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A - INTRODUÇÃO À DEONTOLOGIA

1. A Deontologia Profissional: Noção e análise da

Deontologia Profissional como elemento comum a

outras profissões.

2. A Essencialidade da Deontologia na formação dos Advogados como condição da dignificação e defesa da Advocacia.

3. A Deontologia e o valor da confiança; a função

social da Advocacia.

4. A Advocacia como profissão tutelada; o

exercício privado de uma função pública com dignidade constitucional.

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

O

deontologia pressupõe o valor da confiança.

humano

reclama

mais

ética

ser

por

-

A

Assistimos, de uma certa forma, ao renascimento da

ética como ciência dos valores e o código de conduta dos seres humanos. Porquê?

Uma

MONTORO, no texto Retorno à Ética na Virada do

boa

foi

dada

FRANCO

resposta

por

Milênio”, nestas letras:

“Quiseram construir um mundo sem ética. E a ilusão se

transformou em desespero”.

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

A deontologia e a ética profissional servem de

um lado, para controlar a ação dos

membros de um grupo profissional e, de

outro lado, para orientar sua conduta,

colaborando para a formação de um grupo que se identifica e é identificado por um modo de agir.

Assim a sustentação de uma profissão depende do conjunto de seus membros, dado, a conduta de cada um.

O VALOR DA CONFIANÇA

O VALOR DA CONFIANÇA • O valor da confiança na profissão de Advogado resulta , autoridade

O

valor

da

confiança

na

profissão

de

Advogado resulta,

autoridade profissional ou do facto de a preparação fornecer ao profissional um tipo de conhecimento inacessível ao não profissional; e depois, do acesso condicionado e do exercício regulamentado em função do seu

interesse público ou da sua função social.

antes de mais, da

Advocacia surgiu como

(não como uma profissão)

Advocacia surgiu como ( não como uma profissão ) Função Vocação • Levada a cabo por

Função

Vocação

Levada a cabo por pessoas isentas, justas e idóneas que punham o seu conhecimento ao serviço dos mais fracos e ignorantes, assegurando-lhes

ao serviço dos mais fracos e ignorantes, assegurando-lhes Igualdade Dignidade • Contra o abuso dos julgadores

Igualdade

Dignidade

Contra o abuso dos julgadores

Advocacia era uma função Solidária e Gratuita

Direito tornou-se ciência Advocacia passou a requerer estudo, competência e tempo passou a ser Profissão que

exige um Código Deontológico = Direito Profissional do

Advogado

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

ANTÓNIO ARNAUT: “Conjunto das regras

ético-jurídicas pelas quais o advogado deve pautar o

seu comportamento profissional e cívico”.

Formação do advogado deve pautar o seu comportamento profissional e cívico” . Essencial para Dignificação da classe Etimologia: Deon

Essencial para

Dignificação da classee cívico” . Formação do advogado Essencial para Etimologia: Deon (ou deontos) + logos O que

Etimologia: Deon (ou deontos) + logos

O que se deve fazer

Conhecimento; ciência

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

Conceito:

ética

é

a

comportamento moral.

ciência

do

Ética profissional: conjunto de regras

morais que o indivíduo deve observar em

sua atividade profissional;

Finalidade: a justiça no exercício da

profissão;

Justiça: fazer o bem e evitar o mal e dar

a cada um o que lhe é devido.

NOÇÃO DE DEONTOLOGIA PROFISSIONAL

Nem todas as actividades humanas constituem profissões e a nem

todas as profissões se aplicará o seguinte conceito, nomeadamente a profissão de Advogado:

Profissão é uma actividade exercida com base em conhecimentos

teóricos;

adquiridos através de um método cientifico;

e geradora de confiança proporcionada por quem tem autoridade

para a exercer;

Com acesso e exercício regulamentado em função do seu interesse publico ou utilidade social;

E com subordinação a um código deontológico;

Imposto por uma associação que promove a cultura própria da actividade considerada.

PRINCÍPIOS DA ADVOCACIA

1.

Da pessoalidade: contacto pessoal e reservado com o cliente para

conservar o sigilo profissional;

2.

Da confiabilidade: A confiança é o que mantém a relação

cliente/advogado, pelo exercício da defesa do interesse jurídico

tutelado;

3.

Do Sigilo Profissional: trata de poder-dever do advogado diante do acesso às informações privilegiadas obtidas dos clientes;

4.

Da não mercantilização: o exercício da advocacia não é compatível com os actos de comércio, logo não pode apresentar características mercantis, para não haver captação de clientela;

5.

Da exclusividade: a advocacia deve ser exercida de maneira exclusiva (local físico) para não levar o cliente a erro.

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

A

Ética

do

Advogado

é

o

conjunto

de

princípios

que

regem

a

sua

conduta

funcional,

ou

seja,

das

regras

de

comportamento no exercício de suas atividades

profissionais, tanto no seu ministério privado

quanto na sua atuação pública.

A ética se divide em:

a) Deontologia ciência dos deveres profissionais;

b) Diceologia ciência dos direitos profissionais.

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

O conceito de deontologia é, etimologicamente, o conhecimento dos deveres, e DEONTOLOGIA PROFISSIONAL é o conjunto das normas

jurídicas, em que a maioria tem conteúdo ético no

exercício de uma profissão.

É da deontologia que resulta o valor da confiança, que não provém apenas da autoridade

profissional, mas também do acesso condicionado e do

exercício regulamentado por um Código Deontológico.

Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

Deontologia é o conhecimento das

normas que regem o exercício da

profissão de Advogado, pode-se

dizer que o estudo da

Deontologia começa por ser a

aprendizagem do que é e

significa ser Advogado.

LEGISLAÇÃO BÁSICA

1. Constituição da República, art. 229º nº 1 e 5:

O Advogado no exercício da sua função é um servidor da

Justiça e do Direito e um colaborador indispensável da

administração da Justiça.

“O exercício da função de advogado sujeita-se a regras

deontológicas, implica responsabilidade profissional e

submete-se à regulação e disciplina da Ordem dos Advogados de Cabo Verde, nos termos da lei”.

2. Estatuto da OACV Lei n° 91/VI/2006 de 9 de Janeiro;

Exercício

3. Outras Leis (CPC, Código Penal em que temos

Ilegal de Profissão).

LEGISLAÇÃO BÁSICA

O ADVOGADO é a única profissão liberal prevista

expressamente na Constituição da República de Cabo Verde e regulamentada em lei.

Para garantir a efetividade do cumprimento de suas

obrigações a Lei confere ao advogado todas as prerrogativas necessárias ao exercício de sua profissão, tais como:

a) imunidade de seus actos e manifestações art. 9º g);

b) liberdade art. 155º;

c) autonomia e independência, inclusive em relação ao Juiz,

MP, eventual empregador ou autoridade pública art. 173º.

FUNÇÃO DO ADVOGADO

Função do advogado: “Esclarecer os

juízes em ordem a alcançar a decisão que

lhes afigura justa” – MAURIÇE

GARÇON. Proteger

direitos

quem

os

seus

ameaçados;

Servidor da Justiça; Defensor do interesse da parte;

ESSENCIALIDADE DA DEONTOLOGIA

Numa sociedade baseada no respeito pela

justiça, o Advogado desempenha um papel

predominante, não se limitando à simples

execução de um mandato.

Não está vinculado apenas aos interesses

do seu cliente, sendo num Estado de Direito

indispensável à administração da justiça e dos cidadãos de quem é conselheiro e defensor.

ESSENCIALIDADE DA DEONTOLOGIA

As transformações sociais e políticas

do último quarto do séc. XX e, mais

recentemente, a viragem do século

trouxe consigo um maior

mercantilismo da profissão, levando

os Advogados ao ponto limite do

confronto ético permanente e a

alguma perda de independência.

As transformações sociais e éticas que referi acima reflectem-se, de modo extremamente negativo, no

exercício da Advocacia.

De igual modo, o crescimento exponencial do

número de Advogados, veio criar um desequilíbrio

socioprofissional para o qual a maioria dos advogados Cabo-Verdianos não estava preparado.

Estes

de

factores

conjugados

são

susceptíveis

conduzir a um aumento da litigiosidade disciplinar.

Cada vez mais os Advogados mostram um maior

desprezo ou desconhecimento das regras de conduta

a que estão vinculados. Caso para se dizer, «em

casa de ferreiro espeto de pau».

ESSENCIALIDADE DA DEONTOLOGIA

O advogado é considerado como um fiscal

do processo, devendo estar sempre atento ao

estrito cumprimento da ordem processual,

observando os prazos, requerendo provas, e

recorrendo sempre quando houver alguma inobservância, não se esquecendo de verificar as provas, apurando estas em debates processuais e sempre se preocupando com a

regularidade formal do processo.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

Independência A multiplicidade dos

deveres a que o advogado está sujeito

impõem-lhe uma independência absoluta,

isenta de qualquer pressão, especialmente a

resultante dos seus próprios interesses ou de influências exteriores.

O advogado não pode negligenciar a deontologia para agradar aos seus clientes, ao juiz, ou a terceiros.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

Confiança dispõe que as relações

de confiança não podem existir se houver dúvidas sobre a honestidade,

probidade,

a

sinceridade

a

do

rectidão

Advogado,

ou

a

para

quem estas virtudes tradicionais são

deveres profissionais.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

As regras deontológicas estabelecem que é da natureza da missão do Advogado que este seja depositário dos segredos dos seus clientes e destinatário de comunicações confidenciais, por isso não pode haver confiança, sem que haja garantia de confidencialidade

SEGREDO PROFISSIONAL

PRINCÍPIOS DEONTOLÓGICOS

INTEGRIDADE

INDEPENDÊNCIA

SEGREDO PROFISSIONAL

DEVERES PARA COM A OACV DEVERES PARA COM A COMUNIDADE

DEVERES DEONTOLÓGICOS GERAIS

Integridade (art. 128º)

INDEPENDÊNCIA (no sentido de elevada

consciência moral) (art. 129º)

Urbanidade

exemplificativo (art. 134º) O advogado deve abster-se de actuar se no caso concreto vir que a sua actuação pode conduzir a um resultado injusto.

meramente

elenco

é

este

PRINCÍPIOS GERAIS

Art. 128º EOA - Fontes da deontologia

Principal Fonte: Estatuto da O.A.C.V.

E ainda: a LEI Art. 146º nº 3 CPC

Art. 128º CPP

Usos, costumes, tradições profissionais

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

O Título V do EOA (Exercício da Advocacia),

desde o art. 153º até ao art. 187º, trata das garantias

no exercício da advocacia e de alguns pressupostos

daquele exercício, designadamente das

incompatibilidades e impedimentos, matérias que

extravasam o código deontológico em sentido

estrito e que se integram no seu estatuto profissional do Advogado em sentido amplo, o qual

se contém em outros diplomas legais, além do EOA.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

O

Profissional) tem predominantemente princípios

do Código Deontológico em sentido estrito.

Desde o art. 128º até ao art. 152º, inclusive,

Título

IV

do

EOA

(Deontologia

reúnem o estatuto deontológico.

Não está obviamente, compreendido naquele

capítulo todo o direito deontológico do

Advogado, que se reparte pelo EOA e por outros diplomas legais.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

O DIREITO PROFISSIONAL DO ADVOGADO pode definir-se como o conjunto de

normas jurídicas que regulam o acesso e o exercício

da profissão de Advogado.

Trata-se de um conjunto de normas autónomas que

proíbem ou impõem condutas quanto ao acesso e ao exercício de uma profissão com interesse

público, tendo em vista a protecção de valores

jurídicos que são impostos aos Advogados.

O Estatuto da Ordem dos Advogados

1.

2.

3.

4.

Princípios Gerais de deontologia

dos Advogados 1. 2. 3. 4. Princípios Gerais de deontologia As relações com os clientes As
dos Advogados 1. 2. 3. 4. Princípios Gerais de deontologia As relações com os clientes As

As relações com os clientes

As relações com o tribunal

As relações entre advogados

Juízes

Árbitros

Testemunhas

Outros intervenientes processuais

Princípios Gerais Princípio da Confiança Dever de Urbanidade * Três grandes Pilares da Deontologia *
Princípios Gerais
Princípio da Confiança
Dever de Urbanidade
*
Três grandes Pilares da Deontologia *
Agir livre de qualquer
pressão – interesses
Segredo profissional
próprios ou de terceiros
Independência
Art. 129º
Art. 133º
Dever de ser correcto
Com todos
Art. 134º
Incompatibilidades e
Impedimentos
Arts. 173º a 178º
expressões

Princípio da Independência

Dever de não usar

menos correctas ou ofensivas

Outros Deveres Princípio de Solidariedade profissional Dever de lealdade Art. 128º nº 2, 13º b),
Outros Deveres
Princípio de Solidariedade
profissional
Dever de lealdade
Art. 128º nº 2, 13º b), 151º
Art. 151º
nº 1 a)
Relações cordiais e
fraternas; de confiança e
cooperação entre colegas
Relações entre colegas e
nos tribunais
Ainda que litiguem em
campos opostos, os fins
que prosseguem são os
mesmos: o Direito, a
Verdade e a Justiça

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

Também podemos considerar que a profissão de Advogado pelo seu especial interesse público, que está na sua base, como uma profissão que exige uma certa disciplina para o seu perfeito desenvolvimento, e a violação dessas regras constituirá então um ilícito disciplinar que admitirá responsabilidade.

Nesse ilícito disciplinar abrange-se não só a violação dos

deveres profissionais dos advogados, mas também as condutas da vida privada que constituam um comportamento público, sempre que estas sejam de natureza a repercutir-se na profissão artigo 128º do

EOA

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

A independência e o interesse público da profissão são dois princípios basilares da

advocacia.

O

interesse

público

da

profissão

a

independência do Advogado são a razão de ser

das especificidades do mandato judicial em relação ao mandato típico.

são

explicadas por esses dois princípios.

e

Todas

especificidades

deste

mandato

as

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

A advocacia pode ser considerada em si mesma,

tendo em conta o seu interesse publico, com uma

profissão que exige uma certa disciplina para o seu perfeito desenvolvimento e a violação

dessa disciplina constituirá um ilícito

disciplinar, nele se abrangendo não só a violação

de deveres profissionais dos Advogados, mas

também as condutas da vida privada (estatuto negativo) que constituam comportamento publico

sempre que estas ultimas sejam de natureza a

repercutir-se na profissão.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

A

posição

da

O.A.P.

a

este

respeito

foi

definida pelo Acórdão do Conselho Superior de

15/11/62, na ROA, ano 23, pag. 182: Os

actos da vida privada do advogado

podem provocar reacção do poder disciplinar

quando forem escandalosos, impliquem consideração pública, enodoem o carácter de quem os pratique e sejam susceptíveis de lesar o bom nome da O.A. de Portugal.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

Normas

que

independência:

existem

por

causa

do

principio

da

Art. 131º O advogado não pode anunciar os seus serviços como um café por causa do interesse público e da independência da profissão.

Art. 132º proibição da discussão pública de questões

pendentes perante órgãos do Estado.

Art. 130º j) proibição de angariação de clientela do Advogado.

Art. 130º i), 180º nº 2, do EOA é a razão de ser do princípio

da livre escolha do mandatário pelo mandante.

O interesse público da profissão explica a proibição de recusa do patrocínio ou defesa oficiosa sem motivo justificado (art.

130º e), 139º nº 2 do EOA).

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

Por causa da independência do Advogado, mesmo em relação aos seus clientes, além da proibição da quota litis (art. 146º e 140º), o Advogado deve evitar que ele exerça quaisquer represálias com o adversário, e seja menos correcto com os Juízes ou com os Advogados da

parte contrária.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

A

é

lisura,

probidade,

profissional do Advogado, visando

evitar que tente ganhar a todo o

custo e que use meios eticamente

censuráveis, incompatíveis com o

proibição

da

quota-litis

da

estabelecida

interesse

no

independência

e

seu estatuto de servidor da justiça.

Conflitos de Interesses

O Advogado não pode constituir-se

mandatário num processo em que já

tenha intervido a qualquer título;

Relação

conflitos de

interesses e as incompatibilidades e

impedimentos (arts. 173º a 178º do

entre

os

EOA).

Conflitos de Interesses

“O

advogado

nunca

é

um

observador

distante

e

desapaixonado, pois participa dos

segredos, das dores e alegrias dos

seus representados.

E, além da sua ciência, deve dar-

lhes a sua compreensão, por

vezes, mesmo, o seu afecto.

Conflitos de Interesses

Art. 20º, 139º EOA

1. O advogado deve recusar o patrocínio de uma questão em que já tenha intervindo em

qualquer outra qualidade ou que seja conexa com outra em que represente, ou tenha representado, a parte contrária. 2. O Advogado deve recusar o patrocínio contra quem, noutra causa pendente, seja

patrocinado por si ou por outro advogado que faça parte do mesmo escritório ou sociedade.

3. O advogado não pode aconselhar, representar ou agir por conta de dois ou mais clientes,

no mesmo assunto ou em assunto conexo, se existir conflito entre os interesses desses

clientes.

4. Se um conflito de interesses surgir entre dois ou mais clientes, bem como se ocorrer risco

de violação do segredo profissional ou de diminuição da sua independência, o advogado deve cessar de agir por conta de todos os clientes, no âmbito desse conflito.

5. O advogado deve abster-se de aceitar um novo cliente se tal puser em risco o cumprimento

do dever de guardar sigilo profissional relativamente aos assuntos de um anterior cliente, ou

se do conhecimento destes assuntos resultarem vantagens ilegítimas ou injustificadas para o novo cliente.

6. Sempre que o advogado exerça a sua actividade em associação, sob a forma de sociedade

ou não, o disposto nos números anteriores aplica-se quer à associação quer a cada um dos seus membros.

Honorários

Art. 145º nº 1: «Os honorários do advogado devem

corresponder a uma compensação económica adequada

pelos serviços efectivamente prestados, que deve ser

saldada em dinheiro e que pode assumir a forma de

retribuição fixa.» «um advogado pode receber letras aceites pelo seu constituinte em pagamento de honorários por serviços da sua profissão» (Acórdão do S.T.J. de Portugal)

«não é infracção o saque de letras para o pagamento de honorários,

embora não seja uma prática aconselhável» (Acórdão do Conselho Superior de 2/5/1950, e 16/5/1957).

Art. 145º

2 - Na falta de convenção prévia reduzida a escrito, o advogado

apresenta ao cliente a respectiva conta de honorários com

discriminação dos serviços prestados.

3 - Na fixação dos honorários deve o advogado atender à

importância dos serviços prestados, à

dificuldade e urgência do assunto, ao grau de

criatividade intelectual da sua prestação, ao resultado obtido, ao tempo despendido, às responsabilidades por ele assumidas e aos demais usos profissionais

Tempo despendido

Tempo despendido • Custos fixos de manutenção e funcionamento da empresa • A remuneração justo do

Custos fixos de manutenção e funcionamento da empresa

• Custos fixos de manutenção e funcionamento da empresa • A remuneração justo do trabalho directamente

A remuneração justo do trabalho directamente investido pelo advogado

no assunto que lhe está

confiado

Importância dos serviços prestados

Não abrange «só matérias de jurisdicionalidade incontroversa como todas as matérias com aquelas

conexas que, embora de diferente natureza, sejam

complementares das primeiras ou indispensáveis para o

respectivo bom êxito», pois «todas as actividades ou

serviços prestados por um advogado, em complemento de outros tipicamente jurídicos, devem, em princípio , ser

remunerados e são, em principio, cobráveis» (Acórdão

do Conselho Superior da OAP 14/4/1981).

Proibição do pacto de quota litis

Art.146º «Proibição da quota litis e da divisão de honorários.

1. É proibido ao advogado exigir ao cliente ou com ele acordar que:

a) Os honorários são pagos através de parte do resultado obtido,

quer este consista numa quantia em dinheiro, quer em qualquer

outro bem ou valor; b) O direito a honorários fique exclusivamente dependente do resultado obtido na questão. 2. Não é proibido, não constituindo pacto de quota litis, o acordo que consista na fixação prévia do montante dos honorários, ainda que em percentagem, em função do valor do assunto confiado ao advogado ou pelo qual, além de honorários calculados em função de outros critérios, se acorde numa majoração em função do resultado obtido.»

Ajuste prévio

Não constitui pacto de quota litis o acordo que

consista na fixação prévia do montante dos honorários, ainda que em

percentagem, em função do valor do assunto confiado ao advogado

ou pelo qual, além de honorários calculados em

função de outros critérios, se acorde numa

majoração

obtido

em

função

do

resultado

Proibição da repartição de honorários

É proibido ao advogado repartir

honorários, ainda que a título de

comissão ou outra forma de

compensação, excepto com

advogados, advogados estagiários

e solicitadores com quem

colabore ou que lhe tenham prestado colaboração.

Esta proibição «tem a ver também com os

deveres do advogado de não solicitar nem

angariar clientes, por si ou por interposta

pessoa, de não aceitar mandato ou prestação de

serviços profissionais que, em qualquer

circunstância, não resulte de escolha directa e livre pelo mandante ou interessado e de não

assinar pareceres, peças processuais ou outros

escritos profissionais que não tenha feito ou em

que não tenha colaborado, deveres cuja “ratio

legis” é obstar formas de exercício ilegal da profissão do Advogado».

Orlando Guedes da Costa

Direito de retenção

Art. 141º nº 4 «O advogado, apresentada a nota de

honorários e despesas, goza do direito de retenção sobre os documentos, valores e objectos referidos nos números

anteriores, para garantia do pagamento dos honorários e

reembolso de despesas que lhe sejam devidos pelo cliente, salvo se os referidos documentos e objectos forem

necessários para prova do direito do cliente ou se a sua

retenção causar a este prejuízos irreparáveis.»

«Constitui infracção disciplinar deixar o advogado de entregar o

dinheiro em seu poder, mesmo que se trate de dinheiro recebido da

parte contrária em virtude de transacção, para se pagar de honorários cuja conta não tenha sido aprovada pelo constituinte nem aprovada

RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR DO ADVOGADO

RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR DO ADVOGADO Decorrência sistemática do EOA – era necessário garantir e assegurar o

Decorrência sistemática do EOA era necessário garantir e

assegurar o cumprimento dos deveres a que os advogados estavam adstritos. Função garantística

É justamente na necessidade de garantir a coesão, a dignidade e

a eficiência desta classe que encontramos os fundamentos da

acção disciplinar.

que encontramos os fundamentos da acção disciplinar. Atente- se no facto da responsabilidade disciplinar ser

Atente- se no facto da responsabilidade disciplinar ser autónoma da civil ou criminal art. 190 º .

ser autónoma da civil ou criminal – art. 190 º . Tal significa que os advogados

Tal significa que os advogados estão sujeitos à jurisdição exclusiva dos órgãos da OA . Anteriormente essa função era confiada aos tribunais judiciais .

Comete infracção disciplinar o advogado ou advogado estagiário que, por acção ou omissão, violar dolosa

Comete infracção disciplinar o advogado ou advogado

estagiário que, por acção ou

omissão, violar dolosa ou culposamente algum dos deveres consagrados no presente Estatuto, nos respectivos regulamentos e nas demais disposições legais aplicáveis art . 189 º .

Comportamentos merecedores de censura

ético -jurídica, do ponto de vista da

dignidade da advocacia e do prestígio

institucional da ordem.

da advocacia e do prestígio institucional da ordem. O advogado tem obrigação de cumprir pontual e

O advogado tem obrigação de cumprir pontual e escrupulosamente os deveres deontológicos consagrados na lei ou decorrentes da praxe forense .

Repare-se que o EOA impõe esta cartilha não só a nível profissional, mas também no dia-a-dia.

Direito Comparado:

O sistema Deontológico Americano

Introdução:

termos deontologia Jurídica,

responsabilidade profissional e ética são frequentemente utilizados como padrões e

Os

regras reguladoras da conduta dos advogados, quando confrontados com conflitos de ordem

moral e responsabilidades jurídicas.

A elaboração de códigos deontológicos, que incorporam essas mesmas regras, fornecem a

linha de rumo a seguir pelos advogados como

também ajudam a reforçar a credibilidade em

geral na profissão deste.

Regulação complexa e não

hierarquizada:

A regulação da profissão do advogado nos Estados Unidos, é uma regulação complexa e encontra-se

não hierarquizada.

uma regulação complexa e encontra-se não hierarquizada. • Isto organização federal, onde cada estado é o

Isto

organização

federal, onde cada estado é o responsável pela

regulamentação dos seus próprios profissionais.

é

resultado

directo

da

o

sua

Fontes de regulamentação:

A principal fonte de regulamentação deontológica nos Estados Unidos é o código de conduta adoptado por

cada autoridade licenciada para tal na jurisdição em

que o advogado se encontra inscrito.

Em cada um dos 50 estados, a autoridade licenciada é um ramo judicial do Estado governamental.

A Associação Americana de Advogados (A.B.A. -

American Bar Association) desempenha um papel

fundamental

deontológicos.

na

elaboração

dos

códigos

Fontes de regulamentação:

Aproximadamente 43 estados adoptaram as regras

de conduta. No entanto, a maioria destes Estados

ao adoptarem este código ,elaborado pelo A.B.A, no seu ordenamento jurídico, fizeram algumas

alterações no que diz respeito ás matérias relativas

ao segredo profissional, ao conflito de interesses e

á publicidade.

profissional, ao conflito de interesses e á publicidade. • Conclusão: Existe uma significativa variação das

Conclusão: Existe uma significativa variação das regras deontológicas de Estado para Estado.

Comparação do códigos Deontológicos Europeu e Americano:

Comparação do códigos Deontológicos Europeu e Americano: • Os códigos deontológicos Europeu e Americano demonstram

Os códigos deontológicos Europeu e Americano demonstram uma semelhança em certos valores e uma preocupação por problemas como: os honorários; conflito de Interesses e competência e independência dos Advogados.

Contudo existem muitas diferenças

de base, visto que estamos perante sistemas jurídicos de raiz distinta.

Esta

percepção oposta no que diz respeito

ao papel do advogado e aos valores

morais associados á profissão.

uma

diversidade

reflecte

Honorários:

Na determinação dos honorários muitos são os factores a ter em conta ( Rule 1.5):

1.

O tempo e o trabalho exigidos, assim como a dificuldade das questões e a perícia envolvida;

2.

A certeza por parte do cliente que ao aceitar aquele caso o

advogado terá abdicado de outros;

3.

Os honorários normalmente praticados naquela localidade e em casos semelhantes;

4.

A quantia envolvida e os resultados obtidos;

5.

As limitações impostas pelo cliente ou pelas circunstâncias do caso;

6.

A natureza e a duração da relação profissional com o cliente;

7.

A experiência e reputação do Advogado;

Tipos de honorários:

1.

“Hourly Fee” – Honorários por hora

2.

“Fixed Fee” – Honorários fixos

3.

“Contingent Fee” – Quota Litis

3. “Contingent Fee” – Quota Litis

Na maior parte dos países europeus está proibida a utilização da contingent fee, mais conhecida por

Quota Litis. Para estes a autonomia e a

independência do advogado ficaria gravemente exposta, visto que este teria um interesse pessoal no resultado obtido.

Apesar de ser permitida, esta é objecto

de

apertada por parte do código

uma regulamentação muito mais

deontológico Americano.

Está

utilização nos casos de divórcio.

exemplo

proibida

por

a

sua

Deverão constar de documento escrito.

Conflito de Interesses:

A principal diferença nesta regra é que nos países de Common Law a decisão de prosseguir com o

processo, apesar da existência do conflito de

interesses, é deixada ao cliente.

Este pode dar o seu consentimento para que o

advogado o continue a representar.

Contudo, esta opção deverá ser antecedida de uma explicação pormenorizada por parte do advogado, explicando os riscos de prosseguir com o conflito.

Tipos de Conflitos:

1. Entre advogado e cliente: por exemplo quando os

interesses do advogado possam entrar em conflito com os do

cliente;

2. Entre clientes: quando o advogado protegendo os

interesses de um cliente possa vir a afectar os interesses de

outro cliente;

3. Entre o actual cliente e um cliente antigo: quando o advogado representa o cliente numa questão, relacionada com a representação já feita pelo mesmo a um outro. Estando os interesses do actual cliente em divergência com os interesses do cliente antigo;

4. Devido a obrigações do advogado para com uma

terceira pessoa: esta terceira pessoa não é um cliente. Este

tipo de conflitos surge nomeadamente quando o advogado é pago por outra pessoa que não o cliente.

Publicidade:

Nos

países

europeus

a

publicidade

encontra-se

estritamente regulada.

 

Nos Estados Unidos os advogados têm acesso a um

maior leque de oportunidades no que diz respeito à angariação de clientes.

Recentes pesquisas confirmaram que as proibições á

publicidade limitavam o acesso do público em geral á informação relativamente aos serviços jurídicos

proporcionados pelos advogados.

Contudo, associada a esta ideia de liberdade, está a ideia, muitas vezes não respeitada, que a propanda não

deverá ser feita de forma enganosa.

Decálogo de António Arnaut

1. Procede sempre, na vida profissional, pública e privada, por

forma a justificares a honra e a dignidade de seres advogado: que

este título te baste, porque não há outro mais nobre.

2. Serve a Justiça mais do que o Direito, e o Direito mais do que a Lei: ser advogado é pugnar por uma sociedade mais justa e

convivente. A advocacia é um humanismo.

3. Sê livre, independente e insubmisso perante todas as injustiças e arbitrariedades: que nenhuma voz alheia à tua consciência te condicione a palavra.

4. Sê diligente, estuda e cultiva-te: o trabalho, a ciência e a cultura é

que dão força à tua voz.

5. Não advogues contra a razão, a verdade e a justiça: se tiveres dúvidas consulta a tua consciência individual e histórica, que ela

te iluminará o caminho.

6.

Sê leal com os colegas, sincero com os clientes, colaborante com os magistrados, compreensivo com o adversário, urbano com todos: a advocacia é um magistério cívico.

7. Sê moderado nos honorários e patrocina gratuitamente os que têm razão mas não podem pagar: a verdadeira retribuição do advogado é o sentimento do dever cumprido.

8. Lembra-te que a toga não é um privilégio, é uma responsabilidade, porque te impõe o rigoroso cumprimento dos deveres deontológicos: despe-a se não te sentires advogado.

9. Antes de recorrer a tribunal tenta dirimir conciliatoriamente os litígios, e está sempre aberto a uma justa composição das partes:

vale mais um mau acordo do que uma boa demanda, como diz o

povo.

10. Não te deixes seduzir pela popularidade: é preferível que te respeitem do que te adulem.

SER BOM ADVOGADO

Para ser bom Advogado:

Estude; Pense; Trabalhe; Lute; Seja

leal; Tolere; Tenha paciência; Tenha fé;

Esqueça; Ame a sua profissão.