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ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: UMA AVALIAÇÃO DA SAÚDE FINANCEIRA DAS EMPRESAS

Neste capítulo estudaremos as principais demonstrações contábeis de uma empresa e como elas são utilizadas para avaliar o desempenho da empresa.

Saliente-se que não nos concentraremos em como as demonstrações contábeis são elaboradas, a contabilidade se encarrega disto. No entanto, vale a pena conhecer porque elas surgiram, algumas razões foram:

a) Risco de crédito. Surgiu à necessidade de melhor avaliar a capacidade de pagamentos do tomador de empréstimos.

b) Realização de investimentos por meio de retenção de lucros. Surgiu a necessidade de determinação do lucro.

c) Rentabilidade do negócio. Surgiu a necessidade de avaliar com que eficiência econômico-financeira o negócio estava sendo administrado.

d) Arrecadação de impostos. Surgiu a necessidade de apurar o lucro com vistas ao cálculo de impostos.

É importante saber que há três formas legais básicas de organização de negócios. São elas: a firma individual; a sociedade limitada; e a sociedade anônima.

Denomina-se firma individual empresa de propriedade de uma pessoa e operada para seu próprio lucro.

Uma sociedade limitada é caracterizada por um negócio de propriedade de uma ou mais pessoas e operado com fins lucrativos.

Uma sociedade anônima é uma entidade de negócios intangível criada por lei os proprietários de uma sociedade anônima são seus acionistas, cuja propriedade é evidenciada por ações.

Demonstrações financeiras

Estudaremos três demonstrações contábeis fundamentais, são elas: 1

Balanço patrimonial (BP). Demonstração do resultado do exercício (DRE). Demonstração do valor agregado (DVA).

1 Para outras demonstrações financeiras, além destas três, ver Assaf Neto (2003) e Marion (2003).

Balanço patrimonial

O balanço patrimonial indica o que a empresa possui e como tudo o que possui

é financiado. Resumidamente, o balanço patrimonial é dividido em três partes, a

saber:

 

Balanço Patrimonial

 

1) Ativo

2) Passivo

 
 

3)

Patrimônio

dos

acionistas

Ativo

O ativo constitui-se em todos os bens e direitos de propriedade da empresa, em

termos monetários, que representam benefícios presentes ou futuros para a

empresa. Classificam-se bens e direitos da seguinte forma (exemplos):

Bens

Direitos

-Máquinas -Terrenos -Dinheiro -Estoques -Ferramentas -Veículos, tratores -Instalações

-Contas a receber -Duplicatas a receber -Títulos a receber -Ações -Títulos do governo -Depósitos bancários -Títulos de crédito

Assinale-se que a empresa relacionará como ativo somente aquilo que for de sua propriedade, sobre o qual ela tem domínio. Pode-se alugar um avião e ter posse sobre ele, mas não se tem a propriedade. Assim, o avião alugado não é um ativo para a empresa. 2

Vale dizer que há certos bens que não são evidenciados no ativo da empresa, como por exemplo, o caso de marcas de produto bens intangíveis (incorpóreos), pois quase sempre não se pode mensurá-los monetariamente.

Passivo e patrimônio líquido

Grosso modo, o passivo relata as dívidas e as obrigações da empresa. Muitas vezes, chama-se o passivo de passivo exigível, pois no momento que a dívida ou obrigação vencer, será reclamada (exigida) sua liquidação.

O patrimônio dos acionistas, também denominado patrimônio líquido ou capital

próprio, evidencia os recursos dos proprietários aplicados no empreendimento. Na verdade, o patrimônio dos acionistas é obtido residualmente pela diferença entre os ativos e os passivos da empresa. Ou seja, se uma empresa, num determinado ano, tiver $ 50 mil de direitos, $ 50 mil de bens e $ 60 mil de obrigações, o patrimônio dos acionistas será de $ 40 mil (riqueza líquida).

2 Marion (2003) observa que a moderna teoria da contabilidade está considerando incluir como ativo os bens à disposição da empresa, sendo ela proprietária ou não.

O

patrimônio líquido (PL) da empresa é aumentado por dois motivos principais:

a) Novos aportes de capital por parte dos proprietários.

b) Rendimentos resultantes do capital aplicado, lucro.

O

lucro pertence aos proprietários que investiram na empresa, é a remuneração

do capital investido. Normalmente, uma fração do lucro é distribuída para os

donos da empresa e outra fração é reinvestida no negócio. A parcela retida é adicionada ao patrimônio dos acionistas.

Reescrevemos o balanço patrimonial assim:

Balanço Patrimonial

1)Ativo (bens e direitos)

2)Passivo

(obrigações

a

pagar)

3)Patrimônio líquido -Capital social a -Lucros acumulados

a Origina-se de uma sociedade.

Costuma-se também denominar o passivo exigível de capital de terceiros recursos de indivíduos e de outras empresas emprestado a empresa, como dívidas com bancos, financeiras, fornecedores de matéria-prima, e governo, principalmente impostos.

Então, no passivo relacionam-se duas fontes (origens) de capital: uma interna (capital próprio) e outra externa (capital de terceiros). No ativo são relacionadas as aplicações dos capitais.

As obrigações são Títulos de Crédito emitidos por uma sociedade anônima ou instituição financeira autorizada pelo Banco Central, visando a captação de recursos com prazo e um rendimento pré-determinado, como:

a) Debêntures.

b) Certificado de Depósito Bancário (CDB).

c) Certificado do Protudo Rural (CPR).

d) Letras Hipotecárias (LH).

e) Letras de câmbio (LC).

Por fim, diga-se que o balanço patrimonial das empresas, por força de lei, deve ser apresentado assim:

Denominação da empresa:

 

Balanço Patrimonial Data de encerramento: XX/XX/XX

 
 

Ativo

Passivo e Patrimônio Líquido (PL)

 

Ano atual

Ano Anterior

 

Ano atual

Ano anterior

Bens

   

Passivo

   

Direitos

   

PL

   

Os ativos são ordenados conforme sua liquidez (do maior para o menor), isto é,

o tempo que leva para convertê-los em caixa. As obrigações são dispostas conforme a ordem cronológica em que devem ser pagas.

Demonstração do resultado do exercício

Outra importante peça contábil das empresas é a demonstração do resultado do exercício (DRE). O exercício social tem duração de um ano. A cada ano é apurado o resultado, se houve prejuízo ou lucro. Diga-se que a DRE pode cobrir qualquer período de tempo, mas comumente é preparada mensal, trimestral ou anualmente.

A estrutura comumente encontrada da DRE é como segue:

DRE

Ano

atual

Ano

anterior

Receita (-) Custo, excluindo depreciação (-) Depreciação Lucro antes de juros e impostos (EBIT) (-) Juros Lucro antes de impostos (EBT) (-) Impostos Lucro líquido (LL)

A receita oriunda dos produtos vendidos aparece no topo da DRE. Da receita

são deduzidos os diversos custos para obter o chamado EBIT (lucro antes de juros e impostos), inclusive a depreciação. O lucro líquido disponível para os proprietários é obtido após as deduções de juros e impostos.

Muitas vezes, a DRE traz na parte inferior da demonstração a informação sobre dividendos por ação. E na chamada última linha aparecem os lucros por ação, considerada a informação mais importante da DRE.

Diga-se que a DRE é um importante instrumento de controle financeiro, projeções da DRE são comparadas com demonstrações reais. Por exemplo, se as receitas estiverem abaixo do esperado e, pior ainda, se os custos estiverem acima dos níveis previstos, então medidas corretivas precisam ser implementadas antes que o problema financeiro se agrave.

Por fim, cabe assinalar que enquanto o balanço patrimonial é geralmente visto como uma fotografia num dado instante, a demonstração de resultados relata as operações da empresa durante determinado período de tempo.

Demonstração do valor agregado

A demonstração do valor agregado (DVA) compõe o chamado relatório da diretoria, não se trata de uma demonstração obrigatória. A DVA procura mostrar

para quem a empresa está canalizando a renda obtida. O valor agregado da

empresa é obtido subtraindo das vendas todas as compras de bens e serviços.

O resultado é o montante de recursos que a empresa dispõe para remunerar

empregados e acionistas, para pagar juros e impostos e para reinvestir em seu negócio. Noutras palavras, é o valor que a empresa está agregando como consequência de sua atividade.

Um modelo de DVA é (ver Marion, 2003: capítulo 20):

em R$ 10³

 

Ano 2005

%

Ano 2004

%

Vendas

 

-

 

-

(-) Compras de bens/serviços

 

-

 

-

Valor agregado

 

100,0

 

100,0

Distribuição do valor agregado

       

Salários

       

Diretoria e acionistas

       

Juros

       

Impostos

       

Reinvestimento

       

9.3 Análise por índice

As demonstrações contábeis são de grande valia para a interpretação do comportamento financeiro das empresas e para a previsão de seus eventos financeiros futuros. Isto pode ser obtido por meio dos índices financeiros.

Estudaremos as seguintes classes de índices: liquidez; de administração de ativos; de administração do exigível; de lucratividade; de valor de mercado; e índices do valor agregado.

Índices de liquidez

Um ativo é dito líquido quando pode ser rapidamente convertido em caixa a um preço de mercado vigente. A posição de liquidez de uma empresa leva em consideração este conceito. Os dois índices de liquidez normalmente utilizados são os seguintes: índice de liquidez corrente; e índice de liquidez seca. Estes indicadores são especialmente avaliados pelos credores da empresa.

O índice de liquidez corrente, ILC, é definido assim

ILC

AC

PC

[9.1]

onde AC é o ativo circulante e PC é o passivo circulante.

Já o índice de liquidez seco, ILS, (ou também chamado de teste ácido) é dado

por

ILS

AC E

PC

[9.2]

onde E representa os estoques. Os estoques são, tipicamente, os ativos circulantes menos líquidos de uma empresa. Daí, a importância de se medir a capacidade da empresa de pagar suas obrigações de curto prazo sem contar com a venda dos estoques.

Índices de administração de ativos

Estes índices medem quão eficazmente a empresa está administrando seus ativos. Os proprietários da empresa têm especial interesse nesses indicadores.

Analisaremos o índice de giro dos ativos totais, IGAT, e o índice de giro de estoques, IGE. O primeiro deles é dado por

IGAT

Vendas

AT

.

E o segundo é escrito formalmente assim

IGE

Vendas

E

.

Índices de administração do exigível

[9.3]

[9.4]

Destacamos dois índices. O primeiro é o índice de endividamento, IE

IE

DT

AT

Onde DT é a dívida total ou exigível total ou, ainda, total de capital de terceiros.

Do balanço patrimonial, sabe-se que:

DT CP AT

Onde CP é o capital próprio, patrimônio líquido (PL). Então,

IE 1

CP

AT

O segundo é índice de cobertura de juros, ICJ, dado por

ICJ

EBIT

DJ

.

Em que EBIT é lucro antes de juros e impostos (LAJIR) e DJ representa as despesas de juros.

Os acionistas e os credores têm particular interesse nesses indicadores.

Índices de lucratividade

Os índices de lucratividade procuram mostrar os efeitos combinados da liquidez, do gerenciamento de ativos e da administração das dívidas sobre os resultados da empresa.

Pode-se dizer que os índices de lucratividade medem o resultado consequência de políticas e decisões empresariais.

Destacamos os índices: índice da capacidade básica de geração de lucros (ICGL); retorno sobre ativos totais (RSA); e retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL). São eles, respectivamente

ICGL

EBIT

AT

LL

RSA ,

AT

RSPL

LL

PL

,

[9.7]

[9.8]

[9.9]

onde LL é o lucro líquido disponível para os acionistas e PL é o patrimônio líquido.

Esses indicadores são tipicamente apreciados por acionistas, fornecedores, credores, investidores etc.

Índices de valor de mercado

Estes índices relacionam o preço da ação da uma empresa a seus lucros. O principal indicador é o índice preço/lucro (IPL)

IPL

P

A

L

A

[9.10]

Onde PA é o preço por ação e L A é o lucro por ação. Este índice mostra quanto os investidores estão dispostos a pagar por uma unidade monetária de lucro contábil. Os investidores têm interesse especifico neste indicador.

Exemplificando para a Fábrica de Calçados X (observe-se a unidade de medida dos indicadores):

Tabela 1: Fábrica de Calçados X Ltda

Indicadores financeiros da empresa e média do setor

Índice

Empresa

Média do Setor

ILC

3,2 vezes

4,1 vezes

ILS

1,2 vez

2,0 vezes

IGAT

1,5 vez

1,8 vez

IGE

4,5 vezes

8,2 vezes

IE

53,5%

35%

ICJ

3,2 vezes

6,5 vezes

ICGL

14,1%

17,5%

RSA

3,7%

7,0%

RSPL

10,7%

13,2%

Como a Fábrica é uma sociedade de capital fechado, não é possível calcular o IPL, que é medido em X vezes.

Outros índices importantes

Avaliação de contas a receber: período médio de recebimento (PMR)

PMR

CR

VA /360

Em que CR denota o valor das contas a receber e VA/360 é as vendas anuais (um ano = 360 dias).

A margem de lucro sobre as vendas, MLSV, é:

MLSV

LL

V

Em que V representa as vendas anuais.

O multiplicador do capital patrimonial, MCP, é definido assim:

MCP

AT

PL

Repare que podemos escrever o índice de endividamento como:

IE 1

1

MCP

Índices do valor agregado

Estes índices procuram mostrar a distribuição da riqueza gerada pela empresa. Os principais índices são: potencial do ativo em gerar riqueza; retenção da receita; valor agregado per capita; salários divido pelo valor agregado; dividendos dividido pelo valor agregado etc. Isto é,

 

Índice

 

Fórmula

 

Variáveis

 

Potencial

do

ativo

em

gerar

VA

VA é o valor agregado e AT é o ativo total

riqueza

AT

Valor agregado per capita

 

VA

NF

é

o

número

de

 

NF

funcionários,

exceto

diretoria

 

Salários divido pelo VA

 

W

W representa o montante de salários pagos

 

VA

Dividendos dividido pelo VA

DIV

DIV

representa

os

VA

dividendos pagos.

Atualmente, os índices dessa categoria interessem a todos os analistas do mercado financeiro, ao governo e, em última análise, a sociedade.

Comentários sobre a análise por índice

O gestor deve notar que os indicadores financeiros de uma empresa per se têm

pouco, ou nenhum, significado para efeito de análise. É preciso compará-los com

de outras empresas.

Tipicamente, o analista compara os índices da empresa inserida numa certa indústria com os índices da empresa líder dessa indústria.

É bom saber que os analistas também estratificam a indústria segundo o porte

da empresa e depois disso procedem às análises.

Não raro, calculam-se a média e o desvio padrão da indústria para cada indicador e, a partir daí, fazem-se comparações entre os indicadores individuais das empresas e os indicadores médios. O desvio padrão, para um indicador, mostra o grau de dispersão da empresa individual em relação à média da indústria.

Valor de mercado adicionado, MVA®

O principal objetivo da maioria das empresas é maximizar a riqueza dos

acionistas. Este objetivo beneficia os acionistas e ajuda a assegurar que recursos escassos sejam alocados eficientemente, o que beneficia a economia em geral.

A riqueza do acionista é dada pela diferença entre o valor de mercado da ação

da empresa e a quantia de capital próprio que foi fornecida pelos acionistas:

MVA ( N PA ) PL

Quando MVA é o valor de mercado adicionado da corporação, N é o número de ações em circulação, P A é o preço da ação ordinária e P L é o patrimônio líquido. N x P A é o valor de mercado das ações ordinárias.

Exemplo. Em 2000, o valor de mercado das ações ordinárias da Coca-Cola era de US$ 139 bilhões, enquanto o patrimônio líquido era de US$ 9,5 bilhões. O MVA da Coca-Cola = US$ 139 bilhões - US$ 9,5 bilhões = US$ 129,5 bilhões.

Quanto maior for o MVA, melhor o trabalho que a administração está realizando para os acionistas da empresa.

Há outras variações para o MVA, como:

MVA ( N PA ) ( PL D AP )

Em que D é o total da dívida (obrigações) e A P é o total das ações preferenciais.

EVA®

O EVA focaliza na eficiência administrativa em dado ano. O MVA mede os efeitos dos atos administrativos desde o início da corporação.

EVA ( R K )CI

Onde R é o retorno da empresa (departamento, projeto, produtos) sobre o capital investido, K é o custo do capital investido e C I é o montante de capital investido.