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SANTIDADE

PODER

Para a Igreja

eo

Ministério
SANTIDADE E PODER

PARA

A IGREJA E O MINISTÉRIO

Por

A. M. Hills

Tradutor

Petrônio Leone

EDITORA NAZARENA

C. POSTAL 1008 – CAMPINAS – SP – BRASIL

1ª. Edição 1896


A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

ÍNDICE

PRIMEIRA PARTE
A ENFERMIDADE DA IGREJA

CAPÍTULO I
A ENFERMIDADE DA IGREJA
30

As dificuldades que a igreja primitiva enfrentou – A unção do Espírito Santo — A


Igreja moderna necessitada deste batismo do Espírito Santo — Vários testemunhos:
do Prof. Henry Cowles, Dr. Albert Barnes, Dr. Cuyler, Dr. A. T. Pearson, Dr. Rice,
Dwight L. Moody, Charles Spurgeon, Rev. Morlais Jones, D.D., Rev. S. A. Keen,
D.D, Rev. Asa Mahan, D.D., LL. D., Presidente Finney, Bispos Peck e Foster, Joseph
Cook — A denominação wesleyana na Inglaterra — Fatos do Livro do Ano
Congregacional — As igrejas de Massachussetts — 1.400 ministros sem nenhuma
conversão durante um ano — Os metodistas e os batistas de Nova Iorque —
Declínio de frequência à igreja — O Poder do Pentecostes, nossa única esperança —
Uma igreja em que cada convertido custa o suficiente para sustentar 16
missionários.

CAPÍTULO II
40
PERGUNTAS E DEFINIÇÕES

Há algum “bálsamo em Gileade”? — Alguma provisão para a santidade? — Que é


pecado? — Que é salvação? — Como Webster define o pecado — Atual e original
— A definição do CENTURY DICTIONARY — O pecado na opinião de três tipos
de escritores — O primeiro tipo afirma que todo pecado reside na vontade, e não há
depravação da natureza — O segundo tipo acha que o pecado e tanto da vontade

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

como da natureza, e dele não nos libertaremos completamente nesta vida — O


terceiro tipo acha que incorremos em ambas as espécies de pecado, e podemos
libertar-nos de ambos, nesta vida — O Presidente Finney representa o primeiro tipo
— Argumentos que demonstram existir uma natureza corrupta por trás da vontade
— O Dr. Charles Hodge representa o segundo tipo — O Dr. Lowrey e John Wesley
representam o terceiro.

CAPÍTULO III
48
OBSTÁCULOS DOUTRINÁRIOS E FILOSÓFICOS

A fé crista ameacada por seus amigos — A teoria do Dr. Hodge — O caso de Sísifo
— O comentário do presidente Mahan: “Tenho de pecar diariamente em
pensamento, palavras e obras” — A teoria peculiar do Presidente Finney sobre o
pecado e a depravação, e sobre a vontade. Em guerra com as Escrituras, a
consciência e a experiência. (1) Localiza todo pecado na vontade. Existe um vasto
reino por trás da vontade. (2) O homem pode, pois, ser santificado. (3) Reprova a
credulidade. Oposto pelo testemunho cristão e pela consciência comum da
humanidade — A opinião do Dr. Daniel Steele. É contrário à obtenção e ao ensino
da santificação — O testemunho de Mahan quanto ao fato de o Presidente Finney
não saber conduzir os outros a obtenção e ao ensino da santiticação — O
testemunho de Mahan quanto ao fato de o Presidente Finney não saber conduzir os
outros a bênção — Os Presidentes Finney e Fairchild confundem consagração e
santificação — Consagração e obra do homem — Santificação e obra de Deus — A
definição de Webster e a Bíblia opõem-se a Finney e Fairchild — A opinião do Dr.
A. J. Gordon — Fairchild diz: “Não há fundamento nas Escrituras para uma
segunda experiência”. A reposta é: “Pentecostes”. Na “Santificação” de Fairchild
não há “purificação”. Nada “repentino” — A opinião contrária de John Wesley —
O testemunho de Mahan — Fairchild diz: “Não poderia ser revelada a consciência”
— O testemunho contrário do Bispo Foster — Fairchild ensina que a santificação é
apenas uma questão de crescimento. Sua opinião é contrária a Escritura e ao
testemunho humano — A opinião contrária de Mahan — Fairchild ensina que não
há santificação distinta de justificação — Em oposição as Escrituras — As opiniões
contrárias de Mahan e do Dr. Steele — A opinião de William Bramwell — O
Presidente Fairchild fala sobre a teologia de Oberlin em relação à santificação — O
comentário do Dr. Sheridan Baker — Influência maléfica sobre a vida de Oberlin —

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

A necessidade do momento — Literatura metodista — Santidade, a grande


doutrina metodista — A prosperidade dos metodistas — O crescimento do Exército
de Salvação — Deus favorece os que amam e ensinam a santidade — Por que o
congregacionalismo não atingiu as massas, como o demonstrou Smith Baker, D.D.
— A vara do metodismo.

SEGUNDA PARTE
O REMÉDIO

CAPÍTULO IV
78
SANTIFICAÇÃO, A CURA DA DEPRAVAÇÃO

A palavra “pecado” é usada na Bíblia em dois sentidos: (1) Ato pecaminoso.


(2) Estado pecaminoso — Os maus frutos do pecado inato — O significado
da santificação — Nomes diferentes — O ensino de Mahan — A santiticação
definida por Lutero Lee, John Wesley e Dr. W. McDonald — O catecismo
metodista. O duplo uso das palavras “regeneração” e “santificação” — Podem
as pessoas ser santificadas na conversão? — Distinções entre regeneração,
justificação e santificação — A santificação — A santificação não subestima a
justificação — O resumo do Dr. Carradine — “Os dois hemisférios de ação
moral” do Dr. Watson — O poema do Dr. Simpson.

CAPÍTULO V
EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (I)
93

O Dr. Wood anseia por um hospital para almas. I – O argumento da probabilidade. II –


O argumento da Bíblia como um todo. A opinião do Professor Cowles. III – O
argumento à experiência possível de crentes mencionados nas Escrituras: (1) Que tinham
um coração puro; (2) Eram irrepreensíveis. A opinião do Dr. Steele; (3) Entregaram-
se inteiramente a Deus; (4) Eram cumpridores da lei; (5) Estavam “mortos para o
pecado”; (6) Tinham “a plenitude de Deus”. IV – O argumento do objetivo da vida e
morte de Cristo. V – O argumento da obra intercessória contínua de Cristo. VI – O

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argumento da obra revelada do Espírito como Santificador. Dá poder; unge; sela e


santifica — A opinião de Gordon e de Godet.

CAPÍTULO VI
EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (II)
103

VII – Deus ordena que sejamos santos — O comentário do Dr. Steele sobre Gênesis
17:1; do Dr. Dougan Clark sobre Romanos 6:11-13; do Dr. Steele sobre Hebreus
12:14. VIII – O argumento das promessas de Deus — O comentário de Mahan sobre
Ezequiel 36:25-27 e Malaquias 4:2; do Dr. Cowles sobre Mateus 5:6; de Frances
Ridley Havergal sobre Filipenses 4:19; do Dr. Steele sobre II Coríntios 7:1; de
Mahan sobre as promessas.

CAPÍTULO VII
110
EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (III)

IX – O argumento das orações. A opinião de Mahan e de Steele. Steele e outros falam


sobre Efésios 3:15-21 e I Tessalonicenses 5:23; Finney sobre Colossenses 4:12; e
Mahan. X – O argumento de que Cristo e capaz de fazer por nós: (1) capaz de socorrer:
(2) de evitar que tropecemos; Steele fala sobre Judas 1:24; (3) capaz de manter-nos
firmes; (4) capaz de cumprir suas promessas; (5) de guardar a que lhe confiamos; F.
B. Meyer fala sobre II Timóteo 1:12; (6) capaz de conceder-nos uma herança entre os
santos; (7) infinitamente capaz de salvar. Falam sobre Hebreus 7:25; Oleshausen,
Alford, Delitzsch, McDonald e Mahan; (8) capaz de fazer abundar toda graça; Steele
fala sobre II Coríntios 9:8; (9) capaz de fazer mais do que tudo o que pedimos ou
pensamos. Adam Clarke fala sobre Efésios 3:20; fá-lo também Mahan.

CAPÍTULO VIII
EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (IV)
121

XI – Argumento das garantias e exortações. Steele fala sobre Hebreus 12:10; Ellicott e
Steele sobre Colossenses 2:9-11; Meyer e Steele sobre Colossenses 3:14; Delitzsch e
Whedon sobre Hebreus 6:1; Steele, Clarke, Lowrey e o Bispo Taylor; Dr. Gordon
sobre Atos 2:38; A opinião de William Kelley e Andrew Murray. O Dr. Gordon fala
sobre Efésios 5:25, 26. XII – O argumento dos ensinos de Cristo e Paulo aos cristãos: as

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

epístolas aos Romanos, aos Coríntios, aos Efésios, aos Colossenses, aos
Tessalonicenses. O ensino de Paulo é surpreendentemente diferente do de alguns
teólogos modernos, que fazem pouco de “uma segunda experiência”. O comentário
de Mahan sobre o ensino de Paulo aos Tessalonicenses. A Epístola aos Hebreus. Se
Paulo não explicasse nestas epístolas uma “segunda experiência” de santificação,
subsequente a regeneração e justificação, então a linguagem não o poderia fazer. As
palavras “perfeito”, “perfeição”, “santo”, “santidade”, “santificar” e “santiticação”,
“sem mácula”, “sem mancha” e “irrepreensível” são como bando de pássaros
movendo-se através das Escrituras. O comentário de Mahan.

CAPÍTULO IX
EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (V)
133

XIII – O argumento do testemunho de Deus a respeito de seus filhos: Abel, Enoque,


Moisés, Jó, Calebe, Isaías, Ezequias, Zacarias, Isabel e Paulo. O comentário do Dr.
Steele sobre Paulo. XIV – O argumento do testemunho do Espírito Santo. O Dr.
Carradine fala sobre o testemunho do Espírito: Falam também Carvosso, os Revs.
William Bramwell e Benjamin Abbot, o Bispo Hamline, a Sra. Jonathan Edwards, a
Sra. Phoebe Palmer, o Dr. Daniel Steele, o Bispo Foster, o Prof. T. C. Upham, D.D.
Conclusão dos catorze argumentos: temos de aceitar a doutrina da santificação
completa ou adotar uma multidão de absurdos. Quatro conclusões.

CAPÍTULO X
145
EXAMES DE TEXTOS APARENTEMENTE CONTRADITÓRIOS

I Reis 8:46. Falam sobre a passagem os Professores Morgan e Steele, Eclesiastes 7:20;
Jó 9:2-3. A interpretação de Morgan — Jó 9:20; o comentário de Steele, Salmos 14:3;
119:96; o comentário de Steele — Salmos 130:3; o comentário do Dr. Morgan, Isaías
64:6; Provérbios 20:9; o comentário de Morgan — Romanos 7:14-25; o comentário de
Steele; o de Mahan e o de Morgan — Filipenses 3:11-16; o comentário de Steele, de
Morgan e de Robinson — Gálatas 5:17; o comentário de Steele — I João 1:8; o
comentário de Steele e de Mahan.

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CAPÍTULO XI
156
RESPOSTAS E OBJEÇÕES

(1) Diz um venerável cristão: “Não compreendo a filosafia da santidade”. O


comentário do Dr. Carradine. (2) A doutrina diminui a padrão divino da vida. (3) A
doutrina estabeleça um nível de vida impossível. Deus proporciona as forças. O
comentário de Finney. (4) Os santificados encher-se-iam de vaidade. Absurdo. (5)
“Nossa melhor gente” não crê na santificação. O comentário do Dr. Carradine. Do
Dr. Steele. “A vergonha da cruz” está agora nesta doutrina. (6) Conduz ao
fanatismo. Uma palavra aos ministros. O testemunho de John Wesley. Temos sido
excêntricos em outras coisas. Os nomes de sessenta “esquisitões” da santificação.

TERCEIRA PARTE
COMO OBTER A BÊNÇÃO

CAPÍTULO XII
SANTIFICAÇÃO – UMA OBRIGAÇÃO CRISTÃ
168

Sugestões àqueles que desejam obtê-la. (I) Todos os cristãos estão na


obrigação de ser santificados. As palavras do Bispo Taylor; de F. B. Meyer; da
Sra. Whitmore. A Sra. Catherine Booth fala sobre a fraqueza das igrejas
cristãs. A responsabilidade que temos de enfrentar se não formos cheios do
Espírito Santo. As palavras de Finney e da Sra. Catherine Booth. (II) Todo
verdadeiro cristão pode buscar a bênção com plena certeza de obtê-la. O
batismo do Espírito Santo é para todos. (III) Cristãos de qualquer idade
podem buscar a bênção. Não é questão de idade, cultura, ou de tempo de vida
cristã. O testemunho de John Wesley. A experiência de Finney. O comentário
do Dr. Steele. (IV) Não devemos desanimar no processo preparatório. Os
testemunhos de Torrey, de Keen, de Steele, de Moody, de Earle. (V) Evite
formar qualquer plano sobre como será a sua experiência quando o Espírito
chegar. A experiência de Wesley. Nem todos têm experiências emocionantes.
As experiências de Finney, da Sra. Edwards, de Moody, de Carradine.
Entretanto, Carradine testifica que tais experiências não são necessárias. A

pauloneto@nazareno.com.br VI
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experiência de Upham. (VI) O Espírito santificador vem subitamente. O


testemunho de Wesley.

CAPÍTULO XIII
CONDIÇÕES PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO (I)
179

Sra. Amanda Smith. (I) Convicção de necessidade. “Satisfeitos de apenas irem


para o céu”. Palavras da Sra. Booth sobre os cristãos, que se opõem a
santidade. Hannah Whithall Smith. A experiência da Sra. Harriet Beecher
Stowe. O ministro idoso. As palavras de Andrew Murray. (II) Deve arrepender-
se de suas faltas passadas. (III) Deve sentir quão importante é. Os primeiros
discipulos, no cenáculo. As palavras da Sra. Catherine Booth, e de Torrey. (IV)
Acredite que a promessa é para ti. As palavras do General Booth. A experiência
do Dr. Steele. As palavras de A. J. Gordon. “A necessidade fundamental” do
Dr. Lowrey. (V) “Fome e sede” de santificação. A experiência de Torrey. O
comentário do Dr. Lowrey. A experiência de David B. Updegraff; Anna M.
Hammer; Hannah Whithall Smith; Moody; Dr. J. O. Peck.

CAPÍTULO XIV
193
CONDIÇÕES PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO (II)

(VI) Obediência. Uma forma mais elevada de obediência do que a que obtém a
justificação. As palavras da Sra. Catherine Booth; de Finney. A mulher de
berloque no cabelo. A experiência do Dr. Chapman; da Sra. Maggie Van
Cotto. Dois amigos de Massachussetts. (VII) Consagração plena — 1. Distinção
entre consagração e santificação. As palavras de Isaiah Reid; do General
Booth. O rei e o parlamento. 2. A diferença entre esta consagração e a do
pecador. (1) Mais inteligente; (2) Baseada em motivos diferentes; (3) Mais
definida e especifica. 3. A base de tal consagração é que somos possuídos por
Cristo. 4. O ato da consagração é reconhecer que Cristo nos possui e aceitá-Lo.
5. A consagração não é um ato do sentimento, mas da vontade. Palavras de F.
B. Meyer; de Lowrey; de Mahan, do Rev. A. B. Simpson. O testemunho de
Jennie F. Willing; do Capitão Kelso Carter; do Rev. B. K. Pierce; da Sra. Osie
Fitzgerald; de George Whitefield. A aliança de Doddridge. O pacto do Rev. A.
B. Earle. A consagração oficial do Rev. Isaiah Reid; do Prof. Dougan Clark. “O

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meu próprio eu deve morrer”. O poema do Dr. Morgan, traduzido de John


Angelus. A consagração de Amanda Smith: “completa e eterna”. Esta é a
grande necessidade da igreja. O Dr. Simpson e a Aliança Cristã. A grande
coleta para missões. “Deixa-me morrer”, poema.

CAPÍTULO XV
210
CONDIÇÕES PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO (III)

(VIII) Fé. Passagens das Escrituras. Pode-se ser inteiramente consagrado, e


contudo não receber o batismo do Espírito para santificação. Parando deste
lade do Jordão. Até o último passo. (I) Crer, um privilégio e um dever. As
palavras do Dr. A. J. Gordon; de F. W. Meyer; de Torrey; do Bispo Taylor; do
Rev. Isaiah Reid. A declaracao do Dr. Carradine. Como O Dr. Clark interpreta
Hebreus 13:10-12 e Mateus 23:19. “O altar que santifica a oferta”. Um jovem
da Georgia que acreditava na santificação. Sem emoção. Palavras do Dr. Keen.
Um professor de Universidade, consagrava-se há dez anos, depois recebeu a
santificação num momento, pela fé. O testemunho do Dr. Daniel Steele; do,
Rev. Dr. Lowrey; de Hannah Whithall Smith; de O. M. Fitzgerald; de Phoebe
Palmer. O ensino do Genetal Booth. O Rev. William Jones, D.D. e professor de
latim comenta com o Dr. Adam Clarke. “Não existe santidade por gradação”.
O comentário do Dr. Lowrey sobre a Fé, o último elo. A maior dificuldade do
grande ministro, Diga “AGORA!” ao Espírito Santo. As palavras de Andrew
Murray. “Quatro passos para a santincação”.

CAPÍTULO XVI
POSSE DA BÊNÇÃO
226

Um sumário. A santificação e da vontade de Deus. (1) Creia que e a vontade


de Deus. As palavras de Mill. (2) Esteja preparado para receber a bendita
vontade de Deus, para a sua santificação. “Entrego-te a minha vontade”,
poema. O “querer estar preparado” de Meyer; de Chapman. (3) Disposto a
abandornar todo pecado conhecido e desconhecido. Palavras de B. Fay Mills.
(4) Entregue todas as coisas boas a Deus. Mills fala sabre as coisas “neutras”.
“Traze Isaque”. O “sacrifício real” do Gaeneral Booth. “Ser crucificado”. A
Sra. Catherme Booth fala sabre os “obstáculos”. O Dr. Steele fala sabre o

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homem doente em Paris. (6) Receba O Espírtio através da fé, Palavras de Mill;
de Mahan. F. B. Meyer: “Acredite, a despeito de não sentir”. A experiência do
autor; estudante em Oberlin e em Yale. O livro de Mahan. Experiências como
pastor e evangelista. Reavivamento em Oberlin. A banda da santidade. Os
livros sabre a santidade. Discursos de Torrey e Mills; de Varley. Crendo e
recebendo, como Keen ensinava. Poema. Palavras do bispo Foster. “Sim,
Senhor”, hino do Exército de Salvação. Palavras de Andrew Murray.

QUARTA PARTE
RESULTADOS DO BATISMO
COM O ESPÍRITO SANTO E A SANTIDADE

CAPÍTULO XVII
240
EFEITOS DA SANTIFICAÇÃO (I)

Vale a pena possuir a bênção? (1) O amor de Deus se difunde no coração. A


experiência de Merle D’Aubigne; do Presidente Edwards. (2) Persuasão da
alma. “Certeza”. O testemunho do estranho. (3) Paz. Em paz, independente
das circunstâncias. O testemunho do Dr. Carradine. Madame Guyon na
prisão. A paz imperturbável de Paulo. (4) Autocontrole. Uma mulher com as
dores do reumatismo ciático. A mãe de um ministro. Os primeiros mártires. O
testemunho de Mahan. (5) Sensibilidade de consciência. A opinião do Dr.
Steele. De Whewell. (6) Uma compreensão clara da verdade da Bíblia. O
Espírito é o autor, e Ele deve interpretar. As palavras do Dr. Whedon; do Dr.
Steele; de Samuel Rutherford; de A. B. Simpson. História de uma moça
humilde que aprendeu a Bíblia pelo Espírito. Só O Espírito pode salvar a
ortodoxia. (7) O Espírito dá poder de confissão. Como o cristão fala ao infiel.
O Dr. Wilson, do Seminário Teológico de Allegheny. Um católico romano
fanático e uma santa mulher. Um jovem ignorante pregando pelo Sr. Torrey.
A criada australiana. (8) O Espírito Santo da coragem. Amanda Smith. Annie
Fothergill. Deus não aprecia uma boca calada. (9) O Espírito retira a ambição
ímpia. O testemunho do Dr. Garradine. (10) O Espírito da plenitude de vida
espiritual. O testemunho do Dr. J. O. Peck. David Brainerd: “Paixão pelas

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almas”; John Smith; Alleine; Bunyan; Doddridge; Whitefield; uma senhora. A


pergunta do Dr. Cuyler. A resposta de Mahan. O remédio para a “piedade
periódica” “a plenitude que se derrama e a escassez periódica”.

CAPÍTULO XVIII
EFEITOS DA SANTIFICAÇÃO (II)
255

(11) O Espírito traz-nos humilde dependência de Deus. O testemunho do Dr.


Levy; de Phoebe Palmer; de David B. Updegraff; da Sra. Hannah Whithall
Smith; de F. R. Havergal. (12) O batismo do Espírito traz crescimento na graça.
Não é possível crescer até santidade ou santificação. Isso é contrário à
filosofia, à teologia, à Bíblia e ao testemunho cristão. O crescimento é o
desenvolver de uma natureza como é, mas não muda a qualidade ou a
substância. O pecado intrínseco é natural do coração e não pode desenvolver-
se. Crescimento e adição: na santificação, Deus subtrai da natureza do homen:
um elemento que ele não pode eliminar. O crescimento e um processo
gradual; a santificação é um ato. O crescimento é trabalho do homem; a
santificação é ato de Deus. Deus não ordenou “santificação por etapas”. Os
testemunhos são todos contra a teoria do crescimento. O testemunho de
Wesley; de Isaiah Reid; de Sheridan Baker. A mãe, em Israel, que buscava a
santificação há cinquenta anos, e encontrou-a pela fé, numa reunião
vespertina. (13) A dádiva do poder. Sr. Carpenter. O estudante atrasado de
Andover. Um homem ignorante em Filadelfia. “Dehlia”, da “Door of Hope
Mission” (Missão da Porta da Esperança). Nova Iorque. Srta. Jennie Smith,
evangelista da estrada de ferro; Samuel Morris, o negro africano; Amanda
Smith; Robinson Watson; Wesley; Finney; Moody; B. Fay Mills; F. B. Meyer;
Andrew Murray; Dr. Wilbur Chapman; Dr. A T. Pierson; o Presidente Mahan;
Rev. J. D. Peck, D.D.; o irmão Torrey; o Rev. A. B. Earle, D.D.; o Dr. Pentecost;
Hammond e Harrison; o Prof. Tholuck; o Dr. S. A. Keen; James Caughey; Sra.
Phoebe Palmer; Sra. Maggie Van Cott; o Bispo Taylor; Uma missionária
africana nativa; Charles Reade e família; o Espírito Santo, a única fonte de
poder.

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CAPÍTULO XIX
273
COMO CONSERVAR A BÊNÇÃO (II)

(1) Apegar-se a fé e não depender das emoções; o testemunho de Quinan; Reid e o


Bispo Foster. (2) Testificar da graça recebida. A opinião de Reid; a observação
imprudente de Moody; o testemunho de Fletcher; Fannie J. Sparks; Dr. Reddy;
Frances Willard; Rev. Jones, D.D., LL. D. e Mary Sparkes Wheeles. Testificar
humildemente. O conselho do Rev. Haney. (3) Cuidado com o orgulho espiritual.
A experiência da Sra. Baxter. O conselho de Wesley. (4) Cuidado com o
entusiasmo, o fanatismo e as manias. Guiar-se pelas Escrituras. (5) Acolher toda
nova luz. (6) Abster-se das coisas duvidosas. O testemunho de Hannah W. Smith.
(7) Não desanimar com as tentações. Incidente relatado pela Sra. H. W. Smith e
Sra. Janieson. (8) Vigiar. (9) Trabalhar. O conselho de Reid e de Wesley. (10)
Cuidado com a língua. A experiência de Alfred Cookman. O conselho de Reid.
(11) Cuidado com os pensamentos. As palavras do Dr. Simpson. (12) Associar-se
com os santos. (13) Ler sobre a santidade. (14) Cuidado com a cisma. Permanecer na
igreja e ajudá-la. Sam Jones defende os santificados. (15) Viver o momento.
Conselho do Dr. Simpson e do Bispo Foster. O mercador de Nova Iorque.
Poema do Professor Uphan.

CAPÍTULO XX
APELO AOS CRISTÃOS E IGREJAS, AOS MINISTROS,
AOS PROFESSORES DE TEOLOGIA E AOS QUE FORAM 290
BATIZADOS COM O ESPÍRITO PARA A
SANTIDADE E PODER

As teses deste livro foram colocadas fora de qualquer dúvida, se é que


múltiplas provas e testemunhos podem provar alguma verdade. Centenas de
textos e centenas de testemunhos. (1) Leitor cristão, que farás desta abençoada
verdade? A infância prolongada. Palavras de Andrew Murray. Indicamos o
caminho. Entrarás nele AGORA? Fazei o máximo de vos mesmos pela causa
da igreja. O discurso dos bispos em 1896. “O privilégio e o dever de tornar-se
perfeito no amor IMEDIATAMENTE”. (2) Uma palavra aos ministros. O
ministro desanimado. Negligenciando o Espírito, perdemos o segredo do
êxito. Aos 1.400 ministros congregacionais que não ganharam nenhum

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

converso durante um ano. As palavras de James Caughey. O apelo de


Andrew Murray. Jesus foi batizado com O Espírito antes de pregar. O sermão
diante da Universidade de Boston. A bênção INSTANTÂNEA. Diretor Geral
de um Clube Eclesiástico de Cartas. Palavras do Prof. G. F. Wright; de B. Fay
Mills. (3) Aos professores de Teologia. Desenho satírico. Ministros mais aptos
sem preparo de seminários. O Instituto Moody em Chicago. Dais ênfase a
coisas sem importância e ignorais o batismo do Espírito Santo. “Jim”, o
pregador vitorioso, frequentava a escola de Moody. O pregador precisa de
algo mais do que uma universidade ou um curso no seminário. Os ministros
que fracassam são os vossos próprios filhos. Oh! Se fosseis como Tholuck!
Ministros emigram para o Instituto Moody. Deus levantará mais escolas como
essa. O Presidente Mahan fala da importância desta bênção para o professor
de teologia. Sua experiência no seminário. A opinião do Presidente Finney
sobre a importância do batismo com o Espírito Santo.

APÊNDICE 302

I – Índice dos livros e autores citados neste volume ......................................... 303


II – Índice dos versículos Bíblicos citados e examinados neste volume ......... 306

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INTRODUÇÃO À EDIÇÃO EM PORTUGUÊS

Inédito! Tremendo!

Santidade e Poder não é apenas mais um livro! Se V. S. não ficar logo assustado pelo
tamanho do volume, é quase certo de que está na iminência de gozar a mais satisfatória
transformação e renovação da sua vida.

Disse-me um amigo do famoso pregador Peter Morshall, falecido capelão do Senado dos
Estados Unidos da América do Norte: “Peguei no livro (SANTIDADE E PODER) e fiquei
preso por ele. Minha fome e sede da justiça aumentaram a cada hora. Li-o
ininterruptamente. Às duas horas da madrugada, não podendo resistir mais ao Senhor,
ajoelhei-me ao lado da cama, fiz uma consagração incondicional a Deus e, confiando,
agarrei-me à Palavra de Deus. Ele, na Sua imensa bondade e misericórdia, deu-me a graça
da santificação completa. Digo para a glória de Deus: O Espírito Santo entrou e santificou
— purificou — meu coração! Bem sei que Satanás não gosta de que se dê testemunho sobre
a santidade cristã. Por esta razão vou repetir: Deus bondosamente me deu a graça da inteira
santificação. Agora eu sei, graças a Deus, que tenho o que muitos dos demais jovens aqui na
igreja (do Nazareno) têm e que eu, embora cristão, não tinha!”
— Prof. Rockwell Smith Brank.
O autor deste livro, A. M. Hills, durante longos anos, foi ministro da Igreja
Congregacional. Como tal colaborou com muitas denominações e teve bom êxito em levar
milhares de pessoas a um conhecimento íntimo e pessoal de Deus e uma vida de Santidade e
Poder.

O Dr. A. M. Hills terminou seus dias servindo de primeiro presidente do Olivet Nazarene
College, uma das doze florescentes faculdades mantidas pela Igreja do Nazareno nos Estados
Unidos e Canadá.

Elementos da Editora Nazarena terão prazer em ouvir de qualquer bem que o conteúdo deste
livro porventura venha a fazer a seus leitores. Que Deus faça próspera esta obra, e lhe dê
êxito na medida em que for fiel à Palavra dEle. Amém!
— Earl E. Mosteller, Superintendente da Igreja do Nazareno do Brasil

Campinas, S.P., Maio de 1968.

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

DEDICATÓRIA

Aos meus amados irmãos e irmãs em Cristo, que têm caminhado ao crepúsculo de
uma fé parcial, quando poderiam ter andado na luz perfeita do Sol da Justiça, e
cujas almas cantam tristemente:

“A bem-aventurança onde está,


que eu conheci,
quando ao Senhor,
por vez primeira, vi?”

enquanto Deus deseja que “se regozijem com gozo inefável e cheio de glória”; aos
que estão cansados de sucessivas derrotas, por causa do pecado herdado, embora
Deus deseje que sejam “mais do que vencedores” por Aquele que os ama; aos que
se acham desanimados com a prolongada infância, embora Deus insista para que
sigam até a maturidade cristã; e aos que lamentam sua impureza e fraqueza
espiritual, enquanto o Espírito Santo, com anseio inefável, aguarda para revesti-los
de Santidade e poder, a esses é o presente volume dedicado, com oração e amor.

O AUTOR

título do original norte-americano


“HOLINESS AND POWER” — for The Church and the Ministry

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

INTRODUÇÃO DO EDITOR ORIGINAL

É motivo de grande prazer para o editor deste livro que a abençoada verdade
bíblica da “Santidade e Poder” esteja penetrando na armadura de aço do
preconceito, e saltando em triunfo por sobre as muralhas e barreiras do sectarismo,
unindo crentes de todas as confissões e terras numa grande família de espíritos
irmanados, diferentes uns dos outros, é verdade, como as estrelas do céu, porém
todos refletindo a imagem do Pai Celestial e do nosso irmão mais velho.

O prazer é ainda maior pelo privilégio de editar um livro deste tipo, escrito por um
ministro da Igreja Congregacional, e especialmente por ser ele um escritor devoto e
talentoso que, como S. A. Keen, B. Carradme, W. B. Godbey, C. H. Fowler, Joseph
Smith, Asa Mahan, C. G. Finney, e outros espíritos afins, passou, depois de um
pastorado fértil na conquista de almas para o campo mais amplo do evangelismo
bíblico itinerante, e com fé poderosa está utilizando a voz e a pena neste campo.

Como alguns de nossos leitores talvez jamais o tenham conhecido como ministro e
escritor, e apreciariam melhor o livro com uma introdução, é-nos grato chamar a
atenção para as seguintes palavras elogiosas de algumas pessoas bem conhecidas e
que o conhecem bem. Foram selecionadas dentre muitas referências semelhantes:

“Tenho a felicidade de dar testemunho quanto aos dons e ao notável êxito do Rev.
A. M. Hills na obra evangelística. Levou a cabo mais obras vitoriosas e substanciais
do que qualquer outro homem que jamais empregamos como evangelista
estadual”. — REV. LEROY WARREN, D.D., Superintendente da Michigan Home
Missionary Society.

“Nunca tive a felicidade de ouvir sermões mais completos, lógicos e


espiritualmente edificantes do que os dele. O irmão Hills possui dons especiais
para a obra evangelística, de sorte que posso recomendá-lo cordialmente às igrejas
como um irmão amado, a quem Deus grandemente abençoou para trazer almas ao
Seu reino”. — REV. JOSEPH ESTABROOK, D.D., Professor de Lógica e Literatura
da Faculdade Olivet.

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

“Nunca ouvi as verdades fundamentais do Evangelho apresentadas de modo mais


claro e Convincente”. — Rev. WILLIAN F. BLACKMAN, atualmente professor da
Universidade de Yale, depois de uma série de reuniões em Steubenville, Ohio.

“Nós os abaixo assinados, desejamos afirmar que Sr. Hills pregou durante quase
três semanas a serviço das igrejas congregacionais de Oberlin, com notável sucesso.
Sua pregação poderosa é favoravelmente comparável à de qualquer evangelista
que já tenhamos ouvido. Seus sermões são diretos, simples, bíblicos, e apresentados
com grande poder de persuasão. Sua cultura é completa, seu julgamento é sadio e
seus métodos irrepreensíveis; é inteiramente evangélico, totalmente consagrado à
obra, e profundamente sincero”. — HON. JAMES MONROE, Professor de
Economia Política, Faculdade Oberlin; Rev. E. R. BOSWORTH, Professor do
Seminário Teológico de Oberlin; Rev. A. N. CURRIER, D.D., Professor do
Seminário Teológico de Oberlin; Rev. HENRY M. TENNEY, D.D., pastor da
Segunda Igreja Congregacional: Rev. JAMES BRAND, D.D., pastor da Primeira
Igreja Congregacional.

“Ontem à noite terminou a série de conferências do Rev. A. M. Hills na Primeira


Igreja Presbiteriana, com a duração de duas semanas. Seu preparo intelectual é
completo, e ele prega um Evangelho total, com um misto de ousadia e discrição que
se impõe ao respeito e à confiança do auditório. Sua pregação é lógica, pungente,
espiritual e convincente, e a unção de Deus a acompanha”. — Do “Cleveland
Leader”, 23-3-1895.

“Tenho a grande satisfação de dar meu testemunho quanto às excepcionais


qualidades de Mr. Hills como evangelista, expressando minha convicção de que
Deus o enviou para realizar um serviço muito importante entre as igrejas.

“É motivo de prazer para nós declarar que o Rev. A. M. Hills, de Oberlin, Ohio,
dirigiu um trabalho de reavivamento em nossa cidade no qual houve cento e
cinquenta conversões. Ele demonstrou possuir invulgar capacidade no púlpito,
pelo que o recomendamos cordialmente às igrejas. — Rev. J. EDWARD REILLY,
Pastor da Igreja Congregacional: Rev. GEORGE A. WALKER, Pastor da Igreja
Episcopal Metodista; JAMES H. GILLESPIE Secretário da Y. M. C. A. (Associação
Cristã de Moços).

“Durante duas semanas, nossa igreja em New Hudson apreciou os trabalhos do


Rev. A. M. Hills, de Oberlin, Ohio. Poucos se lhe comparam na poderosa

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

apresentação das grandes verdades do evangelho, construção lógica dos sermões,


ilustração apropriada, ausência de sensacionalismo e mansidão de espírito. Aos que
desejam usá-lo como evangelista, posso recomendá-lo cordialmente”. — Rev. L. N.
MONN, Pastor da Igreja Metodista Episcopal, South Lyon, Michigan.

“Como ministro tenho usado diversos evangelistas de renome, mas em nenhum vi


tal integridade no trabalho, nem ouvi apresentações do Evangelho tão lógicas e
poderosas como as do irmão Hills”. — Rev. H. J. JOHNSON, Pastor da Igreja
Episcopal Metodista, East Tawas, Michigan.

Acreditamos que este livro, como as palestras orais do autor será usado por Deus
para levar muitos às ricas experiências que tão magnificamente engrandece e que
uma bênção especial aguarda a todos os que lerem, lhe derem ouvidos e o
espalharem. — Martin Wells Knapp Cincinnati, Ohio, EE. UU. Julho de 1897.

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

PREFÁCIO

Este livro nasceu de um ardente desejo na alma do autor de contar aos outros o que
ele próprio ansiava tanto por saber há um quarto de século atrás. Quando a
verdade se lhe revelou em toda a sua preciosidade, parecia-lhe que poderia indicar
o caminho para receber a bênção desejada do Espírito Santo mais inteira e
claramente do que outros autores tinham conseguido; o resultado de seu esforço se
acha na terceira parte deste volume. Os que estão convencidos de que existe tal bênção
para eles, e estão ansiosos por recebê-la, esses podem começar a ler na terceira parte,
omitindo por ora a primeira metade do livro.

Outros estão em dúvida quanto à posição teológica e bíblica da doutrina do “batismo


(instantâneo) com o Espírito Santo”, com a consequente “Santidade e poder”. A eles
recomendamos a primeira e segunda partes. Acreditamos que os argumentos ali
propostos têm como fundamento a inexpugnável Rocha da Palavra de Deus, com a
qual forram formados. Evitamos toda interpretação fantasiosa, discutível e forçada
das Escrituras. Deixando de lado todos os textos de caráter discutível restam-nos
ainda em tal profusão e variedade de forma de expressão, que o argumento é
simplesmente irretorquível.

Não tivemos a menor intenção de ser original. Nosso objetivo foi simplesmente
escrever um livro tão claro quanto o material à nossa mão permitia, e que qualquer
que tivesse fome de “santidade e poder” pudesse saber como ficar saciado. A
originalidade deste assunto provém do Espírito Santo. Se alguém, depois de Paulo,
o Apóstolo, pode aspirar à originalidade, foi John Wesley. Os escritores
subsequentes estão afirmando, sob novas formas, o que já se dissera. Os leitores
observarão que o autor citou com profusão o testemunho escrito e a opinião de
muitos outros que têm recebido o Espírito em poder santificador. Esse fato dá ao
nosso livro uma grande vantagem. Se o autor tivesse feito uma tentativa frívola de
originalidade, este livro não teria sido mais do que a opinião ou teoria particular de
um homem obscuro. Ao citar, porém, o testemunho de centenas de almas que
receberam da plenitude do Espírito santificador, o veredito conjunto destas “cartas
vivas” de Deus, escritas nos corações humanos, torna este volume, como os Atos
dos Apóstolos, um registro da obra do Espírito Santo nos corações humanos. Quem

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

quer que argumente contra este livro como um todo, não está argumentando contra
a teoria do autor, mas contra os fatos da experiência humana criados pelo próprio
Espírito Santo nas almas dos homens. Se o testemunho humano, em perfeita
harmonia com as Escrituras, pode provar algo a respeito da obra do Espírito nas
vidas humanas, então a posição do autor é inexpugnável, e o livro irretorquível.

O livro foi escrito nestas últimas catorze semanas, enquanto o autor, na maior parte
do tempo, ocupava-se com obra de reavivamento, pregando de doze a quinze vezes
por semana, dispondo apenas para consultar os poucos livros que sua mala de
viagem comportava. Isto explica em parte a falta de apuro literário e defeitos
menores que podem surgir ao olho crítico, e para os quais rogamos a caridade de
um público generoso.

A. M. HILLS
257 N. PLEASANT ST., Oberlin, O., 15 de Outubro de 1896

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PRIMEIRA PARTE

A ENFERMIDADE DA IGREJA

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CAPÍTULO I

A ENFERMIDADE DA IGREJA

Quando Jesus ressuscitou dentre os mortos, toda a Igreja de Cristo pede reunir-se
num cenáculo apenas. Ao tempo de Sua ascensão, já eram cento e vinte. De todas as
eras da história, foi a era da corrupção universal. Fora da Judéia, a idolatria reinava
suprema. Deuses e deusas, representando todos os estágios do vício, eram
abertamente adorados em templos majestosos e em nichos caríssimos. Todo o
poder estava nas mãos de um Império magnífico e impiedoso. As massas
afundavam-se em desesperada degradação, sem recursos, sem instrução, sem
proteção, e, somente no Império Romano, sessenta milhões eram escravos. Os pais
idosos eram abandonados à morte pela inanição. Os filhos eram abandonados e
assassinados. Os homens lutavam uns contra os outros, como gladiadores, nos
anfiteatros, e morriam aos milhares, para divertir a população cruel. Todos os
concertos da lei moral eram violados quase sem consciência, e sem qualquer
impedimento. Os primeiros discípulos não tinham riqueza, nem posição social,
nem prestígio, nem auxílio governamental, nem ajuda das instituições
estabelecidas. Era um povo desprezado e frágil, sem influência, sem habilidade sem
instrução sem um Novo Testamento, e nem mesmo o Velho Testamento nas mãos
do povo, sem literatura cristã, e sem uma única casa de culto. A pompa, o poder, os
costumes e a opinião pública, eram contra eles. Eram reprovados, injuriados,
perseguidos e submetidos ao exilio e a morte.

Esses cristãos primitivos, porém, tinham a ajuda constante de um “Salvador que


santifica e a unção do Espírito Santo”, e com essas armas enfrentaram um mundo
hostil, e todas as forças malignas das trevas, e venceram. Depois de setenta anos,
segundo os cálculos mais modestos, constituíam meio milhão os seguidores de
Jesus, e afirmam algumas autoridades que havia duzentos e cinquenta mil só na
província da Babilônia.

Em outras palavras, com o poder do Espírito Santo sobre eles, seu número
aumentou em mais de quatro mil vezes, em pouco mais que meio século.

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Seria exagero dizer, ou crer, que se as igrejas e o ministério protestante tivessem


semelhantes unção do poder do Espírito Santo, hoje, poderíamos levar o mundo
para Cristo em dez anos? Hoje os cristãos tem em suas mãos tronos e governos,
proteção, opinião pública favorável e, em dinheiro, centenas de milhões. Temos
instituições e organizações estabelecidas, e todo, o contorto necessário, a Bíblia
impressa em cerca de quatrocentas línguas, literatura cristã em abundância, como
as folhas de uma floresta. Temos tudo o que desejamos para realizar a obra cristã,
— menos o revestimento total com o poder do Espírito Santo! Sem este, porém, ai
de nós! Quão fracos, comparativamente, quando colocados ao lado do primeiro
século, são os nossos triunfos cristãos!

Se algum leitor ponderado fosse tentado a acusar-me de exagero, que observasse o


testemunho das grandes almas das fortalezas de Sião. Há cinquenta anos, aquele
comentador espiritual e professor de Teologia de Oberlin, Henry Cowles,
comentando o baixo nível de santidade e a consequente confusão e vergonha da
igreja, escreveu: “É evidente que não há outra solução para a igreja, senão voltar
aos rudimentos da piedade. Deve voltar a Deus e a santa comunhão. O padrão de
piedade deve ser levantado. Que pode fazer igreja pela conversão do mundo, e
mesmo por sua própria existência, sem a santidade pessoal — SANTIDADE
MUITO PROFUNDA, PURA, PESSOAL? Não admira que a convicção desta
verdade se tivesse fixado sobre as mentes esclarecidas com força dolorosa. O nível
de piedade através de toda a igreja americana é extremamente baixo. É baixo comparado
com o da igreja primitiva, comparado com as provisões do evangelho, com as
obrigações de pecadores remidos, e com as qualificações necessárias para a obra a
ser realizada. O espirito do mundo penetrou profundamente e absorveu demais o coração
da igreja. Ide através da terra e calculai a riqueza não consagrada, medi a energia do
mundanismo e a apatia do amor e da oração, se quereis prova. Difundiu-se entre o
povo, em alta escala, uma opinião que repele o assunto da santidade pessoal, ouve-o
com medo, discute-o com demasiadas apreensões sensíveis, ou trata-o mesmo com
sarcasmo, o que, naturalmente, escuda o coração e a consciência contra o apelo da
verdade... As responsabilidades e os privilégios dos cristãos nesta vida devem ser
claramente expostos, e poderosamente impostos ao coração e a consciência da
igreja”.

Há cerca de vinte e cinco anos, o Dr. Albert Barnes, comentador de abençoada


memória, fez uma palestra em Nova Iorque, durante a qual declarou o seguinte

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quanto à condição das igrejas: “Nem um dentre dez dos membros de nossa igreja
(presbiteriana) está fazendo coisa alguma eficaz para a santificação dos crentes, ou
pela salvação dos pecadores”. “A declaração foi muito citada”, escreve alguém
muito conhecido, “e jamais sua exatidão foi contestada”.

Depois ainda, escreveu o Dr. Cuyler: “Muitíssimos recém-convertidos ficam


satisfeitos com o mero fato de que são convertidos. Uma vez nascidos no Reino,
contentam-se em permanecer bebês ou anões. Fazer uma profissão de fé parece ser
o começo e o fim de, sua religião. Não tem ambição espiritual de ir além das
primeiras letras e a igreja de Cristo ganha deles pouco mais que nada: seus inúteis
nomes no rol de membros”.

O Rev. A. T. Pearson, D.D. diante de um congresso cristão em Detroit, disse: “O


plano de Deus foi impressionar os homens pelo contraste entre estes e a santidade
de seu povo; no todo, porém, o testemunho de uma vida consagrada e santificada
desapareceu, e com ela. O testemunho da língua de fogo. O mundanismo da igreja
é um fato ao qual não podemos impunemente fechar os nossos olhos”.

Diz o Dr. Rice, da Virginia: “A obra de missões estrangeiras não terá muito
progresso enquanto não houver um tipo de piedade mais elevado aqui; não estaria
em harmonia com o plano de Deus difundir pelo mundo um tipo de piedade tão
baixo como o que prevalece entre nós. Na verdade, tem muito pouca probabilidade
difundir-se essa piedade: toda a sua vitalidade e energia são para manter a sua
posição atual — não sobra energia para expansão”.

Dwight L. Moody, mais do que ninguém familiarizado com a situação espiritual do


mundo de língua Inglesa, escreve: “Nove décimos, pelo menos dos membros das
igrejas, nunca pensam em falar de Cristo. Se veem um homem, talvez um parente
próximo, a caminho da ruína, jamais pensam em falar-lhe, de seu percurso
pecaminoso, e em procurar ganhá-lo para Cristo. Ora, certamente algo não anda
bem. Entretanto, quando lhes falamos, vemos que tem fé, e não podemos dizer que
não sejam filhos de Deus; mas não tem o poder; não tem a liberdade: não tem o
amor que os discípulos reais deveriam ter. Numerosas pessoas julgam que
precisamos de novas medidas, que precisamos de novos órgãos, novas igrejas,
novos coros, e todas essas coisas novas. Não é disso que a igreja de Deus precisa
hoje; é do velho poder que os apóstolos possuíam; é disso que precisamos, e se
tivermos isso em nossas igrejas, haverá uma nova vida. Então teremos novos

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ministros — os mesmos velhos ministros renovados com poder, cheios do


Espírito”. ... “Ó que Deus possa ungir o Seu povo! Não apenas o ministério, mas
todos os discípulos. Não penseis que os pastores são os únicos obreiros que
precisam. Não há mãe que não necessite da bênção em sua casa, para dirigir a
família, do mesmo modo que o ministro no púlpito, e o professor na escola
dominical. Todos juntos precisamos dela; não descansemos, nem de dia nem de
noite, enquanto não a possuirmos. Se esse for o anseio máximo dos corações, Deus
nô-la dará se tivermos sede e fome dela, e dissermos: Com a ajuda e Deus não
descansarei enquanto não estiver revestido com o poder do alto”.

Palavras de Spurgeon: “Se não tivermos o Espírito de Deus será melhor fecharmos
as igrejas, colocar pregos nas portas, uma cruz negra sobre elas, e dizer: “Deus
tenha misericórdia de nós!” Se vós, ministros, não tendes o Espírito Santo, será
melhor não pregar, e vós outros permanecerdes em casa. Penso que não falo com
demasiada ênfase quando digo que uma igreja na terra, sem o Espírito de Deus, é
antes uma maldição que uma bênção. Obreiro cristão: se não tens o Espírito de
Deus lembra-te que tomas o lugar de alguém. És como uma árvore estéril que fica
no lugar onde deveria crescer uma árvore fecunda. Esta obra é solene: o Espírito
Santo ou nada, e pior do que nada. Morte e condenação para a igreja que não anseia
pelo Espírito clamando e gemendo até que o Espírito opere poderosamente no meio
dela”.

O Rev. J. Morlais Jones, D.D., em sua palestra inaugural, na União Congregacional


da Inglaterra e País de Gales, em 1896, disse: “Necessitamos de que? Não podemos
pretender que a igreja esteja influindo no mundo como deveria. Estamos cheios de
descontentamento divino. Falta alguma coisa. A primeira necessidade é uma
renovação da vida puramente religiosa da igreja. A igreja está esplendidamente
organizada, somos grandes em todas as realizações religiosas, porém, o tom da
vida religiosa é baixo. Deus e a comunhão com Deus estão deixando de ser
necessidades patéticas; a reunião de oração, que costumava ser o termômetro para
medir a temperatura da igreja, está-se, tornando depressa uma tradição, e o serviço
dominical por excelência está ficando aquele em que a música e a estética do culto
são perfeitas, e o sermão não é muito longo. O primeiro corretivo é a oração
fervorosa devota e constante”. Acrescentaríamos apenas, que essa oração seja
segundo o conselho de Jesus — oração pelo Espírito Santo.

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O Rev. S. A. Keen, D.D., defensor ardoroso da santidade e do poder do Espírito, da


Igreja Episcopal Metodista, há pouco falecido, escreveu em seus Pentecostal Papers:
“Que presunção nossa empreender a missão sem unção, quando nem mesmo Jesus
ousou iniciar a Sua sem o auxílio do Espírito! Quão cauteloso foi Ele em guardar
Seus discípulos contra o erro de iniciarem sua tarefa — mesmo depois que a
comissão fora dada, e a mensagem do evangelho pronta para a boca dos Seus
arautos — sem a unção do Espírito Santo! Disse Ele: “Permanecei até que sejais
revestido o do alto com o poder!” Entretanto quantos ministros, professores,
missionários; evangelistas, obreiros, tem-se entregue à obra sem este poder para
realizá-la! O grande engano da igreja moderna é que tantos dos seus estão tentando
realizar a obra de Deus e salvar almas, sem o poder do Espírito Santo. E então
queremos saber por que, a despeito de tanto dinheiro, trabalho e movimento, há tão
pouco fruto, e tão pouca salvação. Se as baluartes da igreja parassem por uns
momentos, se ajoelhassem, olhassem para o alto, e olhassem para o alto e
recebessem o Espírito Santo, sem pararem tempo suficiente para armarem tendas
irromperiam numa campanha tão vitoriosa que seria a surpresa deste século”.

Escreve o Rev. Asa Mahan, D.D., LL. D., o primeiro presidente da Faculdade
Oberlin: “Quais são as relações entre Cristo e a multidão de crentes no ministério e
nas igrejas? Quais eram as minhas próprias relações também, durante os primeiros
dezoito anos de minha vida cristã? Tem a primazia em suas consciências religiosas,
a sensação de orfandade ao invés de filiação, de morte para as coisas de Deus ao
invés de para as coisas do mundo, e de escravidão ao invés de liberdade. Tal era a
minha experiência. Então li: ‘Aquele que crê em mim, rios de água viva jorrarão do
seu interior’ (João 7:38). Toda esta plenitude, dizia eu, deveria ser real em minha
experiência, mas não é. Para esta situação achei, como multidões estão achando, um
único remédio. Precisamos aguardar em oração ‘a promessa do Pai’ até que sejamos
‘cheios do Espírito Santo’”.

O Presidente Finney, poderoso Elias do nosso século, antes de nos deixar, partindo
para a glória, escreveu estas palavras: “É espantoso observar que ponto a igreja
praticamente perdeu de vista a necessidade deste revestimento de poder! Leigos e
até ministros lançam-se à obra sem ele. Lamento ser obrigado a dizer que as fileiras
do ministério parecem estar-se enchendo dos que não O possuem. Que o Senhor
tenha misericórdia de nós! Parecerá pouco caridosa esta última observação? Então
ouçamos o relatório da “Home Missionary Society” sobre o assunto. Certamente

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algo anda mal. Num ano de trabalho, uma média de cinco almas foram ganhas para
Cristo por cada missionário daquela sociedade, o que indica uma fraqueza
alarmante no ministério. Foram todos, ou ao menos a maioria destes ministros, com
o poder que Cristo prometeu? Se não, por que não? Se foram, foi apenas para isso
que Cristo fez a promessa? Aludi aos ministros, não que os suponha
excepcionalmente fracos na fé e no poder, como obreiros de Deus. Ao contrário,
classifico-os entre os nossos mais devotados e abnegados obreiros na causa de
Deus. Este fato simplesmente indica a fraqueza alarmante que penetra em todos os
ramos da igreja, entre os dirigentes e os leigos. Não somos fracos? Não somos
criminosamente fracos? Sugeriu-se que, assim escrevendo, eu ofenderia o
ministério e a igreja. Não acredito que a declaração de um fato tão palpável possa
ser considerado uma ofensa. Na realidade, há algo lamentavelmente defeituoso na
instrução do ministério e da igreja. O ministério e fraco porque a igreja é fraca, e a
igreja conserva-se fraca pela fraqueza do ministério. Oh! quanto carecemos de uma
convicção da necessidade deste poder e da fé na promessa de Cristo!”

Diz o Bispo Peck: “A igreja esta repleta de mortos cheia de apostasias, e é


comparativamente impotente para a grande obra que o céu lhe ordenou”.

E o Bispo Foster: “Verdade é que a Disciplina Metodista seja uma carta morta. Suas
regras — ninguém jamais se lembra de punir os seus membros por violá-las.
Proíbem as diversões que não contribuem para a piedade; entretanto, a própria
igreja vai a cinemas, a brincadeiras, a festivais e a feiras, que destroem a vida
espiritual dos jovens e dos velhos; e é espantoso até que ponto este estado de coisas
chegou! A resultante morte espiritual só será conhecida quando os milhões que ela
arrebatou para o inferno, estiverem diante do julgamento final. O mundanismo não
se vê também na música? Corais e até céticos escarnecedores, cantam músicas
artísticas frias ou em estilo de ópera, que tem tanto que ver com o serviço espiritual
como uma ópera ou um teatro. É relativamente pequeno o número dos que
honestamente desejam e sinceramente procuram realizar uma consagração total de
toda mente em Cristo” (Christ Crowne Within, págs. 25, 26).

Cowles, Mahan, Finney, Albert Barnes, Cuyler, Rice, Moody, Pearson, Jones,
Spurgeon, Keen e os Bispos Peck e Foster, nobres representantes de quatro grandes
denominações evangélicas na Inglaterra e na América — estes não são homens de
opinião temerária ou de palavra precipitada. Todos eles concordam que há uma grande

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necessidade, imperiosa, urgente, terrível! — Necessidade do batismo pessoal com o Espírito


Santo que trará santidade e poder às igrejas e ao ministério.

Joseph Cook, que adquiriu o hábito inveterado de fazer frases, diz: “A grande
necessidade do mundo é a cristianização do cristianismo”. Na verdade estamos em
extremo necessitados de voltar à experiência do Pentecostes com a consequente
santidade e poder. Se alguém duvida disto, e põe em dúvida a opinião dos líderes
acima citados, examine os fatos incontestáveis da hora presente. O número de 23-7-
1896 da revista “Advance” está diante de mim, informando-nos que toda uma
denominação religiosa na Inglaterra, com uma nobre história, está “examinando a
causa do decréscimo no número de seus membros”. Um correspondente do
“Methodist Recorder” acha que sejam “provavelmente as bicicletas”. Uma
denominação inteira, que traz o nome respeitável de Wesley, e que está decaindo
na Inglaterra, onde milhões vivem no pecado e morrem sem esperança e sem Deus,
é assunto sério demais para ser tratado como sátira ou anedota.

Todavia, temos bastante material para reflexão séria sem sair de casa. Nosso
exemplo será a denominação congregacional, da qual o autor tem sido membro
desde a infância. Os últimos quatro Year Books (Livros do Ano) demonstram que,
nestes últimos quatro anos, nenhuma das mil e trezentas igrejas congregacionais
recebeu, por profissão de fé, a adição de um só membro, o “Year Book” de 1896
mostra que mil quatrocentas e oitenta e três dessas igrejas não receberam um
converso. A média das igrejas da denominação tem cento e nove membros e seis e
meio conversos por ano, isto é, apenas um converso, anualmente, para cada
dezessete membros da igreja.

Em alguns lugares, porém, o quadro é ainda mais negro. Tomemos o estado de


Massachussetts. Em nenhuma outra parte do globo, provavelmente, um número
igual de igrejas terá um ministério tão culto ou uma melhor aparelhagem para a
obra cristã, ou um corpo de representantes mais inteligente, ou oportunidades mais
promissoras para ganhar almas. Todos regozijam-se por seus privilégios
intelectuais, e por estarem juntos à “Atenas da América”. Tem todas as
organizações necessárias e os recursos mais perfeitos para fazer a obra cristã que se
pudesse esperar ver no mundo. Enquanto que as igrejas congregacionais de
Michigan ultrapassavam em trinta e cinco o número dos ministros de que
dispunham, havia um excesso de cento e noventa e sete ministros congregacionais
em Massachussetts, Entretanto, com todas estas inegáveis vantagens durante, anos

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houve uma média de cento e quarenta igrejas congregacionais em Massachussetts


que não registraram nem uma conversão por ano. Em Michigam eram necessários
catorze membros da igreja para fazer um convertido por ano — fato já bastante
triste, mas em Massachussetts eram necessários trinta! Se a igreja primitiva em
Jerusalém tivesse tido igual êxito, teriam feito quatro conversos no, primeiro ano!
Não possuíam cultura bostoniana entre seus pregadores ou membros, mas
possuíam algo infinitamente melhor — o batismo do Espírito Santo para a
santidade e poder, e o resultado foi três mil conversões no primeiro dia de esforço
público, e conversões diárias depois disso. Mas dezessete igrejas congregacionais
em Massachussetts contam uma média de quatrocentos e oitenta e três membros
cada uma, e registram todas juntas apenas cinquenta e cinco conversões, uma para
cada cento e quarenta e nove membros. Não é provável que tal trabalho das igrejas
apresse a vinda do milênio.

Moody escreve no “New York Independent”, (citado no “Advance”, 10-XII-1896),


como segue: “Num número recente de vosso jornal vi artigo de um colaborador
que afirmava haver mais de três mil igrejas nos setores congregacionais e
presbiterianos deste país, que não receberam um único membro por profissão de fé,
no ano passado. Será isto verdade? Tal ideia se apoderou tanto de mim, que não
posso expulsá-la da mente. É suficiente quase para comunicar um arrepio de horror
através da alma de todo o cristão verdadeiro. Se tal é o caso com estas duas grandes
denominações, qual será a situação das outras também? Ficaremos todos
indiferentes, permitindo que o estado de coisas continue? Nossos jornais religiosos
e nossos púlpitos manterão suas bocas fechadas como “cães mudos que não sabem
latir“ para avisar suas pessoas do perigo que se aproxima? Não deveríamos todos
levantar a voz como trombetas? Que pensará o Filho de Deus sobre o resultado de
nosso trabalho? Que pensará o mundo descrente de um cristianismo que não pode
produzir mais fruto? E não nos preocupa a multidão de almas que vão para a
perdição todos os anos, enquanto cruzamos os braços, a observar? E este nosso
país, onde estará nos próximos dez anos, se não despertarmos do sono?”

Pensai nesses três mil ministros, em duas denominações, conhecidas no mundo por
suas escolas e cultura, pregando um ano inteiro, auxiliados por diáconos e
professores de escola dominical, e pais crentes, e membros da igreja, e reuniões de
oração, e sociedades, e uniões, e ajudas e auxiliares sem número, e tudo isso sem
um único convertido!

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Pensai na denuncia do Rev. Thomas Dixon, feita na Academia de Música de Nova


Iorque em setembro último, de que oitenta e seis igrejas metodistas daquela cidade,
com mais de dezessete mil membros, passou um ano, com despesas de quinhentos
e cinquenta e cinco mil dólares, tendo um lucro líquido de duzentos e quarenta e
um membros; e quase o mesmo número de igrejas batistas, com dezoito mil
membros, e uma despesa anual de quinhentos mil dólares, teve um ganho líquido
de duzentos e dezesseis membros no ano, enquanto que, a volta delas, estava meio
milhão de seres humanos que, quanto ao conhecimento cristão, eram pagãos, e
pagãos não só no nome e na forma, mas no coração e no espírito, e o mesmo estado
de coisas prevalece na igreja presbiteriana, não obstante sua imensa riqueza e
poder.

Pensai na impiedade das cidades que crescem sem parar, sob as próprias sombras
das torres de nossas igrejas, e a frequência a essas igrejas declinando, ao ponto de
sabermos que cinquenta por cento da população do Estado do Maine, e 59,5% da
população do Vermont, não tem ido à igreja, em média, durante os últimos seis
anos; e o Dr. Fairbanks, da cidade de St. Johnsbury, Vermont, declara que não mais
de setenta e cinco mil (vinte por cento) estão na igreja num dado domingo. E tudo
isto enquanto a igreja cristã — a Esposa de Cristo — como diz Moody, “está
andando de braços dados com o mundo”, e o que é pior dorme indolentemente no
abraço criminoso.

É evidente que falta algo mais que organização, aparelhamento, cultura e oratória.
Os fatos acima citados inefavelmente tristes, deveriam convidar a igreja a ajoelhar-
se em humilde súplica pela misericórdia de Deus e pelo bálsamo transbordante do
Espírito Santo. O único remédio para a nossa impotência espiritual, a única saída
das nossas dificuldades e perigos ameaçadores de Sião para os crentes em geral e
para estes ministros e professores de teologia em particular, e uma viagem e volta
ao pentecostes.

Um casal de missionários pode ser sustentado no Japão, durante um ano, com mil
dólares. Pode-se citar uma igreja congregacional na Nova Inglaterra em que cada
converso, durante quatro anos, contando-se os juros do investimento permanente, e
as despesas correntes da igreja, custou cinco mil dólares, o suficiente para sustentar
dez missionários no Japão, durante um ano. Certo ano as conversões foram tão
poucas, que cada uma custou o suficiente para sustentar 16 missionários durante
um ano, no Japão. Durante anos aquela igreja tem tido apenas um converso para

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cada cinquenta membros, e um para cada cinquenta na escola dominical; certo ano
o número foi cem. Em outras palavras, essa igreja está treinando, para a
condenação candidatos insensíveis ao evangelho. Podem-se citar muitas outras
igrejas que são pouco menos ineficientes. Contudo, acostumamo-nos tanto a estas
coisas que tais fatos deploráveis não despertam comentário em parte alguma, o
batismo do Espírito Santo sobre a mesma igreja e ministro os faria influir no
mundo. A volta ao Pentecostes é a única cura para uma esterilidade tão
abominável.

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CAPÍTULO II

PERGUNTAS E DEFINIÇÕES

Existe em Gileade algum bálsamo para as feridas da esposa de Cristo? Existe


alguma provisão, no plano redentor do Noivo celestial, para uma salvação plena do
seu pecado? Este Ser celestial — O Santo Filho de Deus — que veio da glória para
preparar uma noiva para Sua posse eterna, terá tornado possível que ela seja “como
Ele é”, no mundo maligno do presente? A santidade e o Seu caráter, a santidade Ele
ama. Terá Ele providenciado santidade para ela, para que possa ser o deleite
perfeito do Seu coração? Disse Ele no cenáculo, naquela hora solene da oração
intercessória: “Eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam
santificados” (João 17:19). A santificação é o privilégio dos crentes, bendito e
comprado com sangue? Que é pecado? Que é santidade? Que é santificação num
filho remido de Deus? De que salvação necessita uma raça perdida ou decaída?
Que é o batismo do Espírito Santo, e que realiza ele, pelos crentes? São perguntas
vitais que tocam o próprio âmago do assunto diante de nós.

Webster define o pecado como (1) “Transgressão da lei de Deus; desobediência a


ordem divina: qualquer violação da vontade de Deus nas intenções ou na conduta;
deficiência moral no caráter. (2) Em teologia fala-se do pecado como original ou
atual. Pecado atual é o ato de violar uma lei conhecida do dever. Pecado original,
como se entende geralmente é a depravação inata do coração com a vontade divina,
essa corrupção da natureza ou deterioração do caráter moral do homem, que se
supõe ser o efeito da apostasia de Adão, e que se manifesta nos agentes morais por
atos positivos de desobediência a vontade divina”.

O Century Dictionary acrescenta esta nota a sua definição de pecado: “A verdadeira


definição do pecado e questão controvertida, dividindo-se os teólogos em duas
escolas de pensamento: uma que considera o pecado como atos voluntários e
conscientes do indivíduo; a outra, que ele inclui o caráter moral da raça. O pecado
original e a depravação e corrupção inata da natureza comum a toda a
humanidade. Mas, se esta depravação inata deve ser chamada pecado, ou se e

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apenas uma tendência, e torna-se pecado apenas quando o indivíduo cede por um
ato voluntário, e consciente, é questão em que os teólogos divergem”.

De modo geral, podemos classificar em três grupos, e com suficiente exatidão para
este estudo, os escritores que tratam do pecado, da depravação e da santidade:

1. Os que afirmam que todo pecado reside na ação injusta da vontade, e que
não há depravação moral da natureza da qual necessitemos ser salvos.

2. Os que julgam que o pecado é tanto transgressão voluntária como


constituição pecaminosa, que é a fonte da transgressão, por ambas as
quais somas responsáveis, mas dos quais não podemos ficar totalmente
salvos nesta vida.

3. Os que mantém que temos tanto pecados atuais da vontade como uma
natureza corrupta, e que podemos ser libertos de ambos nesta vida.

O autor crê que a verdade está com o terceiro grupo, e que as Escrituras, a razão e a
experiência dos santificados por Deus justificam sua posição.

Não é seu objetivo fazer deste livro uma polêmica, mas simplesmente expor a
posição geral das escolas rivais, o suficiente para deixar claro o que ele crê ser a
verdade e a Palavra de Deus.

O Presidente Finney, que escreveu na “Oberlin Review” de maio e agosto de 1896,


sobre a “Depravação Moral”, é representante do primeiro grupo. Argumentando
contra a tese do Presidente Edwards, e Dr. Woods, de Andover, e a Confissão
Presbiteriana e os antigos calvinistas, afirma ele: “A depravação moral não pode ser
atribuída a atos ou estados de espírito involuntários, pois a lei moral rege apenas a
escolha livre e inteligente”. “Depravação moral é pecado. Pecado e violação da lei, e
consiste na escolha”. “A depravação moral não pode consistir de qualquer atributo
da natureza ou da constituição, nem de um estado decaído da natureza, pois esta é
depravação física e não moral”. “Não pode consistir de algo que seja parte da
mente ou do corpo, nem na ação ou estado involuntário da mente ou do corpo”.
“Não pode consistir do que esteja anterior a escolha; o que quer que esteja anterior
à escolha, fica fora do domínio da lei”. “A depravação moral, pois, estritamente
falando, só pode ser atribuída ‘à última intenção egoísta’”. “A depravação moral e

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depravação da livre vontade, não da faculdade em si, porém de sua ação livre”.
“Consiste na violação da lei moral”.

Conclui-se dessas citações do Presidente Finney que ele negava qualquer corrupção
moral da natureza humana, qualquer pecado inato, herdado de nossa raça decaída.
Ele transferiu a aplicação do termo depravação moral da natureza do homem para
a conduta exterior e voluntária do homem. “Não pode consistir,” diz ele “de uma
constituição pecaminosa, ou de uma apetência ou anseio constitucional pelo
pecado. A depravação moral é pecado em si mesma, e não a causa do pecado. Não
é algo anterior ao pecado, que mantenha para com ele uma relação de causa, porém
é a essência e o todo do pecado”.

Como, pois — pode perguntar o leitor — explicava Finney a depravação universal


ou natureza pecaminosa do homem? Assim explica ele: “O homem não é
moralmente, mas fisicamente depravado. A depravação física pode ser atribuída a
todas as faculdades e estados involuntários do corpo e da mente, da inteligência, da
sensibilidade, e da volição. Isto é, as ações e estados da inteligência podem tornar-
se desordenados, depravados, perturbados, ou decaídos de um estado de
integridade e sanidade. A sensibilidade ou departamento emocional da mente pode
ser depravado fisicamente. Os apetites e as paixões, os desejos e anseios, as
antipatias e repulsas dos sentimentos entram em grande desordem e anarquia.
Geram-se apetites artificiais, e a sensibilidade toda torna-se um deserto, um caos de
desejos, emoções e paixões antagônicos e clamorosos”, “A sensibilidade atua como
um impulso poderoso da vontade a partir do nascimento, e garante o
consentimento e a atividade da vontade antes que haja qualquer desenvolvimento
da razão. A vontade é, assim, confiada à satisfação das emoções e dos apetites
quando se forma a primeira ideia de obrigação moral”. “É a prioridade da ação das
sensibilidades sobre a da razão, conduzindo à entrega da vontade, a
autossatisfação, aliada à influência do exemplo universalmente depravado, que
leva ao pecado universal”. Argumentava ele que a teoria de uma natureza corrupta,
recebida por herança, compromete a bondade de Deus, tornando-o, pela criação, o
autor do pecado; mas não demonstrou como, a sua teoria da prioridade
providencial da ação das sensibilidades sobre a da razão na vontade,
comprometeria menos a bondade de Deus. Segundo uma das teorias, é o fato de
Deus ter criado seres com uma natureza corrupta que originou o pecado universal;
segundo a outra, é a sua disposição providencial da evolução do espírito e da

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faculdades morais que resulta no pecado universal. Em ambas as hipóteses, a mão


de Deus é igualmente, aparente e o resultado é precisamente o mesmo.

Os muitos argumentos que não farei mais que citar, parecem provar, de modo
concludente, que atrás de todas as ações da vontade há uma natureza corrupta em
todos nós, ao nascermos, herdada por relações raciais, e para nossa desgraça.

1. A universalidade do pecado é uma forte prova presuntiva. O fato de que todo


pato, logo que nasce, vai para a água, prova que ele é uma ave aquática por
natureza. O fato de que toda criança, de toda família, de qualquer idade ou
tribo ou clima, qualquer que seja o ambiente, começa a pecar assim que
surgem suas faculdades morais, é evidência tremenda de que as faculdades
morais acham-se corrompidas em si mesmas.

2. As Escrituras expressamente ensinam a doutrina da corrupção de nossa natureza.


“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente
corrupto”' (Jeremias 17:9). “Porque é mau o desígnio íntimo do homem
desde a sua mocidade” (Gênesis 8:21). Na linguagem bíblica, entende-se
por “coração o próprio homem, a alma, aquela parte que sente, pensa e
escolhe. “O que é nascido, da carne; é carne; e o que é nascido do Espírito, é
espírito” (João 3:6). Isto é, uma criança nascida de pais corruptos, terá uma
natureza corrupta”. “... também todos, nós éramos por natureza filhos da ira,
como também os demais” (Efésios 2:3). Os judeus e os gentios eram todos
igualmente desagradáveis a Deus, “por natureza”. “O homem natural não
recebe as coisas do Espírito de Deus” (I Coríntios 2:14). Em Efésios 4:17-18,
Paulo fala dos gentios como “alheios à vida de Deus por causa da
ignorância em que vivem, pela dureza de seus corações”. Em Efésios 2:1,
todos são descritos como, por natureza, “mortos nas transgressões e no
pecado”. Poder-se-iam citar muitas outras passagens que parecem ensinar
ou indicar a corrupção da própria natureza do homem.

Romanos 8:7-8: “Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus ...
portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”.

3. A necessidade universal de regeneração é um argumento em favor desta verdade.


Regeneração é a transformação do coração, da natureza, pelo Espírito
Santo; e Jesus não faz exceção para recém-nascidos ou crianças. O sentido

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da passagem evidentemente compreende todos os descendentes de Adão,


sem exceção de classe, família ou idade. Deus sempre inclui as pessoas e os
seus “filhinhos” nas provisões de Sua graça, considerando-os desde o
nascimento como necessitados da salvação e interessados no plano da
salvação. Sem dúvida a criança que morre em tenra idade tornar-se-á, de
algum modo desconhecido para nós, o recipiente da graça regeneradora. A
aliança cujo selo foi a circuncisão, e a repetição dela no batismo infantil
para todos que o praticam, é sinal de que as crianças se acham num estado
de impureza, e necessitam da graça purificadora.

4. Um outro argumento encontra-se na universalidade da morte, que foi a penalidade


do pecado. Muitos acham que isto significou morte física bem como
espiritual e, portanto a morte física das crianças é uma prova bíblica de
natureza corrupta, a qual, com absoluta certeza, terminará em morte
espiritual, a menos que elas se tornem o objeto da graça redentora, do que
não duvidamos.

5. Outro argumento da corrupção da natureza é a convicção universal do


povo de Deus. Os cristãos verdadeiros, homens e mulheres de pureza e
piedade incontestáveis, estão convencidos de que há, dentro deles, uma
depravação inerente do coração e da natureza, guerreando contra todos os
seus propósitos santos, opondo-se a sua consciência e resistindo aos seus
impulsos e esforços mais puros. Esta depravação lhes é um fardo doloroso,
e eles gemem sob ela. Este senso de escravidão e corrupção interior e
expresso em toda a literatura cristã, e geme sua dor em hinos lamentosos.
Dentre as almas mais puras e dos poetas sacros mais notáveis, achamos o
autor deste hino:

“Meu Deus, a Ti eu clamo sem cessar,


Pelo poder da Mão benigna e forte,
Para quebrar o juga do pecar,
E assim o escravo libertar da morte”.

E este sentimento de corrupção interior que não dá descanso à alma dos


cristãos fervorosos e fá-los exclamar com angústia: “Oh! miserável homem
que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24).

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Quem haverá, que tendo resolvido viver de acordo com a santa lei de Deus,
lutando com os inimigos interiores não possa interpretar tais palavras pela
experiência do seu próprio coração? Quem não sente que seus afetos
desordenados — tão difíceis de controlar, ligar e concentrar sumamente em
Deus; suas ímpias paixões — tão difíceis de refrear e corrigir, tão facilmente
inflamáveis em ira proibida, tão prontamente confirmadas em vingança
odiosa, ou sujeitas a indulgências baixas e degradantes — surgem de uma
natureza corrupta e decaída?

Enquanto, a vida do homem for uma guerra — não meramente contra o


mundo e Satanás, mas contra as sensibilidades desordenadas, contra as
paixões e propensões de sua própria alma, contra as fontes do mal no seu
próprio ser — essa guerra o fará portador de uma constante evidência da
corrupção da natureza humana, evidência que perdurará até que a graça
santificadora o torne pleno “participante da natureza divina”.

Não existe argumento contra o senso íntimo humano. Diz o Dr. Samuel
Johnson: “Sei que sou livre, e isso encerra a questão”. O Dr. Daniel Steele,
da Universidade de Boston, diz: “O senso íntimo matou o calvinismo”. E o
fez a despeito da lógica inflexível do calvinismo. Este conhecimento ou
consciência universal de impureza e poluição interior de sentimentos
malignos e apetites anormais, imaginações doentias a despeito das escolhas
e das volições, são irrefutáveis. Existe algo além dos atos da vontade dos
quais a consciência e a lei de Deus tomam conhecimento. A natureza do
homem é corrupta.

6. Outros tem argumentado com acerto que o plano todo do evangelho parte do
princípio da depravação natural do homem, ou corrupção da natureza.

Diz Luther Lee, em seu Elements of Theology: “Há duas verdades


principais patentes no evangelho, e o sistema inteiro do evangelho tem
nelas o seu fundamento. Estas verdades são as seguintes: PRIMEIRO —
Todos estão perdidos e necessitam da salvação; SEGUNDO — Cristo é o
Salvador de todos, capaz e desejoso de salvar todos os que vierem a Ele
para ter vida. Estas, que são fundamentais e trazem após si todas as outras
partes do sistema do evangelho, claramente supõem um estado decaído e
corrupto da natureza humana; pois só podem ser verdades em face da

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verdade de nossa depravação inerente. O homem não é corrupto por


natureza, e se todo o pecado consiste em atos voluntaries, e perfeitamente
possível evitar todo pecado, de sorte a não se necessitar de expiação, nem
restaurador, nem mediador, nem interposição de Jesus Cristo, para
reconciliar-nos com Deus. Seria profano dizer que os homens estão
irreconciliados com Deus e precisam de um mediador, estão perdidos e
precisam de salvação, se é que estão no mesmo estado original em que
Deus os criou. Daí, se os homens não são corruptos por natureza, e possível
vivermos livres de todo pecado, prescindindo do sangue expiador para
lavar os nossos pecados, e do Espírito Santo para renovar os nossos
corações. Tal hipótese seria subversiva de todo o plano do evangelho”.

Como escreveu o boníssimo Fletcher: “Se o homem não se acha poluído


porque deveria ele lavar-se no sangue o Cordeiro imaculado? E não há
distúrbios em sua alma, qual a razão de um Médico Divino? Numa palavra,
se não nasceu no pecado, por que e tão absolutamente necessário um novo
nascimento, sem o qual Cristo declara não poder o homem ver o reino de
Deus.” (pág. 123).

O Dr. Charles Hodge e um bom representante do segundo grupo. “Foi um


paladino do calvinismo mais cru, ensinando a imputação do pecado de
Adão aos seus descendentes; a corrupção de toda a natureza; que ela e
verdadeira e propriamente da natureza do pecado, implicando culpa e
poluição; que retém seu caráter como pecado, mesmo no regenerado; que
torna a alma espiritualmente morta, inteiramente incapaz de fazer por si
mesma qualquer coisa boa aos olhos de Deus (Vol. II, Systematic Theology,
pág. 230). Ensinou ainda que a santificação nunca é aperfeiçoada nesta
vida; que em hipótese alguma o pecado é completamente subjugado; por
isso, o crente mais evoluído ainda precisa orar pelo perdão dos pecados.”
(Vol. III, págs. 245, 258).

Quadro realmente sombrio é este, que devemos todos trazer a culpa do


pecado de Adão, e uma consequente corrupção culposa que ainda é
inerente ao coração do cristão, e da qual nem toda a obra expiatória de
Cristo, nem toda a graça infinita de Deus, nem todo o poder santificador do
Espírito Santo, podem purificar-nos nesta vida. Isto é realmente espantoso

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e, se a igreja cristã lhe desse ouvidos, encher-se-ia totalmente da angústia


do desespero.

Representante do terceiro grupo e o Rev. Asbury Lowrey, D.D., autor de


Positive Theology e Possibilities of Grace. Expressa ele, com justeza, o ponto de
vista wesleyano. Escreve ele: “A redenção, em todos os seus estágios, e uma
luta renhida contra o pecado. O pecado existe sob aspectos bíblicos:
primeiro, como antagonista de Deus e dos interesses dos homens, uma
mácula de corrupção NO homem; segundo, como um mal perpetrado
PELO homem. Há uma diferença específica entre o estado pecaminoso e a
prática pecaminosa. Na prática, o pecado e a transgressão da lei. O estado
pecaminoso implica uma natureza corrupta, uma inclinação para o mal, um
coração alheia o de Deus é oposto a santidade”. “Segundo as Escrituras,
porém, há um ponto de culminação da graça que pertence a esta vida —
um estado em que, segundo São Paulo, vos conserveis perfeitos e plenamente
convictos em toda a vontade de Deus” (Colossenses 4:12). “Chamamos de
santificação completa, ou santidade perfeita, a esta obra, cabal da salvação. É
conhecida por vários nomes e expressões na Bíblia, tais como ‘perfeição’
(Hebreus 6:1; Filipenses 3:15), ‘santificação’ (Hebreus 12:14), ‘perfeito amor’
(I João 4:17), ‘puros de coração’ (Mateus 5:8), ‘mortos para o pecado’
(Romanos 6:11), ‘crucificados com Cristo’, ‘Cristo vive em mim’ (Gálatas
2:20), ‘mente de Cristo’ (I Coríntios 2:16), ‘participantes da natureza divina’
(II Pedro 1:4); ‘livres do pecado’ (Romanos 6:22), ‘cheios do Espirito’ (Atos
6:3), ‘amando a Deus com toda a alma, mente e forças’ (Mateus 22:37),
‘purificados de todo o pecado e de toda a injustiça’ (I João 1:9), ‘purificados
de toda a imundície da carne e do espirito’ (II Coríntios 7:1), ‘aperfeiçoando
a nossa santidade no temor de Deus’ (II Coríntios 7:1), ‘para que o corpo do
pecado seja destruído’ (Romanos 6:6), ‘para que ele possa destruir as obras
do mal’, ‘purificar os filhos de Levi como o ouro e a prata’ (Malaquias 3:3),
‘de toda a vossa impureza, e de todos os vossos ídolos vos purificarei’,
(Ezequiel 36:25). (Todas estas expressões tem substancialmente a mesma
significação. Representam a purificação da alma do crente, e a reprodução
nele da imagem de Cristo” (Possibilities of Grace, págs. 142, 210).

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CAPÍTULO III

OBSTÁCULOS DOUTRINÁRIOS E FILOSÓFICOS

E uma das maravilhas da mente pensante, e uma das provas mais fortes da
divindade do cristianismo, que ele tenha escapado ao aniquilamento pelas
falsidades de seus próprios amigos e defensores: vidas falsas, falsas doutrinas ou
filosofias. Não existe uma só doutrina do credo que não tenha sido pervertida,
parodiada ou negada por teólogos eruditos. Não há sequer uma verdade das
Escrituras que não tenha sido rejeitada, condenada ou controvertida. E dificilmente
se mencionara um erro que não tenha sido defendido ou apoiado pelos textos de
doutores de erudição. Isto em geral. o grande tema que se nos apresenta para
consideração não escapou ao fado comum. Grandes e bons homens, que todos
gostam de reverenciar, e cujos nomes são pronunciados com reverência,
escreveram de tal modo sobre os grandes temas do pecado e da santidade ou
santificação, que obscureceram as assuntos com suas filosofias, e “ofuscaram
conselhos com palavras”.

Eis a teoria do Dr. Hodge, ao qual já nos referimos: Jazendo sobre nós a culpa do
pecado de Adão, e considerando-nos responsáveis em todo sentido, pela corrupção
causada, o quadro que ele descreve do pecado é por demais sombrio, e ofende
inutilmente todo sentimento de justiça e equidade, e toda concepção de bondade
divina no coração do homem. Seu padrão de santidade também é por demais
elevado. Diz-nos que não se podem fazer concessões para as fraquezas naturais, as
inevitáveis limitações das faculdades humanas consequentes a queda, as erros de
julgamento, as falhas da memoria, as concepções dúbias sobre o dever e o que
convém. A lei de Deus exige de nós uma santidade tão absoluta como a que teria
sido exigida da posteridade de Adão, se ele não tivesse pecado, e que foi exigida de
Adão. “A solução é voltar-nos do pecado para a santidade; amar a Deus
perfeitamente e ao nosso próximo como a nós mesmos; cumprir todos os deveres
sem defeito ou omissão, e afastar-nos de todo pecado em pensamento, palavra ou
obras, no coração ou na vida. Pode alguém fazer isto? Alguém precisa de
argumento para convencê-lo de que não pode? O homem conhece duas coisas com
a mesma clareza e segurança com que é ciente da sua própria existência; primeiro,

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que é obrigado a ser moralmente perfeito, cumprir todos os mandamentos de Deus,


exercer constantemente todos os sentimentos que convém, sempre que haja
oportunidade, e evitar todo pecado no sentir, bem como no agir; e, em segundo
lugar, que lhe é tão possível fazer isto como ressuscitar os mortos” (Vol. II, pág.
271).

O homem acha-se totalmente incapacitado e enfraquecido moralmente, por causa


da corrupção herdada; entretanto, está sob a obrigação de ser absolutamente santo,
pois a obrigação não se mede pela capacidade; Deus exige santidade, e a santidade
é impossível. “Pode-se presumir com segurança que ninguém jamais viu um seu
semelhante que, mesmo na luz imperfeita em que o homem se revela aos outros, —
ele considere perfeito. E ninguém em sã consciência pode considerar-se assim
perfeito, a menos que rebaixe as normas de julgamento para adaptá-las ao seu
caso”. (Vol. III, pág. 258).

Se tudo isto for verdade, dura é realmente a sorte da humanidade. E como a fábula
de Sísifo rolando para sempre a pedra monte acima, sem nunca chegar ao topo.
Somos como o infeliz Sísifo: nosso caráter é a pedra; a santidade e o alvo no topo da
montanha, que nunca pode ser atingido por qualquer esforço possível, mas que se
nos ordena atingir; e sobre nossas costas, que tremem de exaustão brande-se o
chicote da obrigação moral! Poderíamos todos clamar, de um só fôlego — “Deus,
tem piedade de nós!” Mas, não; o próprio Deus é o amo severo que nos leva a
tentar o impossível e impiedosamente agita o látego! Nada nos resta aqui senão
uma vida de pecar desesperado, e consequente agonia de coração, para o que nem
mesmo todo o sangue de Cristo oferece auxílio adequado, ou lenitivo.

Pedir ou ordenar que os homens sejam santos, ou esforçar-se pela santidade sob
tais condições, seria tão inútil como admoestá-los a que orem, assegurando-lhes ao
mesmo tempo que nenhuma oração foi, nem poderá ser respondida. Os homens
que abraçam tais doutrinas poderão ser santificados, mas não é provável; e se
forem será a despeito de sua filosofia, e não por causa dela.

Sobre este falso ensino, apoiado por um famoso catecismo, que multidões ainda
reverenciam como inspirado, o presidente Finney fez estas observações
apropriadas: “Contemplemos agora os varões de ferro do dogma teológico, varões
a que o convertido tão frequentemente se acha ligado, varões que tornam o
crescimento normal da alma recém-nascida tão impossível como o sapato de ferro

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que atava os pés das menininhas chinesas. Tomai dois ou três desses dogmas como
exemplos: ‘Nenhum homem e capaz, quer por si mesmo, quer por graça recebida
nesta vida, de cumprir perfeitamente os mandamentos de Deus, mas diariamente
os quebra por pensamentos, palavras e obras’. Assim o convertido inicia sua
carreira com uma professa revelação de Deus, de que não tem poder, seja de si
mesmo, seja de qualquer graça concedida nesta vida, para prestar a obediência que
lhe é exigida, isto por um lado; e que por outro, na verdade, ele violará os
mandamentos todos os dias de sua vida, ‘em pensamento, palavras e obras’.
Realmente, tem de ‘tornar Deus mentiroso’ isto é, desacreditar Sua Palavra
revelada ou exclui: completamente do Espírito e do pensamento, toda esperança e
intenção racional de prestar obediência.

Almejar tal obediência, no caso de alguém que nutre tais sentimentos, e procurar e
almejar uma impossibilidade revelada e reconhecida: um dos objetivos mais
irracionais e absurdos que se podem conceber.

“Qual é, porém, segundo estes dogmas, o estado do crente quando peca? Ouvi a
resposta: ‘Os verdadeiros crentes, em virtude do amor imutável de Deus, e Seu
decreto e aliança para dar-lhes perseverança... não podem de modo total ou final
cair do estado, de graça’... ‘Entretanto, pelas tentações de Satanás e do mundo, a
prevalência da corrupção que permanece neles, e negligencia dos meios de
preservação, podem cair em pecados graves, e por algum tempo continuar neles;
pelo que incorrem no desagrado de Deus, ofendem o Seu Espírito Santo vem a
privar-se de algumas de Suas graças e confortos endurecem-se lhes os corações e as
consciências, prejudicam e escandalizam os outros, trazendo sobre si os
julgamentos temporais’”.

“Assim, ensina-se ao jovem converso que ele não pode receber graça suficiente para
obedecer a Deus, mas tem de pecar diariamente; em pensamentos, palavras e abras;
entretanto, tem a garantia divina de que, por mais que peque não será
completamente destituído de Deus. Afirmo isto no temor de Deus, e com minha
crença absoluta, que, se se tivesse deixado inteiramente a Antiga Serpente a
construção dos filhos do Senhor, ela não teria desejado ou pedido que um só ‘jota
ou til’ fosse tirado ou acrescentado ao que consideramos. Que mais poderia Deus
fazer para assegurar a cada alma recém-nascida uma vida de apostasia do que
exigir dela uma crença absoluta de que pecará, ‘pecará diariamente em
pensamento, palavras e obras’, pecará ninguém sabe em que forma e até que ponto,

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mas que nenhuma forma grau de pecado que possa cometer porá em perigo os seus
interesses imortais? Se o propósito dos construtores de tais dogmas foi transformar
as igrejas, segundo linguagem de distinto ministro presbiteriano dos EE.UU. em
‘hospital para inválidos e em refúgio para velhacos, como poderiam conceber um
sistema melhor adaptado a seus propósitos?” (Mahan's Autobiography, págs. 90-93).

“A heresia mais ruinosa que o pai da mentira jamais introduziu no credo cristão é o
absurdo dogma de que, para induzir e perpetuar nos filhos de Deus a humildade
de espírito, Ele precisa deixar nas profundezas de seus corações um abismo de
corrupção moral e morte, um amontoado de ‘ambições tolas e prejudiciais’ para
‘guerrear em seus membros’“ (pág. 106). “Enquanto os crentes considerarem como
verdade revelada de Deus que de fato ‘pecarão diariamente em pensamento,
palavras e obras, o, exercício da fé para ‘santificar, inteiramente’ e ‘salvar
completamente’ se tornará uma impossibilidade total”. (pág. 319).

Entretanto, esta heresia monstruosa e irracional faz parte de um credo e é


defendida por teólogos eruditos, até que uma denominação inteira se envenena e se
envolve no sono da criminosa aquiescência, numa vida de deficiências, como se
fosse uma necessidade divinamente revelada. Os poucos calvinistas que receberam
o batismo do Espírito Santo, e cujo grau de santidade é maravilhoso, como,
Jonathan Edwards e sua esposa, George Whitefield, Wilham Tennat, e David
Brainerd, fizeram-no a despeito desta doutrina estupefaciente de “pecaminosidade
necessária”. Praticamente afastaram-se de seu credo, e seus Espíritos
permaneceram principalmente nas valiosas verdades que o Espírito usou para a
santificação deles.

O Presidente Finney, dentre os homens mais reverenciados pelo autor, neste século,
e o que maior influência exerceu em sua vida, como já vimos, adotava uma
estranha doutrina sobre o pecado e a depravação, negando que a natureza do
homem fosse corrompida. Todo o pecado estava no uso errôneo da vontade; de
nada mais consistia a qualidade moral. Adotava ele também uma estranha teoria
sobre à vontade, a qual foi adotada como a posição Oberlin, chamada “unidade ou
simplicidade da ação moral”. Segundo esta teoria, não pode haver caráter misto. “O
homem não pode ser santo e pecador ao mesmo tempo”. A obediência do homem
há de ser total, ou então não há obediência, “Não faz sentido uma santidade que
coexiste com o pecado”. Seguir-se-ia, naturalmente, que todo agente moral e
sempre “tão pecaminoso ou santo, como o possa ser com o Seu conhecimento”. A

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regeneração é uma mudança “instantânea” “do pecado completo para a santidade


completa”. O único sentido em que a obediência pode ser parcial é que a obediência
pode ser intermitente. A única coisa que se espera da santificação, então, é a
confirmação da vontade na escolha acertada.

“Todos os santos verdadeiros, enquanto aceitos por Deus, realmente prestam


obediência total a todas as ordens de Deus que conhecem; isto é, cumprem todo o
seu dever — tudo o que Deus, nessa época requer deles”.

O Presidente Fairchild, o último expoente destas teses, que se fez publicar, diz:
“Uma das consequências mais óbvias da doutrina é que a conversão e consagração
completa (santificação); que os primeiros atos de obediência do pecador convertido
são a obediência total, e que seu estado moral é inteiramente aprovado por Deus”.

Há algo errôneo nesta filosofia, pois suas conclusões estão em antagonismo com as
Escrituras, o conhecimento, e a experiência universal.

(1) Localiza o pecado na atitude da vontade, e aceita apenas uma sua definição
bíblica — “O pecado é a transgressão da lei” (I João 3:4) — naturalmente, um ato
voluntário de desobediência. Mas as Escrituras tem mais duas definições de
pecado. “Toda injustiça é pecado” (I João 5:17) e “tudo que não provém de fé é
pecado” (Romanos 14:23). Há um vasto campo da natureza do homem que fica
para trás da vontade em seus pensamentos, sentimentos, imaginações, paixões,
apetites e desejos, de que nossa própria consciência esclarecida e a lei da santidade
tomam conhecimento. Na regeneração, recebemos perdão dos pecados e adoção no
lar divino; rompe-se o poder do pecado, o tirano e destronado e seu reinado cessa
na alma; entretanto, o pecado não é destruído de modo a não deixar o seu sinal
sobre a alma, e mesmo então disputa o domínio. Por mais clara que seja a
percepção do dever, e por mais determinada que possa ser à vontade para executar
as decisões do julgamento, achar-se-á um elemento de oposição na sensibilidade, o
qual, embora já não controle a vontade, frequentemente se rebela contra ela,
recusando-se a obedecer. As explosões de ira, as contendas do orgulho, as
imaginações malignas, as invejas, os crimes, a cobiça, que acham lugar na
experiência de todo homem regenerado, e assunto muito universal na experiência
cristã para necessitar de provas. No conjunto, formam um estado de alma que é a
injustiça, e “toda injustiça é pecado” (I João 5:17).

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Ao passo que, como diz o Presidente Finney, “é evidente que a santificação não é
um mero sentimento de qualquer espécie”, não é menos evidente que “inclui todos
os sentimentos convenientes, excluindo todos os maus sentimentos”, Embora “não
seja um desejo, um apetite, uma paixão, uma propensão uma emoção, nem mesmo
qualquer espécie ou grau de sentimento”, compreende e implica, todavia, um
conveniente estado de todos os desejos, apetites, paixões, propensões, emoções, e
toda espécie e grau apropriado de sentimentos convenientes. Conquanto, como ele
declarou, “os estados da sensibilidade são, como os da inteligência, estados
puramente passivos da mente”, ainda quando se rebelam e lutam contra os ditames
da inteligência e os protestos da consciência, e as decisões da vontade, prejudicam a
perfeição do sacrifício que o homem se obriga a fazer de todo o seu ser para Deus, e
a rebelião não se coaduna com a ideia bíblica da santificação completa. Embora seja,
como Finney ensinou, “um estado voluntário da mente”, inclui também uma
condição de todo o ser que é muito mais do que pode ser afetado pela volição. (Ver
Elements of Theology de Lee, págs. 212, 213).

(2) Se, como Finney argumentava, o homem possuísse absoluta liberdade de


vontade para escolher o certo e rejeitar o errado, e essa escolha, quando feita lhe
assegurasse a santidade e a santificação, seguir-se-ia logicamente que qualquer
homem pode regenerar e santificar-se num só momento, por um simples ato da
vontade. Nada pode estar mais em contradição com o ensino das Escrituras sobre
este assunto da santificação, ou com toda a experiência humana.

(3) Assegurar que o crente em Cristo, em todo a o moral, e tão bom ou mau como
pode ser, e que o menor pecado súbito de um cristão fervoroso atira-o ao nível do
pior pecador, é uma impostura demasiado grande para que possa ser acreditada ou
aceita.

Disse um formando do Seminário de Oberlin, hoje doutor em teologia, ao autor:


“Segundo a teoria da ação moral de Oberlin, um cristão qualquer com diligência
pode, as revezes, tornar-se um santo perfeito ou um pecador absoluto, uma dúzia
de vezes por dia. Confesso que não posso aceitar tal teoria de caráter moral”.
Finney diz que estes estados pecaminosos ou santos “podem suceder-se
indefinidamente no meu entender”. (Systematic Theology, pág. 114).

Esta teoria “intermitente”, “alternada”, vibratória do caráter moral opõe-se


certamente ao testemunho unânime de multidões de cristãos imaturos, mas

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sinceros, que estão cientes dos lapsos que suas consciências condenam como
pecado. Dizer-lhes, após um momento de arrependimento e oração, que eles são
perfeitamente santos, seria zombar deles: dizer-lhes, na primeira demonstração de
ira, a primeira palavra imprudente, de que se arrependerão, que portaram-se da
pior maneira possível e abandonaram de todo sua religião e seu Salvador, e
classificaram-se entre os que se rebelam contra Deus, e afirmar outra vez a que as
suas consciências morais prontamente ressentirão. Algo não está certo nas
premissas ou na conclusão, pois a todo da teoria contradiz a consciência comum da
humanidade. Há multidões que amam a Jesus e estariam dispostos a morrer por
Ele, e tem o testemunho do Espírito quanto à sua fi1iação; porém, coma os gálatas,
sabem que há um conflito dentro deles, “porque a carne milita contra a Espírito, e o
Espírito contra a carne” (Gálatas 5:17), que não são integralmente espirituais, mas
carnais, e recém-nascidos em Cristo. Sabem que estão vivendo uma existência mista
de pecado e virtude. Como escreve o Dr. Daniel Steele, da Universidade de Boston:
“Em todas as eras, e em todas as terras cristãs, sempre e em toda parte, ressoa o
gemido de almas realmente regeneradas, lamentando o antagonismo, com o amor
divino, descoberto nelas sob a iluminação do Espírito Santo. Ao passar da morte
para a vida, entraram em conflito, não apenas com o mundo e Satanás, mas
também com a carne — as tendências perversas de suas próprias naturezas. Ora,
deve-se dar um dos três casos: ou (1) estes todos cometeram um engano ao se
chamar em regenerados; (2) apostataram; ou (3) são verdadeiramente regenerados,
enquanto lutam contra os remanescentes da mente carnal. Aceitar a primeiro e
afirmar que estão equivocados todos os crentes a respeito do ponto mais vital — a
filiação de Deus. Aceitar a segunda suposição é declarar a apostasia da igreja em
cada um dos seus membros, logo após a conversão — espantosa hipótese. A
terceira alternativa salva a igreja das teorias da decepção e da apostasia, e está em
perfeita harmonia com o testemunho universal” (Love Enthroned, pág. 40).

Incontestavelmente, há algo errôneo nesta filosofia a respeito do pecado e da


vontade. Se a nossa natureza ou constituição é perfeita, então as crianças que
morrem em tenra idade não necessitam de salvação. Não terão parte no “Hino do
Amor Redentor”; podem apenas festejar a graça de uma morte prematura. Se for
‘depravação física’, ao invés de moral, poderemos dizer: Muito bem, então a
depravação física deve ser corrigida, antes que possa haver uma vida pura,
aceitável a um Deus santo. Se não há mistura de bem e mal no caráter, nem
coexistência de virtude e pecado na vida como afirma a consciência prevalecente

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dos bons, mas é apenas, como Fairchild ensina, a mistura da alternação, rápida
demais para registrar-se na consciência (Moral Philosophy, pág. 94), somos impelidos
a perguntar, com o Dr. Daniel Steele “se Jesus Cristo tem salvação imediata da
mistura da alternação?” É da mistura, ou qualquer que seja o seu nome, de que os
corações cristãos estão procurando ser libertados em toda parte.

A crítica mais severa que se pode fazer a esta filosofia é que ela obsta a obtenção, ou
o ensino, da experiência bíblica da santificação. Notavelmente útil como foi aquele
homem amado de Deus, o Presidente Finney, não posso senão crer que ele teria
levado muitos mais à experiência da santificação, caso tivesse adotado uma
filosofia diferente. Ele próprio experimentara batismos maravilhosos do Espírito
Santo, que o tornaram um exemplo ao mundo de “santidade e poder”, tema deste
livro. Sob a influência deles, tornou-se o mais poderoso pregador do evangelho
para os pecadores, que o nosso século jamais produziu em qualquer terra. Foi
chamado e bem merece o título de “Príncipe dos Evangelistas”. Quando, porém,
procurava levar outros a uma experiência espiritual semelhante a sua, algo se
interpunha o Rev. Asa Mahan, D.D., LL. D., primeiro presidente da Faculdade
Oberlin, em sua Autobiografia (págs. 245-249), dá-nos uma ideia do problema:
“Ninguém, creio, jamais disciplinou os crentes tão severamente e com paciência tão
intensa e incansável como meu irmão Finney. Apavorado com as apostasias que se
seguiam aqueles reavivamentos (1831-1832), envidava os mais fervorosos esforços
para induzir os crentes a permanência na vida divina. Para realizar isto, só conhecia
um método: renúncia absoluta e decidida ao pecado, consagração a Deus e
propósito de obediência. (Tudo trabalho da vontade — mero esforço humano).
Durante o seu pastorado na capela em Chatham Street, Nova Iorque, por exemplo,
realizou, semanas a fio, reuniões especiais em sua igreja para o aperfeiçoamento
desta obra, e nunca um grupo de pobres criaturas submeteu-se a um processo mais
severo, de disciplina. Anos depois, conforme me esclareceu o pastor deles, aqueles
crentes afirmavam que nunca mais se recuperaram da fraqueza e exaustão interna
que resultara da terrível disciplina a que os submetera Finney, e fora apenas isso
que haviam lucrado com seus esforços.

Quando chegou a Oberlin, e entregou-se aos deveres do magistério, sentia que


Deus lhe dera uma abençoada oportunidade de realizar, com perfeição, o seu ideal
de um ministério para as igrejas. Tinha diante de si um grupo de estudantes de
teologia talentosos e promissores, que tinham confiança implícita na sabedoria de

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seu mestre, e com igual sinceridade seguiriam suas instruções e admoestações. Ele
então, durante meses sucessivos, reuniu aqueles estudantes em épocas
determinadas, instruindo-os meticulosamente a respeito da natureza da renúncia ao
pecado, consagração a Cristo e propósito de obediência, que se lhes exigia.

Depois, com seus ensinos e admoestações, eles renovaram suas renúncias,


consagrações e propósitos de obediência, com toda a intensidade e firmeza de
resolução de que suas naturezas eram capazes. O resultado, em cada caso, foi um
só e o mesmo: não uma nova vida, e gozo, e paz, e poder que se antecipava, mas
uma servidão gemedora sob a lei do pecado e da morte. No começo, e durante o
decorrer de cada reunião, suas confissões e renúncias, suas solenes consagrações e
votos de obediência, se renovavam, se possível, como maior determinação ainda do
que antes. Todavia, cada reunião se encerrava com a mesma canção elegíaca:

“Olhai como aqui em baixo rastejamos”,


ou
“Onde a bênção que eu conheci,
Quando ao Senhor primeiro vi?”
ou
E “Volta, ó Pomba Santa, Volta!”

Enquanto saiam, não eram cantos de gozo e alegria que se ouviam, mas os gemidos
que se tornavam cada vez mais perceptíveis. ‘Seguiam, e seguiam firmes’ após a lei
da retidão, mas não alcançavam a lei da retidão. Por que? Porque não a buscavam
pela fé, mas, isto sim, pelas obras da lei; quer dizer, por esforços e determinações
originários deles próprios...

“O irmão Finney, e os seus ensinos naquela época, até este ponto estavam certos.
Na ausência de uma renúncia total do eu e do pecado, de uma consagração plena e
total de todo o ser e posses a Cristo e Seu reino e glória, e uma aceitação sincera da
vontade de Deus como a lei absoluta da vida presente e, futura, sem essas coisas, o
Espírito Santo nunca será recebido; Se o converso ou crente, porém, faz apenas tais
renúncias, consagrações e propósitos, nunca avançará um passo sequer na direção
de seus alvos, mas permanecerá, em meio às resoluções não cumpridas, um
lamentoso prisioneiro sob a lei do pecado e da morte” (Mahan, AutobiogrGlphy,
págs. 245-248).

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Não seria necessária uma ilustração melhor para provar a presteza de minha
atitude.

É esta proeminência, relativamente indevida, dada a vontade, que prejudicou


fatalmente o sistema Oberlin de pensamento sobre estes assuntos. Evidenciaram-se
nas instruções de Finney aos seus estudantes de teologia — mais renúncias mais
consagrações solenes, mais votos de obediência, — pobres esforços humanos no
querer e fazer para garantir o “estabelecimento” do querer certo e do fazer certo,
em lugar de dizer aos estudantes para tomarem o Espírito Santo e Jesus, pela fé,
como seu Santificador para neles “querer e fazer”. Este é o único poder guardador.
Os apóstolos e os discípulos primitivos, quando “cheios do Espírito Santo” — e só
então — foram purificados e conservados.
Mas esta ênfase sobre a vontade tornou-se tão inveterada e tão gravada na teologia
Oberlin, que penetra em suas definições. Quatro vezes, no espaço de duas páginas
em sua Systematic Theology (págs. 404, 405), Presidente Finney define a santificação
como “inteira consagração”. Presidente Fairchild segue a mesma linha de
pensamento e faz a santificação consistir de “confirmação” da consagração, de sorte
que não haja mais “alternação da vontade”. Trata-se de uma imprudente confusão
de ideias nestes grandes homens. Consagração não é santificação, e não pode haver
confirmação dela, por mais permanente que seja. Consagração é apenas a condição
para a santificação, mas não a santificação em si. A consagração é a parte do
homem na obra preparatória — ato inteiramente humano; a santificação e ato de
Deus. A consagração é o ato de auto-devotamento do homem ao serviço e à glória de
Deus; a santificação é o ato pelo qual Deus purifica o crente. Como prova, ouvi a
oração de Jesus ao Pai: “Santifica-os na verdade” (João 17:17), e Paulo: “O mesmo
Deus da paz vos santifique em tudo” (I Tessalonicenses 5:23). Não se fala aqui em
depender de renúncias, e votos e consagrações, para a santificação. Tais instruções
ao pobre crente agonizante, que anseia pela santidade, é como dizer a alguém que
caiu num poço: suspende-te com tua própria cinta. Até o dicionário de Webster,
absolutamente imparcial em suas definições, vem apoiar-me nesta definição entre a
consagração e a santificação. Define a segunda como “o ATO DA GRAÇA DE DEUS
pelo qual as afeições do homem são purificadas, ou separadas do pecado e do
mundo, e exaltadas a um supremo amor para Deus; também, a condição de estar
assim purificado ou santificado”. “Deus nos escolheu desde o princípio para a
salvação, pela santificação do Espírito” (II Tessalonicenses 2:13).

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Esta definição do dicionário faz lembrar-me de mais dois equívocos no ensino de


Oberlin, demonstrando que os lexicógrafos são mais exatos do que os teólogos,
mesmo no próprio campo de pensamento escolhido por estes.

(1) “A santificação é o Ato da Graça de Deus” diz o dicionário. Mas Fairchild inicia
seu capítulo sobre a santificação assim: “O crescimento e a confirmação do crente, o
desenvolvimento das graças do evangelho nele, chama-se santificação...” “Podemos
usar a palavra no sentido teológico, como termo conveniente para designar o
crescimento cristão, e o progresso e a confirmação” (Elementos de Teologia, pág. 280).
Este “crescimento” isto é este método de crescimento, pela obtenção de mais
conhecimento, e mais experiência, e melhores hábitos, e mais estabilidade, mesmo
para a “confirmação do crente”, é o meio pelo qual nenhum homem jamais
alcançou santificação. Este método de “crescimento” pelos trabalhos e estorços do
homem difere do método de Deus de santificar por um único de Seus próprios atos
todo-poderosos toto coelo. A igreja primitiva permaneceu em oração dez dias,
aguardando o Espírito santificador de Deus. “De repente” Ele veio, e desde aquele
momento se tornaram santificados. Diz o Dr. A. J. Gordon: “A posse do Espírito
obriga-nos irrevogavelmente à separação do pecado. Pois, que e a santidade, senão
uma emanação do Espírito de santidade, que habita dentro de nós? Uma vida
santificada e, portanto, a marca ou impressão do Seu selo. É-lhe impossível possuir-
nos sem o Seu sinal, o selo da santidade. ‘O selo do diabo nada tem a ver com o
distintivo de Deus’. A grande função do Espírito no plano da dispensação presente
é comunicar Cristo à Sua igreja, que é o Seu corpo. E que coisa em Cristo é tão
verdadeiramente essencial como a santidade? ‘NEle não existe pecado; todo aquele
que permanece nele não vive pecando’ (I João 3:5). O corpo só pode ficar sem
pecado pela comunhão ininterrupta com a Cabeça; a Cabeça não manterá
comunhão com o corpo a não ser que seja santo” (Ministry of the Spirit, págs. 79, 80).

Estes discípulos receberam o Espírito de santidade, foram santificados,


“comprometidos irrevogavelmente à separação do pecado”. Entretanto, escreve
Fairchild (pág. 285): “Não parece haver base nas Escrituras para a ideia de uma
experiência definida, como um segundo nascimento, que demarque a linha entre o
estado santificado e o não santificado”. O homem terá de ler a Bíblia através dos
óculos de uma filosofia muito obscurecedora para não ver que houve uma
“experiência bem definida” no Pentecostes. Quem quer que compare o Pedro do
Pentecostes com o Pedro da sala de julgamento há de ver que algo lhe aconteceu de

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bem “definido” e, com poder transformador, chegou até os próprios elementos do


seu ser. E isto lhe sobreveio por um único “ATO” santificador do Espírito de Deus
numa manhã de domingo.

(2) Webster define a santificação como “O ato da graça de Deus pelo qual as
afeições dos homens são PURIFICADAS”. O sentido primitivo da palavra original é
“limpos”, “depurados”. Entretanto, ao definir ou examinar a santificação, Fairchild
não fala em limpeza ou purificação. Na verdade, segundo esta filosofia, nada há que
deva ser purificado. Contudo, a sensibilidade pode fomentar a sua corrupção e
contaminar, com sua impureza mefítica, a vida inteira, mas isso não importa; é
preciso apenas “confirmar” a vontade e curar a “alternação”! Por sinal, isso não tem
semelhança com a linguagem bíblica. “Então aspergirei água pura sobre vós, e
ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os nossos ídolos vos
purificarei” (Ezequiel 36:25). A “água pura” era um emblema do Espírito Santo,
que deveria ser derramado sobre os crentes com poder santificador: Seu primeiro
trabalho era purificar; e então porei o meu Espírito dentro de vós, e farei que andeis
nos meus estatutos, e guardareis os meus julgamentos e os fareis” (Ezequiel 36:27).
O método de Deus era primeiro “purificar” o coração pela obra santificadora do Espírito
Santo, depois a vontade seria confirmada em sua lealdade a Deus. Não há outra verdade
revelada nas Escrituras, ou testificada pela experiência humana.

Fairchild argumenta ainda contra a noção de uma elevação “sub ita” da alma para
uma vida de santidade: “Como se o peregrino encontrasse um atalho para as
Deleitáveis Montanhas, sem passar através do Lamaçal do Desânimo ou do Vale da
Humilhação. O evangelho abre a única estrada real para tais realizações, e guia ao
longo do conhecido caminho da fé e da paciência. Não proporciona um elevador
espiritual para levar-nos as alturas da visão espiritual” (pág. 283). Seria resposta
suficiente dizer: “Pentecostes”, cuja repetição seria um maravilhoso “elevador
espiritual” para a igreja de hoje; e o Pentecostes foi “súbito”.

Poderíamos responder outra vez apontando para o testemunho de John Wesley, o


qual, viajando e pregando durante cinquenta anos, quatro, cinco ou seis vezes por
dia, e examinando seus grupos e classes, conheceu a experiência interior dos
corações cristãos tão bem como os maiores missionários desde Paulo. Mantinha um
diário, e coligia tatos com tanto entusiasmo como Darwin ao estudar os vermes, e
eis o resultado: “Somente em Londres encontrarei seiscentos e cinquenta e dois
membros que foram extremamente claros sobre sua experiência, e de cujo

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testemunho não tenho razão para duvidar... E cada um deles (depois de meticulosa
pesquisa, não encontrei uma só exceção, na Inglaterra ou na Irlanda) declarou que
sua libertação do pecado foi instantânea; que a transformação foi operada, num
momento. Se a metade deles, ou um terço, ou um vigésimo, tivesse declarado que a
mudança foi gradual, eu a teria acreditado, e pensaria que alguns foram
gradualmente santificados, e outros instantaneamente. Mas como não encontrei, em tão
longo espaço de tempo, uma só pessoa que assim falasse — pois todos os que se
julgam santificados, declaram unanimemente que a transformação foi operada num
memento — não posso senão crer que a santificação é comumente, se não sempre,
uma obra instantânea” (J. A. Wood, Perfect Love, pág. 74).

Aí novamente, escreve Fairchild: “Tem-se apresentado a ideia de receber Cristo


como nossa santificação numa segunda experiência, como a recebemos para a nossa
justificação na experiência da conversão não há fundamento para tal ideia” (pág.
286). Que resposta necessita esta afirmação senão apontar para o fato de que todas
as pessoas mencionadas no Novo Testamento, ao receberem o Espírito Santo,
tiveram uma maravilhosa SEGUNDA EXPERIÊNCIA, que foi considerada de
absoluta importância?

Daremos a testemunho do Dr. Mahan, primeiro presidente da Faculdade Oberlin.


Converteu-se aos dezessete anos, e durante os dezoito anos seguintes, como
seminarista, pregador e presidente do seminário levou uma vida de rara utilidade
cristã, vendo dois mil de seus conversos unirem-se às igrejas. Foi então que buscou
e obteve o batismo do Espírito Santo, e viveu nessa experiência abençoada durante
cinquenta anos.

Eis o que ele escreve: “Durante meus primeiros dezoito anos de converso, vivi e
caminhei na fraca luz crepuscular da meia-fé, que conhece integralmente Cristo na
esfera da ‘justificação pela fé’, mas quase nada sabe sobre Ele na esfera da –
‘santificação pela fé’, sendo absolutamente ignorante dEle na promessa: ‘ele vos
batizará com o Espírito Santo e com fogo’. Durante os cinquenta anos subsequentes,
tenho tido a graça de “caminhar com Deus”, naquela esfera de luz solar sem
sombras em que ‘somos completos em Cristo’, e O conhecemos como nossa
sabedoria, justiça, santificação e redenção” (Forty Witnesses, pág. 223). “Foi uma
passagem instantânea do crepúsculo turvo para o meio-dia sem nuvens”. “A
santificação, como o perdão, conheci-o por experiência, é uma obra instantânea.
Propensões que desde a infância, e não menos durante os primeiros anos de minha

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vida cristã, do que durante a minha impenitência, tinham assumido absoluto


controle quando fortemente excitadas, estas perderam num momento e para
sempre, o seu poder, sendo suplantadas por um Espírito renovado e perfeito, de
caráter oposto. Se sei alguma coisa, sei que estou “pela cruz de Cristo crucificado
para o mundo, e o mundo para mim” (Autobiography, pág. 295). “Por exemplo,
durante meus primeiros dezoito anos de vida cristã, mantive a mais deliberada
guerra contra aquele mau gênio; entretanto, quando subitamente provocado,
encontrava-me, e isso invariavelmente, traído em palavras e atos dos quais teria de
me arrepender, e confessar como pecados. Quantas vezes exclamei: ‘Oh, miserável
homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?’ E os meus esforços e
as minhas resoluções mais determinadas não resultavam em qualquer aumento
aparente de domínio sobre estas inclinações” (Forty Witnesses, pág. 227).

Durante estes últimos cinquenta anos deixei de perceber, quase, e poderia dizer
completamente, a existência daquelas inclinações malignas, as quais, durante os
dezoito anos precedentes ‘militavam na minha carne’ (Tiago 4:1), e tantas vezes me
tornavam um cátivo gemedor, sob a lei do pecado e da morte. Por exemplo, numa
única ocasião, durante todos estes cinquenta anos, percebi um aumento do mau
gênio, a mais forte de todas as minhas inclinações, e isso não foi senão um instante,
e ocorreu há trinta ou quarenta anos, sem que ninguém suspeitasse do fato, a não
ser eu próprio (Forty Witnesses, págs. 231, 232).

Que infinita bênção seria para a causa e o reino de Cristo se essa “segunda
experiência” sobreviesse a todos as crentes! Como escreveu o devoto Dr. A. J.
Gordon: “Dizer que, ao receber Cristo, necessariamente recebemos, no mesmo ato,
o dom do Espírito, e como confundir o que as Escrituras fazem distinto. A mesma
razão pela qual aceitamos o Espírito para o Seu ministério especial, e aquela que
nos faz aceitar o Senhor Jesus para o Seu ministério especial. Pois é como pecadores
que aceitamos Cristo para a nossa justificação, porém é como filhos que aceitamos o
Espírito para a nossa santificação” (Ministry of Spirit, págs. 68, 69). Todavia,
Fairchild declara que “não há fundamento” para estas “segundas experiências”
(quer dizer, em sua filosofia). Muito bem, tanto pior para a filosofia dele. Deus
permita que multidões de cristãos possam obter esta bendita “segunda
experiência”, com ou sem “fundamento” em qualquer sistema humano de filosofia
ou pensamento.

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Novamente transcrevemos Fairchild (página 287): “Mas esta confirmação ou


permanência, quando obtida, não se pode revelar a consciência”. Eis aí a falsa ideia
da “confirmação ou permanência” introduzida na concepção da santificação; e o
fato de que ela não poderia revelar-se à consciência é usado para desacreditar o
todo da experiência. Os próprios anjos do céu, provavelmente, nunca atingiram
uma “consciência da confirmação ou permanência, pois eles caíram, e Adão caiu,
todos tendo sido santos uma vez. Tendo diante de mim trinta volumes sobre este
bendito tema da “santificação” e nenhum dos autores pretende ensinar que exista
um estado de graça accessível nesta vida do qual um filho de Deus não possa cair.
Mas a santificação, como o ensinam as Escrituras, e todos os autores reconhecidos e
acreditados, é uma experiência que se pode conhecer. Diz Mahan: “Estou tão
consciente dela como de minha própria existência”. O Bispo Randolph S. Foster é
um estudioso profundo, “um perito na análise dos fenômenos mentais, hábil no uso
correto do vocabulário psicológico”. Disse-me um clérigo de Boston, no verão
passado, que ele era o mais profundo teólogo da igreja metodista. Eis o que esse
grande homem escreve sobre sua própria experiência cristã adiantada: “Aqui
novamente o Espírito parecia guiar-me até o santuário mais íntimo de minha alma
— até as câmaras em que eu descobrira tanta impureza, e mostrou-me que tudo
estava purificado, que as corrupções que me humilhavam tinham cessado —
tinham sido removidas — que não restava uma só delas. Sentia a verdade do
testemunho; era assim; estava cônscio dela, como jamais estivera de minha própria
conversão. Operara-se uma mudança no meu coração — mudança radical, de que
era consciente. Não me achava peculiarmente exercitado, mas estava transformado.
Era uma nova criatura; meu coração ingressara numa existência nova e mais
elevada. Isto era tão evidente como a transição das trevas para a luz” (Defense of
Christian Perfection, pág. 63). Não obstante o ensino de qualquer escola contraria de
filosofia, manifestamente existe uma santificação, um ingresso “uma existência
nova e mais elevada”, que se registra na consciência.

Outra noção não bíblica Se acha na definição e concepção fundamental de Fairchild


sobre a santificação que — ele chama de um “termo para designar o crescimento, o
progresso e a confirmação cristã”. A ideia bíblica e sermos santificados —
purificados do pecado, para que possamos crescer nas graças cristãs, como se
arrancam as ervas daninhas do jardim, para que as flores possam crescer. O autor
que examinamos, inverte, porém, a ordem, e diz que, assegurando-se a todos os
cristãos “crescimento, progresso e confirmação”, serão eles santificados. As

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Escrituras nos ordenam que “cresçamos na graça e no conhecimento de nosso


Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Mas a mesma palavra grega que significa “graça”,
é usada sobre Jesus em Lucas 2:52: “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça,
diante de Deus e dos homens”. Jesus podia aumentar o Seu crescimento
incomparável porque não tinha nenhum pecado no coração — nada de mau que
pudesse prejudicar o desenvolvimento das graças do Espírito. Nossas igrejas, estão
cheias de cristãos infantis porque, como o apóstolo Paulo escreveu ao coríntios, são
“carnais e andam segundo o homem” (I Coríntios 3:3).

A ordem divina para o desenvolvimento cristão é primeiro, pureza; depois,


crescimento para MATURIDADE. Se todos os membros de nossas Igrejas
buscassem uma “segunda experiência”, tal como será descrita neste livro — a obra
santificadora e purificadora do Espírito Santo — não se ouviria falar de tantas
igrejas fracas e mundanas; porém, contemplaríamos multidões de cristãos robustos,
homens e mulheres como Barnabé: “Era homem bom, cheio Espírito Santo e de fé. E
muita gente se uniu ao Senhor”.

“Diz Mahan em sua Autobiography (página 391): Quão frequentemente é declarado


em oposição à doutrina da salvação plena, e especialmente à ideia de sua obtenção
imediata e completa; creio no CRESCIMENTO NA GRAÇA. Objeção idêntica foi
apresentada por um importante ministro num congresso sobre a santidade bíblica,
realizado em Freemasons Hall na Inglaterra. ‘Dir-nos-eis, francamente’, perguntou
o presidente do congresso, ‘se estais cônscio de tal crescimento em vossa própria
experiência?’ ‘Tenho crescido no conhecimento’, foi a resposta, depois de um
memento de reflexão. ‘Mas estais realmente consciente de crescimento na graça,
durante os anos que se passaram?’ ‘Tenho crescido no conhecimento’, foi a segunda
resposta. ‘Dir-nos-eis agora, francamente, se estais consciente de crescimento real
na espiritualidade durante os vários anos de que tratamos?’ ‘Não estou consciente
de crescimento real na santidade durante estes anos’, foi a resposta final. Entre os
que objetam contra a santificação imediata, nem um entre um milhão daria uma
resposta diferente a respeito dos fatos concretes de sua própria experiência. Sob a
ideia de tal crescimento, a maioria do ministério e dos membros das igrejas acham-
se num estado de inércia, ou caminham para trás, em sua experiência religiosa”.
Esta afirmação, pensamos, é por demais forte. Há, porém, uma triste verdade nela.

O Presidente Fairchild, no parágrafo final sobre a santificação, observa: “Uma das


inferências e conclusões perniciosas da doutrina da santificação instantânea, por

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uma experiência especial, é que existe uma forma de vida religiosa que está muito
abaixo da santidade, um estado de justificação, não de santificação... Não é possível
livrar, parece-nos, a doutrina da santificação especial, qualquer que seja a sua
forma, contra esta falsa impressão”. Aqui, afinal, nas últimas sentenças, está o
ponto crucial da matéria, conforme jaz em sua mente, isto é, não há “santificação
especial” a parte da justificação.

Isto nos faz lembrar da ramosa História da Irlanda, escrita por um humorista. O
título de um dos capítulos era: “Serpentes na Irlanda.” O conteúdo todo do
capítulo: “Não há serpentes na Irlanda”. A teologia de Fairchild poderia ter sido
abreviada assim: “Capítulo XXIII A Santificação. Conteúdo: Não há santificação
especial distinta da justificação”. O leitor crítico verifica que este e o tom e o teor de
toda a discussão. Que teólogo parvo e ignorante foi o apóstolo Paulo! Nove vezes
ele ora pela santificação dos cristãos nas várias igrejas: treze vezes seus lábios
inspirados ordenam aos cristãos que se entreguem a santificação, a perfeição e a
santidade. Como estava enganado! Não deveria ter alimentado essa “falsa
impressão” — “a doutrina da santificação especial”, depois da justificação. Mas não
devemos ser demasiado duros para com o velho apóstolo amado, que
costumávamos admirar como entre as maiores teólogos. Paulo viveu há muitos
séculos atrás, numa era de trevas, e embora tivesse Jesus como professor, não teve a
privilégio de ler teologia moderna sobre a doutrina da santificação.

Mas se o autor moderno, que agora revisamos, tem razão, então estamos colocados
entre duas alternativas: (a) ou não há cristãos, (b) ou os milhões de membros de
igreja, com suas faltas, fraquezas e pecados, que eles lamentam, e pelos quais oram,
arrependidos, em repetições incessantes, estão todos santificados. Ambas as
suposições tocam as raias do absurdo. Mahan faz a seguinte comentário notável:
“Nenhuma doutrina pode ser menos bíblica, ou mais manifestamente antibíblica do
que esta, de que todos os crentes estão, nesta dispensação, batizados com o Espírito
Santo no momento de sua conversão. Se compararmos o estado atual de nossos
conversos com os resultados revelados no “batismo do Espírito Santo”,
perceberemos que noção mais absurda jamais perpassou pelo cérebro humano do
que a ideia de que estes conversos, ou mesmo um em um milhão deles, receberam
este batismo’ (Autobiography, pág. 362).

O Dr. Daniel Steele, ao examinar os ensinos do residente Fairchild, diz: “Detivemo-


nos bastante nesta identificação malévola da santificação completa com a

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justificação; (1) Porque tende a fazer com que os cristãos novos abandonem sua
confiança em Cristo, quando descobrem que o pecado ainda se oculta neles. (2)
Segundo esta doutrina, os que estão firmes em Cristo são impedidos de ver o
grande e glorioso privilégio da salvação plena possível nesta terra, sendo
abandonados a um estado espiritual pobre e misto. (3) A contagem dos membros
da igreja cristã em todo o mundo seria reduzida de milhões para unidades; pois, se
esta doutrina é verdadeira, devemos contar como regenerados apenas os que
experimentam santificação completa no novo nascimento” (Love Entroned, pág. 48).
John Wesley escreveu: “Não sabemos de um único exemplo, em qualquer parte, de
alguém que recebesse, num único mesmo momento, a remissão dos pecados, a
presença do Espírito, e um coração puro” (Plain Account of Christian Perfection, pág,
34). William Bramwell escreveu certa vez a um amigo: “Difunde-se a ideia de que,
ao sermos justificados, somos inteiramente santificados. Pode ter certeza, essa e a
grande arma do diabo”. Quem suspeitaria que os teólogos de Oberlin a estariam
disparando?

A meu ver, a mais severa crítica a esta filosofia e teologia de Oberlin foi feita, não
por um crítico de fora, porém, sem que ele o soubesse, pelo próprio Presidente
Fairchild. A 29 de julho de 1875 em Oberlin, diante do Instituto Teológico, ele leu
um trabalho sobre a “Doutrina da Santificação em Oberlin”, posteriormente
publicado no “Congregational Quarterly”, em abril de 1876, e depois reimpresso
em forma de panfleto, que tenho em mãos. Neste trabalho ele apresenta uma
história clara e sucinta do desenvolvimento da doutrina em Oberlin, através de
suas várias etapas, até chegar à sua morte prematura. Primeiro houve um grande
reavivamento em 1836, em Oberlin, sob a orientação de Mahan e Finney, como
resultado do qual a santidade pessoal se tornou o grande tema (págs. 5, 6). O corpo
docente inteiro buscava a bênção mais plena possível. Mahan recebeu o seu grande
batismo do Espírito — “o ponto culminante de sua vida cristã” (pág. 6). Como
Wesley, chamou-o “perfeito amor”, “perfeição cristã”. O Professor Finney chamou
a experiência de “santificação”. O Professor Morgan chamou-a “O dom do Espírito
Santo”. O Professor Cowles chamou-a “a santidade dos cristãos na vida presente”.
“A ideia era essencialmente a mesma sob várias formas de expressão, isto é, podia-
se obter uma experiência na vida cristã, subsequente em geral à conversão, em que
o crente se eleva a um plano superior, conquista novas visões de Cristo e Sua
salvação, obtém vitória sobre fraquezas que antes desfiguravam seu caráter, e
consegue uma estabilidade que lhe era antes estranha”. (pág. 7) “Uma compreensão

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mais distinta e mais elevada de Cristo como Libertador do poder do pecado, bem
como do seu castigo, era aceita não apenas teoricamente, mas extensivamente
realizada na prática”. ... “Havia notáveis transformações de caráter relacionadas
com o trabalho, grande aumento do poder e energia espiritual, cujos efeitos em
alguns casos, permaneceram até hoje”. (pág. 9).

Então a nova doutrina da Simplicidade foi introduzida em Oberlin em 1841, por


William Cochran. “Uma das consequências mais óbvias da doutrina é que a
conversão e consagração completa; que a primeira obediência do pecador
convertido e obediência completa, e que seu estado moral é inteiramente aprovado
por Deus” (pág. 14); que “na verdade, não há justificação sem santificação” (pág.
15). “Segundo esta doutrina, todo crente está santificado” (pág. 15). “Todos os
cristãos, enquanto no exercício da fé, estão santificados, não existindo distinção
clara entre os simplesmente santificados e os permanentemente santificados”.
(págs. 16, 17). “Apareceram logo as incompatibilidades” entre esta nova “teologia
Oberlin” e a “doutrina da santificação especial” anteriormente adotada e
experimentada (pág. 18). Os professores Finney e Cowles, e o presidente Mahan,
jamais poderiam adaptar sua “santificação” as novas teses (págs. 18-24). “Foi-se
tornando cada vez mais assunto de dúvida se a busca da santificação, como
experiência especial, deveria ser totalmente estimulada, e, em geral, não era motivo
de satisfação quando um jovem se entregava à procura da “bênção”; e quando lhe
parecia ter obtido o que procurava, acontecia haver menos confiança de que ele
tivesse feito progresso substancial” (págs. 11, 12). “Ouvia-se dizer que pessoas que
vinham de Oberlin, afirmam ter esperado durante meses e até anos para ouvir um
sermão sobre a doutrina da santificação” (pág. 12). “Dentre todas as teologias ora
prevalecentes, a de Oberlm é a menos ajustada para produzir uma doutrina da
santificação imediata; e na medida que esta doutrina agora prevalece entre nós em
círculos limitados, e apoiada, não pela teologia de Oberlin, ou pelo ensino ou
pregação de Oberlin, mas pelos escritos, periódicas e ensinos introduzidos de fora,
especialmente da escola wesleyana” (pág. 25).

Leio tudo isto, e digo com não fingida tristeza: Tanto pior para a teologia de Oberlin!

Diz o Rev. Sheridan Baker, D.D., que passou diversos anos estudando este grande
tema e escreveu diversos volumes sobre ele: “Nunca, desde que o metodismo
existe, apresentou ele tantos membros apóstatas e de espírito mundano, como
desde que esta heresia se proclamou entre o seu povo. Se a regeneração e a

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santificação se realizam ao mesmo tempo e sempre coexistem, os apóstolos estavam


em erro quando ordenaram as igrejas de seu tempo que se purificassem de toda
imundície da carne e do espírito: e os teólogos tem sempre entendido mal as
promessas de purificação de Deus, quando as tem aplicado aos crentes, ao invés de
aos incrédulos. Aceitar esta heresia moderna é rejeitar os ensinos de toda a
cristandade, durante dezessete séculos sobre o assunto, ignorar as experiências do
povo de Deus em todas as eras, e presumir arrogantemente mais conhecimento do
que jamais se alcançou. Que a purificação do coração e obra do Espírito Santo,
subsequente a regeneração, e o ensino das Escrituras” (Hidden Manna, pág. 98).
“Milhares dos que estão no céu testificaram enquanto no mundo, e milhares dos
que vivem agora testificam que todos os esforços para o seu progresso cristão não
os libertaram da mente carnal; mas quando, abandonando por completo seu auto-
socorro, se entregaram ao Poderoso-para-Salvar, libertaram-se imediatamente das
impurezas do coração, ficando cheios e emocionados com o perfeito amor de Deus.
Em oposição a todo este cortejo de experiências, não existe um único exemplo,
entre os vivos ou entre os mortos de quem se tenha registrado ou afirmado, de
qualquer forma, uma experiência contraditória” (pág. 108).

Depois de vinte e três anos de ausência, o autor mudou-se para Oberlin, que é para
ele o ponto mais querido do globo. Mas ficou logo penosamente impressionado
com o evidente declínio da vida espiritual da cidade, o que se lamentava por toda a
parte. Muitos lhe perguntaram a causa. Ei-la finalmente. Houve tempos em que
todo o corpo docente se curvava diante de Deus, como um só homem, buscando o
batismo do Espírito Santo; o presidente Mahan recebia uma maravilhosa “segunda
experiência”, que a elevava da “piedade crepuscular à refulgência do meio-dia”;
mas não fazem agora, pois tem uma preciosa filosofia que condena tais “segundas
experiências pentecostais”! Antes os jovens buscavam com fervor corações limpos,
de um Salvador que santificava, agora “não é motivo de satisfação quando um
jovem se entrega a procura da ‘bênção’”. (Deus tenha piedade dos jovens afastados
do grande prêmio, por uma filosofia hostil!)

Não há mais pregações sobre o grande tema; nem defesa publica da santidade; nem
uma bandeira tremulando na área do seminário, com a inscrição — “Santidade ao
Senhor”. E podemos ainda acrescentar: — já não há mais o perpétuo Espírito de
reavivamento na cidade e no seminário, com uma centena de convertidos num
único semestre, sem reuniões extraordinárias. Interrompeu-se a reunião regular de

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oração das segundas-feiras à noite; antes, a frequência era tão grande, que se fazia
necessária uma reunião suplementar para os que não podiam tomar parte na
primeira. O autor chegou a ver sete jovens convertidos numa única noite, em
reunião regular de oração dirigida por um seminarista que não chegara ainda ao
meio do curso; viu uma centena se ajoelhar para buscar a Cristo diante da grande
congregação, sem um sermão extra, ou uma reunião extraordinária para oração.

Tais coisas não se tem verificado há vinte anos. Temos agora uma encantadora
filosofia, que torna todos os cristãos santificados, e rejeita todas as “segundas
experiências” como impróprias a nova ordem de coisas. Com elas foi-se o poder
constante do Espírito Santo que fazia de Oberlin a maravilha do mundo cristão.
Não poderia haver um comentário mais incisivo sobre esta filosofia da santificação
universal do que aquele que nos proporciona a lamentação sobre o declínio
espiritual em sua própria casa, e que muito ao longe se ouve. E está-se fazendo
sentir tanto que, há dois anos, o principal pastor disse três vezes do púlpito: —
“Não tenho coragem de encarar o futuro com a nossa atual condição de piedade”.
Ainda ontem o autor ouviu-o orar diante da grande congregação: — “Ó Senhor,
salva-nos de continuar a viver desta maneira indigna e moribunda!” E o presidente
da Faculdade, com o coração partido, marcou reuniões de oração matutinas, bem
cedo, para o corpo docente, as quais deveriam continuar até que Deus viesse
apiedar-se da instituição.

Diante de tudo isto, Deus parece estar dizendo a comunidade: — “Antes


procuráveis, com um só pensamento, uma ‘segunda experiência’ de santidade e o
batismo do Espírito Santo, e Eu Me chegava a vós com amor, e fazia chover a
retidão sobre vós, e concedia ‘a unção que permanece’. Mas agora adotastes uma
filosofia que vos leva a encarar mal esta segunda bênção: muito bem, ficai com
vosso ídolo, e com ele sobrevirá magreza às vossas almas”.

O Presidente Fairchild admite (pág. 9) que, quando daquelas primitivas buscas da


santidade, “praticamente se realizava uma compreensão mais distinta e mais
elevada de Cristo como Salvador do poder do pecado... Havia notáveis
transformações de caráter, grande aumento do poder e da energia espiritual, cujos
efeitos em alguns casos perduram até hoje”. Entretanto, em outro lugar, diz-nos
repetidamente que a teologia de Oberlin, atualmente, “não fornece base” para tal
experiência santificadora! Claro! Que se julgaria de uma filosofia dos céus que “não
tivesse base” para o movimento das estrelas? Que se dirá de uma teologia que não

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tem lugar para as experiências mais elevadas e mais santas das almas humanas?
Estas exaltações celestiais da alma são fatos experimentados por milhares; e tais
fatos devem ser explicados, e provisão feita para os mesmos. Qualquer sistema de
pensamento que procede de modo diferente, será finalmente posto de lado como
espécimen raro de especulação excêntrica. Francamente, Oberlin deveria alterar
algumas de suas premissas, ou as conclusões, ou as inferências de sua filosofia, e
voltar, tão depressa quanto possível, à condição espiritual dos dias passados. Esta
muito necessitada de um suprimento liberal de “santificação imediata”. E toda
urgência é pouca. Até sobre o Presidente Fairchild se informa ter dito a uma classe
de teologia, há menos de dois anos: — “Uma onda de mundanismo inundou
Oberlin. Não estamos fazendo a obra que fazíamos; processa-se aqui um declínio
na piedade”.

Se a teologia agora reinante em Oberlin prevalecesse nos primeiros tempos da


faculdade, Mahan e os professores e os alunos nunca se teriam curvado diante de
Deus, buscando unanimemente o batismo do Espírito Santo. Mas isto é o
equivalente a dizer que esta teologia nunca poderia ter produzido aquela
maravilhosa Oberlin espiritual que uma vez foi. Não é preciso visão profética para
declarar que não poderá melhorar permanentemente nem ao menos manter a
Oberlin de agora. Não seria preciso dizer que homens excepcionalmente capazes e
devotados tem ocupado os púlpitos de Oberlin. E provável que ninguém os tivesse
superado, sob idênticas circunstâncias. Durante mais de vinte anos, porém tem
havido um declínio constante na vida espiritual das igrejas e do seminário. A
tendência atual para o mundanismo, e o afastamento de Deus e a consequente
perda de poder espiritual, são inconfundíveis, e não existe vigor algum nesta
moderna teologia de Oberlm para inventar esta maré vazante de espiritualidade.

Esta teologia tão errada sobre o assunto da santificação destrói o seu próprio ponto
de apoio, tornando-se-lhe impossível elevar as igrejas a um tipo sublime de
piedade. Dizendo aos cristãos — a todos os regenerados — que eles estão “já
santificados” e “tão bons quanto possível”, lisonjeia a mente carnal e corta os
tendões de suas próprias possibilidades de bênção e inspiração de uma vida
superior. Quem quer que creia nela, perderá toda esperança, se não todo desejo, de
aperfeiçoamento. O ministério que a aceitar, ficará irremediavelmente mutilado.
Disse a um amigo meu certo ministro preparado pelo Seminário de Oberlin, que lhe
foram necessários dezesseis anos para recuperar-se dos deploráveis efeitos desta

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falsa teoria. Qual e o ministro que dispõe de dezesseis anos para jogar fora em
ineficiência parcial? O continente todo não poderia proporcionar um terreno mais
favorável do que Oberlin para por a prova o valor desta teoria da santificação. Nem
uma comunidade em dez mil jamais teve tais começos espirituais, ou uma história
tão imbuída dos mais elevados princípios da religião pura. Nenhuma foi mais
notavelmente isenta das influências perniciosas dos males flagrantes do tempo.
Entretanto, foi nessa vinha do Senhor, toda cercada e protegida por uma
providencia bondosa, que a teoria se experimentou, mostrando-se manifestamente
falha, como sempre falhará onde e quando quer que experimentada, pela simples
razão de ser contrária aos inumeráveis e sempre crescente fatos da experiência
humana, ao ensino das Escrituras e as provisões graciosas de Deus para a salvação
plena dos homens.

Escrevo estas coisas com pesar, apenas no interesse da verdade e do reino de Cristo.
Respeito estes grandes homens, que foram meus mestres. Amo minha Alma Mater.
Mas por mais que ela necessite de recursos materiais adicionais, preferiria ver
professores e alunos, e estas igrejas, curvando-se diante de Deus, buscando o
batismo do Espírito Santo, e a santificação pessoal, do que ver o seminário receber
mais alguns milhões de dólares como doação. São numerosas as faculdades que
possuem milhões em dinheiro: Uma grande faculdade e seminário teológico
batizado com o Espírito Santo e a necessidade do momento. Este resumo da
teologia de Oberlin, ensinado pelo Presidente Fairchild, tem sido tão vivo e
completo, que poderá parecer mesclado de sentimentos pessoais, não há tal. Do
Presidente Fairchild e de Oberlin o autor só foi objeto de bondade. É o lugar onde
reside e o lar de sua afeição. Mas o pensamento de que a escola de Finney e Mahan
vem ensinando durante um quarto de século tais teorias sobre a doutrina da
santificação aos estudantes de teologia, que impedirão os jovens ministros de
buscarem o batismo do Espírito Santo, e a consequente “santidade e poder”, é
suficiente para fazer chorar os anjos e os homens. Foi com dor que fizemos este
resumo, para que aquele terrível engano seja corrigido.

Sansão quebrou sua aliança com Deus, como nazireu e revelou o segredo de sua
força ao inimigo. Logo tornou-se “como qualquer outro homem”. “Não sabia ainda
que já o Senhor se tinha retirado dele”. Deus terá o Seu povo peculiar neste mundo,
e uma vez chamou Oberlin para ser esse povo, e derramou Suas bênçãos espirituais
sobre ele com mão pródiga. Permitiu-se que uma filosofia mudasse as condições

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que trouxeram a comunhão constante com o Senhor, a qual era a principal glória de
Oberlin. Seguiu-se um declínio da vida religiosa e, se continuar por uns poucos
anos mais, fará de Oberlin “uma faculdade como qualquer outra”, e repetir-se-á o
caso: “não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele.” Quando isso acontecer, não
haverá mais motivos para que um jovem ou uma jovem cruze terras e mares para
vir estudar em Oberlin. Deus permita que esse miserável dia nunca chegue!

Já disse o suficiente sobre este doloroso assunto para demonstrar como e verdade
que filosofias de grandes e bons homens, que todos amam e reverenciam, podem
ser obstáculo direto a santificação do povo de Deus, última coisa que os seus
próprios autores tinham em mente. Farei apenas mais uma observação. O
Presidente Fairchild nos diz em seu opúsculo (pág. 9) que, durante o grande
movimento de santidade em Oberlin “em geral se liam muito as memórias de
James Brainerd Taylor, de Hester Ann Rogers, de Carvosso, e dos irmãos Wesley, e
obras semelhantes, que eram frequentemente citadas no púlpito”, porém agora,
qualquer movimento em prol da “santificação imediata” entre nós, e sustentado,
não pela teologia de Oberlin, ou pelos seus ensinos ou pregação, mas “pelos
escritos, periódicos e ensinos introduzidos de fora, especialmente da escola
Wesleyana” (pág. 25). “E pena que seja verdade!” E a coisa mais sadia que Oberlin
poderia fazer agora seria voltar ao velho hábito de importar outras literaturas sobre
este grande assunto, para corrigir os seus próprios males. Na verdade, poder-se-
iam mencionar facilmente dez ou vinte volumes recém-impressos de fora, que
abririam os olhos dos congregacionalistas em geral, e seriam de grande ajuda para
aclarar sua visão espiritual.

Diz John Wesley: “Em 1729 meu irmão Charles e eu, lendo a Bíblia vimos que não
poderíamos ser salvos sem a santidade. Em 1737, vimos que esta santidade vem
pela fé. Em 1738, vimos, igualmente, que os homens são justificados antes de serem
santificados; a santidade, porém, era ainda o nosso alvo — santidade interior e
exterior. Deus então nos empurrou para fora com a finalidade de fazer suscitar um
povo santo”. Depois de pregar a doutrina da santidade durante meio século, e
vendo milhares trazidos à experiência, escreveu dois anos antes de sua morte: “Esta
doutrina é o grande depósito que Deus confiou ao povo chamado metodista: e
parece que, Ele nos levantou principalmente para propagá-lo” (Double Cure, pág. 4,
e Christian Perfection as Taught by Wesley, pág. 93).

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Esta missão distintiva do metodismo foi reconhecida pelos bispos da Igreja


Episcopal Metodista em 1824, tendo eles dito num discurso ao Congresso Geral: “Se
os metodistas renunciarem a doutrina da santificação completa, ou deixarem que
ela se torne uma letra morta, seremos um povo decaído. A santidade é o principal
vínculo que nos une... A finalidade original do metodismo era levantar e preservar
um povo santo”. (Double Cure, pág. 4). Em 1866, na cidade de Nova Iorque, o Dr.
John McClintack, Presidente do Drew Theological Seminary, nas palavras finais de
seu sermão centenário, disse: “Perfeitamente cônscio do que digo, e assumindo
toda responsabilidade por isso, repito: Somos a única igreja da história, desde os
tempos dos apóstolos, que tem apresentado, como seu pensamento elementar, a
grande ideia que perpassa por todo Livro de Deus, do princípio ao fim — a
santidade da alma, do coração, da mente e da vontade humana. Pode ser chamada
fanatismo; mas, caros amigos, esta é nossa missão. Se nos mantivermos firmes, o
século vindouro é nosso; se nos mantivermos firmes, os triunfos do próximo século
deixarão os do passado na sombra. Aí está nossa missão; aí está nossa glória; aí está
nosso poder: e aí estará a base de nosso triunfo! Deus nos mantenha fiéis” (Defense
of Christian Perfection, pág. 14).

Estas palavras parecem proféticas, quase ao ponto da inspiração o sinal mais triste
no céu religioso e o fato de que tantos ministros e igrejas metodistas estão
negligenciando esta grande ideia central do metodismo. Por outro lado, o sinal
mais brilhante no céu e a multiplicação de acampamentos em prol da santidade, e a
crescente literatura metodista sobre a santidade, e a indicação de homens como
Keen e Dunham para irem de assembleia em assembleia guiar a denominação
metodista de volta para a lealdade dos velhos tempos a doutrina da santidade. Suas
ideias estão certamente ganhando supremacia. O desvio dos presbiterianos de tudo
a que e distintivo no calvinismo, e em direção à posição metodista, e inconfundível
sobre o relatório da Comissão do Credo Congregacional, observou-se: “Seja ele o
que for, calvinista não é”. Os metodistas tem a teologia do futuro, e inegavelmente
estão ganhando numericamente. Com menos de metade da idade dos
congregacionalistas, eles são nove vezes mais numerosos. Durante os últimos cinco
anos, seu aumento foi de duzentos e sessenta e três mil mais do que o número total
dos congregacionalistas, isto após duzentos e setenta anos de história americana.
Esse aumento foi duas vezes e meia maior do que o dos batistas, cinco vezes o dos
presbiterianos, e dez vezes a dos congregacionalistas. Deus aborrece o pecado e
ama a santidade. Evidentemente Seus olhos contemplam, para o bem, aquele povo

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que, com todas as suas deficiências, ainda é o mais amigável de todas as igrejas do
mundo nos ensinos e administração a ideia da santidade como uma experiência
acessível. Se os metodistas sustentarem firmes a “doutrina da santificação
completa”, fazendo-a a experiência viva de seu povo, o prêmio da supremacia
moral e da influência religiosa por certo será deles no século entrante. O Exército de
Salvação ensina a doutrina da santidade como muito mais constância e fidelidade
ainda do que os metodistas; e, com suas excentricidades todas, estão superando a
estes. Começando com uma família metodista há trinta anos, hoje seu número
eleva-se a 1.250.000 membros uniformizados. Insistem num tipo de piedade mais
elevado do que qualquer outra grande denominação, e, seu crescimento não tem
paralelo em todos os séculos cristãos, Deus terá o Seu povo santo.

Há mais de cinquenta anos, Finney, no Volume III, pág. 393, de sua Teologia prestou
um belo tributo aos metodistas, como a única denominação cujos ministros
tratavam com bondade, sabiamente guiando os que buscavam a santidade; por
outro lado, se os “membros mais piedosos das igrejas calvinistas” buscassem ou
proclamassem santificação, eram “imediatamente tratados como hereges ou
fanáticos por seus irmãos, até que, vencidos pelo mal, se tornassem críticos e se
opusessem a igreja”. É exatamente o mesmo agora. Comece um indivíduo, ou um
pequeno grupo de crentes fervorosos, a sentir fome de santidade, e talvez a
consegui-la, e imediatamente serão alvo de zombarias, críticas, repreensões e
perseguições; como dizia John Wesley, “apupados como cães loucos”. É porque o
comum dos ministros, por pura ignorância, não sabem o que fazem com eles, não
percebendo que isso é a indicação mais valiosa da presença do Espírito Santo na
igreja. O próprio Mahan diz que, no princípio de seu ministério, pregava o
evangelho aos impenitentes e levava a Cristo multidões de pecadores interessados;
contudo, “sentia que lhe faltavam qualificações essenciais para as mais altas
funções de sua vocação”. Só depois de receber o “batismo do Espírito Santo” pode
ele “alimentar o rebanho de Deus” e edificá-lo na santidade. Quando é que sairão
de nossos seminários ministros instruídos de tal modo nas coisas divinas, e tão
cheios do Espírito, que serão capazes de alimentar os corações famintos de
santidade do rebanho de Deus, indicando-lhes com sabedoria um Salvador que
santifica, que salva totalmente?

Esta falta de poder do Espírito Santo tem sido a grande causa fundamental do
fracasso espiritual do congregacionalismo não quereria parecer um censor auto-

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indicado de nossa amada denominação. Ela tem realizado um trabalho realmente


nobre como patrono especial de escalas e de cultura. Tem sido a campeã da
liberdade civil e religiosa. Tem estado à frente de todas as outras na obra de
missões estrangeiras não posso esquecer o que lhe devo em amor e estima e serviço.
É porque desejo servir que digo a verdade dolorosa: — para atingir as massas, ela tem
sido um fracasso conspícuo. O Rev. Smith Baker, D.D., de Boston, trouxe ao nosso
conhecimento os seguintes fatos: “No que concerne à Nova Inglaterra, o
congregacionalismo teve vantagem histórica. Foi o primeiro a estabelecer-se, e
durante muitos anos foi quase a única denominação religiosa. Quando do término
da Guerra Revolucionária em Massachussetts, os católicos romanos tinham três, os
“Quakers” tinham seis, os episcopais onze, os batistas sessenta e oito, e os
congregacionais trezentas e trinta. Essa proporção era quase a mesma em todos os
estados da Nova Inglaterra. Isto é, as igrejas congregacionais da Nova Inglaterra, ao
fim da guerra revolucionária, eram aproximadamente quatro para cada uma de
todas as outras denominações. Como será o quadro hoje? Atualmente na Nova
Inglaterra há 1.360 igrejas congregacionais, quatro vezes mais do que então.
Existem agora 3.000 igrejas de outras denominações, não incluindo os católicos,
trinta e quatro vezes mais que ao fim daquela guerra, uma aumento oito vezes
maior do que o dos congregacionais, no próprio solo onde teve primazia a Igreja do
Peregrino. Há cem anos, três de cada quatro membros de igreja eram
congregacionais, hoje, apenas um de cada oito protestantes é congregacional”.
(Naquela época a denominação congregacional era a maior e a mais forte dos
Estados Unidos; hoje ela caiu para o décimo lugar entre as denominações).

Não obstante este triste quadro, o congregacionalismo teve vantagens inegáveis.


Além de ser o primeiro a estabelecer-se, “sendo o primeiro em instrução e cultura”,
diz o Dr. Baker, “foi por de qualquer denominação, e superior à maioria delas”.
Insistia por um ministério instruído, e despendeu mais tempo e dinheiro no
preparo de jovens para pregar, do que qualquer outra igreja da Nova Inglaterra,
onde tinha liderança em riqueza e posição social, ficando ao lado de qualquer outra
igreja no país inteiro.

E ainda, sua política interna foi alvo da simpatia do governo democrático do país e
do estado. O congregacionalismo tem sido ao mesmo tempo conservador e liberal.
Tem dado a maior liberdade aos seus pregadores, para que se qualquer
apresentação da verdade pudesse atingir os homens, certamente ela o conseguisse.

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Mas as grandes denominações conquistadoras tem sido todas de credo rígido e


conservador. Os batistas, metodistas, presbiterianos e o Exército de Salvação tem-se
apegado à velha e assim chamada estreita doutrina, e estas quatro são as únicas
denominações protestantes que, de um modo ou de outro, estão atingindo o povo.
A pregação liberal nunca atingiu o povo permanentemente. Os homens de todos os
púlpitos evangélicos que estão procurando reduzir a um mínimo as doutrinas, não
congregam o povo, nem tem reavivamentos. Se alguma coisa na história da igreja
provou ser um fracasso, foi o poder do liberalismo para atingir as massas. Uma
religião fácil não é uma religião conquistadora.

Onde, pois, está a fraqueza do congregacionalismo? Por que falhou ele em atingir
as massas? Enquanto se vangloriava de seu sangue pioneiro, e se fazia eloquência
sobre Plymouth Rock (e suas escolas e membros instruídos), as outras igrejas
estavam “salvando o povo”.

1 — O autor acredita que, como denominação, temos sido demasiadamente liberais.


Temos tolerado em demasia muitos pregadores brilhantes, porém errantes, que
desfrutam de ilimitada propaganda da imprensa, tornando-se desmerecidamente
famosos. Tem eles defendido a religião do comodismo, e pregado a teologia da
conveniência; sua influência tem sido mais destrutiva do que construtiva; tem sido
mais a fraqueza e a vergonha do que a força e a glória de nossa denominação. Há,
porém, uma razão atrás de tudo isto; este liberalismo tem uma causa.

O Dr. Baker, em seu já citado artigo sobre “The Word and the Work”, Bangor,
Maine, Abril de 1896, dá mais duas razões do fracasso do congregacionalismo, a
saber:

2 — Embora tenha sido democrático na política, não o tem sido no Espírito. A


tendência de sua riqueza e cultura e afastar as simpatias do povo. Os mais pobres
não se tem sentido a vontade em seus cultos religiosos, e a Igreja dos Peregrinos
perdeu os rapazes e as moças pobres, que sempre constituem os homens e
mulheres de escol na geração seguinte. Isto se nota mais nas grandes cidades.
Pouquíssimas igrejas congregacionais de qualquer cidade da Nova Inglaterra
estendem sua influência até o homem comum. Nossas igrejas desvirtuam-se em
agremiações religiosas, e estas dividem-se em clubes exclusivistas. Três quartos de
nossas igrejas congregacionais são simples sociedades religiosas, que funcionam
para o prazer religioso e a ajuda de seus próprios membros e as quais, uma vez por

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semana, alguns estranhos vem ver o que está acontecendo. Não são as igrejas
bonitas nem a música fina que afastam o povo de nós, pois eles as apreciam tão
realmente como a classe alta; o que os afasta são os cultos frios e os corações frios.
Por isso fracassamos, porque é assim que sempre tem sido, e sempre será, que a
igreja forte do futuro e a igreja democrática de hoje. “O crescimento da igreja
depende do seu acesso às massas”. Mas isto, também, é apenas um sintoma da
doença, e não a causa dela.

3 — Acrescenta o Dr. Baker: — “As igrejas congregacionais não tem alcançado as


massas porque o intelectual tem-se elevado acima do espiritual na apresentação da
verdade. Não que os ministros fossem demasiadamente bem instruídos: nenhuma
igreja jamais terá cultura em demasia ou homens cultos demais em seus púlpitos,
não é o excesso de cultura que impediu a denominação de crescer, mas a
negligência do espiritual. Tem havido professorzinhos de teologia de sobra nos
púlpitos, mas tem faltado pregadores do Cristo que em nós faz Sua morada. O
ministério tem apelado mais a razão do que ao coração e a consciência. Muitíssimos
de nossos pregadores tem tido convicção religiosa sob experiência espiritual. Temos
confiado mais na verdade do que no Espírito Santo. Precisamos aquecer e animar nossa
doutrina ortodoxa com a vara do metodismo. Não se trata de murmuração, mas da
confissão honesta de um congregacional da “High Church” (Smith Baker, Boston,
Mass.):

A isto o autor diz: “Amém, amém!” Finalmente o Dr. Baker chegou à sede dos
nossos problemas FALTA DO PODER DO ESPÍRITO SANTO. Primeiro, a
espiritualidade declina; depois é a nossa aguda intelectualidade que se dispõe a
correr atrás de toda nova moda de descrença, como a água corre ladeira abaixo.
Depois, também, perdemos o entusiasmo pela humanidade às nossas próprias
portas. O espírito de casta e a vaidade social suplantam toda a paixão cristã pelas
almas, e mergulhamos no mundanismo, ao invés de seguir a santidade. Nosso
único remédio é um batismo do Espírito Santo que aniquile o nosso mundanismo e
a nossa tendência para a incredulidade, enchendo-nos de amor pela verdade e de
amor nelas almas, e de poder divino para conquistá-las. Essa “vara metodista”, com
a qual necessitamos ser espicaçados, é sua grande doutrina da santificação pelo
Espírito Santo, a qual John Wesley disse que os metodistas tinham sido levantados
para ensinar. Ela lhes dá paixão pelas almas e o poder do Espírito Santo para
ganhá-las.

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SEGUNDA PARTE

O REMÉDIO

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CAPÍTULO IV

SANTIFICAÇÃO, CURA DA DEPRAVAÇÃO

O leitor diligente já terá observado que o autor considera, como muitas autoridades
por ele citadas, que a palavra pecado é usada na Bíblia com, pelo menos, dois
sentidos bem distintos. E é assim também usada na literatura teológica em geral.
Pode ser que isto seja uma infelicidade; se o for, só nos resta aceitá-la. Nascemos
tarde demais na história do mundo para corrigir a linguagem de Paulo e João, e os
teólogos das eras cristãs. Geralmente, não inventamos idiomas; usamo-los como os
encontramos. A palavra pecado designa: (1) Transgressões reais, atos voluntários
de desobediência a uma lei conhecida de Deus. “Pecado é a transgressão da lei”.
Frequentemente se usa no plural, como “pecados”, “iniquidades”, “transgressões”.
É por esta espécie de pecado que a consciência de cada homem o tem como
diretamente responsável. (2) Frequentemente a palavra pecado, sem qualquer
adjetivo e, como nos informam os estudiosos do assunto, sempre no singular, é
usada para designar um ESTADO pecaminoso, não um ato. Este segundo uso da
palavra refere-se ao estado pecaminoso de nossa natureza moral, produzido em
cada um de nós por nossa ligação com uma raça pecaminosa. É aquela falta natural
de conformidade de nosso ser todo com a lei moral. Tenho às mãos um pequeno
léxico grego do Novo Testamento. As primeiras três definições de uma palavra
grega significando pecado são “erro, ofensa, pecado’, porém as três definições
seguintes são: “Princípio ou causa do pecado; inclinação para o pecado; propensão
pecaminosa”. Estas duas séries de definições de um substantivo grego num
dicionário imparcial, provam que este uso duplo da palavra “pecado” no Novo
Testamento não é imaginação do autor, mas uso bíblico real. O Apóstolo João usou
a palavra no primeiro sentido quando escreveu: “Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados” (I João 1:9). Quando
escreveu: “Toda injustiça é pecado” (I João 5:17), usou a palavra no segundo
sentido. Em ambas as passagens é usada a mesma palavra grega. Paulo usou-a
neste segundo sentido quando falou do “pecado que habita em mim” (Romanos
7:17).
Ora, esta corrupção de nossa natureza moral, este estado desordenado de nossas
faculdades esta condição anormal de nosso ser, devem ser retificados. É uma fonte

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perpétua de tentação para os atos de pecado, que por sua vez reagem sobre a
corrupção inata e a intensificam. Não somos primariamente responsáveis por esta
condição doentia de nossa natureza moral; ela não nasceu por nossa culpa. Como
escreve o Dr. Steele: “Sob o regime redentor, não implica culpa antes de aprovado
pelo livre agente e seu remédio rejeitado” (Love Enthroned, pág. 11). Ninguém pode
ser culpado por adquirir, involuntariamente, uma doença contagiosa; mas será
culposo se a conservar, recusando voluntariamente um remédio conhecido.

Embora um Deus gracioso não nos considere os principais responsáveis pelos


males da queda que perverteu os nossos seres, não pode ele agradar-se com o fato
de que Seus filhos destinados a serem imagens perfeitas dEle próprio, estejam
moralmente enfermos, contaminados com “O pecado que em mim habita”
(Romanos 7:17); “O corpo do pecado” (Romanos 6:6); “O velho homem” da
corrupção (Romanos 6:6, Colossenses 3:9); “a lei do pecado é morte” (Romanos
7:23, 25; 8:2); “O corpo desta morte (Romanos 7:24); “as cobiças que guerreiam em
nossos membros” (Tiago 4:1). Estas expressões admiráveis significam todas a
mesma coisa, e constituem o que se chama “depravação”, “pecado intrínseco” ou
“pecado inato”, que nos faz indesejáveis aos olhos de um Deus puro e santo. Por
isso Ele fez uma provisão de graça para nós, “para que o corpo do pecado fosse
destruído” (Romanos 6:6); “para que o nosso homem velho fosse crucificado com
Ele” (Romanos 6:6); “condenou [à destruição] o pecado na carne” (Romanos 8:3);
para que “tirasse o coração de pedra da vossa carne, e vos desse um coração de
carne” (Ezequiel 11:19).

O pecado inato produz uma triste safra de frutos indesejáveis — orgulho, ira,
egoísmo, ciúmes, cobiça, impertinência, impaciência, ódio, dissensão, emulações,
contendas, invejas, incredulidade e sentimentos semelhantes. Não dominam no
crente justificado, mas mantém uma luta incessante contra os propósitos mais
santos de sua alma. Os pensamentos, sentimentos, anseios e apetites são impuros, e
desagradáveis a Deus. A conduta e a vida interior dos discípulos entristecia a Jesus.
Eram homens convertidos, pregadores ordenados, com poder para operar milagres
e expulsar demônios. Deles disse Jesus em sua oração intercessória: “Tu mos
deste”, “e o mundo os tem odiado, porque não são do mundo, como eu também
não sou do mundo”. (João 17:6-14). Jesus também disse aos discípulos: “Regozijai-
vos, porque os vossos nomes estão escritos no céu” (Lucas 10:20) e “vós, os que me
seguistes, quando na regeneração” (Mateus 19:28). “E, no entanto, o Salvador

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achara necessário reprovar-lhes a incredulidade, a instabilidade, o espírito egoísta,


mundano e secular, o espírito vingativo, e o de covardia e vacilação”, e repetidos
sentimentos de ciúmes. Estas manifestações do “pecado inato” — a natureza
“carnal” — afligiam a Mestre, que suplicava por eles, para que fossem
“santificados’’. Quando o Espírito Santo desceu sobre eles, aquele “homem velho”
do pecado foi crucificado, e eles foram santificados. Ele tirou a covardia de Pedro, e
a incredulidade de Tomé, e as ambições desmedidas de Tiago e João. O “Filho do
Trovão” tornou-se o “Apóstolo do Amor”. E é exatamente aqui que tocamos no
significado da SANTIFICAÇÃO. É a obra do Espírito Santo — o ato da graça de
Deus, pelo qual “O nosso velho homem é crucificado” (Romanos 6:6) e a natureza
moral é “purificada” de toda “injustiça” — iniquidade, “inclinação para o pecado”,
“propensão pecaminosa”.

As almas santificadas tem dado a esta experiência diferentes nomes. O apóstolo


Paulo, no auge do êxtase, chama-a de “A Plenitude de Deus”. John Wesley,
seguindo o apóstolo João, chama-a “Perfeito Amor”. A Sra. Jonathan Edwards,
banidas para sempre as dúvidas, e fitando incessantemente o seu Salvador, “cuja
presença era tão próxima e real” que ela “mal tinha consciência de qualquer outra
coisa”, chamou-a “A plena segurança da fé”. A. B. Earle, o grande evangelista
batista, estava tão cônscio de um repousar profundo e doce em Cristo, depois das
penosas lutas pela santidade, que a chamou “O Descanso da Fé”. O Presidente
Mahan cheio do “Espírito que refina, e extingue o pecado”, e exaltado por ele,
escolheu a linguagem do Pentecostes e chamou-a “O Batismo do Espírito Santo”. O
Prof. Henry Cowles, com o coração inflamado pela ideia de uma igreja purificada e
caminhando com Deus, no porvir, chamou-a de “Santidade dos Cristãos”. O
Presidente Finney, cheio do êxtase que lhe fluía na alma usou a linguagem de
Cristo, chamando-a “Santificação Completa”.

Mas a obra, qualquer que seja o seu nome, é essencialmente a mesma. É o ato de
purificação da alma, por Deus.

Aos oitenta e dois anos, escreveu o venerável Mahan: “Os fatos mais concretos da
experiência, e das formas mais variadas, evidenciam de modo absoluto que, na
renovação pelo Espírito Santo, os crentes são inteiramente purificados do pecado
intrínseco bem como do pecado real. Dezenas de milhares de crentes eminentes e
dos mais dignos de crédito testificam estarem tão conscientes de transformações
permanentes e remoção de apetites, temperamentos e disposições malignas, dos

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mais antigos e dominantes, como estão de suas próprias existências. Se o fato de


tais transformações não pode ser confirmado pelo testemunho, nada mais o pode.
Os que negam que tais transformações estão entre as possibilidades da fé tornam
impossível sua ‘libertação do corpo desta morte’, se sua descrença continuar. ‘Se
não crerdes, não sereis confirmados” (Auiobiography, pág. 345).

Em outra passagem, escreve ele: “Minha vida interior, quando cheguei a Deus por
Jesus Cristo, não somente para o perdão, mas para purificar o coração, tomava um
aspecto surpreendentemente novo. Velhos hábitos, maus pensamentos, e
propensões para o pecado, que tinham sido a ruína de minha carreira impenitente,
e a causa da servidão lamentosa de minha vida cristã inicial, essas coisas negativas
perderam, de repente, todo o seu poder e controle. Tornei-me claramente cônscio
de não mais ser ‘carnal, vendido à escravidão do pecado’, (Romanos 7:14), mas o
liberto do Senhor, emancipado da escravidão primitiva, e agora um soberano
divinamente empossado, dominando estas propensões”. “Parecia-me antecipar a
grande verdade tão suntuosamente colocada diante de nós por Dean Vaughan, o
Mestre do Templo: ‘Devemos crer, não na suspensão ou suplantação, ou
espezinhamento do que chamamos leis da natureza... mas em certas outras coisas
que, aos olhos não espiritualmente iluminados são, pelo menos, tão difíceis como
aquilo; temos de crer no perdão real de coisas realmente feitas; temos de crer que
aquela coisa negra, odiosa, feita ou dita ontem — embora tivesse febre no hálito e
corrupção na influência — pode ser, e será, obliterada e aniquilada no sangue de
Jesus Cristo; temos de crer que aquele mau hábito adquirido na meninice, e ao qual
cedemos por fraqueza na virilidade, e ainda é forte e predomina, pode, pela graça
de Deus, — será, pela graça de Deus, — BANIDO de nós, ERRADICADO,
DESTRUÍDO em nós, de sorte que seremos mais do que vencedores por aquele que
nos amou’“ (págs. 326, 327).

Estamos agora preparados para algumas definições formais de santificação.

O Rev. Lutero Lee, Presidente do Leoni Theological Institute, assim definiu a


santificação: “Santificação é a renovação de nossa natureza decaída, pelo Espírito
Santo recebido através da fé em Jesus Cristo, cujo sangue propiciatório tem poder
para purificar de todo pecado; pelo que não somos apenas libertados da culpa do
pecado, que é a justificação, mas somos inteiramente lavados da sua contaminação,
libertos do seu poder, e capacitados, através da graça, para amar a Deus de todo o

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nosso coração, e andar nos seus santos mandamentos irrepreensivelmente”


(Elemens of Theology, pág. 211).

Wesley, no livro “Plain Account of Christian Perfection”, diz: “(Santificação) e amar a


Deus com todo o nosso coração, alma, mente e força. Isto significa que não restam
na alma sentimentos maus alguns contrários ao amor; e que todos os pensamentos,
palavras e ações são regidos pelo puro amor”. “Por perfeito entendemos aquele em
que está ‘o mesmo sentimento que também houve em Cristo Jesus’ (Filipenses 2:5)
que anda como Cristo andou (I João 2:6), que está purificado ‘de toda imundície da
carne e do espírito’ (II Coríntios 7:1); em que ‘não há nenhum tropeço’ (I João 2:10)
e que por isso ‘não vive na prática do pecado’ (I João 3:9); em que Deus cumpriu
Sua palavra fiel: De toda a vossa imundície e todos os vossos ídolos vos purificarei,
também vos libertarei de toda a vossa impureza” (Ezequiel 36:25-29).

O Rev. Isaías Reid, que escreve de modo excepcionalmente claro sobre este assunto,
diz, no livro The Holy Way (págs. 10, 11): “Doutrinariamente, a santidade pode ser
definida como a obra subsequente da graça pela qual se cura a depravação da
alma... A santidade, ou santificação completa é a aplicação da redenção à natureza
depravada e corrupta em que nascemos. É aquela fase da salvação que vem após o
perdão, o qual se refere a um ato; e após a justificação, que se refere às nossas
relações reatadas: relaciona-se com a nossa depravação. Não somos responsáveis
pela nossa depravação hereditária. Não cometemos o pecado que a produziu; por
isso não podemos arrepender-nos dela, nem pedir perdão para ele. O remédio de
Deus é a PURIFICAÇÃO, chamada ‘santificação completa’, ‘santidade’, ‘perfeito
amor’. Da parte do homem, e através da consagração e da fé; da parte de Deus, é a
aplicação do sangue purificador. A santificação completa faz-nos moralmente puros
de nossa depravação herdada. Destrói o homem velho do pecado, a mente carnal.
O indivíduo torna-se perfeito quanto à qualidade de seu cristianismo ou religião,
porém, não em medida tal que não possa ser aumentada. É santo no sentido de que
é moralmente puro. É isento de pecado no sentido de que seus atos pecaminosos
passados foram todos perdoados, e purificada a sua natureza corrupta. É
irrepreensível no sentido de não ver Deus, em sua alma purificada e perdoada, nada
que a lei do evangelho condene. Quanto ao seu amor, é perfeito no sentido de que
ama com todo o coração, mente, alma e forças, e no sentido de que ‘O amor é o
cumprimento da lei’. (Romanos 13:8). Quanto ao progresso, cresce tendo já entrada

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nele. ‘Sua alma, feita celestial em espécie, amadurece agora em intensidade, e se


prepara para a glorificação’“.

“Santidade é o nome apropriado para a condição de uma alma inteiramente


santificada, e denota (1) a ausência de depravação; (2) a posse do perfeito amor. Um
coração esvaziado um coração reenchido”.

Se tal experiência é possível nesta vida, então há um privilégio bendito, oferecido


por Deus a cada um dos Seus filhos.

O Presidente Mahan dá esta definição: “A santificação é obra exclusivamente de


Deus, não da criatura, obra em nós operada pelo Espírito eterno, sob a condição de
que ‘peçamos a Deus que Ele o faça por nós’. A santificação completa implica
‘salvação total’ do pecado em todas as suas formas, segundo Deus julga, e perfeita
pureza moral, como Ele a exige” (Autobiography, pág. 375). “Não entendo, pelo
estado de que tratamos, mera separação do pecado atual, ao lado da obediência
atual. Entendo mais do que isto, a saber: Uma renovação do espírito, do
temperamento, e das disposições da mente, das tendências e hábitos que impelem para o
pecado, incitam a desobediência a vontade divina. O crente inteiramente
santificado, não somente se separa voluntariamente do pecado, e se inclina para a
vontade de Deus, mas se vê neste estado com pleno consentimento de todas as
faculdades de sua natureza moral e espiritual. Não apenas “teme a Deus e evita o
mal” (Jó 1:8, 2:3), mas ama a retidão e odeia a iniquidade. (Pág. 322).

É a seguinte a definição do Dr. W. McDonald, de Boston: “(Santificação) e ser


purificado de todo pecado atual e de toda depravação original. O pecado existe na
alma sob duas modalidades — atual e original — os pecados que cometemos, e a
natureza depravada ou pecaminosa, que herdamos, que nos pertencia antes que
tivéssemos consciência do pecado... O coração inteiramente salvo pode levantar o
rosto para Jesus, e, sem reservas mentais, dizer: ‘Seja feita a tua vontade’, enquanto
todo o seu ser responde, ‘Amém’. Esta é a santidade completa... Mas se permanecer
a depravação, o ser se rebelará, recusando-se a obedecer. Ter, porém,

‘Um coração em tudo renovado,


Pleno, Senhor, do Teu amor divino,
Perfeito, reto, livre do pecado,
Cópia fiel do Teu’;

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é estar salvo de todo pecado, e tornado perfeito em amor. Quem estiver de posse
dessa unção pede cantar:

‘Ó Deus, Tu és o mar de amor


Que o gozo todo meu contém,
Centro da minha vida inteira
E polo das paixões, também’.

Já, não há mais conflito entre as inclinações e o juízo. Os desejos já não estão em
guerra com a vontade. O local das guerras mudou-se totalmente. Antes
pelejávamos não apenas contra os inimigos exteriores — o mundo e Satanás — mas
contra os inimigos interiores — nossos próprios desejos e apetites ímpios. “Agora a
cidadela está expurgada, o coração ficou puro, os inimigos foram expulsos, e o forte
real é ele todo fiel ao rei” (Saved to the Uttermost, págs. 25-32).

Diz o catecismo metodista: “Santificação é o ato da graça divina pelo qual somos
feitos santos”.

Diz o Dr. Steele: “O ato (de Deus na santificação) e remover a impureza existente na
natureza de quem já nasceu do Espírito — libertação do pecado como ‘tendência
inata”.

Estendemo-nos suficientemente nestas definições para deixar claro, aa leitor menos


prevenido o significado e a finalidade da santificação. Estamos agora preparados
para ver a distinção clara e cabal entre ‘regeneração’ e ‘justificação’ — as primeiras
experiências da vida cristã — e ‘santificação’, sobre a qual alguns escrevem de modo
estranhamente confuso.

Regeneração é a obra do Espírito Santa no coração, graciosamente inclinando o


pecador ao arrependimento e à fé em Cristo, e de tal modo renovando a natureza
voluntária, que se quebra o poder do pecado, sendo plantado no coração a
princípio de obediência. E acompanhada pela justificação e adoração, de que
podemos tratar em conjunto.

A justificação é o ato soberano de Deus pelo qual ao pecador, sob a condição de


arrependimento do pecado e fé num salvador expiatório, são perdoadas as
transgressões passadas, sendo restaurado no favor divino, e tratado legalmente
como se nunca tivesse pecado. O quadro mais completo e claro da justificação em
toda a Bíblia acha-se na parábola do Filho Pródigo. O pai recebe o rapaz

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arrependido em seu seio, restaurando-o no lar; coloca nele o anel da adoção e o


manto de caridade para cobrir a vergonha de suas culpas passadas, não o
repreendendo por sua carreira pecaminosa, mas tratando-o como se nunca tivesse
sido vagabundo.

Mas o pródigo ainda estava enfermo do corpo, da mente e da alma, pelas paixões,
apetites e sentimentos, pelos pensamentos, imaginações e desejos — os efeitos vis
de sua vida desordenada. Mas se aquele pai fosse um médico poderoso, como
nosso Salvador, e tivesse colocado a sua mão amada sobre o jovem, dizendo: “Filho
meu, sê purificado em todo o teu ser”, como Jesus costumava fazer, e ainda faz,
aquele teria sido um quadro da santificação.

(1) A regeneração é a obra de Deus feita em nós, retificando a atitude da vontade


para com Ele e para com as coisas santas.

 A justificação é a obra de Deus feita por nós, em nosso favor; deixando-


nos em paz com a Sua lei e o Seu governo.

 Mas a santificação é a obra de Deus purgando todo o ser.

(2) A regeneração remove o amor ao pecado.

 A justificação remove as culpas dos pecados já cometidos.

 A santificação remove a inclinação para pecar futuramente.

(3) A regeneração muda a condição, ou caráter, da vontade para com o pecado,


plantando dentro de nós o germe da vida divina.

 A justificação assegura o perdão dos pecados atuais.

 A santificação remove o pecado inato, corrigindo a natureza do ser todo, e


confirmando a vontade na obediência.

(4) A justificação releva a penalidade da lei infringida.

 A regeneração estabelece o princípio da obediência, e quebra o domínio do


pecado, fazendo-nos filhos e Deus.

 Mas a santificação “purifica da imundície e dos ídolos”, “pondo dentro


da alma “um novo coração e um novo espírito” de tal modo que o homem

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todo reforça a vontade, ‘sendo assegurados perfeita obediência e um


coração santo”. (Ezequiel 36:25-29).

(5) A justificação traz o favor de Deus.

 A regeneração traz gosto pela santidade, e anseio pela imagem de Deus.

 Mas, pela santificação “somos transformados na sua própria imagem, de


glória em glória” (II Coríntios 3:18) e “feitos participantes da natureza
divina” (II Pedro 1:4). Os anseios pela santidade e pela imagem de Deus
tornam-se realidades. (Ver Lee, Elements of Theology, pág. 200).

Em suma, a regeneração traz renovação; a justificação traz perdão; e a santificação


traz purificação. Não sei como fazê-lo mais claro.

O Rev. William McDonald acrescenta as seguintes substanciosas distinções:

(1) “Na regeneração, o pecado não reina; na santificação, ele não existe”.

(2) “Na regeneração, o pecado é suspenso; na santificação, é destruído”.

(3) “Na regeneração, os desejos irregulares — a raiva, o orgulho, a inveja — são


dominados; na santificação, são removidos”.

(4) “Regeneração é libertação da perpetração voluntária do pecado; santificação é


libertação da existência do pecado”.

(5) “Regeneração é o aprisionamento do ‘velho homem’; santificação é a expulsão


do ‘velho homem’, despojando-o dos seus bens”.

(6) “A regeneração é a santificação começada; a santificação completa é o


acabamento da obra” (Perfect Love, pág. 30).

Para tornar o assunto ainda mais claro, definiremos de modo negativo,


demonstrando o que a santificação não é, e o que ela não faz em nós e por nós.

I — Não nos traz a perfeição ideal ou absoluta. Só Deus é absoluto. “Deus acusa seus
anjos de tolice, erros de julgamento, mas não de pecado”. Neste sentido, “só há um
bom, que é Deus”.

II — Não traz a nós a perfeição angélica. Sendo livres de todas as enfermidades


herdadas, e dotados de conhecimento, juízo e discernimentos superiores, possuem

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um grau de perfeição que nenhuma graça de Deus pode tornar possível aos mortais
nesta vida.

III — Não nos traz à perfeição de nosso próprio estado de glória, na ressurreição,
Paulo nega essa perfeição celestial em Filipenses 3:12, embora declare a perfeição
do homem santificado no verso 15.

IV — Não traz uma “perfeição impecável”, no sentido de que se nos torne


impossível pecar e cair. Os anjos caíram e Adão caiu, embora fossem uma vez santos.

V — A santificação completa não implica ou envolve infalibilidade de conhecimento,


juízo ou memória. Há ainda lugar para enganos inconscientes, o coração pode estar
certo, embora o juízo seja errôneo.

VI — Não nos coloca a salvo da tentação: apenas os tentadores e as tentações não


tem o apoio de traidores dentro da cidadela da alma. Jesus mesmo foi, tentado, mas
deu a entender: “Satanás vem; porém nada encontra em mim”.

VII — A santificação não encerra o crescimento cristão; porém, purificando o


coração de sua vileza, torna possível e certo o crescimento de todas as graças. Onze
meses depois da data de sua santificação, Frances Ridley Havergal escreveu:

“Perfeita, embora, flui


Mais plena cada dia;
Perfeita, embora, vai
Crescendo dia a dia.

É a paz de Deus, perfeita,


Como um glorioso rio:
Vencendo tudo, corre,
Em santo desafio”.

Assim se aprofunda e se alarga o rio da vida divina da alma quando se dá a


purificação, e não mais aflige o coração a tendência para o mal.

VIII — Esta bênção da santificação não exclui a necessidade de dependência


constante da obra expiatória de Cristo. Os crentes santificados são os que mais
constantemente confiam em Jesus, e mais sentem sua completa dependência dEle,
vivendo nEle de momento em memento. A Srta. Havergal assim se expressou sobre
o método da santidade: “Distintamente eu diria que, somente quando e enquanto a

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alma está sob o poder total do sangue de Cristo, é que ela pode ser purificada de
todo pecado; retirada por um momento aquele poder, está ela de novo ativamente,
sim, realmente, pecando; somente quando, e enquanto conservados pelo poder de
Deus mesmo, é que não estamos pecando contra Ele. Um instante apenas em que
fiquemos sós, e a queda é certa!” (Forty Witnesses, pág. 240).

Convém observar aqui que, nos estudos correntes, as palavras regeneração e


santificação são às vezes usadas em dois sentidos. O Dr. Daniel Steele, numa
preleção diante de uma reunião de ministros em Boston, seguindo Armínio e os
primeiros escritos de John Wesley, falou da regeneração, primeiro como “a
comunicação instantânea da vida divina”; segundo, como a “recuperação perfeita da
imagem moral de Deus que o pecado destruiu”. Neste segundo sentido, a regeneração
não é um ato único, mas “um processo que implica degraus e intervalos, e a
santificação completa é um destes degraus, sendo o intervalo precedente um
período de santificação progressiva”... “Depois que o homem nasce do Espírito,
necessita de um intervalo para que o coração conheça a Cristo através da luz do
Espírito Santo, como base para aquele ato supremo de fé nele, como Santificador”.

O Bispo Merril, no livro Christian Experience, fala da santificação “primeiro como


santificação inicial que, embora totalmente distinta da regeneração, é simultânea com
ela, começando com a purificação da alma. Em seu significado mais completo, a
santificação relaciona-se com um processo de purificação incessante através de toda
experiência de crescimento, maturidade e perfeição” (pág. 188). Segundo, fala da
santificação como o ato da santificação completa. “No ato primitivo da santificação, ao
tempo do novo nascimento, o coração é lavado da corrupção dos velhos pecados;
nas nem as Escrituras nem a experiência justificariam a asserção de que todas as
impurezas do pensamento e as más tendências da natureza, que são impurezas aos
olhos de Deus, expurgam-se inteiramente antes que a nova vida se expanda e o
Espírito habilitador revele a enormidade da depravação inata à consciência
esclarecida. A ‘imundície da carne e do espírito’ deve ser detestada antes de poder
ser lavada. Por isso, a experiência geral é que a purificação total segue-se após uma
fase de auto-rebaixamento ou humilhação. A provisão para a santificação completa é
ampla, e o Espírito de Deus está sempre pronto para responder aos que anseiam
por ela. Logo que a alma sente a necessidade desta grande libertação, e se apossa da
obra expiatória como eficaz para este fim, aplica-se o mérito do sangue purificador

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e o Espírito revela o resultado com a mesma presteza com que a fé apreende a


evidência dada” (pág. 194).

Para evitar qualquer confusão de pensamento, o autor fala em regeneração apenas


como o ato inicial, criador, da vida religiosa, e na santificação como inteira,
completa — o ato de Deus purificar o coração do verdadeiro crente de todo o seu
pecado.

Surge outra questão que pode ser mencionada aqui: é possível ser a alma
completamente santificada no momento da conversão ou regeneração? Não é
necessário negar a possibilidade disso; porém a questão é mais filosófica do que
prática, nesta fase de desenvolvimento da igreja cristã. O problema do momento,
prático, urgente, clamoroso, e trazer todos estes milhões de cristãos até o elevado
nível espiritual da santificação completa. Supor que um pecador entre cem mil
saberá o suficiente para ir ao altar e buscar a regeneração e a santificação completa
ao mesmo tempo, será sempre fantástica conjectura antes de se elevarem até este
alto nível as vastas massas de membros de igrejas, e antes que o público cristão
agora ignorante, seja tão cabalmente instruído neste assunto. A improbabilidade é
demonstrada pelo faro de que John Wesley nunca encontrou uma pessoa que o
tivesse feito. O mundo estaria já as portas do milênio se tal experiência fosse tão
geral na igreja cristã, que os cristãos todos tivessem acesso imediato a ela nos
primeiros dias do seu primeiro amor.

Podemos encerrar este capítulo respondendo a objeção que se levanta em alguns


grupos, isto é, que os que defendem a santidade como uma segunda experiência
especial subestimam a justificação para dar lugar a santificação. É engano. Nestes
quarenta volumes sobre o tema da santidade, que examinei, não achei nada
semelhante. Três citações serão suficientes para demonstrar a opinião de todos. Diz
Wesley: “Mas até os bebês espirituais em Cristo são tão perfeitos que não cometem
pecado. E Lutero Lee: “Ninguém pode crer com o coração para a retidão, ou para
obter a justificação, enquanto viver na prática de qualquer pecado conhecido, ou
negligenciando algum dever conhecido”... “No memento em que fez o que conhece
ser pecado, ou negligencia o que sabe ser um dever, a fé, pela qual é justificado
desliga-se de Deus, e ele perde a sua justificação” (pág. 191). Escreve o Dr.
McDonald: “A libertação do pecado pertence ao crente justificado. Ninguém pode
conservar a sua justificação cometendo pecado. A santificação completa está muito
além da mera libertação da prática voluntária do pecado, que é um padrão muito

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baixo para a santificação completa... A conversão não é obra inferior. É uma


transformação tão grande que se chama ‘nova criação’. Se for genuína, impedirá
que os homens cometam pecado, e os libertara do poder de condenação da lei,
fazendo-os obedientes a todos os mandamentos de Deus. Isto não se chama
santificação completa: está bem aquém daquele estado sublime... Alguns colocam a
santidade cristã muito abaixo, e fazem profissão de santificação, ao passo que,
como diz Fletcher com propriedade, ‘nem ao menos conseguiram a serenidade
mental de um filósofo ou a candura de um pagão bom e consciencioso’“ (Saved to
the uttermost, págs. 22-24).

O Dr. Carradine resume o assunto da seguinte maneira: “Na JUSTIFICAÇÃO, que


significa perdão, os meus próprios pecados atuais e pessoais são perdoados, mas
não o pecado original. Como posso ser perdoado por aquilo que não cometi? Como
poderia pedir a Deus que me perdoasse pelo que não fiz? E como poderia Deus em
verdade e em justiça, conceder-me perdão pelo que não fizera? Evidentemente, a
justificação não pode alcançar o pecado original, e a conclusão é que me torno um
homem justificado, tendo dentro de mim depravação herdada.”

“Na REGENERAÇÃO, a alma nasce de novo, torna-se nova, ingressa na vida


espiritual. A depravação pessoal que surge do nosso próprio pecado atual é
corrigida pela regeneração; mas a depravação herdada permanece intacta; seria fútil
dizer que esta foi removida na regeneração, o que estaria contra um raciocínio são e
a experiência cristã universal”... “A minha vontade pode ser retificada na
regeneração; mas, e se o pecado é algo mais do que um ato da vontade?” E é o que
parece, sem dúvida, quando o contemplamos transmitido de Adão até nós, sem o
consentimento de nossas vontades, e exibindo-se em crianças novas demais para
exercer juízo e faculdades morais. Ao nascer de novo, sou uma criatura regenerada
em presença de tendências perversas da carne, e deste elemento sombrio,
transmitido de modo indescritível, mas infalível, desde Adão até nós, e entretecido
em nossas naturezas. Muito cedo o recém-convertido enfrenta a sua presença e
poder... Somos impelidos para o fato de que a alma continua na presença do
pecado ou depravação herdada.

“A SANTIFICAÇÃO não está em conflito com a regeneração, quer na Bíblia quer


na experiência cristã e não está em antagonismo com ela em sentido algum, embora
haja quem queira persuadir-nos disso. A regeneração é uma obra perfeita em si
mesma, e não precisa ser melhorada. A santificação tem outro objetivo e executa

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uma obra inteiramente diferente. Remove da alma o que era motivo de constante
perturbação, e obstáculo para o homem regenerado. Mata o pecado inato; ou, como
se expressa o Dr. Whedon, a ‘pecaminosidade’ dentro de nós; ou, como alguns o
reconheceriam, a ‘tendência para se desviar’ do coração... Nessa esperança de uma
perfeita libertação está na graça santificadora de Deus... Quando isso acontece, o
pecado morre no coração. Várias propensões do corpo, que a regeneração
subjugou, mas não pode extirpar, são instantaneamente corrigidas, repelidas e
extirpadas. Hábitos não construtivos terminam, é extraída a raiz da amargura, o
orgulho falece, o egoísmo é crucificado, morrendo também a raiva e a
irascibilidade. O coração se enche de santa e doce calma, que realmente afeta o
corpo, revela-se no rosto, e governa a vida” (Sanctification, págs. 26-31).

Jesus disse: “A fim de que recebam remissão de pecados e herança entre os que são
santificados pela fé em mim” (Atos 26:18). A grande salvação tem dois aspectos:
‘Perdão dos pecados, e... santificação pela fé em mim’. O perdão dos pecados é uma
obra perfeita; mas perdão perfeito é coisa bem diferente de santificação completa. O
perdão se refere a um hemisfério da nossa natureza moral, e a santificação
completa, a outro. Há um hemisfério de más ações voluntárias e um hemisfério de
más disposições não intencionais; há coisas que as pessoas fazem sabendo que
estão erradas, e há anseios que não vem a superfície; escapam ao controle da
vontade, jazem para aquém dela. O perdão compreende o hemisfério pelo qual o
homem é responsável. Quando Deus nos perdoa os pecados, perdoa todos pelos
quais somos responsáveis; mas a santificação completa chega até aos alicerces da
natureza moral, onde há disposições malignas que lamentamos; a santificação se
propõe valer-nos no ‘subsolo’ de nossa natureza moral. E isto é ‘pela fé’ não pelo
crescimento; a graça pode crescer, mas a purificação não pode. A purificação
prepara o caminho para a graça, colocando-a onde ela pode crescer’ (Love
Abounding, pág. 28).

A diferença entre o estado justificado e santificado do crente se apresenta de modo


não pouco apropriado nas seguintes linhas de autoria do Dr. A. B. Simpson:

CRISTO VIVE EM MIM


Antes a bênção, agora é o Senhor;
Emoção antes, hoje o Verbo Seu;
Seus dons queria, agora o Doador;
Cura buscava, hoje o Curador.

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Antes lutar penoso, hoje confiança;


Antes meia salvação, hoje completa;
DEle junto antes, hoje Ele junto a mim;
Antes vagar constante, hoje ancorado.

Então absorto em planos, hoje orando;


Antes cuidar ansioso, hoje Ele cuida;
Em vez do meu querer, é o que Ele diz;
Em vez de lhe pedir, dou-Lhe louvores.

Então eu trabalhava, hoje Ele em mim;


Antes tentava usa-lo, hoje Ele a mim;
O seu poder queria, agora o Poderoso;
Meu próprio bem buscava, agora a Ele só.

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CAPÍTULO V

EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (I)

O venerável e famoso professor Dr. Woods, do Andover Theological Seminary,


disse aos seus discípulos um dia: “Se houvesse algures um hospital para tornar
salutar a alma, eu iria para lá como paciente”. Meu parecer é que, se ele tivesse lido
menos Calvino e o catecismo, e tivesse lido mais John Wesley, teria tido uma visão
mais clara para achar em sua Bíblia que havia uma “fonte aberta para a casa de
Davi”; “para remover” tanto “O pecado” como “a impureza” (Zacarias 13:1).
Observemos alguns dos argumentos e evidências de que um Deus amante e
propiciador sem dúvida oferece a humanidade cura para a ferida do pecado.

I — Há o argumento da PROBABILIDADE que foi observado pelo General Booth, do


Exército de Salvação. Todas as relações de Deus com a raça provam que Ele odeia o
pecado com ódio infinito, e ama com amor infinito Seus filhos amaldiçoados pelo
pecado. Com remédios infinitamente eficazes ao Seu dispor, que será provável que
Sua graça redentora procure fazer por nós — uma cura parcial ou total da moléstia
do pecado? Maria Madalena, estando disposta a receber completa salvação de
Jesus, o Senhor expulsou dela quatro demônios, deixando três para atormentar e
tentá-la a desonrar o seu Mestre, ou “perdoou-lhe muito”, dando-lhe libertação
completa? Que faria um hábil médico terrestre cujo filho tivesse sido fatalmente
envenenado? Usaria todos os antídotos possíveis para extrair todo o veneno, e isso
imediatamente, ou deixaria uma porção do vírus no organismo, para ser combatido
aos poucos, tornando-o um inválido sofredor por toda a vida? Só há uma resposta
para essa pergunta. Quanto mais provável não é que o nosso Pai Celestial, que
odeia o pecado, e é de infinita compaixão e onipotência, providencie salvação
completa e instantânea para os Seus filhos em tormento atroz? Raciocinando
apenas do ponto de vista de um Deus santo, que aborrece o pecado, procurando a
todos salvar, não é provável que devamos todos continuar num círculo
interminável de pecar e arrepender-se e confessar, e ser contaminados com o
“pecado que em nós habita”, até a morte. É altamente provável que um Deus como
o evangelho nos revela providenciaria algo “superior” para nós, tornando-nos

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capazes “para servi-lo sem temor, em santidade e justiça diante dele, todos os
nossos dias” (Lucas 1:74-75).

II — A Bíblia como um TODO é testemunho da possibilidade da santidade. O leitor mais


descuidado não poderá deixar de ver que a Livro e contra o pecado de toda espécie
e grau. No conjunto, é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para
a educação na justiça, a fim de que a homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
habilitado para toda boa obra” (II Timóteo 3:16). Esta repleta de instrução, apela
para a consciência, esclarece o juízo, ilumina a entendimento. Trabalha com afinca o
coração com as motivos mais convincentes e eficazes, trazendo os corações a
santidade pela doçura da comunhão com Deus, e o prazer de Seu serviço, ao
mesmo tempo que desvia do pecado pela revelação do descontentamento divino e
dos “horrores intermináveis da condenação”. Isto torna claro por que Cristo orava
para que o Seu povo fosse “santificado através da verdade”, e por que Paulo falava
de sua santificação e purificação com “a lavagem de água pela palavra, e dos
crentes obterem salvação “pela santificação do Espírito e fé na verdade”. A verdade
é o instrumento, e o Espírito é o agente eficiente”. Os homens devem “purificar suas
almas pela obediência a verdade através do Espírito”. Escreve o Prof. Henry
Cowles: “Certamente aqui estão todos os motivos concebíveis. Como poderia Deus
fazê-los mais eficazes? Quem, ponderando- as todos, pode resistir-lhes? E eles são
todos perfeitamente adaptados para promover a santificação do coração. Pode-se
acreditar que o resultado deva inevitavelmente ficar aquém do fim proposto? Se
houver fracasso, estará nos meios ineficientes, ou na aplicação ineficiente desses
meios?” (Holiness of Christians, págs. 65, 64).

III — Podemos inferir a possibilidade de salvação completa — a santificação total tios


cristãos — das DESCRIÇÕES BÍBLICAS da experiência possível DOS CRENTES. Deles
diz a Bíblia:

(1) Tem um coração limpo, lavado de todo pecado. Salmos 51:10: “Cria em mim, a
Deus, um coração puro”, Mateus 5:8: “Bem aventurados os limpos de
coração, porque eles verão a Deus”.

(2) Vivem tão imaculadas vidas que o próprio Deus neles nada vê para condenar.
Filipenses 2:15: “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceras, filhos de
Deus inculpáveis”. II Pedro 3:14: “empenhai-vos por ser achados por ele em
paz, sem mácula e irrepreensíveis”. As mesmas palavras são usadas em

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relação à Cristo, como em I Pedro 1:19: “Mas pelo precioso sangue, como de
cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. Isto sugere a
pensamento solene, mas também consolador, de que podemos, pelo poder
santificador de Jesus, viver uma vida tão imaculada e irrepreensível como
Ele. É em direção a este alvo que somos admoestados a nos esforçar.

É ainda a mesma palavra que se usa em Tiago 1:27, indicando como um dos
elementos essenciais da religião o conservarmo-nos “incontaminados do
mundo”. Sobre esta passagem escreve o Dr. Steele, recente professor de
grego do Novo Testamento da Universidade de Boston: “Isto parece tão
impossível ao homem de fraca fé, como seria uma senhora vestida de branco
dançar entre tinas de tinta e baldes de piche, sem ficar manchada.” Mas
todas as coisas são possíveis ao que crê. Este mundo precisa de um
evangelho que dá vitória sobre o pecado. Primeiro e a libertação do pecar; o
novo nascimento introduz a alma doente do pecado em um estado de triunfo
sobre o pecado atual, dando-lhe capacidade para não pecar. A justificação
salva do pecar, mas não da tendência para pecar, impropriamente chamada
pecado, porque falta o elemento voluntário, essencial à culpa.

“Mas nestas inclinações para o pecado embora reprimidas, há perigo e causa


de luta interior, a carne guerreando contra o Espírito, e o Espírito contra a
carne. Quando esta guerra termina pela extinção e aniquilamento da carne,
esconderijo do principio do pecado, há libertação do pecado também, bem
como do pecar. A justificação, implicando regeneração, salva do pecar; a
santificação completa salva do pecado”. Então podemos viver a religião pura
e sem mácula, “incontaminados do mundo”.

(3) A Bíblia fala na possibilidade de tal reconsagração da parte do crente, que ele
se entregará totalmente a Deus para ser possuído e usado por Ele, e feito
santo e aceitável. Romanos 12:1: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias
de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus”. O piedoso Bispo Simpson ensinava que estes “irmãos” já
eram cristãos: que Deus pleiteava com eles por uma consagração mais
inteligente e completa; o corpo, morada atual da alma era palavra que devia
significar todo o ser. Quando tudo era trazido, com fé, ao altar — Cristo — “O
altar santificava a oferta”, vinha o poder santificador e a vida era, daí em
diante, “santa” e “aceitável a Deus”.

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(4) A Bíblia fala do “amor” como “O cumprimento da lei”, e a própria exigência de


Deus. (Mateus 22:37-40; Romanos 13:10). Os requisitos divinos para a
santidade na vida presente implicam em que “amemos o Senhor nosso Deus
com todo o nosso coração, e toda a alma, e todas as forças, e toda a mente, e
ao nosso próximo como a nós mesmos” (Lucas 10:27). Assim ensinava Jesus.
Este amor a Deus envolve adoração, reverência, submissão, fé e obediência
universal; este amor ao homem implica todos os esforços práticos e possíveis
para promover o seu bem estar. Isto é inteiramente praticável. Não se nos
pede que amemos com faculdades angélicas, mas com as nossas próprias; não
com a Sua mente ou grau de inteligência, mas com os nossos próprios. Diz o
Professor Henry Cowles: “A questão então se reduz simplesmente a isto: É
possível ao homem fazer e amar tudo o que pode? Pergunta sobre a qual não se
percebe lugar para controvérsia. Mal se precisa acrescentar que esta
santidade implica que todas as paixões egoístas e pecaminosas são
subjugadas, e não mais dominam” (Holiness, págs. 20-22).

(5) A Bíblia afirma a possibilidade de os cristãos alcançarem uma experiência em


que serão “mortos para o pecado”, tendo o “velho homem crucificado”, “O
corpo do pecado destruído” e “a alma liberta do pecado”.

Romanos 6:11: “Assim também considerai-vos mortos para o pecado, mas


vivos para Deus em Cristo Jesus”, e o verso: 6:6: “... foi crucificado com ele o
nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não
sirvamos o pecado como escravos”.

Sobre este último o Dr. Steele observa: “‘A palavra grega que significa
‘destruir’ nunca e usada por Paulo no sentido de tornar inativo, como
afirmam os que insistem que a raiz do pecado não morre enquanto não
houver ceifa pela velha Mortalidade. Diz Cremer, que não tinha parcialidade
doutrinaria a deturpar sua definição: ‘Alhures pode significar colocar fora de
ação, sem poder ou efeito; mas em Paulo e ‘aniquilar, terminar, reduzir a nada’.
Se alguma expressão pode ser mais forte do que esta, encontra-se na
crucificação recíproca de Gálatas 6:14: ‘Pela qual o mundo esta crucificado
para mim, e eu para o mundo”. ‘Este’, diz o Bispo Ellicot, ‘é um modo forte
de expressar a cessação completa de toda comunhão entre o apóstolo e o
mundo’. ‘Paulo e o mundo, a soma total de tudo o que se opõe ao reino
espiritual de Cristo, consideram-se mortos um e outro’. Por isso, não causa

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surpresa a declaração de Paulo de que se tornou livre da lei do (tendência


uniforme para o) pecado e da morte (espiritual). Não apenas a inclinação
para o pecado é removida, mas toma o seu lugar uma gravitação para o alto.
Assim como a cortiça salta do fundo do mar sobe rapidamente a superfície,
também a alma que ‘permanece em Cristo, busca as coisas que são de cima’“
(Half Hours With St. Paul, pág. 10).

Maravilhosa salvação! Que santifica de tal modo a alma, que ela e


“crucificada para o mundo” e “liberta” da tendência para o pecado, e
“morta” para todas as solicitações do mal!

(6) A Bíblia estende aos cristãos a possibilidade de serem cheios de Deus.

Efésios 3:19: “para que sejais tornados de toda a plenitude de Deus”, cap.
5:18 “Enchei-vos do Espírito”, “A posse do Espírito”, diz o Dr. A. J. Gordon,
“impele-nos irrevogavelmente à separação do pecado”. A plenitude de Deus
não pode ser concretizada por um coração corrupto e impuro. Era pela
santificação que Paulo orava a favor dos Efésios; e a linguagem não poderia
ir além, nem a oração poderia elevar-se mais do que o clímax desta petição
atingido por Paulo quando suplicava “que fossem tomados de toda a
plenitude de Deus”.

IV — Podemos inferir a possibilidade de salvação completa do pecado — santificação


completa — pelo PROPÓSITO DA VIDA E MORTE DE CRISTO, que nos foi revelado.
As Escrituras declaram que Ele veio “para dar fim aos pecados, para expiar a
iniquidade, para trazer a justiça eterna” (Daniel 9:24); e “conceder-nos que, livres
da mão de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele
todos os nossos dias” (Lucas 1:74-75). Eis aí libertação de todos os inimigos
espirituais e santificação não na morte, ou depois da morte, mas “todos os dias da
nossa vida”.

E ainda: “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a
“santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a
apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante
porém Santa e sem defeito.” (Efésios 5:25-27). Como pode uma igreja ser santificada,
e santa e sem defeito nem mácula, a não ser que esta maravilhosa bênção possa vir e
realmente venha a cada um dos seus membros individuais?

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E também: “Por isso foi que também Jesus, para santificação povo, pelo seu próprio
sangue, sofreu fora da porta” (Hebreus 13:12). “O qual a si mesmo se deu por nós, a
fim de remir-nos de toda iniquidade, e purificar para si mesmo um povo
exclusivamente Seu’ zeloso de boas obras“ (Tito 2:14). “Porquanto para isto mesmo
fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos
exemplo para seguirdes os seus passos; o qual não cometeu pecado” (I Pedro 2:21-22).
“Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo” (I João
3:8). Quais são as obras do diabo, senão o pecado e o pecar, a corrupção de nossos
corações, e a ruína de nossas vidas exteriores? Jesus veio para retificar tudo isto e
fazer-nos puros e santos. “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os
nossos pecados, para que nos, mortos aos pecados, vivamos para a justiça; por suas
chagas fostes sarados” (I Pedro 2:24).

Agora, considerai estas passagens em conjunto. Poderiam as declarações ser mais


claras, ou as evidências mais cumulativas? Deus pôs todo o Seu coração nesta obra;
concebeu o grande plano da salvação para restaurar à santidade o homem decaído.
Cristo deu-Se a Si mesmo, a fim de realizar esta obra. O Espírito renova crentes
individualmente dando-lhes depois o “batismo de fogo” santificador, ‘para
consumir todo o mal oculto em seus corações, e fazê-los santos.

Diz o Professor Henry Cowles: “O plano manifestamente prevê a realização da


obra na vida presente, pois os instrumentos usados, são-no aqui e, que nos conste,
aqui somente. Assim como a festa de perdão do Evangelho não será feita em vão,
embora muitos escarneçam, assim também estas provisões para a santificação, e
este grande desígnio de ter uma igreja gloriosa, sem mancha, não será frustrado.
Deus seja louvado por isto, o louvor e Seu o plano que Ele lançou, as provisões e a
execução, são obra Sua. Que felicidade pensar que Deus está empregando os
recursos da Trindade para redimir do pecado uma raça revoltada! Que a obra
continue, e nada da terra ou de debaixo dela, impeça o seu progresso” (págs. 26,
27).

V — Um argumento irretorquível em favor da possibilidade da santificação e a OBRA


MEDIATÓRIA CONTÍNUA de Cristo. Quando se despedia dos discípulos, Suas
palavras foram: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”
(Mateus 28:20). “Vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25). Ele “O
que santifica” Seus filhos “conduzindo muitos a gloria” (Hebreus 2:10-11). Ele
trabalhou em Sua obra expiatória e ainda trabalha, “a fim de que o preceito da lei se

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cumprisse EM NÓS que caminhamos não segundo a carne, mas segundo o Espírito”
(Romanos 8:4). Quando Seus amados o permitirem. Ele virá e for a Sua “habitação
com eles” e “vivera neles” a vida santificada que agrada a Deus. Eis a explicação de
Paulo para a sua própria vida santa e sem mácula: “Estou crucificado com Cristo
logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:19-20). O velho
homem do pecado estava crucificado e morto; o principio pecaminoso estava
extinto, e agora Jesus vivia a vida perfeita nele e para ele. Martinho Lutero referia-se
provavelmente a uma experiência semelhante quando um estranho bateu a sua
porta, perguntando se Lutero morava ali. Sua resposta foi: “Não, senhor, Lutero
não mora mais aqui, Jesus Cristo é quem mora aqui agora”. Paulo estava consciente
de uma vida espiritual que não era tanto sua como de Cristo, que a criara e a
sustentava. “Porque aprouve a Deus que nele residisse toda plenitude’’
(Colossenses 1:19). “Porque todos nós temos recebido de sua plenitude, e graça
sobre graça” (João 1:16). Quando se busca, e se preza e se usa esta graça da
plenitude de Deus”, tanto mais ela e concedida graça sobre graça”. Este mesmo
Jesus Cristo “nos foi feito sabedoria de Deus, e justiça (‘justificação’ no grego), e
santificação, e redenção”. Diz o Prof. Henry Cowles: “Aqui temos o inventário das
bênçãos espirituais que vem de Cristo. E de que mais necessita o cristão? Sabedoria
para guiá-lo; retidão para ser aceito por Deus; santificação preparando-o para o céu;
e redenção para comprá-lo da maldição da lei, e da escravidão do pecado... De que
maneira maravilhosa Cristo Se fez tudo para nós, e isso também por Deus mesmo!
Não admira, pois, as palavras de Paulo (Colossenses 2:9-10): “Nele habita
corporalmente toda a plenitude da Divindade; também nEle estais aperfeiçoados”.
E ainda: “Ele e fiel e justo para nos perdoar os pecados”. E o que mais? “E para nos
purificar de toda injustiça” (I João 1:9). Isso é a santificação.

Ainda mais, através deste Salvador intercessório, temos todos os recursos da oração
postos ao nosso dispor. “Até agora nada tendes pedido em meu nome (v. 24); se
pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vô-la concederá em meu nome” (v. 23) (João
16:23-24). O cristão é espiritualmente pobre e falido em si mesmo; com o uso do
nome de Cristo, ele pode retirar sem limite das reservas infinitas da graça, o cristão
é fraco em si mesmo, mas é “forte no Senhor”, o Salvador que o santifica (Efésios
6:10). Que importa o que ou quem sejam os seus adversários, se Cristo é sua força, e
o “Capitão de sua Salvação”? Que importa quais ou quantas e quão sutis sejam as
tentações, se Jesus é o seu refúgio da tempestade, e sua proteção no temporal? Bem
pergunta o Prof. Cowles: “A Bíblia não exibe as provisões mais gloriosas e

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adequadas para ajuda do cristão na vida de santidade? Necessita viver em pecado e


privação aquele que tem o nome de Cristo por seu credito — o poder e a ajuda de
Cristo para a sua fraqueza — a sabedoria de Cristo para a sua loucura, e a presença
inspiradora de Cristo em todo o seu ser, como atmosfera de sua vida espiritual?”
(Holiness, pág. 48).

VI — Outro argumento irretorquível em favor da possibilidade de completa salvação pode


ser retirado da OBRA REVELADA DO ESPÍRITO como santificador. A obra do Espírito
e tão vasta e multiforme que uma descrição dela encheria um volume. Aqui
podemos dizer apenas em resumo que o Espírito “ensina” a verdade divina, revela
Cristo em toda a Sua obra expiatória e santificadora. Ele ainda “reprova”, “convence”
o mundo do pecado, conforta na provação, desenvolve o “fruto do Espírito” nas
almas dos crentes “derrama o amor de Deus” em seus corações, “ajuda as nossas
fraquezas”, “faz intercessão pelos Santos”. Os crentes que abrem os corações para
receber, tornam-se “cheios do Espírito”, até deles “fluirão rios de água viva” de
influência santa. “As afeições santas são livres e fluem na medida exata em que
buscamos e obtemos a ajuda do Espírito. Docemente espontâneos são o amor e a
obediência, quando o Espírito move e sensibiliza a alma. Ainda mais: “Porque nós
somos santuário do Deus vivente” (II Coríntios 6:16). “Acaso não sabeis que o
vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós?” (I Coríntios 6:19).

E ainda, o Espírito nos “enche”: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há
dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18). Gordon observa: “O verbo
passivo usado aqui no inglês é sugestivo. A vontade rendida, o corpo submisso, o
coração esvaziado são os grandes requisitos para a Sua vinda. E quando Ele chega e
enche o crente, o resultado é uma espécie de atividade passiva, como de alguém
usado e controlado, em lugar de dirigir seus próprios esforços. Sob a influência de
bebida forte, há uma efusão de tudo o que o mau Espírito inspira — frivolidade,
profanação e conduta desordenada. Intoxicai-vos de Deus”, o apóstolo parecia
dizer: “Deixai que o Espírito de Deus vos domine de tal modo que vos
transbordareis em salmos e hinos e cânticos espirituais”. E agora observa leitor o
efeito de estar assim “cheio do Espírito”. Mencionam-se três, que culminam num
quarto efeito, a saber: poder, selo, unção, e SANTIFICAÇÃO.

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (Atos 1:8).
“Fortalecidos com poder mediante o seu Espírito no homem interior” (Efésios 3:16).
Eis a fonte de PODER para fazer a vontade de Deus — PODER para fazer a vontade

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de Deus — não os nossos esforços próprios, heroicos e resolutos, mas o poder


conquistador do Deus que em nós faz morada, a quem nos entregamos para ser por
Ele controlados. Diz Godet: “O homem é um vaso destinado a receber Deus, vaso
que deve ser aumentado, à medida que se enche, e deve ser enchido à medida que
aumenta”. Acrescenta o Dr. Gordon: “Conscientemente ou não, toda nova vida se
deve ao fato da vinda do Espírito Santo em novo poder para a alma; e quanto mais
compreendemos isto conscientemente, mais o Espírito Santo ocupa Seu devido
lugar nos nossos corações. E é somente quando conscientemente aceito em todo o
Seu poder, que podemos nos considerar ‘batizados’ ou ‘cheios’ do Espírito Santo”.

E agora o “SELO”: “Ora, aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu,
é Deus; que também nos SELOU, e nos concedeu o penhor do Espírito nos
corações” (II Coríntios 1:21-22). Que significa esta transação divina? O Dr. Gordon
dirige a nossa atenção para uma explicação em II Timóteo 2:19: “Entretanto, o firme
fundamento de Deus permanece, tendo este selo: ‘Senhor conhece os que lhe
pertencem’. E mais: ‘Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do
Senhor’. Em outras palavras, Deus põe o Seu selo em nós, como no correio e
colocado um “selo” especial sobre a encomenda de valor. As duas inscrições do
selo que Deus coloca em nós são — POSSE E SANTIDADE. Sobre a fronte dos
antigos sumo-sacerdotes eram seladas estas palavras: “Santidade ao Senhor”. Sobre
os que quiserem ter a plenitude da bênção hoje, o Espírito põe o selo da posse de
Deus e da irrevogável separação do pecado sobre todo seu ser.

Depois há a “UNÇÃO”. Disse Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque
me ungiu para evangelizar” (Lucas 4:18). “Tendes a unção do Santo, e conheceis
todas as coisas” (I João 2:20). Eis o discernimento espiritual e a percepção divina da
verdade do Evangelho que só o Espírito pode dar. “Nenhum homem pode dizer
‘Jesus é o Senhor’, senão pelo Espírito”. Só o Espírito Santo pode revelar aos
homens o senhorio de Jesus, e “a palavra de sabedoria” e a “palavra de
conhecimento” (I Coríntios 12:3, 8). Ele Tem a chave do conhecimento dos mistérios
divinos, e enche o coração com o entendimento da verdade que santifica a alma. “O
selo de certeza e consagração; a plenitude do poder, e a unção do conhecimento”.
Todos estes dons se acham incluídos no dom único do Espírito Santo. E para que
fim?

Agora chegamos ao clímax de tudo. “Deus nos escolheu desde o princípio para a
salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (II Tessalonicenses 2:13).

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“Eleitos... em santificação do Espírito para obediência” (I Pedro 1:2). A palavra


santificação é tradução do grego hagiasmos. Escreve o Dr. Steele: “É usada dez vezes
no Novo Testamento. Na versão antiga é traduzida por ‘santidade’ cinco vezes, e
cinco por ‘santificação”. Na tradução revista a tradução é sempre ‘santificação’. Esta
é a tradução mais exata, pois a terminação “mos” em grego significa um ATO, como
em português a terminação “ção”. Daí terem os revisores fornecido cinco novos
textos-prova para a definição de santificação como um ato no Catecismo da Igreja
Episcopal Metodista: ‘Resposta 57. Santificação é o ato da graça divina pelo qual
somos feitos santos’. “O ato é de remoção da impureza existente na natureza de
quem já nasceu do Espírito. Libertação do pecado como uma tendência inata e ato de
Deus através do Espírito Santo.” (Half Hours, pág. 106). Os teólogos que falam e
escrevem sobre a santificação como um longo processo indefinido, nebuloso, de
crescimento humano, que começa em qualquer ponto e termina em parte nenhuma
desta vida, devem observar que o Novo Testamento grego demonstra ser a
santificação um ATO INSTANTÂNEO do ESPÍRITO onipotente de DEUS.

E saiba a alma faminta e humilde, em busca da pureza, que o Espírito Santo paira
sobre ela para ensinar, advertir, interceder por ela junto a Deus; e se lhO permitir, e
pedir a grande bênção, o Espírito entrará e a encherá, e a selará, e ungirá,
santificando-a, por um único ato de graça bendita, todo purificador.

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CAPÍTULO VI

EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (II)

Vimos no capítulo anterior às argumentos que se podem extrair em prol da


santificação completa: da probabilidade; do ensino geral da Bíblia; das descrições bíblicas
sobre os crentes; do proposito da vida e morte de Cristo; e também da Sua obra
intercessória continua; e da obra revelada do Espírito.

Chegamos agora a um argumento igualmente irrespondível.

VII — DEUS ORDENA AO SEU POVO QUE SEJA SANTO — Começamos com
Abraão e lemos em Genesis 17:1: “Eu sou o Deus Todo-poderoso: anda na minha
presença e se perfeito”. Sobre esta passagem sintetizo um comentário do Dr. Steele:
“Vinte e quatro anos depois do primeiro chamado de Abraão, e diversos anos
depois de sua justificação, quando creu em Deus e isso lhe foi atribuído como
justiça, passou pela terceira e final transição de sua carreira religiosa, que na
linguagem moderna se chamaria sua perfeição espiritual, Quando tinha noventa e
nove anos, Jeová lhe revelou Sua onipotência, sob o nome de EL-Xadai, Deus Todo-
Poderoso, como base de um novo mandamento: ‘Se perfeito’. Com esta ordem
houve a instituição da circuncisão, demonstração típica da circuncisão espiritual,
ou santificação completa, que é a porta da perfeição cristã. Aqui encontramos um
tipo notório de pecado original ou nato, eliminado pela ‘circuncisão de Cristo’
através do instrumento do Espírito santificador, não com o extermínio gradual da
depravação natural, mas pelo tratamento heroico da excisão INSTANTÂNEA. A
doutrina da circuncisão espiritual é, pois, uma espada de dois gumes, cortando o
pelagianismo (negação do pecado inato) com um gume, e o gradualismo (que nega a
sua extinção instantânea, com outro. Em anos posteriores, Deus verificou que
Abraão era perfeito em lealdade e amor e, no teste supremo de sua fé, ao obedecer à
ordem para oferecer o sacrifício de Isaque, demonstrou o fato a todas as gerações
seguintes” (Half Hours, págs. 166, 167).

Novamente, Deuteronômio 6:4-5, “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único


Senhor. Amaras, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todas as tuas forças”. E como pode tal vida ser vivida por homens

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depravados? Deuteronômio 30:6 revela-nos o segredo: “O Senhor teu Deus


circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor
teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas”. Isto é, quando o
Deus Todo-Poderoso de Abraão colocar sua mão santificadora sobre a alma no
ATO INSTANTÂNEO da circuncisão espiritual, então poderá viver a vida do
perfeito amor.

Jesus deu esta mesma ordem em termos ainda mais enérgicos em Mateus 22:37-39 e
Lucas 10:27 — ordem que nenhum homem jamais cumpriu antes que Deus o
preparasse para tal, santificando-lhe a alma.

Jesus ordenou outra vez em Mateus 5:48, “Sede vós perfeitos, como perfeito é o
vosso Pai celeste”.

Romanos 6:11: “Assim também vos, considerai-vos mortos para o pecado, mas
vivos para Deus em Cristo Jesus”. Eis o comentário do Dr. Dugan Clark, professor
de Teologia Sistemática do Earlham College, sobre esta passagem: “Somos
inteiramente incapazes de destruir ou exterminar o corpo do pecado por qualquer
resolução ou poder da vontade em nós mesmos. O pecado não falecerá à nossa
ordem, nem podemos tornar-nos mortos para o pecado desejando ou esforçando-
nos para isso. Achamo-nos de novo, face a face com a nossa fraqueza, porem o
apóstolo resolve o problema instruindo-nos a recorrer ao processo de calcular
(considerar). ‘Assim também vós, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos
para Deus em Cristo Jesus’ (Romanos 6:11). Ah, agora o nosso socorro vem daquele
que é Todo-Poderoso! ‘As coisas impossíveis aos homens, são possíveis a Deus’. O
que calculamos, com o calcular sublime da fé, Cristo pode tornar real e verdadeiro.
Portanto, temos apenas de calcular-nos mortos, na verdade, para o pecado,
deixando que Ele faça o cálculo ter valor. Mas não devemos deixar de calcular-nos
vivos, assim como mortos. E estar vivos para Deus, significa sermos sensíveis as
sugestões da Sua vontade, amá-Lo com perfeição, ser, fazer, suportar tudo o que
Ele possa determinar com relação a nós; em suma, ser inteiramente santificados. Ó
amados, que calcular sublime é o calcular da fé! Quão vastamente transcende todos
os cálculos da lógica ou da matemática. Com ele experimentamos uma morte
contínua para o pecado, e uma santidade contínua de coração e de vida” (Theology
of Holiness, pág. 97).

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Romanos 6:13: “Oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos


membros a Deus como instrumentos de justiça”. O Dr. Clark também comenta este
versículo: “A ordem é ‘oferecei-vos’, não uma certa porção do vosso dinheiro, nem
uma certa porção de vosso esforço, nem dos vossos pecados, nem de vossas
indulgências proibidas... Consagração significa oferecer-nos a Deus. Quando nos
oferecem os a nós próprios, oferecem os tudo o mais. Todas as minucias se incluem
na simples rendição de nós mesmos” (págs. 43, 44).

E a transação pessoal de um coração já regenerado — “ressuscitado dentre os


mortos” — com um Deus pessoal, pela santidade completa e maior glória de um
Salvador que santifica.

Hebreus 12:14: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém vera o
Senhor”. “Somente os seres santos podem elevar-se a vista do Santo. Sempre que as
Escrituras falam de visão divina como prerrogativa dos santificados, e uma
percepção bem-aventurada, espiritual de Deus, nesta vida. A percepção espiritual
vem do amor; o amor vem do Espírito, que enche o coração santificado, excluindo
as tendências pecaminosas. Por isso a santificação da uma visão espiritual clara”
(Half Hours, págs. 107, 108).

Efésios 4:22-24: “No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do
velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos
renoveis no Espírito do vosso entendimento, e vos revistais do. novo homem,
criado segundo. Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.

Em I Pedro 1:15-16, lemos: “Segundo e santo aquele que vos chamou, tornai-vos
santos também vós mesmos em todo vosso procedimento, porque escrito está: ‘sede
santos, porque eu sou santo”‘.

Ao lado dessas ordens, colocamos duas outras passagens indicando o desejo e os


esforços de Deus para produzir a santidade nos crentes.

Efésios 1:4: “Escolheu-nos Ele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis perante Ele”. Colossenses 1:22, “Reconciliou-vos no corpo da sua
carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante Ele santos, inculpáveis e
irrepreensíveis”. Estas palavras “perfeito”, “santo” e “santidade” indicam
inegavelmente a santificação que faz parte da própria essência da natureza moral.
A santidade dos anjos e inerente e natural; no homem e um estado divinamente

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elaborado e gracioso. “Santos e irrepreensíveis perante Ele em amor”. O amor e o


elemento em que existe a santidade. “Por isso”, observa Steele, “uma santidade
rude, uma santidade amarga, uma santidade áspera, uma santidade invejosa, e
uma contradição e uma impossibilidade”.

Mas que diremos destas ordens de Deus como um todo? Será Deus um tirano
insensível, emitindo ordens a uma raça de seres morais que não pode cumprir
nenhuma delas? São ordens tão enérgicas como as outras da Bíblia; e se a santidade
e inacessível, então Deus ordena o impossível. Afirmá-lo é fazer ímpia reflexão
sobre a sua santidade. Alguém observou que todas as ordens de Deus são
habilitações; Ele nos proporciona graciosa habilitação para executar tudo o que
ordena. “Não que por nós mesmos sejamos capazes,... mas a nossa suficiência vem
de Deus”. (II Coríntios 3:5). Mas um Espírito santificador, um Cristo que em nós
habita, pode viver em nós uma vida santa, “que e o nosso culto racional”. “Os seus
mandamentos não são penosos” (I João 5:3).

VII — Outro argumento conclusivo vem das promessas de Deus que promete
santidade aos que a buscam. Vejamos Ezequiel 36:25-27: “então aspergirei água
pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os
vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós
Espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei
dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os
meus juízos e os observeis”. Verso 29: “Livrar-vos-ei de todas as vossas
imundícias”.

Sobre esta passagem observa Mahan: “Aqui são especificamente prometidas, em


toda plenitude, três grandes bênçãos: (1) purificação completa e perfeita de todas as
disposições, tendências e hábitos pecaminosos; (2) uma renovação igualmente
completa e perfeita, o dom de um novo Espírito’, e um coração de carne’, em lugar
do coração de pedra que tinha sido retirado da carne; (3) e o ‘dom do Espírito
Santo’, com cuja permanência o crente e ‘revestido de poder’ para toda boa obra e
palavra, e aperfeiçoado. na obediência aos estatutos e julgamentos de Deus”
(Autobiography, pág. 293).

O leitor observará que cada item desta promessa coloca-se diante de nós como obra
exclusiva de Deus. “Aspergirei”, etc. Não somos santificados gradualmente por
nossos próprios esforços fracos, esporádicos, durante a vida toda, mas pelo ATO

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INSTANTÂNEO de purificação feito por Deus. Nossa parte e revelada no verso 37:
“Assim diz o Senhor Deus: Ainda nisto permitirei que seja eu solicitado pela casa
de Israel, que lho faça” (inexistente em algumas edições). A parte de Deus é manter
Sua aliança conosco e executar a obra.

Malaquias 4:2: “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da
justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da
estrebaria”. “Primeiro a salvação ou santificação — repentina como o nascer do sol;
depois o crescimento. Esta é a ordem de Deus. Se negligenciarmos a salvação
santificadora do Sol da Justiça, nosso crescimento será muito intermitente e fraco, em
lugar de ‘indo de força em força’” (Autobiography, pág. 294).

Mateus 5:6: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão
fartos”. Diz o Prof. Henry Cowles, comentador bíblico: “Justiça aqui significa ser
justo — reto. É duvidoso que nosso Salvador jamais tenha usado a palavra justiça no
sentido de justificação pela fé. A santidade pessoal e naturalmente o objetivo da
fome e sede. Se, pois, como supomos, a passagem fala de santidade pessoal, e
sumamente rica em promessa. Qual é a medida da bênção prometida? E uma
porção mesquinha, para se provar um pouco de vez em quando, apenas para evitar
a inanição? É esta a maneira e a medida em que Deus alimenta os seus filhos
famintos com o pão da vida? Não; ‘eles serão fartos’. Mas dir-se-á que esta promessa
é para ser cumprida apenas no céu. E eu respondo: tenho fome e sede agora, do pão
e da água da vida; aflige-me o coração o pecado dentro de mim, e afunda minha
alma de modo atroz, e como posso viver assim? Examinarei outras promessas em
busca de mais luz; Cristo disse: ‘Eu sou o pão da vida: aquele que vier a mim nunca
terá fome, e aquele que crer em mim nunca terá sede, mas a água que eu lhe der
será nele um poço de água que brota para a vida eterna’. E lembrai-vos do que foi
dito: ‘Esta á a vontade de Deus, a vossa santificação’. ‘E o mesmo Deus de paz vos
santifique em tudo’. ‘Fiel é o que vos chama o qual também o fará’: o que poderia
ter sido mais claro? Deus providenciou para que alcancemos nesta vida toda a
santidade que Ele exige” (Holiness, págs. 80-86).

Lucas 1:74-75: “Conceder-nos que, livres da mão de inimigos, o adorássemos sem


temor, em santidade e justiça perante Ele, todos os nossos dias”.

I Coríntios 1:8: “O qual também vos confirmará até ao fim, para serdes
irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo”.

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Filipenses 4:19: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em


Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”.

Sobre este versículo escreveu a piedosa Frances Ridley Havergal: “Chegamos a


mesma conclusão (possibilidade de santificação) começando de qualquer ponto.
Tomemos Filipenses 4:19 — Vossas necessidades. Bem, qual é a minha grande
necessidade, e o grande anseio da minha alma? Certamente e agora (tendo sido
justificada pela fé e tendo a certeza da salvação), tornar-me SANTA pelo contínuo
PODER SANTIFICADOR DO ESPÍRITO DE DEUS; deixar de ofender o Senhor Jesus; e
deixar de pensar ou fazer o que quer que não esteja de acordo com Sua santa vontade.”

“Oh, e que necessidade e esta! E está escrito: Ele suprirá todas as vossas
necessidades. Vamos agora torcer o sentido e dizer que todas não significa bem
todas? Quanto aos mandamentos e quanto as promessas, parece-me que, se não
crermos neles como são, estaremos fazendo como a serpente, e dizendo ‘E assim
que Deus disse’?” (Forty Witnesses, pág. 42).

Esta abençoada senhora apegou-se a Jesus, pela fé, para tudo de que ela necessitava
— santificação completa — em 2 de dezembro de 1873, sendo-lhe imediatamente
concedida uma experiência que, para usar suas próprias palavras, “elevou-a para a
luz perfeita de um sol glorioso; tudo o que experimentara antes mais se
assemelhava com uns pálidos raios passageiros de primavera, comparado com a
plenitude do brilho do verão”. Dois meses depois, escreveu seu imortal hino de
consagração:

“Toma a minha vida inteira, que ela, Senhor, seja consagrada a Ti”.

Cinco anos depois, lembrando-se do pecado inato que a perturbara antes, mas fora
lavada pelo sangue de Cristo, escreveu:

“Conheço a mancha rubra do pecado, Como corrompe o corpo todo e a alma; Mas regozijo-
me em saber agora Que Ele fez-me branco como a neve. Louvores dou, porque santificou-me,
Lavando-me no sangue de Jesus”.

II Coríntios 7:1: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda


impureza, tanto da carne como do Espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no
temor de Deus”.

Diz o Dr. Steele: “Toda impureza da carne e do Espírito deve ser purificada no ATO
da santidade que aperfeiçoa. Paulo não deixa supor que o pecado continue até a

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morte. Tendo estas promessas, como filhos e filhas adotivos, a obra da santificação
completa deve ser aperfeiçoada de maneira tão cabal, que exclua toda ‘impureza da
carne’ — todas as tendências para os pecados que encontram expressão através do
corpo, — ‘e do Espírito’, toda mancha do Espírito que incite aos pecados
independentes do organismo material, como o orgulho, a incredulidade, a rebelião,
o ódio, etc. A doutrina ensinada por São Paulo e que a circuncisão espiritual segue-
se a filiação espiritual, a fim de aperfeiçoar a santidade. Em parte alguma as
Escrituras exortam os pecadores impenitentes a santidade, mas antes ao
arrependimento e ao novo nascimento. Só aqueles que ‘foram feitos participantes
do Espírito Santo’ podem encher-se do Espírito; s6 os que se tornaram crentes
podem subir as alturas da fé perfeita; e só os que tem vida estão preparados para
ter a vida mais abundante” (Half Hours, págs. 91, 162).

II Pedro 1:4: “Pelas quais nos tem sido doadas as suas preciosas e mui grandes
promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina,
livrando-nos da corrupção das paixões que há no mundo”. Agora chegamos a
conclusão de todo o tema, as duas coisas que os seres humanos universalmente
necessitam: primeiro, “livrar-se” da corrupção universal da natureza humana que
está no mundo; segundo, “tornar-se participantes da natureza divina”. Esta e
precisamente a obra do Espírito santificador de Deus — purificar os nossos
corações, e tornar a nossa natureza santa, como a de Cristo. E estas promessas todas
convergem exatamente para este fim.

“Todos estes mandamentos e promessas são correlatos”. Deus dá forças para


executar as ordens Suas, conforme promete. Acham-se todas no tempo presente, e
devem ser de imediata realização na vida presente. Delas disse o Presidente Mahn:
“As passagens não expressam outra coisa senão salvação de TODO pecado em sua
inteireza, e santificação de modo cabal e plena; salvação e santificação, nesta forma
específica e exclusiva, apresentam-se em termos cujo sentido não pode ser
confundido ou mal compreendido. Se nos autorizam e exigem de nós que pecamos
a Deus que raça alguma coisa por nos, autorizam-nos e exigem que pecamos e
esperemos ‘salvação total’, e nada menos do que isto. Negar a doutrina da
santificação completa e nada menos e Não pode ser outra coisa senão uma visível
pusilanimidade diante das mais sagradas promessas de Deus, que a inspiração
afirma serem todas ‘sim e amem em Cristo Jesus” (Autobiography, pág. 340).

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CAPÍTULO VII

EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (III)

Aproximamo-nos agora de um dos argumentos mais poderosos, para quem


conhece o significado da oração, pois, —

IX — CRISTO E OS ESCRITORES INSPIRADOS ORARAM pedindo que os crentes


fossem assim santificados. Que é a oração? É uma forma de ginástica espiritual cujo
único benefício é o desenvolvimento do músculo da alma pela influência reflexa?
Ou é a voz de um filho pedindo ao pai o que o pai o encorajou a pedir, e prometeu
conceder? Esta é a única concepção racional, bem como quase universal, da oração.
Aquilo pelo que Jesus e os apóstolos inspirados oraram, pois, é prova do que Deus
está desejoso de fazer por nós, e que é possível ao homem receber. “A meu ver”, diz
Mahan, “nenhuma verdade poderá ser mais evidente do que esta, de que o Espirito
Santo nunca influenciou ou inspirou Cristo, nem os apóstolos e homens santos a
pedirem uma determinada bênção, (e jamais inspirou homens a lavrarem nas
Escrituras súplicas por semelhante bênção) que Deus, nas mesmas Escrituras, leva-
nos a acreditar que Ele jamais mandou, nem mandara sobre crente algum em época
alguma”. E verdade; portanto, o que Jesus e Paulo pediram orando, é possível aos
crentes experimentarem. Qualquer outra teoria e fatal a própria oração, e é absurdo
consumado, mesmo que seja apoiada pelos ensinos de teólogos famosos e
endossada por um catecismo com centenas de anos de idade.

Voltemos nossa atenção agora para algumas orações da Bíblia. Jesus orou e ensinou
Seus discípulos a orar (Mateus 6:10): “Faça-se a tua vontade, assim na terra como
no céu”. Ninguém pode negar que os santos e os anjos no céu são santos e
santificados. Então Jesus ora para que os crentes sejam santificados na terra. E
depois: “Livra-nos do mal” (verso 13). Não existe mal a não ser o pecado, e as
consequências do pecado. Quando formos libertados do pecado, seremos
santificados. João 17:17 — “Santifica-os na verdade”. João 17:15 — “Peço-te que os
guardes do mal”. João 17:23 — “Eu neles e tu em mim, a fim de que sejam
aperfeiçoados na unidade”. Quem pode negar que estas orações são pela perfeição
do cristão — a santificação do povo de Deus? Quem ousará afirmar que o Filho de

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Deus estava orando por alguma coisa que não era “de acordo com a vontade de
Deus”, e, portanto, impossível?

II Coríntios 13:9: “E isto é o que pedimos, o vosso aperfeiçoamento”, Meyer diz que
Paulo pedia pelo “vosso completo adestramento, perfeição na moralidade cristã”.
Diz Whedon que Ele orava pela “completa simetria do caráter cristão”. Alford diz:
“Perfeição geral em todas as coisas boas”. E Steele: “Este era o peso da oração de
Paulo a favor dos membros da igreja de Corinto. Paulo possuía muito bom senso
para esbanjar seu tempo num assunto cuja solução era impraticável nesta vida, e
por algo que forçosamente lhes viria na hora da morte” (Half Hours, pág. 115).

Efésios 3:15-21 é o registro das maravilhosas orações de Paulo pela santificação dos
crentes. Vamos transcrever algumas, e ouvir as interpretações dos estudiosos.
“Ponho-me de joelhos diante do Pai... que assim habite Cristo em vossos corações
pela fé”. “Para que Cristo possa fazer a sua morada duradoura em vossos corações”
(Alford and Ellicott). “Esta versão”, diz Steele, “dá força ao tempo aoristo”. Meyer
diz que, em oposição a este fazer a morada duradoura de Cristo, é uma recepção
transitória do Espírito Santo, como em Gálatas 3:3. “Tendo começado no Espírito,
estais agora vos aperfeiçoando na carne?” Steele acrescenta: “Esta e uma pergunta
perscrutadora, que muitos crentes modernos do tipo dos gálatas, deveriam
ponderar seriamente. Buscam ansiosamente os prazeres mundanos, andam de
namoro com as tentações, indagando: “Que mal há na dança, nos teatros e cinemas,
no jogo de cartas?” São tudo provas dolorosas de que o Santo Consolador, o poço
artesiano de águas, não está neles, saltando para a vida eterna”.

“E instrutivo também observar que Cristo habita somente no centro vital de nosso
ser, não na língua, o que produziria uma religião apenas verbal; não na mão, o que
faria uma rotina de obras inanimadas; porém no coração, que governa a língua, as
mãos e os pés, fazendo-os instrumentos de um serviço voluntário e alegre. Ele
nunca faz Sua morada apenas no cérebro: mas o Seu propósito é, depois de
apossar-Se do coração estender Sua conquista até o intelecto. Inverter esta ordem
seria reduzir o cristianismo a uma teoria, em lugar de uma experiência jubilosa. Um
Cristo que é permitido a fazer uma visita médica ao intelecto de vez em quando,
não pode dar à alma o repouso do Cristo que Se torna o hóspede permanente do
coração” (Half Hours, pág. 19).

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“Estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender


com todos os santos qual e a largura, e o comprimento, e a altura, e a
profundidade” (Efésios 3:17-18). “O tempo do verbo ‘apreender’ (compreender),
sugere Ellicott, implica unidade (singeleza) de ação, como se, através do
APERFEIÇOAMENTO INSTANTÂNEO do amor, viesse uma súbita revelação de
Deus a alma através da face do Seu adorável Filho, revelada pelo Espírito Santo”
(pág. 20).

“Quando ele ora para que os crentes de Éfeso possam compreender, com todos os
santos’, sugere a ideia do privilégio igual de todos atribuindo ao cristão mais
humilde o conhecimento mais elevado e mais precioso”.

“‘Para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus (Efésios 3:19). Paulo pede
aqui algo mais do que o início de uma vida cristã. O novo nascimento começa com
o amor de Deus derramado no coração pelo Espírito Santo. Mas esse coração é
estreito e precisa ampliar-se; restam nele impurezas que necessitam purificação.
Denota-se aqui o ato supremo, ‘para que sejais tornados de toda a plenitude de
Deus” (pág. 23).

I Tessalonicenses 5:23: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso


espírito, alma e corpo” sejam conservados íntegros e irrepreensíveis”. Eis aí a
santificação INSTANTÂNEA, não após a morte, não à hora da morte, nem por um
processo que acompanha, a vida inteira, nem pelo método do crescimento, se é que
as palavras podem ensinar tais coisas. Diz o Dr. Steele: “O tempo aoristo do verbo
‘santificar’, denotando AÇÃO COMPLETADA E INSTANTÂNEA e distinguindo-se
de uma continuação ou repetição, reforça nossa posição de que estas passagens não
ensinam a purificação post-mortem. Esta observação e de especial proveito para
alguns bons teólogos, ortodoxos em outros pontos, e que rejeitam a conclusão
filosófica moderna de que se possa dar uma mudança de relação às leis de Deus da
condenação para a justificação, depois da morte, porem apreciam a doutrina do
aperfeiçoamento da SANTIFICAÇÃO após a morte, tendo aquela começado no
novo nascimento. A primeira teoria é tão destituída de fundamento bíblico como a
última. O único purgatório para o pecado é o sangue de Cristo. Afirmar que este
purgatório se estende desde a morte até o Dia do Julgamento e passar sobre o
abismo entre o protestantismo baseado na Bíblia e o romanismo construído sobre as
tradições. Seguir-se-ia logicamente a oração pelos mortos não santificados” (Half
Hours, págs. 85, 86).

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Diz o Dr. Lowrey: “O apóstolo implora duas bênçãos fundamentais: primeira, a


santificação completa; segunda, preservação nesse estado santificado até que Cristo
venha buscar as seus santos remidos” (pág. 286).

Oremos todos, pois, como Paulo, para que “Deus mesmo” possa “santificar-nos”
INSTANTANEAMENTE e inteiramente, aqui e agora.

I Tessalonicenses 3:13: “A fim de que sejam os vossos corações confirmados em


santidade, isentos de culpa”.

Hebreus 13:19-20: “Ora, o Deus de paz,... vos aperfeiçoe em todo bem”. E no


mesmo capítulo, para lançar luz sobre o significado da oração, lemos: “Por isso foi
que também Jesus, para santificar a povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da
porta”. (Hebreus 13:12).

Colossenses 4:12: “Saúda-vos Epafras, que é dentre vós servo de Cristo Jesus, o qual
se esforça sobremaneira, continuamente, por vós, nas orações, para que vos
conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus”.

O apóstolo cita esta oração de Epafras, endossando assim a petição. “Que


linguagem”, pergunta Finney, “poderia descrever mais perfeitamente um estado de
santificação completa? Se isto não é santificação, que é?” Mahan, citando esta
oração de Epafras e outras, observa: “Tal é o caráter constante dessas orações
inspiradas pelo Espírito, não para um aumento em santidade, ou para libertação
cada vez maior do pecado, mas para SALVAÇÃO TOTAL é para ‘nos mantermos
perfeitos e completos em toda vontade de Deus’, Pertencem tais orações, as quais em
toda sinceridade seria uma ofensa não repetirmos, pertencem elas ao que deseja
Deus consideremos inacessíveis? Será o Espírito de Deus assim contraditório? Do
fundo de meu coração respondo: “Não.” Quando assim oramos, comprometemo-
nos a contar com nada menos que ‘infinitamente mais do que tudo quanta pedimos
ou pensamos’“.

Se a obtenção da santidade nesta vida, aqui, agora, fosse uma noção visionária,
irrealizável, então Cristã não era sincero quando orava a Deus para santificar-nos,
colocando nos lábios de todos os crentes uma oração pela santidade — “Seja feita a
tua vontade assim na terra como no, céu”. Ficamos entre duas alternativas: ou estas
orações de Cristo, e Seus apóstolos foram estúpidos equívocos, orar e ensinar-nos a
orar por uma impossibilidade, ou ensinavam que a santificação e acessível nesta

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vida como soaria aos nossos ouvidos esta oração: Ó Senhor, ajuda-me a fazer a Tua
vontade perfeitamente, e a ser santo como Tu, daqui a dez anos, porém não agora?
Quem não vê que tal oração seria um escárnio de Deus?

X — Outro argumento irrespondível pode ser extraído das declarações escriturísticas sobre
o QUE CRISTO PODE FAZER por nós.

Jesus disse aos discípulos: “Todo poder me é dado no céu e na terra”. E a Bíblia nos
ensina expressamente que “Ele veio para destruir as obras do diabo”, e “santificar o
povo”. Até que ponto será exercitado o poder ilimitado do Salvador exaltado? Que
é que Lhe deu, e ainda dá, infinita dor e tristeza? O pecado. Que é que Ele aborrece
de modo absoluto? O pecado. Qual a finalidade de Sua encarnação, e qual o objetivo
de Sua obra mediatória? “Redimir-vos de toda iniquidade, e purificar para Si um
povo peculiar”.

Observemos agora as declarações especificas do que Jesus é CAPAZ de fazer por


nós, com todo o Seu infinito poder.

1 — Hebreus 2:18: “Pois naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é
poderoso para socorrer os que são tentados”. A palavra grega “socorro” é composta
do verbo “correr” e do substantive “clamar”. Significa “correr para ajudar os que
clamam pedindo ajuda”. Mas uma ajuda insuficiente não seria ajuda. Suponhamos
que o Gal. Grant, com dois milhões de homens sob suas ordens, instruísse um
coronel para atacar, com seu regimento, uma brigada do inimigo, dizendo: “Estou
perfeitamente preparado para socorrê-lo”; e durante o embate que se seguisse,
fornecesse ajuda insuficiente, deixando o coronel ser derrotado. Em tais
circunstâncias, quem não diria que o general Grant “prometeu com os lábios, mas
não cumpriu a promessa?” Seria possível que o Salvador, com “todo o poder no céu
e na terra”, assim nos tratasse, empenhados que estávamos na batalha pela
santidade, e clamando a Ele por ajuda? Sua santidade não permite que o
acreditemos. Entretanto, devemos crer nisso, ou então aceitar a verdade de que a
santificação completa é acessível.

2 — Judas 1:24: “Ora, aquele que e poderoso para vos guardar de tropeços e para
apresentar com exultação, imaculados diante de sua glória”. A versão antiga diz,
“sem cair”; mas a nova versão e ainda mais forte e mais consoladora, e diz-nos que
Cristo e capaz de guardar-nos “de tropeços”. “E o nosso dever”, como observa o
Dr. Steele, “não e sermos achados irrepreensíveis em algum canto escuro do

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universo, onde os pequenos defeitos não seriam observados, mas imaculados em


meio aos esplendores de Sua glória inefável. E isto é o que a graça, através do
Espírito Santo, o Santificador, é capaz de fazer pelo crente mais fraco que confia
com perseverança em Jesus Cristo, o adorável Filho de Deus é Salvador dos
homens”. “E o trabalho do Espírito Santo é completar tais caracteres nesta vida, não
na hora da morte, não nos fogos do purgatório depois da morte, como sugere o Dr.
Briggs, ao dizer que a santificação do crente pode completar-se no estado
intermediário” (Half Hours, págs. 29, 99, 103).

3 — Romanos 4:21: “Estando plenamente convicto de que Ele era poderoso para
cumprir o que prometera”. Relembremos nossas mentes de duas ou três promessas,
para verificar o que Ele é capaz de fazer. “Porei o meu Espírito dentro de vós, e farei
que andeis nos meus estatutos, e observeis os meus juízos e os cumprais” (Ezequiel
36:27). Em I Coríntios 10:13 “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana:
‘mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados’ além das vossas forças: pelo
contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a
possais suportar”. “A minha graça te basta: Porque o poder se aperfeiçoa na
fraqueza”. (II Coríntios 12:9). Mesmo antes que o Messias viesse, alguém foi
inspirado a dizer dEle: “Assentar-se-á, como derretedor e purificador de prata;
purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao
Senhor justas ofertas”. (Malaquias 3:3). “O mesmo de Deus de paz vos santifique
em tudo;... Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (I Tessalonicenses 5:23-
24). Maravilhosas promessas! E foram feitas por Um que e capaz de cumpri-las.
Jesus assenta-Se hoje em Seu trono de exaltação como um refinador — não somente
para reinar sobre a igreja, e purificá-la como um todo, mas a cada membro
individualmente. O cadinho são todas as poderosas provisões da graça. O Espírito
Santo e o fogo santificador. Jesus é o refinador diligente e experimentado, que é
capaz de “purgar” e “purificar” e “santificar” até que cada coração seja uma
imagem do Seu próprio.

4 — Romanos 14:4: “Mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster”.
No sentido bíblico, não existe queda senão no pecado, e eis aí a declaração de que
Jesus é capaz de nos suster. Isso parece impossível aos homens, segundo a
experiência cristã comum do sempre repetido pecar e arrepender-se; mas não é
impossível a um Salvador onipotente. “Pois Ele é abundantemente capaz de
salvar”.

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5 — II Timóteo 1:12: “estou certo de que e poderoso para guardar o meu depósito
até aquele dia”.

Nós todos sabemos o que e procurar guardar-nos firmes. Fizemos votos,


prometemos fidelidade, resolvemos viver para Deus e guardar os Seus
mandamentos. Estivemos vigilantes contra o cerco do pecado, mas, a despeito de
nossas vigílias, tem havido tentações súbitas e horas de fraqueza, e o nosso “velho
homem” do pecado levantou-se para derrubar-nos. Caímos e nos arrependemos,
choramos e oramos, e fizemos nova consagração e tentamos outra vez, apenas para
de novo enfrentar as horas negras e repetir os tristes fracassos, e descer as cinzas
em arrependimento e lágrimas. E a vida cristã da maioria dos crentes é feita
principalmente de uma repetição interminável destas experiências infelizes, e
destas tentativas infrutíferas de auto-manutenção. Mas Paulo encontrara uma
solução melhor: Aprendera com o Espírito Santo a “confiar-se” ao Salvador Todo-
Poderoso para manter a sua firmeza; e nunca ficou decepcionado. F. B. Meyer, de
Londres, diz: entregai-vos inteiramente a Jesus e Ele vos conservará. Ousareis dizer
que Ele pode tomar o oceano em Suas mãos, sustentar a abóbada celeste, e encher o
sol de luz durante milênios, mas não pode evitar que sejais vencidos pelo pecado,
ou levados pelos ímpetos de paixões iníquas? Não pode Ele livrar Seus santos da
espada, e Seus amados do poder do diabo? Ele tem todo o poder no céu e na terra,
mas tem de ficar paralisado diante dos demônios que vos possuem, incapaz de
expulsá-los? Fazer tais perguntas e respondê-las. Estou certo de que é ‘poderoso para
guardar’“.

6 — Atos 20:32: “... Tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que
são santificados”. Paulo estava se despedindo daquela amada igreja em Éfeso, pela
qual trabalhara em um de seus mais longos pastorados. A primeira pergunta que
fez ao chegar àquela igreja foi: “Tendes recebido o Espírito Santo, depois que
crestes?” (Atos 19:2). Esta grande doutrina do batismo no Espírito Santo para
santificação foi apresentada no inicio mesmo de seu ministério. E agora, ao dizer
adeus, pensando nos “lobos vorazes” que se lhe seguiriam, “falando coisas
perversas para arrastar apos si os discípulos” — ensinando coisas diferentes desta
poderosa doutrina de uma salvação total, que fora o ponto chave de sua pregação
— nesta separação solene, fala-lhes de um poderoso Salvador, “que tem poder de
vos dar herança entre as santificados” (Atos 20:32, versão revista).

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7 — Hebreus 7:25: “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam
a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. “Só este versículo seria suficiente
para provar que a santificação total e possível, e acessível... Temos aqui uma
palavra grega composta que significa ‘tudo até o fim’. A referência na tradução
inglesa revista diz que significa completamente, até o próprio fim’. Olshausen
afirma que o grego significa ‘completamente’, perfeitamente, cabalmente. Sobre o
assunto diz Lange: “A passagem não diz meramente que Ele salva sempre, ou para
sempre, mas salva de modo completo os que vem a Ele’“ Alford ensina que
significa ‘inteireza’, e não duração. Delitzsch concorda, dizendo: ‘significa
perfeitamente, completamente, até o fim, e que não há necessariamente qualquer
referência a tempo. Cristo é capaz de salvar em todo o sentido, a todos os respeitos,
de modo cabal; de sorte que toda falta e necessidade, em todas as suas dimensões, é
cabalmente abolida’. Diz McDonald: ‘Realmente, não há palavra que expresse mais
plenamente o fato de a salvação ser completa. A capacidade divina está empenhada
em fornecer uma salvação perfeita — uma obra terminada, inteira’“ (Saved to the
Uttermost, pág. 9).

Observa o Presidente Mahan: “Não poucos crentes, atualmente, admitem e


ensinam que podemos, pela fé, ser salvos do pecado atual, mas não do pecado
intrínseco.” Meus comentários sobre o assunto são:

“(1) As palavras ‘inteiramente santificado’, ‘salvo totalmente’, e ‘purificado de todo


pecado’, devem incluir o pecado sob todas as formas em que realmente exista. Seria
uma contradição de termos afirmar que uma pessoa é ‘inteiramente santificada’, ‘salva
de modo completo’, e ‘purificada de TODO pecado’, quando existe uma forma de
pecado, o pecado intrínseco, de que não pode ser salva.

“(2) Poderíamos com a mesma propriedade, e com a mesmíssima garantia das


Escrituras, isto é, sem garantia nenhuma, afirmar que a Bíblia ensina o inverso:
Salvação do pecado intrínseco, mas não do pecado atual.”

“(3) O testemunho das Escrituras sobre o assunto e perfeitamente claro e explícito.


Todos admitem que as expressões ‘pecado que em nós habita’, ‘corpo do pecado’,
‘O velho homem’, ‘a lei do pecado e da morte’, ‘O corpo desta morte’, e ‘as paixões
que guerreiam em nossos membros’, significam a mesma coisa e constituem o que
se chama ‘pecado intrínseco’. Que pretendem as Escrituras dizer com tais
expressões como as que seguem? ‘para que fosse destruído o corpo do pecado’;

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‘condenado (a destruição) o pecado na carne’; ‘nosso velho homem crucificado com


Ele’. Não existe dogma mais obviamente antibíblico do’ que o da não destruição do
corpo do pecado nos crentes” (Autobiography, pág. 344).

“Estas passagens nos autorizam e nos exigem que confiemos e esperemos uma
salvação nesta única forma completa e perfeita. Nega-lo e acusar o Espírito de Deus
de zombar da nossa desgraça e de todas as aspirações divinas que infundiu em
nossos corações; e zombar do modo mais revoltante que se possa conceber; isto é,
revelar Cristo como CAPAZ, no mais vital de todos os nossos interesses, de fazer
por nós o que Ele exige que acreditemos que Ele nunca fora por nós. Deus me livre
de lançar os alicerces de tal acusação contra o Espírito Inspirador” (Autobiography,
pág. 338).

8 — II Coríntios 9:8 “Deus PODE fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que,
tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra”. É
como se Paulo estivesse abusando dos recursos da linguagem, colocando os Alpes
sobre os Apeninos, o Pelion sobre o Ossa, como se amontoasse superlativos neste
versículo para expressar sua concepção da graça abundante de Deus. Aqui temos
“suficiência”, “ampla suficiência”, “em tudo, ampla suficiência”, “sempre, em tudo,
ampla suficiência”, “abundar em toda graça”, “superabundar em toda boa obra”.
Poder-se-iam usar palavras mais fortes para engrandecer a suficiência da graça
santificadora? Bern observa o Dr. Steele que a massa dos crentes constitui-se de
meros bebes no desenvolvimento espiritual. Presenciam dias de grande fraqueza, e
é frequente estarem a ponto de se renderem ao inimigo. Alguns infelizmente jogam
fora as armas e fogem da luta, e nunca reiniciam a batalha. Outros lutam durante
toda a existência contra os adversários em seus corações, e nunca os vencem nem os
expulsam. Seus pregadores lhes disseram que esta guerra nos membros e a vida
cristã normal. Por isso, crendo mais nos pregadores do que na Palavra de Deus,
limitam o poder de Deus pela descrença, e nunca correm com alegria, mas sempre
com tristeza se arrastam ao longo do caminho celestial. Este vasto grupo de cristãos
necessita iluminação e encorajamento, porém não condenação. Devem meditar
longamente sobre as ‘preciosas e mui grandes promessas’, para que possam
experimentar ‘a excelsa grandeza do poder de Deus para guardar os que creem.
Precisam de braços dados caminhar com Paulo, através de suas gloriosas epístolas,
e as similar a visão do apóstolo sobre a extensão do poder salvador de Cristo, desde
que enviou o Espírito Santo, o Santificador... Deveriam meditar especialmente

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sobre aquela declaração quanta a capacidade de Deus para salvar, que se acha em II
Coríntios 9:8 — Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que tendo
sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (Half Hours, págs.
157, 158).

9 — Efésios 3:20: “Poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto
pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nos”. Eis outro
versículo em que a própria linguagem e reforçada para conter uma das verdades
infinitas de Deus. Se soubéssemos apenas que Jesus era capaz de fazer “tudo o que
pedimos”, isso já seria plenamente suficiente. Quão depressa não nos
ajoelharíamos, clamando das profundezas de nossos corações: “Ó Salvador
Bendito, tira de mim estas propensões malignas, este pecado inato. Crucifica este
‘velho homem’, esta ‘mente carnal’ e que eu ‘morra para o pecado’ e ‘viva para a
retidão’, e seja como Tu, em santidade, para sempre!” Seria uma coisa grandiosa
poder pedir isto a Deus. E é exatamente o que Ele deseja que façamos: E é
“poderoso para fazer tudo o que pedimos”. Sim, e mais: “Mais do que tudo quanto
pedimos”; ainda mais, “infinitamente mais do que tudo quanto pedimos!” E como
se esses superlativos não fossem suficientes para inspirar uma fé poderosa a ser
depositada em Deus para a salvação completa, Paulo acrescenta: “Poderoso para
fazer “infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu
poder que opera em nós”. Existe um Espírito infinito operando em nos, e se tão
somente nos rendermos a Ele, pedindo e esperando grandes coisas, Ele é
PODEROSO para fazer o que jamais, nas aspirações mais elevadas e nos momentos
de mais profunda e santa comunhão com Deus, sequer PENSAMOS. Ó Deus,
alarga-nos o coração — e dá-nos compreensão espiritual para assimilar esta
poderosa verdade! A tradução de Adam Clarke é: “Capaz de fazer
superabundantemente acima da maior abundância”, e pergunta ele: “Que
consequências acarretaria dizer a Igreja de Deus que Ele tem poder para fazer isto e
aquilo, se não estivesse implicada a garantia de que Ele fará conforme o Seu poder,
e conforme as necessidades da alma do homem?”

Sobre o ensino destas passagens maravilhosas, observa Mahan: “Com que


finalidade teriam sido reveladas estas provisões para a nossa ‘completa salvação’,
senão para induzir-nos à fé e à esperança na salvação desta forma específica?
Ninguém ousaria negar, à vista das passagens diante de nós, a plenitude e a
eficácia das reveladas provisões da graça para a nossa inteira e presente

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santificação. Ensinar que não é possível obtê-las em sua extensão mais plena, é
negar que sejam absolutamente provisões; pois provisões que não se podem obter
são falsidades e não realidades. Ensinar que não é possível obtê-las em sua
plenitude e também torna-las indefinidas, vagas, sem significado e inacessíveis, de
sorte que somos deixados em completa ignorância quanto ao que nos autorizam a
confiar e esperar” (Autobiography, pág. 339).

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CAPÍTULO VIII

EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (IV)

XI — Sobre a consecução da santificação ainda podemos extrair outro argumento de


passagens em que AS ESCRITURAS NOS ASSEGURAM E EXORTAM. Todas elas,
ainda não citadas, confirmam a doutrina da libertação INSTANTÂNEA de todo pecado.

Hebreus 12:10: “Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes
parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento a fim de sermos
participantes da sua santidade”. “Isto” diz Steele, “é a recuperação da imagem
moral de Deus que perdemos, gloriosa possibilidade para todo crente”. E o
versículo declara que este é o fim e o alvo das disciplinas e da providência de Deus.
Se somos filhos de Deus, Ele nos atribui nossas experiências, não tanto para fazer-
nos felizes, como para tornar-nos santos. Se somos orgulhosos, Ele consegue
mortificar o nosso orgulho; se procuramos egoisticamente a nossa própria glória,
Ele nos envergonha em vez de glorificar, até aprendermos a colocar o nosso coração
na honra que vem de Deus; se cobiçamos as riquezas materiais, Ele pode consumi-
las pela água ou fogo, ou pelo desastre financeiro, até que voltemos os nossos
corações abatidos para os tesouros do Céu. Se as bênçãos domésticas nos seduzem
e embaraçam, levando-nos ao esquecimento do lar celestial Ele poderá tirar-nos um
ente querido, orgulho da vida. Ele castiga porque ama e quer que “produzamos os
frutos pacíficos da justiça” e nos tornemos “participantes de sua santidade”. ‘

Colossenses 2:9-11: “Porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da


Divindade. Também nele estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e
potestade. Nele também fostes circuncidados, não por meio de mãos, mas no
despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo”.

Paulo orava para que os efésios pudessem ficar repletos de toda plenitude de Deus,
e explica como. Toda “plenitude da Divindade” está em Jesus, e podemos chegar a
uma tal condição ou relação que “sejamos repletos dEle. Alcançamos esta condição
pela circuncisão espiritual, ou santificação completa. “O despojamento do corpo da
carne”, diz o Bispo Ellicott “’é praticamente sinônimo de ‘corpo do pecado’
(Romanos 6:6)”‘. Diz Steele: “Chamamos a atenção de todo estudante de grego para

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a força do substantivo original, ‘despojamento’. É uma palavra inventada por


Paulo, e não se encontra em outra parte da Bíblia nem em toda literatura grega.
Para demonstrar como era integral a purificação pelo estirpamento e abandono da
propensão para o mal, o apóstolo prefixa uma preposição (apo), que denota
separação a uma outra (ek) que denota a qualidade de estar fora e constrói assim o
termo mais forte que se concebe para a remoção total da depravação” (Half Hours,
pág. 163). Eis o comentário de Meyer: “Ao passo que a circuncisão espiritual,
divinamente operada consistia de uma completa separação e extinção deste corpo (do
pecado), Deus por meio desta circuncisão ética, tirou e removeu o corpo pecaminoso
do homem, como uma roupa que se despe e se coloca de lado”. Steele acrescenta:
“Se isto não significa separação completa e eterna da depravação, como efeito
perpetuo de extirpar e jogar fora o prepúcio, então e impossível expressar a ideia da
purificação total em qualquer linguagem” (pág. 89).

Colossenses 3:14-15: “Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que e o vínculo da
perfeição, Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações”. Assim traduz Meyer:
“Além disto, todavia, esteja o amor, com o qual se tece a perfeição cristã”. Em outras
palavras, o amor deve ser vestido como uma roupa exterior, porque o amor
estabelece a perfeição moral. Acrescenta o Dr. Steele: “Seja a paz de Cristo, essa
satisfação santa da mente, operada por Cristo através do Espírito, o bendito
descanso interior e delicioso repouso, o árbitro em vossos corações”. É motivo de
grande satisfação verificar que John Wesley, o defensor heroico da perfeição numa
era mais obscura foi perfeitamente apoiado por Meyer, chamado pelo Dr. Schaff, ‘o
mais hábil exegeta do seu tempo’. Chega ele a usar a mesma expressão, ‘perfeição
cristã’, em virtude da qual foi Wesley alvo de uma avalanche de panfletos hostis
escritos por seus colegas de ministério. Mas as coisas mudaram, graças a Deus”
(Half Hours, pág. 112).

Hebreus 6:1: “Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo,


prossigamos até a perfeição” (“deixemo-nos levar para o que e perfeito” — edição
revista e atualizada). Aqui encontramos outra vez esta mesma palavra “perfeição”
que e usada apenas duas vezes no Testamento grego. “Aqui a perfeição se refere
especialmente a plenitude do conhecimento espiritual, que se manifesta numa
confissão cristã, como antítese de infância”. Dentzsch ensina que o verbo
“prossigamos” é usado aqui muito apropriadamente com epi (pro, para), referindo-
se ao objetivo visado; combina a noção de um impulso de fora, com a urgência

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interior que impele para frente. “Refere-se à vida, bem como ao conhecimento”. Diz
o Dr. Whedon: “Quando se aduz Hebreus 6:1 como exortação a avançar para um
caráter cristão perfeito, e bem apropriado”. Parece referir-se a mesma ideia
apresentada em Efésios 4:12-13: “Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos... até
que todos cheguemos a perfeita varonilidade, a medida da estatura da plenitude de
Cristo”.

Sobre Hebreus 6:1, diz o Dr. Steele: “A perfeição é aqui representada, não como algo
realizado com o correr do tempo, ou por crescimento inconsciente, e, menos ainda,
realizável apenas na morte. Somos exortados a prosseguir contra o mau tempo, até
alcançar a ‘terra que mana leite e mel’, para ali fazermos nossa morada, pois a
preposição grega ‘para’, abrange aqui tanto o movimento para um lugar como
descanso nele, e não pode significar almejar um ideal inacessível” (Half Hours, pág.
113).

Diz o Dr. Clarke que “O verbo ensina a ideia de sermos conduzidos


IMEDIATAMENTE à experiência”.

O Dr. Lowrey diz: “O alvo invariavelmente colocado diante dos participantes da


corrida cristã, nas Escrituras, é a santidade. E os que falam de santificação
progressiva, sem o alvo definido da libertação do pecado, não sabem o que falam. É
como atirar num espaço vazio e depois sair procurando a caça no meio dos
arbustos” (Possibilities of Grace, pág. 16).

E o Bispo Taylor: “Permiti-me chamar vossa atenção para este fato importante — a
palavra ‘perfeição’, e outras usadas como sinônimos, tais como ‘santidade’,
‘santificados inteiramente’, e ‘perfeito amor’, não são absolutamente de origem
humana. São todas usadas pelo Espírito Santo, em aplicação a experiência dos
crentes nesta vida. E justo supor que ele entendia perfeitamente o uso da
linguagem, e tinha um objetivo definido no emprego de tais termos. Não os usaria,
por certo, se não pretendesse que significassem algo definido, compreensível e
acessível. Supor que usaria estas palavras por mera verbiagem, fazendo-as contudo
assunto de ordem e promessa especifica, e monstruosa blasfêmia. Se devemos
admitir que o Espírito Santo realmente compreendia o uso destas palavras, e
tencionava com elas ensinar uma nova fase definida e acessível da vida cristã,
chamada ‘perfeição’, para a qual promete guiar-nos se alegremente o seguirmos,
como ousaria alguém ignorar o ensino de Deus e dizer: ‘Oh! é impossível!

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impossível! Ninguém jamais foi nem será perfeito nesta vida’? O mínimo que
podemos fazer, com segurança, e admitir que, com o uso do termo aplicado a
experiência de homens e mulheres nesta vida, o Espírito Santo pretendeu expressar
algo, e algo também de vasta importância para nós próprios, pelo que deveríamos
investigar o assunto com paciência e oração, e verificar o que ele quis dizer, e como
consegui-la”. “Podeis logo perceber que a perfeição cristã não é essa coisa nebulosa,
incompreensível, inacessível em que Satanás e os pobres e céticos anões querem
que creiamos, mas uma realidade simples, congruente, necessária e pratica. Não
para uma certa ‘casta’, ou apenas um pequeno grupo, mas privilégio de todos os
crentes. Não é um assunto deixado a opção, porém um dever imperativo que não
podem ignorar quando apresentado as suas consciências pelo Espírito Santo, nem
algo que se pode negligenciar sem perda de suas relações como justificados”
(Infancy and Manhood, págs. 19, 123).

Observai agora estas sentenças duplas do Novo Testamento, que cortam o céu claro
do pensamento cristão como um pássaro de duas asas: uma, a justificação; a outra,
santificação:

JUSTIFICAÇAO SANTIFICAÇÃO

Atos 2:38: “Arrependei-vos e e recebereis o dom do espírito


cada um de vós seja batizado Santo” (o que significa
em nome de Jesus Cristo santificação).
para remissão dos vossos
pecados

Atos 26:18: “A fim de que e herança entre os que são


recebam eles remissão de santificados pela fé em mim”.
pecados

Tito 3:5: “Salvou-nos pela e da renovação do Espírito


lavagem da regeneração Santo”.

I João 1:9: “Ele é fiel e justo, e nos purificar de toda


para nos perdoar os pecados injustiça”.

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Nenhum dos primeiros membros destas sentenças significa o mesmo que os


segundos. Seria fútil pretender que “remissão de pecados” seja a mesma coisa que
“batismo do Espírito Santo”; ou que “remissão de pecados” seja o mesmo que
“herança entre os que são santificados”; ou que “lavar” seja “renovar”; ou que
“perdoar os nossos pecados” seja equivalente a “purificar-nos de toda injustiça”. Os
pecados são muitos; a injustiça é uma só — a impiedade do nosso ser moral. Os
primeiros são atos; a segunda e um estado. Os primeiros precisam ser perdoados; a
segunda precisa ser purificada.

Sobre a primeira deste grupo de versículos (Atos 2:38), diz o Dr. A. J. Gordon: “A
passagem demonstra, lógica e cronologicamente, que o dom do Espírito (na
santificação) é subsequente ao arrependimento”. Este ponto é “tão claro que um
dos mais conservadores, bem como dos mais capazes autores sobre este assunto, ao
comentar o texto, diz: “É evidente, pois, que a recepção do Espírito Santo, de que se
fala aqui, nada tem que ver com a fé e o arrependimento na conversão. É uma
operação subsequente; é uma bênção adicional e separada; é privilégio baseado na
fé que já opera, ativa, no coração. Não pretendo negar que o dom do Espírito Santo
possa ser recebido praticamente na mesma ocasião; porém nunca no mesmo
momento. E a razão é simples. O dom do Espírito Santo é baseado no fato de que
somos filhos pela fé em Cristo, crentes (agora) repousando na Sua redenção. Parece
evidente, portanto, que o Espírito de Deus já nos regenerou”. (William Kelly,
Lectures on New Testament Doctrine of Holy Spirit, pág. 161). Escreve também o Rev.
Andrew Murray: “O batismo do Espírito Santo, claramente, não foi a primeira
concessão dEste, a saber, a regeneração, mas uma comunicação definida de Sua
presença no poder do Senhor glorificado a discípulos do Senhor. Em outras
palavras, fala-se claramente em Atos 2:38 de duas experiências cristãs distintas,
separadas — primeiro, a regeneração, com tudo o que a acompanha em perdão,
justificação, e adoção; e depois, aquela outra “segunda experiência” discutida neste
volume, “O batismo do Espírito Santo para santificação”.

Efésios 5:25-26: “Também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela,
para que a santificasse, tendo-a purificado”. Aqui a santificação e prometida, ou
concedida, para aqueles que já tiveram a primeira obra da graça neles operada. “E,
que é um ATO INSTANTÂNEO, verifica-se pelo tempo aoristo em que o verbo
aparece”.

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De que é que mais necessitamos na atualidade, senão que nossas igrejas todas (os
seus membros individuais) sejam santificadas? Quem quer que faça com o autor no
trabalho de reavivamento, e vá de igreja em igreja, sentirá o seu coração partir à
visão do pobre estado da religião, e da desolação de Sião. Sobre este doloroso
assunto, observa o DL A. J. Gordon, que desenvolveu uma igreja tão
maravilhosamente espiritual na grande cidade de Boston: “Uma igreja não
santificada desonra o Senhor, principalmente por sua incongruência. Uma cabeça
nobre, elevada e intelectual, sobre um corpo deformado e atrofiado, é motivo de
lástima. Para os anjos e principados, que contemplam sem cessar a face de Jesus,
que impressão deverá causar a contemplação de uma igreja impura e deformada
sobre a terra, posta naquele lugar de honra chamado ‘Seu corpo’? Fotografando,
numa sentença, a ecclesia (igreja) dos primeiros séculos, diz o Prof. Harnack,
‘Originalmente a igreja era a noiva celestial de Cristo e a morada do Espírito Santo... Uma
igreja entregue aos apetites carnais desfigura Cristo; uma igreja avarenta presta
falso testemunho contra Cristo; uma igreja mundana trai a Cristo, entregando-O
uma vez mais aos inimigos, para ser injuriado e escarnecido’“ (Ministry of Spirit,
págs. 59, 64).

XII — Outro argumento irrespondível em favor desta “segunda experiência” da santificação


pode ser tirado das PALAVRAS DE CRISTO AOS DISCÍPULOS e das INSTRUÇÕES
DE PAULO ÀS IGREJAS.

Já observamos por alto, que Jesus tratava os discípulos como regenerados e Se lhes
dirigia como tais. Seus “nomes estavam escritos no céu”; tinham-nO “seguido na
regeneração” e não eram “deste mundo”; e “tinham guardado a minha palavra”.
Foram comissionados a pregar o Evangelho e a expulsar demônios, como
representantes de Jesus. Seria leviandade mesmo dizer que não eram pessoas
regeneradas. Mas Jesus orou para que eles fossem “santificados”, e ordenou-lhes
que esperassem pelo “batismo do Espírito Santo”, que lhes seria uma segunda
experiência santificadora. Não se trata de conjectura nossa. Pedro não deixa lugar
para dúvida sobre o assunto. Em seu discurso diante do concilio de Jerusalém, em
Atos 15:8-9, explicou o efeito daquele batismo: “Deus, que conhece os corações,
deu-Lhes testemunho, concedendo a eles o Espírito Santo, como também a nós
concedera... purificando-lhes pela fé os corações”. Diz o Dr. Steele: “O texto e uma
demonstração incontestável de que plenitude do Espírito e sinônimo de
santificação completa”. E é exatamente sobre isto que insistimos neste volume

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inteiro, e o que a Bíblia ensina — que santificação e o “purificar do coração pela fé” —
resultado do “batismo com o Espírito Santo”. E a vida interior dos discípulos prova
que eles eram santificados.

Poderíamos, de passagem, mencionar o caso de Cornélio, que era um “homem


devote” “temendo a Deus com toda a sua casa”, e “orava a Deus sempre” e era “um
homem justo”. Quando Pedro soube de todos os fatos sobre este romano, declarou:
“Em qualquer nação, aquela que O teme (a Deus) e faz o que é justo lhe é aceitável”
(Atos 10:35). Deus o salvara — era um homem regenerado, mas não santificado
ainda. Porém, enquanto Pedro ainda falava caiu o Espírito Santo sobre todos os que
ouviam a palavra. Então foi realizado o que Charles Wesley cantava:

“Ó vem, fogo do Espírito, e refina,


Espalha a tua luz por toda parte,
Meu corpo purifica e a alma ilumina,
Para, santificado já, adorar-Te”.

Entraremos em contato agora com as instruções de Paulo a jovem igreja em Roma.


Dava graças a Deus “porque em todo o mundo e divulgada a vossa fé” (Romanos
1:8). Entretanto, orava para que pudesse ir ter com eles e “repartir convosco algum
dom espiritual, para que sejais confirmados” do mesmo modo como Pedro e João
foram a Samaria após o reavivamento dirigido por Filipe, a fim de conferir um dom
espiritual aos conversos que tinham “crido e eram batizados em nome do Senhor
Jesus”, “que, quando desceram, oravam por eles, para que recebessem o Espírito
Santo” (Atos 8:15), uma segunda experiência santificadora. Está Paulo orando por
esses romanos cristãos como orava pelos tessalonicenses — “a fim de que sejam os
vossos corações confirmados em santidade, isentos de culpa” (I Tessalonicenses
3:13). E desejava visitar Roma e ajudá-los nesta confirmação, nesta experiência
consolidadora de santificação. Mas não podia ir vê-los então. Escreveu-lhes, por
isso, sobre os fundamentos de sua salvação, esclarecendo-os sobre a obra expiatória
de Cristo e a justificação pela fé. “Justificados, pois, pela fé, tenhamos (temos) paz
com Deus” (Romanos 5:1). Mas vai além da justificação, e mostra-lhes também que
a santificação não se obtém por um processo de obras, mas pela fé. Não o satisfaz
nada menos que a morte do “velho homem” do pecado inato. “Foi crucificado com
ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não
sirvamos o pecado como escravos” (Romanos 6:6). “Assim também, considerai-vos
mortos para o pecado” (Romanos 6:11). “Mas oferecei-vos a Deus como ressurretos

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dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça”


(verso 13); e depois “libertados do pecado, tendes o vosso fruto para a santificação,
e por fim a vida eterna” (verso 22). Se nestas passagens Paulo não instava com os
romanos convertidos para que procurassem uma “segunda experiência” de
santificação, então a linguagem não pode faze-lo. Seria absurdo como dizer que o
autor deste livro não está argumentando em favor da santificação.

Encontramos a mesma espécie de instrução nas Epistolas aos Coríntios. Paulo os


saúda cordialmente na introdução (I Coríntios 1:2) como “os santificados em Cristo
Jesus”, isto e, “chamados para serem santos”. Mas não são ainda santos, pois há
dissensões e pecados entre eles; de sorte que não lhes podia ralar “como a
espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (I Coríntios 3:1).
Coloca, porém, diante deles, a concepção de serem “O templo do Espírito Santo” (I
Coríntios 4:19). Fala-lhes da graça toda suficiente (I Coríntios 10:13), admoestando-
os a o imitarem, como ele também imitava Cristo (I Coríntios 11:1). Fala-lhes da
“unção” do “selo” e do “penhor” do Espírito, que sempre assegura a santificação (II
Coríntios 1:21-22), e que a sua “suficiência, para viver a vida santa era de Deus (II
Coríntios 3:5). Anima-os com promessas sobre a santidade, e depois roga-lhes
“purificarmo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito aperfeiçoando
a nossa santidade no temor de Deus” (II Coríntios 7:1). E outra vez dando-lhes a
dupla certeza de que Deus é poderoso’ para fazer abundar toda a graça necessária
(II Coríntios 9:8 e 12:9), assim termina: E isto é o que pedimos o vosso
aperfeiçoamento” (II Coríntios 13:9). E afirmo novamente se Paulo não insistia
junto às pessoas já convertidas em Corinto, sobre uma “segunda experiência” a
santificação, então a linguagem não tem recursos para fazê-lo.

Voltemo-nos agora para a Epístola aos Efésios. Paulo escreve-a “aos fieis em Cristo
Jesus” (Efésios 1:1); sem dúvida alguma, pessoas regeneradas. Mas o coração do
apóstolo estava tão cheio deste grande tema da santificação, e tão ansioso estava
por que as igrejas se apossassem dela, que assegura aos efésios (capítulo 1:4): “Deus
nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis
perante ele”. E antes do final do capítulo irrompe em, sua prece incessante para que
Deus lhes dê “o espírito de sabedoria”, “iluminados os olhos do vosso coração,
para saberdes qual é a esperança da sua vocação, qual a riqueza da glória da sua
herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que
cremos”, aquele poder excelso que e CAPAZ de santificar a alma (Efésios 1:16-19).

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Diz-lhes que foram edificados (capítulo 2:22) juntamente para habitação de Deus no
Espírito. Depois inicia outra oração ardente (Efésios 3:14-21), “para que o Pai vos
conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem
interior”, para que possam compreender “com todos os santos, qual é a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede
todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”. E
assegura-lhes que tal bênção e possível porque Jesus é “poderoso para fazer
infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos”, em cada um de
nós. Insistindo ainda na admoestação, escreve-lhes (capítulo 4:12), que Deus
providenciou meios “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos”, até que todos
atinjamos “a medida da estatura da plenitude de Cristo”. Roga-lhes, por isso, que
se despojem do velho homem do pecado e se revistam do novo homem (capítulo
4:22, 24), “criado em retidão e santidade”, e “sejam cheios do Espírito” (capítulo 5:18)
pois “Cristo também amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a
santificasse” (capítulo 5:25-26), para que fosse santa e sem defeito” (defeito moral —
inculpável).

O amado apóstolo senta-se para escrever aos cristãos de colossos e chama-os


“irmãos fiéis em Cristo”. Sem dúvida deviam ser pessoas convertidas, regeneradas,
justificadas. Paulo, porém, não termina o capítulo sem tocar no grande tema,
dizendo que Cristo procura “apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e
irrepreensíveis” (Colossenses 1:22). E no capítulo seguinte relembra-lhes que “nele
habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” e “também nele estais
aperfeiçoados”, e que poderão circuncidar todo o ser, “não por intermédio de mãos,
mas no despojamento do corpo da carne, que e a circuncisão de Cristo”, e serem
purificados (capítulo 2:9-11). Admoesta-os, pois, a se revestirem do “vínculo da
perfeição” (capítulo 3:14), dizendo-lhes que Epafras era constantemente por eles,
para que “vos conserveis perfeitos e plenamente convictos de toda a vontade de Deus”
(capítulo 4:12).

Consideremos agora suas palavras aos tessalonicenses. É uma igreja amada, tão
preciosa que lhes diz dar graças a Deus, incessantemente, pela “operosidade da
vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em Nosso
Senhor Jesus Cristo” (I Tessalonicenses 1:3), “de sorte que vos tornastes o modelo
para todos os crentes na Macedônia e Acaia,... e por toda parte se divulgou a vossa
fé para com Deus” (capítulo 1:7-8). Havia ali grupo de crentes de excepcional valor,

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notórios pela fé, esperança e obras. Entretanto, por estranho que pareça a certos
teólogos de uma filosofia esquisita, Paulo diz-lhes (capítulo 3:10) que ora noite e dia
sem cessar, pedindo que os pudesse ver pessoalmente “e repara; as deficiências da
vossa fé (capítulo 3:10).

Que é isso, Paulo, que se passa com esses cristãos? Quando alguém e justificado,
não é “tão santo quanto o pode ser?” “Não existe base na filosofia — ou na teologia
— para uma “segunda experiência”, existe? Para surpresa de alguns, Paulo
responde calmamente: “O nosso mesmo Deus e Pai, com Jesus, nosso Senhor, nos
dirijam o caminho até vós, ... a fim de que sejam os vossos corações confirmados em
SANTIDADE, isentos de culpa, na presença de nosso Deus e Pai” (I Tessalonicenses
3:11, 13). “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito alma e
corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis (capítulo 5:23). “Pois esta é a
vontade de Deus, a vossa santificação” (capítulo 4:3). “Porquanto Deus não nos
chamou para a impureza, mas para a santificação” (capítulo 4:7).

Parece mesmo que a filosofia e a teologia de Paulo devem ter sido diferentes das de
algumas pessoas que conhecemos. E evidente que cria não apenas ser possível uma
“segunda experiência”, mas extremamente desejável, uma bênção tão necessária às
igrejas, que por ela até devemos orar sem cessar. Paulo sabia haver uma diferença
entre regeneração e santificação, e que nenhum crente deveria descansar com algo
menos que ser “confirmado em santidade”, “isento de culpa” e “santificado”, o que é a
vontade de Deus.

Segundo algumas autoridades, a igreja de Tessalônica tinha apenas seis meses de


idade — jovens conversos do paganismo, de todas as idades e condições. No
entanto, o grande apóstolo instava com eles, com exortações e orações, sobre a
santificação completa, privilégio de todos os crentes. Diz o Presidente Mahan: “Se
todos os convertidos fossem ‘instruídos no caminho do Senhor’ como naquele dia,
em lugar de terem a aparência como hoje em dia, ‘um povo frágil’, doentio, e
incapaz de ‘correr ou voar’, seriam em toda parte vistos ‘cingidos de perene força’,
‘apresentando a Palavra da Vida’, e preparados e ‘capazes de suportar as agruras
como bons soldados de Cristo’. Em nenhum outro período da vida cristã poderá o
crente ficar tão bem preparado para receber ‘O batismo do Espírito Santo’ e ficar
assim ‘cheio de toda a plenitude de Deus’, como durante o período deste ‘primeiro
amor”. É nesse período que sua consagração a Cristo e suprema; sua fome e sede de
justiça estão subordinados a todos as outros desejos da mente; a fé tão simples e

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infantil que recebera prontamente ‘as coisas que de graça Deus nos concede’, logo
assim que as apreende com clareza. Mas, quando se desvanecem estas primeiras
alegrias, e o espírito habitua-se a um estado em que ‘caminha nas trevas e não tem
luz’, e vem a pensar que, talvez, Deus não tenha ‘reservado melhores coisas para
nós’, nesta vida, quanto difícil e para o crente, no emaranhado das coisas
mundanas, voltar àquela fé inocente em que recebera ‘com mansidão a palavra
enxertada!‘“ (Autobiography, págs. 59, 60).

Se nos dirigirmos à Epístola aos Hebreus, que o Presidente Woolsey, de Yale,


depois de toda uma existência gasta no estudo do Novo Testamento Grego,
concluiu que certamente foi Paulo que escreveu — observaremos o mesmo fato.
Nessa carta expôs aos crentes hebraicos quais eram os seus privilégios.
Repetidamente escreve sobre o Salvador “que santifica” (capítulo 2:11), “que pode
salvar totalmente” (capítulo 7:25) e ,”e poderoso para socorrer os que são tentados”
(capítulo 2:18). Por isso eram admoestados a “por de parte os princípios
elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito”
(capítulo 6:1), porque “com uma única oferta aperfeiçoou. para sempre quantos estão
sendo santificados” (capítulo 10:14). Deus nos castiga para que nos tornemos
“participantes da sua santidade” (capítulo 12:10), e produzamos “fruto de justiça”
(capítulo 12:11); portanto, “segui a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor”
(capítulo 12:14). “Por isso foi que também Jesus, para santificar o povo pelo seu
próprio sangue, sofreu fora da porta” (capítulo 13:12), “para que vos aperfeiçoe em
todo bem para cumprirdes a sua vontade” (capítulo 13:21). ‘

O teólogo que disser que tal linguagem não ensina sobre a “segunda experiência”
da santificação, poderia seguramente ser desafiado a escrever algo que o ensinasse.

Mas, que diremos de todas estas passagens tomadas em conjunto, epistola após
epístola? Que diremos do fato que a palavra “perfeição” e seus afins são atribuídos
ao caráter humano mais de cinquenta vezes, sob as operações da graça? E as
palavras santo”, “santidade”, “santificar”, “santificação”, “sem mancha”, “sem
mácula”, “irrepreensível”, atribuídas a crentes, ou em admoestações a eles,
movendo-se todas através das Escrituras como um banda de pássaros? Disse o
Presidente Mahan: “Se palavras como ‘santificar inteiramente’, ‘salvar
completamente’, ‘purificar de todo o pecado’, ‘purificar de toda injustiça’, e
“manter irrepreensíveis”, não significam salvação de todo pecado, e santificação
completa, então quem nos dirá o que significam? Ninguém, vivo ou morto, pode

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dizer-nos. Todas as palavras da Escritura, pertencentes a dispensação e as


promessas da graça, se tornado indefinidas e destituídas de qualquer sentido”
(Autobiography, pág. 347).

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CAPÍTULO IX

EVIDÊNCIAS DE QUE A SANTIDADE É ACESSÍVEL (V)

XIII — A possibilidade de santificação imediata pode ser provada pelo TESTEMUNHO DA


PRÓPRIA PALAVRA DE DEUS a respeito de Seus filhos. Poderíamos supor, sendo
verdadeira a doutrina, que devemos achar na bíblia alguns exemplos de homens
que alcançaram a santidade que Deus exige, e que a Sua Palavra chama de
santificação ou perfeição, E, em absoluto, nossa expectativa não é frustrada. Temos o
testemunho do Espírito sobre os próprios santos de Deus.

“ABEL... sobre quem foi dado testemunho de que era justo, sobre o que Deus
testificou”.

ENOQUE “caminhou com Deus trezentos anos”, até que entrou imediatamente no
céu, sem passar pela porta da morte.

MOISÉS andava em intimidade de santa comunhão com Deus, de tal modo que “O
Senhor falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo”.
Desceu do monte da Visão tão cheio de Deus que seu “rosto resplandecia”. E Arão,
seu irmão, e todo o povo, “temia aproximar-se dele”. Porém, na modéstia de sua
alma santificada, “não sabia que seu rosto resplandecia”. Quando falava ao povo,
tinha de velar a glória divina que nele estava. Mas “quando Moisés se apresentava
ao Senhor para falar-Lhe, tirava o véu” e falava com Deus “face a face”. E quando
Coré, Datã e Abirã, ciumentos, levantaram-se contra Moisés e Arão, e lhes
disseram: “É demasiada a vossa presunção, visto que toda a congregação é santa,
cada um deles”, Moisés respondeu humildemente: “Amanhã o Senhor mostrará
quem são os seus, e quem são os SANTOS”. Magnífico varão, resplandecendo com
a glória da divindade que nele habitava! Nele vemos apenas um único sinal de
pecado em quarenta anos! De passagem, fazemos duas observações: Primeiro, Deus
mesmo dá testemunho sobre eles, de que são santos. E em segundo lugar: que é
uma teoria bem antiga, afinal de contas, a dos ciumentos e ímpios que “toda a
congregação é santa, cada um deles”!!!

JÓ viveu na pálida luz do alvorecer do mundo. Em suas circunstâncias e condições,


cumpriu tudo o que Deus exigia, “homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se

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desviava do mal”. Para o bem do mundo, e para ensinar lições espirituais a uma
humanidade sofredora, foi permitido que sofresse em corpo, mente e espírito, tudo
o que o homem pode suportar. “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus
falta alguma” (Jó 1:1-22).

Sobre CALEBE é declarado cinco vezes que “perseverava em seguir ao Senhor Deus
de Israel” (Josué 14:14).

ISAÍAS foi profeta de Deus cujo peito se inflamava com o fervor da piedade.
Indubitavelmente era um homem regenerado, e não um apóstata. Todavia, teve
uma segunda experiência maravilhosa, amplamente descrita, para o nosso
propósito, no capítulo 6 de Isaías. Teve o grande profeta uma exaltada revelação
espiritual — uma visão de Deus que o tornou dolorosamente cônscio de impureza,
e este e, de modo invariável, o estado de espírito que precede a santificação.
Exclamava ele: “Ai de mim! pois sou homem de lábios impuros!” Então voou para
ele um dos serafins “trazendo na mão uma brasa viva”, e a colocou sobre a sua
boca e disse: “Eis que ela tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e
perdoado (purificado) o teu pecado” (Isaías 6:5, 7). Em meio a esta maravilhosa
figura, descrevendo uma profunda experiência espiritual, certas coisas estão
perfeitamente claras. Amiúde o fogo é o emblema bíblico do Espírito Santo; e o uso
do fogo para purificar metais é aplicado para representar a obra do Espírito Santo
limpando o coração.

Este era o pensamento de MALAQUIAS: “Assentar-se-á como derretedor e


purificador de prata; purificara os filhos de Levi, e os refinara como ouro e prata;
eles trarão ao Senhor justas ofertas” (Malaquias 3:3). João Batista repetiu a predição:
“Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mateus 3:11). No Pentecostes
(línguas como de fogo), e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios
do Espírito Santo (Atos 2:3-4). Tudo isto demonstra a natureza da experiência de
Isaías. Não era o perdão das transgressões que ele obtinha, nem a restauração de
uma queda, porém um ato santificador de Deus “purificado” o seu pecado
intrínseco. Isto poderá explicar por que, desde então, tornou-se enfaticamente o
“profeta evangélico”, proclamado com os cânticos mais belos, as coisas mais
profundas e sublimes do reino de Deus. Sobre este episódio, escreve o Dr.
Carradine: “Observai também que esta bênção da santidade foi trazida, veio de Deus;
não se desenvolveu no interior, por um longo crescimento na graça. E ainda, observai a

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alacridade, presteza, a satisfação e a intrepidez da santificação, demonstradas na


experiência de Isaías. ‘Eis-me aqui, envia-me a mim”‘. (Santification, pág. 111).

Disse o grande EZEQUIAS, contemporâneo de Isaías, ao Senhor em oração:


“Lembra-te, Senhor, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza
de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos” (II Reis 20:3).

De ZACARIAS e ISABEL — o pai e a mãe de João Batista — está escrito: “Ambos


eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e
mandamentos do Senhor” (Lucas 1:6). “Então Isabel ficou possuída do Espírito
Santo” (Lucas 1:41). “Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo” (Lucas 1:67).

“Esta plenitude do Espírito”, diz o Dr. Steele, “é sinônimo de santificação completa.


(A prova é a observação incidental de Pedro em Atos 15:8-9). Desde que existem
apenas duas forças que podem dominar a alma — a carne e o Espírito — ser
completamente cheio de um, é excluir o outro. Ser cheio do Espírito é ser
completamente emancipado da carne, ou da depravação inata. Ser parcialmente
influenciado pelo Espírito e preparar lugar na alma para uma disputa entre estas
forças antagônicas — Gálatas 5:17” (Love Enthroned, pág. 96).

PAULO falava tanto sobre a santificação, que naturalmente deveríamos esperar que
ele próprio fosse um exemplo da experiência. E não ficamos desapontados. Há
abundante evidência, negativa e positiva, de que era um homem santificado. E seus
frequentes pedidos de oração em seu favor nunca são para que lhe sejam
“perdoados os pecados” ou para que “seja liberto dos assaltos do pecado
frequente”, ou para que “... se mantenha fiel”, ou para que “possa libertar-se de um
mau hábito” — nada disso. Pede aos cristãos romanos orações “para que eu me
veja livre dos rebeldes que vivem na Judéia, e que este meu serviço em Jerusalém
seja bem aceito pelos santos” (Romanos 15:30-32). Pede aos Efésios “para que me
seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para fazer conhecido o mistério do
Evangelho” (Efésios 6:19). Aos Colossenses pede: “Suplicai para que Deus nos abra
porta à palavra, a fim de falarmos dos mistérios de Cristo” (Colossenses 4:3). Pede
aos tessalonicenses orarem “para que a palavra do Senhor possa ter livre curso e ser
glorificada”. E é assim até o fim — nenhuma confissão de pecados, ou pedido de
perdão ou purificação espiritual. “Disto inferimos”, diz o Dr. Steele:

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“(1) Que Paulo desfrutava da graça da perfeição cristã, estando liberto do pecar e
do pecado — tendo sido salvo do primeiro pela regeneração e do segundo pela
santificação completa.”

“(2) Que ele tinha um conhecimento claro, satisfatório e feliz de sua filiação de
Deus, através da fé em Cristo, pelo testemunho constante do Espírito Santo.”

“(3) Que a piedade que se condena e se aborrece a si própria não é o tipo de


piedade mais elevada. Paulo nada fala de depreciativo sobre o eu em que está
claramente estampada à imagem de Cristo. A crucificação espiritual em que se está
sempre morrendo na cruz, e nunca morto, é desconhecida para ele” (Half Hours,
pág. 40).

Uma vez disse ele aos filipenses, e duas vezes aos coríntios: “Sede meus imitadores,
como eu sou de Cristo”, e aos tessalonicenses escreveu: “Vós e Deus sois
testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em
relação a vós outros que credes” (I Tessalonicenses 2:10). Eis aí um testemunho
direto sobre a sua santificação, que só temerários se aventurarão a desmentir. Paulo
demonstrava um amor perfeito pelos seus inimigos, que o seguiam de cidade em
cidade, reunidos em grupos pelo proposito terrível de tomar-lhe a vida. “Digo a
verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo no Espírito Santo, a minha
própria consciência: tenho incessante tristeza e grande dor no coração, porque eu
mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus
compatriotas, segundo a carne” (Romanos 9:1-3). Tal espírito, como o de Cristo
sobre a cruz, só se poderia encontrar num coração santificado. Não há sinal de
egoísmo ou pecado no amor que afirma, em verdade: “Eu de boa vontade me
gastarei e ainda me deixarei gastar em prol das vossas almas” (II Coríntios 12:15). E
também: “Não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova os
corações” (I Tessalonicenses 2:4), pois, “se agradasse ainda a homens, não seria
servo de Cristo” (Gálatas 1:10).

Foi liberto do mundanismo que pode dizer: “Nossa pátria está nos céus” (Filipenses
3:20), “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em
Deus” (Colossenses 3:3). E o segredo de tudo isso foi dado em suas próprias
palavras: “Fui crucificado com Cristo (isto e, o “velho homem” do pecado em mim),
porém vivo: não mais eu, mas Cristo vive em mim”. Por certo Cristo não vivia nele
e através dele uma vida não santificada. (Ver Halt Hours, capítulos VII a XI).

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XIV — O TESTEMUNHO DO ESPÍRITO SANTO É PROVA IRRETORQUÍVEL DE


QUE A SANTIFICAÇÃO E ACESSÍVEL. Naturalmente, este argumento só é válido
para aqueles que tem o testemunho do Espírito, e os que acreditam no testemunho.
Para esclarecer o nosso ponto, leiamos outra vez aquela passagem notável, (Atos
15:8-9): “Ora, Deus que conhece os corações, LHES DEU TESTEMUNHO,
concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós concedera. E não
estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé os corações”.
Voltemo-nos também para aquela passagem afim, Hebreus 10:14, “Porque com
uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados”.
(Edição revista e atualizada). (Na edição revista, lê-se: “... os que são santificados”).
“E disto NOS DÁ TESTEMUNHO TAMBÉM O ESPÍRITO SANTO” (Verso 15).

Os homens que negam a possibilidade da santificação podem argumentar o seu


caso para uma conclusão, não com o obscuro autor deste livro, mas com o Espírito
Santo — o próprio Deus infinito. Ele “DÁ TESTEMUNHO” de Sua própria obra
divina de purificação e santificação: se alguém O nega e pretende fazer a “Deus
mentiroso”, deve resolver a dúvida com Ele. Nosso objetivo é apenas apresentar o
que Ele ensina — quais as benditas possibilidades da graça para os que creem.

Lembrai-vos, o Espírito dá testemunho da condição espiritual de toda a


humanidade. Foi enviado ao pecador para dar testemunho e convencê-lo do
pecado, ao rejeitar Jesus (João 16:9). E dá testemunho ao crente de que é filho de
Deus. “Mas recebestes o Espírito de adoração, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O
próprio Espírito testifica com o nosso Espírito, que somos filhos de Deus”
(Romanos 8:15-16). E, como vimos acima, em Atos 15:8 e Hebreus 10:14, ele é
testemunha dos “QUE SÃO SANTIFICADOS”.

Sem dúvida, era esse o motivo por que Paulo estava tão “PERSUADIDO”, e tão
maravilhosamente sereno diante de todos os males inconcebíveis que o assaltavam.
Tinha dentro de si o testemunho, e sabia que sua “vida estava escondida em
Cristo;’, e que o Salvador santificador nele vivia (Gálatas 2:20). Isto é o que fazia
possível ao apóstolo João (outro exemplo de santificação), dizer: “E nisto
conhecemos que Ele permanece em nós, pelo ESPÍRITO que nos deu” (I João 3:24).
“E o ESPÍRITO é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade” (I João 5:6).

Os pecadores estão sempre prontos para colocar em dúvida o testemunho do


Espírito aos crentes, sobre a sua justificação. E é um fato bem triste que os crentes,

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da mesma maneira, se voltem e ponham em dúvida o testemunho do Espírito sobre


a santificação dos santificados. Observa com justeza o Dr. Carradine que “O
escárnio e a negação da experiência e testemunho da santificação são suspeitos e
sem valor, procedem de quem experimenta baixo nível de graça e de quem
confessa que nunca buscou ou obteve a bênção. É o mesmo que dizer que não crê
na existência de Londres porque nunca esteve lá, ou que tem dúvidas sobre se
Caruso tinha voz porque nunca o ouviu cantar; ou, mais precisamente, que o ouviu
cantar uma canção, mas não crê que jamais cantasse outra numa nota tônica
diferente. A negativa do testemunho da santificação, quando bem examinada
significa meramente: O irmão que a nega, ele próprio simplesmente nunca teve o
testemunho. Julga que o Espírito só tem uma canção para a alma (o perdão), canta
apenas numa nota tônica (a regeneração), e testifica apenas um fato (a justificação)”
(Santification, pág. 85).

Escutei Carvosso, esse homem maravilhoso dos primitivos anais do Metodismo,


dizer, quando buscava a santificação, um ano depois de convertido: “Recebi então o
pleno testemunho do Espírito de que o sangue de Jesus me purificou de todo pecado”
(Life of Cartosso, pág. 33).

Eis a testemunho do Rev. William Bramwell: “O Senhor, por quem eu esperava,


veio de repente ao templo do meu coração, e tive evidência imediata de que esta
era a bênção que por algum tempo já eu procurava. Minha alma era toda exaltação,
amor e louvor” (Perfect Love, pág. 124).

E do Rev. Benjamin Abbot: “Em três dias Deus me deu certeza completa de que me
santificara, corpo e alma. E isso era dia a dia manifesto a minha alma pelo testemunho
do Espírito” (pág. 126).

Sobre sua experiência, diz o Bispo Hamline: “Repentinamente, senti como se uma
mão, não frágil, mas onipotente, não de ira, mas de amor, se colocasse sobre a
minha fronte. Sentia-a não apenas exterior, mas interiormente. Parecia fazer
pressão sobre o meu corpo todo, e difundir através dele todo, uma energia santa, que
consumia o pecado” (pág. 127).

A Sra. Jonathan Edwards conta a sua experiência com estas palavras eufóricas:
“Sentia-me tão cônscia da presença maravilhosa do Espírito Santo que mal podia
conter-me de saltar sentindo ondas de alegria. Minha alma estava cheia e inundava-se

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de luz e amor e gozo no Espírito Santo, e parecia já pronta para abandonar o corpo”
(pág. 133).

A Sra. Phoebe Palmer, consagrada evangelista, escreveu: “Enquanto assim


exultava, a voz do Espírito de novo se aplicava ao meu entendimento, apelando:
‘Não é isto a santificação?’ Não podia mais hesitar nem a razão nem a graça mo
permitiam; mas regozijo-me na certeza de que estava inteiramente santificada, em
todo o meu corpo, alma e espírito (pág. 129).

O Dr. Daniel Steele, relatando a sua experiência, escreve: “Subitamente, depois de


cerca de três semanas de busca diligente, o Consolador veio com poder e grande
alegria ao meu coração. Tirou os meus pés do reino da dúvida e da fraqueza, e os
plantou para sempre na Rocha da certeza e do poder. ...Usando as palavras do Dr.
Payson exclamo diariamente: ‘Oh!, como desejara ter conhecido isto vinte anos
atrás!’ Mas agradeço a Deus, pois depois de lutar mais de vinte anos.

‘No bem-aventurado vale entrei,


Onde Jesus comigo habita;
Seu sangue lava, e o Fogo santifica,
E fica sem temor perante o Rei.

Vem tu, também, morar no vale,


Gozar da plenitude de Jesus,
Crer nEle, recebê-lo e confessa-lo,
Fruir da plena salvação da Cruz”‘.

(Half Hours, pág. 306).

O Dr. Carradine, depois de escrever sua experiência, acrescenta: “Não pode Deus
dar testemunho sobre a purificação do coração, como da do perdão do pecado?
Suas bênçãos não se interpretam por si? Aquele que induz um homem a pregar,
que testifica da sua conversão, não pode fazer-lhe conhecer que e convertido?
Soube que era santificado exatamente do mesmo modo pelo qual soube que era
convertido, quinze anos antes. Soube não apenas por causa do trabalho realizado
em minha alma, mas através dAquele que o operou. Ele, o Espírito Santo, deu
testemunho claro, inconfundível e poderosamente, do Seu próprio trabalho; e,
embora se tenham passado meses, desde aquela bendita manha, o testemunho do

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Espírito Santo, sobre a obra nunca me deixou por um só momento” (Sanctification,


pág. 22).

Assim se expressa o Bispo Foster sobre sua experiência: “O Espírito parecia guiar-
me aos santuários mais ocultos de minha alma aqueles recessos onde antes eu
descobrira tanta imundícia — e mostrou-me que tudo estava purificado, que a
corrupção, que tanto me afligira, estava morta — desaparecera — que nada restava
dela. Sentia que o testemunho era verdadeiro: e assim era; tinha consciência dele;
tanta como jamais tivera de minha conversão” (Defense of Christian Perfection, pág.
63).

O Prof. T. C. Upham, D.D., e congregacionalista, testifica: “Existe em minha alma o


suave sol da manhã; continuamente sinto em mim o que interpreto ser o
testemunho do Espírito Santo — isto é, tenho a convicção sólida e constante de que
sou inteiramente do Senhor, o que não parece ser introduzido em minha mente
pelo raciocínio, nem quaisquer outros métodos de reflexão artificial vinda de mim
mesmo, e que só posso atribuir ao Espírito de Deus. É uma espécie de voz interior
que fala em silencio, mas eficazmente, a alma, dizendo-me que tenha bom animo...
Não posso deixar de dizer, como o apóstolo: ‘Deus, que também nos selou, e nos
deu o penhor do Espírito em nossos corações’ (II Coríntios 1:22).” (Forty Witnesses,
pág. 280).

Poderíamos encher todo um volume (maior do que pretendemos fazer este livre),
com testemunhos semelhantes. Mas apresentamos o suficiente para mostrar que
Deus confirma a Sua palavra, e ainda da o testemunho do. Espírito sobre a
santificação dos homens. Aos que o recebem, é prova absoluta da doutrina da
santificação; e é prova satisfatória para os que estão dispostos a aceitar o consentâneo
testemunho de uma multidão dos mais experimentados santos de Deus. Nada,
porém, persuadira os que estão de espírito preconcebido contra a doutrina, nem os
numerosos argumentos e o testemunho das Escrituras, nem o testemunho
consentâneo das almas santificadas diante deles. Foi precisamente no mesmo
estado de espírito que O Filho de Deus foi rejeitado e crucificado. Bem-aventurados
os corações e as mentes que estão abertas a verdade.

Quais as conclusões que podemos agora tirar com segurança destes catorze
argumentos? Como o leitor observou, defendemos a doutrina da santificação
completa como uma experiência possível, acessível: (1) pela probabilidade: (2) pela

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bíblia como um todo; (3) pelas descrições bíblicas do que é possível aos crentes; (4)
pelo propósito revelado da vida e morte de Cristo; (5) pela Sua obra mediadora
contínua, como nosso Santificador; (6) pela obra revelada do Espírito, como nosso
Santificador; (7) pelas ordens de Deus para sermos santos; (8) pelas promessas de
Deus sobre a santidade aos que a buscam: (9) pelas orações inspiradas quanto à
possibilidade de os crentes se tornarem santos; (10) pelo que a bíblia diz que Cristo
é capaz de fazer por nós; (11) pelas garantias e exortações sobre a santidade; (12)
pelas palavras de Cristo aos discípulos e as instruções de Paulo às igrejas; (13) pelo
testemunho da Palavra de Deus a respeito de Seus próprios filhos; (14) pelo
testemunho do mesmo Espírito Santo sobre a santificação.

Se centenas de textos de sentido inconfundível confirmados pela exegese grega dos


estudiosos mais capazes, podem sustentar uma doutrina: se a obra revelada de
Cristo e do Espírito, e as ordens inspiradas, promessas, preces, garantias, e palavras
de animação da bíblia, e o testemunho do Espírito Santo, podem ensinar uma
verdade — então são verdades reveladas de Deus que a santidade é acessível, e ser
santificado é um dever, as quais resistem inexpugnáveis a todos os assaltos da
infidelidade, na igreja e fora dela. Há cinco vezes mais textos, claramente
interpretados, como prova desta doutrina, do que para a regeneração e conversão, e
dez vezes mais textos sobre a santificação do que sobre a divindade de Cristo. Se
estes textos, que ensinam a santificação e a santidade como uma experiência ao
nosso alcance com substantivos adjetivos e verbos, em toda forma’ possível de
expressão, se os textos todos não confirmam e estabelecem esta doutrina, então
nenhuma doutrina pode ser exposta pela linguagem bíblica.

Como seres racionais, pois, devemos aceitar esta doutrina da santificação completa
como verdade revelada de Deus, considerando que Jesus PODE SALVAR
TOTALMENTE A TODOS ou então aceitar os seguintes ABSURDOS:

(1) Que Deus, de propósito, nos persuade a uma pureza imperfeita, quando poderia
multo bem induzir-nos a uma pureza perfeita, moral e espiritual;

(2) Que Jesus “habita” em crentes cheios de “concupiscências”, e que “pecam


constantemente por pensamentos palavras e obras”, quando poderia transformar
‘seus corações e seres em templos imaculados do Espírito Santo;

(3) Que Jesus, embora “PODEROSO para salvar totalmente” e “santificar


inteiramente” os filhos desejosos que o buscam, prefere habitar neles e “caminhar

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com eles”, conquanto não “se separem” nem “se purifiquem de toda imundície da
carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus”.

(4) Que Jesus veio para ser não apenas a nossa justiça (justificação), mas nossa
“santificação”, e tem “todo o poder” para fazer “infinitamente mais de tudo quanto
pedimos ou pensamos”, entretanto, quando nos chegamos a Ele, com corações
agonizantes, suplicando para ser “inteiramente santificados”, Ele não nos atende,
preferindo que permaneçamos no pecado.

(5) Que Jesus ensinou estar o nosso Pai celestial mais disposto a dar o Espírito Santo
aos que Lhe pedirem, do que os pais terrestres para dar pão aos filhos famintos —
dar aquele Espírito que pode “purificar os nossos corações”, e “fazer que
observemos os seus mandamentos”; entretanto, quando suplicamos o batismo do
Espírito, nosso Pai celestial não o concede, preferindo que permaneçamos impuros
e desobedientes.

(6) Que Deus nos ordena sermos santos, ordem que Ele sabe não cumpriremos, com
toda a graça possível para nos ajudar — tornando-Se Ele assim um tirano cruel.

(7) Que Deus declara “ter poder para fazer abundar toda graça” e “minha graça é
suficiente”, quando não o é, e estamos sempre sob a penosa necessidade de pecar
“diariamente, por pensamentos, palavras e obras” — pelo que Se jaz mentiroso
diante do universo.

(8) Que Jesus orou pela nossa santificação, e as preces de Paulo eram como esta:
“Ora, o Deus de paz vos santifique em tudo” orações que nunca foram, nem podem
ser respondidas,

(9) Que todas as promessas para que sejamos “santificados” e “participantes da


natureza divina” são promessas falsas.

(10) Que o “testemunho do Espírito Santo” sobre a nossa santificação não é


verdadeiro.

(11) Detenho-me, porém aqui. Estes absurdos todos, para os quais é levado o
homem que rejeita a verdade, não tem fim. Quanto a mim, prefiro rejeitar os
absurdos e abrir todo o meu ser para a alegre verdade de que temos um Salvador
DESEJOSO E CAPAZ de “salvar totalmente” e um “Espírito Santo que espera e

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anseia não só purificar os nossos corações, mas também encher-nos de toda


plenitude de Deus”. Chegamos, pois, as seguintes conclusões:

I — Que existe uma segunda obra da graça, que Deus deseja operar em nós todos
pelo Espírito Santo, e que é inteiramente distinta da regeneração, e subsequente a
ela.

II — E um ATO purificador do próprio Deus, que santifica o coração. “O mesmo


Deus de paz vos santifique em tudo” (I Tessalonicenses 5:23). A santificação não se
alcança, portanto, por um desenvolvimento gradual ou crescimento. Tal noção é
equivoco gravíssimo e até calamitoso. “Enquanto a igreja supõe que a santificação é
crescimento gradual na graça, o povo de Deus permanece alheio à bênção de Deus
para um coração santo. Satanás sorri satisfeito ao ver a igreja buscando a santidade
num sentido e num nível onde nunca poderá achá-la! E como fica tranquilo
enquanto o povo de Deus vai olhando para si mesmo, ou para o tempo, ou para o
crescimento, ou para outra coisa, exceto o sangue de Cristo, na esperança de obter
santidade”.

III — Como a justificação, ou qualquer outra coisa realizada por um ato de Deus, a
santificação é INSTANTÂNEA. E tão súbita como o Pentecostes. É obra que nos
parece grandiosa e até impossível, mas não para Deus, que ordena e logo se faz. “Se
Deus pode tomar um perfeito gigante do pecado e transformá-lo numa criança
espiritual, num momento, não pode Ele tomar uma criança em Cristo,
transformando-a num homem perfeito em Cristo Jesus, num momento? Se Deus
pode, instantaneamente, fazer de um pecador um homem espiritual, pode também,
com maior facilidade ainda, fazer de um cristão um santo” (Sanctification, pág. 75).

Diz o Presidente Mahan: “Há quarenta e sete anos, quando meu desejo pela visão
total (a santificação) se tornara quase insuportavelmente intenso, num momento,
num abrir e fechar de olhos, achei-me face a face com o Sol da Justiça, sentindo Sua
influência salutar e divina por todas as partes do meu ser” (Autobiography, pág. 6).

Palavras de Moody: “Esta bênção me sobreveio de repente, como o clarão de um


relâmpago” (Forty Witnesses, pág. 269).

Tal santificação INSTANTÂNEA é a única que responderá aos nossos anseios.


Qualquer cristão pede morrer hoje ou amanha, e encontrar-se no tribunal de Deus.
Vivendo ou morrendo, queremos a bênção, e a queremos AGORA. E essa

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santificação, INSTANT ANEAMENTE recebida e ao alcance de todos, e o que as


Escrituras revelam e prometem aos que a buscam. Esta e a vontade de Deus, a
vossa santificação: não é para Sua honra, nem Sua vontade, que um de Seus filhos
permaneça na corrupção ou privado da santidade, uma única hora.

IV — FÉ Esta bênção, como a justificação e obtida pela FE. “Recebestes o Espírito


pelas obras da lei ou pela pregação da FÉ?” (Gálatas 3:2). “A fim de que
recebêssemos pela FÉ o Espírito prometido” (Gálatas 3:14). “Concedendo-lhes o
Espírito Santo — purificando-lhes pela FÉ os corações” (Atos 15:8-9). “Santificados pela
FÉ em mim” (Atos 26:18). A santificação, como todas as outras bênçãos espirituais,
vem pela fé Jesus não te regenera pela fé, deixando-te depois santificar-te pelas tuas
próprias lutas espirituais. “SANTIFICADOS PELA FÉ!”

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CAPÍTULO X

EXAME DE TEXTOS APARENTEMENTE CONTRADITÓRIOS

Existem algumas passagens das Escrituras que parecem, na superfície, ser contrárias
à doutrina da santificação. Ha muito que vem constituindo um “xarope calmante”
para as crianças em Cristo, as quais apreciam a infância espiritual crônica. Há
muito que vem sendo usadas como balsamos da consciência e como narcóticos,
tranquilizantes para aqueles que se contentam em “refestelar-se em Sião” e “ter
apenas um nome para viver”. São pedras de tropeço industriosamente ajuntadas
pelos “que se conformam com este mundo” e “cuidam das coisas terrestres”, a fim
de construírem uma cidadela a volta de si mesmos, para que nem a verdade nem o
Espírito de Deus possam alcançá-los com admoestações para coisas mais elevadas e
mais santas. E justo dispensar-lhes, pelo menos, um breve exame.

I — Tomemos I Reis 8:46 — “Quando pecarem contra. ti (pois não há homem que
não peque), e tu te indignares contra eles” etc. O texto não ensina a pecaminosidade
perpetua dos santos, pais, no versículo 48, supõe-se que “se converterem a Ti de
todo o seu coração e de toda a sua alma”, etc. O Dr. Daniel Steele, do Seminário
Teológico da Universidade de Boston, escreve: “E como se o governador do Estado
de Massachussetts, ao colocar a pedra fundamental de um asilo para dementes,
fosse citado pelo repórter como tendo dito, no discurso de inauguração: “Se
qualquer cidadão do pais ficar louco, e não há cidadão que não o seja, que se dirija
para cá, a fim de ser curado de suas doenças mentais. ‘Todos diriam que o repórter
equivocou-se, e a noticia deveria ser... “... pois não há cidadão que não enlouqueça’.
Ora, um exame do texto original hebraico revela o fato de que a palavra ‘peque’
está no tempo futuro, a única forma de expressar o modo potencial naquela língua
(Veja Nordheimer, Grammar, sec. 993; Green, sec. 263; Rodiger, Genesius, pág. 238a).
A tradução correta então e: “Pais não há homem que não peque”. A Vulgata Latina,
da Igreja Católica Romana, traduz ‘non peccet’ = não peque’“ (Half Hours, pág. 152).

II — A mesma critica e correção aplica-se a Eclesiastes 7:20: “Não há homem justo


sobre a terra, que taca o bem e que não peque”. Deve-se dizer: “e que não possa
pecar”, como lemos na Vulgata, Septuaginta e nas antigas traduções. “Um pouco

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mais de conhecimento”, diz o Dr. Steele, “aplicado a estes textos, melhoraria


bastante a teologia de algumas pessoas” (pág. 153).

III — Jó 9:2-3: “Porque, como pode o homem ser Justo para com Deus? Se quiser
contender com Ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder”. DIZ o Dr.
Morgan: “Estas palavras nada dizem sobre a questão da pecaminosidade constante.
Falam apenas dos inúmeros pecados de que é culpado o homem no decurso de sua
vida, de sorte que, do ponto de vista da perfeição sem pecados desde o começo da
responsabilidade moral, nenhum homem pode ‘ser justo para com Deus’. É uma
expressão que poderia ser usada com propriedade por um santo que estivera há já
mil anos no céu” (Holiness Acceptable págs. 79, 80).

IV — Jó 9:20-21: “Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora seja
eu íntegro, ele me terá por culpado. Eu sou íntegro... “ Esclarece o Dr. Steele: “Este
verso opõe-se a justificação tanto quanta a santificação. No sentido evangélico, em
que Deus é o Justificador e o Santificador do crente em seu Filho, a passagem não
contradiz uma nem outra. Jó rejeita a justificação pelas obras e a perfeição absoluta;
quanto a sua perfeição evangélica, fé inabalável, lealdade inquestionável, e perfeito
amor, que e a raiz de toda obediência, o testemunho de Deus é conclusivo:
“Observaste a meu servo Jó? ... homem integro e reto, temente a Deus, e que se
desvia do mal”. (Half Hours, pág. 153).

O próprio Jó fez a seguinte enérgica profissão de sua retidão: “Enquanto em mim


estiver a minha vida, e o sopro de Deus nos meus narizes, nunca os meus lábios
falarão injustiça, nem a minha língua pronunciara engano. ...Até que eu expire,
nunca afastarei de mim a minha integridade. A minha justiça me apegarei e não a
largarei; não me reprova a minha consciência por qualquer dia da minha vida”
(capítulo 27:3 a 6).

V — Salmos 14:2-3 “Do céu olha o Senhor para os filhos dos homens, todos se
extraviaram e juntamente se corromperam: Não há quem faça o bem, não há
nenhum sequer”. Paulo cita isto na carta aos Romanos, como prova da depravação
universal da raça; porém isto não milita contra o nosso privilégio, como crentes, e
através da graça regeneradora e santificadora, de viver sem pecado.

VI — Salmos 119:96: “Tenho visto que toda perfeição tem seu limite, mas o teu
mandamento é ilimitado”. Martinho Lutero traduz: “Tenho visto que t6das as
coisas tem um fim, mas a Tua lei perdura”. Por isso, não existindo a palavra

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“perfeição” em sua versão, não há problema para os alemães neste texto. A Bíblia
ensina que todas as coisas terminam, exceto a Palavra: Isaias 40:6-8 e I Pedro 1:24-
25. “Seca-se a erva e cai a sua flor, mas a palavra do nosso Deus permanece
eternamente”. Confiantemente afirmamos que nenhum estudioso sincero, por mais
fortes que sejam os seus preconceitos contra a perfeição evangélica, ou que ame a
Deus de todo o seu coração, depois de um estudo completo deste texto, jamais o
atirará outra vez contra esta preciosa doutrina bíblica e a abençoada experiência de
miríades de santos. (Half Hours, pág. 155).

VII — Salmos 130:3-4: “Se observardes, Senhor, iniquidades, ó Senhor, quem


subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”. “Quem?” diz o Dr.
Morgan, “sem a influência de uma teoria sem fundamento, recorreria a um texto
como este? Nenhuma sílaba poderia ser achada em que o salmista se refira ao
pecado presente. É para o pecado presente e, naturalmente, sem arrependimento,
que existe o perdão do Senhor?” (pág. 80).

VIII — Isaias 64:6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças
como trapo da imundícia”. É evidente que o profeta tala aqui em nome dos judeus
apóstatas, que estavam todos “murchando como a folha”. Nos dois versos
imediatamente precedentes, vemos o contraste com o justo: “Porque desde a
antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu
Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera. Sais ao encontro daquele
que com alegria pratica a justiça, daqueles que se lembram de ti nos teus
caminhos”. Diz o Dr. Morgan: “Este texto, em lugar de desaprovar a doutrina da
santidade, surge, quando tomado com seu contexto, decididamente a confirmá-la”
(Holiness Acceptable, págs. 81, 82).

IX — Provérbios 20:9: “Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do
meu pecado?” Sentenças interrogativas como essa têm sido universalmente
interpretadas como expressão negativa. Nem sempre, porem, como verificamos em
Provérbios 31:10: “Quem pode achar uma mulher virtuosa?” O contexto demonstra
que o escritor não pretendeu aludir a inexistência de mulheres virtuosas, mas a sua
raridade: assim, pois, os homens de “corações limpos” e “limpos de pecado”, são
comparativamente raros. (Ver Salmos 73:13).

X — Romanos 7:14-25: Esta passagem e demasiado longa e demasiado familiar para


ser citada. Querem alguns que acreditemos ser esta a descrição de Paulo da sua

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melhor experiência cristã, e da de todos os crentes em seu estado mais exaltado.


Este capítulo tem sido o vale de batalha dos teólogos. Faz-se necessária apenas uma
breve exposição de algumas das dificuldades na interpretação desta notável
passagem, que supostamente defende a doutrina do pecado inevitável e continuo.

(1) Se esta foi a mais elevada e duradoura experiência cristã da vida de Paulo, está
em contradição com tudo o que declarou sobre sua vida nas outras epístolas. Em
outra parte ele pede o testemunho de Deus e dos homens quanto a ter vivido “santa
e irrepreensivelmente” (I Tessalonicenses 2:10).

(2) Essa interpretação viola o contexto imediato. No versículo 6:2, ele diz: “Como
viveremos ainda no pecado, nós que para ele morremos?” No capítulo 7:14 “Eu
todavia sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. No capítulo 8:2 “Porque a lei
do Espírito da vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte”. Diz ele
no capítulo 7:17 “Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita
em mim”, ao passo que no capítulo 6:12-13 “Não reine, portanto, o pecado em
vosso corpo mortal,... mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentro os mortos, e
os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça”. E no capítulo 8:4 “A fim
de que o preceito da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne,
mas segundo o Espírito.” No capítulo, 7:18: “Porque eu sei que em mim, isto é, na
minha carne, não habita bem nenhum”, enquanto no capítulo 6:19 diz: “Oferecerei
agora os nossos membros para servirem a justiça para a santificação. E no capítulo
8:9: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito”. No capítulo 7:23: “Mas vejo
nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz
prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros”, enquanto no capítulo
6:22 “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus,
tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna”. E no capítulo 8:10:
“Se porém Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado,
mas o espírito é vida por causa da justiça”. Em outras palavras, o capítulo 7 de
Romanos descreve uma experiência totalmente diferente da descrita no capítulo 6 e
8. Estes últimos mostram a experiência cristã ideal da retidão, santificação e vida
eterna; o capítulo 7 e um quadro negro do servo do pecado — gemendo sob a
servidão e clamando para ser liberto do corpo da morte. O capítulo 8 e o grito de
vitória de alguém que “e mais do que vencedor por Aquele que nos amou”. Assim,
e a falsa interpretação que torna um escritor contraditório.

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(3) Tal interpretação faz do próprio Evangelho e de toda a obra expiatória de Cristo,
um fracasso tão grande como a lei, para a recuperação do caráter humano e para
redimir o homem do pecado.

É evidente, para o espírito lógico, que, ou o Apóstolo estava usando a si próprio,


num estilo fervoroso é vívido de composição, para representar outros que vivam
muito abaixo de seus privilégios como crentes; ou descrevia alguma experiência
passada, quando, como legalista, e sem a ajuda de Cristo, a quem rejeitava,
esforçava-se em vão para satisfazer a lei, e assim uma vez fora o representante de
um vasto grupo, que procurava levar agora por um caminho melhor.

“Os melhores eruditos”, diz o Dr. Steele, “rejeitam este capítulo como descrição do
homem regenerado. Os patriarcas gregos, durante os primeiros trezentos anos da
história da igreja, unanimemente interpretavam esta escritura como descritiva de
um moralista pensativo esforçando-se, sem a graça de Deus, para realizar a seu
ideal mais alto de pureza moral. Agostinho, para roubar de Pelágio, seu adversário,
dois textos bíblicos que sustentam a possibilidade de não pecar, deu origem a teoria
de que o capítulo 7 de Romanos descrevesse a experiência do homem regenerado.
Lutero e Calvino seguiram-no. A tendência dos exegetas modernos é retornar ao
ponto de vista dos patriarcas gregos da igreja. Entre estes estão: Moses Stuart,
Calvin E. Stowe, Meyer, Julius Muller, Neander, Tholuck, Ewald, Ernesti, Lepsius,
Macknight, Doddridge, A. Clarke, Turner, Whedon, Beet e Stevens, de Yale” (Half
Hours, pág. 74).

O Presidente Mahan dá os nomes de trinta e três comentadores, desde Erasmo, que


retornaram assim a teoria da igreja primitiva. Acrescenta depois: “Se supomos que
Paulo, com as palavras ‘Sou carnal, vendido ao pecado’, pretendeu, como entendia
a igreja primitiva, descrever uma experiência legal, e com as palavras ‘A lei do
Espírito de Vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte’, pretendeu,
como entendia a igreja primitiva, descrever uma experiência legal, e com as
palavras ‘A lei do Espírito de Vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da
morte’, pretendeu descrever a experiência da fé, então tudo está claro. Mas se
subsiste a outra interpretação, e devemos crer que o apóstolo afirmava serem
verdadeiras ambas as declarações a respeito dele, a um mesmo tempo, contradizia-
se a si próprio tão palpavelmente como se dissesse que a mesma coisa pode, num
mesmo momento, existir e não existir” (Autobiography, págs. 347, 348).

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Há três versículos que, à superfície, parecem assemelhar-se à experiência cristã:


“Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom”. (Romanos
7:12) “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (verso
22). “De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente sou escravo da lei de Deus,
mas, segundo a carne, da lei do pecado” (verso 25). Este prazer da mente na lei de
Deus pode ser apenas o ideal intelectual da moralidade contemplada pelos ímpios
com admiração, mas nunca praticada. Assim, os beberrões louvam a temperança,
mas continuam embriagando-se; e os licenciosos admiram a virtude e a buscam no
casamento, mas continuam em sua licenciosidade. E os eruditos brâmanes, no
Congresso das Religiões, em Chicago, discorreram de modo sublime sobre a amor a
Deus e aos homens, mas, de volta à Índia, ao passar por um irmão de outra casta,
morrendo de sede à beira da estrada, continuavam sem oferecer-lhe um gole de
água. Opinião moral nobre é uma coisa: caráter nobre é outra muito diferente.
Talvez ocorram ao leitor as conhecidas linhas de Ovídio:

Isto diz-me a razão, aquilo outro a paixão;


Reconhecendo o certo, dou-lhe aprovação;
Condeno o erro, mas é a ele que procure.

Diz o Dr. Steele que “a última sentença do capítulo é uma sinopse de toda a luta
entre a ‘mente’ ou razão moral, e a ‘carne’ ou tendência pecaminosa. As palavras
enfáticas ‘Eu mesmo’, no plano, da natureza, sem a ajuda de Cristo, não podem fazer
mais do que um dúplice serviço, com a mente servindo a lei de Deus, porque
admira sua excelência mas com a carne servindo a lei do pecado, por uma rendição
que leva consigo sua personalidade culposa”. (Half Hours, págs. 74-77).

O Professor Morgan, adotando o parecer do Dr. Steele, diz: “Confessamos


profundo interesse na verdadeira interpretação desta passagem importante; pois
acreditamos que o falso ponto de vista difundido e aceito tem sido um obstáculo
maior do que qualquer outro erro prevalecente entre os homens bons para
prejudicar os santos e lisonjear as esperanças dos hipócritas” (Holiness Acceptable to
God, pág. 59).

Diz o Bispo Ryle, na Inglaterra: “Temos em Romanos 7:14-25 um daguerreotipo


correto e perfeito da experiência de todo o verdadeiro santo de Deus”. E Mahan
acrescenta: “Se Ryle tivesse dito, ‘... de todo santo de Deus que não recebeu o
Espírito Santo depois que, creu’, estaria certo em sua afirmação. Essa era a única

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forma de vida cristã que ele conhecia então. Nesse estudo o crente não é ‘espiritual,
mas carnal, um menino em Cristo’ ‘carnal vendido ao pecado’, ‘a lei de seus
membros guerreando contra a lei de sua mente, e fazendo-o escravo da lei do
pecado que está em seus membros’. Bem pode exclamar ‘Desventurado homem
que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?’ Os apóstolos, e Cristo, e o céu,
e todos os que creem no Pentecostes, simpatizam com tal santo, e também se
admiram de sua incredulidade. Eu sei quão desventurada é essa vida, pois também
a experimentei” (página 408). Por outro lado, diz o Dr. Steele: “Como e triste o
equívoco de tomar o perfil de um pecador pelo de um santo e exibi-lo para imitação
por parte dos crentes”.

Seja qual for o correto destes dois pontos de vista, o terceiro (que diz ser Romanos
capítulo 7 uma descrição do que Paulo foi de melhor, e um apoio para a doutrina
do pecado necessário e perpétuo), não pode subsistir. Paulo, como cristão
experiente, não era um escravo, “carnal, vendido ao pecado”, fazendo sem
resultado ingentes esforços para o bem, para evitar o mal. Tampouco é uma
descrição do nosso melhor estado, com o auxilio de um Cristo que em nós habita e
do Espírito santificador. Tal conclusão e monstruosa em si mesma, e em
desarmonia com um cento de passagens das Escrituras, não podendo resistir um só
momento.

XI — Filipenses 3:11-15: “... para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os


mortos. Não que eu o tenha já recebido, ou tenha já obtido a perfeição, mas prossigo
para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos,
quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me
das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento”.

Este é o texto escolhido pelos pregadores que parecem abraçar a doutrina da


pecaminosidade necessária e perpétua, combatendo a doutrina da santidade, e
negando a possibilidade da santificação. E como se estivessem enamorados de suas
igrejas débeis e mundanas, e com medo de que seus membros se tornem
“espirituais” e com a mente de Cristo. Mas esses ministros só usam os versos 12 a
14. De propósito acrescentei os versos 11 e 15, que invalidam sua má interpretação.

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Observai, primeiro, o objeto do verbo no versículo 12,: ,,”Não que eu o tenha já


recebido”. O objeto lógico é “a ressurreição dos mortos”, no versículo 11. (A edição
revista de Almeida diz: “... que a tenha recebido...”, deixando mais clara ainda a
referência a ressurreição. (Nota do tradutor). Portanto quando Paulo diz: “Não que
eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição”, diz simplesmente que não
atingiu a “perfeição da ressurreição”.

“Mas, por que”, pergunta o Dr. Steele, “afirmaria Paulo um fato tão manifesto
como este, de que não ressuscitara dos mortos? Alguém afirmou que ele
ressuscitara? Sim, alguns estavam espiritualizando a ressurreição, pervertendo as
próprias palavras de Paulo em Efésios 2:6 e Colossenses 3:1, num argumento contra
a ressurreição do corpo, enquanto outros se atreviam a declarar que ‘a ressurreição
já se realizou’ (II Timóteo 2:18). Nestas circunstâncias, não era mero truísmo da
parte de Paulo declarar que a ressurreição era futura, e não passada” (Half Hours,
pág. 64).

Em segundo lugar, observemos que, no verseto 15, Paulo alega perfeição: “Todos,
pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento”. O verseto 12 nem ao menos
sugere a imperfeição espiritual, mas e apenas uma afirmação de que a glória
invisível está por vir; no 15, porém, afirma sua perfeição cristã evangélica na vida
presente, como servo de Cristo e candidato a gloria. “O versículo 12 está em
formosa harmonia com o 15. No verso 12 Paulo nega perfeição como vitorioso já,
pois não terminou a carreira, nem atingiu o alvo; no verso 15, alega perfeição como
corredor, ‘desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos
assedia’“. (Half Hours, pág. 65).

Sobre a mesma passagem, escreveu o Professor Morgan: “A tradução errônea de


uma só palavra foi motivo para que esta passagem gloriosa fosse citada como
prova do dogma da constante imperfeição moral nos santos. O Prof. Robinson
corrigiu este engano em seu Léxico (página 812), sendo a seguinte a sua tradução:
‘Não que eu já tenha completado a minha carreira e tenha chegado ao alvo, para
assim receber o prêmio’”...Isto compreendido, a passagem nos mostra o apóstolo
como ilustre exemplo do cumprimento completo de todos os deveres da carreira
cristã — e obviamente, um dos deveres da corrida (carreira cristã) certamente não
foi sempre estar na meta final.” (Holiness Acceptable, págs. 96, 97).

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XII — I João 1:8: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos
enganamos, e a verdade não está em nos”. Este versículo, a passagem de Filipenses
3:12-14 e o capítulo 7 de Romanos já examinados, são a grande fortaleza dos que
defendem a doutrina do pecado continuo. Muitos usam o texto para se defenderem
da esperança atual da santidade, e também para influírem todos os outros no
mesmo sentido. À primeira vista a passagem parece declarar que todos os cristãos
pecam de contínuo e se alguém disser que não peca, engana-se a si próprio, e a
verdade não está nele. Há, porém, objeções decisivas contra tal interpretação, pois,
observai:

(1) Tal conclusão faz com que João se contradiga claramente na mesma linha de
pensar, pois os versos 7 e 9 colocam-se em oposição aos 8 e 10. Um homem cujos
“pecados foram perdoados” e que está “purificado de toda injustiça” não pode “ter
pecado” como fato coexistente. Em I João 3:9, lemos: “Todo aquele que e nascido de
Deus não peca”, e em 3:6 lemos: “Todo aquele que permanece nEle não peca”. É,
pois, privilégio de todos os cristãos “permanecer em Cristo” e abster-se do pecado.
É claro, pois, que os versículos 8 e 10 não podem afirmar o pecado contínuo dos
cristãos.

(2) O Dr. Steele cita o bispo Wescott e Bengel apontando para o fato de que a
expressão “ter pecado” é uma das mais fortes, implicando sempre culpa e
merecimento de castigo pelo pecado. Estarão todos os cristãos que confiam em
Jesus e permanecem nEle, ainda culpados e sob a condenação da ira? “Ter pecado”
não pode ser a experiência presente de um coração cristão devoto, que vive no
estado justificado. Trata-se de uma afirmação geral, significando simplesmente, “se
dissermos que não somos merecedores de culpa (por causa dos pecados, cometidos
não importa quando), a qual necessita do sangue expiador e da misericórdia
perdoadora, enganamo-nos”. Essa e a única referência possível aos cristãos. “Este”
diz o Dr. Steele, é o dilema da escola Alford de expositores. Sua teoria de que todos
os cristãos ainda têm culpas, denega a justificação, e contradiz a declaração
exultante de Paulo em Romanos 8:1: ‘Agora, pois, já nenhuma condenação há’. As
partes de nossa argumentação são poucas e claras. O pecar — sucessão de violações
voluntárias das leis conhecidas de Deus! Exclui o ser nascido de Deus (capítulo 3:9),
porque está implicada a culpa. ‘Ter pecado’, como o expressa João, é ser culpado.
“Portanto, as palavras ‘ter pecado’ excluem da regeneração e da vida espiritual”
(Half Hours, pág. 259).

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(3) É pertinente perguntar então como foi que João veio a escrever desta forma
aparentemente tão contraditória? Um fato histórico esclarece o caso. Surgira um
grupo de falsos mestres que estavam seduzindo as igrejas. Eram mentirosos e
anticristãos. Judas e Pedro nos dizem que eles “iam por toda parte, arrastando
discípulos após si”. Estes homens professavam ter comunhão com Deus, porém
viviam da maneira mais escandalosa, “convertendo a graça de Deus em lascívia”, e
chamavam-se dualistas, ou docetoe, ensinavam que todo pecado ou mal pertence ao
corpo e existia em toda matéria, e negavam que a mente ou alma pudessem “ter
pecado”. Mas Cristo tinha corpo: e estes sedutores foram logicamente levados a
ensinar que Cristo só na aparência era homem, ser físico. Era um “pseudo-homem”,
e sua morte expiatória fora apenas uma “aparição fantasmagórica”. Naturalmente,
Satanás as induziu depressa a tirar uma outra conclusão, isto e, que suas almas
sendo imateriais, não tinham pecado, a despeito do que fizessem os seus corpos, e
não necessitavam, portanto, de expiação. O pecado poderia corromper, e devia
corromper apenas os seus seres físicos, mas não atingiria suas almas. Inspirados
por tal filosofia, mergulhavam em toda sorte de excessos bestiais — glutoneria,
bebedice e licenciosidade, afirmando ainda que suas almas permaneciam
imaculadas em meio a todo este pecado sensual, como uma joia num monte de
esterco. Quando se apontava Cristo para estas pessoas admoestando-as a se
arrependerem para serem salvas respondiam impudentemente que não eram
pecadores — “não temos pecado nenhum e “não temos cometido pecado”; não
tinham nada de que se arrepender, Cristo era um homem apenas na aparência, e a
expiação era apenas ilusória, e não tinha utilidade para eles. João escreveu sua
Primeira Epistola para livrar as igrejas desta onda de erros e seduções satânicas.
Lede-a agora, com este pensamento. Ele começa já no primeiro verseto. Jesus não
era um embuste, um Cristo fantasma, pois nós “O ouvimos”, vimo- (lO) com os
nossos olhos”, e “nossas mãos tocaram” (nO). “Ora, a mensagem que da parte dele
temos ouvido e vos anunciamos, é esta: que Deus é luz, e nele não há treva
nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele, e andarmos nas trevas”
(como fazem estes ‘vis sedutores’), “mentimos” (I João 1:5-6). “Mas se andarmos na
luz — o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (versículo 7). “Se
dissermos que não temos pecado” (versículo 8), “se dissermos que não temos
cometido pecado” (versículo 10) (como estes falsos mestres estão ensinando,
enquanto vivem em seus infames pecados), “fazemo-lo mentiroso e a sua palavra
não está em nos”. Em outras palavras, o apóstolo estava dizendo: “Não podemos

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praticar a iniquidade e ter comunhão com Deus”. E se dissermos que nunca


pecamos e não precisamos de um Salvador expiatório, e do seu perdão e
purificação, enganamo-nos simplesmente, e fazemos Deus mentiroso. Mas se nos
humilharmos arrependidos, confessando e abandonando os nossos pecados, “Ele é
fiel e justo para nos perdoar os pecados, e purificar-nos de toda injustiça”.

Está claro agora por que o santo apóstolo escreveu daquela maneira. Que
interpretação infeliz tomar estas palavras, que visavam os sedutores da esposa de
Cristo, e fazer com que elas ensinem, como revelação divina, que a própria esposa,
com toda a santificadora presença do Esposo Celestial, e a “purificação” do Espírito
Santo, a esposa de Cristo não pode ser pura e limpa? Diz o Presidente Mahan: “O
uso que é feito de João 1:8, pelos defensores do dogma do pecado contínuo em
todos os crentes, transforma a arma que a inspiração nos deu contra todos os que,
em todas as épocas, neguem o pecado e a consequente necessidade da graça
expiatória, num bastão gigantesco a ser brandido no cérebro de crentes como
Policarpo, Clemente, Barnabé, Hermas, Ambrósio, Atanásio, Crisóstomo, Fenelon,
Madame Guyon, Wesley, Fletcher, James Brainerd Taylor, Upham, e Finney (São
João e São Paulo), classificando-os como hipócritas, privados da verdade e fazendo
Deus mentiroso” (Autobiography, pág. 350).

Examinamos assim todas as passagens que parecem, a uma vista superficial,


afirmar a necessidade do pecado contínuo; vemos, porém, claramente, que não é
assim. De capa a capa, a Bíblia é um livro contra o pecado; e coerente consigo
mesmo. Não é ordem de Deus que sejamos santos, revelando um Salvador e um
Espírito Santificador, “que pode salvar perfeitamente”, com uma instrução
simultânea para que vivamos no pecado até a morte.

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CAPÍTULO XI

RESPOSTA A OBJEÇÕES

O autor conhece um homem venerável, que foi por muitos anos uma coluna viva
na igreja, e um exemplo em boas obras. Vieram-lhe as mãos algumas obras sobre a
santidade, e seu comentário foi: “Este trabalho do Espírito Santo, tal como o
descrevem os autores, e sublime, e eu gostaria que fosse realizado em mim, mas não
compreendo a filosofia da santificação”. E assim, este nobre professor universitário não
busca a grande bênção, a “pérola de grande preço”, porque há mistérios que não
compreende. Mas esse nosso caro amigo tampouco pode explicar o mistério do
novo nascimento; e muitos pecadores instruídos em sua faculdade provavelmente
estão rejeitando a regeneração pelo mesmíssimo motivo por que ele está rejeitando
a bênção mais sublime da santificação.

Isto me lembra um acidente na vida de Daniel Webster, quando entrava numa


igreja ortodoxa em Boston, num domingo de manha. Ao passar por ele um unitário,
apontou com o dedo desdenhosamente para o templo e perguntou: “Você vai
entrar ali para adorar três deuses?” Webster contemplou o zombador com sua cara
enorme e seus olhos assombrosos, e disse: “Amigo, há muitíssimas coisas no céu e
na terra que nem eu nem você entendemos”. E então o grande homem entrou no
santuário e curvou o seu intelecto como uma humilde criança, para adorar o Deus
triúno. Mas os unitários não podem entender a filosofia da Trindade, e por isso a
rejeitam, bem como a Divindade de Cristo. Precisamente pelo mesmo motivo os
livres-pensadores rejeitam a doutrina da expiação e os agnósticos renunciam toda
fé prática em Deus. Não as podem compreender com suas frágeis mentes!

Ora, tais argumentos não servem de desculpa para que cristãos devotos se privem
do dom mais precioso da graça de Deus. O “batismo com o Espírito Santo e com
fogo”, santificando o coração, e uma experiência bendita, quer compreendamos sua
filosofia, quer não. Pode haver dificuldades filosóficas e metafísicas a seu respeito;
mas a grande bênção e recebida pela fé. É suficiente que o cristão humilde saiba que
Deus prometeu a dádiva bendita aos que a buscam. Os homens não se elevam às
alturas deste Beulá nas amplas asas da filosofia e da metafísica. Atingem-no com os
joelhos dobrados da fé humilde. Isto provavelmente explica por que as almas

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simples amiúde encontram esta bênção, que os entendidos perdem. “Graças te dou,
ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e
entendidos, e as revelaste aos pequeninos (Mateus 11:25).

“Este versículo”, explica. O Dr. Carradine, “diz por que obtive o que homens mais
nobres, melhores e mais sábios, não têm conseguido. Cheguei-me a Deus, uma
criancinha, para buscar a bênção da santificação. Não raciocinei, do mesmo modo
como uma criança não raciocina. Não criei dificuldades mentais. Nunca me
aproximei de Sir William Hamilton, nem de ninguém como ele. Sabia que a obra
era superior a ele, e a todos os outros intelectos humanos. Era parte do mistério que
os anjos estudaram e não puderam perscrutar. Não procurei livros escritos por
autores antigos ou modernos. Fui a Deus! A Bíblia dizia que Ele o faria, porque
podia fazê-lo e, melhor do que isso, fá-lo-ia no momento em que eu cresse! As portas
das doces experiências da regeneração e santificação não se abrem ao toque da mão
do metafisico, por diversas razoes. Uma delas e que a grande massa do povo sobre
a terra não é entendida nem experimentada nas leis da vida mental; e se a recepção
das bênçãos dependesse da compreensão de silogismos, e do reconhecimento de
certos grandes princípios da ciência mental, a raça estaria perdida. Ocorre-me outra
razão por que as portas da graça não se abrem ao toque do racionalista — a
salvação está acima da razão. Não foi concebida pelo homem, nem e compreendida
pelos intelectos fidalgos de hoje. Duas expressões na Bíblia chamam com frequência
a minha atenção. Uma e que a sabedoria de Deus e insensatez para os homens, e a
outra e que a sabedoria deste mundo e loucura para Deus. E digno de nota que o
Evangelho tenha descido até nós através do ar, em Belém, e não através do cérebro
dos escribas e dos membros cultos do sinédrio” (Sanctification, págs. 150, 153).

Conheço ministros não tão dispostos a abrir suas mentes para a luz celestial. E
quando esta unção do Espírito Santo, com o poder que limpa e santifica, lhes foi
apresentado, dirigiram-se imediatamente a sua estante de livros e de lá tiraram
algum volume de hostil filosofia, como o que descrevi no capítulo III, e
confirmaram suas mentes contra a verdade. Se, ao invés disso, se tivessem dirigido
a santa Palavra, ajoelhando-se diante da pagina sagrada, e pedindo luz, não se
teriam tornado surdos ao chamado de Deus. “Esta e a vontade de Deus, a vossa
santificação” (I Tessalonicenses 4:3). “Santificação, sem a qual ninguém vera o
Senhor” (Hebreus 12:14). “Porque Deus vos chamou para a santificação” (I
Tessalonicenses 4:7). “O mesmo Deus da paz vos SANTIFIQUE EM TUDO” (I

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Tessalonicenses 5:23). “FIEL é aquele que vos CHAMA, o qual também O FARÁ” (I
Tessalonicenses 5:24).

Uma SEGUNDA objeção e que a doutrina da santificação acessível rebaixa perigosamente


o padrão divino de vida. A isto podemos responder (como o demonstram os textos
acima), que a santificação é em nós operada pelo Espírito Santo, não sendo
resultado de nossos esforços, apenas “Deus nos pede que lhO deixemos fazer por nós”.
O “batismo com o Espírito Santo e com fogo” purga e purifica a alma de tal modo
que “somos salvos completamente” do pecado sob toda forma, espécie e grau,
segundo Deus, o que leva aquela perfeição evangélica que agrada a Deus.
Tornamo-nos tão “santificados e purificados” que ficamos “sem mancha, ou ruga.,
ou coisa semelhante” e “santos e irrepreensíveis perante Ele; em amor”. (Efésios
1:4; 5:26-27). Que escritor ou crítico pode exigir de nós mais do que essa vida que
agrada a Deus?

Eis como Alford traduz as palavras de Paulo: “Não conheço, nada há contra mim”.
E ainda: “Porque a nossa glória e esta: o testemunho da nossa consciência, de que
com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça
divina, temos nos conduzido dignamente no mundo” (II Coríntios 1:12). “A quem
sirvo com consciência pura” (II Timóteo 1:3). “Vós e Deus sois testemunhas do
modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos” (I Tessalonicenses
2:10). Um homem que, quando divinamente inspirado, pode assim falar de si
mesmo, possui inegavelmente a santidade que Deus exige. Que direito tem o Dr.
Charles Hodge de exigir mais e dizer que isto rebaixa o padrão divino de vida?

Uma TERCEIRA objeção e que a doutrina da santificação acessível, como


experiência obrigatória, exige um padrão de vida impossível o leitor observa que
esta objeção é exatamente o oposto da anterior, bem sugerindo a falsidade de
ambas. Não, a santidade não é padrão inacessível, do contrário Deus não a teria
ordenado com tanta insistência para que a obtivéssemos. Tendo em mente duas
coisas: primeiro, Deus apenas exige de nós que “amemos com todo a nosso coração,
toda a nossa alma e todas as nossas forças”; não com capacidades angélicas, mas com
as nossas próprias; nem tampouco com o que teriam sido as nossas faculdades e
condições se a raça e nos não tivéssemos pecado, mas com o que nos resta agora
nas presentes condições e circunstâncias. Este é o padrão divino de vida —
inquestionavelmente razoável e possível; quem quer que proclame um padrão mais
alto ou mais baixo, está pregando “um outro evangelho”, que não é a mensagem

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autorizada de Deus., Ele só exige que amemos com as forças que possuímos, com
elas servindo-O e glorificando-O, e não com alguma outra “força desconhecida ou
incognoscível. Segundo, observai que, embora esta santidade possa parecer
impossível ao homem não santificado, e perfeitamente possível para Deus.
Devemos reiterar repetidas vezes, e Deus que da a capacidade, que santifica, que
nos conserva, cuja “graça nos basta”, que “opera em nós o querer e o fazer”. Ele e
PODEROSO para guardar-vos de TROPEÇOS”, e “poderoso para nos suster”, e
“guardar o vosso deposito, até aquele dia”, e para “santificar-vos inteiramente”. Há
uma graça SANTIFICADORA, e uma graça GUARDADORA, e uma graça QUE
SUSTÉM. O que quer que o homem não seja capaz de fazer com suas próprias
forças, pode fazê-lo quando Deus o ordena e prepara com Sua própria forca
onipotente. Paulo conhecia o segredo do viver santo, quando escreveu: “Nossa
suficiência vem de Deus” e: “Vivo, não eu, mas Cristo em mim”. E John Wesley:
“Se Deus me ordenasse voar, confio que me daria os recursos para isso”. Tal
declaração contém sabedoria divina. Quando Moisés e o povo pararam diante do
Mar Vermelho e Deus disse “avançai”, o dever deles era obedecer; e o que Deus
tinha a fazer era preparar o caminho através do abismo. Quando lhes ordenou
atravessar a enchente do Jordão, o que tinham a fazer era tentá-lo, pois Ele deteria a
corrente até que as águas crescessem como uma montanha. Quando Deus nos
ordena ser “santos” e “santificados”, dá-nos o sangue purificador e o Espírito que
santifica para fazê-lo possível, e é impiedade insensata e impudente negar a
possibilidade.

Entretanto, há os que a igreja institui, como mestres e autoridades, e que negam ser
possível receber esta grande unção, tratando a doutrina da santificação (como
experiência acessível) como “perigosa heresia!” Diz Finney: “Suponhamos que os
mestres de religião se decidam a impedir a expectativa de alguém se tornar
religioso. Suponhamos que digam aos pecadores não existir base racional de
esperança para o seu caso — que os homens não podem racionalmente esperar ser
salvos ou convertidos, por mais que o desejem (e Deus o ordena). Qual devera ser o
efeito de tal ensino? Todos sabemos que, até onde chegasse a influência de tais
mestres, o inferno não poderia desejar instrumento mais eficiente para desonrar
Deus e arruinar almas. Seria exatamente isto o que o próprio diabo inculcaria.
Sufocaria a esperança e, e claro, a fé, tornando a salvação impossível, e a
condenação certa, a menos que a falsidade pudesse ser desmentida, e desfeito o
encantamento do erro.

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“Agora, aplicai este principio as promessas que garantem vitória sobre o pecado
nesta vida. Os ministros explicam, anulando por exemplo, I Tessalonicenses 5:23-
24: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e a vosso espírito, alma e corpo,
sejam conservados íntegros e irrepreensíveis... Fiel é o que vos chama, o qual
também o fará”. Ou ensinam, como alguns deles fazem, que e erro perigoso esperar
que estas promessas se cumpram nos cristãos; e qual será o resultado? E
exatamente como planeja o diabo: ‘Ah? Deus disse que vos santificará inteiramente,
corpo, alma e espírito, e vos preservará irrepreensíveis até a vinda do Senhor Jesus
Cristo? Certamente não será assim que sereis santificados e preservados, e o Senhor
bem o sabe, e é perigoso confiar nEle’. Sem dúvida, tal é o ensino do diabo; e
quando consegue levar os ministros de Cristo por este caminho, que mais lhe resta
fazer?

“Suponhamos que os ministros admitam, como fazem muitos, que a bênção da


santificação está plenamente prometida na Bíblia, porem ensinem, ao mesmo
tempo, que e prometida com uma condição que e irracional esperarmos cumprir.
Qual deve ser o resultado de tal ensino? Representar Deus e o evangelho a uma luz
muito ridícula. Que nos resta senão considerar o evangelho como um fracasso? É
vão dizer que a santificação completa nesta vida não é prometida; pais ela e real e
claramente prometida, e nada e mais expressamente prometido na Palavra de Deus.
Ora, que missão estranha essa dos líderes e instrutores do povo, ensinar-lhe que
não espere o cumprimento dessas promessas — que tal expectativa e um erro
perigoso — que e irracional esperar cumprir de tal modo as condições destas
promessas, que isso nos assegure a unção prometida. E repito, o próprio diabo não
poderia fazer pior do que isso. O inferno mesmo não desejaria uma oposição mais
eficiente a Deus e a religião. Na verdade, que missão sublime essa dos ministros de
Deus! Quantos ministros, porem, já caíram neste equivoco infinito de colocar_ uma
pedra de tropeço diante da igreja! Quantos estão clamando: ‘Não há motive para
esperança no cumprimento das promessas de Deus! Deveis contar com viver no
pecado enquanto estiverdes neste mundo. E perigoso nutrir qualquer outra
esperança!’ A verdade e que um ministro incrédulo e a maior de todas as pedras de
tropeço da igreja” (Finney, Theology, Vol. III, págs. 364-371).

Disse Martinho Lutero: “Se o clero pudesse ter destruído a igreja de Cristo, sem
dúvida a teria destruído há muito tempo”.

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Uma QUARTA objeção que se levanta contra a doutrina da santificação completa e


que “os que são ‘santificados’ encher-se-ão de orgulho e justiça própria”, que “um
senso de pecado e indispensável à humildade!” Terá havido jamais objeção mais absurda
contra a vida de santidade? Tende em mente que um “senso de pecado” e
produzido pela existência de pecado real, de que e consciente, e que a alma
santificada neste estado e “livre de pecado” — do pecado do orgulho e de todos os
outros pecados. A objeção se reduz, pois ao seguinte absurdo: Deveis ter pecado, a
fim de serdes livres do pecado do orgulho, e o homem a quem o Espírito Santo
santificou ainda tem o pecado do orgulho, do qual foi libertado. Em outras
palavras, o pecado e remédio para o pecado, e, portanto, devemos ser pecaminosos
a fim de sermos santos, e não devemos buscar ser santos, pois isso nos induzira ao
pecado! Sem dúvida! Não são espantosos os absurdos que mesmo homens sábios
podem dizer, quando se opõem a palavra e a vontade de Deus?

O apóstolo Pedro parece não concordar com tal opinião, pois diz: “Porque basta o
tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios” (I Pedro 4:3). Isto e,
não temos mais necessidade de pecado para produzir a ausência do orgulho, e
Induzir a humildade ou qualquer outra virtude cristã. Não se conquistam virtudes
pela presença do pecado no coração e, por outro lado, a santidade não inspira nem
o pecado do orgulho, nem qualquer outro pecado. Nossos corações não se
purificam pelo pecado, mas pelo Espírito Santo, em resposta a fé.

Para maior clareza, um homem pode enganar-se sobre o seu estado espiritual, e
julgar-se santificado quando não está — e então jactar-se. Mas o homem também
pode enganar-se sobre a sua justificação, e por isso devemos deixar de ensinar a
justificação pela fé? Era Paulo orgulhoso porque andava santa e
irrepreensivelmente diante dos homens? Não, mas declarava, humilde, que toda a
sua “suficiência vinha de Deus”, e “podia todas as coisas” simplesmente “por
Cristo”, que o fortalecia. “Vivo, não mais eu, porém Cristo vive em mim”. ‘

A objeção que examinamos não é apenas absurda em si mesma, mas falsa como
realidade concreta. As pessoas mais modestas e mais humildes que conheci em
minhas viagens como evangelista, são estes amados espíritos que estão professando
e vivendo a vida da santificação. Dão a Deus toda a glória pelo que são, pois tudo
constitui dádiva; receberam-na pela fé. Eis o cântico de um desses santos:

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“Glória ao dom que purifica!


Glória ao sangue que comprou-me!
Glória, glória para sempre!
Glória ao sangue que lavou-me!”

Não há orgulho em sentimento como esses. O homem que rejeita o Espírito Santo
como Santificador e procura santificar-se por suas próprias resoluções, esforços e
crescimento, esse corre o maior perigo do orgulho espiritual e do farisaísmo. John
Fletcher, no livro Last Check to Antinomianism (Último Confronto do Antinomismo),
assim responde a esta objeção: o pecado nunca tornou humilde qualquer alma.
Quem tem mais pecado que Satanás? E quem é mais orgulhoso? O pecado tornou
humildes nossos primeiros pais? Quem foi mais humilde do que Cristo? Mas devia
Ele Sua humildade ao pecado? Não verificamos diariamente que os homens mais
pecaminosos são os mais orgulhosos também? Se o pecado for necessário para nos
fazer humildes, e para manter-nos perto de Cristo não se segue que os santos
glorificados são todos ‘orgulhosos escarnecedores de Cristo? Não vemos bastante
pecado quando olhamos para trás, há dez ou vinte anos? Pecado suficiente para
que nos humilhemos no pó, para sempre, se é que o pecado pode fazê-lo?
Precisamos de mais pecado em nossos corações e nossas vidas? Se os pecados de
nossa juventude não nos humilham, será provável que os da nossa velhice o farão?
Finalmente, que e o pecado intrínseco, senão orgulho intrínseco? E como pode o
orgulho produzir humildade? Pode uma serpente gerar uma pomba? (Beauties of
Fletcher, pág. 284).

Há uma outra serie de objeções, a saber — que nossa doutrina, se realizada, tornaria
o pecado impossível, e a tentação impossível (como gostaria de que isso fosse verdade!),
e o crescimento impossível, e tornaria as pessoas por fim infalíveis, pelo menos segundo
sua própria profissão. São concepções ocas, pais surgem todas de falsas concepções
da doutrina. Já as examinamos sucinta, mas suficientemente, no final do capítulo
IV.

Pode ser considerada uma QUINTA objeção — que não muitas pessoas acreditam
na doutrina da santificação, e que a nossa melhor gente não a professa. Tanto pior para
a “nossa melhor gente”! Se não fosse tão triste, os que possuem a grande bênção
poderiam sorrir serenamente ante a fraqueza de uma humanidade que precisa
correr sempre com a maioria, apoiando-se na “elite”, em lugar de ficar com o Todo-
Poderoso e apoiar-se nEle. É uma objeção muito antiga, e tão fraca quanto antiga,

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como observa o Dr. Carradine: “Retrocede mais de mil e oitocentos anos, para a
cidade de Jerusalém. Encontramo-nos no templo. Há uma babel de vozes em torno
de nos. As pessoas estão discutindo sobre Cristo, e dizendo coisa idêntica a que
aparece nesta objeção: Algum dos principais ou dos fariseus creu nEle? (João 7:48).
Em outras palavras: A nossa elite, as pessoas de projeção, tomam a Cristo e o
seguem? A resposta negativa foi suficiente para que condenassem o Filho de Deus,
sem ouvi-lO e sem julga-lo” (Santification, pág. 187). Na verdade, há excelentes
pessoas na igreja que rejeitam a santificação; mas há também pessoas distintíssimas
em alguns respeitos, no mundo, que rejeitam a regeneração. Tais rates não provam
que nem uma doutrina nem outra sejam falsas. “Nossa melhor gente” nos salões da
avenida, no mundanismo e no orgulho, não raro rejeitam Jesus; enquanto que os
criados nas cozinhas, os vizinhos nas travessas e vilas, caminham com Ele, com as
roupas brancas dos santos! A questão não é se o que “a nossa melhor gente”
(embora sejam até teólogos) crê e verdade, mas se o que Deus diz e verdade.

E quanto às maiorias, que Deus nos livre de ainda caminhar com elas quando se
trata de recebermos as coisas espirituais. Observa o Dr. Steele: “A questão de
quanto Deus pode fazer por uma alma em prova, não é a maioria dos grandes
homens de uma igreja que cabe determinar. Nas palavras de Joseph Cook, esta
questão não ficou para ser decidida ‘por uma contagem de cabeças e uma
taramelagem de línguas.” Numa questão de teologia especulativa ou de
interpretação escriturísticas, convirá apoiarmo-nos na autoridade da maioria dos
entendidos: mas na questão, prática da eficácia da libertação evangélica do pecado,
através do poder do Espírito Santo, a minoria sem cultura, que submeteu a
doutrina à prova experimental, pode ser muito mais entendida do que a maioria
culta dos magnatas da igreja moderna, que nunca sujeitaram a questão ao teste da
experiência pessoal. Aqui o testemunho de um Tio Tomás ou Amanda Smith,
escravos das plantações, poderá pesar muito mais do que a opinião de uma
faculdade inteira de professores de teologia. “A experiência pesa mais que a teoria;
a fé supera a filosofia” (Half Hours, pág. 239). Convém não esquecer que “uma
contagem de cabeças e uma taramelagem de línguas” mandou Daniel para a cova
dos leões, e baniu Aristides, o Justo, condenou Sócrates a beber cicuta, pregou
Cristo na cruz, e enviou Paulo ao cadafalso, e atirou os primitivos cristãos às bestas
no anfiteatro. A mesma delatora ‘contagem de cabeças e taramelagem de línguas’
queimou vivo John Huss, Jerônimo de Praga e Savonarola. No começo do primeiro
século, muitos eram contra a doutrina da divindade de Cristo, e na primeira parte

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do século XIX também, na grandiosa Boston. E nos dias de Paulo eram contra a
doutrina da salvação pela fé... E nos dias de Martinho Lutero. Eram contra a
doutrina do batismo com o Espírito Santo e da salvação plena, nos dias de John
Wesley e nos nossos dias; entretanto todas estas doutrinas são genuínas. Lembramo-
nos de que o consenso da opinião e o voto unânime de um mundo iníquo, cheio da
nossa “melhor gente”, não pode derrubar um só — “Assim diz o Senhor”, ou
invalidar o “testemunho do Espírito” sobre a santificação do santo mais humilde.

Paulo falava sobre “escândalo da cruz” (Gálatas 5:11). O Dr. Canadine observa o
fato de que o escândalo da cruz “muda à medida que o tempo passa; vai de
doutrina em doutrina”. Primeiro consistia em confessar-se ser cristão, que era então
um termo de zombaria. Já não é mais. Quereis prova? São membros de igreja
noventa e nove em cada cem proprietários de destilarias, cervejarias e fábricas de
bebidas alcoólicas em geral; chamam-se também cristãos, na maioria, os seus
fregueses. Escrevo estas linhas a menos de cinco quilômetros de uma igreja em cuja
inauguração se beberam noventa e um barris de cerveja. Prova positiva de que,
quer em moral, quer em decência, custa bem pouco agora ser membro de algumas
igrejas chamadas cristãs.

É de muito bom tom agora ser membro de igreja. A medida que vou passando por
cidades de tamanho considerável, vejo que a “melhor gente” se reúne nas duas
principais igrejas, e as transforma em Clubes Eclesiásticos de jogadores de cartas!
Ali não existe o escândalo da cruz — nem tampouco cruz alguma. Antes o
escândalo era a doutrina da justificação pela fé — mas agora, não. Antes era a
doutrina da certeza da fé — mas agora, não, “Levante-se um homem e proclame
com seus lábios ou sua pena, que é cristão que está perdoado, que goza do
testemunho do Espírito, e não haverá o mínimo sinal de perturbação. Declare,
porém, que Cristo o santificou e então virá a tempestade”. Encontrara logo o
“escândalo da cruz” na doutrina da santidade, que e obtida
INSTANTANEAMENTE PELA FÉ no Espírito santificador e no sangue do Filho de
Deus.

“Satanás não pode tolerá-lo, nem está em seus planos que a igreja tome posse da
perdida bênção do Pentecostes. Doutrina suave, amável e bendita essa — que,
parece, deveria deleitar e encher de alegria o coração de todos os crentes — isto é a
doutrina que ensina a morte do pecado no coração, e perfeito amor a Deus e aos
homens, nele habitando e reinando supremo. Todavia, a sua apresentação e

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proclamação na Igreja e na comunidade é sinal de confusão. E o motivo é que nela


está o escândalo da cruz” (Sanctification, págs. 180, 182).

Há algumas semanas, o autor viajava com um solícito cristão, o qual, no curso da


conversa fez a seguinte observação: “É triste que tantos cristãos estejam vivendo na
ignorância do privilégio que tem, como filhos e filhas de Deus, de desfrutar a
bênção da santidade. Mais triste ainda é ver tantos que de fato a conhecem, mas
não a desejam. O mais triste, porém, é ver cristãos que não desejam a bênção,
voltar-se e dissuadir os que a desejam”. Isso provavelmente explica por que um
número tão grande da nossa “melhor gente” não busca esta bênção. Nela existe
muito da “cruz” para suas almas comodistas, indolentes e mundanas.

A ÚLTIMA objeção que consideraremos aqui é: “A doutrina (da santificação) leva ao


fanatismo, tornando inúteis os membros da igreja”. A esta objeção damos diversas
respostas. Primeiro, notai a sábia observação do Presidente Finney, citada per nós
no final do capítulo III. Se os pastores se munissem de literatura sobre o assunto
(livros e periódicos), de que temos bastante agora, e a pusessem nas mãos dos que
estão procurando e talvez conseguindo esta bênção, e os guiassem e instruíssem
com sabedoria, e cessassem a perseguição iníqua destas almas famintas da obra
santificadora do Espírito Santo, ninguém sairia da igreja, nem formaria grupinhos,
nem se tornaria fanático. “Bendito seja Deus”, escreveu John Wesley, “pois, embora
deixemos de lado uma centena de entusiastas (fanáticos), estamos ainda cercados
de uma nuvem de testemunhas, que atestam na vida e na morte aquela perfeição
que ensinei durante estes quarenta anos! Não se pode tratar de uma ilusão também;
não é uma ilusão amar a Deus com todo o nosso coração, e ao nosso próximo como
a nós mesmos”. Posteriormente escreveu ainda (em 1785): “Assim que alguém
encontrar paz com Deus, exortai-o a prosseguir para a perfeição. Quanto mais
explícita e energicamente admoestarmos os crentes a aspirar a santificação plena,
ao nosso alcance agora e tão somente pela fé, mais prosperara toda a obra de Deus”.
Lembrai-vos, pois, em segundo lugar, que os crentes tem sido excêntricos e mal
dirigidos em milhares de outras coisas de valor inefável. Todas as grandes
verdades têm sido mal representadas pelos fanáticos, mas eram verdades do
mesmo modo. Assim, pois, quando os crentes se apossam da experiência da
santificação, sem entendê-la claramente, sendo mal instruídos e perseguidos, e
enveredam por caminhos errados, tornando-se imprudente os fatos só provam uma

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coisa: Os irmãos ou irmãs que estão em erro são simplesmente ignorantes, fracos de
espírito ou mal orientados.

Encerramos nossas refutações com uma terceira pergunta: Por que razão os que se
opõem a esta segunda bênção, a do batismo do Espírito Santo ou santidade, ou
santificação completa, ou perfeição cristã, ou o que quer que a chamem, sempre
apontam para os excêntricos e fanáticos? Porque não tem a honestidade suficiente
de pensar e citar algumas vidas cujos trabalhos são, a glória da igreja de Deus
durante os últimos dois séculos? Permiti-me mencionar uns poucos, dentre a
grandiosa hoste dos que tem recebido este batismo do Espírito, exibindo os seus
efeitos no mundo, e defendendo a santidade, por mais que diferissem em filosofia e
teologia — John Wesley, Charles Wesley, George Whitefield, Jonathan Edwards,
Mrs. Edwards, Adam Clark, Fletcher Carvosso, Hester Ann Rogers, David
Brainerd, James Bramerd Taylor, William Tennent e estes bispos da Igreja
Metodista: Whatcoat, Asbury, McKendree, Hamline, Peck, Simpson; e estes bispos
que ainda vivem — Foster, Newman, Ninde, Thoburn, Foss, Mallalieu, Taylor, da
África, Bowan, Goodsell, Pierce; e em outras denominações: o Presidente Mahan,
Finney, o Prof. Upham, Moody, C. J. Fowler, Torrey, Chapman, A. B. Earle (o
grande evangelista batista), e os evangelistas Haney e Caughey, Harriet Beecher
Stowe, Phoebe Palmer, Frances Ridley Havergal Mrs. Van Cott, Frances Willard —
que receberam a bênção e a perderam por cessar de confessá-la, Hannah Whithall
Smith, Rev. A. B. Simpson, Prof. Dugan Clark, e David B. Updegraff, e os piedosos
amigos Dr. Daniel Steele, da Universidade de Boston, Rev. J. A. Wood, Drs. Levy,
Inskip, McDonald, Lowrey, Gordon, Dunham, Keen, Andrew Murray, J. O. Peck, J.
A Smith, F. B. Meyer, Alfred Cookman, o general Booth, e sua pia esposa,
Catherine, que foi a mãe da família mais eficiente no reino e no serviço de Cristo,
que o século viu. São umas poucas almas dignas de emulação, representativas do
grande exército dos santos chamados “fanáticos da santidade”, por pessoas pouco
dignas de tocar em suas sandálias. Permita o bendito Deus que, por Sua graça
santificadora, nos tornemos todos dignos de sua companhia.

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TERCEIRA PARTE

COMO OBTER A BÊNÇÃO

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CAPÍTULO XII

SANTIFICAÇÃO — UMA OBRIGAÇÃO CRISTÃ

O que desejo dizer neste capítulo, de um modo geral, como introdução ao


recebimento do batismo do Espírito Santo, sugere-se pelas seguintes passagens das
Escrituras: “Enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18). “Se tardar, espera-o, porque
certamente vira, não tardara”. (Habacuque 2:3). “... de repente vir a ao seu templo o
Senhor, a quem vós buscais...“ (Malaquias 3:1). “Não sabeis que sois o santuário de
Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3:16).

Estas passagens me sugerem os seguintes grandiosos fatos:

I — E obrigação universal de todos os cristãos tornarem-se santificados. Muitos ensinam o


contrário. Não duvido que estas palavras sejam surpresa para muitos leitores. Mas
não pode haver dúvida nenhuma — a exortação ressonante da Bíblia e: “Por isso,
pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar
para o que e perfeito” (Hebreus 6:1). Quem dirá que esta ordem, “Enchei-vos do
Espírito”, não é tão imperativa como “Não furtarás”? O Bispo Taylor, um dos mais
eficazes obreiros cristãos do século, que cingiu o mundo com sua influência
imorredoura, tendo visitado e trabalhado pessoalmente na América, Austrália,
Índia e África, diz: “O cristão não pode escolher entre ‘prosseguir para a perfeição’
ou não. E seu dever imperativo, assim que o Espírito Santo o ilumina e aplica a
ordem à sua consciência. Depois que a alma se acha mais ou menos confirmada na
graça do perdão, onde se firma, então o Santo Santificador derrama crescente luz
no coração do jovem crente, e revela sua depravação inerente em grau alarmante. E
momento de grande tentação.... Nossa única segurança e obedecer a Deus,
caminhar segundo o Espírito e ‘prosseguir para a perfeição’“? Negligenciar a
obediência à ordem positiva de Deus, “Sede santos”, implica o risco de perder a
justificação, com o desvio de nossa alma, risco a que nenhuma pessoa deveria
expor-se.

“Esta questão, porém, não envolve apenas a salvação pessoal do professo cristão,
mas dela depende condicionalmente a salvação do mundo. Por maior que seja a
força orgânica da igreja, o número e a magnificência de suas instituições e

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instrumentos de trabalho, sua verdadeira eficiência espiritual para a realização da


grande missão de pregar o evangelho ‘a toda criatura’ é proporcional à santidade de
seus membros individuais. Uma igreja composta de anões espirituais, em lugar de
‘homens perfeitos’, há de ser uma igreja raquítica e ineficiente. Quando nos
lembramos de que a provisão da salvação em Cristo compreende todos os
pecadores do globo, e que o Espírito Santo de Deus foi enviado para ‘habitar
conosco’, e administrar este provimento da salvação à família humana na sua
totalidade, compreendemos logo, o fato estarrecedor de que existe, em algum lugar,
uma terrível anormalidade.

“Por que é tão frágil e ineficaz a nossa luta contra o maometismo e as várias formas
de paganismo? Por que e que, mesmo em países cristãos, relativamente tão poucos
professam ser leais a Deus? Por que é que a maioria dos nossos filhos, criados nos
altares da família, e treinados na creche de nossas igrejas — a escola dominical —
saem para o mundo, despudorados rebeldes contra Deus? Por que é que a igreja
cristã, ao invés de mover guerra agressiva, ousada sob a liderança de seu divino
Aio, o Espírito Santo ‘pela conquista do mundo, em geral repousa tranquilamente
nas trincheiras, nos quartéis e hospitais espirituais, mantendo uma defensiva
tímida, incapaz de resistir às forças inovadoras do mundanismo e do pecado, e à
onda de corrupção da própria infidelidade? Ao procurar as causas desta terrível
deficiência, que implica na perda de milhões de almas, achá-las-emos não tanto nas
organizações, ordenanças e instituições, como numa fatia de pureza completa de
coração de cada um dos seus membros individualmente” (Infancy and Manhood,
págs. 7-13). “Nosso cristianismo é doentio e raquítico, e está se demonstrando
totalmente inadequado para fazer face às necessidades de sua grande missão de
misericórdia para salvar o mundo inteiro” (pág. 14).

Diz o Rev. F. B. Meyer, de Londres, na mesma linha de pensamento: “Quão


limitada é a força dos cristãos em geral! Agitam o incensário entre os vivos e os
mortos, mas a praga não é contida. Como Geazi, como os discípulos ao pé do
monte, proferem as palavras curadoras, mas não são aliviados os possessos do
diabo. Oram, mas as orações não são respondidas. O poder que dá vida deve estar
em nós, do contrário não veremos os pecadores mortos ressuscitarem através das
nossas palavras”. Exatamente aqui reside a fraqueza da igreja dos nossos dias.
Existem muitos membros, mas a maioria deles são Geazi e discípulos incrédulos.
Enquanto mais crentes não forem cheios do Espírito Santo santificador e doador de

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poder, mesmo os filhos dos lares cristãos permanecerão mortos e possessos do


demônio. Numa preleção em Boston, disse a Sra. E. M. Whitemore da Door of Hope
Mission (Missão Porta da Esperança) para mulheres decaídas, em Nova Iorque:
“Cento e noventa e nove dentre duzentas das moças recebidas pela missão, vieram
dos chamados lares cristãos. Raras vezes tenho conhecido uma moça crescida,
tendo nascido nas favelas, no pecado, que ainda esteja lá; e incluo também aquelas
que nós ganhamos”. Pode-se dizer sem risco que essas moças tiveram pais
comodistas, indiferentes, mundanos, todos membros de igrejas, mas estranhos ao
batismo do Espírito Santo. Não tinham religião suficiente para fazer seus filhos
respeitá-la e desejá-la. Seus professores da escola dominical tinham provavelmente
o mesmo tipo de piedade, e talvez seus pastores lhes pregassem sem o toque do
poder do Espírito Santo. E todos estes representantes de uma piedade morna, todos
vazios do Espírito, simplesmente conspiraram para mandar essas jovens para a rua,
enviando cinco vezes mais rapazes para serem seus companheiros.

Escutei Catherine Booth, num de seus magníficos discursos sobre o Espírito Santo:
“Que onda de pranto e lamentação chega até nós de todos os cantos da terra sobre a
escassez, a frieza e o letargo das igrejas cristãs! Não podemos deixar de sentir que
existe uma grande lacuna algures! Não e minha opinião, e fato quase
universalmente admitido, que, com o enorme dispêndio de recursos, a grande
quantidade de esforço humano, a multiplicação dos instrumentos humanos,
durante o século que passou, não tem havido um resultado correspondente. Dizem-me,
de todos os lados: temos inúmeras reuniões, trabalhos, sociedades, convenções,
congressos, mas qual o resultado de tudo, comparativamente? E posso dizer aqui
que numerosos ministros e clérigos, em conversa particular, admitem a mesma
coisa. Falando atrás dos bastidores, dizem: ‘Sim, e uma triste realidade; julgo
pregar a verdade, oro sobre ela, estou ansioso pelos resultados, porém, ai de nós! Ai
de nós! As conversões são tão poucas e espaçadas, e mesmo essas poucas são
superficiais’. Insisto que tal e universalmente reconhecido, e cumpre-nos perguntar
diante de Deus, onde está a lacuna? E observai, a deficiência não é quanto à
verdade. Ao contrário, quanto se rala sobre a verdade! E não é demais. Mas hoje se
pregarão milhares de sermões — sobre a verdade, e nada senão a verdade.
Ninguém pretenderá dizer que não estavam de perfeito acordo com a. Palavra de
Deus; entretanto, serão fracassos perfeitos, e ninguém o saberá melhor do que
aqueles que os pregam. Trata-se de fatos.

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“Falava há pouco sobre este assunto com um bom homem, que disse: ‘Ah, sim, há
dois anos que não vejo conversões em minha igreja. Ora, qual era a razão? Havia
uma razão, e temo que muitos possam dizer o mesmo. Todavia, há os não
convertidos. Eles vem para ouvir mas não são levados a salvação, Por que? Algo
anda mal. Deus não mudou, os corações humanos não mudaram; são depravados,
VIS; diab6licos exatamente como antes. O evangelho e o mesmo ‘poder que sempre
foi — o poder de Deus para a salvação. Onde está a falta? Digo sem nenhuma
hesitação — a grande necessidade é o poder do Espírito Santo. As massas vão às igrejas
domingo após domingo, vão e vem, como uma porta sobre gonzos, nem piores nem
melhores? Quisera Deus que assim fosse, mas ficam piores. Recebem luz suficiente
para levantá-los até a salvação. Este poder é uma dádiva tão distante, definida e
separada como a Sua Palavra, ou o Seu Filho ou qualquer outro dom que Deus nos
deu! Não podemos explicar o dom, mas é o poder do Espírito Santo de Deus na
alma do pregador, acompanhando a sua palavra, fazendo-a cortar e penetrar até a
divisão da alma e do espírito.

“Oh, quantos ministros, anciãos, diáconos, líderes, professores de escola dominical


e outros obreiros, tem chegado a mim confessando que tem trabalhado com poucos
resultados. Falta-lhes o Espírito Santo para acompanhar seu testemunho. É assim
que explico a falta de resultados — necessidade do poder direto, pungente,
iluminador, convincente, restaurador e transformador do Espírito Santo. Não me
importa a magnitude intelectual do instrumento, ou quão bem equipado com o
conhecimento das escolas humanas. Preferiria que viesse ajudar-me com cânticos
uma menininha cheia do poder do Espírito Santo mal sabendo ler sua cartilha, do
que o pregador mais erudito do reino, mas sem aquele poder, pois de nada
aproveitaria à minha alma; ‘não é pelo poder, nem pela força, mas pelo meu
Espírito, diz o Senhor’ (Zacarias 4:6). Oxalá aprendêsseis! Quando o aprenderdes,
estareis preparados. Quando o experimentardes, Deus se apossará de vós. Não é pelo
poder do intelecto, da sabedoria, ou da eloquência, da posição social ou influência
— nem pelo poder humano de qualquer espécie, ‘mas pelo meu Espírito’. Isto é real
hoje como sempre o foi. E aí reside a explicação do fracasso da igreja. É como o
Israel antigo: ‘Multiplicou a defesa de suas cidades, e os seus palácios, mas
esqueceu-se do Deus de Israel em quem está a sua força’” (“Agressive
Chrirstianity” mensagem, “The Holy Ghost”). Em vista destes fatos solenes, de que
os indivíduos cristãos são fracos mundanos e tristes, e as igrejas são estéreis e sem

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vida porque vazias do Espírito, não admira que Deus ordene a todos os crentes que
obtenham a bênção!

Ainda mais, refleti na grande responsabilidade que enfrentamos se não buscarmos


e obtivermos o batismo do Espírito, como diz Finney: “Se não nos enchermos do
Espírito, nossa culpa vem a ser desobediência a Deus. Representara todo o bem que
poderíamos fazer se tivéssemos o Espírito de Deus na maior medida possível —
mas um bem que agora ficou por fazer, porque estamos sem este poder. O tamanho
de nossa culpa mede-se ainda por todo o mal que fazemos em consequência de não
ter o Espírito”. Li estas palavras terríveis há mais de um ano e elas fizeram
profunda impressão em minha alma: Anteriormente, examinara o meu ministério,
com grande satisfação, porque fora abençoado com o privilégio de levar talvez
duas mil e quinhentas almas a Cristo. Mas trabalhara com a consciência de uma
dose muito limitada de poder espiritual, comparada com o que Deus estava
desejoso de dar-me. E quando ponderei no que poderia ter feito por Deus e pela
causa, se tivesse buscado com toda a minha alma, e obtido, a unção divina para o
serviço vinte anos atrás, meu coração afundou dentro de mim. Olho agora para o
meu ministério passado com tristeza, suplicando que as lágrimas e o sangue de
Cristo possam lavar as manchas e a culpa do meu serviço imperfeito.

Com os mesmos sentimentos, dizia a Sra. Booth: “Permiti-me lembrar-vos — e tal


ideia faz estremecer a minha própria alma — Deus nos considera responsáveis por
todo o bem que poderíamos fazer se tivéssemos este poder do Espírito Santo. Não
vos enganeis. Ele exigirá os cinco talentos mais o lucro. Não aceitará a desculpa de
um, e não ousareis subir ao trono e dizer: ‘Foste um Senhor cruel; ordenaste-me
salvar almas, quando sabias que eu não tinha o poder”. Que vos responderá?
‘Servo mau e indolente, julgar-te-ei pela tua própria boca. Sabias onde obter o
poder, conhecias as condições, poderias tê-lo obtido. Onde estão as almas que
poderias ter salvo? Onde estão os frutos?’ Oh, amigos, estas são realidades terríveis
e solenes. Não acreditasse eu nelas, e não estaria aqui. Oh, quanto poderíeis fazer!
Quem pode dizer? Quem jamais teria pensado, há vinte anos atrás, quando levantei
minha voz pela primeira vez, uma mulher frágil, nervosa, uma das mais tímidas e
medrosas que Deus jamais salvou, que me seriam dadas as centenas de almas
preciosas? Permiti-me perguntar-vos: Supondo que eu tivesse me retraído, e fosse
desobediente a visão celestial, que me teria dito Deus pela perda de todos estes

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frutos? Graças a Deus, muito já foi colhido no céu... Meu irmão, minha irmã, Ele
vos considera responsáveis”.

II — E faço notar, porque Deus nos ordenou a todos receber esta bênção, que é
infinitamente importante, é razoável concluir que cada cristão verdadeiro pode buscá-la
com a plena certeza de obtê-la. O que quer que seja obrigatório para os crentes, cada
um pode realizar em sua própria vida. Apenas, de início, deveis ter a certeza de que
sois um filho ou filha de Deus, pela justificação. Obtende o testemunho do Espírito
de que nascestes de novo, como condição preliminar absolutamente essencial a
toda busca da santificação. Então, depois disso, nunca mais nutrir dúvidas de que
sois herdeiros de todas as bênçãos da aliança e da graça prometida de Deus.
Conservai clara a vossa filiação, como pessoa realmente regenerada; apegai-vos
então ao direito de todos os privilégios dos filhos de Deus, dos quais o melhor eo
batismo do Espírito Santo, e prossegui na conquista da bênção. Persuadi-vos
plenamente de que a bênção e para vós, simplesmente porque sois filhos de Deus, e
que me vos ordena pessoalmente a obtê-la, e diz: “A promessa e para ti”. Assim diz
Ele a cada um de vós: “Esta e a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação”.
“Porquanto Deus vos chamou para a santificação”. (I Tessalonicenses 4:3, 7). Não se
trata de vã presunção, portanto; insisti na vossa reivindicação e no vosso direito,
com toda ousadia, diante do trono da graça.

III — Do exposto segue-se logicamente que cristãos de qualquer idade ou grau de


experiência cristã podem buscar com confiança esta bênção. Esta e a verdade literal. Não
é questão de instrução ou cultura. Cristãos que mal sabem ler a Bíblia, tiveram de
pronto a maravilhosa unção do Espírito, enquanto que eruditos profundos e
teólogos erram completamente o caminho. Insistimos, não é uma questão de anos
no serviço cristão. Conheci um adolescente de pouco mais de treze anos, que
recebeu a plenitude do Espírito para a santificação, enquanto que membros de
igreja havia quarenta anos, cheios de honras e serviços, estavam então tão distantes
do grande prêmio, como quando eram principiantes na vida cristã.

Escutai John Wesley: “Tenho pensado muito ultimamente numa questão em que,
talvez, todos temos sido falhos. Não tem sido a nossa regra, assim que as pessoas são
justificadas, lembrar-lhes de prosseguir para a perfeição. ENTRETANTO, ESTA
MESMÍSSIMA OPORTUNIDADE É PREFERÍVEL A TODAS AS OUTRAS. Os
crentes tem então a simplicidade de criancinhas e são fervorosos de espírito,
prontos para cortar a mão direita e arrancar o olho direito. Mas uma vez que

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deixamos este fervor diminuir, veremos que será bem difícil fazê-los retornar
mesmo a este ponto. Cada um, embora nascido de Deus num instante, sim, e
SANTIFICADO NUM INSTANTE indubitavelmente cresce de modo gradativo,
tanto depois da primeira como da segunda mudança. Não se segue daí, porém, que
deva haver um lapso considerável de tempo entre uma e outra. Um ano ou um mês
são a mesma coisa que mil para Deus. É nosso dever, pois, orar e procurar a
salvação plena todo dia, todas as horas, a cada momento, sem demora, até que ela se
realize em nós (Perfect Love, págs. 50, 51). O “Diário” de Wesley, no dia 4 de agosto
de 1762, registra: “Na manhã seguinte, conversei bastante com os que se julgavam
santificados. Havia cinquenta e um ao todo — vinte e um homens, vinte e uma
viúvas ou mulheres casadas, e nove, entre as moças e crianças. Numa das pessoas,
a transformação operou-se três semanas depois que se converteu; em três, sete dias
após; em uma, cinco dias: e em S. L., de catorze anos, apenas dois dias após”.

Dois dias depois disso, registra ele, “Muitos creram que o sangue de Jesus os tinha
purificado de todo o pecado. Falei com eles quarenta ao todo — um por um.
Alguns receberam a bênção dez dias depois de terem encontrado paz com Deus;
alguns, sete dias depois, alguns, quatro, alguns três, e dois; no dia seguinte” (Love
Enthroned, pág. 103). Da também o exemplo notável de Grace Paddy, que foi
“convencida do pecado, convertida a Deus, e renovada no amor, dentro de doze
horas. Todavia, isto não é, em absoluto, incrível, visto que um dia para Deus é
como mil anos”.

“Embora, entretanto, seja do agrado de Deus interpor algum espaço de tempo entre
a justificação e a santificação, não devemos imaginar que isto seja uma regra
invariável. Todos os que assim pensam, julgam que somos santificados pelas obras,
ou, o que vem a dar no mesmo, pelo sofrimento; pois, de outro modo, para que e
necessário o tempo? Deve ser para fazer ou para sofrer, enquanto que, se nada se
nos exige senão a fé, um instante é tão bom como uma era” (Christian Perfection,
págs. 49-52).

Quem quer que tenha lido e meditado sobre a Autobiografia de Charles Finney,
observou que, no espaço de vinte e quatro horas, entrou no bosque para dar seu
coração a Deus, converteu-se, foi batizado com o Espírito Santo, santificado e
revestido de poder tão incomparável, que se tornou então, e tem sido até hoje, a
esse respeito, a maravilha do século.

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Exclama o Dr. Steele: “Que revolução se daria na igreja — que ressurreição para a
vida espiritual — que revestimento de poder, se os pastores insistissem no dever de
todos os crentes imitarem o Mestre no batismo do Espírito, como a imitam no
batismo da água; na realidade como na imagem; na coisa tipificada, como no
símbolo! Ó Jesus bendito, apressa esse dia — o dia de poder na Tua igreja, como
quando a primeira pergunta pelo pregador foi: “Recebestes o Espírito Santo depois
que orastes?” Então, aquele que escreve para a Tua gloria, o adorável Salvador,
deixaria cair com alegria a sua pena, e exclamaria como o velho Simeão: ‘Nunc
dimittis’. ‘Agora despedes em paz o teu servo!” (Love Enthroned, pág. 106).

IV — Tiramos outra conclusão das passagens da Escritura no inicio deste capítulo:


ninguém deve desanimar pelo tempo gasto no processo preparatório. Vimos que o
processo pode ser abreviado, sendo reduzido apenas algumas horas. Pode levar
dias, semanas, meses ou anos, conforme sejamos discípulos diligentes do Mestre —
conforme o nosso fervor, e a nossa submissão absoluta ao Espírito; segundo
sejamos rápidos ou vagarosos na fé receptiva. Conta-nos o irmão Torrey, do
Instituto Moody, de Chicago, em uma de suas preleções que, cansado de vociferar
na mais zelosa ineficiência, caiu em si e fez o voto solene de não voltar ao púlpito,
com a ajuda de Deus, antes de saber que estava batizado com o Espírito. Encerrou-
se com Deus e buscou com firme propósito de alma o grande prêmio; e manteve
seu voto — pois o Espírito veio.

O amado Dr. Keen e sua esposa buscavam juntos o revestimento do poder do alto
durante sete dias, e a grande efusão veio, e nunca mais o deixou até que foi
glorificado, depois de um quarto de século de serviço triunfante.

No Pentecostes, os discípulos fecharam-se no cenáculo, em Jerusalém durante dez


dias, buscando, com “grande clamor e lágrimas”, a “promessa do Pai”. A vinda
memorável do Espírito introduziu uma nova era no reino visível de Deus.

Diz o Dr. Daniel Steele: “Há seis meses fiz a descoberta de que estava vivendo no
estado pré-pentecostal da experiência religiosa — admirando Cristo e Seu caráter,
obedecendo a Sua lei, e, em certo grau, amando Sua Pessoa, porém sem a bênção
consciente do Consolador. Esclareceu-me a questão do privilégio um estudo das
epístolas de Paulo e do Evangelho de João, e fervorosamente busquei o Consolador.
Orei, consagrei-me, confessei o meu estado, e cri na palavra de Cristo.

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SUBITAMENTE, depois de cerca de três semanas de busca diligente, veio o Consolador


ao meu coração, com poder e grande gozo” (Half Hours, pág. 306).

Moody buscou, durante três meses, e com grande anseio de alma, o revestimento
de poder. “A bênção, então, me sobreveio DE REPENTE, como o clarão de um
relâmpago”. Segundo as datas no livro Rest of Faith, de A. B. Earle, passaram-se
quase cinco anos entre a data da solene consagração pela bênção, e o testemunho
do Espírito sobre a sua purificação. Foi uma demora desnecessária, toda devida a
tardança de sua alma em morrer para o eu, e render-se a plenitude do Espírito.

Lembrai-vos, Deus não esperara mais do que fizerdes necessário que Ele espere por
vossas próprias falhas, para render-vos, consagrar-vos ou crerdes. Apenas, buscal-
O com “todo o vosso coração” e com toda a vossa alma, e com toda a “paciência e
perseverança”. “Se a bênção tardar, espera-a, porque certamente virá, não tardará”.

V — Evitai formar qualquer opinião ou plano preconcebido quanto ao que será a vossa
experiência quando a bênção vos sobrevier. Algumas almas tem uma experiência
maravilhosa, emocionante, eufórica, quando o Santificador chega. E sobre essas
experiências que se costuma escrever, e às vezes são motivo de desânimo para
outros que buscam a bênção, e aos quais não é do agrado de Deus enviar tais
experiências emocionais. Ao converter-se, Paulo teve uma visão de Cristo, ouviu a
Sua voz, e foi derrubado de seu cavalo, ficando cego. Tal não é o caso, porém, com
a maioria dos homens. Escreve John Wesley: “Logo após a conversão, o inimigo
sugeriu: ‘Isto não pode ser fé, pois onde está a tua alegria?’ Então aprendi que a paz
e a vitória sobre o pecado são essenciais a fé em Cristo; porém, quanto aos
transportes de alegria que geralmente as acompanham no princípio, e em especial
aos que muito prantearam, Deus às vezes o concede, às vezes o retém, segundo os
conselhos de Sua própria vontade”. E é precisamente assim na experiência da
santificação. A Sra. Jonathan Edwards, e Finney, e Moody, e Carradine, e outros,
foram inundados com um excesso de glória que lhes arrebatou os seres. Moody
teve que pedir a Deus que detivesse Sua mão. Estava recebendo mais do que
julgava que sua natureza física pudesse suportar. Alguns têm prostração; alguns,
riso; alguns, lágrimas: outros, uma calma celestial, como a do mar quando Jesus
disse: “Sossegai, sossegai”.

Fala o Dr. Carradine sobre sua maravilhosa bênção: “Um minuto depois, fiquei
literalmente prostrado pelo poder de Deus. Repetidas vezes clamei em alta voz —

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‘Ó meu Deus, meu Deus! Gloria a Deus!’ enquanto vagalhões de fogo e glória
rolavam sobre a minha alma, com força constante e crescente. Era uma experiência
de fogo. Percebi durante todo o tempo que era o batismo de fogo. Sentia que estava
sendo consumido. Durante vários minutos julguei que, com certeza, morreria. Era,
eu sabia, a santificação (Sanctification, pág. 21). Entretanto, para que tal experiência
não seja um obstáculo para os outros, escreve ele humildemente: “Ser arrebatado,
ficar em êxtase, não é característica necessária da santificação. Alguns têm tal
experiência, mas não a maioria. É um purificar e encher, ao invés de arrebatar, um
enchimento da alma, ao invés de prostração do corpo. Admito que alguns tenham
ficado perfeitamente prostrados durante minutos; mas muitos não têm este tipo
torrencial de batismo, e entretanto ficam tão completamente santificados como os
outros” (pág. 39).

Disse, ao descrever sua experiência, o Dr. Thomas C. Upham: “Fui então redimido
por um infinito poder, e fiquei cheio da bênção do perfeito amor. Não houve
excitação intelectual, nem alegrias especiais quando atingi esta grande rocha da
salvação prática; mas tive plena consciência dela”. Abandonai, pois, quaisquer
planos quanto a maneira como o Espírito vos será dado, e quais serão os efeitos.
Banida vossa mente as filosofias e conjecturas, e entregai-vos ao exame de coração e
a oração, consagração e fé, e o Espírito virá.

VI — “De repente virá ao seu templo o Senhor, a quem buscais”. Já em 1749, John Wesley
tinha formulado estes princípios corretos sobre o grande tema:

(1) A perfeição cristã implica libertação de todo pecado.

(2) E recebida tão somente pela fé.

(3) E concedida INSTANTANEAMENTE, num só momento.

(4) Não devemos esperá-la na morte, mas em vida, a qualquer momento.

“Indagando (em 1761) como é que em todos estes lugares temos tão poucas
testemunhas da salvação plena, recebia constantemente uma e a mesma resposta:
Compreendemos agora, pois a buscávamos por nossas próprias obras; julgávamos
que viesse gradualmente; não contávamos que viesse num momento, pela simples fé,
da mesma maneira como recebemos a justificação... Admira, pois, que tendes
lutado todos esses anos, como alguém que bate no ar?”.

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Fala outra vez Wesley: “Podeis obter uma vitória crescente sobre o pecado, a partir
do momento em que sois justificados. Mas isto não é suficiente. O corpo do pecado, a
mente carnal, precisa ser destruída; o velho homem deve ser morto; do contrário, não
poderemos revestir-nos do novo homem, que foi criado à imagem de Deus (ou que
é a imagem de Deus), em retidão e santidade; e isto se REALIZA NUM SÓ
MOMENTO. Seria tão insensato dizer que esta obra é gradual, como dizer que a
justificação é gradual” (Christian Perfection, págs. 54, 55).

A verdade parece ser esta — que o trabalho preparatório condicional, realizado na


alma, sob a orientação do Espírito, pode ser um processo mais ou menos longo,
conforme a receptividade da pessoa que busca a santificação e a submissão dela a
influência do Espírito. Mas quando se completa aquele trabalho preparatório, e a
alma está submissa e aberta para Deus, “de repente virá o Senhor a quem vós
buscais” — e encherá o vosso coração, todo o vosso ser, e reinará ali sem rival.

“Entra, ó entra, Hóspede celeste,


E vem cear comigo;
Para sempre fica, e seja a festa
Eterno amor conTigo” (Wesley).

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CAPÍTULO XIII

CONDIÇÕES PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO (I)

Amanda Smith, uma senhora de cor, converteu-se quando ainda escrava, em 1856,
e não houve dúvida alguma sobre sua conversão. Doze anos depois sob a influência
do Dr. Inskip, ela recebeu a segunda bênção, a santificação. Desde então tem sido
uma evangelista vitoriosa, pois trabalha revestida com o poder do Espírito, e tem
feito maravilhas nos Estados Unidos, Inglaterra e África, conduzindo milhares à
justificação, e guiando multidões de outros à vida santificada. Muitas vezes fala
com cinquenta ministros, e eruditos doutores em teologia e bispos atrás de si e é
superior a qualquer um deles em poder espiritual. No verão passado entrou no
edifício onde estava reunida a Assembleia Geral da Igreja Metodista Episcopal, em
Cleveland, Ohio, e a casa toda se levantou e a aplaudiu.

Cito a seguir breve trecho de uma preleção sua pronunciada na Inglaterra:

“Começara então a buscar a santificação completa. Perguntei a um ancião da igreja


o que significava ser ‘puro de coração,: ‘Oh, filha’, disse ele, significa que deves
chegar tão perto da santidade quanto possível’. Fui para casa, mas a fome e sede de
justiça não se satisfaziam. Quando me convenci de que precisava da santidade, não
tinha dúvidas sobre a minha justificação, nem da minha aceitação para com Deus.
Quando da minha conversão, tive convicção da culpa; agora sentia CONVICÇÃO
DE NECESSIDADE. Como a gazela anseia pelos ribeiros de águas, assim minha
alma ansiava por Deus, pelo Deus vivo. Que a minha necessidade seja satisfeita’,
dizia, ‘preciso de Deus! o ancião dizia: ‘Deves chegar tão perto dela quanto
possível. Que adianta te torturares? Faze tudo o que puderes. Visita os doentes,
canta, ora!’ Mas a fome continuava, e quando eu lia: ‘Regozijai-vos quando fordes
perseguidos’, sentia que não era essa a minha experiência: eu tinha vontade de
retaliar. E quando falavam de mim e me acusavam, queria justificar-me, em lugar
de entregar o caso a Deus. Foi então que li: ‘Esta e a vontade de Deus, a saber, a
vossa santificação’. Fui ao velho diácono e perguntei: ‘Que significa isto?’ ‘Oh’,
disse ele, ‘essa e a bênção que recebemos pouco antes de morrer’. Bem, eu não
queria morrer; queria viver e trabalhar para Deus; e quando me disseram ‘não

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viverás em santidade antes de morrer’, eu queria viver e não morrer.” Estas


palavras singulares me levam a dizer:

I — A CONVICÇÃO DE NECESSIDADE desta prezada irmã de cor é geralmente a


primeira condição para receber o Espírito Santo. “Bem-aventurados os pobres de
espírito”. Os que se julgam espiritualmente “ricos, abastados, e não precisando de
coisa alguma, não sabem que são infelizes, sim, miseráveis, pobres, cegos e nus”,
(Apocalipse 3:17) e não querem ouvir o conselho para buscarem os “vestidos
brancos” da santidade. Os conscientemente “pobres de espírito” buscam e acham
os tesouros do reino do céu. Os que sentem falta e procuram recebem. Os que se
satisfazem com ser bebês chorões, fracos espirituais crônicos, desejando religião
apenas suficiente para agir como “apólice de seguro contra fogo”, não fazem
questão de ouvir sobre realizações espirituais mais elevadas. Um diácono
pertencente a igreja do autor, disse uma vez, numa reunião de oração, que ficaria
plenamente satisfeito se conseguisse entrar no céu. É evidente que não “procurava
com zelo os melhores dons”, nem estava procurando “a plenitude da bênção do
evangelho de Cristo”, nem desejando a recompensa dos “que conduzem muitos a
retidão”. Não; estava satisfeito com o mínimo de religião de que precisava, como
um graveto tirado do fogo, ainda que a “madeira, o feno e a palha” de sua vida
inútil fossem todos consumidos! Religião de seguro contra fogo! Enquanto não
tiverem a convicção de necessidade, tais pessoas nunca se tornarão santificadas.

Nossa querida Catherine Booth, num sermão em Exeter Hall, disse: “Todos aqui
presentes reconhecerão que a pergunta mais importante que possa ocupar a mente
humana é: Quão semelhantes a Deus podemos ser? Quanto nós podemos
aproximar de Deus na terra, em preparo para a nossa perfeita identificação com
Ele, vivendo, como há de ser, no Seu coração para todo o sempre no céu?... O
mistério dos mistérios para mim e como e que alguém, com alguma medida do
Espírito de Deus, pode deixar de contemplar a bênção da santidade e dizer: ‘Bem,
ainda que seja uma realidade demasiado excelente para alcançarmos na terra, é
muito sublime e bendita; gostaria de poder alcança-la’. Ai de nós, pois não é
possível. Em muitíssimos casos, a primeira coisa que os cristãos professos fazem é
resistir à doutrina da santidade e rejeitá-la, como se fosse a coisa mais feia da terra.

“Ouvi um cavalheiro dizer, há poucos dias — um líder num circulo religioso — que
mostravam não conhecer nada sobre si mesmos e nada sobre Jesus Cristo, os que
falavam em ser santos. Respondi-lhe então: ‘Oh, meu Deus! O caso é sério, se Jesus

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e a santidade se tornaram antípodas! Julgava que Ele fosse o centro e o fundamento


da santidade. Julgava que apenas dEle poderíamos receber santidade, e através
dEle essa santidade pudesse ser operada em nós’. Mas este pobre homem
considerava absurda a ideia”.

Pois bem, tinham razão Amanda Smith e Catherine Booth. Estava completamente
enganado o líder religioso — densamente ignorante de si mesmo e de Cristo. Estas
duas mulheres tinham-se convencido de uma grande necessidade, que a regeneração não
satisfazia. Sabiam também que Jesus tinha o pleno suprimento: era um Salvador
completo, “santificador”, podendo “salvar totalmente”. Ouçamos o clamor de duas
outras grandes almas, cujos escritos tem sido como “unguento precioso
derramado”.

Escreve Hannah Whithall Smith: “Converti-me aos vinte e seis anos, em Filadélfia.
Desde então nunca mais duvidei da minha conversão, nem por um memento temi
quanto a minha aceitação por parte de Deus, ou minha posse presente da vida
eterna. Meu cuidadoso preparo na “Society of Friends” tinha-me afastado dos vãos
costumes e divertimentos do mundo, e meus principais interesses se concentravam
todos na religião de Jesus Cristo, como único objeto realmente digno de
preocupação ou atenção séria.

“Mas meu coração não tinha sossego. Não podia negar que crescia em
conhecimento; mas não podia afirmar que crescesse na graça; e ao fim de oito anos
de vida cristã, tive que admitir, com pesar, que não possuía sobre o pecado nem ao
menos o poder de quando recém-convertida. Na presença da tentação, eu era a
própria fraqueza. Não era o meu comportamento que me entristecia, embora
verifique agora que estava bem longe do que devia ser; mas eram as pecados do
coração que me atribulavam — frieza, marasmo, falta de amor cristão,
compreensão intelectual da verdade, sem quaisquer efeitos morais
correspondentes, raízes de amargor, falta de um espírito manso e tranquilo —
todos aqueles pecados interiores que os filhos de Deus tantas vezes lamentam. Não
podia deixar de perceber que o pecado ainda tinha mais ou menos domínio sobre
mim, e eu não alcançava os padrões bíblicos. A vida cristã que eu via nas Escrituras
era uma vida de vitória e triunfo; minha vida era um fracasso e uma derrota. As
ordens para sermos santos e irrepreensíveis, filhos de Deus sem mancha, pareciam-
me quase zombaria. Às vezes passava por agonias de conflito em meus esforços
para mudar tal estado de coisas. Tomava resoluções, orava, lutava, esforçava-me;

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castigava-me com a crença de que tudo o que tinha de mais caro na vida só poderia
continuar se eu alcançasse mais fidelidade e devoção na minha vida. Mas era tudo
em vão, e pior do que vão parecia. ‘Quando desejava fazer o bem, o mal estava
presente comigo’. Não via esperança de libertação senão na morte. Às vezes, a
redescoberta da verdade parecia transportar-me acima da tentação, e meu coração
se regozijava com o pensamento de que agora, por fim, encontrara o segredo da
vida. Logo depois, porém, a medida que a verdade se tornava familiar, verificava
amargurada que ela parecia perder seu poder, e me achava tão desamparada como
antes... Redobrava meus esforços, e passava novamente pelo mesmo círculo
cansativo de conflitos e lutas, para enfrentar, e claro, a mesma amarga derrota.
Sentia que minha vida, a despeito de todo o fervor e devoção, era um fracasso. Às
vezes dizia a mim mesma que, se isso era tudo o que o evangelho de Cristo tinha
para mim, não era mais que uma amarga decepção” (Forty Witnesses, págs. 144-
148).

Eis aí a “convicção de necessidade”, que conduziu esta amada alma a Cristo, para sua
salvação completa — e sobre a continuação da qual falaremos depois.

Escreve a Sra. Harriet Beecher Stowe: — “Durante três ou quatro anos insinuava-se
no meu espírito uma corrente de perplexidade e insatisfação sobre mim mesma, na
minha vida religiosa. Ao examinar-me, indaguei de mim: ‘Por que estou assim
inquieta? Por que não estou em paz? Amo a Deus e a Cristo com uma devoção real
e profunda, e em geral tenciono conformar minha vida a Ele. Sou tão constante
como muitos cristãos, mais ainda; então, por que me acho insatisfeita? Poderia
conceber um nível de devoção cristã tão mais alto que o meu atual, como este está
acima do mundanismo. Quanto mais gemia em espírito, e ansiava e orava, mais
inveterados, determinados e insubmissos pareciam todos os desejos contrários...‘
‘Não sou então uma cristã?’ pensava eu. Então por que amo, e tenho amado a
Cristo — tão profundamente como sei que o tenho amado, como sei que o amo?
Não sei dizer. Julgo que o amo acima de tudo: entretanto, de certo minha vontade
esta, na melhor das hipóteses, submissa a Ele apenas em parte. ‘Bem, então’,
pensava, ‘se achas que a união total e identidade de tua vontade com Cristo e o
alvo, por que não obtê-la? E submeter-te, e renunciar a todos esses interesses
esparsos. Unir tua alma a Ele num interesse comum!’ Por que não? Ah! Por que
não? Palavras de profundo significado para todos os que tentam a vã experiência!
Todos os esforços se quebram como vagas num rochedo. Arrazoamos, refletimos,

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tomamos resoluções, e oramos, choramos, lutamos, amamos — amamos até o


desespero; e tudo em vão. Em vão adjurava a minha alma: ‘Não amas a Cristo? Por
que então não desprender-te de todos estes amores, e receber Sua vontade
somente? Não e razoável, desde que não podes ser abençoada de outra maneira?
Que mais podes fazer?’ Algo me dizia: ‘ES uma cristã talvez, mas não completa’.
‘Aprendei de mim’, dizia Jesus, ‘e encontrareis descanso’. Notava que o ideal
neotestamentário do cristão era diferente e mais elevado do que [amais
experimentara ou me propusera fazer; tentava apenas por partes, e em outras
coisas permitia r.ne viver num nível inferior... Propunha-se-me distintamente a
questão: ‘Assumirás o propósito, farás esforço solene e fervoroso de realizar o ideal
integral do plano de Cristo embora nenhum outro cristão o faça?’ Os obstáculos
eram muitos ‘Não adianta tentar. Num nível inferior lutei chorei orei desesperei-me
em vão: e iria comprometer-me’ com este? Nunca’.

“Era esse o meu desânimo. ‘Como poderia ver Deus melhor do que o tenho visto?
Poderia ser perscrutada, penetrada e dominada por um amor mais profundo do
que o que tenho conhecido, e que, entretanto tem sido transitório, nunca me
subjugando inteiramente? Poderia tomar resoluções mais profundas e sinceras?
Não. Poderia ter visões mais vividas? Não. O que então?’ Pensava nesta passagem:
‘(Eu o amarei)’, e meu Pai o amara: e viremos a ele e faremos nele morada’ (João
14:23): ‘Era isso’, pensava. ‘Cristo tem estado comigo em visitas e com grandes
intervalos; esta morada permanente era o que eu não conhecia’. E ainda ‘Morara em
mim e eu nele’ (João 15:5). A presença sempre constante de Cristo dentro de mim,
para exercer uma influência incessante, como o pulsar de minha alma. Era disso
que eu precisava. Passei a copiar passagens desse tipo. Orava sem cessar para que
Cristo realizasse em mim aquelas promessas. Desesperava de dobrar a minha
vontade; desesperava de todos os esforços passados e presentes; confiada em Sua
palavra, porém, resolvi recomeçar e procurar tudo...

“Qual foi o resultado? Quando o auto-desespero foi final, e eu apenas me apoiei na


palavra de Cristo, então veio o auxílio há muito esperado e desejado. Tudo mudou.
Ao passo que antes meu coração seguia com uma forte corrente para o mundo,
agora corre no sentido contrário. O que antes era um estorço lembrar, agora era um
esforço esquecer. A vontade de Cristo me parece o pulso constante do meu ser, e
vou vivendo de maneira tão natural. A dúvida e o ceticismo não tem lugar. Em

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toda parte vejo a glória divina. Desfruto calma, porém plenitude, e estou em todas
as coisas instruída, e vejo que posso todas as coisas em Cristo”.

Este tudo tem tido o tom duma experiência genuína da alma. O que não pode ser
feito nela por todo o excelente preparo religioso da casa de seu pai, e a primeira
piedade, e a graça regeneradora, as visões da verdade, e os votos solenes, e as
preces agonizantes, e muitas lágrimas, estava ainda por ser operado nela. Devia vir
habitar nela o Cristo santificador, para “permanecer” nela, para lançar fora o “velho
homem” do pecado, e ser a sua própria vida, “o pulso constante de seu ser”.

O Dr. Carradine conta de um ministro idoso, que se opusera constantemente a


santidade durante três anos, como fazem muitos ministros jovens; veio a uma
reunião sobre a santidade, e súbita e inesperadamente, levantou-se e disse: “Todos
vós me conheceis como cristão, e eu o sou. Ando com Deus, e, todavia sinto que há
algo no meu coração que precisa ser tirado, algo que não está certo”. Diz o Dr.
Carradine: “Jamais esquecerei a solenidade do rosto e da atitude, e especialmente o
modo do velho homem de Deus colocar o seu dedo longo e magro sobre o peito,
manobrando-o à medida que falava, como se quisesse furar o coração e extrair
aquela coisa negra, que o perturbava e afligia ali dentro”.

Ouçamos Andrew Murray: “O crente precisa estar convencido e ser induzido à confissão
de que se acha no estado carnal. Sabeis que, antes de o pecador se converter, precisa
convencer-se do pecado; conhecer e confessar suas transgressões, e sua condição de
perdido. Do mesmo modo, os crentes precisam compreender que possuem uma
natureza pecaminosa; antes de ingressarem na vida espiritual, devem ser levados a
convencer-se da vergonha e da iniquidade de seu estado carnal (I Coríntios 3:1-3).
Há uma grande diferença entre a convicção antes da conversão e esta. Naquela
época a principal preocupação da mente era: ‘Estou perdido, estou sob a
condenação’: a ideia central era a magnitude de suas transgressões, e o desejo de
que fossem perdoadas. Havia duas coisas de que o pecador não estava convencido:
uma, que sua natureza e totalmente pecaminosa; e outra, que há muitos pecados de
coração, que nunca conheceu. É por isso que Deus leva o pecador ao que
poderíamos chamar de SEGUNDA CONVICÇÃO. É indispensável que se convença
bem de duas coisas — a total impotência da carne para fazer qualquer bem, e o
grande poder da carne para operar o mal. A carne o governa. Tem o Espírito de
Deus, mas por que ainda faz estas coisas? É de acordo com o capítulo 7 de
Romanos: ‘Não faço o que prefiro e sim, o que detesta’. Oh! amigos, e quando o

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homem é levado a convicção da total incapacidade da carne para fazer a bem, sua
inutilidade compreende por que se levantou a sua ira, por que surgiu o orgulho, e
por que fala coisas que não deve. O Espírito Santo convence que o orgulho vem da
carne; e os maus pensamentos sobre a esposa, o filho ou a serva; a vaidade diante
de Deus e dos homens. Necessita, pois, libertação completa, diversa daquela da
conversão. Foi nesse caso liberto da maldição do pecado: agora necessita de
libertação do poder do pecado” (Spiritual Life, págs. 9, 10).

Quando os leitores deste livro abandonarem a tranquila satisfação com sua


condição religiosa, e sentirem a grave necessidade de livrar-se do “pecado que
neles habita”, e “purificarem seus corações pela fé, em consequência — essa
convicção de necessidade” será a primeira condição para receberem o “Batismo do
Espírito Santo”.

II — A segunda condição para receber a bênção é o arrependimento por se terem


privado do Salvador que santifica o nosso ser, durante tanto tempo, e pelo resultante
fracasso de sua vida. Numa das minhas reuniões de avivamento, disse uma senhora
que fora crente e membro de igreja durante muitos anos: “Como pode Deus jamais
perdoar a meu passado”? “Bem-aventurados os que choram”, com tal tristeza.
“Deve haver profunda e sincera contrição pelas más palavras supostas que
dissemos, pelos atos duvidosos que praticamos, pelos maus pensamentos que
abrigamos, os deveres que negligenciamos, o gozo perdido, a utilidade
desperdiçada, a purificação que adiamos, a santidade que impedimos, e talvez
almas perdidas por não termos dado ao Rei o lugar que lhe pertence no coração; e
além disso, a indignidade de obriga-lo a esperar ou ir embora, enquanto durante
longos meses, ou talvez anos, em trajes celestiais, esteve Ele batendo e esperando
entrada: tudo isso exige arrependimento em “saco e cinza”, e mesmo assim só Ele
perdoaria insulto tão imerecido” (Christ Crowned Whitin, pág. 172).

III — Se quiseres receber esta grande unção que renova a alma, e a converte na
imagem de Cristo, deves sentir a sua importância. Vejamos, por exemplo, o grupo de
cento e vinte discípulos no Cenáculo. O Senhor deixou-lhes a missão de serem Seus
representantes — “o sal da terra, a luz do mundo”, de “ir e fazer discípulos de
todas as nações”. Ali estão eles reunidos em segredo, e, que nos conste, nenhuma
pessoa rica, instruída ou influente entre eles. Representar Jesus! Fazer discípulos de
todas as nações! Como se sentiram eles? Pedro se lembraria de sua inconstância,
mentira, blasfêmia e covardia. Tome se lembraria da sua dúvida; João e Tiago — os

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inflamados filhos do trovão — Se lembrariam da sua paixão e ambição. Todos eles


haveriam de lembrar dos gritos da multidão enlouquecida em volta da cruz de seu
divino Senhor, diante da qual tremeram e fugiram, e que tinham de enfrentar
agora. Com tristeza deveriam sentir que todos e tudo — até os seus próprios
corações — estavam contra eles. Podemos imaginar como se prostravam, clamando
em oração: “Ó Senhor, não somos como Tu e, como estamos, não podemos
representar-Te diante dos homens, em nosso desamparo não podemos enfrentar os
nossos inimigos e os Teus, e vencê-los. Tanto faz morrermos aqui, como confrontar
o mundo na condição que estamos. Tira todos os pecados do nosso coração, e
torna-nos iguais a Ti, e prepara-nos para o Teu serviço. Reveste-nos do Teu poder”.
Assim prostravam-se sobre suas faces e esperavam diante de Deus, dia apos dias,
em completa humilhação. Avaliavam a importância da bênção. “Desejavam-na e
estavam ali para obtê-la. Nada mais lhes importava. Clamavam por ela como
crianças famintas choram pelo pão. Desejavam-na”, e buscavam a bênção como se
determinados a obtê-la. Diz a Sra. Booth: “Deus nunca deu esta bênção a qualquer alma
humana que não estivesse disposta a vender tudo quanto tivesse para obtê-la. Oh, é o dom
mais precioso que Ele tem para dar-nos no céu e na terra — sermos cheios do
Espírito, cheios d’Ele mesmo, tornados como posse de Deus, movidos, inspirados,
vitalizados, fortalecidos por Deus, pelo grande Espírito que pode penetrar em todas
as nossas faculdades, vitalizando todo o nosso ser para Ele. É a maior e mais
gloriosa dádiva que Ele tem. Não é provável que a dê a quem não a avalie bastante,
e tanto que esteja disposto a renunciar todas as outras dádivas por esta — tudo o
mais, amor humano, conforto humano, comodidade, prazeres e engrandecimento”
(Aggressive Christianibu, “Filled with the Spirit” pág. 8).

Diz o irmão Torrey: “Jamais obteve esta bênção homem algum que julgasse poder
viver sem ela”.

IV — Outra condição é: Crê que a promessa é para ti. Com acerto observa o general
Booth que a pessoa deve estar convencida de que a achará se buscar libertação do
pecado, e poder para servir a Cristo, com todo o seu coração. Se o homem não crer
que a bênção está ao seu alcance, não a buscará com todo o coração. Se duvidarmos
da possibilidade de obter o prêmio, isso paralisará o esforço e tornará a oração da fé
impossível. Ninguém tenta construir uma escada para a lua, porque ninguém
acredita no êxito da empresa, Deus diz que a promessa é para nós. Crê e esforça-te,
como se o alvo já estivesse realmente a tua vista e ao teu alcance.

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Assim fala o Dr. Daniel Steele de como recebeu a unção: — “Fui então levado a
buscar a presença consciente e alegre do Consolador em meu coração. Tendo
resolvido a questão de que est a não era uma unção meramente apostólica, mas
para todas as eras — ‘Ele habitará convosco para sempre’ — aceitei a promessa:
‘Em verdade, em verdade vos digo, tudo quanto pedirdes ao Pai, em meu nome,
Ele vo-lo dará’ (João 14:12, 14:13, 15:16). O ‘Em verdade’ tinha para mim toda a
força de um juramento. Do ‘tudo quanta’ eu abstraí todas as bênçãos temporais,
não porque acreditasse que não estavam incluídas, mas porque nesse caso não era a
elas que buscava, Depois escrevi meu nome na promessa, não para excluir os
outros, mas para certificar-me de que eu próprio estava incluído. Depois de
escrever em baixo estas palavras, ‘Hoje é o dia da salvação’, verifiquei que a minha
fé tinha três pontos a conquistar — o CONSOLADOR, PARA MIM AGORA.
Baseado na promessa, entreguei-me ao ato da fé apropriadora, alegando como meu
direito o Consolador, em nome de Jesus”. Tendo resolvido preliminarmente que a
bênção não era apenas para os apóstolos, mas para os cristãos de todas as eras,
segundo as Escrituras — “Recebereis o Espírito Santo, pais a promessa e para vós e
vossos filhos, e para todos os que se acham distantes, sim, todos os que o Senhor
nosso Deus chamar” (Atos 2:38-39) — foi possível a fé do Dr. Steele, como filho de
Deus, reclamar como seu direito, o Consolador. “A plenitude do Espírito nos
pertence como um privilegio da aliança”, diz o A. J. Gordon. Quando os cristãos
tiverem a convicção absoluta do fato, que, além da bênção espiritual recebida na
conversão, “ha outra bênção, que corresponde nos sinais e nos efeitos, a bênção
recebida pelos apóstolos no Pentecostes — bênção que ainda deve ser pedida e
esperada pelos cristãos, e que pode ser descrita numa linguagem semelhante a
usada no Livre de Atos”, estarão prontos para ouvir como se obtém o batismo do
Espírito Santo, a plenitude do. Espírito santificador de Deus. “Ser levado”, diz o Dr.
Lowrey, “a convicção de que a santidade e para ti, e de necessidade primaria.
Como se processa isto? Primeiro, considera o poder que o realiza, o poder ilimitado
de Deus, que chega a ti através dos méritos ilimitados de Cristo. Admitimos que
criar num pecador um coração puro e obra maior do que criar um mundo ou
acender um sol. Mas devemos lembrar-nos de que Deus se impôs a tarefa de
purificar-nos de todo o pecado. E lemos: ‘Para Deus todas as coisas são possíveis’.
O que não envolver pecado, ou implicar contradição, Deus pode fazer. E por certo
salvar um homem de todo erro moral (com o seu consentimento) não é cometer
pecado; e isso também não contradiz nenhuma verdade conhecida, e muito menos

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está em choque com qualquer atributo de Deus. Segundo, considera o fato de que a
expiação prove a (tua) santidade pessoal. Inspira o teu espírito abatido lembrando-
te de que este foi o principal objetivo da missão de Cristo. E também estimula a tua
fé com a verdade de que Deus prometeu redenção completa da maneira mais
positiva e explícita: ‘Então aspergirei água pura sobre vós e sereis purificados; de
toda a vossa imundície e de todos os vossos ídolos vos purificarei” Ezequiel 36:25
(Possibilities of Grace, págs. 294-296). Que estas verdades do Escrito Sagrado façam
arder em teu coração a profunda convicção de que esta bênção inefável é para ti.

V — Outra condição indispensável para receber esta bênção suprema e sentir fome e
sede dela. A todos os que sentem esse santo anseio, descrito como fome e sede, Deus
envia promessas especiais. “Porque derramarei água sobre o sedento.... derramarei
o meu Espírito sobre a tua posteridade”. (Isaias 44:3). “Bem-aventurados os que
têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6). Ah, devemos ter
fome e sede desta bênção. Sentimos que, como pais, professores, cristãos,
pregadores, não podemos prosseguir sem ela. Disse a um auditório, não muito
tempo atrás: “Podereis orar pelo Espírito Santo até que vossas línguas se cansem,
mas enquanto vós opuserdes a santidade, Ele não vir a as vossas almas”. Quando
terminei meu sermão, uma senhora veio a frente e disse: “Ah! compreendo o meu
erro. Durante anos venho suplicando o batismo do Espírito Santo mas sempre
rejeitando e combatendo a doutrina da santidade como experiência ao alcance do
povo de Deus. Compreendo agora que o Espírito Santo e o Espírito da Santidade”.
E precisamente isso; a verdade nunca foi melhor expressa. “O ESPÍRITO SANTO É
O ESPÍRITO DA SANTIDADE”. Quando chega, traz santidade ao coração. Que
perigo Deus conceder um poder tão grande a um povo que não quer aceitar a
santidade. Orar pedindo este batismo, opondo-se a santificação ou a santidade, e
tarefa inútil. “Não poderei dar mais um passo no serviço cristão”, diz Torrey, “se
não for batizado com o Espírito Santo”. Aí estava o seu apetite violento, clamando
por Deus. A festa da graça e preparada apenas para os apetites, não para a
dispepsia enjoada e saturada. Escreve o Dr. Lowrey — “A proposta do Salvador e
igualmente verdadeira na natureza e na graça, Quem não aprecia o alimento não
pode recebê-lo, Ficara fraco e morrera no meio da abastança. O mesmo se pode
dizer do cristão. Falta de apetite significa falta de forças e, logo, falta de vida.
Poderá ler e cantar sobre a santidade, ouvir pregar sobre ela, e até pedir que lhe seja
concedida nas palavras da oração, mas se a alma não tiver fome dela, não se dará
um único passo para a sua realização. Se o estomago humano se encher de alimento

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que lhe repugna, o órgão não o assimilará. Talvez seja substância boa e nutritiva,
mas a ausência de um apetite adequado impedira que o sistema o receba e se
aproprie da qualidade nutritiva. E assim com o espírito. Poderá ser abarrotado até a
saciedade com as verdades mais sublimes, e a alma poderá estar ensaiada em todos
os rituais piedosos do culto, porém, se não houver o ardente desejo de
espiritualidade, que as formas exteriores representam, a verdade mais rica e o
serviço mais sublime não serão para o adorador mais do que ‘o metal que soa, ou o
sino que tine’. Enquanto não tiver fome e sede de justiça’, chegará e sairá vazio”.

“Mas dirá o leitor: “Acho-me destituído desta indispensável fome e,


consequentemente, segundo o argumento, a santidade não está ao meu alcance”.
Mas isto não te isenta de responsabilidade, pois podes despertar a fome e a sede. O
próprio apetite e criado por condições salutares, quer físicas, quer espirituais...
Sejam irreligiosas as leituras, a conversa, os hábitos de vida, os amigos do cristão, e
ele não achara em si apetite pelas coisas espirituais. Não acho possível que possa
amar a santidade alguém que goste de romance, anseie ler as coisas mundanas nas
nossas revistas seculares. Tampouco poderá ter gosto pela santidade ou pela
literatura santificante quem frequenta o cinema e outros divertimentos procurados
pelos mundanos. O mesmo se pode dizer dos que participam de divertimentos
populares e se misturam com as hilaridades da sociedade mundana. Tais
frivolidades e vícios criam repulsa a santidade. E onde quer que o seu elemento, ou
melhor, onde quer que os cristãos façam dos costumes mundanos e da literatura
corrupta o seu elemento, é certo que a fome da alma pela pureza se sufocará. Uma
vela não pode arder no ar poluído que paira no fundo de poços e cisternas velhas.
De igual modo a chama do amor santo também não poderá arder na atmosfera de
hábitos não cristãos, embora não totalmente iníquos” (Possibilities of Grace, págs.
298-303).

Mas o homem que se entrega a Palavra e a oração, e aos escritos que inclinam para
o conhecimento e o amor de Deus, vera que se cria em sua alma uma profunda sede
pela santidade.

Como prova de tudo o que estamos dizendo leiamos algumas das epístolas vivas
de Deus, escritas nos corações humanos, Eis o testemunho do piedoso amigo,
David B. Updegraff: “Eu detestava o orgulho, a ambição, o mau gênio e os
pensamentos vãos, mas os possuía, a despeito de tudo, e eram parte de mim. Não
como atos dos quais devesse arrepender-me e pedir perdão, mas como disposições

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latentes que, promovem atos próprios do ‘velho homem,’ inseparáveis de sua


presença em meu ser. Comecei a pedir a Deus, com uma medida de fé, para
‘expulsa-lo’. Com este desejo veio-me UMA GRANDE FOME E SEDE de ser “cheio
de toda plenitude de Deus”. Anelava por um coração puro e espírito
perseverante”... “Ajoelhei-me com o firme propósito de ‘apresentar meu corpo
como sacrifício vivo a Deus’. Vislumbrei de repente os obstáculos e as coisas que
tinha de sofrer por amor de Jesus, — as incompreensões as suspeitas, as injúrias dos
professos carnais, bem como os conflitos com o mundo, a carne e o diabo. O
egoísmo, o orgulho, e o preconceito juntaram forças e levantaram-se em rebelião,
enquanto o ‘velho homem’ pedia misericórdia. Mas eu não poderia não iria voltar
atrás... ‘As feições vis’ foram pregadas na cruz, e aquelas coisas que ‘eram ganho
para mim’ — posição denominacional, amigos, família, negócios, posses, tempo,
talento e reputação — foram todas irrevogavelmente confiadas ao controle e à
disposição do meu Salvador Todo-Poderoso. Com o meu tudo sobre o altar, mal me
considerara morto na verdade para o pecado, e vivo para Deus’, quando o ‘Espírito
Santo caiu’ sobre mim. Instantaneamente senti que o fogo de Deus permeava todo o
meu ser derretendo e refinando-o todo. Ingressara no descanso” (Forty Witnesses,
págs. 29, 30).

Anna M. Hammer, a famosa obreira da temperança, assim descreve sua


experiência: “Finalmente me sobreveio uma grande FOME DA ALMA. Sabia haver
nos recessos do meu coração coisas que só eu própria e Deus conhecíamos, e
percebia que nada menos que ‘a unção que permanece’ satisfaria a minha alma,
tornando-me plenamente apta para o serviço de Deus. Em julho de 1880 foi
realizada a primeira assembleia da ‘Woman’s Holiness Camp-meetmg’ em Camp
Tabor, New Jersey. Para lá me dirigi com a firme intenção de receber do Senhor
tudo o que Ele tinha reservado para mim. Tinha uma profunda convicção na alma e
durante três dias numa agonia de lágrimas, como disse um amigo, ‘morria com
dificuldade’. Era rebelde em campos que hoje me parecem muito ridículos mas
então assumiam proporções importantes. Mas a fome e o sofrimento, aumentavam,
até que não pude mais resistir as instâncias do Espírito, e então a minha segunda
consagração. E disse, ‘Senhor, tudo o que tenho, e o que vier a ter; tudo o que sou e
o que vier a ser; tudo o que sei e que chegarei a saber, coloco agora sobre o altar’.
Eu sabia que o altar santificava a oferta e amarrei a minha oferta as ‘pontas do altar’
e ‘esperei pelo fogo’. Durante horas fiquei prostrada; minha alma estava em
tranquila comunhão com Deus. A ideia da paternidade de Deus impressionava-me

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de modo. particular, e ergui a cabeça para confirmar o pensamento, quando, com


este ato, veio a unção (Forty Witnesses, pág. 128).

Diz a Sra. Hannah Whithall Smith: “Comecei a almejar a santidade. Comecei a gemer
sob a servidão do pecado em que ainda me achava. Todo o meu coração suspirava
em busca de conformidade completa com a vontade de Deus e comunhão
imperturbável com Ele”.

E Moody: “Seja esse o clamor do teu coração dia e noite...” Jovem, receberás esta
unção quando a procurares acima de tudo o mais. Durante meses senti a FOME e
SEDE do poder para o serviço. Tinha chegado ao ponto de pensar que morreria se
não o obtivesse. Lembro-me de que andava pelas ruas de Nova Iorque. Tinha tão
pouco interesse no negócio de que iria tratar como se não tivesse pertencido jamais
a este mundo. A bênção me sobreveio de repente como o clarão de um relâmpago,
no meio da rua mesmo. O poder de Deus parecia sobrevir-me de modo tão
maravilhoso, que tive de pedir-lhe para deter a Sua mão. Estava como. que cheio da
bondade de Deus, e sentia-me como se pudesse tomar o mundo em meu coração.

“Lembro-me de que tinha orgulho de reunir a maior congregação de Chicago no


domingo à noite. Duas piedosas mulheres costumavam vir e ouvir-me. Uma delas
veio falar-me uma noite, logo após um dos meus sermões, que julguei muito
satisfatório. Imaginei que ela iria dar-me parabéns pelo sucesso; ela, porém, disse:
‘Estamos orando pelo senhor’. Comecei a pensar se não teria dito alguma
inconveniência, para que falassem assim. No domingo seguinte estavam ali de
novo, evidentemente em oração enquanto eu pregava. Uma delas disse: ‘Ainda
estamos orando pelo senhor’. Eu não conseguia entender e disse-lhes: ‘Orando por
mim? Por que as senhoras não oram pelo povo? Eu vou bem’. ‘Ah’, disseram, ‘o
senhor pensa que não precisa; o senhor não tem o poder; falta-lhe alguma coisa,
mas Deus pode dar-lha.’ A principio não gostei, mas depois comecei a pensar, e
mais tarde a sentir o desejo de ter aquilo pelo que elas estavam orando.
Continuaram orando por mim, e a resultado foi que, ao fim de três meses, Deus me
enviou esta bênção. Quero dizer-vos isto: Por nada deste mundo quereria voltar
aonde estava antes de 1871” (Forty Witnesses, págs. 269, 270).

Escreve a Rev. J. O. Peck: “Deus nunca me deixou um ano sem um reavivamento


gracioso, em que muitas almas se convertiam como selos do meu ministério. Este
nunca fora mais favorecido com a bênção divina do que em Springfield; porém, no

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verão de 1872, comecei a aperceber-me de uma profunda FOME NO CORAÇÃO,


que antes não conhecera. Tanto quanto podia avaliar a minha condição, não
perdera espiritualidade. Mas ansiava, mal sabia pelo que. Examinava-me e orava
com mais fervor, mas esta fome de alma tornava-se mais imperiosa. Não estava
mergulhado em trevas, nem consciente de condenação, mas o anseio interior
aumentava. O resultado destas semanas de luta espiritual foi um gradual
abatimento do eu, uma consunção de todas as ambições e propósitos carnais, e uma
consciência de vazio total. Surgiu então um anseio inefável de ‘ficar cheio’. Tivera
preconceitos contra a ‘Associação Nacional de Acampamentos de Evangelização’,
mas nascera em mim a convicção, tão clara e inegável como minha própria
identidade, de que se eu fosse àquela reunião, e confessasse como estava faminto,
ficaria cheio do Espírito Santo. Fui e entreguei com franqueza o meu recado,
pedindo as orações de todos. Disse-lhes que queria ‘a plenitude’ naquela mesma
noite, pois sentia ser a vontade divina conceder-me naquela oportunidade. Desci
então ao altar e ajoelhei-me diante do Senhor. Pela simples fé estava preparado
para tomar Cristo como minha suficiência para encher e satisfazer minha alma
faminta. No instante em que recebi Cristo como minha sabedoria, justiça e
santificação’, permeou a meu ser sem emoção a placidez da calma absoluta.
Sedutoramente o tentador sugeriu: ‘O Espírito foi retirado, e o que te está reservado
é o desapropriamento. Rápida como o pensamento, veio a minha resposta: ‘Com ou
sem emoção, tomo agora Cristo como meu todo em tudo’. Naquele momento soube
que Ele era o meu completo Salvador. Imediatamente fui possuído pela experiência
mais sublime que se pode conceber! Nem alegria, nem arrebatamento, mas algo
melhor, mais profundo que tudo antes conhecido — ‘a paz de Deus que excede
todo entendimento!’ Penetrou em mim cada vez mais profundo cada vez mais
doce, até que me senti ‘cheio de toda a plenitude de Deus’” (Forty Witnesses, pág.
296).

Leitor, já sentiste esta fome e sede de alma pela vinda do Espírito Santo com Seu
poder santificador? Se não, afasta-te do mundo com deliberação, e fecha-te com a
Palavra e com Deus em oração — cria o apetite pela santidade — uma fome de
Deus no coração. E o antecedente do batismo com o Espírito Santo.

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CAPÍTULO XIV

CONDIÇÕES PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO (II)

VI — A condição seguinte que devemos mencionar, para que recebamos a grande


bênção é OBEDIÊNCIA. Atos 5:3: “O Espírito Santo, que Deus concedeu aos que lhe
obedecem”. Esta e uma condição fundamental, que nunca pode ser modificada ou
desconsiderada. E verdade que os homens, para conseguirem o perdão e a
justificação, devem obedecer com a luz que tem então. Na prática, porém, o
pecador “morto em transgressões e pecados”, não tem a mesma concepção de vida
e dever ao buscar o perdão, que terá depois, quando, como filho, busca a plenitude
da bênção — perfeita pureza de coração. Oh, que perscrutar de alma haverá então,
e sobre a qual o pecador nada sabe!

Obediência não significa fazer ou deixar de fazer algumas coisas, mas rendição
absoluta à vontade do Senhor em todas as coisas, para que Jesus tome conta de ti; e
faça o que é do Seu agrado contigo e com o que é teu. Diz a Sra. Catherine Booth
acerca dos discípulos antes do Pentecostes: — “Eles esperavam com fé obediente.
Como sabemos? Porque fizeram como Ele lhes ordenou... Essa é a prova. Ele disse:
‘permanecei em Jerusalém’. Pedro poderia ter dito, quando viu o seu Senhor
ascender aos céus: ‘Bem, que é que eu vou fazer agora? Já andei muito tempo tão
bem na praia coma em Jerusalém. Por que e que o Senhor me disse para ir a
Jerusalém? Bobagem, absurdo. Ele poderia bem ter pensado em seus velhos pais
em casa. Acho que vou voltar para as minhas redes de pescar!’ Não, não; ficaram
curados da incredulidade pela experiência dos últimos dias. Tinham aprendido a
não dar instruções ao Mestre, e sabiam que Ele tinha um propósito ao enviá-los a
Jerusalém, e assim dirigiram-se para lá, conforme lhes ordenara — voltaram
diretamente para o Cenáculo. Maria poderia ter dito: ‘Já tenho andado muito para
cá e para lá, servindo ao Senhor. Preciso cuidar da casa e dar agora um pouco de
atenção aos velhos amigas: Posso esperar pelo Espírito Santo em casa, tão bem
como Jerusalém’. Mas Maria aprenderá a lição. Obedeciam e aguardavam.

‘Obediente fé que espera em Ti


Nunca desprezaras’.

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É a fé desobediente que é despedida de mãos vazias. Terás de chegar por fim às


condições de Deus, ou nunca obterás a bênção. Fé obediente! Enquanto houver uma
centelha de insubordinação, rebelião ou voluntariedade, nunca obterá a bênção. As
almas, submissas e obedientes e as almas realmente leais e que entram em Seu
reino. Esta e uma das dádivas escolhidas, que Ele reservou para os Seus servos
escolhidos, os que o servem com todo o seu coração. Fé obediente!”... “A condição
da santidade é: ‘Apresentai os vossos corpos como sacrifício vivo a Deus, e não vos
conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente’”
(Romanos 12:1-2). Oh! se pudésseis transformar-vos para Ele e vos conformar com
este mundo, ao mesmo tempo, toda dificuldade estaria resolvida. Conheço muitos
que se transformariam imediatamente; porém, não se conformar com este mundo
— diante disso param e recuam! Por esse preço não lhes interessa. Como disse uma
vez o prezado Finney: ‘Meu irmão, se você quer encontrar Deus, não o encontrará
lá em cima, entre toda a cerimônia e lisonja do inferno; você terá de humilhar-se
para encontrá-lo’. É isso. ‘Não vos conformeis com este mundo’.”

“Oh! este e o segredo — não querem descer do seu orgulho e presunção. Mas Deus
não se revelará a tais almas, embora clamem e orem ao ponto de definhar, e
lamentem pelo resto de suas vidas. Não querem preencher a condição — ‘Não vos
conformeis com este mundo’; não podem deixar de conformar-se, nem mesmo
cancelar aquele jantar de cerimônia; conheço muitas senhoras que nunca
renunciarão a certos modelos de chapéu. Outros não querem abrir mão de visitar e
serem visitados por pessoas ímpias, mundanas, ocas e superficiais. Não podem
tolerar que se altere o programa da casa — não, nem se disso depender a salvação
de seus filhos e seus criados. O sine qua non é o seu próprio conforto, e o que sobrar
que fique para Deus. Precisamos ter isto e precisamos ter aquilo, e depois, se o Senhor
Jesus Cristo vier no finzinho, e santificar tudo ficar-Lhe-emos muito obrigados, mas
não podemos abrir mão destas coisas.

“As pessoas vem às nossas reuniões e gemem e choram e se chegam a nós pedindo
ajuda e nós esgotamos os nossos pobres cérebros e corpos falando-lhes e dando-
lhes conselhos, explicando-lhes o que fazer, e quando chegamos ao ponto, eis a
réplica: ‘Ah! não, você está enganada: nós não vamos sacrificar estas coisas. Não
podemos receber o Senhor se Ele não vier aos nossos templos, e tomá-los como
estão. Não poderíamos abrir mão destas coisas’. Oh! amigos. Digo-vos que isso não
adianta nada.”

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“Depois são os vossos hábitos. Como se envergonhariam alguns de vós, que


colocaram como obstáculos à santificação as meras frivolidades dos costumes
parisienses: entretanto, pessoas que fazem isto dizem que são cristãs. Não sei; não
posso crer nisso. E a bebida; eles querem tomar o seu copo de vinho. Muito bem,
podem tomar: mas não beberão do vinho do reino. Cristãs professas querem vestir-
se como as prostitutas de Paris. Muito bem, não serão a noiva do Cordeiro. Podeis
dizer que ides a festas onde se diz que só há pessoas religiosas, mas onde há toda
sorte de tagarelice e maledicência, de que nos envergonharíamos se o Mestre
escutasse, e de onde saíamos sem nenhum apetite para a oração. Podeis fazer todas
essas coisas; mas desafio-vos a ter o Espírito Santo ao mesmo tempo. Não vou
discutir isso agora. Apenas sei que não podeis tê-lO. Tudo aquilo terá de ser posto
de lado e renunciado”.

Fiz estas longas citações de três sermões dessa piedosa mulher que foi usada por
Deus de modo tão maravilhoso, para levar multidões à vida de santidade.
Obediência e não conformidade com o mundo eram o núcleo de suas mensagens,
como condições indispensáveis para a vinda do Espírito santo.

Torrey, do Instituto Bíblico de Chicago, conta de uma mulher que orava e lutava
por esta bênção, ao ponto de pensarem que ficaria louca, na intensidade do seu
desejo. Toda vez que orava, destacava-se sobre sua cabeça um enfeite pontudo.
Finalmente, um dia, quando estava orando, levou a mão à cabeça e arrancou-o do
cabelo, atirando-o no meio do salão. Imediatamente o Espírito veio sobre aquela
mulher. Tinha agora o espírito de obediência.

O Dr. J. Wilbur Chapman, o famoso evangelista, conta como alcançou esta grande
bênção, depois de uma longa procura: “Vinha lutando durante cinco anos. Tivera
visões deste poder, e vislumbres do que poderia ser se eu fosse ‘cheio de Espírito’:
porém, todo este tempo era como com os discípulos de Éfeso: havia uma grande
lacuna. Por fim, cheguei ao ponto em que senti que estava disposto a render-me.
Alcancei-o pera maneira indicada pelo Sr. Meyer, quando disse: ‘Se não estais
dispostos a entregar tudo a Deus estareis pronto para dizer: ‘Estamos desejosos de
estar dispostos para tudo?’ Isso parecia fácil e, sozinho diante de Deus, disse:
‘Senhor, estou desejoso de que me faças disposto’.”

Relataram-me esta semana o incidente acontecido com a Sra. Maggie Van Cott,
evangelista metodista que durante trinta e um anos, viu 75.000 conversos pelos

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seus trabalhos. Fora episcopal antes, mas não se convertera então. Trajava-se de
modo vistoso e era excelente cantora. Foi convidada a assistir a uma reunião
metodista e a dirigir os cânticos. Ficou profundamente impressionada durante a
reunião. A dirigente do culto, com amor, apontou-lhe o Cordeiro de Deus, e, pela fé
em Cristo, a Sra. Van Cott nasceu de novo. Logo pôs de lado a maior parte de suas
joias, e passou a usar o adorno “de um espírito manso e tranquilo”. Mas tinha um
anel dado por seu marido, que o tirou do dedo dela quando ele estava para morrer,
beijou-o e o repôs no dedo. A Sra. Van Cott conservava-o por causa do marido.
Tornou-se uma evangelista eficaz, e com frequência buscava a santificação, porém o
Espírito sempre lhe dizia: “Tira o teu anel!’. Apegava-se a ele por causa de suas
memórias preciosas, e não obtinha a bênção. Um dia o altar estava cheio de
penitentes, e ela ajoelhou-se diante deles. Sua mão com o anel pendendo sobre o
altar, atraiu a atenção de uma criança, que começou a admira-lo e a brincar com ele.
A mulher observou-O e Cristo parecia dizer-lhe: “Não tirarás agora o anel por
minha causa?” Imediatamente tirou o anel e colocou-o no bolso, e o batismo do
Espírito veio em poder sobre sua alma. Resolvera por fim que obedeceria ao mais
suave apelo de Deus. Tenho dois amigos em Massachussetts, o irmão M. e o irmão
P. Estavam juntos em um retiro em prol da santidade. M. já entrara no descanso do
perfeito amor. P. ainda o buscava. Estavam no bosque juntos em oração, pedindo
para que P. recebesse o batismo do Espírito Santo. Após uma hora de oração
fervorosa, consagrada e insistente, P. começou a clamar com toda força: “Eu o farei!
Eu o farei!” e a bênção veio. M., ao seu lado, ignorava totalmente o que e que o
Espírito desejava. Mas P. era comerciante e entre outras coisas, vendia tabaco, e a
questão era — deixaria ele de vender tabaco ou não? Imediatamente telegrafou aos
seus empregados para que não vendessem mais tabaco. De volta a casa, tomou
trezentos dólares de fumo e fez com eles uma fogueira. Obediência do Espírito!
Nunca vi pessoa que fumasse, ou que vendesse fumo, receber esta bênção. É muito
vil para ser tolerado pelo Espírito num corpo que Ele se propõe fazer o Seu templo,
o que quer que o Espírito condene, na vida ou nos hábitos, deve ser abandonado no
implícito espírito de obediência; do contrário será inútil buscar esta obra
santificadora do Espírito Santo no coração; nenhuma agonia de coração poderá
alcançá-la enquanto a vontade não for alegremente obediente.

VII — Outra condição é CONSAGRAÇÃO COMPLETA. A palavra de Deus é:


“Oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a
Deus como instrumentos de justiça”. (Romanos 6:13). “Não sois de vós mesmos,

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por que fostes comprados por preço, Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”
(I Coríntios 6:19-20). “Mas deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor” (II Coríntios
8:5) .

1. Consagração e a rendição a Deus da pessoa e de tudo que ela possui. No capítulo


III mostramos como alguns, estranhamente, confundem consagração e santificação.
Recordai-vos do que dissemos: “Consagração é a condição antecedente da
santificação, porém não a coisa em si mesma. Consagração e a tarefa do homem
santificação e a tarefa de Deus”. “Deus nunca consagra por nós, e nós nunca
santificamos por Deus. É verdade que os atos da consagração, e da santificação são
ambos combinados na obra que produz a experiência da santidade; todavia, são
coisas distintas e separadas. Nos consagramos; Deus santifica. Nós nos chegamos
ao altar; o sangue purifica. Êxodo 32:29: ‘Consagrai-vos hoje ao Senhor’. I
Tessalonicenses 5:23: ‘O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo’. Na
justificação nos rendemos arrependemo-nos, e cremos para o perdão, mas ‘e Deus
que justifica’. Na santificação nos consagramos e confiamos no sangue para
purificar de todo o pecado; todavia, e Deus que santifica. A consagração é apenas o
colocarmo-nos a disposição de Deus para que nos santifique. A trouxa de roupas
que levamos para à lavanderia deve ser apresentada e entregue, antes que possa ser
lavada; mas não cabe it lavanderia apresentar a roupa e entrega-la para ser lavada.
Ela recebe, nos entregamos. No processo de nossa purificação, nós nos
apresentamos e entregamos — consagramo-nos, e Deus santifica’ (The Holy Way,
pág. 22).

Observa o general Booth: “Adão abandonou uma vida de total e constante


consagração a Deus, e levantou-se para ser independente. Deixou de ser um servo
de Jeová, para passar a negociar, por assim dizer, por conta própria. Deixou de
viver para agradar a Deus em tudo, e começou a viver para agradar-se a si próprio.
Para recuperar o favor de Deus, o filho de Adão deve agora abrir mão de ser seu
próprio senhor, e voltar para Deus com tudo o que possui, e colocar-se aos pés de
Jeová, a fim de viver sempre para Ele” (Holy Living, pág. 18).

O engano cometido por muitos a respeito da consagração é: não a tornam uma


realidade. Fingem que dão tudo a Deus, os filhos, o dinheiro, as posses, o tempo, a
reputação: mas é só em imaginação, em sentimento. Não e real. Deus e Sua causa não
ficam melhores depois dessa consagração, do que antes. Fazem de conta que
entregam tudo no altar, e vivem no dia seguinte como se tudo lhes continuasse a

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pertencer. Se Deus pede um filho para ser ministro ou missionário, levam as mãos
ao rosto, horrorizados com a ideia, e exclamam com indignidade: Não! Mera
consagração sentimental!

O General Booth dá-nos esta notável ilustração sobre o que realmente significa a
consagração: “Há muito tempo houve neste país uma guerra entre o rei e o
parlamento, e a maior parte da nação ficou do lado do parlamento, de sorte que a
situação do rei se tornou crítica. Não era raro então que algum nobre ou rico viesse
ao rei e dissesse: ‘Lamento e sinto-me envergonhado de que vossa majestade tenha
sido deposto do trono, e esteja sofrendo toda esta indignidade e desgraça. Desejo
ajudar vossa majestade a recuperar vossos direitos, e aqui venho com meus filhos e
meus servos colocar nossas espadas e nossas vidas à vossa disposição. Hipotequei
também minha propriedade e vendi minha prataria, e trouxe o resultado da venda
para ajudar vossa majestade a continuar a guerra’. Ora, isso foi rendição real e entrega
completa ao rei — das vidas e da riqueza aos seus pés. Se as coisas corressem bem para o
rei, correriam bem para eles; mas se não, se o rei perdesse tudo, eles perderiam
tudo com ele.”

“Ora, esse e exatamente o tipo de consagração que Deus quer; consagração que
começa pela alma, pelo coração. Ele foi deposto de Seu trono no coração dos
homens em toda parte. Seu nome e expulso como coisa maligna, e os homens se
recusam universalmente a permitir que Deus reine sobre eles. Bem, Jesus Cristo
deseja garantir o trono para seu Pai, e apela aos soldados fieis que o ajudem na
grande empresa, quer que entreis na batalha com o mesmo espírito, dizendo: ‘Trago
os meus bens, minha influência, minha reputação, minha família, sim, minha vida.
Não teremos interesses separados. Usa, Senhor, tudo o que tenho e o que sou para
promover a guerra, de sorte que o Rei assuma a Seu posto, e o Seu reino seja
restabelecido’, Essa é consagração em realidade, e apenas essa. É o que Jesus Cristo
ensinou, quando disse: ‘Buscai, pais, em primeiro lugar o reino de Deus’. É o que
Jesus exemplificou em Sua vida e morte, e o que Paulo e os primeiros apóstolos
fizeram; e se hás de tornar-te um cristão integral, completo, deves consagrar-te da
mesma maneira” (Holy Living págs. 19, 20). ‘

2. Observai a diferença entre esta consagração e a que o pecador faz quando busca a
salvação. (1) It: multo mais inteligente. Como penitente, conhece na pratica muito
pouco sobre os detalhes da experiência e do dever cristãos. Já tendo, porém, um
curso bem regular na escola de Cristo, o cristão atinge o ponto em que tem uma

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concepção muito mais elevada do dever, do serviço e da rendição a Deus. Ao


buscar a santificação, sua consagração e, portanto, bem mais integral e completa. (2)
É baseada em motivos diferentes. O pensamento fundamental na mente do pecador
e o alívio do fardo da culpa; o perdão do pecado; fugir do castigo. É como o
israelita antigo fugindo para a Cidade do Refúgio. Mas a cristão vem como filho,
almejando ser mais útil para o seu Salvador, desfrutar mais de Sua companhia e
amor. Devota-se à completa obediência com alegria de coração, movido antes pelo
amor que pelo medo. (3) Quando buscamos perdão, fazemos uma oferta em
conjunto — “Eis-me aqui, Senhor entrego-me a Ti”. — pouco entendendo do
significado de nossas próprias palavras. Quando nos consagramos para a
santificação, tendo recebido mais luz, somos mais definidos e específicos — mãos,
pés, olhos, lábios, memória, afeições, ambições, tempo, reputação, amigos, posses,
influência, família, tudo. Como disse alguém “Dou-Te tudo o que sei, e o que não
sei”.

3. O fundamento de tal consagração maravilhosa e sermos propriedade de Cristo. Ele


nos redimiu, comprou-nos. Como a senhor, comprando escravos num mercado
obteve deles os talentos, o serviço, os ganhos, assim somos escravos de Jesus Cristo.
Os antigos senhores muitas vezes marcavam seu nome, ou gravavam suas iniciais,
nos braços ou nas pernas dos escravos. Paulo assinava-se “o escravo de Jesus Cristo”
e em certo lugar diz: “Trago em meu como as macas do Senhor Jesus”. O grande
apóstolo gloriava-se nisso, de que era escravo de Jesus Cristo, cuja propriedade
absoluta alegremente reconhecia.

4. O ato da consagração e reconhecer e aceitar o direito de propriedade de Cristo.


Dizei-Lhe com todo o coração: “Senhor, sou Teu por direito, e quero ser Teu por
escolha”. Os israelitas antigos vieram a Davi, o rei escolhido do céu, mas ainda não
coroado, e disseram: “Somas teus, Davi, e estamos ao teu lado, filho de Jesse”.
Assim deveríamos vir a Jesus e alegremente dizer: “Teus somos, ó Cristo”. De
Jesus, disse Paulo: “De Quem eu sou, e a Quem sirvo”.

“Eu venho como estou; Teu grande amor


Quebrou as barreiras todas do pecado;
Venho pra ser agora todo Teu,
Ó Cordeiro de Deus, imaculado”.

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5. Notai que a consagração não é um ato do sentimento, mas da vontade diz F. B.


Meyer: “Não tenteis sentir nada, nem serdes bons e meritórios e merecedores do
batismo do Espírito Santo”. A bênção não é ganha nem merecida. É a graça
maravilhosa de Deus, conferida quando satisfazemos com alegria as condições,
uma das quais é a rendição absoluta de nossa VONTADE sobre TODAS AS
COISAS. Algo diferente disto seria como entregarmos o nosso corpo ao médico —
todo, menos um membro que tivesse câncer. Rogai a Jesus que tome posse de tudo.

Diz o Dr. Lowrey: “Uma mente disposta a ser toda do Senhor, abrange todas as
coisas. Tal propósito, formado e fixado em sinceridade consciente, sem dúvida será
aceito por Deus como santificação (consagração) de nós próprios ao Senhor.
Quando damos tudo a Deus, fazemos uma transferência sumaria de nós mesmos a
Ele. Como um pedaço de terra e vendido, e o lote é limitado, medido, descrito como
tantos hectares, metros, ‘mais ou menos’, ‘com todas as dependências e pertences’,
da mesma maneira assinai, selai e entregai-vos ao Senhor. E fazei-o de modo tão
real, que depois disso vos chocaria, como um ato de transgressão e quebra da fé,
usar qualquer membro do vosso corpo, ou faculdade da vossa mente, uma afeição
da vossa alma, ou porção das vossas posses, contra Deus, a parte de Deus, ou por
quaisquer motivos egoístas, que ofendessem a Deus, e tirassem a vós ou aos vossos
de Suas mãos” (Possibilities of Grace, pág. 310).

Diz Mahan: “Foi-nos revelado que, para que o Espírito em nós habite, temos de
render-nos totalmente, com todas as faculdades e susceptibilidades do nosso ser, a
ocupação de Deus e ao controle divino”.

Palavras do Rev. A. B. Simpson: Um espírito santificado e um espírito dedicado.


Suas faculdades de COMPREENSÃO dedicam-se a conhecer Deus e a contar todas
as coisas como perda pela excelência do conhecimento de Jesus Cristo. Sua Palavra
e objeto do mais profundo estudo e meditação, Sua VONTADE e dedicada a Deus.
Prefere-O deliberadamente como sua porção e seu Senhor soberano, e deleita-se em
abandonar-se a Sua posse completa, e a Sua perfeita vontade sua faculdade de
CONFIAR é dedicada. Está determinado a confiar em Deus sob quaisquer
circunstancias e a despeito de todos os sentimentos, como ato de vontade que
escolhe crer em Sua palavra, não obstante toda dissuasão e tentação. Dedica-se o
seu AMOR e a sua faculdade de amar. Prefere amar a Deus sumamente, e amar a
Deus como Ele quer que O amemos, considerando todos as seres humanos a luz de
Deus e Sua vontade, e adaptando-se a todas as circunstancias de modo a agradar a

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Deus. E ainda, dedica-se a ter GOZO em Deus. Escolhe-O como sua porção, sua
felicidade, seu tudo em tudo, e consente em achar toda sua satisfação nEle e Ele
apenas. Um espírito dedicado dá-se assim inteiramente a Deus, para conhecê-lO,
preferir a Sua vontade, assemelhar-se ao Seu caráter, confiar na Sua palavra, amá-lO
acima de tudo, glorificar somente a Ele, ter gozo apenas nEle, e pertencer-Lhe de
modo absoluto, sem reservas e para sempre. Todos os seus sentidos,
susceptibilidades e capacidades lhe são dedicadas. Prefere ouvir apenas o que Ele
vai dizer, ver apenas o que Ele quer que contemplemos, tocar apenas quando Ele
mandar, e usar toda capacidade e faculdade nEle e por Ele apenas. Considera-se
daqui por diante Sua propriedade, sujeita a Sua disposição, e existindo para o
grande propósito que Ele lhe reservou. Consagra-se não tanto as obras, ou a verdade
ou a causa, ou a igreja, como ao SENHOR. E isto é feito com alegria, livremente, sem
medo ou reserva, mas como grande privilégio e honra, de poder assim pertencer a
um Mestre tão grandioso e bom, deixando que Ele tome a Si a tarefa tão ingrata de
realizar a nossa santificação. Mesmo quando assim se dedica, é apenas um
recipiente vazio. É Ele que o enche para suprir as necessidades dos outros (Wholly
Sanctified, págs. 50-58).

Leiamos agora algumas páginas das “epístolas vivas” — a palavra de Deus descrita
nas vidas que Ele santificou. Jennie F. Willing, ao buscar o batismo do Espírito
Santo, fez esta consagração: “Ó Senhor, dou-Te tudo o que sei dar, da melhor
maneira que conheço. Quando vier a saber mais, e a ter mais, darei mais. Assim,
pois, essa consagração deve ser tão completa como a posso fazer. Satanás me
desviara tantas vezes daquele ponto, durante os dez longos anos no deserto, e
agora fazia o possível para desviar-me desta posição. Eu a mantive. Sou honesta.
Proponho-me a ser inteiramente do Senhor a qualquer custo. Se não der tudo, e
porque não set como fazê-lo; e Cristo não pode responsabilizar-me pelo que não
sei” (Forty Witnesses, pág. 70).

Conta o Capitão Kelso Carter: “Ajoelhado, sozinho, no quarto de minha mãe em


Baltimore, fiz uma consagração que compreendia tudo. Nunca fui compelido a
renová-la, pois abrangia tudo. Morrer imediatamente — um jovem; viver e sofrer;
viver e recuperar; ser, fazer, sofrer tudo por Jesus — esta era a minha consagração.
Todas as coisas duvidosas foram postas de lado, ficando uma grande margem do
lado de Deus” (Forty Witnesses, pag, 123).

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Escreve o Rev. B. K. Pierce, D.D.: “De joelhos, escrevi uma rendição completa de
mim mesmo, corpo, alma e posses materiais, e tudo mais que me pertencia,
procurando pesar cada palavra, antes de assinar solenemente o meu nome. Depois
disse: ‘Se confessarmos as nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar as
pecados e nos purificar de toda Injustiça’. Apreendi, como jamais antes, a verdade
simples, que tudo abrange. Com lágrimas de confiança, exclamei: ‘Senhor, eu estou
perdido, porém Jesus morreu por mim’. Sem consciência da passagem do tempo, e
ainda de joelhos, em suave e bem-aventurada repetição, eu dizia: ‘Ele perdoa; Ele
purifica de toda injustiça!’ Mal percebi quando me levantei, mas encontrei-me
caminhando pela sala, as primeiras horas da manhã, dizendo: ‘Ele perdoa; Ele
purifica de toda injustiça!’ enquanto que uma calma e paz indescritíveis invadia
todo o meu ser” (Forty Witnesses, pág. 142).

A Sra. Osie M. Fitzgerald assim descreve sua experiência: “Então veio à minha
mente: — ‘Darás os teus filhos ao Senhor?’ Pensei: ‘Se o fizeres, Deus os tirará do
mundo’. Por fim, entreguei-os a Deus. Então veio uma luta ainda maior. O Espírito
disse: ‘Dedicarás o teu marido, dando-o a Mim?’ Respondi: ‘Senhor, de boa vontade
morrerei, se o deixares viver. Não valho muita coisa, mas não posso viver e deixá-lo
morrer, pois minha saúde é tão precária, que eu seria incapaz de tomar conta de
minha família’. Pensei também que poderíamos perder toda a nossa propriedade, e
eu teria por fim de ficar num asilo. Essa luta durou dois dias ou mais. Então,
sussurrou-me uma voz: — ‘Poderás ser o instrumento de salvação de alguma alma
no asilo’. Veio então a passagem: ‘Nenhum bem retirarei daqueles que andam na
retidão’. Cedi tudo a Deus. Veio a noite de sábado. Dirigi-me à reunião de oração.
Disse-me o Espírito: — ‘Se te der um coração puro, e santificar-te completamente,
falarás diante deste povo, e dir-lhe-ás o que fiz por ti?’ Tendo sido criada
presbiteriana, era contra os meus princípios que as mulheres falassem na igreja.
Julgava que apenas as mulheres metodistas mais ousadas falariam na igreja. Por
isso, disse: ‘Não, não convém que as mulheres falem na igreja’. Minha agonia
aumentava, e a medida que continuava a refletir, a questão voltava. Minha agonia
de alma era tão intensa, que me parecia estar próxima ou a vitória, ou a morte, e
clamei: ‘Sim, Senhor, ainda que seja diante de mil pessoas’“ (Forty Witnesses, págs.
168, 169).

Eis que aí, por fim, a vontade rendeu-se, e a consagração da vida, dos filhos, do
marido, da voz, da reputação, de tudo foi completa.

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Convém fazer deste ato de consagração um ponto bem definido de nossa história
espiritual. George Whitefield a fez quando de sua ordenação. “Posso chamar o céu
e a terra como testemunhas de que, quando o bispo colocou sobre mim as suas
mãos, entreguei-me para ser mártir por Aquele que morreu na cruz por mim.
Atirei-me cegamente e sem reservas, a Seus braços Todo-poderosos”.

Doddridge dá-nos a seguinte forma de pacto: “Hoje, em verdade, eu, da forma mais
solene, rendo-me a Ti. Renuncio aos antigos senhores que tiveram domínio sobre
mim; e consagro-Te tudo o que sou, e tudo o que tenho; as faculdades do meu
espirito, os membros do meu corpo, minhas posses terrenas, meu tempo e minha
influência sobre os outros; para serem usados inteiramente para a Tua glória, e
resolutamente usados em obediência às Tuas ordens, enquanto me mantiveres em
vida, com o ardente desejo e a humilde resolução de ser Teu pela eternidade;
conservando-me sempre em atitude de alerta para observar as primeiras sugestões
da Tua vontade, e pronto para marchar com zelo e alegria, a fim de dar-lhes
execução imediata.”

‘Com mansidão submeto-me as Tuas ordens, eu e tudo o que sou e tenho, para que
de mim disponhas da maneira que a Tua sabedoria infinita julgar mais
subserviente aos propósitos de Tua glória. Deixo-Te o governo de todos os eventos,
e digo sem reservas, seja feita, não a minha, mas a Tua vontade’ (Rise and Progress,
Capítulo 17).

Diz o Rev. A. B. Earle, o grande evangelista batista: “Primeiro providenciei um


livro em branco, que intitulei meu ‘Livro de Consagração’, e devagar, solenemente,
de joelhos, escrevi a seguinte dedicação:

Andover, 19 de fevereiro de 1959

Neste dia faço uma nova consagração do meu todo para Cristo. Jesus, agora e para
sempre, dou-me a Ti; dou minha alma para ser lavada no Teu sangue e salva afinal
no céu; meu corpo inteiro para ser usado para a Tua glória; minha boca para falar
constantemente por Ti; meus olhos para chorarem pelos pecadores perdidos ou
para serem usados de qualquer forma para Tua glória; meus pés para me levarem
onde desejares que eu vá; meu coração para sentir compaixão pelas almas, ou de
outro modo ser usado para Ti: em qualquer lugar; meu intelecto para ser
empregado em todo tempo pela Tua causa e glória. Dou-Te minha esposa, meus

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filhos, minhas propriedades, tudo o que tenho, e tudo o que jamais venha a ser
meu. Obedecer-Te-ei em todo o dever conhecido.”

A. B. E.

“Pedi então graça e forças para cumprir o voto, e para que eu nada tirasse do altar”
(Rest of Faith, págs. 67, 68).

O Rev. Isaiah Reid recomenda o seguinte:

FÓRMULA DE CONSAGRAÇÃO PARA A SANTIDADE

Texto, Romanos 1:1-2. Ó Senhor, em vista do que me pediste, pelo presente, aqui
agora me consagro realmente e sem reservas a Ti, pelo tempo e pela eternidade.
Meu tempo, meus talentos, minhas mãos, pés, lábios, vontade, tudo. Minha
propriedade, minha reputação, meu ser inteiro, um sacrifício vivo para ser e para
fazer tudo o que for a Tua santa vontade a meu respeito. De modo especial, nesta
hora, eu, Teu filho regenerado, coloco o meu caso em Tuas mãos, para a purificação
de minha natureza da mancha herdada da natureza carnal. Busco a santificação de
minha alma.

Depois, acrescentou o seguinte:

PENHOR DE FÉ

Agora que me entreguei a Ti, considerar-me-ei, desta hora em diante, como Teu.
Acredito que aceitas a oferta que Te trago. Coloco tudo sobre o Altar. Creio que o
Altar santifica a oferta. Creio que o sangue e aplicado agora, enquanto cumpro os
termos da Tua salvação. Creio que realmente me purificas agora de todo o pecado.

VOTO

Pela Tua graça prometo, desta hora em diante, seguir-Te, andando na comunhão do
Espírito, aperfeiçoando a santidade no temor do Senhor.

Nome ______________________________________________ Data_______________

Diz o Prof. Dougan Clark: “A essência da consagração está na frase ‘Oferecei-vos a


Deus’ (Romanos 6:13). Quando vos entregardes, entregai tudo; todos os pormenores
estão incluídos na auto-rendição, ‘Oferecei-vos a DEUS’. A consagração não é ao
serviço de Deus, nem a Sua obra, nem a uma vida de obediência e sacrifício, nem à

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igreja, nem à Ação Cristã, nem à causa missionária, nem mesmo à causa de Deus; é ao
PRÓPRIO DEUS. ‘Oferecei-vos a Deus. Vosso trabalho, vosso serviço, vossa
obediência, vosso sacrifício, o lugar e o dever que vos cabem, seguir-se-ão todos no
devido tempo. Consagrar-se e dispor-se, resolver, e fazer o firme propósito de ser,
fazer e sofrer o que for da vontade de Deus. Como a consagração e um ato
definitivo, feito uma vez por todas, não precisa ser renovado, a menos que
tenhamos rompido o pacto. Consagramo-nos como nos casamos. O voto está sobre
nós, e na força desse voto, andamos todos os nossos dias. Consagração não significa
abandonar os pecados, vícios, apetites depravados ou indulgencias proibidas. Não
podemos consagrar a bebida, ou o fumo, ou o ópio, ou o jogo de cartas, ou o baile,
ou a frequência ao cinema, a Deus. Ele não quer nada disso. Todos os pecados reais
e conhecidos devem ser abandonados na conversão. Nossa consagração é para uma
obra mais profunda, isto é, para a remoção do pecado inato, o que, afinal de contas,
não é feito pela nossa consagração, embora ela seja uma preliminar essencial, mas
pelo ‘batismo com o Espírito Santo e com fogo’.

“Transcrevo aqui uma forma de consagração que vi num periódico Inglês há


muitos anos atrás. Unam-se todos os que nos leem com o autor, em sua entrega
pessoal a Deus:

‘Disposto estou a
Receber o que me deres,
Privar-me do que retiveres,
Abandonar o que tirares,
Suportar tudo o que infligires,
Ser tudo aquilo que exigires,
E fazer tudo o que ordenares,
Amem!’

Quando tal consagração é completa, torna-se relativamente fácil crer na santificação


completa, a qual, depois de toda consagração, deve ser recebida pela fé” (Theology
of Holiness, págs. 102-104).

Alguém disse que, em nossa obra preparatória para assegurar a salvação completa,
“O eu morro na última valeta”. Este pensamento foi posto em verso por alguma
alma amante da meditação, que entrou no gozo do perfeito amor:

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“Um inimigo de poder oculto


Há que o cristão deve temer,
Ainda mais sutil que a mancha externa,
Do coração o bem querer.
É a fera poderosa do egoísmo,
O eu vaidoso e voluntarioso.
Pra que o Senhor possa reinar em mim,
Meu próprio eu tem de morrer por fim”.

Este pensamento impressionou tanto o patriarca Dr. Morgan, de Oberlin, a quem o


Presidente Finney amava tão profundamente, que ele uma vez expressou sua
aspiração pela santidade, e a morte do eu, na tradução de um pequeno poema, do
alemão, escrito por John Angelus, e intitulado, “Uma Oferta Queimada”:

“Sumo Sacerdote, que por mim


A Ti Próprio ofereceste no Madeiro:
Concede que a oferta minha seja
A mim mesmo também renunciar;
Oferecer-me como lenha ao fogo;
Queimar e consumir todo o meu ser.
Tira-me fora o coração, ó tira,
Dores mil, embora, tal me custe!
Para que possas, Ó Amado, Tu,
E Tu somente, em meu lugar viver”.

Esta morte do eu, esta rendição absoluta da vontade, e consagração de tudo a Deus,
deve preceder a vinda do Salvador santificador ao trono da alma, para ser tudo em
todos. A amada irmã negra, Amanda Smith conta aos seus ouvintes que estão
buscando o Espírito Santo para a santificação: “Deveis fazer a vossa consagração
completa, e eterna. Será inútil fazer a experiência de uma ‘consagração temporária.
Ela tem de ser completa e eterna. Eu dei tudo a Deus. Eu só possuía a minha pessoa
preta, minha tina, e minha tabua de lavar roupa; mas dei tudo, e o Espírito veio e
santificou a minha alma”. Santa irmã, tinha tão pouco para dar, porém deu tudo.
Sua consagração foi genuína... E Deus tomou aquelas mãos negras que haviam
industriosamente esfregado a tábua de lavar roupa, e levantou-as para abençoar
inumeráveis auditórios na América, na Europa e na África; e aquela voz — patética
porque carregada das misérias da raça — Ele a usou para inspirar multidões a uma

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vida de santidade, que, não fosse ela, nunca teriam conhecido. Deus pode conceder-
nos a Sua plenitude e usar-nos, quando estamos dispostos a nos esvaziar do nosso
eu, consagrando-nos a Ele. Esta é a grande necessidade da igreja cristã de hoje.
Números, riqueza, recursos materiais e conforto sem limite; porém a consagração
da maioria e em extremo limitada! Juntas missionárias e todas as instituições de
beneficência, ansiosas por auxílio, enquanto as marés das modas e do mundanismo,
as viagens ao estrangeiro, o luxo e outras loucuras, varrem as igrejas, e confessos de
religião rivalizam entre si, e com o mundo em auto-concessões e luxo! Reuniu-se
em Old Orchard Beach, no Estado do Maine (EE. UU.), no ano passado, um grupo
de pessoas que creem na santidade e na consagração, convocados pela Aliança
Cristã. O Dr. Simpson apresentou um sermão sobre missões, e foi feita uma coleta
entre o auditório, que rendeu sessenta e sete mil dólares para missões estrangeiras.
Este ano, numa reunião semelhante naquele local, houve uma coleta de mais de
cento e um mil dólares. E ainda depois, no fim deste outono, foi tirada uma outra
coleta pelo Dr. Simpson, de uma assistência em Nova Iorque, no montante de cento
e doze mil dólares.

O jornal “Chicago Advance:’ assim comenta o fato: “Há poucos meses os


presbiterianos realizaram uma grande reunião no Carnegie Music Hall, a fim de
levantar fundos para as missões, tendo como principal atrativo a presença do
Presidente Cleveland e do Dr. Talmage. O montante doado e empenhado foi cerca
de seis mil dólares. Há poucos dias a “Christian Alliance” promoveu uma reunião
no mesmo edifício, sob a direção do Dr. A. B. Simpson, e levantou cento e dez mil
dólares para missões. Como se explica a diferença entre os resultados das duas
reuniões?’

A resposta à pergunta é fácil. Se todos os ministros tivessem recebido o batismo do


Espírito Santo como o Dr. Simpson, pregando, com ele, a santificação, e todas as
congregações cressem na santidade, e fossem tão consagradas como aquela, dentro
de uma semana haveria milhões de dólares nas tesourarias de nossas Juntas de
Missões. Como o jorrar do Niágara, as nações pagãs atravessam as portas da morte.
Acotovelamo-nos a cada momento com pecadores que vão perecendo, e a mundo
todo geme sob a servidão do pecado. O mundo precisa de representantes reais do
Salvador — e de nossas igrejas cheias de homens e mulheres revestidos de
santidade e poder. Esses ministros e essas igrejas não surgirão enquanto o eu não
morrer, para que Cristo possa reinar. Não seremos revestidos de poder para levar

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multidões a Ele, enquanto não estivermos, como o apóstolo Paulo, crucificados para
nós mesmos, mortos para o pecado, e para o mundo, e vivos para a justiça e para
Deus; e enquanto o Espírito não nos santificar, e Cristo viver em nós, e nos
governar, e operar através de nós.

1. Ó Deus, meu coração anseia


Por Ti: quero morrer, morrer!
Minha alma deixa em liberdade,
Para eu morrer, para eu morrer
As fúteis coisas desta vida,
Que já não tem valor pra mim,
Meu Salvador me chama, vou partir;
Faz-me morrer, faz-me morrer.

2. Demonstra em mim Teu Salvador poder,


Quero morrer, quero morrer;
Crucificado dia a dia ser,
Para morrer, para morrer
Ao mundo, suas leis e aplausos,
E as coisas em que tem prazer,
E aos que aborrecem Tua Cruz;
Faz-me morrer, faz-me morrer.

3. De um mundo mau, ao escárnio e à mofa,


Devo morrer, devo morrer;
Livrar-me de servis temores,
Para morrer, para morrer,
Tão sepultado, que desejo algum
Pareça bom, ou grande ou sábio,
Senão aos olhos do Senhor;
Assim morrer, assim morrer.

4. Começa já a crucificar-me,
Faz-me morrer, faz-me morrer;
Falhar-me o coração não deixes,
Quero morrer, quero morrer.
Apelo ao Teu poder, Jesus,
Ajuda-me a tomar o cálice;

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Crucificado, enfim, com teu poder,


Hei de morrer, hei de morrer.

5. Agora que morri, Senhor,


Viverei sempre para Ti;
O tempo meu, as forças, tudo,
A Ti eu dou, a Ti eu dou.
Oh, como a Filho me liberta!
Dou-Te, Senhor, meu todo a Ti,
Agora e para todo o sempre:
Hei de viver, hei de viver!

(De “The Angel and the Vision”


do Rev. W. D. Gray).

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CAPÍTULO XV

CONDIÇÕES PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO (III)

VIII — A última condição para receber esta grande bênção da santificação, que
mencionarei, e a FÉ. Os textos seguintes mostram que ela e absolutamente
essencial: Atos 26:18, “Santificados pela fé em mim”. Gálatas 3:14, “A fim de que
recebêssemos pela fé o Espírito prometido”. Gálatas 3:2, “Recebestes o Espírito pelas
obras da lei ou pela pregação da fé?” Ezequiel 36:27, 37, “Porei dentro de vós o meu
Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os
observeis... Assim diz o Senhor Deus: Ainda nisto permitirei que seja eu solicitado
pela casa de Israel”. Tiago 1:6, “Peça-a, porém com fé em nada duvidando”. Atos
15:8-9, “Concedendo-lhes o Espírito Santo, purificando-lhes pela fé os corações”. E
colocamos juntos I Tessalonicenses 4:3 e I João 5:14-15, cuja leitura ficará: “Pois esta
é a vontade de Deus, a vossa santificação; se pedirmos alguma coisa segundo a sua
vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve quanto ao que lhe pedimos,
estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito”.

No capítulo anterior a este consideramos a condição da consagração; que


significava render-se inteiramente a Deus. Mas, aquele que busca a bênção do
batismo do Espírito e da santificação, pode tomar todos os passos até aqui
mencionados e, mesmo assim, não alcançar a bênção. Há os que consagram tudo,
tiveram fome e sede e durante anos não obtiveram a bênção, simplesmente porque
lhes faltava o último passo. Era como se marchassem pelo deserto, em direção a
Canaã e se detivessem aquém do Jordão. O grande rio foi atravessado pela fé. A fé é
o último passo que traz a alma que procura a “plenitude da bênção” desta Canaã
da santificação. Se não damos este passo, a promessa não se realiza em nossas
almas famintas. Isto demonstra a insensatez de confundir consagração com
santificação, pois uma é, como já mostramos, apenas a condição antecedente da
outra, Observemos agora:

Depois que a alma se “convenceu da necessidade”, sentiu a importância de


crucificar a “velho homem” do pecado, e aceitou o fato de que a promessa do
Espírito Santo era para ela, e obedeceu, rendeu-se e consagrou tudo, e seu

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privilégio e dever crer que Deus ouve a seu clamor, e ingressa no coração rendido.
O Dr. A. J. Gordon expõe esta verdade de modo reiterativo: ‘Pelas Escrituras parece
claro que ainda e dever e privilégio dos crentes receber o Espírito Santo, apropriando-
se dEle por um ato consciente e definido de fé, do mesmo modo como receberam a Jesus
Cristo. Esta conclusão tem diversos fundamentos. Presumivelmente, se o Parácleto
(Espírito Santo) e uma pessoa, que vem fazer Sua morada na igreja, a um tempo
determinado, para guiar, ensinar, e santificar o corpo de Cristo, pela mesma razão
devemos aceitá-lO para o Seu ministério especial como aceitamos o Senhor Jesus
para o Seu ministério especial. Dizer que ao receber Cristo necessariamente
recebemos, ao mesmo tempo, o dom do Espírito, e confundir o que as Escrituras
fazem distinto. Pois é como PECADORES que aceitamos Cristo para a nossa justificação,
porém é como FILHOS que aceitamos o Espírito para a nossa santificação. “E, porque vós
sois filhos enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gálatas 4:6)
(Ministry of the Spirit, págs. 68, 69). E ainda: “O dom do Espírito Santo e baseado no
fato de que somos filhos pela fé em Cristo. As Escrituras mostram que se nos exige
apropriar-nos do Espírito como filhos, da mesma maneira como nos apropriamos
de Cristo como pecadores. Se o crente receber o Espírito Santo com um ato definido
de fé, para a sua santificação, como recebeu Cristo pela fé, para a sua justificação,
não estará ele certo de estar agindo de modo segura e bíblico? Desconhecemos
modo mais claro de explicar o assunto do que dizer que e uma simples aceitação
pela fé,

Fé que e uma afirmação e um ato,


Que da verdade eterna faz presente fato.

É fato que Cristo fez expiação pelo pecado; na conversão, a fé se apropria deste fato,
a fim de obter a justificação. É um fato que O Espírito Santo — foi concedido: na
consagração, a fé se apropria deste fato para a nossa santificação” (Ministry of Spirit, págs.
94, 95).

Diz F. W. Meyer: “Não procuremos sentir que é assim (que recebemos o Espírito
para a santificação), porém CRER que é assim, e confiar na fidelidade de Deus”.

E R. A. Torrey: “Podereis não perceber de imediato o gozo desta bênção. Um


homem, suponhamos, transfere-me uma propriedade em Boston. Pode ser que eu
não a veja durante uma semana. Poderei não mudar-me para a casa antes de um
mês, mas é minha. Se buscamos a bênção com todo o nosso coração, crendo,

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cumprindo as condições, ELA É NOSSA, embora não tenhamos o gozo completo


durante semanas ou meses. Temos direito a promessa (I João 5:14-15), e a reclamar
esta bênção pela fé; e, com ou sem emoção, considerá-la como nossa”.

Explica-nos o Bispo Taylor: “O pré-requisito essencial da perfeição cristã, e sua


característica geral, e a perfeição da fé. Implica confiança perfeita em Deus —
confiança em Sua sabedoria, Sua bondade, Sua vontade (de que sejamos
santificados); confiança nas provisões e promessas do evangelho; confiança na
eficácia da expiação de Cristo, no Seu sangue todo purificador, e na intercessão;
confiança na boa vontade e eficácia do Espírito Santo pessoal, procedente do Pai
com o propósito definido de salvar os pobres pecadores de seus pecados... A fé
perfeita é coisa simples, razoável e, contudo, inteiramente eficaz. Não deis ocasião à
maldição da incredulidade. Combate-a, com todos os instrumentos que Deus nos
dá, como se combatêsseis uma serpente dentro de casa. Submetendo-nos
perfeitamente a Deus devemos ter a ousadia de crer. Nosso dever e estabelecer e
manter o fato de que somos aceitos por Cristo, para tudo o que se comprometeu
fazer por nos. Devemos depositar perfeita confiança no Sagrado Santificador”. O
que “assim confia, nunca será confundido” (Infancy and Manhood, Capítulo IV).

“Já agora no momento supremo, quando estas para tomar nas mãos o prêmio, não
permitas que o diabo te ludibrie. Não lhe permitas induzir-te a crer em teus
próprios feitos — teu passado de fome e sede e lagrimas e orações e votos de
consagração, ou em coisa alguma, senão em Jesus. Há de ser pura e simplesmente fé
no Deus que santifica, e não nos teus pobres esforços”. Eis como o bom Bispo Taylor
expõe o perigo, e conta-nos a sua ‘própria experiência: “Bem, já no altar da
consagração, onde tantas vezes oraste, confessaste, consagraste, e renovaste a tua
aliança, estava o teu poderoso Salvador, aguardando para conceder-te salvação,
graciosa e completa, ao teu coração atribulado; porém, no momento de tua
submissão final, quando deverias crer, que fizeste? Ora, renovaste o pacto, o que
desviou de Jesus os teus olhos ansiosos, para um cumprimento futuro dos teus
votos, e ficou implícito no teu espírito: ‘Então serei levado a doce comunhão com
Deus, que tanto desejo’. Substituíste a fé presente por uma renovada aliança, ou
melhor, o Salvador presente trocaste por ela; levantas-te e foste embora, deixando
Jesus ‘ali em pé, batendo a porta, esperando entrada’. Em lugar de abrir, para
admiti-lO na plenitude do Seu poder salvador, sem a qual te seria impossível
melhorar, em lugar disso, com um voto piedoso nos lábios, saíste pelos fundos,

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voltando as tuas obras tediosas, tão fraco como antes”... “À medida que vais
entrando pelos trilhos do evangelho, sob a pressão do desejo produzido pelo céu,
em direção à estação da salvação plena, cuidado!” Bem a entrada o demônio adapta
uma chave-de-desvio muito engenhosa e, se não tiveres cuidado, serás apanhado
na chave satânica, e desviando do único trilho que leva a estação gloriosa, para os
velhos trilhos do círculo vicioso judaico de ‘procurares estabelecer a tua própria
justiça, em lugar de submeter-te a justiça de Deus’; e ficaras dando voltas, e
perguntando por que não entraste. ‘Quase dentro’, dirás, ‘já posso vê-la.
Certamente entrarei logo’. Certamente nunca entraras por aqueles trilhos. Passei
diversos anos nessa estrada, e de joelhos percorro os caminhos deste labirinto
sombrio das complicações legais, sinto-me por isso, de algum modo, preparado
para aconselhar aos meus jovens amigos, pela experiência, simpatizando
profundamente com eles em suas lutas.

“Quando me veio luz sobre este assunto, mudei imediatamente a disposição das
coisas. Disse eu: ‘6 Senhor, tenho sido muito infiel e o lamento’ (Não que tivesse
cedido a qualquer pecado conhecido; lutara para ser santo desde a noite em que me
converti a Deus, e fora preservado de desvios voluntários de Deus), ‘uma centena
de vezes tentei ser santo, e fracassei todas as vezes, Como o lamento, porém, ó
Deus! E já não tenho mais confiança na carne, nem em quaisquer esforços próprios.
Tentei tantas vezes, que o meu coração desfaleceu. Sei que nunca serei melhor, nem
farei nada de melhor, se o meu próprio coração não foi melhorado. Por mais que o
deseje, por mais que sinceramente me esforce, tenho certeza de que nunca serei
melhor do que tenho. sido, nem farei nada melhor do que tenho feito, se não for
renovado no meu espírito’. Estava na verdade despojado de toda esperança no que
fizera ou poderia fazer. Nem um gancho. havia em toda a minha vida futura, onde
pudesse pendurar uma esperança, ou fornecer base para um adiamento; nada
modificara. Foi então que se realizou de modo cabal a crucificação da carne, da
carne com todas as suas esperanças falazes, planos de regeneração, revestidos da
fraseologia mais piedosa. Minha consciência se expurgou de obras mortas, e fui
abandonado no vale da auto-humilhação e do desespero, e, lá em baixo, naquele
vale da impotência consciente, meus pés pousaram firmes na Rocha dos Séculos, e
Jesus me foi sabedoria, justiça e santificação. Não galguei a altitude beatifica do
Monte Nebo, nem exultei em visões de glória celestial, mas recebi um batismo de
fogo que consumiu aquelas obras mortas e esperanças falazes; e na plena
consciência de minha inutilidade, aprendi a apegar-me a Jesus em toda

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simplicidade de uma criança, dizendo: ‘Em cada momento Senhor necessito do


mérito da Tua morte. Deixado sozinho por um momento, nesse mesmo memento
pecarei contra Ti’. O coração purificado sente, como nenhum outro, a sua completa
inutilidade. ‘Nossa suficiência vem de Deus’. ‘Todavia, vivo, porém não eu, mas
Cristo vive em mim’. Aprendi a arte feliz de viver pela fé no Filho de Deus”
(Infancy and Manhood, págs. 70-76).

Diz o Rev. Isaiah Reid, em seu opúsculo, The Holy Way, qual o lugar da fé na
santificação, assim: “Quando o ato da consagração e completo, isto é um fato
consciente na experiência da alma. Nisto ela pode confiar com certeza. O que
precisa a seguir é considerar que pode depender de algumas das palavras reveladas
de Deus sobre a alma que chegou até aqui ao chamado de Deus, e por meio da
experiência consciente. Em outras palavras, crer no que Deus diz sobre uma alma
assim consagrada: ‘O altar santifica a oferta’. Crê no que Deus diz, porque ele o diz.
Deixa tudo ali, inteira, imediata e eternamente. O que Deus diz tem mais valor do
que o que sentes. Crê nEle e sente. Confessa a tua fé nEle. Confessa feita a tua parte
na obra. Confia ali até que o Espírito Santo venha e anuncie a obra feita no interior;
reconhece em todo o tempo o que ele está fazendo por ti, porque satisfizeste as
condições. Tendo entregue tudo a Deus para sempre, podes considerar-te morto
para o pecado e vivo para Deus, através do Senhor Jesus Cristo. Cumpriste os
termos até agora apresentados, todavia não é pelas obras, mas pela fé, pois ainda há
algo importante que deves fazer, isto é, CRER. Crê que Deus e, pelo menos, tão fiel
como tu, e está fazendo a parte dEle, embora não o vejas nem o sintas — crê que está
santificando-te agora. Podes crer (saber) que estás consagrado, e podes confiar no que
Deus diz que uma alma crente e consagrada recebe. Deus não pode dar falso
testemunho. Ele honra a fé, e realiza a obra”.

Permita o leitor que mais alguém fale sobre este ponto vital. E pelas repetidas
declarações de várias pessoas que a importância do assunto se te esclarecera, e
aprenderas a assegurar para ti a plenitude do Espírito Santo — o batismo
santificador. O Dr. Carradine expõe esta condição com grande clareza: “Eu
desejava poder voltar para o pecado e para o mundo, os olhos, os ouvidos e o
coração de um morto. Queria perfeito amor para com Deus e os homens, descanso
perfeito e eterno em minha alma. Deixei sobre o altar esse ‘algo’ negro, que impedia
a vida perfeita, e roguei a Deus que o consumisse pelo fogo. Nesta ocasião
nenhuma vez pedi a Deus perdão, pois já o possuía em minha alma. Era pela

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purificação, pela erradicação do pecado, que eu almejava. Minha prece era pela
santificação. Depois da batalha da consagração, veio à batalha da fé. Ambas
precedem a vitória completa da santificação. Vã é a consagração sem a fé para
assegurar a bênção. Por isso, os homens podem ser perfeitamente consagrados
durante a vida inteira, e nunca conhecer a bênção da santificação. Devo crer na
obra, a fim de ver realizada a graça. Ali estavam às palavras do Senhor,
fundamento da minha fé: “Toda coisa consagrada será santíssima ao Senhor’
(Levítico 27:28). ‘O sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo o pecado’.
E ainda: ‘Tudo o que tocar (o altar) será santo’, e ‘O altar santifica a oferta’ (Mateus
23:19 e Êxodo 29:37). Na última citação, afirma-se um fato grandioso: o Altar e
maior do que a oferta; o que se coloca no Altar (pela fé), torna-se santificado e
santo. E o Altar que realiza a obra. Surge a pergunta: Quem, e o que, e o Altar? Diz-
nos Hebreus 13:10-12: ‘Possuímos um altar... Por isso foi que também Jesus, para
santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta’. Comentando a
passagem, o Dr. Clark diz que o Altar aqui mencionado e Jesus Cristo. Todos os
que estudaram atentamente a vida de nosso Senhor não podem deixar de
impressionar-se com o fato daquele, em Sua Pessoa maravilhosa, veem-se
compreendidos o sacerdote, o cordeiro e o altar. Ele fez tudo; não havia ninguém
para ajudar. Como vítima morreu; como sacerdote, ofereceu-se a Si mesmo: e Sua
natureza divina era o altar sobre o qual foi feito o sacrifício. O Salvador é, pois, o
altar cristão. Sobre ele me coloco (pela fé), o altar santifica a oferta. O sangue
purifica de todo pecado, pessoal e inato. Posso crer nisso? Crê-lo-ei? Certamente
minha incredulidade me privara da bênção: por certo minha fé ma concederá. No
instante em que unimos a fé perfeita a perfeita consagração, realiza-se a obra e vem
a bênção. Como diz Paulo: ‘Nós, porém, que cremos, entramos no descanso’
(Hebreus 4:3). Tudo isto aconteceu ao que vos fala. Durante quase três dias viveu
num estado constante de fé e oração. Creu em Deus; creu A que a obra estava feita,
antes que o testemunho fosse dado. Na manhã do terceiro dia a testemunho veio’
(Sanctitication, págs. 19-21).

“Tudo está sobre o Altar? Se está, quem é o Altar? Paulo nos diz que é Cristo. Que
faz o Altar? Glória seja dada a Deus, o Altar santifica a oferta...

...Assim é que nos tornamos santos se nos colocarmos sobre o Altar, Cristo; se,
numa palavra, estamos perfeitamente consagrados. A palavra de Deus diz que toda
coisa consagrada e santíssima ao Senhor’ Crê-lo-ás? Confiarás na palavra de Deus?”

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(pág. 140). “Tens de crer que Cristo te santifica mesmo agora. Tomarás esse passo e
perceberás a salvação plena? Se podes e queres crer que o sangue de Jesus Cristo te
santifique AGORA, a obra da santificação será feita, e a glória de Deus te sobrevirá.
Firma-te na própria palavra de Deus; Ele diz que o Altar te santifica, que o sangue
te purifica e faz santo. Não és tu que o dizes, nem são palavras de autoria do
pregador; é a palavra do Senhor! Então, crê na palavra; recebe-a em teu coração;
dize: ‘Estou santificado pelo sangue, porque Cristo o diz’ e apega-te a isto com
inamovível confianca, até que o testemunho venha. O testemunho virá quando a
alma estiver consagrada e o coração exercer a fé que toma posse. Há de vir, por
causa da fidelidade divina, e em cumprimento à promessa divina” (pág. 41).

“Milhões estão prontos a dizer: ‘Se Deus me der certas emoções ou experiências,
declarando a Sua obra, então hei de crer’. Onde, porém, surge a fé em tal salvação?
Não está claro tratar-se então já não mais de fé mais de conhecimento? É evidente
que o solicitado de Deus aqui e: ‘Deixa-me conhecer, eu crerei’, enquanto que Deus
diz: ‘Crê e conhecerás’. Alguém disse de Abraão: ‘confiou sem nada ver, na pura
promessa do Deus Todo-poderoso’. Tal foi a fé do centurião ao pedir a Cristo que
curasse o seu servo” (págs. 154 155). “Minha fé não repousa sobre uma condição
mental em mim, ou um jogo de emoções, mas sobre a simples afirmação de Deus
de que estou santificado” (pág. 158).

“Há pouco tempo, numa visita que fiz, ao estado de Georgia, fui informado de um
caso, notavelmente ilustrativo. Era um jovem, o qual, após ter feito a consagração
perfeita exigida pela Bíblia, creu que o sangue de Jesus o purificou de todo pecado
naquele mesmo momento. Nada sentia; lembrava-se, porém de que não somos
salvos pelo que sentimos, mas pela fé; e assim viveu no primeiro dia, apegado a
palavra de Deus sobre este ponto, como um homem que se apegasse a um mastro
no meio do oceano. Na igreja, alguém o viu menear a cabeça de modo peculiar e
positivo, e os que estavam sentados perto dele, ouviram-no dizer no mesmo
momento: ‘O sangue de Jesus me santifica’. Mais tarde, nesse mesmo dia, um
amigo aproximou-se dele, e perguntou: ‘Irmão, como te sentes? ‘ Sua resposta foi:
‘Eu não sinto, mas sei que Jesus santifica minha alma, porque Ele o disse’. No dia
seguinte, viu que um crítico hostil o observava na igreja; de novo veio o movimento
positivo de cabeça, com as palavras murmuradas: ‘Ele me purifica de todo o
pecado’. Aos amigos crentes, simpatizantes e preocupados, seu comentário
constante era: ‘Nada sinto mas tenho a fé perfeita de que o sangue me purifica

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AGORA’. Assim andou ele vários dias, pela ‘simples fé até que uma manhã, o
jovem exclamou de repente, bem alto, em tons que vibravam com emoção
indescritível: ‘Oh, glória, glória! Minha alma não pode conter o gozo e a bem-
aventurança que sente!’ O testemunho viera, como certamente há de vir sempre
aquele que se apega à Palavra de Deus. Por que é que tantos buscam a bênção
durante meses, sem alcançá-la? Porque colocam a obra no futuro. Colocam o
cumprimento da promessa em algum tempo remoto, enquanto diz: Deus AGORA!
e exige que nossa fé diga AGORA!” (Págs. 160, 161).

Diz o Dr. Keen: “Sendo a fé o exercício da faculdade que possuímos de crer na


palavra de Deus, é um ato voluntário. A alma deve reconhecer que pode crer, deve
achar que convém crer; deve dizer: ‘Crerei, e persistentemente admitir que o
perdão e a pureza lhe pertencem pela palavra de Deus face a toda tentação para
duvidar, surja de que fonte for... Em nossa peleja em busca do Senhor, pode vir a
cada momento a derrota, se acreditarmos em Satanás ou a vitória se crermos em
Jesus” (Faith Papers, pág. 34).

Dá-nos o Dr. Keen ainda esta ilustração: “Certo professor, numa universidade da
costa do Pacífico durante dez anos buscara a salvação plena, mas não chegará a
desfrutá-la. Um dia passou por sua casa um ministro idoso, que viajava a serviço
da Sociedade Bíblica Americana. Começaram a conversar sobre a experiência cristã.
O velho ministro relatou como a encontrara havia vários anos, tendo caminhado
desde então em consciente purificação de todo pecado. O professor ouvia com
interesse, e quando o ancião piedoso terminou, disse-lhe: ‘Meu pai, há dez anos que
busco a bênção. Acredito ter colocado tudo sobre o Altar; mas não recebi o poder
da graça santificadora em minha alma’. Indagou dele então o ministro. Não quer o
Sr. recebê-la agora?’ — ‘Sim’ replicou o professor. ‘Bem’, disse o ministro
‘ajoelhemo-nos aqui mesmo, pois poderá recebê-la ’agora’. Até então tinham estado
sentados lado a lado na sala de visitas do professor o qual não acreditava que uma
batalha de dez anos pudesse terminar imediatamente. Sem dúvida julgou o velho
muito entusiasmado, porém ajoelhou-se com ele. Pois bem disse o ministro,
‘professor, o senhor já se entregou inteiramente a Deus’. Com muita ternura e
honestidade de coração, veio a resposta: ‘Creio que sim’. ‘Colocou tudo sobre o
altar?’ ‘Sim’. ‘Bem professor, o senhor diz: ‘O Altar santifica a oferta’; é a verdade
ou não?’ Não ousou tentar a Deus dizendo que não, e com fé trêmula e quase

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coagida, disse: ‘É verdade’, e no mesmo momento, o fogo refinador atravessou sua


alma”. (págs. 48, 49).

Incluirei aqui mais alguns testemunhos, para que, pela boca de muitas
testemunhas, se confirme toda palavra. Desejo tornar este livro tão claro, que os
que buscam o batismo do Espírito Santo e a santificação, e o poder que o
acompanha, não errem o caminho. Meu alvo é fazer um livro que traga luz, como
aquela de que precisei há vinte e cinco anos, quando ainda buscava esta bênção.
Necessitava de instrução. Dirigi-me ao Presidente Finney e o consagrado irmão
ajoelhou-se ao meu lado e colocou a mão sobre minha cabeça, e orou por mim. Isso
já era uma bênção. Como, porém, apossar-me da bênção que Deus queria dar-me, eu
não sabia, e o Presidente não me disse. Tivesse eu sido devidamente instruído
então, o meu ministério se teria transformado. Almejo contar a outros o que eu
então almejava saber. Não há maneira mais clara de ensinar do que estas
ilustrações da vida real. Com isto me excuso por dá-las tão abundantemente.

Eis como testifica o Dr. Daniel Steele: “Vi que minha fé tinha três pontos a
conquistar: o Consolador, para mim, agora. Baseado na promessa, aventurei-me a um
ato de fé apropriadora, reclamando o Consolador como meu direito, em nome de
Jesus. Por diversas horas apeguei-me pura e simplesmente a minha fé... Súbito, tive
consciência de um poder misterioso que se exercia sobre a minha sensibilidade...
derretendo meu coração, e transformando-o numa corrente incandescente de amor.
Cristo Se me tornou tão inefavelmente precioso que, num instante, abandonei todo
o bem terreno, a reputação, as propriedades, a família, tudo num abrir e fechar de
olhos; e minha alma clamava:

‘Só Cristo quero para mim na terra.


Só Cristo para mim no céu também’“.

(Rest of Faith, pág. 28).

Assim escreve o Rev. Lowrey: “Vivera uma vida devota, e pia durante todos estes
anos preparatórios, e especialmente durante o ano que precedeu a minha
ordenação ao ministério; entretanto, não a obtivera da santificação completa. Na
verdade, tinha a dolorosa consciência de que o pecado herdado existia, e lutei
contra ele o ano todo, com jejum e oração. Todavia, fui à Reunião Anual, e
finalmente coloquei-me diante do altar da ordenação, sem estar curado do pecado.
Não obstante, porém, todos os meus defeitos, estava persuadido de que nunca se

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colocara diante daquele altar uma alma mais sincera e conscienciosa. Como e
exigido de todo candidato, respondi a todas as perguntas do exame na afirmativa:
“Tens fé em Deus? Perseverarás até a perfeição? Esperas tornar-te perfeito em amor
nesta vida? Estas gemendo a sua procura?’ Tinha dúvidas quanta à minha resposta
positiva à última pergunta, isto é, se desejava tão intensamente a perfeição que
estava ‘gemendo por ela’. Logo em seguida, a linguagem de minha alma, foi: ‘Se
não estou, ficarei, até obter aquela graça... Buscá-la-ei, labutando e agonizando.
Jamais diminuirei os meus esforços, nem relaxarei na minha perseverança’... Três
meses depois desta data, Deus, em Seu amor, deu-me a evidência da salvação
plena. Observai, não me aproximei dela gradualmente, por algum aumento sensível de
gozo ou poder. Minha alma não fosse desenvolvendo por bênçãos sucessivas.
Permanecia tão longe da conquista real da grande salvação, uma hora antes de
recebê-la como estivera durante nove anos. E suponho que teria continuado assim
não fosse uma enérgica resolução, que provocou a crise. Percebi que precisava fixar
um tempo, limitando a ele a minha fé! Portanto, com a convicção de que deveria ser
agora ou nunca, abandonei todos os outros assuntos, e aos outros empreendimentos,
recolhi-me a um quarto, e curvei-me diante de Deus, suplicando redenção
IMEDIATA, libertação IMEDIATA, purificação IMEDIATA de todo pecado, a
plenitude do Espírito e a perfeição do amor. Logo, constatei a infalível verdade
destas palavras: ‘Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. De algum modo fui
impelido e inspirado A CONFIAR... Juntamente com este confiar e orar, sobreveio-
me ao espírito uma sensação de regozijo, e era evidente tratar-se de uma convicção
divina com o valor de uma prova de que Deus graciosamente me concedera o
pedido — que eu fora curado de todo pecado; de que me libertara enfim do pecado;
de que o seu poder corrosivo terminara. Sentia-me feliz, porém não extasiado.
Parecia predominar uma sensação de repouso satisfação, grande paz, e consciência
de purificação e santidade. Meu gozo era mais solene e sagrado do que nunca.
Minha alma parecia recolher-se ao silêncio diante do senhor, em virtude de Sua
aproximação e habitação em mim, e da permanência dominante do Espírito Santo”
(Possibilities of Grace, págs. 463-465).

Voltemos agora ao caso de Hannah W. Smith, cujos esforços e anseios


consideramos em capítulo anterior. “Comecei a ansiar pela santidade; comecei a
gemer sob a servidão do pecado, ao qual ainda me achava presa. Meu coração
inteiro suspirava por conformidade a vontade de Deus, e por uma comunhão com
Ele. Mas tão cabalmente convencida estava eu de que meus próprios esforços,

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resoluções ou orações de nada valeriam, e tão ignorante estava sobre qualquer


outro meio, que estive a ponto de entregar-me ao desespero. Neste tempo de dura
necessidade (1863), Deus colocou-me na companhia de alguns cuja experiência
parecia bem diferente da minha. Declaravam eles que tinham descoberto ‘o
caminho da santidade onde a alma remida poderia andar e viver em constante paz,
fazendo-se mais do que vencedora’ pelo Senhor Jesus Cristo. Perguntei-lhes qual o
segredo e eles responderam: ‘Está simplesmente em acabar com todos os nossos esforços
próprios, e confiar no Senhor para tornar-nos santos’. Jamais esquecerei o espanto que
tal resposta produziu em mim. ‘Como?’ perguntei, quereis dizer que abandonastes
de todo os vossos esforços, no viver diário, e NADA mais fazeis senão confiar no
Senhor? E Ele real e verdadeiramente vos faz mais do que vencedores? ‘Sim’ foi a
resposta, ‘o Senhor é quem faz tudo. Abandonamo-nos a Ele. Não procuramos nem
mesmo viver nós próprios; mas permanecemos nEle e Ele habita em nós. Ele opera
em nós o querer e o fazer conforme é do Seu agrado, e nós desfrutamos paz’. Que
Jesus agora permanecesse na minha vida, do mesmo modo como no princípio ma
deu sem que eu pudesse fazer nada senão CRER e RECEBER, ultrapassava as
minhas concepções mais belas... Por fim constatei com clareza que na verdade eu
não era nada; que necessitava do Senhor de modo tão absoluto para o meu viver
diário, como necessitava dEle antes para dar-me vida. Descobri que era tão incapaz
de governar o meu temperamento ou a minha língua durante cinco minutos como
fora converter a minha alma, há muito tempo. Descobri, em suma, a verdade
singela que há muito já deveria ter apreendido que sem Cristo não poderia fazer
nada, absolutamente nada... O Senhor demonstrou-me que era um salvador
perfeito, completo e presente, e eu abandonei todo o meu ser ao Seu cuidado;
confiei nEle cabal e inteiramente. Tomei-O para salvar-me do poder diário do
pecado com uma fé tão simples como uma vez tomara para salvar-me da culpa do
pecado. Acreditei na verdade de que Ele era a minha santificação prática, bem como
minha justificação, e de que não somente podia salvar-me, e haveria de fazê-lo,
porém, que já o fizera. O Senhor Jesus Cristo tornou-Se o meu Salvador presente, e a
minha alma achou descanso afinal — um descanso tal que palavras não podem
descrever. Foi-me revelado o segredo da santidade, e o segredo era Cristo — ‘feito
santificação para mim’. A princípio minha fé era fraca e vacilante. Quase tremendo,
apegava-me a Cristo a cada momento, sem cessar, dizendo continuamente em meu
coração: Senhor, confio em Ti. Olha, Senhor, estou confiando em Ti’. Para meu
espanto, porém, via que era uma realidade prática (Forty Witnesses, págs. 148-153).

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No capítulo anterior, reproduzimos o relato da Sra. Osie M. Fitzgerald sobre sua


consagração. Veremos agora como ela obteve a bênção pela fé: “Quando minha
rendição e consagração se completaram, disse: ‘E agora, Senhor?’ O Espírito
respondeu, ‘Tudo quanto em oração pedirdes, crede que o recebestes, e será assim
convosco (tereis recebido)’ (Marcos 11:24). Via claramente que devia crer antes de
poder receber. E o tentador dizia: ‘Como podes crer sem qualquer evidência?’ E eu
respondia: ‘Tenho a palavra de Deus, e creio que a obra está feita, mesmo que
nunca chegue a ter nenhuma evidência até que o encontre no Seu tribunal!’ ‘Mas’,
continuava o tentador, ‘e se estiveres enganada?’ A minha resposta foi: ‘Levarei
aquela promessa comigo ao tribunal de Deus, e lhe direi que confiei nEle (na Sua
palavra) sem qualquer evidência, para receber um coração puro’. Algum tempo
depois, um bom irmão me disse: ‘Crês mesmo que Deus te purifica agora de todo o
pecado?’ Se tivesse mil corpos e almas, com todos eles poderia ter dito aquele ‘Sim’.
No momento em que o confessei, o Espírito veio ao meu coração com a velocidade
do relâmpago, e o purificou de todo pecado, e começou a morar ali e me encheu de
um gozo tão inefável que durante três dias mal pude saber se estava no corpo ou
fora dele” (Forty Witnesses, págs. 169, 170).

Assim descreve ela os trinta e um anos de experiência cristã que se seguiram:


“Julgo que Deus me purificou o coração de todo pecado, e o Espírito Santo
santificou-me inteiramente. O Sr. Wesley diz que é quase milagre alguém receber
essa bênção e nunca perdê-la. Então por certo eu sou quase um milagre da graça,
pois nunca a perdi, e não tenho recordação de jamais sentir as excitações da ira,
ciúmes, orgulho, egoísmo, ou amargura, desde o dia em que Deus purificou o meu
coração de todo pecado, e o Espírito Santo veio e encheu-me. Desde então Ele é o
guarda à porta do meu coração”.

Phoebe Palmer, de abençoada memória, ao buscar o batismo do Espírito Santo,


travou a sua batalha, como a maioria dos outros, sobre esta questão da fé: “Terei de
crer que Deus me receberá simplesmente porque está escrito na Santa Palavra:
‘Receber-te-ei’, sem qualquer outra evidência, senão a palavra de Deus, exclamou.
‘E, dizia o adversário, ‘suponhamos que, se depois que creste, não te sentires
diferente, que farás? Suponhamos que sejas chamado para viver uma longa
existência sem nenhuma destas manifestações que os outros desfrutam?’ Eu
verificava agora o que era a fé, em toda a sua simplicidade, e respondi: ‘Chegarei
diante do meu Juiz, e diante do universo reunido, direi: ‘O fundamento da minha fé

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era a Tua palavra imutável’. No momento em que cheguei a este ponto, o Espírito
Santo segredou: ‘Foi exatamente assim que Abraão andou: ‘Pela fé partiu, sem
saber para onde ia’. Minha fé foi logo experimentada. Esperava eu que se seguisse
alguma experiência maravilhosa. Mas fiquei reduzida à fé — fé nua, numa
promessa nua. Avancei então para o terreno da confissão. Dando a Deus a glória
devida ao Seu nome, exclamei: ‘Através da Tua graça somente fui capaz de
entregar-me inteira e eternamente a Ti. Deste a Tua palavra, assegurando-me de
que me recebes. EU ACREDITO NESSA PALAVRA! Aleluia! Glória ao Espírito Santo
para sempre!’ Oh, em que região de luz, glória e pureza minha alma foi introduzida
neste momento! Sentia-me como simples gota no oceano do amor infinito, e Cristo
era tudo em tudo” (Forty Witnesses, págs. 302-305).

Nenhum grupo de crentes hoje em dia prega com tanta constância ou ensina com
tanto êxito, a santidade e a santificação, como o Exército de Salvação. Não há igreja
na terra que não fosse abençoada e espiritualmente melhorada, sentando-se aos pés
do General Booth. Eis o que ele ensina sobre o papel da fé na santificação pelo
Espírito Santo: “que e a fé que santifica? E aquele ato de singela confiança que, com
a autoridade da palavra de Cristo, diz: ‘O sangue de Jesus Cristo me purifica: AGORA
de todo pecado interior, e me faz puro de coração diante dEle; e eu, neste mesmo
momento, entrego-me a Ele, crendo que me recebe, e que me conservará santo para
sempre, enquanto assim confiar nEle’. Quando a alma assim confia em Deus estará
em qualquer hipótese, purificada? Sim sempre — isto é, se a alma que tem a certeza de
que renuncia completamente a todo o mal conhecido e duvidoso, entrega-se a fazer
a vontade de Deus em todas as coisas, assim confia em Deus para a purificação plena,
tem a autoridade da palavra de Deus para crer que a obra está feita, a despeito do que
sentir; e precisa apegar-se a esta fé até que o sentir chegue. ‘Se confessarmos os
nossos pecados, ele é fiel (à Sua própria promessa) e justo (ao sofrimento e agonia
de Seu filho, que comprou a bênção) para purificar-nos de toda injustiça” (I João 1:7).

“Que quer dizer apegar-se à fé até que o sentir chegue? Às vezes Deus experimenta
a fé por um pouco de tempo, e embora a alma tenha o testemunho de que colocou o
sacrifício no altar — de que está integramente consagrada, e tenha o testemunho
em si mesma — de que crê que Deus a aceita: todavia como Abraão, poderá ter que
esperar pelo fogo, que interiormente a faz sentir e saber que Deus purifica sua alma; se,
porém, vigiar seu sacrifício e esperar a oportunidade, o fogo certamente virá.

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“Mas, não tropeçam muitos na simplicidade da fé? Sim! Sem dúvida muitos, nos
quais temos toda razão para acreditar, realmente tudo renunciam e estão dispostos
a seguir o Cordeiro, onde quer que Ele vá, mas ou não podem, ou não querem, ou
não ousam crer que Deus por certo, num momento, os purifica. Estão sempre
chegando à borda da onda purificadora despem-se para o mergulho santificador mas
ai deles! Não entram. Dizem crer, e por certo creem em parte, na disposição e
capacidade de Deus; mas não acreditam que Deus, por certo, real e
verdadeiramente, purifica agora. É preciso admoestá-las sobre isto levá-las até este
ponto; e quando realmente confiarem em Deus para a salvação plena, verão a
diferença. É importante que a alma aprenda distintamente o fato de que É DEUS
QUE PURIFICA, e que a fé e a consagração são apenas as condições pelas quais é
concedida a graça salvadora e santificadora de Deus” (Holy Living, págs. 22, 23).

O Rev. William Jones, D.D., LL. D. cita Adam Clark como tendo dito:

“Em nenhuma parte das Escrituras se diz que devemos procurar a remissão dos
pecados seriatim, isto é, por partes, um agora, outro depois, e assim por diante.”

“Nem em qualquer parte da Bíblia somos aconselhados a buscar santidade


gradualmente. Nem um perdão graduado, nem uma purificação graduada existem na
Bíblia”.

“A santificação é uma obra de Deus e é operada pelo Espírito Santo; e feita num
instante”. (Elim to Carmel, pág. 183)

O lugar da fé no plano de Deus para conceder O Espírito Santo em poder


santificador, depois de satisfeitas as outras condições preliminares, e reivindicar a
unção agora, agora, AGORA, e depois acreditar que a unção foi obtida, segundo a
promessa divina. Diz o Dr. Lowrey: “A fé é para a salvação plena o que o contato é
para um acumulador carregado de energia — o meio de comunicação. É o toque da
fé tão somente que recebe a virtude curadora de Cristo, pela qual o crente se torna
integralmente são. Os atos precedentes conduzem à fé, porém apenas a fé traz a
salvação. Como o elo que junta o comboio à locomotiva; todos os elos precedentes
são necessários para fazerem do trem uma unidade, e garantir a vantagem da força
motriz, mas e apenas o último elo que junta o comboio it força transportadora.
Antes de se fazer esta conexão, não pode haver movimento. Os trilhos podem estar
em ordem, os vagões carregados e unidos, os fiscais a bordo, o tempo já chegado,
mas o trem não pode mover-se uma polegada antes de ser feito o último engate,

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que é a conexão entre os vagões e a locomotiva. Naquele momento a fraqueza se


junta à força, e a imobilidade ao movimento” (Possibilities Of Grace, pág. 311).
Prezado leitor, a tua fé é aquele engate; deixa que ele te una a Cristo agora mesmo,
AGORA, para receberes o Espírito santificador e a salvação plena. O Dr. S.A. Keen,
o grande evangelista pentecostal da igreja metodista episcopal, escreve: “Consente
em receber o Espírito Santo AGORA. Disse um venerável ministro: ‘Depois que me
entreguei inteiramente a Deus e estava desejoso de fazer e sofrer por Ele, a coisa
mais difícil de consentir era ser santo naquele mesmo momento — receber o Espírito
Santo AGORA’. No entanto e justamente quando a alma consente em receber o
Espírito Santo AGORA que o recebe na Sua plenitude. A alma precisa, pela fé, dizer
AGORA ao Espírito Santo” (Pentecostal Papers, pág. 92).

Num sermão no Instituto Moody, de Chicago, assim falou Andrew Murray: “Na
verdade, este é um pensamento solene e precioso — o Espírito Santo de Deus pode
converter em experiência nossa todas as promessas e provisões de Deus em Cristo.
Quem está pronto para ingressar nesta vida hoje à noite, e reivindicar sua herança
como filho de Deus? Quem clamará: ‘Suplico que Romanos 8:1-16 se cumpra
literalmente e minha vida?’ Deixai-me sugerir quatro passos simples:

(1) “Dizei: ESTA NOITE PRECISO FICAR CHEIO DO ESPÍRITO. É ordem de


Deus. É necessidade de minha alma. É o anseio do Espírito. Cristo o fará. O
mundo exige que assim seja. Não posso viver acertadamente sem Ele. Preciso
ficar cheio do Espírito.

(2) “EU POSSO ficar cheio do Espírito. Deus não dá o ‘precisar’ sem o ‘poder’.
Deus não diz que devemos ser santos, sem tornar isso possível. Podeis viver
santamente. Dizei: ‘Eu posso’. Deus o prometeu, Cristo o comprou, a Palavra
o revela, milhares o experimentaram. Eu posso ficar cheio do Espírito.

(3) “EU QUERO ficar cheio do Espírito. Dizei: Senhor, meu coração anseia por
Ele. Começai a dizer: Eu abandono tudo, ó Deus, o eu, o pecado, o egoísmo,
a confiança em mim mesmo, a carne; deixo tudo. Quero ficar cheio do
Espírito Santo. Senhor Deus, aplica a Tua marca em mim; sou um recipiente
vazio que espera ser enchido. Quero ficar cheio do Espírito Santo, estou
preparado.

(4) “HEI DE ficar cheio do Espírito Santo. Deus mo prometeu. Tenho o direito de
dizer: Hei de ficar cheio do Espírito. Dizei isso com tremor adorante, e com

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bastante humildade. Confessai: Sou carnal. Tenho sentido a minha


pecaminosidade. Confesso o meu pecado. Meu coração anseia por Te
receber; confiarei em Deus para ser saciado. Ó Deus, Tu fazes mais do que
posso pedir ou pensar; entrego-me inteiramente a Ti; confio em Ti para
sempre; entrego-me totalmente, e reclamo a plenitude do Espírito Santo. Tu
MO DÁS” (Spiritual Life, págs. 27, 28).

Prezado leitor, tais palavras significam SANTIFICAÇÃO INSTANTÂNEA, pela fé,


para ti, AGORA.

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CAPÍTULO XVI

POSSE DA BÊNÇÃO

Neste capítulo não me proponho mencionar mais nenhuma condição para receber o
batismo do Espírito Santo, e ingressar na vida de santificação. E antes meu
proposito fazer um resume do que já foi dito, de um modo geral, e, se possível,
levar o leitor imediatamente até sua prometida herança. Há uns três anos atrás, um
ministro dirigiu uma reunião de consagração na convenção da YPSCE (Young
People’s Society of Christian Endeavor), em Montreal, no Canada. O autor não se
achava lá, porém, há um ano, enquanto trabalhava no estado de Massachussetts leu
uma reportagem sobre o sermão, o que foi uma grande bênção para sua alma. Os
pontos então examinados serão usados neste capítulo, além de suas sábias palavras
e ainda outro material, na esperança de que isso ajude outros, assim como ajudou o
autor. Se tivesse que escolher um título e textos das Escrituras, como se pregasse
um sermão, seria mais ou menos assim:

SANTIFICAÇÃO — A VONTADE DE DEUS

“Pois esta e a vontade de Deus, a vossa santificação... porquanto Deus não nos
chamou para a impureza, mas para a santificação”. I Tessalonicenses 4:3-7. “Sendo
santificados pelo Espírito Santo”. Romanos 15:16. Temos ai a declaração específica
de que e da vontade e proposito de Deus que sejamos santificados. E somos
informados também sobre quem deve operar a obra em nós — o Espírito Santo.
Ora, como pode ser feita a santa vontade de Deus em nos? Como poderás ter a
“plenitude da bênção do evangelho de Cristo?”

1 — Crê que e a vontade de Deus — Acreditas, leitor, que o que Deus diz é verdade?
“A promessa (do Espírito) é para vós e vossos filhos... e para todos quantos o
Senhor nosso Deus chamar, (Atos 2:39), é o que Ele diz, e que a Sua vontade é a tua
santificação pelo Espírito Santo. Crês nisto? Ele diz que te chamou para a
santificação. Crês nisso Ouves o chamado do Espírito Santo em teu coração agora?
Responderas a Ele, e te levantaras e reclamaras a bênção? Esta bênção inestimável e
para um homem entre milhares — para Edwards, Finney, e Moody, Fletcher, o

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bispo Simpson, e umas poucas almas privilegiadas, ou e para todo o filho


regenerado de Deus, e, portanto, para TI?

Disse o pregador: “Tenho vontade de elevar o meu coração e a minha alma, e dizer:
‘Senhor Deus, acredito que e para mim’. Dirás isto agora? ‘Acredito que e para mim’”.
Depois de uma pausa solene, muitos no auditório disseram: ‘Acredito Que e Para
Mim’.

Gostaria também que a leitor destas linhas pausasse um momento e pensasse. Sem
pressa.

Podes dizer solenemente, com o coração em prece: “Meu Deus, acredito que este
batismo do Espírito Santo e para mim?”

2 — Predispõe-te a que a vontade de Deus seja feita em ti — para a tua santificação e


santidade. Estás disposto a orar com sinceridade “Pai Nosso” (Oração Dominical)?
“Venha o teu reino (ao meu coração), seja feita a tua vontade na terra (em mim, e
pela minha vontade) como o e no céu (pelos anjos de Deus). E também estas
“desejoso de estar disposto sobre tudo” como diz F. W. Meyer, “custe o que te
custar”? Este pensamento foi lindamente expresso num poema:

Coloco em Teu altar a minha oferta;


Aceita-a hoje em nome de Jesus
Não tenho, a meu Senhor, pra dar-Te joias,
Nem sacrifício algum de alto valor,
Mas trago aqui na minha mão tremendo,
O meu querer. Pequena coisa e,
Apenas Tu, Senhor, compreenderás,
Que quando, o dou a Ti, a mim me dou.

Perscrutaras, Senhor ocultas nele,


Visões celestiais, paixões em luta,
Tudo que tenho, sou ou venha a ser,
Profundo amor e anseios infinitos
Com lágrimas e suspiros embebido,
N~ pedestal onde ele jaz, sobe a oração:
Ó Deus, Tua vontade seja feita”.

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Nas Tuas mãos minha vontade toma;


Funde-a na Tua maneira tal,
Que se eu temer, e por temor clamar,
Pra devolveres minha oferta; que ela
Tão outra esteja, tão purificada,
Tao bela, tão unida com a Tua,
Que eu nela já não veja a minha vontade,
Porém, ao revê-la, nela veja a Tua.

Disse o Dr. J. Wilbur Chapman: “Senhor, eu estou desejoso de estar disposto sobre
tudo!” Leitor, para um memento e pensa. E assunto entre ti e Deus. Estas “desejoso
de te tornares disposto” que Deus, desejando a tua santificação, realize a Sua
vontade em ti?

3 — Disse um evangelista: “Devemos estar dispostos a abandonar todo pecado que


conhecemos, e também o pecado que não conhecemos. Eu creio que Deus não nos deixou
dúvidas, quando nos chamou para sermos, como Jesus, ‘separados dos pecadores,
santos, irrepreensíveis e sem mácula!’ ‘Se confessarmos os nossos pecados, ele e fiel
e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9)!
Mas Deus nunca perdoou um pecado, nem extirpou um pecado, antes que os
homens e as mulheres estivessem dispostos que Ele o fizesse. Ó amigo, o que quer
que seja, se houver o mínimo sinal de pecado, não o abandonaras agora? A medida
que Deus sonda o teu coração, se te mostrar algo pecaminoso e impuro, não te
comprometeras diante dEle, como se estivesses na glória do julgamento, a
renuncia-lo? Podes, leitor, dizer: ‘Sim, renunciá-lo-ei’?’“

4 — Deverás estar disposto a dar as tuas coisas boas a Deus. Um pescador de almas
disse: “Creio que um homem pede abandonar todo pecado conhecido, e
comprometer-se a abandonar todo pecado desconhecido também e, todavia, não
estar em condições de receber o Espírito Santo. Existem as coisas boas para dar a
Deus. Ah! quantos falham aqui. Há o que chamamos coisas neutras — os amigos, as
ambições, o dinheiro, e os talentos — tudo para ser entregue a Deus. Aqui muitos
fracassam. Quando Deus pede que tragam Isaque, aí hesitam. Tomemos até a
última coisa e a coloquemos no altar de Deus. Eu preguei durante seis anos, antes
que estivesse disposto a fazê-lo — a dar-Lhe as coisas conhecidas, e as
desconhecidas. As coisas que são boas — o dinheiro e o tempo, os talentos e os amigos,
o esposo ou esposa, o filho, a sabedoria e a ignorância, a riqueza e a pobreza, a força e a

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fraqueza, tudo o que sabes ou possas saber, tudo o que tens ou que possas ter, entregar
tudo e dizer: “Senhor Deus, não me pertence mais”.

Diz o General Booth: “Esta consagração tem em si a natureza de um SACRIFÍCIO


REAL. É a apresentação ou entrega a Deus de tudo o que temos; cessamos possuir o
que quer que até agora chamávamos nosso, e tudo passa para as mãos de Deus, a
fim de que Ele ordene ou disponha, e nós tomamos simplesmente o lugar de
servos, para receber de volta apenas o que Ele quiser. Não é tarefa fácil, e só pode
ser feito com o poder do Espírito Santo, mas quando é feita, quando tudo é
colocado sobre o altar — corpo, alma, espírito, bens, reputação, tudo, tudo, TUDO
— então o fogo desce e queima toda a escória e impureza do pecado, enche a alma
de zelo, amor e poder ferventes. Consagração é estar crucificado com Cristo;
significa morrer a todos os prazeres e satisfações que surgem de um indevido amor
do eu, admiração do mundo, posse dos bens, desordenado amor pelas parentes e
amigos, que se juntam todos para construir a vida e o gozo do homem natural. Isto
poderá ser penoso; porém, temos de ser crucificados com Cristo, se é que
pretendemos viver por Ele”.

Num sermão sobre os “Obstáculos à Posse da Santidade”, assim falava a Sra.


Catherine Booth: “Há pouco tempo uma senhora foi trazida ao limiar desta bênção,
mas havia alga que sentia dever fazer. Tinha uma soma de dinheiro, e senti a que
devia usa-lo para certo fim. Orava, lutava, frequentava reuniões de oração, e orava
até tarde da noite; mas, não, não queria enfrentar a dificuldade, e dizia: ‘Oh! não,
não estou satisfeita no meu espírito. Como saberei que Deus o quer para aquele
fim?’ Poderia ter lutado até agora, se não tivesse decidido a obedecer; mas, no
momento em que o fez, sozinha em seu quarto, a bênção veio — Um cavalheiro
chegou ao altar (forma da penitência), depois de um dos meus trabalhos, e disse-
me: ‘Sou pregador; há oito anos que trabalho no evangelho, mas sei que estou
totalmente destituído deste poder’. ‘O senhor o deseja?’ ‘Oh! disse ele, ‘Sim’! e
parecia estar sendo sincero. ‘Então’, perguntei-lhe, ‘que ha? Há um obstáculo. Não
da parte de Deus; Ele quer que o senhor a tenha. Está tão disposto a dar-lhe o
Espírito como a Pedro e Paulo, e o senhor o quer. Ora, o senhor o receberá?
Compreendeu as condições?’ ‘Ah’ disse ele, ‘esse e o ponto’. ‘Bem, a senhor sabe que
eu seria uma falsa consoladora, se tentasse fazê-lo crer que tem razão em não ceder
nesse ponto’. ‘Ora,’, disse ele ‘a senhora compreende, seria romper com o círculo
inteiro de nossos amigos’. Ah! como veem, Ele era levado por amigos cristãos. — ‘O

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Senhor Jesus’, disse-lhe ‘não rompeu com Seus amigos para salvá-lo? E, se os
amigos cristãos são tais, que para viver uma vida santa o senhor tem que romper
com eles, que irá fazer — deter-se naquele círculo, arrumar a sua própria alma e
ajudar a arruinar a deles, ou romper e ajudar a salvá-los?’ Oh! não existe filosofia
mais profunda em qualquer texto da Bíblia do que esta — ‘Como podeis crer, vós
que recebeis honra uns dos outros, e não buscais a honra que vem de Deus
somente? (João 5:44). O senhor tem de se chegar a Deus, sem se preocupar com o
que os outros pensem” (Godliness, pág. 147).

O Dr. Daniel Steele conta uma história que e ilustração notável deste tópico: “Um
amigo autor adoeceu em Paris. Procurou a medico mais eminente da cidade, que,
depois de cuidadosa diagnose, informou seu paciente de que estava atacado de
uma febre fatal, então prevalecente na capital francesa disse-lhe o médico: ‘Logo a
senhor perdera a razão, e mergulhara então num estado de insensibilidade, de que
não é certo que se refaça. Mas farei tudo ao meu alcance, enquanto o senhor
atravessar a fase perigosa da doença. Faça o seu testamento e o entregue a mim.
Ponha nas minhas mãos sua mala e a chave, seu relógio, sua carteira, suas roupas,
seu passaporte e tudo o mais que o senhor estima’. O enfermo ficou assombrado
com tais exigências por parte de um estranho, que poderia administrar-lhe uma
dose de veneno, e mandar o seu corpo para o cemitério, para tomar posse e fazer
uso dos bens a ele entregues. Um momento de reflexão, porém, fez-lhe ver que a
exigência era feita por pura bondade, sendo mais segura confiar-se e as suas posses
nas mãos de um homem de alta reputação profissional, do que correr o risco de ser
saqueado pela horda faminta dos criados do hotel. Entregou todos os bens e a si
mesmo nas mãos do médico. Este sentou-se ao seu lado, e viu cumprir-se sua
profecia, converter-se a razão em delírio, e a inteligência em estupor. Observou a
maré vazante da vida com toda a solicitude de um irmão. Por fim, viu voltar a
maré, e notou a primeira onda refluente que devia trazer de volta o enfermo às
praias da vida. Restabeleceu-se, e então o médico lhe devolveu todos os bens.
Assim deves fazer, se queres valer-te do habilíssimo Médico Jesus Cristo. Prepara o
testamento e entrega-lhO. Confia a tua bolsa à Sua guarda. Uma carteira
consagrada sempre acompanha um coração santificado. Sem este complemento a
obra do coração não é real e genuína. Coloca-te a ti mesmo as tuas posses, tua
reputação, teu futuro, nas mãos de Cristo, por um ato de consagração, e então crê
que Ele fará o trabalho todo, sozinho. Tu não podes melhorar a tua própria
condição. Não podes extirpar a terrível doença do pecado que te corrói as vísceras.

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Só Jesus te pode libertar” (Love Enthroned, págs. 373, 374). Tu, que lês estas linhas,
estás desejoso de assim te consagrares, deixando que tudo pertença a Deus? Podes
dizer a Deus em oração, das profundezas de tua alma: “Farei o sacrifício”?

5 — Há apenas mais uma coisa. Diz o Senhor: “Vós recebeis o Espírito Santo pela fé”!
“Eu creio”, disse alguém a uma grande convenção, “que se fomos honestos diante
de Deus: nestes atos, cada um de nós tem o direito de se levantar e dizer: ‘Sairei
daqui agora um ser cheio do Espírito Santo’. ‘Senhor, recebo mesmo o Espírito
Santo agora”‘.

Leitor, dirás pela fé: “Sim, Senhor, recebo o Espírito Santo para a minha santificação
agora”? Não te desvies desta bênção para te tornares legalista e dizeres: “Eu serei
santificado pelas OBRAS, NO FUTURO, QUANDO ME TIVER FEITO MELHOR”.
Deus quer que digas, crendo: “SOU SANTIFICADO POR MEIO DO MEU
SALVADOR E DO ESPÍRITO SANTO AGORA COMO ESTOU”.

Diz o Presidente Mahan: “As Escrituras revelam Cristo como um ‘Salvador


perfeito’, que preparou a nossa completa ‘redenção de toda iniquidade’, e a nossa
perfeita purificação moral e espiritual. A santificação, completa e inteira, portanto,
e objetiva de fé racional oração e esperança. Ambas as bênçãos, a justificação e a
santificação total, acham-se distintamente reveladas na Palavra de Deus, como
acessíveis sob a mesma condição, e pelas mesmas idênticas razões objetivos de fé e
esperança; e o indivíduo que professa ter recebido uma das experiências não faz
confissão mais absurda do que aquele que professa ter recebido a outra. E
privilégio, conforme a Revelação, é dever de todo crente, através da fé, ‘ser salvo
totalmente’ (Hebreus 7:25), ‘santificado inteiramente’, e ‘ser conservado
irrepreensível no espírito, na alma e no corpo’. (I Tessalonicenses 5:23), e após a
regeneração aguarda a fé do crente ‘a promessa do Pai’, pela qual deve esperar em
oração e súplica, até que seja, cheio do Espírito Santo.’“ Pela fé, caro leitor, sê cheio
AGORA.

Diz F. B. Meyer: “Como uma vez obtiveste perdão e salvação pela fé, assim também
agora pleiteia e recebe a plenitude do Espírito. Preenche as condições já
mencionadas, espera tranquilo, porém decidido diante de Deus em oração; pois Ele
dá o Espírito aos que O pedem: então reverentemente apropria-te desta oferta
gloriosa, levanta-te e segue o teu caminho, acreditando que Deus cumpriu Sua
palavra, e que estás cheio do Espírito. Confia nEle dia a dia, para dar-te da

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plenitude e conservar-te cheio. A princípio poderá não haver o som do vento


impetuoso ou a coroa de fogo, ou sinais sensíveis da Sua presença. Não procures
estas coisas mais do que, quando recém-convertido, buscavas sentir algo como
evidência da aceitação. Mas ACREDITA que ESTÁS CHEIO DO ESPÍRITO, a
despeito das sensações. Dize sem cessar: ‘Agradeço-te, ó Deus, porque cumpriste a
Tua palavra em mim, embora ainda não esteja cônscio de qualquer transformação
em especial’. Mais cedo ou mais tarde começarás a sentir, na tua consciência o
regozijo, e os frutos do Espírito começarão a revelar-se”,

Essa e uma boa descrição da experiência do autor, e ele poderia, pois agora tomar o
lugar no banco das testemunhas. Era eu ainda estudante do Oberlin College,
quando uma caríssima colega, a famosa missionária na Bulgária, Dona Anna V.
Mumford, recebera o batismo do Espírito Santo, insistindo para que eu o buscasse
também. Apresentou-me um volume do “Baptism of the Holy Ghost” (Batismo do
Espírito Santo), do Presidente Mahan. O livro inspirou muitos outros a buscarem e
acharem a bênção, mas não me parecia esclarecer muito bem como receber a bênção
pela simples fé. Como já contei, fui ao Presidente Finney, que bondosamente orou
comigo, mas nada me esclareceu. Eu estava perfeitamente persuadido de que havia
tal bênção para os homens e, de fato, nestes anos todos, tenho percebido que se
poderia apresentar uma dúzia de argumentos irretorquíveis, que satisfariam
qualquer espírito lógico, quanto à acessibilidade da santidade. Logo depois fui para
o Yale Seminary, e lá, confesso agora com vergonha e tristeza, como muitos outros
estudantes de teologia, sofri um declínio em minha espiritualidade, e perdi muito
daquela fome pela santidade que sentia no coração. Mereço tudo o que passei, e
muito mais, em tristeza e decepção, nas mãos de um Deus entristecido e paciente,
que com amor castiga o filho, para que se torne participante da natureza divina.
Deus me concedia reavivamento após reavivamento em meus pastorados, ceifas
graciosas de almas, e meu tempo era pouco para atender a todos os convites que os
pastores me faziam a fim de ajudar no trabalho de reavivamento fora de meu
próprio púlpito. Mas eu era mau aluno da graça, vagaroso, e Deus permitiu que
meu orgulho se ferisse, e se esmagassem as minhas ambições, até que exclamei em
agonia: “Oh! meu Pai, não te importas com teu filho?” Mas, através de todas essas
coisas, Ele me atraia ‘a Si, dirigia-me, poderia dizer, com um chicote de amor, para o
Seu próprio seio, de novo despertando a fome de santidade e poder do Espírito.
Depois de dois longos pastorados, que duraram dezesseis anos, seguidos de dais
outros, curtos — curtos, como bondosamente disse um doutor em Teologia, não

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por falta minha — e quase dois anos de trabalhos como evangelista no Estado de
Michigan, mudei-me para Oberlin, com o fim de ingressar em obra evangelística
geral, com a minha alma humilhada e disciplinada, sentindo fome de Deus. Minha
leitura constante, além do exaustivo trabalho de pregar quinze vezes por semana e
escrever o livro “The Life and Labors of Mary A. Woodbridge”, era toda sobre o
tema precioso do Espírito Santo. Em tal estado de espírito, fui convidado para
dirigir um reavivamento religioso em Oberlin, em janeiro de 1895. Nas reuniões
vespertinas pregava uma salvação plena; não ousava pregar qualquer outra coisa.
Meses depois, o líder do grupo de santidade em Oberlin, que tem Grado sobre este
assunto há um quarto de século, e está mais familiarizado com esta literatura do
que qualquer outro ministro que conheci, cedeu-me alguns livros de Wood,
Garrison, Steele e Mahan, que alimentaram ainda mais o fogo consumidor de
minha alma. Providencialmente, fui convidado a ajudar o Rev. G. S. Butler, de
Three Rivers, Massachussetts o qual, com sua esposa, tinha recebido o batismo do
Espírito Santo, e tinha muita literatura sobre o assunto em sua biblioteca. Entre
outras coisas achei ali um sermão pelo irmão Torrey, de Chicago, e um sermão de
Butler. Fiz um esboço dos livros em meu caderno de notas. Depois, sobre a famosa
colina atrás da casa pastoral, da qual se contemplam onze cidades e aldeias,
ajoelhei-me sob uma árvore, em oração, e entreguei-me de novo a Deus para o
batismo do Espírito, e escrevi em meu livro: “Oh! meu Deus, Salvador, Espírito
santificador, eu Te recebo. Vem agora, enche a minha alma. — A. M. Hills, 29 de
maio de 1895”.

A influência desse ato foi uma bênção restauradora para a minha alma durante
todo o verão e, tivesse eu então crido com todo o coração, poderia ter recebido a
bênção imediatamente; mas demorava-se ainda no meu espírito uma dúvida. No
mês de dezembro, porém, naquela mesma amada casa pastoral, li um sermão de
Varley sobre “o pecado da incredulidade”, que foi diretamente ao meu coração,
Resolvi não me privar por mais tempo da bênção, por uma iniqua descrença, tão
cruel, e que tanto desonrava a Jesus. Fui a reunião de quinta-feira a noite, e
publicamente confessei o meu pecado, e declarei que desejava receber Deus para a
minha salvação plena. Já lera nos Faith Papers de Keen: “És um filho de Deus, e
buscas a SALVAÇÃO PLENA? Apega-te a uma declaração da Palavra de Deus; por
exemplo, ‘o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, purifica de todo pecado’; aplica-a ao
teu próprio coração; confessa a ti mesmo, a Satanás, e a Deus, que isso e a verdade
para ti, para ti mesmo, porque o Senhor o disse; recusa-te a ouvir a voz mentirosa

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de Satanás dizendo que não é verdade. Que nenhum sentimento interior, nem sinal
exterior te dissuada de tua decisão voluntária de contar com a Palavra de Deus, e
seu cumprimento em ti mesmo. E se cumprira de acordo com a tua fé, Deste tudo a
Cristo? Anseias por ser plenamente salvo? Estas persuadido de que

‘É promessa de Deus dar plena salvação. A todo aquele que em Jesus, Seu Filho,
crer’? Podes, neste momento, começar a cantar:

“POSSO crer, HEI DE crer, JÁ CREIO,


Que Jesus me salva agora.”

No dia seguinte, eu repetia sem cessar: “Hei de crer, hei de crer”. À noite, passeava
pelo parque, dizendo:

“POSSO crer, HEI DE crer, JÁ CREIO,...


Que Jesus me salva AGORA.”

Com essa determinação de fé persistente, fui recolher-me. Na manhã seguinte (7 de


dezembro), antes de levantar-me, ocorreu-me agradecer a Deus pela bênção como
coisa já recebida, exatamente como aconselha F. B. Meyer. Comecei a fazê-lo,
quando o Espírito apressou-Se em dar-me o testemunho da fidelidade de Deus.
Uma onda de alegria inundou-me a alma e exclamei: “Ó bendito Deus! Louvado
seja o Senhor! Eis que Ele vem e enche a minha alma!” Desde aquele momento
minha vida se transformou, e tive plena consciência disso. Oh, que os cristãos
aprendam esta lição singela da confiança, de simplesmente aceitar a palavra de
Deus pelo que ela e, sem pedir provas. Logo teríamos “o óleo de alegria em lugar
do pranto; as vestes do louvor, ao invés de espírito abatido” (Isaías 61:3), e a igreja,
já não mais curvada ante a própria fraqueza, aflição, dúvidas e pecado, iria
“levantar-se e resplandecer, de posse de sua luz, e a glória do Senhor nasceria sobre
ela” (Isaías 60:1).

“Este é o método da fé”, diz o Dr. Keen, “que a alma reconheça que pode crer na
palavra de Deus, depois escolha crer nela, a que sempre transfere para a
consciência: ‘Eu creio’”. Crer e a nossa parte, e é antecedente’ salvar e a parte de
Deus, e é consequente. Todos os benditos efeitos da fé — perdão, adoção,
santificação completa — são os efeitos do Senhor, maravilhosos aos nossos olhos: e
são todos possíveis ao que ere no Filho de Deus. Prezado leitor, note bem! ao
terminares de ler, dize: ‘Senhor, eu creio’.

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‘Neste momento mesmo salvas,


Concedes plena salvação’.”

(Faith Papers, pág. 41)

“ASCENDE a Ti, Senhor, a minha fé,


Pequena embora e muito frágil,
o olhar levanta a contemplar,
E a reclamar agora a grande bênção —
Maravilhoso dom que ao longe vê;
E já não teme, não pede temer.
“APOSSA-SE de Ti a minha fé;
A minha fé, tão débil, impotente,
Tremulas mãos estende a Ti, Senhor,
Tremulas mãos, porém violentas; sim,
E AGORA o reino quer tomar por força,
Espera em Ti, seu último recurso,
Para selá-la e pra santifica-la.
“Bem junto a Ti SE FIRMA a minha fé,
Pequena ainda, mas já bem segura
A inabalável âncora, que es Tu,
CUJA PRESENQA ME CONSERVA PURO;
E es apenas Tu que irei sentir bem perto,
A olhar-me sempre, a escutar-me,
Bem junto a mim, bem junto a mim.”

(W. B.)

Tu, que lês estas linhas, “levantarás o olhar para Jesus”, assim pela fé, “apossar-te-ás
de Jesus”, e “te firmarás a Ele”, como o Salvador que santifica, AGORA MESMO? Se
assim for, não precisaras ficar privado da bênção nem por mais uma hora. Ajoelha-
te e aceita o Espírito Santo como promessa que o Pai te fez; reverentemente
apropria-te da gloriosa oferta, levanta-te, e continua o teu caminho, considerando
que Deus cumpriu a Sua palavra, e que estás cheio do Espírito. Agradece a Deus a
bênção, e confessa-a na primeira ocasião que se te oferecer; e veras que Deus
cumpriu a promessa. Lembra-te, “a vontade de Deus é a vossa santificação”,... pois

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“vos chamou para a santificação”. Num certo sentido, e muito importante, a


santificação deve ser a tua vontade também: e se não for da tua vontade, a vontade
divina nunca se poderá realizar em ti. Deves querer ser santificado como Deus está
querendo que o sejas. Lembra-te o plano da redenção foi instituído para restaurar
os homens à santidade. Para este fim foi dada “a promessa do Pai”, o Espírito
Santo, para convencer o pecador e levá-lo a justificação, e para segredar ao crente:
“Recebei o Espírito Santo”, e “Sede santos, porque eu sou santo”. E a vontade, o
desejo, o anseio, a ordem, do Deus triúno, que todo ser moral do universo seja
santo. Converge para este fim toda a obra expiatória pelo homem, e todas as
predisposições em nós operadas pelo Espírito Santo. A santidade é o grande objetivo
da revelação de Deus ao homem, e não existe uma única linha na Bíblia que ensine
a necessidade de estarmos sem o batismo do Espírito para a santidade, durante
uma hora que seja. Diz o Bispo Foster: “A santidade palpita nas profecias, troveja
na lei, murmura na narrativa, sussurra nas promessas, suplica nas orações,
resplandece na poesia, ressoa nos cânticos, fala nos próprios tipos, fulge no
simbolismo, anuncia na linguagem, e arde no espírito de todo o esquema, do alfa ao
ômega, do princípio ao fim. Santidade! Santidade necessitada, santidade exigida,
santidade oferecida, santidade acessível, santidade dever presente, privilégio
presente, gozo presente, e o curso e a conclusão do tema maravilhoso das
Escrituras. E a verdade que fulge em toda parte, que emana através de toda
revelação — a verdade gloriosa que cintila e murmura e canta e clama em toda a
sua história, na biografia, na poesia, na profecia, no preceito, na promessa na oração
— a grande verdade central do sistema bíblico” (Inheritance Restored, pág. 234).

Na verdade o coração de Deus incita a santidade, Ele preparou-te’ uma salvação


total AGORA. O Salvador, “que pode livrar-nos de tropeçar”, e que pode “fazer
abundantemente muito mais acima do que tudo o que pedimos ou pensamos”,
(Efésios 3:20) espera por ti AGORA. Está pronto para ti AGORA o “batismo com o
Espírito Santo e com fogo”, que “purificará o teu coração” e “te revestirá de poder”
para o serviço. Ele quer que termines com esta infausta espera demorando-te na
fraqueza e no pecado, para que tenhas o Espírito AGORA. Dizer a Deus também a
tua vontade: “Entra e enche-me agora e santifica-me e reveste-me com poder?” Ou
dizes: “Não, Senhor, não por meio de Ti mesmo, nem agora, mas por mim mesmo, e
algum dia no futuro?”

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Oh! Que estas palavras do hino de consagração do Exército de Salvação, sejam a


linguagem da tua alma:

“Sim, Senhor,”

Há muito aguarda libertar-me


De minhas dúvidas, temores,
Pergunta, então, Jesus em compaixão:
“Livrar-te-ei de teu pecado todo?”

CORO

“Sim”, minha voz responde, “Sim”, Senhor”.


“Confias no meu sangue pra limpar-te
Das manchas mais profundas do pecado,
E que concedo paz interior,
Que o mundo perturbar não possa?”

“Sim, Senhor”.

“Queres que eu quebre esses grilhões


Das tuas dúvidas, dos teus temores,
Para tornar-te a alma Éden perfeito,
Para alegrar-te a alma e o coração?”

“Sim, Senhor”.

“Escravizado ainda vais ficar


A sedução dos conhecidos ídolos,
Que só trazem lagrimas e dor,
Tua felicidade destruindo?”

“Não, Senhor”.

“Pelos Teus dons tão grandes, tão preciosos,


E pelo sangue que por mim verteste,
Pelo Teu sacrifício expiador,
Reclamo agora a bênção graciosa,

AGORA, ó Deus,”

A minha voz responde, “AGORA, ó Deus”.

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— “Prezados amigos”, disse Andrew Murray em Chicago, “curvemo-nos bem


baixo e humildemente, com o pensamento de que o grande Espírito de Deus está
aguardando para assumir posse completa. Que mistério! Que bênção! O grande
Espírito de Deus aguardando para tomar posse completa, total, e eu não posso
forçá-lO. Não posso agarrá-lO, mas posso prostrar-me aos pés de meu Deus e dizer:
‘Pai, enche-me com o Teu Espírito’.

Oh! entrega-te desprendido de tudo, rende-te, como Jesus Se deu a Si mesmo na


morte e na sepultura, e lembra-te de que Deus o levantou ao trono de glória, e lhe
concedeu que nos desse o Espírito Santo. Afunda-te na tua nulidade e inutilidade,
no túmulo de Jesus, e Deus te levantará e te encherá do Espírito Santo. Assim tem
Ele feito muitas vezes. Cultivemos, pois, um intenso anseio pela retidão, pela
santidade. Prostremo-nos quanto nos seja possível, e humilhemo-nos diante de
Deus. Não importa que haja questões difíceis, existe a promessa de Deus, o dom de
Deus e o poder de Deus. Espera em Deus e Ele te dará da plenitude do Espírito
Santo. Finalmente, crê! crê! crê! com fé desesperada. ‘Estou convencido de que Deus
pretende encher-me com o Espírito Santo’. Dize-o. Confia na PROMESSA DE DEUS.
Humilha-te, em primeiro lugar, com todo a teu coração, e olha para Deus, e Ele te
dará da plenitude. Que esta seja a bendita experiência de cada um” (The Spiritual
Life, pág. 128).

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QUARTA PARTE

RESULTADOS DO BATISMO COM O ESPÍRITO


SANTO E A SANTIDADE

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CAPÍTULO XVII

EFEITOS DA SANTIFICAÇÃO (I)

“Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto... O juízo habitará no deserto, e
a justiça morará no pomar. O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso
e segurança para sempre” (Isaías 32:15-17). “O amor de Deus é derramado em
nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi concedido” (Romanos 5:5).

Surge a questão: vale a pena obter o “batismo do Espírito Santo?” Vimos que isso
requer alguns problemas para o nosso “velho homem”. Requer auto-humilhação,
rendição, renúncia dos ídolos, submissão da vontade, separação do mundo,
consagração de tudo a Deus, morte para o mundo e para os seus hábitos e gostos —
uma literal crucificação do eu. E muita coisa. A crucificação nunca foi experiência
agradável. Os getsemanes e calvários da alma nunca foram lugares agradáveis. Não
é uma excursão de férias que leva a coroação e entronização da alma, mas uma via
dolorosa. “Aquele que ama a sua vida, perdê-la-á, e aquele que aborrecer a sua vida
(neste mundo), conservá-la-á para a vida eterna”. “Esta e a vontade de Deus, a
vossa santificação”. Vale a pena a vontade de Deus ser feita em nós? O ser
santificado vale tudo o que custa — vale enchermo-nos do Espírito de Deus?
Recompensa Deus amplamente os servos fieis que lhe obedecem implicitamente na
busca da santidade? Mencionemos alguns resultados da plenitude do Espírito.

1 — Amar. O amor de Deus é derramado em nossos corações, como uma tremenda


realidade, E claro que todos os cristãos creem, de modo confuso e vago, que Deus
os ama. Mas para a maioria isso não é mais do que uma tremula esperança, que mal
chega a ser confiança, em que também existe bem pouca exultação. Ora, não seria
necessário dizer que este não é o viver ideal. Nunca esteve nos planos de Deus que
Seus filhos adotivos, comprados com sangue, fossem morrendo a mingua, ao invés
de viver. A fé vigorosa em Jesus deveria ser melodiosa como o cântico dos
pássaros, e cheia de alegria como uma manhã de sol. Surja a perfeita confiança e fé
em Cristo e na salvação completa como um pleno sol sobre a alma: qual não será o
cântico exultante da esperança, e o regozijo de todo o ser no consciente amor de
Deus! Como chegaremos a esse plano espiritual? Qual a mão que nos abrirá a porta

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do reino de amor, dando-nos boas-vindas a entrada principal da bem-aventurança


dos remidos? Por certo, não serão os nossos pobres esforços humanos; se assim
fosse, já estaríamos desfrutando daquelas experiências que ainda hoje nosso
coração desconhece. O apóstolo Paulo, com sua vida espiritual superior e sua luz
de inspiração, indicou o caminho: “O amor de Deus é derramado em nossos
corações, pelo Espírito Santo que nos é concedido” (Romanos 5:5). Diz ele também:
“Ora, o Deus da esperança vos encha de todo gozo e paz, para crerdes que podeis
abundar na esperança, através do poder do Espírito Santo” (Romanos 15:13). E este
batismo do Espírito que faz do amor de Deus uma bendita realidade na alma, do
que resulta a esperança, e paz e gozo, e todos os outros antegozos do céu. A Sua
vinda ao coração traz tais manifestações da natureza divina, tais revelações de
misericórdia e graça, tais demonstrações de afeição infinita, que o pobre coração se
sente cercado. E banhado no amor de Deus. Que a própria experiência dos santos
de Deus elucide esta verdade. Todos os conhecem o sabor dos escritos de Merle
D’Aubgné, através da cristandade tem sido eles “como bálsamo derramado”. Qual
foi a causa disso? Vários anos apos a sua conversão, estando em Kiel, em
companhia do Rev. F. Monod, de Paris, Rev. C. Riell, da Jutlândia, e Klenker,
professor de estudos bíblicos daquela universidade, no decorrer de conversas sobre
as Escrituras o idoso professor recusou-se a entrar numa solução detalhada dos
problemas apresentados, dizendo que o primeiro passo era “firmarmo-nos na graça
de Cristo” e que “a luz que precede dEle dispersará todas as trevas”.
“Estudávamos”, dizia D’Aubigne, “a Epístola aos Efésios, e chegáramos ao fim do
terceiro capítulo. Quando lemos o verseto 20: ‘Ora, aquele que é poderoso para
fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o
seu poder que opera em nós’, — esta expressão caiu sobre minha alma como uma
revelação de Deus. ‘Ele pode fazer, pelo Seu poder’, dizia a mim mesma, ‘acima de
tudo o que pedimos, acima do que pensamos, mais ainda, INFINITAMENTE MAIS
DO QUE TUDO’. Enchia agora a minha alma uma confiança plena em Cristo para a
obra a ser feita em meu pobre coração. Ajoelhamo-nos juntos em oração. Quando
me levantei, senti como se minhas asas se tivessem renovado, e fossem como as da
águia. Minhas dúvidas foram removidas, desfeita a minha angústia, e a paz de
Deus fluía em mim como um rio. Então pude compreender ‘com todos os santos
qual era a largura, e a profundidade, e o comprimento e a altura e conhecer o amor
de Cristo, que excede todo entendimento’. Então pude dizer: ‘Volta ao teu
descanso, a minha alma, pois o Senhor te tem tratado benignamente!’“ Sob a

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influência desse batismo do Espírito, D’Aubigne escreveu a “História da Reforma”,


a mais espiritual que se escreveu fora da Bíblia.

A esposa do Presidente Edwards recebeu o batismo do Espírito Santo em 1742, e


descreve-nos sua própria experiência com estas palavras: “Não encontro linguagem
para expressar quão certo me parecia o eterno amor de Deus; os montes e as colinas
eternas a ele comparados, eram como sombras. Minha segurança, e felicidade, e
gozo eterno do imutável amor de Deus, pareciam-me tão duráveis e imutáveis
como o próprio Deus. Emocionada e dominada pela doçura desta certeza,
entreguei-me a um fluxo de lágrimas, e não podia evitar de chorar alto. A presença
de Deus era tão próxima e real, que me parecia estar muito pouco cônscia de algo
mais. A noite a minha alma parecia estar cheia de amor puro e inexpressivelmente doce
para com Deus e os filhos de Deus, com uma renovada consolação e conforto de
alma, que me fazia desejosa de prostrar-me aos pés dos servos de Deus, declarar o
gracioso tratamento que me dava, e dar expressão à minha gratidão, ao meu amor e
louvor. Durante toda a noite permaneci numa sensação constante, clara e vivida da
doçura celestial do excelente e transcendente amor de Cristo, de Sua proximidade, e
do muito que lhe queria; com uma tranquilidade de alma inexpressivelmente doce,
em complete repouso em Seu seio. Minha alma permanecia num paraíso celestial.
O que eu sentia cada minuto me parecia valer mais do que todo o contorto exterior
e prazer que desfrutara toda a minha vida... Esta exaltação de alma deu lugar a
uma calma celestial e a um descanso de alma em Deus, que era ainda mais sublime
do que tudo o que precedera” (Perfect Love, págs. 132, 133).

2 — Certeza. A plenitude do Espírito traz uma persuasão mais completa. “O efeito


da retidão e certeza para sempre”. Não se dirá mais: “Eu acho que sou cristão, ou
“Espero que seja cristão”, depois que o Espírito fizer a Sua morada permanente no
coração. Haverá confiança e certeza na salvação e Deus. “Ser-me-eis testemunhas”,
disse Deus. Jesus ainda está sendo julgado, bem como a Sua causa e o Seu
evangelho no tribunal de um mundo iníquo. Presumir, achar “esperar que”, são
todos rejeitados no tribunal. Os inimigos de nosso Senhor exigem
peremptoriamente. “Nada de adivinhações; dizei-nos, o que sabeis”. O único
testemunho que merece o mínimo respeito é o da alma que tem experiência
espiritual de significado concreto. Ontem a noite dirigia uma reunião de
reavivamento aqui em Cleveland, Ohio, onde escrevo estas linhas. Um estranho
levantou-se no encerramento e eletrizou o auditório com estas palavras: “Durante

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muitos e longos anos fui um pagão, ímpio e infiel. Mas há cinco anos Deus me
livrou disto tudo, e me trouxe aos pés do Salvador. Agora a alegria da minha vida é
pregar a Jesus todos os dias. Regozijo-me na salvação plena. Creio na santificação, e
sei o que ela significa, bendito seja Deus!” A testemunha não falou muito, mas o
que disse abalou a todos, pois tinha uma experiência. Disse o que conhecia, como
Pedro a multidão em Jerusalém: “Esteja absolutamente certa pois toda a casa de
Israel.” Quem receber o batismo do Espírito, terá um testemunho a dar de algo que
SABE.

3 — Paz. “O efeito da justiça será PAZ”. Ó, que triste falta desta paz, esta santa
calma no coração da maioria dos cristãos! Tantas vidas tem consciência de serem
vitimas desoladas de todas as vicissitudes e circunstancias adversas da vida.
Murmuram, reclamam e zangam-se com todos os desconfortos, incômodos e
decepções. Sua religião e como um riacho de montanha, apressado, agitado e
tortuoso, debatendo-se nervoso e cada pedra a sua frente, explodindo nas curvas
inesperadas, rugindo, borbulhando e espumando, e tudo isso com tão pouca água
quando vem o Espírito Santo, porém, o riacho da vida alarga-se e aprofunda-se de
repente e torna-se aquele mesmo riacho da montanha quando alcançou a planície,
tendo-se tornado um grande rio que corre calmo, mas irresistível, para o mar. Não
foi este o sentido das palavras de Deus, quando disse: “Então seria a tua paz como
um rio, e a tua justiça como as ondas do mar?” Todos nós necessitamos seriamente
de tanta graça que possamos mover-nos como “icebergs” através dos mares da
adversidade sem nos afetarmos com as ondas superficiais, sempre tranquilos,
firmes e calmos, quer os mares estejam calmos, quer tempestuosos. Diz-nos o Dr.
Carradine “que a santificação salvou-o da irritabilidade do temperamento e da
disposição. A regeneração salvou-o de dar vazão em palavras e atos, mas não
eliminou aquele espírito negro e perturbador do coração. A santificação — glória
seja dada a Deus! — e que realizou esta bendita obra interior. As explosões de ira, a
precipitação para as palavras irritadas, as manifestações hostis e belicosas em
pensamentos e palavras — tudo desapareceu num momento pelo poder do bendito
Filho de Deus. O homem no gozo de tal libertação lera João 8:36 com uma alegria e
um reconhecimento que lhe eram estranhos antes: ‘Se pois o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres’. Esta promessa não foi feita a pecadores mas a
cristãos. Todo o homem regenerado conhece o conjunto de circunstâncias que
conspiram para produzir a irritabilidade. Chegar a casa cansado e faminta, com dor
de cabeça, o barulho das crianças, a criada que não veio, o jantar que está atrasado,

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a influência geral sobre a disposição do organismo de um dia frio, nublado e


chuvoso, ou as agruras de um calor escaldante. Eis aí um verdadeiro campo de
batalha onde muitos dos regenerados caem em temporária derrota. E eis ai a vitória
fácil dos santificados. Que situação bendita essa em que o espírito do homem
permanece calmo e amável, interior e exteriormente, no meio de múltiplas
perturbações e aborrecimentos! (Sanctification, págs. 172-174).

A capacidade para suportar equanimemente o que quer que venha de adverso ou


desastroso para nós, e uma bênção bendita do Espírito. Madame Guyon, por
proclamar a doutrina da santificação pela fé, passou cerca de catorze anos como
criminosa nas prisões de França, e uma boa parte deles na Bastilha, com “O
Homem da Máscara de Ferro” passando diariamente pela porta de sua cela. Mas os
muros da prisão não fechavam a sua alma para a luz e a paz de Deus. Atrás das
grades da prisão ela escreveu: “Passava o meu tempo em grande paz, e continuaria
feliz mesmo se soubesse que ficaria o resto de minha vida ali se fosse a vontade de
Deus. Eu entoava cânticos de alegria, e a criada que me servia os aprendia de cor a
medida que eu os compunha, e juntas cantávamos ‘os Teus louvores, ó meu Deus!’
As pedras de minha prisão me pareciam como rubis. Dava-lhes mais valor do que
todo o brilho fútil do mundo. Meu coração estava cheio daquela alegria que ‘dás
aos que Te amam’ no meio dos maiores sofrimentos”.

Eis um de seus hinos, em que descreve a paz celestial de que desfrutava sua alma:

Nada mais sou que simples avezinha,


Do céu azul, dos campos exilada;
Aprisionada nesta terra, canto
Glórias Aquele que me aprisionou,
Muito feliz de estar no cativeiro,
Porque feliz es Tu me vendo assim.

Eu nada mais tenho a fazer, senão


Louvores entoar todos os dias
Para agradar Aquele a quem mais amo,
Pois Ele tem prazer no meu cantar;
Prender-me quis, privando-me das asas,
Mas inclinado a mim, me ouve cantar.

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Oh! como e bom alçar-me ao azul, ao céu,


Voar acima destas grades todas,
Voar pra Aquele que me destinou,
Voar, para o infinito logo mais,
Enquanto aqui na terra já desfruto
Do gozo e liberdade de minha alma.

(Veja Double Cure, pág. 16, e Baptism of the Holy Ghost, págs. 93-94).

O apóstolo Paulo tinha esta mesma paz imperturbável após ter recebido o Espírito
Santo, de sorte que podia dizer: “Quando somos injuriados, bendizemos; quando
perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação”. (I
Coríntios 4:12-13); “nada destas coisas me perturba”; “Pelo que sinto prazer nas
fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angustias por amor
de Cristo; porque quando sou fraco, então e que sou forte” (II Coríntios 12:10); e
“Eu aprendi a viver contente em toda e qualquer situação’’ (Filipenses 4:11). Oh,
quando se tornarão os cristãos tão “cheios do Espírito”, que a “paz de Deus, que
excede todo entendimento, conservara seus corações e mentes, por intermédio de
Jesus Cristo” (Filipenses 4:7)? “Nunca mais lhes servira o sol para a luz do dia, nem
com o seu resplendor a luz os alumiara; mas o Senhor será a sua luz perpetua, e o
seu Deus a sua glória” (Isaías 60:19).

4 — Autocontrole. Aos que obtém a plenitude do Espírito Santo, e prometido um


autocontrole todo especial, e uma equanimidade divina, inteiramente
desconhecidos do homem natural, e que não podem ser destruídos nem pela
enfermidade, nem pela doença, nem pela dor. Daremos alguns exemplos de casas
extremos apenas, que mostrarão de sobejo a verdade em toda a sua gloria. O autor
estava ao lado de uma estimada cristã, vitima de reumatismo ciático, de caráter
agudo, quando ela disse: “E como se uma verruma em brasa estivesse perfurando,
ao longo de toda a linha dos nervos. A dor é tão martirizante que não posso
impedir que me venham lágrimas aos olhos porém nunca fui tão feliz em Deus, e
nunca senti graça tão constante em minha vida.” Outro exemplo foi dado por um
ministro, a respeito de sua mãe: “Gostaria que vísseis minha mãe. Para dar-vos
uma ideia do monumento de graça que ela é, mencionarei que, no começo de sua
vida, era muito amada pelos que a educavam, ficando criança mimada. Possui a um
mau-gênio dos piores e mais incontroláveis que já conheci. Em anos passados, ficou
completamente confinada ao leito, devido a prostração nervosa. Durante a primeira

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parte deste período, parecia mesmo que ninguém poderia tomar conta dela, ou
suportar suas contínuas manifestações de irritabilidade, impaciência, impertinência
e ira furiosa. No próprio leito ficou plenamente convencida de que poderia ter
perfeito repouso, paz e autocontrole, através da graça e do batismo do Espírito.
Aplicou todo o seu coração a conquista desse estado ideal. Seu fervor de espírito e
sua sinceridade em oração eram tais, que os amigos julgavam que fosse ficar
desequilibrada, e insistiram para que cessasse a busca e a oração. ‘Morrerei no
esforço’, respondeu ela, ‘ou obterei o que sei que está reservado para mim’. Por fim,
o batismo veio mansamente sobre ela. Daquela hora em diante, não houve a mais
leve indicação sequer de remanescentes daquele mau gênio. O sossego e a
segurança de minha mãe tem sido perfeitos, e sua mansidão de espírito, ‘como
unguento derramado’. Cuidar dela agora não era mais problema para ninguém,
mas privilégio para todos. Muitos chegam a vir de longe para ouvi-la falar. Da hora
do batismo até a da morte, aquela inefável doçura de temperamento jamais foi
interrompido por um momento sequer. Eu testemunhei a cena final. Morreu de
cólera, e na maior agonia concebível. Entretanto, jamais julguei possível tanta
paciência, serenidade de esperança, e tranquila expectativa pela vinda do Senhor,
‘Meu filho’, ela disse, ‘a natureza travou uma luta árdua; porém logo tudo estará
terminado, e eu entrarei no descanso reservado para o povo de Deus.”

Foi este batismo do Espírito Santo que tornou tão gloriosa a era dos martírios da
igreja. “Por causa da estranha e maravilhosa coragem e força”, diz Lactâncio,
“vamos sendo aumentados em número; pois, quando os outros veem homens feitos
em pedaços por uma variedade infinita de tormentos, assim mesmo mantendo
inconquistável paciência, e sendo capazes de cansar os seus atormentadores,
começam a pensar que o comum acordo de tantos, e a perseverança dos
moribundos, não podem ser em vão; e que a própria paciência, se não fosse por
Deus, não duraria muito sob os tais tormentos e torturas. Ladrões e homens de
corpos robustos não são capazes de suportar esses dilaceramentos; gemem e
gritam, e são vencidos pela dor, porque não dispõem da paciência divina; porém,
até as nossas mulheres e crianças (para não falar dos homens), vencem com seu
silêncio os atormentadores; e o maior calor do fogo não consegue arrancar deles o
menor gemido.” Os locais dos martírios tornaram-se lugares santos de vitória e
triunfo; ali se convertiam à odiosa fé números cada vez maiores, até que os
imperadores romanos foram forçados a proibir a execução pública dos santos de
Deus. (Baptism of the Holy Ghost, pág. 82). “Pelo poder do Espírito”, diz Mahan,

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“podemos governar nossos próprios espíritos, Tudo podemos através de Cristo,


que nos fortalece”. Sim, não existe temperamento, apetite, paixão ou circunstâncias
que este batismo não possa subjugar, e converter em calma sobriedade, paz e amor.

5 — Consciência sensível. O Espírito Santo no coração produz notável sensibilidade


de consciência, antes inteiramente desconhecida. O autor é agora afastado por este
Monitor interior de coisas sobre as quais nunca se preocupara antes. E coisas com
que antes transigia, nem ao menos indagando se convinham, de repente se
tornaram desagradáveis, e até positivamente penosas. O Espírito que em nós habita
leva a alma que o recebe a renunciar com alegria a uma longa lista de coisas
duvidosas, e a, “evitar a própria aparência do mal”. Palavras e hábitos que antes não
pareciam ter qualquer influência moral, assumiram insuspeitada importância. Há
uma reavivada percepção da presença do adversário em coisas com ar tão
inofensivo, que não despertavam antes a menor suspeita de desagradarem a Deus,
ou oferecerem perigo a alma. Tornamo-nos estranhamente cônscios da
proximidade do perigo, onde o perigo era antes a coisa menos suspeitas. De todos
os lados me chegam testemunhos de que este é o caso de muitos. Durante anos os
cristãos fazem, sem perguntar, coisas que, de repente, após a vinda do Espírito,
verificam serem docemente constrangidos a não fazer, e que sabem não poder fazer
sem ofender O Espírito que neles habita. São do Dr. Steele estas palavras notáveis:
“É uma cota de malha entre as flechas da tentação. Por isso, a definição mais
extensa da perfeição cristã se acha em Hebreus 5:14: ‘Mas o alimento sólido é para
os adultos (os perfeitos), para aqueles que, pela prática (hábitos), tem suas
faculdades (espirituais) exercitadas para discernir não somente o bem, mas também
o mal’. O amor é o meio pelo qual o olho espiritual discerne claramente. Se não for
o amor esse próprio olho, como sugere São João: ‘Aquele que não ama a seu irmão,
não conhece a Deus’. O amor sempre crescente é discernimento espiritual crescente
quanto a verdadeira natureza, boa ou má, de cada circunstância, caso ou objeto que
se apresente a experiência. É inestimável o valor de uma percepção moral correta e
sensível. É o dom do Espírito Santo, aperfeiçoado e intensificado pelo uso. Opina o
Dr. Whewell, distinto filósofo moralista, que a nossa faculdade de discriminação
moral pode tornar-se tão aguda, a ponto de discernir elementos morais em atos
considerados moralmente indiferentes, como nestas perguntas: Irei de carro a
cidade, ou a pé? Usarei botas ou sapatos, luvas ou mitenes? Levarei guarda-chuva,
ou me exporei ao risco da chuva? Se existe um elemento moral no fundo de todas
estas escolhas, aparentemente triviais, é evidente ser propósito de Deus que

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adquiramos perspicácia espiritual de agudeza suficiente para discerni-lo. Mas a


percepção moral não é um fim em si mesma; e um meio para atingir um fim —
conduta correta e caráter santo, ‘para que possais ser sinceros e irrepreensíveis no
dia de Jesus Cristo’“ (Half Hours, págs. 28, 29).

Satanás está perpetuamente aqui, com usas douradas tentações, lançando


armadilhas aos nossos pés. Quantas vezes os bons são atraídos, tornam-se cegos e
desviam-se da verdade sabedoria e da retidão. Quantas vezes os mais fervorosos e
bem-intencionados perdem o rumo no labirinto dos negócios humanos, e cometem
erros e desatinos graves, os quais, em seus efeitos, são quase iguais a crimes.
Satanás enganaria se possível, os próprios eleitos. Somente o Espírito de Deus pode
nos capacitar para receber os insuspeitos males, sondar suas mais sutis artimanhas.

6 — Apreensão da Verdade. O Espírito Santo, vindo ao coração com o poder


pentecostal, há de gerar nele uma apreensão clara e uma apreciação justa das
verdades da Bíblia. Jesus mesmo disse: “O Espírito Santo, a quem o Pai enviará em
meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos
tenho dito” (João 14:26).

O Apóstolo Paulo nos diz que os mistérios da sabedoria de Deus são “revelados a
nós pelo seu Espírito; pois o Espírito perscruta todas as coisas, até mesmo as
profundezas de Deus” (I Coríntios 2:10). Não será esta a sugestão mais enfática —
de que necessitamos da iluminação do Espírito Santo para compreender a Palavra?
Muita coisa há nas Escrituras que o intelecto desajudado nunca descobrirá, nem
gozará ou compreenderá. É o Livro do Espírito, e tem, no Espírito o seu melhor
Comentador e Intérprete. “Enquanto”, diz o Dr. Whedon, “possuirmos o santo
crisma (a unção), aderiremos ao Cristo santo”. Observa com justeza o Dr. Steele:
“Todos os que têm a unção, conhecem e honram Cristo, o ungido. Ninguém que
fala pelo Espírito de Deus diz, Jesus é anátema; e ninguém pode dizer que Jesus é o
Senhor, senão pelo Espírito Santo. A doutrina da suprema divindade de Cristo,
revelada a alma somente pela unção, protege as outras doutrinas do sistema
evangélico. A unção do Espírito Santo é a estrada principal para todo
conhecimento. Isto é especialmente verdade quanto a compreensão da teologia. Por
isso, o Espírito Santo é o único conservador de ortodoxia. Os anjinhos (anéis de
ferro para tortura) como substitutos são um fracasso estupendo, como foi provado
pela história terrível da inquisição. As frouxas doutrinas do liberalismo insinuam-
se nas igrejas que não honram a Terceira Pessoa da adorável Trindade, a não ser

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com os lábios, pois seus corações desconhecem Sua presença no interior deles.
Afastar-se do Espírito antes ou agora, sempre significa afastamento dos padrões
evangélicos” (Half Hours, pág. 120). Diz-nos Samuel Rutherfoord: “Se queres ser um
teólogo profundo, recomendo-te a santificação”. O racionalismo alemão e todos os
seus arremedos na Inglaterra e na América, e todo o liberalismo semi-infiel que está
paralisando a vida da igreja hoje em dia, são coisas de que não teríamos notícia se
todo o ministério e os instrutores teológicos fossem guiados pelo Espírito e cheios
dEle. A única coisa que poderá salvar as nossas igrejas desta avassalante onda de
ideias frouxas, e voltar à fé e à experiência do pentecostes. Diz o Rev. A. B.
Simpson: “É maravilhoso como o espírito inexperiente, em pouco tempo pelo
simples toque do Espírito Santo, se encherá do mais profundo e bíblico
conhecimento de Deus e do plano da salvação através de Cristo. Conhecemos uma
pobre moça, salva de uma vida infame e com pouquíssima instrução, que em
poucos dias elevou-se à mais extraordinária familiaridade com as Escrituras, e com
todo o plano da redenção através da simples unção do Espírito Santo.
Simplesmente entregamos a Deus o nosso Espírito, para que o possa conhecer, e Ele
nos enche com Sua luz e revelação” (Wholly Sanctified, págs. 60, 61).

7 — Poder da Palavra. O Espírito Santo, enchendo e santificando a alma, da uma


facilidade de expressão aos lábios, para dizer o que Deus quer que Suas
testemunhas digam, e um toque especial de vida, o qual torna a mensagem
assimilável. Moises não confiava em sua capacidade de ser o porta-voz de Deus:
“Então disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor, eu nunca fui eloquente, nem outrora,
nem depois que falaste ao teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua.
Respondeu-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? ou quem faz o mudo e o
surdo ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? vai, pois, agora, e eu serei com
a tua boca, e te ensinarei o que hás de falar” (Êxodo 4:10-12). Jesus fez promessa
semelhante aos Seus discípulos: “Pois eu vos darei boca e sabedoria a que nenhum
de vossos adversários será capaz de contradizer ou resistir” (Lucas 21:15). Não
haveriam de embaraçar-se, nem se confundiria o seu pensamento. E quer dissessem
muito, quer pouco, quer falassem bem ou mal, Deus os usaria para a Sua glória.
Certo cristão, cheio do Espírito Santo procurava a conversão de um incrédulo.
Encheu a mente de argumentos contra a incredulidade, e foi visitá-lo, esperando
dissuadi-lo da descrença. Quando chegou à casa do homem, Deus bondosamente
tirou-lhe da mente todos os argumentos vãos, de sorte que não pode lembrar-se de
nenhum deles. Colocou a mão sobre os ombros do incrédulo e chorou e pode dizer

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apenas: “Meu prezado irmão, estou preocupado com o destino da tua alma”. Saiu
cheio de confusão por causa do seu fracasso; Deus, porém usou-o para a conversão
do infiel. O método escolhido por Deus foi o melhor meio de atingir-lhe. O coração.
O Rev. S. J. Wilson, D.D., ao fim de quinze anos de pastorado na Igreja
Presbiteriana de Pittsburg, para ser professor do Seminário Teológico de Allegheny,
deu este testemunho: “Quando me curvei a Deus na minha fraqueza, nunca fui
abandonado; mas quando confiei na minha própria sabedoria e forças, fui sempre
malogrado. Mais de uma vez cheguei a este púlpito sem um texto ou sermão; mas
quando vinha no espírito adequado, (com o poder do Espírito Santo), conduzia-me
com agilidade; enquanto que, se confiava em linhas de pensamentos
esplendidamente elaboradas, caminhava tão pesado como os carros sem roda de
Faraó no Mar Vermelho. Os anos em que a minha pregação foi menos bem cuidada,
mais improvisadas e, segundo o meu próprio julgamento e crítica, mais sem valor,
foram os anos em que colhemos os frutos mais abundantes, enquanto que o ano em
que preguei os sermões mais pretenciosos de meu ministério, foi aquele em que
houve menos conversões. Quando eu pregava com uma espécie de satisfação
intelectual, nunca ouvia falar em bons resultados; mas quando pregava tão mal que
tinha vergonha de olhar para a congregação ao pronunciar a bênção, vinha a saber
que almas tinham sido salvas através dos sermões. ‘Porque quando sou fraco, então
e que sou forte’. A ilustração acima não é estímulo para a ociosidade; mas de fato
ensina que o Espírito Santo é a grande fonte de confiança do pregador, e que ele
deveria pregar contando com o apoio de Deus. “Certo irlandês, católico romano
intolerante, teve oportunidade de tomar refeições em casa de família cuja mãe
‘caminhara durante anos na luz de Deus!’ Desde a infância este homem aprendera e
acreditara que fora da Igreja-mãe é impossível a salvação’. Todavia, sua atenção foi
logo atraída pelo espírito peculiar e pela conversação santificada daquela mulher.
Era frequente ficar após as refeições para conversar com ela a respeito de Cristo, da
pureza cristã e do céu. Um dia, ao fim de uma dessas palestras, disse ele: ‘A
senhora irá para o céu antes de morrer’. Era um homem tão profano e ímpio quanto
intolerante entretanto, o caráter daquela senhora era tão bondoso que a mente dele
não podia deixar de reconhecer que era extraterreno e divino e ela se encaminhava
para o céu” (Baptism of the Holy Ghost, pág. 92). Um jovem converso, sem nenhuma
instrução, foi recomendado ao irmão Torrey, de Chicago, como quem pudesse ser
convidado a falar numa de suas reuniões na cidade. Torrey pediu ao rapaz que
pregasse em certa reunião, na tenda onde uma semana antes, uma multidão de

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intolerantes os assaltara. Torry diz que não observou nada de especial no sermão,
senão erros crassos de gramatica, Contudo, ao final daquele discurso rude e cheio
de erros, de todas as partes da tenda pessoas se levantaram pedindo que se orasse
por elas. Era o poder do Espírito Santo, não o poder da sabedoria ou eloquência
humana, mas o poder de Deus. Ultimamente nem dois ou três livros sobre uma
empregada australiana que buscou e obteve a bênção do Espírito e depois mudou-
se para lugares distantes onde trabalhava em serviços domésticos, para pessoas
completamente desconhecidas. Escreveu para a Inglaterra o seu pastor’ “Ao ouvir
as observações daquela jovem na classe e nas reuniões de oração, um fato
impressionava profundamente o meu espírito, isto é, ela estava possuída, de um poder
que eu não tinha. Por fim, essa impressão se tornou tão profunda, que eu me dirigi a
ela pedindo que me contasse o segredo da vida divina que ela vivia. Ao ouvi-la, e
percebendo claramente minha própria deficiência e necessidade, busquei e obtive o
‘revestimento do poder do alto’. O resultado foi uma revolução total na minha
igreja, que ganhou entre seiscentos e setecentos novos membros e a obra do Senhor
continua progredindo, de força em força”. A nova vida espiritual não podia deixar
de revelar-se mesmo numa humilde criada, e operou como fermento divino, até
que toda comunidade começou a dirigir os olhos ao céu.

8 — Coragem. O Espírito Santo enchendo a alma, comunica-lhe uma coragem santa,


que normalmente não lhe pertence. Pedro foi um mísero covarde diante da criada;
no Pentecostes, foi intrépido como um leão. Era coragem divinamente comunicada.
“Paulo e Barnabé falavam ousadamente” diante dos invejosos e blasfemos
perseguidores de Antioquia. As almas mais tímidas e mansas já não temem a face
do homem quando cheias do Espírito Santo. Milhares sem conta em nossas igrejas
não sabem falar de Jesus Cristo, nem dirigir orações; nem falar a ninguém sobre
suas almas, por causa de um medo servil dos homens. O batismo santificador do
Espírito Santo extirparia todo esse temor.

A dileta irmã Amanda Smith, a evangelista negra a que já nos referimos, diz: “Eu
tinha tanto medo dos brancos que não podia falar diante deles, mas vindo o
Espírito, tirou de mim todo esse medo”.

O Presidente Mahan conta-nos de Anna Fothergill, da Inglaterra, uma das


mulheres mais modestas, reservadas, recatadas que conheceu. Dizia ela:
“Naturalmente, a minha timidez era ridícula”, mas esta criatura tímida buscou e
obteve o “Batismo do Espírito Santo”, e então o seu lema, dado por Deus, foi: “O

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que quer que Ele te diga, faze-o”. Logo depois, num culto entre sua própria gente,
os “Friends” ‘(Amigos), sentiu-se impelida a contar o que o Senhor tinha feito por
ela. Imediatamente surgiu a timidez natural, e na aparência a tarefa se tornou
impossível. Sentou-se em silêncio, e elevou a Cristo uma oração, para que lhe
tirasse o medo. Num instante, sentiu que a oração fora respondida. Logo em
seguida levantou-se, e, com perfeito domínio de si mesma, eletrizou o auditório
com seu testemunho. A seguir entregaram-lhe uma classe bíblica feminina, e em
poucas semanas todas se converteram. Depois, pediram-lhe que tomasse conta de
um grupo de quarenta meninos em plena adolescência, tão rebeldes e
incontroláveis, que se deliberou expulsá-los da escola dominical. Já na primeira
aula, conquistou a atenção de todos durante uma hora, e na terça-feira à noite, um
deles, tendo ido a sua casa para conversar sobre o evangelho converteu-se. Na
semana seguinte, converteram-se seis. Não demorou que o “bando do terror”,
como eram chamados, se tornasse um devoto grupo de oração. Traziam outros, e
enchiam as salas, que “ficavam repletas de convertidos e interessados”. Procuraram
um salão maior, e ela teve de organizar outra reunião semanal para as moças:
depois ainda, uma para as crianças; e finalmente uma reunião semanal para as
pessoas de idade. Em cinco anos, houve mais de quinhentas conversões em suas
reuniões. Disse dela um cavalheiro em Nottingham: “Há algo de misterioso
naquela jovem. Sua voz fraca, seus modos são os mais despretensiosos e simples
que se imaginem. Entretanto, enquanto o seu poder para atrair os crentes a vida
superior, é grande, os impenitentes parecem impotentes para resistir a verdade
como ela a apresenta.” (Autobiography, págs. 422-424).

Nem todos os que recebem o batismo santificador serão iguais serão iguais a Annie
Fothergill, mas todos hão de receber uma santa unção para serem testemunhas de
Cristo. Poder para PROFETIZAR — isto é, “falar aos homens para consolação,
exortação e edificação” com persuasão divina, com um fervor apropriado à causa e
a ocasião — esta será a experiência dos que recebem o grande dom de Deus. Tal
poder não fica, nem pode ficar oculto. Deus concede a maravilhosa bênção não para
ser um luxo particular, porém “para ser proveitosa também”, e se não for usada
para ele, será logo retirada. Todavia sem a menor perda de modéstia ou graça
feminina e meiguice uma coragem santa suplantará toda a fraca timidez
exterminando o indigno medo da face do homem. Deus não admira a fraqueza ou a
boca muda do homem ou da mulher, na presença dos seus inimigos.

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9 — Perda das ambições desordenadas. A plenitude do Espírito retira aquela inquieta


ambição, o desejo impróprio de posição poder e fama, e coloca em seu lugar o
anseio de ser útil no serviço. Os discípulos tinham esses sentimentos indignos, e
chegaram a disputar as primeiras posições no reino, enquanto o seu Senhor e
Mestre, naquela mesma hora, estava a caminho de Jerusalém para ser crucificado.
Com infinita paciência e misericórdia, Ele os repreendeu dizendo: “Aquele que
disser ser o maior, seja o servo de todos. Pois mesmo o Filho do homem não veio
para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em favor de muitos” (Mateus
20:27-28). Em outras palavras, a verdadeira grandeza consiste em GRANDEZA DE
SERVIÇO. Quando o batismo do Espírito veio, foi-se dos discípulos aquele penoso
comichão pelos primeiros pastos; em seu lugar, passaram a ter uma paixão cristã
pela eficiência no serviço. Como primeiro resultado da vinda do Espírito Santo
sobre sua alma, o Rev. J. O. Peck menciona: “Já não tenho ambições ou planos, ou
propósitos, que não sejam formados no desejo de glorificar a Deus. Ao meu serviço
não faltam defeitos enganos, deficiência, mas o propósito de minha vida tem sido
agradar a Ele”. Escreve o Dr. Carradine: “A santificação extermina a ambição não
cristã; faz-nos dispostos a ser ignorados, esquecidos e desconhecidos. Cessa a febre
de posição e proeminência. Os olhos não se fixam mais em certas honras,
promoções, nomeações e postos elevados; Insinua-se uma luz que nos revela quão
insatisfatórias são tais coisas, e a natureza se enche de uma vida que dá a alma algo
melhor em que pensar e pelo que lutar. Todos os sonhos naquela direção se
encerram. A oração agora, e a esperança não são ‘para a mão direita ou esquerda’
do poder, mas para ficar onde Maria ficava, aos pés de Jesus” (Sanctification, pág.
170.)

10 — Paixões pelas almas e plenitude da vida. O batismo com o Espírito Santo concede
uma duradoura plenitude de vida espiritual, caracterizada por grande PAIXÃO
pelas almas. Diz o Dr. Peck: “Tenho tido maior amor pelo meu trabalho. Sempre o
amei intensamente, mas agora parece possuir-me. A salvação dos homens perdidos
tem sido uma paixão. Amo a obra com uma afeição apaixonada”. David Brainerd
disse a respeito de si próprio: “Não me importava onde ou por quais dificuldades
passasse, contanto que pudesse ganhar almas para Cristo. Dormindo, sonhava com
estas coisas; quando acordava, meu primeiro pensamento era esta grande obra.
Todo o meu desejo era a conversão dos pagãos, e toda a minha esperança estava em
Deus”. John Smith, o poderoso pregador wesleyano, da Inglaterra costumava dizer:
“Tenho o coração despedaçado; não por mim mesmo, porém por causa dos outros.

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Deus me deu tal visão do valor de almas preciosas, que não posso viver se não vejo
almas sendo salvas. Oh! dá-me almas ou eu morro!” Sobre Alleine autor de The
Alarm to Unconverted Sinners (Alarme aos Pecadores Não Convertidos), conta-se que
“era infinita e insaciavelmente desejoso da conversão de almas; e para isso
derramava o seu próprio coração em oração e pregação”. Disse Bunyan: “Na minha
pregação, eu não me satisfazia se não aparecessem alguns frutos do meu trabalho”.
Doddrige escrevia a um amigo; “Anseio pela conversão de almas e este sentimento
é superior a tudo mais. Julgo que posso não apenas trabalhar por isto, mas também
morrer com prazer”. Disse Whitefield: “Ó Deus, dá-me almas ou tira a minha alma.
Deus tem o Seu coração voltado para a conversão de pecadores. Foi a paixão de
Jesus pelas almas que o levou ao Calvário para que “buscasse e salvasse os
perdidos”. Quem quer que seja batizado com o Espírito Santo, terá semelhante
paixão pelas almas. Ministro ou leigo, homem ou mulher, sentirão esta paixão para
ganhar os perdidos, pois é o espírito (mente) de Cristo”. Uma senhora ouvia o autor
pregar no ano passado, e orava com muito fervor pelo Espírito e por esta paixão.
Dois ou três meses depois ele lhe disse: “Eu antes não gostava de pecadores à
minha volta; agora tenho tal paixão por suas almas, que me parece a única coisa
pela qual vale a pena viver”. Esse foi o natural trabalho do Espírito Santo em seu
coração.

“Qual e o remédio”, pergunta o Dr. Cuyler, “para piedade espasmódica, esta infeliz
alternação de reavivamento e declínio, de chuvas abundantes, e de secas estéreis?
Decretou Deus que o Seu povo minguasse como ribeiros de verão, e é esta a
condição normal da igreja que Cristo redimiu para Si mesmo? Não existira uma
plenitude divina para conservar o crente cheio até a borda, fazendo a igreja fluir
constante como as correntes majestosas do Niágara?”

— “Sim,” diz o Presidente Mahan, “há um remédio conhecido pleno, completo e


permanente ‘para esta piedade espasmódica, periódica, esta infeliz alternação de
reavivamento e declínio, de chuvas abundantes e secas esterilizantes’. Os apóstolos
solucionaram esse problema de firmeza, pois toda a vida, e nos revelaram a
solução, para que nos ‘revestíssemos de poder permanente’, este soberano remédio
do Pentecostes; e o haveremos de achar se ‘esperarmos pela promessa do Pai’,
como eles fizeram” (Autobiography, pág. 425).

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CAPÍTULO XVIII

EFEITOS DA SANTIFICAÇÃO (II)

11 — Maior dependência de Deus. Já me referi ao fato de que este batismo santificador


do Espírito Santo induz a mais humilde dependência de Deus. Foi o apóstolo Paulo
santificado, e possuído do Espírito Santo, que humildemente disse: “Não vivo mais
eu, porém Cristo vive em mim”. “Nossa suficiência vem de Deus”. “Posso todas as
coisas por Cristo, que me fortalece”. Aquele sentimento do grande apóstolo, de que
todo o seu poder e suficiência, e glória da vida espiritual eram derivados do
Salvador nele habitando, e o sentimento natural de um homem santificado. Já
citamos estas palavras de Phoebe Palmer: “Jamais conhecera o significado da
humildade... Vi então como, de mim mesma, não era suficiente nem para formular
um pensamento justo, muito menos realizar uma ação justa. Das profundezas de
minha alma, clamei: ‘A cada momento, Senhor, necessito do mente de Tua morte.”
Diz o Rev. Dr. Levy: “Reavivou-se grandemente o meu senso de indignidade. Senti-
me tão pequeno, tão fraco, tão absolutamente nada, que já não podia orar no
santuário, como fora meu costume, de pe, Queria desaparecer mais e mais, desejo
que me trazia estranho prazer”. O piedoso irmão da igreja dos amigos, David B.
Updegraff, escreveu: “Em mim, e de mim mesmo, não sou mais santo nem mais
forte do que antes. Aprendi, porém, que este maravilhoso batismo do Espírito
Santo e o segredo da estabilidade, bem como do êxito, do caráter cristão. Sua
presença constante no intimo perpetua uma disposição para fazer a vontade de
Deus”. A Sra. Hannah Whithall Smith diz que, depois de receber o Espírito Santo,
“quando a tentação vinha, não procurava domina-la eu própria, mas entregava-a
logo a Ele, dizendo: ‘Senhor Jesus, salva-me deste pecado. Eu não posso salvar-me,
mas tu podes, e salvarás, e eu confio em Ti”. E Frances Ridley Havergal: “Quero
afirmar precisamente que e somente quando, e enquanto conservados pelo poder
do próprio Deus, que não pecamos contra Ele; um instante que fiquemos sós, e a
queda é certa!” O confessor de santificação, que se jacta de sua própria bondade, é
uma alma iludida. Nenhum coração é tão perfeitamente humilde, e
conscientemente dependente do Cristo santificador de momento em momento,
como o daquele que está realmente “cheio do Espírito” e “santificado”.

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12 — Crescimento na Graça. O Espírito Santo purificador, vindo ao coração, tornará o


crescimento na graça tão natural, como o crescimento físico de uma criança.
Permiti-me repetir aqui que o grande crescimento da alma a maturidade cristã vem
após o dom, santificador do Espírito Santo, não o precede. Ninguém alcança a
santidade pelo crescimento; crescemos, porém, maravilhosamente, após recebê-la.
Quero escrever isto com ênfase, pois hoje mesmo ouvi um grupo de ministros dizer
que os crentes podem alcançar a santidade pelo crescimento. Isso só é contrário à sã
filosofia, e contrário à justa teologia, contrário às Santas Escrituras, e ao testemunho
universal dos homens. Crescimento é desenvolvimento gradual da natureza, tal
qual é. A lei do crescimento está expressa no 1° capítulo de Gênesis, “tudo segundo
a sua espécie”. “Seis mil anos de observações documentadas não nos deram uma
única exceção a esta lei. O crescimento e o acumulo gradual das partículas que
constituem o animal ou a planta ao serem formados, e diz respeito ao aumento nas
proporções, mas não a qualidade de qualquer substancia. A doutrina da santidade
por crescimento envolvida em dificuldades por outra deficiência — o crescimento
nunca muda as relações de pessoas ou de coisas. A lei da preferência ao primeiro
ocupante. Nunca se semeia o trigo na floresta para remover o mato que cresceu ou
desenraizar os carvalhos gigantescos, que ocupam o solo por direito de herança.
Não consta na historia do mundo um único exemplo de deslocamento por
crescimento. O pecado (‘que em nós habita — ‘a mente carnal’, a depravação) é
nativo da alma humana. Embora seja um usurpador, tem primazia na alma por
hereditariedade; e seria tão fácil deslocar a floresta brasileira pela aromática
magnólia das margens do rio Mississippi ou extirpar a floresta primitiva da
América do Norte, transplantando para o seu seio as palmeiras majestosas do
deserto da Síria, como extirpar o pecado do seu solo nativo pelos mais refinados e
elegantes processos de cultura. Por mais vigoroso que seja o crescimento da vida
espiritual, se o pecado, na forma de depravação ou impureza nativa, permanece na
alma depois da conversão, mesmo que seja, conservado num estado de supressão,
não poderá ser eliminado pelo crescimento” (Elim To Carmel, págs. 184, 185). Vá ao
seu jardim na primavera, revolva a terra e plante algumas sementes de flores. Esse
ato de lançar a nova semente pode representar a obra da regeneração. Logo
aparecerão as plantinhas das flores; mas entre elas estarão também algumas ervas
daninhas, e elas estavam primeiro na terra. Isso pode representar a “natureza
carnal”, “a carne”, “o pecado intrínseco”, dos quais Paulo fala tanto. Agora, passe a
regar as flores e carpi-las, e adubá-las, e crescerão um pouco, mas no mesmo solo, e

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lado a lado com as flores, está o mato inútil, a erva daninha, que se apega e se
aprofunda nele também, sendo igualmente regados e carpidos. De modo nenhum o
crescimento das flores erradica as ervas daninhas; afinal de contas o destino das
flores é duvidoso. Paulo não ensinou esta mesma verdade quando escreveu aos
gálatas: “A carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são
opostos entre si para que não façais o que porventura seja do vosso querer”
(Gálatas 5:17)? As flores não desarraigam as ervas daninhas pelo crescimento; mas
a força exterior da mão do jardineiro pode arrancar e destruir por completo as ervas
daninhas. Aí, então, as flores absorverão toda água, e orvalho, e força do solo, e sol
e cultura e crescerão como nunca antes. A erradicação do mato e uma figura da
santificação. O batismo com o “Espírito Santo, e com fogo” consome, “expurga”,
“limpa”, “purifica” a alma do pecado que em nós habita; “crucifica a carne, com as
suas paixões”, como Paulo escreveu aos gálatas. E então, “se vivemos pelo Espírito,
pelo Espírito também andemos”. “Mortos para o pecado, e vivos para a justiça”,
“vivendo pelo Espírito” e “caminhando pelo Espírito”, o “fruto do Espírito” terá
oportunidade de crescer e adornar a alma. O crescimento é adição e multiplicação;
a santificação e a subtração que Deus faz, da natureza do homem, de um elemento
que este não pode eliminar pelo crescimento.

A ideia, da posse da santidade pelo crescimento é contrária à sã teologia.


Crescimento é processo gradual. A Bíblia sempre descreve a santificação como um
ATO. Crescimento é obra humana — tem a duração da vida. O santificador
“batismo com o Espírito Santo e com fogo” é ato de Deus, concedido tão
repentinamente hoje em dia, como na manhã do Pentecostes. A obra de limpeza e
purificação do Espírito Santo foi feita instantaneamente em todos os casos
registados nas Escrituras. Não existe na Bíblia a ordem, ou o pensamento de
“tornar-se santo por etapas”. “Seria inútil falar de impiedade que evoluciona em
santidade”. É Deus que santifica. ‘Eu sou o Senhor que vos santifica’ (Êxodo 31:13).
Uma, graça que já possuímos pode desenvolver-se através da instrumentalidade
humana, mas nós mesmos nada podemos criar. Deus nos ordena ‘crescer na graça’,
mas nunca manda que cresçamos para dentro da graça. Somos divinamente
introduzidos a uma graça, e crescemos depois de já estar nela!’ (How They Grow, pág.
28).

E ainda, os que testificam da santificação são todos contrários a teoria de


crescimento. John Wesley relata que, com toda a sua cuidadosa pesquisa, nunca

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encontrou uma alma que testificasse ter alcançado a cobiçada bênção por
crescimento. Diz o Rev. Isaiah Reid, que escreveu um valioso opúsculo sobre o
assunto: “Os que possuem esta graça e a confessam não são os que chegaram a
obtê-la pelo método da graduação. Por outro lado, seu testemunho universal é que
a obra foi instantânea, e pela graça, através da consagração e da fé. Os que creem
que chegarão a experiência pelo crescimento, estarão sempre num trem atrasado.
Eis as provas de que nossa conclusão é correta:

“(1) Atestam-no pessoas de todas as idades, e em todas as denominações. (2)


Submetemos à prova a questão em reuniões após reuniões, em grande número e
nunca achamos ninguém que estando na posse da graça da santificação completa, a
tivesse alcançado por crescimento. (3) Todos estes gradalistas, estão num estado de
crescimento, e por isso crescem e gemem pela bênção, mas não a possuem. (4) Os
que têm a experiência, estão capacitadas a contar como a receberam. Os adeptos da
teoria de crescimento nunca sabem explicar como obter um coração santo e como
mantê-lo; e não saberão enquanto não o tiverem eles próprios e como ainda
caminhem para isso, não se acham no estado de santificação completa. Tem
alguma, mas não sabem dizer quanta e também não tem ideia sobre por quanto
tempo’ o crescimento ainda continuará. (5) Muitos dos adeptos da teoria de
“santidade pelo crescimento” dizem honestamente que apesar de quarenta anos de
crescimento não se acham em melhor situação a este respeito agora, do que quando
começaram. E podemos ouvi-los cantar:

‘A bênção onde está, que eu conheci,


Quando ao Senhor, por vez primeira vi?’

Dizem que ‘apenas’ esperam estar salvos. Testificam ‘pecar diariamente, em


pensamentos, palavras e ações’. Certamente, se alguém necessita de crescitamente,
pois, neste ritmo, milhares de milênios deção de modo radical, estas pessoas
necessitam muito de uma estufa ou de algum outro processo, imediatamente, pois,
neste ritmo, milhares de milênios decorriam antes que a obra se completasse. (6)
Santidade e santidade. Se os adeptos do método “pelo crescimento” tivessem o
artigo genuíno, este cooperaria com qualquer medida da mesma graça em outras
pessoas. A santidade não pode estar oposta a si mesma. Se possuíssem alguma
santidade ela seria como a santidade possuída por outras pessoas e como tal
cooperaria nas reuniões para a divulgação dela e teria satisfação em ver outras
pessoas chegarem lá, embora não fosse no trem atrasado. Mas, que vemos? Os

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adeptos da teoria “santidade pelo crescimento” não tomam parte na divulgação da


santidade. Não aparecem. Ao contrário, opõem-se à obra; desencorajam a
assistência às reuniões em prol da santidade, e não querem que a graça seja
confessada em suas reuniões. Se possuíssem esta graça em alguma medida, tal não
aconteceria. Coisas afins não podem ser assim antagônicas. (7) Em nenhum setor
encontramos quem testifique da obtenção da santidade pelo crescimento:

(1) “A Bíblia não apoia essa teoria”;

(2) “Não se encontram testemunhas vivas”;

(3) “Em vão procuramos biografias dos que obtiveram a graça por aquele meio.
Tais relatos não se encontram em livros”;

(4) “Os livros que ajudam obter a experiência da santidade não foram escritos
pelos adeptos da teoria da “santidade pelo crescimento””;

(5) “Estes não imprimem livros e periódicos sobre a santidade”;

(6) “Não promovem reuniões em prol da santidade, mostrando, pela prática, que
não tem fé no próprio método”;

(7) “Milhares de ex-adeptos da “santidade pelo crescimento” abandonaram sua


loucura, e agora desfrutam da bênção, obtida não por evolução, mas
instantaneamente, pela consagração completa e fé para sua santificação pelo
sangue de Jesus aplicado pelo Espírito Santo. A teoria da santidade pelo
crescimento e um malogro, uma ilusão e um erro” (How They Grow, págs. 38-
42).

A Bíblia toda e contra a teoria de santidade pelo crescimento. As palavras bíblicas


usadas para definir a santidade nunca são usadas para definir o crescimento. As
palavras bíblicas usadas para expressar a ideia de crescimento são inteiramente
diferentes das usadas ao falar da santidade ou santificação completa. As biografias
bíblicas nunca descrevem uma pessoa crescendo para dentro da santificação. As
ordens de Deus nunca contemplam uma santidade futura por gradação. Tal não é a
linguagem das promessas. Os tempos dos verbos, como observamos repetidas
vezes, mostram que a santificação é um ato de Deus. Em suma, não é pelas obras,
mas pela fé; não por realização humana, mas por Deus; não por um processo, mas
por um ato divino — o santificador “batismo do Espírito Santo”.

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“Milhares que agora estão no céu”, diz o Dr. Sheridan Baker, “testificaram
enquanto viviam, e milhares ainda testificam na terra, que todos os seus esforços
pelo desenvolvimento cristão não os libertaram da mente carnal; porém, quando
abriram mão de todos os esforços próprios, e se entregaram ao Poderoso para
salvar, foram logo libertos de todas as impurezas do coração, ficando cheios e
inflamados do perfeito amor de Deus. Em oposição a todo este cortejo de
experiências, não existe uma única contraditória, entre os vivos ou mortos, de que
se tenha noticia. Todavia, muitos há hoje na igreja que se estão recusando a buscar
a pureza diretamente no trono da misericórdia, e esforçam-se de maneira
infrutífera por alcançá-la pela cultura ou pelo crescimento religioso, não obstante
nunca se ter ouvido falar, em qualquer era ou idade, de alguém que a conseguisse
dessa maneira. Apenas dentro do cristianismo os homens demonstram tal cegueira
e loucura” (Hidden Manna, págs. 108, 109).

Na última série de reuniões que o autor dirigiu, havia uma velha mãe em Israel que
tinha orado, lutando e esforçando-se por esta bênção, pelo método do crescimento,
durante meio século. Desesperando do sucesso pelo crescimento, ajoelhou-se e
recebeu a bênção pela fé numa reunião vespertina. Na terça-feira da mesma
semana, converteu-se uma professora que se ajoelhou divers as vezes diante do
altar, logo apos, buscando a santificação, que obteve no domingo seguinte. Prezado
leitor, não compensa esperar meio século por uma bênção que Deus quer dar-te
AGORA. E se tão somente a receberes, cresceras na graça de modo tão natural como
o lírio que se abre a luz do sol de uma manha de verão.

13 — Revestimento de Poder. Há um revestimento de poder que vem com esta


plenitude do Espírito Santo, o qual Jesus deseja que tenhamos, e que todos
deveríamos cobiçar por amor a Ele, e por amor ao progresso do reino. Poder para, o
serviço é a necessidade do momento. A característica universal e dolorosa da igreja
de Deus, em nossos dias, e uma lamentável fraqueza. Existe apenas um remédio:
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo”. O batismo do Espírito
não fará evangelistas de todos os crentes, mas converterá todos eles em
testemunhas influentes de Cristo, no campo em que Deus chamou cada um para
viver e trabalhar. Ungiria o professor da escola dominical com poder para ensinar a
classe a amar a Jesus. Faria do superintendente um homem poderoso na escola
dominical, e fará do diácono e do líder dos departamentos auxiliares e sociedades
uma maravilha de eficiência no serviço. O pastor batizado com o Espírito pregaria

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com poder novo e desconhecimento’. A igreja universal, batizada com o Espírito,


seria invencível em sua influência, e terrível na marcha de suas conquistas, “como
um exército com bandeiras”.

Por onde começarei as ilustrações do que Deus é capaz de fazer através dos que são
suficientemente humildes para buscar a unção de Deus? Falarei primeiro, não sobre
os gênios, ou profissionais, mas sobre os notoriamente limitados em instrução e
preparo intelectual para um êxito marcado e incomum.

No princípio deste século viveu em New Jersey um homem simples de nome


Carpenter, de instrução escolar muito limitada, e que falava sem nenhuma noção
de gramática. Não teve qualquer influência especial durante a primeira parte de
sua vida cristã, mas apenas um nome para viver. Ficou profundamente
impressionado com a consciência de sua impotência moral e espiritual, e a ausência
de uma certeza segura, ou uma estabelecida confiança em Deus. Por isso, entregou
todo o seu coração a conquista do poder do Espírito, que se tornou o assunto
contínuo de seu pensamento, leituras, desejos e importunas orações. Por fim,
sobreveio-lhe o batismo do Espírito, com revestimento de poder. Tornou-se
imediatamente um príncipe em poder para com Deus e os homens. Pouco antes de
sua morte, explicou a grande influência que tinha, dizendo que, durante os últimos
dez anos, havia caminhado sem cessar na luz perfeita do Sol da Justiça; e que a
doutrina da santificação completa era verdadeira; que esse fora o seu estado
durante aquele período, e que logo a verdade seria um tema dominante nas igrejas.
Na cerimônia dos funerais, na Primeira Igreja Presbiteriana da cidade de Newark,
um ministro declarou publicamente que, pelos cálculos mais cuidadosos,
acreditava-se que o falecido tinha sido o instrumento direto para a conversão de
mais de dez mil almas. (Baptism of Holy Ghost, págs. 90, 109). Suponhamos que a
estimativa devesse ser reduzida a metade, ou, digamos, um quarto. Mesmo assim
teríamos duas mil e quinhentas almas ganhas para Cristo em dez anos por um leigo
ignorante — obra tão vasta que poucos ministros a igualam em uma existência
inteira.

O Dr. Labaree, venerável ex-presidente do Middleburg College, contou a B. Fay


Mills de um mau aluno em Andover, há mais de cinquenta anos, cuja capacidade
mental era tão limitada que não pode passar nos exames da Phillips Academy,
enquanto seus colegas prosseguiram, e cursaram a faculdade; entretanto, era tão
cheio de poder do Espírito Santo, que tinha mais influência do que todos os seus

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colegas juntos. Permitiram-lhe ingressar no seminário teológico sem a faculdade,


julgando que tivesse gênio para a teologia; mas foi tão pouco inteligente em
teologia, como fora na escola preparatória. “Contudo, foi usado por Deus para
fazer mais que todos os alunos de teologia, e todos os professores e ministros e toda
a igreja na cidade de Andover. Desceu até o bairro industrial e iniciou uma escola
dominical, e ali trinta ou quarenta pessoas converteram-se a Deus. Abriu outra
escola, e vinte mais vieram a Cristo. Começou uma escola em Lawrence, que se
transformou numa igreja. Nas férias do verão seguinte, veio a solicitação de uma
senhora do estado de New Hampshire, única cristã da cidade: ‘Não temos Bíblia,
nem domingo, nem Deus. Não poderíeis enviar alguém do vosso seminário para
nos ensinar a palavra da vida?’ Nenhum estudante quis ir, senão este jovem. O
seminário, com relutância, aventurou-se a licenciar alguém tão ignorante para
pregar, mas finalmente o licenciaram por seis meses. Morreu logo após — mas não
sem que tivesse”, diz o Presidente Labaree, “ganho para Jesus Cristo todos os
homens e mulheres e crianças daquele município, exceto um homem, um que
mudou para outra localidade” (Power From on High, págs. 14-17).

“Em minha igreja”, diz o Dr. J. Wilbur Chapman, “em Filadélfia havia um homem
ignorante, de nome S...., que literalmente assassinava o Inglês. Quando se levantava
para falar, e quando alguém o ouvia pela primeira vez, a impressão era chocante, e
o desejo era de que não falasse muito. Mas logo nos maravilhávamos com o poder
de suas palavras. Contar-vos-ei o segredo. Reuni uma vez trinta dos obreiros da
igreja com o fim de orarmos pelo batismo de poder para uma obra especial. Ele
levantou-se e saiu do salão. Encontrei-o depois, a sós, numa salinha da igreja,
insistindo em oração: ‘Ó Senhor, tira todo o pecado de mim! Ensina-me o que e que
impede a Tua vinda! Renunciarei a tudo! Vem, ó Espírito Santo, vem e toma posse
de mim, e ajuda-me a ganhar homens!’ Estava ajoelhado, levantou-se e encarou-me
no rosto, dizendo: ‘Pastor, recebi o Espírito Santo.’ Sei com certeza que, desde
aquela época, há três anos, aquele homem simples levou mais de cem pessoas a
Jesus”.

A Sra. Whittemore, da “Door of Hope Mission”, na cidade de Nova Iorque, num


sermão em Boston, contou de uma pobre moca perdida, Delia, salva das maiores
profundezas do pecado, e levada a Jesus. Depois disso foi maravilhoso o seu êxito
em trazer outras pessoas à Cristo, e antes de morrer (cerca de dois anos depois),
tinha ganho cento e cinquenta perdidos para Jesus. Os que a conheciam indagavam

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sobre o segredo do seu poder: “Era bonita?” “Não; quando seu rosto estava em
repouso, não. Mas quando falava sobre sua conversão e seu amor a Jesus, dir-se-ia
que sua face era como a de um anjo; era genuinamente convertida, e renunciava
tudo para ser guiada pelo Espírito Santo, recebendo a sua plenitude e sendo usada
por Ele”.

A Srta. Jennie Smith, a “evangelista ferroviária”, quando tinha apenas dez anos,
sofreu um ferimento na espinha devido a excesso de trabalho, procurando ajudar
sua mãe aflita e a família numerosa. Isto ocasionou um complexo de enfermidades
e sofrimentos indescritíveis. Durante dezesseis anos nunca deu um passo, e muitas
vezes, depois de espasmos e convulsões, ficava dias insensível. Esteve quase cega
durante dois anos e meio, e grande parte do tempo era incapaz de levantar as mãos
para alimentar-se, ou de elevar a cabeça do leito. Todavia, enquanto assim inválida,
sentindo dores ao simples respirar, orava pedindo para que fosse útil, e
aproximava-se de Deus de maneira maravilhosa. A insistentes solicitações dos
amigos, um deles atualmente bispo da Igreja Metodista, ela escreveu um livro
contando sua experiência cristã, e começou a pregar, sendo carregada no leito para
o púlpito. Temia-o, mas orava entregando-se a Deus. E em seis meses viu
converterem-se duzentas e cinquenta almas. Os ferroviários a levantam
carinhosamente para os carros de bagagem, e ela, grata, interessava-se pela
salvação deles, tornando-se assim a “evangelista ferroviária”. A 23 de abril de 1878,
num hospital de Filadélfia, onde se decidira que o seu braço deveria ser amputado,
o que lhe poderia custar a vida, declarou ela: “Cerca de onze horas da noite, fui
levada a oferecer-me a Deus numa nova consagração, com estas palavras: ‘Ofereço
este corpo, estes olhos para ver, estes lábios para falar e, se for da Tua vontade,
estes pés para andar, por Jesus. Tudo o que é meu, tudo, TUDO, é Teu, Pai amado.
Faça-se apenas a Tua preciosa vontade!’ Depois de um breve silêncio, resplandeceu
sobre mim a clara visão da cura do braço mirrado, e o Espírito Santo concedeu fé a
minha alma para reivindicar uma bênção semelhante. Num instante fiquei
consciente do batismo de poder, tão palpável e positivamente como se um choque
elétrico tivesse passado pelo meu organismo. Levantei-me e fiquei de pé (pela
primeira vez em dezesseis anos), ajoelhei em oração, e então, ereta, caminhei pela
sala e sentei-me numa cadeira de balanço” (Back to Beulah, págs. 200, 201). O autor
ouvia-a pregar em Springfield, no Estado do Missouri, onde ela estava dirigindo
um grande reavivamento, e pregando três vezes ao dia — trabalho que estivera
fazendo durante doze anos, sem um dia de doença, e dirigindo milhares a Deus.

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Não podemos senão exclamar — Oh! Quão grande é o poder do Espírito Santo
quando o chegamos a possuir, e ter da Sua plenitude no corpo, na mente e na alma!

Ouçamos uma historia ainda mais maravilhosa, sobre Kaboo, um menino africano
que foi leva do cativo e açoitado e espancado no corpo nu por um selvagem
impiedoso, até que fugiu e andou sem destino dias e dias, atingindo a costa, guiado
pela Mão Invisível. Ali na Libéria, trabalhou numa plantação de café, e conheceu
uma missionária que o ensinou a ler e a escrever, e as lições singelas do Evangelho.
Dirigiu-se depois a uma cidadezinha na costa, onde encontrou uma missionaria
recém-chegada, uma das cooperadoras do Bispo Taylor, que recebeu o batismo do
Espírito Santo. Samuel Morris (pois este foi o novo nome que a primeira
missionária lhe deu) ouviu sobre a chegada desta nova missionaria, e caminhou
milhas para vê-la e conversar sobre Jesus. Ela cheia do tema precioso, começou a
falar-lhe sobre o Espírito Santo. Era tão frequente vir conversar com ela sobre o
amado assunto, que a missionaria finalmente lhe disse: “Se você quer conhecer
mais, precisa dirigir-se a Stephen Merritt, em Nova Iorque. Foi ele que me contou
tudo o que conheço sobre o Espírito Santo”.

— “Eu vou fazer isso”.

Ela o perdeu, ele partira. Samuel pediu ao capitão de um pequeno navio, que se
fazia ao mar, que o levasse a Nova Iorque. Foi recusado com xingamentos e um
pontapé, mas respondeu: “Oh! sim, o senhor me há de levar”. Dormiu na praia
aquela noite, e na manha seguinte repetiu o pedido. Dois homens tinham
desertado, e o capitão recebeu-o a bordo como ajudante. Sua ignorância sobre os
deveres de marinheiro trouxeram-lhe xingações, pontapés e bofetões; porém sua
paz era como um rio, e sua resignação cristã, ilimitada. Logo o capitão se
convenceu e se converteu, bem como a metade da tripulação. Chegando a Nova
Iorque, e encontrando Stephen Merritt, disse Kaboo: “Meu nome e Samuel Morris;
acabo de chegar da África para falar com o senhor sobre o Espírito Santo”. — “Bem,
não há dúvida; agora eu vou à reunião de oração em Jane Street. Você não quer ir à
missão aqui ao lado? Na volta conversaremos sobre sua hospedagem”. “Fui à
reunião de oração”, diz Merritt, “e ele foi à missão. Esqueci-me dele até o momento
em que pus a chave na porta, cerca de 10:30 da noite, e então Samuel Morris
retornou a minha memória. Apressei-me, e achei-o no palco com dezessete homens
de joelhos ao seu redor; acabara de lhes apontar Jesus, e regozijavam-se em Sua
graça e perdão, Nunca vira coisa semelhante. O Espírito Santo, naquela figura de

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ébano, com tudo que a cercava, era realmente um quadro belo. Imaginai um
africano sem cultura, rude, sem educação, mas revestido, imbuído, cheio do poder
do Espírito Santo, ganhando almas para Emanuel, em sua primeira norte na
América — e quase vinte delas! Já não era mais problema cuidar dele. Era um dos
ungidos de Deus. Isso aconteceu sexta-feira; no domingo, eu lhe disse: ‘Samuel,
venha comigo para a escola dominical. Sou o superintendente, e posso pedir-lhe
que fale, ao que ele respondeu: ‘Nunca fui a uma escola dominical, mas não tem
importância’. Sorrindo, apresentou Samuel Morris, que tinha vindo da África com o
fim de conversar com seu superintendente sobre o Espírito Santo. Não sei o que ele
disse. A escola ria; algo chamou-me a atenção quando ele começou; virei-me para o
lado uns momentos, e quando me voltei, e eis, o altar estava cheio de jovens a
chorar e a soluçar, Nunca pude descobrir o que ele disse, mas a presença e o poder
manifesto do Espírito Santo eram tão palpáveis, que a igreja inteira se encheu da
Sua glória”,

Não posso citar mais dessa história vibrante e singular. Este jovem negro foi
enviado a Universidade de Taylor em Upland, Estado de Indiana, a fim de ser
treinado para a obra missionária na África. Morreu poucos meses após, mas não
sem que sua influência maravilhosa tivesse “revolucionado a Universidade de
Taylor” transformando estudantes em missionários, e iniciando um “fundo de fé”,
que já auxiliou a instruir trinta pessoas para o serviço de Cristo, e impulsionando
forças de justiça que se hão de sentir até ao fim dos tempos. Os que se acham cheios
do Espírito Santo tem “poder”, e não vivem, nem podem viver em vão.

Colocai ao lado deste o caso da famosa evangelista negra Amanda Smith, nascida
escrava e com limitadíssima instrução, “enchendo-se do Espírito” e como já
declaramos, tornando-se evangelista abençoada e honrosa para a salvação plena de
muitos na América, na Europa e na África. Acrescentei ainda o caso do maravilhoso
Billy Bray, e o de Robinson Watson, evangelista leigo da Inglaterra, que passou os
primeiros seis anos de sua vida cristã em cansativa e deprimente ineficiência, mas
que depois buscou e obteve o batismo santificador do Espírito Santo. “Como
resultado de quatro anos de trabalho sob o manto de poder de Cristo”, diz Mahan,
“pode registrar os nomes e endereços de dez mil pessoas que atribuíram sua
conversão ao trabalho dele”. Poder-se-ia achar uma multidão de exemplos
semelhantes, que demonstram conclusivamente que este revestimento do Espírito
Santo e de poder e tanto para os cristãos dos nossos tempos, como para os crentes

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dos dias apostólicos, Ainda mais, demonstram que pessoas humildes obscuras sem
instrução e desconhecidas, podem ficar de tal modo repletas do Espírito, que terão
um poder e uma capacidade para o serviço que não lhes e naturalmente própria, e
que as preparara para realizar o que quer que seja ao que Deus as chamou.

Podemos agora voltar nossa atenção para indivíduos instruídos, e para figuras
famosas no mundo profissional e literário, e verificaremos que a vinda do Espírito,
com santidade; Trouxe também um aumento notável de poder espiritual, antes
inteiramente desconhecido. O caso de Wesley, por exemplo. Diz um erudito
escritor: “Quem pode ignorar que ninguém levou uma vida mais laboriosa e
comparativamente infrutífera do que Wesley, antes do revestimento de poder do
batismo divino, e que muito poucos levaram uma vida mais laboriosa e
FRUTÍFERA do que ele, depois que recebeu o dom do Espírito Santo?! Terminou
então o tempo da sua esterilidade, e começou o da sua espantosa fertilidade, no
mesmo instante”. Tornou-se tão maravilhoso e potente na igreja de Cristo, que o
esplendor de sua vida já iluminou dois séculos, e o mundo está apenas começando
a avaliá-la. Mas principiou a sua obra para Cristo e a igreja.

O mundo conhece o efeito deste batismo sobre Finney; tornou-se ele o maior líder
do maior reavivamento que o mundo já viu; entretanto, nunca passara uma hora
sequer numa universidade ou seminário teológico.

Disse Moody sobre o efeito deste batismo do Espírito Santo: — “Perdoe-me Deus se
parecer que me vanglorio, mas desde então não me consta que Ele deixasse de me
dar alguma alma após cada sermão que preguei. Não desejaria voltar onde estava
quatro anos atrás, nem por toda riqueza deste mundo; se a colocásseis aos meus
pés, eu a chutaria para longe como uma bola de futebol. Pareço-vos uma maravilha,
mas eu o sou para mim mesmo mais do que para qualquer outro. Estes são os
mesmíssimos sermões que pregava em Chicago, palavra por palavra. Naqueles dias
eu pregava sem cessar, mas era como alguém batendo no ar. Não são os sermões
que são novos, mas o poder de Deus. Não é um novo evangelho, mas o velho
evangelho com o Espírito Santo de poder. Amém!” Durante todos estes anos, o
mesmo poder tem permanecido com Moody. Sobre ele, fala Drummond: “Simples
como é este homem, e modesto como é o ambiente que o cerca, neste momento
provavelmente a América não possui uma figura mais extraordinária; nem mesmo
entre seus filhos mais brilhantes conta ela com algum que tenha prestado serviço
mais estupendo e mais duradouro ao seu país ou ao seu tempo... Quer avaliado

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pelas qualidades morais que contribuem para o seu caráter pessoal, quer pela
medida em que ele as imprimiu sobre comunidades inteiras em ambos os lados do
Atlântico, talvez não haja homem mais genuinamente grandioso do que D. L.
Moody”. Entretanto. Este amado homem de Deus não se contaminou com toda a
fama e influência; ao contrário, atribui todo o seu sucesso, não a cultura ou preparo
teológico, pois não os teve, mas ao poder do Espírito Santo em sua vida.

Num sermão em Boston, no outono passado (1895) Moody talou sobre B. Fay Mills:
“Era um pastor congregacional sem nenhum destaque, até que lhe chegaram às
mãos Lectures on Revivals de Finney, e ele buscou e obteve o poder do alto. Sobre F.
B. Meyer, disse Moody: “Era um ministro batista comum, em Londres, até que
ficou cheio do Espírito!” Agora os seus escritos espirituais são como doce incenso
na atmosfera do pensamento cristão.

Foi o poder do Espírito Santo na vida espiritual de Andrew Murray que fez com
que a sua influência se fizesse sentir através de toda a cristandade; seus livros sobre
Cristo e a vida espiritual são como brisa aromática levando refrigério a todo o
mundo cristão.

O Dr. J. Wilbur Champman conta-nos como se dirigiu a Deus e consagrou-se, e


então, com fé, disse: “Meu Pai, peço-Te agora a plenitude do Espírito Santo”, e
acrescenta: “Desde aquele momento ele tem sido uma realidade viva. Antes nunca
soubera o que era amar minha família, nem o que era estudar a Bíblia. E por que?
pois não acabara de achar o segredo? Antes nunca soubera o que era pregar. ‘As
coisas velhas passaram na minha experiência. Eis que tudo se fez novo.’“

O Dr. A. T. Pierson pregou durante dezoito anos confiando no poder literário, na


oratória e na cultura. Buscou então, e obteve, “santidade e poder”, pelo batismo do
Espírito Santo. Testemunhou depois a um grupo de ministros: “Irmãos, vi mais
conversões e realizei mais nos dezoito meses posteriores ao recebimento da bênção,
do que nos dezoito anos anteriores”.

Eis o testamento do Dr. Mahan: “Meu ingresso na vida superior foi acompanhada
de dois fatos importantes — um vasto aumento de poder efetivo ao pregar Cristo
aos impenitentes, e ‘a edificação do corpo de Cristo’ (os crentes) tornou-se a
característica principal e o maior prazer do meu ministério, As conversações
religiosas tornaram-se tão fáceis e espontâneas como o fluxo da água de uma fonte
viva”.

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Diz o Rev. J. O. Peck, D.D.: “Seguiram-se maiores resultados no meu ministério.


Mais almas se têm convertido todos os anos — duas ou três vezes mais. Tenho tido
poder antes desconhecido, para persuadir os pecadores a vir a Cristo”.

Há um mês escrevi ao irmão Torrey, de Chicago, uma carta pedindo-lhe que


contasse como veio a buscar o batismo do Espírito Santo, e o que a bênção fizera
por ele. Respondeu como segue: — “Fui levado a buscar o batismo do Espírito
Santo porque fiquei convencido, pelo estudo dos Atos dos Apóstolos, de que
ninguém tinha o direito de pregar o evangelho antes de ser batizado com o Espírito
Santo. Por fim, cheguei ao ponto em que disse nunca mais haver de subir ao
púlpito antes de ter sido batizado com o Espírito Santo, e de ter consciência do fato,
ou antes que Deus, de algum modo, assim me ordenasse. Obtive a bênção em
menos de uma semana. Se tivesse compreendido a Bíblia como agora, não haveria
necessidade de se passar um só dia.

“Quanto ao que a bênção tem feito por mim, não poderia nem começar a contar,
Trouxe a minha alma uma alegria com a qual nunca sonhei; uma liberdade no
pregar que faz da pregação um deleite inefável, sendo que antes era motivo de
grande temor; abriram sê-me as portas do serviço, de sorte que agora, em lugar de
pregar a uma pequena igreja, sou chamado todos os anos para proclamar a verdade
a muitos milhares, sendo convidado a convenções em toda parte da terra, para falar
a vastos auditórios; e, além do meu trabalho no Instituto, tenho hoje uma igreja
com mais de mil e trezentos membros, e a assistência a noite às vezes deixa repleto
o auditório da igreja, em que podemos abrigar duas mil e quinhentas pessoas
contando com o uso da sala de conferências em baixo”.

O Rev. A. B. Earle, D.D., o grande evangelista batista, conta-nos, no final da vida,


na introdução de um de seus livros, que Deus o habilitou a levar cento e cinquenta
e sete mil almas a Cristo. Um livro que tenho a frente diz: “Ele não tinha
capacidade especial como pregador antes que lhe sobreviesse o batismo do Espírito
Santo”. Quando surgiu “com o poder do Espírito”, entretanto, as conversões com a
sua pregação contavam-se em cinco mil anualmente.

O batismo do Espírito fez com que a Influência do Dr. Pentecost se sentisse através
do mundo, e preparou Hammond e Harrison para fazer maravilhas por Deus.

O Professor Tholuck foi chamado o primaz espiritual da Igreja Estabelecida da


Alemanha. Diz-se que se deve atribuir a sua influência, mais do que a outra

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qualquer causa, a reintrodução, nas universidades alemãs e no pensamento geral


alemão, dos princípios e do espírito da fé evangélica, “Não foi simplesmente”, diz o
escritor do New York Christian Advocate, “na sala de conferências, no púlpito e na
página escrita, que ele ganhou vitórias para o Mestre. O contato pessoal com os
estudantes era a sua característica distinta. Sua casa era o lar dos alunos. Não estava
satisfeito se algum deles não estivesse à sua mesa. Mas como chegou ele a ter tal
paixão pelas almas dos moços, ao ponto de ser chamado o ‘professor estudante’, o
‘Professor Tholuck que ama as almas’? Como chegou a ter um espírito tão raro?
Comecon sua carreira como incrédulo, e o tema de sua oração de despedida da
universidade foi A Superioridade do Naometismo Sobre o Cristianismo. Converteu-se
sob a influência de Neander. Posteriormente recebeu o que chamou de ‘batismo de
fogo’ (batismo do Espírito Santo). Ao completar cinquenta anos de magistério,
declarou: ‘Nada me enche de mais adorável admiração do que pensar como o
Espírito de fogo tem estado sempre comigo desde que recebi o batismo de fogo do
alto’. Quando foi para a Universidade de Halle, apenas cinco. dentre novecentos
estudantes acreditavam na divindade de Cristo. Haviam-se convertido sob a
influência de um artífice cristão, e eram chamados ‘ortodoxos idiotas’ pelos outros
estudantes. Hegel, que se imbuíra um pouco dos princípios cristãos, deu a Tholuck
este desafio, ao despedir-se! — ‘De um golpe mortal no racionalismo cru que
prevalece em Halle! Era uma tarefa árdua, pois o corpo docente inteiro estava
contra ele e, juntamente com todos os alunos, requerera contra sua nomeação para
Halle. Mas ele orava fervorosamente para ser enviado, e para lá se dirigiu com o
‘batismo de fogo’ sobre si. Deus lhe dera o poder de, por seus sermões e influência
pessoal, revolucionar a universidade, ganhando os professores para o seu lado,
levando milhares de estudantes a Cristo, e tornando-se um poder magnifico na
vida espiritual da Alemanha. Acredito que Hodge, e Park, e Alexander, e muitos
outros teólogos americanos famosos estavam entre os seus alunos, Por causa da
saúde era seu costume andar duas horas por dia, e escolhia um estudante para
andar com ele, e conversar sobre Cristo. Um grande número dos seus alunos
confessa que iniciou a partir dos inesquecíveis passeios com o ardente e santo
professor, uma nova vida. Um deles era judeu — insensato, rebelde, devasso.
Tholuck só podia vê-lo antes das seis da manha. Frequentemente o visitava nessa
hora, e na prisão. Um dia recebeu do estudante dissoluto um bilhete com estas
palavras: ‘Tholuck a soluçar, Tholuck a orar, e eu a beber como um bruto’. Mas esse
mesmo estudante se converteu num notável pregador do evangelho.

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“A fonte desta sublime devoção e paixão pelas almas dos estudantes foi
mencionada pelo próprio professor Tholuck no jubileu em Halle, realizado em sua
homenagem quando do quinquagésimo ano de sua carreira imortal. Vieram
multidões de todas as partes da terra, e congratulações vieram de todas as classes,
inclusive do Imperador. Na ocasião, o professor honrado pelo mundo inteiro, fez a
memorável declaração: ‘Existe grande número dos meus alunos que podem dizer
comigo: Tenho uma única paixão e ela e Cristo. Tal trabalho só po de realizar-se
onde o Espírito de fogo seja o raio de influência vinda de Deus. Todo o meu êxito
tem sido devido ao batismo de fogo (feuergeist), que recebi bem no começo da
minha carreira pública, e ao principio de amor que procura ganhar o próximo’“.

O Rev. Dr. S. A. Keen, da Igreja Metodista era um “poderoso homem de Deus”,


chamado por sua igreja, durante os últimos anos da vida, para ser um evangelista
pentecostal, e ir de conferência em conferência, guiando os ministros e membros da
igreja para a experiência ‘da santidade, No principio do seu ministério, pregava
sermões eruditos, sem qualquer toque do poder do Espírito. Anunciou uma série
de reuniões de reavivamento que foram bem frequentadas durante uma semana:
mas nenhuma alma veio ao altar buscando Deus. De volta a casa na sétima noite,
disse a esposa: “Não sei o que há comigo. Se estivesse bem com Deus, não poderia
pregar sem resultados”. Ao que a esposa respondeu: “Você está ficando
melancólico. Por que não afasta essa impressão? Sente-se desanimado somente
porque está cansado e exausto”. “Não, não é isso” respondeu ele, “se eu tivesse o
batismo do Espírito Santo, veria o povo voltando-se para Deus”. Isso a abateu e ela
disse: “Se você precisa disso, eu preciso também. Busquemos juntos o batismo do
Espírito Santo”. Assim, de mãos dadas, ajoelharam-se e suplicaram ao Senhor que
os perscrutasse até as profundezas e os enchesse com o Espírito Santo. Pregou mais
sete dias, e todas as noites ele e a esposa se ajoelhavam a sós diante do altar,
suplicando o batismo do Espírito. No sétimo dia, Deus veio e derramou em sua
alma a bênção do Espírito Santo. Exclamou ele: “Querida Ele veio, Ele veio, Ele
veio. Eu sei que estou cheio do Espírito Santo.”

Pregou naquela noite, mas não como costumava. Enquanto falava, o Espírito
desceu sobre o povo, e muitos vieram ao altar e ajoelharam-se diante de Deus.
Durante os trinta anos que se seguiram, foi revestido de grandioso poder de ganhar
almas, até sua trasladação, em dezembro último, enquanto cantava um hino de

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louvor a Deus. Estão na mesa diante de mim dois de seus livros: Pentecostal Papers e
Faith Papers, e deles exala o odor do céu.

Todos os homens eminentemente espirituais, e todos os conquistadores de almas


de bom êxito, tiveram tal experiência pentecostal. James Caughey recebeu esse
batismo nos primeiros anos de seu ministério. Leu um trecho de Adam Clark sobre
a importância do poder do Espírito Santo na pregação. Tomou da pena e escreveu
em segredo diante de Deus: “Percebo, sinto: (1) A absoluta necessidade da
influência imediata do Espírito Santo para comunicar qualidade, poder, eficácia e
sucesso ao evangelho pregado. (2) A absoluta necessidade de orar mais
frequentemente, mais fervorosamente, com mais persistência e mais fé, pela ajuda
do Espírito Santo no meu ministério. (3) Que os meus labores hão de ser
impotentes, sem console e sem valor, sem esta ajuda — nuvem sem água, árvore
sem fruto, morta e sem raízes; som incerto, sem unção nem significado... Toda a
glória do meu êxito será dada, doravante, ao Espírito Santo”. Num período de
oração, sozinho, na região alta atrás de Whitehall, no estado de Vermont, recebeu o
Espírito, e também, imediatamente, teve a impressão de que devia ir ao Canadá, e
dali à Inglaterra e à Irlanda, e realizar trabalhos de reavivamento. Partiu em 1840, e
em seis anos, diz seu biógrafo, vinte e uma mil pessoas vieram ao altar e aceitaram
a Cristo.

A piedosa Phoebe Palmer, de abençoada memoria, durante trinta e sete anos


realizou reuniões todas as terças-feiras, cujo único objetivo era a promoção da
santidade cristã. Centenas de ministros sentaram-se aos seus pés e receberam a
bênção, Quando partiu para o seu descanso, diz-se que vinte e cinco mil almas
tinham vindo a Cristo em suas reuniões. A Sra. Maggie Van Cott, em trinta e um
anos, apertou, diante do altar, a mão de setenta e cinco convertidos, que
prometeram encontrar-se com ela no céu. O Bispo Taylor, “com o poder do
Espírito”, como ele afirma, “passou sete meses entre os cafires da África, falando-
lhes através de um interprete. Durante este período os missionários registraram as
conversões a Deus de sete mil cafires”. O Bispo Thoburn, da Índia, “cheio de fé e do
Espírito Santo”, reúne anualmente em suas igrejas vinte mil conversos. O
Presidente Mahan conta de um ministro africano nativo que nunc a se dirige a um
auditório sem que haja conversões, e de uma nativa idosa que vai de aldeia em
aldeia e “reúne almas as dezenas e as centenas para o reino de Deus”. Conta
também de Charles Reade, Esq., e sua família, que buscaram e obtiveram a

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“promessa do Pai”, e depois dirigiram-se a Black Gang, na ilha de Wight, para que
ele recuperasse a saúde, perdida na Índia. Apossou-se do espírito dessa família o
desejo ardente de promover o progresso da causa de Cristo. Voltando da igreja no
seu primeiro domingo, viram quatro homens juntos na rua, de pé: “Olhem”, disse
uma das senhoras “Deus nos deu uma congregação; falemos a estes homens sobre a
Palavra da Vida. Começaram a falar e chegaram a Cristo mais quatro homens. Um
homem doente, numa casa próxima, ouviu as palavras deles e converteu-se. Logo
tinha um salão próprio. Tinham eles o firme proposito de levar todos os conversos
à santificação completa, e ao pleno revestimento do poder do alto para vidas e
trabalhos santos. ‘Não descansamos’, disse o Sr. Reade, ‘nem permitimos que o
convertido descanse, até termos evidência de que este alvo está plenamente
atingido’. Como resultado, tiveram um pentecostes contínuo e em seis anos e meio
a comunidade se revolucionara por meio de uma única família santificada e mil e
cem almas se reuniram no reino de Deus”. Quando aprenderá a igreja de Deus que
o Espírito e a única fonte de poder?

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CAPÍTULO XIX

COMO CONSERVAR A BÊNCÃO

I Tessalonicenses 5:23-24: “(Peço a Deus que) o vosso espírito, alma e corpo sejam
conservados íntegros e irrepreensíveis... Fiel é o que vos chama o qual também o fará”.

Números 6:24: “O Senhor te abençoe e te guarde”.

I Samuel 2:9: “Ele guarda os pés dos seus santos”.

Salmos 91:11: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em
todos os teus caminhos”.

Salmos 121:3: “Por certo não dormita nem dorme aquele que cuida de ti”.

Isaías 26:3-4: “Tu, Senhor, conservaras em perfeita paz aquele cujo propósito e firme;
porque Ele confia em ti. Confiai no Senhor perpetuamente porque o Senhor Deus é uma
rocha eterna”.

João 17:11: “Pai Santo, guarda-os em teu nome que me deste”.

I Pedro 1:5: “Guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação”.

Judas 1:24: “Aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços, e para vos apresentar
imaculados, mediante Jesus Cristo, diante da sua glória”.

Os textos acima provam claramente que Deus toma a Si a tarefa de preservar os


Seus santificados, e é abundantemente capaz de preservá-los sem mancha nem
tropeço. Entretanto, uma prezada cristã me contou esta semana que recebeu, há
muitos anos, o testemunho claro do Espírito sobre sua conversão, numa sexta-feira,
e buscou e obteve o batismo santificador do Espírito no domingo seguinte, depois
do que a sua paz inefável era como um manso rio. Disse-me, porém: “Não sei
explicar como perdi a bênção”. Ela vive agora na condição de justificada, uma vida
bonita e de oração, mas lamenta o seu tesouro perdido.

Como chegou a perdê-la?

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John Wesley diz que e quase um milagre alguém receber essa bênção, e nunca
perdê-la.

Parece, pois, que temos certas condições a cumprir, e então Deus nos preserva.
Escrevo este capítulo para benefício das prezadas almas que receberam, ou poderão
vir a receber o prêmio celestial, para que saibam como conservá-lo.

1 — Apegai-vos a fé, e não dependais das emoções. Logo após recebermos o batismo do
Espírito, possuímos emoções, — às vezes emoções inundantes. Mas nunca são
permanentes. Quando se vão, cuidado! Satanás estará por perto para dizer-vos: Aí
está, as emoções se foram todas, e Deus, o vosso guardador, vos abandonou;
perdestes a bênção”. Não acrediteis na mentira. “De modo algum deveis arrazoar
ou duvidar, ou depender dos vossos sentimentos, em busca de evidência para a
santificação, ou suspender a vossa fé por um memento. Se o fizerdes, abandonareis
o único escudo que pode defender dos dardos inflamados do maligno. A bênção e
recebida tão somente pela fé, e pela fé deve ser conservada. “O justo viverá pela fé”
(Quinan’s Everybody’s Book, pág. 24).

“Tenhamos sempre em mente que o estado de pureza não depende das emoções,
sentimentos ou manifestações, mas de receber Cristo como nossa santificação; e que
as emoções e os sentimentos são meros complementos, que dependem em grande
parte das condições do corpo, da abundancia de energia física e cerebral, e
principalmente das sensibilidades nervosas. A completa submissão a Deus, e a
confiança plena em Jesus, são acompanhadas pela purificação completa quaisquer
que sejam as peculiaridades da experiência” (Hidden Manna, pág. 261).

Dizei a Satanás que, com ou sem sentimentos ou emoções, estais ainda sob o
sangue que perpetuamente “PURIFICA de todo pecado”. “Lembrai-vos de que,
assim como recebestes o Senhor Jesus pela fé, assim também caminhai nele”. “O
demônio procurará persuadir-vos a continuar pelas emoções, fazendo-vos pensar
que, se não as tendes, não possuís a experiência. As emoções são resultados da
experiência, como a flor e o produto da planta. Assim como a planta não está morta
quando não há flor, não haverá necessariamente ausência de experiência quando
não houver fluxo de exaltação emocional. Aprendei a caminhar pela fé, e deixai o
Senhor cuidar dos sentimentos que forem necessários. Permanecei no caminho da
fé, e o Senhor cuidará do resto, e vos dará ‘óleo de alegria’, tanto quanto e sempre
que for do Seu agrado” (The Holy Way, pág. 45).

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Diz o Bispo Foster: “A vida da santidade é eminentemente uma vida de fé; não se
mantém um só momento sem fé. A fé é sua própria raiz e seiva. Quereis conservar
o estado? Mantende o princípio vital; cuidado com qualquer sinal de infidelidade.
A fé é a mão pela qual a alma santificada se apega a Deus, e assim se mantém livre
do pecado” (Christian Purity, pág. 261).

2 — Dai testemunho da graça recebida. — Esta grande bênção, mais preciosa de todas,
“e concedida a cada um, visando a um fim proveitoso”. (I Coríntios 12:7. Não
podemos conservar a bênção se não a usarmos. Não nos foi concedida para tornar-
se um luxo particular de cada um. A gratidão pelas misericórdias recebidas e um
ditame natural da alma santificada. Deixar de reconhecê-lo e não ser digno.
Envergonhar-se de Jesus, de Suas palavras, de Suas obras, é provar que estamos
sujeitos ao temor dos homens. Além disso, somos Suas testemunhas especiais sobre a
graça especial da santidade. Assim como nós não podíamos testificar da santidade
antes de obtermos a experiência, os outros, que ainda não desfrutam da graça, não
podem testificar e não testificam. Se nós, portanto, que temos a graça, não formos
fiéis e não falarmos dela ao mundo, privaremos Deus de Suas únicas testemunhas.
Procurar esconder a verdade, ou confundir tanto a evidência, que os outros não
possam saber que somos o povo da santidade, é provar que somos apóstatas, ou
estamos a caminho disso. Se Ele nos vir a tentar evitar a cruz do testemunho
decidido retendo parte da verdade, não poderá abençoar-nos. O testemunho
definido é uma necessidade. Se não dermos testemunho do que temos, as futuras
provisões serão cortadas. Será a porta aberta para perdermos a bênção” (The Holy
Way, págs. 47, 48).

Outro dia um irmão enviou-me recorte de um jornal de Boston, com esta citação de
um sermão de Moody: “Quando julgais que sois santos, cuidado. E deixai-me
dizer-vos que, quando um homem realmente recebe a santidade, não precisa tocar
trombeta. O mundo o saberá”. Prezo muito o amado irmão Moody como o hão de
perceber os que me ouvem ou leem. Mas se ele acha que “tocar trombeta” e
confessar humildemente o que Jesus fez por sua graça santificadora, então suas
palavras estão cheias de perigo para muitas almas. Poderia também ter dito aos
seus conversos: “Se vos converterdes, não precisais tocar trombeta (confessar o que
Cristo fez pela vossa alma). O mundo o saberá”. Tal conduta poria fim à religião
cristã. “Com a boca se confessa a respeito da salvação” (Romanos 10:10). Se a alma
que o tem não der alegre testemunho a seu respeito, logo perderá o dom da graça

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salvadora de Deus. O próprio Moody confessou sobre o seu batismo com o Espírito
Santo, e declarou ao mundo os seus efeitos. Todos precisam fazer o mesmo. Do
contrário perderão a bênção.

Pelas ilustrações seguintes se verificara como e insensato o silêncio. Fletcher, o


piedoso amigo de John Wesley, depois de receber o novo batismo do Espírito, fez a
seguinte confissão numa reunião: “Meus prezados irmãos e irmãs, Deus está aqui.
Sinto-O neste lugar; mas quisera esconder a minha face no pó, porque tenho tido
vergonha de declarar o que Ele fez por mim. Durante muitos anos ofendi o Seu
Espírito, mas estou profundamente humilhado, e Ele de novo restaurou a minha
alma! Quarta-feira passada, a noite, Ele me falou com estas palavras: ‘Considerai-
vos, portanto, mortos na verdade para o pecado, porém vivos para Deus, através de
Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 6:11). Obedeci à voz de Deus; obedeço-Lhe
agora, e vos declaro para a glória do Seu amor que, estou liberto do pecado, morto
para o pecado e vivo para Deus. Já recebi esta bênção quatro ou cinco vezes antes;
mas perdi-a por não observar a ordem de Deus, que nos disse: ‘Porque com o
coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação’
(Romanos 10:10). Mas o inimigo oferecia a sua isca sob várias cores, para impedir
que eu declarasse publicamente o que Deus operara. Quando recebi esta graça pela
primeira vez, Satanás me fez esperar um pouco, até que eu visse mais frutos.
Resolvi fazer isso, porém logo comecei a duvidar do testemunho, que antes sentira
no meu coração, e em pouco tempo percebi que os perdera a ambos. Após receber
esta salvação pela segunda vez (com vergonha o confesso), deixei de dar
testemunho para o meu Senhor, pela sugestão: ‘És figura pública’ os olhos de todos
estão sobre ti: e se, como antes, por qualquer razão, perderes a bênção, será uma
desonra para a doutrina da santidade do coração. Silenciei, e de novo perdi o dom
de Deus. Em outra ocasião fui persuadido a ocultá-lo, raciocinando: Quão poucos,
mesmo entre os filhos de Deus, receberão este testemunho; muitos deles supondo
que toda transgressão da lei adâmica seja pecado: se, portanto, professo-me livre do
pecado, todos classificarão a minha profissão de mentirosa, Porque não estou livre
como eles entendem (não estou livre da ignorância, dos enganos e das
enfermidades), desfrutarei do que Deus operou em mim, mas não direi: ‘Sou
perfeito em amor’. Ai de mim! Logo verifiquei outra vez: ‘Aquele que esconde o
talento do seu Senhor e não o faz produzir, desse servo inútil será tornado, o que
tem’.

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“Ora meus irmãos: vede a minha loucura. Confessei-a na vossa presença, e agora
estou resolvido a confessar o meu Mestre diante de todos vos, Confessá-lo-ei ao
mundo inteiro. E declaro-vos, na presença de Deus, da Santíssima Trindade, estou
agora morto para o pecado e vivo para Deus, através de Jesus Cristo que é a minha
santidade íntima, meu tudo em tudo”. Essa confissão foi o princípio da
permanência de Fletcher na santidade, e dos dias do seu poder maravilhoso.

Escreve Fannie J. Sparks: “Desfrutei a bênção durante dois anos ou mais depois
disto; mas não caminhei na luz clara, como deveria ter feito, pois, por medo tornei-
me cauteloso no confessar Cristo como meu santificador em tudo. Esse foi meu erro
fatal, e não me admiro que minha luz se amortecesse, até gradualmente morrer”
(Forty Witnesses, pág. 36).

Escreve o Rev. William Reddy, doutor em teologia: “No dia seguinte a minha
libertação, veio a sugestão: ‘Estás disposto a confessar o que o Senhor fez por ti? A
pergunta infundia temor. Abaixei os olhos. Murmuraram-me: ‘Se confessares esta
bênção, serás chamado de perfeccionista’. Sugeriu-me ainda: ‘Desfrutarás dela por
um pouco, e depois se tiveres feito a confissão e perderes a bênção, sobreviverá
desonra a santa doutrina’. Sem perceber que estas sugestões vinham do inimigo,
cedi, e determinei ficar em silêncio, e procurar vivê-la por um período primeiro.
Num instante, verifiquei que perdera a bênção. Recuperei-a após quatro anos”
(Forty Witnesses, pág. 80).

Frances E. Willard recebeu a bênção em Evanston, e logo após foi para Lima, no
Estado de Nova porque, como preceptora do Genesee Wesleyan Seminary.:
Aconselharam-na a silenciar-se sobre a santificação por causa dos Metodistas Livres
na vizinhança. Era um conselho cruel. Escreve ela: “Silenciei, e em seguida
verifiquei. que não possuía mais nada em especial sobre que silenciar! A
experiência me abandonara... Aquele suave influxo, aquele céu na alma, que vim a
experimentar na reunião da Sra. Palmer, já não sentia” (Forty Witnesses, pág. 97).

Escreve o Rev. William Jones. D.D., LL. D.: “Sobreveio-me o batismo de fogo, e
tornei-me inteiramente são. Durante pouco mais de um ano desfrutei desta preciosa
experiência, em silêncio e a sós. Que eu soubesse, ninguém pregava sobre o
assunto; que eu ouvisse, ninguém testificava dela e eu cautelosamente guardava
silêncio, até que o seu resplendor passou, e encontrei-me sem o testemunho da

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pureza”. Recuperou a bênção depois disso e há muitos anos se conserva em “vitória


gloriosa” (Forty Witnesses, pág. 199).

Palavras de Mary Sparkes Wheeler: “Com humilhação me recordo de muitas


quedas que vieram por negligenciar o testemunho desta graça, Por experiência
tenho aprendido que devo crer não somente no meu coração, mas também
confessar com a minha boca esta salvação completa” (Forty Witnesses, pág. 213).
Centenas de pessoas poderiam prestar testemunho semelhante, provando que um
Salvador santificador deve ser confessado pelos que o conhecem como tal.

Diz o Dr. Sheridan Baker: “O testemunho claro sobre a plena salvação e tão oposto
por Satanás, e tão contrário ao gosto de uma igreja mundana, e é tão desencorajado
por muitos que se consideram sábios e bons, que os que perdem a bênção da
santificação completa por ambiguidade no testemunho, ou por dá-lo de maneira
vaga, são em maior número do que os que a perdem por qualquer outra causa, ou
por todas as outras juntamente” (Hidden Manna, págs. 264, 265).

E agora uma palavra sobre como fazer a confissão. Pedi a sabedoria divina para
ajudar o vosso bom senso no dar o testemunho tão eficaz quanto possível. O Rev.
M.L. Haney, evangelista, da a seguinte ilustração de como duas pessoas, “A” e “B”,
testificam da mesma bênção — uma sábia, e outra inconvenientemente:

A— diz: “Eu sou santo”.

B— diz: “Deus, em Sua grande misericórdia, me concedeu um coração santo”.

A— “Estou inteiramente santificado”.

B— “O mesmo Deus da paz me santifica inteiramente”.

A— “Sou um homem perfeito”.

B— “Jesus aperfeiçoou a minha alma em amor”.

A— “Há dez meses fui santificado, e desde então não pequei mais”.

B— “Há dez meses Jesus santificou a minha alma, e desde então graciosa e
maravilhosamente, me tem conservado”.

A— “Amo a Deus com todo o meu coração e o meu próximo como a mim mesmo”.

B— “Jesus me purificou de todo pecado, e me encheu de perfeito amor”.

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A— “Vivo sem pecado”.

B— “Jesus, por Sua graça, me guarda de pecar contra Ele”.

“O testemunho do irmão “A” pode ser verdadeiro, mas e dado sem sabedoria, e
causa muito mal. E naturalmente repulsivo e encontra oposição instintiva, mesmo
no coração das pessoas bondosas. Por sua vez, a oposição produz uma atitude de
desafio na testemunha, e suas palavras e atitudes resultam em que dois se desviam
da experiência, quando apenas mais um toma posse dela. Não vos esqueçais de que
testificamos, não para nós próprios, do que temos feito, ou deixamos de fazer; mas
somos as testemunhas de Jesus, e do Seu poder de salvar” (Inheritance Restored, pág.
164).

Sejamos, portanto, modestos, e façamos o nosso ego desaparecer de vista, tendo em


mente as palavras do Bispo Fowler a alguns jovens ministros: “Lembrai-vos;
santificação não é excentricidade”. O diabo odeia a santidade, e o testemunho dela
pode ser bastante ofensivo a um mundo iníquo e a uma igreja mundana; demos o
nosso testemunho para a glória de Jesus, e da maneira mais modesta, bondosa,
suave e graciosa possível. E quando tiverdes falado como testemunhas, ficai
contentes em suportar, de maneira cristã, todas as coisas feias que possam ser ditas
a vós ou a vosso respeito.

3 — Cuidado com o orgulho espiritual — O dom do Espírito Santo fará uma notável
diferença em vossa vida, a que será percebido por vós e pelos outros. Dai, porém,
toda glória a Jesus, e cuidado com as comparações entre vós e os outros. Escreve a
Sra. Baxter: “Durante oito anos minha vida parecia ir de força em força, e numa
utilidade abençoada. Mas, naquele tempo, não sabia quanto estava ocupada comigo
mesmo e com a minha própria santidade. Cai no orgulho espiritual” (Forty
Wztnesses, pág. 74). Fora-se a, sua bênção, e muito tempo clamou dia e noite, no pó
da humilhação, antes que a Pomba Celestial retornasse.

John Wesley deu o seguinte conselho: “Vigiai e orai continuamente contra o


orgulho; se Deus o expulsou, vede que não entre mais; é tão perigoso, em todos os
sentidos, como a cobiça. E podeis deslizar de novo para ele sem, o perceberdes,
especialmente se pensais que não há bênção. Se julgais que aprendestes tanto de
Deus, que já não precisais do ensino humano, o orgulho jaz à porta. Sim, tendes
necessidade de aprender uns dos outros, até do mais humilde pregador da cidade;
sim, de todos os homens, pois Deus envia quem Ele quer. Lembrai-vos sempre,

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muita graça não implica muita luz. A não observância disto tem levado alguns a
muitos enganos, e, pelo menos, a aparência do orgulho. Haja em vós o mesmo
espírito humilde que havia em Cristo Jesus. E ‘revesti-vos igualmente de
humildade’. Que ela não somente vos encha, mas vos revista inteiramente. Que a
modéstia e a ausência de confiança em vós próprios transpareça em todas as vossas
palavras e ações. Como exemplo disto, estai sempre prontos a reconhecer qualquer
falta; não procureis evadir-vos ou disfarçá-la, e assim não prejudicareis a
evangelho, antes o adornareis” (Christian Purity, do Bispo Foster, págs. 284, 286).

4 — “Cuidado”, dizia John Wesley, “com esse filho do orgulho, o entusiasmo. Não deis
lugar a uma imaginação inflamada. Não vos apresseis em atribuir sonhos, vozes,
impressões, visões, ou revelações, a Deus. Pode ser que venham dEle. Podem ser da
natureza. Podem ser do diabo. Provai todas as coisas pela Palavra escrita de Deus”
(Foster, Christian Purity, pág. 286).

Cuidado com o fanatismo e com alguns costumes não bíblicos. Para reter a bênção,
devem-se usar os meios da graça divinamente indicados. Não se pode negligenciar
a Bíblia, pais ela revela a vontade de Deus e revela o Seu Espírito. “E o mapa diário
do filho de Deus. E a palavra falada de Jesus. Usai a vossa Bíblia continuamente, e
oral sem cessar. Uma das leis especiais do remo e Pedir a fim de receber. Ser falho
no pedir e ser falho no receber. Uma vida sem oração não pode ser uma vida
santa”. (Holy Way, pág. 47).

“Se quisermos ser conservados irrepreensíveis devemos conservar incessante


comunhão com Deus e permanecer no espírito de oração e comunhão através do
Espírito Santo, pois só assim seremos guiados em todos os caminhos de Sua
vontade, e conservados sem manchas e em tudo obedientes” (Wholly Sanctified, pág.
180).

5 — Acolhei toda nova luz — “Se porém andarmos na luz, como Ele está na luz
mantendo comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos
purifica de todo pecado” (I João 1:7). Deus quer lançar contínua luz sobre nossos
novos deveres, que com razão espera cumpramos. “Para reter a santificação ou
purificação, devemos caminhar na luz. Se assim permanecermos, o sangue será
aplicado pelo Espírito Santo. A condenação sobrevém por recusarmo-nos a andar
na luz recebida e reconhecida. Conhecer o caminho da santidade e recusar, a andar
nEle, e perder a justificação” (Holy Way, pág. 46).

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Diz uma testemunha da santidade: “Em todo o tempo, era frequente surpreender-
me com novas descobertas. Coisas que tinham parecido perfeitamente corretas e
próprias, tornaram-se objetos de suspeita interior. Sempre que isto ocorria, sentia
uma pronta disposição para aplicar a luz mais perscrutadora; e se depois de um
completo exame a luz da Santa Palavra a coisa tinha o aroma do mal, era
abandonada com alegria, sem que experimentasse nenhum desejo interior de ir
contra a vontade de Deus. Na verdade esta tem sido sempre a grande pergunta
apuradora: É a vontade de Deus? Sempre que a conheço, é minha a Sua vontade;
não por obrigação, mas por livre e espontânea escolha. Louvado seja o Senhor. Tal
espírito preservará a bênção da santidade.

6 — Abstende-vos das coisas duvidosas — “Abstende-vos de toda aparência do mal.


Evitai todas as coisas duvidosas. Estai sempre alerta sobre as coisas que não fazem
mal’, de que tanto vos falam. Enfrentai-as com semblante inflexível. Conservai-vos
bem fora da esfera das tentações. Não vades naquela direção. Ponde na lista de
vossas máximas diárias: ‘Tudo o que não provem da fé e pecado (Romanos 14:23).
(Holy Way, pág. 52).

“Verificamos que sempre os cristãos, cujas vidas estão escondidas com Cristo, em
Deus, mais cedo ou mais tarde colocaram de lado os divertimentos mundanos
abandonaram joias, vestiram-se com simplicidade sem enfeites desnecessários,
renunciando aos hábitos mundanos, e a todas as satisfações puramente carnais.
Mais cedo ou mais tarde tenho geralmente verificado que abandonam o fumo, a
bebida, o vinho, a cerveja, etc. Sabe-se que a dança é contrária à vontade de Deus. O
cinema e o teatro, reconhecemo-lo, não são lugares próprios para um seguidos do
Senhor Jesus. Ano após ano, vemos que tais cristãos se tornam menos mundanos,
com uma mente mais celestial, mais transformados, mais como Cristo, até que seus
próprios rostos expressam tanto da sublime vida divina interior, que todos os que a
contemplam não podem deixar de reconhecer que vivem com Jesus e permanecem
nEle... As alturas da perfeição cristã só podem ser atingidas se seguirmos, a cada
momento, o Guia que nos leva para elas e nos revela o caminho passo a passo, nas
pequeninas coisas da nossa vida diária, pedindo apenas de nossa parte que nos
entreguemos ao Seu cuidado. Se, pois, em alguma coisa vos sentirdes hesitantes ou
perturbados, estai certos de que e a voz do Senhor, e rendei-a imediatamente ao
Seu mando regozijando-vos com grande alegria, pois Ele já começou a dirigir-vos e
a guiar-vos. Sede perfeitamente dóceis em Suas mãos, e ide para onde Ele vos

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encaminhar, desviai-vos de tudo do que Ele vos afastar, obedecei-Lhe


perfeitamente e Ele vos guiará, destra e facilmente, para uma vida de conformidade
com Ele próprio” (H. W. Smith, Secret of a Happy Life, págs. 176-178).

7 — Não vos espanteis com as tentações, nem desanimei com elas — Jesus foi tentado,
mas não pecou; e nós também, se não cedermos e não desanimarmos. Diz um velho
escritor: “Todo desânimo vem do diabo”. Devemos fugir do desânimo como se
fugíssemos do pecado, reconhecendo a presença de Satanás em toda tentação.

Diz Hannah W. Smith: “Uma amada senhora em grande confusão me procurou,


simplesmente por não compreender isto. Vivera alegremente a vida da fé por
algum tempo; de repente, assaltou-a uma forma de tentação muito peculiar que a
horrorizava. No momento em que começava a orar ocorriam-lhe à mente
pensamentos horríveis de todas as espécies. Começou a pensar que não poderia ter
entrado no descanso da fé, e por fim concluiu que nem mesmo havia nascido de
novo. Sua alma se angustiava. Disse-lhe que estes pensamentos cheios de dúvidas
eram todos sugestões de Satanás, e que não poderia evitá-los mais do que ouvir
blasfêmias em sua presença proferidas pela boca de um iníquo. Admoestei-a a
reconhecê-los e a tratá-los como vindos de Satanás voltando-se imediatamente para
Jesus, entregando-os a Ele. Aprendeu a verdade e, da vez seguinte em que estes
pensamentos apareceram, disse a Satanás: ‘Descobri-te agora. És tu que sugeres
estes pensamentos terríveis; pois eu os odeio, e nada quero ter com eles, o Senhor e
o meu auxílio; leva-os a Ele’. Malogrados os seus intentos, o inimigo fugiu em
confusão, e sua alma foi perfeitamente liberta” (The Christian Secret of a Happy Life,
pág. 140).

“A tentação não é pecado a menos que seja acompanhada do consentimento da


vontade. Devemos aprender a discriminar entre as sugestões de Satanás e as nossas
escolhas, declarando: ‘Não aceito; não consinto; não sou responsável; não hei de
pecar; ainda considero-me na verdade morto para o pecado, e vivo para Deus
através de Jesus Cristo’”.

O Dr. A. B. Simpson cita, da Sra. Jamieson, um incidente dos anais da igreja


primitiva. Uma belíssima e santa donzela de Antioquia tornou-se objeto de paixão
pecaminosa de um pagão nobre. Incapaz de conquistar seu afeto, contratou um
mágico para lançar sobre ela um encantamento fatal, colhendo-a nas redes da sua
armadilha. O próprio mágico, porém, ficou enamorado da bela jovem, e vendeu-se

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ao diabo sob a condição de que lhe daria poder para cativá-la com iníqua paixão.
Começou assim a aplicar suas artes, e infundir no espírito dela o encanto fascinante
de sua própria imaginação. De repente, a pobre moca viu que se achava qual
pássaro encantado, possuída de sentimentos, e aparentemente de paixões, que
nunca antes conhecera. Seu coração puro se horrorizava com as constantes visões
de que todo a seu ser antes se afastara; e contudo, era como ela devesse ser poluída
e degradada. Começava a perder a esperança, Neste estado de espírito, foi falar
com o seu pastor, e ele num instante discutiu qual era sua tribulação, explicando
que estas influências e sentimentos não eram do seu próprio coração, de modo
algum, porém magias da vontade de outrem, cujo único poder consistia nos
temores dela, e em admiti-los como seus; se em nome do Senhor, se recusasse
reconhecê-los como seus, quebrar-se-ia o encanto. Inefavelmente confortada, voltou
para a casa e, com o poder de Cristo, enfrentou face a face essas atrações do mal,
verificando que o seu poder terminara. O próprio magico ficou consciente de que o
seu poder se fora, confessou seu pecado, pediu o perdão e as orações da jovem, e
entregou-se a Deus. E sempre será assim, em nome e pelo poder de Cristo, a alma
tentada pode obter a vitória (Wholly Sanctified, págs. 170, 172).

8 — Vigiai — Estamos num mundo de pecado e tentação, rodeados de inimigos


invisíveis, poderosos adversários espirituais. Bem disse Jesus: “O que vos digo,
digo-o a todos, vigiai”. “A porta dos olhos e a porta dos ouvidos estão sujeitos a
ataques quase todo o tempo. Eva caiu nestas duas portas. Davi caiu na porta dos
olhos. Pedro falhou por covardia interior. Demas amou o presente mundo do mal.
Olhai bem o coração, porque dele procedem as saídas da Vida. E depois dessa
vossa língua, e os lábios! Vigiai.” (The Holy Way, pág. 53).

9 — Trabalhai — O Senhor nos chama para o alto prêmio da santidade a fim de


sermos eficientes no serviço, bem como para o nosso próprio bem estar. Usai sem
cessar o dom de Deus. “Enquanto muitos fracassam porque nada dizem, outros
fracassam porque nada fazem com a bênção. Se alguém esconde o talento da
santidade, fortuna que Deus nele investiu, não poderá ser honrado... Nem um
décimo daqueles a quem Deus dotou com a bênção de um coração puro, produzem
nada semelhante ao melhor que podem. Não lavram um hectare entre cinquenta
dos que tem direito a lavrar. Resplandeça a tua luz. Põe o teu talento a juro. Conta o
que recebeste de sorte que outros o obtenham. Difunde a santidade. Faz a tua alma

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redimida render o máximo para Deus. Faze algo com a tua experiência, ou ela
enferrujará” (The Holy Way, pág. 49).

John Wesley dizia: “Cuidado com os pecados de omissão: não percas oportunidade
de fazer o bem de qualquer espécie. Se zeloso em boas obras; disposto a não omitir
nenhuma boa obra, quer da piedade quer da misericórdia. Faze todo o bem que
podes aos corpos e as almas dos homens. Se ativo”.

10 — Que a amor vigie as vossas palavras e controle a vossa vida. “Pelas tuas palavras
serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado” (Mateus 12:37). Pedi a
Deus que Se disponha a colocar guarda a porta dos vossos lábios para que não
pequeis contra Ele. O famoso Alfred Cookman buscou e obteve o batismo do
Espírito Santo, e recebeu a almejada bênção da santidade, com o inefável gozo, paz,
luz e força que a acompanham. Oito semanas depois, quando foi a um congresso
diz ele: “Encontrava-me no meio de irmãos amados. Esquecido de quão facilmente
poderia ofender o Espírito Santo, permiti-me deixar levar pelo espírito do
momento, de depois de uma indulgência em brincadeiras tolas e histórias fúteis,
percebi que tinha sofrido seria perda, Encaminhei-me para o meu campo de
trabalho seguinte com a consciência de poder espiritual diminuído” (Forty
Witnesses, pág. 288).

Diz Isaías Reid: “Não fales demais. A religião poderá ir-se embora pela tua boca.
Evita principalmente falar sobre as noticias contra a santidade, que ouves. Se, por
acaso, alguma alma que brilhava na experiência, caiu, por que desejarias correr a
contá-lo? Que o diabo faça circular os seus próprios jornais. Lembra-te também da
ordem divina: ‘Não faleis mal de homem algum’. Permanece no amor. Caminha no
amor. Nutre pensamentos amáveis, fala palavras amáveis. Uma vida de
santificação e uma vida de perfeito amor. “A santidade e o aperfeiçoamento do
amor”. Cuidado com a santidade perdida que critica, despedaça e espanca pessoas
sob a alegação de cumprir o texto: “Declara a Israel as suas transgressões e que
chama a isso santidade, embora de há muito a doçura do amor tenha
desaparecida.” (The Holy Way, págs. 52-54).

11 — Vigiai os pensamentos — Conservai a mente cheia de pensamentos de Deus e


das coisas santas. Bem diz o Dr. Simpson: “Se queremos ser preservados, devemos
guardar zelosamente os nossos corações e pensamentos, não nos abandonando a
corrente de todas as Imaginações que estão prontas a insinuar-se no cérebro. Se

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andais bem perto de Deus, procurando ouvir a Sua voz, tereis logo consciência de
um constrangimento, um peso sobre o vosso espirito, uma repressão sobre o
coração, um senso profundo e terno da solicitude de Deus pelo Seu Filho.” Acolhei
e cultivai esse senso de proximidade de Deus, e recebei bem apenas os
pensamentos que vos possam ser agradáveis,

12 — Associai-vos com pessoas deveras piedosas — Por mais que difiram entre si em
classe ou posição social, os verdadeiros santos se acharão unidos por um terno e
santo laco — em comum, são semelhantes ao Salvador. Buscai os vossos amigos
íntimos não entre os descrentes, nem entre os carnais, os mundanos professores de
religião, mas entre os que, como vós mesmos, estão procurando viver e andar com
Deus. Foi com tal espírito que Moises voltou as costas a corte do Egito para
associar-se com os escravos, porque eram o povo de Deus. A negligência dos povos
santos em reunirem-se para mutuo conselho e encorajamento, e para ajudarem-se
uns aos outros em simpatia e oração, será sempre acompanhada de grande perda.
Uni-vos com os que são amigos da santidade, e ide as igrejas e reuniões onde ela e
ensinada e buscada com oração.

13 — Lede literatura sobre santidade — E incalculável o debito do autor para com os


que escreveram sobre o assunto, e os amigos que puseram em suas mãos os livros
citados neste volume. Impossível e calcular a medida de sua ajuda espiritual. E é
simplesmente espantoso que tivesse passado tantos anos de seu ministério,
colecionando centenas de livros, sem a ajuda desta abençoada literatura. Procurai e
lede estes livros e periódicos sobre a santidade. Conservai vivo o vosso interesse e
refrigerado o espírito com os melhores pensamentos e experiências dos outros.
Assim se conservara aceso o vosso coração e entusiasmada a vossa mente com as
coisas profundas de Deus, estes santíssimos privilégios de seus filhos e filhas. A
santificação não pode alimentar-se exclusivamente da sujeira dos jornais diários, e
dela viver.

14 — Cuidado com a cisma — a separação no seio dos irmãos — “Cuidado”, dizia


Wesley, “para não abrirdes uma fenda na igreja de Cristo. Essa desunião interior,
os membros que deixam de nutrir amor reciproco uns pelos outros, e a própria raiz
de todas as contendas, e de toda separação exterior. Cuidado com o espírito de
divisão; evitai o que quer que se lhe assemelhe”. Se o vosso pastor não aceita a
doutrina da santificação como e ensinada nas Escrituras, tende misericórdia dele,
oral por ele, ajudai-o. Se vossos irmãos e irmãs em Cristo, em vossa igreja, vos

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perseguem, lembrai-vos de que Jesus e Paulo foram tratados da mesma maneira.


Não abandoneis a igreja, mas ficai ali mesmo, e prestai humildemente o vosso
testemunho sobre o poder salvador de Jesus, e aceitai depois com mansidão o que
possa vir. O vosso testemunho e necessário exatamente onde Deus vos colocou;
demonstrai, por contraste, a beleza da santidade, e algum dia na terra ou no céu a
vossa vida e o vosso testemunho serão justificados.

O Rev. Samuel P. Jones, num recente sermão na Primeira Igreja Presbiteriana de


Nashville, com seu estilo peculiar, assim defendeu os crentes santificados: “Um
coração purificado é a necessidade de todo cristão e cristã, e deveria ser o clamor e
a súplica, o objeto de grande anseio por parte de todos os filhos de Deus: — Cria
em mim, o Deus, um coração puro! Graças a Deus este e o nosso privilégio. Graças
a Deus, pois são muitos, os que o buscam e o obtém, Pouco me importa como o
chameis. Acolho-o sob qualquer nome, e nutro profundo desprezo pelo espírito que
quer deprecia-lo e ao povo que o possui.

“Podeis dizer o que quiserdes sobre os adeptos da santidade, porém eu quem dizer
isto: ‘Nunca vi um santificado que não fosse absolutamente contrário ao alcoolismo,
ao jogo de cartas, e a toda forma de mundanismo na igreja. Nunca vi um homem
ou mulher, de posse da segunda bênção, que acreditasse em festas mundanas, que
as fizesse ou delas tomasse parte, servisse ponche, frequentasse ao cinema, teatro, a
festas dançantes, ou se entregasse ou animasse qualquer fase ou forma do
satanismo que e a praga da igreja moderna. Nunca vi um homem ou mulher de
posse da segunda bênção, que não orasse em todo e qualquer lugar onde e
chamado, e que não estivesse pronto para se levantar e testificar do Senhor, sempre
que se oferecesse oportunidade. Nunca vi um homem ou mulher, de posse da
segunda bênção, a frente de uma família, que não se ajoelhasse de noite e de
manha, e orasse pelos filhos naquela casa e pela orientação de Deus, em tudo o que
se refere as sagradas responsabilidades do lar’. Dir-vos-ei outra coisa: ‘Nunca vi um
pregador em minha vida, que combatesse o povo da santidade que não
demonstrasse importância espiritual na igreja. Podeis observá-lo. Todo pregador
que combate o povo da santidade está entre aqueles pastores que nunca tiveram
um reavivamento em seu ministério, a não ser que alguém dirigisse as reuniões em
sua igreja. Deus não pode honrar tal pregador. Se virdes na igreja um homem que
combate a santidade e aos crentes santificados e o examinardes bem, vereis que
leva uma vida errada, ou que o seu caráter é corrupto. Outra coisa vos direi:

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

Sempre que virdes a uma das irmãs na igreja atacando ‘estes fanáticos da segunda
bênção’, como ela os chama, podeis estar certos de que se trata duma daquelas
mulheraças que promovem alguma forma de mundanismo.’

“Alguns defensores da segunda bênção, assim chamados, não tem o espírito que
lhes convém e suas vidas também não estão conformes. Posso dizer isto — tais
pessoas não receberam a segunda bênção, e se já o fizeram, perderam-na. Mas
posso dizer que alguns, dentre os que estão sempre combatendo os defensores da
segunda bênção, podem ter possuído a primeira quando começaram a nos
combater; mas combateram tanto e tanto que perderam a primeira bênção. Temos
de ter um coração puro para termos uma vida limpa, e Deus deseja ambos. Graças a
Deus, há água suficiente no Rio da vida para purificar todos os corações, de todo o
pecado. Algumas das mais doces memórias de minha vida e das mais profundas
experiências de meu caráter cristão, estão ligadas a estes irmãos inteiramente
santificados”, “Oh! confessor da santidade, fica no teu lugar. Não cedas! Suporta o
escárnio! Sofre a dor! Que o inimigo zombe. Um dia tudo será esquecido como um
sonho!” Um dia os ministros e as igrejas mundanas, e o próprio mundo,
aprenderão que o batismo do Espírito Santo, e a santidade, e o povo santo valem
alguma coisa para um mundo amaldiçoado pelo pecado.

15 — Vivei a momenta que passa — “Se quisermos ser preservados irrepreensíveis,


devemos viver, não por longos intervalos, mas cada instante que passa, cada
momento presente. Cada instante deve ser dedicado e apresentado a Deus, um
sacrifício incessante, e cada fôlego depositado em Seu seio e recebido de novo de
Seu Ser. Devemos também aprender a recuperar-nos instantaneamente do fracasso
com uma franca confissão, de pronta e reentrega. E possível determo-nos antes de
realmente cairmos Deus o não considera como queda se não chegamos a ceder.
Mãos invisíveis estão sempre perto para sustentar-nos, mesmo quando nossos pés
se precipitam sobre uma pedra” (Holly Sanctified, pág. 183).

Diz o Bispo Foster: — “Adquiri o hábito de viver o minuto que passa. Não
suponhais que não estais trabalhando para o futuro, mas trabalhai neste momento.
Cuidai deste momento agora, enquanto o tendes, e do seguinte, quando chegar; só
assim não negligenciareis nenhum. Podeis viver este minute sem pecado! Não é
assim? (Com a ajuda de Deus) fazei-o, pois. Não importa o que esteja diante de vós.
(Com a ajuda de Jesus) não pequeis agora. Quando cada minuto sucessivo for
chegando, fazei da mesma maneira. Se fizerdes assim, não havereis de pecar. Os

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

dias são feitos de minutos; se cada um destes for sem pecado, o dia também o será.
Experimentai-o. Nada é mais fácil; nada mais sábio. Vivei o memento que passa.
Conduzi os vossos negócios, o vosso trabalho, o estudo; planejai para o futuro, no
minuto que passa. Confiai em Deus agora; fazei a vontade de Deus agora; não
ofendais a Deus agora. Se observardes estas simples regras, não falhareis” (Christian
Purity, pág. 262).

Encontro esta ilustração em meu caderno de notas contadas por A. B. Earle: “Um
grande mercador de Nova Iorque, com milhares de empregados, e realizando uma
imensidão de negócios, era exatamente feliz em Jesus. Era metodista, e recebera o
batismo do Espírito Santo. Alguns achavam que era um hip6crita, sob a alegação de
que ninguém poderia negociar tanto, e mesmo assim viver tão perto de Jesus como
ele parecia viver. Alguns deles formaram uma comissão para ir a sua casa de
negócio e observá-lo, a fim de poder encontrar falta em sua vida cristã. Quando o
relógio soava, ele dizia a todos os que estavam consigo: ‘Desculpai-me um minuto’,
e entrava num pequeno escritório particular, depois voltava e continuava os seus
negócios. O relógio soava outra vez e o ato era repetido. Finalmente, perguntaram-
lhe o que significava aquilo, Disse-lhe que entrava naquele quarto para uma
palavra de oração, cada hora. Orava: — ‘Agradeço-te, ó Deus, porque me
conservaste mais uma hora sem pecado; agora concede-me a graça da próxima
hora.’ ‘Irmãos, eu sirvo a Deus pela hora que passa’. Jesus mansamente o
conservava. Esse guardar constante de Cristo, esse constante ‘permanecer nEle,’ e a
santificação, ‘Todo aquele que permanece nele, não vive pecando” (I João 3:6).

Estas instruções não implicam que sejamos guardados pela eficiência de nossos
esforços, mas por intermédio deles. São as condições da parte humana. Nós
empregamos os meios, o Salvador que santifica nos conserva em todo o tempo. Nós
trabalhamos, e Ele opera em nós o querer e o fazer. Nós vigiamos, e cremos, e
somos “guardados pelo poder de Deus através da fé”. Guardamos Cristo em nós e
Ele nos guarda. “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito,
alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis... Fiel e o que vos chama,
o qual também o fará” (I Tessalonicenses 5:23-24).

“Sagrada união com o Espírito Perfeito!


Somente Tu, Senhor, a podes dar.
Quão bem-aventurados os que a Pérola
De grande preço acharam, e aprenderam

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A, mortos para o mundo, em Ti viver!

“Assim me entrego aos braços Teus de amor,


Perdido para tudo que não es Tu.
Feliz e minha alma, pois a ensinaste
A achar na morte a vida do infinito.

“Vai, tu também, da cruz aprende o exemplo.


Percorre a trilha de profetas, santos,
Que a si próprios e it vida como perda
Tendo, nessa renúncia a vida eterna acharam.”

— Prof. Upham,

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CAPÍTULO XX

APELO AOS CRISTÃOS E IGREJAS, AOS MINISTROS


E PROFESSORES DE TEOLOGIA

Se alguma coisa provou este livro, mostrou ele, de modo conclusivo, que a
santificação e a santidade são possíveis a qualquer filho de Deus; que esta bênção
não era para uns poucos, mas para todos; que ela vem à alma através do “batismo
com o Espírito Santo e com fogo”; que a bênção se não alcança por um processo de
crescimento, mas é recebida INSTANTANEAMENTE, como no Pentecostes, “pela
fé”, embora a alma possa crescer gradualmente nas condições para a recepção da
bênção; que a bênção se retida pela fé, como e recebida, é seguida de grande
crescimento na graça, e paz, e certeza, e descanso, e gozo, e coragem, e poder e
excepcional paixão pelas almas. Todas estas coisas foram consolidadas e
confirmadas, fora de qualquer dúvida razoável, se é que uma interpretação justa,
lógica e natural, de centenas de textos comprovantes pode provar qualquer coisa e
estabelecer qualquer verdade da Palavra de Deus. Mas não só isso: citamos
abundantemente as “epístolas vivas” de Deus, a experiência íntima de seus santos,
que lutavam e gemiam na escravidão da carne, e nos labores da mente carnal, até
que fugiram para refugiar-se no Salvador que santifica, a qual, no batismo do
Espírito Santo, veio de repente com libertação INSTANTÂNEA. Invocamos o
testemunho de centenas, os quais, por uma linha ininterrupta de testemunho
convergente quanto a sua experiência pessoal, demonstraram que a santificação se
obtém INSTANTANEAMENTE, pela fé, através do poder do Espírito Santo,
purgando e purificando o coração. Acreditamos que o ensino deste livro se firma
sobre o alicerce inexpugnável da Palavra de Deus, e a experiência de seus santos.

1 — Que farás, então leitor cristão, com esta verdade bendita? Ficarás ainda no
insatisfatório estado carnal, sem o gozo da verdadeira filiação, sem o grito de
alegria da vitória consciente, sem a esperança e o descanso e a paz “que excede
todo entendimento”? Não sentiste que havia uma gloriosa maturidade de
experiência cristã descrita na Bíblia e para a qual eras um completo estranho, e que
a tua vida cristã era uma infância protelada, por causa da doença da mente carnal,
que impedia o teu crescimento (I Coríntios 3:1-3)? Não estás constantemente

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lamentando os pecados e os fracassos, e não haver vitória sobre o pecado? Não


sentes constantemente que o “velho homem” do “pecado que em ti habita” ainda
não foi crucificado, e se manifesta constantemente no mau gênio, no orgulho, na
vaidade, na concupiscência da carne, e na cobiça dos olhos, e na soberba da vida?
Não podes dizer, pela triste experiência do teu próprio coração, que estas palavras
de Andrew Murray são verdadeiras: “Através de toda a igreja de Cristo, há uma
queixa universal de fraqueza da vida cristã, e dezenas de milhares de almas
anseiam conhecer como levar uma vida melhor. Encontram na Palavra de Deus
promessas de paz perfeita, fé que vence o mundo, gozo inefável, vida de comunhão
constante com Cristo, escondidos na mão de Deus, e no culto do Seu esconderijo.
Milhares, porém, é lamentável, dizem não saber como obtê-la?” Demonstramos
nestas páginas o caminho apontado pelo próprio Deus — o caminho que os santos
trilharam — o caminho para a vitória, e a paz, e o gozo e o poder. É o caminho da
FÉ num Salvador que santifica. É o recebimento do Espírito Santo, concedido
INSTANTANEAMENTE ao que tiver fome dEle, rogar por Ele, consagrar-se e crer.
Andarás tu neste caminho divino, e receberás a bênção AGORA? “Nós que cremos,
na verdade entramos no descanso”. Crerás, atravessando o Jordao, e entrando na
tua Canaã de “Santidade e Poder” agora mesmo? Ou retornaras ao triste deserto
das tuas próprias obras, ações e lutas, e resoluções inúteis, numa repetição
Interminável? Os teus pés cansados já palmilharam esse deserto por muito tempo
— deserto mil vezes molhado pelas tuas lagrimas, e coberto com túmulos das tuas
esperanças mortas, resoluções frustradas e votos desonrados. Consumirás a tua
vida nesse deserto, e ai morrerás, quando uma Canaã de descanso te convida, e o
Espírito Santo, como outro Josué, espera para introduzir-te lá?

Lembra-te, o crente, de que és um membro da igreja de Cristo — parte do corpo de


Cristo. Faze o máximo de ti mesmo pela causa da igreja de Cristo, e pelo seu
bendito Salvador. Qualquer que seja a tua filiação denominacional, que estas
palavras do sermão dos bispos da Igreja Episcopal Metodista em 1896, movam o
teu coração como um chamado de Deus para a “Santidade e Poder”: “Nenhuma
ênfase e demasiada ao dizer-vos que, em todas as eras, a igreja tem ficado muito
aquém do ideal divino, tanto em pureza como em poder. Os pensamentos e os
planos de Deus para a Sua igreja estão acima de nós tanto quanto os céus estão
acima da ferra, Suas Escrituras estão cheias de promessas. Os céus estão cheios de
Pentecostes. “Pedi e vos será feito” e a promessa divina ilimitada. O céu e a terra
estão empenhados no cumprimento. Ambos passarão antes que um jota ou til de

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Sua palavra possa falhar. Quando contemplamos o Seu ideal, a promessa, a


provisão e Q poder, a humilhação e exaltação do Senhor Jesus Cristo e os gemidos
inexprimíveis do Espírito Santo, parece-nos que provisão e realidade tem muito
pouca relação. O ideal de Deus para a Sua igreja e que como indivíduos e como um
tom, ela seja sem mancha ou ruga ou qualquer cotsa semelhante, noiva imaculada,
própria para o Cordeiro Imaculado, e portanto bastante forte para combater todo o
mal.

“Como igreja, temos ensinado, desde o principio, que os crentes tem poder de se tornarem
filhos de Deus, de serem feitos participantes da natureza divina. Temos insistido no
privilégio glorioso e no dever de todos os homens de se tornarem santos, DE SE
APERFEIÇOAREM IMEDIATAMENTE EM AMOR e de chegarem. gradualmente a
maturidade cristã, em todas as faculdades. Esta doutrina nunca foi mais definidamente
expressa, claramente percebida, nem consistentemente vivida por números maiores do que
agora. Quão lamentável, porém, a distância em que a igreja se acha da possibilidade divina.
Deus é sempre capaz de fazer por nós infinitamente mais, e abundantemente acima
de tudo o que pedimos ou mesmo pensamos. A razão de nossa impotência não está
em Deus, porém em nós. Deus nos ensina que devemos apresentar nossas almas e
corpos como sacrifício vivo, todas as faculdades, forças e posses devotados ao Seu
serviço... Quão poucos consagram TUDO DE SEU TUDO! Deus espera através dos
séculos, para mostrar o que pode fazer com homens perfeita e completamente consagrados.
Toda a criação também aguarda a revelação de um filho de Deus em plena
estatura”. Ó leitores, consagremo-nos inteiramente, creiamos e sejamos como
Barnabé, cheios de fé e do Espírito Santo”. Então “nos levantaremos e brilharemos,
tendo chegado a nossa luz, e tendo-se levantado sobre nós a glória do Senhor”
(Isaías 60:1), pois o nosso “Deus será a nossa luz” e gozo, e força e cântico, e
chegarão ao fim os dias da nossa lamentação” (Isaias 60:20).

2 — Direi agora uma palavra final aos meus irmãos no sagrado ministério. Dezoito
anos de pastorado e quatro anos de trabalho de reavivamento colocaram-me em
contato convosco. Conheço por experiência as vossas dificuldades, vossas
fraquezas e tentações, vossas vitórias e alegrias, vossas tristezas e anseios. Sei que
não é brincadeira de criança, não é tarefa leve ser embaixador digno e eficiente de
Jesus Cristo num púlpito moderno. A tendência hoje em dia, nesta era
mercantilizada, e para o mundanismo, Indulgência com a luxúria, moralidade
relaxada e falta de espiritualidade. Como me disse um irmão ministro outro dia:

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“As coisas estão tomando tal rumo, que as pessoas não veem mal em coisa alguma,
e somos obrigados a criar uma consciência cristã”. Conheço as necessidades
incessantes, os planos frustrados, a critica capciosa dos “homens insensatos”, a
oposição descabida dos que deveriam ajudar, as usurpações de tempo precioso, o
óleo queimado a meia noite, o amor não reconhecido dispensado aos odiosos, os
labores despendidos com os ingratos, os esforços e orações para alcançar corações
que não se convertem — tudo ouço, tudo tenho sentido. Vi um amado colega de
ministério com uma admirável congregação aos seus pés, um salário de cinco mil
dólares por ano, além de muitas dádivas generosas de amigos queridos, com uma
influência e posição que muitos homens cobiçariam, voltar para casa, depois de um
domingo de pregações, cobrir o rosto com as mãos e lamentar a evidente
esterilidade de sua obra, e declarar que errara sua vocação. Olhei o desalentado
irmão com toda piedade de um coração solidário. Não sabia, então, qual era o
problema do talentoso homem, que possuía um lugar e uma oportunidade que os
anjos cobiçariam. Agora o sei. O batismo do Espírito Santo teria quadruplicado sua
utilidade, fazendo de suas tarefas um gozo perpétuo, enchendo o seu coração de
alegria como a do céu. Tinha cultura, talento, humor, gênio — tudo, menos a unção
do Espírito Santo, sem a qual era pobre e fraco na verdade.

Assim é, caros irmãos, e será, e tem de ser, o caso com todos nós. Enquanto
confiamos na erudição e na cultura, na oratória e no gênio, valiosos e desejáveis
embora sejam, não descobriremos o segredo do êxito, e não realizaremos nem uma
fração daquilo para que fomos por Deus chamados a fazer no ministério, “Não é
pela força (humana), nem pelo poder (da oratória), mas pelo meu Espírito, diz o
Senhor dos exércitos”. É tão somente o Espírito de Deus, que comunica poder à
palavra pregada, sem o que todas as verdades da Bíblia não serão mais do que
“trovão para o surdo e relâmpago para o cego”. O lacre precisa de peso, uma mão
sobre ele, a fim de que sofra impressão. “A alma do pecador é o lacre; a verdade do
Evangelho é o sinete: mas, sem a mão todo-poderosa do Espírito Santo, o sinete é
impotente”. Nos tempos apostólicos a pregação era poderosa porque “pregavam o
evangelho pelo Espírito Santo enviado do céu” (I Pedro 1:12). Escrevo aos mil e
quatrocentos ministros congregacionais e a um número ainda maior de pregadores
presbiterianos, que chegaram ao fim do ano passado com corações tristes, porque
cada um deles pregara durante um ano sem uma só conversão. Escrevo aos três mil
que terão fracasso igualmente sombrio neste ano da graça de 1896. Não impugno a
vossa piedade. Não zombo da vossa sinceridade, nem do vosso amor e lealdade a

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verdade. Um médico, porém, que fracassasse em todos os casos durante um ano,


ficaria logo sem pacientes. Um advogado que perdesse todas as causas durante um
ano, logo não teria mais clientes. Assim também, um ministro que prega cem vezes
num ano, sem que seja respondido um só de seus apelos para o Mestre — sem
ganhar uma só alma, salvando-a do mundo para Jesus, está cometendo um
equívoco terrível em algum setor. Creio que e exatamente aqui está pregando sem o
poder do Espírito Santo. Tal resultado não seria possível se estivesse “cheio do
Espírito”. Um humilde e obscuro pregador irlandês, James Caughey, citado no
capítulo anterior, escreveu em seu diário: “Nenhum homem jamais teve êxito
notório em ganhar almas para Cristo, sem a ajuda do Espírito Santo. De posse dele,
o talento mais humilde pode espantar a terra e o inferno, reunindo milhares para o
céu, enquanto sem Ele, os talentos mais esplêndidos são comparativamente
inúteis”. Com esta convicção, Caughey buscou o batismo do Espírito Santo, e
depois em seis anos, viu mais de vinte mil almas aceitarem Cristo no altar.
Prezados irmãos, um ministério estéril e coisa inútil. Buscai esta grande bênção
como a única coisa absolutamente essencial a vossa obra.

“Bem antes de eu voltar da África do Sul”, diz Andrew Murray, “li uma sentença
que me impressionou profundamente, e a escrevi num de meus cadernos de notas.
Era esta — ‘O primeiro dever de todo pregador e suplicar a Deus, muito
humildemente, que tudo o que ele quiser que seja feito em seus ouvintes seja
primeiro, total e verdadeiramente, feito nele mesmo’. Não sei dizer qual o grande poder
que existe nesta sentença. Irmão ministro e irmão obreiro, o primeiro dever daquele
que trabalha para Cristo, e fala por Ele, e vir humildemente a Deus, e pedir que
tudo que Ele deseja ser feito em seus ouvintes, possa primeiro, de modo cabal, ser
inteiramente feito nele mesmo. Isso nos leva a origem de todo trabalho verdadeiro.
Quando falamos do amor de Deus, do poder da redenção, da salvação do pecado,
da plenitude do Espírito Santo, ou do amor de Deus derramado nos nossos
corações pelo Espírito Santo, necessitamos que Deus o faça realidade em nós
mesmos; e quanto mais fervorosamente o buscamos, mais haverá um poder oculto do
Espírito Santo em nós, em quem Deus realizou aquilo para que nos enviou a pregar... Deus
brilha em nossos corações pelo Espírito Santo, e pelo Espírito Santo revela a luz do
conhecimento da glória de Deus... Rogo-vos, pois o obreiros, buscai a luz da glória
de Deus para as vossas almas, e prosseguireis com nova confiança e poder”
(Spiritual Life, págs. 159-162).

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Prezados irmãos, nunca vos ocorreu que o próprio Jesus não estava preparado para
pregar antes de ser batizado com o Espírito? Começou o seu primeiro sermão,
dizendo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para
evangelizar”. (Lucas 4:18) E contudo, quantos de nós, com espantosa presunção,
aventuramo-nos a entrar no ministério e pregar tantas vezes sem esta divina unção!
Ha um quarto de século foi pregado um sermão para a Escola Teológica da
Universidade de Boston sobre “As Qualidades de um Ministério Vitorioso”, em que
se acha o seguinte: “Temos de aceitar o fato histórico do batismo de Jesus com o
Espírito Santo como preparação para o Seu ministério, e que só depois disso os
Evangelistas falam dEle como ‘cheio do Espírito Santo’, ‘guiado pelo Espírito’, e ‘no
poder do Espírito’, Deixou-nos Seu exemplo, para que caminhemos em Seus passes,
em tudo, exceto no peculiar à Sua pessoa e missão. A bênção do Espírito não é
peculiar a Cristo, pois é prometida a todos os que creem de modo integral. Por isso,
e INSTANTÂNEA, como foi para Jesus no Jordão, não obstante um anterior
crescimento uniforme no favor de Deus... Este dom da plenitude divina há de ser
INSTANTÂNEO, porque se condiciona a um ato definido de fé. Se a alma, com todo
o seu progresso, nunca alcança um tempo quando apreende distintamente, por um
ato definido de fé, ‘a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos’
(Efésios 1:19), nunca obterá este batismo celestial. Em todas as eras da igreja, as
experiências dos homens e mulheres mais santos atesta a doutrina da plenitude do
Espírito Santo como obra distinta da regeneração, Que a plenitude do Espírito
Santo seja a experiência do pregador, e não mais enunciara ele a verdade do
evangelho com fraqueza, não mais hesitara em proclamar um Jesus vivo. Nossos
púlpitos não serão mais afligidos pela impotência, mas revestidos de poder”.

Obtende esta bênção do Espírito Santo, amados irmãos do ministério, e recebereis


tal luz interior e intuitiva convicção das verdades do evangelho, que não vos
perturbarão as semi-infidelidades em voga, tramadas por mentes especuladoras e
materialistas. Diz o Dr. Steele: “A plenitude do Espírito e a alvorada da iluminação
espiritual, e a fonte da certeza absoluta, e esta bênção está ao alcance de todos”. Diz
ainda: “Existe um âmbito de ambição egoísta no púlpito tão vasto como na politica.
Se o mundanismo dominar a igreja e controlar o púlpito, ou aumentará a tentação
de negligenciar a doutrina do pecado e do arrependimento, da regeneração e
retribuição, e, acima de tudo, de negligenciar a necessidade de autocrucificação e
santificação completa, para que se alcance uma vida espiritual mais vigorosa e a
mais alta eficiência no serviço”. “Com a plenitude do Espírito”, perdereis essa

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ambição egoísta; pregareis o evangelho integro, em sua espiritualidade, pureza e


poder. Vossas igrejas apreenderão o vosso espírito, e também elas serão elevadas a
um novo nível de vida cristã, e vereis em vós mesmos os líderes espirituais de
congregações espirituais, cujos corações se decidiram a caminhar com Deus. Que
alívio não serdes mais conferencistas assalariados de uma sociedade de
conferencias! Ou gerentes gerais de um grêmio eclesiástico! Ou gerentes comerciais
de uma sociedade dançante paroquial! Ou os mestres de cerimônia de uma
sociedade de comedores de ostras! Ou — mas não prosseguirei. Todo o ministro
ponderado e espiritualmente inclinado já refletiu com humilhação sobre estas
degradações da igreja e do ministério. Em seus melhores momentos já almejou ser
representante digno de Seu Mestre’ guiando um grupo de filhos e filhas de Deus
consagrados, todos, de corpo e alma, a obra de construção do reino do Redentor,
salvando os homens. Somente o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” sobre o
ministro e seu povo, poderá alcançar um resultado tão feliz e desejável.

Ao escrever eu as linhas acima meu filho deixa cair sobre a minha página “The 20th
Centurys’ Call to Christendom” (‘O Apelo do Século XX à Cristandade), e
“Responses” (Réplicas), de eminentes teólogos. Relanceando sobre as páginas,
meus olhos apanham as seguintes sentenças: “As organizações e a maquinária
necessária para a marcha avante, imediato e de âmbito mundial, para a vitória e
conquista deste mundo para Cristo, estão todas prontas e em ordem de
funcionamento, e necessitam simplesmente a direção do hálito vivificador do
Espírito de Deus... Todas estas organizações se deteriorarão inevitavelmente, em
meras máquinas, e se tornarão obstáculos, ao invés de ajuda; maldições ao invés de
bênçãos, a menos que, depressa, procuram encher-se do Espírito, e consagrar-se...
Estás pronto a consagrar-te à obra, e ingressar nela AGORA? Estás pronto para
clamar com força a Deus pelo dom do Espírito Santo do poder, para o serviço,
AGORA? Responde George Frederick Wright, doutor em Teologia e em Direito:
“Desconheço meios de tornar mais poderoso o evangelho a não ser por sua
fervorosa pregação, acompanhada pelos dons do Espírito Santo, concedido em
resposta a oração. Confiantemente espero que o malogro contínuo dos esforços
políticos e sociológicos de uma renovada ênfase às necessidades espirituais do
homem e as provisões do evangelho, de tal maneira, que venhamos a testemunhar
os períodos pentecostais tão necessários e tão abundantemente prometidos na
Bíblia. Que Deus apresse este dia”.

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Sim, irmãos do ministério. Dissemos no primeiro capítulo, e repetimos agora no


último, nossa única saída dos males que afligem a sociedade e a igreja de Cristo, é
uma viagem de volta ao Pentecostes. Podemos tentar o socialismo, e todos os
outros ismos, a Sociologia e todas as outras ologias, e todos os esquemas
concebidos pelo cérebro do homem; porém verificaremos, mais cedo ou mais tarde
(pois Deus nos levará a conclusão), que o batismo do Espírito, revestindo o
ministério e as igrejas de “santidade e poder”, e a esperança do mundo. Só isto
permitirá ao evangelho de Cristo exercer sua plena influência redentora sobre o
homem.

Escreve um evangelista: “Este poder foi uma dádiva especial, destinada apenas à
fundação do Cristianismo? Poderá a obra de Deus prosseguir agora; com êxito, sem
o poder? Deveremos agora depender da sabedoria humana, do conhecimento
humano, da experiência humana e de energia humana? Hoje em dia, poderá
qualquer influência penetrar no coração, consumir a escoria que há nele, derreter o
preconceito, consumir o pecado, refinar o caráter, a não ser que caia fogo como o
que desceu no dia de Pentecostes?... As igrejas multiplicam-se e os ministros
aumentam, porém o rosto resplendente e a língua incandescente são realmente
poucos e difíceis de se acharem... A Igreja de Deus necessita de algo; carece de
alguma coisa mais do que hoje possui, com todo seu prestigio e energia. Falta-lhe a
experiência do cenáculo, a espera em Jerusalém, o poder do Espírito Santo, um
Pentecostes continuo; e nada menos do que isto pode comunicar-lhe a menor
partícula de poder”.

3 — Diria uma palavra agora, com toda humildade e respeito cristão, aos honrados
e reverenciados Professores de Teologia. No dia 15 de agosto de 1896, o jornal
cristão “Ram’s Horn”, um dos mais penetrantes e capazes, na América, publicou
um desenho satírico representando “Uma Aula de Teologia”. Um professor está de
pé sobre a Bíblia aberta na passagem: “Eu sou o pão da vida”; e alimenta os alunos
com uma enorme colher, retirando de uma grande tigela — o “dogma”; os alunos
postam-se em fila, com as bocas abertas para tomar a dose repugnante. Na parede,
no fundo da classe, há um “Cardápio”: “Serragem Metafísica, Palhas Teológicas,
Conceitos Eclesiásticos”. Um aluno está de pé sobre uma cadeira, e escreve na
parede — “Estamos morrendo de fome. Dai-nos pão”. Percebeis a intenção do
satirista? Podeis explicar como e que o ministro mais influente em Boston, em
Filadélfia e em Chicago, de uma das nossas denominações esclarecidas, não teve

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instrução em seminário algum? Por que o homem mais proeminente no mundo


cristão não o teve? Por que o pastor mais proeminente do século — Charles
Spurgeon — não o teve, e até o dia de sua morte agradeceu a Deus nunca ter
frequentado um seminário ou universidade? Não porque fosse contra as
universidades e seminários teológicos, e contra a instrução, mas porque temia, de
posse de tal preparo intelectual, perder, como tantos outros ministros, a confiança
no Espírito Santo para o seu êxito. Por que é que, no espaço de cinco semanas, dois
ministros me disseram — um deles escritor de renome; e ambos formados em
famosas universidades e em seminários teológicos: “Se recomeçasse o meu
ministério, do inicio, sabendo o que hoje sei sobre o que é essencial ao êxito,
preferiria frequentar um instituto bíblico durante um ano, instruir-me na minha
Bíblia em inglês, e ser batizado com o Espírito Santo, do que repetir o meu curso no
seminário”?

Não duvidamos, Professores, que tenhais merecido nome e fama no mundo


intelectual; que tenhais o desejo honesto de servir as igrejas e o reino de Cristo, mas
estais certamente cometendo o equívoco deplorável de dar ênfase a coisas
comparativamente sem importância, ignorando a única coisa que é de valor
essencial ao êxito do ministério — o batismo do Espírito Santo, que traz
SANTIDADE E PODER. Esse elemento para a vitória nunca foi sequer mencionado
em classe durante os meus três anos de curso, numa das melhores instituições do
país.

No ano passado, um ministro de Massachussetts contou-me o seguinte: “No


princípio do meu ministério conheci um jovem sem instrução, vindo do interior, de
falar rude, e chamado Jim — Seu talento era apenas comum. Converteu-se, e logo
teve a impressão de que fosse chamado para pregar. Disse-lhe que fora chamado
para trabalhar na lavoura; mas ele saiu a pregar em escolas e nos arrebaldes,
abandonando a obra várias vezes, desanimado, e voltando para a fazenda ou para a
escola. Nunca adquiriu mais que uma instrução medíocre, algo comparável ao
ginásio. Frequentou então o Instituto Moody de Chicago durante um ano, e recebeu
o verdadeiro batismo do Espírito Santo. Desde então ultrapassou-me
completamente em êxito ministerial”. Disse eu: “Escreva-lhe e peça-lhe que nos
conte sobre o sucesso de seu trabalho”. Jim respondeu com uma carta modesta, mas
bonita, contando de cerca de 1500 conversões. Mais de quatrocentos tinham
ingressado em sua igreja por profissão de fé em quatro anos, e fora construído um

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grande templo para acomodar os seus grandes auditórios. Humildemente atribuía


todo o êxito ao Espírito Santo e Seu poder, que lhe assistia no trabalho. Enquanto,
porém, tinha tal êxito, as duzentas e vinte e oito igrejas congregacionais daquele
mesmo Estado, no ano passado, tiveram menos de nove conversões cada uma; e
cinquenta e seis igrejas não tiveram nenhuma: e apenas uma naquele Estado com
todo o seu esclarecido ministério, teve mais de cem, e essa tinha mais de dois mil
membros. Na verdade, e necessário mais que uma faculdade e um curso de
seminário para fazer pregadores conquistadores de almas!

Prezados Professores, todas as igrejas congregacionais do país tiveram uma média


de apenas seis e meio conversões cada; e mais de mil e quatrocentas não tiveram
nenhuma. Esses ministros foram vossos filhos, e foram para o trabalho com as
concepções e condições de êxito que a vossa influência e instrução lhes deram.
Multidões deles, apos anos de experiência no ministério, olham para trás com
profunda tristeza, para não dizer desgosto, por causa do preparo inadequado que
receberam de vossas mãos de cujos maléficos efeitos muitos deles nunca se
recuperam. Quanto a mim, condenso minha crítica nesta única acusação: Não vos
mostrastes ser batizados com o Espírito Santo; não nos mostrastes de que forma
receber a bênção, como fez o apóstolo Paulo e com toda a força dos vossos seres não
nos admoestastes a sermos possuídos dEle. Oh! Que, como Tholuck o “Espírito de
Fogo” estivesse sempre sobre vós todos, e que, como ele, levásseis os vossos alunos
a terem apenas uma paixão — “paixão por Cristo, e Cristo apenas”.

Durante o semestre passado, ministros vindos de longe afluíram a Chicago para


ouvir Andrew Murray conferenciar aos alunos da escola de Moody, sobre o poder
do Espírito Santo, e também depois para ouvir F. B. Meyer, por estarem conscientes
de que precisavam aprender algo que não lhes tínheis ensinado. Se não mudardes
os vossos métodos infligireis às igrejas um ministério estéril, que lhes será a morte;
ou Deus será obrigado a levantar mais escolas como as de Spurgeon e Moody, onde
a Bíblia é amada e ensinada, e onde se insiste com os alunos sobre o batismo do
Espírito Santo como condição indispensável para o êxito.

O Presidente Asa Mahan, escrevendo sobre o livro de Tholuck, Baptism With the
Holy Spirit and With Fire, disse: “Se eu pudesse falar aos Professores dos nossos
Seminários Teológicos, dir-lhes-ia: “O que Deus mais deseja de vós, como condição
imutável ao desempenho das vossas altas funções de mestres da verdade de Deus,
o que e indispensável à necessária cultura moral e espiritual de vossos alunos, e o

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que o bem-estar imortal da igreja e do mundo imperiosamente exige de vós, é a


recepção pessoal, de vossa parte do batismo de fogo”.

Falando de sua própria experiência no seminário teológico, e de tais seminários em


geral, escreve Mahan: “As concepções sobre Cristo, como Salvador que liberta do
pecado, limitavam-se quase exclusivamente a esfera da justificação. A doutrina da
‘santificação pela fé’ não era sequer mencionada entre nós. Nada ouvíamos sobre
ela no púlpito, ou nas classes, ou no nosso próprio meio. Menos que isso ainda, se
tal e possível, a doutrina do ‘batismo do Espírito Santo’ não tinha lugar algum na
esfera do pensamento cristão em que nos movíamos. O Pentecostes, com todo o seu
revestimento moral e espiritual de poder, pertencia a Era Apostólica; a nós nada
restava, senão uma tediosa peregrinação através daquele pântano, daquele charco
de legalismo descrito em Romanos 7:14-25.

“Resolvíamos os nossos problemas de teologia como antes o fazíamos com os de


geometria no ginásio, e com não maior seriedade ou reverência. Com o mais
doloroso interesse, vinha muitas vezes ao meu espírito a pergunta: ‘Como podem
os indivíduos apresentar reverentemente diante do povo verdades que eles tão
irreverentemente estudaram na escola dos profetas?’ Ao estudar assim a verdade
de Deus, o aluno não só se submete a uma paralisia moral e espiritual em sua vida
interior, mas habitua-se a concepções frias e inertes e apresentações impotentes das
verdades eternas de Deus à igreja e ao mundo. Tais fatos explicam suficientemente
as atmosferas morais e espirituais que tão comumente encontramos em nossos
seminários teológicos.

“O estudante não somente verifica que a atmosfera é oposta àquela que antecipava,
mas que são infrutíferos e vãos todos os seus esforços em direção a formas mais
elevadas de vida. O resultado é uma reação, uma repulsa moral e espiritual em que
os alicerces de sua fé parecem desmoronar-se e ele têm períodos de dúvida
dolorosa quanto a real validade das reivindicações do próprio cristianismo.”

“Certamente, um seminário teológico deveria ser e pode ser, ‘terra santa’, ‘casa de
Deus’ e ‘porta do céu’. Ninguém, por mais erudito que seja, está preparado para
ensinar nele as verdades de Deus se não estiver ‘cheio de fé e do Espírito Santo’, o
professor de uma classe de candidatos ao ministério, que não estiver assim cheio do
Espírito, e não ensinar de tal modo que a fé de seus alunos se firme ‘não na
sabedoria dos homens, mas no poder de Deus’, está fazendo mais do que, qualquer

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outro individuo para mandar ao santo ofício pastores que ‘não são espirituais,
porém carnais” (Autobiography, capítulo VIII).

Na mesma linha de pensamento, escreveu o presidente Finney: “É doloroso


observar a constante tendência para substituir o poder do Espírito Santo pela
cultura; este revestimento divino pelo conhecimento e eloquência humanas. Temo
que esta tendência esteja aumentando na igreja. As igrejas solicitam homens de
grande conhecimento e eloquência, em lugar de homens verdadeiramente
batizados com o Espírito Santo. Os seminários estão muito falhos nisto. Não
dispensam nem metade da ênfase suficiente sobre a posse deste revestimento como
qualificação essencial para que os pastores sejam úteis no mundo. A posse
manifesta do poder deveria ser considerada como qualificação indispensável do
Professor nos seminários. Um Professor de Teologia que não crê neste revestimento
de poder, e que não o possui em grau múltiplo, não pode deixar de ser uma pedra
de tropeço aos seus alunos. Se não falar disso como absolutamente indispensável,
insistindo com eles que é a mais importante das qualificações para o ministério, seu
ensino e influência serão extremamente defeituosos. Isto tem de ser verdade, do
contrário, a questão toda do revestimento de poder do alto deve ser um equívoco. É
nada ou tudo, no sentido de ser completamente indispensável ao êxito da obra”
(Baptism of the Holy Ghost, edição inglesa, págs. 246, 247).

Que o Senhor abra os olhos de todos para que vejam esta grande verdade, até que
os Professores de Teologia, os estudantes, os ministros, e os leigos, venham todos a
pedir e obter o batismo do Espírito Santo para Santidade e Poder.

__________

PREZADO LEITOR, com o coração palpitante rogamos a Deus que a tradução deste
livro possa resultar na libertação e exaltação de, pelo menos, cem mil almas pelas
quais Jesus Cristo sofreu fora da porta a fim de santificá-las com Seu próprio
sangue (Hebreus 13:12). Se através da sua leitura participaste da graça de Santidade
e Poder, tem a bondade de mandar dizer-nos, pois o teu testemunho poderá ser
usado por Deus para abençoar multidões.

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APÊNDICE I
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LIVROS E AUTORES CITADOS NO PRESENTE VOLUME

1. Autobiography, por Asa Mahan, D.D., LL. D.


2. Baptism of the Holy Ghost, por Asa Mahan, D.D., LL. D.
3. Love Enthroned, por Rev. Daniel Steele, D.D.
4. Half Hours With St. Paul, por Rev. Daniel Steele, D.D.
5. Defence of Christian Perfection, por Rev. Daniel Steele, D.D.
6. Perfect Love, por Rev. J. A. Wood.
7. Christian Perfection as Taugh por Wesley, por Rev. J. A. Wood.
8. Possibilities of Grace, por Rev. Asbury Lowrey, D.D.
9. Forty Witnesses, por Rev. S. Olin Garrison.
10. Secret Power, por D. L. Moody.
11. Ministry of Spirit, por Rev. A. J. Gordon, D.D.
12. Pentecostal Papers, por Rev. S. A. Keen, D.D.
13. Santification, por Rev. B. Carradine, D.D.
14. Faith Papers, por Rev. S. A. Keen, D.D.
15. Central Idea of Christianity, por Jesse T. Peck, D.D.
16. Saved to the Uttermost, por Rev. W. MacDonald, D.D.
17. How They, por Rev. Isaiah Reid.
18. The Holy Way, por Rev. Isaiah Reid.
19. Infancy to Manhood, por Bispo William Taylor, D.D., LL. D.
20. Old Corn, por David B. Updegraff.
21. From Elim to Carmel, por Rev. Haney, Evangelista.
22. The Inheritance Restored, por Rev. A. B. Simpson.
23. Wholly Santified, por Rev. A. B. Simpson.
24. Center and Circle of Religion, por Rev. Richard Pool.
25. Holiness Readings, por Salvation Army.
26. Aggresive Christianity, por Mrs. Catherine Booth.
27. Godliness, por Mrs. Catherine Booth.
28. Spiritual Life, por Andrew Murray.
29. Theology of Godliness, por Rev. Dougan Clark, D.D.
30. Tracts, por F. B. Meyer.
31. Holiness Acceptable to God, por Rev. John Morgan, D.D.

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

32. The Rest of Faith, por Rev. Sheridan Baker, D.D.


33. Power from on High, por Rev. B. F. Mills.
34. The Double Cure, por Camp Meeting Preachers.
35. The Angel and the Vision, por Rev. W. D. Gray.
36. Everybody's Book, por George Quinan.
37. Christian's Secret of a Happy Life, por Hannah W. Smith.
38. Christian Purity, por Bispo R. S. Foster, D.D., LL. D.
39. Aspects of Christian Experience, por Bispo Merril, D.D. LL. D.
40. Addresses, por Torrey.
41. Love Abounding, por Rev. George D. Watson, D.D.
42. Checks to Antinomianism, por Rev. John Fletcher.
43. Hidden Manna, por Rev. Sheridan Baker, D.D.
44. Christ Growned Within, por Rev. M. W. Knadd.
45. Theology, por Rev. Luther Lee.
46. Theology, por Dr. Charles Hodge.
47. Theology, por President Finney.
48. Theology, por President James Fairchil.

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APÊNDICE II
A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

TODOS OS TEXTOS CITADOS NESTE VOLUME COM AS


RESPECTIVAS PÁGINAS ONDE SE ENCONTRAM

Gênesis 8:21 .......................................................................................................................... 43


Gênesis 17:1 ........................................................................................................................ 103
Êxodo 29:37 ......................................................................................................................... 215
Êxodo 32:29 ......................................................................................................................... 197
Levítico 27:28 ...................................................................................................................... 215
Deuteronômio 6:4-5 ........................................................................................................... 103
Deuteronômio 30:6 ............................................................................................................ 104
Josué 14:14 .......................................................................................................................... 134
I Reis 8:46 ............................................................................................................................ 145
II Reis 20:3 ........................................................................................................................... 135
Jó 1:1-22 ............................................................................................................................... 134
Jó 9:2-3 ................................................................................................................................. 146
Jó 27:3-6 ............................................................................................................................... 146
Salmos 14:2-3 ...................................................................................................................... 146
Salmos 51:10 ......................................................................................................................... 94
Salmos 119:96 ..................................................................................................................... 146
Salmos 130:3-4 .................................................................................................................... 147
Provérbios 20:9 ................................................................................................................... 147
Eclesiastes 7:20 ................................................................................................................... 145
Isaías 6:5, 7 .......................................................................................................................... 134
Isaías 32:15-17 ..................................................................................................................... 240
Isaías 44:3 ............................................................................................................................ 188
Isaías 64:6 ............................................................................................................................ 147
Jeremias 17:9 ......................................................................................................................... 43
Ezequiel 36:25 ................................................................................................................. 47, 59
Ezequiel 36:27, 37 ............................................................................................................... 210
Habacuque 2:3 .................................................................................................................... 168
Malaquias 3:1...................................................................................................................... 168
Malaquias 3:3...................................................................................................................... 134
Malaquias 4:2...................................................................................................................... 107

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A. M. Hills Santidade e Poder – Para a Igreja e o Ministério

Mateus 3:11 ......................................................................................................................... 134


Mateus 5:6 ................................................................................................................... 107, 188
Mateus 5:8 ............................................................................................................................. 47
Mateus 5:48 ......................................................................................................................... 104
Mateus 6:10 ......................................................................................................................... 110
Mateus 6:13 ......................................................................................................................... 110
Mateus 22:37-39.................................................................................................................. 104
Mateus 22:37-40.................................................................................................................... 96
Mateus 23:19 ....................................................................................................................... 215
Mateus 28:20 ......................................................................................................................... 99
Marcos 11:24 ....................................................................................................................... 221
Lucas 1:6 .............................................................................................................................. 135
Lucas 1:41 ............................................................................................................................ 135
Lucas 1:67 ............................................................................................................................ 135
Lucas 1:74,75 ........................................................................................................... 94, 97, 107
Lucas 2:52 .............................................................................................................................. 63
Lucas 4:18 ............................................................................................................................ 295
Lucas 10:27 .................................................................................................................... 96, 104
Jo