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Em sede de voto, o Ministro Carlos Ayres Brito foi o nico a expor elementos

estruturantes que divergem do entendimento de seus pares. A partir da utilizao de


interpretao teleolgica, afirma o Ministro que, a Constituio Federal de 1988 dispe de
mecanismos de proteo instituio famlia, em seu fenmeno lato sensu. E, portanto, o
concubinato, figura sobre a qual possui carter pejorativo, est sob o bice da proteo do
ordenamento jurdico ptrio, explicitando ainda, que para a nossa Carta Poltica, sequer
existem concubinos, mas pessoas que vivem em situao de companheirismo. Possvel
tentativa de distinguir filhos obtidos em uma relao de casamento civil e filhos obtidos em
uma relao de concubinato proporcionaria instrumentos discriminantes entre eles, algo que,
inadmissvel sob manto constitucional.

O conceito do que uma famlia vem sendo metodologicamente se moldando s


necessidades das novas realidades, e a Constituio brasileira explicita esses fatores em seus
dizeres. Um relacionamento caracterizado como concubino pode possibilitar aos sujeitos nele
envolvido, a constituio de comunidade familiar. Elementos sentimentais no podem ser
objetos de anlise jurdica. Para o Ministro, no cabe ao judicirio processar e julgar a vida
sentimental, muito menos a legitimidade ou no, das relaes que permeiam os sujeitos nesses
casos. Ela (a vida sentimental) cabe apenas e unicamente s pessoas envolvidas.

Ayres Britto entende que o instituto famlia um desdobramento do amor. o


animus de constituir um lar, independentemente se algumas das pessoas envolvidas estejam
concomitantemente em outra relao sentimental. Querendo ou no, essas relaes elas
existem. Deve o ordenamento jurdico se adaptar as realidades existentes, garantindo o
princpio da dignidade da pessoa humana, assim como o direito liberdade, ambos previstos
na Constituio. No proporcional nem razovel jurisdio que os relacionamentos
construdos de forma marginal ao casamento civil no possuam tutela jurdica e proteo
estatal.

Para o Ministro, o recurso extraordinrio deve ser conhecido, para que, em seu mrito
seja negado provimento, mantendo o acrdo do Tribunal de Justia do Estado da Bahia,
reconhecendo o vnculo jurdico entre o falecido e a autora, possibilitando que seja devido o
benefcio previdencirio penso por morte, sendo este rateado entre a companheira viva e a
esposa viva do segurado morto.