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COLETÂNEA DE TEXTOS SOBRE A MEDIAÇÃO, INTRUMENTALIDADE E METODOLOGIA NO

SERVIÇO SOCIAL

 Primeiro Texto: “A Metodologia No Serviço Social”


(Puc/Sp E Abess)/ Março De 1989, Ed. Cortez
Caderno Abess 3;

 Segundo Texto: Mediação: Categoria Fundamental Para O Trabalho Do Assistente


Social
Autor: Reinaldo Nobre Pontes;

 Terceiro Texto: Mediação E Instrumentalidade No Trabalho Do Assistente Social


Autora: Yolanda Guerra;

 Quarto Texto: “Serviço Social, Das Tradicionais Formas De Regulação Sócio Política Ao
Redimensionamento De Suas Funções Sociais”
Autor: Helder Boska De Moraes Sarmento;

 Quinto Texto: Serviço Social E Prática Reflexiva


Referência Bibliográfica: Em Pauta Nº 10
Autora: Vasconcelos, Ana Maria;

 Sexto Texto: Grupos De Sala De Espera: Sobre O Que Atuar?


Autora: Mendonça, Eliana Azevedo Pereira De;

 Sétimo Texto: O Papel Da Entrevista Na Prática Do Serviço Social.


Autora: Silva, Jurema Alves Pereira Da;

 Oitavo Texto: O Plantão Na Prática Do Serviço Social


Autora: Marques, Elizabeth Da Luz
In Revista Superando Desafios – Cadernos Do Serviço Social Do Hospital Universitário
Pedro Ernesto.

Textos compilados pela Profª e assistente social Beth da Luz.


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PRIMEIRO TEXTO: “A METODOLOGIA NO SERVIÇO SOCIAL”
(PUC/SP e ABESS)/ março de 1989, Ed. Cortez
Caderno ABESS 3

A discussão acerca da metodologia no Serviço Social pode ser situada no momento em que
amadurece a perspectiva “Intenção de Ruptura” no que se refere ao encaminhamento do processo
formativo; essa reflexão é impensável fora do processo de renovação do Serviço Social;
A reorientação curricular (anteriormente a metodologia profissional era subdividida em
Serviço Social de Caso, Serviço Social de Grupo e Serviço social de Comunidade), insere-se no
bojo da discussão sobre os fundamentos sócio políticos e ideológicos da profissão. Este aspecto
legado pelo movimento de reconceituação foi extremamente positivo para a profissão.
O colapso do monolitismo (não havia idéias dissidentes e nem projetos profissionais em
conflito) que vigorava até então na profissão, cedeu lugar à uma certa perplexidade, pois havia
de se construir – após as contribuições trazidas pelo movimento de reconceituação – novos
parâmetros de análise da profissão e seus rebatimentos na prática de ensino de Serviço Social.
A primeira parte do livro traz uma discussão acerca de ensino da metodologia nas unidades
de ensino (pesquisa de âmbito nacional) e a segunda aparte uma discussão mais teórica acerca
dos fundamentos dessa questão.

II Parte: Metodologia – Uma Questão em Questão

1- Concepção de Teoria e Metodologia – autora Nobuco Kameyama

A autora parte do pressuposto de não pode haver uma discussão acerca da metodologia sem
antes refletirmos sobre a teoria que imprimirá um norte aos procedimentos metodológicos.
Nobuco sublinha sua argumentação no fato de que o Serviço Social não é uma ciência e
portanto, não tem um objetivo próprio; não tendo um objetivo próprio, também não tem uma teoria
e uma metodologia próprias.
A fundamentação do Serviço Social, seja em termos teórico ou práticos (teórico-
metodológicos), encontra seu cerne nas chamadas ciências sociais e na teoria social marxiana.
Nobuco chama atenção de que algumas incongruências no interior da profissão existem por
não haver clareza suficiente da teoria marxiana; a velha queixa de que a teoria não ilumina a
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prática ou que “a teoria na prática é outra” – que é recorrente na história so Serviço Social – se
mantém devido a leituras equivocadas acerca desse referencial teórico.
Inexiste uma “aplicação” da teoria na prática (como se fosse uma injeção) antes, a relação
que se estabelece é de uma unidade, pois: “na teoria marxiana a questão do conhecimento está
internamente ligada com a questão da transformação. O conhecimento visa a transformação que é
a prática social... a teoria por si só não transforma o mundo. Ela pode contribuir para a
transformação desde assimilada por aqueles que, através de atos reais e efetivos, visem tal
transformação. A teoria marxiana é a única teoria que resgata a totalidade e que também coloca a
necessidade da transformação via a revolução socialista. E o que é teoria? “é a forma de
organização do conhecimento científico que nos proporciona um quadro integral de leis, de
conexões e de relações substanciais num determinado domínio da realidade. A teoria consiste,
também, num conjunto de princípios e exigências interligadas que norteiam os homens no
processo de conhecimento e na atividade transformadora”.
A questão da transformação é colocada por essa perspectiva teórica quando se registra a
necessidade de superação da alienação econômica ( o fenômeno da mais valia) e todas as suas
outras dimensões: a ideologia, cultural, filosofia, etc. Sob o sistema capitalista, a lógica de
exploração e de expansão generalizada da miséria se fazem presente no cotidiano das classes
subalternizadas.
A construção da dicotomia entre teoria e prática é produto de uma leitura positivista de
ciência e de prática social. A realidade social é indispensável. “Na medida em que o homem age
sobre a natureza, a sociedade, ou outros homens reais, tem-se como resultado a transformação
real, objetiva do mundo natural ou social. Nesse sentido pode-se dizer que a prática é o
fundamento da teoria, ou seja, o ponto de partida e a base principal e substancial do
conhecimento (...) na prática colocam-se à prova os conceitos e as teorias; estabelecem-se a sua
veracidade ou falsidade, precisam-se e sistematizam-se os conhecimentos” (pág. 101).
O teoricismo e o praticismo estão presentes quando não se tem clareza acerca da unidade
T/P, ocorrendo, então, a potencialização de uma ou de outra dimensão, ocasionando uma leitura
equivocada acerca do real. Todas as duas posturas se equivalem (apesar de divergentes) ao
renunciar à leitura da realidade.

1.2 – Metodologia do Conhecimento e Metodologia da Ação

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Nas propostas de ensino há uma tendência que considera haver necessidade de distinção
entre a metodologia do conhecimento acerca do ser social e a metodologia de ação sobre esse
ser social.
Ou seja, a primeira seria capaz de elucidar os leis mais gerais do capitalismo e sua
influências na vida sócio-econômica; já a Segunda daria conta de operacionalização da
intervenção profissional.
Karl Marx aos construir seu arcabouço teórico não estava preocupado com profissões, mas
exatamente em desvendar o cerne, o eixo da lógica capitalista de produção; o entendimento
acerca da funcionalidade dessa lógica é que pode nortear as visões / práticas sócio profissionais
inseridas na divisão sócio-técnica do trabalho
O método do conhecimento está estreitamente relacionado à teoria, às leis gerais do
funcionamento e desenvolvimento do ser social que se pretende estudar... A teoria social marxista
já tem embutida em si o método do conhecimento. Nesse caso, a teoria tem uma função
explicativa e reguladora, indicando como o pesquisador deve abordar o objeto que pretende
conhecer ou transformar, e que operações cognoscitivas ou práticas devem realizar para alcançar
o objetivo pretendido.
Quando escrevemos um texto, não precisamos ficar anunciando que referencial teórico
iremos utilizar; a forma de abordagem do fenômeno já situará ao leitor qual a minha leitura e
entendimento da questão.

Método do Conhecimento: É o método que permite elevar-se do abstrato ao concreto, que


nada mais é do que modo como o pensamento se apropria do concreto sob a forma de concreto
pensado; que não é, de modo nenhum, o próprio concreto (exemplo da árvore e da cadeira:
quando olhamos uma cadeira, conseguimos visualizar o processo de trabalho nela contido?).

 Método: é o caminho que se percorre para conhecer determinado fenômeno.


 Metodologia: é a operacionalização da ação profissional que exige antecipadamente a luz
da perspectiva teórica e o conhecimento do método.

Entretanto o método não transforma o real pois entre a teoria e a atividade prática
transformadora, se insere um trabalho de mediação (...) a teoria precisa ser transformada em
prática através das mediações adequadas buscando sua objetivação ou realização (pág. 102).
 Mediação: é a relação do imediato com o mediato; o imediato se refere aos fenômenos
com os quais estou lidando nesse momento, como por exemplo: o abandono de crianças, a
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criminalidade, etc. e o mediato é a discussão da estrutura social – da ideologia, enfim, da super
estrutura da sociedade capitalista.

Pág. 103 – O conhecimento das condições materiais, a análise de conjuntura, o jogo de


relações de forças é que vão propiciar a educação das consciências, a organização dos materiais,
o plano concreto da ação. Por isso a teoria nunca prescindirá do estudo e acompanhamento da
realidade social.

Estratégias: meu objetivo; onde pretendo chegar;


Táticas: Formas de operacionalizar meus objetivos Ambos se desdobram em procedimentos
metodológicos ou forma de abordagem.
A teoria: dá conta do mais estrutural, mais geral, mais amplo e a mediação propicia à análise das
particularidades dos fenômenos.
OBS.: Nobuco sublinha que a teoria de Marx não é mais do que o resgate do método que ele
utilizou no estudo da sociedade capitalista.
Nobuco sinaliza o problema do senso comum e a contribuição que o profissional do Serviço
Social pode efetivar através das práticas educativas.
Intervenções acerca da fala de Nobuco:
Marilda Iamamoto – O concreto pensado não se confunde com o próprio concreto; a
realidade mantém sua autonomia diante de teoria.
Aldaiza Sposatti – O real é sempre muito mais abrangente e dinâmico que qualquer teoria.
O papel da teoria é o de aproximações sucessivas aos fenômenos da realidade.
Nobuco – A teria e a prática são limitadas historicamente; o importante é o método de
análise, que vai permitir a aproximação aos fenômenos.
2 – A questão metodológica na Serviço Social; reproduzir e representar-se/ Autor:
Vicente de Paula Faleiros

Torna-se necessário a discussão acerca da metodologia supere o formalismo das etapas pré-
concebidas e o empirismo grosseiro; também é indispensável a superação de ecletismo (a soma
e perspectivas analíticas diferenciadas e até excludentes).

OBS: O autor tece críticas quanto a grade curricular que continuou mantendo a tri-partição
das metodologias (funcionalismo / materialismo histórico-dialético e fenomenologia, no lugar do
Serviço social de caso, Serviço Social de grupo, Serviço Social de comunidade).
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O Serviço Social consiste na mediação entre a produção material e a reprodução do sujeito
para esta produção e, na mediação da representação do sujeito nessa relação.
A re-produção implica o trabalho e o processo de manter a sobrevivência da força de
trabalho no cotidiano ( pela lógica capitalista ocorre uma separação entre condições de produção
e condições de sobrevivência). Embora não consuma sem trabalhar, nem trabalhe sem consumir,
a esfera de produção lhes parece separada da re-produção. Essa disjunção se manifesta na
atribuição de recursos para sobrevivência fora do processo de pagamento do trabalho, parecendo
este como manutenção de não trabalho, ou seja, do excluído da produção (...) o “benefício”
aparece como separado da produção como ato apenas de re-produção.
A lógica das políticas sociais é a manutenção da exclusão como elemento insuprimível desta
forma de organização social.
A re-produção é desvalorizada frente a produção; re-produzir-se é meio para produzir na
lógica do capital; já na lógica do sujeito o produzir é meio de re-produzir-se.
A representação pode ser visualizada a partir da consciência que o indivíduo tem de si
mesmo e do outro. As condições de re-produção são variáveis de acordo com a correlação de
forças presentes na sociedade num determinado momento histórico.
A representação envolve as manifestações da cultura, da ideologia, do eu, da vida diária e
das relações de classe de maneira heterogênea. A identidade de classe não é nem mecânica e
nem instantânea (por isso, os diferentes espaços onde estão os trabalhadores, podem propiciar
essa consciência de classe; a luta no bairro por exemplo).
O resgate da identidade se produz através de um processo sócio-afetivo de relações
complexas envolvendo mitos, valores, sentimentos, poderes, discriminações (o fenômeno da
super posição intricada de dominações: o machismo, o racismo, a xenofobia, etc).
Faleiros aponta para a necessidade do Assistente Social trabalhar em seu cotidiano, as
micro-relações que estão dadas como naturais e a – históricas, auxiliando no desvelamento de
sua historicidade.
“O intelectual que trabalha a mediação de representação articulada à re-produção, é o
Assistente Social. É uma de suas tarefas cotidianas, desafiar e retraduzir a representação do
dominado na visibilidade do dominante” (é por ser diferente dos seus usuários que Assistente
Social pode efetivar sua contribuição).
A construção de categorias de análise para cada conjuntura de trabalho, visualizando as
relações de forças e os blocos em presença, é pressuposto metodológico fundamental, na
construção de uma racionalidade ao mesmo emancipatória e instrumental que permita unir o
macro com a micro política.
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Temos que Ter clareza de que é fundamental a construção de uma articulação entre as
mudanças operadas na micro-política (cotidianeidade) e as mudanças operadas num nível mais
geral de sociedade; trabalhar a representação e a reprodução é o desafio metodológico do Serviço
Social nos dias atuais.

CONSIDERAÇÕES ACERCA DA FALA DE FALEIROS:

- Aldaiza Sposatti: Faleiros aponta claramante a precedência do trabalho do Serviço Social no


nível da representação (ideologia).
- José Paulo Netto: O fato do Assistente Social operar no nível das representações, com as
tarefas a ele atribuídas ou pelas possibilidades que ele tem não resgata a idéia que o
Assistente Social é um vetor que introduz a consciência verdadeira? Isso está vinculado a idéia
de emancipação posta por ele. Passa-se atribuir ao Assistente Social uma função política que
é difícil de deslocar da ação partidária. Há em Faleiros uma preocupação com a dimensão
pedagógica do Serviço Social.
- Marilda Iamamoto: Até que ponto não se está num aversão do messianismo histórico do
Serviço Social, do apostolado? Não é ótica antes da filantropia, os da política, o que dilui de
fato as particularidades desse trabalho na sociedade?
2- Notas para a discussão da sistematização da prática e teoria em Serviço Social /
Autor: José Paulo Netto.

Paulo Netto sublinha que a sistematização de dados da intervenção profissional é passo


indispensável no processo de reflexão teórica mas, não devem ser confundidos. O que se tem
registrado é a indentificação da reflexão teórica com os procedimentos sistematizadores.
- Porquê isso ocorre?
É característica do padrão de objetividade que a sociedade burguesa confere aos fenômenos
e processos sociais uma positividade que privilegia o seu tratamento ao nível de sua
imediaticidade (pág. 142). É aquilo que Karel Kosic chama de PSEUDOCONCRETICIDADE DOS
FENÔMENOS.
- a acomodação frente ao dado empírico não consegue revelar os fundamentos dos fenômenos
sociais (a cadeira não é somente aquilo que revela!).

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 a vertente crítico-dialética arranca da expressão empírica para apanhar a processualidade que
a dissolve e resolve, na busca de suas tendências e regularidades; a sistematização do
material empírico constitui um elenco de determinações simples que permite o movimento da
razão no sentido de agarrar e reconstruir o movimento imanente do processo objetivo, o
movimento da objeto real.
A reflexão teórica não constrói um objeto, ela reconstrói o processo do objeto historicamente
dado; a teoria permite historicizar o surgimento e funcionalidade dos fenômenos.
José Paulo tece uma crítica àqueles analistas que trazem uma preocupação interna à
profissão: O Serviço Social tem uma teoria, método e metodologia próprios? Segundo esse autor
essa preocupação denota um recuo em termos do que a profissão alcançou – em termos de
maturidade – quando começou a pensar-se na relação com a realidade social e a partir dos
paradigmas das ciências sociais e da teoria marxiana.O autor sublinha a existência de duas
leituras acerca do Serviço Social no que se refere a polêmica da metodologia.

a) Visão do Serviço Social como profissão cujo fundamento elementar é um corpo teórico e
metodológico particular e autônomo.
b) Concepção do Serviço Social como profissão cujo fundamento elementar é um espaço
sócio-ocupacional, circunscrito pela divisão social de trabalho própria da sociedade
burguesa consolidada e madura.

Qual a leitura que cada uma dessas concepções fazem acerca da sistematização da prática
e de sua relação com a teoria?
a) A sistematização aparece enquanto otimizadora da própria intervenção prática,
cristalizando pautas de procedimentos profissionais.

É considerada passo compulsório para a fundação profissional viabilizando o “recorte” de um


“objeto” em função do qual a elaboração teórica desenvolveria o seu movimento de constituição
de um saber específico (metodologia própria).

OBS: O Serviço Social sempre se utilizou dos recursos técnicos / teóricos provindos das
ciências sociais e humanas; o Serviço Social sempre foi um segmento restrito e condicionado do
complexo de práticas institucionais.
A preocupação com a cientificidade do Serviço Social são preocupações conservadoras.

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José Paulo indica que acaba-se por esgotar a teorização na sistematização (da prática) : a
prática refigurada idealmente (modelo). A elaboração formal – abstrata dos padrões mais
regulares e reinterativos da prática tende a surgir como produto teórico.

b) O Serviço Social opera em conjunto de representações teóricas e ideais que extrai das
chamadas ciências sociais ou da tradição marxista – rearticuladas em função de suas demandas
de intervenção.

A importância da sistematização da prática se dá pelo fato de poder-se localizar seus pontos


de estrangulamento, para indicar a necessidade de novos suportes teóricos, para sinalizar a
existência de lacunas no acervo de conhecimentos e de técnicas; para sugerir a emergência de
fenômenos e processos eventualmente inéditos. É um momento pré-histórico a ser elaborado
pelas ciências sociais ou pela tradição marxista (pág. 151).
Paulo Netto enfatiza que a pesquisa e a investigação são elementos constitutivos da prática
profissional, inerentes ao seu perfil intelectual, que não se esgota na intervenção.

4- Metodologia do Serviço Social – a práxis como base conceitual / autora: Marina


Maciel e Franci Gomes Cardoso (curso de Serviço Social da UFMA).

- Eixo Central: a categoria práxis – no pensamento marxista é a categoria que dá conta da


totalidade da prática social desenvolvida pelos homens na construção da sociedade e de si
mesmos.

- Gramsci: filosofia espontânea – “todo homem é filósofo por ser portador de uma concepção de
mundo, de vida”.

- Filosofia de Práxis: é antes de tudo crítica de senso comum, não se tratando de novidade
absoluta, mas de “inovar, tornar crítica uma atividade já existente” (Gramsci).

- Reforma intelectual e moral: formação da vontade coletiva / a luta hegemônica e o papel nos
intelectuais (“o povo sente, mas sabe e o intelectual sabe, mas não sente”).

- A prática pedagógica: estratégia de luta para constituição de um poder hegemônico.


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- Serviço Social: prática pedagógica efetivada através da linguagem junto aos setores
subalternizados da sociedade.

- Serviço Social: o processo de renovação e a questão do compromisso com a classe


trabalhadora.

*Metodologia da produção de conhecimentos e metodologia da intervenção.

 METODOLOGIA: Conjunto de relações estabelecidas entre sujeito e objeto de conhecimento e


de intervenção, admitindo-se a distinção entre o processo de produção de conhecimento e o
processo de prática interventiva.

Metodologia de Investigação – Ação enquanto alternativa de pesquisa, cujas premissas


básicas – participação dos setores populares no processo de produção do conhecimento e o uso
concreto desse conhecimento, por parte desses setores, no fortalecimento da luta pela
transformação da realidade – se levadas em consideração, poderão contribuir no
encaminhamento de propostas atuais do Serviço Social, à saber:
- Aliança com setores populares;
- Superação do assistencialismo;
- Construção de um saber do Serviço Social, tornando a prática com os setores populares
como referência fundamental.

Serviço Social - A prática profissional enquanto estratégia de luta pela hegemonia


no bloco histórico.

Página 17 – A prática profissional se volta para a mobilização, organização e a conscientização


dos setores populares, o que exige o engajamento do profissional nas lutas cotidianas da classe
trabalhadora apoiando os usuários em sua inserção no processo de luta de classes.

Indicação para Ampliação do Debate:

 Existência da teoria do Serviço Social;


 Especificidade da metodologia da intervenção e metodologia da produção de conhecimento
(ver pág. 184).
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Segundo as autoras e baseadas na contribuição da professora Míriam Cardoso Limoeiro, as
formulações teóricas não são pois, exclusividade da ciência. A partir dessa ótica, pode-se pensar
a questão da teoria do Serviço Social como uma exigência de sua prática (pág. 179).
As elaborações teóricas desenvolvidas por esta profissão, a partir e em função de sua
prática, não podem ser vistas apenas como meras sistematizações da prática, mas como
construções que podem alcançar níveis diversos de abstração e complexidade, inseridas,
enquanto elaborações parciais, no processo mais amplo de conhecimento do ser social como
totalidade (pág. 179).

Considerações de outros palestrantes em torno da fala do grupo do Maranhão:

- José Paulo Netto: Tece críticas quanto a utilização de Gramsci e sublinha que não fica clara
a discussão deste pensador no âmbito do Serviço Social (ver pág. 186).

Considerações acerca do método dialético:

Não é possível aprender a totalidade de fenômeno em sua contraditoriedade de forma


imediata.

Karel Kosic – “...o concreto se torna compreensível através da mediação do abstrato, o todo
através da mediação da parte...”

Método Dialético – três movimentos:

1) Apropriação do real em sua perspectiva histórica. Apreensão do abandono nas suas múltiplas
determinações – determinação de classe social, inserção no processo produtivo, noção de
família burguesa e família proletária, o controle social da sexualidade, etc.
2) Abstrai-se o fenômeno específico com o qual se está ocupando, buscando apreendê-lo nas
determinações constitutivas de sua interioridade e singularidade.
 Reconstrução do processo histórico, através do qual o pertencimento de classe determinou a
situação específica de cada criança e de sua mãe. È possível, a partir daí, entender-se os
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porquês desta mãe em sua singularidade “abandonar” seus filhos, inserindo-os
prematuramente no mercado informal de trabalho.
3) Reconstrução da totalidade a partir das conexões internas do fenômeno.
 Repensar aquela criança, com sua singularidade, no fenômeno do abandono, não mais como
um ator individual, porém como um sujeito coletivo. O abandono pois, é redimensionado.
Retira-se este fenômeno da ordem moral, evitando o juízo de valor a partir de padrões
culturais, morais, religiosos e hegemônicos.

MÉTODO/METODOLOGIA: PENSAR/FAZER/PENSAR

È importante observar que esse processo é uma operação de pensamento que não está
dissociada do ato de intervenção. Ao contrário, as estratégias de intervenção delineiam-se no
processo de abstração, a partir das imposições decorrentes das determinações do fenômeno, não
sendo portanto, um ato de vontade individual, de qualquer dos sujeitos da relação.
Ainda que delineadas no processo de abstração, as estratégias de intervenção realizam-se
no fazer. Elas supõem a definição clara de objetivos profissionais, capazes de plasmar no real a
intencionalidade do agir profissional.
As estratégias de intervenção materializam-se nas relações entre sujeitos que é medida pelo
método com o auxílio dos instrumentos e técnicas. Estes são recriados no Serviço Social pela
intencionalidade, que é orientada pela referência teórica.

SEGUNDO TEXTO: MEDIAÇÃO: CATEGORIA FUNDAMENTAL PARA O


TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
Autor: Reinaldo Nobre Pontes

A importância da categoria de mediação no trabalho do Assistente Social

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Que utilidade tem para o assistente social que trabalha na intervenção direta nas
organizações governamentais, não governamentais e empresariais uma elaboração teórica da
mediação?
Serviço Social  profissão interventiva e por isso o assistente social precisa além de
conhecer a realidade na sua complexidade, criar meios para transformá-la na direção de
determinado projeto sócio profissional.

Quadro esquemático de referência para reconstrução de mediações em Serviço Social

SINGULARIDADE PARTICULARIDADE UNIVERSALIDADE


Fatos Campo de Mediações Leis tendencias históricas
  
Aparência Síntese de determinações

Problemas Rel Soc/espaço-tempo/história Div. Soc. Trab


- Ind cultura: Rel.soc. Capitalistas
- Fam - Particularização de Sistemas de Mediação Rel. cap. x
Trabalho
- Psicossociais - processo sócio prod. Rel. Est. x Soc.
- Organizacionais - inst. Soc. Presentes Leis do mercado
- programáticos-operativos - correlação de forças Políticas econ.
- pol. soc. particularizada Políticas sociais
- rede de proteção articulada outras
determinações
- movimentos sociais
- relações ind-soc
- outros processos sociais
particularizados
  
Demandas Reconstrução do Demandas
Institucionais objeto de intervenção sociais

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A re-construção do objeto profissional implica necessariamente:

 a reprodução no plano ideal do movimento de constituição histórico-sistemática do


campo de intervenção profissional, partindo das formas singulares de aparição dos
fenômenos e os projetando ao plano das determinações universais;
 a captação da manifestação da legalidade social na realidade em que se insere o campo
de intervenção.

A ação profissional através da dialética singular – universal – particular

Singularidade – devido à sua peculiar inserção sócio institucional, o assistente social coloca-se
em contato com vários níveis da realidade, que aparecem no plano da singularidade na forma de
fatos/problemas isolados. Considerando que ele se encontra num contexto institucionalizado, sua
aproximação aos fatos/problemas se dá mediatizada por uma determinada demanda institucional,
que é a representação da requisição dos resultados esperados para o trabalho profissional, dentro
de objetivos e perfil ideológico organizacionais.
A demanda institucional aparece ao intelecto do profissional despida de mediações,
paramentada por objetivos tecnoperativos, programática ou populacional. Numa palavra, a
demanda institucional aparece na imediaticidade como um fim em si mesma, despida de
mediações que lhe dêem um sentido mais totalizante.
Outro elemento que merece destaque é a necessidade do domínio da facticidade, ou seja, do
conhecimento empírico do real; condição para sua ultrapassagem. O controle de informações
implica um maior ou menor poder de fogo no jogo de forças em presença (Falleiros, 1985).
O objeto de intervenção profissional, visto exclusivamente do ângulo da singularidade, não
ultrapassa as demandas institucionais, tampouco logra alcançar ações mais ousadas no campo
das transformações sócio institucionais.

Universalidade

No processo de ultrapassagem da facticidade é necessário compreendê-la, controlá-la,


partir dela para visões mais amplas e complexas do real. Para isso é indispensável fazer a
aproximação com o plano das determinações universais da realidade, ou seja, à legalidade social.
É impossível sair de um mundo objetivo dos problemas sociais para outro tão imponderável
das leis sociais (invisíveis) e ainda construir uma proposta interventiva factível?
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As universalidades podem ser tão belas quanto inúteis, caso não se consiga particularizá-
las no plano real cotidiano do fazer profissional.
Necessita-se apreender como se construiu e como funciona o campo de mediações de
nossa intervenção profissional. Numa palavra, é necessário capturar, no próprio cotidiano (seja na
vida privada ou profissional), a interferência das forças, das leis sociais, percebendo realmente
sua concretude e visibilidade.

Particularidade:

As leis tendenciais que são capturadas pela razão na esfera da universalidade, tais como leis
de mercado, relações políticas de dominação, etc, como que tomassem vida, se objetivassem e se
tornassem presentes na realidade da vida singular das relações sociais cotidianas,
desingularizando-as e tornando aquilo que era universal em particular, sem perder seu caráter de
universalidade nem tampouco sua dimensão de singularidade.
A particularidade é a categoria ontológica-reflexiva que permite que as leis sociais
tendenciais se mostrem aos sujeitos envolvidos na ação (responsável, usuários e outros agentes)
e ganhem um sentido analítico-operacional nas suas vidas singulares.
O conjunto de complexos que a razão arranca do real através de aproximações sucessivas,
possibilita uma visão mais ampla e profunda da realidade social, a partir da qual e na qual se
inscreve a intervenção profissional.
O aparato operativo, que se particulariza nas práticas profissionais, deverá ser construído,
executado e (re)construído dentro de uma perspectiva ontológica de fidelidade ao movimento do
objeto de intervenção e não segundo uma concepção abstrata do espaço profissional do
assistente social.

TERCEIRO TEXTO: MEDIAÇÃO E INSTRUMENTALIDADE NO TRABALHO DO


ASSISTENTE SOCIAL
Autora: Yolanda Guerra

A instrumentalidade é uma propriedade e/ou capacidade que a profissão vai adquirindo na


medida em que concretiza objetivos. Ela possibilita que os profissionais objetivem sua
intencionalidade em respostas profissionais. É por meio da instrumentalidade que os assistentes
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sociais modificam, transformam, alteram as condições objetivas e subjetivas 1 e as relações
interpessoais e sociais existentes num determinado nível da realidade social: no nível do
cotidiano.
Ao alterarem o cotidiano profissional e o cotidiano das classes sociais que demandam a sua
intervenção, modificando as condições, os meios e os instrumentos existentes, e os convertendo
em condições, meios e instrumentos para o alcance dos objetivos profissionais, os assistentes
sociais estão dando instrumentalidade às suas ações. Na medida em que os profissionais utilizam,
criam, adequam as condições existentes, transformando-as em meios/instrumentos para a
objetivação das intencionalidades, suas ações passam a ser portadoras de instrumentalidade.
Deste modo, a instrumentalidade é tanto condição necessária de todo trabalho social quanto
categoria constitutiva, um modo de ser, de todo trabalho.

Pode-se dizer que a instrumentalidade é condição de reconhecimento social da profissão?

Pelo processo de trabalho, os homens transformam a realidade, transformando-se a si


mesmos e aos outros homens. Assim, reproduzem material e socialmente a própria sociedade. A
ação transformadora que é a praxis, cujo modelo privilegiado é o trabalho, tem uma
instrumentalidade. Detém a capacidade de manipulação, de conversão dos objetos em
instrumentos que atendam às necessidades dos homens e da transformação da natureza em
produtos úteis (e em decorrência, a transformação da sociedade).
Neste âmbito, o processo de trabalho é compreendido como uma atividade prático-reflexiva
voltada para o alcance de finalidades, as quais dependem da existência, da adequação e da
criação dos meios e das condições objetivas e subjetivas. Os homens utilizam ou transformam os
meios e as condições sob as quais o trabalho se realiza, modificando-os, adaptando-os e
utilizando-os em seu próprio benefício, para o alcance de suas finalidades. Este processo implica,
pois, manipulação, domínio e controle de uma matéria natural que resulte na sua transformação.
Esse movimento de transformar a natureza é trabalho. Mas ao transformar a natureza, os homens
transformam a si próprios. Produzem um mundo material e espiritual (a consciência, a linguagem,
os hábitos, os costumes, os modos de operar, os valores morais, éticos, civilizatórios), necessários
à realização da práxis.

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Condições objetivas: são aquelas relativas à produção material da sociedade, são condições postas na realidade material.
Exemplo: divisão do trabalho, propriedade privada dos meios de produção, a conjuntura, os espaços sócio profissionais; condições
subjetivas: são as relativas ao sujeito, às suas escolhas, do grau de qualificação, competência, ao seu preparo técnico e teórico
metodológico, referenciais teóricos, metodológicos, dentre outros.
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O que ocorre com a instrumentalidade, com a qual os homens controlam a natureza e
convertem os objetivos naturais em meios para o alcance de sua finalidades, é que ela é
transporta para as relações dos homens entre si, interferindo em nível da reprodução social.
Os homens tornam-se meio/instrumentos de outros homens, a partir da compra/venda da
força de trabalho como mercadoria, de modo que a instrumentalidade, convertida em
instrumentalização de pessoas, passa a ser condição de existência e permanência da própria
ordem burguesa, via instituições e organizações sociais criadas com este objetivo.
Na sociedade do capital, o trabalhador deixa de lado suas necessidades enquanto pessoa
humana e se converte em instrumento para a execução das necessidades de outrem (de sujeito,
transforma-se em objeto).

Serviço Social e instrumentalidade


A questão social está sendo aqui entendida como expressão do processo de formação e
desenvolvimento da classe operária e do seu ingresso no cenário da sociedade, exigindo seu
reconhecimento enquanto classe por parte do empresariado e do Estado (Iamamotto e Carvalho,
1982).
A utilidade social de uma profissão advém das necessidades sociais, das classes sociais que
se transformam, por meio de muitas mediações, em demandas para a profissão. Estas são
respostas qualificadas e institucionalizadas, para o que, além de uma formação social
especializada, devem ter seu significado social reconhecido pelas classes sociais fundamentais.
O espaço sócio profissional é constituído quando o Estado passa a interferir
sistematicamente nas refrações da questão social, transformada em questões sociais (Netto,
1992), através de uma determinada modalidade histórica de enfrentamento das mesmas: as
políticas sociais, infere-se que as políticas sociais e os serviços sociais constituem-se nos espaços
sócio profissionais para os assistentes sociais.
A partir da compreensão de utilidade social da profissão a instrumentalidade do Serviço
Social pode ser pensada como uma condição sócio-histórica da profissão em três níveis:

a) Da instrumentalidade do Serviço Social face ao projeto burguês


Significa a capacidade que a profissão porta de ser convertida em instrumento, por meio de
manutenção da ordem, a serviço do projeto reformista da burguesia. O Estado lança mão de uma
estratégia histórica de controle da ordem social, qual seja, as políticas sociais, e requisita um
profissional para atuar no âmbito de sua operacionalização: os assistentes sociais (para reproduzir
as relações capitalistas de produção);
17
b) Da instrumentalidade das respostas profissionais
No que se refere à sua peculiaridade operatória, ao aspecto instrumental-operativo das respostas
profissionais em face das demandas das classes, aspecto que permite o reconhecimento social da
profissão, dado que, por meio dele o Serviço Social pode responder às necessidades sociais da
classe trabalhadora.
Então, no que se refere às respostas profissionais, a instrumentalidade do exercício
profissional expressa-se:
b.1) nas funções que lhe são requeridas: executar, operacionalizar, implementar políticas
sociais, visto que é este o espaço de inserção sócio ocupacional do assistente social no
capitalismo monopolista;

b.2) no horizonte do exercício profissional: no cotidiano das classes vulnerabilizadas, em


termos da modificação empírica das variáveis do contexto social e da intervenção nas
condições objetivas e subjetivas da vida dos sujeitos (visando a mudança de valores,
hábitos, atitudes, comportamento de indivíduos e grupos). É o cotidiano – tanto dos
usuários dos serviços quanto dos profissionais – no qual o assistente social exerce sua
instrumentalidade, o local em que imperam as demandas imediatas, e consequentemente,
as respostas aos aspectos imediatos que se referem à singularidade do eu, à repetição, à
padronização.
O cotidiano é o lugar onde a reprodução social se realiza através da reprodução dos
indivíduos, sendo um espaço ineliminável e insuprimível (Netto, 1987). As singularidades,
os imediatismos que caracterizam o cotidiano, que implicam a ausência de mediação, só
podem ser enfrentados pela apreensão das mediações objetivas e subjetivas (tais como
valores éticos, morais e civilizatórios, princípios e referências teóricas, práticas e políticas),
que se colocam na realidade da intervenção profissional.

b.3) Nas modalidades de intervenção que lhe são exigidas pelas demandas das classes
sociais. Estas intervenções, em geral, ocorrem no nível do imediato, sendo de natureza
manipulatória, segmentadas e desconectadas das suas determinações estruturais,
apreendidas nas suas manifestações emergentes, de caráter microscópico.
Nos três casos acima (b1, b2, b3) são operações realizadas por ações instrumentais, são
respostas operativo-instrumentais, nas quais impera uma relação direta entre pensamento e ação
e onde os meios (valores) se subsumem aos fins. Abstraídas de mediações subjetivas e
18
universalizantes (referenciais teóricos, éticos, políticos, sócio profissionais, tais como os valores
coletivos), estas respostas tendem a perceber as situações sociais como problemáticas
individuais.

Quais os níveis em que tem se manifestado a instrumentalidade do Serviço Social?


Se muitas requisições da profissão são de ordem instrumental (em nível de responder às
demandas – contraditórias – do capital e do trabalho e em nível de operar modificações imediatas
no contexto empírico), exigindo respostas instrumentais, o exercício profissional não se restringe a
elas. Com isso, queremos dizer que reconhecer e atender às requisições técnico-instrumentais da
profissão não significa ser funcional à manutenção da ordem ou ao projeto burguês. Isto pode vir a
ocorrer quando se reduz a intervenção profissional à sua dimensão instrumental. Esta é
necessária para garantir a eficácia e a eficiência operatória da profissão. Porém, reduzir o fazer
profissional à sua dimensão técnico-instrumental significa tornar o Serviço Social um meio para o
alcance de qualquer finalidade. Significa também limitar as demandas profissionais às exigências
do mercado de trabalho.
É também equivocado pensar que para realizá-las o profissional possa prescindir de
referências teóricas e ético-políticas.
Na realização das requisições que lhe são postas, a profissão necessita da interlocução com
conhecimentos oriundos de disciplinas especializadas. O acervo teórico e metodológico que lhe
serve de referencial é extraído das ciências humanas e sociais. Tais conhecimentos têm sido
incorporados pela profissão e particularizados na análise dos seus objetos de intervenção. A
profissão também têm produzido, através da pesquisa e de sua intervenção, conhecimentos sobre
as dimensões constitutivas da questão social, sobre as estratégias capazes de orientar e
instrumentalizar a ação profissional e os tem partilhado com profissionais de diversas áreas.

c) Instrumentalidade como mediação


Se é verdade que a instrumentalidade insere-se no espaço do singular, do cotidiano, da
relação homem-natureza, também o é que ela ao ser considerada como uma particularidade da
profissão, pode ser concebida como campo de mediação e instância de passagem.
Porque o cotidiano é o espaço para a realização das ações instrumentais?

A instrumentalidade do exercício profissional como mediação


Tratar-se-á aqui da instrumentalidade como uma mediação que permite a passagem das
ações meramente instrumentais para o exercício profissional crítico e competente. Como
19
mediação, a instrumentalidade permite também o movimento contrário: que as referências
teóricas, explicativas da lógica e da dinâmica da sociedade, possam ser remetidas à compreensão
das particularidades do exercício profissional e das singularidades do cotidiano.
Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tornar o Serviço Social como
totalidade constituída de dimensões técnico-instrumental, teórico-intelectual, ético-política e
formativa (Guerra, 1997), e a instrumentalidade como uma particularidade e como tal, campo de
mediações com capacidade tanto de articular estas dimensões quanto de ser o conduto pelo qual
as mesmas traduzem-se em respostas profissionais.
Pela mediação da cultura profissional, o assistente social pode negar a ação puramente
instrumental, imediata, espontânea e a reelaborar, em nível de respostas sócio profissionais. Na
elaboração de respostas mais qualificadas, na construção de novas legitimidades, a razão
instrumental não dá conta. Há que se investir numa instrumentalidade inspirada pela razão
dialética.
Pela instrumentalidade da profissão, pela condição e capacidade de o Serviço social operar
transformações, alterações nos projetos e nas condições (meios e instrumentos), visando alcançar
seus objetivos, vão passando elementos progressistas, emancipatórios, próprios da razão
dialética. Pressionando a progressão, tais forças progressistas (internas/externas) permitem que a
profissão reveja seus fundamentos e suas legitimidades, questione sua funcionalidade e
instrumentalidade, o que permite uma ampliação das bases sobre as quais sua instrumentalidade
se desenvolve.
Ao desprender-se da base histórica em que a profissão surge, o Serviço Social pode
qualificar-se para novas competências, buscar novas legitimidades, indo além da mera requisição
instrumental-operativa do mercado de trabalho. Este enriquecimento da instrumentalidade do
exercício profissional resulta num profissional que, sem prejuízo de sua instrumentalidade no
atendimento das demandas, pode antecipá-las. E habilitado no manejo do instrumental técnico,
sabe colocar-se em seu devido lugar. E, inspirado pela razão dialética, invista na construção de
alternativas que sejam instrumentais à superação da ordem social do capital.

QUARTO TEXTO: “SERVIÇO SOCIAL, DAS TRADICIONAIS FORMAS DE


REGULAÇÃO SÓCIO POLÍTICA AO REDIMENSIONAMENTO DE SUAS
FUNÇÕES SOCIAIS”
Autor: Helder Boska de Moraes Sarmento
20
Quais as novas exigências sócio institucionais colocadas no processo de trabalho dos
assistentes sociais dentro das organizações? Estas novas exigências implicam mudanças em
nossas funções profissionais?

Plantão social, triagem e encaminhamentos

No Brasil, com o crescimento da miséria e agudização das tensões políticas, bem como o
fato das políticas sociais, enquanto mecanismo de regulação social, não conseguirem garantir o
atendimento desta demanda crescente, vão sendo criados novos mecanismos, como formas de
solução a estes problemas e suas contradições, marcados pela seletividade.
Os plantões sociais são espaços que acabam por tornarem-se verdadeiros centros de
triagem e encaminhamentos de demandantes para garantia de suas necessidades básicas. Assim,
no interior das organizações sociais e principalmente naquelas de perfil assistencial, justamente
por não serem capazes de absorver a grande demanda, a triagem se constitui uma prática
institucional cumprindo seu perfil de seletividade.
É nessa prática que o Serviço Social é chamado a atuar, principalmente, por conhecer as
reais necessidades da população, valendo-se de critérios de elegibilidade, incorporado nas
funções burocráticas e, em última instância, marcado por uma carga de poder decisório sobre as
condições de vida desta população.
Não por acaso, tradicionalmente, o plantão social tornou-se um serviço, por vezes, quase
sinônimo de Serviço Social, com procedimentos inerentes ao seu fazer profissional entendidos
como técnicas de triagem.
Dessa feita, constituiu-se como um serviço permanente, muitas vezes confundido como um
espaço físico, mesmo que precário, sem solubilidade, marcado pelos processos de aprendizagem
e disciplinamento burocrático-institucional, através do qual o conhecimento criterioso da vida da
população atendida subsidia uma ajuda individual redutora de tensões, base sobre a qual
definem-se os critérios de elegibilidade e encaminhamento.
Assim, o encaminhamento, muitas vezes confundido com transferência de responsabilidade
entre setores e organizações, torna-se um serviço sempre parcial e insuficiente.
O encaminhamento ainda não é compreendido como a busca de uma solução para os
problemas e situações vivenciadas pela população, como garantia de direitos.
Por outro lado, identificam-se práticas profissionais que ao privilegiarem ações coletivas,
descaracterizam o plantão social como serviço emergencial para o atendimento direto e
21
mobilizador de recursos, quando necessários. Assim, se por um lado, esses profissionais ao optar
por reduzir os mecanismos assistencialistas buscam alcançar novos direitos sociais, por outro,
desprestigiam o atendimento direto de situações imediatas e/ou emergenciais específicas desta
parcela significativa da população.
O plantão social continua sendo um serviço necessário ao atendimento direto, concreto e
emergencial da população, sob o qual estão abrigados um conjunto de ações educativas (político-
ideológicas), através das quais são garantidas uma parcela das necessidades básicas, sem
necessariamente serem entendidos ou efetivarem-se como direitos sociais.
Entende-se que o plantão social está circunscrito pelas relações entre a existência de
necessidades da população e a ausência das condições para supri-las; portanto, sua superação
não é apenas técnica ou gerencial, mas acima de tudo política, pois implica uma recondução das
formas de compreender os direitos sociais e implementar as políticas sociais e, nestas, a
reorganização dos serviços sociais.
Assim, compreende-se que as possibilidades de superação das tradicionais práticas de
triagem e encaminhamento realizadas através do plantão social implicam:

1. compreender a realidade desta prática e suas contradições, do ponto de vista de um


espaço político para a população que não tem mais onde ocorrer;

2. destacar a prática investigativa como resgate e registro vivo do cotidiano de vida da


população atendida ou não, sendo o conhecimento desta realidade um elemento
potencializador dos interesses coletivos quando construídos de forma compartilhada
com a população, permitindo a mobilização e aglutinação de interesses comuns, base
para novas conquistas de direitos sociais;

3. avaliar as demandas e necessidades que não estão sendo supridas, com base na
informação sistematizada e compartilhada com a população, a partir da ótica dos
direitos sociais, visando rever os programas e serviços que se destinam a estas
situações, possibilitando, ainda, a qualificação da infra estrutura e dos serviços.

Levantamento sócio econômico e cadastramento de recursos sociais

22
É neste contraditório campo de relações sociais que os interesses e necessidades vão se
constituindo em demandas, na medida em são apropriadas pelas organizações e se
institucionalizam em resposta. Nesta prática institucional, a leitura e análise sistemática dessa
realidade pelos assistentes sociais é de vital importância pois, das solicitações individuais,
esparsas, casuais ou institucionalizadas, podem se constituir demandas coletivas
potencializadoras de novas conquistas e direitos sociais ou de novos serviços e projetos voltados
aos interesses diretos da população atendida.
Para tanto, a informação clara e precisa dos recursos, serviços e direitos é fundamental,
papel para o qual o assistente social tem se preparado significativamente nos últimos anos,
consolidado pela postura explicitada pelo Código de Ética profissional.
Um fator determinante para que isso seja realizado é a organização e o desenvolvimento da
prática e postura investigativa, que implicará diretamente na qualificação profissional. É aí que se
percebe o quanto as facetas da realidade apreendida pelo assistente social em sua prática
investigativa se constituem fonte possibilitadora de seu fazer, e mais, de repensar o seu fazer, sua
prática institucional.
É ainda neste espaço da prática investigativa que se torna relevante o domínio de
conhecimento sobre os recursos institucionais existentes. Normalmente reconhecido e
denominado cadastramento de recursos sociais, consideramos hoje que o domínio da informação
e conhecimento crítico dos direitos sociais, serviços critérios sócio-institucionais de atendimento
são fatores fundamentais para a tomada de decisão e ação, tanto para o assistente social ou
instituição, mas principalmente para a população usuária e demandante.

Obs. da profª. Beth da Luz:


Vale lembrar que os espaços sócio institucionais vem sendo alargados nos últimos anos, a
partir da inscrição de novas competências profissionais (dimensões política, pedagógica, teórica,
técnica, metodológica) do assistente social portanto, independente do lugar organizacional ou
geográfico que esteja, as dimensões constitutivas do fazer profissional estarão presentes.
Não é o locus espacial/organizacional que define a dimensão intelectual de nosso trabalho e
sim a intencionalidade travestida de ações concretas, nos diferentes espaços em que estivermos
pois sempre estarão presentes, as refrações da questão social e a lógica de produção capitalista:
 projetos sócio ambientais (desenvolvimento sustentável);
 discussão do orçamento participativo;
 participação nos Conselhos de direitos;
 capacitação de conselheiros;
23
 gestão da política pública;
 organização de cooperativas;
 plantão social.

QUINTO TEXTO: SERVIÇO SOCIAL E PRÁTICA REFLEXIVA


Referência Bibliográfica: Em Pauta nº 10
Autora: Vasconcelos, Ana Maria

Vasconcelos inicia seu texto problematizando acerca do conhecimento construído


historicamente, conhecimento este que não tem conseguido produzir mudanças qualitativas /
quantitativas na vida dos sujeitos. Ela sublinha a existência de 50 mil assistentes sociais inseridos
no mercado nacional de trabalho e indaga sobre a qualidade desta intervenção profissional: temos
assumido nossa condição de intelectuais? Temos utilizado nosso conhecimento acerca da
realidade social para mudar esse real?
Nossos espaços profissionais têm sido caracterizados por serem: individualizantes, parciais,
fragmentados, punitivos, reparadores, corretivos.

Será que temos clareza de que a questão social (que é o objeto do Serviço Social) “é a
manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a
burguesia?” (Marilda Iamamoto).

A autora sublinha que o projeto ético-político profissional indica o objetivo desta intervenção:
a construção de uma sociedade democrática que, implica a constituição de uma prática com
caráter reflexivo. A prática educativa deve ser crítica, criativa, politizante, que aponte para a
ruptura com o instituído.
A prática reflexiva tem como base a socialização da informação como instrumento de
indagação e ação sobre a realidade social. A autora sublinha que a direção a ser impressa é o
investimento em trabalhos grupais (ênfase no coletivo). O saber socializado tem como objetivo a
instrumentalização da população (construção da cultura do direito).
O direito existe formalmente, mas, dependendo da forma como se usufrui dele, transforma-se
num objeto de favor, doação, constrangimento, troca...

24
A participação do usuário como sujeito na relação profissional não se realiza apenas pelo
“desejo” do profissional: é a presença da horizontalidade, da solidariedade, articuladas à
competência para produzir uma ação investigativa, crítica e politizante.
A autora sublinha o conceito de senso comum (impossibilidade de uma ligação clara entre
consciência e seu objeto – relação teoria/prática), cotidianeidade: “a prática cotidiana, espontânea,
é auto suficiente e dispensa a participação da atividade teórica. O cotidiano assim “é um mundo
de coisas e significações em si.”
“Uma prática voltada para a criação / reprodução de relações solidárias, horizontais,
democráticas, não se encontra de forma acabada” (Vasconcelos). O princípio é a aceitação e o
respeito às diferenças. Ser solidário significa ser igual. Significa ter e partilhar interesses e
responsabilidades recíprocas.
O lugar profissional exige do assistente social a responsabilidade e o dever de trazer para o
espaço profissional o desconhecido, a informação inacessível e diferente, o saber, o conhecimento
impossível de ser produzido pelos diferentes segmentos da população, exatamente pela inserção
que tem na realidade social.
A autora sinaliza que a direção social da prática objetiva o fortalecimento da população
usuária dos serviços sociais como sujeitos políticos e coletivos, ultrapassando “um discurso de
mera denúncia para a elaboração de propostas competentes e eficazes para melhorar a qualidade
dos serviços prestados e criar mecanismos que propiciem a crescente participação da população
no controle desses serviços” (Iamamoto, 1992).
Para isso faz-se necessário uma capacitação permanente do assistente social para tornar-se
competente.
A autora elege alguns temas (nove temas) que articulados entre si, indicam os cuidados
metodológicos que o assistente social deve ter no processo de construção de sua ação.
Ana Vasconcelos organiza a exposição desse seu texto através de temas que vão se
articulando entre si; o destaque dos temas foi feito a partir de uma preocupação pedagógica; não
devem assim, ser entendidos de forma isolada; eles buscam apresentar os quesitos à construção
de uma prática reflexiva.
Partindo da consideração de que a linguagem é nosso instrumento de trabalho (conforme
ressaltado por Marilda Iamamoto), a autora sublinha que a prática reflexiva tem como base à
socialização da informação como instrumento de indagação e ação sobre a realidade social. À
população não basta se organizar para reivindicar; faz-se necessário ter acesso a um saber que a
instrumentalize no como e no que reivindicar, na busca de alternativas possíveis e como viabilizá-
los.
25
O homem comum não tem o recurso teórico para entender e transformar o mundo. A
ausência de conhecimento acerca dos direitos por parte da população faz com que ela seja
manipulada pela instituição, não as utilizando enquanto direito de cidadania.
Vasconcelos sublinha que a socialização das informações seguramente pode ser utilizada na
transformação das condições geradoras do adoecimento que, sem sobra de dúvida, repercutirão
na melhoria da qualidade de vida da população.
A autora sinaliza que a ação e a reflexão se constituem, para o homem comum (dotado de
um senso comum) em momentos separados. A reflexão, enquanto momento de pensar a prática, a
vida, é considerada atividade improdutiva, que não traz para a vida diária, contribuição imediata,
prático-utilitária, tornando-se desnecessária. O homem comum, na luta por sua sobrevivência
diária, luta pela satisfação das necessidades de reprodução de si e de sua família. Dessa forma, a
prática cotidiana, espontânea, é auto-suficiente e dispensa a atividade teórica. A cotidianeidade do
homem comum está condicionada social e historicamente; superar esse nível de consciência é o
grande desafio dos profissionais que lidam com sujeitos em processos educativos. O homem
comum que não se apropria das categorias de análise do patrimônio intelectual, fica
impossibilitado de desvendar a realidade e, conseqüentemente não tem condições de participar do
processo de sua transformação enquanto ser histórico.
É nesse sentido que Vasconcelos sublinha a socialização das informações enquanto
elemento fundamental, pois prioriza as demandas da população usuária. Essa socialização exige
do profissional uma competência teórica, técnica e política no que se refere à articulação das
diferentes políticas e aos recursos disponíveis, mas nem sempre conhecidos.

Tema 1 : Primeiro contato entre profissional / usuário – o contrato de trabalho

Aqui a autora chama a atenção para o fato de que os assistentes sociais “se escondem”
atrás dos chamados “limites institucionais” para justificarem a ausência de ações profissionais,
ficando sua prática na maioria das vezes, muito aquém das reais possibilidades de ação. Outras
vezes busca o “serviço ideal” ou “usuário ideal”. Na maioria das vezes, objeto da ação profissional
é visualizado como se fosse um obstáculo; assim sendo, perde-se a dinâmica característica da
própria realidade que está a demandar nossas ações.
Vasconcelos chama nossa atenção para o fato de que o espaço profissional não está dado à
priori; a preparação do espaço profissional requer o conhecimento dos demandantes dos serviços

26
e de suas demandas – reais ou potenciais, aparentes ou implícitas – num processo continuado e
de longo prazo que certamente requer levantamentos, estudos e pesquisas.
“É preciso apreender as demandas potenciais gestadas historicamente, contribuindo assim
para recriar o perfil profissional do assistente social, indicando e antecipando perspectivas...”
(Marilda Iamamoto).
Para a autora, o estabelecimento desse contrato requer que o assistente social tenha clareza
sobre quem são seus usuários, que tipo de demandas trazem - porque buscam o serviço com
essa demanda? - dentre outras questões. Por que isso se torna tão importante? Porque o
assistente social não dá respostas prontas e acabadas, antes, procura construir com o outro,
possibilidades de ação, num processo investigativo-reflexivo-informativo; sinaliza também para o
usuário, os limites de sua ação profissional.
Nesse processo o usuário será chamado não só a dar informações, mas a questionar,
avaliar, correlacionar, analisar, interpretar, investigar, decidir sobre seu cotidiano.
Em uma reunião, ou entrevista, ou qualquer tipo de contato, o assistente social facilita, apóia,
sendo aquele que, além de articular as informações que as pessoas trazem, possibilita a procura
de suas inter-relações, sinalizando as contradições e buscando analogias.

Tema 2 – Perguntas formuladoras a partir do material comunicado pelos usuários.

A análise do material trazido e revelado a partir da demanda do usuário, a elaboração de


perguntas exploratórias (que não indiquem as respostas), sem o caráter de interpretação, podem
auxiliar na investigação e no desvelamento dos problemas que envolvem as demandas. Muitas
vezes a queixa principal trazida não é o problema mais relevante. Segundo Vasconcelos, se o
usuário não voltar-se numa atitude crítica sobre seu próprio conhecimento e sobre a situação
vivenciada, dificilmente eles estarão abertos a uma indagação de qualidade.
O assistente social pode apontar com sua ação, para a constituição de espaços,
possibilidades e condições (inseridas no relacionamento) para que os sujeitos se voltem sobre as
questões que envolvem seu cotidiano, a partir de agora com novos elementos de análise que
auxiliaram na unidade dos conhecimentos. Partir do material trazido pelos usuários traz consigo a
atribuição de importância à experiência de vida e as formas de ver o mundo que os sujeitos têm;
trabalhar com eles os elementos da problemática apresentada, pode significar um alargamento de
seu poder de análise e por conseguinte, de decisão.

27
Tema 3 : Devolução das perguntas que são dirigidas ao profissional

Se, partirmos do pressuposto que a atividade teórica (o pensar a vida em suas múltiplas
conexões) não se integra ao cotidiano de vida das classes subalternizadas, o responder de
imediato as perguntas feitas ao assistente social, só reforçará a dependência intelectual desses
sujeitos.
Essa postura, de responder automaticamente, dificulta qualquer tentativa de mobilizar a visão
de mundo dos usuários, para que eles possam pensar, explicar, refletir, conhecer seu cotidiano,
suas reais demandas, interesses e necessidades. Quando o profissional assistente social não
monopoliza a fala antes, busca articular as falas dos usuários, ela está assim, atribuindo
importância à essas visões de mundo. Quando a resposta do assistente social vem como uma
resposta a mais ela (a informação) vem como uma outra contribuição entre outras que certamente
aparecem e, assim, passível de ser questionada, absorvida ou não (dessa feita, ao longo do
processo busca-se diluir a inserção do profissional enquanto autoridade).
Dessa feita, o assistente social (mesmo na sua diferença) passa a ser mais um a cooperar
no processo de reflexão, reforçando assim, a possibilidade de constituição de relações mais
solidárias, por que horizontais. A tática de devolver perguntas visa primeiramente que os usuários
recorram ao seu arsenal de informações, conceitos, análises; o assistente social busca articular as
visões de mundo, objetivando construir uma unidade/informação elaborada.
A autora chama a atenção de que não é qualquer pergunta que estimula a discussão grupal
e/ou individual; geralmente as perguntas abertas propiciam/estimulam a reflexão.

Tema 4 : Repetição de comunicações para o grupo ou a pessoa ouvir o que disse.

Até que ponto o usuário tem consciência do que falou? Até que ponto ele concorda com o
que disse?
O que Vasconcelos sublinha aqui é a constatação que podemos fazer quanto a certos
conceitos que consideramos nossos, mas que, na maioria das vezes, repetimos a-criticamente,
sem disso nos darmos conta.
O fato de vivermos numa sociedade de massas, com destaque para a propaganda que dita
normas para o viver (conduta, gestos, etc), fica difícil saber/distinguir o que é nosso genuinamente
ou o que é introjetado pela ideologia dominante.

28
Segundo a autora, ouvir a afirmação dita por outro pode mostrar um significado antes não
percebido. Nesse sentido, cria-se possibilidade de questionamento, afirmação ou negação do que
foi dito (Vasconcelos sublinha que esse procedimento é mais potencializado na atividade grupal).

Tema 5 : Sumarização e devolução de diversas situações e questões, manifestadas


pelo usuário numa entrevista ou reunião, no sentido de encaminhar e facilitar uma análise
sobre as mesmas.

A autora sublinha que trabalhamos com segmentos populacionais sofridos e desgastados


pela vida e que buscam permanentemente, uma escuta atenta para seus lamentos e
reivindicações.
Será que apenas ouvir, aliviar tensões, dar apoio é suficiente como projeto profissional? O
que fazer com tanto material? Como interromper histórias tão sofridas sem melindrar o usuário?
Por onde começar diante da complexidade e quantidade de temáticas e questões que estas
histórias são portadoras?
Vasconcelos sinaliza que histórias muito longas contadas pelos usuários devem ser ouvidas
por um ouvido profissional culturalmente diferente, que tenha capacidade de sumarizar o que foi
verbalizado e devolvido como forma de apresentação de uma síntese. A situação re-apresentada
de forma enxuta possibilita aos sujeitos um novo olhar sobre a mesma situação, acrescida agora
de uma reflexão sobre determinadas nuances antes não visualizadas.
O assistente social tem então, a responsabilidade de apresentar propostas viáveis para que
os usuários saibam o porque de retornar ao serviço social, que expectativas alimentar, que
recursos utilizar.
Vasconcelos sublinha enfaticamente que não é do usuário, a responsabilidade de discernir o
que o serviço faz ou pode fazer, qual a sua proposta, seu projeto, recursos e limites.
Vasconcelos sublinha as responsabilidades profissionais: desburocratizar a prestação de
serviços, possibilitar a reflexão, subsidiar a análise com o novo que ela vai demandar; construir
uma unidade das informações presenteadas fragmentadas, apresentar propostas de ação que
sejam resolutivas face às demandas apresentadas.
No momento em que o assistente social sumariza e devolve questões, os usuários têm a
oportunidades de se voltarem sobre esse material numa atitude interrogativa, investigativa,
desreveladora.

29
Tema 6 : Uso de analogias entre diferentes situações com sinalização das conexões,
dos pontos de semelhança entre duas coisas diferentes, destas com outras, semelhança
entre duas situações dentro de suas respectivas totalidades. Divisão ou decomposição de
uma questão em partes, no sentido de facilitar a reflexão.

Esse recurso visa recuperar fragmentos da totalidade de vida dos sujeitos que acorrem ao
serviço social. A individualização das queixas e a “culpabilização” introjetada, no comportamento
dos usuários, são características da ideologia dominante para melhor submeter os indivíduos à
sua lógica.
O uso da analogia facilita a percepção de semelhanças, inter-relacionamentos das diversas
situações na busca de desvendar a fragmentação da realidade e a falsa autonomia das questões
postas no que é visível e aparente do cotidiano.
A atenção profissional deve estar voltada a uma perspectiva que insira as queixas a um
universo maior que determina/condiciona as existências humanas. A dimensão educativa da
prática está presente não quando o assistente social pega pelas mãos os usuários, mas, quando
possibilita que elas se voltem sobre seu cotidiano numa atitude investigativa, analítica, crítica.
Segundo Tereza Queiroz, o assistente social articula numa mesma ação, duas dimensões
numa só unidade complexa: a prestação de serviços concretos (via recursos e capacidade
técnica) e a educação social dos setores nela envolvidos.

Tema 7 : Socialização de informações pelo Assistente Social

Vasconcelos sublinha que os usuários, no seu processo de socialização primário/secundário,


acumulam informações e dados, construindo assim um esquema referencial rico, mas que, na
maioria das vezes não lhe serve como instrumento de indagação. Isso ocorre porque esse nível
de conhecimento encontra-se desarticulado, segmentado, departamentalizado, fragmentado. É a
partir desse referencial de análise dos usuários, que eles utilizam para responder aos
questionamentos que surgem, por exemplo, na sala de espera, que a informação nova trazida
pelo assistente social se articula, num processo contínuo de reconstrução dos saberes sociais.
O conhecimento que o profissional traz vem acumular com o que já foi possível produzir a
partir dos recursos dos próprios integrantes do processo.
Dessa feita, o novo (o conhecimento trazido pelo assistente social) vem contribuir,
acrescentar e completar o que já se conhece sem pretensões de ser “a verdade”, “o certo”, “o

30
melhor” a ser seguido, o que deve ser apreendido para ser reproduzido e que, na maioria das
vezes, fica esquecido, porque não foi processado.
A autora torna a sublinhar a importância da capacitação permanente no que se refere à
constituição de um perfil profissional competente. Temos encontrado profissionais tão
desesperados e confusos como os próprios usuários, o que acaba por dificultar a utilização dos
poucos recursos oferecidos pelos políticos sociais. É um fazer profissional que, além de não servir
de suporte às lutas dos segmentos populares envolvidos, traz mais desesperança, mais
sofrimento, quando não cria mais problemas para os usuários, impregnando-os com valores,
favorecendo que aceitem, resignados, a “culpa” pela situação em que vivem.

Tema 9: Sinalização das Contradições

A autora sublinha a existência de três níveis de contradições que devemos estar atentos para
sinalizar:

- contradições da própria realidade social;


- contradições no discurso do usuário numa entrevista ou reunião;
- contradições que aparecem entre as falas de vários usuários numa reunião.

Neste processo, é fundamental que todos envolvidos tenham clareza do que está sendo dito. O
profissional facilita a participação ao solicitar informações mais claras e precisas que explicitem
mais claramente o pensamento e as manifestações. A qualidade do esclarecimento, quando vem
do entrevistado ou de algum integrante do grupo, é diferente de quando realizado pelo
profissional, o que também faz parte do processo.
Tema 9: Momentos de silêncio que permeiam o processo / a participação colocada de
forma diferenciada para quem está numa entrevista ou numa reunião.

O silêncio nem sempre precisa ser interrompido (OCORPO FALA!!!); faz-se necessário
entendê-lo no processo, buscando obter subsídios para possíveis encaminhamentos.

Como ele surgiu? O assunto se esgotou? É por causa de uma pergunta fechada? De
uma resposta difícil de ser dada? Significa pausa para reflexão? É um momento de emoção
e/ou constrangimento? Qual a contribuição do profissional na geração daquele silêncio?

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(foram feitos comentários inadvertidos ou cobranças?). o profissional assumiu a defesa da
instituição ao invés da defesa do usuário?

A respeito do silêncio no início do processo afirmamos que, sem clareza do contrato de


trabalho, os usuários não sabem o porquê e o que falar, e o profissional tem que “arrancar as
coisas das pessoas a força”. Isso se dá na medida em que os usuários não sabem o que é
esperado deles, o que vai acontecer, o que estão fazendo ali.
Dependendo de como são encaminhadas as dinâmicas de trabalho, elas podem gerar
constrangimento e longos silêncios na medida em que forçam uma situação sem sentido para os
participantes.
Na reunião, a questão de falar ou não falar não é tão clara para os usuários como na
entrevista. Num processo que envolve mais de três pessoas, a participação pode se dar
principalmente através de outras formas que não a palavra: atenção, gestos, ações. Nem sempre
estar calado numa reunião significa não-participação, mas isso incomoda principalmente o
coordenador do processo.
A autora finaliza o texto sublinhando que a prática reflexiva sempre envolve uma relação que
se estabelece entre dois sujeitos sociais – o assistente social e o(s) usuário(s). Ela sublinha que
os assistentes sociais podem contribuir efetivamente na socialização de categorias de análise que
irão instrumentalizar os usuários a entender / transformar sua realidade social. A socialização do
conhecimento é assim ferramenta poderosa e eficaz na democratização das relações sociais
vigentes.

SEXTO TEXTO: GRUPOS DE SALA DE ESPERA: SOBRE O QUE ATUAR?


Autora: MENDONÇA, Eliana Azevedo Pereira de

A autora sinaliza historicamente, o surgimento da atividade “sala de espera” a partir do


fenômeno da reforma sanitária que congregava o pensamento/prática de profissionais que
colocavam em cheque o olhar tradicionalmente biologicista acerca do adoecimento dos sujeitos.

É no espaço das unidades de saúde do antigo INAMPS (hoje PAM’S) que surgiu esse
questionamento do fazer profissional muito afinado com a ideologia para médica.

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A preocupação passava então por construir um espaço de trabalho onde pudessem ser
discutidas outras esferas produtoras do adoecimento dos sujeitos.
Mesmo passadas duas décadas de seu surgimento, a autora sublinha que ainda hoje
existem dificuldades na operacionalização da sala de espera, a saber:

► indefinição do conteúdo a ser abordado;


► metodologia a ser utilizada na atividade;
► concepção pedagógica a ser utilizada;
► é apenas informativa? Ou incorpora a dimensão reflexiva também?

Eliana sublinha a importância da técnica de discussão reflexiva ser incorporada à intervenção


do AS nessa atividade. Segundo ela, as informações deverão ser sempre elaboradas junto com os
indivíduos no grupo.
Se, a matéria prima do trabalho profissional são as representações das coisas, dos
acontecimentos, dos sujeitos em nível de senso comum, a intencionalidade do profissional está
dada, a priori, pelo entendimento de que um processo será desencadeado quando provoca a fala
e inicia um diálogo.
OBS. PROFª BETH: Cabe aqui uma discussão sobre a ideologia dominante e do capital
enquanto relação social; o capital não é só o dinheiro, as máquinas e a posse da tecnologia e da
força de trabalho dos proletários. Fazem-se necessárias relações sociais concernentes à
reprodução do assalariamento e a dominação.
O grau de profissionalismo do AS pode ser visualizado através:

► do seu nível de consciência política;


► dos resultados de sua ação (produtos);
► da problematização da demanda;
► da articulação de conteúdos objetivos/subjetivos.

O que captar no grupo? (Aqui está sendo exigida a sensibilidade para perceber o que nem
sempre é verbalizado):

► as lacunas;
► as reticências;
► imprecisões;
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► as verdades acabadas;
► a dificuldade de estar em grupo;
► etc...

A autora chama nossa atenção para o fato de que educar não é simplesmente a transmissão
de conhecimentos. A re-construção do saber historicamente acumulado passa pela informação
elaborada em conjunto com os sujeitos de nossa ação.
A contribuição do AS passa exatamente pela socialização de um conhecimento acumulado
ao longo da vida profissional e que diz respeito às políticas sociais, ao contexto sócio-institucional
e à visão de mundo dos sujeitos.
Sobre o que atuar o assistente social na sala de espera? Sobre as representações sociais.
Representações sociais são/revelam construções de saberes sociais: quando os sujeitos
empenham-se em entender e dar sentido ao mundo, eles o fazem com emoção, sentimento e
paixão.
Representações sociais são reveladoras de um conhecimento para entender o mundo em
que se vive e se comunicar nele. Os sujeitos as elaboram a partir da atribuição de sentido aos
objetivos socialmente valorizados.
Para Eliana, a atividade Sala de Espera é o espaço do grupo de reflexão que pode permitir a
identificação e a re-construção das representações sociais.
SPINK (que é um dos autores utilizados por Eliana) sublinha que as representações são
campos socialmente estruturados mas que a perspectiva temporal tem que ser considerada;
nesse sentido ele situa os três tempos que marcam a perspectiva temporal:
1º) O tempo curto da interação que tem por foco a funcionalidade das representações;
2º) O tempo vivido que abarca o processo de socialização (HÁBITOS);
3º) O tempo longo – domínio das memórias coletivas onde fica o depósito cultural da
sociedade (IMAGINÁRIO SOCIAL).

OBS. PROFª BETH: Dar aqui exemplo sobre sala de espera com usuários portadores da
doença Hanseníase: temos que observar/compreender o que pode ser mudado a curto, médio e
aquilo que necessita de um tempo longo no processo de constituição de uma nova consciência
sanitária.

Eliana ressalta a necessidade do Assistente Social se aproximar e conhecer a segmentação


cultural presente nas falas dos usuários pois isso ajudaria no esforço de identificação do
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comportamento de determinados sujeitos sociais e os mecanismos de adesão e resistências a
determinados discursos.

OBS. PROFª BETH: * (Chamar aqui a atenção para o fato dos Assistentes Sociais não terem
uma preocupação em conhecer/sistematizar as identidades culturais dos usuários).

Eliana chama nossa atenção para alguns pontos/aspectos que precisarão integrar a
discussão nos grupos:
- concepções e práticas dominantes sobre saúde/doença; (trabalhar aqui a noção teórica de
prevenção e promoção da saúde que os técnicos têm mas a população não)
► política de saúde e exclusão;
► universo sócio-cultural da população e da equipe técnica (a já conhecida arrogância do
profissional da saúde);
► particularidade do projeto: especificidade de cada ambulatório.

A autora fecha seu texto sublinhado que, os grupos de sala de espera se constituem como
dispositivos para fazer circular a palavra e que provocam; uma participação ativa dos usuários, na
compreensão da lógica do adoecimento, na descoberta das singularidades dos outros sujeitos e
na experiência coletiva de se discutir problemas considerados individuais.

SÉTIMO TEXTO: O PAPEL DA ENTREVISTA NA PRÁTICA DO SERVIÇO


SOCIAL.
Autora: SILVA, Jurema Alves Pereira da.

A autora inicia seu texto sublinhando que a entrevista é um meio utilizado pelos profissionais
quando querem atingir um determinado objetivo. Não é assim, um instrumento aleatório, mas
encontra-se conectado a um certo fim.
Silva sinaliza que na Unidade Clínica de Adolescentes (UCA) é prestada uma atenção
integral que articula os níveis primário (prevenção), secundário ( promoção) e terciário (promoção
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e curativo). Esses níveis de atenção ocorrem: no ambulatório avançado do Morro Pau da
Bandeira, no Pavilhão Floriano Sttofel e na enfermaria de adolescentes.
A autora sublinha que o serviço social é o responsável pela porta de entrada e que aí ele é o
profissional que apresenta à população usuária, as rotinas institucionais.
Um aspecto negativo que Silva indica nesse trabalho junto à porta de entrada é que o
adolescente não demandou a atuação do assistente social sendo assim, essa 1ª entrevista é
caracterizada como compulsória.
Se a entrevista, enquanto instrumento de trabalho do Assistente Social tem que estar
conectada a objetivos, seu roteiro (o da entrevista) tem que incorporar conteúdos que abarquem
esses objetivos. A utilização desse instrumento deve possibilitar a transformação do esforço da
entrevista em momentos de reflexão, investigação e de organização da assistência à ser prestada.
Silva sinaliza uma fragilidade na organização desse ambulatório; a ausência de um cadastro
de recursos que possibilite encaminhamentos necessários à complementação da assistência
prestada.
Uma outra ordem de questão colocada pela autora diz respeito a desqualificação desse
instrumento de trabalho por alguns segmentos que alegam ser esse instrumento componente de
uma perspectiva funcionalista.
Ela indaga: existe propriedade privada da técnicas por determinadas correntes teóricas? Ou
tem a ver com a intencionalidade profissional do assistente social ?
Silva adverte que a perspectiva marxista que influenciou o serviço social não atribuiu
importância à dimensão individual presente desde os primórdios da profissão.
A autora sublinha a potencialidade existente na abordagem individual: o serviço social pode
auxiliar na ampliação da consciência sobre as muitas questões do cotidiano.
Para o desenvolvimento da entrevista; a autora chama atenção para a importância do
ambiente e da empatia construída pelo assistente social para conquistar a confiança dos usuários.
Na construção do relacionamento, o assistente social deve demonstrar interesse em ouvir as
histórias das vidas; sua postura: o assentir, o sorrir, sinalizar compreensão, são comportamentos
que podem viabilizar uma relação mais verdadeira com o outro. O assistente social deve procurar
evitar uma linguagem cifrada pois isso pode dificultar o estabelecimento de uma relação dialogal.
No estabelecimento de questões que nortearão a entrevista, o assistente social tem que
desenvolver habilidade para formular questões subjetivas que objetivem captar as visões de
mundo dos adolescentes ( suas representações sócio-culturais).

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Um cuidado que o assistente social tem que ter ( e não é restrito ao trato com o adolescente)
é o de não partilhar seus próprios valores junto aos usuários; pois os valores tem a ver com a
inserção de classe dos sujeitos.
Na ocasião da entrevista o assistente social tem que garantir o máximo de privacidade para o
usuário sentir-se à vontade para partilhar seus problemas; deverá informar também ao usuário
sobre o sigilo profissional enquanto dever do assistente social para com ele.

OITAVO TEXTO: O PLANTÃO NA PRÁTICA DO SERVIÇO SOCIAL


Autora: MARQUES, Elizabeth da Luz
In Revista Superando Desafios – Cadernos do Serviço Social do Hospital
Universitário Pedro Ernesto

Marques busca nesse texto recuperar urna discussão em torno de uma atividade tão antiga
da profissão e no entanto tão desprezada em termos analitícos.
Sublinha a autora que existe um preconceito em torno dessa atividade que aparece
desprovido de urna fundamentação maior acerca da intencionalidade profissional.
Segundo Marques. a herança profissional legada em termos de instrumentalidade pode ser
recriada a partir de uma outra ordem de preocupações.
Esse texto busca superar uma certa leitura fatalista que não enxerga as possibilidades
contidas na abordagem individual.
Marques sublinha que a estrutura social se atualiza nos gestos de submissão do cotidiano e
que a reprodução do capital exige relações sociais concernentes á sua ampliação. O
cotidiano/cotidianeidade é o chão da história e palco da luta de classes, por isso a fundamental
importância de politizar as questões que são colocadas pelos usuários.
Será que o ativismo e/ou a demanda assistencial inflacionada justificam a ausência de uma
visão político-ideológica dos assistentes sociais sobre a profissão na realidade social?
A autora chama nossa atenção para o fenômeno de mercantilização de todas as esferas do
viver e que uma sociedade voltada para um tipo de consumo alienado acaba por produzir urna
subjetividade empobrecida.
É no espaço do plantão que se desembocam essas subjetividades empobrecidas e que
requerem uma visão que articule; o cotidiano e a estrutura; o

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sujeito e a estrutura; a experiência e a estrutura.

Qual O Perfil Requerido Do Assistente Social Para Trabalhar Num Plantão?


 Agilidade na compreensão dos fatos apresentados e domínio da situação;
 Capacidade de entendimento das representações sociais dos sujeitos;
 Saiba dialogar com o outro e ouvi-lo:
 Saiba organizar cadastro de recursos o mais variado/complexo possível.
A recusa do atendimento individual é reveladora de um descompromisso do profissional
diante de um perfil de demanda que sempre existirá no serviço social e que precisa ser qualificada
para que esse espaço de trabalho seja otimizado (a construção dos objetivos profissionais).
A humanização do atendimento e a afetividade são elementos fundamentais á consolidação
de um sistema de saúde que queira ter eficácia (construção do relacionamento profissional).
O plantão, apesar da ausência de continuidade do acompanhamento (na maioria das vezes)
não se caracteriza pela ausência de resolutividade.
A qualidade dos registros profissionais poderá auxiliar na construção do perfil da
demanda/usuários e na constituição de uma pauta de procedimentos do assistente social.
Também poderá propiciar - com um caráter mais abrangente uma reorganização interna dos
serviços da unidade de saúde (a organização de um" setor de orientação ao usuário, por exemplo)
A autora sinaliza a importância de ampliarmos a demanda que nos é trazida, considerando
nosso papel de propulsores de ações educativas.
Marques sublinha que o assistente social ao lidar com as subjetividades empobrecidas dos
usuários também necessita lidar com a sua própria subjetividade. muitas vezes também relegada
a um segundo plano.

Nossa obrigação profissional caminha na direção de repensar junto com os usuários, os


nexos constitutivos de sua alienação e de sua exclusão, garantindo a acessibilidade aos direitos
sociais.

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