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Duas peças que muDaram a rua e o munDo cabo frio – brasil

Duas peças que muDaram a rua e o munDo

cabo frio – brasil

Duas peças que muDaram a rua e o munDo cabo frio – brasil realização:

Duas peças que muDaram a rua e o munDo

cabo frio – brasil

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realização:

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Duas peças que muDaram a rua e o munDo cabo frio – brasil realização:

um

exemplo

singular

O biquíni foi uma invenção francesa, lá se vão mais

de

60

anos. De lá para cá, no entanto, tornou-

se

um

dos

produtos brasileiros mais conhecidos

internacionalmente.

A vocação natural do País para o uso do traje de banho

– são mais de 7.000km de praias – pode explicar o

motivo pelo qual o Brasil é o país lançador mundial de tendências da moda praia. Neste aspecto, somos vanguarda. Por conta deste protagonismo, ao longo dos anos, avançamos em tecnologia e modelagem.

Os números são robustos: no ano passado, o país fabricou 273 milhões de peças de vestuário no setor.

Como não podia deixar de ser, o Rio de Janeiro, por suas características geográficas e sua efervescente

economia criativa, tem um peso importante dentro desse segmento.

Aqui no Estado, a Região dos Lagos, com seus municípios litorâneos, constituiu um polo econômico importante de produção da moda praia – o maior do Estado – formado por pequenas e médias empresas, que tem em Cabo Frio seu centro aglutinador.

O Sebrae/RJ, em parceria com a Firjan, a Sedeis (Secretaria de Desenvolvimento Econômico Energia

Indústria e Serviços) e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), resolveu financiar este segmento, por meio de um programa de gestão corporativa para

o setor.

Um dos frutos desta parceria entre os órgãos financiadores e as empresas locais é este livro, que registra e documenta a atividade da chamada “Rua dos Biquínis”, em torno da qual gravita a maior parte das confecções locais.

É com orgulho que vemos, em suas páginas, o esforço e

o trabalho dos empresários fluminenses para, cada vez mais, aprimorar, crescer e consolidar essa vocação. Sem dúvida, um exemplo singular de empreendedorismo.

angela costa

presiDente Do conselho Deliberativo Do sebrae/rJ

Com muita alegria que nós, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, celebramos a publicação do livro “Biquíni:

duas peças que mudaram a rua e o mundo”.

Quando em 2007 identificamos um potencial econômico

para a formação de um Arranjo Produtivo Local (APL) na Região das Baixadas Litorâneas, com a concentração de pequenas e médias empresas do setor de moda praia, apostamos na capacidade dos empreendedores locais e, juntamente com os parceiros Sebrae e Firjan, trabalhamos com as empresas da indústria e comércio

de moda praia existentes à época.

Estava claro que o segmento de Moda Praia, daquela região, deveria ter um planejamento adequado, para que as ações executadas viessem a refletir na

melhoria da qualidade do produto aliada a uma maior produtividade. Buscamos, então, uma parceria com

o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),

com o compromisso de estimular o desenvolvimento socioeconômico de forma acelerada desse segmento produtivo.

Um dos maiores desafios, como em todos os Arranjos Produtivos Locais, é a Governança que deve ter representação dos empreendedores locais, da indústria, do comércio e dos serviços de maneira sustentável. Muitos outros desafios são enfrentados no cotidiano, destaco o fortalecimento da competitividade dessas empresas e a agregação de maior valor ao produto da moda praia, unindo design e tecnologia em seu processo produtivo.

Hoje, Cabo Frio é o município polo do Arranjo Produtivo Local de Moda Praia e a Rua dos Biquínis é o endereço de maior concentração de empresas do segmento, ponto de grande visitação turística. Esse fato revela

a forte relação entre os dois segmentos econômicos

importantes no território, a moda praia e o turismo.

O fortalecimento da associação empresarial é essencial

para os avanços almejados, como a boa apresentação da Rua dos Biquínis, a inauguração da sua sede e o próprio lançamento deste livro. Responsável pela governança e pelo direcionamento das atuais ações do APL, a associação torna as empresas mais unidas e a indústria mais fortalecida.

O lançamento do livro “Biquíni: duas peças que mudaram a rua e o mundo” será uma referência para

a história da confecção do Estado do Rio de Janeiro,

ação importante da moda praia. Agradeço aos parceiros, Sebrae e Firjan, pelo incansável trabalho desenvolvido. Cumprimento sobretudo os senhores empresários por mais uma etapa vencida com louvor.

parabÉns!

Dulce angela procópio De carvalho

subsecretária De Desenvolvimento econômico Do estaDo Do rio De Janeiro

O Brasil é referência em moda praia, e os números do

setor confirmam a posição: somente no ano passado, foram produzidas 273 milhões de peças. De acordo com

a

Abest (Associação Brasileira de Estilistas), entre 2009

e

2011, houve um aumento de 43% nas exportações da

moda praia brasileira – e a tendência é de crescimento.

O

Rio de Janeiro reúne vantagens competitivas, como

o

clima favorável, o extenso litoral e, principalmente, a

criatividade das grifes, que fazem sucesso com variadas estampas, cores e modelagens.

A cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de

Janeiro, é uma das grandes produtoras de moda praia

e concentra, na Rua dos Biquínis, centenas de lojas e fábricas.

Este livro desvenda a famosa avenida, programa imperdível para quem mora ou visita a cidade. Maior Polo de Moda Praia do Estado, a Rua dos Biquínis é um shopping a céu aberto que movimenta de maneira significativa a economia fluminense. Pelos números da Associação Comercial e Industrial da Rua dos Biquínis, cinco milhões de peças de moda praia são fabricadas e comercializadas anualmente com a geração de milhares de empregos fixos e temporários.

Entre muitas fotos, registros históricos e informações, você irá conhecer, em detalhes, a rua que atrai turistas o ano inteiro e acaba de passar por ampla revitalização, com investimento de R$ 2 milhões.

O Sebrae/RJ, em parceria com a Sedeis (Secretaria de Desenvolvimento Econômico Energia Indústria

e Serviços) e com o BID (Banco Interamericano de

Desenvolvimento), financia a criação de um método

de governança para incrementar o segmento de moda

praia. O projeto atinge toda a cadeia produtiva e visa melhorar gestão, atendimento, produção e comércio para tornar o município uma referência internacional.

boa

leitura!

cezar vasquez

Diretor-superintenDente Do sebrae/rJ

bem-vinDo À rua Dos biquínis!

Quando recebi a tarefa de produzir este livro, logo me transportei aos anos 80 e 90, nos verões da minha adolescência, em Cabo Frio e Búzios. Ficávamos hospedados à beira do canal e, todos os anos, as mulheres da casa se organizavam com muita euforia

para irem às compras na já famosa Rua dos Biquínis. Era

o

programa do dia, lembro-me bem. Estacionávamos

o

carro na própria rua, em frente às lojas. Todas elas

voltavam satisfeitas e dispostas a desfilar nas areias e piscinas os seus novos modelitos em duas peças, com preços de fábrica.

Hoje, voltando à rua, é notória sua evolução e o salto de sua organização e profissionalização. A história agora

é outra, aquela rua de terra batida se reposicionou, se transformou na maior concentração de lojas do setor no mundo e com forte potencial para exportação. Reconhecida pelo mercado por lançar moda e criar tendências, atingiu um equilíbrio entre a qualidade,

o design e os bons preços. Um passeio pela rua e

nas conversas com seus principais personagens (os empresários), fica evidente a força criativa e produtiva do negócio que faz crescer toda a região com seu potencial adquirido ao longo dos anos. Inserida no mundo fashion e com sofisticação, nasceu a indústria

da moda praia que, por detrás de toda essa badalação

e glamour, esconde uma sólida estrutura com indústrias

de confecções, máquinas e mão de obra qualificada, mostrando o poder de seu desenvolvimento local, movimentando o turismo e o comércio da região. Isso se constituiu com o movimento de empresários de outros setores e Estados, que fizeram da rua e de Cabo Frio o lugar ideal para trabalhar e viver.

Este livro não tem a pretensão de ser uma edição

científica e técnica sobre a história do biquíni e suas origens, mas trata do assunto apontando sua evolução e

a da moda, através dos tempos. Esta edição apresenta as

lojas que hoje atuam na Rua dos Biquínis e mostra como

foi o início de tudo e o primeiro biquíni produzido. Com

a narrativa dos empresários da rua, que conduzem com

maestria, força e alegria o dia a dia do maior shopping de moda praia a céu aberto do mundo, traz um pouco das histórias de vida, superação, sucessos, fracassos, fotos e fatos.

A sigla APL, tão falada, que significa Arranjo Produtivo

Local traduz a força do associativismo daquela região, na geração de emprego e renda. A união dos empresários é

o maior ativo da rua.

Com essa consciência das partes envolvidas, a criação da nova Associação da Rua dos Biquínis e os trabalhos que estão sendo realizados por entidades de classe, junto com o apoio do Governo do Estado, da Prefeitura

e do Sebrae/RJ, é certo o futuro e o destino de sucesso desse aglomerado de vida, emoção, tesouras, tecidos, máquinas e histórias, concentrados nesses 100 metros de rua, que vale a pena conhecermos aqui.

Boa leitura !

rogÉrio rezenDe

eDitor

EQUIPE SEBRAE/RJ >>

AngelA CostA (PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIvO DO SEBRAE/RJ)

CeZAR VAsQUeZ (DIRETOR-SUPERINTENDENTE)

eVAnDRo PeÇAnHA AlVes (DIRETOR DE DESENvOLvIMENTO)

ARMAnDo CleMente (DIRETOR DE PRODUTOS E ATENDIMENTO)

FeRnAnDo De MoRAes lIMA sIlVeIRA (GERENTE DE ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO)

FAbIAnA PeReIRA leIte e soUZA Mello (COORDENADORA ESTADUAL DE MODA)

AnA ClÁUDIA Melo VIeIRA (COORDENADORA REGIONAL DA REGIÃO DOS LAGOS)

elIsAnDRA DA RosA WeIgeRt (GESTORA DO PROJETO DE MODA DA REGIÃO DOS LAGOS)

ClARIssA MÜlleR MeneZes (GESTORA DO PROJETO DE FOMENTO AO DESENvOLvIMENTO LOCAL - BID)

SEDEIS >>

DUlCe AngelA PRoCóPIo De CARVAlHo (SUBSECRETáRIA DE DESENvOLvIMENTO ECONôMICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO)

AGRADECIMENTOS >>

ACIRb - AssoCIAÇão CoMeRCIAl e InDUstRIAl DA RUA Dos bIQUInIs

oRlAnDo tHoMé (COORDENADOR DO PROJETO DE FOMENTO AO DESENvOLvIMENTO LOCAL - BID)

sIMone neVes (CONSULTORA DO PROJETO BID NA REGIÃO DOS LAGOS)

AUTOR >> AleXeI WAICHenbeRg

DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO >> Ione AlVes HUPe

PESQUISA >> AleXeI WAICHenbeRg

COMUNICAÇÃO >> João MeIRA

RE v ISÃO GRAMATICAL >> lUCÍolA M. bRAsIl

FOTOGRAFIA >> FAbRICIo CRUZ

ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA >> RACHel lIRA

COLABORADORES >> MARCIA HoDson E PAtRICIA MeneZes

EDITOR >> RogéRIo ReZenDe

E PAtRICIA MeneZes EDITOR >> RogéRIo ReZenDe 21 o biquíni e a moDa atravÉs Dos tempos
E PAtRICIA MeneZes EDITOR >> RogéRIo ReZenDe 21 o biquíni e a moDa atravÉs Dos tempos
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biquíni

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Dos tempos

ReZenDe 21 o biquíni e a moDa atravÉs Dos tempos 11 prefácio 15 o biquíni 17
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40
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rua Dos 36
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biquínis em

cabo frio

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o biquíni, uma invenção De mais De 1.700 anos

D. nilza, a precursora

uma invenção De mais De 1.700 anos D. nilza, a precursora biquíni, um brotinho De 70

biquíni, um brotinho De 70 anos

a rua e seus comerciantes

precursora biquíni, um brotinho De 70 anos a rua e seus comerciantes a rua Dos biquínis
precursora biquíni, um brotinho De 70 anos a rua e seus comerciantes a rua Dos biquínis

a rua Dos biquínis De a a z loJistas

a formação

precursora biquíni, um brotinho De 70 anos a rua e seus comerciantes a rua Dos biquínis
precursora biquíni, um brotinho De 70 anos a rua e seus comerciantes a rua Dos biquínis
precursora biquíni, um brotinho De 70 anos a rua e seus comerciantes a rua Dos biquínis
prefácio Criativo, exuberante, sofisticado e, mais do que tudo, sensual, assim, é o biquíni hoje.
prefácio
Criativo, exuberante, sofisticado e, mais do que tudo,
sensual, assim, é o biquíni hoje. E a evolução das “duas
peças que mudaram o mundo” tem tudo a ver com a
história brasileira. Cada vez mais, o mundo se volta para
a
nossa moda praia. Nem sempre foi assim. Quando
FOTOGRAFIA LENNY NIEMEYER >> ClAUDIA gARCIA

comecei, não existiam lojas especializadas em moda praia. Biquínis eram acessórios das marcas de roupa e estavam realmente em segundo plano. Só nos anos 90, com os desfiles de moda praia, mudamos o mercado nacional e, com isso, saímos do “submundo da moda”. Isso nos fez reconhecidos internacionalmente, muito além do que imaginávamos ser possível. A notoriedade

foi para o lifestyle que a brasileira incorpora muito bem

e que hoje é referência no mundo todo.

A ideia de recuperar a trajetória do biquíni, desde a sua criação, de maneira descontraída, como a que Alexei Waichenberg propõe neste livro, me sugeriu uma viagem pelas mudanças de comportamento no mundo, pelo viés da moda.

Quando leio, porém, sobre a criação e a solidificação do Polo de Moda Praia em Cabo Frio, ainda que saboreie

as crônicas que narram a vida dos empreendedores que

tiveram de experimentar dias difíceis para alcançarem

o sucesso, deparo-me com a minha própria história.

Nos anos 80, passei por grandes dificuldades, mas, encarando-as como aprendizado e desafios da profissão, consegui superá-las.

Hoje tenho a honra de escrever esse prefácio e fazer parte da história dessas duas peças que mudaram o mundo, a rua, a mim e a cada um dos batalhadores desse mercado. Com mais de 20 anos de marca, deixo aqui o meu desejo de sucesso e prosperidade nos negócios e a certeza de que o êxito de um mercado está na associação de seus representantes. O sucesso está aí, está aqui para todos nós. Essa vai ser uma grande festa e quem os convida é o mundo da moda.

lennY niemeYer

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1212 o biquíni é um conjunto de duas peças de tamanhos reduzidos, que cobrem o busto

o biquíni é um conjunto de duas peças de tamanhos reduzidos, que cobrem o busto e a parte inferior do tronco. deriva do maiô e seu nome foi inspiraDo no atol de bikini, situaDo no oceano pacífico, onDe foram realizaDos testes com bombas nucleares. seu lançamento ocorreu em julho de 1946, em uma piscina de paris. o nome faz alusão ao efeito de uma “bomba atômica”, o mesmo que provocaria uma mulher ao usar o pequeno traJe.

de uma “bomba atômica”, o mesmo que provocaria uma mulher ao usar o pequeno traJe. alexei

alexei Waichenberg Jornalista

de uma “bomba atômica”, o mesmo que provocaria uma mulher ao usar o pequeno traJe. alexei
14 o biquíni, uma invenção De mais De 1.700 anos O registro de imagem mais

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o biquíni, uma invenção De mais De 1.700 anos

O registro de imagem mais antigo de biquínis que se tem notícia foi

mostrado em um mosaico romano do século Iv, ou seja, mais de 1.700 anos atrás. Na imagem, veem-se várias mulheres, de saiote e bustiê exíguos, praticando esportes. Descoberto em villa Romana del Casale, na Itália, os milhares de ladrilhos coloridos mostram moçoilas malhando na praia.

Em Pompeia, também na Itália, arqueólogos descobriram várias estátuas

da deusa vênus vestida de biquíni. Cerca de 600 anos antes do registro de

Pompeia, o filósofo grego Demócrito formulou a teoria atômica do cosmo, que explicava que o mundo era feito de pequenas partículas invisíveis em constante movimento.

A pesquisa revela, portanto, que o maiô de duas peças já era usado no mundo greco-romano, no terceiro século antes de Cristo.

Apesar de creditar-se a invenção do biquíni a um engenheiro automotivo ou a um designer de moda, que disputam a criação, por volta de 1946, pode-se efetivamente afirmar que eles estavam apenas reinventando.

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16 o biquíni, uma arma nuclear Há quase 70 anos, a marinha americana testava uma
16 o biquíni, uma arma nuclear Há quase 70 anos, a marinha americana testava uma
16 o biquíni, uma arma nuclear Há quase 70 anos, a marinha americana testava uma

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o biquíni, uma arma nuclear

Há quase 70 anos, a marinha americana testava uma bomba de hidrogênio

em uma ilha, no arquipélago Marshall, no atol de Bikini, localizada ao sul do Pacífico, na região da Micronésia, oeste da Oceania. Com 15 megatons, a bomba explodiu formando uma bola de fogo 500 vezes mais brilhante que

o sol. Esse foi só o primeiro de muitos testes da bomba atômica, criada em

1951.

Enquanto as explosões aconteciam, em maio de 1946, um engenheiro automotivo francês, que, na época administrava uma loja de lingerie em Paris, inventava ou reinventava uma bomba ainda mais poderosa, que, em alguns anos, começaria a ser testada com efeito devastador em todas as praias do mundo. Uma das peças mais fascinantes que a humanidade já criou: o biquíni.

Louis Réard apresentou duas peças pequenas de roupa, classificando-as como “o menor maiô do mundo”. Curvas à mostra, umbigo de fora e o cara tinha a certeza de que iria chocar o mundo com o bem bolado que mal cabia

na Ana Maria. De fato, ele não estava errado. Não é à toa que a famosa editora de moda Diana Vreeland (1903-1989) disse uma vez que o biquíni “é

a invenção mais importante do século 20, depois da bomba atômica”.

Entretanto, o engenheiro não imaginava que, ali mesmo na França, um designer de moda, Jacques Heim, estava trabalhando em um design semelhante e começou a requisitar o título de inventor.

O que vale dizer é que, durante muitos anos, o biquíni causou mais rebuliço ou reboliço – as duas palavras se aplicam – do que qualquer teste nuclear

feito por americanos ou soviéticos. Ainda sobre átomos e núcleos, na época, chegaram a fazer a piada de que o biquíni havia dividido o átomo, já que esse foi o nome dado pelo designer francês Heim a um maiô pequeno, de uma peça, que chamou de átome.

Os problemas não paravam por aí. Biquíni inventado, não importa por quem – essa briga dura até hoje – o desafio agora era encontrar alguém que desfilasse o traje. Ultraje! Ninguém topou. Segundo o pesquisador Fernando Moura Peixoto, “o biquíni de Réar era tão pequeno e ousado que não houve manequim parisiense que aceitasse desfilar com ele. A solução encontrada foi apelar para Micheline Benardini, uma dançarina do Cassino de Paris, que se apresentava nua em espetáculos musicais noturnos. Em julho de 1946, numa piscina às margens do Rio Sena, ela posou então com o modelito cavado de Réard, desbancando o recente lançamento do compatriota e rival Heim. A audácia trouxe-lhe notoriedade e fama”.

Pois é, tanta polêmica e logo a peça foi proibida em vários países e condenada pela Igreja. O biquíni revelava quase tudo, para o delírio da libido.

No final da década de 40, o biquíni estava tão explosivo na Europa que começou a incomodar até as rainhas americanas. Deu no Los Angeles Times, em 1949:

A bela loira e rainha do maiô Bebe Shopp, 18 anos, de Hopkins – Minnesota recebeu boas-vindas com entusiasmo em Paris, mas disse que não mudou de ideia em relação a maiôs franceses… “Eu não aprovo os maiôs Bikini para garotas americanas”, disse Bebe a entrevistadores franceses. “As garotas francesas podem vesti-los se quiserem, mas eu ainda não os aprovo para garotas americanas”.

Daí para frente é conversa para mais de metro. vieram tangas inspiradas nos índios, cortininhas, asas-delta, biquínis de tecido, de lycra, de tricô, lisos, estampados, com bolinha amarelinha, composê, com duas alças, uma, sem elas, peças de todos os tipos, feitios e proporções.

O próximo alvoroço que o biquíni vai causar é na Era do Fio Dental. O modelo nasce na interseção dos conjuntos, nas bandas de cá e de lá – sem duplo sentido, por favor. O tempo passa, e o imbatível deux pieces começa a crescer de novo. Agora a moda é o retrô, hot pants para ser mais exato, que em Inglês significa calças quentes. Vai saber o que isso quer dizer e o que vem por aí!

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o banho De mar O hábito de tomar banho de mar surgiu no século XIX,
o banho De mar O hábito de tomar banho de mar surgiu no século XIX,

o banho De mar

O hábito de tomar banho de mar surgiu no século XIX, quando Dom João vI
O hábito de tomar banho de mar surgiu
no século XIX, quando Dom João vI foi mordido
por um carrapato, causando-lhe uma série de feridas pelo
corpo. O médico então indicou que ele mergulhasse no mar, para
que o sal cicatrizasse os ferimentos. Com pompas na circunstância, deixou
que a água lhe batesse na cintura. Até então ir ao mar tinha esse caráter
terapêutico. Segundo conta a jornalista de moda Marcia Disitzer, existia toda uma
indumentária para ir à praia. E mergulhar nem pensar. A regra era banhar-se sempre
da cintura para baixo e muito bem-vestido, porque pegar sol traria ao banhista a
pele bronzeada, característica dos trabalhadores braçais da época. As praias foram
sendo equipadas com cabines, os esportes à beira-mar começaram a ganhar
popularidade, o século virou e, como tomar banho de mar é o maior barato,
a partir dos anos 20, as mulheres começaram a usar maiô. Os homens
trocaram seus macaquinhos de aqua loucos pelas sungas largas
e começaram a mostrar o torso. Estava descoberta
a fórmula da sedução balneária.
o biquíni e a moDa atravÉs Dos tempos O biquíni é peça fundamental no guarda-roupa
o biquíni e a moDa atravÉs Dos tempos O biquíni é peça fundamental no guarda-roupa

o biquíni e a moDa atravÉs Dos tempos

O biquíni é peça fundamental no guarda-roupa da mulher contemporânea.

Isso todo mundo sabe. Há dois séculos, as pessoas, principalmente as mulheres, não tinham o costume de ir à praia. Apenas no início de meados do século XIX, quando os esportes começaram a ganhar popularidade, em especial a natação, as pessoas começaram ir à praia. Então, surge a necessidade de criar um traje para as mulheres se banharem em piscinas

e praias. Descreve-se: calção até o joelho, túnica, capa longa amarrada nos

ombros, meia e sapatos. O importante era cobrir as formas das senhoras. É claro que a noção de conforto foi determinando as próximas modificações no figurino. Os maiôs foram encurtando, as pernas aparecendo, até ficarem inteiramente descobertas. O próximo passo era mostrar os ombros e, então, surgiram os decotes e vieram os cortes que descobriam o colo e as costas.

Apesar de toda euforia em torno da invenção do biquíni, descrito por um jornal da época como “quatro triângulos de nada”, o traje não emplacou logo de cara. O primeiro modelo, todo em algodão com estamparia imitando a página de um jornal, se comparado aos de hoje, era comportado até demais. Entretanto, para os padrões da época, um verdadeiro escândalo.

biquíni, um brotinho De 70 anos 22 Imagens desta págIna cedIdas | produção: sandro moraes
biquíni,
um brotinho
De 70 anos
22
Imagens desta págIna cedIdas | produção: sandro moraes | Foto: dIego nareba | modelo: thaIs peregrIno | beleza: mayana leIte e carla neves

Há exatos 70 anos, no fim da Segunda Guerra Mundial, a juventude exigia liberdade de expressão e de comportamento. O biquíni, mais do que um inovador traje de banho, teve mesmo a intenção de subverter os padrões daquela época.

A linha do tempo do biquíni comprova que, de lá pra cá, as duas peças

que mudaram o mundo nunca ficaram ultrapassadas, ao contrário, vem se renovando e acumulando versões e conotações que se adaptam culturalmente à evolução dos hábitos e costumes da sociedade praiana.

As novidades na modelagem e na padronagem de tecidos não param de ser inventadas, mas alguns campeões de bilheteria jamais perdem seu lugar no gosto popular. Ainda hoje encontra-se o “sunquíni”, peça mais composta, usada pelas mulheres de 40 a 65 anos, o “tomara que caia”, tendência que ganhou destaque no início do século XXI e que encanta as adolescentes. E ainda o já maduro “fio dental”, que agora evolui para o “superfio”, conserva o ar sensual da mulher e ainda serve para não deixar marcas no bronzeado perfeito. O “asa-delta” e o “piapes” – cintura alta – utilizado inicialmente nas décadas 50 e 60, nunca saíram das praias. O “engana mamãe”, que entrou na moda nos anos 70, na famosa geração hippie, também continua sendo procurado nas lojas. Os biquínis de lacinho agora são chamados de “color block ”, porque contrastam cores fortes nas versões desencontradas da parte de cima e da parte de baixo.

E assim, nessa verdadeira “democracia dos biquínis”, a lei que impera é a criatividade e o conforto.

Aí vai um convite para conhecer década a década esse brotinho de 70.

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anos 80 Nos anos 80, com o início do culto ao corpo, a maldita paranoia
anos 80
anos 80

Nos anos 80, com o início do culto ao corpo, a maldita paranoia da malhação, o Brasil vai chocar o mundo com o “fio dental”, que deixa quase todo o bumbum à mostra. Muita calma nessa hora. Tudo começa com a seguinte regra: lycra brilhante, sutiã retorcido e nenhuma estrutura no bojo. Cores fortes, como verde-limão e rosa-pink. Assim era o biquíni dos anos 80. Nessa década, apresentaram-se o sunquíni e o enroladinho, que disparou uma mania de enrolar as laterais para que a calcinha ficasse mais cavada. Isso acabou inspirando os estilistas a criarem o modelo chamado de “asa-delta”. O biquíni fio- dental é uma evolução do asa-delta, sendo lançado no Brasil e somente no Brasil. Foi muitíssimo usado. A musa das praias cariocas dos anos 80 foi, sem dúvida, a modelo Monique Evans, sempre com minúsculos biquínis e também adepta do topless.

Desde a tanga carioca, o Brasil passou a editar moda praia, tornando-se uma grande referência desse universo, onde diversas confecções localizadas no Rio de Janeiro, em especial na Região dos Lagos, começaram a exportar seus biquínis e criações beachwear, para o mundo.

seus biquínis e criações beachwear , para o mundo. anos 60 O biquíni só se popularizou
anos 60
anos 60

O biquíni só se popularizou na década de 70, devido à revolução sociocultural que acontecia no mundo, entre elas o surgimento da pílula anticoncepcional e a eclosão da liberação feminina. Com as mulheres buscando sua independência, o biquíni era uma forma de expressar a liberdade. Mesmo assim, no Brasil, em pleno regime de ditadura, o presidente Jânio Quadros resolveu proibi-lo nas praias brasileiras. Como tudo que é proibido é melhor, o uso de biquínis cresceu, atingiu o auge da popularidade, enquanto o que diminuía era o tamanho. Muitas vezes, foi usado como adorno em filmes e musicais e como contestação política e social. Tornou-se um símbolo pop. O biquíni dos anos 60 era mesmo ousado, deixava o umbigo totalmente à mostra, com a cava ainda maior que a dos anos 50. A atriz americana Jayne Mansfield foi a pioneira em usar o modelo que foi motivo de escândalo em Hollywood, no início da década. A imagem sensual da década é atribuída à atriz Ursula Andrews dentro de um poderoso biquíni, em cena do filme “007 contra o Satânico Dr. No” (1962). Em 1964, o designer norte-americano Rudi Gernreich dispensou a parte de cima do traje e fez surgir o topless, em uma ousadia ainda maior. No Brasil, essa moda não fez tanto sucesso quanto em algumas praias da Europa, mas, mesmo assim, o então prefeito de São Paulo, Prestes Maia, chegou a proibir o uso do topless em piscinas públicas. Um modelo muito usado nos anos 60 era o chamado “engana-mamãe”, que, de frente, parecia um maiô, com uma espécie de tira no meio ligando as duas partes, e, por trás, um perfeito biquíni.

anos 40
anos 40

Criado nos anos 40, com o nome biquíni, a peça só começou a se tornar popular a partir da década de 50. Nos Estados Unidos, por exemplo, só foi aceito por volta de 1965. A ideia era tão devastadora que, no início, apenas poucas mulheres tiveram a coragem de exibir-se usando o biquíni.

No Brasil, a primeira vez que uma mulher usa o biquíni é em 1948, quando a modelo alemã Miriam Etz veste o traje de banho no Rio de Janeiro. Filha de um professor da Faculdade de Belas Artes, ela saiu da Alemanha com os pais fugindo à perseguição aos judeus. Foram para a Holanda. De lá, mudou- se para Londres, onde conheceu o marido, artista plástico, como ela. Casaram-se por lá. Decidiram então vir ao Brasil, onde tinham alguns conhecidos. Estabeleceram-se no Rio e, em um belo dia, Miriam quis ir à praia. vestiu o maiô de duas peças que ela mesma havia confeccionado e foi para o Arpoador. Dá pra imaginar o alvoroço.

Surgiu no Brasil, na década de 70, o modelo que chamamos de cortininha, introduzido por Inez Mynssen, e outra versão ainda menor, uma tanga que a bela atriz Rose di Primo desfilou nas praias cariocas. Há registros de que até mulheres grávidas usaram o tal modelo, escandalizando a sociedade da época. Como diz o outro, eu não sou desse tempo. Muita gente vai lembrar que os anos 70 foram os do Pier de Ipanema. O modelo de biquíni que se via por ali tinha cintura baixa, bastante comum nos dias de hoje. Em geral, calcinha lisa e sutiã estampadão. A ousadia ficava mais por conta da quebra do padrão do conjuntinho. A tanga e o biquíni artesanal também aparecem nessa época como típica atitude carioca.

Nos anos 90, a moda praia se torna cult e passa a ocupar um

espaço ainda maior, mas a febre é outra. A moda aqui é cuidar da pele e diminuir a exposição ao sol. De volta a uma certa indumentária para frequentar a praia, um verdadeiro arsenal, entre roupas e acessórios que passam a fazer parte dos trajes de banho, como a saída de praia, as sacolas coloridas, os chinelos, os óculos, os chapéus, as cangas e as toalhas, mas

o biquíni não perde terreno. Os modelos se multiplicaram, e

a evolução tecnológica possibilitou o surgimento de tecidos

cada vez mais resistentes e apropriados ao banho de mar e de piscina. A parte de baixo, nessa década, era uma espécie de sunguinha ou “shortinho”.

anos 90
anos 90
era uma espécie de sunguinha ou “shortinho”. anos 90 anos 2000 Anos 2000 e o resto

anos 2000

Anos 2000 e o resto já se sabe. Diversos modelos modernos de biquíni e uma mescla das modas antigas, principalmente dos anos 70 e 90. O asa-delta praticamente desaparece. Novos modelos são criados, e a onda agora é apresentá-los em desfiles de moda.

Nos anos 50, mesmo com o biquíni proibido em vários países, atrizes e pin-ups como Ava Gardner, Ursula Andrews, Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Rachel Welch e Brigitte Bardot foram contra todos os preconceitos da época e aderiram ao biquíni, como instrumento de sedução em filmes e em fotos. Em 1956, Bardot imortalizou o traje no filme “E Deus Criou a Mulher”, ao usar um modelo xadrez vichy adornado com babadinhos. O estilo da década era duas peças, de tamanho grande e com as cavas da calça bem baixas.

de tamanho grande e com as cavas da calça bem baixas. No Brasil, o biquíni começou

No Brasil, o biquíni começou a ser usado no final dos anos 50. Primeiro, pelas vedetes, como Carmem Verônica e Norma Tamar, que juntavam multidões nas areias em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro e, mais tarde, pela maioria decidida a aderir à sensualidade do mais brasileiro dos trajes. A partir daí, a história do biquíni se confunde com a das praias cariocas, verdadeiras passarelas de lançamentos da moda praia nacional.

anos 50
anos 50
anos 70
anos 70
se confunde com a das praias cariocas, verdadeiras passarelas de lançamentos da moda praia nacional. anos
se confunde com a das praias cariocas, verdadeiras passarelas de lançamentos da moda praia nacional. anos

cabo frio - rio De Janeiro

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Se há um setor do vestuário em que o Brasil está na frente, sem dúvida,
Se
um
setor
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vestuário
em
que
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Brasil
está
na
frente, sem dúvida, é o de moda praia. Além de ser o
país que mais fabrica e consome esse tipo de roupa, o Brasil
avançou em tecnologia e modelagem ao longo dos anos. O biquíni
brasileiro é conhecido e reconhecido internacionalmente, seja por seu estilo
mais ousado, por sua qualidade ou mesmo pela criatividade dos modelos, que o
diferencia dos fabricados em outros países. Toda essa intimidade brasileira com a praia,
explicada pelo clima do País (em alguns Estados brasileiros, é verão durante a maior parte
do ano) e pela extensão do litoral que tem mais de sete mil quilômetros de praias, podem
explicar o motivo pelo qual o Brasil é o país lançador mundial de tendências desse segmento.
Mas, como fazer moda em dois pequenos pedaços de tecido? Esse é o desafio das marcas
que trabalham com a moda praia e desenham biquínis que se tornam desejo no Brasil e no
mundo. O duas-peças completou 68 anos em 2014 e não é mais o símbolo da libertação
feminina, mas de uma mulher confortável em sua própria pele, com a ajuda da tecnologia.
Com o passar dos tempos, as marcas decidiram entrar com um marketing pesado, quando investiram
nas top models para desfilarem as suas peças. As modelos internacionais, das quais destacam-se a
übermodel Gisele Bundchen, colocaram beleza e prestígio a serviço de um novo conceito, que
apresentava biquínis muito mais caros e elaborados. Assim, hoje, o Brasil está definitivamente
como líder mundial da beachwear. Amir Slama, criador da Rosa Chá, diz que “o mundo
olha para o Brasil quando pensa em moda praia. Sabemos criar biquínis chiques,
sem serem exagerados”. Já Renato Thomaz, diretor de marketing da marca
água
de
Coco,
atribui
essa
capacidade
de
vestir
bem
o
corpo
feminino à miscigenação. “Essa bagunça étnica deixou
a figura da brasileira muito interessante
para vestir”, diz.

praia

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A Rua dos Biquínis, em Cabo Frio, é a primeira a rua, em primeira mão
A
Rua dos Biquínis, em Cabo Frio, é a primeira
a rua, em
primeira mão
a única no mundo a concentrar lojas que
comercializam exclusivamente a moda praia.
e
São quase 100 metros de extensão, com vitrines
de ponta a ponta, para todos os gostos, idades,
tamanhos, bolsos, expectativas e estilos.
Adiante, uma visita pela rua, sua história
e alguns dos modelos de duas peças que
mudaram o mundo.
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rua Dos biquínis em cabo frio

Considerada o segundo ponto turístico mais visitado de Cabo Frio (ficando atrás apenas da Praia do Forte), a Rua dos Biquínis deixou de ser uma simples aglomeração comercial, tornando-se o maior empregador feminino de toda a região. De acordo com as pesquisas realizadas pelo município, 90% dos turistas que desembarcam de transatlânticos rumo ao Polo Moda Praia retornam com pelo menos uma sacola, o que aponta o segmento como uma das principais fontes de economia cabofriense. O mais impressionante é imaginar o início dessa história.

como uma das principais fontes de economia cabofriense. O mais impressionante é imaginar o início dessa
como uma das principais fontes de economia cabofriense. O mais impressionante é imaginar o início dessa
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a formação Do polo

Tudo começou em 1953, quando a costureira cabofriense Nilza Rodrigues Lisboa resolveu investir na confecção das peças criadas na França. Com roupas e biquínis emprestados pela atriz Tônia Carrero, frequentadora assídua do município, D. Nilza copiou os moldes e fez da artista sua primeira cliente. Com uma máquina de manivela, sob a luz do lampião, ela iniciava uma das principais atividades econômicas de Cabo Frio. Compartilhando o que aprendeu com outras mulheres, a empreendedora estimulou a criação de lojas voltadas para o setor e determinou o futuro de centenas de micro e pequenos empresários, que cunharam ali suas histórias de vida.

Com a ajuda da família, a produção de D. Nilza foi crescendo, contando, pouco tempo depois, com 32 costureiras e 22 máquinas. Além de autodidata, ela foi professora e incentivadora de muitas das costureiras, ajudando, inclusive, várias delas na abertura de seus próprios negócios.

É nesse contexto que a Rua dos Biquínis (Rua José Rodrigues Póvoas), única passagem para Búzios e diversas praias de Cabo Frio, foi crescendo e ficando famosa.

No entanto, a história da Rua dos Biquínis vai além da ação pioneira de D. Nilza. Em meados dos anos 80, alguns microempresários já haviam se instalado no local em lojas adaptadas: salas e quartos das famílias de pescadores que lhes alugavam para a abertura de estabelecimentos comerciais. Como a oferta de espaços com potencialidade de virar loja se extinguiu, os moradores locais, fomentados pelas “luvas” cobradas no ato da assinatura do contrato de locação, começaram a construir pequenas lojas que rapidamente ocuparam a quase totalidade do primeiro quarteirão da Rua José Rodrigues Póvoas. Como consequência, observou-se, durante o período, grande valorização imobiliária das residências daquele quarteirão e aumento do nível financeiro daquelas famílias. Esses microempresários introduziram na cidade novos maquinários, novas técnicas de produção, tecidos, modelos e padronagens que acompanhavam as tendências da moda, resultando no aumento da oferta de empregos, tanto de balconistas como, principalmente, de costureiras. Assim, estimularam as mulheres que sabiam o básico da técnica de costura a se capacitar a fim de desenvolver uma melhor produção e produtividade para serem absorvidas nestas novas confecções ou terceirizando suas atividades em suas residências.

A partir de então, novos empresários, não só de Cabo Frio mas também

do Rio de Janeiro, Petrópolis, São Paulo e Minas Gerais, instalaram-se na rua. Estes novos empreendedores, sobretudo os de Petrópolis, ampliaram a produção local além dos biquínis, introduzindo outros artigos da moda praia, como vestidos, “shortinhos”, camisetas femininas e camisas de malha, com estampas náuticas e da fauna marinha, levando o nome de Cabo Frio. Dessa forma, a Rua dos Biquínis deixou de ser apenas especializada na produção deste item, apesar de que ele ainda representa a imensa maioria das confecções comercializadas. Até este período, a Rua dos Biquínis ainda era carente de uma infraestrutura básica: iluminação pública, coleta de lixo, segurança, organização do trânsito, melhoria da rede elétrica, entre outros, o que dificultava a prosperidade do comércio local. Várias dessas atividades eram exercidas pelos próprios empresários, especialmente na alta temporada.A partir da segunda metade dos anos 90, a Rua dos Biquínis passa a receber maior atenção por parte do Poder Público, com a introdução dos serviços de coleta de lixo, segurança, iluminação, entre outros. Com a intensa urbanização ocorrida em Cabo Frio, a Rua dos Biquínis recebeu um volumoso investimento estrutural, com a reforma total da antiga Rua José Rodrigues Póvoas.

Atualmente, a Rua dos Biquínis se esforça na busca de um novo desafio:

a exportação. Tal empreitada já conta com um consórcio exportador,

formado por oito empresas que exportam, principalmente, para a Europa, tendo como parceiros a Prefeitura de Cabo Frio, o Sebrae e a Firjan. Um dos principais objetivos do consórcio é a busca de novos mercados para diminuir o problema da sazonalidade da produção e a rotatividade da mão de obra.

Nesse contexto, a Rua dos Biquínis, além de ser o principal ponto comercial da região voltado ao turismo, é também um destacado polo de confecção moda praia no País,como potencial gerador de empregos diretos e indiretos, além dos já gerados, principalmente no verão, na região.

É nesta perspectiva que uma melhor compreensão do impacto e especificidade desta atividade local se torna tão relevante. Tanto os empresários quanto as costureiras já veem seus filhos (segunda geração) assumindo essa atividade como profissão, o que só vem a reforçar o caráter de uma atividade com especificidades locais, uma característica cultural da região, que ainda conta com o primeiro Museu do Surfe do País, reforçando esta característica cultural.

Nesse sentido, a Associação Comercial da Rua dos Biquínis, em Cabo Frio, a ACIRB, tem desempenhado importante papel aglutinador dos lojistas, a fim de fortalecer e fazer prosperar as ações do polo.

Texto de referência:

Artigo “O Polo de Moda Praia” de José Casiolato e Flávio Peixoto.

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a rua e seus comerciantes

Como dito antes, na década de 50, a Rua José

Rodrigues Póvoas era o único caminho que ligava Cabo Frio a Búzios, fato que contribuiu para que a região prosperasse rapidamente. Com o sucesso – e a mudança de nome para Rua dos Biquínis

–, empresários do Rio de Janeiro, São Paulo e

Minas Gerais migraram para a região. O turismo caminhava a passos largos, impulsionado pelas novidades em biquínis, maiôs, cangas, sungas, chapéus, entre outros artigos. Com o início

das exportações para os continentes europeu

e asiático, veio o reconhecimento do Guiness

Book, que coloca a rua como o maior shopping de moda praia a céu aberto do Brasil.

veio o reconhecimento do Guiness Book, que coloca a rua como o maior shopping de moda
veio o reconhecimento do Guiness Book, que coloca a rua como o maior shopping de moda
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D. nilza, a precursora

D. nilza, a precursora D. nilza não se intimidou, passou a madrugada, à luz de lampião,
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D. nilza não se intimidou, passou a madrugada, à luz de lampião, desmontando o biquíni da estrela para tirar o molde e remontá-lo, sem que tônia percebesse.

à luz de lampião, desmontando o biquíni da estrela para tirar o molde e remontá-lo, sem
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não soube administrar. nunca trabalhei por dinheiro. não gosto de ficar sem, mas gosto

mesmo é da peça pronta.

não gosto de ficar sem, mas gosto mesmo é da peça pronta. Quase no fim do

Quase no fim do processo de edição deste livro, morre D. Nilza. Ela, que foi um exemplo da arte de empreender e a principal homenageada nesta publicação, deixa a todos, além da lição de vida e labuta, coragem para seguir adiante, acreditando que, por meio do seu legado, edificou-se um polo capaz de transformar a economia e os hábitos culturais da cidade de Cabo Frio, em um testemunho de desenvolvimento econômico e de sucesso empresarial. Sua última entrevista, que segue, abaixo, revela a grande locomotiva da moda praia no Rio de Janeiro e sua história que ultrapassa espaço e tempo.

de Janeiro e sua história que ultrapassa espaço e tempo. Ela nasceu e se criou na

Ela nasceu e se criou na Gamboa, e tudo começou quando tinha apenas 15 anos. Era 1951. D. Nilza já estava casada e grávida da primeira filha. Havia comprado uma máquina de costura, à manivela, para fazer o enxoval do bebê. O marido foi recrutado para o exército, e ela se deu conta de que tinha de trabalhar. Uma comadre havia sido contratada como caseira em um condomínio de luxo, no bairro da Ogiva, ali perto, onde veraneavam turistas famosos. Um dia, a comadre veio lhe perguntar se ela era capaz de fazer umas roupas para a atriz Tônia Carrero, que procurava uma boa costureira. Mesmo sem saber costurar, Nilza

aceitou o desafio e recebeu a atriz na casa humilde. Tônia, mulher de beleza esfuziante e muito simpática, foi levando algumas peças que serviram como modelo, entre elas um biquíni samba-canção. Ora, naquela altura, o biquíni ainda não tinha completado sete anos do seu lançamento em Paris.

Nilza não se intimidou, passou a madrugada, à luz de lampião, desmontando o biquíni da estrela para tirar o molde e remontá-lo, sem que Tônia percebesse. Depois, na máquina de manivela, começou a fabricar as peças que faziam enorme sucesso. “Tônia vivia lá. Tudo o que eu fazia dava certo”, contou-nos, orgulhosa.

D. Nilza morou 45 anos na mesma casa na Gamboa. “Tudo isso aqui era um brejo. Não tinha luz, não tinha nada”, relembra sem qualquer pesar.

Nas palavras do mestre Chico Buarque: “dá uma inveja dessa gente, que segue em frente sem nem ter com o que contar”.

Os artistas e os clientes foram fazendo ponto na sua porta. Ela não tinha nem fita métrica para trabalhar. Media com um papel os tecidos. A cada cópia da roupa original, colecionava os moldes. Com saudades do marido, foi visitá-lo no exército e de lá fugiram juntos. Podem imaginar? Ficaram um tempo “se namorando” e, logo depois, ele se reintegrou à corporação. A labuta continuava. Não existia ainda a lycra, de modo que os biquínis de Nilza eram de chitão,com aplicação de flores. Depois vieram os de tecido jeans, com bordado inglês. E, mais tarde, os de tecido indiano, das colchas que chegavam a Cabo Frio de navio e que D. Nilza comprava praticamente na fonte. Passaram os anos, e ela já estava

com máquinas industriais.A clientela sempre crescendo,

a ponto de D. Nilza contar, às gargalhadas, que havia

vezes em que ela pulava pela janela no canal para se esconder dos compradores. Afinal, não dava tempo de dar conta da produção, quase industrial. Decidiu montar

a primeira loja da rua. “Logo vieram D. Glória, Dr. Alfredo

e Francisca Ribas”, afirmou sem qualquer dificuldade de acessar a memória. Diversos empreendedores foram alugando as casas da rua, e ela, sempre generosa, os ajudava com os moldes, na pilotagem e na confecção. O marido já estava de volta e começou a ajudá-la. Assim, cresceu a Gamboa. No começo, um número infinito de argentinos se esbarrava para comprar por ali, e D. Nilza começou a exportar. Ela ficou famosa, contratou funcionários. Ganhou muito dinheiro, mas debocha de si mesma: “Não soube administrar. Nunca trabalhei por dinheiro. Não gosto de ficar sem, mas gosto mesmo é

da peça pronta”. D. Nilza Lisboa tem seis filhos, 11 netos

e 6 bisnetos. Todos criados com o que conseguiu apurar na confecção de biquínis. Comprou até um barco de

pesca para o marido, brinca. As filhas e os genros deram continuidade ao negócio. Mesmo formados, optaram por continuar o legado da precursora do Polo de Moda Praia.

Do antigo samba-canção ao fio-dental, D. Nilza já fez todos os tipos que se pode imaginar de biquínis.As filhas têm lojas independentes, mas ela insiste em trabalhar na confecção. Debaixo do poster do time do fluminense, ela ataca na moderníssima máquina e solta peças exclusivas. Quando percebe que estão fotografando as vitrines para copiar seus modelos, convida o colega para um café e entrega o molde, como fazia no passado. Ela não acredita que a concorrência seja negativa e diz com ternura: “Deus dá pra todos”. Ela vê a rua evoluindo a cada dia e depõe gratificada: “As lojas agora valem ouro. Além disso, há muita gente criativa e muita revista pra se copiar”.

D. Nilza Querida Rodrigues Lisboa é Gente Humilde, mas com uma alegria que não tem onde encostar.

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>> c i D a D ã o português, marchanD, salva-viDas e empresário

“um Dia a areia branca teus pÉs irão tocar, e vai molhar seus cabelos a água ”

azul Do mar

“Um dia a areia branca teus pés irão tocar, e vai molhar

seus cabelos a água azul do mar

Ele não tem cabelos encaracolados, mas, desde que tocou os pés, há oito anos, na areia branca e na água azul do mar de Cabo Frio, Armando Braga, um próspero imigrante português, entendeu o que a vida por aqui lhe reservava.

Armando chegou à Região dos Lagos quase que por acidente. veio visitar um primo e logo se animou para, em sociedade com ele, montar uma loja de biquínis. Armando já encontrou a rua fechada, com o shopping montado. Nos primeiros cinco anos de negócios, ele vinha três ou quatro vezes por mês ao balneário. O volume de vendas foi aumentando, ele desfez a sociedade, comprou um apartamento e decidiu acompanhar de perto o empreendimento. Hoje, ele é proprietário de oito lojas na Região dos Lagos, cinco na Rua dos Biquínis, duas em Búzios e uma no Centro de

Cabo Frio. Olhando com cuidado as peças expostas à venda, nota-se que as estampas eram diferentes de tudo

visto pela rua. Quando questionado sobre sua história e

a relação com a Rua dos Biquínis, o Sr. Armando, relatou

que, antes de ser comerciante de moda praia, durante 25 anos, dividiu sua vida profissional entre os ofícios de marchand de obras de arte e o de salva-vidas no norte de Portugal. “Para mim, as estampas no biquíni são obras de arte”, respondeu o homem elegante, com sotaque colonizador.

Hoje, com a globalização, Armando reconhece que as coisas andam com mais facilidade, ainda que obriguem

o empresário a correr e a estar atento às tendências e à rápida evolução da moda.

AB, que significa Areia Branca, ou até Armando Braga, é uma marca que já “tem sua história pra contar” de um mundo nem tão distante assim.

acqua azzurra olga Donizetti De freitas >> gostaria D e ser turista primeiro veio o
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>> gostaria D e ser turista

primeiro veio o DeseJo De morar na praia

Essa mineira de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, como não podia deixar de ser, sempre desejou viver perto do mar. Olga de Freitas estudou Comunicação e formou- se em Publicidade e Propaganda. Em 1994, passeando pela Rua dos Biquínis, que ainda era aberta ao trânsito de automóveis, ela percebeu que ali estava um bom mercado para investir. Juntou a fome com a vontade de comer e mudou-se para Cabo Frio. Ela cria, modela e corta. As três costureiras, contratadas por ela, ficam com a costura. Sobre a produção, ela costuma se antecipar.

Enquanto, em pleno verão, todos só se ocupam das vendas, ela já está produzindo a nova coleção, que coloca à venda para aproveitar o fluxo dos turistas. D. Olga explica a evolução do Polo de Moda Praia pelo envolvimento coletivo dos empresários que, segundo ela, “agora participam das palestras e das feiras”. Questionada sobre o desejo de participar daquele cenário de alguma outra forma, ela com graça, diz: “Sim, gostaria de ser turista para poder comprar”.

acqua brasil marcelo chuairi, >> o mais antigo Da segunDa geração a moDa praia veio
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a moDa praia veio para Diminuir a carência De empregos no setor feminino

Os primeiros tijolos dessa grande indústria de moda praia, estabelecida em Cabo Frio, começaram a ser dispostos por D. Nilza e pela primeira geração, que

ali fincou a pedra fundamental. A profissionalização, no entanto, só chegou mesmo na década de 90. Àquela altura, o segmento que surgia como gerador de empregos em Cabo Frio era a construção civil,

e a moda praia veio para diminuir a carência de

empregos no setor feminino, com uma oferta de mão de obra competitiva. Marcelo Chuairi é o mais antigo empreendedor da segunda geração. Os biquínis vieram como alternativa de vida para um segmento que, segundo ele, já estava abandonado pela cidade.

O início foi muito difícil, relata, pois não tinham ainda

condições de trabalho, e o apoio do setor público era praticamente nenhum.

Mesmo estando no centro da cidade, Marcelo conta que foram tratados como periferia e que tiveram de fazer

o papel do estado durante décadas, sendo os próprios lojistas responsáveis pela limpeza, segurança e a organização do trânsito.

A Acqua Brasil é possivelmente a maior loja da Rua dos

Biquínis, com duas frentes, uma também virada para o canal. O piso de pedras portuguesas, com o desenho de ondas, faz lembrar o calçadão de Copacabana. O imenso estoque, organizado nas prateleiras e araras, indica que vem aí mais um verão repleto de vendas e de sucesso.

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Esse trecho da canção foi exatamente como respondeu Milena Quintanilha, quando perguntada sobre o início de suas atividades na Rua dos Biquínis. Ela não planejou nada. Havia uma pessoa na família que tinha ali uma loja de artesanato, mas, por mais que ela se interessasse por artesanato, dava para perceber que aquele não era o lugar para isso.

Milena nasceu em Cabo Frio, mas nunca pensou em trabalhar com moda. Ela é professora por formação. Fez faculdade de Letras e sempre tentou uma vaga na rede municipal. Como o emprego nunca chegava, resolveu montar uma loja. Sem dinheiro algum, conseguiu um espaço que havia passado por um incêndio. “A loja era bem feia”, confidenciou a empresária. Pensou então em como dar um jeito para melhorar. Teve medo, mas resolveu vender um terreno e fez a obra. Os móveis que estavam no quintal mais pareciam pedaços de carvão. O tio restaurador a ajudou. O nome da loja é

uma inspiração para lá de religiosa. Almah é o nome que os judeus davam à escolhida para ser a mãe do Messias. Com um pezinho no artesanato e outro na moda praia, começou a comprar de 15 em 15 peças para vender. Quando acabava, comprava mais. E assim, foi devagarzinho, montando o seu estoque. Lá pelos dois anos de comércio, veio a surpresa – a vaga tão desejada para professora no município. Milena não titubeou, aceitou de bom grado e hoje trabalha em jornada dupla. Ela se divide entre a loja e os alunos. Na Almah, ela pensa em todos os detalhes. Faz questão de atender cada um dos seus clientes. Com quatro anos de atividade na Rua dos Biquínis, Milena confessa ser essa a sua verdadeira vocação. Completamente integrada aos demais comerciantes da Gamboa, em sua maioria com muito mais tempo de mercado, ela participa de todas as reuniões dos lojistas do polo e acredita em um claro futuro.

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Em 1990, a cabofriense Mere da Conceição montou uma confecção de saídas de praia. Quem vê a elegante proprietária da Art Bonita não imagina, no entanto, que ela passou por maus pedaços. “Cheguei a quebrar”, relembra com lágrimas nos olhos. Buscando forças espirituais, ela decidiu aprender a pintar à mão as saídas de praia que confeccionava. Mere nunca frequentou uma escola de corte e costura, muito menos de modelagem, mas tinha a seu serviço o melhor consultor de que já se ouviu falar – Deus. Decidiu então vender por atacado para os lojistas da Rua. Seu melhor cliente era o Jorginho, da Q.Onda. Ela fala, com carinho, do amigo que comprava quase toda sua produção. Chegou a vender para Pitanga e para outros colegas do polo. Depois de três anos, já recuperada, resolveu vender

direto ao público. No primeiro verão, conseguiu abrir uma lojinha pequena em uma galeria e, aos poucos, foi se capitalizando, até que surgiu a oportunidade de pegar um ponto bom, bem localizado na rua. Ainda era uma loja pequenina. Fique claro que Mere nunca comprou nenhuma mercadoria pronta para vender. Sempre criou, modelou e fabricou tudo que colocava nas vitrines. Quando as pinturas à mão já não impressionavam os clientes, a artista partiu para a criação. Tudo ia bem quando Mere decidiu abrir uma outra loja, no começo da rua e, nesta, colocou à venda alguns biquínis, além das saídas de praia. Biquíni não é mesmo a sua praia. Quando o contrato da loja nova estava para vencer, veio a oportunidade de alugar uma loja ao lado da que já tinha. Foi o momento de ampliar. Mere está na rua há

dez anos. Hoje a loja é bem moderna, bonita, chamativa. Ao contrário de muitos lojistas que modernizaram seus estabelecimentos com a ajuda de arquitetos, Mere fez tudo sozinha, afinal, bom gosto não lhe falta. Ela já não depende mais do dinheiro da loja, mas só de pensar em se desfazer do que para ela foi uma conquista de vida, seu coração entristece e, mais uma vez, vêm as discretas lágrimas. Ela se incomodava em mostrar a emoção ao longo da entrevista e acrescentou definitiva: “Tudo isso parece ser apenas uma entrevista, mas essa é a minha história. Foi muita luta”. A perseverança, dedicação e comprometimento, hoje, esvaziam as araras da loja, de tantas vendas.

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cor De Jambo

carlos otavio ferreira alves

>> aDolescente em cabo frio

Carlos Otávio Alves é casado com a Rafaele, que nasceu ali mesmo, em Cabo Frio. Eles se conheceram quando o rapaz tinha uns 17 anos. Os pais de Carlos possuíam uma casa de veraneio, e ele frequenta a cidade desde menino. Estão juntos há 15 anos. Ele não lembra exatamente como a Rua dos Biquínis começou, mas nos conta que comprava sungas em uma loja que tinha uma carinha sorrindo, como marca. Já a Rafaele comprava no famoso Tony, da Pro Risca. A vida andou e, mesmo namorando, os caminhos profissionais de cada um tomaram um rumo diferente. Carlos Otávio foi trabalhar com comércio internacional na área de petróleo, e Rafaele tornou-se pedagoga. Quando se conversa com jovens, parece que as coisas andam mais depressa, não é mesmo? A loucura de viver no Rio de Janeiro sempre os impelia a pensar em voltar a curtir o cenário da adolescência. Como já haviam

consolidado uma bela trajetória em suas carreiras, vinha o medo de encarar um novo desafio. Mas, o bravo casal resolveu arriscar de forma calculada. Puseram o pezinho no que se transformaria o empreendimento de suas vidas. Em dezembro de 2007, resolveram montar uma loja tímida, não exatamente na Rua dos Biquínis, mas pelas imediações. A vida era uma loucura. Carlos e Rafaele mantinham seus empregos e sua residência no Rio e se desdobravam para tocar o novo negócio. Com alguma experiência, Carlos sabia que, para o negócio pegar, levaria uns três anos. Em 2010, nasceu o primeiro filho do casal e aí não houve dúvida. Decidiram abandonar as carreiras e apostar todas as fichas na moda praia. No início, receberam ajuda de outros lojistas, como a Katia, da Areal. Conseguiram uma loja na rua e, em 2012, migraram para um ponto ainda melhor. A primeira ideia foi trabalhar

com acessórios e nunca produzir. Pois sim! Depois do primeiro ano, viram que, se quisessem ficar por ali, teriam de encarar a produção, ainda que de forma terceirizada. A Rafaele, a esta altura, já cortava e modelava, mas eles levavam as peças para as facções fecharem. Neste ano, eles financiaram o maquinário e começaram a produzir todo o processo. Agora que tem uma fábrica própria, a Cor de Jambo desponta com um próspero planejamento, que pretende, inclusive, atingir outros canais de venda, como a Internet. “Sonhar, a gente sonha”, diverte-se Carlos, “mas temos, a nosso favor, o fato de que estamos num dos pontos turísticos mais visitados de Cabo Frio e de que a reunião dos lojistas, nessa associação, pode e deve trazer êxito e crescimento para os nossos negócios”. Quem duvidar que saia ao sol de Cabo Frio para ver se pega a Cor de Jambo.

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>> h omem não entra!

Ana Maria Guedes da Fonseca é publicitária e carioca. Descendente de portugueses comerciantes, Ana mudou-se com os pais para Cabo Frio para fugir da violência da cidade grande e buscar melhor qualidade de vida. Logo surgiu a oportunidade de uma loja na Rua dos Biquínis.

Quando chegaram, 20 anos atrás, a rua ainda era aberta ao trânsito de veículos. Não havia as grandes lojas, mas observaram que o movimento era bom, apesar da falta de variedade. Só se vendiam biquínis artesanais. Ninguém havia pensado nos complementos para a moda praia.

Foi quando Ana Maria e sua mãe começaram a desenvolver chapéus infantis. Ela cortava e a mãe fechava. A loja era na rua lateral, meio escondida, mas, como só elas vendiam os acessórios, foi um sucesso. Com o passar do tempo, perceberam a carência de chapéus de adulto. Na época, a moda era o chapéu de cowboy masculino. As mulheres compravam e os homens também. Acharam que cowboy

era um bom nome para a marca, mas Cabo Frio não era exatamente o velho oeste americano. Então, a marca Cowboy de Areia estava lançada e precisava buscar um

ponto melhor na rua. O mercado, por sua vez, foi pedindo bolsas que acompanhassem os chapéus. Os chapéus de tecido já não eram suficientes. Começaram a comprar

e a revender chapéus de palha, bolsas de praia e outros acessórios.

Ananãoselembradenenhumgrandeobstáculonatrajetória

do negócio, mesmo tendo de enfrentar a sazonalidade, a não ser um surto de meningite que assolou Cabo Frio em pleno mês de dezembro, provocando o cancelamento de reservas em hotéis e uma expressiva recessão nas vendas.

A

loja passou por uma grande reforma, três anos atrás,

e

é hoje considerada uma das mais bonitas da Rua. O

negócio já está na terceira geração da família. A mãe de Ana ainda customiza bolsas e chapéus, e a filha Juliana fica

antenada nos últimos lançamentos e tendências da moda de vanguarda.

A mistura é boa e as três seguem vencendo os duelos do

mercado. Já estão na terceira loja e, agora, estão fazendo

saídas de praia e comercializando óculos de sol, bijuterias

e calçados rasteirinhos para praia. “Hoje tem até salto

Anabela”, comemora Ana Maria, como quem sobe no salto.

A aposta no nicho complementar da moda praia, para

além do biquíni, segundo ela, é o segredo do sucesso. Ana termina dizendo que o momento para os comerciantes da rua é muito bom, sobretudo pela união e parceria com os outros lojistas e com o Sebrae/RJ. Para um futuro breve,

elas pensam em montar uma confecção para exportar.

Como não há nenhum artigo de moda masculina por ali, pergunta-se que “Homem não entra?” Ela é direta:

“Homem compra sunga e acabou”.

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Dona Do sol

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>> o calote que virou estoque

Mineira de Carangola, D. Ilma chegou a Cabo Frio 30 anos atrás. Com o pai doente, seu irmão achou por bem que a família se mudasse para a cidade balneária, onde ele era motorista de uma empresa distribuidora de carnes. Ela começou produzindo camisas com um sócio. A parceria durou pouco. Comprou uma casa na Gamboa por um preço irrisório e, em 1987, começou a confeccionar e vender camisas e biquínis, mas D. Ilma confessa: “Meu biquíni não era bom”. Dois anos depois, resolveu parar com tudo. vendeu o patrimônio e afastou-se por 15 anos do sol da moda praia. Foi quando, em 2004, uma amiga convidou-a para, juntas, abrirem uma outra loja. Ela gostava do negócio, mas não estava exatamente animada. Topou a empreitada em agosto daquele ano. Começaram a trabalhar. Dez dias antes da inauguração, porém, ela foi à casa da amiga para comunicar seu afastamento da sociedade. Estava decidida. Não houve tempo. O destino da Dona do Sol estava pespontado! Antes que ela dissesse qualquer coisa à sócia, a moça se antecipou: “Ilma, tô fora da sociedade. Esse negócio é seu. Não tenho nenhum

interesse. Decidi abrir essa loja com você apenas para te estimular”. Surpresa, D. Ilma entendeu que estava sozinha e que devia seguir.

Em janeiro de 2005, abriu a loja e trabalhou os três meses de verão. No fim da temporada, ela decidiu fechar as portas e foi para o Cetiqt fazer um curso de capacitação. voltou do curso e procurou o Sebrae/RJ. Ali foi informada de uma feira de moda praia que aconteceria uma semana depois. Sentou-se à frente da máquina e começou a produzir, sem parar. Mas, nem tudo foi como ela gostaria. Na feira, recebeu, simultaneamente, uma encomenda de São Paulo para produzir e entregar 60 maiôs; do Nordeste, veio uma encomenda de sungas; e do Sul, um lote de 1.500 biquínis. D. Ilma que já havia entregado a mercadoria do Sul e não tinha recebido, intuiu que tratava-se de uma quadrilha. Acertou em cheio. Tomou um ônibus e foi para Curitiba, atrás do prejuízo. De lá, ainda percorreu um trajeto de oito horas até chegar a Araranguá. Estava sozinha e foi recebida pela estelionatária e dois cães pit bulls que a expulsaram

do lugar. Chamou a polícia e nada se resolveu. Ficou sabendo, na cidade, que era melhor desistir, pois ela não iria receber. As outras encomendas para a quadrilha estavam prontas e só lhe restava vender. Reabriu a loja com seu superestoque, e foi um lindo verão.

D. Ilma tem muita esperança no polo que se formou na Rua dos Biquínis. Ela cobra e espera do Governo uma política pública eficiente de fomento ao turismo para que se possa trabalhar com mais regularidade o ano todo. Mantém o negócio pequeno, quase familiar. O marido, administrador de empresas, a ajuda nas contas, impecáveis, por sinal. Um estilista contratado cuida dos desenhos exclusivos, e ela faz o resto todo:

molda, pilota, corta, compra e vende. A filha é sócia e a ajuda no verão. Três décadas depois do primeiro trago, ela faz o balanço: “O negócio é bom. Depois que você entra é difícil de sair”. O coração ensolarado de D. Ilma está ali. À sombra de qualquer nuvem mais densa, ela corre para a máquina e tudo se resolve. Afinal, D. Ilma é a Dona do Sol.

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>> o importante É ter foco

Ielra Hellen Nunes viter prefere cuidar melhor de um só. Ielra cita Steve Jobs para resumir seu sucesso: “O importante é ter foco”.

Nascida em Cabo Frio, ela se orgulha da cidade de onde jamais quis sair e se gaba: “Sou made in Cabo Frio, assim como os meus biquínis”. Ela não saiu, mas sua produção hoje já pode ser vista nas vitrines de Rio de Janeiro, Havaí, Grécia e Califórnia.

Parachegaraesseponto,Ielraestudouetrabalhoumuito. Tudo começou 20 anos atrás. Seu primeiro emprego foi ali mesmo, na rua, como vendedora. A mãe fazia roupas de festas, vestidos de noiva para alta sociedade de Cabo Frio e a irmã trabalhava na Caixa Econômica. veio a ideia de montarem um negócio familiar. Ielra tinha apenas 19 anos. Cada uma colocou 300 dolares e nascia a Enseada, em um espaço pouco menor do que dez

metros quadrados. “Naquela época, as lojas eram bem simples”, relata. “Não havia lay-out. O que vendia era a cor da temporada. Não havia planejamento.Os conceitos de moda, tendência e comportamento começaram a ser usados, aos pouquinhos, pelos empresários. Hoje, você vê que as lojas cresceram, foram pro Rio, começaram a exportar.”

Ielra é formada em Letras e Administração de Empresas. Tem ainda MBA em Marketing, com ênfase em vendas. A jovem, que decidiu trabalhar na Rua dos Biquínis porque gostava de lidar com o público, quando está de férias, tem sempre um bom astral, agora é uma empresaria bem-sucedida, com mais de 72.000 fãs na página da loja virtual da Enseada. Ela já não cuida do atendimento, mas é a gestora de todo o empreendimento. Estuda, pesquisa e analisa o comportamento do público

consumidor. Está atenta ao que acontece na política e na economia e arrisca dizer que, com a velocidade das coisas e o acesso às novas tendências, muitas vezes, o cliente sabe mais o que está na moda do que eles que respiram a produção no dia a dia. Sua mãe continua no desenvolvimento dos produtos da moda praia. Para o mercado exterior, tudo fica mais fácil. Ielra diz que o biquíni do Brasil é como o relógio da Suíça, a peça de desejo, basta aumentar um pouquinho a modelagem e, voilá! A pergunta que fica é: E a vida pessoal?” Ela diz que demorou a se casar, não teve filhos, adora o que faz e que sempre foi muito livre, muito feliz. Já teve lojas no Rio e em Cabo Frio, mas preferiu focar em apenas quatro lojas por ali mesmo. Resultado, a venda aumentou, e ela mantém sua qualidade de vida pessoal.

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JangaDa

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“minha JangaDa vai sair pro mar. vou trabalhar”

E assim foram Alessandra, sua mãe e suas duas irmãs Danielle e Marcelle. Alessandra nasceu no Rio, mas partiu com a família para Cabo Frio, acompanhando o pai em um trabalho.

Instaladas, logo veio a ideia de trabalhar com moda praia para ajudar uma amiga que já era do ramo. Depois abriram o próprio negócio. O empreendimento, que até hoje permanece na família Campelo Tavares, começou tímido. Elas compravam a mercadoria em Petrópolis para revender na Rua dos Biquínis. Depois, passaram para o sistema de facção e, hoje, têm uma fábrica com

40 funcionários e quatro lojas: três em Cabo Frio e uma

no Centro do Rio.

A família está no negócio há 19 anos. Quando

chegaram, encontraram uma rua aberta, ainda com

tráfego de automóveis e lojas bastante simples. Tudo muito caseiro. Para se ter uma ideia, a mesa de corte das Tavares era a mesa da sala de jantar da casa, com 12 lugares. As tarefas eram realizadas por elas mesmas, com a ajuda de uma ou outra costureira. Com o tempo e o sucesso nos negócios, foram trazendo profissionais de fora. Alessandra assume que hoje já não trabalha no contato direto com o público e que fica mais na fábrica, mesmo que adorasse fazer o atendimento. Ela cuida dos representantes comerciais que multiplicam a venda da Jangada. Lojista da associação, ela comemora o sucesso ao lado dos companheiros.

Os versos de Dorival Caymmi embalam essa jangada:

“A Deus do céu vamos agradecer”.

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Jasmim

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D. Maria Rita, da Jasmin, pelo que parece, é a guardiã da caixa das lembranças da Rua dos Biquínis.

Para ela, tudo começou 35 anos atrás, na rua, que,

segundo ela, era apenas um caminho estreito que levava

à Ogiva e ao Peró. As casas eram quase encostadas

no morro. Não havia ainda o aterro. Ao chegar à rua, encontrou a precursora D. Nilza, que fazia biquínis em

casa. Logo conheceu também a Glória, a Walda, a Gilda

e o Manuel, da Tentativa, esses últimos não persistiram no comércio. Em seguida, vieram o Marcelo, da Cores

do Mar; o Jorge, da Q. Bumbum; a Cláudia, da Pitanga;

a Ana, da PH; a D. Irene, da Splash e estava formada a

turma do biquíni. “Naquele tempo, a formalização dos negócios era bem difícil”, relata.

D. Maria Rita era professora primária e, como os filhos eram muito novos, optou por levar seu negócio para o Centro, ocupando um pedaço do terreno, onde nasceu e morou. Para construir sua loja, foi obrigada a retirar um pé de jasmim, plantado pela avó, com o qual conviveu

a família, por mais de 30 de anos. Desolada, resolveu

homenagear a avó colocando o nome de sua loja de Jasmim. Era hora de se legalizar. D. Maria Rita ficou estabelecida no Centro de Cabo Frio por 26 anos. Nesse tempo, buscou especialização no Sesi e no Senai Depois

de formar os filhos – a mais velha é médica e o caçula graduado em Educação Física – há nove anos, retornou

à Rua dos Biquínis. Ela conta, inclusive, que seu pai

nasceu ali, na vila de pescadores do Sr. José Rodrigues Póvoas. E tem mais história. Advinhem quem ensinou D. Irene, da Splash, a cortar o seu primeiro biquíni? Quem incentivou a D. Janete, da Moda Grande? Ou quem produziu as primeiras 500 peças vendidas pela Cláudia, da Pitanga? Ou ainda, quem levou a Ana, da PH, pela mão, para participar da primeira feira? Pois é, não é à toa que D. Maria Rita tem o maior respeito e carinho dos seus colegas lojistas do polo.

Ela já foi presidente da associação comercial e esteve no gabinete dos políticos mais importantes do País.

Reconhece que outros polos, que vieram depois do de moda praia, como o de moda íntima de Friburgo e o de Petrópolis, auferiram melhores resultados em menos tempo. Ela afirma, cartesiana: “O polo só não andou mais rápido porque os 180 lojistas ainda não estão verdadeiramente unidos”. Em uma conta rápida, ela avalia que cada um tem em média 15 empregados, o que monta mais de 2.500 postos de trabalho e renda. “Há gente que tem até 40 empregados”, resume ela.

Hoje a Jasmim já não é administrada por D. Maria Rita. A empresa passou para as mãos de Oswaldo, seu filho. Rita se diz aposentada, mas não larga as máquinas e ainda faz todas as pilotagens.

No protetor de tela do computador, em cima do balcão da loja, vê-se a imagem do lindo pé de jasmim, plantado por D. Belmira.

A exemplo da frondosa árvore, os negócios germinaram cheios de viço e florescem, ainda mais, no verão.

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mais um casamento alinhavaDo pela história Do biquíni

Carla e vidal chegaram a Cabo Frio em 1998. Ela tinha parentes com lojas na cidade e passou por ali toda a adolescência. Trabalhava na Nestlé, e o futuro marido, no Makro. Um dia, ele foi demitido. Resolveram, então, abrir uma loja de biquínis na Gamboa. A rua ainda não era fechada, e Carla relembra os tempos divertidos, quando um vendedor de cocos fazia ponto na frente de sua loja

e acabava atraindo mais clientes. O tempo passou, e o

casal resolveu incorporar a moda fitness aos produtos que vendiam. Foram, por sinal, os primeiros a fazê-lo na Rua. O sucesso foi tanto que passaram a trabalhar só com as roupas de ginástica. Carla fica meio brava quando constata que hoje vários concorrentes exploram

o mesmo segmento. Mas, é como dividir o aparelho da academia com os colegas de treino.

Ao longo dos 13 anos de comércio em Cabo Frio, eles ampliaram a Kaya’s. A loja tem confecção própria. Carla dá palpites na produção, mas quem faz a modelagem é o marido. vidal aprendeu olhando a mãe, uma daquelas costureiras tradicionais, e confessa que nunca fez curso. Já a Carla controla as vendas. Vidal sempre gostou de desenhar e tinha trabalhado no Makro como comprador de moda. Ele afirma que isso o ajudou no empreendimento da moda praia. Mas, será que antes de começarem, eles estavam seguros do sucesso. vidal respondeu: “O futuro está encoberto naquilo que você está começando a ver”.

Assim,

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e

a

Rua

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Biquínis

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coletivo,

movido

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“pra você procurei o lugar mais bonito”

Carioca, Michele foi morar muito jovem em Cabo Frio, onde passou a adolescência. Michelle Carvalho lembra, com nostalgia, que, entre os 15 e 16 anos, levava as amigas para comprarem biquínis nas varandas das casas da Gamboa. Naquela época, era assim: no fim do expediente, os lojistas recolhiam os expositores para dentro de casa. Michele nunca imaginou que, um dia, seria lojista. Seguiu seu destino e voltou ao Rio de Janeiro para cursar a faculdade de Direito. Cinco anos

atrás, revisitando o cenário da infância alegre, encontrou

a Rua dos Biquínis reformada e decidiu abrir seu próprio negócio. Procurou os cursos do Sebrae/RJ e depois de quatro anos, o empreendimento começa a se consolidar

e se estabelecer, tanto na apuração de lucro quanto na fidelização de clientes.

Michele faz de tudo: corta, desenvolve as coleções e vende. Acredita que o diferencial que oferece está na modelagem e no atendimento. “Neste ano, ganhei o prêmio de melhor atendimento no segmento de moda

praia”, revela orgulhosa. Seu negócio é o varejo. Sobre

o futuro do polo ela deseja ver a rua se desenvolvendo ainda mais e quer aproveitar a união dos lojistas na associação para ter mais divulgação para o turismo interno e para o exterior.

Michelle traz consigo a mesma simpatia com a qual

a cidade de Cabo Frio recebe os seus visitantes. Dá vontade de voltar.

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74 KYni bY Kibumbum vânia ferreira e Jorge >> tem biquíni pra esse manequim aqui?

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vânia ferreira e Jorge

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Depois Da escritura Descobriram que haviam compraDo o prÉDio inteiro

Uma entrevista com choro e gargalhada, altos e baixos, como aliás se comporta o mercado para os lojistas da Rua dos Biquínis. vânia Ferreira relata os 21 anos do empreendimento da Kyni, ou Ki-Bumbum. Ela e o marido, dois engenheiros desempregados, chegaram a Cabo Frio em 1991, com o primeiro filho de três anos a tiracolo. Abriram um negócio com o irmão, que não deu certo. O pai veio para socorrer e resolveu comprar

o açougue do Sr. Laurindo, para que eles pudessem ali montar o próprio negócio.vânia se emociona ao lembrar das dificuldades que viveram. A rua era de calçamento de pedra dos dois lados. As lojas bem simples. Observando o comércio local, rapidamente, os dois entenderam que o que deviam implantar ali era uma loja de biquínis. No meio disso, uma curiosidade, daquelas que dão uma animada boa. Depois que assinaram a escritura de compra do açougue, descobriram que haviam comprado não só a loja, mas o prédio inteiro, com dois andares. Começaram a transformar o açougue em vitrine de moda praia. Nenhum dos dois conhecia nada do ramo. A solução era o sistema de facção. “Traumatizante, por sinal”, revela Vânia. “Cada facção trabalhava de um jeito, muitas não entregavam, uma loucura!” Então, resolveram produzir. Compraram máquinas e transformaram os apartamentos do andar de cima em confecção. Hoje, ela confessa que faria tudo de novo. “O negócio é bom. Tem altos e baixos por conta

da sazonalidade, mas é bom”. O marido administra a Kyni, Ki-Bumbum e diversos outros negócios. Vânia fica com a parte de modelagem, confecção e estilismo. Exportam biquínis para vários países, como Austrália, Portugal, Estados Unidos, Espanha e outros da América do Sul.

Dos três filhos do casal, só o caçula continua por lá, mas nenhum deles quer levar adiante o empreendimento. vania foi criada no Rio, mas está totalmente adaptada ao ritmo de vida de Cabo Frio – mais tranquilo e mais compatível com quem quer ficar sossegado. Vânia relembra histórias de clientes engraçadíssimas, como a de uma mais desinibida que levantou a blusa e perguntou se havia alguma peça que vestisse o seu manequim mais avantajado.

Como pesos e medidas não devem ser nenhum mistério para a engenheira competente, venda realizada com sucesso.

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luciana menDes

>> a Dona Da rua

Se na varanda da dona da rua, com vista para o canal Itajuru não se pode ignorar a linda vista, olhar para o interior da casa simples é deparar-se com centenas de biquínis, metros e metros de lycras, máquinas e costureiras a pleno vapor.

É claro que a Luciana não é a dona da rua, mas sua família simples, de pescadores, foi a responsável pelo começo de tudo ali. A Rua dos Biquínis tem o nome de seu bisavô, José Rodrigues Póvoas que, por sinal, faz esquina com outra rua que leva o nome de seu avô Daldevino José Rodrigues. Os terrenos que pertenciam à família Rodrigues tinham na margem dos fundos o canal, ainda sem aterro, de modo que as casas de seus antepassados tinham na maioria, a frente voltada para o que hoje é a Rua dos Biquínis.

Como se pode imaginar, Luciana é nascida e criada na Gamboa. Seus antepassados jamais imaginariam que o destino do lugar fosse abrigar o Polo de Moda Praia. Isso aí já é culpa da D. Nilza. Ainda na geração de sua mãe,

os casebres, que haviam servido de singela moradia aos avós e bisavós pescadores, foram transformados em casas de aluguel para veranistas.

Ainda muito jovem, Luciana começou a trabalhar vendendo roupas prontas. Foi quando percebeu que, bem ali, no pedaço de chão onde nascera, estava também o futuro da vida de sua família. Quando, no finzinho da década de 80, foram chegando os comerciantes de moda praia, Luciana e o marido, mesmo que pudessem recorrer ao aluguel da casa de parentes, voltadas para a rua e agora comerciais, não tinham o dinheiro suficiente para pagar as luvas, que filtravam a disputa pelos espaços. Foi aí que veio o aterro e deixou a casa de sua mãe, que outrora ficava nos fundos da rua, de frente para o canal. Luciana não hesitou. Montou sua Livoca de frente para o mar. Lá se vão 20 anos de trabalho árduo. Seus filhos nasceram ali. Ela começou comprando as peças que vendia em facções, mas, depois da separação do marido, resolveu recomeçar sozinha, do zero.

Hoje, ela faz tudo: modelagem, pilotagem, corte e confecção. Procura atender às necessidades de todos os

clientes. O diferencial da Livoca é o carinho e o amor que

a família tem pelo negócio. Quem atende os clientes é uma prima, que já está por lá há cinco anos.

Luciana criou os dois filhos, Lívia e Jorgenel Jr., com o fruto do comércio de biquínis.

Jorgenel Jr. fugia do trabalho quando era adolescente, mas agora dá gosto de ver o belo rapaz, cortando e controlando a produção das coleções. Ele quer criar os filhos na tradição do empreendimento da mãe. Quer que a marca seja uma referência no polo.

Patriarca de família humilde, fundador da vila que hoje abriga o Polo de Moda Praia, o pescador José Rodrigues Póvoas é um bom exemplo de quem não oferta aos seus

o peixe, mas prefere ensiná-los a pescar.

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>> De vento em popa

“as vezes o Dinheiro É importante, mas eu gosto mesmo É Da proDução”

1989. Marilda Maura da Silva Souza, uma jovem empresária de 29 anos de Barra Mansa, na Região Sul-

Fluminense, do Rio de Janeiro, decide pegar a estrada, com um casal de amigos, para fazer um passeio em Cabo Frio. Daí em diante, o que surgem são histórias de mar

e

areia. Maura e os amigos se apaixonaram pela cidade

e

pelas oportunidades que vislumbraram ao chegar à

Rua dos Biquínis. Decidiram ficar. Maura foi costureira a vida toda.Começou fazendo roupa para a filha pequena e, ainda em Barra Mansa, montou uma fábrica de roupa infantil. Em 1990, fechou a fábrica e mudou-se para a capital da Costa do Sol. Começou trabalhando para duas lojistas, Lúcia e Nazareth. “A mão de obra era muito difícil”, relembra. Tentou confeccionar sua primeira sunga e, como sua experiência era com tecido plano, não conseguiu fazer. Mergulhou no aprendizado e afirma que, depois que aprendeu a fazer moda praia, já não se interessava mais pelo antigo ofício. Em pouco tempo, dava conta de toda a produção, e as lojistas resolveram fechar a fábrica, passar a máquina de costura para Maura e terceirizar o serviço, como em uma facção. Tudo funcionava bem quando, em 1992, Maura decidiu voltar para Barra Mansa. Ela tinha dois filhos adolescentes, entrando na faculdade, e era preciso optar pelo melhor para os meninos. No entanto, nutriu por anos a esperança de voltar. Com os filhos formados e casados,

realizou o sonho acalentado. Era 2007, e Maura estava novamente em Cabo Frio e na produção dos biquínis. De

lá pra cá, ela tem participado de todos os cursos que o

Sebrae/RJ e o Cetiqt oferecem. Toda a linha de produção está sob sua responsabilidade. A venda, ela deixa para

o filho Thales, que agora a ajuda na concretização de

um outro sonho: o de juntar a família toda na cidade.

A filha trabalha na Peugeot, em Porto Real, mas Thales resolveu seguir o caminho da mãe. Considera uma

honra e um compromisso com o sonho e a realização de Maura. Ele palpita nas tendências da moda, que busca na Internet. Maura, por sua vez, garante: “Às vezes

o dinheiro é importante, mas eu gosto mesmo é da

produção”. Ela nunca está na loja, sempre na confecção.

Abriram também uma ponta de estoque e acreditam

no sucesso do polo. Ali, no lugar em que escolheu para viver, no mar e na areia, ela ainda se surpreende com

as suas criações e acredita que, depois da associação de

lojistas, tudo vai de vento em popa.

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“na arte De costurar vencerás”

Tudo começou quando ela percebeu que a filha queria

ir à praia, mas não conseguia nenhum biquíni com

tamanho que lhe vestisse adequadamente porque a

menina era gordinha. A própria Julie Anne confessou

o constrangimento que viviam. Mas, isso é coisa do

passado. E de um passado nem tão distante. Quinze anos atrás, Janete dos Santos Alves arregaçou as mangas e, como que defendendo a honra da prole, decidiu: “vamos mudar isso!” viu-se diante de um quebra-cabeças, como ela mesma relata. Como começar? Mesmo com dificuldades, mas, acreditando no resultado, partiu para a modelagem de um

tamanho especial, antes mesmo que qualquer outro fabricante ou artesão, em Cabo Frio ou no Brasil, cogitasse tal possibilidade. Sim, Dona Janete é a pioneira da moda plus size. Realizou o sonho da filha, de milhares de outras meninas, jovens e até de senhoras, que assim puderam desfilar as medidas que não sucumbem à escravidão do corpo magro, imposta pelos últimos 50 anos de praia. Na última loja, quase na esquina da Rua dos Biquínis, Julie Anne dos Santos Alves, que hoje toca o negócio ao lado da irmã e da mãe, mostrou um papelzinho onde se lê: “Na Arte de Costurar, vencerás”.

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como em um conto De faDas, apareceu-lhe uma tia muito gente boa

Marcelo Cardoso tinha uma barraca de frutas, era ambulante em Cabo Frio, cidade onde nasceu e foi criado. Como em um conto de fadas, 14 anos atrás, apareceu- lhe uma tia muito gente boa que ofereceu a gerência da Multi Sea. Ele conta que, quando veio trabalhar na rua, havia muito camelô, barracas de coco e turistas saindo pelo ladrão. O trânsito dava um nó e, só para se ter uma ideia, os maridos deixavam suas esposas em uma ponta da rua e, até conseguirem chegar na outra ponta, elas já haviam feito um estrago nas finanças familiares, de tantos biquínis que compravam. Hoje, ele é dono

absoluto do negócio e reclama: “A competição com os shopping centers é ingrata, porque aqui falta um caixa 24 horas, banheiros públicos, acesso aos deficientes e por aí vai”. Ele tem esperança de que a associação possa pressionar o Poder Público para atender à demanda dos lojistas e clientes da Rua dos Biquínis. Enquanto isso, como quem cortasse as frutas para aguardar o próximo cliente de caipirinhas, prepara a nova coleção, com a ajuda de seis facções, que fecham as peças, que ele mesmo produz, para deixar o estoque pronto para o verão de boas vendas. Uma tia e tanto!

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Esse trecho do hino de Cabo Frio explica bem a paixão do imigrante argentino Guillermo pela mais importante cidade da Região dos Lagos. Guilllermo veio para Cabo Frio em 1976. Ele morava em Santa Teresa, no Rio e foi passear. Apaixonou-se! O hermano já tinha vivido três anos na Bahia e outros poucos em São Paulo, mas entendeu que havia encontrado o seu cantinho no mundo. Ainda em Salvador, teve restaurante e começou a se interessar por moda, quando começou a vestir alguns artistas importantes da música. Foi para São Paulo e começou a trabalhar com estampas, que vendia para grandes lojas. Quando chegou a Cabo Frio, no fim dos anos 70, o que encontrou foram pessoas dispostas a trabalhar por qualquer dinheiro. Com o tino comercial

pois

aguçado, Guillermo colocou 200 pessoas fazendo colarezinhos de concha. A mão de obra não lhe custava mais de 20 centavos por peça. Ele fabricava mil colares por dia. Recrutados os vendedores e apurada a logística de venda, ele dominou o mercado de todas as praias da Região dos Lagos. Três meses de verão inclemente depois, restava-lhe comemorar, segundo ele, com muito champanhe. Ele ainda comenta que, naquela época, paravam automóveis Mercedes conversíveis na feirinha para comprar o colarzinho. O lucro lhe rendeu um ano na Bahia, dessa vez de férias. Sempre interessado em trabalhos manuais, em 1979, começou a estampar tecidos, uma espécie de batique. Como tudo era muito novo para o lugar, mais uma vez o sucesso veio rápido. O primeiro ponto que abriu foi na praia. A loja bombou. Ele vendia em atacado para todo País, tinha mais de 100 clientes. Em 1988, antevendo o sucesso do Polo de Moda Praia, foi para a Rua dos Biquínis. Cabo Frio era muito limitado, e ele antecipou a tendência do sonho

asiático. Em 1988, foi para Bali fazer curso de estamparia em batique. Logo em seguida, chega ao Brasil a febre da moda de Bali. A Gamboa era uma rua de terra. Ele começou a estampar. Chegou a ter 80 funcionários trabalhando com batique. Mas, como tudo era muito primitivo e o trabalho envolvia corantes tóxicos e também não havia tratamento de águas, Guillermo teve de parar com a produção. A política econômica ajudou, e o Governo abriu a importação no Brasil. O jeito era começar a importar. Tudo que ele importava, vendia. Passada a moda de Bali, ele começou a importar tecidos da Índia. Até hoje, ele importa tecidos exóticos do mundo todo e confecciona por aqui.

Guillermo hoje tem quatro lojas. Sua ideia é atender a um nicho da moda de praia, que atende as mulheres à tarde. “Afinal, elas precisam se vestir”, ironiza. Esse forasteiro é um cabofriense legítimo e, não por acaso, escolheu para marca de seu negócio sua Pátria Amada.

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>> ana maria saiu Da cabine essa foi sensacional!

Quem não se lembra da música da Ana Maria, que entrou na cabine para vestir um biquíni de bolinha amarelinha?

Pois bem, há, no entanto, uma outra Ana Maria que, pela primeira vez, combinou a parte de cima de bolinha

do biquíni com a parte de baixo lisa, a parte de baixo listradinha com a parte de cima lisa, a parte de cima

estampadinha

nunca antes pensadas na confecção de moda praia.

Quando chegou à Rua dos Biquínis, Ana Maria de Souza Gomes encontrou, 20 anos atrás, uma rua precária, que nem rede de esgoto tinha. Ela havia tomado um ônibus em Barra Mansa, onde nasceu, e veio atrás da irmã, que já vivia em Cabo Frio. Desembarcou em um bairro chamado Jardim Esperança, e esperança era o que não faltava. Sua experiência anterior com a moda se resumia a fazer vestidos de paetê, bordados à mão, em volta Redonda. Ela não sabia costurar. Comprou

e por aí dezenas de combinações,

duas máquinas e decidiu fazer roupa sob medida. Dava tudo errado. Saiu com uma fita métrica em punho pela cidade balneária e media os clientes dos pés à cabeça, até que chegou a um produto que conseguiria vender com facilidade: saia pregueada para crente. Com mais experiência, passou a confeccionar agasalhos de inverno para crianças, bem coloridos, que vendia na feirinha da praça. Pouco tempo se passou, e Ana conheceu uma menina que mantinha uma loja de biquínis, mas que não dava a menor bola para o negócio e estava pensando em fechar. Otimista, Ana assumiu. Não tinha maquinário e fazia o biquíni todo de viés. Não tinha elástico, então inventou um biquíni que a lateral e o sutiã eram de crochê. No ano seguinte, com o sucesso das peças exclusivas, começou a procurar uma loja melhor, mais bem posicionada na rua. A concorrência apertou, e Ana inventou o “Monte seu biquíni”. Foi a primeira vez que alguém pensou em descasar as peças e, com isso, aumentar o aproveitamento das sobras de material.

Deu certo! Monte seu biquíni hoje é uma imposição de mercado e ela é a pioneira. Ana conquistou o respeito e a amizade de todos os lojistas da rua. Sua PH, que muitos pensam que vem do PH da água, porém tem mais a ver com as iniciais de seu filho Philipe, hoje tem 60 funcionários e seis lojas. Uma delas é a loja-conceito, que também abriga a fábrica, não muito distante da Rua dos Biquínis.

Ana admite que nunca foi fácil tocar o negócio, mas garante que sempre teve muita satisfação em sua trajetória. Mesmo atarefada, ela fala do futuro, de voos mais ousados, mas assegura que sua história de sucesso profissional está naqueles 100 metros da Rua dos Biquínis e que ali vai manter uma loja para sempre.

Ana Maria saiu da cabine envergonhada com a entrevista, mas, quando revisita sua própria história, percebe que ficou sensacional!

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toDos se apaixonam tão rapiDamente!

Ela tem nome de escritor importante, é cabofriense de três gerações na cidade. Foi bancária por 23 anos no Banco do Estado. Quando começou a onda da privatização do banco, Cláudia pensou no próprio negócio, como a maioria dos brasileiros. E viu, na Rua dos Biquínis a possibilidade de empreender. Era difícil. Casada, com dois filhos e ainda com o expediente do banco, seria uma loucura. Um belo dia, falando com o

cunhado, comentou sobre a Rua dos Biquínis. Em um sábado, tomou seu filho no colo e partiu para a Rua José Henrique Póvoas. Logo quando chegou, ficou sabendo que havia um senhor que queria passar o ponto da loja. Em questão de mais duas horas, Cláudia Guimarães Rosa, que não entende de sertão, como seu xará de sobrenome, e que adora uma praia, já tinha sua loja na Gamboa. Bem pequena, é verdade, mas do tamanho possível. Foi dividindo o trabalho entre o banco e a loja. Pediu ajuda à irmã que gostava de cortar, a uma cunhada que já trabalhava com confecção de biquíni e a uma outra irmã desempregada. Colocou todo mundo para trabalhar. Começou comprando no Rio, em facção. Apaixonou-se pelo negócio, mas Cláudia não sabia nem pregar um botão. Pediu demissão da hora-extra do banco, até que veio a privatização e começou a se

dedicar integralmente à loja. Passaram-se 22 anos, e hoje a Pitanga tem um supervisual, uma confecção no mesmo endereço e é um sucesso de vendas. Quando ela chegou à rua, ainda passavam carros. Os empresários aproveitavam as salas das casas para vender biquínis. Quando começou a perceber a demanda dos clientes por melhores instalações, a Prefeitura ajudou. Segundo ela, os lojistas, hoje, estão motivados e acreditam que a associação pode ajudar muito na evolução dos negócios de uma rua com tanto potencial. Satisfeita de ter conseguido seu próprio negócio, e isso para ela

é a maior conquista, Cláudia fala dos amigos que fez e faz na rua: “Ielra, Alessandra, da Jangada, Armando, o

E a gente faz amigos

português, Fabrícia, tanta gente

a todo momento aqui nessa rua. É um passando para o outro a experiência que já viveu”.

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Ele sempre fez sucesso entre os jovens da Região dos Lagos. Nascido em Cabo Frio, houve um tempo em que

as garotas o chamavam de príncipe, mas a vida era de

plebeu. De família humilde, Tony começou a trabalhar com os irmãos em publicidade. Foi demitido primeiro por um e depois pelo outro. Felizmente, ele havia feito um curso de estamparia e, para sobreviver, foi para o Rio

de Janeiro em busca de malha para tentar confeccionar

camisetas. Com pouco dinheiro, chegou à Rodoviária e

caminhou 8km a pé até o Estácio. Tudo para economizar

o dinheiro do cachorro-quente. Pensando na volta,

conseguiu comprar 2kg de malha. Chegando em casa desmanchou uma camiseta que tinha e dali retirou a modelagem. Tesoura na mão, cortou e confeccionou 12 camisetas e as vendeu para os amigos na praia, dizendo que havia comprado no Rio. As encomendas aumentaram até que Tony decidiu montar, em Búzios, sua primeira loja, ainda de camisetas de malha. Encontrar o nome do

estabelecimento não foi difícil. Em poesia, chama-se isso

de Acróstico. O nome é Pro Risca. Pro vem de apoio e Risca

de resultado de intrigas superadas e causas aparentadas. Não precisa ir longe para entender. Ele fala da mágoa de ter sido descartado profissionalmente pelos irmãos.

Mas é preciso falar de Tony e os biquínis. Em um belo dia de sol, apareceu na loja de Búzios uma senhora que lhe perguntou se ele produzia biquínis e que compraria toda sua produção, desde que ele levasse a carga para São Paulo. Lá foi o “Caroço de Cabo Frio” para o Rio de Janeiro – esse era o apelido que lhe davam os fabricantes de lycra, por conta da amolação que ele causava e das compras sempre reduzidas. Comprou um modelo de cada tipo de biquíni no Rio: meia-taça, asa-delta, cortininha etc. Investiu pouco, mas em lycra da melhor qualidade. Pediu aos amigos que o ajudassem a cortar e a montar as peças. Confeccionou 1.280 biquínis. viajou para São Paulo e a surpresa: depois de muitos elogios, a dona só comprou 120 biquínis. De volta a Cabo Frio, com 1.160 biquínis na bagagem e sem saber que ali estaria sua história de sucesso, Tony foi à Gamboa. Era um dezembro tórrido.

Encontrou uma loja de 3m 2 . Avisou à dona da loja que não tinha dinheiro para pagar o aluguel de três mil. Fez então cheques pré-datados para janeiro, fevereiro e março. Em dezembro, já havia vendido tudo, afinal os modelos que havia confeccionado eram mais modernos do que os que ali se podia encontrar. Pela alta qualidade da matéria- prima, obteve êxito.

Tony da Pro Risca, como é conhecido agora, ainda conserva os calos nas mãos de cortar, na tesoura, seus primeiros biquínis. Por sinal, ele ainda os corta. Hoje é proprietário de três lojas e uma pequena indústria, com dez funcionários. A Gamboa é outra depois de Tony, afinal ele foi o primeiro a lançar o fio-dental em Cabo Frio, a usar materiais diferentes, como jeans, tricoline e o lite, enquanto os outros fabricantes só usavam lycra.

Tudo azul, tudo zen, tudo bem para Tony Novaes. Também, pudera. Sabe quem fez a primeira sunga do rapaz? D. Nilza, a precursora da história dessa rua de histórias.

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“essa rua só poDe crescer”

Na Q Art Fitness, da Fabrícia da Costa, há muitas mercadorias em promoção. Isso não causa espanto, afinal era pleno inverno. Logo depois, o leitor vai perceber que a promoção funciona como um patuá para essa moça determinada, que malha todos os dias na academia e na loja.

Tudo começou como em um conto de fadas. Com 15 anos, Fabrícia começou a trabalhar na Rua dos Biquínis. Trabalhou nos verões de 98 e 99 e assim continuou nos finais de semana e nas altas temporadas. Depois de três anos, começou a se envolver com o patrão. Jorge, nessa

época, já era um comerciante influente na rua. O amor pegou. Casaram-se e, aos 23 anos, Fabrícia ganhou do marido uma loja na Praia do Forte. A intenção era trabalhar com moda feminina. Pouco tempo depois, ele montou uma galeria de lojas na Rua dos Biquínis, e ela resolveu levar o negócio para o complexo. Dessa vez, escolheu uma sócia. A vida andou, ela entrou para a faculdade e engravidou. Fabrícia decidiu dar uma parada. Terminou a sociedade e resolveu fazer o Empretec, um programa que capacita empresários empreendedores. A essa altura, Jorge já era considerado o rei da Gamboa, com quase 20 anos de comércio por ali. Cheia de novas ideias, ela decidiu pegar uma loja completamente vazia, nas vésperas da Semana Santa. vasculhou os estoques do marido, e tudo que havia de moda fitness colocou para vender em promoção. Não era difícil acertar. A

moça adora malhar e estudar. Pode-se considerar que a Q Art nasceu de uma promoção. Ela não hesita em contabilizar que, em cinco anos de mercado, foram reconhecidos no mercado de fitness, têm duas lojas, 23 representações dentro das academias, uma fábrica com 900 metros quadrados, mais de 20 funcionários na fábrica e estão preparando a primeira loja on-line.”

Fabrícia da Costa é vice-presidente da associação de lojistas. Sua marca é como sua linha de vida: alegre, colorida, versátil e estampadíssima. No dia a dia, ela se divide em mãe, dona, compradora, vendedora e administradora e procura se preparar em todos os cursos disponíveis para incrementar seu negócio. Troca figurinhas com o rei Jorge, paga bem aos funcionários e profetiza: “Essa rua só pode crescer”.

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Os versos de Caetano veloso foram feitos para Irene, da Splash Brasil. Nasceu em S. Pedro D’Aldeia e foi ainda pequena para Cabo Frio. Antes do biquíni, ela foi dona de floricultura e de uma locadora de vídeos em Búzios. Mesmo sendo pertinho, o trajeto diário de Búzios para Cabo Frio começou a ficar cansativo. Observando o alto fluxo de compradores na Rua dos Biquínis, ela decidiu alugar uma loja e montou o novo negócio. Isso faz 27 anos. A rua ainda era de terra, e o comércio ainda estava concentrado lá no finzinho do calçadão do polo. Costureira de tecido plano, o que ela chama de modinha, ainda não sabia como trabalhar com biquínis. A primeira loja era pequena. Passados 14 anos, ela veio para a loja atual. Irene aprendeu tudo, mas confessa que tem costureiras e cortadeiras. Ela não gosta de fazer

biquíni, mas sabe tudo de que precisa. “Não é facção”, reage, “é confecção”. Ela administra o negócio e usa o chavão de que mata um leão por dia. Mas, para quem já está há 27 anos no negócio, é preciso muito amor. E ela confessa que gosta do que faz e se realiza. Relata o crescimento em qualidade da rua e do polo, ao longo do tempo, mas acha que pode melhorar. Sobre “causos curiosos” nesses 27 anos, ela conta que, certa vez, o marido de uma cliente abriu a cabine para ver o modelo de biquíni vestido na mulher e se deparou com outra senhora. Bem, a partir daí, o leitor imagina a confusão. Em suas memórias, ela conta do começo da rua, fala de D. Nilza, do Manoel, da tentativa e assume, com reserva, que a história da Rua dos Biquínis também passa por ela. Irene termina dando sua risada. Alegria!

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não há sequer um Dia sem venDas ao longo Do ano

“Quando o prefeito resolveu fazer a obra aqui da Rua dos Biquínis, eu pensei: a obra vai ficar linda, e a minha loja tem ainda um aspecto colonial. Resolvi correr e fazer a reforma. Em uma semana, joguei a loja praticamente no chão e consegui inaugurar junto com a obra da rua toda”.

Silvio Rodrigues, da Toccare, é o presidente da Associação dos lojistas da Rua dos Biquínis. Também pudera, só na Rua dos Biquínis, ele é o proprietário de seis lojas e da confecção, que hoje empregam 60 funcionários, sem contar as lojas do Centro de Cabo Frio. E já foram muitas mais. Ele teve loja em Paraty, Ubatuba, Niterói, Búzios , Caraguá, mas agora optou concentrar-se na Gamboa.

Silvinho Presidente, como é conhecido na cidade, chegou a Cabo Frio há 20 anos. Ele passava as férias ali com a esposa e, observando o movimento de comércio da rua,

resolveu arriscar a primeira loja de temporada, para vender camisetas. Pediu ajuda a um amigo, conterrâneo de Petrópolis, e começou o negócio. Abriram a loja um dia depois do Natal de 1993. Três anos se passaram, e Silvio decidiu mudar-se com a família, definitivamente, para Cabo Frio. Algum tempo depois, chegou o momento de incorporar o comércio de biquínis ao das camisetas. Deu certo. Silvio diz que o mês em que ele mais vende mercadorias na Rua dos Biquínis é o de dezembro, quando o comércio explode. Não há, no entanto, sequer um dia sem vendas ao longo do ano.

Apaixonado pela cidade, ele recebeu o título de cidadão cabofriense. Isso aconteceu em um dia de desfile, no Festival de verão, e advinhem: Silvio, workaholic, não pôde comparecer à cerimônia.

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“biquíni não É a minha praia, mas nem posso pensar numa viDa melhor”

De financeiro de multinacional em São Paulo a cortador de biquíni e empreendedor em Cabo Frio, Elsio Barbiero confessa que não está na praia dele, mas não consegue se imaginar mais feliz.

Nos anos 90, ele e a primeira esposa conheceram a Rua dos Biquínis, antes mesmo da rua virar o calçadão do Polo de Moda Praia. Como já pensavam na aposentadoria, nasceu a ideia de montar uma loja. Elsio era financeiro de uma multinacional, e a esposa ligada em moda. Resolveram levantar o empreendimento. Passaram um ano e meio indo e voltando de São Paulo, já com a loja aberta e uma confecção em São Cristovão. Em 1993, decidiram mudar-se definitivamente para Cabo Frio. Em 1996, Elsio ficou viúvo. Um ano depois, caminhando pela Rua das Pedras, em Búzios, ele conheceu Keyla. Elsio vivia isolado, afinal não teve filhos do primeiro

casamento. Keyla o convidou para a Igreja Metodista. Ele revela: “Foi um chamado de Deus”. Casaram-se

e, em 1998, nasceu valéria. A sogra de Elsio veio de

Manaus para apoiar a gravidez da filha. Eufóricos com

a

chegada da nova integrante da família, Elsio, Keyla

e

a sogra, Maria Auxiliadora, decidiram remodelar o

negócio de biquínis. Criaram a valéria Biquínis. Elsio aprendeu a cortar e administrava o negócio. Keyla fazia as vendas e Auxiliadora, inspirada na sua terra natal,

criava e modelava os biquínis com motivos da fauna

e da flora amazônica. O negócio é sucesso até hoje.

Elsio é um grande apoiador da associação de lojistas,

e

a família já se prepara para abrir uma loja maior até

o

verão. Emocionado, ele diz: “Biquíni não é a minha

praia, mas nem posso pensar numa vida melhor. Hoje os corto diariamente e trabalho com toda a minha família”.

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1ª Edição – 2015 – 100 p.
(História do Biquíni e Comerciantes da Rua dos
Biquínis – Cabo Frio – Região dos Lagos)

BIBLIOGRAFIA

BELLIS, M. The history of the Bikini

CASIOLATO, JOSÉ E. e PEIXOTO, FLávIO. Artigo – O Polo de Moda Praia – Cabo Frio - RJ

HAIEK, ISABELA. A história do biquíni, Coluna - Jornal “A Orla”

OþHara, GEORGINA. In: Companhia das Letras. Enciclopédia da moda de 1840 à década de 90

das Letras. Enciclopédia da moda de 1840 à década de 90 Histórias que não acabam. Uma

Histórias que não acabam. Uma rua que, com os hábitos e costumes de seus visitantes, moradores e lojistas, ao longo do tempo, determinou muitos destinos e estabeleceu culturalmente um pilar de sustentabilidade para a economia do Rio de Janeiro.

Um Polo, que reúne todos esses testemunhos de vida e de trabalho para um ideal comum – estabelecer uma cadeia produtiva e, com isso, garantir o desenvolvimento de uma comunidade alegre, colorida, que tem orgulho, prazer e vocação no seu ofício. Por ali não se fala só de modelagem, nem só de moda, mas de modelo de perseverança e empreendedorismo.

Salve Nilza e seus discípulos. Que a criadora descanse em paz, porque na rua ainda há muito trabalho e muitas histórias para o futuro contar.

Que a criadora descanse em paz, porque na rua ainda há muito trabalho e muitas histórias

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