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MEDIDOR TIPO CORIOLIS (MÁSSICO)

PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

Esse medidor é do tipo mássico (vazão mássica), pois é um sensor de massa específica (“densidade”) e se baseia no efeito de aceleração de Coriolis, que define que um fluido ao passar através de um tubo que vibra a uma determinada freqüência, irá acelerar ou desacelerar assim que o fluido passa pelo ponto inicial e pelo final da amplitude da freqüência. O efeito de aceleração e desaceleração causa deformações no tubo de medição, e foi descoberto pelo cientista francês Gaspard Gustave de Coriolis (1792-1843).

Diversas concepções de desenhos de tubos de medição foram desenvolvidas (ver Figura 4.21 e Figura 4.22), por exemplo:

Tubo em hélice – Bailey-Ficher & Porter

Tubo reto simples – Krohne

Tubo Omega – Rheonik, Schlumberger

Tubo em “S” – Smith

Tubo “U” invertido – Foxboro

Tubo em “B” – ABB K-Flow

Tubo reto duplo – Endress+Hauser, Honeywell, Schlumberger

Tubo em “U” – Micro-Motion

Tubo oval modificado – Danfoss

Tubo em raquete – Bupp & Reuter

Tubo em “Z”- Krohne

raquete – Bupp & Reuter ∑ Tubo em “Z”- Krohne Figura 4.21 – Exemplos de Concepções

Figura 4.21 – Exemplos de Concepções do Medidor Coriolis

Cap. 5 - MEDIÇÃO DE PETRÓLEO EM LINHA

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Figura 4.22 – Exemplo de Medidores Tipo Coriolis Para melhor entendimento, a Figura 4.23A mostra
Figura 4.22 – Exemplo de Medidores Tipo Coriolis Para melhor entendimento, a Figura 4.23A mostra

Figura 4.22 – Exemplo de Medidores Tipo Coriolis

Para melhor entendimento, a Figura 4.23A mostra um tubo em forma de “U” que, em condições de fluxo zero, é submetido a forças eletro-magnéticas induzidas pelo próprio instrumento e adquire um movimento oscilatório em torno do eixo principal do instrumento (normalmente o eixo da linha principal). Quando o fluido passa pelo tubo, a combinação das velocidades angular e linear dá origem à aceleração de Coriolis (Figura 4.23B), sendo que as forças resultantes têm a direção perpendicular ao tubo. As forças geradas produzem uma torção (Figura 4.23C) no tubo.

geradas produzem uma torção (Figura 4.23C) no tubo. Figura 4.23 – Efeito Coriolis num Tubo em

Figura 4.23 – Efeito Coriolis num Tubo em “U” (A) Movimento Oscilatório com Fluxo Zero

(B) Forças do Fluido Reagindo à Vibração do Tubo

(C) Deformações do tubo decorrentes de forças de Coriolis

O módulo da força de Coriolis gerada é pequena e, de acordo com a Segunda Lei de Newton, tal força em cada ponto do tubo é igual ao dobro da massa de um elemento pontual que se desloca (tubo + fluido) vezes a velocidade do elemento vezes a velocidade angular do tubo naquele ponto. Alguns fabricantes optaram por dispor o instrumento de dois tubos idênticos realizando a mesma função, porém em movimento oscilatório oposto, de forma a aumentar a amplitude da oscilação (ver Figura 4.24).

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Figura 4.24 – Duplo Tubo para Amplificação do Efeito Coriolis As variáveis primárias medidas são:

Figura 4.24 – Duplo Tubo para Amplificação do Efeito Coriolis

As variáveis primárias medidas são: freqüência natural do tubo, defasagem de tempo entre os dois sinais de detecção de posição dos tubos e a temperatura do tubo. Deste modo, é essencialmente um medidor de densidade, daí a massa total do sistema é dada por:

MassaTotal(M ) = Massa

TUBO

Massa

LÍQUIDO

=

V

+ Massa

LÍQUIDO

[4.8]

[4.9]

e, após substituição, a massa específica é expressa por:

=

 

K

 

Massa

TUBO

4

2

f

2

V

V

[4.10]

onde K é uma constante relativa ao material do tubo, V é o volume do tubo e f é a freqüência natural do sistema. A massa específica medida é função da freqüência ao quadrado:

µ

1

f

2

[4.11]

A vazão mássica é obtida pela defasagem ( T na Figura 4.23) entre os sinais dos detectores de

posição instalados respectivamente à esquerda e à direita do arranjo de tubos. No caso do medidor estar em condição de vazão zero (No Flow), os sinais dos dois detectores estão em fase, com conseqüente T = 0. Quando há vazão dos tubos (Flow), a vazão mássica será proporcional ao T medido. A vazão volumétrica pode também ser obtida uma vez que os valores de vazão mássica e de massa específica do fluido estão disponíveis em linha internamente ao medidor. Observa-se que, caso se queira corrigir as vazões para as condições de referência, é necessária a instalação de transmissores de pressão e de temperatura externos ao medidor (deve ainda ser analisada a necessidade de um computador de vazão já que muitos modelos não executam as funções de correção).

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Dado a grande diversidade de desenhos (Figura 4.20), há dúvidas sobre como escolher qual o modelo mais adequado para uma determinada aplicação. Nos medidores com tubo simples (Figura 4.24) a oscilação do tubo tem de ser equalizada por meio de recursos internos adicionais. Já os tubos curvos são mais empregados para evitar problemas de temperatura (a curva absorve as expansões e contrações do material devido às mudanças na temperatura, garantindo assim que deformações ou estresse possam afetar negativamente as oscilações). Entretanto, os tubos curvos requerem mais espaço e são mais difíceis de se limpar.

requerem mais espaço e são mais difíceis de se limpar. Figura 4.24– Medidor Coriolis do tipo

Figura 4.24– Medidor Coriolis do tipo tubo simples

CARACTERÍSTICAS (MEDIDOR CORIOLIS)

É ao mesmo tempo um medidor de vazão mássica e medidor de massa específica (“densidade”), daí a medição de vazão volumétrica ser também disponível. Esse medidor é praticamente independente das variações das propriedades do fluido (temperatura, pressão, massa específica e viscosidade).

Normalmente apresenta uma incerteza de ± 0.15% v.i. e rangeabilidade de 20:1. Para vazões muito baixas, a performance do instrumento é degradada (ver Figura 4.24).

a performance do instrumento é degradada (ver Figura 4.24). Figura 4.24 – Incerteza Típica para um

Figura 4.24 – Incerteza Típica para um Medidor Tipo Coriolis

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É também utilizado para a medição de BS&W a partir do conhecimento prévio das massas

específicas do óleo e da água produzida utilizados (geralmente constantes e nas condições de

referência). Alguns modelos disponibilizam a medição de temperatura do tubo (não confundir com a temperatura do fluido).

O API aprovou em 2002 uma norma específica para a medição por efeito Coriolis: API – MPMS

– Chapter 5 – Metering, Section 6 - Measurement of Liquid Hydrocarbons by Coriolis Meters, que abrange desde óleo cru até hidrocarbonetos acabados, além de “fluidos em fase densa” como GLP, NGL e etileno. Inclui recomendações de instalação e operação, procedimentos de prova e formatos de relatórios de prova.

Já a ISO-10790 Measurement of Fluid Flow on Closed Conduits – Guidance to the Selection, Installation and Use of Coriolis Meters (mass flow, desnsity and volume flow measurements) (1999 e Amendment 2003) estabelece os requisitos de projeto para líquidos e gases.

O INMETRO tem a sua Portaria 113/97 “Medidores Mássicos” que trata dos requisitos para a

aprovação de modelo de medidores deste tipo (devido à aplicação de GNV).

Tem sido aplicado em praticamente todas as áreas, sendo que, na indústria do petróleo, principalmente no mercado de derivados de petróleo, inclusive em processos de revamp, substituindo os medidores do tipo deslocamento positivo e turbina.

As limitações estão basicamente no tamanho máximo de 6” (há casos de diâmetros maiores, por ex. 10”, porém as dimensões do instrumento são demasiadas) e perda de carga de moderada a alta, dependendo das condições do fluido e processo. Devido a essa perda de carga significativa, alguma preocupação deve ser focada na eventual presença de gás ou mesmo separação de gás dentro do instrumento. Segundo alguns experimentos, a presença de gás de até 5% (na saída) não deve alterar o funcionamento do medidor, uma vez que o gás pode estar disperso no óleo, em forma de pequenas bolhas.

A instalação recomendada nas aplicações de líquidos e de forma a evitar acúmulo de gás é a

horizontal “para baixo”, ou seja, no caso do medidor do tipo tubo em “U”, por exemplo, o tubo deve ser tal que fique na posição com a curvatura em direção ao solo. O oposto é válido para gás com condensado.

Como é um sistema que opera com base em oscilações de pequena amplitude, é recomendável evitar qualquer fonte de vibração mecânica na tubulação adjacente ao instrumento.

Segundo os fabricantes, não há a necessidade de trechos retos a montante e a jusante, nem de um bom perfil de escoamento desenvolvido para se obter a ótima performance. Por exemplo, curvas de tubulação próximas ao medidor não interferem no desempenho do mesmo.

Uma característica intrínseca dos medidores do tipo Coriolis é o fato de que o sinal de saída em pulsos é “fabricada” pela eletrônica, ou seja, os pulsos são gerados após o cômputo da vazão (um certo tempo após o fluido ter percorrido o interior do medidor).

CALIBRAÇÃO (MEDIDOR CORIOLIS)

Os mesmos procedimentos de calibração relativos aos medidores do tipo deslocamento positivo e turbina são válidos para o medidor tipo Coriolis.

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Uma vez que as condições de instalação sejam estáveis, uma preocupação normal é o possível desgaste interno da parede interna dos tubos sensores devido à erosão ou mesmo incrustação nos mesmos.

Quando utilizado como medidor de BS&W (ver Capítulo 5) é fundamental observar a variação do tipo de óleo utilizado, uma vez que os valores de densidade do óleo e da água são carregados como constantes na programação do mesmo.

É importante frisar que o medidor Coriolis, sendo um medidor mássico, deve ser calibrado em volume, de modo a atender à classe correspondente da OIML (Tabela 4.3), pois certamente a incerteza de medição em vazão mássica será melhor do que a incerteza em vazão volumétrica.

A operação de provação deve ser tal que o medidor Coriolis esteja com a saída configurada para “pulsos” para facilitar os cálculos de repetitividade.

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MEDIDOR TIPO ULTRA-SÔNICO

PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

O medidor tipo ultra-sônico se baseia na propagação de ondas de ultra-som, emitidas a

freqüências na faixa de 150 kHz a 4 MHz através do fluido, sendo necessário pelo menos um par

de transdutores. Há dois métodos mais utilizados comercialmente: (a) efeito Doppler, e (b)

tempo de trânsito (transit time), sendo esse último o mais utilizado na indústria do petróleo.

O medidor baseado em efeito Doppler funciona transmitindo um sinal de freqüência constante no

fluido. Bolhas, sólidos em suspensão ou redemoinhos no fluido fazem com que o sinal seja refletido ou disperso de volta ao transdutor receptor. Se o fluido estiver em movimento, haverá uma variação na freqüência do sinal recebido. A diferença entre as freqüências dos sinais transmitido e recebido será proporcional à velocidade do meio.

O princípio denominado tempo de trânsito utiliza dois transdutores posicionados nos lados

opostos da tubulação que enviam e recebem sinais acústicos através do fluxo, de modo alternado a favor e contra o fluxo (ver Figura 4.25), baseando-se no fato que uma onda sonora movimenta-

se mais rapidamente na mesma direção do fluxo do que uma outra propagada contra o
se
mais rapidamente na mesma direção do fluxo do que uma outra propagada contra o fluxo.
Figura 4.25 – Configuração Básica do Medidor Baseado em Tempo de Trânsito
O
transdutor emissor gera um sinal pulsado numa direção definida (trajetória) e o transdutor

receptor registra o tempo de chegada do mesmo sinal. Após essa operação, o transdutor receptor

é colocado a operar como emissor, gerando um sinal pulsado na direção oposta, e o primeiro

transdutor também registra o tempo de chegada do segundo sinal. A diferença entre os dois períodos de tempo medidos é correlacionada com a velocidade do fluido.

O tempo de trânsito na direção a favor do fluxo é dado por:

t favor

=

L

c

v

m

(x).cos( )

[4.12]

onde c é a velocidade do som, L é a distância entre os dois transdutores, é o ângulo entre a linha do feixe e o eixo do tubo e x um ponto qualquer ao longo de L. O tempo de trânsito na direção contra o fluxo é dado por:

L

t contra

=

c

+

v

m

(x).cos( )

[4.13]

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Combinando-se as duas equações acima, vem a fórmula para a velocidade média v m (x):

v

m

(

x

) =

 

L

.(

t

afavor

 

t

contra

)

2.

t

afavor

.

t

contra

.cos(

 

)

[4.14]

As fórmulas definidas acima apresentam uma independência das propriedades do fluido (massa específica, viscosidade, etc.) quando se deseja medir a velocidade média ao longo da trajetória do feixe ultra-sônico. Entretanto, quando se deseja relacioná-la com a velocidade média do fluido na seção transversal (e, portanto, a vazão), é reconhecida a necessidade de correções adicionais para o Número de Reynolds e para a dilatação do corpo do medidor, sendo tais correções já bem estabelecidas na área de medição de líquidos.

Num medidor tipo multi-feixes, como por exemplo, o de 5 feixes, a velocidade média computada pelo medidor será:

u

m

u

m

=

5 +

1 A

2 i

w . u

i

= 1

i

=

.

(

u

1

u

5

)

2

+ B .

(

u

2

+

u

4

)

2

+ C .

u

3

2

[4.15]

onde:

u

w

i

: velocidade média ao longo da trajetória i medida por cada feixe do medidor;

i : função peso da variável independente para a integração Gauss-Legendre;

A : parâmetro relacionado ao regime de escoamento laminar; B, C : parâmetros relacionados aos regimes de escoamento de transição e turbulento.

A vazão indicada pelo medidor em operação, Q, é calculada multiplicando-se a velocidade média

indicada pelo medidor,

m , Eq. [4.13], pela área da seção transversal e por três fatores de correção

denominados K Re , K b e MF.

u

Q = MF

K

Re

K

b

D

2

K R e , K b e MF . u Q = MF K Re K

4

m

[4.16]

onde:

K Re : parâmetro de correção da velocidade devido ao Número de Reynolds; K b : parâmetro para corrigir a expansão térmica do corpo do medidor, que é função da temperatura de operação e do coeficiente de dilatação linear do material; MF : “Meter Factor” (ou Fator do Medidor), obtido do certificado de calibração do medidor.

Dependendo do modelo adotado pelo fabricante, a correlação entre as velocidades indicadas pelo medidor e o número de Reynolds, e consequentemente, K Re , é obtida pelos os parâmetros A e B, como por exemplo:

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u + u 2 4 A = u 3 u + u 2 4 B
u
+ u
2
4
A =
u
3
u
+
u
2
4
B =
u 1 u
+
5
FL.
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[4.17]

[4.18]

Desta maneira, podem-se criar correlações empíricas que relacionam os parâmetros A e B para um dado Número de Reynolds e sua faixa. Estas correlações são inseridas no software do fabricante, completando-se assim, o processo denominado de “Fingerprint” (espécie de identidade do medidor contendo suas características intrínsecas).

De modo geral, um medidor de multi-feixes ou multi-trajetórias consegue (ao contrário de um medidor mono-feixe):

Reduzir os erros devido ao efeito do escoamento transversal antes da entrada no medidor;

Reduzir erros devido aos efeitos da instalação;

Otimizar o desempenho para toda a faixa do número de Reynolds;

Reduzir a incerteza de medição com dados em excesso e otimização da posição dos feixes

acústicos; Diagnosticar a não idealidade do escoamento.

O medidor ultra-sônico fornece a cada instante um diagnóstico sobre o perfil de velocidade do escoamento e eventualmente um alarme para alertar sobre a qualidade da medição. Os seguintes diagnósticos são dados:

Assimetria (X 1 ): O medidor compara o escoamento da metade superior da tubulação com a inferior. Idealmente este valor se aproxima de 1.

X

1 =

u 1 u + 2 u + u 4 5
u 1 u
+
2
u
+ u
4
5

[4.19]

Escoamento cruzado (X 2 ): O medidor compara as velocidades em dois planos em ângulo reto, duas velocidades em cada um. Idealmente, este valor se aproxima de 1.

[4.20]

X

2

=

u 1 u + 4 u + u 2 5
u 1 u
+
4
u
+ u
2
5

Turbilhonamento (X 3 ): O medidor compara as trajetórias internas com as externas, como um indicador do turbilhonamento. Idealmente, deve se aproximar de 1,17.

X

3 =

u + u 2 4 u 1 u + 5
u
+ u
2
4
u 1 u
+
5

[4.21]

Rugosidade (X 3 ): O medidor pode detectar um aumento da rugosidade pelo seu efeito no perfil de velocidade. O mesmo parâmetro, Eq. [4.21], pode ser utilizado. Se o perfil não varia com o tempo, a rugosidade provavelmente permaneceu constante.

Estratificação do escoamento: Provoca diferentes valores para a velocidade do som. A velocidade mínima de medição é cerca de 0,1 m/s, pois provoca uma estratificação do escoamento pelas correntes de convecção natural, aumentando a incerteza de medição.

Turbulência: O medidor calcula a intensidade de turbulência pelo valor médio quadrático das flutuações de velocidade. Este valor pode ser comparado com o esperado, podendo diagnosticar distorções no perfil.

CARACTERÍSTICAS (MEDIDOR ULTRA-SÔNICO)

Os medidores do tipo ultra-sônico podem ser fabricados em carretéis (spool) com um ou até 6 pares de transdutores (multibeam) ou fornecidos com um par de transdutores para instalação externa ao tubo em braçadeiras (clamp-on) ou com tomadas de processo (sensores “molhados”),

Cap. 5 - MEDIÇÃO DE PETRÓLEO EM LINHA

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conforme pode ser observado na Figura 4.26. A escolha entre um tipo ou outro é apenas uma questão de custo/benefício, pois o do tipo carretel possui melhor incerteza de medição e maior custo, enquanto o de instalação externa se destina a serviços onde não é possível a parada do processo e/ou a incerteza de medição não necessite ser a melhor possível.

de medição não necessite ser a melhor possível. Figura 4.26 – Exemplos de Medidores Ultra-sônicos do

Figura 4.26 – Exemplos de Medidores Ultra-sônicos do Tipo Tempo de Trânsito (A) carretel com um feixe; (B) carretel com 6 feixes; (C) instalação externa ao duto (clamp-on);

(D)

carretel com 4 feixes, um feixe por plano;

(E)

disposição dos feixes (cordal ou diametral)

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Em termos de normalização, o API tem o MPMS Chapter 5.8 Measurement of Liquid Hydrocarbons by Ultrasonic Flowmeters Using Transit Time Technology, que prevê a utilização de medidores do tipo carretel (spool type) e de no mínimo 2 feixes. Já a ISO-12765

Measurement of Fluid Flow in Closed Conduits – Methods using Transit-Time Ultrasonic Flowmeters (1998) estabelece os requisitos de projeto tanto para líquidos como gases.

No Brasil, já se aplica esta tecnologia, principalmente nos sistemas de grandes diâmetros, altas vazões e incertezas compatíveis com os níveis requeridos para transferência de custódia e medição fiscal.

A incerteza da medida de vazão dependerá da velocidade do fluxo, diâmetro do duto e da média da viscosidade. A velocidade do fluido geralmente é limitada a 13 a 18 m/s, com rangeabilidade de 10:1 a 20:1. A Figura 4.27 mostra um exemplo de calibração desse tipo de medidor em várias viscosidades. Valores típicos de incertezas vão desde ± 0.15% v.i. para os modelos mais exatos até ± 2% para os modelos menos sofisticados. É evidente que em baixas velocidades a performance do instrumento é degradada, o mesmo acontecendo em situações de muito alta velocidade.

0.3 1.5 cSt (3.7.00) 20 cSt (4.7.00) 40 cSt (5.7.00) 20 cSt (6.7.00) 1.5 cSt
0.3
1.5
cSt (3.7.00)
20 cSt (4.7.00)
40 cSt (5.7.00)
20 cSt (6.7.00)
1.5
cSt (7.7.00)
0.2
0.1
0
0
20
40
60
80
100
120
-0.1
-0.2
-0.3
Error (%)

Flow rate (l/s)

Figura 4.27 – Calibração do Medidor KROHNE (Altosonic V) de 5 feixes em diferentes condições

Podem ser aplicados em diâmetros de 1 a 54”. Outra diferença entre fabricantes é a tensão elétrica aplicada nos sensores, que pode variar de 15 até 300 V.

Na literatura há recomendações que o fluido a ser medidor seja relativamente limpo, pois a presença de partículas poderia desviar o feixe, levando à perda da leitura.

Os modelos do tipo carretel ou de instalação externa (sensores “molhados”) podem ter problemas de fluxo contrário na cavidade da parede interna do tubo (onde está instalado o sensor) ou mesmo deposição de sujeira neste ponto. Por outro lado, os do tipo braçadeira (clamp-on) podem apresentar problemas de reflexão do feixe na parede do tubo.

De modo geral, consta na literatura que os instrumentos do tipo mono-feixe são mais afetados que os do tipo multi-feixe quando há perfil de fluxo assimétrico ou swirling (rotação). Relatos mostram que, para medição de líquidos, o emprego de 5 feixes de medição apenas resolveriam 1% do problema. Por outro lado, o desvio de 1 grau no feixe causaria um erro na medição de 3.4%. Um medidor tipo clamp-on calibrado para um determinado tipo de líquido, quando usado

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com outros diferentes tipos de líquidos, causa um efeito de reflexão em ângulos de 19 a 26 º no feixe.

Como a fórmula definida em [4.14] acima presume uma velocidade média ao longo da distância entre os dois transdutores, é importante que a distribuição da velocidade (ou perfil de velocidade) seja simétrica dentro da seção de medição. Um exemplo de como tornar o perfil de velocidade mais simétrico possível é a simples redução do diâmetro interno do tubo (“confusor” no caso da KROHNE), conforme pode ser observado na Figura 4.28.

caso da KROHNE), conforme pode ser observado na Figura 4.28. Figura 4.28 – Redução do diâmetro
caso da KROHNE), conforme pode ser observado na Figura 4.28. Figura 4.28 – Redução do diâmetro

Figura 4.28 – Redução do diâmetro interno (Confusor) e Medidor Altosonic V da Krohne

Os fabricantes sugerem que o uso de 10 D de trecho reto a montante e 5 D a jusante é suficiente para um nível de incerteza de 1% na medição. No entanto, testes no NEL demonstraram que erros da ordem de 10% podem existir quando utilizados 10 D a jusante de uma dupla curva de tubulação em instrumentos do tipo mono-feixe. Esses mesmos testes sugeriram que instrumentos

do tipo mono-feixe necessitariam de 30-40 D, os de duplo-feixe 15-20 D e somente os do tipo

multi-feixe poderiam ser satisfatórios com trechos menores.

Um parâmetro fundamental é a viscosidade do líquido e, para o adequado dimensionamento do medidor, devem ser verificados junto ao fabricante seus limites de aplicação (ou consultar as Portarias de Aprovação de Modelo do INMETRO).

Uma característica intrínseca dos medidores do tipo ultra-sônico é o fato de que o sinal de saída em pulsos é “fabricada” pela eletrônica, ou seja, os pulsos são gerados após o cômputo da vazão (um certo tempo após o fluido ter percorrido o interior do medidor).

CALIBRAÇÃO (MEDIDOR ULTRA-SÔNICO)

O medidor ultra-sônico deve ter o mesmo procedimento de calibração de um medidor tipo

turbina ou deslocamento positivo ou Coriolis. É importante ressaltar que todo medidor ultra- sônico deve ter associado um transmissor de pressão e um de temperatura que devem ser também calibrados periodicamente.

Deve ser verificado junto ao fabricante se o medidor é apto a ser calibrado contra um provador do tipo compacto (dado que problemas de repetitividade podem acontecer). O API MPMS Chapter 5.8 recomenda o volume sugerido para o provador (de forma a se obter uma incerteza de medição

de ± 0,027% no fator do medidor) conforme Tabela 4.6.

A operação de provação deve ser tal que o medidor ultra-sônico esteja com a saída configurada

para “pulsos” para facilitar os cálculos de repetitividade.

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Volume do provador vs. tamanho do medidor

 

Diâmetro nominal do medidor polegadas (mm)

5 corridas

8 corridas

10 corridas

0,05%

0,09%

0,12%

Tamanho do provador (bbl)

4

(100)

33

15

10

6

(150)

73

34

22

8

(200)

130

60

40

10

(250)

203

94

62

12

(300)

293

135

89

14

(350)

399

184

121

16

(400)

521

241

158

Tabela 4.6 – Volume sugerido para o provador

OUTROS TIPOS DE MEDIDORES

PRESSÃO DIFERENCIAL

Placa de Orifício

Também conhecidos como sistemas “deprimogênios”, sua função é criar uma diferença de pressão p que seja relacionada à vazão Q, através de uma equação do tipo:

Q = K

p
p

[4.22]

onde o valor de K inclui os parâmetros próprios da placa, da configuração física da instalação e das características do fluido medido.

A Figura 4.29 apresenta exemplos de placa de orifício, que são aplicadas conforme as condições

do fluido. Como vantagem principal vem a simplicidade de instalação, robustez, fácil realização

e de custo relativamente baixo.

fácil realização e de custo relativamente baixo. Figura 4.29 – Exemplos de Placa de Orifício A

Figura 4.29 – Exemplos de Placa de Orifício

A equação de Bernoulli generalizada a uma corrente fluida mostra que para variações de

velocidades correspondem variações de pressões. A inserção de uma placa de orifício numa linha provoca variações bruscas de seção de passagem e variações correspondentes de velocidade e pressão. Conforme pode ser observado na Figura 4.30, a passagem de fluido por uma placa de orifício provoca um grande efeito próximo a um turbilhonamento.

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Figura 4.30 – Foto de um Experimento para Análise do Escoamento do Fluido em uma

Figura 4.30 – Foto de um Experimento para Análise do Escoamento do Fluido em uma Placa de Orifício

A utilização de placas de orifício em medição de óleo cru não é recomendada devido aos

evidentes problemas que podem ocorrer:

-

desgaste do bordo devido à erosão (que causa um aumento no coeficiente de descarga e sub- avaliação na vazão medida);

-

deformação da placa devido à sobre-pressão ou estresse por temperatura;

-

perda de simetria da parede interna a montante, bem como incrustação;

-

presença de sólidos em suspensão;

-

desalinhamento da placa;

-

entupimento parcial das tomadas de pressão.

Venturi

Os dispositivos do tipo Venturi (Figura 4.31) são, dentre os do tipo pressão diferencial, os mais adequados para óleo cru (são inclusive utilizados em medidores multifásicos), dado que a perda

de carga ao longo do dispositivo é gradual, embora problemas como a perda de simetria com o

tempo, a incrustação na parede interna a montante e entupimento parcial das tomadas de pressão possam ocorrer. Qualquer problema de deformação ou incrustação na garganta do Venturi, acarreta um decréscimo no coeficiente de descarga, o que leva a uma sobre-avaliação da vazão medida.

o que leva a uma sobre-avaliação da vazão medida. Figura 4.31 – Dispositivos do Tipo Venturi
o que leva a uma sobre-avaliação da vazão medida. Figura 4.31 – Dispositivos do Tipo Venturi

Figura 4.31 – Dispositivos do Tipo Venturi

V-Cone

Os dispositivos do tipo V-Cone (Figura 4.32 A & B) ainda são considerados como nova tecnologia e seu uso é mais empregado na área de gás natural. A concepção se baseia no fato do cone, devido à sua geometria simétrica em relação à parede do tubo, poder condicionar o fluxo no sentido de uniformizar o perfil de velocidade assim que a frente atinge a área formada pela menor coroa (que seria equivalente à área do orifício).

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FL.

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Trata-se de um dispositivo inicialmente patenteado pela McCrometer que praticamente não necessita de trechos retos a montante nem a jusante. Também alega vantagens quando operado com gás úmido (dado que não retém o condensado em suas imediações) e fluidos sujos ou abrasivos, apresentando uma incerteza de medição de ± 0.5% v.i. e rangeabilidade de 10:1.

de medição de ± 0.5% v.i. e rangeabilidade de 10:1. Figura 4.32 A & B –
de medição de ± 0.5% v.i. e rangeabilidade de 10:1. Figura 4.32 A & B –

Figura 4.32 A & B – Dispositivo Tipo V-Cone

VORTEX

Embora seja um fenômeno há muito conhecido, os vórtices (vortex) tiveram uma aplicação muito recente na medição de vazão. Os vórtices, ou turbilhões, aparecem quando se introduz um obstáculo, ou quando se provoca uma determinada mudança de direção no escoamento de um fluido. Como exemplo, pode-se considerar uma barra de pequeno diâmetro colocada transversalmente ao eixo do tubo (ver Figura 4.33).

Para velocidades muito baixas, as linhas fluidas acompanharão a forma do obstáculo não havendo nenhum turbilhão. Quando a velocidade de escoamento aumentar, as linhas não poderão mais acompanhar a forma do obstáculo e se separarão de seu contorno. Esta separação provoca o aparecimento de velocidades locais mais elevadas, correspondendo a zonas locais de baixa pressão, resultando em tendências à reversão de direção com conseqüente aparecimento de turbilhões: os vórtices.

com conseqüente aparecimento de turbilhões: os vórtices. Figura 4.33 – Efeito Vortex Devido ao Obstáculo ao
com conseqüente aparecimento de turbilhões: os vórtices. Figura 4.33 – Efeito Vortex Devido ao Obstáculo ao

Figura 4.33 – Efeito Vortex Devido ao Obstáculo ao Fluxo e medidores do tipo Vortex

Um vórtice se forma inicialmente de um lado do obstáculo e, posteriormente, do outro lado, formando uma seqüência de turbilhões à jusante do mesmo. O número de Strouhal, uma constante adimensional usada para fenômenos oscilatórios, aplica-se também à freqüência de sucessão de turbilhões, conforme se segue:

Cap. 5 - MEDIÇÃO DE PETRÓLEO EM LINHA

S =

FL.

f d

.

V

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[4.23]

onde f é a freqüência da sucessão de turbilhões, d é uma dimensão do obstáculo e V é a velocidade do fluido.

São utilizadas várias técnicas para detectar a freqüência dos turbilhões, entre elas: térmico, ultra- sônico e pressão estática, sendo esse último o mais utilizado. A incerteza varia conforme o fabricante, podendo atingir 1% v.i. e rangeabilidade de 15:1. Comercialmente há disponibilidade para diâmetros de 1 a 8”, havendo alguma limitação de velocidade (algo em torno de 6 m/s para líquidos). Os sensores do tipo Vortex podem sofrer danos devido à aderência de sólidos ou mesmo erosão ou entupimento parcial das tomadas de pressão.

MAGNÉTICO

Embora os medidores do tipo magnético não possam ser utilizados em óleo cru, sua aplicação é recomendada nos sistemas de água produzida, pois para este tipo de medidor funcionar, é preciso que o fluido possua alta condutividade elétrica.

Esses medidores foram desenvolvidos como uma aplicação particular da Lei de Faraday referente à tensão elétrica provocada por um condutor em movimento (neste caso, o fluido) num campo magnético. Os elementos do medidor são arranjados de forma que a direção do fluxo seja normal ao campo magnético. O movimento do fluido atravessando o campo magnético induz uma força eletromagnética no fluido numa direção normal à do campo magnético e à direção média das partículas do fluido. Um par de eletrodos é instalado em contato com o fluido no plano diametralmente normal ao do campo magnético (ver Figura 4.34) e conectado a um voltímetro especial, onde o valor da fem (força eletro-motriz) é medida, e seu valor é dado pela seguinte expressão:

e = B.l.V

[4.24]

onde e é a fem (em volt), B é a densidade de fluxo (em weber/m 2 ), l a distância entre os eletrodos (em m) e V a velocidade do fluido (em m/s).

os eletrodos (em m) e V a velocidade do fluido (em m/s). Figura 4.34 – Seção
os eletrodos (em m) e V a velocidade do fluido (em m/s). Figura 4.34 – Seção

Figura 4.34 – Seção Típica e Medidor Magnético

A vazão volumétrica é então dada pela fórmula:

Q

=

D

2

4

. V =

D

2

e

4

.

l

.

B

[4.25]

A incerteza na medição de vazão pode alcançar 0.5% v.i. e é independente da viscosidade e da massa específica do fluido. Os produtos e derivados de petróleo estão abaixo dos limites práticos de medição, devido aos seus baixos níveis de condutividade, assim com os gases, a não ser que sejam ionizados.

Cap. 5 - MEDIÇÃO DE PETRÓLEO EM LINHA

FL.

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