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ENSINO MÉDIO - 2008

EG140208 Frente: 01 Aula: 02 ESPARTA PROFº: RAMIRO A Certeza de Vencer
EG140208
Frente: 01
Aula: 02
ESPARTA
PROFº: RAMIRO
A Certeza de Vencer

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Esparta é um caso particular dentro do estudo da civilização grega, fundada pelos dórios, sua arquitetura não era tão refinada como a de outras cidades-estados, seus cidadãos não manifestavam grande preocupação com as artes ou a filosofia e seu processo de urbanização não foi sequer concluído. A grande característica dos espartanos seria a sua extrema especialização militar, preocupavam-se em enrijecer os músculos e o espírito e em realizar operações de guerra simuladas. O filósofo grego Platão afirmara certa ver que quando visitou Esparta não teve a sensação de estar em uma cidade, mas em um “Acampamento militar”.

IIII AA EEssttrruuttuurraa LLeeggiissllaattiivvaa:: As leis que vigoraram nesta cidade (conhecidas em seu conjunto como a Grande Retra) são creditadas a um lendário legislador chamado Licurgo que, segundo a tradição oral, as teria recebido do deus Apolo. O autor da constituição espartana teria em seguida partido para um exílio voluntário, afirmando que o conteúdo do código não deveria ser alterado na sua ausência. Entendemos que o envolvimento com o sagrado no processo de construção da constituição espartana é um importante fator ideológico para a sua manutenção, pois dificultava a sua contestação pela população da cidade.

IIIIII OORRGGAANNIIZZAAÇÇÃÃOO SSOOCCIIAALL::

Na composição da estrutura social espartana percebemos a existência de três grupos, provavelmente estabelecidos um pouco depois da efetivação da conquista dórica, são eles:

Ao lado, Ares, deus grego da guerra.
Ao lado, Ares, deus grego da guerra.

Na imagem acima, retrato de um soldado espartano.

EESSPPAARRTTAANNOOSS:: Também chamados por alguns autores de esparciatas, representam a única camada social que detinha a cidadania espartana, concentravam as suas forças em duas atividades fundamentais: a guerra e a política. Segundo uma característica bem comum entre os segmentos mais abastados das sociedades antigas, os espartanos se recusavam a realizar trabalhos agrícolas e outras tarefas consideradas inferiores. Segundo o historiador Moses Finley, “ o corpo de cidadãos de Esparta formava uma soldadesca profissional, criados desde a infância para duas aptidões: perícia militar e obediência absoluta. Libertos(na realidade impedidos) de todos os outros interesses vocacionais e respectivas atividades, vivendo uma vida de caserna, sempre prontos para medir forças com qualquer inimigo, hilotas ou estrangeiros. As suas necessidades eram preenchidas pelos hilotas e periecos, o Estado olhava pelo seu treino, a sua obediência era assegurada pela educação e por um conjunto de leis que procuravam impedir a desigualdade(nem sempre conseguindo) econômica e qualquer forma de conseguir lucros. Todo o sistema estava fechado contra a influência externa, contra todos os estrangeiros e até contra a importação de bens do exterior. Nenhum estado se podia comparar a Esparta no seu exclusivismo ou na sua xenofobia.”.

PPEERRIIEECCOOSS:: Camada intermediária, composta de homens livres que não detinham o direito de cidadania. Viviam na periferia do núcleo urbano de Esparta, atuando no artesanato e num discreto comércio, sendo obrigados a

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pagar tributos ao Estado. Segundo Moses Finley, importante historiador norte-americano, os “periecos conservavam a liberdade pessoal e a organização de sua

própria comunidade em troca da cessão de toda a espécie de ação a Esparta nas áreas militar e no exterior. Assim restringidas, as comunidades de periecos eram, por assim dizer, poleis incompletas; no entanto, não existem sinais de que tenham lutado para se libertarem

da autoridade espartana. Sem dúvida, a resignação era a

única atitude prudente, mas havia ainda outros motivos:

paz, proteção e vantagens econômicas. Eram os periecos que dirigiam o comércio e a produção artesanal para as

necessidades dos espartanos, e eram eles que faziam com que os produtos da Lacônia se mantivessem a um nível razoável, por vezes alto até, de artesanato e de qualidade artística.”.

mesmo onde havia grandes concentrações, com nas minas de prata da Ática, as revoltas de hilotas estavam sempre latentes e de vez em quando explodiam com toda a sua força. O que manteve o domínio espartano sobre os hilotas e evitou rebeliões mais freqüentes foi a emergência de Esparta como um acampamento armado, evolução cuja chave se encontra em Messênia, conquistada depois da Lacônia e muito mais aniquilada(de tal modo que a região ficou virtualmente esvaziada das grandes obras arquiteturais que por toda parte, eram as mascas visíveis do Helenismo) Logo após meados do século sétimo, os hilotas da Messênia revoltaram-se: a tradição designa este conflito como a Segunda Guerra de Messênia e atribui-lhe a duração de dezessete anos. Os Messênios foram finalmente esmagados e a lição que deixaram traduziu-se numa total reforma social e constitucional , que transformou Esparta em verdadeiro acampamento armado.”.

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IIVV--OO AAppaarreellhhoo PPoollííttiiccoo
que embora o seu trabalho se assemelhasse ao servil
ANOTAÇÕES:

DDIIAARRQQUUIIAA:: Realeza dual. Os dois reis tinham atribuições militares e religiosas. Em tempos de guerra, um se deslocava com as tropas enquanto o outro permanecia na cidade. A existência dupla de reis deve-se, provavelmente, ao receio de que ocorresse um regime autocrático na cidade.

GGEERRÚÚSSIIAA:: Conselho de anciãos. Composto por 28 gerontes, chegava a 30 quando os reis participavam das reuniões. A Gerúsia tinha caráter vitalício e mantinha atribuições legislativas e consultivas.

EEFFOORRAATTOO:: O mais importante órgão do aparelho político dos espartanos. Composto por um total de cinco membros, os éforos tinham um mandato anual e seriam uma espécie de conselho administrativo e fiscal, eram responsáveis peal organização das reuniões na Apela e na Gerúsia, podendo vetar leis e denunciar indivíduos que comprometessem a ordem espartana.

Acima, uma bela peça do artesanato grego, conhecida como Ânfora - vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas.

HILOTAS: Eram a maioria esmagadora da população espartana (cerca de 80%). Podemos identificar tanto

características de escravo quanto de servo em um hilota,

(entregava uma parte da produção aos espartanos), era considerado propriedade estatal. No entanto, o hilotismo possuía uma série de particularidades que o diferenciava das relações de trabalho baseada na escravidão

APELA: Todos os cidadãos espartanos podiam participar, reuniam-se com a finalidade de votar leis e decidir sobre questões de política externa. Suas reuniões não primavam pelos longos debates, a votação era feita pelo levantar simples dos braços.

praticadas em Atenas ou Roma, e também da chamada servidão medieval. Ao longo da história, os hilotas protagonizaram, com certa freqüência, inúmeras tentativas de levantes, sempre duramente reprimidas pelo exército. Tal situação fez com que os soldados ficassem sobre constante estado de alerta, mantendo os hilotas sobre pesada vigilância e realizando as kríptias (estudaremos posteriormente esta prática). Para o grande historiador Moses Finley, “os hilotas formavam uma força de trabalho compulsória. Mais do que isso, o hilotismo era marcado por particularidades. Afinal, a prática habitual, em grande parte da Antiguidade, quando se escravizava uma cidade ou região, era vender os habitantes ou dispersá-los. Os

Espartanos, contudo, tinham adotado a alternativa perigosa de os conservar subjugados na sua terra natal –

e pagavam o preço. Enquanto a história grega está

isenta, surpreendentemente, de revoltas de escravos,

a história grega está isenta, surpreendentemente, de revoltas de escravos, FAÇO IMPACTO - A CERTEZA DE

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