra tremeráo;


maso Senhorseráo refirgio do seupovo
e a fortalezados filhos de Israel(w. 13- 16).
llilt
ililr
til
5. Uma relaçáo das bênçáos finais do Senhor ao seu povo

E vós sabereisque eu sou o Senhor,vossoDeus,

ti: que habito em Siáo,o monre da minha santidade;e


Jerusalémserásantidade;

ilr
estranhosnáo passaráomais por ela.
E há de serque, naqueledia, os montesdestilaráomosro,
e dos outeirosmanaráleite,

1l e todos os rios de Judá estarãocheiosde águas;


e sairáuma fonte da Casado Senhor

it e regarâo vale de Sitim.


O Egito setornará uma assolaçáo,
Edom sefará um desertode solidáo,
e

por crlsa da violênciaque fizeramaosfilhos deJudá,


l em cuja terra derramaramsangueinocente.
;l Mas Judáseráhabitadap^Ía sempre,
e Jerusalémde geraçáoem geraçáo.
Pregandoe Ensinando a partir do Antigo Testamento
hegaç,ãoe o Ensino do Antigo Tèstamento
Apocahptico 195

vinde, descei,
E purificareio sanguedos que eu náo tinha purificado,
porque o lagar está cheio
porqueo Senhorhabitaráem Siáo!(vv. 17-21).
os vasos dos lagarestransbordam;
porquanto a sua malícia é grande.
Exemplo de como Pregar o Antigo Testamento
Multidóes, multidóes
calíptico: Daniel 9.20-27
no vale da Decisáo!
Porque o dia do Senhor está perto, A passagemque escolhi é, ao mesmo tempo, apocalíptica e c.stá
no vale da decisáo. centro de muitos debatesescatológicos.O ponto focal da passa-
O sol e a lua se enegreceráo, é Daniel 9.24: "Setentasemanasestáodeterminadassobre o teu
e as estrelasretirarão o seu resplendor. e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressáo,e dar
E o Senhor bramará de Siáo aospecados,e expiar a iniquidade, etÍazer ajustiça eterna, e se-
e darâ a sua voz de Jerusalém; a visáoe a profecia, e ungir o Santo dos Santos [Pessoaou lugar]".
e os céus e a terrâ tremeráo; título da nossamensagem, entáo, será: "Anúncio do Programa de
mas o Senhor será o refirgio do seu povo para Encerrar a História'.
e a fortaleza dos filhos de Israel (w. l3'-lí). O contexto imediato apresentauma das grandes oraçóesde inter-
da Bíblia. Daniel observou.na sualeitura dasEscrituras."de
falou o Senhorao profetaJeremias"(Dn 9.2; cf. ft 25.12-14;
5. Uma relaçáo das bênçáosfinais do Senhor ao seu povo 10-14), que os setentaanos de exílio estavamprestesa terminar. A
pergunta é seDeus perdoaria os pecadosde todo Israele novarnen-
E vós sabereisque eu sou o Senhor,vossoDeus, com benevolênciaa cidade de Jerusaléme o povo de Israel.
que habito em Siáo,o monre da minha santidade;e Observe que a profecia de Jeremiasé chamada de Escrituras, mas
Jerusalémserásantidade; mal está seca,pois Jeremias fez as suas profecias dos setenta
estranhosnáo passaráomais por ela. no primeiroanode Nabucodonosor (605a.C.;Jr 25.1).Agora,
E há de serque, naqueledia, os montesdestilaráomosto, primeiro ano do rei Dario, filho de Xerxes(539 a.C.) - me-
e dos outeirosmanaráleite, sessentae cinco anosdepois!Daniel náo precisavaesperarpor
e todos os rios deJudá estaráocheiosde águas; m Concílio de Jamnia (90 a.C.) paru ajudá-lo a decidir se
e sairáuma fonre da Casado Senhor ias pertencia ao cânone ou náo. Ele jâ considerava os textos de
e regaráo vale de Sitim. ias como pertencentes às Escrituras.
O Egito setornará uma assolaçáo, e O anjo Gabriel (Dn 9.21) foi enviado,enquantoDaniel ainda
Edom sefará um desertode solidáo, em oraçáo. Ele veio paru dar a Daniel "instruçáo e fazer-lhe
por causada violênciaque fizeramaosfilhos de Judá, o sentido" (v.22), pois Deus consideravaDaniel "mui ama-
em cujaterra derramaramsangueinocente. (v.23) e por isso desejavaatender as suasorações.
Mas Judá seráhabitadapara sempre, examinar a estrutura de Daniel 9.24-27, antes de mais
e Jerusalémde geraçáoem geraçáo. pois a verdadeiramensagemapocalípticacomeçano versícul<r
A Pregaç'íoe o Ensino da Anügo Tèstamento
Apocalíptico ltr'l

a. O decreto de Ciro em 536 a.C.?


b. O decreto de Esdrasem 557 a.C.?
c. O decreto de Neemias,em 445 a.C.?
2. Razóespara optar pelo decreto de Neemias
B. O restanteda história é disposto em três conjuntos de "sema-
nas" ou anos
l. Sete"semanas"(ou quarenta e nove anos) sáopara queJerusalénr
sejarestauradae edificada
2. Sessentae duas "semanas" adicionais seráo até que venha o
Messias,o Príncipe
C. A interrupçáo no programa de Deus
1. "Depois" das primeiras sessentae nove "semanas", teráo lugar
dois eventos.
a. O Messias, o "ungido", será "tirado" - a morte de Cristo na
cruz, em 30 d.C.
b. A cidade e o santuário seráo destruídos - em 70 d.C.
2.8 o Êm serácom umâ inundaçáo
III. Deus irá supervisionaro fim da história (vv.26b,27)
A. "Até ao fim haverá guerra"
B. Um fr,rmaráum concerto com muitos por uma "semana"
1. No meio dos últimos "sete" anos, este fará o seguinte:
a. Faú, cessaro sacriftcio e a oferta de manjares
b. Estabeleceráuma abominaçáo que causadesolaçáo
2. O que está determinado será derramado sobre o assolador

Este texto é uma respostaà oraçáo de Daniel depois que ele ter-
minou de ler o texto que conhecemos como Jeremias 29.10-1,4 e
25.12-14. Na verdade, os setenta anos mencionados na revelaçáo
de Deus ao profeta já tinham quase acabado. E o que Deus faria
agora?
É tolice inserir uma explicaçáo simbólica no lugar da natural
que o anjo Gabriel forneceu neste texto. A profecia devia mostrirr
a Daniel o que aconteceria com Israel, o seu povo, e a cidade santrì,
Jerusalém. Ela náo foi enviada originalmente para mostrar () quc
I. Anúncio dos últimos dias: "Setentasemanasestáodetermina
dassobreo teu povo e sobrea tua santacidade" (mais seisdeclara
çóesde intenSo ou infinitivos,v.24).
II. Explicaçáoou razío par: esteanúncio: "Sabee entende:des
de a saídada ordem para restaurare para edificarJerusalém,até a<
Messias,o Príncipe, sete semanase sessentae duas semanas"(w
25,26a).
III. Os horroresdestedia sáodescritos:"E atéao fim haveráguer
ra; estáodeterminadasassolaçóes..." (w. 26b,27)

Título do sermáo/ensinamento:"Anúncio do Programade Deu


paraEncerrara História".
Texto:Daniel 9.24-27
Palavrachave peÍa,a pregaSo: Blocos (de tempo, no program
de Deus)
Pergunta:O que?ou Quais?(Q.t"i. sáoos blocos de tempo nr
programa?)

I. Deus nos dará mais um conjunto de "setentd'para completi


a história(v.24)
A. Setenta"semanas"depoisdo cativeirode setentaanos
1. Parao povo de Israel-'fbu povo"
2. Paraa cidadesantade Jerusalém- "Jsx santacidade"
B. Propósitodassetenta"semarÌas"
l. Extinguir a transgressáo
2. Dar fim aospecados
3. Expiar a iniquidade
4.Traz.era justiçaeterna
5. Selara visáoe a profecia
6. Ungir o Santodos Santos[Pessoaou lugar]
II. Deus nos explicará,em termoscompreensíveis,esteprognrnt
parao futuro (vv.25,26a)
A. O sinal paraque comeceo fim
1. A promulgtçãnde um decreto.Mas qual?
a. O decretode Ciro em 536 a.C.?
b. O decretode Esdrasem 557 a.C.?
c. O decretode Neemias,em 445 a.C.?
2. Raóes paraoptar pelo decretode Neemias
B. O restanteda história é dispostoem trêsconjuntos de "sema
nas"ou anos
1.Sete"semanas" (ou quarentae noveanos)sáoparaqueJerusalé
leja restauradae edificada
2. Sessentae duas "semanas"adicionaisseráoaté que venha c
Messias, o Príncipe
I C. A interrupçáono programade Deus
' l. "Depois" das primeiras sessentae nove "semaÍÌas",teráo lugar
eventos.
a. O Messias,o "Ungido?',será"tirado" - a morte de Cristo na
em30 d.C.
b. A cidadee o santuáÌioseráodestruídos- em 70 d.C.
2.E o fim serácom uma inundaçáo
III. Deus irá supervisionaro fim da história (vv.26b,27)
A. "Até ao âm haveráguerra"
B. Um firmará um concertocom muitos por uma "semand'
1. No meio dos últimos "sete"anos,estefará o seguinte:
e,,Farâcessaro sacriffcioe a oferta de manjares
b. Estabelecerá uma abominaçáoque causadesolaçáo
, 2. O que está determinado seráderramadosobreo assolador

Estetexto é uma respostaà oraSo de Daniel depoisque ele ter-


de ler o texto que conhecemoscomo Jeremias29.10-14 <
12-14. Na verdade, os setenta anos mencionados na revelaçá
Deus ao profeta já tinham quase acabado. E o que Deus faria

É tolice inserir uma explicaçáosimbólica no lugar da natura


o anjo Gabriel forneceu neste texto. A profecia devia mostrar
iel o que aconteceria com Israel, o seu povo, e a cidade santa
l9tt Pregandoe Ensinandoa pertir do Anrigo Testamenro

aconteceria com os gentios ou à igreja. AIém disso, devemos recebcl


esta profecia hoje com o espírito de oraçáo, como fez Daniel e ná,
de uma maneira fria ou meramente intelectual.

Dnus Nos DAú MArs uM CoNyuNro DE "SETENId, pRne


Coruprrren e Hrsrónrt (v. z+)
I o programa de Deus envolveria outro conjunto de "setenta sc-
manas" além dos setenta anos que estavamacabando. Este novo con,
junto de "setenta semanas" seria dividido em três blocos distinto.s:
um conjunto de "sete semanas",outro de "sessentae duas semanas"
e uma "semand'final.
Está claro, com base no uso que Daniel faz de "semanas',,qu.',
ele pretende que elas sejam compreendidas como ,,anos',,pois enr
Daniel 4.16,23 e 25, Daniel prediz que "seterempos" deveráopas-
sar por Nabucodonosor até que ele se arrependa dos seus modos
soberbos.Isto resultou em sereanos. o mesmo pode ser dito sobrc
Daniel 4.25 e 32.
o propósito destes 490 anos é encontrado nas seis declaraçócs
que se seguem. Em primeiro lugar, estesanos eram necessáriosparrr
"extinguir a transgressáo".Em outras palavras, encerrar com a tran.s-
gressáoe o pecado de todos os mortais, trazendo ao fim a longa séric
de apostasias,rebeldiasconrra Deus e rebeliáo pecaminosa.árrrr, ,,
sua lei e vonrade. Paraleloa isso, era o segundo propósito: "Dar finr
aos pecados". Em terceiro lugar, deveria "expiar a iniquidade". Aqui
há uma alusáoà misericórdia de Deus, pois Ele, em Ciisto, expiou.
pecado de Israel. Em quarto lugar, estesanos eram necessáriosparrr
"trazeÍ a justiça eterna". Esta justiça final e a presençadiante
de Deu.
somente poderiam ser possíveispela morre de cristo. Em quint.
lugar, no fim destesdias, "a visáo e a profecia" seriam seladas.Ìsto ú,
toda a prediçáo sobre Israel e o templo seria concluída quando est.,
período chegasseao fim. Finalmente, este período deveria "ungir ,r
santo dos santos [Pessoaou lugar]". {.Jma vez que esra expressÍ.
nunca é usada a respeito de uma pessoa,provavelmentenáoé unrrr
i rcfcrênciaao Messias,nem mesmo à sua lgreja. Na verdade,é a bêrr
çlo e a santidâdeque seráoconteridassobretudo o que scriisílnt
pffa o Senhor(Zc 14.20).

Drus Nos ExprrcenÁ BvrTnnrvrosCoupnmNsÍvsrs Esru


Pnocnerue IARA o Furuno (vv. z5,z6n)
Estamensagemnáo pretendiaseruma mensagemcodificadacon
um significadoesotéricoreveladoapenasa algunspoucosprivilegia
dos.Daniel desejavaque todos nós "soubéssemos e entendêssemo
O decreto, ou "ordem", que foi promulgadono períodode Neemia
cm Jerusalém,em 445 a.C. As setesemanasdesteperíodo rermina
trm depoisde 49 anos.
Um segundoconjunto de sessenta e duassemanasou 434 ano
hosconduzaté o período do Messias.Mesmo que estesfossemrem
posangustiantes,o final traria o próprio Messias.
I A parte mais crítica destamensagemapocalípticaesráno versí
Y,ulo26. Ela diz: "Depois dassessenta e duassemanes,serátirado c
Messias...e o povo do príncipe...destruiráa cidadee o santuário
l,etasreferênciasnáo podem ser ourra coisa,senáoalusóesà mortr
[e Cristo em 30 d.C., e a quedade Jerusalém,em70 d.C. Issosig
hlfica que a sequênciadas setentasemanasfoi interrompida, com
lm intervalo entre o final da 69" semana(que resultouna vinda dc
frimeiro adventodo Messias)e o início di7O" semana(um event
lue muitos interpretamcomo náo tendo acontecidoainda).
O "príncipeque há devir" pareceseruma referência,em primeirc
hgat, governanteromanoVespasiano ou ïto (a parte do "agora
"o
dr escatologia inaugurada), e também aoAnticristo (a parte de "ain-
d&náo" destamesmaperspectivaescatológica inaugurada;vejao ver
llailo 27).Isto, como dissemos,estáde acordocom uma escatolog
lnauguradaem que o futuro próximo e o distantesemesclamem urn
únicosignificado,aindaque tenhamúltiploscumprimentos.Assim
Dodois generaisromanosque foram responsáveis pela destruiçáodr
gldadede Jerusdéme o incêndio do Templo, também eram ripor
ia pessoafinal que viút aJerusaléme farí o seudefinitivo ataqucà
cldadee ao Reinode Deus...
b,mbora o Messiasseja crucificado, "náo [será] por si mesmo" [r
26, na versáo NKJV], isto é, Ele nada ganharâ pessoalmente con
esta experiência: nada de glória, nem louvor, nem mesmo o apreç
do povo.

Drus SupnnvrsroNARÁe Hrsrónra coMo uM ToDo


(vv. z6c,z7)
"E o seu fim será com uma inundaçáo". As guerras.continuaráo
até o final, mas o clímax da história virá como uma barragem rom
pida.
O príncipe que há de vir irá se opor a Deus oprimindo Israel. Par:
realizat a sua vontade, o Anticristo "firmará um concerto com mui.
tos por uma semana",um período de seteanos.O texto náo indica st
este concerto será um concerto aberto ou fechado. Na metade destt
período, no entanto, o Anticristo romperá este concerto com Israel
Isto envolverá o Anticristo removendo a sua máscara,de certa forma,
A seguir, ele repentinamenre se voltará contra Israel com uma fiiria
quase demoníaca. Os sacriftcios no Templo seráo interrompidos; ern
lugar deles, o Anticristo se instalará no Templo e fingirá ser Deus.
Náo se pode determinar com facilidade qual é a natureza exat
da "abominaçío da desolaçáo"; no entanto, o nosso Senhor fez alu
sáo a esteevento em Mateus 24.15. Quando isso acontecer,o nossc
Senhor aconselha, o leitor deverá fugir da Judéia seguindo para or
montes.
Embora este seja um rexto apocalíptico, náo devemos pensar qu€
é misterioso e incompreensível. Até mesmo o nosso Senhor disseque
todos os que lessemesretexro deviam compreendê-lo (Mt 24.15).
Além disso, a crucificaçáo do Messias e a queda de Jerusalém náo
eram desconhecidas do nosso Senhor, pois estavam no seu plano
eterno. Mas sáo os seispropósitos dessesdias que nos trazem consolo
na nossa era. O pecado terá terminado quando este período esrive
concluído. A justiça eterna seráintroduzida, e )amas terminará. Que
revelaçãopreciosa para conservar os nossoscoraçóes,mentes e olhos
200 Pregandoe Ensinandoe partir do Antigo Testamentrt Apoca@üco
e o Ensino do Anügo Testarnento
A Pregaç,ã:o .t0 l

Embora o Messiasseja crucificado, "náo [será] por si mesmo" [v. nos falou sobre estascoisasantesque elasacontecessclìì, tlt'tttorlu
26, na versáo NKJVI, isto é, Ele nada ganhará pessoalmenre conr que quando elas realmente acontecerem,possamosrccrrttlt.',r'l (ltlt'
esta experiência: nada de glória, nem louvor, nem mesmo o apreço Deus foi fiel e que Ele é soberanosobre todos os temPos (' lì('s\,.r\'
do povo. lsto deve ter a preferência à nossa argumentaçáo de t;ttt'() llo\5(l
Cronogramaestavacorreto ou de que sabíamoscom antc(c(lôllt a.l.
Dnus SuprrvrsroNARÁe Hrsrónre coMo uM ToDo
Graçasa Deus pelo seuplano, a sua morte, e o seu triunfo sohtt' l,trl,r
(vv. z6c,z7)
opecadoamorteeomal!
"E o seu fim será com uma inundaçáo". As guerras continuaráo,
até o final, mas o clímax da história virá como uma barragem ronì
pida.
O príncipe que há de vir irá seopor a Deus oprimindo Israel.Parl O Antigo Testamento apocalíptico é um gênero no mínimo cstt':t
reafizat a sua vontade, o Anticristo "firmará um concerto com mui Ele tern menos marcadorestextuais do que outros gênerosc tlt'
mais do seu uso de linguagem figurada que está ancoraclat'ttr
tos por uma semand', um período de seteanos. O texro náo indica sc
termos e citaçóesde passagensdas Escrituras previanlclttt'
este concerto será um concerto aberto ou fechado. Na metade deste
itas, em vez de importar revelaçóesposteriores para liberar o sctt
período, no entanto, o Anticristo romperá esteconcerto com Isracl.
Isto envolverá o Anticristo removendo a sua máscara,de certa fornrrr. de termos ou símbolos. Isso quer dizer que para interpretar cstc
A seguir, ele repentinamente se voltará contra Israel com uma furi;r precisamos examinar passagensanteriores das Escrituras, rt
quase demoníaca. Os sacriftcios no Templo seráo interrompidos; cnl de obter uma apreciaçáodo que está sendo dito. Este métotl<r
lugar deles, o Anticristo se instalará no Templo e fingirá ser Deus. tem grande similaridade com o método conhecido corntr
ia das Escrituras anteriores.3
Náo se pode determinar com facilidade qual é a natureza exlrtil
da "abominaçío da desolaçáo";no entanto, o nosso Senhor fez alrr No entanto, todas as outras partes da preparaçáo de um tcxlo
íptico para pregaçáoou ensino seráo muito semelhantesàs Íì-
sáo a este evento em Mateus 24.15. Quando isso acontecer, o nos$(l
Senhor aconselha, o leitor deverá fugir da Judéia seguindo para ol do desenvolvimento de textos de outras passagensdos profetas.
montes.
i Embora estesejaum texto apocalíptico,náo devemospensar(1rc
é misterioso e incompreensível. Até mesmo o nosso Senhor disser;uc
i todos os que lessemeste texto deviam compreendê-lo (Mt 24.1\),
Além disso, a crucificaçáo do Messias e a queda de Jerusalém rr;ro
eram desconhecidasdo nosso Senhor, pois estavam no seu plrrrru
eterno. Mas sáoos seispropósitos dessesdias que nos trazem consr,hr
na nossaera. O pecado terá terminado quando esteperíodo esrivcr
concluído. A justiça eternaseráintroduzida, ejamais terminará. (]rre
revelaçáopreciosapara conservaros nossoscorações,mentes e ollr,rr
fixos no nossoSalvadore náo meramente nos sinais dos tempos. lile
Gonclmio

Thansformando
o Mundo com a Palavrade Deus

"E a palavrade Deus cresciae semultiplicava:'


Atos 12.24

"E a palavrado Senhorsedivulgavapor toda aquelaprovíncia."


Ar 13.49

e prevalecia."
"Assim,a palavrado Senhorcresciapoderosamente
Atos 19.20

que o livro de
Quando tudo tiver sido dito e feito, perceberemos
nos oferece o melhor retrato daquilo que o corPo de crentes
a ser. O texto em Atos 2.42 descreveuma congregaçáoque
na doutrina dos apóstolos".O livro de Atos também
que "crescia a palavra de Deus, e se multiplicava muito o
dos discípulos" (6.7).
Mas como aquelegrupo de crentesdo séculoI poderiater sido
bem-sucedidoquando nós, no séculoXXI, tentamos prati-
nte usar todos os recursos possíveis sem conseguir alcançar
poderosademonstraçáoda obra do Espírito Santo que vemos
livro de Atos? Sabendo que a Palavra de Deus tem todo e.stc
,0\ 2()i
Antigo Têstamcrttn
Pregando g En5inatÌdo a partir do eonclusã'o

Pqìì de algum livro de auto-rtitttlrt


pais fortes santos de Derrr O que é preciso náo é um falastráo
to\".' porque atémesmo alguns do, passos.fáceispara i"o ou aquilo na viclrt!
rroïro, ài", prr.".- náo-progredir na fe cristá e no ensinrt ou os quatro or, .i"co "i a,Palavrrt
precedênciap"'" t'p"'"r que' onde
-*\ 'Sto O livro de Atos nos dá
b,bli.o? reproduçáo do exarttr
pregada fielmente - tanto na sua
- v'u r r v v

o fatoO:"::::r1"9':
ì '

u$.* pod.*oscontundir
neo í. õ;;ti"t esPerarvcr
i:?":':: e na sua estrutura - ali podemos
de qualquer manifestaçáopoderos;r ]orrt.,iao d.p".r"g.^
JÀ": in.orrfundível a Palavra de Deus e tendtr
"*ì-ir."
pai,ÈspírtoSantono nossomeio.Deve-:' 1._.]ïXl_i?ï^ï1_1: s poder do Espírito i;;;""-panhando
orador' mas também sobre tr
sobreo fantásticocres ,,.,,'orofundo.f"ito, táo apenas'sobreo
iiita. dì r,orr", almas,que nassetesínteses ou atodepregaçáo asbar-
atravessará
l9'\err.o lalgrelanolivio de Atos (6.1;9'31; 12'24; 13'49; 16'5: :ii".:.ffi;;;;'óem so-.tte a diligentc
e pós-modeirr".
co,rìg, 2,531ï,cincodelasconectamç5secrescimentodiretamentc reirasdanossacuhuraantËristá Espírito Santo de Deus
a poderosa máo do
nos dois casosindiretos sposiçáo do texto sob
fg]) . prcg çaodaPalavrade Deus' Mesírro o vazio do. to"o' dias' E esta exposiçao
dt".t interpretar
t aindaé a palavraencontradanasEscriturasque edific'r transmitida com tanta
" oÌ "'ifïjj, "ït*"'fr*a
:';;;;; e a cultura em que a mensagem é
ì.po epossibilita o crescimento que ecorr€' Ë próprio texto' O expositor-e professor
deÊnircomo um princípio: onde a pregaçáod, e{ú\d^ocomo interpreta
l4\ì.i-,'vamos assim coÍno o idioma bíbli-
ou abandãnfia pot assuntosmais "rele- deve conhecer o idioil" "o"ttrniorâneo
-fo'**
,r"r.\t." ã, D"u. é escassa como merecem os nossos melhores
a força e a efetividadeda Igreja diminuem co, Tanto a substância "
., ìt."', o máo do Espírito Santo'
"r.r.i-mto, se extinguem.Mas onde a palavrade Deus sc IJiotnot sob a poderosa
últjma análise,
-ì,\ seespalha e é buscadapor todos'o Corpo de Cristo de- Individualista
-{ltipli.r, n-" r"t.doria e um pod.t que avanÇa'aPesarde barreiras A Autoridade para uma Sociedade
ocidente é a nossa ênfase no
-S"..r", ou antigase de oposiçóes
-i\sìra ou perseguiçóes' A bênçáo e a maldiçáo da vida no
bíblica é monótona' desta ênfaseé o fato de que nos esquece-
irrq,\g*rm iráo objetaç é claro, que a pre$aÇáo inalrriar'riirmo. A p'''tt
-á maior' quando comParece-
q"jpiá., mansa'anêmicae sem rclet'ànciacontemporâneapara ter a. qtr. f"r.-ãs Parte de-um.grupo
A nossatendência é dizer que
6.\q..., utilidadeno século)C(I' Estasobjeçóesafirmam que
náo pos diante de Deus Jomo individuos.
-ãr a
sesentemsm fancos,como espectadores, pelo grup: e que o que acontece com
o,r" pessoas náo ternos responsabilidade "-i"tt"
"b:\àddo ", igìeja ou o resto da minha
n"').u.ndo ,..oorrituiçáo secâe empoeiradadas obras de Deus minha naçáo, ,"*tt"
'fr^íli"náo " "ia"àt' " interessa'
"
no*\istória de Israele da Igreja Primitiía' Mas se estativer sido a é minha responsabilidade nem me
assim táo facilmente' Elas
.r\o\q experiência (equempod. ,r.g"t qUeelaseencaixapelomenos As Escrituras náo nos deixaráo escaPar
irmáo' Eu
igrejas),.não .i, náo combina com o que o verdadeiramente guardador do meu
ri"iqgu*as dasnossas afrrmamque eu sou
aproxima rapidamente
nós' \-'
pararruò' o qlrç
que.a
d uma cultura e uma nãrçíoque se
p"ì)1t de
paì ã.Atos descreve,
Atos descreve, o=r',
ou o que lJeus
o que /esignouPara
Deus dcsrË[uu rrertenço a e obedecer à sua lei
,.- ver com o, gráosiPodeparecer ptegaçâo bíblica' pode Áo iúzode Deus pela sua recusâem reconhecê-lo
"rA\q " à Bíblia' mas náo é a po- tusim como todos nós nos beneficiamos
del\esp o Íazer
oe5'.1"t-o u-" o,r-d.r", referências
fazeruI Ïitï;;JJ-t"tos' justas e santas
t\
por uma boa que nos antecederam viveram vidas
ap\:sa demonstraçáo do Espírito Santo 4companhada i.r"ndo aqueles
geraçáo' também todos n(rs
*;" çâodaPalavra deDeus 0:::!::f áoroo. os dividendos Passaramà nossa
: !' en
"u:T:t"ï :::::" : naci'-
"o(ì" um esforçoparaanunciar g";rt"*ot qt""do o gt"pó a que pertencemos
tiu n"tigr"fo ..rpít,'rlo apóscapítulo Ë;;;."
toJ-"rrr., volta suas costiìs
'rrselho de Deus. deiominacionìlmente ou filialmente
206 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamenr,,
Conclusáo 207

para Deus,ou' em arrependimento,retorna paraDeusem


buscacrc tinha falhado ao pregar a Palavra de Deus até mesnro por cstc curto
perdáo.
período de tempo, contribuindo assim com a devastuclontcrosáo
Mas para onde podemosnos voltar, se o pensamentopredomi
nanreafirma o novo preceitode pós_modernismode que â.., de tudo o que tinha sido colocado diante do povo dc [)eus rntes
porr., daquela ocasiáo?
fazero que eu quiser,desdeque ãu julgue que issonaà
prejuãicar,i A questáoé que náo vivemos de acordo com a nossaintcligêrrcia,
a ninguém?"
o nosso talento, os nossosnetos e nem mesmo de acordo conl il no.s-
Aqui o individualismo náo dá em nada. Ere parecesupor
quc sa formaçáo e com cada fasede nossavida; no entanto' nós vivcnros
nóspodemossernossasprópriasautoridades. ro.i, própriàsjuízes
atravésde cada palavra que sai da boca de Deus. Essaé a única fìrntc:
paratudo - incluindo afé e a moral.
de autoridade e saúde para o Corpo de Cristo. Todo o resto corì-
Mas é justamenteaí que nós precisamosrer, novamente,
o corr.- duz à desordem que estamosvendo em muitos bairros hoje em dia.
tivo da poderosapregaçáoda paravrade Deus.Todaautoridade
ema- Louvado seja Deus pelas maravilhosas exceçóes,mas estespregado-
na do nossoSenhore da suapalavra.se Ele náo for o árbitro
final c res que estáo tentando ser fiéis à Palavra de Deus estáo enfrentando
a fonte de autoridade,como poderemosevitar a anarquia
- ond(. uma batalha ârdua contra muitos que beberam demais das águasda
cadaum é seupróprio juiz,júri e acusador?
modernidade e da pós-modernidade.
E isso o que estou me esforçandopara mostrar neste
_ livro.
pevemgs voltar para os testemunhose padróesdas Escriturasenì
buscada autoridadeperdida na nossageraçáoou afundaremos
AAplicaçáo a uma SociedadePluralista
e fi-
caremossemnenhum guia na nossacultura. o texto em provérbios Terá pouca utilidade para qualquer pessoados nossos dias se a
29.18 declara:"Náo havendoprofecia,o povo secorrompe,,. Bíblia se mostrar comprovadamente como um livro que tem a au-
A pa-
lavra para "profecid' náo se,.f.r. um plano de cinco o,i d., ,.ror, toridade de Deus, mas se náo for aplicável a nenhuma das nossas
como aplicamosesretexto. Náo, "o significadoé de "reveraçáo" questóes.Na verdade, o nosso flerte atual com o pluralismo enfatiza
dl
palavrade Deus.Ássim, esteversículo"declara a legitimidade de todos estarem corretos ao mesmo tempo, embora
que, em ,^.io d^
sênciade algum dado da palavrareveladorade Deus, a ^u- mantendo conclusóescontraditórias sobre os mesmos temas. Assim,
populaçáo,
de modo geral,enlouqueceráe frcarásemcontrol.. comà já se nós abordarmos as Escrituras usando estasmesmas regras, entáo
vimos,
a palavrausadapelo autor do livro de provérbios-para".árro-p." elasteráo inúmeros significados, sim, quantos as pessoasquiserem. E
tem um passadohistórico. Ela é encontradaem Ê"odo mesmo que a Bíblia possasignificar alguma coisa para alguém, mes-
32.25, ent
que estáescritoque o povo de Israelestavadescontrolado, mo quando todas as visóes se contradisserem umas às outras, entáo,
abando-
nando todasasrestriçóes,despidoe entregueà prostituição em última análise, haverá pouquíssimo proveito!
religios:r
ao redor do bezerrode ouro para grandehorto, de Moisés Como, entáo, podemos aplicar as Escrituras de uma maneira que
quand<r
desceudo monte. Náo é .t- i.tr"á vívido dos nossosdias? demonstre o seusignificado contemporâneo sem cair na cilada moder-
ôe esti-
véssemos entreguesa nós mesmos,sema fiel e cuidadosaexposiçá<r na do pluralismo? Conseguiremos extrair uma aplicaçáo relevantedc
dasEscrituras,sofreríamos,à medida que a cultura e algr.p um texto antigo às custasde perdermos â sua autoridade ou de sermos
fi.r*_
scm cadavez mais loucase seexpusessem infiéis às declaraçóese intençóes originais do autor? É claro que niro!
à destruiçáodJ#t"dorr,
rtit, é mesmo?Moisésesteveausentepor maisde seissemanas. A aplicaçáo das Escrituras exige a fina arte de reter a verdadc clo
Ará<r
signifcado do texto, enquanto também passamosàquelesexenrplos
207
Conclasáo

de Deus até mesmo por cste curto


tinha falhado ao Pregar a Palavra
a devastldorir erosáo
período de tempo, Éontribuindo assim com
diante do povo dc l)cus antes
ã;r"d" ã-q". ànha sido colocado
daquela ocasiáo?
com a nossaintcligêtrcia'
A questáoé que náo vivemos de acordo
nem mesmo de acordo conì a nos-
o nosso talento, os nossosnetos e
nossavida; no entanto' nós vivcmtls
sa formaçáo e com cada fase de Íìrntc
atravésde cada p"l;;; sai da boca de Deus' Essaé a única
Todo o resto con-
ã. Ë saúde p"'" o Corpo de Cristo'
"ttorid"de em muitos bairros hoje em dia'
, duz à desordem qt" t'i"*o"'etdã
exceçóes,mas esrespregado-
, Louvado seja Deus p.ì*
Palavra de Deus estáo enfrentando
-"ouirhosas
r r€s eue .rtáo t"nt",,ão ser fiéis à
beberam demais das águasda
x üÍrÌâ batalha ârdua;;;;t; muitos que
e da pós-modernidade'
i rnodernidade

A Aplicaçáo a uma SociedadePluralista


dos nossosdias se a
Terá pouca utilidade para qualquer Pessoa
como um livro que tem â au-
Bíblia se mostrar .o-p'á""damente
toridade de Deus, náo for aplicávela nenhuma das nossas
" àtualcoï
ü"ã;' n*.1d"a'1-"' "o"o
fl
'ne :" *::*Ï:rempo,
:*ïïï:
esrarem aomesmo
correros embora
iï.;ffiil;;;;àr,
sobre os mesmos temas' Assim'
mantendo conclusóescontraditórias
estasmesmas regras' entáo
se nós abordarmos as Escrituras usando E
quantos as pessoas_quiserem.
elasteráo inúmeros significados, sim, mes-
coisa para alguém'
;;; que a Bíblia p"ossasignificar alguma
mo quando tod", tã contradisserem umas às outras' entáo'
",ïi'ott
.* análise, haverá pouquíssimo proveito!
"t,irn" de uma maneira que
Como, entáo' pod.mo' "plú"t as Escrituras
sem cair na cilada moder-
demonstre o seusignifiodo "ã"t"-porâneo
na do pluralismo?Conseguiremos Ëxtrairuma aplicaçáorelevantedc
a suaautoridadeou de sermos
um texto antigoà" "t"t"'"tL perdermos náo!
i,'t""çóes originaisdo autor?É claroque
"'-n àsdeclaraço"r.
inÊéis
á", Er;;i;;; .*igá fina arte de reter a verdadcdo
"pfr."çáo passamos àquelesexempkrs
signif.cadndo,.*,o,'."q*nto t;bém
206 Pregando e Ensinando a partir do Ánrigo Testamcrrrl 207
C,onclusão

paraDeus'ou' em arrependimento, retornàpaÍaDeusem buscarl,, tinha falhado ao pregar a Palavra de Deus até mcsnto por cstc curto
perdáo.
período de tempo, contribuindo assim com a dcvlstndgrrt cr6sáo
Mas^paraonde podemosnos voltar,se o pensamentopredonri
ãc tudo o que tinha sido colocado diante do povo dc l)cus rntcs
nante úrma o novo preceitode pós-moderniimo de que ;.r porr,,
daquela ocasiáo?
fazero que eu quiser,desdeque eu julgue que issonáã prejuáicar,i
A questáoé que náo vivemos de acordo com a nossaintcligêttcia,
a ninguém?"
o nossotalento, os nossosnetos e nem mesmo de acordo corÌì a rìos-
Aqui o individualismo náo dá em nada. Ele parecesupor qrc
Saformaçáo e com cada fasede nossavida; no entanto, nós vivettt1;s
nós podemossernossasprópriasautoridades. ror*, própriãsjuízcs
atravésde .ada palavra que sai da boca de Deus. Essaé a única fìrrrtc
paratudo - incluindo a ft e a moral.
de autoridade e saúde para o Corpo de Cristo. Todo o resto colì-
Mas é justamenteaí que nós precisamosrer,novamente,o corrc
duz à desordem que estamosvendo em muitos bairros ho.ie em dia.
tivo da poderosapregaçáoda Palavrade Deus.Todaautoridadeemr-
Louvado seja Deús pelas maravilhosas exceçóes,mas estespregado-
na do nossoSenhore da suaPalavra.se Ele náo for o árbitro final c
res que estáo tentando ser fiéis à Palavra de Deus estáo enfrentando
a fonte de autoridade,como poderemosevitar a anarquia- ond(.
uma batalha árdua conrra muiros que beberam demais das águasda
cadaum é seupróprio juiz,júri e acusador?
modernidade e da pós-modernidade.
E isso o que estou me esforçandopara mosffar neste livr<1.
Devemosvoltar pâra os testemunhose padróesdas Escriturasenì
A Aplicaçáo a uma SociedadePluralista
buscada autoridadeperdidana nossageìaçaoou afundaremose 6-
caremossemnenhum guia na nossacultura. o texto em provérbios Terá pouca utilidade para qualquer pessoados nossos dias se a
29.18 declara:"Náo havendoprofecia,o povo se corrompe,'.A pa- Bíblia r. comprovadamente como um livro que tem â au-
lavrapara "profecia"náo sereferea um plano de cinco ou-d." toridade de Deus, mas se náo for aplicável a nenhuma das nossas
-ortt"t

como aplicamosestetexto. Náo, o significadoé de "revelaçáo" ".ror, questóes.Na verdade, o nosso ferte atual com o pluralismo enfetiza
da
palavrade Deus.Assim, esteversículodeclaraque, em nzãri da au- a legitimidade de todos estarem corretos ao mesmo temPo' embora
sênciade algum dado da Palavrareveladorade Deus, a populaçáo, nr"nt..rdo conclusóescontraditórias sobre os mesmos temâs. Assim,
de modo geral,enlouqueceráe frcarâsemcontrole.comã jã vimos, se nós abordarmos as Escrituras usando estasmesmas regras, entáo
a palavrausadapelo autor do livro de provérbiospara "corrompe" elasteráo inúmeros significados, sim, quantos as pessoasquiserem' E
tem um passadohistórico. Ela é encontradaem Êxodo 32.25, em mesmo que a Bíblia possasignificar alguma coisa para alguém, mes-
que estáescritoque o povo de Israelestavadescontrolado,abando- mo quando todas as visóes se contradisserem umas às outras, entáo,
nando todasasrestriçóes,despidoe entregueà prostituiçáoreligiosa em última análise, haverá pouquíssimo proveito!
ao redor do bezerrode ouro para grandehorror de Moisésquando Como, entáo, podemos aplicar as Escrituras de uma maneira que
desceudo monte. Náo é um retrarovívido dos nossosdias?se esti- demonstre o seusignificado contemporâneo sem cair na cilada moder-
véssemos na do pluralisrno? Conseguiremos extrair uma aplicaçáo relevante dc
enüeguesa nós mesmos,sem a fiel e cuidadosaexposiçáo
dasEscrituras,sofreríamos,à medida que a cultura e a Igrep ficas- o- t.*to antigo às custasde perdermos a sua autoridade ou de sermtls
sem cadavez mais loucase seexpusessem infiéis às declaraçoese intençóes originais do autor? É claro quc tráo!
à destruiçáodevastadora;
náo é mesmo?Moisésesteveausentepor mais de seissemanas. A aplicaçáo áas Escrituras exige a fina arte de reter a verdade cl<r
Aráo signtrtcadaáo a.*ao, enquanto também Passamosàquelescxcntplos
208 Pregandoe Ensinandoa partir do Ántigo Testamcrrr,,

Iegítimos do que o mesmo texto signifca nas novas situaçóes d.s


nossos dias. A aplicaçáo apropriada de um texto exibe os mesmos
princípios defendidos neste conrexto origind. A particularidade d.
texto no seu antigo contexto náo pretendia nos impedir de aplic,rr
este texto a situaçóes contemporâneas: na verdade, pretendia exenr
plificar para nós como um princípio também.t" em outr,r
"pli.árr.l
época. Estas aplicaçóespara o passadonos possibilitam apenasvagas
sugestóesde como podemos aplicar estes textos na nossa próprirr
época.
Nós parecemos rer menos dificuldades fazendo esta transiçárr
para aplicar o texto a uma situaçáo contemporânea quando lidamos
com o Novo Testamento. Por exemplo, em Filipenses 4.2 o após,
tolo Paulo pedia que "Evódia e... síntique que sintam o mesmo no
Senhor". Poucaspessoas,se é que haverâ alguma, acenariam dizen-
do, "como eu não sou Evódia nem Síntique, náo vou me incomodar
com este pequeno mexerico histórico". Na verdade, muitos dizem:
"Estas duas mulheres tiveram algum tipo de desavençaque deve ter
sido perturbador para a igreja de Filipos". A aplicaçál para nós,
deve ser que nós 'tejamos uns para com os o.rtroi benignos, miseri-
cordiosos,perdoando-nos uns aos outros, como t"mbém Deus nos
perdoou em Crisro" (Ef 4.32).
Exatamente. É desta maneira que deveríamos de igual maneira
lidar com o Antigo Tesramenro ainda que ele esteja ainda mais dis-
tante de nós e da nossaépoca.

Um Novo Chamado para Pregar o Antigo Testamento


Com mais de três quarras partes da revelaçáo de Deus em jogo,
deve haver toda uma nova geraçáo de proclamadores da palawa de
Deus que anunciaráotodo o conselhode Deus (At20.27) a uma ge-
raçáo faminta e que está à espera.Observo que, de modo geral, per-
tencemos a uma das geraçóesmais famintas por ouvir a palavra de
f)eus. Amós 8.ll,l2 advertia sobre dias em que haveria uma fome,
náo apenasde água e pío, mas de ouvir a Palavra de Deus. Há gran-
20()

porçóesdas Escriturasque jamais foram anunciadasa algurnus


ovelhasde Deus, e elassáomal nutridaspor causadisso.
Um dos meus professoresobservoucerto dia na classeque sedci,
alguma porçáo da Palavra de Deus negligenciada e sem scr
ela se tornará um terreno ftrtil paÍaaheresia da próxima ge-
Meu professor,o Dr. MerrillTenney,esráagoracom o Senhor,
eu náo creio que ele se importaria se eu também adicionassc
na misericórdia de Deus, Ele enviavaum ministério paralelo
preencheras lacunasque a igrejatinha deixadonos coraçõese
daqueles que deveriam ter sido ensinados mais plenamente
de forma completa. Por exemplo, seminários pâra aprimoramento
casamento ensinam o táo negligenciado livro de Canrares, e os
ináriossobre confitos da juventudeensinamo negligenciadoli-
de Provérbios.
Nos dias de Samuel, a palavrae Deus era "escassa"
e"rairi'porque
tinha escondido os seusprofessoresdepoisque uma geraçâo
tinha se recusado a se arrepender ou ouvir à mensagem de
. Será que precisaremos cair na mesma armadilha antes de re-
a ruzáo e perceber o quanto estamos realmente famintos?
)ero que nao.
Que a Palavra de Deus seja proclamada com toda a sua autorida-
poder e encanto! O Espírito Santo nos mostrará, uma vez mais,
que significa ter a poderosaPalavrade Deus acompanhadapelo
convincente e condenatório do Espírito Santo para modificar
povo, uma naçáo e uma lgreja que, na sua maioria, deixou de
o conselho de Deus a uma geraçáoque esperava.
I Devemos ensinar todo o conselho de Deus com uma alegria e
pmapaixáoque vêm do alto. E que possamirromper momenrosre-
[igorantese revivificadorespor toda a terra novamenre,paraa glória
[e Deus.
I
[R0nüice

Folhade Thabalho
SugeridaparaFazera Exegese
Sintático-Teológica
, Os princípios e os procedimentos que eu sugiro, como sendo os
mais úteis, foram expostos, com mais detalhes, nos capítulos ante-
riores deste livro. Eles também sáo apresentadosno volume Toutard
an Exegetical Theolog: Biblical Exegesisfor Preaching and Teaching.
Em lugar de apresentar estesitens novamente, meramente seguirei
o esquema encontrado na parte 2 de Toward an Exegetical Theologlt
Estes passosauxiliaráo cada estudante das Escrituras, seja para pre-
parar uma liçáo para um grupo de estudo da Bíblia, escrever um
trabalho de exegesepara uma faculdade ou seminário, preparar uma
liçáo para a Escola Dominical, estudar nas suas devoçóesparticula-
res ou compor um sermáo para o culto de domingo. Obviamente,
você faça modificaçóes para adaptar o seu próprio estilo e ênfase:no
entanto, o meu argumento é que sem os seguintes componentes âs
chances de que esta preparaçío caia natimorta nos ouvidos de seus
ouvintes é extremamente elevada, uma vez que normalmente deixa
de exibir o anel de autoridade que é encontrado no texto.
O processo que eu defendo aqui e em Toward an Exegetical
Theolog inclui cinco passosbásicos na preparaçáo de um texto para
pregaçáoou ensinamento:
'212 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamcrrtrr 2Ll

1. Análise contefiual God's Design: A Focus on OIrl


2. Análise sintática
3. An:ílise verbal
4. Análise teológica Conturto de Lioro e Seção
5. Análise homilética Depois de termos descrito, em uma sentenÇaou duas, o temÍì
de toda a Bíblia, é o momento de fazer duas outras per-
Para dar forma definida ao que de outra maneira seria uma tall' (1) Q""l é o propósitoglobale o planoparao livro da Bíblia
fa esmagadoraeu aconselhoque para cada liçáo, sermáo ou esttt,l,, que nossa passagemé encontrada? E (2) onde estáo as interrup-
empreendido o expositor ou professordedique sete ou oito págirr,rr ; naturais que formam a seção principal deste livro da Bíblia e
de papel para cada passagembíblica escolhida. Estas páginas devcttt :razÊm o plano e o propósito de Deus?
seguir aproximadamente o esquema abaixo. Por exemplo,no livro de Malaquias,eu sugeririaque o propósito
global podem ser encontrados em dois textos:
Anrílise Contextual (paígina1)
"Eu vos amei, diz o Senhor" (1.2).
cada passagemdas Escriturastem três conrexrosbásicos:(1) rrrn
(2) um conrexro de livro, seçáo-do-livro e (3) rrrrt "Porque eu, o Senhor, náo mudo" (3.6).
"orrt.*to ""nônico, Os contextossáo importaÍÌtes, pois nos ajudarrr*
contexto imediato.
ver a floresta antes que nos concentremos nas árvores. Assim,eu proporiaque o propósitode Malaquiasé revelaro amor
I de Deuspor nós.
Conturto Canônico As divisóesdo livro sáo importantesse desejarmosver como o
e o propósitosedesenrolam.À vezes,há palavrasou formulas
Antes de tentar falar, ensinar ou aPrender de alguma idas que ocorrem no início (rubricas)ou no final (colofao)de
individual, selecionada paru a exposiçáo ou o ensino, é necessÍtl$ seçáo, permitindo desta maneira que vejamos a própria ma-
algum entendimento de todo o plano de Deus encontrado em t,,dl que tem o autor de dividir o rexro para nós. Malaquias usa o
a Bíblia. Isso pode ser conseguido lendo a Bíblia várias vezese l)ef= io de uma pergunta feita pela audiência, a fim de introduzir
guntando: "sè a Bíblia é a obra de uma mente, especificamerrte umadassuasseisseçóes no livro ( 1. 1-5;| .6,2.9;2.10-16;2.17,
ir.rra. de Deus, qual é a ideia central ou o plano que unifica torllr 3.7-12;3.13;4.6).Outrasseçóes sáoiniciadas por um coloft"o,
dasEscrituras?"
passagens noIsaías40.48,Isaix 49,57 e Isaías58-66,com a fraseaparecen-
-
outra maneira de alcançarisso é estudandoas teologiasbÍl no final dasduasprimeiras:"Os ímpios...náo têm paì' (48.22;
cas do Antigo Testamento e do Novo. No Antigo Testamento, 1) .
sugiro um úabalho que frz hâ alguns anos, intitulado Tbwarrl
Old TestarnentTheology.Neste livro, eu afirmava que há um ítt Imediato
plano-promessa de Deus, que foi dado explicitamente a Abrairil
início, mas se destinava a ser a declaraçáo de Deus dos meios 1 tifique em um curto parágrafo ou dois o que precedeu c o
quais Ele abençoariao mundo inteiro. Outro livro destetipo vcio le segueao bloco de texto que deveráserensinado.Esrecontext<r
'2t4 Pregandoe Ensinandoa paÍtir do Ântigo Testamenro
215

rem um componenrehistórico, geográficoe literário. Aqui se devc


confiar nos dicionáriosbíblicos,encìclopédiasbíblicas,pìblicaçoc, ; RSV,NASB, NVI, NEB OU NAB em inglês,ou AR(1,ARA,
de arqueologia, NTLH, e outras, em português) no topo de uma folha clc papel.
históriasde Israel. outr", fontess.melh"rrt.r.
perguntaque deveserrespondidaaqui é como estetexto corì rcguir, escrevaà margem esquerda a numeraçáo dos ver.síc,trlos da
_A passagem.Trace, entáo, uma linha horizontal junto ao nlirncro
tribui para o propósito do livro e da seçáoem que se encontra.A
seguir,devemosinvestigarquaisnovascontribuiçãesa estaestratégi;r cadaversículo onde cada versáo termina o seu parágrafo (ou crlrri-
global podem serenconffadasnesrelivro que foi selecionado. . Uma última coluna poderiaser intitulada "Minha" pârâ
trar a sua decisáofinal quanto ao ponto onde deve estar a divisã<r
AnríliseSintática (paginas2,3) parágrafos,com uma lista de motivos resumidamente relaciona-
no pé da página.
Observe como cada cena é normalmente delimitada onde há uma
Tipo Litenírio de tempo, lugar ou pessoes.É verdade que muitas versóes
cada segmentoda Bíblia rem seu próprio formato distinriv., a NVI) assinalamuma mudançasempreque muda o orador,
que perrencea um dos gênerosestudadosnos capítulosanreriort,,r, isso leva a uma situaçáo em que se tem muitos pontos para o
com asdescriçóesdadasnesrescapítulos,d.rr.-o. ro calizarogênerrr da pregaçáo.Além disso,os vários oradoresainda conti-
apropriadoe passara interpretáJode acordocom asexigênciaã no mesmo lugar, ou lidando com a mesma situaçáo, de modo
de.src
tipo literário. náo há necessidadede que o intérprete introduza um novo pen-
ou ponto principalno seuesquema.
Determinação dos Parágrafos e suírsForrnas
Conelatas" Smtença que Contenha o TemaPrincipal
Nas passagensem prosa' o nosso texto mosffa o seu desenvorvr= Depois de delimitar os parágrafos(ou seusequivalentesem ou-
mento com o uso de parágrafos. um parágrafo é simplesmenre gêneros), o pâssoseguinte será identificar o tema ou a sentença
urÌH
unidade de pensamenro que geralmente contém uma única idçia, contenha o tema, em cada parâgrafo.Esta sentençapoderá apa-
gênero poético, as designaçóesequivalenrespara a evoluç.irr no início, no meio ou no fim de cadaparâgrafo. Quasesempre
l- i-
das ideias sáo estrofes.uma passagemnarrativa, po, ãutro lado, crrr= é expressa e representaa ideia principal, que informa de que se
pregará cenaspara expressarsuasideias. o parágrafo.
A melhor maneira de determinar estesparágrafos, estrofesou t
c=
nas é, anres de mais nada, renrar ver onde há uma mudança
de pcrr=
Diagrama de Bloco ou Distribuição Mecânica da
samenro.Depois que você tiver feito uma divisáo inicial Jo, ,.*,,,r, Passagem
em parágrafos, estrofes ou cenas, consulte quatro ou cinco verso*l
Uma vez enconffada a sentença com o tema para cada parágra-
em português ou hebraico dos mesmostexrospara vef as concoftliìrt é melhor tomar uma folha de papel sem pauta e desenhar uma
cias ou discordânciasque há. com aproximadamente meia polegada de largura do lado
Eu sugeriria que você fizesseuma tabela simples que reracio.rr*e do papel (ou do lado direito sevocê vai escreverem hebrai-
as abreviaturas para as várias versóes (.ãmo as vcr$.lel que é escrito da direita para a esquerda).
"onrult"i".
216 Pregandoe Ensinandoa pertir do Ántigo Testamenrrr 217

coloque a sentençado tema alinhada com a margem que acaborl maravilhosade cercade 250 diferentesfigurasdc lirrguagcrn,
de desenhar.A seguir, mosüe como cada cláusula, hase . ,.rt.nç,, aproximadamente 8000 exemplosda Bíblia. O sctt ítttlicc,,cotrr
estáorelacionadascom estasentençado tema, sangrando-aspara qu(, passagemda Bíblia listadaem ordem canônica,scguttrloo livro,
se encaixem abaixo (se seguir à sentença do tema no parágrafo) orr e versículo,é um excelenterecursopara um intérprctc.
acima dela (se preceder a senrençado tema). A gramática e a sinraxc
l sáo o que realmente determinaráo o espaçamentodas margens colrr Teológica (paígihas5'6)
uma flecha apontando para a palavra que a cláusula
l com a qual se relaciona gramaticalmente. cada vez que-oãifi."
o,,
apareceunr
Um tipo particular de análiseverbal deve ser elevada de sua cu-
para receber atençío especialpor causada sua importâncirr
sinal de pontuaçáo (vírgula, ponro e vírgula, ponro hnal, ponto .1.
ica e da profundidade com que enriqueceo nosso ensinamento
interrogaçáo' ponro de exclamaçáo), ou que uma cláusula ou fasc
nossapregaçâo.E o estudo de todos os conceitos teológicosque
termina, devemos tomar uma decisáo: "Para onde foi a açáo?,'Issrr
encontrados em uÍrÌa Passagem.
é similar a dirigir e chegar a uma intersecçáo na rodovia. Devem,s
O iniciante pode náo identificar imediatamente muitas palavras
cttJzaÍ a intersecçáo ou devemos virar à direita ou à esquerda?É ;r
icas, contudo qtranto mais lê a Bíblia, mais conhecerá bem
decisáo que o exegeratambém deve tomar.
termos e conceitos, conforme aparecem em variados textos.
E a disciplina de ser forçado a romar tais decisóes sobre esras
As quatro maneiras pelas quais podemos conhecer estesconceitos
característicasgramaticais e sintáticas que nos obriga a reduzir a vc,
atravésde (1) termos-chave teológicos que assumiram status téc-
locidade, certificando-nos de que estamos realmenie ouvindo o que
por causa da frequrência do seu uso ou a sua primeira apariçáo
é ensinado, descrito ou defendido para nosso aprendizado e cresci,
mento nas Escrituras. passagensessenciais, (2) a analogia com Passagensantecedentes
l Escrituras, (3) a analogia da fê, e (4) comentários. Cada uma
quatro maneiras necessitaexplicaçóesadicionais.
AnáliseVerbal (páE;na4)
Frequentemente, é feita a perguntâ: 'A quais palavras eu dev. TbrmosTeológicosChaae

rlitl
prestar atençáo no texto?" 4 primeira respostaa esta pergunta é que
eu devo esrudar todas as palavras que me causam difiiuláades . q.re Podemosconfiar no nossoconhecimento da Bíblia ou no uso de
eu náo conheço. Estasfrequenremente sáo as melhores palavras parrr iasde referência,ta-is como a DichsonChain Reference
Bible ou a
que eu me concentfe, uma vez que sáo os pontos onde posso apren Chain ReferenceBible. Outras ediçóesimpressasda Bíblia
l
der e crescer.Se eu, como pregador e professor, náo estou crescènd,,, referências cn:;zadas a outras Passagensonde aparecem os
certamente a minha congregaçáo ou os meus alunos também nã, termos e conceitos teológicos.Muitas Bíblias de estudo ofe-
estáo crescendo.A água pode subir somente à mesma altura da surr a mesma ajuda.
fonte. A mesma coisa é verdadeira neste caso. Em uma basepurarnente tópica, poderíamos verificar uma fonte
Nós também devemos esrar cienres de que a Bíblia é uma ricrr NauesTbpicalStuày Bible.Outros desejaráousaro sumárioou
fonte de expressóesfigurativas. É melhor consultar E. ìü: Bullingcr, Indicesde teologiasbíblicas,ou, o que é aindamaisimportante,
Figuresof speech ued in the Bible. Esta obra, que surgiu em 1g98 inúmerosdicionários ou léxicosteológicosem português,hebrai-
c que mais recentementefoi reimpressapela Baker Books, é unrrr e grego.
218 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamenr

Muitos destesestudos léxicos sáo divididos em quatro partes:


(l) aspectosdescritivos (abrangendo questóesde forma e funçáo),
(2) estudos de distribuiçáo (quantas vezesuma palavra é usada err
cada uma das suas formas gramaricais e em quais livros), (3) cog
natos e comparaçóes com palavras em ourras línguas semitas e (4)
aspectoscontextuais da palavra.

A Analogia de Passagens
Anteriores das Escüturas
Muitos termos teológicos rêm "uma história interior de exegese
Isto é, os mesmos termos foram usados em uma ou mais passagen$
chave que apâreceram antes do texto sob consideraçáo. Na maiori*
destescasos,o autor posterior estavausando o termo anterior conÌ
entendimento que tinha obtido da sua primeira apaiçío,pois na su* '
épocaeste texto anterior era a Bíblia, contra a qual o autor posteriof
ouviu esta nova mensagem de Deus.
Estas referências poderiam estar na forma de termos teológicor
idênticos, referênciasou citaçóesdiretas de textos anreriores, ou alu=
sóese referênciasdiretas a pessoasou eventos que dnham passaclo4
ter influência na vida de Israel para o seu entendimenro de quenr é
Deus e do que Ele faz.

A Analogia da Fé
Esta analogia é diferente da analogia das Escrituras anreriores(lr€
acabamos de examinar. Na analogia da fe, nós apelamos para a tlir=
ciplina da teologia ou doutrina sistemática paÍa examinar a Bílrlle
e tomar os versículosque perrencem a determinada doutrina drr lé,
Aqui, usamosuma abordagem tópica ao nosso assunto.Da mcsrrrË
maneira como alguém vai aos campos e apanha várias fores p,rrÉ
fazer um buquê, também na analogiada fe o intérprete leva em t,,n=
sideraçáouma concordânciapara encontrar todos os pontos erìì (lrt€
um termo teológico é usado na Bíblia, ou confia em teologiassiste.
máticas que fazem o trabalho da coleta. os versículos sáo arrarrjurh,l
de um buquê e apresentadoscomo o ensinamento de toda a llílrllc
llsdiceA 219

lbrc estetópico. Os intérpretesdevem ser cuidadososplìr'írusilr cstc


focedimento apenasem seus sumários dos pontos aíìnrtrtdos crrt
$il passâgem,para que o exegetanáo interprete no tcxto sigrriíì-
Xlos de ensinamentosque sáo encontradosem outras passrtllcrts cl,t
llblia.Mas uma vez que o significado sejaestabelecidoem urÌr tcxt()
oô correspondentesobviamente venham de ensinamentoscrìcorì-
Fclosem toda a Bíblia, náo devemossupor que náo possuímostodrt
Bíblia. Nós devemos ser claros em nossasmetodologias para rìos
encontrado e obticl<r
frtiÊcar de que o significado seja realmente
p texto, e náo importado a ele porque alguma coisa semelhantc é
pinada em outra passagemda Bíblia.
t
'r,, Cornentários
Sempre tente determinar o que a passagemensina com base na
ática e na sintaxe do texto antes de ir para os comentários. No
náo há necessidadede clamar por uma "onicompetência'
Suporque o Espírito Santo náo operou junto aosoutros que estu-
estetexto. Portanto. escolhadois ou três comentários e deixe
conversem entre si. Avalie a relevância e a autenticidade do seu
imento do texto em comparaçáo com o significado das pa-
no contexto imediato que você está esrudando. Registre os
itos-chavede cadacomentarista.e mostre como àsvezeselesse
uns aos outros ou como o texto deixa de apoiar alguma de
declaraçóes.Entáo conclua com a sua própria avaliaçáosobre os
temas tratados por eles.

ise Homilética (pâ$tna 7)


É chegadoo momento de reunir tudo isso de forma que os ou-
possam ouvir de uma maneira renovada a voz de Deus, diri-
a elesem suassituaçóese vida da era moderna. Isso requer
ividade, talento artístico, fidelidade ao texto, e o processoao
chamamos de "tornar principais" os pontos principais da pas-
220 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testanrcntrl 1)l

O.'4ssuntooa Título da Mensagemou Liçã.o Palaara llomilética Cbaoe


Normalmente, cada passagemtem aquilo a que podemos nos rc. Uma combjna$o perfeita para cada interrogativo é o que cha-
ferir como um ponto principal ou ponto focal. Ele pode ser rrrn mos de palavra homilética chave. Esta pala=vra-chavetem trê,
versículo central que incorpore toda a verdade da passagemou urr!á cterísticasbásicasque devem esrarpresentes.Ela deve ser: (l)
sentença ctilminante, memorável ou organizadora que resume t,r,Ll substantivoque dê nome a algo, (z) um substantivoabsrrato
o texto em consideração.Estaspalavrasfuncionam como o suste'rrtá um substantivo abstrato plural. O único substantivo que náo
culo ou alavancade toda a passagem. alifica aqui é o substantivo 'toisas". Este substantivo ïáo

É esta expressáo,cláusula, sentença ou versículo que nos dlr,l at ao que temos em mente; portanto, náo deve jamais aparecer.
melhores ideias para declarar o assunto ou tírulo da nossa liçíur rrg stantivo usado deve ser absffaro, pois nós desejamosàedarar
sermáo. O assunto ou título deve ser declarado de tal maneira r;tl€ pios que seráo úteis ao nosso t.-po. Mas como normalmente
capte a atençáo dos ouvintes modernos. Deve, também, ser exl)rru€ s tratando com mais de um parágrafo,o substantivo deverá
de uma maneira que náo seja meramente uma declaraçáo dirl;ítlel estar na forma plural.
ou um truísmo sobreo passado.Uma sugestáoé usar,no títukr, r m, para dar uma ideia de como issofunciona, quando per_
verbo no gerúndio para dar a ideia de uma exortaçáo que estC os_quea interrogativaé "por quê?',,palavrahomilética cha_
andamento. mente será "razóes" ou "motivos". Se a interrogativa for
, a palavra-chave será "ocasióes" ou ,.situaçóari'. Sa fo,
A Intenogatiaa , a palavra-chavepoderá ser "maneiras,' ou ,,abárdagens"

Uma forma de pregaçáoe ensinoé chamadade abordagcrrr


PontosPrincipais de una passagem
posicional.Ela é de grandeajuda,pois nos auxilia a organizaro
sinamento para cadaum dos parágrafos,cenasou estrofes.li tdaparágrafo(ou seuequivalente)resultaráem um ponto prin_
incentiva a usar uma das seispartículas interrogativas para dct ou enunciado.cada um dos enunciadosresponderáà inierro-
nar o que a passagemestá tentando fazer.Devemos perguntar: " da maneiradefinida pela palavrahomirétiia chaveescolhida
passagemrespondeà pergunta 'quem', 'o que', por que', ì passagem.O exegetadeve rea6rmar os temas de cada um
'quando'ou'como'?"Somenteuma dasinterrogativas podeset' grafosna forma de verdadesatemporaise permanenresque
lhida para cada sermáo ou liçáo. A maneira de fazer isso é tott asideiasdos autoresbíblicosfielmentee, ao mesmorempo,
assunto ou título que escolhemose entáo percorrer o nosso estasverdadesàsnecessidades atuaisdo nossomundo.
de bloco ou a distribuiçáo mecânica e perguntar para cada rutt
parágrafos(ou seusequivalente5- "f isto [insira aqui o títttlo AP"lo da Conchrsão
mensagem]sobreum quem, que, por que, onde,quandoou rr da liçáo ou sermáodeveincluir um ou dois parágrafosde con-
Uma dessaspalavras responderá à pergunta mais adequadarrretttÕ que ffagam uma convocaçío a agrr, um desafio a mudar, um
que as outras. pera a consciência, consolaçáo para o presente e para o futuro
tl acusaçáopelo modo de vida impenitente. A pergurrra quc
fazeré esra:"O que é que Deuì desejaqr.r. ,rór-dig"-,r.r,
222 Pregandoe Ensinandoa partir do Ántigo Testanrcn

ou façamos,ou d€ que é que Ele desejaque nos arrependamos,cor


basenestetexto?"
como embaixadoresde cristo imploramosque aspessoassc r(
conciliemcom Deus. uma boa porçaãde nossapre paíaçaodevcst
dedicadaa'orar'percorrendoo rexro,com o desejoiefoetum apcr
à açáocom baseno texto. Frequentementeos evangélicosse sari
fazemem concluir a mensagemcom um apelo ,ori.rrr. às noss
habilidadescognitivas.Nós pedimosque os nossosouvinrescreiarr
recordem,relembrem,todos atos de iogniçáo. Mas rararnenrerì(,
dedicamosa específicosconjuntos de atosque a passagemexigetr
quem a ouvir- Até que a Palavrade Deus recebauma resposta,lr
aso, o pregadorou professornáo terâalcançadoos resultadosqu(.r
bom ensinamentoexige.
lpOnüicc
B

A IntegridadeBíblica
em uma Era de Pluralismo
Teológico

Em minha opiniáo, o momento mais dramático em todo o século


'Wimsatt
ocorreuem 1946, quando W: K. e Monroe Beardsle
seu artigo "The Intentional Fallacy' no SwaneeReuieul
ôo acabaria tendo repercussóesdurante todo o século e por todo o
literário. Muitas dascuidadosasdistinçóesque elesfizeram
estáoperdidasnas versóespopularesda sua obra, distinçóe
agora sáo interpretadas como defendendo algo como o seguinte:
que quer que um autor tenha dito, ou pretendidodizer,com sua
por escrito,é agorairrelevantediante dos significadosque
atribuindo como o significado que vemos no tefto deste
! Com basenisso,o leitor é quem define o significadode um

Esta assombrosa tese alterou todas as regras de comunicaçío e


Ela deu ao caminhopârao pós-modernismocom sua
um enormeincentivo definindo uma obra literária li-
das declaraçóese do pensamentodo seu autor, substituindo-o
t Ìr
por uma multiplicidade de significadosque eram imputadosà obra
Pregandoe Ensinando a paÍtir do Antigo Testamcntrr

enquantoo século)O(I agoraluta para ver se a Pâlavraintegriúule


ainda tem algum significadonos nossosdias!

Journal 18 (2000):
com altera@es,de Eaangelical
Reimpressão,
19-28.Usadocomautoriza$o.

O problema com as geraçóésanteriores,ditas pelospós-modcr


nistas,foi a"falâciaintencional",isto é, afaJâciade dependerdo r;ttc
um autor quis dizer com suaspalavras,como a verdadeirafontc ,le
significadode um texto.Mas, ao contrário,alardeavaa Nova Crítitrt,
o signiÊcadodevia ser enconüado no leitor, ou, pelo menos, cttl
algumafusáodos horizontesdo autor e do leitor, como tentou tlc.
clararHans-GeorgGadamerem 1960.
O livro de Gadameg Ti"uthand Metho* apresentoua tescclt:
contradano título do livro; especificamente, que a verdadenáo cnnr
segueresistirao esforçode um leitor de retornar ao significado
autor. Esta é uma tarefa impossível, pois cada intérprete tenì u
conhecimento novo e diferente do texto, segundo o momento hi
o precottccl
rico individual do próprio leitor. Consequentemente,
náo pode serevitado,pois a interpretaçáopréviaque alguémtrlz
texto distorcea suacapacidadede alcançarqualquersignificado
ficado dessetexto - s rnui16menoso significadodo autor! Nit
dade,o preconceitodeveserencorajado,e náo negado,no pro(
da interpretaçío. De qualquer forma, o significadode um texto
indeterminado,entáopor que sedeveagir como sefossefixo?( )
nificado sempre vai além do seu autor, e, portanto, é uma ati
produtiva e náo reprodutiva. Somente o assunto, e náo o autor C
determinao significado.No final, afirmou Gadamer,uma explir
de uma passagemjamais é inteiramente o resultado da persl)ct
do intérprete,ou o resultadoda situaçáohistóricaoriginal clr
Em vez disso,é o resultadode uma "fusáo de horizontes"(
Horízonnershnelnung).Aqui, as duas perspectivasse tornarÌl
terceira e nova alternativa, e consequentemente, um novo si
do. No entanto,os significados náo podem serrcl)rr
passados
no presente,pois o passado,como se declarou confiantetììcrìtc
pode ter presençanem status real no presenre.Mas o que é tutlc
senáouma dialética hegelianista mal disfarçada de uma resequ(
por uma antítese, que resulta em uma síntese?
Se o século )O( náo foi suficientemenre hesitante para as tesesdr
Beardsleye Gadamer,de 1946 a 1960, ainda viria Pau
t em 1965.3 Ele também se uniu ao araque à integridadt
qualquer comunicaçáo escrita, exigindo que um texto fosse se
te independente da intençáo do seu auror. Um textc
ia o que é dito à mente do leitor, náo necessariamenteo que
autor quis dizer. Uma vez que o texto tivesse sido escrito, os
significadosnáo mais eram determinadospelo autor nem pelc
mento que o público original tinha tido dos mesmos textos.
público posteriorpodia interpretara suaprópria situaçáoem
texto, pois um texto, diferentemente da palavra oral, ffanscende
circunstânciasoriginais.Ainda que esresnovos significado
devam ser completamente contraditórios ao entendimento do
original, podem ser diferentes,mais ricos ou até mesmo
empobrecidos.No final, Ricoeurdefiniu a possibilidadede que
abrissemum mundo inteiramente novo de significados
vez que o significado náo mais estavadiretamente relacionado
o que estava escrito, ou, às vezes, nem mesmo com o que era
ado no texto. O novo significado era livre dos limites situa-
de significado.
meio a esta cacofonia de vozes, a esta altura, quase universal,
eutores solitários ousaram dar início ao movimento para assas
o autor: um italiano, historiador de direito, Emilio Betti e um
americanode inglês na Universidadede Virginia, E. D.
Hirsch escreveupela primeiÍa vez em 1967,a admitindo a
ida com a obrade Betti, de 1955,em Roma.5Hirsch pergun
como podemos confirmar os significados que atribuímos aos
que lemos. A sua respostapor rejeitadapor quasea totalidade
geraçío - e até mesmo por alguns evangélicos. Ele ousou
226 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamcttttt

desejetransmitir por alguma sequênciade palavras.Além disso, cott=


tinuou, a única norma verdadeiramente discriminante, para distirr.
guir interpretaçóes válidas ou verdadeiras de inválidas ou falsas é rt
das declaraçóesou intençóes verdadeiras do autor. Dessa maneirrt, tr
significado é aquilo que é representadopor um texto; a importância,
por outro lado, se refere a um relacionamento entre aquele signiÍi=
cado e uma pessoa,um conceito, uma situaÉo ou outras coisas.( I
significado de um texto é fixo, mas a importância pode mudar, é
realmente muda.
fu polaridades definidas pelos nomes anteriores sáo as que colttl-=
nuam a dominar o século )C(I. É estaquestáo, mais do que qualtpte!
outra, que trouxe a crise à integridade literária.

A Integridade Bíblica Exegese


'-a
O abandono moderno do autor como o determinador do
ficado de um texto teve um efeito radical nos livros e manuais
foram produzidos sobre interpretaçáo bíblica e literária nas qu
últimas décadas.Em um esforço legítimo de evitar a condiçáo
capacitante de morte e de aridez de mera repetiçáo descritiva
materiais bíblicos, em que os "entáo" do contexto histórico drr
a.C. ou séculoI d.C. controlavamtodo o sermáo,muitos foram
o oposto extremo tornando o leitor soberano, acima do p
do significado.Nestebalançardo pêndulo, muita ênfaseé coloc
hoje em dia, sobreo"agofi', com uma ênfasena aplicaçáoou nit
portância do texto, de modo que pouco ou nenhum esforço é
para ver se há alguma conexáo entre a importância enfatizadir
aplicaçáo de um texto e o significado que o autor desejava.
Mas em que base um pregador ou professor evangélico se c(l
para tal separaçáona Palavra de Deus, desta maneira prejudice
a autoridade divina do texto para o povo de Deus? A resposta
tardou em vir. Para alguns evangélicos,ela se situava em duas C
(1) a prática da comunidade de Qumran, que foi atribuída r\
ca aproximada do nosso Senhor Jesus,e (2) a púttica supostârÌ
expansiva e subjetiva dos autores do Novo Têstamento na sua
227

do Antigo Testamento. O argumento que ainda é amplamcntc


pelos evangélicoshoje em dia, e que eu creio acarretao detri-
do nosso movimento e. em última análise. da doutrina reve-
das Escrituras confiáveis e inequívocas, é o fato de que há
excedentede significadoencontradona Bíblia que vai além do
mento dos próprios autores. Este excedente foi introduzido
texto, aparentemente, por Deus, sem que os autores soubessem
. Deus,que é o autor supremoe divino dasEscrituras,foi capaz
introduzir estessignificados adicionais no texto de tal forma que
iludiram os autores humanos que originalmente escreveramestes
sob a inspiraçáo de Deus. Consequentemente, uma teoria de
autoria foi desenvolvida no nosso meio atribuindo o significa-
tórico, gramatical, contextual ao autor humano, ao passo que
ificado mais profundo, espiritual ou aplicado será encontrado
algunschamamde significadosensus plenior, ou o que outros
de significadornidrashic,ou peslterdo texto.
chegamos a essasituaçáo?Isso âconteceu em três estágios.
ra fonte desta ênfasefoi o autor católico Andrea Fernandez.
1925, quefoi o primeiro a cunhar o termo sensus
Pleniore à es-
sobre ele. No entanto, somente quando o Padre Raymond E.
concluiuâ suatesede doutorado,em 1955,na Universidade
Mary, com o título "The SensusPleniorof SacredScripture",o
começou a apaÍeceÍ também em círculos evangélicos, cerca
ou vinte anos mais tarde. Brown definiu sensus
plenior como
significadoadicionale maisprofundo, tencionadopor Deus,
náo tencionado claramente pelo autor humano, que começa a
naspalavrasdo texto bíblico... quando sáoestudadosà luz de
ou de uma evolucáono entendimentoda revela-
revelacóes
16Esta perspectiva propôs uma trilha de duas partes para a reve-
uma que estavana superfície do texto e uma mais profunda,
escondida, em algum lugar que náo fossenas palavras, na
ica ou na sintaxe,para que pudesseser descobertapelasgera-
futuras.De modo alternativo,elepermitia que a revelaçáopos-
(por exemplo, como se vê no Novo Testamento) se nivclas.se
228 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamer

ou equrparasse ao mesmosentido que revelaçóes anteriorestinhar


ânunciado,mas a bas,epara o aiusredesrenovo níverde significat
jamaisfoi defendida.Tâmpoucofoi dadaevidênciate*tudlalé-
.r
dizer que todas as passagens das Escriturastêm o mesmo autor cr
vino. Além disso,argumenrou-seque seDeus é a fonte suprema
dr
revelaçáo,Ele é livre paraimputar quaisquersignificadosque
qu.i*
apesardasrestriçóessemânticase linguísticasque normaltente
su
enconffadasno texto.
O segundoestágioveio em uma sériede dissertaçóes, normal
mente escritasparatesesde doutoradosobreo Novo Testamenro
Reino unido, e que üaravamdo uso que o Novo Testamentofaz'tr
rre
citaçóesdo Antigo Tesramento.o primeiro desses trabalhosfoi o rlç
Earle Ellis, "st. Paul'suse of úe old.Tesramenr",mas foi seguid
por váriasoutrasdissertaçóes. Comum à maioria delasera a tesede
que os autoresdo Novo Testamentoatribuíam a estestextos malÊ
antigosum significadonovo ou adicionalque náo podia serenco'.
trado no significadosuperficialou na gramáticado autor do
rex*r,
Esta questáofoi acaloradamente contestadapor argunscríticos not
anos 1970, 1980 e 1990, mas ourros q,r. declaraçã
"rru-ir"*
seriaverdadeira,desdeque fosseo resultado "
de inìmeras tesescle
doutorado.
O terceiro estágioque se desenvolveusimultaneamenteconì
e
segundo,foi a descobertade vários comentáriosenrre os Rolos
do
mar Morto. A comunidadede
eumran praticavao que erachamrrcr
de apesher, tipo de exegese, em que valores,pessoas e situaçóescon_
temporâneaserarn diretamenteatribuídos .o-o valoresdL
.*"g.re
das-pessoas e situaçóesantigasdo texto bíblico. Assim, o "justo; de
Habacuque 1.4 se rornou o fundador da seita de
eumrán, o ,,eu
"professorde justiçd'. De igual maneira,no comentfuio
dacorììr=
nidadedo mar Morto sobreHabacuque,os caldeusou babirônior
foram convertidosnos contemporâneõs romanos,que estavamarìle=
açandoa comunidadedos essênios.
os três movimentosconvergiramna segundametadedo sécrrrs
)o( para se alinhar com o desenfreadomovimenro da aboliçã,
rlo
Aplndice B ,r.r()

êutor do processointerpretativo. Os evangélicosnáo coucot'drtl,tttt


com uma açío tío extrema' naturalmente, mas podiam eviclcttttltt
um tipo de complacênciaque mostravaque elesestavamdispost,,t ,r
srgumentar a favor de uma multiplicidade de significadossob dctcr'-
minadascircunstâncias.
Assim, o texto evidenciava um significado mais profundo qu.'
I)eus tinha de alguma maneira escondido no texto até que geraçócs
futuras repentinamente descobrissema teoria de duplo autor das
H,scrituras?Os autores do Novo Têstamento, na verdade, exibianr
uma postura revelacionalem seu uso supostamenteexpansivode ci-
taçóesdo Antigo Testamento que mostrava que havia mais no text<r
do que o olho via nos tempos do Antigo Testamento?E os apóstolos
de Jesusnáo somente estavamcientes de tais métodos interpretativos
no século I, como pesher e midrash, que abriram novos panoramas
de significado,mas também náo nos convidaram a seguir os seussu-
postosexemplos?Ou os apóstolostinham uma posiçáo de revelaçáo
privilegiada que permitia que elesexpandissemo que náo podia ser
visto no texto, enquanto nós sob nenhuma circunstância, devemos
imitar os seusprocedimentos,uma vez que náo somos recipientesda
revelaçáotal como é encontrada nas Escrituras?Isso equivale a dizer
que os apóstolos poderiam obter os assim chamados "significados
mais profundos" dos textos do Antigo Testamento que citavam, mas
nós náo devemosseguir o seu procedimento, uma vez que elesrece-
beram habilidades especiais par:- fazer isso em virtude do seu dom
de revelaçáo?

A Crise no Púlpito
Coitado do pobre pastor em meio a toda esta diversidadee plu-
ralismo! A quem ele poderá recorrer em busca de uma palavra clc
autoridadede Deus?Uma opçáo é confiar no próprio instinto e diz.cr
que o significado mais profundo que se desejaatribuir ao texto (' ()
correto, pois ele é um crente que pode perceberos significadost1tt.'
náo podem ser imediatamenreconfirmados por uma investigaçítotlrr
gramíticae da história que estáodiante de nós no texto. Se trrl srrlt

L !
ry
2.11
ÁpêndiceB
230 Pregandoe Ensinando a paÍtiÍ do Antigo Testamento

que Íìzcrrttrt
entáo devemos pedir UO":t:^t
é tar isenta destasrestriçóes,
jetividade náo for permitida pelas novas regrasdo jogo' entáo,isso qual p""t pt"tnce a qual
Inrtltr
esta úrmaçáo, que ;;;;t;;"m
melhor do q.re o t.diãro trabalho de provocar o significado fui"ti" dit'i'ao' E se ainda hotr-
e a teolo- e qual foi o critério o'"ao p '^
do texto trabalhanio com a gramática, a sintaxe, a história
-.rito do Novo Testamento receberatrr
ver o argumento oe ü;t'"t"o"' bifurcaçáo da
gia dos textos em grego' aramaico e hebraico' ío' capac\rando-osa fazer tal
esta linha d. d.*"'áç
Outros talvez J".id"- que' se os apóstolos pudessem encontrar suPor' fazendo uma concessáo
mo-
sido ;;;;g;-, também i""t-ot que
táo ricos significados no Antigo Testamento que náo tivessem que o número de passagens
telvez mentânea ao argumento anterior' lista de
advogadoslor métodos mais Ltigos de interpretaçáo, entáo, ou seàndário' se esgota pela
têm este significado """ft"
,r" rrõrr".r" do Espírito, p",toi pudessede igual maneira aplicar Novo Testamento ""ltttttttt
citam do
"rt. Isso seria passagensque os "tltt*t do e neste
uma pequena "extensáo hermenêuticd' a textos similares. esta lista meramente sugesdva'
sécu- Antieo Testamentol Ou será
partiàhrmenre compreensível uma vez que a comunidade.do
casoo rrusruPvsrs" .*4
#ï;*;il; d:"'
docritério
io I .r" provavelmerri" .*por," a métodos como peshere midrash'
::l Tt*:3
para estesensus Ï::":
plenior.
;i é
particularmentedifícil ã;";cer o critério
ã fornecer crlterroPd'r"^1'],i-
Ap"à, de todas r""iorr"lizaç6es deste tipo, ó pastor ou profes- é encontrado nogrúphe,,ÍÌo -!itt"iescrito'
queesrá
"r Eles estáo ffi;ï;?;r,
sor, eu insisto que você náo siga nenhum destesmétodos' "r. "i. difíceis, quando se percebeque
so-
suprema a perda Mas isso,entáo, recal nos tempos com Paulo'
carregadoscom gravesciladas, sendo a calamidade po' DËt"' de acordo
do púlpito mente o que está"";;é;;;p'i'"do
da arïtoridade divina pelo que está sendo comunicado
o fim' O que é em 2 Timóteo3.15-17'
"-'õ;t*-ento r . ,, .-^ t^^,^
caso estâsregras forem coerentemente aplicadas até
de q't" ott" deliberadamente deixouum hyponoia'
toda a
necessáriohã1., e a sólida pregaçáo da Palavra de Deus' em bíblico' ParaserdecifradoPoste-
de Deus), em todas as suas declara-
ou um significado.Jtf", no texto
sua extensáoitodo o
il;;:,-q,r".,do áïããtg", seri,a.tueb1"d"
"o.r..lho capítulo após capítulo) e em.todo o flor'rç'Lç'-]*:"*" " ----o- :::'ïi*:é uma m,r"*
.o cle^ro' declaraçáo
çóes (parágrafo após patâgtafo, or.,., .r.olliido,, se náotodos' Ieigose do clero,
:t^ïÏ,ï::,'i ' 'j
Fazer
,.,, páa.tlpo, ,.ì esirita sob a inspiraçáo do Espírito Santo)' pu^dizer o"mínimo' A palavla'revelaçáo"
apagar :;;;;;ì.
do q,t. isso será como usaÍ uma pistola de agua Par.a ^udo,' d.selava"rãvelar","descobrir"
(e um exército de outros é uma palavraq". "irï;-q;óeus
-.to.
um incêndfu de secularismo e paganismo
offiiâ*aoq; tinha ern 1ïÏ*^T:"'TïliÏï'l"tiï.
"ismos") que tragaram a cultura.
ï:'il;;ï"ffi"; ;;;';; -""'lt
;"' i"o é di"ordardo
próprioDeus'
rll No entanto, ouvem-se protestos ruidosos, quase imediatamente' da Presençâ de um signifrcadose-
náo Náo há uma sombr" ãt tt'idetcia redor
ll Eles se queixam: "Mas Deus, o verdadeifo autor das Escrituras, ou hyponoiadË"t'odo texto' ao
do autor cundário,místicooo otolto'
I pode incluir um segundo significado que é desconhecido díp'ot'" ota y1;]ff::*t::Ï
espiritual, do texto, ou sobt ";;õ;t'o ao ponto
iru-"rro das Escritiras?" Isõ parece ser suficientemente rentidose significaãossecundários
estáoPresentes
1111 mas seráque é? Eu declaro qo. .'t" é uma rePresentâçáo inexata dos il;;i; verdade'..::t"ï:ij:":tJt3:ï:
Êmquenóssomosi;J;;t desta,
semelhante'
fatos. Deus náo usou a linguagem dos anjos, nem outra queelesexpliquem;]ï:Ï'::: "'-
grego e da língurr tturÏï.
mas falou aos mortais ,r" Iittg.t"gtm do mercado ^iã;ü*';'omente destefenô.meno
loiúiza'aPresença
outril: lJr" p"r" Ï"lt]Ï;"t,:::ï:.ï::
encontrar estesva-
dos cananeus pagáos. Por quê? Por uma tazío' e nenhuma dt que vamos precisar para
lt ïãï;"tt;;;,'t"'
il Paraser entendido!
estrtt'
tttt"'dá'io'' Atè entáo'O:lt1r:-t:.Y::::::Ïl
lorese significados
Ì Se o argumento é que parte da comunicaçáo divina devia maneira como interPreamos
uns aos outlos
mas outrâ parte devia cs tnterpretar os textos da
sujeita as regrâs,rorrrr"ì, dã interpretaçâo,
1
232 Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamcrrt,r

- isto é, a menos que desejemosque cessetoda a possibilidaderlc


comunicaçáo!

A Crise nos Crrsos ïbológicos e na Igtg"


O que começou como uma crise de epistemologia e exegese,erìl
que náo havia lugar pan a verdade absoluta, muito menos para il
Palavra de autoridade de Deus, se espalhou em grandes ondas clc
consternaçáo.Tâmbém houve uma crise na vida da Igreja e nos
seminários teológicos, especialmentedurante as três últimas déca
das.Thêsdimensóesdesta crise foram delineadasno livro de Jeffrey
Hadden, The Gathering Storm in the Churches.THadden encontrorl
uma crise de fé, de propósito (qual é a missáo da lgreja?) e dl
orientaçáo dos líderes dalgreja (uma nova classede burocratas dl
igreja, que náo estavam intimamente conectados com a vida con-
gregacional).
À medida que o mundo de pluralismo engolia a igreja e os se-
minários, a perda tripla, mencionada por Hadden, se tornava mais
óbvia. Os seminários perderam a sua conexáo e identidade como
instituiçóes da Igreja e tenderam a se tornar centros autosuficientes
de refexáo e pensamento teológicos. Com muita frequência, com
certas notáveis exceçóesno mundo evangélico, os seminários ten-
diam a adaptar seusensinamentosà cultura do mundo do pós-Ilu-
minismo, revisando ou simplesmente negando a fe que a Igreja tinha
confessadono seu passado.Essaadaptaçáo foi autodestrutiva para a
teologia e para a própria existência daigrqa.
O livro de James Tirrner Without God,Il/ithoud Creeddescreviu
esta tendência descendentena doutrina também. Ele disse:

O ingredientecrucial, entáo, na mistura que produzia urna fe du-


radoura erarn as escolhasdos crentes.Mais exatamente,a descrença
resultavadas decisóesque os líderesinfluentesda Igreja - autores
leigos,teólogos,ministros - tomararn,sobre como confrontar as
pressóesmodernassobrea crençaieligiosa.Nem todasassuasdecisóes
eramo resultadode demoradae cuidadosareflexáo...Mas eramesco-
Áplndice B 233

lhas...paraneutralizar
asarneaças
modernasàsbascsrr:r<lir i,rr;ris,lt. íí.,
adaptandoDeusà modernidade.
."Em palavrasligeiramentediferentes,a incredulidaclct'rrrt.r.1iirr
;,.r'
queoslíderesda igrejacom excessiva
frequência seesqueciurrr tl:rrr;rrrs
cendência essencial
queé peculiarao Deusverdadeiro. L,lcslrtrst.:rr.rrr
uma religiosidadefuncionalna tentativade tornar o mund. rrr..llr,,r
tanto em termoshumanoscomo intelectuais.Assim, desejav:rrn t'.'
nhecera Deusde um modo humanoe intelectual, baseando-se rll,.,lrirs
no entendimentodestemundo.s

Tirrner pensou que a segunda razáo para e perda de enfoquc cr,r


n multiplicidade de quesróesque eram abordadasnos seminários
que chegamàs questóesambientaise políticas. os semináriosse ror-
naram voltados para as causas,com o tempo que anteriormente era
dedicado ao estudo de textos bíblicos e teologia agora dedicada a
uma multiplicidade de causas,muitas das quais eram imperfeitas e
condenadasà morte táo logo os seusdefensoresd.rap"rec.rsem. o
evangelhofoi prostituído por causasparoquiaisimperfeitas,especial-
mente aquelasem que o seminário náo possuíaexperiência:dècisóes
de política externa, plataformas políticas e econômicas e as causasde
todos os tipos de grupos que diziam ter sido vítimas do "sisrema".
A terceira razío de Tirrner por que a Igreja perdeu suas raízes e
sua missáo era a tendência do seminário de se conduzir como se
fosseuma faculdadeou mini-universidade. os seminárioshesitavam
ensinar de uma posiçáo que afirmassedererminadas verdadesda fe e
adotavam,em seu lugar, uma posiçáo de conduzir os estudantesem
uma jornada de estudo crítico da religiáo. o desenvolvimento do
caráter e da virtude náo mais fazia parte do chamado do seminário,
náo mais do que era a declaraçãoe a rransmissáoda fé transmiticla
aossantosde uma vez por todas.Jâ náo mais sesupunha que alguórrr
que tivessese graduado em um seminário rivesselido a Bíblia c ri-
vessefamiliaridade com as principais doutrinas dafé e a sua dcfi,s:r.
A instruçáo de grego e hebraico logo deixou o currículo de nruirrs
seminários,assimcomo
234 Pregandoe Ensinandoa partir do Antigo Testamento

trina. Na verdade, mesmo com estasexpectativastáo baixas dos gra


duados, a situaçáo ficou ainda pior quando já nío mais se esperava,c
muito menos se exigia que os novos professoresdos seminários tives
sem se formado em um seminário. O distanciamento do conteúdo
necessárioe do ensino da ft cresceuainda mais.

Alguns Efeitos Duradouros do Pluralismo


A imagem que emerge quando algreja entra no século XXI
nâo é nem um pouco encorajadora. Embora o evangelicalismo
tenha se isolado de algumas maneiras do grande impacto da per
da de um significado determinado na interpretaçío da Bíblia e
do pluralismo emergente da pós-modernidade, ele é suscetívcl
a algumas das mesmas forças culturais que têm moldado muitas
instituiçóes náo evangélicas.Impedindo uma grande renovaçáoe
reforma do movimento evangélico, a igreja evangélica provavel-
mente seguirá, ainda que atrasada, o padráo já estabelecido por
muitos que fizeram as pazes com a cultura contemporânea e a
adaptaram onde podiam.
De que se abriu máo na adaptaçáoà era pós-Iluminista?John H,
Leith forneceu a mais incisiva lista de perdas, na sua obra a respeito
da sua própria tradiçáo eclesiástica,na obra Crisis in the Church: The
Plight of TheologicalEducation eAqui eu apresento uma modificaçíro
e uma certa reorganizaçâo de muitos dos seus pontos. A primeira
grande perda é a perda da orientaçío da igreja, como resultado dls
posturas dos departamentos teológicos das universidades e da secrr-
laúzaçío da igreja. Leith aborda vários aspectossob este título, qrre
merecem uma reflexáo. Em primeiro lugar, esquemasde pagament(r
que recompensem os administradores com valor significativamelìtc
mais elevado do que os ,professorescom reputaçóes internacionais
demonstram que o seminário está seguindo um modelo seculare
náo o da lgreja. Em segundo lugar, a vida no campus do seminário
geralmente náo é diferente da vida em um campus secular. Em tcr
ceiro lugar, políticas secularesde estabilidade no emprego minnnr
a confiabilidade da Igreja insistindo que os professorescujo ensino
\

lplndiceB
235

náo esteiade acordo com a vida da igreja ainda sejam conservrltl<ts,


lnesmo que a Igreja náo aprove isso.
Há também a perda de um sensode missáoe direçáo em muittts
teminários, hoje em dia. Qualquer ênfasena evangelizaçâo,no disci-
pUlado, e nas missóesprovavelmente trará um eÍÌxame de protestos
dc muitos que consideram rais tópicos abaixo da sua dignidade ou
vocaçío em um cenrro de estudo acadêmico. onde estáo os encora-
na vida cristá?Eles sáo enconffados em
Jamentospara o crescimenro
poucas universidades, seminários e faculdades cristáos'
Acompanhando as perdas mencionadas acima, estáo duas outras
Caract.rísìicasque náo sáo sinais saudáveisneste mundo pluralista.
ins-
,uma delas é a perda da gratidáo e da confiabilidade. Muitas das
tituições consagradasde ensino superior foram construídas com do-
eçóesde pessoastemenres a Deus e que amam a Bíblia e esp€ravam
Foisas destas escolas.Mas hoje poucas relembram os doa-
a sua ft e também náo sevê nenhuma graddáo a Deus pelo
-.lhor..
idor., ou
iôeu sacrifício e visáo. Esta ausência de memória é crítica, pois gera
iouestóesde moralidade assimcomo de direçáo.como um conjunto
[üt.ir"-.rrre novo de propósitos pode ser adotado, substituindo e
a instituiçáoì
[pontradirendo os propósitos daquelesque construíram
quando acusa os
[t.i.t quase assume o papel de um antigo profeta
lüd.r., àr,r"is destasinstituiçóes, perguntandolhes como tais distor-
t. .
çóespoderiaserjustificada.
Hâtambém a perdada liberdadeacadêmicareal, uma vez que a
revisáodo currículo continua inabalável.Onde asescolasensinavam
Bíblia, história da igreja, teologia (incluindo ética) e teologia Pasto-
ral, muitos destesestudos foram substituídos por campos de estudo
altamente especializados,permitindo pouco tempo para o domínio
de uma visáo abrangente da Bíblia e da teologia. Além disso, em um
esforço p"r" liberdade para o estudo da fé, o pêndulo
"onqtrìstar lado, com um grito por liberdade fé' A
ja osiiloì paÍa o ã,rtto
-da
iiberdad. acadêmica em um campus cristáo náo é algo fácil de deÍì-
nir. É preciso haver liberdade para estudar tudo de todos os âng^ulos
issodeveser fcittr
confessionais,
I porrí*i., mas' para comunidades
236 Pregandoe Ensinandoa partir do Anrigo Tesrarrrcrrtr

no contexto dos limites estabelecidos pela nossafe. Jamaisnouve


uma comunidadede estudoque estivesse igualmenteabertaa c,r,lr
ideia possível:tal versáoabsolutistanáo é possívelnem mesmo
l).rc
um secularista que estejacomprometidocom a suaprópria versá.rle
relativìsmo,pluralismoou ourra.A teologialiberalpod. ,., mrrirrr
liberal quando se trata de certosdogmasacordadosculturalmcrrrr,,
masé muito pouco liberal com relaçáoàsideiasque náo adotou.Ar
ortodoxiasda correçãopolítica e certos"resulradosassegurados rle
críticaliterária da Bíblia" náo deixamlugar paraa tolerância,ap(.s,rl
da supostafidelidadepara com o pluralismo e a liberdadeacaJôrrrl
ca.
Estasperdasnáo podem continuar por muito tempo sem (llte
aconteçauma crisede gravesproporçóes.Algodevecedernesreesr{,
,
do de coisas.ou a Igrejanáo mais reconhecerá o seuramo acadôrrrl= j
co e a instiruiçáo deveráse rornar parte de outra missáo/declar,rçn
I
de intençóes'ou a instituiçáo deveráexaminarseriamenreo qu. .h
I
setornou' abandonaralgunsdos caminhosque trilha atual-.,.,,.3
|
adotarüma novaresponsabilidade com a Igt r", a suaft e o pap"l ,b I
autoridadedasEscrituras I

A Conclusáodetudo isso I
Está claro que quando aparecemcríricassecularesaos dep,rrtn.
I
mentosde teologiae aosseminários,como o artigo de paul \úitk.r,
I
publicadono AtlanticMonthlyem dezembrode lÓ90, é o I
para que os membros da igreja, as universidadescristás,^on.,.,,ro
adnrirrlt. I
ffadoresde semináriose os professores comecema presrarat.nq.0rl,I
Mas muitos' nestâsescolas,começarama dispararì"r-.. d" .t,reI
há uma criseem andamento.Nós já nos referimosa crisis itt'iln I
churclt,deJohn Leiú, que descreve a situaçáoenrreos presbir"rln= |
nos.Na united Methodistchurch, Geoffreyìvainwright da l)rrke
I
university e Thomas oden da Drew university foram igualnrcrrte
I
francosnas suasanálisesda dificuldade que se apresenr"l tg".|,r e
I
seussemináriosou departamentosde teologia.RobertJensonc ( )nrl I
Braatendetalharama crise na Igreja Luterana e christopher srlrt
l
t.ì7

um artigo muito interessanteem relaçáoà igreja episcopll, rro


de junho-julho de 1994 de First Things.lo
Os evangélicosnáo podem assumir um ar convencido e superior,
a menos que tenhamos um cuidado vigilante, táo certo conro
dia segue à noite, muitos seminários e igrejas evangélicos cairáo
mesmasciladas.Seráque náo há nada que possaser feito, para
ir estatriste situaçáo entre os nossospróprios membros? Clar<r
há!A primeiralinha de defesanestedebateé insistirque o auror
o direito de determinaro que o seutexto quer dizer,anresquc
outra pessoadiga o que este texto quer dizer. Isto é crítico.
esta batalha for perdida, os resultados desasrrososda modernida-
e da pós-modernidade sáo inevitáveis.
Uma segunda linha de defesaé a necessidadede proteger todos os
da instituiçáocom uma cláusulade dissoluçáoque exigeque
conselho de fiéis das nossasinstituiçóes cristás votem anualmenre
ndo se a instituiçáo ainda está aderindo às declaraçóesdoutri-
ias e propósitos que eram as basessobre as quais as doaçóesforam
itadas. Caso isto náo seja verdade, o conselho deverá transferir
v, v vv.r L

dinheiro a outro grupo que esteja em conformidade com estas


doutrináriase propósitos.
A sugestáofinal para conservar a integridade bíblica em meio ao
ho cultural da subjetividade,do relativismoe do pluralismo, é
tituir formas mais rígidasde confiabilidadeà Igreja. Com muita
, há muita ênfase na aprovaçáo de padróes de credencia-
de associaçóesnacionais ou profissionais, mas náo se presta
huma atençáo a uma avaliaçâoeclesiástica.Náo seria mau se a
cinco anos, cada uma das principais divisóes do departamento
teologia do seminário voluntariamente convidasse segmentos da
nidade eclesiásticapara avaliar seus objetivos, ensinamentos c
assim como os alunos que ela forma, da mesma manci-
como toda a universidadecristá deveria solicitar uma auditoria
ilar da sua obra. Essasavaliaçóespor escrito e as resposrasdo sc-
ário estariam disponíveisa doadorese estudantesem potencirrl,
Notas

Introdu$o

I (Nashville:Abingdon,
John Bright, TheAuthority of the OId Testament
1967),p.151.
2 lbid., p.92.
Elizabeth Achtemeier, The Old Tèstamentand the Prockmation of the
'
tminster,1973), p'l 42.
GospeI (Filadélfia:'W'es
1 Foster R. McCurley Jr., Prockiming the Prornise(Filadélfia: Fortress
1974), p. 39; Donald E. Gowan, Reclaimingthe Oll. Testament for tht
ChristianPulpit (Atlanta:John Knox, 1980), p. 4.
t Gowan, Reclaimingthe Olà Ti?starnent, p. 13.

Capítulo 1: A Importância do Antigo Ïbstamento Hoie


I Veia'SralterC. KaiserJr., TowardRediscouering (Granc
the Old Tëstamenr
Rapids:Zondewan, 1987), pp. 26'32.
2 Paraaquelesinteressados no esquemado sermáoutilizado a partir de I
Samuel3, aqui está:
.,O
Título: poder da Palavrade Deus". cada uma dasquatro cenasdesr
narrativa foi convertida em um item principal de algarismoromalìo
pois começounos diasanteriores,prosseguiuem uma noite, entãoPrt
souparaa manháseguintee finalmenteterminounosdiassubsequctrt
destamensagem:I. Que a palrrv
Assim, havia quatro "características"