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Curso para Advocacia da União 2014

Dr. Ubirajara Casado


Advogado da União

FAZENDA PÚBLICA E PRESCRIÇÃO


Procurador do Banco Central

1. PRESCRIÇÃO

a. Conceito: perda da possibilidade de exigir o cumprimento da pretensão em


juízo, em outras palavras, é a impossibilidade, pelo decurso do tempo, de
deduzir, valendo-se da via judicial, pretensão que obrigue o devedor ao
cumprimento da obrigação.

b. Atenção: não se trata mais a prescrição como extinção do direito de ação.

CC. Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se
extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.

c. A prescrição é matéria de interesse público, razão pela qual não se admite


que os sujeitos do negócio jurídico modifiquem seu regime ou alterem os
prazos prescricionais previstos em lei. A prescrição é inegociável, deve ser
prevista em lei e não em negócio jurídico.

d. Consumada a prescrição, o direito torna-se inexigível. A prescrição é um


contradireito que encoberta a pretensão jurídica.
2. A FAZENDA PÚBLICA E A PRESCRIÇÃO QUE LHE FAVORECE

a. Normatividade: Código Civil, Decreto nº 20.910/32 e Decreto-lei nº 4.597/42.

b. Decreto nº 20.910/32 :

Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim
todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou
municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados
da data do ato ou fato do qual se originarem.

c. Aplica-se a todo o conceito de Fazenda Pública, abrangendo as autarquias e


fundações públicas.

Decreto-lei nº 4.597/42

Art. 2º O Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que regula a prescrição


quinquenal, abrange as dívidas passivas das autarquias, ou entidades e
órgãos paraestatais, criados por lei e mantidos mediante impostos, taxas ou
quaisquer contribuições, exigidas em virtude de lei federal, estadual ou
municipal, bem como a todo e qualquer direito e ação contra os mesmos.

d. Não se aplica as empresas públicas e sociedades de economia mista.

e. Aplica-se a prescrição mencionada a todo e qualquer pretensão que possa


ser formulada em face da Fazenda Pública, bem como as pretensões relativas
a vencimentos, soldos, restituições, diferenças, vencidas ou vincendas.

f. Suspensão da prescrição: requerimento administrativo junto à Administração


pública e enquanto houver análise do pedido pelo órgão competente. Nesse
caso, o prazo prescricional estará suspenso.

g. Decadência. Importante ressaltar que o prazo de 5 anos também se aplica à


decadência. Nos decretos, não há uma precisa distinção entre os dois institutos
à época dessas regulamentações.
Ações condenatórias – prazo prescricional de 5 anos.

Ações anulatórias ou constitutivas (direitos potestativos) – prazo decandencial


de 5 anos.

Ações declaratórias – não há prazo, eis que as ações declaratórias são


perpétuas ou imprescritíveis.

h. Súmula 85 do STJ – Prestações de Trato Sucessivo

Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure


como devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a
prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do quinquênio anterior
à propositura da ação.

Pretensões condizentes a vantagens financeiras, cujo pagamento de divide


em periodicidade diária, mensal ou anual. A prescrição atinge apenas os
pagamentos que se venceram antes dos últimos 5 anos anteriores a
propositura da ação.

O trato sucessivo aplica-se, inclusive, para atos omissivos da Fazenda como,


por exemplo, deixar de reenquadrar o servidor.

i. Prescrição do fundo de direito: quando se afasta a Súmula 85 do STJ.

“Fundo de direito é a expressão utilizada para significar que o direito de ser


funcionário (situação jurídica fundamental) ou os direitos a modificações que se
admitem com relação a esta situação jurídica fundamental, como
reclassificações, reenquadramentos, direito a adicionais por tempo de serviço,
direito a gratificação por prestação de serviço especial, etc. A pretensão do
fundo de direito prescreve, em direito administrativo, em cinco anos a partir da
data da violação dele, pelo seu reconhecimento inequívoco” Moreira Alves,
STF, RE 110.419/SP.

Quanto às obrigações de trato sucessivo, o Min. Moreira Alves assim se


manifestou:

"A pretensão ao fundo do direito prescreve, em direito administrativo, em cinco


anos a partir da data da violação dele, pelo seu não conhecimento inequívoco.
Já o direito a perceber as vantagens pecuniárias decorrentes dessa situação
jurídica fundamental ou de suas modificações ulteriores é mera consequência
daquele, e sua pretensão que diz respeito a quantum, renasce cada vez que
este é devido (dia a dia, mês a mês, ano a ano, conforme a periodicidade que é
devido o seu pagamento), e, por isso, se restringe às prestações vencidas há
mais de cinco anos, nos termos exatos do art. 3º do Decreto nº 20.910/32."

Lei ou ato de efeito concreto – discussão da própria condição de servidor


– não aplicação da Súmula 85 do STJ.

Discussão sobre o quantum devido, relação de trato sucessivo, aplica-se


a súmula 85 do STJ.

Recurso extraordinário. Prescrição quinquenal. Decreto 20.910, de 1932.


Adicional de tempo de serviço e vantagem da sexta-parte. Lei Complementar
Paulista 180, de 12.05.1978, art. 178, 2o. Ação movida depois de cinco anos
da data em que o Estado deixou de pagar a vantagem alegada, em virtude
de lei nova, segundo o critério pretendido. Prescrição quinquenal
configurada, na espécie, atingido o próprio fundo do direito e não apenas
as prestações anteriores a cinco anos de aforamento da ação. Recurso
extraordinário conhecido e provido, para julgar prescrita a ação (Recurso
Extraordinário 116.653-3, da 1a Turma do Supremo Tribunal Federal, Relator
Ministro Neri da Silva, j., 23.09.1988).

O STJ tem igual entendimento.