Sei sulla pagina 1di 138

PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES

FISIOLOGIA DE SEMENTES

Renato Mendes Guimarães

UFLA - Universidade Federal de Lavras

FAEPE - Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão

Lavras - MG

1999

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Classificação e Catalogação da Biblioteca Central da UFLA

Guimarães, Renato Mendes

Fisiologia de sementes / Renato Mendes Guimarães. -- Lavras : UFLA/FAEPE, 1999.

132p. Il. -- (Curso de Especialização Pós-Graduação “Lato Senso”por Tutoria à Distância: Produção e Tecnologia de Sementes).)

Bibliografia

1. Semente. 2. Fisiologia. 3. Dormência 4. Germinação. I. Universidade Federal de Lavras III. Fundação de Apoio ao Ensino Pesquisa e Extensão. IV Título.

CDD - ????.?????

TEXTO REVISADO PELOS AUTORES

1999 - FAEPE - Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão

PROIBIDA A REPRODUÇÃO DO TODO OU PARTE, POR QUALQUER MEIO, SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DA FAEPE.

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” POR TUTORIA À DISTÂNCIA PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES

Convênio UFLA - Universidade Federal de Lavras FAEPE - Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão

Reitor da UFLA FABIANO RIBEIRO DO VALE Presidente do Conselho Deliberativo da FAEPE ANTÔNIO NAZARENO GUIMARÃES MENDES Chefe do Departamento de Agricultura CARLOS RAMIREZ DE RESENDE E SILVA Coordenador do Curso MARIA DAS GRAÇAS GUIMARÃES CARVALHO VIEIRA Editoração Eletrônica CENTRO DE EDITORAÇÃO ELETRÔNICA - FAEPE

Impressão UFLA - GRÁFICA UNIVERSITÁRIA

SUMÁRIO

1 DESENVOLVIMENTO DE SEMENTES

1

1.1 Tamanho da semente

4

1.2 Teor de umidade das sementes

4

1.3 Conteúdo de matéria seca das sementes

6

1.4 Germinação

7

1.5 Vigor

9

1.6 Discussão geral

10

2 COMPOSIÇÃO QUIMICA DE SEMENTES

13

2.1 Influência de fatores

genéticos

15

2.2 Influências ambientais

17

2.3 Influência da água

17

2.4 Influência

da temperatura

18

2.5 Influência da fertilidade do solo

19

2.6 Influência de práticas culturais

21

3 CARBOIDRATO ARMAZENADO EM SEMENTES

23

3.1 Amido

23

3.2 Hemicelulose

29

3.3 Outros carboidratos em sementes

29

4 LIPÍDIOS DE RESERVA SEMENTES

4.1 Classificação dos lipídios

5 FOSFOLIPÍDEOS

31

37

37

5.1 Hidrólise de lipídios

6 PROTEÍNAS DE RESERVA NA SEMENTE

39

41

6.1 Proteínas

Erro! Indicador não definido.

7 OUTROS COMPOSTOS QUÍMICOS ENCONTRADOS EM

49

7.1 Taninos

49

7.2 Alcalóides

50

7.3 Glicosídeos

50

7.4 Fitinina

51

7.5 Hormônios

51

7.6 Giberelina

52

7.7 Citocininas

52

7.8 Inibidores

53

7.9 Vitaminas

53

8 ÁGUA E

TOLERÂNCIA

À DESSECAÇÃO

55

9 GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA

61

9.1 Fase I - Reativação

63

9.1.1 Embebição

63

9.1.2 Reativação do metabolismo

68

9.2 Fase II - Indução de crescimento

72

9.2.1 Fase lag

72

9.2.2 Preparação para o crescimento

73

9.3 Fase III - Crescimento

76

9.3.1

Introdução

76

9.4 Influência de fatores externos na germinação e dormência

79

9.4.1 Luz

84

9.4.2 Nitrato

89

10 REGULAÇÃO ENDÓGENA DA GERMINÇÃO E DORMÊNCIA

97

10.1 O mecanismo de germinação

109

10.2 Mobilização de reservas

113

10.3 Lipídios

113

10.4 Proteínas

115

10.5 CARBOIDRATO

117

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

123

Página vazia (verso)

1

DESENVOLVIMENTO DE SEMENTES

1 DESENVOLVIMENTO DE SEMENTES De uma maneira geral, durante a formação da semente, observa- se inicialmente,
1 DESENVOLVIMENTO DE SEMENTES De uma maneira geral, durante a formação da semente, observa- se inicialmente,

De uma maneira geral, durante a formação da semente, observa- se inicialmente, um acumulo de açúcares tais como sacarose, frutose e glicose, bem como de aminoácidos e amidas. Estas substancias drenadas da planta mãe, são os principais metabolitos para a formação dos tecidos da semente e das substancias de reserva que serão acumuladas para fornecimento de energia e substancias básicas para o desenvolvimento do processo de germinação. Desta forma a medida que a semente vai se desenvolvendo há uma diminuição na quantidade destas substancias mais simples e, ao mesmo tempo, um acumulo de moléculas maiores e mais complexas como as proteínas, amido, lipídeos, celulose etc

1

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Em algumas espécies de dicotiledoneas, o endosperma funciona como um órgão de reserva transitório de açúcares e aminoácidos. O crescimento do embrião no inicio é lento, mas acelera-se posteriormente. O número final de células é atingido na fase inicial da formação da semente e é seguido da expansão celular e do acumulo do amido e demais substancias de reserva, que acontece nos cotilédones, que funcionam como os grandes armazenadores definitivos das reservas, pelo consumo total do endosperma. Em outros casos os cotilédones não são armazenadores e a síntese das reservas ocorre mesmo no endosperma.

Nos cereais, os embriões não armazenam reservas, a não ser uma pequena quantidade de lipídeos no escutelo. Entretanto as reservas de carboidratos são polimerizadas no endosperma e as reservas de proteínas acumuladas nas camadas de aleurona.

O estudo do desenvolvimento de sementes visa determinar o ponto no qual a semente pode ser desligada da planta mãe, sem prejuízo para sua qualidade fisiológica. Desta forma o conhecimento do chamado "ponto de maturidade fisiológico" é de grande importância para a determinação da melhor época de colheita de sementes, embora não seja muitas vezes o determinante exato do melhor momento para o início da colheita. Muitas vezes as sementes apresentam percentuais de umidade relativamente altos no ponto de maturidade fisiológico impedindo que a colheita seja realizada, neste momento, principalmente

2

Desenvolvimento de Sementes

quando os equipamentos utilizados possuem sistemas de trilha, separação e transporte incompatíveis com estas condições de umidade

do material. Entretanto, deve ser considerado um referencial importante da independência da semente em ralação a planta mãe, se constituindo no marco a partir do qual o monitoramento da umidade é importante para a realização da colheita na época correta. O importante é ter em mente que a partir do momento em que a semente deixa de receber nutrientes da planta mãe ela inicia o processo de armazenamento e que

o armazenamento ao ar livre pode representar um enorme perigo para

sua qualidade, já que, fica exposta às intempéries, além do ataque de pragas e doenças, o que se torna especialmente grave em regiões onde

o período chuvoso é muito prolongado.

Algumas características físicas e fisiológicas como: tamanho, teor de umidade, conteúdo de matéria seca, germinação e vigor, são importantes para o entendimento do desenvolvimento da semente durante sua formação, sendo o acompanhamento das mudanças observadas nestas características desde a fecundação do óvulo até a completa maturação fisiológica, uma boa ferramenta para o estudo desta fase da vida da semente.

A seguir o comportamento de cada uma dessas características durante o processo da maturação é analisado.

3

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

1.1 TAMANHO DA SEMENTE

As sementes crescem em tamanho rapidamente após a fecundação até um máximo que é mantido por certo tempo para, no final do período, ser um pouco reduzido. Esta redução é devido à desidratação e é mais ou menos acentuada dependendo da espécie. Por exemplo em soja é muito mais acentuada que em milho. A Figura-1 indica as alterações no do tamanho da semente durante a maturação.

zigoto semente madura FIGURA 1: Alterações no tamanho das sementes durante Tamanho da semente
zigoto
semente madura
FIGURA 1:
Alterações
no
tamanho
das
sementes
durante
Tamanho da semente

o

desenvolvimento. Carvalho e Nakagawa, 1980.

1.2 TEOR DE UMIDADE DAS SEMENTES

Logo após a formação do zigoto

o teor

de

umidade é

alto,

oscilando entre 70 a 80%. Poucos dias depois , observa-se uma

4

Desenvolvimento de Sementes

pequena elevação, geralmente chegando a uns 5% no máximo, começando em seguida uma fase de lento decréscimo. A duração desta fase é variável com a espécie, cultivar e condições climáticas. Em seguida a semente experimenta uma rápida desidratação, também muito influenciada pelas condições climáticas. O teor de umidade decresce então até o equilíbrio higrostático com o ambiente e passa a sofrer oscilações com as variações da umidade relativa do ar. A Figura 2 esquematiza as variações de umidade durante a formação da semente.

Teor de umidade (%)
Teor de umidade (%)

Zigoto

semente madura

FIGURA 2:

Alterações no teor de umidade durante o desenvolvimento de sementes. Carvalho e Nakagawa, 1980.

5

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

1.3 CONTEÚDO DE MATÉRIA SECA DAS SEMENTES

A semente é um forte dreno na planta, que necessita de acumular reservas para cumprir seu papel de perpetuar a espécie. A acumulação de matéria seca começa de forma lenta mas em curto espaço de tempo este acumulo passa a ser rápido e constante até atingir um máximo. Este peso seco é estável por algum tempo e pode sofrer um pequeno decréscimo no final do processo. A Figura 3 ilustra este comportamento.

Matéria seca (g)
Matéria seca (g)

FIGURA 3:

Zigoto

Semente madura

Acúmulo de matéria seca durante o desenvolvimento de sementes. Carvalho e Nakagawa, 1980.

O máximo de matéria seca tem sido mencionado como o ponto indicador mais seguro da maturidade fisiológica da semente. Isto é razoável desde que se entenda por maturidade fisiológica como aquele

6

Desenvolvimento de Sementes

ponto após o qual a semente recebe nada, ou quase nada, da planta mãe. Em outras palavras, a maturidade fisiológica não significa, necessariamente, capacidade máxima de germinação, não obstante isto coincide com notável freqüência.

1.4

GERMINAÇÃO

De uma maneira geral a capacidade de germinação aparece nos primeiros estágios de formação da semente. O Quadro abaixo ilustra alguns exemplos.

QUADRO 1: Números de dias, após antese, exigidos por algumas espécies para que as sementes apresentem alguma germinação (In TOLEDO & MARCOS FILHO, 1977).

Espécie

N o de dias após a antese

Cevada

5

Centeio

5

Trigo

5

Sorgo

5-10

Trevo

10

Algodão

22

Soja

38

Esta capacidade precoce de germinar, contudo, só ocorre numa pequena porcentagem das sementes. Freqüentemente, depois desse

7

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

ponto, observa-se uma redução acentuada na capacidade de germinação, atingindo níveis próximos de zero. Pouco tempo depois a capacidade de germinação volta a aumentar, atingindo o ponto máximo. Desse ponto em diante, a capacidade de germinar passa a depender de como atuam sobre ela os fatores ambientais, bem como das características intrínsecas da própria semente. A intervenção do homem, procedendo a colheita, também pode concorrer acentuadamente para preservar, ou reduzir, drasticamente, o nível de germinação. A Figura 4, ilustra o que foi dito acima.

Germinação (%)
Germinação (%)

Zigoto

semente madura

FIGURA 4:

Alterações

desenvolvimento de sementes. Carvalho e Nakagawa, 1980.

na

capacidade

germinativa

durante

o

8

Desenvolvimento de Sementes

1.5

VIGOR

O vigor de uma semente, durante a maturação, é uma característica que acompanha, na mesma proporção o acúmulo de matéria seca. Assim uma semente atinge seu máximo vigor quando se apresentasse com seu máximo peso de matéria seca. Desse ponto em diante, a evolução da característica se faz de maneira semelhante a germinação, isto é, tenderia a se manter no mesmo nível, ou decrescer, na dependências de fatores ambientais e do modo e momento da colheita.

Vigor
Vigor

Zigoto

semente madura

FIGURA 5:

Alterações no vigor durante o desenvolvimento de sementes. Carvalho e Nakagawa, 1980.

9

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

1.6 DISCUSSÃO GERAL

Teor de umidade Tamanho Vigor Matéria seca Germinação Indices de Maturação (g. %)
Teor de umidade
Tamanho
Vigor
Matéria seca
Germinação
Indices de Maturação (g. %)

Zigoto

semente madura

FIGURA 6:

Alterações no tamanho, conteúdo de matéria seca, teor de umidade, germinação e vigor durante o desenvolvimento de sementes. Carvalho e Nakagawa, 1980.

A Figura 6 mostra o processo de maturação da semente como um todo de uma forma generalizada. Existem particularidades em função da espécie, da cultivar e das condições ambientais predominantes durante a formação da sementes, mas não diferem muito do esquema apresentado. Pode-se observar que o ponto máximo da matéria seca, da germinação e do vigor acontecem quase no mesmo tempo e coincidem com o momento em que o teor de umidade começa a decrescer acentuadamente. A semente é um órgão reservatório da planta. Os produtos formados nas folhas através da fotossíntese são

10

Desenvolvimento de Sementes

carreados para a semente onde são utilizados tanto como materiais de construção como para materiais de reserva. Para que o material que chega na semente seja metabolizado é necessário que o meio onde estão ocorrendo as reações seja bastante aquoso. Assim é que, como mostra o esquema, durante todo o processo de acumulo de matéria seca o teor de umidade é mantido em níveis altos, havendo inclusive no início da maturação, um leve acréscimo no teor de unidade. Quando a semente atinge o máximo conteúdo de matéria seca para o qual está programada geneticamente ela não recebe mais os fotos sintetizados e pelo menos para efeitos práticos pode ser considerada desligada da planta mãe. Neste ponto o teor de umidade oscila entre 30 e 50% dependendo da espécie e inicia-se um processo de desidratação mais ou menos rápido, variando com o mecanismo que cada espécie utiliza para reduzir a umidade das sementes (deiscência do fruto, final do ciclo, etc.). A medida que perde água, as reações metabólicas dentro da semente vão diminuindo, até o ponto em que o metabolismo é baixíssimo e a respiração é quase zero. Nesta condição as sementes (ortodoxas) podem ser armazenadas por períodos longos. Por outro lado existem sementes (recalcitrantes), que não dispõe de mecanismos naturais para sobreviver com teores de umidade tão baixos e perdem a viabilidade quando secas. Nos dois casos a permanência da alta umidade prejudica sua qualidade fisiológica já que a taxa respiratória nesta condição é alta e um rápido processo de deterioração ocorre.

11

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Assim a colheita deve ser sempre realizada o mais breve possível a partir do ponto de maturidade fisiológico e no caso de sementes ortodoxas o processo de secagem iniciado imediatamente após a colheita. No caso de sementes recalcitrantes, os processos de secagem e conservação devem ser estudados para cada espécie, visando ativar os mecanismos de tolerância à dessecação ou estabelecer técnicas de armazenamento das sementes com alto teor de umidade ou ainda em casos extremos realizar o plantio logo após a colheita.

12

2

COMPOSIÇÃO QUIMICA DE SEMENTES

2 COMPOSIÇÃO QUIMICA DE SEMENTES O conhecimento da composição química da semente é essencial por diversas
2 COMPOSIÇÃO QUIMICA DE SEMENTES O conhecimento da composição química da semente é essencial por diversas

O conhecimento da composição química da semente é essencial por diversas razões: (1) as sementes são fontes básicas de alimento tanto para o homem como para os animais, (2) são importante fonte de produtos medicinais, (3) contêm vários produtos tóxicos que afetam homens e animais, (4) contêm suprimento de alimentos de reserva e substâncias de crescimento que influenciam na germinação das sementes e vigor das plântulas, no armazenamento e longevidade das sementes e nos seus usos industriais e agriculturais.

A maioria dos nossos conhecimentos relativos à composição química de sementes são concernentes a espécies cultivadas,

13

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

destinadas a alimentação ou a industria. Informações relativas à espécies selvagens são relativamente escassas, embora novas pesquisas estejam gradualmente aumentando as informações sobre estas espécies.

Além dos constituintes químicos encontrados em todos os tecidos de plantas, as sementes contém quantidades extras de substâncias químicas armazenadas como reserva de alimentos para sustentar a germinação. Estas reservas são acumuladas principalmente como carboidratos, óleos, e proteínas. Além disso as sementes contém também outras substancias químicas, muitas das quais de menor importância como reservas, mas muito importantes como substâncias controladoras do crescimento e do metabolismo. Em comparação com outras partes da planta, o conteúdo de minerais da maioria das sementes é marcadamente mais baixo e tende a se concentrar no tegumento e tecidos estruturais. Relativamente altas concentrações de minerais são encontradas em sementes de espécies como feijão, algodão, girassol, soja e grãos de cereais intactos.

A composição química das sementes varia com a espécie e entre cultivares, por fatores genéticos e até mesmo dentro de cultivares, influenciada por fatores ambientais.

14

Composição Química de Sementes

INFLUENCIA DE FATORES GENÉTICOS

A composição química das sementes é basicamente determinada por fatores genéticos e varia entre diferentes espécies e partes da semente (Quadro 2), embora seja influenciada pelo ambiente e práticas culturais.

QUADRO 2: Composição

química

média

de

sementes

de

algumas

espécies (100g). UFLA – Lavras – MG - 1998

Espécie

Água (%)

Proteín

Lipídeo

Carboidratos

 

as

s

Total (g)

Fibra (g)

Cinzas (g)

Feijão Branco

10.9

22.3

1.6

61.3

4.3

3.9

Feijão vermelho

10.4

22.5

1.5

61.9

4.2

3.7

Feijão preto

11.2

22.3

1.5

61.2

4.4

3.8

Milho

13.8

8.9

3.9

72.2

2.0

1.2

Amendoim

5.6

26.0

47.5

18.6

2.4

2.3

Arroz(não brunido)

12.0

7.5

1.9

77.4

0.9

1.2

Centeio

11.0

12.1

1.7

73.4

2.0

1.8

Açafroa

5.0

19.1

59.5

12.4

-

4.0

Gergelim

5.4

18.6

49.1

21.6

6.3

5.3

Sorgo

11.0

11.0

3.3

73.0

1.7

1.7

Soja

10.0

34.1

17.7

33.5

4.9

4.7

Girassol

4.8

24.0

47.3

19.9

3.8

4.0

Trigo

12.5

12.3

1.8

71.7

2.3

1.7

15

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Composição química de diferentes partes de sementes de milho

 

Semente inteira

Endosperma

Embrião

Pericarpo

Amido

74.0

87.8

9.0

7.0

Açúcar

1.8

0.8

10.4

0.5

Lipídeos

3.9

0.8

31.1

1.2

Proteína

8.2

7.2

18.9

3.8

Cinzas

1.5

0.5

11.3

1.0

Através de cruzamentos e seleções os melhoristas de plantas podem manipular a composição química de sementes de muitas espécies cultivadas, melhorando suas qualidades como alimento, fibras e matéria prima. Variedades modernas de soja, milho, sorgo, e trigo tem sido melhoradas e desenvolvidas para alto teor de óleos, proteínas ou carboidratos, com avanços significativos para as variedades. Tais modificações geralmente afetam o comportamento das sementes, mudando o padrão básico da espécie com relação a aspectos tais como:

germinação, vigor, armazenabilidade e interação com patógenos, sendo necessário portanto que os trabalhos de melhoramento considerem estes aspectos, quando do lançamento de novas cultivares.

16

Composição Química de Sementes

INFLUENCIAS AMBIENTAIS

Muitos fatores ambientais influenciam a composição química das sementes e por causa das interrelações entre estes fatores, algumas vezes torna-se difícil determinar as causas das variações. Um estudo de dois anos em oito híbridos de milho em três localidades de Michigan, revelou uma diferença no conteúdo de proteína de 7.44 a 12.88% dentro de híbridos (Norden et al. 1952). Semelhante influencia ambiental no conteúdo de proteína de grão de bico foi relatado na Rússia(Ivanov 1933). O conteúdo de proteína do trigo varia dependendo da localização geográfica da cultura(Baenziger et al. 1985). Condições ambientais de ano para ano também influenciam a composição química de sementes de amendoim(Ketring et al.1978) e ervilha(Glubbels 1981). Entre os fatores ambientais que influenciam a composição química estão a disponibilidade de água, temperatura, fertilidade do solo, e práticas culturais.

INFLUENCIA DA ÁGUA

Disponibilidade de água influencia a composição química de sementes. Por exemplo, é sabido que o conteúdo de nitrogênio protéico e qualidade das sementes são mais baixos em anos com poucas chuvas que em anos chuvosos e em terras irrigadas comparadas com culturas de sequeiro. Por outro lado altas taxas de irrigação reduz o conteúdo de nitrogênio nas plantas. Esta redução ocorre paralelamente a um

17

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

acréscimo em fósforo, potássio, cálcio, e magnésio visto que não são lixiviados pela água. Semelhantemente estudos com trigo e sorgo mostram que o conteúdo de nitrogênio de sementes maduras decresce linearmente com o aumento do suprimento de água durante o desenvolvimento da semente(Stone e Tucker 1968; Stone et al. 1964; Mathers et al. 1960). Estes estudos servem como exemplos claros de como os meios de alta umidade, os climas secos e a irrigação podem influenciar a composição mineral das sementes

INFLUÊNCIA DATEMPERATURA

Estudos tem demonstrado a influencia da temperatura na estrutura e composição química das sementes. O conteúdo de óleo em sementes de soja, por exemplo, depende da temperatura durante o desenvolvimento da vagem. Sementes desenvolvidas em temperaturas de 21 o C apresentaram um conteúdo de óleos de 19,5%, enquanto aquelas desenvolvidas a 30 o C apresentaram 22,3% de óleo. Em girassol, baixas temperaturas durante a formação das sementes favorece a produção de acido linoléico e altas temperaturas aumenta a quantidade de ácido oléico no óleo. Unger (1986) mostrou que a melhor qualidade do óleo de girassol era produzida durante as condições de frio do final do verão. Respostas semelhantes foram relatadas para qualidade de proteína e carboidratos em sementes de linho. Temperaturas altas aumentam o conteúdo de proteínas em trigo e

18

Composição Química de Sementes

temperaturas baixas reduzem o conteúdo de proteínas em sementes de soja. Outros resultados tem mostrado que altas temperaturas noturnas aceleram o desenvolvimento e maturação em sementes de arroz, produzindo grãos gessados. Em baixas temperaturas noturnas, as sementes desenvolveram o grão branco leitoso.

INFLUÊNCIA DA FERTILIDADE DO SOLO

Talvez o parâmetro do meio de mais fácil controle entre aqueles que afetam a composição química da sementes seja a nutrição mineral que a planta mãe recebe. Na maioria dos casos, sementes que são deficientes em mineral terão performance pior quando comparadas com sementes normais, a não ser que sejam plantadas em solos que são nutricionalmente adequados e provido do conjunto essencial de elementos. Muitos estudos tem sido conduzidos para avaliar a influência do nitrogênio, fósforo e potássio sobre a qualidade da semente.

Plantas de milho desenvolvidos sobre alta fertilização de nitrogênio ou baixa população produzem sementes com um conteúdo de proteínas mais alto que aquelas produzidas com baixo nitrogênio disponível ou altas populações (Wolfson and Sheaver 1981). Resultados similares com arroz indicam que quando estandes mais baixos são usados, cada planta de arroz tem maior acesso ao nitrogênio disponível, e podem absorver mais para suprir as sementes (Dedattar et al. 1972). Em solo rico em nitrogênio também observa-se o aumento no conteúdo

19

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

de proteína em sementes de trigo (Gele et al. 1985), arroz (Allem e Terman 1978) e algodão (Elmore et al. 1979). A aplicação de uréia foliar em plantas de trigo aumenta o conteúdo de proteína da semente. Por outro lado, Altman et al. 1983 e Scott 1969 mostraram que a aplicação de excesso de nitrogênio teve uma influência negativa indireta sobre a qualidade das sementes de beterraba. Quando o excesso de nitrogênio foi aplicado, a colheita da cultura era atrasada, as sementes das parcelas fertilizadas com nitrogênio estavam menos maduras que das parcelas que não receberam nitrogênio. Neste caso, a redução da germinação foi devido ao efeito do nitrogênio na maturação das sementes.

Outros estudos indicam a importância do fósforo para produção de sementes de alta qualidade. Austin (1866) mostrou que sementes recém colhidas de plantas de agrião deficientes em fósforo tinham menor germinação que sementes de plantas não deficientes.

Outros estudos têm mostrado que a adição de fósforo na planta mãe aumenta o conteúdo de fósforo na semente da ervilha (Pecti et al. 1880), soja (Cassman et al. 1981), e trigo (Poster and Paulsen 1983) e que sementes com baixo fósforo produzem plantas menores que sementes não deficientes.

Poucos estudos têm sido conduzidos sobre a influência de potássio na qualidade e composição das sementes. Harringotn (1960) relatou que plantas de pimentão deficientes em potássio deram alta

20

Composição Química de Sementes

proporção de sementes anormais com embriões e tegumentos de coloração escura. Tanto as sementes que apresentavam coloração normal como aquelas com coloração anormal originadas daquelas plantas tinham uma porcentagem de germinação mais baixa que as sementes controle, e sua qualidade declinou mais rapidamente no armazenamento.

Outros elementos essenciais adicionados à planta mãe também serão encontrados em maiores concentrações nas sementes. Isto é verdadeiro para cálcio em amendoim (Coffelt & Hallock 1986); magnésio, zinco e boro em soja (Paker et al 1981; Ralioy e Deckinson 1984; Touchton e Boswell 1975), cobre em trigo (Soneragan et al 1980), e cádmio e selênio em alface e trigo (Cary 1881).

INFLUÊNCIA DE PRÁTICAS CULTURAIS

Ainda outros fatores ambientais associados com morfologia da planta e praticas de produção modificam o conteúdo químico da sementes. A proporção relativa de sete ácidos graxos varia dependendo da posição da sementes na planta (Diependrock e Geisler 1979). A primeira e segunda semente em uma espigueta de trigo tem concentração de nitrogênio mais alta que a terceira e a quarta. (Simmons e Moss 1978). O clima durante o desenvolvimento da sementes também influencia sua composição química (Auld et al. 1984). Semente de soja que tem maturação no final da estação de plantio tem

21

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

níveis de proteínas mais alto (Chikpi e Crookston 1881). A competição dentro do campo de produção também pode modificar o conteúdo químico da sementes, desde que haja maior concorrência entre plantas por quantidades limitadoras de nutrientes. Com o aumento da competição, o conteúdo de proteína diminui enquanto o conteúdo de óleo aumenta, em girassol (Rolunson et al 1980; Majiol e Schneiter 1987), arroz (Nandisha e Mahadenafppa 1889) e trigo e cevada (Read e Warder 1982). Interessante é que parece haver uma relação inversa em sementes oleaginosas entre o conteúdo de óleo e proteína. Quando o conteúdo de proteína aumenta, o de óleo diminui. Isto é provado em soja (Poole et a 1983); girassol (Mathers e Stewart 1982).

Embora hajam grandes variações quantitativas entre os compostos constituintes das sementes, qualitativamente eles se apresentam mais estáveis, pelo menos considerando-os em seus grupos e funções nas sementes.

22

2.1

CARBOIDRATO ARMAZENADO EM SEMENTES

2.1 CARBOIDRATO ARMAZENADO EM SEMENTES Os carboidratos são as substâncias de reservas em maior quantidade nas
2.1 CARBOIDRATO ARMAZENADO EM SEMENTES Os carboidratos são as substâncias de reservas em maior quantidade nas

Os carboidratos são as substâncias de reservas em maior quantidade nas sementes da maioria das espécies de cereais cultivadas, que são especialmente ricos destes compostos e pobres em óleos e proteínas. Por outro lado, as dicotiledôneas, de uma maneira geral, tem conteúdo de carboidrato moderadamente alto, com médio teor de proteínas e baixo conteúdo de óleo.

Amido e hemicelulose são as principais formas de carboidratos de reserva em sementes. Outros carboidratos que ocorrem são pectinas e mucilagens mas não são reservas.

2.1.1. AMIDO

O amido é o principal carboidrato de reserva dos cereais, embora seja também encontrado em outras sementes. É sintetizado a partir de açúcares mais simples, principalmente da sacarose que é o principal carboidrato transportado na planta.

23

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

CONVERSÃO DE SACAROSE EM AMIDO EM SEMENTES EM DESENVOLVIMENTO

Sacarose Glicólise VIA HMP UDP 1 ATP ADP F F.6.P G.6.P 6 7 UDP.G PPi
Sacarose
Glicólise
VIA HMP
UDP
1
ATP
ADP
F
F.6.P
G.6.P
6
7
UDP.G
PPi
2
8
UTP
G.1.P
G.1.P
ATP
3
5
3
PPi
ATP
ADP.G
PPi
PRIMER
ADP
4

AMIDO

Enzimas Envolvidas

1. Sacarase Sintase; 2. Udp-G Pirofosforilase ; 4. Amido Sintase; 5. Nucleoside Bp Cinase; 6. Hexocinase; 7. Glicose 6-P Isomerase; 8. P Glicomutase.

24

Carboidrato Armazenado em Sementes

O amido é, portanto, um polímero de glicose , unidas por ligações glicosídicas.

6 CH 2 OH 5 4 1 3 2
6 CH 2 OH
5
4
1
3
2

GLICOSE

LIGAÇÃO GLICOSÍDICA

CH 2 OH CH 2 OH OHHO
CH 2 OH
CH 2 OH
OHHO

Encontra-se na forma de amilose, de cadeia reta com ligações

1,4

CH 2 OH

CH 2 OH

CH 2 OH

com ligações  1,4 CH 2 OH CH 2 OH CH 2 OH O O AMILOSE
O
O

O

ligações  1,4 CH 2 OH CH 2 OH CH 2 OH O O AMILOSE Ou

AMILOSE

Ou de amilopectina de cadeia ramificada com ligações 1,4 e

1,6

25

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

CH 2 OH O
CH 2 OH
O

CH 2 OH

CH 2 OH

O
O
Fisiologia de Sementes CH 2 OH O CH 2 OH CH 2 OH O O CH

O

CH 2 OH

CH 2 OH

O O
O
O

CH 2

2 OH CH 2 OH O O CH 2 OH CH 2 OH O O CH
2 OH CH 2 OH O O CH 2 OH CH 2 OH O O CH

AMILOPECTINA

O amido é armazenado nas duas formas, amilose e amilopectina, que são dois pelimeros de D-glicose, um linear e o outro ramificado. É o principal e mais encontrado carboidrato de reserva em sementes. Amilose é composta de 200 a 1000 unidades de glicose, com um peso molecular na faixa de 10.000 a 100.000. A molécula tem uma estrutura helicoidal com seis anéis de glicose por hélice. Amilose adquire coloração azul quando em presença de iodo.

Amilopectina, é uma molécula muito maior, formada de 20 a 25 unidades de glicose por ramo, com peso molecular variando de 50.000 a 1.000.000 e torna-se avermelhada quando exposta a iodo. Tanto a amilose quanto a amilopectina são hidrolisadas pelas enzimas e amilase durante o metabolismo normal de germinação. A amilase

26

Carboidrato Armazenado em Sementes

possui um peso molecular de 60000 e requer o cation Ca ++ para ativação e estabilização contra destruição proteolítica e desnaturação térmica. Esta enzima ataca amilose e amilopectina aleatoriamente, quebrando as ligações 1,4. As moléculas de amilose são quebrada em maltose (2 glicoses) e por ação de uma outra enzima, a Maltase, estas moléculas de maltose são quebradas em glicose. Sobre a amilopectina, a ação é semelhante, mas como a enzima não quebra ligação do tipo 1,6 a hidrólise é paralisada a medida se aproxima deste tipo de ligação, resultando em maltose, e dextrina chamadas dextrina limite. A enzima é sintetizada “de novo” na camada de aleurona de cevada e no escutelo do milho e nos cotilédones das dicotiledôneas. Em milho a amilase realiza 90% da atividade amilolítica e a amilase

10%.

A amilase, também hidrolisa amilose e amilopectina a partir da extremidade não reduzida das moléculas quebrando as ligações 1,4 e produzindo maltose. No caso de amilose acontece uma hidrólise quase completa. Já no caso de amilopectina, como a enzima também não quebra ligações 1,6, a molécula é apenas parcialmente hidrolisadas, produzindo maltose e dextrina limite. As dextrinas resultantes da hidrólise da amilopectina através da e amilase são quebradas pela ação da enzima “R” ou oligo 1,6 glicosidase em maltose, que pela ação da maltase é transformada em glicose.

27

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Resumo da degradação amilolítica Amido Dextrina +  amilase Maltose Amilose - Amilopectina Água Dextrina
Resumo da degradação amilolítica
Amido
Dextrina +
 amilase
Maltose
Amilose - Amilopectina
Água
Dextrina
Maltose
R ou oligo -1,6 glicosidase
Água
Maltose
Maltase
(2) glicose
Água

A amilase é pré existente em semente seca. Em grãos de trigo. Esta enzima está presente na forma ativa latente, aparentemente ligada à glutelina do trigo por ligações dissulfídrícas. Durante a germinação, uma substância capaz de desligar a ponte com a glutelina é secretada, liberando a enzima ativa.

Em sementes a maior parte do amido é depositada no endosperma em corpos subcelulares chamados grãos de amido, que medem entre 2 a 100de tamanho.

Muitos grãos de amido parecem formar ao redor de um ponto central, o lumem, ao redor do qual coberturas de polissacarídios são depositados. Estas coberturas provavelmente refletem uma

28

Carboidrato Armazenado em Sementes

periodicidade diurna na síntese e deposição de amido, porque em sementes desenvolvidas em regime de luz continua em condições experimentais estas placas são ausentes. A forma do grão de amido parece depender do conteúdo de amilose os menos irregulares, grãos redondos tem nível relativamente alta de amilose.

2.1.2. HEMICELULOSE

Além do amido, uma outra forma de carboidradto armazenado em sementes é a hemicelulose. Hemicelulose é uma classe de polissacarideos encontrados nas paredes celulares das plantas, embora em certas sementes sejam encontrado como material de reserva. Esta definição inclue xilanas, mananas e galactanas, e mais um número de polissacarideos parecidos mas menos comuns. Eles são usualmente encontrados na camada espessada da parede celular do endosperma ou nos cotilédones. Muitas himiceluloses são mananas, ou seja, polímeros de cadeia longa de manose com ramificações de pequena e variáveis quantidades de açúcares (ex. glicose, galactose, aralunose). São particularmente características de sementes de muitas espécies palmaceas.

2.1.3 OUTROS CARBOIDRATOS EM SEMENTES

Mucilagens

com

exceção

do

amido

e

hemicelulose,

a

29

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

quantidade de outros carboideratos encontrados em sementes é similar àquela encontrada em outras partes da planta, embora as mucilagens, freqüentemente podem ser encontradas em quantidade relativamente alta em sementes. São carboidratos complexos consistindo principalmente de polieuroides e galacturoides que quimicamente assemelha-se a compostos pepticos e hemicelulose. Fisicamente são semelhantes a goma encontradas na casca e troncos de muitas plantas.

Compostos pepticos - São compostos que ocorrem em sementes e em outras partes da planta principalmente como componentes da parede celular e da lamela média. Os três principais compostos pepticos são acido peptico, pectina e protopectina. Ácido pectico é uma substância de cadeia longa e reta composta de 100 moléculas de acido galactunonies. Pectina difere de ácido pectico pela esterificação de muitos dos grupos carboxílicos e tem um maior número de resíduos de galacturonicos por cadeia.

30

2.2

LIPÍDIOS DE RESERVA SEMENTES

2.2 LIPÍDIOS DE RESERVA SEMENTES Os lipídeos são constituintes encontrados em todas as partes das sementes,
2.2 LIPÍDIOS DE RESERVA SEMENTES Os lipídeos são constituintes encontrados em todas as partes das sementes,

Os lipídeos são constituintes encontrados em todas as partes das sementes, ocorrendo em maior percentagem no embrião (cotilédones) e, em alguns casos, no endosperma. Estão geralmente na forma de triglicerideos de ácidos graxos, sendo que nos vegetais predominam os ácidos graxos insaturados. Os triacilglicerois constituem as reservas de óleos das sementes, principalmente nas oleaginosas e os fosfolipídeos são os mais importantes componentes das membranas celulares. Os lipídios mais abundantes são os triacilglicerois que são formados do glicerol, (álcool) e ácidos graxos (acido),

31

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

O valor dos lipídios originários das sementes (tabela) para uso na alimentação e indústria tem contribuído muito para nosso conhecimento sobre a composição de sementes de oleaginosas. Óleos das sementes tem enorme versatilidade para usos industriais. Ao contrário das gorduras animais, sua natureza química altamente insaturada tem causado interesse crescente para a área da saúde.

A ocorrência de altas concentrações de lipídios diferencia a sementes dos outros órgãos da planta, exceto de alguns frutos. O alto conteúdo de lipídio é usualmente associados com diminuição do conteúdo de proteína (por exemplo em soja, e algodão). Entretanto em algumas espécies, podem ser associados com altos níveis de carboidratos.

Os lipídios são substâncias vegetais ou animais que são insolúveis em água, mas solúveis em éter, clorofórmio, ou outros solventes orgânicos. São ésteres de glicerol e ácido graxos e são conhecidos como glicerideos ou mais especificamente triglicerídeos, porque cada molécula de glicerol é combinada com 3 moléculas de acido graxo.

32

Fosfolipídios

C C C OH OH OH
C
C
C
OH
OH
OH

GLICEROL

C C C OH OH OH OH OH OH C=O C=O C=O R1 R2 R3
C
C
C
OH
OH
OH
OH
OH
OH
C=O C=O C=O
R1
R2
R3

Ligações Ester

O R C OH ACIDO GRAXO C C C O O O C=O C=O C=O
O
R
C
OH
ACIDO GRAXO
C
C
C
O O
O
C=O C=O C=O
R1 R2
R3

TRIACILGLICEROL

Os radicais R representam os hidrocarbonetos que completam as moléculas dos ácidos graxos. Eles podem ser saturados quando não apresentam nenhuma dupla ligação ou insaturados quando apresentam pelo menos uma dupla ligação na cadeia. Os ácidos graxos de ocorrência mais comum nos vegetais são:

33

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Insaturados:

Acido oléico

Acido linoléico

Acido linolênico

CH 3 (CH 2 ) 7 CH=CH(CH 2 ) 7 COOH

CH 3 (CH 2 ) 4 CH=CHCH 2 CH=CH(CH 2 ) 7 COOH

HO

O

HO

O

\

//

\

//

C

C

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH

CH

||

||

CH

CH

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH

|

||

CH 2

CH

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 2

CH 2

|

|

CH 3

CH 3

CH 3 CH 2 CH=CHCH 2 CH=CHCH 2 CH=CH(CH 2 ) 7 COOH

34

Fosfolipídios

Saturados:

Acido Palmítico

Acido Esteárico

CH 3 (CH 2 ) 14 COOH

CH 3 (CH 2 ) 16 COOH

35

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

O termo lipídio é usado indiscriminadamente para gordura e óleo, como um termo genérico. Óleos (lipídeos com ácidos graxos insaturados) são diferenciados de gordura (lipídeo com ácidos graxos saturados) somente porque permanecem na forma líquida a temperatura ambiente, enquanto as gorduras permanecem sólidas.

Os ácidos graxos são assim chamados porque são constituintes de gorduras naturais e em estado livre eles assemelham-se as gorduras nas propriedades físicas. São raramente encontrados, em estado livre, em outra parte da planta que não seja sementes germinando ou deterioradas, como resultado de hidrólise de gordura.

Os ácidos graxos são saturados ou insaturados, dependendo do tipo de ligação de carbono na molécula. Os ácidos graxos insaturados contém uma ou mais duplas ligações que dispõe o composto a receber átomos de hidrogênio para formar o complexo saturado. Os ácidos graxos insaturados como ácido oleico (uma dupla ligação) e ácido linoléico (duas duplas ligação) são mais comuns em sementes, respondendo por 60% do peso de todos os lipídios presentes na maioria das sementes oleaginosas.

Ácidos graxos saturados estão também presentes e contem um variado número de átomos de carbono (usualmente entre 4 e 24). Ácido Palmítico (16 carbonos) é o ácido graxo saturado mais comum em sementes.

36

Fosfolipídios

2.2.1 CLASSIFICAÇÃO DOS LIPÍDIOS

Os lipídios podem ser classificados como: a) simples; b) compostos,; c) derivados. Os lipídios simples são formados por ácidos graxos e glicerol ou outros álcoois e são representados pelos óleos e gorduras. Os lipídios compostos são esteres de ácidos graxos contendo grupos químicos adicionais. Os fosfolipídios são lipídeos compostos nos quais uma das 3 unidades de ácidos graxos é substituída por ácido fosfórico combinado com um álcool e as vezes um açúcar. Lipídios derivados são aqueles originados por hidrólise dos lipídios simples e compostos, e são solúveis em solventes orgânicos. As ceras são menos solúveis nos solventes usuais de lipídios que os gordurosos e óleos. Elas podem ser saponificadas, mas com maior dificuldade. São encontradas visualmente como revestimento de folhas frutos e sementes de muitas plantas.

FOSFOLIPÍDEOS

folhas frutos e sementes de muitas plantas. FOSFOLIPÍDEOS Os fosfolipídeos diferem dos triacilglicerois por
folhas frutos e sementes de muitas plantas. FOSFOLIPÍDEOS Os fosfolipídeos diferem dos triacilglicerois por

Os fosfolipídeos diferem dos triacilglicerois por possuírem um grupamento polar "cabeça", alem de suas caudas hidrocarbonadas e por isso são chamados de lipídeos polares. Servem primariamente como elementos estruturais das membranas e nunca são armazenados em grandes quantidades.

37

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

FOSFOLIPÍDEOS

+

NH3

CH2

ETANOLAMINA CH2 O O - ÁCIDO FOSFÓRICO O H CH 2 GLICEROL H C C
ETANOLAMINA CH2
O
O -
ÁCIDO
FOSFÓRICO
O
H CH 2
GLICEROL
H
C
C
H
O O
O
O
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
ÁCIDOS
2
|
GRAXOS
CH 2
CH
| ||
CH 2
CH
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 2
2
| |
CH
CH 3
3

FOSFATIDILETANOLAMINA

38

Fosfolipídios

Como seus nomes sugerem, este grupo de lipídeo contem em suas moléculas fósforo na forma de acido fosfórico. Os dois primeiros carbonos do glicerol são esterificados com duas moléculas de ácidos graxos e o terceiro carbono forma uma ligação Ester com o acido fosfórico. O fosfolipídeo contem ainda mais uma molécula geralmente um álcool, e as vezes um açúcar, ligada ao acido fosfórico formando a parte polar ou hidrofílica da molécula. A molécula de fosfolipídeo tem característica anfipática, ou seja, uma parte hidrofílica, a "cabeça" polar e outra parte hidrofóbica, a cauda hidrocarbonada. A característica anfipática dos fosfolipídeos (parte hidrofílica e parte hidrofóbica), faz com que suas moléculas se dispersem em meio aquoso formando camadas, onde as caudas hidrofóbicas ficam protegidas do ambiente aquoso e as cabeças hidrofilicas, eletricamente carregadas, são expostas na superfície, voltadas para o meio aquoso.

2.2.4 HIDRÓLISE DE LIPÍDIOS

Quando sementes oleaginosas com alto conteúdo de lipídio estão germinando, há um rápido desaparecimento de lipídios com um concomitante aumento no conteúdo de sacarose. Ao mesmo tempo, há um aumento da atividade das lipases para promover uma gradual hidrólise dos triglicerídios para diglicerídios, monoglicerideos e finalmente glicerol livre e ácido graxo livre. Os ácidos graxos são a seguir oxidados pela e oxidação durante o curso da germinação.

39

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Estes processos são descritos no capítulo de germinação de sementes. A maior parte dos lipídios são armazenados em estruturas armazenadoras chamadas esferossomas que tem tamanho de 0,2 a 0,6de diâmetro. Muitas das enzimas essenciais para a biossintese de ácido graxo ou para hidrólise de triglicerideos estão presentes nos esferossomas.

40

2.3

PROTEÍNAS DE RESERVA NA SEMENTE

2.3 PROTEÍNAS DE RESERVA NA SEMENTE Proteínas são moléculas nitrogenadas de tamanho muito grande e excepcional
2.3 PROTEÍNAS DE RESERVA NA SEMENTE Proteínas são moléculas nitrogenadas de tamanho muito grande e excepcional

Proteínas são moléculas nitrogenadas de tamanho muito grande e excepcional complexidade estrutural, a maior parte das quais produzem amino ácidos pela hidrólise das ligações peptidicas.

H

|

R — C — C

|

NH 2

O

//

\

OH

AMINO ÁCIDO

H

O

|

//

R — C —

C

|

\

N H 2

O H
O H
 

H N H

O

|   //

|

 

//

R — C

C

|

\

 

H

O H

LIGAÇÃO PEPTIDICA

41

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

R H H O R H H O R H H O H C N
R H
H
O
R
H
H
O
R
H
H
O
H
C
N
C
C
N
C
C
N
C
N C
C
N
C
C
N
C
C
OH
H O
R
H
H
O
R
H
H
O
R
H

POLIPEPTIDIO

As proteínas, cujo nome significa "primeiro" ou o mais importante" são realmente as macromoléculas mais importantes encontradas nos seres vivos. São componentes básicos de toda célula viva e funcionam como enzimas, componentes estruturais e materiais de reserva.

As sementes caracterizam-se por apresentarem uma parte das proteínas metabolicamente ativas, como enzimas e as nucleoproteínas, e outra metabolicamente inativas, as proteínas de reserva. De uma maneira geral, as proteínas, estão em menor proporção que os carboidratos e lipídeos, exceção feita a semente de soja. São encontradas em todos os tecidos da semente, ocorrendo em maiores concentrações no embrião e na camada de aleurona dos cereais. As sementes de cereais apresentam em geral, menor teor de proteínas que as sementes de leguminosas e oleaginosas.

Os aminoácidos podem ser classificados segundo a polaridade do resíduo "R", porque esta característica é de grande importância na possível função que ele terá na molécula de proteína. Assim teremos:

42

Proteínas de Reserva na Semente

1- Aminoácidos com grupos "R" não polares ou hidrofóbicos:

Alanina; Isoleucina; Leucina; Metionina; Fenilalanina; Prolina; Triptofano; Valina.

2- Aminoácidos com grupos "R" polares, mas sem carga:

Asparagina; Cisteína; Glutamina; Glicina; Serina; Treonina; Tirosina.

3-

Aminoácidos

com

grupos

"R"

carregados

positivamente:

Arginina; Histidina; Lisina.

 

4-

Aminoácidos com grupos "R" carregados negativamente:

Acido aspártico; Ácido glutâmico.

Conforme a natureza dos aminoácidos que participam de uma molécula de proteína, podem ser formadas as seguintes estruturas:

1-

Estrutura

aminoácidos por ligações peptídicas.

primária:

É

aquela

formada

pela

união

dos

2- Estrutura secundária: Estrutura geralmente helicoidal resultante da ligação por pontes de hidrogênio entre as carbonilas e os grupamentos anino das ligações peptídicas.

3- Estrutura terciária: Refere-se a tendência da cadeia polipeptídica enrolar-se ou dobrar-se, formando uma estrutura complexa. São estabilizadas por ligações definidas pela polaridade dos radicais "R", dos aminoácidos que compõem a

43

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

cadeia polipeptídica.

4- Define a associação de uma unidade protéica com outra, atraídas por cargas dos radicais "R", dos aminoácidos de cada unidade.

Proteínas são muito importantes para a vida de animais e plantas já que todas as reações fisiológicas das células vivas se processam através de suas propriedades físicas e químicas e de seus compostos correlatos. Ao lado da água, elas são os principais componente de todo protoplasma de células animais e vegetais. Soja é uma das poucas espécies conhecidas na qual proteínas como substância de reserva estão em maior quantidade que lipídios e carboidratos. A maiorais das plantas conhecidas com alto teor de proteína são as leguminosas com capacidade para fixar nitrogênio.

As proteínas de armazenamento são menos complexas que as proteínas do protoplasma e provavelmente menos ligadas a lipídios e a outros grupos protéicos, embora sejam estruturalmente semelhantes.

A grande maioria das proteínas de reserva em sementes são metabolicamente inativas e servem apenas para serem usada no crescimento de embrião durante a germinação.

Proteínas metabolicamente ativas constituem uma pequena quantidade em relação ao total, mas são extremamente importantes para o desenvolvimento e germinação das sementes. Como enzimas,

44

Proteínas de Reserva na Semente

elas catalisam todo o processo metabólico de digestão, transporte e utilização das reservas da semente, nenhum crescimento pode ocorrer sem elas. As nucleoproteínas são outras formas extremamente importantes de proteínas ativas e são moléculas de enorme tamanho. Elas são formadas por proteínas ligadas aos ácidos nucléicos e são um enorme conglomerado de moléculas compostas de uma proteína, uma pentose, um composto nitrogenado cíclico (purina ou purimidina) e um ácido fosfórico. Se a pentose é a desoxoribose, a nucleoproteína é chamada ácido desoxiribonucleico (DNA) se a pentose é D-ribose, a nueleoproteína é chamada acido ribonucleico (RNA). As duas formas são importantes por suas funções na síntese de proteína e seus cruciais papéis na estrutura e função dos cromossomas, genes e na própria vida.

Proteínas são armazenadas na semente em unidades conhecidas como corpos protéicos que medem 1 a 20de diâmetro delimitados por uma membrana lipoprotéica. Existe alguma semelhança com um grão de amido em tamanho e forma e são usualmente uma mistura de diferentes proteínas. Podem ser vistos como um tipo de unidades depositadas na camadas de aleurona das sementes de cereais e que durante a germinação, desempenham importantes papéis como fontes de nutrientes e como enzimas hidrolíticas que ajudam a quebra das reservas.

Uma classificação de proteínas proposta num trabalho de Osborne (1924) em sementes de trigo, tem sido adotada. Ele purificou quatro

45

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

formas de proteínas e classificou com base na solubilidade, sendo duas delas metabolicamente ativas (globulinas e albuminas) e duas metabolicamente não ativas (Glutelinas e Prolaminas). Orhorne considerou ser estas as únicas proteínas que ocorrem em sementes Crockes e Barton (1957) descreveu-as da seguinte forma.

Albuiminas - são solúveis em águas neutras ou ligeiramente ácida e são coaguladas pelo calor. Exemplo são as leocosinas dos grãos de cereais, legumelina de várias sementes de leguminosas, e ricina de arroz. São principalmente enzimas.

Globulinas - são solúveis em soluções salinas mais não em água e são geralmente de coagulação mais difícil pelo calor. As gloluilinas são encontradas predominantemente em dicotiledoneas tais como leguminosas. São exemplos as leguminas, ligninas, glicinina e vacilina.

Glutelinas - São insolúveis em soluções aquosas ou salinas ou em álcool etílico, mas podem ser extraídas com fortes soluções ácidas ou alcalinas. Glutelinas são encontradas na maioria das sementes de cereais. São exemplos as glutelinas do trigo e orizenina do arroz.

Prolaminas- São solúveis em álcool etílico 70 a 90%, mas

são encontradas somente em sementes

não em água. Elas

46

Proteínas de Reserva na Semente

de cereais: gliadinas do trigo e arroz e zeína no milho são exemplos. Sob hidrólise elas produzem prolina, ácido glutâmico e amônia.

Em geral, glutelinas e prolaminas formam a maior parte da proteína da semente que são metabolicamente inativas, estão associadas com parte estrutural da semente. As proteínas das sementes em geral têm um alto conteúdo de nitrogênio e prolina e são pobres em lisina, treptofano e Metionina.

47

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Página vazia (verso)

48

2.4

OUTROS COMPOSTOS QUÍMICOS ENCONTRADOS EM SEMENTES.

2.4 OUTROS COMPOSTOS QUÍMICOS ENCONTRADOS EM SEMENTES. 2.4.1 TANINOS Embora sejam encontrados em outras fontes da
2.4 OUTROS COMPOSTOS QUÍMICOS ENCONTRADOS EM SEMENTES. 2.4.1 TANINOS Embora sejam encontrados em outras fontes da

2.4.1

TANINOS

Embora sejam encontrados em outras fontes da planta , como em cascas, eles também ocorrem em sementes, particularmente na estrutura do tegumrnto. Eles são encontrados na testa de sementes de feijão e cacau. (Bonner e Varner 1965).

Taninos são compostos de alto peso molecular (500-3000), contendo fenólicos, hidroxilas, ou outros grupos macromoleculares. Esta característica dá a eles uma propriedade única de ligar com proteínas e

49

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

inibir suas atividades enzimáticas, e isto, é a base do seu uso no processo de curtume.

2.4.2

ALCALÓIDES

Os alcalóides mais conhecidos que ocorrem em plantas e suas sementes são morfina de frutos da papoula, estricnina de sementes de Strychnos mux nomica, atropina da beladona e colchicina do açafrão do prado. Outros alcalóides extremamente comuns são a cafeína do café e do chá, nicotina das folhas do tabaco, e teobromina do cacau.

Os alcalóides mais comuns, são compostos cíclicos complexos que contém nitrogênio. A maioria são brancos sólidos; Embora, a nicotina seja um líquido à temperatura ambiente.

2.4.3. GLICOSÍDEOS

Embora a maioria dos glicosídeos sejam encontrados nos órgãos vegetativos das plantas, alguns aparecem em sementes. Os glicosídeos são formados pela reação entre um açúcar (usualmente glicose) e um ou mais compostos não açúcar. Em seu estado puro, eles são na maioria das vezes incolores, cristalinos, amargos, e solúveis em água ou álcool. Alguns dos glicosídeos, tais como, Saponina são altamente venenosos para homens e animais.

50

Outros Compostos Químicos Encontrados em Semente

2.4.4

FITINA

Fitina são compostos derivados de sais de potássio, magnésio e cálcio ligados ao ácido mioinozitol hexafosfórico. São as maiores reservas de fósforo nas sementes. Em cereais, a fitina é geralmente, associada com corpos de proteína na camada de aleurona e mais ou menos ausente dos corpos proteicos dos cotilédones. Durante a germinação de sementes, fosfatases que hidrolisam fitina aumentam diversas vezes. A atividade da fitase é mais alta na camada de aleurona e escutelo. Uma grande fonte de fosfato, magnésio e potássio das sementes está presente na fitina e muito do metabolismo da germinação nas sementes são dependentes da hidrólise da fitina e concomitante liberação de íons de magnésio e potássio. Em sementes de alface 50% do total de fósforo está ligado na fitina.

2.4.5. HORMÔNIOS

O termo hormônio é utilizado para designar certos compostos orgânicos que quando presentes em quantidades muito pequenas, exercem importantes efeitos regulatórios no metabolismo de plantas e animais. Eles são de enorme importância para os seres vivos. Um hormônio bem conhecido em animais é a adrenalina, que exerce uma destacada influência no coração e sistema vascular. Muitos hormônios de plantas também ocorrem em sementes. Eles são designados como

51

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

fitohormônios , hormônios de crescimento , substâncias de crescimento e reguladores de crescimento.

. GIBERELINA

A presença de giberelina nas plantas superiores foi demonstrada

por Radley (1956), mostrando ser capaz de induzir o crescimento em altura em ervilha anã, dando a ela uma altura de planta normal. As gliberelinas são componentes naturais de plantas e sementes. Elas têm papel importante tanto no desenvolvimento, como na germinação das sementes.

A giberelina mais conhecida é o ácido giberélico(G A 3 ), embora

mais de cem já tenham sido identificados.

. CITOCININAS

Um outro grupo de compostos que ocorrem nas sementes e exercem influências hormonais são as citocininas. Elas foram descobertas inicialmente na água de coco ( Van Averbeek et al. 1941) . Quinze anos depois, a citocinina foi purificada e identificada sua estrutura química. A primeira citocinina de ocorrência natural a ser extraída de sementes foi a zeatina.

Citocininas são necessárias para o crescimento e diferenciação celular; talvez esta seja a base de sua influência na promoção da

52

Outros Compostos Químicos Encontrados em Semente

germinação. Elas têm efeito inibitórios da senescência de folhas e regulam o fluxo de compostos através dos sistemas das plantas.

. INIBIDORES

Existe crescente convicção entre os fisiologistas que dormência de sementes, gemas, tubérculos e outras partes da planta, é regulada por um balanço ou interação entre inibidores e promotores de crescimento endógeno. O ácido abscísico e a cumarina são inibidores que influenciam na germinação de sementes. O gás etileno pode inibir ou promover a germinação e é também considerado um hormônio.

. VITAMINAS

Quimicamente as vitaminas representam um grupo muito heterogêneo . Todas as vitaminas conhecidas e seus precursores imediatos são sintetizados pelas plantas superiores, embora não seja certo que todas sejam necessárias ao metabolismo das plantas. Entretanto, o papel específico de certas vitaminas tem sido determinado.

Tiamina parece ser necessária para o desenvolvimento do embrião e endosperma de sementes de algumas espécies. Ela é também necessária para o desenvolvimento normal da raiz. Biotina e ácido ascórbico estão envolvidos nos processos respiratórios das sementes.

53

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Página vazia (verso)

54

ÁGUA E

3

TOLERÂNCIA

À DESSECAÇÃO

ÁGUA E 3 TOLERÂNCIA À DESSECAÇÃO A água é a substância mais abundante nos sistemas vivos
ÁGUA E 3 TOLERÂNCIA À DESSECAÇÃO A água é a substância mais abundante nos sistemas vivos

A água é a substância mais abundante nos sistemas vivos e perfaz até 70% ou mais do peso da maioria das formas de vida. É o meio onde ocorrem o transporte de nutrientes, as reações do metabolismo e a transferência da energia química.

As sementes podem apresentar-se com diferentes teores de água, e na maioria das vezes se mantêm vivas mesmo com teores de água muito baixos. A água contida nas sementes pode ser classificada em 5 níveis de hidratação:

a) Nível 1 ( de 0 a 10% g de H 2 0/MS)- Neste nível a água tem sua moléculas fortemente associadas com a superfície das

55

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

macromoléculas por ligações iónicas e age mais como um elemento ligante do que como um solvente.

b) Nível 2 ( de 10 a 22% g de H 2 0/MS)- Neste nível a água

a superfície das

estabelece uma ligação fraca com macromoléculas.

c) Nível 3 ( de 22 a 33% g de H 2 0/MS)- Nesta faixa a água ganha sua propriedade de solvente e algumas reações metabólicas são desenvolvidas. O nível de hidratação assemelha-se a uma solução concentrada e a taxa de respiração aumenta a ponto de poder ser mensurável.

d) Nível 4 ( de 33 a 55% g de H 2 0/MS)- Neste nível a água exibe propriedades de uma solução diluída. A taxa de respiração é alta, muitas reações metabólicas ocorrem, e é nesta faixa que, para a maioria das espécies, a umidade é suficiente para promover a germinação das sementes.

e) Nível 5 (acima de 55% g de H 2 0/MS)- Neste nível os tecidos são considerados completamente hidratados e o metabolismo se desenvolve normalmente.

Durante a fase inicial de formação da semente, os tecidos estão no nível de hidratação 5, e o metabolismo é possível, permitindo a formação das partes constituintes da semente e o acumulo das substancias de reserva. A medida que o teor de matéria seca vai

56

Água e Tolerância à Dessecação

crescendo, o grau de umidade da semente tende a diminuir. Na maturidade fisiológica a semente se encontra no nível de hidratação 4, no qual a germinação normalmente é impedida ou por deficiência de hidratação ou por algum fator endógeno à semente(dormência). Nesta fase há o desligamento da semente com a planta mãe e acentua-se a perda de água, com a tendência natural da semente estabelecer o equilíbrio higroscópico com o ambiente. Apesar da redução das atividades metabólicas com a diminuição do teor de água, no nível 3 a respiração ainda acontece em um nível relativamente alto. É nesta fase que normalmente se inicia a colheita. O teor de umidade no qual a semente atinge o equilíbrio higroscópico, logicamente varia com uma série de fatores inerentes à semente e às condições do ambiente, entretanto, naturalmente e na maioria das espécies este equilíbrio acontece no nível 2 e as sementes são armazenadas com grau de umidade entre 10 e 13%. Com esta umidade o metabolismo é praticamente nulo e a respiração é baixíssima (não mensurável). No nível 1, principalmente nos limites inferiores ou seja abaixo de 4% de umidade os danos provocados pela dessecação são irreversíveis.

O estado de quiescência, no qual as sementes permanecem durante o armazenamento é altamente vantajoso do ponto de vista agronômico, porque permite a conservação das mesmas por longos períodos, já que praticamente não há consumo das reservas pela respiração. Entretanto nem todas as espécies conseguem se manter

57

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

vivas com um grau de umidade tão baixo. Algumas espécies, ditas recalcitrantes, não dispõem de mecanismos de proteção contra a dessecação e quando são secas abaixo de determinado nível de hidratação, perdem o poder germinativo. Por outro lado as sementes que toleram a dessecação, chamadas de ortodoxas, dispõem de alguns mecanismos de proteção capazes de manter os sistemas de membranas das células, as estruturas das macromoléculas e as substâncias de reserva em condições de readquirirem suas funções fisiológicas quando as sementes são reembebidas. Estes mecanismos de proteção contra danos por dessecação têm sido bastante estudados com o objetivo de estabelecer metodologias para preservar qualidade de sementes durante o armazenamento e principalmente para aumentar a logevidade de sementes recalcitrantes e semi recalcitrantes.

Os principais danos que acontecem nas sementes em decorrência da dessecação são relativos as membranas fosfolipídicas das células, a desestruturação de macromoléculas e a oxidação de lipídeos.

As membranas celulares são sítios primários de danos por dessecação. Um indicador deste tipo de dano é a lixiviação de várias soluções citoplasmáticas ( íons, açucares e proteínas) que ocorrem durante a reidratação dos tecidos das sementes secas. A taxa de lixiviação citoplasmática é positivamente correlacionada com o grau de sensibilidade à dessecação, isto é, sementes mais sensíveis à dessecação lixiviam mais que sementes menos sensíveis. Tal fato

58

Água e Tolerância à Dessecação

indica que a lixiviação reflete uma perda parcial da semi-permeabilidade das membranas, sugerindo que as injúrias por dessecação são estreitamente associadas com disfunção das membranas. As membranas biológicas de células hidratadas tem a bicamada lipídica num estado liquido cristalino em temperaturas biológicas, com movimentos rotacionais e laterais das cadeias de ácidos graxos dos fosfolipídeos dentro da bicamada.

Com a secagem a disposição dos fosfolipídeos na membrana muda da configuração lamelar para uma configuração hexagonal, causando disfunção desta membrana, que pode ser reversível ou irreversível dependendo do grau de dessecação e da natureza dos fosfolipídeos que a compõem. Esta transformação na membrana, bem como outras danificações tais como: - oxidação de lipídeos; perda de proteínas associadas às membranas; desnaturação de proteínas, acontecem com mais ou menos intensidade em função dos mecanismos de proteção desenvolvidos na semente durante a segunda metade do processo de sua formação. O desenvolvimento destes mecanismos depende de características genéticas das espécies que determinam a presença de substâncias como: - açucares solúveis; ante- oxidantes; enzimas que atuam contra o sistema de oxidação lipídica; proteínas especificas (late embriogenesis abundant proteins - LEA proteínas). Estes mecanismos apesar de serem determinados geneticamente podem ter suas presenças intensificadas ou reduzidas de

59

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

acordo com a taxa de secagem da semente ou o meio ambiente no qual a semente desenvolveu a fase final do seu desenvolvimento.

CONFIGURAÇÃO LAMELAR

CONFIGURAÇÃO HEXAGONAL

SECAGEM REIDRATAÇÃO  25% ÁGUA  25% ÁGUA SECAGEM REIDRATAÇÃO
SECAGEM
REIDRATAÇÃO
 25% ÁGUA
 25% ÁGUA
SECAGEM
REIDRATAÇÃO

FIGURA 7: (A) Orientação de menbranas fosfolipídicas em relação aos graus de hidratação.(Esquerda) Configuração lamelar com as cabeças polares em contato com o meio aquoso em ambos os lados da membrana. (Direita) Configuração hexagonal adquirida em baixos níveis de hidratação. (Abaixo) Destaca a presença e a desorganização das proteínas de membranas durante a secagem. UFLA - Lavras-MG, 1998.

60

4

GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA

4 GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA Evidentemente, boa germinação é fundamental quando trabalhamos com sementes para o plantio
4 GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA Evidentemente, boa germinação é fundamental quando trabalhamos com sementes para o plantio

Evidentemente, boa germinação é fundamental quando trabalhamos com sementes para o plantio e boa germinação significa, rapidez, uniformidade e alta porcentagem. Além disso, a plântula precisa possuir alta qualidade para gerar uma planta vigorosa.

Uma semente é considerada germinada quando acontece a protusão da radícula. Todos os processos que antecedem esta protusão, são processos germinativos, e começam bem antes da germinação visível - sementes que não germinam sob condições favoráveis ou estão mortas ou dormentes. A dormência pode ser algum bloqueio morfológico ou fisiológico da semente que impede a germinação.

61

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

4.1 FASES DA GERMINAÇÃO

Paralelamente a entrada de água na semente, a germinação se

processa podendo ser dividida em 3 fases:

FASE III FASE I FASE II INÍCIO DA GERMINAÇÃO VIÍVEL TEMPO EMBEBIÇÃ O (AUMENTO EM
FASE III
FASE I
FASE II
INÍCIO DA GERMINAÇÃO
VIÍVEL
TEMPO
EMBEBIÇÃ O (AUMENTO EM PESO FRESCO)

FIGURA 8:

Padrão Trifásico de embebição durante as germinação de sementes. Bewley e Black, 1978

Reativação: Embebição, ativação de respiração e de meios metabólicos importantes. II - Indução do crescimento - fase lag, preparação para o crescimento

III -

I

-

Crescimento - Protusão de radícula

62

Germinação e Dormência

4.1.1 FASE I - REATIVAÇÃO

Embebição

A semente seca apresenta atividade metabólica muito baixa.

A reativação do metabolismo somente começa com a embebição.

A entrada de água é primeiramente determinada pela diferença entre o potencial hídrico da semente e do meio no qual ela se encontra. Este potencial hídrico pode ser expresso pela seguinte fórmula:

semente =

onde:

+ m + P

= Potencial osmótico

m = potencial matricial

P = potencial de pressão ou turgor

A umidade geralmente é dada em MPa (mega Pascal) 1MPa =

9,87atm

Assim, o potencial hídrico da célula na semente é determinado por 3 componentes:

1. - Potencial osmótico - Depende do número de moléculas dissolvidas na célula. Esta concentração de solutos influência a entrada de água. Quanto mais alta a concentração menor é o potencial hídrico e maior é o gradiente de energia que promove a entrada de água.

63

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

2. m - Potencial matricial - É determinado pela capacidade de certas estruturas na semente para ligar água. Estas estruturas podem ser paredes celulares ou corpos protéicos. Os valores de e m são sempre negativos porque eles tem um potencial mais baixo que da água pura, o qual é zero por definição.

3. P - Potencial de pressão - é gerado pela expansão do conteúdo celular, devido a entrada de água. Esta expansão recebe uma pressão das paredes celulares, oposta às duas outras e é portanto maior que zero, então positiva. A soma dos três termos, ou seja o potencial hídrico da sementes é negativo, exceto quando a célula está completamente entumecida, neste caso semente = 0.

Durante a primeira fase, a entrada de água na semente é determinada principalmente pelo potencial matricial extremamente baixo da sementes seca. Este alto potencial matricial é resultado da perda da maioria da água ligada durante o período de secagem na planta mãe e subsequente secagem de pós-colheita. O potencial matricial é tão baixo que as sementes podem embeber-se em uma solução saturada de NaCl com potencial osmótico = -37MPa. A entrada de água é dependente estritamente de componentes físicos e ocorre tanto em sementes mortas como em vivas, dormentes ou não dormentes, exceto quando a

64

Germinação e Dormência

dormência for devida a impermeabilidade do tegumento. Durante a embebição a diferença entre o potencial hídrico do meio, e o potencial hídrico da sementes torna-se cada vez menor. Assim, a força com a qual a semente retira água do substrato diminui e o potencial hídrico do substrato pode tornar-se limitante especialmente quando em solos com uma forte capacidade de ligar água e/ou baixa condutividade de água.

Em alguns casos fatores próprios da semente podem representar barreiras internas que impedem a entrada de água. Muito freqüentemente estes fatores são representados pela estrutura da cobertura protetora. Sementes com esta característica ocorrem principalmente na família fabaceae e são chamadas sementes duras. Este tipo de dormência pode ser superado por fatores externos, que perfuram, quebram, desgastam ou degeneram o tegumento facilitando a entrada de água. Na natureza esta forma de dormência é quebrada por temperaturas externas (tanto frio como calor) que afetam a estrutura do estrofiole, ou em algumas espécies o tegumento são amolecidos por microrganismos ou pela passagem através do trato gastro intestinal dos animais. Métodos agronômicos para reduzir a impermeabilidade usam tratamentos de calor, lixas, ou químicos como ácido sulfúrico e álcool.

Nem todos os componentes da sementes embebem de maneira semelhante. Os mais importantes componentes da embebição são as proteínas (tanto das estruturas quanto do citoplasma). Também as mucilagens que rodeiam a testa, celulose (parede celular) e pectinas

65

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

absorvem água. O amido absorve muito pouco e os lipídios devido sua natureza hidrofóbicas não absorvem.

CUTICULA SUB-CUTÍCULA ENDOSPERMA Melilotus alba (fabaceae)
CUTICULA
SUB-CUTÍCULA
ENDOSPERMA
Melilotus alba (fabaceae)
profundidade da perfuração (m) % de sementes completa- mente embebidas
profundidade da perfuração
(m)
%
de
sementes
completa-
mente embebidas

FIGURA 9: Impermeabilidade da testa de Caronilla varia. A testa foi perfurada em varias profundidades por uma agulha com 400m de diâmetro. O estrofiole, o hilo e a micrópila foram seladas com epox e as sementes foram colocadas em papel de filtro umedecido para embebição. Adaptado de Mckee et al., 1977.

A taxa e volume de absorção está em função da composição química da semente.

Durante a embebição, muitos componentes das sementes, como gases, sais, açúcares e diversas proteína, são lixiviados para fora da semente. A lixiviação de íons pode ser monitorada pela mensuração da condutividade elétrica do meio de embebição. Após o início da embebição a lixiviação dos íons decresce rapidamente com o tempo.

66

Germinação e Dormência

S) HORAS FIGURA 10. (a) Embebição de 50 sementes ( -o-) ou embriões(- -) de
S)
HORAS
FIGURA 10. (a) Embebição de 50 sementes (
-o-) ou embriões(- -) de ervilha; (b)
taxa de lixiviação de eletrólitos, medida por condutividade elétrica, de 50
sementes
ou embriões
de ervilha colocados em 50ml de água a
20 o C. Dados de Raja Harum (não publicados). Hilhorst, 1997.
Embebição (g de H 2 O)
Lixiviação em (S)

A testa desempenha um papel importante durante a embebição. A entrada de água em embriões de ervilha é muito mais rápida que em sementes intactas, embora os embriões sem tegumento percam também mais eletrólitos.

Aparentemente, a redução da taxa de entrada de água resulta na diminuição da lixiviação. A lixiviação de componentes intracelulares é tanto maior em sementes quanto mais as membranas celulares são danificadas. Durante a secagem das sementes estas membranas

67

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

perdem sua integridade. A fase líquido cristalina das membranas é convertida em fase hexagonal reversa (Figura 7). As proteínas associadas a membrana perdem também suas orientações na membrana. Durante a embebição as membranas retornam rapidamente a orientação líquida cristalina. Entretanto por um curto tempo ambas as fases coexistem. A lixiviação ocorre então na interface das duas fases. Isto explica porque a presença da testa é benéfica. Pela embebição lenta, mais tempo é dado para a recuperação das membranas e neste intervalo de tempo a lixiviação não ocorre devido ao baixo conteúdo de água. A recuperação das membranas pode ocorrer em conteúdos de água relativamente baixos tais como 25%.

Reativação do Metabolismo

Os primeiros sinais de reativação de meios metabólicos aparecem com o rápido aumento na taxa respiratória. A entrada de oxigênio corre paralelamente como entrada de água e estabiliza quando a entrada de água diminui na fase II. O rápido ressurgimento da atividade respiratória sugere que ao menos uma parte do sistema de enzimas mitocôndriais estão disponíveis. Em Sementes de alface a formação de ATP ocorre em 30 minutos de embebição como mostra a figura 11.

68

Germinação e Dormência

0 10 20 TEMPO EM HORAS NUCLEOTÍ DEOS/g ENTRADA -2 SEMENTES.10 Á GUA o 
0
10
20
TEMPO EM HORAS
NUCLEOTÍ DEOS/g
ENTRADA
-2
SEMENTES.10
Á
GUA o
 DE O 2 E
% GERMINADAS

FIGURA 11: A e B tempo a partir da embebição para: (A) entrada de água (-o-) em g H 2 O/g sementes, consumo de O 2 (--) em mol/min e germinação (- -) em %; em (B) ADP(-o-), ATP(-x-) e total de nucleotidios (--). A setas mostra o momento de transferencia de sementes para uma atmosfera de nitrogênio e a linha pontilhada a queda no nível de ATP para zero em 6 minutos. Dados baseados em Pradet et al. (1968) e Hourmant e Pradet

a queda no nível de ATP para zero em 6 minutos. Dados baseados em Pradet et

(1981).

69

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

A formação de ATP cai imediatamente quando uma atmosfera de

nitrogênio é aplicada. Isto indica que ATP é sintetizado novo, isto é, não permanece na semente seca. Existem evidências de que o ATP, no início da germinação é gerado através da fosforilação oxidativa. Apesar de uma rápida produção de ATP, o suprimento de energia das células não é ótimo no início. Aparentemente algum tempo é requerido para reativar ou sintetizar todas as enzimas necessárias ao funcionamento normal do sistema.

O substrato para respiração, no início provavelmente origina-se de

uma pequena fração de componentes com baixo peso molecular, que estão presentes nas sementes junto com o material de reserva, já que a mobilização das reservas não inicia antes da fase III de embebição. O coeficiente respiratório (RQ = CO2/O2) fornece informação sobre a natureza do substrato catabolizado. Em sementes grandes o valor de R.Q., inicialmente apresenta-se maior que 1. Isto é um indicativo de fermentação que ocorre porque o oxigênio não está ainda penetrando em todas as partes da semente. O valor de R.Q. volta a cair quando a testa é rompida. Aparentemente a testa age como uma barreira para a difusão de oxigênio. Quando a germinação visível demora muito, os produtos da fermentação (álcool) podem influenciar negativamente a qualidade das sementes. A inibição da difusão de oxigênio pode ser causada por:

(a) A presença de camada de mucilagem;

70

Germinação e Dormência

(b)

Consumo ativo de oxigênio pela testa (ex. por peroxidase):

(c)

consumo de oxigênio por microrganismos na testa.

Assim como o obstáculo à entrada de água, a inibição da difusão de oxigênio pode ser considerado como um tipo de dormência.

0 12 24 36 48 GERMINAÇÃO (HORAS) l /HORA/SEMENTE R.Q. 30 60 90 1 2
0
12
24
36
48
GERMINAÇÃO (HORAS)
l /HORA/SEMENTE
R.Q.
30
60
90
1
2
3

FIGURA 12: Taxa de respiração e quociente respiratório de sementes de ervilha, durante as primeiras 50 horas de germinação à 25 o C. Spragg e Yemm (1959).

71

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

4.1.2 FASE II - INDUÇÃO DE CRESCIMENTO

Fase lag

Em sementes de algumas espécies como ervilha e aveia (Figura 13) a fase de reativação é seguida imediatamente pela germinação visível (Fase III).

FASE III R FASE I TEMPO DE EMBEBIÇÃO (HORAS) ENTRADA DE 0 2 (l/h/10 SEMENTES
FASE III
R
FASE I
TEMPO DE EMBEBIÇÃO (HORAS)
ENTRADA DE 0 2 (l/h/10 SEMENTES

FIGURA 13: Respiração de sementes não dormentes de aveia selvagem (Avena fatua). (R) Protusão da radícula. Chen e Varner 1970.

A expansão de sementes pela embebição causa em ervilha a

72

Germinação e Dormência

quebra do tegumento o que facilita o crescimento. Em sementes de aveia este não é o caso. Acredita-se que nesta espécie sistemas respiratórios eficientes, incluindo mitocôndrias novas e ativas, torna-se viável em um tempo relativamente curto. Entretanto, em outras espécies esta fase se prolonga por horas e semanas, antes do início da germinação. Particularmente sementes com embriões imaturos, tais como aipo e maçã, freqüentemente tem uma fase de indução longa. Quando a dormência impede a germinação a fase II pode então durar meses ou anos.

Preparação para o crescimento

A rápida reativação da atividade respiratória durante a embebição mostra que as enzimas mitocôndriais e citoplasmáticas envolvidas na respiração sobreviveram no período seco e foram simplesmente reativadas pela hidratação. Entretanto, esta reativação tem sido seguida por rápida síntese de novo das enzimas que são envolvidas na germinação. Inicialmente, a síntese de proteínas depende do mRNA que foi formado durante o desenvolvimento e permaneceu no período seco, embora, substancial parte das enzimas da germinação, sejam sintetizadas através de mRNA que são formados durante a fase II. De fato, em sementes de rabanete, foi mostrado que a síntese de proteína durante as primeiras horas de embebição, utiliza mRNA pré-formada.

73

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

A B Cordicepina 0 2 4 6 8 0 2 4 6 8 10 f
A
B
Cordicepina
0
2
4
6
8
0
2
4
6
8
10
f
FIGURA 14: (A) Redução na sintese de proteína o mRNA presente em eixos
embrionários secos de rabanete(Raphanus sativus). A sintese de novo
mRNA durante as 8horas do experimento foi eliminada com
cordicepina. (B) Conteúdo de mRNA em embriões de rabanete
durarante a germinação, na presença (o) ou ausência () de
cordicepina. Delseny et al. (1977) .
% DO CONTROLE
% do Controle (Embriões Secos)

Cordicepina, um inibidor de síntese de RNA e poliadenilação não inibe a síntese de proteínas nos estágios iniciais de embebição. Também a quantidade extraível de mRNA não foi afetada neste período inicial da embebição. Pode ser visto também que na testemunha sem inibidor, a quantidade de mRNA decresce durante as primeiras horas de embebição.

Aparentemente parte do mRNA preservado não está disponível para germinação. A forma exata como a semente discrimina o mRNA utilizável daquele não utilizável ainda não está clara. Há alguma

Cordi

74

Germinação e Dormência

evidência de que em RNAs específicos da germinação são protegidos por ligações com proteínas ou armazenadas no núcleo.

Durante a fase de indução não há síntese de DNA. A síntese de DNA não começa antes do início do crescimento do embrião e divisão celular visível. Os processos metabólicos da fase de indução serve para propósitos diferentes. Assim, o suprimento primário de energia vem

através da glicolise, ciclo do ácido cítrico e cadeia transportadora de elétrons, visando a produção de ATP. Além disso, as sementes podem

ter a via das pentoses fosfato ativa, a qual é especialmente usada para

formação de NADPH, que facilita todo tipo de vias sintéticas e a formação das pentoses como precursores de ácidos nucléicos. Uma

parte do processo sintético visa a reparação de danos causados durante

o período seco, principalmente com relação a recuperação de

membranas e proteínas. Após todos os processos metabólicos e sintéticos iniciados, a indução do crescimento começa.

Atualmente, a natureza das reações que levam ao crescimento são desconhecidas. Sabe-se, no entanto, que a primeira fase do crescimento, consiste principalmente da expansão celular, pode-se portanto antecipar que estas reações envolvem o aumento na plasticidade da parede celular.

75

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

4.1.3 FASE III - CRESCIMENTO

Introdução

O início do crescimento levará rapidamente à germinação visível e consequentemente à retomada da velocidade de embebição, em sementes com embrião maduro. Em espécies com embrião imaturo, contidos em sementes maduras, existe uma fase durante a qual o crescimento do embrião não é acompanhado pela embebição. Nestas espécies o crescimento do embrião ocorre as expensas do endosperma durante a germinação. Em sementes de Heracleum sphondylium o embrião está ainda no estado globular e seu peso é apenas 0,4% de peso seco da sementes. Em outras espécies como aipo (Aipum graseoleus) o embrião está no estado de torpedo mas seu peso não é mais que poucos pontos percentuais do peso seco da sementes. Em sementes de Heracleum o crescimento do embrião somente acontece a 2°C e leva muitas semanas. A 15°C não há crescimento. Análise de aminoácidos revelou que a 2°C principalmente arginina e glicina estão livres e a 15°C os aminoácidos livres são principalmente alamina e prolina. Embriões imaturos cresceram a 15°C em um meio com arginina e glicina mas não cresceram com os dois outros aminoácidos.

Já em sementes de aipo a atividade de algumas hidrolases aumentavam durante a fase de crescimento. Estas enzimas são envolvidas com a quebra de galacto-mananas que estão presentes nas

76

Germinação e Dormência

paredes celulares do endosperma.

Também em tomate, a degradação do endosperma ocorre antes da germinação visível. Estas sementes contém embriões completamente crescidos. Nelas também, hidrolases são envolvidas na quebra das paredes do endosperma com o propósito de reduzir a resistência mecânica do endosperma para facilitar a germinação. Nos casos descritos acima, a mobilização de reservas ocorre antes da germinação visível. Entretanto em muitos casos a mobilização de reservas começa após a germinação visível.

ENDOSPERMA ENDOSPERMA EMBRIÃO SEMANAS FIGURA 15: Efeito da temperatura no peso seco de endosperma e
ENDOSPERMA
ENDOSPERMA
EMBRIÃO
SEMANAS
FIGURA 15: Efeito da temperatura no peso seco de endosperma e embriões
de Heracleum sphondylium. Hilhorst, 1997.
EMBRIÃO % NO PESO SECO DAS
SEMENTES
EMBRIÃO 2 0
ENDOSPERMA % NO PESO SECO DAS
SEMENTES

77

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

GERMINAÇÃ O ATIVIDADE DA AMILASE PERIODO EM CONDIÇÕES DE GERMINAÇÃO (DIAS) GERMINAÇÃO % ATIVIDADE DA
GERMINAÇÃ
O
ATIVIDADE DA
AMILASE
PERIODO EM CONDIÇÕES DE GERMINAÇÃO (DIAS)
GERMINAÇÃO %
ATIVIDADE DA AMILASE

FIGURA 16: Aumento na atividade de amilase durante a germinação de sementes de cevada(Hordeum vulgare). A atividade é expressa em mg de amido digerido em 2 minutos pelo volume de extrato equivalente a meio grão. a protusão da radícula foi tomada como critério para a germinação. (Drennan e Berrie,

1962).

78

Germinação e Dormência

4.2 INFLUÊNCIA DE FATORES EXTERNOS NA GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA

Neste item discutiremos a influência de fatores exógenos sobre a germinação e dormência. A razão para isso é que o grau de dormência é normalmente relacionado com o grau de germinação. Isto porque freqüentemente é impossível determinar se um fator influencia a germinação ou a dormência. A (Figura 17) mostra esquematicamente o conceito de germinação e dormência como será usado aqui.

de

dormência que foi induzida durante a sua formação.

Em alguns casos a dormência estará ausente e a germinação ocorrerá quando as condições forem favoráveis (2,6). Em outros a dormência primária é quebrada antes da germinação acontecer (3). Se as condições para germinação não são favoráveis, a dormência secundária será induzida após algum tempo (5). O termo pseudo dormência revela um tipo de dormência que é forçado pela inibição passiva da germinação devido à ausência de fatores estimulantes. A dormência secundária pode também ser quebrada e a germinação acontece. Dormência secundária pode acontecer por anos sem ocorrência da germinação. A germinação de sementes freqüentemente supõe demandas muito específicas no ambiente fisiológico e químico. Fatores importantes são: - temperatura, luz e substâncias promotoras e inibidoras.

A

maioria

das

sementes

maduras

possuem

uma

forma

79

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

DESENVOLVIMENTO POS-COLHEITA DORMENCIA PRIMÁRIA FINAL DO DESEN- VOLVIMENTO NÃO GERMINAÇÃO DORMENTE PSEUDO
DESENVOLVIMENTO
POS-COLHEITA
DORMENCIA
PRIMÁRIA
FINAL DO DESEN-
VOLVIMENTO
NÃO
GERMINAÇÃO
DORMENTE
PSEUDO
DORMÊNCIA
DORMÊNCIA
SECUNDÁRIA

FIGURA 17: Apresentação

esquemática

da

transição

entre

diferentes

estados de dormência e germinação.

A linha

pontilhada

representa a fase

do

desenvolvimento

durante

a

qual

a

semente são desidratadas. Hilhorst, H. 1997.

4.2.1 TEMPERATURA

Em espécies selvagens a dependência de fatores ambientais representa um importante mecanismo para sincronizar a germinação no tempo certo para o crescimento e desenvolvimento das plântulas. Sementes de culturas trabalhadas são freqüentemente menos criticas em seus requerimentos ambientais. Todavia, o passado selvagens das culturas trabalhadas podem tornar-se visível sob condições de estresse ou quando a qualidade da semente decresce.

80

Germinação e Dormência ESCUR LUZ LUZ ESCUO CAMPO CAMP OUT JUL OUT JAN JAN ABR
Germinação e Dormência
ESCUR
LUZ
LUZ
ESCUO
CAMPO
CAMP
OUT
JUL
OUT
JAN
JAN
ABR
JUL
OUT
JAN
TEMPERATURA 0 C

FIGURA 18: Relações entre a temperatura do campo e alterações nas faixas de temperaturas dentro das quais a germinação pode ocorrer. As linhas sólidas representam as temperaturas máximas e mínimas nas quais a germinação é possível. As linhas pontilhadas representam a média diária da temperatura máxima do campo. As áreas rachuradas representam a interseção entre as temperaturas atual e requerida. (A) Verão (dados obtidos em Ambrosia artemisiflolia por Baskin e Baskin, 1980). (B) Inverno ( dados de um estudo com Lamium amplxicaule por Baskin e Baskin, 1981). Parcialmente redesenhado por Karssen (1982).

A capacidade para responder aos fatores do meio ambiente muda com as estações e pode ser considerada como mudanças em dormência. Isso pode ser melhor ilustrado com as mudanças na faixa de temperatura de germinação de sementes de ervas daninhas em bancos naturais de sementes.

A difusão das sementes do verão ocorre no outono quando

81

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

geralmente elas estão em dormência primária. Com o decréscimo da temperatura de campo para níveis abaixo daqueles onde a germinação é possível, ou seja, temperatura mínima de germinação, mesmo quando a dormência é superada, a semente irá germinar somente perto de outubro, quando a temperatura de campo coincide com a faixa de temperatura na qual é possível a germinação.

Com o aumento na temperatura de campo acima de um determinado ponto, as sementes adquirem dormência secundária a “Janela de germinação” fecha, a coincidência desaparece e a germinação torna-se impossível, mesmo quando as outras condições são favoráveis. No inverno (Figura 36B) acontece o inverso. O decréscimo da temperatura de campo atinge níveis abaixo da temperatura mínima de germinação e por este motivo a semente não germina. Assim, pode-se deduzir que a temperatura desempenha um papel duplo. A temperatura não é somente um dos fatores que é decisivo para germinação mas é também um fator que regula alterações na dormência.

Nas espécies de verão a baixa temperatura quebra dormência, e as altas temperaturas induzem dormência, para culturas de inverno acontece o inverso. Tratamentos a frio (quebra de dormência) em sementes embebidas tem sido extensivamente estudadas (estratificação a frio e chilling). Sementes de espécies arbóreas (maçã, pêra, rosa) geralmente requerem frio para superação de dormência, embora

82

Germinação e Dormência

algumas vezes este comportamento aconteça entre muitas espécies herbáceas. A temperatura ótima para as espécies arbóreas variam entre 2 a 4°C. Entretanto, o efeito pode ser facilmente perdido porque temperaturas elevadas também podem induzir dormência secundária.

Por outro lado, dormência primária pode também ser quebrada por armazenamento a seco em alta temperatura. Talvez, em algumas espécie isto seja uma “lembrança” das condições climáticas da estação fria e úmida na qual ocorre a germinação, após a quebra da dormência ocorrida no verão quente e seco.

Um outro aspecto da influência da temperatura sobre a germinação é que em muitas espécies observa-se que alternância na temperatura resulta em melhor germinação que em temperatura constante.

importante

que regula alterações em dormência, além de ser também um fator que influencia na germinação de sementes não dormentes.

Pode-se então concluir que a temperatura é um fator

83

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

LUZ ESCURO DURAÇÃO DO “CHILLING” (SEMANAS) GERMINAÇÃO %
LUZ
ESCURO
DURAÇÃO DO “CHILLING” (SEMANAS)
GERMINAÇÃO %

FIGURA 19: Relação temperatura/tempo em estratificação de Rumex obtusifolius. As sementes foram expostas a três temperaturas por diferentes tempos, no escuro(a) e na luz (b). A seguir foram transferidas para 25 0 C por quatro semanas e contadas quando germinadas. Totterdell e Roberts, 1979. UFLA – Lavras-MG, 1998.

4.2.2

Luz

É um outro importante fator que estimula germinação de muitas espécies, nas quais a resposta à luz é determinada por um pigmento ativo o fitocromo. Este receptor exibe um conhecido antagonismo

84

Germinação e Dormência

vermelho - vermelho distante. Pela irradiação com luz vermelha o pigmento inativo Pr, com absorção máxima em 660nm, é convertido no pigmento ativo Pfr, com absorção máxima em 730nm. Esta reação é reversível, de modo que o efeito de uma irradiação com luz vermelha de 660mm, é neutralizada pela irradiação com luz vermelho distante

(730mm).

QUADRO 3: Fotoreversibilidade

do

fitocrômo

e

a

dormência. Borthwick et all. 1952.

superação

da

Seqüência de Irradiações

Germinação %

Nenhuma (escuro)

4

V

98

VD

3

V, VD

2

V, VD, V

97

V,VD,V,VD

0

V, VD,V,VD,V

95

Obs. Sementes de alface da cultivar Grand Rapids foram embebidas no escuro e depois exposta a luz vermelha (640 a 680 mn) por 1,5 minutos luz vermelho distante (> 710 mn) por 4 minutos, conforme seqüência mostrada no Quadro. A seguir foram colocadas para germinar no escuro e contadas após 24 horas.

Em geral, a promoção da germinação requer baixa quantidade de luz. Algumas vezes apenas uma irradiação vermelha de curta duração, contínua ou intermitente é requerida. Nos casos em que é necessário

85

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

um longo tempo de irradiação vermelha, um alto conteúdo de Pr pode está presente.

A resposta de sementes à luz pode variar da seguinte forma:

LUZ

ESCURO

I - Independente de luz

+

+

II - Dependente de luz

+

-

III - Insensíveis à luz

-

-

No solo, sementes podem passar de III para I via II e vice-versa, representando respectivamente, quebra e indução de dormência. A reação também depende da temperatura de germinação. Com o aumento na temperatura de germinação, sementes de alface passa da resposta tipo I para o tipo III via tipo II.

A resposta à luz é determinada pela relação da quantidade de Pr

presente e Pfr requerida. Esta relação terá que ser maior que 1 para uma resposta positiva. Na resposta tipo I esta relação é maior que 1 tanto no claro como no escuro. Na resposta tipo II somente na luz esta relação é maior que 1 e na resposta tipo III nem na luz nem no escuro a relação é maior que I.

86

Germinação e Dormência

VERMELHO A ESCURO VERMELHO ESCURO B VERMELH C ESCURO GRAUS CENTIGRADOS PORCENTAGEM DE GERMINAÇÃO
VERMELHO
A
ESCURO
VERMELHO
ESCURO
B
VERMELH
C
ESCURO
GRAUS CENTIGRADOS
PORCENTAGEM DE GERMINAÇÃO

FIGURA 20: Interações entre temperatura e luz no processo germinativo de diferentes lotes (A-C) de sementes de alface var. Grand Rapid. Hilhorst, 1997.

Sementes podem sair da planta mãe no estado independentes de luz, em outras palavras conteúdo Pfr suficiente. Este Pfr foi formado durante o desenvolvimento e estabilizado durante a desidratação. A conversão do Pr em Pfr consiste de diversas reações

87

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

SOMENTE EM TECIDOS HIDRATADOS
SOMENTE EM
TECIDOS
HIDRATADOS

FIGURA 21: Transformações do fitocrômo. Conversão de Pr em Pfr e Pfr em Pr necessita em cada caso de três intermediários, envolvendo etapas dependentes de luz (setas estreitas) e etapas não fotoquímicas(setas largas). Kendrik e Spruit(1977). UFLA – Lavras-MG, 1998.

Apenas uma parte destas reações acontecem em sementes secas. A conversão de meta - Fb para Pr é a mais lenta das reações. Durante a desidratação este intermediário é acumulado e durante a rehidratação níveis relativamente altos de Pr são formados através deste intermediário. Este acumulo de Pr impede a germinação no escuro. Em outras palavras, independente de luz não é o mesmo que independente de fitocrômo.

88

Germinação e Dormência

Sementes tornam-se insensíveis a luz (III) quando o período de escuro é prolongado. Esta é uma das características de indução de dormência secundária (Figura 19B, 10 e 15°C).

4.2.3

Nitrato

Os nitratos são compostos naturalmente armazenado no solo que

estimulam a germinação de muitas espécies selvagens. São ativos na faixa de concentração entre 1 e 50mM. Existem muitas especulações sobre o mecanismo de ação do nitrato. Por um longo tempo acreditou-se que nitrato era um receptor de H + alternativo para repassar ao oxigênio. Entretanto, recentemente foi mostrado que a ação do nitrato era independente da enzima nitrato redutase, o que significou a rejeição da hipótese anteriormente mencionada. A opinião atual é que nitrato é um co-fator para ação do fitocômo, como veremos adiante.

O sucesso da germinação requer a combinação de fatores

ambientais. Isto significa que ocorrem interações entre estes fatores. Os fatores temperatura, luz e nitrato tem sido mais estudado neste contexto. Sementes de Susymbium officinale não germinam em água na ausência de luz. Nem a irradiação de luz vermelha, nem a aplicação de nitrato tem efeito. Entretanto, a combinação de ambos os fatores resulta na germinação.

89

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

PADRÃO FIGURA 22: Germinação de sementes de Sisymbrium officinale a 24 o C em água,
PADRÃO
FIGURA 22: Germinação de sementes de Sisymbrium officinale a 24 o C em
água, padrão, KNO 3 , GIBERELINAS 4+7 e/ou tetciclacis, um
inibidor de biossintese de giberelina. Em combinação com
GERMINAÇÃO %

luz vermelha (

Em combinação com GERMINAÇÃO % luz vermelha ( ) ou vermelho distante( ). Hilhorst, (1997). Pode-se

) ou vermelho distante(

com GERMINAÇÃO % luz vermelha ( ) ou vermelho distante( ). Hilhorst, (1997). Pode-se observar que

). Hilhorst, (1997).

Pode-se observar que a germinação em luz sem nitrato não é zero. Isto demonstra que esta baixa germinação é induzida pelo nitrato endógeno presente na semente. Da mesma forma, o baixo nível de germinação no escuro é devido a pequena quantidade de Pfr pre formado durante a germinação das sementes. Pode-se observar que os fatores luz e nitrato estão envolvidos na produção de giberelinas nas sementes, considerando que o inibidor da biossintese de giberelina anulou a germinação e que a adição exógena de GA's induziu a

90

Germinação e Dormência

germinação na luz ou no escuro.

As sementes tem valores limites para fatores exógenos. Uma semente com alta quantidade de nitrato endógeno ira requerer menos luz que uma semente com baixa quantidade de nitrato. Isto também é verdade para temperatura. Quanto mais próximo da temperatura ótima para geminação, menos fatores externos serão requeridos para germinação. As alterações na dormência são baseadas no aumento e decréscimo destes níveis e os valores limites são determinados pela sensibilidade. As variações em sensibilidade a luz e a nitrato durante a indução de dormência secundária tem sido estudadas à fundo, em sementes de Sesymbium officinale.

GERMINAÇÃO A 24 o C
GERMINAÇÃO A 24 o C

PRE-INCUBAÇÃO A 15°C, (HORAS)

FIGURA 23: Germinação de sementes de Sisymbrium officinale a 24°C, pre-incubadas por diversos períodos a 15°C em água (o) ou

) ou

25mM K2NO 3 (,

a 15°C em água (o) ou ) ou 25mM K2NO 3 (  , ) e

) e irradiado por luz vermelha (0,

água (o) ou ) ou 25mM K2NO 3 (  , ) e irradiado por luz

mantido no escuro (). Hilhorst, 1990.

91

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Incubação no escuro a 15°C resulta na indução de dormência secundária. A máxima porcentagem de germinação decresce exponencialmente e mais rápido quando somente o nitrato endógeno está disponível. Aplicação de nitrato no meio de germinação retarda a indução da dormência.

Na germinação subsequente a sensibilidade ao nitrato decresce e mais nitrato é requerido para o mesmo nível de germinação. O mesmo é verdadeiro para sensibilidade ao Pfr. As variações na sensibilidade à luz e nitrato têm sido estudadas em detalhe pelo processo resposta experimental a doses (24 B,C).

B GERMINAÇÃO %
B
GERMINAÇÃO %

Log FLUENCIA,

mol . m -2

92

Germinação e Dormência

C CONCENTRAÇÃO DE NITRATO, log mM GERMINAÇÃO %
C
CONCENTRAÇÃO DE NITRATO,
log mM
GERMINAÇÃO %

FIGURA 24: Curvas da germinação de sementes de Sisymbrium officinale submetidas a fluência de luz e nitrato, obtidas após pre-

incubação no escuro a 15°C por 24(), 48(

264(). As sementes foram pre-incubadas em 25mM KNO 3 e irradiadas com luz vermelha (660nm) com diferentes fluência(A), ou com diferentes concentrações de KNO 3 e irradiadas com luz vermelha por 15 minutos(B). A germinação foi avaliada após 3 dias a 24°C. As taxas de germinação nos valores de log fluência = -6 e concentração de nitrato = 10 -2 são semelhantes as taxas de germinação no escuro e em água respectivamente. Hilhorst, 1990.

), 192(o) e

e em água respectivamente. Hilhorst, 1990. ), 192(o) e ), 120( Pela variação da fluência de

), 120(

água respectivamente. Hilhorst, 1990. ), 192(o) e ), 120( Pela variação da fluência de luz (quantidade

Pela variação da fluência de luz (quantidade de fotons) e nitrato aplicados à semente, as "curvas de respostas" as doses podem ser calculadas. Pela forma e posição destas curvas, informações sobre a

93

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

percepção de fatores exógenos pela sementes podem ser obtidas. Nas figuras 24 A e B, observamos que duas grandes variações ocorreram tanto nas curvas resposta a luz vermelha como a nitrato. Inicialmente, as curvas se deslocaram para a direta com o aumento do tempo de incubação a 15°C, durante um determinado tempo a germinação máxima atingiu 100%, e em seguida decresceu. Este padrão pode ser explicado pelo seguinte: - ambos Pfr e nitrato terão que se ligar a um receptor para iniciar uma cadeia de reações que levam a germinação. A relação entre a ligação ao receptor e a resposta final pode ser expressa da seguinte forma:

FATOR + RECEPTOR

final pode ser expressa da seguinte forma: FATOR + RECEPTOR COMPLEXOS RECEPTOR - FATOR RESPOSTA O

COMPLEXOS RECEPTOR - FATOR

seguinte forma: FATOR + RECEPTOR COMPLEXOS RECEPTOR - FATOR RESPOSTA O número de receptores ocupados é

RESPOSTA

O número de receptores ocupados é proporcional a resposta. Para a máxima germinação um certo número de receptores terão de ser ocupados. Se o grau de ocupação é menor que este número, a germinação máxima cairá, como pode ser visto na (Figura 24). Se o grau de ocupação é mais alto, a germinação será máxima. Se o número de receptores ocupados for acima do número requerido para máxima germinação, a curva da dose resposta mostrará maior velocidade de germinação mas a germinação máxima permanecerá igual, como é o caso no nosso exemplo.

94

Germinação e Dormência

Este processo é esquematicamente mostrado na Figura 25.

1 2 3 TEMPO NÍ VEL DO RECEPTOR GERMINAÇÃ O %
1
2
3
TEMPO
NÍ VEL DO RECEPTOR
GERMINAÇÃ O %

FIGURA 25: Alterações nos níveis do receptor durante a indução de dormência secundária. Os níveis do receptor são relacionados à resposta a germinação através da equação:

Resposta = K e [X], onde K e é uma constante e [X] é o nível do receptor. X 1 = o nível do receptor na presença de concentração de nitrato supra ótima. X 2 é o nível do receptor requerido para a máxima germinação, então X 1 -X 2 é a reserva do receptor. A linha em negrito indica o padrão da germinação em alta concentração de nitrato. X 3 é o nível do receptor presente em sementes como resultado do nitrato endógeno. Hilhorst, 1990.

95

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Estes aumentos de sensibilidade a fatores externos, tem sido observados não somente em laboratórios, mais também no campo. Em resumo, pode ser concluído que a regulação da dormência pode ser baseada na síntese ou degradação de receptores de fatores ambientais promotores da germinação tais como luz e nitrato.

96

5

REGULAÇÃO ENDÓGENA DA GERMINÇÃO E DORMÊNCIA

5 REGULAÇÃO ENDÓGENA DA GERMINÇÃO E DORMÊNCIA Sinais promotores de germinação vindos de fora precisam ser
5 REGULAÇÃO ENDÓGENA DA GERMINÇÃO E DORMÊNCIA Sinais promotores de germinação vindos de fora precisam ser

Sinais promotores de germinação vindos de fora precisam ser traduzidos em sinais de crescimento dentro da semente. Experimentos com aplicação exógena de reguladores de crescimento sugerem fortemente que os fitohormônios estão envolvidos na regulação da dormência e germinação entretanto este tipo de experimento nunca oferecem evidências definitivas disto. Para provar o possível envolvimento dos fitohormônios existem duas opções:

(1) Correlacionar mudanças no conteúdo de hormônios com mudanças na germinabilidade; (2) reduzir o nível natural de hormônio por manipulação química ou genética.

O primeiro método é particularmente limitado por problemas técnicos, tais como o baixíssimo conteúdo de hormônio e a inadequada

97

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

especificidade e insensibilidade dos métodos de detecção. Apenas nos últimos anos observou-se substancial desenvolvimento com o uso de cromatografia de massa e métodos imunológicos para a determinação e identificação de hormônios em plantas. Contudo, os baixos níveis de hormônios em plantas são ainda o maior problema. Até recentemente, muitas vezes os bioensaios eram usados. Com estes ensaios alguns resultados foram obtidos sugerindo que giberelinas (GA3) podiam variar seus conteúdos durante (Fig 26) ou após um tratamento de frio (Quadro

4).

DIAS A 5°C GA 4 equiv(ng/g) CINETINA E ABA equiv GERMINAÇÃO %
DIAS A 5°C
GA 4 equiv(ng/g)
CINETINA E ABA equiv
GERMINAÇÃO %

FIGURA 26: Alterações nos reguladores de crescimento endógenos de Acer saccharum. ABA, citocininas (CK), e giberelinas (GA) foram extraídos de sementes submetidas à chilling a 5°C por diversos períodos de tempo. Foi avaliado também, o efeito dos diferentes tempos de chilling sobre a superação da dormência(germinação).webb et al 1973.

98

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

QUADRO 4: Incremento na capacidade biossintética de giberelinas em embriões de Corylus avellana. Williams et al. (1974).

TEMPERATURA/TRATAMENTO

CONTEÚDO DE GA(nmol/semente)

GA 1

GA 9

Nenhum

1,02

<0,01

42

dias a 5°C

0,12

<0,01

42

dias a 5°C, a seguir 8 dias a 20°C

4.92

3,06

Por outro lado, na figura 27 pode-se observar variações na quantidade de ABA em diferentes tempos de tratamento de sementes a 5 0 C e 20 0 C. Inicialmente acreditava-se que um tratamento a frio para superar dormência, resultaria na queda no nível do hormônio ácido abcissico (ABA). Entretanto, este decréscimo não é específico já que também ocorre a 20°C, temperatura que não remove a dormência .

Parece que a queda no conteúdo de ABA nada mais é que uma lixiviação passiva.

99

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

TEMPO DE TRATAMENTO DAS SEMENTES (SEMANAS) Sementes germinadas %
TEMPO DE TRATAMENTO DAS SEMENTES (SEMANAS)
Sementes germinadas %

FIGURA 27: Ácido Abscisico livre e ligado em embriões de pêssego Prunus persica , durante estratificação a frio( 5°C) e a quente (20°C). ()ABA ligado a 5°C, (o) ABA ligado a 20°C, ( ) ABA

) porcentagem de

)

porcentagem de sementes germinadas durante a estratificação a 20C. Bonamy e Dennis, 1977.

durante a estratificação a 20C. Bonamy e Dennis, 1977. livre a 5°C, ( ) ABA livres

livre a 5°C,

(

a 20C. Bonamy e Dennis, 1977. livre a 5°C, ( ) ABA livres a 20°C, (

)

ABA livres a 20°C, (

e Dennis, 1977. livre a 5°C, ( ) ABA livres a 20°C, ( sementes germinadas durante

sementes germinadas durante a estratificação a 5°C, (

e Dennis, 1977. livre a 5°C, ( ) ABA livres a 20°C, ( sementes germinadas durante

100

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

Pelo segundo método para estudo dos reguladores de crescimento, é possível reduzir o conteúdo de hormônios através do emprego de inibidores de hormônio, como por exemplo, para GAs (CCC, Amo1618, tetciclacis, pacloluctrazol), etileno (AVC) e ABA (fluníalon). Além destes, um inibidor competitivo da ação de etileno é conhecido (norbornadien). Infelizmente, a maioria destas substâncias tem efeitos colaterais, especialmente quando usadas nas altas concentrações requeridas em sementes. Telciclacis, um inibidor da biossintese de GA, inibe a germinação de sementes de Sisymbium (Figura 22). Adição de GA nestas sementes tratadas com teticiclacis, resulta em completa e normal germinação. Isto indica que nestas espécies o inibidor não apresenta efeitos colaterais. O resultado sugere que síntese de GAs é um pré requisito para germinação nessas espécies, e que luz e nitrato são requeridos para a síntese de GA. A luz tem um segundo efeito nestas espécies. A germinação com GA exógeno ocorre tanto na luz como no escuro (Figura 22). Já a germinação na luz é consistentemente mais alta. Assim, a luz aumenta a sensibilidade ao GA. Experimentos semelhantes foram feitos com Arabilopsis e tomate. Entretanto nestas espécies a síntese de GAs não foi inibida por meios químicos mas sim por meios genéticos. Com ajuda dos mutantes ga e gib deficientes em Giberelina, foi observado que em Arabidopsis e tomate a germinação é absolutamente dependente de GA. Embora o tomate tipo selvagem (wt) germine facilmente em água, tanto no escuro com na luz, o mutante gib

101

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

germina somente em GA .

CONCENTRAÇÃO DE GA 4+7 OU GA 3 % DE GERMINAÇÃ O
CONCENTRAÇÃO DE GA 4+7 OU GA 3
% DE GERMINAÇÃ O

FIGURA 28: Efeito de GA 4+7 e GA3 sobre a germinação de sementes de

Arabidopsis do tipo selvagem(

símbolos abertos(GA 4+7 ) e símbolos fechados (GA 3 ). A germinação foi avaliada após sete dias de incubação no escuro. Hilhorst,1997.

);

após sete dias de incubação no escuro. Hilhorst,1997. ); ), ga-1(o,  ) e ga-2( ,

), ga-1(o,) e ga-2(

,
,

GA 4+7 porvou ser mais efeiciente que GA 3 . A germinação de

102

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

Arabidopsis é dependente de luz

GERMINAÇÃ O %
GERMINAÇÃ O %

GA4+7 M

FIGURA 29: Efeito de diversas concentrações de GA 4+7 sobre a germinação de sementes de Arabidopsis thaliana do tipo selvagem(o,) e ga-1( , ) em luz constante (símbolos abertos) ou escuro (símbolos fechados), a 24°C. Três amostras de 50 sementes foram semeadas em placas de petri sobre papel de filtro umedecido com 1.5ml a solução teste. Hilhorst, 1997.

umedecido com 1.5ml a solução teste. Hilhorst, 1997. No escuro tanto sementes de wt(selvagem) como de
umedecido com 1.5ml a solução teste. Hilhorst, 1997. No escuro tanto sementes de wt(selvagem) como de

No escuro tanto sementes de wt(selvagem) como de ga- 1(mutante) dependem de GA exógenos. Wt requer muito mais GA que ga-1. Este é um exemplo de uma regulação por baixo receptor, indica

103

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

que na semente Wt, que continha GA durante o sue desenvolvimento, os receptores de GA tinha uma atividade mais baixa. Na luz, wt germinam 100% em água é por isso independente de GA exógeno. As sementes de ga-1, entretanto, continuam dependente de giberelina, mas sua sensibilidade ao GAs é aumentada em 50 vezes. Assim, como em Sisymbium, Arabiolopsis apresenta dois efeitos de luz: I - sobre síntese de GA e II - sobre sensibilidade a GA. Um tratamento a frio a 2°C ou secagem em alta temperatura após colheita tem efeitos similares aos efeitos da luz sobre a sensibilidade a giberelinas. Tanto em wt como ga1 esta sensibilidade ao GA é aumentado (Fig 30, para o efeito 2°C).

GERMINAÇÃO%
GERMINAÇÃO%

GA 4+7 M

FIGURA 30: Efeito de diversas concentrações de GA4+7 sobre a germinação de sementes de Arabidopsis thalina do tipo selvagem() e ga-1( ) a 24°C. As sementes foram semeadas diretamente (linhas cheias) ou pre-incubadas no escuro a 2°C por 7dias(linhas pontilhadas). Hilhorst, 1997.

semeadas diretamente (linhas cheias) ou pre-incubadas no escuro a 2°C por 7dias(linhas pontilhadas). Hilhorst, 1997. 104

104

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

Assim, a superação de dormência coincide com um aumento da sensibilidade no GA.

Experimento com mutantes de Arabidopsis deficiente em ABA (aba) e insensíveis a ABA (abi) tem mostrado que a indução de dormência depende de ABA. Indução de dormência ocorre durante a formação da semente na planta mãe.

GERMINAÇÃ O %
GERMINAÇÃ O %

DIAS APÓS POLINIZAÇÃO

FIGURA 31: Germinação precoce de sementes de Arabidopsis de diferentes genótipos em luz a 24°C. As sementes foram retiradas do fruto nos tempos indicados após a polinização. A germinação avaliada após 7 dias. Tipo selvagem(o), mutante

aba

1

(

germinação avaliada após 7 dias. Tipo selvagem(o), mutante aba 1 ( ) e mutante aba 3

) e mutante aba 3 (

germinação avaliada após 7 dias. Tipo selvagem(o), mutante aba 1 ( ) e mutante aba 3

). Karssen et al. 1983.

105

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

A Figura 29 mostra que sementes de wt no final de desenvolvimento não germinam na luz e água, embora os muntantes aba1 e aba3 germinem. Tanto a deficiência em ABA quanto a insensibilidade ao conteúdo normal de ABA previnem a indução de dormência. Com cruzamento recíprocos foi mostrado que o ABA no embrião induz dormência (veja Figura 32 para comparação de ABA maternal e embrionário em tomate).

CONTEÚ DO DE ABA ng . SEMENTE -1
CONTEÚ DO DE ABA ng . SEMENTE
-1

DIAS APÓS POLINIZAÇÃO

FIGURA 32: Conteúdo de ABA durante o desenvolvimento de sementes

em plantas auto polinizadas Sit/Sit (

em plantas sit w /sit w polinizadas com Sit deixando a semente Sit/sit w (). Hilhorst, 1997. (Sit com ABA e sit w sem ABA)

), ou

a semente Sit/sit w (  ). Hilhorst, 1997. (Sit com ABA e sit w sem

) ou sit w /sit w (

a semente Sit/sit w (  ). Hilhorst, 1997. (Sit com ABA e sit w sem

106

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

Pode ser questionado se ABA é também responsável pela manutenção da dormência em sementes maduras. O conteúdo de ABA em sementes maduras é muito menor que em sementes em desenvolvimento (Figura 32). Além disso, não há síntese de novo de ABA em sementes maduras, nem mesmo durante a indução de dormência secundária. Durante as primeiras semanas após colheita sementes de tomate contém ABA suficiente para inibir o GA indutor e a germinação, logo após os níveis de ABA tornam-se muito baixos (Quadro 4).

QUADRO 5: Conteúdo

de

ABA em

sementes

de

Arabidopsis do tipo

selvagem

e

mutante

sit w .

O

ABA foi extraído na

colheita(sementes não secas), após um ano de armazenagem a seco a 7°C, ou após um ano de armazenagem seguida de 18 horas de embebição. Os dados representam a média ± o desvio padrão. Hilhorst, 1990.

CULTIVAR

ÉPOCA DE EXTRAÇÃO

ABA, ng . SEMENTE -1

TIPO

SELVAGEM

NA COLHEITA

1.8 ± 0.2

APÓS UM ANO DE ARMAZENAMENTO

0.8

± 0.1

APÓS UM ANO DE ARMAZ. E 18 H DE EMBEBIÇÃO

0.1

± 0.0

sit w /sit w

NA COLHEITA

0.2 ± 0.0

APÓS UM ANO DE ARMAZENAMENTO

0.1

± 0.0

107

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

É possível que este período seja mais longo em sementes com dormência (ex: espécies selvagens). Estas espécies mostram embriões dormentes e nestes casos não ‘há a superação da dormência com a remoção do tegumento da semente. Em tomate e muitas outras espécies a dormência é imposta por restrição mecânica ao crescimento do eixo embrionário; a remoção do tegumento + parte do endosperma quebra a dormência. Parece que nestas espécies a dormência é baseada em um balanço desfavorável entre a força de protusão do embrião e a resistência dos tecidos circundantes (endosperma +testa). Especificamente em tomate sabe-se que a dormência está localizada no endosperma. ABA inibe a hidrólise das paredes celulares do endosperma induzida pelo GA alem de provavelmente exercer uma influência negativa no potencial crescimento do embrião. Por isto, ABA não está presente em sementes maduras e não dormentes. Já durante o desenvolvimento ABA pode afetar negativamente a habilidade para expansão celular do embrião - GA estimula a expansão celular. Esta é também a provável razão pela qual Pfr antagoniza a inibição osmótica (na luz = Pfr estimula a síntese de GA > efeito de luz tipo I), como observado em sementes de alface.

108

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

VERMELHO VERMELHO DISTANTE NÃO GERMINADAS PESO FRESCO / PESO SECO
VERMELHO
VERMELHO
DISTANTE
NÃO GERMINADAS
PESO FRESCO / PESO SECO

POTENCIAL OSMÓTICO EXTERNO (bars)

FIGURA 33: Crescimento do eixo embrionário de sementes de alface tratados com luz vermelha e vermelho distante em função do potencial osmótico externo. O crescimento foi medido após 24 horas e expresso pela entrada de água nos eixos. Hilhorst,

1997.

6 O MECANISMO DE GERMINAÇÃO

Embora muitos estudos sobre germinação sejam publicados, muito pouco conhecimento sobre o mecanismo de germinação tem surgido. Entretanto dois pressupostos tem sido considerados: - a força potencial de crescimento inicial do embrião e - o mecanismos de resistência dos tecidos circundantes. Em tomate isto tem sido objetivo de diversos estudos. Com ajuda do mutante gib um deficiente em

109

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

giberelina foi comprovado que GA é requerido para reduzir a resistência do endosperma + testa .

PERÍODO DE INCUBAÇÃO (HORAS) FORÇA DE PERFURAÇÃO (N) GERMINAÇÃ %
PERÍODO DE INCUBAÇÃO (HORAS)
FORÇA DE PERFURAÇÃO (N)
GERMINAÇÃ %

FIGURA 34: Alterações da força média requerida para que a radícula perfure as camadas circundantes (linhas cheias) e da germinação(linhas pontilhadas), no tipo selvagem( , ) e ga–1 (,o), em sementes incubadas em água(símbolos fechados) ou em 10 M GA 4+7 (símbolos abertos). Hilhorst.

em 10  M GA 4 + 7 (símbolos abertos). Hilhorst. 1997. não foi adicionado GA.
em 10  M GA 4 + 7 (símbolos abertos). Hilhorst. 1997. não foi adicionado GA.

1997.

não foi

adicionado GA. Nos casos onde houve o decréscimo da resistência do endosperma, ele ocorreu antes da germinação visível.

No mutante não há decréscimo na resistência, quando

110

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

O mecanismo de resistência do endosperma + testa foi medido através de um aparelho chamado “Instron”.(Figura abaixo)

de um aparelho chamado “Instron”.(Figura abaixo) FIGURA 35: Apresentação esquemática de (A) corte de uma

FIGURA 35: Apresentação esquemática de (A) corte de uma semente de tomate e (B) o aparelho medidor da força de perfuração da radícula. Hilhorst, 1997

111

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Este instrumento consiste de um ponto ajustável com uma agulha ligada a ele. A ponta da agulha encaixa exatamente no canal da radícula da semente cortada. A semente é colocada em uma balança muito sensível. O movimento de cima para baixo da agulha, exerce uma força sobre os tecidos circundantes no lugar onde normalmente a radícula força. Quando a agulha penetra no tecido a balança registra a força exercida, necessária para a perfuração dos tecidos que circundam o eixo embrionário .

Novos estudos destes decréscimo de resistência mostraram que ele foi resultado de quebra enzimática de paredes de células endospermáticas. Três enzimas são evoluídas galctosidade, mannosidase e endo mananase. Especialmente a mananase parece ser controlada por GA .O aumento na atividade desta enzima acarreta um decréscimo paralelo na resistência do endosperma. Quando a resistência é reduzida suficientemente, a força de crescimento do embrião será grande o bastante para proporcionar a protusão da radícula. Quando os tecidos circundantes da radícula em sementes de gibi-1 são removidas, o embrião cresce em água.

112

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

6.1 MOBILIZAÇÃO DE RESERVAS

Após o início da germinação visível o crescimento das plântulas depende do suprimento de nutrientes encontrados na sementes. A reserva de nutrientes, acumuladas como macromoléculas no endosperma ou cotilédones, precisa então ser mobilizada para este propósito. Para isso, as macro-moléculas são degradadas a unidades menores as quais são solubilizadas e transportadas. A mobilização de lipídios, proteínas e carboidratos são discutidos a seguir:

6.1.1

LIPÍDIOS

Estão presentes principalmente nos corpúsculos de óleo, primeiramente perdem seus grupos glicerois por ação de lipases. Em seguida, os 3 ácidos graxos começam a ser degradados pela oxidação, as unidades de acetil CoA, que são convertidas em ceto- ácidos via ciclo do glioxilato. Em seguida, através da glicolise reversa resulta no produto final, a sacarose. A quebra de lipídios ocorre principalmente nos glioxissomas e mitocôndria (Figura abaixo).

113

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes Continua 114

Continua

114

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

FIGURA 36: Vias de catabolismo dos triglicerídeos e assimilação de hexoses. Enzimas (1)lipases; (2)ácido graxo tioquinase; (3) acil CoA desidrogenage; (4) crotonase; (5)-hidroxiacil dsidrogenage; (6) -cetoacil tiolase; (7)citrato sintase; (8) aconitase; (9)isocitrato liase; (10)malato sintase; (11)malato desidrogenase; (12)catalase; (13)succinato desidrogenase; (14)fumarase; (15)malato desidrogenase; (16)fosfoenol- piruvato carboxiquinase; (17)enolase; (18)fosfogliceromutase; (19)fosfogliceratoquinase; (20)gliceraldeido- 3-fosfato desidrogenase; (21)aldolase; (22)frutose 1,6-difosfatase; (23)fosfohexoisomerase; (24)fosfoglucomutase; (25)UDPGglicodse pirofosforilase; (26)sacarose sintase (ou sacarose–6-fosfato sintase e sacarose fosfatase). (i)glicerolquinase; (ii)glicerol fosfato oxidoredutase. Substratos: TG, triglicerídeo; MG, monoglicerídeo; Gly, glicerol; FFA, ácido graxo livre; PEP, fosfoenolpiruvato; 2PGA, ácido 2-fosfoglicérico; 3PGA, ácido 3-fosfoglicérico; DPGA, ácido 1-3-difosfoglicérico; G3P, Gliceraldeido 3-fosfato; FruDP, frutose 1-6-difosfato; Fru-6-P, frutose 6-fosfato; Glc-6- P, glicose 6-fosfato; Glc-1-P, glicose 1-fosfato; UDPGlc, uridina difosfato glicose; -Gly P, glicerol fosfato; DHAP, dihidroxiacetona fosfato.

6.1.2

PROTEÍNAS

A degradação hidrólitica de proteínas de reservas a aminoácidos acontece através de um grupo de enzimas proteolíticas chamadas proteinases. Os aminoácidos que são transportados em maior quantidade para os órgãos de crescimento são asparagina e glutamina. Desta forma uma grande parte de aminoácidos requeridos livres são convertidos nestas duas amidas. Após o transporte as amidas são

115

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

convertidos outra vez em diversos aminoácidos requeridos para síntese de proteína (Figura abaixo)

PROTEÍNA DE RESERVA POOL DE AINOÁCIDOS TRANSPORTE PLANTA SÍNTESE DE PROTEÍNA E OUTROS PROCESSOS ANABÓLICOS
PROTEÍNA DE RESERVA
POOL DE AINOÁCIDOS
TRANSPORTE
PLANTA
SÍNTESE DE PROTEÍNA E OUTROS
PROCESSOS ANABÓLICOS

SEMENTES

CRESCIMENTO

VEGETATIVO DA

Continua

116

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

FIGURA 37: Destino dos aminoácidos liberados pela hidrólise das proteínas de reserva, com ênfase no fato de que glutamina e asparagina são os principais aminoácidos transportados. Enzimas: (1)aminotransferase; (2)glutamina sintase; (3)asparagina sintase; (4)asparaginase; (5) GOGAT; (6)glutamato desidrogenase; (7)desaminase. Reações:

(A)desaminação específica; (B)interconversões diretas de esqueletos de aminoácidos ou transferencia direta sem intercinversões. Compostos: Glu, ácido glutâmico; Gln, glutamina; Asp, ácido aspartico; Asn, asparagina; NH 3 , amonia; Pro, prolina(alta em pols de aminoácidos de cereais, quando prolaminas de reserva são quebradas); AO, ácido oxalacético; KG, ácido cetoglutárico. Linhas sólidas mostram o caminho do nitrogênio linhas pontilhadas o caminho do carbono. Miflin et al. 1981.

6.1.3

CARBOIDRATO

O mais comum carboidrato de reserva é o amido. Os grãos de amido são degradados à glicose através de duas vias (1) amilase quebra a parte amilose do grão de amido em glicose e maltose. Após a digestão por amilase, resta ainda uma porção de oligómeros de glicose ramificada oriundos da parte amilopectina do amido. Estes são então degradados por duas outras enzimas, a enzima desramificadora e a dextiminase, até a ação final da amilase resultando em maltose e glicose. O dissacarideo maltose é convertido em duas moléculas de glicose pela enzima glicosidase. (2) A enzima amilotítica fosforilase também é capaz de quebrar grão de amido quase completamente por

117

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

sucessivos fofoliração de resíduos finais de glicose. O produto final é glicose -1 P. Em ambos os casos o produto final será convertido em sacarose. Em muitas dicotiledoneas os carboidratos são depositados como hemicelulose nas densas paredes do endosperma.

COTILEDONE EIXO ENDOSPERMA GLICOLISE, SINTESE DE PAREDES CELULAR ETC
COTILEDONE
EIXO
ENDOSPERMA
GLICOLISE, SINTESE DE
PAREDES CELULAR ETC

FIGURA 38: Diagrama ilustrando o destino de produtos da mobilização de galactomananas em dicotiledoneas endospermáticas. Enzimas : (1) galactosidase; (2) mananase e manosidase; (3)galactoquinase; (4) hexose fosfato uridil transferase (um grupo de 3 enzimas que converte Gal-1- P+UTPUDPGalUDPGlcGlc-1-P+UTP); (5) mananoqui- nase; (6) fosfomananomutase; (7)fosfomananoisomerase; (8)sacarose 6-fosfato sintase; (9)sacarose fosfatase; (10)C 2 epimerase; (11)fosfoglucomutase; (12)sacarose sintetase ou sacarose 6-fosfato sintetase; (13) rota de sintese do amido; (14)rota de degradação do amido. Hilhorst, 1997.

118

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

Freqüentemente são galacto-mananas com uma cadeia central de mamose e cadeias laterais de galactose. As hemiceluloses são também hidrolisadas por enzimas hidrolíticas. Os produtos finais são galactose e manose que são transportados para o embrião e convertido em sacarose (Figura abaixo)

para o embrião e convertido em sacarose (Figura abaixo) FIGURA 39: Diagrama da regulação da quebra

FIGURA 39: Diagrama da regulação da quebra das paredes celulares do endosperma por GA. Hilhorst,1997

Existem evidência que as giberelinas estão envolvida na regulação da mobilização das reservas. Isto está bem definido no caso da quebra de carboidratos. Em tomate a regulação por GA da quebra

119

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

das paredes celulares do endosperma tem sido estudada. Em alface o mesmo mecanismo mostra-se presente.

Um exemplo clássico e a regulação da degradação do amido em cevada (Figura 40).

COLEOPTILO TESTA+PERICARPO CAMADA DE ALEURONA ENDOSPERMA AMILÁCEO ESCUTELO RAIZES
COLEOPTILO
TESTA+PERICARPO
CAMADA DE ALEURONA
ENDOSPERMA AMILÁCEO
ESCUTELO
RAIZES

FIGURA 40: Diagrama do mecanismo de controle da produção de - amilase em sementes de cevada intactas. Jones e Armstrong,

1971.

120

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

O GA é sintetizado no escutelo e transportado para a camada de

aleurona. Somente nesta camada de células a síntese de amilase é

induzida. Esta enzima é secretada no amido contido no

endosperma, onde a degradação hidrolítica ocorre. A glicose formada é

transportada para as partes da plântula em crescimento, enquanto a

maltose é difundida de volta à camada de aleurona para posterior

degradação. Este mecanismo de quebra de carboidratos pode ser

encontrado em muitas espécies de cereais.

ser

transportadas para nutrir o eixo embrionário.

As

reservas

quebradas

em

moléculas menores

podem

121

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

Página vazia (verso)

122

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN, S.E.; and G.L. TERMAN. 1978, Yield and protein content of rice as affected
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN, S.E.; and G.L. TERMAN. 1978, Yield and protein content of rice as affected

ALLEN, S.E.; and G.L. TERMAN. 1978, Yield and protein content of rice as affected by rate, source, method, and time of applied N. Agronomy Journal 70-238-242.

ALTMAN, D.W.; W.L. McGUISTION, and W.E. KRONSTAD. 1993. Grain protein percentage, Kernel hardness, and grain yield of winter whear with foliar applied urea. Agronomy Journal 75:87-91.

AULD, D.L., B.L. BETTIS, and J.J. DIAL. 1984. Planting date and cultivar effect on winter rape production. Agronomy Journal 76:197-200.

AUSTIN, R.B. 1966. The growth of watercress Rorippa nasturtium- aquaticum L. (Hayek) from seed as affected by the phosphorus nutrition of the mother plant. Plant and Soil 24:113-120.

123

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

BAENZIGER, P.S., R.L. CLEMENTS, M.S. McINTOSH, W.T.; YAMAZAKI, T.M. STERLING, D.J. SAMMONS and J.W. JOHNSON. 1985. Effect of cultiar, environment, and their interaction and stability analyses on milling and baking qualites of soft red winter wheat, Crop Science 25:5-8.

BEWLEY, J.D., and M.BLACK. 1978. Physiology and Biochemistry of Seeds in Relation to Germination. New York: Springer-Verlag.

BONNER, J., and J.W. VARNER, eds. 1965. Plant Biochemistry, New York: Academic Press

CARVALHO,

N.M.

de

e

NAKAGAWA,

J.

Sementes

Ciência

e

Tecnologia e Produção, Campinas, Fundação Cargill, 1983, 429p.

CARY, E.E. 1981. Effect of selenium and cadmium additions to soil ontheir concentration in lettuce and wheat. Agronomy Journal

73:703-706.

CASSMAN, K.G.;

A S. WHITNEY, and R.L. FOX. 1981. Phosphorus

requirements of soybean and cowpea as affected by mode of N

fertilization. Agronomy Journal 73:17-22.

COFFELT, T. A, and D.L. HALLOCK. 1986. Soil fertility reaponses of Virginia-type peanut cultivars. Agronomy Journal 78:131-137.

COOPELAND, L.D. e McDONALD JR., H.B. Principles of seed Science and tecnology seed, New York, Mcmillan, London, Collier Mcmillan, 1585, 322p.

124

Regulação Endógena da Germinação e Dormência

CROCKER, W.

and

L.V.

BARTON.

1957.

Physiology

of

Seeds.

Waltham, Mass.: Chronica Botanice Company.

DeDATTA, S.K., W.N. OBCEMEA and R.K. JANA. 1972. Protein content of rice grain as affected byu nitrogen fertilizer and some triazines and substituted ureas. Agronomy Journal, 64:785-788.

DIEPENBROCK, W., and G.GEISLER. 1979. Compositional changes in developing pode and seeds of oilseed rape (Brassica napus L.) as affected by pod position on the plant. Canadian Journal of Plant Science 59:819-830.

ELMORE, C.D., W.L. SPURGEON, and W.O THOM. 1979. Nitrogen fertilization increases N and alters amino acid concentration of cottonseed. Agronomy Journal 71:713-716.

GBIKPI, P.J., and R.K. CROOKSTON. 1981. Effect of flowering date on accumulation of dry matter and protein in soybean seeds. Crop Science 21:652-655.

GLENN, D.M., ª CAREY, F.E. BOLTON, and M.VAVRA. 1985. Effect of N fertilizer on protein content of grain, strayw and chaff tissues in soft white winter wheat. Agronomy Journal 77:229-232.

GUBBELS, G.H. 1981. Quality, yield and seed weight of green field peas under conditions of applied shade. Anadian Journal of Plant Science 61:213-217.

HARRINGTON, J.F. 1960. Germination of seeds from carrot, lettuce, and pepper plants grown under sever nutrient deficiencies. Hilgardia

20:219-55.

125

UFLA/FAEPE - Fisiologia de Sementes

HILHORST, H.

Topicos Especial em Sementes: 1 st Advanced course

on seed physiology and thechnology. Lavras, UFLA, Apostila 1997.

IVANOV, N.N. 1993. Cause of the chemical variation of chickpea seeds. Bulletin of Applied Botanical Genetics, Plant Breeding Series 3(1):3-11. (Chemical Abstracts 27:5370, 1933)

JONES, R.S., and j.e. Armstrong, 1971. Evidence for osmotic regulation of hydrolytic enzyme production in germinating barley seeds. Plant Pysiology 48:137-142.

KARSEN, D.L.C. BRINKHORST-VANDERWAN, A E. BREEKLAND, and M. KOORNNEEF. 1983. Induction of dormancy during seed development by endogenous abscisic acid: studies on abscisic acid deficient genotypes of Arabidopsis thaliana (L.) Heynh. Planta

157:158-165.

KETRING, D.L., C.E. SIMPSON, and O D. SMITH. 1978. Physiology of oil seeds. VII. Growing season and location effects on seedling vigor and ethylene prodction by seeds of three peanut cultivars. Crop

Science 18:409-413.

KILEL, J. e GLILIE, Seed development and germination. New York:

Basil - Hang yong 1995.

LONERAGAN, J.F., K. SNOWBALL, and A D. ROBSON, 1980. Factors influencing variability in manganese content of seeds, with emphasis on barley (Hordeum vulgare) and white lupins (Lupinus albus). Australian Journal of Agricultural Research 41:29-37.