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Dimensionamento de uma estação simplificada de tratamento de água para 21

pequenas comunidades

CAPÍTULO II: CONSIDERAÇÕES GERAIS A TER EM CONTA NO


DIMENSIONAMENTO DE UMA ESTAÇÃO SIMPLIFICADA DE
TRATAMENTO ÁGUA BRUTA

As pesquisas desenvolvidas em estações de tratamento de água, normalmente, abrangem


uma das diversas áreas que envolvem este sistema.

Uma ilustração esquemática dos diferentes aspectos que estão relacionados a ETA é
mostrada pela Figura 2.1.

Figura 2.1: Esquema dos aspectos relacionados à estação de tratamento de água


Fonte: Parsekian M. P. S, 1998

Estas áreas referem-se à parte técnica do tratamento, aos sectores administrativo,


económico e financeiro do serviço, às condições sociais, à saúde da população, à segurança
dos operadores e às leis que estabelecem os critérios de funcionamento de todo o sistema.
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Uma visão holística dos sectores que estabelecem o tratamento de água possibilita
visualizar que, para a ETA funcionar adequadamente, esses devem ser analisados
conjuntamente.

De forma sistémica, grande parte da água bruta utilizada para abastecimento público é
captada de mananciais superficiais e bombeada através de adutoras até a estação de
tratamento de água (indústria da água) onde são adicionados produtos químicos para
efectuar o tratamento da mesma.

2.1. População de projecto

O presente trabalho, de um início foi concebido para ser aplicado em zonas cujo número de
habitantes seja menor ou igual a 5 000. É, por isso, que o limite do tamanho tipo de zonas
está dado por este número de habitantes.

Entretanto, a intervalo de aplicação entre 0 e 5 000, é muito amplo, e, evidentemente, não é


o mesmo prever instalações para 500, que para 5 000 habitantes, por isso, que se definiu
filas de populações tipo para o desenho de novas ETAs e que se detalham na Tabela 2.1.

Tabela 2.1: Intervalo de população a considerar-se no desenho

Nº de intervalo Intervalo de População


1 ≤500

2 500 a 2 000

3 2 000 a 5 000

2.2. Determinação do caudal de trabalho para a ETA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) (Bastos R. K. X et al, 2003) considera que a


quantidade adequada de água para consumo humano (beber, cozinhar, higiene pessoal e
limpeza da casa) é de 50 [L⁄(hab × dia)]. A estas quantidades devem adicionar ou
contribuir com o necessário para a agricultura, a indústria e, é óbvio, a conservação dos
ecossistemas aquáticos, fluviais e, em geral, dependentes da água doce.

Cálculos já efectuados para um grande número de cidades, permitiram conhecer com


razoável aproximação o seu valor e aplicá-lo quando se pretende elaborar um projecto.
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O perfil do consumo médio per capita obedece, geralmente, a seguinte composição


(Andrade J.B, S.d):

 Para fins domésticos___________________ 42,5 %

 Para fins industriais e comerciais_________ 25,0 %

 Para fins públicos_____________________ 12,5 %

 Perdas e desperdícios__________________ 20,0 %

Usualmente, são considerados os seguintes consumos médios per cápita de acordo com a
população a ser abastecida (Andrade J.B, S.d):

 150 [L/ (hab×dia)]


 Até 50 000 habitantes
 200 [L/ (hab×dia)]
 De 50 000 a 500 000 habitantes
 250 [L/ (hab×dia)]
 De 500 000 a 3 000 000 habitantes
 300 [L/ (hab×dia)]
 De 3 000 000 a 10 000 000 habitantes
 350 [L/ (hab×dia)]
 Acima de 10 000 000 de habitantes

Tendo em conta estes parâmetros, considera-se uma quantidade mínima de


150 [L⁄(hab × dia)]. Os caudais empregues no desenho dos novos dispositivos e para os
diferentes tamanhos de populações detalham-se na tabela 2.2.

Tabela 2.2: Intervalo de população versus caudal

Intervalo de população Caudal (m3/dia)

≤500 75

500 a 2 000 300

2 000 a 5 000 750

2.3. Período de projecto

O período de projecto pode estar relacionado à durabilidade ou vida útil das obras e
equipamentos, ao período de retorno dos financiamentos ou outras razões específicas. Os
problemas concernentes às dificuldades de ampliação de determinadas estruturas ou
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componentes do sistema, como também o custo do capital a ser investido e o ritmo de


crescimento da população são também factores a serem considerados.

Assim, torna-se prioritário que os sistemas de esgotos se projectem para funcionar com
eficiência ao longo de um número pré-determinado de anos após sua implantação e, por
isto, é necessário que o projectista seja bastante criterioso na previsão da população de
projecto.

No Brasil é comum adoptar-se períodos de 20 anos para as pequenas e médias cidades. Os


projectos de grandes cidades admitem períodos de até 30 anos. Por não existir dados
disponíveis para Angola dos períodos de projecto decidiu-se neste trabalho adoptar 20
anos.

2.3.1. Previsão da evolução da população durante o período de projecto

Fixado o período de projecto, é necessário conhecer a evolução da população neste espaço


temporal, determinando-se a população esperada para o fim do plano. Com este elemento
poderá ser feita a estimativa do consumo de água, ano a ano, e sobretudo no fim do
período adoptado como de projecto.

Para estimar a população de projecto, lança-se mão de métodos matemáticos e estatísticos,


abordados no capítulo I.

2.4. Características da qualidade da água a montante na ETA

Para o dimensionamento da estação simplificada de tratamento de água para pequenas


comunidades, há que considerar-se uma fonte de abastecimento superficial, já que
encontra-se em constante movimento, nos denominados rios, ou estática ou detida em
depressões naturais ou artificiais, conhecidas como lagos, lagoas e represas entre outras.

Esta selecção realizou-se considerando que justamente este tipo de fonte é a mais provável
a encontrar nas zonas onde se assentam estas comunidades, e o seu uso por parte da
população, as mesmas tem que ser submetidas a um processo de purificação rigorosa.

Os parâmetros principais considerados no desenho, quanto à qualidade da água a montante,


apresentam-se na Tabela 2.3. Os valores que se apresentam foram fornecidos pelo LESRA
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e são o resultado de estudos realizados no rio Zenza, por isso, constituem os valores
médios a ter em conta no desenho das novas ETAs.

Tabela 2.3: Análise da água do rio Zenza

Origem da amostra: Rio Zenza (Bengo)


Província: Luanda
Água não desinfectada (x)

Caracteres Organolépticos

Cor: incolor Cheiro: abafado Aspecto: ligeira/turva

Parâmetros físicos químicos Resultado Unidade VMR VMA

Temperatura 25 ºC 12 25

Condutividade 212 µS/cm 50 2000

pH 7.2 Esc.de Soren. 6.5-8 9.5

Oxigénio dissolvido 8.47 mg O2/L - -

SST 0.01 mg /L - -

Salinidade 0.0 g/kg - -

Turvação 5.36 NTU 5 25

Alcalinidade total 10 mg CaCO3/L - -

Azoto Amoniacal 1.61 mg NH4+/L 0.05 0.5

CQO 26.5 mg O2/L - -

CBO5 7 mg O2/L - -

Oxidabilidade 8.1 mg O2/L 2 5

Orto-fosfatos 0.1 mg P/L 40 500

Nitratos 1.2 mg NO3/L 25 50

Nitritos 0.007 mg NO2/L - 0.1

Cálcio 40 mg CaCO3/L 75 200

Magnésio 13.6 mg Mg2+/L 30 50

Cloretos 28.4 mg Cl-/L 25 -

Dureza 96 mg CaCO3/L - -

SDT 91 mg/L - -
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Sílica 0.8 mg SiO2/L - -

Alumínio 0.07

VMA: Valor máximo admissível (OMS) VMR: Valor máximo recomendável (OMS)

Fonte: LESRA, 2012

Deve ter-se em conta que estes dados servirão de base para o estudo preliminar, já que o
objectivo deste trabalho é propor uma estação que seja aplicável em qualquer região de
Angola.

2.4.1. Teste de Jarro

A dosagem ideal do coagulante e dos auxiliares eventuais da coagulação deve ser definida
em laboratório, objectivando melhor eficiência e economia. Para isto faz-se uso do JAR-
TEST (Teste do Jarro).

O Teste de Jarros é um procedimento comum de laboratório usado para determinar as


melhores condições de operação para o tratamento da água. Este método permite que o
ajuste no pH, as variações na dose do coagulante ou do polímero, as velocidades de
mistura alternadas, numa escala pequena, prevê-se o funcionamento de uma operação de
tratamento em escala grande.

Um Teste de Jarros simula os processos de coagulação e de floculação promovendo a


remoção dos colóides e da matéria orgânica suspensas, que podem conduzir aos problemas
de turvação, de odor e de gosto (Poland J. et al, 2012).

O equipamento utilizado neste teste, como mostra a Figura 2.2, contém X pás que agitam
os conteúdos de X recipientes. Na parte frontal do mesmo encontram-se X dispositivos que
permitem o controlo uniforme da velocidade de mistura em todos os recipientes.

No teste, cada copo simula a estação de tratamento, utilizando doses diferentes que são
aplicadas simultaneamente. Após a conclusão do teste, ou seja coagulação (mistura rápida),
floculação e decantação, o Jarro que apresentar melhor resultado, a custa de menor
quantidade de reagentes, é o que deve ser tomado como parâmetro para o projecto e
operação mais eficiente da estação.
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Figura 2.2: Equipamento usado para levar a cabo o "Teste de Jarros"

Fonte: Poland J. et al, 2012

2.5. Qualidade da Água a Saída da ETA

A qualidade da água a saída das novas ETAs deverá reunir todos os requisitos que
recomenda a Norma da OMS e CEE para que uma água seja considerada potável, e que se
apresentam na Tabela A1 do Apêndice A.

2.6. Sistema Convencional de Tratamento de Água

Relacionar e quantificar os tipos e as concentrações dos possíveis contaminantes presentes


na água é necessário para avaliar a capacidade do sistema de tratamento e adequar esta
água para o consumo humano.

No processo de desinfecção cujo objectivo é produzir água de consumo isenta da presença


de microrganismos patogénicos, cuja inactivação realiza-se por intermédio de agentes
químicos e/ou físicos. A eficiência deste processo do tratamento é condicionada por um
conjunto de factores tais como: características do desinfectante, da água, dos
microrganismos a serem inactivados, do tempo de contacto e da instalação física da
unidade.

Referente às características das águas destacam-se a turvação e a presença de matéria


orgânica, frequentemente associada à cor verdadeira, que podem funcionar como escudo
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ou meio de protecção dos microrganismos da acção do desinfectante, pode ainda ocorrer


reacções químicas formando subprodutos indesejáveis.

As características físicas da unidade onde ocorre a desinfecção influenciam na eficiência


do processo, pois estão relacionadas com o tempo de contado do produto com a massa
líquida, com capacidade de permitir a homogeneidade da dispersão do desinfectante entre
outros.

Neste processo de mistura rápida as partículas em suspensão na massa líquida, cuja


remoção se pretende efectuar, entra em contacto com agentes químicos, com o objectivo de
desestabilizá-las, para que, em fases posteriores do tratamento, sejam aglutinadas umas às
outras, formando flocos que serão removidos por sedimentação e filtração.

Quando o tratamento é do tipo convencional a coagulação é realizada preferencialmente


pelo mecanismo de varredura (sweep coagulation), devido a altas doses de coagulante e a
faixa de pH de coagulação resultante (Packman, 1965, Libânio, 2005).

Amirtharajah e Mills (1982) estudaram a influência da variação do gradiente de velocidade


de mistura rápida na eficiência de remoção da turvação e chegaram à conclusão de que
quando o mecanismo de coagulação predominante é a varredura o comportamento destes
parâmetros pode ser considerado menos relevante do que para a filtração directa. Esta
constatação também foi apresentada por Libânio (2005), conforme apresenta a Figura 2.3.

A NBR-12216 (ABNT, 1992) recomenda que o valor do gradiente médio de velocidade na


mistura rápida deve ser o maior possível economicamente, e nunca inferior a 1 000 s-1,
enquanto o tempo de detenção deverá ser inferior a um segundo, preferencialmente menor
que meio segundo. Quando a mistura rápida se realiza por meio de mecanismo hidráulico,
tempos de mistura superiores a 5 segundos são desnecessários, e poderão até mesmo ser
contra producentes, permitindo a retro mistura do floculante, o que poderá reduzir a
eficiência desta etapa do tratamento de água.
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Figura 2.3: Verificação da remoção de turvação em diferentes combinações de gradiente médio de


velocidade e tempo de mistura rápida

Fonte: Libânio, 2005

Para que ocorra a floculação das partículas dispersas na água é necessário a aplicação de
gradiente médio de velocidade à massa de água para permitir o contacto entre partículas,
visando a agregá-las em flocos. Com o transcorrer do tempo, à medida que estes se
formam, o gradiente médio de velocidade deve ser reduzido, para minimizar a
possibilidade de ruptura, considera-se ainda um gradiente mínimo para evitar a deposição
de flocos nas últimas câmaras da unidade. A um dado tempo de floculação associa-se um
gradiente de velocidade óptimo que possibilita melhorar a eficiência de remoção da cor ou
turbidez (Mendes, 1989; Di Bernardo, 2005).

A NBR-12216 (ABNT, 1992) determina que os valores dos gradientes de floculação e


tempo de floculação devem ser obtidos por meio de ensaios laboratoriais e na ausência
destes deve utilizar-se os seguintes valores de referência: tempo de detenção entre 20 e 30
minutos para floculadores hidráulicos e entre 30 e 40 minutos para os mecânicos, gradiente
máximo de velocidade, no primeiro compartimento de 70 seg-1 e mínimo, no último, de 20
seg-1.

Subsequente à operação de floculação encontra-se a sedimentação. Nesta operação, em


decorrência da acção da gravidade, ocorre a sedimentação dos flocos, propiciando a
clarificação da água. Devido às diferenças de tamanho, densidade e a forma das partículas,
os fenómenos envolvidos na decantação apresentam grande dificuldade de serem descritos.
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Com isso o modelo do sedimentador ideal de escoamento horizontal é utilizado para se


prever o comportamento das partículas (Di Bernardo, 2005).

Contudo, é sabido que nas estações de tratamento convencional a sedimentação “ideal” não
ocorre, devido a situações adversas, porém admite-se que estas são compensadas por
factores como o aumento no diâmetro nominal do floco e de sua massa específica, o que
resulta numa eficiência de remoção maior do que a calculada utilizando as simplificações
de um sedimentador ideal.

A filtração possui papel fundamental na remoção dos organismos patogénicos e, devido a


isto, é essencial que esta atinja um alto grau de desempenho. Segundo Di Bernardo (2005)
a filtração é a principal operação responsável pela produção de água condizente com o
padrão de potabilidade aceitável.

A capacidade de um sistema em filtrar pode ser avaliada pela taxa de filtração cuja
definição considera diversos factores como o tipo de leito e características de leito filtrante,
tamanho efectivo, tamanho do maior e menor grão, coeficiente pela não uniformidade,
operação dos filtros e características do afluente. A especificação do leito é a fase de maior
importância no projecto dos filtros e deve ser realizada com base em estudos de unidades
pilotos para determinar as características mais adequadas do leito conforme características
da água a ser tratada. A filtração remove, da água em tratamento, as partículas em
suspensão que não foram retidas na sedimentação. Juntamente com essas partículas, a
filtração remove também os microrganismos que estiverem associados a estas partículas.

2.7. Processos de tratamento que compõem a ETA proposta

Os principais processos de tratamento que de maneira geral, deverão compor as novas


ETAs, estarão de acordo as características da qualidade da água a montante. Se ao
adicionar-se ao anterior o facto de que está-se desenhar estações novas para pequenas
comunidades, pode chegar-se à conclusão de que as operações de tratamento a colocar
nestas deverão ser:

 Gradagem;

 Desarenação;

 Desinfecção;
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 Coagulação;

 Floculação;

 Sedimentação e

 Filtração

No caso, dos processos de gradagem e desarenação não serão tomadas em conta no


desenho da ETA, devido ao facto que de maneira geral estes dispositivos colocam-se no
local da recolha de água. Entretanto, não significa que são descartáveis para o tratamento,
principalmente, se a fonte de abastecimento a ser considerada para estas comunidades é a
superficial.

Recomenda-se, uma vez identificada a fonte da água, proceder e projectar as unidades de


gradagem e desarenação que se ajustem às condições particulares de cada caso.

Os restos dos equipamentos de tratamentos serão considerados no cálculo da ETA que a


seguir serão calculadas aplicando as equações apresentadas no apêndice B.

2.7.1. Processo de Desinfecção

A desinfecção da água refere-se a destruição dos organismos causadores de enfermidades


ou patogénicos presentes nela.

As condições que deve apresentar um desinfectante para se poder utilizar numa planta de
tratamento de água são:

 Deve ser capaz de destruir os organismos causadores de enfermidades,


 Deve realizar este trabalho a temperatura do lugar e tempo adequado;
 Não deve transformar a água em tóxica nem trazer um sabor desagradável;
 Deve ser de fácil obtenção, manuseio sensível, e baixo custo;
 A sua concentração na água deve ser determinado prontamente e
 Deve deixar um efeito residual, para proteger a água contra posteriores contaminantes.

Os processos de mistura rápida, coagulação, floculação, sedimentação e filtração removem,


com maior ou menor eficiência, a maioria das bactérias e vírus presentes numa água.
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Desde ponto de vista, podem considerar-se como complementos para a desinfecção, pois
cumprem com os objectivos de:

 Diminuir a carga bacteriana na água;


 Tornar os métodos de desinfecção mais eficientes.

A remoção de bactérias é directamente proporcional a remoção de turvação e que pode


alcançar remoções até 99,7% quando obtido uma eficiência muita alta no processo de
coagulação e floculação.

A desinfecção pode ser química ou física. Os agentes físicos mais importantes são calor e
os raios ultravioletas. Os agentes químicos mais importantes são os halogénios (cloro,
bromo, iodo), a prata ionizada e o ozono.

A cloração é o processo de desinfecção que reúne maiores vantagens; é eficiente, barato,


fácil de aplicar e deixa efeito residual que pode medir por sistema muito simples e ao
alcance de todos. Tem a desvantagem de ser corrosivo e em alguns casos produz sabor
desagradável na água (Rojas J. A. R, 1999).

Os produtos comerciais do cloro expandem-se nas mais diversas formas dependendo das
características de cada um. Os mais importantes encontram-se:

 Cloro gasoso comprimido;


 Hipoclorito de cálcio e
 Hipoclorito de sódio.

O cloro gasoso é o mais económico mas também o que requer maiores cuidados. O tipo de
armazém dependerá do tamanho da estação e do número de cilindros requeridos. Os
cilindros que se utilizam para o transporte do gás comprimido são de dois tipos: os de 67
kg e 1 000 kg.

Devido a sua alta toxidade, os armazéns e estações de cloração devem ser amplamente
ventilados e incluir sistemas e equipamentos de protecção para caso de emergência

O hipoclorito de cálcio expande-se na forma de grãos em tambores com capacidades de 45


e 50 kg. O seu armazenamento é mais simples que o do cloro gasoso, mas os tambores
devem estar fechados para evitar a deterioração. Devido o seu preço ser superior ao cloro,
o seu uso reduz para pequenas estações com caudais de até 30 L/seg.
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O hipoclorito de sódio expande-se em forma líquida com concentrações cerca de 13% do


cloro activo nele. Se caracteriza por ser instável e o seu armazenamento deve-se calcular
para períodos menores que um mês. Igual ao hipoclorito de cálcio, é muito mais caro que o
cloro gasoso, portanto, emprega-se somente em sistemas muito pequenas e nas situações de
emergências.

O ozono é o mais sério competidor do cloro tanto pelo seu custo e sua eficiência como
desinfectante (Rodríguez Victor, 1992).

2.7.2. Processo de Coagulação

Geralmente, a água a tratar está contaminada de argila, minerais, bacteriais, sólidos inertes
e um certo número de materiais suspensos. Em si estas partículas suspensas possuem uma
grande carga eléctrica negativa, ao agregar o coagulante com carga eléctrica positiva, se
produz uma neutralização destas partículas.

O poder do coagulante depende da valência ou da magnitude da carga do ião. Um ião


bivalente (+2) é 30 a 60 vezes mais efectivo que um ião monovalente (+1). Um ião
trivalente é 100 a 1000 vezes mais efectivo que o monovalente.

A coagulação é um processo de desestabilização das partículas coloidais, destruindo as


forças que separam os colóides.

A coagulação começa no instante em que se agregam os coagulantes químicos e dura


somente fracções de segundos. A coagulação basicamente consiste numa serie de reacções
físico-químicas entre coagulantes, superfícies de colóides, água e alcalinidade da mesma
(neste ultimo em coagulantes metálicos).

Para que os colóides possam ser removidos da água, estes devem coagular-se previamente
pelas seguintes razoes:

 Os colóides são de tamanhos extremamente pequenos e sua velocidade de


sedimentação é muito lenta;
 As forças de repulsão de colóides impedem que estes aglutinem em partículas de
maiores dimensões, na qual contribui a sua lenta sedimentação.

As forças que intervêm na coagulação são:

 O potencial zeta, que constitui as forças de repulsões;


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 Forças intermoleculares ou entre partículas chamadas «forças de Van Der Waals,


(VdW)» que constituem as forças de atracções.

Se o potencial zeta for grande e as forças de repulsão forem maiores que as forças VdW, as
partículas não se aglutinam. O objectivo da coagulação é reduzir a magnitude zeta, de
maneira que as forças de VdW possam actuar (Rodríguez Victor, 1992).

A agitação é extremamente importante porque promove o choque, de maneira que as forças


de VdW possam operar, aglutinando as partículas finas, para formar partículas grandes
chamados flocos.

Os factores mais importantes que afectam a coagulação são:

 A natureza dos colóides

As argilas que formam colóides não são do mesmo tipo, algumas de suas propriedades
físicas, como por exemplo, a superfície específica, faz com que a dose de coagulante seja
diferente.

 pH da água

Em particular, para cada água existe um pH óptimo a qual a coagulação do colóide é


máxima. Isto é devido a carga eléctrica de um colóide, e assim o potencial zeta, é função
de pH do meio.

 A composição química da água

A composição química da água facilita o tipo de mecanismo de coagulação. Por exemplo,


alta alcalinidade e baixa mistura rápida favorecem a formação de hidroxilos metálicos que
são coagulantes pobres.

 O gradiente de velocidade ou grau de agitação da água

Este talvez seja o factor mais importante. As reacções de floculação são muito rápidas
(menos de um segundo), e portanto, deve dispersar-se rapidamente o químico para evitar o
desperdício.

 Temperatura

As reacções químicas aceleram-se com um aumento de temperatura. O efeito é mais crítico


na floculação do que na coagulação.
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Para desestabilizar todas partículas presentes na água e optimizar o processo de


coagulação, a dispersão do coagulante na água deve ser a mais homogénea possível.

A eficiência da coagulação depende da dosagem e da mistura rápida.

Neste processo a aplicação do coagulante deve ser constante e deve distribuir-se


uniformemente em toda secção de aplicação, na qual deve existir uma forte turbulência na
mistura do coagulante para que a massa de água se dê de forma instantânea (Rodríguez
Victor, 1992).

A mistura rápida pode realizar-se aproveitando a turbulência provocada por dispositivos


hidráulicos ou mecânicos.

Os parâmetros gerais da planta de um tanque de coagulação são (Rodríguez Victor, 1992):

 A intensidade de agitação, medida através do gradiente de velocidade;


 O tempo de retenção, que pode variar em décimas de segundos ou vários segundos.

2.7.2.1. Unidades de coagulação hidráulica (Pérez Carrión, José et al, 1992):

Os diferentes tipos de unidades de coagulação hidráulicas são:

 Canal de Parshall;
 Vertedores Rectangulares e
 Injectores.

Os primeiros misturadores hidráulicos a turbulência ocasionada na mistura são produzidos


por geração de um ressalto hidráulico.

 Canal de Parshall

O canal de Parshall utiliza-se com a dupla finalidade de medir o caudal do afluente e


realizar a mistura rápida. A corrente passa de uma condição de supercrítica para subcrítica,
originando o ressalto.

 Vertedores Rectangulares

Neste tipo de misturador a lâmina vertente, depois de passar o vertedor, toca no fundo do
canal na secção inicial a uma distância do vertedor. Quando a lâmina de água alcança o
fundo, divide-se em corrente uma principal que se move para frente, e uma corrente
secundária que retorna.
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 Injector

O último tipo de misturadores hidráulicos são os injectores. Neste tipo de processo


consegue-se uma homogeneização instantânea do coagulante com a água, em base regular
a velocidade dos jactos e o número de jactos no interior da secção da massa de água.

2.7.3. Processo de Floculação

A floculação serve para aumentar o tamanho do material em suspensão presente na água


que será encaminhada aos sedimentadores, flotadores ou filtros. Pela cinética da
floculação, sabe-se que quanto maior for gradiente de velocidade, maior será a
probabilidade de ocorrer contacto entre as partículas, o que é necessário para possibilitar a
agregação dos flocos, visando aumentar o tamanho. Contudo, gradientes de velocidade
maiores também provocam maior ruptura dos flocos já formados.

Portanto, na operação de floculação ocorrem dois fenómenos que se opõem:

 A agregação e
 Ruptura dos flocos.

Os ensaios em laboratório é que permitirão estabelecer qual o gradiente de velocidade


adequado para cada água, em função do tempo de floculação. Na prática, tem-se observado
que o valor do gradiente de velocidade médio óptimo diminui à medida que aumenta o
tempo de floculação. O estabelecimento do tempo de detenção fica a critério do projectista,
com base na análise dos resultados dos ensaios.

No início da floculação, logo após a coagulação, as impurezas ainda encontram-se


dispersas na água, sendo necessária agitação mais intensa (maior gradiente de velocidade
médio) para permitir o contacto entre elas, visando agregá-las em flocos.

À medida que os flocos vão se formando, o gradiente de velocidade médio deve ser
reduzido, para atenuar a quebra daqueles já existentes.

Com águas de diferentes qualidades, observa-se que quando aumenta o tempo de


floculação há sempre um gradiente de velocidade óptimo que possibilita melhorar a
eficiência de remoção da cor ou turvação por meio da sedimentação. Contudo, existe um
tempo, característico para cada água, acima do qual a eficiência da floculação cresce muito
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lentamente, ficando economicamente desvantajosa a adopção de tempos de detenção


superiores.

Os valores dos parâmetros de projecto no processo de floculação são estabelecidos em


função da tecnologia de tratamento utilizada. No caso, de ter-se a floculação seguida de
sedimentação (ou flotação), avalia-se a sedimentabilidade (ou flotabilidade) dos flocos
formados (Pádua L. V, 2005).

A mistura lenta para a floculação pode efectuar-se mecanicamente, usando rotores de


paletas, ou hidraulicamente, como resultado do movimento da água.

Os floculadores hidráulicos mais comuns são os de fluxo horizontal e vertical. Os


floculadores de fluxo horizontal consistem num tanque de concreto dividido por tabiques,
deflectores dispostos de tal forma de a água faz um percurso de ida e volta ao redor dos
extremos livres dos tabiques.

Nos floculadores de fluxo vertical a água flui por todos sectores do tabique que dividem o
tanque.

Na prática os floculadores horizontais utilizam-se para estações pequenas e os floculadores


verticais para estações grandes. E estes floculadores providenciam uma floculação efectiva.

Em comparação os floculadores mecânicos podem assinalar-se a desvantagens dos


floculadores hidráulicos a alta perda de carga e pouca flexibilidade de controlo do grau da
mistura para caudais variáveis. Entre as vantagens nota-se a inexistência de equipamento
mecânico e uma manutenção mínima.

Nos floculadores mecânicos introduz-se a potência para assegurar uma mistura lenta
mediante agitadores mecânicos. O tipo de agitador mais usado é o de paleta, e são de eixo
horizontal e vertical, o qual imperam o movimento rotatório na água assim como certa
turbulência interna. Como o grau de mistura óptimo é variável, segundo a qualidade de
água, recomenda-se que o agitador mecânico seja de velocidade variável (Rojas J. A. R,
1999).
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pequenas comunidades

2.7.4. Processo de Sedimentação

Nos floculadores mecânica e hidráulico a água é agitada em velocidade controlada para


aumentar o tamanho dos flocos para, em seguida, a água passar para os sedimentadores,
onde os flocos maiores e mais pesados possam depositar. Essas águas, ditas floculadas, são
encaminhadas para os decantadores, onde após processada a sedimentação, a água já
decantada (o sobrenadante) é colectada por calhas superficiais separando-se do material
sedimentado junto ao fundo das unidades constituindo o lodo, onde predominam impurezas
coloidais, matéria orgânica, hidróxido de Alumínio (ou de Ferro) e impurezas diversas.

Esses lodos são mais ou menos instáveis, dependendo principalmente da fracção de


matéria orgânica de que ele seja composto, e precisam ser retirados, em geral por
gravidade através de adufas de fundo, e dispostos adequada e periodicamente. Quando se
trata de água bruta de má-qualidade, especialmente por excesso de matéria orgânica, o lodo
deve ser retirado antes que entre em processo de fermentação (Filho C. F. M, S.d).

A sedimentação é uma das técnicas mais antigas e simples de clarificação da água e resulta
da acção da força de gravidade sobre as impurezas, facilitando a sedimentação delas no
fundo da unidade, e resultando na clarificação do sobrenadante.

No estudo da sedimentação, distingue-se dois tipos de partículas:

 Partícula discreta;
 Partícula floculenta.

A primeira delas não sofre alteração de tamanho ou de forma durante a sedimentação, ao


contrário das partículas floculentas, as quais são predominantes no tratamento de água
quando se emprega coagulação química. As unidades de decantação são projectadas com
base na taxa de aplicação superficial (TAS), que está directamente relacionada com a
velocidade de sedimentação das partículas suspensas na água. A redução na TAS
possibilita melhoria na qualidade da água decantada. Contudo, implica na construção de
unidades maiores.

Num tanque de sedimentação ideal, as partículas que apresentam velocidade de


sedimentação maior ou igual ao valor da taxa de aplicação superficial são, teoricamente,
removidas. Contudo, a eficiência da unidade real sofre influência de diversos factores,
como densidade da corrente, acção do vento e resuspensão de lodo. Também uma fracção
de partículas com velocidade de sedimentação menor que a correspondente à TAS são
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removidas, dependendo da posição em que entram no decantador e da intensidade da


floculação adicional que ocorre no interior da unidade (Pádua V. L, 2005).

2.7.5. Processo de Filtração

A produção de água clara e cristalina é o pré-requisito para subministrar água segura e


requer a filtração. Onde cerca de 90% da turvação e cor são removidos na coagulação e
sedimentação, e uma certa quantidade de flocos passam do tanque de sedimentação e
requerem a sua remoção. Por isso, para alcançar claridade final usa-se a filtração através de
meios porosos, geralmente areia ou areia e antracitos.

Na estação de purificação a filtração remove material suspenso, medido na prática como


turvação, compostos de flocos, solos, metais oxidáveis, e microrganismos. A remoção de
microrganismos é extremamente importante, porque muitos deles são bastantes resistentes
a desinfecção, e contudo são removidos mediante filtração. Como se pode observar, a
filtração depende de uma combinação complexa de mecanismos físicos e químicos. Em
água de consumo a adsorção joga um papel mais importante, enquanto, a água passa
através do leito do filtro as partículas suspensas fazem contacto e são absorvidas sobre a
superfície dos grãos do meio ou sobre o material previamente depositado.

As forças que atraem e retém as partículas sobre aos graus são as mesmas que em
coagulação e floculação, e portanto, é muito importante obter uma boa coagulação antes da
filtração (Rojas J. A. R, 1999).

Nas estações de tratamento de água, a filtração em meio granular é o resultado da acção


conjunta de três mecanismos: transporte, aderência e arrastamento. Os mecanismos de
transporte são responsáveis por conduzir partículas suspensas no líquido para as
proximidades da superfície dos grãos do meio granular (colectores).

Quando as partículas estão muito próximas dos colectores, forças de acção superficial
actuam de modo a aderi-las à superfície dos mesmos ou de partículas previamente
aderidas, removendo-as da água. À medida que prossegue a carreira de filtração, as
partículas removidas acumulam-se na superfície dos colectores, diminuindo o espaço
intergranular e, consequentemente, aumentando as forças cisalhantes que actuam sobre o
material depositado.
Dimensionamento de uma estação simplificada de tratamento de água para 40
pequenas comunidades

Quando estas forças atingem valores que superam as forças adesivas, as partículas são
despreendidas e arrastadas para outras camadas do filtro, onde o fenómeno novamente se
repete. Outro fenómeno responsável pelo arrastamento é a colisão que ocorre entre as
partículas suspensas no afluente e os depósitos formados sobre os colectores.

De modo geral, pode dizer-se que o transporte de partículas é um fenómeno físico, sendo
afectado principalmente pelos parâmetros que governam a transferência de massa (tais
como tamanho dos grãos do meio filtrante, taxa de filtração, temperatura da água,
densidade e tamanho das partículas suspensas no afluente). Ao contrário do transporte de
partículas, a aderência é basicamente um fenómeno químico, muito influenciado pelo tipo
e dosagem de coagulante aplicado no pré-tratamento e pelas características da água e do
meio filtrante (Pádua V. L, 2005).

Os poros ou espaços vazios do meio filtrante, aos quais constituem aproximadamente 40%
do volume, desenvolve-se um processo activo de sedimentação, fenómeno que
apreciavelmente incrementa-se por acção de forças electrostática e de atracção de massas.

Devido aos enunciados anteriores, as superfícies dos grãos do meio filtrante são revestidos
com uma capa de material de origem orgânico. Este revestimento biológico é muito activo
até aos 0,4 [m] de profundidade no meio filtrante.

Os filtros de areia são os elementos mais utilizados para a filtração de água, com cargas
baixas ou médias de contaminantes, que requerem uma retenção de partículas de até 10 µm
de tamanho. As partículas em suspensão que a água transporta são retidas durante sua
passagem através do leito de areia.

Quando o filtro encontra-se carregado de impurezas, alcançando uma perda de carga pré-
fixada, pode ser regenerado por lavagem do contaminante.

A qualidade da filtração depende de vários parâmetros, entre outros, a forma do filtro,


altura do leito filtrante, características e granulometria da massa filtrante e velocidade de
filtração.

O filtro de carvão tem um princípio de funcionamento similar ao filtro de areia, a diferença


verifica-se nos elementos filtrantes e suas finalidades. O carvão activado é um material
natural que com milhões de orifícios microscópicos atrai, captura e rompe moléculas de
contaminantes presentes. Normalmente é projectado para remover cloro, sabores e odores e
os demais químicos orgânicos (Di Bernardo L et al, 1992).