Filosofia da Religião
Material Teórico
O Fenômeno Religioso
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Valter Luiz Lara
Revisão Textual:
Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcanti
O Fenômeno Religioso
• Introdução
• O Fenômeno Religioso no Brasil de Hoje
• Conceitos de Religião e Noções Afins
• A Religião como Objeto do Conhecimento
• Conclusão
OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Introduzir o aluno no universo do fenômeno religioso, apresentando
conceitos, origens e fundamentos antropológicos da religião.
· Favorecer a compreensão da religião como fenômeno humano que
se manifesta de maneira cultural e socialmente variada.
· Apresentar distinções e relações da religião com conceitos afins como
fé, igreja, espiritualidade, mito e rito.
· Definir o caráter próprio da filosofia em relação às demais formas
de conhecimento que tem a religião como seu objeto: ciência, mito
e teologia.
ORIENTAÇÕES
Você está começando uma nova disciplina da Filosofia, trata-se da Filosofia da
Religião cuja área da investigação filosófica é a que transforma os temas centrais
do fenômeno religioso em objeto de indagação. O estudo da Filosofia da Religião
não exige, como em qualquer área da Filosofia, que se aceite como verdade o que
ainda não passou pelo crivo da razão crítica.
Neste sentido, o maior objetivo dessa Unidade é que você inicie um caminho
de estudo da religião, de modo a exercitar a Filosofia da Religião com atitude
de independência e de autonomia em relação às inúmeras confissões religiosas
que você possa ter conhecimento. Evidentemente, isso não significa que a fé
religiosa ou mesmo a atitude de indiferença, ou ainda antirreligiosa que você
traz consigo precise ser abandonada. A sua experiência do fenômeno religioso,
seja ela qual for, estará direta ou indiretamente presente no estudo que você
inicia a partir deste momento. Admitir essa influência já é adotar uma postura
de reconhecimento necessário para uma reflexão séria, crítica e autocrítica dos
estudos. Afinal, não se pode negar o condicionamento que herdamos da família
e da sociedade em que vivemos.
UNIDADE O Fenômeno Religioso
Contextualização
Meu caro aluno e minha cara aluna,
Leia com atenção como Rubem Alves (1933-2014) contextualiza a religião,
mostrando o modo como ela afeta a todos, mesmo aqueles que não se sentem
diretamente ligados a uma crença religiosa:
A Religião não se liquida com a abstinência dos atos sacramentais e a
ausência de lugares sagrados, da mesma forma como o desejo sexual não
se elimina com os votos de castidade. E é quando a dor bate à porta e
se esgotam os recursos da técnica que nas pessoas acordam os videntes,
os exorcistas os mágicos, os curadores, os benzedores, os sacerdotes, os
profetas e poetas, aquele que reza e suplica, sem saber direito a quem... E
surgem então as perguntas sobre o sentido da vida e o sentido da morte,
perguntas das horas de insônia diante do espelho [...] o nosso mundo se
secularizou, mas [...] os deuses e esperanças religiosas ganharam novos
nomes e novos rótulos, e os seus sacerdotes e profetas novas roupas,
novos lugares e novos empregos.
É fácil identificar, isolar e estudar a religião como comportamento exótico
de grupos sociais restritos e distantes. Mas é necessário reconhecer como
presença invisível, sutil, disfarçada, que se constitui num dos fios com que
se tece o acontecer do nosso cotidiano. A religião está mais próxima de
nossa experiência pessoal do que desejamos admitir. O estudo da religião,
portanto, longe de ser uma janela que se abre apenas para panoramas
externos, é como um espelho em que nos vemos. (ALVES, Rubem. O que
é religião. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 11-12).
Rubem Alves traz a religião para bem perto de nós, embora admita que nem
sempre a reconheçamos como fazendo parte de nosso cotidiano. Problemas,
fragilidades, doenças, dificuldades e o sentimento dos limites da vida humana, bem
como a necessidade de dar sentido à nossa existência, parecem ser a condição que
nos remete mais cedo ou mais tarde ao universo dos temas religiosos. Adotar ou
não a lógica e a proposta que a religião em sua variedade tem para responder os
mistérios da vida é sempre uma decisão que cabe à maturidade de quem é capaz
de se confrontar consigo mesmo e enfrentar o legado religioso que recebeu de sua
cultura e sociedade.
6
Introdução
Religião. O que essa palavra sugere para a experiência que cada um de nós
tem sobre o fenômeno religioso? Crença, fé, culto, reza e oração são palavras
que logo chegam à nossa mente. Você certamente teria outras para apontar o
mesmo fenômeno. Cultura, tradição, valores e costumes também evocam algo
da religião. Mistério, milagre, revelação e tudo o que pode parecer exótico,
esquisito, inexplicável e sobrenatural também sugerem aspectos bem curiosos e
profundamente polêmicos, quando o assunto é religião. Fanatismo, radicalismo,
idealismo e tantos outros “ismos” à religião estão associados. Mas será que toda
religião deve ser associada a esses atributos? O que você acha?
A religião, a partir de sua experiência, está mais para ilusão e alienação ou é
afirmação de uma esperança real que ajuda a superar as dificuldades do cotidiano?
Ela é realidade necessária sem a qual não se educa o ser humano para o bem,
a convivência pacífica e a solidariedade ou é uma falsa invenção da imaginação
humana para consolar o que de fato não tem consolo e solução?
Pois bem, religião não é assunto simples. São frequentes as polêmicas, os
conflitos e interesses os mais diversos, quando o tema é religião. Se para alguns
religião é sinônimo de bondade, amor, perdão, paz e vida; para outros religião é
motivo de discórdia, violência, guerra e morte. Embora se saiba que os conflitos
religiosos atuais entre palestinos e judeus, muçulmanos e cristãos, católicos e
protestantes e tantos outros espalhados por diferentes regiões do mundo não
sejam apenas de ordem religiosa, o fato é que o ingrediente religioso acaba
complicando ainda mais as disputas por espaço, terra, água, cidadania e outros
direitos fundamentais.
Nesses conflitos o mais importante é perceber a relação entre religião e identidade
de um povo. Na maior parte dos casos, trata-se de grupos, comunidades e povos
inteiros que sobrevivem, resistem e vão à luta, motivados por suas tradições religiosas.
A diferença religiosa é vista como problema e razão que dificulta o entendimento,
legitima as desigualdades, as injustiças e acaba perpetuando a violência.
A filosofia da religião, que estamos iniciando, não é apenas o estudo de uma
disciplina que visa agregar informação e erudição ao seu conhecimento. Na
verdade, como toda filosofia, a da religião tem como ponto de partida a realidade.
Sendo assim, a realidade em que vivemos exige interação, compartilhamento de
experiência, indagação, estranhamento e participação. O estudo da Filosofia da
Religião desafia a capacidade humana de entender o sentido das mais diferentes
crenças, espalhadas pelo universo das culturas. Significa buscar compreensão para
capacitar grupos e sociedades humanas para a tarefa do diálogo e da tolerância.
Diálogo e tolerância não significam negação da identidade religiosa e cultural
dos dialogantes. Ao contrário, significa reconhecimento de que o outro em sua
diferença é a possibilidade de autoconhecimento.
7
7
UNIDADE O Fenômeno Religioso
Filosofia da religião é, pois, o estudo que visa entender as crenças e as descrenças
religiosas, não só nossas como as alheias. Significa encarar o desafio do espelho,
pois o outro em sua crença ou descrença, embora diferente naquilo que crê ou não
crê, ainda que aponte para linguagem, caminho e objeto distintos, também revela o
que é universal e, talvez a mais imprescindível característica dos humanos: a busca
incansável pelo sentido de sua existência.
Para esta unidade o estudo pretende atingir dois objetivos. O primeiro consiste
em trilhar um caminho para o esclarecimento do conceito, não de modo único,
absoluto e definitivo, mas de forma plural, provisória e sempre aberta para novas
possibilidades de compreensão do que se pode saber sobre o fenômeno religioso. O
segundo objetivo é abrir o horizonte dos modos pelos quais se chega à religião como
objeto de conhecimento. Trata-se de distinguir e verificar como as diferentes formas
de conhecimento abordam, investigam e reconhecem a natureza do fenômeno
religioso. Filosofia, mitologia, ciência e teologia são algumas dessas formas, cada
qual com suas próprias peculiaridades. Partiremos, então, da tentativa de conceituar
o fenômeno religioso a partir da experiência mais próxima que temos daquele,
segundo os dados sobre a religião no Brasil atual (1). Depois, apreciaremos alguns
dos conceitos fundamentais que os estudiosos propuseram para definir religião,
sempre procurando entender o fenômeno religioso de maneira pluridimensional
(2). Em seguida, abordaremos os conhecimentos disponíveis para a investigação do
fenômeno religioso (3). Como conclusão, traremos brevemente a relação entre fé
e razão, tema fundamental da filosofia da religião e a base do diálogo difícil entre
religião, teologia, ciência e filosofia.
O Fenômeno Religioso no Brasil de Hoje
Antes de uma tentativa de conceituar a religião, pretendemos visualizar o perfil
religioso do povo brasileiro para partirmos não apenas de ideias sem contexto,
mas da realidade que marca nossa percepção e inserção no universo plural em
transformação da religião em nosso país. Os dados dos últimos censos no Brasil
revelam mudanças significativas no quadro das crenças religiosas da população.
Observe com atenção:
Fonte: IBGE (2000/2010)
8
Fonte: Directoria Geral de EstatÌstica (1872/1890), IBGE (1940/1991)
Veja também, em relação ao censo de 2010, quais são os resultados quantificados,
a partir de outros detalhes como a classificação por domicílio, sexo e grupo religioso:
Fonte: IBGE (2010)
Os dados revelam uma situação religiosa que merece reflexão e questionamento.
Afinal o que está em questão é a identidade religiosa de nosso povo. Vale a pena
destacar algumas tendências importantes. A primeira é o declínio da população
que se confessa católica. A segunda é o aumento da população evangélica. A
terceira é o surgimento e o crescimento cada vez mais significativo da população
que se declara como sem religião. Os questionamentos se dão em vários pontos. O
primeiro é o percentual que se declara pertencente às religiões de matriz africana e
espírita. O número de adeptos declarados da Umbanda, Candomblé e Espiritismo
realmente reflete a realidade? A suspeita recai menos sobre a objetividade com que
é feita a coleta dos dados e mais sobre a metodologia que parece ignorar o caráter
sincrético de uma população que, embora frequente cultos de origem africana e
espírita, se declara como católica. No horizonte da identidade religiosa brasileira
popular, a frequência em ambos os cultos não é necessariamente contraditória.
Aliás, o número de católicos declarados não leva em conta a popular nomenclatura
que distingue “praticante” de “não praticante”.
9
9
UNIDADE O Fenômeno Religioso
O quadro atual do perfil religioso do povo brasileiro precisa ser considerado
segundo o padrão do legado histórico colonial, marcado pela imposição da religião
católica em contexto de escravidão, dominação das populações indígenas e mais
tarde, pelas migrações de outros povos.
Desde o primeiro recenseamento de âmbito nacional até a década de
1970, o perfil religioso da população brasileira manteve como aspecto
principal a hegemonia da filiação à religião católica apostólica romana,
característica herdada do processo histórico de colonização do País e do
atributo estabelecido de religião oficial do Estado até a Constituição da
República de 1891. As demais religiões praticadas no Brasil, resultantes
dos vários grupos constitutivos da população, tinham contingentes
significativamente menores. Em aproximadamente um século, a proporção
de católicos na população variou 7,9 pontos percentuais, reduzindo
de 99,7%, em 1872, para 91,8% em 1970. No Censo Demográfico
deste último ano, os evangélicos no seu conjunto somavam 5,2% e as
demais religiões 2,3% do total. No recenseamento anterior, ocorrido em
1980, teve sequência a redução de pessoas que se declararam católicas
apostólicas romanas, sendo ainda elevado o percentual de adeptos dessa
religião observado à época, que foi de 89,0% da população total. No
Censo Demográfico de 1991, foram registradas mudanças expressivas na
composição religiosa da população brasileira, notadamente, o crescimento
do segmento populacional que se declarou evangélico, o qual passou de
6,6% para 9,0% do total da população no período de 1980 a 1991, com
destaque para os evangélicos pentecostais que cresceram de 3,2% para
6,0%. Neste interregno, o segmento católico, embora majoritário, deu
continuidade à tendência de declínio, perfazendo 83,0% dos residentes
(IBGE, 2012, p. 89).
Quando se considera apenas os dois últimos censos (2000 e 2010), a situação
do perfil religioso brasileiro apresenta novos contornos:
O Censo Demográfico 2000 mostrou acentuada redução do percentual
de pessoas da religião católica romana, o qual passou a ser de 73,6%;
o aumento do total de pessoas que se declararam evangélicas 15,4%
da população; e sem religião, 7,4% dos residentes. Observou-se, ainda,
o ligeiro crescimento dos que se declararam espíritas (de 1,1%, em
1991,para 1,3% em 2000) e do conjunto de outras religiosidades que
se elevou de 1,4%, em 1991, para 1,8% em 2000. Os resultados do
Censo Demográfico 2010 mostram o crescimento da diversidade dos
grupos religiosos no Brasil, revelando uma maior pluralidade nas áreas
mais urbanizadas e populosas do País. A proporção de católicos seguiu
a tendência de redução observada nas duas décadas anteriores, embora
tenha permanecido majoritária. Em paralelo, consolidou-se o crescimento
da parcela da população que se declarou evangélica. Os dados censitários
indicam também o aumento do total de pessoas que professam a religião
espírita, dos que se declararam sem religião, ainda que em ritmo inferior
ao da década anterior e do conjunto pertencente a outras religiosidades
(IBGE, 2012, p. 90).
10
Todos esses dados mostram que a realidade religiosa no Brasil, embora tenha
um recorte diversificado na pertença das pessoas em relação ao vínculo que elas
declaram ter com as comunidades confessionais, há uma presença predominante
do cristianismo: 87% da população. O fato mais curioso é que aqueles que se
declaram “sem religião” é o contingente de pessoas que mais tem crescido nos
últimos censos e já chegam a 8%.
Os “sem religião” não são, em sua maioria, descrentes ou ateus, mas comportam
pessoas que não pertencem e não se sentem identificadas a uma determinada
denominação ou instituição religiosa. Significa que eles representam uma nova
forma de viver a sua religiosidade, sem qualquer vínculo com as instituições
tradicionais da religião. Esse é um fenômeno que precisa ser analisado com mais
cuidado, pois além de ser recente, parece questionar a credibilidade das igrejas e
das comunidades religiosas tradicionais em sua relação com as pessoas. Por outro
lado, os “sem religião” demonstram a dificuldade de aderir a um compromisso
estável e vínculo de identidade com as instituições religiosas.
A partir dessa realidade diversa e religiosamente complexa do povo brasileiro,
vamos agora tentar definir e distinguir o que de fato pode ser chamado de religião.
Conceitos de Religião e Noções Afins
Noção preliminar de religião
As experiências que temos acerca do fenômeno religioso são de grande varie-
dade. São experiências que trazem o legado da cultura, da família e da sociedade
em que vivemos. A proposição de um conceito não pode ignorar que a noção de
religião passa por convicções e impressões históricas bem definidas na vida de
cada um de nós, não só dos outros e isso independe se você é ou não uma pessoa
religiosa. Por isso, o recado de Rubem Alves a esse respeito parece bem relevante:
É fácil identificar, isolar e estudar a religião como comportamento exótico
de grupos sociais restritos e distantes. Mas é necessário reconhecer como
presença invisível, sutil, disfarçada, que se constitui num dos fios com que
se tece o acontecer do nosso cotidiano. A religião está mais próxima
de nossa experiência pessoal do que desejamos admitir. O estudo
da religião, portanto, longe de ser uma janela que se abre apenas para
panoramas externos, é como um espelho em que nos vemos (ALVES,
1981, p.11-12 - O grifo é nosso).
Comecemos então com uma noção preliminar de religião, algo que sirva para
abrir os horizontes de nossa compreensão do fenômeno religioso como fenômeno
humano. Religião é dimensão da vida que remete os seres humanos àquilo que
os filósofos chamam de “transcendência” – isto é, à realidade que ultrapassa a
materialidade imediata e histórica em que vivemos e nos faz imaginar, esperar
11
11
UNIDADE O Fenômeno Religioso
e até mesmo conviver com entidades e fenômenos impalpáveis, intangíveis,
invisíveis e completamente irredutíveis aos processos de conhecimento probatórios
desenvolvidos e captados pelas ciências positivas.
Religião, nesse sentido, é tudo aquilo que humanamente faz referência à
divindade, seja qual for o seu nome e seja qual for a quantidade de seres que
essa realidade puder evocar (uma só, monoteísmo; mais de uma, politeísmo). A
crença em Deus, deuses ou forças espirituais, a princípio, é segundo a experiência
imediata da maioria de nós, o que define a religião. Os antropólogos e os estudiosos
do fenômeno religioso não aceitam que esse seja um conceito universal, pois há
religiões como o budismo que originalmente não concebiam a noção de divindade,
espírito ou qualquer outra de seres espirituais.
O fenômeno religioso por meio da abordagem social
e antropológica
Alguns estudiosos definiram religião não apenas como fenômeno que se
refere à(s) divindade(s), mas a um sistema de crenças e práticas que impõe a
separação tradicional entre coisas sagradas e coisas ordinárias, comuns. Émile
Durkheim (1858-1917), por exemplo, construiu sua teoria sobre a religião sem
usar exclusivamente a noção de Deus, pois recorrendo às religiões mais “simples”
e “primitivas”, verificou que “Deus” frequentemente é substituído pela noção de
“Sagrado” que é mais ampla e não está necessariamente presente em todas as
religiões. Esta noção, por sua vez, só se entende na oposição à noção de “Profano”
que lhe é correlata.
Todas as crenças religiosas conhecidas, sejam elas simples ou complexas,
apresentam uma mesma característica comum: elas supõem uma
classificação das coisas que o homem representa para si mesmo, sejam
elas reais ou ideais, em duas classes, em dois gêneros opostos, designados
geralmente por dois termos distintos que são muito bem traduzidos pelas
palavras profano e sagrado. Este é o traço distintivo do pensamento
religioso, a divisão do mundo em dois domínios, um que compreende
tudo o que é sagrado, e outro que compreende tudo o que é profano; as
crenças, os mitos, os gnomos, as lendas são representações ou sistemas de
representações que exprimem a natureza das coisas sagradas, as virtudes
e os poderes que lhes são atribuídos, sua história, suas relações umas com
as outras e com as coisas profanas (DURKHEIM, 19898, p. 68).
Desse modo, a definição de religião mais aceita pelas ciências humanas,
particularmente pela sociologia e antropologia acabou por aderir essa relação entre
sagrado e profano. Mircea Eliade (1907-1986) também adotou esse conceito e o
entendeu como elemento essencial e supremo da experiência religiosa:
[...] o sagrado equivale ao poder e, em última análise, à realidade por
excelência. O sagrado está saturado de ser. Potência sagrada quer dizer
ao mesmo tempo realidade, perenidade e eficácia. A oposição sagrado/
profano traduz-se muitas vezes como uma oposição entre real e irreal
12
ou pseudo real. (Não se deve esperar encontrar nas línguas arcaicas
essa terminologia dos filósofos – real-irreal etc. –, mas encontra-se a
coisa.) É, portanto, fácil de compreender que o homem religioso deseje
profundamente ser, participar da realidade, saturar-se de poder (ELIADE,
1992, p.14).
As origens do fenômeno religioso
Alguns antropólogos, antes mesmo de Durkheim, tentaram definir a religião
procurando encontrar a gênese da atitude religiosa como se na origem se pudesse
ver manifesto o que há de mais essencial, comum e universal das crenças e práticas
religiosas. Destacamos por razões de brevidade dois antropólogos que marcaram
profundamente as bases dos estudos da religião: Edward Burnett Tylor (1832-1917)
e James George Frazer (1854-1941). O primeiro apresentou a noção animista da
religião; enquanto o segundo a teoria do totemismo.
Tylor, em sua obra Primitive Culture postulou que a religião é fundamentalmente
a “crença em seres espirituais” (1920, p. 425s), uma espécie de projeção da alma
humana no mundo da natureza, teoria que ficou conhecida como animismo, uma
das principais e primeiras teorias da antropologia evolucionista do século XIX. O
animismo propõe um conceito que entende a religião em seu primeiro estágio de
desenvolvimento como personificação das forças da natureza.
Frazer, em sua grande obra O ramo de ouro (1982), de treze volumes, manteve
uma visão da antropologia semelhante à de Tylor, evolucionista em sua essência.
Assim ele entendeu a religião como o desenvolvimento de práticas e crenças
mágicas do homem primitivo. Magia, religião e ciência seriam estágios naturais da
evolução do pensamento humano e o totemismo seria o sistema mais primitivo da
religião como magia. O antropólogo Malinowski define a visão totêmica de Frazer
da seguinte maneira:
[...] o totemismo é “uma relação íntima que se supõe existir, por um lado,
entre um grupo de pessoas aparentadas entre si e, por outro, uma espécie
de objetos naturais ou artificiais, aos quais se dá o nome de tótemes do
grupo humano”. O totemismo reveste, por conseguinte, duas facetas:
é um modo de agrupamento social e um sistema religioso de crenças
e práticas. Enquanto religião, expressa o interesse do homem primitivo
pelo ambiente que o rodeia, o desejo de manifestar uma afinidade e de
controlar os objetos mais importantes: essencialmente, espécies animais
e vegetais, mais raramente objectos inanimados de utilidade, muito
esporadicamente, objectos feitos pelo homem. Regra geral, às espécies
de animais e plantas utilizadas como principal alimento ou de qualquer
modo comestível ou como animais ornamentais, é atribuída uma forma
especial de “reverência totêmica”, constituindo tabu para os membros
do clã associado à espécie e que, por vezes, executam ritos e cerimônias
tendentes à sua multiplicação. [...] Com o conhecimento que temos sobre
o conceito de atitude totêmica da mente, a religião primitiva estaria
mais próxima da realidade e dos interesses imediatos da vida prática dos
selvagens do que parecia na faceta “anímica” acentuada por Tylor e pelos
primeiros antropólogos (MALINOWSKI, 1984, p. 22-23).
13
13
UNIDADE O Fenômeno Religioso
Outras teorias sobre as origens da religião como o culto aos antepassados se
misturam às tentativas de compreender as diversas funções que a religião pode
ter cumprido nas origens da vida em sociedade e que estão presentes atualmente.
Neste sentido, o conceito de religião não se esgota com o esboço de uma única
definição, como se uma sentença fosse suficiente para esclarecer tudo o que a
religião é capaz de ser.
Na verdade, é preciso reconhecer o fenômeno religioso como realidade que
toca a totalidade das dimensões humanas: comida, corpo, mente, saúde, doença,
trabalho, morte e relacionamento social. Religião é sempre crença, imaginação,
prática, doutrina e interpretação da realidade. É, por isso, atribuição de sentido ao
mundo e à existência. Tudo isso se manifesta por meio de ritos e mitos que celebram
diferentes etapas da vida em comunidade e refletem a inserção do indivíduo em
suas responsabilidades coletivas. Os padrões de conduta ética e os horizontes de
esperança para as dificuldades, fraquezas, medos e mistérios que povoam a mente
das pessoas são motivados e não raramente, são condicionados pela religião.
Noções próximas e relativamente distintas de religião
Fé, igreja, culto, crença, mito, doutrina e espiritualidade são palavras que
remetem a realidades que favorecem e ajudam a caracterizar o fenômeno religioso,
mas é preciso reconhecer algumas distinções. Religiosidade e espiritualidade são
qualidades humanas de quem expressa algum sentimento religioso (religiosidade)
ou cuidado com coisas e valores espirituais (espiritualidade) que podem ou não ter
um vínculo com alguma religião ou igreja.
Religião, mito e rito. Toda religião possui uma linguagem que remete a uma
visão mítica e simbólica da realidade, cuja característica é a explicação do mundo
segundo a ação e a interferência de heróis, forças e deuses com poderes nem
sempre limitados. Algumas tradições religiosas são produtos de narrativas sobre
esses personagens originários e fundadores que entendem sua doutrina como
revelação ou sabedoria a ser seguida como prática que se perpetua por meio
de ritos e de outros recursos de celebração que se manifesta em culto, oração
e adoração. O rito tem a função ora de garantir a atualização da memória da
narrativa fundadora; ora é prática que funda o mito como explicação que garante
o seu sentido e ao mesmo tempo a sua perpetuação na prática do grupo que o
realiza. Mito e rito estão entrelaçados de tal forma que nem sempre é possível
distinguir qual é o fenômeno que ocorre primeiro.
Religião, doutrina e ética. O sistema ou conjunto de crenças condensado
ou não em escritura sagrada caracteriza o conteúdo de uma religião e prescreve
valores a serem cultivados como dever, norma ou simplesmente como orientação
da conduta. Entretanto, o conteúdo doutrinal e ético de uma religião não revela
tudo o que ela é, pois há sempre um repertório complexo e variado de interpretação
contínua desse legado doutrinal.
14
Religião e igreja. O caráter coletivo e público de uma religião se expressa
por meio de sua forma institucional socialmente construída como comunidade de
fiéis que professam a mesma fé. Cada grupo tem sua comunidade ou movimento.
Igreja, sinagoga, mesquita, templo e outras tantas denominações, com ou sem
estrutura arquitetônica representam esse aspecto mais exterior, comunitário e
social da religião. Mas, sobretudo, atualmente, é possível entender a religião como
fenômeno humano mais amplo do que entendemos por igreja.
Religião e fé. Religião supõe a fé, mas fé não precisa ser necessariamente
religiosa. A religião como fenômeno humano depende da fé, assim como a igreja
enquanto instituição sociocultural, também, depende daquela. No entanto, nem
religião, nem igreja se reduzem à fé, antes, apenas a supõem e buscam traduzir
expressões determinadas e bem específicas da fé (Lara, 1997, p. 92-93). Então, o
que é a fé?
A fé não é sempre religiosa em seu conteúdo ou contexto [...]. A fé é o
modo em que uma pessoa ou um grupo penetra no campo de força da
vida. É o nosso modo de achar coerência nas múltiplas forças e relações
que constituem a nossa vida e de dar sentido a elas. A fé é o modo pelo
qual uma pessoa vê a si mesma em relação aos outros, sobre um pano de
significados e propósitos partilhados (FOWLER, 1992, p. 15).
Portanto, a fé é uma atitude de vida que independe de nossa vinculação a alguma
crença específica ou a qualquer comunidade religiosa. A fé é a razão de ser da
atitude de esperança que é, por sua vez, a característica fundamental da religião
como fenômeno humano.
A origem e o sentido da palavra “religião”
A palavra “religião” é de origem latina e desde muito cedo o seu significado é
objeto de controvérsia. Três possibilidades valem ser recuperadas: religião como
re-ligare, re-legere (KONINGS & ZILLES, 1981, p.18 ) e re-linquere.
Re-ligare é o termo cuja explicação para o significado de religião é o mais
conhecido entre nós, pois foi proposto e assumido pela tradição cristã por meio
de Lactâncio (240-317 d.C) que o definiu como “ligar novamente”. A noção foi
muito bem aceita pela tradição judaico-cristã, pois suas Escrituras apontam para um
tempo em que Deus e o ser humano estão ligados e convivem em plena harmonia
e comunhão. O ato do pecado rompeu essa ligação original (Gn 1-3). Assim, a
religião como re-ligare seria a prática de relacionamento humano com Deus no
sentido de resgatar a ligação original com Deus.
Antes, porém de Lactâncio, Cícero (106-43 a.C.) em sua obra De natura deorum
derivou a palavra “religião” de re-legere e não de re-ligare. Assim religião apontaria
para dois significados que se completam. Re-legere como releitura coloca a religião
como reinterpretação, interiorização e aprofundamento da realidade. Ver as coisas
com outros olhos ou enxergar o que não se vê à primeira vista. Parece ser esse
15
15
UNIDADE O Fenômeno Religioso
sentido bem interessante quando a religião é entendida como interpretação da
realidade que ultrapassa o campo do visível histórica e materialmente para atingir
o mundo da transcendência. Outra possibilidade é entender legere como colher, o
que colocaria a religião como recolher e reunir. Nesse sentido, a religião ganharia
a dimensão social e coletiva de reunião de pessoas com os mesmos propósitos.
A alternativa sugerida por Macróbio, escritor latino do século V d.C. derivou
a palavra religião segundo a proposta de Sérvio Sulpício, da palavra latina re-
linquere cujo significado é “abandonar” e “deixar” (OLIVEIRA, 2016, p. 9). Desse
modo, religião seria atitude de despojamento e de submissão. Surpreendentemente
é o mesmo sentido que se vê na tradução da palavra “Islã” que está na raiz da
compreensão da fé islâmica, isto é, submissão a Alá e seu profeta.
E assim chegamos ao final dessa aproximação conceitual à religião que não
esgota o sentido abrangente do fenômeno religioso, mas abre caminhos para
continuarmos aprendendo diferentes sentidos para esse campo tão desafiador ao
conhecimento de nós mesmos, dos outros e da sociedade humana em geral.
A Religião como Objeto do Conhecimento
O acesso ao mundo da religião, pela via do conhecimento, se dá de forma
diversa. A experiência religiosa possui seus próprios mecanismos de vivência
e conhecimento de suas tradições, práticas e ritos. Experiências contemplativas,
místicas e êxtases religiosos não são raros para configurar a aproximação do fiel
ao universo das crenças, dos deuses, dos heróis e das entidades que são objetos da
fé e do contato religioso. Essa forma de conhecimento se dá pela via da prática e
pela introdução aos ritos próprios de cada religião.
O conhecimento mítico é a forma mais antiga para o acesso à experiência da
religião, uma vez que os mitos são relatos que fundam, legitimam e explicam as
crenças de um povo e o introduz na dinâmica que dá sentido à vida e ao mundo.
A Teologia é uma forma própria e bem específica de cada religião se explicar
como doutrina, igreja, movimento, tradição e proposta a ser seguida. A Teologia
é o estudo que dá razão e inteligibilidade às crenças religiosas, tomando a fé como
seu ponto de partida. Por isso, Teologia mais do que “estudo ou discurso sobre
Deus” como a própria palavra sugere (Téo + Logos), é o esforço do crente, do
fiel ou do seguidor de uma crença em compreender, ensinar e propagar as razões
de sua fé. Neste sentido, não existe uma só Teologia: haverá tantas teologias para
quantas religiões existirem. Algumas tradições, no entanto, preferem entender o
conhecimento de sua religião, não como teologia, mas como sabedoria ou apenas
como tradição.
As Ciências da religião são como o próprio nome aponta, um conjunto de
ciências que visam compreender a religião pura e simplesmente como fenômeno
humano, passível de verificação, objetivação e descrição racional segundo as
16
exigências da metodologia científica. As Ciências da Religião não pretendem
assumir os objetos das crenças religiosas como dados de verdade, mas como
realidade que faz parte do horizonte dos fenômenos que merecem investigação
científica, assim como qualquer outro fenômeno da vida humana e da natureza
em geral. História, psicologia, geografia, arqueologia, sociologia, antropologia e
economia são algumas dessas ciências.
Entretanto, mais recentemente, a expressão “Ciências da Religião” tem
assumido o status de nova ciência sobre religião que se concebe distinta das demais
por buscar conhecer o fenômeno religioso não só de um único ponto de vista
científico, mas tentando compreendê-lo segundo uma abordagem mais “inter”,
“pluri” e “transdisciplinar” (CAMURÇA, 2008; e FILORAMO, 2003).
A filosofia da religião é, por sua vez, o estudo que transforma a religião em
objeto da indagação filosófica, isto é, como questão que desafia a razão. Pode
haver filósofos da religião de todo tipo: religiosos, agnósticos ou ateus, crentes
ou não; cristãos, católicos, protestantes, islâmicos, budistas, judeus e seguidores
de qualquer outra denominação religiosa. O que define a filosofia da religião e a
distingue da teologia ou da(s) ciência(s) da religião é o seu caráter racional.
Agnóstico: é palavra que expressa a identidade não exatamente de um ateu (pessoa que
Explor
afirma não existir Deus), mas de alguém que manifesta “não saber”, isto é, “não conhecer”
(a= não; gnose= conhecimento) Deus.
A Filosofia da Religião pretende compreender as crenças religiosas não apenas
como meros objetos a serem descritos ou decodificados em sua expressão humana,
cultural, histórica, sociológica e psicológica (Ciências da Religião), mas como objetos
do pensamento e como tais, ainda que sua condição de realidade e existência fora
das crenças dos sujeitos que as professam sejam discutíveis, elas possuem cidadania
no âmbito da indagação do discurso lógico e filosófico.
O exemplo mais ilustrativo de Filosofia da Religião é o modo como ela trata
o problema de Deus, já que este é abordado não como objeto da fé (Teologia),
mas como possibilidade do discurso racional. O que se discute a partir da razão
filosófica não é a fé em Deus, mas o ser, a existência, o conceito e o sentido que
Deus possa ter nos limites da inteligência humana.
Por isso, fazer Filosofia da Religião pode significar explicar a existência ou até
a inexistência de Deus. Afinal, tudo o que pode ser objeto de nosso pensamento e
imaginação pode transformar-se em problema filosófico. Neste sentido, o mundo
da religião é um “prato cheio”, abundante de mistérios, curiosidades e desafios à
nossa inteligência.
17
17
UNIDADE O Fenômeno Religioso
Conclusão
Como conclusão a esta unidade de introdução ao fenômeno religioso, é preciso
reconhecer em primeiro lugar que o estudo da religião requer não apenas tolerância
e diálogo como foi admitido logo no início, mas igualmente abertura e espírito
crítico para enfrentar outro grande desafio: o diálogo entre fé e razão.
Assim como a fé não é necessariamente religiosa, a religião não é necessariamente
irracional. O fato de a fé religiosa, na maioria das vezes, expressar-se por tradições
de crenças milenares pré-científicas não a torna anticientífica. Afinal, por muito
tempo a ferramenta básica do conhecimento que o ser humano dispunha sobre a
natureza e sobre si mesmo era proveniente de suas crenças religiosas.
Isso, porém, não resolve o problema das contradições do discurso que estão
presentes quando os dogmas da religião são refutados pelas descobertas científicas.
Por essa razão é preciso distinguir as lógicas, as funções e os objetivos de uma e
de outra. Fé e razão não precisam ser necessariamente contraditórias, embora,
inúmeras vezes, se contradigam. O que fazer quando isso ocorre? Bem, o tema é
complexo, requer revisão de todos os lados: recuperação do contexto em que os
dogmas religiosos foram criados, tentar concebê-los segundo a estrutura da religião
como sistema de crenças e, sobretudo, reconsiderar o sentido mais profundo do
que se entende por verdade religiosa.
A chave para se resolver a tensão entre fé e razão está na abertura para o diálogo:
a fé aprende com a razão que deve sempre atualizar o sentido de suas crenças
e a razão aprende com a fé a ampliar o horizonte dos avanços científicos para
valores éticos e humanísticos, aos quais ela pode servir sem perder sua autonomia
e identidade. É um diálogo difícil e exigente, o que torna o estudo da Filosofia da
Religião ainda mais relevante e significativo.
18
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
Filmes
O pagador de promessas
Drama, Direção de Anselmo Duarte com Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio
Azevedo. Brasil, 1962, 1h31min. Assista ao trailer:
https://goo.gl/6Fw4GQ
Leitura
O espectro disciplinar da ciência da religião
Para compreender melhor e mais detalhadamente as diferenças e os contatos que
existem entre Filosofia, Teologia e Ciências da Religião recomendamos a leitura atenta
do artigo de Afonso Maria Ligorio Soares cujo título é “A teologia em diálogo com a
Ciência da religião” publicado na Revista de Teologia & Cultura - Ano II, n. 15. Artigo
que originalmente foi publicado no livro organizado por Frank Usarski, O espectro
disciplinar da ciência da religião. São Paulo: Paulinas, 2007. p. 281-306.
https://goo.gl/t1fTKp
19
19
UNIDADE O Fenômeno Religioso
Referências
ALVES, Rubem. O que é religião. São Paulo: Brasiliense, 1981.
CAMURÇA, Marcelo. Ciências Sociais e Ciências da Religião. Polêmicas e
interlocuções. São Paulo: Paulinas, 2008.
CRAWFORD, Robert. O que é religião? Petrópolis/RJ: Vozes, 2005. 247p.
DURKHEIM, Émile. As formas elementares de vida religiosa. São Paulo: Paulinas,
1989. 536p.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. Tradução de Rogério Fernandes. São
Paulo: Martins Fontes, 1992. 109p. Versão On-line. Disponível em: http://
gepai.yolasite.com/resources/O%20Sagrado%20E%20O%20Profano%20-%20
Mircea%20Eliade.pdf Acesso em 31/12/2015 às 02:38h.
FILORAMO, Giovanni; PRANDI, Carlo. As ciências das religiões. São Paulo:
Paulus, 2003, 3. ed.
FOWLER, James W. Estágios da fé. A psicologia do desenvolvimento humano e a
busca de sentido. São Leopoldo: Sinodal, 1992.
FRAZER, James George. O ramo de ouro. Versão ilustrada. Tradução de Waltensir
Dutra. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1982. 637p. Resumo da edição em treze
volumes de The Golden Bough feita com a permissão de The Council, Trinity
College, Cambridge. Disponível em: http://www.classicos12011.files.wordpress.
com/2011/03/45354652-o-ramo-de-ouro-sir-james-george-frazer-ilustrado.pdf
Acesso em 31/12/2015 às 5:20h.
HICK, John. Filosofia da Religião. Tradução de Therezinha Alvim Cannabrava. Rio
de Janeiro: Zahar, 1970.
IBGE. Censo Demográfico 2010. Características gerais da população, religião
e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, 2012. 211p. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/
periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf Acesso em 30/12/2015 às
23:05h.
KONINGS, Johan & ZILLES, Urbano (coords). Religião e cristianismo. Manual de
cultura religiosa. 2. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1981. 341p.
LARA, Valter Luiz. Em busca do humano. Contribuição ao estudo do homem
contemporâneo. Volume I. São Paulo: CEPE, 1997.128p.
MALINOWSKI, Bronislaw. Magia, ciência e religião. Lisboa/Portugal: Edições 70,
1984. 272p.
OLIVEIRA, José Lisboa Moreira de. Antropologia da Religião. Texto disponível
em PDF: https://www.ucb.br/sites/000/14/PDF/AntropologiadaReligiao.pdf
Acesso em 06/01/2016 às 17:26h.
20
PASSOS, João Décio. Como a religião se organiza. Tipos e processos. São Paulo:
Paulinas, 2006 (Coleção temas do ensino religioso). 142p.
SAMUEL, Albert. As religiões hoje. São Paulo: Paulus, 1997. 354p.
STACCONE, Giuseppe. Filosofia da Religião. O pensamento do homem ocidental
e o problema de Deus. Petrópolis: Vozes, 1989. 263p.
TEIXEIRA, Faustino & MENEZES, Renata (orgs.). As religiões no Brasil:
continuidades e rupturas. Petrópolis/RJ: Vozes, 2006. 264p.
TYLOR, Edward Burnett. Primitive Culture: researches into the development of
mythology, philosophy, religion, language, art, and custom. London: John Murray,
Albemarle Street, W. 1920. Disponível em: http://docslide.com.br/documents/
antropologia-da-religiao-55ab4da765a01.html
21
21
Molto più che documenti.
Scopri tutto ciò che Scribd ha da offrire, inclusi libri e audiolibri dei maggiori editori.
Annulla in qualsiasi momento.