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O que é a Igreja Kalleyana?

Introdução
A Igreja Puritana Reformada, no primeiro Classis ou Presbitério organizado no século XXI, depois
das amargas perseguições e lutas do século XX, foi chamada Igreja Kalleyana. Este blog contém
artigos escritos principalmente durante esta organização do primeiro Classis, cujos esforços foram
de aproximadamente 1990 até o firme estabelecimento da Igreja em 2008. Mas, antes de
apresentarmos os aspectos históricos e organizacionais da Igreja Kalleyana, é importante
teorizarmos uma distinção entre os nomes congregações e congregacionalismo com o qual somos
identificados (referindo-nos com estes termos a um movimento teológico e ao Princípio do
Establishment) e as formas de governo congregacionais. O Congregacionalismo e o nome
congregações que usamos comumente, como Congregações Kalleyanas ou Congregacional
Kalleyano refere-se uma cosmovisão Bíblica a respeito da Igreja de Cristo, e tem suas raízes na
teologia do movimento Cristão chamado Puritanismo; portanto, está diretamente ligado a Reforma
Protestante, podendo ser considerado o progresso natural da Reforma. A forma de governo
congregacional, entretanto, é apenas uma maneira pela qual um grupo (religioso ou não) pode ser
administrado. A forma de governo congregacional é aquela onde as decisões são tomadas em
Assembléia, pela maioria mais um dos membros votantes. O que temos no Brasil hoje, nas
denominações que usam o nome Igreja Congregacional não é o Congregacionalismo, mas apenas
uma forma de governo congregacional, usualmente na mais extrema forma da democracia e
voluntarismo. Seria uma verdadeira aberração associar estas igrejas ao Congregacionalismo e, a
seguir, exporemos o porque desta afirmação tão drástica.
O Puritanismo Não-Conformista no Brasil
A origem do Puritanismo no Brasil remete a primeira obra de Evangelização permanente do país: o
trabalho missionário do Rev. Robert Reid Kalley. A figura do Rev. Kalley é comumente mal
compreendida quanto a questão Congregacionalista. Isto se dá porque o Reverendo foi tanto o
fundador das primeiras igrejas de governo congregacional no Brasil, quanto foi o primeiro tradutor
e divulgador dos escritos de autores Congregacionalistas, Puritanos e Não-Conformistas em língua
portuguesa. Além disso, o Reverendo Kalley, apesar de ser membro da Igreja da Escócia, que é
uma Igreja Presbiteriana, ao fundar igrejas no Brasil não o fez sob um estrito regime presbiteriano
típico, por exemplo das igrejas dos EUA e dos outros dois continentes onde o Reverendo atuou
como fundador de igrejas. Mas, quanto a isto, devemos levar em conta que o regime presbiteriano
escocês era tal que o Puritano considerado adepto da forma de governo congregacional chamado
John Owen (considerado um dos maiores teólogos da História, ao lado de João Calvino e Jonathan
Edwards) em conversa com outro grande Puritano, o presbiteriano chamado Richard Baxter
(considerado um dos maiores pastores da História), disse a Baxter que não teria dificuldade
alguma para conciliar seu congregacionalismo com o presbiterianismo Escocês se pudesse
trabalhar para a união dos dois grupos. Igualmente Baxter, repito, dito Presbiteriano, reconheceu
nos escritos de Owen a “mesma forma de governo e disciplina” que ele mesmo praticava,
passando logo a propor a Owen uma união. Da mesma forma, Samuel Rutherford, Puritano
escocês tido por fundador do Presbiterianismo jure divino da Escócia (o qual honramos e
adotamos conforme expresso em nossos Símbolos de Fé), republicou grande parte do trabalho de
Owen sobre Governo e Natureza da Igreja, aprovando estes escritos e interagindo
construtivamente com grande parte destes. Portanto, a forma como inicialmente organizou-se a
Igreja Evangélica no Brasil não representa um rompimento com o Presbiterianismo, mas uma
expressão do desejo de união entre os Não-Conformistas; ou seja, entre diversos Puritanos
Reformados do mundo, entre todos que almejam uma vida e uma igreja Santas, separadas da
conformidade mundana dos hipócritas e das religiões criadas pelos homens. Temos em Baxter,
Owen, Flavel, Rutherford e Bunyan, dentre outros Puritanos, grandes expressões desta
“universalidade” e desejo de união visível na Igreja de Cristo, doutrina e afeição esta que tomou
expressão recente tanto na obra de E.J. Poole Connor (que, abençoado pelo Senhor com
longevidade, foi tanto contemporâneo de Charles Spurgeon e Robert Kalley, quanto nosso) e de
D.Martyn Lloyd-Jones. Neste contexto e sob esta herança teológica Reformada e Puritana, a Igreja
Evangélica foi fundada por Robert Reid Kalley como uma legítima comunidade Não-Conformista,
orientada a exercitar a liberdade de consciência sob o exame e regra da Escritura (conforme diz
a Confissão de Fé de Westminster). Portanto, a Igreja Evangélica, na obra de Owen, Bunyan,
Rutherford e Baxter (para citar dois nomes que claramente marcaram a teologia de Kalley), e na
formação que o Reverendo recebera na Igreja da Escócia, estava paralelamente sob forte
influência do Congregacionalismo Puritano e do Presbiterianismo Escocês representado por estes
homens. Não sem porque Silvana Azara Kalley, filha adotiva do Rev. Kalley, declarava
abertamente que a Igreja por ele fundada no Brasil transcendera o denominacionalismo do
presbiterianismo modernista (surgido no século XIX), assim como também não se adequava aos
chamados Batistas ou a qualquer denominação então vigente: era simplesmente a fé dos antigos
Puritanos revivida.
O afastamento da Igreja Evangélica de suas raízes kalleyanas, e, portanto do Não-Conformismo
Puritano, se deu por razões históricas alheias a teologia de Robert Kalley – não foi o Doutor que
impediu estas congregações de se tornarem firmes bastiões do Puritanismo Reformado no Brasil,
mas sim seus membros, pouco a pouco influenciados por outras correntes teológicas (como o
Darbismo), que se afastaram da Reforma – até mesmo contrariando recomendações que o amado
Reverendo fez tanto por cartas quanto em seus sermões. No entanto, dentro da herança teológica
dos primeiros evangélicos do Brasil, nas igrejas fundadas por Robert Kalley, a teologia Não-
Conformista e Puritana foi passada, de geração em geração, por alguns poucos homens, enquanto
a grande maioria era cada vez mais influenciada pelas novidades de cada época.
O que é exatamente esta visão de mundo dos Puritanos, chamados Não-Conformistas,
que nomeia e identifica a Igreja Kalleyana?
Em primeiro lugar, o Puritanismo não-conformista como conjunto de doutrinas, derivado e
subordinado às Escrituras, crê, quanto a eclesiologia, na relativa autonomia de cada congregação
local. Diferente daqueles que são adeptos das formas de governo congregacionais vigente, que
crêem na completa autonomia, ou seja, na independência das congregações. Para o Puritano não-
conformista a igreja é um pacto mútuo e voluntário firmado entre homens regenerados pelo poder
do Santo Espírito na proclamação do Evangelho, no qual comprometem-se a formar uma santa
comunidade. Repito que, para o não-Conformista Puritano, cada igreja ou congregação particular é
uma instância da Igreja de Cristo, não importa quão poucos indivíduos ali se reúnam, ou quão
precário ou comum que seja o local onde celebram o Culto; eles são parte real do Corpo de Cristo,
o Templo do Espírito Santo e a habitação de Deus [1 Coríntios 3:16, Efésios 2:21, 1 Pedro 2:5].
Assim, para o não-Conformista Puritano (especialmente referindo-nos aqui ao que aprendemos
pela Escritura Sagrada, auxiliados por John Owen e Richard Baxter, e, posteriormente, por Samuel
Rutherford e, por fim, do herdeiro destes santos homens, Robert Kalley), cada igreja ou
congregação particular, ainda que diminuta ou desconhecida ao mundo, é desta forma tão
preciosa ante o Senhor, que não pode existir proeminência entre estas, nem qualquer privilégio de
uma congregação sobre a outra. Menos ainda, segundo o que nos ensina a Escritura poderia ser
lícito que um homem domine sobre os outros de uma congregação, ou sobre várias
congregações [1 Pedro 5:1-4], seja como bispo universal ou bispo diocesano. Cremos, contudo
que nosso Senhor, sendo um Deus de ordem [1 Coríntios 14:33], não deixou seu povo sem auxílio
ou direção, mas determinou servos e distribui para eles dons de governo e socorro [Romanos
12:6-8, Efésios 4:8-11], escolhendo, dentre estes, alguns para governar sobre Seu povo em
amor [1 Pedro 4:10-11; Eclesiastes 9:16]. Estes homens, que administram ao povo tesouros
espirituais em Cristo e nEle os governa, são chamados de Presbíteros ou de Bispos [Tito 1:5-7]. A
autoridade destes homens não está neles mesmos, nem na força ou na coação que possam
exercer, nem na instituição que presidem, nem na sua ordenação per si – a autoridade deles está
na Palavra de Cristo, que deve dirigir suas vidas e ser abundante em seus lábios, confirmada,
segundo o Espírito, pelos membros da congregação e recebida, com alegria, pelos Santos. Embora
seja possível que uma congregação seja formada sem oficiais, é um útil e necessário
mandamento, segundo a Palavra de Cristo, que cada congregação possua ao menos um Presbítero
Professor (ou seja, com abundante conhecimento da Palavra e grande capacidade de liderança,
preferivelmente com vasto estudo em nosso Seminário Teológico, donde seu assento ministerial
repousa) ou Pastor (homem dotado de dons de sabedoria para aplicar a Palavra com sabedoria e
cuidar do rebanho do Senhor) e um número suficiente de Presbíteros Governantes e Diáconos.
Cremos e defendemos ainda, segundo aprendemos da Sagrada Escritura e nos foi legado, que
para que o governo seja exercido, em cada congregação, com equidade e para que a união
espiritual que desfrutamos em Cristo seja visível, é uma determinação de nosso Senhor (portanto
é lícito e proveitoso) a reunião destes Presbíteros em Concílios ou Assembléias (tanto na
congregação local, formando um Concílio local e permanente, quanto reunindo Presbíteros de
várias congregações, em reuniões regulares) nos quais uns edificarão aos outros segundo a
sabedoria que Deus lhes tem concedido, servir-se-ão mutuamente segundo seus dons, e onde
fiscalizarão uns aos outros (evitando que Satanás levante pretensos bispos universais no meio do
povo de Deus, como já tem feito em todos os séculos através do mistério da iniquidade chamado
trono Papal). Com a autoridade da Palavra que carregam consigo, os Presbíteros reunidos em
Concílio local executam deliberações doutrinárias e pastorais sobre o rebanho e, quando
necessário (como, por exemplo, em caso de exclusão de um membro), apresentam estas
deliberações para apreciação e votação de toda a congregação. Quando reunidos em Concílios
regionais, os Presbíteros retornam para suas congregações levando as solenes decisões
doutrinárias e pastorais tomadas em comum conselho, para que sejam recebidas pelo restante do
rebanho do Senhor, não por força ou coerção, mas por reconhecimento da Palavra da Verdade e
da ordem através da qual Cristo, o Cabeça, governa a Igreja. Cabe ainda a cada congregação local
reunir-se regularmente para deliberar sobre os assuntos comuns, patrimoniais ou administrativos
e para se submeter aos oficiais que presidirão sobre eles. Cremos portanto, que segundo as
promessas de Deus, nos Concílios (tanto locais quanto regionais) e nas Assembléias, decisões
mais sábias são tomadas do que as que poderiam ser feitas por um Presbítero isolado dos seus
Santos irmãos em Cristo [Provérbios 15:22]. Mais detalhes sobre a Forma de Governo Reformada
e Puritana, histórica, que difere substancialmente dos independentes, podem ser encontrados
no Livro de Ordem, Governo e Disciplina Comum publicado por nós (o qual é baseado nos
documentos históricos da Igreja, tanto na Forma de Governo chamada de Westminster, quanto
nas Plataformas elaboradas nos EUA, nos Livros de Disciplina da Igreja da Escócia e nos Artigos
Orgânicos fundacionais brasileiros), onde, dentre tantas outras preciosas instruções, encontramos
uma equilibrada visão da Igreja Neotestamentária, expressa nas seguintes palavras: “O governo
da Igreja é um governo misto – quanto a nosso Senhor o Cristo, que é cabeça e rei da igreja, e ao
Soberano Poder residente nEle, e exercido por Ele, a Igreja é uma monarquia; quanto ao corpo ou
fraternidade da igreja, e ao poder que Cristo comissionou a eles, ela se assemelha a uma
democracia; quanto ao presbitério e ao poder comunicado a eles, é uma aristocracia.”
A origem histórica deste modo de governo sem dúvida se perde no tempo desde aquilo que alguns
teólogos chamaram República do Velho Testamento, e pode ser acompanhado através do
desenvolvimento da religião judaica na foma das sinagogas, cujo governo era (e ainda é em
grande parte do mundo) semelhante ao descrito acima. Quanto a este modo de governo sobre a
Igreja NeoTestamentária, cremos que ele foi praticado desde os Apóstolos. São João Crisóstomo,
o grande teólogo do século IV, assim como São Jerônimo no mesmo século, concordavam em
dizer que: “antes de o Diabo fazer crescer o facciosidade em meio a religião … as igrejas eram
governadas através de concílios de presbíteros. Somente depois desta época ocorreu de ser
decretado por todo o mundo que algum escolhido de entre os presbíteros dominasse sobre os
outros”.
A Origem das Congregações da Igreja Kalleyana
Exatamente como o terrível Império Romano, a Igreja de Roma obscureceu a Luz da Palavra e
cobriu com terra imunda as antigas fontes da água da vida tanto quanto pôde. Este maligno
exercício lançou os Cristãos em uma terrível peregrinação pelos desertos da perseguição e martírio
por séculos. E, embora o Evangelho de Cristo jamais tenha desaparecido da terra, porque isto é
impossível, a verdadeira Igreja que traz consigo esta Palavra permaneceu por mais de mil anos
fugindo da Apóstata Igreja de Roma. A aurora da Palavra, segundo a Graça de Deus, trazendo de
volta ao mundo a Luz do Evangelho e findando este período de tentação da verdadeira Igreja no
século XVI, após duras batalhas travadas por pregadores e pré-reformadores, batalhas que se
intensificaram a partir do século XIII. É dentre os pré-reformadores que encontramos, na
Inglaterra, John Wycliff, um clérigo que protestou bravamente contra a Igreja de Roma apesar de
correr enorme risco ao fazê-lo. O grande John Wycliff, ao exortar o povo a conhecer as Escrituras
e obedecê-las como única regra de Fé e Prática, lançou as sementes que floresceriam séculos mais
tarde, quando, ao fundar a Igreja Anglicana (uma igreja nominalmente separada da Igreja de
Roma, porém que procurava conservar muitos dos seus costumes e doutrinas), Henrique VIII
desafiou os ânimos daqueles que desejavam uma verdadeira Igreja Cristã na Inglaterra. Muitos
destes ânimos haviam sido excitados pelo trabalho de John Wycliff (que persistira aos séculos),
outros com a chegada da Bíblia traduzida para o idioma Inglês pelo mártir William Tyndale (outro
legítimo antepassado dos Puritanos), e ainda outros com as notícias da Reforma que prosseguia
em todo o mundo. Neste cenário, leigos, ministros e teólogos cheios de zelo e piedade,
conhecedores da Escritura e dotados do mais entranhado desejo de servir ao Senhor com todo
coração, todas as forças e todo o entendimento, se ergueram e começaram a pregar a Reforma e
Purificação da Igreja Anglicana para que ela se tornasse uma igreja fiel à pureza e simplicidade do
Evangelho de nosso Senhor. Formava-se ali um movimento pietista e intelectual de alcance
mundial cujos participantes foram chamados de “Puritanos”. E, foi devido ao grande desejo que os
Puritanos possuíam de que a Igreja se conformasse a Palavra de Deus em todas as coisas
(inclusive na forma de Governo) que o movimento Não-Conformista e, posteriormente, a
específica forma que descrevemos aqui, tanto quanto a doutrina, como quanto a piedade, nasceu.
Portanto, apesar de nossa ênfase inicial, por uma questão de polêmica histórica, ter sido sobre
a Forma de Governo da Igreja, não é somente uma forma de governo específica que nos faz
concordar com os Puritanos, mas temos, pela Graça de Deus, sido chamados a sermos uma vera
continuação do Puritanismo de onde surgimos – uma legítima revivificação da Igreja Primitiva e do
ensino Apostólico, uma legítima revivificação da Fé Reformada esposada outrora por Wycliff,
Tyndale, João Calvino e John Knox. Reafirmamos que o Puritanismo é um conjunto de Doutrinas
onde o zelo pela Glória de Deus em Sua Igreja e em Seu Povo destaca-se ímpar; onde se têm a
Escritura como única e suficiente, autoritativa e perfeita Palavra de Deus para Seu Povo; e se tem
em Cristo toda a Salvação e todos os tesouros espirituais que a Graça de Deus desejou comprar
para entregar aos pecadores arrependidos que nada merecem por si, exceto os horrores eternos
do Inferno. Destarte, o Puritanismo é a bíblica e indestrutível doutrina dos Apóstolos, recebida de
Cristo, ensinada na Escritura Sagrada e reencenada na Reforma Protestante. Por isso afirmamos
sem temor que uma igreja verdadeiramente fiel a Escritura será, de uma forma ou outra,
conduzida a tornar-se Puritana e Reformada em suas doutrinas e práticas – levada a aderir a Fé
Cristã Histórica, confessada pela Igreja de Cristo em todos os séculos. E foi nesta peregrinação e
jornada que temos sido conduzidos por nosso Mestre e Senhor para sermos uma Igreja Puritana e
Reformada.
A Necessidade de Reforma nas Igrejas do Brasil
Por esta causa afirmamos com veemência que não conhecemos nenhuma outra denominação no
Brasil que seja verdadeira e plenamente Puritana e Reformada. Antes, aqueles grupos brasileiros
que se identificam pelo nome “Congregacional”, mal conhecem a vida e, de forma alguma mantêm
a corrente teológica de nosso fundador, o Rev. Dr. Robert Reid Kalley – que foi um típico Puritano,
embora extemporâneo, como também foram herdeiros dos Puritanos nos séculos XVIII e XIX:
o Rev. Charles Spurgeon (o chamado Príncipe dos Pregadores, com o qual, inclusive, Kalley
manteve correspondência e auxiliou grandemente seus trabalhos no Brasil), o Rev. George
Whitefield (pai do Metodismo Calvinista), o Rev. Jonathan Edwards (o maior filósofo e teólogo da
história dos EUA). Em uma continuidade distinta, mais orgânica que individual, dos Revs. Samuel
Rutherford e Gillespie, sob os auspícios dos Padrões de Westminster, especialmente a Solene Liga
e Aliança, a chama da Verdade passou adiante para os Revs. Cameron e Renwick, e deles para
uma longa linha dos Puritanos Escoceses chamados Covenanters, dos quais podemos nomear
ainda os Revs. John Cunninghan e James Kerr. Se avaliarmos a base teológica destes homens
encontraremos a influência nítida do viés doutrinário dos primeiros e mais destacados Puritanos
não-conformistas e da Confissão de Fé de Westminster. É de grande valor notarmos também que
a Providência de Deus levou o Rev. Kalley a casar-se com D. Sarah, descendente de uma longa
linhagem de Huguenotes, os quais já foram chamados de Puritanos Franceses. Algumas das mais
fortes características da teologia dos supracitados homens (tanto dos Puritanos extemporâneos
quanto dos primeiros Puritanos), compartilhada também pelos Huguenotes (que viveram sob forte
influência de João Calvino), são: a necessidade de conversão individual, de experiências sensíveis
na vida Cristã, de desenvolvimento teológico a partir da Escritura (e não a partir de uma tradição,
ainda que ao encontro da Fé Cristã Histórica), de uma vida piedosa e santa pautada especialmente
nos Dez Mandamentos, além de uma grande ênfase sobre a liberdade Cristã (com consequente
valorização do culto familiar ou em pequenos grupos, e adoção de uma liturgia bem simples e
ordeira). Note que tais características são encontradas com nitidez na teologia do Dr. Kalley – o
que não é estranho já que estes são alguns dos pontos centrais do movimento puritano como um
todo. Infelizmente, as igrejas congregacionais do Brasil além de terem se afastado desta rica
herança teológica, aproximaram-se da deplorável e confusa corrente modernista e mística a qual
chamamos pentecostismo, a qual parece lhe ter sido trazida pela via do darbismo e do
dispensacionalismo. É realmente algo muito triste ver milhares de homens sendo iludidos e
levados a crer em “dons” mirabolantes, pretensas curas divinas, falsas profecias e prognosticações
que, pretensamente, seriam a restauração do “poder apostólico” antes do fim dos tempos
(estranhamente, o fim dos tempos anunciado tanto pelos pré-pentecostais darbistas quanto pela
primeira e segunda ondas pentecostais já está sendo aguardado há mais de duzentos anos, sem,
no entanto, vir realmente a ser). Quanto a estas questões, a Igreja Kalleyana mantêm o mesmo
posicionamento sobre a obra do Espírito Santo que encontramos em Calvino, Owen, Edwards e
outros Santos homens do passado – recusamos a hermenêutica experiencial e mística do
pentecostismo e abraçamos as seguintes declarações sólidas (constantes da Confissão de
Westminster):
“Deus [que governa todas as coisas] normalmente faz uso de meios em Sua
Providência; contudo, Ele é livre para operar sem, acima de ou contra estes meios
ordinários, conforme o beneplácito de Sua vontade”
[Atos 27:31,44; Isaías 55:10,11; Oséias 1:7; Romanos 4:19-21; Daniel 3:27]
“Todo o conselho de Deus, concernente a todas as coisas necessárias para a glória dEle
e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou
pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo
algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens.”
[2 Timóteo 3:15-17; Gálatas 1:8,9]
Recusamos, portanto, debater quaisquer questões sobre cessação ou continuidade de
determinadas operações maravilhosas de Deus, exceto que se tenha em consideração ambas as
supracitadas cláusulas – qualquer discussão que tente fugir das premissas acima é uma armadilha
pentecostista e não leva os homens a lugar algum. Cremos que o Senhor é Soberano e Poderoso
para fazer o que Ele desejar fazer [Salmo 115:3], usando os meios que Ele desejar usar; contudo,
sabemos também que Ele tem o sumo propósito de, através de todas as suas ações, combater o
pecado e redimir os homens por meio da Fé em Cristo Jesus, e do anúncio deste Crucificado [1
Coríntios 2:2; João 1:14-18; 2 Coríntios 4:3-6; Hebreus 1:1-3] – nosso Senhor Cristo Jesus é
revelado em Seu caráter e em Sua obra de Salvação, tanto naquilo que é comum quanto naquilo
que é extraordinário, segundo a soberana e sempre sábia decisão de Deus, que ordena como e
quando operará cada uma destas coisas, estabelecendo limites para Si mesmo e para a operação
de Seu poder, dentro do propósito da Salvação dos Seus eleitos. Por isso, repito: é uma armadilha
discutir sobre supostos dons espirituais sem antes desfazer a aborrecível cosmovisão
antropocêntrica pentecostista.
Quanto aos dois Sacramentos, que igualmente foram pervertidos no pentecostismo e no
dispensacionalismo, também a Igreja Kalleyana permanece na mesma Fé e na mesma prática que
tanto os Puritanos, quanto os Reformadores antes destes, e inúmeros outros Santos homens se
fixaram durante todos os séculos passados, firmados na Escritura Sagrada: batizamos por
aspersão tanto aos convertidos quanto a seus filhos pequenos; rememoramos a Ceia do Senhor
como ela foi instituída na Sagrada Escritura, com um pão, uma mesa e um cálice comuns,
somente podendo tomar parte da Mesa do Senhor aquele que, sendo membro de uma
congregação em comunhão conosco, professa com conhecimento a Fé em Cristo Jesus e não é
causa de tropeço ou escândalo para os irmãos ou para os de fora. Também estas características
não são encontradas em outra denominação congregacional brasileira, e com raridade (com
tristeza constatamos) temos encontrado a obediência a forma deste Santa instituição respeitada
em denominações presbiterianas ou batistas. Com alegria, segundo nos conduz nosso Senhor,
temos crido e ensinado junto aos Sacramentos que Deus constituiu Uma Única Aliança Eterna,
firmada na Graça e na Misericórdia em Cristo Jesus e que revelou progressivamente Sua Aliança
para o povo que elegeu para Si em Cristo desde a eternidade passada, até que o clímax e o fim da
revelação foi alcançado no estabelecimento da Igreja – a ausência desta visão de Aliança e Pacto
destrói a compreensão da continuidade Sacramental entre o Velho Testamento e o Novo e,
portanto, faz com que as bênçãos familiares da Aliança, cujo aspecto mais externo é o batismo
infantil, sejam ignoradas e esquecidas com grande prejuízo à Igreja; isto faz ainda, que a vã
esperança de novas revelações de Deus abra a porta aos mais absurdos hábitos, tradições e
doutrinas. É verdade que, não raro, temos sido questionados quanto a forma que cremos e
defendemos da Teologia da Aliança, porque muito se divulgou no Brasil uma suposta conversão de
Kalley ao credobatismo (ou seja, doutrina que permite apenas o batismo de adultos que
professem a fé em Cristo). Os que assim falam desconhecem a missiologia Puritana que o Doutor
(assim como João Calvino, Hudson Taylor e William Carey – para citar os mais conhecidos)
adotavam (com diferentes nuances, a base desta missiologia é tripla: a crença no sacerdócio
universal dos crentes como garantia ao livre exame da Escritura Sagrada, na invisibilidade e
espiritualidade do culto e na importância da redenção cultural que o Evangelho deve operar em
cada povo) e, desconhecem também, a posição mais de uma vez expressa pelo Rev. Kalley, que
tanto ensinou os crentes da igreja que fundou na Ilha da Madeira (e que o acompanharam no
início dos trabalhos no Brasil) a batizarem seus filhos recém-nascidos, quanto ministrou ele
mesmo as cerimônias. Ademais, o tempo em que o Reverendo esteve diretamente a frente do
trabalho no Brasil (1855-1876), não foi o suficiente para, uma vez plantada a congregação, ver
nascer filhos ao seus convertidos ou, até mesmo, ver um membro solicitar o batismo de seu filho
(solicitação esta bastante possível, uma vez que, pelo menos até 1858, há sólida e documental
evidência de que todos os membros da igreja aqui fundada eram pedobatistas, e até 1876, há
igualmente sólida prova de que mais da metade continuavam pedobatistas). Por fim, é valioso
ressaltar que o Reverendo jamais escreveu um artigo atacando o batismo infantil (como
costumava escrever contra aquilo que ele considerava errado), e que Kalley sempre esteve aberto
tanto a receber ministros presbiterianos (portanto que batizavam crianças) como seus
colaboradores na Igreja Evangélica, e até a entregar a Igreja que fundara no Brasil ao cuidado da
Igreja Presbiteriana da Escócia caso não fosse possível mantê-la (e isto, já após 1871). Quanto a
linguagem utilizada pelo Reverendo em seus 28 Artigos, quando trata do batismo (e mesmo em
certas cartas pessoais), não podemos tomá-la por evidência de que o batismo infantil lhe fora
aborrecível; é interessante observar que John Owen e John Bunyan utilizam a mesma linguagem
em seus escritos, apesar de serem claramente pedobatistas, linguagem muito diferente, por
exemplo, da Confissão de Fé Batista ou dos escritos de Hudson Taylor ou de Charles Spurgeon,
que utilizaram termos muito claros e bastante fortes para fazer oposição ao batismo infantil. Por
fim, quanto a Aliança do Senhor, rejeitamos o dispensacionalismo, o darbismo, a teoria da
natureza dual e tantas outras inúteis filosofias e tradições humanas que ganharam espaço dentre
as igrejas brasileiras desde o fim do século XVIII. Cremos na Teologia da Aliança, reafirmamos –
no Eterno e Único Pacto de Deus em Cristo para Salvação da humanidade, selado no Conselho da
Triunidade Santa do Altíssimo, desde antes de haver Tempo, administrado com distinções entre a
Velha e a Nova Aliança, porém com continuidade; e, quanto as demais invencionices citadas, é
recomendada a leitura do texto No que Cremos, disponível neste mesmos site, onde nossas raízes
teológicas são indicadas.
Verdadeiramente temos muito pesar pela situação das igrejas no Brasil. Nosso sincero e profundo
desejo é que fosse possível uma grande união dentre todas estas congregações e uma
colaboração mútua para realizarmos a Vontade do Senhor e pregarmos o Evangelho à nação.
Infelizmente, danosas heresias como arminianismo, dispensacionalismo, hypercalvinismo,
modernismo, pósmodernismo e o já referido pentecostismo fizeram seu caminho para dentro das
denominações que deveriam rejeitá-los e já estão tão enraizados nelas que são considerados
como padrão, enquanto o Calvinismo e a Ortodoxia kalleyanos são tidos como estranhos e
indesejados. Não há recursos (nem interesse dos homens no poder) para que haja uma verdadeira
purificação no meio congregacional, e, tememos, também parece ser assim junto aos
presbiterianos e batistas; não parece haver o mínimo desejo daqueles que tem tomado para si
poderes nestas denominações em se expulsar os pentecostistas, dispensacionalistas, arminianos e
outros portadores de falsas doutrinas e falsas profecias. É mui lamentável tal cois, pois jamais
uma Igreja deve tolerar quem ensine o erro em seu seio, erro que redundará em pecados e
abominações, e em julgamentos[Apocalipse 2:12-29]. Estes, que aqui apresentamos, são apenas
alguns dos dolorosos motivos que nos levam a clamar por Reforma e que nos levaram a romper
relações com as denominações que antes nos hospedaram para iniciar uma denominação nova.
Muito nos machuca ter de fazer algo assim, e sabemos que seremos constantemente acusados de
facciosidade. No entanto, veja o exemplo da História: Lutero iniciou a Reforma Protestante,
separou-se da Igreja Católica e iniciou o movimento que resultaria na Igreja Luterana. Seria ele
um cismático faccioso? Não. Porque antes de ele fundar a Igreja Luterana, a Igreja Católica
Romana partiu da Verdade para a mentira. Portanto, a culpa da divisão institucional não foi de
Lutero (que permaneceu ao lado da Verdade) mas dos Romanistas que deixaram a Igreja de
Cristo para fundarem sua própria religião. Agora, note que após Lutero romper com o Romanismo,
nenhum outro Reformador tentou as pazes com o Papa e seus asseclas. Isto porque eles sabiam
que em lugar de desgastarem-se para restaurar o que Deus mesmo já rejeitara, era mais
proveitoso, sensato e condizente com a Escritura que, fora da estrutura da igreja corrompida, eles
se unissem em prol de uma só nova igreja, a Igreja de Fé Reformada. Assim, não é por
facciosidade nem para nossa glória que inciamos e conclamamos esta Reforma no Brasil – é por
amor a Verdade, porque as igrejas brasileiras tem deixado a Igreja de Cristo para fundarem sua
própria religião e estão se afastando cada vez mais da Verdade; porque a estrutura organizacional
das denominações está corrompida e, em declaração oficial, os líderes das denominações em
apostasia dão seu aval ao falso culto e às falsas doutrinas que gangrenam sua estrutura. Esta
apostasia chega a tal ponto, que o coração da Reforma Protestante (os chamados Cinco Solas –
Salvação somente em Cristo, em quem somos justificados somente pela Fé, segundo somente a
Graça de Deus opera, conforme Somente as Escrituras revelam sobre o Senhor, tudo somente
para Glória de Deus) são completamente desrespeitados na imensa maioria das congregações,
tanto pelos desvios arminianos e pelagianos (o uso de “apelos para ir á frente” no final do sermão,
os “cultos” jovens com música instrumental e manipulação psicológica, adoção de metodologias
empresariais para “crescimento” e para gestão da igreja, etc.), quanto pelos desvios
pentecostistas (pretensas revelações extrabíblicas, promessas de cura pela fé, teologia da
prosperidade, uso do “poder da mentalização e das palavras”, etc.). Ora, todas estas coisas
ofendem ao nosso Salvador e provocam-lhe a Ira, pois desviam os homens de contemplá-lO como
seu maior e único tesouro, excitam suas concupiscências e dirigem-nos ao engano, à justiça
própria e a autoglorificação. Oh, quão perverso e promíscuo o caminho as igrejas têm trilhado;
como nos remoem os ossos ver tanta imundície onde a Santidade e a Justiça deveriam habitar!
Oremos, amado leitor, oremos! O povo deve voltar-se para a Palavra de Deus, arrepender-se e
buscar obedecer a tudo o que o Senhor diz, em lugar de deixar-se levar pela imaginação humana
e pelos desejos do coração decaído. Não podemos cultuar ao Senhor Todo-Poderosos
simplesmente como inventarmos; não podemos serví-lO simplesmente da maneira como nos
convir; não podemos aceitar sequer uma doutrina sem buscar na Escritura a comprovação da
Verdade; não podemos, ah sobretudo não podemos nos deixar mover da Cruz de Cristo para
qualquer outro lugar! Só na Cruz há paz e perdão, só na Cruz há reconciliação para os pecadores!
Nem o entretenimento, nem belos corais, nem os salões lotados, nem o dinheiro, nem a influência
política, nem a amizade dos apóstatas, nada disto pode comprar o tesouro que aguarda o
miserável pecador que se rende aos pés da Cruz, e deseja, e confia somente em Cristo Jesus para
seu Senhor e Salvador! Nem a vontade humana, nem amuletos e campanhas, nem método algum,
nem filosofia alguma, nem pretensos profetas, nem falsos apóstolos, nem nada no mundo pode
nos dar a Salvação que Cristo dá Aqueles que Ele ama.
A História da Igreja Kalleyana
Voltemos pois, a falar sobre a Igreja Kalleyana, que, graças ao Bom Deus, tem recebido através
do e-mail de um de seus principais Órgãos de comunicação – o Jardim Clonal – palavras de total
apoio e uma crescente ajuda, em forma de orações e preciosos contatos de crentes de várias
partes do Brasil e do exterior, especialmente de grupos reformados dos Estados Unidos da
América do Norte e da Grã-Bretanha.
Como já foi dito aqui, as bases para o surgimento da Igreja Kalleyana já vinham sendo preparadas
geração após geração pela Providência de Deus, que guiara, pelo Seu Espírito e pela Palavra,
vários diligentes ministros ao encontro da Sã Doutrina tão precisamente indicada pelos 28 Artigos
que o Rev. Kalley nos legou como Declaração de Fé da igreja que fundara. Um destes homens foi
o Reverendo Elmir de Oliveira Júnior, que, crescentemente separou-se da doutrina corrompida do
meio congregacional onde era pastor, e aproximou-se do Puritanismo de Kalley. Então, para
partilhar com o rebanho de Deus sob sua guarda, o puro e simples Evangelho de Cristo por ele
redescoberto, o Reverendo Elmir elaborou o Pequeno Catecismo Congregacional Kalleyano –
baseado na Teologia Reformada – de maneira condizente tanto com a grande obra chamada O
Catecismo dos Dissidentes (no qual doutrina, piedade e história eclesiástica se fundiam de
maneira única revelando uma forte, porém implícita, crença na Soberania de Deus) quanto, sob
direta consulta, com os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do
Cristianismo. O Reverendo Elmir elaborou ainda outro escrito, igualmente Reformado, constante
de devocionais e pequenos textos doutrinários, intitulado Reflexões Bíblicas. Estes escritos foram a
fagulha que acendeu nas igrejas de Magé e Teresópolis (que estavam sob a responsabilidade do
amado Reverendo) a chama do amor pela Verdade. Logo, somaram-se a eles na Reforma
Kalleyana um pequeno grupo que frequentava cultos domésticos em Angra dos Reis, de onde nos
foi dado o Professor Ademir Filho – um incansável pesquisador da história da Igreja e profundo
conhecedor das doutrinas expostas pelo grande Mestre de Genebra, João Calvino e pelos gigantes
Puritanos. Com o progresso da Palavra em nosso meio, segundo a disposição do Santo Espírito em
nós, uma vez articulado o eixo Magé-Teresópolis-Angra, arregimentamos a memorável Assembléia
Especial e Extraordinária na maior das três congregações – Magé. Neste dia de grande restauração
na Igreja de Cristo, o Rev. Elmir Júnior e o Professor Ademir Filho expuseram pelas Escrituras a
necessidade de deixarmos a presente conjuntura da união de igreja da qual fazíamos parte e
lançarmos às mãos ao arado, para plantarmos a fiel Palavra e colhermos os frutos da ortodoxia.
Ouvimos como o Brasil clama por uma igreja pura, forte e viva, livre das heresias do
pentecostismo, arminianismo e outras formas de livre-arbítrio, arianismo, dispensacionalismo,
antinomianismo, socianismo e tudo o mais que for avesso ao ensino da Escritura. Uma igreja
capaz de ao mesmo tempo difundir o Verdadeiro Evangelho, tão precisamente delineado nas
doutrinas Calvinistas, e resgatar o heróico trabalho realizado pelo amado casal de Puritanos Dr.
Robert e Sarah Kalley cujas atividades, tanto no Brasil quanto em outros países, demonstram tão
bem o intuito deste único e Verdadeiro Evangelho: manifestar o poder de Deus e glorificá-lO ao
trazer a Palavra regeneradora ao homem e restaurá-lo assim, em Cristo, ao seu propósito inicial
de submeter ao Senhor todo o seu ser. Por isso, como exemplo e inspiração, olhamos para o
trabalho do Rev. Kalley que ao pregar o Evangelho, cuidou de trazer a redenção de Cristo ao corpo
e à alma dos homens: Kalley labutou para construção de escolas e hospitais; participou com
outros missionários e ministros Cristãos de todo o mundo nos apelos para construção de
Universidades e no zelo pela existência de bons Seminários Teológicos, e influenciou governos
para que a legislação e os cuidados médico-sanitários fossem concordes com o que a Escritura
ensina (inclusive no Brasil, junto ao imperador D. Pedro II, que tornou-s seu amigo pessoal);
buscou constantemente o bem dos desvalidos e marginalizados, acolhendo inclusive escravos em
uma classe de Escola Dominical e manifestando-se contra a escravatura; dentre inúmeras outras
ações. Esta é a vida do Verdadeiro Evangelho, que, pelo Santo Espírito, conduz os Cristãos à
caridade com os pobres, viúvas e órfãos, e ao progresso da civilização pela Lei e pelo Governo de
Deus. Como é maravilhoso vermos esta prova de amor em Cristo mudar a face do mundo; quanta
glória e louvor ao Santo e Altíssimo Deus nos conduz observar a vida de homens como Robert
Kalley, João Calvino e William Carey, e a mudança que, através deles, o Evangelho de Cristo Jesus
opera no mundo!
A Teologia da Igreja Kalleyana
A Igreja Kalleyana possui 5 Símbolos de Fé – eles contém um maior caráter natural, histórico e
narrativo em lugar de um caráter maiormente ou puramente sistemático. Isto significa que, em
concordância com a teologia do Rev. Kalley e de John Owen, dentre outros Puritanos, e segundo
aquilo que consideramos um correto entendimento da Escritura Sagrada, não cremos que uma
Confissão de Fé sistemática e específica seja o único caminho e limite seguro para a ortodoxia, ou
a prova da salvação de alguém. Note, por exemplo, que quando Oliver Cromwell (general
congregacionalista que governou a Inglaterra) solicitou a John Owen uma Assembléia que
elaborasse um documento para o Congregacionalismo, o amado teólogo não nomeou este
documento como Confissão, mas como Declaração de Fé (a Declaração de Savoy) – o que estava
sendo frisado nesta mudança de termos em relação a Confissão de Westminster era exatamente o
aspecto Universal e Invisível da Igreja de Cristo – a fé era declarada conjuntamente segundo
aquele documento ao que os homens responderiam conforme suas consciências iluminadas pelo
Espírito e o exame da Escritura. Estes antigos Puritanos declaram-nos constantemente em suas
obras que, como Cristãos, devemos temer o sectarismo ou, como o Rev. Kalley o chamava, o
denominacionalismo estrito – que é o erro de confundir alguma manifestação específica da Igreja
Visível com a Igreja Invisível; o sectarista afirma que somente o seu exato grupo possui a
autoridade de Cristo. Há, sem dúvida, um sentido em que o verdadeiro Cristianismo é sectário
pois há um corpo de Doutrinas que é o limite da Verdade; há um ponto de onde não se pode
passar sem deixar de ser verdadeiramente Cristão imediatamente ou em curto prazo. Mas este
ponto não é denominacional, não é institucional e não é compreendido por uma organização
visível específica; além disto, este ponto pode ser descrito de diversas maneiras diferentes, sendo
identificado não pela exata formulação de seu enunciado, mas pela exegese bíblica que prova a
evidência histórica. O amado John Owen, ao versar sobre os limites da correta interpretação da
Escritura, disse que toda verdadeira exposição da Bíblia deveria: “concordar com os princípios
Cristãos, com os pontos do catecismo estabelecidos no Credo Apostólico, com a oração do Pai
Nosso, com os Dez Mandamentos e com a doutrina das ordenanças”. Ponderando sobre isto, é útil
recordarmos dois exemplos:
1) Na história da Doutrina da Triunidade de Deus, encontramos formulações verdadeiras sobre a
Trindade nos escritos dos Pais Apostólicos (os teólogos Cristãos do primeiro século, como Irineu
de Lyon); porém não as encontramos com as exatas palavras do Credo Atanasiano. Isto não
significa que Irineu de Lyon, por exemplo, não cria na Triunidade de Deus como nós cremos, mas
que ele formulou a mesma doutrina com outras palavras.
2) Na história sobre o modo de Governo da Igreja autorizado por nosso Senhor na Escritura,
encontramos o único modo verdadeiro e autorizado de Governo – aquele que chamamos Puritano
– praticado desde a antiguidade e descrito até mesmo por alguns antigos teólogos dos séculos II e
III.
No entanto, dentro dos limites desta forma de Governo, os Cristãos escoceses elaboraram o seu
Presbiterianismo e alguns grupos da Holanda elaboraram a sua organização eclesiástica, de tal
forma que tanto o Presbiterianismo Escocês quanto certos grupos da Igreja Reformada Holandesa
manifestaram uma forma peculiar, porém fiel, da forma de Governo Puritana, ainda que o
chamassem por outro nome.
Por isso, não podemos aceitar que se diga que somente a Confissão de Westminster, somente as
Três formas de Unidade ou somente os Padrões Kalleyanos representam ou sistematizam
corretamente a Verdade absoluta e inerrante contida na Escritura. No prefácio da referida
Declaração de Savoy, a sábia voz dos Puritanos se faz ouvir na seguinte declaração:
“Confissões, quando feitas por uma companhia de Professores de Cristianismo reunidos em
assembléia para este fim, seguem seu mais genuíno e natural uso o qual é, que sob a mesma
forma de palavras, eles expressem a substância da sua comum Salvação e da unidade de sua fé;
pelo que falando as mesmas coisas, eles mostrem-se perfeitamente unidos na mesma mente, e no
mesmo julgamento [Coríntios 1:10].
Por conseguinte, tal Confissão é para ser vista como um apropriado meio através do qual
expressamos nossa comum fé e Salvação, e não deve de modo algum ser usada como uma
imposição: Tudo o que é por força ou constrangimento em matérias desta natureza, causa que as
Confissões degenerem do nome e natureza de Confissões, e, de Confissões de Fé se tornem em
Imposições de Fé.”
Até agora, nestas primeiras reflexões sobre o uso de Confissões de Fé, vimos que o sectarismo é,
sem dúvida, um grande mal; porém são males ainda maiores a falsa religiosidade gerada pela Fé
imposta, e o sincretismo ou corrupção doutrinária que a falta de documentos e de um sistema
teológico (ou sua compreensão equivocada) inevitavelmente gera. Uma Confissão, Símbolo ou
Declaração de Fé, corretamente compreendida, combate todos os três problemas: anula o
sectarismo ao proclamar uma Fé que ultrapassa o Tempo e o Espaço denominacionais; anula a
religiosidade imposta por ter como natureza uma comum e voluntária compactuação, firmada
entre Cristãos submissos à Escritura Sagrada e guiados pelo Espírito Santo como reflexo de sua
união em Cristo Jesus; e, impede a corrupção doutrinária ao estabelecer padrões claros e fixos
baseados nos antigos marcos da ortodoxia histórica e bíblica. Saber destas coisas nos traz muito
pesar quanto ao presente estado daqueles que professam o Cristianismo, pois em toda parte há
um grande desconhecimento da Verdade e, portanto, um mal uso (ou até a rejeição) das
Confissões e Símbolos de Fé. Esta lamentável falha em obedecer nosso Senhor faz com que um
crescente número de homens não conheçam a Cristo Jesus, e que seja tão raro encontrar uma
igreja fiel. Porém, a simples adoção de documentos ortodoxos, por si só, não purifica uma igreja –
no Brasil tanto a Igreja Presbiteriana quanto as Congregacionais tem documentos cuja base
doutrinária é correta, sem que isto torne sua prática correta. É necessário ter tais documentos – é
mesmo um dever Cristão tê-los, pois nosso Senhor nos comanda a confessá-lO, com razão e
entendimento, em conjunto com a Igreja [Romanos 10:9-10; Hebreus 4:14; Marcos 12:33; Judas
3]; porém, tão importante quanto a adoção de documentos de Fé bíblicos, é ter uma correta
compreensão destes pela Escritura, segundo a iluminação do Espírito e assim praticá-los. E isto
não vêm dos documentos em si, mas é ação Soberana do Espírito de Deus pela Palavra e em Sua
Graça; e Deus pode fazê-lo em uma igreja que confesse Westminster, Savoy, As Três Formas de
Unidade, os 28 Artigos de Kalley ou qualquer outro documento solidamente baseado na Bíblia e
que contemple o coração das doutrinas Cristãs. Ressalto que esta pequena crítica, tanto positiva
quanto negativa, do papel das Confissões de Fé (a qual lemos tantas vezes nos sermões do Rev.
Kalley e de John Owen, dentre outros amados Puritanos), não significa que a Igreja Kalleyana (ou
que Robert Kalley ou os Puritanos) faça oposição a existência de Confissões de Fé; já destacamos
a necessidade da existência de documentos doutrinários. Todavia, é nossa responsabilidade
alertar, como já alertamos, sobre os grandes perigos que existem nisto: por um lado, há o perigo
de que os documentos sejam exaltados acima da Escritura e se tornem um outro mediador entre
Deus e os homens – o que é odiosa idolatria, e causa tanto o sectarismo (igualando, de forma
terrivelmente equivocada, o conhecimento dos documentos ao conhecimento de Deus) quanto o
sincretismo (pela intrusão inevitável da imaginação humana no documento idolatrado, impedindo,
entretanto, que esta intrusão seja corrigida pelo confronto com outros Símbolos de Fé e,
sobretudo, com a Escritura); por outro lado, há o perigo de que os Símbolos não sejam conhecidos
do povo e não tenham nenhuma aplicação para nos tornar mais humildes, tementes e confiantes
em Deus (e dotados de grande anseio em serví-lO como Ele se agrada e de adorá-lO somente
como a Escritura comanda) e aptos para as boas obras para com o próximo – pois os que
confessam a Fé com uma compreensão metódica mas não vivem conforme esta fé, são
desprezíveis hipócritas. Por isso, a Igreja Kalleyana considera que obras do passado como A
Declaração de Savoy e o Catecismo de Heilderberg devem ser usadas para se dirimir dúvidas e
desfazer conflitos doutrinários nos Concílios e Sínodos; para nos direcionar mais e mais a Cristo
dando-nos a esperança e a prova de que Deus sustenta Sua Igreja em todos os séculos; para
constante educação e meditação aos ministros do Evangelho e para uso particular das famílias e
das escolas na educação dos filhos da Aliança e para devoção pessoal; paralelamente,
confessamos e subscrevemos plenamente os Padrões e Diretórios de Westminster como fiel
exposição da Sagrada Escritura e regimento submisso a Bíblia para nos guiar na compreensão dos
seus ensinos – e tudo isto, ainda que não consideremos nenhuma destas obras perfeita,
inalterável, necessária ou insubstituível; pois estas obras são, como dito, guias para encontrar
com mais facilidade o caminho de nossa peregrinação nas Escrituras, sendo esta a Palavra final e
definitiva (e jamais o inverso deve ser sequer cogitado); entretanto, consideramos também que
tais obras não são o único limite e caminho para a ortodoxia, confessando nossa comum Fé
também através de outros documentos. Exatamente pela soma destas razões, nós elaboramos
nossos próprios Símbolos de Fé, para confessar neles a universalidade da invisível Igreja de Cristo
através do nosso reconhecimento paralelo e harmônico dos documentos do passado, declarando o
amor pela nossa herança Puritana hoje sintetizada no sistema teológico chamado Calvinismo (e
reconhecendo nela a Graça de Cristo para com Sua Igreja por sustentar esta genuína Fé Cristã em
todos os séculos, ainda que sob diferentes rótulos) e desejando, contudo como igreja autóctone
(segundo esta mesma livre Graça de nosso Senhor), sermos capazes de inspirar ortodoxia e
piedade ao ensinar teologia pelos nossos próprios Símbolos de Fé, com uma linguagem e maneira
acessível ao povo comum, com especial amor pelo coração do povo brasileiro e subequatoriano,
cuja cultura, costumes, pecados, pensamentos e dificuldades nos são tão próximas. Além disso,
nossos Símbolos de Fé combatem diretamente heresias e falsos ensinos que assaltam o povo de
nossas igrejas hoje e, ao que parece, no imediatamente futuro século [o texto refere-se aqui ao
século XXI]. Cremos que este é o verdadeiro espírito da Reforma: não simplesmente repetir
antigas fórmulas, mas ser capaz de, conservando as antigas fórmulas, ensinar como as eternas
Verdades são aplicadas e vividas hoje; aprendemos isto, pela Escritura e nos foi exemplificada
esta prática na vida daqueles preciosos Puritanos, que elaboraram tantos catecismos, credos e
confissões para instrução de suas igrejas; sem, no entanto, desprezar os catecismos, credos e
confissões históricos.
Nossos Símbolos de Fé são:
1) Historicamente, ‘Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do
Cristianismo’, e seus derivados Kalleyanos: o Catecismo Kalleyano, O Bem-Aventurado Senhor do
Senhores Jesus Cristo e as Reflexões Bíblicas;
2) Doutrinariamente, como Símbolo Primário, Os Padrões de Westminster;
E estes são os documentos que reconhecemos secundariamente, humildemente subtendo-nos a
verdade bíblica preservada e transmitida, muitas vezes ao custo da vida de preciosos irmãos, na
história da Fé Cristã Reformada. A estes estritamente subscrevemos, considerando-os em tudo
concordantes com nossos padrões primários:

1) Declaração de Fé Escocesa e seus demais documentos históricos


2) As Três Formas de Unidade.
3) A Declaração de Savoy
Pelo mesmo motivo, confessamos ainda a Fé conforme os seguintes Credos Universais:

1) Credo Apostólico;
2) Credo Niceno;
3) Credo Calcedônio;
4) Credo Atanasiano.
Inquietações Kalleyanas
Buscamos, confiados no Amor dAquele que nos salvou, pregar todo o conselho de Deus ao povo
Kalleyano – e encontramos precioso auxílio em nossos Símbolos de Fé para isto. Sem ignorar este
necessário equilíbrio, temos, no entanto, certos pontos que aprendemos da Escritura Sagrada, os
quais permeiam constantemente nossas publicações e reflexões, pontos estes que cremos serem
pilares da Verdade do Evangelho de nosso Senhor Cristo Jesus. Ouvimos cada uma destas
doutrinas ser pregada com especial frequência nos sermões daqueles gigantes que Deus deu para
edificar Sua igreja, tanto nos mais antigos teólogos dos primeiros séculos, quanto em João Calvino
e nos mais diversos Puritanos, portanto, também (especialmente e com forte ênfase) em Robert
Kalley. Temos, portanto, em destaque as seguintes doutrinas e formas do Conhecimento de Deus:
Doutrina I. A Soberana Graça de Deus
1. Sem interrupção alguma, o bondoso Deus Altíssimo sustenta, governa e ordena toda a
Criação, segundo Sua Santa e infalível Vontade – nada acontece sem a Sua
determinação [Hebreus 1:3; Jó 38:11; Isaías 46:10,11; Salmo 115:3; Salmo 135:6; Atos 2:23;
Provérbios 16:33; Mateus 10:29-30].
2. Portanto, Ele é a fonte de todo bem, espiritual ou material; todo o bem que recebemos,
recebemos dEle, não segundo nosso mérito – porque o pecado faz separação entre nós e Deus –
mas, somente pela Sua generosa Graça (que nos contempla em Cristo) e pela Sua clemente
Misericórdia (que não nos destrói imediatamente, destruição esta que seria muito justa) [Tiago
1:17; Lucas 11:13; Salmo 103:10; Salmo 145:15-16; Atos 14:17; Colossenses 1:17; Isaías 58:2;
Mateus 1:21; 2 Coríntios 5:21; Hebreus 9:7; 2 Pedro 3:9].
3. Assim, Deus nos visita em nosso cotidiano e manifesta a Sua Graça e a Sua Soberania todo o
tempo: enquanto trabalhamos, estudamos, comemos ou bebemos; onde quer que estejamos. E
isto deve ser reconhecido e honrado por todo homem, como culto mesmo, conforme até mesmo
nossa consciência denuncia. Entretanto, por causa do pecado de Adão, no qual toda a humanidade
foi corrompida, todos somos condenados diante de Deus por não reconhecermos Sua bondade e
não respondermos ao Senhor com a devida gratidão e amor [Hebreus 4:9; Zacarias 14:20-21;
Habacuque 2:14; João 11:4; 1 Coríntios 10:31; Apocalipse 4:11; Isaías 43:6-7; Salmo 105;
Romanos 5:12; Efésios 2:3; Provérbios 8:13; Isaías 13:9-13] .
4. Todavia, em Sua Suprema Graça e bondade, Deus escolheu em Cristo, antes de haver
mundo, um certo número de homens dentre a futura humanidade ingrata e rebelde, para que
fossem Salvos de seus pecados e da Ira que os havia de consumir no Juízo Final [Efésios 1:4-11;
Romanos 8:30; 2 Timóteo 1:9; 1 Tessalonicenses 5:9; Romanos 9:13-16; Efésios 2:5-12].
5. Na plenitude do Tempo, por obra de Sua Graça e Amor, Deus enviou Seu Filho, Jesus Cristo,
para plena obediência a Sua Lei em perfeita retribuição ao Amor de Deus Pai, e para morrer
maldita morte de Cruz com perfeita humildade e abnegação – tudo isto, como perfeito substituto
dos pecadores que foram escolhidos desde a Eternidade, para serem, em Cristo, perdoados
(porque sua condenação foi executada sobre Ele na Cruz) e justificados (porque a obediência de
Cristo lhes é imputada segundo a fé nEle)[João 3:16; Gálatas 4:4; Hebreus 9:14; Romanos 3:24-
26; João 17:2; Efésios 1:7; 1 Coríntios 1:30,31].
6. Em determinado momento de suas vidas, os homens eleitos pela Graça de Deus são
chamados pela livre pregação do Evangelho e convertidos pelo Santo Espírito em Soberana obra
de regeneração, para, com novo e quebrantado coração, serem feitos Filhos de Deus, dotados de
plena confiança em Cristo Jesus somente como seu suficiente Salvador, descansando nEle, e
sendo, no bom uso dos meios que Ele providenciou, santificados até o dia final, quando serão
glorificados e habitarão com nosso Rei e Salvador nos céus para sempre [Salmo 147:20; Atos
16:7; Romanos 1:18; Tito 3:2-5; Efésios 1:5; Gálatas 4:4-6; João 1:12; Romanos 8:17-33; 1
Coríntios 4:7; Jeremias 23:6; Mateus 20:28; 1 João 4:10; 2 Tessalonicenses 2:13].
Doutrina II. A Notável Conversão dos Pecadores
1. Pela rebelião de Adão, o pecado adentrou a outrora boa Criação de Deus e se estendeu
hereditariamente a natureza de todos os homens por todas os séculos da presente maligna era,
tornando-nos mortos em nossos delitos e pecados desde a nossa concepção. Contudo, segundo
Sua Soberana Graça, o Senhor, no momento em que Lhe for aprazível (seja na mais tenra idade
ou nas últimas décadas da vida), ilumina, por Seu Espírito e por Sua Palavra, a mente daqueles
que Ele escolheu salvar desde antes da fundação do mundo. Esta iluminação dá compreensão
espiritual e liberta o homem do seu estado natural de morte e pecados, para alegrar-se em Cristo
e no Reino de Sua Graça, com todos os outros Salvos em Cristo Jesus, para sempre [Romanos
5:12-14; Jó 14:4; Salmo 51:5; Efésios 2:3-5,6:12; Salmo 65:4; João 16:14; 1 Coríntios 2:12; 2
Timóteo 1:12; Hebreus 11:13; Gálatas 2:20].
2. Este chamado de Deus para a vida em Cristo dispõe o coração do homem para a Salvação e
desperta nele o desejo sincero de render-se aos pés da Cruz e ter sobre si o precioso Sangue do
Cordeiro Santo, ao mesmo tempo em que Deus mesmo traz ao homem estas coisas; portanto, é
um dom gratuito e especial que provém do Senhor – não pode vir da vontade da carne, nem da
vontade do homem, nem de algo que anteriormente exista no homem, nem sequer de cooperação
alguma de poder algum. A Deus somente cabe a Glória por cada alma que é salva [Jeremias
31:33; Ezequiel 11:19; Efésios 6:16; 1 João 5:4,5; Hebreus 12:2; Colossenses 2:2; João
1:13,14].
3. Apraz a Deus, em Sua insondável sabedoria, que alguns dos eleitos (especialmente aqueles
que não provêm da família da Aliança) somente sejam chamados após viverem parte de suas
vidas nas trevas e ignorância que a inclinação natural de sua carne deseja e busca; para estes, o
momento em que foram convertidos de seu mau caminho de morte para o bom Caminho da vida,
que é Cristo, é um momento preciso, sensível e memorável dentre suas experiências Cristãs. A
verdadeira fé não é um estudo frio das doutrinas Cristãs, nem uma especulação filosófica sobre a
Escritura, nem uma percepção sensória de algo espiritual, mas um conhecimento transcendente a
respeito de Deus, conhecimento este que circunda e arrebata as afeições e a vontade do homem
convertido, fazendo-o discernir as operações de Deus em sua vida e responder a estas em pronto
e sincero amor e dedicação [Salmo 145:10-12; Marcos 5:19; João 14:15,15:10; 1 Pedro 2:9; 1
Coríntios 6:11; Efésios 5:8; Romanos 8:16,17].
4. Também é esperado que por um período antes do chamado, o Senhor prepare o coração do
pecador, permitindo que este, aos poucos, se aperceba da Majestade, Amor e Santidade de Deus,
busque serví-lO e falhe miseravelmente ao tentar agradá-lO e alcançá-lO através de uma forçosa
e carnal obediência a Lei ou ao arremedo religioso da Lei. A denúncia desta contínua falha,
operada pela graça especial do Espírito de Deus, humilha o pecador e elimina dele o orgulho e a
perversa idéia de que poderia salvar-se a si mesmo por suas boas obras – ambas coisas
abomináveis ao Senhor. Nosso Salvador, deixando a Glória inefável, humilhou-se até a morte de
Cruz e hoje, ressurreto, está exaltado nos céus; será, portanto, recebido como real salvador
somente por aquele que, reconhecendo-O como Deus e Rei, tomando em conta Sua humilhação
voluntária e imerecida, receba-O como Deus e Rei exaltado em Glória, humilhando-se,
merecidamente, tanto no momento de sua conversão como crescentemente por toda a vida, como
pecador miserável que, fora de Cristo, somente encontrará desespero e angústia [Jeremias 3:22;
Hebreus 12:12; Salmo 19:3; Salmo 25:18; Mateus 9:10-13; 1 Pedro 5:6,7; Deuteronômio 8:12-
18; Provérbios 15:33; Romanos 5:20; Romanos 7:8-12].
5. Neste quebrantamento operado pelo Santo Espírito, percebendo-se ofensivo a Deus em tudo,
assim como percebendo a infinita bondade e o infinito amor do Altíssimo revelados em Cristo, o
pecador encontra arrependimento verdadeiro – que é um fruto necessário da fé – e, nele um
profundo desejo, em sua mente e em seu coração, de, com ódio rejeitar o mal de sua alma e, com
amor acolher em si a Santidade de Cristo em comunhão e união com Ele. Pelo arrependimento o
Cristão é conduzido, tanto no momento de sua conversão quanto crescentemente por toda a vida,
a uma santa tristeza e a aborrecer a si mesmo pelo pecado, ao mesmo tempo em que é
impulsionado ao consolo e alegria do Espírito em Cristo, orando incessantemente pelo perdão
divino, pela santificação do Nome do Altíssimo, pela Sua Vontade em nosso meio e pela crescente
revelação de Seu Reino e reformando a vida em conformidade com estas petições, pelo gracioso
auxílio do Espírito, segundo a esperança da promessa de Cristo em nós [Isaías 61:1,42:3; Salmo
34:18; Salmo 14:1-3; Salmo 53:1-3; Eclesiastes 7:20; Salmo 101; Lucas 19:8; Lucas 22:31,32;
Atos 11:18; Ezequiel 36:31; 2 Coríntios 7:11; Salmo 119:6,128; 1 Timóteo 1:13-15].
6. A genuína conversão e fé, que o Santo Espírito soberanamente opera, segundo a Graça de
Deus Pai, pelo anúncio do Evangelho de Cristo Jesus, desperta os sentidos espirituais do pecador
para que perceba o grande risco que corre, pelos seus pecados: o de ser receptáculo da Ira de
Deus. Há, porém, descanso no coração regenerado, pois Deus promete ao pecador arrependido
desviar dele Sua Ira, uma vez que Cristo Jesus tomou-a sobre Si na Cruz. De posse de tal segura
promessa, o homem, agora Cristão, parte em espiritual peregrinação para a Jerusalém Celestial;
peregrinação esta que traduz-se na liberdade que o Espírito comunica ao Cristão para, por meio
da Palavra, da Pregação, da Oração, da comunhão dos Santos, dos Sacramentos e das lícitas
disciplinas espirituais, pôr seus velhos vícios pecaminosos à morte e vivificar uma nova obediência
e vida em Cristo. Um homem verdadeiramente convertido apreende de tal forma o amor revelado
de Cristo na Cruz – o eletivo amor do Justo que morre para salvar os injustos que contemplou em
Sua Graça – que é, por gratidão e em resposta de amor, constrangido a imitar ao Seu Salvador,
diligentemente abrindo mão de si mesmo para gloriar-se somente na Cruz e dedicar-se, em tudo,
àquilo que é santo, puro e bom, para o progresso do Reino de Cristo, conforme a vontade de
Deus, nosso Pai, em Sua Palavra [Tito 2:11-13,3:5; 1 Pedro 1:23,2:9; Atos 16:14; Romanos
10:17; 1 Coríntios 12:3; Gálatas 5:6,22; Lucas 9:23; 1 Timóteo 1:16].
7. Pessoas presunçosas e hipócritas pensam alto demais sobre si mesmas e enganosamente
consideram-se salvas. Esta presunção de salvação dos hipócritas religiosos está ligada ao fato de
que confiam sua salvação àquilo que é incapaz de salvar – um ídolo forjado em sua maldita
imaginação, o qual, de tão pequeno em seu hipotético intelecto, pode ser por eles mesmos,
conforme seu prazer e vontade, evocado, despedido e dirigido. Há os que se acham salvos
simplesmente porque foram batizados; outros se acham salvos porque pronunciaram determinada
oração de confissão; outros porque atenderam ao apelo de um pregador e “aceitaram Jesus”
diante da congregação; outros ainda porque “decidiram-se por Cristo”; há ainda os que julgam ser
prova suficiente de conversão algumas pretensas experiências místicas, êxtases, visões ou
audições; e os mais soberbos acham-se salvos por praticarem boas obras e atenderem
externamente à religião. A Escritura deixa bem claro que todos os que confiam nestas coisas para
Salvação, em verdade perecerão, porque em nada elas colaboram para a Salvação do homem,
nem poder algum elas tem para regenerar a alma corrupta. Todavia, aqueles que amam ao
Senhor com sinceridade, abraçando ao Senhor Jesus Cristo confiados em Sua Justiça e
descansando sob o abrigo da Cruz; estes, toda vez que a consciência lhes acusar de transgredir a
Lei, citarão para si as Escrituras Sagradas que testemunham da imutabilidade do Deus que nos
elegeu, assim como da infalibilidade do sangue e da retidão do Salvador amado, o qual também é
nosso advogado junto ao Pai. Assim, os Cristãos verdadeiros provam constantemente a sua
esperança e pregam à própria alma a certeza inabalável do perdão e da fé em Cristo Jesus,
verdade esta francamente comunicada pelo Santo Espírito a uma consciência renovada pelo
Evangelho e fortificada pelo testemunho de nossa adoção, que o mesmo Espírito, pela viva
Palavra, opera. Tal certeza de Salvação não é igualmente clara na alma de todos os crentes,
contudo todos estão habilitados a desenvolver tal certeza, recebendo-a pela Graça de Deus, pela
especial visitação do Soberano Espírito, não como revelação ou ação extraordinária, mas pelo uso
correto, humilde e perseverante dos meios que o Senhor apontou para isto. Todo Cristão deve
buscar esta certeza, que confirma a vida de Cristo em nós, baseando-se não em “quantidade de
santidade” necessária para tal, mas no reconhecimento da fraqueza da nossa fé em contraste com
a riqueza da Graça de Deus; entretanto, o permanente amor de Cristo, a íntima comunhão dos
Santos, a repreensão rígida e edificante de Deus Pai, a inclinação geral das afeições e da vontade
e a habitação da Palavra na alma são graças que evidenciam secundariamente a eleição e
confirmam esta preciosa certeza. Uma vez firmado nesta certeza, o Cristão experimenta crescente
paz, alegria e santo entusiasmo no Espírito, assim como grande amor, gratidão e compreensão da
presença Majestosa do Santo Deus conosco, tendo seu ânimo e coragem fortalecidos para o
serviço ao Senhor e todos os deveres de obediência que são agradáveis á Sua Vontade [Jó :13,14;
João 16:14; 1 Coríntios 2:12; Efésios 1:17,8; Gálatas 2:21; 1 Timóteo 2:5; 1 João 2:1-3; 1 João
3:14-24; Mateus 11:28; Filipenses 2:6,7; Hebreus 2:17,18,4:14-16; Romanos 5:2-10; Romanos
8:15,16; 2 Pedro 1:4-11; Isaías 50:10; Salmo 119:32; Tito 2:11-14].
8. O humanidade foi criada cheia de bondade, justiça e santidade por Deus, em Adão; todavia,
decaiu pelo pecado do primeiro homem, e corrompeu-se a tal ponto que todos os homens, depois
da Queda de Adão, são ímpios e perversos, seres cujo arbítrio não é livre mas escravo do pecado,
poderosos para fazer o mal e desejosos de fazê-lo, seres alienados de Deus e inimigos do
Altíssimo. Por isso, a alma de todo homem é como feita de trevas, as quais a luz da consciência
não é capaz de iluminar, ainda que seja luz suficiente para que a treva seja identificada como
treva e todo homem condenado por amar estas trevas e odiar a luz. O Cristão deve reconhecer
isto e saber que ele é como uma ovelha no meio de lobos, não firmando com os ímpios conselho,
não entrando com eles em aliança e jugo desigual, nem se deixando levar por suas vaidades –
seja por suas vãs conversações ou por suas inúteis filosofias; porém sendo luz em meio às trevas,
não evitando ao ímpio, o que é impossível, mas levando a eles o Evangelho, tanto na notícia da
livre Salvação em Cristo Jesus, quanto em toda a bondade, auxílio, esperança e mansidão que
testemunham de Cristo em nós. Pois o Cristão, recriado segundo a imagem de Cristo Jesus, ainda
que conserve a corrupção de natureza herdada de Adão, a conserva sob perdão e crescente
mortificação pelo poder do Evangelho – isto, ainda com mais da abundante Graça de Deus, faz do
Cristão um veículo da redenção da Criação e da Glória de Deus na terra, atendendo ao Senhor
conforme os dons que Ele mesmo despensa aos homens, servindo ao próximo na vocação
específica a que o Senhor direcionar. Assim, os Cristãos tem o dever de viverem na mais próxima
comunhão uns com os outros, exercendo seus específicos ministérios e dons, edificando-se e
ajudando-se em tudo, tecendo entre eles toda sorte de bons concertos, consolando-se
mutuamente, falando e ensinando uns aos outros pela Palavra de Deus. O Senhor, por amor ao
Seu próprio Nome, manifesta a unidade de fé e a comunidade de vida nos Cristãos, como Família
de Deus, operando esta graça como parte da santificação do homem regenerado e para
propagação do Evangelho em todo o mundo [Gênesis 1:26,27; Efésios 2:4,5; Efésios 4:24; Efésios
5:8; Colossenses 3:10; Romanos 3:10; Romanos 5:12-14; Romanos 8:6,7; Salmo 94:11; João
1:15; João 8:34; 1 Coríntios 2:14; 2 Coríntios 3:5; Jó 14:4; Salmo 51:5; 2 Coríntios 6:14; 1
Tessalonicenses 4:18; 1 Tessalonicenses 5:11; 1 Coríntios 14:3; Atos 2:42; 1 Coríntios 1:9;
Filipenses 2:1].
9. Os Cristãos, eleitos e chamados em Cristo Jesus, enfrentam um aguerrida batalha e uma
longa peregrinação por causa de seu Amado. Uma batalha contra forças espirituais, contra o
pecado e contra o mundo regido e moldado pelas mentes decaídas dos pecadores inconversos;
uma peregrinação neste mundo tenebroso, no qual não temos habitação permanente estrangeiros
que somos, mundo que nos oferece duras provas e percalços e as mais diversas tentações à
evitar, até chegar ao dia de nosso encontro com Cristo Jesus. As armas da batalha e os auxílios na
peregrinação são os mesmos: a certeza da salvação e, nela, plena confiança na Palavra de Deus;
o descanso na Justiça de Cristo que nos é imputada pela fé somente; os frutos de santidade, ainda
que de uma fé frágil, que recebemos de Deus e pelos quais somos dEle ainda mais devedores; a
reconciliação com Deus em Cristo, pela qual entramos com ousadia diante do trono da graça e
intercedemos uns pelos outros em oração; o vivo e operoso conhecimento de Deus, que molda
nossa mente e coração à semelhança de Cristo, conhecimento este segundo as doutrinas da Fé
Cristã, reveladas na Escritura e sustentadas, em toda a História, pela fiel Igreja; o vivificante
refrigério das promessas de Deus, as quais Ele nos deu na Escritura para que clamássemos por
elas e esperássemos seu cumprimento; e, por fim, a Palavra de Deus em suas manifestações
diversas, tanto para meditação particular, quanto a destacadamente poderosa Palavra pregada, e
ainda a Palavra que consola na comunhão e a Palavra ilustrada nos Sacramentos. Dotado destas
poderosas armas, recorrendo a estes efetivos auxílios, o Cristão vencerá, em Cristo, as batalhas
contra os poderes das trevas e perseverará ante os obstáculos do caminho, tanto aqueles poderes
e obstáculos que estão no mundo – seja na alma dos ímpios ou nas dimensões espirituais –
quanto aqueles que atuam em nosso própria alma, pela corrupta natureza humana. [Judas 3; 1
Coríntios 14:8; 1 Timóteo 1:18; 1 Timóteo 6:12; Efésios 6:10-12; Efésios 6:13-18; 1 Pedro 2:11;
Colossenses 3:10-12; Romanos 4:6-11; Filipenses 3:9; 1 Tessalonicenses 5:8; Mateus 4:1-11;
Lucas 4:1-13]
Doutrina III. O Deus dos Pactos
1. O Senhor Deus é Altíssimo e Majestoso, habitando em Glória nas alturas, excelso em poder e
santidade, Uno e imutável – Sua mente, Seus planos todo o Seu ser é incompreensível para a
sabedoria do homem; contudo, condescendentemente, aprouve ao Senhor Eterno se fazer
cognoscível através da Aliança ou Pacto que Deus Pai firmou, antes da aurora do tempo, com Seu
Filho Cristo Jesus e, ambos, com o Seu Santo Espírito. Neste Pacto, segundo a suprema sabedoria
do Conselho da Triunidade Divina, Deus contemplou a humanidade, desde Adão até o último
homem que nascerá sobre a Terra, e, por Graça, como Soberana fonte de todo o bem, resolveu
trazer o conhecimento da Divindade ao mundo. Ainda nesta maravilhosa Aliança, Deus Pai
ofereceu gratuitamente Seu Filho ao mundo, para que não perecêssemos todos pelo pecado de
Adão e o Filho Amado ofereceu-se a si mesmo para deixar as Glórias do céu e sofrer castigo e
miserável morte por estes pecadores; permanentemente, o Pai exaltou a Cristo como Palavra que
sustenta a Criação e declara a Glória de Deus em tudo, e como Palavra na Sagrada Escritura que
comunica, pelo Santo Espírito, vida, fé e salvação no Amado Messias Jesus; nisto o Santo Espírito
igualmente acordou aplicar ao coração dos eleitos o Evangelho, regenerando-os e santificando-os
e exaltando à Cristo em seus corações e mentes. Por isso, é correto considerar que toda a relação
entre Deus e os homens é mediada em Cristo Jesus, pela Graça de Deus, e é baseada nesta
Eterna Aliança – Adão, Noé, Abraão, Moisés, Davi, todos estiveram sob Pacto com Deus, e todos
estes Pactos estiveram sob a Eterna Aliança em Cristo, e mesmo o Velho Testamento e o Novo
Testamento são contínuos Pactos sob esta mesma Eterna Aliança, sendo o Novo Testamento o
ápice da revelação da Eternidade da Aliança da Graça antes que esta mesma venha a se mostrar
em Glória na Cidade Celestial no último dia[Lucas 17:10; Jó 35:7,8; João 14:13, 16:14; Gênesis
2:17; Gálatas 3:10; Romanos 3:20,21; Romanos 9:3; Marcos 16:15; Ezequiel 36:26,27; Hebreus
1:1; Hebreus 11:6-13; Hebreus 13:20; Apocalipse 17:8].
2. Nosso Senhor se apraz, por suma benevolência, em chegar-se até nós e despertar-nos, pelo
Espírito e pela Palavra, para estabelecer conosco Seus Pactos, segundo Seus propósitos. Tais
Pactos são firmados na Eterna Aliança da Graça; neles temos com o Senhor um relacionamento
voluntário e uma expressão de nossa confiança, com deveres, recompensas à obediência e
castigos à violação dos termos do acordo. Por isso, para que seja imutável e inviolável, a Eterna
Aliança da Graça, na qual temos Salvação pelo sangue de Jesus, é um Pacto firmado entre as
pessoas da Trindade Excelsa, no qual somos graciosamente incluídos – não como parte
contratante e sim como objeto do celestial acordo. Entretanto, o Senhor também firma com
aqueles que são feitos seus filhos, pela Fé, um Pacto de Gratidão, no qual são chamados a
obedecer em amor a Seu Senhor, por já terem sido Salvos por Sua Graça, destinados ao amor de
Cristo pela Eterna Eleição e manifestos neste amor por Seu chamado – obediência que não tem
em vista recompensa alguma exceto a maior de todas, Cristo Jesus, o qual já foi feito nosso e nós
dEle. Mas não só a Aliança da Graça para Salvação e nosso Pacto de Gratidão são firmados por
Deus, mas ainda inúmeros outros pactos pessoais e particulares são evocados por Ele, tanto na
História da Redenção, quanto na peculiar história de cada servo Seu. As características destes
pactos pessoais, os quais ainda somos chamados a selar, que demonstram serem veras operações
da Graça de Deus por Seu Espírito (as quais temos dever de distinguir das simples ilusões da
mente carnal), são: seu objetivo – a exaltação e glória de Cristo Jesus; seu sustentáculo – a Graça
de Deus revelada na Cruz de Cristo; suas estipulações, recompensas e castigos – são tais que não
podem contradizer, enfraquecer, pôr em dúvida ou mesmo dificultar o cumprimento evangélico de
sequer o menor mandamento da Escritura; e seus frutos – são tais que proporcionam o
crescimento do Cristão na fé, esperança e amor, incluindo a maior humilhação do Cristão pelo
reconhecimento de sua pessoal inutilidade e da perversão natural de seu ser, e a maior gratidão e
dedicação pelo reconhecimento de que todos os Pactos descansam sobre os méritos e sobre a
obra expiatória de Cristo Jesus [Gênesis 1:26:28; 2:15-19; 6:18; 9:9-11; 12:1-3; 15:12-20;
16:7-14; Jeremias 31:35-36; Oséias 6:7; 2 Samuel 5:1-3; Números 25:12; Salmo 50:5; Ezequiel
16:60; 1 João 3:11-24,4:1-10].
3. Portanto, é lícito, justo e proveitoso que tenhamos tal vivo relacionamento e comunicação
com Deus, a qual a Palavra nos faz conhecer na forma da economia Divina vigente nos Pactos, os
quais descansam na Aliança da Graça em Cristo Jesus. Como o verdadeiro amor ao próximo
somente provém de um coração regenerado, é lícito, justo e proveitoso que igualmente firmemos
alianças entre nós edificadas sobre o Pacto Divino e reverentemente tomadas diante do Senhor.
Solenes alianças de amizade, matrimônio, trabalho, caridade, beneficência, educação ou culto
devem ser respeitadas e cultivadas segundo tais princípios, e tidas na mais alta estima e
consideração dos crentes, os quais devem anelar e zelar por elas. Assim, todo pecador que,
arrependido, se achega as nossas congregações, confessará diante do Senhor um Pacto de Fé
conosco, tomando sobre si a responsabilidade de lutar pela Sã Doutrina e pela Unidade da Igreja
conforme a conhecemos; e toda nova congregação que se achegar as nossas outras
congregações confessará uma Aliança com as Igrejas Kalleyanas, comprometendo-se diante do
Senhor a submeter-se ao comum acordo regido pelos nossos comuns Símbolos de Fé, Plataforma
de Governo e Estatuto Civil, batalhando pela Fé Cristã Histórica e voluntariamente submetendo-se
ao comum serviço desta Aliança. Igualmente, todo membro da Igreja Kalleyana diligentemente se
esforçará para haja, consigo e com sua casa, a mais alta estima pelas santas Alianças e
Pactos [Êxodo 23:32; Números 25:12; Josué 24:25; 1 Samuel 18:3; 2 Reis 11:17; 2 Reis 23:3;
] destarte, cremos que todo Cristão deve zelar para que:
i. Verdadeiramente seja o matrimônio um Pacto, tomado licitamente segundo as leis e
convenções civis e tomado licitamente, entre Cristãos fiéis, diante de Deus Pai, mediado em Cristo
Jesus – para que o marido ame sua esposa como Cristo amou a Igreja, e a esposa seja submissa
a seu próprio marido como ao Senhor, ambos respeitando, desejando e vivendo conforme a Graça
de Cristo Jesus em nós;
ii. Os pais Cristãos tenham seus filhos com verdadeiros filhos da Aliança – santificados em Cristo
Jesus, separados para uso do Senhor, segundo uma firme expectativa de Salvação entregue a nós
pelas promessas da Palavra, educando-os segundo este desígnio, inculcando neles os
mandamentos e a Palavra da Verdade, não permitindo que os vícios da sociedade decaída sejam
tomados como coisa comum e inofensiva, mas sendo desde a mais tenra idade treinados para o
serviço de Deus.
iii. Neste bom entendimento da Escritura cada família seja a primeira e mais constante
congregação que o Cristão respeite e aonde preste serviço ao Senhor, e que esta Aliança de
cultuar ao Senhor em família estenda-se também aos vizinhos Cristãos e aos amigos próximos,
formando conventículos – pequenas comunidades a Aliança da Graça – que devem viver o
Evangelho comum e eficazmente em todas as suas relações e trazer consigo a Palavra de Deus às
mais cotidianas conversas e ações, zelando pela paz e ininterruptamente orando por todos os
Santos, tanto com jejum quanto com fartas ações de graças, segundo os momentos convenientes
e toda a reverência ao Senhor;
iv. Os vínculos de trabalho e demais relações de serviço às autoridades sejam buscados e
reformados em Aliança com o Senhor – tendo sua ocupação lícita e pura, como convém a um
Cristão, assim como tendo profundo respeito às autoridades e destacável zelo para que o Espírito
de Deus guie as mãos e as mentes dos magistrados civis, para que haja paz e benefícios mútuos
na relação entre os homens e para que o Evangelho encontre portas abertas e o Reino de Deus
seja conosco.
v. Em tudo o Cristão se santifique, firmando com o Senhor uma pessoal relação de gratidão,
pela qual fará conhecer á nosso Sumo Sacerdote todas as tentações pelas quais tem passado,
pedindo constante perdão e confiando nEle, que dá gratuitamente Seu Espírito e Sabedoria a
todos os que pedem, para que seja santificado com o mesmo poder e eficácia com que foi lavado
de sua culpa e revestido de justiça pela fé na morte e ressurreição de nosso Salvador.
vi. Um dos sinais da Aliança, o Domingo, que é o Santo Sábado Cristão e o dia da nova Criação
na ressurreição de nosso Senhor, seja guardado com respeito e temor. Para que haja descanso
dos trabalhos temporais, e haja justiça sobre a terra, lembrando-nos a não nos exercitarmos na
ganância e não escravizarmos a nós mesmos ou a nossos irmãos. Antes, é um dia para
apresentarmo-nos ao Senhor na mais completa dedicação, ouvindo a Palavra, dedicando-nos a
oração, meditando nas obras do Senhor, conversando com os irmãos sobre o celeste porvir e as
vitórias da Palavra em nós, compartilhando também sobre nossas necessidades e fraquezas
espirituais para recebermos auxílio em oração e admoestação, oportunamente servindo e
ensinando especialmente aos da própria casa, exercendo obras de misericórdia para com os
desvalidos e esforçando-nos em tudo para evitar a ociosidade e os prazeres egoístas, servindo
antes ao próximo por amor Áquele que é nosso final descanso.
vii. As congregações respeitem o Pacto firmado entre elas, tendo os ministros da Palavra em
grande estima, orando por eles em todo o tempo para que o Senhor lhes dê entendimento e guie
suas decisões, temendo e submetendo-se, com a prova da Palavra e do Espírito, aquilo que
ensinarem e solicitarem; igualmente aos ministros cabe que se submetam a congregação,
prestando-lhes o verdadeiro serviço de misericórdia e sacrifício que cabe a um pastor – inda mais
àquele que pastoreia o rebanho de Seu Senhor; e que haja respeito entre as diferentes
congregações, sabendo discernir entre o que é essencial na Fé Cristã Histórica e está definido em
nossos Símbolos de Fé e o que é secundário ou indiferente, para que não haja rixas ou disputas,
nem dissensões ou cismas, mas que todas as congregações submetam-se umas as outras,
segundo nosso Pacto e a suprema Aliança da Graça, como Cristo, mesmo sendo Deus igual ao Pai,
submeteu-se à Vontade dEle para obedecê-lO em todas as coisas até a humilhação da morte e
glorifica-lO, assim como o Espírito, sendo Deus igual a Cristo e ao Pai, procede de ambos e não
fala de Si mesmo, mas glorifica ao Messias Redentor. Ainda, segundo o mesmo Pacto, que cada
congregação se esforce pela Reforma segundo a Palavra, de modo que em nada nos desviemos da
Unidade da Fé e da vida Cristã conforme a temos recebido do Senhor, por intermédio dos nossos
pais na fé, os puritanos que Robert Kalley trouxe a nós, sendo ele mesmo um destes; indo ainda
além disto, e batalhando pelo progresso da Reforma para além de nossas fileiras, de modo que
mais e mais congregações sejam visivelmente unidas na Sã Doutrina e no amor ao Evangelho
Eterno;
viii. O culto ao Senhor seja Santo e Puro, simples como convém, desprovido de pompas e
cerimônias e de invencionices humanas, mas guardando os preceitos, testemunhos e sacramentos
entregues a nós pela Palavra, com os quais estamos comprometidos com o Senhor por uma
Aliança de Gratidão e com nossos irmãos pelo Pacto firmado entre nós, sob o testemunho do
Senhor; ainda, o culto, os preceitos, testemunhos e sacramentos devem ser guardados intocados,
sem nada lhes subtrair e sem nada lhes acrescentar, atendo-nos somente ao que está na
Escritura, considerando mesmo que aquilo que a Escritura não ordena é, por isso, proibido e
abominável ao Senhor.
ix. Todos estes santos Pactos e Alianças, assim como qualquer outro que seja conforme a
Palavra e os bons propósitos delineados no caput deste artigo, devem ser relembrados e
renovados com arrependimento sincero diante do Senhor se, pela nossa pecaminosidade,
ofendermos os termos e violarmos os deveres que houvermos assumido sob o testemunho do
Altíssimo Deus dos Pactos; pela Fé que Deus Pai nos dá por Seu Santo Espírito, o sangue de Cristo
nos lava de todo pecado, pois, se realmente somos filhos de Deus, permanecemos nEle e não no
pecado, tendo Cristo Jesus por mediador da mais Santa Aliança, o Eterno Pacto da Graça, no qual
nossa obediência e amor são santificados e aperfeiçoados em tudo.
Doutrina IV. A Suprema Autoridade das Escrituras
1. As Sagradas Escrituras são o vero alimento da alma Cristã, a memória viva e a viva presença
de Cristo em todos os séculos, a Palavra de Deus. Ela deve ser amada, temida, completamente
conhecida, constantemente anunciada e sinceramente praticada por todos servos do Altíssimo.
Atados a este suave e doce jugo Evangélico, encontramos de Deus direção e regra para toda e
qualquer condição possível nesta vida, de modo que em nenhum outro lugar necessitamos ou
devemos buscar a perfeita instrução do Senhor.
2. Escrita por homens Santos inspirados pelo Espírito da Verdade, o qual jamais pode mentir ou
errar, a Escritura Sagrada provém de Deus mesmo – portanto a vida Cristã (em toda moral,
conduta e conhecimento), e o fundamento da Igreja (em toda doutrina e governo), estão
alicerçados na Escritura, a qual é a suprema regra sobre nós, e pela qual todas as demais regras,
práticas, sermões e livros, e mesmo tudo o mais que se vive ou aprende, deve ser julgado
segundo o padrão e vontade Divinos.
3. A Escritura deve ser lida diariamente por todos os Cristãos, pois, pela luz do Espírito Santo,
segundo a Graça de nosso Senhor, ela se faz compreensível em todos os assuntos de salvação e
piedade, para todos os homens. Recomenda-se, contudo, que se tenha em bom apreço e em
grande habilidade, as ciências de interpretação da Escritura – evitando torcer os textos e criar
alegorias ou doutrinas pela vaidade humana, mas entendendo cada versículo segundo seu único
sentido, da forma mais simples e direta que o texto foi entendido na ocasião em que fora escrito,
conforme as peculiaridades da linguagem e cultura tanto do autor quanto dos leitores originais,
guardando-se ainda boa observância da coerência do texto, de seu escopo e contexto, levando em
boa conta a verdade manifesta na Igreja da História e, sobretudo, tomando a Escritura por
intérprete da própria Escritura, lançando a luz dos textos mais claros sobre aqueles de mais difícil
entendimento
A Escritura é o centro temporal do culto ao Senhor, com a Obra de Cristo é o centro Eterno.
Assim, o culto tem como objetivo a comunicação da Graça de Deus aos homens pela Palavra e,
através disto, a maior glória do Altíssimo, a edificação da Igreja, a direção do povo à Santidade e
à diligente dedicação ao Reino de Deus. Portanto, o culto ao Senhor, centrado na Escritura, é puro
e simples, fazendo saber somente a Cristo e este Crucificado, e fazendo saber isto em todas as
histórias e poesias bíblicas, assim como gravando profundamente esta verdade na alma dos
homens através de cada Santa doutrina e aplicação ensinada. No culto os homens falam uns aos
outros pela Escritura, oram conforme a instrução da Escritura e cantam unidos palavras da
Escritura.