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GRUPO I

Lê o poema seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário e as notas apresentados


a seguir ao texto.

Grão tempo há já1 que soube da Ventura2


a vida que me tinha destinada;
que a longa experiência da passada
me dava claro indício da futura.

Amor fero3, cruel, Fortuna4 dura,


bem tendes vossa força exprimentada:
assolai5, destruí, não fique nada;
vingai-vos desta vida, qu’ inda dura.

Soube Amor da Ventura, que a não tinha, 6


e, por que mais sentisse a falta dela,
de imagens impossíveis me mantinha.

Mas vós, Senhora, pois que minha estrela7


não foi milhor, vivei nesta alma8 minha,
que não tem a Fortuna poder nela.

Luís de Camões, Rimas, Coimbra, Almedina, 2005, p. 129.


(Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão)

Vocabulário e notas
1 há muito tempo; 2 felicidade; 3 feroz; 4 a sorte, o acaso; 5 arruinai; 6 v. 9: Amor

soube que não podia ter a Ventura; 7 vv. 12-13: o Poeta dirige-se à «Senhora»
dizendo-lhe que também com ela não teve sorte; 8 espírito, memória

Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Indica o tema do soneto.

2. Divide o poema em duas partes lógicas, justificando.

3. Explicita a reflexão pessoal sobre o amor presente no soneto.

4. Identifica o primeiro recurso expressivo presente no último verso do soneto.


B

Apoiando-te na tua experiência de leitura, escreve um texto que tenha entre 120 e 150
palavras, no qual apresentes as temáticas do desconcerto do mundo e da mudança – centrais na
lírica camoniana.

GRUPO II

Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário.

Breve história do perfume

A perfumaria não tem nada de fútil. Trata-se de um grande fenómeno de sociedade que,
associando perfumaria e maquilhagem, ao longo de milénios indiferente às mutações políticas,
sociais ou religiosas, tem estado presente em todas as civilizações e associado a todas as
culturas. No entanto, em nenhum lugar do mundo, a perfumaria terá constituído, como
aconteceu no Ocidente, um fenómeno técnico e económico de tal amplitude.
A evolução da perfumaria deve ser abordada, tendo sempre em conta quatro elementos
variáveis: a evolução das sociedades, as estruturas económicas, a evolução das técnicas, o
hedonismo1. Ignorar qualquer destes elementos é perder a sequência de uma história
particularmente complexa, já por si perturbada pelos nossos hábitos e pelos nossos
preconceitos.
Existem grandes áreas geográficas, cada uma das quais corresponde a um comportamento
relativamente aos perfumes. A zona que nos é mais facilmente percetível é, evidentemente, a
que corresponde ao conjunto do mundo ocidental, onde os símbolos, as modas e as práticas
comerciais são semelhantes durante dois milénios distintos, o anterior à Idade Média e o que
lhe sucede. (…)
A antiguidade conhecia o alambique2 mas ignorava o fabrico do álcool, contentando-se com
matérias gordas aromatizadas, águas, pós, essências obtidas por pressão. O álcool é
mencionado pela primeira vez em Itália no século VIII. No século XIV, surge um alcoolato3 de
rosmaninho4 e de essência de terebintina5, utilizado mais como um remédio universal do que
como um perfume, a que se deu – primeiro exemplo de estratégia publicitária moderna – o
nome de Água da Rainha da Hungria, mítica soberana a quem esta água teria restituído e
conservado uma juventude resplandecente.
A perfumaria medieval, com a predominância de notas suaves, parece ter bastado a uma
sociedade à qual as Cruzadas trouxeram o hábito de banhos públicos, das bolas de sabão (o
verdadeiro sabão) e da água-de-rosas. Podemos aqui acrescentar o esboço de uma nova arte de
viver, descoberta pelos cruzados na mais sumptuosa e elegante das cidades, Constantinopla. A
perda de Constantinopla, conquistada pelos otomanos em 1453, acaba por determinar o poderio
de Veneza. É aqui que nasce a perfumaria moderna, no início do século XVI. As obras dos
botânicos alemães e dos engenheiros venezianos aperfeiçoam o alambique, aumenta o número
de óleos essenciais extraídos por destilação, permitindo o nascimento da perfumaria alcoólica
que, em pouco tempo deixará de ser italiana para se tornar francesa. Durante mais de três
séculos, apesar do aparecimento de algumas fragrâncias6, esta perfumaria pouco evoluiu,
contentando-se com perfumes florais. (…)
Será necessária a chegada de um autodidata genial, François Coty, para que nasça a
perfumaria tal como a conhecemos hoje, fundada numa arquitetura olfativa muito subtil, onde
vegetais e corpos sintéticos se articulam para criar fragrâncias totalmente novas.
AA. VV., ABCedário do perfume, Lisboa, Público, 2003, pp. 11-15.

Vocabulário
1 a busca do prazer; 2 aparelho próprio para realizar a destilação de matérias vegetais, para produzir álcoois ou perfumes; 3

substância derivada
do álcool; 4 planta aromática; 5 tipo de resina extraída de um arbusto designado terebinto; 6 aromas, perfumes
. Para responder a cada um dos itens de 1.1 a 1.5, seleciona a opção que permite obter uma
afirmação correta.
1.1 De acordo com o primeiro parágrafo do texto, o uso de perfumes
 (A) acompanha as variações sociais, políticas e outras.
 (B) não acompanha as variações sociais, políticas e outras.
 (C) não é indiferente às variações sociais, políticas e outras.
 (D) está ligado às variações sociais, políticas e outras.

1.2 A relação entre áreas geográficas e uso de perfumes


 (A) é uniforme: todas apresentam a mesma relação com os perfumes.
 (B) é variada: cada uma apresenta uma relação diferente com os perfumes.
 (C) é ambígua: não é clara a relação de cada uma com os perfumes.
 (D) é intensa: todas apresentam uma forte relação com os perfumes.

1.3 O perfume que surgiu no século XIV com a designação Água da Rainha da Hungria é
ainda hoje, por causa desse nome, um exemplo de
 (A) perfume moderno.
 (B) perfume com poderes curativos.
 (C) técnica de marketing.
 (D) técnica curativa através de um perfume.

1.4 O nascimento da «perfumaria moderna» em Veneza, no começo do século XVI, não está
ligado ao
 (A) desenvolvimento de estudos botânicos.
 (B) melhoramento do alambique.
 (C) desenvolvimento de técnicas de destilação.
 (D) aparecimento de novos aromas.

1.5 O último parágrafo do texto refere a perfumaria contemporânea através de uma


 (A) metáfora.
 (B) comparação.
 (C) personificação.
 (D) hipérbole.

2. Responde, de forma correta, aos itens apresentados.

2.1 Elabora duas frases em que a palavra «água», l. 18, apresente significados inequivocamente
diferentes.

2.2 Indica a função sintática da palavra destacada na frase «Trata-se de um grande fenómeno de
sociedade (…) indiferente às mutações políticas», ll. 1-2.

2.3 Classifica a oração destacada na frase «A antiguidade conhecia o alambique mas ignorava
o fabrico do álcool…», l. 14.

GRUPO III

Escreve uma síntese do texto «Breve história do perfume» que tenha cerca de um quarto da sua
dimensão.
Soluções
Grupo I
A
1. Trata-se do tema do desencanto amoroso, da desilusão amorosa.
2. Na primeira parte, que ocupa as três primeiras estrofes, o sujeito poético confessa-se
derrotado pelo Amor: nunca o conseguiu realizar plenamente. Na segunda parte,
correspondente ao último terceto, dirige-se a uma «Senhora» com quem também não teve
sorte, para lhe dizer que, pelo menos, perdurará na memória dele e contra isso nada pode a
«Fortuna».
3. Trata-se de uma reflexão pessoal marcada pelo desencanto, pela desilusão, pela confissão de
que o Amor só trouxe sofrimento; não há esperança para o poeta.
4. Apóstrofe – «Senhora»
Grupo II
1. 1.1 (B); 1.2 (B); 1.3 (C); 1.4 (D); 1.5 (A)
2. 2.1 A água-de-colónia ainda é um dos perfumes mais populares; o símbolo químico da água é
H2O.
2.2 Complemento do nome
2.3 Oração coordenada adversativa