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Leandro​​Rangel​​00098335​​-​​Filosofia​​Política​​-​​Noite

​​Ficha​​de​​leitura​​-​​A​​CONDIÇÃO​​HUMANA​​-​​Hanna​​Arendt

Prólogo

Tese 1: Políticos e cientistas profissionais não devem decidir sobre assuntos de primeira grandeza.

Citação: “

deixada​​a​​cientistas​​profissionais​​ou​​a​​políticos​​profissionais.”

uma

questão política de primeira grandeza, cuja decisão, portanto, não pode ser

Explicação: Os políticos e os cientistas profissionais, embora vivam no mesmo mundo que os outros seres humanos, trabalham com um discurso que é afastado da realidade da maioria das pessoas . Dessa forma, suas ações não correspondem ao gradual avanço da humanidade desde de que ela recebeu gratuitamente o dom da existência, dom esse que os profissionais cientista e políticos acreditam terem superado e para o qual têm sempre um substituto que consideram mais adequado. Os rumos que a política e a ciência profissionais têm​​tomado​​são​​uma​​amostra​​de​​o​​quanto​​eles​​estão​​equivocados.

Tese​​2:​​O​​discurso​​é​​o​​que​​faz​​do​​homem​​um​​ser​​político.

Citação: “Sempre que a relevância do discurso está em jogo, as questões tornam-se políticas​​por​​definição,​​pois​​é​​o​​discurso​​que​​faz​​do​​homem​​um​​ser​​político.”

Explicação: Um homem pode experimentar o mundo de muitas maneiras, algumas delas que não chegam ou ultrapassam o nível da linguagem, do discurso. Porém o ser humano que está em relação com os outros não pode prescindir do discurso se quiser compreender seus semelhantes e os desejos e necessidades alheios. Mesmo seus desejos e necessidades devem poder ser expressos em um discurso se houver a pretensão de comunicá-los e buscar o auxílio de seus companheiros de jornada terrestre. Essa interação por​​meio​​do​​discurso​​é​​a​​política.

Tese​​3:​​O​​trabalho​​foi​​glorificado​​teoricamente​​na​​era​​moderna.

Citação: “A era moderna trouxe consigo uma glorificação teórica do trabalho, e resultou na transformação​​factual​​de​​toda​​a​​sociedade​​em​​uma​​sociedade​​trabalhadora.”

Explicação: O trabalho foi supervalorizado em detrimento das outras capacidades humanas. A sociedade onde todos são iguais pois precisam trabalhar ou simplesmente trabalham não deixa alternativas de vida para o ser humano que está prestes a ser libertado do trabalho pela tecnologia. Um trabalhador sem trabalho e que não sabe fazer outra coisa a não ser trabalhar​​é​​um​​ser​​infeliz.

Tese​​4:​​Devemos​​refletir​​sobre​​o​​que​​estamos​​fazendo.

Citação:​​​​‘O​​que​​estamos​​fazendo’​​é,​​na​​verdade,​​o​​tema​​central​​deste​​livro.”

Explicação: O mais elementar na condição humana é aquilo que fazemos. Trabalhamos, obramos e agimos. A autora se limita a analisar essas três dimensões da condição humana, pois elas são permanentes e não se alteram com o passar das eras e continuarão condicionando o ser humano que vive nesta Terra ou em outras quaisquer onde possa vir a constituir​​morada.

Tese​​5:​​Trabalho,​​obra​​e​​ação​​são​​os​​elementos​​básicos​​da​​condição​​humana.

Citação: “

estão​​ao​​alcance​​de​​todo​​ser​​humano.”

aquelas

atividades que tradicionalmente, e também segundo a opinião corrente,

Explicação: Todo ser humano precisa satisfazer suas necessidades biológicas mínimas para sobreviver neste mundo, isto é, trabalhar. Sobrando algum recurso, o ser humano acaba por fazer mais do que o necessário para a sobrevivência, o produto excedente é a obra. O fato de estar em comunidade com os outros humanos faz com que ele possa agir em conjunto com seus semelhantes através do discurso, isto é agir politicamente. Essas três​​condições​​são​​básicas​​para​​todos​​os​​humanos​​e​​são​​o​​assunto​​do​​livro.

Capítulo​​1​​-​​A​​condição​​humana

1.​ ​A​ ​​vida​ ​activa​ ​e​ ​a​ ​condição​ ​humana

Tese 1: A vida activa é uma expressão para designar três atividades humanas: trabalho, obra​​e​​ação.

Citação: “O trabalho é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, às suas necessidades vitais. A obra corresponde ao que escapa do sempre-recorrente ciclo vital da espécie, o artificial. A ação humana corresponde ao fato de os homens serem plurais e habitarem o mundo, única atividade que é a condição da política.”

Explicação: A vida activa é a vida humana. Por não serem todos iguais, não terem uma natureza determinada de antemão, os seres humanos excedem as atividades puramente animais e podem produzir artefatos que persistem no tempo, condicionando-os, e ainda influenciar seus semelhantes através do discurso para que ajam de acordo com sua vontade. Dessa forma é possível a política, que visa o esforço conjunto de vários homens com​​um​​fim​​determinado​​e​​dirigido​​pelo​​discurso​​entre​​os​​homens.

Tese​ ​2:​ ​A​ ​​pluralidade​ ​é​ ​a​ ​condição​ ​humana​ ​que​ ​permite​ ​a​ ​política.

Citação: “

qua​ ​non,​ ​​mas​ ​a​ ​​conditio​ ​per​ ​quam,​ ​de​ ​toda​ ​vida​ ​política.”

essa pluralidade é especificamente a condição, não somente a conditio sine

Explicação: Por sermos vários e não meras repetições de uma natureza apenas animal, nos é possível divergir ou convergir esforços para a realização de propósitos coletivos. Aquilo que os humanos fazem em conjunto cria um corpo político que é possível manter e aperfeiçoar, o que acaba por constituir a história dos nossos atos, que é lembrada e também​​condiciona​​a​​vida​​humana.

Tese​ ​3:​ ​A​ ​condição​ ​mais​ ​geral​ ​da​ ​existência​ ​humana​ ​é​ ​a​ ​​natalidade.

Citação: “

relacionadas com a condição mais geral da existência humana: o nascimento e a morte, a natalidade​​e​​a​​mortalidade.”

as três atividades e suas condições correspondentes estão intimamente

Explicação: Todo ser humano que nasce tem o potencial para agir e cada ato representa uma possibilidade de um novo princípio, para o agente e para todos os que vierem depois dele. Por isso as ações são como nascimentos de realidades que podem condicionar toda humanidade​​e​​podem​​ser​​pensadas​​como​​manifestações​​da​​categoria​​principal​​da​​política.

Tese​ ​4:​ ​A​ ​​condição​ ​humana​ ​é​ ​diferente​ ​da​ ​​natureza​ ​humana.

Citação:

“Para evitar mal-entendidos: a condição humana não é o mesmo que a natureza

humana…”

Explicação:

A única natureza humana que podemos imaginar como inalterável é o

condicionamento dos humanos por seus próprios atos, suas obras e seu trabalho. Nada mais é essencial e necessário a uma vida humana do que seu condicionamento às circunstâncias biológicas, o desenvolvimento das obras que constrói seu mundo e algum tipo de ação com seus semelhantes. Não é possível imaginarmos uma essência humana como imaginamos a de outros seres, pois não somos objetos para nós mesmos, ficando sempre​​livres​​para​​determinarmos​​quem​​somos​​mas​​nunca​​para​​sabermos​​o​​quê​​somos.

Ficha​​transversal:​​Aristóteles​​e​​Hanna​​Arendt

Tese​​1:​​A​​polis​​é​​uma​​organização​​política​​livremente​​escolhida,​​e​​não​​apenas​​necessária.

Citação: “Aristóteles distinguia três modos de vida que os homens poderiam escolher

livremente,

eram​​necessárias​​nem​​meramente​​úteis:

que

tem em comum o fato de se ocuparem do ‘belo’, isto é, de coisas que não ”

;​​a​​vida​​dedicada​​aos​​assuntos​​da​​polis,

Explicação: A vida dedicada aos assuntos da polis era a única verdadeiramente livre para os gregos, segundo Arendt, pois representava o ápice de uma liberdade conquistada depois de todas as necessidades terem sido satisfeitas e não necessitava da intervenção de um déspota, cabendo a cada cidadão seu quinhão de responsabilidade nos assuntos da cidade. Ninguém frequentava a ágora por necessidade e sim por terem a condição de não precisar se​​envolver​​nas​​não​​tão​​dignas​​tarefas​​da​​sobrevivência.

Tese​​2:​​A​​passagem​​da​​ação/práxis​​para​​a​​contemplação/teoria.

Citação: “

modo​​que​​a​​contemplação​​era​​agora​​o​​único​​modo​​de​​vida​​realmente​​livre.”

a

ação passara a ser vista como uma das necessidades da vida terrena, de

Explicação:

propriamente políticas e fez com que o termo vida activa passasse a designar o mero engajar-se nas coisas do mundo. Perante esse novo modo de vida os filósofos começaram a entender, segundo Arendt, a vida activa, realmente livre, como a dedicada à contemplação, atividade que não é útil em si mesma, podendo ser desenvolvida apenas por homens que tem a liberdade de prescindir dos trabalhos indignos relacionados com a simples​​manutenção​​da​​vida​​ou​​a​​criação​​de​​artefatos.

as atividades

O

fim

das

cidades-estado

tirou

das

mãos

dos

cidadãos

Tese​​3:​​O​​homem:​​de​​zoon​​politikon​​a​​animal​​socialis.

Citação:

a

antiga

tradução

do

zoon

politikon

de

Aristóteles

como

animal

socialis,

tornou-se​​a​​tradução​​consagrada….”

 

Explicação: Segundo a autora, a passagem na versão de zoon politikon para animal socialis era uma tradução com inconscientes traços de uma perda do significado original grego do termo. De político, o homem tornara-se meramente gregário, o que representava um movimento retrógrado em relação ao pensamento grego, o qual já identificava a simples união entre os pares como uma condição demonstrada nos animais e não especificamente humana.

Tese​ ​4:​ ​​ ​A​ ​confusão​ ​entre​ ​as​ ​esferas​ ​privadas​ ​e​ ​públicas​ ​na​ ​esfera​ ​social.

Citação: “

um​​fenômeno​​relativamente​​novo,

a

eclosão da esfera social, que estritamente não era nem privada nem pública, é ”

Explicação: Com o fim das cidades-estado, o advento das sociedades trouxe uma mistura das responsabilidades que outrora eram nitidamente percebidas como sendo da família para o seio do político, que passou a ser compreendido como uma grande economia doméstica coletiva, onde as famílias eram substituídas por uma grande família sobre-humana. Uma economia política para os antigos seria uma contradição de termos, uma vez que a economia é a tarefa de cuidar da casa e a política ser o que se faz fora da casa.