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FICHA DE AVALIAÇÃO 3

GRUPO I
A. Lê o seguinte texto.

Primeiro que tudo, a minha obra é um símbolo… é um mito, palavra grega, e de moda
germânica, que se mete hoje em tudo e com que se explica tudo… quanto se não sabe explicar.
É um mito porque – porque… Já agora rasgo o véu, e declaro abertamente ao benévolo leitor
a profunda ideia que está oculta debaixo desta ligeira aparência de uma viagenzita que parece
5 feita a brincar, e no fim de contas é uma coisa séria, grave, pensada como um livro novo da feira
de Leipzick, não das tais brochurinhas dos boulevards de Paris.
Houve aqui há anos um profundo e cavo filósofo de além Reno, que escreveu uma obra sobre
a marcha da civilização, do intelecto – o que diríamos, para nos entenderem todos melhor, o
Progresso. Descobriu ele que há dois princípios no mundo: o espiritualismo, que marcha sem
10 atender à parte material e terrena desta vida, com os olhos fitos em suas grandes e abstratas
teorias, hirto, seco, duro, inflexível, e que pode bem personalizar-se, simbolizar-se pelo famoso
mito do cavaleiro da Mancha, D. Quixote; – o materialismo, que, sem fazer caso nem cabedal
dessas teorias, em que não crê, e cujas impossíveis aplicações declara todas utopias, pode bem
representar-se pela rotunda e anafada presença do nosso amigo velho, Sancho Pança.
15 Mas, como na história do malicioso Cervantes, estes dois princípios tão avessos, tão
desencontrados, andam contudo juntos sempre; ora um mais atrás, ora outro mais adiante,
empecendo-se muitas vezes, coadjuvando-se poucas, mas progredindo sempre.
E aqui está o que é possível ao progresso humano.
E eis aqui a crónica do passado, a história do presente, o programa do futuro.
20 Hoje o mundo é uma vasta Barataria, em que domina el-rei Sancho.
Depois há de vir D. Quixote.
O senso comum virá para o milénio: reinado dos filhos de Deus! Está prometido nas divinas
promessas… como el-rei de Prússia prometeu uma constituição; e não faltou ainda, porque…
porque o contrato não tem dia; prometeu, mas não disse para quando.
25 Ora nesta minha viagem Tejo-arriba está simbolizada a marcha do nosso progresso social:
espero que o leitor entendesse agora. Tomarei cuidado de lho lembrar de vez em quando, porque
receio muito que se esqueça.

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra, (cap. II), Lisboa: IN-CM, 2010, pp. 99-101.

Educação literária
1. Explicita a relação lógica que se estabelece entre as três partes do texto.
2. Demonstra como este excerto é um exemplo das várias reflexões que esta viagem Tejo-arriba
proporciona ao narrador.
3. Seleciona marcas do registo oralizante do excerto.
4. Explica o sentido da frase dentro do contexto: “E eis aqui a crónica do passado, a história do presente, o
programa do futuro.” (l. 18)
B. Lê o seguinte texto.
Mas outro vagalhão se lançou sobre a nau. Cobrindo o convés, arrebatou o mastro grande,
verga, vela, enxárcias, camarotes, borda; levou o mastro da mezena com o aparelho todo, uma
parte da popa, e também um dos franceses dos de maior jerarquia. Os Portugueses que
trabalhavam na bomba foram logo arrojados aqui e além; cobertos pelo mar, todos se convenceram
5 de que se afogariam. Levantaram-se aos poucos, queixando-se este de que partira um braço,
aquele uma perna. Ficou tudo mergulhado por algum tempo; e o mar, depois, dava ainda pelos
joelhos dos desgraçados. Mandou Albuquerque alguém à coberta, para ver a água que nela
entrava, Só faltavam três palmos para chegar acima, e a encher de todo. Fuzilavam relâmpagos;
a força do vento, a imensidade das ondas, aterravam os ânimos; a água que entrava vinha cheia
10 de areia: Jorge de Albuquerque, apesar de tudo, consolava os tristes, afirmando-lhes a esperança
de se saírem daquilo.
O mastro grande, quando caiu, ficou preso na enxárcia; por debaixo de água, passara para a
banda do barlavento; e de aí, jogado na vaga, dava choques horríveis de encontro ao costado, que
tremia todo com som cavernoso. Enfim, vieram uns mares que o levaram para longe, e de mais
15 esse tormento se viram livres.
Passados três dias em que continuamente se deu à bomba, começou enfim a abonançar a
procela.
Dos pedaços da ponte que o mar abatera, e de três remos do batel que escaparam do estrago,
trataram logo de improvisar um mastro e armaram nele uma velazinha.
História Trágico-Marítima. Narrativa de Naufrágios da Época das Conquistas, adaptação de António Sérgio,
Lisboa: Sá da Costa, 2008 [“As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho” (1565), pp. 124-126].

5. Apresenta duas das características psicológicas de Jorge de Albuquerque Coelho, fundamentando.


6. Mostra a evolução do comportamento dos marinheiros ao longo do excerto.

GRUPO II
Acordo cedo, antes do nascer do sol, enquanto ainda se pode caminhar com um pouco de dignidade e prazer,
antes que o calor rebente e inunde pátios, sombras, corredores e bares. É assim Yangon nas semanas que precedem
a monção, parece que todo o Cosmos conspira contra ti, para que sonhes com a época das chuvas, para que desejes
que ela chegue depressa e te refresque e revitalize. Acordo e ponho-me a caminhar pela "baixa", chamam-lhe assim
5 em Yangon, ao centro colonial, à esquadria de ruas e fachadas neoclássicas deixadas pelos ingleses, com uma ou
outra árvore sem qualquer utilidade ou beleza.
Dirijo-me para o rio, são 6 da manhã, faço horas para o pequeno-almoço. (…)
Junto ao rio um burburinho, uma agitação. É gente que sai do cacilheiro, atravessa da outra margem, Yangon
como Lisboa, Almada aqui chama-se Dalah, os commuters atravessam para a margem norte, desembarcam na
10 "baixa", desaparecem nos escritórios e repartições da capital. Que tal a vista do outro lado? Porque não meter-me
no cacilheiro e espreitar Yangon desde a margem sul? Avanço pelas docas, não vejo bilheteira nem encontro ninguém
que fale inglês, talvez dentro do cacilheiro, entro na mesma, soltam-se as amarras e o navio desliza suavemente pelo
rio. De repente, assalta-me a dúvida: e se este não é um cacilheiro? E se é um serviço de longa distância, tipo: dez
dias até Mandalay, e a próxima paragem é só dentro de dois dias e meio? E o meu pequeno-almoço, o meu check-
15 out, o meu passaporte? Entro rapidamente em pânico. (…)
Em pânico, procuro alguém que fale inglês. Vejo um jovem com ar de estudante, dirijo-me a ele. (…)
Aungphyoming confirma que estamos num cacilheiro e continuamos na conversa. Chegamos à margem sul,
convida-me a tomar o pequeno-almoço em sua casa, a conhecer a sua família. Aungphyoming está de bicicleta,
sugere que me sente na grelha de trás. Pneus meio vazios, ruas meio desfeitas, cada pedalada um solavanco brutal.
20 (…)
Gonçalo Cadilhe, Num cacilheiro em Yangon, in
http://visao.sapo.pt/visaoviagens/diariosdeviagem/geografiadasamizades/geografia-das-amizades-por-goncalo-
cadilhe-14=f624770 (consultado em 7 de janeiro de 2016)
Leitura/Gramática
1. Para responderes a cada um dos itens de 1.1. a 1.5., seleciona a única opção que permite obter uma
afirmação correta.
1.1. O texto apresenta características específicas do género
A. documentário. C. relato de viagem.
B. texto de opinião. D. artigo de divulgação científica.
1.2. As marcas específicas deste género textual são as seguintes:
A. discurso pessoal, dimensões narrativa e descritiva.
B. descrição sucinta do objeto, acompanhada de comentário crítico.
C. informação seletiva, caráter persuasivo e capacidade de expor e argumentar.
D. explicitação de um ponto de vista, clareza e pertinência dos argumentos desenvolvidos e dos
respetivos exemplos.
1.3. A palavra “baixa”(l. 4) está entre aspas porque
A. é uma citação.
B. o autor a usa para referir a parte central da cidade.
C. se transcreve discurso direto.
D. é um empréstimo.
1.4. O pronome pessoal em " te refresque” (l. 4) desempenha a função sintática de
A. complemento direto. C. complemento indireto.
B. complemento oblíquo. D. sujeito.
1.5. Em “Avanço pelas docas, não vejo bilheteira nem encontro ninguém que fale inglês” (l. 13) estão
presentes
A. três orações: oração subordinante, oração coordenada assindética e oração subordinada
substantiva completiva.
B. quatro orações: oração subordinante, oração coordenada assindética, oração coordenada
copulativa e oração subordinada substantiva completiva.
C. quatro orações: oração subordinante, oração coordenada assindética, oração coordenada
copulativa e oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
D. três orações: oração subordinante, oração coordenada assindética e oração subordinada oração
substantiva completiva.
2. Responde de forma correta aos itens apresentados.
2.1. Identifica a função sintática desempenhada pela expressão sublinhada na frase: “antes que o calor
rebente e inunde pátios, sombras, corredores e bares.” (l. 2):
2.2. Classifica a oração “que todo o Cosmos conspira contra ti” (l. 3).
2.3. Indica o referente do pronome sublinhado na frase “Em pânico, procuro alguém que fale inglês.” (l. 16).

Grupo III
Na nossa era surge o conceito de navegação associado à Internet. Esta, tal como a navegação marítima dos
marinheiros portugueses na época das descobertas, traz benefícios e encerra perigos.
Num texto bem estruturado, com um mínimo de 180 e um máximo de 210 palavras, apresenta uma
reflexão sobre as vantagens e os perigos da navegação na Internet.
Fundamenta o teu ponto de vista, recorrendo a dois argumentos, ilustrando cada um deles com um exemplo
significativo.

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