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FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DO PARANÁ

ELISEU PEREIRA

ANÁLISE EXEGÉTICA DE MALAQUIAS 3.6-12:

FUNDAMENTAÇÃO PARA PRÁTICA DO DÍZIMO?

Curitiba

2009

ELISEU PEREIRA

ANÁLISE EXEGÉTICA DE MALAQUIAS 3.6-12:

FUNDAMENTAÇÃO PARA PRÁTICA DO DÍZIMO?

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Teológica Batista do Paraná, como um dos requisitos para conclusão do Curso de Pós-Graduação em Exegese e Teologia Bíblica.

Orientador: Prof. Dr. Marlon Ronald Fluck

Curitiba

2009

Dedico este trabalho a igreja cristã brasileira,

esperando que a minha geração cresça na

prática da generosidade.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, princípio e fim da minha

vida.

Agradeço

ensinaram

as

aos

meus

pais,

primeiras

letras

que

me

da

Bíblia.

Agradeço a minha Irene: começamos como

colega de turma no seminário e continuamos

estudando

juntos.

Agradeço

ao

nosso

filho

Allan por emprestar seus pais ao curso por

tantos sábados. Agradeço aos mestres, cujo

exemplo

acadêmico

e

espiritual

pretendo

seguir.

RESUMO

O profeta Malaquias pregou no período imediatamente posterior ao retorno do cativeiro babilônico, após a reconstrução do templo de Jerusalém e, provavelmente, antes do ministério de Esdras e Neemias. O templo e os muros já estavam edificados e havia culto, porém sem sinceridade de coração. A pregação de Malaquias é clara e direta e dirige exortações contra governantes, sacerdotes e

contra o povo em geral. No capítulo 3.6.12, Iavé exorta o povo ao arrependimento e

à fidelidade nas contribuições de dízimos e ofertas para sustento dos que oficiavam no templo e manutenção dos serviços religiosos. No mesmo tom conciliador apresentado pelos grandes profetas, Deus promete repreender os inimigos do povo

e abençoá-los como no passado.

Palavras-chave: dízimo, oferta, roubo, maldição, casa do tesouro.

i

SUMÁRIO

ANÁLISE DO CONTEXTO

16

1.1 ANÁLISE

DA AUTORIA

16

1.2 ANÁLISE DO CONTEXTO HISTÓRICO-GEOGRÁFICO

17

1.3 ANÁLISE DO CONTEXTO LITERÁRIO

20

1.4 ANÁLISE

TEOLÓGICA

22

ANÁLISE DO TEXTO

24

2.1

ANÁLISE GRAMATICAL DE CADA PALAVRA DO TEXTO HEBRAICO

24

2.2

TRADUÇÃO DO TEXTO

HEBRAICO

24

2.2

VERIFICAÇÃO DOS TEXTOS VARIANTES

26

2.4 ANÁLISE DO SIGNIFICADO DAS PALAVRAS E FRASES DO ORIGINAL E

COMPARAÇÃO DE VERSÕES

27

TEXTOS CORRELATOS

41

3.1 TEXTOS RELACIONADOS A DÍZIMO NO AT:

41

3.2 TEXTOS RELACIONADOS A CASA DO TESOURO:

48

TRADUÇÃO FINAL

54

4.1 TRADUÇÃO IDIOMÁTICA:

54

4.2 COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS:

54

ii

Lista de abreviaturas

ACF

Bíblia Almeida Corrigida Fiel

ARA

Bíblia Almeida Revista e Atualizada

ARC

Bíblia Almeida Revista e Corrigida

BHK

Bíblia Hebraica Kittel

BHS

Bíblia Hebraica Stuttgartensia

BHSApp

Aparato crítico da Bíblia Hebraica Stuttgartensia

BVC

Bíblia Versão Católica

BWW

Bible Work for Windows

DHPAP

Dicionário Hebraico-Português & Aramaico-Português

DITAT

Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento

DITNT

Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento

LXX

Septuaginta

n/i

Não informado

NTLH

Bíblia Nova Tradução da Linguagem de Hoje

NVI

Bíblia Nova Versão Internacional

TM

Texto massorético

TR

Texto recebido

v(v)

versículo(s).

9

INTRODUÇÃO

O texto de Malaquias 3.10 é o mais usado para fundamentar a prática dos dízimos

nas igrejas cristãs evangélicas. Se se perguntar a qualquer líder religioso ou cristão dizimista, certamente o texto será um dos primeiros a aparecer na resposta. Seja por simplicidade ou sinceridade, dificilmente os cristãos conhecem a doutrina geral dos dízimos no Antigo Testamento. Seja por necessidade ou má-fé, dificilmente os líderes religiosos ensinam criteriosamente o que a Bíblia diz sobre os dízimos.

O profeta Malaquias, em seu escrito tardio, situado no pós-exílio, sem dúvida está se

reportando a toda uma legislação pregressa que envolve a legislação da Torá, as

alterações históricas e as reformas religiosas.

O objetivo desse artigo é analisar o texto de Malaquias 3.6-12, especialmente os

versículos 10 e 11, usados popularmente como base teológica para cobrança de dízimos e ofertas nas igrejas em geral. Uma leitura mais apurada do texto será útil para uma melhor compreensão do tema.

Os problemas enfocados são: É adequado usar o versículo 3.10 isoladamente e sem levar em conta todo o ensino do AT sobre dízimo? Podemos aplicar diretamente os regulamentos do AT à igreja? O profeta Malaquias é o único que exorta diretamente o povo a trazer os dízimos e a recolhê-lo na casa do tesouro. Podemos pressupor que sua palavra se refere a todos os cristãos de todos os tempos e que as igrejas locais constituem cada uma delas uma ―casa do tesouro‖ para os cristãos?

Para responder essas perguntas, a identificação do profeta e o contexto histórico de seu ministério serão de fundamental importância permitindo que o texto seja lido e analisado em seu cenário próprio. Serão analisadas as expressões e palavras mais importantes no original a fim de chegar a uma tradução fiel ao original.

No primeiro capítulo, serão apresentados os comentários sobre a autoria e datação do livro e o contexto em que ele foi escrito. Quem foi Malaquias e quando escreveu? Alguns afirmam que Malaquias seria apenas um título e não o nome de um profeta.

10

Qual o momento histórico dos judeus? É realmente antes ou após o exílio? A

datação do livro é fundamental para a melhor compreensão de sua mensagem.

O segundo capítulo é dedicado ao estudo do texto, analisando palavra por palavra,

comentários sobre a tradução e as variantes textuais. É a exegese propriamente

dita, em que o texto será examinado para que se alcance o significado mais próximo

e mais fiel ao texto original.

No terceiro capítulo, serão apresentados os textos correlatos que tratam do dízimo e

da casa do tesouro no Antigo Testamento. Considerando que a frase — ―trazei todos

os dízimos à casa do tesouro‖ — é chave para a fundamentação do dízimo nas

igrejas cristãs, o objetivo do terceiro capítulo é esclarecer a doutrina do dízimo no

Antigo Testamento e o local a que eram recolhidos.

O quarto e último capítulo apresenta a tradução final do texto de Malaquias 3.6-12 e

os comentários explicativos que o autor considera necessários para conduzir à

conclusão proposta.

HIPÓTESE

A hipótese inicial do autor é que o texto de Malaquias é primeiramente dirigido à

classe sacerdotal e aos levitas e não ao povo todo. O texto trata de obrigações

relacionadas ao culto do templo e do povo judeu e não pode ser usado para base

teológico-doutrinária para a prática do dízimo nas igrejas cristãs.

JUSTIFICATIVA

A pesquisa se justifica como razoável uma vez que, como nunca antes, o dinheiro

assume papel central. Historicamente a igreja é mais lenta para reagir e aderir aos

rumos da sociedade. Durante muito tempo, a igreja teve certo pudor ao tratar com o

dinheiro. Os cristãos eram mais sóbrios em relação a posses e riquezas. Os

reformadores, ao pregarem o retorno da igreja à Sola Scriptura, recomendaram aos

cristãos uma vida de sobriedade. Dentre as famosas 95 teses de Lutero, se lê:

―43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.‖

11

―44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.‖

―45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.‖

―46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.‖

Em relação à administração bens da igreja, CALVINO (Institutas, Livro IV, cap. 6) diz

o seguinte:

― tudo quanto a Igreja possui, seja em propriedade, seja em dinheiro, é

patrimônio dos pobres. E assim freqüentemente ali é entoada esta cantilena aos bispos e diáconos: que se lembrem que estão a manejar não valores próprios, mas os destinados à necessidade dos pobres; valores que, se de má fé são suprimidos ou dilapidados, se constituem réus de sangue. Daí serem admoestados a que, com sumo tremor e reverência, como à vista de Deus, os distribuam, sem acepção de pessoas, àqueles a quem se devem.‖

Ele deixa claro que a tradição da igreja cristã é dar prioridade na assistência aos

pobres e desamparados. Quanto ao sustento dos ministros, CALVINO (idem)

recomenda que:

―Como, porém, seja justo, e também sancionado pela lei do Senhor, que aqueles que dedicam sua atividade à Igreja sejam sustentados às expensas públicas da Igreja [1Co 9.14; Gl 6.6], e nesse tempo alguns presbíteros, consagrando a Deus seus patrimônios, se fizeram pobres voluntários, tal era a distribuição que nem aos ministros faltasse o sustento nem negligenciados fossem os pobres. Entrementes, tomava-se cautela, no entanto, para que os próprios ministros, que devem dar aos outros exemplo de frugalidade, não tivessem em demasia de onde usassem mal para luxo ou prazeres; antes, tivessem apenas com que fizessem frente à sua necessidade.‖

No entanto, WEBER (2001, p. 123,124) ao analisar a contribuição do protestantismo

para o surgimento do capitalismo moderno, diz que por um lado, ―o ascetismo

protestante

por outro lado, ―quebrou as amarras do impulso para a aquisição, não apenas

legalizando-o, mas, no sentido exposto, enfocando-o como desejado diretamente por

Deus‖. WEBER (2001, p. 124) diz ainda que ―o ascetismo via a busca das riquezas

agiu poderosamente contra o desfrute espontâneo das riquezas‖, mas,

12

como fim em si mesma como altamente repreensível,‖ mas a manutenção da riqueza como fruto do trabalho era um ―sinal da bênção de Deus‖.

Mais recentemente, e em oposição à Teologia da Libertação, a Teologia da

Prosperidade encampou a busca de dinheiro e do conforto pessoal como finalidade e

a acumulação de bens como manifestação da benção de Deus. Não apenas os

cristãos foram estimulados a buscar sua realização pessoal, como também as igrejas

e demais organizações eclesiásticas se tornaram grandes empreendimentos. Se a

Teologia da Libertação era mais libertação e menos teologia, a Teologia da Prosperidade apresenta uma argumentação mais refinada, na medida em que busca textos isolados das Escrituras para justificar a realização financeira como finalidade sem qualquer senso de culpa.

Em maior ou menor extensão, todos os cristãos estão sendo confrontados com a questão do dinheiro. O acesso a bens de consumo, as facilidades de crédito, a pregação da prosperidade como evidência da benção de Deus, dentre outras, têm desafiado até mesmo os grupos histórico-tradicionais. Vale a pena resistir aos encantos do dinheiro e manter um padrão de vida de sobriedade e frugalidade? Afinal, ele não é uma benção divina?

Neste cenário apelativo, alguns textos da Bíblia têm sido usados e abusados para justificar a sede por dinheiro tanto de indivíduos como de organizações. Dentre estes, o versículo de Malaquias 3.10 é, certamente, o mais popular e mais citado pelos líderes religiosos, crentes, e até mesmo por pessoas de fora dos círculos evangélicos. O presente trabalho é uma contribuição para esclarecer o sentido original e fiel do texto.

Procedimentos metodológicos

Para a exegese do texto bíblico escolhido, a seqüência exegética na sua maior parte segue os passos propostos por GUSSO (2005, pp. 209-216). Segundo esse autor, ―exegese (exegesij exegesis) é um termo derivado do grego exhgeomai

(exegeomai) o qual, de acordo com Gingrich, possui no Novo Testamento os significados de: interpretar, explicar, contar, descrever, relatar, fazer conhecido e dar

13

notícias de‖ (GUSSO, 2005, p. 209). Segundo o dicionário AULETE, é ―explicação ou

interpretação cuidadosa de um texto‖. A palavra exegese é uma palavra composta

pela preposição ek (para fora) e o verbo hegeomai que significa conduzir

(WEGNER, 2002, p. 11). Portanto, literalmente, exegese significa conduzir para fora,

ou seja, tirar a mensagem do próprio texto, fazendo com que ele fale por si mesmo.

Na exegese, o interprete procura ―derivar seu entendimento do texto, em vez de ler

seu significado no (―para dentro‖) texto (Eisegese)‖ (PEREIRA, 2005). É estudo do

significado das palavras à luz do tempo e do lugar onde originalmente foram escritas.

WEGNER (2002, p. 12) diz que:

―A primeira tarefa da exegese é aclarar as situações descritas nos textos, ou seja, redescobrir o passado bíblico de tal forma que o que foi narrado nos textos se torne transparente e compreensível para nós que vivemos em outra época e em circunstâncias e cultura diferentes.‖

Neste trabalho, será adotada a metodologia exegética sugerida por GUSSO (2005, pp. 210-216), que obedece aos seguintes passos, embora organizados em uma ordem própria:

a) Busca da orientação divina.

b) Delimitação do texto de interesse.

c) Análise gramatical de cada palavra do texto hebraico.

d) Tradução do texto hebraico.

e) Verificação dos textos variantes.

f) Comparação entre versões.

g) Análise histórica.

h) Análise do contexto geográfico.

i) Análise do contexto literário.

j) Análise teológica.

k) Análise do significado de palavras e frases importantes.

l) Acertos de tradução.

m) Comentário explicativo.

n) Aplicação da mensagem para a atualidade.

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DELIMITAÇÃO DO TEXTO

Considerando que este trabalho é uma exegese bíblica, a delimitação do texto abordará os passos para selecionar a perícope a ser analisada.

O livro de Malaquias apresenta uma estrutura em diálogos, ora direto entre Iavé e o

povo, ora indireto por meio do profeta e o povo. A palavra direta do Senhor é recorrente em todo o livro — a frase ―assim diz o Senhor‖ aparece 23 vezes em seus 55 versículos. Por meio desses diálogos, o profeta apresenta uma série de assuntos aparentemente independentes entre si, cada um deles apresentando uma palavra

direta de Iavé.

O trecho 3.6-12 interrompe a sequência de 3.1-5 sobre o mensageiro do Senhor, o

juízo e a futura restauração do povo. O v. 1 abre um assunto novo dizendo: ―Eis aí

que eu envio o meu mensageiro

quem pode suportar o

dia da sua vinda?

vv 4-5 falam das promessas de esperança afirmando a restauração do povo ―como nos primeiros dias‖ (v. 4b), mas de juízo severo contra o ‖que não me temem‖ (v. 5b).

eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.‖ 1 Os

vv. 2-3 falam da gravidade do juízo trazido pelo Senhor: ―

ele é como fogo do ourives e como potassa dos lavandeiros.‖ Os

O versículo 6 é considerado uma conexão entre o tema de 3.1-5 e 6-12, interpondo a

fidelidade de Iavé como causa da existência do povo escolhido. Não é por serem descendência de Jacó que estavam sendo preservados por Iavé, mas porque o próprio Iavé é fiel e imutável. Por essa razão, o v. 6 foi incluído na perícope a ser analisada.

Os versículos 7-11 são uma continuação de 1.6-14, onde Iavé reprova os sacerdotes por desonrá-lo, oferecendo ―pão imundo‖ sobre o altar (1.7) e animal cego, coxo ou enfermo para os sacrifícios (1.8,13). O versículo 1.14 diz: ‖Maldito seja o enganador que, tendo um animal sadio no seu rebanho, promete e oferece ao SENHOR um defeituoso.‖ O v. 12 é a conclusão desse trecho, descrevendo as bênçãos de confiar no Senhor para a provisão.

1 A versão utilizada é sempre a Almeida Revisada e Atualizada (ARA), salvo se indicada outra.

15

A partir do v. 13, o livro inicia claramente mais um diálogo: ―As vossas palavras foram duras para mim, diz o Senhor‖. SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1256) associam o v. 13 ao v.5 onde apresenta o julgamento de Iavé contra os ímpios, afirmando que Iavé é justo e faz diferença aos que o temem. Dessa forma, fica evidenciado que o trecho 3.6-12 compõe uma perícope completa.

SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1254) consideram uma seção maior que vai de 2.17 a 3.11 sob o título ―Julgamento e purificação‖ (p. 1253). Para eles, a seção 3.6-12 é um ―intermédio sobre os dízimos‖. BALDWIN (1996, p. 205) reconhece a mesma seção 3.6-12 como sendo completa, dando-lhe o título ―O Senhor quer abençoar‖ (p. 183). Segundo ele, essa seção forma um ―parêntese entre dois sermões sobre a justiça de Deus‖ (p. 205).

Considerando que o objetivo desse artigo é analisar especificamente o texto de Malaquias sobre a negligência nas contribuições, o texto base será delimitado em

3.6-12.

LIMITAÇÕES

Para responder plenamente as perguntas relacionadas ao tema, o pesquisador considera pertinente o levantamento histórico da prática do dízimo nas sinagogas do período neotestamentário, seu funcionamento, manutenção e forma de sustento dos rabinos. Uma linha de pesquisa relevante seria também verificar como ficou a prática do dízimo após a destruição do templo.

Outra linha de pesquisa que escapa aos limites do trabalho, mas que certamente contribuiria para elucidar o tema proposto, é apurar a prática do dízimo na era pós- apostólica. Os bispos cobravam dízimo dos fiéis? As contribuições eram voluntárias? Se não, a partir de quando se tornou obrigatório?

Este trabalho cuidará apenas da exegese do texto mais popularmente utilizado para defender e fundamentar a prática do dízimo nas igrejas cristãs que é Malaquias 3.10 e seu contexto imediato.

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Capítulo 1

ANÁLISE DO CONTEXTO

1.1 ANÁLISE DA AUTORIA

A Bíblia não oferece informação sobre o profeta e o nome Malaquias não ocorre em nenhuma outra passagem do Antigo Testamento. Por causa do significado do nome

Malaquias (ykia'l.m; mal´äkî), ―meu mensageiro‖ ou ―meu anjo‖, como aparece em 3.1

(―Eis que eu envio o meu mensageiro‖, ARC, ykiêa'l.m;,

mal´äkî), alguns como

SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241) defendem a idéia de que o nome é um pseudônimo ou título, pois se trata de um adjetivo estranho ―como se disséssemos ‗mensagéricos‘ ou ‗embaixadóricos‘‖ (idem, p. 1245). Mas BALDWIN (1996, p. 176) diz que esta teoria não chega a convencer, uma vez que o profeta em nenhum momento se identificou como este mensageiro que viria.

SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241) diz que o texto de 3.1 passou para 1.1 e que o nome não existe em nenhum outro lugar do Antigo Testamento, mas BALDWIN (1996, p. 177) diz que outros nomes como Habacuque também não ocorrem em outras passagens. Comparando 1.1 com 3.1, a concordância exigiria que a sentença usasse a 3ª pessoa — ―seu mensageiro‖ — opção adotada pela LXX, mas que não aparece nas demais versões. Segundo BALDWIN (1986, p.177) e SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241), o Targum indica que os tradutores aramaicos entenderam o nome Malaquias como um título de Esdras.

Porém, embora haja semelhanças entre ambos, há também muitas discrepâncias e nenhuma evidência forte de tal identificação entre Malaquias e Esdras. SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241) concluem que não é possível saber quem é o autor do livro. Por sua vez, BALDWIN diz que a tradição de que houve um profeta Malaquias é forte, portanto ―na ausência de argumentos convincentes contrários, é lógico acreditar que o profeta se chamava Malaquias‖ (1986, p. 177).

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1.2 ANÁLISE DO CONTEXTO HISTÓRICO-GEOGRÁFICO

1.2.1 Principais personagens

Os principais personagens contemporâneos são o primeiro governador Zorobabel (Ed 2.2; 3.2,8; 4.2,3; 5.2; Ne 7.7; 12.1, 47; Ag 1.1, 12,14; 2.2,4, 21,23; e Zc 4.6-10), o sacerdote Josué (Ag 1.1, 12,14; 2.2,4, 21,23; e Zc 3.3-9) e os profetas Ageu e Zacarias (em seus respectivos livros e em Esdras 5.1; 6.14 e em Neemias 12.16). Zorobabel, da casa real davídica, fora designado pelo imperador Ciro a reconduzir a primeira leva de judeus de volta a Jerusalém, em 538 a.C. Os livros de Esdras e Neemias registram as dificuldades internas e externas enfrentadas pelos primeiros habitantes de Judá. Os governadores transjordanianos apelaram ao imperador para paralisar as obras, mas Dario acabou confirmando a autorização de Ciro e determinando a ajuda material para ajudar os judeus. As dificuldades internas dizem respeito à convivência com estrangeiros, inclusive casamentos mistos e problemas sociais graves. Os livros dos profetas Ageu e Zacarias contém muitas exortações aos líderes e ao povo para que completem a obra de reconstrução da cidade e do templo, e também retomem os sacrifícios e o serviço do templo. A reconstrução de Jerusalém e do templo significavam a renovação da esperança davídica e da aliança com Deus. O fato de Zorobabel ter sido nomeado para dirigir a volta dos exilados judeus renovou as esperanças na restauração do reino de Davi.

1.2.2 Contexto histórico

O ambiente histórico do profeta Malaquias é o período após o exílio babilônico, como também o são os profetas Ageu e Zacarias, o sacerdote Esdras e o governador Neemias, embora não se possa afirmar que foi ou não contemporâneo deles. Os profetas pós-exílicos viveram em uma situação muito diferente dos anteriores. Por exemplo, o profeta Isaías adverte rigorosamente o povo a obedecer a Deus e confiar nele como única esperança. Já nos capítulos 41 a 48, o profeta consola o povo a respeito da eleição e fidelidade de Deus e fala do retorno (44.28). Jeremias, que ministrou até o início do cativeiro babilônico, diz que o juízo divino é inevitável, mas que Deus cuidaria do seu povo e, como um oleiro refaz o vaso, Deus também

18

restauraria o povo escolhido (cap 18). Já os profetas pós-exílicos Ageu e Zacarias tiveram um papel fundamental em animar o povo a reconstruir o templo e restaurar o culto, como símbolos da nação e da aliança com Deus.

BALDWIN (1986, p. 176) diz que a maioria dos profetas ―viveu e profetizou em dias de mudança e inquietação política, mas Malaquias e seus contemporâneos viveram

um período de espera, em que nada acontecia e Deus parecia ter esquecido seu povo‖. REDDITT (n/i, p. 14) diz que a esperança de restituição da monarquia, templo

e sacerdócio havia declinado muito por volta de 450 a.C. Zorobabel nunca se tornou

rei e o governante indicado pelos persas cuidavam das questões seculares enquanto

os sacerdotes controlavam o templo. A reconstrução do templo não havia levado a um novo reino, como os judeus esperavam. Os sacerdotes haviam se tornado apenas funcionários do templo e já proviam orientação moral para o povo. Embora estivessem sob domínio do rei persa, Malaquias não faz qualquer menção a ele e lida diretamente com o povo.

Ao contrário de Ageu e Zacarias, que escrevem com precisão histórica, o livro de Malaquias não oferece informações claras sobre o profeta e o seu tempo. Assim, a única fonte sobre o profeta e seu ministério é o próprio livro que leva o seu nome, mas este também não explica quem foi Malaquias, nem a data em que ele profetizou ou escreveu. BALDWIN (1986, p. 178) diz que algumas evidências internas indicam

o período como pós-exílico, uma vez que faz referência a governador (hx'P, pehah)

em 1.8, palavra também usada em relação a Zorobabel (Ag 1.1) e a Neemias (Ne 5.14) e que é típica da literatura pós-exílica. Nas ocorrências anteriores, o termo sempre é utilizado em relação a oficiais estrangeiros (1Rs 20.24; 2Rs 18.24; Is 36.9; Jr 51.23) ou como um termo não técnico para supervisores (1Rs 10.15), conforme observa MERRILL (n/i).

A referência a Edom em 1.4 também indica que a datação do livro deve ser fixada no

período pós-exílico, pois Edom é acusado de cumplicidade com os babilônios no ataque a Judá em Obadias. MERRILL (n/i) observa também que os problemas abordados por Malaquias — ―irregularidades no culto, corrupção dos sacerdotes, hipocrisia e divórcio‖ são totalmente diferentes dos tratados por Ageu e Zacarias, o que tende a situar Malaquias cronologicamente mais tarde, levando-se em conta o

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tempo necessário para serem percebidos e se tornarem caracaterísticos. Por outro lado, observa MERRILL (n/i), os problemas atacados por Esdras, que chegou a Jerusalém em 458 a.C, não são os mesmos do profeta Malaquias, exceto pelos casamentos mistos, que são abordados em Ml 2.11. Isto poderia sugerir ou que Malaquias seja posterior a Esdras, ou que seu ministério profético tenha surtido efeitos duradouros, opção que MERRILL (n/i) considera mais razoável. Nesse caso, a pregação de Malaquias teria acontecido antes da reforma de Esdras e Neemias e preparado o terreno para ela.

1.2.3 Possibilidades de datação do ministério de Malaquias

Para a exegese da perícope 3.6-12, é importante situar o mais exato possível a data do ministério de Malaquias, porque ele faz acusações duras contra os sacerdotes e contra o povo em geral, e é relevante situá-lo em relação a reforma religiosa empreendida por Esdras e Neemias. No entanto, há algumas dificuldades, pois o livro não cita outros perosnagens contemporâneos que ajudem a precisar a data. A única certeza é que ele viveu no período pós-exílico. Dentro desse panorama, há algumas possibilidades para situar o profeta:

a) Malaquias teria vivido por volta de 480-450 a.C. (SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241), ou seja após a reconstrução do templo nos dias de Zorobabel e Josué e antes dos dias de Esdras e Neemias, quando os muros de Jerusalém foram reedificados. A situação dos judeus nesse interim pode ser percebida nas notícias que Neemias, em Susã, recebeu sobre a pobreza e desamparo dos que havim voltado, conforme está registrado em Neemias 1.1-3. Um argumento que fortalece essa tese é que ele não faz nenhuma menção a Esdras e Neemias. Esta é a opinião de SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241), apoiando-se nas referências ao templo já reconstruído (1.10), ao culto (1.7-9,12,13); a sacerdotes e levitas organizados (2.3-9). Além disso, o livro apresenta influência de Deuteronômio, mas não da reforma sacerdotal de Esdras. É razoável aceitar que tenha sido antes de Esdras e Neemias. BALDWIN (1986, p. 178) argumenta que ele deve ter profetizado antes de 458 a.C., ano que se supõe Esdras tenha chegado a Jerusalém. MERRILL (n/i) também acha mais provável que

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Malaquias tenha profetizado e enfrentado as condições prevalecentes antes da vinda de Esdras, portanto entre 500 e 460 a.C, ou mais especificamente 480-470 a.C.

b) Malaquias teria ministrado entre a primeira e a segunda viagem de Neemias, o

que corresponde aos acontecimentos registrados em Neemias 13, quando os levitas abandonaram o templo por falta de sustento. SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1241) não descartam também esta possibilidade e, nesse caso, a data seria entre 430-433

WOLF (1986, p. 62) prefere esta alternativa, uma vez que o livro menciona

a.C

vários problemas que Neemias enfrentou ao retornar para Jerusalém, após breve ausência. Os que afirmam que Malaquias é tardio situam seu ministério antes de 445

a.C. após o ano 433 a.C. (BALDWIN (1986, p. 178)

c) Malaquias teria vivido após o tempo de Neemias e Esdras, em um período em que a situação estava calma, mas o povo estava desanimado, sujeito aos persas e empobrecido. BALDWIN (1986, p. 176) diz que a maioria dos profetas ―viveu e profetizou em dias de mudança e inquietação política, mas Malaquias e seus contemporâneos viveram um período de espera, em que nada acontecia e Deus parecia ter esquecido seu povo‖.

1.3 ANÁLISE DO CONTEXTO LITERÁRIO

1.3.1 Estilos

MERRILL (n/i) diz que os eruditos se dividem sobre o estilo literário do livro quanto a forma de poesia ou prosa. Segundo ele, isso pode ser percebido nas duas mais modernas versões da Antigo Testamento hebraico: a BHK traz pouca ou nenhuma poesia, enquanto a BHS traz o trecho 1.6-8a como poesia.

De fato, segundo MERRILL (n/i), aparecem poucos paralelismos no livro, mas não falta qualidade poética, tais como padrão rítmico (1:11; 3:1; 3:6; 3:7), figuras de linguagem (1:6, 9; 2:3, 6, 7; 3:2; 4:1-2), e quiasmos (1:2-3; 2:7a-b; 2:17a-b; 3:1c-d; 3:11; 4:6a). Há ainda antítese (1:6-11), expressões enfáticas (47 ocorrências de YHWH na primeira pessoa em um total de 55 versículos), linguagem descritiva (2:3), mudanças verbais (3:9; 4:4), e fechamento (1:6).

21

O estilo literário de Malaquias é direto e o texto formado por frases curtas e em estilo falado que, segundo BALDWIN (1986, p. 179), dão a impressão de que o livro foi registrado tal e qual as palavras ditas pelo profeta.

A característica mais destacada de Malaquias são as perguntas retóricas, que segundo Wendland (Linear and Concentric Patterns in Malachi, p. 112, citado por MERRILL), são chamadas de ―estilo dialético que serve ao propósito admonitório- didático‖. MERRILL (n/i) observa que o estilo já era conhecido na literatura bíblica (cf. Dt 29:23-24; 1 Rs 9:8-9; Is 49:11; 50:1-2; Jr 12:12-13; 15:1-2; 22:8-9; Ez 11:2-3; 18:19; Am 5:18; Hc 1:9-10; 2:10-11), mas é Malaquias que a usa com maior freqüência como em nenhum outro livro.

Concluindo, o livro de Malaquias, embora aparentemente rude, traz uma marca singular de diálogo impactante. Embora não use poesia, o livro tem uma beleza especial que mistura palavras duras com apelos ternos de Deus em relação ao seu povo.

1.3.2 Integridade literária

BALDWIN (1986, p. 178) diz ainda que é fácil perceber que o livro constitui uma unidade porque ele apresenta características próprias que ocorrem ao longo de todo o livro, principalmente o método de diálogo. Este método aparece em outros profetas como Amós 5.18-20 e Jeremias 2.23-25. Mas Malaquias o usa ao iniciar cada seção. Os assuntos vão sendo apresentados sem a necessária conexão, mas sempre contendo diálogos. BALDWIN (1986, p. 179) observa que o diálogo foi usado como método para apresentar as atitudes do povo e os pensamentos intuídos pelo profeta. SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1242) dizem que os diálogos refletem as controvérias do profeta com o povo. A estrutura dos diálogos é a seguinte: (a) afirmação inicial do profeta ou de Deus por seu intermédio; (b) objeção dos ouvintes; e (c) justificação da afirmação inicial e suas consequencias.

1º diálogo (1.1-5): entre Iavé e povo sobre a acusação de que eles haviam sido abandonados por Iavé.

2º diálogo (1.6 2.9): entre Iavé e os sacerdotes para denunciar o descaso no serviço religioso; inclui uma fala do profeta em 1.9

22

3º diálogo (2.10-16): entre o profeta e o povo a respeito da infidelidade contra Iavé e contra os casamentos mistos e divórcios.

4º diálogo (2.17): entre o profeta e o povo para denunciar o descaso em relação a Iavé.

5º diálogo (3.1-12): uma interpolação de falas de Iavé e do profeta a respeito da vinda do Senhor e do juízo; a porção 3.6-12, a respeito da infidelidade nas contribuições para a manutenção dos serviços do templo.

6º diálogo (3.13 4.1-6): entre Iavé e o povo a respeito da dúvida quanto a justiça e santidade de Iavé:

Os assuntos abordados pelo profeta seguem uma ordem aparentemente livre, embora seja possível perceber ―uma certa progressão, desde eleição e privilégio (1.2s) até o julgamento inevitável (3.13s).‖ (BALDWIN, 1986, p. 179).

1.4 ANÁLISE TEOLÓGICA

O conceito fundamental do livro é a aliança de Iavé. O livro começa com a reafirmação do amor de Deus por Israel (1.2-5) e termina com reivindicações da aliança expressa na lei (4.4). O livro de Malaquias é marcado pela palavra direta do Deus da aliança (47 dos 55 versículos estão na primeira pessoa). O nome do Senhor dos exércitos é citado 24 vezes no livro. O intuito do profeta é reanimar o povo a confiar no amor de Deus e temer seu juízo. Ao mesmo tempo em que Malaquias reafirma a eleição do povo de Deus ele deixa claro que não basta ser descendente de Abraão; é necessário temer a Deus.

SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1243) dizem que, à primeira vista, o livro de Malaquias parece menos importante do que os demais profetas, por não acrescentar novidade e presa às circunstâncias do povo. Mas, o livro aborda problemas teóricos (amor e justiça de Deus) práticos (serviços do templo e casamento) à semelhança dos grandes profetas. Além disso, é um dos livros mais citado no Novo Testamento em passagens importantes como, por exemplo, o mensageiro de Iavé (Mc 1.2; Lc

23

1.17,76; 7.19,27; Jo 3.28) e sobre a vinda de Elias (Mt 17.10-11; Mc 9.11-12; Lc 1.17), em ambos os casos referindo-se ao ministério de João Batista. Também o apóstolo Paulo se refere a Ml 1.2-3 em Romanos 9.13 ao tratar sobre a soberania de Deus na eleição.

24

CAPÍTULO 2

ANÁLISE DO TEXTO

2.1 ANÁLISE GRAMATICAL DE CADA PALAVRA DO TEXTO HEBRAICO

Para a correta interpretação do texto de Malaquias, é necessário analisar a classe gramatical e a tradução de cada palavra e frase a fim de alcançar o objetivo primário da mensagem. A análise completa de cada palavra está no Apêndice A.

2.2 TRADUÇÃO DO TEXTO HEBRAICO

Neste ponto, segundo GUSSO (2005, p. 212), é recomendável a tradução em duas fases distintas: primeiro uma tradução ultraliteral, palavra por palavra, preservando o máximo possível as características da língua hebraica; depois, uma tradução literal melhorada, adaptando as frases para o bom português de modo que sejam bem compreendidas pelo leitor comum.

A tabela a seguir apresenta o texto da perícope em hebraico, conforme a BHS, com a tradução ultraliteral interlinear:

3.6

`~t,(ylik. al{ï bqoß[]y:-ynE)B. ~T,îa;w> ytiynI+v' al{å hw"ßhy> ynIïa] yKi²

Porque eu Iavé não mudei e vós filhos de Jacó não consumistes.

3.7

~T,êr>m;v. al{åw> ‘yQ;xume( ~T,Ûr>s; ~k,øyteboa] yme’ymil.

Desde os dias de pais vossos vos desviastes das minhas leis e não guardaram.

tAa+b’c. hw”åhy> rm:ßa’ ~k,êylea] hb’Wvåa’w> ‘yl;ae WbWvÜ

Voltai-vos para mim e eu me voltarei para vós disse Iavé dos Exércitos

`bWv)n” hM,îB; ~T,Þr>m;a]w:

mas vós direis em que voltaremos?

3.8

hM,äB; ~T,Þr>m;a]w: ytiêao ~y[iäb.qo ‘~T,a; yKiÛ ~yhiªl{a/ ~d"øa' [B;’q.yIh]

Roubará o homem a Deus? Mas vós estais roubando a mim. Mas vós dizeis: em que

`hm'(WrT.h;w> rfEß[]M;h;( ^Wn=[]b;q.

te roubamos? O dízimo e a oferta.

3.9

`AL*Ku yAGàh; ~y[i_b.qo ~T,äa; ytiÞaow> ~yrIêa’nE) ~T,äa; ‘hr”aeM.B;

com maldição sois amaldiçoados e a mim roubais vós a nação toda.

3.10

rc'ªAah' tyBeä-la, rfeø[]M;h;(-, lK'-ta Waybi’h'

25

 

Queiram trazer de tudo o dízimo para casa do tesouro

ytiêybeB. ‘@r<j,’ yhiîywI

e que haja mantimento em minha casa

tae… ~k,ªl’xT;äp.a, al{ô-~ai tAa+b’c. hw”åhy> rm:ßa’ tazOëB’ ‘”an ynIWnÝx'b.W

e queiram me provar em isto disse Iavé dos Exércitos se eu não abrir para vós as

`yd"(- yliB .-d[; hk'Þr"B. ~k,²l' ytiîqoyrIh]w: ~yIm;êV'h; tABårUa]

janelas dos céus e derramar para vós bênçãos muitas

3.11

hm’_d”a]h’ yrIåP.- ta, ~k,Þl’ txiîv.y:- al{)w> lkeêaoB’( ‘~k,l’ yTiÛr>[;g”w>

e repreenderei para vós e o que come e não farei destruir para vós o fruto da terra

`tAa)b’c. hw”ïhy> rm:ßa’ hd<êF’B; ‘!p,G<’h; ~k,Ûl’ lKe’v;t. - >al{w

e não falhará para vós a vinha nos campos disse Iavé dos Exércitos.

3.12

`tAa)b'c. hw"ïhy> rm:ßa' #p,xeê #r<a,ä ‘~T,a; WyÝh.ti- yKi( ~yI+AGh;-lK' ~k,Þt.a, WrïV.aiw>

e de todas as nações e de fato acontecerá vós terra de alegria disse Iavé dos Exércitos

2.1.1 Tradução ultraliteral do texto - Malaquias 3:6-12

A tradução ultraliteral interlinear fica assim:

3.6 Porque eu Iavé não mudei e vós filhos de Jacó não consumistes

3.7 Desde os dias de pais vossos vos desviastes das minhas leis e não guardaram. Voltai-vos para mim e eu me voltarei para vós disse Iavé dos Exércitos, mas vós direis em que voltaremos?

3.8 Roubará o homem a Deus? Mas vós estais roubando a mim. Mas vós dizeis:

em que te roubamos? O dízimo e a oferta.

3.9 com maldição sois amaldiçoados e a mim roubais vós a nação toda.

3.10 Queirais trazer de tudo o dízimo para casa do tesouro e que haja mantimento em minha casa e queirais me provar em isto disse Iavé dos Exércitos se eu não abrir para vós as janelas dos céus e derramar para vós bênçãos muitas

3.11 e repreenderei para vós e o que come e não farei destruir para vós o fruto da terra e não falhará para vós a vinha nos campos disse Iavé dos Exércitos.

3.12 e de todas as nações e de fato acontecerá vós terra de alegria disse Iavé dos Exércitos

2.1.2 Tradução melhorada do texto - Malaquias 3:6-12

Segue-se a tradução melhorada:

26

3.6 Porque eu, Iavé, não mudo, vós, filhos de Jacó, não fostes consumidos.

3.7 Desde os dias de vossos pais vos desviastes das minhas leis e não as guardaram. Voltai-vos para mim e eu me voltarei para vós, disse Iavé dos Exércitos. Mas vós direis: Em que voltaremos?

3.8 Roubará o homem a Deus? Mas vós me roubais. E dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.

3.9 Com maldição sois amaldiçoados porque a mim me roubais vós, a nação toda.

3.10 Queirais trazer todos os dízimos à casa do tesouro e fazei que haja mantimento em minha casa e então me provai nisto, disse Iavé dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas dos céus e derramar sobre vós bênçãos sem medida.

3.11 Repreenderei o devorador e não permitirei que seja destruído o fruto da vossa terra e vinha de vossos campos não falhará, disse Iavé dos Exércitos.

3.12 e de todas as nações vós sereis chamados felizes e terra de alegria, disse Iavé dos Exércitos.

2.2 VERIFICAÇÃO DOS TEXTOS VARIANTES

Segundo MERRILL (n/i), o aparato crítico da BHS revela que a maioria dos

comentários se refere a ―melhorias sugeridas para as formas e frases hebraicas

anômalas‖ e não a "variações preservadas no antigos manuscritos não-massoréticos

ou principais versões‖.

Segundo ele, isto se deve ao fato de que a natureza clara e bem transmitida do texto

recebido atual. As divergências do TM para a LXX, Siríaca, Targum, Vulgata e

outras, em geral não são de ―natureza substancial‖, mas ―do tipo inerente a qualquer

tentativa de traduzir uma língua para outra‖. Uma exceção é o arranjo da LXX em

3:22-24 (ou 4:4-6 em português). O texto grego traz os versículos na ordem 23, 24,

22, sem dúvida, como diz Verhoef (Books of Haggai and Malachi, p. 169, citado por

MERRILL), devido ao ―desejo de terminar o livro com uma nota menos ameaçadora

e não por causa de uma vorlage diferente‖.

Conforme a aparato crítico da Bíblia Stuttgartensia:

27

No v. 7, ~T,êr>m;v. (shemartem) possivelmente inserido yTêr>m;v.mi (mishmarti), conforme

o v. 14 (guardar). Deixa-se na dúvida se a expressão

bWv)n" hM,îB; ~T,Þr>m;a]w:

(wa’amartem bammeh nashub mas vós dizeis) foi acrescentada.

No

v.

8, a palavra

[B;’q.yIh]

(haiqba’) possivelmente lida como B;’q.[yIh] (hay’qba),

conforme o texto grego da Septuaginta ei pterniei

(ei pterniei). A Septuaginta

verteu a palavra ~y[iäb.qo (qov’im) como pternizete (pternizete), provavelmente

para ser lida como ~y[iäb.q.[o (‘oqvi’im). A palavra ^Wn=[]b;q. (qeva’anuka) foi traduzida

na Septuaginta como epternikamevn se

(epternikamen se), provavelmente

para ser lida como ^Wn=[]b;q.[] (‘aqeva’anuka). A expressão hm'(WrT.h;w> rfEß[]M;h;(

(hamma’ser wehaterumah) possivelmente lida como hm'(WrT.k;w> rfEß[]M;b;( (bamma’ser

wekaterumah) conforme a versão síria Peshita, Targum e Vulgata, mas conforme a

sequência AL*Ku yAGàh; (haguviy kuloi) do v. 9. Na tradução da palavra hm'(WrT.h;w>

(wehaterumah) a Septuaginta acrescenta meq u,mon/ eisi (meth umon eisi).

No

v.

9,

a

palavra

~y[i_b.qo

(qov’im)

é

traduzida

pela

Septuaginta

como

pternixete (pternicsete), para ser lido ~y[i_b.qcoç(‘oqvi’im). A sequência AL*Ku yAGàh;

(hagguwiy

kullo)

foi

acrescentada?

Provavelmente

(hagguwim kullo) e transpõe para fim 8.

para

ser

lida

AL*Ku

~AGàh;

2.4 ANÁLISE DO SIGNIFICADO DAS PALAVRAS E FRASES DO ORIGINAL E COMPARAÇÃO DE VERSÕES

A seguir estão as principais palavras e expressões para melhor compreensão do

texto. A comparação de versões está no Apêndice B. O resultado das principais alterações verificadas está no texto.

28

2.4.1 Versículo 6

3.6a — ―Porque eu, o SENHOR, não mudo;‖

O versículo apresenta dois termos opostos ligados pelo waw conjuntivo que indica:

de um lado, o Senhor que não muda e, de outro, os filhos de Jacó, que não são consumidos. A tradução literal seria: ―Porque eu, Iavé, não mudo e vós, filhos de Jacó, não pereceram‖.

ytiynI+v' (shâniti) ―mudo‖ — a maioria das versões em português traduzem o verbo qal

completo usado aqui no presente do indicativo e não no pretérito perfeito ou imperfeito. A ação se refere a um estado permanente de Iavé e, portanto, o contexto exige e a gramática admite a tradução no presente. Este versículo é uma das afirmações mais claras da imutabilidade de Deus. O sentido é que, mesmo os israelitas tendo quebrado a aliança, Deus mantinha sua fidelidade. Paulo expressa idéia semelhante em: ―se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo‖ (2Tm 2.13).

3.6b — ―por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.‖

~t,(ylik. (kelitem) ―fostes consumidos‖ — desaparecer (como aparece em Is 15.6),

perecer, consumir (ver Sl 39.10) (BWW); o verbo no original também é o qal completo e deveria ser traduzido preferencialmente no pretérito, a menos que o contexto exija diferente. A versões em português apresentam a tradução no presente ―não sois consumidos‖ (ARA, ACF e ARC); apenas a NVI traz no pretérito perfeito ―não foram consumidos‖, de acordo com o que está no original. A Versão Católica

traz ―não sois um povo extinto‖. Naturalmente, o contexto admite a tradução no presente, uma vez que Deus está falando com o povo que não foi destruído. BALDWIN (1996) observa que o verbo também significa ―cessar‖ e a tradução poderia ser: ―Eu sou o Senhor, que não mudo; vós, também não cessastes de ser filhos de Jacó‖ (p. 206). TAYLOR (1998, p. 11) expõe nesses termos: ―Seu pai foi um enganador e vocês ainda carregam essa herança familiar. Jacó significa enganador

e vocês são enganadores como seu pai. Vocês não mudam, assim como eu, o

29

Senhor, não mudo.‖ 2 Nesse caso, nem Iavé, nem os filhos de Jacó mudaram. Deus

continua sendo fiel e o povo continua como o patriarca, enganando e desviando-se.

SCHÖKEL e DIAZ (2002, p. 1254) observam uma paranomásia 3 patente nos nomes

de Jacó e Iavé. O primeiro nome, Jacó, deriva do verbo enganar y’qb/yqb’ ao passo

que Yhwh significa aquele que é (―eu sou o que sou‖, Ex 3.14) e não muda. Eles

sugerem a seguinte paráfrase:

―Eu não mudei, eu continuo a amar-vos, eu vos prefiro a Esaú; vós, ao contrário, não cessastes de cometer fraudes, como o vosso pai Jacó. Porém, enquanto eu condeno definitivamente Esaú, vós sois chamados à conversão e a vós é prometido o perdão. Eu não mudei, mudai vós; então, eu porei termo às maldições e vos abençoarei‖ (p. 1254).

2.4.2 Versículo 7

3.7a — ―Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e

não os guardastes;

Não há nenhuma idealização das gerações passadas em Malaquias, pelo contrário,

a reprovação vai até ―desde os dias de nossos pais‖, a exemplo de Jeremias 2.5;

7.25; 11.7; 16.11; Ezequiel 20.27-30, Zacarias 1.4-5, etc.

~k,øyteboa] (‗âboteykem) ―vossos pais‖ — apenas a NVI traz ―antepassados‖ em lugar

de ―pais‖ como aparece nas outras versões, embora o sentido evidente seja amplo.

~T,Ûr>s; (sartem) ―vos desviastes‖ — verbo qal perfeito 2ª pessoa masculina plural

exatamente como aparece também em 2.8: ―Mas vós vos tendes desviado (~T,är>s;)

do caminho e, por vossa instrução, tendes feito tropeçar a muitos‖. A acusação é

grave: os sacerdotes não fazim o que Deus esperava deles falar com retidão,

andar em paz e apartar da iniquidade (cf. v. 6) mas eles mesmos se desviavam do

caminho. Jesus acusa os fariseus de forma semelhante em Mateus 23.13.

2 Tradução do original: ―Your forefather was a deceiver and you still bear the family lIkeness. Jacob means a heel, and you are heels like your ancestor. You do not change, just as I the Lord do not change

3 Paranomásia: semelhança entre palavras e línguas diferentes (Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Aulete Digital disponível em www.auletedigital.com.br).

30

‘yQ;xume( (mehuqay) ―estatutos‖ — também pode ser traduzido como trabalho devido

(Ex 5.14), porção (Gn 47.22), obrigações (Ex 30.21), decretos (Sf 2.2), limite (Jr 5.22), lei e ordem. A tradução mais comum da palavra é estatuto. Na exortação final de Malaquias 4.4, Deus diz ao povo: ―Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a

qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber estatutos (~yQIßxu huqim) e

juízos (~yji(P'v.miW - wumispatim).‖ A NVI traduz como ―decretos‖ e a BVC como

―mandamentos‖.

3.7b — ―tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?‖

WbWv

(shubu) ―tornai-vos‖ — v. qal imper. masc. pl.); hb'Wvåa'w>

(we’ashubah) ―e

tornarei‖ — v. qal imperf. 1ª p com sing coort em forma e significado); bWv)n" (nashub)

―tornar‖ — v. qal imperf. 1ª p. com. pl.; o verbo bwv pode ser traduzido como voltar,

tornar, retornar, converter (cf. 2 Cr 30.6, ARC). A Septuaginta usa o verbo

converter (cf. 2 Cr 30.6, ARC). A Septuaginta usa o verbo como usada na predição do

como usada na predição do nascimento de João Batista em Lucas

1.16,17: ―Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus‖ (também em Tiago 5.20). Essa é uma citação de Malaquias 4.6 onde se usa o mesmo verbo

de 3.7: ―ele converterá [WbWv shubu] o coração dos pais aos filhos, e o coração dos

filhos aos pais.‖ O mesmo ocorre quando Paulo cita a passagem de Isaías 6.9-10 em

ocorre quando Paulo cita a passagem de Isaías 6.9 -10 em Atos 28.27, usa esse verbo

Atos 28.27, usa esse verbo grego como tradução apropriada do

hebraico WbWv (shubu).

A frase de Malaquias 3.7 é textualmente igual à de Zacarias 1.3: ―Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Tornai-vos para mim, diz o SENHOR dos Exércitos, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos.‖ (grifo acrescentado). Compare com Tiago 4.8: ―Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros‖.

O chamado à conversão é recorrente nos escritos dos profetas. Em 2 Reis 17.13 diz que o Senhor exortou o povo por meio de ―todos os profetas e todos os videntes‖:

―Voltai-vos dos vossos maus caminhos e guardai os meus mandamentos e os meus estatutos.‖ Isaías conclama o povo: ―Convertei-vos, pois, ó filhos de Israel, àquele de

31

quem tanto vos afastastes‖ (31.6). Jeremias diz: ―Convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau proceder e emendai os vossos caminhos e as vossas ações (18.11;

ver também 3.14,22; 25.5; 35.15). Em Ezequiel, a palavra WbWv (shubu) aparece

repetida como ―tornai-vos, tornai-vos‖ ou ―convertei-vos, convertei-vos‖, como por ‖

exemplo: ―Convertei-vos e tornai-vos

(18.30, ACF). Em Ezequiel 33.11, a tradução repete as palavras: ―Convertei-vos,

(NVI). Oséias também

chama o povo ao arrependimento: ―Volta, ó Israel, para o SENHOR, teu Deus ‖ (14.2; ver também Joel 2.12,13). Ao convocar o povo ao arrependimento, Malaquias apresenta características do ministério dos principais profetas.

convertei-vos‖ (ACF, ARA e ARC) e ―Voltem, voltem-se

(14.6, ACF) e ―Tornai-vos, e convertei-vos

tAa+b'c. hw"åhy> rm:ßa' (‗amar YHWH seba’ot) ―diz Iavé dos Exércitos‖ — a expressão

se repete quatro vezes nesse trecho: v. 7, 10, 11 e 12.

2.4.3 Versículo 8

3.8a — ―Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos?‖

[B;’q.yIh] (häyiqba‗) ―roubará?‖ — part. inter. + v. qal imperf. 3ª p. masc. sg.; ~y[iäb.qo

(qob’im) ―roubais‖ — v. qal part. masc. pl. abs.; ^Wn=[]b;q. (qeba`änukâ) ―roubamos‖

v. qal perf. 1ª p. com. pl. suf

2ª p. masc.

sg.; o verbo

[B;’q.] (qäba’) pode ser

traduzido por roubar (como aparece em todas as versões consultadas), exceto a Versão Católica que traz enganar: ―Pode o homem enganar o seu Deus? Por que procurais enganar-me? E dizeis: Em que vos temos enganado?‖ BALDWIN (1986, p. 206) diz que a ocorrência do verbo é rara no Antigo Testamento, mas muito usado no Talmude como ―tomar à força‖. Conforme a BWW, o verbo aparece apenas em Ml 3.8 e 9 e em Pv 22.23. BALDWIN observa ainda a associação de qaba ou âqab (lograr, tirar vantagem de), como usado na LXX, com ya`áqöb que é Jacó. Se for

esse o artifício literário, a melhor tradução para [B;’q.] (qäba’) seria ―enganar‖, o que

liga o texto com Malaquias 1.14, onde diz ―maldito seja o enganador [lkeªAn nokêl]

32

que, tendo um animal sadio no seu rebanho, promete e oferece ao SENHOR um defeituoso‖. TAYLOR (1998, p. 11) também observa que, em hebraico, Jacó é

formado por 3 letras: bqoß[] ((ayn, qof, e bet), que transpondo para [b;q' (qof, bet, ayin)

forma a palavra traduzida por roubar. Então segundo TAYLOR, a pergunta ―pode o homem roubar a Deus‖ tem o sentido de ―pode o homem representar o Jacó diante de Deus?‖ 4

Embora não mencione o verbo roubar, o pecado de Acã, na tomada de Jericó, ajuda

a analisar a gravidade de roubar a Deus. Josué havia instruído os soldados que

deviam destruir tudo e não tomar despojo de nada, ―porém toda prata, e ouro, e utensílios de bronze e de ferro são consagrados ao SENHOR; irão para o seu tesouro‖ Js 6.19). Quando Acã confessou seu roubo, ele foi acusado de pecar ―contra o Senhor Deus de Israel‖ (v. 20). Ao reter os dízimos e as ofertas, o povo estava inviabilizando os levitas de se dedicarem ao trabalho do templo e prestarem o culto a Iavé.

Segundo TAYLOR, a ideia é que o povo não deveria dar os dízimos apenas porque

a lei de Moisés determinava, mas era para o próprio bem-estar, saúde e vida do povo de Deus. O povo parece estranhar a acusação de roubo contra Deus e pergunta: ―Em que te roubamos?‖ A resposta é direta.

3.8b — ―Nos dízimos e nas ofertas.‖

rfEß[]M;h;( (hama’äser) ―dízimo‖ — significa a décima parte (2 ocorrências: Ezequiel

45.11 e 14) e dízimo (25 vezes no AT: Gn 14.20; Lv 27.30-32; Nm 18.21-26; Dt

12.17; 14.23,28; 26.12; 2Cr 31.6; Ne 10.35-39; 13.12). Como verbo rfEß[ (‛asar), na

forma qal, significa impor ou cobrar dízimo (DHPAP, 2008) e aparece no voto de

Jacó em Gn 28.22 e também em Dt 26.12 e Ne 10.39. Deriva da palavra hr'f]['

(‗asärah), número cardinal dez, como aparece em Gn 18.22.

4 Tradução do original: ―Will a man rob God? Will he do the Jacob on God? Yet you are doing precisely that, in withholding your tithes and offenngs, the very things which will enable the Levites to do their work and concentrate on the work and worship of God.‖

33

hm'WrT. (terumah) ―ofertas‖ — o que é dedicado, contribuição voluntária, podendo ser

em ouro, cereais ou animal, típico de textos sacerdotais. A menção de ―dízimos e

ofertas‖ ocorre só aqui e em Dt 12.6, 11; 2 Cr 31.12.

2.4.4 Versículo 9

3.9 — ―Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a

nação toda.‖

hr'aem. (me’êrah) maldição sois ~yrIêa'nE) (ne’arim) amaldiçoados ambas as palavras

derivam da mesma raiz rra usadas nas maldições de Deuteronômio (ver 28.20),

que parece ser o pano de fundo das exortações de Malaquias. A mesma construção

aparece em Ml 2.2b, 3: ―

‘. A

razão é a mesma: ―Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar

honra ao meu nome‖ (2.2a).

enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas

bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração

AL*KuyAGàh; (haggôy kullô) a nação toda a palavra yAGà (gôy) é regularmente traduzida

como nação, mas também é usada como gentios, povo. Deus não faz exceções e

não poupa sacerdotes e povo comum. Toda a nação estava cooperando para a ruína

do culto a Iavé: os sacerdotes desprezavam o serviço do templo e o povo estava

sendo displicente nas contribuições.

Por que Deus associa o desvio do povo à obrigação de trazer dízimos e ofertas ao

templo? A situação do povo e dos sacerdotes insinuava uma acusação contra Deus

como não estando fiel a eles. A resposta do profeta é que a maldição do povo era

uma reivindicação de Deus contra o povo por desrespeito aos termos da aliança,

conforme diz o capítulo 2:

―Eis que vos reprovarei a descendência, atirarei excremento aos vossos rostos, excrementos dos vossos sacrifícios, e para junto deste sereis levados. Então sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que a minha aliança continue com Levi, diz o Senhor dos Exércitos. Minha aliança com ele foi de vida e de paz;‖ (Ml 2.3-5).

34

Segundo TAYLOR (1998, p. 7) é como se Deus estivesse dizendo: ―Eu quero que vocês saibam que eu, o Senhor, estou totalmente comprometido com estes levitas e estou determinado a não permitir que meus propósitos em relação a eles não sejam frustrados nem por vocês, nem por ninguém‖ 5

2.4.5 Versículo 10

3.10a — ―Trazei todos os dízimos à casa do tesouro

rfeø[]M;h;(-lK'-ta,

(‘et-kol-hamma`áser) ―todos os dízimos‖ — A NVI diz ―tragam o

dízimo todo‖ e a Versão Católica ―pagai integralmente os dízimos‖. A construção

verbal ―provai-me nisto‖ apresenta a partícula ‘‘an" (na‘) que assinala a modalidade do

jussivo. A presença dessa partícula afeta a tradução do verbo ―trazei‖. O jussivo ―pode expressar um desejo, uma vontade e, em alguns casos uma ordem‖ (GUSSO, 2005, p. 187). Assim considerado, a tradução pessoal propõe: ―Queiram trazer todos os dízimos à casa do tesouro e depois façam prova de mim‖. Essa observação reforça o caráter de liberalidade de coração na adoração a Iavé. A expressão ―todos os dízimos‖ indica que as pessoas estavam trazendo os dízimos, mas sem boa vontade ou não integralmente. REDDITT (n/i, p. 15) lembra que, durante os governos posteriores a Dario, deixou de haver apoio para os cultos e construção de templos, retomado apenas no governo de Artaxerxes. Por isso, talvez, o povo enfrentasse muita dificuldade para atender as exigências do templo. A orientação é para que o povo volte a separar os dízimos completos e o tragam ao Senhor como prova de obediência. Outra possibilidade é que a expressão ―todos os dízimos‖ esteja se referindo ao que foi dito no v. 8, isto é, ―dízimos e ofertas‖.

A expressão ―todos os dízimos‖ deve ser entendida à luz dos textos que regulam a matéria, dos quais se conclui que apenas ―os dízimos dos dízimos‖ (Nm 18.26) eram trazidos ao templo pelos levitas. O texto de Neemias 11 esclarece que os levitas do período pós-exílico habitavam em suas cidades e não apenas em Jerusalém. Eles

5 Tradução do original: ―I want you to know that l, the Lord, am totally committed to these Levites and I am determined that my purposes for them are not going to be frustrated by you or by anyone else.‖

35

praticavam a divisão em 24 turnos, conforme Davi havia estabelecido (Es 6:18; Neemias 11:19,30; 12:24; 13:9-10) E Neemias 10.38 comprova que a regra do dízimo dos levitas estava em vigor, dizendo ―os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro‖. Naturalmente, que se a nação não recolhesse dízimo aos levitas, eles não teriam como trazer os dízimos dos dízimos aos sacerdotes. Outra possibilidade é que o texto se refira aos levitas e sacerdotes, pois eram eles que deveriam trazer os dízimos ao templo.

rc'ªAah' tyBeä-la, (el-bêt hâ’ôtsâr) ―a casa do tesouro‖ — a palavra rc'ªAa (ôtsâr,

tesouro) aparece 80 vezes no AT, a maioria em 1 Crônicas (13 vezes) e 2 Crônicas (8 vezes). Pode ser traduzida como tesouro ou depósito, como diz a NVI (―depósito do templo‖). Existem 10 referências a tesouro do rei e 9 referências a tesouro do Senhor (HAMILTON, no DITAT, pp. 113-114).

A palavra tyBeä (bêt casa) está no construto e deve ser traduzida como ‗casa de‘.

Assim, a construção gramatical aponta para a tradução ―casa de o tesouro‖. A Versão Católica traduz como ―tesouro do templo‖ entendendo casa como o templo ou parte de suas dependências. A NTLH diz simplesmente depósito do templo. O fato de ser chamada casa do tesouro não significa que os dízimos são o tesouro, mas que eram recolhidos nas câmaras onde se guardavam os tesouros.

3.10b — ―

para que haja mantimento na minha casa

‘@r<j,’ (terep) significa mantimento ou sustento, como aparece em Salmos 111.5

(―Dá sustento aos que o temem‖) ou em Provérbios 31.15 ( ―É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa‖). A NVI e a BVC dizem alimento e a NTLH comida. Fala da espécie e finalidade específica dos dízimos, isto é, sustento dos que oficiam no templo. Ter mantimento no templo é o resultado lógico de trazer dízimos à casa do tesouro. O suprimento das despensas do templo demonstra que o povo está sendo fiel ao Senhor; a despensa vazia deveria ser motivo de vergonha para a nação, como diz BALDWIN (1996, p. 207). Quanto à finalidade social dos dízimos e ofertas, o versículo 3.5 mostra a obrigação de cuidar dos desamparados, pois Deus reprova os que ―defraudam o salário do jornaleiro e oprimem a viúva e o órfão, o

36

torcem o direito do estrangeiro‖. O depósito de mantimentos no templo deveria servir às finalidades estabelecidas na lei mosaica.

3.10c — ―e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos,

‘an" ynIWnÝx'b.W

(webehânunî na’) ―provai-me‖ — do verbo qal !xoB.

acrisolar, depurar

(metais nobres); examinar, provar, por à prova (DHPAP). A mesma palavra é usada, por exemplo, em Zacarias 13.9: ―Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a ‖

e em Jó

34.3: ―Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar, a comida.‖ O verbo é

semelhante ao verbo piel hsn (nassah) que significa por à prova, testar; exercitar,

purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro

treinar; tentar (= tratar de conseguir), fazer uma tentativa (DHPAP), como ocorre no caso de ―Meribá, como no dia de Massá no deserto, quando vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras‖ (Sl 95.9). Moisés, referindo-se ao mesmo caso diz: ―Não tentarás o Senhor, teu Deus, como o tentate em Massá‖ (Dt 6.16). Como já dito acima, a construção verbal do verbo

―provai-me nisto‖ apresenta a partícula ‘‘an" (na‘) que assinala a modalidade do

jussivo, expressando um convite: ―queiram provar-me.‖

Apesar disso, esta é a única ocorrência em que o próprio Iavé chama o povo a prová-lo. No Novo Testamento, quando o diabo tenta Jesus a dar demonstração de confiança na proteção do Pai, ele responde justamente com a citação de

do Pai, ele responde justamente com a citação de Deuteronômio 16.16: ―Também está escrito: Não

Deuteronômio 16.16: ―Também está escrito: Não tentarás [ ekreiraseis]

o Senhor teu Deus‖ (Mt 4.7). O verbo [ekpeirazo ] significa tentar,

seduzir, por à prova (também em Lc 4.12; 1Co 10.9); provar, testar, verificar (Lc 10.25), conforme MOULTON (2007).

A maioria das referências a provar na Bíblia diz respeito ao Senhor provando os homens (Ex 20.20; Dt 8.2,16; 13.3; 1Cr 29.17; Sl 7.9; 11.5; Sl 139.23; Jr 11.20; 20.12). Em algumas referências, o Senhor reclama da incredulidade do povo por submetê-lo à prova. Em outras, ele mesmo oferece provas, como quando libertou o povo de Israel do Egito: ―Lembrar-te-ás… das grandes provas que viram os teus

37

olhos, e dos sinais, e maravilhas e mão poderosa, e braço estendido, com que o Senhor teu Deus te tirou‖ (Dt 7.18-19). No próprio livro de Malaquias, o Senhor reclama da desconfiança do povo no seu caráter fiel: ―As vossas palavras foram

duras para mim, diz o Senhor

Vós dizeis: ‗Inútil é servir a Deus

eles tentam [Wn°x]B'

bähánû] ao SENHOR e escapam‖ (3.13-15).

Portanto, essa palavra em que o próprio Senhor — ―provai-me‖ (ARA) ou ―fazei prova de mim‖ (ACF, ARC), ―ponham-me à prova‖ (NVI) ou ―fazei a experiência‖ (BVC) — não tem paralelo no Antigo Testamento. Há algumas referências indiretas como no

Salmo 34.8: ―Oh! Provai [Wmå[]j; ta`ámû] e vede que o SENHOR é bom; bem-

aventurado o homem que nele se refugia.‖ O sentido do verbo aqui é provar comida, saborear (como em 2 Sm 19.35); experimentar comida (1 Sm 14.24, quando Jônatas prova mel); descobrir por experiência, aprender (BWW) como nesse Salmo. Portanto, a palavra ―fazei prova de mim‖ (ARA) é singular.

A

questão é: o homem pode provar a Deus? Se sim, em que sentido? Se não, então

o

que significa esta palavra do Senhor?

Primeiro, quando o Senhor coloca o homem à prova, o objetivo é fazer com que o próprio homem reconheça o que há em seu coração, como se depreende de Deuteronômio 8.2 ―para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos‖ ou no v. 8.16 ―para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem‖. A mesma idéia aparece no Salmo 139: ―Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno‖ (vv. 23-24). ―Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações‖ (Jr 17.10). ―Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR‖ (Lm 3.40).

Segundo, quando o homem prova a Deus no sentido de desfrutar de sua pessoa e bênçãos, como diz no Salmo 34.8: ―Provai e vede que o Senhor é bom‖. É o mesmo

34.8: ―Provai e vede que o Senhor é bom‖. É o mesmo sentido do que Pedro

sentido do que Pedro disse: ―se é que já tendes a experiência [ geuomai] de

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que o Senhor é bondoso?‖ (1Pe 2.3). Experimentar [

uma comida (MOULTON, 2007, p.).

(1Pe 2.3). Experimentar [ uma comida (MOULTON, 2007, p.). no sentido de provar Terceiro, quando o

no sentido de provar

Terceiro, quando o homem coloca Deus à prova por descrer de suas promessas, como é o caso de Massá e Meribá ou o caso da tentação de Jesus.

Sendo assim, o sentido de Malaquias 3.10 pode ser:

(a) desafio de Deus em tom de ironia: ―Já que vocês duvidam, então venham e me provem‖;

(b) concessão de Deus: ―Embora eu não mude e seja fiel, vocês continuam duvidando. Então, eu vou me rebaixar e me deixar provar para conquistá-los.‖

3.10d — ―se eu não vos abrir as janelas do céu

~yIm;êV'h; tABårUa] (ärubôt hässâmayim) janelas do céu tABårUa] (ärubôt) significa

abertura, janela, grade ou chaminé (DHPAP, 2008). Aparentemente, é a acentuação de um contraste entre a bênção e a maldição referida no versículo 9 e no 11, como as pragas que o Senhor promete repreender. A expressão ―janelas dos céus‖ indica grande exagero como ocorre na narrativa do dilúvio: ―No ano seiscentos da vida de Noé, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram‖ (Gn 7.11; 8.2).

respondeu ao homem de Deus:

Ainda que o SENHOR fizesse janelas no céu, poderia suceder isso?‖ (2Rs 7.2,19). O profeta Isaías usa expressão semelhante: ―E será que aquele que fugir da voz do temor cairá na cova, e o que subir da cova, o laço o prenderá; porque as janelas do

alto se abriram, e os fundamentos da terra tremem‖ (Is 24.18, ARC).

No caso da fome em Samaria: ―Porém o capitão

Essas expressões estão associadas a juízo, mas aqui o contexto indica que se trata de benção. Das versões consultadas, apenas duas traduzem diferente: a NVI diz ―comportas dos céus‖ e a Versão Católica, ―reservatórios do céu‖.

~k,²l' (lâkem) ―para vós‖ — ocorre cinco vezes em 3.10-11: ―abrir para vós as janelas

dos céus‖ (v.10) e ―derramar para vós benção sem medida‖ (v. 10), ―repreenderei

39

para vós o devorador‖ (v. 11) e ―não farei destruir para vós o do fruto a terra‖ (v. 11), não falhará para vós a vinha nos campos (v. 11, tradução literal). A repetição enfatiza o favor de Deus para com o povo.

3.10e — ―

e

não derramar sobre vós bênção sem medida.‖

ytiîqoyrIh]: (háriqoti) da raiz qyr, usada aqui na forma hifil (com waw conversivo)

ytiqoyrih]w;, significa esvaziar (Hc 1.17), derramar (Ec 11.3), despejar (Jr.48.12).

(DHPAP).

hk'Þr"B. (berâkâh) bênção — mesma palavra usada na chamada de Abrão: ―de ti farei

uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!‖ (Gn 12.2). SILVA (2006, p. 106) diz que ―bênção, aqui é figura para as chuvas, que garantem a fertilidade dos campos. A idéia de chuva como dádiva de YHWH aparece também em Dt 11.14; Ez 34.26; Jl 2.23s; Zc 10.1; 14.17s; a idéia oposta, de falta de chuva como castigo, ocorre em Lv 26.19; Dt 11.17.‖

―O melhor de todos os primeiros frutos de toda espécie e toda oferta serão dos sacerdotes; também as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a vossa casa‖ (Ez 44.30). Conforme o contexto, figura para as chuvas, que garantem a fertilidade dos campos, como diz o v. 11.

O contraste da maldição é a benção. Aqui o Senhor deixa claro que a benção de toda a nação depende da fidelidade a uma tribo a tribo de Levi. TAYLOR (1998, p. 7) diz que ―como uma aliança, ela representa princípio de uma parte pelo todo. Alguns são separados para que todos possam ser abençoados. E somente se aqueles desempenharem sua parte e cumprirem seu chamado, é que todos poderão receber as bênçãos. Segue-se que os escolhidos precisam de todos a fim de que possam se concentrar no serviço e na adoração a Deus.‖ 6

6 Tradução do original: ―As a covenant, it represents the principle of a part for the whole. Some are set apart so that all may be blessed. And only if the some play their part and fulfil their calling, can the all receive the benefits. It follows that the some need the all to enable them to concentrate on God's work and worship.‖

40

yd"(-yliB.-d[;

(ad-beli-dây) significa ―sem medida‖, ―sem limite‖, ―para sempre‖; o

sentido é que as bênçãos não serão proporcionais aos dízimos e ofertas, mas irão

muito além de qualquer expectativa. TAYLOR (1998, p. 11) diz que em hebraico não

há uma palavra para dizer ‗transbordar‘ ou ‗superabundante‘. Então, Malaquias junta

três pequenas palavras hebraicas para dar a idéia de muita abundância. A primeira é

d[; ('ad, até); a segunda yliB. (beli, nenhum, nada, sem); e, por último, yD; (day,

ou

necessidade.

suficiente

necessário).

2.4.6 Versículo 11

Uma

tradução

livre

seria

até

não

haver

mais

3:11 — ―Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos

consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o

SENHOR dos Exércitos.‖ (ARA)

yTiÛr>[;g"w>

(wügâ‘arti) traduzido como repreender (Gn 37.10; Rt 2.16); reprimir (Sl

68.31, ARA) e reprovar como ocorre em Ml 2.3: ―Eis que vos reprovarei a

descendência O verbo é usado em Zc 3.2: ―O SENHOR te repreende, ó Satanás;

sim, o SENHOR, que escolheu a Jerusalém, te repreende.‖. A NVI traz ―impedirei‖ e

a BVC ―afugentarei‖.

lkeêaoB'('( (bâ‘okêl)

a tradução literal ―o que come‖, segundo SILVA (2006, p. 106),

refere-se ao gafanhoto, um grande devorador de plantações, como em Joel 1.4: ―O

que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o [lk;äa'] o gafanhoto migrador; o que deixou

o migrador, comeu-o [lk;äa'] o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador,

comeu-o [lk;äa'] o gafanhoto destruidor.‖

2.4.7 Versículo 12

41

3:12 — ―Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra

deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos.‖ (ARA)

WrïV.aiw> (we’ishru) conj. e + verbo piel waw consec perfeito 3ª pessoa comum plural; ter por venturoso, chamar de feliz, bem-aventurado (DHPAP).

#p,xeê

#r<a,ä (erets hêpets) terra de alegria, de prazer, agradável, aprazível,

preciosa. A palavra está em contraste com Malaquias 1.10: ―Eu não tenho prazer em

vós, diz o SENHOR dos Exércitos.‖

42

Capítulo 3

TEXTOS CORRELATOS

3.1 Textos relacionados a dízimo no AT:

ALLEN (DITAT, 1998, p. 1182) diz que o dízimo não era exclusivo de Israel, mas há relatos de prática entre os egípcios e mesopotâmios. KELLER (1992, p. 27) diz que os sacerdotes de Ur recebiam dízimos e impostos, registrando todas as contribuições em tabuinhas de barro. Também não foi a lei de Moisés que introduziu o dízimo em Israel, visto que há referência ao dízimo de Abraão e ao voto do dízimo de Jacó.

A palavra dízimo (rfe[]m;, ma’aser) aparece apenas 25 vezes no AT: Gn 14.28

(dízimo de Abraão); Lv 27.30,31,32; Nm 18.21,24,26,28; Dt 12.6,11,17; 14.23,28; 26.12 (legislação sobre dízimos); 2 Cr 31.5,6.12 (reforma religiosa de Ezequias); Ne 10.38,39; 12.44; 13.5.12 (reforma religiosa de Esdras e Neemias); Am 4.4 (profecia contra legalismo) e Ml 3.8,10. Deixa-se de considerar as referências Ez 45.11,14, porque se referem especificamente à medida de um décimo e não ao dízimo. Como

verbo rf[ (aser), aparece 5 vezes: em Gn 28.22 (no voto de Jacó); Dt 14.22; 26.12

(legislação sobre dízimos); e Ne 10.38, 39 (reforma de Esdras e Neemias). Também aparecem em 1Sm 8.15, 17, mas ali se referem a imposto devidos ao rei e não ao dízimo.

Todas essas 30 referências podem ser classificadas em legislação sobre dízimo (15 vezes, em três seções de Levíticos, Números e Deuteronômio), práticas individuais de dízimo (2 vezes, Abraão e Jacó), reformas religiosas (10 vezes, em Ezequias, Esdras e Neemias) e palavras proféticas (3 vezes, de Amós e Malaquias).

3.1.1 Antes da lei de Moisés

Gênesis 14.20: Abraão paga dízimos dos despojos de guerra ao rei Melquisedeque. A expressão ―de tudo deu-lhe Abrão o dízimo‖ deve ser comparada com ―pagou o dízimo, tirado dos melhores despojos‖ (Hb 7.4), pois, o contexto indica que o

43

encontro se deu logo após Abraão derrotar os reis que haviam levado Ló cativo. Como esse é o único relato de Abraão encontrando Melquisedeque e também o único relato de pagamento de dízimo, conclui-se que foi um ato espontâneo, independente de lei, apenas sobre ―melhores despojos‖ e não sobre todas as suas posses.

Gênesis 28.22: O voto de Jacó foi igualmente voluntário e independente de lei. Ele prometeu servir ao único Deus de seus pais e o demonstraria pagando dízimo de tudo que ―me concederes‖ (Gn 28.22). O simples fato de fazer voto implica que ele não dava dízimo até então, porque não faria sentido fazer voto de algo que já praticava. Também não fica claro se Jacó cumpriu seu voto e como o cumpriu, uma vez que não havia templo ou sacerdócio constituído.

3.1.2 Na lei de Moisés

A partir da lei de Moisés, a prática do dízimo recebe ―conteúdo e forma‖. Segundo Thompson (citado por ALLEN, DITAT, 1998, p. 1182) as três seções sobre a legislação do dízimo na Torá respondem a três perguntas básicas acerca do dízimo:

1) ―de que?‖; 2) ―a quem?‖; e 3) ―onde?‖

1) Levíticos 27.30-34: responde a pergunta: de que se deve dar o dízimo? Moisés estabelece que o dízimo ―do grão do campo, como do fruto das árvores‖ (v. 30) e também ―os dízimos do gado e do rebanho‖ (v. 32) são santos ao Senhor, isto é, pertencem ao Senhor. Os produtos agrícolas poderiam ser resgatados em dinheiro desde que acrescidos de 20% (v. 31), mas os animais não poderiam ser resgatados de nenhuma forma (v. 33). VINCENT (1969, p. 156) define dízimo como sendo ―um décimo dos frutos da terra, dos rebanhos ou de qualquer provento‖, mas nos textos bíblicos aparece apenas a base de incidência dos frutos da terra e dos rebanhos, e não sobre salário e outros proventos. Segundo HAWTHORNE (DITNT, 2000, p. 599), em Levíticos, o ensino sobre dízimo é geral e não menciona a destinação a levitas e sacerdotes.

2) Números 18.21-32: essa segunda seção responde a pergunta: a quem deve ser entregue o dízimo? Deus diz que ―aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel

44

(v. 21). A tribo de Levi foi escolhida para todos os serviços do

tabernáculo e não lhes deu herança territorial entre as demais tribos: ―Na sua terra

herança nenhuma terás e no meio deles nenhuma porção terás: eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel― (v. 20). ―E não terão eles nenhuma herança no meio dos filhos de Israel‖ (v. 23). Quanto à finalidade, os dízimos eram uma recompensa ―pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação‖ (v. 21b, ver também: ―recompensa pelo vosso serviço na tenda da congregação‖, v. 31). Os levitas, por sua vez, deveriam apresentar uma oferta ao Senhor: ―o dízimo dos dízimos‖ (v. 26), do melhor das ofertas, que era destinado exclusivamente aos sacerdotes filhos de Aarão (v. 28).

por herança

Os textos de Deuteronômio são uma releitura das leis ou sua adaptação à nova fase que o povo iria experimentar a de fixação na terra de Canaã.

3) Deuteronômio 12.1-14 e 14.22-29: essas seções respondem a terceira pergunta:

onde os dízimos devem ser entregues? Aqui Moisés diz que Deus escolherá um local específico no qual o povo deveria recolher os dízimos. Para evitar que o povo se desviasse da lei de Deus e seguisse o exemplo dos cultos pagãos ―sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda árvore frondosa‖ (v. 2), Moisés determina que o povo observe o ―lugar que o Senhor vosso Deus escolher‖ (v. 5) para oferecer holocaustos, sacrifícios, dízimos e ofertas (vv. 6,11). Inicialmente este lugar foi onde ficava o tabernáculo e a arca da aliança e onde ministravam os sacerdotes. Posteriormente, sob a casa de Davi, este local veio a ser o templo de Jerusalém.

Moisés diz que o povo poderia comer carne nas suas casas em qualquer cidade, desde que sem sangue, mas os sacrifícios, dízimos e ofertas, bem como as cosias consagradas apenas deveriam ser oferecidos no local escolhido por Deus (vv. 15-16, 20-22, 26,27). Nessa seção aparece a primeira referência à refeição sagrada, em que o ofertante poderia comer a sua própria oferta, juntamente com sua família, servos e levitas da sua cidade, perante o Senhor como culto (v. 18). Aparece também a primeira exortação ao povo para que não desampare o levita (v. 19). Nos versículos 20 e seguintes, há um termo de concessão para que o povo coma carne nas suas próprias cidades, se ―estiver longe o lugar que o Senhor teu Deus escolher para nele por o seu nome‖ (v. 21), restringindo apenas o comer sangue (vv. 23-25).

45

Aparentemente esse texto mistura as instruções referentes aos sacrifícios e dízimos. Considerando que havia regras específicas para a destinação dos dízimos, é razoável concluir que o ofertante poderia participar do culto em relação aos sacrifícios e ofertas, mas não em relação aos dízimos.

O texto de Deuteronômio 14.23-29 repete os anteriores, mas acrescenta algumas instruções sobre a distribuição do dízimo a cada três anos às pessoas da própria cidade do ofertante. O dízimo deveria ser recolhido sobre ―todo o fruto das tuas sementes‖ (v. 22a), ―do teu cereal, do teu vinho e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas‖ (v. 23b). O texto sugere a periodicidade do recolhimento dos dízimos — ―ano após ano‖ (v. 22b) e repete que todos os dízimos e ofertas devem ser levados ao local escolhido (v. 23a). Também repete as instruções para resgate dos dízimos ―quando o caminho te for comprido demais que os não possa levar, por estar longe de ti o lugar que o Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome‖ (v. 24). Nesse caso, o ofertante poderia vender os grãos e animais que estavam reservados e, no lugar escolhido, comprar ―tudo que deseja a tua alma‖ (v. 26a) e ―qualquer cousa que pedir a tua alma‖ (v. 26b) e comê-los perante o Senhor, juntamente com todos os da sua casa e os levitas da sua cidade (v. 26c, 27). A menção de ―o levita que mora dentro da tua cidade‖ no v. 27 não é suficiente para esclarecer se o dízimo é compartilhado entre os ofertantes e os levitas. Os vv. 28-29 acrescentam instruções novas e parecem indicar outro dízimo que deveria ser recolhido ―ao final de cada três anos‖ (v. 28a), na própria cidade do ofertante, e destinado agora não apenas aos levitas, mas também ao ―estrangeiro, o órfão e a viúva‖ (v. 29). A periodicidade do dízimo no v. 28 ―de três em três anos‖ sugere que se trata de outro dízimo, a ser doado agora não apenas para os levitas, mas também ao ―estrangeiro, o órfão e a viúva, que estão dentro da tua cidade‖ (v. 29).

Deuteronômio 26.12-15 também é um texto de revisão e complementação dos anteriores. A seção 1-11 fala de primícias da terra nos mesmos termos a que se refere ao dízimo. O v. 12 repete o texto de 14.28, ao afirmar que os dízimos devem ser recolhidos ―ano terceiro, que é o [ano] dos dízimos‖, e entregue ao ―levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades, e se fartem‖. Os vv. 13-15 falam da atitude do ofertante: não comer coisas consagradas

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quando estiver impuro (de luto, v. 14a), não dar dízimo do que é imundo (v. 14b), nem destinar o dízimo a alguém que se encontre imundo (v. 14c).

A consideração destes três conjuntos de textos normativos sobre o dízimo apresenta algumas dificuldades. Alguns comentaristas, como LANDSDELL (citado no DITAT, p. 1183) acreditam que há três dízimos: a) para sustento dos levitas e sacerdotes (Dt 14.27; Nm 18); b) para o banquete sagrado (Dt 14.22-26); c) a cada três anos, para amparo dos pobres da própria cidade do ofertante (Dt 14.28-29). Outros, como KLINE (idem), dizem que o dízimo do banquete sagrado era apenas uma pequena porção e que o dízimo dos pobres era um uso especial dos produtos separados a cada 3 anos. WRETLIND (idem) sustenta que havia dois dízimos: um básico, para os levitas (Lv 27 e Nm 18) e dois dízimos secundários (Dt 12; 14; 26), que eram relacionados com os preceitos mais importantes da lei — ―a justiça, a misericórdia e a fé‖ — mencionados por Jesus (Mt 23.23), ou seja, ―a justiça aos levitas, a fidelidade a Deus e a misericórdia com os pobres‖ (idem). Como nos dois primeiros casos não há menção explícita de periodicidade, é razoável pensar que eram anuais, provavelmente durante a festa das primícias.

As demais menções a dízimo no AT demonstram que o cumprimento da legislação do dízimo não se deu de forma uniforme. As distorções, ora para o legalismo rigoroso como se vê nos fariseus do NT, ora na negligência como se vê no período pós-exílico de Malaquias. As referências são:

1 Samuel 8.15-17: nesse contexto, o sentido é completamente diferente do dízimo oferecido ao Senhor, mediante os levitas para os serviços cúlticos. Samuel está dando instruções ao povo sobre as implicações de sustentarem o reinado e as

deveres tributários para com a família real: ―[o rei] as vossas sementeiras e as

vossas vinhas dizimará para dar aos seus oficiais e aos seus servidores

vosso rebanho, e vós sereis seus servos‖. O verbo qal rfo=[.y: (yasor) significa

dizimará o

confiscar um décimo (BWW). Até então, o povo estava obrigado a contribuir apenas para a tribo de Levi e a casa do sacerdote. Agora, o povo seria obrigado a pagar dez por cento de seus grãos e animais ao rei escolhido. O dízimo deveria ser oferecido a Iavé, enquanto o imposto era confiscado.

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3.1.3 Antes do cativeiro babilônico

Depois da Torá, não há menção sobre a prática do dízimo ao longo da história do

povo de Israel, tanto na época dos juízes como na época do reino. Após a

construção do templo, podemos supor que o povo praticava o dízimo para o sustento

dos serviços dos sacerdotes e dos levitas, segundo os organizou Davi.

Cronologicamente, a profecia de Amós e a reforma religiosa de Ezequias são as

únicas menções diretas do dízimo antes do cativeiro babilônico:

Amós 4.4,5: O profeta Amós lança uma palavra de reprovação contra o povo de

Israel dos dias de Jeroboão II (século VIII a.C.) porque gostava de prestar cultos e

praticar todos os rituais da lei, mas não abandonava seus pecados:

―Vinde a Betel e transgredi, a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e, cada manhã, trazei os vossos sacrifícios e, de três em três dias, os vossos dízimos; e oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai ofertas voluntárias, e publicai-as, porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o SENHOR Deus‖ (4.4,5).

2 Crônicas 31.6: relata a reforma religiosa do rei Ezequias que restabeleceu o culto

a Deus. Ele reorganizou os turnos dos sacerdotes e levitas (31.2), como Davi havia

planejado, e às suas próprias expensas resolveu suprir os sacrifícios da manhã e da

tarde (v. 3). Ato contínuo, o rei convocou o povo a contribuir ―com a parte devida aos

sacerdotes e levitas para que pudessem dedicar-se à lei do Senhor‖ (v. 4). Os

versículos seguintes narram que o povo correspondeu imediatamente à convocação

do rei e ―trouxeram em abundância as primícias do cereal, do vinho e do azeite, do

mel, e de todo produto do campo; também os dízimos trouxeram em abundancia‖ (v.

5), de modo que fizeram ―montões e montões‖ (v. 6). O recolhimento das primícias e

dos dízimos durou cerca de 4 meses (v. 7). Esta mobilização fez com que o rei

Ezequias mandasse construir depósitos na casa do Senhor (v. 11) e que se

colocassem supervisores sobre os donativos (v. 12-14) para ―com fidelidade

distribuíssem as porções a seus irmãos, segundo os seus turnos, assim pequenos

como grandes‖ (v. 15-19). Esta é a última menção a dízimos antes do cativeiro

babilônico, embora seja razoável supor que a reforma do rei Josias também tenha

lidado com a fidelidade nos dízimos, porque se diz que ―estabeleceu os sacerdotes

nos seus cargos e os animou a servirem na casa do Senhor‖ (35.2) e porque a

reforma religiosa dele foi considerada superior a do rei Ezequias (35.18).

48

3.1.4 Após o cativeiro babilônico

Após o retorno dos exilados a Judá, há as referências a dízimo juntamente com a reorganização do culto a Iavé, na reforma religiosa empreendida por Esdras e Neemias:

Neemias 10.35-39: aqui se registra a aliança do povo para guardar a lei de Deus (v. 28,29), não praticar casamentos mistos (v. 30), guardar o sábado e o ano da remissão (v. 31). Além disso, eles decidiram impor sobre si mesmo um imposto de 1/3 de siclo de prata por ano para custear os serviços do templo (v. 32,33) e dividir em tarefas as obrigações de suprir lenha para os sacrifícios (v. 34). Por fim, comprometeram-se a trazer as primícias e os dízimos aos levitas e sacerdotes para sustento dos que ministravam no templo:

―As primícias da nossa massa, as nossas ofertas, o fruto de toda árvore, o vinho e o azeite traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; os dízimos da nossa terra, aos levitas, pois a eles cumpre receber os dízimos em todas as cidades onde há lavoura. O sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas quando estes recebessem os dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro. Porque àquelas câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas do cereal, do vinho e do azeite; porquanto se acham ali os vasos do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores; e, assim, não desampararíamos a casa do nosso Deus

(10.37-39)

Neemias 12.44-47: continuação das reformas do texto anterior, registra a nomeação de ―homens para as câmaras dos tesouros, das ofertas, das primícias e dos dízimos, para ajuntarem nelas, das cidades, as porções designadas pela lei para os sacerdotes e para os levitas‖ (v. 44). Aqui também se registra que o povo procedia fielmente com os sacerdotes e levitas ―nos dias de Zorobabel, e nos dias de Neemias‖ (v. 47).

Neemias 13.4-14: registra uma degeneração do culto a Iavé durante uma breve ausência de Neemias. Quando ele retornou, o próprio sacerdote Eliasibe havia permitido a profanação do templo (13.4-5) e o povo havia abandonado o sustento

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dos levitas de modo que eles ―haviam fugido cada um para o seu campo‖ (v. 10). Com a volta de Neemias, restabeleceu-se o culto e os turnos dos sacerdotes e levitas (v. 11) e o povo voltou a trazer ―os dízimos do grão, do vinho e do azeite aos depósitos‖ (12-13).

3.1.5

Conclusão

A análise de todos esses textos conduz a algumas conclusões:

- o dízimo era recolhido sobre produtos e não em dinheiro;

- o dízimo era recolhido dos produtores e não de outros ofícios;

- o dízimo era destinado aos sacerdotes e levitas em lugar da herança, na proporção de 9/10 para os levitas e 1/10 para os sacerdotes (dízimo dos dízimos).

- do dízimo oferecido ao Senhor em Jerusalém, o próprio ofertante participava como culto a Iavé;

- a cada três anos, o dízimo era destinado aos estrangeiros, órfãos e viúvas, sem prejuízo dos levitas.

3.2 Textos relacionados a casa do tesouro:

Em Malaquias, Deus diz que os dízimos devem ser trazidos à casa do tesouro

(rc'ªAah' tyBeä-la, - el-bêt hâ’ôtsâr). O objetivo deste comentário é definir o que é a

casa do tesouro, onde exatamente era a casa do tesouro, quais tesouros eram depositados ali e qual a relação entre dízimos e tesouros.

A expressão ―casa do tesouro‖ (ARA, ARC, AFC) aparece apenas três vezes: além de Malaquias 3.10, em Neemias 10.38 e Daniel 1.2, mas nesse caso se refere ao

templo do rei Nabucodonozor. Em Neemias 12.44, diz câmara do tesouro (tArïc'Aa’l'

tAkªv'N>h; - hannushäkôt lä´ô’ärôt). Considerando que Neemias também é do período

50

pós-exílico e, portanto, contemporâneo do mesmo templo, esse registro lança luz

sobre o texto de Malaquias. Em Neemias 10.38 diz:

―O sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas quando estes recebessem os dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro.

3.2.1 Casa do tesouro de Iavé

A expressão ―tesouro(s) da casa do Senhor‖ (hw")hy>-tyBe rc:ïAa - ´ôtsar bêt YHWH)

aparece em Js 6.24; 1Rs 7.51; 14.26; 15.18; 2Rs 12.18; 24.13; 29.8; 1 Cr 26.22; 2Cr

12.9; 16.2; 36.18. ―Tesouro do Senhor‖ (hw"ßhy> rc:ïAa ‘otsar YHWH) aparece em Js

6.19. Algumas referências indiretas ao tesouro do Senhor são: 1Cr 26.24 (―oficial

encarregado dos tesouros‖), 26 (―tinham ao seu cargo todos os tesouros‖); 2 Cr 8.15

(―não se desviaram

utensílios que se acharam na casa de Deus‖); Ne 7.70 (―O governador deu para o

tesouro, em ouro…‖); 71 (―cabeças das famílias deram para o tesouro da obra, em

ouro…‖). A expressão equivalente ―tesouro da casa de Deus‖ (~yhi(l{a/h' tyBeî

acerca dos tesouros‖); 25.24 (―todo o ouro e a prata, e todos os

tArßc.aoh' - hä´otsörôt bêt hä´élöhim) aparece em 1 Cr 9.26; 26.20; 28.12 e 2Cr 5.1.

3.2.2 Casa do tesouro do rei

A expressão ―tesouro da casa do rei‖ (%l,M,êh; tyBeä ‘tArc.ao)b.W - ub´ötsrôt bêt

hammelek) aparece em 2Rs 14.14; 16.8; 18:15; 1Cr 27.25; 2Cr 25.24; Is 39.2,4; Jr

20.5. ―Tesouros do rei‖ (%l,M,êh; tAråc.ao - ´ötsrôt hammelek) aparece em 1Cr 27.25;

Ed 5.17; 7.20; Et 3.9; 4.7 (embora essas referências de Esdras e Ester se refiram a

tesouros dos reis persas); Ec 2.8; Jr 20.5. Referências indiretas ao tesouro do rei

aparecem na visita dos embaixadores da babilônia ao rei Ezequias em 2 Rs 20.13

(―seu tesouro‖, também em Is 39.2) e 20.15 (―meu tesouro‖, também em Is 39.4).

Todas essas referências permitem concluir que:

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- havia uma casa, câmara ou depósito para os tesouros particulares do rei;

- havia uma casa, câmara ou depósito para os tesouros consagrados ao Senhor;

- em geral, o tesouro consistia de metais preciosos, como ouro e prata, vasos e bacias de metal, utensílios, pedras preciosas (1Cr 29.8), moedas.

3.2.3 Fundo histórico

A partir dessas informações, é possível levantar o fundo histórico da casa do tesouro

que está em vista no texto de Malaquias e verificar o que os tesouros têm a ver com dízimos.

Embora haja menção a tesouro do Senhor antes do reino, recebido dos despojos de guerra (como em Js 6.19,24), o início da casa do tesouro do Senhor deve ser

buscado no primeiro templo. Na planta que Davi entregou a Salomão constava a previsão de ―átrios da casa do Senhor, e a todas as câmaras em redor, para os tesouros da casa de Deus, e para os tesouros das cousas consagradas‖ (1Cr 28.12). Quando Salomão edificou o templo, ele mandou fazer ―contra a parede da casa,

tanto do santuário como do Santo dos Santos,

laterais ao redor‖ (1Rs 6.5). Ao concluir a construção, Salomão levou ―as cousas que Davi, seu pai, havia dedicado, a prata, o ouro e os utensílios‖ e ―os pôs entre os tesouros da casa do Senhor‖ (1Rs 7.51; 2Cr 5.1). Além disto, as câmaras do templo reservavam espaço para os ―turnos dos sacerdotes e dos levitas‖ que ministravam no templo (28.13).

andares ao redor e fez câmaras

Ao longo da história do reino de Judá, há muitas referências a assaltos aos tesouros do templo (1Rs 14.26; 2Rs 14.14; 2Cr 12.9; 25.4) ou uso de parte dos tesouros para pagamento de alianças com reis estrangeiros (1Rs 15.18; 2Rs 12.18; 16.8; 2Cr 16.2), ou sinal de subserviência (2Rs 18.15; 2Cr 36.18).

A reforma religiosa promovida pelo rei Ezequias, anos antes do cativeiro, também

ajuda a lançar luz sobre o funcionamento do templo. O rei resolveu reabrir o templo

(2Cr 29.3), que havia sido abandonado por seu pai Acaz, e convocar os sacerdotes e levitas a purificarem a si mesmos e a retomarem os serviços religiosos (29.4-11).

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Para manter o funcionamento do templo, ele decidiu fazer contribuições diárias para os sacrifícios (31.3) e ordenou ao povo a fazer as contribuições devidas ―aos sacerdotes e levitas para que pudessem dedicar-se à lei do Senhor‖ (31. 4). O povo atendeu e trouxe ―as primícias do cereal, do azeite, do mel e de todo produto do campo‖. Também os ―dízimos de tudo trouxeram em abundância‖ (31.5,6). As contribuições generosas do povo atenderam a necessidade dos sacerdotes e levitas e ainda sobraram, de modo que o rei mandou preparar ―depósitos na casa do Senhor‖ (31.11) e ―recolheram neles fielmente as ofertas, os dízimos e as cousas consagradas‖ (31.12). Havia levitas encarregados de recolher e distribuir com fidelidade ―as porções a seus irmãos, segundo os seus turnos, assim os pequenos como aos grandes‖ (31. 15).

Em 597 a.C., quando o templo foi tomado pelos babilônios, o rei Nabucodonozor ―levou dali todos os tesouros da casa do Senhor‖ e ―cortou em pedaços todos os utensílios de ouro, que fizera Salomão, rei de Israel, para o templo do Senhor‖ (2Rs 24.13). O livro de Daniel também registra esse saque: ―o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da casa de Deus‖ (Dn 1.2). Durante o cativeiro, o templo ficou em ruínas.

Quando Ciro expediu o decreto autorizando a volta dos judeus para Jerusalém, ele determinou também que se fizessem doações de ―prata e ouro, bens e gados, afora as dádivas voluntárias para a casa do Senhor‖ (Ed 1.4,6). O próprio Ciro devolveu os utensílios do primeiro templo, que haviam sido saqueados por Nabucodonozor, aos chefes dos judeus para serem trazidos para o templo a ser reconstruído em Jerusalém (1.7-11).

A reconstrução do templo, de 534 a 515 a.C., empreendida pelo príncipe Zorobabel e pelo sacerdote Josué, nos dias dos profetas Ageu e Zacarias, está narrada no livro de Esdras, capítulos 3 a 6. O profeta Ageu exorta firmemente o príncipe e o povo a se esforçarem para a conclusão do templo: ―Acaso é templo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?‖ (Ag 1.4). Ao dedicarem o templo, eles ―estabeleceram os sacerdotes nos seus turnos e os levitas nas duas divisões para o serviço de Deus em Jerusalém; segundo está escrito no livro de Moisés‖ (Ed 6.18). Embora não mencione diretamente, é lógico subentender

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que as ofertas e os dízimos passaram a ser trazidos regularmente para o sustento dos levitas e sacerdotes e para a manutenção dos serviços religiosos.

Em 458 a.C., 60 anos depois da reconstrução do templo, Esdras foi enviado por Artaxerxes para Jerusalém (Ed 7.1), acompanhado de sacerdotes e levitas (7.7). Ele também recebeu prata e ouro e ofertas voluntárias (7.15-16) para levar à ―casa do seu Deus que está em Jerusalém‖ (7.16b) para serem restituídos ―perante o Deus de Jerusalém‖ (7.19). Todos os tesouros foram confiados, desde o início da viagem, aos levitas porque ―vós sois santos ao Senhor, e santos são estes objetos‖ (8.28) até que fossem apresentados aos sacerdotes e levitas ―em Jerusalém, nas câmaras da casa do Senhor‖(8.29). Alguns anos depois, em 445 a.C,, Neemias, ao assumir o governo, lutou para manter o culto do templo e o sustento dos sacerdotes e levitas. Ele próprio fez contribuições em ―ouro, mil dracmas, cinquenta bacias, e quinhentas e trinta vestes sacerdotais‖ (Ne 7.70). Também muitos líderes apresentaram suas ofertas perante os sacerdotes e levitas para manutenção do templo (7.71-73).

Durante a reforma religiosa, Neemias e Esdras promoveram uma aliança com o povo de que ―andariam na lei Deus, e que foi dada por intermédio de Moisés, servo de Deus‖; de que ―guardariam e cumpririam todos os mandamentos do Senhor, nosso Deus e os seus juízos e os seus estatutos‖ (Ne 10.29). Juntamente com isso, impuseram a si mesmos um tributo de 1/3 de siclo de prata ―para o serviço da casa do nosso Deus‖ (10.32) e juraram trazer as primícias de toda colheita e gado (10.35- 37) e os dízimos da terra aos levitas ―pois a eles cumpre receber os dízimos em todas as cidades onde há lavoura‖ (10.37b). Então, conforme a lei, os levitas seriam incumbidos de recolher ―os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro‖ (10.38).

Mas, durante uma breve ausência de Neemias, em que ele voltou à Babilônia (13.6), o povo deixou de contribuir (13.5) e os levitas voltaram para seus campos, porque não havia sustento (13.10). Logo que voltou, Neemias restituiu a ordem nos serviços religiosos do templo e então o povo voltou a trazer ―os dízimos do grão, do vinho e do azeite aos depósitos‖ (13.12). Neemias também escalou levitas despenseiros para cuidar dos depósitos e repartir ―as porções para seus irmãos‖ (13.13). Esse incidente faz parecer que foi justamente o período em que Malaquias exerceu seu ministério.

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Conclui-se que, junto ao templo havia um conjunto de salas e quartos que serviam para:

- guardar os tesouros dedicados a Iavé;

- aposentos para os sacerdotes e levitas que oficiavam no templo; e

- despensa de víveres para o sustento de todos os que oficiavam no templo.

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Capítulo 4

TRADUÇÃO FINAL

4.1 Tradução idiomática:

3.6

Porque eu Iavé não mudei, vocês, filhos de Jacó, não foram consumidos.

3.7

Desde os dias de seus pais, vocês se desviaram das minhas leis e não as guardaram. Voltem-se para mim e eu me voltarei para vocês, disse Iavé dos Exércitos. Mas vocês dirão: em que voltaremos?

3.8

Roubará o homem a Deus? Mas vocês me roubam; e dizem: Em que o roubamos? Nos dízimos e ofertas.

3.9

Com maldição são amaldiçoados porque me roubam a nação toda.

3.10

Queiram trazer de tudo o dízimo à casa do tesouro e que haja mantimento em minha casa e me provem nisto, disse Iavé dos Exércitos, se eu não lhes abrir as janelas dos céus e derramar benção sem limite sobre vocês.

3.11

Repreenderei o devorador e o fruto da sua terra são será destruído e a vinha dos seus campos não falhará, disse Iavé dos Exércitos.

3.12

E todas as nações lhes chamarão bem-aventurados, e vocês, de fato, serão uma terra de alegria, disse Iavé dos Exércitos.

4.2 Comentários explicativos:

O profeta Malaquias aborda vários problemas e ministra palavras de juízo contra

cada um deles. As palavras de esperança aparecem apenas em 3.1-5, 10-12, 17-18

e 4.2-6. No primeiro caso, as palavras de esperança estão mescladas com

purificação e juízo contra os feiticeiros, adúlteros, os que juram falsamente, que

prejudicam os trabalhadores braçais e sonegam o salário dos mais pobres (3.5). O

segundo caso, de 3.10-12, será analisado a seguir. O terceiro e quarto casos, 3.17-

18 e 4.2-6, apontam para uma esperança futura.

As palavras de 3.6-12 despertam algumas perguntas: por que Iavé acusa duramente

o povo de roubo quando há pecados mais graves (p.ex, indiferença, apostasia,

adultério)? Por que a retenção dos dízimos para os rituais do templo é considerada

tão grave? Iavé diz que os antepassados já se desviavam dos seus estatutos desde

o passado (3.7), e o dízimo não ocupa importância central no código da lei mosaica.

Mas é justamente neste item que Iavé chama o povo ao arrependimento — ―tornai-

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vos para mim‖ (3.7) — e promete as maiores bênçãos — ―bênção sem medida‖ (3.10) boas plantações (3.11) e prosperidade para toda a nação (3.12).

É razoável pensar que a palavra ―tornai-vos‖ se refere a todos os pecados apontados no livro e não apenas à entrega de dízimos e ofertas. Outros textos proféticos (como p.ex, Amós 4.4) demonstram que Deus não tem prazer na mera prática fria da lei, mas na conversão do coração. O próprio Malaquias diz que, quando Iavé purificar o povo, ―então a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos primeiros dias‖ (3.4). A propósito, os fariseus também davam o dízimo rigorosamente, mas não alcançavam a aprovação de Deus (Mt 23.23).

Conforme demonstra o livro de Malaquias, o estado religioso do povo estava decadente em vários aspectos e não apenas nas contribuições para o sustento do templo. Portanto, se eles apenas decidissem fazer as devidas contribuições, sua situação não seria melhor diante de Deus. A exortação do profeta é que eles reconheçam suas faltas contra Deus, abandonem seus pecados e se voltem para Deus de todo coração. Assim, o sustento do templo seria apenas a evidência externa na mudança na atitude para com Deus e sua lei.

Por fim, este entendimento demonstra que não se pode pinçar o versículo de Malaquias 3.10 e passar a dar dízimos e ofertas como ato isolado de culto a Deus, mas é necessária uma conversão de coração que resulte em uma prática de lealdade e generosidade, como também de temor e cumprimento da aliança, nesse caso, materializada na entrega dos dízimos.

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CONCLUSÃO

O tema central da perícope é o dever de fidelidade do povo para com Deus expresso na generosidade para com o seu templo. O povo estava sendo displicente na manutenção dos serviços religiosos e do sustento dos levitas e sacerdotes por meio de dízimos e ofertas. Esse dízimo obrigatório e para finalidade específica não existe para os não-judeus e para os que não servem no templo. Essa é a razão de o Novo Testamento não apresentar qualquer preceito referente a percentual obrigatório de contribuição para a igreja. Portanto, a passagem de Malaquias 3.10-11 não oferece base teológica para a transposição da prática do dízimo do binômio "casa do tesouro/sacerdote" para "igreja/pastor".

Portanto, a análise do texto permite apenas duas conclusões válidas:

Se o dízimo do Antigo Testamento deve ser praticado nas igrejas cristãs, então seria necessário, por coerência, buscar a legislação integral sobre dízimo e não apenas e tão somente a percentagem, pois é esse conjunto de leis que está por trás da exortação em Malaquias 3.10. Por exemplo, as igrejas cristãs poderiam estabelecer um teto para as despesas com salário de pastores, observando as regras de partição de 90% para as despesas e sustento de todos os que trabalham na igreja e 10% (―dízimo dos dízimos‖) para os pastores. Igualmente, os pastores deveriam ser modelo de frugalidade e viver exclusivamente do ministério. Outro exemplo de aplicação dos dízimos na igreja seria destinar recursos para amparar os pobres e desamparados a fim de que ninguém passe necessidade material na igreja.

Se, por outro lado, o dízimo não deve ser aplicado à igreja, então os cristãos devem se basear apenas nos princípios ensinado por Jesus e pelos apóstolos e, a partir desses, estabelecer princípios de conduta e parâmetros para arrecadação e administração de valores e bens na igreja. Por exemplo, Jesus ensina que não é possível servir a dois senhores (Mt 6.19-24). Ele nos deu um novo mandamento:

amar uns aos outros como ele nos amou (Jo 13.34). Paulo diz que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4.12) e nos ensinou a fazer o bem a todos, especialmente aos irmãos na fé (Gl 6.10). João diz que devemos amar com obras práticas e não apenas com palavras (1 Jo 3.18). Os mandamentos de Jesus e os

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ensinos dos apóstolos são suficientes para compor uma base doutrinária para a prática de generosidade cristã que vai muito além da lei do dízimo.

Finalmente, em um momento de escândalos financeiros dentro e fora da igreja e de desvios doutrinários graves (como, p.ex., a Teologia da Prosperidade), convém adotar princípios firmes quanto à administração financeira, aperfeiçoando a prestação de contas com transparência e vinculando a destinação de recursos de modo a atender aos princípios do amor e da generosidade cristã. Assim, a igreja evitaria, não apenas o mau uso do dinheiro, mas até mesmo a aparência de mau uso, não dando ocasião ao mundo de desacreditar a fé cristã e de blasfemar de Cristo por causa dos erros da igreja.

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REFERÊNCIAS

Comentários

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CALVINO, João. As Institutas, ou Tratado da Religião Cristã, Livro IV, edição clássica (latim). Download do site: www.4shared.com.

COELHO Filho, Isaltino Gomes. Malaquias Nosso Contemporâneo, Um Estudo Contextualizado do Livro de Malaquias. Rio de Janeiro: JUERP, 1988.

KELLER, Werner. E a Bíblia tinha razão, 18ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1992.

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site

PEREIRA Júnior, Isaias Lobão. Manual de Exegese Bíblica, metodologia histórico- gramatical. Brasília: n/i, 2005.

REDDITT, Paul L. The Book of the Twelve Prophets Section: The King in the Book of the Twelve. Georgetown College, Georgetown, disponível no site www.sbl- site.org/assets/pdfs/redditt_king.pdf, acessado em 30/09/09.

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Brasil.

Disponível

no

SILVA Filho, Paulo Severino da. Malaquias 3.13-21 no conjunto dos Doze Profetas; orientadora: Prof. Dra. Maria de Lourdes Corrêa Lima. 265 p. Tese (Doutorado em Teologia). Rio de Janeiro: PUC/RJ, 2006.

TAYLOR, John B. And He Shall Purify: an Exposition of Malachi Chapters Two and Three. ANVIL, volume 15, nº 1.1998. Disponível em http://www.biblicalstudies.org.uk/pdf/anvil/15-1_taylor.pdf, acessado em 30/09/09.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.

WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento, manual de metodologia, 3ª edição,

site

2002,

disponível

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Dicionários e léxicos

COENEN, Lothar e BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Volume 1, 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2000.

60

Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Aulete Digital, disponível em www.auletedigital.com.br.

FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica: introdução ao texto massorético; guia introdutório para a Bíblia Hebraica Sttutgartencia, 3ª ed. revisada e ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2008.

GUSSO, Antônio Renato. Gramática Instrumental do Hebraico. São Paulo: Vida Nova, 2005.

HARRIS, R. Laird. ARCHER Jr, Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.

KIRST, Nelson. KILPP, Nelson. SCHWANTES, Milton. RAYMANN, Acir. ZIMMER, Rudi. Dicionário Hebraico-Português e Aramaico-Português, 21ª ed. São Leopoldo:

Editora Sinodal. Petrópolis: Editora Vozes, 2008.

VINCENT, Albert. Dicionário Bíblico. São Paulo: Edições Paulinas, 1969.

Bíblias e versões

Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada, ed. 1993, em BibleWorks for Windows, version 7.

Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Corrigida, ed. 1969, em BibleWorks for Windows, version 7.

Bíblia Sagrada, Almeida, Corrigida Fiel. São Paulo, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1994.

Biblia Hebraica Sttutgartencia, 4ª edição, em BibleWorks for Windows, version 7

Bíblia Sagrada [tradução dos originais hebraico, aramaico e grego]. São Paulo:

Editora Ave Maria, 1966.

Bíblia Sagrada, Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). Barueri/SP:

Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional [traduzida pela comissão da Sociedade Bíblica Internacional]. São Paulo: Editora Vida, 2000.

Malaquias 3:6-12

APÊNDICE A

3.6

 

bqoß[]y:-ynE)B.

 

~T,îa;w>

 

ytiynI+v'

al{å

hw"ßhy>

 

ynIïa]

yKi²

subst

conj

verboqal

adv de

subst

pronome

conjunção

comum

perf

1ª p

negação

próprio

independen

masc pl

pronome

comum sing

te 1ª p comum sing

construto

indep 2ª p

homônimo

masc pl

 

subst

próprio

filhos de

e

vós

mudei

não

Iavé

eu

porque

Jacó

 
 

3.7

 

al{åw>

 

‘Yq;xume(

 

~T,Ûr>s;

~k,øyteboa]

yme’ymil.

 

`~t,(ylik.

Al{ï

w>

conj

!mi prep

qxo subst

v qal perf 2ª p masc pl

subst comum masc pl construto com sufixo 2ª p masc pl

l. prep

!mi prep

v

qal perf

adv de

al{ adv de

2ª p masc

pl

negação

negação

comum

 

~Ay subst

masc pl

construto

com sufixo

1ª p comum

comum

masc pl

construto

sing

 

e

de

desviar-se

de vossos

de desde

desfazer,

não

não

meus

virar-se

pais,

dia

desaparece

obrigações

abandonar

antepassad

r

reivindicaçõ

apostatar

os,

chegar ao

 

es

ancestrais

fim (BW)

estatuto(AR

perecer

A)

(BW)

lei, ordem,

ser

regra

destruído

ser

consumido

 

hwӌhy>

 

rm:ßa’

 

~k,êylea]

hb’Wvåa’w>

‘yl;ae

 

WbWvÜ

~T,êr>m;v.

subst

v

qal perf

prep sufixo

w> conj

bwv v qal

prep com sufixo 1ª p comum sing

v

qal

v qal perf 2ª p masc pl

próprio

3ª p masc

sing

2ª p masc

pl

imperat

masc pl

homônimo

imperf 1ª p

   

1

comum sing coortativo em ambas as formas e sentidos

Yaweh

disse

para vós

e

para mim

retornem,

observar,

retornarei,

voltem

guardar

voltarei

recuperem

fazer algo

recuperarei

retratem

cuidadosam

retratarei

ente

manter

vigilancia

3.8

 

~yhiªl{a/

 

~d”øa’

[B;’q.yIh]

`bWv)n”

hM,2b;

~T,Þr>m;a]w:

tAa+b’c.

subst comum

subst comum

h] interrog [bq v qal imperf 3ª p masc sing

v qal imperf 1ª p comum pl

B. prep

w> conj

rma v

subst comum

masc pl

masc sing

hm’ pronome

qal waw consec perf 2ª p masc pl homônimo 1

ambos pl

absol

absol

interrog

absoluto

homônimo 1

 

Deus

homem

roubará?

Retornarem

em que

e, mas

exércitos

os

vós direis

voltaremos

 

^Wn=[]b;q.

 

hM,äB;

~T,Þr>m;a]w:

ytiêao

~y[iäb.qo

 

‘~T,a;

yKiÛ

v

qal perf

B.

prep hm’

w> conj

rma v qal

artigo

v qal

pronome

conj

1ª p comum pl sufixo 2ª

pronome

interrog

indicativo

de obj

particípio

masc pl

indep 2ª p masc pl

homônimo

2

p

masc

waw

diretosufixo

absol

sing

consec perf 2ª p masc pl homôn 1

1ª p comum sing homôn

1

te

em que

e, mas

o

roubar??

Vós

porque

roubamos

vós dizeis

3.9

~T,a;

ytiÞaow>

~yrIêa’nE)

~T,a;

‘hr”aeM.B;

`hm’(WrT.h;w>

rfEß[]M;h;(

pronome

w> conj tae

rra v

pronome

B.

prep h;

w> conj h;

h; artigo

indicativo

niphal

artigo

artigo

rfe[]m;

indep 2ª p masc pl

de obj

diretosufixo

1ª p comum

sing homôn

1

participle

masc pl

absol

indep 2ª p masc pl

hr’aem.

Subst

comum fem

sing absol

hm’WrT.

Subst

comum fem

sing absol

subst

comum

masc sing

absol

vós

e

sois

vós

com a

e o

um décimo

amaldiçoad

maldição

tributo,

dízimo

os

oferta,

contribuição

3.10

tyBeä-la,

rfeø[]M;h;(-,

lK’-ta

Waybi’h’

`AL*Ku

yAGàh;

~y[i_b.qo

la, prep

h; artigo

tae

v hiphil

lKo subst comum masc sing construto sufixo 3ª p masc sing

h; artigo

v qal

tyIB; subst

comum

masc sing

construto

rfe[]m;

subst

comum

masc sing

indicativo

de obj

direto

homônimo

1 lKo

imperat

masc pl

yAG subst

comum

masc sing

absol

participle

masc pl

absol

homônimo

absol

1

subst

 

comum

masc sing

construto

para

o dízimo

 

trazei

toda

a

roubais

da casa

 

de todos

recolhei

 

nação

 

apresentar

 

tazOëB’

‘an”

 

ynIWnÝx’b.W

 

ytiêybeB.

‘@r<j,’

yhiîywI

rc’ªAah’

B.

prep hz<

interj

w> conj

B.

@r,j, subst

w> conj

h; artigo

adj fem

sing

homônimo

1

!xb v qal

imperat

prep

tyIB; subst

comum

comum

masc sing

absol

hyh v qal

imperf 3ª p masc sing jussive in ambas as

rc’à subst

comum

masc pl sufixo 1ª p comum sing

masc sing

masc sing

construto

absol

sufixo 1ª p

 

comum sing

formas

homôn 1

signif

apocopado

em isto

 

e

em minha

mantimento

e

o

me provar

casa

haja

tesouro

me colocar

a

prova

tae…

~k,ªl’

xT;äp.a,

al{ô-~ai

tAa+b’c.

hwӌhy>

rm:ßa’

tae

l. prep sufixo 2ª p masc pl

xtp v qal

~ai conj

ab’c’ subst

hwhy

rma v qal

iindicativo

imperf 1ª p comum sing

homônimo

1

al{ adv de

comum

subst

perf 3ª p

de objeto

direto

homôn 1

negação

ambos pl

absol

próprio

masc sing

homôn 1

 

para vós

eu abrir,

se

exércitos

Iavé

disse

fluir

não

yliB

.-d[;

hk’Þr”B.

 

~k,²l’

 

ytiîqoyrIh]w:

~yIm;êV’h;

tABårUa]

yliB. Subst

d[; prep

hk’r’B.

l.

prep

w>

conj

h; artigo

hB’rua]

comum

homônimo

subst

sufixo 2ª p

qyr v

~yIm;v’

subst

masc sing

construto

3

comum fem

sing absol

homônimo

1

masc pl

hiphil waw

consec perf

1ª p comum

sing

subst

comum

masc pl

absol

comum fem

pl construto

sem

até

bênçãos

para vós

e

os céus

das janelas

despejar

derramar

3.11

 

~k,Þl’

txiîv.y:-

 

al{)w>

 

lkeêaoB’(

‘~k,l’

yTiÛr>[;g”w>

`yd”(-

l.

prep

txv v

w>

conj

B.

prep

l. prep sufixo 2ª p masc pl

w> conj

yD; subst

sufixo 2ª p masc pl

hiphil imperf 3ª p masc sing

al{ adv de

h; artigo

r[g v qal

comum

negação

lka v qal

participle

waw

masc sing

absol

   

masc sing

absol

 

consec perf 1ª p comum

sing

para vós

farei

e

não

e

para vós

repreender,

o

destruir

 

o

reprovar

necessário

come

 

hd<êF’B;

‘!p,G<’h;

~k,Ûl’

 

lKe’v;t.-

hm’_d”a]h’

yrIåP.-

ta,

 

>al{w

B.

prep h;

h; artigo

l. prep sufixo 2ª p masc pl

w>

conj

h; artigo

yrIP. Subst

tae

artigo hd,f’

!p,G< subst

al{ adv de

hm’d’a]

comum

indicativo

subst

comum

comum sing

absol

negação

subst

comum fem

masc sing

construto

de obj

diretohomô

nimo 1

masc sing