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MATA, Inocência. A literatura da Guiné-Bissau. In: ______. Literaturas Africanas de


Expressão Portuguesa. Lisboa: Universidade aberta, 1995, p. 353-363.
Por: Maria Vanessa de Sousa (UESPI)

O presente texto, tendo como base o texto de Inocência Mata, objetiva observar como
se deu o desenvolvimento da literatura de Guiné-Bissau desde sua literatura colonial até as
produções de sua literatura já independente. Como fez Mata, serão destacados os principais
autores que trabalharam para a consagração da literatura guineense, e as antologias que tratam
deles.
A literatura guineense, como observa Inocência Mata, foi recorrentemente tratada pelo
vazio literário pelo qual passou. Essa literatura, se comparada às demais literaturas de língua
portuguesa, é tardia e escassa. Contudo, esse surgimento tardio não faz jus à alcunha de
inexistente. O aparecimento dessa literatura foi prejudicado por diversas questões de ordem
histórica e sociocultural. Muitas dessas razões decorrem do fato de, por exemplo, as guerras
de resistência africanas contra a ocupação portuguesa terem durado até a 2ª década do século
XIX. Isto certamente dificultou a implantação de estruturas que, como ocorreu nas outras
colônias, proporcionassem o acesso da população à instrução.
Somente em 1880, após a implantação de uma tipografia na capital da Guiné em 1879,
é publicado o primeiro periódico, o Boletim Oficial da Guiné, 40 anos depois surge o jornal
Ecos da Guiné (1920), seguido por A voz da Guiné- quinzenário republicano independente
(1922) e Pró-Guiné (1924), sendo este ultimo órgão do Partido Republicano Democrático.
Sendo estas publicações de portugueses radicados, o primeiro jornal editado por um guineense
foi O Comércio da Guiné, de 1930, que, porém, não se afastou do discurso colonial mesmo
tendo sido denominado Órgão dos interesses da colônia.
Mata aponta que Manuel Ferreira, em 1975, No Reino de Caliban-I havia considerado
a literatura guineense “um espaço vazio”, porém, após o lançamento de poemas de Vasco
Cabral, escritos entre 1955 e 1974, na revista África, nº 5, em Lisboa, Ferreira é obrigado a
remarcar as origens da poesia guineense para 1955. Russel Hamilton, no entanto, chega a
dizer que seria precipitado tratar os poemas de Vasco como origens da poesia de Guiné pois
constitui um caso isolado. Inocência Mata replica que decerto não se pode tratar Vasco como
pioneiro, pois antes dele Amílcar Cabral já havia escrito e publicado. Neste âmbito das
primeiras produções, a autora atenta para a importância de considerar as produções da
literatura colonial dos anos 30, produzidas por metropolitanos e cabo-verdianos radicados,
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como as primeiras manifestações literárias. Neste meio destacam-se Fernanda de Castro, que
inaugura uma escrita africana de temática guineense, e Fausto Duarte.
Em 1963 é publicado em São Paulo, a antologia Poetas e contistas africanos, de João
Alves das Neves, na qual Antonio Baticã aparece como representação literária de Guiné-
Bissau. A poesia de Baticã, devido a seu distanciamento da terra natal, revela uma angustiada
tentativa de identificação com a pátria por meio do resgate da infância e da natureza. Outra
importante publicação foi a do caderno de poesias de onze autores, Poilão, que foi testemunha
da primeira voz coletiva em Guiné.
Nos anos 70 surgem Mantenhas para quem luta!- a nova poesia da Guiné-Bissau
(1977), a Antologia dos jovens poetas – momentos primeiros da construção (1978) e Os
continuadores da revolução e a recordação do passado recente (s.d.-1979), antologias que
atentam para o surgimento de uma voz coletiva jovem. A importância dessas antologias
encontra-se além da qualidade literária dos textos, ela é antes de tudo de valor sócio
ideológico, visto que são as primeiras produções depois da independência. Russel Hamilton
julga serem esses escritos “a base duma nova literatura” num meio que ainda viria a construir
um sistema literário. Já nos anos 90, são lançadas a Antologia poética da Guiné-Bissau
(1990), talvez a mais completa antologia de poesia guineense e O eco do pranto. A criança na
poesia moderna guineense (1992), com temáticas totalmente voltadas para a criança,
confirmando as vozes anunciadas nos anos 70.
Helder Proença, revelado em meio aos jovens dos anos 70, publica em 1982, Não
posso adiar a palavra!, revelando já ser um poeta amadurecido que exalta a pátria e os
heróis, canta o amor e até o erótico. No ano anterior, Vasco Cabral havia publicado A luta é a
minha primavera (1981), na qual demonstra como outros poetas de que foi contemporâneo na
Casa dos Estudantes do Império, sua situação de exilado geográfica e culturalmente.
Em suma, observando a constituição da literatura guineense, Mata consegue mostra
que esta não se encontra em estado de incipiência e escassez, que é preciso apenas conhecer
sua estrutura para se perceber isto.
Assim, espera-se que este texto tenha atingido seu objetivo de expor autores e fatos de
grande importância para a formação e desenvolvimento tanto da literatura quanto da ideologia
de Guiné Bissau. Deste modo, pôde-se observar que Inocência Mata procurou ressaltar
também, a importância dos textos que fazem parte desta literatura, provando que esta pode ter
sido iniciada tardiamente, mas que não há escassez.