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Delirium e Delírio

O Delirium é um transtorno de base orgânica associado a alterações


quantitativas de consciência, possibilitando o desenvolvimento de estado
“confusional”. Enquanto o Delírio é uma alteração do juízo de realidade
caracterizado por apresentar uma convicção subjetivamente irremovível e
crença inabalável; além de apresentar insuscetibilidade às influências de
correções quaisquer e; impossibilidade de conteúdo plausível.

l - Consciência

Obnubilação ou turvação da consciência. Trata-se do rebaixamento da


consciência em grau leve a moderado. À inspeção inicial, o paciente pode já
estar claramente sonolento ou parecer desperto, o que dificulta o diagnóstico.
De qualquer forma, há sempre diminuição do grau de clareza do sensório, com
lentidão da compreensão e dificuldade de concentração. Nota-se que o paciente
tem dificuldade para integrar as informações sensoriais oriundas do ambiente.
Assim, mesmo não se apresentando claramente sonolento, observa-se, nos
quadros leves de rebaixamento do nível de consciência, que o paciente
encontrasse um tanto perplexo, com a compreensão dificultada, podendo o
pensamento estar já ligeiramente confuso.

Sopor. É um estado de marcante turvação da consciência, no qual o paciente


pode ser despertado apenas por estímulo enérgico, sobretudo de natureza
dolorosa. Aqui, o paciente sempre se mostra evidentemente sonolento. Embora
ainda possa apresentar reações de defesa, ele é incapaz de qualquer ação
espontânea. A psicomotricidade encontra-se mais inibida do que nos estados de
obnubilação. O traçado eletrencefalográfico acha-se globalmente lentificado,
podendo surgir as ondas mais lentas, do tipo delta e teta.

Coma. É o grau mais profundo de rebaixamento do nível de consciência. No


estado de coma, não é possível qualquer atividade voluntária consciente. Além
da ausência de qualquer indício de consciência, os seguintes sinais neurológicos
podem ser verificados: movimentos oculares errantes com desvios lentos e
aleatórios, nistagmo, transtornos do olhar conjugado, anormalidades dos
reflexos oculocefálicos (cabeça de boneca) e oculovestibular (calórico) e
ausência do reflexo de acomodação. Além disso, dependendo da topografia e
da natureza da lesão neuronal, podem ser observadas rigidez de decorticação
ou de decerebração, anormalidades difusas ou focais do EEG com lentificações
importantes e presença de ondas patológicas.

ll - Atenção

Atenção voluntária, que exprime a concentração ativa e intencional da


consciência sobre um objeto.

Atenção espontânea, que é aquele tipo de atenção suscitado pelo interesse


momentâneo, incidental, que desperta este ou aquele objeto.

Hipoprosexia aqui se verifica uma perda básica da capacidade de


concentração, com fatigabilidade aumentada, o que dificulta a percepção dos
estímulos ambientais e a compreensão; as lembranças tornam-se mais difíceis
e imprecisas, há dificuldade crescente em todas as atividades psíquicas
complexas, como o pensar, o raciocinar, a integração de informações, etc.
Denomina-se aprosexia a total abolição da capacidade de atenção, por mais
fortes e variados que sejam os estímulos utilizados.

Hiperprosexia consiste em um estado da atenção exacerbada, no qual há uma


tendência incoercível a obstinar- se, a deter-se indefinidamente sobre certos
objetos com surpreendente infatigabilidade.

Distração é um sinal, não de déficit propriamente, mas de superconcentração


ativa da atenção sobre determinados conteúdo ou objetos, com a inibição de
tudo o mais. Há, nesse sentido, certa hipertenacidade e hipovigilância.

Distraibilidade é, ao contrário da distração, um estado patológico que se


exprime por instabilidade marcante e mobilidade acentuada da atenção
voluntária, com dificuldade ou incapacidade para fixar- se ou deter-se em
qualquer coisa que implique esforço produtivo. A atenção do indivíduo é muito
facilmente desviada de um objeto para outro.
lll - Orientação

A orientação autopsíquica é a orientação do indivíduo em relação a si mesmo.


Revela se o sujeito sabe quem é: nome, idade, data de nascimento, profissão,
estado civil, etc.

A orientação alopsíquica diz respeito à capacidade de orientar-se em relação


ao mundo, isto é, quanto ao espaço (orientação espacial) e quanto ao tempo
(orientação temporal).

Orientação espacial

É investigada perguntando-se ao paciente o lugar onde ele se encontra, a


instituição em que está, o andar do prédio, o bairro, a cidade, o estado e o país.
Também é investigada a capacidade do paciente de identificar a distância entre
o local da entrevista e sua residência (em quilômetros ou horas de viagem).

Orientação temporal

Trata-se de orientação mais sofisticada que a espacial e a autopsíquica. A


orientação temporal indica se o paciente sabe em que momento cronológico está
vivendo, a hora do dia, se é manhã, tarde ou noite, o dia da semana, o dia do
mês, o mês do ano, a época do ano, bem como o ano corrente.

* Desorientação por redução do nível de consciência. É aquela na qual o


indivíduo está desorientado por turvação da consciência. Tal turvação e o
rebaixamento do nível de consciência produzem alteração da atenção, da
concentração e, consequentemente, da capacidade de percepção e retenção
dos estímulos ambientais. Isso impede que o indivíduo apreenda a realidade de
forma clara e precisa e integre, assim, a cronologia dos fatos.

* Desorientação por déficit de memória imediata e recente. Aqui, o indivíduo


não consegue reter as informações ambientais básicas em sua memória. Não
conseguindo fixar as informações, perde a noção do fluir do tempo, do
deslocamento no espaço, passando a ficar desorientado temporoespacialmente.
Ocorre não apenas por perda da memória de fixação, mas por déficit de
reconhecimento ambiental (agnosias) e por perda e desorganização global das
funções cognitivas.

*Desorientação apática ou abúlica. Ocorre por apatia ou desinteresse


profundos. Aqui, o indivíduo torna-se desorientado devido a uma marcante
alteração do humor e da volição, comumente em quadro depressivo. Por falta de
motivação e interesse, o indivíduo, geralmente muito deprimido, não investe sua
energia no mundo, não se atém aos estímulos ambientais e, portanto, torna-se
desorientado.

*Desorientação delirante. Ocorre em indivíduos que se encontram imersos em


profundo estado delirante, vivenciando ideias delirantes muito intensas, crendo
com convicção plena que estão “habitando” o lugar (e/ou o tempo) de seus
delírios. Nesses casos, é comum a chamada dupla orientação, na qual a
orientação falsa, delirante, coexiste com a orientação correta.

*Desorientação por déficit intelectual. Ocorre em indivíduos com deficiência


ou retardo mental grave ou moderado. Nesse caso, a desorientação ocorre pela
incapacidade ou dificuldade em compreender o ambiente e de reconhecer e
interpretar as convenções sociais (horários, calendário, etc.) que padronizam a
orientação do indivíduo no mundo.

*Desorientação por dissociação, ou desorientação histérica. Ocorre em


geral em quadros histéricos graves, normalmente acompanhada de alterações
da identidade pessoal (fenômeno da possessão histérica ou desdobramento da
personalidade) e de alterações da consciência secundárias à dissociação
histérica (estado crepuscular histérico, quadros dissociativos psicogenéticos,
etc.).

*Desorientação por desagregação. Ocorre em pacientes psicóticos,


geralmente esquizofrênicos em estado crônico e avançado da doença, quando
o indivíduo, por desagregação profunda do pensamento, apresenta toda a sua
atividade mental gravemente desorganizada, o que o impede de se orientar.
lV - Sensopercepção

Ilusão - ilusão se caracteriza pela percepção deformada, alterada, de um objeto


real e presente. Na ilusão, há sempre um objeto externo real, gerador do
processo de sensopercepção, mas tal percepção é deformada, adulterada, por
fatores patológicos diversos. Ilusão é a percepção deformada de um objeto real
e presente.

Alucinações - Define-se alucinação como a percepção de um objeto, sem que


este esteja presente, sem o estímulo sensorial respectivo. Alucinação é a
percepção clara e definida de um objeto (voz, ruído, imagem) sem a presença
do objeto estimulante real.

Alucinose - A alucinação denominada alucinose é o fenômeno pelo qual o


paciente percebe tal alucinação como estranha à sua pessoa. Na alucinose,
embora o doente veja a imagem ou ouça a voz ou o ruído, falta a crença que
comumente o alucinado tem em sua alucinação.

V – Pensamento

O pensamento se constitui a partir de elementos sensoriais, que, embora não


sejam propriamente intelectivos, podem fornecer substrato para o processo do
pensar: são as imagens perceptivas e as representações.

Vl - Lei 10216 de 2001 - (conhecida como a Lei de Reforma Psiquiátrica). Ela


representa, no Brasil, um marco ao estabelecer a necessidade de respeito à
dignidade humana das pessoas com transtornos mentais.

As legislações anteriores relacionadas à Saúde Mental no Brasil se


preocupavam mais em excluir as pessoas com transtornos mentais – então
denominados “alienados” e “psicopatas” – do convívio em sociedade para evitar
a “perturbação da ordem”, do que em oferecer tratamento adequado para a
melhora do paciente. Os decretos traziam dezenas de artigos, cuja maioria
apenas regulamentava o ambiente terapêutico que se dava dentro do hospital
psiquiátrico.