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GESTÃO DE DESEMPENHO

ORGANIZACIONAL

Gestão de Desempenho Organizacional

É muito comum entendimentos parciais e fragmentados sobre o significado e os propósitos de um


sistema de Gestão de Pessoas ou sistema de Recursos Humanos. Encontramos, com muita
freqüência, empresas em que o sistema de recrutamento e seleção não se comunica com o sistema
de gestão do desempenho, que não se comunica com o sistema de remuneração etc. Há muitas
empresas, ainda, que entendem que um sistema de Recursos Humanos resume-se a um conjunto de
práticas operacionais como folha de pagamento, benefícios e atendimento às leis trabalhistas,
segurança e medicina no trabalho.

A proposta desta reflexão começa pelo entendimento do termo “sistema” que via de regra costuma
ser ignorado. Sistema é um conjunto de partes inter-relacionadas que compõe um todo (um sistema
maior) e de sua interação emerge um resultado. Essas partes comunicam-se e se afetam
mutuamente, como no corpo humano: um mau funcionamento nos rins pode afetar o sistema
circulatório, que pode afetar o sistema cardíaco, que pode afetar o sistema respiratório e assim por
diante. Como o corpo humano, a organização é um grande sistema composto de sistemas menores:
sistema de marketing, sistema financeiro, sistema de Gestão de Pessoas. Na comparação com o
sistema orgânico humano, a Gestão de Pessoas seria o sistema circulatório e as pessoas, o sangue
que oxigena as células, faz o coração bater, que dá vida à empresa. Sem as pessoas a empresa
seria um corpo inerte.

E quais são as partes de um sistema de Gestão de Pessoas, ou sistema de RH?

Seleção: recrutar, avaliar, selecionar, contratar, integrar.


Capacitação: desenvolver, treinar, preparar.
Gestão do desempenho: gerenciar desempenhos dar feedback, orientar.
Remuneração e recompensa: remunerar, reconhecer, recompensar.
Gestão de clima: pesquisar, analisar, adequar.

Essas partes compõem o sistema. Integram um conjunto de processos que se inter-relacionam, que
envolvem políticas, normas e procedimentos. Para gerar bons resultados, é preciso que as partes
estejam alinhadas entre si e que o conjunto esteja alinhado com os objetivos e estratégias da
empresa. No entanto, é muito comum as empresas tratarem cada uma dessas partes de forma
isolada e desconectadas de seus objetivos e direcionamentos estratégicos.

São freqüentes, por exemplo, as situações em que excelentes programas de capacitação são
oferecidos por empresas que têm o cuidado de contratar os melhores docentes das melhores
universidades do país e do Exterior, os consultores renomados para ministrar seus treinamentos,
envolvendo altos investimentos. Após o treinamento, quando as pessoas voltavam para suas rotinas
do dia-a-dia na empresa cheias de novos conhecimentos e novas idéias, esbarram em normas,
procedimentos, descrições de função, jogos de interesse e poder, que impedem a prática do
aprendizado, quando a lógica seria a aplicação do conhecimento adquirido para elevar o nível do
desempenho dos profissionais.

Assim, o que era investimento transforma-se em custo, porque o retorno que deveria vir pela
aplicação do conteúdo aprendido pelas pessoas nas suas atividades melhorando seu desempenho,
não encontrou espaço. É um resultado negativo para a empresa. Para os participantes, nem tanto,
pois tiveram a oportunidade de aumentar o manancial dos seus conhecimentos e sua
empregabilidade. Trata-se de um claro exemplo de desarmonia entre o sistema de capacitação, o
sistema de gestão do desempenho e as normas e procedimentos organizacionais.

Outro choque muito comum entre subsistemas ocorre entre desempenho e remuneração. Sistemas
de gestão de desempenho desprovidos de indicadores, desconectados do desempenho
organizacional, marcados por avaliações enviesadas e subjetivas, freqüentemente levam a
premiações de profissionais de mérito duvidoso, gerando desconforto e desmotivação para a equipe.

Esses desencontros destituem o caráter essencial do sistema de Gestão de Pessoas, pois ao invés
de direcionar comportamentos e desempenhos para um objetivo comum, mais fazem confundir as
pessoas, desperdiçar energias e esforços, que se fossem bem canalizados potencializariam os
resultados organizacionais.

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GESTÃO DE DESEMPENHO
ORGANIZACIONAL

Guardadas as devidas proporções, um exemplo de boa Gestão de Pessoas é a seleção brasileira


pentacampeã. Luís Felipe Scolari selecionou os profissionais e formou uma boa equipe, harmoniosa
no conjunto, treinou, desenvolveu, preparou, monitorou o desempenho, deu feedbacks, estimulou e
recompensou. Tudo isso com o claro objetivo de ganhar o campeonato.

Havia um objetivo e estratégias para que ele fosse alcançado. A formação da equipe, seu
treinamento e desenvolvimento, o monitoramento de seu desempenho e as recompensas eram
fundamentadas em um objetivo compartilhado, que norteava os sistemas de gestão da equipe:
ganhar a Copa do Mundo.

Assim se define um sistema de Gestão de Pessoas: um conjunto de subsistemas, políticas e


procedimentos que direcionam o comportamento e o desempenho das pessoas para o alcance dos
objetivos organizacionais.

Para um sistema eficaz, é preciso que os profissionais de RH conheçam muito bem suas empresas,
seus produtos, seus clientes, seus concorrentes, enfim, todos os aspectos da arena onde irão atuar
os profissionais - foco de seus sistemas de seleção, capacitação, remuneração etc. Para poderem
alinhar sistemas, políticas e práticas, devem ainda conhecer os objetivos e as estratégias do negócio,
o que nem sempre acontece. Um problema maior é que, muitas vezes, nem a alta direção tem muito
claro quais são esses objetivos e essas estratégias.

Neste ponto é preciso enfatizar a importância do papel das lideranças na Gestão de Pessoas e na
geração de resultados para o negócio. Os profissionais de Recursos Humanos podem criar ou
desenvolver os melhores sistemas e monitorá-los com eficiência, mas são os líderes que os
operacionalizam. São eles que escolhem quem fará parte de suas equipes, são eles que gerenciam o
desempenho dos seus liderados, que avaliam suas competências e deficiências. São eles que estão
vivenciando o dia-a-dia com as equipes, estimulando e reconhecendo bons desempenhos etc. Os
sistemas de informações de RH são abastecidos com as informações geradas pelas lideranças.

Melhorando a gestão de desempenho organizacional segundo Ram Charan

Quando se fala em execução e como melhorar a gestão do desempenho organizacional, as atenções


costumam se voltar para Ram Charan.

Mas o que exatamente ele prega que faz tanto sentido para diversos líderes empresariais?

Inicialmente podemos distinguir 3 pilares: Disciplina, liderança e cultura organizacional.

• Disciplina para pôr em prática o que foi planejado;

• Liderança, que consiste não apenas em se fazer obedecer, com também em conhecer
profundamente a empresa e as pessoas, e

• A Cultura Organizacional, que deve se alinhar com o que foi planejado e vai ser exigido de cada
um.

Nesse contexto, podemos destacar 5 regras básicas de como melhorar a gestão do desempenho
organizacional:

1- Planeje olhando para o futuro e para fora

Ter uma visão macro, globalizada, ajudará o gestor a compreender as tendências e as novas
tecnologias que surgem a cada momento.

Olhar para fora da organização e mesmo ter um olhar de terceiros para dentro dela é a maneira
correta de planejar e fazer com que seu modelo de negócio, por mais específico que seja, se adequar
às novas realidades, garantindo um desempenho em sintonia com a concorrência e com os demais
segmentos do mercado.

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GESTÃO DE DESEMPENHO
ORGANIZACIONAL

2- Determine o que é prioritário

Quem tem mais de 5 objetivos, geralmente, não tem nenhum. Isso porque quer fazer um monte de
coisas ao mesmo tempo e não haverá como melhorar o desempenho organizacional de forma tão
complexa.

Charan recomenda eleger de 3 a 5 metas prioritárias claras e objetivas, e persegui-las com a certeza
de que poderão ser realizadas.

DICA EXTRA: Esta dica não é de Charan, é de um grande general e presidente americano, que criou
a famosa Matriz de Eisenhower. Esta estratégia para melhorar a gestão de desempenho
organizacional se baseia exatamente na escolha de prioridades, segunda a máxima de que:

“O que é importante raramente é urgente e o que é urgente raramente é importante”

3- Pessoas certas nos lugares certos e integradas à estratégia e às operações

É nesse ponto que se entende como a cultura pode ser determinante como estratégia para melhorar
o desempenho organizacional.

É muito importante ter uma cultura de colaboração e contar com a organização do trabalho em
equipe, e isso se faz com pessoas que tem este perfil, somado a uma organização que permite isso,
que faz parte de seu DNA, e se reflete na maneira como todos buscam resultados.

Veja como maximizar o desempenho por meio da automatização de processos de negócio.

4- Monitore o desempenho organizacional periodicamente

Esta é uma das mais antigas regras da administração, mas não deixa de estar entre os conselhos de
Charan de como melhorar a gestão de desempenho organizacional.

É evidente que softwares de automação de processos são uma ferramenta que pode ajudar muito,
não apenas a medir os resultados em tempo real, mas a fazer as melhorias, ajustes e a modelagem
dos processosassim que necessário.

5- Parta para a ação e desempenhe o que foi planejado

Neste ponto, vale finalizar com mais uma frase antológica de Ram Charan:

“Execução faz toda a diferença e tem que ser 80% do negócio. Temos uma pista de decolagem
enorme e as empresas globais são as mais maravilhosas nesse quesito”

Isto é: quanto maiores as empresas, mais preparadas devem estar para encararem o desafio da
execução competente do planejamento determinado.

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INVESTIMENTOS

Investimentos

A normatização da Contabilidade no Brasil tem origem não só na Lei Nº 6.404/76, que define as
regras contábeis para as sociedades por ações, mas também na legislação fiscal, por meio do
Regulamento do Imposto de Renda, pelas Instruções, Deliberações, Ofícios Circulares e outros
documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pelas Normas Brasileiras de Contabilidade
emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, bem com pelo Novo Código Civil.

A geração de riqueza é a base dos motivos que levam pessoas a realizarem investimentos, buscando
um retorno lucrativo e favorável.

Para que exista a concepção de valor ou fortuna, os retornos destes investimentos deverão ser
superiores ao custo dos capitais neles empregados, fazendo com que os valores líquidos dos
resultados sejam positivos, agregando riqueza para o investidor e para o próprio investimento.

A avaliação é, pois, o centro de todas as decisões em investimentos, seja para comprar ou para
vender. A precificação de qualquer ativo financeiro, porém, tem tornado uma tarefa mais complexa no
atual mercado financeiro.

Mediante explanação acima, este trabalho busca descrever os principais métodos de avaliação de
investimentos apresentados pela Contabilidade, bem como, identificar em que tipo de organização
estes métodos são utilizados, a fim de assegurar-lhes a otimização dos resultados econômicos.

Para a realização desta pesquisa utilizar-se-á a abordagem qualitativa, uma vez que pretendemos
nos orientar em concepções amplas que abrigam a visão de investimentos, bem como, dos métodos
de avaliação de investimentos.

Nesse sentido, serão priorizados os aspectos descritivos, cujo procedimento será através de técnica
bibliográfica em livros, artigos, revistas eletrônicas e material disponível na internet.

De acordo a Lei 6.404/76, o Método de Custo deve ser adotado para os investimentos menores e o
Método de Equivalência Patrimonial para os mais significativos, ou seja, uma vez definidos os
investimentos que devem ser avaliados pelo método de equivalência patrimonial, os demais devem
ser avaliados pelo método de custo.

Tipos de Investimentos

Os investimentos podem ser Temporários e Permanentes. Os Investimentos Temporários são as


aplicações de recursos financeiros em títulos e valores mobiliários resgatáveis em determinados
períodos de tempo, com o objetivo de compensar perdas inflacionárias com as disponibilidades.
Dentre os principais tipos estão: Fundos de Aplicação Imediata; Títulos do Banco Central; Depósitos
a Prazo Fixo; Certificados de Depósito Bancário; Ações Adquiridas ou Cotadas na Bolsa de Valores e
etc. Estão classificados no Ativo Circulante, subgrupos Disponível e Realizável a Curto Prazo ou
Créditos; bem como, no Ativo Realizável a Longo Prazo, no subgrupo Créditos. Apresentam como
critérios de avaliação o Custo de aquisição e o Valor de mercado. São contabilizados como: Custo de
aquisição; Receita auferida; Imposto de Renda Retido na Fonte e Resgate da aplicação.

Os Investimentos Permanentes são as aplicações de recursos financeiros em participações


societárias permanentes e em direitos e bens não destinados à manutenção das atividades da
empresa, não classificados no Ativo Circulante e no Realizável a Longo Prazo. Tem como principais
tipos as participações permanentes em outras empresas, os incentivos fiscais, os imóveis não
destinados a uso pela empresa e as obras de arte. Estão classificados no Ativo Permanente,
subgrupo Investimentos. Apresentando como métodos de avaliação o Custo de aquisição e a

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INVESTIMENTOS

Equivalência patrimonial. São contabilizados como: Custo de aquisição do investimento; Rendimentos


auferidos; Provisão para perdas; Incentivos fiscais e Baixa do investimento.

Avaliação de Investimentos

A Lei n° 6.404/76 estabelece em seu art.179, inciso III, que são classificadas como investimentos “as
participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não
classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou
empresa”.

Para Sá (1994, p. 271), investimentos são “aplicações de valores”. O autor amplia o conceito
complementando que “o termo é empregado, também, para significar, na Lei das Sociedades por
Ações, o capital extra operacional ou aplicado em outras empresas”.

Assim a avaliação, é o centro de todas as decisões em investimentos, seja para comprar ou vender.
A precificação de qualquer ativo financeiro, porém, tem tornado uma tarefa mais complexa no atual
mercado financeiro. A Lei 6.404/76 introduz critérios contábeis de Avaliação de Investimentos
adequados, desdobrando o entendimento e análise em Método de Custo, adotado para os
investimentos menores e o Método de Equivalência Patrimonial para os mais significativos.

Os Investimentos Permanentes tem a classificação das contas em função da natureza e dos critérios
de avaliação correspondentes, está dividido em Participações em Outras Sociedades, que engloba
todas as participações de caráter permanente, e Outros Investimentos Permanentes, que engloba os
demais investimentos.

Já os Investimentos Temporários englobam as aplicações temporárias de recursos financeiros em


títulos com prazo de vencimento superior ao exercício seguinte à data de balanço; Depósitos para
Investimentos com Incentivos Fiscais e Participações em Fundos de Investimentos.

Método de Custo

Segundo a Circular nº 179/72 do BACEN apud FIPECAFI 1978 p.171:[...] os investimentos deveriam
ser avaliados ao preço de custo (mais ações bonificadas recebidas ao valor nominal) ou valor
patrimonial, dos dois a menor, sendo, todavia, raras as empresas que faziam a redução ao valor
patrimonial quando fosse menor.

Essa definição baseia-se no fato de que a investidora registrava as transações baseadas em atos
formais. Assim, os dividendos eram registrados quando fossem declarados e distribuídos e as ações
bonificadas eram registradas como aumento dos investimentos no momento em a coligada efetuava
aumento de capital. O que era lavado em consideração nesse método eram as datas e os atos
formais que distribuíam os lucros e não sua geração efetiva.

Portanto, por este método, os investimentos decorrentes de participações societárias permanentes


em outras empresas são avaliados ao preço de custo, menos provisão para perdas consideradas de
natureza permanente. A sua adoção implica em que as operações que alteram a situação patrimonial
da investida não são reconhecidas ou registradas na investidora no momento de sua ocorrência, o
que ocorre apenas com base em atos formais.

Assim, no método de custo não importa a geração efetiva de lucros na investida, mas as datas e os
atos formais de sua distribuição, isto é, deixa-se de reconhecer na empresa investidora os lucros
gerados e não distribuídos e outras mutações no patrimônio da coligada ou controlada. No MCA,
quando a investida declara ou distribui dividendos estes são registrados neste momento como receita
na empresa.

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INVESTIMENTOS

São avaliados de um modo geral pelo Custo, os investimentos sob forma de ações ou quotas
efetuadas em empresas consideradas coligadas e controladas não relevantes. Custo de aquisição – é
o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital ou ainda
pela compra de ações de terceiros. De acordo com a Legislação, deverá ser constituída uma provisão
para cobrir as perdas prováveis na realização do valor do investimento quando comprovadas como
permanentes.

Neste método, as receitas de investimentos são reconhecidas pelos dividendos. Sendo considerada
como receita operacional nos termos da Legislação, mas em subgrupo à parte.

Vale lembrar ainda que, no método de custo, o ativo é reconhecido por seu custo, após a dedução da
depreciação acumulada e de qualquer perda por imparidade acumulada, onde o valor contábil líquido
não pode ser maior que o valor recuperável.

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CUSTOS

Custos

Contabilidade de Custos é mais um dos ramos das Ciências Contábeis, que tem o papel importante
junto à gerência, de gerar informações que servirão no auxiliar das tomadas de decisões,
planejamentos, determinando custos de produção, entre outros. Pode se entender que ela “fornece
os dados detalhados sobre custos que a gestão precisa para controlar as operações atuais e planejar
para o futuro”

Simplificadamente, os custos e despesas podem ser classificados de duas formas:

• Quanto ao objeto de custo: custo direto e indireto;

• Quanto ao volume de produção ou venda: custos fixos e variáveis.


Chamamos de comportamento de custo à evolução dos custos fixos e variáveis em relação ao
volume de atividades.

• Custos Diretos

Custos diretos são aquele que estão fisicamente e diretamente vinculados a um segmento específico
em análise. Esse segmento específico pode ser um produto, um serviço ou qualquer outra entidade
de custo.

Desta forma, se o objeto de nossa análise for uma linha de produtos, logo os materiais e a mão de
obra envolvida em sua fabricação representam custos diretos. Quando relacionados com o produto
final, eles são gastos industriais que podem ser alocados direta e objetivamente aos produtos, e
podem ser fixos e variáveis.

• Custos Indiretos

São os gastos que não podem ser alocados de maneira direta ou de forma objetiva aos produtos,
serviços, departamentos ou outros objetos de custo. Sua alocação se dá de maneira indireta, através
de critérios de distribuição (rateio, alocação, apropriação etc.). Também são conhecidos como custos
comuns e podem ser fixos ou variáveis.

• Custos Diretos ou Indiretos?

Suponha que os seguintes custos de produção necessitam ser alocados a quatro diferentes produtos
fabricados pela empresa:

O profissional de custos faz algumas análises e verifica que:

• Matéria-Prima e Embalagem: é facilmente apropriada aos quatro produtos, pois foi possível saber
quanto cada um consumiu.

• Material de Consumo: alguns óleos e graxas (lubrificantes) não puderam ser associados a cada
produto de forma direta. Outros materiais de consumo, por apresentarem valor irrisório, ninguém se
preocupou em associá-los a cada um dos quatro produtos.

• Mão-de-obra: foi possível associar parte dela com cada produto uma vez que os processos não são
complexos e foi possível saber quanto cada funcionário trabalhou em cada produto e quanto custa a
empresa cada funcionário. Por outro lado, uma parte da mão-de-obra refere-se aos líderes de
equipes de produção e é difícil atribuir diretamente aos produtos. ($600.000,00 dos 1.600.000,00).

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CUSTOS

• Salários da Supervisão: ainda mais difícil de alocar que os salários dos líderes de produção, pois a
supervisão é a geral d produção, e não supervisão de um produto em particular. Portanto, é difícil sua
alocação aos produtos.

• Depreciação de Máquinas: em empresa é depreciada de maneira linear em valores iguais por


período, e não por produto. Seria possível de apropriar diretamente a cada produto caso a
depreciação fosse contabilidade de maneira diversa.

• Energia Elétrica: a máquina que consome mais energia possui um medidor próprio e a empresa
mensura quanto consome de energia para cada item produzido. Entretanto, a outra parte da energia
(a não mensurada pelos medidores, pois o medidor está instalado em apenas uma máquina, aquela
que consome mais energia) não pode ser alocada de forma direta. ($500.000,00 são alocáveis,
$300.000,00 não são alocáveis). Sabe-se que parte da energia é alocada a três dos quatro produtos.

• Aluguel do Prédio: Impossível determinar diretamente quanto deve ser apropriado a cada produto.

Percebe-se que alguns custos podem ser apropriados aos produtos, desde que haja uma medida
(Kg, KWh etc.) de seu consumo. Esses exemplificam o conceito de Custo Direto, definido
anteriormente. Eles são diretos com relação ao produto.

Entretanto, outros custos não possibilitam condição de medida objetiva e as tentativas de alocação
são feitas de maneira estimada e muitas vezes arbitrária (como a supervisão, as chefias e o aluguel).
Esses exemplificam o conceito de Custos Indiretos com relação aos produtos.

Alguns custos tratados como indiretos são diretos, mas dada a sua irrelevância, são tratados como
indiretos. Parte dos Materiais de Consumo ou da Energia Elétrica, no nosso exemplo, confirmam essa
colocação.

Um sistema que possibilite medir quanto cada produto consumiu de energia elétrica pode ser caro,
tão caro que não compense o esforço de determinar a parcela que cabe a cada item. Desta forma,
custos diretos que são irrelevantes, difíceis de mensurar, ou cuja mensuração seja proibitivamente
custosa ou que a empresa decida que não se deve contabilizá-lo de maneira rigorosa ficam incluídos
como custos indiretos.

• Custos Fixos

Uma série de gastos são custos fixos, entretanto, qualquer custo é sujeito a mudanças. Em outras
palavras, dizer que um custo é fixo não significa dizer que ele não pode subir ou baixar. O custo fixo
não é fixo em relação a si mesmo, é fixo em relação ao volume de atividade operacional.

De forma genérica, são os custos e despesas necessários para a manutenção de um nível mínimo de
atividade operacional e, por essa razão, são também conhecidos como custos de capacidade. O
aluguel de uma fábrica é um exemplo de um custo fixo, pois o valor do aluguel não aumenta quando
seu volume de atividades aumenta. Por essa razão o aluguel é um custo fixo.

Ainda que conceitualmente fixos, esses custos podem elevar ou diminuir em função da capacidade
ou do intervalo de produção. Desta forma, os custos são fixos dentro de um intervalo relevante de
produção ou venda, mas podem variar diante de aumentos ou reduções significativas de volume.

Por exemplo, o aluguel de um estacionamento com capacidade para 100 automóveis. Caso seja
necessário aumentar a capacidade do estacionamento, muito provavelmente o valor do aluguel do
estacionamento irá subir.
• Custos Variáveis

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CUSTOS

São classificados como variáveis os custos e despesas cujo valor varia em função do volume de
atividades (produção, ventas etc.) da empresa. A variabilidade de um custo apresenta uma relação
com um denominador específico.

Portanto, é conveniente ressaltar a diferença entre o custo variável e o custo direto. O custo somente
é variável quando ele acompanhar proporcionalmente a variação da atividade na qual ele é
relacionado.

O custo direto, por outro lado, é aquele que se pode mensurar com relação a essa atividade ou com
um determinado produto ou outra entidade de custo. Por exemplo, a mão de obra contratada para
determinado volume de operações é fixa em relação àquele volume, mas direta em ralação àquele
produto, pois podemos mensurar o trabalho destinado a cada unidade do produto.

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CUSTOS PARA CONTROLE

Custos para Controle

O controle de custos tem por finalidade o fornecimento de informações que contribuem para auxiliar
no setor administrativo auxilia na lucratividade da empresa de acordo com o seu planejamento
adequado. Para que uma empresa tenha um bom desempenho com o controle de custos, é preciso
de uma analise muito rigorosa em todos os setores da empresa, já que o controle de custos não está
somente ligado com a produção.

Através de pesquisa bibliográfica foi possível constatar o que é necessário para um controle de custo
adequado dentro de uma empresa, foi relatado do mesmo modo as dificuldades enfrentadas pelas
grandes empresas para controlar os gastos dentro da grande indústria, além disso, foram realizados
estudos de caso em três empresas para averiguar os tipos de controle de custos desempenhados
dentro de cada uma delas e quais foram os seus resultados depois de adquirir o controle para a sua
companhia. Contudo pode-se averiguar que nas pequenas e microempresas fica mais fácil apurar os
custos obtidos pela companhia, já nas grandes companhias a apuração é mais complicada, no
mercado atual as grandes empresas estão dando mais importância ao controle de custos.

Os conceitos a seguir são definições da terminologia aplicada à contabilidade de custos, essas


definições são aceitas pela maioria dos autores, seus conceitos devem ser explicados para melhor
classificação e entendimento contábil, pois há várias nomenclaturas para uma só definição e uma só
nomenclatura para várias definições.

O custo é o consumo relativo a um bem ou serviço que é empregado na produção. O custo também é
classificado como um gasto, mas somente reconhecido como custo no ato de sua utilização para
fabricação do produto ou execução de um serviço. (MARTINS, 2001, pg. 26). São exemplos de
custos a matéria-prima e a embalagem. Os custos podem ser identificados como direto e indireto e
como fixo e variável.

Identificação dos Custos

- Custos diretos: são facilmente identificados no produto final, incide nos materiais usados na
fabricação do produto e sua mão-de-obra. Os custos diretos são aqueles em que os custos podem
ser apropriados diretamente ao produto (MARTINS, 2001, pg. 52). Custos indiretos: necessitam da
utilização de algum critério de rateio para apropriação de custos, são os custos que não são
identificados perfeitamente nos produtos finais.

- Custos variáveis: são os custos que variam conforme a produção, se a produção aumenta
consequentemente os custos também aumentam, quanto mais se produz maiores serão os custos,
um exemplo comum são a matéria-prima e as embalagens, pois quanto mais se produz mais
quantidade de material será utilizado, o custo também será variado de acordo com as quantidades.

- Custos fixos: são os custos que permanecem fixos independentes do volume de produção, pode-se
alterar o volume de produção que o custo será o mesmo, um exemplo muito frequente é o aluguel da
fábrica.

Despesas

A despesa é todo bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receita.
Assim como os custos as despesas também são gastos, são reconhecidas no ato da obtenção da
receita (MARTINS, 2001, pg. 26). As despesas não se referem às atividades produtivas da empresa.
Todas as despesas estão direta ou indiretamente relacionadas à obtenção de receita, além disso, são
itens que reduzem o patrimônio líquido da empresa.

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CUSTOS PARA CONTROLE

Sucatas

Sucata é a denominação dada a todo tipo de material, produto ou resíduos descartados que sejam
passíveis de reciclagem (WIKIPEDIA). Não tem mercado garantido de comercialização e venda. As
sucatas podem ou não ser decorrência do setor de produção, não possui valor de venda nem
condições de negociação.

Desperdícios

São gastos incorridos nos processos produtivos ou de geração de receita. Podem ser eliminados sem
afetar a qualidade ou a quantidade dos bens, serviços ou receitas geradas. Sua identificação e
eliminação determinam o sucesso ou fracasso do negócio. Todos os fatores indicam que o
desperdício dentro da empresa é um sinônimo de prejuízo, esses desperdícios não podem ser
repassados no valor do produto final, pois ele não foi utilizado em nenhum dos processos para sua
fabricação e também não faz parte do mesmo. Os desperdícios podem ser identificados como um
recorte de defeito de fabricação, que podem acontecer pelo manuseio indevido do material a ser
utilizado. Os desperdícios não estão somente nos materiais para confecção do produto, mas também
modo como são distribuídos os cargos na empresa durante a fabricação, pode haver cargos
desnecessários que não sendo utilizados acabam gerando desperdícios (JUNIOR, 2005).

Importância do controle de custos

A concorrência dentro do mercado empresarial está forçando as empresas a terem mais flexibilidade,
tanto na redução dos preços dos produtos vendidos, quanto nas suas estratégias para ganhar
mercado dentre seus concorrentes. Dentro de uma empresa a redução de custos é um desafio que
pode torná-la mais competitiva no mercado. O controle de custos é fundamental para manter a
empresa competitiva no mercado atual, pois, faz-se necessário, cada vez mais, maximizar os lucros,
aumentar a produtividade e sempre reduzir custos. Também fornece informações que auxiliam no
processo de tomada de decisões sob aspectos operacionais, legais e gerenciais, por isso as
informações desse setor devem ser muito claras e diretas, o uso inadequado do controle pode causar
sérias conseqüências e até o fechamento da companhia. As empresas não devem reduzir custos
somente no setor produtivo da empresa, pois há gastos em todos os setores, para que todos
cooperem é preciso uma ligação entre todos eles, cada um deve estar ciente de sua parte.

Redução de custos nas grandes empresas

Atualmente as grandes empresas estão adotando o controle de custos para serem mais competitivas
e se manterem no mercado, já que reduzir gastos tornou-se uma questão de sobrevivência. Para que
isso aconteça, elas passam por grandes transformações desde o corte de um simples cafezinho, até
mesmo a redução da estrutura da empresa, e muitas vezes acabam recorrendo a medidas drásticas
como demissão em massa ou fechamento de unidades.

Um exemplo que pode ser citado é o caso da International Business Machines - IBM que adotou a
estratégia redução de custos em 1993, após o americano Louis Gerstner assumir a administração e
detectar que estava gastando mais do que faturando optou por um método radical de redução de
custos, onde foram demitidos 37 mil funcionários e várias unidades fechadas. Ao mesmo tempo em
que fazia o corte, Gerstner tratava de redefinir as estratégias da IBM, o que só foi possível ao eliminar
o excesso de gastos. Jack Welch assumiu como chairman da General Eletric em 1981 e fez uma
verdadeira revolução na companhia. Ele eliminou várias camadas desnecessárias da estrutura da
empresa para torná-la menos burocrática. Reduziu o pessoal em 25 % ao final e fez cortes em todas
as partes da empresa, apesar de radical essa redução produziu significativos resultados. Outro caso
é o da Nokia Corporation que, desde o início deste ano, já demitiu cerca de 4 mil funcionários. Esse
corte faz parte do programa de redução de custos que pretende reduzir os custos em mais de 700

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CUSTOS PARA CONTROLE

milhões de euros (US$ 948,7 milhões), motivado pelo primeiro prejuízo trimestral antes de impostos
sofrido pela companhia entre janeiro e março desse mesmo ano.

Já a Microsoft anunciou em janeiro deste ano um plano para tentar economizar US$ 1,5 bilhão ao
ano, cortando 5 mil empregos, ou cerca de 5% de seu quadro de 96 mil funcionários, em 18 meses. O
plano foi motivado principalmente pelo impacto causado à empresa pela queda nas vendas de
computadores e pela recessão nos Estados Unidos. Entretanto, a Microsoft anunciou alguns
funcionários sejam recontratados no futuro, como parte dos 2 mil ou 3 mil novos postos de trabalho
que a empresa espera criar até meados de 2010.

Contudo, fechar fábricas e demitir funcionários não é a única maneira de redução de custos, a Nike,
por exemplo, terceirizou a fabricação de tênis sem impacto algum para o negócio. Outra situação é a
Telecom Italia Mobile - TIM, a estimativa é reduzir aproximadamente 800 milhões de reais, e os
planos de reduzir pessoal direto estão descartados. Segundo Luca Luciani, presidente da empresa;
estão previstas renegociações de contratos com os fornecedores de rede e de sistemas de
tecnologia, além da revisão do modelo de atendimento ao cliente. No que se refere aos canais de
venda, segundo ele, a empresa pretende alterar o sistema de comissão de vendas e incentivos, além
de criar o conceito de multicanais na central de atendimento e de promover ações para
descongestionar o sistema.

Já a Vale do Rio Doce está revendo o investimento previsto de 14,2 bilhões de dólares para 2009, e
tentando simplificar os projetos em desenvolvimento, as linhas de produto e buscando reduzir
produção em unidades de maior custo. Além de se mostrar mais flexível em relação à formação do
preço do minério de ferro, a Vale também está mudando a sua relação com fornecedores visando à
redução de custos, além de planejar melhor a operação de frete e investir em frota própria de navios
pelo fato de seus principais clientes serem da Ásia. Segundo o diretor financeiro da Vale, Fábio
Barbosa, a Vale está avançando na estrutura de custos, obtendo uma redução importante associada
não só a volumes, mas em renegociação de preços e diminuindo a produção em minas de maior
custo.

Outro caso é a empresa aérea britânica British Airways que conseguiu convencer 800 funcionários
trabalhar de graça, por até um mês, outros 4 mil empregados concordaram em tirar licença não
remunerada e 1,4 mil trabalhadores decidiram trabalhar meio período, atendendo a uma proposta de
corte de gastos da companhia. Segundo a empresa, a iniciativa garantirá uma redução de gastos de
10 milhões de libras (R$ 31 milhões) e ajudará na luta pela sobrevivência no mercado. A partir de
julho, os 800 funcionários da British Airways poderão compensar os dias trabalhados de graça em um
período de até seis meses, com o desconto no salário feito em parcelas de três a seis meses.

Fica evidente que muitas empresas de diferentes setores têm reduzido o número de funcionários e as
jornadas de trabalho como solução para evitar gastos durante a atual crise econômica. Existem várias
maneiras de se fazer redução de gastos além de demitir funcionários, essa pode ser a mais rápida,
mas geralmente não é a raiz do problema e em pouco tempo os excessos de gastos voltam a
aparecer por ser apenas uma medida paliativa. Há outros meios como terceirização, firmar convênios
com fornecedores, fazer parcerias com outras empresas para ganhar vantagem de escala e preço
dos fornecedores, trabalharem com estoque mínimo, restringir e até cortar certos benefícios e
regalias dentro da empresa, investir em novas tecnologias, etc., que podem ser adotados conforme a
necessidade da organização. Portanto, deve-se fazer uma análise atenta e descobrir onde estão os
exageros e resolver a causa do problema com medidas apropriadas.

Redução De Custos Nas Pequenas Empresas

Para uma melhor definição do controle de custos foi realizado um estudo de caso baseado em três
microempresas de Francisco Beltrão, são elas: Pajeana Indústria e Comércio, Pastelaria Pastel Mania

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CUSTOS PARA CONTROLE

e Embalagens Luana. As empresas foram analisadas para uma comparação do conceito de redução
de custos entre micro e grande empresa.

Estudo de Caso 1: Pajeana Indústria e Comércio

A empresa Pajeana Indústria e Comércio está localizada na Rua Pará, número1324, no Bairro Vila
Nova. Dedica-se à fabricação de biquínis, pijamas, moda íntima e banho. É uma microempresa, por
isso dedica-se muito a redução de custos, isso acontece porque a empresa não apresenta
faturamento muito elevado, dessa forma a redução de custos ajuda a aumentar as vendas dando um
lucro maior à empresa. Na empresa Pajeana Indústria e Comércio o controle de custos é seguido
diariamente. Para um bom controle de custos são fabricados produtos com tecidos que são
reaproveitados, esses produtos são principalmente pijamas mais baratos que são feitos apenas com
sobras amplas, mas que não podem ser aproveitados na confecção de pijamas inteiros e nem podem
ser utilizados em biquínis por causa da estampa do tecido.

Com retalhos de tecidos diferentes são feitos os punhos, barras e golas que acabam dando um
charme para o produto. Esses pijamas são fabricados para evitar o desperdício de pedaços amplos
que não podem ser utilizados na fabricação de produtos primários e que seriam jogados fora. Esses
recursos também são utilizados em outros produtos secundários, como biquínis e roupas íntimas de
baixo valor, os restos de tecidos utilizados nesta área são muito pequenos e não correspondem ao
tamanho adequado para os de primeira linha, assim são feitos produtos com um tamanho menor,
para uma linha infantil, ou mais básica. Todos os tecidos se não fossem reutilizados seriam
desperdiçados, mas com seu reaproveitamento acabam gerando lucros extras para a empresa, com
a reutilização a empresa fabrica produtos mais baratos sem muitos gastos. Dessa forma a empresa
atinge outro público mais inferior. Essas peças trazem para a empresa novos clientes e lucros
maiores, se não houvesse controle de custos a empresa não teria tantos clientes, como tem
atualmente, e o faturamento seria menor.

Estudo de Caso 2: Pastelaria Pastel Mania

A Pastelaria Pastel Mania que está localizada na Avenida União da Vitória e se classifica como
microempresa, pois seu faturamento é inferior à R$ 240.000 anualmente. O controle de custos é feito
de modo a contemplar a maioria dos setores. Para reduzir custos é realizado corte de funcionários
quando diminui a demanda, o que ocorre no período de inverno; os pastéis são produzidos na hora
em que o cliente faz o pedido, pois o produto é perecível e há muitas opções de recheios, o que
exigiria uma grande quantidade de pastéis e espaço adequado para armazenar tudo; na hora da
produção, as sobras de massa são reaproveitadas, e os recheios são preparados na proporção da
demanda diária estimada. As compras de alguns produtos são feitas em supermercados, pois é mais
vantajoso comprar nestes do que diretamente dos fornecedores/distribuidores devido ao preço
praticado. Outra forma de redução de custos utilizada é a fabricação própria da massa, por ser mais
cara a terceirização. Também procuram fazer a limpeza do chão com baldes de água ao invés de
usar a mangueira. Há ainda a reciclagem da gordura vegetal pela Ambiente Vitare Procof, e a
pastelaria recebe em troca detergente fabricado com a gordura.

Estudo de Caso 3: Embalagens Luana

As Embalagens Luana se classificam em microempresa, está localizado na Rua Pará, Centro de


Francisco Beltrão. É importante fazer o controle de custos para se manterem competitivos, pois a
margem de lucro não é elevada e é preciso maximizá-la. A empresa adota a forma de controle de
custos usual, procuram fazer renegociações com fornecedores para obterem menor preço, trabalham
com estoque mínimo e mantém estoque maior de produtos de maior giro e não trabalham com
produtos muito específico devido ao fato de terem demanda pequena, giro e preço de
comercialização muito baixos que não compensam os gastos com frete e estocagem, se tornando

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CUSTOS PARA CONTROLE

assim muito onerosos. Os principais resultados alcançados com essa política são melhor
aproveitamento do espaço físico, pois não ficam com produtos muito tempo estocado, e evita também
o capital parado. Entretanto, a política de redução de custos não é extrema, mantém-se o bom senso
de não sacrificar a qualidade do produto e a confiabilidade do fornecedor em troca de menores
custos.

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CONTROLE DE ESTOQUE

Controle de Estoque

Controle de Estoque na Contabilidade

Uma empresa pode adquirir os mesmos tipos de mercadorias em datas diferentes, pagando por elas
preços variados. Assim, para determinar o custo dessas mercadorias estocadas e das mercadorias
que foram vendidas, precisamos adotar algum critério. Os critérios mais conhecidos para avaliação de
estoque são: Preço Específico, PEPS, UEPS e Preço Médio Ponderado.

Escolhendo o Método de Avaliação

O método de avaliação escolhido afetará o total do lucro a ser calculado para um determinado
período contábil. Considerando que vários fatores podem fazer variar o preço de aquisição dos
materiais entre duas ou mais compras (inflação, custo do transporte, etc.), surge o problema de
selecionar o método que se deve adotar para avaliar os estoques.

Conheça os principais métodos:

Preço Específico – Quando é possível fazer a determinação do preço especifico de cada unidade em
estoque, pode-se dar baixa em cada venda, por .se valor; com isto, no estoque final, seu valor será a
soma de todos os custos específicos de cada unidade ainda existente. Tal tipo de apropriação de
custo, entretanto, somente é possível em alguns cesos, onde a quantidade, ou o valor, ou a própria
característica da mercadoria o permite (comércio de carros usados, imóveis). Na maioria das vezes
não é possível ou economicamente conveniente a identificação do custo específico de cada unidade,
principalmente no caso onde existe uma movimenta grande no estoque.

PEPS: Primeiro que Entra, Primeiro que Sai (first in, first out). No método PEPS, usa-se o custo do
lote mais antigo quando da venda da mercadoria até que se esgotem as quantidades desse estoque,
daí parte-se para o segundo lote mais antigo e assim sucessivamente.

UEPS: Último a Entrar, Primeiro a Sair. É um método de avaliar estoque. O custo do estoque é
determinado como se as unidades mais recentes adicionadas ao estoque (últimas a entrar) fossem as
primeiras unidades vendidas (saídas) (primeiro a sair). No método UEPS, o custo dos itens
vendidos/saídos tende a refletir o custo dos itens mais recentemente comprados (comprados ou
produzidos, e assim, os preços mais recentes).

Preço Médio Ponderado: Este método, também chamado de custo médio ou média móvel, baseia-se
na aplicação dos custos médios em lugar dos custos efetivos. O método de avaliação do estoque ao
custo médio é aceito pelo Fisco e usado amplamente.

No Brasil a legislação do imposto de renda permite apenas o PEPS e a Média Ponderada Móvel para
fins de contabilidade de custos.

Dicas Importantes:

▪ O Método aceito pela Receita Federal é o PEPS, veja que este modelo é o que apresenta o maior
resultado, quanto maior o resultado mais a receita federal arrecada.

▪ O método de custo médio, em período inflacionário, sempre será um valor intermediário entre os
demais métodos.

▪ Quando for calculado o valor do CMV, não interessa o preço de venda e sim preço de compra
(custo de aquisição).

▪ Os métodos somente apresentam resultados diferentes em períodos inflacionários ou


deflacionários, pois a base de cálculo é o preço de compra do produto.

Exemplo Prático:

Exemplo de controle de estoque: Uma empresa apresentou as seguintes movimentações na conta


estoque de mercadoria, em determinado mês:

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CONTROLE DE ESTOQUE

Dia 5: compra de 10 unidades por R$ 25,00 cada;


Dia 10: venda de 4 unidades pelo preço de R$ 35,00 cada;
Dia 15: venda de mais 5 unidades por R$ 40,00 cada;
Dia 20: compra de 5 unidades por R$30,00 cada unidade;
Dia 25: venda de 10 unidades por R$ 40,00 cada.

A seguir será exemplificado como é feito o controle do estoque, nas fichas permanentes da empresa,
pelos três métodos de controle.

Utilizando o Custo Médio:

CMV = R$ 450,50 (90,00 + 112,50 + 248,00) Não entra o preço de venda.

Utilizando a fórmula do CVM =

CMV = EI + CO – EF = 200,00 + 400,00 – 149,50 = R$ 450,50

Vendas líquidas: 140,00 + 200,00 + 400,00 = R$ 740,00

4 x 35,00 = 140,00 5 x 40,00 = 200,00 10 x 40,00 = 400,00

RCM = Vendas – CMV = 740,00 – 450,50 = R$ 289,50

EF= R$ 149,50

Utilizando o método PEPS:

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CONTROLE DE ESTOQUE

CMV = R$ 425,00 (80,00 + 100,00 + 245,00)

Utilizando a fórmula do CMV =

CMV = EI + Compra – Estoque final = 200,00 + 400,00 – 175,00 = R$ 425,00

Vendas líquidas: 140,00 + 200,00 + 400,00 = R$ 740,00

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CONTROLE DE ESTOQUE

4 x 35,00 = 140,00 5 x 40,00 = 200,00 10 x 40,00 = 400,00

RCM = Vendas Líquidas – CMV = 740,00 – 425,00 = R$ 315,00

EF= R$ 175,00

Utilizando o método UEPS

CMV = R$ 480,00 (150,00 + 125,00 + 255,00)

Utilizando a fórmula do CMV =

CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final = 200,00 + 400,00 – 120,00 = R$ 480

Vendas líquidas: 140,00 + 200,00 + 400,00 = R$ 740,00

4 x 35,00 = 140,00 5 x 40,00 = 200,00 10 x 40,00 = 400,00

RCM= Vendas líquidas – CMV = 740,00 – 480,00 = R$ 260,00

EF= R$ 120,00

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CONTROLE DE ESTOQUE

TABELA COMPARATIVA

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

Suprimentos de Fundos

Conceito

Adiantamento concedido a servidor, a critério e sob a responsabilidade do Ordenador de Despesas,


com prazo certo para aplicação e comprovação dos gastos. O Suprimento de Fundos é uma
autorização de execução orçamentária e financeira por uma forma diferente da normal, tendo como
meio de pagamento o Cartão de Pagamento do Governo Federa – CPGF, sempre precedido de
empenho na dotação orçamentária específica e natureza de despesa própria, com a finalidade de
efetuar despesas que, pela sua excepcionalidade, não possam se subordinar ao processo normal de
aplicação, isto é, não seja possível o empenho direto ao fornecedor ou prestador, na forma da Lei nº
4.320/64, precedido de licitação ou sua dispensa, em conformidade com a Lei nº 8.666/93.

Casos de Aplicação do Suprimento de Fundos

As despesas com Suprimento de Fundos somente podem ser realizadas nas seguintes condições:

a) atender a despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor , em cada caso, não
ultrapasse o limite estabelecido na Portaria MF nº 95/2002;

b) atender a despesas eventuais, inclusive em viagens e com serviços especiais, que exijam pronto
pagamento (excluída nesse caso a possibilidade de uso do Cartão para o pagamento de bilhetes de
passagens e diárias a servidores); ou

c) quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se classificar em regulamento; ou
seja, os órgãos e entidades que executarem despesas sigilosas deverão possuir regramento próprio
para tal.

Limites máximos para despesas com Suprimentos de Fundos

Conforme estabelece o Decreto nº 93.872/86, compete ao Ministério da Fazenda o estabelecimento


de valores limites para concessão de Suprimento de Fundos, bem como o limite máximo para
despesas de pequeno vulto.

Conceito

O Suprimento de Fundos, também denominado de regime de adiantamento, consiste na entrega de


numerário a servidor para a realização de despesa precedida de empenho na dotação própria, que
por sua natureza e excepcionalidade, não possa subordinar-se ao procedimento normal de
processamento.

II – Despesas que Podem ser Realizadas

As despesas com Suprimento de Fundos somente podem ser realizada nas seguintes condições:

Para atender despesas de pequeno vulto. (item I, do art. 2º do Decreto Estadual nº 1.180/08);

Para atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com serviços especiais, que exijam pronto
pagamento em espécie. (item II, do art. 2º do Decreto Estadual nº 1.180/08);

Para atender despesas de caráter secreto ou reservado, realizadas pela Secretaria de Segurança
Pública, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, pelo Gabinete da Governadoria ou pela
Casa Militar, conforme dispuser regulamento. (item II, do art. 2º do Decreto Estadual nº 1.180/08).

Despesas de pequeno vulto devem ser entendidas como despesas não rotineiras ou normais, cujo
valor do suprimento não poderá exceder a R$-2.000,00(dois mil reais) e cujo comprovante de
despesa não poderá ultrapassar o valor de R$-200,00(duzentos reais), consoante prevêem as alíneas
“a” e “b” do §1º do art. 2º do Decreto Estadual nº 1.180/08, como por exemplo gastos com postagem
e autenticação de documentos, reconhecimento de firmas, confecção de carimbos, pequenos reparos
etc., desde que não acobertados por contratos.

É importante esclarecer que quando se solicita suprimento de fundos para pagamento de despesas
de pequeno vulto deve-se sempre atestar a falta momentânea dos materiais a adquirir ou a

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

necessidade imperiosa de contratação do serviço, encontrando o seu limite para cada comprovante
de despesa no valor de R$-200,00.

Sendo assim, o suprimento de fundos é um instrumento de exceção ao qual pode recorrer o


Ordenador de Despesas, em situações que não permitam o processo normal de execução da
despesa pública, isto é, licitação, dispensa ou inexigibilidade, empenho, liquidação e pagamento, Por
isso, é recomendável muita prudência na sua concessão, no sentido de evitar a generalização do seu
uso.

Quando do seu uso, é necessário observar o seguinte:

A) Na Aquisição de Material de Consumo

- Inexistência de fornecedor contratado/registrado. Atualmente, com a possibilidade de registrar-se


preços - Ata de Registro de Preços, é possível ter fornecedores registrados para a grande maioria
das necessidades de material de consumo da unidade;

- Se não se trata de aquisições de um mesmo objeto, passíveis de planejamento, e que ao longo do


exercício possam vir a ser caracterizadas como fracionamento de despesa e, conseqüentemente,
como fuga ao processo licitatório; e

- Se as despesas a serem realizadas estão vinculadas às atividades da unidade e, como é óbvio, se


servem ao interesse público.

B) Na Contratação de Serviços

- Inexistência de cobertura contratual;

- Se não se trata de contratações de um mesmo objeto, passíveis de planejamento, e que ao longo


do exercício possam vir a ser caracterizadas como fracionamento de despesa e, conseqüentemente,
como fuga ao processo licitatório; e

- Se as despesas a serem realizadas estão vinculadas às atividades da unidade e, como é óbvio, se


servem ao interesse público;

III - Limites para Concessão

Os limites para concessão de Suprimento de Fundos são os seguintes, de acordo com o Decreto
Estadual nº 1.180/08:

VALOR (EM R$) TIPO DE DESPESA DISPOSITIVO LEGAL

Até 2.000,00 Pequeno Vulto Art. 2º, item I, §1º, alínea “a”.

Até 4.000,00 Despesas Eventuais Art. 2º, item I, §1º, alínea “b”.

IV - Prazo para Aplicação e Prestação de Contas

O prazo de aplicação do Suprimento de Fundos é de até 30(trinta) dias, contados da data da emissão
da OB nos casos de repasse a servidor lotado em unidade da UEPA na capital ou do efetivo depósito
na conta do suprido que é lotado em unidade da instituição no interior.

Para prestação de contas do Suprimento de Fundos o prazo é de até 15(quinze) dias após o período
de aplicação.

NOTA: Os suprimentos de fundos concedidos no mês de dezembro devem ser aplicados até o dia 31
deste mês, não podendo em nenhuma hipótese ser utilizados no exercício financeiro seguinte. A
recomendação é que, caso haja saldo, o suprido o deposite na conta da instituição, sob pena de ter
que devolver o numerário gasto em desacordo com a legislação.

V - Forma de Concessão

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

Será concedido através de Portaria assinada pelo Ordenador de Despesas e publicada no Diário
Oficial do Estado, emitida em nome do servidor sempre precedida de Nota de Empenho, onde irá
constar o nome completo, posto ou graduação, cargo ou função e matrícula do suprido; destinação ou
a finalidade da despesa a realizar; o valor do suprimento, em algarismos e por extenso, da
importância a ser entregue; a classificação funcional e a natureza de despesa; prazo de aplicação e
prestação de contas.

VI - Elementos de Despesa que Podem ser Utilizados

O suprimento de fundos será concedido nos seguintes elementos de despesa:

3390.30 – Material de Consumo;

3390.36 – Serviços de Terceiros/Pessoa Física;

3390.39 – Serviços de Terceiros/Pessoa Jurídica;

339033 – Passagem e Locomoção.

NOTA: A aplicação de suprimentos de fundos em elemento de despesa diverso dos que foram
citados acima, como, por exemplo, para aquisição de Equipamentos ou Material Permanente
(339052) constitui irregularidade insanável, estando o suprido obrigado a devolver o recurso gasto
incorretamente. Por isso, quando o suprido esteja em dúvida quanto à classificação correta do
material a adquirir, recomendamos que antes de realizar a compra, procure obter informações junto à
Coordenação de Prestação de Contas – CPC, ao Departamento de Administração de Recursos
Materiais – DARM ou à Coordenação de Controle Interno.

Da mesma forma terá a prestação de contas impugnada, isto é, considerada IRREGULAR, não
sujeita à aprovação pelo Ordenador de Despesas, o suprido que utilizar recurso de uma rubrica para
pagamento de produto ou serviço classificado em outra. Por exemplo, utilizar recurso da
rubrica 339039(Serviços de Terceiro Pessoa Jurídica) pagar pagar despesas classificadas na
rubrica 339030 (Material de Consumo). Portanto, a recomendação é que se evite terminantemente
este tipo de prática.

VII - Servidor Impedido de Receber

A) Responsável por dois Suprimentos de Fundos ainda não comprovados;

B) Declarado em alcance, assim entendido aquele que tenha cometido apropriação indevida, extravio,
desvio ou falta verificada na prestação de contas, de dinheiro ou valores confiados à sua guarda;

C) Que esteja respondendo a inquérito administrativo;

D) Que exerça as funções de Ordenador de Despesas;

E) Responsável pelo setor financeiro;

F) Que esteja de licença, férias ou afastado.

VIII - Documentos que Devem Compor a Prestação de Contas

O processo de comprovação de suprimento de fundos deve ser organizado com os documentos


comprobatórios da efetivação da despesa em ordem cronológica e com a rubrica do responsável pelo
referido suprimento, contendo as seguintes peças e nesta ordem:

A) Memorando de encaminhamento da prestação de contas;

B) Cópia da Portaria de concessão do Suprimento de Fundos;

C) Cópia da Ordem de Saque ou do extrato bancário;

D) Demonstrativos de Comprovação do Suprimento de Fundos, preenchidos de acordo com o


elemento de despesa;

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

E) Originais dos documentos comprobatórios da despesa (Notas Fiscais de vendas, Notas Fiscais de
prestação de serviços – pessoa jurídica, faturas e recibos de pessoas físicas) sem emendas, rasuras,
acréscimos ou entrelinhas;

F) Cópia da Guia de Recolhimento (GR) do saldo não aplicado (se houver).

É importante frisar que os documentos fiscais deverão observar ainda as seguintes exigências:

A) Serem emitidos em nome da UEPA por quem forneceu o material ou prestou o serviço;

B) Serem obrigatoriamente emitidos sempre igual ou posterior à data da concessão do suprimento de


fundos;

C) Conterem o detalhamento do material fornecido ou do serviço prestado (discriminação da


quantidade de produto ou serviço), evitando generalizações ou abreviaturas que impeçam o
conhecimento da natureza das despesas e da unidade fornecida.

IX - Atesto dos Comprovantes de Despesas

Para comprovar o efetivo recebimento do material e da prestação de serviço no que concerne à


quantidade e à qualidade adquirida, os comprovantes de despesas deverão ser atestados por
servidor suficientemente identificado (cargo, função, assinatura legível) que não seja
necessariamente o suprido.

X - Irregularidades na Aplicação

São consideradas irregularidades na aplicação e comprovação de recursos liberados a título de


suprimento de fundos:

A) Qualquer despesa realizada anteriormente ou posterior ao prazo de aplicação;

B) Quando forem aplicados em projeto ou atividade incompatíveis com a finalidade de sua


concessão;

C) Quando forem aplicados em desacordo com o elemento de despesa especificado no ato da


concessão e na Nota de Empenho;

D) Quando aplicado em outro exercício financeiro do ato concessivo;

E) Quando constatado o parcelamento de despesa na aplicação do numerário, ou seja, a soma das


Notas Fiscais com o mesmo objeto;

F) Realizar os pagamentos que não seja em dinheiro e à vista, dada a vedação legal para
aquisição/contratação a prazo.

Se configurada alguma das situações acima previstas, o suprido terá que devolver o numerário gasto
em desacordo com as normas legais, independentemente de outras sanções disciplinares cabíveis

Trata-se de considerações acerca dos procedimentos quanto à utilização de suprimento de fundos


(adiantamentos) para despesas de pequeno vulto, no âmbito da Administração Pública.

Em face da necessidade de se haver um efetivo planejamento quanto à gestão pública dos recursos
diante das demandas surgidas, planejar é preciso. Porém, como em muitas vezes não se pode
imaginar todas as possibilidades dessas demandas, poderá ocorrer eventualidades
(excepcionalidades) que terão de ser atendidas, uma vez que o seu não-atendimento poderá
ocasionar prejuízos ou conseqüências desastrosas à Administração.

Ao ocorrer uma eventualidade, e houver a necessidade de atendê-la, de maneira rápida, não


podendo aguardar o processo normal (procedimento licitatório), uma das possibilidades é atendê-la
através de um procedimento denominado concessão de suprimento de fundos.

A finalidade do suprimento de fundos é de atender a despesas que não possam aguardar o processo
normal, ou seja, é exceção quanto à não-realização de procedimento licitatório.

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

O suprimento de fundos (adiantamento) está pautado na seguinte legislação:

- arts. 68 e 69, da Lei nº 4.320/64;

- art. 74, § 3º, do Decreto-Lei nº 200/67;

- arts. 45 a 47 do Decreto nº 93.872/86 com as alterações do Decreto nº 95.804/88; e

- Portaria nº 492/93 do Ministério da Fazenda.

Conforme estabelece o Decreto nº 93.872, de 23 de dezembro de 1986, Capítulo III, Seção V, o


suprimento de fundos é um instrumento de exceção que, a critério do ordenador de despesas e sob
sua inteira responsabilidade, poderá ser concedido suprimento de fundos (adiantamento) a servidor,
sempre precedido de empenho na dotação própria às despesas a realizar, e que não possam
subordinar-se ao processo normal de aplicação. Poderá ser concedido nos seguintes casos:

- para atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com serviços especiais, que exijam
pronto pagamento em espécie;

- quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se classificar em regulamento; e

- para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujos valores, em cada caso,
não ultrapassar os limites estabelecidos em Portaria do Ministério da Fazenda.

Os limites acima referidos, estão vinculados à legislação que rege as licitações no âmbito do serviço
público, e referem-se, quanto à concessão:

- 5% (cinco por cento) do valor estabelecido na alínea "a" do inciso "II" do art.º 23, da Lei nº 8.666/93,
para outros serviços e compras em geral;

- o limite máximo de cada despesa de pequeno vulto deve obedecer ao percentual de 0,25% do valor
máximo para outros serviços e compras em geral estabelecido na alínea "a" do inciso "II" do art. 23,
da Lei nº 8.666/93.

Neste momento estaremos explicitando somente o adiantamento, através de suprimento de


fundos, para o atendimento de despesas de pequeno vulto, uma vez ser este tipo o mais utilizado.

Despesas de Pequeno Vulto

Entende-se por despesas de pequeno vulto aquelas cuja soma seja igual ou inferior a 5% (cinco por
cento) do limite estabelecido na alínea "a", do inciso II do art. 23, da Lei nº 8.666/93, com redação
dada pela Lei nº 9.648/98, qual seja, até R$ 4.000,00 (quatro mil reais).

Da mesma forma, ficou estabelecido, ainda, o percentual de 0,25% do valor constante na alínea "a"
do inciso "II" do art.º 23, da Lei 8.666/93 como limite máximo de despesa de pequeno vulto, no caso
de compras e outros serviços, ou seja, limite de R$ 200,00 (duzentos reais) por despesa, sendo
vedado o fracionamento da despesa e/ou documento comprobatório para adequar ao referido limite.

Resumindo, o limite estabelecido para adquirir despesas de pequeno vulto é de R$ 4.000,00 (quatro
mil reais), sendo que para cada despesa deverá ser observado o limite máximo de R$ 200,00
(duzentos reais), sendo vedado o fracionamento da despesa, bem como do documento
comprobatório para adequação ao referido limite.

Limite de Despesa

Por que o limite de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) como limite de despesas de pequeno vulto para
"outros serviços e compras em geral" ?

Pode-se responder, iniciando pelo pressuposto de que a regra é licitar, sendo, a exceção, utilizar-se
de procedimentos que venham a "fugir" desse preceito legal. Em face disso, deverá utilizar-se dessa
exceção tão-somente para aqueles casos onde as despesas não possam subordinar-se ao processo
normal de aplicação. Em relação ao valor limite, o entendimento do legislador fora de estipular
valores os quais não pudessem dar margem a manobras para furtar-se de atender à regra, qual seja,

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

licitar. Observe-se que o Parágrafo Único do art. 60, da Lei nº 8.666/93 leva a esse entendimento
quanto ao valor.

art. 60, parágrafo único, Lei nº 8.666/93: "É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a
Administração, salvo o de pequenas compras de pronto-pagamento, assim entendidas aquelas
de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea "a"
desta Lei, feitas em regime de adiantamento." (grifei)

Ao analisar o parágrafo único do art. 60, da Lei nº 8.666/93, entende-se que despesas de pronto-
pagamento, ou seja, de pequeno vulto, poderão ser realizadas até o limite de 5% (cinco por cento) do
limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea "a", da Lei nº 8.666/93, qual seja, até o limite de R$
4.000,00 (quatro mil reais)

Quanto à excepcionalidade de seu uso, o art. 68, da Lei nº 4.320/64 dispõe que:

art. 68, Lei nº 4.320/64: "O regime de adiantamento é aplicável aos casos de despesas
expressamente definidos em lei e consiste na entrega de numerário a servidor, sempre precedida de
empenho na dotação própria, para fim de realizar despesas que não possam subordinar-se ao
processo normal de aplicação." (grifei)

Em comentário a esse artigo, J. Teixeira Machado Jr. e Heraldo da Costa Reis(1) definem o
adiantamento "como um dos meios de ser efetuado o pagamento, em casos excepcionais. É
necessário, sobretudo, que a excepcionalidade não se transforme em regra... É preciso prestar
atenção ao fato de que a própria lei exclui do adiantamento aquelas despesas que se
subordinam ao processo normal de aplicação. Desta forma, aquisição de material e equipamento,
realização de obras etc. não devem ser pagas por meio de adiantamento, a não ser fora da sede do
Município, quando, então, se caracteriza a excepcionalidade." (grifei)

Tribunais de Contas

Têm-se várias decisões e acórdãos de Tribunais de Contas acerca do assunto.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte, em sua Resolução nº 011/2000 – TCE,
dispõe sobre o acompanhamento e controle das concessões de suprimento de fundos no âmbito da
Administração Direta do Estado; e considerando que por imperativo constitucional tem a competência
para fiscalizar e julgar as prestações de contas de todos os administradores e terceiros que
gerenciem, arrecadem ou utilizem dinheiros públicos e, também, considerando o elevado número de
adiantamentos, em forma de suprimento de fundos, concedidos pelos administradores públicos
estaduais, resolve, dentre outros aspectos, determinar aos auditores do Tribunal que, quanto aos
procedimentos da fiscalização de suprimento de fundos, "averigüe:

a)os procedimentos adotados com vistas à licitação, ou à sua dispensa ou inexigibilidade, quando for
o caso, bem assim a existência do respectivo ato formalizador;

b)a regularidade na documentação fiscal, quanto à data e forma de sua emissão, data de validade,
onde couber, com visto do órgão ou de quem tiver poderes para tal procedimento;

c)a existência de conta específica, individualizada, para cada suprimento;

d)os procedimentos que caracterizem o fracionamento de despesa e burla à licitação; (grifei)

e)a existência do certificado de recebimento do material ou prestação do serviço pela autoridade


competente;

f)a adequação da classificação das despesas ao objeto do suprimento de fundos;

g)a observância quanto aos prazos estabelecidos em lei para sua aplicação e apresentação da
correspondente prestação de contas;

h)o possível enquadramento do suprido ou autoridade responsável solidariamente em crime contra


as licitações públicas, ato de improbidade administrativa ou outra conduta merecedora de
responsabilização pelo Tribunal ou outro Poder ou órgão."

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

Em síntese ao parágrafo acima, pode-se concluir que existe uma determinação expressa quando do
objeto de análise em algum órgão público, de que seja averigüado as concessões de suprimento de
fundos a fim de verificar a legalidade dos procedimentos adotados.

O Tribunal de Contas da União - TCU, em seu Acórdão nº 305/2000 – Segunda Turma (3), relata que
a realização de despesas com dispensa de licitação (art. 24, II, Lei nº 8.666/93) e por meio de
suprimento de fundos, cujos montantes ultrapassam o limite estabelecido pelo art. 24, inciso II, da Lei
nº 8.666/93, configura-se fracionamento de despesa com fuga ao procedimento licitatório.

Atente-se que o TCU entende, ao afirmar que a "realização de despesas com dispensa de
licitação(art. 24, II, Lei nº 8.666/93) e por meio de suprimento de fundos, cujos montantes ultrapassam
o limite estabelecido pelo art. 24, inciso II, da Lei nº 8.666/93, configura-se fracionamento de despesa
com fuga ao proceimento licitatório"; está ele entendendo que, em função da conjunção aditiva "e", as
modalidades dispensa (24,II) e suprimento de fundos são cumulativos quanto à averigüação diante do
limite imposto através do art. 24, inciso II, da Lei nº 8.666/93, qual seja, cumulatividade entre
dispensa e suprimento até o limite de R$ 8.000,00 (oito mil reais).

Outro ponto levantado pelo TCU, nesse mesmo Acórdão, dispõe ao fato de as compras serem
realizadas a intervalos superiores a 30 dias não descaracterizam fracionamento.

Um dos critérios que os Tribunais de Contas utilizam para averigüação do limite imposto a despesas
realizadas por dispensa de valor e suprimento de fundos é a necessidade de se haver nova aquisição
de igual natureza, semelhança ou afinidade.

Pode-se entender como aferição para controle de novas aquisições de igual natureza, semelhança
ou afinidade, as despesas classificadas através da classificação contábil da despesa do SIAFI.

A título de exemplo, destaca-se alguns:

3.3.9.0.30.16 material de expediente

3.3.9.0.30.22 material de limpeza e produtos de higienização

Diante desse critério, qualquer aquisição que se enquadre em uma classificação contábil de
despesa, estará ela classificada em função de mesma natureza, afinidade ou semelhança, devendo,
pois, ser observado o limite imposto para dispensa de licitação (art.24, II Lei nº 8.666/93), bem
como, cumulativamente, ao suprimento de fundos.

Cumulatividade para Averigüação do Limite

Relembrando que o limite estipulado para as despesas de pequeno vulto, através do suprimento de
fundos, é de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) e que suas despesas são efetuadas sem qualquer
necessidade de processo licitatório, e considerando que o limite por dispensa de valor, com fulcro no
art. 24, II, da Lei nº 8.666/93, é de R$ 8.000,00 (oito mil reais); deve-se observar que as despesas
realizadas por suprimento e as com fulcro no art. 24, II, da Lei nº 8.666/93 deverão ser somadas para
fins de verificação quanto ao limite global (R$ 8.000,00).

Entende-se por limite global, o valor cumulativo entre os gastos (de mesma natureza/classificação
contábil de despesa) através de suprimento de fundos, bem como os gastos com fulcro no art. 24, II
da Lei nº 8.666/93.

Exemplificando (compra de produtos de uma mesma natureza/classificação contábil de despesa –


material de expediente - 3.3.9.0.30.16) - compra de R$ 6.350,00 através de dispensa (art. 24, II),
pode-se, através do suprimento de fundos, adquirir a diferença entre o valor limite global (R$
8.000,00) e o valor já adquirido (art. 24, II), qual seja, R$ 1.650,00 (hum mil seiscentos e cinquenta
reais).

Porém, como o limite máximo de suprimento de fundos é R$ 4.000,00 (quatro mil reais), não se pode
adquirir valor superior a este, mesmo que se tenha adquirido, através da dispensa pelo art. 24, II,
valor inferior a R$ 4.000,00 (quatro mil reais), conforme exemplo a seguir:

Fracionamento de Despesas

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SUPRIMENTOS DE FUNDOS

O Tribunal de Contas da União – TCU, em sua Decisão nº 253/1998, decide que "quando da
realização de suas despesas, proceda a um adequado planejamento de seus procedimentos
licitatórios, em conformidade com a disponibilidade de créditos orçamentários e recursos financeiros,
objetivando contratações mais abrangentes e abstendo-se de proceder a sucessivas contratações de
serviço e aquisições de pequeno valor, de igual natureza, semelhança ou afinidade, realizadas por
dispensa de licitação fundamentada no inciso II do art. 24 da Lei nº 8.666/93."(grifei)

Também o mesmo TCU, no já exposto Acórdão nº 305/2000 – Segunda Turma, relata que "a
realização de despesas com dispensa de licitação (art. 24, II, Lei nº 8.666/93) e por meio de
suprimento de fundos, cujos montantes ultrapassam o limite estabelecido pelo art. 24, inciso II, da Lei
nº 8.666/93, configura-se fracionamento de despesa com fuga ao procedimento licitatório".

Conclui-se, diante das informações expostas e embasadas por entendimentos de Tribunais de


Contas e perante a Lei nº 4.320/64 e Lei nº 8.666/93 que:

a)o suprimento de fundos deverá ser utilizado para fins de realização de despesas que não possam
subordinar-se ao processo normal de aplicação;

b)o limite para realização das despesas com suprimento de fundos deve ser
verificado cumulativamente com as despesas realizadas com fulcro no art. 24, II, da Lei nº 8.666/93;

c)o limite de suprimento de fundos é de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) para despesas de igual
natureza, semelhança ou afinidade, estabelecendo-se como um critério para tal averigüação, a
classificação contábil de despesa do SIAFI (p.ex.: 3.3.9.0.30.16 – material de expediente).

O Que É

O regime de adiantamento, suprimento de fundos, consiste na entrega de numerário a servidor


investido em cargo de provimento efetivo, sempre precedido de empenho na dotação própria para o
fim de realizar despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação.

O suprimento de fundos é aplicável aos casos de despesas imprevisíveis, urgentes e expressamente


definidas em lei, que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação (Requisição de
Compra - RC).

Não serão feitos adiantamentos para despesas já realizadas nem será permitido efetuar despesas
maiores do que os valores adiantados.

No caso das Secretarias de Foro este recurso deve ser utilizado para: manutenção predial, com
material (33903096) e serviços de terceiros - pessoas jurídicas (33903996).

Na condução de menores por determinação judicial, em despesas com passagens rodoviárias e/ou
pedágios (33903301), alimentação e hospedagem dos menores conduzidos (33903996).

Na aquisição de combustíveis e lubrificantes (33903096), consertos de pneus e lavação de veículos


oficiais (33903996), nos casos de impossibilidade de atendimento em contrato específico.

Na aquisição de vale-transporte (33904902) com autorização da Seção de Benefícios.

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SISTEMAS ADMINISTRATIVOS

Sistemas Administrativos

Contencioso Administrativo

Também chamado de modelo francês, o contencioso administrativo caracteriza-se pela repartição da


função jurisdicional entre o Poder Judiciário e tribunais administrativos.

Nos países que adotam tal sistema, o Poder Judiciário decide as causas comuns, enquanto as
demandas que envolvam interesse da Administração Pública são julgadas por um conjunto de órgãos
administrativos.

As decisões proferidas pelos tribunais administrativos não podem ser submetidas à apreciação pelo
Poder Judiciário.

Jurisdição Una

Também conhecido como modelo inglês é aquele em que todas as causas, mesmo aquelas que
envolvem interesse da Administração Pública, são julgadas pelo Poder Judiciário. É a forma de
controle existente atualmente no Brasil (art. 5º, XXXV, CF).

No Brasil, o Poder Judiciário tem o monopólio da jurisdição, o que impede a adoção do sistema
francês.

Os Sistemas Administrativos

1. Generalidades

Por Sistema Administrativo entende-se um modo jurídico típico de organização, funcionamento e


controlo da Administração Pública.

Existem três tipos de sistemas administrativos: o sistema tradicional; o sistema tipo britânico (ou de
administração judiciária) e o sistema tipo francês (ou de administração executiva).

2. Sistema administrativo tradicional

Este sistema assentava nas seguintes características:

a) Indeferenciação das funções administrativas e jurisdicional e, consequentemente, inexistência de


uma separação rigorosa entre os órgãos do poder executivo e do poder judicial;

b) Não subordinação da Administração Pública ao princípio da legalidade e consequentemente,


insuficiência do sistema de garantias jurídicas dos particulares face à administração.

O advento do Estado de Direito, com a Revolução Francesa, modificou esta situação: a


Administração Pública passou a estar vinculada a normas obrigatórias, subordinadas ao Direito. Isto
foi uma consequência simultânea do princípio da separação de poderes e da concepção da lei –
geral, abstracta e de origem parlamentar – como reflexo da vontade geral.

Em resultado desta modificação, a actividade administrativa pública, passou a revestir carácter


jurídico, estando submetida a controlo judicial, assumindo os particulares a posição de cidadãos,
titulares de direitos em face dela.

3. Sistema administrativo de tipo britânico ou de administração judiciária

As características do sistema administrativo britânico são as seguintes:

a) Separação dos poderes: o Rei fica impedido de resolver, por si ou por concelhos formados por
funcionários da sua confiança, questões de natureza contenciosa, por força da lei da “Star
Chamber”, e foi proibido de dar ordens aos juízes, transferi-los ou demiti-los, mediante o “Act of
Settelement”;

b) Estado de Direito: culminando uma longa tradição iniciada na Magna Carta, os Direitos, Liberdades
e Garantias dos cidadãos britânicos foram consagrados no Bill of Rights. O Rei ficou desde então

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SISTEMAS ADMINISTRATIVOS

claramente subordinado ao Direito em especial ao Direito Consuetudinário, resultante dos costumes


sancionados pelos Tribunais (“Common Law”);

c) Descentralização: em Inglaterra cedo se praticou a distinção entre uma administração central e


uma administração local. Mas as autarquias locais gozavam tradicionalmente de ampla autonomia
face a uma intervenção central diminuta;

d) Sujeição da Administração aos Tribunais Comuns: a Administração Pública acha-se submetida ao


controle jurisdicional dos Tribunais Comuns;

e) Sujeição da Administração ao Direito Comum: na verdade, em consequência do “rule of law”, tanto


o Rei como os seus conselhos e funcionários se regem pelo mesmo direito que os cidadão anónimos;

f) Execução judicial das decisões administrativas: de todas as regras e princípios anteriores decorre
como consequência que no sistema administrativo de tipo britânico a Administração Pública não pode
executar as decisões por autoridade própria;

g) Garantias jurídicas dos administrados: os particulares dispõem de um sistema de garantias contra


as ilegalidades e abusos da Administração Pública.

4. Sistema administrativo de tipo francês ou de administração executiva

As características iniciais do sistema administrativo Francês são as seguintes:

a) Separação de poderes: com a Revolução Francesa foi proclamado expressamente, logo em 1789,
o princípio da separação dos poderes, com todos os seus corolários materiais e orgânicos. A
Administração ficou separada da Justiça;

b) Estado de Direito: na sequência das ideias de Loke e de Montesquieu, não se estabeleceu apenas
a separação dos poderes mas enunciam-se solenemente os direitos subjectivos públicos invocáveis
pelo o indivíduo contra o Estado;

c) Centralização: com a Revolução Francesa, uma nova classe social e uma nova elite chega ao
poder;

d) Sujeição da Administração aos Tribunais Administrativos: surgiu assim uma interpretação peculiar
do princípio dos poderes, completamente diferente da que prevalecia em Inglaterra, se o poder
executivo não podia imiscuir-se nos assuntos da competência dos Tribunais, o poder judicial também
não poderia interferir no funcionamento da Administração Pública;

e) Subordinação da Administração ao Direito Administrativo: a força, a eficácia, a capacidade de


intervenção da Administração Pública que se pretendia obter, fazendo desta uma espécie de exército
civil com espírito de disciplina militar, levou o “conseil d’ État” a considerar, ao longo do séc. XIX, que
os órgãos e agentes administrativos não estão na mesma posição que os particulares, exercem
funções de interesse público e utilidade geral, e devem por isso dispor quer de poderes de
autoridade, que lhes permitam impor as suas decisões aos particulares, quer de privilégios ou
imunidades pessoais, que os coloquem ao abrigo de perseguições ou más vontades dos interesses
feridos;

f) Privilégio da Execução Prévia: o Direito Administrativo confere, pois, à Administração Pública um


conjunto de poderes “exorbitantes” sobre os cidadãos, por comparação com os
poderes “normais” reconhecidos pelo Direito Civil aos particulares nas suas relações entre si. De
entre esses poderes “exorbitantes”, sem dúvida que o mais importante é, no sistema Francês,
o “privilégio de execução prévia”, que permite à Administração executar as suas decisões por
autoridade própria;

g) Garantias jurídicas dos administrados: também o sistema administrativo Francês, por assentar num
Estado de Direito, oferece aos particulares um conjunto de garantias jurídicas contra os abusos e
ilegalidades da Administração Pública. Mas essas garantias são efectivadas através dos Tribunais
Comuns.

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SISTEMAS ADMINISTRATIVOS

Estas, características originárias do sistema administrativo de tipo francês – também chamado


sistema de administração executiva – dada a autonomia aí reconhecida ao poder executivo
relativamente aos Tribunais.

Este sistema, nasceu em França, vigora hoje em quase todos os países continentais da Europa
Ocidental e em muitos dos novos Estados que acederam à independência no séc. XX depois de
terem sido colónias desses países europeus.

5. Confronto entre os sistemas de tipo britânico e de tipo francês

Têm, vários traços específicos que os distinguem nitidamente:

• Quanto à organização administrativa, um é um sistema descentralizado. O outro é centralizado;

• Quanto ao controlo jurisdicional da administração, o primeiro entrega-o aos Tribunais Comuns, o


segundo aos Tribunais Administrativos. Em Inglaterra há pois, unidade de jurisdição, em França
existe dualidade de Jurisdições;

• Quanto ao direito regulador da administração, o sistema de tipo Britânico é o Direito Comum, que
basicamente é Direito Privado, mas no sistema tipo Francês é o Direito Administrativo que é Direito
Público;

• Quanto à execução das decisões administrativas, o sistema de administração judiciária fá-la


depender da sentença do Tribunal, ao passo que o sistema de administração executiva atribui
autoridade própria a essas decisões e dispensa a intervenção prévia de qualquer Tribunal;

• Enfim, quanto às garantias jurídicas dos administrados, a Inglaterra confere aos Tribunais Comuns
amplos poderes de injunção face à Administração, que lhes fica subordinada como a generalidade
dos cidadãos, enquanto França só permite aos Tribunais Administrativos que anulem as decisões
ilegais das autoridades ou as condenem ao pagamento de indemnizações, ficando a Administração
independente do poder judicial.

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Os Métodos Quantitativos de Análise de Investimentos

O estudo de avaliação de investimentos se refere basicamente às decisões de aplicações de capital


em projetos que prometem retornos por vários períodos consecutivos.

O tema se insere no âmbito da administração financeira em longo prazo, promovendo repercussões


importantes sobre o desempenho futuro da empresa e, ainda em termos agregados, sobre o
crescimento da economia.

Uma empresa, em determinado instante, pode ser vista como um conjunto de projetos de
investimento em diferentes momentos de execução. O seu objetivo financeiro, ao avaliar alternativas
de investimento, é o de maximizar a contribuição marginal desses recursos de capital, promovendo o
incremento de sua riqueza líquida.

É importante ressaltar que o investimento de capital se apresenta geralmente como uma parte
(algumas vezes pequena) do processo de tomada de decisões empresariais. Frequentemente,
objetivos estratégicos se apresentam como fatores decisórias relevantes na seleção de projetos de
investimentos. Esta realidade frusta, em diversos momentos, posições mais teóricas de se identificar
as melhores alternativas a partir unicamente dos métodos quantitativos de avaliação de
investimentos. Outros fatores de importância são também considerados na avaliação, permitindo
incorporar um estudo de natureza qualitativa.

O segmento de investimento de capital é bastante complexo e amplo, envolvendo inúmeros critérios e


métodos de análise. O presente trabalho não tem o intuito de abordar todas as suas partes. O
objetivo básico é o de avaliar, dentro de um posicionamento mais crítico, os principais aspectos dos
métodos quantitativos mais utilizados pelas empresas para análise de investimentos.

Informações Mínimas Para Avaliação De Investimentos

O processo de avaliação de investimentos demanda uma série de informações financeiras,


enunciadas segundo diversos critérios. Da mesma forma, diferentes estados de mercado e da
economia interferem nos critérios de análise de investimentos.

As informações mínimas necessárias são descritas, em seus aspectos essenciais, a seguir.

a) Fluxo de Caixa Líquido

A avaliação de investimento é executada a partir de fluxo líquido de caixa, medido, para cada período
do intervalo de tempo, pela diferença entre os fluxos de entrada e os de saída de caixa. Nestes fluxos
são computadas somente os movimentos efetivos de recursos, com reflexos financeiros sobre o
caixa, desprezando-se receitas e despesas de natureza eminentemente contábil (depreciação,
amortização, reavaliação patrimonial, entre outros resultados que não são pagos ou recebidos em
termos de caixa).

A análise de investimento é processada com base em fluxos de caixa, sendo o dimensionamento


desses valores considerado como o aspecto mais importante da decisão. A representatividade dos
resultados de um investimento é bastante dependente do rigor e confiabilidade com que os fluxos de
caixa foram estimados.

A decisão de se avaliar projetos de investimento com base nos resultados de caixa, e não a partir do
lucro, é devida a uma necessidade econômica, revelando a efetiva capacidade da empresa em
remunerar o capital aplicado e reinvestir os benefícios gerados.

b) Valores Incrementais

Os fluxos de caixa são computados em seus valores incrementais, ou sejam, pelos fluxos de entrada
e saída de caixa que se originam da decisão de investimento em consideração. Isto equivale a
concluir que, inexistindo o investimento, os fluxos de caixa atribuíveis à proposta deixam de existir.

O fluxo de caixa incremental adotado como modelo básico na análise de investimento apresenta-se
genericamente com a seguinte estrutura:

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

FC = [ Δ ROP - IR (Δ ROP)] + Δ DND

FC = Δ ROP x (1 - IR) + Δ DND

onde:

Δ FC = Fluxo de caixa incremental;

Δ ROP = resultado operacional incremental;

IR = alíquota de imposto de renda aplicável sobre o resultado operacional incremental;

Δ DND = despesas não desembolsáveis incrementais (depreciação, basicamente)

c) Taxa Mínima de Atratividade

Na seleção de investimento é necessária a definição prévia da taxa de retorno exigida, isto é, a taxa
de atratividade econômica do projeto.

Ao se trabalhar com métodos de fluxo de caixa descontado, a taxa de atratividade constitui-se no


parâmetro de avaliação dos projetos, a meta econômica mínima a ser alcançada.

No método do valor presente liquido, a taxa de atratividade é o percentual de desconto dos fluxos de
caixa. Sendo o valor presente das entradas menos o das saídas de caixa positivo, há indicação
técnica de aceitação do investimento. Em caso contrário, deve ser rejeitado.

No método da taxa interna de retorno, a taxa de atratividade é comparada com o retorno calculado,
indicando aceitação quando esta última for, pelo menos, igual à taxa de desconto utilizada.

4) Outras Informações

Outras informações a respeito do processo de investimento devem ser levadas em consideração na


análise.

* Origens das Propostas: expansão, lançamento de novos produtos, modernização, instalação,


relocalização.

* Tinos de Investimentos: independentes, economicamente dependentes, mutuamente excludentes,


restrições orçamentárias.

É preciso levar em conta, ainda, os aspectos de risco inerentes a todo projeto. Como os
investimentos são decisões tomadas fundamentalmente em relação ao futuro, é sempre necessário
que se inclua unia avaliação do risco no estudo da viabilidade econômica.

Por exemplo, os fluxos de caixa definidos para as decisões de investimento são valores previstos de
ocorrer ao longo de determinado período de tempo futuro, estando associados, evidentemente, às
incertezas inerentes às previsões.

Existem diversos métodos de Matemática e Estatística usada para se avaliar o risco de um


investimento, buscando todos eles conhecer a probabilidade de ocorrência de determinado estado de
natureza e seus resultados. Algumas técnicas e métodos bastante adotados são: Medidas
Estatísticas de Dispersão, Distribuição de Probabilidades, Método de Monte Carlo, Árvores de
Decisão (adotada em decisões seqüenciais), Simulação etc.

Muitas vezes, a unidade decisorial adota, de maneira mais simplificada, o incremento da taxa de
retorno exigida do investimento como critério de avaliação de risco. Dependendo de certas
circunstâncias, esta medida nem sempre é adequada.

A moderna teoria de Finanças vem incorporando, nas decisões de investimento em condições de


risco, o método do CAPM -"Capital Asset Pricing Model", ou Modelo de Precificacão de Ativos. O
CAPM, em essência, define a remuneração pelo risco através da taxa adotada pelo mercado.

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Tratando-se principalmente da economia brasileira, é necessário incluir-se a inflação nas decisões de


investimento como um fator de maior risco. Os problemas mais relevantes da inflação são a
dificuldade em prever os seus valores e maior complexidade em considerá-la tecnicamente no
processo de análise.

Dentro da influência da inflação sobre a análise de investimento, a sua inclusão é tratada na definição
da taxa de desconto a ser utilizada na avaliação dos benefícios e, mais intensamente, sobre os
resultados de caixa gerados no tempo.

Diante do exposto, os fluxos de caixa das alternativas de investimento podem se apresentar


expressos sob diferentes formas:

Fluxos de Caixa Nominais - encontram-se expressos em valores correntes da época de sua


ocorrência;

Fluxos de Caixa Constantes - os valores apresentam o mesmo poder de compra, ou seja, estão
referenciados em moeda de mesma capacidade aquisitiva;

Fluxos de Caixa Descontados - Os valores encontram-se todos atualizados para a data presente
através de uma taxa de desconto definida para o investimento.

MÉTODOS DE ANÁLISE

São definidos a seguir os métodos quantitativos de análise de investimento mais utilizados.

Valor Presente Líuido (NPV)

Reflete a riqueza em valores absolutos do investimento medida pela diferença entre o valor presente
das entradas de caixa e o valor presente das saídas de caixa, isto é:

Conseqüentemente:

Onde:

E = Fluxos esperados de entrada de caixa, ou seja, fluxos operacionais líquidos de caixa gerados
pelo investimento;

S = Fluxos de saída de caixa (investimento);

K = taxa de atratividade do investimento usada para atualizar o fluxo de caixa.

O método do NPV exige a definição prévia desta taxa para descontar os fluxos de caixa.

O NPV, desta forma, é determinado descontando-se os fluxos financeiros pela taxa de atratividade
(taxa de retorno exigida) definida para o projeto, apurando-se assim o retorno econômico esperado.

O critério de aceitação-rejeição do método é bastante simples: é considerado atraente todo


investimento que apresente um IPV maior ou igual a zero. Projetos com NPV negativo indicam um
retorno inferior à taxa mínima requerida, revelando ser economicamente desinteressante sua
aceitação.

Taxa Interna de Retorno (IRR)

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

A taxa interna de retorno (IRR) representa a taxa de desconto (taxa de juros) que iguala, num único
momento, os fluxos de entrada com os de saída de caixa. Em outras palavras, é a taxa de juros que
produz um NPV = O.

Genericamente, a IRR é representada, supondo a atualização de todos os valores de caixa para o


momento zero, da forma seguinte:

Onde:

1 = taxa de rentabilidade equivalente periódica (IRR).

Pelo enunciado, para o cálculo da taxa interna de retorno é necessário o conhecimento do dispêndio
de capital (ou dispêndios, caso o investimento esteja prevendo mais de uma aplicação de capital) e
dos fluxos líquidos de caixa gerados exclusivamente pela decisão.

A IRR reflete a rentabilidade relativa (percentual) de um projeto de investimento expressa em termos


de uma taxa de juros equivalente periódica.

A aceitação ou rejeição do investimento com base neste método é definida pela comparação que se
faz entre a IRR encontrada e a taxa de atratividade exigida pela empresa. Se a IRR exceder a taxa
mínima de atratividade o investimento é classificado como economicamente atraente. Caso contrário,
há recomendação técnica de rejeição.

Índice de Lucratividade (IL) e Taxa de Rentabilidade (TR)

O índice de lucratividade (IL) é medido pela relação entre o valor atualizado dos fluxos operacionais
líquidos de entrada de caixa e os de saída de caixa (investimentos), ou seja:

Indica, para cada $1 aplicado em determinado investimento, quanto a empresa apurou de retorno,
expressos todos os resultados em valores atualizados pela taxa mínima de atratividade.

Quando o índice de lucratividade for superior a 1, 0, indica um valor presente liquido maior que zero,
revelando ser o projeto economicamente atraente. Em caso contrário, IL menor que 1,0, tem-se um
indicativo de desinteresse pela alternativa, a qual produz um valor atualizado de entrada de caixa
menor que o de saída (NPV negativo).

Por outro lado, a taxa de rentabilidade (TR) consiste na relação entre o NPV, determinado a partir da
taxa de atratividade, e o valor atualizado dos dispêndios de capital.

Genericamente, tem-se:

Os dois métodos são representativamente bastante próximos, sendo conhecidos também por
relação custo/beneficio.

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Período de "Payback"

Apesar de não ser um método baseado no critério de fluxo de caixa descontado, o período de
"Payback" se destaca pela sua simplicidade e ampla utilização pelas unidades decisórias.

O método consiste, em essência, no cálculo do prazo necessário para que o montante do dispêndio
de capital efetuado seja recuperado através dos fluxos líquidos de caixa gerados pelo investimento.

O "payback" convive com duas deficiências:

a) não leva em conta os fluxos de caixa que ocorrem após o período de "payback";

b) não leva em conta as magnitudes dos fluxos de caixa e sua distribuição nos períodos que
antecedem ao período de "payback".

Diante dessas restrições, é recomendado que o período de "payback" seja determinado através do
critério de fluxo de caixa descontado, sendo a dimensão do "payback" o tempo gasto para que o NPV
passe de negativo para positivo.

No processo de decisão, o período de "payback" é comparado com o padrão estabelecido pela


empresa. Excedendo ao limite fixado, o investimento apresenta indicações de rejeição. A aceitação
se revela quando o "payback" for inferior ao padrão.

ANÁLISE COMPARATIVA DOS MÉTODOS PARA UM ÚNICO INVESTIMENTO

Um projeto de investimento tratado individualmente é classificado como atraente se apresentar NPV


positivo, ou IRR superior (ou igual) à taxa mínima de retorno requerida, ou um IL maior que 1, O (ou
ainda uma TR positiva).

Para um único projeto de investimento, ou para projetos independentes (que podem ser
implementados ao mesmo tempo), os métodos de análise que levam em conta os fluxos de caixa
descontados convergem sempre para a mesma decisão. Ilustrativamente, admita o seguinte
investimento:

Definindo-se em 15% a taxa periódica de atratividade para o investimento, têm-se os seguintes


resultados dos métodos de avaliação:

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

IRR (i) = 20,2% ao período

* IL = $1.380,73 / $1.200,00 = 1,15

* TR = $180,73 / $1.200,00 = 15,0%

* "Payback" = ($1.200,00 / $ 1.380,73) x 5 anos = 4,4 anos.

Pelos métodos envolvendo fluxos de caixa descontados, o projeto é classificado como atraente por
todos. Apresenta um NPV positivo, indicando um retorno em excesso em relação ao ganho exigido. A
IRR supera a taxa de atratividade definida, revelando uma rentabilidade acima da mínima desejada.
O IL é maior que 1,0, que representa o ponto de corte entre aceitação-rejeição deste método. Um IL
maior 1,0 corrobora, conforme comentou-se, os resultados positivos demonstrados pelo NPV e IRR.
Em conseqüência, a TR é também positiva, atingindo a 15,0%.

Finalmente, o período de "payback", revela, em valores atualizados, uma expectativa de retorno


financeiro de aproximadamente 4,4 anos. Este resultado deve ser comparado com o limite-padrão
fixado pela empresa.

Desta maneira, trabalhando-se com um único projeto de investimento, a aplicação dos métodos de
avaliação é processada de maneira bastante simples tendo como característica a total coincidência
em termos de decisão.

Os resultados do NPV e IRR podem ser graficamente representados pela Figura 1 abaixo.

O gráfico comparativo do NPV e IRR permite representar o perfil do investimento e suas


características de retorno. O eixo horizontal incorpora diferentes taxas de desconto a serem aplicadas
aos fluxos de caixa. O eixo vertical determina o valor presente líquido obtido a partir de cada taxa de
desconto descrita. O NPV é apurado para um intervalo de taxas razoavelmente amplo, permitindo
refletir uma linha de comportamento bastante representativa.

Observe que o NPV decresce á medida que o percentual de desconto se eleva. A linha do NPV corta
o eixo horizontal à taxa de 20,2%, ponto em que o NPV é nulo, indicando ser esta a IRR do
investimento. Taxas de desconto acima deste valor produzem NPV negativos, indicando o
desinteresse pela alternativa.

Na figura 2 processa-se uma comparação entre o valor presente liquido e o período de "payback".

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

No momento inicial (t0) o NPV é negativo e igual ao valor do investimento de $1.200,00. O NPV vai
se incrementando ao longo do tempo de conformidade com a execução dos benefícios de caixa do
investimento.

Para a recuperação total do investimento, indicado pela presença de um NPV nulo, são necessários,
conforme calculado anteriormente, 4,4 anos. Esta marca temporal é indicada no gráfico através do
ponto de interseção entre a linha do "payback" e o eixo horizontal do tempo.

Por outro lado, ao se analisar comparativamente dois ou mais projetos de investimento, os métodos
quantitativos podem ser conflitantes em termos de decisão, recomendando alguns a aceitação e
outros a rejeição de um mesmo investimento. É perfeitamente possível, em determinadas
circunstâncias, deparar-se com situações em que o NPV classifica um determinado
investimento X como o mais atraente; a IRR indica o desinteresse econômico dessa alternativa e
seleciona o investimento Y como o que deve ser aceito; a TR, por sua vez, demonstra maior interesse
pelo investimento Z, e assim por diante.

Nestas condições, a decisão ótima fica bastante prejudicada, impedindo que se alcance o objetivo de
maximização da riqueza segundo um único critério.

Os itens seguintes deste trabalho abordam uma análise comparativa dos métodos quantitativos de
avaliação de investimentos voltados para a obtenção de uma única decisão ótima.

ANÁLISE CRÍTICA

Taxa Interna de Retorno

Conforme foi demonstrado, a IRR é a taxa de juros que faz com que o valor presente das entradas
esperadas de caixa se iguale ao valor presente das saídas de caixa determinadas pelo investimento.

O método, apesar de bastante conhecido e intuitivo, apresenta dois grandes inconvenientes.

O primeiro refere-se ao pressuposto implícito de reinvestimento dos fluxos intermediários de caixa à


própria taxa interna i encontrada. Este pressuposto apresenta-se de difícil execução prática, somente
verificada em algumas situações especiais.

Por exemplo, se uma empresa fizer um desembolso imediato de $ 3.000,00 na expectativa de


receber $700,00 ao final de um ano, $900,00 em dois anos, $1.400,00 em três anos e $1.700,00 em
quatro anos, a taxa de retorno (IRR) esperada deste investimento atinge a 17,5% ao ano.

Esta taxa, no entanto, apesar de corretamente calculada, somente é verdadeira ao se admitir que
todos os fluxos de caixa determinados pelo investimento sejam automaticamente reinvestidos à
própria IRR de 17,5% ao ano até o final da vida do projeto.

Assim, ao se reinvestir os fluxos de entradas de caixa (benefícios de caixa) a IRR de 17,5% apura-se
o montante de $5.723,12 ao final do 4º. ano, o qual, confrontado geometricamente com o
investimento de $3.000,00 no momento inicial, revela uma taxa equivalente anual de 17,5%.

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

No entanto, ao se admitir o reinvestimento destes fluxos de entrada de caixa à taxa de 10% ao ano,
por exemplo, chaga-se a um montante de $5.260,70 ao final do 4º. ano, apurando-se uma taxa
equivalente composta de 15,0% ao ano.

Logo, verifica-se que a IRR somente faz sentido se os fluxos de caixa puderem ser automaticamente
reaplicados à própria taxa interna de juros calculada. Reinvestimento à taxa de juros inferiores,
situações geralmente verificadas na prática, promovem uma redução da IRR calculada.

A taxa interna de retorno, quando usada para interpretar a taxa de retorno de um investimento, é
entendida como dependente unicamente dos fluxos de caixa da alternativa de investimento em
consideração, não levando em conta as suposições com relação às taxas de reinvestimento destes
valores ao longo do tempo.

O segundo problema apontado é que o método da IRR nem sempre produz uma única taxa i real e
positiva. Para um fluxo de caixa definido como convencional (existe uma única inversão de sinal) há
uma e somente uma taxa interna de retorno.

E, situações que fogem a estrutura convencional de um fluxo de caixa (existe mais de uma inversão
de sinal), além de uma só taxa interna de retorno, podem existir situações com múltiplas IRR ou, até
mesmo, não existir nenhuma IRR.

A ilustração descrita anteriormente e representada através do diagrama do fluxo de caixa abaixo é do


tipo convencional, indicando que a IRR existe e é única.

Resolvendo-se:

I (IRR) = 17,5% ao ano

Os exemplos anunciados a seguir visam ilustrar numericamente os fluxos de caixa não-convencionais


e seus possíveis resultados pelo uso do método da IRR.

Investimento Não-Convencional Com Uma Única IRR

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Resolvendo-se:

I (IRR) = 16,9% ao período

O investimento produz um valor presente líquido positivo somente com uma taxa de desconto de
16,9% ao período.

Graficamente, tem-se:

• Investimento Não-Convencional com Mú1tip1as IRR

IRR1 = + 86,33% ao período

IRR2 = -46,33% ao período

O valor presente líquido se anula com mais de uma taxa de juros, indicando a existência de múltiplas
IRR.

Investimento Não-Convencional com IRR Indeterminada

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

i(IRR) = indeterminado (não há solução).

A linha do NPV não corta o eixo horizontal em nenhuma parte, apresentando-se sempre maior que
zero qualquer que seja a taxa de desconto utilizada.

Existem diversos critérios que objetivam interpretar a existência de múltiplas taxas de retorno. Apesar
do fundamento lógico que costumam apresentar, os métodos não conseguem proporcionar
resultados irrefutáveis. Nestas condições, é proposto que o método da IRR seja válido somente para
investimentos convencionais, ou seja, para aqueles que apresentam uma única inversão de sinal em
seus fluxos de caixa.

Ao se tratar de fluxos de caixa não-convencionais, sugere-se a utilização de outros métodos de


análise de investimentos, notadamente o valor presente líquido.

Valor Presente Líquido

Conforme foi demonstrado, o NPV é calculado pela diferença entre o valor presente das entradas
previstas de caixa e o valor presente dos desembolsos de caixa requeridos pelo investimento.
Basicamente, todo investimento com NPV maior ou igual a zero deve ser aceito, tendo indicativo de
rejeição todos aqueles com NPV negativo.

Para uma determinada alternativa de investimento, o NPV indica a riqueza em excesso aos
dispêndios determinados pelo projeto.

Identicamente ao método da IRR, o NPV admite o pressuposto do reinvestimento automático dos


fluxos de caixa. A diferença básica, no entanto, é que no método da IRR está implícito o
reinvestimento à taxa interna i calculada, e no NPV a replicação se processa pela taxa de atratividade
definida para o investimento. Este pressuposto do NPV é bem mais razoável que o do método da
taxa interna de retorno; em princípio, pode-se admitir a capacidade de toda empresa em investir seus
recursos a uma taxa superior à de mercado.

Uma dificuldade notada na aplicação do método do valor presente liquido é que seu significado nem
sempre é corretamente compreendido pela unidade decisória. O entendimento da taxa interna de
retorno, expressa em porcentagem, é bem mais intuitiva ao analista, facilitando a classificação dos
investimentos.

Uma outra argumentação da dificuldade do NPV ser mais difundido como método de análise de
investimento, é a necessidade de determinação prévia de uma taxa de desconto (Taxa de
Atratividade). Isto é ilusório, pois a IRR precisa identicamente ser comparada com a taxa de retorno
exigida pelo investimento.

Em suma, o método do valor presente liquido é admitido como o mais seguro e


adequadotecnicamente em relação à IRR. É mencionado que a riqueza de um investimento é melhor
mensurada em valores absolutos, e não em valores relativos.

Extensões ao Perfil dos Métodos do NPV e IRR

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Com o intuito de melhor compreender-se a relação entre o NPV e a IRR é interessante descrever-se
graficamente os resultados dos fluxos de caixa de um investimento interpretado sob dois ângulos:
aplicação de capital e tomada de capital emprestado.

O gráfico I é representativo de um aplicador de capital que apura uma taxa de retorno de 15% ao
período. O gráfico II fixa-se na posição de um tomador de capital que obtém emprestado recursos a
um custo de 15% ao período.

A taxa interna de retorno, definida como a taxa de juros que iguala o NPV a zero, é representada
graficamente pelo ponto que a linha do valor presente líquido corta o eixo das abscissas. Nas duas
alternativas, IRR = 15%.

No gráfico 1 o NPV decresce à medida que a taxa de desconto se eleva, apresentando valores
positivos até 15%. Para esta taxa o NPV se anula, indicando a IRR da alternativa. Taxas maiores que
15% produzem um valor presente negativo, indicando ser economicamente desaconselhável a
alternativa para o aplicador.

Apesar do gráfico II ter sido elaborado a partir do mesmo exemplo, os valores de caixa apresentam
sinais invertidos, resultando em curva também inversa em relação ao gráfico 1. Esta taxa de 15%
para quem toma capital emprestado é a taxa mínima que deve ser auferida na aplicação desses
recursos. Taxas de desconto menores que 15% ao período produzem NPV negativo, e maiores que
15%, NPV positivo. Em conclusão, a IRR de 15% é a menor taxa de desconto que produz um valor
presente liquido positivo ao tomador do empréstimo.

Índice de Lucratividade

O índice de lucratividade (IL) é determinado pela divisão entre o valor presente dos benefícios de
caixa e o valor presente dos desembolsos exigidos pelo investimento.

O IL, assim como as taxas de rentabilidade (TR), podem ser consideradas como variantes do NPV,
proporcionando resultados idênticos em relação às decisões de aceitar-rejeitar alternativas de
investimentos independentes. Apresentam ainda as mesmas vantagens e pressupostos implícitos no
método do valor presente líquido.

O índice de lucratividade é bastante adotado quando se deseja classificar investimentos em termos


de contribuição econômica. No entanto, conforme será desenvolvido mais adiante, a escala do
investimento ou as diferenças com relação ao comportamento dos fluxos de caixa tornam a tarefa de
classificação com base no IL questionável, podendo em certas situações levar a decisões
conflitantes.

Projetos Com Diferentes Tamanhos

Resultados conflitantes com relação à aplicação dos métodos quantitativos de análise podem ocorrer
quando as magnitudes dos investimentos (e também dos benefícios econômicos de caixa) se
apresentarem desiguais.

Para ilustrar as características desta situação, admita duas alternativas de investimento conforme
identificadas a seguir. A taxa de retorno requerida para estes investimentos é de 20% ao período.

PERÍODOS

INV O 1 2 3 NPV IRR IL

A $450.000 $320.000 $230.000 $180.000 $80.555,60 32,5% 1,18

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

B $900.000 $360.000 $250.000 $900.000 $94.444,40 25,6% 1,10

Ao se considerar as duas alternativas de investimento como independentes (a decisão com relação a


um investimento não afeta o outro), não há nenhum conflito nos resultados apurados. Todos os
métodos convergem para a atratividade econômica dos dois investimentos através do NPV positivo,

IRR maior que a taxa de retorno requerida e IL positivo e superior a 1,0.

Não se verificando restrições de natureza técnica ou orçamentária, os dois projetos de investimento


podem ser aceitos (implementados simultaneamente) como decorrência dos resultados positivos
computados pelos métodos de análise.

Por outro lado, se os investimentos forem classificados como mutuamente excludentes, a escolha de
uma alternativa elimina a possibilidade de se implementar outra, mesmo que todas demonstrem
atratividade econômica.

Avaliando os resultados da análise efetuada sobre os investimentos, evidencia-se uma situação


decisorial de conflito. Pelo método do NPV, a alternativa B apresenta-se como mais atraente, sendo
classificada em primeiro lugar pelo maior montante esperado de riqueza. Inversamente, os métodos
da IRR e do IL selecionam o investimento A como o mais atraente, proporcionando a melhor taxa
percentual de retorno e lucratividade.

Esta dualidade de interpretação na seleção da melhor alternativa decorre em razão principalmente do


método da IRR ser expresso em termos relativos (taxa percentual) e não em valores absolutos, como
é característica do valor presente líquido.

Observe que o desembolso de capital de B é o dobro de A, e a IRR, por se apresentar referenciada


em porcentagem, não leva em conta esta disparidade de tamanho. Em termos de riqueza absoluta,
inerente ao método do NPV, é mais atraente apurar-se um resultado de 25,6% sobre $900.000,00, do
que de 32,5% sobre $450.000,00.

Uma outra maneira bastante esclarecedora de enfocar este problema é efetuar uma análise
incremental dos investimentos. A diferença entre os projetos B e A é que B exige um investimento de
$450.000,00 maior, prometendo em conseqüência fluxos de caixa adicionais de $40.000,00,
$20.000,00 e $720.000,00, respectivamente, ao final dos próximos três períodos, isto é:

Apurando-se o valor presente liquido e a taxa interna de retorno do investimento incremental, chega-
se aos seguintes resultados positivos em termos de atratividade dos investimentos:

* Δ NPV = $l3.888,90 (valor presente líquido incremental)

* Δ IRR = 21,3% ao período (taxa interna de retorno incremental).

O NPV incremental define a riqueza adicional acrescida pelo investimento B de maior escala. Em
outras palavras, é o custo máximo a que o investimento B pode se elevar para que mantenha a sua
preferência em relação a A.

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

A IRR representa a taxa de juros que torna os dois investimentos equivalentes em termos de
atratividade econômica, produzindo o mesmo valor presente líquido. Esta taxa é reconhecida
por intercessão de Fisher. Para uma taxa de desconto de até 21,3% ao período, o investimento B é
preferível a A, apresentando maior riqueza líquida. A partir de 21,3%, no entanto, o investimento A
passa a ser o mais atraente.

Em termos gráficos, tem-se o seguinte comportamento dos investimentos A e B:

Como a taxa mínima de atratividade para os investimentos é de 20% ao período, a alternativa B é a


que promove, para esta taxa de desconto, o maior valor presente líquido, sendo, portanto, a melhor
opção econômica de investimento.

Na situação descrita de conflito decisorial em projetos com disparidade de tamanho, o método do


NPV é aceito como o que produz as melhores recomendações. A aplicação do IRR identifica algumas
dificuldades em relação à seleção das alternativas, pois o método não leva em conta a escala do
investimento.

NPV e IL Aplicados em Investimentos Mutuamente Excludentes

Foi observado anteriormente que o índice de lucratividade produz as mesmas conclusões do método
do NPV.

Na análise de investimentos independentes, o uso do IL é simples. Aceita-se todo projeto que


apresenta índice superior a 1,0, o que indica um NPV maior que zero.

Em alternativas mutuamente excludentes, no entanto, a escolha do investimento com maior índice de


lucratividade pode não refletir a melhor decisão. As razões são as mesmas apontadas anteriormente
para o método da IRR: disparidade de tamanho dos investimentos e diferenças com relação à
evolução dos fluxos de caixa ao longo do tempo.

Na ilustração desenvolvida anteriormente, observa-se que as indicações de seleção dos métodos não
são coincidentes. Pelo NPV escolhe-se o investimento B, e pelo IL a alternativa A é a selecionada.
Uma vez mais a falha é verificada no fato do método não levar em consideração a escala do
investimento, como é efetuado pelo NPV. Na análise incremental realizada, tem-se o seguinte índice:

AIL = $463.888,90 / $ 450.000,00 = 1,03

O índice de lucratividade incremental é superior a 1,0, indicando a atratividade do investimento.

A melhor decisão pode ser mais facilmente tomada selecionando-se a alternativa com maior valor
presente liquido. A análise incremental corrobora a recomendação do método do valor presente
líquido.

Por outro lado, em situações que envolvem investimentos com disparidade mas que produzem o
mesmo valor presente líquido, a orientação de superioridade do método do NPV pode ser
questionada.

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Para ilustrar esta situação, são apresentados a seguir os investimentos C e D, para os quais está
definida uma taxa mínima de atratividade de 20% ao período.

Pelo método do NPV os dois investimentos são atraentes e economicamente equivalentes, pois
produzem o mesmo resultado líquido no momento presente.

A comparação envolve dois investimentos com diferentes tamanhos (o investimento D exige um


desembolso de capital duas vezes maior que ) e que produzem o mesmo valor presente líquido.

Em condições de restrição de capital é necessário levar-se em conta a relação do valor presente


líquido com o volume de recursos demandado pelo investimento, de forma a apurar-se o retorno
oferecido por cada unidade de capital aplicado.

O índice de lucratividade considera este aspecto essencial à análise, oferendo outros indicativos para
a decisão. Para um mesmo NPV, obtém-se uma taxa de retorno maior na implementação do
investimento C (IL = 1,15) do que em D (IL = 1,07).

Projetos Sem Investimento Incremental

Em algumas situações de seleção de investimentos pode se deparar com alternativas apresentando


diferentes e conflitantes resultados econômicos, mas demandando o mesmo valor de desembolso
inicial. Nestes casos não há investimento incremental, conforme foi discutido ao se tratar de projetos
com disparidade de tamanho. A análise é efetuada sobre o comportamento dos fluxos de caixa ao
longo do tempo.

Considere ilustrativamente os investimentos E e F descritos a seguir. A taxa de atratividade é fixada


em 20% ao período.

Admitindo-se inicialmente que os investimentos sejam independentes, isto é, podem ser


implementados simultaneamente, a orientação dos resultados dos métodos de análise é pela
aceitação das duas propostas. Apresentam NPV positivo e a IRR dos investimentos supera a taxa
mínima de retorno requerida.

No entanto, ao se considerar os investimentos como mutuamente excludentes, surge uma


divergência técnica de orientação, O método do NPV seleciona o investimento F como o mais
atraente (maior riqueza absoluta), e o método da IRR indica E como a mais desejável (maior taxa
percentual de retorno).

Os investimentos apresentam algumas características que os diferenciam da situação anterior com


distintas escalas. Os dois projetos demandam o mesmo volume de desembolso inicial ($500.000,00),

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MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

mas apresentam nítidas diferenças no perfil de formação de seus benefícios de caixa ao longo do
tempo.

No projeto E, os fluxos de caixa comportam-se de maneira decrescente no tempo, e no projeto F, de


forma oposta, os fluxos de caixa são crescentes.

Essa dualidade de comportamento explica a natureza do conflito proporcionada pelo método de


análise no tocante à seleção da melhor alternativa de investimento. Os métodos quantitativos de
análise trazem implícito o pressuposto de reinvestimento dos fluxos de caixa pela taxa de desconto
utilizada (método do NPV) ou pela própria taxa de retorno calculada (método da IRR).

Nestas condições de reinvestimento automático, o método que apresentar fluxos de caixa


decrescentes (valores maiores no início) é levado a determinar a maior IRR. Em verdade, quanto
mais elevados se apresentarem os fluxos de caixa nos momentos iniciais do investimento, maior é a
IRR calculada, uma vez que se assume que os valores de caixa são reinvestidos a esta taxa de juros.

O mesmo não se verifica com o método do NPV. O método admite reinvestimento à taxa de desconto
utilizada, geralmente a IRR calculada. Fluxos de caixa mais elevados em períodos mais distantes
promovem maior valor presente quando descontados pela taxa mínima de atratividade do que
quando adotada a taxa interna de retorno.

Pela intercessão de Fisher, identificada pela taxa interna de retorno do investimento incremental (F -
E), chega-se à taxa de juros de indiferença de 26,3% ao período, ou seja:

Graficamente, tem-se a seguinte representação:

Até a taxa de investimento de 26,3% (ponto de indiferença), o projeto F é o mais desejável, apurando
maior valor presente liquido. A partir desta taxa até 43,9%, o investimento E passa a ser o mais
atraente.

Sendo de 20% ao período a taxa de atratividade para as propostas, o projeto ~, de maior NPV,
destaca-se como o mais desejável. No raciocínio da decisão, admite-se como mais provável o
reinvestimento dos fluxos de caixa à taxa de retorno requerida do que a IRR calculada. Observe que,
uma vez mais, a análise se concreta na taxa de reinvestimento dos fluxos de caixa.

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INVESTIMENTO EM COLIGADAS E CONTROLADAS

Investimento em Coligadas e Controladas

Conceitos importantes:

Coligada é uma entidade, incluindo aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma
parceria, sobre a qual o investidor tem influência significativa e que não se configura como controlada
ou participação em
empreendimento sob controle conjunto (joint venture).

Demonstrações consolidadas são demonstrações contábeis de um conjunto de entidades (grupo


econômico) apresentadas como se fossem as de uma única entidade econômica.

Controle conjunto é o compartilhamento do controle, contratualmente estabelecido, sobre uma


atividade econômica que existe somente quando as decisões estratégicas, financeiras e operacionais
relativas à atividade exigirem o consentimento unânime das partes que compartilham o controle (os
empreendedores).

Demonstrações separadas são aquelas apresentadas por uma controladora, um investidor em


coligada ou um empreendedor em uma entidade controlada em conjunto, nas quais os investimentos
são contabilizados com base no valor do interesse direto no patrimônio (direct equity interest) das
investidas, em vez de nos resultados divulgados e nos valores contábeis dos ativos líquidos das
investidas. Não se confundem com as demonstrações contábeis individuais. (Consultar
Pronunciamento Técnico CPC 35 – Demonstrações Separadas.)

Influência significativa é o poder de participar nas decisões financeiras e operacionais da investida,


sem controlar de forma individual ou conjunta essas políticas.

Controlada é a entidade, incluindo aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma
parceria, na qual a controladora, diretamente ou por meio de outras controladas, é titular de direitos
de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o
poder de eleger a maioria dos administradores.

Introdução:

De forma geral, de acordo com os CPC’s, as aplicações em participações no capital de outras


sociedades, como demonstrado na figura abaixo, devem ser contabilizados de acordo com a
essência do relacionamento entre investidor e investida:

• pouca ou nenhuma influência sobre a investida: não existe relação específica entre as empresas
ou o principal benefício que se espera do ativo é sua valorização, avaliação pelo valor justo (método
de custo) – CPC 38;

• influência significativa sobre a investida: trata-se de uma coligada do investidor, avaliação pelo
método de equivalência patrimonial – CPC 18;

• controle conjunto sobre a investida: trata-se de um empreendimento conjunto do investidor (joint


venture), sua avalição será pela consolidação proporcional – CPC 19;

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INVESTIMENTO EM COLIGADAS E CONTROLADAS

• controle sobre a investida: trata-se de uma controlada do investidor, sua avaliação é pela
consolidação – CPC 15, CPC 36.

Pelo disposto na Lei 6.404/76, nas demonstrações contábeis individuais do controlador, os


investimentos em coligadas, em controladas e em controladas em conjunto devem ser avaliados pelo
método de equivalência patrimonial.

Coligadas:

Aspectos legais:

A lei das S.A define:

Art. 243. (…)

§1º São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa.

§ 2º Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras


controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância
nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.

§ 3º A companhia aberta divulgará as informações adicionais, sobre coligadas e controladas, que


forem exigidas pela Comissão de Valores Mobiliários.

§ 4º Considera-se que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de


participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlá-la.

§ 5o É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou
mais do capital votante da investida, sem controlá-la.

Lei 6.404/76

Cabe notar que a lei, na definição de coligada, não especifica o tipo de sociedade, o tipo de título
patrimonial ou ainda a proporção da participação na investida, abrangendo todos os tipos de
sociedades, bem como não faz menção sobre participações indiretas, concluindo-se que as
empresas são coligadas somente por participações diretas.

Lembrar que, se o percentual da participação subir ao ponto de se obter controle, a investida deixe de
ser coligada e passa à condição de controlada; o mesmo ocorre se obtiver a condição de controlador
em conjunto.

Aspectos complementares:

O CPC 18 define:

é o poder de participar nas decisões financeiras e operacionais da investida, sem controlar de forma
individual ou conjunta essas políticas.

Se o investidor mantém direta ou indiretamente (por exemplo, por meio de controladas), vinte por
cento ou mais do poder de voto da investida, presume-se que ele tenha influência significativa, a
menos que possa ser claramente demonstrado o contrário. Por outro lado, se o investidor detém,
direta ou indiretamente (por meio de controladas, por exemplo), menos de vinte por cento do poder
de voto da investida, presume-se que ele não tenha influência significativa, a menos que essa
influência possa ser claramente demonstrada.

item 6

A existência de influência significativa por investidor geralmente é evidenciada por um ou mais das
seguintes formas:
(a) representação no conselho de administração ou na diretoria da investida;
(b) participação nos processos de elaboração de políticas, inclusive em decisões sobre dividendos
e outras distribuições;
(c) operações materiais entre o investidor e a investida;

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INVESTIMENTO EM COLIGADAS E CONTROLADAS

(d) intercâmbio de diretores ou gerentes; ou


(e) fornecimento de informação técnica essencial.

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GESTÃO DE PROJETOS

Gestão de Projeto
O que é e para que Serve?

Um bom gerenciamento de projetos é vital para o sucesso de qualquer empreendimento. Afinal,


mesmo as melhores ideias, e mesmo sendo elas orquestradas pelos mais capacitados profissionais,
podem fracassar caso não haja um gerenciamento de projeto realizado de maneira minuciosa e
articulada. E para que isso não ocorra, é necessário que se implemente uma metodologia de gestão
que abarque todos os setores da empresa e, assim, possibilite uma manutenção e fluidez em todos
os níveis operacionais da organização.

Já falamos bastante aqui no blog sobre a importância de um gestor de projetos e as melhores


práticas nesse tipo de administração. Oferecemos dicas e orientamos sobre as mais diversas
maneiras de extrair o melhor desempenho de sua equipe. O objetivo de todo esse esforço é fazer
com que você consiga, com esse conhecimento, levar os melhores resultados a seus clientes.

No entanto, é comum ainda nos depararmos com dúvidas sobre o que é gestão de projeto e para que
ela serve. No artigo de hoje responderemos, com detalhes, a essas dúvidas. Você certamente já
ouviu falar sobre controle, gerenciamento e administração de projetos e outros termos afins, mas será
que sabe a que efetivamente se referem essas nomenclaturas? Vamos entender.

Afinal, o que é e para que Serve um Projeto?

O bom e velho dicionário nos traz as seguintes definições para esse termo:

1. Plano, intento, desígnio;

2. Empresa, empreendimento;

3. Redação provisória de lei;

4. Plano geral de edificação na Arquitetura.

Esclareceu? Não muito, não é mesmo? De fato, esse é um termo bastante amplo e pode ser aplicado
em várias situações. Mas, no nosso caso, em ambientes corporativos, existe uma definição bem mais
específica e útil.

Para responder melhor a essa pergunta, consultamos a “Bíblia” do gerenciamento de projetos,


o Project Management Body of Knowledge (PMBOK), que é um guia elaborado pela instituição mais
renomada do mundo na área, o Project Management Institute (PMI). Neste manual, essa palavra está
definida da seguinte forma: “Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto,
serviço ou resultado único e exclusivo”. Pronto, agora encontramos o fio da meada!

Um projeto difere de uma operação por ser temporário, ou seja, possui começo, meio e fim —
diferentemente da operação, que é contínua. Assim, ele pode ser a concepção da construção de uma
casa, o desenvolvimento de um software, a criação de um móvel sob medida, a implantação de uma
nova linha de produção na fábrica, a escrita de um livro, a realização de uma viagem e por aí vai.

Resumidamente, as características de um projeto são:

• Tem prazo definido de começo e fim, ou seja, é temporário;

• Deve ser planejado, executado e controlado;

• Entrega produtos, serviços ou resultados exclusivos;

• É desenvolvido por etapas e tem evolução progressiva;

• Envolve uma equipe de profissionais;

• Possui recursos limitados.

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GESTÃO DE PROJETOS

E como é o Ciclo de Vida de um Projeto?

Conforme mencionado acima, o projeto é planejado, executado e controlado. Até aí tudo bem, mas
não é só isso! Existem também outras fases que compreendem o ciclo de vida de um projeto. Veja
quais são elas:

Iniciação

Nesta primeira fase, deve-se tomar ciência de todas as informações essenciais, ou seja, equipe e
gestor devem conhecer as restrições de qualidade, de tempo e de custo que afetam a realização do
projeto. Lembrando que, durante a iniciação, é importante não só saber como também registrar essas
premissas e limitações, combinado?

A preocupação deve recair, sobretudo, no entendimento macro, com o gestor buscando conhecer as
influências que interferem de um modo geral — e de modo aplicado — no sucesso do projeto. Um
bom exemplo de documento que se usa nesta fase é o termo de abertura.

Planejamento

Antes de se partir para o planejamento, deve haver consentimento da organização sobre os esforços
que serão empregados para a realização do projeto, concordando que gerarão bons resultados. Dada
a autorização, inicia-se o planejamento. Por isso, nesta fase há um nível de detalhamento muito
maior, ao contrário da visão geral que satisfaz a iniciação.

O objetivo aqui é estruturar um plano consistente que leve o programa ao sucesso. Os documentos
que contemplam essa fase são a Estrutura Analítica de Projeto (EAP), o cronograma da proposta, o
plano de gerenciamento de riscos, outro de comunicações, mais um de qualidade e assim por diante.

Execução

Durante a fase de execução, a atenção passa a estar voltada para o exercício do que foi planejado. O
intuito é, portanto, realizar as atividades da melhor forma possível, de acordo com o que foi estimado
no plano. É comum que, nesta fase, ocorram mudanças, como solicitações de alteração no escopo
(tanto do ponto de vista do cliente como da organização que realiza o projeto), mas se foi feito um
bom planejamento não há com o que se preocupar.

Guarde o seguinte: a palavra-chave da execução é qualidade! Por isso, o gerente de projetos precisar
se atentar não só para seguir os processos, mas para melhorar continuamente, atendendo aos
padrões acordados.

Monitoramento e Controle

O monitoramento e o controle ocorrem paralelamente à execução, constituindo-se na forma de


garantir que o que está sendo feito é compatível com o planejado. Nesse momento, ocorre a
validação dos avanços. Assim, dependendo do progresso de determinada atividade, um desvio
qualquer pode requerer uma intervenção, por exemplo.

No entanto, apesar de ocorrerem concomitantemente com a execução, o monitoramento e o controle


partem da premissa de que indicadores já foram determinados e que metas foram devidamente
estabelecidas na fase de planejamento. Ou seja, esta etapa lida apenas com a aferição do
desempenho e do progresso em contraste com o plano.

Encerramento

Engana-se quem pensa que o fato de o projeto estar concluído resulta na eliminação de esforços de
gerenciamento. Muito pelo contrário, na finalização surgem etapas que devem ser realizadas com o
objetivo de oficializar a conclusão da pauta e agregar informações relevantes para empreendimentos
futuros. Entre as atividades que encerram um projeto, podemos destacar a assinatura do termo de
aceite (documento que permite o encerramento da proposta, isentando a empresa de
responsabilidade futuras) e o registro das lições aprendidas (que nada mais é que a documentação
das experiências relevantes que contribuirão para futuros planejamentos similares).

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GESTÃO DE PROJETOS

Então, o que é Gestão de Projeto?

Agora que vimos o conceito e suas respectivas fases, fica mais fácil compreender o que é gestão de
projeto. Simplesmente, “é a aplicação de técnicas, conhecimento e habilidades para garantir que um
projeto tenha sucesso”. Gerenciá-lo, administrá-lo, coordená-lo ou geri-lo envolve todas as etapas
apresentadas, do início ao fim, com planejamento, execução e controle das atividades.

Não é à toa que cada vez mais empresas estão investindo nesse tipo de gerenciamento, seja
ministrando treinamentos aos colaboradores, incentivando sua participação em eventos sobre o tema,
patrocinando especializações na área ou mesmo contratando consultorias especializadas no assunto.

A gestão de projetos é uma realidade em economias desenvolvidas desde a década de 1990,


entretanto, somente nos últimos anos é que as empresas brasileiras despertaram para a necessidade
de planejamento e organização de suas pautas. Se não fosse assim, muitas delas provavelmente não
teriam sobrevivido à crescente competitividade do mercado. Realizar uma gestão eficiente dos
projetos, mais que um importante diferencial competitivo, significa tornar a empresa mais ágil, mais
dinâmica e pronta para entregar muito mais valor a seus clientes.

Sabemos que três conjuntos importantes de habilidades desse gerenciamento são necessários para
projetos bem-sucedidos, sendo elas:

• Habilidades técnicas de gerenciamento;

• Habilidades de liderança;

• Habilidades de gerenciamento estratégico e do negócio.

De fato, são eles que viabilizam o alcance dos objetivos das empresas. E como o ambiente de
negócios é altamente competitivo, as organizações que pretendem se destacar em meio à
concorrência devem criar, inovar, inventar e desenvolver. Esses esforços nada mais são que projetos!
Devem, portanto, contar com uma gestão adequada.

Como Implementar uma Metodologia de Gestão de Projetos?

Uma gestão de projetos de qualidade é um pilar básico para o sucesso global de um plano de ação e,
até mesmo, para o negócio como um todo. A metodologia influenciará, de maneira benéfica, todos os
níveis da organização, proporcionando resultados promissores. Porém, antes da implementação da
metodologia, é preciso preparar as equipes envolvidas no programa. Descubra como:

Conscientize e Familiarize todos com Mecanismos de Gerenciamento

Antes da implementação da metodologia de gestão de projetos, um aspecto que faz toda a diferença
é a familiaridade dos funcionários com atividades que exigem método. Por exemplo: a utilização de
cronogramas, softwares que monitoram o andamento — como prazos, verba, pessoas envolvidas,
atrasos, entre outros — de um projeto faz com que a utilização de novos mecanismos de
gerenciamento torne muito mais simples para todos.

Estabeleça padrões de conduta e de protocolos na condução de todas as atividades desenvolvidas


na empresa. Dessa maneira, além do ganho de produtividade, minimização de perdas, de retrabalhos
e de atrasos, você ainda poderá contar com colaboradores mais bem preparados.

Capacite seu Time

Mesmo após a fase de adaptação a um dia a dia mais “técnico” e com atividades que exigem
padrões, seu time ainda precisará se adaptar às particularidades da nova realidade para que não se
sintam desorientados em relação à metodologia de gestão e ao funcionamento dos métodos
adotados.

Com esse treinamento, seu time passará a compreender a importância do método no cotidiano da
empresa e, por isso, conseguirá se engajar muito mais, ainda ganhando mais qualidade do
desenvolvimento de tarefas.

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GESTÃO DE PROJETOS

Tenha Objetivos Claros e Precisos

Para que uma metodologia de gestão de projetos atinja todo seu potencial, é necessário que seus
objetivos e metas sejam claros desde o começo da sua implementação. Tais metas nortearão todas
as atividades e funcionarão como uma espécie de referência para os funcionários, o que previne
atrasos, falto de foco, desperdícios de recursos (humanos e financeiros), perda de produtividade,
entre outros.

Além disso, essa “transparência” no estabelecimento de metas afeta diretamente na continuidade da


motivação da equipe e torna o trabalho como um todo muito mais organizado e convidativo para os
envolvidos.

Descentralize o Trabalho

Gestores que tentam desenvolver todas as atividades sozinhos ou, pelo menos, impedir que outros
membros de equipe tenham autonomia na tomada de decisões acabam atrasando o andamento dos
processos e diminuindo a produtividade. Apenas para deixar claro, é importante sim que o gestor
avalie e monitore todos os processos, porém, não é indicado que tente concentrar todos os poderes e
decisões em suas próprias mãos.

Delegar tarefas permite um rendimento muito maior e ainda alimenta o espírito de equipe, pois acaba
funcionando como um reconhecimento da capacidade da equipe de tocar o projeto e decidir temas
importantes. Acredite, seu time se sentirá muito mais motivado e inspirado se perceber que é
valorizado e possui credibilidade o bastante para que decisões importantes os envolvam diretamente.

Escolha Softwares de Gestão de Projetos de Qualidade

Por fim, e provavelmente um dos aspectos mais importantes, lembre-se de estudar bastante suas
necessidades, metas e as opções oferecidas no mercado antes de fazer sua opção de software de
gestão de projetos.

É indispensável que as plataformas e aplicativos que farão parte do dia a dia de trabalho na sua
empresa sejam ferramentas que realmente facilitem o desenvolvimento de atividades e o ajudem a
conquistar mais agilidade e eficiência operacional e organizacional — aprimorando os resultados
globais de toda a empresa.

Alguns recursos devem ser priorizados no momento da sua escolha de software — e geralmente só
são encontrados nas versões de maior destaque no mercado. Alguns deles são:

• Indicadores de qualidade e de produtividade;

• Gerenciamento de riscos;

• Gestão de custos e despesas;

• Monitoração e apontamento de horas;

• Alocação de equipes;

• Cronogramas operacionais;

• Agendas globais e específicas;

• Antecipação de problemas e crises;

• Avaliação de resultados, como é o caso do ROI.

Além de todos esses recursos, é fundamental que seu software possua uma interface inteligente e de
simples manuseio, permitindo, então, maior e melhor estruturação dos seus projetos. Muitos gestores
acabam perdurando com tecnologias que não cumprem o esperado e não as trocam por receio de
perda de produtividade no período de adaptação a uma nova — o que, obviamente, é um erro. Saiba

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GESTÃO DE PROJETOS

que existem sim opções altamente promissoras e referenciadas quando o assunto é business
intelligence. Você não vai querer ficar para trás, não é verdade?

Uma boa gestão de projetos vai muito além de equipes preparadas ou objetivos bem estabelecidos. É
preciso inteligência na escolha das ferramentas que serão utilizadas para o desenvolvimento das
atividades e, principalmente, uma avaliação, junto a essas tecnologias, de todos os resultados
apresentados em cada fase da execução para, assim, haver uma integração e potencialização de
esforços. Desse modo, sua equipe conquistará muito mais competência estratégica para a projeção
da empresa no competitivo mercado.

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Estatística e Probabilidade

Probabilidade

Probabilidade é um ramo da Matemática em que as chances de ocorrência de experimentos são


calculadas. É por meio de uma probabilidade, por exemplo, que podemos saber desde a chance de
obter cara ou coroa no lançamento de uma moeda até a chance de erro em pesquisas.

Para compreender esse ramo, é extremamente importante conhecer suas definições mais básicas,
como a fórmula para o cálculo de probabilidades em espaços amostrais equiprováveis, probabilidade
da união de dois eventos, probabilidade do evento complementar etc.

Experimento Aleatório

É qualquer experiência cujo resultado não seja conhecido. Por exemplo: ao jogar uma moeda e
observar a face superior, é impossível saber qual das faces da moeda ficará voltada para cima,
exceto no caso em que a moeda seja viciada (modificada para ter um resultado mais
frequentemente).

Suponha que uma sacola de supermercado contenha maçãs verdes e vermelhas. Retirar uma maçã
de dentro da sacola sem olhar também é um experimento aleatório.

Ponto amostral

Um ponto amostral é qualquer resultado possível em um experimento aleatório. Por exemplo: no


lançamento de um dado, o resultado (o número que aparece na face superior) pode ser 1, 2, 3, 4, 5
ou 6. Então, cada um desses números é um ponto amostral desse experimento.

Espaço amostral

O espaço amostral é o conjunto formado por todos os pontos amostrais de um experimento aleatório,
ou seja, por todos os seus resultados possíveis. Dessa maneira, o resultado de um experimento
aleatório, mesmo que não seja previsível, sempre pode ser encontrado dentro do espaço amostral
referente a ele.

Como os espaços amostrais são conjuntos de resultados possíveis, utilizamos as representações de


conjuntos para esses espaços. Por exemplo: O espaço amostral referente
ao experimento“lançamento de um dado” é o conjunto Ω, tal que:

Ω = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

Esse conjunto também pode ser representado pelo diagrama de Venn ou, dependendo do
experimento, por alguma lei de formação.

O número de elementos dos espaços amostrais é representado por n(Ω). No caso do exemplo
anterior, n(Ω) = 6. Lembre-se de que os elementos de um espaço amostral são pontos amostrais, ou
seja, resultados possíveis de um experimento aleatório.

Evento

Os eventos são subconjuntos de um espaço amostral. Um evento pode conter desde zero a todos os
resultados possíveis de um experimento aleatório, ou seja, o evento pode ser um conjunto vazio ou o
próprio espaço amostral. No primeiro caso, ele é chamado de evento impossível. No segundo, é
chamado de evento certo.

Ainda no experimento aleatório do lançamento de um dado, observe os seguintes eventos:

A = Obter um número par:

A = {2, 4, 6} e n(A) = 3

B = Sair um número primo:

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

B = {2, 3, 5} e n(B) = 3

C = Sair um número maior ou igual a 5:

C = {5, 6} e n(C)= 2

D = Sair um número natural:

D = {1, 2, 3, 4, 5, 6} e n(D) = 6

Espaços Equiprováveis

Um espaço amostral é chamado equiprovável quando todos os pontos amostrais dentro dele têm a
mesma chance de ocorrer. É o caso de lançamentos de dados ou de moedas não viciados, escolha
de bolas numeradas de tamanho e peso idênticos etc.

Um exemplo de espaço amostral que pode ser considerado não equiprovável é o formado pelo
seguinte experimento: escolher entre tomar sorvete ou fazer caminhada.

Cálculo de probabilidades

As probabilidades são calculadas dividindo-se o número de resultados favoráveis pelo número de


resultados possíveis, ou seja:

P = n(E)
n(Ω)

Nesse caso, E é um evento que se quer conhecer a probabilidade, e Ω é o espaço amostral que o
contém.

Por exemplo, no lançamento de um dado, qual a probabilidade de sair o número um?

Nesse exemplo, sair o número um é o evento E. Assim, n(E) = 1. O espaço amostral desse
experimento contém seis elementos: 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Logo, n(Ω) = 6. Desse modo:

P = n(E)
n(Ω)

P=1
6

P = 0,1666…

P = 16,6%

Outro exemplo: qual a probabilidade de obtermos um número par no lançamento de um dado?

Os números pares possíveis em um dado são 2, 4 e 6. Logo, n(E) = 3.

P = n(E)
n(Ω)

P=3
6

P = 0,5

P = 50%

Observe que as probabilidades sempre resultarão em um número dentro do intervalo 0 ≤ x ≤ 1. Isso


acontece porque E é um subconjunto de Ω. Dessa maneira, E pode conter desde zero até, no
máximo, o mesmo número de elementos que Ω.

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Probabilidade Condicional

Probabilidade condicional refere-se à probabilidade de um evento ocorrer com base em um evento


anterior. Evidentemente, esses dois eventos precisam ser conjuntos não vazios pertencentes a
um espaço amostral finito.

Em um lançamento simultâneo de dois dados, por exemplo, obtêm-se números em suas faces
superiores. Qual é a probabilidade de que a soma desses números seja 8, desde que ambos os
resultados sejam ímpares?

Veja que a probabilidade de a soma desses números ser 8 está condicionada a resultados ímpares
nos dois dados. Logo, lançamentos que apresentam um ou dois números pares na face superior
podem ser descartados e, por isso, há uma redução no espaço amostral.

O novo espaço amostral é composto pelos pares:

{1,1}; {1,3}; {1,5}; {3,1}; {3,3}; {3,5}; {5,1}; {5,3} e {5,5}

Desses, apenas {3,5} e {5,3} possuem soma 8. Logo, a probabilidade de que se obtenha soma 8 no
lançamento de dois dados, dado que os resultados obtidos são ambos ímpares, é de:

2
9

Fórmula da Probabilidade Condicional

Seja K um espaço amostral que contém os eventos A e B não vazios.


A probabilidade de A acontecer, dado que B já aconteceu, é representada por P(A|B) e é calculada
pela seguinte expressão:

P(A|B) = P(A∩B)
P(B)

Caso seja necessário calcular a probabilidade da intersecção entre dois eventos, pode-se utilizar a
seguinte expressão:

P(A∩B) = P(A|B)·P(B)

Exemplos

Calcule a probabilidade de obter soma 8 no lançamento de dois dados em que o resultado do


lançamento foi dois números ímpares.

Solução:

Seja A = Obter soma 8 e B = Obter dois números ímpares.

P(A∩B) é a probabilidade de se obter apenas números ímpares que somam 8 no lançamento de dois
dados. As únicas combinações das 36 possíveis são:

{3,5} e {5,3}

Portanto,

P(A∩B) = 2
36

Já P(B) é a probabilidade de obter somente números ímpares no lançamento de dois dados. As


únicas combinações dentro das 36 possíveis são:

{1,1}; {1,3}; {1,5}; {3,1}; {3,3}; {3,5}; {5,1}; {5,3} e {5,5}

Logo,

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

P(B) = 9
36

Utilizando a fórmula para probabilidade condicional, teremos:

P(A|B) = P(A∩B)
P(B)

2
P(A|B) = 36
9
36

P(A|B) = 2 · 36
36 9

P(A|B) = 2
9

Qual é a probabilidade de extrair uma carta de um baralho comum de 52 cartas e obter um Ás,
sabendo que ela é uma carta de copas?

Solução:

A = Obter um Ás

B = Obter uma carta de copas

Como só existe um ás de copas no baralho,

P(A∩B) = 1
52

A probabilidade de se obter uma carta de copas é:

P(B) = 13
52

Então, a probabilidade de se obter um às de copas é:

P(A|B) = P(A∩B)
P(B)

1
P(A|B) = 52
13
52

P(A|B) = 1 · 52
52 13

P(A|B) = 1
13

Probabilidade da Intersecção de Dois Eventos

A probabilidade da intersecção de dois eventos ou probabilidade de eventos sucessivos determina a


chance, a possibilidade, de dois eventos ocorrerem simultânea ou sucessivamente. Para o cálculo
desse tipo de probabilidade devemos interpretar muito bem os problemas, lendo com atenção e
fazendo o uso da seguinte fórmula:

Sejam A e B dois eventos de um espaço amostral S. A probabilidade de A ∩ B é dada por:

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Onde
p(A∩B) → é a probabilidade da ocorrência simultânea de A e B
p(A) → é a probabilidade de ocorrer o evento A
p(B│A) → é a probabilidade de ocorrer o evento B sabendo da ocorrência de A (probabilidade
condicional)

Se os eventos A e B forem independentes (ou seja, se a ocorrência de um não interferir na


probabilidade de ocorrer outro), a fórmula para o cálculo da probabilidade da intersecção será dada
por:

Vejamos alguns exemplos de aplicação.

Exemplo 1. Em dois lançamentos sucessivos de um mesmo dado, qual a probabilidade de sair um


número ímpar e o número 4?

Solução: O que determina a utilização da fórmula da intersecção para resolução desse problema é a
palavra “e” na frase “a probabilidade de sair um número ímpar e o número 4”. Lembre-se que na
matemática “e” representa intersecção, enquanto “ou” representa união.

Note que a ocorrência de um dos eventos não interfere na ocorrência do outro. Temos, então, dois
eventos independentes. Vamos identificar cada um dos eventos.

Evento A: sair um número ímpar = {1, 3, 5}


Evento B: sair o número 4 = {4}
Espaço Amostral: S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

Temos que:

Assim, teremos:

Exemplo 2. Numa urna há 20 bolinhas numeradas de 1 a 20. Retiram-se duas bolinhas dessa urna,
uma após a outra, sem reposição. Qual a probabilidade de ter saído um número par e um múltiplo de
5?

Solução: Primeiro passo é identificar os eventos e o espaço amostral.

Evento A: sair um número par = {2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20}
Evento B: sair um múltiplo de 5 = {5, 10, 15, 20}
Espaço amostral: S = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20}

Como as duas bolinhas foram retiradas uma após a outra e não houve reposição, ou seja, não foram
devolvidas à urna, a ocorrência do evento A interfere na ocorrência do B, pois haverá na urna
somente 19 bolinhas após a retirada da primeira.

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Assim, temos que:

Após a retirada da primeira bola, ficamos com 19 bolinhas na urna. Logo, teremos:

União de Dois Eventos

Para entendermos como agir em situações que envolvem probabilidade na união de dois eventos,
precisamos falar sobre espaço amostral e eventos.
Espaço amostral: consiste em todos os resultados provenientes de um determinado experimento
aleatório.
Evento: está relacionado ao espaço amostral, pois consiste no subconjunto do espaço amostral.

Situação no lançamento de um dado


Lançamento de um dado:
Espaço amostral: (1, 2, 3, 4, 5, 6)
Eventos: (1), (2), (3), (4), (5), (6)

Podemos ter no lançamento de um dado a probabilidade envolvendo a união de dois eventos, antes
vamos definir algumas situações da ocorrência da união de dois eventos.

Condições:
Para que ocorra a união de dois eventos devemos ter o mesmo espaço amostral. Vamos considerar
duas situações possíveis da união de A com B (A U B).

A∩B=Ø

Se a intersecção entre os conjuntos A e B formam um conjunto vazio, isto é, os conjuntos não


possuem termos em comum, podemos definir que A U B = A+B, considerando que o espaço amostral
seja diferente de zero chegamos à seguinte conclusão:

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

p(A U B) = p(A) + p(B)

A∩B≠Ø

Se a intersecção entre os conjuntos A e B formam um conjunto não vazio, indica que eles possuem
elementos em comum, dessa forma a probabilidade da união desses dois eventos pode ser definida
da seguinte forma A U B = A+B – (A ∩ B), então:

p(A U B) = p(A) + p(B) – p(A ∩ B)

Exemplo

No lançamento de um dado, qual a probabilidade de o número obtido ser múltiplo de 2 ou de 3?

Múltiplos de 2: A = {2, 4, 6}
Múltiplos de 3: B = {3, 6}

Podemos notar que A∩B≠Ø, então: p(A U B) = p(A) + p(B) – p(A ∩ B)


p(A) = 3/6
p(B) = 2/6
p(A) ∩ p(B) = 1/6

Espaço Amostral e Evento

Espaço amostral: para cada experimento aleatório E, define-se espaço amostral S o conjunto de
todos os possíveis resultados desse experimento.

Exemplos:
Jogar um dado e observar o número da face de cima.
Então; S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

Jogar duas moedas e observar o resultado.


Então: S = {(cara, cara), (cara, coroa),(coroa, cara),(coroa, coroa)}

Observe que o conjunto S pode ser finito ou infinito.

Evento: é um conjunto de resultados do experimento, em termos de conjuntos, é um subconjunto S.


em particular, S e Φ (conjunto vazio) são eventos. S é dito o evento certo e Φ o evento impossível.

Se usarmos as operações com conjuntos, podemos formar novos eventos:

a) A ∩ B → evento que ocorre se A e B ocorrem;


b) A ∪ B → evento que ocorre se A ou B ocorrem;
c) Ā → é o evento que ocorre se A não ocorre.

Exemplo: Considere o experimento: jogar duas moedas e observar os resultados:


S = {(c, c), (c, k), (k, c), (k, k)}

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Evento A: ocorrer faces iguais.


Logo A = {(c, c), (k, k)}

Eventos Mutuamente Exclusivos

Eventos mutuamente exclusivos são aqueles que não podem ocorrer simultaneamente. Portanto dois
eventos A e B são mutuamente exclusivos se AB = Φ

Exemplo: Considere o experimento: jogar um dado e observar o resultado.

S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

Sejam os eventos:
A = ocorrer número par e B = ocorrer números impar.
Logo: A = {2, 4, 6}, B = {1, 3, 5}

A e B são considerados mutuamente exclusivos pois A ∩ B = Φ

Medidas de Tendência Central

Média Aritmética

A média aritmética é utilizada no intuito de expressar, por meio de um único valor, a ideia principal de
um grupo de valores. Ela é calculada através do somatório dos elementos divido pelo número de
elementos.
Exemplo

Durante as quatro semanas de um mês, uma pessoa gastou com combustível os seguintes valores:
R$ 42,00, R$ 50,00, R$ 48,50, R$ 58,00 respectivamente. Qual o valor médio semanal.

42 + 50 + 48,5 + 58 / 4 = 198,5 / 4 = 49,62

Essa pessoa gastou em média R$ 49,62 por semana.

Moda

A moda serve para identificar e expressar a medida mais frequente presente em um determinado
grupo de valores.

Exemplo

A temperatura média, registrada de hora em hora, da 6h às 12h em uma cidade foram as seguintes:
14 ºC, 18 ºC, 18 ºC, 19 ºC, 22 ºC, 24 ºC, 26 ºC.

Podemos notar que a temperatura de 18 ºC se repetiu duas vezes. Dessa forma, dizemos que a
média das temperaturas obtidas é 18 ºC.

Mediana

A mediana é caracterizada pelo termo do meio em uma sequência crescente de valores. Para
estabelecer a mediana precisamos levar em conta o número par ou ímpar de elementos. Caso o
número de elementos seja par, devemos somar os dois elementos centrais e realizar a divisão por
dois, obtendo o valor da mediana. Nas situações em que o número de elementos é ímpar, basta
escolher o elemento central.

Exemplos

Número de elementos é Par

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Observe a altura, em centímetros, de oito crianças: 119, 120, 121, 121, 123, 124, 124, 128.

Termo central: 121 + 123 / 2 = 122 cm

Número de elementos é Ímpar

Os 17 alunos do 8º ano de uma escola obtiveram as seguintes notas: 71, 40, 86, 55, 63, 70, 44, 90,
37, 68, 53, 55, 57, 60, 82, 91, 62.

Medidas de Dispersão

Considere o exemplo de duas linha de produção de uma peça. A medida média do comprimento da
peça é de 75cm e ambas as linhas estão produzindo peças com médias próximas desse valor.
Podemos considerar que as peças produzidas por ambas as linhas são adequadas?

É claro que as peças produzidas pela primeira linha de produção são melhores que a segunda. Isso
ocorre porque a dispersão dos elementos em torno da média é menor, ou seja, os elementos estão
mais concentrados em torno da média na primeira linha de produção.

Como queremos avaliar a dispersão dos dados em torno da média, esse valor estará relacionado
com a distância dos dados em relação à média. Essa distância será chamada de desvio, .

No exemplo da imagem acima, temos

O qual nos levaria à conclusão errada de que não existe variação entre os dados. Desta forma,
precisamos de alguns medidas estatísticas para poder estudar a dispersão dos dados de forma
correta.

Dispersão é sinônimo de variação ou variabilidade. Para medir a dispersão, duas medidas são
usadas mais frequentemente: a amplitude e o desvio padrão.

Amplitude

A amplitude é definida como sendo a diferença entre o maior e o menor valor do conjunto de dados.
Denotaremos a amplitude por R. Portanto, consideremos o conjunto de dados ordenado

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

A amplitude R dos dados é dada por:

Exemplo 2.2.1:

Considere o Exemplo 2.1.3. Qual a amplitude deste conjunto de dados?

Como o valor máximo do conjunto é 72 e o valor mínimo é 60, temos que a amplitude é:

R = 72 - 60 = 12.

Utilizando o Action, temos o seguinte resultado

Informação Valor

Amplitude 12

Para definirmos desvio padrão é necessário definir variância. A notação mais comumente usada é:

s2 - variância amostral.

σ2 - variância populacional.

s - desvio padrão amostral.

σ - desvio padrão populacional.

Variância populacional

A variância de uma população {x1,...,xN} de N elementos é a medida de dispersão definida como a


média do quadrado dos desvios dos elementos em relação à média populacional μ. Ou seja, a
variância populacional é dada por:

Variância amostral

A variância de uma amostra {x1,...,xn} de n elementos é definida como a soma ao quadrado dos
desvios dos elementos em relação à sua média dividido por (n-1). Ou seja, a variância amostral é
dada por:

Ao utilizarmos a média amostral como estimador de m para calcularmos a variância amostral,


perdemos 1 grau de liberdade em relação à variância populacional.

Desvio Padrão Populacional

O desvio padrão populacional de um conjunto de dados é igual à raiz quadrada da variância


populacional. Desta forma, o desvio padrão populacional é dado por:

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Desvio Padrão Amostral

O desvio padrão amostral de um conjunto de dados é igual à raiz quadrada da variância amostral.
Desta forma, o desvio padrão amostral é dado por:

Exemplo 2.2.2:

Considere novamente os dados do Exemplo 2.1.3. Calcule o desvio padrão dos dados.

Para calcularmos o desvio padrão devemos primeiramente calcular a média , isto é:

Agora vamos subtrair de cada valor, elevar os resultados ao quadrado e somá-los. Então dividimos
o total dos quadrados pelo número de valores menos 1, ou seja, por (n-1) e extraímos a raiz
quadrada:

65-67,875 = -2,875 (-2,875)2 = 8,265625

72-67,875 = 4,125 (4,125)2 = 17,015625

70-67,875 = 2,125 (2,125)2 = 4,515625

72-67,875 = 4,125 (4,125)2 = 17,015625

60-67,875 = -7,875 (-7,875)2 = 62,015625

67-67,875 = -0,875 (-0,875)2 = 0,765625

69-67,875 = 1,125 (1,125)2 = 1,265625

68-67,875 = 0,125 (0,125)2 = 0,015625

Total = 110,875

Portanto, o desvio padrão é 3,97986.

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Utilizando o Action, temos o seguinte resultado

Informação Valor

Desvio-padrão 3,97986

Exemplo 2.2.3:

Consideremos o Exemplo 2.1.5, em que foram contabilizados o número de pessoas atendidas pela
ortopedia durante os 30 dias de um mês. Os valores observados estão apresentados na tabela a
seguir.

Número de pessoas atendidas pela ortopedia

119 118 125 115 107

128 133 133 121 101

118 143 126 117 141

109 135 115 115 119

131 116 115 124 134

140 129 129 115 119

Vimos que

Calculando a variância, temos:

O desvio padrão é dado por

Observamos que o desvio-padrão representa pouco menos de 10% do valor da média.

O cálculo da amplitude é dado por

Portanto, o tamanho do intervalo em que os dados estão inseridos é de 42.

Tipos de Gráficos

Os gráficos constituem uma forma clara e objetiva de apresentar dados estatísticos. A intenção é a de
proporcionar aos leitores em geral a compreensão e a veracidade dos fatos. De acordo com a

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

característica da informação precisamos escolher o gráfico correto. Os mais usuais são: gráfico de
segmentos, gráfico de barras e gráfico de setores.

Gráfico de Segmento ou Gráfico de Linhas

Objetivos: simplicidade, clareza e veracidade.

Uma locadora de filmes em DVD registrou o número de locações no 1º semestre do ano de 2008. Os
dados foram expressos em um gráfico de segmentos.

Gráfico de Barras horizontal e vertical

Objetivo: representar os dados através de retângulos, com o intuito de analisar as projeções no


período determinado.

O exemplo abaixo mostra o consumo de energia elétrica no decorrer do ano de 2005 de uma família.

Gráfico de Setores

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ESTATÍSTICA E PROBABILIDADE

Objetivos: expressar as informações em uma circunferência fracionada. É um gráfico muito usado na


demonstração de dados percentuais.

O gráfico a seguir mostrará a preferência dos clientes de uma locadora quanto ao gênero dos filmes
locados durante a semana.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Produção e Crescimento Econômico

Produtividade e Desenvolvimento

"A construção de nações modernas depende do desenvolvimento de seu povo e da organização de


toda atividade humana. Capital, recursos naturais, auxílio exterior e comércio internacional, sem
dúvida alguma desempenham papéis relevantes no crescimento econômico, porém nenhum é mais
importante que o potencial humano." - HARBISON - MYERS

A palavra "produtividade" está sendo utilizada com bastante liberalidade, nos mais diversos setores e
planos da vida econômica e social, o que não deixa de causar confusão e ambiguidade quanto ao
seu significado exato e à aplicabilidade conveniente do conceito. Uma das causas mais frequentes
dessa situação é a indefinição do quadro de referências exato para a medição do aumento da
produtividade, ora falando-se da produtividade de uma empresa, indústria ou da economia global.

É objetivo deste trabalho analisar e discutir o conceito de "produtividade", verificar sua aplicabilidade
em escala micro e macroeconômica, analisar a relação entre o aumento da produtividade e o
desenvolvimento econômico e, finalmente, ressaltar os fatores que determinem seu nível e seu
aumento.

Definição

Considera-se a produtividade uma medida que avalia a eficiência e a racionalidade das atividades
econômicas. Na prática, esta medida é definida como a relação entre o insumo (input) e a produção
(output), no nível da empresa, da indústria ou da economia global. Elevar o nível da produtividade, de
um ponto de vista estático, significaria aumentar a produção (output) com a mesma combinação dos
fatores de produção (input), ou ainda, manter o nível de produção, realizando economias no insumo
dos fatores. O próprio processo de medição é importante para determinar e averiguar o desempenho
da empresa ou da economia, bem como para avaliar a exequibilidade dos planos e metas do
desenvolvimento econômico.

Na prática e em escala macroeconômica, todavia, é quase impossível computar e comparar


quantitativamente a produção total, em relação à soma dos fatores do insumo da economia nacional.

Ao nível da empresa, entretanto, pode-se medir, geralmente, a produção por homens/hora de


trabalho, ou calcular uma série de índices de lucratividade, que permitem, inclusive, uma comparação
do nível de produtividade entre empresas.

Para o planejamento global, ou seja, para um programa de aumento da produtividade nacional, torna-
se necessária uma definição e compreensão mais amplas da natureza do conceito da produtividade
e, sobretudo, o conhecimento dos fatores que a afetam e determinam.

Na conjuntura econômica e social atual, caracterizada pelos esforços tremendos das nações
subdesenvolvidas em aumentar seu potencial econômico, criando novas riquezas e assegurando,
assim, um nível de vida mais decente a suas populações, a produtividade se constitui em instrumento
predileto na política desenvolvimentista, independentemente do regime político ou da elite dominante
que a dirige.

Industrialização, desenvolvimento econômico e elevação do nível de vida da população são, via de


regra, estreitamente associados e afetados pela produtividade do sistema econômico global e a dos
seus diferentes setores.

Entende-se por desenvolvimento econômico um aumento contínuo na produção de bens e serviços,


em determinada unidade de tempo, que seja maior do que o crescimento demográfico da nação, no
mesmo período. Assim, é ressaltada a relação entre a produção global e a população, afirmando-se a
existência do desenvolvimento quando o volume total dos bens e serviços aumentar mais
rapidamente do que a população.

Embora condição necessária, o aumento dos bens e serviços produzidos durante determinado
período de tempo não é suficiente para caracterizar o processo de desenvolvimento: a distribuição e
aplicação da parcela adicional do Produto Nacional, sob forma de consumo ou de poupança,
investimento e formação de capital, indicará se realmente o processo é cumulativo e contínuo. A

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

história econômica está repleta de exemplos, em que as riquezas produzidas num determinado país
não são reconduzidas ao processo de produção sob forma de novos capitais e empreendimentos, e
sim entesouradas e depositadas no exterior, sem benefício algum para sua população.

Convém, portanto, adotar certa cautela diante do seguinte esquema hipotético, geralmente
apresentado: em condições "normais", o aumento da produtividade de uma indústria ou empresa,
leva a custos de produção mais baixos. Em decorrência, os preços dos produtos tendem a baixar,
enquanto ao mesmo tempo, ocorre uma elevação dos salários e lucros que, por sua vez, permite
poupança e formação de capital mais intensas. O poder aquisitivo mais alto, devido à elevação
salarial, exige e condiciona a expansão da produção, criando novos empregos e, assim, se inicia um
ciclo desenvolvimentista, em espiral ascendente, que encontra seus limites apenas na escassez dos
fatores de produção.

Não discutiremos aqui as condições "normais" do mercado. A característica fundamental dos países
em via de desenvolvimento, é exatamente a ausência de condições "normais" de mercado ou, em
outras palavras, não existe um mercado nacional integrado.

Basta lembrar, todavia, que um sistema de distribuição errado ou inadequado dos benefícios
decorrentes da elevação da produtividade pode não somente anular seu efeito propulsor para o
desenvolvimento, mas também levar ao desemprego, à maior desigualdade e, em seguida, a graves
conflitos sociais.

Neste contexto, a simples medida estática da relação produção/insumo é insuficiente, inadequada e,


às vezes, até enganadora. Quando ela é apresentada isoladamente e separada da produtividade
"global" do sistema econômico, que inclui todos os fatores e fases da atividade humana, pode resultar
em índice positivo, mesmo numa atividade estéril do ponto de vista de desenvolvimento da nação. A
produção de determinado artigo ou artefato, por exemplo, em empresas protegidas por tarifas
alfandegárias ou por favores cambiais, apesar de apresentar um índice produção/insumo favorável,
pode significar um elevado "custo social", ou seja, os consumidores pagarão pela "produtividade" das
empresas mencionadas.

Isto levanta, sem dúvida, uma série de problemas e indagações de cunho social e ético, que muitos
economistas consideram fora de sua área e competência. Entretanto, nas condições atuais e diante
do vulto e da complexidade dos problemas dos países em desenvolvimento, um empreendimento
econômico e sua contribuição à elevação da produtividade da nação não podem ser avaliados
somente em termos monetários ou sob o ângulo da relação produção/insumo. Primeiro, porque de
um ponto de vista dinâmico, o fluxo futuro dos insumos (fatores de produção e sua combinação) não
pode ser considerado como dado e imutável. O próprio processo de desenvolvimento, através da
mobilização das energias criadoras e da orientação das aspirações da população, significa mudanças
nas quantidades, composição e qualidade dos insumos e, assim, mudança na relação
produção/insumo, condição SINE que non do desenvolvimento. Em segundo lugar, e referente ao
problema ético ou do "custo social" de um determinado empreendimento econômico, não é mais lícito
excluir ou separar rigidamente esta consideração das preocupações "puramente" econômicas. A
maior parte das teorias e esquemas elaborados em matéria de economia nas últimas décadas, têm
como objetivo e valor supremo o bem-estar geral, a elevação do nível de vida material, educacional e
cultural das populações nas áreas subdesenvolvidas do mundo.

Neste quadro de referências, o conceito de "produtividade" se torna essencialmente dinâmico e


desenvolvimentista, porque implica na criação de valores novos e adicionais, que aumentam os
recursos globais da nação e, assim, contribuem para o bem-estar da população, enquanto a medida
do "custo social" pelo qual os novos empreendimentos têm sido criados é fundamental, devido à
escassez generalizada dos recursos produtivos preciosos (capital e mão-de-obra qualificada) nos
países subdesenvolvidos.

Essas considerações nos levam à conclusão de que o índice de produtividade ou seu crescimento
não pode ser medido apenas em termos de lucratividade; os sacrifícios e esforços necessários para
obter as melhorias desejadas, geralmente de difícil computação, devem ser apresentados e
introduzidos na equação. Em outras palavras, é mister indagar, se as decisões "técnicas", visando ao
aumento da produtividade e recomendadas pelos administradores, planejadores e tecnocratas são
também "eticamente" justificáveis.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Produtividade, Industrialização E Desenvolvimento

O rápido crescimento industrial constitui, geralmente, o fator mais importante na elevação da


produtividade global da economia, impulsionando e dinamizando também os outros setores.

Normalmente, a renda per capita gerada na indústria, nos países em desenvolvimento, é


substancialmente mais alta do que a renda média per capita na economia global, ou a dos outros
setores. Assim, nós observamos que o nível de renda per capita da população ativa, gerada na
indústria, é de três a quatro vezes superior à gerada na agricultura brasileira, nos anos de 1950 e
1960.(1) Embora o desenvolvimento industrial exerça um impacto poderoso sobre os outros setores da
economia, inclusive a agricultura, tendendo a transformar o ambiente e as condições sociais e
institucionais, através da demanda crescente por novas técnicas de produção e novos padrões de
consumo, a consequência direta da estagnação relativa do setor agrícola tem sido o movimento
migratório quase ininterrupto da zona rural para as cidades, criando nestas núcleos marginais, com
altos índices de desemprego encoberto.

Tende assim a aumentar a discrepância entre os dois setores, criando uma verdadeira estrutura
"dualista": por um lado, a indústria altamente capitalizada, empregando relativamente pouca mão-de-
obra e apresentando uma produtividade elevada e, por outro, a agricultura, subdesenvolvida,
ocupando a maior parte da população ativa, com rendimentos per capita insignificantes.

Contudo, esse desequilíbrio entre os dois setores repercute profundamente na própria produtividade
das atividades industriais, ora premidos pelo alto custo das matérias-primas - devido a baixa
produtividade da agricultura - ora enfrentando o problema da capacidade ociosa de seu equipamento,
na ausência de um vasto mercado interno, consumidor de seus produtos.

O Quadro 1, entretanto, indica uma elevação da produtividade industrial bem mais rápida e intensa do
que o próprio processo da industrialização, encarado sob o ângulo da abertura de novos empregos
para a população em idade de trabalhar.

De fato, enquanto a população total nos municípios de São Paulo, Santo André e São Caetano
crescia, entre 1950 e 1960, em média 98%, o número de empregados nos estabelecimentos
industriais aumentou, no mesmo período, apenas de 47% em média.

Todavia, o Valor de Transformação Industrial, verdadeiro indicador de produtividade, cresceu nesta


década, em média 163%, nos três municípios. O caso de São Bernardo, cujo surto industrial se
iniciou praticamente com a implantação da indústria automobilística, em 1956/7, é ainda mais
significativo: a um aumento de 495% do número de empregados na indústria, entre 1950/60,
corresponde uma elevação do Valor de Transformação de 1.432%, no mesmo período.

Ademais, os índices de produtividade calculados, dividindo-se o Valor de Transformação Industrial


pelo número de empregados, apresentam grandes variações, de um setor industrial para outro. Essas
diferenças são resultado, entre outros fatores, da intensidade de investimento em capital, da situação
quase monopolística de algumas empresas, etc. Conforme o Quadro 2, os índices de produtividade
por empregado, alcançados nas indústrias do fumo, borracha, química e material de transporte, são
em média duas a três vezes superiores aos das indústrias têxtil, de couros, de madeira, etc. Um
exame mais atento das estatísticas mostra que aqueles ramos da atividade industrial conseguiram
elevar em proporção muito maior o Valor de Transformação Industrial de seus produtos, no intervalo
de dez anos, do que o número de empregados adicionais admitidos no mesmo período.

A mesma tendência é observada, comparando-se os índices de produtividade industrial média nos


Estados mais industrializados do Brasil. Novamente encontramos um crescimento da mão-de-obra
percentualmente muito inferior ao aumento do Valor da Transformação Industrial, realizado na
década entre 1950 e 1960.

Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, conforme o Quadro 3, elevaram o número de seus
operários em média de 20%, enquanto o Valor de Transformação Industrial cresceu entre 60 e 120%.
Atenção especial merece o caso da Bahia, onde a um aumento do número de operários de 18%
corresponde um crescimento de 280% no Valor da Transformação Industrial.

Os dados apresentados nos Quadros 1, 2 e 3 evidenciam que a Indústria, embora fator dinâmico do
desenvolvimento econômico, ao aumentar e multiplicar os valores de Transformação Industrial em

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

proporções muitas vezes superior ao aumento do número de seus empregados, por causa desta sua
produtividade, não foi e não será capaz de absorver os excedentes de mão-de-obra liberados pelo
campo.

De fato, no decênio de 1950 a 1960, período em que cresceu intensamente o parque industrial
brasileiro, as áreas urbanas não foram capazes de absorver, através da criação de novos empregos
produtivos, a mão-de-obra criada e colocada no mercado por uma elevada taxa de crescimento da
população. Na indústria, setor mais dinâmico do processo de desenvolvimento, o crescimento médio
anual de empregos não ultrapassou os 2 % e na agricultura, onde a mecanização, embora mais lenta,
tende a diminuir os níveis de emprego, a absorção não foi além de 2,4% contra um crescimento
populacional de 3,1% no País e de 5,4% nas áreas urbanas. Em consequência, tende a generalizar-
se, também nas cidades, um desemprego disfarçado, sob a forma de serviços de baixa produtividade.

Ademais, a oferta excessiva de mão-de-obra nas cidades tende a deprimir o poder de barganha e
assim, o nível de salários dos operários na indústria. Consequentemente diminui o seu poder de
compra, o que provoca, dada a inelasticidade-preço de procura de produtos alimentares
indispensáveis, uma redução no consumo de bens menos essenciais, repercutindo nas empresas sob
a forma de capacidade ociosa e alto custo de produção.

O rápido progresso tecnológico, a limitação do mercado interno e a consequente necessidade de


procurar vazão para seus produtos manufaturados no exterior, obrigam o empresário nacional a
investimentos de capital de alto custo unitário, seguindo de perto os padrões e processos dos
produtores de países mais avançados. Todavia, essa mesma racionalização, e consequente maior
produtividade da indústria em relação aos outros setores da economia nacional, limita singularmente
sua capacidade de absorver a reserva de mão-de-obra, aglomerada nas cidades pelas altas taxas de
natalidade e via de regra, por um fluxo constante de migrantes rurais.

Reconhecendo essa limitação da capacidade de absorção da indústria, devemos indagar: até que
ponto é possível difusão da tendência para o aumento da produtividade, aos outros setores da
economia nacional, tornando a industrialização um fator decisivo do desenvolvimento.

Embora a industrialização seja considerada o motor do desenvolvimento econômico, é igualmente


verdade que sua produtividade e seu papel propulsor dependem da existência e disponibilidade de
uma série de fatores externos à indústria, sem os quais esta nunca poderá desenvolver-se.

O desenvolvimento de um parque industrial necessita, além de mercados amplos e crescentes para


seus produtos manufaturados, um fluxo constante de capitais e facilidades de crédito, transportes e
comunicações eficientes, energia elétrica barata e abundante e, finalmente, um contingente de mão-
de-obra qualificada e treinada, sem a qual todos os planos de produção e de melhoria da
produtividade não são exequíveis.

Deficiências ou atrasos na adequação da infraestrutura às necessidades da industrialização, são


capazes de anular ou pelo menos seriamente prejudicar, os esforços para criação e ampliação de um
parque industrial e, assim, o próprio surto desenvolvimentista, conforme aprendemos pelo trecho
abaixo transcrito do Boletim Cambial, de 16 de março de 1966:

A Infraestrutura

Os investidores estrangeiros quando vêm analisar as oportunidades que oferecemos, como mercado
para novos empreendimentos, ficam surpresos com o grau de deficiência de nossa infraestrutura.
Faltam-nos, tecnicamente, os elementos básicos para assegurar um trabalho continuado e eficiente.

Se não, vejamos: os meios de comunicação interna são precários e pouco rendimento oferecem no
sentido de dar apoio às relações e trocas comerciais. Um aviso de crédito, por outro lado, de um
Estado para outro, leva cerca de 30 dias. Uma carta, quando a sorte ajuda, chega algum dia. Faltam-
nos os serviços telefônicos e telegráficos.

De São Paulo para o Rio, e vice-versa, o drama da comunicação telefônica agrava-se a cada dia que
passa. Já não sabemos dizer qual a melhor hora, porque durante o dia as linhas estão ocupadas e à
noite o "interurbano" não responde. Para a correspondência, a única solução ainda é o malote. No
que se refere ã energia elétrica, embora a melhoria seja acentuada, continua a vigorar um regime de
dificuldades decorrente de uma série de erros e falhas cometidos pelo Governo no passado e que,

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

agora corrigidos, ainda demandam tempo até a completa regularização. Falemos então dos
transportes. Como funcionam internamente? É um verdadeiro milagre, assim mesmo condicionado ã
precária utilização das rodovias. Ferrovia e navegação marítima ou fluvial são quase um mito.

Verificam os técnicos, depois de algum tempo, que o trabalho no Brasil pouco rende. Tais são as
deficiências da infraestrutura que, além do desgaste físico de quem trabalha, deve acrescer o ônus
que o tempo gasto representa para as empresas. Afinal de contas, tudo isto se soma ao custo da
produção.

Produzir no Brasil tem um sentido diferente do que se convenciona noutros países. Aqui fica entre
uma faixa de aventura e esperança, contando com fatores que não podem ser levados em conta por
quem não está acostumado ao meio. Isto também, sendo risco, custa dinheiro e, naturalmente, pesa
sobre o preço da venda.

Concluímos, portanto, que a elevação da produtividade na indústria não pode ser considerada como
um processo autônomo, mas é parte integrante do processo de desenvolvimento global da sociedade
e condicionado pela produtividade dos outros setores.

Não se deve, nem se pode - sob pena de vê-lo frustrado - restringir o esforço nacional pela elevação
da produtividade a um só setor da economia; é mister um programa global, equilibrado e sincronizado
para melhorar a produtividade em todos os setores da atividade nacional, porque, conforme vimos, a
eficiência e progresso de um setor (indústria) são determinados por uma série de insumos nacionais
e fatores "externos" à mesma, cuja atuação é decisiva, mesmo antes de entrarem em funcionamento
os próprios fatores de produção industrial.

Por outro lado, a produtividade crescente em um setor da economia (indústria, agricultura, etc.), na
medida em que resulta em quantidades e valores produzidos em números mais elevados, sem
admissão de mão-de-obra adicional, poderá facilmente levar ao desemprego, caso não sejam
encontrados mercados para o maior volume de bens produzidos. Neste caso, portanto, o aumento de
produtividade seria ilusório, pelo menos do ponto de vista da economia nacional, conquanto não
forem abertas novas frentes de trabalho ou, em outras palavras, reinvestidos os lucros provenientes
da elevação anterior da produtividade, na criação de novas empresas capazes de absorver a mão-de-
obra excedente.

Procuramos com este raciocínio ressaltar a importância do planejamento global na formulação de


uma política, que vise a elevar a produtividade por empregado, em todos os setores da atividade
nacional, concomitantemente.

Fatôres Que Determinam O Nível De Produtividade De Um Sistema Econômico

No nível da empresa individual é relativamente fácil medir e comparar a produtividade, adotando-se,


geralmente, como índice, o total da produção por homem/hora de trabalho. No nível nacional, ou seja
englobando o total das atividades econômicas de uma nação, a medição é muito mais complicada:
teoricamente seria a relação entre o valor total da produção de bens e serviços e o da soma dos
fatores de insumo, necessários para sua produção.

É óbvio que a contabilidade e consequente medição de todos os fatores é praticamente impossível,


porque sua multiplicidade e interação não permitem sempre sua expressão quantitativa e, quando isto
é possível, um fator isolado, considerado como positivo, pode ter, dentro de um contexto mais amplo,
efeito negativo sobre a elevação da produtividade. A este respeito, é ilustrativo o esforço dos
diferentes setores da atividade industrial, atualmente empenhados em elevar sua produtividade, ou
seja, o volume e valor de sua produção, mantendo estacionário o número de seus empregados ou até
reduzindo-o, na medida do possível. O êxito, aliás bastante provável, dessas iniciativas, na medida
em que não forem abertos novos mercados para a quantidade de produtos adicionais ou, ainda
aumentado o poder de compra dos consumidores habituais desse produto, forçosamente há de levar
à demissão do emprego novos contingentes de trabalhadores, já que as quantidades suscetíveis de
serem vendidas se acham estocadas; assim, diminui ainda mais o poder de compra dos
consumidores, levando finalmente as empresas a trabalharem com capacidade ociosa - o que
aumenta o custo unitário do produto e, assim, anula os efeitos e ganhos iniciais na sua produtividade.

Quais seriam os fatores determinantes da produtividade do sistema econômico? Podemos classificá-


los em cinco categorias:

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

• A disponibilidade de uma infraestrutura adequada e sólida, permitindo a expansão e ampliação


constante das atividades produtivas.

• Uma visão certa e um plano concreto que define, estabelecendo as prioridades, "o que" e "como"
produzir, determinando também a combinação adequada dos fatores de produção disponíveis.

• O desenvolvimento tecnológico contínuo, sob forma de substituição de processo de produção com


alta densidade de mão-de-obra, por outro, capital-intensivo.

• A existência e acessibilidade de amplos mercados, ou, em outras palavras, a possibilidade de


realizar "economias de escala".

• A presença e a formação permanente de "recursos humanos", que tenham conhecimento,


treinamento e experiência profissional para administrar e coordenar, bem como para executar os
diferentes planos de produção.

Condições geográficas - a extensão territorial, vias de penetração, acidentes geográficos e recursos


naturais;

Condições econômicas - a estrutura das atividades produtivas, o equipamento e o nível tecnológico;

Condições socioculturais - atitudes e valores básicos da sociedade, aspirações, crenças e ideologias;


e, finalmente,

Condições político-administrativas - a organização política da nação, a forma de recrutamento e


renovação de suas elites, todas influem na existência e no funcionamento adequado da infraestrutura
que, por sua vez, determina diretamente o nível de produtividade alcançado pelo sistema econômico
como um todo. O estudo e conhecimento dessas condições, o planejamento integrado de sua
intervenção no processo de produção, bem como das mudanças necessárias, a fim de permitir a
realização dos objetivos nacionais, constituem o fator fundamental, embora nem sempre reconhecido
pelos responsáveis políticos, de todo esforço desenvolvimentista. Diante do fato de que os recursos
econômicos, capital e mão-de-obra qualificada são, por definição, escassos nos países em vias de
desenvolvimento, colocam-se para os governos duas alternativas num dilema, cuja solução é
sobretudo política:

• Cada governo deve decidir, se investe primeiro e a maior parcela de seus recursos, provenientes da
poupança voluntária ou forçada, em obras de infraestrutura, no desenvolvimento de uma indústria de
base e de transformação, admitindo que os efeitos cumulativos de seu crescimento possibilitem e
impulsionem posteriormente a criação de uma superestrutura adaptada e adequada às exigências
dos processos de crescimento econômico e de mudança social e cultural concomitante. Entenda-se
por superestrutura uma rede de instituições de ensino de todos os níveis, de saúde pública, técnicas
de administração racionais e eficientes nos setores privado e público, uma política fiscal e tributária
adequada, etc.

• O outro caminho a seguir seria a realização de investimentos maciços e prioritários na


superestrutura, atendendo assim, em primeira linha aos anseios e às pressões das camadas menos
afortunadas da população em países subdesenvolvidos, preparando assim o terreno para os
investimentos posteriores na infraestrutura econômica.

A solução concreta para esse dilema, tal como está sendo adotada pelos governos de diferentes
países em desenvolvimento, depende, segundo HIRSCHMAN,(2) de uma série de condições e
circunstâncias específicas e próprias de cada uma das nações. Não pode haver dúvida, todavia,
quanto à necessidade premente desses serviços da superestrutura para o desenvolvimento.

A segunda condição de importância fundamental é a escolha acertada de determinados produtos a


serem produzidos, com as "técnicas" e a combinação "certa" de fatores, isto é, de acordo com as
possibilidades realistas e, portanto, ótimas do país.

Esta decisão depende, por sua vez, da presença dos recursos necessários na estrutura econômica
do país ou da região particular, e da configuração social, cultural e política mais ampla, que impõe
limitações institucionais, muitas vezes baseadas em ideologias tradicionais e em valores sociais
inadaptados à era industrial.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Normalmente, a escolha de uma técnica "certa" de produção, depende dos planos e da iniciativa
particular e estatal, face à abundância ou escassez relativa dos fatores de produção.

Assim sabemos, por exemplo, de tentativas e projetos, em diversos países em desenvolvimento, que
visam a substituir o capital - fator escasso e caro - por uma mão-de-obra barata e abundante.

Entretanto, essas tentativas nem sempre são coroadas de êxito quando postas em execução,
principalmente por dois motivos: o primeiro é que a concorrência nacional e internacional e a
necessidade de baixar os custos de produção obrigam à substituição e modernização do
equipamento antiquado e, o segundo, o fato de os engenheiros e técnicos, formados e treinados em
escolas ou cursos no exterior ou mesmo no país, mas por métodos e currículos importados e, por
isso, nem sempre adequados à realidade nacional, não conseguem criar e desenvolver máquinas e
técnicas sociais de produção que aproveitem a abundam cia da mão-de-obra, enquanto procuram
uma aplicação parcimoniosa do fator escasso - capital.

Nos países altamente industrializados, a produção se caracteriza por uma concentração elevada em
processos e técnicas de capital intensivo. Em consequência, verifica-se, normalmente, nestes países:

• uma alta taxa de investimento em capital por operário;

• a produtividade elevada da mão-de-obra, devido a alta proporção capital/trabalho;

• os salários e os lucros são elevados, o que conduz a altos índices de formação de capital e, ao
mesmo tempo, um alto nível de vida da população;

• apesar de lucros e salários elevados, os custos de produção são baixos, em termos unitários.

Não se admire, portanto, que os países em via de industrialização e de desenvolvimento procurem


imitar aqueles, concentrando-se, cada vez mais, em processo de produção e técnica capital-intensivo.
Entretanto, devido a uma série de circunstâncias específicas e típicas dos países subdesenvolvidos,
tais como:

• baixa eficiência da mão-de-obra e dos quadros administrativos;

• alto custo do capital;

• impossibilidade de economias de escala;

• baixa eficiência do sistema econômico em geral;

nem sempre se justifica a mudança radical das técnicas de produção de trabalho-intensivo para as de
capital-intensivo. Ao contrário, a curto prazo, o processo trabalho intensivo parece mais vantajoso
para o país subdesenvolvido, porque enquanto permite economia em divisas necessárias para
aquisição de bens de capital, aumenta também a oferta de empregos.

A longo prazo, todavia, não se afigura possível o desenvolvimento econômico de qualquer país, sem
a introdução de técnica de produção capital-intensiva.

Condição também essencial para o crescimento da produção em países na fase de industrialização,


são as chamadas "economias de escala", divididas em internas e externas.

Economias internas seriam realizadas quando a agregação dos recursos - capital e mão-de-obra -
permite a organização da produção em unidades "grandes", que se utilizam de técnicas e processos
de produção, controle e mecanização mais eficientes e assim conseguem reduzir o "custo unitário",
através de uma melhor distribuição dos custos fixos sobre uma quantidade maior de unidades
produzidas.

Outro aspecto que favorece à empresa "grande" é quando as vendas se tornam muito elevadas, há
vantagem de mandar fabricar peças e acessórios de seus produtos em outros estabelecimentos, mais
especializados, com corres pendente redução dos custos. O sistema de subcontratos, também, por
permitir maior especialização, leva a maior produtividade.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Outro caso de economias de escala seria a fundação de um laboratório de pesquisas tecnológicas,


de um instituto de pesquisa do mercado, de centros de treinamento da mão-de-obra, etc.

Todas essas atividades e serviços, por seu alto custo, só podem ser mantidos por empresas
"grandes", financeiramente poderosas, o que nos leva à conclusão que teoricamente a produtividade
deva crescer proporcionalmente com a dimensão da empresa.

Dizemos "teoricamente", porque na realidade, muitas vezes, as vantagens e os custos mais baixos
obtidos são desvirtuados por práticas monopolísticas, em benefício de indivíduos e grupos
econômicos poderosos, sem necessariamente resultar na redução dos preços de bens e serviços, e
assim, na melhoria do nível de vida geral da população.

O quadro n.º 4 parece confirmar a hipótese acima mencionada; de fato, os estabelecimentos grandes
(com mais de 1.000 empregados) apesar de pagarem salários mais elevados, de terem uma
proporção mais elevada de empregados, não ocupados diretamente na produção, ostentam os mais
altos índices de produtividade (Valor de Transformação/número de operários), superiores, em média,
em 50% aos dos estabelecimentos de tamanho médio (50 a 249 empregados) ou médio-grande (de
250 até 999 empregados).

Entretanto, impõe-se certa cautela diante conclusões precipitadas sobre as vantagens absolutas da
empresa "grande" em relação às pequenas e médias, no que se refere à produtividade.

Os dados apresentados no Quadro 4 são globais, isto é, referem-se a todos os estabelecimentos de


determinadas dimensões, em todos os setores da indústria de transformação. Ora, por mais evidente
que seja a vantagem da especialização e estandardização da produção, é fato sobejamente
conhecido que, em certos ramos da atividade industrial, especialmente aqueles que funcionam com
processos e técnicas de alta densidade de mão-de-obra, os índices de produtividade mais elevados
são encontrados em empresas de dimensão média ou pequena.

Por outro lado, a integração horizontal ou vertical de diversos estabelecimentos numa empresa só,
não significa, necessariamente, um aumento de produção e, portanto, da produtividade.

Assim, tentamos desdobrar os índices do Quadro 4, segundo os diferentes setores de atividade


industrial, à base de informações colhidas no "Registro Industrial - 1958", publicado pelo IBGE, sob o
título Produção Industrial Brasileira - 1958.

Dos oito setores industriais, cujos dados são apresentados no Quadro 5, seis confirmam a hipótese
da produtividade mais elevada nas empresas "grandes": de fato, nos setores de Vestuário, Calçado e
Artefatos de Tecido, Transformação de Minerais não metálicos, Mobiliário, Química e Farmacêutica,
Borracha, Papel e Papelão, os índices de produtividade de mão-de-obra (Valor da Transformação
Industrial/número de empregados) são substancialmente superior nas empresas com mais de 500
empregados do que nos estabelecimentos pequenos e médios.

Em termos absolutos, as empresas grandes dos setores Química e Farmacêutica e Borracha -


atividades que exigem alta densidade de capital - superam largamente com sua produtividade as
empresas dos outros setores.

Os dois setores industriais, Têxtil e Produtos Alimentícios, em que os estabelecimentos grandes


apresentam índices de produtividade inferiores aos dos pequenos e médios, são reconhecidamente
estruturados em técnicas que dependem do emprego maciço de mão-de-obra e de baixa densidade
de capital. Isto se aplica sobretudo à Indústria Têxtil que, segundo estudos da CEPAL, apresenta
instalações obsoletas, baixo grau de modernização de seu equipamento e, em consequência, índices
de produtividade inferiores aos das nações, industrialmente menos desenvolvidos do que o Brasil.

Os planos para a melhoria da produtividade, neste setor importante da vida econômica nacional, pelo
número de empregos e de rendas que proporciona, não devem visar a apenas o reequipamento com
máquinas modernas e automáticas: uma melhor programação do trabalho, a racionalização
administrativa, o aperfeiçoamento dos métodos de trabalho e de treinamento do pessoal, em todos os
níveis e categorias profissionais, são imprescindíveis num programa de verdadeira modernização.

Um aumento da produtividade também pode ser conseguido melhorando as técnicas e métodos de


administração e a qualificação profissional de todos os empregados. A este respeito é válida a

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

afirmação feita no início de nosso trabalho e que contraria frontalmente o espírito tão antiquado
quanto arraigado da época mercantilista, que procura a riqueza de uma nação nas máquinas, ou no
ouro e nas divisas acumulados, mas não nas capacidades e na qualidade profissional dos que as
operam e delas se servem.

A riqueza nacional é fundamentalmente representada pela qualidade da mão-de-obra, seu nível,


conhecimentos e experiência profissionais, sua habilidade e consciência na aplicação da tecnologia
nos processos de produção, que dependem, por sua vez, de um conjunto de atitudes e valores
sociais, que orientam e definem o comportamento individual e grupal, no processo econômico.

Neste sentido, a recuperação econômica espantosa apresentada e o consequente progresso geral


das sociedades alemã e japonesa, após a derrota e a destruição de seu parque industrial, no fim da
Segunda Guerra Mundial, devem ser creditados em primeiro lugar, ao esforço persistente, à disciplina
de trabalho e, sobretudo, ao nível educacional - profissional e geral - da mão-de-obra dessas duas
nações.

O nível e o crescimento da produtividade, portanto, dependem em primeiro lugar do fator humano -


administradores, técnicos, operários - porque sua atuação no processo de produção permeia e se
reflete em todos os outros fatores.

O planejamento quantitativo e qualitativo dos contingentes humanos necessários, seu recrutamento,


seleção, treinamento e aperfeiçoamento constantes, bem como sua educação e doutrinação para que
abandonem formas de trabalho tradicionais e por isso antiquadas e inadaptadas às exigências da
industrialização, enquanto se imbuem dos padrões, aspirações e valores de uma sociedade dinâmica,
em vias de desenvolvimento, são passos indispensáveis para conseguir uma elevação da
produtividade.

O nível tecnológico de uma sociedade, suas máquinas, equipamentos e métodos de trabalho,


dependem estreitamente da qualificação do fator humano, que deve utilizá-los adequada e
eficientemente, como instrumentos para a criação de novos e adicionais valores, com esforço e
custos os mais baixos possíveis. Podemos subdividir o fator humano em vários grupos, dos quais
cada um realiza uma tarefa específica:

• Os engenheiros e técnicos, cuja tarefa principal é a organização, distribuição e controle da


produção, o controle dos fluxos, qualidade, estabelecimento das cadências e os próprios métodos de
trabalho;

• os administradores, cuja atuação permeia todos os outros setores e de cuja eficiência específica
como "coordenadores" depende a produtividade do sistema global;

• os operários - suas atitudes e seu empenho, quer individual quer coletivamente, através de suas
organizações sindicais, afetam profundamente o nível, a qualidade da produção e,
consequentemente, a elevação da produtividade.

Todos esses grupos e outros que intervém no processo de produção e distribuição de bens e serviços
- fornecedores, compradores, investidores, etc., - podem atingir níveis de produtividade mais
elevados, a condição que:

• sejam treinados para realizar tarefas bem definidas, compreendam seus objetivos e saibam avaliar
os resultados de seus esforços;

• sejam dirigidos, administrados e seu trabalho coordenado por elementos qualificados;

• sejam motivados para agir de acordo com seus interesses e planos, integrados nas aspirações da
Nação.

Crescimento Econômico E Geração De Empregos: Considerações Sobre Políticas Públicas

O propósito fundamental deste artigo consiste em analisar as principais modificações operadas no


mercado de trabalho brasileiro desde o início dos anos 80, realçando-se suas características atuais
mais relevantes, tendo em vista a fundamentação de propostas de intervenção pública no tocante a
políticas de emprego e renda. Para tanto, procedemos também, ainda que de forma sumária, a um

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

exame das principais transformações ocorridas, em âmbito mundial, no que tange aos novos padrões
tecnológicos e seus impactos sobre a economia e a sociedade contemporânea.

As políticas públicas, aqui explicitadas e examina- das quanto ao seu grau de efetividade,
correspondem ao: sistema Público de Emprego, Contrato Co- letivo de Trabalho, Treinamento e
Requalificação de Mão-de-Obra, Apoio à Micro e Pequena Empre- sa e Programa de Geração de
Emprego e Renda.

Nossa perspectiva de análise envolve uma postura crítica relativamente às propostas de solução dos
problemas de quantidade e qualidade do emprego, que têm na minimização do papel do Estado e fle-
civilização do mercado de trabalho, seus componentes fundamentais. Tendo em vista os novos
parâmetros tecnológicos e macroeconômicos vigentes em termos mundiais e nacionais, apenas por
meio de políticas públicas eficientes e bem direcionadas, será possível minorar tais problemas

O crescimento econômico nos países industrializados nos anos 80, especialmente nos países
europeus, vem gerando, comparativamente a todo o período pós-guerra, menos empregos. O
elevado desemprego aberto — 27 milhões de indivíduos nos países da Organização de Cooperação
para o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 1992, correspondente a 7,8% da população
economicamente ativa (PEA) —, o crescimento de ocupações temporárias e/ou empregos com
vínculos contratuais instáveis, a expansão da terceirização e a redução das jornadas diárias de
trabalho estão apontando que o sistema produtivo não vem demandando trabalho assalariado
suficiente para fornecer empregos estáveis em período integral para todos, ou seja, indicam a
expansão do desemprego estrutural [Boyer (1988)].

São pelo menos três as explicações para esse fenômeno. A primeira é o novo padrão de competição
mundial comandado por firmas sediadas nos países asiáticos, que se aportam num baixíssimo custo
de mão-de-obra, muitas vezes combinado com tecnologia moderna, microeletrônica. A segunda é a
crescente aplicação da tecnologia de informação e da microeletrônica à produção, que promove
elevados ganhos de produtividade. E a terceira explicação reside na aplicação de novos métodos de
organização da produção e do trabalho, que vem acarretando mudanças profundas tanto na natureza
como no significado do trabalho.

Com relação às modificações do primeiro tipo — na natureza do

trabalho — deseja-se, inicialmente, destacar que o próprio senti- do do termo especialização


funcional não mais representa uma particular especialidade do trabalhador na produção de algum
produto ou na prestação de algum serviço, que pode ser aperfeiçoada pela aplicação e treinamentos
contínuos, mas sim sua capacidade de adaptação e de treinamento para atender às modificações
que surgem no interior de um sistema complexo computadorizado de produção ou de prestação de
serviços, para o qual foram transferidas especializações humanas.1

Não se pode deixar de mencionar, também, a tendência de declínio no trabalho na indústria de


transformação, que vem acompanhada da extinção de inúmeras ocupações especializadas
(ferramenteiro, carpinteiro, montadores, etc.), que garantiam empregos de boa qualidade e o aumento
das ocupações no setor terciário e nas atividades de escritório associadas, em geral, às alterações no
conteúdo de determinadas ocupações e cargos desses setores (datilógrafas, recepcionistas, controle
de qualidade, etc.).

Sobre o segundo tipo de mudança — no significado do trabalho —,

muitas profissões passaram a ter caráter provisório, tendo em vista que as mudanças tecnológicas
aceleradas impõem retreinamentos contínuos. Os empregos e as posições sociais deles decorrentes são
mutáveis, e raramente conferem ao indíviduo o sentimento de pertencer a um grupo definido, ou de
ter um lugar seguro na soci- edade. Este fato torna as pessoas mais autônomas e individualis- tas, e
implica, dadas as incertezas da sociedade, as pessoas buscarem sua identidade fora do local do
trabalho. Entretanto, quando se verificam as condições para a formação do processo de identificação
do trabalhador assalariado com base em seu trabalho, este tende a ocorrer mais no plano
corporativo, na in- serção específica do indivíduo no interior de um sistema de pro- dução de uma
determinada grande empresa, originando, então, a ideologia das elites dos vencedores, ao invés de
uma identidade de classe. A consequência disso é a perda de laços de solidarie- dade para a defesa
de interesses comuns e, aliado a outros fato- res, acarreta perda de representatividade política dos

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

sindicatos. Estes, nos países industrializados, vêm perdendo espaço político nos anos 80. Os níveis
de desemprego, as novas sistemáticas de relações capital-trabalho por firmas, e o surgimento de
atividades econômicas aportadas na nova tecnologia em locais sem tradição sindical são os
principais motivos. No sentido de reverter essa tendência, tais entidades não podem continuar se
centrando ape- nas na defesa das condições de trabalho e dos salários, vista a própria perda de
importância relativa do trabalho nos processos de individuação e de identificação social. A ação
sindical deve englobar também a defesa das necessidades e aspirações que os trabalhadores
desenvolvem como cidadãos, moradores, con- sumidores, etc.

Outras tendências preocupantes no mercado de trabalho nos países industrializados e com efeitos
sobre os sistemas de segu- ridade social são a maior rapidez na taxa de obsolescência da força de
trabalho, a criação de empregos de baixos salários e sem vínculos com a seguridade social, e o
processo de concen- tração dos rendimentos.

Diante dessas perspectivas, o papel do Estado passa a ser re- presentado, de acordo com os
analistas e a opinião pública, por duas posições polares. A primeira entende que a sociedade tenderá
para um processo de ajustamento e que a intervenção do Estado deve ser minimizada. Esta postura
defende, especialmente para o caso da Europa e para os países em desenvolvimento, o
desmantelamento do Público, a diminuição dos encargos sociais e a desregulamentação no mercado
de trabalho, ou seja, medidas que tornem o mercado de trabalho flexível para responder aos
movimentos do mercado e, possivelmente, aumentar o nível do emprego. Entretanto, esta posição
não é unânime no meio especializado. Em primeiro lugar, o mercado de trabalho estadunidense —
paradigma de mercado de trabalho flexível quando comparado com os mercados de trabalho
europeus — tem mostrado, desde meados dos anos 80, um nível elevado de desemprego, inferior, a
bem da verdade, ao dos países europeus, e um aumento no número de famílias pobres, embora um
ou mais de seus membros estivessem ocupados. Em segundo lugar, os custos sociais e psicológicos
deste processo de transição não podem ser ignorados, e a não intervenção do Estado nessa matéria
iria contribuir para deixar inerme a sociedade, e sem garantias e segurança tanto os mais atingidos
nesse processo de transformação como as camadas mais pobres.

A segunda posição entende que é necessário reorientar o papel

do Estado no sentido de exercer ativamente uma política de em- prego a fim de propiciar uma melhor
distribuição de riqueza e de oportunidades de trabalho, ou de atividades e renda para todos. As
possibilidades existentes no desenvolvimento de políticas públicas que objetivem melhorar a
qualidade de vida, a educação, a saúde, a cultura e o lazer, os pequenos negócios em geral, etc.
podem permitir, num futuro imediato, um crescimento notável no setor serviços, minimizar os efeitos
da desocupação da revolução tecnológica e permitir enfrentar de maneira mais socialmente
equilibrada o processo de transição.

Em face dessas especificidades do mercado de trabalho, tanto a política macroeconômica — voltada


para elevar o nível de de- manda agregada —, como as medidas relacionadas ao contexto
microeconômico — redução dos custos da mão-de-obra (diretos, indiretos e custos de transação) —
revelam-se incapazes de pro- mover um amplo acesso, envolvendo os diversos estratos popu-
lacionais, aos postos de trabalho. Nesse sentido, políticas públicas orientadas para atender a tais
grupos patenteiam-se como imprescindíveis. Em outros termos, mesmo num quadro hipotético de
elevado nível de demanda agregada e grande flexibilidade no mercado de trabalho — conquanto seja
questionável a capacidade deste último fator para promover aumentos no montante de emprego na
proporção insinuada pelos defensores de tal proposta —, ainda assim restaria um conjunto
significativo de pessoas dispostas a trabalhar e sem o conseguir de forma satisfatória, por diversos
condicionantes, sobretudo de ordem institucional. O papel fundamental das políticas de emprego
consiste em tentar minimizar tal contingente, mediante políticas específicas orientadas para certos
grupos posicionados desfavoravelmente no mercado de trabalho.

Este artigo situa-se também na defesa da reorientação do papel do Estado em nosso país no sentido
de formular políticas públi- cas que objetivem a melhor distribuição de riqueza e renda e a geração de
empregos, com o intuito de minimizar e superar os fortes desequilíbrios sociais, regionais e de renda.
Nesse sentido, inicialmente apresenta um quadro do mercado de trabalho no Brasil. Em seguida,
tecem-se algumas considerações sobre um conjunto de políticas públicas voltadas a minorar o
problema do desemprego no Brasil; e, por fim, seguem as considerações fi- nais.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

1 Mercado de Trabalho

O emprego urbano no Brasil dos anos 90 mostra uma situação de heterogeneidade decorrente tanto da
reestruturação de sua eco- nomia nos novos moldes de produção e do comércio internacional como de
desemprego estrutural herdado e não resolvido do passa- do.

O início dos anos 80 (1981-83) caracterizou-se por uma forte recessão acompanhada de uma
elevada retração da ocupação em geral e do emprego formal assalariado registrado, 2 que entre 1980
e 1983 diminuiu cerca de 6%. Na indústria de transforma- ção, essa queda foi de aproximadamente
16,45% e na constru- ção civil, de quase 38%. Nesses anos, a perda de posição da indústria de
transformação e da construção civil é, em parte, compensada pelo crescimento do emprego na
administração pública, cerca de 16% [Lacerda e Cacciamali (1992)].

Posteriormente, entre 1983 e 1989, o mercado de trabalho conti- nuou a encontrar espaços para
ajustar-se ao ritmo cíclico da taxa de crescimento, mas com alterações em sua estrutura de ocupa-
ção setorial e diminuição de renda real. As informações para o ano de 1989, provenientes da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), indicam que a maior parte dos trabalhadores
ativos era assalariada (66%); desses, 42,8% tinham registro na carteira de trabalho ou trabalhavam
em regime especial de rela- ções de trabalho no setor público; e 23,2% trabalhavam à mar- gem da
regulamentação do mercado de trabalho. Os restantes distribuíam-se entre trabalhadores por conta
própria (23%), traba- lhadores sem remunerações (8%) e empregadores (3%) [Cacci- amali (1993a)].
Estima-se, adicionalmente, que relações não- registradas no interior destes três últimos grupos
atingiam 15,5 milhões de pessoas, cerca de 78% do conjunto das três categori- as. Assim, no Brasil,
das posições ocupacionais supramenciona- das, praticamente metade dos ocupados — 29 milhões
— estaria a exercer o trabalho à margem da regulamentação desse merca- do. Deste total, 13,6
milhões eram assalariados e não recebiam, salvo acordo com o empregador, os benefícios que
decorrem da normatização institucional do trabalho.

Junto ao significativo crescimento do mercado de trabalho não- regulamentado, durante os anos 80,
houve uma intensificação do processo de concentração da renda. A participação da renda apropriada
pelos 30% mais pobres da população ocupada foi reduzida de 5,80% para 4,51% entre 1981 e 1989,
ao mesmo tempo em que a parcela detida pelos 10% mais ricos ampliou-se de 45,30% para 52,23%.
O índice de Gini, por sua vez, que era de 0,573, em 1981, ascende a 0,635 em 1989 [FIBGE
(diversos anos)]. Ou seja, o ajuste no mercado de trabalho ocorreu, pre- ponderantemente, por meio
da diminuição do nível de renda, associada à perda da qualidade do emprego — dos vínculos
institucionais, e dos direitos trabalhistas. As regiões mais industrializadas, como o Sudeste e, em
especial, a região da Grande São Paulo foram substancialmente mais afetadas que as demais
regiões brasileiras. Enquanto as regiões Sudeste e Sul expandiram o emprego apenas em 0,4% e
0,8% ao ano, respectivamente, as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste apresentaram taxas
anuais médias de crescimento muito mais elevadas: 3,56%, 3,65% e 3,94%, respectivamente.
Nessas regiões, os setores que se destacaram como geradores de emprego foram as atividades
terciárias em geral e, sobretudo, o setor público.

Por sua vez, o repique da recessão em 1990-92 repercute sobre

o mercado de trabalho de forma distinta da recessão de dez anos antes. As firmas vêm se
reestruturando, objetivando aumentar sua competitividade nos mercados internos e externos.
Estimati vas sobre os níveis de produtividade-hora do trabalho na indústria de transformação indicam
um movimento de crescimento siste- mático desde 1991, podendo acumular um ganho de quase 30%
ao final de 1993 [FEA/PUC - RJ (março de 1994)]. Além disso, em 1993, a elevação do Produto
Interno Bruto de cerca de 5% gerou apenas o crescimento de 0,78% de empregos registrados no
setor formal urbano.

Essas informações, contudo, não condu- zem a aceitar linearmente que o Brasil deverá se defrontar
com um ciclo de crescimento sem trabalho como diagnosticado para a Europa. Isso porque, no início
dos anos 90, ocorreu uma acentu- ada queda no nível da demanda doméstica ainda não recupera-
da. Ademais, não se pode creditar à situação macroeconômica em geral e ao crescimento observado
em 1993 — baseado na indústria de bens de consumo duráveis — o início de um período de
crescimento econômico auto-sustentado. A diminuição dos níveis de emprego resultante da
modernização do parque indus- trial e decorrentes ganhos de produtividade pode ser compensa- da
pela expansão da demanda doméstica. E, aliado a isso, um período mais sólido de recuperação da

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

economia deverá englo- bar a expansão dos setores de bens de consumo não-duráveis e de
diversificação do setor serviços, mais intensivos em absorção de mão-de-obra.

A despeito dessas considerações, entretanto, é possível admitir que existem restritas possibilidades
de um crescimento satisfató- rio do emprego no Brasil nos próximos anos. Mesmo num cenário de
retomada do crescimento econômico — com estabilidade mo- netária e recondicionamento financeiro
do setor público —, é mais provável que a geração de empregos ocorra em níveis inferiores aos
necessários para absorver todo o contingente de desocupa- dos acrescido dos grupos que ingressam
anualmente no mercado de trabalho. A reestruturação tecnológica e organizacional, em andamento,
nos setores produtivos e de serviços, elimina postos de trabalho, ao mesmo tempo em que requer um
trabalhador multifuncional com maior grau de qualificação. Este fato além de diminuir as
possibilidades de reemprego para os mais velhos, contrasta com o perfil da força de trabalho do país,
pois 42% dela possui grau de escolaridade formal inferior ao primeiro grau com- pleto [FIBGE(1990)].

Informações recentes mostram que, nesta década, o fenômeno do desemprego urbano passa a
destacar-se sobre os demais, atingindo percentuais inéditos em todas as regiões metropolitanas
brasileiras. No início de 1994, as áreas metropolitanas (AMs) registravam quase um milhão de
indivíduos numa situação de desemprego aberto, e cerca de 8 milhões se a esse número fo- rem
acrescentadas as formas de desemprego oculto [FIBGE /PME (1994) e DIEESE (1994)]. Soma-se a
isso a expansão do assalari- amento sem carteira de trabalho — de 18,00% para 23,25%, en- tre
1990 e 1994 — e do trabalho por conta própria — de 17,50% para 21,70%, no mesmo período.6
Além disso, nesse mesmo espaço de tempo, as AMs mostraram uma retração do nível de emprego
na indústria de transformação — de 24,44% para 19,97% — e a manutenção e expansão da
ocupação na indústria de construção civil e no setor de serviços, respectivamente — 7,42% versus
7,49%, e 60,78% versus 65,03%.

Nessas circunstâncias, torna-se indispensável que sejam intensi- ficadas avaliações alternativas para
enfrentar o agravamento da crise social. Tal situação passa necessariamente por uma ampla revisão
do aparato estatal, tomado em termos de suas agências de intervenção e de suas politicas públicas.
Os mercados de tra- balho no Brasil apresentam uma diferenciação, estrutural e regio- nal, que deve
ser atendida por políticas múltiplas e específicas. Ora, como o fenômeno do elevado nível de
desemprego aberto não é um fenômeno passageiro, tal como já não eram os perver- sos níveis de
marginalidade e pobreza absoluta, é certo que a intervenção do setor público nos mercados de
trabalho precisa receber uma prioridade maior na agenda governamental.

Considerações sobre Algumas Políticas Públicas de Emprego

Esta segunda parte objetiva tecer algumas considerações acerca da viabilidade e eficácia de algumas
políticas públicas seleciona- das para manter e ampliar a geração de empregos no Brasil. Des- sa
maneira, serão analisadas as seguintes políticas públicas: Sistema Público de Emprego; Contrato
Coletivo de Trabalho; Treinamento e Requalificação de Mão-de-Obra; Apoio à Micro e Pequena
Empresa; e Programa de Geração de Emprego e Ren- da. A escolha destas prende-se ao fato de se
tratarem de políti- cas consensualmente aceitas, e/ou por serem de alguma forma praticadas por
instituições públicas ou governamentais. Obvia- mente, esse elenco não esgota o leque de
possibilidades de polí- ticas públicas de emprego.

Deseja-se destacar que a implementação de quaisquer políticas públicas de emprego deve obedecer
ao princípio de hierarquia, de tal forma a preservar a eficiência e eficácia dos programas; além de ter
que levar em conta, na sua aplicação e desdobra- mentos, as diferentes demandas e características
das diversas regiões do país, setores de atividade e inserções de mão-de- obra.

2.I Sistema Público de Emprego

O Sistema Público de Emprego (SPE) é uma proposta de reformula- ção e ampliação do escopo do
Programa do Seguro-Desemprego, aportado nos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Este visa à contenção e à redução do desemprego por meio da reciclagem profissional e da
intermediação de novos postos de trabalho e de programas e estratégias de geração de empregos, além
de ampliar o acesso e a proteção do desempregado no mo- mento da demissão. Esse sistema deverá
ser integrado pela União

— Programa do Seguro-Desemprego, SINE (Sistema Nacional de Emprego), Programa de Geração de

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Emprego e Renda —, pelos governos estaduais e municipais e pelos sistemas SENAI /SENAC/ SENAR.
O princípio básico das propostas que recomendam a im- plantação desse sistema é, com base em uma
diretriz global da União, estabelecer atribuições dos governos subnacionais, dando ênfase à
operacionalização e ao controle primário dos projetos pelas burocracias locais, em articulação com os
sindicatos e com as empresas dos setores envolvidos, seguindo o princípio da hie- rarquia. Ademais,
caberia ao sistema o registro das informações sobre os programas existentes e seu monitoramento, o
que viria a permitir o redirecionamento e aprimoramento da coordenação da política de emprego e dos
programas ao longo do tempo.

2.2 Contrato Coletivo de Trabalho


O surgimento de um novo padrão de produção nas economias industrializadas — caracterizado pela
flexibilidade produtiva — foi acompanhado por crescentes perdas das conquistas sociais dos
trabalhadores. Se por um lado esta nova forma de produção pos- sibilitou altos ganhos de
produtividade e maior dinamismo das empresas nos mercados mundiais, por outro: aumentaram-se
os níveis de desemprego e as desigualdades na distribuição de ren- da; expandiram-se os contratos
de trabalho à margem da regula- ção vigente; quebraram-se os laços de solidariedade entre os
trabalhadores; os sindicatos perderam suas forças; e as práticas no mercado de trabalho tornaram-se
cada vez mais individualiza- das. Estas transformações tornaram necessária a busca por um novo
marco regulador do mercado de trabalho nesses países, com o objetivo de combinar um maior
número de formas de con- tratos individuais com garantias coletivas de emprego e de renda
[Cacciamali (1993a)].

Tendo em vista a tendência para este novo cenário da produção e do trabalho no Brasil, a
implantação do contrato coletivo de trabalho aqui também está associada à busca de um novo marco
regulador do mercado de trabalho.

O nosso sistema atual de relações de trabalho segue o modelo estatutário, em que a maioria dos
direitos e deveres dos empre- gados e dos empregadores é garantida por lei. Os acordos e con-
venções coletivos são complementares à legislação [Pastore (1994)]. Dessa maneira, as relações de
trabalho são regidas por dois tipos de contrato: individual e coletivo. O primeiro propicia os direitos
básicos a todo trabalhador registrado em carteira de tra- balho. Dentre os principais constam a
duração da jornada de trabalho e a remuneração de horas extras; o descanso semanal remunerado e
o direito às férias; as garantias de renda; as garan- tias de estabilidade; a proteção à família,
segurança e saúde; e as ações judiciais para cobrar direitos. O segundo, por sua vez, se caracteriza
por um acordo anual entre o sindicato profissional a que pertence o trabalhador e a respectiva
categoria patronal. Todos os trabalhadores registrados e todas as empresas formal- mente
constituídas pertencem a um sindicato e estão sujeitas aos resultados das negociações coletivas.
Quando as partes não chegam a um acordo, a Justiça do Trabalho passa a arbitrar o dissídio
obrigando-as a seguir a sentença promulgada. Em geral esses acordos estabelecem garantias de
renda (piso salarial, condições de reajustes, etc.) e ampliam os direitos individuais do trabalhador
[Cacciamali (1993a)].

A adoção do contrato coletivo de trabalho no nível nacional, asso- ciada a esse sistema de relações
de trabalho pode, de fato, pro- vocar um maior enrijecimento do mercado de trabalho, causando
efeitos negativos como desemprego e informalidade. Contudo, a busca por relações de trabalho mais
flexíveis compatíveis com o novo sistema de produção não deve implicar uma diminuição dos direitos
coletivos de emprego e renda. Um contrato coletivo que respeite as peculiaridades da economia
brasileira pode atender a essas duas exigências.

No que tange, portanto, à implantação do contrato coletivo de trabalho, é imprescindível, ao nosso


ver, direcionar as relações capital-trabalho de um modelo arbitrado pelo Estado para um modelo de
negociação, parcerias e remunerações associadas aos ganhos de produtividade e à participação nos
lucros, que poderiam ser articuladas com as câmaras setoriais. A multiface- tada realidade nacional
exige, entretanto, que vigore um sistema de contratos coletivos, articulados a partir dos níveis
abrangentes para os mais específicos, com cláusulas em nível nacional para atender, principalmente,
àqueles grupos de trabalhadores menos organizados ou de setores/regiões menos desenvolvidas.
Deve- se deixar claro também que, com ele em vigor, reduziria o escopo de atuação da Justiça do
Trabalho, mas não diminuiria uma ativa presença do Estado na formulação de políticas específicas, e
muito menos na manutenção e fiscalização de normas legais que garantam direitos individuais e
coletivos.

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2.3 Política de Treinamento e de Requalificação de Mão-de-Obra


A importância da formação e qualificação da mão-de-obra como política para a geração de empregos
reside não apenas no fato de adaptar o trabalhador às novas exigências de produção e or- ganização
das empresas, mas, e talvez mais importante, permitir a ampliação do conjunto de atributos da
pessoa, de modo a tor- ná-la mais preparada às rápidas mudanças socioeconômicas do mundo
moderno.

Como salientado na primeira parte do artigo, os padrões de pro- dução das economias desenvolvidas
estão se transformando rapidamente, por meio dos processos de automação industrial e de novas
técnicas de organização. O paradigma tecnológico ime- diatamente anterior — o modelo
taylorista/fordista de gestão e produção — exigia claramente dois tipos de empregados. O tra-
balhador qualificado, que exercia as funções de gerenciamento e supervisão, e o trabalhador
desqualificado (a grande maioria), que ocupava os postos de produção caracterizados por tarefas
rotineiras e repetitivas. Dessa maneira, o aprendizado do traba- lhador era feito dentro do próprio
ambiente de trabalho ou medi- ante programas de treinamento direcionados exclusivamente ao
aprendizado de tarefas específicas.

O novo paradigma que se delineia se caracteriza por um proces- so de produção em pequenos e


médios departamentos e/ou fir- mas altamente flexíveis, nas quais não só o preço, mas a quali- dade
e a diferenciação do produto são os elementos mais impor- tantes na concorrência. A utilização do
sistema de máquinas e equipamentos passa a requerer a mínima interferência humana. Agora, o
trabalhador precisa exercer uma multivariedade de tare- fas, nas quais se requer maior capacidade
de autonomia para intervir no processo produtivo. A qualificação do trabalhador pas- sa a exigir,
portanto, um conteúdo maior e mais amplo de educa- ção geral para obter uma série de habilidades
diferenciadas (ra- ciocínio lógico, capacidade de julgamento, etc.).

Ainda não se pode antever com clareza qual será o novo padrão de produção futuro no Brasil. As
mudanças que vêm ocorrendo na estrutura produtiva do país não permitem estabelecer, de mo- do
definitivo, qual será seu contorno e grau de heterogeneidade. Contudo, algumas empresas líderes de
setores-chave da econo- mia brasileira, tais como o automobilístico, o químico, a indústria de base, o
eletroeletrônico e o de material de transporte, apontam mudanças neste sentido.

Pesquisa realizada junto a 132 empresas líderes do setor indus- trial brasileiro [SENAI (1992)] revela
que muitas delas já adotam, ou estão em vias de adotar, a automação industrial e as novas técnicas
de organização. Nesse novo ambiente, requer-se uma maior integração e coordenação na
organização da produção e nos processos de trabalho, no qual todos os participantes devem atuar de
forma mais ativa nos processos decisórios e nas tarefas típicas de gestão. O consenso é que cada
vez mais essas mu- danças aumentarão a demanda por mão-de-obra qualificada. Dentre os novos
atributos exigidos, destacam-se o raciocínio lógico, a capacidade de concentração, o conhecimento
técnico geral, a habilidade para aprender novas qualificações, a capaci- dade de comunicação oral e
escrita e a iniciativa para resoluções de problemas. E a forma de aquisição desses atributos depende
não somente da formação profissional, mas principalmente da educação geral.

No Brasil, afora o sistema público de educação formal, as únicas instituições públicas que as
empresas industriais e comerciais contam para a capacitação da força de trabalho são o Serviço
Nacional de Aprendizagem da Indústria (SENAI)/ Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio
(SENAC). Dessa forma, no novo padrão de produção, a educação básica e formal deve estar inti-
mamente articulada com o treinamento e a recapacitação técnica da força de trabalho. Enquanto, o
SENAI/ SENAC deve continuar executando suas funções tradicionais, é recomendável que ele passe
a adaptar os seus currículos às novas exigências profissio- nais, não apenas para o setor industrial,
mas também para o se- tor terciário. Soma-se a isso a necessidade de uma nova configu- ração de
política pública de treinamento, com a reformulação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
(SENAR) e a ampliação dos programas voltados para as comunidades.

Assim, a requalificação dos recursos humanos, a nosso ver, trará a necessidade de construir um
esquema bem articulado entre empresas, sindicatos e poder público, visando ao melhor uso e
controle dos recursos. E mais, haverá que se aprofundar a articu- lação entre ensino técnico-
profissionalizante e educação formal, no âmbito do ministério e secretarias de Educação e do sistema
SENAI/SENAC/SENAR. A este respeito, o Brasil apresenta uma e- norme defasagem em
comparação com a grande maioria das economias industrializadas. O tema educação básica e formal

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tem uma escassa vinculação com o ensino técnico e este, por sua vez, tem uma frouxa relação com o
sistema de formação dos recursos humanos das empresas. Destaca-se, aliás, que a forma- lização
de uma política de capacitação técnico-educacional é um princípio estabelecido em propostas que
visam substituir a Con- solidação das Leis do Trabalho, constando também da legislação que
regulamenta o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) —, que financia o seguro-desemprego.

2.4 Apoio às Micro e Pequenas Empresas


Para efeito de políticas públicas de emprego, a característica mais importante das micro e pequenas
empresas é serem gran- des geradoras de emprego, em comparação com as grandes empresas, em
virtude dos menores requerimentos de capital in- vestido para criar uma oportunidade de emprego —
4 mil vis-à-vis 30 mil dólares. O Sindicato das Micro e Pequenas Empresas In- dustriais do Estado de
São Paulo (SIMPI) estima que, em média, cada microempresa instalada gera sete empregos diretos e
que- torze indiretos — o fator multiplicador varia em função do setor de atividade. Estas informações,
embora devam merecer uma avali- ação mais apurada, não devem obscurecer o fato de que as mi
cro e pequenas empresas se caracterizam por serem intensivas em mão-de-obra.

A dificuldade analítica maior com que se defronta qualquer estudo sobre pequenas e microempresas
é a sua conceituação. Para fins práticos, elas são geralmente definidas pelo número de pessoas que
ocupam, ou pelo montante de receita que geram em um de- terminado período. Esta forma de
conceituação, embora passe por cima de alguns problemas (como o de suas heterogeneidade e
diversidade), permite obter empiricamente uma aproximação sobre sua natureza e características.

Dessa maneira, as microempresas foram definidas pelos censos econômicos, de acordo com seu
estatuto legal — Lei 7 525, de 27/11/84 —, como pessoas jurídicas e pessoas individuais que têm
receita bruta anual igual ou inferior ao valor nominal de dez mil ORTNs (Obrigações Reajustáveis do
Tesouro Nacional) no mês de janeiro de cada ano base, quantia que na época repre- sentava cerca
de US$ 39 mil.

Com base nessas informações, estudo de Cacciamali (1992) estimou que esse tipo de empresa
correspondia a aproximada- mente 77,20% do total de estabelecimentos produtivos do país no ano
de 1985, os quais empregavam cerca de 20% do total dos ocupados, gerando algo em torno de 3%
do total da receita bruta. Elas são representativas em todos os setores da atividade eco- nômica,
predominando, todavia, no total dos estabelecimentos dos setores de serviços (90,43%) nos ramos
de alimentação, alojamento, manutenção e reparação; de comércio (73,75%); no ramo varejista
destinado à distribuição de alimentos, bebidas e fumo; e nas atividades industriais (62,63%) em
produtos alimenta- res, minerais não-metálicos, peças de vestuário e calçados, ma- deira e mobiliário.

Do total de microempresas no país naquele mesmo ano, quase metade se concentrava no setor
comércio (48,21%), tendo as atividades de serviços ocupado a grande parcela restante (39,38%).
Vale ressaltar que esta distribuição é homogênea para todas as regiões. Do ponto de vista espacial, a
região Sudeste concentrava a maior parte das microempresas (48,7%), do pessoal ocupado (48,5%)
e das receitas geradas (48,2%), seguida da região Nordeste com 21,7%, 22,4% e 21,4%
respectivamente.

A média dos ocupados correspondia a 2,6 indivíduos por estabe- lecimento. A maioria das
microempresas do país — 66,28% — produzia com o número máximo de duas pessoas e quase 90%
empregava até quatro pessoas. A força de trabalho nestas unida- des produtivas era constituída
principalmente pelos proprietários e sócios (46,55%), logo seguida pelos empregados contratados
(42,20%) e por cerca de 11% de mão-de-obra familiar.

A receita média anual dessas unidades alcançou cerca de doze mil dólares, e nos estabelecimentos
que ocupavam até duas pes- soas, esta não chegou a dez mil dólares. A renda líquida anual
disponível para os proprietários ou sócios era de pouco mais de US$ 1 200, e para os empregados,
cerca de US$ 767.

Tendo como pano de fundo essas características gerais, uma política de apoio às pequenas e
microempresas deve atentar não apenas para os aspectos concernentes à demanda de trabalho,
mas principalmente para aqueles que se referem à sua oferta.

Quanto aos primeiros aspectos, ainda há um grande espaço de atuação do poder público tanto no
que se refere à definição de um regime fiscal próprio, linhas de crédito específicas e desburo-

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cratização para a instalação e funcionamento das unidades, quanto no auxílio à gestão das já
existentes em busca de uma maior eficiência produtiva e administrativa. A título de ilustração da
distância que ainda separa os órgãos púbicos deste tipo de organização econômica, quase metade
do total das microempre- sas — 43,02% — não estava registrada legalmente no ano de 1985.

Contudo, uma política de geração de empregos não deve se con- tentar em apenas criar novos
postos de trabalho, mas principal- mente atender à exigência da qualidade dos empregos gerados. E
esta não é uma virtude das pequenas e microempresas. Pelo contrário, os empregos nestes tipos de
estabelecimentos se ca- racterizam pelos baixos salários e produtividade, ausência de registro em
carteira de trabalho, e poucas possibilidades de pro- piciar treinamento e/ou mobilidade vertical ao
trabalhador. Cacciamali (1993b) atesta, para o ano de 1992, que mais da metade dos assalariados
(56,9%) do setor privado da Grande São Paulo que trabalha em empresas de até cinco empregados
não possui registro em carteira de trabalho. Esta participação alcança 24,3% nas empresas que
absorvem de seis a 49 empregados. Ademais, a maioria desses assalariados não-regulamentados
são jovens (47,3% têm entre dez e 17 anos) e possuem baixa escolaridade (apenas 9,4% têm 2 o grau
completo ou 3o grau).

Dessa maneira, se uma política de apoio às pequenas e micro- empresas se restringir apenas ao
estímulo de criação de novos estabelecimentos, esta pode ter um efeito perverso de longo pra- zo ao
incentivar aquelas atividades menos produtivas e mais ine- ficientes, e ao reproduzir em escala maior
as desigualdades es- truturais da distribuição da renda pessoal do trabalho já tão co- nhecidas. Por
outro lado, se esta política concentrar seus esfor- ços na melhoria da qualidade do trabalhador
engajado nesta ati- vidade econômica, tanto permitindo um aprimoramento dos seus atributos quanto
possilitando uma abertura do leque destes, é possível aumentar a produtividade do trabalho e os
rendimentos auferidos, bem como ampliar a capacidade de mobilidade vertical do trabalhador.
Portanto, os programas de apoio às pequenas e microempresas devem estar sintonizados com os
programas de treinamento e qualificação da mão-de-obra, reduzindo a ênfase dada às firmas e
dedicando maior atenção ao lado das famílias.

Por fim, dada a heterogeneidade e diversidade setorial e espacial das pequenas e microempresas, é
prudente que estes programas de apoio — tanto de modernização tecnológica, organizacional e de
estratégias mercadológicas para a empresa, quanto de educa- ção e qualificação da mão-de-obra —
sejam desenvolvidos de modo tópico e localizado, com monitoramento, de forma a garan- tir que o
verdadeiro alvo seja atingido, e que os possíveis efeitos perversos indiretos dessas políticas sejam
minimizados.

2.5 Programa de Geração de Emprego e Renda


As recentes mudanças na estrutura de produção e emprego no Brasil apontam para um ajuste
heterogêneo no mercado de traba- lho. O aumento do assalariamento sem registro e dos trabalhado
res por conta própria é significativo em todas as regiões do país [Cacciamali (1992)]. Estas formas de
inserção do trabalhador na organização produtiva se caracterizam pela sua heterogeneidade de
situações (nível de renda, qualidade das condições de traba- lho) e pela ausência de proteção social
(seguridade, saúde, etc.). Este traço marcante do mercado de trabalho no Brasil requer medidas
específicas concernentes às regiões, às áreas metropoli- tanas, municípios e aos tipos de atividade,
tendo em vista que, em especial nas regiões menos desenvolvidas, estas formas de inserção estão
associadas aos estratos sociais carentes (renda, educação, saúde, habitação, saneamento, etc.).

Uma retomada do crescimento econômico pouco garante que estas pessoas sejam reincorporadas
de forma adequada ao novo modelo de produção e de trabalho. Dessa maneira, um programa de
geração de emprego e renda que atenda a estes trabalhado- res se torna imprescindível para garantir
as suas condições mí- nimas de sobrevivência.

As atuais políticas de apoio ao setor informal e as políticas de formação de empresas sociais e


cooperativas têm como objetivo aumentar a renda das famílias envolvidas nessas atividades, por
meio da oferta de diferentes tipos de treinamento gerencial — visando despertar e/ou aprimorar o
espírito empreendedor do indivíduo, a análise de custos, as estratégias de mercado, etc. — e,
dependendo do programa, mediante linhas de crédito para capital de giro. No caso específico da
formação de empresas cooperativas/associativas, muitos programas encontram-se volta- dos para
organizar populações muito pobres, quase ou totalmen- te excluídas do sistema produtivo. Acoplado
a esse fim, muitos também trazem uma proposta política de incorporar essas coleti- vidades ao

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processo de construção da cidadania.

Ao nosso ver, estas políticas devem continuar como forma de atuação localizada do poder público
àqueles não atendidos pelos demais programas com o objetivo multifacetado de assistência social,
de integração ao mercado e de ação pela cidadania.

Sistema Financeiro e Crescimento Econômico: uma Aplicação de Regressão Quantifica

1 Introdução

Desde meados dos anos 1980 a teoria do crescimento econômico vem sendo revigorada como
consequência do surgimento de uma vasta variedade de modelos que buscaram sintetizar os
determinantes do crescimento, isto é, do aumento da capacidade produtiva de uma economia.
Encontrar alternativas para explicar o resíduo de Solow1tornou-se assunto de alta relevância na
agenda acadêmica. Como resultado desse interesse, surgiram os modelos de Romer (1986), Rebelo
(1991), Lucas (1988) e Mankiw, Romer e Weil (1992), 2 os quais frisaram que o conhecimento, o
progresso técnico e o capital humano são fatores determinantes para o crescimento econômico.

Nesse cenário, ressurge o interesse pelas considerações de Schumpeter (1911) referente ao papel
relevante do sistema financeiro para o crescimento econômico, bem como são revistos os trabalhos
de Goldsmith (1969) e Shaw (1973), estudiosos que encontraram evidências empíricas acerca da
relação positiva entre o mercado financeiro e o crescimento econômico. Dentre os autores que
construíram modelos conectando o desenvolvimento financeiro e crescimento econômico encontram-
se: Bencivenga e Smith (1991); Khan (1999); Pagano (1993); Becsi e Wang (1997); Levine (1997);
Bebczuk (2001). A idéia central desses modelos refere-se ao fato de a intermediação financeira
permitir maior eficiência na alocação dos recursos financeiros, o que corresponde a maior captação
de poupança e, consequentemente, maiores recursos para emprestar, que podem se destinar ao
melhoramento do capital físico e humano, o que, por sua vez, gera crescimento econômico.

A proposta deste trabalho é mostrar os argumentos da literatura afim sobre a relevância do sistema
financeiro como um dos determinantes do crescimento econômico, além de testar algumas hipóteses
sobre a existência ou não de uma correlação positiva entre desenvolvimento financeiro e crescimento
para dados disponíveis de 77 países.3 Utiliza-se a técnica de Regressão Quantílica porque esta
fornece uma visão mais detalhada dos impactos gerados pelo sistema financeiro na distribuição
condicional da variável resposta (crescimento econômico). Para alcançar tal objetivo, o trabalho
estrutura-se da seguinte forma: a seção 2 descreve o ambiente de informação assimétrica no qual o
mercado financeiro está incluso, além de descrever suas eventuais virtudes em relação à eficiência
alocativa dos recursos financeiros; a seção 3 mostra as funções do sistema financeiro em uma
economia de mercado; a seção 4 expõe a técnica aplicada no teste empírico; a seção 5 descreve os
dados e analisa os resultados obtidos; e a seção 6 sumaria algumas conclusões.

2 Sistema Financeiro: Fatores Favoráveis À Eficiência Alocativa

O sistema financeiro é composto de vários intermediários, em que fazem parte o Banco Central, além
de bancos comerciais e de investimentos, corretoras de valores, fundos de investimentos, fundos de
pensão, bolsas de valores e companhias de seguro. Contudo, a literatura da área apresenta uma
certa tendência a colocar os bancos como sendo os representantes legítimos 4 do sistema financeiro.
Uma possível justificativa pode está relacionada ao fato de os bancos serem responsáveis por mais
de 60% da fonte de fundos externos de empresas não-financeiras.5

A existência do sistema financeiro está condicionada a imperfeições de mercado, tais como falhas no
canal de transmissão de informação entre os agentes econômicos e distanciamento do mercado
competitivo (poder de mercado). As trocas entre os agentes tornam-se mais onerosas quanto mais
graves são as falhas de mercado, podendo, como caso limite, inviabilizá-las. A intermediação
financeira surge, então, como um mecanismo para minimizar tais imperfeições, facilitando
(intermediando) a alocação dos recursos entre poupadores e tomadores de empréstimos e, dessa
forma, transmitindo aos investimentos produtivos os recursos necessários.

Na Figura 1 pode-se visualizar que o ato de poupar é disjunto do ato de investir, isto é, o indivíduo
que poupa, em sua grande maioria, não é o mesmo que realiza os investimentos produtivos. Assim,
quando a economia se afasta do ambiente competitivo, há perda de recursos para o setor produtivo,
pois os custos de transação e os custos de informação envolvidos em uma transação podem

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somar quantias que inviabilizem as transações. Portanto, a eficiência propiciada pelo sistema
financeiro reside exatamente na redução dos custos de transação e custos de informação no
momento em que o contrato financeiro é firmado.

Os custos de transação referem-se aos gastos envolvidos na transação financeira, tais como o
processo de reuniões entre os interessados, o pagamento advocatício para redação de contrato,
entre outros. Os custos de transação podem ser reduzidos, substancialmente, com a introdução dos
intermediários financeiros (bancos), pois estes desenvolveram uma especialização (expertise) nessa
atividade, obtendo, assim, vantagens relativas a ganhos de escala, isto é, a redução do custo à
medida que o número de transações é aumentado. Segundo Mishkin (2000), os baixos custos de
transação de um intermediário financeiro significam que ele pode fornecer a seus clientes serviços de
liquidez, que permitam agilidade para os clientes ao realizar as transações.

Custos de informação, por sua vez, dizem respeito aos custos provenientes da assimetria de
informação entre o agente e o principal, ou seja, uma das partes do contrato está mais informada do
que a outra. Quando há assimetria de informação, conflitos de interesses tendem a ocorrer. Há dois
tipos de problemas vindos da assimetria de informação: seleção adversa e risco moral. O primeiro
ocorre antes que a transação ocorra. Seleção adversa torna-se um problema no mercado financeiro
devido ao fato de que é mais provável que tomadores com riscos de crédito elevados demandem
crédito, aumentando, assim, a probabilidade que estes sejam selecionados. Sabendo de antemão
dessa relação, os emprestadores podem decidir não conceder empréstimos, pois não conseguem
distinguir os bons dos maus tomadores de crédito.6 O segundo ocorre depois que a transação é
efetuada. O risco moral se refere ao risco de os tomadores de crédito se engajarem em atividades
indesejáveis do ponto de vista do emprestador, pois tais atividades reduzem a probabilidade de que o
empréstimo seja pago. Da mesma forma que a seleção adversa, o risco moral pode ocasionar o fim
da concessão de crédito como uma forma de proteção ao risco do emprestador.

Como os problemas provocados pela informação assimétrica podem colapsar o mercado de crédito,
torna-se fundamental a presença de intermediários financeiros para amenizar esses problemas, uma
vez que esses são mais bem equipados do que agentes individuais para distinguir os riscos de
créditos ruins dos bons, bem como criar um aparato para monitorar as ações dos tomadores de
crédito. Assim, intermediários financeiros tendem a melhorar o bom funcionamento do mercado
financeiro, facilitando a transferência de poupança entre emprestador e tomador de crédito, o que
tende a gerar, como resultado final, aumento de recursos para o setor produtivo, ocasionando
crescimento econômico.

Segundo Becsi e Wang (1997), o canal de transmissão ou de conexão entre o crescimento


econômico e sistema financeiro reside no fato que esse último pode aumentar tanto
a quantidade quanto a qualidade do investimento agregado. O processo de intermediação amplia a
probabilidade da realização de investimentos mais lucrativos. O aumento da quantidade dos
investimentos se deve às economias de escala, visto que o sistema financeiro reduz os custos
envolvidos em uma transação financeira e, dessa forma, consegue captar mais recursos que podem
ser utilizados em investimentos no setor privado.

A qualidade dos investimentos é ampliada com a intermediação financeira porque o intermediário


está mais disposto a financiar projetos que são mais arriscados7 (possuem uma rentabilidade
esperada mais elevada) do que um poupador individual, pois este último possui o perfil de ser avesso
ao risco. O intermediário financeiro se beneficia de sua escala de produção (especialização), visto
que essa lhe permite diversificar sua carteira de investimentos, diluindo o risco a níveis razoáveis.

Outro canal pelo qual o sistema financeiro pode promover o crescimento é proporcionando às famílias
menos abastadas recursos para acumulação de capital humano,8 pois, de outra forma, essas
famílias não teriam acesso à educação, por ser a educação um bem caro. Assim, tanto por reduzir a

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necessidade de liquidez das firmas como por resolver o problema de indivisibilidade de alguns
investimentos, quanto por facilitar a acumulação de capital (físico e humano), o sistema financeiro
contribui para criar um ambiente mais propenso ao crescimento econômico.

Dada a importância de um sistema financeiro no estímulo ao processo produtivo de uma economia, é


relevante listar algumas das principais funções desse setor. A próxima seção aborda este tema.

3 Funções Do Sistema Financeiro

A seção anterior expôs o cenário econômico no qual o sistema financeiro está incluído. Percebe-se
que o mundo real é caracterizado pela presença de assimetria de informação e poder de mercado, o
que dificulta a alocação eficiente dos recursos financeiros, caso não haja um intermediário financeiro
entre poupador e investidor. Listam-se, a seguir, algumas funções do sistema financeiro que lhe
conferem a capacidade para promover a eficiência alocativa dos recursos financeiros. São elas: a)
mobilização de recursos; b) alocação dos recursos no espaço e no tempo; c) administração do risco;
d) seleção e monitoração de empresas; e e) produção e divulgação de informação. Abaixo, descreve-
se cada uma dessas funções:

a) Mobilização de recursos

Compreende a função de agregação de poupanças individuais. Com esta função, o sistema


financeiro permite aos investidores individuais o financiamento completo de seus projetos. Não
havendo intermediação por parte de bancos ou outros participantes do sistema financeiro, o
investidor estaria restrito a um projeto passível de implementação somente com seus recursos
próprios. Assim, investimentos que necessitassem de grandes volumes de recursos só poderiam ser
implementados por pouquíssimas famílias abastadas, ou seja, reduziria muito a probabilidade do
investimento ser efetivado, pois nem todas as famílias ricas possuem interesse em produzir ou
mesmo possuem o espírito empreendedor. Segundo Carvalho (2002), para que as firmas alcancem
escalas economicamente eficientes é essencial que tenham acesso à poupança de vários indivíduos,
situação perfeitamente compatível com a intermediação financeira.

b) Alocação dos recursos no espaço e no tempo

Refere-se à importante função de fornecer recursos a projetos de longa duração. Os indivíduos que
poupam possuem um horizonte de curto prazo,9 o que lhes confere um perfil de concessão de
empréstimos de alta liquidez, isto é, eles podem desejar converter seus empréstimos em moeda em
um período pequeno de tempo. No entanto, investimentos10 que criam maiores retornos necessitam
de um período maior de maturação. Forma-se, deste modo, um conflito de interesses. O sistema
financeiro atua no sentido de intermediar essas transações, pois ele capta o depósito do poupador,
garantindo-lhe o direito a liquidez, e empresta ao investidor a prazo mais elástico. Esse sistema torna-
se mais eficiente quanto maior o número de transações realizadas pelo intermediário financeiro.

c) Administração do risco

Os intermediários financeiros figuram como os agentes mais preparados para minimizar os riscos que
envolvem as transações financeiras. Isto ocorre devido à diversificação da carteira de concessão de
crédito aos diferentes tipos de riscos envolvidos em cada atividade produtiva. Dito em outras
palavras, o sistema financeiro busca se proteger dos riscos emprestando a diferentes firmas e
setores, pois alguns projetos fracassarão e outros serão bem-sucedidos, mas, na média, o resultado
será positivo. Segundo Bebczuk (2003), os agentes enfrentam dois tipos de riscos: risco
idiossincrático e risco sistemático. O primeiro pode ser entendido como inerente à natureza do
projeto, o qual pode ser mensurado pela incerteza quanto ao retorno desse projeto após a maturação
do investimento. A melhor maneira de minimizar os problemas decorrentes deste tipo de risco é via
diversificação de investimentos, pois esta funciona como redutor de custos idiossincráticos, porque,
na agregação dos investimentos, o retorno esperado é preservado positivo. O segundo refere-se a
situações adversas que podem ocorrer com ambos os tipos de investimentos, sendo a probabilidade
de ocorrência igual para todos.11 Assim, uma forma de minimizar esse risco é garantir maior liquidez
aos investimentos, para que haja recursos para eventuais necessidades.

d) Seleção e monitoração de empresas

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

O sistema financeiro possui a importante função de selecionar e monitorar as empresas que possuem
as melhores propostas de investimento produtivo. Esta função é exercida, primordialmente, pelos
intermediários financeiros, uma vez que estes estão mais bem equipados do que agentes individuais,
pois estes últimos não têm o conhecimento técnico necessário, bem como a escala ótima que lhes
permitiria selecionar e monitorar as empresas ou investidores a um custo economicamente
suportável. Portanto, por causa das economias de escala, o sistema financeiro pode coletar um
grande número de informação, adquirir especialização e criar condições críveis para monitorar as
ações dos tomadores de crédito, com o intuito de garantir que o principal e os juros sejam pagos.

e) Produção e divulgação de informação

A informação é um bem extremamente importante quando se consolida uma transação, seja ela
financeira ou não. A presença de informação assimétrica causa desvantagens para a parte que
estiver menos informada, pois a parte mais informada pode utilizar a informação que possui a mais
para seu próprio proveito, e isto pode gerar ineficiência econômica. A assimetria de informação, como
visto anteriormente, pode ocasionar problemas de seleção adversa e de risco moral, problemas que
podem até mesmo colapsar o mercado de crédito. Com a atuação do sistema financeiro, esses
problemas são minimizados, permitindo o funcionamento a contento do mercado de crédito.
Entretanto, a informação gerada pelo setor financeiro tende a transcender os problemas de seleção
adversa e risco moral pertencentes às duas partes da transação financeira (poupador e tomador de
empréstimo), pois o mercado como um todo se beneficia. Por exemplo, quando um banco concede
um empréstimo para uma determinada empresa, ele não só está fornecendo liquidez para a firma (a
qual investirá na ampliação da capacidade produtiva) como também está sinalizando, indiretamente,
para o mercado que esta firma está "saudável" economicamente, uma vez que o banco analisou seu
projeto e concedeu empréstimo. Neste sentido, o sistema financeiro poderia ser pensado como um
indicador de qualidade de firmas.13

4 Desenvolvimento Financeiro E Crescimento Econômico: Evidências Empíricas

As seções anteriores mostraram, de forma esquemática, os insights teóricos sobre a relevância do


sistema financeiro no processo de alocação dos recursos para a acumulação de capital físico e
humano, os quais são variáveis importantes para a determinação do crescimento econômico. O
objetivo neste trabalho é exatamente testar as predições da teoria que associa desenvolvimento
financeiro ao crescimento econômico.

Para tal propósito, utiliza-se a técnica de Regressão Quantílica,14 a qual permite analisar a
associação contemporânea entre a variável resposta (medidas de crescimento econômico) com as
variáveis explicativas (medidas de desenvolvimento financeiro) nos diversos quantis da distribuição
condicional. Assim, obtém-se um mapeamento mais completo do impacto do desenvolvimento
financeiro sobre o crescimento econômico, pois se consegue investigar como cada quantil responde,
em vez de se ter somente uma reta de regressão para o caso da média. Algumas vantagens
inerentes à regressão quantifica sobre os MQO podem ser listadas da seguinte forma (Koenker e
Bassett, 1978):

• A técnica de regressão quantifica permite caracterizar toda distribuição condicional de uma variável
resposta a partir de um conjunto de regressores;

• Regressão quantifica pode ser usada quando a distribuição não é gaussiana;

• Regressão quantifica usa a totalidade dos dados para estimar os coeficientes angulares dos
quantis, ou seja, não há sub amostras do conjunto de dados;

• Regressão quantifica é robusta a outliers;

• Por utilizar a distribuição condicional da variável resposta, podem ser estimados os intervalos de
confiança dos parâmetros e do regressando diretamente dos quantis condicionais desejados;

• Como os erros não possuem uma distribuição normal, os estimadores provenientes da regressão
quantifica podem ser mais eficientes que os estimadores por meio de MQO;

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

• A regressão quantifica pode ser representada como um modelo de programação linear, o que
facilita a estimação dos parâmetros. Muitos pacotes econométricos já possuem comandos próprios
para esta finalidade, tais como S-PLUS, Stata, SHAZAM, entre outros.

Regressão quantifica pode ser vista como uma extensão natural dos quantis amostrais para o caso
de um modelo linear yt = Xtb + et , que assume a seguinte forma:

em que r é a função "check" definida por

em que a função rq multiplica os resíduos por q, se eles forem não-negativos e por (q–1), caso
contrário, para que, dessa forma, sejam tratados assimetricamente.

5 Base De Dados E Resultados

O objetivo empírico deste trabalho é analisar se há uma relação positiva entre desenvolvimento
financeiro e crescimento econômico nos diversos quantis da distribuição condicional da variável
resposta. Para tal, utilizam-se duas medidas para representar a variável independente
(desenvolvimento financeiro) e duas medidas para indicar a variável dependente (crescimento
econômico). As medidas são:

a) Desenvolvimento financeiro

a.1) Medida de intensidade financeira (IF), financial depth, a qual pode ser entendida como o
tamanho do setor de intermediação financeira formal. Esta variável é medida a partir dos exigíveis de
curto prazo do sistema financeiro como uma fração do PIB. Se o sistema financeiro desempenha as
funções descritas neste trabalho, então se espera que a relação desta variável com as medidas de
crescimento econômico seja positiva. A intuição de se utilizar a variável intensidade financeira reside
no fato de os intermediários financeiros captarem recursos de curto prazo, convertendo-os em
empréstimos de longo prazo, beneficiando o crescimento econômico, pois assim permitem às firmas
um horizonte de investimento mais longo, além de garantir a liquidez dos depositantes;

a.2) Participação do crédito dos bancos comerciais em relação ao total de crédito


doméstico (BANCO), este último entendido como a soma do crédito provido pelo banco central e
demais bancos. Aqui se supõe que os bancos comerciais são mais eficientes na alocação dos
recursos financeiros do que o banco central. Neste sentido, quanto maior o volume de crédito dos
bancos comerciais em relação ao total de crédito doméstico, mais eficiente o mercado de crédito se
torna, tendendo a aumentar a capacidade produtiva da economia. Portanto, a relação é positiva com
o crescimento econômico.

b) Crescimento econômico

Ambas as medidas de crescimento econômico são correspondentes aos 77 países que compõem a
amostra deste trabalho. Estas são referentes ao período de 1980 a 1992 e foram obtidas a partir do
banco de dados da Summers-Heston.

b.1) Taxa de crescimento real média do PIB per capita (PIB). Esta foi calculada como a taxa de
crescimento geométrica;
b.2) Taxa de crescimento real média do capital per capita (CAPITAL). Esta foi calculada como
coeficiente de regressão por mínimos quadrados ordinários.

Além das variáveis listadas acima, também utilizou-se um conjunto de variáveis para controlar
características individuais de cada uma das 77 nações, pois outros fatores podem ter efeito sobre a
variável crescimento econômico. Entre estas variáveis estão: a) PIB real per capita em
1980,15 usando dados de Summers-Heston; b) taxa de inflação, definida em logaritmo natural; c)

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

comércio internacional médio para o período de 1980 a 1995, definido como a proporção das
importações mais as exportações sobre o PIB; e d) crescimento da escolaridade, medido como a
diferença (em log) dos anos de estudo da década de 1990 para a década de 1980, para um indivíduo
de 25 anos de idade.

A escolha desse conjunto de variáveis de controle se justifica por serem estas amplamente utilizadas
em trabalhos empíricos. Somente para citar alguns trabalhos que foram utilizados no processo de
seleção das variáveis, temos: Baumol et al. (1994); Barro (1991); Mankiw et al. (1992), Bebczuk
(2001), Levine et al. (2002), Barreto et al. (2004), entre outros. Cabe salientar ainda que todos os
dados foram obtidos da mesma base de dados (Summers-Heston), garantindo, assim, uniformidade
metodológica.16

A estimação dos resultados neste trabalho se dá em duas etapas. A primeira não utiliza as variáveis
de controle (PIB inicial, taxa de inflação, comércio internacional e escolaridade). Na segunda etapa,
tais variáveis são incluídas, com o intuito de verificar quão sensíveis são as variáveis de interesse
(medidas do desenvolvimento financeiro) quando são controladas características individuais dos
países.

A Tabela 1 mostra as estimativas obtidas pelo método de Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) e
Regressão Quantílica (RQ). A variável explicativa de interesse é a medida de intensidade
financeira (IF) e como variáveis dependentes a taxa de crescimento real do PIB per capita (PIB) e a
taxa de crescimento real do capital per capita(CAPITAL).

Na Tabela 1 percebe-se que os sinais dos coeficientes se comportam como o esperado, ou seja, a
intensidade da atividade do sistema financeiro impacta positivamente as medidas de crescimento
econômico. O aspecto da assimetria na resposta da variável dependente às variáveis explicativas
também foi confirmada pelos dados, visto que, para o caso da taxa de crescimento do PIB per capita,
a medida de desenvolvimento financeiro teve efeito positivo da ordem de 3,07% no quantil 0,75 e um
efeito de 4,55% para o caso da mediana (quantil 0,50).

A assimetria ainda é mais forte no caso da taxa real de crescimento do capital per capita (ver Tabela
1 e Figura 3), a qual varia de 2,79% (quantil 0,75) e 4,72% (quantil 0,10). Se se procedesse somente
a uma análise mais simples, empregando o método de MQO, ter-se-ia um valor de 3,79%, no caso da
taxa de crescimento do PIB per capita, e 3,5%, no caso da taxa de crescimento do capital per capita,
para todos os países, tanto os que cresceram mais rápido (quantis mais elevados) quanto os que
cresceram a taxas menores (quantis mais baixos). As Figuras 2e 3 mostram as retas de regressão
para os quantis condicionais. Percebe-se que em ambas as figuras a assimetria na resposta da
variável dependente para a variável explicativa é uma característica marcante.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Quando se analisa a variável crédito bancário como proporção do crédito doméstico (BANCO)
também encontra-se uma relação positiva com as medidas de crescimento econômico (ver Tabela 2).
Entretanto, quando se investiga o impacto da variável explicativa sobre a taxa de crescimento do
capital per capita, dois quantis não são significativos estatisticamente,17 quantis 0,75 e 0,90. Nas duas
medidas de crescimento econômico, a variável independente afetou de forma assimétrica
(ver Figuras 4 e 5), corroborando a hipótese de que países com diferentes magnitudes de
crescimento respondem diferentemente ao desenvolvimento financeiro.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Os modelos analisados até agora estimaram a relação entre as varáveis de crescimento econômico e
as variáveis de desenvolvimento do sistema financeiro, porém não foram controlados outros fatores
que também influenciam o crescimento econômico, como a literatura sugere. Sem tal controle, as
estimativas do efeito das medidas de desenvolvimento financeiro podem estar captando outros
efeitos que não seus próprios.18 No sentido de tentar mitigar tal problema, são acrescentadas nos
dois modelos construídos acima (Tabelas 1 e 2) variáveis de controle, como taxa de inflação,
comércio internacional, renda per capita inicial e crescimento da educação.

Quando são controladas as características individuais entre países, as evidências, mesmo assim, são
persistentes. Em valores absolutos, houve um aumento do impacto da variável BANCO sobre as
medidas de crescimento quando se controlaram fatores individuais das nações, sendo que ocorreu o
inverso no caso da variável intensidade financeira (IF), que teve seus coeficientes diminuídos, em
valores absolutos.

O único quantil que apresentou coeficiente negativo foi o quantil 0,10 no modelo taxa de crescimento
do PIB e a variável explicativa IF, mas não foi estatisticamente significativo. Ainda analisando este
modelo, a assimetria na resposta da distribuição condicional da variável taxa de crescimento do PIB
foi minimizada, sendo que todos os quantis estatisticamente significativos ficaram na casa dos 2%
(2,1% a 2,69%). A variabilidade nos quantis condicionais é maior no modelo em que a taxa de
crescimento do capital é a variável dependente. Esta varia entre 1,29 (quantil 0,10) a 2,66 (quantil
0,25).

Outra característica importante que a Tabela 3 possibilita inferir é que, quanto maior a taxa de
crescimento do PIB, maior é o impacto positivo da variável IF, reforçando a argumentação teórica de

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

que o sistema financeiro tem um papel decisivo no crescimento econômico. Esta tendência não é
plenamente verificada quando se utiliza a taxa de crescimento do capital como variável dependente.
Como pode ser visto na Tabela 3, há uma tendência crescente no valor do coeficiente do quantil 0,10
para o quantil 0,25, mas esta tendência é interrompida a partir do quantil 0,50, sinalizando declínio no
valor absoluto dos demais coeficientes. Contudo, mesmo declinando, estes ainda são maiores do que
o quantil 0,10.

Quando as variáveis de controle são consideradas na análise (Tabela 3), 19 estas assumem os sinais
convencionais sugeridos pela literatura, ou seja, taxa de inflação se relaciona negativamente com
crescimento econômico; comércio internacional e o crescimento da educação contribuem
positivamente para o crescimento econômico; renda per capita inicial também apresenta coeficiente
angular positivo, indicando que não há convergência entre os países. 20

O modelo que tem a variável BANCO como variável explicativa e controlada por características cross-
country é visto na Tabela 4. Quando se analisa o efeito da variável BANCO na distribuição
condicional da variável taxa de crescimento real do PIB per capita, percebe-se que somente dois
quantis são estatisticamente significativos: quantil 0,50 e quantil 0,75. Nestes dois quantis os
coeficientes ficaram praticamente iguais, com magnitude ao redor de 5,65%. As evidências são mais
contundentes quando se investiga o modelo que tem a variável taxa de crescimento do capital como
variável explicada. Neste modelo há a nítida tendência de crescimento na magnitude do coeficiente
quando se desloca do quantil menor (3,80%) para o maior (8,98%), evidenciando, novamente, a idéia
de que o sistema financeiro tem uma função mais ativa nos países de crescimento mais acelerado.

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PRODUÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Taxa de inflação e crescimento da educação têm os sinais convencionais sugeridos pela literatura,
negativo e positivo, respectivamente. Quando se analisam os coeficientes angulares da renda per
capita inicial não se pode inferir sobre a existência ou não de convergência, pois há evidências para
os dois casos, dependendo do quantil analisado. A variável comércio internacional foi a única a
apresentar sinal contrário ao indicado pela teoria econômica. Contudo, os coeficientes
estatisticamente significativos estão muito próximos de zero, ou seja, a sua contribuição para o
crescimento econômico é praticamente nula: ao redor de –0,02%.

Nos modelos acima (Tabelas 3 e 4) foram realizados testes para averiguar se as estimativas dos
coeficientes em cada quantil são estatisticamente diferentes entre si. 21 A técnica utilizada, bootstrap,
foi aplicada em duas etapas: i) com 20 repetições; e ii) com 100 repetições. Em ambos os casos, os
resultados qualitativos não se alteraram. Para o modelo da Tabela 3, não foi possível rejeitar a
hipótese nula de igualdade de coeficientes. Contudo, no modelo da Tabela 4, esta hipótese é
rejeitada, pois há pelo menos dois coeficientes (de quantis distintos) que são estatisticamente
diferentes. Em outros termos, pode-se afirmar que o impacto causado pelo sistema financeiro é
assimétrico ao longo da distribuição condicional da variável resposta. Neste sentido, técnicas
convencionais, que são voltadas somente para a média condicional, são incapazes de capturar esse
efeito. Por isto, o emprego de regressão quantifica torna-se mais atrativo, pois com esta metodologia
mais informação pode ser obtida dos dados.

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

Métodos de Produção

Na aula sobre Industrialização Clássica pudemos perceber como os avanços técnicos influenciaram
na evolução dos métodos produtivos. A invenção da máquina a vapor é o grande marco deste
período, porque possibilitou maior rapidez, produtividade e rendimento a uma produção que antes
era, praticamente, artesanal, baseada nas manufaturas.

Passadas a primeira e a segunda Revolução Industrial, a partir do início do século XX, outros
avanços técnicos e produtivos foram sendo elaborados. Em 1911, o engenheiro norte-americano
Frederick Taylor criava o modelo de administração científica, buscando diminuir o desperdício de
tempo na produção industrial. Alguns princípios tayloristas eram os seguintes:

– Planejamento das etapas do processo industrial.

– Seleção dos trabalhadores por aptidão e treinamento.

– Supervisão e controle.

– Disciplina na execução do trabalho.

– Principal objetivo era a produção em massa (e consequentemente o consumo em massa).

– Cada trabalhador faz apenas uma função no processo de montagem do produto.

O método de Taylor ganhou credibilidade no meio industrial porque possibilitava aumento na


produtividade e fazia com que os trabalhadores produzissem cada vez mais. Ele foi utilizado na
indústria automobilista pelo empresário americano Henry Ford que, ao fazer algumas adaptações aos
princípios tayloristas, estabeleceu o método Fordista (é comum utilizarmos a expressão
taylorista/fordista porque, de fato, possuem a mesma base teórica). A charge abaixo faz uma sátira
em relação ao método, mostrando o ponto de vista do operário neste processo industrial. Veja:

Em contraposição ao método taylorista-fordista foi criado no Japão, em meados da década de 1940,


o método de produção toyotista. Seus princípios básicos (que seguem abaixo) diferiam muito da
rigidez e disciplina exigidos no método anterior:

– Flexibilização da produção: produzir apenas o necessário, reduzindo o estoque ao mínimo.

– Produção por demanda (em contraposição à produção em massa).

– Automatização: utilização de máquinas que desligavam automaticamente caso ocorresse qualquer


problema.

– Um funcionário pode manusear várias máquinas ao mesmo tempo (exerce várias funções na
montagem do produto).

– Trabalho em equipe.

Podemos afirmar que, em muitos países, o método taylorista-fordista ainda é o mais frequente,
inclusive na indústria brasileira.

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

Em sala de aula fizemos uma breve dinâmica sobre o método taylorista-fordista, simulando duas
esteiras de produção e todas as etapas de montagem de um produto. O que acharam? O vídeo
abaixo mostra um trecho do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, do ano de 1936.

Os Modos de Produção Agrícola

▪ Agricultura de Subsistência e Itinerante

É o emprego de técnicas primitivas, intrumentos rudimentares, como por exemplo a roça ou a


coivara, usados pelos indígenas no Brasil, sendo assim um sistema simples de agricultura, voltado
para a subsistência. As características desse tipo de produção é a utilização de mão-de-obra
desqualificada, mais praticado pela agricultura familiar, com pequenas e médias propriedades,
utilizando pouca tecnologia. Este tipo de agricultura faz o uso da enxada ou das queimadas, o que
causa o esgotamento precoce do solo, obrigando o deslocamento para outras áreas. Além disso, a
produção da Agricultura de subsistência é direcionada, principalmente, para a sobrevivência de quem
a produz ou para o comércio urbano.

▪ Agricultura de Jardinagem

Este sistema é praticado pelos asiáticos, em planícies inundáveis ou áreas montanhosas. Em países
como o Japão, Indonésia, Tailância e China são construídos terraços nas montanhas onde ocorrerá a
plantação. Suas principais características são a insuficiência de espaço para o plantio, sendo
praticada em pequenas propriedades agrícolas. Usa grande número de mão-de-obra manual, adubos
e irrigação, obtendo uma grande produtividade, devido à otimização do espaço.

▪ Agricultura de Plantation

Este sistema é colonizado na África, América e Ásia, sendo típico dos países subdesenvolvidos (no
Brasil, era demonstrado pelas plantações da cana-de-açúcar). É cultivado em grandes propriedades,
representando os latifúndios, mas não apresenta grande produção. Faz uso de mão-de-obra barata e
desqualificada, com produção voltada para o mercado externo.

▪ Agricultura moderna e as empresas agrícolas

Diferente da Agricultura de Plantation, este sistema é típico de países desenvolvidos. Para se previnir
dos fenômenos da natureza e aumentar a produção, foram desenvolvidas técnicas aprimoradas de
plantio e de pecuárias, gerando a otimização do espaço rural. Utiliza técnicas modernas e
mecanização, pouca mão-de-obra, sendo esta, qualificada, e faz uso de sementes
selecionadas. Esse tipo de agricultura funciona como uma empresa e sua produção é destinada tanto
ao mercado interno quanto ao externo.

▪ Agricultura Coletiva

Diferentemente dos dois tipos acima, esta agricultura é presente em países socialistas, nos
quais a propriedade da terra é coletiva e sua produção visa atender à população do país. Nesse
sistema há grande presenta de cooperativas.

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

▪ Belts (cinturões agrícolas) e bacias leiteiras

Este tipo de sistema agrícola incorpora os mais avançados conhecimentos técnicos e científicos às
práticas agrícolas, sendo presente, principalmente, ao redor de grandes centros urbanos (metrópoles
e megalópoles). É direcionado a atender imediatamente às necessidades dessas cidades, fazendo
uso de técnicas tradicionais e tecnologia avançada. Nos cinturiões agrícolas, há grande produção de
leite e laticínios.

▪ Hidroponia

Este sistema é realizado dentro de estufas, sem uso de solo. É através de uma solução nutritiva,
contendo nitrogênio, potássio, fósforo, magnésio, etc., que a planta obtém os nutrientes que precisa
para se desenvolver. Qualquer água potável para consumo humano serve para hidroponia.

A agricultura dos tempos moderno e contemporâneo tem passado por mudanças como:

Êxodo Rural: O êxodo rural é o deslocamento de pessoas da área rural para área urbana. As
principais causas desse deslocamento são a busca por novas oportunidades de emprego, melhora de
infra-estrutura e de qualidade de ensino. No caso da agricultura, está principalmente ligado à busca
de mecanização para a produção rural.

Abandono Das Lavouras De Subsistência: Se dá pelo fato de que, cada vez mais, os agricultores
preferem realizar uma produção que seja destinada ao mercado. Assim, deixam de lado as lavouras
destinadas ao seu próprio consumo para produzir em áreas maiores, com mais tecnologia, para obter
mais lucro no mercado das cidades.

Mudanças Técnicas: No mundo moderno e contemporâneo passa a ocorrer a inserção de novas


tecnologias, com intenso uso de maquinário desenvolvido, desenvolvimento de pesquisas, sementes
selecionadas, técnicas modernas de plantio e de aproveitamento do solo.

Submissão Ao Grande Capital: Os agricultores de subsistência que não tem condições de


modernizar sua produção, tornam-se submissos e acabam vendendo seu serviço aos agricultores
que possuem o capital necessário para essa modernização.

A Indústria Entra No Campo: A partir do momento que a agricultura obtém uma grande
produtividade, a indústria passa a fazer parte dela, com o objetivo de obter lucro através desta
produção. Grande parte do que é produzido na agricultura mecanizada é direcionado ao mercado
interno e externo, incluindo às indústrias.

É possível que apenas 2% da população alimente o mundo? A indústria faz a agricultura


crescer? A que preço?

Não, pois a produção agrícola de 2% da população é muito pouco para alimentar todo o mundo, já
que cada vez a população aumenta e o setor primário da economia vai diminuindo. A indústria faz a
agricultura crescer, já que desenvolve muito mais os meios de produção e os métodos de plantio.
Porém, com a introdução da indústria na agricultura, ocorrem muitos impactos ambientais devido o
uso de agrotóxicos, a poluição de rios e do ar, etc. Além disso, o uso de máquinas para a produção

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

agrícola causa o desemprego, já que as máquinas passam a realizar o trabalho antes feito pelos
homens.

Conceito de Produção Agrícola

O conceito de produção agrícola é utilizado na área da economia para fazer referência ao tipo de
produtos e benefícios que uma atividade como a agrícola pode gerar. A agricultura, ou seja, o cultivo
de grãos, cereais e vegetais, é uma das principais e mais importantes atividades para a subsistência
do ser humano, pelo qual sua produção é sempre uma parte relevante das economias na maioria das
regiões do planeta, independentemente de quanto seja avançada a tecnologia ou a rentabilidade.

Quando falamos de produção agrícola nos referimos a tudo aquilo que é resultado da atividade
agrícola (a agricultura), por exemplo, cereais como o trigo ou o milho, vegetais e hortaliças como a
batata, a cenoura ou frutas como o morango, a maçã, etc. Todos estes produtos formam parte da
atividade agrícola e são utilizados em uma porcentagem muito alta como alimentos, embora possam
ser encontrados também outros usos para diversas indústrias (perfumaria, indumentária, higiene,
etc.).

A produção agrícola é uma variável que quem trabalha na área deve levar em conta na hora de
pensar em rendimentos e lucros. Isto acontece porque a produção agrícola deve ser controlada e
organizada de maneira apropriada, conhecer os ciclos da natureza e dos produtos a cultivar, assim
como os fatores climáticos que muitas vezes podem fazer perder anos de trabalho. Além disso,
devem considerar também elementos como o armazenamento dos produtos já obtidos em espaços
apropriados e que não permitam que esses produtos se percam. Finalmente, para que a produção
agrícola seja rentável, ela deve permitir recuperar e superar os investimentos realizados a fim de
gerar algum tipo de renda para o empresário.

Modos de Produção

Quando vamos a um supermercado e compramos gêneros alimentícios, bebidas, calçados, material


de limpeza, etc., estamos adquirindo bens. Da mesma forma, quando pagamos a passagem do
ônibus ou uma consulta medica, estamos pagando um serviço.

Ao viverem em sociedade, as pessoas participam diretamente da produção, da distribuição e


do consumo de bens e serviços, ou seja, participam da vida econômica da sociedade. Assim, o
conjunto de indivíduos que participam da vida econômica de uma nação é o conjunto de indivíduos
que participam da produção, distribuição e consumo de bens e serviços.

Exemplo: operários quando trabalham estão ajudando a produzir, quando, com o salário que
recebem, compram algo, estão participando da distribuição, pois estão comprando bens e consumo.
E quando consomem os bens e os serviços que adquiriram, estão participando da atividade
econômica de consumo de bens e serviços.

O modo de produção é a maneira pela qual a sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza
e os distribui. O modo de produção de uma sociedade é formado por suas forças produtivas e pelas
relações de produção existentes nessa sociedade.

Modo de produção = forças produtivas + relações de produção

Portanto, o conceito de modo de produção resume claramente o fato de as relações de produção


serem o centro organizador de todos os aspectos da sociedade.

Modo De Produção Primitivo:

O modo de produção primitivo designa uma formação econômica e social que abrange um período
muito longo, desde o aparecimento da sociedade humana. A comunidade primitiva existiu durante
centenas de milhares de anos, enquanto o período compreendido pelo escravismo, pelo feudalismo e
pelo capitalismo mal ultrapassa cinco milênios.

Na comunidade primitiva os homens trabalhavam em conjunto. Os meios de produção e os frutos do


trabalho eram propriedade coletiva, ou seja, de todos. Não existia ainda a idéia da propriedade
privada dos meios de produção, nem havia a oposição proprietários x não proprietários.

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

As relações de produção eram relações de amizade e ajuda entre todos; elas eram baseadas na
propriedade coletiva dos meios de produção, a terra em primeiro lugar.

Também não existia o estado. Este só passou a existir quando alguns homens começaram a dominar
outros. O estado surgiu como instrumento de organização social e de dominação.

Modo De Produção Escravista:

Na sociedade escravista os meios de produção (terras e instrumentos de produção) e os escravos


eram propriedade do senhor. O escravo era considerado um instrumento, um objeto, assim como um
animal ou uma ferramenta.

Assim, no modo de produção escravista, as relações de produção eram relações de domínio e de


sujeição: senhores x escravos. Um pequeno número de senhores explorava a massa de escravos,
que não tinham nenhum direito.

Os senhores eram proprietários da força de trabalho (os escravos), dos meios de produção (terras,
gado, minas, instrumentos de produção) e do produto de trabalho.

Modo De Produção Asiático:

O modo de produção asiático predominou no Egito, na China, na Índia e também na África do século
passado.

Tomando como exemplo o Egito, no tempo dos faraós, vamos notar que a parte produtiva da
sociedade era composta pelos escravos, que era forçados, e pelos camponeses, que também eram
forçados a entregar ao Estado o que produziam. A parcela maior prejudicando cada vez mais o meio
de produção asiático.

Fatores que determinaram o fim do modo de produção asiático:

• A propriedade de terra pelos nobres;

• O alto custo de manutenção dos setores improdutivos;

• A rebelião dos escravos.

Modo De Produção Feudal:

A sociedade feudal era constituída pelos senhores x servos. Os servos não eram escravos de seus
senhores, pois não eram propriedade deles. Eles apenas os serviam em troca de casa e comida.
Trabalhavam um pouco para o seu senhor e outro pouco para eles mesmos.

Num determinado momento, as relações feudais começaram a dificultar o desenvolvimento das


forças produtivas. Como a exploração sobre os servos no campo aumentava, o rendimento da
agricultura era cada vez mais baixo. Na cidade, o crescimento da produtividade dos artesãos era
freado pelos regulamentos existentes e o próprio crescimento das cidades era impedido pela ordem
feudal.Já começava a aparecer às relações capitalistas de produção.

Modo De Produção Capitalista:

O que caracteriza o modo de produção capitalista são as relações assalariadas de produção (trabalho
assalariado). As relações de produção capitalistas baseiam-se na propriedade privada dos meios de
produção pela burguesia, que substituiu a propriedade feudal, e no trabalho assalariado, que
substituiu o trabalho servil do feudalismo. O capitalismo é movido por lucros, portanto temos duas
classes sociais: a burguesia e os trabalhadores assalariados.

O capitalismo compreende quatro etapas:

Pré-capitalismo: o modo de produção feudal ainda predomina, mas já se desenvolvem relações


capitalistas.

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

Capitalismo comercial: a maior parte dos lucros concentra-se nas mãos dos comerciantes, que
constituem a camada hegemônica da sociedade; o trabalho assalariado torna-se mais comum.

Capitalismo industrial: com a revolução industrial, o capital passa a ser investido basicamente nas
industrias, que se tornam à atividade econômica mais importante; o trabalho assalariado firma-se
definitivamente.

Capitalismo financeiro: os bancos e outras instituições financeiras passam a controlar as demais


atividades econômicas, através de financiamentos à agricultura, a industria, à pecuária, e ao
comercio.

Modo De Produção Socialista:

A base econômica do socialismo é a propriedade social dos meios de produção, isto é, os meios de
produção são públicos ou coletivos, não existindo empresas privadas. A finalidade da sociedade
socialista é a satisfação completa das necessidades materiais e culturais da população: emprego,
habitação, educação, saúde. Nela não há separação entre proprietário do capital (patrão) e
proprietários da força do trabalho (empregados). Isto não quer dizer que não haja diferenças sociais
entre as pessoas, bem como salários desiguais em função de o trabalho ser manual ou intelectual.

Impactos Da Produção Agrícola

Os impactos da produção agrícola podem ser mais ou menos expressivos de acordo com as técnicas
e insumos utilizados no cultivo.

A agricultura é uma atividade milenar que primariamente visa à produção de alimentos. É fato que
sua importância não é alvo de questionamento, no que diz respeito ao atendimento de uma das
necessidades básicas dos seres humanos.

Desde a Pré-história, a humanidade utiliza os frutos da produção agrícola para a subsistência e, mais
tarde, para a produção de excedentes. O que mudou, e muito, foi a maneira como os agricultores
cultivam a terra. Os resultados dessa mudança não foram apenas positivos. No que diz respeito aos
recursos naturais e ao meio ambiente, existe uma grande preocupação.

A inovação nas técnicas produtivas, a mecanização e a utilização de insumos para melhorar a


produtividade e diminuir as perdas por causas naturais provocaram significativos impactos no meio
ambiente.

A mecanização da agricultura aumentou a produtividade e reduziu custos de produção, mas também


trouxe consigo impactos ambientais

Agricultura e meio ambiente

O desmatamento da área a ser cultivada constitui talvez o primeiro impacto da produção agrícola. O
terreno a ser cultivado precisa estar limpo para que se possa fazer a preparação do solo e o plantio
das sementes e mudas. Entretanto, esse é apenas um dos impactos ambientais possíveis de ser
gerados pela agricultura.

Vejamos outros impactos da produção agrícola sobre o meio ambiente:

• A mecanização da agricultura trouxe agilidade à produção, além de diminuir muito a necessidade de


mão de obra. Todavia, para a utilização desses maquinários agrícolas, é preciso queimar
combustíveis fósseis, como o óleo diesel, o que prejudica a qualidade do ar, ampliando a poluição
atmosférica;

• Poluição dos solos e da água em virtude da utilização de insumos agrícolas, como adubos
químicos, corretores do solo, pesticidas (os chamados agrotóxicos) etc. Quando a lavoura recebe a
chuva ou é irrigada, esses insumos podem escoar para os rios, contaminar os solos e o lençol
freático;

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MÉTODOS DE PRODUÇÃO

As técnicas aplicadas à agricultura, como a utilização de agrotóxicos, podem causar impactos ao


meio ambiente

• Diminuição da biodiversidade por causa do uso agrotóxicos (pesticidas), que, muitas vezes, são
pulverizados por aviões e atingem as áreas vizinhas, matando, assim, animais e plantas. O
desmatamento também contribui para a diminuição da biodiversidade;

• Erosão causada pela irrigação e manejo inadequado dos solos. A retirada da cobertura vegetal que
protege o solo também contribui para que surjam erosões. Além disso, a retirada da mata ciliar para o
plantio pode ocasionar o assoreamento dos rios;

• Exaustão dos mananciais de água doce – O maior responsável pelo consumo de água doce é a
atividade agrícola. Ela responde por mais da metade do consumo. Em tempos de diminuição
crescente de rios e córregos limpos, essa é uma questão preocupante.

Apesar de existirem muitas questões relacionadas com a produção agrícola e os impactos por ela
causados ao meio ambiente, tem havido uma crescente preocupação com essa questão. Estudos e
criação de técnicas que buscam diminuir os impactos ao meio ambiente são cada vez mais comuns,
como o reúso da água na agricultura e o incentivo à produção de alimentos e matéria-prima por meio
da agricultura orgânica, além do incentivo à utilização de fertilizantes e defensivos biológicos. Essas
iniciativas alimentam a esperança de que a produção agrícola possa ter uma convivência mais
amistosa com o meio ambiente.

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ESTRATÉGIA EMPRESARIAL

Estratégia Empresarial

O Que é Estratégia Empresarial?

Antes de explicar o que é estratégia empresarial, acredito que seja importante diferenciarmos este
conceito de planejamento. A minha experiência no mundo do empreendedorismo me leva a acreditar
que distinguir os dois termos é uma das grandes dificuldades de muitos empresários. Isso acaba
prejudicando a elaboração de ações que garantam a sua competitividade no mercado atual, em
constante mudança.

O planejamento é essencial para que as empresas definam os seus objetivos e estabeleçam o melhor
caminho para alcançá-los. Entre outros benefícios, aplicá-lo ajuda: a obter e aplicar os recursos
necessários para concretização do que foi estipulado; engajar todos os membros da organização
para que contribuam com os métodos escolhidos; e acompanhar os progressos, o que permite,
principalmente, prever e evitar problemas.

Pois bem, com a estratégia, basicamente podemos dizer que é o planejamento colocado em ação.
Trata-se do programa geral para garantir o desempenho da organização que a levará ao alcance de
seu objetivo. Ela é desempenhada consciente e racionalmente pelos administradores e determina
uma mesma direção, ou melhor, um padrão de reação da empresa ao contexto em que está inserida.

Afinal, o que é Estratégia Empresarial?

Estratégia, portanto, é a utilização de todos os recursos para atingir objetivo em longo prazo. Diante
disso, estratégia empresarial corresponde ao conjunto das metas, finalidades, fundamentos e planos
que permitem chegar até esse objetivo. Ela é postulada com base nas atividades da organização e na
sua missão (que tipo de empresa pretende ser).

Considero a estratégia empresarial a relação entre os recursos apresentados por uma empresa aos
desafios do mercado. Todas as organizações a têm, mesmo que não exponha explicitamente. É
possível identificá-la analisando a relação da empresa com seu ambiente, seu comportamento,
resposta e ajustamento ao contexto, sempre que necessário.

Para entender melhor o que é estratégia empresarial, vamos pensar na conjugação produto/mercado.
As empresas devem especificar aquilo que oferecem para atingir seus objetivos e atender as
demandas do meio em que pretendem operar. A partir disso, também se pode definir sua vantagem
competitiva, ou seja, seu diferencial perante seus concorrentes, que delimitará de forma mais
assertiva qual direção seguir rumo ao sucesso.

O que são Estratégias Empresariais

É como a empresa pretende alcançar os objetivos almejados na Administração Estratégica. É a


definição da rota, a organização dos recursos organizacionais para a caminhada da empresa no
mercado.

Quem Elabora?

As pessoas que estão à frente da gestão das empresas, podendo ser os gestores e empresários das
micro e pequenas empresas, ou a alta administração (diretoria) das médias e grandes empresas.

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ESTRATÉGIA EMPRESARIAL

Por que as Estratégias Empresariais são Importantes?

Porque pensar estrategicamente é fundamental para quem quer alcançar o sucesso empresarial,
sobrevivendo às mudanças constantes do mercado.

Muitas empresas nascem e crescem de forma desordenada, podendo até sobreviver por certo
período no mercado. Mas, em tempos de tantas mudanças nos aspectos políticos, econômicos,
sociais e tecnológicos, em um mercado altamente competitivo, sobreviver com resultados
diferenciados, exige muita organização, controle e inovação.

Se a empresa está iniciando, definir a estratégia que vai trilhar no mercado fará grande diferença,
pois, ao conhecer as potencialidades e as limitações para operação, falhas podem ser evitadas,
alcançando resultados mais consistentes com a sua razão de existir.

Se a empresa já está no mercado, é fundamental repensar a forma de operação. No ambiente de


constantes mudanças, pode ser necessário efetivar processos de reestruturação para sobrevivência e
competitividade. As reestruturações podem ser na forma organizacional, financeira, mas também dos
produtos e serviços oferecidos no mercado.

Alternativas Estratégicas

• Estratégias de Crescimento: estratégia empresarial para aumentar os lucros, as vendas, ou a


participação do mercado, aumentando o valor da empresa.

• Estratégias de estabilidade: quando há operações em diversos setores, a empresa pode querer


concentrar suas operações, seus esforços administrativos, nas empresas existentes, sem aumentar
suas unidades.

• Estratégias de redução: quando os resultados estão abaixo do esperado, ou a sobrevivência está


desafiadora, a redução pode ser uma estratégia de melhoria da situação negativa, podendo ser, de
reviravolta – mudanças para melhoria; desinvestimento ou liquidação se for o caso.

Como Elaborar

Para elaborar as estratégias empresariais, é importante seguir um roteiro, organizar o pensamento de


forma estratégica, orientando a empresa rumo ao futuro.

Para isso, é utilizada a técnica de Planejamento Estratégico. Nela, o empresário e os administradores


analisam o cenário onde atuam, identificam suas crenças e valores para atuação no mercado,
estabelecendo a missão da empresa, sua razão de existir no mercado, o que vai entregar e como
será reconhecida em determinado prazo.

Dessa forma, será preciso traçar as estratégias para atuação no mercado de forma competitiva,
buscando os melhores resultados.

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

Estratégia, Fatores de Competitividade

Estratégia, Fatores de Competitividade e Contexto de Referência das Organizações: uma


Análise Arquetípica

A avaliação da competitividade com base em indicadores de desempenho econômico tem limitado o


conceito à dimensão da eficiência operacional. Sob essa ótica, a competitividade seria derivada da
excelência empresarial no desempenho de atividades que podem ser econômicas ou financeiramente
mensuradas. Entretanto, encontram-se razões suficientes na literatura sobre teoria institucional para
considerar que a competitividade de uma organização não depende apenas de fatores econômicos,
mas também de uma conduta socialmente valorizada que garanta a sua legitimidade e sobrevivência
no contexto ambiental. Assim, no presente estudo, procurou-se identificar os fatores e respectivos
valores subjacentes de competitividade, instituídos em três níveis do contexto ambiental
(internacional, nacional e regional/local), com o objetivo de verificar como a competitividade tem sido
visualizada e como esse entendimento pode influenciar a adoção de estratégias organizacionais na
busca por posicionamento competitivo.

É já um truísmo dizer-se que as organizações precisam estar atentas às transformações ambientais.


Desde o advento da noção da organização como sistema aberto esta assertiva tornou-se evidente.
Quanto maior o nível de competição no segmento do mercado em que a organização atua, mais
decisivamente esta afirmação deve ser levada em conta. Assim é que mudanças ambientais de
diferentes ordens - políticas e sociais, ambientais e tecnológicas, novas configurações dos atores
sociais e novos concorrentes no mercado, em padrões de consumo e nos indicadores econômicos -
afetam os padrões de competitividade empresarial e precisam ser consideradas no processo de
tomada de decisão estratégica em organizações.

Apesar desta lista não exaustiva da natureza das mudanças remeterem tanto à faceta técnica quanto
à institucional da dimensão ambiental, a competitividade ainda vem sendo tratada
predominantemente como eficiência de aspectos organizacionais. A ênfase atribuída à eficiência
operacional das organizações tem ocasionado a compreensão da competitividade com base apenas
em fatores relativos ao ambiente técnico. Sob essa ótica, a competitividade seria derivada da
excelência empresarial no desempenho de atividades que podem ser econômica ou financeiramente
mensuradas. Entretanto, há razões suficientes na literatura especializada sobre o assunto, em
especial no quadro teórico de referência da teoria institucional, para acreditar que a competitividade
de uma organização não depende apenas desses fatores, mas também de uma conduta socialmente
valorizada e aceita que garanta a sua legitimidade e sobrevivência no ambiente em que atua.

É, portanto, a partir da convicção de que o conceito de competitividade não pode ser reduzido a mero
sinônimo de desempenho ou de eficiência que se realizou este estudo. Ele integra um conjunto de
pesquisas a respeito da competitividade empresarial, que intenta analisá-la com base na visão
proporcionada pela teoria institucional, combinando fatores técnicos e institucionais, como sugeriram
Machado-da-Silva e Fonseca (1996). A principal questão é, pois, verificar se os valores subjacentes à
competitividade, instituídos no ambiente, apresentam referência predominante ao ambiente técnico
ou também atribuem importância ao ambiente institucional. Por ambiente técnico compreende-se a
faceta da dimensão contextual que comporta os fatores e indicadores de competitividade empresarial,
com base em recursos econômicos, valorizando a eficiência operacional das organizações; o
ambiente institucional, por sua vez, é entendido como a faceta da dimensão contextual que se
relaciona à necessidade organizacional de obter legitimidade perante seus stakeholders, por meio da
imagem e da adequação às normas de conduta instituídas para os diversos atores no segmento onde
compete.

Tal diferenciação torna-se cada vez mais relevante em razão da comentada predominância da
compreensão e análise da competitividade com base em indicadores técnicos, implicando na
conseqüente subestimação da importância dos aspectos institucionais. As organizações trabalham
sob níveis diferentes de pressões ambientais, tanto técnicas quanto institucionais, em face da
natureza de suas atividades, do segmento onde atuam e do nível de referência ambiental que
consideram. Assim as pressões contextuais influenciam as escolhas estratégicas, condicionando a
forma de competição e as características estruturais das organizações. Só é possível compreender
os problemas e as limitações das organizações na incessante busca por competitividade ao se
considerar a importância de ambas as facetas do contexto ambiental.

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

Cada uma dessas facetas da dimensão contextual parece explicar parte da competitividade
empresarial, uma vez que revela não apenas a luta das organizações por diversos tipos de recursos,
mas também por diferentes significados atribuídos ao próprio constructo (Scott, 1995a). Significa
dizer que, do ponto de vista técnico, a competitividade organizacional está ligada à obtenção,
manutenção e uso de recursos apropriados para alcançar os índices econômicos e técnico-
operacionais, valorizados e interpretados como expressões de competência e competitividade. A
competitividade, nessa faceta da dimensão contextual, seria avaliada por meio de indicadores
quantitativos de qualidade, produtividade, eficiência e desempenho econômico.

Do ponto de vista do ambiente institucional, a competitividade está ligada à capacidade da


organização de entender e gerir os recursos simbólicos, mediante a adequação às normas e padrões
de conduta socialmente valorizados, que correspondem às expectativas dos atores no contexto no
qual atuam. A atenção da organização a essas normas e valores, socialmente construídos e
instituídos, garante a sua permanência e legitimidade no contexto ambiental, permitindo a ela melhor
acesso aos recursos materiais e econômicos (Scott, 1995a).

Na análise do fenômeno da competitividade, além da necessidade de se verificar tanto padrões


concorrenciais como institucionais, considera-se que o conceito, do mesmo modo que se pode
revelar estrutural e simbolicamente diferenciado por segmento empresarial, poderá, também,
apresentar conotação diversa ao se levar em conta diferentes níveis do contexto ambiental:
local/regional, nacional e internacional. Tais conotações decorrem da possibilidade concreta da
existência de diferentes valores ou de diferentes significados atribuídos aos mesmos valores pelos
atores sociais em diferentes níveis do contexto ambiental (Scott, 1992; Machado-da-Silva e Fonseca,
1996; Ferraz, Kupfer e Haguenauer, 1997).

A classificação do contexto ambiental em diversos níveis está, assim, relacionada com as diferentes
possibilidades de resposta às pressões ambientais que as organizações podem desenvolver (Scott,
1995b). A suposição é a de que diferentes interpretações do ambiente podem ocorrer em função do
nível do contexto ao qual a organização se referencia; em conseqüência, diferentes estratégias
podem ser adotadas. Em linha análoga de análise, padrões e valores diversos podem influenciar as
ações organizacionais quando se consideram diferentes níveis do contexto ambiental, o que se
reflete nas estratégias organizacionais. Nesse sentido, certas estratégias podem decorrer de padrões
institucionalizados em determinado nível do contexto ambiental, aquele que é mais levado em conta
pela organização.

A propósito, Machado-da-Silva e Fernandes (1998, p. 49) defendem que "cada organização, diante
da necessidade de definir estratégias de ação, orienta-se pelo contexto ambiental no nível que mais
se coaduna com sua trajetória e, portanto, com a sua lógica interior, isto é, com os esquemas
interpretativos de seus dirigentes". Nessa linha de raciocínio, Scott (1987) entende que diferentes
esferas institucionais usualmente denotam diferentes sistemas de crenças e valores, o que significa
que a causa da diversidade organizacional não deve ser explicada tão somente por meio da cognição
dos estrategistas, mas também pela própria diversidade simbólica no ambiente organizacional. Tal
consideração pode ganhar em profundidade quando se leva em conta que a relação organização-
ambiente não deve ser concebida como ocorrendo entre entidades separadas; mas, sim, entre
entidades em processo de mútua constituição. Nesta acepção, a organização é entendida como
arena social imersa no ambiente, dele retirando e a ele transmitindo, em interação recíproca, normas
e padrões de comportamento que constituem modos adequados de ação (Granovetter, 1985).

Em face do exposto, constitui objetivo do presente estudo identificar arquétipos de competitividade


empresarial no setor industrial da economia relativamente a três níveis do contexto ambiental:
internacional, nacional e regional/local. Para tanto, procurou-se verificar como a competitividade tem
sido definida e avaliada na literatura especializada sobre o tema. Realizou-se levantamento dos
fatores de competitividade valorizados nos três níveis de contexto ambiental considerados. Esses
fatores foram, então, agrupados segundo o tipo de estratégia a que se referem: mercadológicas,
atinentes à clientela, concernentes à gestão de recursos e às estratégias de relacionamento. Foram
também identificados os valores subjacentes a esses fatores de competitividade, a fim de verificar a
importância daqueles relacionados ao ambiente técnico em comparação com aqueles concernentes
ao ambiente institucional. Tal procedimento permitiu avaliar a assertiva de Machado-da-Silva e
Fonseca (1999) sobre a necessidade de se analisar a competitividade, a partir da conversação entre
padrões concorrenciais e padrões institucionais. Para finalizar, foram delineadas, com base em cada
arquétipo representativo de cada nível do contexto ambiental, as diferentes interpretações de

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

competitividade às quais as organizações estão sujeitas, com o objetivo de entender melhor as


escolhas que elas fazem no processo de competição.

Competitividade: Padrões Concorrenciais e Institucionais

Observa-se ampla diversidade nos estudos a respeito da competitividade, de modo que as várias
idéias concernentes ao conceito permitem conclusões diferentes com base em uma mesma pesquisa
(Buckley, Pass e Prescott, 1988). Esses autores, por considerarem ser o conceito muito mais
complexo do que se costuma admitir, sugerem que a análise da competitividade não deva mais ser
entendida e definida com base em medidas parciais, ou seja, explicar o processo competitivo a partir
de resultados técnicos isolados, quer dos processos gerenciais quer das políticas organizacionais.
Tampouco se deve tentar explicá-la sem antes definir a qual nível se está referindo a análise, uma
vez que os parâmetros de mensuração e avaliação da competitividade não são os mesmos em todos
os níveis: os indicadores de competitividade no nível organizacional não são os mesmos daqueles no
nível de determinado setor industrial, bem como no nível societário, e assim por diante.

Barbosa (1999) afirma que o conceito de competitividade poderá ser mais bem entendido quando
diferentes níveis de análise forem levados em conta, pelo fato de cada nível possuir seu conjunto de
medidas específicas, que permitem a compreensão das particularidades do conceito. Nessa direção,
Pettigrew e Whipp (1993) defendem que o desempenho competitivo não depende apenas de
características da firma ou da tecnologia, mas de uma coleção de habilidades e modelos de ação
combinados. Assim para se analisar a competitividade é preciso ter em mente a influência dos
padrões setoriais e das características socioculturais presentes nas organizações e no ambiente em
que atuam.

A competição organizacional, portanto, não se dá apenas por meio de fatores econômicos. Os


recursos pelos quais se compete são, além de técnicos, de ordem institucional. As organizações são
tomadas por exigências de conformidade a padrões técnicos, mas também sofrem pressões de
outras organizações e da sociedade como um todo para se adequarem aos padrões de conduta
socialmente aceitos. Essas pressões requerem componentes simbólicos, tais como: reputação de
eficiência, prestígio e conduta socialmente legitimada.

Nessa linha de análise, Machado-da-Silva e Fernandes (1998) consideram fundamental que se


compreenda a natureza da atividade de cada organização para se entender a ação estratégica
adotada. As estratégias são concebidas de modo diferenciado, em função da importância relativa que
se atribui aos ambientes técnico e institucional para o alcance dos objetivos organizacionais. As
organizações respondem às exigências de ambas as facetas da dimensão ambiental, em diferentes
graus, em face da importância relativa de cada uma: enquanto o ambiente técnico condiciona a sua
posição no mercado e o seu potencial de concorrência, o ambiente institucional afeta a legitimidade
de suas escolhas e práticas (Machado-da-Silva e Fonseca, 1999).

Conforme sugerem Machado-da-Silva e Fonseca (1996) e Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1997), a


competitividade não deve ser vista apenas do ponto de vista técnico; devem-se conciliar padrões
concorrenciais e padrões institucionais, já que o ambiente exerce pressão para que as organizações
sejam eficientes e eficazes, mas também para que se conformem aos padrões de atuação
considerados legítimos pela sociedade.

Logo não basta à organização garantir a eficiência operacional, o que, por si só, não garante um
padrão adequado de competitividade (Porter, 1999). A competitividade só estará garantida ao se
conseguir estabelecer uma posição privilegiada, sustentada no ambiente. Essa posição privilegiada
pode resultar da criação e consolidação de uma imagem de empresa competitiva; todavia, vai
depender do que está sendo valorizado no ambiente e das características do segmento em que a
organização atua. Se nesse ambiente a eficiência operacional é o elemento mais valorizado para a
competitividade, a empresa competitiva será aquela que inovar nesse sentido e conseguir
estabelecer os padrões que serão seguidos pelas demais.

Porter (1999) afirma que a análise da competitividade, com base apenas em padrões técnicos como
vem sendo feita, constitui problema que tem sua raiz na incapacidade dos dirigentes empresariais de
distinguir entre eficiência operacional e estratégia. Para o autor, as ferramentas gerenciais que visam
ao aumento da produtividade, a busca da qualidade e da velocidade (como gestão da qualidade
total, benchmarking, reengenharia e gestão da mudança), embora possam ocasionar melhorias e

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

ganhos operacionais, são incapazes de garantir uma posição privilegiada de sustentação da


empresa.

Nesse sentido, Kanter (1997, p. xix) conclui que grandes empresas, sobretudo as que se destacam
no meio empresarial, seja pelo desempenho ou pela capacidade de inovação crescente, quando
estão seguindo novas práticas que por elas são divulgadas no ambiente, essas práticas "saem dos
bastidores para o centro do palco, como ideais a serem seguidos por outras corporações".

Os argumentos precedentes demonstram que a tentativa de se conciliar padrões concorrenciais e


padrões institucionais é necessária na análise da competitividade, isto é, verificar ambas as fontes de
pressões ambientais na escolha da estratégia empresarial.

As organizações competem em ambientes mistos e com necessidades relativas a ambas as facetas


da dimensão contextual; também porque, segundo Scott (1987, p. 508), "ambientes institucionais são
múltiplos, amplamente diversos e variáveis no tempo; negligenciar sua presença e poder significa
ignorar fatores causais significativos que moldam as estruturas e práticas organizacionais".

O Estudo: Procedimentos Metodológicos

Revistas, journals e livros de circulação regional, nacional e internacional foram consultados para
identificar os valores subjacentes ao conceito de competitividade organizacional, com o objetivo de
verificar a possível existência de padrões específicos para cada um dos três níveis do contexto
ambiental considerados: internacional, nacional e regional/local. Procurou-se, no período
compreendido entre 1998 e 2000, artigos que tratassem da competitividade e apresentassem
indicadores e postulados empresariais.

Naqueles periódicos nos quais não se constatou a presença de artigos que abordassem o tema, no
período proposto, estendeu-se a busca para anos anteriores, até 1995. A extensão do período de
abrangência para anos anteriores a 1995 foi descartada a priori pelos vieses que poderia introduzir na
análise, à medida que se poderiam incorporar indicadores e valores vigentes no ambiente competitivo
do período pré-estabilidade econômica e pré-abertura comercial, razoavelmente em processo a partir
de 1994.

Três etapas distintas no estudo foram levadas a efeito para a construção dos arquétipos de
competitividade. Na primeira etapa utilizou-se a técnica de análise documental para selecionar o
material a ser analisado, para classificá-lo segundo os contextos ambientais de referência e prepará-
lo para posterior análise de conteúdo e identificação dos valores e dos indicadores correspondentes
da presença de cada valor.

Foram selecionados livros recentes, divulgados nas principais revistas da área de Administração ou
cujos autores possuem reconhecimento nos meios acadêmicos ou empresariais, revistas acadêmicas
e também não-acadêmicas (de domínio público) largamente conhecidas no meio empresarial. Os
periódicos foram ainda classificados segundo a sua origem e alcance de público e pelo foco dos
autores dos artigos, considerando os três níveis do contexto ambiental: internacional, nacional e
regional/local.

No total foram analisadas 29 revistas comerciais, com publicação semanal ou quinzenal, de


circulação internacional, nacional ou regional; 16 journals de origem acadêmica, ou vinculados a
institutos de pesquisa, também de circulação internacional, nacional ou regional; além de seis livros e
dois estudos setoriais, cujo conteúdo trata especificamente da competitividade empresarial. Os
periódicos e livros integrantes do material utilizado estão relacionados no Quadro 1, apresentado
seguir.

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

Por meio de pesquisa eletrônica e manual todos os números de cada periódico, publicados no
período de 1998 a 2000, foram consultados com base nos critérios estabelecidos. A partir desse
procedimento foram selecionados para a realização de análise de conteúdo 53 trabalhos das revistas
comerciais e 19 artigos dos journalsacadêmicos. Efetivou-se, então, a segunda etapa, na qual se
procurou identificar, mediante análise de conteúdo, fatores de competitividade ligados às ações
organizacionais, considerados geradores de vantagens competitivas. Os critérios utilizados para
escolha dos fatores predominantes foram freqüência de ocorrência e ênfase dada pelo artigo ao fator
em termos de importância central ao conceito ou de apoio ao conceito.

Os fatores de competitividade selecionados foram, a seguir, classificados em quatro grandes grupos,


segundo a natureza das estratégias organizacionais a que se referem: (1) estratégias
mercadológicas; (2) estratégias relacionadas à clientela; (3) estratégias de gestão de recursos; e (4)
estratégias de relacionamento corporativo.

A terceira etapa compreendeu a identificação dos valores subjacentes aos fatores de competitividade,
identificados nas etapas anteriores. Por meio de análise de conteúdo procurou-se, na mensagem
expressa dos fatores de competitividade, a lógica de ação em que se baseiam as ações
organizacionais. Por exemplo: se a empresa considera a agilidade, a coordenação e a redução de
custos, a lógica que fundamenta suas ações parece ser a da eficiência. Dessa maneira todos os
fatores de competitividade identificados nas etapas anteriores foram analisados e pôde-se perceber
que muitos deles eram regidos pela mesma lógica de ação, ou seja, com base no mesmo valor ou
conjunto de valores. Assim foi possível selecionar os valores predominantes no ambiente mediante a
verificação de quais se relacionavam de maneira significativa com os fatores de competitividade
encontrados.

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

A partir da escolha dos valores passou-se à seleção dos principais indicadores de caracterização de
sua presença em organizações. O conjunto de indicadores identificados para cada valor demonstra a
maneira pela qual a organização procura alcançar o que ela destaca como sendo fonte de vantagem
competitiva. Deve-se ressaltar que na verificação do material pesquisado, observou-se a presença
predominante dos mesmos valores nos três níveis do contexto ambiental considerados. Tal achado
acabou não se constituindo em problema, uma vez que se constatou que o significado atribuído a
eles varia de acordo com o nível ambiental em foco, implicando, assim, em diferentes concepções
para o mesmo valor. Tal ocorrência, já antecipada no quadro teórico de referência, mas de grande
relevância para o presente estudo, possibilitou a construção dos arquétipos de competitividade com
base na interpretação dada para os valores identificados, em cada nível considerado do contexto
ambiental.

Ainda mais: verificou-se que os padrões de competitividade instituídos nos diversos níveis do
contexto ambiental refletem não apenas o modo como o valor é percebido e interpretado pelas
empresas que atuam naquele contexto, mas também refletem as características estruturais que elas
detêm. Assim a forma organizacional e o padrão considerado de competição empresarial constituem
componentes fundamentais para a identificação do contexto institucional de referência das
organizações.

Análise Arquetípica da Competitividade

Os resultados decorrentes da análise documental e a classificação dos fatores de competitividade


encontrados para os quatro grupos de estratégias podem ser visualizados no Quadro 2. Observou-se,
na literatura consultada, grande concentração dos fatores competitivos no grupo relacionado às
estratégias de gestão de recursos, tanto em relação à diversidade de fatores quanto à ênfase
atribuída a eles. Tal ocorrência pode ser explicada pela já comentada consideração da predominância
de entendimento do conceito de competitividade ligado à noção de eficiência. Conforme afirmam
Machado-da-Silva e Fonseca (1999, p. 29), quando a competitividade é analisada do ponto de vista
microeconômico ou empresarial, a explicação dos fatores de competição recaem sobre "as
características da organização ou de um produto, relacionadas a aspectos de desempenho ou de
eficiência técnica dos processos produtivos e administrativos".

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

Cabe ressaltar, no entanto, que fatores ligados à imagem corporativa ou à qualidade do


relacionamento da empresa com seus clientes, bem como com outras empresas, apresentaram
importância crescente. Tal constatação parece significar que os aspectos técnicos, embora ainda
prevaleçam, estão sendo paulatinamente complementados por aspectos institucionais que atuam
como diferenciais competitivos. A responsabilidade social e ecológica da empresa, bem como o modo
como ela se relaciona com seus clientes, vêm sendo gradativamente apresentados na literatura no
mesmo nível de importância, por exemplo, do preço que ela pratica.

Os fatores identificados foram, ainda, agrupados segundo o nível do contexto ambiental a que se
referem, a partir da classificação obtida mediante a análise dos artigos em periódicos na primeira
etapa. Percebeu-se que, embora diferentes níveis do contexto ambiental apresentassem o mesmo
fator, não significava que ele era entendido da mesma maneira. Constatou-se que havia diferenças
de interpretação a respeito do fator, com diferenças de enfoque consideradas importantes, o que
permitiu traçar uma espécie de perfil para cada nível do contexto ambiental.

. Padrão internacional - A empresa competitiva possui arquitetura flexível, é ágil e inovadora, enfatiza
a qualidade, utiliza o benchmarking para atingir o padrão geral de produção e desenvolve a sua
vantagem competitiva por meio do conhecimento e satisfação das necessidades e expectativas de
seus clientes, incorporando suas competências e experiências, além de procurar estabelecer
relacionamentos duradouros com eles. Considera a cooperação empresarial como forma de reduzir
incertezas, compartilhar habilidades e informações. Entende o desenvolvimento e a valorização de
pessoal como componente fundamental para alcançar níveis adequados de criatividade e de
inovação, imperativos competitivos dos tempos atuais.

. Padrão nacional - A empresa competitiva focaliza a atenção nos clientes, concentrando esforços no
conhecimento e satisfação de suas necessidades e expectativas, procurando, ainda, desenvolver
relacionamentos duradouros e produtivos para ambas as partes. Concentra-se na inovação e na
criatividade como fonte significativa de competitividade e considera a cooperação empresarial como
base para o desenvolvimento de competências. O planejamento é entendido como essencial na
definição das estratégias de negócio e dos movimentos competitivos. Agilidade e flexibilidade são
valorizadas, pois permitem realizar movimentos rápidos em ambientes complexos. A valorização da
imagem institucional é a forma pela qual essas empresas angariam reputação e confiabilidade. O
empreendedorismo é marca de inovação e experimentação. A qualidade constitui alavanca para o
crescimento em direção à participação internacional. O desenvolvimento do pessoal, por sua vez, é
crucial para acompanhar as mudanças organizacionais e ambientais.

. Padrão regional/local - A empresa competitiva procura conhecer e satisfazer as necessidades e


expectativas de seus clientes; busca a fidelização das relações com eles; tenta desenvolver
condições internas que permitam inovar e estimular a criatividade; valoriza as relações cooperativas
inter-organizacionais e adquire continuamente técnicas modernas de gerenciamento; reforça a sua
vantagem competitiva, mediante apoio institucional (incentivos governamentais, capacitação
tecnológica em centros de pesquisa e desenvolvimento, entre outros) que proporcione a infra-
estrutura básica para possibilitar a realização de sua vontade de inserção internacional.

A análise desses três padrões ou perfis estabelecidos permitiu concluir que no padrão internacional
focalizam-se aspectos empresariais, na maioria internos, como meio de oferecer qualidade e
inovação para o mercado. Sua ênfase encontra-se mais na melhoria dos processos e nos outputs da
empresa do que no crescimento em vendas e participação no mercado. Em relação ao padrão
nacional, constatou-se que se dá maior ênfase às estratégias que propiciam crescimento de vendas e
participação no mercado. Destacam-se, também, as estratégias que possibilitam aceitação social,
pela prioridade que se dá ao desenvolvimento de relações positivas e duradouras com os clientes, e
pelo valor da preservação e aprimoramento da imagem institucional. O padrão regional/local, embora
reflita muitos aspectos enfatizados nos dois outros níveis, focaliza a atenção no apoio institucional e
em técnicas prontas de gestão, demonstrando a importância que atribuem ao valor segurança. O
padrão de competitividade nesse nível sugere que ela não pode ser angariada com base tão somente
em ações organizacionais. Depende de apoio institucional e o processo de aprendizagem deve ser
guiado por práticas já aceitas: técnicas gerenciais prontas, em vez de experimentação e criação. A
criatividade e a inovação, neste caso, estariam ligadas ao produto e não aos processos.

A lógica de ação em que se baseiam as ações organizacionais encontra-se na mensagem expressa


pelos fatores de competitividade. Por exemplo: se a empresa valoriza a agilidade, a coordenação e a

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

redução de custos, a lógica que fundamenta as suas ações é da eficiência; se ela visa à adequação
aos padrões de design, produção e distribuição, praticados no exterior, e se especializa em técnicas
de comércio exterior, indica que a sua lógica de ação está fundada no propósito de inserção
internacional, e assim por diante.

Uma vez relacionados os fatores de competitividade predominantes, passou-se à identificação dos


principais valores subjacentes. Os valores encontrados e os principais indicadores de caracterização
de sua presença em organizações são brevemente descritos a seguir.

. Eficiência: Fundamenta as estratégias organizacionais que visam a reduzir custos, agilizar


processos e elevar a produtividade dos fatores de produção. Está ligada aos meios pelos quais a
organização procura atingir os seus objetivos, com o melhor aproveitamento possível dos recursos,
no sentido de maximização dos resultados.

Os indicadores refletem esforços organizacionais na padronização de processos, formalização de


procedimentos, adoção de programas que elevem a velocidade de execução das atividades e
redução de erros, de coordenação e no manuseio de ferramentas e materiais para minimizar custos e
despesas.

. Modernidade: Fundamenta as estratégias organizacionais que procuram manter a organização em


conformidade com os níveis tecnológicos atuais, com as expectativas dos clientes e com as técnicas
mais avançadas de gestão e de produção. Os indicadores refletem o nível tecnológico dos
equipamentos, o índice de automação dos processos produtivos, o grau de adequação dos produtos
às expectativas dos clientes e o grau de adoção de técnicas modernas de produção.

. Inovação: Fundamenta as estratégias organizacionais que visam a desenvolver novos caminhos


para agir, para solucionar problemas e para elevar o nível dos resultados. Seus indicadores revelam a
preocupação da organização com o desenvolvimento de um ambiente de criação e experimentação,
que estimule a liberdade de iniciativa para os seus funcionários; o montante de investimento em P&D
e a sua orientação para solucionar problemas e criar novidades; bem como a maneira pela qual a
organização aproveita os encontros como feiras e exposições, para buscar inovações tecnológicas ou
para realizar negócios.

. Qualidade: Fundamenta as estratégias organizacionais que procuram atender às expectativas dos


clientes com relação a produtos e serviços e às necessidades técnicas da organização: redução de
erros e custos relacionados. Seus indicadores revelam a maneira pela qual a organização obtém
padrão de qualidade nos processos e produtos e atende às expectativas de seus clientes, por meio
da adoção de programas de controle e redução de erros e imperfeições nos processos e produtos.
Inclui o treinamento de funcionários para garantir a qualidade dos serviços e dos equipamentos por
eles utilizados, bem como a preocupação da empresa em garantir a qualidade dos produtos
adquiridos de seus fornecedores, mediante exigência de certificações e testes efetuados com a
matéria-prima.

. Flexibilidade: Fundamenta as estratégias organizacionais que visam a desenvolver a capacidade


rápida de resposta da organização às mudanças ambientais. Seus indicadores refletem a prontidão
de resposta da organização às mudanças, sua capacidade de coordenação e o nível de
adaptabilidade a novos produtos.

. Responsabilidade Ecológica: Fundamenta as estratégias organizacionais que intentam o


desenvolvimento de alternativas produtivas que preservem o meio ambiente e reduzam o impacto
ecológico. Seus indicadores revelam as ações organizacionais no sentido de preservar o meio
ambiente: uso de material e de matéria-prima ecologicamente corretos, adoção de tecnologias de
tratamento de resíduos e apresentação de certificações ambientais.

. Cooperação: Fundamenta as estratégias organizacionais que procuram articular relacionamentos


com empresas concorrentes, distribuidores e fornecedores de matéria prima e de material, visando a
distribuir riscos e a aumentar a capacidade de competição. Seus indicadores refletem o nível de
atividades de cooperação alcançado pela organização e a natureza desses relacionamentos, se
dominantemente comerciais ou institucionais.

. Inserção Internacional: Fundamenta as estratégias organizacionais que visam a desenvolver a


capacitação da organização para atuar em mercados externos. Seus indicadores revelam o grau de

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

adequação dos procedimentos e processos organizacionais aos padrões internacionais de produção,


comercialização e distribuição em vigor, bem como às tendências relativas a design de produtos,
estilos, cores e preços.

. Apoio Institucional: Fundamenta as estratégias organizacionais que procuram gerenciar a imagem


institucional da empresa de maneira a angariar legitimidade no ambiente, bem como obter outros
benefícios e vantagens. Seus indicadores revelam o grau de dependência da organização em relação
a recursos simbólicos e materiais de diferentes agentes sociais, além do nível de preocupação
existente com relação à imagem institucional.

. Relacionamento com Clientes: Fundamenta as estratégias organizacionais que intentam conhecer e


satisfazer as necessidades e expectativas dos clientes, bem como a fidelização do relacionamento
com eles. Seus indicadores revelam a importância dada ao relacionamento com os clientes e a
preocupação da empresa em atender às suas expectativas e necessidades.

Usualmente se leva a efeito: por meio do investimento em serviços de apoio e de resolução de


problemas; mediante a aplicação de instrumentos de pesquisa que permitam melhor conhecer os
consumidores dos seus produtos; ainda, pela criação de laços entre a empresa e os clientes, capazes
de mantê-los fiéis à marca ou ao produto único que ela oferece.

. Preço Final Baixo: Fundamenta as estratégias da organização que visam a proporcionar preços
finais mais baixos, como estratégia de concorrência. Seus indicadores apontam as ações tomadas no
sentido de modificar processos ou o próprio produto em busca da redução do seu preço final, por
meio da fabricação de produtos com poucos detalhes no acabamento e com maior funcionalidade,
formas mais simples e padronizadas, e confeccionados com material mais barato.

Conforme se adiantou de forma breve na seção sobre procedimentos metodológicos, a análise do


material de pesquisa permitiu constatar a presença praticamente da totalidade dos onze valores
descritos acima nos três níveis do contexto ambiental: internacional, nacional e regional/local. No
entanto, observou-se que o significado atribuído a eles varia significativamente de um nível para
outro, nos três níveis considerados.

Essa variação significativa resulta tanto do conhecimento quanto da importância imputada aos
indicadores de caracterização da presença de cada valor, em cada nível do contexto ambiental, o que
condiciona a sua interpretação e as ações organizacionais decorrentes.

Desse modo, o contexto institucional de referência das organizações revela-se fundamental para o
entendimento delas sobre o que constituem padrões de competitividade empresarial, no setor
industrial. Tais evidências possibilitaram a definição concreta dos arquétipos representativos dos
padrões de competitividade empresarial, nos três níveis do contexto ambiental, conforme se pode
visualizar no Quadro 3, a seguir.

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

As diferentes concepções para os mesmos valores, nos três níveis ambientais em tela, trazem
algumas luzes para a compreensão do conceito de competitividade empresarial. De um lado,
verificou-se a homogeneidade dos padrões de competitividade por nível do contexto ambiental, o que
indica a ocorrência de isomorfismo entre organizações que adotam o mesmo contexto institucional de

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referência. O isomorfismo entre organizações propicia ocasião para modos de interpretação similares
em cada nível, sem perder de vista que os esquemas interpretativos são específicos para cada
organização. Tal achado corrobora a assertiva de Machado-da-Silva, Fonseca e Fernandes (1999, p.
114) de que "o impacto do ambiente é diferenciado, conforme a delimitação que a própria
organização faz de seu campo de atuação". De outro, a diversidade entre níveis do contexto reforça a
colocação de Scott (1987) de que os ambientes são múltiplos e diversos.

Constata-se, assim, que os conceitos de homogeneidade e diversidade constituem vetores


importantes para a elucidação do fenômeno da competitividade. No plano de consideração mais geral
do ambiente, com uma visão mais abstrata dos valores, observou-se homogeneidade. Já no plano
mais específico de consideração do ambiente por níveis, em que o contexto institucional de referência
das organizações ganha destaque, verificou-se diversidade em relação à visão mais geral e
homogeneidade no interior de cada nível. Pode-se, então, descortinar que o campo dos estudos
organizacionais viria a se beneficiar significativamente de análises sistemáticas das forças que
pressionam em direção à homogeneização das estruturas e processos organizacionais em
contrapartida com as forças que pressionam em direção à diversificação das formas estruturais e de
comportamento para as organizações.

As diferenças de interpretação e de ação estratégica das organizações no que concerne aos onze
valores identificados para o setor industrial, permitem atentar para a existência de padrões de
conduta diferenciados, segundo o nível do contexto institucional em consideração. Assim as
organizações podem trabalhar sob a influência do mesmo conjunto de valores; todavia o modo de
interpretação e de ação organizacional tenderá a variar em conformidade com os padrões de
competitividade vigentes no contexto institucional de referência ao qual se alinham.

Entende-se, ainda, que os padrões de competitividade instituídos nos três níveis do contexto
ambiental refletem não apenas a maneira como o valor é percebido e interpretado pelas empresas,
mas também as características estruturais e de comportamento que elas adotam, mediante os
próprios elementos constituintes desses contextos, o que equivale dizer que as empresas que atuam
em um mesmo contexto institucional de referência tendem a apresentar formas estruturais e
características processuais similares, em função da proximidade dos objetivos e das expectativas que
procuram efetivar.

Uma vez identificados os arquétipos de competitividade, os valores foram classificados, com base
nos indicadores de sua caracterização, de acordo com a faceta da dimensão ambiental ao qual se
referem: técnica ou institucional. Verificou-se que alguns desses valores possuíam indicadores de
caracterização relativos a ambas as facetas da dimensão ambiental, enquanto outros apresentavam a
totalidade dos indicadores de caracterização em apenas uma das facetas da dimensão contextual.
Tal achado reforça a constatação de Scott (1995b) de que alguns requerimentos elaborados com a
intenção de serem técnicos nem sempre apresentam critérios de mensuração econômica de
resultados. Outros, de origem técnica, em face de sua legitimação funcional acabam sendo instituídos
com o decorrer do tempo, o que permite classificá-los como integrantes do ambiente institucional.

Os valores que implicam em alguma forma de mensuração de resultados do ponto de vista


econômico foram considerados como pertencentes ao ambiente técnico. Já os valores do ambiente
institucional foram selecionados a partir do critério de avaliação das ações organizacionais mediante
a adequação às normas de conduta socialmente valorizadas, que não podem ser verificadas do ponto
de vista econômico.

Do conjunto de onze valores, quatro foram identificados como pertencentes ao ambiente técnico,
caracterizando a competitividade como padrão concorrencial: eficiência, modernidade,
flexibilidade e preço final baixo. Por sua vez, os valores que caracterizam a competitividade como
padrão institucional são os seguintes: responsabilidade ecológica, inovação, relacionamento com
clientes e inserção internacional. Três dos onze valores refletem tanto o ambiente técnico quanto o
institucional: qualidade, cooperação e apoio institucional.

Não se constatou, no presente estudo, maior importância relativa dos valores do ambiente técnico ou
do ambiente institucional para a competitividade empresarial. Os padrões de competitividade refletem
a presença de pressões contextuais tanto técnicas quanto institucionais. É razoável supor que o
material de pesquisa utilizado não possibilitou que se verificasse o maior peso de uma ou de outra
faceta da dimensão ambiental. A maior ou menor importância relativa dos valores do ambiente

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ESTRATÉGIA, FATORES DE COMPETITIVIDADE

técnico ou do ambiente institucional dependerá da situação concreta de pesquisa em diferentes


segmentos industriais, nos quais as características específicas dos bens transacionados ou dos
aspectos produtivos revelarem fatores importantes de exigência social e, por essa razão, acabarem
por influenciar no tipo de pressão exercida sobre as empresas atuantes no segmento, como foi
constatado por Barbosa (2001) em recente estudo sobre o setor moveleiro no Paraná.

A adoção de estratégias em busca da competitividade deve obedecer, portanto, às diferenças


estruturais e culturais do segmento no qual as organizações competem, como sugerem Ferraz,
Kupfer e Haguenauer (1997), mas também precisam levar em consideração tanto pressões para a
obtenção da eficiência operacional quanto pressões para a conformidade institucional.

Logo a definição de arquétipos de competitividade para diferentes níveis do contexto ambiental


constitui passo importante para melhor entendimento da definição de estratégias por empresas de um
mesmo segmento. Os padrões identificados no presente estudo para os três níveis do ambiente
indicam como a competitividade tem sido visualizada e revelam que a preocupação com os padrões
de desempenho econômico tem sido acompanhada também pela preocupação em apresentar os
desenhos organizacionais e os estilos comportamentais, valorizados no contexto, para atender a
outros tipos de exigências, como a responsabilidade social e ecológica e a sustentação da imagem
institucional.

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