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VESTIBULAR – 2009

1 CONTEÚDO 02 GRÉCIA - ESPARTA PROFº: PANTOJA A Certeza de Vencer KL 190208
1
CONTEÚDO
02
GRÉCIA - ESPARTA
PROFº: PANTOJA
A Certeza de Vencer
KL 190208
- ESPARTA PROFº: PANTOJA A Certeza de Vencer KL 190208 O ESPAÇO DE FORMAÇÃO DA CULTURA
- ESPARTA PROFº: PANTOJA A Certeza de Vencer KL 190208 O ESPAÇO DE FORMAÇÃO DA CULTURA
- ESPARTA PROFº: PANTOJA A Certeza de Vencer KL 190208 O ESPAÇO DE FORMAÇÃO DA CULTURA

O ESPAÇO DE FORMAÇÃO DA CULTURA GREGA CLÁSSICA:

Acrópole

No início, a palavra polis denominava apenas a acrópole situada no alto da colina: O palácio do rei, local de reunião da comunidade e o santuário da divindade principal. Porém, havia ainda uma parte baixa, por onde passavam as estradas. O rei, senhor daqueles domínios, podia cobrar impostos dos estrangeiros que as utilizavam. Mais tarde, com o crescimento da população e o desenvolvimento da agricultura e do comércio, a parte baixa foi crescendo, e polis, termo que traduzimos por cidade-Estado, passou a ser toda a região sob a autoridade de um chefe

passou a ser toda a região sob a autoridade de um chefe Nesse período, o poder

Nesse período, o poder dos reis entrou em declínio e aperfeiçoaram-se a prática da consulta às assembléias, ou conselhos, compostas por representantes escolhidos entre as pessoas mais velhas das famílias mais importantes. Essas assembléias, que já existiam com a função de auxiliar os reis, passaram a ter poder de decisão. A monarquia foi substituída pela aristocracia, que queria dizer “governo dos melhores”. Evidentemente, esses “melhores” eram os poucos que controlavam a maior e melhor parte das terras, faziam as leis e decidiam sobre a moeda. Essas famílias consideravam-se herdeiras dos guerreiros do período anterior, formando uma aristocracia de sangue, ou seja, hereditária, e sendo assim o poder permanecia nas mesmas mãos. Paralelamente ao desenvolvimento das polis, os gregos foram fundando outras cidades-Estados, estendendo seu território original do mar Negro ao oceano Atlântico. Eram o que eles chamavam de apoíkia, e que os historiadores traduziram por colônias, embora essas cidades fossem comunidades política e economicamente independentes. Essas colônias tinham com a metrópole, que significa “cidade-mãe”, vínculos principalmente sentimentais e religiosos, uma vez que, para a mentalidade grega, o primordial para a construção de uma cidade era a proteção dos deuses, o que incluía a escolha de um deus e dos sinais de sua presença, como o fogo sagrado e os instrumentos através dos quais se comunicava com os homens, os oráculos, que deveriam ser originários de um centro mais antigo. Muitos historiadores contemporâneos dão como causa para esse movimento de expansão e colonização dos gregos as necessidades comerciais e o grande crescimento demográfico. Mas há discordância quanto aos motivos comerciais, pois alguns estudiosos constataram que muitas das regiões colonizadas não tinham nenhum atrativo comercial para os gregos - como foi o caso da Sicília, que só mais tarde se tornou grande produtora de trigo e celeiro de Roma. Observaram também que bons portos, excelentes pontos para o desenvolvimento da atividade comercial, não foram ocupados por nenhuma colônia grega, indicando que nem sempre o objetivo mercantil era o principal. Esses pesquisadores acreditam que o motivo da expansão territorial tenha sido a busca de uma solução para a crise decorrente da explosão populacional que, no século VIII a.C., acarretou o empobrecimento e o endividamento dos pequenos proprietários. A região tinha um solo pouco fértil, pedregoso, montanhoso, que não comportava tal crescimento. Esse estado crítico levou a conflitos e movimentos por redistribuição de terras e pelo cancelamento das dividas e foi causa da dispersão das populações das cidades gregas e fonte de conflitos sociais. No entanto, não se pode negar o desenvolvimento do comércio marítimo. A partir do século VIII a.C. tornaram-se comuns os comboios marítimos para o Cáucaso e para a Etrúria, em busca de estanho, matéria-prima para o preparo do bronze, usado na fabricação de armas, que eram exportadas para as novas colônias e para o Egito, que na época lutava contra a dominação dos assírios, com tropas mercenárias equipadas pêlos gregos. Portanto, estreitamente ligadas ao comércio marítimo desenvolveram-se as atividades metalúrgicas. Além delas também se desenvolveu a produção de vinho e de azeite, que acabou por incrementar a fabricação da cerâmica, especialmente e ânforas utilizadas para o armazenamento desses líquidos.

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T odas essas transformações na economia provocaram modificações na organização social. Os artesãos, por exemplo, tornaram-se fundamentais para a economia da polis. Enriqueceram e passaram a ter acesso ao

exército - conquistaram pela riqueza a participação em uma instituição que exercia muita influência na

polis, e da qual, até então, faziam parte apenas os membros da aristocracia.

As tensões originárias das transformações sociais e das crises econômicas deram origem a reformas sociais e a

soluções políticas, que na Grécia Antiga se apresentaram segundo dois modelos: o ateniense e o espartano.

Trataremos primeiro de Atenas, por ser o modelo adotado por muitas colônias e por outras cidades que se desenvolveram comercialmente.

Atenas

A

primeira forma de governo em Atenas foi uma

A aristocracia funcionava da seguinte maneira: o rei
A aristocracia funcionava da seguinte maneira: o rei

monarquia na qual o rei, um chefe militar, assumia toda a responsabilidade pelas decisões tomadas, acumulando as funções de chefe militar, político e religioso. O rei podia consultar uma assembléia da qual participavam outros guerreiros e pessoas comuns, mas a decisão final era sua. Essa forma de governo foi substituída por outra na quais

as decisões cabiam a um pequeno grupo, ou seja, constituiu-se uma aristocracia, que quer dizer “governo dos melhores”.

(basíleus) continuou a existir, mas sua função era apenas a de presidir as cerimônias religiosas. O governo estava nas mãos de um grupo de pessoas denominadas eupátridas (que quer dizer “os bem-nascidos”), reunidas numa assembléia – o areópago. Para conduzir os assuntos da justiça e do exército eram designadas duas pessoas. O responsável pela justiça era denominado arconte, e o chefe militar, polemarco. Porém, o abuso de poder da aristocracia provocou revoltas e reivindicações entre os excluídos das decisões políticas: os artesãos e comerciantes enriquecidos e os pequenos proprietários explorados. Essas reformas acabaram por transformar a forma de governo aristocrático em uma democracia através do seguinte processo: Instalou-se uma crise social, resolvida parcialmente por reformas que impediram a grande exploração dos camponeses pelos eupátridas, a escravização por dívidas e a perda das propriedades, o que ocorria devido à escassez de terras e à perda das colheitas. Além disso, atendendo às reivindicações, houve uma distribuição de obrigações e poder entre as várias classes sociais. Essas mudanças, feitas pelo legislador Sólon, não eliminaram as diferenças entre as classes sociais, mas distribuíram o poder de acordo com as riquezas, o dinheiro substituiu a terra como fonte de poder. Sua reforma estabeleceu quatro classes de cidadãos, de acordo com a renda: a primeira, os pentakosiomédimnoi (capazes de possuir o equivalente a 500 medidas de grãos); a segunda, os hippeï, ou cavaleiros (300 medidas); a terceira, os zeuglfai (200 medidas); e a quarta classe, os tetas, ou thétes (sem rendimento, a não ser o salário). O exército essa divisão se fazia sentir, pois só as duas primeiras classes contribuíam com impostos específicos para despesas militares e participavam da cavalaria, mantendo o próprio cavalo. A terceira classe (zeugítai) pagava as contribuições ordinárias e participava da infantaria pesada, dos hoplüas, com armamento próprio. Os tetas estavam isentos de impostos, mas tinham o direito de participar da infantaria ligeira, cujo equipamento podia custear, e de ser remadores na marinha. Apesar das reformas promovidas por Sólon, as tensões persistiram, favorecendo o aparecimento dos tiranos, tanto em Atenas como nas outras cidades. Os tiranos eram aristocratas que tomavam o poder sustentados por forças militares mercenárias e com o apoio das classes inferiores, às quais prometiam favorecer, diminuindo os privilégios da aristocracia. Depois do período das tiranias, surgiu um outro reformador, Clístenes, que atacou diretamente o principio do direito familiar, que Sólon deixara intocado, e redividiu o território ateniense com o intuito de misturar pessoas de diferentes classes sociais. Clistenes definiu três tipos de divisão administrativa:

As tribos, as trítiase os demos, que deveriam seguir o principio da igualdade. Os demos eram a menor divisão do território. Todos os atenienses deveriam estar registrados em algum deles. O conjunto de demos dava origem a agrupamentos maiores, as trítias, que eram trinta: dez para a cidade, dez para o litoral e dez para o interior. As trítias, por sua vez, eram agrupadas em dez tribos, da seguinte maneira: cada tribo compreendia todos os tipos de trítia; assim, as tribos misturavam os cidadãos das várias regiões, reunindo pessoas da cidade, do litoral e do interior, e com diferentes graus de riqueza. No ponto central da cidade cada tribo era representada no bouleuthérion, sede de uma assembléia composta por cinqüenta representantes de cada tribo, perfazendo um total de quinhentos elementos, a boulé. Cada tribo exercia o poder durante uma pritania, ou seja, uma das dez frações de tempo em que se dividia o ano, e que durava 35 ou 36 dias. Além disso, durante esse tempo, presidia uma outra assembléia, a ekklesía, composta por todos os cidadãos com idade acima de vinte anos. Para completar a função das assembléias, que discutiam todos os assuntos do interesse da cidade, existiam os tribunais, alguns dos quais eram bem antigos, como o areópago. Mas, apesar da existência desses tribunais, a maior parte das questões era julgada pela heliala, composta por seis mil jurados, sorteados entre os cidadãos maiores de trinta anos.