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Aula 00

Curso: Direito Curso: Constitucional Direito Constitucional p/ Escrevente para Analista

Judiciário Área Judiciária (AJAJ) do TER-SP

Professores: Raphael Professor: Senra Raphael Senra e Thiago Pereira

do TJ-SP

Aula 00

Curso: Direito Constitucional p/ Escrevente do TJ-SP Teoria e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra -

Curso: Direito Constitucional p/ Escrevente do TJ-SP Teoria e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra - Aula 00

APRESENTAÇÃO

Olá, amigos do Exponencial Concursos, tudo certo?

É um imenso prazer estar aqui para ministrar este curso de Direito Constitucional para Escrevente do TJ-SP.

Antes de começar efetivamente o nosso curso, peço licença para me apresentar:

Sou o professor Raphael Senra, fui Oficial da Marinha do Brasil (graduado em Ciências Navais pela Escola Naval) por 13 anos e atualmente exerço o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio de Janeiro, sendo aprovado em décimo lugar no concurso de 2014. Minha trajetória nos concursos públicos começou bem cedo, quando, aos 14 anos, fui aprovado nos concursos de admissão ao Colégio Naval e à Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAr).

Há pouco tempo (até janeiro de 2014) estava na posição de vocês, estudando muito para conseguir o tão sonhado cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio de Janeiro. Vivenciei todas as dificuldades e angústias pelas quais vocês estão passando.

Em abril de 2013 minha esposa engravidou, ao receber a notícia que iria ser pai, pensei: tenho que sair deste trabalho para poder curtir minha família (a carga no antigo emprego era pesadíssima) e dar a eles uma melhor condição de vida. Foi a partir deste momento que comecei minha empreitada para alcançar a tão sonhada vaga. Conforme já dito no parágrafo acima, passei por diversas dificuldades, como por exemplo, arrumar tempo para estudar. Trabalhava das oito e meia da manhã às seis horas da noite e ainda gastava uma hora para ir e uma para voltar do quartel, devido a isso, nos dias de semana só conseguia estudar de madrugada. Estudava das 03 às 07 da manhã (à noite, como chegava cansado, preferia ir dormir cedo), todavia, nunca desanimei, transformava as angústias a ansiedades em motivação- sempre imaginando o dia em que ia entrar na seção de pessoal para pedir minha baixa. Tal determinação foi recompensada após 10 meses de estudo quando fui aprovado no concurso para Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio de Janeiro (o popularmente chamado ICMS-RJ).

Por isso meus amigos, fico extremamente feliz em ajudá-los a conquistar a sonhada vaga na carreira pública. A oportunidade, como visto acima, é para todos, não venha com esse papinho: “ah eu trabalho e sou pai/mãe de família, nunca vou passar em um concurso tão concorrido como o de Escrevente do TJ- SP”. A equipe do Exponencial está aqui para te mostrar, através de cursos COMPLETOS e OBJETIVOS, como chegar com mais rapidez a aprovação.

Seguindo a didática do Exponencial Concursos, tenho a missão de oferecer para vocês este curso de Direito Constitucional para Escrevente do TJ- SP, sempre primando pela OBJETIVIDADE, trazendo os assuntos devidamente

Curso: Direito Constitucional p/ Escrevente do TJ-SP Teoria e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra -

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esquematizados, direto ao ponto. O curso será de Teoria e Questões comentadas, não deixarei de tocar em nenhum assunto importante de nossa matéria, porém vamos focar no que consideramos mais relevante, levando em consideração as características da banca examinadora e a ocorrência temática das questões nos últimos certames.

Vamos lá, rumo a vitória! Qualquer dúvida, estaremos à disposição no Fórum.

Com base no edital da VUNESP, vejamos quais os tópicos que a disciplina Direito Constitucional vai englobar:

Direito Constitucional: Princípios fundamentais. Dos direitos e garantias fundamentais: dos direitos e deveres individuais e coletivos, dos direitos sociais, da nacionalidade, dos direitos políticos. Da Administração Pública: disposições gerais, dos servidores públicos. Da Organização dos Poderes: Do Poder Judiciário. Funções Essenciais à Justiça.

No quadro abaixo, segue o programa do nosso curso.

Justiça. No quadro abaixo, segue o programa do nosso curso. Aula Conteúdo 00 Direitos e Deveres

Aula

Conteúdo

00

Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (parte 01)

01

Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (parte 02)

02

Direitos Sociais

03

Nacionalidade

04

Administração Pública

05

Órgãos do Poder Judiciário (art. 92 da CF/88)

*Confira o cronograma de liberação das aulas no site do Exponencial, na página do curso.

Dito tudo isso, partamos para nossa aula 00. Força, fé e foco!

Curso: Direito Constitucional p/ Escrevente do TJ-SP Teoria e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra -

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Aula 00 Teoria dos Direitos Fundamentais; Direitos e deveres individuais e coletivos.

Daremos início ao tema “Direitos e Garantias Fundamentais” (título 2 da CF/88) que abrange os seguintes capítulos da Constituição: dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, dos Direitos Sociais, da Nacionalidade, dos Direitos Políticos e dos Partidos Políticos, esses dois últimos capítulos não serão abordados em nosso curso visto que o edital não os contemplou.

Na aula de hoje, veremos a Teoria dos Direitos Fundamentais e uma parte dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos na qual abordaremos os incisos do art. 5º relacionados aos seguintes direitos: à vida, à igualdade, à liberdade e à privacidade.

Vamos lá, muito foco e determinação. Lembre-se sempre que nenhum obstáculo é tão grande se sua vontade de vencer for maior.

Sumário

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1- Teoria dos Direitos e Garantias Fundamentais

Os direitos fundamentais são os bens protegidos pela Constituição. É o caso, por exemplo, da vida, da liberdade e da propriedade. Já as garantias são instrumentos constitucionais voltados a protegerem esses bens. Como exemplos temos o habeas corpus e o mandado de segurança, remédios constitucionais que veremos mais a frente. Vale ressaltar que, para Canotilho, as garantias são também direitos.

1.1- Distinção entre Direitos Fundamentais e Direitos Humanos

Alguns autores de renome dizem não haver diferença digna de destaque entre as expressões "Direitos Fundamentais" e "Direitos Humanos”, todavia, majoritariamente a doutrina identifica uma diferença referente ao plano em que os direitos são consagrados. Consoante nos ensina Canotilho:

enquanto os direitos humanos são identificáveis tão somente no plano contrafactual (abstrato), desprovidos de qualquer normatividade, os direitos fundamentais são os direitos humanos já submetidos a um procedimento de positivação, detentores, pois, das exigências de cumprimento (sanção), como toda e qualquer outra norma jurídica”.

Conforme nos ensina a ilustre autora Nathalia Masson "direitos fundamentais" e "direitos humanos" afastam-se, portanto, apenas no que tange ao plano de sua positivação, sendo os primeiros normas exigíveis no âmbito estatal interno, enquanto estes últimos são exigíveis no plano do Direito Internacional.

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Importante ressaltar lição do Ministro do STF Gilmar Mendes, a qual mostra que a aceitação de referida distinção conceitual relacionada à positivação - não importa na conclusão de que direitos humanos e direitos fundamentais compõem esferas estanques e incomunicáveis entre si. Direitos humanos internacionais encontram, não raro, matriz nos direitos fundamentais consagrados pelos Estados e estes, por seu rumo, muitas vezes acolhem em seu catálogo de direitos fundamentais os direitos humanos consagrados em normas e declarações internacionais.

 

1.2-

Características dos Direitos Fundamentais

 

A

doutrina

aponta

as

seguintes

características

para

os

direitos

fundamentais:

a) Historicidade: os direitos fundamentais não resultam de um acontecimento histórico determinado, mas de todo um processo de afirmação. Decorrem de conquistas revolucionárias no decorrer da história. Por isso, são mutáveis e sujeitos a ampliações, o que da razão às diferentes “gerações” de direitos que estudamos.

b) Inalienabilidade: são intransferíveis, inegociáveis. Não podendo ser abolidos por vontade de seu titular.

c) Imprescritibilidade: não se perdem com o tempo, são sempre exigíveis.

d) Irrenunciabilidade: determina que o titular de um direito fundamental não pode dele dispor. Admite-se, entretanto, a renúncia temporária e excepcional de um direito fundamental, desde que decorrente de um caso em concreto de conflito de direitos efetivamente instalado. Marcelo

Alexandrino e Vicente Paulo ( Direito Constitucional Descomplicado, 2ªEd), exemplificam um caso muito interessante de renúncia temporária e

que ocorre nos programas de televisão

conhecidos como reality shows (Big Brothrer Brasil, por exemplo), em que as pessoas participantes, por desejarem receber o prêmio oferecido,

renunciam, durante a exibição do programa, à inviolabilidade da imagem, da privacidade e da intimidade (art. 5º , X , CF)."

específica, qual seja , "

o

e) Universalidade: característica que preceitua- respeitada as particularidades de alguns direitos- serem detentores dos direitos fundamentais toda a coletividade. Como destacado acima- devido as particularidades-, alguns direitos não podem ser titularizados por todos, pois são direcionados a grupos específicos (como, por exemplo, os direitos dos trabalhadores e de ser cidadão).

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f) Indivisibilidade: os direitos fundamentais formam um sistema harmônico, coerente e indissociável, o que resulta na impossibilidade de compartimentalização dos mesmos, seja na tarefa interpretativa, seja na de aplicação às circunstâncias concretas.

g) Relatividade: CARACTERÍSTICA MAIS COBRADA EM CONCURSOS PÚBLICOS. O exercício de um direito fundamental pode acarretar conflitos com outros direitos constitucionalmente resguardados, visto a circunstância de nenhum direito ser absoluto. Como todos os direitos são relativos, eventualmente podem ter seu âmbito de incidência reduzido e ceder -em prol de outros- em casos concretos específicos.

h) Inviolabilidade: esta característica confirma a impossibilidade de desrespeito aos direitos fundamentais por determinação infraconstitucional ou por atos de autoridade.

i) Complementaridade: direitos fundamentais não são interpretados isoladamente; ao contrário, devem ser conjugados, reconhecendo- se que compõem um sistema único.

j) Efetividade: A atuação dos Poderes Públicos deve ser balizada (sempre) na necessidade de se efetivar os direitos e garantias fundamentais.

k) Interdependência: embora sejam autônomas, as previsões constitucionais que trazem os direitos fundamentais possuem ligações intrínsecas. Nathalia Masson (em sua obra Manual de Direito Constitucional) nos traz dois exemplos que muito bem elucidam a característica ora estudada: “a liberdade de locomoção, por exemplo, está intimamente vinculada à garantia do habeas corpus, bem como a previsão de que a prisão válida somente se efetivará em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judicial competente”.

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS

FUNDAMENTAIS

HISTORICIDADE

INALIEABILIDADE

IMPRESCRITIBILIDADE

UNIVERSALIDADE

INDIVISIBILIDADE

RELATIVIDADE

INVIOLABILIDADE

COMPLEMENTARIDADE

EFETIVIDADE

INTERDEPENDÊNCIA

Caro aluno, como dito acima, a característica mais cobrada em concursos é a relatividade dos direitos fundamentais, vejamos:

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e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra - Aula 00 (CESPE – STM - Analista Judiciário -

(CESPE STM - Analista Judiciário - 2011) As

liberdades individuais garantidas na Constituição Federal de 1988 não possuem

caráter absoluto.

Comentário: assertiva correta. Como dito, o exercício de um direito fundamental pode acarretar conflitos com outros direitos constitucionalmente resguardados, visto a circunstância de nenhum direito ser absoluto.

1.

visto a circunstância de nenhum direito ser absoluto . 1. 2. vista os direitos fundamentais, julgue

2.

vista os direitos fundamentais, julgue o item a seguir.

Os direitos fundamentais, em que pese possuírem hierarquia constitucional, não são absolutos, podendo ser limitados por expressa disposição constitucional ou mediante lei promulgada com fundamento imediato na própria CF.

Comentário: assertiva correta. O enunciado da questão afirma que os direitos fundamentais têm hierarquia constitucional, ou seja, estão previstos na Constituição Federal, têm sede Constitucional. Em arremate, não afirma haver hierarquia entre os direitos fundamentais.

No que se refere à segunda parte da questão, de fato os direitos fundamentais não são absolutos, pois podem ser limitados, por exemplo, por outros direitos fundamentais, ou por norma infraconstitucional regulamentadora de dispositivo constitucional (de estado de sítio por exemplo).

(CESPE-STM-Analista Judiciário- 2011) Tendo em

1.3- Dimensão Subjetiva e Objetiva dos Direitos Fundamentais

A doutrina pátria classifica os direitos fundamentais a partir de dupla perspectiva, uma subjetiva e outra objetiva, estabelecendo que referidos direitos são, ao mesmo tempo, direitos subjetivos e elementos fundamentais da ordem constitucional objetiva.

Enquanto direitos subjetivos, os direitos fundamentais outorgam aos titulares a prerrogativa de impor os seus interesses em face dos órgãos obrigados. Já em sua dimensão objetiva, os direitos fundamentais formam a base do ordenamento jurídico de um Estado de Direito democrático.

Os direitos fundamentais outorgam aos titulares a prerrogativa de impor os seus Interesses em face dos órgãos obrigados

Os direitos fundamentais formam a base do ordenamento jurídico de um

Estado de Direito democrático

Dimensão Subjetiva
Dimensão
Subjetiva
Dimensão Objetiva
Dimensão
Objetiva

Direitos

Fundamentais

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Sob a ótica da dimensão subjetiva, os direitos fundamentais cumprem diferentes funções na ordem jurídica, conforme a teoria dos quatro"status" de Jellinek. Como essa teoria tem incidência raríssima em prova, vou sintetizá- la no esquema abaixo adaptado da obra Manual de Direito Constitucional (3ª edição, 2015) da ilustre autora Nathalia Masson:

Teoria dos quatro status de Jellinek
Teoria dos
quatro status
de Jellinek
status ativo O indivíduo desfruta de competências para contribuir na formação da vontade estatal,
status ativo
O indivíduo
desfruta de
competências
para contribuir
na formação da
vontade estatal,
correspondendo
essa posição ao
exercício dos
direitos políticos,
manifestado
principalmente
através do direito
ao sufrágio.

status positivo

status passivo

status negativo

O indivíduo é detentor de deveres para com o Estado. Este possui

competência para vincular o indivíduo, por

meio de

mandamentos e

proibições

Estabelece o indivíduo em situação de exigir do Estado que este atue positivamente em

seu favor, através

da oferta de bens e

serviços, principalmente os essenciais à sobrevivência sadia e à qualidade de vida da própria comunidade.

O Estado não se intromete em algumas escolhas do

indivíduo,

permitindo-se, dessa forma, que os indivíduos gozem de um espaço de liberdade de atuação, livre de ingerência dos poderes públicos

de atuação, livre de ingerência dos poderes públicos 3. 23ºR/MT/2011) O grande publicista alemão Georg

3.

23ºR/MT/2011) O grande publicista alemão Georg Jellinek, na sua obra "Sistema dos Direitos Subjetivos Públicos" (Syzstem der subjetktiv õffentlichen), formulou concepção original, muito citada pela doutrina brasileira

no estudo da teoria dos direitos fundamentais, segundo a qual o indivíduo, como vinculado a determinado Estado, encontra sua posição relativamente a este cunhada por quatro espécies de situações jurídicas (status), seja como sujeito de deveres, seja como titular de direitos. Assinale qual das alternativas abaixo contém um item que NÃO corresponde a um dos quatro status da teoria deJellinek:

a) status passive (status subjectionis).

b) status negativus.

(Comissão de concurso/Juiz do Trabalho/TRT

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c) status sacialis.

d) status activus.

Comentário: resposta letra “c”. Conforme visto, em relação a dimensão subjetiva dos direitos fundamentais, Jellinek estabeleceu 4 status: ativo, passivo, positivo e negativo. Dessa maneira não há que se falar em status social quando falamos da teoria de Jellinek.

falar em status social quando falamos da teoria de Jellinek. 4. (CESPE/PGE-PE/Procurador/2009/adaptada) uanto aos

4. (CESPE/PGE-PE/Procurador/2009/adaptada) uanto aos direitos e garantias fundamentais, julgue o item a seguir:

De acordo com a teoria dos quatro status de Jellinek, o status negativo consiste na posição de subordinação do indivíduo aos poderes públicos, como detentor de deveres para com o Estado. Assim, o Estado tem competência para vincular

o indivíduo, por meio de mandamentos e proibições.

Comentário: assertiva errada, pois a questão traz a definição do status passivo

e não do negativo.

1.4- Eficácia Horizontal dos Direitos Fundamentais

A teoria da eficácia horizontal dos direitos e garantias fundamentais, também chamada de teoria da eficácia privada, surgiu na Alemanha entre 1955

a 1960.

Tradicionalmente, os direitos e garantias fundamentais são aplicados nas relações travadas entre o particular e o Poder Público. Acontece, porém, que com as crises sociais e econômicas do século XX percebeu-se que essas normas constitucionais não surtiam, apenas, efeitos verticais, apresentando também eficácia horizontal (nas relações entre particulares).

Eficácia Vertical Horizontal
Eficácia
Vertical
Horizontal

é a aplicação dos direitos fundamentais nas relações particular-Estado

é a aplicação dos direitos fundamentais nas relações entre particulares (privadas)

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Existem duas teorias sobre eficácia horizontal dos direitos fundamentais:

a da eficácia indireta e mediata e a da eficácia direta e imediata.

Para a teoria da eficácia indireta e mediata, os direitos fundamentais só se aplicam nas relações jurídicas entre particulares de forma indireta, excepcionalmente, por meio das cláusulas gerais de direito privado (liberdade contratual por exemplo). Tal teoria não é compatível com a Constituição Federal, a qual, em seu art. 5º, § 1º, prevê que as normas definidoras de direitos fundamentais possuem aplicabilidade imediata.

Já para a teoria da eficácia direta e imediata, os direitos fundamentais incidem diretamente nas relações entre particulares. Tal teoria é a que prevalece no Brasil, tendo sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, temos o acórdão redigido pelo Ministro Gilmar Mendes, no Recurso Extraordinário 201819. No caso em tela, a União Brasileira de Compositores UBC, recorrente, excluiu o sócio Arthur Rodigues Villarinho, recorrido, sem as garantias do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, incisos LIV e LV da CR/88). Um caso concreto de aplicação direta da Eficácia Horizontal dos Direitos fundamentais, pois o Recurso Extraordinário foi desprovido.

2- Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

Adentraremos agora no estudo do art.5º da Constituição, dispositivo mais cobrado em provas de concurso público. A Constituição dá o nome, ao capítulo abrangido pelo art. 5º, de "Direitos e Deveres Individuais e Coletivos", porém, não há "deveres individuais", propriamente ditos, expressos no texto. Os deveres são, na verdade, o de respeitar o direito do outro.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:” (grifos nosso)

O artigo acima enumera cinco direitos fundamentais os direitos à vida,

à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Para doutrina, todos

os outros direitos elencados nos incisos do art. 5º são desdobramentos dos direitos previstos no caput desse artigo.

Apesar de o caput do art. 5º referir-se apenas a “brasileiros e estrangeiros residentes no país”, há consenso na doutrina e é pacificado pelo STF que os direitos fundamentais abrangem qualquer pessoa que se encontre em território nacional, mesmo que seja estrangeira residente no exterior. Um estrangeiro que estiver passando férias no Brasil será, portanto, titular de direitos fundamentais.

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Faz-se mister ressaltar que o rol dos direitos fundamentais presente no artigo 5º é exemplificativo, existindo assim direitos fundamentais espalhados por outros dispositivos constitucionais, por exemplo, o princípio da anterioridade tributária previsto no art. 150 da CF/88.

Cabe destacar, ainda, que os direitos fundamentais não têm como titular apenas as pessoas físicas; as pessoas jurídicas e até mesmo o próprio Estado são titulares de direitos fundamentais. Não significa afirmar, porém, que todos os direitos fundamentais têm como titulares as pessoas naturais, as pessoas jurídicas e as pessoas estatais. Há direitos fundamentais que podem ser usufruídos por todos, mas há direitos restritos a determinadas classes.

Por derradeiro, antes de entrarmos nos incisos do art. 5º, temos os seus parágrafos que, por uma questão de didática, serão vistos neste tópico.

“§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.”

“§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.”

“ § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.”

Ҥ

O

Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal

Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.”

O §1º mostra a preocupação com a efetividade dos direitos e garantias fundamentais. Em regra, deve-se aplicar imediatamente todos os direitos e garantias fundamentais, não esperando que venha uma lei para regulamentá- los.

Apesar de poder haver a regulamentação legal , esta não é essencial para a sua efetividade quando for possível aplicar desde logo o direito. Isso não quer dizer que as normas elencadas como direitos e garantias fundamentais sejam todas de eficácia plena. Na verdade, trata-se apenas de um apelo para que se busque efetivamente aplicá-las e assim não sejam frustrados os anseios da sociedade.

O § 2º traz informação já exposta acima, qual seja, o rol dos direitos e garantias fundamentais expressos na CF/88 não é taxativo.

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O §3º traz informação já explanada em nosso curso. O dispositivo afirma que os tratados internacionais sobre direitos humanos incorporados ao ordenamento jurídico pátrio, por meio de rito idêntico aos das Emendas Constitucionais, terão hierarquia de norma constitucional.

Como dissemos anteriormente, caro (a) aluno (a), o Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento de que, caso não observem o rito de Emenda Constitucional ao se incorporarem ao ordenamento pátrio, esses tratados terão hierarquia supralegal, situando-se abaixo da Constituição e acima da legislação interna.

Com relação ao §4º, o qual expressa que o Brasil se submeterá à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão, é importante saber que este fato não coloca em risco a soberania do Brasil, uma vez que tal instituição coaduna com os interesses do país. Pois a busca pela dignidade da pessoa humana e a proteção dos direitos e garantias do cidadão são valores protegidos pelo modelo de Estado Democrático de Direito idealizado para a República Federativa do Brasil.

Direito idealizado para a República Federativa do Brasil. 5. Adaptada) Na ordem jurídica brasileira, à luz

5.

Adaptada)Na ordem jurídica brasileira, à luz da Constituição da República, das

leis complementares que a regulamentam e da jurisprudência dominante no Supremo Tribunal Federal, analise assertiva abaixo:

O rol do artigo 5º da Constituição não exaure os direitos e garantias individuais no âmbito constitucional.

Comentário: assertiva correta, pois existem direitos e garantias individuais elencados fora do rol do art.5º da Constituição Federal, como, por exemplo, o princípio da anterioridade tributária (art. 150, III, 'b', CF/88; conforme decidido na ADI 939-DF) e o princípio da anterioridade eleitoral (art. 16, CF/88; conforme decidido na ADI 3.865-DF)

(TRT 15ªR/Juiz do Trabalho/TRT/2013-

na ADI 3.865-DF) (TRT 15ªR/Juiz do Trabalho/TRT/2013- 6. Adaptada) Na ordem jurídica brasileira, à luz da

6.

Adaptada) Na ordem jurídica brasileira, à luz da Constituição da República, das leis complementares que a regulamentam e da jurisprudência dominante no Supremo Tribunal Federal, analise assertiva abaixo:

O rol do artigo 5º da Constituição, por tratar de direitos e garantias individuais, não contempla direitos ou posições jurídicas extensíveis a pessoas jurídicas.

Comentário: assertiva incorreta, pois alguns dos direitos individuais listados no art. 5º, CF/88 beneficiam, também, pessoas jurídicas. Podemos listar como exemplos de direitos extensíveis às pessoas jurídicas, o princípio da isonomia, o princípio da legalidade, o direito de resposta, o direito de propriedade, o sigilo da correspondência e das comunicações em geral, dentre outros.

(TRT 15ºR/Juiz do Trabalho/TRT 15ªR/2013-

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e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra - Aula 00 (VUNESP/Juiz/TJ/PA/2014) O texto constitucional, em seu

(VUNESP/Juiz/TJ/PA/2014) O texto constitucional,

em seu art. 5º, caput, prevê expressamente valores ou direitos fundamentais ao ditar literalmente que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito.

7.

a) à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

b) à vida, à liberdade, à segurança, à intimidade e à dignidade.

c) à vida, à dignidade, à intimidade e à igualdade.

d) à vida, à liberdade, à fraternidade, à dignidade.

e) à vida, à liberdade e à intimidade.

Comentário: reposta letra “a”. A alternativa traz os 5 direitos elencados no caput do art. 5º, quais sejam: a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade.

liberdade , a igualdade , a segurança e a propriedade . 8. jurisdição do Tribunal Penal

8.

jurisdição do Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado

adesão.

(FCC/Analista - TJ-PI/2009) O Brasil se submete à

Comentário: assertiva correta. Literalidade do art. 5º §4º da Constituição.

2.1- Direito à Vida

Expresso no caput do art. 5º, o direito à vida é o mais elementar dos direitos fundamentais; sem vida, nenhum outro direito pode ser fruído, ou sequer cogitado.

Conforme nos ensinam Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, na obra Resumo de Direito Constitucional 2015, “A Constituição protege a vida de forma geral, não só a extrauterina como também a intrauterina. Corolário da proteção que o ordenamento jurídico brasileiro concede à vida intrauterina é a proibição da prática do aborto, somente permitindo o aborto terapêutico, como meio de salvar a vida da gestante, ou o aborto humanitário, no caso de gravidez resultante de estupro (Código Penal, art. 128)” (grifos nosso). Relacionado a esse tema, há um importante julgado do STF sobre a possibilidade de interrupção de gravidez de feto anencéfalo (o feto anencéfalo é aquele que tem uma má-formação do tubo neural- ausência parcial do encéfalo e da calota craniana). Trata-se de uma patologia letal: os fetos por ela afetados morrem, em geral, poucas horas depois de terem nascido. A Suprema Corte garantiu o direito à gestante de “submeter-se a antecipação terapêutica de parto na hipótese de gravidez de feto anencéfalo, previamente diagnosticada por profissional habilitado, sem estar compelida a apresentar

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autorização judicial ou qualquer outra forma de permissão do Estado”. O STF entendeu que, nesse caso, não haveria colisão real entre direitos fundamentais, apenas conflito aparente, uma vez que o anencéfalo, por ser inviável, não seria titular do direito à vida.

Outra questão apreciada pelo STF envolvia a pesquisa com células-tronco embrionárias. Segundo a Corte, é legítima e não ofende o direito a vida nem, tampouco, a dignidade da pessoa humana, a realização de pesquisas com células-tronco embrionárias, obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização “in vitro” e não utilizados neste procedimento (ADI 3510/DF, Rel. Min. Ayres Britto, DJe: 27.05.2010) .

O direito à vida, entretanto, não se resume ao mero direito à sobrevivência física. Possuindo desse modo duplo aspecto: sob o prisma biológico traduz o direito à integridade física e psíquica (desdobrando-se no direito à saúde, na vedação à pena de morte, na proibição do aborto etc.); em sentido mais amplo, relacionado ao princípio da dignidade da pessoa humana (inciso III, art. 1º, da CF/88) significa o direito a condições materiais e espirituais mínimas necessárias a uma existência condigna à natureza humana.

necessárias a uma existência condigna à natureza humana. aspecto da psíquica condições espirituais

aspecto da

psíquica

condições

espirituais

mínimas

integridade física e da psíquica condições espirituais mínimas a s p e c t o b i o l

aspecto biológico a s p e c t o b i o l ó g i c o

dignidade da pessoa humanafísica e a s p e c t o b i o l ó g i

Duplo aspecto do direito à vida

materiais e dignidade da pessoa humana Duplo aspecto do direito à vida Com relação ao aspecto da dignidade

Com relação ao aspecto da dignidade da pessoa humana dentro dos direitos fundamentais, temos o inciso III, art. 5º da CF/88.

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

Com relação ao inciso supra, temos a súmula vinculante nº11 do STF:

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”.

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Finalizando a abordagem sobre o direito à vida, cabe destacar que nem mesmo o direito à vida é absoluto, pois, a Constituição Federal de 1988 admite a pena de morte em caso de guerra declarada.

1988 admite a pena de morte em caso de guerra declarada . 9. fundamentais de primeira

9.

fundamentais de primeira geração, como o direito à vida, é correto afirmar que eles são absolutos, pois são o escudo protetivo do cidadão contra as possíveis arbitrariedades do Estado.

Comentários: assertiva errada, não há direitos fundamentais absolutos. Até mesmo o direito à vida não é absoluto visto que, no Brasil, admite-se a pena de morte em caso de guerra declarada.

(FGV / TJ-PA 2008) Pela relevância dos direitos

(FGV / TJ-PA – 2008) Pela relevância dos direitos (CESPE/DPE-AL/2009) Segundo entendimento do STF, é vedada

(CESPE/DPE-AL/2009) Segundo entendimento do

STF, é vedada a utilização de algemas, sob pena de ofensa ao princípio da dignidade da pessoa humana e do direito fundamental do cidadão de não ser submetido a tratamento desumano ou degradante.

10.

Comentário: assertiva errada. Não é vedado o uso de algemas. Ele é lícito, porém, somente em casos justificáveis.

Ele é lícito, porém, somente em casos justificáveis. 11. PI/2002) A Constituição Federal prevê que

11.

PI/2002) A Constituição Federal prevê que "ninguém será submetido a tortura

nem a tratamento desumano ou degradante". Esse dispositivo de proteção abrange

a) o racismo, somente se for praticado em concurso com a violência física.

b) apenas o sofrimento físico, único inerente à tortura.

c) tanto o sofrimento físico como o mental.

d) o sofrimento psíquico, apenas nos casos de discriminação religiosa.

(FCC/Analista Judiciário Área Judiciária/TRE-

e) a aplicação de castigo pessoal a alguém sob guarda, mesmo que não cause

intenso sofrimento.

Comentário: resposta letra “c”. A interpretação do dispositivo é ampla, abrange tanto o aspecto físico quanto o psicológico.

2.2- Direito à Igualdade

Tamanha é a importância de tal direito que logo no caput do art. 5º ele é citado duas vezes:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à

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igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:” (Grifos nosso)

Inicialmente, tal princípio era visto sob uma perspectiva formal. Nessa ótica de aplicação, o princípio pressupõe um diploma normativo já elaborado que se dirige aos Poderes Públicos para a aplicação do mesmo sem a possibilidade de serem utilizados critérios seletivos ou discriminatórios.

Com o passar do tempo, todavia, essa perspectiva formal restou ultrapassada ao demonstrar sua insuficiência em equacionar, verdadeiramente, a igualdade entre os indivíduos, já que os marginalizados seguiam sem acesso às mesmas oportunidades, bens e "condições de partida" que os socialmente favorecidos. Conforme nos diz a grande mestre Nathalia Masson (Manual de Direito Constitucional, 2015) “Vedava-se um tratamento discriminatório pela lei, mas nada se fazia para mudar a situação fática e evitar a perpetuação das profundas desigualdades concretas que marcavam a vida social”.

Dessa forma, criou-se o cenário adequado para o robustecimento da perspectiva material que considera as desigualdades reais existentes na vida fática, permitindo que situações desiguais sejam destinatárias de soluções distintas. Recuperou-se, com isso, a lógica de Aristóteles de que os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida da sua desigualdade

Perspectiva

formal do

princípio da

igualdade.

Perspectiva formal do princípio da igualdade . Perspectiva material do princípio da igualdade • Está

Perspectiva

material do

princípio da

igualdade

Está presente na Constituição no caput do artigo 5º, “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”. Trata-se de um “ideal jurídico-formal” de buscar estabelecer que a lei seja genérica e abstrata e confere

tratamento igual para todos, sem fazer

qualquer distinção ou privilégio.

Considera as desigualdades reais existentes na sociedade. Os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida de suas desigualdades.

Caro aluno, importantíssimo você ter em mente que o tratamento desigual para os desiguais (isonomia material) deve ser sempre previsto por lei ou pela própria Constituição. Nesse sentido, o STF entende que o

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princípio da isonomia não autoriza ao Poder Judiciário estender a alguns grupos vantagens estabelecidas por lei a outros. Isso porque se assim fosse possível, o Judiciário estaria “legislando”. O STF considera que, em tal situação, haveria ofensa ao princípio da separação dos Poderes.

2.2.1- Ações Afirmativas e o Princípio da Isonomia

No que diz respeito à efetivação do princípio da igualdade no âmbito material, insta trazer à discussão as denominadas "ações afirmativas" (afirmatives actions), conjunto de medidas especiais e temporárias tomadas ou determinadas pelo Estado com o objetivo específico de eliminar as desigualdades que foram acumuladas no decorrer da história da sociedade.

Tais medidas visam dar oportunidade, aos que foram menos favorecidos, (no decorrer da história) ao acesso aos meios que reduzam ou compensem as dificuldades enfrentadas, de forma a possibilitar o saneamento das distorções que os colocaram em posição desigual diante dos demais integrantes da sociedade.

Apesar de constar na nossa Lei Maior dispositivos que se alinham com essas ações (art. 37, VIII, que determina a reserva de certo percentual de cargos e empregos públicos para pessoas portadoras de deficiência física; o art. 7°, XX, que enuncia tratamento especial de proteção ao mercado de trabalho feminino; o art. 3°, III, que prevê como objetivo fundamental erradicar as desigualdades regionais), tais políticas públicas devem ser instituídas em estrita observância à razoabilidade e à proporcionalidade, visto somente serem constitucionalmente legítimas quando não se basearem em critérios arbitrários e não promoverem favoritismos desproporcionais.

No Brasil, podemos exemplificar, dentre outras, a incidência de ações afirmativas por intermédio da instituição da política de cotas étnico-raciais para a seleção e ingresso de estudantes em universidades, e pelo PROUNI - programa que destina-se à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais para estudantes de cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, a estudante que tenha cursado o ensino médio completo em escola da rede pública ou em instituições privadas na condição de bolsista integral, a estudante portador de deficiência, nos termos da lei, e a professor da rede pública de ensino.

Deve-se ressaltar que, via de regra, as ações afirmativas possuem caráter precário e temporário, pois a disponibilização estatal de benefícios e oportunidades a determinados grupos, tem por fim diminuir desigualdades sociais ocasionadas por situações históricas. Assim, tão logo estas diferenças

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estiverem devidamente eliminadas, as ações afirmativas devem ser reduzidas e, por fim, extintas.

Por fim, importante sabermos as posições do STF acerca das ações afirmativas:

“a definição jurídica objetiva e racional da desigualdade dos desiguais, histórica e culturalmente discriminados, é concebida como uma forma para se promover a igualdade daqueles que foram e são marginalizados por preconceitos encravados na cultura dominantes na sociedade. Por esta desigualação positiva promove-se a igualação jurídica efetiva; por ela afirma-se uma fórmula jurídica para se provocar uma efetiva igualação social, política, econômica segundo o Direito, tal como assegurado formal e materialmente no sistema constitucional democrático. A ação afirmativa é, então, uma forma jurídica para se superar o isolamento ou a diminuição social a que se acham sujeitas as minorias” (grifos nosso);

“a reserva na Universidade de Brasília de 20% das vagas para estudantes que se autodeclararem afrodescendentes constitui, "providência adequada e proporcional ao atingimento dos mencionados desideratos. A política de ação afirmativa adotada pela Universidade de Brasília não se mostra desproporcional ou irrazoável, afigurando-se também sob esse ângulo compatível com os valores e princípios da Constituição" (Grifos nosso);

“tão logo as distorções históricas que o programa estatal visa corrigir forem devidamente superadas, não há mais razão que justifique a subsistência do programa, pois se ele, ainda assim fosse mantido, poderia converter-se em inaceitável benesse permanente, em detrimento não só da coletividade mas também da democracia”. (Grifos nosso);

2.2.2- Igualdade entre homens e mulheres

Essa perspectiva da igualdade já estava contemplada na cláusula geral do caput do art.5º, ao assegurar que "todos são iguais perante a lei", assim como nas normas que vedam discriminações motivadas por questões de gênero (art. 3º, IV, art. 7°, XXX, e art. 226, §5º, todos da CF/88). Apesar disso, o constituinte originário optou por enunciar no inciso I do art. 5°, de modo específico e destacado, a igualdade entre os sexos:

“I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;”

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Esse inciso traduz o princípio da igualdade no seu sentido material, que determina que se dê tratamento igual aos que estão em condições equivalentes e desigual aos que estão em condições diversas, dentro de suas desigualdades. Obriga tanto o legislador quanto o aplicador da lei.

Consoante a boa doutrina de José Afonso da Silva (Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005) tem-se aí um dispositivo "que resume décadas de lutas das mulheres contra discriminações. Mais relevante ainda é que não se trata, aí, de mera isonomia formal. Não é igualdade perante a lei, mas igualdade em direitos e obrigações".(Grifos nosso)

Isso posto, não será legítimo estipular tratamento desigual entre homens e mulheres, salvo quando voltado à equiparação de condições entre eles - já que será a partir dessas diferenciações lícitas que se efetivará fielmente o princípio da isonomia.

Importante saber algumas posições da nossa Suprema Corte acerca do princípio da isonomia entre homens e mulheres:

“não afronta o princípio da isonomia a adoção de critérios distintos para a promoção de integrantes do corpo feminino e masculino da Aeronáutica”;

“a adoção de critérios diferenciados para o licenciamento dos

militares temporários, em razão do sexo, não viola o princípio da isonomia”;

“violou o princípio da isonomia o edital de concurso público que

vedou a participação de mulheres em curso de formação de oficiais da polícia militar do Estado do Mato Grosso do Sul. Já que nem o edital, tampouco a legislação regente da matéria, especificavam e justificavam o impedimento para a participação das mulheres, entendeu-se haver discriminação inaceitável sob a ótica constitucional”; e

o foro especial para a mulher nas ações de separação

judicial e de conversão da separação judicial em divórcio não ofende o princípio da isonomia entre homens e mulheres ou da igualdade entre os cônjuges. Isso porque não se trata de um privilégio

estabelecido em favor das mulheres, mas de uma norma que visa dar um tratamento menos gravoso à parte que, em regra, se encontrava e, ainda se encontra, em situação menos favorável econômica e financeiramente” (grifos nosso).

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2.2.3- Princípio da Igualdade nos Concursos Públicos

Embora nossa Constituição tenha vedado explicitamente a imposição de distinções por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil, o poder constituinte reformador, por intermédio da EC nº 19/1998, possibilitou ao legislador infraconstitucional estabelecer em lei requisitos diferenciados de admissão em concursos públicos quando a natureza do cargo o exigir (art. 39, § 3°,

CF/88).

Dessa maneira, é constitucionalmente legítima a previsão em edital de requisitos diferenciados de admissão desde que haja previsão legal- definindo quais são os critérios- e razoabilidade da previsão, afinal, conforme entendimento da Suprema Corte a distinção só será constitucionalmente legítima quando justificada pela natureza das atribuições dos cargos a serem preenchidos.

Requisitos diferenciados de admissão em concursos

Requisitos diferenciados de admissão em concursos 12. previsão legal justificados pela natureza das
12. previsão legal justificados pela natureza das atribuições dos cargos

12.

previsão legal

12. previsão legal justificados pela natureza das atribuições dos cargos
12. previsão legal justificados pela natureza das atribuições dos cargos

justificados pela natureza das atribuições dos cargos

12. previsão legal justificados pela natureza das atribuições dos cargos

Por último, importante ressaltar a mudança jurisprudencial ocorrida no STF, em 2013, na qual a Suprema Corte estabeleceu ser lícita a previsão em edital de proibição a remarcação de teste de aptidão física em concurso público em virtude de problema temporário de saúde. Segundo a corte tal previsão é constitucional:

“Postulado do qual não decorre, de plano, a possibilidade de realização de segunda chamada em etapa de concurso público em virtude de situações pessoais do candidato. Cláusula editalícia que confere eficácia ao princípio da isonomia à luz dos postulados da impessoalidade e da supremacia do interesse público. Inexistência de direito constitucional à remarcação de provas em razão de circunstâncias pessoais dos candidatos

(CS - UFG/Defensor Público/DPE/G0/2014 -

Adaptada) Considerando-se o conteúdo jurídico do princípio da igualdade, é vedada a ação afirmativa com vistas à inclusão de grupo historicamente

periférico, dado que constitui medida discriminatória inadmitida pela Constituição de 1988.

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Comentário: assertiva errada. Na lição de Nathalia Masson (Manual de Direito Constitucional): “A Constituição, como forma de instrumentalizar o princípio da igualdade, vem fomentando ações afirmativas, que exigem do Estado o dispêndio de recursos para encurtar distâncias sociais e promover os desfavorecidos. Através da nominada "justiça distributiva", permite-se a superação das desigualdades no mundo dos fatos, por meio de intervenção estatal que realoca bens e oportunidades existentes na sociedade em benefício de todos.”

existentes na sociedade em benefício de todos.” (CS - UFG/Defensor Público/DPE/G0/2014 - Adaptada)

(CS - UFG/Defensor Público/DPE/G0/2014 -

Adaptada) Considerando-se o conteúdo jurídico do princípio da igualdade, é vedada a reserva de vagas para deficientes em concursos públicos, considerando que deve haver igualdade de condições para o ingresso ao serviço

público.

Comentário: assertiva errada. Já é pacificado pelo STF que a destinação de vagas em concursos públicos às pessoas com deficiência física obedece ao art. 37, VIII, CF/88.

13.

deficiência física obedece ao art. 37, VIII, CF/88. 13. 14. proclame a absoluta igualdade entre homem

14.

proclame a absoluta igualdade entre homem e mulher, as distinções fundadas em critérios razoáveis são admissíveis. Com tal fundamento pode-se afirmar a constitucionalidade da existência de critérios diferenciados para a promoção de homens e mulheres na carreira militar.

Comentário: assertiva correta. Segundo o STF, não afronta o princípio da isonomia a adoção de critérios distintos para a promoção de integrantes do corpo feminino e masculino da Aeronáutica. A discriminação, nesse caso, visa promover a igualdade material, sendo, portanto, razoável.

(FGV / TJ-AM 2013) Embora a Constituição

2.3- Direito à Liberdade

Passemos à verificação, nos tópicos seguintes, da normatização constitucional pátria sobre esse direito, que se deu a partir da consagração de distintas facetas da liberdade.

2.3.1- Liberdade de Ação

Manifestação da autonomia da vontade, a liberdade de agir é prevista no inciso II, do art. 5º, da CF/88.

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“II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”

Doutrinariamente, chama-se de "princípio da liberdade de agir” a norma expressa no art. 5º, II, já que somente a lei (legítima*) pode obrigar que alguém faça ou deixe de fazer algo contra sua vontade.

*Leis que sejam produto de um abusivo poder de legislar não serão legítimas, de forma que o indivíduo terá, diante delas, o mesmo direito de resistência que possui diante de ordens que não tenham sido fundamentadas em atos normativos válidos.

Este princípio também é conhecido como a faceta da legalidade para o cidadão, devido a legalidade possuir 2 formas:

Para o cidadão - O particular pode fazer tudo aquilo que a lei não proíba;

Para o administrador público - O administrador público só pode fazer aquilo que a lei autorize ou permita.

para o cidadão

pode fazer tudo aquilo
pode fazer
tudo
aquilo
só pode fazer aquilo
só pode fazer
aquilo

que a lei não proíba

que a lei

autorize ou

permita

Legalidade
Legalidade

para o

administrador

público

Cabe-nos expor uma outra discussão doutrinária relevante para concursos: a diferenciação dos termos "legalidade" e "reserva legal" (reserva de lei). Embora, não seja pacífico tal distinção, muitos doutrinadores (inclusive o próprio STF) consideram importante diferenciar os institutos:

Reserva legal - É um termo mais específico. Ocorre quando a Constituição estabelece um comando, mas faz uma "reserva" para que uma lei (necessariamente uma lei formal emanada pelo Poder Legislativo - ou então, uma lei delegada ou medida provisória) estabeleça algumas situações.

Ex. Art. 5º, XIII É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Veja que a Constituição garantiu uma liberdade, porém, reservou à lei, e somente à lei (formal), a possibilidade de estabelecer restrições à norma.

Legalidade - É um termo mais genérico, também conhecido como "reserva da norma". Grosso modo, a legalidade (reserva de norma)

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pode ser atendida tanto com o uso de leis formais, quanto pelo uso de atos infralegais emanados nos limites da lei.

O STF tem entendido que a exigência de lei-expressa no inciso II, art.

5º-, para limitar a liberdade de ação, seria meramente uma "reserva de norma", ou seja, uma legalidade ampla e não uma reserva de lei (formal) em sentido estrito. Assim, tal dispositivo poderia ser cumprido tanto através de uma lei formal como também por outros atos expressa ou implicitamente autorizados por ela.

outros atos expressa ou implicitamente autorizados por ela. garantia constitucional da liberdade a previsão segundo a

garantia

constitucional da liberdade a previsão segundo a qual:

a) é vedada a instituição de pena de privação ou restrição da liberdade.

b) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em

virtude de lei.

c) se proíbe a instituição da pena de morte, exceto na hipótese de guerra

declarada, nos termos da Constituição.

d) a lei considerará crimes inafiançáveis e imprescritíveis a prática da tortura e

15.

(FCC/Procurador

Recife/2008)

É

-

o

terrorismo.

e)

não haverá prisão civil por dívida, exceto a do depositário infiel.

Comentário: resposta letra “b”. A assertiva traz a literalidade do inciso II do art. 5º, da CF/88, o qual estabelece o princípio da liberdade de agir dos cidadãos.

o princípio da liberdade de agir dos cidadãos. 16. regulamentação de determinadas matérias há de se

16.

regulamentação de determinadas matérias há de se fazer necessariamente por

lei formal, há referência expressa ao princípio da legalidade lato sensu.

Comentário: assertiva errada. Quando se diz "necessariamente por lei formal" estamos falando sobre a legalidade em sentido "estrito" (stricto sensu) e não

sobre a legalidade em sentido amplo (lato sensu), que seria atendida tanto com

(CESPE/TFCE-TCU/2012) Quando se afirma que a

o uso de leis formais, quanto pelo uso de atos infralegais emanados nos limites

da lei.

2.3.2- Liberdade de Pensamento e Manifestação

É da natureza do indivíduo querer expressar suas convicções íntimas,

comunicar suas ideias e opiniões formatadas internamente. Nesse contexto surge a importância do Direito, que vai ampará-lo no exercício da liberdade de manifestar seu pensamento.

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A CF/88 no art. 5º, inciso IV, assegura o direito de manifestação do

pensamento.

“IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”

Todos podem manifestar (oralmente, por escrito, por gestos, por imagens etc.) o que pensam, desde que isso não seja feito anonimamente. Até mesmo manter o silêncio é prerrogativa assegurada, visto que ninguém pode ser forçado por particulares ou pelo Estado a se manifestar sem vontade. Em suma, todas as maneiras que o indivíduo possui para se exprimir encontram guarida constitucional.

A vedação ao anonimato visa garantir a responsabilização de quem

utilizar tal liberdade para causar danos a terceiros (honra ou imagem, por exemplo) ou até mesmo cometer um ilícito penal.

Nesse sentido, já foi pacificado pelo STF a vedação de denúncias anônimas serem a causa única para ser instaurado um procedimento formal de investigação. “Entretanto, delações anônimas poderão servir de base para que o Poder Público adote medidas destinadas a esclarecer, em sumária e prévia apuração, a verossimilhança das alegações que lhe foram transmitidas (STF, Inq 1957/ PR, Rel. Min. Carlos Velloso, Informativo STF nº 393)”. Em caso positivo, poderá, então, ser promovida a formal instauração da persecução penal, mantendo-se completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas (anônimas). Tais peças não podem ser incorporadas, formalmente, ao processo, salvo quando forem produzidas pelo acusado, ou, ainda, quando constituírem, elas próprias, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no delito de extorsão mediante sequestro, por exemplo).

Também com base no direito à manifestação do pensamento e no direito de reunião, o STF considerou inconstitucional qualquer interpretação do Código Penal que possa ensejar a criminalização da defesa da legalização das drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica, inclusive através de manifestações e eventos públicos (ADPF 187, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 15-6-2011, Plenário). Tal entendimento polêmico, descriminalizou a chamada “marcha da maconha”.

Importante lembrar que nenhum direito fundamental é absoluto. Também não o é a liberdade de manifestação do pensamento, que, segundo o STF, “não pode abrigar, em sua abrangência, manifestações de conteúdo imoral que implicam ilicitude penal. O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra o ‘direito à incitação ao racismo’, dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra.” (HC 82.424. Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 19.03.2004).

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Outra decorrência da vedação do anonimato, é a possibilidade (prevista na Constituição, em seu art. 5º, inciso V) de resposta (proporcional ao agravo) e indenização contra manifestações que causem dano material, moral ou à imagem

“V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;”

Essa norma traz o direito de resposta à manifestação do pensamento de outrem, que é aplicável em relação a todas as ofensas, independentemente de elas configurarem ou não infrações penais. Conforme já estabelecido pelo STF, essa resposta deverá ser sempre proporcional, ou seja, veiculada no mesmo meio de comunicação utilizado pelo agravo, com mesmo destaque, tamanho e duração. Salienta-se, ainda, que o direito de resposta se aplica tanto a pessoas físicas quanto a jurídicas ofendidas.

Consoante súmula número 37 do STJ, as indenizações material, moral e à imagem são cumuláveis (podem ser aplicadas conjuntamente), e, da mesma forma que o direito à resposta, aplicam-se tanto a pessoas físicas (indivíduos) quanto a jurídicas (“empresas”) e são proporcionais (quanto maior o dano, maior a indenização). O direito à indenização independe de o direito à resposta ter sido, ou não, exercido, bem como de o dano caracterizar, ou não, infração penal.

Relacionada a este inciso, temos jurisprudência do STF na qual é afirmada que o Tribunal de Contas da União (TCU) não pode manter em sigilo a autoria de denúncia contra administrador público a ele apresentada. Isso porque tal sigilo impediria que o denunciado se defendesse perante aquele Tribunal.

Finalizando o item, temos que, além do direito geral de manifestação do pensamento, a Constituição ainda garantiu especificamente a manifestação artística, intelectual, científica e de comunicação, sendo vedado qualquer tipo de censura prévia, conforme enunciado no art. 5°, IX, CF/88 (e também nos artigos 220 e 2 2 1 , CF/88).

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Apesar de vedada a censura, a liberdade de expressão, como qualquer direito fundamental, é relativa. Nessa esteira, entende o STF que o direito à liberdade de imprensa assegura ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, ainda que em tom áspero, contundente, sarcástico, irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades e aparelhos de Estado. Entretanto, esse profissional responderá, penal e civilmente, pelos abusos que cometer, sujeitando-se ao direito de resposta a que se refere a Constituição em seu art. 5º, inciso V. A liberdade de imprensa é plena em todo

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o tempo, lugar e circunstâncias, tanto em período não eleitoral, quanto em período de eleições gerais”( ADI 4.451-MC-REF, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJE de 24-8-2012).

Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJE de 24-8-2012) . (CESPE/DPU - Agente Adm./2010) A CF prevê

(CESPE/DPU - Agente Adm./2010) A CF prevê o

direito à livre manifestação de pensamento, preservando também o anonimato.

Comentário: assertiva errada. A Constituição não preserva o anonimato. Pelo contrário, o repudia (art. 5º, IV).

17.

o anonimato. Pelo contrário, o repudia (art. 5º, IV). 17. 18. dispositivo constitucional que assegura a

18.

dispositivo constitucional que assegura a liberdade de manifestação de pensamento e veda o anonimato, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende

que os escritos anônimos não podem justificar, por si só, desde que isoladamente considerados, a imediata instauração de procedimento investigatório.

(CESPE/AJAJ - STM/2011) Com fundamento no

Comentário: assertiva correta. Segundo o STF, não é possível a utilização da denúncia anônima como ato formal de instauração do procedimento investigatório , quando isoladamente consideradas.

investigatório , quando isoladamente consideradas. 19. a liberdade de manifestação de pensamento, sem excluir

19.

a liberdade de manifestação de pensamento, sem excluir a responsabilidade pelos danos materiais e morais decorrentes do seu exercício e sem afastar o direito de resposta para rebater qualquer tipo de ofensa, e não apenas aquelas configuradoras de ilícitos penais.

(CESPE/ Auditor SEFAZ-ES/ 2013) A CF assegura

Comentário: assertiva correta. conforme disposto no art. 5º, V da CF, que prevê direito de resposta no caso de violação dos direitos patrimoniais e da

personalidade.

de violação dos direitos patrimoniais e da personalidade. 20. livre a expressão da atividade intelectual, artística,

20.

livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,

independentemente de censura ou licença. Diante da amplitude do tratamento constitucional atribuído a essas liberdades, mesmo que a manifestação dessas atividades viole a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem de alguém, não será devida qualquer indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

(CESPE/Auditor-TCU/2009) A CF estabelece que é

Comentário: assertiva errada. Os direitos fundamentais não são absolutos. Embora tenhamos uma liberdade ampla de expressão, essa liberdade está condicionada ao respeito de outros direitos fundamentais.

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2.3.3- Liberdade de Consciência, Crença e Culto

Nas palvras da ilustre professora Nathalia Masson (Manual de Direito Constitucional), “essa faceta do direito à liberdade consiste no posicionamento estatal neutro e independente diante da pluralidade de religiões e concepções filosóficas referentes aos fenômenos sobrenaturais, conferindo aos cidadãos vasta autonomia na adesão de valores religiosos, espirituais, morais ou polírico- filosóficos”.

A liberdade de consciência, crença e culto é assegurada nos incisos VI a

VIII do art.5º, e inciso I art.19. Veremos neste tópico não só os dispositivos

constitucionais que a consagram, como também as discussões jurisprudenciais e doutrinárias mais relevantes para fins de prova.

“VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”

O dispositivo supra materializa a laicidade do Estado.

A autonomia quanto à consciência possui grande amplitude, pois blinda o

indivíduo de quaisquer interferências de ordem moral, filosófica, religiosa, política ou sociológica, permitindo que cada um abrace juízos, ideias e opiniões.

Já a liberdade de crença é mais restrita, pois envolve tão somente o aspecto religioso, referente à autonomia de professar (ou não) uma crença religiosa.

Por sua vez, a liberdade de culto é a permissão para a exteriorização da crença, já que a autonomia de um indivíduo em escolher sua religião não se encerra na mera escolha, necessitando de uma prática religiosa que se expressa por intermédio dos cultos, dos ritos, das cerimônias, das reuniões e da fidelidade aos hábitos e tradições. Desse modo, não pode o Estado embaraçar o funcionamento de igrejas ou cultos religiosos, tampouco firmar com seus representantes qualquer aliança ou relação de dependência, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público, conforme comando do art. 19, 1, CF/88.

A proteção aos locais de culto é princípio do qual deriva a imunidade

tributária prevista no art. 150, inciso VI, “b”, que veda aos entes federativos

instituir impostos sobre templos de qualquer culto. Segundo o STF, essa imunidade alcança os cemitérios que consubstanciam extensões de entidade de cunho religioso abrangidas pela garantia desse dispositivo constitucional, sendo vedada, portanto, a incidência do IPTU sobre eles (RE 578.562. Rel. Min. Eros Grau. DJe 12.09.2008).

Importante saber que a laicidade do Estado brasileiro não impede o reconhecimento de sentenças eclesiásticas estrangeiras, não cabendo

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ao Superior Tribunal de Justiça analisar o mérito dessas sentenças . Por isso, a

Corte Especial do tribunal homologou uma sentença de anulação de casamento proferida pela Santa Sé, no Vaticano.

“VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;”

O dispositivo supra traz o direito constitucional (conhecido pela doutriana como “escusa de consciência”) que permite a um indivíduo não cumprir determinada obrigação legal (ou que não pratique certo ato) não condizente com suas convicções religiosas, políticas ou filosóficas, sem que com isso incida sobre ele qualquer sanção quanto às suas garantias constitucionais - desde que, ao se recusar a satisfazer a obrigação legal, cumpra a prestação alternativa prescrita em lei.

Um exemplo de obrigação legal a todos imposta é o serviço militar

obrigatório. Imagine que um indivíduo, por convicções filosóficas e religiosas,

se recuse a ingressar nas Forças Armadas. Se o fizer, ele não será privado de

seus direitos: a lei irá fixar-lhe prestação alternativa. Caso, além de se recusar

a ingressar no serviço militar, ele, adicionalmente, se recuse a cumprir prestação alternativa, aí sim
a ingressar no serviço militar, ele, adicionalmente, se recuse a cumprir
prestação alternativa, aí sim ele poderá ser privado de seus direitos.
permite a um
indivíduo não
cumprir
determinada
cumpra a
prestação
escusa de
desde
alternativa
consciência
que
prescrita em
obrigação
lei
legal

Importante ressaltar que, caso o Estado não estabeleça a prestação alternativa prevista em lei, não há que se falar em suspensão de direitos ao deixar o indivíduo de cumprir determinada obrigação legal. Nesse sentido, temos a esclarecedora lição de Nathalia Masson (Manual de Direito Constitucional 2015) “a ausência de lei que estabeleça o serviço alternativo não prejudica, de forma alguma, o indivíduo. Assim, caso o Estado não tenha editado a lei que conceba o serviço administracivo correspondente ao descumprimento de uma obrigação lega específica, não haverá suspensão dos direitos políticos para aquele que não adimplir a obrigação legal. A razão é simples: muito embora o inciso VIII careça de lei que fixe a incumbência alternativa, possui aplicabilidade imediata quanto ao direito de invocar a objeção de consciência”.

Em relação a liberdade de crença, temos ainda o inciso VII do art. 5º:

“VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;”

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Ressalta-se que não é o Poder Público o responsável pela prestação

religiosa, visto o Brasil ser um Estado laico, portanto a administração pública está impedida de exercer tal função. Essa assistência tem caráter privado

e incumbe aos representantes habilitados de cada religião. A obrigação do Poder Público é assegurar as condições para que a assistência seja prestada.

21.

21. (CESPE/ABIN/2008) Considerando a hipótese de que

(CESPE/ABIN/2008) Considerando a hipótese de que

um

cidadão esteja internado em entidade civil de internação coletiva e professe

como religião o candomblé, nessa hipótese, sendo o Estado brasileiro laico, não

será a União obrigada a assegurar a esse interno as condições para que ele tenha assistência religiosa.

Comentário: assertiva errada. A Constituição é clara ao prever em seu art. 5º,

VII que é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa

nas entidades civis e militares de internação coletiva.

nas entidades civis e militares de internação coletiva. (CESPE/TJAA-TRE-MG/2008) A Constituição da República

(CESPE/TJAA-TRE-MG/2008) A Constituição da

República Federativa do Brasil de 1988 estabelece ser inviolável a liberdade de

consciência e de crença, razão pela qual é vedado ao Estado garantir,na forma da lei, proteção aos locais de culto e às suas liturgias.

Comentário: assertiva errada. A Constituição estabelece no seu art. 5º, VI

que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, e ainda estabelece que

22.

é assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. (FCC/TCE-SP/2011) Por força de

(FCC/TCE-SP/2011) Por força de previsão expressa

no Código de Processo Penal (CPP), o serviço do júri é obrigatório, sujeitando- se ao alistamento os cidadãos maiores de 18 anos de notória idoneidade. O artigo 438 do mesmo diploma legal, a seu turno, estabelece que "a recusa ao

23.

serviço do júri fundada em convicção religiosa, filosófica ou política importará

no dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos

políticos, enquanto não prestar o serviço imposto". A previsão contida no artigo

438 do CPP é

a) compatível com a Constituição da República.

b) parcialmente compatível com a Constituição da República, no que se refere

à possibilidade de exercício de objeção de consciência, que somente se admite

por motivo de convicção filosófica ou política.

c) incompatível com a Constituição da República, que considera o júri um órgão

que emite decisões soberanas, sendo por essa razão vedada a recusa ao serviço.

d) incompatível com a Constituição da República, que não admite a suspensão

de direitos políticos nessa hipótese.

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e) incompatível com a Constituição da República, que não admite a possibilidade de recusa ao cumprimento de obrigação legal a todos imposta.

Comentário: Resposta letra “a”. É perfeitamente compatível coma Constituição, pois associa dois dispositivos presentes no seu texto:

CF, Art. 5º, VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir- se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

CF, Art.15, IV - No caso de recusa de se cumprir obrigação legal a todos imposta ou prestação alternativa, ensejará a suspensão dos direitos políticos do cidadão. (tal dispositivo será estudado em aula futura).

cidadão. (tal dispositivo será estudado em aula futura). 24. resposta proporcional ao agravo constitui instrumento

24.

resposta proporcional ao agravo constitui instrumento democrático de ampla

abrangência, já que é aplicável em relação a todas as ofensas, independentemente de elas configurarem ou não infrações penais.

Comentário: assertiva correta. O direito de resposta é amplo, pode ser usado sempre que o ofendido queira se defender de algo proferido ao seu respeito, este direito é muito usado no âmbito das campanhas eleitorais, sendo neste caso, inclusive regulamentado por lei.

ATENÇÃO! Embora seja assegurado o direito de resposta, não se pode, por meio deste, violar a intimidade, a vida privada e a honra do agressor. Exemplo: A mulher não pode vingar-se do companheiro, que publicou imagens suas desrespeitosas na internet, fazendo o mesmo com as dele, alegando direito de resposta.

(CESPE/Procurador-TCE-ES/2009) O direito de

2.3.4- Liberdade de Profissão

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

A Constituição Federal garante a liberdade no exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão; condiciona, no entanto, essa liberdade ao atendimento das qualificações profissionais que eventualmente uma lei federal (conforme art. 22, XVI, compete privativamente à União legislar sobre condições para o exercício de profissões) estabelecer.

Estamos diante, pois, de uma norma constitucional de eficácia contida, possuidora de aplicabilidade direta, imediata e não integral (pois passível de restrição por disposição da própria Constituição ou de legislação infraconstitucional).

Segundo o STF: Curso: Direito Constitucional p/ Escrevente do TJ-SP Teoria e questões comentadas Prof.º.

Segundo o STF:

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"o art. 5º, XIII, da CF/88, é norma de aplicação imediata e eficácia contida que pode ser restringida pela legislação infraconstitucional. Inexistindo lei regulamentando o exercício da atividade profissional, é livre seu exercício” (MI 6.113, relatado pela Min. Cármen Lúcia).

Percebe-se que para o STF nem todos os ofícios ou profissões podem ser condicionados ao cumprimento de condições legais para seu exercício, afinal, nos termos da CF/88, a regra é a liberdade profissional. Assim, somente quando houver potencial lesivo na atividade é que podem ser exigidos requisitos para a profissão ou o ofício serem exercitados, ressaltando que referidos requisitos devem guardar nexo lógico com as funções e atividades a serem empenhadas.

Nesse sentido, o STF determinou que:

"a atividade de músico não depende de registro ou licença de entidade de classe para seu exercício afinal, a liberdade de exercício profissional é quase absoluta e qualquer restrição a ela só se justifica se houver necessidade de proteção a um interesse público , a exemplo de atividades para as quais fosse requerido conhecimento específico, técnico, ou ainda, habilidade já demonstrada".( RE 414.426, relatado pela Min. Ellen Gracie e noticiado no Informativo 633, STF).

Ainda relacionada à liberdade do exercício profissional, destaca-se entendimento do STF no sentido de que é inconstitucional a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Tal manifestação foi dada no Recurso Extraordinário nº 511.961, no qual o plenário do tribunal declarou como não recepcionado pela CF/88 o art. 4º, V, do DL 972/ 969, que exigia diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista .

Cabe destacar ainda que o STF considerou constitucional o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para a Corte, o exercício da advocacia traz um risco coletivo, cabendo ao Estado limitar o acesso à profissão e o respectivo exercício. Nesse sentido, o exame de suficiência discutido seria compatível com o juízo de proporcionalidade e não alcançaria o núcleo essencial da liberdade de ofício.

Por último, temos uma importante jurisprudência na qual o STF estabeleceu não poder a Fazenda Pública obstaculizar a atividade empresarial com a imposição de penalidades no intuito de receber imposto atrasado. Nesse sentido, foi editada a Súmula nº 323, segundo a qual “é inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”.

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e questões comentadas Prof.º. Raphael Senra - Aula 00 25. PE/2009) É livre o exercício de

25.

PE/2009) É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,

atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.

Comentário: assertiva correta. Trata-se da perfeita literalidade do art. 5.º, XIII, da Constituição.

(FGV/Analista de Controle Interno SAD

(FGV/Analista de Controle Interno – SAD – 26. trabalho ou profissão, independentemente das

26.

trabalho ou profissão, independentemente das qualificações legais.

Comentário: assertiva errada. O exercício de qualquer trabalho ou profissão, de fato, é livre. Porém, é necessário atender as qualificações que a lei estabelecer.

(FCC/2010/TRE-AC) É livre o exercício de qualquer

2.3.5- Liberdade de Locomoção

“XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;”

Em tempos de paz, é livre a locomoção em teritório nacional, podendo qualquer pessoa (nacional ou estrangeira), nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.

abarca: o

Vê-se que a liberdade estabelecida, no dispositivo supra

ingresso, a saída, a permanência e o deslocamento no território nacional.

Ressalta-se, todavia, que o direito de ir, vir ou permanecer no território nacional em tempo de paz não pode ser visto como absoluto, afinal trata-se de uma norma constitucional de eficácia contida - o que possibilita que a própria Consrituição, ou a legislação complementar, restrinja sua amplitude, a partir de critérios proporcionais e justificáveis.

Caso surja no Estado uma situação de crise constitucional, por exemplo, a liberdade de locomoção poderá ser restringida. Com relação a essa hipótese, vale lembrar a previsão do art. 139, em seus incisos I e II, CF/88, na qual é previsto que na vigência do estado de sítio é constitucional a determinação da obrigação de permanência em localidade determinada, bem como a detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns. Outra norma constitucional que bem explicita a restrição é o art. 136, § 3º, que autoriza a prisão preventiva sem mandato judicial durante o estado de defesa.

A liberdade de ir e vir poderá sofrer restrição legítima em outras situações, nessa esteira, esclarecedora é a lição de Marcelo Novelino (Direito Constitucional, 2015) "a imposição legal de penas privativas de liberdade ou a autorização legislativa conferida à Administração Pública para disciplinar a forma

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de circulação das pessoas em determinados locais, como ocorre na regulamentação do uso de vias e logradouros públicos”.

Outro ponto importante sobre o assunto é que, conforme art. 49, II e 84, XXII da CF/88, Forças estrangeiras não estão amparadas por este direito, somente podendo transitar no território nacional ou nele permanecer, ainda que temporariamente, se permitido pelo Presidente da República, nos casos previstos em lei complementar, ou fora destes casos, se autorizado pelo Congresso Nacional.

Encerrando a parte de direito de locomoção, temos a elucidadora abordagem de Nathalia Masson (Manual de Direito Constitucional, 2015):

“(i) o direito de somente ser preso em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente (inscrito no art. 5º, LXI, CF/88), é manifestação inequívoca da liberdade de locomoção;

(ii) o habeas corpus (art. 5º, LXVIII) é o meio processual destinado à proteção do direito de ir e vir ameaçado por ilegalidade ou abuso de poder.”

de ir e vir ameaçado por ilegalidade ou abuso de poder.” (CESGRANRIO/Técnico de Defesa Aérea -

(CESGRANRIO/Técnico de Defesa Aérea -

MD/2006) A inviolabilidade do direito à liberdade abrange a livre locomoção no território nacional em tempo de paz e constitui direito fundamental previsto na Constituição Federal integrante do grupo de direitos:

a) políticos.

b) sociais.

c) solidários.

d) individuais.

e) à nacionalidade.

Comentário: resposta letra “d”. Tal direito encontra-se no art. 5º da Constituição, artigo este que dispõe sobre os direitos e deveres individuais e coletivos.

27.

2.3.6- Liberdade de Reunião

“XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;”

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O dispositivo supra consagra o direito de reunião, o qual possui ligação estreita com a liberdade de expressão e com o regime democrático de governo, eis que a opinião pública manifestada em reuniões, de forma livre e independente,aproxima as pessoas da vida pública, permitindo um maior controle do exercício do poder.

Esse inciso tem alta incidência de cobrança em concursos, inicialmente devemos saber as características do direito de reunião:

deverá ter fins pacíficos e apresentar ausência de armas;

a reunião deverá ser realizada em locais abertos ao público;

desnecessidade de autorização, somente sendo necessário prévio aviso à autoridade competente ; e

não frustar outra reunião que já esteja marcada para o mesmo local.

Pacífico Locais Abertos ao público Direito de Reunião Não frustrar Prévio outra Aviso reunião Sem
Pacífico
Locais
Abertos
ao
público
Direito
de
Reunião
Não
frustrar
Prévio
outra
Aviso
reunião
Sem
Armas

NÃO precisa de AUTORIZAÇÃO

Conforme já falado anteriormente em aula , o STF foi chamado a apreciar a “Marcha da Maconha”, tendo se manifestado no sentido de que é inconstitucional qualquer interpretação do Código Penal que possa ensejar a criminalização da defesa da legalização das drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica, inclusive através de manifestações e eventos públicos. Assim, admite-se que o direito de reunião seja exercido, inclusive, para defender a legalização de drogas; não é permitida, todavia, a incitação, o incentivo ou estímulo ao consumo de entorpecentes na sua realização.

Outro importante julgado do STF em relação ao assunto foi na ADI 1969 na qual a Corte declarou inconstitucional um decreto do Distrito Federal (Decreto 20.098/1999) que, a pretexto de proteger o funcionamento dos Poderes da República, vedou a realização de manifestações populares com a

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utilização de carros, aparelhos e objetos sonoros na Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios, na Praça do Buriti e vias adjacentes.

Cabe detacar ainda que o direito de reunião é protegido por mandado de segurança, e não por habeas corpus.

por mandado de segurança , e não por habeas corpus . 28. aeroviários realizou passeata pacífica

28.

aeroviários realizou passeata pacífica e sem armas na Lagoa Rodrigo de Freitas,

na CidadeRio de Janeiro. Essa reunião será considerada lícita desde que tenha sido previamente autorizada pela autoridade competente e não seja vinculada a greve ilegal.

Comentário: assertiva correta. A Constituição determina que o direito de reunião independe de autorização, sendo apenas exigido o prévio aviso à autoridade competente.

(FCC/2012/TRF 2ª Região) O sindicato dos

competente. (FCC/2012/TRF 2ª Região) O sindicato dos 29. aeroviários realizou passeata pacífica e sem armas na

29.

aeroviários realizou passeata pacífica e sem armas na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Cidade Rio de Janeiro. Essa reunião será considerada lícita desde que não tenha frustrado outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

(FCC/2012/TRF 2ª Região) O sindicato dos

Comentário: assertiva correta. Conforme comando do inciso XVI, art.5º, da Constituição.

2.3.7- Liberdade de Associação

O direito à liberdade de associção é regulado nos incisos XVII a XXI do

art.5º:

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu

funcionamento;

XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter

suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;

XX -

ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer

associado;

XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm

legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

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A liberdade de associação constitui-se em direito individual de expressão coletiva o que significa que muito embora seja atribuído a cada pessoa individualmente, somente poderá ser exercido de forma coletiva. Assim, é requisito para a configuração da associação a coligação de uma pluralidade de indivíduos.

Faz-se mister ressaltar que para se caracterizar uma associação, o agrupamento de pessoas deve possuir objetivos comuns e estar unido com estabilidade. Reuniões esporádicas e casuais não carcterizam uma associção.

Previsto nos incisos XVII a XXI do art. 5º , a liberdade de associação é um direito que tem por finalidade assegurar aos indivíduos:

a plena liberdade de associação , desde que para fins lícitos, pois é vedada a de caráter paramilitar;

a impossibilidade de alguém ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

a desnecessidade de autorização estatal para a criação das associações; e

a vedação a qualquer interferência estatal no funcionamento das mesmas.

Frise-se que, depois de criadas, as associações somente poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, para a dissolução compulsória, o trânsito em julgado. Nesse sentido, temos que ato administrativo não é medida legítima a determinar a suspensão ou a dissolução das atividades associativas, pois ambas dependem da prolação de decisão judicial. Conforme entendimento do STF: "atos emanados do Executivo ou Legislativo, que provoquem a compulsória suspensão ou dissolução de associações, mesmo as que possuam fins ilícitos, serão inconstitucionais”.

Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas Atividades
Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas Atividades

Associações

Compulsoriamente

Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas Atividades

Suspensas

Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas Atividades

dissolvidas Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s Atividades

AtividadesAssociações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas

Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas Atividades
Associações Compulsoriamente S u s p e n s a s dissolvidas Atividades

Decisão Judicial

+

Transito em

Julgado

Atividades Decisão Judicial + Transito em Julgado Decisão Judicial Relevante também é a circunstância de

Decisão Judicial

Relevante também é a circunstância de as associações possuírem o poder de representar os seus associados judicialmente. Em se tratando da impetração

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de mandado de segurança coletivo-conforme entedimento do STF- estaremos diante de situação que configura substituição processual*, bastando a autorização genérica prevista no estatuto da associação, vejamos a súmula 629 da Corte Suprema: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes."(Grifos nosso). Nos demais casos, judiciais e extrajudiciais, as entidades associativas também têm legitimidade para representar seus filiados, só que por meio de representação processual* o que exige autorização expressa (conforme entendimento do STF, não precisa ser colhida de cada um de seus integrantes, podendo ser colhida em uma assembleia geral- RE 192.305).

*substituição processual é quando o substituto é o titular do direito de ação, mas não do direito material, ou seja, participa do processo em nome próprio defendendo direito material alheio.

*Representação processual pode ser definido como aquele que está no processo em nome do representado e defende os direitos do representado, ou seja, age em nome alheio defendendo direito alheio.

Importante

sindicato:

neste

ponto

ressaltar a

diferença

entre

associação

Entidades Associativas • Precisam de autorização expressa dos seus filiados. • STF - Súmula nº
Entidades Associativas
Precisam
de
autorização
expressa dos seus filiados.
STF
- Súmula nº 629 - A
impetração de mandado de
segurança coletivo por
entidade de classe em favor
dos associados INDEPENDE
da autorização destes.
Sindicatos • Não precisam de autorização expressa para a defesa de direitos e interesses coletivos
Sindicatos
Não
precisam de
autorização expressa para a
defesa de direitos e interesses
coletivos ou individuais
homogêneos da categoria que
representam (RE 555.720-
AgR)

e

da categoria que representam (RE 555.720- AgR) e 30. Judiciário/2016/adaptada) Sobre o disposto nos incisos

30.

Judiciário/2016/adaptada) Sobre o disposto nos incisos do art. 5º da Constituição Federal, é INCORRETO afirmar que é livre a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas, independentemente de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.

(FCC/TRF-3ª Região/ Técnico

Comentário: a assertiva está errada, pois é correto o que se afirma tendo em vista a literalidade do inciso XVIII do art. 5º da CF/88.

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“XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”.

2.4- Direito à Privacidade

“X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;”

O direito à privacidade da pessoa vem amparado no artigo 5º, inciso X,

da Constituição da República, constituindo um direito fundamental, o que permite que o seu titular impeça indevidas intromissões em sua esfera íntima e privada. Há, segundo Gilmar Mendes, quatro meios básicos de se afrontar à privacidade: "(i) intromissão na reclusão ou na solidão do indivíduo; (ii) exposição pública de fatos privados; (iii) exposição do indivíduo a uma falsa percepção do público (false light), que ocorre quando a pessoa é retratada de modo inexato ou censurável; (iv) apropriação do nome e da imagem da pessoa, sobretudo para fins comerciais".

Nosso texto constitucional tutela a privacidade contemplando a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas.

A proteção constitucional consagrada no inciso X do art. 5º refere-se

tanto a pessoas físicas quanto a pessoas jurídicas. Nesse sentido, temos a súmula 227 do STJ na qual é dito A pessoa jurídica pode sofrer dano

moral”.

Nos itens a seguir nos dedicaremos a compreender cada uma dessas distintas perspectivas.

2.4.1- Direito à Intimidade e à Vida Privada

Os conceitos constitucionais de intimidade e vida privada apresentam grande interligação, podendo, porém, ser diferenciados por meio da menor amplitude da intimidade, que se encontra no âmbito de incidência da vida privada.

A intimidade compreende as relações e opções mais íntimas e pessoais do indivíduo, compondo uma série de escolhas que se pode manter ocultas de todas as outras pessoas, até das mais próximas (acesso não consentido às comunicações telefônicas de uma pessoa, é um exemplo de violação da intimidade). Já a vida privada abarca as relações pessoais,

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familiares, negociais ou afetivas, do indivíduo, incluindo seus momentos de lazer, seus hábitos e seus dados pessoais, como os bancários e os fiscais.

2.4.2- Direito à Honra

A honra é um bem imaterial podendo ser compreendida como a

reputação, o bom nome e a boa fama que a pessoa física ou jurídica goza na vida em sociedade, bem como o sentimento próprio de estima e dignidade neste este aplicável somente às pessoas físicas.

Dessa forma, a honra possui tanto um aspecto subjetivo (honra

subjetiva), aplicável às pessoas físicas, relacionado a afeição e o apreço que se tem por si mesmo, como o aspecto objetivo, aplicável às pessoas físicas

e jurídicas, referente ao conceito social diante da opinião pública.

aspecto
aspecto
subjetivo honra aspecto objetivo
subjetivo
honra
aspecto
objetivo

afeição e apreço por si mesmo

(aplicável somente às pessoas físicas)

opinião pública

(aplicável às pessoas físicas e jurídicas)

2.4.3- Direito à Imagem

A imagem envolve aspecto externo, a exposição de sua figura. No

entendimento do STF, se alguém fizer uso indevido da imagem de alguém, a simples exposição desta imagem já gera o direito de indenizar, ainda que isso não tenha gerado nenhuma ofensa à sua reputação.

Os meios de comunicação não podem utilizar a imagem do indivíduo sem

o seu consentimento, até mesmo para enaltecer a pessoa. Isso porque a tutela

da imagem é dissociada da tutela da honra, de forma que mesmo que não haja ofensa à reputação do indivíduo, não se pode utilizar a imagem da pessoa sem sua autorização.

Por derradeiro, ressalta-se que a pessoa que se encontra em local público se sujeita a ser vista, fotografada ou filmada, pois ao se encontrar em lugar público se pressupõe um consentimento tácito de exposição.

Deste modo conforme ensina-nos Gilmar Mendes: "a pessoa não poderá objetar a aparecer, sem proeminência, numa reportagem, se encontra em lugar aberto ao público e é retratada como parte da cena como um todo".

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2.4.4- Sigilos Pessoais

Para impedir intrometimento nos aspectos pessoais da vida do indivíduo

e proteger sua privacidade, a CF/88 preserva em sigilo seus dados (bancários, fiscais, telefônicos e informáticos), seu domicílio e suas comunicações.

Tendo em vista não haver, em nosso Texto Magno, nenhum direito absoluto, os sigilos pessoais constitucionalmente protegidos podem sofrer alguma restrição. Nos tópicos a seguir, além de definirmos o alcance da proteção que ampara o sigilo, veremos, também, as hipóteses em que tais restrições são legítimas.

2.4.4.1- Sigilo do Domicílio

“XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;”

Consagrada no inciso XI do art. 5º, a previsão da inviolabilidade do domicílio tem por finalidade proteger a intimidade e a vida privada do indivíduo, bem como de garantir-lhe,especialmente no período noturno, o sossego e a tranquilidade.

Questão importante para que se possa compreender o alcance desse dispositivo constitucional é saber a amplitude do conceito de “casa”. Para o STF,

o conceito de casa” revela-se abrangente, nas palavras do Ministro Celso

de Mello estendendo-se a: “i) qualquer compartimento habitado; ii) qualquer aposento ocupado de habitação coletiva; e iii) qualquer compartimento privado não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade pessoal”.

Dessa forma, o conceito de “casa” alcança não só a residência do indivíduo, mas também escritórios de trabalho, consultórios , trailers, barcos e aposentos de habitação coletiva (como, por exemplo, o quarto de hotel). Não estão abrangidos pelo conceito de casa os bares e restaurantes.

Feitas tais considerações, segue esquema trazendo em quais hipóteses se pode penetrar na casa de um indivíduo:

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;”

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COM consentimento do morador Domicílio quando pode adentrar? SEM consentimento do morador
COM
consentimento
do morador
Domicílio
quando pode
adentrar?
SEM
consentimento
do morador
Sempre
Sempre

Qualquer

hora

Flagrante
Flagrante
Desastre Socorro
Desastre
Socorro
Determinação Judicial
Determinação
Judicial
hora Flagrante Desastre Socorro Determinação Judicial D e D i a Faz-se mister destacar que a
hora Flagrante Desastre Socorro Determinação Judicial D e D i a Faz-se mister destacar que a

De Dia

Faz-se mister destacar que a inviolabilidade domiciliar também se aplica ao fisco e à polícia judiciária. Segundo o STF, “nem a Polícia Judiciária e nem a administração tributária podem, afrontando direitos assegurados pela Constituição da República, invadir domicílio alheio com o objetivo de apreender, durante o período diurno, e sem ordem judicial, quaisquer objetos que possam interessar ao Poder Público” (AP 370-3/DF, RTJ, 162:249-250).

Outra importante jurisprdência importante do STF é que, embora os escritórios estejam abrangidos pelo conceito de “casa”, não se pode invocar a inviolabilidade de domicílio como escudo para a prática de atos ilícitos em seu interior. Com base nessa ideia, a Corte considerou válida ordem judicial que autorizava o ingresso de autoridade policial no estabelecimento profissional, inclusive durante a noite, para instalar equipamentos de captação de som (“escuta”). Entendeu-se que tais medidas precisavam ser executadas sem o conhecimento do investigado, o que seria impossível durante o dia.

Encerrando o tema de inviolabilidade do domicílio, vale ressaltar que a doutrina admite que força policial, tendo ingressado na casa de indivíduo, durante o dia, com amparo em ordem judicial, prolongue suas ações durante o período noturno.

, prolongue suas ações durante o período noturno . 31. Federal que a casa é asilo

31.

Federal que a casa é asilo inviolável do indivíduo e nela pode entrar, sem o consentimento do morador,

a) Qualquer pessoa em estado de miserabilidade.

(FCC/2012/TCE-AP) Estabelece a Constituição

b) Oficial de justiça, munido de autorização do juiz, a qualquer hora.

c) Qualquer pessoa para prestar socorro.

d) oficial de justiça, munido de autorização administrativa, apenas durante o

dia.

e) Policial militar munido de ofício de delegado de polícia.

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Comentário: resposta letra “c”. Determina o art. 5º, XI, da Constituição que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.

2.4.4.2- Sigilo dos Dados, Correspondência e Comunicações

“XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;”

O art. 5º, inciso XII, trata da inviolabilidade das correspondências, dos dados e das comunicações. De início, a leitura do inciso XII pode dar a entender que o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas e de dados não poderia ser violado; apenas haveria exceção constitucional para a violação das comunicações telefônicas.

Não é esse, porém, o entendimento que prepondera. Já que não há direito absoluto no ordenamento jurídico brasileiro, é permitido, ainda que sem previsão expressa na Constituição, que lei ou decisão judicial também possam estabelecer hipóteses de interceptação das correspondências e das comunicações telegráficas e de dados, sempre que a norma constitucional esteja sendo usada para acobertar a prática de ilícitos.

Nesse sentido, entende o STF que “a administração penitenciária, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode, sempre excepcionalmente, e desde que respeitada a norma inscrita no art. 41, parágrafo único, da Lei 7.210/1984, proceder à interceptação da correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas.” (HC 70.814. Primeira Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 24/06/1994).

Ainda nessa esteira, o Supremo Tribunal Federal decidiu ser constitucional a Lei complementar 105/2001, que permite aos órgãos da administração tributária quebrar o sigilo fiscal de contribuintes sem autorização judicial (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314). Segundo o STF, como bancos e Fisco têm o dever de preservar o sigilo dos dados, não há ofensa à Constituição Federal. Na decisão também foi destacado que estados e municípios devem regulamentar, assim como fez a União no Decreto 3.724/2001, a necessidade de haver processo administrativo para obter as informações bancárias dos contribuintes.

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ATENÇÃO! Caso o examinador não entre em questionamento doutrinário ou jurisprudencial, cobrando apenas a literlidade da Constituição, deve-se responder a questão com base no que é dito no inciso XII, o qual é resumido no esquema abaixo:

“XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;”

Sigilo das corespondências e das comunicações telegráficas e de dados Sigilo das Comunicações Telefônicas
Sigilo das
corespondências e
das comunicações
telegráficas e de
dados
Sigilo das
Comunicações
Telefônicas
Não pode ser
quebrado
Só pode ser
quebrado por
Ordem Judicial
Quando?
Instrução
Na forma que
Investigação
Processual
a lei
Criminal
Penal
estabelecer
Processual a lei Criminal Penal estabelecer Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar
Processual a lei Criminal Penal estabelecer Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar
Processual a lei Criminal Penal estabelecer Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar
Processual a lei Criminal Penal estabelecer Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar
Processual a lei Criminal Penal estabelecer Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar
Processual a lei Criminal Penal estabelecer Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar

Sobre a comunicação de dados é relevante ressaltar jurisprudência do STF. Em operação de busca e apreensão realizada em escritório profissional, caso policiais apreendam o disco rígido (HD) de um computador no qual estão armazenados os e-mails recebidos pelo investigado, entende a Suprema Corte que não há violação do sigilo da comunicação de dados. Isso porque a proteção constitucional é da comunicação de dados e não dos dados em si. Em outras palavras, não há, nessa situação, quebra do sigilo das comunicações (interceptação das comunicações), mas sim apreensão de base física na qual se encontram os dados. (STF, RE 418416/SC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 10.05.2006, DJ em 19.12.2006).

No que diz respeito as comunicações telefônicas, é importante destacar a diferença entre quebra do sigilo telefônico e interceptação das comunicações telefônicas. A quebra do sigilo telefônico consiste em ter acesso ao extrato das ligações telefônicas. Já a interceptação das comunicações telefônicas consiste em ter acesso às gravações das conversas.

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A interceptação das comunicações telefônicas é, sem dúvida, medida mais gravosa e, por isso, somente pode ser determinada pelo Poder Judiciário. Já a quebra do sigilo telefônico, pode ser determinada pelas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s), além, é claro, do Poder Judiciário.

Segundo a CF/88, a interceptação das comunicações telefônicas somente será possível quando :

Investigação Criminal

somente será possível quando : Investigação Criminal Sigilo das Comunicações Telefônicas

Sigilo das

Comunicações

Telefônicas

(interceptação

telefônica)

pode ser quebrado por Ordem Judicial Quando?

Instrução Processual Penal

por Ordem Judicial Quando? Instrução Processual Penal Na forma que a lei estabelecer A decisão judicial

Na forma que a lei estabelecer

A decisão judicial deverá ser fundamentada, devendo o magistrado indicar a forma de sua execução, que não poderá ter prazo maior que quinze dias, renovável por igual período. O STF entende que pode haver renovações sucessivas desse prazo, e não apenas uma única renovação da medida, pois há situações extremas que o exigem.

Atenção para não confundir a interceptação telefônica com escuta telefônica ou gravação clandestina. A escuta representa o ato de captação ou gravação da conversa por uma terceira pessoa, mas com o conhecimento e o consentimento de um dos interlocurores. Ou seja, um dos participantes da ligação (comunicadores) está ciente da interferência feita por terceiro. A gravação clandestina é realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento/consentimento do outro.

Importante é a jurisprudência do STF acerca da gravação clandestina, conforme entendimento da Suprema Corte, esse tipo de gravação nem sempre será ilícita, vejamos: “não há ilicirude alguma no uso de gravação de conversação telefônica feira por um dos interlocutores sem o conhecimento do ourro, com a intenção de produzir prova do intercurso sobrerudo para a defesa própria em procedimento criminal, se não pese, contra tal

divulgação, alguma específica razão jurídica de sigilo nem de rese (RE 402. 717, relatado pelo Min. Cezar Peluso- Grifos nosso)

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INTERCEPTAÇÃO

ESCUTA telefônica

 

GRAVAÇÃO telefônica

telefônica

 

Ocorre

quando

um

Ocorre quando um terceiro capta o diálogo telefônico

Ocorre quando o diálogo telefônico travado entre duas pessoas é gravado por um dos próprios interlocutores, sem o consentimento ou a ciência do outro.

terceiro

capta

o

diálogo

telefônico

travado

entre

duas

travado entre duas pessoas, sendo que

pessoas,

sem

que

nenhum

 

dos

um

dos

interlocutores saiba.

interlocutores sabe que está sendo realizada a escuta.

Também é chamada de gravação clandestina (obs: a palavra “clandestina” está empregada não na acepção de “ilícito”, mas sim no sentido de “feito às ocultas”).