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Não ! Isso é uma falácia clássica

Qualquer pessoa que tenha um pouco de leitura e bom senso deve no mínimo
estar suspeitando que o triângulo aritmético não seja uma descoberta ou
invenção de Pascal. Por exemplo: a denominação desse triângulo varia muito ao
longo do mundo. Com efeito, se bem que os franceses o chamem de triângulo de
Pascal, os chineses o chamam de triângulo de Yang Hui, os italianos o chamam
de triângulo de Tartaglia e encontramos outras denominações como triângulo
de Tartaglia-Pascal ou simplesmente triângulo aritmético ou triângulo
combinatório.

Pelo que temos defendido neste site, essa diversidade de denominaçes não deve
ser surpreendente. Com efeito, temos mostrado que para idéias muito simples ou
muito úteis - como é o caso da do triângulo aritmético - simplesmente não tem
nenhum sentido perguntar "quem foi o primeiro?". Elas foram redescobertas e
introduzidas várias vezes e em todos os locais onde se estudou ou estuda
matemática.
Vejamos a comprovação desta tése no caso do triângulo aritmético.

Mas, o que é o triângulo aritmético??

é um quadro de forma triangular onde


são dispostos, sucessivamente e de
cima para baixo, os coeficientes das
expansões de:

(a+b)0
(a+b)1
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(a+b)
2

(a+b)3
(a+b)4
etc, etc

o resultado é um quadro triangular, que se prolonga indefinidamente para baixo


e cujas primeiras linhas sao mostradas na figura ao lado.

Como é fácil se perceber, as REGRAS de construção do quadro são:

lados formados só de 1
os elementos interiores do quadro são obtidos somando os dois elementos
imediatamente acima deles
( por exemplo, na quinta linha: 4 = 1+3, 6 = 3+3, 4 = 3+1 )

Embora não seja este o objetivo desta matéria, observemos que são várias as UTILIDADES
do triângulo aritmético:

a principal utilidade, obviamente, é ser um dispositivo mecânico para a


fácil geração dos coeficientes de expansôes tipo (a+b) n, com n inteiro
positivo.
EXEMPLO:
seja expandir (a+b) 5
Solução:
os coeficientes estão na sexta linha do triângulo ( a que vem DEPOIS da
última linha escrita acima: 1 4 6 4 1 ).
Usando as regras acima, obtemos como sexta linha:
1 5 10 10 5 1, de modo que

(a+b)5 = a5 + 5 a4b + 10 a3b2 + 10 a2b3 + 5 ab4 + b5

Extração, possivelmente aproximada, de raízes quadradas, cúbicas,


quárticas e etc. Esses procedimentos usavam a expansão do binômio de
várias maneiras, uma das mais populares - conhecida há quase 2 000 anos
antes de Pascal - usava:

( a + b ) 2 = a2 + 2 a b + b2 = a2 + b ( 2 a + b)

( a + b )3 = a3 + 3 a2 b + 3 a b2 + b3 = a3 + b ( 3 a2 + 3 a b + b2 )

Vejamos os detalhes, tomando o caso concreto do cálculo de raiz


quadrada de N = 51:

o procedimento buscará escrever a tal raiz quadrada como a + b, de modo


que

N = ( a + b )2 = a2 + b ( 2a + b )
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A obtenção do valor de a é fácil: basta acharmos um valor a tal que a2 seja


menor ou igual a N = 51; a seguir obtemos o valor de b como o limite da
sequência de aproximações que parte de b0 = 0 e sucessivamente calcula
b1 , b2 , etc geradas pela iteração:

No caso de N = 51, tomando a = 7, obtemos:


n bn
0 0
1 0.142 857 143
2 0.141 414 141
3 0.141 428 571
4 0.141 428 427
5 0.141 428 429
6 0.141 428 429

De modo que a raiz quadrada de 51 vale 7.141 428 429 ..., com erro na
nona casa decimal.
No caso de cálculo manual ou ajudado por ábaco, podemos abreviar
consideravelmente o trabalho se formos aumentando gradativamente a
quantidade de casas com que vamos obtendo as aproximações b n. Por
exemplo, quem não dispõe de calculadora eletrônica, acharia mais rápido
refazer o cálculo da maneira mostrada abaixo, que acaba produzindo a
mesma resposta:

n bn
0 0
1 0.1
2 0.14
3 0.141
4 0.141 4
5 0.141 42
6 0.141 428
7 0.141 428 4
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8 0.141 428 42
9 0.141 428 429

Um processo absolutamente semelhante se aplica às raízes cúbicas,


quárticas, etc; sendo que o denominador das respectivas iterações pode ser
mais comodamente achado se usarmos o triângulo aritmético.

Uma outra utilidade muito importante do triângulo aritmético é na


descoberta de identidades envolvendo os coeficientes binomiais ( ou seja,
os coeficientes das expansoes (a+b) n ):

Vejamos um exemplo bem simples de


tais identidades:
observe que, no triângulo aritmético, se
"descermos" ao longo de uma diagonal
de direção \, a soma dos elementos
"percorridos" na diagonal tem como
valor o elemento, da linha
imediatamente abaixo, ao qual
chegamos ao "descer" do ponto de
parada depois de mudar a direção de caminho.

Vejamos um exemplo concreto: na figura ao lado, o valor da soma 1 + 2 + 3


coincide com o valor do segundo elemento 6 da linha imediatamente abaixo do
último elemento somado.
Verifique essas coincidências para outros caminhos diagonais e/ou outros pontos
de parada. Com efeito, para quem tem noções de Análise Combinatória, é fácil
mostrar a veracidade dessas igualdades e que as mesmas podem ser resumidas
pela seguinte bastante útil fórmula combinatória:

Muitas outras identidades, bem menos óbvias, podem ser retiradas do triângulo
aritmético e muitas delas tem grande aplicabilidade na Matemática.

Conforme descobriu Tartaglia, cerca de cem anos antes de Pascal, o


triângulo aritmético também é bastante útil no cálculo de
probabilidades. Com efeito, é fácil vermos que os coeficientes das
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expansões binomiais tem um significado combinatorial e, então,


probabilístico.

Por exemplo:
- ao jogarmos um par de moedas - temos uma chance em quatro de
obtermos duas caras, duas chances em quatro de obtermos uma cara e
uma corôa, e uma chance em quatro de obtermos duas corôas; esses
valores são os que aparecem na terceira linha do triângulo aritmético. A
correspondência se mantém para outras quantidades de moedas, bem
como outros problemas de probabilidades discretas que nada tem a ver
com moedas ou jogos.

India: 2 000 anos antes de Pascal

A matemática indiana iniciou em cerca de 3 000 AC, na região de Harappa e Mohenjodaro.


Era uma matemática bem rudimentar e foi somente com a introdução da religião védica, que
acompanhou a invasão ariana c. 1 500 AC, é que passamos a encontrar a resolução de
problemas não triviais. A matemática védica era basicamente geométrica, toda voltada para
os complicados rituais de construção dos altares para suas cerimonias religiosas.

Cerca de 600 AC, com o esgotamente do vedismo na India, difundiram-se duas outras
concepçôes religiosas, o budismo e o jainismo, ambas protestantes dos sacrificíos cruentos
dos rituais védicos.
A palavra jaina vem de jin, vitorioso em sânscrito, e indica aqueles que obtiveram vitória
sobre os desejos mundanos e que tem os sentidos totalmente sob o controle da vontade. Para
atingir essa perfeição, os jainas passavam por um longo treinamento, sendo que o estudo da
Ganitanuyoga, ou Matemática, era considerado como um dos exercícios mais nobres e
eficazes do mesmo.

Entre os vários temas matemáticos estudados pelos jainas estava a Vikalpa, ou


Combinatória. A razão maior da grande atenção que deram à Combinatória era sua
concepção atomística do mundo físico. Seu átomo, que chamavam de parmanu, era uma
partícula indivisível, atemporal, e tal que apenas sua cor, gosto, cheiro e tactibilidade podiam
mudar. Com efeito, seus átomos tinham 5 tipos de cor, 8 tipos de tactibilidade, 5 gostos
possíveis e 2 cheiros distintos. Boa parte de sua combinatória envolvia problemas de cálculo
das combinações das qualidades dos átomos. Como todo corpo vivo ou físico era composto
de átomos, com o passar dos anos, também dedicaram-se a calcular combinações das
qualidades de praticamente tudo o que existe de material e até mesmo no mundo das idéias e
do espírito:

quantos são os perfumes de três fragrâncias que podemos fazer se tivermos cinco
fragrâncias disponíveis?
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quantas são as combinações que podem ser feitas com os seis rasas ( gostos, quais
seja: doce, salgado, amargo, adstringente, ácido e azedo ) ?
quantas são as combinações das três sílabas: ba, be, bi ?
quantos são os possíveis arranjos de objetos que o deus Sambhu pode segurar em suas
dez mãos?
etc,etc

Os livros indianos eram escritos em folhas de palmeira o que fêz com que poucos deles
chegassem aos nossos dias. Para a maioria dos mais antigos livros jainas, temos apenas o
nome do livro, raramente o do autor, e poucas informações matemáticas. Ademais, muitos
deles não foram escritos em sânscrito. Tudo isso fêz com que ainda sejam muito poucos os
estudos sobre a história da matemática jaina.
A tabela abaixo, dá um resumo bem rudimentar, mas significativo, da literatura jaina
associada à Combinatória e ao triângulo aritmético:

matemático época livros associados ao triângulo


? 300 AC Bhagabati Sutra
? 200 AC Sthananga Sutra
Pingala 200 AC Chanda Sutra
Mahavira 850 dC Ganita Sara Samgraha
Halayudha 950 dC Mritasanjivani

Embora os dois primeiros livros acima já tragam regras ( sutras ) para o cálculo de
combinações e arranjos, é só com Pingala 200 AC - quase 2 000 anos antes de Pascal - que
encontramos o triângulo aritmético.
O envolvimento de Pingala com o triângulo resultou de seu estudo de métricas musicais na
versificação. Com efeito, ele observou que a expansão de, sucessivamente, métricas de uma,
duas, três, etc sílabas podia ser disposta sob a forma de uma padrão numérico triangular que
corresponde ao triângulo aritmético e que ele denominou meruprastara, em homenagem ao
sagrado Monte Meru.

Para clarificar, usemos um exemplo numérico:


para achar as combinações das três sílabas ba, be, bi ele ia até a quarta linha do
meruprastara, 1 3 3 1, e então concluia:

3 combinações de uma sílaba: ba, be, bi


3 combinações de duas sílabas: babe, babi, bebi
1 combinação de três sílabas: babebi

Para construir o triângulo, Pingala descreve a seguinte regra:

Desenhe um quadradinho; abaixo dele desenhe dois outros, de modo que


juntem-se no ponto médio da base dele; abaixo desses dois, desenhe outros três
e assim por diante. A seguir, escreva 1 no primeiro quadradinho e nos da
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segunda linha. Na terceira linha escreva 1 nos quadradinhos dos extremos, e no


do meio escreva a soma dos numeros acima dele. Prossiga fazendo o mesmo nas
demais linhas.Nessas linhas, a segunda dá as combinações com uma sílaba; a
terceira dá as combinações com duas sílabas e assim por diante.

Muitos séculos depois de Pingala, no livro de Halayudha ainda encontramos o meruprastara


e a regra de Pingala.

China: 1 700 anos antes de Pascal

O uso que os antigos chineses faziam do triângulo aritmético centrava-se no


cálculo aproximado de raízes quadradas, cúbicas e etc.
Os chineses não tinham uma álgebra literal e todo seu envolvimento com
problemas algébricos era baseado em uma notação e procedimentos apropriados
para o emprego de varetas de cálculo ( instrumento que precedeu o conhecido
suan pan, o ábaco chinês ). O triângulo aritmético, que denominavam sistema
de tabulação para descobrir coeficientes binomiais, encaixava-se perfeitamente
bem nesse esquema.

Num dos livros chineses mais antigos, o Jiuzhang Suanshu ( Nove capítulos da
Arte Matemática ), escrito cerca de 100 AC, tem seu quarto capítulo dedicado
ao ensino de procedimentos de extração de raízes quadradas e cúbicas. Esses
procedimentos são baseados nas identidades, que já apontamos antes:

( a + b ) 2 = a2 + 2 a b + b2 = a2 + b ( 2 a + b)

( a + b )3 = a3 + 3 a2 b + 3 a b2 + b3 = a3 + b ( 3 a2 + 3 a b + b2 )

Um dos procedimentos de cálculo é exatamente o que descrevemos acima. Por


exemplo, ele é aplicado na resolução de vários problemas que tem a seguinte
estrutura:

Temos uma área quadrada de 55 225 pu ( quadrados ). Qual é o


valor do lado do quadrado?

Se aplicarmos o método que descrevemos na introdução, tomando como a =


200, ficamos com a iteração

bn+1 = 15 225 / ( 400 + bn )

que, a partir da clássica semente b0 = 0, produz as sucessivas aproximações 38,


34, 35, 35, 35, etc, ou seja: o valor exato do lado pedido é: 200 + 35 = 235 pu,
como o livro responde.

Bem, como já dissemos, o Nove Capítulos resume-se a tratar apenas de raízes


quadradas e cúbicas, e para isso não havia necessidade do triângulo aritmético.
O mesmo ocorre com o famoso Liu Hui, em seu Jiuzhang suanshu zhu
( Comentários sobre os "Nove Capítulos da Arte Matemática", escrito c. 250
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dC.

Assim que, apesar desse envolvimento inicial com o binômio de Newton, o


documento chinês mais antigo que temos e que traz o triângulo é o Manual de
Matemática de Jia Xian, c. 1 050 dC.

O mais famoso matemático chinês associado ao triângulo aritmético foi Yang


Hui c. 1 250 dC. Ele escreveu cerca de dez livros, sendo que em ao menos dois
desses ( Alfa e ômega de uma seleção de aplicações de métodos aritméticos e o
Uma análise detalhada dos métodos do livro "Nove Capítulos" ) ele estuda e
aplica o triângulo aritmético.

Também é importante mencionarmos o livro Precioso espelho dos quatro


elementos, escrito c. 1 300 dC por Zhu Shijie. Este livro traz figuras de
triângulos com até nove linhas e seu autor os denomina diagramas do método
antigo para calcular grandes e pequenas potências. Contudo, conforme já
observamos acima, a denominação chinesa mais comum para o triângulo
aritmético é triângulo de Yang Hui.

CUIDADO :

A figura ao lado está sendo disponibilizada


como um alerta. Já a encontramos algumas
vezes como ilustração do envolvimento
chinês com o triângulo aritmético. Em
verdade, o uso dessa gravura é mais um dos
inúmeros erros grosseiros que encontramos
em escritos de leigos em História da
Matemática. Com efeito, uma atenta observação da mesma mostra
que não traz ideogramas chineses e sim japoneses; mais do que
isso: é simplesmente imperdoável não se notar que os algarismos no
seu triângulo não são chineses e sim algarismos do sistema japonês
sangi.
Assim que trata-se de uma gravura japonesa de um livro japonês,
aliás bastante famoso e escrito cerca de cem anos depois de Blaise
Pascal.
Como qualquer aluno do ensino primário sabe, os japoneses
copiaram quase tudo o que os chineses fizeram ou descobriram; o
mesmo ocorreu com a matemática tradicional japonesa.

NOTA :
Como se já não fosse bastante difícil para um ocidental ler e guardar os nomes
chineses, temos mais um outro problema dificultando o estudo da matemática
chinêsa: como transliterar os ideogramas dos nomes chineses?

Os nomes chineses que aparecem acima, bem como em qualquer outra matéria
deste site, foram transliterados pelo sistema Pinyin, o mesmo sistema que hoje
V. encontra em publicações chinesas oficiais, bem como no cinema, jornais,
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guias turísticos, e outros documentos do mundo real.


Infelizmente, a maioria dos livros de História da Matemática, e a quase
totalidade das publicações a que os professores do ensino primário e
secundártio tem acesso, continuam usando o sistema de Wade-Giles, que é mais
uma arcaica e obsoleta lembrança do colonialismo britânico.

A tabela abaixo procura atenuar a confusão que resulta dessa lamentável


situação:

grafia grafia
pinyin Wade-Giles época livros associados ao triângulo
( preferida ) ( obsoleta )
Jiuzhang suanshu zhu
Liu Hui mesma 250 dC ( Comentários sobre os "Nove Capítulos da
Arte Matemática" )
1 050 Jia Xian suanjing
Jia Xian Chia Hsien
dC ( Manual de Matemática de Jia Xian )
Xiangjie jiuzhang suan fa
( Uma análise detalhada dos métodos do livro
1 250 "Nove Capítulos" )
Yang Hui mesma
dC Fasuan qu yong ben mo
( Alfa e ômega de uma seleção de aplicações
de métodos aritméticos )
1 300 Siyuan yujian
Zhu Shijie Chu Shih-Chieh
dC ( Precioso espelho dos quatro elementos )

Islamitas: 500 anos antes de Pascal

A reconstrução do início do envolvimento dos matemáticos de religião islâmica com o


triângulo aritmético é difícil pois que os principais documentos associados perderam-se na
noite dos tempos. Contudo é razoavelmente garantido podermos afirmar que, a maioria dos
islamitas aprenderam o triângulo aritmético através de compilações escritas em árabe de
livros indianos, como é o caso do Princípios do Cálculo Hindu, escrito por al Jili c. 1 000
dC, e o Coisas suficientes para entender o Cálculo Hindu, por al Nasawi, também em c. 1
000 dC.

Por outro lado, segundo os grandes especialistas em história da matemática islâmita, Roshdi
Rashed e Adel Anbouba, o triângulo teria sido redescoberto em 1 007 pelo matemático al
Karaji. Esse matemático teria utilizado o triângulo para obter o desenvolvimento de
potências quadrática, cúbica e quártica de binómios em seus tratados de álgebra: o al Fakhri
e o al Badi.
Cerca de 1 975, os historiadores russos M. A. Abarova e B. A. Rosenfeld estudaram
cuidadosamente essas referências e, parece-nos, concluiram que al-Karaji ensinava a calcular
( a + b ) n mas não fazia nenhuma menção do triângulo aritmético: sua técnica seria uma
mera elaboração dos métodos de álgebra-geométrica que remontam a Euclides e outros
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gregos clássicos.

O próximo matemático islamita que envolveu-se com o triângulo aritmético foi o muito
famoso poeta e matemático persa Umar al-Khayyami c. 1 150 dC. Em seu Tratado de
demonstrações de problemas de Álgebra e Almuqabala, ele diz que escrevera um livro -
hoje, totalmente perdido - sobre o triângulo aritmético e sua aplicação na extração
aproximada de raízes quadradas, cúbicas, etc, seguindo a tradição indiana. É de se insistir
que a extração aproximada de raízes continuou a ser por vários séculos, entre os islamitas, o
grande uso do triângulo aritmético. Mas deixemos que o grande al-Khayyami nos diga o que
fêz:

os indianos tinham métodos para calcular os lados de quadrados e cubos, ......


Eu escrevi um livro que prova a correção desses métodos, e mostrei que eles
realmente chegam à conclusão desejada. Eu também estendi o método para o
caso das raízes quarta, quinta e etc, o que não havia sido feito antes. As
demonstrações que dei disso são estritamente aritméticas, baseadas nos
ensinamentos dos Elementos de Euclides.

Na época de al Khayyami, viveu em Baghdad um outro matemático islamita que teve grande
envlvimento com o triângulo aritmético, trata-se de al Samaw'al. Aos 19 anos de idade esse
talentoso matemático escreveu um tratado de álgebra, o al Bahir fi'l jabr ( A deslumbrante
Álgebra ) , onde corrigiu e expandiu o trabalho de al Karaji sobre o triângulo e o binômio de
Newton; seu livro traz uma ricamente decorada figura de um triângulo aritmético de 12
linhas. Entre os notáveis resultados de al Samaw'al, neste livro, está uma demonstração por
indução matemática da validade do binômio de Newton.

Nos séculos seguintes, a matemática islamita espalhou-se pelo Norte da Africa. Os


maghrebinos tiveram um enorme interesse em problemas de Combinatória, tendo assim um
fértil campo de aplicações para o triângulo. Foi a partir daí que a Combinatória chegou até a
Europa Medieval, através de divulgadores viajantes como Fibonacci. Esse, incidentalmente,
sofreu grande influência de al Samaw'al.

matemático época livros associados ao triângulo


1 000
al Jili Princípios do Cálculo Hindu
dC
1 000
al Nasawi Coisas suficientes para entender o Cálculo Hindu
dC
al Fakhri
al Karaji 1 007
al Badi
Tratado de demonstrações de problemas de Álgebra e
Umar 1 150
Almuqabala,
al-Khayyami dC
Tratado sobre o triângulo aritmético ????
1 175 al Bahir fi'l jabr
al Samaw'al
dC ( A deslumbrante Álgebra )

europeus: 100 anos antes de Pascal


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No século que antecedeu Pascal, mais de uma dezena de matemáticos europeus trabalharam
com o triângulo aritmético.
O mais antigo deles parece ter sido o matemático alemão Apianus. Esse, em 1 527, publicou
um livro - de título: Rechnung, ou seja: Cálculo - cuja capa trazia um desenho do triângulo
aritmético.
Mas o alemão que mais divulgou o triângulo foi Stifel, principalmente através da sua muito
importante e influente Arithmetica Integra, 1 544. Segundo o historiador Kurt Vogel, Stifel
declarou que havia " descoberto os coeficientes com grande dificuldade, nisso nao tendo sido
ensinado por ninguém e não tendo podido ter a ajuda de nenhum livro ".

Um pouco depois dos alemâes, alguns matemáticos italianos redescobriram o triângulo. O


principal deles foi Tartaglia o qual lhe dedicou muitas páginas de seu enorme livro General
Tratato di numeri et misure, 1 556. Embora, hoje pouco conhecido pelos historiadores, esse
livro foi o melhor, mais completo e maior tratado de aritmética até então escrito. Segundo
Gino Loria, equivaleria a cerca de 4 000 páginas impressas em tipo moderno.
Após Tartaglia, vários outros italianos dedicaram-se ao tema, como os importantes Cardan e
Bombelli.

Entre os franceses que antecederam Pascal, podemos encontrar vários que conheciam o
triângulo aritmético. Deles, o que mais divulgou o triângulo foi Peletier, através de sua
Arithmétique, livro de enorme sucesso na época e que teve várias edições, a primeira em 1
549. Também devemos mencionar: Girard (1629), Mersenne (1636), etc.

matemático época livros associados ao triângulo


Rechnung
Apianus 1 527
( Cálculo )
Stifel 1 544 Arithmetica Integra
Tartaglia 1 556 General Tratato di numeri et misure
Peletier 1 549 Arithmétique
etc etc etc

Mas, e o que fez Pascal?

Em 1 654, um famoso jogador profissional, Antoine Gombauld, pomposamente


autodenomidado o Cavaleiro de Méré, escreveu uma carta ao famoso matemático francês
Blaise Pascal, propondo-lhe resolver alguns problemas matemáticos que tinha encontrado
em suas lides com jogos de azar.

Entre os problemas propostos por de Méré estava o seguinte:

Jogando com um par de dados honestos, quantos lances são necessários para
que tenhamos uma chance favorável ( ou seja, de mais de 50% ) de obtermos
um duplo-seis, ao menos uma vez?

O interesse de de Méré no problema residia no fato de que sua "solução" para o mesmo não
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funcionava na prática, produzindo-lhe constantes prejuízos.


Com efeito, ele não conseguia ver o que estava errado em seu raciocínio:

" Quando jogamos apenas um dado, temos chance 1/6 de obter um seis, e como
3 x 1/6 = 50% e 4 x 1/6 = 67%, vemos que precisamos jogá-lo 4 vezes para ter
chance maior do que 50% de obtermos, ao menos uma vez, um seis. Ora,
quando jogamos um par de dados temos 36 possibilidades, ou seja 6 vezes mais
possibilidades de quando jogamos um único dado, consequentemente,
precisaremos jogar o par de dados 6 x 4 = 24 vezes para ter chance maior do
que 50% de obtermos, ao menos uma vez, um duplo seis".

Pascal percebeu o erro de de Méré e se dispôs a achar a solução correta. Trocando idéias
com o grande matemático Fermat, logo se convenceu que a resolução teria de passar pela
enumeração combinatorial das possibilidades de ocorrência do duplo-seis. Procurando uma
maneira inteligente de fazer essa trabalhosa enumeração, Pascal redescobriu e aperfeiçou
uma interpretação combinatória e probabilística do triângulo aritmético, a mesma que
Tartaglia já havia descoberto e estudado.

Dessa maneira, conseguiu mostrar que:

em 24 lances de um par de dados, a probabilidade de ocorrer, ao menos uma vez, um


duplo-seis é de 49.1%
( sendo então, ao contrário do que achava de Méré, "desfavorável" ao jogador )
em 25 lances de um par de dados, a probabilidade de ocorrer, ao menos uma vez, um
duplo-seis é de 50.6%
( sendo, agora, "favorável" ao jogador )

Pascal não ficou sómente na resolução desse e outros problemas de de Méré. Com efeito,
gastou um ano escrevendo uma monografia de cerca de sessenta páginas sobre o triângulo
aritmético: Traité du triangle arithmétique, a qual foi publicada só postumamente, em 1 665.
Nessa monografia, Pascal introduziu o triângulo de um modo bem complicado e usando uma
notação estritamente geométrica - bem ao estilo clássico, anterior a Viète e Descartes -
provou algumas identidades envolvendo os coeficientes binomiais e aplicou o triângulo na
resolução de pequenos problemas de probabilidades e de combinatória.

Quase cem anos depois, em 1 739, o matemático inglês de Moivre publicou trabalho em que
usou a denominação TRIANGULUM ARITHMETICUM PASCALIANUM para o triângulo
aritmético. Dada a repercussão que esse trabalho teve na época, isso acabou tornando
consagrada a denominação "triângulo de Pascal" na Inglaterra, França e mais alguns países
europeus.

Bibliografia para aprofundamento:


http://www.mat.ufrgs.br/~portosil/histo2b.html

AWF Edwards: Pascal's Arithmetic Triangle,


London: Charles Griffin & New York: Oxford Univ. Press, 1987.

David Fowler: The Binomial Coefficient Function,


Amer Math Monthly 103 (1996)1-17.

N. L. Biggs: The roots of combinatorics.


Historia Math. 6(1979), no.2,109-136.

versão: 23 - fev - 2 001


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© 2 001 por J.F. Porto da Silveira ( portosil@mat.ufrgs.br )
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