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,

L -E

MENEUTICA

Para a critica da hermenéutica

de Gadamer

~.Cham. 193.9 Hit t4h.Pv \987

Autor: Hab rmas, Jürgen, 1929- I Itulo: Dialetica e hermeneutica

. pat

111111111111111 II11ll11IIlllIIII\llII 1\1\

9~O 2

10

Ac 21949

.

=, »

,

.

Urna Controvérsia sobre Método em

i

Filosofta

~ Jürgen Habermas e Hans Georg Gada~er, do~s pensadores de primeira grandeza e de caminhos di- ~versos, mantiveram um diálogo'filosófico que se es- ;,tendeu dos anos 60 aos 80. O pressuposto deste diá- r ~logo,envolvendo a dialética e a hermenéutica como !ideais da reflexáo enquanto busca da racionalidade, sempre foi o de que nenhum dos contendores tinha a ilusáo de que um dos dois poderia reter a última

¡ palavra.

1 Desta controvérsia, fundamental para a filosofia e para as discussóes relativas ao método de conheci- mento no ámbito das ciencias hUI}%J '1~ '" "emergem

urna dialética e uma hermenéutica q.j;

negando a outra a pretensáo de unlvcrsalidade - "trazem em seu ventre a idéia fecunda e inalienável

das condicóes históricas do trabalho do pensarnen-

-cada urna

I ro".

I Nesre volume ternos um lado dessa controvérsia, o ponto de vista da dialética de Habermas sobre a hermenéutica gadameriana, completado por um ar-

tigo do professor Ernildo Stein (UFRGS), que reali- za u~ balance desse diálogo crítico. Métodos cuja

aproX1m~o básica é o fato de terem

objeto, dialética e hermenéutica sao hoje o horizon-

te fundamental a toda práxis que pretenda seexercer em seu sentido pleno.

a práxis como

01 &Ji/arel

t a tsanspruch der Hermeneutik", extraídos :0u r Universau.

tik und Ideologiekritik (Suhrkamp, 1971) lvro llermeneu.

--

--_ 4&&& ,, .,

ndlUUel( und MethOde

De

I

• Urbanisierung der HeideggerSChen Provinz

Hans-Georg Gadamer", extraído do livro Das Erbe Hegel10 a~

Laudar

Reden aus

A

1

n ass

d

es

H

ege sprelses (Suhrkamp, 1979)

.

1

s ZWer

elPhilosophische Hermeneutik. Traditionalitische und kritisch Lesart", extraído do livro Theorie des kommunikativen Han~ delns, Bd. 1, pp. 188-196 (Suhrkamp, "1981).

capa: Ivan G. Pinheiro Machado revisiio: Maria Clara Frantz e Suely

traducáo: Alvaro L. M. Valls

ISBN• 8~·2~4-016~-x

H114d

Habermas, J ürgen

~

e.b_'Ot~ ~(!a D

de J=:"iloSQAl!o.\

# .".)§:

2d

~ ~

".ta:~lJdl_"'7'

Dialética e hermenéutica I Jürgen Haber-

mas; \radu~ao de Alvaro Valls.

Alegre : L&PM, 1987.

5(0:2

NIVERS17-

136 p.

f(/t.l'.~ -~

:

21 cm.

emá.

l. Titulo.

Porto

: 101 (

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RIlA

1

_)

CDO 193

I CDU 1(091)
I

I Habermas

F'loso-

I

! na de Habermas

Cat.loaa~'u e a ra

I bo

da po r Izabel A.

Merlo, eRB 10/329.~

@ Jüraen Habermas, 1981

Tod~

a'"

dircitos desta aAl~O

reservados a

UlPM Editora

Rua Nova Jorque. 306 -o~·~SO_-S10Pauto _ SP

SI A.

Porto Alegre _ R

Rua

do Triun(o, 171 -:

Impresso no B

Inverno de 1987

n

S e

J

-

IntrQC1u~o -

Alvaro

Surnário

L. M. Valls

v

r

Sobre Verdade e Método, de Gadamer

5

13

A Pretensáo de Uni versalida de "da 'lIe:tftitmeutica 26

.Hans Georg Gadamer: Urbaniza~áo.Ca Província ·

Heideggeriana

' .-.

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

73

Hermeneutica Filosói!ca. Lertura Tradicio.nalista e

Leímra Crítica

86

Apéndice - Dialética e Hermenéutica: Uma Con

trovérsia sobre Méto~o em Filosofia. por Ernil

d

o

S"

teín

.

.,.,-

98

I

I

I

I

,1. No dJa 13 de Junho datner. profeuor cmerilo da

be

,recebeu o Prtmlo H

Alemanha Pederal. O d • tradicional IllIulllllo. coube

1

cm

ex

I

cincia em Hdde1ba¡,. JUrpn Habennu. Al

tram, frente a frente. doil pensado

de prime

f

n-

linha, de grande lnflumeia dentro e rora da Al •

G4d4·

mer, o homenageado. e o mai. vdho. poli nuceu em

nha, e de provenimcias bastaDtc CÜ(eRDCiad

1900. Estudou em Marburgo. doulOU_rou

em 1922

sob a críentacác de Paul Natorp e completou os UI estudos, de germanistica. história da arte e filosofia,

com o aprendizado da filología clássica, Depois fez sua habilitacáo para o magistério superior sob a orien- tacáo de Martin Heidegger, que acabava de publi- car Ser e Tempo. Lccionou filosofía em Leipzig e

Frankfurt e a partir

assumindo a cátedra de Karl Jaspers. Publica em 1960

sua grande obra, Verdade e Método. Traeos Funda

de 1949 fixa

se

cm Heidelberg,

5

mentaie de Urna Hermeneutica

Pil

estudos hermeneuticos ocu

d

b

los6fica, Seus

parn volum

nonne e

es bell\ OUtr() -.

"

a arte

ao

' quem foi urn

ro,

res, em ora densos e com e

,en().

gan o especialmente os temas da d' ru ,l~ao. inves'

e de ,Hegel, alérn de questaes ligad~!éhca de Plat~~

mantlsmo alernáo e a He'd

d

g

"

1 egger. de

'

os dIScípulos mais próximos A

eant

H b

carrelra do h

e, a ermasl parece inspirar-se ern

' d

OItlena.

1

de pu o e

,

diferentes. Nascido em 1929 est d

d

S

egunda Guerra Mundial '

'

apos a

arrugo e Theodor Adorno constír

,

,

f

orma, num dos herdeiros da

mada u Escola de Frankfurt"

fo~tes Itluita

u a na unwe ' rsi id ade • como disct

Teoria

De seus es~~~ a chao

UIn o-se

Crfti ' " d cena

M

arx el' F :eu

d b

rot~ urna preocupa~ao central os sobre com

urna, po rtíca emancípatorta. Acompanha de perto o

rnovimento estudantil , dos anos 60 '. estuda as q uestoes

, da esfera pública e da relacáo teoria e práxis, publi.

cando, em 19~8,_seu conhecido livro Conhecimento e

Interesse. Leciona em Heidelberg de 1961 a 1964,paso

sa entáo para Frankfurt,

dirigir, em Starnberg, o Instituto Max Planck de in. vestigacóes sobre as condícóes de vida do mundo téc- nico-científico. Continua publicando regularmente, até os nos sos días, Iívros, ensaios e coletáneas de artigos,

participando de variadas discussóes, sempre perseo guindo urna reflexáo sobre as condicóes de um diá- logo livre de dominacáo, isto é, as condicóes, i~clu- sive sociais, de urna comunícacáo isenta de coacao e violencia onde só pese a forca do melhor argumenta. Finalme~te, em 1981, publica a sua obra ma~s v~lu- mosa (por enquanto): Theorie des kommumk~tlven Handelns (Teoria da A~ao Comunicativa), em dois vo- é'

-

de onde sai em 1971 para

lumes e mais um terceiro de estu os pr VIO ,

plernentacóes, nenhum deles até agora tradUZldopa·

ra o portugues. A reuniao de Gadamer e Habermas na entrega

d

s e com-

6

t

f

l.

'dade de 5tU

AO

é {rutO

ugart , flaberrnas)~ no

'.L

encontro e d e ca - ue po¿~

d o

de u.(11 acas roesroo .

rece,,:r~o~pensado::~i :10 sentido m:~:~;!., grac;as d e~~ ~ o dis v er sOS:as in s in~ a d o . S: ~ua aproxirn ac; a o

:~ aqui pe~~:s hurnanisUcO~;eresse filosófico pelo 'oS seus es , desenvolveuum In in uas e as culturas

lIegel da ci

ue o próprtO

.

pr t .(11l0o e. verd a de, q c m 1973 . M a sdo

pr~mlO d primelra . g. ran eza

a ¡.Jeidegger, tradi~o, com as 1 d~ <>eshistóricas e

H b e , ·

'ó1 o coro a

dL og

bre as con . ter l e; retac;ao, -

refletiu so

a

distan~es~a, cornpreensáo e da In tr! frankfurtianos

nca que neles

el11busca

resiste- através ~municafáo humana,

bilidaded~ ~ma e na linguagem corrente, mas ta~·

mundocotidiano d e

bém através a s

filosóficasdo ir alérn de - seus mes

tentan da concreuzae;ao .

d

da espera ,.1'rOes de poSS1· ,

nao

no

",as,

estudo das con 1

d

obstáculos que um dls-

e \ urna '

_

upera~ao os de certas ciencias

16 ico como o

curSOmono ~l

,

ti mente distorcida na pato ogia

'

-,

\

preci-

t

\

~áo sistema lea

comun1cal

' 1 produzem e apresentam

,.

individua e SOCIa

saya inevitavelmente entrar num diálogo ~te ec ua

tro com aquele que ele caractenza

,

como

. alguém que "lanca pontes e vence dist~n~las ., apro- xima~áose deu na forma de um diálogo filosófico, que ínclui, naturalmente, critica, réplica e tréplica. E.ste diálogo.que buscou sempre a descoberta dos melho- res argumentos, mas sem ter jamais a ilusao de que

com o ou

A

um dos dois pudesse reter a última palavra, se es- tende dos anos 60 aos SO"

\

1

2. A presente edicáo reproduz um dos lados

do

~bate '. ~ue. como foi dho. tern a forma

se respeita a liberdade

de um diá-

de o outro

pod go crdl~lcoonde, er

'd

uer nao

b

usea um consenso produ-

II o argume n t a t' lvamente. Este pequeno volume reú.

• mas se

7

oc a trad~

de quatro

textos

de Habermas,

de di-

ferentes épocas, tarnanhos e géneros;

2.1. "Sobre

'Verdade e Método', de Gadamer-

data originalmente de 1967. Fazia parte inicialmente

de um relato bibliográfico intitulado • A Lógica das

Ciéncias Sociais", que naquele ano apareceu

vista especializada Philosophische Rundschau, de Tü- bingen, a mesrna cidade onde Gadamer publicara, se- te anos antes, sua obra maior, Este estudo aparece como livro ern Frankfurt em 1970, e daí Habermas destaca o capitulo referente a Yerdade e Método, pa- ra incluí-lo como artigo (com o titulo que traduzimos aquí) na coletánea editada por ele, Hermeneutik und

na re-

ldeologiekritik, Frankfurt, Suhrkamp, 1971.

2.2. • A Pretensáo de Universalidade da Herme-

néutica" data originalmente de 1970. ~ um ensaio es-

crito para urna coletánea em homenagem aos setenta anos de Gadamer, e que recebeu o titulo de Herme- neutik und Dialektik, dois volumes, de R. Bubner e out ros, Tübingen, Mohr. Responde já a dois artigos de Gadamer, aparecidos em 1967 em Kleine Schrijten

1: "Die Universalitat des hermeneutischen Problema" (A Universalidade do Problema Hermenéutico) e

• Rhetorik, Hermeneutik

ca, Hermenéutica e Critica da Ideologia). Habermas tomará • publica-lo em su. coletánea de ensaios dis- persos Kultur und Kritik, Frankfurt, Suhrkarnp, 1973, depois de, em 1971,inseri-lo em Hermeneutik und Ideo-

und Ideologiekritik" (Retóri-

logiekritik,

já citado.

2.3. - Hans-Georg Gadamer: Urbanizacáo da Pro-

vincia Heideggeriana" ~ a laudatio por ocasiáo da en-

trega do Premio Hegel, de 1979. Foi publicado pela

Suhrkarnp

Gadamer, que dá o título também ao pequeno volu'

me: Das Erbe Hegels (A Heranca de Hegel).

de

no mesmo ano, junto

com o discurso

2.4. • Hermenéutica

Filosófica. Leitura Tradicio-

8

nalista e Leítura Crítica"

texto, extraído de um Iívro, Mas, e~q~anto

texto fazia parte

foi, como

o nosso

pr~me~ro

? p;rmelro

• o ~e-

de um "relato

blbh~gráflc~

gundo era um ensaio

a parte

e o tercerro fOI um

dis-

d

e hornenagern, este quarto

de um capítulo

curso como urna parte

texto

.

se destaca

d

A-

da Teorl~

~

~ao

Comunicativa. Extrafmos nos so texto do prrrneiro vo- lume (intitulado "Racíonalídade de A~ao e Raciona-

Iízacáo Social"). Eje corresponde,

no interior

des te

L° voJume, a dívisáo 1.4. (2). (e), isto é: .na introdu-

~o,

em que Habermas

trata

do acesso

a problemá-

tica da racionalidade,

o capítulo

4 discute

a proble-

mática da compreensáo do sentido

ciáis, o que é visto em parte

nas ciencias

so-

da perspectiva

da teoria

da ciencia .e em parte

(2) da

perspectiva

da sociologia

compreensiva. Neste último

contexto,

Habermas

tra-

ta da fenomenologia social,

da etnometodologia

(e)

da hermenéutica do tratamento

filosófica. da hermenéutica

Assirn, a forma

filo

'

d

exterior

1;6~,9:\!~:arn;~:sc~~melhan<;asco: l~adoe~~xt:x~~

b

os.

parar

a argumen

tacáo d

~

e arn-

2.5. Por firn fa' I aco

'

d

Ih'd 1 a E

.t lela

.d ,.

cas a gentileza do prof

de anexar,

"¿-in;~?J. Stein, da UFRGS,

gra-

urn texto seu intitul;dor.

U~a Controvérsia sobre o Méa e~lca e Hermeneutica.

na.o apenas resenha d d

. ses d ~r a erra refIexao 01S rnesj

urna v

'

m

b

to

o ern Filosofía" u'

lea

que

e

des-

as

Usca

filoso'f.

roda lnterpreta~ao

a

-

ra

. ISCussao

de Stein

a vantag~m dm de aliar

alé res da argUmenta~ao

clareza

e

c:ona~. O artigo

em debate

e'

e trazer

ao nosso

d

vol pro undldade,

urns as d

d

tern

I apresent

rn que cada

a as a partir

"

e ace¡ t: V~rIOS angulos

~ida procura, ~7J re~onhece

es da POsi~aa de fato e de

uas vozes

ern

se.

lirni.

a oglCamente

nurn

indo

a go e

do autro,

e' f

icar possíveis d

cansen

s or~o

So racional.

e cornpreensao

I

9

Um outro relato da COntrovérsia co

.

w:na solucáos ~ ntética . z: en:n~;:t::sa~

Ricoeur.

.orgamzad.o e traduz'd

li-

1 .o por Hil-

o

P melra

e Ja-

.

de chepr •

vro de hul

ton J.pULSSU,1"IUpr~ta~ao e Ideologias Rí d

_

1

~ro.

F rancisco . A ves, 1983, especialmente

t

'

e terceíra par1es

ri

l. Com a inclusáo do texto de Stein, ficam 1

d

Ii

da

presente selecáo.

Ela oferece

os textos de um dos dois participantes do debate, que aJih envolveu ainda vários outros protag.onistas. ro-

mo K. O. Apel. CJaus v. Bormann, Rüdiger Bubner e Hans Joachim Giegel. para náo mencionar todos. Mas

aponlA os os mutes

.

ogo

nossa íntencáo de traduzir ao menos os textos de

H

aberrnas

tern cm sua

defesa um argumento: Ga-

darner JA está traduzido pelo menos para o espanhol

em sua obra maíor, que já vem produzíndo frutos en- tre nós. E o surgimento, em portugués, de alguns de seus textos menos extensos jA desperta a esperan- ~ de que logo aparecarn tambérn as traducóes dos outros escritos aqul mencionados. (Por razáo análo- ga nAo lncluírnos nesta selecao os capítulos sobre Dil-

they e a compreensño, de Conh~cimento e lnter~se). Afinal de urna maneira ou de outra, traduzmdo

a parte

espirito de Gadamer. caracterizado pelo lan~ar pon-

. órl

tu eara aproximar tcrnt

gundo e nao

SÓ' col oca m ainda

.

com mais outras formas Importantes L. W·ttgenstein.

.10S outros.

de um N. Chomsky. de um J. Piaget e mIultdo eID si desenv.o ven

aquil.o que l.ouva em Gadamer: ele tam

de Habermas no debate. estamos seguindo o

lmente distantes. . compreender as

.

-

o se 1 euor, . nu .

m

'd'á}

1 ogo nto

do pensame

nos . d ímcia

.,.

Os textos do prtmerro nos aju am a

'"-o

.

. ,

de cerro modo clássícas.

.

.

os dois, e o

d

.

atual, ~ja

r-

de um A. Lorenzer. de um

taro

m vem

P.oli Habermas

bém lan~ pon-

10

tes, abre caminhos, aproxima distancias, e mostra co-

t

1

l

I

It

I

.1

it s vezes estas sao só aparentes.

E consegue

os

do

mo mUI a

difícil 1 ICI, vencer

di

l

> sua maneira, realizar o rnars

.

a e, d

abismos criados pelos pensadores ra lcal~, co ocan em contato Heidegger, Freud, Wittgenstem, Weber e Adorno, entre outros. O leitor atento náo deixará de perceber, de qualquer modo, a sombra de Hegel por

trás de todo o debate.

4. Um Iívro que trata constantemente da herme- néutica, da questáo da cornpreensño, da interpretacáo, da tradícáo lingüística e da traducáo nao pode deixar de suscitar; em quem o traduz, muitas reflexóes e

muitas dúvidas sobre a tarefa

que

incumbe ao tradutor. Nao cabe aqui alongar-se sobre os problemas desta traducáo, mas poderia ao menos ser indicado que se tentou urna traducáo filosófica honesta, entendida como priorizando o sentido do pensamento original. Entre um texto de fácil leitura

ern portu.gue~ com menor exatidáo conceitual e um

texto rnais fiel ao sentido original

de lancar pontes

e o mais

legível

possível, a preferencia recaiu na segunda alternatí

r é t Em alguns casos, foi preciso mencionar entre lpV:~ en eses a expressao alem -

te quando e t

tificável, na: ~a~~:o~t:~

tre as duas Iíngua

aínda sugerir algum

""

a ongmana,

principalmen-

jus-

en-

mais ~e um sentido

perfelto paralelismo

E

s.

m certos mome

nos" foi 01 preciso .

t

.

.

AIguns exemplosa mou~ratradu~ao alternativa.

d

aiS comuns, "T

.

dí -

ra l~ao

n

rigma

alava

em

T

d"

envada

cor-

to a Tradition Se olon~~. tlanftoa Vberlieferung

d

lieferung, ou a paÍavr:od c~ntrário, colocamos V ber-

teses.

respon e em nossa l'

quan-

UZImos sem maís: ca

.

ra uton, tra-

desta. entre paren-

"Entendimento" corresponde, num contexto filo-

11

Sófico. tanto

a V~r$tQ'ld (como .'. t 1

V~'sllindnis (num seDtido de"

.

caractenza

a situa~Ao . ern que

d

(en em mutuamente,

.a

$SO usamos

lllde ectoj quanto

.

E

'

sta Ultir

-,'"

a

aCOr doí oj

se compreend

OIS ou m .

,als se en.

em reclpr",,~

te, que !II; • COnota~Ao comum em nosso

- entendlmento· ,

e "acordo"

i

"'-Cltnen. s textos ' e

.

POr

dam

terna

V

ente. Quando,

porém, o oriainal Juntos f la ou al

.

somente por"

C'

a va ern

d

pode traduzir aCOr R o"

'

erstan " :ti. 'gung,

A palavra

R

tra d uzimos

representa~o·

.sl!ntallo". .

epra·

~prQs~ntQnz ., e V~rtretung, conforme fica.

f

ñ assínalado ern parénteses a cada caso. "Interpre.

~o·,

palavra central em nos so contexto, pode tra-

duzir lnterpretation, Deutung e Auslegung. Reserva. mos eolio "exegese" para Auslegung, e destacamos em parblteses quando o original falava de Deutung, co- mo um • dar um certo sentido, e nao outro, a al-

guma COlsa •

.

.

Finalmente,

urna palavra

técnica de Gadamer:

Wirlu"gsgeschichte

significa a hi.stória dos efeitos _de

urna certa

pos tenores,

.

na efetual",

obra,

e por

de sua influéncía

isso adotamos

sobre as_ ge;a?oes hlstó-

e-

a expressao se estar

d

d

que parece

consagran o

pois da traducáo

espanhola

de Gadamer.

Porto

Alegre, junho

de

1987.

12

de e Método», r «Vet•daGadamer de

m ao encontro

1

da

1

riamente, ve

.

Gadamer,ínvo.u~~a.

.

da hermeneutica.

-

E e se de que a

,.

d

e

- posltlvlstlca

desvalonza~ao

encontracom seus A '

experienciahermen~ut:~acientífica".l No prólogo a ~e- controleda metodo og b Gadamer resume sua m-

gundae~i~ao de s"!,ado q~~ o momento histórico-efe-

adversários na concepc;ao

"ultrapassa

o dominIO

;:1(wirkungsgeschichtliche) perman~ce pro utívo em

todacompreensáo da tradicáo (Vberlte~:ru~g), ~~s~o

onde a metodologia da moderna CIenCIa hlston~a tomoulugar e transforma em 'objeto' aquilo que his- toricamenteveio a ser, e que deve ser 'fixado' como

tígacáo na tese

e

d

.

um achado científico, como se a

tradícáo (Vberlie-

ferung) fosse tao estranha e, vista humanamente, compreensível,como o objeto da física".~

in-

Esta crítica correta de urna autocompreensao

ob-

jetivísticafalsa nao pode, contudo, levar a suspensáo

até do estranhamento metódico do objeto, que distin- gue.~en~reurna compreensao que se reflete e a ex- perIencia comunicativa do cotidiano. A confrontacáo

13

de ti Verdade" e tiMétodo"

Gadamer

a contra o

ao deveria, ter '

hermeneutica ao cop r .abstratamente a ex In~Ulido

do. Este é, afinal onhceh~lmdentometódico co""Poerlencia

."

Umt

e mesmo que se tratasse de

manities

,

d

.

ao

a

as c' ~,

lenclas hermeneuti o-

do ambito

. afastar totalmen.te cas;

Ciencias .~ da

as hLt

a~ao _-

roce lmentos e

In-

SClence as

l

_'

-

nao escapariam da

,

.

VInCuacao de p

PlrJco-analíticos ' com proc di

, d'

e lmentos h

reivin Ica~ao, que a hermeneutic

valer contra o absolutismo t

q.üencias práticas, de urna ~e~~o~m, cheio de conss,

e~r:neneuticos,A b~ leglhmamente faz

eras da experiencia da metodologia _

'

d

autocompreensáo

id

d

senn

d'

o

ta

.

nao dis e

e será

. ogra geral das cien-

p nsa de todo o trabalho

mer, ou

,o será,

, como ternos de te

'

ou

SI·

l

mp esmente nao

h

A

.

ontológica d

pro utlva nas ciencias

A

a ermeneuhca

balí

')' o

amer ver aliza no no ci

. o prologo, nao me parece adequada a intenra- d -

a

u nao quena desenvolver um sistema de re-

gras que ~ossem capazes de descrever ou mesmo guiar

COIsa' ti E

e Heidegger , que Gad

-

.

o procedlmento. metódico das ciencias do espírito,

Tampouco era rninha Intencáo investigar as bases teó-

ricas do trabalho das ciencias do espirito com o fim de orientar para a prática os conhecimentos adquiri- dos, Se existe uma conseqüéncia prática a partir das ínvestígacóes aqui apresentadas, náo será, em todo

caso, para um 'engajarnento' nao-científico, mas sim para a 'honestídade' científica de admitir o engaja- mento produtivo em toda compreensáo, Minha ver-

dadeira pretensáo era e é filosófica: nao

que nos fazemos fazer, mas o que

está em questáo

se trata do

(tun), nem do que nós deveríamos

é o que acontece

conosco por cima de nosso querer e fazer".' Esta tese encontra sua fundamentacáo no principio segundo o quaI ,.a compreensáo (Verstehen) nao deve ser pen-

sada tanto como urna acáo da suhjetividade quant? como o entrar (Einrücken) num acontecer da tradi-

---

---

----------

J4

-------

-------

1 o passado

e

• rt sgeschehen), n:d~~:áO. :e ísto que

ro

eutica que está procedimen t o,

'

to as tra-

I o

(Oberlie/eru g rn continua

,.eseote

estáOe d'do na reori

.a herroen

í o P d ser defcn 1
I

I def1la~lad .rnétoo do" . 4

de urJI

la idéia de uro

u:f1l~ o dominada pe

id

, • opon

nuro urnc fundl , as ~áo herroene

Autica A isto se

da tra-

Gada.rner

s vivase a investiga

ía áo refletida

:;: a no~áode q:~:n~~r:~u;aIística da. t.radi~áo

dicáoro.rnpea su sd'fica a po-si~áo dos su)eltos ne-

(

la. Gada.rncrsa be que

só se

Vberlieferung) e_rno 1 -.A

'as henneneuticas ~

as ClenCl

- a urna decrescente

preten-

lverarnem rea~ao

I I pelaconscienciahistórica acentuaqu p,

(

. de5e~voI'dade das trad~oes, Se ele, mesmo assrrn,

XV)

e

, en ao e_

sáo e vae as tradi~Oesnáo teriam perdido seu poder

le reveste .

a criticajustificada ~ falsa autocompreensao

do his-

toricismocom a expectativa injustificada de que o historicismonao tenha conseqüéncias. Nao há dúvida que a tese de Scheler, de que as tradícóes históricas perderiamsua produtividade natural pela objetívacáo científica,está falsamente fundamentada do ponto de ~istametodológico;e nao dúvida que, frente a

JS~O, a no~ao hermenéutica continua a ter raza o , aflrma~ ~ue urna compreensao, por mais controlada que seja, nao consegue simplesmente ultrap

ao

vínculosda tradi~ao do estrutural do cornpr

d

Intérnren--

os prete, mas, da perten~a

dicñ

assar

een er as t

ra I~oes, que o pro-

datradi~ao(Vberlief:runr;~o,?ao segue que o medium do profundamentepela gn n~o s~ tenha transforma_

tdradi~aoininterruptamenrte exaodcientífica. Mesmo na

longaatravésda apro ria

o ape

e pro utiv

a

(EjMs' r. le hnas t) qu· urna autoridade s

'

a n o está • atuan-

d

1

a inte eccao

cada tradi~ao

grossa,

epa rada

tem d

para ~:/ecida

inteligentet~r aplicar;ao. ¡sto é ulentemente

e se lmporia ce cOm linha ~:~~?te;

ndo em vista sit

' _ ma transforma~ao ua~oes modificadas.

15

--------------------------

que a forma9ao metódica

ou prudencial)

d

.

lO~eli~enci~ ( r .

nas ciencias ~:;a

_ meneUhcas dt:t áltca

la rn 1

no compree a

pesos entre autoridade

a

forca da reflexao a nao - está mais

que s: drazao. Gadamer aV:l~a. Os

aquí ofus esenvolve d

El

absolutidade que precisaría ~:r a pela ilusao de~er.

fundamenta9ao

.

'

e nao se d

resgatada pela a roa

h-

Uto.

esprende do

tmgente, no qual ela se encontra p

. e ao do COn

d?gmática da práxis vital é sacudi~:vlamente. Mas~

ao ~escobrir a

surge a reflexao, e sobre a qual ~ ta partir da qual

genes e da tradi9ao (Uberlieferung)

r G d

a arner transforma

a intelec9ao s a se d curva

.

preconceitual

preconceito como tal Mas segue dm~ a rneví r~a ta blhta~aodo ilida

eXlstem . de p da

antecipacñn hermeneutica

da compreensao nu

,

.

.

'

eo ipso

,

bao.estrutura

.

.

_

que

cencerros Iegítirnos? Gadamer é impulso

d

.

lona d o pelo re-

e o rno-

d

conserva orismo daqueIa primeira seracao p 1

.

vunento

ain . dO a nao voltado contra o racionalism •

na convicra-o d e o que o

a verdadeira autoridade nao precisaria aparecer co autorrtáría. E a se diferenciaría da falsa autoridade mo

pelo reconhecímento, "sim, imediatamente autoridade

nao

mento".' Esta frase duríssíma exprime uma convic- cáo filosófica fundamental, que nao coincide com a

hermenéutica, mas quando muito com sua absoluti-

século XVIII, como em Burke

. .

.

,.

1

'

tem a ver com obediencia,

e sim com conhecí-

'-- zacáo.

Gadamer visa aquele tipo de processo de forma- cáo através do qual a tradicáo (Uberlieferung) é transo posta para os processos individuais de aprendizagem e apropriada como tradícáo (Tradition). A pessoa do educador legitima aquí preconceitos que sao inc~l. cados (eingebildet) no educando com autoridade. e IS'

to quer dizer, como quer que o encaremos:

tendal arneaca de sancóes e com perspectivas de grao

sob po-

rífícacóes. A ídennfícacáo com o modelo produz a au-

16

ma interio-

é poss{ve1 u -

de preo

és da qual só atraV portanto• a

sedirnen1ac;ao s con-

r sua veZ. ~ conhecJJllen

to

o

transparente

éutica

e 1 cva

-

t

O ridade. normas e. 'toS sáO. po

de

ncel

s

-

.

dl~óC

~ ref]e"a .nCla ~o . qua no

e

leva

pOSSIVC. , 1 Este

rmaUvo. .

riz,l1~aOOs preco

cOl1ceitOcodsn,heórnentondo ele torna d'da que ele se

a me 1

herrnen da cornpreensao

mente através ta vez caracte-

.

d

e r7

( se ~ro de refere deste. Assim, a

qUa enta

¡llOVIl" .

a

sefllpre.e~ s inculcadas.

de trad~~oetaarefa da hermen~uh

dentro '10 que nOS atos.

teve pr

aquI

cOl1sciéncla eestruturado

h] tonca

IS

cer

v

G d rner

a a

rica: ela teria

da Fenomenologra

riza ~:J1lsentidooposto o ca~~~a oa mostrar

~z~sp¡rito hegeliana. d~ mll'daadeque a determina.'

ern toda

To-

nao

ao

d

substancIa

é . d a do

subjetivldae a . 1 do historicamente

cbsviao. substanCIa

.

pr

ído na reflexao. A estrutura

nao -

po<!

e

Mas é exa-

to-

Q

~e

au

.

d

fíca mt<><;oaa o ser e se assum tornoU transparente preconcel~al q~ Illaneira de preconceito.

.

ís funCIOnar es

:ente

isto que Gadamer parece su~r.

'dade convirja COIllconhecimento,

equlvalena

a di-

~r que a tradicáo. que atua

por

trás

do educador,

legitimariaos preconceitos inculcados aos da nova ge-

racáo: e que só se poderiam, entáo, ratificar na re- flexáo dos mais jovens. Ao certificar-se da estrutura preconceitual, o joyero tornado maduro transporia o

reconhecimento, antes náo-livre, da autoridade

do preceptor, agora refletidamente, para a autorída-

de o~jetiva d~ um contexto da tradicáo, S6 que a

aut~ndade tena permanecido autoridade pois a re-

flexáo id d s6

~~a .e do transmitido (Vberlieferten). eclmento, que é mediad

alterado nada no f t

pennaneceu a únic: o . ~ ~e

O preconceito d~~~d Jos preconceitos d

pessoal

deri

po ena ter-se movido

d

1

,

nos limites

da

fati-

O ato do reco- -_

nao

tería

tal

do direuo

o pe a reflexao,

a tradi~áo eoquanto

a validade do preconceito.

amer

favor

ern pe a tradlc;ao q~estio-

1

.

-

ocumentados

17

Jt:) .•

(o~

da refle

lo l ro de que da

o ln~.

o. que entretanto

se confirma

pode tambérn rejeitar a pre-

A substancialidade se esvaí na

reO -o. porque: esta náo apenas ratifica, mas também mpe ou dc:rruba poderes dogmáticos. Autoridade e

hcdmc:nco MO convergern. Nao dúvída que o

becimeoto K enraíza ern tradicáo (Oberlieferun )

, ; de: permanece ligado a condicóes contingente~,

lAs • ren o n 5 0 trabalha na faticidade das nor- aus lTan miudas (überlieferten) sem deixar vestigios,

El

é condenada a chegar depois, mas, ao olhar para

~ • desenvolve urna Iorca retroativa. Nós só pode- DOi voltar para as normas interiorízadas depois de termo aprendido prirnelro cegarnente a seguí-las b um poder que se irnpós de Iora. A medida, porém,

qt

1M. qual

e a reflexáo recorda aquele caminho da autoridade,

:

gramáticas

dos jogos de línguagern foram

e.\.: itadd

do mundo e do agir, pode ser tirado da auto- ri ade aq Jito que ncla era pura dorninacáo, e ser dis-

e da

como regras da concep-

dogmarícarnente

ido

oercño sern víoléncia

da Intcleccáo

cL.dSoAo

lonal.

experiéncia da reflcxáo «! a heranca imper-

a par-

•i, do e pirita do século XVIII. Somos tentados a apli-

Gadamer e lhe demonstrar her-

di .e! que nos (o¡ legada pelo idealismo alemáo

Est

r Gad mer contra

ID nculi amente que ele ignora aqucla hcranca por te,r e (. assumidc um conceito nño-dialétko d,e E~I~ecl.

m; nto (Al'¡klarung), a partir da perspec.tlva limitada

d século XIX alcrnáo, e. com este conceíto, wn afe!o

que

_:,'

rervrn

di a diante

I

de nós uma perigosa di pretensao -

.

d

supcrioridade

e que nos separo~ da~ t~

~oe~ OCI-

d

ntais.

Mas as coisas nao sao assim tao sImples: ~a-

rner tern a máo um argumento sistemático, O dlre.lto

d

. l

d

o ponto

d

e P

artlda

, (AnsQrzes) hennencutico. Aquele direito requer um SIS-

da refle:<áo exjge a auto-restri~ao

18

I

de tra-

dicáo enquanto tal: só entáo a tradicáo pod~ ser tam-

tema de referencia que ultrapasse o contexto

bém criticada. I Mas ~~~é

referencia deve ser por sua vez legitimado de maneira

diferentedo q~e pela apropríacáo da tradicáo?

que

-um tal -sístema

,de

-

Wittgenstein submeteu a análise da linguagem primeiramente a urna auto-reflexáo transcendental e depois a urna sociolingüística. A hermenéutica de Ga- damer assinala um terceiro degrau da reflexáo: a his- tórica, que concebe o Intérprete e seu objeto como momentos do mesmo contexto, Este contexto objetivo se apresenta como tradicáo ou história-efetual (W ir- kungsgeschichte). Através dele, enquanto um meio (Medium) de símbolos lingüísticos, as comunicacóes

se prop~ga~ histol'icamente. Chamamos este progres- so d~ hIstÓrICO,porque a continuidade da origem s6 se pl,eserva através da traducáo, através de urna fí-

lología em grandes linhas, que se realiza

de urna ma-

nelr~ co~o qu~ natural. A intersubjetividade

mumca~ao ~m Imguagem corren te é rompída e precisa ser reconquistada sempre de

. Esta realizacáo (Leistung) r~~vo.' Intermitentemente .

-da ca-

hermeneutica, efetivada imp1íc't utrva da. ~ompreensao

al motivada desde o . , , I a ou exphcltamente, -

sim vai progredindo. Tradi IniCIO áo pela (Ob tradi ~

um processo que aprend ll

es-

as-

,

'

cao,

que

erlleferung) emos a domina

na qu r, 1 mas

a

'

nao é

sim .

mguagem transmitida (t d')

"A

maneira de ser lSei ra zerte

Ela é lin

'

rnos.

lieferung) nao é de

nos VIve-

(Vber-

sensivel-

cer t o Seznsart) nenhum da tradi~ao '

a manelra

"

mente lmedlata.

compreende, inclui sua ve gduadgem,e o escutar, que a

. port

amento-no.mundo lin "" interpreta textos, A com g~lSh:o,

sente e tradi9ao (Vberlief~~~~~ao hngüística entre pre- g) era, como já mostra-

em que

especí ICO com-

r a e em urn

.

ífi

.na medida

19

mos, o acontecer (evento) que traca -seu caminh

d

A

experrencia

o

A

o

h

ermeneutica

todo compreen ero

autentica experiencia, preci~a assumír tudo o ~u~O~~ é presente, Ela nao tem a Iiberdade para previame

o ern

ieit

se ecionar e rejei ar.

1

o

M

1

as e a

t

b .

am ern nao pode

nte f'

mar urna liberdade absoluta no deixar as coisasa Ir- mo estáo, que parece específico para o compreen~o- do cornpreendido. Ela nao pode tornar sem efeito ( er geschehen) o evento (Geschehen) que ela é ." ?

da análise da Iin,

guagem ultrapassa e vence a concepcáo transcenden. tal, que Wittgenstein manteve ainda mesmo frente a pluralidade das gramáticas dos jogos de linguagem, Enquanto tradicáo, a linguagem abrange todas as gra- máticas determinadas e instala unidade na -lDultiplici. dade empírica das regras .transcendentaís. No nível do

espírito objetivo, a linguagem se torna um absoluto contingente. Como espírito absoluto, ela nao pode mais se compreender; ela agora só se faz sentir como poder absoluto para a consciencia subjetiva, Na trans- formacáo histórica dos horizontes de experiencia pos- sível, este poder se torna objetivo. A experiencia de Hegel da reflexáo encolhe-se, reduzindo-se a conscien- cia de que estamos entregues a um evento (acontecer) no qual, irracionalmente, as condícóes da racionalida- de se alteram segundo tempo e lugar, época e cultura. A auto-reflexáo hermenéutica só se descaminha para este írracionalismo, contudo, quando ela absolu- tiza a experiencia hermenéutica e nao reconhece a foro ca de transcender da reflexáo, que também trabalha nela. A reflexáo nao pode mais, certamente, ultra- passar-se rumo a urna consciencia absoluta que ela mesma pretendería entáo ser. Está barrado o carni- 000 para o idealismo absoluto a urna consciencia transcendental que foi abalada hermeneuticamente e derrubada de voIta para o contexto contingente de tra-

un-

A auto-reflexáo hermenéutica

20

I

.,

I

,

\

I

,

¡

f

o precisa,

por isso, atolar-

id

conscienCia

de

.,

o 'd alismo relativo"

,

urn

que

e . fel'to de senll

MaS est3

id d

díC(jesorninho de urn I e evento da tradi~ao

se

(Vbu- .

nO ca

o sim imbó lr

bJoetivl a e sgeschehens ) ,

A o

b ietivao A hermeneutlca, ,

lieferu~goé suficientementde °trJo nas paredes do con-

J oo na

P le, or as

, ciad~s_e (Vberlieferungen) culturals,

texto

en .

b te de

sim dizer,

-

d a tradi~ao;

a

logo 1 que t:::s - e a nao

.tes limites

pode

como

sao expenen- mais abso 1 unzar Há um bom sen- écie de '

urna esp,

o

'

todas

as . mstlttll'

na co- Mas esta meta-ms- ,

,

conhecJ id o s ,

tradJ~oes

tido ern con~eber

lin uagem

da qua g 1 dependem

ac;ao _ so

it 'rao

o

-

meta·msu ' UI'!J , pOlS ~ a

róes SOClalS, d

IIlunica~ao o ,- o da hnguagem ~ In co

tItUJ~a

y

,

cial só se constItUl ,

rrente'

'

r guagem co

d

roo tradi~ao é evidentemente. . .

-

dente de processos SOClalS, que nao

. L'

normatIvos.

mgua-

d e de p~ e~ s~

nao

.'

or sua vez,

b

'dos epen por contextos

P

{'eam a sorVl lem também é medium de dorninacáo

~ial. Ela serve a legitimacéo de rela~óe~ .de v~olenc~a

orgamza , d a.

Na medida

em que as legltlma~oes

.

1A

ifestam (aussprechen) a relacáo de VIO encía, cuja did

com urna

e na me

que nas legitirnacóes,

1 a em

mas

tal dependencia

sim de engano

hermenéuti-

do contexto

man institucionalizac;ao possibilitam,

isso apenas se exprime (ausdrückt)

a linguagem também é ideológica. Ai nao se trata a pe-

nas de enganos numa linguagem,

com a própria linguagem. A experiencia

ca que topa

simbólico corn referencia as relacóes fáticas passa a ser crítica da ideología.

se avo-

As forcas (Gewalten) nao-normativas

que

lumam (para) dentro da linguagem enquanto meta-

instituic;ao nao provérn apenas dos sistemas

?ac;ao, mas tamhérn do trabalho social. Neste campo Instrumental do agir controlado pelo sucesso, organi- zam:se experiencias (Erfahrungen) que evidentemente motlVam interpretac;oes lingüísticas e podem alterar

modelos transmitidos

da dorni-

de interpretacáo,

sob coacáo

21

OpCl'~.t

moa t.ranSfOn1l3~O

dos .modos

de pro.

--

~Jo :anna u.ma recstrutura~Ao da imagern lingüis-

, do mundo. IsIO pode ser estudado, por exempl0,

co a.brpmento do terreno profano em sociedades pri- miu\ Jo dú\tida de que revolucóes nas condí. eX t"q)rodu io da vida material sáo , por sua vez, medwiu lingOistlumente; mas urna nova práxis nao posu ero a ~o apenas por urna nova interpreta~,ao, e s.im antip modelos de ínterpretacáo vérn a ser tarn-

bero. "cX baixo para cima", ating.idos por urna nova e rTVolucionados.9 hlA pnLds da pesquisa institucionalizada das ciel)- du empíricAJ, haje esl' assegurada urna afluencia de W~6es que outrora se acumulavam pré-científí-

ClJDC'nte em slsternas de trabalho social. Estas infor- ~óes elaborarn e.lperitncias naturaU ou provocadas, qur lit conatituern no círculo funcional do agir ins-

U"LIl'DCSltat Eu presumo que as modjfica~Oes

ínstitu-

c:io:Pis (~ pelo progresso cient1fico-técnico exer-

c:em JObre 05 ~1

mundo indircumalte

que outrOnt exerciam as modifi~óes

lC'lDa.5

lingüísticos da concepcáo de urna influencia do mesmo tipo

.modo de

~

prod~~

país a, citncia

se tomou a principal entre

as [o~

produtivas, As ciencias empíricas, contudo,

Dio representam afinal um jogo de linguagem prop~ mente arbj trário. A sua linguagem interpreta a realí- dadc ¡ob o ponto de vista. profundamente ancorado

an termos antropológicos, da possível disponibilidade

akn.ica. Atra\~ dela, a coacáo fática das circunstan-

cias nanrrais da vida penetra

na socíedade, ~ claro

que os sistemas de enunciados das teorías empírico-

científicas também remetern para a linguagem cor- rente como última metalinguagem; mas o sistema de

ativídades. que elas possibilitarn, as técnicas para dis-

por da narureza. atuam inversamente

22

também sobre

exto institucional . da sociedade como um todo,

t

gindo '. e transformam a mguagem. .

Ii

'.

Uma sociologta compreensiva, que hípostasía a

o

retroa

con

1, '

agem como sujeito da forma de vida e da tra-

)

d

id

d. áo (Vberlieferung , pren e-se C1 pressuposicao 1 ea-

>

-

lngu

tl~ta de que a consciencia lingüisticamente articulada ~:termina o ser material da práxis vital. Mas o, con- texto objetivo do agir social nao se esgota na dimen- sao do sentido suposto intersubjetivamente e trans- mitido simbolicamente. A infra-estrutura lingüística da sociedade é momento de um contexto que, embora sempre mediado simbolicamente, se constituí por coa- ~óes da realidade: através da coacáo da natureza ex- terior, coacáo que se. introduz nos processos de dis- posi~ao técnica, e através da coacáo da natureza in- terior, que se espelha nas repressóes das relacóes so- eíais de forca. Ambas as categorias de coacáo sao nao apenas objeto de interpretacóes: as costas da lingua- gem elas também atuam sobre as próprias regras gra- maticais, segundo as quais nós interpretamos o mun-

do. O contexto objetivo, só a partir do qual podem ser compreendidas aciies sociais, constitui-se sobretu- do de linguagem, trabalho e dominaciio. Em sistemas

de t ra balho, como da domina c áo , se relativ iza o even-

to da tradicáo (Vberlieferungsgeschehen), que só se

apresenta como o poder absoluto para urna hermenéu- tica tornada autónoma. Por isso, a sociologia nao de- ve deixar-se reduzir a socio logia compreensiva. Ela exige um sistema de referencia que, por uro lado, nao oculta naturalisticamente a mediacáo simbólica do agir social sob uro comporta mento apenas controlado por sinais e estimulado por impulsos; e que, por outro la- do, tampouco cai num idealismo da lingüisticidade

e sublima processos sociais a tradicáo cultural. Um

tal sistema de referencia náo poderia mais deixar, de maneira indeterminada, a tradicáo como o abrangente,

23

r , d,,"t'na tornar eompreen

e ero u.~ RJ

ível a tradicáo como tal

momentos do CO 'l-

p3r1i com outro

J, para podcrrnos indicar condi<;Oes

wb 3

quais se alterarn

empirica_

•ne

t<

rq;

tran endentáis

da concepcáo do mundo

e do

ir.

c;'d:uncr. que dcscende do neokantismo

o (i

impedido, pelo

de Mar-

que

re íduos do kantismo

l.

a enro

rar

ed rcnclal de Heidegger conservou, de ti.

. consequéncias que, contudo, estáo próximas de njfisn. Ele evita a passagern das condi<;Oes

uní-

\~* na qual essas condlcóes se constituem. Ele nao

fl"aI\SCendenlJlis da historicídade

para a história

\'i qut". NI dimen

~o do evento da tradícáo

(Vberlie.

/DU1ftstescht'hetr),

precisa pensar como já mediado o

q~. segundo a difcrenca ontológica,

nao seria capaz

dr WD.I mediacáo: as e truturas lingüísticas e as con-

di empíricas, sob as quais elas se transforrnam

hís lOricamen te. por causa dísso Gadamer pode dis- ! simular para si mcsmo que a vinculacáo prático-vital da eompreensño a sltuacño hermenéutlca inicial da-

queJe que compreende leva necessariarnente l antecí-

~ hipotética de urna Illosofia da hist6ria de in.

leD~O prática (eine Geschichtsphilosophie in praktis-

cita Abncht).·

NOTAS

J. wdamer

W4hrhnl und Merhode, 2.- ed., Tübingen, 1965. In-

errad. espanhola, Verdad y Método, Salamanca, Edi-

t~

dones Si¡uemc, 1934,p. 2J s.)

2. Gadamer, op. cít., p. XIX. (Trad. esp., p. 16.)

J. G3damer, op. eir., p. XIV. (Trad. esp., p. 10.)

4. Gadamer, op. cit.,

p.

274 s. (Trad. esp., p. 360.)

Op, cít., p. 264. (Trad. esp., p. 347.)

24

. 286. (Trad. esp., p. 372.)

6.

Op· eu

p.

't

CI.,

.

P

439. (Trad. esp., p. 554 s.)

r op

.

1

.

7. GadaIlle.

orienta a crítica de K. O. Ape ao lOS- f Apel "Arnold Gehlens Philosophie

O 1962

1

s

, p.

ss.

E te ponto de vista

8· titucionalis~O s

de Gehlen, e .,

Phil. RLmdschau. ano 1 ,

·tuBon , In.

der Insu

9

A Sociology 01 Language, Nova Iorque,

vn. "Sociocultural Change and

Cf. 1. O. Hertzler,

1%s. especialmente,.9 cap.

.

. g Language .

Changtn 10. Isto foi v~sto po

guIar P

.'

r W. Pannenberg: u:e, um espetáculo sin-

um autor agudo e que enxerga

é

o f e-

d

b a r

fundo

resenclar como dir para evitar que seu pensamento tome

-

t m maos a me I

_

qUl~ ivro

.

nao e _

a ~ol

recído pe o

d

a me la~a

está apontada por ele. Este espetáculo

1 hi

íst

de Gadamer em seus esforcos para evitar

óri na.

áo total hegeliana da verdade presente pe a

l

. di

forro está muito bem fundamentado pe a In icacao -

á

l

Este es •.,.

fi írude da experiencia humana, jamais super ve em um sa e :olutO. Mas, estranhamente, os fenómenos descritos por Ga-

~er

versal da história

por ter ruante dos olhos o' sistema de Hegel", (W. Pannenberg, "Hermeneutik und Universalgeschichte", in: Zeitschr, f. Theol. u. Kirche, ano 60, 1963, p. 90 ss.). Na mais moderna teologia evangélica, conforme eu vejo, foi a recepcáo da obra de Bloch que deu o impulso para ultrapassar a ontologia da historíci- dade (Bultmann, Heidegger) através de urna reflexáo sobre

a dependencia das condicóes tránscendentaís da compreensáo

frente ao contexto objetivo da história universal. Além dos trabalhos de Pannenberg, cf. também J. MoItmann, Theologie

der Hoffnung, 1964. _,.

empurram sempre na direcáo de urna concepcáo uni-

da qual ele gostarla justamente de fugir -

"_

-1

,"

.

.:

~

-

,

A Pretensáo de Universalidade d

.

H

".

ermeneutrea

a

1. Hermenéutica se refére a urna "capacidade" (Vermogen) que adquirimos a medida que aprende- mos a 11dominar" urna linguagem natural: a arte de compreender um sentido lingüisticamente cornunicá- vel e, no caso de comunícacóes perturbadas, torné-lo inteligível. Cornpreensáo do sentido se orienta para o conteúdo semántico do discurso, mas também para as sígnífícacóes fixadas por escrito ou em sistemas de símbolos náo-Iingüísticos, na medida em que eles, em princípio, podem ser "recolhídos" (eingeholt) em dis- cursos. Nao é por acaso que falamos da arte de com- preender e de tornar inteligível, porque a capacidade de ínterpretacáo, de que dispóe todo falante, pode ser estilizada e mesmo desenvolvida como urna habili- dade técnica tKunstlertígkeit): Esta arte (ou técnica) se relaciona simetricamente com a arte de convencer (Vberz.eugung) e persuadir (Vberredung) em situa~óes ero que sao trazidas para decisáo questóes práticas. Para a retórica vale o mesmo: também cla se ap6ia numa capacidade que pertence a cornpeténcia cornu-

26

"

pode ser artificial-

. de cada faJante, mas quhebilidade particular.

id

omo orl'ginaram-se urna a como tecno o-

1

neutlca

lSCI-

',aUva

nI te desenvoJvl a c,

JIlen

Retórica e heo:ne . da arte, Kunstlehren), q~e

, s (ou doutrtnas

gla

plinam e cu l

tural!

di mente uma capacldade

.

na-

Jt'vam meto ica

h

néutica filosófica, as cotsas

,2 ela nao é tecnología

se pas- (ou do u- )",

Com a tra erme manelra, .

d

sam e ou

sim crítica, Com efeito, e1a traz ca

trina da arte), ma~ ntara-o reflexiva experiencias

, consclencl)'que fazemos na linguagem, ao exercennos

f ahrungen

~~ro

na li'ilguagem. Como a retónca . movermo menéutica servem a íniciacáo e la forma~a~ -

(Er-

,~ 'a em orte

mp

S

,.

eténda comunicativa , .

t

o, a

e, portan

o nos

h

e

a di iscip . I-

er-

r

da da competencia comunicativa, a reflexao herrne-

na neutica póde partir do terreno

Mas a reflexáo do correto (de acordo

da arte) compreender

lado (1), e convencer e persuadir,

(Kuns-

tlehre), e sím de urna meditacáo (ou tomada

ciencia,Besinnung) filosófica sobre estruturas da co- municacáo em linguagem corren te.

d

'A '

e experrencia

d e 1 as.

corn as regras

por

por outro

um

lado

de cons-

e

e tornar inteligível,

de urna

(2), está a
'

servico nao

tecnologia

,.

(1) A arte do cornpreender

e do

tomar

lnteligí-

vel, a h~rmeneutica filosófica deve a experiencia

racterístIca de que os meios

tural

senh 'dem o de princípío q sao suficientes

ca-

na-

de urna

Ii

'.

mguagcm para esclarecer

o

estranho

ro momento

gua pára q~alqu:r~~e~~s o!

relaci o nar as objet'

cultura mais dist IV~~d s da época mais afastada

é

nClra

c1aro

. uaisquer ~ontextos simbólicos,

por mais

s e macess(velS que

. possarn

ser num prirneí,

Un-

Podemos

e da

amiliar, isto

de

ma-

é

trad~zir de qualquer

(ou hnguagem).

r

contexto

ancia a corn o

, .pré-comprecndido . da'

cOmprcensívcÍ A quilo que nos cerca, t

, ao

h

?rizonte de cad

.

o mesmo

li

empo pertence,

a mguagem natural,

a dis-

,

ljr:'

tQJ de trad~ÓC$ cslra nhas E

h.-xlo sempre compreendido

man.t.

~ --'J'

~

aTa laUlJ UlT poce,

.

b

do

tambérn o COn- nos ce

tea

de

a quaJquer

que

momento d

'

.

nr-$e como questionável, ele é o POt

.

eSC(>.

ccmprecn.sSvet Só os dois momentos' enclalrnente in-

,,_~

ern a cxpenenCla '. . hermeneuti" Juntos é que

d

d

o acor o (Versriindigung)

.

.

Clt-

ca. na a lingu IOter su~

~.<;

,

',";-'--'-

_JeLJnu. ••uc

1

corrente é em principio tanto ilimitada

pida Ilimitada: pois pode ser estendida ~uanto rOIll_

agern

"da

."

Vontade' e

l'

gra men-

romp.

te. Isto val

: pois Jamais pode ser produzida inte

d e para as co~umca~oes . - contemponlneas no

ho

e urna cornunidade lingüística sociocul

mogenea, tanto quanto por sobre