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EXERCÍCIOS INTERVALADOS (HIIT e SIT):

EXERCÍCIO

MOLECULAR

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨ ANDRÉ OSVALDO BRANDÃO GUIMARÃES (M.Sc)

HISTÓRICO

E

FISIOLOGIA

DO

BRASIL - NATAL-RN, MAIO DE 2015

O AUTOR:

ü Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília;

ü Mestre em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte;

ü Especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina;

ü Especialista em Biofísica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte;

ü Oficial da Reserva da FAB, do Quadro Complementar,

especialidade de Educação Física, chefiou a Seção de Educação Física da Base Aérea de Natal no período de 2001 até 2010;

ü Coordenador-Técnico do Programa “Academia da Saúde”, em

Extremoz-RN;

ü Professor das disciplinas: “Medidas e Avaliação em Educação Física e Esportes”; “Bioquímica da Educação Física”;

“Desenvolvimento Motor” e “Metodologia dos Esportes Coletivos” da UNIFACEX-RN;

ü Aprovado em 1º lugar nos Hospitais Universitários, para o cargo

de Profissional de Educação Física, de Aracaju, Pernambuco (HUPE) e Rio Grande do Norte (HUOL).

APRESENTAÇÃO

Ao iniciar este trabalho, tive a preocupação de proporcionar ao leitor uma abordagem profunda, porém objetiva, do exercício intervalado ou intermitente.

Assim, iniciamos a obra por uma breve viagem na linha do tempo, mostrando que os esforços intermitentes foram essenciais para a sobrevivência da espécie humana.

Prosseguimos, demonstrando que a metodologia do treinamento intervalado teve sua origem, ainda, nos anos 1850 e que, somente nas últimas décadas, esse tipo de exercício alcançou o seu reconhecimento, frente ao público não-atleta.

Por fim, o leitor será conduzido ao “estado da arte” dos exercícios intervalados, através do estudo da fisiologia do exercício molecular. Com esse foco, abordaremos as moléculas-chaves que conectam a prática desses exercícios aos benefícios fisiológicos desse tipo de treino.

SUMÁRIO

1.INTENSIDADE DO EXERCÍCIO E EVOLUÇÃO HUMANA

2.HISTÓRICO DO TREINAMENTO INTERVALADO

2.1.DEFINIÇÕES

3.BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO INTERVALADO: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA

4. FISIOLOGIA MOLECULAR DOS EXERCÍCIOS INTERVALADOS

4.1 O MÚSCULO ESQULÉTICO COMO ÓRGÃO SECRETOR: MIOCINAS

4.2 PGC-1-alfa: UMA PROTEÍNA COM MUITAS AÇÕES

4.3 INTERAÇÃO ENTRE O PGC-1-ALFA E MIOCINAS

4.4 RESPOSTAS DAS MIOCINAS AOS EXERCÍCIOS INTERVALADOS

4.5 RESPOSTA DO PGC-1-ALFA AOS EXERCÍCIOS INTERVALADOS

REFERÊNCIAS

1.INTENSIDADE DO EXERCÍCIO E EVOLUÇÃO HUMANA

intervalados,

devemos refletir sobre qual seria a intensidade mais natural ao ser humano.

Leonard (2003) afirma que a posição bípede foi assumida há cerca de 4 milhões de anos, pelos Australopitecus, sendo esses os primeiros hominídeos. Esse autor indica que o bipedalismo conferiu eficiência aos hominídeos, pois os bípedes possuem mais facilidade, por exemplo, para caminhar, em relação aos quadrúpedes.

Segundo Navarro (2006) podemos situar o início da espécie do homem moderno – Homo Sapiens- no limiar da Idade da Pedra (600.000 a.C.), ou período Paleolítico. Esse início ocorre com o aparecimento do Homem de Neanderthal e o Cro-Magnon.

Nesta linha, Oliveira (2004) relata que no período Paleolítico os homens deslocavam-se até 15 Km por dia para realizarem caçadas, essas eram feitas de 1 a 4 vezes por semana.

Alroy (2001) cita que essa estratégia humana –de longas caminhadas para caçar – foi responsável pela extinção de espécies de grande porte, como algumas espécies de mamutes e de antílopes.

Em relação à estratégia de caça, a principal era aquela na qual grupos humanos acompanhavam, caminhando e realizando curtas corridas, uma determinada manada. Em determinado momento, próximo a penhascos, esses grupos munidos de lanças com pontas de pedra lascada e fogo, acuavam o grande mamífero até que caísse do penhasco (Alroy, 2001; Leonard, 2003).

Dessa forma, fundamentando-se nos autores acima e segundo as ideias de Smith (2008), podemos deduzir que a espécie humana garantiu sua alimentação e sobrevivência graças a estratégia do esforço de intensidade leve-moderada (longas caminhadas) mesclada com o intervalado de alta intensidade (curtas corridas, arremessos/lançamentos de lanças e pedras, ações essas necessárias, no momento crucial da caçada).

Interessante, ainda, é que essa estratégia –do caçador primitivo- foi adaptada pelos exércitos na manobra conhecida como marcha, descrita por estudiosos, como Clausewitz (2003). Essa consiste em caminhadas que podem consistir em até 24 km diários, objetivando encontrar o inimigo e

Antes

de

iniciarmos

um

estudo

sobre

exercícios

utilizando-se do fator surpresa, na forma de ataques rápidos, subjugá-lo.

Reforçando as ideias acima, estudos tem mostrado que a principal característica dos esportes coletivos são corridas de sprints acompanhadas de rápidas recuperações (Hoffmann e cols, 2014). Smith (2008) vai além: afirma que, praticamente, não há esportes fundamentados em longas atividades contínuas aeróbias, exceto corridas de longas distâncias. Até mesmo em nosso cotidiano, o mais comum é conjugarmos caminhadas com curtas e vigorosas corridas para atravessarmos uma rua movimentada, pegarmos um ônibus, ou chegarmos a tempo numa reunião, quando o atraso é eminente.

Podemos concluir que realizar corridas contínuas, de baixa a moderada intensidade, por 30-60 minutos, não refletem um padrão de esforço fisiológico natural ao ser humano, ou seja: praticar esse tipo de exercício não se traduz em ganho de funcionalidade, em nossa realidade diária. Daí o grande sucesso dos exercícios intervalados, até mesmo entre sedentários, pois ao trabalharem com uma dinâmica própria da nossa rotina (esforços rápidos e intensos combinadas com intervalos de baixa-moderada intensidade) propiciam tanto benefícios para a saúde e composição corporal, como ganhos na funcionalidade cotidiana e na performance de esportes.

2.HISTÓRICO DO TREINAMENTO INTERVALADO Por volta de 1850, alguns treinadores americanos – como Dean Cronwell, Lawson Robertson e Mike Murphy – passaram a fazer alguns treinamentos, onde ocorria a divisão de percursos em trechos de velocidade maior e outros com pausas para recuperação orgânica. Entretanto, por ainda não haver uma sistematização do treino intervalado, esses treinadores apenas faziam mudanças - que não seguiam padrões- em treinamentos oriundos da escola inglesa (Almeida, Almeida & Gomes, 2000).

Porém, as origens do treinamento intervalado encontram-se na escola finlandesa de treinamento desportivo. Pois, segundo Almeida, Almeida & Gomes (2000) foi o treinador Lauri Pihkala que por volta de 1912 desenvolveu o sistema finlandês de treinamento. Seus alunos percorriam, de quatro até cinco vezes, distâncias variando de cem até duzentos metros, com esforços intensos e pausas de dez até vinte minutos. Daí, afirmar-se que foi Pihkala o criador do treinamento intervalado. O seu método apresentava as seguintes características: inclusão de treinamento de velocidade para meio- fundistas e fundistas; corridas curtas e intensas, alternadas com intervalos longos para recuperação orgânica; incrementos tanto na quantidade como na qualidade dos treinamentos.

Buchheit & Laurse (2013) afirmam que, já nos anos 1920, o pesquisador A.V. Hill incluiu o treinamento intervalado em seus experimentos. Foi nessa época que, segundo Billat (2001), o famoso corredor finlandês Pavoo Nurmi introduziu o treinamento intervalado curto: seis tiros de quatrocentos metros em sessenta segundos, com velocidade de vinte e quatro quilômetros por hora, dentro de uma corrida lenta de dez até vinte quilômetros, realizado em florestas.

Antes de eclodir a Segunda Grande Guerra, o fisiologista alemão Woldemar Gerschller desenvolve, em 1936, um sistema intervalado de treino que se caracterizava por sessões feitas em pistas de atletismo (não mais em campo aberto), treinos mais curtos, alternância entre corridas curtas e longas, além do controle de tempo nos percursos (Almeida, Almeida & Gomes, 2000). Gerschller, em 1939, na cidade de Friburgo, Alemanha, usa essa metodologia em seu atleta, Harbig, conseguindo superar recordes mundiais nos quatrocentos e oitocentos metros (Tubino & Moreira, 2003). Porém, fora

do contexto do treinamento físico, o cardiologista alemão Herbert Reindell, também nos anos 1930, fazendo uso de exercícios constituídos por corridas de curta distância, intercaladas por pausas de descanso, verificou -em seus pacientes- hipertrofia cardíaca e aumento do débito cardíaco, assim como uma melhoria no consumo de oxigênio (de Paula & Alonso, 2008). Dessa forma, podemos afirmar que o treinamento intervalado científico surge da interação singular do esporte de rendimento com a clínica médica, tendo o exercício físico como elemento comum.

Neste contexto, propaga-se, pelo mundo do treinamento desportivo, a nova metodologia, e nos anos 1950 o famoso corredor olímpico tcheco Emil Zatopek - campeão olímpico em Helsinque em 1952, dos cinco mil, dez mil metros e maratona - popularizou o treinamento intervalado de alta intensidade. O técnico de Zatopek, Hron, passou a aplicar o treinamento intervalado influenciado pelo húngaro Klement Kerssenbrock. Zatopek utilizava-se de distâncias entre duzentos e quatrocentos metros para seus treinos intervalados de alta intensidade (Billat, 2001; Tubino & Moreira,

2003).

No ensinamento de Tubino & Moreira (2003), em 1952, Gerschller une-se ao, já citado, cardiologista alemão Reindell e, finalmente, fundamentam uma concepção científica para o treinamento intervalado. Complementam Almeida, Almeida & Gomes (2000) com a afirmação de que essa união ocorreu devido ao espanto, desses cientistas, com os fantásticos resultados alcançados por Zatopek. Assim, o grupo formado por Gerschller, Reindell, Helmut Roskamm e Joseph Keul realiza inúmeras investigações clínico-médicas, observando as alterações fisiológicas ocorridas nos atletas e sedentários, quando submetidos ao treino intervalado.

Nesse panorama, segundo Billat (2001), a primeira publicação de um artigo científico sobre o treinamento intervalado ocorre em 1959, num artigo de autoria de Reindell & Roskamm. A segunda publicação ocorreria em 1962, em artigo de autoria de Reindell, Roskamm e Gerschller.

Nestes artigos, aqueles pioneiros descreveram, cuidadosamente, a metodologia de aplicação do treinamento intervalado: as distâncias passaram a ser de cem e duzentos metros, o número de repetições chegou até cem, o intervalo entre os estímulos não ultrapassava o tempo de um minuto e a ação,

durante esse intervalo, era caminhar, trotar (a pausa ativa). Eles, ainda, abordaram os determinantes do treinamento intervalado, segundo a fórmula:

DTRIA (Distância, Tempo do estímulo, Repetições, Intervalo de recuperação, Ação durante os intervalos de recuperação) (Tubino & Moreira, 2003).

Atualmente, segundo Tubino & Moreira (2003), o “D” foi trocado por “E”, de Estímulo, já que nem sempre serão em distância os esforços dos atletas, assim ao invés de “DTRIA” atualmente temos “ETRIA”.

Billat (2001) e Buchheit & Laurse (2013) apontam o grupo liderado pelo eminente fisiologista sueco Per Olof Astrand, nos anos 1960, como responsável pela detalhada fundamentação fisiológica do treinamento intervalado. Segundo Billat (2001) Astrand desenvolveu um treinamento intervalado longo, em uma velocidade de estímulo localizada entre a velocidade crítica e a velocidade do consumo máximo de oxigênio, ou seja: o estímulo ocorria com uma velocidade entre noventa e noventa e dois por cento da velocidade obtida no consumo máximo de oxigênio. Billat (2001) observa que o intervalo, entre os estímulos, era de completo repouso e que atingia-se o consumo máximo de oxigênio ao final da última repetição. Nesse viés, ressalta aquele autor, o grupo de Astrand considerou essa metodologia como a melhor, entre as outras aplicadas ao treinamento intervalado, para aperfeiçoar o consumo máximo de oxigênio, desde que todos os parâmetros cardiorrespiratórios eram levados ao limite. Nesse mesmo período, o grupo de Christensen propõe um treinamento intervalado muito curto, na forma de corrida, com velocidade igual a velocidade do consumo máximo de oxigênio, consistindo em dez segundos de corrida e dez segundos de completo repouso. Com esse treino atingia-se o consumo máximo de oxigênio com uma baixa acumulação de lactato sanguíneo.

Assim, expõe Billat (2001), Astrand e o grupo de Christensen realizaram os primeiros estudos acerca dos efeitos imediatos e de longo prazo do treinamento intervalado sobre o metabolismo, além de descreverem a cinética do consumo de oxigênio em resposta a esse tipo de treino.

Saltin

publicam dados do consumo máximo de oxigênio de vários atletas que adotavam uma metodologia de treino intervalado.

Observamos que, até o momento, toda a contribuição de cientistas e

Nos

anos

1967,

os

fisiologistas

suecos

Astrand

e

Bengt

técnicos para o desenvolvimento do treinamento intervalado teve sua origem no continente europeu. Somente ao final dos anos 1960, um grupo da Escola americana resolveu dedicar-se ao estudo do treinamento intervalado. Foi o do eminente fisiologista Fox que realizou vários estudos sobre esse treinamento no contexto militar (Billat, 2001).

Os anos 1980 registraram excepcionais corredores olímpicos que se utilizaram do treinamento intervalado, tais como: Sebastian Coe e Said Aouita.

Porém, o treino intervalado que já era sucesso entre os atletas- somente ganhou destaque, entre a população não-atleta (sedentários, pessoas fisicamente ativas e os portadores de patologias), na metade dos anos 1990. Nessa população, principalmente entre os praticantes recreacionais de exercícios físicos, predominava a prática do exercício contínuo de intensidade submáxima.

Uma possível explicação para o maior sucesso dos exercícios contínuos de baixa-moderada intensidade, particularmente o treinamento de corrida, sobre os exercícios intervalados, segundo Smith (2008), foi o pioneiro trabalho de Hollowszy. Em 1967 ele demonstrou que as enzimas mitocondriais dobram em resposta ao exercício de corrida contínua, feita em esteira, por ratos. Como dificuldade adicional, continua Smith (2008), a tecnologia da época limitava o estudo do metabolismo anaeróbio. Esses fatos, em conjunto com a explosão mundial da prática dos exercícios aeróbios – liderada pelas pesquisas do médico americano Kenneth Cooper, autor do “método de Cooper” - levou a um verdadeiro direcionamento, por parte das industrias e dos estudiosos, para a prática de exercícios contínuos de baixa- moderada intensidade, com ênfase para as corridas contínuas.

Esse domínio, absoluto, da prática dos exercícios contínuos de baixa- moderada intensidade, na população não-atleta, perdurou até metade dos anos 1990. Nessa época, Tabata e cols (1996) realizaram um estudo clássico o qual popularizou o treinamento intervalado de alta intensidade. Eles aplicaram em catorze sujeitos destreinados, divididos em dois grupos de sete, dois protocolos, ambos realizados em uma bicicleta ergométrica: um de treinamento de sprint de alta intensidade (SIT), consistindo de sete a oito séries, cada série durando vinte segundos, com intensidade de treino igual a

170% do VO 2 máx, com dez segundos de intervalo entre as séries, sendo esse

treinamento conduzido 5 dias por semana, durante seis semanas; já o outro

em treinamento submáximo, com 70% VO 2máx , 60 min

por dia, 5 dias por semana. Ao final, observou-se um aumento de 15% no VO 2 máx no grupo do SIT versus 9,4% no grupo do exercício submáximo;

além de um incremento de 28% na capacidade anaeróbia no grupo do SIT, com nenhum efeito, nessa variável, no grupo do treino submáximo. Dessa forma, evidenciou-se que os ganhos na potência aeróbia foram maiores no treinamento intervalado de alta intensidade. Ainda mais: os ganhos na potência anaeróbia foram muito superiores e o tempo total de treinamento gasto foi bem menor: menos de três minutos por dia, durante cinco dias por semana, o que representa uma escala de tempo bem interessante, quando comparado aos sessenta minutos do treino submáximo.

protocolo consistia

Dessa maneira, no transcorrer dos anos 1990, prosseguindo até a atualidade, estudos – como os conduzidos por Gibala (2007, 2008, 2012, 2014 e 2015) - mostraram que o treinamento intervalado, realizado principalmente em esteiras e bicicletas ergométricas, melhora as capacidades aeróbia e anaeróbia, aperfeiçoa a composição corporal, diminui a resistência à insulina, entre outros efeitos benéficos que abordaremos no transcorrer deste trabalho.

Neste cenário, traz o American College of Sports Medicine (2014), em sua “Worldwide Survey of Fitness Trends for 2015” que a prática do treinamento intervalado de alta intensidade ocupará a 2º posição no ranking das tendências, em fitness, para o ano de 2015, deve ser observado que o ACSM cita as vinte principais tendências para cada ano.

2.1.DEFINIÇÕES

Segundo Gibala, Gillen, Percival (2014) treinamento intervalado refere-se ao método que alterna períodos de exercício relativamente intenso com outros de baixa intensidade ou completo repouso.

De Paula & Alonso (2008) expõem que o treinamento intervalado pode ser classificado de acordo com os seguintes critérios: tipos de metabolismo utilizado, tempo de duração do intervalo de trabalho e repouso, intensidade e volume de trabalho.

Gibala, Gillen, Percival (2014), citando Weston e cols (2014), definem duas divisões para o treinamento intervalado, baseado na intensidade. Em consonância com esses estudiosos, Fernandes-Fernandez e cols (2012) fazem algumas observações sobre a metodologia de aplicação do treino intervalado.

Levando em conta os autores, acima citados, podemos contextualizar algumas variáveis – desse tipo de treino- principalmente intensidade do estímulo e tempo de repouso, para definirmos duas metodologias de treinamento intervalado de baixo volume:

1.HIIT (“High Intensity Interval Training” ou Treino Intervalado de Alta Intensidade): todo aquele protocolo que possui um estímulo de treinamento próximo do máximo, o que - exprimindo em intensidade - equivale a valores entre 80-100% da frequência cardíaca máxima, ou ainda: é o protocolo que requer 90-100% da velocidade relativa ao consumo máximo de oxigênio, com repousos –entre os trabalhos- indo de 15 segundos até 4 minutos;

2.SIT (Treino Intervalado de Sprint): é o protocolo que possui um estímulo de treinamento ‘all out’ ou supramáximo, ou seja, são cargas de trabalho as quais requerem mais de 100% do consumo máximo de oxigênio e possuem uma relação entre trabalho e repouso entre 1:4 a 1:6, sendo o tempo de recuperação, entre os trabalhos, sempre menor que 60 segundos.

Discutindo a aplicação do HIIT, Gibala (2015) descreve dois protocolos básicos, existentes na literatura científica, para sua aplicação, quais sejam:

a)

O primeiro é um protocolo com duração, do estímulo, de 30

segundos, realizado numa bicicleta ergométrica, com carga equivalente à 7,5% da massa corporal total. Geralmente, utiliza-se

de quatro a seis repetições, desse protocolo, por sessão, separados por intervalos de poucos minutos, por exemplo: quatro minutos. Esse protocolo é denominado de teste de Wingate;

b) O segundo protocolo também é realizado em cicloergômetros,

com esforços entre 10 e 60 segundos e intensidade em 100% da potência pico (obtida durante um teste de rampa que meça o consumo de oxigênio pico), ou em 90% da frequência cardíaca máxima. As pausas de repouso devem ser da mesma duração do estímulo.

Quanto às pausas de recuperação, entre os estímulos, Lucas, Denadai

& Greco (2009) demonstram que no treinamento intervalado, composto por estímulos com intensidade acima de 100% do consumo máximo de oxigênio

e duração curta (<60 segundos), a recuperação deverá ser passiva. Já com

estímulos mais longos, afirmam os autores, a recuperação ativa pode ser mais interessante, pois promove uma maior remoção de lactato sanguíneo.

Informa, ainda, Gibala (2015) que o termo “baixo volume”, aplicado ao HIIT e ao SIT, implica em um somatório total de esforços – por sessão de treinamento- que dure um tempo igual ou menor que 10 minutos.

Novamente, citando Weston e cols (2014), Gibala, Gillen, Percival (2014) sugerem que o termo “Treinamento Contínuo de Moderada Intensidade” (TCMI) seja utilizado para descrever protocolos de exercícios contínuos. Assim, podemos afirmar que o TCMI utiliza intensidades menores, em relação as vistas para o HIIT (80-100% da frequência cardíaca máxima) e para o SIT (mais que 100% do consumo de oxigênio máximo). Daí ser um treino contínuo e de média ou longa duração, decorre, disso, ser o TCMI, às vezes, denominado de protocolo de exercício submáximo.

Por fim, observamos que não iremos traduzir os termos HIIT e SIT para o português, preferimos manter os termos originais. Isso ajuda a

padronizar as nomenclaturas, evitando confusões metodológicas entre leitores

e pesquisadores. Assim, sempre que falarmos em treinamento intervalado, neste trabalho, estaremos falando na utilização do HIIT ou do SIT.

3.BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO INTERVALADO: UMA BREVE REVISÃO DA LITERATURA Neste tópico faremos uma síntese, em ordem cronológica, dos estudos mais importantes realizados, a partir do início deste milênio, sobre o treinamento intervalado. Veremos que a grande maioria foi conduzido em populações não-atletas: fisicamente ativas, sedentárias e/ou portadoras de patologias, mostrando que o foco da ciência do exercício de alta intensidade, atualmente, não está voltado para os atletas e sim para o cenário clínico da aplicação de exercícios físicos. Sendo isso fácil de entender, ao relembrarmos a população alvo do estudo pioneiro do grupo de Tabata (1996) e o cenário do nascimento do treinamento intervalado científico: parte no campo de treinamento esportivo e parte em uma clínica cardiológica.

Laursen & Jenkins (2002) sumarizaram vários estudos sobre a influência do treinamento intervalado sobre sedentários e atletas altamente treinados. Concluíram que em sedentários e indivíduos ativos esse treinamento melhora a potência aeróbia em maior grau do que o treinamento submáximo isoladamente. Em atletas altamente treinados, citam os autores, o treino intervalado pode melhorar, significativamente, a performance aeróbia.

Swain & Franklin (2005) ao analisarem estudos clínicos e epidemiológicos, acerca dos benefícios cardioprotetivos dos exercícios moderados e intensos, concluíram que esses últimos parecem conferir maiores ganhos para a saúde cardiovascular.

Adams e cols (2006) encontraram que pacientes de doença vascular, quando submetidos ao treinamento intervalado durante a fase de reabilitação, mostravam respostas adaptativas favoráveis tanto ao tratamento quanto à habilidade de executar exercícios de alta intensidade.

Gibala (2007) afirma que os atletas de resistência já conhecem a importância do treinamento intervalado e que em jovens saudáveis, de mediana aptidão, esse tipo de treinamento é uma estratégia que alia a eficiência do reduzido tempo de treino às adaptações, na musculatura esquelética treinada, comparáveis ao tradicional treino aeróbio submáximo. Esse autor ressalta que o treino intervalado não possui um efeito considerável sobre o tamanho do músculo, embora possa ocorrer certa hipertrofia, tanto das fibras do tipo I como do tipo II, após vários meses de treinamento.

Smith (2008) ensina que estudos realizados no início dos anos 1980 demonstraram que em exercícios intervalados, com duração de 30 segundos, a contribuição do metabolismo oxidativo é tão alta quanto 40% e mais:

atualmente, estudos mostram que somente seis segundos, de um exercício intervalado, são suficientes para um incremento de três vezes no consumo de oxigênio do músculo exercitado e que em, apenas, 50 segundos atinge-se o consumo de oxigênio máximo. Esse autor cita - a despeito de opiniões que preconizam não ser o trabalho intervalado indicado para pessoas destreinadas- haver um crescente corpo de estudos que indicam ser esse exercício responsável por gerar adaptações favoráveis em pacientes com doença arterial coronariana, disfunção ventricular e insuficiência cardíaca, além de reduzir o risco de ocorrência de doenças cardíacas coronarianas em pessoas saudáveis.

Babraj e cols (2009) demonstraram, pela primeira vez, que o treinamento intervalado é capaz de melhorar, significativamente, o controle da glicemia em pessoas jovens e sedentárias, graças a uma melhoria na sensibilidade das células à insulina.

Driller e cols (2009) fizeram estudo pioneiro que demonstrou ser o exercício intervalado responsável por melhorar, por volta de dois segundos, o tempo nos dois mil metros executados por remadores de alto nível.

Yarrow e cols (2010) trazem o primeiro relato que o exercício resistido, de intensidade crescente, eleva transientemente o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, o que possui influência no aprendizado e em certos transtornos mentais. Esses autores relatam outros estudos que demonstram ser o exercício intervalado um modo de incrementar esse Fator.

Kokkinos & Myers (2010) apontam que a intensidade do exercício tem maior importância que o tempo (volume) para a prevenção da doença cardíaca coronariana. Ainda, preconizam esses autores que o treinamento intervalado providencia mais benefícios que os programas de exercícios contínuos, principalmente nos parâmetros metabólicos, musculares e cardiovasculares. Complementam afirmando ser esse treinamento uma importante fonte de benefícios para programas de reabilitação, em pacientes cardíacos estáveis.

Nybo e cols (2010) apresentaram estudo que demonstra ser o

treinamento intervalado responsável por significativas melhorias na aptidão cardiovascular, na tolerância à glicose e na redução da pressão arterial sistólica.

Hulzebos e cols (2010) relataram, através de um estudo de caso, que o exercício intervalado trouxe significativas melhorias para um portador de fibrose cística, no que se refere ao consumo máximo de oxigênio pico e à capacidade máxima de gerar trabalho mecânico.

Ciolac e cols (2010) conduziram estudo o qual mostrou que em mulheres normotensas, porém filhas de hipertensos, o exercício intervalado foi superior ao exercício de moderada intensidade na reversão de alterações hemodinâmicas, metabólicas e hormonais que estão envolvidas na fisiologia patológica da hipertensão arterial essencial.

Laursen (2010), em revisão, cita que em atletas de elite o treinamento contínuo deve ser suplementado com o treinamento intervalado, só dessa forma esses atletas conseguiriam ganhos na performance.

Fonseca e cols (2010), em artigo de revisão, relataram que o treinamento intervalado promove adaptações funcionais, metabólicas e morfológicas. E que a melhora do desempenho físico, alterações em atividades enzimáticas, capacidade de tamponamento, distribuição dos tipos de fibras e mudanças no tamanho das fibras musculares, são adaptações resultantes desse treinamento.

Paoli e cols (2010) realizaram estudo envolvendo a aplicação de três métodos de treinamento (exercício contínuo de intensidade moderada, circuito aeróbio e treinamento resistido de alta intensidade associado ao treino intervalado na esteira) em sujeitos de meia-idade, com sobrepeso e com muito pouco treinamento físico. Concluíram os autores afirmando que o treinamento resistido de alta intensidade associado ao treino intervalado na esteira foi mais efetivo em melhorar alguns parâmetros fisiológicos associados ao risco de eventos cardiovasculares (massa corporal, gordura corporal, perímetro da cintura).

Drago & Junior (2010), em revisão, concluem que a redução da prevalência da Síndrome Metabólica é potencializada com a execução do treinamento de força e de exercícios intervalados.

Tong e cols (2011) realizaram estudo que mostrou ser o exercício intervalado eficaz em aumentar a aptidão cardiorrespiratória, no prazo de seis semanas, em indivíduos sedentários e com sobrepeso.

Miranda, De Mello, Antunes (2011), em revisão, indicam estudos que mostraram a preferência da população adulta por exercícios intervalados. Ainda, nessa revisão, são citados Rudolph & Butki (1998) os quais relatam que esses exercícios possuem mais uma vantagem: reduzido tempo de execução para promover benefícios à saúde, quando comparados a exercícios de intensidade leve e moderada.

Tomczak e cols (2011) realizaram trabalho que demonstrou, em pacientes com insuficiência cardíaca estável, não isquêmica, ser o exercício intervalado seguro, desde que executado com a devida supervisão clínica. E ainda: esse tipo de exercício não exacerba os sintomas da insuficiência cardíaca, além de incrementar a função dos dois ventrículos cardíacos, imediatamente depois do fim do exercício seguindo até trinta minutos pós- exercício.

Bayati e cols (2011) comprovaram que tanto o treinamento de alta intensidade como o treinamento intervalado de Sprint geram os mesmos ganhos na performance aeróbia e anaeróbia.

Boutcher (2011), em artigo de revisão, preconiza que o treinamento intervalado produz significativos incrementos na aptidão aeróbia e anaeróbia além de conduzir a significativas adaptações no músculo esquelético, de natureza oxidativa e glicolítica. Em adição, expõe o artigo, o treino intervalado tem um forte efeito agudo e crônico na sensibilidade das células à insulina, e que a perda de gordura subcutânea e abdominal é outro efeito promissor desse exercício.

Bartlett e cols (2012) mostraram, pela primeira vez, que tanto o exercício de corrida intervalado como o contínuo induzem, agudamente e similarmente, ao surgimento de moléculas responsáveis pela sinalização da biogênese mitocondrial, nos músculos exercitados.

Haines, Gillibrand e Garbutt (2012), em artigo de revisão, sintetizam afirmando que o exercício intervalado deve ser considerado como um meio eficaz para complementar o tratamento de diabéticos, bem como na prevenção dessa doença. Concluem que o treinamento intervalado deve ser

prescrito e realizado sob criteriosa supervisão de profissionais da saúde.

Ciolac (2012), revisando a literatura, afirma que, nos últimos anos, vários estudos têm consistentemente demonstrado que o exercício intervalado possui mais benefícios para a saúde que o exercício contínuo moderado. Esses benefícios residem, principalmente, na reversão de fatores fisiopatológicos que atuam na hipertensão, seja em pacientes ou em sujeitos com fortes fatores familiares para o desenvolvimento dessa doença. Por fim, o autor cita a necessidade de ser estabelecida uma dosagem ótima para aplicação do exercício intervalado.

PedramGhorbani, Kordi e Arbab (2012) apontam que o exercício intervalado pode ser usado como um novo método para incrementar a aptidão aeróbia e anaeróbia em jogadores profissionais de futebol e, provavelmente, esse exercício diminui a probabilidade de infecções virais depois de treinos pesados, próprios do futebol profissional. Adicionalmente, citam os autores, essa modalidade de treino aumenta a eficiência da utilização da glicose durante os jogos e produz importante resposta anti-inflamatória.

Heydari, Freund e Boutcher (2012) apresentaram estudo que mostra ser o exercício intervalado -quando feito três vezes por semana, por doze semanas - responsável por significantes reduções na gordura corporal, abdominal, do tronco e visceral, além de propiciar um significante incremento na massa livre de gordura, em homens jovens.

Leggate e cols (2012) concluem que o exercício intervalado é uma forma apropriada de induzir mudanças favoráveis no metabolismo e na resposta inflamatória, em apenas duas semanas de treino, em uma amostra composta por homens obesos e com sobrepeso.

Almeida e cols (2012) revisaram vários artigos acerca dos benefícios do exercício físico no tratamento de pacientes oncológicos. Os estudos foram classificados segundo suas forças de evidência, de “A” até “D”, sendo o grau de recomendação “A” dado aos estudos mais consistentes e o “D” aos menos consistentes. Observou-se evidência “B” quanto a associação entre o exercício de alta intensidade e o de baixa intensidade na melhoria da fadiga, associada ao tratamento quimioterápico. Ainda, pontuou-se que, com evidência “B”, durante o tratamento quimioterápico deve haver uma alternância entre exercícios de alta intensidade, treinamento cardiovascular e

trabalho de resistência, com baixa intensidade, relaxamento e massagem, completando nove horas por semana, por pelo menos seis semanas.

Fernandez-Fernandez e cols (2012) realizaram um estudo sobre os efeitos do HIIT e do SIT na aptidão de tenistas profissionais. Foi demonstrado que ambos os treinamentos intervalados são apropriados para otimizar-se o desenvolvimento da aptidão cardiorrespiratória desses indivíduos; embora, só o protocolo HIIT se mostrasse eficaz na melhoria da resistência dos tenistas em competição, e apenas o treino de SIT melhorasse a capacidade do tenista de executar repetidos “sprints”.

Gibala e cols (2012), em revisão, concluem que há consideráveis evidências as quais suportam o papel do treinamento intervalado como um potente método para induzir adaptações, tanto centrais (no sistema cardiovascular) quanto periféricas (músculo esquelético), adaptações, essas, ligadas à melhoria na saúde.

Paoli e cols (2012) idealizaram um modelo de HIIT para aplicação em exercícios resistidos (musculação). Sendo esse o primeiro estudo a comparar um modelo de HIIT, aplicado aos exercícios com pesos, com uma rotina tradicional de treinamento resistido. Observaram que tal metodologia propiciou um maior consumo de oxigênio pós-exercício, consequentemente um maior gasto calórico, em relação aos métodos tradicionais de treinamento resistido.

Boutagy & Luff (2013), ao revisarem alguns estudos, concluíram que após uma sessão de HIIT ocorre uma melhora no controle glicêmico que perdura por 24 horas.

Broadbent e cols (2013) fizeram um estudo utilizando a aplicação de um treinamento de resistência progressivo associado ao HIIT em pacientes que realizavam reabilitação cardíaca, na fase 2. Os autores concluíram que 12 semanas desse treinamento melhorou a capacidade aeróbia, a força muscular abdominal e os níveis de colesterol e glicose em repouso, de forma mais eficaz quando comparado ao tradicional protocolo de reabilitação.

Jasmin e cols (2013) utilizando-se do protocolo idealizado por Tabata (1996), encontraram um incremento na capacidade aeróbia e anaeróbia, dos participantes, em apenas quatro semanas.

Bogdanis e cols (2013) mostraram que apenas uma sessão de HIIT causa um substancial aumento em marcadores de estresse oxidativo; porém, incrementa o status antioxidante celular por até 24-48 horas depois do protocolo. Além do mais: o HIIT atenua o stress oxidativo e incrementa a atividade dos antioxidantes depois, de tão somente, nove sessões de treinamento, que totalizam apenas 22 minutos de HIIT.

Currie e cols (2013) fizeram o primeiro estudo que examinou a aplicação do HIIT e do treinamento contínuo de intensidade moderada em pacientes com doença cardíaca coronariana. Eles concluíram que tanto o HIIT como o treino contínuo, após 12 semanas, causaram a mesma magnitude de melhora na aptidão física e na técnica conhecida como “fluxo mediando dilatação”, que correlaciona-se com a eficiência endotelial. De tal sorte, que o HIIT, por questões de economia de tempo, poderia ser o protocolo escolhido sem nenhuma desvantagem para o paciente.

Meyer e cols (2013) revisaram vários estudos relacionados à pacientes com insuficiência cardíaca e à prática de exercícios intervalados e contínuos de intensidade moderada. Eles concluíram que: 1. O exercício intervalado é mais efetivo que os exercícios contínuos na melhoria do consumo de oxigênio pico, em pacientes com insuficiência cardíaca que apresentaram reduzida fração de ejeção ventricular esquerda; 2. O exercício intervalado possui um gasto energético igual ao contínuo, porém com um tempo menor de execução; 3. O exercício intervalado parece não oferecer riscos aos pacientes observados. Por fim, alertam os autores, que cuidados devem ser tomados com pacientes mais fragilizados e que futuros estudos são ainda necessários. De tal forma que o melhor é a prescrição de exercícios intervalados em conjunto com os contínuos e com treinamentos de força e respiratórios.

Wahl (2013), fundamentando-se na literatura, cita que as agudas perturbações metabólicas, causadas após a prática do HIIT, podem ter um papel positivo em otimizar as adaptações ao treinamento e em gerar benefícios para a saúde. O autor baseia-se em dados, para inferir que o HIIT promove um processo anabólico, o qual não necessariamente se traduz em uma hipertrofia muscular, mas antes medeia um incremento na expressão de enzimas aeróbias, ou em outros processos ligados à síntese de eritropoietina ou angiogênese.

Hovanloo, Arefirad e Ahmadizad (2013) realizaram estudo aplicando um protocolo de treinamento contínuo de intensidade moderada e um outro com o SIT (treinamento intervalado de sprint). Os autores concluíram que ambos os protocolos geram idênticos efeitos no organismo.

Del Vecchio, Galliano e Coswig (2013), após uma vasta revisão de literatura, afirmaram que os exercícios intervalados se mostram úteis no tratamento de fatores que caracterizam a Síndrome Metabólica. Sugerem que sedentários portadores de síndrome metabólica sigam uma progressão linear de intensidades e regressão concomitante do tempo de estímulos, visando a introdução gradativa de exercícios intensos na rotina de treinamento.

Toti e cols (2013) investigaram o efeito do protocolo HIIT e de outro contínuo de intensidade moderada, na composição de fibras musculares e metabolismo dos músculos quadríceps e gastrocnêmio de ratos. Os autores encontraram que: 1.Somente o HIIT aumentou a expressão de enzimas especificas mitocondriais, envolvidas na cadeia respiratória; 2. O HIIT incrementou o número de fibras musculares do tipo I; e 3. O HIIT diminuiu a produção de lactato sanguíneo.

Rehn e cols (2013), em artigo de revisão, salientam ser o treinamento intervalado um meio eficaz para incrementar a capacidade aeróbia e melhorar a saúde da população em geral. Observaram que esse treinamento seria capaz de melhorar a estrutura e função ventricular esquerda, além do que somente esse protocolo de exercício teria propiciado melhoras na função diastólica e sistólica de pacientes com insuficiência cardíaca.

Larsen, Befroy e Kent-Braun (2013) conduziram estudo que avaliou a influência do HIIT sobre a capacidade oxidativa da musculatura. Concluíram os autores que o treino promoveu, em seis semanas, efeitos sobre a capacidade oxidativa muscular e que nenhum efeito foi observado, de forma aguda, com uma simples sessão de treino.

Paoli e cols (2013) utilizaram-se do HIIT, aplicado aos exercícios com pesos, comparando-o a dois outros tipos de exercícios resistidos: circuito de treinamento de baixa intensidade e treinamento de resistência associado ao exercício resistido. Os autores finalizaram afirmando que o HIIT mostrou-se superior aos demais na melhoria das seguintes variáveis: pressão sanguínea,

lipoproteínas e triglicerídeos.

Moro, Thomas e Bosco (2013) compararam o HIIT, aplicado aos exercícios com pesos, aos protocolos de treinamento sugeridos pelo American College of Sports Medicine. Afirmaram que o HIIT, com treino resistido, como já dito, tem um melhor efeito no peso corporal, na massa livre de gordura e no colesterol sanguíneo. Esse achado, reforçam ou autores, leva à suposição que esse tipo de protocolo de treino parece seguro para a prevenção de fatores de risco cardiovasculares.

Marino (2013), analisando a literatura científica, chegou à conclusão de que o treinamento intervalado é um método seguro e eficiente para indivíduos com doenças cardiovasculares. E que está associado a respostas e adaptações tão ou mais favoráveis quanto o treinamento contínuo de intensidade moderada que é historicamente o método tradicional de treinamento, para esses pacientes. Por fim, aponta o autor a questão da economia do tempo, que torna o método intervalado ainda mais vantajoso.

Bacon e cols (2013), através da metodologia de meta-análise, encontraram que a melhoria do consumo máximo de oxigênio no treinamento intervalado é levemente maior que no treino contínuo. Ainda mais: longos intervalos combinados com treinos de alta intensidade geram significativos incrementos no consumo máximo de oxigênio, na maioria dos jovens adultos.

Kordi e cols (2013) concluíram estudo que mostrou ser o treinamento intervalado um bom método para reduzir o percentual de gordura corporal, em mulheres jovens e sedentárias. Também, concluem os autores, que a intensidade do exercício é um fator crucial para o incremento da concentração da adiponectina, em resposta ao exercício. Sendo assim, esse tipo de exercício pode ser eficiente para a prevenção de doenças crônicas, como a obesidade e a doença cardiovascular.

Wen e cols (2014) afirmaram que exercícios de alta intensidade possuem efeitos mais favoráveis, sobre as taxas de mortalidade e risco de desenvolvimento de doenças, do que os exercícios de baixa intensidade. Ainda, segundo os autores, o risco de morte súbita durante exercícios de alta intensidade – como a corrida – é de 4 para 1 milhão, enquanto a média de desenvolvimento de doenças cardíacas coronarianas, em indivíduos inativos, é de 20-30%.

Kelly e cols (2014) realizaram estudo, com aplicação do treinamento intervalado em portadores da doença de Parkinson. Eles demonstraram que o programa foi bem tolerado pelos pacientes e que esses, com avanço moderado da doença, adaptaram-se bem ao treinamento, apresentando favoráveis mudanças adaptativas na musculatura esquelética (nos níveis celulares e subcelulares). Concluem os autores que essas mudanças são importantes para a melhoria da função motora, capacidade física e percepção da fadiga.

O American College of Sports Medicine (2014) dispõe que o HIIT gera melhorias nas seguintes variáveis: aptidão aeróbia e anaeróbia, pressão arterial, saúde cardiovascular, sensibilidade à insulina, colesterol sanguíneo, gordura abdominal e peso corporal. Essa Instituição aponta que o HIIT produz efeitos similares ao treinamento contínuo, porém em menor tempo, devido – principalmente- ao elevado consumo de oxigênio pós-exercício o que gera um consumo calórico de 6-15% maior no pós-exercício.

Vezzoli e cols (2014) pesquisaram o efeito do treino intervalado e do treinamento contínuo de intensidade moderada no estresse oxidativo celular, em corredores experientes de meia-idade. Concluíram que, a despeito do que se teoriza (que treinamentos de alta intensidade trazem um forte estresse oxidativo), o treinamento intervalado causa um estresse oxidativo celular comparável ao treinamento contínuo de intensidade moderada.

Scott (2014), em artigo de revisão, demonstra que o exercício intervalado, quando comparado ao treinamento contínuo de intensidade moderada, possui um maior gasto energético e, assim, conduz a uma maior perda de gordura corporal. O autor revela que o exercício intervalado possui um gasto energético o qual representa a soma de dois compartimentos de consumo de oxigênio: durante o exercício e depois do exercício – sendo essa última condição conhecida como consumo de oxigênio em excesso pós- exercício.

Borges e cols (2014) realizaram estudo, em ratos da linhagem wistar machos, sobre os efeitos do treinamento intervalado e do treinamento contínuo de intensidade moderada sobre as respostas hemodinâmicas. Encontraram que em exercícios intervalados as respostas hemodinâmicas (frequência cardíaca e duplo produto) são menores, após o exercício, do que

no treinamento contínuo de intensidade moderada. Assim, os autores destacam que o treino intervalado é mais benéfico, para a função cardiovascular, do que o treinamento contínuo de intensidade moderada.

Laurin & Pin-Barre (2014), em artigo de revisão, discutiram o efeito do treino intervalado e do treinamento contínuo de intensidade moderada em pacientes que sofreram ataque cardíaco. Eles concluem que o exercício intervalado parece ser promissor para o uso em pacientes que sofreram esse tipo de ataque. Dessa maneira, o exercício intervalado pode associar-se ou substituir o treinamento contínuo de intensidade moderada, em ordem para promover adaptações fisiológicas mais rápidas e eficientes. Porém, arrematam os autores, ainda é necessário definir, precisamente, o momento da inclusão do treino intervalado, após o ataque cardíaco.

Tew e cols (2014) expõem, em projeto de pesquisa, que a preparação de pacientes (com exercícios físicos) que irão se submeter à cirurgia cardíaca ou abdominal, resulta em um reduzido tempo de hospitalização e em um menor grau de morbidade, no pós-cirúrgico. Os autores focam seu estudo nos efeitos do treinamento intervalado feito antes da cirurgia para correção de aneurisma da aorta abdominal. Observam que o treinamento intervalado, por sua segurança e pelo seu reduzido tempo para apresentar resultados benéficos sobre a capacidade cardiovascular, é o indicado para a preparação desse tipo de intervenção, visto que uma vez detectada a aneurisma da aorta abdominal, o tempo para reparo é tão curto quanto 4-6 semanas.

Koufaki e cols (2014) realizaram estudos comparando os efeitos do HIIT e do treinamento contínuo de intensidade moderada em pacientes com insuficiência cardíaca crônica. Em conclusão, o estudo demonstrou favoráveis adaptações ao HIIT nesses pacientes. Comparado ao treinamento contínuo de intensidade moderada, o HIIT mostrou reduzido volume de exercício e um tempo menor de treinamento total; porém, com similares respostas hemodinâmicas e de esforço percebido. Os autores observaram que essa abordagem de HIIT pode ser útil para portadores de insuficiência cardíaca, severamente descondicionados ou caquéticos, onde melhorias na função física são desejadas no contexto da preservação de energia e eficiência de tempo.

Keteyian e cols (2014) testaram a hipótese de que o HIIT pode ser

empregado em cenário de reabilitação cardíaca, fase 2. Eles compararam o HIIT ao treinamento contínuo de intensidade moderada. Concluíram que entre pacientes com doença coronariana estabilizada, o HIIT foi empregado com sucesso, no cenário da reabilitação cardíaca, e resultou – quando comparado ao treinamento contínuo de intensidade moderada- em uma expressiva melhoria na capacidade de exercício máxima e submáxima.

Wahl e cols (2014) realizaram estudo comparando duas modalidades

de

treinamento - contínuo de intensidade moderada com treinos intervalados-

e

seus respectivos efeitos sobre a angiogênese e a função endotelial.

Afirmaram, os autores, que os treinamentos intervalados, em especial, parecem promover condições pró-angiogênicas e uma melhor proteção da camada endotelial dos vasos. Citam, também, que as abruptas variações no metabolismo, produzidas pelo treino intervalado, tem influências positivas sobre as referidas adaptações, até mesmo em atletas de alto nível.

Scalzo e cols (2014) analisaram a relação entre o Treinamento Intervalado de Sprint (SIT) e as concentrações do fator de crescimento fibroblasto 21 (que se associa ao incremento na sensibilidade à insulina e à inibição do ganho de peso corporal) e FNDC5 (proteína que correlaciona-se com a síntese de irisina, relacionada à melhora da sensibilidade à insulina e à perda de peso). Sublinham, os autores, que esses fatores ligam-se com a conversão do tecido adiposo branco em marrom – que é metabolicamente muito ativo. Encontraram que o SIT diminui o fator de crescimento fibroblasto 21, não afeta o FNDC5 do músculo esquelético e resulta em uma resposta diferente entre gêneros: reduz a concentração sistêmica de irisina em homens e incrementa em mulheres.

Zwetsloot e cols (2014) pesquisaram se o HIIT produz substanciais respostas inflamatórias em homens jovens e saudáveis. Concluíram que o HIIT não produziu substanciais elevações sanguíneas em substâncias inflamatórias, nessa população. Porém, advertem que mais pesquisas devem ser realizadas em idosos, portadores de Diabetes tipo II, câncer ou AIDS,

para que seja assegurada a aplicação do HIIT nessas populações, sem riscos

de potenciais e perigosas respostas inflamatórias.

Scribbans e cols (2014) fizeram um trabalho onde analisaram as influências do HIIT e do treinamento contínuo de intensidade moderada

sobre o ambiente intracelular das fibras musculares esqueléticas. Encontraram que tanto o treino contínuo de intensidade moderada como o HIIT produziram similares modificações no conteúdo de glicogênio e triglicerídeos intramusculares, na sinalização intramuscular, na capacidade oxidativa das fibras, na densidade capilar e no pulso de oxigênio. Porém, o HIIT promoveu um maior número de adaptações anaeróbias nas fibras exercitadas. Finalizam os autores, sugerindo que a potência do HIIT reside em sua habilidade de produzir adaptações em um curtíssimo espaço de tempo, quando comparado ao treino contínuo de intensidade moderada.

Caldas Junior (2014) realizou uma revisão sistemática da literatura cientifica para comparar e analisar o efeito dos exercícios de alta intensidade na oxidação da gordura corporal. Conclui, o autor, que a alta intensidade produz efeitos significativos para o aumento do colesterol HDL e diminuição do LDL. Afirma, ainda, que o uso do treino de força e aeróbio de forma circuitados e intermitentes são mais eficientes na melhor oxidação de gordura.

Murray e cols (2014) realizaram uma revisão sistemática da literatura acerca dos efeitos do exercício sobre portadores da Doença de Parkinson. Os autores apontam que evidências clínicas sugerem que o exercício aeróbio intenso parece promover maiores ganhos na função cognitiva.

Hoffmann e cols (2014), em artigo de revisão, expuseram que os técnicos desportivos podem aumentar a performance de seus atletas através do HIIT, SIT e pequenos jogos. Eles dizem que esses métodos não apenas providenciam adaptações positivas na performance, como também ajudam a reduzir o tempo de treinamento, além de oferecerem um maior grau de especificidade, em relação às longas corridas em baixas intensidades. Por fim, os autores concluem que os três métodos devem ser incluídos no macrociclo anual de treino.

Gillen e cols (2014) examinaram se um protocolo que envolvia somente três minutos de exercício intervalado, por semana, poderia incrementar a capacidade oxidativa muscular e marcadores de saúde em homens e mulheres saudáveis, com sobrepeso ou obesidade. Eles concluíram que esse protocolo melhorou a capacidade oxidativa da musculatura exercitada, além de aperfeiçoar índices de saúde cardimetabólica, como

consumo de oxigênio pico e pressão arterial.

Gibala, Gillen e Percival (2014), em artigo de revisão, afirmaram que a maior parte dos estudos envolvendo o treinamento intervalado (HIIT ou SIT) utilizou-se de curtos períodos de intervenção e que futuros trabalhos deverão fazer uso de intervenções de longo prazo (meses ou anos). Pois, esses prazos maiores são necessários para que avance o nosso conhecimento de como manipular as variáveis do treinamento intervalado - relacionadas às adaptações fisiológicas que conduzem a diminuições no risco do desenvolvimento de doenças. Os autores ressaltam, por fim, que o treinamento intervalado é percebido como mais aceitável, lúdico, divertido, quando comparado ao treinamento contínuo de intensidade moderada.

Weston e cols (2014) fizeram um estudo de meta-análise com a finalidade de estimar o efeito do HIIT na aptidão (medida pelo consumo de oxigênio e teste de Wingate), levando em conta as características dos indivíduos. Eles concluíram que o HIIT providencia significativas melhorias na resistência cardiorrespiratória de sedentários e pessoas não-atletas.

Gibala (2015), em revisão da literatura, afirma que o treinamento intervalado de alta intensidade tem toda uma complexidade inerente. Pois, durante um simples protocolo de Wingate somente 20% da energia é provida pelo metabolismo aeróbio-oxidativo. Todavia, ao repetirmos esse protocolo por três vezes, com pausas de repouso de quatro minutos, teremos a maior parte da energia derivada do metabolismo oxidativo. Então, o treinamento intervalado de alta intensidade, apesar de ser desempenhado com um alto grau de recrutamento do sistema muscular e possuir um baixo volume (características típicas do treino anaeróbio), causa a maior parte das adaptações, locais e centrais, esperadas por um treino de alto volume, com a vantagem de melhorar variáveis de potência muscular e ajudar na hipertrofia das fibras musculares do tipo IIa. Por fim, cita importantes adaptações, geradas pelo treino intervalado de alta intensidade, nas funções e estruturas vasculares periféricas e centrais (incrementos na massa ventricular esquerda e no volume sistólico).

Cardozo, Oliveira & Farinatti (2015) realizaram um estudo que teve por escopo comparar a maior efetividade do HIIT em relação ao treinamento contínuo de intensidade moderada, no que tange aos marcadores da aptidão

física e eficiência da função ventricular esquerda, em pacientes portadores de doença cardíaca coronariana. Os autores apontaram que somente o exercício feito com a metodologia do HIIT demonstrou resultados favoráveis, no que tange à melhoria da aptidão cardiorrespiratória e função ventricular (medida pelo consumo de oxigênio pico e o pulso de oxigênio).

Grace e cols (2015) avaliaram a hipótese de que o HIIT, realizado apenas uma vez a cada cinco dias (Low frequency HIIT ou LfHIIT), potencializaria a função endotelial em homens idosos, tanto treinados como destreinados. A razão para um protocolo de baixa frequência foi, segundo os autores, o maior tempo necessário para a recuperação de indivíduos idosos, quando submetidos a exercícios de alta intensidade. Inicialmente, os sedentários passaram por um protocolo de exercícios contínuos de intensidade moderada – com duração de seis semanas- com o objetivo de preparar o organismo para o protocolo HIIT. Já os idosos treinados, continuaram com seus programas de treino originais. Após isso, tanto os idosos treinados quanto os – inicialmente – sedentários foram submetidos ao LfHIIT, por seis semanas. Ambos os grupos elevaram, significativamente, os seus consumos máximos de oxigênio, porém a função endotelial dos idosos treinados, que já era ideal, não se alterou com o LfHIIT, e a função endotelial dos idosos, inicialmente sedentários, manteve-se constante em relação aos ganhos obtidos nas seis semanas de prática do exercício contínuo moderado. Os autores concluíram que o LfHIIT é efetivo em incrementar a aptidão cardiorrespiratória em idosos: tanto nos que se exercitam há muito tempo, como nos que se iniciam em programas de treinamento físico. Ainda mais: o estimulo do LfHIIT é suficiente para manter os ganhos na função endotelial e influenciar, positivamente, nos marcadores de angiogênese.

Rahimi e cols (2015) pesquisaram, em ratos, o efeito do protocolo HIIT sobre a lesão causada pela isquemia/reperfusão (lesão I/R). Eles observaram que esse protocolo gera um efeito cardioprotetivo que perdura por, ao menos, uma semana após a última sessão de exercício. Essa proteção, contra a lesão I/R, foi evidenciada por significantes reduções, no soro, das atividades da creatinoquinase (CK) e lactato desidrogenase (LDH) e de uma menor área miocárdica necrosada.

Prata (2015) cita que o HIIT revela-se eficiente na melhoria da capacidade aeróbia e anaeróbia, na diminuição da resistência à insulina e na

redução da gordura abdominal e massa corporal total. Condições que diminuem o risco de aparecimento de certas patologias, tais como diabetes melitus, doenças cardíacas e síndrome metabólica. Recomenda, o autor, que os interessados em iniciar o HIIT, principalmente os com excesso de peso – devido aos riscos ortopédicos- aconselhem-se com médicos e fisiologistas do exercício.

4. FISIOLOGIA MOLECULAR DOS EXERCÍCIOS INTERVALADOS Neste item, estudaremos os principais mecanismos moleculares que são acionados pela execução dos exercícios intervalados. Como veremos, já há algum consenso, na literatura científica, que atribui os efeitos benéficos desse tipo de treino à liberação das miocinas e ao incremento da síntese do PGC-1-alfa, moléculas que serão detalhadas nas seções abaixo.

4.1 O MÚSCULO ESQULÉTICO COMO ÓRGÃO SECRETOR: MIOCINAS

Inicialmente definiremos o conceito “diseasome of physical inactivity”. Essa nomenclatura ainda não tem uma tradução científica para o nosso idioma, assim preferimos a ideia do termo, que vem de Pedersen (2011). Nesse contexto, a expressão “diseasome of physical inactivity” seria traduzida como uma rede de doenças (diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, câncer de cólon, câncer de mama, demência e depressão), com representações fenotípicas diferentes; porém, que compartilham importantes mecanismos patogênicos, sendo esses gerados por um único fator: a inatividade física como causadora de processos inflamatórios crônicos.

A partir desse conceito, Pedersen (2011) diz ser possível que a inatividade física conduza a uma acumulação de gordura visceral, responsável por iniciar uma cascata de reações inflamatórias, o que não somente promove o desenvolvimento da resistência à insulina e aterosclerose, como também conduz a uma neurodegeneração e, por sua vez, a uma piora da função cognitiva. Esquematicamente, segundo Pedersen (2011):

Inatividade Física à Aumento da Adiposidade Abdominal à Infiltração de Macrófagosna Gordura Visceral à Inflamação Crônica Sistêmica à Resistência à Insulina, Aterosclerose, Neurodegeneração, Crescimento de Tumores à Aumento de: Doenças Cardiovasculares, Diabetes tipo II, Depressão, Demência, Câncer de Cólon, Câncer de Mama.

Dessa forma, Pedersen e cols (2003) afirmam que há muito tempo as ciências do exercício procuram por um fator induzido pela contração muscular, o qual iria mediar as adaptações induzidas, pelo exercício físico, em outros órgãos, como o fígado e o tecido adiposo. Esses autores denominam esse fator de: “fator do exercício”. Este seria, na verdade, um vetor responsável por todos os efeitos causados nos órgãos devido à contração da musculatura durante o exercício. Esse “fator”, então, provavelmente, evitaria a “diseasome of physical inactivity”.

Nessa linha de raciocínio, Pedersen e cols (2003) expõem que os efeitos da musculatura em exercício sobre os órgãos não seriam dependentes

do sistema nervoso, mas sim do próprio músculo, o qual – principalmente – durante o exercício atuaria como um órgão secretor.

A atuação do músculo como órgão secretor começou, a ser elucidada, com a descoberta por Pedersen e cols (2007) de que o exercício físico provocava o incremento de citocinas. No ano 2000, esses pesquisadores, demonstraram que o exercício feito por uma só perna leva à secreção – pela musculatura em ação - de Interleucina-6 (IL-6), uma das classes de citocinas existentes; porém, essa atividade secretora não ocorria na musculatura da perna inativa. Dessa maneira, o grupo liderado por Pedersen sugeriu que essa IL-6, secretada pela musculatura em contração, preencheria os critérios para esse “fator do exercício”, o qual foi melhor denominado de miocina (do inglês: myokine). Assim, a miocina seria uma das principais formas do músculo esquelético, em exercício, comunicar-se com o resto do organismo, e com ele mesmo, traduzindo contrações musculares em benefícios para a saúde (Raschke & Eckel, 2013).

Por conseguinte, enfatizam Pedersen (2011) e Raschke & Eckel (2013), o músculo esquelético é um órgão endócrino, que através da secreção de fatores, atuando como hormônios, exerce efeitos endócrinos em outros órgãos e tecidos, ou localmente, via mecanismos autócrinos ou parácrinos. Os autores sugerem que as citocinas, e outros peptídeos, que são produzidos e secretados pelas fibras musculares, sejam classificados como “miocinas”.

De tal sorte, que Pedersen (2011) enfatiza haver, atualmente, outras substâncias que atuam como miocinas, além da IL-6: Interleucina-15 (IL-15), Interleucina-8 (IL-8), Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF ou, do inglês, Brain-Derived Neurotrophic Factor), Fator de Crescimento Fibroblasto-21 (FGF-21 ou, do inglês, Fibroblast Growth Factor-21), entre outras. Abaixo, falaremos, um pouco, das principais miocinas.

BDNF. Argumenta Pedersen (2011) que o BDNF (Fator Neurótrofico Derivado do Cérebro) tem efeito autócrinos, aumentando a oferta de ácidos graxos e a beta oxidação na musculatura ativa. Zoladz & Pilc (2010) afirmam que o BDNF parece ter uma participação no desenvolvimento do diabetes tipo 2, pois portadores, dessa patologia, apresentariam baixas concentrações, no soro, dessa miocina. Dessa forma, podemos inferir uma atividade do BDNF sobre a melhoria da sensibilidade à

insulina das células, através, de – por exemplo - um aumento dos receptores GLUT4, na membrana muscular. Em consonância, Arnold, Egger e Handschin (2010), enfatizam esse fato, e expõem que o BDNF produzido pelo músculo, pode ser secretado na corrente sanguínea e atingir o cérebro. Yarrow e cols (2010) fizeram a primeira comunicação científica de que o exercício com pesos incrementa, de forma robusta e transiente, a concentração, no soro, do BDNF. Porém, esses autores não conseguiram identificar o órgão secretor: se a musculatura em ação ou o cérebro (através dos neurônios do hipocampo ou do sistema vascular cerebral), ou os dois em conjunto. Nessa linha, podemos citar Demontis e cols (2013) que afirmam a possibilidade de algumas miocinas consiguirem atravessar a barreira sangue- cérebro, além de Zoladz & Pilc (2010) os quais fundamentam ser o cérebro o maior secretor do BDNF, porém não o único órgão com essa capacidade. Reforçando a ideia de Demontis e cols (2013), Banoujaafar e cols (2014) encontraram que uma diminuição no fluxo sanguíneo cerebral, através de oclusão, parcial e total, da artéria carótida em ratos, abole os efeitos do BDNF- secretado na corrente sanguínea em resposta ao exercício físico- no hemisfério ipsilateral e contralateral à oclusão. Concluem os autores, que a elevação do BDNF no cérebro envolve uma importante cooperação do sistema hemodinâmico. Por fim, em relação à função endócrina (secreção do BDNF, pelo músculo em exercício e ação no cérebro) ele agiria nas células do hipocampo, melhorando a função cognitiva e o estado de humor, atenuando certos transtornos mentais, como a depressão e a esquizofrenia (Phillips e cols, 2014; Zoladz & Pilc, 2010).

IL-6. A Interleucina-6 é a miocina melhor estudada pelo grupo de Pedersen. Dessa maneira, em trabalho pioneiro, Pedersen e cols (2003) elegeram a IL-6 como uma miocina de efeito endócrino (capaz de agir sobre células distantes do seu local de produção), afirmando ser esse o melhor termo, ao invés de citocina, pois o gene, para a IL-6, estaria silencioso com o músculo em repouso e somente seria ativado com a contração muscular. Pedersen & Febbraio (2008) dizem ser o óxido nítrico, o Cálcio intramuscular, a sinalização da calcineurina e, principalmente, baixas concentrações de glicogênio intramuscular, responsáveis pelo incremento da síntese e secreção dessa interleucina, pelo músculo em contração. Pedersen (2011) e Pedersen e cols (2007) afirmam que o incremento na concentração

plasmática de IL-6, durante o exercício físico, tem sido um achado consistente, seguido do incremento da citocina anti-inflamatória IL-10. Observam Pedersen (2011) e Raschke & Eckel (2013) que a IL-6 secretada pelos macrófagos tem ação pró-inflamatória e a secretada pelos músculos esqueléticos (miocina) tem ação anti-inflamatória. Tanto que a secreção da IL-6 não se correlaciona com a lesão muscular, muito pelo contrário: expõe, esse autor, que o exercício excêntrico (o qual tende a aumentar a resposta inflamatória) atrasa o pico da concentração de IL-6 plasmática. O incremento, induzido pelo exercício, na concentração da IL-6 segue uma função exponencial (Pedersen, 2011): o pico dessa miocina é atingido ao fim do exercício, ou logo depois – podendo incrementar até 100 vezes do valor basal (Pedersen e cols, 2007) - seguido por uma rápida queda na concentração, da IL-6, logo chegando aos valores pré-exercício. Ao atuar como miocina, a IL- 6 vai estimular a produção de citocinas anti-inflamatórias: IL-1ra e IL-10 (Pedersen, 2011). Pedersen (2011) e Pedersen & Febbraio (2008) dizem que a resposta do TNF-alfa (Fator de Necrose Tumoral – alfa) difere entre o exercício físico intenso (não eleva o TNF-alfa) e a sepsis (infecção disseminada na corrente sanguínea, que eleva esse fator), sendo que a IL-6, ao agir como miocina, parece inibir esse fator (TNF-alfa), corroborando, ainda mais, sua função anti-inflamatória. Pedersen (2011) e Pedersen & Febbraio (2008) expõem que no momento que diminuem as concentrações do glicogênio muscular, aumenta-se a expressão do RNA mensageiro da IL-6, bem como a secreção dessa Interleucina, pelo músculo; porém, o aumento do glicogênio intramuscular tem efeito contrário. Dessa maneira, afirmam aqueles autores, a IL-6 atuaria no fígado e no tecido adiposo, aumentando a produção de glicose naquele órgão e lipólise nesse, para suprir as demandas energéticas da musculatura em ação. Complementando a função da IL-6, como um “link” entre o músculo em exercício e o metabolismo, temos Demontis e cols (2013) que ensinam ser a IL-6 estímulo para a produção de insulina pelas células beta pancreáticas. Por fim, Pedersen (2011) cita que essa interleucina, além dos seus efeitos endócrinos estudados, possui efeitos locais –sobre o próprio músculo. Esses efeitos ocorrem através da melhoria do consumo da glicose e da quebra dos depósitos intramusculares de gordura.

IL-8. A Interleucina-8 é descrita por Pedersen (2011) como uma miocina de efeito parácrino (capaz de agir sobre as células vizinhas) ou

autócrino (somente age sobre as células que a secretaram), de forma que essa interleucina, depois de ser sintetizada, apresenta uma pequena e transiente secreção, tendo sua maior ação localmente. Pedersen e cols (2007) expõem que o exercício de corrida incrementa a secreção dessa miocina em grau maior que o da bicicleta ergométrica de alta intensidade. Continua, Pedersen (2011), afirmando que a resposta local da IL-8 parece promover uma resposta angiogênica, agindo sobre as células endoteliais, incrementando o número de vasos que suprem a musculatura. Essa resposta, segundo Pedersen e cols (2007), acontece quando essa miocina interage com o receptor CXCR2, presente na camada endotelial capilar, isso aumenta a atividade do RNA mensageiro, aumentando a síntese da proteína CXCR2.

IL-10. A Interleucina-10 é uma miocina ainda pouco explorada pela literatura do exercício físico. Porém, Zwetsloot e cols (2014) esclarecem que a IL-10 é um agente anti-inflamatório que suprime a secreção da IL-1β e TNF-α, que são pró-inflamatórios.

IL-15. Pedersen (2011) e Arnold, Egger e Handschin (2010) afirmam que a Interleucina-15 é uma miocina, predominantemente, de efeito endócrino e que estabeleceria uma ligação entre o músculo e o tecido adiposo, mais especificadamente o localizado no tronco. Assim, Pedersen (2011) afirma existir um aumento do RNA mensageiro - dessa interleucina- depois de um treino de força, além de haver uma relação entre essa miocina com a massa adiposa do tronco, mas que não se repete com a massa de gordura dos membros inferiores. Em menor grau, afirma Pedersen e cols (2007), de forma autócrina, a IL-15 parece agir, na própria célula muscular induzindo um aumento da proteína miosina de cadeia pesada, sugerindo um efeito anabólico, independente do IGF (Fator de Crescimento tipo Insulina). Inclusive, alertam, esses autores, para o papel terapêutico da IL-15 (demonstrado em um modelo vivo) em antagonizar a quebra de proteínas, além de aumentar a proteína muscular, na caquexia gerada pelo câncer.

IRISINA. Chan & Arany (2014) citam que em 2012 o grupo do pesquisador Boström comunicou o achado de uma nova miocina que foi denominada de irisina, proteína composta por 112 aminoácidos. A irisina é produto da quebra da proteína de membrana glicolisada tipo I, ou FNDC5. Assim, Wrann e cols (2013) complementam dizendo ser a irisina, nada mais

que, a forma secretada de FNDC5. Raschke & Eckel (2013) descrevem um trabalho onde três semanas de corrida livre na roda giratória, realizada por ratos, aumentou a expressão do RNA mensageiro para a irisina, como também a concentração plasmática dessa molécula. Em adição, continuam os autores, em outro estudo – envolvendo uma amostragem de idosos - dez semanas de treinamento de resistência supervisionado, gerou um aumento de duas vezes na concentração plasmática de irisina, quando comparado ao grupo controle que não se exercitou. Concluem, os autores, não ser possível saber-se – ao certo – se o aumento da irisina é ocasionado por um incremento na expressão gênica para essa proteína ou por uma elevação na quebra da FNDC5. Scalzo e cols (2014) enfatizam o efeito endócrino da irisina, ao afirmarem que esta proteína correlaciona-se com um incremento na sensibilidade dos tecidos à insulina e no mecanismo de perda de massa corporal, pois a irisina agiria como um dos agentes responsáveis por tornar “marrom” a gordura branca.

LACTATO. Inicialmente tido como a molécula responsável pela fadiga muscular (Gladden, 2000), o conceito da dinâmica do lactato, em resposta ao exercício, evoluiu para trabalhos que mostraram ser o lactato um precursor na síntese de glicogênio pelo fígado, além de ser uma fonte energética para a contração muscular (Brooks, 2000). Mais recentemente, Aoi & Sakuma (2013) relataram que o lactato mediaria o fenômeno da insulina como indutora da inibição da lipólise, nas células. Ainda mais, citam esses autores, o lactato induziria uma biogênese mitocondrial. Dessa maneira, o lactato agiria como um fator sinalizador nas células musculares, via mecanismos autócrinos e parácrinos (Aoi & Sakuma, 2013). Nessa linha, Bergersen (2014) afirma que no exercício físico há um aumento no influxo de lactato sanguíneo para o cérebro. Nas células e vasos cerebrais haveriam receptores próprios para o lactato (HCAR1) como também transportadores de lactato (MCT´s). O lactato seria transportado para o interior das células neuronais e exerceria seus efeitos através de uma rede complexa de eventos, envolvendo –inclusive- a síntese do BDNF. Assim, afirma a autora, o lactato gerado pelo exercício seria um dos agentes responsáveis pelos efeitos favoráveis do exercício físico no cérebro. Nessa mesma linha de raciocínio, Tang e cols (2014) evidenciaram um mecanismo elegante de ação do lactato nas células cerebrais. Esses pesquisadores demonstraram que o lactato atua

como uma molécula sinalizadora nos astrócitos (células responsáveis por desempenharem funções de apoio relacionadas à sustentação e nutrição dos neurônios) localizados no locus coeruleus, região considerada a principal fonte de noradrenalina e que possui maior influência na modulação das funções cerebrais (Tang e cols, 2014). Dessa maneira, uma vez ativados, os astrócitos lançariam o lactato consumido. Esse agiria sobre os neurônios do locus coeruleus que, em resposta, liberariam noradrenalina, fato representativo de mais um efeito benéfico propiciado pelo exercício físico. Considerando esse contexto fático, podemos evidenciar mais uma função para o lactato produzido pelo exercício físico: a de miocina. Inclusive Febbraio (2014), um dos pioneiros na pesquisa sobre miocinas, afirma que numa próxima revisão incluirá o lactato como miocina. Dessa maneira, até o momento, em que estava sendo escrito esse trabalho, não há experimentos que correlacionem os efeitos dos exercícios intervalados sobre a produção de lactato e os potenciais efeitos benéficos (dessa miocina) para o organismo humano.

4.2 PGC-1-alfa: UMA PROTEÍNA COM MUITAS AÇÕES

Finck e Kelly (2006) afirmam que Receptores Nucleares (RN) coordenam, no núcleo das células, funções críticas, na resposta regulatória dos genes. Esses autores escrevem que a ligação entre estímulos externos (calor, frio, exercício físico, alimentação) e a sinalização celular ocorre devido aos RN´s os quais medeiam o controle sobre a transcrição de proteínas. Dessa maneira, estímulos que atingem as células, disparam o recrutamento de complexos coativadores, em direção ao receptor nuclear (deve ser observado que o receptor nuclear não age diretamente sobre o DNA, mas sim os fatores de transcrição, ativados pelos receptores nucleares). Isso conduz a uma modificação da cromatina, com o consequente aumento do acesso da RNApolimerase II ao RNA e transcrição gênica. A disponibilidade de certas proteínas coativadoras atua de forma singular na ligação entre estímulos externos e atividade dos receptores nucleares. Talvez o melhor exemplo desse mecanismo envolva o coativador 1-alfa do receptor ativado por proliferador de peroxissoma (PGC-1-alfa, ou do inglês, peroxisome proliferator-activated receptor-ᵞ coactivator 1α).

O PGC-1-alfa é um membro da família do PGC-1, os outros dois são:

PGC-1-beta e o PRC, nossos estudos focarão somente no papel do PGC-1- alfa, por ser mais atuante e melhor estudado (Rowe, Jiang e Arany, 2010).

O PGC-1-alfa é uma proteína existente no núcleo das células, agindo

– como um receptor nuclear- no mecanismo de transcrição de proteínas. Assim, o PGC-1-alfa interage com muitos fatores de transcrição e ocasiona uma série de respostas adaptativas, tais como: termogênese, biogênese mitocondrial, regulação do metabolismo da glicose e dos ácidos graxos, alteração dos tipos de fibras da musculatura esquelética e desenvolvimento do coração (Liang & Ward, 2006).

O nome, dessa proteína, vem do fato dela ter sido originalmente descrita por sua interação funcional com o “receptor nuclear ativado por proliferador de peroxissoma” (PPAR, ou do inglês, peroxissome proliferator- activated receptor), no tecido adiposo marrom (Finck & Kelly, 2006). Dessa maneira, o PGC-1-alfa ativaria o PPAR, que por sua vez agiria sobre fatores de transcrição existentes nas mitocôndrias, isto ativaria a transcrição do DNA mitocondrial, incrementando a quantidade das mitocôndrias, do tecido

adiposo (biogênese mitocondrial), além de elevar a concentração de proteínas mitocondriais (UCP), que geram um desacoplamento da produção de adenosina trifosfato para a geração de calor (termogênese). Todo esse processo é o responsável pela conversão do tecido adiposo branco em marrom (Boström e cols, 2012; Chan & Arany, 2014), sendo este a espécie de tecido adiposo com alto potencial metabólico: rico em mitocondriais e especializado em gerar calor (Demontis, 2013; Finck & Kelly, 2006).

A molécula PGC-1-alfa, além de ser primordial no controle da biogênese mitocondrial, possui um largo espectro de ações sob seu comando:

além de atuar nos receptores dos núcleos celulares, essa proteína interage com coativadores e correpressores nucleares, apresentando um potencial de complexidade, na regulação das funções celulares, de forma tecido- dependente. Em adição, este coativador ativa um grande conjunto de genes, o que orquestra a atuação da insulina e captação da glicose no coração, tecido adiposo marrom e na musculatura esquelética (Jones e cols, 2011). Jones e cols (2011) chamam a atenção para o fato que nem sempre a expressão do PGC-1-alfa é benéfica. Esses autores alertam que, dependendo do contexto metabólico e do microambiente celular, essa proteína pode levar a uma reduzida proliferação e citotoxicidade do tecido cardíaco e até ao desenvolvimento de células cancerosas, tais considerações ainda carecem de pesquisas futuras.

Como visto acima, a atuação da proteína PGC-1-alfa varia conforme o órgão. Melhor exemplificando, segundo Arnold, Egger e Handschin (2010), essa proteína é essencial para que o jejum induza a gliconeogênese hepática; para que o frio gere a termogênese (via ação do sistema simpático sobre o tecido adiposo marrom) e o coração aumente os valores máximos do débito cardíaco. Ainda, segundo esses autores, em todos esses tecidos, a atividade do PGC-1-alfa é, grandemente, regulada no nível transcricional e pós- transcricional. Para maiores detalhes consultar Finck & Kelly (2006); Liang & Ward (2006); Jones e cols (2011); Gouspillou e cols (2013); Kang & Ji (2013); Chan & Arany (2014) e Sawada e cols (2014).

Zhou, Lu e Xie (2011) afirmam que o PGC-1-alfa é um forte candidato ao título de proteína anti-envelhecimento, por incrementar a biogênese mitocondrial, a atividade mitocondrial e evitar a proliferação de espécies reativas de oxigênio. Esses autores afirmam que a perda da atividade

mitocondrial é um paradigma do processo de envelhecimento.

Ainda, dizem Arnold, Egger e Handschin (2010), uma baixa concentração do PGC-1-alfa intramuscular sinalizaria em um incremento, na expressão e na secreção pelo músculo do TNFalfa, que contribuiria para uma resposta inflamatória sistêmica, condição bastante comum no processo do envelhecimento. Esses autores ainda comentam que indivíduos com sarcopenia possuem elevada concentração das citocinas TNFalfa e IL-6, o que se correlaciona com um incremento no risco de mortalidade.

Agora, com o foco, mais especificadamente, no músculo esquelético, Arnold, Egger e Handschin (2010), citam que a atividade do PGC-1-alfa controla muitas, senão todas, das adaptações ocorridas nas fibras musculares em resposta ao treinamento físico. São, ainda, Arnold, Egger e Handschin (2010) que escrevem ser a expressão do PGC-1-alfa mais alta nas fibras musculares do tipo I e do tipo IIA. Atenção deve ser dada ao fato de que o PGC-1-alfa exerce seus efeitos em dois locus da fibra muscular: no seu núcleo e no DNA das mitocôndrias existentes na fibra muscular.

Rowe, Jiang & Arany (2010) ensinam que no músculo esquelético certos fatores que incrementam frente ao exercício físico - como AMPK (proteína quinase ativada por AMP), a sinalização da calcineurina e a síntese do óxido nítrico - geram aumentos na concentração do PGC-1-alfa, no núcleo das fibras musculares e nas mitocôndrias.

Dessa forma, Liang & Ward (2006) expõem que está bem estabelecido os efeitos da proteína PGC-1-alfa sobre o remodelamento na composição das fibras do músculo esquelético. Esses autores afirmam que isso ocorre pela significativa síntese, dessa proteína, em resposta ao exercício intenso ou ao treinamento de resistência, tanto em humanos como em roedores. Dessa maneira, finalizam os autores, a grande secreção dessa molécula, resultaria na conversão de fibras rápidas tipo IIB em fibras tipo IIA e tipo I, pois as fibras –em decorrência da ação do PGC-1-alfa- teriam mais mitocôndrias, maior rede vascular e, assim, um aumento na sua capacidade aeróbia.

Chan & Arany (2014) e Finck & Kelly (2006) afirmam que a grande expressão da molécula PGC-1-alfa, na musculatura esquelética, incrementa a sensibilidade do músculo exercitado à insulina. Esses autores citam que, em

pacientes diabéticos, a síntese de PGC-1-alfa encontra-se diminuída.

Chan & Arany (2014) e Liang & Ward (2006) escrevem que a síntese do PGC-1-alfa aumenta pelo efeito do exercício físico, com o objetivo de auxiliar a musculatura a encontrar a demanda metabólica necessária à atividade. O efeito dessa proteína, na elevação do metabolismo aconteceria pela biogênese mitocondrial e pelo incremento do GLUT4 (Transportador de Glicose, ou do inglês, GLUcose Transporter). Os autores, ainda, citam que o pico da expressão do PGC-1-alfa ocorre após o exercício, o que sugere um papel na reposição do glicogênio intramuscular. Por fim, estabelecem os autores, que o músculo –sob o efeito daquela proteína- elevaria o catabolismo dos lipídeos intramusculares.

Kang & Ji (2013), além de Chan & Arany (2014), sinalizam que uma das causas do envelhecimento seria uma progressiva disfunção mitocondrial. Um dos responsáveis, por essa disfunção, seria a diminuição da atividade do PGC-1-alfa. Ainda, segundo os autores, e no geral, o exercício físico retarda a degeneração dos órgãos, que ocorre com a idade, por incrementar a produção dessa proteína. E, mais detidamente, na musculatura exercitada esse efeito evitaria, inclusive, a sarcopenia (perda de massa muscular), associada ao envelhecimento.

Chan & Arany (2014) apontam que o PGC-1-alfa atuaria, não somente na biogênese mitocondrial, mas também na modelagem do mosaico mitocondrial. Assim, eles afirmam que fusões ou fissões mitocondriais ocorreriam em resposta ao controle direto –pelo PGC-1-alfa- via transcrição dos genes mitocondriais.

Chan & Arany (2014) e Sawada e cols (2014) deduzem que o exercício físico, ao incrementar a concentração do PGC-1-alfa conduz ao incremento no número de vasos que irrigam a musculatura, o que em conjunto com a biogênese mitocondrial coordenaria o incremento no consumo de oxigênio. Os autores observam que o PGC-1-alfa induziria a angiogênse através de sua ação na síntese do Fator de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF, do inglês, Vascular Endothelial Growth Factor). Essa ação do PGC-1-alfa, segundo os autores, também ocorreria em outros órgãos, como a retina, o coração e o tecido adiposo.

Chan & Arany (2014) demonstram que os efeitos do exercício, na

diminuição da resposta inflamatória, seriam causados pela atuação do PGC-1- alfa no bloqueio das rotas inflamatórias, o que precisa ser melhor esclarecido. Essa diminuição, da resposta inflamatória, reduziria o risco da inflamação crônica- comum com o processo de envelhecimento- que contribui para a inflamação do tecido adiposo branco, além de realizar a prevenção de doenças, eminentemente inflamatórias, como o diabetes tipo 2, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de certas doenças neurais, como o Parkinson.

Rowe, Jiang e Arany (2010) afirmam que o exercício físico incrementa a síntese de PGC-1-alfa no coração. Dessa maneira, tem se tornado bastante claro que o PGC-1-alfa é um regulador crucial no metabolismo cardíaco, tanto em cardiomiócitos, como em outros tipos de células cardíacas (Liang & Ward, 2011).

No contexto das células metabolicamente muito ativas, como os cardiomiócitos, o PGC-1-alfa coordena um largo espectro de programas genéticos, relativos ao metabolismo desse tipo celular: aumento dos vasos sanguíneos, aumento do transporte de ácidos graxos para a célula e mitocôndrias, melhoria na oxidação de ácidos graxos (via beta oxidação e o ciclo de Krebs), geração mais eficiente de adenosina trifosfato (via o complexo da cadeia respiratória de elétrons), incremento da proteção contra as espécies reativas de oxigênio (Rowe, Jiang e Arany, 2010).

Há algumas evidências apontando uma deficiência do PGC-1-alfa, nas células cardíacas, no quadro de insuficiência cardíaca (Finck & Kelly, 2006). Porém, o que é claro é que numerosos genes mitocondriais e outros, conhecidos alvos do PGC-1-alfa, como os genes responsáveis pelo processo da oxidação de ácidos graxos, são reprimidos na insuficiência cardíaca (Rowe, Jiang e Arany, 2010). Liang & Ward (2006) afirmam que o PGC-1- alfa possui uma resposta diminuída, ao exercício físico e à estimulação beta- adrenérgica, na insuficiência cardíaca.

Segundo Rowe, Jiang e Arany (2010), é possível, ainda, que em certos contextos, o PGC-1-alfa seja inicialmente reprimido e então, novamente, induzido como um mecanismo compensatório – na fase final da insuficiência cardíaca. Porém, ainda, é necessário conhecer, em detalhes, a

ação dessa proteína nas várias etiologias dessa patologia, bem como nas diversas fases de progressão da insuficiência.

Por fim, alertamos que a excessiva ativação do PGC-1-alfa pode conduzir à disfunção cardíaca e a uma possível citotoxicidade, a depender da rota metabólica ativada por essa proteína (Finck & Kelly, 2006; Liang & Ward, 2011; Jones e cols, 2011; Rowe, Jiang e Arany, 2010).

4.3 INTERAÇÃO ENTRE O PGC-1-ALFA E MIOCINAS

Chan & Arany (2014); Gouspillou e cols (2013); Jones e cols (2011) observaram que, por exemplo, a restrição calórica, fibratos e o resveratrol - um polifenol encontrado no vinho tinto- geram um incremento na quantidade do PGC-1-alfa em vários tecidos, como: cérebro, coração, fígado. Então, essas substancias agiriam não somente provocando o aumento dessa proteína em um único órgão. Assim, como explicar o efeito benéfico do exercício físico, que age apenas em uma musculatura determinada? Respondem Chan & Arany (2014) e Arnold, Egger e Handschin (2010) que, além da melhoria na arquitetura intramuscular (incremento do metabolismo da glicose e das gorduras, angiogênese, biogênese mitocondrial, diminuição da resposta inflamatória), o músculo, em resposta ao PGC-1-alfa, secretaria miocinas, que “propagariam” o efeito do exercício físico para outros órgãos.

Porém, até o momento, a única miocina sensível ao incremento do PGC-1-alfa é a irisina; embora seja altamente provável que outras miocinas reguladas pelo PGC-1-alfa existam (Chan & Arany, 2014), inclusive o próprio lactato, que possui todas as características de miocina.

Chan & Arany (2014) citam que a irisina responde ao incremento do PGC-1-alfa, em músculos de ratos transgênicos. Demontis e cols (2013) reforçam esses autores ao dizerem que com a elevação do PGC-1-alfa, na fibra muscular, em resposta ao exercício físico, a transcrição da proteína FNDC5 aumenta e com isso a síntese de irisina. Assim, em resposta ao incremento do PGC-1-alfa, aumenta a secreção da irisina, que vai atuar, por exemplo, no tecido adiposo branco fazendo-o ganhar características do tecido adiposo marrom: aumento do número e da atividade mitocondrial, bem como do incremento de proteínas desacopladoras, o que tende a combater o excesso de peso e melhorar o metabolismo da glicose e a tolerância à insulina (Boström e cols, 2012; Wrann e cols, 2013).

Wrann e cols (2013) realizaram estudo, em ratos, que demonstrou haver uma correlação entre o aumento do PGC-1-alfa (nos neurônios do hipocampo, em resposta ao exercício físico), o incremento da irisina (secretada por estes neurônios) e a elevação do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro). Esses autores, ainda, concluíram que a irisina secretada na corrente sanguínea periférica, por exemplo pelos músculos exercitados,

pode atravessar a barreira sangue-cérebro e estimular a síntese do BDNF, no hipocampo. Vale observar que Demontis e cols (2013) reforçam esse conceito de que algumas miocinas conseguem atravessar a barreira sangue- cérebro e, assim, podem atuar no cérebro.

Summermatter e cols (2013) realizaram experimento, com ratos, que consistiu em tentar correlacionar a concentração de lactato, pós-exercício de alta intensidade, com níveis de PGC-1-alfa. Os autores concluíram que o PGC-1-alfa modela a concentração dessa miocina, sendo responsável pelas menores concentrações de lactato sanguíneo observadas no pós-treinamento de exercícios de alta intensidade. Por fim, o experimento demonstrou que o PGC-1-alfa orquestra a transcrição de lactato desidrogenase B (LDH B, que metaboliza lactato até piruvato) e ainda reduz a expressão do gene responsável pela lactato desidrogenase A (LDH A, que metaboliza piruvato até lactato). Dessa forma, o PGC-1-alfa gerado na musculatura, em resposta ao exercício de alta intensidade, atuaria através de um papel regulatório no consumo e oxidação do lactato.

Após estudarmos as principais formas moleculares que propiciam os benefícios dos exercícios intervalados, iremos nos deter, nas próximas duas seções, sobre alguns estudos experimentais que mostram a atuação dos exercícios intervalados sobre as miocinas e o PGC-1-alfa. Alertamos para o fato de haver uma certa carência desses estudos que tragam a aplicação de protocolos de exercícios intervalados acompanhados da quantificação das moléculas chaves expressas – miocinas e pgc-1-alfa – e das consequentes modificações fisiológicas – exemplo: alterações na percentagem de gordura, modificações na contratilidade cardíaca. Opinião compartilhada por Zwetsloot e cols (2014), quando afirmam haver falta de estudos que correlacionem os agentes pró-inflamatórios e anti-inflamatórios aos exercícios intervalados de alta intensidade.

4.4 RESPOSTAS DAS MIOCINAS AOS EXERCÍCIOS INTERVALADOS

Sandstad (2012) conduziu um estudo sobre os efeitos do HIIT sobre a Artrite Reumatóide (AR) e a Artrite Idiopática Juvenil (AIJ), ambas patologias inflamatórias, que –segundo o autor- implicam o envolvimento de uma intricada rede de substâncias pró-inflamatórias as quais conduzem à destruição das cartilagens e lesões ósseas. O estudo foi feito em 18 mulheres entre 20 e 50 anos que se submeteram a dez semanas de HIIT, com frequência de duas vezes por semana. O autor concluiu que o treino causou uma diminuição na síntese de substâncias pró-inflamatórias e outras, marcadores dos processos inflamatórios, e principalmente, de um substancial aumento no RNA mensageiro para a miocina Interleucina-6. Esses achados correlacionaram-se com as menores sensações dolorosas e melhoria no comportamento emocional, reportadas pelos participantes do estudo. Assim, dez semanas de aplicação de HIIT, não incrementa o processo inflamatório e nem a progressão da AR e nem da AIJ e, importante, não conduz ao overtraining (sobretreinamento, marcado pelo incremento das reações inflamatórias).

Estudo interessante, foi o conduzido por PedramGhorbani e cols (2012). Eles avaliaram os efeitos agudos do SIT (Treinamento Intervalado de Sprint) em 20 jogadores de futebol da seleção Iraniana, sendo dez no grupo experimental e os outros no controle. O teste consistiu de duas execuções do teste RAST (Running Anaerobic Sprint Test, teste executado em seis tiros de corridas máximas, cada tiro cobrindo trinta e cinco metros, com intervalo de dez segundos entre cada tiro), com intervalo de quatro minutos entre as duas aplicações. Os autores encontraram que logo após o protocolo, houve um significante incremento na Interleucina-6 e nenhum aumento no TNF-alfa. Concluem, os autores, considerando outros estudos, que esses efeitos coadunam-se com uma síntese facilitada da enzima glicogênio fosforilase, melhoria da captação da glicose sanguínea – pelo músculo – e efeitos anti- inflamatórios, conseguidos pela aplicação aguda do exercício intervalado.

O grupo liderado por Bogdanis (2013) aplicou o HIIT utilizando-se do protocolo de Wingate (séries de trinta segundos na bicicleta ergométrica, com 0,075 kg/kg de massa corporal, no maior ritmo possível). Esse protocolo foi aplicado em oito homens fisicamente ativos, em quatro séries, com

intervalos de recuperação de quatro minutos, durante três semanas, com frequência de três vezes por semana. Os pesquisadores encontraram que uma simples série de HIIT induziu um forte incremento de marcadores do estresse oxidativo (perioxidação lipídica), porém com uma concomitante elevação dos mecanismos de defesa anti-oxidantes, com uma ação pico 24 horas depois do exercício. Em termos crônicos, o HIIT promoveu, ao final de três semanas, uma redução dos marcadores do estresse oxidativo e uma marcada elevação dos índices anti-oxidantes. Os autores concluíram, ainda, que o exercício realizado na bicicleta, por só ter a fase concêntrica, induz a uma menor resposta inflamatória. Assim, o presente protocolo causaria uma menor probabilidade de causar overtraining, devido a menor resposta inflamatória (causada pela ausência de atividade excêntrica e maior taxa de secreção da Interleucina-6) e ao consequente menor estresse oxidativo. Dessa forma, seria seguro a aplicação do HIIT por até três semanas.

Zwetsloot e cols (2014) aplicaram, em oito homens jovens e fisicamente ativos, HIIT (na bicicleta ergométrica, com intensidade de 100% do consumo máximo de oxigênio, durante 60 segundos, com 75 segundos de recuperação ativa) durante duas semanas, duas vezes por semana, sendo que cada semana apresentava um aumento na quantidade de estímulos de alta intensidade. Os pesquisadores notaram incrementos na concentração de IL-6, IL-8, IL-10, TNF-alfa e MCP-1 (Monocyte Chemoattractant Protein-1 ou Proteína Quimiotática de Monócitos-1), já na primeira sessão do HIIT. Os autores destacaram o comportamento da IL-6, que incrementou imediatamente pós-exercício e permaneceu elevada (quando comparada ao repouso) por 15, 30 e 45 minutos pós-exercício. Similar incremento ocorreu para a IL-8, porém em menor grau do que para IL-6. Já o MCP-1 e o TNF- alfa (agentes que facilitam o processo inflamatório ou pró-inflamatórios) incrementaram somente imediatamente após o exercício. O ponto chave, segundo os autores, é que esse quadro manteve-se da primeira até a última sessão de aplicação do HIIT.

Com relação ao BDNF, foi a partir de 2010 que iniciou-se um incremento no corpo de estudos ligando o exercício de alta intensidade com a secreção dessa miocina.

O estudo conduzido por Winter e cols (2007) utilizou-se de vinte e sete estudantes, homens, saudáveis e estudantes de educação física, para

testar o efeito do exercício moderado e do exercício intenso sobre o aumento plasmático do BDNF e a facilitação do aprendizado. O estudo foi conduzido em três condições: “relaxado”, onde os sujeitos permaneciam quinze minutos descansando; “moderado”, onde os sujeitos corriam por quarenta minutos em um ritmo moderado, medido pela frequência cardíaca alvo; e “intenso”, momento no qual os sujeitos corriam no maior ritmo possível, por três minuto e faziam dois minutos de pausa, até a exaustão. Antes e depois de cada condição foram mensurados, nos sujeitos, as concentrações plasmáticas periféricas de BDNF, catecolaminas (dopamina, adrenalina e noradrenalina) e lactato, além da aplicação de um exercício que testava a habilidade de aprendizado de novas palavras. Todos os vinte e sete sujeitos passaram pelas três condições, em diferentes dias, separados ao menos por uma semana. Os cientistas observaram que somente na condição do exercício de alta intensidade, que na verdade durava menos de três minutos, houve uma melhoria no aprendizado, correlacionado com as maiores concentrações da miocina BDNF, das catecolaminas e do lactato. Dessa forma, duas corridas no maior ritmo possível (sprint), com duração menor que três minutos, fizeram com que os participantes aprendessem vinte por cento mais rápido, quando comparado com a condição “relaxado” e “moderado”. Os autores concluíram para a possibilidade do BDNF plasmático ter atravessado a barreira sangue/cérebro e ter atuado em áreas chaves para o aprendizado, como o hipocampo – o BDNF seria o mediador entre o exercício físico de alta intensidade e a melhoria na aprendizagem. Além disso, arrematam os autores, o microambiente criado pelos incrementos dessa miocina e das catecolaminas deve ter agido em sinergia para esse aprendizado “turbinado”.

Yarrow e cols (2010) realizaram o estudo pioneiro que demonstrou que o exercício de força de alta intensidade incrementa de modo robusto e transiente a concentração plasmática do BDNF.O estudo foi realizado em vinte homens, com idade média de 21,9 anos, saudáveis e previamente destreinados. Eles foram divididos em dois grupos: treinamento de força tradicional (TRAD) e treinamento de força de alta intensidade (ECC+). Os pesquisadores detectaram um aumento do BDNF circulante em ambos os protocolos e ainda: conforme os indivíduos prosseguem, no treino de força, ocorre um aumento na concentração do BDNF sanguíneo, em resposta a uma série simples de exercício de força. Dessa forma, parece que exercícios de

força, com curta duração, aumentam as concentrações plasmáticas do BDNF e que a regular participação, nesse tipo de treino, eleva, ainda mais, as concentrações circulantes de BDNF, de forma aguda.

Correia e cols (2010) recrutaram dezesseis jovens e saudáveis homens sedentários e verificaram a resposta aguda do BDNF plasmático à uma sessão de exercícios de alta intensidade, usando contrações isocinéticas, para pequenos grupos musculares (flexores e extensores do cotovelo) e grandes grupos musculares (flexores e extensores do joelho). Os pesquisadores mediram as concentrações plasmáticas do BNDF antes e depois de ambos os exercícios e concluíram não haver alteração da resposta do BDNF nem ao exercício agudo que recrute pequenos grupos musculares e nem ao que recrute grandes grupos musculares.

Novamente, Correia e cols (2011) realizaram outro estudo sobre exercícios de alta intensidade e a resposta do BDNF. Eles mensuraram a concentração do BDNF plasmático, em repouso, de trinta e sete sujeitos, sendo oito jovens corredores de sprint de nível nacional (quatro homens e quatro mulheres), catorze corredores de sprint de nível olímpico/mundial (oito homens e seis mulheres) e quinze pessoas sedentárias (nove homens e seis mulheres), que formaram o grupo controle. Os autores perceberam que somente entre os corredores, a concentração – em repouso- do BDNF era significativamente maior. Além disso: as concentrações do BDNF dos corredores de nível olímpico/mundial eram significativamente maiores, tanto em relação aos seus congêneres, de nível nacional, como, também em relação aos sedentários. Já as concentrações do BDNF dos corredores de nível nacional somente diferenciavam-se das encontradas nos sedentários. Os autores concluem afirmando que parece haver uma resposta favorável, do BDNF, a esse tipo de exercício anaeróbio de alta intensidade e que a resposta dessa miocina, a esse tipo de treino, correlaciona-se com variáveis de performance.

Dessa maneira, podemos concluir que os poucos estudos na literatura envolvendo seres humanos, treinamento de alta intensidade e secreção do BDNF parecem indicar que essa miocina tem sua secreção fortemente influenciada pela regularidade do treinamento e pelo grau de especialização do praticante. Assim, hipotetiza-se que os sedentários não se beneficiariam de exercícios agudos, pelo menos ao que tange ao incremento do BDNF

plasmático.

Scalzo e cols (2014) realizaram o primeiro estudo sobre a influência do HIIT (tratado, equivocadamente, pelos autores como “SIT”) no conteúdo da proteína FNDC5, no músculo esquelético de humanos. Os autores aplicaram o HIIT na forma do protocolo de Wingate em 19 adultos jovens (sete homens e doze mulheres). O protocolo foi utilizado em nove sessões de HIIT, distribuídas em três semanas. O protocolo de Wingate, como já dito, durava trinta segundos e seguia-se, a sua aplicação, um intervalo de quatro minutos de recuperação. Foram coletadas amostras de sangue venoso, bem como amostras do vasto lateral (através da técnica da biópsia), antes e depois do treinamento. Concluiu-se que houve uma resposta, a qual se expressou em um dimorfismo sexual quanto à síntese da irisina, em resposta ao HIIT. Dessa forma, seguindo-se a uma sessão do HIIT houve um aumento na irisina plasmática nas mulheres, o que não foi constatado nos homens, apesar de ambos, em repouso, terem concentrações similares de irisina. Por fim, não houve alteração na concentração da irisina intramuscular em ambos os sexos.

4.5 RESPOSTA DO PGC-1-ALFA AOS EXERCÍCIOS INTERVALADOS

Gibala e McGee (2008) em artigo de revisão, demonstraram que o exercício contínuo de intensidade moderada incrementa a atividade e expressão do PGC-1-alfa, sugerindo que essa proteína seja crítica para as adaptações decorrentes desse treino. Porém, esses autores informam que apenas seis semanas do HIIT (Treinamento Intervalado de Alta Intensidade) provocaram um incremento similar, do PGC-1-alfa intramuscular, ao gerado pelo treino contínuo de intensidade moderada, com alto volume.

Em um interessante e pioneiro estudo, Bartlett e cols (2012)

realizaram a primeira observação sobre a influência do exercício de corrida – sob a forma de dois protocolos: de maneira contínua de intensidade moderada

e com o uso do HIIT- na sinalização aguda para a biogênese mitocondrial, na musculatura esquelética de humanos. Eles demonstraram que tanto o HIIT como o exercício contínuo de intensidade moderada (quando comparados pela intensidade média, duração e trabalho mecânico executado) induziram incrementos similares no AMPK, na fosforilação de p38MAPK, no PGC-1-

alfa, e na proteína supressora de tumor, ou p53. Dessa forma, a teoria que correlaciona os incrementos da fosforilação de p38MAPK e da concentração do AMPK ao aumento da expressão do PGC-1-alfa, ocorreu de forma precisa. Pois, três horas após, em ambos os protocolos, encontraram-se aumentos de quatro vezes na expressão do RNA mensageiro do PGC-1-alfa. Além do mais: os pesquisadores alertaram que além de p38MAPK e AMPK,

o

incremento do PGC-1-alfa deveu-se, ainda, à maior expressão de p53 – pois

o

PGC-1-alfa tem um sítio de combinação, para essa proteína, em sua região

promotora. E tudo isso combinado – elevação da expressão do PGC-1-alfa e aumentos na p53- caracteriza uma resposta aguda, de ambos os protocolos de exercícios, apta a caracterizar a biogênese mitocondrial. Novamente, ressaltamos que nesse estudo foram utilizados somente 18 minutos de volume de alta intensidade – para o HIIT- e 50 min para o treino contínuo de intensidade moderada, o que –mais uma vez- caracteriza a praticidade de tempo do treino intervalado.

Mais uma vez, Gibala e cols (2012), em artigo de revisão, expõem que o HIIT faz com que a concentração do PGC-1-alfa eleve-se, com aumento nos marcadores da biogênese mitocondrial. Os autores, citando

estudos, concluem que o PGC-1-alfa regula algumas das adaptações geradas pelo treino de baixo volume, HIIT. Por fim, expõem – os autores- que se modestos incrementos já geram muitos benefícios para a saúde (melhoria na capacidade oxidativa da célula, aperfeiçoamento das defesas anti-oxidantes, maior eficiência para a absorção da glicose pelas células, mitigação da sarcopenia e das respostas inflamatórias), então as ainda maiores elevações, geradas pelo HIIT, na expressão do PGC-1-alfa, poderiam alargar, mais ainda, os benefícios para o organismo humano.

Em um estudo utilizando somente o HIIT, sob a forma do protocolo de Tabata (1996), Jasmin e cols (2013) encontraram que esse tipo de treino, já com duas semanas, gera incrementos no PGC-1-alfa e nas proteínas mitocondriais, da cadeia transportadora de elétrons. Os autores reafirmaram a importância do incremento do PGC-1-alfa na biogênese mitocondrial e que essa proteína contribui com as adaptações moleculares induzidas por esse tipo de treino, de muito baixo volume, apenas três minutos de esforço de alta intensidade. Concluem, os autores, afirmando que o protocolo de Tabata parece apresentar o menor volume, dentre outros protocolos, apto a incrementar concentração de proteína mitocondrial e aperfeiçoar a performance aeróbia e anaeróbia.

Scribbans e cols (2014) conduziram um estudo comparando um protocolo HIIT com outro de exercício contínuo de intensidade moderada, ambos realizados em um ciclo ergômetro. Eles encontraram que ambos foram eficazes em aumentar, 90 minutos pós-exercício, a concentração de RNA mensageiro para o PGC-1-alfa, tanto em fibras tipo I como IIA, do músculo vasto lateral. Mais uma vez constatou-se a eficiência temporal do HIIT em relação ao treino contínuo.

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