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GRUPO DE PROCESSAMENTO DE ENERGIA E CONTROLE Departamento de Engenharia Elétrica Centro de Tecnol ogia
GRUPO DE PROCESSAMENTO DE ENERGIA E CONTROLE
Departamento de Engenharia Elétrica
Centro de Tecnol ogia
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
HARMÔNICOS EM SISTEMAS
ELÉTRICOS DE POTÊNCIA
Profa. Ruth P. S. Leão
Email:
rleao@dee.ufc.br
- 2010 -

i

Sumário

Página

Capítulo

1 Fundamentos sobre

Harmô nico s

4

1.1

Introdução

4

1.2

Representação de Harmôn icos

6

1.2.1 Série de Fourier

 

7

1.2.2 Funções Ortogonais

9

1.2.3 Coeficientes da Série de Fourier

9

1.2.4 Série Complexa de Fourier

13

1.2.5 Transformada Direta e Inversa de Fourier

16

1.2.6 Transformada Discreta de Fourier

20

1.2.7 Transformada Rápida de Fourier

21

1.3

Característic as de Harmô nic os em Sistemas de Potência

23

1.3.1 Simetria

 

23

1.3.2 Sequência de Fase

25

1.3.3 Independência

41

1.4

Medidas de Distor ção Harmôni ca

43

1.4.1 Requisitos para Medição de Sinais

43

1.4.2 Valor Eficaz

 

51

1.4.3 Fator de Crista

56

1.4.4 Fatores de Distorções Harmônicas de Tensão e Corrente

57

1.4.5 Potência Eficaz, Aparente, Reativa e de Distorção

65

1.4.6 Fator de Potência

 

69

1.4.7 Fator de Desclassificação K

79

Capítulo 2 Harmô nico s: Regulamentação e Normalização

81

2.1 Introdução

 

81

2.2 Normas IEEE

83

 

22

1

Considerações sobre Limites de Distorção de Corrente

86

2.3 Regulamentação ANEEL

 

88

 

2.3.1

Procedimentos de Rede para Qualidade da Energia Elétrica

88

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2.3.2 Procedimentos de Distribuição para aQualidade daEnergia

Elétrica

2.4 Norma Européia

2.5 Norma IEC

EN

Capítulo 3 Harmô nico s em Sistemas de Potência

3.1 Introdução

3.1.1 Grupos de Cargas

3.1.2 Cargas Lineares

3.1.3 Cargas Não-Lineares

3.2 Fontes de Harmôn icos

3.2.1 Conversores

3.2.2 Transformadores

3.2.3 Máquinas Rotativas

3.2.4

3.2.5 Forno Elétrico a Arco

Iluminação

3.3 Efeito dos Harmôni cos

ii
ii

90

91

92

97

97

98

99

102

106

106

114

115

116

117

122

3.3.1

Motores e Geradores

124

3.3.2 Transformadores

128

3.3.3

Banco de Capacitores

130

Capítulo 4 Miti gação de H armôni cos em Sist emas de Potênci a

4.1 Introdução

4.2 Filtros harmônicos

4.3 Conversores estáticos

4.4 Transformadores

4.5 Máquinas elétricas

4.6 Bancos capacitores

Capítulo 5 Estud o de Harmô nico s – Modela gem de Componentes de Sistema

5.1 Introdução

5.2 Banco de capacitores

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iii

5.3 Cargas

Capítulo 6 Projeto de Filtros Harmônicos

6.1 Introdução

6.2 Filtro sintonizado série

6.3 Filtro amortecido de 2ª ordem

6.4 Filtro de sintonia múltipla

amortecido de 2ª ordem 6.4 Filtro de sintonia múltipla Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp:

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

97

Capítulo 3 Harmôn icos em Sistemas de Potência
Capítulo 3
Harmôn icos em Sistemas de Potência

3.1

Introdução

Para estudar as características dos sistemas elétricos é usual considerá-los como resultado da interligação de diferentes componentes básicos, como fonte de alimentação e carga elétrica.

Na avaliação da interação entre fonte e carga, as perturbações do sistema que influenciam na operação da carga e as perturbações da carga que influenciam o sistema podem ser agrupadas como na Tabela 1.

V s

Carga Linear

I s P ~ A C
I s
P
~ A
C

Carga Não-Linear

Figura 3.1 Diagrama simplificado de suprimento de carga linear e não-linear.

Tabela 1. Interação sistema-carga-sistema

Sistema - Carga Carga – Sistema − Sag/Swell de tensão − Correntes harmônicas − Desequilíbrio
Sistema - Carga
Carga – Sistema
− Sag/Swell de tensão
− Correntes harmônicas
− Desequilíbrio de tensão
− Corrente reativa
− Distorção de tensão
− Corrente desbalanceada
− Interrupção de tensão
− Notches de tensão
− Oscilações de tensão
− Flutuação de tensão - flicker
− Impulso de tensão

As cargas lineares produzem correntes não distorcidas quando energizadas por uma fonte não distorcida (senoidal). As cargas não lineares produzem correntes distorcidas quando energizadas por uma fonte não distorcida (senoidal).

A distorção na tensão ocorre quando correntes distorcidas fluem através da impedância da fonte.

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3.1.1 Grupos de Cargas

98

As cargas de um modo geral podem ser classificadas em:

Cargas Críticas ou Essenciais que pela sua natureza essencial não devem sofrer interrupção de fornecimento de energia ou operação indevida causada pelo suprimento de energia, sob pena de risco de vidas humanas ou prejuízos vultosos. Exemplo de cargas críticas tem-se as cargas lineares e não lineares com as características de essencialidade acima descritas, como as cargas dos centros de controle de vôos, dos grandes centros de processamento de dados, hospitais, etc.

Cargas Sensíveis, não suportam variações de tensão mesmo as de curta duração (inferior a 30 ciclos). Nesta classe de cargas estão incluídas as cargas não lineares eletrônicas e digitais. Constituem tal grupo, aquelas cargas utilizadas em modernas instalações industriais controladas por CLP (Controladores Lógicos Programáveis), robôs, motores de velocidade controlada, computadores pessoais, redes locais de computador, impressoras, conversores de freqüência, etc.

Cargas Perturbadoras, cuja operação pode causar perturbações, como distorções harmônicas, desequilíbrios, flutuação de tensão, afundamentos de tensão, etc. Exemplos de cargas perturbadoras são as cargas não lineares. São na sua maioria cargas industriais com processos de retificação, fornos a arco e outras.

C A R G A Se n sí v e l P e r tu
C A R G A
Se n sí v e l
P e r tu r b a d o r a
E sse n ci a l

Fig.3.2 Classificação das cargas.

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99

É interessante notar que uma mesma carga poderá desempenhar a condição de crítica, sensível e perturbadora simultaneamente.

3.1.2 Cargas Lineares

As cargas lineares são geralmente constituídas por resistores, indutores não saturáveis e capacitores de valores fixos. Produzem correntes não distorcidas quando alimentadas por uma fonte não distorcida (senoidal).

quando alimentadas por uma fonte não distorcida (senoidal). Fig. 3.3 Circuito Elétrico com Elementos Lineares [Fonte:

Fig. 3.3 Circuito Elétrico com Elementos Lineares [Fonte: E.V.Kassick, 1998].

Exemplo de carga linear é um aquecedor elétrico resistivo. A tensão e a corrente possuem a forma de onda mostrada na Figura 3.4.

e a corrente possuem a forma de onda mostrada na Figura 3.4. Fig. 3.4 Formas de

Fig. 3.4 Formas de Onda de Tensão e Corrente de um Aquecedor elétrico de 1000 W, 220 V.

Se a carga é um motor elétrico, a tensão e corrente possuem a forma de onda da Figura 3.5.

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100

100 Fig. 3.5 Formas de Onda de Tensão e Corrente de um Motor Elétrico de 1/6

Fig. 3.5 Formas de Onda de Tensão e Corrente de um Motor Elétrico de 1/6 de cv, rendimento de 80% e fator de Potência 0,85 atrasado.

Em um indutor com núcleo de ar, ou núcleo magnético ideal, sem histerese e sem saturação, o fluxo magnético varia linearmente com a corrente.

φ ()t

=L i(t)

(3.1)

com a corrente. φ ( ) t = L i ( ⋅ t ) (3.1) Fig.

Fig. 3.6 Relação linear entre fluxo magnético e corrente em indutor com núcleo magnético ideal: sem histerese e sem saturação.

A Fig. 3.7 mostra a relação linear entre fluxo magnético, corrente e tensão para condição de linearidade entre variação de fluxo e variação de corrente. A relação entre a tensão corrente é constante (real ou complexa).

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101

101 Fig. 3.7. Comportamento Linear ϕ (etn),trie(t) υ , (t). A f.e.m. induzida é definida como:

Fig. 3.7. Comportamento Linearϕ(etn),trie(t)υ, (t).

A f.e.m. induzida é definida como:

υ

(

)

t

=

()

φ

d t

=

dt

()

d t

φ

di t

=

dit

(

)

dt

()di t

()

L

dt

(3.2)

Como a indutância é constante, a tensão tem a forma da variação da corrente no tempo.

As ondas senoidais das Figuras 3.5 e 3.7, obtidas com elementos lineares, só são

rigorosamente válidas para elementos idealizados, mas é muitas vezes

empregada para análise de sistemas onde as não linearidades exercem pouca ou

moderada influência.

As cargas reativas tipificam a condição de cargas lineares não críticas, porém

perturbadoras e sensíveis. Em sistemas de freqüência constante, a tensão e

corrente variam linearmente. Sob condições de freqüências múltiplas, as cargas

reativas podem ser agentes perturbadores do sistema ao entrar em ressonância,

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102

tornando-se sensíveis em decorrência dos efeitos da ressonância pelo aumento

de corrente e tensão levando, em certos casos, à própria danificação da carga.

3.1.3 Cargas Não-Lineares

As cargas não lineares produzem correntes distorcidas mesmo quando

alimentadas por uma fonte não distorcida (senoidal). A relação entre tensão e

corrente não é constante. As cargas não lineares podem ser divididas em convencionais e chaveadas.

As cargas não lineares convencionais são caracterizadas pela ausência de

interruptores estáticos e pela presença de harmônicas, conforme ilustrado na

Figura 3.8 [E.V.Kassick, 1998], em que alguns elementos têm características

lineares e outros têm características não lineares. Como exemplo de cargas não

lineares convencionais têm-se os dispositivos saturáveis, como transformadores,

máquinas elétricas, e reatores de núcleo de ferro.

máquinas elétricas, e reatores de núcleo de ferro. Fig. 3.8. Circuito Elétrico com Elementos Não Lineares

Fig. 3.8. Circuito Elétrico com Elementos Não Lineares Convencionais.

A Figura 3.9 mostra o ciclo de histerese e as formas de onda de tensão e corrente

em magnética um indutor B (Wb/m com 2 ) núcleo com a saturável. intensidade O ciclo do campo de histerese magnético relaciona ou excitação indução

magnética H (A/m). A relação também pode ser obtida entre o fluxo magnético φ

com a corrente de excitação I numa bobina com núcleo de material

ferromagnético.

Na Fig. 3.9 (a) a indução magnética e a intensidade do campo (B x H) seguem o

laço de histerese bem como o fluxo magnético e a corrente (φ x I).

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(a) 103 (b) Fig. 3.9. (a) Fluxo e Densidade Magnética versus Corrente no Ciclo de

(a)

103

(a) 103 (b) Fig. 3.9. (a) Fluxo e Densidade Magnética versus Corrente no Ciclo de Histerese.

(b)

Fig. 3.9. (a) Fluxo e Densidade Magnética versus Corrente no Ciclo de Histerese. (b) Não Linearidade entre Tensão e Corrente.

A Eq. 3.2 é agora aplicada à Figura 3.9 com a condição de variação de fluxo em

relação à variação da corrente (indutância) não mais constante.

υ

(

)

t

=

()

φ

d

t

dt

=

φ

t

di t

()

d

(

)

(

di t

)

dt

(3.3)

Como exemplo de cargas não lineares tradicionais tem-se os transformadores,

máquinas rotativas e fornos a arco, os quais serão comentados na próxima seção.

A eletrônica de potência tem disponibilizado uma vasta gama de equipamentos,

como conversores de energia estáticos, a exemplo de retificadores (ca-cc),

inversores (cc-ca), choppers (cc-cc), boost (cc-cc) e ciclo-

conversores (ca-ca), acionamentos eletrônicos de velocidade variável,

compensadores equipamentos de reativos tecnologia estáticos, da informação, fotocopiadoras, computadores televisores, pessoais, microondas, dentre

muitos outros. Essa eletrônica faz uso de diodos, transistores e tiristores, sendo

que praticamente todos eles operam em modo de interrupção.

O circuito não linear chaveado da Figura 3.10 é caracterizado pela presença de

interruptores estáticos e pela presença de harmônicos

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104 Fig.3.10. Circuito com Componentes de Cargas Não Lineares e Formas de Ondas Não-senoidais. Os

104

104 Fig.3.10. Circuito com Componentes de Cargas Não Lineares e Formas de Ondas Não-senoidais. Os interruptores

Fig.3.10. Circuito com Componentes de Cargas Não Lineares e Formas de Ondas Não-senoidais.

Os interruptores estáticos funcionam essencialmente em dois estados:

Estado de condução condição que corresponde a um interruptor fechado. A

corrente pelo dispositivo pode alcançar valores elevados, porém a tensão é

praticamente nula e, portanto, a dissipação de potência no dispositivo é

muito pequena.

Estado de bloqueio que corresponde a um interruptor aberto. A corrente

pelo dispositivo é muito pequena e a tensão é elevada e, portanto, a

dissipação de potência no dispositivo também é muito pequena nesse

estado.

Os interruptores eletrônicos são divididos em não controlados e controlados. Os

não controlados são os diodos cuja condução é natural, auto-comutado onde a

condução ocorre de acordo com a polarização da fonte: polarização direta implica

em condução, e polarização reversa implica em bloqueio.

Os interruptores controlados a condução se dá mediante circuito de controle que determina o instante de disparo para a condução. Fazem parte deste grupo os

transistores bipolares, IGBT (Isolated Gate Bipolar Transistor), MOSFET (Metal-

Oxide Semiconductor Field-Effect Transistor), Tiristores GTO (Gate Turn-Off

Thyristor), MCT (MOS Controlled Tyristor), IGCT (Integrated Gate Commutated

Thyristor), etc.

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Transistor Bipolar IGBT MOSFET Tiristor 105 Fig.3.11 Interruptores Eletrônicos Controlados. Todos os semicondutores de

Transistor

Bipolar

IGBT

MOSFET

Transistor Bipolar IGBT MOSFET Tiristor 105 Fig.3.11 Interruptores Eletrônicos Controlados. Todos os semicondutores de

Tiristor

105

Fig.3.11 Interruptores Eletrônicos Controlados.

Todos os semicondutores de potência passam rapidamente de um estado para outro. A Figura 3.12 mostra um dispositivo para controlar a corrente em uma carga linear constituída por uma resistência em série com uma indutância.

por uma resistência em série com uma indutância. Figura 3.12 Dispositivo de Controle da Corrente e

Figura 3.12 Dispositivo de Controle da Corrente e da Tensão na Carga.

Embora a fonte de alimentação do circuito da Figura 3.12 seja senoidal, os interruptores eletrônicos T1 e T2 são aplicados para controlar a passagem de corrente na carga. A corrente é interrompida em determinados intervalos de tempo. A tensão na carga é interrompida pelos interruptores e deixa de ser senoidal. O usuário pode controlar os instantes de condução e, portanto pode variar a tensão e corrente no circuito, como pode ser visto na Figura 3.13.

e corrente no circuito, como pode ser visto na Figura 3.13. Figura 3.13 Formas de Ondas
e corrente no circuito, como pode ser visto na Figura 3.13. Figura 3.13 Formas de Ondas
e corrente no circuito, como pode ser visto na Figura 3.13. Figura 3.13 Formas de Ondas

Figura 3.13 Formas de Ondas Senoidal de Tensão da Fonte de Alimentação e de Corrente e Tensão na .Carga

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106

Ao resultar na circulação de correntes não senoidais pelo circuito, fala-se então

em distorção harmônica e cargas não lineares.

Devido a grande vantagem em eficiência e controlabilidade, as cargas eletrônicas

estão proliferando e podem ser encontradas em todos os níveis de potência,

desde aparelhos em baixa tensão a conversores operando em alta tensão.

3.2 Fontes de Harmô nico s

Os setores comercial e industrial são dominados por uma variedade de cargas

com características não lineares. Como exemplo dessas cargas não lineares cita-

se:

Conversores monofásicos e trifásicos

Transformadores

Máquinas rotativas

Iluminação a arco

Fornos elétricos a arco

3.2.1 Conversores

Os conversores eletrônicos com sua capacidade de produzir correntes

harmônicas constituem no presente a mais importante classe de cargas não

lineares nos sistemas de potência.

Em edifícios comerciais é comum a presença de cargas monofásicas com fontes

chaveadas monofásicas. Uma característica distintiva das fontes chaveadas

monofásicas é o alto conteúdo de 3ª harmônica presente na corrente. Como as

componentes triplas são aditivas no neutro de um sistema trifásico, o crescente

aumento dessas fontes causa preocupação com sobrecarga no neutro, em

especial em instalações mais antigas. Há também uma preocupação com o

sobreaquecimento de transformadores devido à combinação de conteúdo

harmônico da corrente, fluxo de dispersão, e elevada corrente no neutro.

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107 Fig.3.14. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de Fonte Chaveada [Fonte: R.

107

107 Fig.3.14. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de Fonte Chaveada [Fonte: R. Dugan

Fig.3.14. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de Fonte Chaveada [Fonte: R. Dugan et al. Electrical Power System Quality.].

Os conversores eletrônicos de potência trifásicos diferem dos conversores monofásicos em particular porque não produzem correntes de 3ª ordem (h=kq±1, q é o número de pulsos do conversor e k=1,2,3,). Isto representa uma grande vantagem porque a corrente harmônica de 3ª ordem é a maior componente harmônica. No entanto, os conversores trifásicos constituem significantes fontes de harmônicos como às presentes nos acionamentos de velocidade variável (AVV) e fontes ininterruptas de energia.

variável (AVV) e fontes ininterruptas de energia. Fig.3.15. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente
variável (AVV) e fontes ininterruptas de energia. Fig.3.15. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente

Fig.3.15. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de AVV.

Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de AVV. Fig.3.16. Forma de Onda e Espectro
Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de AVV. Fig.3.16. Forma de Onda e Espectro

Fig.3.16. Forma de Onda e Espectro Harmônico de Corrente de Fonte Ininterrupta.

A) Notches em Tensão

Quando retificadores (Silicon Controlled Rectifies - SCR) são usados em controles elétricos, é possível ocorrer distorção na forma de onda em forma de "ranhuras"

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na tensão de linha. Notches são irregularidades na forma de onda da tensão de

linha que aparece como um entalhe conforme ilustrado na Figura 3.17.

aparece como um entalhe conforme ilustrado na Figura 3.17. Fig.3.17. Ranhuras N o o t u

Fig.3.17. RanhurasNoo tuc h e s de Tensão.

Os notches de tensão estão normalmente presentes na forma de onda durante a

comutação dos interruptores (SCR). A comutação ocorre quando um interruptor

(SCR) em uma fase entra em condução (ligado) e um interruptor em outra fase

entra em bloqueio (desligado). Devido à indutância do circuito a montante do

SCR, a transferência de corrente de um tiristor em uma fase para o próximo em

outra fase não é instantânea; ao contrário, há um período de sobreposição (ou

comutação) durante o qual os dois dispositivos estão conduzindo

concomitantemente. Neste período de tempo muito pequeno, um curto-circuito é

criado entre as duas fases. Com um curto-circuito, a corrente aumenta e a tensão

diminui. A redução na tensão é definida como um notch de linha. O curto-circuito

é interrompido pela corrente reversa no dispositivo que entra em bloqueio.

A Fig.3.18 mostra uma típica ponte conversora trifásica controlada. Os tiristores

operam em pares para converter sinal ca trifásico em cc chaveando a carga entre os vários pares de tiristores seis vezes por ciclo. Durante o processo, um breve

curto circuito produz um notch na forma de onda da tensão de linha.

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109

109 Fig.3.18. Conversor Trifásico de Onda Completa. A corrente no conversor da Fig.3.18 estando fluindo da

Fig.3.18. Conversor Trifásico de Onda Completa.

A corrente no conversor da Fig.3.18 estando fluindo da fase A através do tiristor 1,

quando o tiristor 3 dispara no tempo t (30º na tensão de base linha-linha), a

corrente começa a transferir da fase A para a fase B. A reatância da fonte impede

a transferência instantânea, assim o tempo de comutação (ângulo) necessário

torna o notch de largura μ.

O notch é mostrado na tensão linha-neutro, Fig.3.19 (a), e tensão linha-linha,

Fig.3.19 (b). A tensão linha-linha na Fig.3.19 (b) ilustra claramente a ação do curto circuito quando os tiristores 1 e 3 estão conduzindo simultaneamente. Os demais

notches refletem a ação do tiristor nas outras fases do circuito.

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i 1 corrente da chave 1 i 3 corrente da chave 3
i
1
corrente da chave 1
i 3 corrente da chave 3

V N profundidade do notch

α ângulo de disparo μ ângulo de comutação

Fig.3.19N. o t c h e s de Tensão

110

A área do notch é uma indicação do efeito que o conversor terá sobre outras

cargas e pode ser calculada como:

A

N

= V

N

t

N

(3.4)

em que V N é a profundidade do notch , em volts (linha-linha), do notch mais severo do grupo e t N a largura do notch em μs. A largura do notch é o ângulo de

comutação μ, definido como [IEEE 519-19]9:2

μ

= cos

1 ⎣ ⎡

− +

cos

α

(

X

s

) t
)
t

X

I

d

⎦ ⎤

α

(3.5)

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em que X s é a reatância em pu com base no conversor, X t é a reatância do

transformador do conversor em pu com base no conversor e I d é a corrente cc

média da carga do conversor, em pu com base no conversor.

O notch de tensão pode aparecer em qualquer ponto do semi-ciclo uma vez que o

ponto de comutação varia segundo a variação do ponto de disparo do SCR. Em

SCR aplicados a motores cc, como a velocidade do motor é função da tensão

aplicada ao motor, em baixa velocidade o

do meio ciclo. Em altas velocidades, o notch pode aparecer próximo ao início do

meio ciclo. Nos casos mais severos, a tensão é reduzida à zero, criando um

cruzamento zero extra ou ponto onde a tensão normalmente muda a polaridade.

Este cruzamento extra de tensão zero é responsável por causar os maiores

problemas. Estes notches extras podem dizer a outros equipamentos para "ligar".

Isso significa que o equipamento pode ligar na hora errada, resultando em danos.

pode aparecer próximo ao final

notch

Alguns equipamentos eletrônicos são projetados para ser acionado no

cruzamento por zero ou quando a tensão é zero. Isso permite que os

equipamentos sejam ativados sem surto de corrente ou corrente inrush que

estaria presente em caso de chaveados com tensão presente. Alguns

equipamentos usam os cruzamentos por zero para um sinal de sincronismo

interno.

Se a impedância do sistema de distribuição é baixa, em geral os notches de

tensão não serão severos o suficiente para afetar outros equipamentos. No

entanto, se a impedância do sistema de distribuição é alta então ocorrerá notches

de tensão com possível impacto sobre outros equipamentos.

B) Redução de Notches

Para eliminar ou reduzir os notches de tensão é necessário que a fonte de

notches (comutação) seja isolada de outros equipamentos sensíveis que usam o

mesmo sistema de distribuição. Considerando os retificadores ou acionamentos

cc como uma fonte de notches e as características do sistema de distribuição, é

necessário que os equipamentos sensíveis não compartilhem a mesma fonte de

tensão. O método mais simples a ser aplicado para eliminar ou reduzir os notches

de tensão é isolar cada equipamento sensível com um transformador de entrada.

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112

Se a impedância do sistema de distribuição é pequena, em geral, o SRC ou

acionamento cc não criará notches severos que afete outros equipamentos.

Entretanto, se a impedância do sistema de distribuição é alta, então ocorrerão os

notches de tensão e provavelmente impactará outros equipamentos.

É importante considerar onde o equipamento sensível conecta-se à mesma fonte

de antes tensão. que eles Para alcancem proteger o o equipamento equipamento sensível. sensível, devem-se reduzir os notches

Um método alternativo de mitigação de notches de tensão é criar um divisor de

tensão, através da inserção de reatores de linha, entre o ponto que se conecta o

equipamento sensível (B) e a fonte de notches (A). É importante notar que os

notches criados por um acionamento cc normalmente não afetará o próprio

acionamento causador dos notches.

não afetará o próprio acionamento causador dos notches . Fig.3.20. Alternativa de Mitigaç N ã o

Fig.3.20. Alternativa de MitigaçNãoot c hdees de Tensão.

Se a reatância indutiva é colocada em série com o controlador SCR e entre o

controlador e o ponto de conexão do outro equipamento (ponto B) então o notch

de tensão se dividirá entre a nova reatância inserida e a reatância de linha

existente até a impedância da fonte. Se a reatância adicionada (L3) é um terço da

já existente (L3=L2=L1), então 1/3 de queda do notch de tensão ocorrerá sobre a reatância inserida e 2/3 permanecerão no ponto comum de conexão (PCC) com

outro equipamento. Nestas circunstâncias, a profundidade do notch será dada

por:

V

N

=

L

1

+

L

2

L

1

+

L

2

+

L

3

(3.6)

em que V N denota a profundidade do notch em pu.

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113

Se a nova impedância é igual à já existente (L3=L1+L2), então o notch se

distribuirá igualmente entre as duas impedâncias. Metade do notch srcinal é

agora presente no ponto comum de conexão (B).

Observe que se a nova reatância é adicionada em qualquer local que não seja

entre o controlador SCR e o equipamento sensível, haverá um mínimo impacto

sobre o

causará melhoria no notch de tensão.

notch

de tensão. Alocar a reatância no lado oposto a B (Fig.3.20) não

A experiência mostra que um reator com 3% de impedância é normalmente

suficiente para reduzir notches de tensão, no PCC com outras cargas sensíveis, a

cerca de 50% ou menos de seu valor inicial. Com isto os cruzamentos extras por

zero são eliminados e normalmente resolve os problemas de interferência com

equipamentos vizinhos. Não é recomendado o uso de reator de impedância de

5% com SCR porque o reator apesar de diminuir a profundidade do notch, no

entanto aumenta sua largura. O excesso de impedância poderá aumentar a

largura (tempo) do notch causando problemas no próprio controlador. Aumentar a

largura do notch pode ser visto por algum equipamento sensível como interrupção

de tensão. Se a impedância do sistema de distribuição é de 1%, então um reator

de impedância de 3% resultará em notches de pequena profundidade [Allen-

Bradley. http://www.ab.com/drives/techpapers/notch.htm. Acessado em 18.10.2010].

Notches de tensão podem introduzir harmônicos no sistema de distribuição. A

expressão para correntes harmônicas considerando uma corrente I cc sem ripple é

dada por:

em que

h

I

=

I

cc

⎡ 2 2 ⎤ 6 + A B − 2 AB cos2 ( α +
2
2
6 +
A
B
2
AB
cos2
(
α
+
μ
)
π ⋅
h
(
cos
α
cos
(
α
+
μ
)
)
⎢ ⎣
⎦ ⎥

A

=

⎡ ⎣ ⎢ μ sen ( h − 1) 2 ⎤ ⎦ ⎥
⎣ ⎢
μ
sen
(
h
1)
2
⎦ ⎥

h

1

(3.7)

(3.8)

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B

=

sen ⎡ ⎣ ⎢ μ ( h + 1) 2 ⎤ ⎦ ⎥
sen
⎣ ⎢
μ
(
h
+
1)
2
⎦ ⎥

h

+

1

(3.9)

114

A forma de onda da corrente é resultado dos notches de tensão [IEEE 519-19]9. 2

3.2.2 Transformadores

Os transformadores de potência são fontes de harmônicos uma vez que, por

razões econômicas, os transformadores são construídos com dimensões tais que

sempre ocorre saturação magnética do material ferromagnético que constitui o

seu núcleo, quando este opera próximo das condições nominais (Wb/m 2 ). Isso

resulta na corrente de magnetização do transformador ser não senoidal, contendo

harmônicas (em especial a de 3ª ordem) mesmo que fosse aplicada uma tensão

senoidal. O contrário também é verdadeiro, i.e., se a corrente de magnetização

fosse senoidal, a tensão não poderia o ser (ver Eq.3.3).

Transformadores de núcleo de ferro, quando operados acima de sua tensão nominal (condição de carga leve do sistema), serão conduzidos para as regiões

saturadas de seu núcleo ferromagnético (Figura 3.21) resultando em uma

corrente de excitação muito maior do que o normal em magnitude, e

significativamente distorcida com harmônicos.

magnitude, e significativamente distorcida com harmônicos. Fig.3.21. Curva de Excitação de Transformadores Profa Ruth

Fig.3.21. Curva de Excitação de Transformadores

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

115

3.2.3 Máquinas Rotativas

As máquinas girantes são consideradas fontes de harmônicos. A f.e.m. em vazio

e a tensão na carga de um alternador (em carga pior do que em vazio) não são

sinusoidais, o que se deve a causas como:

Os enrolamentos são implantados em ranhuras as quais não são distribuídas

senoidalmente tal que a FMM é distorcida. A Figura 3.22 apresenta a força magnetomotriz (FMM) presente no entreferro de uma máquina elétrica como

conseqüência da presença de ranhuras nas máquinas.

Afastamento das ranhuras. Com várias ranhuras por pólo tem-se uma melhor

aproximação à sinusóide.

Tipo de ranhura (aberta). Ranhuras inclinadas em relação ao cilindro que

constitui a face interior do estator contribui para suprimir harmônicas.

Forma dos pólos salientes inclinando as arestas das peças polares de modo

que a que a relutância do entreferro seja constante, qualquer que seja a posição do rotor.

A distância entre espiras de 2/3 do passo polar contribui para não deformar a

f.e.m. resultante no enrolamento do induzido – reduz componente de 3ª

ordem.

enrolamento do induzido – reduz componente de 3ª ordem. Fig.3.22. Harmônico de 9ª Ordem de Ranhura

Fig.3.22. Harmônico de 9ª Ordem de Ranhura Presente na FMM de uma Máquina Elétrica.

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116

Os grandes geradores são comumente conectados à rede elétrica por

transformadores conectados em delta-estrela bloqueando o fluxo de componentes

corrente de 3ª ordem.

3.2.4 Iluminação

A iluminação tem experimentado significativa evolução tecnológica com um aumento considerável na eficiência e consumo de energia como resultado, em

especial, da aplicação de reatores eletrônicos. A Figura 3.23 mostra a relação

linear entre tensão e corrente em uma lâmpada incandescente e de descarga com

reator eletrônico.

lâmpada incandescente e de descarga com reator eletrônico. (a) ( b ) Figura 3.23. (a) Lâmpada

(a)

incandescente e de descarga com reator eletrônico. (a) ( b ) Figura 3.23. (a) Lâmpada Incandescente

(b)

Figura 3.23. (a) Lâmpada Incandescente Fator de Correlação VxI de 0,99935 (b) Lâmpada de Descarga de Vapor de Hg Alta Pressão HPL-N 400W/220V Phillips Fator de Correlação VxI de 0,12636.

400W/220V Phillips Fator de Correlação VxI de 0,12636. ( b ) (a) Fig.3.24. Lâmpada fluorescente com
400W/220V Phillips Fator de Correlação VxI de 0,12636. ( b ) (a) Fig.3.24. Lâmpada fluorescente com

(b)

(a) Fig.3.24. Lâmpada fluorescente com reator eletrônico (a) forma de onda (b) espectro harmônico.

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117

3.2.5 Forno Elétrico a Arco

Os fornos a arco elétrico são equipamentos usados no processo de fundição e

refino de metais, principalmente ferro, para produção de aço. Operam pelo

aquecimento da carga metálica a ser processada levando-a ao estado de fusão.

O calor provém do arco elétrico e é transferido à carga por radiação e convecção.

e é transferido à carga por radiação e convecção. Fig.3.25. Forno a arco elétrico Os fornos
e é transferido à carga por radiação e convecção. Fig.3.25. Forno a arco elétrico Os fornos

Fig.3.25. Forno a arco elétrico

Os fornos a arco são equipamentos eletro-intensivos, perturbadores, com grande impacto na qualidade da energia. As perturbações são do tipo: harmônicos de

corrente podendo causar distorções na tensão da rede, inter-harmônicos,

desequilíbrios, flutuação de tensão e cintilação luminosa – é o principal gerador

de cintilação. As flutuações de tensão são tanto mais percebidas quanto mais

elevada é a potência dos fornos em relação à potência de curto-circuito no PCC.

O consumo médio de um forno a arco é de aproximadamente 550 kWh por

tonelada de aço produzido.

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(a) 118 (b) Fig.3.26. (a) Tensão fase-neutro para as três fases no secundário do transformador

(a)

118

(a) 118 (b) Fig.3.26. (a) Tensão fase-neutro para as três fases no secundário do transformador de

(b)

Fig.3.26. (a) Tensão fase-neutro para as três fases no secundário do transformador de um forno. (b)

Forma de onda da tensão (fase a – neutro), no PCC. [Fonte: M.F.Alves, D.G.Gomes, Z.M.A.Peixoto,

J.P.M.Sousa, e C.P.Garcia. Um Modelo Integrado para Estudos de Compensação de Flicker devido

a Fornos Elétricos a Arco.]

Compensação de Flicker devido a Fornos Elétricos a Arco.] (a) (b) Fig.3.27. (a) Correntes no secundário
Compensação de Flicker devido a Fornos Elétricos a Arco.] (a) (b) Fig.3.27. (a) Correntes no secundário

(a)

(b)

Fig.3.27. (a) Correntes no secundário do transformador do forno. (b) Característica não linear v-i do arco. [Fonte: M.F.Alves, D.G.Gomes, Z.M.A.Peixoto, J.P.M.Sousa, e C.P.Garcia. Um Modelo

Integrado para Estudos de Compensação de Flicker devido a Fornos Elétricos a Arco.]

Os harmônicos produzidos por fornos a arcos usados para a produção de aço são imprevisíveis, randômicos, por causa da variação do arco elétrico a cada ciclo, particularmente no estágio inicial de fusão. O forno a arco gera uma gama de freqüências harmônicas e inter-harmônicas de largo espectro contínuo, sendo

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119

predominante e de maior amplitude a 3 a , a 2 a , a 5 a e a 4 a , nessa ordem, as quais predominam sobre os inter-harmônicos. A amplitude decresce com a ordem. Entretanto, os valores médios das amplitudes das correntes harmônicas dos fornos são relativamente baixos, se comparados com os gerados pelos conversores tiristorizados. Na prática, alguns semiciclos isolados da corrente mostram percentuais elevadíssimos de distorção, mas, a média, no caso dos

fornos a arco, não passa de 5% para os principais harmônicos.

A Tabela 3.1 [IEEE 519-19]9a2presenta o conteúdo harmônico típico da corrente do arco elétrico em dois estágios do ciclo de fusão em um forno a arco típico para a produção de aço. Outros fornos podem exibir diferentes padrões de corrente harmônico.

Tabela 3.1 Conteúdo Harmônico de Corrente de Forno a Arco em Dois Estágios de Operação.

Corrente Harmônica % da Fundamental Ordem do Harmônico Condição do forno Início Refino da (arco
Corrente Harmônica
% da Fundamental
Ordem do Harmônico
Condição do forno
Início Refino da (arco fusão estável) (arco ativo)
2
3
4
5
7
7,7 0,0
5,8 2,0
0,0 2,5
4,2 2,1
3,1 0,0

A) Tipos de Fornos Elétricos a Arco

2,5 4,2 2,1 3,1 0,0 A) Tipos de Fornos Elétricos a Arco (a) (b) (c) Fig.3.28.

(a)

4,2 2,1 3,1 0,0 A) Tipos de Fornos Elétricos a Arco (a) (b) (c) Fig.3.28. Tipos

(b)

2,1 3,1 0,0 A) Tipos de Fornos Elétricos a Arco (a) (b) (c) Fig.3.28. Tipos de

(c)

Fig.3.28. Tipos de Fornos Elétricos a Arco: (a) Forno a arco direto; (b) Forno a arco indireto; (c) Forno a arco submerso.

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120

Os fornos a arco direto - arco entre os três eletrodos verticais e a carga de resíduos - são os mais empregados para a produção de aço, em que a temperatura do arco pode alcançar 3000°C e até mais.

a temperatura do arco pode alcançar 3000°C e até mais. (a) (b) Fig.3.29. Esquemático de Fornos

(a)

temperatura do arco pode alcançar 3000°C e até mais. (a) (b) Fig.3.29. Esquemático de Fornos a

(b)

Fig.3.29. Esquemático de Fornos a Arco Elétrico Direto.

A resistência de arco é aleatória com variações desde praticamente zero (curto- circuito franco) até infinito (corrente interrompida).

B) Estágios de Operação dos Fornos a Arco

Com o carregamento do material, em geral sucata, iniciam-se as fases de operação dos fornos:

Ignição, nesta fase os três eletrodos são baixados até que se estabeleça um curto-circuito entre pelo menos dois deles; em seguida, o regulador do forno começa a levantar um ou mais eletrodos para estabelecer o arco elétrico. O arco elétrico apresenta fases distintas durante o ciclo de operação do forno, sendo as fases de fusão e refino as mais relevantes.

Fusão, quando se inicia o processo de fusão, a sucata apresenta uma superfície muito irregular causando grandes e rápidas flutuações de corrente. O regulador dos eletrodos não tem velocidade suficiente para responder a estas mudanças - esta é a fase de operação do forno que acarreta as maiores flutuações de tensão no sistema elétrico. Ocorrem também grandes e rápidas

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121

variações de potência ativa e reativa (Figura 3.30), e grandes e rápidas

variações do fator de potência. A diminuição desta flutuação implica na

redução da potência reativa consumida pelo forno, o que permite que uma

quantidade maior de potência ativa possa ser suprida, aumentando a

eficiência do forno.

Refino, pasta é estágio aquecida em a que uma não alta se temperatura observam e grandes a matéria distúrbios. espúria é No retirada refino, da a

panela. Seguida a esse processo segue-se a adição de componentes em que

a pasta é mantida aquecida e adicionada quantias de Carbono, Magnésio,

Cobalto e outros materiais segundo as características desejadas para a liga

metálica.

Extinção do arco durante a passagem por zero da corrente.

Potência Ativa Potência Reativa
Potência Ativa
Potência Reativa

Fig.3.30. Variação da Potência Ativa e Reativa durante a Fusão.

Durante os períodos de fusão da carga metálica e posterior refino o arco se

mantém mais estável - esta estabilidade, entretanto, é função do fator de potência

de operação do forno.

Como o arco se extingue a cada passagem por zero da corrente, sua re-ignição

depende da tensão entre eletrodos neste instante. Com fator de potência elevado

(acima de 0,9), a tensão no instante da extinção do arco é insuficiente para a re-

ignição imediata, resultando em arco instável.

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122

Para fatores de potência da ordem de 0,7 a 0,8, a tensão durante a extinção do

arco é suficiente para sua re-ignição imediata, levando a um arco mais estável -

isto gera uma demanda de reativos que deve ser compensada (idealmente

através de um SVC) para que o fator de potência da planta como um todo seja

próximo da unidade.

Para controle cada dos fase eletrodos de operação tentará do forno manter. existe Na um ignição comprimento o comprimento médio de do arco arco que o é

praticamente nulo. Na extinção o comprimento do arco é máximo e na fusão o

comprimento médio do arco deve maximizar a potência. A dispersão em torno do

valor médio é maior na fase de fusão, devido à grande mobilidade da sucata e do

material em fusão. No refino o comprimento médio do arco deve maximizar fator

de potência.

Na operação normal do forno, ocorrem curtos circuitos entre os eletrodos e a

sucata que podem provocar correntes superiores a duas vezes a nominal durante

poucos segundos.

C) Harmônicos e Filtros Harmônicos

A necessidade de filtros de harmônicos depende basicamente da necessidade de

atender normas mais ou menos exigentes no que se refere à distorção de tensão.

De um ponto de vista prático, é possível em grande parte dos casos, instalar

bancos de capacitores sem filtros, desde que se tome a precaução de afastar a

freqüência de ressonância paralela das principais freqüências harmônicas. A

necessidade de instalar filtros de harmônicos é premente quando existem

compensadores estáticos (SVC – compensador shunt usado para mitigar

flutuação de tensão com banco de capacitores fixo e reatores controlados a tiristor), os quais por possuírem dispositivos de estado sólido, controlados por

variação do ângulo de disparo, provocam elevados níveis de harmônicos.

3.3 Efeito dos Harmô nico s

Os efeitos adversos causados pela presença de componentes harmônicos podem

ser do tipo:

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Correntes

no

neutro

em

sistemas

balanceados

devido

à

presença

123

de

componentes triplas que podem igualar ou exceder as correntes de fase.

Estresse no isolamento devido à ação de tensões harmônicas.

Aumento de tensões neutro-terra.

Aumento da temperatura nos condutores.

Aumento da corrente eficaz

Aumento das perdas Joule

Estresse térmico devido ao fluxo de correntes harmônicas.

Vibração.

Ruído audível ( 3 kHz).

Afetam a capacidade de ruptura de disjuntores.

Atuação de dispositivos de proteção (disjuntores, chaves seccionadoras) sem

causa detectável.

Interferência em relés de proteção cuja operação é baseada em

tensão/corrente de pico ou tensão zero.

Dispositivos de medição exibem diferentes respostas a sinais não lineares.

Danificação de capacitores de correção do fator de potência.

Queima de fusíveis sem sobrecarga aparente.

Queima de motores de indução.

Sobre aquecimento de transformadores.

Perda de dados.

Interferência nos sistemas telefônicos e de comunicação.

Baixo fator de potência.

Flutuação da imagem em vídeos.

Os harmônicos causam aumento de perdas (no cobre, ferro, e dielétrico) e perda

de vida útil de equipamentos. Equipamentos sensíveis podem sofrer operação

indevida ou falha em componentes.

A seguir são apresentados os impactos de harmônicos em equipamentos de

sistemas de potência e cargas.

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124

3.3.1 Motores e Geradores

Um dos grandes efeitos de tensões e correntes harmônicas em máquinas

rotativas (indução e síncrona) é o calor produzido, causando aumento de

temperatura, devido às perdas no ferro e cobre nas freqüências harmônicas. As

componentes harmônicas, portanto, afetam a eficiência da máquina, e também

podem afetar o torque desenvolvido.

Quando aos terminais de uma máquina girante (motor) é aplicada uma tensão

com componentes de ordem 5 a , 7 a , 11 a , etc., cada tensão harmônica induzirá uma

correspondente corrente harmônica no estator da máquina. Cada componente de

corrente no estator produzirá uma força magnetomotriz FMM no entreferro que

induzirá o fluxo de corrente no rotor da máquina. Como cada harmônica pode ser

definida como sendo de seqüência positiva ou negativa, a rotação de cada

harmônica será no mesmo sentido ou contrário à rotação do rotor. As correntes

harmônicas no estator de seqüência positiva criam cada, um fluxo magnético

girante direto, pra frente (forward), no entreferro na frequência h f f 1 ou (h f -1)f 1 com

relação ao campo do rotor. As correntes harmônicas de seqüência negativa no estator por sua vez produzem, cada, um campo magnético girante inverso

(backward) de frequência h b f 1 no entreferro ou de frequência (h b f 1 +1)f 1 em relação

ao rotor. Por exemplo, o fluxo magnético produzido pela 5 a harmônica (seqüência

negativa) de corrente no estator irá girar em sentido contrário ao rotor que gira na

rotação direta da fundamental, assim uma corrente harmônica será induzida no

rotor com uma freqüência correspondente à diferença rotacional líquida entre a

freqüência da fundamental na ranhura e a 5 a , i.é., a 5 a mais um, ou seja, a 6 a

harmônica. Uma vez que a sétima harmônica é de seqüência positiva, uma

corrente harmônica será induzida no rotor com uma freqüência correspondendo à

diferença rotacional líquida entre a 7 a e a freqüência fundamental no entreferro,

i.é., a 7 a menos um, ou a 6 a harmônica. Assim, do ponto de vista da produção de

calor, a 5 a e a 7 a harmônicas no estator combinam para produzir uma 6 a

harmônica de corrente no rotor. A 11 a e a 13 a harmônicas agem da mesma

maneira para produzir a 12 a harmônica de corrente no rotor, e assim por diante

com as outras harmônicas mais altas agindo em pares. Portanto, surgem novas

componentes harmônicas que dão srcem a campos pulsantes de freqüências 3 f 1 ,

6f 1 , 9f 1 , 12f 1 , etc. Se a frequência natural da máquina é próxima a essas

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125

freqüências, pode ocorrer ressonância super-síncrona acompanhada por oscilação de torção e flexão do eixo da máquina.

Tabela 3.7. Componentes Harmônicas Induzidas no Rotor.

Ordem Freqüência Harmônica Rotação da Harmônica Seqüência Harmônica Hz No Estator Harmônica No Rotor
Ordem
Freqüência
Harmônica
Rotação da
Harmônica
Seqüência
Harmônica
Hz
No
Estator
Harmônica
No Rotor
1 60 + 1 Forward - 5 Backwrad Forward 7 300 420 + - 5
1
60
+
1
Forward
-
5
Backwrad Forward
7
300 420
+ -
5 7
6 6
11
660
-
11
Backward
12
13
780
+
13
Forward
12
17
1020
-
17
Backward
18
19
1140
+
19
Forward
18
23
1380
-
23
Backward
24
25
1500
+
25
Forward
24

Existem duas preocupações com essas harmônicas no rotor:

Calor resultante das perdas

Torques pulsantes ou reduzidos

O calor que o rotor pode tolerar depende do tipo de rotor envolvido. Máquinas de rotor bobinado são mais seriamente afetadas do que máquinas de rotor em gaiola. As perdas nos enrolamentos são geralmente de maior preocupação do que as perdas no ferro.

Um motor de indução, operando sob alimentação distorcida, pode apresentar um sobre aquecimento em seus enrolamentos. Este sobre aquecimento faz com que ocorra uma degradação do material isolante que pode levar a uma condição de curto-circuito por falha de isolamento.

a uma condição de curto-circuito por falha de isolamento. Fig. 3.17. Perdas Elétricas em um Motor

Fig. 3.17. Perdas Elétricas em um Motor de Indução Trifásico x DHT

V.

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126

A Fig.3.17 [IEEE Transactions on Industry Applications, Vol.IA22, No 6, pp.1121-1]126, Nov.,1986

mostra uma estimativa do acréscimo das perdas elétricas num motor de indução

como função da taxa de distorção total de tensão, DHT V , presente no barramento

supridor.

Na análise de desempenho de um motor de indução submetido a tensões

harmônicas ao surgimento verifica-se de torques uma pulsantes. perda de As rendimento componentes e qualidade harmônicas do serviço de corrente devido de

seqüência negativa produzem um campo magnético que gira em sentido contrário

ao campo magnético da seqüência positiva, ou seja, contrário ao sentido de

rotação do rotor. Assim, tem-se estabelecido uma indesejável interação entre os

dois campos magnéticos, o que resulta num conjugado pulsante no eixo da

máquina.

Os torques pulsantes podem causar fadiga do material e em casos extremos,

para altos valores de torques oscilantes, interrupção do processo produtivo,

principalmente em instalações que requerem torques constantes como é o caso

de bobinadeiras na indústria de papel-celulose, condutores elétricos, etc.

Com o uso crescente dos AVV (Acionamentos de Velocidade Variável) estes

efeitos se pronunciaram, pois os níveis de distorção impostos pelos inversores

superam os valores normalmente encontrados nas redes ca, muito embora, as

novas técnicas de chaveamento têm reduzido consideravelmente estes níveis.

Os motores de indução, de acordo com o seu porte e impedância de seqüência

negativa, possuem um grau de imunidade aos harmônicos conforme sugere a

expressão abaixo.

2 ⎛ ⎞ n ⎜ ⎟ 1,3≤% a 3,5% ∑ ∞ V ⎝ n ⎠
2
n
1,3≤% a 3,5%
∑ ∞ V
n
n
=
2

(3.10)

Em geral, não há necessidade de desclassificar os motores se a distorção de

tensão permanece dentro dos limites da norma IEEE 519-1992 de 5% de DHT V e

3% para qualquer harmônico individual. Problemas de aquecimento excessivo

começam quando a distorção de tensão atinge 8 a 10% ou acima. Tais distorções

devem ser corrigidas para uma maior vida útil do motor.

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127

Em um motor, as correntes harmônicas podem aumentar a emissão de ruído

audível (faixa de freqüência audível: > 40 Hz, < 10 kHz) quando comparado com

excitação senoidal. As harmônicas também produzem uma distribuição do fluxo

resultante de entreferro, o qual pode causar ou acentuar o fenômeno chamado

cogging (rejeição a uma partida suave) ou crawling (alto escorregamento) em

motores de indução.

Os geradores síncronos, responsáveis por grandes blocos de energia, pelo fato

de estarem localizadas distantes dos centros consumidores não sofrem de forma

acentuada as conseqüências dos harmônicos injetados no sistema. Entretanto,

em sistemas industriais dotados de geração própria, que operam em paralelo com

a concessionária, uma série de anomalias tem sido verificada no que se refere à

operação das máquinas síncronas. Dentre estes efeitos destacam-se:

Sobre aquecimento das sapatas polares (forma da superfície polar), causado

pela circulação de correntes harmônicas nos enrolamentos amortecedores;

Torques pulsantes no eixo da máquina;

Indução de tensões harmônicas no circuito de campo que comprometem a

qualidade das tensões geradas.

Assim, é importante que uma monitoração da intensidade destas anomalias seja

efetuada, com o propósito de assegurar operação contínua das máquinas

síncronas, evitando transtornos como perda de geração. No caso de instalações

que utilizam motores síncronos, as mesmas observações se aplicam.

De forma semelhante aos motores de indução, o grau de imunidade das

máquinas síncronas aos efeitos de harmônicos é função do porte da máquina e da impedância de seqüência negativa. Esta condição pode ser assegurada

quando obedecida a relação abaixo.

2 ∞ ⎛ V ⎞ ∑ n ⎜ 1,3%≤a 4% ⎟ ⎝ n ⎠ n
2
V
n
1,3%≤a 4%
n
n
=
2

(3.11)

Em casos em que há uma substancial inércia acoplada ao eixo do rotor (motor-

gerador, turbina-gerador), os harmônicos elétricos podem excitar uma

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128

ressonância mecânica. Se a freqüência de uma ressonância mecânica existe

próxima à freqüência elétrica de estímulo, forças mecânicas oscilantes podem ser

desenvolvidas. As oscilações mecânicas resultantes podem causar fadiga do eixo

e acelerado envelhecimento do eixo e das partes mecânicas conectadas a ele.

3.3.2 Transformadores

Para transformadores trifásicos, as harmônicas triplas ímpares (3 a , 9 a , 15 a , 21 a , estão sempre em fase e é por esta razão que, em geral, o primário é conectado

)

em delta de modo a prover um caminho para circulação destas componentes, que

ficam retidas não sendo injetadas no sistema de alimentação.

No entanto, a 5 a e 7 a harmônicas da corrente de excitação do transformador são

injetadas no sistema, causando distorção de corrente e tensão, pois têm

amplitudes situadas usualmente entre 5 e 10% do valor nominal da corrente

fundamental. O efeito destas harmônicas é mais acentuado bem no início da

manhã (final da madrugada) quando o sistema está operando com pouca carga e

a tensão é elevada.

São dois os efeitos das harmônicas nos transformadores:

Aumento de perdas no cobre e perdas por correntes parasitas nos

enrolamentos causadas pelas correntes harmônicas. As perdas no cobre P R

devido os harmônicos, desconsiderando o efeito skin, são determinadas pela

distorção harmônica de corrente e distorção harmônica de tensão, as duas

sendo iguais para condição de resistência pura. Considere as perdas no cobre

expressas por:

P

R

==

1 1

h

=

h

VI

RI

2 2

h

=

1

=

h

=

1

h

2

h

2

h

h

1

2

h

=

1

V

R

(3.12)

Considerando que a resistência é constante:

P

R

=

=

R ∑ I = 2 h = 1 1
R
I
=
2
h
=
1
1

2

R

h

=

1

2

h

2

V

=

h

2 I R + 1 ( 1 = 2 2 V + 1 1 =
2
I
R
+
1
(
1
=
2
2
V
+
1
1
=

2

R

(

DHT

+

P

I

)

DHT

+

V R

)

(

2

(

2

)

DHT

1

R

1

P

V

1

DHT

)

1

P

R pu

,

=+ DHT=+

I

1

2

1

DHT

2

V

2

I

2

(3.13)

(3.14)

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

129

As perdas por correntes eddy nos enrolamentos são definidas como:

P

e

P

=

e

1

hI

h

=

1

2

phu

2

,

(3.15)

em que P e1 é a perda por corrente eddy no enrolamento à freqüência

fundamental. As correntes eddy são correntes induzidas causadas por fluxos

magnéticos. Essas correntes induzidas fluem nos enrolamentos, no núcleo e

nas demais partes condutoras sujeitas ao campo magnético do transformador

e causam aquecimento adicional.

Aumento nas perdas no núcleo causadas pelos harmônicos de tensão com

aumento nas perdas por histerese e corrente eddy. Essas perdas aumentam

significativamente com a freqüência e o aumento nas perdas por corrente eddy

devido os harmônicos são maiores que as perdas por histerese. Entretanto, o

aumento de temperatura no núcleo devido o aumento das perdas no ferro é

menos critica que nos enrolamentos.

Como conseqüência do aumento de perdas tem-se um aumento no calor gerado no transformador.

As perdas nos transformadores causadas por tensões harmônicas e correntes

harmônicas variam com a freqüência. As perdas aumentam com o aumento da

freqüência.

O aumento de perdas faz com que a vida útil dos transformadores seja reduzida,

como mostra a Fig.3.15, uma vez que a degradação do material isolante no

interior do transformador ocorrerá de forma mais acentuada.

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

130

130 Fig. 3.15. Vida Útil de um Transformador em Função da Distorção Harmônica de Corrente. Os

Fig. 3.15. Vida Útil de um Transformador em Função da Distorção Harmônica de Corrente.

Os transformadores possuem um nível de tensão admissível dado por:

Tabela 3.7. Nível de distorção admissível em transformadores.

PlenaCarga Vazio ∑ ∞ 2 2 V ≤ 5% ∑ ∞ V ≤ 10% n
PlenaCarga
Vazio
∑ ∞
2
2
V
≤ 5%
∑ ∞
V
≤ 10%
n
n
n
= 2
n
= 2

A Distorção Harmônica Total da corrente (DHT I ) para valores de corrente nominal

deve ser:

< 5%

DHT

I

3.3.3 Banco de Capacitores

(3.16)

O uso acentuado de capacitores instalados em redes elétricas para a correção de fator de potência e regulação de tensão pode causar condições de ressonância

(série e paralela) que podem amplificar o nível dos harmônicos de tensão ou de

corrente. Este efeito impõe tensões e correntes consideravelmente maiores

quando comparadas às condições sem ressonância.

Os harmônicos afetam os bancos de capacitores da seguinte maneira:

Sobrecarga

por

correntes

harmônicas

uma

vez

que

a

reatância

dos

capacitores diminui com a frequência tornando-os como sorvedouros por

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131

harmônicos. As tensões harmônicas também produzem grandes correntes

causando a ruptura de fusíveis de proteção dos capacitores.

Aumento das perdas dielétricas tendo como conseqüência direta o aumento

de calor e perda de vida útil.

Os capacitores combinam com a indutância da fonte formando um circuito

ressonante paralelo. Na presença de ressonância os harmônicos são amplificados. As tensões resultantes excedem em muito a tensão nominal e a

conseqüência é danificação do capacitor e a queima de fusíveis.

3.3.3.1 Ressonância em Capacitores

Considere um sistema de potência representado por seu equivalente de Thévenin

como mostra a Figura 3.16 [Power Systems Harmonics, G.J. Wakileh, Sprin]g. er, 2001.

V s

z s I C ~ V bc C
z s
I C
~
V bc
C

I C

Vs=V bc
Vs=V bc

jX s I C

R s I C

V C

Fig. 3.16 Sistema com capacitor.

A impedância equivalente Z s é obtida a partir da capacidade de curto circuito do

sistema na barra de conexão do capacitor.

Z

s

=

2

kV

S

cc

=

R

s

+

j

ω

1

L

s

(3.17)

sendo kV a tensão de linha e S cc a potência de curto circuito trifásica em MVA.

A impedância equivalente Z s em pu é dada por:

Z

s pu

,

=

Z s

Z b

=

2 kV S cc 2 kV S b b
2
kV
S
cc
2
kV
S
b
b

(3.18)

Para uma tensão de base igual à tensão nominal, tem-se que:

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

Z

s

,

pu

=

S

b

1

=

S

cc

S

cc pu

,

X

C

,

pu

=

X C

=

Z

b

1

Q

Cpu

,

132

(3.19)

(3.20)

A frequência ressonante do sistema é dada por:

f

r

=

1

2 π L C s
2
π
L C
s

(3.21)

Multiplicando numerador e denominador em (3.21) por ω 1 , obtém-se:

f

r

=

1

= 2 π L C s
=
2
π
L C
s

ω

= 1 = 2 π X X s pu ,1, C pu ,1,
=
1 =
2
π
X
X
s pu
,1,
C pu
,1,
X C ,1, pu 1 X s ,1, pu
X
C
,1,
pu
1
X
s
,1,
pu

f

S cc pu ,1, 1 Q C pu ,1,
S
cc
pu
,1,
1
Q
C pu
,1,

f

(3.22)

A harmônica ressonante de ordem h r , definida como h r =f r /f 1 , pode ser re-escrita

como:

Em que

h r

f r

f

X

X

1

c,1,pu

s,1,pu

S

cc,1,pu

Q C,1,pu

h

r

=

f

r

f

1

=

X C ,1, pu X s ,1, pu
X
C
,1,
pu
X
s
,1,
pu

=

S cc pu ,1, Q C pu ,1,
S
cc
pu
,1,
Q
C
pu
,1,

(3.23)

é a ordem harmônica que provoca ressonância

é a frequência ressonante,

f r = h r f 1

é a frequência fundamental do sistema, 60 Hz no Brasil

é a reatância do capacitor em pu na frequência fundamental

é a reatância indutiva da fonte em pu na frequência fundamental

é a potência de curto-circuito em pu ou MVA na barra do capacitor é a potência nominal do capacitor em pu ou MVA

A tensão na barra quando o banco de capacitores é chaveado é obtida como:

=′

V V

C

=

bc

jX

,1

C

⋅=

Z

s C

s

jX

,1

V

s

V

s

1

2

1

ω

s

L C

+

jω CR

1

Na ressonância

2

ω LC =

r

1

, e a tensão no capacitor torna-se:

(3.24)

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em que

V c,h

Z c

A f

h

V

,

C

=

V

s

−=

jω CR

sr

j

s

V s −= s
V
s
−=
s

L j C LV Z

R C

s

s s

c

−=

s

−= sf C
−=
sf
C

jV VjA

s

R

R

133

(3.25)

h-ésima harmônica de tensão no capacitor em ressonância

impedância característica definida como

fator de amplificação definido como

A f

= L c s R c s
=
L
c
s
R
c
s

Z

= Z

C =

s C

X X
X
X

Em (3.25) é visto que são amplificadas as harmônicas de tensão que correspondem ou são próximas à frequência ressonante. A tensão resultante é bem maior que a tensão nominal o que resulta em avaria do capacitor ou queima de fusíveis. O fator de amplificação pode ser expresso como em (3.26) uma vez que na ressonância X s =X c :

A

f

=

=

Z

c = R s X s r , =
c
=
R
s
X
s r
,
=

R

s

L C X X s = s C R R s s 2 fL π
L
C
X
X
s
=
s
C
R
R
s
s
2
fL
π
hfL
2
π
X
sr
=
r
s
=⋅
s
1

s

R

s

s

R

h

r

R
R

60 50

Hz

(3.26)

A norma ANSI/IEEE 18-1992 "Standard for Shunt Power Capacitors" especifica

que capacitores podem operar continuamente em ambiente com harmônicos [Power Systems Harmonics, G.J. Wakileh, Springer, 2001; Electrical Power Systems Quality, R.C.

Dugan et al, McGraw Hill, 2

nd Ed.] desde que:

A potência reativa não exceda 135% do valor de placa

Q

C

Q

C

1

=

h

=

1

h

V

V

h

1

2

=

hI

⎛ ⎞

⎝ ⎠

h

=

1

1

I

h

1

2

1,35

(3.27)

A tensão rms não exceda 110% da nominal (incluindo harmônicos, mas excluindo transitórios)

V rms = + 2 1 DHT ≤ ⇒ V
V rms
= +
2
1
DHT
V

V

1

1,1

DHT

=

V

0,21
0,21

45,8%

(3.28)

A tensão de pico (incluindo harmônicos) não excede 120% do nominal

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A

V

p

V

1

corrente

1

=+

rms

VCF

≤ ⇒

não

1,2

VCF

0,2

excede

180%

da

corrente

nominal

componente de corrente fundamental e os harmônicos)

I rms = + 1 DHT ≤ ⇒ 2 I
I
rms
= +
1
DHT
⇒ 2
I

I

1

1,8

DHT

=

I

2,24
2,24

149,67%

134

(3.29)

(incluindo

a

(3.30)

Problema: [Power Systems Harmonics, G.J. Wakileh, Sprin]ger, 2001

Em um sistema com as condições apresentas a seguir, calcule o fator de amplificação A f . Considere a potência de base igual a 100 MVA e 110/20 kV as tensões de base do lado de alta e baixa tensão respectivamente. Repita o cálculo de A f para potência do banco de capacitores igual a 100, 50 e 24 Mvar.

110/20 kV Equivalente 31,5 MVA de Sistema de Potencia em110kV 0,3+1j3,997% SccMVA X/R Min 1500
110/20 kV
Equivalente
31,5 MVA
de Sistema
de Potencia
em110kV
0,3+1j3,997%
SccMVA
X/R
Min
1500
6,5
Normal
3000
6
Max
4000
7

Solução:

3,8 Mvar

Para a condição de carregamento máximo, tem-se para a potência de curto

circuito do sistema em pu:

max

S

cc pu

,

=

max

S

cc

S

b

4000

=

100

=

40

[

pu

]

A impedância equivalente do sistema:

max

Z

s ,

pu

1

= ∠

S max

cc pu

,

tg

=

0,00354

+

1

max Z s , pu 1 = ∠ S max cc pu , tg = 0,00354

(

= ∠

X

R

)

0,02475

j

=

1

40

tg

1

0,025

7

81,86

[

pu

]

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

135

A impedância do transformador com mudança de base:

Z

t pu

,

=

Z

t pu

,

old

V

⎟⎜ b

new

V

b

⎞⎛

⎠⎝

2

new

S

b

old

S

b

= +

(

0,003

)(

0,13997

j

)

2 ⎟ ⎞ new S b old S ⎠ b = + ( 0,003 )( 0,13997

100 31,5

0,009524

= +

0,444349

j

=

0,44445

88,77

[

]

pu

A impedância do sistema vista da barra de 20 kV:

Z

20,

pu

max

= Z+

s

,

pu

= Z

t

,

pu

+

0,01306

=

j

0,4691

0,46928

potência de curto circuito na barra de 20 kV:

A

S

cc

,20

1

1

= =

Z

20,

pu

0,46928

=

2,131

[ pu

]

A relação X/R na barra de 20 kV:

0,46928 = 2,131 [ pu ] A relação X/R na barra de 20 kV: X 20

X

20

R

=

tg88,405

=

35,92

88,405

[

]

pu

Para o banco de capacitores, a potência e a reatância capacitiva em pu:

Q

c ,

pu

X

c ,

pu

=

=

= 0,038 [ 100 1 1 =
=
0,038
[
100
1
1
=

]

pu

=

Q c pu

,

0,038

3,8

26,3158

[ pu

]

A ordem da harmônica em que ocorre ressonância é calculada por:

f X S Cpu , ccpu , h = r = = r f 1
f
X
S
Cpu
,
ccpu
,
h
=
r
=
=
r
f
1
X
spu
,
Q
Cpu
,
26,3158
=
=
7,488
0,46928
2,131
=
=
7,4886
0,038

O fator de amplificação é de:

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

A

f

=

=

X

,60

s

Hz

R

s

20

h

r

35,92 7,488

=

269

136

max Q h r =√(X c /0,46928) A f =35,92 x h r S c
max
Q
h r =√(X c /0,46928)
A f =35,92 x h r
S
c Q c,pu
X c,pu
cc
(Mvar)
(MVA)
4000 3,8
0,038
26,3158
7,488
269

Para as condições de operação mínima e normal, tem-se que a impedância

equivalente do sistema é dada por:

min

Z

s pu

,

n

Z

s pu

,

1

= ∠

min

S

cc pu

,

=

1

n

S

cc pu

,

tg

tg

1

1

(

(

)

=∠

X

R

)

= ∠

X

R

1

=

15

1

=

30

tg

1

tg

1

6,5

6

0,067

0,034

81,25

[

pu

80,54

[

]

pu

]

A impedância do transformador permanece a mesma:

Z

t

,

pu

0,009524

= +

0,444349

j =

0,44445

88,77

[

pu

]

E a impedância total vista da barra em 20 kV é então:

a) Operação mínima

min

Z Z

20,

pu

=

s

,

pu

+

Z

t

,

pu

=

=

(

0,0102

+ +

(

0,019724

+

)

0,0662

j

+

0,510549

j

=

)

0,009524

0,5109

0,444349

j

87,49

[

]

pu

b) Operação normal

n

,

s

Z Z

20,

pu

=

pu

+

Z

t

,

pu

=

=

(

0,005588

+

0,015112

+

(

)

0,033538

j

+

+

0,477887

j

=

)

0,009524

0,444349

j

0,4781

88,19

[

]

pu

As potências de curto circuito na barra de 20 kV para as condições de operação

mínima e normal são:

Profa Ruth P.S. Leão email: rleao@dee.ufc.br hp: www.dee.ufc.br/~rleao

min

S

,20

cc

n

S

,20

cc

=

1

1

=

Z

20,

pu

0,5109

1

1

= =

Z

20,

pu

0,4781

=

=

1,96

[

]

pu

2,092

[

]

pu

137

As ordens das harmônicas em que ocorre ressonância são calculadas por:

a) Operação mínima

= ressonância são calculadas por: a) Operação mínima b) Operação normal f X Cpu , h =

b) Operação normal

f X Cpu , h = r = r f X 1 spu , 60
f
X
Cpu
,
h
=
r
=
r
f
X
1
spu
,
60
Hz
26,3158
=
=
7,42
0,4779
2,092
=
=
7,42
0,038

=

O fator de amplificação para ambas condições de operação:

a) Operação mínima

⎛ X s ,60 Hz A = ⎜ f ⎝ R s 0,5105 = ⋅
X
s
,60
Hz
A