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ORIGEM DASEGURANÇA PÚBLICANO BRASIL E SEUSDESAFIOS

NOS DIAS ATUAIS


Marlene Rodrigues dos Santos¹

RESUMO: O presente artigo busca, a partir da análise de uma série de evidências


empíricas e de dados disponíveis, construir um panorama atualizado da área e, com
isso, reforçar uma narrativa acerca da atual configuração da segurança pública no
país que identifica os sentidos das fortes disputas pelo significado de lei, ordem e
segurança pública, bem como interpreta os rumos e as opções institucionais em
torno de como o Estado tem administrado os conflitos sociais da sociedade brasileira
contemporânea. Narrativa essa que, em síntese, defende que há um forte hiato
entre os princípios democráticos inaugurados com a Constituição de 1988 e
aspráticas institucionais das polícias, dos ministérios públicos e do Judiciário, que,
paradoxalmente, delegam às polícias militares a gestão da vida da população e
pouco avançam na sua valorização como princípio basilar a organizar suas práticas
e procedimentos.

Palavras-chave: Segurança Publica; desafios; Conflitos Social.

1-Introdução
Na última década, a questão da segurança pública passou a ser considerado
problema fundamental e principal desafio ao estado de direito no Brasil. A segurança
ganhou enorme visibilidade pública e jamais, em nossa história recente, esteve tão
presente nos debates tanto de especialistas como do público em geral.

_________________
¹Bacharel em Ciências Contábeis e Pós-GraduaçãoLatoSensu Gestão Pública, pelaCursos de Pós-
Graduação Faculdade de Educação São Luís de Jaboticabal,² E-mail do autor:
marlenerds2017@gmail.com Orientador: Prof. Esp.Maria Tereza Garcia Faitarone.
2

Os problemas relacionados com o aumento das taxas de criminalidade, o


aumento da sensação de insegurança, sobretudo nos grandes centros urbanos, a
degradação do espaço público, as dificuldades relacionadas à reforma das
instituições da administração da justiça criminal, a violência policial, a ineficiência
preventiva de nossas instituições, a superpopulação nos presídios, rebeliões, fugas,
degradação das condições de internação de jovens em conflito com a lei, corrupção,
aumento dos custos operacionais do sistema, problema relacionados à eficiência da
investigação criminal e das perícias policiais e morosidade judicial, entre tantos
outros, representam desafios para o sucesso do processo de consolidação política
da democracia no Brasil.
Segurança Pública é um processo, ou seja, uma sequência contínua de fatos
ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com certa
regularidade, que compartilha uma visão focada em componentes preventivos,
repressivos, judiciais, saúde e sociais.
É um processo sistêmico, pela necessidade da integração de um conjunto de
conhecimentos e ferramentas estatais que devem interagir a mesma visão,
compromissos e objetivos. Deve ser também otimizado, pois dependem de decisões
rápidas, medidas saneadoras e resultados imediatos. Sendo a ordem pública um
estado de serenidade, apaziguamento e tranquilidade pública, em consonância com
as leis, os preceitos e os costumes que regulam a convivência em sociedade, a
preservação deste direito do cidadão só será amplo se o conceito de segurança
pública for aplicada com limitações.
Na política de segurança pública, muitos desafios foram encontrados, como a
adesão por parte de alguns de seus profissionais e da sociedade com relação à sua
aproximação do propósito de desenvolver um novo paradigma nesse setor.
Desta forma, o estudo sobre a historia evolutivaé importante para
compreensão da realidade da Segurança Pública atual, bem como pode subsidiar
Políticas Públicas para prevenção e enfrentamento da violência e da criminalidade
brasileira.

2-Origem da Segurança Pública no Brasil


Mas ou menos um ano após a chegada de D. João VIao Brasil, foi criada
aDivisão Militar da Guarda Real de Polícia. Uma força policial que atuavaem tempo
integral, constituída no modelo militar e subordinada a Ministérioda Guerra e à
3

Intendência de Polícia. Suas atividades eram capturados escravos, desordeiros e


criminosos e patrulhar para reprimir as ações decontrabando. Essas características
eram definidas pela Corte Real e ligadasàqueles que não concordassem com o que
lhes era determinado. Nestemomento, ainda não se tinha noção a respeito da
segurança pública, nemreferências a essa questão.
Em 1822, foi declarada a Independência do Brasil, e ainda a segurança do
indivíduo era confundida com a segurança do país. Durante o Período Imperial, o
país entrou em conflitos internos e externos, e a força policial, chamada de Guarda
Real, atuou no espaço da defesa interna e da segurança nacional, agindo conjugada
mente com o Exército Brasileiro, criado desde 1648. Somente poderiam fazer parte
dessa Guarda os cidadãos eleitores, ou seja, indivíduos que possuíam renda
mínima, conforme definição do art. 192 da Constituição Política do Império de 1824.

Observava-se a determinação do grau de direitos através dos bens e, contudo,


a divisão social entre os indivíduos. No Período Regencial (1831), a Guarda Real foi
substituída pelo Corpo de Guardas Municipais Voluntários Permanentes por
província, com a finalidade de enfrentar a agitação inerente à época. Mais tarde, a
denominação foi alterada e cada província determinou seu título conforme a Unidade
Federativa (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Polícia Militar do Estado do
Ceará e outros).
Nesse mesmo período, criou-se a Guarda Nacional, uma organização
paramilitar, ou seja, independente do Exército, com a atribuição de defender a
Constituição e a integridade do Império na manutenção da ordem interna. Em 1866,
no Rio de Janeiro, foi criada a Guarda Urbana, precursora do Corpo Civil da Polícia:
uma força não militarizada com atividades de ronda. A Corte era composta por uma
força policial militar e outra civil, sendo que a primeira tornou-se força aquartelada,
com operações de grande porte, e a segunda ficou com a atribuição da vigilância
contínua da cidade, conforme art. 6º do Decreto Imperial de 1866.

2.1 Segurança Pública– Constituição 1934

Conforme vislumbram os artigos mencionados abaixo.

Artigo 5º CF/1934- Compete privativamente à União:


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I - manter relações com os Estados estrangeiros, nomear os membros


do corpo diplomático e consular, e celebrar tratados e convenções
internacionais;
II - conceder ou negar passagem a forças estrangeiras pelo território
nacional;
III - declarar a guerra e fazer a paz;
IV - resolver definitivamente sobre os limites do território nacional;
V - organizar a defesa externa, a polícia e segurança das fronteiras e as
forças armadas;
VI - autorizar a produção e fiscalizar o comércio de material de guerra
de qualquer natureza;
VIl - manter o serviço de correios;
VIII - explorar ou dar em concessão os serviços de telégrafos,
radiocomunicação e navegação aérea, inclusive as instalações de
pouso, bem como as vias-férreas que liguem diretamente portos
marítimos a fronteiras nacionais, ou transponham os limites de um
Estado;
IX - estabelecer o plano nacional de viacao férrea e o de estradas de
rodagem, e regulamentar o tráfego rodoviário interestadual;
X - criar e manter alfândegas e entrepostos;
XI - prover aos serviços da polícia marítima e portuária, sem prejuízo
dos serviços policiais dos Estados;
XII - fixar o sistema monetário, cunhar e emitir moeda, instituir banco
de emissão;
XIII - fiscalizar as operações de bancos, seguros e caixas econômicas
particulares;
XIV - traçar as diretrizes da educação nacional;
XV - organizar defesa permanente contra os efeitos da seca nos
Estados do Norte;
XVI - organizar a administração dos Territórios e do Distrito Federal, e
os serviços neles reservados à União;
XVII - fazer o recenseamento geral da população;
XVIII - conceder anistia;

Artigo 167 CF/1934 - As polícias militares são consideradas reservas


do Exército, e gozarão das mesmas vantagens a este atribuídas,
quando mobilizadas ou a serviço da União.

2.2Segurança Pública CF/1988, e Seus Desafio Atuais.

Terminado o período da Ditadura, uma nova Constituição foi promulgada, em


05 de outubro de 1988. Ela definiu de maneira parcialmente “inovadora” o conceito
de segurança, segundo texto constitucional: A segurança pública, dever do Estado,
direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública
e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I – polícia federal;
II – polícia rodoviária federal;
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III – polícia ferroviária federal;


IV – polícias civis;
V – polícias militares e corpos de bombeiros militares (BRASIL, 1988).
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, estruturado em
carreira, destina-se a:

I -apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de


bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas
públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual
ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;

II -prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o


contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos
públicos nas respectivas áreas de competência;

III -exercer as funções de polícia marítima, aérea e de fronteiras;

IV -exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, estruturado em carreira,


destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, estruturado em carreira,


destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.

§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,


ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de
infrações penais, exceto as militares.

§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem


pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei,
incumbe a execução de atividades de defesa civil.

§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e


reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos
Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis


pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.
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§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção


de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
“Novas políticas de segurança” são aquelas realizadas visando à ocupação de
territórios dominados pelo crime organizado através do auxilio das Forças Armadas
e da Força Nacional de Segurança. São as novas medidas adotadas em parcerias
entre os entes federativos, que perdem um caráter local para se tornarem políticas
nacionalizadas de segurança e combate ao crime, comumente acompanhadas por
grandes operações com órgãos de segurança estaduais e federais integrados para
ação de retomada e ocupação de territórios pelo Estado.

2.3 A ORGANIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA


O artigo 144 da Constituição elenca e define quais são os órgãos responsáveis
pela segurança pública em todo o território nacional. Mais que isso, o texto deixa
claro as atribuições e competências de cada ente federativo na questão da
segurança, apontando as responsabilidades de cada unidade da federação, visando
o pacto federativo e reafirmando o princípio de a segurança pública ser um direito e
responsabilidade de todos.
A priori, observa-se um esforço de reafirmar o princípio federativo de nossa
Constituição. Cabe à União competências de matérias muito específicas, delimitadas
com rigor pelo texto de lei, de tal sorte que qualquer caso que se afaste dessas
competências elencadas, restará a competência dos Estados. São estes últimos os
responsáveis por organizar a segurança pública.
Como bem ensina AFONSO (2007, p. 637) “Tanto é de sua responsabilidade
primária o exercício dessa atividade que, se não a cumprirem devidamente, poderá
haver ensejo de intervenção federal, no termos do art. 43, III [...]”.
Dessa forma, quando a Constituição afirma que a Lei disciplinará esses órgãos
de segurança, significa dizer que a lei estadual o fará, enquanto que a lei federal
restará disciplinar de forma mais restrita o tema, dentro de sua competência mais
limitada, ou seja, as polícias federais (Ferroviária, Rodoviária e Federal).
Cabe aos Estados, portanto, a maior parte da responsabilidade da manutenção
da ordem pública e garantia do direito á segurança e da paz social. E o fazem
através de dois órgãos de polícia de segurança que, como vimos, são de
competências distintas e complementares, ostensiva e judiciária.
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3-O Plano Nacional de Segurança Pública

O governo Fernando Henrique Cardoso, tendo em vista os desdobramentos da


Conferência Mundial de Direitos Humanos, ocorrida em Viena, em 1993, criou, em
1996, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), aperfeiçoando-o em 2000,
com a instituição do II Programa Nacional de Direitos Humanos, após a IV
conferência Nacional de Direitos Humanos, ocorrida em 1999.

Demonstrando disposição em reorganizar o arranjo e a gestão da segurança


pública, o Governo Federal, cria, em 1995, no âmbito do Ministério da Justiça, a
Secretaria de Planejamento de Ações Nacionais de Segurança Pública (Seplanseg),
transformando-a, no ano de 1998, em Secretaria Nacional de Segurança Pública
(Senasp), tendo como perspectiva atuar de forma articulada com os estados da
federação para a implementação da política nacional de segurança pública.

A instituição da Senasp, como órgão executivo, significou a estruturação de


mecanismos de gestão capazes de modificar o arranjo institucional da orgnização
administrativa da segurança pública no âmbito governamental federal. Surgiu, então,
o Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP), voltado para o enfrentamento da
violência no país, especialmente em áreas com elevados índices de criminalidade,
tendo como objetivo aperfeiçoar as ações dos órgãos de segurança pública.

AO Plano Nacional de Segurança Pública de 2000 éconsiderado a primeira


política nacional e democrática de segurança focada no estímulo à inovação
tecnológica; alude ao aperfeiçoamento do sistema de segurança pública
através da integração de políticas de segurança, sociais e ações
comunitárias, com a qual se pretende a definição de uma nova segurança
pública e, sobretudo, uma novidade em democracia (LOPES, 2009, p. 29).

Efetivamente, a inovação tecnológica é fundamental para que os instrumentos


utilizados por parte dos operadores da segurança pública possam ser eficazes e
eficientes. Neste aspecto, essa proposta do PNSP pode ser considerada
extremamente estratégica. O PNSP estabeleceu um marco teórico significativo na
propositura da política de segurança pública brasileira, cujo objetivo era articular
ações de repressão e prevenção à criminalidade no país. Para dar apoio financeiro
ao PNSP, foi instituído, no mesmo ano, o Fundo Nacional de Segurança Pública
(FNSP). Entretanto, esses avanços na formatação da política de segurança pública
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não produziram os resultados concretos esperados. De acordo com Fernando


Sallas.

[...] o Plano Nacional de Segurança Pública [...] compreendia 124 ações


distribuídas em 15 compromissos que estavam voltadas para áreas diversas
como o combate ao narcotráfico e ao crime organizado; o desarmamento; a
capacitação profissional; e o reaparelhamento das polícias, a atualização da
legislação sobre segurança pública, a redução da violência urbana e o
aperfeiçoamento do sistema penitenciário. Uma novidade é que no plano,
além dessas iniciativas na área específica de segurança, eram propostas
diversas ações na esfera das políticas sociais. O plano, no entanto, não
fixava os recursos nem as metas para ações. Ao mesmo tempo, não
estavam estabelecidos quais seriam os mecanismos de gestão,
acompanhamento e avaliação do plano (SALLA, 2003, p. 430).

Nessa concepção, o PNSP possibilitou a institucionalização de significativos


encaminhamentos de diretrizes para ações de gestão, porém poucos avanços
práticos. Sem recursos definidos, sem delineamento de metas e de processos de
avaliação de eficácia, eficiência e efetividade, fracassou nos seus princípios o
processo de democratização, emergiu a possibilidade de uma reorientação
estratégica, com tratamento político-administrativo direcionado a colocar a questão
da segurança pública como política prioritária de governo.
Evidentemente, os avanços foram extremamente tímidos frente à
complexidade do problema da segurança pública, tanto que o fenômeno da violência
continuou assustando a população brasileira, principalmente nos grandes centros,
como têm demonstrado os índices oficiais de criminalidade, diversos estudos e o
cotidiano midiático. As políticas públicas de segurança, justiça e penitenciárias não
têm contido o crescimento dos crimes, das graves violações dos direitos humanos e
da violência em geral.
A despeito das pressões sociais e das mudanças estimuladas por
investimentos promovidos pelos governos estaduais e federais, em recursos
materiais e humanos e na renovação das diretrizes institucionais que orientam as
agências responsáveis pelo controle da ordem pública, os resultados ainda parecem
tímidos e pouco visíveis (ADORNO, 2002, p. 8).
As questões relacionadas à segurança pública não podem ser tratadas como
política limitada de governo, mas como um processo amplo e complexo a ser
enfrentado tanto pelo Estado quanto pela sociedade. Na perspectiva de uma política
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de Estado, a política de segurança pública, para ser exitosa, não pode dispensar a
participação e a contribuição da sociedade.
A democratização de toda e qualquer política pública é crucial para atender aos
anseios da população. Tanto o PNSP do governo Fernando Henrique Cardoso,
quanto a política de segurança pública empreendida pelo primeiro governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tiveram os resultados esperados. Assim, a
partir do ano 2007, já no segundo mandato do presidente Lula, foi apresentado um
novo programa na área da segurança pública.
A Constituição de 1988 trouxe algumas mudanças para a sociedade, contudo
mantém algumas questões da Constituição anterior em relação à segurança pública.
Um exemplo é a atuação de um dos órgãos responsáveis pela segurança pública,
Polícia Militar, em defesa do estado, como aparelho controlador de uma maioria
excluída, seguindo assim uma ideologia de controle social. A “ordem pública”
mencionada pela Constituição de 1988, como função a ser desempenhada pela
segurança pública, é a necessidade de o Estado garantir e assegurar efetivamente o
funcionamento dos serviços públicos, bem como o acesso da sociedade à políticas
de educação, saúde, segurança, habitação e também a articulação entre os atores
sociais.
A Política de Segurança Pública se deparou com o desafio de elaborar um
planejamento estratégico que contemplasse todas as esferas de governo (federal,
estadual e municipal), e através da Medida Provisória nº 2.029 lançou o Plano
Nacional de Segurança Pública – PNSP, com o objetivo de aprimorar o sistema de
segurança pública brasileiro, através de compromissos estratégicos capazes de
relacionar as políticas voltadas para a segurança às ações comunitárias participação
direta da população. Algumas críticas foram realizadas por pesquisadores a esse
Plano Nacional de Segurança Pública,a fim de provocar reflexões a respeito da
positividade e negatividade. Cabe ressaltar que toda política pública atinge
diretamente o indivíduo na sua particularidade e coletividade, e por isso a adesão
popular torna-se uma ferramenta de importante função na legitimidade da cidadania.

Artigo 6º da CF/1988: São direitos sociais a educação, asaúde, a


alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição (BRASIL, 1988).
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O indivíduo tem direito de auxiliar o Estado na organização de ações da


segurança pública, recuperando o caráter de cidadão, comprometendo-se com o
desempenho dos programas que visem à redução da insegurança da população e
rompendo com estigmas sobre adesão popular na área. O aumento da violência que
é visto pelo cidadão provoca uma movimentação por parte da sociedade, gerando
assim uma cobrança ao poder estatal.Essa movimentação, por sua vez, suscita uma
conclusão de que.
“Não adianta só baixar os índices de violência, é preciso também reduzir a
sensação de insegurança” (CARMO FILHO, 2009).
Com efeito, a segurança pública não é só uma problemática da polícia: deve
ser discutida e assumida como tarefa de todos, Estado e população (SILVA
TEIXEIRA, 2006).

Sabe-se que a insegurança da população e a redução da criminalidade não


são assuntos de solução imediata e, no entanto, diante do estágio atual, essa
questão não envolve apenas especialistas da área, mas sim uma iniciativa entre os
governos federal, estadual, municipal, sociedade civil e outras organizações. Uma
das formas de efetivar o processo democrático está na participação popular nas
decisões políticas, diante das mudanças constantes da sociedade, como o aumento
das carências da população. Várias áreas como a saúde, a educação e a
assistência social acompanham a evolução da participação popular nas decisões
governamentais e no âmbito da segurança pública. Essa questão, portanto, tem
mostrado relevância, devido ao aumento da violência e da sensação de insegurança
não superada.
A atuação da sociedade civil é fundamental no aperfeiçoamento das
políticas públicas, uma vez que a integração entre Estado e sociedade
civil possibilita a democracia e considera os anseios populares (NERY,
2009)
A sociedade brasileira está em constante mudança. Mudanças provocadas
principalmente por uma nova postura social. Há um custo para esse processo de
mudança nacional e toda reorganização social tem aspectos positivos e negativos
que influenciam a sociedade como um todo. Os reflexos são sentidos principalmente
na esfera da segurança pública. Toda instabilidade, mesmo que momentânea, gera
um aumento nos índices de violência. Ora numa determinada direção, ora em outra.
Como aspectos positivos dessas mudanças, temos como exemplo, o processo de
interação entre a polícia e a comunidade, ao menos essa é uma meta, traduzida
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através do modelo de polícia comunitária. Convenhamos, essa integração ainda é


uma utopia, visto que o modelo encontra diversas dificuldades em sua implantação
efetiva porque o trabalho executado pela polícia é ingrato, antipático para a
sociedade. Claro que, se for de interesse do cidadão pode ser útil, se for colocado
como alvo de fiscalização aí começa os problemas.Como sabemos a palavra
violência preocupa governos, autoridades e cidadãos. O termo é utilizado para
denominar uma série de atos intencionais que se caracterizam pelo uso da força,
transgressão às leis, crueldade no convívio humano. Na sociedade moderna o
hábito de falar da violência suplanta o medo que provoca.Infelizmente, busca-se
resolver suas consequências, mas não suas origens.
A democracia, apesar de todas as persistências de práticas violentas e
autoritárias - dentro e fora das polícias - introduziu tensões no campo da
segurança pública que, se não permitem a incorporação de consensos
mínimos relativos às transformações no modelo institucional vigente,
fomentam o debate sobre um modelo de ordem pública baseada na
cidadania, garantia de direitos e acesso à justiça. Assim, elas parecem
induzir, não sem contradições e resistências, mudanças de repertório e
formulação de novos enunciados políticos, nos quais mecanismos de
accountability e de governança sejam compreendidos enquanto
instrumentos de eficiência democrática, vinculando o respeito aos direitos
humanos às práticas operacionais das polícias na prevenção da violência e
no enfrentamento do crime (Lima &Sinhoretto, 2011: 130).

Nesse contexto do policiamento comunitário, seria necessário contar com uma


polícia desmilitarizada e humana, cujos direitos dos seus agentes também fossem
respeitados, para que conquistasse espaço, onde hoje ocupa a marginalidade. Aliás,
espaço que não é só da polícia, mas da saúde, da educação, habitação, ou melhor,
do Estado.
A formação policial precisa deixar de lado o aspecto militar que é totalmente
dispensável (pra não dizer descabido) no trato com a população e se preocupar em
fazer o indivíduo policial pensar, se humanizar. Não estamos em “guerra” com os
inimigos do Estado; combatemos, sim, a criminalidade (no máximo) e aqueles que
não respeitam o ordenamento jurídico. Não como inimigos do Estado, mas como
transgressores sociais.
Um dos eixos centrais da proposta filosófica da polícia comunitária é
justamente humanizar o trabalho desenvolvido pelos agentes públicos que no
passado, para a comunidade, ficava restrito apenas a um número de telefone ou
uma instalação física como referencial. Já os exemplos bem sucedidos de trabalhos
desenvolvidos, principalmente em comunidades carentes na cidade de São Paulo,
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foram tolhidos por superiores que invejavam a posição de destaque do profissional


(que desenvolvia suas funções em consonância com o modelo almejado). A
recompensa por um bom trabalho realizado era a retirada imediata do profissional do
convívio daquela comunidade.
Para a aplicação prática das diretrizes do policiamento comunitário,
se faz necessário que a polícia passe a desenvolver suas atividades voltadas a
população exclusivamente, e não atendendo interesses políticos dessa ou daquela
legenda e entender que a sociedade não é feita de inimigos como se costuma
preconizar aos militares que pela formação necessitam dessa identificação.
Desta forma, é inevitável e salutar para a manutenção das instituições policiais
com o fim de bem servir a sociedade e se adaptar ao modelo de profissional
desejado, que revejam sua forma de atuação e a formação de seus quadros de
profissionais ou caminharão ainda mais na contra mão da história de uma
democracia conquistada à duras penas.
Não obstante aos organismos de combate ao desrespeito aos direitos da
pessoa humana, apenas e tão somente ser signatário dos tratados propostos neste
sentido não basta, o importante e primordial ter a consciência das condições
geopolíticas do nosso país, respeitando e entendendo as condições
socioeconômicas da esmagadora maioria dos brasileiros, haja vista que o IBGE
neste mais recente censo identificou mais de 30% da nossa população vivendo em
condições de extrema miséria.
Vontade política, mudança social e readequação das instituições são os
ingredientes necessários para que qualquer planejamento organizacional dê certo.

Constantemente a mídia é alvo de diversos comentários, em sua totalidade


maldosa, com relação às matérias veiculadas em seus programas, comumente as
criticas são feitas com fundamentos.

É possível dizer que a mídia no Brasil possui um grande poder de persuasão


para com a sociedade em geral, sabendo que muitos dos movimentos sociais que
possuíam apoio da mídia, eram realizados plenamente e em grande parte tiveram os
seus objetivos alcançados.

Não diferente seria com relação à segurança pública, que deve ser um dos
pilares de qualquer tipo de governo, mas infelizmente a segurança é vitima do maior
número de reportagens e apresentações, em geral devido à falta da mesma ou ao
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excesso nas atuações dos cumpridores da legislação. Tantos casos são reportados
pela mídia em relação à segurança pública que se torna comum algumas matérias
terem tons exacerbados, além de algumas com fundo duvidoso.

Nos últimos tempos, a mídia vem tratando da segurança pública, fazendo


menção que a segurança é só por parte das polícias, sejam elas militar, civil ou
federal, entretanto a segurança parte de vários pontos, desde a educação em
familiar.

Finalmente, o papel da imprensa na cobertura da segurança pública é de


fundamental importância para o aprimoramento das políticas públicas nessa área.
Apesar das eventuais limitações, observamos que a mídia tem se esmerado no
tratamento da temática, o que muito contribui para a melhoria das relações entre os
operadores da segurança pública, pesquisadores e os profissionais da comunicação.

4-METODOLOGIA
A metodologia empregada para a realização deste estudo valeu-se da
combinação das pesquisas bibliográfica. O levantamento bibliográfico objetivando o
embasamento teórico das discussões esteve condicionado à conceituação dos
principais termos empregados na pesquisa, compreendidos a partir da visão dos
autores que se destacam nos estudos concernentes a Segurança Publica no Brasil
realizamos pesquisas bibliográfica em livros, artigos, revistas, sites, enfim em todas
as fontes de pesquisas disponíveis.
5-CONCLUSÃO
Conforme os itens relacionados no presente documento, nos relatam como
identificar, combater e eliminar o inimigo, respeito de segurança e proteção, cada
período político se apresentou com predicados não democráticos, repressivos e
estigmatizados.
Por longas épocas, o assunto segurança pública não foi prioridade para o
governo. Daí a dificuldade de definir responsáveis, metodologias e articulações que
promovessem o bem-estar da sociedade, fato que gerou consequências de
proporções espantosas.
As garantias de direitos, como sendo alvo da sociedade, e a iniciativa da
Constituição Federal de 1988, vêm criando novos meios de efetivação da
democracia participativa. Na perspectiva de um novo arranjo para a segurança
pública, o governo desenvolve um Programa para minimizar a sensação de
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insegurança da população e também efetivar um planejamento estratégico, o qual


era necessário.
Dessa forma, a relação entre Estado e sociedade civil permitiu a construção de
um inovador modelo de gestão – contudo, com limitações. Na política de segurança
pública, muitos desafios foram encontrados, como a adesão por parte de alguns de
seus profissionais e da sociedade com relação à sua aproximação do propósito de
desenvolver um novo paradigma nesse setor. Com um estigma autoritário e
repressivo, as instituições policiais, diante do objetivo de estabelecer maior
credibilidade na sociedade, abraçam, hoje, a colaboração da população, visando a
reverter esses pilares, tornando-os vertentes preventivas e elevando a cidades.
Conclui-se através de estudos realizado que, os novos gestores da segurança
pública (não apenas policiais, promotores, juízes e burocratas da administração
pública) devem enfrentar estes desafios além de fazer com que o amplo debate
nacional sobre o tema transforme-se em real controle sobre as políticas de
segurança pública e, mais ainda, estimule a parceria entre órgãos do poder público e
sociedade civil na luta por segurança e qualidade de vida dos cidadãos brasileiros.
Trata-se na verdade de ampliar a sensibilidade de todo o complexo sistema da
segurança aos influxos de novas ideias e energias provenientes da sociedade e de
criar um novo referencial que veja na segurança espaço importante para a
consolidação democrática e para o exercício de um controle social da segurança.

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